Actividades Económicas 2.4. ACTIVIDADES ECONÓMICAS Os dias prósperos não vêm ao acaso; são granjeados, como as searas, com muita fadiga e com muitos intervalos de desalento. Camilo C. Branco Palavras-chave - Inovação Informação Conhecimento Impacto social • Curtas cadeias de valor • Crise financeira de empresas em sectores tradicionais • Fragmentação das explorações agrícolas e das estruturas organizativas dos produtores • Falhas nos sistemas de gestão ambiental (águas e resíduos sólidos) • Insuficiente pensamento e planeamento estratégico empresariais • Parque industrial com alguma dimensão, mas que atrai sobretudo actividades comerciais e de prestação de serviços • Sector dos serviços em franco desenvolvimento A novas formas de organização do trabalho As teorias relativas à sociedade pós-industrial salientam a ocorrência de uma transformação radical da estrutura do emprego e das profissões. Trata-se de uma transformação que se manifesta no declínio dos empregos agrícola e industrial, no aumento dos empregos ligados à produção e prestação de serviços (com particular destaque para o sector da informação), no rápido aumento das profissões intelectuais, científicas e técnicas (que se tornam no núcleo central da nova estrutura de emprego), na redução drástica do peso dos trabalhadores não qualificados e dos empregados assalariados, e no aumento do trabalho independente. Assiste-se também, em paralelo, à divulgação de modalidades flexíveis de organização do trabalho e da empresa, ao desenvolvimento de novas formas organizacionais que visam a flexibilidade funcional, o envolvimento e o empenhamento dos trabalhadores, e a sua identificação com os objectivos da empresa – trata-se, aqui, da 80 Actividades Económicas tentativa de mobilização das competências dos trabalhadores, tendo em vista a resposta às exigências de flexibilidade, qualidade e inovação. Neste contexto, o conhecimento e a informação tornam-se variáveis económicas centrais, e, por conseguinte, fontes principais do “valor acrescentado”. A este propósito, Castells (1996) sugere a emergência de uma sociedade-rede, como um dos componentes essenciais da sociedade fundada na informação e no conhecimento. Dados Sectoriais “O Plano de Desenvolvimento Estratégico do Concelho da Sertã elege como principais eixos de desenvolvimento concelhio o turismo e a floresta”. Comecemos por analisar os dados relativos às Actividades Económicas nos Concelhos limítrofes da Sertã que têm servido de base ao estudo da região, Ferreira do Zêzere, Figueiró dos Vinhos, Mação, Oleiros, Pampilhosa da Serra, Pedrógão Grande, Proença-a-Nova e Vila de Rei (cf. Quadro 4.1.). QUADRO 4.1. Caracterização das sociedades sedeadas na região em 31 de Dezembro de 2001 No sector primário, o peso das sociedades sedeadas é de 3,8% para a Sertã, em contraponto com os 11,1% da Pampilhosa da Serra. Exceptuando os concelhos de Proença-a-Nova e Pedrógão Grande, nos Concelhos em análise o sector primário tem um peso superior ao verificado para a realidade portuguesa, que é de 2,8%, e para a região Centro, que é de 3,5%. 81 Actividades Económicas No sector secundário, o peso das sociedades sedeadas nestes concelhos, varia entre 26,2% para o concelho de Figueiró dos Vinhos e 45,5% para Ferreira do Zêzere, valores que regra geral estão acima do peso do sector secundário em Portugal (26,4%) e na região Centro (31,1%). O sector secundário detém em média cerca de 50% das empresas sediadas nestes Concelhos, sendo o comércio a maior componente deste sector. O peso das sociedades sedeadas no sector terciário varia entre 44,0% para o Concelho de Ferreira do Zêzere e 68,5% para o Concelho de Pedrógão Grande, valores todos abaixo da realidade portuguesa (70,8%), mas acima da realidade da região Centro (65,5%) nos casos de Pedrógão Grande e Sertã. Especificamente no Concelho da Sertã, o Sector Terciário emprega mais de metade da população empregada, seguido do Sector Secundário com cerca de 30%, e por fim o Sector Primário com cerca de 20% (cf. Figura 4.1.). Figura 4.1. Distribuição da população empregada do Concelho da Sertã por sector de actividade [Fonte: INE, 2001] A população empregada no Sector Terciário (já por si elevada) apresenta uma tendência de crescimento muito acentuada, passando de 25% em 1981 para 51% em 2001. No que diz respeito ao Sector Secundário, este teve um crescimento ligeiro quando comparado com o Terciário, passando de 25% em 1981 para 32% em 2001. Estes crescimentos têm sido suportados pela perda de população empregada no Sector Primário que passou de 50% em 1981 para 17% em 2001 (cf. Figura 4.2.). Das 380 sociedades com sede no Concelho, 65% pertencem ao Sector Terciário. O Sector Primário, apesar de empregar cerca de 17% da população activa, representa apenas 4% do total de sociedades sedeadas (cf. Figura 4.3.). 