Este Manual foi realizado por: Mattia Donadel;Eliana Caramelli; Cristian Carraretto; Alessandro De Pol; Alessandra Vivona; Valentina Zanfini; Daniele Bandoni; Francesco Grazzi; Marco Bianchi; Francesca Sandonà. Tradução Aurora Narciso Design gráfico, ilustração e layout de: Gabriele Soave Dezembro de 2007 www.echoaction.net Adaptação Pedro Oliveira João Barroso Helena Costa Comune di Bologna Settore Ambiente e Verde Urbano Aviso A responsabilidade dos conteúdos desta publicação é exclusiva dos seus autores. Não representa a opinião da Comunidade Europeia. Os autores e a Comissão Europeia não são responsáveis pelo uso que possa ser feito das informações aqui contidas. PREFÁCIO O PROJECTO ECHO ACTION “ENERGY-CONSCIOUS HOUSEHOLDS IN ACTION” projecto ECHO ACTION visou sensibilizar e envolver, a uma escala europeia, duas mil famíO lias num processo activo de alterar os seus estilos de vida e padrões de consumo energéticos, abarcando o domínio das tecnologias de elevada eficiência, o aumento na utilização de energias renováveis e de soluções alternativas para a mobilidade pessoal. O principal objectivo foi envolver de forma voluntária e participativa cidadãos e parceiros económicos na criação de planos energéticos locais através da implementação de acções de sensibilização dirigidas à redução dos consumos de energia, ao aumento de fontes renováveis de energia e ao seu uso mais eficiente. O projecto está organizado em dois eixos de actuação, por um lado envolve cidadãos e famílias, os consumidores finais de modo a optimizar a procura; por outro, abarca produtores, distribuidores, fornecedores de serviços, de tecnologias energéticas e actores financeiros que possam responder às exigências do uso racional de energia (energia e poupança), às exigências de sistemas de energia renovável e às exigências de esquemas financeiros específicos. Durante o desenrolar deste projecto, indicou-se às famílias participantes, soluções concretas. Estas soluções abrangeram quer sistemas técnicos disponíveis no mercado local quer os esquemas financeiros que visem a poupança energética e a produção própria de energia, especificamente para o uso privado de energia (aquecimento e electricidade) e para a mobilidade pessoal. s famílias foram divididas em grupos locais com base em condições específicas, escolhidas A por todas as cidades participantes (pessoas que vivem no mesmo edifício de apartamentos, região ou aldeia; grupos de colegas de trabalho, etc.) de acordo com as necessidades locais e COMO FUNCIONOU? com os níveis de envolvimento esperados. Este projecto previu três níveis de acção: ► 1° nível: revisão crítica de comportamentos e reorientação dos consumos ► 2° nível: melhorias de baixo custo, fáceis de concretizar ► 3° nível: melhorias substanciais na habitação, na mobilidade pessoal ou na realização de acções de interesse comum. Todas as acções realizadas contribuíram para os objectivos do projecto, mas terão igualmente, valor como exemplo a seguir para toda a sociedade. PREFÁCIO 1 O ste manual pretende ser E um guia para os vários temas relacionados com a QUAIS OS PRINCIPAIS RESULTADOS O MANUAL s principais resultados serão ► Implementar as acções de primeiro e segundo nível (reorientação de comportamentos e melhorias de baixo custo); ► A realização de intervenções substanciais de terceiro nível, em pelo menos 10% das famílias envolvidas no projecto, em cada cidade participante, prevendo-se atingir um total de poupança de energia de 600 MWh por ano, de 625 toneladas equivalentes de petróleo por ano e de 1 500 toneladas de CO2 evitadas por ano; ► A criação de redes locais de agentes comerciais especializados (fornecedores, distribuidores e instaladores de tecnologia URE & ER), facilmente acessíveis às famílias participantes através das “Páginas Amarelas”; CIDADES ENVOLVIDAS NO PROJECTO? Bulgária, Bourgas Alemanha, Berlim Itália, Bolonha Itália, Capannori Itália, Veneza Lituânia, Kaunas Portugal, Sintra Suécia, Karlstad Grã-Bretanha, Londres ► A criação de, pelo menos, dez grupos de aquisição para negociar melhor os preços de mercado de tecnologias específicas; ► O desenvolvimento de uma rede sólida de, no mínimo, quarenta cidades como cidades “observadoras”. 