DAYANNE MIRANDA DE SOUSA AS NOVAS CONFIGURAÇÕES DE RELACIONAMENTOS AMOROSOS E AS INFLUÊNCIAS NO CASAMENTO Monografia apresentada ao curso de graduação em Psicologia da Universidade Católica de Brasília, como requisito parcial para obtenção no Título de Psicólogo. Orientador: Profª. Dra. Carmen Jansen de Cárdenas BRASÍLIA 2011 Trabalho de Conclusão de Curso de Dayanne Miranda de Sousa, intitulada “As novas configurações de relacionamentos amorosos e as influências no casamento”, apresentada como requisito parcial para obtenção do grau de Psicólogo da Universidade Católica de Brasília em, (data de aprovação), defendida e aprovada pela banca examinadora abaixo: ___________________________________________________________ Profª. Dra. Carmen Jansen de Cárdenas Orientador Graduação em Psicologia – UCB ___________________________________________________________ Profª. Dra. Julia Sursis Nobre Ferro Bucher-Maluschke Graduação em Psicologia – UCB BRASÍLIA 2011 Dedico este trabalho à vocês, meus amados pais, Ildêner e Miranda, como gratidão ao amor e tudo o mais que recebo todos os dias! AGRADECIMENTO É chegada à conclusão de uma importante etapa da minha vida e realização de um sonho, ter a Psicologia como parte de mim. Superei diversos obstáculos ao longo dessa trajetória, o cansaço, a ansiedade e muitas renúncias e acredito que essa realização só foi possível pela presença de todos que, à suas maneiras, estiveram ao meu lado. Aos meus pais, agradeço por guiarem meus passos, me incentivarem com amor e sabedoria e me darem forças construindo e realizando comigo os meus sonhos. Minha querida Mãe, Ildêner, obrigada por dividir comigo os dias de alegrias e dificuldades e pela companhia nas madrugadas em claro. Agradeço ao meu amado Pai, Miranda, por me ensinar a trilhar os melhores caminhos com responsabilidade, honestidade e perseverança. Amo muito vocês!! Aos meus irmãos, Surama, Cynara e Júnior, que sempre acreditaram no meu potencial e estiveram dispostos a me ajudar, estando presentes nos momentos de desespero e na corrida contra o tempo. Ao Lucky Skywalker, o melhor cão do mundo, que com seus gestos de carinho e a doçura do seu olhar renovava minhas energias para seguir em frente. Muito além, me fez sentir uma pessoa melhor e acreditar no amor incondicional. Ao Bruno agradeço pelo incentivo, pelo conforto nas palavras e no carinho. Obrigada também por se manter ao meu lado nas conquistas e também nos momentos de dificuldades compreendendo minhas ausências e tensões. Agradeço à Rayane e Rebeca, “trio ANE”, pela companhia e amizade durante a descoberta da Psicologia, superando textos difíceis com palavras desconhecidas e interpretações quase inalcançáveis. Passamos noites em claro, manhãs de sono, aulas entediantes; tivemos os melhores insights, enxugamos lágrimas e compartilhamos a felicidade a cada avaliação; atendemos juntas o primeiro paciente, o primeiro grupo e comemoramos juntas a nossa formação. Aos professores que, cada um à sua maneira, contribuíram para minha graduação, agradeço pela formação com competência e ética que me proporcionaram. Em especial, agradeço a Deus por me proporcionar o início e o fim desta etapa com a sua luz. Muito obrigada a todos!! “Em todos os grupos sociais, sejam os tribais ou os rurais e tradicionais, sejam os civilizados e modernos, a constituição da família é mediada por certas regras ritualizadas segundo determinados padrões válidos em cada cultura.” Thales de Azevedo RESUMO SOUSA, Dayanne. As novas configurações de relacionamentos amorosos e as influências no casamento. 2011. 37 p. Trabalho de Conclusão de Curso de Psicologia – Universidade Católica de Brasília, Brasília. Os padrões de relacionamentos amorosos estão em constante modificação e se constituem de acordo com características econômicas, sociais, culturais dentre diversos aspectos identificados na sociedade. A compreensão de tais aspectos contribui para o desenvolvimento de psicoterapia de casais, família, adolescentes e até individuais em situações de separações e re-casamentos. Dessa forma, este trabalho visa identificar configurações de relacionamentos amorosos e casamentos na sociedade atual a partir de vivências de casais para compreender de que forma casais consideram que as configurações de seu namoro influenciam e influenciaram seu casamento. Palavras-chave: Relacionamentos amorosos. Casamento. Atualidade. Influência. ABSTRACT The standards of loving relantionships are in constant changing and establish themselves according to economic, social and cultural characteristics among several aspects about society. The comprehension of such aspects contribute to development of couple, family and adolescent psychotherapy until individuals psychotherapy in situation of separation and resumption of marriage. So, this work aim identify configurations of loving relationships and marriages in the actual society, starting with couple experiences to understand how couples consider that the configuration of their lover influency and influencied their marriage. Keywords: Loving relationship. Marriage. Present time. Influence. SUMÁRIO 1. 2. INTRODUÇÃO ................................................................................................................. 9 OBJETIVOS .................................................................................................................... 11 2.1. Geral ........................................................................................................................... 11 2.2. Específicos ................................................................................................................. 11 3. REFERENCIAL TEÓRICO .......................................................................................... 12 4. METODOLOGIA ........................................................................................................... 17 4.1. Métodos ..................................................................................................................... 17 4.2. Participantes ............................................................................................................... 17 4.3. Instrumentos: ............................................................................................................. 17 4.4. Recursos (orçamento): ............................................................................................... 18 4.5. Cronograma ............................................................................................................... 18 4.6. Procedimentos Metodológicos ................................................................................... 18 4.7. Análise dos Dados: .................................................................................................... 19 5. DISCUSSÃO DOS RESULTADOS............................................................................... 20 6. CONSIDERAÇÕES FINAIS E RECOMENDAÇÕES ............................................... 30 7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .......................................................................... 33 ANEXO A – Enetrevista semi-estruturada ......................................................................... 35 ANEXO B – Linha da vida ................................................................................................... 36 ANEXO C – Recursos ........................................................................................................... 37 ANEXO D – Cronograma ..................................................................................................... 