UNIVERSIDADE DO EXTREMO SUL CATARINENSE - UNESC CURSO DE ENGENHARIA CIVIL ANDRÉ SUPP MARTINS APROVEITAMENTO DE ÁGUA PLUVIAL PARA FABRICAÇÃO DE CONCRETO CRICIÚMA, JUNHO DE 2010. 0 ANDRÉ SUPP MARTINS APROVEITAMENTO DE ÁGUA PLUVIAL PARA FABRICAÇÃO DE CONCRETO Trabalho de Conclusão de Curso, apresentado para obtenção do grau de bacharel no curso de Engenharia Civil, da Universidade do Extremo Sul Catarinense, UNESC. Orientador (a): professor Nestor Back CRICIÚMA, JUNHO DE 2010. 1 ANDRÉ SUPP MARTINS APROVEITAMENTO DE ÁGUA PLUVIAL PARA FABRICAÇÃO DE CONCRETO Trabalho de Conclusão de Curso, apresentado para obtenção do grau de bacharel no curso de Engenharia Civil, da Universidade do Extremo Sul Catarinense, UNESC. Criciúma, 30 de Junho de 2010. BANCA EXAMINADORA _______________________________________________ Prof. Nestor Back – especialista - UNESC– Orientador ______________________________________________ Prof. Álvaro José Back - Doutor - UNESC ______________________________________________ Prof. Tadeu de Souza Oliveira – Mestre - UNESC 2 Dedico este trabalho a minha mãe (im memoriam) que sempre me ajudou e incentivou-me a concretizar meus sonhos. Auxiliando-me nos mais importantes momentos, me ajudando a crescer. 3 AGRADECIMENTOS Agradeço a Deus, por fazer da minha vida uma vitória diária, por iluminar o meu caminho, cuidar de mim, me permitir sonhar e me dar forças para buscar a realização destes sonhos. Agradeço carinhosamente a grande mãe e mulher Jandira Supp Martins (in memoriam) pela dedicação, pelos ensinamentos, pelo seu amor e carinho que a mim dedicou todos os dias de sua vida, pois seu amor incondicional é o que me da forças. As minhas irmãs Luciana Martins Marcom e Patrícia Martins Cervi pelo amor e afeto. Agradeço ao professor Nestor Back, orientador, pela sua ajuda e seu apoio. Agradeço também ao professor Álvaro Back, pela paciência e sabedoria. Em fim, a todos da banca examinadora, pela importante contribuição para o enriquecimento e conclusão do trabalho realizado. Agradeço a minha noiva Eduarda Dal Pont, pela confiança, incentivo, compreensão, paciência e acima de tudo pelo grande amor e cumplicidade. Agradeço também a minha sogra Denilze Tramontim Dal Pont, pelo carinho e por estar sempre ao meu lado nos momentos mais difíceis. 4 “Para realizar grandes conquistas, devemos não apenas agir, mas também sonhar; não apenas planejar, mas também acreditar.” (Anatole France) 5 RESUMO A água além de satisfazer uma necessidade fisiológica do homem, é também essencial à evolução da agricultura e ao desenvolvimento industrial. Por isto, o presente trabalho tem como objetivo demonstrar a importância de um sistema de aproveitamento da água de chuva em um galpão, a água resultante deste sistema poderá ser utilizado na fabricação de tubos de concreto, devido a média extensão da cobertura do galpão, este constitui em uma excelente fonte de captação de água de baixo custo. O sistema é composto por calhas, condutores horizontais e verticais, filtro, reservatório e cisterna para armazenamento da água. Verificou-se no final do estudo que existe a possibilidade do aproveitamentio da água de chuva, contribuíndo assim para a preservação das reservas naturais, economia de água e custos a médio prazo, além de amenizar problemas como o risco de desabastecimento, racionamento, e amenizar os efeitos da erosão e impermeabilização do solo como alagamentos e inundações. Palavras - chave: água, chuva, reaproveitamento da água. 6 LISTA DE TABELAS Tabela 1 - Índices pluviométricos.............................................................................35 Tabela 2 - Intensidade pluviométrica na Cidade de Sombrio/SC.............................35 Tabela 3 - Demanda média de água utilizada na Indústria......................................36 Tabela 4 - Coeficiente de rugosidade de manning..................................................39 Tabela 5 - Determinação dos condutores verticais...................................................40 Tabela 6 - Dimensões da calha ...............................................................................44 Tabela 7 - Volume mensal de produção da água de chuva......................................46 7 LISTA DE EQUAÇÕES Equação 1. cálculo de capacidade de coleta do galpão...........................................36 Equação 2. Cálculo da área de contribuição.............................................................37 Equação 3. Cálculo da vazão do projeto ..................................................................38 Equação 4. Dimensionamento das Calhas. .............................................................38 Equação 5. Cálculo da área da seção molhada. ......................................................39 Equação 6. Cálculo do raio hidráulico. .....................................................................39 Equação 7. Cálculo dimensionamento da cisterna (a)..............................................41 Equação 8 - Cálculo dimensionamento da cisterna (b).............................................41 8 LISTA DE FIGURAS Figura 1- O ciclo da água..........................................................................................17 Figura 2- Reservatório de Yerebatan Sarayi Istambul na Túrquia............................26 Figura 3- Cisternas do programa 1 milhão de cisternas............................................29 Figura 4- Residência em Ribeirão Preto com aproveitamento de água pluvial........30 Figura 5- Esquema geral da caixa ou reservatório para água da chuva...................31 Figura 6- Vista transversal do galpão........................................................................34 Figura 7- Cálculo da área de contribuição.................................................................37 Figura 8- Esquema de uma calha para o cálculo......................................................39 Figura 9- Filtros comerciais.......................................................................................41 Figura 10- Dimensões do galpão...............................................................................43 Figura 11- Dimensões da calha.................................................................................44 9 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ANA – Agência Nacional de Águas. EMBRAPA - Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária. FECAN - Federação dos Municípios de Santa Catarina. SAMAE - Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto. NBR - Normas Brasileiras de Regulamentação. SC - Santa Catarina. h - Hora. l - Litros. cm - centímetros. min - minutos. mm - milímetros. m² - metros quadrados. m³ - metros cúbicos. m/m - metro por metro. s - segundos. V - volume. 