2 PREFÁCIO energia. Questões como a eficiência energética, energias renováveis, a utilização de energias nas habitações, a mobilidade serão aqui abordadas. Serão dados também conselhos e sugestões para uma correcta e racional utilização de energia nas nossas casas e na mobilidade. A primeira parte deste manual é dedicada às medidas de baixo custo que podem ser implementadas facilmente com vista a redução dos consumos e consequentemente dos custos com a energia. Na segunda parte do manual, apresentam-se soluções com custos mais elevados em que se identifica algumas soluções técnicas existentes no mercado, intervenções específicas e alguns materiais. Para mais informações consulte os sites www.echoaction.net e www.ames.pt INTRODUÇÃO s nossos estilos de vida e hábitos baseiO am-se no uso de fontes de energia primárias, definidas como não renováveis ou OS RECURSOS DE ENERGIA ESTÃO A ESGOTAR-SE combustíveis fósseis (carvão, petróleo, gás natural). A utilização de combustíveis fósseis, de acordo com os nossos níveis de produção, vai esgotar-se em poucas décadas. A factura energética dos combustíveis tem vindo a sofrer um crescimento significativo, na medida em que, para além de acompanhar o aumento do consumo, é dependente de factores exógenos, nomeadamente aqueles que provocam as variações dos preços das matérias-primas. Desde 1998 que o preço do barril de petróleo não pára de crescer. O consumo dos recursos, o aumento dos custos de extracção e o facto de as fontes estarem localizadas em países geo-politicamente instáveis provoca um forte aumento do preço do petróleo (cerca de 140 dólares por barril em Junho de 2008). A estes factores devemos também juntar o problema das emissões dos gases com efeito de estufa (GEE). A utilização de combustíveis fósseis é uma das principais causas de emissões para a atmosfera de dióxido de carbono (CO2), que é o mais significativo dos GEE. Com a ratificação do Protocolo de Quioto (acordo internacional para redução de GEE, que estará em vigor no período de 2008 a 2012), a União Europeia comprometeu-se a uma redução de emissões de 8%, relativamente aos valores de 1990 (ano base). No acordo de partilha de responsabilidades entre os vários Estados-Membros, ficou estabelecido que Portugal poderia aumentar as suas emis- INTRODUÇÃO 3 sões até 27% (relativamente ao ano base) durante o período de cumprimento do Protocolo. De acordo com os últimos dados, Portugal teve um incremento de emissões de aproximadamente 40% (comparativamente às emissões de 1990), o que ultrapassa significativamente o limiar que foi imposto, implicando um esforço acrescido na redução da intensidade carbónica da economia portuguesa. Esta questão é urgente e não pode esperar por uma solução. ortugal é um país com escassos recursos P energéticos próprios, nomeadamente aqueles que asseguram a generalidade das necessida- A SITUAÇÃO NO PAÍS des energética da maioria dos países desenvolvidos (como petróleo, carvão e gás). Tal situação de escassez conduz a uma elevada dependência energética do exterior (84,1% em 2006), sendo o país fortemente dependente das importações de fontes primárias de origem fóssil, e com uma contribuição das energias hídrica (muito dependente da condições climatéricas), eólica, solar e geotérmica, biogás e de biomassa, que importa aumentar. Consumo de energia primária em Portugal (%) Petróleo 55,2 Carvão Gás Natural Energias Renováveis Total 12,8 13,9 18,1 100 Dados de 2006 – Fonte DGEG O consumo de energia em Portugal tem mantido um crescimento elevado ao longo dos últimos anos, relacionado não só com o progresso económico e social que se tem verificado nas últimas décadas, mas também com a elevada ineficiência energética devida ao grande crescimento de consumos no sector doméstico, serviços e transportes. As mais altas taxas de consumo têm sido verificadas sobretudo nos edifícios e transportes, por razões que se ligam