82 Actividades Económicas Figura 4.2. Evolução da população empregada do Concelho da Sertã por sector de actividade entre 1981 e 2001 [Fonte: INE] 4% Sociedades do Sector Primário 31% Sociedades do Sector Secundário 65% Sociedades do Sector Terciário Figura 4.3. Distribuição das sociedades com sede no Concelho da Sertã por sector de actividade [Fonte: INE, 2002] O Quadro 4.2. caracteriza as Empresas e Sociedades do Concelho de acordo com o CAE e em função do pessoal ao serviço e do volume de vendas em 2002. 83 Actividades Económicas QUADRO 4.2. Empresas e Sociedades sedeadas no Concelho da Sertã em 2002 [Fonte: INE] CAE (REV2) Agricultura, produção animal, caça, silvicultura e pesca Volume de Empresas Sociedades Pessoal ao vendas das com sede com sede serviço nas sociedades no no sociedades (milhares concelho concelho de euros) 275 14 68 5090 0 0 0 0 163 64 790 46071 0 0 0 0 Construção 327 53 320 12010 Comércio por grosso e a retalho, rep. de veículos automóveis, motociclos e de bens de uso pessoal e doméstico 516 117 506 61636 148 29 122 3574 Transportes, armazenagens e comunicações 91 59 109 6597 Actividades financeiras 39 1 0 0 Actividades imobiliárias, alugueres e serviços prestados às empresas 67 23 35 963 Administração pública, defesa, segurança social obrigatória, educação, saúde, acção social e outras actividades de serviços colectivos, sociais e pessoais 57 20 0 0 1683 380 1950 135941 Índústrias extractivas Indústrias transformadoras Produção e distribuição de electricidade, de gás e de água Alojamento e restauração (restaurantes e similares) TOTAL Concretamente no que concerne ao volume de vendas das sociedades sedeadas no Concelho da Sertã, constata-se que o sector do Comércio apresenta um peso elevado (43.9%), seguido do sector da Industria Transformadora (32.8%) e da Construção (8.6%) (cf. Figura 4.4.). 84 Actividades Económicas Figura 4.4. Distribuição do volume de vendas das sociedades sedeadas no Concelho da Sertã por tipo de actividade [Fonte: INE, 2002] Poder de Compra O poder de compra de um cidadão, como reflexo da sua capacidade de satisfazer as necessidades de consumo, é um bom indicador do nível de vida das populações desta região. Medido pelo índice de poder de compra per capita, compara o poder de compra das regiões (por pessoa), com o poder de compra médio do país, a que foi atribuído o valor 100. O poder de compra da região varia entre 43% a 53% do poder de compra médio do país, o que é considerado muito baixo, não apenas comparativamente com a média nacional (que toma o valor 100), como comparado com a região do Centro e com a região com maior poder de compra do país (Grande Lisboa) (cf. Quadro 4.3.). Produto Interno Bruto Regional Um indicador frequentemente usado para medir o nível de desenvolvimento de um país ou de uma região é o PIB (Produto Interno Bruto) per capita, que nos indica a fatia média de Produto Interno Bruto ou do Rendimento que cabe a cada a habitante durante o período de um ano. O Banco Mundial utiliza o Gross National Income per capita (PIB per capita) para estabelecer o ranking de desenvolvimento dos países à escala mundial. A título meramente indicativo e porque não existe informação a nível concelhio, analisamos o PIBR (Produto Interno Bruto Regional) per capita ao nível mais desagregado possível. Na região do Pinhal Interior Sul, onde se incluem a maioria dos Concelhos em análise, o PIB per capita em 2000 era de 7.000€, representando cerca de 62% do PIB per capita nacional e 76% do PIB per capita da Região Centro (cf. Quadro 4.4.). 