Mobilidade e permanência nos centros intra-urbanos de
Goiânia
Leyla Elena Láscar Alarcón1
Frederico de Holanda2
1. Introdução e metodologia
Goiânia é uma metrópole recente com apenas 71 anos de existência3, com uma
população pouco superior a um milhão de habitantes4, localizada no coração da região
Centro-Oeste (fig. 1). A cidade polariza o fluxo das principais cidades do Estado por suas
funções administrativas, de agronegócios, de serviços especializados e de comércio
diversificado. É conhecida como capital de eventos pelas inúmeras galerias comerciais,
shoppings, infra-estrutura hoteleira e gastronomia típica5.
O caminho de aproximação da centralidade em Goiânia é por meio da teoria da
Sintaxe Espacial.6 No urbanismo a Sintaxe Espacial se refere à localização de determinada
unidade (rua, praça) ou um conjunto de unidades em relação à estrutura da cidade. A teoria
é especialmente útil para o estudo de espaços públicos centrais, onde o potencial de cada
via (acessibilidade) pode influenciar a localização adequada de cada uso; a teoria faculta
verificar se a configuração de cada bairro7 é coerente com sua função8.
1
Professora de projeto urbano e teoria na Universidade Estadual de Goiás - UEG e pesquisadora do
Programa de Pós Graduação da Fau-UnB. E-mail: [email protected] e [email protected].
2
Professor de teoria e projeto de urbanismo e pesquisador do Programa de Pós Graduação da Faculdade de
Arquitetura e Urbanismo da UnB. E-mail: [email protected]
3
Considera-se o nascimento da cidade no ano do lançamento da pedra fundamental em 24 de outubro
de1933.
4
1.085.806 habitantes no perímetro urbano, segundo GOIÁS, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística,
CENSO DEMOGRÁFICO, 2000.
5
ARCA, Agenda 21, p. 27.
6
A teoria da Sintaxe Espacial foi proposta inicialmente por Bill Hillier e colegas da Bartlett School of
Graduate Studies em Londres e posteriormente desenvolvida por diversos pesquisadores em vários paises.
Neste trabalho utiliza-se a metodologia desenvolvida por: Frederico de HOLANDA, O Espaço de Exceção.
7
Setor e bairro são abordados neste trabalho, como sinônimos. Ambos referem-se a cada uma das partes
principais em que se divide uma cidade; são áreas institucionais de planejamento.
8
Leyla ALARCÓN, A Centralidade em Goiânia, p. 46.
2
Do ponto de vista arquitetônico, acessibilidade é a capacidade dos espaços (edifícios
e cidade) de serem alcançados pelas pessoas em decorrência de seu posicionamento
relativo, dentro de um sistema de rotas qualquer.9 Neste trabalho, será considerada apenas
a acessibilidade topológica, ou seja, as relações espaciais que independem da forma e
tamanho, mas dependem de sua posição em relação ao conjunto considerado. A topologia
estuda a articulação ou inflexão, a proximidade ou distanciamento, o modo como espaços
se relacionam ou se articulam.10
Na Sintaxe Espacial, a acessibilidade topológica é medida pelo grau de integração ou
segregação de um trecho urbano (via, praça ou bairro). A medida de integração, carrochefe da teoria da Sintaxe Espacial, refere-se à distância média de uma linha ou de um
conjunto de linhas a que são reduzidos os percursos urbanos, ante as demais do sistema.
Essa distância é de natureza antes topológica do que geométrica, ou seja, é obtida em razão
de quantas linhas axiais (eixos topológico de vias) temos que minimamente percorrer para
ir de uma dada posição na cidade a outra e não em virtude dos metros lineares de percurso
que separam minimamente essas posições. Em outras palavras, trata-se de quantas
inflexões de percurso temos de minimamente operar entre uma dada linha e todas as
outras11.
O mapa axial12 é uma descrição da planta da cidade como um sistema de percursos
(linhas de movimento). É construído a partir de linhas axiais (eixos) que separam as
barreiras de percurso (fig.2). Ele faculta reduzir um sistema urbano a um conjunto de
segmentos de reta que correspondam aproximadamente a eixos de rua e estradas.13 O mapa
axial contem os eixos das vias de uma cidade, cuja cor indica o grau de integração, numa
escala cromática em degradê, que vai do vermelho (mais acessível/ integrado) até o azul
(menos acessível/ segregado).
9
Douglas Vieira AGUIAR, Alma Espacial 2, p. 73.
Idem, p.73.
11
Frederico de HOLANDA, O Espaço de Exceção, p. 102-103.
12
Os mapas axiais foram elaborados em vários softwares: as linhas axiais foram desenhadas no AutoCad e,
posteriormente georeferenciadas no ArcView e o processamento do cálculo de integração no Ovation
(MacIntosh). O mapa axial foi feito em cima da base cartográfica disponível em 2003 pela COMDATA. A
elaboração dos mapas axiais foi feita pela autora deste trabalho em co-autoria com Valério Augusto Soares
de Medeiros. Todos os mapas axiais da evolução de Goiânia foram feitos tendo como base a implantação de
loteamentos por décadas. Como não se tinha a data de implantação do sistema viário, considerou-se que as
ruas surgiram junto com os loteamentos. Os mapas axiais foram processados em Rn, ou seja, calculou-se a
integração de cada via em relação a todas as demais vias da cidade.
13
Frederico de HOLANDA, Arquitetura e Urbanidade, p. 46.
