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FACULDADE SETE DE SETEMBRO – FASETE
CURSO DE LICENCIATURA PLENA EM LETRAS
HABILITAÇÃO EM PORTUGUÊS E INGLÊS
JANY FERREIRA BARBOSA
PAULO AFONSO
NAS TRILHAS DA POÉTICA DE EDSON BARRETO
Paulo Afonso – BA
Nov/ 2010
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JANY FERREIRA BARBOSA
PAULO AFONSO
NAS TRILHAS DA POÉTICA DE EDSON BARRETO
Monografia apresentada ao curso de Graduação em
Letras com Habilitação em Português e Inglês da
Faculdade Sete de Setembro – FASETE, como
requisito para avaliação conclusiva.
Orientador: Prof. Msc Luiz José da Silva
Paulo Afonso – BA
Nov/ 2010
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FACULDADE SETE DE SETEMBRO – FASETE
CURSO DE LICENCIATURA PLENA EM LETRAS
HABILITAÇÃO EM PORTUGUÊS E INGLÊS
PARECER DA COMISSÃO EXAMINADORA DE DEFESA DE MONOGRAFIA DE
GRADUAÇÃO DE
JANY FERREIRA BARBOSA
PAULO AFONSO
NAS TRILHAS DA POÉTICA DE EDSON BARRETO
A COMISSÃO EXAMINADORA, COMPOSTA PELOS PROFESSORES ABAIXO RELACIONADOS:
_______________________________________________
Prof. Msc Luiz José da Silva (orientador)
_____________________________________________________________________
Prof. Sandra Marcula (examinadora)
_____________________________________________________________________
Prof. Eloy Lago (examinador)
Paulo Afonso- BA
Nov/2010
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Dedico este trabalho em especial a minha mãe,
mulher de fibra que desde sua infância, migrou
com seus irmãos, para essa cidade acolhedora,
em busca de estudo e trabalho, nunca perdeu a
esperança por dias melhores, sendo assim a
maior incentivadora da conclusão deste curso.
Em especial ao meu filho, que apenas aos dez
anos, já teve que conviver sem a presença da
mãe no tempo necessário para acompanhar todos
os seus momentos, tendo que se adaptar às
situações impostas para a realização deste
sonho.
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AGRADECIMENTOS
Ao grande criador Deus, pois sem Ele tenho a absoluta certeza de que não
chegaria a lugar nenhum, em que, muitas vezes, clamei pelo seu nome nos
momentos difíceis e fui atendida e guiada por Ele.
À minha família, que sem ela eu não seria parte deste mundo e não estaria
vivendo este momento, pois todos souberam compreender as minhas faltas para
conclusão desta pesquisa, apoiando e dando a força necessária para obter êxito em
todo percurso.
Em especial ao meu orientador Luiz José, respeitado pela população em se
preocupar com a educação e com a cultura desta região, que quando achei que
estava tudo perdido, apareceu no meu caminho, direcionando meu trabalho com
toda competência e dedicação, fazendo-me ver nas entrelinhas o verdadeiro
significado da poesia popular e regional.
Aos amigos de trabalho que compreenderam e ajudaram na correria dos
últimos momentos de conclusão, convivendo junto comigo esse momento.
Aos amigos e irmãos de classe que ficarão gravados, sem exceção de algum,
na memória e no coração pela longa jornada, pelas discussões, que serviram,
sinceramente, para nosso crescimento e nossa união.
Ao poeta Edson José Barreto dos Anjos, que deu seu apoio, concedendo
entrevista e material pessoal, colaborando para edificação deste trabalho
monográfico.
A todos os heróis que contribuíram para a história de Paulo Afonso: dos
desbravadores, dos que lutaram para a Redenção e evolução desta terra. Muitos já
fizeram sua passagem, mas não sumirão jamais da história de Paulo Afonso.
Enfim, a todos aqueles que contribuíram para a realização desse sonho,
colaborando direta e indiretamente para a concretização dessa glória.
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A cidade de Paulo Afonso é fogo que arde sem se ver
É um contentamento sempre contente
É um passeio pela última Flor da Lácio, inculta, bela e
regional.
Na minha vida, Paulo Afonso estava no meio do caminho
No meio do destino tinha Paulo Afonso.
Ainda que eu falasse a língua dos homens e dos anjos
Seria como a cachoeira no grotão a soluçar. (...)
(Edson Barreto)
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BARBOSA, Jany Ferreira, Paulo Afonso nas trilhas da poética de Edson Barreto .
2010.50 fl. Monografia (Licenciatura em Letras Português/Inglês) Faculdade Sete de
Setembro – FASETE. Paulo Afonso – BA
Este estudo tem por objetivo expor uma poesia popular e regional de estilo vibrante,
ovacionando a cultura literária da cidade, servindo de veículo proposital para a
valorização da poesia pauloafonsina, pesquisando os vários autores regionais,
muitas vezes desconhecidos, mas que possuem um papel fundamental para a
história desta cidade, descrevendo-a, através de seus versos, em especial o poeta
Edson José Barreto dos Anjos, que com seu estilo poético, dispõe-se a trilhar as
histórias de Paulo Afonso em versos, ilustrando o encanto e as belezas presente
nesta cidade luz, considerada redenção do Nordeste. Este trabalho monográfico é
exploratório de cunho bibliográfico em torno dos escritores e poetas regionais,
percorrendo seus vários estilos, exteriorizando o potencial único descoberto em seus
poemas, proporcionando um passeio do relato da origem de uma região, dotadas de
um altíssimo grau de escritura, servindo de guia para os futuros navegantes da
literatura.
Palavra Chave: Poesia, Paulo Afonso, Edson Barreto.
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BARBOSA, Jany Ferreira, Paulo Afonso in the poetic traces from Edson Barreto.
2010.50s . Monograph (Licenciateship in Letters Portuguese/English).
Sete Setembro college – FASETE. Paulo Afonso – BA.
This study has for objective to expose a popular and regional poetry of vibrant style,
acclaiming the literary culture of the city, serving of purposed vehicle to the
valorization of pauloafonsina poetry, researching the several regional authors, many
times unknown, but that they have a fundamental paper to the history of this city,
describing it, through its verses, in special Edson José Barreto dos Anjos poet, that
with his poetic style, disposes to thrash Paulo Afonso histories in verses, illustrating
the enchantment and the beauties present in this light city, considered Northest
redemption. This monographic work is exploratory of bibliographical mark around the
regional writers and poets, going through their several styles, externalizing the
unique potential discovered in their poems, adjusting a walk of the report from the
origin of a region, endowed of a writ highest grade, serving of guide to the future
navigators of the literature.
Keyword: Poetry, Paulo Afonso, Edson Barreto.
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SUMÁRIO
INTRODUÇÃO........................................................................................10
1 DISTINÇÃO ENTRE PROSA E POESIA............................................12
2 PAULO AFONSO: ASPECTOS SÓCIO CULTURAIS.......................16
3 MANIFESTAÇÕES CULTURAIS – ÊNFASE NA LITERATURA......20
4 A POÉTICA DE EDSON BARRETO DOS ANJOS............................27
CONSIDERAÇÕES FINAIS...................................................................44
REFERÊNCIAS......................................................................................46
ANEXOS................................................................................................48
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INTRODUÇÃO
Este trabalho de pesquisa tem o real compromisso de valorizar a poesia
pauloafonsina, representando uma realidade nordestina e de caráter exclusivo,
exteriorizando os versos que demonstram o fascínio pela região, resgatando o
processo de surgimento e de evolução, em que o homem lutou pela sobrevivência,
na construção das usinas hidrelétricas, domando as águas do grandioso rio São
Francisco.
A importância desta pesquisa é ressaltar o valor cultural da história de Paulo
Afonso, destacando a construção da imagem de Paulo Afonso, construída através
dos escritores e de poetas em especial o poeta Edson José Barreto dos Anjos, que
eterniza a história desta cidade em seus versos, aguçando o interesse da população
em conhecer melhor a idealização do processo de edificação da cidade.
Dessa forma, os poemas aqui expostos, encantam os que fazem parte desta
localidade ou até mesmo indivíduos que se interessam pela história da região, e que
Edson Barreto como os outros poetas debulham e divulgam em suas poesias as
tradições, crenças, valores, transformações da grandeza desse cenário, talvez ainda
desconhecidos pelo mundo a fora, contribuindo para a expansão poética da
realidade sofrida e conquistada por um povo que lutou por tempos melhores,
transpondo antiga Tapera de Paulo Afonso para a capital da energia elétrica.
Portanto, ao debruçar-se nas poesias de Edson Barreto, o leitor encontrará a
verdadeira realidade pauloafonsina transcrita veridicamente em seus poemas,
interpretando nas entrelinhas o enaltecimento, ufanismo acerca do modo como
Paulo Afonso e suas cachoeiras são introduzidas na história do Nordeste.
O alvo a atingir com esta pesquisa é a contribuição para o estudo da poesia
regional, servindo de guia cultural para interessados e públicos afins. Sendo assim,
dividimos a pesquisa em partes, conduzindo a leitura de forma a se tornar prática e
breve, ressaltando, no primeiro momento, os aspectos sócios culturais e atrativos
turísticos que embalam esta ilha chamada Paulo Afonso. Dando continuidade as
manifestações culturais, ênfase na literatura, rica, com seus vários talentos, mas
ainda pouco explorada, mergulhando em uma breve distinção entre prosa e poesia e
adentrando na poética de Edson José Barreto dos Anjos, objeto principal de estudo,
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atentando para a contextualização da história de Paulo Afonso, através da
importância da poesia e do efeito produzido no leitor, a emoção, o bem simbólico
que o autor transpõe nos poemas, de forma habilidosa, levando-nos a uma viagem
dos grandes valores desta região, sem esquecer-se dos personagens que
conduziram a realização deste esplendor nordestino, para que hoje possamos estar
aqui pesquisando e relatando esta história.
Diante do exposto, o trabalho monográfico está assim organizado: No
primeiro tema, esquematizamos uma leve caracterização sobre a distinção da prosa
e poesia, seus aspectos, e sua importância para um conhecimento breve sobre o
objetivo de estudo que são os versos trilhados pelo poeta Edson Barreto.
No segundo ponto, fala-se um pouco da origem da cidade de Paulo Afonso,
seus desbravadores, valorizando o esforço daqueles que doaram o suor do trabalho
braçal, para conquistas incomparáveis, atreladas às dificuldades impostas pela
realidade.