85 Actividades Económicas QUADRO 4.3. Poder de compra – análise comparativa QUADRO 4.4. Produto Interno Bruto Regional – análise comparativa 86 Actividades Económicas A estas circunstâncias não são alheios o facto de a população activa, aquela que em geral tem maiores rendimentos, representar 34% a 41% da população total e o facto de na população com 15 ou mais anos de idade, o principal meio de vida ser a pensão de reforma, para cerca de 36% a 52% da população, sendo que só cerca de 33% a 43% da população tem como principal meio de vida os rendimentos do trabalho, e 13% a 21% da população vive à custa da família. Índice de Desenvolvimento Concelhio O desenvolvimento desta região, medido pelo índice de desenvolvimento concelhio, coloca estes Concelhos com valores entre 61% e 77% do índice médio de desenvolvimento português, sendo os factores demográficos e os factores de saúde e assistência social os que mais agravam esta situação, ao passo que os factores da educação, da cultura, do emprego, da actividade económica e dos rendimentos são factores que a melhoram (cf. Quadro 4.5). QUADRO 4.5. Índice de Desenvolvimento Concelhio – análise comparativa 87 Actividades Económicas Índice de Rendimento O índice de rendimento tem origem em indicadores referentes ao rendimento das populações, incluindo indivíduos economicamente activos, trabalhadores por conta de outrem e pensionistas, mercado monetário associado a particulares e parque automóvel. A óptica dominante desta medida é o rendimento e não o consumo. O índice de rendimento tem à cabeça o concelho de Lisboa que supera em 84,8% a média nacional. Ao nível concelhio, Figueiró dos Vinhos aparece como o primeiro Concelho entre os nove analisados, com um índice de 77,0, ainda assim 23% abaixo da média portuguesa. O concelho com pior índice de rendimento é o de Oleiros, com 62,5. A Sertã apresenta um índice de rendimento de 72,7, precisamente 27.3% abaixo da média nacional (cf. Quadro 4.6.). QUADRO 4.6. Índice de Rendimento – análise comparativa Sector Primário Associado a uma economia de subsistência de cariz essencialmente familiar, de auto-subsistência, mas expandido nas suas mais diversas vertentes para os campos do comércio e da indústria, o sector agrícola e florestal tem um peso considerável na Economia de toda a região e, em particular, do Concelho da Sertã. 88 Actividades Económicas A agricultura ocupa uma área considerável do Concelho, existindo à data do último Recenseamento Geral da Agricultura (1999), 2.528 explorações agrícolas (cf. Figura 4.5.) que ocupam uma área de 15.435 ha, que está dividida em superfície agrícola utilizada, matas e florestas sem culturas sob coberto (11.472 ha), superfície agrícola não utilizada (166ha). 4000 3000 2000 1000 0 1989 1999 Figura 4.5. Evolução do número total de explorações agrícolas do Concelho da Sertã entre 1989 e 1999 [Fonte: Recenseamento Geral da Agricultura – Centro, 1999] 11% a 23% das empresas da região estão sedeadas na actividade agrícola, empregando entre 1% e 15% da população activa, mas gerando um volume de vendas que varia entre 1% e 21% do volume total de vendas de todas as sociedade sedeadas. A superfície agrícola utilizada tem um peso menor na superfície total das explorações, que varia entre 13% e 46%, havendo, dentro desta, pesos diferenciados para as suas diferentes utilizações: as culturas permanentes, com percentagens de ocupação entre 55% e 87% da superfície agrícola utilizada; a terra arável com uma área de ocupação que varia entre 9% e 41% da superfície agrícola utilizada; e as pastagens que ocupam no máximo 11% da mesma superfície. A exploração da superfície agrícola utilizada é feita maioritariamente por conta própria – 95.9% do total das áreas de superfície agrícola utilizada – sendo o arrendamento ou outra forma de exploração quase inexistente, pelo que, segundo a natureza jurídica do produtor, a superfície agrícola utilizada é sobretudo explorada por produtores singulares autónomos (cf. Figura 4.6.). A maioria dos produtores singulares têm uma idade já avançada - cerca de 74,7% têm 55 anos ou mais, e 48,8% estão em idade de reforma, não havendo muitos jovens agricultores (cf. Figura 4.7.). 89 Actividades Económicas Figura 4.6. Distribuição da exploração da superfície agrícola no Concelho da Sertã Figura 4.7. Caracterização dos produtores singulares do Concelho da Sertã por faixa etária São maioritariamente produtores autónomos – no máximo existem 2,6% de produtores empresários – com um baixo nível de instrução (com o ensino básico encontramos cerca de 51,4% dos agricultores) e com uma formação profissional agrícola exclusivamente prática, não tendo frequentado ou completado qualquer curso nesta área. A sua dedicação à exploração agrícola é efectuada essencialmente a tempo parcial (cf. Figura 4.8.). Cerca de 28% dos produtores singulares têm actividades remuneradas exteriores à exploração agrícola que se tornam na sua principal