10
3
Toda cidade possui uma área mais acessível topologicamente (núcleo integrador14) na
qual devem estar localizados o comércio, serviços e gestão pública, por requererem maior
acessibilidade e por serem utilizados por um maior número de pessoas. Assim, a
distribuição espacial deve estar em conformidade com o nível de acessibilidade da área.15
Contudo, nem sempre o potencial de acessibilidade corresponde ao uso do local. Em várias
cidades (Brasília16, Recife17 e Maceió18), a localização do comércio e serviços não coincide
com as áreas mais acessíveis, o que implica custos sociais mais elevados.
A partir desta metodologia, propõe-se uma análise do processo histórico de Goiânia,
mantendo ênfase em questões físico-territoriais que caracterizem a centralidade de cada
período. Para isto são discutidas com maior ênfase dois tipos de centros:
Centro funcional: é identificado a partir das atividades de comércio, serviço e
administração;
Centro morfológico: é identificado pelas vias mais integradas na cidade
(núcleo integrador).
Pela aplicação da sintaxe avaliamos a compatibilização entre o grau de integração e
os usos, ao verificarmos se nas vias mais integradas de cada período estão as atividades
comerciais e de serviços (por serem mais acessíveis).
2. Percurso da centralidade em Goiania.
Em cada período é verificada a medida de coincidência entre a centralidade
morfológica (núcleo integrador) e a centralidade funcional (usos de comércio e serviços).
Os subtítulos a seguir seguem a centralidade funcional de cada período.
2.1. O arraial de Campinas: 1o núcleo de centralidade (1810 – até meados
1930)
14
Em Sintaxe Espacial, o núcleo integrador é o conjunto das linhas mais integradas do sistema (em vermelho
no mapa axial), que corresponde aproximadamente entre 10% a 25% dos eixos da cidade (Frederico de
HOLANDA, O espaço de exceção, p. 104).
15
Douglas Vieira AGUIAR, Alma Espacial 2, p. 73.
16
Frederico de HOLANDA, “Uma Ponte para a Urbanidade”, Arquitetura e Urbanidade, p. 41-59.
17
Claudia LOUREIRO & Luiz AMORIM, O mascate, o bispo, o juiz e os outros: sobre a gênese
morfológica do Recife.
18
Cristiane GUSMÃO, As faces da arquitetura na cidade contemporânea – o caso de Maceió – AL.
4
A idéia da mudança da capital do Estado surgiu da necessidade de localizá-la, de
acordo com os interesses econômicos, políticos e de centralização geográfica de Goiás. A
primeira capital goiana - Vila Boa (cidade de Goiás) tinha sido escolhida durante o ciclo do
ouro. A localização centralizada no Estado, a proximidade da estrada de ferro, o relevo
favorável e a abundância de água e bom clima determinaram a escolha do sítio em
Campinas para a implantação da Nova Capital.
A história de Goiânia está relacionada com a preexistência da cidade de Campinas. O
arraial “Campininha das Flores” surgiu em 1810 quando Joaquim Gomes da Silva buscava
minas de ouro no rio Anicuns. Desenvolveu-se à beira da estrada geral para Vila Boa. Em
1907, Campinas torna-se vila, em 1914 cidade e, por fim, em 1935, bairro de Goiânia.
O interventor Pedro Ludovico efetiva a decisão de construir a Nova Capital por meio
do Decreto No 3547 de 06/07/1933, quando contrata o urbanista Attílio Corrêa Lima para
elaborar o projeto da futura capital. No final do mesmo ano é lançada a pedra fundamental.
Em 1937, aconteceu a transferência oficial da capital para Goiânia. Em 1942, realizou-se o
batismo cultural da cidade.
De uma vila de poucos habitantes, Campinas aumentou vertiginosamente sua
população e na década de 1930 chegou a superar a população de Goiânia. Em 1932,
Campinas contava com cerca de 14.300 habitantes e possuía uma malha bem definida e um
pequeno centro comercial em torno do largo (atual Praça Joaquim Lúcio)19. Já em 1940,
sua população passa a 48.166 habitantes, um crescimento de 240% em 7 anos. Alguns
órgãos públicos funcionaram temporariamente em Campinas, e.g., a Diretoria Geral da
Segurança Pública e o Departamento de Administração Municipal.
A cidade foi construída a partir da Praça Cívica, ponto de convergência das principais
avenidas da cidade: Av. Goiás, Av. Araguaia e Av. Tocantins. A Av. Anhangüera corta
estas três avenidas (fig. 3). A monumentalidade da Praça Cívica é promovida por ser um
ponto de convergência das principais avenidas, pela localização na parte mais elevada do
setor e pelos edifícios administrativos em estilo Art-Déco.
O núcleo central de Goiânia foi projetado por Attílio Corrêa Lima (fig. 4). A Av.
Anhangüera foi a primeira via comercial da cidade e ligava Campinas à Goiânia. A Av.
Goiás ligava a Praça Cívica à estação da estrada de ferro. Posteriormente, o projeto de
Corrêa Lima foi modificado por Armando de Godoy, ao acrescentar o Setor Sul (fig. 5).
19
GOIÀS, Plano Diretor Integrado de Goiânia - PDIG, 1992.
5
Nos primeiros anos de construção de Goiânia, Campinas forneceu a logística20,
principalmente quanto ao abastecimento de comércio e serviços. Portanto, foi o primeiro
núcleo de centralidade funcional.
Do ponto de vista morfológico (fig. 6), a centralidade no ano de 1810 consistia num
pequeno núcleo ao redor da Praça Joaquim Lúcio, com maior integração na Av. 24 de
Outubro. Com a implantação do Setor Central de Goiânia (fig. 7), a configuração
morfológica muda: a maior integração passa a ser nas duas vias mais importantes e
estruturadoras da cidade: a Av. Goiás e a Av. Anhangüera.