No terceiro título, aborda-se uma parte da cultura presente nesta cidade,
enfatizando a literatura local, que apesar de ser muito fértil, é pouco explorada,
faltando um incentivo maior para os poetas regionais, atribuindo, assim, uma
valorização desses grandes talentos que ainda não se expandiram mundo adiante.
E por último, expomos a qualidade poética de Edson José Barreto dos Anjos,
um aristocrático, que destaca o meio social com suas dificuldades, mas que,
encontra na alma uma inspiração absoluta que emociona os amantes da poesia
neoromântica.
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1 – DISTINÇÃO ENTRE PROSA E POESIA
Podemos definir a prosa como um texto cuja função linguística não se
preocupa muito com ritmos, métrica, rimas, aliterações e outros elementos sonoros.
Trata-se de um texto corrido, composto por parágrafos, caracterizada por possuir um
estilo livre de ser escrito, diferente da poesia em que se tornam necessárias certas
regras para que sejam reconhecidas como tal.
“... , a prosa é a expressão do “não-eu”, do objeto. Por outras
palavras: o sujeito que pensa e sente está agora dirigido para fora de
si próprio, buscando seus núcleos de interesse na realidade exterior,
que assim passa a gozar de autonomia em relação ao sujeito. A este
interessam agora os outros “eus” e as coisas do mundo físico, como
objetos alheios cuja natureza vale a pena desvendar.”
(MOISÉS, Massaud, 2000, p.94)
Evidenciamos a prosa como uma expressão que caracteriza um sentimento
exterior do mundo, sem comprometer o “eu”, fixando o mundo fora de si. Sua
linguagem é mais narrativa no estilo contínuo, utilizando uma visão subjetiva da
realidade.
A prosa tem características, às vezes, erudita, natural e cotidiana, dividida em
três gêneros específicos que são o romance, o conto e a novela, por exemplo.
O romance é um gênero narrativo, um tipo de história em que há um conflito
principal, texto completo, com tempo, espaço e personagens bem definidos,
podendo estes desaparecer a qualquer momento.
O conto tem uma estrutura fechada, possui apenas um clímax, um tipo de
história curta, apresentando certa flexibilidade, caracterizada por uma obra de ficção,
de fantasia e de imaginação.
A novela é outro gênero literário que estampava os jornais em forma de
folhetins, aguçando a curiosidade do leitor por ser produzida em capítulos, narrando
histórias com o intuito de um final feliz.
Como foi enfatizado, anteriormente, este trabalho tem como objetivo elucidar
Paulo Afonso – Nas trilhas da poética de Edson Barreto dos Anjos. Como o foco do
autor é a poesia, passamos, mesmo que de forma sucinta, contextualizar importante
vertente:
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Segundo estudiosos a palavra poesia vem do grego poesis, significando criar,
no sentido de imaginar, a poesia surgiu no Brasil no século XVI e Padre José de
Anchieta foi considerado fundador da poesia no país, um mestre evangelizador, que
escrevia versos.
A poesia pode ser definida como o veículo que poetas utilizam para exprimir
os sentimentos e suas emoções, com elementos sonoros, ou seja, é uma
manifestação cultural, criativa do homem, carregando em suas veias todo um talento
específico e único de cada poeta.
A poesia é considerada um instrumento de amor, sensibilização, liberdade de
expressão,
louvor
a
algo
ou
alguém,
denúncia.
A
poesia
torna-se,
predominantemente, oral, apesar de todas às vezes aparecer escrita, mas é na
oralidade na expressão, que conseguimos exprimir o verdadeiro sentido, a emoção
do texto por meio da palavra. Vejamos o que o eminente escritor Assis Brasil diz em
seu livro Vocabulário técnico da literatura, sobre poesia.
Sendo assim, digamos que a poesia obedece a suas próprias leis,
identificando-se com a emoção. As espécies poéticas dividem-se entre o lírico e o
épico.
A poesia lírica deriva de um período medieval, em que os versos eram
cantados e acompanhados de instrumentos de corda, como a lira, tratando-se de
uma poesia sentimental, reflexiva, intimamente ligada à música, trabalhando,
também, a metalinguística e o referencial quando assume atitudes sociais. A mesma
apresenta suas formas poéticas fixas, como exemplo, tem o soneto, a canção, a
elegia, a ode, a écogla, a balada, vilancete, o rondó, entre outros.
Segundo Hegel a poesia lírica, "é a maneira como a alma, com seus juízos
subjetivos, alegrias e admirações, dores e sensações, toma consciência de si
mesma no âmago deste conteúdo".
O Soneto, digamos que é o mais conhecido e o mais encontrado poema de
forma fixa. Ele é composto de dois quartetos e de dois tercetos, construídos por
catorze versos.
A Canção evidencia a relação entre poesia e música. É uma composição
curta, formada por estrofes de número regular de versos e encerrada por uma
estrofe menor.
A Elegia expõe tristeza ou melancolia, sentimentos dolorosos, com o intuito
de auxiliar o leitor em momentos difíceis.
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A Ode não obedece a regras rígidas, costumando ser dividida em estrofes
iguais contendo um estilo solene e entusiasta.
A Écogla possui tema pastoril, normalmente dialogado celebrando a vida
campestre, evidenciando o bucolismo, simples e singelo.
A Balada geralmente apresenta três oitavas e a mesma ideia ou frase
reaparece no final de cada estrofe viabilizando o leitor a gravar na memória o texto,
produzida com o intuito de ser cantada.
O Vilancete inicia-se com um “mote”, que nada mais é, um tema ou um motivo
a ser explorado. Esse “mote” localiza-se no início e em uma estrofe curta.
O Rondó, também chamado de Rodel, acontece quando há tipos iguais de
quadras ou estrofes maiores, em versos de sete sílabas e os dois primeiros versos
de uma estrofe, são retomados adiante em outra estrofe.
Existem outras modalidades de formas poéticas fixas como Madrigal, Haicai,
Triolé, Sextilha, Epitilâmio, em que, não abordaremos neste trabalho.
A poesia lírica possui características de subjetividade que engloba uma
expressão intimista, expondo uma visão de um mundo particular e pessoal, o “eu”
lírico, apresentando também um ilogismo, deixando livre o poeta para produzir,
quebrando, assim, um pouco as normas rígidas, sem faltar a da métrica, das rimas,
e das pausas.
“O poeta lírico está preocupado com o próprio “eu”: “o conteúdo da
poesia lírica” é “a maneira como a alma, com seus juízos subjetivos,
alegrias e admirações, dores e sensações, toma consciência de si
própria no âmago deste conteúdo”; com efeito, o que interessa antes
de tudo é a expressão da subjetividade como tal, do seu exato
conteúdo, da alma e dos sentimentos, e não a de um objeto exterior,
por muito circundante:...”
(MOISÉS, Massaud. 2000, p.230)
No início do século XX, começou-se a fazer uso dos versos livres, típico do
Modernismo, em que os mesmos, introduziam-se a uma maneira de ver o mundo e
de vivê-lo, ou seja, como o próprio nome livre diz solto, ultrapassando as barreiras
da regra geral, possuindo, assim, um ritmo irregular, podendo possuir tamanhos
diferentes, contraste e dissonância.
Já no poema épico, o poeta quebra suas próprias fronteiras, adentrando em
uma forma ativa, positiva, heróica, para o poeta épico, o seu prazer encontra-se ao
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falar do mistério, do contraste, do absoluto. São três as formas fundamentais da
poesia épica: a epopéia, o poema, e o poemeto.
“É aqui que surge o épico, entendido como categoria poética
intrínseca, assinaladora do momento em que o poeta alcança a
maturidade interior. Diga-se desde já em que consiste o plano onde
se coloca o épico: pode ser considerado aquela para o qual se
orienta todo grande poeta, não importa a época e o movimento
literário a que pertença.”
(MOISÉS, Massaud, 2000, p.238)
Distingui-se uma poesia épica, por compará-la a uma escultura, uma obra de
arte, ou até mesmo uma pintura, exigindo uma análise intelectual sobre o texto, pois,
o épico ultrapassa a subjetividade tornando a obra absoluta e mais extensa.
Os poetas e escritores que podemos citar que tornaram cânones, por sua
importância para a poesia épica são Carlos Drummond de Andrade, Fernando
Pessoa, Manuel Bandeira, Gregório de Matos, Camões, Homero e Virgílio, entre
outros que se assemelham aos artistas de uma obra de arte.
Diante dos fatos, consideramos a poesia lírica como o primeiro estágio de
todo escritor ou poeta, que expõe sentimentalismo extraído de suas inspirações e
por um segundo momento muitos se propõem a buscar transmitir em suas poesias
características do épico, alargando-se em direção a todas as realidades, aspirações,
angústias, ou seja, ao Cosmo.
Podemos tentar diferenciar a prosa da poesia, pelo fato da prosa se
caracterizar pelo ritmo da continuidade e a poesia pelo ritmo da repetição, pois na
poesia cada verso é um recorte, estabelecendo pausas fônicas independente das
pausas sintáticas, lembrando que não podemos distinguir a poesia da prosa apenas
pela rima, metro, ritmo, pois existem poemas sem rima, sem métrica e sem ritmo,
mas que são identificados como poesia por conter a presença dos versos.
Concluiremos falando da importância da prosa e da poesia na literatura,
observando as poesias que relatam a cidade Paulo Afonso, demonstrando que cada
lugar, possui uma história que pode ser transmitida através dos versos, construindo
um sentido, induzindo o leitor a uma consciência crítica. Adentramos, desta forma,
mais adiante em outro ponto, à poética de Edson Barreto o qual ainda não é cânone,
todavia já fez muito pela terra que adotou: Paulo Afonso.
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2 PAULO AFONSO: ASPECTOS SÓCIO CULTURAIS
O município de Paulo Afonso surgiu por conseqüência da força das águas do
Rio São Francisco. Impossível enfatizar essa cidade e camuflar a importância desse
rio para o povo dessa região.
Paulo Afonso limita-se ao Norte com o município de Glória de quem se
desmembrou, em 28 de Julho de 1958; ao Sul com o município de Jeremoabo,
Santa Brígida e o Estado de Sergipe, a Leste com o Estado de Alagoas e com o Rio
São Francisco, a Oeste com o município de Rodelas.
