1 UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAI – UNIVALI CESAR AUGUSTO TERNES CAMPOS Os impactos das novas tecnologias na organização de formaturas com ênfase na fotografia: Um estudo de caso na Celebrate Formaturas São José 2007 1 2 CESAR AUGUSTO TERNES CAMPOS Os impactos das novas tecnologias na organização de formaturas com ênfase na fotografia: Um estudo de caso na Celebrate Formaturas Trabalho elaborado como requisito parcial para aprovação na disciplina de Estágio Supervisionado do Curso de Turismo e Hotelaria da Universidade do Vale do Itajaí, Centro de Ciências Sociais Aplicadas: Comunicação, Turismo e Lazer Orientador: Profª Karine Von Gilsa São José 2007 2 3 CESAR AUGUSTO TERNES CAMPOS Os impactos das novas tecnologias na organização de formaturas com ênfase na fotografia: Um estudo de caso na Celebrate Formaturas Trabalho elaborado como requisito parcial para aprovação na disciplina de Estágio Supervisionado do Curso de Turismo e Hotelaria da Universidade do Vale do Itajaí, Centro de Ciências Sociais Aplicadas: Comunicação, Turismo e Lazer Educação São José: ___________________________________ Profª. Karine Von Gilsa ___________________________________ Prof. Convidado ___________________________________ Prof. Convidado 3 iv RESUMO Com o advento das novas tecnologias todas as posições de trabalho tiveram mudanças, no segmento de eventos não foi diferente. Quando o evento é social, uma boa cobertura fotográfica se torna indispensável, pois é uma das únicas maneiras de guardar as emoções do momento. As mudanças ocorridas nessa área são notáveis e passíveis de um estudo mais aprofundado. Saber exatamente quais os benefícios e os aspectos limitantes do uso da tecnologia digital no registro de formaturas são fatores relevantes para a presente pesquisa. Para fundamentar sua realização fez-se uma ligação entre turismo e eventos, uma explanação sobre a classificação dos eventos, seu planejamento e organização, além de se trabalhar com o tema novas tecnologias, sempre buscando interligar os assuntos. Procurou-se na bibliografia informações a respeito, porém foi por entrevistas a profissionais da área, sendo um fotógrafo profissional e uma pessoa que trabalha com organização de formaturas, que se obtiveram melhores resultados. Ao final se chegou aos dados pretendidos nos objetivos, relacionando por meio dos dados qualitativos os reais impactos que a tecnologia da fotografia digital proporcionou neste segmento, tanto do ponto de vista de alguém que está inserido na operacionalidade da fotografia quanto do ponto de vista de alguém que trabalha com o produto final na sua comercialização. Este pesquisa abre novas possibilidades de trabalhos, pois é um assunto amplo que merece atenção dos autores. Palavras-Chave: Fotografia – Formaturas – Tecnologia iv SUMÁRIO RESUMO............................................................................................................................... iv PARTE 1 TÍTULO................................................................................................................................ 1 ÁREA DE PESQUISA......................................................................................................... 1 SUB-ÁREA........................................................................................................................... 1 1 INTRODUÇÃO................................................................................................................. 1 1.1 Contextualização............................................................................................................. 1 1.2 Definição do problema................................................................................................... 2 1.3 Justificativa..................................................................................................................... 3 2 OBJETIVOS...................................................................................................................... 4 2.1 Objetivo geral.................................................................................................................. 4 2.2 objetivos específicos........................................................................................................ 4 3 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA.................................................................................... 5 3.1 Eventos e sua ligação com o turismo............................................................................. 5 3.2 Classificação dos eventos............................................................................................... 7 3.3 Planejamento e organização de eventos....................................................................... 10 3.4 As novas tecnologias....................................................................................................... 11 4 RESULTADOS DA PESQUISA...................................................................................... 15 4.1 Procedimentos metodológicos........................................................................................ 15 6 4.1.1 População e Amostragem.............................................................................................. 18 4.1.2 Coleta de dados.............................................................................................................. 19 4.1.3 Análise e interpretação dos resultados.......................................................................... 19 4.2 Plano de trabalho............................................................................................................ 20 4.2.1 Etapas............................................................................................................................ 20 4.2.2 Cronograma................................................................................................................... 20 4.3 Análise da pesquisa......................................................................................................... 20 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS............................................................................................ 30 6 REFERÊNCIAS................................................................................................................ 33 PARTE 2 1 IDENTIFICAÇÃO DA ORGANIZAÇÃO E DO ALUNO............................................ 34 1.1 Dados da empresa........................................................................................................... 34 1.2 Dados do aluno................................................................................................................ 34 2 JUSTIFICATIVA............................................................................................................... 35 3 OBJETIVOS....................................................................................................................... 37 3.1 Objetivo Geral................................................................................................................. 37 3.2 Objetivos específicos....................................................................................................... 37 4 DESCRIÇÃO DA ORGANIZAÇÃO............................................................................... 38 4.1 Evolução histórica da organização................................................................................ 38 6 7 4.2 Infra-estrutura física atual............................................................................................. 39 4.3 Infra- estrutura administrativa..................................................................................... 39 4.4 Quadro de recursos humanos........................................................................................ 40 4.5 Serviços prestados........................................................................................................... 40 5 DESCRIÇÃO DAS ATIVIDADES DESENVOLVIDAS POR SETOR....................... 43 5.1 Setor operacional............................................................................................................. 43 5.1.1 Funções do setor............................................................................................................. 43 5.1.2 Infra-estrutura do setor................................................................................................... 44 5.1.3 Atividades desenvolvidas pelo acadêmico no setor....................................................... 44 5.1.4 Conhecimentos técnicos adquiridos............................................................................... 44 5.1.5 Aspectos positivos, limitantes e sugestões administrativas........................................... 45 5.2 Setor Comercial............................................................................................................... 45 5.2.1 Funções administrativas do setor................................................................................... 45 5.2.2 Infra-estrutura do setor................................................................................................... 47 5.2.3 Atividades desenvolvidas pelo acadêmico no setor....................................................... 47 5.2.4 Conhecimentos técnicos adquiridos............................................................................... 47 5.2.5 Aspectos positivos, limitantes e sugestões administrativas........................................... 47 6 ANÁLISE DAS ATIVIDADES DESENVOLVIDAS..................................................... 48 7 CONCLUSÃO TÉCNICA................................................................................................. 49 8 REFERÊNCIAS................................................................................................................. 50 9 ASSESSORIAS TÉCNICAS E EDUCACIONAIS........................................................ 51 7 TÍTULO Os impactos das novas tecnologias na organização de formaturas com ênfase na fotografia: um estudo de caso na Celebrate Formaturas ÁREA DE PESQUISA: Ciências Sociais Aplicadas SUB-ÁREA: Turismo e Hotelaria 1 INTRODUÇÃO 1.1 Contextualização Com o advento das novas tecnologias todos os setores da economia sofreram significativas alterações, não foi diferente no turismo e em todas as atividades que o compõe. A informatização é o que chama mais atenção, praticamente está presente em tudo, desde a emissão de uma passagem aérea até a forma de se abrir e fechar uma porta de hotel. Na área de eventos não é diferente, é fácil perceber como a tecnologia tem alterado a forma de realização dos mais diversos tipos de eventos, principalmente no que é relativo à imagem, estática e em movimento, e som. Com a difusão da globalização e o acesso fácil à informação o mercado ficou muito mais competitivo e consequentemente mais exigente. No tocante a eventos, não basta mais as empresas organizadoras terem como base modelos já usados em demasia, especialmente no mercado de eventos sociais, onde sempre se busca inovar, até mesmo por uma questão de ética, afinal, seria muito desinteressante para uma turma de faculdade ter sua formatura idêntica a uma que ocorreu há um mês, por exemplo. Apesar de se preservar a forma, o conteúdo sempre é modificado. Um evento para ser realizado de forma satisfatória tem que estar apoiado em várias bases, entre elas se destaca as parcerias com fornecedores. Somente com um relacionamento sólido é que se pode contar com os profissionais que são a chave do sucesso para a realização de qualquer evento. São eles tão importantes quanto o público participante. Da mesma forma que um público muito inferior ao almejado pode arruinar os resultados de um evento, a falta de um profissional qualificado também pode, como exemplos pode-se citar, seguranças não treinados que podem colocar tudo a perder ao não saber como interceder em determinadas 2 ocasiões, a falta de planejamento por parte da equipe responsável pela parte elétrica pode ocasionar um blackout por minutos ou horas. No mercado de formaturas as coberturas fotográficas e cinematográficas estão entre as áreas de maior importância, pois a maior parte dos lucros de uma empresa organizadora deste tipo de evento vem da venda destes produtos finais. Especialmente as fotografias, que atualmente, com o surgimento e propagação da fotografia digital e a possibilidade de manipular imagens com softwares específicos possibilitou os crescimento considerável das vendas. Dificilmente uma foto deixa de ser vendida por falta de condições ideais na hora de registro, dada às diversas ferramentas para melhoramento de imagens. Isso somado aos chips de memória que possibilitam um número praticamente ilimitado de registros. Isso tudo fruto das novas tecnologias. A fotografia digital gradualmente substituiu a fotografia analógica, tornando todo o processo mais prático, desde as coberturas até as vendas. O mercado de formaturas em Florianópolis e cidades vizinhas é promissor e as empresas que trabalham com esse segmento vem crescendo a contento, apesar de ainda não se encontrar na região alguns itens usados nas formaturas, como as becas, por exemplo. O setor de fotografia está de acordo com as necessidades das empresas organizadoras de eventos, profissionais qualificados com equipamentos sempre atualizados garantem uma boa cobertura fotográfica dos mais diversos tipos de eventos. 