directamente com o tipo de comportamento dos cidadãos, bem como à ausên4 cia de políticas coerentes sobre ordenamento do território e energia. Os edifícios são responsáveis por mais de 60% de toda a energia eléctrica disponibilizada ao consumo. Assim sendo, se a electricidade é um problema de emissões de CO2, os edifícios devem ser parte da sua solução. É necessário alterar hábitos e padrões de consumo, com instrumentos e medidas que incentivem os cidadãos a melhores opções energéticas e ambientais. promoção de comunidades energeticaA mente sustentáveis (onde as autoridades locais, os agentes económicos e os cidadãos COMUNIDADES ENERGETICAMENTE SUSTENTÁVEIS colaboram activamente para a implementação de serviços energéticos altamente descentralizados, promovendo o uso de energias renováveis e a aplicação de medidas de eficiência energética em cada uso final) não é apenas numa questão ambiental, mas visa também uma maior equidade na distribuição e segurança no acesso aos recursos. Consequentemente, é necessário agir aos níveis da política e da economia para promover: A poupança de energia, entendida como redução de consumos a partir dos nossos hábitos e das nossas aquisições, bem como a Eficiência Energética obtida pela adopção de tecnologias e sistemas que permitam um uso optimizado das fontes de energia. Sistemas de energias renováveis, uma solução necessária para evitar a exaustão das fontes disponíveis, mas justificada também com a integração de acções de poupança de energia. Note-se que o crescimento médio de eficiência energética, quer na produção quer no uso final, e da redução do consumo, individual e colectivo, representa em si mesmo uma preciosa fonte de energia. Para além disso, representa um pré-requisito para um desenvolvimento adequado de recursos renováveis, que actualmente são mais caros que os fósseis. INTRODUÇÃO PARA COMEÇAR…. 1 ara o Sistema Internacional (SI), a unidade P de energia é o Joule (J), quando falamos em energia eléctrica a unidade é o Quilowatt- MEDIR A QUANTIDADE DE ENERGIA E POTÊNCIA hora (kWh). O Joule é uma pequena quantidade, por isso usamos frequentemente os seus múltiplos, tais como o Megajoule (MJ), um milhão de joules (106), e o Gigajoule (GJ), um bilião de joules (109). Uma outra unidade para a energia é a caloria (cal) que é definida como a quantidade de calor necessária para aumentar de 14,5 a 15,5ºC a massa de uma grama de água que se encontre no nível médio da água do mar. Quando avaliamos uma grande quantidade de energia, tal como o consumo eléctrico de uma indústria ou de uma grande cidade ou região, usamos o tep, isto é, a quantidade equivalente de energia produzida pela queima de mil quilos de petróleo. Um tep é o mesmo que 42 GJ e que 11,63 MWh. Cada tipo de combustível tem o seu próprio “poder calorífico”, isto é, a quantidade de energia produzida pela queima de um quilograma ou um metro cúbico desse mesmo combustível. UNIDADES DE ENERGIA E OS SEUS MÚLTIPLOS Unidade de Base x 1 000 x 1 000 000 x 1 000 000 000 1 Joule (J) 1 QuiloJoule (kJ) 1 MegaJoule (MJ) 1 GigaJoule (GJ) 1 caloria (cal) 1 Quilocal (kcal) 1 Megacal (Mcal) 1 Gigacal (Gcal) 1 Watthora (Wh) 1 QuiloWatthora (kWh) 1 MegaWatthora (MWh) 1 GigaWatthora (GWh) ALGUMAS EQUIVALENCIAS 1 kJ = 0,24 kcal = 0,000278 kWh corresponde à energia contida em 0,06 g de açúcaro 1 kcal = 4186.8 J = 0,00116 kWh corresponde à energia contida em 8 g de petróleo. 1 kWh = 3,6 MJ = 860 kcal corresponde à energia contida em 8 g de petróleo. medida para a potência eléctrica é o Watt A (W) e os seus múltiplos comuns são o quilowatt (1 kW = 1 000 W), o Megawatt (1 MW = 1 000 000 W). Um Watt é o mesmo que 1 (kcal/h) *1,163, assim, por exemplo, uma caldeira a vapor de 25 000 kcal/h é uma caldeira de 29 kW de energia (25 000 kcal/h x 1,163 = 29 000 W). 1 tep = 41,9 GJ = 11 628 kWh = 10 000 Mcal corresponde ao consumo anual de 2-3 famílias da Europa ocidental. CAPITULO 1 - PARA COMEÇAR 5 1 A ENERGIA CONTIDA NOS COMBUSTÍVEIS E AS EMISSÕES DE CO 2 maior parte da energia que usamos A provém de combustíveis fósseis, por exemplo, o petróleo e os seus derivados, o carvão, o gás natural. Todos estes combustíveis são ricos em carbono. Durante a fase de combustão, o carbono combina-se com o oxigénio formando o CO2, um dos principais responsáveis do chamado “efeito estufa”. 