UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE CENTRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS APLICADAS DEPARTAMENTO DE CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO CURSO DE BIBLIOTECONOMIA Carla Beatriz Marques Felipe ACERVO ICONOGRÁFICO DA ESCOLA DE MÚSICA DA UFRN: CONSIDERAÇÕES SOBRE A ORGANIZAÇÃO DOCUMENTAL Orientadora: Prof. MSc. Mônica Marques Carvalho NATAL - RN 2012 CARLA BEATRIZ MARQUES FELIPE ACERVO ICONOGRÁFICO DA ESCOLA DE MÚSICA DA UFRN: CONSIDERAÇÕES SOBRE A ORGANIZAÇÃO DOCUMENTAL Monografia apresentada ao Curso de Biblioteconomia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, como requisito parcial para obtenção do título de Bacharel em Biblioteconomia. Orientadora: Profª. M.Sc. Mônica Marques Carvalho NATAL - RN 2012 Catalogação da Publicação na Fonte F315 Felipe, Carla Beatriz Marques. Acervo Iconográfico da Escola de Música da UFRN: considerações sobre a organização documental / Carla Beatriz Marques Felipe. – Natal, RN, 2012. 48 f.: il. Orientadora: Mônica Marques Carvalho. Monografia (Bacharelado) – Departamento de Biblioteconomia, Centro de Ciências Sociais Aplicadas, Universidade Federal do Rio Grande do Norte. 1. Informação. 2. Bibliotecas. 3. Acervos iconográficos. I. Escola de Música da UFRN. II. Carvalho, Mônica Marques. III. Título. CARLA BEATRIZ MARQUES FELIPE ACERVO ICONOGRÁFICO DA ESCOLA DE MÚSICA DA UFRN: CONSIDERAÇÕES SOBRE ORGANIZAÇÃO DOCUMENTAL Monografia apresentada ao Curso de Biblioteconomia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, como requisito parcial para obtenção do título de Bacharel em Biblioteconomia. MONOGRAFIA APROVADA EM 12/12/2012 BANCA EXAMINADORA ____________________________________________________ Profª. M.Sc. Mônica Marques Carvalho (Orientadora) Universidade Federal do Rio Grande do Norte ____________________________________________________ Profª. Drª. Nadia Aurora Vanti Vitulo (Membro) Universidade Federal do Rio Grande do Norte ____________________________________________________ Profª Eponina Eilde da Silva Pereira (Membro) Universidade Federal do Rio Grande do Norte Dedico a meus pais pelo amor, força e educação a mim dada. A minha tia Josefa pelo amor e incentivo dado ao longo da minha vida. AGRADECIMENTOS Primeiramente a Deus, por me guiar sempre nas minhas escolhas e por me dar todas as pessoas pela qual eu vou agradecer nos próximos parágrafos. Thank you God !! A meus pais pela educação a mim dada, me ensinado a escolher sempre o melhor caminho. Pelo apoio e incentivo em relação a tudo na minha vida. A minha irmã por me agüentar. A minha tia Josefa por ser a minha maior incentivadora no escolher e fazer Biblioteconomia. A minha prima Claudia por se fazer um exemplo biblioteconômico e acima de tudo por todo apoio dado a mim nestes anos de curso. A todos da minha família que me apoiaram direta ou indiretamente nesta minha escolha. Ao quarteto fantástico Viviane, Rhena, Kássia e Ienânda que tanto me apoiaram e incentivaram a continuar caminhando e ao chegar à reta final sempre perguntando “como vai sua monografia??”. Obrigada meninas! As superpoderosas Midinai, Patrícia, Bruna e Malkene pelas resenhas, viagens e aprendizado. Meninas vocês foram 10 em tudooooooo. Ah!! Obrigada por me ouvir reclamar e cantar também né!? Aos Avengers pelo incentivo, mas também pelos momentos de descontração, sem esses momentos eu teria enlouquecido de tanto estudar (rsrsrs). A Renata, Daniele, Janaina, Paulo, pela força dada. A Vespaziano pelas orações. A Diego Maradonna por se transformar ao longo do curso no irmão que eu não tive. A Renato pelas palavras que sempre me levaram a ir mais longe. A David por me incentivar, apoiar ou simplesmente pelo fato de ouvir sobre os meus “aperreios” do curso, mesmo não entendendo nada ou quase nada de Biblioteconomia. A todos que fizeram parte da turma biblioteconomia 2009.1. Gente como eu aprendi com vocês! Nossaaaaaa sou um ser humano melhor porque cada um de vocês entrou na minha vida!! A minha orientadora Mônica Carvalho por aceitar meu convite e pelo exercício da paciência. Sem você essa monografia não teria nascido. A professora Nadia pela oportunidade de aprendizado na iniciação científica. Obrigada professora pelo voto de confiança. A todos que fazem parte da Biblioteca Setorial da Escola de Música lugar do qual jamais esquecerei, onde eu realmente aprendi o que é ser um Bibliotecário. Especialmente por ter conhecido os Bibliotecários Everton Rodrigues (que não é só um chefe, mas um amigo!), Audinez Barreto pela ajuda nos conectivos utilizados nesta monografia e Elizabeth pela ajuda na escolha do tema. Gente vocês são os melhores chefes que tive, eu realmente admiro vocês e quando eu crescer quero ser igual aos três. Aos Docentes do Curso de Biblioteconomia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte que pelos ensinamentos e conhecimento transmitido. Enfim, obrigada a todos que participaram deste momento tão especial da minha vida. Thank you! “O doce da vida é a gente que faz. Tente e veja... você é capaz.” (Autor desconhecido) RESUMO Apresenta o que vem a ser informação e a importância de sua socialização. Descreve as bibliotecas como instituições de preservação e disseminação da informação. Enfatiza a importância da indexação para a recuperação da informação. Descreve o que vem a ser um acervo iconográfico. Analisa os acervos iconográficos como fonte de informação. Descreve o tratamento técnico dispensado aos acervos iconográficos. Descreve a importância da socialização da informação contida no acervo iconográfico da Escola da Musica da UFRN. A metodologia utilizada foi a de pesquisa em fontes de informação pertinentes ao assunto tais como livros, revistas cientificas, websites, bases de dados. Foi realizado um estudo do acervo iconográfico da biblioteca especializada da Escola da Musica da UFRN. O objetivo desta pesquisa visa em geral analisar a questão tratamento técnico realizando no acervo iconográfico da Escola de Música da EMUFRN com vistas a propor alternativas para a socialização de informação iconográfica. Especificamente o trabalho visa dissertar a respeito da importância da informação na atualidade; Identificar os tipos de bibliotecas e seus acervos; conceituar e descrever os acervos iconográficos; identificar qual o tratamento técnico dispensado aos acervos iconográficos; deliberar sobre alternativas visando a socialização da informação contida no acervo iconográfico da EMUFRN. Conclui que a indexação é de suma importância para a recuperação da informação e que o acervo iconográfico da Escola da Musica da UFRN deve ser tratado e posteriormente socializado. Palavras-Chave: Informação. Bibliotecas. Acervo iconográfico. Indexação. LISTA DE QUADROS Quadro 1 – Processo de objetivação da informação .......................... 17 Quadro 2 – Tipos de bibliotecas......................................................... 22 Quadro 3 – Características dos documentos..................................... 23 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS EMUFRN – Escola de Música da UFRN CCHLA – Centro de Ciências Sociais, História, Letras e Artes TICs - Tecnologias de Informação e Comunicação SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO.................................................................................................. 11 2 O PAPEL DA INFORMAÇÃO NA ATUALIDADE......................................... 14 3 BIBLIOTECA COMO INSTITUIÇÃO DE PRESERVAÇÃO E DISSEMINAÇÃODA INFORMAÇÃO ............................................................. 20 4 ACERVOS ICONOGRÁFICOS .................................................................... 27 4.1 TRATAMENTOS TÉCNICOS DOS ACERVOS ICONOGRÁFICOS ............. 29 5 O ACERVO ICONOGRÁFICO DA ESCOLA MÚSICA DA UFRN........................................................................................................... 34 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS......................................................................... 40 REFERÊNCIAS............................................................................................... 42 ANEXO A - Formulário de identificação do acervo iconográfico............. 