A cidade de Paulo Afonso chamada de antiga Tapera, herdou seu nome
através do sesmeiro Paulo Viveiros Afonso, que recebe em 3 de Outubro de 1725,
um alvará de uma sesmaria medindo três léguas de comprimento por três de fundo.
Estudiosos afirmam que até 1725 não há registros nos arquivos do
Brasil e de Portugal que se refira a esta cachoeira com nome de
Paulo Afonso. Até então conhecida como Sumidouro, Cachoeira
Grande ou Forquilha.
(GALDINO e MASCARENHAS,1995,p.19)
Quem imaginaria que em perfeito e castigado sertão nordestino, passava um
imenso rio cheio de potenciais, modelando formosas cachoeiras, que descem os
cânions, transformando em espetáculo, para quem ali se aproxima para testemunhar
infinitas belezas. Graças à curiosidade dos nossos antepassados que ousaram
desafiar a força das águas que percorrem os labirintos de pedras, moldados pela
mãe natureza, é que se torna possível fazer um retrospecto dessa extraordinária
história.
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Figura 1 – Cachoeira de Paulo Afonso
Fonte: http://www.1br.biz/s/papeis-de-parede/natureza/cachoeiras-em-paulo-afonso---bahia4632.html, acesso em 26/10/2010
Por meio deste cenário tétrico e chocante, segundo o grande poeta Castro
Alves, é que imaginamos a dimensão da luta do homem contra a força da natureza,
da ideia e da visão futurista de Delmiro Gouveia que tinha plena certeza do quanto a
força das águas nesta região seria favorável para a redenção do Nordeste.
Impossível dizer da beleza e da importância do rio São Francisco, da
Cachoeira, da Chesf e de Paulo Afonso sem ir buscar no fundo do
baú, através do túnel do tempo, a visão dos historiadores, dos
desbravadores e pioneiros “caboclos bons, verdadeiros” e até de
contemporâneos e de gente jovem que, reconhecendo esses valores,
bradam aos quatro ventos, em prosa e verso, o amor por esta terra.
(GALDINO e MASCARENHAS,1995, p.23)
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Foi sofrida a vida daqueles “cassacos” que gastavam seu suor e doavam seu
sangue para domar o poder das águas para o surgimento das hidroelétricas,
situadas na região de Paulo Afonso. Esse potencial pauloafonsino para surgir,
provocou muitas agressões não só a natureza, mas ao homem lutador, que imigrava
para essas terras em busca de sobrevivência, encontrando no trabalho quase um
suicídio, pela falta de segurança, e, acima de tudo, o desrespeito entre os grandes
chefões, em que esses peões em troca de mão-de-obra submetiam-se ao
desconforto, doenças, entre outros problemas. O alojamento construído para essa
massa de operários separava-se das vilas confortáveis e cheias de regalias,
construídas apenas para os grandes engenheiros e chefes, mostrando a partir daí
certo preconceito, mais repugnante ainda, era a situação dos condenados que
chegavam de outras regiões em busca de uma vida nova e não conseguiam
ingressar nas obras das hidrelétricas e eram submetidos a acomodar-se em casas
de taipas cobertas por sacos vazios de cimento e separados por um muro, para não
misturar-se a região quase blindada que era a Chesf (Companhia Hidrelétrica de
Paulo Afonso).
Anos se passaram e Paulo Afonso encontra-se com uma população
homogênea, independente das condições financeiras, transformada e evoluída, com
grande potencial turístico e cultural beneficiada pelas belezas naturais aqui
presentes.
Essa mistura de raças e costumes desses desbravadores que aqui
desabrocharam, trouxeram em sua bagagem um pouco dos aspectos culturais de
suas raízes, entre esses aspectos, alguns se perderam, outros se adaptaram, foram
adicionados e hoje podemos dizer que possuem uma singularidade própria da
região, influenciados também pelos nossos vizinhos Paulo Afonso ganha seus
próprios traços culturais.
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Fig 2- 1º Usina de Paulo Afonso Angiquinho
Fonte: http://lafbr.wordpress.com/category/destinos/pauloafonso/ acesso em 02/11/2010
Paulo Afonso é testemunho verídico do quanto o nordestino é corajoso, forte
e acima de tudo possui uma esperança interior incomparável, capaz de atropelar as
dificuldades em busca de suas realizações.
Paulo Afonso não é somente uma fábrica de energia elétrica para o
Nordeste do Brasil, mas também um núcleo de civilização no seu
sentido mais largo, a levantar o nível de cultura, de saúde, de
instrução dos sertanejos que defendem o seu lugar ao sol, às
margens do São Francisco.
(ANDRADE – Julho/1969)
A realidade de Paulo Afonso, muitos já apostavam neste grande salto, como o
jornalista Theófilo de Andrade, que publicou em um jornal do Rio de Janeiro, em
julho de 1969, crônicas sobre a cidade de Paulo Afonso, prevendo o futuro desse
oásis nordestino.
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3 –MANIFESTAÇÕES CULTURAIS – ÊNFASE NA LITERATURA
Paulo Afonso em Verso e Prosa
Apesar de seus 52 (cinquenta e dois) anos de emancipação política, muitos
nomes se destacaram na literatura, seja de ficção, ou de registro de sua história, de
um modo geral.
Tornaram visível as grandes revelações da literatura regional, indivíduos que
de alguma forma com seus gêneros literários diversificados, deixam seus registros
marcados na história de Paulo Afonso, expondo uma literatura popular de estilo
vibrante, empregadas quase sempre, em função dos elementos da natureza,
sugerindo a imensidão e a força gerada neste lugar, enaltecendo a bravura do
sertanejo, convidando o leitor para a reflexão, vivenciando, essa maravilhosa terra
que é Paulo Afonso.
Os sentidos produzem sentidos pela vontade de olhar para o interior
das coisas tornando a visão aguçada, penetrante, pois, para além do
panorama oferecido a visão tranqüila, a vontade de olhar, alia-se a
sua imaginação inventiva que prevê perspectiva das trevas interiores
da matéria. (BACHELARD, 1990,p.8).
Como falar de Paulo Afonso, sem falar dos nobres talentos, que conseguem
transformar a criação e beleza presente nesta cidade, em verso e prosa, seduzindo
nossos olhares e penetrando nos nossos ouvidos o som das águas, que
ultrapassam as rochas, tornando a poesia sinestésica em nossa mente.
Observamos claramente, a importância da literatura na região de Paulo
Afonso, nos eventos, aqui realizados ao decorrer dos anos, na Semana do
Modernismo, criada no ano de 1982, almejava-se integrar a escola à comunidade e
desenvolver as habilidades artísticas, em Paulo Afonso e regiões circunvizinhas
Pernambuco e Alagoas.
Muitos dos escritores e poetas surgiram do anonimato, em participações nos
concursos realizados na Semana do Modernismo, de contos e poesias, que
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aconteciam anualmente, contribuindo efetivamente para a interação da Cultura
Nordestina.
Nas feiras livres, nos coretos das praças, nos palcos armados nos
centros urbanos, mas, sobretudo no meio das ruas, nas procissões,
nas vias-sacras, nas quermesses e nas noites de novenas e trezenas
ou nos festejos juninos e natalinos os visitantes da região dos lagos
vão encontrar personagens, figuras exóticas, grupos de danças,
cantorias e repentes que são a essência da história, dos folguedos,
das tradições seculares do povo nordestino.
(GALDINO, 2001, p.63)
Neste trecho defendido pelo prof. Antônio Galdino em seu trabalho de pósgraduação “O caminho das águas”, fica nitidamente explícita a importância dos
aspectos culturais da região as cantorias, repentes e poemas presentes no sangue e
na alma desse povo nordestino, algum dos eventos que não podemos deixar de citar
é a “Mala do Poeta”, um projeto fantástico que tem como tema “Na Mala do Poeta
tem Poesia de Todo Jeito”, é apresentado em praça pública, com o objetivo de
valorizar a literatura local e regional, dando um espaço aqueles poetas que vivem no
anonimato.
Fundamentaremos alguns dos nomes relevantes da Literatura Pauloafonsina
que não poderíamos deixar de frisar.
Antônio Galdino da Silva, paraibano, nasceu em 18 de Janeiro de 1948, veio
para Paulo Afonso, com sua família aos seis anos de idade, aqui criou raízes e fez
história na região, conhecido como Professor Galdino, trabalhou na CHESF, é
professor da rede estadual do governo da Bahia e tem um papel fundamental para a
região de Paulo Afonso, é um pesquisador e historiador, que transforma a beleza
nordestina em belos trabalhos jornalísticos, colaborando com o arquivo cultural e
turístico da cidade.
Para descobrir,
Sintonize inteiramente o seu ser,
disponha seus ouvidos para escutar
e abra o coração
pra compreender. (...)
(GALDINO, O Canto da Natureza, 2000)
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22
Domingos Sávio Lopes Mascarenhas, natural de Conceição do Coité – BA
nasceu em 21 de Agosto de 1966, chegou a Paulo Afonso aos quatorze anos, teve
sua participação na literatura dessa região, publicando o ensaio poético “coisas”, no
ano de 1991, na semana do Modernismo, poucos anos depois em 1996, em parceria
com Antônio Galdino, exibiram depois de agrupar muitas pesquisas, entrevistas,
fotos, a criação do livro histórico didático, “Paulo Afonso: De Pouso de Boiada à
Redenção do Nordeste”, que serve de referência para muitos estudos sobre o
surgimento de Paulo Afonso. Sávio como é mais conhecido na região, foi editor
jornalístico do Jornal Integração, Jornal da Câmara, Jornal Paulo Afonso, Revista
Magazine, e participou do programa de rádio “A Voz da Câmara”, destacou-se com
seu trabalho aqui prestado, dando ênfase na Literatura regional.
Outra figura proeminente é o Senhor Diogo Brito, músico, nasceu em
Paripiranga-BA, em 13 de Abril de 1925, veio para Paulo Afonso aos vinte e quatro
anos, sempre teve afinidade com instrumentos musicais, e um dom especial de
escrever poesias e folhetos de cordel, divertindo os amigos mais próximos,
dedicando sua admiração pela cidade, e transformando-a em versos e prosas.
Apesar de vários trabalhos publicados em jornais e revistas da cidade, destacamos
uma poesia “Águas da Cachoeira”, que se tornou música, em homenagem aos 50
(cinqüenta) anos de CHESF.
Veja o impulso das águas
Transformando em energia
Paulo Afonso hoje possui sua
Força seu valor (...)