1.1 Definição do Problema É fato que a tecnologia digital agregou muito valor nas coberturas fotográficas, uma mudança significativa desde os registros até as vendas. Hoje é possível que uma pessoa que se formou num sábado possa na segunda-feira escolher suas fotos no escritório da empresa organizadora e na terça-feira já esteja com as fotos na mão, ou ainda ter seu álbum pronto em menos de uma semana. A agilidade desse processo é garantida pela possibilidade de se separar as fotos por formando e por etapas da formatura no computador. Dessa forma basta o aluno formado consultar suas pastas e solicitar a impressão daquelas que mais gostou. Antes da fotografia digital, eram necessários vários filmes para a cobertura de uma formatura, com os registros prontos revelava-se os chamados copiões, na prática são livros das fotos em miniatura numeradas. Só aí o cliente poderia ir até o escritório e procurar suas 2 3 fotos. Cabe lembrar que uma formatura poderia gerar vários copiões e as fotos não eram ordenadas por formando, mas sim pela seqüência de fotos do filme do fotógrafo. O processo era mais lento, e com um custo de impressões desses copiões agregado no valor de venda. Salienta-se aqui também a flexibilidade da manipulação das imagens que a fotografia digital permite, se antes uma foto poderia deixar de ser vendida por causa de um fio de cabelo no rosto da formanda, agora isto não ocorre mais, com a utilização de programas específicos de computador isso é facilmente retirado e a foto pode ser vendida sem problemas. As fotos de grupos para convites era outro problema, conseguir reunir um grupo de 40 ou 50 formandos para as fotos de convite é uma atividade complicada, agora é fácil colocar um aluno entre os demais por meio desses softwares. Enfim, o uso dessas novas tecnologias limita-se na imaginação da pessoa que está por trás do computador. 1.3 Justificativa Vê-se que a fotografia digital no segmento formaturas veio a somar, são muitas as vantagens de se trabalhar com esse tipo de equipamento, os benefícios são evidentes e variados. Interessante observar que um trabalho que mensure a real vantagem do emprego das novas tecnologias no segmento formaturas ainda não foi elaborado, por esse motivo um pesquisa nessa área torna-se necessária. Para profissionais que estejam se inserindo neste mercado, a presente pesquisa poderá servir de referência por apresentar uma relação custo benefício, já que o equipamento digital requer um alto investimento e atualizações constantes, é importante ao profissional saber até onde o investimento se torna viável. Também será uma questão abordada no decorrer da pesquisa, até que ponto a tecnologia digital é favorável no sentido de manipular imagens para vendas. 3 2 OBJETIVOS 2.1 Objetivo Geral Identificar os impactos das novas tecnologias, com enfoque na fotografia digital, no mercado de formaturas, buscando descrever suas vantagens e desvantagens. 2.2 Objetivos Específicos - Identificar as novas tecnologias utilizadas nas coberturas fotográficas de formaturas; - Relacionar as vantagens e desvantagens que essas novas tecnologias representam no segmento formaturas; - Apresentar um relato sobre a evolução histórica do emprego da tecnologia nas formaturas; - Mensurar os aspectos positivos do uso da tecnologia da fotografia digital no que tange aos lucros advindos das vendas de fotografias. 3 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 3.1 Eventos e sua ligação com o turismo O turismo hoje é uma atividade que está presente em praticamente todas as sociedades, é considerado como um grande impulsionador de economias, uma grande fonte de empregos e renda e distribuidor de riquezas. Sua definição exata ainda é matéria bastante controversa segundo os vários autores. O órgão máximo do turismo mundial, a OMT (Organização Mundial do Turismo) define como sendo “o deslocamento para fora do local de residência por período superior a 24 horas e inferior a 60 dias motivado por razões não econômicas”. Como sugere Ignarra (1998 p, 23) “Tal definição serve para padronizar o conceito de turismo nos vários países membros dessa organização, mas não serve para definir a real magnitude desse fenômeno.” Atualmente sabe-se que o turismo esta segmentado em várias áreas e em algumas delas, como o turismo de negócios, há o propósito de lucro. Dada a gama de teorias que definem o turismo, optou-se por seguir uma que de certa forma é mais atual devido a generalidade com que trata assunto. Dessa forma temos segundo Ignarra (apud ANDRADE, 1998, p 24) “Turismo é conjunto de serviços que tem por objetivo o planejamento, promoção e a execução de viagens, e os serviços de recepção, hospedagem e atendimento aos indivíduos e aos grupos, fora de suas residências habituais”. Assim, basta a idéia de viagem e uso de serviços já se tem o turismo, desde que essa viagem ocorra num período superior a 24 horas, abaixo disso é considerado excursão. Ao se falar em turismo de negócios e turismo religioso, por exemplo, nota-se há uma ligação muito estreita com eventos. Seja quando um executivo de uma empresa viaja para fechar negócios em determinada feira, ou quando um grupo de crentes se dirige para algum santuário e lá permanecem por alguns dias em razão de algum encontro. Seja qual for a finalidade, o motivo da viagem é a participação em algum evento. Outro ponto que se deve levar em consideração ao se debater questões como essas expostas anteriormente é que os eventos hoje estão atenuando e muitas vezes acabando com os efeitos negativos que a sazonalidade provoca em lugares onde o turismo é desenvolvido somente em algumas épocas do ano. Como acontece nos litorais do sul do Brasil, onde após o verão há um grande vazio nos hotéis e mão de obra ociosa. Evento por si só é classificado pelo dicionário Aurélio como “Qualquer acontecimento de especial interesse capaz de atrair público e de mobilizar meios de comunicação”. Já para 6 âmbito do turismo Tenan (2002, p. 47) sugere que são “aqueles que cujos participantes podem afluir de localidades diferentes daquela em que ocorra a sua realização”. São muitas as definições de eventos, pois como é uma atividade dinâmica seu conceito modifica de acordo com o tipo de evento em questão. Porém, segundo Matias (2001, p. 61) sua classificação pode ser padronizada quanto ao público, área de interesse e tipologia. No caso de uma formatura, pode-se enquadrar quanto ao público como evento fechado pois, “ocorrem dentro de determinadas situações específicas e com público-alvo definido, que é convocado e/ou convidado a participar”. Ainda seguindo a linha de raciocínio de Matias (2001, p. 61), relacionar uma formatura com alguma das áreas de interesse que a autora propõe fica mais difícil. Pode-se dizer que o que mais se aproxima seria a área promocional que é definida como aquela que “promove um produto, pessoa, entidade ou governo, quer seja na promoção de imagem ou apoio ao marketing”. O que de fato acontece numa formatura, onde os formandos e universidade estão expostos para o público presente. Já quanto às características e peculiaridades de uma formatura, ela não se enquadra em nenhuma das tipologias propostas pela autora. Assim como outros eventos de caráter social como casamentos e bailes de debutantes, a formatura é um evento que também marca um momento importante na vida de uma pessoa, neste último caso o formando. Eventos especiais segundo Allen (et al 2003, p. 5) são aqueles que foram criados para “descrever rituais, apresentações ou celebrações específicas que tenham sido deliberadamente planejados e criados para marcar ocasiões especiais ou para atingir metas ou objetivos específicos de cunho social, cultural ou corporativo”. Apesar de exemplificar com megaeventos, eventos de marca e eventos de grande porte, os mesmos autores salientam que “as definições não são exatas e as diferenças são imprecisas”. Ou seja, embora estejam a argumentar com alguns exemplos que a princípio diferem muito de uma formatura, mesmo assim conceito é válido pelo seu conteúdo contemplar algumas das etapas de uma formatura. 6 7 3.2 Classificação dos eventos Assim como o turismo envolve várias atividades e também se divide em vários segmentos, os eventos semelhantemente se comportam dessa maneira. Para Martin (2003, p. 39) os eventos podem ser classificados por: Abrangência - São agrupados segundo o alcance do evento, na captação dos participantes. Podem ser mundiais, internacionais, latino-americanos, brasileiros, regionais ou municipais; Para competição - ...abrange todo tipo de eventos que permita criar uma competição e, por conseqüência, uma premiação. Pode ser esportiva, cultural, artística atc., tais como concursos, campeonatos, desfiles; Para demonstração ou exposição – Pode haver ou não competição, mas a principal motivação é a apresentação de um produto ou serviço, em eventos como desfiles, inaugurações, exposições, leilões, shows, noites de autógrafos; Por data ou freqüência – Segundo Tenan (apud MARTIN, 2002, p.17) indica quatro critérios dentro dessa classificação: Permanentes: todo evento que ocorre periodicamente (mensal, semestral, anual, bienal, etc.); Esporádicos: que aconteçam entre intervalos irregulares; Únicos: característica de algumas tipologias, como lançamento de livros, noite de autógrafos; De oportunidade: ocorrem em época de grandes eventos internacionais ou de eventos marcantes da história ou tradição local, aproveitando seu clima e sua divulgação. Por categoria e função estratégica: leva em conta a finalidade do evento e sua função dentro do marketing. Se público, é organizado por algum órgão governamental (federal, estadual ou municipal). Se privado, são as empresas de qualquer ramo da economia as responsáveis pelos eventos. Por sua dimensão: relaciona-se com o número total de participantes: Macroevento: mobiliza milhares de pessoas, tanto na organização quanto na adesão (participantes). Normalmente operados por entidades públicas, tem abrangência internacional ou mundial, como a Copa do Mundo de Futebol; 7 8 De grande porte: embora menor que o macroevento, também mobiliza milhares de pessoas, mas é operado por empresas privadas.Um bom exemplo é Fenasoft e Festa do Peão Boiadeiro, de Barretos; De médio porte: normalmente realizado com adesão de menos que mil participantes; De pequeno porte: abrange apenas um segmento ou setor e tem número reduzido de público. Por objetivo ou área de interesse: aqui o que pondera é a finalidade e os objetivos do evento; Pelo perfil dos participantes: Quanto mais diversificado for o público-alvo, mais elevados serão seus custos com promoção e vendas, pois maior será sua dificuldade de encontrá-los. Destacam-se três tipos básicos: Geral: os participantes são de diferentes setores; Dirigido: agrupa vários grupos de profissionais com atividades e interesses comuns; Específico ou especializado: composto com técnicos e profissionais com atividades e interesses em comum. Por tipo de adesão: A condição dessa classificação refere-se à forma de adesão dos participantes do evento: Fechado: adesão restrita, em que cada participante recebe convite restrito e específico do organizador, que normalmente paga todas as suas despesas. Aberto: há dois tipos de adesões nesta classificação: cada participante para sua participação, ou o acesso ao evento é livre, sem restrições, sem taxas de admissão ou cobrança de ingresso. De forma mais sucinta, Tenan (2004, p. 23) classifica objetivamente os eventos da seguinte forma: Quanto a freqüência de realização, podem ser: Permanentes – aqueles que ocorrem periodicamente: mensais, semestrais, anuais, bianuais, etc.; Esporádicos – ocorrem em intervalos irregulares de tempo, a critério de seus promotores. Únicos – ocorrem uma única vez, como por exemplo, os lançamentos de produtos e inaugurações. 