10 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO.......................................................................................................13 1.1 O PROBLEMA......................................................................................................13 1.2 OBJETIVOS.........................................................................................................14 1.2.1 Geral..................................................................................................................14 1.2.2 Específicos.......................................................................................................15 1.3 JUSTIFICATIVA...................................................................................................15 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA.............................................................................16 2.1 A ÁGUA................................................................................................................16 2.2 TIPOS DE ÁGUA..................................................................................................18 2.2.1 Água bruta......................................................................................................18 2.2.2 Água mineral..................................................................................................18 2.2.3 Água radioativa..............................................................................................18 2.2.4 Água doce.......................................................................................................19 2.2.5 Água salgada..................................................................................................19 2.2.6 Água ácida......................................................................................................19 2.2.7 Água potável..................................................................................................19 2.2.8 Água poluída..................................................................................................20 2.2.9 Água tratada...................................................................................................20 2.3 A GEOGRAFIA DA ÁGUA....................................................................................20 2.3.1 Água no Brasil................................................................................................22 2.3.2 Água em Santa Catarina................................................................................23 2.4 ÁGUA DE CHUVA................................................................................................24 2.5 HISTÓRICO DA UTILIZAÇÃO DA ÁGUA DE CHUVA........................................25 2.6 QUALIDADE DA ÁGUA DE CHUVA....................................................................27 2.7 APROVEITAMENTO DA ÁGUA DE CHUVA.......................................................27 2.8 UTILIZAÇÃO DA ÁGUA DE CHUVA PELA SOCIEDADE...................................28 2.9 TÉCNICAS E PRINCIPAIS COMPONENTES PARA CAPTAÇÃO DA ÁGUA DE CHUVA......................................................................................................................29 2.9.1 Calhas..............................................................................................................31 2.9.2 Condutores horizontais e verticais...............................................................32 11 2.9.3 Filtros................................................................................................................32 2.9.4 Separador das primeiras águas.....................................................................32 2.9.5 Cisterna.............................................................................................................32 3 MATERIAIS E MÉTODOS......................................................................................34 3.1 ÍNDICES PLUVIOMÉTRICOS..............................................................................34 3.2 DEMANDA DE ÁGUA NA INDÚSTRIA................................................................36 3.3 CAPACIDADE DE COLETA DO GALPÃO...........................................................36 3.4 ÁREA DE CONTRIBUIÇÃO.................................................................................36 3.5 VAZÃO DO PROJETO.........................................................................................37 3.6 CALHAS...............................................................................................................38 3.7 CONDUTORES VERTICAIS................................................................................39 3.8 FILTRO.................................................................................................................40 3.9 CISTERNAS.........................................................................................................41 4 RESULTADOS E DISCUSSÃO............................................................................42 4.1 CÁLCULO DA ÁREA DE CONTRIBUIÇÃO.........................................................42 4.2 VAZÃO A SER CAPTADA NA CALHA.................................................................43 4.3 DIMENSIONAMENTO DAS CALHAS..................................................................44 4.4 CONDUTORES VERTICAIS................................................................................45 4.5 RESERVATÓRIO DE DESCARTE......................................................................46 4.6 CÁLCULO DA CAPACIDADE DE COLETA DO GALPÃO...................................46 4.7 DIMENSIONAMENTO DA CISTERNA.................................................................47 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS...................................................................................48 6 BIBLIOGRAFIA.....................................................................................................49 12 1 INTRODUÇÃO 1.1 O PROBLEMA A substância em maior quantidade encontrada no planeta terra é a água (SPERLING, 1996), sendo a mesma fundamental à vida, pois, todas as reações nos seres vivos necessitam de um veículo que as facilite e que sirva para regular a temperatura, devido ao grande desprendimento de calorias resultante da oxidação da matéria orgânica. E através da água se satisfaz completamente a estas exigências e se encontra presente em proporções elevadas na constituição de todos os seres vivos, inclusive no homem, onde atinge cerca de 75% de seu peso. Sua influência foi primordial na formação das aglomerações humanas (BRAILE, 1979). Segundo Miller (1966), a água além de satisfazer uma necessidade fisiológica do homem, é também essencial à evolução da agricultura e ao desenvolvimento industrial. Desde os tempos mais remotos, o homem dela depende para preservação de sua vida e, onde quer que a encontre, utiliza-a para diversos fins, inclusive como via de transporte. A água é ingerida em maior quantidade do que toda e qualquer outra substância, e é também, a principal excreção. Talvez não exista processo fisiológico em que ela não seja de importância fundamental. Apesar de seu grande valor, os seres humanos não fazem idéia da importância que a água significa em suas vidas. Pois, apesar de todos os esforços para armazenar e diminuir o seu consumo, a água está se tornando, cada vez mais, um bem