6 Todos os combustíveis caracterizam-se pelo seu poder calorífico, a quantidade de calor que se obteria pela queima completa de 1 kg ou 1 m3 do mesmo. Como exemplo, a partir de 1 kg de gasóleo obtém-se 42,3 MJ; de 1 kg de metano obtém-se 50 MJ. Na tabela seguinte encontram-se alguns dados sobre a energia calorífica dos combustíveis mais comuns. FACTOR DE EMISSÃO DE GASES DE EFEITO DE ESTUFA (KGCO2E/GJ) Tipo de Combustível Poder Calorífico (MJ/ Kg) Metano 50 Gasóleo 42,3 74 GPL 46 046 63 Lenha 11,6 0 Querosene 43,8 71,8 CAPITULO 1 - PARA COMEÇAR 54,9 1 ENERGIA EM CASA uando falamos de energia nas nossas habitações referimo-nos à soma da energia usada para Q o aquecimento/arrefecimento e consumo eléctrico. A área residencial e comercial representa 30% dos consumos nacionais de muitos países e é responsável pela emissão de aproximada- mente 18% de CO2. uma habitação, a energia é usada para N múltiplas actividades: a energia é transformada a partir de vários dispositivos de modo a satisfazer todas as nossas exigências. Os equipamentos não são mais do que electrodomésticos, a caldeira para aquecer no Inverno e para uso de águas quentes, as lâmpadas, etc. Sempre que utilizamos energia transformando-a, por exemplo, da corrente eléctrica em iluminação, de gás em aquecimento, nesta transformação uma parte da energia perde-se sem qualquer possibilidade de recuperação (perdas). Trata-se de um fenómeno físico impossível de evitar, é como uma espécie de taxa que somos obrigados a pagar à natureza. Dentro de determinados limites, melhorando as tecnologias dos equipamentos, podemos todavia, reduzir esta taxa e obter maiores benefícios, isto é aumentar o desempenho. A melhoria do desempenho significa lidar com o conceito de eficiência, ou seja a relação entre a energia efectivamente usada e o valor energético exigido. Uma das causas do enorme consumo energético deve-se seguramente ao uso de tecnologias ineficientes na produção, distribuição e uso final de energia. Um outro aspecto fundamental é a poupança de energia, consequentemente a atenção dispensada por todos ao uso de energia e recursos, um exemplo disso é deixar a torneira aberta enquanto se lava os dentes, acção que envolve um desperdício desnecessário de água e de gás; neste caso, um simples gesto da mão reduz os consumos sem comprometer o bem-estar. Para usar uma metáfora simpática, a nossa casa pode ser representada por um balde esburacado em que temos de garantir um de- terminado nível de água. Para atingir este objectivo é possível seguir duas vias: 1. Abrir a torneira e continuar a encher o balde para compensar as perdas de água pelos buracos; 2. Preferir agir sobre o balde, tapando todos os buracos e em seguida abrir a torneira de modo a compensar a perda reduzida de água. Obviamente a segunda opção é a mais correcta, pois a primeira alimenta o desperdício e o consumo energético desnecessário. Nas nossas habitações, a água representa toda a energia que utilizamos (térmica, eléctrica, mecânica, etc.), os buracos são todos os desperdícios energéticos que acontecem através da envolvente (paredes, coberturas, janelas) ou causadas pelo uso de sistemas pouco eficientes ou, também, devido a comportamentos de desperdício. Deste modo, para fechar os “buracos” do nosso “balde” devemos poupar energia, prestando mais atenção aos nossos gestos diários, à melhoria da eficiência tecnológica da habitação onde vivemos, aos electrodomésticos, às paredes e cobertura, ao sistema de aquecimento, etc. A poupança e a eficiência energética constituem as chaves para reduzir o impacto no meio ambiente, mas também nas contas a pagar. Tornarmo-nos conscientes de quanto é consumido constitui um passo importante para mudarmos os nossos hábitos. As tabelas que se seguem apresentam alguns dados úteis como referências em