8 9 De oportunidade – ocorrem em época de grandes eventos internacionais ou de eventos marcantes da história, tradição local, aproveitando seu clima e sua divulgação. Eventos associados a Copa do Mundo de Futebol são exemplos disso. Quando à localização: fixos ou itinerantes. Quanto à forma de participação – por adesão ou por determinação. Quanto ao alcance do público – de massa ou de nicho. Quanto à dimensão – de grande, médio ou pequeno porte. Quanto ao objetivo – científicos, educacionais, sociais, institucionais, comerciais ou políticos. Quanto a área de interesse – artísticos, científicos, cívicos, culturais, folclóricos, educativos, empresariais, esportivos, religiosos, recreativos, sociais ou governamentais. Quanto ao escopo geográfico: locais, municipais, estaduais, nacionais, internacionais, etc. Quanto a tipologia – dividem-se conforme o tipo de reunião, em dialogais, sociais, competitivos, demonstrativos e de premiação. Mesclando as classificações desses dois autores fica difícil pensar agora em um evento de forma isolada, vê-se que há várias formas de se classificá-lo, e um mesmo evento admite várias classificações, abaixo será exposto como funciona a classificação de um evento. Tomando-se como exemplo uma formatura, no caso da colação de grau pode ser considerado um evento aberto, já que não é necessário apresentar nenhum convite ou ingresso, já o baile pode ser considerado um evento fechado, pois só entra quem de fato é convidado. É um evento único do ponto de vista do estudante, pois por mais que as pessoas possam se formar em outros cursos, a formatura presente é única, já do ponto de vista da academia, o evento pode ser considerado permanente, já que são várias as formaturas que acontecem ao longo de sua existência. Pode ser considerado quando ao perfil dos participantes como geral, já que neste evento reúnem-se pessoas dos mais diversos setores, como alunos, professores e outros profissionais, focados num mesmo objetivo. 9 10 3.3 Planejamento e organização de eventos Em um mundo globalizado marcado pela acirrada competição entre empresas, erros não são mais admitidos, não há mais lugar para amadorismo e o profissionalismo é cada vez mais necessário. Qualquer que seja a atividade, precisa ser planejada nos mínimos detalhes. Ao se pensar em eventos, uma atividade que depende de muitos parceiros e fornecedores, um planejamento bem feito é indispensável, Martin (2003, p. 71) já dizia que “não existem bons eventos sem que sua concepção, sua idéia e seus objetivos também o sejam”. Quer dizer, sem que se tenha tudo devidamente planejado, o evento pode sair fora de controle e o fracasso se torna inevitável. O processo de planejamento consiste em estabelecer em que ponto uma organização se encontra no presente e para que ponto seria mais aconselhável que ela se dirigisse no futuro, com estratégias ou táticas necessárias para atingir aquele ponto. Em outras palavras, o processo de planejamento se interessa pelos fins e pelos meios para atingir tais fins. (ALLEN et al, 2003 p. 50) Para Martin (apud Meirelles, 2003, p. 73) o planejamento é. Fator fundamental ao desenvolvimento de qualquer atividade e, de modo especial para a organização de eventos, permitindo a racionalização das atividades, o gerenciamento, dos recursos disponíveis e a implantação do projeto. Se planejar é importante, torna-se imprescindível saber as fases de um evento. Para Martin (2003) um evento pode ser dividido em pré-evento, evento e pós-evento. E todas elas estão intimamente ligadas. O pré-evento, considerado o início de tudo: É a fase essencial do evento, onde haverá a definição do projeto e o planejamento de todas as atividades, bem como o detalhamento de receitas e despesas esperadas, com a decisão de que tipo de fornecedores e profissionais deverá ser contratado. Também são equacionados os controles administrativos e financeiros. Tudo isso girará em função dos objetivos gerais e específicos do evento e da previsão de receitas estimadas. (Martin 2003, p. 72). A segunda fase, o evento, é conhecida como a hora da verdade, onde tudo acontece: Se a primeira fase for bem feita, a realização do evento tem grande possibilidade de ser um sucesso, pois haverá uma boa base para que a organização da estrutura operacional do evento possa acontecer sem grandes problemas. Nesta fase, há a montagem do evento no local escolhido e a operacionalização do atendimento ao público-alvo. Também vão operar todos os fornecedores e profissionais contratados durante o pré-evento. (Martin 2003, p. 72). Curioso e válido ressaltar que a montagem de um evento, que dá a idéia de acontecer antes do evento em si começar, acontece na segunda fase, onde dá-se a realização propriamente dita do evento. Isso mostra que até mesmo a montagem, que na maioria das 10 11 vezes necessita um número variado de profissionais de diversas áreas, tem que passar por um cuidadoso planejamento. Claro que nesse ponto ainda se pode ter alguma tolerância quanto alguns erros, um exemplo são os atrasos dos fornecedores, por isso num planejamento bem feito os horários contratados têm uma margem de segurança. A terceira fase, tão importante como a primeira e a segunda, é a hora da avaliação e prestação de contas: Caracteriza-se pela desmontagem de toda a estrutura montada na fase anterior, dos acertos financeiros e dos pagamentos dos fornecedores. É o momento de também acertar as contas com os clientes (dono do evento): devolver os materiais não utilizados e as correspondências oficiais catalogadas e arquivadas corretamente da apresentação da apresentação dos relatórios financeiros e de desempenho do evento. (Martin 2003, p. 72). Nota-se que aquilo que acontece na primeira fase é realizado na segunda e vem a ser avaliado e finalizado na terceira fase, o pós-evento. Se algo de errado acontece nas duas primeiras fases vai afetar a última, por exemplo, se algum fornecedor contratado na fase de pré-evento não realiza seu trabalho de forma satisfatória na fase evento, o organizador pode ter problemas na prestação de contas com dono do evento. Para Matias (2001) um evento pode ser dividido em quatro fases a conhecer: concepção, pré-evento, per ou transevento e pós-evento. Matias (2001) coloca uma fase anterior ao pré-evento e a chama de concepção, é onde há a incorporação da idéia e outros elementos abordados no pré-evento sugerido por Martin (2003). Na prática não são muito diferentes, já que ambas as teorias contemplam as mesmas etapas. Vê-se que para se ter um evento de sucesso, todas as fases devem se trabalhadas com o máximo de profissionalismo para eliminar toda e qualquer possibilidade de erro. Desde de sua concepção até seu encerramento, que se dá somente após a resolução de todas as pendências administrativas e financeiras, e não após o a saída do último convidado. 3.4 As novas tecnologias O surgimento de novas tecnologias tem trazido ao homem uma série de benefícios em todos os setores da economia, seja na automação das indústrias, ou com melhoramentos na agricultura com pesquisas e desenvolvimento de novos equipamentos. No terceiro setor também não é diferente, é lá que se encontram todas as empresas que juntas realizam um evento, todo evento necessita de uma série de serviços, para a realização de uma formatura, 11 12 por exemplo, são contratadas em média nove empresas diferentes. Em algumas delas, como cobertura fotográfica, os impactos das novas tecnologias chegaram a tal ponto que praticamente se reinventou a fotografia. Filmes deram espaço para chips digitais, a revelação química de películas fotográficas foram substituídas por impressões a tinta e trouxe mais outros serviços agregados como o uso de softwares para manipular imagens, possibilidade de montagens, facilidades de impressão, entre outro. A revolução provocada pelo desenvolvimento de novas tecnologias neste final de século vem atingindo em cheio diversas profissões. Algumas desapareceram, outras surgiram e a grande maioria sofreu algum tipo de transformação nestes tempos de tecnologia digital. Mudanças tecnológicas fazem cada dia mais diferença em diversas carreiras e são muitos os benefícios para as profissões. (Corrêa 2007) De fato pensar em alguma profissão que não traga consigo os impactos gerados pelas novas tecnologias é difícil, das mais simples as mais complexas e por mais sutil que posso ser, todas elas sofreram alguma mudança. Na maioria das vezes os benefícios trazidos, como economia de tempo, racionalização de recursos, agilidade nos processos, sobressai aos impactos negativos, como a extinção de algumas posições de trabalho substituídas pelo uso da máquina. Para Mañas (2001, p.93) “É no contexto institucional que as novas tecnologias se impigem sobre a natureza das tarefas, trazendo um descompasso entre trabalho e habilidades, mudando as condições de salário em emprego”. De fato é na empresa que se inicia todo o processo tecnológico, ao adquirir uma nova máquina a empresa pode estar acabando com um posição de trabalho tendo que alocar este funcionário em outra tarefa ou então dispensá-lo. Do ponto de vista econômico é mais válido para a empresa ter uma máquina que faça o trabalho de 10 homens, claro que a sociedade como um todo sofre as influências que tecnologia proporciona. Dizer que tecnologia é algo que beneficia empresas é certo, mas também é válido ressaltar que quanto mais recursos a empresa tiver mais ela pode se equipar tecnologicamente e gozar dos lucros que as atualizações permitem, ou seja, empresas ricas tem mais oportunidades que empresas desprovidas de recursos. Isso explica o motivo que leva empresas grandes crescerem cada vez mais enquanto pequena empresas costumar ter problemas para se manterem no mercado para Mañas (2001, p.95) “O capital monopolista exige inovação tecnológica contínua, impõe isso a todo o modo de produção e os faz forma desigual”. O mundo hoje é guiado pelo capitalismo, tudo gira em torno do dinheiro e quem tem mais pode mais. 12 13 Pode-se pensar nas novas tecnologias de duas maneiras, aquela que cria novas máquinas e automatizam as indústrias causando a dispensa de alguns operários, como no caso a indústria têxtil com a máquina de tear e a automobilística com os robôs soldadores, em ambos os casos posições de trabalho foram substituídas por máquinas. E aquela que vem a melhorar os equipamentos já existentes sem substituir a pessoa que o opera, e a fotografia é assim, por mais que surjam novos equipamentos fotográficos, será sempre indispensável ter alguém para simplesmente mirar e apertar o botão, embora seja sabido que um profissional da área faz bem mais que isso. [...]em carreiras que possuem como objeto de trabalho uma máquina, as mudanças tecnológicas colaboram com o profissional da área, oferecendo-lhe praticidade e conforto. Um fotógrafo, antes acostumado a ficar imóvel por um longo tempo em frente a uma câmera grande e desajeitada, agora conta com máquinas digitais portáteis, leves e que possuem muita precisão e programas informatizados com recursos para adaptar a foto, flexibilizando as idéias e a criatividade do autor da imagem [...]