escasso, e sua qualidade se deteriora cada vez mais rápido (FREITAS; BRILHANTE; ALMEIDA, 2001). Cuidar da natureza é um assunto que diz respeito a todos, e o melhor caminho é fazer o uso correto e equilibrado do patrimônio natural que se possui e que está se perdendo pelo consumo excessivo de alguns e pelo desperdício de outros (CROOK, 1993). Segundo Miller (1966), antigamente alguns homens já se preocupavam em melhorar a qualidade e captação da água e já executavam rudimentarmente tal processo há mais de 4.000 mil anos. Por volta de 2.500 anos a.C., na mesopotâmia 13 foi comprovado que já existiam sistemas de captação e canalização de água com o objetivo de captar e conduzir esta água para outro lugar. A captação da água de chuva é uma maneira rápida de se obter um grande volume de água em um período de tempo bastante reduzido, e de razoável qualidade. Existem maneiras conhecidas de se captar: uma delas é aproveitando o teto da casa, a sua armazenagem poderá ser feita em uma caixa separada ou diretamente na cisterna, caixa central do seu estabelecimento (Lares na cidade, fazenda, sítios, chácaras, industrias e etc.) ou ainda em cisternas secas e abandonadas, reaproveitando-as (CROOK, 1993). A água é o material mais consumido no planeta e um elemento indispensável a todas as formas de vida. Além disso, é um componente fundamental do concreto, responsável pelas reações de endurecimento e usada na cura, chega representar 20% de seu volume. A NBR 12655/96, especifica que a água destinada ao amassamento do concreto deve ser guardada em caixas estanques e tampadas, de modo a evitar a contaminação por substâncias estranhas, sendo este um fator que merece atenção, porém muitas vezes negligenciado. O aproveitamento da água de chuva no meio industrial é altamente viável devido as construções existentes, como galpões, paióis e etc, com médias e grandes extensões de telhados, sendo possível captar milhares de litros de água da chuva, o que diminui o uso de água potável (CREDER, 2003). A partir do conhecimento sobre o exposto acima se formula o seguinte problema de pesquisa: Como desenvolver um sistema construtivo e econômico para captação da água de chuva para ser utilizado na fabricação de concreto? 1.2 OBJETIVOS 1.2.1 Geral: Desenvolver um sistema de aproveitamento de água da chuva em um galpão, para fabricação de tubos de concreto. 14 1.2.2 Específicos • Verificar a potencialidade de aproveitamento da água de chuva; • Determinar a demanda de água na industria; • Demonstrar os meios de captação da água de chuva; • Demonstrar o dimensionamento das calhas; • Demonstrar o dimensionamento da cisterna; • Demonstrar sistema de abastecimento para a produção. 1.3 JUSTIFICATIVA O planeta terra está passando por intensas transformações, uma delas são os recursos naturais que estão ficando escassos, principalmente a água. Devido a este grave problema, surge o sistema de aproveitamento da água de chuva, como uma das principais soluções para melhor gestão do uso de água, incluindo benefícios sociais. 15 2. FUNDAMENTAÇAO TEÓRICA Este capítulo apresenta o referencial teórico utilizado na elaboração deste trabalho, dividido em nove seções. 2.1 A ÁGUA A água é o constituinte inorgânico mais presente na matéria viva. A água é uma substância simples, que pode ser encontrada tanto no estado líquido (reservatórios, lençóis subterrâneos, mares, rios e oceanos, etc.), gasoso (vapor d’água e umidade) ou sólido (gelo e neve), A ciência que estuda a ocorrência, a distribuição e a circulação da água na Terra é chamada de hidrologia. O contínuo movimento natural das águas - desde a sua evaporação dos oceanos pela ação solar, até retornar a eles pela circulação superficial e subterrânea, depois de ter sido distribuída em forma de precipitações no nosso planeta, a que é fundamental para o desenvolvimento da vida na Terra – é chamado de ciclo hidrológico (SPERLING, 1996). A figura 1 mostra o ciclo da água. 16 Figura 1. O ciclo da água Fonte: U.S department of the interfer, U.S. geological surver, 2002. No ciclo hidrológico, a água se apresenta na atmosfera sob a forma de vapor, podendo precipitar-se como chuva, neve, granizo ou orvalho, de acordo com as condições climáticas. Uma vez em contato com o solo, a água pode escoar, formando as chamadas águas de superfícies (rios, represas, lagos), ou se infiltrar na terra, formando as correntes subterrâneas (fontes, poços rasos ou profundos e galerias de infiltração). As águas superficiais, através da ação do calor, evaporam e voltam à atmosfera, de onde o ciclo se reinicia. Porém, as águas que se movimentam através do ciclo hidrológico completam esse ciclo em períodos diferentes de tempo (DACACH, 1979). Entretanto, segundo May (2004), não há um controle sobre o ciclo hidrológico, única solução existente aos homens é administrar e conservar a água disponível. Ao chover, as águas dissolvem, em certa quantidade, uma série de elementos: gás carbônico, oxigênio, bactérias e outras partículas. Isso não causa, entretanto, problemas do ponto de vista da qualidade. A qualidade vai depender da área de captação e dos reservatórios de armazenamento e distribuição, pois a água de chuva é insípida ao paladar e um pouco corrosiva. (HAMMER, 1999). 17 2.2 TIPOS DE ÁGUA Esta seção trata os tipos de água, juntamente suas características, sendo que diversas substâncias e microorganismos estão presentes na água, o que se sugere a seguinte classificação: 2.2.1 Água bruta É aquela que não passou por nenhum tipo de tratamento, ou seja, encontrada nas condições naturais do manancial de captação (MONTOIA, 2008). 2.2.2 Água mineral É a água subterrânea apropriada para o consumo e que possui propriedades terapêuticas. (BOTELHO, 1984). 2.2.3 Água radioativa É a água que possuiu radioatividade natural, sendo geralmente de origem subterrânea e proveniente de locais de ocorrência de explosões atômicas (MONTOIA, 2008). 18 2.2.4 Água doce É aquela própria para o consumo humano, que tem gosto agradável (MONTOIA, 2008). 2.2.5 Água salgada É água que tem alto teor de cloreto de sódio (por exemplo, a água do mar), além da dureza elevada (SPERLING, 1996). 2.2.6 Água ácida É aquela água que tem PH menor que 7, em geral as águas naturais que têm seu pH regulado pela relação dióxido de carbono/bicarbonatos. É aquela que possui elevado teor de ácidos, principalmente ácidos minerais, ácido sulfúrico, gás carbônico (CROOK, 1993). 2.2.7 Água potável É a água que é agradável aos sentidos do paladar e do olfato, inofensiva à saúde humana e que, atendendo aos padrões de potabilidade, e é adequada ao consumo doméstico (SPERLING, 1996). 19 2.2.8 Água poluída É aquela que apresenta características que a tornam imprópria para o consumo humano imediato (CROOK, 1993). 2.2.9 Água tratada É a água que, depois de captada, passou por um ou vários processos de purificação de forma a adequá-la às condições de consumo final (CROOK, 1993). 