46 11 1 INTRODUÇÃO Ao longo da história a sociedade passou por várias transformações, passando por eras distintas. A sociedade atual é conhecida como sociedade da informação, na qual a informação é base para economia. Mas segundo alguns autores o que caracteriza a sociedade da informação é o avanço das Tecnologias de Informação. O avanço das Tecnologias de Informação permite que a informação seja gerada de forma muito rápida, gerando uma explosão de informação. A informação se faz importante no cotidiano do homem desde o início da sua história, quando através das pinturas rupestres, ocorreram os primeiros registros dos acontecimentos que o cercavam. Com a necessidade de se registrar a informação, surgem os suportes da informação e as bibliotecas. Com a informação em abundancia, nem toda informação que chega até o usuário é pertinente a ele. A informação é algo que só adquire valor se for transmitida, se caracterizando como insumo nas tomadas de decisão. Nesse contexto, é necessário à elaboração de estratégias de recuperação da informação. É de suma importância que estas estratégias gerem produtos e mecanismos que filtrem, organizem a informação. Os processos técnicos dentro das unidades de informação surgem como meios de condensação da informação a fim de sua recuperação. A catalogação e a indexação são meios pelos os quais a informação é tratada a fim de sua recuperação. Através da indexação o usuário consegue receber a informação pela a qual necessita, visto que, a indexação permite a transmissão da informação de forma condensada, concisa, organizada, remetendo ao usuário termos chaves sobre a representação do conteúdo dos documentos. Sobre documentos, estes existem sobre vários aspectos e de diversas formas, como os documentos textuais e não textuais. Os documentos não textuais existem em larga escala, pois são formados por documentos sonoros, audiovisuais, iconográficos e outros. Os documentos pela a qual a imagem é a fonte principal de informação, damos o nome de iconográfico. Esta tipologia de documento pode ser apresentada em vários suportes, como a fotografia, folders, pinturas, radiografias, desenhos. O acumulo deste tipo de material por parte das unidades de informação ou mesmo por indivíduos podem gerar grandes acervos. 12 Neste caso encontra-se a Escola de Música da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (EMUFRN). Que ao longo dos seus 50 anos acumulou um acervo riquíssimo de fotografias, folders, programas de concerto, desenhos e outros documentos, todos relacionados à sua memória. Porém, o mesmo não recebeu nenhum tratamento técnico, visando a sua disseminação. Diante do exposto na presente pesquisa indagamos como se dá o tratamento de acervos iconográficos? Quais são as técnicas e procedimentos empregados no tratamento técnico de acervos iconográficos? Quais as ferramentas utilizadas na indexação de materiais iconográficos? Porquê tratar e divulgar as fotografias do acervo da Escola de Música? Quais as contribuições que isto trará para a sociedade, não só á EMUFRN, mas à sociedade em geral? Quais as ferramentas utilizar na indexação de materiais iconográficos?. Para que estas indagações pudessem ser respondidas realizamos esta pesquisa que visa em geral analisar a questão do tratamento técnico realizado no acervo iconográfico da Escola de Música da EMUFRN, com vistas a confecção futura de um projeto de organização e socialização da informação iconográfica. Especificamente o trabalho visa dissertar a respeito da importância da informação na atualidade; identificar os tipos de bibliotecas e seus acervos; conceituar e descrever os acervos iconográficos; identificar qual o tratamento técnico dispensado aos acervos iconográficos; deliberar sobre alternativas visando a socialização da informação contida no acervo iconográfico da EMUFRN. A escolha do referido tema se deu por meio de um interesse pessoal, que surgiu durante o trabalho como bolsista de apoio técnico na Biblioteca da EMUFRN. Através do estagio foi possível perceber a existência do rico acervo inconografico da EMUFRN e a necessidade de melhor socializar as informações nele contidas. Com a realização da pesquisa, pretende-se dar uma contribuição social, cultural e acima de tudo proporcionar mecanismos de resgate e disseminação da história de umas das instituições mais importantes do Estado. Acredita-se que possibilitar a recuperação e a disseminação da informação contida neste acervo, trará novos olhares sobre a informação imagética, e sobretudo á história da EMUFRN. A metodologia utilizada foi a de pesquisa em fontes de informação pertinentes ao assunto tais como livros, revistas científicas, websites, bases de dados, entre outros. Foi realizado um estudo do acervo iconográfico da biblioteca especializada da Escola da Musica da UFRN a fim de se identificar a sua composição básica, 13 tipologia documental, formas de tratamento da informação, organização documental, formas de recuperação da informação com vistas a estabelecer um diagnostico e se traçar proposições para a socialização da informação contida no referido acervo. Para uma melhor disposição dos temas abordados, esta pesquisa de dividiu em capítulos. No primeiro capítulo foi abordada a questão da informação, sua importância, seus suportes e porque de sua socialização. No seguinte capítulo, abordamos a questão das bibliotecas como instituições de preservação e disseminação da informação. O terceiro capítulo trata os acervos iconográficos como fontes de informação e seu tratamento técnico. No quarto capítulo dissertamos sobre o acervo iconográfico da EMUFRN, sua importância e o devido tratamento, a fim da disseminação da informação. 14 2 O PAPEL DA INFORMAÇÃO NA ATUALIDADE Durante o percurso histórico da humanidade a informação sempre existiu. A informação sempre fez parte do cotidiano do homem, como um insumo básico para a sua sobrevivência em sociedade. Percebe-se que ao longo da evolução humana a informação teve um importante papel. A informação desde os primórdios funcionou como um elemento para a tomada de decisão em sociedade e influencia os vários aspectos sejam sociais, políticos ou econômicos. Como a informação sempre fez parte do cotidiano do homem, este sentiu a necessidade de registrá-la. Se antes a necessidade era apenas de preservá-la, é pertinente dizer que, nos dias atuais a necessidade maior é de disseminar e gerar conhecimento. Esta necessidade foi evidenciada através da evolução de vários suportes da informação, ao longo da evolução da sociedade. Inicialmente, o homem na pré-história, buscou registrar suas vivencias através dos mecanismos de que dispunha. Portanto, no período do Paleolítico Superior (40.000 a.C) surgiram as pinturas rupestres nas cavernas, que se configuravam como tentativas de se registrar o cotidiano, como a caça, descobertas, os animais entre outras ações. Em seguida, a civilização evolui para o registro de informação em suporte de argila. Estas iniciativas se deram nas primeiras grandes cidades que se tem registro. As tábuas de argila cozidas em que a escrita possuía caracteres cuneiformes, estes remotam o século IX a.C., assim encontramos este tipo de registro nas bibliotecas da antiguidade. Um dos mais importantes suportes da informação existente é o Papiro, fabricado através de fibras vegetais. Produzido inicialmente no Egito, este também foi elaboado na Síria e nas águas do Rio Eufrates. “O texto era escrito em colunas e cada uma delas se colava, em seguida, pela extremidade à folha seguinte, de forma que se obtinham fitas de papiro.” (MARTINS, 2001, p. 62) Não se sabe ao certo quando este se tornou material de escrita. Os mais antigos papiros que se tem registro datam de 3 500 a.C. anos. Ao contrário do Papiro, o Pergaminho era extraído de material do reino animal. A origem do seu nome se dá pelo o material o qual era produzido: a membrana pergamena, pergamenum. Os primeiros Pergaminhos que se tem notícia 15 datam do ano 301, na cidade de Pérgamo, este podia conter inscrições dos dois lados da folha. Na Idade Média houve várias mudanças relacionadas ao aspecto material dos suportes informacionais. Conforme Martins (2001), a Idade Média consagra a substituição do rolo (que eram papiros enrolados em um cilindro de madeira) pelo codex (tábulas retangulares de madeira, revestidas de cera e unidas por cordões ou anéis), da mesma forma por que substitui o papiro pelo pergaminho, e já na transição para a Renascença, o pergaminho pelo papel. Papel vem etimologicamente de “papiro”, que era papyrus em latim e papuros em grego. Mas o papel não é derivado do Papiro, mas sim do seu rival. De acordo com Martins (2001), os chineses fabricavam livros desde uns dois séculos antes de Cristo. Mas esses livros não eram feitos nem de papel, de papiro, ou pergaminho: eram feitos de seda, material que, mesmo na China, sempre foi notavelmente caro. Os chineses, naturalmente inventivos, tentaram substituí-la por qualquer outro produto e passaram a fabricar o “papel de seda”, menos custoso porque permitia, na criação do processo que seria o da fabricação do papel até hoje, o aproveitamento de trapos e tecidos usados. Entretanto, é nos albores da Idade Média que o papel faz a sua aparição na Europa: foram necessários mais de mil anos, para que a invenção chinesa chegasse ao Ocidente. Foi a partir