Actividades Económicas
2.4. ACTIVIDADES ECONÓMICAS
Os dias prósperos não vêm ao acaso; são granjeados, como as searas, com muita
fadiga e com muitos intervalos de desalento.
Camilo C. Branco
Palavras-chave
-
Inovação
Informação
Conhecimento
Impacto social
•
Curtas cadeias de valor
•
Crise financeira de empresas em sectores tradicionais
•
Fragmentação das explorações agrícolas e das estruturas organizativas dos
produtores
•
Falhas nos sistemas de gestão ambiental (águas e resíduos sólidos)
•
Insuficiente pensamento e planeamento estratégico empresariais
•
Parque industrial com alguma dimensão, mas que atrai sobretudo actividades
comerciais e de prestação de serviços
•
Sector dos serviços em franco desenvolvimento
A novas formas de organização do trabalho
As teorias relativas à sociedade pós-industrial salientam a ocorrência de uma
transformação radical da estrutura do emprego e das profissões. Trata-se de uma
transformação que se manifesta no declínio dos empregos agrícola e industrial, no
aumento dos empregos ligados à produção e prestação de serviços (com particular
destaque para o sector da informação), no rápido aumento das profissões intelectuais,
científicas e técnicas (que se tornam no núcleo central da nova estrutura de emprego), na
redução drástica do peso dos trabalhadores não qualificados e dos empregados
assalariados, e no aumento do trabalho independente.
Assiste-se também, em paralelo, à divulgação de modalidades flexíveis de
organização do trabalho e da empresa, ao desenvolvimento de novas formas
organizacionais que visam a flexibilidade funcional, o envolvimento e o empenhamento
dos trabalhadores, e a sua identificação com os objectivos da empresa – trata-se, aqui, da
80
Actividades Económicas
tentativa de mobilização das competências dos trabalhadores, tendo em vista a resposta
às exigências de flexibilidade, qualidade e inovação.
Neste contexto, o conhecimento e a informação tornam-se variáveis económicas
centrais, e, por conseguinte, fontes principais do “valor acrescentado”. A este propósito,
Castells (1996) sugere a emergência de uma sociedade-rede, como um dos componentes
essenciais da sociedade fundada na informação e no conhecimento.
Dados Sectoriais
“O Plano de Desenvolvimento Estratégico do Concelho da Sertã elege como principais
eixos de desenvolvimento concelhio o turismo e a floresta”.
Comecemos por analisar os dados relativos às Actividades Económicas nos
Concelhos limítrofes da Sertã que têm servido de base ao estudo da região, Ferreira do
Zêzere, Figueiró dos Vinhos, Mação, Oleiros, Pampilhosa da Serra, Pedrógão Grande,
Proença-a-Nova e Vila de Rei (cf. Quadro 4.1.).
QUADRO 4.1.
Caracterização das sociedades sedeadas na região em 31 de Dezembro de 2001
No sector primário, o peso das sociedades sedeadas é de 3,8% para a Sertã, em
contraponto com os 11,1% da Pampilhosa da Serra. Exceptuando os concelhos de
Proença-a-Nova e Pedrógão Grande, nos Concelhos em análise o sector primário tem um
peso superior ao verificado para a realidade portuguesa, que é de 2,8%, e para a região
Centro, que é de 3,5%.
81
Actividades Económicas
No sector secundário, o peso das sociedades sedeadas nestes concelhos, varia
entre 26,2% para o concelho de Figueiró dos Vinhos e 45,5% para Ferreira do Zêzere,
valores que regra geral estão acima do peso do sector secundário em Portugal (26,4%) e
na região Centro (31,1%). O sector secundário detém em média cerca de 50% das
empresas sediadas nestes Concelhos, sendo o comércio a maior componente deste
sector.
O peso das sociedades sedeadas no sector terciário varia entre 44,0% para o
Concelho de Ferreira do Zêzere e 68,5% para o Concelho de Pedrógão Grande, valores
todos abaixo da realidade portuguesa (70,8%), mas acima da realidade da região Centro
(65,5%) nos casos de Pedrógão Grande e Sertã.
Especificamente no Concelho da Sertã, o Sector Terciário emprega mais de
metade da população empregada, seguido do Sector Secundário com cerca de 30%, e
por fim o Sector Primário com cerca de 20% (cf. Figura 4.1.).
Figura 4.1. Distribuição da população empregada do Concelho da Sertã por sector de actividade
[Fonte: INE, 2001]
A população empregada no Sector Terciário (já por si elevada) apresenta uma
tendência de crescimento muito acentuada, passando de 25% em 1981 para 51% em
2001. No que diz respeito ao Sector Secundário, este teve um crescimento ligeiro quando
comparado com o Terciário, passando de 25% em 1981 para 32% em 2001. Estes
crescimentos têm sido suportados pela perda de população empregada no Sector
Primário que passou de 50% em 1981 para 17% em 2001 (cf. Figura 4.2.).