2.3 A GEOGRAFIA DA ÁGUA A água existe na Terra apresenta três fases: sólida, líquida e gasosa. A terra foi denominada planeta azul pelos primeiros astronautas, pois quase toda sua superfície é coberta pela água dos mares e oceanos. Porém para a manutenção da vida nos ecossistemas terrestres e, portanto, para a sobrevivência do homem na biosfera a água doce é fundamental. Todavia uma porcentagem muito pequena do volume total de água existente na Terra é de água doce. Entretanto, a outra parte está sob a forma de gelo ou neve nas regiões polares ou em aqüíferos muito profundos. Do restante, quase metade está nos corpos dos animais e vegetais (biota), como umidade do solo e como vapor d'água na atmosfera, e a outra metade está disponível em rios e lagos (POSTEL, 1992). A distribuição da água não se faz de forma homogênea entre a população, pois, o regime de chuvas varia muito entre as diferentes áreas de um mesmo continente, a disponibilidade de água doce per capita é bastante desigual nas várias regiões do planeta: desde níveis extremamente baixos, de 1.000 m3/ano per capita, até níveis muito elevados, superiores a 50.000 m3/ano. Outro problema são as variações climáticas periódicas que podem agravar as secas, provocando morte e 20 sofrimento humano, e também causar as enchentes, que são um dos piores desastres naturais em termos de vítimas e de danos vultosos às propriedades e aos solos agrícolas (ANDRADE, 2003). Entre 1900 e 1990, o consumo total de água para as atividades humanas (agrícola, industrial, doméstica e outras) cresceu seis vezes, que é mais do que o dobro do crescimento da população mundial neste período. O aumento do consumo é maior nos países em desenvolvimento do que nos desenvolvidos, em virtude do crescimento da população. As Nações Unidas, prevêem a estabilização do crescimento populacional somente entre o final do Século 21 e o ano 2.110. Sem dúvida, a água será um recurso limitante no Século 21 e vai atingir mais severamente os países que estão se desenvolvendo. Outros fatores preocupantes, além do crescimento demográfico, são a melhoria do nível de vida de parte da população (que terão acesso mais fácil à água) e o aumento da área irrigada e das atividades industriais (POSTEL, 1992). Entre os diversos usos da água, a que apresenta o maior desperdício é a irrigação. Para se produzir uma tonelada de grãos são necessários mil toneladas de água, e para uma tonelada de arroz, duas mil toneladas de água. Além disso, sistemas de irrigação mal planejados e ou mal operados podem provocar a salinização e degradação dos solos. A melhoria da eficiência dos sistemas de irrigação é, portanto, uma das condições prioritárias para se atingir o desenvolvimento sustentável (POSTEL, 1992). O suprimento global de água vai permanecer constante ou poder sofrer um pequeno acréscimo em virtude das mudanças climáticas - maior temperatura global gerando maior quantidade de vapor d'água. Temos que considerar, entretanto, a degradação ambiental provocada pelos desmatamentos, principalmente nas nascentes, e pela poluição dos recursos hídricos, provocada pelas atividades humanas (BOTELHO, 1984). A principal diferença entre a crise do petróleo e a crise da água é que a crise da água deverá afetar mais seriamente os países em desenvolvimento, onde centenas de milhares de pessoas já estão morrendo e continuarão a morrer devido à falta de água limpa e às secas. Nos países mais pobres, a água poluída é a principal causa de muitas doenças, como a diarréia, que mata mais de 3 milhões de pessoas (principalmente crianças) por ano no mundo. Além do mais, 80% de todas as 21 doenças e mais de 33% das mortes nos países em desenvolvimento estão associadas à falta de água em quantidades adequadas (ANDRADE, 2003). Para atendimento pleno da demanda futura de água para fins urbanos, com o aproveitamento de novas fontes, estima-se que seriam necessários investimentos da ordem de 11 a 14 bilhões de dólares por ano, durante os próximos 30 anos, o que significa o dobro da quantidade de recursos financeiros disponíveis para investimento em abastecimento doméstico durante os anos 80. Por tudo isto, recursos financeiros setoriais desta magnitude difícilmente estarão disponíveis (ANDRADE, 2003). A escassez de água, que já foi motivo para muitas guerras no passado, pode, cada vez mais, agir como catalisador no conjunto de causas ligadas a qualquer conflito futuro. A questão mais importante neste século, para muitos países, pode ser o controle dos recursos hídricos. A comunidade internacional deve reconhecer a escassez de água como poderosa e crescente força de instabilidade social e política e atribuir à crise da água a prioridade devida na agenda política internacional (BOTELHO, 1984). 2.3.1 Água no Brasil No Brasil foi avaliada a relação entre a demanda e disponibilidade de água nas doze regiões hidrográficas existente. Os resultados mostram que o Brasil é um país rico em disponibilidade hídrica, porém apresenta uma grande diferença espacial e temporal das vazões. As bacias localizadas em áreas que apresentam uma combinação de baixa disponibilidade e grande utilização dos recursos hídricos passam por situações de escassez e estresse hídrico (ANA, 2006). O Brasil é um país privilegiado em quantidade de água, mas apesar desta disponibilidade não se tem atenção suficiente a este bem econômico (SILVEIRA, 2006). O Brasil possui uma situação hídrica muito favorável no mundo, detém aproximadamente 12% da água doce existente do planeta e 6.220 bilhões de m³ das fontes renováveis do mundo, é o segundo com maior recursos hídricos ficando atrás apenas da Rússia com 4.059 bilhões de m³. Mas, contudo, possuímos um dos 22 maiores índices de desperdício de água do mundo. Verifica-se ainda que a nossa riqueza hídrica está presente na região Norte do país (TUNDISI, 2005). 2.3.2 Água em Santa Catarina O estado de Santa Catarina, situado na região Sul do País, possui fronteiras estaduais com Paraná (ao Norte), com Rio Grande do Sul (ao Sul), e internacional, com Argentina (a oeste), limita-se a leste com o oceano Atlântico, tendo Florionópolis como capital administrativa. O estado integra 293 municípios atualmente agrupados em 21 associacões, que compõem a Federação dos Municípos de Santa Catarina – FECAN (Governo do estado de Santa Catarina, 2006). Segundo a divisão atualmente adotada pela Agência Nacional de águas (ANA, 2006), os rios que drenam o território estadual de Santa Catarina integram três grandes regiões hidrográficas. A região hidrográfica do Paraná, a região hidrográfica do Uruguai e a região hidrográfica Atlântico Sul. Em Santa Catarina, a escassez de água acontece com mais intensidade no oeste do Estado e na região litorânea em época de veraneio, principalmente durante as festividades de Natal e o Ano Novo, quando muitos municípios têm sua população mais do que duplicada, com a vinda de turistas de várias partes do Brasil e do mundo (REGINALDO, 2005). A escassez de água é uma realidade em várias regiões do Estado de Santa Catarina. A elevada dependência de abastecimento de águas superficiais, a concentração da produção em áreas com baixa capacidade de retenção, principalmente o relevo acidentado e a competição com outros segmentos econômicos torna preocupante o cenário atual (REGINALDO, 2005). A contaminação crescente das fontes de abastecimento vem exigindo a busca de alternativas muitas vezes inviáveis economicamente. A estiagem é um fenômeno normal, considerada como a época do ano em que o solo perde mais água do que recebe. Quando este período se prolonga, não há a recarga dos aqüíferos e as fontes superficiais são as primeiras a secar. A estiagem ocorrida no 23 estado no ano de 2003, mostrou a fragilidade dos sistemas de abastecimento de água existentes e causou prejuízos significativos para a sociedade (REGINALDO, 2005). O Estado de Santa Catarina possui índices de precipitação anual entre razoável e excelente favorecendo o uso potencial da água de chuva (REGINALDO, 2005). 