. (Corrêa 2007) A fotografia digital proporcionou aos fotógrafos inúmeros recursos que são repassados aos clientes em forma de qualidade, praticamente não há mais limites. Ambientes com pouca luminosidade são compensados por programas específicos, recursos tecnológicos da máquinas permitem bons registros em condições não muito favoráveis, a dinâmica também mudou, agora com possibilidade de se ver a foto instantaneamente não é mais necessário fazer muitos registros de uma mesma cena, ganhando-se assim agilidade nas coberturas fotográficas, por exemplo. Dificilmente se consegue falar em tecnologia sem mencionar a internet, meio pelo qual as informações são disseminadas entre todos os povos. Para Tomelin (2001, p. 69) “A internet representa um dos fenômenos tecnológicos mais relevantes da informática deste final de século, traduzindo-se como ferramenta e ambiente”. E continua “é ferramenta por possibilitar a conectividade entre computadores ultrapassando os limites geopolíticos” Ghisi (apud TOMELIN, 2001, p. 69) e termina “é ambiente por apresentar uma interface de comunicação que rege a tecnologia da multimídia com imagens, sons e dados” Ghisi (apud TOMELIN, 2001, p. 69). Realmente a internet é o ambiente dos negócios modernos, é ali que muitas negociações são iniciadas e fechadas pois permite o contato imediato entre pessoas. Estar atento às mudanças tecnológicas é vital pra qualquer empresa, com a globalização e acesso fácil a informação a competitividade está cada vez mais acirrada. Empresas situadas no terceiro mundo hoje têm acesso fácil via internet a outras empresas do mesmo segmento em países ricos, consequentemente a importação de novas idéias está mais fácil. Segundo Mañas (2001, p.139) “A tecnologia, comprovadamente, é hoje, dentre os 13 14 fatores que compõem o ambiente externo de uma organização, o que exige maior atenção.” De fato, se uma empresa quer ser competitiva têm que olhar para fora da organização e assimilar as mudanças que estão ocorrendo nas mais diversas escalas, desde seu vizinho municipal até a nível mundial. Pois geralmente essa é a tendência, paises ricos exportam tecnologia, muitas vezes já ultrapassadas, para países pobres. Seja qual for a esfera em que se trabalha, as mudanças tecnológicas são inerentes ao bom desempenho do negócio. Crescimento torna-se sinônimo de novas tecnologias, inovação. Empresas que trabalham igualmente há 10 anos estão falindo ou entraram no imaginário popular. Por exemplo, muitos restaurantes de praia estão sempre com uma clientela farta e funcionam exatamente iguais há muitos anos, diferentemente dos restaurantes de grandes hotéis que devido a sua sofisticação estão sempre inovando, tanto em maquinário quanto em opções de cardápio. Mas claro que, naquele restaurante simples de praia já se pode pagar a conta usando cartão, que é fruto do surgimento das novas tecnologias. Em grande ou pequena escala, a tecnologia está sempre presente. 14 4 RESULTADOS DA PESQUISA 4.1 Procedimentos Metodológicos Esta pesquisa se caracteriza como um estudo de caso da Celebrate Formaturas, com enfoque em novas tecnologias, mais especificamente a área de fotografia. Este pesquisa divide-se em dois momentos distintos, num primeiro se usou dados de documentação indireta do tipo fontes secundários que são definidos como sendo aqueles que, segundo Lakatos e Marconi (1991, p. 183) “abrange toda bibliografia já tornada pública em relação ao tema de estudo”, como livros, dissertações, revistas, entre outros. O dados foram obtidos por meio de pesquisas bibliográficas, importante método pois fornece ao pesquisador vários pontos de vista sobre determinado assunto, segundo Manzo (apud LAKATOS; MARCONI, 1991, p. 183) a bibliografia pertinente “oferece meios para definir, resolver, não somente problemas já conhecidos, como também explorar novas áreas onde os problemas não se cristalizam suficientemente”. Uma pesquisa com poucas fontes de dados tem grande probabilidade de tornar-se tendenciosa ou com pouco argumento sob o olhar crítico do pesquisador, já que procurará seguir poucas linhas de raciocínio ignorando uma série de assuntos ligados ao tema principal. As pesquisas bibliográficas têm por objetivo permitir ao cientista “o reforço paralelo na análise de suas pesquisas ou manipulação de suas informações” Trujillo (apud LAKATOS; MARCONI, 1991, p. 183). Ou seja, confrontando autores criam-se argumentos que podem justificar a pesquisa. Num segundo momento, usou-se dados de documentação direta. De acordo com Lakatos e Marconi (1991, p. 186): A documentação direta constitui-se, em geral, no levantamento de dados no próprio local onde os fenômenos ocorrem. Esses dados podem ser obtidos de duas maneiras: atreves da pesquisa de campo ou da pesquisa de laboratório. Por mais confiáveis que sejam os livros, revistas, teses, entre outros, a palavra de quem vive na prática também é tão importante quanto. Escolheu-se então o método de entrevista para acompanhar na prática todo aquele levantamento bibliográfico feito na primeira fase. A entrevista é um encontro entre duas pessoas, a fim de que uma delas obtenha informações a respeito de um determinado assunto, mediante uma conversação de natureza profissional. É um procedimento utilizado na investigação social, para a 16 coleta de dados ou para ajudar no diagnóstico ou no tratamento de uma problema social. (LAKATOS;MARCONI, 1991, p. 195) Por se tratar de uma conversação frente à outra pessoa, a entrevista permite que o pesquisador não fique preso às questões pré-estabelecidas, dependendo como for o andamento da conversa, novas questões podem ser abordadas e enriquecer mais ainda o trabalho de pesquisa. Segundo Best (apud LAKATOS; MARCONI, 1991, p. 196) a entrevista “é muitas vezes superior a outros sistemas de obtenção de dados”. Claro que, se a frente desta entrevista estiver um pesquisador experiente e com um mínimo de informações acerca do tema, pois do contrário a tendência é da entrevista não trazer os resultados esperados ou até mesmo por a credibilidade da pesquisa em xeque. Por isso que é tão importante em um trabalho de pesquisa que tem a entrevista como um instrumento de coleta de dados, a execução de uma eficaz pesquisa bibliográfica. Feito a pesquisa bibliográfica e decidido que a entrevista seria um instrumento de pesquisa, optou-se pela entrevista semi-estruturada, pois ao contrário do modelo estruturado onde “o entrevistador segue um roteiro previamente estabelecido e as perguntas feitas ao indivíduo são pré-determinadas” (LAKATOS; MARCONI, 1991, p. 197), deixando assim a entrevista sem espaço para novas questões. A entrevista semi-estruturada é um método que dá mais liberdade ao entrevistador por não exigir que se siga uma linha fixa de questionamentos, pois é: [...] conduzida por muitas questões pré-estabelecidas. Baseia-se apenas em uma ou poucas questões/guias, quase sempre abertas. Nem todas as perguntas elaboradas são utilizadas. Durante a realização da entrevista pode-se introduzir outras questões que surgem de acordo com o que acontece no processo em relação às informações que se deseja obter. (TANAKA; MELO, 2001) Dessa forma fica uma entrevista mais solta com condições de se descobrir novos dados, outros caminhos a seguir e até mesmo novas idéias que podem ser incorporadas no trabalho de pesquisa que se está buscando concluir com essa entrevista. Por ser uma entrevista que dá liberdade ao entrevistador, é bom que se tenham algumas questões guias para que a entrevista não acabe saindo do foco do problema principal. Que é o que pode acontecer com o tipo de entrevista não-estruturada, pois: O entrevistador tem liberdade para desenvolver cada situação em qualquer direção que considere adequada. É uma forma de poder explorar mais amplamente uma questão. Em geral, as perguntas são abertas e podem ser respondidas dentro de uma conversação informal. (LAKATOS;MARCONI, 1991, p. 197) Nota-se que é o tipo de entrevista adequado para um assunto mais amplo em que se queira considerar muitos assuntos pertinentes. Por exemplo, um trabalho sobre novas tecnologias, por ser um termo amplo esse tipo de entrevista seria oportuno e aplicável, pois 16 17 poderia ser abordado os vários meios onde as novas tecnologias estão presentes. Querendo enfocar fotografia digital no assunto novas tecnologias o modelo semi-estruturado é mais útil, pois a conversa girará em torno dessa assunto específico, mas permitindo que se explore outros campos com características semelhantes que tenham na fotografia digital seu ponto em comum. A técnica de entrevista traz consigo vantagens e desvantagens, para Lakatos e Marconi (1991, p 198) tem-se o seguinte: Pode ser utilizada com todos os segmentos da população: analfabetos ou alfabetizados; Fornece uma amostragem muito melhor que a população em geral: o entrevistado não precisa saber ler ou escrever; Há maior flexibilidade, podendo o entrevistador repedir ou esclarecer perguntas, formular de maneira diferente; especificar algum significado. Como garantia de estar sendo compreendido; Oferece maior oportunidade para avaliar atitudes, condutas, podendo o entrevistado ser observado naquilo que diz e como diz: registro de reações, gestos, etc; Dá oportunidade para a obtenção de dados que não sem encontram em fontes documentais e que sejam relevantes e significativos; Há a possibilidade de conseguir informações mais precisas, podendo ser comprovadas, de imediato, as discordâncias; Permite que os dados sejam quantificados e submetidos a tratamento estatístico. Como se pode ver, as vantagens são inúmeras e em razão dos argumentos expostos acima escolheu-se o método entrevista. Contudo, ressalta-se que mesmo sendo um caminho eficiente para obtenção de dados as entrevistas apresentam algumas limitações, mas que estão geralmente ligadas a falta de experiência do entrevistador ou falta de bom senso (LAKATOS e MARCONI, 1991). Abaixo encontra-se a lista de desvantagens propostas por Lakatos e Marconi (1991, p. 198): Dificuldade de expressão e comunicação de ambas as partes; Incompreensão, por parte do informante, do significado das perguntas, da pesquisa, que pode levar a falsa interpretação; Possibilidade de o entrevistado ser influenciado, consciente ou inconscientemente, pelo questionador, pelo seu aspecto físico, suas atitudes, idéias, opiniões, etc; Disposição do entrevistado em dar as informações necessárias; Retenção de alguns dados importantes, receando que sua identidade seja revelada; Pequeno grau de controle sobre uma situação de coleta de dados; Ocupa muito tempo e é difícil de ser realizada. 17 18 Nota-se que realmente essa limitações estão mais ligadas com as atitudes de entrevistador perante ao entrevistado e do contrário também. Por isso foi muito bem salientado acima que as limitações estavam ligadas a inexperiência do pesquisador e a falta de bom senso de ambas as partes. Como esta pesquisa tem a intenção de tornar público dados que não traz consigo informações relevantes do ponto de vista legal, segredos de empresas, entre outros, os entrevistados não terão necessidade de reter informações para sua segurança ou algo parecido. Nem tampouco há possibilidade se sentirem influenciados em suas respostas, pois a razão pela qual estas entrevistas serão realizadas está no fato que suas histórias de vida e conhecimentos técnicos serem o ponto principal, ao contrário de uma pesquisa de opinião ou satisfação, onde as respostas quanto mais favoráveis melhor, esta pesquisa quer conhecer o que de fato ocorreu nesses últimos anos com a entrada da fotografia digital no mercado. 4.1.1 População e amostragem Ao se pensar em quem entrevistar, optou-se por pessoas que tem afinidade com o assunto, pessoas do meio em dois aspectos, que trabalham com o produto final que é a fotografia em si, e também profissionais da área, tem-se aí a população. Segundo Lakatos e Marconi (1991, p. 163) “A amostra é uma parcela convenientemente selecionada do universo (população); é um subconjunto do universo”. Seguindo esse raciocínio se estabeleceu que um profissional de cada área seria suficiente para dar validade a pesquisa. A pessoa que escolhida para falar do ponto de vista de consumidora, foi Silvia Caldas do Nascimento, sócia proprietária da Celebrate Formaturas e que atua nessa área desde que a fotografia era feita usando películas fotográficas. Apesar de revender as fotos, aqui se enquadrou na categoria consumidora por primeiro comprar as fotos dos fotógrafos para só depois vender aos formandos. Para falar levando em consideração o profissionalismo da fotografia, optou-se por Guilherme Fontelles Ternes, fotógrafo profissional que trabalhou muitos anos na área de fotojornalismo e atualmente faz cobertura de eventos sociais. 18 19 4.1.2 Coleta de dados A coleta de dados foi feita por levantamento bibliográfico, principalmente livros que tratam do assunto turismo e eventos. Já para dados referentes às novas tecnologias e fotografias, por insuficiência de livros que tratam desse assunto, encontrou-se em trabalhos acadêmicos dados relevantes para essa pesquisa. Para as entrevistas semi-estruturadas foi elaborado um questionário guia com algumas questões pertinentes a fotografia e suas mudanças com o advento das novas tecnologias, mais especificamente, a fotografia digital. A aplicação foi feita por meio de conversa presencial deixando os entrevistados a vontade no caso de quererem fazer alguma colocação que julgassem interessante. 