38 ANEXO E – Termo de Comprmisso Livre e Esclarecido (TCLE) ................................... 39 9 1. INTRODUÇÃO O casamento foi estabelecido como Sacramento da Igreja na Idade Média (séculos XI – XV), sendo assim considerado até os dias atuais, porém já era constituído desde a Idade Antiga (476 d.C) sendo a primeira instituição de caráter religioso. (COSTA1, 2000 apud MELO; RIBEIRO, 2001). Os relacionamentos amorosos são constituídos de acordo com características econômicas, sociais, culturais, de classe e de gênero das sociedades ocasionando mudanças nas relações conjugais e no imaginário da sociedade acerca do amor, da sexualidade e do casamento (ARAÚJO, 2002) De acordo com Giddens, 1995, diversas mudanças ocorreram após a Segunda Guerra Mundial com o processo de globalização, facilitando o acesso da população a outras culturas através dos meios de comunicação, urbanização, contracultura e alterações nas expectativas e valores morais, dessa forma, as contribuições do processo de globalização também afetou a cultura e costumes brasileiros. As modificações não ocorrem somente nas formas de relacionamentos, atingindo também os sentimentos que os impulsionam, os objetivos e expectativas relacionadas aos laços afetivos. Os relacionamentos conjugais não se constituem a partir do casamento podendo ser influenciado por diversos fatores ocorridos desde o inicio do relacionamento amoroso entre os cônjuges como a escolha do parceiro, estilo e tempo de namoro, convívio marital antes do casamento, dentre outros aspectos (KARNEY e BRADBURY2, 1995 apud MELO; RIBEIRO, 2001). Os casais, em um processo de acomodação, desenvolvem um conjunto padrões relacionais influenciados por comportamentos anteriores a esse processo, no inicio do relacionamento amoroso e, para a criação de um sistema terapêutico, o terapeuta deve experienciar os padrões transacionais da família (MINUCHIN, 1990). Considerando essas afirmações torna-se relevante identificar e compreender os novos formatos de relacionamentos amorosos e de que maneira influenciam os padrões de conjugalidade atuais proporcionando melhores possibilidades de atuação clínica. 1 2 COSTA, G. P. (2000). A Cena Conjugal. Porto Alegre: Artes Médicas. KAMEY, B. R. & BRADBURY, T. N. (1995). The Longitudinal Course of Marital Quality and Stability: A Review of Theory, Method, and Research. Psychological Bullettin, 118 (1): 3-34. 10 Em meio à vasta literatura acerca das transformações nos relacionamentos amorosos percebe-se escassez de pesquisa com foco nas configurações de relacionamentos amorosos e as influências nos padrões de conjugalidade surgiu o interesse em realizar esta pesquisa. 11 2. OBJETIVOS 2.1. GERAL Analisar de que forma casais consideram que as configurações de seu namoro influenciam e influenciaram em seu casamento. 2.2. ESPECÍFICOS Identificar as configurações de relacionamentos amorosos na atualidade. Identificar os formatos relacionais de casais nos casamentos atuais. Categorizar eventos das vivências de namoro referidos pelos participantes atualmente casados. 12 3. REFERENCIAL TEÓRICO “Aos solteiros e às viúvas, digo que lhes é bom se permanecerem assim, como eu. Mas, se não podem guardar a continência, casem-se. É melhor casar do que abrasar-se.” (I Coríntios, 7:8-9). Dessa forma o casamento era visto pela igreja como alternativa de prevenção do pecado. Durante o período colonial brasileiro, por volta de 1530 até a proclamação da independência da república, o casamento era uma forma de alianças familiares com objetivo de fortalecer o poder social, econômico e político das famílias em união arranjado na maioria das vezes pelos pais (AZEVEDO 1986). A partir do século XIX a escolha do marido para a filha da família continuou a ser feita pela figura paterna, porém com interferências da mãe e iniciou-se a dar importância à voz dos noivos em questão, a partir daí surgiram às primeiras configurações de namoro e noivado, em que o namoro era constituído de troca de manifestações de interesses entre os pares e comunicação, e noivado era a oficialização do compromisso futuro de casamento. Tal tendência surgiu mais precisamente ao fim do século 18 com a revolução sexual na Europa em que os jovens começaram a se relacionar por motivações individuais, sendo marcados pelo namoro romântico e o casamento por amor (AZEVEDO, 1986). Após as grandes mudanças ocorridas com o fim da Segunda Guerra Mundial, principalmente a modernização das cidades surge o padrão de namoro moderno e a paquera, ou “flirt”, em que demonstrações públicas de interesse e afeto que ocorriam em praças, sorveterias, cafés, teatros ou jardins, tornando o assunto de casamento e escolha dos cônjuges mais ligada aos noivos do que aos pais (AZEVEDO, 1986) Com essas modificações, os relacionamentos amorosos passam a ser marcados por relacionamentos breves, voltados para satisfação de necessidades imediatas individuais, até que dure o interesse das partes envolvidas ou que surja uma nova opção em vista, construindo a cultura do descarte (JUSTO, 2005). O “amor romântico” teve inicio a partir do “amor cortês”, em que a amada era casada e seu amante não era seu marido, porém era capaz de qualquer sacrifício para provar seu amor. Tal amor ainda se diferenciava do “amor cavalheiresco” do qual era ligado ao adultério 13 e a mulher era colocada em posição inferior ao homem, dependendo de suas iniciativas (MCFARLANE3, 1990 apud ARAÚJO, 2002). Oltramari, 2009 afirma que o “amor romântico” é inalcançável e sendo assim, é marcado por uma busca contínua. Já Simmel, 1909/2001, aponta que quando o amor passa a não existir quando seu objeto amado é alcançado, pois acredita que quanto mais é difícil alcançá-lo, sua busca aumenta. Há também o “amor-paixão” marcado por urgência e relações invasivas que levam os parceiros a ignorar outros relacionamentos. Alguns aspectos do “amor-paixão” podem ser encontrados, como por exemplo, a expectativa de que os sentimentos existentes entre o casal no inicio do relacionamento voltem à tona (GIDDENS, 1993). Segundo Araujo, 2002: O amor, no sentido moderno de consensualidade, escolha e paixão amorosa, não existia no casamento, sendo, em geral, vivenciado nas relações de adultério, e a sexualidade não era vivida como lugar de prazer, sua função específica, era a reprodução. O “amor conjugal” ligado ao “amor-paixão” não dura, tendo fim os relacionamentos baseados nele (ARAÚJO, 2002). Os adolescentes estão vivendo a transição do “amor romântico”, jurado à eternidade e fincado na renúncia, fidelidade e confiabilidade, ao “amor confluente”, que exigem correspondência e baseados em interesse de suas partes e apresenta a possibilidade de independência, autonomia e realização (GIDDENS, 1993). Nos relacionamentos atuais as individualizações são a causa do fracasso dos casamentos realizados baseados no amor, pois as características dos relacionamentos fundados no “amor romântico” não possibilitam o desenvolvimento da individualidade dos parceiros (GIDDENS, 1993). Dessa forma, Pascual4 (1992 apud SCORSOLINI-COMIN; SANTOS, 2010) já destacava que em relações matrimoniais em que há forte contradição entre atitudes valorizadoras da identidade pessoal dos cônjuges e da identidade conjugal, o casal cria limites rígidos ou apaga as fronteiras entre eles. 3 3 MCFARLANE, A. História do Casamento e do Amor. São Paulo: Cia das Letras, 1990. PASCUAL, J. G. (1992). Interação das dimensões de individualidade e de conjugalidade no recasamento. Revista Psicología, 9/10(1/2), 129-144. 