2.4 ÁGUA DE CHUVA Segundo EMBRAPA (2005), a água de chuva está disponível em abundância em quase todas as regiões brasileiras, mas seu uso para consumo humano e animal só é recomendado após tratamento. A utilização desta água para limpezas em geral, irrigação, permite poupar a água potável disponível nas propriedades. Conforme Oliveira, (2006) aproveitar a água da chuva é possível e muito viável no meio rural, sendo integrado ao abastecimento de água potável, podendo substituí-la sempre que necessário, ajudando a contribuir para a retenção das águas pluviais. Para tornar a água potável é necessário o armazenamento e o tratamento destas águas para que garanta a qualidade compatível com o seu determinado uso. As técnicas e os custos presentes no tratamento da água para dessedentação de animais estão relacionados á qualidade desta água antes do tratamento. Tratar água de boa qualidade é mais simples e econômico. As águas de chuva captadas através dos telhados das edificações apresentam uma boa qualidade, daí a necessidade de evitar sua contaminação com outras fontes (SANTOS, 2002), Segundo Giacchini (2005), aproveitar a água de chuva nas edificações significa muito mais que reduzir o consumo e as despesas com água tratada, representa um passo importante para a construção de um mundo mais digno, no qual todos tenham acesso a água de boa qualidade. Segundo Santos (2002), a água de chuva pode ser uma ótima alternativa principalmente em regiões que possuem bons níveis de precipitação. A qualidade da 24 desta água, tem sido avaliada em diversas pesquisas. Nestas pesquisas a água é coletada diretamente da atmosfera. Coletada em uma edificação, tem um contato com o sistema de drenagem pluvial da mesma, isto é, o telhado, as calhas e os condutores verticais. A água da chuva a ser utilizada é coletado de forma indireta, fato este que altera sua qualidade. 2.5 HISTÓRICO DA UTILIZAÇÃO DA ÁGUA DE CHUVA Apesar de parecer algo novo, a utilização da água de chuva pelo homem para a produção de alimentos, higiene, criação de animais e até mesmo consumo humano acontece há milhares de anos (OLIVEIRA, 2004). Em Istambul na Turquia, durante o governo de César Justinian (527-565 a.C.), foi construído um dos maiores reservatórios do mundo denominado de Yerebatan Sarayi (figura 1), cujas dimensões eram de 140 por 70 metros totalizando um volume de 80.000 m³ com objetivo de armazenar água da chuva. (OLIVEIRA, 2004). Na ilha de Creta são encontrados inúmeros reservatórios escavados em rochas anteriores a 3000 a.C. com a finalidade de aproveitamento da água da chuva para o consumo humano (TOMAZ, 2003). Na Europa, as vilas Romanas eram cidades projetadas prevendo a utilização da água de chuva para consumo humano e uso doméstico, anterior a 2000 a.C.. Pelo mundo são encontrados inúmeros reservatórios, muitos escavados em rochas com a finalidade de armazenar água de chuva para consumo humano, como por exemplo, na famosa fortaleza de Masada (Israel), na Península de Iucatã (México), em Monturque – Roma (Itália) (UNEP, 2005). No Norte do Egito, África foram encontrados recentemente tanques de 200 a 2000 m³, sendo, muitos deles, utilizados até hoje (TOMAZ, 2003). 25 Figura 2. Reservatório de Yerebatan Sarayi, Istambul na Turquia. Fonte: TOMAZ, 2003. Alguns países industrializados, como a Alemanha, a população e as autoridades públicas estão apoiando ativamente o aproveitamento de água de chuva. Além disso, o governo alemão está participando com apoio financeiro, oferecendo financiamentos para a construção de sistemas de captação de água pluvial, incentivando assim a economia de água potável para suprir as futuras populações e novas indústrias, conservando as águas subterrâneas que são utilizadas como fontes de recurso hídrico em muitas cidades do país (GROUP RAINDROPS, 2002). Segundo Tomaz (2003), especialistas acreditam que até o ano de 2010, um percentual de 15% de toda água utilizada na Europa seja proveniente de aproveitamento de água de chuva. 26 2.6 QUALIDADE DA ÁGUA DE CHUVA A água de chuva tem potencial para superar a qualidade de águas superficiais e subterrâneas visto que não entra em contato com solos ou rochas que possam contaminá-la pela dissolução de seus componentes, bem como não está diretamente sujeita ao lançamento de esgotos e outros poluentes de origem antropogênica que são constantemente dispostos em corpos d’água, podendo inclusive atingir o lençol freático (MAY, 2004). Gonçalves et. al, (2006) enfatizam que diversos fatores influenciam a qualidade da água da chuva e dentre estes se destacam a localização geográfica (proximidade do oceano, áreas urbanas ou rurais), a presença de vegetação, as condições meteorológicas (intensidade, duração e tipo de chuva, regime de ventos), a estação do ano e a presença de carga poluidora. Pode-se citar ainda a influência dos materiais que compõem o sistema de captação e armazenamento como telhados, calhas e reservatório. Segundo o mesmo autor a qualidade da água da chuva deve ser considerada nos três momentos distintos de um sistema de aproveitamento: a chuva atmosférica, a chuva após passagem pela área de captação e na cisterna ou reservatório de armazenamento. 2.7 APROVEITAMENTO DA ÁGUA DE CHUVA Conforme Silveira et. al (2006), a captação de água da chuva sendo utilizada em grande escala, pode diminuir o consumo da rede de abastecimento público podendo beneficiar muitas famílias com uma água de baixo custo, amenizando os impactos da estiagem em áreas rurais e ainda a diminuição de enchentes em áreas urbanas. Conforme Marinoski (2007), para verificar a viabilidade da implantação do sistema de aproveitamento de água pluvial são necessários os seguintes fatores: bons níveis de precipitação, ter uma área de captação e verificar a demanda do uso da água. Ao projetar o sistema devem-se observar os fatores ambientais locais, 27 clima, fatores econômicos, função e o tipo de usos da água, procurando não padronizar as soluções técnicas. Segundo Giacchini (2005), aproveitar a água da chuva é uma maneira simples e sustentável, a humanidade mostra a sua consciência como ser humano racional, inteligente e espiritual. Monstra que é possível utilizar os recursos naturais de maneira equilibrada, sem destruir ou esgotar as suas fontes possibilitando a renovação dos