4.1.3 Análise e interpretação dos resultados. Os dados obtidos por meio da aplicação de entrevistas e pesquisas bibliográficas darão ao pesquisador capacidade de avaliar qualitativamente as mudanças proporcionadas pelo advento das novas tecnologias no segmento fotografia em eventos. Tanto do ponto de vista de faturamento com a venda de fotografias da empresa Celebrate Formaturas quanto pela qualidade em si das fotos. Esta fase, “representa a aplicação lógica dedutiva e indutiva do processo de investigação” (BEST, apud Lakatos e Marconi, 1991, p. 167). E complementa dizendo que “a importância dos dados está não em si mesmo, mas em proporcionarem respostas às investigações” (LAKATOS; MARCONI, 1991, p. 167). Não basta ter os dados em mãos, é preciso articulá-los de forma a responder as questões que se deseja. Esta pesquisa tem como objetivo uma análise qualitativa dos dados obtidos por meio da pesquisa bibliográfica e entrevistas aos profissionais da área. Busca-se saber quais os reais impactos que o uso das novas tecnologias tem causado na produção, do ponto de vista de um fotógrafo, e nas vendas, do ponto de vista de uma empresária do setor de formaturas. 19 20 4.2 Plano de Trabalho 4.2.1 Etapas O presente projeto de pesquisa foi realizado com base em informações obtidas por meio de pesquisa bibliográfica e entrevistas. 4.2.1 Cronograma 2007 Etapa/ Mês Setembro Definição do tema 1º Quinzena Pesquisa Bibliográfica 2º Quinzena Outubro Novembro Dezembro 1º e 2º Quinzena Entrevistas 1º Quinzena Análise da pesquisa 1º Quinzena Apresentação dos resultados 1º Quinzena Fonte: Elaborado pelo autor QUADRO 1 – ETAPAS DO PROJETO DE PESQUISA 4.3 Análise da Pesquisa A seguir serão expostas na íntegra as entrevistas realizadas e logo abaixo de cada uma será realizada a análise dos dados. a) Descrição da entrevista com Guilherme Fontelles Ternes, realizada em 13 de novembro de 2007 01) Fotógrafo há quanto tempo? Fotógrafo há 18 anos. 20 21 02) Fez cursos ou é autodidata? Estudei fotografia na Espanha durante 2 anos. Curso técnico avançado de fotografia. 03) Faça um breve histórico de sua carreira no ramo fotográfico. Fotografo desde 1990, estudei fotografia na Espanha, comecei desenvolvendo trabalhos autorais, trabalhei muito em laboratório P/B, durante 9 anos fui fotógrafo de jornal. Atualmente meu foco é casamento, festas e eventos, mas estou atuando em todas as áreas discretamente (arquitetura, moda, esporte, publicidade,etc...). A fotografia de jornalismo me ensinou a ter muita flexibilidade e agilidade que precisa ser melhorada com conhecimentos técnicos mais apurados. 04) Com a transição da fotografia analógica para digital, no seu ponto de vista, quais as principais vantagens e desvantagens? Vantagens: Possibilidade de ter um laboratório sem química, respostas instantâneas, economia brutal em filmes. Desvantagens: Equipamentos caros e desvalorização rápida, qualidade do digital ainda deixa a desejar, trabalha-se mais porque existe a pós-produção (tratamento das imagens) 05) Você acredita que a fotografia analógica é essencial para a profissionalização do fotógrafo ou a partir da fotografia digital, com máquinas cada vez mais sofisticadas e automáticas, é possível uma mesma profissionalização? Por quê? Acredito que não só a fotografia analógica, mas estudar as origens da fotografia, os primórdios, como isso aconteceu, É preciso entender ao menos o processo mecânico/químico/ótico que acontece ao apertar o botão. Isso é bagagem, ajuda a pensar e entender essa linguagem independente de estar usando digital ou analógico. A base passa pelo analógico no meu entendimento. O digital é volátil... É comum ver fotógrafos profissionais da noite pro dia, a fotografia digital permite isso, porém a qualidade desses profissionais deixa muito a desejar. 21 22 06) A propagação da fotografia digital, onde as pessoas cada vez mais tem acesso a máquinas com inúmeros recursos semelhantes as máquinas profissionais, representa alguma ameaça para os profissionais do ramo? Dependendo da área de atuação pode até incomodar um pouco, mas não chega a ser uma ameaça porque o profissional que tem talento, olhar, criatividade, sensibilidade e conhecimento técnico sólido, é insubstituível e faz a diferença em qualquer área ou profissão. O mercado vai ficando cada vez mais seletivo e exigente com os profissionais de verdade, por isso é necessário reciclagem constante, aí está a diferença. Acredito que o diferencial é a qualidade e não a quantidade, tem cliente para todos os preços e gostos, determinado trabalho pode variar de R$ 300,00 a R$ 5.000,00. 07) Em termos de equipamentos, em poucos anos a indústria da fotografia digital teve um crescimento muito acelerado, lançando no mercado novos equipamentos em pouco espaço de tempo. Será que chegamos a um limite, ou ainda existem fatores que devem ser melhorados? A fotografia digital já se equipara a fotografia analógica, ou a supera? A fotografia digital está melhorando e ainda pode melhorar muito em qualidade de captura (fidelidade de cores, relação entre claro/escuro, questões técnicas) A fotografia analógica ainda tem mais qualidade que a digital 08) Com as novas tecnologias permitiu-se criar uma nova forma de ver as fotografias, muitos efeitos podem ser incorporados, imagens retocadas, de fato a manipulação de imagens é inerente a fotografia digital. Estes trabalhos representam um valor agregado na contratação de um serviço fotográfico? Eu não retoco as imagens, apenas faço um tratamento básico, alguns ajustes mínimos e pontuais, mais existem novas possibilidades a serem exploradas sim. Os retoques podem agregar valor ao produto final sim, muitos fotógrafos trabalham com dois preços, um pelo trabalho puro e outro quando se pede algum trabalho de edição nas imagens. 09) Quais as novas habilidades que os profissionais da fotografia tiveram que desenvolver com o advento da fotografia digital? 22 23 Conhecimento de informática (baixar fotos, transmissão de imagens). Domínio de programas de tratamento de imagens. Vontade de aprender e pesquisar sobre novas possibilidades de expressão fotográfica através do digital. 10) Quanto ao valor de equipamentos digitais, máquinas, lentes, flashes entre outros, pode-se comparar com os valores desses artigos à época da fotografia analógica? Exemplo, digamos que há 10 anos um profissional conseguia ter bons equipamentos por R$10.000,00, com esse mesmo valor ele consegue o mesmo hoje? Com esse valor consegue comprar um equipamento razoável. O equipamento fotográfico digital é um pouco mais caro devido a sua rápida depreciação e desgaste. Com os lançamentos freqüentes é difícil estar sempre se atualizando, diferentemente da fotografia quando analógica onde um equipamento dificilmente se tornava obsoleto. Exemplo disso são fotos que hoje se tira com máquinas de 30 anos atrás, a qualidade é a mesma. Já na fotografia digital, uma foto tirada hoje com uma máquina de 5 anos atrás é completamente diferente. 11) Algo mais que gostaria de colocar? Sou fotógrafo porque não levo jeito para a música, mas aprecio música. Captura de imagens e acordes musicais são iguais, é apenas a ferramenta que muda. A vida é feita de escolhas, em qualquer profissão é preciso ter habilidade. O fotógrafo Guilherme Fontelles Ternes atua no ramo fotográfico há 18 anos, portanto vivenciou na prática todas as mudanças ocorridas na fotografia com as novas tecnologias, por isso tem o perfil ideal para servir como base nessa pesquisa. Para ele as mudanças ocorridas na fotografia têm dois lados que são importantes salientar. Se por um lado tem-se economia com filmes, o equipamento digital é mais caro e sua desvalorização é acelerada em virtude da entrada de equipamentos mais modernos. Tem-se resposta instantânea na visualização das fotos pelo display de LCD da máquina, porém a qualidade da imagem no papel ainda é inferior às fotografias analógicas de filme. Outro fator negativo é o tratamento de imagens que demanda mais trabalho. 23 24 Esse tipo de tecnologia está acessível a quem tem recursos para adquirir, portanto qualquer pessoa que os tenha pode se tornar fotógrafo profissional, ou ao menos atuar como. Com isso perde os profissionais de verdade, que tem mais concorrência com muito menos qualidade, ou seja, um fotógrafo com 18 anos de trabalho pode estar competindo com outro que não tem nem 2 anos de contato com a fotografia. Diferentemente de outros ramos, onde a tradição costuma pesar muito, na fotografia isso não ocorre. Como ele mesmo colocou, é necessário entender o processo mecânico, químico e ótico, por isso da necessidade de se iniciar com máquinas analógicas. Por mais sofisticado que seja a fotografia digital e permita a operação manual das configurações das máquinas, ainda é um software que faz a transformação da imagem registrada pela lente para o chip de memória, diferente da fotografia analógica onde o que a lente captura é o que será registrado no filme. Apesar de se ver surgir fotógrafos do dia pra noite e isso incomodar um pouco, isso não representa uma ameaça propriamente dita. Hoje a tendência é segmentar, focar num determinado perfil de cliente e trabalhar nele. Guilherme colocou que o mercado está mais seletivo e exigente com os profissionais de verdade e que é necessário reciclagem constante. Também os profissionais de longa data precisam reaprender a fotografar, não os princípios básicos, mas o modo como se fotografa no digital, que tem muitas coisas diferentes. Questionado quanto a qualidade das fotos digitais e aos melhoramentos constantes dos equipamentos digitais, ele disse que ainda pode melhorar para se chegar ao ponto ideal. De fato com o capitalismo dominante as empresas querem é vender cada vez mais, por isso as máquinas digitais tornam-se obsoletas em curto espaço de tempo. Diferentemente dos tempos de fotografia analógica, onde uma máquina durava mais de 40 anos. Hoje o entrevistado possui uma máquina da alemã da marca Leica que funciona perfeitamente, o ano data de 1930. Ele termina dizendo que a fotografia digital ainda é inferior a analógica. A fotografia digital permite manipular imagens e isso pode agregar valor ao produto final, quando as fotografias passam por um processo de melhoramento os fotógrafos costumam cobrar um valor diferenciado em razão do tempo usado. Vale salientar que o ato de manipular imagem não faz referência ao arrumar as fotos que tenham saído ruim por causa da inexperiência do autor, mas sim a critério do contratante, por exemplo, caso ele queira uma mesma foto em vários esquemas de cores, ou alguma montagem, isso são serviços adicionais. Aquelas fotos que são tratadas por que estão ruins deveriam ser responsabilidade de quem as tirou, sem agregar valor ao produto final. 24 25 Com a vinda da fotografia digital, os fotógrafos tiveram que se adequar ao que vem associado a ela, tiveram que se habituar ao uso de computador e de programas para manipulação de imagens, e a investir nisso. À medida que as máquinas foram se desenvolvendo os investimentos também foram, o computador usado para tratar imagens com padrão de 5 anos atrás é diferente dos que são usados hoje, e possivelmente daqui a 5 anos também esteja diferente. Os equipamentos hoje estão equiparados aos do tempo da fotografia digital quanto a preço, pois se consegue montar um bom conjunto de peças hoje pelo mesmo valor de 10 anos atrás, resguardado a realidade econômica das duas épocas. Porém como a tecnologia está em franca expansão os equipamentos novos tornam-se obsoletos muito rapidamente em razão de novos lançamentos, causando assim sua depreciação. Além de sentirem o desgaste mais facilmente que as máquinas totalmente mecânicas. As respostas dadas por Guilherme atenderam de forma eficiente os objetivos da pesquisa no tocante fotografia digital na ótica de um profissional. Para falar da fotografia com enfoque comercial, entrevistou-se Silvia Caldas do Nascimento, sócia proprietária da Celebrate Formaturas, segue a entrevista e abaixo dela a análise. b) Descrição da entrevista com Silvia Caldas do Nescimento, realizada em 13 de novembro de 2007 1) Há quanto tempo a Celebrate Formaturas começou a desenvolver os trabalhos de coberturas fotográficas? No ano de 1999 na cidade de Blumenau, 2) A principal fonte de receita da Celebrate Formaturas vem de qual produto? Assim como na maioria das empresas que trabalham com esse segmento, a fotografia é principal fonte de receita. A venda de DVD´s também é importante fonte de renda, porém não se equipara as vendas de fotografia. 3) Em média, quantas fotos por aluno são vendidas em uma formatura? Não se pode dizer que existe uma média por aluno e nem por turma. 