Na década de 1930, a Av. Anhangüera era um forte eixo de centralidade tanto
funcional (comércio e serviços) como morfológica (via das mais acessíveis a partir de
qualquer ponto da cidade).
2.2. Dualidade de centros: Campinas e Centro (finais da dec 1930 – 50).
O ano de 1938 muda o foco da centralidade funcional devido à transferência dos
edifícios do governo para a Praça Cívica. A Av. Anhangüera do Centro torna-se um dos
locais mais freqüentados pela população para lazer e compras.
Na década de 1950 é aprovado o Decreto Federal No 16 de 1950. Neste, permite-se a
implantação de novos loteamentos sem custos com infra-estrutura. Passou-se a exigir
somente a locação e a abertura das vias. Este fator desencadeou um crescimento horizontal
acelerado, com o surgimento de várias ruas e muitos vazios urbanos, sem serviços públicos
e benfeitorias urbanas. Nesta década foram aprovados 130 loteamentos.21 A cidade se
expandiu de forma rarefeita em direção sul e oeste.
No final da década de 50 registra-se a dualidade destes centros: enquanto o Centro
contava com uma população de 41.141 habitantes, Campinas contava com 48.568
habitantes em uma área menor. Ou seja, Campinas ainda tinha a maior parte da população
e a densidade mais alta. Contudo, o Centro apresentava moradores com padrão
socioeconômico mais elevado do que Campinas. Nas décadas de 1940-50 existiam dois
fortes núcleos de centralidade: Campinas (coração e sustentáculo econômico) e Centro
(núcleo comercial, de serviço e administrativo em desenvolvimento).
20
Utiliza-se a palavra logística em vez de sustentáculo, já que a última dá uma idéia equivocada de que
Campinas patrocinou economicamente a construção de Goiânia.
21
ARCA, Agenda 21, p. 21.
6
A centralidade morfológica (fig. 8) na década de 40 apresenta-se estendida para
setores além do Central, ocupando parte dos setores Oeste, Sul e Universitário. As Av.
Goiás e Anhangüera continuam como as mais integradas do sistema.
Na década de 1950, a expansão horizontal foi enorme. Na configuração axial, o
conjunto de linhas mais integrado (em vermelho) agora predomina numa grande região
central da cidade, ocupando os setores: Central, Oeste, Campinas, Universitário, Vila
Nova, Aeroporto, e parte do Jardim Goiás, Bueno, Jardim América (fig. 9). O Setor
Campinas volta a estar integrado e percebe-se no mapa axial da década de 1950 que a
centralidade morfológica expande-se ao longo da Av. Anhangüera, que é a ligação entre os
dois centros funcionais da época: os setores Central e Campinas.
2.3. Consolidação do Setor Central como centro principal (1960 – 1970)
Com a fundação de Brasília, um grande contingente de imigrantes foi atraído para
Goiânia, provocando um aumento significativo da população. Em 1960, a população era de
150.000 habitantes e em 1964 passa para 260.000 habitantes Outros fatores anteriores
também influenciaram este crescimento: a política de interiorização de Getúlio Vargas
(1951-54); a inauguração da represa do Rochedo (1955), a fundação da Hidroelétrica de
Cachoeira Dourada (1959); a implantação da TELEGOIÁS (1962), a Universidade
Católica de Goiás (1958) e a criação da Universidade Federal de Goiás (1960) 22.
Os loteamentos urbanos foram proibidos entre 1959 e 1963, pressionando os
empreendedores imobiliários a atuar em chácaras e sítios de recreio23. Na década de 1960 a
cidade se verticaliza, várias vias fora do centro são asfaltadas e grandes obras são
construídas, como o Estádio Serra Dourada, o Autódromo Internacional e o Ginásio Rio
Vermelho.
O Centro era um local de encontro e lazer muito dinâmico,24 torna-se o local de
maior concentração do comércio, escritórios e principais serviços enquanto o Setor
Campinas fica em segundo plano, com grandes armazéns de cereais25 e com um
significativo comércio popular. Ao mesmo tempo, o Setor Vila Nova começa a apresentar
indícios de um subcentro em desenvolvimento.
Na década de 1970, o Centro adensa-se e consolida-se como principal núcleo de
concentração de agências do poder público, instituições culturais, hotéis, restaurantes,
22
GOIÀS, Plano Diretor Integrado de Goiânia - PDIG, 1992.
GOIÁS, op.cit.
24
Maria Diva VAZ, Transformação do Centro de Goiânia: renovação ou reestruturação?, p. 76-77.
25
GOIÀS, Plano Diretor Integrado de Goiânia - PDIG, 1992.
23
7
escritórios, consultórios médicos e odontológicos26. Em fins da década de 1970, diversas
indústrias de grande extensão são criadas e consolidadas.
Na década de 197027, o conjunto de linhas mais integradas desenvolveu-se na direção
de três grandes eixos estruturais e com fortes atividades de comércio e serviços: a Av.
Anhangüera, a av. Assis Chateaubriand e T -7 e a Av. 83 e Av. B (fig. 10).
A centralidade morfológica permanece no eixo leste – oeste (Av. Anhangüera) e
surge um novo eixo de centralidade ao sul, nos setores Jardim Goiás (Av. 83, Av. B em
direção ao futuro shopping Flamboyant), Bueno e Jardim América (Av. T – 7, Assis
Chateaubriand, Av. Haiti e C-208).