mesmos. De acordo com Oliveira (2006), com o aproveitamento da água de chuva, podemos obter diversas vantagens, como: • Diminuir o consumo de água potável na propriedade e diminuição dos prejuízos com a falta de água em épocas de estiagem; • Evitar o desperdício de água potável onde esta não é necessária, como na utilização na lavagem de piso na suinocultura e avicultura, descarga de vasos sanitários, irrigação de hortas e jardins; • Contribuir com a natureza no sentido ecológico não desperdiçando um recurso natural e disponível em abundância no meio rural; • Reduzir o risco de enchentes e erosão, armazenando parte da água que seria escoada para lagos e rios; 2.8 UTILIZAÇÃO DA ÁGUA DE CHUVA PELA SOCIEDADE A água de chuva pode ser utilizada em diversos processos, é uma ótima fonte de água e de tecnologia relativamente simples e econômica. A captação da água de chuva é um processo antigo e muito utilizado em regiões áridas e semiáridas como é o caso do Nordeste Brasileiro onde, às vezes, a captação ainda é feita de maneira artesanal e cuja finalidade pode, inclusive, ser o consumo humano devido à falta de água tratada (GROUP RAINDROPS, 2002). O aproveitamento da água de chuva está sendo utilizado por indústrias, escolas, dessedentação de animais, agricultura, postos de gasolina, enfim em atividades que consomem um volume elevado de água para fins não potáveis, pois 28 representa uma economia no consumo de água tratada e conseqüentemente redução de despesas (UNEP, 2005). Atualmente, a captação da água da chuva para fins de reaproveitamento é praticada principalmente na região Nordeste devido à escassez hídrica. Em julho de 2003 teve início o Programa de Formação e Mobilização Social para a Convivência com o Semi-Árido: um Milhão de Cisternas Rurais - P1MC, que tem como objetivo beneficiar cerca de 5 milhões de pessoas na região semiárida, com água potável, através da construção de cisternas. Cada cisterna tem capacidade para armazenar 16 mil litros de água da chuva, captados dos telhados através de calhas. As cisternas são confeccionadas com placas pré-moldadas de concreto ou com camadas sucessivas de argamassa armadas com tela de arame galvanizado. São construídas por pedreiros das próprias localidades treinados pelo programa e pelas famílias beneficiadas pela cisterna (UNEP, 2005). A figura 3 mostra a configuração das cisternas. Figura 3. Cisternas do programa 1 milhão de cisternas. Fonte: Rainwater Harvesting And Utilisation – UNEP (2005). 2.9 TÉCNICAS E PRINCIPAIS COMPONENTES PARA CAPTAÇÃO DA ÁGUA DE CHUVA A área de captação é a superfície onde a chuva que será coletada irá cair. As áreas onde irá cair a água da chuva são geralmente telhados de edificações, 29 áreas impermeáveis sob a superfície do solo como estacionamentos, calçadas e pátios. É mais comum a captação da água dos telhados por apresentar melhor qualidade já que não sofre influência direta do tráfego de pessoas e veículos. Outra vantagem da captação em telhados é que na maioria dos casos a água atinge o reservatório por gravidade, o que torna mais simples e acessível o projeto (DACACH, 1979). Para a utilização doméstica, os telhados das edificações são as principais áreas de captação que, em localidades rurais, podem incluir outros prédios como celeiros, galpões etc (DACACH, 1979). Segundo Netto (1995), o telhado pode estar inclinado, pouco inclinado ou plano. Para um sistema de telhado onde há várias águas (sentido que as águas correm pelo telhado), cada uma dessas têm sua importância de contribuição que será levada em consideração para o cálculo dos condutores verticais conforme explica a figura 4. Figura 4. Residência em Ribeirão Preto com aproveitamento de água pluvial Fonte: O2 Engenharia (2008). A caixa deve ser montada no lugar mais baixo, podendo receber por gravidade á água escoada de todos os lados do telhado. No caso de se usar o plástico enterrado, a água que escorrerá por toda a extensão do mesmo, também deverá estar acima da caixa (NETTO, 1995). 30 Conforme Santos (2002), um sistema para aproveitar a água da chuva, deve ser feito através da área de captação (laje, telhado e piso), por sistemas de condução das águas (condutores verticais, condutores horizontais). Segundo Tomaz (2005), de maneira geral um sistema de coleta e aproveitamento de água da chuva, tem por função a captação da mesma sobre os telhados ou lajes das edificações. A água é escoada por calhas, condutores verticais passando por filtros para o descarte de impurezas. Figura 5. Esquema geral da caixa ou reservatório para água de chuva Fonte: O2 Engenharia (2008). 2.9.1 Calhas Segundo a NBR 10844 (1989), as calhas são receptores das águas que escoam sobre as coberturas e são conduzidas a um local determinado. 31 2.9.2 Condutores horizontais e Verticais Conforme a NBR 10844 (1989), os condutores horizontais são tubulações destinadas a recolher e transportar as águas da chuva até o local destinado. De acordo com NBR 10844 (1989), condutores verticais é a tubulação destinada a recolher a água proveniente das calhas e coberturas em geral e transportar para um condutor horizontal. 2.9.3 Filtros Segundo a Embrapa (2005), Se faz necessário a filtragem da água da chuva para que seja retirada as partículas presentes no telhado como galhos, sujeira e folhas para que não comprometam a qualidade da água. 2.9.4 Separador das Primeiras Águas Segundo Tomaz (2003), a primeira água da chuva que escoa sobre as coberturas são responsáveis pela retirada da sujeira, essa água pode ser desviada manualmente através de tubulações retirando esta água da cisterna ou automaticamente sendo desviada para um dispositivo autolimpante. 2.9.5 Cisterna De acordo com a Embrapa (2005), a cisterna é utilizada para o armazenamento da água da chuva, podem ter vários formatos como retangulares, quadradas, cilíndricas e podem ser construídas com diversos matérias tais como: 32 fibra de vidro, PVC, concreto, alvenaria e ferrocimento. A cisterna deverá ter capacidade para suprir a água durante o período de seca. 33 3 MATERIAIS E MÉTODOS Este estudo foi realizado em uma indústria de tubos de concretos, na cidade de Araranguá/SC, na empresa CJC pré-moldados, onde são utilizados água potável para a produção dos mesmos, sendo esta fornecida pela SAMAE. Para o desenvolvimento de um sistema de aproveitamento da água de chuva, foi utilizado um galpão. Figura 6. vista transversal do galpão 3.1 INDICES PLUVIOMÉTRICOS Foram obtidos informações sobre os níveis pluviométricos da região através da estação pluviométrica (02949003, da agência nacional de água (ANA), latitude 29º07’e longitude 49º28`), instalado na cidade de Sombrio – SC, desde 1977, próximo ao bairro Sanga da Areia – Araranguá/SC, onde está situado o galpão. 