25 26 É comum ter alunos que compram por volta de 100 fotos, assim como alunos que compram em torno de 10 fotos, é muito variável. 4) Álbuns composite são exclusivos para fotografias digitais ou já existia este tipo de montagem, mesmo sem os efeitos que hoje são incluídos por softwares específicos? De fato a fotografia digital permitiu criar novos conceitos de álbuns, com montagens que antes não eram possíveis. Mas não é só a fotografia digital que contribuiu com isso, as tecnologias atuais empregadas nas impressões são fatores essenciais que tornaram possíveis novas criações. 5) Com a transição da fotografia analógica para a digital muitos serviços foram incorporados, a manipulação de imagens agregou valor ao produto final? Na Celebrate Formaturas as fotos são vendidas pelo mesmo preço necessitando ou não de algum tipo de tratamento. O que pode decidir se uma foto terá um preço maior que outra é seu tamanho, tipo de papel e modo de impressão. 6) Hoje o processo de venda está mais dinâmico e rápido, o uso de novas ferramentas de vendas, como site e computador, são os grandes facilitadores desse processo? Qual o principal ganho com o uso dessas ferramentas? Este é outro fator que tornou a fotografia digital a ferramenta certa de trabalho. Antes as fotos eram reveladas e impressas em tamanhos pequenos, várias fotinhos por folha, que juntas formavam uma espécie de livro, os chamados copiões. Cada aluno tinha que pesquisar suas fotos em vários copiões, o que demandava muito tempo e trabalho. Agora, quando a formatura acaba é possível o fotógrafo entregar as fotos no dia seguinte, e em menos de uma semana essas fotos podem estar disponíveis para venda. A forma da venda ganhou mais agilidade, pois agora é só criar no computador pastas com os nomes dos alunos e separar as fotos de acordo com essas pastas. Quando os alunos forem comprar suas fotos pesquisarão diretamente dentro de suas pastas. A venda pelo site e internet também ajudaram muito, se um aluno precisa viajar imediatamente após sua formatura, a Celebrate Formaturas pode disponibilizar no site 26 27 ou por e-mail suas fotos em baixa resolução para que ele escolha, depois é só imprimir e enviar por correio as fotos ou o álbum pronto. 7) Pode-se dizer que a manipulação de imagens é um grande trunfo da fotografia digital, de alguma forma isso representou um aumento nas vendas? Ou seja, fotos que antes não seriam vendidas hoje podem ser manipuladas tornando-as vendáveis? Perfeitamente, muitas fotos quando tiradas podem estourar o flash (quando a foto perde os detalhes pela grande quantidade de luz emitida pelo flash), podem ficar escuras, os olhos das pessoas podem ficar vermelhos, algum detalhe de fundo pode não estar bonito, entre outros. Tudo isso pode ser manipulado tornando a foto vendável. Também é importante citar as fotos de grupos, quando a turma é muito grande pode ter dificuldades em se reunir para bater a foto do convite. Por meio de programas específicos é possível tirar uma foto da pessoa faltante em estúdio e incorporá-la ao grande grupo. 8) A possibilidade de estocagem em mídias eletrônicas representa uma vantagem em relação aos antigos filmes e copiões? No sentido haver vendas em períodos (meses ou anos) posteriores a formatura. Não é muito comum acontecer vendas em períodos superiores a um ano de formatura, mas sem dúvida ficou muito mais fácil de organizar os estoques. Hoje em DVD consegue-se gravar um número de fotos equivalentes a 2 copiões, com fotos em alta resolução. Como ficou mais fácil guardar e não ocupa grandes espaços, não é necessário se desfazer do material, portanto se houver necessidade de vendas em grandes períodos após a formatura a Celebrate Formaturas poderá atender. 9) Mesmo a fotografia digital sendo a nova forma de trabalhar dos fotógrafos, algumas pessoas ainda preferem a fotografia de filme. Do seu ponto de vista, a fotografia digital se iguala à analógica, ou a supera? Em termos de qualidade a fotografia analógica ainda supera a digital, embora a qualidade das fotografias digitais esteja melhorando muito rapidamente. Já para se trabalhar as vendas, a fotografia digital supera muito a fotografia analógica. 27 28 10) De uma maneira geral, seria correto afirmar que hoje está mais fácil trabalhar com fotografias? Quais os principais pontos? Sim, hoje está muito mais fácil de se trabalhar com as fotografias. Pontos positivos com a fotografia digital: agilidade nas vendas, recuperação de fotos. Pontos negativos: Usa-se muito tempo na manipulação de imagens, a qualidade das fotos ainda deixa a deseja se comparada à fotografia analógica. Sílvia Caldas do Nascimento iniciou suas atividades em 1999, época em que ainda se utilizava máquinas fotográficas de filme, atualmente todas as formaturas têm sua cobertura por fotografia digital. A empresa tem na comercialização de fotografias sua principal fonte de receita, portanto é indispensável entendimentos nesta área. A empresa não trabalha com número fechado de fotos que deverão ser adquiridas após a formatura, cada aluno tem a livre escolha de quais e quantas fotos quer levar, dessa maneira quanto mais fotos com alta qualidade, melhor. São diversos tipos de álbuns oferecidos, um que se destaca pela beleza é o chamado composite. Este álbum existe graças à flexibilidade que a fotografia digital oferece, quanto a tamanho de impressão e montagens, e também as tecnologias empregadas nas máquinas de impressão. Diferente dos outros, neste tipo de álbum o editor tem a liberdade de criar efeitos, e o material usado na impressão também é superior à forma tradicional. Diferentemente dos fotógrafos que cobram para manipular imagens, a Celebrate Formaturas não cobra, existe mesmo um interesse da empresa nisso, pois muitas fotos tornamse vendáveis graças as técnicas empregadas para melhoramento de imagens. As fotos somente têm alteração de preço quando o aluno pede para imprimir em tamanhos diferentes aos do padrão. Hoje poupa-se muito tempo na venda das fotos, ao invés do aluno procurar suas fotos entre os diversos copiões que são gerados com a impressão das fotos, ele agora escolhe dentro de uma pasta com seu nome no computador. Isso é muito importante quando se realiza formaturas fora da cidade onde está sediada a empresa, pois numa tarde consegue-se atender um número grande de formandos. O uso da internet para facilitar o processo de vendas é outro item importante que a fotografia digital proporcionou, as fotos expostas na internet e enviadas 28 29 por e-mail são sempre em baixa resolução para evitar que o aluno imprima sem o consentimento da empresa. A possibilidade de manipular imagens é um grande aliado das empresas desse segmento, muitas fotos acabam sendo vendidas por um simples retoque. Digamos que numa foto em grupo, determinada pessoa saiu com os olhos fechados, dependendo de como está a disposição das pessoas, é possível recortar essa pessoa da foto e vendê-la para os outros integrantes. O mesmo ocorre com fotos escuras ou com excesso de luz, olhos vermelhos, entre outros. Por mais que as vendas em épocas posteriores a formatura não chegam a ser representativas, as novas formas de armazenamento permitem a empresa não se desfazer dos materiais de formaturas passadas. O escritório da Celebrate Formaturas não é muito espaçoso, e nem há a necessidade de ser já que praticamente tudo que se usa numa formatura é terceirizado. Então o método de armazenamento em DVD é a melhor opção, pois ocupa muito menos espaço que os copiões e não sobrecarrega os computadores. Para Silvia, a fotografia digital pode ser dividida em duas partes, a visual que tem uma qualidade ainda inferior a fotografia analógica, e a comercialização que se tornou muito mais dinâmica e rápida. Por isso a fotografia digital se tornou dominante não só na cobertura de formaturas, mas também em muitos outros eventos. Se a tecnologia como um todo, uso de computadores, softwares e fotografia digital, propicia agilidade na venda de fotos, por outro lado gasta-se muito tempo na edição de fotografias, mas mesmo assim hoje está muito mais fácil trabalhar com a fotografia digital que a analógica. 29 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS Tecnologia é um termo usual que está em constante atualização, por mais confusa que possa parecer essa colocação ela faz sentido, partindo do princípio que a tecnologia é um “conjunto de conhecimentos que se aplicam em um determinado ramo de atividade” (AURÉLIO, 2004). Hoje o que se vivencia é ao mesmo tempo novo, em relação há alguns anos, e atrasada ao se pensar em poucos anos à frente. A tecnologia é inerente ao desenvolvimento da sociedade, desde atividades mais corriqueiras do dia a dia até as mais complexas, tudo é influenciado. Porém ao se elaborar essa pesquisa sentiu-se carência de matérias que tratam do assunto, percebe-se na literatura uma grande preocupação quanto à tecnologia da informação, mas quanto a tecnologia em si que é a base de tudo pouco material se encontrou entre livros e pesquisas relacionadas ao tema. Ao se falar em novas tecnologias no campo de eventos, mais especificamente organização de formaturas, faz-se uma inevitável ligação com a fotografia, já que este produto representa a principal fonte de receita das empresas que trabalham com esse segmento. Mas a fotografia digital pos si só não existiria sem o uso de outras tecnologias, como computadores e softwares específicos. A internet é outra ferramenta importante, permitindo vendas a distância e tornando os deslocamentos aos laboratórios fotográficos desnecessários, pois programas fazem o sincronismo de computador do cliente com o computador do laboratório, neste caso basta selecionar as fotos, determinar o tamanho, tipo de papel e tipo de acabamento, e enviar, normalmente no dia posterior ao envio as fotos são entregues na empresa que emitiu. A agilidade é notável, proporcionando ao cliente comodidade e ganho de tempo para desempenhar outras tarefas. Analisando as duas entrevistas com profissionais da área percebe-se que uso da fotografia digital proporcionou significativas melhorias tanto para quem trabalha na parte operacional quanto para quem trabalha com a parte comercial. Também é claro que esses profissionais ainda preferem a fotografia analógica em termos de qualidade, mas optam trabalhar com a fotografia digital pelas facilidades que ela traz. De acordo com seus comentários, é bem provável que em curto espaço de tempo ocorra a igualdade entre a fotografia digital com a analógica no que se refere a qualidade do produto final. Do ponto de vista comercial, as principais vantagens são quanto a dinâmica das vendas, possibilidade de manipular as imagens tornando-as mais atrativas, comodidade na impressão fazendo tudo sem sair do escritório e o método de estocagem, permitindo guardar 31 grandes volumes de fotos e pequenos espaços. Já do ponto de vista operacional, proporcionou aos fotógrafos economia de filmes, resposta imediata quanto a visualização da foto no próprio display da maquina, também o uso de softwares específicos os auxiliam quando necessário. Atualmente o programa mais usado para manipular imagens é o Adobe PhotoShop e o DG foto Art para a criação de álbuns estilo composite. Já para o sincronismo entre o computador da empresa e os laboratórios fotográficos, são usados programas específicos cedido pelos laboratórios, programas estes que permitem algumas alterações nas imagens, como redução de olhos vermelhos e recortes. Trabalhar com fotografia sempre foi o grande interesse das empresas organizadoras de formaturas, há menos de 4 anos as máquinas fotográficas analógicas dominavam o mercado. Em pouco tempo houve uma evolução notável na maneira de se trabalhar com coberturas fotográficas, saiu os filmes que armazenavam os registros por um processo químico e entrou os chips de memória cujo armazenamento das imagens obtidas pelas lentes é feito por softwares. Os recursos fotográficos, todos manuais deram lugar a máquinas que interpretam o ambiente e dão ao fotógrafo a melhor configuração embora permitam a operação manual do equipamento. Antes era possível ter conhecimento da qualidade da foto somente depois do filme revelado, agora a constatação da qualidade da imagem é feita quase que no momento do registro. Todas essas mudanças tornaram os processos mais ágeis e dinâmicos. Quanto ao lucro advindo das vendas de fotografias, pode-se dizer que a fotografia digital contribui de forma significativa com a