Das 380 sociedades com sede no Concelho, 65% pertencem ao Sector Terciário.
O Sector Primário, apesar de empregar cerca de 17% da população activa, representa
apenas 4% do total de sociedades sedeadas (cf. Figura 4.3.).
82
Actividades Económicas
Figura 4.2. Evolução da população empregada do Concelho da Sertã por sector de actividade
entre 1981 e 2001 [Fonte: INE]
4%
Sociedades do Sector Primário
31%
Sociedades do Sector
Secundário
65%
Sociedades do Sector
Terciário
Figura 4.3. Distribuição das sociedades com sede no Concelho da Sertã por sector de actividade
[Fonte: INE, 2002]
O Quadro 4.2. caracteriza as Empresas e Sociedades do Concelho de acordo com
o CAE e em função do pessoal ao serviço e do volume de vendas em 2002.
83
Actividades Económicas
QUADRO 4.2.
Empresas e Sociedades sedeadas no Concelho da Sertã em 2002 [Fonte: INE]
CAE (REV2)
Agricultura, produção animal, caça,
silvicultura e pesca
Volume de
Empresas Sociedades
Pessoal ao vendas das
com sede com sede
serviço nas sociedades
no
no
sociedades (milhares
concelho concelho
de euros)
275
14
68
5090
0
0
0
0
163
64
790
46071
0
0
0
0
Construção
327
53
320
12010
Comércio por grosso e a retalho, rep. de
veículos automóveis, motociclos e de bens
de uso pessoal e doméstico
516
117
506
61636
148
29
122
3574
Transportes, armazenagens e
comunicações
91
59
109
6597
Actividades financeiras
39
1
0
0
Actividades imobiliárias, alugueres e
serviços prestados às empresas
67
23
35
963
Administração pública, defesa, segurança
social obrigatória, educação, saúde, acção
social e outras actividades de serviços
colectivos, sociais e pessoais
57
20
0
0
1683
380
1950
135941
Índústrias extractivas
Indústrias transformadoras
Produção e distribuição de electricidade, de
gás e de água
Alojamento e restauração (restaurantes e
similares)
TOTAL
Concretamente no que concerne ao volume de vendas das sociedades sedeadas
no Concelho da Sertã, constata-se que o sector do Comércio apresenta um peso elevado
(43.9%), seguido do sector da Industria Transformadora (32.8%) e da Construção (8.6%)
(cf. Figura 4.4.).
84
Actividades Económicas
Figura 4.4. Distribuição do volume de vendas das sociedades sedeadas no Concelho da Sertã por
tipo de actividade [Fonte: INE, 2002]
Poder de Compra
O poder de compra de um cidadão, como reflexo da sua capacidade de satisfazer
as necessidades de consumo, é um bom indicador do nível de vida das populações desta
região. Medido pelo índice de poder de compra per capita, compara o poder de compra
das regiões (por pessoa), com o poder de compra médio do país, a que foi atribuído o
valor 100.
O poder de compra da região varia entre 43% a 53% do poder de compra médio
do país, o que é considerado muito baixo, não apenas comparativamente com a média
nacional (que toma o valor 100), como comparado com a região do Centro e com a região
com maior poder de compra do país (Grande Lisboa) (cf. Quadro 4.3.).
Produto Interno Bruto Regional
Um indicador frequentemente usado para medir o nível de desenvolvimento de um
país ou de uma região é o PIB (Produto Interno Bruto) per capita, que nos indica a fatia
média de Produto Interno Bruto ou do Rendimento que cabe a cada a habitante durante o
período de um ano. O Banco Mundial utiliza o Gross National Income per capita (PIB per
capita) para estabelecer o ranking de desenvolvimento dos países à escala mundial.
A título meramente indicativo e porque não existe informação a nível concelhio,
analisamos o PIBR (Produto Interno Bruto Regional) per capita ao nível mais
desagregado possível. Na região do Pinhal Interior Sul, onde se incluem a maioria dos
Concelhos em análise, o PIB per capita em 2000 era de 7.000€, representando cerca de
62% do PIB per capita nacional e 76% do PIB per capita da Região Centro (cf. Quadro
4.4.).
85
Actividades Económicas
QUADRO 4.3.
Poder de compra – análise comparativa
QUADRO 4.4.
Produto Interno Bruto Regional – análise comparativa
86
Actividades Económicas
A estas circunstâncias não são alheios o facto de a população activa, aquela que
em geral tem maiores rendimentos, representar 34% a 41% da população total e o facto
de na população com 15 ou mais anos de idade, o principal meio de vida ser a pensão de
reforma, para cerca de 36% a 52% da população, sendo que só cerca de 33% a 43% da
população tem como principal meio de vida os rendimentos do trabalho, e 13% a 21% da
população vive à custa da família.