actividade, trabalhando sobretudo no sector terciário, sector de onde provém a sua principal fonte de remuneração. Os produtores singulares que exercem outra actividade remunerada exterior à produção agrícola, fazem-no, em grande parte, como trabalhadores por conta de outrem (entre 51% e 69% dos produtores). No Concelho da Sertã não existem produtos agrícolas que estejam considerados como produtos de qualidade de origem denominada, no entanto verifica-se um elevado 90 Actividades Económicas potencial para que isto possa vir a acontecer, nomeadamente com a produção de aguardente, mel e ervas aromáticas. Figura 4.8. Caracterização dos produtores singulares do Concelho da Sertã por nível de escolaridade Pertencente ao Ministério da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas, reportando à Direcção Regional de Agricultura da Beira Interior, a Zona Agrária da Sertã dispõe de diversos serviços de apoio ao agricultor do Concelho. Estes serviços vão desde o apoio técnico, o serviço mais procurado, até ao recebimento e análise de propostas de financiamento de projectos agrícolas. O associativismo dos agricultores encontra-se representado no Concelho pela Cooperativa Agrícola do Zêzere e pela Cooperativa de Cernache de Bonjardim. Esta última encontra-se actualmente desactivada, mas é conhecida a intenção de retomar em breve a sua actividade. Apesar de se tratar de um Concelho com características marcadamente florestais, a dimensão reduzida das propriedades florestais aliada à falta de ordenamento e gestão das mesmas, levou ao surgimento no concelho de uma associação sem fins lucrativos Associação de Produtores Florestais e Agrícolas da Zona do Pinhal – APROFLORA. Esta associação tem como objectivo a exploração de propriedades florestais e agrícolas dos associados, desenvolvendo acções no âmbito da conservação e protecção das áreas florestais e agrícolas, nomeadamente vigilância e limpeza da floresta. Os incêndios florestais atingem, anualmente, quase todos os Concelhos da região, sendo alguns Municípios mais fustigados que outros. O número de ocorrências indica que a Sertã tem sido o Concelho mais atingido pelos incêndios, juntamente com Figueiró dos Vinhos e Pedrógão Grande. Contudo, uma vez que o número de ocorrências não é directamente proporcional à área ardida, verifica-se com alguma frequência que, em anos de vastas áreas ardidas, existe um baixo número de ocorrências, sinónimo da existência de incêndios com grandes proporções (cf. Figura 4.9.). 91 Actividades Económicas Figura 4.9. Evolução da área total ardida e do número de ocorrências de incêndios florestais no Concelho da Sertã entre 1985 e 2003 [Fonte: Direcção Geral dos Recursos Florestais, 2004] Se analisarmos a Figura 4.10, que apresenta a área ardida em 2003 em Portugal Continental, é possível verificar que a região da Sertã (assinalada com um círculo) foi particularmente fustigada por incêndios florestais, como o comprovam os números que a seguir se apresentam. Figura 4.10. Área ardida em Portugal Continental em 2003 [Fonte: Direcção Geral dos Recursos Florestais] 92 Actividades Económicas Os cinco Concelhos mais afectados ao longo do período 1985-2003, foram Mação, Oleiros, Proença-a-Nova, Sertã e Vila de Rei, com valores médios anuais de área ardida entre 1.442 e 2.351 ha. Com excepção dos anos de 1987 e 1992, para os quais não há dados disponíveis, durante aquele período de 19 anos, todos os anos a Sertã foi atingida por incêndios, sendo 1995 o ano no qual se registou o maior número de incêndios (126). O número total de ocorrências registadas pelos serviços foi de 972 ocorrências, o que em média se traduz em 51 ocorrências por ano (cf. Quadro 4.7.) QUADRO 4.7. Evolução do número de ocorrências de incêndios florestais na região entre 1985 e 2003 Relativamente à área total anual ardida, 1991 e 2003 foram os anos nos quais arderam maiores áreas (5.429,3 ha de povoamentos e 446,2 ha de matos, em 1991 e 14.584,4 ha de povoamentos e 520,3 ha de matos, em 2003), seguidos dos anos de 1986 (3.624,3 ha de povoamentos e 31,7 ha de matos) e 2002 (3.166,4 há e 99,4 ha, respectivamente). No ano 2001, os Concelhos em análise tinham ao serviço o número de bombeiros apresentado no Quadro 4.8. A Sertã, por ser o único dos Concelhos com duas corporações, tem o maior número de bombeiros dos nove Municípios. QUADRO 4.8. Número de bombeiros – análise comparativa 93 Actividades Económicas A mono-especificidade