CORRELAÇÃO ESPAÇO-TEMPORAL DO MONITORAMENTO DA COBERTURA DO SOLO EM ÁREAS MINERADAS POR CARVÃO EM SANTA CATARINA 2 Souza,M.G.R. 1; Campos,J.J.1; Gomes C. J. B. , Koppe, J.C. 3 1 SATC - Associação Beneficente da Indústria Carbonífera de Santa Catarina CTCL – Centro Tecnológico de Carvão Limpo Rua Pascoal Meller,73. Universitário. Criciúma/SC. CEP 88805-380. Tel. 34317608, fax 34317650. e-mail: [email protected] 2 SIECESC – Sindicato da Indústria de Extração de Carvão do Estado de Santa Catarina. Rua: Pascoal Meller 73 Bairro. Criciúma/SC. CEP 88805-380. Tel. 34317606, fax 34317650. 3 DEMIN - Departamento de Engenharia de Minas Universidade Federal do Rio Grande do Sul Av. Bento Gonçalves, 9500, Setor 4, prédio 75, sala 102 CEP 91509-900 Porto Alegre – RS Tel. 51.3308.9481. E-mail: [email protected] RESUMO Em 1993, o Ministério Público Federal – MPF propôs uma ação civil pública contra as empresas carboníferas, do Estado de Santa Catarina e da União Federal, cujo objeto é a recuperação ambiental de parte da bacia carbonífera. A partir dessa ação, desde 2000 as empresas passaram a desenvolver o Projeto de Recuperação Ambiental da Bacia Carbonífera de Santa Catarina e, desde 2008, este projeto é acompanhado pelo Grupo de Assessoramento Técnico – GTA, composto por técnicos das empresas carboníferas, SIECESC, DNPM, FATMA, MPF e CPRM. Para avaliar esta recuperação, foram selecionados indicadores ambientais e elaborado um plano de monitoramento. O CTCL realiza o monitoramento dos recursos hídricos superficiais e subterrâneos, o mapeamento das bocas de minas abandonadas, o monitoramento do meio biótico e o monitoramento da cobertura do solo. O monitoramento da cobertura do solo busca mapear as áreas onde ocorreram os impactos associados à mineração de carvão, em intervalos bianuais. Os dados deste monitoramento são quantitativos e, embora aceitos tecnicamente, é de difícil interpretação pela sociedade. Para o mapeamento das classes de cobertura do solo utilizam-se imagens de satélite de alta resolução que, após ortorretificadas, servem como base cartográfica. Em tela são extraídas as feições geográficas que subsidiam a validação de campo, onde são verificadas as classes de cobertura do solo e, posteriormente, armazenadas em um banco de dados geográfico, gerenciado por um sistema de informação geográfico (SIG). Realizada essa análise espaço-temporal, definiram-se classes qualitativas simplificando a leitura dos dados. Tal metodologia permitiu agrupar a dinâmica das áreas monitoradas em classes informativas do estado evolutivo de recuperação por meio de uma análise de transformação no período entre 2005 e 2007. Em 2005, foi identificado que 8% das áreas degradadas possuíam processos de recuperação em estágio inicial, já em 2007, este percentual passou para 28%. Em contrapartida, 68% das áreas ainda não apresentavam processo de recuperação ambiental iniciado. PALAVRAS-CHAVE: monitoramento ambiental, recuperação ambiental e sistema de informação geográfica - SIG. Em 1993, o Ministério Público Federal – MPF propôs uma ação civil pública em desfavor das empresas carboníferas, do Estado de Santa Catarina e da União Federal, cujo objeto é a recuperação ambiental da bacia carbonífera. Sendo assim, desde 2000 as carboníferas desenvolvem o Projeto de Recuperação Ambiental da Bacia Carbonífera de Santa Catarina e, desde 2008, este projeto é acompanhado pelo Grupo de Assessoramento Técnico – GTA, composto por técnicos das empresas carboníferas, SIECESC, DNPM, FATMA, MPF e CPRM. Para avaliar esta recuperação, foram selecionados indicadores ambientais e elaborado um plano de monitoramento. O CTCL realiza o monitoramento dos recursos hídricos superficiais e subterrâneos, o mapeamento das bocas de minas abandonadas, o monitoramento do meio biótico e o monitoramento da cobertura do solo. Este último, foco deste artigo, tem como objetivo mapear as áreas onde ocorreram os impactos associados à mineração de carvão, em intervalos bianuais. Os dados deste monitoramento são quantitativos e, embora aceitos tecnicamente, é de difícil interpretação pela sociedade. Para o