(Brito, Diogo,1998)
Jovelina Maria Ramalho da Silva nasceu em Nilópolis-RJ, em 25 de Setembro
de 1952, chegou a Paulo Afonso, em Janeiro de 1973 aos vinte e um anos, foi
professora das escolas da CHESF e da rede estadual da Bahia, envolvida com
educação até hoje, mostra sua dedicação e orgulho de viver nos braços da cidade
que o acolheu, transcrevendo em versos o amor pela região, faz parte do coral da
CHESF, e é uma colaboradora da edificação da história de Paulo Afonso.
Mas essa força não para
É energia em vigor
É a luz que os nordestinos
Com garra realizou (...)
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23
(SILVA, Jovelina– Retrato da Minha Terra)
Maria do Socorro Araújo nasceu no ano de 1958, filha desta terra abençoada,
transforma o prazer de conviver com infinitas belezas, em inspiração que encanta os
leitores, acima de tudo é uma mulher fantástica, professora atuante e poetisa,
publicou livros que agradam vários públicos, deixando sua passagem registrada na
literatura da região.
“Paulo Afonso dos nordestinos
Paulo Afonso da cachoeira
Paulo Afonso dos destemidos meninos
Paulo Afonso das lindas roseiras
Serás eterno
Serás lembrado
És redenção
És o progresso de uma nação.” (...)
(ARAÚJO, Maria do Socorro – Redenção do Nordeste)
Oscar Silva e Vilma Rodrigues, casal responsável pelo Hino oficial da cidade,
são filhos de Paulo Afonso, lançaram a letra do hino em um concurso realizado, na
Semana do Modernismo e encantou os jurados, sendo escolhida e oficializada como
a letra do Hino, representando a cidade de Paulo Afonso.
“Criada pela própria natureza.
Paulo Afonso, Paulo Afonso,
Lugar de encantos mil
És a capital da energia
Riqueza do nosso Brasil” (...)
(SILVA, Oscar e RODRIGUES, Vilma –
Paulo Afonso, Cidade de Infinita Beleza).
João de Sousa Lima nasceu em São José do Egito-PE, em Dezembro de
1964, chegou a Paulo Afonso com poucos anos de nascido e tornou-se filho adotivo,
é um pesquisador e historiador, entrou de corpo e alma na pesquisa sobre o
cangaço, cidadão importante, que resgatou de forma impecável, os passos de
“Lampião e Maria Bonita”, ganhou notoriedade no meio artístico através dos livros
“Lampião em Paulo Afonso”, no ano de 2003 e “A Trajetória Guerreira de Maria
Bonita a Rainha do Cangaço”, em 2005, obras excepcionais, fruto de um excelente
trabalho de pesquisa histórica, é um grande interessado nas histórias das raízes
culturais do sertão nordestino.
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24
“Paulo Afonso havia sido bastante percorrida por Lampião e pouca
coisa havia sido registrada. Coloquei o pé na estrada, percorri todos
os povoados paulafonsinos por diversas vezes, vasculhei muitas
fontes, realizei inúmeras entrevistas. É verdade que muita coisa se
perdeu, pela lei natural do tempo, muita gente que poderia dar
preciosa informações, havia morrido e as restantes estavam na faixa
dos noventa a cem anos, sem a total lucidez de outrora.”
(Lima, João de Sousa- Lampião em Paulo Afonso,p.15)
Fig 3 – Lampião e Maria Bonita
http://nadadeordinario.blogspot.com/2008/09/lampio-maria-bonita-eum-monte-de.html acesso em 02/11/2010
Alexsandro de Lima Pereira, conhecido como Xela Lima, filho de nossa terra,
nasceu em 03 de Maio de 1985, é um poeta bastante jovem, com uma carreira
promissora, está cursando o oitavo período de Letras na Faculdade Sete de
Setembro – Fasete, considerado um poeta Neorromântico, em que aprendemos a
admirá-lo, pela expressão transmitida em seus versos. Já participou de algumas
edições da Mala do Poeta, concretizando suas poesias, que desde os treze anos
transcreve suas emoções e seu “eu” poético, nas estrofes que compõem seus
poemas, seu objetivo em tornar suas poesias públicas, em um livro, o qual, está
produzindo, trata-se de sua prioridade no momento, que agradara muitos
interessados pela poesia regional, encantando e enchendo de orgulho nossa cidade
Paulo Afonso.
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Minha Terra (Ao Cinquentenário de Paulo Afonso)
“Todos cantam sua terra,
Também vou cantar a minha,”
Do alto do umbuzeiro – a serra.
“Hei de fazê-la rainha.”
Minha terra tem cachoeiras
E energia a jorrar;
Mulheres bem fagueiras
E belas pra se amar.
Nosso rio tem sua beleza,
Mandacaru tem suas flores,
Nosso cânion tem sua grandeza,
Nossa gente tem seus valores.
Ah! Que ilha tão formosa!
Tão diversa no falar.
Minha terra tem cachoeiras
E energia a jorrar.
Aqui quanta cultura,
Quanto jovem a sonhar.
Na Dom Pedro formosura,
Que sol lindo a raiar.
Minha terra tem cachoeiras
E energia a jorrar.
O boi e a cobra:
Força e audácia a lutar;
Rocha versus homem: a obra –
Oásis a fulgurar!
Paulo Afonso tem cachoeiras
Pra Castro Alves cantar!
(Pereira, Alexsandro de Lima – Folha Sertaneja, Ano V,
número 55, p.5, Paulo Afonso – BA, 07/10/2008)
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Fig 4 – O Touro e a Sucuri
http://lafbr.wordpress.com/category/destinos/paulo-afonso/ acesso
em 02/11/2010
E Edson José Barreto dos Anjos, baiano da Chapada Diamantina, foi acolhido
por Paulo Afonso e deleitou-se com os atrativos proporcionados por essa terra.
Trata-se do objeto de estudo deste trabalho monográfico o qual será
detalhadamente apresentado no próximo ponto.
Difícil é escolher em meio a inúmeros talentos, existentes nessa região, que
enchem nosso peito de orgulho, ao falar do encanto existente nesse aprazível lugar,
verdadeiras preciosidades que expõem seus talentos culturais.
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4 - A POÉTICA DE EDSON JOSÉ BARRETO DOS ANJOS.
Edson Barreto José dos Anjos, um fenômeno da literatura pauloafonsina, filho
de Normando Nunes dos Anjos e Natalice Barreto dos Anjos, sua grande
incentivadora, nascido na cidade de Miguel Calmon, na encosta da Chapada
Diamantina, formou-se em Pedagogia pela Universidade do Estado da Bahia
(UNEB) e em Letras: Português/Inglês, pela Faculdade de Tecnologia e Ciências
(FTC), Pós- Graduado em Supervisão Escolar, pela Universidade Salgado Oliveira
(UNIVERSO),
do Rio de Janeiro, nesta mesma faculdade concluiu sua
especialização em Língua Portuguesa.
Sua paixão pela língua materna é explícita nas aulas de Língua Portuguesa,
Língua Brasileira e Redação, dirigidas por esse grande mestre no antigo Centro de
Educação de Paulo Afonso (CIEPA), atual (CTEP) Centro Territorial de Educação
Profissional, entre outros cursinhos preparatórios para vestibular.
Figura 5- Foto Edson José Barreto dos Anjos
Fonte: Arquivo Pessoal
Amante da poesia teve sua nobre participação em várias publicações
“Conflitos e Deleites”, no ano de 1984, “Escritores Brasileiros” em 1985, passado
algum tempo, no ano de 1988, publicou seu primeiro livro de poesias
“Transformações...”, na Semana do Modernismo, na cidade de Paulo Afonso. Co-
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autor do livro biográfico: “A vida... e a vida de Padre Lourenço”, em sua primeira
edição,1989 e segunda edição em 1990.
Esse extraordinário desbravador da literatura pauloafonsina, não podia ficar
de fora do projeto “Na Mala do Poeta tem Poesia de Todo Jeito”, participando da
Coletânea de Poesias, no ano de 2009.
Neste ano de 2010, participou do livro que versa sobre a Rainha do Cangaço,
intitulado “Maria Bonita: Diferentes Contextos que envolvem a Rainha do Cangaço”,
escrevendo o capítulo: “Maria Bonita e a Linguagem do Cangaço na Tapera de
Paulo Afonso”
Edson Barreto é um grande estudioso da Língua Portuguesa, auto-didata,
admirador da literatura e da cultura do cangaço do nordeste brasileiro e preza pela
Música Popular Brasileira, é um idealista e expõe em suas poesias o senso crítico
em sua visão de mundo.
Tem um estilo poético particularizado, elevando seu lado romântico e lírico,
sem deixar de lado traços do realismo e principalmente do modernismo, apostando
no amor a plena realização do homem como ser humano.
Professor Edson Barreto começou a ensinar muito cedo, acumulando certa
bagagem de experiências, lecionou no Colégio Sete de Setembro, Colégio Carlina
Barbosa de Deus, Escola Municipal José Geraldo Miranda Correia e CIEPA, exerceu
a função de Diretor da Escola Municipal Jovino de Carvalho e liderou vários
programas de Jovens e Adultos, participou como docente do Projeto Proformação e
Proleigos (programa de formação de professores em exercício, sem titulação para o
magistério), ressaltando que é um importante curso com o objetivo de melhorar o
ensino na região, outros programas que não podemos deixar de relatar é o PróLeitura e Pró-Letramento, agindo como facilitador, contribuiu também nos cursinhos
pré-vestibulares
de
Paulo
Afonso
como
Líder,
Interação,
Apoio
e
Opinião/Montessori, lecionando Língua Portuguesa e Redação.
Hoje faz parte do Núcleo de Estudo, Pesquisa e Formação de Professores,
órgão pertencente à Secretaria Municipal de Educação de Paulo Afonso, atuando
como professor-formador de Língua Portuguesa; é, também, membro do IGH
(Instituto Geográfico e Histórico de Paulo Afonso).
Enfim, podemos considerar este cidadão como um membro imortal da
Academia de Letras de Paulo Afonso (ALPA), vencedor em sua vida particular e de
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vários Concursos de Poesias, Contos e Redação, com participação em inúmeras
exposições poéticas, entrevistas e fóruns de debates literários, ver em anexo 1.