termos de recursos e de despesas. CAPITULO 1 - PARA COMEÇAR 7 1 CONSUMO ELÉCTRICO E CUSTO MÉDIO MENSAL DE ALGUNS ELECTRODOMÉSTICOS, SEGUNDO O ESTUDO DA ADENE “EFICIÊNCIA ENERGÉTICA EM EQUIPAMENTOS E SISTEMAS ELÉCTRICOS NO SECTOR RESIDENCIAL”. Tipo de electrodoméstico Consumo kWh/ano Euros/ano (*) 380 43,4 CONGELADOR 625 71,4 MÁQUINA DE LAVAR LOUÇA 396 45,3 MÁQUINA DE LAVAR ROUPA 240 27,4 FORNO ELÉCTRICO 306 34,9 COMPUTADOR 200 22,8 AUDIOVISUAL 335 38,3 ILUMINAÇÃO 500 57,1 FRIGORÍFICO (*) CUSTO MÉDIO kWh: € 0,1143 – TARIFA SIMPLES DA EDP PARA CLIENTES FINAIS EM 2008 8 CAPITULO 1 - PARA COMEÇAR 1 O CONSUMO ENERGÉTICO (EM LITROS DE PETRÓLEO) E CONSUMO DE ÁGUA PARA PRODUZIR A ÁGUA QUENTE SANITÁRIA POR PESSOA E POR ANO Duche Litros de petróleo Litro de água 620 50 000 320 Casa de banho Torneira tradicional 25 000 240 Torneira com redutor de fluxo 44 000 150 Máquina de lavar roupa tradicional 23 400 55 Máquina de lavar roupa de baixo consumo 4 700 40 Máquina de lavar louça tradicional 2 600 250 Máquina de lavar louça com poupança energética 7 300 160 3 650 EXEMPLOS DE QUANTIDADE DE EMISSÕES DE CO2 NUM ANO, EM CONDIÇÕES STANDARD DE UTILIZAÇÃO Exemplos Emissões de CO2 por ano Edifício de dimensão média bem isolado 2 500 Kg CO2 por apartamento Termoacumulador ligado durante 6 horas 1 000 kg O mesmo edifício sem isolamento Termoacumulador sempre ligado Sistema de aquecimento a 18°C Sistema de aquecimento a 22°C Lâmpada fluorescente Lâmpada incandescente Máquina de lavar louça com programação de poupança energética a 30°C Máquina de lavar louça com programação normal a 90°C CAPITULO 1 - PARA COMEÇAR 4 200 kg 2 100 kg 2 900 kg 3 600 kg 210 kg 360 kg 250 kg 360 kg 9 1 COMO POUPAR ENERGIA A CUSTO ZERO al como dissemos anteriormente, existem comportamentos adequados que conduzem a uma T redução significativa dos consumos, utilizando a energia de uma forma mais eficiente. Consequentemente, podemos melhorar a eficiência sem adquirir novos equipamentos, mas apenas prestando atenção a pequenos gestos.. ► Para começar, é bom registar num caderno todas as semanas ou meses os consumos de gás, electricidade e água. Ter consciência dos consumos ajuda a modificar o estilo de vida. ENERGIA ELÉCTRICA Para todos os equipamentos eléctricos, deve: ► Desligá-lo sempre se não está a utilizá-lo; ► Desligar também, o modo de standby sempre que não o use o equipamento durante um período de uma hora. O FRIGORÍFICO ► Não colocar o frigorífico perto de fontes de calor (janelas, fornos). ► O frigorífico deve estar afastado pelo menos 5 cm da parede para promover o arejamento do condensador. ► Limpar a grelha traseira pelo menos 1 vez por ano. ► Verificar periodicamente o estado da borracha da vedação das portas. ► Descongelar periodicamente o equipamento. ► Arrumar os alimentos de um modo organizado deixando espaço junto às paredes. ► Nunca introduzir alimentos quentes dentro do frigorífico/congelador. ► A temperatura ideal de conservação dos alimentos no frigorífico é de 3 a 5º C e no congelador de -3 a -18ºC. ► Deve fechar sempre bem a porta do frigorífico e evitar aberturas desnecessárias e prolongadas. ► Quando se ausentar por períodos prolongados desligar ou regular o termóstato para o mínimo. MÁQUINA DE LAVAR E SECAR ROUPA ► Utilizar sempre a máquina com a carga recomendada. ► Se lavar pouca roupa, usar a função “meia carga”, mas atenção duas “meias cargas” não consomem menos energia que uma carga completa. ► Preferir programas com temperaturas mais baixas (30 a 40ºC). ► Prescindir da função de pré-lavagem. ► Se tiver que usar a máquina de secar roupa, preferir as máquinas que usam sensor de humidade ou temporizador. 