mapeamento das classes de cobertura do solo utilizam-se imagens de satélite de alta resolução que, após ortorretificadas, servem como base cartográfica. Em tela são extraídas as feições geográficas que subsidiam a validação de campo, onde são verificadas as classes de cobertura do solo e posteriormente armazenadas em um banco de dados geográfico, gerenciado por um sistema de informação geográfico (SIG). Realizada essa análise espaço-temporal, definiram-se classes qualitativas simplificando a leitura dos dados. Tal metodologia permitiu agrupar a dinâmica das áreas monitoradas em classes informativas do estado evolutivo de recuperação através de uma análise de transformação entre 2005 e 2007. Em 2005, foi identificado que 8% das áreas degradadas possuíam processos de recuperação em estágio inicial, já em 2007, este percentual passou para 28%. Em contrapartida, 68% das áreas ainda não apresentavam processo de recuperação ambiental iniciado. PALAVRAS-CHAVE: monitoramento ambiental, recuperação ambiental e sistema de informação geográfica - SIG. RESUMEN En 1993, el ministerio federal - MPF inició una acción civil en detrimento de las empresas del carbón, del estado de Santa Catarina y del Gobierno Federal, cuyo objeto es la recuperación ambiental de la cuenca del carbón. Así, desde el año 2000 las empresas del carbón desarrollar el proyecto de recuperación ambiental de la cuenca del carbón de Santa Catarina, y desde 2008, este proyecto está acompañado por el Grupo de Asesoramiento Técnico - GTA, compuesto por técnicos de las empresas del carbón, SIECESC, DNPM, Fatma, MPF y CPRM. Para evaluar esta recuperación, fueron elegidos indicadores ambientales y se elaboró un plan de seguimiento. CTCL lleva a cabo el seguimiento de los recursos superficiales y aguas subterráneas, la cartografía de las bocas de minas abandonadas, la vigilancia de la biota y la vigilancia de la cubierta vegetal. Estas últimas se centran en el presente artículo tiene como objetivo èl mapa de las zonas dònde los efectos se asociaron con la minería del carbón en intervalos de dos años. Los datos de este seguimiento son cuantitativos y, aunque técnicamente aceptables, de difícil interpretación por la sociedad. Para la cartografía de las clases de cubierta terrestre se utilizan imágenes de satélite de alta resolución para que después de ortorectificadas, sirvan como base cartográfica. En la exhibición son extraídas o sacadas las características geográficas que apoyan la validación de campo, donde son comprobadas las classes de cubierta del suelo y se almacena en una base de datos geográficos, gestionado por un sistema de información geográfica (SIG). Realizado este análisis de tiempo y espacio, hemos definido las clases para simplificar la lectura de los datos cualitativos. Esta metodología nos permitió agrupar la dinámica de las áreas de control en las clases de información de estado evolutivo de la recuperación a través de un análisis de la transformación entre 2005 y 2007. En 2005, se identificó que el 8% de las áreas degradadas poseen procesos de recuperación en la etapa inicial, en 2007, este porcentaje aumentó al 28%. En contraste, el 68% de las áreas aún no había comenzado el proceso de recuperación del medio ambiente. PALABRAS-CLAVE: vigilancia del medio ambiente, restauración ambiental y sistema de información geográfica - SIG. 1. INTRODUÇÃO Conforme relata Brasil, (2008) o Ministério Público Federal - MPF no ano de 1993 propôs uma ação civil pública em desfavor das empresas carboníferas, seus diretores e sócios majoritários, o Estado de Santa Catarina e a União Federal, tendo como ação principal à recuperação dos danos ambientais causados pela exploração de carvão mineral na região sul de Santa Catarina. Em 2000 foi proferida sentença que condenou os réus, solidariamente, a apresentarem projetos de recuperação ambiental da região que compõe a bacia carbonífera do sul do estado de Santa Catarina, contemplando as áreas de depósitos de rejeitos, áreas mineradas a céu aberto e minas abandonadas, bem como o desassoreamento, fixação de barrancas, descontaminação e retificação