34 Tabela 1. indices pluviométricos Período 1977 até 2009 (mm)/mês Média Máxima Mínima Janeiro 144 305,6 28,9 Fevereiro 151,7 377,4 38,6 Março 143,3 320,2 37,6 Abril 108,3 191,4 7,5 Maio 104,6 435 22 Junho 101,4 257,2 26 Julho 118,5 450,6 12,2 Agosto 127,7 369,7 27 Setembro 135,7 447,7 36,4 Outubro 135,7 248,4 23,6 Novembro 138,2 275,7 27,8 Dezembro 124,1 325 32,5 Fonte: ANA, (2010). Segundo a NBR 10844 (1989), para fim de projeto a determinação da intensidade pluviométrica deve ser feito através da duração da precipitação e do período de retorno, deve ser fixado através das características da área que será drenada. T= 1 ano, para áreas pavimentadas que passam ser tolerados empoçamentos. T= 5 anos, para coberturas ou terraços. T= 25 anos, para áreas onde não possam ser tolerados empoçamentos ou extravasamentos. Tabela 2. Intensidade pluviométrica na cidade de Sombrio/SC. Tempo de retorno - (5anos) Intensidade pluviométrica- (mm/h) 5 168,2 mm/h Fonte: BACK, 2002. 35 3.2 DEMANDA DE ÁGUA NA INDÚSTRIA A indústria possui capacidade de fabricar 3 m³ de concreto, para fabricação de tubos, para fabricação dos mesmos , são utilizadas 720 litros de água potável/dia, resultando num gasto mensal de aproximadamente 15,84 m³ de água. Tabela 3. Demanda média de água utilizada na indústria. Demanda média de água m³ de água Diária 0,72 Mensal 15,84 Anual 190,08 3.3 CAPACIDADE DE COLETA DO GALPÃO A capacidade de coleta do galpão, demonstra a capacidade que o galpão pré-moldado tem em captar a água de chuva. A capacidade de coleta da superfície é definida pela seguinte equação (NBR 10844/89): Equação 1: V= P*A*C Sendo que: P= precipitação (mm) A= área de coleta em m² C= eficiência do sistema de coleta 3.4 ÁREA DE CONTRIBUIÇÃO O galpão possui uma área de cobertura, que torna viável a construção do sistema de captação da água de chuva. O telhado é coberto por telhas de aluzinco, esta cobertura intercepta a água de chuva, que a conduzirá para as calhas. Segundo a NBR 10844/89, deve-se usar a seguinte equação para realizar o cálculo da área de contribuição: 36 Equação 2. Cálculo da área de contribuição A=(a + h/2).b Onde: A= área de contribuição do telhado (m²) ; a= metade da largura do telhado (m); h= altura da tesoura (m); b= comprimento do telhado (m). Figura 7. Cálculo da área de contribuição Fonte: NBR 10844/89. 3.5 VAZÃO DO PROJETO O volume da água de chuva a ser captado varia de acordo com a área de cobertura e intensidade das chuvas. O volume de captação pode ser calculado segundo a NBR 10.844/89 pela expressão abaixo: Equação 3. Cálculo da vazão do projeto Q= (I x A / 60) Onde: 37 Q= vazão do projeto, l/min; I= intensidade pluviométrica mm/h; A= área de contribuição, m². 3.6 CALHAS As calhas têm como objetivo, a coleta da água que cai no telhado, Segundo a NBR 10844/89, as calhas são receptores das águas que escoam sobre as coberturas e são conduzidas a um local determinado, devendo ser dimensionadas através da fórmula de Manning-Strickler: Equação 4. Dimensionamento das Calhas. Q = K . (S/n). RH2/3 . I1/2 Onde: Q = vazão do projeto (l/min); S = área da seção molhada (m²); n = coeficiente de rugosidade (conforme tabela); R = raio hidráulico em (m); I = declividade da calha (m/m); K = 60.000 Segundo a NBR 10.844/89 a inclinação das calhas de beiral e platibanda deve ser uniforme e com inclinação mínima de 0,5%. Segundo Creder (2003), para realizar o cálculo da área da seção molhada e raio hidráulico, utilizaremos as seguintes equações, considerando lamina da água a meia altura. Equação 5. Cálculo da área da seção molhada. S = (a x b) 2 Equação 6. Cálculo do raio hidráulico. RH= a*b/ 2b + a 2 38 Figura 8. Esquema de uma calha utilizada para o cálculo b b/2 a Fonte: CREDER, 2003. A seguir tabela com o coeficiente de rugosidade de Manning: Tabela 4. Coeficiente de rugosidade de Manning. Material Plástico, fibrocimento, aço, metais não ferrosos Ferro fundido, concreto alisado, alvenaria revestida Cerâmica, concreto não alisado Alvenaria de tijolos não revestida Fonte: NBR 10.844,(1989). Coeficiente de rugosidade (N) 0,011 0,012 0,013 0,015 3.7 CONDUTORES VERTICAIS Conforme a NBR 10.844/89 os condutores verticais de seção circular devem possuir diâmetro interno mínimo de 70 mm, sempre que possível deve ser projetado em uma única prumada e conter peças de inspeção. De acordo com Creder (2003), para superfícies com grandes extensões, a cada 95 m² da área de contribuição deverá ser utilizado um condutor vertical para que evite o transbordamento da calha. Abaixo um método prático que fornece o diâmetro do condutor vertical para as chuvas críticas de 120 mm/h e 150 mm/h (TOMAZ, 2003). 39 Tabela 5. Determinação dos condutores Verticais. Diâmetro Vazão Área do telhado (m²)______________ (mm) (I/s) Chuva de 150 mm/h Chuva de 120mm/h 50 0,57 14 17 75 1,76 42 53 100 3,78 90 114 125 7,00 167 212 150 11,53 275 348 200 25,18 600 760 Fonte:Botelho e Ribeiro,1998 apud Tomaz, 2003. 3.8 FILTRO É necessário um filtro para a retirada de galhos, folhas e outros detritos para que a carga orgânica presente na água a ser armazenada seja a menor possível. Existem filtros caseiros que podem ser feitos de alvenaria, PVC ou fibra de vidro, composto de materiais inertes com granulometrias mais finas até mais grossas. Exitem filtros comerciais com capacidade de filtrar a água da chuva de telhados de 200m² a 3000m², seu grau de eficiência varia de 90 a 95%. Figura 9. Filtros comerciais. Fonte: EMBRAPA, 2005. 40 3.9 CISTERNA Segundo Oliveira (2006), para dimensionar a cisterna será realizado o seguinte cálculo. Equação 7. Cálculo dimensionamento da cisterna (a). V=0,042 x P x A x T Onde: P = precipitação média anual, (mm); T = número de meses de pouca chuva ou seca; A = área de coleta, (m²); V = volume de água aproveitável e o volume de água do reservatório, (L). Também existe o método Inglês, dado pela equação: Equação 8. Cálculo dimensionamento da cisterna (b). V= 0,05 *P *A 41 4 RESULTADOS E DISCUSSÕES Foi realizado o levantamento dos índices pluviométricos da região estudada, no período de 1977 até 2009, através da estação pluviométrica 02949003 da Agência Nacional de Águas (ANA), instalada na cidade de Sombrio/SC, verificou-se que a média anual é de 1533,2 mm, dividindo a média pluviométrica anual por 12, teremos a media pluviométrica mensal. 1533,2mm / 12 meses = 127,77mm/mês A intensidade pluviométrica foi baseada na tabela elaborada por Back (2002), com dados obtidos em função do município de Sombrio/SC. Pela proximidade geográfica, foram adotados os mesmos valores para o galpão situado no município de Araranguá/SC. O período de retorno determinado pela NBR 10844/89 é de 5 anos, com duração de 5 minutos. Dessa forma são considerados : T= 5 anos Duração = 5 minutos Intensidade pluviométrica = 168,2 mm/h 4.1 CÁLCULO DA ÁREA DE CONTRIBUIÇÃO Para calcular a área de contribuição foram utilizados os seguintes dados: comprimento do telhado, metade da largura do telhado e altura da tesoura. O telhado possui 20 metros de comprimento, a metade da largura do telhado possui 7,5 metros e a tesoura possui uma altura de 1,8 metros. Através de levantamento em campo foram obtidos os valores das dimensões do galpão, realizado pelo autor. Figura 10. Dimensões do galpão. 