2.4. Expansão do Centro e consolidação de subcentros (década de 1980)
Na década de 1980, a centralidade expande-se do Centro para o Setor Oeste. A Lei de
Zoneamento de 1980 desacelerou este processo, devido ao forte adensamento existente
nestes setores e ao previsível congestionamento da infra-estrutura existente. Promoveu-se a
descentralização das atividades centrais para a região sudeste, nos setores: Bela Vista, Alto
do Bueno, Nova Suíça e Jardim América, ao longo da Av. T-63.28 Houve uma completa
substituição de residências unifamiliares por edifícios residenciais coletivos para a classe
mais alta.
A Lei de Zoneamento e Uso do Solo No 5.375/80 buscou diminuir a especulação
imobiliária, pois incentiva a verticalização de determinados setores29. Com isto, a
população de baixa renda de Goiânia passou a buscar moradia nos municípios vizinhos,
tais como Aparecida de Goiânia, Trindade, Senador Canedo e Hidrolândia. Estas se
tornaram cidades-dormitório, gerando deslocamentos diários para Goiânia.
Em 1981, é construído o primeiro shopping da cidade, o Flamboyant, que se torna o
local privilegiado para lazer e compras. Este promove a urbanização e valorização do setor
Jardim Goiás e setores do entorno. Na mesma década é implantado o hipermercado
Carrefour em frente ao Flamboyant. Estes fatores influenciaram o deslocamento de parte
da elite do Setor Central para setores vizinhos, tais como o Setor Oeste, o Setor
Universitário e Jardim Goiás. O Setor Oeste destaca-se na venda de roupas finas.
26
Idem, 84.
As configurações espaciais da malha urbana das décadas de 1960 e 70 são muito semelhantes. Para evitar
redundância de informações, se analisou só o mapa axial da década de 1970.
28
Celimene M. Faria ARANTES, Centralidade, 2002.
29
Maria Diva VAZ, Transformação do Centro de Goiânia: renovação ou reestruturação?, p. 98.
27
8
Nas áreas próximas ao Setor Central começam a consolidar-se eixos de centralidade
funcional, com atividades de comércio e serviço marcantes, tais como: Av. Assis
Chateaubriand (Setor Oeste), as ruas 82, 83 e 85 (Setor Sul), a Praça do Avião, Av.
Ismerino Carvalho, ruas 9A e 29A (Setor Aeroporto), Av. Independência, ruas 68, 72 e 74
(Setor Central).30 Os setores Campinas e Vila Nova se consolidam como importantes
subcentros e contrapontos ao Setor Central.31
Do ponto de vista morfológico (fig. 11), na década de 1980, o conjunto de linhas
mais integradas cresceu na direção de três grandes eixos estruturais e com fortes atividades
de comércio e serviços: a Av. Anhangüera, a av. Assis Chateaubriand e T-7 e a Av. 85.
Neste período, a centralidade funcional acompanha as vias mais integradas em Goiânia.
2.5. “Decadência”32 do Setor Central (década de 1990)
A saída da elite do Centro, na década de 1990, acentua-se pelo processo de
proliferação de condomínios fechados, principalmente na periferia sudeste da cidade. Nesta
década inaugura-se o shopping Bougainville no Setor Marista.
Dispositivos legais foram criados por meio do Plano Diretor de Goiânia – PGIG –
1992, para reorganizar as atividades de comércio e serviço na cidade. Áreas como o setor
Jardim Goiás (onde se encontra o shopping Flamboyant) são prioritárias para ocupação.
Arantes33 descreve a tendência de “salto” da centralidade da região central para a sudeste.
Contudo, as atividades de comércio, serviço e administrativas prevalecem no Setor Central.
O que acontece é o surgimento de pólos de importância secundária.
As atividades de comércio e serviço se expandem por eixos por facilidades na
legislação e vantagens locacionais. Destacam-se as ruas T-1, T-2 (Setor Bueno), Av.
Ismerino Carvalho (Setor Aeroporto), rua 240, 220 (Setor Coimbra), Av. Portugal (Setor
Oeste). Vaz verifica que a expansão acontece exatamente sobre os eixos viários com papel
estrutural. No setor Sul as ruas 84, 90, 94, 83, 85, 86, 87 e 136. No setor Oeste, as avenidas
Assis Chateaubriand, T-7, República do Líbano, Portugal e Anhangüera. 34
30
Idem, p. 90.
Idem, p. 89.
32
Segundo Flávio VILLAÇA (Espaço intra-urbano no Brasil, p. 277), a decadência ou deterioração do
centro consiste no deslocamento das camadas mais altas e ocupação por classes mais populares (fato ocorrido
no Setor Central). Contudo o Centro continua como a maior fonte de empregos na cidade, forte vitalidade, e
elevada valorização imobiliária.
33
Celimene M. Faria ARANTES, Centralidade, 2002.
34
Maria Diva VAZ, Transformação do Centro de Goiânia: renovação ou reestruturação? p.112.
31
9
Subcentros de caráter local surgem nos setores Vila Novo Horizonte, Vila Canaã,
Jardim Novo Mundo, Setor Pedro Ludovico e Jardim América.35
O mapa axial da década de 1990 mostra as áreas mais integradas nos setores
Campinas, Aeroporto, Centro, Vila Nova, Universitário, Jardim Goiás, Oeste, Bueno,
Jardim América e eixo da Avenida Anhangüera (fig. 12).
2.6. Requalificação do Setor Central (2000)
A requalificação do Setor Central tem sido bastante discutida a partir da década de
1990, mas somente concretizada a partir de 2000. Várias entidades têm-se organizado para
a recuperação do Centro, tais como: a Câmara de Diretores Lojistas - CDL, Associação
Comercial e Industrial do Estado de Goiás – ACIEG e a Associação das Empresas do
Comércio Varejista.