dos cursos d'água, além de outras obras que visem amenizar os danos sofridos principalmente pela população dos municípios-sedes da extração e do beneficiamento deste mineral. Para atendimento desta sentença, segundo Brasil (2009) as empresas carboníferas vêm desenvolvendo, desde maio de 2000, o Projeto de Recuperação Ambiental da Bacia Carbonífera do Sul de Santa Catarina, contando com o assessoramento técnico do Grupo de Assessoramento Técnico – GTA, que foi criado com a finalidade de dar suporte técnico desde 2008. Este grupo é composto de técnicos das empresas carboníferas, o Sindicato da Indústria da Extração de Carvão do Estado de Santa Catarina – SIECESC, Departamento Nacional de Produção Mineral - DNPM, Fundação do Meio Ambiente - FATMA, MPF e a Serviço Geológico do Brasil – CPRM. Com isso a Associação Beneficente da Indústria Carbonífera de Santa Catarina - SATC, através do Centro Tecnológico de Carvão Limpo - CTCL em convênio com o SIECESC e a CPRM realizam campanhas de monitoramentos através de indicadores ambientais, entre eles, o monitoramento que avalia a qualidade dos recursos hídricos superficiais e subterrâneos, o mapeamento das bocas de minas abandonadas, monitoramento do meio biótico e o monitoramento da cobertura do solo. Para Campos et all, (2009) o monitoramento da cobertura do solo tem como objetivo principal mapear as áreas onde ocorreram os principais impactos associados à mineração de carvão, em intervalos bianuais. Os dados deste monitoramento, são dados quantitativos. Para este monitoramento, utiliza-se produtos cartográficos e imagens orbitais para avaliar a situação atual das áreas degradadas pela mineração a céu aberto e deposição de rejeitos de carvão, através da validação de campo. Posterior a validação estas imagens são processadas e digitalizadas as feições para armazenamento das informações geográficas num banco de dados geográfico (SIG). Os principais níveis de informações mapeados são: mineradas a céu aberto; depósitos de rejeitos e céu aberto com posterior deposição de rejeitos. E as classes de cobertura do solo utilizadas são: argila, vegetação introduzida, vegetação espontânea, remanescentes florestais, áreas urbanizadas industriais, áreas urbanizadas residenciais, lagoas ácidas internas e lagoas ácidas externas. Salienta-se que as classes remanescentes florestais, vegetação introduzida e vegetação espontânea não foram classificadas na primeira campanha de monitoramento, assim como as categorias áreas residenciais e industriais. Esses níveis originaram-se a parir de uma subdivisão das classes originais revegetação e áreas urbanizadas, respectivamente (BRASIL, 2009). A análise qualitativa consiste em simplificar a leitura dos dados através de critérios que permitam agrupar a dinâmica das áreas monitoradas em classes qualitativas que informam diretamente o estado evolutivo de recuperação ambiental das áreas degradadas. Cujo objetivo principal é a análise da transformação das áreas entre 2005 e 2007 dos distritos da bacia carbonífera. Segundo Baca, Neto e Menezes (2007), uma das principais características do uso do solo é sua transformação em relação ao tempo, isso porque nas áreas ocorrem os ciclos biogeoquímicos e o fluxo de energia. Como em cada fragmento da cobertura do solo têm-se características próprias de composição físico-química e distintas condições ambientais, então podem ser esperadas dinâmicas diferentes em cada posição espacial. 2. LOCALIZAÇÃO A abrangência da área de estudo do monitoramento da cobertura do solo segundo Brasil, (2008) está situada na região sul do estado de Santa Catarina, localizada na bacia carbonífera como apresentado na Figura 1. Figura 1- Mapa de localização da bacia Carbonífera com a delimitação dos 18 distritos. Fonte: CTCL, 2009. Devido à extensão da bacia carbonífera, a mesma foi dividida em distritos geográficos, com base na distribuição espacial das áreas impactadas. Esta divisão facilita a comunicação e o planejamento de qualquer atividade a ser desenvolvida nesta região. No total são 18 distritos, listados na Tabela 1 (BRASIL, 2008). Tabela 1 - Nomenclatura dos distritos da bacia carbonífera do sul de SC, Fonte: Brasil, (2008). DISTRITOS 00 - MORRO DA PALHA 01 - RIO HIPÓLITO 02 - LAURO MÜLLER 03 - BARRO BRANCO 04 - SANTANA 05 - FORQUILHA 06 - RIO CARVÃO 07 - TREVISO 08 - RIO DESERTO 09 - SIDERÓPOLIS 10 - CRICIÚMA NORTE 11 - CRICIÚMA SUL 12 - LINHA BATISTA 13 - MINA 4 14 - SANGÃO 15 - VERDINHO 16 - IÇARA 17 - ESTIVA DOS PREGOS 18 - CAETÉ 3. DADOS QUANTITATIVOS Nos dados validados entre as duas campanhas, Campos et all, (2009) observou-se que não houve mudanças significativas na quantificação das classes das áreas impactadas, mais precisamente no aumento dos passivos ambientais, pois os 330,68 ha adicionados representam apenas 5% do total das áreas mapeadas na bacia carbonífera. Para maior detalhamento deste mapeamento atendo-se as classes da cobertura do solo, ratifica-se que foram incorporadas cinco novas classes (urbanizada industrial, urbanizada residencial, vegetação espontânea, vegetação introduzida e remanescente florestal). Estas novas classes não possuem dados na primeira campanha e, portanto, não é possível analisar a evolução das mesmas no espaço e tempo (Tabela 2). Na primeira campanha, o rejeito ou estéril exposto representava 45,31% do total dos limites monitorados, enquanto a revegetação tinha um percentual de 33,00%, seguida pelas áreas urbanizadas (9,56%), argila (9,19%) e lagoa interna (2,95%). Na segunda campanha, rejeito ou estéril exposto (23,42%) deixou de ser a classe dominante, cedendo esta posição para a revegetação, que agora representa 55,23%, seguida das áreas urbanizadas (12,62%), argila (5,49%) e lagoas interna (3,25%). Tabela 2 - Quantificação das classes de cobertura do solo, Fonte: Brasil, (2009) atualizada pelo autor. 4. METODOLOGIA Para definição desta metodologia, fez-se rodadas de reuniões para debater sobre o tratamento dos dados quantitativos levantados nas campanhas de monitoramento da cobertura do solo em 2005 e 2007. Por se tratar de uma temática multidisciplinar realizaram-se reuniões compostas por técnicos de diferentes áreas: engenheiro agrimensor, engenheiro ambiental, engenheiro de minas, geólogos e biólogos. No escopo do monitoramento da cobertura do solo são considerados dois níveis de informações espaciais (camadas ou “layers”): (i) o primeiro nível refere-se à identificação e limitação de áreas que sofreram interferência da atividade carbonífera (áreas impactadas), que abrange a mineração a céu aberto, depósitos de rejeitos, áreas mineradas a céu aberto que foram posteriormente utilizadas para deposição de rejeitos e; (ii) o segundo nível consiste na identificação e limitação de áreas que retratam as alterações das glebas mapeadas pela primeira camada, que são representadas pelas classes remanescentes florestais, vegetação introduzida, vegetação espontânea, argila, áreas residenciais, áreas industriais, lagoas ácidas internas, lagoas ácidas externas e rejeito ou estéril exposto (BRASIL, 2009). Em paralelo a realização das campanhas, todos os levantamentos são armazenados num banco de dados geográficos gerenciado por um sistema de informação geográfica (SIG) e que posteriormente, são utilizados para formulação de relatórios que possibilita uma análise evolutiva das classes definidas neste monitoramento (figura 2). Figura 2- Esquema da metodologia do tratamento dos dados do monitoramento da cobertura do solo. Feitas as análises espaços-temporais, faz-se uma interpretação qualitativa dos resultados por meio de técnicas de álgebras de mapas, que permitem cruzamentos espaciais e através de uma reclassificação que relaciona as interseções resultantes em quatro classes que representam o conjunto de interpretações definidas pelos técnicos envolvidos, o qual é composto por quatro unidades de mapeamento: em processo inicial de recuperação ambiental, em processo avançado de recuperação ambiental, processo paralisado e processo não inicializado. Considera-se possível a análise qualitativa, em uma área com tempos distintos, sua dinâmica dependerá da intensidade da intervenção das suas classes de cobertura do solo. Para determinar e explicar tal dinâmica soma-se duas paisagens de uma mesma área em épocas distintas. Portanto as novas áreas mapeadas e os distritos que não possuíam ortofoto inicialmente, não serão objetos deste tipo de análise de transformação da paisagem. Através da transição das classes de cobertura do solo, chegaram-se as classes qualitativas. 