existente (ocupação dos solos claramente dominada pelos povoamentos florestais de Pinheiro Bravo) aumenta a vulnerabilidade da floresta do Concelho aos agentes bióticos e aos fogos florestais. No entanto, mais do que a existência de incêndios florestais, o que se revela efectivamente preocupante na análise dos dados apresentados é a sua frequência, que conduz a que os ecossistemas florestais não tenham capacidade de se auto-regenerarem entre os intervalos – demasiado curtos – de ocorrência de grandes incêndios. A indústria transformadora da madeira do Concelho assenta em unidades maioritariamente pequenas ou muito pequenas, que produzem produtos de baixo valor acrescentado e estão quase na íntegra dependentes da disponibilidade local de madeira de pinheiro bravo. Algumas micro, pequenas e médias empresas ligadas ao sector florestal poderão ter o seu futuro comprometido em consequência dos incêndios, sobretudo pela escassez de matéria-prima. Também as populações vêem uma importante fonte de rendimento e subsistência reduzida a cinzas, o que constitui um factor potenciador (ou mesmo agravante) de problemas sócio-económicos. No 2.º trimestre de 2006, foi aprovado o Plano Regional de Ordenamento Florestal (PROF), que define as directrizes de gestão e ordenamento florestal para o Distrito. A nível concelhio, o Município da Sertã elaborou também já em 2006 o Plano Operacional Municipal (POM) e encontra-se em fase de restruturação o Plano Municipal de Defesa da Floresta Contra Incêndios, documentos que visam a mobilização das entidades com competência no âmbito florestal e o planeamento estratégico e integrado de acções nesta área. A nível ambiental, estamos perante uma região que abastece de água mais de 95% da sua população – com excepção da Sertã que serve apenas 81% da população – sendo a grande parte da água abastecida pela rede pública consumida pela área residencial e pelos serviços. O peso da indústria no consumo de água varia entre 2% e 28%. O consumo de água por habitante está, em regra, abaixo das médias de consumo da região Centro (41m3/habitante/ano) e de Portugal (52m3/habitante/ano), com excepção do Concelho de Mação que ultrapassa os dois (82m3/habitante/ano). As indústrias da região não são grandes consumidoras de água (com excepção dos Concelhos de Pampilhosa da Serra e Mação), estando todas a consumir abaixo dos consumos médios das indústrias portuguesas e da região Centro. Nesta região ainda não se consegue efectuar o tratamento da totalidade das águas drenadas, havendo uma grande parte da população que não está servida. Os resíduos recicláveis são materiais que podem ser utilizados na fabricação de outros produtos e são colocados nos ecopontos segundo o sistema trifluxo (papel/cartão, plástico/metal e vidro). Apesar da recolha de resíduos sólidos urbanos (RSU) servir a 94 Actividades Económicas quase totalidade da população do Concelho (de resto, com excepção de Oleiros, que tem apenas 87% da população servida, todos os Concelhos limítrofes apresentam taxas superiores a 95%), tem um peso muito diminuto na área da recolha selectiva face ao total de resíduos recolhidos. Verifica-se, contudo, uma salutar tendência de aumento da sensibilização da população para a importância da reciclagem de RSU (cf. Figura 4.11). 3000 3100 Resíduos 3200 Recolha selectiva Figura 4.11. Caracterização da recolha de resíduos sólidos no Concelho da Sertã (em toneladas) em 2001 [Fonte: INE – Anuário Estatístico Região Centro 2002] Sector Secundário Actualmente, o concelho da Sertã encontra-se equipado com dois Parques Industriais, um na sede de Concelho e outro na vila de Cernache do Bonjardim. Situado a 50 metros do nó de ligação ao IC8, o Parque Industrial da Sertã (Parque Angelo Pedro Farinha) possui uma área total de 875 400 m2, dividida em 132 lotes de terreno, como resultado de um processo de expansão da área inicial, que contava apenas com 195 000 m2. Já o Parque Industrial de Cernache do Bonjardim, possui 26 lotes, distribuídos por um total de 187 200 m2 de área. A política de preços simbólicos dos terrenos, aliada às boas infra-estruturas e acessibilidades, fazem dos parques industriais da Sertã e de Cernache do Bonjardim o verdadeiro motor e alavanca do progresso do Concelho. Parque Industrial Angelo Pedro Farinha Dos 132 lotes que o compõem, o Parque Industrial da Sertã tem apenas 37 deles ocupados, perfazendo um total de 110ha (cf. Figura 4.12). Dispõe de arruamentos pavimentados, rede eléctrica, rede de esgotos, água potável, ETAR (a mesma que serve os efluentes domésticos da vila), rede telefónica e RDIS e Sistema de Recolha de Resíduos Sólidos. 