Índice de Desenvolvimento Concelhio
O desenvolvimento desta região, medido pelo índice de desenvolvimento
concelhio, coloca estes Concelhos com valores entre 61% e 77% do índice médio de
desenvolvimento português, sendo os factores demográficos e os factores de saúde e
assistência social os que mais agravam esta situação, ao passo que os factores da
educação, da cultura, do emprego, da actividade económica e dos rendimentos são
factores que a melhoram (cf. Quadro 4.5).
QUADRO 4.5.
Índice de Desenvolvimento Concelhio – análise comparativa
87
Actividades Económicas
Índice de Rendimento
O índice de rendimento tem origem em indicadores referentes ao rendimento das
populações, incluindo indivíduos economicamente activos, trabalhadores por conta de
outrem e pensionistas, mercado monetário associado a particulares e parque automóvel.
A óptica dominante desta medida é o rendimento e não o consumo.
O índice de rendimento tem à cabeça o concelho de Lisboa que supera em 84,8%
a média nacional. Ao nível concelhio, Figueiró dos Vinhos aparece como o primeiro
Concelho entre os nove analisados, com um índice de 77,0, ainda assim 23% abaixo da
média portuguesa. O concelho com pior índice de rendimento é o de Oleiros, com 62,5. A
Sertã apresenta um índice de rendimento de 72,7, precisamente 27.3% abaixo da média
nacional (cf. Quadro 4.6.).
QUADRO 4.6.
Índice de Rendimento – análise comparativa
Sector Primário
Associado a uma economia de subsistência de cariz essencialmente familiar, de
auto-subsistência, mas expandido nas suas mais diversas vertentes para os campos do
comércio e da indústria, o sector agrícola e florestal tem um peso considerável na
Economia de toda a região e, em particular, do Concelho da Sertã.
88
Actividades Económicas
A agricultura ocupa uma área considerável do Concelho, existindo à data do último
Recenseamento Geral da Agricultura (1999), 2.528 explorações agrícolas (cf. Figura 4.5.)
que ocupam uma área de 15.435 ha, que está dividida em superfície agrícola utilizada,
matas e florestas sem culturas sob coberto (11.472 ha), superfície agrícola não utilizada
(166ha).
4000
3000
2000
1000
0
1989
1999
Figura 4.5. Evolução do número total de explorações agrícolas do Concelho da Sertã entre 1989 e
1999 [Fonte: Recenseamento Geral da Agricultura – Centro, 1999]
11% a 23% das empresas da região estão sedeadas na actividade agrícola,
empregando entre 1% e 15% da população activa, mas gerando um volume de vendas
que varia entre 1% e 21% do volume total de vendas de todas as sociedade sedeadas.
A superfície agrícola utilizada tem um peso menor na superfície total das
explorações, que varia entre 13% e 46%, havendo, dentro desta, pesos diferenciados
para as suas diferentes utilizações: as culturas permanentes, com percentagens de
ocupação entre 55% e 87% da superfície agrícola utilizada; a terra arável com uma área
de ocupação que varia entre 9% e 41% da superfície agrícola utilizada; e as pastagens
que ocupam no máximo 11% da mesma superfície.
A exploração da superfície agrícola utilizada é feita maioritariamente por conta
própria – 95.9% do total das áreas de superfície agrícola utilizada – sendo o
arrendamento ou outra forma de exploração quase inexistente, pelo que, segundo a
natureza jurídica do produtor, a superfície agrícola utilizada é sobretudo explorada por
produtores singulares autónomos (cf. Figura 4.6.).
A maioria dos produtores singulares têm uma idade já avançada - cerca de 74,7%
têm 55 anos ou mais, e 48,8% estão em idade de reforma, não havendo muitos jovens
agricultores (cf. Figura 4.7.).
89
Actividades Económicas
Figura 4.6. Distribuição da exploração da superfície agrícola no Concelho da Sertã
Figura 4.7. Caracterização dos produtores singulares do Concelho da Sertã por faixa etária
São maioritariamente produtores autónomos – no máximo existem 2,6% de
produtores empresários – com um baixo nível de instrução (com o ensino básico
encontramos cerca de 51,4% dos agricultores) e com uma formação profissional agrícola
exclusivamente prática, não tendo frequentado ou completado qualquer curso nesta área.
A sua dedicação à exploração agrícola é efectuada essencialmente a tempo parcial (cf.
Figura 4.8.).
Cerca de 28% dos produtores singulares têm actividades remuneradas exteriores
à exploração agrícola que se tornam na sua principal actividade, trabalhando sobretudo
no sector terciário, sector de onde provém a sua principal fonte de remuneração. Os
produtores singulares que exercem outra actividade remunerada exterior à produção
agrícola, fazem-no, em grande parte, como trabalhadores por conta de outrem (entre 51%
e 69% dos produtores).