da invenção do papel que toda a humanidade pode ter acesso aos suportes informacionais, visto que este novo material era mais barato. Um grande marco na história da difusão da informação é a invenção da prensa de Guttenberg de 1452. Esta invenção facilitou a difusão do conhecimento existente na época, visto que a igreja e a monarquia eram detentores dos livros. “Esse fato ocasionou o rompimento do monopólio que a Igreja exercia na geração e guarda dos conhecimentos.” (ARAÚJO; OLIVEIRA, 2005, p. 33). Os livros já não eram armazenados nos mosteiros e a sociedade em geral pode ter acesso a estes. Uma vez que os suportes da informação evoluíram, a sociedade evolui também e com isto, a importância da informação para a sociedade. Ao longo da história, a sociedade evoluiu passando por eras distintas como: a Era Agrícola, a Era Industrial e a Sociedade da Informação. A primeira das etapas da sociedade foi a Era Agrícola onde a terra e tudo que era produzido na agricultura foram à base da economia. Cabe frisar que tudo que a sociedade produzia era voltado para assegurar a subsistência da população e o comércio, assim como o 16 conhecemos atualmente, não existia ou era pouco desenvolvido. “O aparecimento da agricultura foi o primeiro ponto decisivo do desenvolvimento social humano, [...] a Revolução Industrial foi a segunda grande ruptura [social]” (TOFFLER, 1995, p. 27). Em linhas gerais, estes dois fatos marcam a divisão de comportamento da sociedade e o seu modo de produção e consumo. Em seguida, surge a Era Industrial que tinha como base econômica a indústria. Assim, o trabalho manual deu lugar ao trabalho feito com as máquinas. Grandes fábricas começaram a surgir nesta era, sobretudo, na Europa onde ocorreu a Revolução Industrial, que foi um marco na história. “[ ] a sociedade industrial caracterizou-se essencialmente pela aplicação e criação de tecnologia, maquinário para a racionalização das operações para a produção em larga escala de artefatos de consumo.” (BEZERRA, 2010, p. 13). Na Era Industrial a agricultura perdeu força e produção dos bens de consumo eram produzidos em massa. A terceira etapa desse fenômeno foi a Sociedade da Informação (SI) que é a sociedade atual, que tem como recurso principal a informação. Mas o que é informação? O que é este bem, tão precioso para sociedade atual? O Dictionnaire encyclopédique de l’information et de la documentation (2001 apud ROBREDO, 2003, p. 3) define informação como : “registro de conhecimentos para sua transmissão. Essa finalidade implica que os conhecimentos sejam inscritos num suporte, objetivando sua conservação, e codificados, toda representação sendo simbólica por natureza.” Nesse sentido, para que a informação exista e, seja transmitida, necessitase de um suporte, seja ele papel, fotografias, partituras, Cd’s, computador e etc.De acordo com Le Coadic (2004, p. 4), A informação é um conhecimento inscrito (registrado) em forma escrita (impressa ou digital), oral ou audiovisual, em um suporte. A informação comporta um elemento de sentido. É um significado transmitido a um ser consciente por meio de uma mensagem inscrita em um suporte espacial-temporal: impresso, sinal elétrico, onda sonora, etc. Inscrição feita graças a um sistema de signos (a linguagem), signo este que é um elemento da linguagem que associa um significante a um significado: signo alfabético, palavra, sinal de pontuação. 17 Como se pode ver a informação é algo que só adquire significado e passa a ter importância se for transmitida, uma vez que, ao entrar em contato com outra informação já conhecida pelo individuo, torna-se conhecimento. A informação é tão importante nos dias atuais que se caracteriza como insumo para o desenvolvimento da sociedade atual. A sociedade atual é conhecida como Sociedade da Informação (SI) onde a base para o desenvolvimento da economia é a informação, não mais os produtos industrializados. Essa noção de Sociedade da Informação se formaliza na sequencia das máquinas inteligentes criadas ao longo da Segunda Guerra Mundial. Ela entra nas referências acadêmicas, políticas e econômicas a partir do final dos anos 1960. (MATTELART, 2002, p. 8). No que se refere a SI é algo que já vem sendo estudado há algum tempo, isto é, não surgiu de uma hora para outra. Para Araújo (2005, p. 113) a Sociedade da Informação é a “etapa do desenvolvimento da sociedade que se caracteriza pela abundância de informação organizada”. Nesta sociedade surgem novos modos de como a economia é desenvolvida de forma mais global, mas especificamente por causa da globalização. As grandes empresas da atualidade tem como insumo para seu desenvolvimento a informação. Dessa forma a informação atualmente é um dos bens mais preciosos que existe para a sociedade. Em linhas gerais, houve uma substituição da produção industrial pela informação. Massuda (1982 apud ARAÚJO, 2005, p. 116) define esta substituição como “processo de objetivação da informação.” Abaixo, veremos o quadro que representa este processo. 18 Quadro 1: Processo de objetivação da informação REVOLUÇÃO DA IMAGEM REVOLUÇÃO DA ESCRITA REVOLUÇÃO DA IMPRENSA REVOLUÇÃO DO COMPUTADOR INFORMAÇÃO INFORMAÇÃO INFORMAÇÃO INFORMAÇÃO LINGUÍSTICA ESCRITA ESCRITA TIPOGRÁFICA ELETRÔNICA SUJEITO SUJEITO SUJEITO - INSTRUMENTOS - PRELO INSTRUMENTOS (Caneta, Papel) A INFORMAÇÃO AINDA NÃO ESTÁ SEPARADA DO SEU SUJEITO COMEÇA A OBJETIVAÇÃO PRIMÁRIA EM RELAÇÃO AO SUJEITO A INFORMAÇÃO PROGRIDE PARA O ESTÁGIO DE OBJETIVAÇÃO SECUNDÁRIA SUJEITO - INSTRUMENTOS - PRELO - COMPUTADOR A INFORMAÇÃO AVANÇA PARA O ESTÁGIO DE OBJETIVAÇÃO TERCIÁRIA PASSANDO À INFORMAÇÃO TIPOGRÁFICA E DESTA PARA A INFORMAÇÃO ELETRÔNICA Fonte: Massuda (1982 apud ARAÚJO, 2005, p.117). Observando o Quadro 1 nota-se que o “processo de objetivação da informação” ocorreu de acordo com as mudanças nos suportes da informação e que, com a revolução do computador, a Tecnologia da Informação tornou-se fundamental para o desenvolvimento da SI. As Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) surgem como uma maneira de aperfeiçoar o fluxo de informação existente na sociedade. Morigi; Pavan (2004, p. 117) afirmam que o “impacto das TICs é sentido sobre toda a vida social, seja no trabalho, no lazer e nas relações entre os indivíduos, principalmente na maneira com que se comunicam.” Com as mudanças causadas pelas TICs as pessoas passam a criar novas formas de intercâmbio da informação e comunicação. Assim, podemos definir as TICs como conjunto de atividades fornecidas pelos meios computacionais com a finalidade de facilitar o armazenamento, o acesso e a recuperação da informação uma vez que para a utilização destes mecanismos é necessário o manuseio humano. “As tecnologias de informação e comunicação exercem influências profundas na vida cotidiana. Contudo elas não são autônomas e, portanto, não podem ser desvinculadas do contexto social em que foram produzidas.” (MORIGI; PAVAN, 2004, p.119). 19 As TICs facilitam a preservação e disseminação da informação devido a sua capacidade em guardar, processar e transferir a informação. Ao manuseá-la de forma correta as empresas obtém lucros, agregando valor à informação coletada. Com o auxilio das TICs a informação passou a ser gerada muito rapidamente. Torna-se evidente que a informação existe em abundância. Contudo, muitas informações que chegam aos indivíduos não são pertinentes para este. Nesse caso faz-se necessário que a informação seja disseminada de forma prudente, visto que esta se insere em muitos aspectos da vida do individuo, quanto na sociedade. Dessa maneira, com o acesso a informação correta as pessoas tomam conhecimento do seu papel dentro da sociedade. Segundo Pinheiro (1997 apud OLIVEIRA 2005, p. 19) a informação possui vários atributos: A informação tem o efeito de transformar ou reforçar o que é conhecido, ou julgado conhecido, por um ser humano; É utilizada como coadjuvante da decisão; É a liberdade de escolha que se tem ao selecionar uma mensagem; É algo necessário quando enfrentamos uma escolha (a quantidade de informação requerida depende da complexidade da decisão a tomar); É matéria-prima de que deriva o conhecimento; É trocada com o mundo exterior, e não meramente recebida; Pode ser definida em termos de seus efeitos no receptor. Isso permite afirmar que a informação também é entendida como redutora de incertezas, provocadora de mudanças, auxilia o desenvolvimento do trabalho e da vida social, entre tantas outras concepções. Mas a informação só pode provocar mudanças no indivíduo se a informação for útil. Alves (1997, p. 15) reconhece a importância deste tipo de ação, quando diz: O processo de veiculação da informação é capaz, dentre outras coisas, de promover modificações na forma de olhar e explorar o mundo. Desta forma, quanto maior for a circulação e usufruição da informação, mais abundantes serão as revoluções e transformações que ocorrerão na sociedade. Deste modo, a circulação da informação também tem sido responsável pela efusão das revoluções científicas e constantes quebras de paradigmas. 