95 Actividades Económicas Figura 4.12. Parque Industrial da Sertã Segundo a Agenda 21 Local do Concelho, em 2003, eram 23 as empresas instaladas nesta zona industrial: - 1 empresa de fabrico de máquinas agrícolas; - 6 empresas relacionadas com comercialização de peças ou reparação de automóveis; - 1 Indústria de climatização; - 1 fábrica de embalagens de plástico, vidro e derivados de papel; - 1 indústria transformadora de papel; 1 indústria têxtil; 4 empresas na área da construção civil e afins; 4 empresas na área das madeiras; 2 empresa de peças para maquinaria industrial; 1 centro de inspecções periódicas; - 1 oficina de mármores. Parque Industrial de Cernache do Bonjardim O Parque Industrial de Cernache de Bonjardim dispõe de 26 lotes ocupando uma área de 18ha, estando apenas 6 deles ocupados. Como acontece com o Parque Industrial da Sede de Concelho, também em Cernache do Bonjardim as empresas instaladas dispõem de arruamentos pavimentados, rede eléctrica, rede de esgotos, água potável, ETAR (a mesma que serve os efluentes domésticos da vila), rede telefónica e RDIS e Sistema de Recolha de Resíduos Sólidos. Segundo dados de 2003, as empresas sedeadas nesta zona industrial têm os seguintes ramos de actividade: - 1 indústria têxtil; 96 Actividades Económicas - 1 industria de estofos; 1 oficina automóvel; 1 indústria da construção civil; 1 indústria de fabricação e montagem de carroçarias; 1 indústria de transformação de madeiras. A Indústria Transformadora no Concelho Desagregando os diferentes tipos de indústria transformadora, no Concelho da Sertã sobressaem três tipos de indústria com maior número de empresas sedeadas, a alimentação, a metalúrgica e a madeira. Destas, a que mais cresceu foi a indústria metalúrgica, que passou de 9 empresas em 1995 para 42 empresas em 2002. Em contrapartida, a indústria alimentar perdeu mais de 30% do número de empresas sedeadas, caindo da primeira para a terceira posição no ranking por tipo de indústria (cf. Quadro 4.9.). QUADRO 4.9. Evolução do número de indústrias transformadoras sedeadas no Concelho da Sertã entre 1995 e 2002 [Fonte: INE] Tipo de Indústria Transformadora 1995 Ind. Alimentares, das bebidas e de tabaco 49 Ind. Textil 25 Ind. do couro e dos produtos do couro 0 Ind. da madeira, da cortiça e suas obras 39 Ind. de pasta de papel, cartão e afins: edição e impressão 5 Fabrico coque, prod. petrolíferos refinados e comb. nuclear 0 Fabrico de prod. Químicos e de fibras sintéticas ou artificiais 3 Fabrico de artigos de borracha e matérias plásticas 6 Fabrico de outros produtos minerais não metálicos 37 Ind. Metalúrgicas de base e de produtos metálicos 9 Fabrico de máquinas e equipamentos não especificados 0 Fabrico de equipamento eléctrico e de óptica 0 Fabrico de metal e de transporte 0 Ind. Transformadora não especificada 7 TOTAL 180 2002 Variação (%) 34 21 0 38 4 0 0 1 5 42 3 2 0 13 163 -30.6 -16.0 0.0 -2.6 -20.0 0.0 -100.0 -83.3 -86.5 366.7 0.0 85.7 -9.4 97 Actividades Económicas Em termos nacionais, a realidade é um pouco distinta, sendo as indústrias com maior número de empresas sedeadas, por ordem de importância, a indústria têxtil, a metalúrgica e a indústria transformadora não especificada. Estudo Sobre o Tecido Empresarial do Parque Industrial Angelo Pedro Farinha Apresentamos de seguida as principais conclusões de Estudo levado a cabo no Parque Industrial da Sertã no âmbito da concepção da Agenda 21 Local do Município (IPI, 2004). Por forma a avaliar o tecido empresarial sedeado naquele Parque foram realizados inquéritos a responsáveis de 16 empresas na zona. Dos resultados obtidos, destacam-se: - O número de sociedades por quotas é superior ao número de empresários em nome individual e sociedades unipessoais. Foram inquiridas 8 microempresas (entre 1 e 9 empregados), 7 pequenas empresas (entre 10 e 49 empregados) e 1 média empresa (entre 50 e 249 empregados) (cf. Quadro 4.10). Não existe no Parque Industrial qualquer grande empresa (com 250 ou mais empregados). QUADRO 4.10. Caracterização das empresas inquiridas em função do número de trabalhadores [Fonte: Agenda 21 Local] - As empresas situadas no Parque Industrial foram maioritariamente constituídas há mais de 10 anos (cf. Quadro 4.11.). QUADRO 