10 CAPITULO 1 - PARA COMEÇAR 1 ► Colocar a máquina de secar roupa num local arejado. ► Colocar a roupa bem torcida no secador. ► Maiores velocidades de centrifugação, secam mais rapidamente a roupa ► Privilegie a secagem da roupa no estendal – secagem a custo zero MÁQUINA DE LAVAR LOIÇA ► Utilizar sempre a máquina com a carga completa. ► Evitar a pré-lavagem quando a seguir se vai realizar uma lavagem. ► Passar a loiça por água fria antes de a colocar na máquina. ► Utilizar programas mais curtos e com temperaturas mais baixas. ► Eliminar o programa de secagem por ar quente, principalmente no Verão. FORNOS E FOGÕES ► Evitar abrir o forno quando este se encontra em funcionamento. ► Desligar sempre o forno um pouco antes do cozinhado estar pronto, aproveitando deste modo o calor residual. ► Verificar se a porta do forno se encontra bem vedada. ► Nos fogões a gás deve utilizar uma intensidade de chama adequada. ► Verificar se o fogão está a realizar uma boa combustão, chama uniforme, de cor azul e que se propaga por todos os orifícios. ► Os bicos devem estar sempre bem regulados e não devem estar obstruídos, evitando uma má combustão. ► O utilizar um fogão eléctrico, a placa eléctrica não deve ser maior que a base da panela ou tacho. ► Mantenha a tampa da panela/tacho enquanto cozinha. ► O uso de recipientes de cerâmica ou vidro permite baixar a temperatura necessária ao cozinhado, estes materiais retêm melhor o calor. ► Utilize panelas/tachos com fundos difusores. ► Utilize frequentemente a panela de pressão. SISTEMA DE ILUMINAÇÃO ► Ao mobilar a casa deve-se avaliar a disposição e a quantidade de pontos de luz relativamente à sua utilização em cada divisão. Para iluminar correctamente uma divisão, utilize lâmpadas com potência adequada às necessidades do local e tipo de utilização. ► Sempre que possível, privilegie a iluminação natural. ► Pinte a habitação com cores claras, ajuda a reflectir a luz. ► Não esqueça de apagar a iluminação nas divisões que não estão a ser utilizadas. ► De manhã, abra as cortinas em vez de ligar a iluminação. ► Limpe periodicamente as lâmpadas. ► Adquira candeeiros que permitam uma boa iluminação por forma a evitar a utilização de lâmpadas com uma maior potência. CAPITULO 1 - PARA COMEÇAR 11 1 TV, COMPUTADOR E OUTROS EQUIPAMENTOS COM BATERIA ► No seu PC, defina uma opção de “poupança de energia”. ► Desligue o monitor quando faz pausas superiores a 15 minutos. ► Desligue o computador se não o utilizar durante pelo menos uma hora, a ideia de que ligar e desligar o computador frequentemente pode danificá-lo é falsa. ► Não esqueça de retirar da tomada os dispositivos de recarga (por exemplo o carregador de telemóvel) logo que a carga esteja completa. Na realidade, mesmo que as baterias não estejam ligadas, o transformador continua a trabalhar desnecessariamente e a desperdiçar energia. ENERGIA TÉRMICA ► Para aquecer a habitação no Inverno, aproveite os dias de sol, abrindo os estores e persianas e fechando-os durante a noite para evitar perdas de calor ► Cortinados mais espessos junto às janelas ajudam a manter a casa mais quente ► Programe o tempo de aquecimento dos equipamentos. ► Não ligue e desligue repetidamente o sistema de aquecimento. ► Regule o termóstato para uma temperatura mais baixa: uma boa temperatura pode ser 17-18°C, que pode proporcionar uma temperatura confortável; durante a noite os 16°C são suficientes. ► Mantenha os equipamentos de aquecimento das divisões que não estão a ser utilizadas desligados, fechando as portas para evitar desperdícios. ► Não mantenha as janelas abertas durante muito tempo nos dias frios: se houver demasiado calor, adapte o termóstato em vez de abrir as janelas. ► Para fazer circular o ar, é melhor abrir as janelas durante 5-10 minutos, ao invés de manter as mesmas parcialmente abertas durante longos períodos, se possível efectuar esta operação durante as horas mais quentes do dia. ARREFECIMENTO NO VERÃO ► Lembre-se que as cores claras reflectem o calor e que as escuras o absorvem. ► Feche as cortinas e os estores durante o dia para bloquear a entrada da luz solar, especialmente nas janelas viradas para sul ou para oeste ► Não deixe portas e janelas abertas quando o equipamento de frio estiver a funcionar; ► Abra as janelas à noite para deixar entrar o ar fresco. ► Apague as luzes que não são necessárias. 