Escreveu para revistas regionais como A Gazeta de Paulo Afonso, Gazeta da
Bahia, Impacto e Paulo Afonso Magazine, também deixou marcos em jornais como
Jornal Opus, Folha Pauloafonsina, Integração, Nova Geração, Inforciepa e Catedral,
expondo matérias de diversas modalidades, colunismo social, biografias de autores,
comentários literários, artigos, reportagens, entre outros.
O ícone da Literatura Pauloafonsina, entrega-se, totalmente, a suas poesias
com uma percepção inigualável do obscuro da realidade do homem, mostrando a
solidez do cotidiano como nos versos de “Teatro em Branco e Preto”, em que fica
explícito o teatro da vida real.
Por trás da cortina, a triste lida
E gritos, e gemidos ásperos e sôfregos
De seres marginalizados e patéticos na vida
Com textos, roteiros e papéis pálidos e trôpegos
Mofando nos camarins da arte não aplaudida... (...)
(Teatro em Branco e Preto- Edson Barreto)
Fonte: Arquivo pessoal
Professor Edson Barreto, como é mais conhecido na região, mostra em suas
poesias, não apenas o romântico que explode em seu interior, mas um crítico e
colaborador para que mentes se abram para a realidade do mundo e com sua
sensibilidade, consegue viajar no mundo de muitos em que, ás vezes, são
esquecidos ou atropelados em sua importância, para talvez uma possível mudança
para a humanidade e por um país mais digno, podemos observar no seu poema
“Prostituta”, uma crítica a dura realidade dessas mulheres.
Mulher maravilha na beira dos ais.
Das lágrimas cansadas de esperar
Alguém para tirá-la desse, daquele lugar,
De nenhum lugar e do que vão pensar.
Dama que trabalha por migalhas nas muralhas
Da exclusão e de uma sorte instintiva
E mordaz que vagueia em esquinas
E cabinas, meninas, meio de vida,
Viagem! Viagem pela sorte... Profissão?
Profissão Indignação, digna nação indigna.(...)
(Prostituta – Edson Barreto)
Fonte: Arquivo Pessoal
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É notório como esta grande celebridade de Paulo Afonso, se dedica com
empenho construtivo à comunidade pauloafonsina, solidarizando-se social e
politicamente com a educação, descobrindo nas lutas diárias, a explicitação de suas
mais íntimas apreensões, para com a vida. É um dos poetas mais fluentes da região,
sua sucessão de poesias indica a plena maturidade do poeta, proclamando a
liberdade das palavras em seus versos. Impressionante é a sua postura, levando o
leitor de suas poesias a uma atitude livre de referências, são mensagens profundas
de visões prospectivas.
Em conversa, ele nos fala, que desde sua juventude, foi influenciado pela sua
mãe Natalice, professora de Língua Portuguesa e Literatura Brasileira, hoje
aposentada, mas que além de lecionar, escrevia e cantava, também e, através
dessa motivação familiar, surge o prazer de colocar alguma coisa no papel, frisando,
também, que teve o incentivo de alguns professores, que o apoiaram na época. Ele
nos diz que a arte da literatura é assim, primeiramente se escreve para um público
minúsculo de apreciadores, pouca gente lê e pouca gente aprecia, mas ao menos
essa pouca gente que aprecia, já é alguma coisa para quem escreve.
Quando o perguntamos por que, no Brasil, há uma supervalorização dos
poetas canônicos em detrimento aos novos nomes, ele com sua simplicidade, nos
responde que a situação do cânone na literatura, já é muito antiga, passa muito mais
de 1500 e quem está na mídia, que conseguiu chegar a ela, é um cânone para o
resto da vida, e os poucos que não conseguiram nada, vão ficar somente
conhecidos regionalmente, ser um cânone é privilégio para poucos.
Ao falar do seu trabalho literário, Edson Barreto diz que é um trabalho
simples, mas que com toda simplicidade expõe o eu - poético, a vida e expõe acima
de tudo o conhecimento e a vontade de escrever, e na condição de professor e
pedagogo de formação o questionamos em que seu trabalho, tem contribuído para a
educação e essa personalidade forte, descreve que acha todo professor um herói,
porque faz um trabalho em sala de aula com muita dedicação e vive sobretudo a
formação da cidadania em seus alunos e sobretudo o exemplo, que o professor dá
ao aluno que é exatamente o que o aluno leva para o resto da vida.
Podemos ter grande certeza de que a essa modéstia, desse grande escritor
irá continuar viva em suas poesias, a exaltação do eu - poético, ficará presente em
seu histórico, para públicos afins e aos que virão, servindo de florescimento para os
futuros jovens.
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É perceptível o apreço do poeta pelo seu poema “Portões”, que consta no
livro “Transformações...”, sugerindo novas reflexões, essa poesia lhe rendeu vários
concursos, em que ele em suas estrofes exterioriza a verdadeira rotina do ser
humano, afirmando que foi um dos poemas que mais o marcou e com certeza
marcou muita gente.
Portões
(Edson Barreto)
Aqui vive como se pode,
todo beco é uma morada,
toda ponte é um teto.
Pra quem vê é estranho,
farrapos humanos vagando
pelo mundo, pelas ruas.
Esse corre-corre
é pra se viver,
cada um se vira
como pode, se é que possa!
A rua é um campo
de concentração e
nos becos surge de tudo,
a vida, a morte...
E mesmo pra quem morre
não se encontra entre
a vida e a pressa,
um momento pra morrer.
E mesmo pra quem vive
não se encontra
entre a pressa e a morte
momento pra viver.
Se tudo parasse,
se tudo calasse,
Ouvir-se-ia o gemido
daquele que entre
a vida e a morte
lastima o destino,
o crucial destino
que enforca uma geração
que não tem
oportunidade de viver.
(Edson Barreto, Arquivo Pessoal do autor)
No poema citado acima, o autor transcreve as barreiras, e os portões que o
ser humano enfrenta no dia a dia, suas limitações, impostas pelas contingências da
vida, que entre grandes palácios dos que tiveram oportunidades, há um oposto, que
são os becos e pontes do mundo, em que seus moradores, deparam-se com a
diversidade
de
circunstâncias
oferecidas,
angústias
retraídas,
nostalgias
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abandonadas, um universo castigado, e os farrapos temendo o sofrimento e a morte,
com pouca esperança de libertação. Ás vezes torna-se inacreditável como os
embriões da miséria, surgem, nos quatro cantos do mundo, trazendo uma grande
discussão para a humanidade, em que muitos tentam entender, estudar, pesquisar
os motivos desse declínio humano, dessa exclusão social, se Deus não existe, ou se
tudo na vida justifica-se pela causa e efeito, ação e retribuição. O poema explicita
claramente infinitas proporções de crueldade, violência humana, injustiças,
fragilidade relacionada às opressões do coração, a esse cruel destino, dos que
vagueiam sem oportunidade de viver.
Digno de nossa admiração irrestrita, tanto por suas obras, quanto pelo seu
comportamento como escritor e professor, enfim, como ser humano, é prazeroso
debruçar-se com a leitura das poesias, relacionadas à nossa maravilhosa cidade
Paulo Afonso, que o acolheu como filho da terra e aqui se destacou, dando sua
contribuição para a educação desse município e regiões circunvizinhas.
Todas as informações expostas sobre o poeta Edson Barreto foram coletadas
através de pesquisa bibliográfica e entrevista cedida pelo próprio, como também
muita de suas poesias que ainda não estão publicadas, mas, que serão expostas
pelo autor, em um livro esperado ansiosamente por todos que o admiram e sentem
orgulho deste grande profissional.
Fig 6 – Hidrelétrica de Paulo Afonso
Fonte: http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/governo-getuliovargas/hidreletrica-de-paulo-afonso.php acesso em 27/10/2010
Paulo Afonso Intertextual
A cidade de Paulo Afonso é fogo que arde sem se ver
É um contentamento sempre contente
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É um passeio pela última Flor da Lácio, inculta, bela e regional.
Na minha vida, Paulo Afonso estava no meio do caminho
No meio do destino tinha Paulo Afonso.
Ainda que eu falasse a língua dos homens e dos anjos
Seria como a cachoeira no grotão a soluçar.
Paulo Afonso lembra uma mulher nova, bonita e carinhosa
Que faz a saudade doer sem sentir dor.
Pelas veredas do cangaço, Maria Bonita, mulher macho, sim, senhor
Fez Lampião se render, rendá, olê, mulé rendêra.
Rastejando pelo solo do Raso da Catarina, as vidas secas
impressionam
Léguas tiranas bordadas pela mulher simples da Várzea, do Juá.
Senhor Deus de Castro Alves, dizei-me vós, Senhor Deus
Se esse canyon gigantesco é mentira, verdade ou miragem
Comprimindo as águas do Velho Chico em carrancas
Que fazem os guerreiros enfrentarem a batalha
Com armas da paz empunhadas noite e dia
Para clarear o Nordeste com a energia da CHESF.
O pauloafonsino é, antes de tudo, um forte, sertanejo bravo
É um D. Mário Zanetta peregrinando e pregando a fé
Ave Maria! Rogai por nós, Pai Nosso, que estás no céu.
Padre Lourenço Tori nos lembra a Tapera de Paulo Afonso
De um sonho intenso, um raio vívido de uma infância fugaz, noite se
faz.
Assim que o dia amanheceu lá no alto da Serra do Umbuzeiro
Dava pra ver o tempo florir na copa amarelada das Caraibeiras
Dava pra ver que os filhos teus não fogem à luta, cassacos tenazes
De uma Paulo Afonso de sonho que já se concretizou. Amém.
(Edson Barreto, Arquivo Pessoal do autor)
No poema exposto, o autor consegue manusear as palavras com tanta
perfeição, utilizando um mosaico de citações, apresentando relações dialógicas com
outros poemas, ressaltando a importância da intertextualidade para a literatura.
Através dessa proposta interativa, fazendo alusão a outros belos poemas,
podemos destacar influências Camonianas, em que Camões solidificou seu
potencial literário, o contraste, o arroubo emocional, o paradoxo, utilizando figuras de
linguagem complexas, presença do dualismo, que eram características do Barroco,
movimento literário, que surgiu no final do século XVI, o poeta mostrou também,
traços do Parnasianismo, movimento literário que surgiu no século XIX, no poema
“Última Flor de Lácio”, fazendo uso de uma linguagem rebuscada e um vocabulário
culto, em que Olavo Bilac, faz um paralelo da língua portuguesa, a flor, e Lácio, uma
região da Itália antiga, onde se falava latim e através dessa língua brotaram o
Francês, o Espanhol, o Italiano e por último a Língua Portuguesa, e que não
podemos mais chamar de inculta, nem a Língua Portuguesa, tampouco Paulo
Afonso, pois grandes escritores provaram o contrário, como Castro Alves entre
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outros poetas, que evidenciaram as belezas de Paulo Afonso em seus versos,
utilizando esse idioma excepcional.