No Concelho da Sertã não existem produtos agrícolas que estejam considerados
como produtos de qualidade de origem denominada, no entanto verifica-se um elevado
90
Actividades Económicas
potencial para que isto possa vir a acontecer, nomeadamente com a produção de
aguardente, mel e ervas aromáticas.
Figura 4.8. Caracterização dos produtores singulares do Concelho da Sertã por nível de
escolaridade
Pertencente ao Ministério da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas,
reportando à Direcção Regional de Agricultura da Beira Interior, a Zona Agrária da Sertã
dispõe de diversos serviços de apoio ao agricultor do Concelho. Estes serviços vão desde
o apoio técnico, o serviço mais procurado, até ao recebimento e análise de propostas de
financiamento de projectos agrícolas.
O associativismo dos agricultores encontra-se representado no Concelho pela
Cooperativa Agrícola do Zêzere e pela Cooperativa de Cernache de Bonjardim. Esta
última encontra-se actualmente desactivada, mas é conhecida a intenção de retomar em
breve a sua actividade.
Apesar de se tratar de um Concelho com características marcadamente florestais,
a dimensão reduzida das propriedades florestais aliada à falta de ordenamento e gestão
das mesmas, levou ao surgimento no concelho de uma associação sem fins lucrativos Associação de Produtores Florestais e Agrícolas da Zona do Pinhal – APROFLORA. Esta
associação tem como objectivo a exploração de propriedades florestais e agrícolas dos
associados, desenvolvendo acções no âmbito da conservação e protecção das áreas
florestais e agrícolas, nomeadamente vigilância e limpeza da floresta.
Os incêndios florestais atingem, anualmente, quase todos os Concelhos da região,
sendo alguns Municípios mais fustigados que outros. O número de ocorrências indica que
a Sertã tem sido o Concelho mais atingido pelos incêndios, juntamente com Figueiró dos
Vinhos e Pedrógão Grande. Contudo, uma vez que o número de ocorrências não é
directamente proporcional à área ardida, verifica-se com alguma frequência que, em anos
de vastas áreas ardidas, existe um baixo número de ocorrências, sinónimo da existência
de incêndios com grandes proporções (cf. Figura 4.9.).
91
Actividades Económicas
Figura 4.9. Evolução da área total ardida e do número de ocorrências de incêndios florestais no
Concelho da Sertã entre 1985 e 2003 [Fonte: Direcção Geral dos Recursos Florestais, 2004]
Se analisarmos a Figura 4.10, que apresenta a área ardida em 2003 em Portugal
Continental, é possível verificar que a região da Sertã (assinalada com um círculo) foi
particularmente fustigada por incêndios florestais, como o comprovam os números que a
seguir se apresentam.
Figura 4.10. Área ardida em Portugal Continental em 2003 [Fonte: Direcção Geral dos Recursos
Florestais]
92
Actividades Económicas
Os cinco Concelhos mais afectados ao longo do período 1985-2003, foram Mação,
Oleiros, Proença-a-Nova, Sertã e Vila de Rei, com valores médios anuais de área ardida
entre 1.442 e 2.351 ha. Com excepção dos anos de 1987 e 1992, para os quais não há
dados disponíveis, durante aquele período de 19 anos, todos os anos a Sertã foi atingida
por incêndios, sendo 1995 o ano no qual se registou o maior número de incêndios (126).
O número total de ocorrências registadas pelos serviços foi de 972 ocorrências, o que em
média se traduz em 51 ocorrências por ano (cf. Quadro 4.7.)
QUADRO 4.7.
Evolução do número de ocorrências de incêndios florestais na região entre 1985 e
2003
Relativamente à área total anual ardida, 1991 e 2003 foram os anos nos quais
arderam maiores áreas (5.429,3 ha de povoamentos e 446,2 ha de matos, em 1991 e
14.584,4 ha de povoamentos e 520,3 ha de matos, em 2003), seguidos dos anos de 1986
(3.624,3 ha de povoamentos e 31,7 ha de matos) e 2002 (3.166,4 há e 99,4 ha,
respectivamente).
No ano 2001, os Concelhos em análise tinham ao serviço o número de bombeiros
apresentado no Quadro 4.8. A Sertã, por ser o único dos Concelhos com duas
corporações, tem o maior número de bombeiros dos nove Municípios.
QUADRO 4.8.
Número de bombeiros – análise comparativa
93
Actividades Económicas
A mono-especificidade existente (ocupação dos solos claramente dominada pelos
povoamentos florestais de Pinheiro Bravo) aumenta a vulnerabilidade da floresta do
Concelho aos agentes bióticos e aos fogos florestais. No entanto, mais do que a
existência de incêndios florestais, o que se revela efectivamente preocupante na análise
dos dados apresentados é a sua frequência, que conduz a que os ecossistemas florestais
não tenham capacidade de se auto-regenerarem entre os intervalos – demasiado curtos –
de ocorrência de grandes incêndios.