12 CAPITULO 1 - PARA COMEÇAR 1 ACÇÕES DE BAIXO CUSTO PARA POUPAR ENERGIA e já temos um comportamento adequado e a preocupação de reduzir os desperdícios, então o S passo seguinte é tentar melhorar a eficiência da nossa habitação actuando sobre a sua estrutura, sistemas e equipamentos. As intervenções estruturais, geralmente, exigem o investimento de elevadas quantias, tal como explicaremos posteriormente. Todavia, é possível adoptar dispositivos técnicos simples e inteligentes para conter os custos. Estas acções de baixo custo, são facilmente reembolsadas num período de tempo relativamente curto através da energia que é poupada. INTERVENÇÕES AO NÍVEL DOS EQUIPAMENTOS ELÉCTRICOS ELECTRODOMÉSTICOS ► No momento da aquisição de qualquer electrodoméstico, escolha os modelos de alta eficiência (classe A ou superior). Estes equipamentos podem ter um preço inicial mais elevado mas o que vai poupar ao longo do tempo de vida dos equipamentos paga, num curto período de tempo, o investimento inicial; ► Para as máquinas de lavar, é melhor adquirir as que utilizam menos água e, consequentemente, menos energia para o seu aquecimento. Para além disso, se a máquina estiver preparada com um sistema de entrada de água quente, é possível fornecer água quente de forma mais eficiente, em vez do vulgar dispositivo eléctrico. ► Os modelos com lavagem e secagem são confortáveis, mas consomem muita energia. Em relação às máquinas de lavar loiça, estas recomendações também se aplicam. ► Para os fornos, a função de auto-ventilação é aconselhável porque favorece uma distribuição uniforme do calor. ► No caso dos frigoríficos, deve-se estimar cuidadosamente a capacidade do mesmo em relação às necessidades da família: os de 100-150 litros são bons para uma pessoa, os de 220-280 litros para 2 pessoas, os de 300 litros e capacidade superior são adequados para mais de 4 pessoas. ► Para os equipamentos de ar condicionado, se não existirem exigências específicas (a presença de idosos ou de crianças na família, por exemplo), é melhor evitar a sua instalação; de qualquer modo, é importante adquirir modelos de alta eficiência. ► Evitar a instalação de equipamentos eléctricos para aquecimento de água ou então, utilizá-los se estritamente necessário. Os equipamentos eléctricos deste tipo apresentam consumos muito elevados. CAPITULO 1 - PARA COMEÇAR 13 1 ILUMINAÇÃO ► Troque as lâmpadas incandescentes pelas de baixo consumo. Este tipo de lâmpadas duram muito mais tempo e apresentam uma maior eficiência luminosa. Com efeito, transformam em luz 20% da electricidade consumida comparativamente com os 4% das lâmpadas de filamentos tradicionais. ► Nas divisões da habitação com menor utilização ou no jardim, podem ser instalados sensores de presença que apenas são accionados quando revelam a presença de alguém. OUTROS EQUIPAMENTOS ► Nas zonas da habitação em que existam pequenos electrodomésticos em grande número, é boa prática instalar uma extensão de várias tomadas com interruptor. Este sistema permite, com um único gesto, desligar durante a noite ou quando ninguém está em casa todos os equipamentos de uma só vez, evitando desta forma os consumos standby e fantasma. ► As pilhas recarregáveis são mais convenientes do que as descartáveis. ► Entre as pilhas descartáveis, é preferível utilizar as alcalinas que garantem melhor desempenho. INTERVENÇÕES AO NÍVEL TÉRMICO ► Isolar a caixa dos estores e instalar painéis isolantes e reflectores de calor atrás dos radiadores. ► Colocar isolamento térmico nas paredes pelo exterior ou interior. ► Calafetar portas e janelas. ► Utilizar toldos para o ensombramento. ► Aplicar películas reflectoras nos envidraçados. ► Isolar as paredes com caixa-de-ar: quando as paredes apresentam caixa-de-ar, é possível preenchê-las com material isolante (por exemplo, argila expandida). É uma forma fácil e económica para reduzir os consumos térmicos. ► Isolar sótãos e águas-furtadas: a cobertura é um dos elementos da habitação através do qual há mais desperdício de energia; em muitos casos, sem se agir na cobertura, mas simplesmente aplicando no pavimento do sótão painéis de isolamento térmico ou outros materiais, pode obter-se uma razoável poupança de energia. ► Instalar válvulas termostáticas nos radiadores. ► Equipar a habitação com termóstatos para programar o aquecimento ambiente. ► Em caso da existência de sistema de aquecimento central, deve-se instalar um sistema de contagem para cada utilizador. 