14 O “amor romântico” está em declínio, porém não significa a inexistência ou a incapacidade da existência do sentimento nos dias atuais, mas os padrões de relacionamento para que sejam considerados amor foram baixados e assim outras formas de relacionamento distantes de serem fundadas no “amor romântico” já são consideradas amor (BAUMAN, 2004). Amor e paixão se diferenciam na modernidade pelo tempo, estabilidade e confiança necessários para a existência do amor, mas os dois sentimentos têm fim com o casamento (LUHMANN5, 1990 apud OLTRAMARI 2009). Percebe-se, portanto, que a instituição do casamento está em pleno declínio, porém estamos hoje em busca de novos padrões de relacionamentos satisfatórios e funcionais que facilitem a diferenciação e o desenvolvimento psicológico e emocional dos parceiros (DINIZ-NETO e FÉRES-CARNEIRO6, 2005 apud SCORSOLINI-COMIN; SANTOS, 2010). Nos casamentos atuais a intimidade é fundamentada em novos valores como amizade e companheirismo (OLTRAMARI, 2009). Portanto, tais relacionamentos conjugais estão sendo estabelecidos prazerosamente, sendo possível perceber a diferença entre a vivência da conjugalidade, quando os cônjuges sentem-se amados e constroem projetos de vida juntos, e a não vivência da conjugalidade, quando não há o sentimento nem construções em comum (APOSTOLIDIS e DESCHAMPS7, 2003 apud OLTRMARI, 2009). Os casais também passam a vivenciar o conflito entre a valorização da individualidade, autonomia dos cônjuges e o desenvolvimento pessoal e a vivencia da conjugalidade do casal, realizações comum entre os parceiros e os projetos conjugais (FÉRES-CARNEIRO, 1998). A sexualidade também foi modificada de acordo com as características de relacionamentos presentes na modernidade, as relações sexuais passaram a ser configuradas narcisicamente, porem ainda existe a idéia de que os limites entre os parceiros podem acabar fundindo-se um ao outro (BOZON8 2001a, 2004a apud OLTRMARI, 2009). 5 LUHMAN, N. (1990). Amour comme passion: de la codification de l`intimite. Paris: Aubier. 6 DINIZ-NETO, O., & Feres-Carneiro, T. (2005). Psicoterapia de casal na pós-modernidade: rupturas e p0ssibilidades. Estudos de Psicologia, 22(2), 133-141. 7 APOSTOLIDIS, T; DESCHAMPS, J.-C. (2003). Une Approche Psychosociale De L’amour: Logiques normatives et représentations. Dans Nouvelle Revue de Psychologie Sociale, 2(2) 216-227. 8.1 BOZON, M. (2001a) Les cadres sociaux de la sexualité. Dans Sociétés contemporaines. 41-42, 5-9. 7.2 BOZON, M. (2004a). A nova normatividade das condutas sexuais ou a dificuldade de dar coerência às experiências intimas. Em Heilborn, M. L. (Org.), Família e sexualidade. (pp.119-150). Rio de Janeiro: FGV 15 Inicia-se a “sexualidade plástica” sem objetivo de reprodução originada no fim do século XVIII, com a necessidade da redução familiar. Esse novo formato de sexualidade contribui para o surgimento do “relacionamento puro”, centrado na confiança, compromisso e intimidade, mas que pode ser terminado a qualquer momento à vontade de seus parceiros (GIDDENS, 1993). O “pegar”, o “ficar” e o “namorar” podem ser considerados os novos formatos de relacionamentos amorosos constituídos pelos adolescentes. O “pegar” foi caracterizado pela espontaneidade, sem compromisso e com interesse apena no físico. Já o “ficar” se caracteriza por um relacionamento com mais proximidade e com possibilidade de se transformar em um “namoro” (OLIVEIRA et. al, 2007). Na atualidade não há lugar para relacionamentos duradouros, com projetos ao futuro surgindo formas de relacionamentos breves sem compromisso como o “ficar” que envolve troca de carinhos, beijos, abraços, porém não implica em envolvimentos futuros (JUSTO, 2005). A prática mais comum envolve beijos, abraços e carinhos. Outra característica importante é que o "ficar" não implica compromissos futuros e é visto como um relacionamento passageiro, fortuito, superficial, sem maiores conseqüências ou envolvimentos profundos.” (JUSTO, 2005). O “namoro” é um relacionamento iniciado pelo “ficar”, com liberdade de ação entre as partes e, com o tempo assume maior compromisso (OLIVEIRA et. al, 2007). A maioria dos jovens, de ambos os sexos, citam o “ficar” como relacionamento amoroso mais presente em suas vivências, porém o “namoro” é o mais citado quando se trata de preferência entre os tipos de relacionamento, uma das hipóteses para essa discrepância seria a preferência por vivenciar diversas experiências e parceiros, o “ficar” antes de tomar decisões realistas e viver relacionamentos que transmitem sensação de segurança e amparo, mas que necessitam de envolvimento e compromissos, o “namoro” (JUSTO, 2005). As configurações de relacionamentos amorosos estabelecidas atualmente manifestamse na diminuição de casamentos realizados no civil e religioso entre os anos de 1980 e 2000, de 66,77% para 49,48%, e também o aumento de uniões consensuais, não institucionalizadas (IBGE, 2000). Além disso, o casamento tem acontecido cada vez mais tarde no ciclo de vida (MCGOLDRICK9, 1995 apud MELO; RIBEIRO, 2001), fator que se confirma ao analisar a 9 MCGOLDRICK, M. (1995). A União das Famílias Através do Casamento: O novo Casal, In CARTER, B., MCGOLDRICK, M.& Cols. As Mudanças no Ciclo de Vida Familiar: uma estrutura para a terapia familiar, p. 184-205. Porto Alegre: Artes Médicas 16 taxa de casamentos civis, ou religiosos com efeito civil, realizados no Brasil entre pessoas de 20 a 24 anos, entre os anos de 2003 e 2009 diminuiu, enquanto os casamentos institucionalizados entre pessoas com mais de 25 anos aumentou (IBGE, 2000). Féres-Carneiro, 1998 afirma que houve crescimento no número de separações conjugais, segundo ela, pela grande importância do casamento para os cônjuges que não aceitam quando a relação não atende às expectativas. Tal fator impulsiona o recasamento pelos divorciados, formando novas famílias com características particulares. Porém, as altas taxas de separações conjugais tiveram crescimento constante até inicio dos anos 2000, quando começaram a diminuir progressivamente, aspecto que pode estar relacionado às mudanças nas configurações de relacionamentos amorosos na atualidade. Considerando estas reflexões, esta pesquisa se propõe a analisar de que forma casais consideram as influências em seu casamento a partir da configuração de seu namoro. 17 4. METODOLOGIA 4.1. MÉTODOS Essa pesquisa tem caráter qualitativo que se aplica ao estudo de produtos das interpretações, história, crenças, percepções, relações, que os homens fazem a respeito da forma como vivem, sentem e pensam (MINAYO, 2008). Foi utilizada a abordagem de estudo de caso que tem foco em fenômenos contemporâneos relacionados à vida real cujo pesquisador tenha pouco ou nenhum controle (YIN, 2004). 4.2. PARTICIPANTES O estudo se realizará com dois casais heterossexuais. Serão utilizados os seguintes critérios para a seleção dos casais: Participação voluntária Inclusão: Os casais deverão ser casados no civil e no religioso, com até 3 anos, sem filhos, não possuam experiência conjugal anterior e tenham idade até 29 anos. 4.3. INSTRUMENTOS: Entrevista semi-estruturada (Anexo A) Linha da Vida com foco no relacionamento do casal (Anexo B) 18 4.4. RECURSOS (ORÇAMENTO): Anexo C 4.5. CRONOGRAMA Anexo D 4.6. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS Esta pesquisa foi submetida ao Comitê de Ética e Pesquisa (CEP) da Universidade Católica de Brasília (UCB) para aprovação. Após a aprovação pelo Comitê de Ética e Pesquisa, foi realizado contato com contato com os casais para o convite de participação na pesquisa. Aos participantes que estiveram de acordo coma participação na pesquisa, foi marcado um encontro para aplicação dos instrumentos que aconteceu em local escolhido pelos mesmos. Os casais foram entrevistados conjuntamente. No encontro, inicialmente foi solicitado aos participantes que assinassem o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) (Anexo E) em que foram explicitadas condições para participação na pesquisa como riscos e/ou benefícios, custos, pagamentos e indenizações e possibilidade de desistência, os casais assinarão um termo para o casal. Na coleta de dados será realizada uma entrevista semi-estruturada (Anexo A) com duração de até 1 hora, conversa com finalidade que combinam perguntas abertas e fechadas e asseguram que as hipóteses ou pressupostos do entrevistador sejam abarcados (MINAYO, 2008). Posteriormente foi aplicada a linha da vida com foco no relacionamento do casal (Anexo B), que permitiu que os cônjuges relatassem fatos importantes de sua relação, que se relacionam com fatores de relevância para a pesquisa. A aplicação desse instrumento teve duração em média de 30 minutos. 19 A participação ativa dos dois cônjuges foi facultativa e coube ao casal estabelecer sua participação. Todos os relatos dos participantes foram registrados por gravação de áudio, sendo posteriormente transcritas e os nomes dos participantes foram substituídos por nomes fictícios para assegurar a identidade dos mesmos. 4.7. ANÁLISE DOS DADOS: Os dados obtidos em relatos das entrevistas semi-estruturadas e da apresentação da linha da vida do namoro dos casais fundamentarão a análise de conteúdo (BARDIN, 2009). O processo de análise consistiu em descrição dos relatos obtidos, leitura flutuante, identificação de unidades de sentido, categorização e interpretação sendo possível compreender além dos significados imediatos da linguagem (BARDIN, 2009). 20 5. DISCUSSÃO DOS RESULTADOS Após a análise das informações obtidas sobre os sujeitos a partir dos instrumentos utilizados durante a pesquisa que incluíram gravações, os relatos dos participantes foram transcritos e os trechos significantes para a pesquisa foram extraídos para compor os resultados apresentados a seguir. Os resultados foram analisados a partir de análise de conteúdo conforme categorização em namoro, noivado e casamento. As categorias foram estabelecidas de acordo com Azevedo, 1986 que considera o casamento, como a constituição da família, e tendo obrigatoriamente como antecedente a fase do noivado, em que se firmam o acordo entre os cônjuges e suas famílias. Já o namoro, após o século XIX, se constitui como uma das fases de escolha de cônjuges, que acontece antes do noivado, marcado pela correspondência afetiva e atração física entre o futuro casal. Partindo do estudo de teorias acerca dos relacionamentos amorosos ao longo da história até a atualidade e relacionando-as aos resultados obtidos, foi possível perceber importantes aspectos relacionados aos formatos de relacionamentos amorosos atuais, incluindo as relações conjugais bem como as vivências nos relacionamentos amorosos que influenciam nas relações conjugais atuais. Os casais participantes da pesquisa foram Luana e Paulo, Casal 1, e Mara e Lucas, Casal 2, lembrando que estes são nomes fictícios para garantir o sigilo das informações e assegurar a identidade dos participantes. O namoro: Luana e Paulo (casal 1) estão casados há 1 ano. Conheceram-se no primeiro dia de aula na universidade, em 2004. O casal namorou durante 3 anos e ficaram noivos por 1 ano e 4 meses. Luana completou dizendo “Fomos amigos até 2006 quer dizer, ainda somos até hoje, mas em 2006 começamos a namorar.”. O Casal 2, Mara e Lucas, estão casados há 2 anos e 3 meses. O casal namorou durante 2 anos e 6 meses, tendo início 4 dias depois que o casal se conheceu. Inicialmente pudemos analisar que o início do relacionamento dos dois casais caracterizou-se por um relacionamento sem compromisso pautado pelo “ficar”, iniciada por Paulo e Lucas com o incentivo de amigos. Luana relatou: 21 Foi ele ajudado por uma amiga nossa que percebeu que eu tava gostando dele e sabia que ele era muito tímido e chegou para dar um cutucão [...] A minha amiga foi lá conversou com ele ai ele resolveu me pedir um beijo e começamos a namorar. Mara também comentou sobre como o casal começou a se relacionar: Chegando lá o amigo dele e namorado da minha prima disse que ele queria ficar comigo. E eu disse como que eu ia ficar com uma pessoa que nem conheço? Nós sentamos e conversamos e pronto, rolou o beijo e pronto. Somente após esse primeiro passo de relação por iniciativa de Paulo e Lucas, é que se configurou o namoro, já seguindo os padrões de relacionamentos atuais. Ao pontuarem a rotina do casal durante o namoro o Casal 1 relatou ter tido intensa convivência realizando juntos as atividades do dia-a-dia como estudo, estágio e prática de esportes [..].em 2006 a gente começou a fazer estágio juntos, eu entrei primeiro aí arrumei vaga pra ele. Aí saímos daqui e eu ia pra casa dele, almoçar, dormir e se arrumar e a gente ia pro estagio [...] no meio de 2008 começamos a fazer taekwondo aqui na UCB. Luana e Paulo ainda apontaram terem sido questionados por amigos se não enjoavam de estar juntos, Luana logo afirmou dizendo que “A gente se conheceu na faculdade, se via todo dia, e ainda ficava junto depois da aula. Mas a gente nunca enjoou da cara um do outro.”. E logo Paulo comentou contra a fala de Luana dizendo “Se eu me enjoasse não ia falar. Tem dias que eu fujo e vou pro trabalho, penso ‘não vou ficar aqui não porque senão o bicho pega!’”. Já o Casal 2 relatou pouca convivência durante o namoro devido a trabalho e estudo em locais diferentes e também os limites impostos pela família de Mara que apenas permitia o encontro do casal aos fins de semana em programas como cinema, passeios a shopping, lanchonetes e igreja. Lucas relatou que “Então nos víamos nos finais de semana, principalmente sábado à noite e domingo a gente assistia a missa e depois se via, se encontrava. Era assim, e nos feriados também.”. Sobre a convivência Mara disse “[...] e às vezes só no sábado ou só no domingo também. A gente ia sempre pro cinema e pro shopping, mais nada, que era só pra ir namorar.” complementando a fala do marido. Mara ainda acrescentou que deveria estar acompanhada de suas irmãs na maioria dos encontros do casal, segundo ela “Se eu quisesse ver ele eu não podia ficar em casa namorando a sós com ele. E se eu tivesse que sair de casa eu tinha que levar as minhas irmãs junto.”. 22 Mara e Lucas também ressaltaram o fato de não poderem sair ou ficar em casa a sós, devendo estar, na maioria das vezes, acompanhados pelas irmãs de Mara. Essas atitudes se assemelham a padrões de comportamento típicos do fim do século XIX e início do século XX em que as mulheres consideradas “moças de família” deveriam ser resguardadas por suas famílias no inicio de relacionamentos contra pessoas sem comprometimentos ou sem qualificações (AZEVEDO, 1986). Mara também supôs que sua madrasta impôs limites a fim de mostrar à sociedade o mérito de manter a virgindade de Mara durante seu namoro. Esses aspectos refletem o tradicionalismo de épocas em que a honra e a reputação da pureza da moça durante o namoro eram preservados pelo controle da família através da presença de familiares nos encontros do casal (AZEVEDO, 1986). Ambos os casais apontaram terem horários para voltar para casa, quando saíam juntos. Luana relatou que caso ultrapassasse o horário imposto pelo pai, ela e o namorado ouviam sermões do pai logo quando chegavam. Paulo comentou “[...] sempre tinha que fazer um programa que não voltasse muito tarde pra casa porque o pai dela não deixava voltar muito tarde.”