A indústria transformadora da madeira do Concelho assenta em unidades
maioritariamente pequenas ou muito pequenas, que produzem produtos de baixo valor
acrescentado e estão quase na íntegra dependentes da disponibilidade local de madeira
de pinheiro bravo. Algumas micro, pequenas e médias empresas ligadas ao sector
florestal poderão ter o seu futuro comprometido em consequência dos incêndios,
sobretudo pela escassez de matéria-prima. Também as populações vêem uma importante
fonte de rendimento e subsistência reduzida a cinzas, o que constitui um factor
potenciador (ou mesmo agravante) de problemas sócio-económicos.
No 2.º trimestre de 2006, foi aprovado o Plano Regional de Ordenamento Florestal
(PROF), que define as directrizes de gestão e ordenamento florestal para o Distrito. A
nível concelhio, o Município da Sertã elaborou também já em 2006 o Plano Operacional
Municipal (POM) e encontra-se em fase de restruturação o Plano Municipal de Defesa da
Floresta Contra Incêndios, documentos que visam a mobilização das entidades com
competência no âmbito florestal e o planeamento estratégico e integrado de acções nesta
área.
A nível ambiental, estamos perante uma região que abastece de água mais de
95% da sua população – com excepção da Sertã que serve apenas 81% da população –
sendo a grande parte da água abastecida pela rede pública consumida pela área
residencial e pelos serviços. O peso da indústria no consumo de água varia entre 2% e
28%.
O consumo de água por habitante está, em regra, abaixo das médias de consumo
da região Centro (41m3/habitante/ano) e de Portugal (52m3/habitante/ano), com excepção
do Concelho de Mação que ultrapassa os dois (82m3/habitante/ano).
As indústrias da região não são grandes consumidoras de água (com excepção
dos Concelhos de Pampilhosa da Serra e Mação), estando todas a consumir abaixo dos
consumos médios das indústrias portuguesas e da região Centro.
Nesta região ainda não se consegue efectuar o tratamento da totalidade das
águas drenadas, havendo uma grande parte da população que não está servida.
Os resíduos recicláveis são materiais que podem ser utilizados na fabricação de
outros produtos e são colocados nos ecopontos segundo o sistema trifluxo (papel/cartão,
plástico/metal e vidro). Apesar da recolha de resíduos sólidos urbanos (RSU) servir a
94
Actividades Económicas
quase totalidade da população do Concelho (de resto, com excepção de Oleiros, que tem
apenas 87% da população servida, todos os Concelhos limítrofes apresentam taxas
superiores a 95%), tem um peso muito diminuto na área da recolha selectiva face ao total
de resíduos recolhidos. Verifica-se, contudo, uma salutar tendência de aumento da
sensibilização da população para a importância da reciclagem de RSU (cf. Figura 4.11).
3000
3100
Resíduos
3200
Recolha selectiva
Figura 4.11. Caracterização da recolha de resíduos sólidos no Concelho da Sertã (em toneladas)
em 2001 [Fonte: INE – Anuário Estatístico Região Centro 2002]
Sector Secundário
Actualmente, o concelho da Sertã encontra-se equipado com dois Parques
Industriais, um na sede de Concelho e outro na vila de Cernache do Bonjardim. Situado a
50 metros do nó de ligação ao IC8, o Parque Industrial da Sertã (Parque Angelo Pedro
Farinha) possui uma área total de 875 400 m2, dividida em 132 lotes de terreno, como
resultado de um processo de expansão da área inicial, que contava apenas com 195 000
m2. Já o Parque Industrial de Cernache do Bonjardim, possui 26 lotes, distribuídos por um
total de 187 200 m2 de área.
A política de preços simbólicos dos terrenos, aliada às boas infra-estruturas e
acessibilidades, fazem dos parques industriais da Sertã e de Cernache do Bonjardim o
verdadeiro motor e alavanca do progresso do Concelho.
Parque Industrial Angelo Pedro Farinha
Dos 132 lotes que o compõem, o Parque Industrial da Sertã tem apenas 37 deles
ocupados, perfazendo um total de 110ha (cf. Figura 4.12). Dispõe de arruamentos
pavimentados, rede eléctrica, rede de esgotos, água potável, ETAR (a mesma que serve
os efluentes domésticos da vila), rede telefónica e RDIS e Sistema de Recolha de
Resíduos Sólidos.