No poema acima, não podemos deixar de mencionar fragmentos de outras
celebridades como Euclides da Cunha, o saudoso Renato Russo, entre outros.
Observa-se certo ufanismo por parte do poeta ao falar da região pauloafonsina,
tentando explicar o amor, as belezas, os encantos, o agradecimento, o louvor ao
destino, que o presenteou com essa cidade em seu caminho.
Sem conseguir esquecer a importância do Rio São Francisco, o poeta com
seu grande dom, transcreve o poder das águas eminente para o progresso do país.
RIO SÃO FRANCISCO
Que veste o futuro com certeza e brios aguerridos
Mergulhados em águas de lendas e cantos
CHESF, balsas, gaiolas, pontes, carrancas
Cenário: o homem, a natureza, os encantos.
Cenário: o homem, a natureza, os encantos
Entranhando canyons, caatingas, o agreste
Tornando fértil a terra d’antes árida
Rio São Francisco, orgulho do Nordeste! (...)
(Edson Barreto, Arquivo Pessoal do autor)
Relembrando Paulo Afonso em sua formação, “um muro duas cidades”, surge
às poesias “Evocação a Paulo Afonso”, e “Saudades de Paulo Afonso”, em que é
abordada a formação da identidade cultural da cidade, trazendo para o âmbito da
poesia, o formato das ruas, os bairros, as pessoas, brincadeiras, escolas e
mostrando ao leitor uma retrospectiva de Paulo Afonso de outrora, para aqueles que
viveram essa realidade e servindo também de fonte para os futuros pesquisadores.
EVOCAÇÃO A PAULO AFONSO
(Edson Barreto)
Paulo Afonso...
Havia um muro de pedra que separava
O Acampamento CHESF da Vila Poty
Ainda bem que foi demolido.
Um esgoto a céu aberto
Serpenteando dentro de uma
Valeta de cimento
Atravessava a cidade.
Paulo Afonso... Saudades...
A feira na Rua da Frente
O caminhão de Zé Poção
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Passava lentamente pelas ruas da cidade
E hoje atravessa as lentas lembranças
Do meu coração.
A Casa Pesqueira, o Abrigo, a Cadeia de Pedra
O Chafariz, o Creia, as Guaritas...
Cassacos passando apressados
Para construírem o futuro em
Forma de usinas de energia elétrica
De um sonho que já se concretizou.
Mané da Perna Torada e Fedegoso já
Não transitam pelas ruas descalças e
Não ouço as programações da Mira Mar
Que vinham pelos alto-falantes.
Padre Mário e Padre Lourenço
Chefe Abel, o Educandário Brasil
Prefeitos nomeados, a população
Não os elegia, éramos uma
Área de Segurança Nacional.
Os meninos jogavam futebol no meio da rua
E ainda gazeavam aula para praticá-lo.
As meninas brincavam de pular corda
Cantigas de roda e passa o anel.
Roda Viva, Royal Drinks, Embalo Jovem
Coliseu Show, Escola Parque, IMEAPS
CIEPA, COLEPA, Escola do Guri
Desfiles Cívicos garbosos na avenida.
Paulo Afonso... Saudades...
Mulungu, Tapera, Vila CETENCO
Baixa Funda, Dínamo, Tiãozinho
Onde estão os Pivôs (guardas da CHESF)
E as viaturas de polícia de cor azul que
Eram chamadas de Carros da Maguary?
O passado soterrou tudo e o futuro trouxe
Bastantes saudades da querida e adormecida
Paulo Afonso de outrora.
(Edson Barreto, Arquivo Pessoal do autor)
DAS SAUDADES DE PAULO AFONSO
Saudade não se descreve, apenas se sente.
Paulo Afonso não se descreve, apenas se sente.
Mulungu, Tapera, Libanesa, Cetenco, Chafariz.
Um enorme muro de pedras cortava a cidade ao meio,
Enorme cicatriz que dividia seres humanos.
O Abrigo se foi, O Roda Viva fechou,
Adega da Rainha não existe mais,
Bem como a minha infância distante.
Ninguém canta mais no Coliseu Show.
Dom Mário e Padre Lourenço se despediram
Para sempre e deixaram suas obras
Eternas na melodia chorosa dos sinos.
O rio São Francisco não passava por baixo
Desta ponte, cavaram, cavaram e
Ele mudou o seu destino, serpenteando a
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Cidade para formar uma ilha.
A Casa Pesqueira, A Cachoeira dos Tecidos,
A Cadeia de Pedras, Cine Palace,
Todos se foram, naufragaram nas águas
Do passado que emergem nossas saudades
Que são sentidas e sentidas são vivas.
A voz de Gilberto Leal, as fotos de Zé Miron,
Os discursos de Abel, a retórica de Adauto Pereira,
Os anúncios da Mira Mar, a Rádio Poty,
O IMEAPS e o CIEPA na Baixa Funda,
A entrada da cidade, próxima ao quartel,
Não os vejo, não os ouço. Tudo sumiu? Tudo calou?
A sirene da CHESF emudeceu, os cassacos
Procuraram outros nichos, outras construções, e
As mulheres que entregavam leite com uma
Vasta saia sobre a calça comprida
E um lenço amarrado na cabeça, que fazem hoje?
Perderam seus fregueses? E o pão que era vendido
Nas bicicletas de três rodas que tinham uma enorme
Caixa de madeiras na frente, pela Rua da Frente,
Por onde pedalam os sorridentes pãozeiros?
Em que ferro velho foi parar o Papa-filas que
Levava estudantes para as escolas?
Minha Paulo Afonso do passado hoje
É um quadro na minha memória,
E como dói olhar para esse quadro na
Parede da imaginação real da saudade
Que responde pelo nome de Paulo Afonso.
(Edson Barreto, Arquivo Pessoal do autor)
No primeiro poema “Evocação a Paulo Afonso”, faz-se uma referência ao
surgimento e as descriminações da época da construção das hidroelétricas, entre o
acampamento CHESF, que abrigava os funcionários, que tiveram oportunidade na
vida, muito bem instalados, com casas grandes, escolas, igrejas, agências bancárias
e o conforto da água e saneamento, regalias extravagantes nesta vila, separada
pelo um muro de pedra, mais conhecido como “muro da vergonha”, em que
excluíam os que habitavam do outro lado do muro, chamada de vila poty, seus
casebres eram cobertos pelos sacos vazios de cimento poty, utilizados na
construção das tais hidroelétricas, com esgotos expostos nas ruas e sem energia
elétrica, ressaltando que era vigiado dia e noite por guardas da própria CHESF para
impedir que pessoas comuns ultrapassassem essa barreira, mas ao decorrer dos
anos, depois de muitas lutas foi demolido, enfim, unificado. No poema é explícito as
transformações ocorridas na cidade, fazendo alusões a rotina e as pessoas
pauloafonsinas, que acompanharam os fatos daquela época, em que, o futuro foi
responsável pelas modificações.
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No segundo poema, muito semelhante ao primeiro, fala da saudade, referindo
aos anos e modificações que Paulo Afonso sofreu, ressaltando o nome dos bairros,
o cinema que foi abolido, o antigo comércio bem pequeno, em que, todos se
conheciam, os serviços prestados artesanalmente, evocando as vendedoras de leite,
e os “paozeiros”, que levavam o pão quentinho, utilizando o transporte da bicicleta,
substituindo esses costumes, pelos grandes supermercados e padarias sofisticadas,
seguindo o padrão das grandes capitais. E o que dizer do “papa-filas”, que
transportava os estudantes, sempre lotado, mas que foi abolido, e deu espaço para
os carros populares e os sofisticados, as motos e as motos táxi, que invadiram as
ruas de Paulo Afonso como uma febre e aqui ficaram.
Lembrando, que essas atualizações, passarão pelo tempo também, deixando
saudades para aqueles que viverem essa época e tiverem a oportunidade de olhar
para o passado de Paulo Afonso e recordar os velhos tempos, tendo em mente
belas memórias.
Ao se tratar das belezas naturais, presentes no Nordeste, o poeta além de
inspiração, utiliza criatividade e através de um jogo de versos, transmite em suas
estrofes, características importantes da natureza, verdadeiras dádivas de Deus, que
um simples mortal que não tem o dom da poesia, não consegue expor tamanha
singularidade presente nos véus da Cachoeira de Paulo Afonso.
CACHOEIRA DE PAULO AFONSO: TEUS VÉUS...
Teus véus... Formam-se no ar
Num espetáculo mirabolante
Vestindo de noiva a natureza
Num cenário de rara beleza.
Num cenário de rara beleza
Salta a água no precipício
Eis o fenômeno: a Cachoeira
Apagando do Nordeste a poeira. (...)
(Edson Barreto, Arquivo Pessoal do autor)
Outro poema que o poeta faz questão de exaltar essa cachoeira com
veracidade, abordando o combate entre o homem e a natureza, transformando
sonho em realidade, onde a cachoeira momentaneamente cala-se para privilegiar
energia para uma nação, veremos nos versos de “Cachoeira de Paulo Afonso”.
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CACHOEIRA DE PAULO AFONSO
Neste combate hercúleo em que
O homem desafia a natureza
Buscando a vitória da tecnologia
Brame o rio com destreza
Não há vencido nem vencedor, mas
A vitória de um futuro de certeza.
Eclodindo um canto novo
De um passado de sono profundo
A história tem passo ritmado
Numa dança de sonho fecundo:
Cachoeira de Paulo Afonso
Oitava maravilha do mundo! (...)
(Edson Barreto, Arquivo Pessoal do autor)
Sem esquecer-se de evocar a figura da mulher, Edson Barreto, no seu poema
“Maria de Paulo Afonso”, mostra a saga de Maria Bonita, sua luta, seu valor, sua
trajetória resumida, mulher de fibra, que enfrenta a seca do sertão, perdida pelo
amor, um amor bandido, que além do prazer do império no cangaço, o peso dessa
coroa lhe devolve a hostil morte sangrenta e amarga do destino, “mulher macho sim
senhor”, Maria Bonita, conseguiu romper barreiras proibidas da presença feminina,
no espaço reservado apenas para homens destemidos.