possibilidade da manipulação de imagens, mesmo sendo um processo lento e minucioso o retorno financeiro é recompensador. Com tudo isso, percebe-se que os impactos gerados pelo uso dessa nova tecnologia no segmento de formaturas agregaram muito valor do ponto de vista comercial, já para os profissionais da área, acostumados a trabalhar com máquinas manuais sem a necessidade do uso de computadores e outros equipamentos eletrônicos, a reciclagem mostrou-se necessária para assimilar as novas tendências. Por mais que essa tecnologia esteja disponível para quem possa pagar por ela e não exista nenhuma espécie de regulamentação quanto à profissão de fotógrafo, isso não representa uma ameaça aos fotógrafos profissionais. Pois mesmo que hoje qualquer pessoa possa cobrir um evento, bastando ter bom equipamento e ser capacitado para isso, a qualidade de quem trabalha com a fotografia desde os tempos da máquina analógica é superior, consequentemente se destacam dos demais por terem mais conhecimento básico. Por conseguir reunir opiniões de pessoas que trabalham com o mesmo produto, mas de forma diferente, este projeto de pesquisa atingiu todos os objetivos pretendidos no início, 31 32 deixando claro quais os benefícios e os aspectos limitantes da fotografia digital no mercado de organização de formaturas. Por se um assunto atual e com pouco material bibliográfico nessa área, há a possibilidade de se desenvolver novos trabalhos, como avaliação da satisfação e percepção dos clientes quanto ao uso da tecnologia digital, procurar saber até que ponto é viável uma empresa organizadora de formaturas trabalhar com profissionais da área ou com pessoas possuidoras de conhecimentos limitados, entre outros. Afinal, a formatura de um aluno é uma data especial, é o fim de um ciclo e o início de outro constituindo aí o vencimento de uma etapa muito importante. Por mais que se tenham momentos únicos de grande emoção nesse dia, o que realmente fica guardado são as memórias, as imagens. Portanto a fotografia é algo a ser tratado com toda seriedade que requer essa data, a qualidade deve ser primordial e empresas que atuam dessa forma estabelecem um diferencial competitivo. 32 6 REFERÊNCIAS ALLEN, Johnny et al. Organização e Gestão de eventos. São Paulo: Campus, 2003 CORRÊA, Fabíola Catharine. As novas tecnologias na profissões. 2007 Universidade Metodista de São Paulo. Disponível em <http://www.metodista.br/cidadania/numero-32/asnovas-tecnologias-nas-profissoes/?searchterm=dilemas> Acesso em: 12 nov. 2007. IGNARRA, Luiz Renato. Fundamentos do Turismo.São Paulo: Thomson, 2002. LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Fundamentos da metodologia científica. 3. ed. São Paulo: Atlas, 1991. MAÑAS, Antonio Vico. Gestão de Tecnologia e Inovação. 4. ed. São Paulo: Érica, 2001. MARTIN, Vanessa. Manual Prático de Eventos. São Paulo: Atlas, 2003. MATIAS, Marlene. Organização de eventos: Procedimentos e técnicas. São Paulo: Manole, 2001. OMT. Organização Mundial do Turismo. Disponível em <http://www.unwto.org/index.php> Acesso em: 22 out. 2007. TENAN, Ilka Paulete Svissero. Eventos. São Paulo: Aleph, 2002. TOMELIN, Carlos Alberto. Mercado; de Agências de Viagens e Turismo: Como competir diante das novas tecnologias. São Paulo: Aleph, 2001. 1 IDENTIFICAÇÃO DA ORGANIZAÇÃO E DO ALUNO 1.2 Dados da empresa: Razão Social: Celebrate Eventos Ltda Inscrição Estadual: 431.527-8 Nome Fantasia: Celebrate Formaturas Endereço: R. Fritz Muller, 50, Edifício Praia Bela, sala 401, Coqueiros, Florianópolis – SC, CEP: 88080-720. Proprietárias: Maria Fernanda Lamin Hoffmann e Silvia Caldas do Nascimento Supervisora de estágio na empresa: Silvia Caldas do Nascimento 1.3 Dados do aluno: Nome: Cesar Augusto Ternes Campos RG: 3810877 SSP/SC CPF: 007.675.989-03 Endereço: Rua Miguel Daux nº 164, Coqueiros, Florianópolis – SC, CEP: 88080-220. 2 JUSTIFICATIVA As atividades do Estágio Supervisionado estão fundamentadas na Lei no 6.494, de 07/12/1977, regulamentada pelo Decreto no 87.497, de 18/08/1982, Pareceres normativos CST no 326, de 06/05/1971, Resolução 015/CONSUN/CaEn/04 da Universidade do Vale do Itajaí e pelas normas administrativas aprovadas pela Coordenação do curso de Turismo e Hotelaria. Sem dúvidas o mercado de trabalho está cada vez mais exigente e requer profissionais altamente qualificados. Já não basta ao acadêmico passar anos na academia adquirindo conhecimentos teóricos para só depois pô-los em prática, é necessário conciliar o aprendizado da sala de aula com a realidade, que diga-se de passagem, muda constantemente, ainda mais se a atividade em questão está subordinada a fatores externos que a influenciam diretamente. É por essa necessidade do aluno estar perto do mercado de trabalho ainda no período acadêmico, que o estágio supervisionado vem a ser uma atividade de extrema importância para os alunos, pois assim terão um contato mais próximo com aquilo que pretendem seguir. Bianchi e Alvarenga (2004, p.5), esclarecem o que de fato é o estágio curricular supervisionado: O estágio é um período em que o aluno vivencia o conteúdo aprendido nas disciplinas de um curso, em um determinado local de trabalho. Pode ser um período probatório e temporário, remunerado ou não, que qualquer pessoa pode exercer numa empresa. O estágio destinado a alunos regularmente matriculados em escolas. Não só estagiário é beneficiado por essa parceria, as empresas que os recebem tem a sua disposição um profissional que vem a somar, com novas técnicas e modelos, ávidos para colocá-los em prática e obstinados por resultados. Além destes profissionais terem um baixo custo para a empresa. É uma eficiente forma de conhecer bem um funcionário antes de efetivamente contratá-lo. É importante que o aluno tenha consciência plena da área escolhida para realizar o estágio supervisionado, tendo em vista que de fato esse tempo de trabalho na empresa poderá segundo Bianchi e Alvarenga (2004, p.5), “transformar-se em uma autêntica história de vida voltada para a profissão, desde que resulta em relação teoria/prática”. Importante ao aluno levar em consideração suas habilidades e preferências ao escolher o campo de estágio, de modo que há uma real possibilidade de se seguir carreira na empresa 36 em que se realiza o estágio supervisionado. Além disso vale considerar que este estágio é realizado no último semestre da faculdade dando ao acadêmico a oportunidade de concluir o curso já empregado. O turismo desponta em Florianópolis como uma das principais atividades geradoras de emprega e renda, devido ao modelo “Sol e Mar” empregado na capital do Estado de Santa Catarina a sazonalidade vinha sendo muito debatida, já que o turismo acontecia no máximo em quatro meses do ano. Uma forma de minimizar esses problemas e ocupar toda aquela mão de obra e estrutura que ficava obsoleta nos meses de baixa temporada, foi investir em eventos. Atualmente Florianópolis recebe um grande número de eventos, que são realizados nos centros de convenções, hotéis e outros espaços. Porém um outro tipo de evento, os chamados eventos sociais, são também realizados durante todo o ano e geram uma grande rotatividade de recursos devido ao grande número de empresas envolvidas. Casamentos e formaturas são dois exemplos clássicos. A região da grande Florianópolis, mais especificamente São José e a própria cidade de Florianópolis, possui um grande número de universidades, justificando o grande número de empresas que atuam nesse segmento. A Celebrate Formaturas atua nesse ramo desde 1999, inicialmente na cidade de Blumenau e posteriormente, em 2002, entrou no mercado de Florianópolis e cidades adjacentes. É uma empresa caracterizada pela forma de trabalho com seus clientes, onde o ponto alto é a atenção aos detalhes. Diante disso o acadêmico buscou a Celebrate como local para a realização do estágio, vendo no segmento de eventos uma possibilidade de atuação profissional 36 3 OBJETIVOS 3.1 Objetivo geral Desenvolver atitudes e hábitos profissionais, bem como adquirir, exercitar e aprimorar conhecimentos técnicos nos campos do Turismo e da Hotelaria. 3.2 Objetivos específicos Identificar na literatura especializada os fundamentos teóricos de eventos; Identificar/reconhecer a estrutura administrativa e organizacional da Celebrate Formaturas; Empregar os conhecimentos teóricos nos diferentes setores a serem percorridos durante a realização do Estágio; Reunir as informações observadas e vivenciadas no campo de Estágio para fins de relatório e compreensão; Processar o Relatório de Estágio; Identificar uma situação com potencial de mudança ou melhoria ao desenvolver um Projeto de Pesquisa, exigência parcial para obtenção do título de bacharel em Turismo e Hotelaria. 4 DESCRIÇÃO DA ORGANIZAÇÃO Para o desenvolvimento da descrição da Celebrate Formaturas utilizou-se como referência informações da empresa coletados pelo autor e pela acadêmica Aline Prolo. 4.1 Evolução histórica da organização A Celebrate Formaturas iniciou-se no ano de 1.999, na cidade de Blumenau, onde a sócia Silvia Caldas estava se formando em Publicidade e decidiu organizar sua própria formatura com a parceria de seu pai, Sr. Hélio, fotógrafo muito conhecido na cidade que sempre fotografava as formaturas da FURB. No ano de 2002, com falecimento do Sr. Hélio. Silvia resolveu oferecer à Maria Fernanda uma sociedade, pois precisava de uma parceira dentro da empresa. A participação em algumas formaturas e a vivência com os formandos foram pontos fundamentais para Maria Fernanda se decidir a firmar a sociedade que deu início em agosto de 2002. Durante esse período a Celebrate tinha seu escritório em Blumenau. Assim que se efetivou a sociedade, Maria Fernanda começou fazer o trabalho de divulgação em Florianópolis. A primeira turma a confirmar a organização de uma foramtura com a Celebrate em Florianópolis, foi Turismo e Hotelaria da Univali São José, no ano de 2005. Nesse mesmo ano, Silvia veio definitivamente morar em Florianópolis, abrindo então um novo escritório, juntamente com Maria Fernanda, no Bairro de Coqueiros, onde a empresa está instalada atualmente. O mercado da Grande Florianópolis propiciou um crescimento rápido e positivo da empresa. Em conseqüência do profissionalismo de sua equipe de trabalho, a Celebrate conquistou seu reconhecimento e se tornou uma empresa bem conhecida no ramo e muito procurada por universitários que buscam uma formatura diferente e inovadora. 39 4.2 Infra-estrutura física atual A Celebrate Formaturas possui seu escritório instalado no Edifício Praia Bela, no Bairro de Coqueiros em Florianópolis. Sua sala fica no quarto andar, de frente para o mar. Possui 50m2 sendo composta por quatro ambientes: sala de atendimento, sala de produção, cozinha e banheiro. O escritório tem um layout bastante dinâmico, muito propicio para organizações desse tipo. 4.3 Infra-estrutura administrativa A administração da empresa é de responsabilidade das sócias proprietárias. Elas trabalham em conjunto com mais duas funcionárias e dois estagiários. Ambas exercem todas as funções: administrativo, vendas, financeiro e operacional. Uma funcionária é responsável somente pelo auxílio administrativo e operacional. Já a segunda exerce todas as funções da empresa. Os estagiários são responsáveis pelas vendas e parte operacional das formaturas. Por esses motivos, o organograma abaixo é multifuncional: Sócias Proprietárias Auxiliar Administrativa Vendedores Operacional FONTE: Celebrate Formaturas, 2007. 39 Auxiliar Financeiro 40 4.4 Quadro de recursos humanos Pelos mesmos motivos relatados no organograma anteriormente, o quadro de recursos humanos também é multifuncional. NÚMERO DE CARGO FUNCIONÁRIOS Sócia Proprietária 2 Auxiliar Administrativa 1 Vendedores 5 Operacional 6 Financeiro 2 Total 16 FONTE: Celebrate Formaturas, 2007. 4.5 Serviços prestados: Com uma equipe profissional, a Celebrate Formaturas oferece aos formandos além da cobertura fotográfica e cinematográfica completa (estágios, festas, encontros, etc), orientação, assessoria completa e organização geral dos eventos formais e informais da formatura. A cada nova turma, a Celebrate Formaturas oferece as mais variadas opções para decoração, homenagens e demais detalhes referentes ao culto, colação e baile, tornando cada formatura um momento inesquecível tanto para os formandos quanto para os familiares e convidados. A personalização é uma característica forte na empresa, pois cada turma tem suas particularidades e por isso busca-se sempre alcançar as expectativas através da criatividade e dedicação. 