95
Actividades Económicas
Figura 4.12. Parque Industrial da Sertã
Segundo a Agenda 21 Local do Concelho, em 2003, eram 23 as empresas
instaladas nesta zona industrial:
- 1 empresa de fabrico de máquinas agrícolas;
- 6 empresas relacionadas com comercialização de peças ou reparação de
automóveis;
- 1 Indústria de climatização;
- 1 fábrica de embalagens de plástico, vidro e derivados de papel;
-
1 indústria transformadora de papel;
1 indústria têxtil;
4 empresas na área da construção civil e afins;
4 empresas na área das madeiras;
2 empresa de peças para maquinaria industrial;
1 centro de inspecções periódicas;
-
1 oficina de mármores.
Parque Industrial de Cernache do Bonjardim
O Parque Industrial de Cernache de Bonjardim dispõe de 26 lotes ocupando uma
área de 18ha, estando apenas 6 deles ocupados. Como acontece com o Parque Industrial
da Sede de Concelho, também em Cernache do Bonjardim as empresas instaladas
dispõem de arruamentos pavimentados, rede eléctrica, rede de esgotos, água potável,
ETAR (a mesma que serve os efluentes domésticos da vila), rede telefónica e RDIS e
Sistema de Recolha de Resíduos Sólidos.
Segundo dados de 2003, as empresas sedeadas nesta zona industrial têm os
seguintes ramos de actividade:
- 1 indústria têxtil;
96
Actividades Económicas
-
1 industria de estofos;
1 oficina automóvel;
1 indústria da construção civil;
1 indústria de fabricação e montagem de carroçarias;
1 indústria de transformação de madeiras.
A Indústria Transformadora no Concelho
Desagregando os diferentes tipos de indústria transformadora, no Concelho da
Sertã sobressaem três tipos de indústria com maior número de empresas sedeadas, a
alimentação, a metalúrgica e a madeira. Destas, a que mais cresceu foi a indústria
metalúrgica, que passou de 9 empresas em 1995 para 42 empresas em 2002. Em
contrapartida, a indústria alimentar perdeu mais de 30% do número de empresas
sedeadas, caindo da primeira para a terceira posição no ranking por tipo de indústria (cf.
Quadro 4.9.).
QUADRO 4.9.
Evolução do número de indústrias transformadoras sedeadas no Concelho da Sertã
entre 1995 e 2002 [Fonte: INE]
Tipo de Indústria Transformadora
1995
Ind. Alimentares, das bebidas e de tabaco
49
Ind. Textil
25
Ind. do couro e dos produtos do couro
0
Ind. da madeira, da cortiça e suas obras
39
Ind. de pasta de papel, cartão e afins: edição e impressão
5
Fabrico coque, prod. petrolíferos refinados e comb. nuclear 0
Fabrico de prod. Químicos e de fibras sintéticas ou artificiais 3
Fabrico de artigos de borracha e matérias plásticas
6
Fabrico de outros produtos minerais não metálicos
37
Ind. Metalúrgicas de base e de produtos metálicos
9
Fabrico de máquinas e equipamentos não especificados
0
Fabrico de equipamento eléctrico e de óptica
0
Fabrico de metal e de transporte
0
Ind. Transformadora não especificada
7
TOTAL
180
2002 Variação (%)
34
21
0
38
4
0
0
1
5
42
3
2
0
13
163
-30.6
-16.0
0.0
-2.6
-20.0
0.0
-100.0
-83.3
-86.5
366.7
0.0
85.7
-9.4
97
Actividades Económicas
Em termos nacionais, a realidade é um pouco distinta, sendo as indústrias com
maior número de empresas sedeadas, por ordem de importância, a indústria têxtil, a
metalúrgica e a indústria transformadora não especificada.
Estudo Sobre o Tecido Empresarial do Parque Industrial Angelo Pedro Farinha
Apresentamos de seguida as principais conclusões de Estudo levado a cabo no
Parque Industrial da Sertã no âmbito da concepção da Agenda 21 Local do Município (IPI,
2004). Por forma a avaliar o tecido empresarial sedeado naquele Parque foram realizados
inquéritos a responsáveis de 16 empresas na zona. Dos resultados obtidos, destacam-se:
-
O número de sociedades por quotas é superior ao número de empresários em
nome individual e sociedades unipessoais. Foram inquiridas 8 microempresas
(entre 1 e 9 empregados), 7 pequenas empresas (entre 10 e 49 empregados) e 1
média empresa (entre 50 e 249 empregados) (cf. Quadro 4.10). Não existe no
Parque Industrial qualquer grande empresa (com 250 ou mais empregados).
QUADRO 4.10.
Caracterização das empresas inquiridas em função do número de trabalhadores
[Fonte: Agenda 21 Local]
-
As empresas situadas no Parque Industrial foram maioritariamente constituídas há
mais de 10 anos (cf. Quadro 4.11.).
QUADRO 4.11.