Diversas vertentes de propostas possuem como foco o Centro. Uma defende a
presença das características físicas do Centro e propõe eventos culturais como dinamizador
da vida urbana e encontro social; outra propõe a inserção de edifícios modernos, como
shoppings verticais; a última proposta é impulsionada pelos diretores lojistas para a
implementação de novas vagas de estacionamento, construção de edifícios-garagem e
remodelação da Av. Anhangüera com fiação subterrânea e mudança de sentido da Av.
Paranaíba. A reforma de imóveis, a flexibilização do horário comercial, a eliminação de
obstáculos nas calçadas e um policiamento mais eficiente também são questões
solicitadas.36
Em parceria com a Prefeitura, diversos trabalhos foram feitos com foco na
requalificação do Centro: “Projeto Goiânia 21 – operação centro” do Grupo Quatro,
“Reformulación Urbanística del núcleo Fundacional de Goiânia” de Jordi Franquesa.
Analisando o mapa axial de 2000 (fig. 13), temos um grande núcleo de
centralidade (setores Campinas, Aeroporto, Centro, Vila Nova, Universitário Oeste,
Coimbra, Jardim América, Bueno e Serrinha) e um eixo muito integrado (Av.
Anhangüera).
Os dois centros mais significativos em termos de atividades de comércio e
serviços, e com maior abrangência, (setores Campinas e Central) encontram-se dentro do
grande núcleo de centralidade. O maior eixo de comércio e serviços da cidade (Av.
35
36
Idem, p. 115.
Maria Diva VAZ, Transformação do Centro de Goiânia: renovação ou reestruturação?, p 120.
10
Anhangüera) atravessa este núcleo. Desta forma, houve uma equivalência entre os setores
mais integrados (centros morfológicos) e os setores com comércio e serviços significativos
(centros funcionais).
No período atual, Goiânia é semelhante, do ponto de vista da Sintaxe Espacial, às
cidades tradicionais, onde os núcleos mais integrados correspondem às atividades de
comércio e serviços. O núcleo integrador é policêntrico. Existem vários núcleos de
centralidade, sendo que alguns acompanham o eixo leste–oeste (fig. 14).
3. Coincidências e discrepâncias entre os centros funcionais e
morfológicos
A identificação dos centros funcionais ocorreu de duas formas: atividades de
comércio e serviços ora concentrados no bairro (núcleos) ora ao longo de vias
estruturadoras da cidade (eixos). Os centros funcionais coincidem predominantemente com
os morfológicos. Contudo, os centros morfológicos tendem ocupam uma área maior.
As exceções acontecem de duas formas: alguns bairros possuem atividades de
comércio e serviços (centro funcional), mas são pouco acessíveis na malha urbana; e,
outros bairros possuem forte acessibilidade (integração), mas não têm características de
centros funcionais.
No ano de 1810, o centro funcional e morfológico ocupava a mesma área: a Av. 24
de Outubro e a Praça Joaquim Lúcio, na antiga “Vila Campininha das Flores”, atual Setor
Campinas (tabela 1).
Na década de 1930, surge o Setor Central de Goiânia, mas o centro funcional
permanece no Setor Campinas. Nesta época a coincidência entre centro funcional e
morfológico ocorre apenas na Av. Anhangüera, no trecho do Setor Central.
Na década de 1940, o Setor Central passa a concorrer com o Campinas em termos de
comércio, serviços e administração pública. Contudo, a configuração do Setor Campinas
continua segregada na malha urbana. Coincidem apenas o Setor Central e a Av.
Anhangüera com características de forte acessibilidade e usos de comércio e serviços.
Na década de 1950, acontece um grande crescimento horizontal da malha urbana da
cidade. O Setor Campinas torna-se acessível na malha urbana e a Av. Anhangüera
funciona como eixo acessível entre os setores Campinas e Centro.
Tabela 1 – Localização dos centros funcionais e morfológicos por década
Ano /
década
Centro funcional
Centro morfológico
Coincidências
Entre centros funcionais
e morfológicos
Centros funcionais
pouco acessíveis
Centros morfológicos
sem comércio e
serviços
11
1810
1930
1940
1950
Campinas
(antiga “Vila
Campininha das
Flores”).
Setor Campinas,
Av. Anhangüera
(em toda sua
extensão)
setores Campinas e
Central, Av.
Anhangüera (em
toda sua extensão)
setores Campinas e
Central, Av.
Anhangüera (em
toda sua extensão)
Av. 24 de Outubro,
Praça Joaquim Lúcio
(Campinas)
Av. 24 de Outubro, Praça
Joaquim Lúcio
Av. Anhangüera,
Goiás, Tocantins, ruas
7 e 8 (Setor Central)
--------------------
--------------------
Av. Anhangüera (Setor
Central)
Setor Campinas
Avenidas Goiás,
Tocantins, ruas 7 e 8
(Setor Central)
Setores Central,
Universitário, Sul,
Oeste
Setor Central, Av.
Anhangüera (Centro)
Setor Campinas
Setores Universitário,
Sul, Oeste
Setores Central,
Campinas,
Universitário, Oeste,
Aeroporto, Vila Nova,
Jardim Goiás, Bueno,
Jardim América e Av.
Anhangüera (trecho
pertencente a estes
setores)
setores Campinas e
Central, Av. Anhangüera
--------------------
Setores Universitário,
Oeste, Aeroporto, Vila
Nova, Jardim Goiás,
Bueno, Jardim
América.
Nas décadas de 1960-70, a configuração da malha urbana possui um grande núcleo
topologicamente acessível (núcleo integrador), que ocupa a região central da cidade.