. Luana complementou a fala do marido sobre os limites estabelecidos por seu pai: Meu pai falou desde o inicio quando ele foi me pedir em namoro meu pai explicou desde o inicio como eram as regras, porque ele é militar então sempre foi muito rígido principalmente com horário. Então era assim, 22h em casa. Por esse motivo, Paulo saia diversas vezes com os amigos sem a companhia de Luana, ela apontou “Quando ele saia era com os amigos dele, pra shows ou algum lugar que eu não podia ir. Às vezes ele ficava na casa dos amigos dele até mais tarde no fim de semana.”. O Casal 2 também relatou ter passado por situações parecidas às de Luana e Paulo do horário para voltar para casa. Luana comentou “Questão de reuniões de família eu tinha que sai das festas e o Luis ficava e eu ia embora [...] Às vezes ia pros lugares e tinha que voltar antes de todas as pessoas também.”. Mara afirmou que, caso não chegasse aos horários estabelecidos pela madrasta não mais poderia entrar em casa naquela noite dizendo “Sempre tinha horário pra chegar, se não chegasse ficava fora de casa.”. Mara também relatou algumas necessidades do casal durante o período do namoro como “Sermos mais companheiros, se ver com mais freqüência e tempo [...] E sair com mais freqüência, sem horário de chegar.”, mas que não eram permitidas por sua madrasta. O casal demonstrou desejo em ultrapassar os limites impostos pela madrasta de Mara, ela comentou: 23 Pensava, discutia, só que quando eu discutia com ela, eu nem saia com Lucas no fim de semana e ela descontava no meu pai. Então eu pensava que eu ia casar e meu pai ia ficar e como meu pai já tinha perdido minha mãe eu não discutia com ela. Então o casal passou a mentir sobre os programas que faziam, Mara relatou: Muitas vezes a gente falava que ia ao cinema e não ia para o cinema pra gente poder namorar. A gente até chegava a olhar o cartaz do cinema pra poder dizer qual foi o filme que assistiu e o horário da sessão pra poder dizer quando chegava. Ia pro último andar do shopping pra poder namorar sossegado. As limitações de horários para que mulheres voltassem para casa ao saírem com noivos e namorados já acontecia no século passado com objetivo de proteger as moças de avanços nas relações de intimidade dos casais, sendo durante alguns anos às nove horas no Brasil Colonial em que o Reino determinava que as pessoas se recolhessem com as badaladas dos sinos das igrejas e rondas dos guardas-noturnos, este era também o horário para que as filhas voltassem para casa na Inglaterra (AZEVEDO, 1986). O Casal 2 demonstrou o interesse em usar de anel de compromisso no dedo anular da mão direita, quando o casal completou um mês de relacionamento conforme comenta Monteiro10, 1968 apud Azevedo, 1986. Nesse sentido Mara disse: A questão das alianças prateadas que ele comprou e nós não pudemos usar porque fomos proibidos. A gente só ia fazer 1 mês de namoro, minha família não aceitou...não entendeu, mandou tirar as alianças porque estava muito cedo e quando ele chegasse de viagem se visse que era isso mesmo que ele queria aí podíamos colocar. Porém, conforme Mara relatou que o uso das alianças não foi autorizado por sua família com intuito de preservá-la e garantir a seriedade da relação, resguardando-a contra agressões ou evitando o compromisso precipitado com pessoas desconhecida (AZEVEDO, 1986). Os casais também apresentaram algumas dificuldades durante o namoro pelo fato de Paulo e Lucas terem costumes e liberdade diferente de Luana e Mara. Ainda a respeito dos limites Paulo complementou dizendo “[...] eu senti mais porque eu já tinha liberdade de sair e voltar mais tarde... tinha que ficar correndo contra o tempo porque senão não dava tempo de sair.”. Mara apontou alguns conflitos com a mãe de Lucas ressaltando as diferenças de costumes entre o casal, principalmente pelo fato de Mara ter o propósito de manter a virgindade até o casamento. Azevedo, 1986 afirmou que “durante algum tempo, qualquer experiência sexual, ainda que com o namorado ou noivo, reduziria a possibilidade de casamento”. Nessa perspectiva, Mara apontou que “Ela comentava com o Lucas o fato deu 10 MONTEIRO, Mons. E. Namoro e Casamento. 2. Ed. Salvador, Mensageiro da Fé, 1968. 24 não fazer sexo com ele. Porque pra ela eu deveria fazer, como ele já fazia com a outra namorada ela achava que isso fazia mal pra ele.”. Azevedo, 1986 afirmou que durante algum tempo, qualquer experiência sexual, ainda que com o namorado ou noivo, reduziria a possibilidade de casamento. A manutenção da virgindade não aconteceu devido aos controles exercidos pela família de Mara, de acordo com os costumes descritos por Azevedo, 1986, mais sim por motivação pessoal de Mara. O noivado: O Casal 1 apontou ter tido mais liberdade dada pelos pais após a oficialização do noivado, assim como nos relacionamentos em meados do século XIX em que os casais tinham mais liberdade quando formalizavam o noivado (WAGLEY11, 1957 apud AZEVEDO, 1986). Conforme Luana “[...] no noivado ele (o pai) começou a ficar um pouco mais maleável. Se eu ligasse assim ‘Pai vou assistir um filme começa tal hora e termina tal. Posso?’ e ele falava: ‘Pode assistir.’”. Já o Casal 2 acrescentou que o noivado trouxe alguns conflitos entre o casal e a mãe de Lucas, de acordo com Mara “[...]A mãe dele começou a não me aceitar mais, não aceitava nosso casamento, nosso noivado. O Lucas não podia mais pegar o carro pra gente sair, tínhamos que fazer tudo de ônibus [...]”. O Casal 1 relatou que o namoro foi muito bom. Segundo Luana“[...] o relacionamento era muito bom, muito gostoso a gente tinha muita coisa em comum.”. Ao analisar os aspectos do namoro que foram importantes para a relação conjugal que o casal construiu, Luana comentou: [...] acho que amizade e dialogo, a gente aprendeu a conversar e nunca deixamos nada para resolver no dia seguinte [...] E a amizade que a gente já tinha de antes, muita afinidade. Ele teve muita paciência, foi muito companheiro. Porque não é todo mundo que entende isso hoje em dia. Luana reconheceu a família como fator importante para a construção da relação conjugal, ela disse “[...] a gente tem famílias bem estruturadas que deram muita base pra gente pra casar, a gente sabe muito bem o que era um casamento, então as relações são bem tranqüilas.”. Já o Casal 2 considerou como importante a compreensão entre o casal durante diversos conflitos e dificuldades enfrentados por eles. Lucas disse “[...] pra mim isso foi muito 11 WAGLEY, Charles. Uma comunidade amazônica. Trad. S. S. Costa. São Paulo, Nacional, 1957. 25 importante na questão do apoio que ela me deu, foi muito importante.” comentando sobre o período que passou desempregado durante o namoro. Mara também relatou que um momento que considerou importante durante o namoro do casal foi durante a sua formatura da faculdade. Mara acrescentou dizendo“O Lucas me ajudou a terminar a monografia e a pagar o restante da minha festa.”. A compreensão de Lucas também foi apontada por Mara como fator importante para o casal, ela comentou “Ele me compreendia mais, ele ouviu muitas coisas da minha madrasta. Se fosse outro teria virado as costas e ido embora, nem olhado mais pra trás.”. Lucas ainda disse “[...] um período que realmente a gente pode se conhecer melhor e pode conhecer a pessoa que ia ficar do nosso lado.” enfatizando a importância do namoro na relação do casal. O casamento: O casal destacou ainda alguns aspectos que facilitariam a convivência do casal após o casamento e o enfrentamento das dificuldades no processo de construção da conjugalidade. Mara comentou “[...] pensamos que o nosso amor é o que iria ajudar, e nosso companheirismo, nossa compreensão, amizade porque ficamos muito amigos, somos ombro amigo um do outro.”