20 Parece claro afirmar que a socialização da informação se faz necessária não só porque esta é matéria-prima para todas as áreas do conhecimento, mas também é agente de transformação da sociedade. A partir desta afirmação, cabe frisar que se faz necessário o desenvolvimento de mecanismos de acesso à informação para todos bem, como torná-los conhecidos. Um dos órgãos da sociedade que se preocupa com a disseminação da informação é a Biblioteca, criada inicialmente com o intuito de apenas preservar a informação, mas que, com o passar do tempo, mudou totalmente seus objetivos. Em seguida, dissertaremos a respeito. 21 3 BIBLIOTECA COMO INSTITUIÇÃO DE PRESERVAÇÃO E DISSEMINAÇÃO DA INFORMAÇÃO A sociedade sempre se preocupou em guardar informação, por sua vez, ao longo de sua evolução, a informação conquistou um grande espaço na sociedade e atualmente se faz necessário não mais a sua guarda, mas sim, sua disseminação. No que se refere à disseminação da informação ou conhecimento, as bibliotecas tem um papel importante na sociedade. As bibliotecas historicamente têm a função de preservar, organizar e disseminar as informações acumuladas em sociedade. Inicialmente entenderemos o que significa Biblioteca e posteriormente nos deteremos a respeito de sua evolução. Podemos definir Biblioteca como: Uma coleção de documentos bibliográficos (livros, periódicos etc.) e não bibliográficos (gravuras, mapas, filmes, discos etc.) organizada e administrada para formação, consulta e recreação de todo o público ou de determinadas categorias de usuários. (ARAÚJO; OLIVEIRA, 2005, p. 36) Em suma Biblioteca é um espaço onde não só á informação, a cultura é armazenada, mas sim, um espaço onde a informação é disseminada. Inicialmente esta se apresenta na forma física, e mais modernamente de forma virtual e digital, onde a sua coleção é constituída por documentos digitais. Segundo o Aurélio (2004, p. 175), “biblioteca significa coleção pública ou privada de livros e documentos congêneres, organizada para o estudo, leitura e consulta”. Em suma a Biblioteca é um espaço organizado por muitos ou poucos com a possibilidade de se encontrar o que se deseja e que se tem vontade de utilizá-la várias vezes. Com relação ao surgimento das bibliotecas, não se sabe ao certo uma data específica. A existência das bibliotecas se materializou antes dos livros e até mesmo dos manuscritos, ou seja, o surgimento destas se deu muito antes da existência dos livros. A origem exata das bibliotecas, assim como a da linguagem e a da escrita, é desconhecida. Entretanto, podemos considerar que, diferentemente da linguagem e da escrita, as bibliotecas aparecem na era histórica, ou seja, quando tem início a preservação de registros escritos de conhecimento. (ARAÚJO; OLIVEIRA, 2005, p. 31) 22 Desde a Antiguidade se tem noticias de grandes bibliotecas. A Biblioteca de Nipur, na Babilônia continha seus registros em tábuas de argila e em escrita cuneiforme. Dentre as mais importantes Bibliotecas da Antiguidade citamos a de Nínive, a de Pérgamo, as gregas, as romanas e, principalmente, a Biblioteca de Alexandria, a mais famosa e importante do mundo antigo. “As grandes bibliotecas da Antiguidade [...] de que se tem notícia eram formadas por grandes conquistadores ou se localizavam em cidades que exerciam poder econômico e/ou político.” (ARAÚJO, OLIVEIRA, 2005, p. 32). As grandes Bibliotecas surgiram numa forma de armazenar toda a produção do conhecimento da região ao qual pertencia e geralmente estas regiões ou cidades eram os grandes centros urbanos da época. Outra grande biblioteca foi a Biblioteca de Alexandria, que reuniu o maior acervo de cultura e ciência que existiu na antiguidade. A Biblioteca de Alexandria chegou a ter 700 mil rolos de pergaminho, um dos destaques do acervo era a Septuaginta, mais antiga tradução em grego do texto hebreu do Antigo Testamento, realizada em Alexandria por 72 tradutores. Os volumes da biblioteca foram divididos em 2 partes, que ficavam em bairros diferentes da cidade, onde 400 mil volumes foram depositados em Bruchium que era conhecida pelos alexandrinos como “Biblioteca Mãe” e sofreu um incêndio acidental no momento da entrada de César em Alexandria e 300 mil volumes foram depositados em Serápio, que era conhecida como “Biblioteca Filha” que foi enriquecida com os livros da biblioteca de Pérgamo, saqueados por Antônio e doados a Cleópatra. Em 392, a biblioteca sofreu outro incêndio que foi atribuído a ordens dadas pelo Imperador Teodósio I, juntamente com outros edifícios pagãos. (MARTINS, 2001. p. 75). A Biblioteca de Alexandria tornou-se uma importante fonte de pesquisa, com um dos maiores acervos e mais importantes que já se tenha tido notícia. O seu desenvolvimento foi de suma importância para os que fazem parte da ciência. Durante a Idade Média, a Europa Ocidental esteve sob o domínio cultural da Igreja Católica. Por essa razão, as bibliotecas ficaram restritas aos mosteiros. Neste período, a maioria das pessoas não sabia ler e escrever. Com a invenção da imprensa por Guttenberg a informação passou a ser disseminada de forma mais 23 rápida, com isso passou a ser produzida em larga escala. Através da criação de Guttenberg houve o livre acesso das bibliotecas ao público. A imprensa levou assim a disseminação e acesso a informação e a transmissão de conhecimento a uma escala nunca antes vistas, gerando uma democratização da informação. Com a informação produzida em larga escala, as bibliotecas foram se firmando ao longo do tempo e passaram a atender diversos públicos com necessidades especificas. Convém ressaltar, que ao longo dos anos, vários tipos de conhecimentos específicos foram descobertos ou criados, a informação passou a ser transmitida com grande avanço, em diferentes tipos de materiais e para determinado púbico. Segundo (ARAÚJO; OLIVEIRA, 2005, p. 37) existem vários tipos de bibliotecas atualmente e estão organizadas de acordo com seu público: Quadro 2: Tipos de bibliotecas TIPOS Nacionais Públicas FUNÇÃO Têm como principal finalidade a preservação da memória nacional, isto é, da produção bibliográfica e documental de uma nação. Surgiram com a missão de atender às necessidades de estudo, consulta e recreação de determinada comunidade, independentemente de classe social, cor, religião ou profissão.Seus objetivos principais são: - estimular nas comunidades o hábito de leitura; - preservar o acervo cultural. Universitárias A finalidade desse tipo de biblioteca é atender às necessidades de estudo, consulta e pesquisa de professores e alunos universitários . Especializadas São aquelas dedicadas à reunião e organização de conhecimentos sobre um só tema ou de grupos temáticos em um campo específico do conhecimento humano. Escolares Infantis São destinadas a fornecer material bibliográfico necessário às atividades de professores e alunos de uma escola. Devem estar mais voltadas para a recreação e proporcionar outras atividades como: escolinhas de arte, exposição, dramatizações etc. Necessitam de um acervo bem selecionado para seus usuários. Especiais São aquelas que se destinam a atender a um tipo especial de leitor e, por isso, detêm um acervo especial, como por exemplo, as bibliotecas para deficientes visuais, presidiários e pacientes. Fonte: Autoria própria, 2012. 24 Podemos observar que de acordo com finalidade das bibliotecas, o seu acervo é totalmente voltado para este fim. Em uma biblioteca infantil é necessário livros que ajudem no incentivo à leitura. Em biblioteca de música é interessante que o acervo seja formado não só por livros da área, mas por multimeios como os Cd’s, DVD’s e partituras e assim por diante, cada Biblioteca deve formar seu acervo de acordo com seu público. De forma geral o acervo é primordial para a existência da biblioteca, pois este é o acumulo daquilo que é produzido, o acervo deve atender às necessidades, desejo de seu público. Para cada grupo humano segmentado em interesses deve haver uma organização delineada não por especialistas em técnicas, mas especialmente conhecedores do público específico e do universo de conhecimento que a ele possa interessar. (MILANESI, 2002, p. 56). Os tipos de acervo são determinados tanto pelo público tanto pelos tipos de documentação. Para Guinchat e Menou (1994, p.41), documento “é um objeto que fornece um dado ou uma informação”. Em linhas gerais, podemos afirmar que o documento é em si uma fonte de informação. Desse modo, de acordo com Guinchat e Menou (1994), uma das formas de caracterizar um documento, é de acordo com suas especificidades físicas: Quadro 3: Características dos documentos ESPECIFICIDADE FÍSICA Natureza Material Formas produção Modalidades utilização Periodicidade CARACTERÍSTICAS Textuais ou não textuais (iconográficos, sonoros, audiovisuais etc.); (suporte físico): pedra, tijolo, madeira, papel, suportes digitais; de Documentos brutos (plantas, ossos etc) ou manufaturados de Podem ser usados diretamente pelo homem ou precisar de equipamentos especiais (leitor de microformas, projetor etc); Podem ser documentos únicos, produzidos em série ou periodicamente de Publicados ou não-publicados. Forma publicação Fonte: Autoria própria, 2012. 