Contudo, os centros funcionais constituem apenas os setores Campinas, centro e o eixo da
Av. Anhangüera (Tabela 2).
Tabela 2 – Localização dos centros funcionais e morfológicos por década
Ano /
década
Centro funcional
Centro morfológico
1960 - 70
setores Campinas e
Central, Av.
Anhangüera (em
toda sua extensão)
Setores Capuava,
Ipiranga, São
Francisco, Esplanada
do Anicuns,
Aeroviários,
Rodoviário, Campinas,
Abajá, Centro Oeste,
dos Funcionários,
Aeroporto, Central,
Vila Nova,
Universitário, Jardim
Goiás, Oeste, Marista,
Bueno, Jardim
América, Coimbra,
Operário, Santa
Tereza, Vila Bethel,
Vila Sol Nascente,
Sudoeste, Vila Alpes,
Vila Bela, Jardim
Planalto e Av.
Anhangüera (trecho
pertencente a estes
setores)
Coincidências
Entre centros funcionais
e morfológicos
setores Campinas e
Central, Av. Anhangüera
(em toda sua extensão)
Centros funcionais
pouco acessíveis
--------------------
Centros morfológicos
sem comércio e
serviços
Setores Capuava,
Ipiranga, São
Francisco, Esplanada
do Anicuns,
Aeroviários,
Rodoviário, Abajá,
Centro Oeste, dos
Funcionários,
Aeroporto, Vila Nova,
Universitário, Jardim
Goiás, Oeste, Marista,
Bueno, Jardim
América, Coimbra,
Operário, Santa
Tereza, Vila Bethel,
Vila Sol Nascente,
Sudoeste, Vila Alpes,
Vila Bela, Jardim
Planalto
Na década de 1980, o centro funcional expande-se dos setores Central e Campinas
para bairros e eixos limítrofes (tabela 3).
Tabela 3 – Localização dos centros funcionais e morfológicos por década
1980
Setores Centro,
Campinas, Vila
Nova, Oeste,
Universitário e
Jardim Goiás e
eixos de
centralidade: Av.
Assis
Chateaubriand
Os mesmos da década
Setores Centro,
de 70, com intensidade
Campinas, Vila Nova,
maior ao longo de três
Oeste, Universitário e
eixos: ao longo da
Jardim Goiás e eixos de
Avenida Anhangüera,
centralidade: Av. Assis
da Av. Assis
Chateaubriand (Setor
Chateaubriand – t 7 e Oeste), a Praça do Avião,
ao longo da Av. 85
Av. Ismerino Carvalho,
ruas 9A e 29A (Setor
ruas 82, 83 e 85 (Setor
Sul)
Setores Capuava,
Ipiranga, São
Francisco, Esplanada
do Anicuns,
Aeroviários,
Rodoviário, Abajá,
Centro Oeste, dos
Funcionários,
Marista, Bueno,
12
(Setor Oeste), as
ruas 82, 83 e 85
(Setor Sul), a Praça
do Avião, Av.
Ismerino Carvalho,
ruas 9A e 29A
(Setor Aeroporto),
Av. Independência,
rua 68, 72 e 74
(Setor Central) e
Av. Anhangüera
(toda)
Aeroporto), Av.
Independência, rua 68,
72 e 74 (Setor Central) e
Av. Anhangüera (toda).
Jardim América,
Coimbra, Operário,
Santa Tereza, Vila
Bethel, Vila Sol
Nascente, Sudoeste,
Vila Alpes, Vila Bela,
Jardim Planalto
Na década de 1990, surgem centros funcionais nas periferias da cidade, como os
setores: Vila Novo Horizonte, Vila Canaã, Jardim Novo Mundo e Setor Pedro Ludovico.
Ao mesmo tempo intensificam-se as atividades de centro nos setores: Campinas,
Aeroporto, Centro, Vila Nova, Universitário, Jardim Goiás, Oeste, Bueno, Jardim América
e eixo da Avenida Anhangüera (tabela 4).
Tabela 4 – Localização dos centros funcionais e morfológicos por década
Ano /
década
Centro funcional
Centro morfológico
1990
Os mesmos da dec. 80
mais: ruas T-1, T-2
(Setor Bueno), Av.
Ismerino Carvalho (Setor
Aeroporto), rua 240, 220
(Setor Coimbra), Av.
Portugal (Setor Oeste).
No setor Sul as ruas 84,
90, 94, 83, 85, 86, 87 e
136. No setor Oeste, as
avenidas Assis
Chateaubriand, T-7,
República do Líbano,
Portugal e Anhangüera.
Setores Vila Novo
Horizonte, Vila Canaã,
Jardim Novo Mundo,
Setor Pedro Ludovico e
Jardim América.
Setores: Campinas,
Aeroporto, Centro,
Vila Nova,
Universitário, Jardim
Goiás, Oeste, Bueno,
Jardim América e eixo
da Avenida
Anhangüera.
Coincidências
Entre centros funcionais e
morfológicos
Campinas, Aeroporto,
Centro, Vila Nova,
Universitário, Jardim Goiás,
Oeste, Bueno, Jardim
América e eixo da Avenida
Anhangüera.
Centros funcionais
pouco acessíveis
Setores Vila Novo
Horizonte, Vila
Canaã, Jardim
Novo Mundo e
Setor Pedro
Ludovico
Centros
morfológicos sem
comércio e serviços
--------------------
No período atual (2000), há 22 núcleos (bairros) e 10 eixos (vias) com características
de centros funcionais37. Estes estão predominantemente dentro do núcleo integrador da
cidade, com exceção dos setores: Sul, Jardim Goiás, Novo Mundo, Santa Genoveva,
Jardim Guanabara, Jardim Novo Horizonte e dos eixos: Av. Vera Cruz, Av. Central, Av.