. Tais relatos apresentam características como companheirismo e compreensão, características “para os casais estabelecerem relacionamentos prazerosos, assim como a vivência da conjugalidade pelos casais percebida pela construção de planos de vida juntos. Oltramari, 2009”. Luana ressaltou que “E estamos nos organizando, pretendemos mudar até o fim do ano pra ter um pouco mais de vida de casado.”. Lucas também comentou alguns planos para o futuro como a compra da casa própria, segundo ele “[...] ainda estamos tentando, mas uma hora nos conseguimos.”. Mara também complementou falando dos planos para o futuro do casal dizendo “[...] que deus continue abençoando a nossa união sempre, por muitos e muitos anos a espera de nossos cinco filhos.”. O pedido de casamento, marco oficial do noivado com a presença das famílias em uma celebração como destaca Azevedo, 1986 fora apenas relatada pelo Casal 1, porém não seguiu os costumes tradicionais brasileiros estabelecidos no século XIX. Paulo descreveu: Ai foi no dia do aniversário dela que eu falei que ia fazer um bolo e dar de presente [...] quando fomos cantar parabéns eu falei que o bolo era de brincadeira e mandei 26 trazer o bolo de verdade e no bolo tava escrito o pedido de casamento com a aliança em cima. Os casais colocaram como motivação para o casamento a necessidade de liberdade e privacidade, apontando não terem esses aspectos durante o namoro devido os limites impostos pelos pais. Sobre as motivações para o casamento Luana comentou: Também pra gente ter um pouco mais de liberdade porque já tínhamos um relacionamento de 4 anos e não tínhamos liberdade porque meu pai era muito rígido com as regras e a gente precisava ter um espaço mais pra gente. Mara e Lucas também apontaram a necessidade de liberdade para o casal. Mara destacou “[...] a decisão foi tomada a partir de querer nossa liberdade, nossa privacidade, ter nosso cantinho [...]”. O Casal 2 relatou diversos obstáculos para o casamento devido à dificuldade financeira enfrentada pelo casal durante o noivado: [...] a gente tinha muito medo das batalhas, das contas, das dívidas, de como, trabalhando o dia inteiro, íamos arrumar a casa, lavar, passar... sabíamos que nada disso seria fácil. Se a gente fosse esperar ter condições financeiras a gente estava esperando até hoje. Já o Casal 1 não demonstrou tal preocupação antes do casamento, porém apontou conflitos entre o casal após o casamento. Luana comentou que “O único conflitinho que a gente ainda tem de vez em quando é porque eu fico um pouco pra baixa por não ter a nossa casa sabe?”. É pertinente aos casais, durante o noivado, a preocupação com a sua situação financeira futura, após o casamento. Principalmente em relação à compra de casa própria e pagamento de contas. Nesse aspecto, percebe-se que os costumes sobre as condições financeiras do casal diferem de costumes de até meados do Século XIX em que um namorado propor um noivado caso não assegurasse à noiva boas condições financeiras, com comodismo e sem preocupações financeiras (AZEVEDO, 1986). Acerca da influência dos pais na decisão do casamento, o Casal 1 destacou pouca interferência dos pais tanto nas opiniões dadas ao casal sobre o relacionamento, quanto na permissão para o casamento, apontando apenas a importância de Paulo ter conversado com os pais de Luana antes de realizar o pedido de casamento oficialmente, ela comentou que “Vai que meus pais falavam que eu não ia casar né?!”. A fala de Luana acerca do anúncio do casamento aos seus pais demonstrou na pesquisa que Paulo havia consultado os pais de Luana apenas inconsciente para cumprir a práticas culturalmente estabelecidas após a Segunda Guerra Mundial em que a escolha dos cônjuges passou a ser realizada pelo casal, com pouca influência dos pais (AZEVEDO, 1986). 27 Já o Casal 2, não considerou a não aceitação do casamento pela mãe de Lucas, enfrentando diversos conflitos familiares envolvendo ofensas, agressões e até mesmo o término do namoro, de acordo com Mara: [...] ela escreveu uma carta pra ele dizendo que não era mais mãe dele. E foi quando a gente chegou a terminar por 5 minutos, ele falou que não dava certo porque eu ia ficar convivendo com esse tormento da mãe dele a vida toda. A gente chorou e resolvemos enfrentar todas as dificuldades juntos e seja o que Deus quiser. Ainda assim, resistiram a não aceitação da mãe e Lucas ao casamento e prosseguiram com o noivado. Tal fato se contrapõe ao costume de grande influência da figura paterna ao casamento da filha, mudanças que ocorreram durante o século XIX (AZEVEDO, 1986). Azevedo, 1986 afirma que a solenidade religiosa do casamento, em sua maioria, é valorizada apenas por confirmar o significado de constituição de família e pela formalidade. Para ambos os casais, o casamento religioso foi o ritual de maior importância dentre as solenidades do casamento. Porém Luana argumentou: Em julho casamos no civil porque eu queria fazer os documentos já com nome de casada [...] Mas ficou cada um na sua casa [...] Ficamos cada um no seu cato com se tivesse noivo ainda porque a gente queria casar com a benção de Deus, e aquele ali que era o marco do casamento e não o civil. O Casal 2 também acrescentou a importância da religiosidade para o casal. Mara afirmou: A gente sempre coloca o amor de Deus na nossa vida, e a gente colocou em nossa mente que tínhamos que freqüentar a igreja que deus ia ajudar em nossas batalhas e tudo. Mudou realmente a fé, fortaleceu muito e em todas as noites a gente faz a leitura, a gente reza. Dessa forma, consideraram o ritual religioso de seus casamentos como o marco oficial, de maior importância devido à benção de Deus e suas relações com a igreja e a fé, referindose ao casamento civil apenas como uma formalidade. Tanto o Casal 1 quanto o Casal 2 apontou a conquista da independência, o desenvolvimento pessoal e conjugal e afirmaram estar satisfeitos com a relação após o casamento, não sendo possível perceber conflitos entre a vivência da conjugalidade e individualidade dos cônjuges conforme afirma Féres-Carneiro, 1998. Luana comentou dizendo“Ah é muito bom! É muito bom!”. Luana também comentou que “[...] a gente tem muito mais liberdade hoje no casamento [...] mais cumplicidade, você tem mais intimidade com o outro de forma geral mesmo.” destacando alguns aspectos que o casal conquistou após o casamento. Mara apontou a liberdade como conquista importante após o casamento dizendo “[...] o que mudou pra mim mesmo foi a liberdade, hoje eu sou feliz, bem mais feliz... ter o nosso canto, receber as pessoas na nossa casa, passar o fim de semana em casa nos adoramos.”. 28 Lucas ainda complementou “[...] eu me tornei muito mais responsável, pelo menos eu me considero, mais organizado [...] Nossa qualidade de vida 500% só da gente poder fazer o que a gente bem entende pra gente.” apontando algumas mudanças pessoais. O cuidado e preocupação com o outro também foi ressaltado pelos casais como aspecto importante na relação conjugal após o casamento, Paulo comentou que “Antes a gente não tinha preocupação de cuidar um do outro, e agora a gente tem. Se ela tá doente eu tenho que cuidar, levar no médico, comprar remédio.”