MARIA DE PAULO AFONSO
Maria da Tapera de Paulo Afonso,
Assim como tantas Marias do sertão
Nasceu numa casinha de paredes de barro
Sopada sobre varas finas
Na caatinga espinhenta da
Malhada da Caiçara, no dia oito de março,
Dia Internacional da Mulher Maria.
Quis o destino tornar a
Menina pobre, pobre Maria,
Em rainha de um império sangrento,
Plebéia Maria.
Maria, Maria, forte como o impacto
Das águas da Cachoeira do Sumidouro
Nos barrancos pétreos de Forquilha.
Bonita Maria como a madrugada
Orvalhando lágrimas no Velho Chico
De Paulo Afonso, Viche Maria!
Súdita Maria de um
Rei cego de mira certeira
Que encontrou a morte na paixão,
A hostil Morte-Maria cuspindo
Balas e bordando a madrugada em
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Tom vermelho e pranto
Nas pedras de um angico de sombras
A pronunciar Ave Maria, cheia de graça!
À hora chegou pra Maria!
Maria degolada na madrugada fria
De 28 de julho de 1938,
Nesse mesmo dia, vinte anos depois,
Deu-se a Emancipação de Paulo Afonso,
Paulo Afonso de Maria.
Maria do Cangaço,
Maria da Cachoeira,
Maria da Terra da Energia,
Maria de Déia,
Maria do Capitão,
Maria mãe de Expedita,
Maria Santinha,
Maria de Zé de Neném,
Maria da Tapera de Paulo Afonso,
Maria de Lampião,
Maria Gomes de Oliveira,
Maria, bonita Maria,
Maria Bonita,
Maria do sertão de Lampião!
(Edson Barreto, Arquivo Pessoal do autor)
Fig 7 – Maria Bonita
http://nadadeordinario.blogspot.com/2008/09/lampiomaria-bonita-e-um-monte-de.html acesso em 02/11/2010
É inevitável a emoção ao adentrarmos nos poemas que falam da história da
nossa terra, principalmente os do poeta Edson Barreto, particularmente um dos
poetas mais marcantes ao falar do surgimento e das transformações existentes na
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região, nos trazendo oportunidades de enxergar com outros olhos, as marcas e
registros de um povo, tornando visível a história dos nossos antepassados, além de
proporcionar uma viagem às peculiaridades locais.
Como disse o saudoso Dom Mário Zanetta, antes de partir para outra vida, na
apresentação do livro “Transformações...” de Edson José Barreto dos Anjos,
ressaltando a importância do poeta que tem seu papel de comunicar sentimentos,
sonhos, desilusões, engajamento e projetos de vida.
A respiração autêntica do jovem poeta nos faz perceber que os
valores do espírito, a comunicação profunda do ser, a problemática
desafiadora da vida são chamados que devemos perceber, valorizar
e assumir.
(ZANETTA- D.Mário – Bispo da Diocese de Paulo Afonso. Agosto/88)
No poema Paulo Afonso, cidade luz do sertão, perfeitamente elaborado,
contém as informações necessárias para um estudo sobre o surgimento da cidade
sem necessitar de muitas fontes, em que, o poeta revela a história dos
desbravadores, dos monumentos e da importância de nossa região, arrancando
aplausos de quem os lê.
PAULO AFONSO, CIDADE LUZ DO SERTÃO
Cidade sol, cidade água, cidade vida, cidade luz.
Início do Século XVII, Garcia D’ávila
Desbrava o Rio São Francisco e chega
Numa terra de encantos e cantos.
Em 1725, Paulo de Viveiros Afonso
Recebeu uma sesmaria que abrangia
As terras da Cachoeira conhecida
Pelo nome de Sumidouro.
O iluminado Delmiro Gouveia, em 1913,
Iluminou sua indústria têxtil
Com a Usina de Angiquinho,
A primeira do Nordeste do Brasil.
O presidente Getúlio Vargas assinou decreto
Autorizando o funcionamento da
Companhia Hidroelétrica do São Francisco, 1948.
De um parto imorredouro, em 1958, a mãe Glória
Dá à luz, nasce o município de Paulo Afonso,
De autoria paterna de Abel Barbosa.
Oásis do Sertão, Redenção do Nordeste,
Capital da Energia, Cidade Luz do Sertão,
Paulo Afonso do Raso da Catarina,
Terra de mulheres bonitas, mulheres rendeiras
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Que ousaram sua época e puseram as
Vestes do cangaço, desafiando as volantes e o governo,
Acorda, Maria Bonita de Lampião,
Oche, Lídia de Zé Baiano, eita, Otília dos Poços,
Lili do Juá... O dia já tá raiando e a
Polícia já tá de pé. Hora de fazer o café e partir.
Velho Chico das águas tantas
Que tontas formam cachoeiras
Ecoando na imensidão de cânyons e grotões.
Paulo Afonso, cidade do futuro,
De São Francisco de Assis, da Praça das Mangueiras,
Do touro que desafia a sucuri, da mulher
Que adestra o cavalo, do marteleteiro da Praça
Trabalhador.
Paulo Afonso da Bahia e do Brasil,
Terra em que Castro Alves empunha a lira
Na Terra do Condor, condoreirismo romântico,
Na vigília da Cachoeira de tantos versos
A gritar que esta terra, Paulo Afonso, é
A cidade luz do sertão, do Brasil e do mundo.
(Edson Barreto, Arquivo Pessoal do autor)
do
Como se percebe, o autor tem verdadeira paixão pela terra que adotou,
transformando essa afetividade em versos, servindo de informações precisas sobre
a história deste município, de como seu nome surgiu e em que épocas
acontecimentos marcaram o lugarejo, pessoas extraordinárias como o “chefe Abel
Barbosa”, com sua proeza guerreira, é considerado o pai dessa grande conquista
democrática, indignado ao ver a cidade separada por um muro, de um lado ricos e
do outro, pobres, não mediu esforços, ousadia e arregaçou as mangas e lutou pelo
progresso da região e pela emancipação política de Paulo Afonso.
É através desse poema, que o poeta constrói a imagem de Paulo Afonso, em
meio a seus versos, ressaltando a importância desses heróis, transcendentais,
incluindo os monumentos que evidenciam a história dessa região, atrativos turísticos
que encantam e levam consigo um significado especial, da luta do homem, sua
inteligência, sua força, esculpidos nessas belas obras de arte, clamando a
importância dessa cidade luz, considerada a Redenção do Nordeste.
Diante desses fragmentos, a cidade luz do sertão, do Brasil e do mundo, com
tantas belezas, lutas e conquistas, torna-se difícil resumi-la em uma nota só, em um
só verso, ou em um só poema, mas o poeta consegue brincar com as palavras
fazendo ecoar a estilística, nascendo daí o belíssimo poema “Paulo Afonso só”.
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PAULO AFONSO SÓ
Paulo Afonso em uma nota só
Seria música.
Sertão, carro-de-boi, carne seca, sol.
Paulo Afonso em um só verso
Seria poema.
Glória, Santo Antônio, São Francisco, carranca.
Quanta estrada, quanta poeira, quanta água
Despencando da ribanceira.
Canyon, cachoeira, canoa, reza.
Uma cobra gigante serpenteia a cidade
Com um nome de santo, São Francisco
Da integração nacional, o rio.
Velho Chico, Cidade Luz, Capital da Energia, magia.
Paulo Afonso em um pingo de água só
Seria oceano.
Raso da Catarina, Belvedere, umbu, caatinga.
Paulo Afonso escrito em uma linha só
Seria enciclopédia.
Cassaco,muro de pedra, casebre, Poty.
A história é a mestra da vida
E fez pouso de boiadas no sol que
A brasa, seca e tonifica o sertanejo
De fibra, da fibra da coragem de luz.
Picareta, pá, dinamite, pedras.
Se somos todos pauloafonsinos
Somos tantos severinos bebendo a bebida
Da Redenção do Nordeste, energia, Bahia.
Pinga, farinha, surubim, pirão.
Paulo Afonso numa palavra só
Seria idioma
De muitos dialetos que se confundem
Na riqueza vocabular de nossa gente.
Assustado, abancar, casa de recurso, beroso
Oxente, licencia, vá puntá, armoço, arvoroço
Distrinchar, joiado, ponche, gabiru
Vá lá acolá, Agora vá pra dar uma dor.
Paulo Afonso de Paula, de Afonso, de Alonso
Casa Pesqueira, Pinguim, Suprave, Bom Preço.
Paulo Afonso de um canto só: Tapera.
Paulo Afonso de um aboio só: Sertão.
Paulo Afonso de uma mãe só: Glória.
Paulo Afonso de um pai só: Deus.
(Edson Barreto, Arquivo Pessoal do autor)
Como não deixar de reverenciar esse grande poeta, que expõe com tanta
intensidade seus sentimentos, suas críticas, embalando o leitor a seus poemas,
concretizando sua visão de mundo, utilizando de ferramentas lingüísticas, para
lapidar suas obras, afinando suas palavras, como se fosse um instrumento musical,
que toca e encanta nossos ouvidos, provocando um efeito espetacular, levando o
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leitor ao texto, revelando muitas vezes, seu estado de espírito e emocionando quem
o lê, não é por coincidência, que esse grande poeta romântico e lírico, carrega em
sua bagagem de conhecimentos uma lista de prêmios e condecorações, que fazem
parte da sua vida, com o orgulho cravado no peito, mas com uma humildade
exemplar, modelo de um verdadeiro cidadão de bem para um país, grande
educador, digno de aplausos e admirações.
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CONSIDERAÇÕES FINAIS
Neste presente trabalho de pesquisa, ficou claramente exposto através dos
versos poéticos, a importância da cidade de Paulo Afonso para todo o Nordeste
consagração e concretização de um sonho, luta que o homem cravou contra a força
da natureza em busca de seus ideais.
Portanto a escolha do tema surgiu espontaneamente ao sentir orgulho e
emoção a tudo que falam sobre esta terra maravilhosa, buscando promover uma
autoestima e valorização dos poetas da região, muitas vezes desconhecidos pela
própria população, cujo talento não pode ser camuflado, e sim publicado e
declamado.
Assim sendo, podemos resgatar as peculiaridades locais, expressando os
traços históricos com amplitude, muitas vezes esquecidos ou não conhecidos pela
população, ressaltando a cultura local, servindo como material relevante,
contribuindo para que outras pessoas possam identificar e catalogar os escritores e
poetas regionais com vias a investigar suas obras, caracterizando sua identidade
cultural.