Pedro Ludovico, Av. Rio Verde e Av. Perimetral Norte (tabela 5).
Tabela 5 – Localização dos centros funcionais e morfológicos por década
2000
37
Setores: Cidade Jardim,
Jardim América, Santa
Genoveva, Jardim Goiás,
Jardim Guanabara,
Jardim Nova Esperança,
Jardim Novo Mundo,
Parque Oeste Industrial,
Aeroporto, Bueno,
Setores Capuava,
Ipiranga, Vila Regina,
São Francisco,
Esplanada do Anicuns,
Aeroviário,
Rodoviário, Campinas,
Abajá, Centro Oeste,
dos Funcionários,
Setores: Campinas,
Aeroporto, Centro, Norte
Ferroviário, Vila Nova,
Universitário, Oeste,
Coimbra, Bueno, Jardim
América, Marista, Pedro
Ludovico, Jardim Nova
Esperança, Cidade Jardim,.
Setores Sul, Jardim
Setores:
Goiás, Novo
Tremendão,
Mundo, Santa
Finsocial, Capuava,
Genoveva, Jardim
Ipiranga, Vila
Guanabara, Jardim
Regina, São
Novo Horizonte.
Francisco,
Eixos:
Esplanada do
Av. Vera Cruz , Av.
Anicuns,
Ver mais detalhes sobre a classificação e hierarquia dos centros funcionais de 2000 em: Leyla ALARCÓN,
A Centralidade em Goiânia. Capítulo 4.
13
Campinas, Central,
Coimbra, Universitário,
Vila Nova, Marista,
Norte Ferroviário, Oeste,
Pedro Ludovico, Sul,
Canaã e Novo Horizonte.
Eixos: Av. Vera Cruz ,
Av. T 63 , Av. Central ,
Av. T 9, Av. 85, Av.
Pedro Ludovico, Av. Rio
Verde, Av. Perimetral
Norte, Av. Anhangüera ,
Av. Castelo Branco, Av.
Consolação, Av. Pio XII,
Av. 136, Av.
Independência, Al.
Ricardo Paranhos, Av.
Bernardo Sayão.
Aeroporto, Central,
Norte ferroviário, Vila
Nova, Universitário,
Jardim Goiás, Oeste,
Marista, Bueno,
Jardim América,
Serrinha, Coimbra,
Operário, Santa
Tereza, Vila Bethel,
Vila Sol Nascente,
Sudoeste, Vila Alpes,
Vila Bela, Jardim
Europa e Av.
Anhangüera (trecho
pertencente a estes
setores)
Parque Oeste Industrial.
Eixos: Av. T 63 , Av. T 9,
Av. 85, Av. Anhangüera ,
Av. Castelo Branco, Av.
Consolação, Av. Pio XII,
Av. 136, Av.
Independência, Al. Ricardo
Paranhos, Av. Bernardo
Sayão.
Central, Av. Pedro
Ludovico, Av. Rio
Verde e Av.
Perimetral Norte.
Aeroviários,
Rodoviário, Abajá,
Centro Oeste, dos
Funcionários,
Operário, Santa
Tereza, Vila
Bethel, Vila Sol
Nascente,
Sudoeste, Vila
Alpes, Vila Bela,
Jardim Europa.
Analisando-se as tabelas acima referidas como um todo, percebe-se que a maior parte
dos centros funcionais coincide com a localização dos centros morfológicos. Entretanto, o
tamanho dos centros morfológicos é maior que a dos centros funcionais; é por isto que
existem vários bairros com forte acessibilidade mas sem características de comércio e
serviços.
Os centros funcionais com baixa acessibilidade (fora do núcleo integrador) são
minoria, com exceção das décadas de 1990 e 2000, nas quais surgem centros funcionais de
importância secundária nas periferias da cidade. Vale salientar que os centros mais
significativos estão dentro do núcleo integrador, com exceção das décadas de 1930 e 1940.
4. Conclusões
No decorrer da história, vimos que às vezes a localização do centro funcional e o
morfológico coincide e o centro é ao mesmo tempo um lugar acessível e integrado na
cidade. Quando isto não acontece, a centralidade funcional está prejudicada pela falta de
acessibilidade.
No crescimento da malha urbana de Goiânia, surgem primeiramente os
parcelamentos com aberturas das vias e posteriormente acontece a ocupação destas áreas
pela população. Isto significa que o potencial de acessibilidade (integração / segregação)
antecede a ocupação da área por comércio e serviços. Assim, a acessibilidade de uma área
atraiu a posterior implantação de atividades de comércio e serviços. Desta forma, os
centros funcionais e morfológicos tendem a coincidir.
No período atual (2000), os três centros mais significativos (fig.15) são ao mesmo
tempo centros funcionais e morfológicos: o Setor Central (maior concentração de
atividades de gestão pública e serviços e terceiro em valor de integração), o Setor Oeste
14
(segunda maior concentração de atividades de serviços e bairro mais acessível da cidade) e
o Setor Campinas (maior concentração de estabelecimentos comerciais e industriais e
segundo bairro mais acessível da cidade). O Setor Campinas é um centro funcional e
morfológico desde os primórdios da cidade e permanece até hoje. O Setor Central vem
gradativamente aumentando seu papel de centro principal38 na cidade. O Setor Oeste surge
como centro funcional apenas recentemente, podendo ser considerado como expansão das
atividades do Setor Central, limítrofe a ele.