Caracterização das empresas inquiridas em função da antiguidade [Fonte: Agenda
21 Local]
98
Actividades Económicas
-
Metade das empresas entrevistadas apresenta um volume de negócios que
ultrapassa os 50.000€ mensais (cf. Quadro 4.12.).
QUADRO 4.12.
Caracterização das empresas inquiridas em função do volume de negócios mensal
[Fonte: Agenda 21 Local]
-
A maioria dos empresários entrevistados considera ter o seu negócio com alguma
estabilidade.
-
Em termos de recursos humanos, as idades dos colaboradores variam bastante.
São maioritariamente de nacionalidade portuguesa e com um baixo nível de
instrução.
-
No que diz respeito ao grau de modernização, as empresas possuem computador,
e a maioria delas (15) utiliza-o para organização e controlo de produção. Contudo,
apenas 7 das empresas utilizam computador na concepção dos produtos ou
serviços (cf. Quadro 4.13).
QUADRO 4.13.
Caracterização das empresas inquiridas em função do grau de modernização
[Fonte: Agenda 21 Local]
99
Actividades Económicas
-
A grande maioria das empresas possui ligação à Internet (14), e correio
electrónico (14), no entanto, apenas uma parte delas (6), possui página na internet
ou utiliza este meio para comprar (4) ou vender (1) produtos através de net.
-
Seis empresas afirmam possuir certificação de qualidade, mas geralmente esta diz
respeito a certificação de produtos ou equipamentos.
-
A maioria das empresas revela uma preocupação a nível ambiental, incluindo a
gestão e correcto reencaminhamento dos resíduos por si produzidos.
-
Os proprietários do sexo masculino estão largamente em maioria (cf. Quadro
4.14).
QUADRO 4.14.
Caracterização das empresas inquiridas em função do sexo dos proprietários
[Fonte: Agenda 21 Local]
-
Quase todas as empresas são geridas pelo proprietário, à excepção de duas que
são geridas por colaboradores contratados para o efeito.
-
Os proprietários pertencem maioritariamente ao grupo etário entre os 45 e 54
anos. Não há grande peso de jovens empresários, existindo apenas um
empresário com idade inferior a 34 anos (cf. Quadro 4.15).
QUADRO 4.15.
Caracterização das empresas inquiridas em função do grupo etário dos
proprietários [Fonte: Agenda 21 Local]
-
O grau de instrução dos proprietários não é elevado: apesar de nenhum dos
inquiridos possuir uma escolaridade abaixo do 4º ano, apenas um proprietário
possui bacharelato (embora seja dono de duas das empresas inquiridas) e um
outro licenciatura (em gestão de empresas) (cf. Quadro 4.16.).
100
Actividades Económicas
QUADRO 4.16.
Caracterização das empresas inquiridas em função do grau de instrução dos
proprietários [Fonte: Agenda 21 Local]
-
A grande maioria dos empresários tem a sua carteira de clientes dentro do
Concelho. Apenas 5 empresas admitem ter clientes por todo o país e somente 2
trabalham com clientes no estrangeiro.
“Empresas... Veículos sociais por excelência”
Enquanto tal, as empresas necessitam de um propósito, a função objectivo da
empresa, um desígnio abrangente que não se reduza à mera satisfação dos cliente e dos
proprietários. Como afirmam Mintzberg e cols. (2002), as empresas não podem sofrer do
“síndrome de glorificação do egoísmo”, que aquele autor define como o sacrifício da
responsabilidade social em detrimento do valor para o “shareholder”. A responsabilidade
social da empresa pode ser definida como a noção de que as empresas têm uma
obrigação para com os grupos constituintes da sociedade.
As empresas, enquanto verdadeiros veículos sociais, devem justificar a sua
existência com a sua contribuição para a sociedade. O que se pretende sublinhar com
esta afirmação é que qualquer decisão da empresa tem impacto social, pelo que os
critérios de distribuição da propriedade da empresa devem deslocar-se dos fenómenos de
fornecimento passivo de capital ao accionista para o desempenho social e intelectual
conducente a uma vantagem competitiva (António, 2006).
Neste contexto, a noção de stakeholder (ou agente social) assume particular
relevância, na medida em que a empresa deve considerar nas suas políticas de gestão
todos os grupos ou indivíduos que podem afectar ou são afectados pela realização dos
objectivos da organização. Consequentemente, a empresa deve ser compreendida no seu
meio envolvente, alargando a visão da gestão sobre o seu papel e responsabilidades,
para além da sua função de maximização dos lucros para o detentor da propriedade e/ou
do capital.