4.1 CRITÉRIOS EVOLUTIVOS QUALITATIVOS Em processo inicial: São todas as ações que visem a minimização dos impactos do meio alterado, pois refletirão de forma positiva na transformação da paisagem (figura 3). Para que o processo seja considerado inicial, foram consideradas várias situações distintas sendo elas: Argila (2005) - lagoa interna (2007), esta situação ocorre principalmente em pátios operacionais, com a construção de novas bacias e lagoas de decantação. Argila (2005) – vegetação espontânea (2007), indica que ficou dois anos sem mais nenhum tipo de intervenção ambiental na área, propiciando o desenvolvimento da vegetação espontânea. Argila (2005) – vegetação introduzida com solo alterado (2007), indícios que a reconstrução do solo não ocorreu de forma efetiva. Lagoa interna (2005) – vegetação introduzida com solo construído (2007), estes são os casos de recuperação de antigas bacias de decantação. Rejeito ou estéril exposto (2005) – argila (2007), início dos processos de recuperação ambiental com a etapa de construção do solo. Rejeito ou estéril exposto (2005) – vegetação introduzida com solo construído (2007), houve a introdução da vegetação em solo construído, porém em estágio sucessional inicial. Revegetação (2005) – argila (2007), possivelmente esta vegetação se desenvolveu em solo alterado em 2005, por isso houve a etapa de construção do solo. Revegetação (2005) – vegetação introduzida com solo construído (2007), por não existir a reclassificação da vegetação com o tipo de solo em 2005, optou-se por classificar esta situação como estágio inicial. Figura 3 - Exemplo de área classificada em processo inicial, onde em 2005 apresentava lagoa interna, e em 2007 com vegetação introduzida em solo construído. Fonte: Banco de dados CTCL, 2010. Em processo avançado: Para que o processo seja considerado avançado, foi considerado duas situações distintas e o cruzamento entre elas: a primeira situação que foi mapeada em 2005 com a presença de argila, e a segunda situação com a presença de vegetação introduzida em 2007 e a confirmação que houve a construção do solo (figura 4). Estas ações indicam que houve uma transformação positiva com dinâmica sucessiva onde é mantida uma constante modificação da paisagem até atingir a recuperação ambiental efetiva, que será comprovada posteriormente com o monitoramento. Figura 4 - Exemplo de área classificada em processo avançado, onde em 2005 apresentava argila, e em 2007 com vegetação introduzida em solo construído. Fonte: Banco de dados CTCL, 2010. Processo paralisado: São as áreas onde em um primeiro momento houve alguma intervenção ambiental, porém sem continuidade (figura 5). Esta paralisação dependendo do tempo pode haver uma mudança de paisagem de forma negativa. As situações que indicam a paralisação são: Argila (2005) – argila (2007), mesma situação em duas campanhas é considerado processo paralisado. Argila (2005) – rejeito ou estéril exposto (2007), pela ausência de intervenção ambiental, as ações de intemperismo aceleraram os processos erosivos expondo novamente o material. Argila (2005) – urbanizada industrial (2007), novas instalações de indústrias nas áreas, sem previsão de uso futuro. Argila (2005) – urbanizada residencial (2007), são os casos de áreas invadidas, sem previsão de uso futuro. Argila (2005) – vegetação espontânea com solo alterado (2007), pela ausência de intervenção ambiental continuada, as ações de intemperismo aceleraram os processos erosivos expondo novamente o material e a vegetação surgiu de forma espontânea no local. Figura 5 - Exemplo de área classificada como paralisada, onde em 2005 apresentava argila, e em 2007 com rejeito. Fonte: Banco de dados CTCL, 2010. Processo não inicializado: São áreas onde não houve nenhuma modificação da paisagem com