No presente estudo, abordamos um caráter simbólico de uma comunidade
plêiade, em que demonstram uma sutileza lírica propondo ao leitor a questão do
imaginário, para perceber o espaço que está ao seu redor, o ambiente de convívio,
manifestando expressividade transcrita nos versos.
Neste trabalho também tentamos mostrar a importância da literatura como
forma de despertar no indivíduo, interesses relacionados ao âmbito social,
repassando conhecimentos e experiências capazes de servir como referência. A
literatura diversifica o modo de como se enxerga o mundo, provocando reações e
emoções diversas. A literatura é um resultado do trabalho humano, porque é
construída pelo próprio homem a partir de sua cultura e seus conhecimentos
servindo de instrumento para educação e formação do próprio ser.
Não é pretensão concluir, definitivamente, o presente trabalho, uma vez que
lacunas e/ou substituições sempre ficam. Uma coisa é certa, como primeira
tentativa, foi de muita importância para mim, um desafio construtivo e indissolúvel,
estudar a cidade de origem e os poetas desta região, é uma experiência única que
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motiva e estimula, de modo que, a cada trecho descoberto, aguçava cada vez o
aprofundamento da pesquisa, não diria que foi fácil, mas foi de um prazer
extraordinário, tentar colaborar com novas pesquisas e valorizar a cultura da cidade
de Paulo Afonso, adentrando na literatura e enfatizando a poesia de Edson José
Barreto dos Anjos, que foi objeto de estudo do presente trabalho monográfico, em
meio a tantos talentos que precisam de incentivo para trilhar esse mundo encantado
que é a poesia.
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REFERÊNCIAS
ANDRADE, Theófilo, Núcleo de civilização. O Jornal do Rio de Janeiro, Julho de
1969.
ANJOS, Edson José Barreto – Transformações... poesias – 1998.
Cachoeira de Paulo Afonso. Disponível em> http://www.1br.biz/s/papeis-deparede/natureza/cachoeiras-em-paulo-afonso---bahia-4632.html,
acessado
em
26/10/2010
GALDINO Antônio- MASCARENHAS Sávio – Paulo Afonso: de pouso de boiadas a
redenção do Nordeste. Paulo Afonso Editora Fonte Viva Novembro, 1995
Gêneros Literários. Disponível em>
http://spectrumgothic.com.br/literatura/gêneros.htm acesso em 05/11/2010.
GOLDSTEIN, Norma – Versos, Sons, Ritmos – 13º Edição, Série Princípios.
Editora Ática 2005.
Hidrelétrica de Paulo Afonso. Disponível em>
http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/governo-getulio-vargas/hidrelétrica-depaulo-afonso.php acesso em 27/10/2010
Lampião e Maria Bonita. Disponível em>
http://nadadeordinario.blogspot.com/2008/09/lampio-maria-bonita-e-um-montede.html acesso em 02/11/2010
LIMA, João de Sousa – Lampião em Paulo Afonso, 1º Ed. Paulo Afonso: Fonte
Viva,2003.
LIMA, João de Sousa – A trajetória Guerreira de Maria Bonita. 1º Ed.2005
Literatura Brasileira.Disponível em >
http://www.brasilescola.com/literatura/romantismo-no-Brasil.htm
05/11/2010
acesso
em
Maria Bonita. Disponível em>
http://nadadeordinario.blogspot.com/2008/09/lampio-maria-bonita-e-um-montede.html acesso em 02/11/2010
MOISÉS, Massaud – A Criação Lietrária – Poesia – 14º Edição, Editora Cultrix
2000.
O Touro e a Sucuri. Disponível em>
http://lafbr.wordpress.com/category/destinos/paulo-afonso/ acesso em 02/11/2010
RAMALHO, Jovelina Maria da Silva – Cadastro Cultural – Literário Poético de
Paulo Afonso- BA: Da poesia de Castro Alves do escritor pauloafonsino – Junho
2001.
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47
Teoria da Literatura. Disponível em>
http://recantodasletras.uol.com.br/teorialiteraria/254058 acesso em 05/11/2010
Usina Angiquinho Paulo Afonso. Disponível em>
http://lafbr.wordpress.com/category/destinos/paulo-afonso/ acesso em 02/11/2010
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48
ANEXOS 1
Premiações Literárias e Condecorações de Edson José Barreto dos
Anjos.
v
1981: Vencedor do Concurso de Poesias Tema/Campanha da
Fraternidade: Saúde para Todos. Miguel Calmon – BA. Poema: “Saúde para Todos”.
v
1985: Menção Honrosa no I I Festival da Música e Poesia da Cidade
de Jacobina. Jacobina – BA. Poema: “Silêncio”.
v
1985: Vencedor do I Festival da Poesia Romântica. Miguel Calmon –
BA. Poema: “Fim”.
v
1985: Vencedor do Concurso Livre de Redação para alunos do Colégio
Municipal Nossa Senhora da Conceição. Miguel Calmon – BA. Dissertação:
Natureza Morta.
v
1986: 2º colocado do I I Festival da Arte Livre da Escola Agrotécnica
Federal de Catu. Catu – BA. Poema: “Jesus” (em parceria com o poeta Oliveira’s).
v
1989: Vencedor do Concurso de Contos da VII Exposição do
Modernismo da Região de Paulo Afonso. Paulo Afonso – BA. Conto: “O Prefeito
Perfeito”.
v
1989: 2º Colocado do Concurso de Poesias da VII Exposição do
Modernismo da Região de Paulo Afonso. Paulo Afonso – BA. Poema: “O Colosso de
Paulo Afonso”.
v
1990: Vencedor do Concurso de Contos da VIII Exposição do
Modernismo da Região de Paulo Afonso. Paulo Afonso – BA. Conto: “A Promessa
da Não Promessa”.
v
1990: Vencedor do Concurso de Poesias da VIII Exposição do
Modernismo da Região de Paulo Afonso. Paulo Afonso – BA. Poema: “Portões”.
v
1990: 2º Colocado do Concurso Literário de Poesias Carlos Drummond
de Andrade. Salvador – BA. Promovido pela UNEB. Poema: “Portões”.
v
1991: Vencedor do Concurso de Contos da IX Exposição do
Modernismo da Região de Paulo Afonso. Paulo Afonso – BA. Conto: “A Sábia
Decisão”.
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49
v
1991: Vencedor do Concurso de Poesias da IX Exposição do
Modernismo da Região de Paulo Afonso (Categoria Júri Popular). Paulo Afonso –
BA. Poema: “Prisões”.
v
1992: 2º Colocado do Concurso de Contos da X Exposição do
Modernismo da Região de Paulo Afonso. Paulo Afonso – BA. Conto: “Contos e
Desencontros”.
v
1992: 2º Colocado do Concurso de Poesias (Categoria Júri Popular) da
X Exposição do Modernismo da Região de Paulo. Paulo Afonso – BA. Poema:
“Favelas”.
v
1993: Vencedor do Concurso de Contos da XI Exposição do
Modernismo da Região de Paulo Afonso. Paulo Afonso – BA. Conto: “Um Certo
Jesus”.
v
1993: Vencedor do Concurso de Poesias da XI Exposição do
Modernismo da Região de Paulo Afonso. Paulo Afonso – BA. Poema: “Teatro em
Branco e Preto”.
v
1993: 2º Colocado do Concurso de Poesias
da XI Exposição do
Modernismo da Região de Paulo Afonso (Categoria Júri Popular). Paulo Afonso –
BA. Poema: “Teatro em Branco e Preto”.
v
1994: 2º Colocado do Concurso de Contos da XII Exposição do
Modernismo da Região de Paulo Afonso. Paulo Afonso – BA. Conto: “Na Hora do
Troco”.
v
1994: Vencedor do Concurso de Poesias da XII Exposição do
Modernismo da Região de Paulo Afonso. Paulo Afonso – BA. Poemas: “Operários” e
o “Colosso de Paulo Afonso” (02 poemas classificados em 1º lugar).
v
1995: Vencedor do Concurso de Poesias 25 Anos do CIEPA. Paulo
Afonso –BA. Poema: “Ao CIEPA, Com Carinho!”.
v
1995: Vencedor do Concurso de Contos da XIII Exposição do
Modernismo da Região de Paulo Afonso. Paulo Afonso – BA. Conto: “O Homem da
Cruz”.
v
1995: Vencedor do Concurso de Poesias da XIII Exposição do
Modernismo da Região de Paulo Afonso. Paulo Afonso – BA. Poema: “A Cachoeira
de Paulo Afonso”.
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50
v
1996: Vencedor do Concurso de Contos da XIV Exposição do
Modernismo da Região de Paulo Afonso. Paulo Afonso – BA. Conto: “Páginas da
Fome”.
v
1996: Vencedor do Concurso de Poesias da XIV Exposição do
Modernismo da Região de Paulo Afonso. Paulo Afonso – BA. Poema: “Meninos de
Rua”.
v
1997: 2º Colocado do VII Concurso Regional de Poesias da Cidade de
Ipiaú. Ipiaú – BA. Poema: “Sem-Terras”.
v
1997: Vencedor do Concurso de Contos da XV Exposição do
Modernismo da Região de Paulo Afonso. Paulo Afonso – BA. Conto: “A Arte da
Longa Espera”.
v
1997: 2º Colocado do Concurso de Poesias da XV Exposição do
Modernismo da Região de Paulo Afonso. Paulo Afonso – BA. Poema: “Sem-Terras”.
v
1985: Condecorado com a Medalha Destaque em Comunicação,
outorgada pela Sociedade dos Amigos da Cidade de Miguel Calmon – BA.
v
1987: Condecorado com o Certificado “Artista Literário do Ano”,
conferido na I I Noite das Personalidades, Paulo Afonso-BA.
v
1992: Condecorado com a Medalha “Dez anos de Modernismo”,
outorgada pela Comissão Organizadora da Exposição do Modernismo da Região de
Paulo Afonso, Paulo Afonso – BA.
v
1995: Condecorado com a Medalha “25 Anos do CIEPALVF”, 1995,
Paulo Afonso – BA.
v
1998: Condecorado com a Placa de Poeta de Paulo Afonso (afixada na
Rua Monsenhor Magalhães), outorgada pela Comissão Organizadora da Exposição
do Modernismo da Região de Paulo Afonso, 1998, Paulo Afonso – BA.
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