40 41 Uma formatura se divide em três solenidades: culto, missa, colação de grau e baile. A Celebrate Formaturas se responsabiliza por todas as contratações e reservas referentes à formatura, tais como: reserva de clube, banda, local para colação e baile, decoração, músicos para culto e colação, contratação de seguranças, som, iluminação, entre outros. Além da contratação se responsabiliza pela coordenação e produção das solenidades. Abaixo segue a descrição de cada serviço realizado: Decoração: A decoração do culto, colação de grau e baile é desenvolvida por um renomado decorador de ambiente, e o projeto da decoração será apresentado à comissão de formatura para sua aprovação. São utilizadas flores nobres, tais como: rosas, gérberas, lírios, íris, copo-de-leite, entre outras; Músicos: A comissão de formatura pode fazer a escolha do que mais lhe agradar para apresentação musical durante o evento. São opções: corais, quartetos, sextetos ou apenas um vocal. Geralmente, contrata-se esses profissionais para homenagens feitas aos pais, amigos, pessoas especiais durante a colação, entrada dos formandos e encerramento; Programação do culto/missa: Para que todos convidados possam acompanhar o culto, são distribuídas as programações do culto para convidados e formandos; Recepcionistas: recebem os convidados durante o evento acompanhando-os até os lugares reservados; Aluguel de auditório/clube: a comissão de formatura escolhe juntamente com a empresa o local para a realização do evento e a mesma firma um contrato os responsáveis; Iluminação/Sonorização: Profissionais da área são contratados garantindo assim o bom andamento da colação de grau, sendo utilizados efeitos especiais na iluminação durante a cerimônia e no final dela. É utilizado todo o equipamento necessário para iluminação do palco (formandos e autoridades) e platéia, holofotes direcionados (para entrada e saída dos formandos, cantores, corais e solos instrumentais, bandeiras). Para sonorização completa do ambiente são utilizados: microfones com e sem fio, equipamento de CD, caixa acústica, mesa de controle total de áudio com entradas e saídas para vídeo, músicos, autoridades e oradores. Os profissionais contratados são altamente qualificados e possuem equipamento de ponta garantindo a qualidade dos serviços; Seguranças: são contratados conforme o número total de convidados para o evento. De acordo com a norma da Polícia Federal, para cada 60 pessoas, um segurança deverá ser 41 42 contratado. A Celebrate trabalha com uma equipe bem conceituada em segurança, pois são eles que garantem a tranqüilidade de todos durante o decorrer da formatura; Becas/Canudos: Cada formando recebe um canudo de veludo e uma beca completa (beca, faixa e capelo), do seu tamanho, previamente provada. A beca é entregue ao formando até três dias antes da colação de grau. Uma equipe é disponibilizada no local da colação de grau para auxiliar os formandos nos pequenos ajustes e colocação das becas; Cenário: Para o cenário da colação de grau é desenvolvido um projeto exclusivo, o qual é apresentado à turma para sua aprovação; Efeitos especiais: Para o encerramento da colação de grau são utilizados efeitos especiais: máquina de fumaça, show de luzes coloridas, chuva de ráfia metalizada, dentre outros efeitos apresentados para a turma; Projeção de imagens: são disponibilizados projetores para que todos os convidados possam acompanhar a cerimônia de colação de grau e os clipes durante o baile; Banda: a banda é contratada seguindo o a escolha da comissão de formatura; Foto/Filmagem: A partir do momento em que a turma assina o contrato com a Celebrate, tem cobertura completa de foto e vídeo em festas e estágios. As fotos são disponibilizadas em dois tamanhos: 15x21 e 18x25, sendo que o aluno faz a escolha pelo tamanho de sua preferência. O DVD é semi-personalizado. Na colação de grau e baile são montados estúdios fotográficos. 42 5 DESCRIÇÃO DAS ATIVIDADES DESENVOLVIDAS POR SETOR 5.1 Operacional Responsável pelo setor: Silvia Caldas do Nascimento Período: 20/08 a 11/10/2007 Nº de horas: 228 horas 5.1.1 Funções do setor Pode-se destacar como principais funções do setor operacional: Contato com fornecedores: Uma formatura requer uma gama de serviços para se realizar, a empresa organizadora não dispõe de todos os serviços e equipamentos necessários, grande parte dos itens que compõe esse evento são terceirizadas. Desta forma, ter um contato próximo com fornecedores é muito importante; Classificação de fotos por estudante e situação: Para agilizar o processo de venda, cria-se pastas no computador para cada aluno e dentro dessas pastas outras pastas são criadas, são elas, colação, eventos, missa e baile. Caso haja necessidade outras são criadas. Dessa forma, ao se apresentar as fotos para o alunos, cada um procura diretamente em sua pasta, tornando o processo mais rápido e dinâmico; Serviços bancários: Grande parte dos pagamentos dos fornecedores são efetuadas via depósitos bancários, idas aos bancos são funções desse setor. Ajustes de fotos: Muitas fotos podem ser melhoradas por programas de computador específicos para manipulação de imagens. Correção de olhos vermelhos, contraste e brilho os serviços mais usados; Envio de fotos para impressão: Após a realização das vendas e manipulação das imagens, as fotos são enviadas para laboratórios por programas específicos, não havendo mais a necessidade de se deslocar até o local onde a impressão é feita; Elaboração de álbuns: A empresa oferece uma opção de álbum personalizado, denominado composite, é de responsabilidade do setor operacional fazer a criação por meio de software específico e encaminhar para a gráfica; 44 Acompanhamento na edição de DVDs: Visitas constantes à empresa de edição de vídeos, afim de acompanhar a criação. 5.1.2 Infra Estrutura do setor O setor utiliza a seguinte estruta: Telefone; Notebook; Microcomputador; Carro. 5.1.3 Atividades desenvolvidas pelo acadêmico no setor As principais atividades desenvolvidas no período de estágio foram: Contato com fornecedores; Serviços bancários; Envio de fotos para laboratórios fotográficos; Classificação das fotos; Manipulação de imagens. 5.1.4 Conhecimentos técnicos adquiridos Este setor da Celebrate Formaturas permitiu ao acadêmico estar mais próximo de uma das etapas mais importantes de um evento. Neste momento se nota a importância de se estabelecer fortes parcerias, já que uma formatura trabalha com uma média de 9 empresas diferentes. Apesar de um evento deste porte requerer profissionais altamente qualificados, como pessoas com cursos em áreas afins, algumas atividades realizadas durante determinadas etapas de um evento não são abordadas nas academias. Manipular imagens a princípio não tem nenhuma relação com um curso de Turismo e Hotelaria, por exemplo, mas com o advento de 44 45 novas tecnologias, neste caso a fotografia digital, é muito importante o profissional estar familiarizado com o uso de softawares destinados a retoques em imagens, criação de lay-outs, entre outros. Neste ponto vale ressaltar que o estágio acrescentou muito na vida profissional do acadêmico. 5.1.5 Aspectos positivos, limitantes e sugestões administrativas Nota-se que trabalhar com terceirização de serviços nesta área é muito vantajoso, elimina os custos de se manter equipamentos que ficariam sem uso por muito tempo, como máquinas fotográficas e filmadoras. A forma como se trabalha com fornecedores é muito importante ressaltar, para cada item existe um fornecedor específico, muito raramente há a necessidade de se recorrer a outras empresas. Outro aspecto importante de se ressaltar é a informatização que vem trazendo eficientes resultados, principalmente no que tange a otimização de tempo e economia, eliminando a locomoção até os laboratórios fotográficos e a necessidade de se imprimir fotos não vendáveis. A empresa conta com um microcomputador e dois notebooks, incompatível com o número de funcionários que, não raras as vezes têm que se revezar no uso, atrasando a rotina de trabalho. Acrescentar mais uma estação de trabalho com computador otimizaria o tempo de trabalho dos funcionários. 5.2 Comercial Responsável pelo setor: Silvia Caldas do Nascimento Período: 12/10/2007 a 06/12//2007 Nº de horas: 222 horas 5.2.1 Funções administrativas do setor 45 46 São funções do setor comercial: Prospecção de clientes potenciais: idas até as faculdades com a intenção de se estabelecer um contato mais próximo com as turmas e dessa forma conhecer os potenciais clientes. É entregue a turma o folder da empresa e cartão de visitas e procura-se obter um meio de contato, seja telefone ou e-mail; Apresentação da empresa nas Universidades: essa função é considerada uma das mais importantes para a venda da empresa. Agenda-se um horário com a comissão de formatura ou com a turma inteira, para que alguém da empresa vá até à Universidade apresentar com recursos audiovisuais a Celebrate e seus serviços, mostrando os materiais dos eventos realizados. Nesse encontro os formandos podem tirar suas primeiras dúvidas e a empresa consegue captar a intenção e perfil da turma para poder sugerir orçamentos; Busca de contatos das comissões de formatura: essa busca de contatos é feita dentro da Universidade, através das coordenações dos cursos, como também dos próprios formandos que acabam indicando para a empresa novas turmas, que estão buscando uma organização para sua formatura; Envio de orçamentos: essa etapa é realizada após a apresentação da empresa para os formandos. O orçamento é feito com base nas informações obtidas nesse encontro e enviado por e-mail em até três dias para o responsável da comissão de formatura. Uma forma bastante oportuna para o envio do orçamento é entregar pessoalmente, pois assim o formando sente-se mais valorizado e recebe o documento impresso em papel timbrado da empresa numa pasta personalizada; Venda de fotos e DVD’s para formandos: a venda de imagens é feita após a formatura, onde cada formando agenda um horário e vai até o escritório da empresa para analisar e escolher seu material. Não há limite mínimo nem máximo de compra, mas a qualidade das imagens faz com que a maioria acabe comprando fotos, álbum e uma cópia do DVD. 46 47 5.2.2 Infra-estrutura do setor Para o setor comercial, são necessários os seguintes recursos materiais: Notebook; Projetor; Aparelho celular; Dvd’s demonstrativos; Álbuns demonstrativos; Folders e cartões da empresa; Cartazes; Calculadora. 5.2.3 Atividades desenvolvidas pelo acadêmico no setor Idas nas universidades. 5.2.4 Conhecimentos técnicos adquiridos O acadêmico exerceu apenas a função de ir às universidades identificar clientes potenciais, percebendo assim a importância de se estabelecer contato desta forma. 5.2.5 Aspectos positivos, limitantes e sugestões administrativas A forma de divulgação da empresa é eficiente, pois com visitas as turmas nas universidades o contato torna-se mais próximo, se desenvolve uma ligação diferente entre a empresa e os alunos, diferentemente do contato por telefone e e-mail. 47 6 ANÁLISE DAS ATIVIDADES DESENVOLVIDAS O acadêmico se identificou com as atividades desenvolvidas no escritório, como trabalho com fotografias e contato com fornecedores. Já nas atividades de vendas e visitas as universidades, sentiu-se uma grande dificuldade de realizar as tarefas, motivo pelo qual o aluno não tem interesse em permanecer na empresa após o término do estágio supervisionado. Na Celebrate Formaturas, o acadêmico teve todo acesso a informação e sempre pode contar com as orientações da pessoa responsável. 7 CONCLUSÃO TÉCNICA Com o livre acesso a empresa e a todos os seus departamentos o acadêmico teve oportunidade de vivenciar os conhecimentos teóricos adquiridos em sala de aula e processar o relatório de estágio, além de identificar uma situação relevante para o projeto de pesquisa. A realização do estágio supervisionado permitiu ao acadêmico ampliar seu conceito no que se refere à área de atuação de um turismólogo. Apesar de uma formatura não estar diretamente ligada ao turismo, muitos itens que a compõe são os mesmos que fazem parte de um grande evento. 8 REFERÊNCIAS ALVARENGA, Marina; BIANCHI, Anna Cecília de Moraes; BIANCHI, Roberto. Manual de Orientação Estágio Supervisionado. 3. ed. São Paulo: Thomson, 2003. 9 ASSESSORIAS TÉCNICAS E EDUCACIONAIS Professor responsável pelo estágio: Profª Bianca Oliveira Antonini Professor orientador: Profª Karine Von Gilsa