4.11. Caracterização das empresas inquiridas em função da antiguidade [Fonte: Agenda 21 Local] 98 Actividades Económicas - Metade das empresas entrevistadas apresenta um volume de negócios que ultrapassa os 50.000€ mensais (cf. Quadro 4.12.). QUADRO 4.12. Caracterização das empresas inquiridas em função do volume de negócios mensal [Fonte: Agenda 21 Local] - A maioria dos empresários entrevistados considera ter o seu negócio com alguma estabilidade. - Em termos de recursos humanos, as idades dos colaboradores variam bastante. São maioritariamente de nacionalidade portuguesa e com um baixo nível de instrução. - No que diz respeito ao grau de modernização, as empresas possuem computador, e a maioria delas (15) utiliza-o para organização e controlo de produção. Contudo, apenas 7 das empresas utilizam computador na concepção dos produtos ou serviços (cf. Quadro 4.13). QUADRO 4.13. Caracterização das empresas inquiridas em função do grau de modernização [Fonte: Agenda 21 Local] 99 Actividades Económicas - A grande maioria das empresas possui ligação à Internet (14), e correio electrónico (14), no entanto, apenas uma parte delas (6), possui página na internet ou utiliza este meio para comprar (4) ou vender (1) produtos através de net. - Seis empresas afirmam possuir certificação de qualidade, mas geralmente esta diz respeito a certificação de produtos ou equipamentos. - A maioria das empresas revela uma preocupação a nível ambiental, incluindo a gestão e correcto reencaminhamento dos resíduos por si produzidos. - Os proprietários do sexo masculino estão largamente em maioria (cf. Quadro 4.14). QUADRO 4.14. Caracterização das empresas inquiridas em função do sexo dos proprietários [Fonte: Agenda 21 Local] - Quase todas as empresas são geridas pelo proprietário, à excepção de duas que são geridas por colaboradores contratados para o efeito. - Os proprietários pertencem maioritariamente ao grupo etário entre os 45 e 54 anos. Não há grande peso de jovens empresários, existindo apenas um empresário com idade inferior a 34 anos (cf. Quadro 4.15). QUADRO 4.15. Caracterização das empresas inquiridas em função do grupo etário dos proprietários [Fonte: Agenda 21 Local] - O grau de instrução dos proprietários não é elevado: apesar de nenhum dos inquiridos possuir uma escolaridade abaixo do 4º ano, apenas um proprietário possui bacharelato (embora seja dono de duas das empresas inquiridas) e um outro licenciatura (em gestão de empresas) (cf. Quadro 4.16.). 100 Actividades Económicas QUADRO 4.16. Caracterização das empresas inquiridas em função do grau de instrução dos proprietários [Fonte: Agenda 21 Local] - A grande maioria dos empresários tem a sua carteira de clientes dentro do Concelho. Apenas 5 empresas admitem ter clientes por todo o país e somente 2 trabalham com clientes no estrangeiro. “Empresas... Veículos sociais por excelência” Enquanto tal, as empresas necessitam de um propósito, a função objectivo da empresa, um desígnio abrangente que não se reduza à mera satisfação dos cliente e dos proprietários. Como afirmam Mintzberg e cols. (2002), as empresas não podem sofrer do “síndrome de glorificação do egoísmo”, que aquele autor define como o sacrifício da responsabilidade social em detrimento do valor para o “shareholder”. A responsabilidade social da empresa pode ser definida como a noção de que as empresas têm uma obrigação para com os grupos constituintes da sociedade. As empresas, enquanto verdadeiros veículos sociais, devem justificar a sua existência com a sua contribuição para a sociedade. O que se pretende sublinhar com esta afirmação é que qualquer decisão da empresa tem impacto social, pelo que os critérios de distribuição da propriedade da empresa devem deslocar-se dos fenómenos de fornecimento passivo de capital ao accionista para o desempenho social e intelectual conducente a uma vantagem competitiva (António, 2006). Neste contexto, a noção de stakeholder (ou agente social) assume particular relevância, na medida em que a empresa deve considerar nas suas políticas de gestão todos os grupos ou indivíduos que podem afectar ou são afectados pela realização dos objectivos da organização. Consequentemente, a empresa deve ser compreendida no seu meio envolvente, alargando a visão da gestão sobre o seu papel e responsabilidades, para além da sua função de maximização dos lucros para o detentor da propriedade e/ou do capital. 