obras de recuperação ambiental ou de melhorias em 2005 e nem em 2007 (figura 6). Em alguns casos houve a modificação da paisagem mas de forma negativa, ou que não minimizam os impactos do meio alterado. As situações que indicam a ausência de ações de recuperação são: Rejeito ou estéril exposto (2005) – lagoa interna (2007), em períodos de chuva forma-se lagoas através de inundação das áreas mais baixas. Rejeito ou estéril exposto (2005) – rejeito ou estéril exposto (2007), mesma situação de rejeito ou estéril exposto em duas campanhas é considerado processo não inicializado. Rejeito ou estéril exposto (2005) – urbanizada industrial (2007), novas instalações de indústrias nas áreas impactadas. Rejeito ou estéril exposto (2005) – urbanizada residencial (2007), são os casos de áreas invadidas em áreas impactadas. Rejeito ou estéril exposto (2005) – vegetação espontânea com solo alterado (2007), são situações que algumas espécies se desenvolvem mesmo em condições extremas. Rejeito ou estéril exposto (2005) – vegetação introduzida com solo alterado (2007), reflorestamento geralmente de eucaliptos e/ou pinnus por parte dos donos das terras cedidas para mineração. Revegetação (2005) – vegetação espontânea com solo alterado (2007), a reclassificação indicou que a vegetação encontrada não é aquela que necessita de intervenção humana para seu estabelecimento, e que a mesma se adapta em solo alterado. Revegetação (2005) – vegetação introduzida com solo alterado (2007), a reclassificação indica que é vegetação introduzida em solo alterado, sem indícios de recuperação ambiental efetiva e sim para fins de reflorestamento com espécies exóticas. Figura 6 - Exemplo de área classificada como processo não inicializado, onde em 2005 rejeito, e em 2007 com área urbanizada residencial. Fonte: Banco de dados CTCL, 2010. 5. RESULTADOS 5.1 DADOS QUALITATIVOS DA BACIA CARBONIFERA Através do cruzamento das paisagens da primeira e segunda campanha, nota-se que em 2005 houve processo inicial em 8%, já em 2007 estas intervenções passaram para 28%, em contra partida 68% das áreas ainda não houve nenhum processo de recuperação ambiental inicializado. Porém é de suma importância ressaltar que 3080,652 ha das áreas possuem PRAD, o que representa 46,6% do total das áreas impactadas na bacia carbonífera com seus cronogramas bem definidos. Com relação aos dados qualitativos por distrito, cinco distritos (00, 01, 06, 12 e o 13) aparecem em 2007 com mais de 90% de suas áreas com a classificação processo não inicializado, e outros cinco (02, 03, 04, 08 e 11) com percentual entre 80% e 70% com a mesma classe qualitativa. Para a classificação em processo inicial, doze distritos (02, 03, 05, 07, 08, 09, 10, 11, 14, 15, 16 e o 17) estão com suas áreas acima de 15% chegando até 50% em alguns casos. Os distritos que também merecem destaque são o 16 e o 17 com 13% e 26% das suas áreas reclassificados em processo avançado. E os distritos com maiores índices de processo paralisado, foram os distritos 02 (6,65%), o 05 (7,05%) e o 17 (11%). Tabela 3 - Dados qualitativos dos distritos inseridos na bacia carbonífera. Distrito Classificação 00 - Morro da Palha Áreas (ha) Porcentagem (%) Áreas (ha) Porcentagem (%) Áreas (ha) Porcentagem (%) Áreas (ha) Porcentagem (%) Áreas (ha) Porcentagem (%) Áreas (ha) Porcentagem (%) Áreas (ha) Porcentagem (%) Áreas (ha) Porcentagem (%) Áreas (ha) Porcentagem (%) Áreas (ha) Porcentagem (%) Áreas (ha) Porcentagem (%) Áreas (ha) Porcentagem (%) Áreas (ha) Porcentagem (%) Áreas (ha) Porcentagem (%) Áreas (ha) Porcentagem (%) Áreas (ha) Porcentagem (%) Áreas (ha) Porcentagem (%) Áreas (ha) Porcentagem (%) 01 - Rio Hipólito 02 - Lauro Müller 03 - Barro Branco 04 - Santana 05 - Forquilha 06 - Rio Carvão 07 - Treviso 08 - Rio Deserto 09 - Siderópolis 10 - Criciúma Norte 11 - Criciúma Sul 12 - Linha Batista 13 - Mina 4 14 - Sangão 15 - Verdinho 16 - Içara 17 - Estiva Processo Processo não Processo Processo inicial inicializado avançado paralisado 0,44 14,97 0 0 3 97 0 0 0,87 53,19 0 0 1,60 98,40 0 0 76,60 377,35 6,67 32,70 15,55 76,45 1,35 6,65 108,89 267,12 4,53 