25 Dessa forma, a quantidade de especificações que existe em cada tipo de documento e cada tipo de público, permite a existência de vários tipos de acervo, como os sonoros, iconográficos ou até mesmo de brinquedos. Para que a informação, na Biblioteca esteja de fácil acesso ao usuário, não é só a composição do acervo que importa, mas também, como este acervo estará desenvolvido e organizado para o seu público. Dessa forma, a Biblioteca possui o processo de desenvolvimento de coleções, que é o processo de organização e crescimento do acervo, que engloba as seguintes etapas: planejamento, seleção, aquisição, avaliação. A partir do seu desenvolvimento, o acervo passa por um tratamento técnico, que ocorre sempre no setor de processamento técnico. O tratamento técnico favorece a recuperação da informação, visto que, inclui processos que tratam da descrição do material física e informacional. Dentro deste tratamento existem vários processos, dentre os quais cabe destacar a catalogação e a indexação. Estes processos se derivam da representação da informação. A representação da informação existe para que o usuário tenha acesso a informação na sua forma mais completa e está ação esta totalmente ligada a geração do conhecimento. O conhecimento inclui e pressupõe a representação. A representação de um objeto é um ato muito diferente de seu simples manuseio. (...) Para representarmos alguma coisa não basta manipulá-la corretamente e utilizá-la com finalidades práticas. Precisamos ter uma concepção geral do objeto e considera-lo de ângulos diferentes, a fim de descobrir-lhe as relações com outros objetos; e localiza-lo determinando sua posição em um sistema geral. (CASSIRER, 1977, p. 31 apud AZEVEDO NETTO, 2001, p. 80) Como se pode ver a representação não é algo que acontece de qualquer maneira, o objeto a ser representado deve ser estudado de vários ângulos, para que a informação contida em si possa alcançar o seu objetivo, o de gerar um novo conhecimento. “A questão da representação, no âmbito da Ciência da Informação trabalha na ótica da organização do conhecimento [...] e a dos estudos de análise de assuntos [...].” (AZEVEDO NETTO, 2001, p.88). Convém ressaltar que na área da Ciência da Informação, foram criados vários mecanismos para a representação da 26 informação, como as tabelas de classificação bibliográficas, CDD, CDU e outros. No que tange a representação da informação os processos de catalogação e indexação também fazem partes destes mecanismos. A catalogação é a representação descritivo/física do material. “Este trabalho pode se desdobrar na elaboração de catálogos impressos ou on-line e ainda na chamada catalogação na fonte, que consiste na inserção da descrição física do documento no próprio documento.” (ARAÚJO, OLIVEIRA, 2005, p. 39) Através da catalogação o usuário tem acesso às informações físicas do material, como por exemplo, o autor, ano em que a obra foi escrita, quantidade de paginas, qual tipo de material, entre outros. Enquanto a catalogação trata da representação física do material, a Indexação trata da descrição temática da informação, que segundo Vieira (1988, p. 43), “é uma técnica de análise de conteúdo que condensa a informação significativa de um documento, através da atribuição de termos, criando uma linguagem intermediária entre o usuário e o documento”. Pode ser realizada pelo homem (indexação manual), ou por programas de computador (indexação automática). Em suma a indexação é a representação da informação através de termos controlados. Ainda sobre indexação Manini (2002, p. 40) disserta: [...] que vem a ser o levantamento de descritores (termos controlados) ou de palavras-chave (levantamento livre) que o identifiquem e que servirão como ponto de partida para a posterior recuperação de suas informações. A indexação dá origem aos índices, listas alfabéticas de temas de que trata o documento. Neste contexto, o profissional da informação é capaz de gerar através da indexação produtos voltados de forma mais precisa para a recuperação da informação, reduzindo o tempo de busca por parte do usuário. O processo de indexação produzindo uma lista de descritores visa à representação dos conteúdos dos documentos. Ou seja, este processo tem como objetivo extrair as informações contidas nos documentos, organizando-as para permitir a recuperação destes últimos. (KURAMOTO, 1995, p. 3) Visto que a informação existente é muito variada e existe em larga escala, se faz necessário a utilização da indexação. Dessa forma, após a realização desse procedimento o usuário será capaz de encontrar a informação contida nos 27 documentos, de forma precisa, organizada e padronizada. Sobre a recuperação da informação permitida pela indexação, Kuramoto (1995, p. 2) afirma “[...] é preciso que os documentos constantes da base de dados sejam submetidos a um tratamento prévio. Este procedimento permite a extração dos descritores e sua estruturação com vistas a um acesso rápido às informações.” A indexação deve permitir que na hora da busca pela informação por parte do usuário, essa seja relevante, eficaz, para ele. Para o bibliotecário de processo técnico cabe a ele conhecer estes processos e elaborar uma melhor maneira de representar a informação. Partindo deste suposto o bibliotecário tem que estar preparado para trabalhar com a informação em vários suportes. Este deve saber representar a informação dos mais distintos suportes da informação, seja ele físico ou digital, esteja à informação contida em um livro, em uma música ou numa fotografia. Como foi visto anteriormente existem vários tipos de bibliotecas estabelecidas de acordo com a necessidade do usuário e com determinado tipo de documentação. Quanto a formação do acervo das bibliotecas, estes podem ser constituídos por vários tipos de documentos ou apenas por um material específico. A exemplo disto existem os acervos iconográficos, constituídos por um tipo de massa documental especifica. 28 4 ACERVOS ICONOGRÁFICOS Uma vez que a informação surge de forma abundante, esta pode estar contida em vários suportes, gerando assim diferentes tipos de documentos. Com relação a sua forma de apresentação, esta pode apresentar-se de várias formas, seja escrita, através da música ou imagens, em linhas gerais podemos encontrar a informação em toda parte e de várias formas. Isso permite afirmar que a imagem se apresenta como uma importante fonte de informação, que esta contida em vários suportes como as fotografias, folders, gravuras e outros. Conforme Rodrigues (2007, p. 2): A imagem sempre foi um dos principais meios de comunicação na história da humanidade, ainda que por longo período a escrita a tenha sobrepujado em importância. Nos dias atuais ganhou grande destaque, em especial com o advento da Internet e a difusão da comunicação global, em virtude da hipermidiação, que consiste na combinação da informação em suas múltiplas dimensões: texto, imagem e áudio. Parece claro afirmar que a imagem sempre foi uma importante fonte de informação, mas só agora com o avanço das tecnologias de informação, essa está ganhando o devido reconhecimento e importância como fonte de informação. Atualmente, esta se apresenta em diversos formatos. Segundo Estorniolo Filho (2004, p. 12), As imagens estão presentes no mundo cultural (exposições de fotos, indústria cinematográfica, identificação e difusão de objetos de museu...); no mundo científico (visualização de processos, estudos climáticos, medições e localizações geográficas e arqueológicas, observações e diagnósticos médicos, identificações legais...); e os processos educacionais hoje se apóiam cada vez mais na imagem. Nesse sentido, a imagem está presente em toda parte e engloba os mais diversos tipos de materiais. Aos materiais que tem como fonte principal de informação imagens, ícones, e não a escrita damos o nome de materiais iconográficos. Consideram-se materiais iconográficos: Imagens em duas dimensões, opacas, tais como originais ou reproduções de arte, quadros, gravuras, selos, fotografias, desenhos artísticos ou técnicos. 