101
Actividades Económicas
Os resultados do Estudo levado a cabo no Parque Industrial Angelo Pedro Farinha
permitem-nos concluir que a noção de responsabilidade social da empresa ou a
concepção daquela enquanto um veículo social não se encontra enraizada nos
proprietários das empresas sedeadas no Concelho. Para além dos baixos níveis de
instrução quer de empresários quer de colaboradores, verifica-se uma reduzida
preocupação com o impacto social da actividade da empresa em áreas tão diversificadas
como o ambiente, a qualidade ou a solidariedade. Iniciativas ou actividades nestas áreas
surgem apenas quando impostas legislativamente, de que constituem exemplo as
certificações de qualidade, que quase nunca envolvem os trabalhadores e poucas vezes
partem de iniciativa autónoma dos empresários.
A tudo isto associa-se ainda uma fraca aposta nas Tecnologias de Informação e
Comunicação (TIC) e nos processos de Inovação e Desenvolvimento, o que acentua a
dificuldade destas empresas, nos seus moldes actuais, em entrarem na “sociedade do
conhecimento”, tal como é definida por Drucker (2001), aspecto fundamental para que
possam competir num mercado exigente como o actual.
Sector Terciário
Comércio
O comércio local caracteriza-se por pequenos estabelecimentos, geralmente a
cargo apenas do proprietário ou familiares. Existem ainda duas médias superfícies na
Sede de Concelho, pelo que o leque de ofertas é diversificado, estando todos os bens
essenciais ao dispor dos habitantes do Concelho na vila da Sertã. Nas restantes
localidades, sobretudo nos meios de menor dimensão, a variedade de oferta escasseia,
resumindo-se a pequenos cafés e mercearias.
Bancos
Existem
no
Concelho
representações
de
várias
entidades
bancárias,
designadamente:
- Caixa Geral de Depósitos;
- Montepio Geral;
- Millennium BCP;
- Banco Espírito Santo;
- Caixa Agrícola;
- Totta;
102
Actividades Económicas
Banco Português de Negócios
Os primeiros quatro possuem representações apenas na Sertã, enquanto os dois
últimos têm balcão em Cernache do Bonjardim. Apenas a Caixa Agrícola possui
-
representação nas duas vilas do Concelho.
A Figura 4.13. permite constatar a duplicação do número de balcões existentes no
Concelho entre 1996 e 2002, de 4 para 8 representações.
8
6
4
2
0
1996
2002
Figura 4.13. Evolução do número de representações bancárias no Concelho da Sertã entre 1996 e
2002 [Fonte: INE]
Segundo o INE, em 2002, os montantes de depósitos nas representações
concelhias daqueles Bancos atingiram os 116 milhões de euros, tendo o crédito
concedido atingido valores na ordem dos 129 milhões de euros.
Turismo
O Concelho da Sertã dispõe de 4 estabelecimentos hoteleiros que, em 2001,
possuíam capacidade de alojamento para 166 hóspedes, assegurada por 100 quartos. A
estada média dos hóspedes nos estabelecimentos hoteleiros do concelho foi, no ano em
causa, de 1.6 noites, totalizando 8.154 hóspedes e 13.136 dormidas, tendo a taxa de
ocupação sido de 24% nesse ano.
A capacidade de alojamento vem vindo a registar uma tendência de crescimento,
dos 122 hóspedes, em 1996, para os 210 hóspedes, em 2002. A subida no número de
dormidas, não sendo proporcional, também é significativa, das 10 820 dormidas
registadas em 1996, para as 14 591, em 2002.
103
Actividades Económicas
250
200
150
100
50
0
1996
2001
2002
Figura 4.14. Evolução da capacidade de alojamento total no Concelho da Sertã entre 1996 e 2002
[Fonte: INE]
O turista encontra na Casa dos Espectáculos e da Cultura um Posto de Turismo
onde pode encontrar informação diversa neste âmbito, designadamente panfletos
turísticos e roteiros do Concelho. O alojamento dos visitantes é assegurado por
estabelecimentos de várias naturezas, que conferem um leque variado de ofertas, entre
as quais se destacam:
Albergue Bonjardim
Tipo: Turismo Rural
Local: Nesperal – Sertã
Web: www.albergue-do-bonjardim.com
Estalagem Vale da Ursa
Tipo: Hotel Rural
Local: Vale da Ursa – Cernache do Bonjardim - Sertã
Web: www.hotelvaledaursa.com
Quinta de Santa Teresinha
Tipo: Turismo Rural
Local: Cabeçudo - Sertã
Web: www.s-m.pt
Quinta dos Farinhas
Tipo: Turismo de Habitação
Local: Cernache do Bonjardim - Sertã
Web: www.quintadosfarinhas.com
104
Actividades Económicas
Residencial Lar Verde
Tipo: Residencial
Local: Sertã
Web: www.residenciallarverde.pa-net.pt
Residencial Princesa do Zêzere
Tipo: Residencial
Local: Pedrógão Pequeno - Sertã
Residencial D. Nuno
Tipo: Residencial
Local: Cernache do Bonjardim - Sertã
105
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2_4_ Actividades Económicas