12,88 27,75 67,80 1,15 3,30 29,15 530,30 8,64 25,53 5 89,20 1,50 4,30 126,20 144,61 5,52 21,01 42,50 48,60 1,85 7,05 10,96 414,42 2,90 1,26 2,60 95,50 1,40 0,50 184,46 175,39 4,36 8,61 49,50 47 1,20 2,30 6,94 29,78 0 0 18,14 77,87 0 0 259,77 607,38 70,26 41,93 26,50 62 7,20 4,30 204,87 290,33 19,51 32,49 37,40 53,10 3,60 5,90 98,55 410 22,61 20,43 17,90 74,30 4,10 3,70 3,40 120,89 0 8,55 2,55 91 0 6,45 18,70 196,46 0 4,97 8,50 89,25 0 2,25 155,66 273,03 30,92 33,61 31,38 55,57 6,25 6,80 54,58 92,27 0,87 2,03 36,30 61,36 0,60 1,74 27,71 19,30 7,31 0,40 50,63 35,25 13,37 0,75 71,42 124,93 67,94 19,55 23 40 26 11 Total 15,41 100 54,06 100 493,32 100 393,42 100 593,62 100 297,34 100 429,54 100 372,82 100 36,72 96,01 979,34 100 547,20 100 551,59 100 132,84 100 220,13 100 493,22 100 149,75 100 54,72 100 283,84 100 6. CONCLUSÃO Este trabalho é parte de um projeto que visa acompanhar o processo de recuperação ambiental da bacia carbonífera catarinense, e apresenta informações sobre o monitoramento da cobertura do solo nas áreas impactadas pela mineração de carvão, entre outros monitoramentos. A metodologia adotada comprovou que é possível a análise qualitativa, em uma mesma área com tempos distintos, sua dinâmica dependerá da intensidade das intervenções sobre as classes de cobertura do solo. Portanto as novas áreas mapeadas e os distritos que não possuíam ortofoto inicialmente, não foram objeto deste tipo de análise de transformação da paisagem. Através da transição das classes de cobertura do solo, chegaram-se as classes qualitativas. É importante salientar que este monitoramento não visa diagnosticar a qualidade dos trabalhos de recuperação ambiental das áreas impactadas pela exploração de carvão e sim, avaliar atraves dos tipos de usos do solo. À medida que os trabalhos de recuperação ambiental avançar, as classes de cobertura do solo irão modificar conseqüentemente as classes da correlação qualitativa também irão modificar conforme a dinâmica das paisagens. Como conseqüência positiva, diminuirá a extensão da cobertura de áreas impactadas por depósitos de rejeitos e sítios de mineração a céu aberto com posterior depósito de rejeitos, diminuindo assim a geração de drenagem ácida de mina, resultando numa melhora considerável dos recursos hídricos superficiais ao longo dos anos. Cabe ressaltar que poucos projetos desta magnitude estão sendo desenvolvidos na atualidade no território nacional. A recuperação ambiental destas áreas impactadas irão efetivamente proporcionar impactos positivos na região carbonífera de Santa Catarina, representando um notável avanço na qualidade de vida das populações desta região. 7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BACA, J.F.M.; COELHO NETTO, A.L.; MENEZES, P. M. L. 499 - 528 Modelagem da Dinâmica da Paisagem com Processos de Markov. In: MEIRELLES, M. S. P.; CAMARA, G.; ALMEIDA, C.M. Geomática: Modelos e Aplicações Ambientais. Brasília, DF: EMBRAPA, 2007. 593p. BRASIL. Justiça Federal. 1ª Vara Federal de Criciúma, SC. Processo nº 2000.72.04.002543-9. Autor: Ministério Público Federal. Réu: Nova Próspera Mineração S.A. e outros. Recuperação dos passivos ambientais decorrentes da mineração de carvão no sul do Estado de Santa Catarina. Segundo relatório de monitoramento dos indicadores ambientais. Criciúma, jul. 2008. 192 p. BRASIL. Justiça Federal. 1ª Vara Federal de Criciúma, SC. Processo nº 2000.72.04.002543-9. Autor: Ministério Público Federal. Réu: Nova Próspera Mineração S.A. e outros. Recuperação dos passivos ambientais decorrentes da mineração de carvão no sul do Estado de Santa Catarina. Terceiro relatório de monitoramento dos indicadores ambientais. Criciúma, jul. 2009. 222 p. CAMPOS, J.J; et all. Ferramenta para monitoramento ambiental de áreas degradadas pela mineração de carvão . Anais do XXIII Encontro de Tratamento de Minérios e Metalurgia Extrativa, v.2, pag. 403. Gramado, Brasil, 2009. SOUZA, M.G.R; et al. Validação de áreas mineradas por carvão em Santa Catarina – Brasil. Anais do XXIII Encontro de Tratamento de Minérios e Metalurgia Extrativa, v.2, pag. 463. Gramado, Brasil, 2009.