29 Imagens transparentes (destinadas à projeção para serem vistas) tais como: diapositivos (slides), radiografias, transparências. (PEROTA, 1997, p.109) Desta forma os materiais iconográficos têm como base para sua existência a imagem, não importando sua origem e finalidade. De acordo com ABNT 6023 (2012, p.10) o documento iconográfico “inclui pintura, gravura, ilustração fotografia, desenho técnico, diapositivo, diafilme, material estereográfico, transparência, cartaz entre outros.” À medida que as instituições armazenam os materiais iconográficos, estes tornam-se acervos. Acervo iconográfico é o “conjunto de imagens e fotografias que registram as diversidades e mudanças nos modos de representação da figura humana, da natureza e das cidades” (IPHAN)1. Em suma podemos afirmar que um acervo iconográfico é constituído por um banco iconográfico, isto é, uma forma de linguagem visual que utiliza imagens para representar determinado tema. Dependendo da instituição a qual pertence o acervo, este pode ser constituído apenas por um tipo de material iconográfico e contenha uma temática especifica. Geralmente estes acervos são formados por grandes instituições e em sua maioria contam a história da instituição, sendo os acervos compostos em sua maioria por fotografias. De modo similar os acervos iconográficos podem contar a história de uma personalidade. Convém citar aqui dois exemplos de acervos iconográficos que possuem temáticas diferentes: Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e o acervo da Fundação Casa de Rui Barbosa O IPHAN foi criado com o intuito de proteger o patrimônio histórico e artístico nacional. Este possui um acervo iconográfico constituído por um banco de dados com imagens que estão relacionadas ao desenvolvimento artístico do país. Por sua vez o banco de dados do acervo iconográfico da Fundação Casa de Rui Barbosa reúne imagens provenientes do Arquivo Histórico e Institucional (Arquivo) e do Arquivo-Museu de Literatura Brasileira (AMLB). Constituído por imagens relacionadas à trajetória de Rui Barbosa e sua época, e de personalidades relevantes da virada do século XIX e XX; contem também registros do museu casa e seu jardim e de atividades da instituição2. 1 2 Documento on-line, não datado e não paginado. Fonte: Fundação Rui Barbosa. 30 No que se refere à disseminação da informação contida neste tipo de material, deve-se aplicar o devido tratamento técnico a fim de recuperar e disseminar a informação. 4.1 TRATAMENTOS TÉCNICOS DOS ACERVOS ICONOGRÁFICOS Com o avanço das tecnologias, a informação passou a ser gerada de forma muito rapida, gerando assim uma explosão de informação. Para a condensação e recuperação da informação, foram criados vários mecanismos. Conforme a informação se apresenta e de acordo com seu usuário, o seu tratamento, quanto a sua recuperação se modifica. O tratamento dado a um livro é diferente ao dado a uma partitura, o usuário da partitura é diferente do usuário do livro. Processos técnicos como a catalogação e a indexação existem para auxiliar a recuperação da informação. É de suma importância para a recuperação da informação dos materiais iconográficos que estes sejam bem tratados. “É necessário se fazer uma descrição de forma além do conteúdo, de modo a garantir a recuperação da imagem por outras formas, além da textual, criando a necessidade da construção de diversificadas formas de representação”. (SIMIONATO, [20--])3. Neste contexto a catalogação e a indexação surgem como mecanismos de recuperação da informação. O bibliotecário que cataloga e indexa os materiais iconográficos deve ter o conhecimento que este tipo de material apresenta algumas características específicas, dado a relevância que a informação é transmitida através das imagens. “A utilização da imagem fotográfica (e da imagem em geral) não se baliza unicamente por seu conteúdo informacional, mas também por sua expressão fotográfica.” (SMIT, 1996, p.29). Assim sendo o seu tratamento técnico possui um maior cuidado, visto que a informação é transmitida de forma diferente da escrita. Em princípio para que ocorra tratamento técnico de algum material, o primeiro passo é a catalogação. Sobre a catalogação dos materiais iconográficos estes seguem as mesmas regras do AACR2 para os outros tipos de matérias, apenas com 3 Documento on-line, não datado e não paginado. 31 maior destaque na descrição física e nas notas, pois estas áreas possuem informações de maior relevância para a identificação do material. Para Ribeiro (2003, p. 8-5) “estes materiais gráficos, algumas vezes de natureza efêmera, podem ter um tratamento mais simplificado, ou mesmo uma catalogação, mas em primeiro nível de descrição, com um menor número de especificações.” Em suma, o tratamento dado a este tipo de material não é complicado, apenas um pouco diferente de um material em que a informação é transmitida através da escrita. O bibliotecário que cataloga materiais iconográficos deve saber que, a principal fonte de informação é o próprio material. Com esta informação em mente, o bibliotecário será capaz de extrair o máximo de informações contido no material. Há de convir que se o material vier adicionado a algum item que contenha informações sobre si, como etiquetas, este deve ser considerado como fonte extra de informação. Se o item que está sendo descrito for constituído de várias partes físicas, por exemplo, um conjunto de diapositivos, se o seu contêiner apresenta um título coletivo não fornecido pelas partes, este serve como elemento unificador, ou seja, como fonte principal de informação. Se não existe este elemento, um material adicional constituído de texto, manual ou folheto pode ser considerado como fonte de informação. Neste caso, faça uma nota indicando a fonte de informação. (PEROTA, 1997, p. 115) Isso permite afirmar que para uma catalogação precisa, o material como um todo e seus anexos devem ser considerados como fonte de informação. Segundo Gehke (2008,) a informação nos materiais iconográficos é tanto intrínseca (informações retiradas do próprio material) quanto extrínseca (informações obtidas através de pesquisa). Saber quem doou, quando e se o indivíduo fez parte do momento retratado, também é importante para a descrição da imagem. A imagem deve ser investigada, analisada, interpretada. Embora a catalogação se faça como um importante processo de recuperação e disseminação da informação, só esta não basta para que a recuperação da informação seja completa. Como um auxílio e complemento da catalogação surge aindexação. Processo no qual é retirado do material termos chaves para a sua representação, a fim da recuperação da informação. 32 Com relação à indexação de imagens, este tem como principio para a recuperação da informação o próprio item. “O grande desafio é representar a imagem com finalidade documental, propiciando a sua recuperação apropriada em resposta a uma demanda cada vez mais especializada do usuário.” (ESTORNIOLO FILHO, 2004, p. 2). Cabe frisar que ao indexar imagens se objetiva identificar a própria imagem em si, o seu conteúdo informacional, mas também o objeto no qual esta sendo representado nela. Com base em Panofsky (1979 apud SMIT, 1996, p.30) para que ocorra realmente a recuperação da informação das imagens, estas devem ser analisadas em três níveis: Nível pré-iconográfico: nele são descritos, genericamente, os objetos e ações representados pela imagem; Nível iconográfico: estabelece o assunto secundário ou convencional ilustrado pela imagem. Trata-se, em suma, da determinação do significado mítico, abstrato ou simbólico da imagem, sintetizado a partir de seus elementos componentes, detectados pela análise préiconográfica; Nível icológico: propõe uma interpretação do significado intrínseco do conteúdo da imagem. A análise iconológica constrói-se a partir das anteriores, mas recebe fortes influências do conhecimento do analista sobre o ambiente cultural, artístico e social no qual a imagem foi gerada. Isso faz supor que, tudo o que é retratado na imagem deve ser levado em consideração no momento de sua análise, tanto as informações intrínsecas quanto extrínseca. Desse modo nenhuma informação será perdida pelo indexador. Como a imagem geralmente não traz algo escrito sobre si, se faz necessário alguns questionamentos. De acordo com Panofsky (1979 apud SMIT, 1996, p.32): QUEM Identificação dos objetos e personagens. ONDE Lugar, localização geográfica. QUANDO Localização da imagem no tempo, datas. COMO/QUE Descrição de detalhes do objeto focado. Dessa forma, a indexação responderia a todos os questionamentos relacionados à recuperação da informação da imagem. Ao se indexar imagens o 33 bibliotecário deve levar em conta os detalhes, são nestes que a informação esta realmente contida. A fotografia é uma manifestação