. Lucas também comentou que “[...] se ela tem médico eu vou com ela, se eu tenho, ela vem comigo.” ressaltando o cuidado com o outro entre o casal. Torna-se possível perceber a intensa vivência da conjugalidade do casal a partir de relatos acerca do companheirismo e do planejamento do futuro, tornando a relação conjugal prazerosa (APOSTOLIDIS e DESCHAMPS12, 2003 apud OLTRMARI, 2009). Porém a intensa vivência da conjugalidade dos casais 1 e 2 impede o desenvolvimento da individualidade dos cônjuges, que passam a compartilhar grande parte de suas atividades e planos, podendo afetar o casamento de forma negativa (GIDDENS, 1993). Paulo ressaltou que “Eu prometi que quando a gente se formasse e tivesse outro concurso aí a gente estuda junto e a gente passa junto. Porque ai até já facilita se a gente trabalhar no mesmo lugar.”. Lucas também disse “[...] a gente já não faz mais nada separado, se a gente caminha é junto, se faz compras é junto [...]” apontando a necessidade do casal em compartilhar as mesmas atividades: Mara e Lucas enfatizaram algumas mudanças na relação do casal após o casamento, Mara afirmou que “Fortaleceu muito o amor, muito o amor da gente.”. Essa afirmação de Mara se contrapõe a idéia de desaparecimento do amor quando seu objeto é alcançado (SIMMEL 1909/2001). Ex-casais Inicialmente foi proposta a pesquisa também com dois ex-casais, com perfil semelhante ao estabelecido para os casais participantes, porém com a exigência de que a separação tenha ocorrido em até 3 anos após o casamento. Dentre inúmeros ex-casais que se 12 APOSTOLIDIS, T; DESCHAMPS, J.-C. (2003). Une Approche Psychosociale De L’amour: Logiques normatives et représentations. Dans Nouvelle Revue de Psychologie Sociale, 2(2) 216-227. 29 disponibilizaram para participar da pesquisa, apenas um deles cumpria todas as exigências estabelecidas, Clara e João, separados há 3 meses após 2 anos e 5 meses de casamento. O casal foi indicado por sua madrinha de casamento, e após contato com João, em que foram explicados os objetivos e condições para a pesquisa, João comprometeu-se a entrar em contato com a ex-esposa para informá-la sobre a participação. Após contato de João com Clara, ele afirmou que ele e a ex-cônjuge não aceitariam participar da pesquisa devido à separação ser recente e não estarem emocionalmente preparados para comentar a situação, nesse sentido João comentou que“Ah... a gente conversou e acho melhor não participarmos da entrevista não. Não estamos bem ainda, é tudo muito recente, estamos muito abalados.”. Outro ex-casal convidado a participar da pesquisa foi Júlia e Marcos, mas não se encaixavam no perfil estabelecido devido Marcos ter 30 anos. O primeiro contato foi realizado com Marcos, que se disponibilizou para participação na pesquisa, sendo em seguida agendados 3 encontros que foram desmarcados por Marcos pouco antes dos horários acordados, apontou dificuldade em chegar no local do encontro, que fora escolhido por ele. Os encontros foram remarcados por iniciativa da pesquisadora que também solicitou a Marcos o telefone de contato de sua ex-esposa para que também fossem marcados os encontros para a pesquisa. Marcos relatou não se sentir confortável para informar o telefone de Júlia alegando dificuldade em relação a questões pessoais do ex-casal, segundo ele“[...] eu não quero conversar com ela sobre esse assunto, estamos separados e eu não acho que devo incluir a Júlia nisso, já tivemos muitos problemas.”. Os sentimentos de Marcos acerca da participação na pesquisa foram respeitados e considerando sua indisponibilidade em comparecer aos encontros marcados, o contato com o ex-cônjuge foi interrompido. Também foi convidado para participar da pesquisa um casal, Carla e Fábio, casados há 3 anos, que estiveram separados durante o segundo ano de casamento. O casal também se recusou a participar da pesquisa e sua opinião foi respeitada, Fábio disse que “Nós agradecemos o convite, mas não nos sentimos muito à vontade para a mesma. Desculpenos.”. A partir da indisponibilidade dos ex-cônjuges em participar da pesquisa, em entrar em contato com seus ex-pares e também na dificuldade apresentada pelos casais e ex-casais em re-experienciar a relação conjugal conflituosa durante a pesquisa foi possível considerarmos ser necessária a elaboração de um luto doloroso e marcado por sentimentos de fracasso e 30 impotência, sendo a família afetada desde antes da separação até cerca de dois a seis anos para sua reestruturação (FÉRES-CARNEIRO, 2003). Percebeu-se também que analisar o processo de separação conjugal é analisar a morte na vida, referindo-se à morte de um na vida do outro (CARUSO13, 1968 apud FÉRESCARNEIRO, 1998). Logo após a separação, os ex-cônjuges passam pelo difícil processo de reconstruir sua identidade individual que fora modificada durante a vivência da conjugalidade (FÉRES-CARNEIRO, 2003). 6. CONSIDERAÇÕES FINAIS E RECOMENDAÇÕES 13 CARUSO, I. (1989). A separação dos amantes, uma fenomenologia da morte. São Paulo: Diadorim Cortez. (Originalmente publicado em 1968). 31 Os relacionamentos amorosos estão em constantes mudanças em função do tempo em que acontecem. Essas mudanças são percebidas desde as concepções da sociedade sobre a relação amorosa, passando pelas trocas de interesse entre os pares às mais intimas relações conjugais. Os padrões estabelecidos pela sociedade atual consistem em uma mescla com padrões de séculos passados, ainda presentes em alguns aspectos das relações. Os casais demonstraram conflitos diante dos limites estabelecidos por suas famílias após a oficialização do namoro, já que não podiam participar de festas, shows e encontros com amigos; aspecto que aponta uma dualidade nos padrões de relacionamentos amorosos no que diz respeito a limites não estabelecidos por toda a sociedade. Ainda é possível perceber a resguarda da família das namoradas e noivas quando diante do compromisso e do envolvimento emocional com rapazes de “má fé” ainda que a moça envolvida na relação não acredite ser necessário o cuidado da família, o que provoca os conflitos entre casais e familiares. As mais importantes motivações dos casais para o casamento é a obtenção da liberdade e privacidade, o que os leva a realizar o casamento mesmo sem as condições financeiras necessárias e estabelecidas pela sociedade desde meados do século XIX, apresentados por Azevedo, 1986. Os casais então se unem mesmo com as dificuldades financeiras que podem causar conflitos pelo fato de adquirirem dívidas, não possuírem casa própria dentre outros aspectos. No que diz respeito à interferência dos pais da noiva na decisão do casamento percebeu-se costumes que transitam entre necessidade de permissão dos pais da noiva à possibilidade de decisão estritamente pelo casal. A amizade, o companheirismo e a afinidade entre os casais antes do estágio inicial do relacionamento, classificado como o “ficar”, e durante o namoro é fator importante para a boa relação conjugal que estabelecem. Esse aspecto torna intensa a vivência de conjugalidade dos casais e invisível o desenvolvimento da individualidade, conforme relacionamentos baseados no “amor romântico”, não existindo conflito entre esses dois aspectos conforme afirma FéresCarneiro, 1998. As características da relação conjugal elencadas pelos casais como companheirismo, confiança, bem como a renúncia aos desejos do outro, conquista da autonomia, realização pessoal e conjugal e o fortalecimento do amor demonstraram nos casais a transição entre 32 “amor romântico” e “amor confluente”, vivenciadas pelos jovens enfatizado por Giddens, 1993. Os relacionamentos amorosos estão em constante transição entre padrões inovadores pela sociedade atual e padrões mantidos de épocas antecedentes e torna-se necessário questionar a prática de novos padrões, que aparentemente estão presentes apenas no imaginário social, sendo pouco praticado pelos casais e famílias. Esse aspecto provoca intenso sofrimento nos casais, famílias e também confirma a antecipação do casamento