Encontrou-se alta correlação entre a configuração espacial (integração) e centralidade
(atividades de comércio e serviços) no decorrer da história de Goiânia.
5. Referências Bibliográficas
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No 127, Outubro 2000. p. 71-74.
ALARCÓN, Leyla Elena Láscar. A centralidade em Goiânia. Dissertação de Mestrado –
Universidade de Brasília, Departamento de pós-graduação da Fau/UnB do curso de
Arquitetura e Urbanismo, 2000. Brasília, 2000. 185 p
ARANTES, Celimene et al. Centralidade. Trabalho de conclusão do curso de
especialização em Planejamento e Gestão Urbana. Universidade Federal de Goiás,
Goiânia: 2002. 42p.
ARCA – Associação para a Recuperação e a Conservação do Ambiente; UCG –
Universidade Católica de Goiás. Agenda 21. Goiânia, 2003. 256 p.
CAMPOS, Itaney Francisco. Notícias históricas do Bairro de Campinas. Goiânia:
Prefeitura Municipal, Assessoria Especial de Cultura, 1985. 62p.
DOURADO, Carina. Prefeitura de Goiânia inicia mudanças para a revitalização do
centro. www.goiania.go.gov.br/html/secom/not2.htm . Acesso em 08/11/2003.
FRAQUESA, Jordi (org.). Reformulación urbanística del núcleo fundacional de Goiânia.
un centro para la metrópolis. Seplan, 2000.
GOIÁS, Cia De Processamento de Dados do Município de Goiânia e Prefeitura de Goiânia
– COMDATA. Mapa urbano básico digital de Goiânia – MUBDG V 14 – VERSÃO 14
DE 27/12/2002. Integrante do SIGGO V14.
GOIÁS, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, CENSO DEMOGRÁFICO. Goiânia,
2000.
GOIÁS, Instituto de Planejamento Municipal - IPLAN. Plano Diretor - PDIG - 1992.
Goiânia, 1992.
GRUPO QUATRO. Projeto Goiânia 21 – operação centro. Goiânia, 1997.
38
Segundo Villaça, centro principal é a maior aglomeração diversificada de empregos, ou a maior
aglomeração de empregos e serviços da cidade (Flávio VILLAÇA, O Espaço Intra-Urbano no Brasil, p.12).
15
GUSMÃO, Cristiane. As faces da arquitetura na cidade contemporânea – o caso de
Maceió – AL. Dissertação de mestrado, Universidade de Brasília. Brasília,
2001.119p.(mimeo)
HOLANDA, Frederico de (organizador). Arquitetura & Urbanidade. São Paulo: Pró
Editores Associados Ltda., 2003. 192p.
HOLANDA, Frederico de. O Espaço de exceção. Brasília: Editora Universidade de
Brasília, 2002. 466p.
KOHLSDORF, Maria Elaine. A apreensão da forma da cidade.Brasília: Editora
Universidade de Brasília, 1996. 253p.
LEI No 8.064 de 19 de dezembro de 2001. Anexo I – Planta de valores imobiliários de
Goiânia – tabela de valores por metro quadrado dos terrenos e do Anexo II – Tabela de
Valores especiais em Ruas e Avenidas, por metro quadrado dos terrenos.
LOUREIRO, Claudia, AMORIM, Luiz. O mascate, o bispo, o juiz e os outros: sobre a
gênese morfológica do Recife. Revista Brasileira de Estudos Urbanos e Regionais, Recife,
no 3, p. 19-38, novembro 2000.
PORTARIA NO 507, de 18 de novembro de 2003. Tombamento do acervo arquitetônico e
urbanístico art déco de Goiânia.
VAZ, Maria Diva Araújo Coelho. Transformação do Centro de Goiânia: renovação ou
reestruturação? Goiânia: Universidade Federal de Goiás, Departamento de Geografia,
mestrado em geografia, 2002 p. 229.
VILLAÇA, Flávio. Espaço intra-urbano no Brasil. São Paulo: Studio Nobel: FAPESP:
Lincoln Institute, 2001. 374p.
7. Anexos
16
Fig. 1 – fotos de Goiânia da década de 1930 (à esquerda) e atualmente (à direita):
Praça do Bandeirantes, Avenida Goiás e Praça Cívica.
Fig. 2 - mapa axial de 2000 dos Setores Sul e Central com destaque
para as vias mais integradas e as mais segregadas.
Fig. 3 - planta do Setor Central: principais avenidas
convergem para a praça cívica, contribuindo para o
caráter monumental do lugar.
Fig. 4– Anteprojeto do Plano Piloto de Goiânia de Attílio
Corrêa Lima em 1933-35, com indicação do zoneamento.
Fig. 5 - projeto definitivo de Goiânia da firma Coimbra
Bueno & cia, em 1938, com indicação do zoneamento.
FONTE: MANSO, 2001 p. 221.
FONTE: MANSO, 2001 p. 222.
17
Fig. 8 - mapa axial de 1940 – permanência do Setor Central como centro morfológico e expansão
dos eixos mais integrados para os setores: Oeste, Universitário e Sul.
Fig. 9 - mapa axial década de 1950: expansão das linhas mais integradas para diversos setores de Goiânia
18
Fig. 11 - mapa axial da década de 1980, com destaque para a região mais integrada.
.
Fig. 12 - mapa axial da década de 1990, com destaque para a região mais integrada.
19
Fig. 14 – mapa de centros funcionais e morfológicos de 2000, a localização do comércio e
serviços (à esquerda) coincide com o núcleo integrador (à direita).
Fig. 15 – os três centros funcionais e morfológicos mais significativos de Goiânia de 2000.
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Mobilidade e perman ncia nos centros