visual. Nela sempre há um foco central, uma razão de ser que motivou aquela tomada fotográfica. Há que se considerar, contudo, que este motivo central está cercado de informações que a ele se entrelaçam de diversas maneiras. Pode ser importante saber, por exemplo, que prédio é aquele ao fundo de uma fotografia de corpo inteiro de determinada personalidade. E algumas vezes é também importante considerar o extracampo: o que girava em torno deste recorte espaço-temporal que se transformou em fotografia? (MANINI, [20--?]).4 Como se pode ver, com o recolhimento de informações adicionais sobre a imagem, a informação sobre a mesma será recuperada de forma completa, não se perdendo nenhum detalhe, representando todo o contexto ao qual a imagem pertence. Para uma indexação mais precisa ainda é necessário um conhecimento prévio da temática do acervo por parte do catalogador, dessa forma a recuperação da informação ocorreria de forma mais clara. A socialização da informação contida em imagens é de suma importância, mas nem todos dão o devido valor. A imagem como fonte de informação vem aos poucos conquistado seu espaço. “Com a instauração de um novo paradigma do conhecimento, a imagem passa a ser tratada como um significativo repositório de informações que antes passava despercebida.” (AZEVEDO NETTO, FREIRE, PEREIRA, 2004, p. 17). Com relação à informação imagética, como foi afirmado anteriormente, com o advento das tecnologias de informação estas passaram a ter um lugar de destaque. Além da própria natureza complexa do objeto imagético, as diferentes possibilidades de uso desse registro, que podem ir da mera ilustração de textos, passar pela importância como fonte de informações para diversas áreas do conhecimento, até o deleite absoluto da pura fruição estética, encanta e apaixona aqueles que se dedicam em conhecê-lo (SILVA, 2000, p. 169). Dada à relevância que as informações imagéticas possuem como fonte de informação, a sua recuperação e disseminação se faz necessária. Por tudo isso a criação de mecanismos e o surgimento de fontes de recuperação de informação através de imagens se fazem importante. As fontes imagéticas servem muitas vezes 4 Documento on-line, não datado e não paginado. 34 para a construção de opinião, reconstrução da identidade e da história. Neste caso encontramos o Acervo Iconográfico da Escola de Música da UFRN, que contém um acervo riquíssimo de imagens que contam a história da EMUFRN, mas que atualmente não se encontra tratado e socializado. 35 5 O ACERVO ICONOGRÁFICO DA ESCOLA MÚSICA DA UFRN A Escola de Música foi fundada no ano de 1962 e incorporada à Universidade Federal do Rio Grande do Norte nesse mesmo ano, no dia 04 de outubro. Compôs o antigo Instituto de Letras e Artes em janeiro de 1968, e em seguida, passou a ser órgão integrante do Centro de Ciências Humanas Letras e Artes (CCHLA). A Escola de Música da UFRN (EMUFRN) se tornou, ao longo de sua história, uma rica fonte para a música no Rio Grande do Norte (RN), pois a maioria dos músicos do Estado é formada através dessa Instituição. A EMUFR ao longo de história aparece como uma instituição importante para a difusão da cultura, sobretudo da música do Rio Grande do Norte. “Durante as três primeiras décadas de sua atuação, a EMUFRN movimentou a cultura musical no estado: promoveu seminários, recitais, festivais, encontros de bandas, ciclos de conferências e apresentações de professores e alunos.” (HISTÓRICO, 2005). A sua criação também foi fundamental na difusão da música. Elaborando eventos de extensão, a EMUFRN pode levar a música aos quatro cantos do Estado. Em 2002, a EMUFRN tornou-se Unidade Acadêmica Especializada, cumprindo assim objetivos especiais de ensino, pesquisa e extensão. Atualmente, a EMUFRN oferece vários cursos, atendendo desde o público infantil com a Iniciação Musical até a Pós-graduação. Como Unidade de Informação, a EMUFRN dispõe de uma Biblioteca setorial especializada em Música integrada ao Sistema de Bibliotecas da UFRN. Subordinada à direção da EMUFRN, segue as diretrizes técnicas da Biblioteca Central Zila Mamede (BCZM). Tem como missão dar suporte informacional a toda comunidade acadêmica da EMUFRN quanto às atividades de ensino, pesquisa e extensão. Seu acervo é constituído por obras de referências, livros, folhetos, teses, dissertações, monografias e multimeios, notadamente, partituras, cd’s e dvd’s. A Biblioteca Padre Jaime Diniz conta com um considerável acervo sonoro. O referido acervo é composto por CDs. Salientamos que todo o acervo encontra-se digitalizado permitindo o seu acesso ao usuário de forma on-line através do catálogo da biblioteca, que remete a uma página na web exclusiva do acervo. Nesta modalidade o usuário tem a facilidade de recuperar a informação que deseja. Apesar dessa diversidade em seu acervo, a EMUFRN ainda não havia despertado para a inclusão de um acervo iconográfico em sua Unidade de 36 Informação. Ao longo dos anos, a EMUFRN acumulou um acervo de fotografias, programas de concertos, desenhos, caricaturas, anotações e diversos outros materiais iconográficos significativos, caracterizando uma importante fonte documental, capaz de subsidiar o resgate da história da Instituição. Atualmente, esse acervo iconográfico encontra-se na Biblioteca Setorial de Música sem nenhum tratamento técnico adequado. Contudo, exalta-se a sua importância quanto ao resgate da memória da Instituição e, consequentemente, a sua socialização. “Como a imagem assume um papel cada vez mais importante como meio de expressão em nossa sociedade, o profissional documentalista deve considerar a imagem fotográfica como documento, como informação a ser tratada e recuperada” (ESTORNIOLO FILHO, 2004, p. 12). Diante do exposto, é perceptível que o tratamento técnico deste acervo é bastante pertinente, visto que, a catalogação e a indexação permitem a recuperação da informação por parte do usuário. Segundo Barthes (1984) é função do bibliotecário demonstrar a variada presença de signos representados, nem sempre explicitamente, em uma imagem, com o objetivo de tornar acessíveis os documentos de uma coleção. Essa demonstração ocorre através da catalogação e indexação. Consequentemente, o acervo iconográfico da EMUFRN está sendo reunido na Biblioteca Setorial com intuito da sua digitalização e, consequentemente, a difusão da informação contida neste. Para tanto, a direção da Biblioteca Setorial necessita tratamento técnico do acervo, elaborado através da catalogação, mas sobre tudo com ênfase na indexação destas imagens. O Acervo da EMUFRN é composto por vários materiais iconográficos, mas 80% desse é composto por fotografias, que retratam fatos e acontecimentos marcantes na história da EMUFRN, com a participação das personalidades que compuseram esta história, então se dará ênfase a este material. O tratamento do acervo foi iniciado com essas fotografias. Para que ocorra então, a catalogação e a indexação do acervo se faz necessário, uma pesquisa de campo, com aqueles que fizeram parte desta história. O primeiro passo foi dado com coleta da memória oral, através de depoimentos e entrevistas de pessoas participantes da história da EMUFRN. Sabemos que a catalogação deste tipo de material segue as mesmas regras que os outros materiais, mas com a ênfase na área das notas, pois constam as informações extras do material. Uma dificuldade talvez encontrada na catalogação 37 deste tipo de material seja na escolha da entrada principal, visto que, diferentemente de livros e outros materiais escritos, a fotografia não possui um autor e um título principal. Cabe ao catalogador colher informações necessária sobre as fotografias para assim realizar a escolha dos melhores termos para a representação do item. Em suma, a catalogação ou representação descritiva do item é bastante necessária para a recuperação da informação, mas para um melhor entendimento por parte do usuário sobre o item é necessário também que ocorra a sua indexação. Sobre a importância da indexação Manini (2002, p.24) nos diz que “os principais objetivos da operação de indexação de documentos é tornar a sua recuperação eficiente, precisa e rápida.” É através dos termos gerados pela indexação que o usuário recupera a informação que esta precisando. Quanto mais profundo for a análise do documento, melhores serão as chances de sua recuperação. O tratamento da informação gera produtos que podem ser um número, descritores e/ou resumo, relacionados a uma referência. O processo de análise do conteúdo do documento é importantíssimo para a recuperação da informação, pois é dela que resultarão a indexação e o resumo. (MANINI, 2002, p. 32) Diante do exposto, fica evidenciado que, assim como os outros materiais, as fotografias devem ser analisadas no todo, gerando a possibilidade da recuperação da informação através da indexação. As fotografias da EMUFRN geralmente retratam um evento organizado pela Escola, como recitais, recital de conclusão de curso, Semana da Música e outros. Diante do exposto, foi elaborado um formulário de identificação para cada fotografia com os seguintes questionamentos: 1. (Quem) identifique os personagens que compõem a fotografia 2. (Onde) Identifique o local onde foi tirada a fotografia. 