42 b =20 m h=1,80m a=7,5m A=(7,5+1,80/2)*20 A= 168 * 2 A= 336 m² Após o cálculo da área de contribuição verificou-se que o galpão possui 168 m² para cada lado da área de cobertura, ou seja, 336 m² de área total de cobertura, o que o torna uma ótima opção para captar a água da chuva devido a sua grande extensão. Em propriedades rurais é possível também aproveitar outras estruturas existentes como chiqueirões e galpões. 4.2 VAZÃO A SER CAPTADA NA CALHA Para o cálculo da vazão a ser captada na calha foram utilizadas a intensidade de chuvas no período de retorno de 5 anos e a área de contribuição. Q=( I * A/60) Q=(168,2 * 168/60) Q=470,96 l/min ou 7,85 l/s para cada lado da área de cobertura ou 942 l/min para área total. 43 4.3 DIMENSIONAMENTO DAS CALHAS Para este cálculo foi utilizado à vazão de um lado da área de cobertura, pois os dois lados possuem a mesma dimensão, foi utilizada como base uma calha retângular com 30 cm de largura por 20 cm de altura, valores estes utilizados conforme a tabela de Dimensões da Calha em função da vazão a ser captada na calha. Tabela 6. Dimensões da Calha Dimensão a b 0,20 0,10 0,30 0,20 0,40 0,30 0,50 0,40 0,60 0,50 0,70 0,60 0,80 0,70 0,90 0,80 1,00 0,90 Fonte: CREDER, 2003. declividade 0,5% 336 1501 3785 7538 12946 20283 29775 41641 56243 1% 475 2122 5353 10660 18309 28684 42109 58889 79540 2% 671 3001 7571 15075 25892 40566 59551 83281 112487 Após obter as dimensões da calha é necessário calcular a área de seção molhada: figura 11. Dimensões da calha A= (a*b)/2 A = 0,20 x 0,30/2 b = 0 ,2 0 A = 0,03 m². b /2 a = 0 ,3 0 m Para determinar a capacidade da vazão suportada pela calha, têm-se que cálcular seu raio hidráulico (RH). O raio hidráulico é a resultante da relação entre área molhada e perímetro molhado (CREDER, 2003). RH= a*b/ 2b + a 2 RH= 0,20* 0,30/ 2 * 0,20 + 0,30 2 44 RH= 0,03 m Foi utilizada a fórmula de Manning para a verificação das calhas, considerando uma declividade de 0,5%, para calha com dimensões de 30x20 cm (como a mesma já é produzida na indústria e padronizada, apenas verificou-se se tinha capacidade de escoar toda a água, conforme cálculo de vazão máxima), temse: Q = K . (S/n). RH²/³ . I¹/² Q = 60.000 * (0,03/0,013)* (0,03)²/³ * (0,005)¹/² Q = 945,28 l/ min Aconselha-se que sejam utilizadas calhas de concreto (já produzidas na indústria), pois a região é litonânea e podem haver problemas de corrosão nas calhas, que são confeccionadas de materiais metálicos, o que podem diminuir a durabilidade delas. 4.4 CONDUTORES VERTICAIS Para os condutores verticais de seção circular recomenda-se que seu diâmetro interno seja de no mínimo de 70mm. É recomendado que a cada 95m² de área de contribuição possua um condutor vertical para que não haja transbordamento das calhas. Como cada lateral do galpão possui uma área de 168m² de cobertura, é recomendado que a cada 95m² possua um condutor vertical, dividindo 168/95 teremos 1,77, ou seja, é indicado o uso de 2 condutores para cada lateral. Sugerese o uso de condutores verticais com 100 mm de diâmetro, para a determinação dos condutores verticais. Considerando as chuvas intensas de 168,2 mm/h e área do telhado para até 167m², e que a lateral do galpão possui uma área de 168m² dividese por 2 condutores tendo assim um condutor para cada 84m² de área de cobertura. 45 4.5 RESERVATÓRIO DE DESCARTE Para o descarte das primeiras águas da chuva é recomendado que seja descartado 1 litro de água/m² da cobertura existente, conforme Tomaz (2003). Fica indicado o uso de uma caixa de água com capacidade para o descarte de 400 litros das primeiras águas tendo em vista que a área de cobertura possui 336m², é recomendado o descarte das primeiras águas pois, são responsáveis pela limpeza do telhado tirando a poeira e detritos, que poderiam afetar a qualidade do concreto, sendo assim quanto maior o descarte das primeiras águas melhor será a qualidade da água armazenada na cisterna. 4.6 CÁLCULO DA CAPACIDADE DE COLETA DO GALPÃO A precipitação anual média registrada durante a série histórica é de 1533,2 mm, sendo que desta 70% da chuva precipitada pode ser aproveitada com eficiência (GROUP RAINDROPS, 2002). Têm-se que: V= 1533,2 * 336 *0,7 V= 360,61 m³ A seguir a tabela de volume mensal de produção da água de chuva. Tabela 7. volume mensal de produção da água de chuva. Mês Precipitação (mm) V/m³ Janeiro 144 33,87 Fevereiro 151,7 35,68 Março 143,3 33,70 Abril 108,3 25,47 Maio 104,6 24,60 46 Junho 101,4 23,85 Julho 118,5 27,87 Agosto 127,7 30,03 Setembro 135,7 31,92 Outubro 135,7 31,92 Novembro 138,2 32,50 Dezembro 124,1 29,19 Percebe-se que a demanda da água que pode ser captada, é maior que a quantidade a ser utilizada pela indústria. 4.7 DIMENSIONAMENTO DA CISTERNA O cálculo do volume da cisterna foi realizado através do método de Oliveira (2006), para isso foi utilizado à média pluviométrica anual da região, a área de contribuição e os meses de pouca chuva na região. V= 0,042 * P * A * T V = 0,042 * 1533,2 * 336 * 1 V = 21.636,51L ou 21,636 m³ Percebe-se que o volume indicado para a cisterna, segundo Oliveira, é de 21.636,51 l, a partir destes valores é indicada a construção de uma cisterna com capacidade para aproximadamente 22 m³. A cisterna fica indicado a do tipo em plástico. Para manter uma boa qualidade da água armazenada na cisterna é necessário que a cisterna seja impermeável, com boa vedação para que fique protegida contra a entrada de luz, sujeira, animais e insetos dentro da cisterna. 47 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS A água de chuva está disponível na maioria das regiões, sua captação e seu empreendimento concorrem para reduzir alguns problemas vivênciados neste século, como as enchentes nas cidades e as futuras disputas socias pela água. A idéia de captar a água de chuva, em qualquer que seja o empreendimento, deve sempre ser levada adiante, seja na utilização para lavagem de calçadas, de carros, banheiros, irrigação ou somente para evitar enchentes. Tem que haver consciência de que se deve mudar alguns hábitos no diaa-dia, para que futuras gerações possam desfrutar desse bem que nos é servido hoje em dia. O passo mais importante para redução da demanda da água é o seu uso racional. Este procedimento é importante também para reduzir a poluição hídrica e custos de todo o sistema de coleta e tratamento de esgotos, trabalhando assim para o desenvolvimento sustentável. Este estudo contribuiu para ressaltar a importância com o meio ambiente, demonstrando um meio de captar água de chuva e aproveitá-la, evitando assim o uso de água pótavel, sendo este meio já escasso em algumas regiões Brasileiras. Todavia é necessário maiores divulgações sobre a importância de reaproveitar a água de chuva, fazendo assim, com que diminua o uso de água potável, desperdícios e enchentes. Porém é de extrema importância a realização de mais estudos nesta área, para melhor percepção e conscientização da educação ambiental. 48 6 BIBLIOGRAFIA ANA: Agencia Nacional de Águas. 2006. http://www.ana.gov.br/: Data de acesso: 25 de maio de 2010. ABNT – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS - NBR 10844/89, Instalações Prediais de Água Pluvial. 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