para a conquista do padrão relacional imaginado. Considerou-se também para esta afirmação a tentativa de incluir na pesquisa análises sobre relacionamentos amorosos de ex-casais, com perfil semelhante ao estabelecido para os casais entrevistados, pelo fato de apenas um casal neste perfil ter sido encontrado e que se recusou a participar da pesquisa. Diversos casais se disponibilizaram a participar da pesquisa, em sua maioria com idade acima de 29 anos e com filhos. Portanto, foram convidados um ex-casal que contemplava todas as exigências estabelecidas pela pesquisadora, um ex-casal em que apenas um dos ex-cônjuges tinha a idade abaixo de 29 anos e também um casal, com idade abaixo de 29 anos que foi convidado devido a sua história de separação e reconciliação entre os 3 primeiros anos de casamento. Houve a recusa desses participantes convidados para participar da pesquisa, em decorrência dos fatores emocionais que os impediam de entrar em contato com o ex-cônjuge, reviver as experiências da conjugalidade ou expor os sentimentos e a separação enfrentada para a sociedade. A cultura do descarte apresentada por Justo, 2005 acerca de relacionamentos na atualidade é questionável a partir dos resultados e discussão apresentadas devido ao fato do único casal encontrado de acordo com o perfil exigido ter se recusado a participar da pesquisa, enquanto diversos casais acima de 29 anos se dispuseram a participar. Tais reflexões também se contrapõem ao termo “cultura do descarte”, de acordo com Larousse, 2001, a palavra “descartar” significa livrar-se de alguém ou alguma coisa importuna, já Bueno, 2996 aponta que a palavra “descartável” significa inútil. Estes significados remetem a algo sem importância, o que não se percebe em relacionamentos amorosos conforme os resultados apresentados, porém foi ressaltada a importância dada pelos casais participantes a não interrupção do namoro e também ao breve término da relação. Faz-se necessário a compreensão da relação entre o imaginário da sociedade sobre relacionamentos amorosos e os padrões praticados pela sociedade para maior contribuição à 33 Psicologia em áreas de psicoterapias de casais, famílias, adolescentes e até mesmo individuais em situação de separação e re-casamento. 7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 34 ARAUJO, M. F. Amor, casamento e sexualidade: velhas e novas configurações. Psicol. cienc. prof., Brasília, v. 22, n. 2, jun. 2002 . Disponível em: <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S141498932002000200009&ln g=es&nrm=iso>. Acesso em 14 de abril de 2011. AZEVEDO, Thales. As regras do namoro às antigas. São Paulo: Ática, 1986. BARDIN, L. Análise de conteúdo. 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Porto Alegre: Artes Médicas, 1990. 35 OLIVEIRA, D. C. et al . "Pegar", "ficar" e "namorar": representações sociais de relacionamentos entre adolescentes. Rev. bras. enferm., Brasília, v. 60, n. 5, Oct. 2007. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S003471672007000500003&lng=en&nrm=iso>. Acesso em 14 de abril de 2011. OLTRAMARI, L. C. Amor e conjugalidade na contemporaneidade: uma revisão de literatura. Psicol. estud., Maringá, v. 14, n. 4, Dec. 2009 . Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S141373722009000400007&lng=en&nrm=iso>. Acesso em 14 de abril de 2011. SCORSOLINI-COMIN, F.; SANTOS, M. A. Relacionamentos afetivos na literatura científica: uma revisão integrativa sobre a noção de conjugalidade. Psicología para América Latina: Revista Electrónica Internacional de la Unión Latinoamericana de Entidades de Psicología, v. 19, p. 1-21, 2010. Disponível em: <http://www.psicolatina.org/19/conjugalidade.html>. Acessado em 9 de maio de 2011. YIN, R. K. Estudo de caso: planejamento e métodos. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2001. ANEXO A 36 ENTREVISTA SEMI-ESTRUTURADA I. Identificação Data: ____/____/____ Nome: Data de nascimento: Naturalidade: Escolaridade: II. História conjugal Como vocês se conheceram e começaram a se relacionar? Por quanto tempo vocês namoraram? Como era a rotina do namoro? Quais programas mais gostavam de fazer? Tinham vontade de fazer algumas coisas durante o namoro que não fizeram? O quê? Como definem o namoro de vocês? Quando e como vocês tomaram a decisão do casamento? Quais eram as expectativas sobre o casamento? O relacionamento de vocês mudou depois do casamento? (Fale sobre as mudanças.) Como você avalia seu casamento? Acha que poderia ter feito algo diferente durante seu relacionamento? Por quê? Qual a importância o seu namoro teve para o seu casamento? ANEXO B 37 LINHA DA VIDA Construa uma Linha da Vida com acontecimentos que você considera importante sobre o seu relacionamento amoroso desde o início até agora. ANEXO C 38 RECURSOS (Orçamento) Título do Projeto: As novas configurações de relacionamentos amorosos e as influências no casamento Pesquisador Responsável: Carmen Jansen de Cárdenas Fonte(s) dos recursos (Instituição ou pessoa): Dayanne Miranda de Sousa Valor em R$ MATERIAL PERMANENTE 200,00 MATERIAL DE CONSUMO 20,00 SERVIÇOS DE TERCEIROS X HONORÁRIOS DO PESQUISADOR X DESPESAS COM SUJEITOS DA X PESQUISA OUTROS 60,00 TOTAL 280,00 (Obs.: Poderão ser acrescentados ou suprimidos itens, de acordo com o propósito de cada pesquisa) O equipamento (material permanente) já está disponível. Outros comentários: Será utilizado um gravador de voz que já está disponível e pertence à pesquisadora principal. ANEXO D 39 CRONOGRAMA A pesquisa de campo, isto é, a coleta de dados está prevista no cronograma e condicionada à aprovação pelo CEP. ETAPAS FevMar/2011 Levantamento X AbrMai/2011 Jun/2011 Ago/2011 SetOut/2011 Nov/2011 bibliográfico Fichamento de X textos Envio para o X CEP Coleta de dados X Análise de dados X Tabulação de X dados Organização do X roteiro Redação do X X trabalho Apresentação X em evento científico Revisão / redação final / entrega ANEXO E TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO (TCLE) X 40 Nós, abaixo assinado, concordamos em participar da pesquisa referente ao Trabalho de Conclusão de Curso de Graduação em Psicologia da aluna Dayanne Miranda de Sousa da Universidade Católica de Brasília. Fomos informados que nossa participação é voluntária e caso sentirmos necessidade podemos nos retirar da pesquisa a qualquer momento. Também fomos informados que nosso nome será mantido em sigilo e todas as informações fornecidas por nós serão de acesso exclusivo aos pesquisadores e subsidiarão ao TCC da aluna citada. Não há riscos físicos, psicológicos ou prejuízos na nossa participação e não teremos custos financeiros, não receberemos indenizações, ressarcimentos ou benefícios. Estamos cientes que serão 2 encontros de aproximadamente 1 hora e meia em local escolhido por nós, que a entrevista será conduzida pela pesquisadora Dayanne Miranda de Sousa, será gravada e posteriormente transcrita por ela. A entrevista versará a respeito do tema “configurações dos relacionamentos amorosos” e será considerada a “linha da vida” onde determinaremos aspectos que consideramos mais relevantes. A pesquisadora colocou-se à nossa disposição para esclarecimento de dúvidas quando necessário pelo email [email protected] ou pelo telefone (61) 3356 9328 – CEFPA/UCB. Assinamos 2 vias desse TCLE, uma via permanecerá conosco e a 2ª via com a pesquisadora. Participantes: Nome: _____________________________________ R.G. nº __________________ Nome: _____________________________________ R.G. nº __________________ Pesquisador:_______________________________________ R.G. nº __________________ Brasília ____, de ____________________ de 2011.