3. (Quando) Identifique quando aconteceu esta fotografia. (Uma possível data, ano, estação do ano e/ou década de ocorrência). 4. Você consegue descrever o que os personagens estão fazendo? (Ações, eventos, emoções) 5. Acréscimo de alguma informação complementar a este formulário Refletindo Panofsky, citado no capítulo anterior, sobre os seguintes questionamentos: o que, que, quando, onde e quem, pode-se adquirir informações 38 importantes sobre a imagem. A partir do momento em que o catalogador conseguir extrair das imagens estas repostas se pode dizer que serão pertinentes a sua transmissão. Observemos a figura abaixo: Fonte: Acervo iconográfico da EMUFRN Vejamos um exemplo de uma fotografia sem tratamento técnico. Ao observarmos a fotografia acima o que podemos ver, qual a informação é transmitida? Os que entendem de música dirão que é uma orquestra, e muito provavelmente, tocando dentro de uma igreja. Mas se acrescentarmos as informações recolhidas, catalogarmos e indexarmos a fotografia fará mais sentido para quem a observa. Do que realmente se trata esta imagem? Aplicando o questionário acima citado e as recomendações de Panofsky em que se deve responder alguns questionamentos sobre a fotografia, poderemos passar a verdadeira informação da fotografia acima: Quem: Orquestra Sinfônica da Escola de Música da UFRN O que: Encerramento do ano letivo Quando: ano de 1970 Onde: Na Igreja Santo Antônio, mais conhecida como Igreja do galo Sobre a fotografia acima ainda podemos relatar fatos ligados a ela, para que a informação do fato ocorrido chegue até ao usuário de forma completa, como por 39 exemplo, que: o aluno Glênio Manso Maciel figura como Spalla5 em substituição ao professor Pietro que havia falecido recentemente em acidente de carro no trajeto Natal/Recife, no dia 30 de setembro de 1970 (carro chocou-se com trem em Parnamirim, RN), cujos passageiros eram: prof. Clóvis Pereira dirigindo o carro (fusca azul pertencente aos três professores), prof. Pietro no banco de trás e prof. Emílio Sobel. Em suma estes questionamentos servem de base para a indexação, mas não pode ser o todo. O recolhimento de toda a informação ligada ao material é de suma importância para a recuperação da informação. Quanto mais informação coletada sobre o item melhor será sua recuperação. A quantidade de dados e/ou características de fotografias com os quais queiramos ou possamos trabalhar dentro de um acervo é ilimitada, mas a delimitação é sempre exigida ao profissional da informação. Fazer remissivas, anotar relações entre documentos, criar conjuntos fotográficos, padronizar, classificar, colocar em ordem, controlar um vocabulário, etc.: tudo isto é realizado tendo em vista o usuário.(MANINI, 2002, p. 125) Dessa forma, o usuário do acervo com certeza sairá satisfeito com a recuperação da informação. Muitos autores também afirmam que se deve levar em consideração o porquê da produção da imagem. Visando a socialização do acervo iconográfico da EMUFRN, sugerimos que as imagens que já se encontram digitalizadas, sejam incorporadas ao catálogo do acervo da biblioteca, assim como o acervo sonoro citado acima , obviamente depois de receberem o tratamento técnico devido. Parece pertinente afirmar que após o exposto, o acervo iconográfico da EMUFRN, merece ser tratado e posteriormente divulgado, sendo este uma fonte riquíssima de informação relacionada à história de uma das instituições mais importantes para a música do Estado. Neste contexto a indexação surge como um meio, um mecanismo de recuperação, e consequentemente de disseminação da informação. Mas em relação à indexação de imagens toda a informação que se poder coletar será de grande 5 Afinador da orquestra. 40 utilidade., visto que, a forma de apresentação da imagem possui características próprias. 41 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS A informação sempre acompanhou o homem durante seu percurso histórico e o auxiliou nas tomadas de decisão. Ao longo da história a informação passou a ganhar mais força entre os homens, isto fica evidenciado através da evolução dos seus suportes, como o papiro, pergaminho, papel e meios digitais. Como instituições de preservação da informação surgem às bibliotecas, criadas na antiguidade para a preservação cultural dos grandes centros urbanos. Com a mudança do paradigma da informação as bibliotecas passaram de lugares de preservação e se tornaram lugares de disseminação da informação. Para que a biblioteca atenda as necessidades de seus usuários, sua coleção é formada e organizada para seu público. A política de desenvolvimento de coleções garante isso à biblioteca. Para que a informação pudesse ser transmitida não basta estar contida dentro da biblioteca, é necessária a criação de mecanismos de recuperação da informação. Neste contexto surgem a catalogação e a indexação, entre outras alternativas. Portanto faz-se necessário trabalhar em torno de mecanismos que visam representar a informação na sua forma física ou temática, a fim de sua recuperação. A indexação surge como um processo técnico capaz de representar a informação de forma sucinta, padronizada e organizada, permitindo assim, a recuperação eficaz da informação por parte do usuário. Cabe frisar que a informação se apresenta de várias formas, escrita, oral, musical e imagética. Sobre a informação imagética esta tem ganhado força como fonte de informação através do surgimento das TICs. Com sua vasta expansão, em alguns centros de informação estas podem gerar coleções ou acervos, mais conhecidos como acervos iconográficos, formados por bancos de imagens. E é claro com determinadas características. A catalogação e a indexação deste tipo de acervo merecem um cuidado especial por parte do bibliotecário, visto que, a informação é transmitida através de imagens. O tratamento técnico dado às imagens deve ser elaborado além do conteúdo, visto que a imagem possui características próprias. Na catalogação deve-se dar uma maior ênfase na área de notas e de descrição física. A indexação surge como um complemento da catalogação. 42 Em relação à indexação de imagens, esta ocorre de melhor forma quando se tenta responder os seguintes questionamentos: quem, onde, quando, como e o que. Porém é necessário observar a imagem no todo, seu foco e tudo o que está a sua volta, o porque da existência da imagem. A EMUFRN ao longo de sua história acumulou um vasto acervo formado por gravuras, folders, fotos e outros materiais, que contem em si registros dos 50 anos da escola, capaz de permitir a reconstrução desta história. Diante do exposto conclui-se que a informação existe de forma abundante e que a sua socialização é importante, visto que a informação só ganha sentido de for transmitida. O usuário em contato com a informação é capaz de tomar decisões, reduzir suas incertezas, resgatar sua história ou memória. A informação imagética ganha cada vez mais espaço como fonte de informação, a formação de acervos iconográficos por instituições ou pessoas são a prova disto. Com isso, cabe frisar que seu tratamento técnico se faz importante para a sociedade, pois só através deste tratamento o usuário recuperará a informação no todo. Percebendo a importância da informação contida no acervo iconográfico da EMUFRN, foi proposto a sua socialização. Nesse sentido, a organização do acervo já foi elaborado, pela Biblioteca Setorial da EMUFRN. É perceptível afirmar que, a recuperação e disseminação da informação, só ocorrerá de forma completa, se este for tratado tecnicamente, através de uma catalogação e posteriormente indexação. Recomendamos que a partir dessa análise inicial do acervo sejam elaboradas propostas de socialização das informações contidas neste rico acervo. 43 REFERÊNCIAS ABNT 6023. ACERVO ICONOGRÁFICO. Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional(IPHAN). Disponível em: <http://portal.iphan.gov.br/portal/montar DetalheConteudo.do?id=12316&sigla=Institucional&retorno=detalheInstitucional>. Acesso em: 04 out. 2012. ALVES, Erinaldo. A informação, a cidadania e a arte: elos para a emancipação. Informação & Sociedade: estudos, João Pessoa, v. 7, n. 1, p. 12-25, jan./dez. 1997. Disponível em: http://www.ies.ufpb.br/ojs2/index.php/ies/article/view/351/1598. Acesso em: 18 jun. 2012. 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