101 Actividades Económicas Os resultados do Estudo levado a cabo no Parque Industrial Angelo Pedro Farinha permitem-nos concluir que a noção de responsabilidade social da empresa ou a concepção daquela enquanto um veículo social não se encontra enraizada nos proprietários das empresas sedeadas no Concelho. Para além dos baixos níveis de instrução quer de empresários quer de colaboradores, verifica-se uma reduzida preocupação com o impacto social da actividade da empresa em áreas tão diversificadas como o ambiente, a qualidade ou a solidariedade. Iniciativas ou actividades nestas áreas surgem apenas quando impostas legislativamente, de que constituem exemplo as certificações de qualidade, que quase nunca envolvem os trabalhadores e poucas vezes partem de iniciativa autónoma dos empresários. A tudo isto associa-se ainda uma fraca aposta nas Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) e nos processos de Inovação e Desenvolvimento, o que acentua a dificuldade destas empresas, nos seus moldes actuais, em entrarem na “sociedade do conhecimento”, tal como é definida por Drucker (2001), aspecto fundamental para que possam competir num mercado exigente como o actual. Sector Terciário Comércio O comércio local caracteriza-se por pequenos estabelecimentos, geralmente a cargo apenas do proprietário ou familiares. Existem ainda duas médias superfícies na Sede de Concelho, pelo que o leque de ofertas é diversificado, estando todos os bens essenciais ao dispor dos habitantes do Concelho na vila da Sertã. Nas restantes localidades, sobretudo nos meios de menor dimensão, a variedade de oferta escasseia, resumindo-se a pequenos cafés e mercearias. Bancos Existem no Concelho representações de várias entidades bancárias, designadamente: - Caixa Geral de Depósitos; - Montepio Geral; - Millennium BCP; - Banco Espírito Santo; - Caixa Agrícola; - Totta; 102 Actividades Económicas Banco Português de Negócios Os primeiros quatro possuem representações apenas na Sertã, enquanto os dois últimos têm balcão em Cernache do Bonjardim. Apenas a Caixa Agrícola possui - representação nas duas vilas do Concelho. A Figura 4.13. permite constatar a duplicação do número de balcões existentes no Concelho entre 1996 e 2002, de 4 para 8 representações. 8 6 4 2 0 1996 2002 Figura 4.13. Evolução do número de representações bancárias no Concelho da Sertã entre 1996 e 2002 [Fonte: INE] Segundo o INE, em 2002, os montantes de depósitos nas representações concelhias daqueles Bancos atingiram os 116 milhões de euros, tendo o crédito concedido atingido valores na ordem dos 129 milhões de euros. Turismo O Concelho da Sertã dispõe de 4 estabelecimentos hoteleiros que, em 2001, possuíam capacidade de alojamento para 166 hóspedes, assegurada por 100 quartos. A estada média dos hóspedes nos estabelecimentos hoteleiros do concelho foi, no ano em causa, de 1.6 noites, totalizando 8.154 hóspedes e 13.136 dormidas, tendo a taxa de ocupação sido de 24% nesse ano. A capacidade de alojamento vem vindo a registar uma tendência de crescimento, dos 122 hóspedes, em 1996, para os 210 hóspedes, em 2002. A subida no número de dormidas, não sendo proporcional, também é significativa, das 10 820 dormidas registadas em 1996, para as 14 591, em 2002. 103 Actividades Económicas 250 200 150 100 50 0 1996 2001 2002 Figura 4.14. Evolução da capacidade de alojamento total no Concelho da Sertã entre 1996 e 2002 [Fonte: INE] O turista encontra na Casa dos Espectáculos e da Cultura um Posto de Turismo onde pode encontrar informação diversa neste âmbito, designadamente panfletos turísticos e roteiros do Concelho. O alojamento dos visitantes é assegurado por estabelecimentos de várias naturezas, que conferem um leque variado de ofertas, entre as quais se destacam: Albergue Bonjardim Tipo: Turismo Rural Local: Nesperal – Sertã Web: www.albergue-do-bonjardim.com Estalagem Vale da Ursa Tipo: Hotel Rural Local: Vale da Ursa – Cernache do Bonjardim - Sertã Web: www.hotelvaledaursa.com Quinta de Santa Teresinha Tipo: Turismo Rural Local: Cabeçudo - Sertã Web: www.s-m.pt Quinta dos Farinhas Tipo: Turismo de Habitação Local: Cernache do Bonjardim - Sertã Web: www.quintadosfarinhas.com 104 Actividades Económicas Residencial Lar Verde Tipo: Residencial Local: Sertã Web: www.residenciallarverde.pa-net.pt Residencial Princesa do Zêzere Tipo: Residencial Local: Pedrógão Pequeno - Sertã Residencial D. Nuno Tipo: Residencial Local: Cernache do Bonjardim - Sertã 105