14 CAPITULO 1 - PARA COMEÇAR 1 POUPANÇAS ALCANÇÁVEIS E CUSTOS DE ALGUMAS INTERVENÇÕES EXEMPLO 1 – SUBSTITUIÇÃO DAS LÂMPADAS TRADICIONAIS PELAS DE BAIXO CONSUMO LÂMPADAS DE INCANDESCENTE Potência em Watt LÂMPADAS DE BAIXO CONSUMO POUPANÇA Potência Quilowatt usados Quilowatt usados kWh economiza- Dinheiro poupado correspondente em 15 000 horas em 15 000 horas dos em 15 000 (custo médio de das lâmpadas de (12 anos) - kWh (12 anos) - kWh horas 0,1143 € por kWh) baixo consumo 100 1 500 20 300 1 200 102,87 € 75 1 125 15 225 900 102,87 € 60 900 11 165 735 84,01 € Dados da Osram e da Greenpeace. (1 500 horas é a duração máxima de uma lâmpada de baixo consumo) O custo de uma lâmpada de baixo consumo é compensado em aproximadamente um ano. CAPITULO 1 - PARA COMEÇAR 15 1 EXEMPLO 2 – APLICAÇÃO DE PAINÉIS REFLECTORES ATRÁS DOS AQUECEDORES custo de um painel reflector para um O radiador com a dimensão de 100x70 cm é de aproximadamente 10 €. Considerámos as seguintes hipóteses para um apartamento: ► Superfície: 50 m2; ► Sistema de aquecimento: único com gás natural e emissão de calor através de 5 radiadores 100x70cm; ► Consumo médio por ano por m2 : 120 kWh/m2/ano; ► Consumo anual estimado: 120x50 = 6 000 kWh; ► Quantidade de gás natural: 6000:10,76 = 557,62 m3 ; ► Despesas anuais estimadas: 557,62*0,6041 = 337 € Ao instalar-se painéis reflectores entre a parede e os aquecedores, é possível obter uma economia de aproximadamente 5-10%, consequentemente, em termos económicos, significa 17-34 €/ ano. Considerando que o custo do trabalho para 5 radiadores é de cerca 50 €, em pouco mais de um ano, a despesa é reembolsada através da poupança alcançada. 16 CAPITULO 1 - PARA COMEÇAR ENERGIA TÉRMICA 2 REVESTIMENTO DO EDIFÍCIO revestimento de um edifício consiste na aplicação, na totalidade, de componentes exteriores O que delimitam o mesmo: paredes verticais, coberturas, pavimentos, portas exteriores e janelas. Todos estes elementos são muito importantes porque as trocas térmicas entre as zonas inte- riores e exteriores acontecem através destes elementos. Por esta razão, é necessário agir sobre estes componentes para melhorar a eficiência energética do edifício. Nos edifícios, o calor flui através das paredes ou fendas entre paredes e portas de dois modos diferentes: 1. O calor flui através das paredes, movendo-se da superfície em contacto com a zona de temperatura mais elevada para a zona de temperatura mais baixa. A quantidade de fluxo térmico depende dos materiais que compõem as paredes (a ordem dos materiais também é importante) e da sua capacidade de transferência do calor. 2 . Transferência de calor através de fendas. O ar quente move-se na direcção das zonas mais frias através de fendas existentes entre as paredes, janelas e portas ou através de outras aberturas, tais como as chaminés. perdas das caldeiras cobertura ventilação paredes exteriores janela cozinha FIGURA – Superfície e elementos de construção que causam perdas térmicas num Edifício CAPITULO 2 - ENERGIA TÉRMICA 17 2 elhorar o isolamento das paredes e da cobertura é uma excelente solução para poupar M energia no aquecimento e no arrefecimento do edifício através da redução das suas perdas térmicas. Os materiais isolantes reduzem a transferência de calor, aumentando a eficiência ener- ISOLAMENTO DAS PAREDES E DA COBERTURA gética do edifício. P ode aplicar-se isolamento quer do lado interior quer do lado exterior das paredes ou, se for possível, na caixa-de-ar das paredes. ISOLAMENTO DAS PAREDES isolamento interior é uma solução partiO cularmente aplicada durante obras de reestruturação. ISOLAMENTO INTERIOR O isolamento interior é efectuado através da aplicação de painéis pré-moldados, que contêm uma camada isolante e são aplicados por colagem à parede ou colocados numa estrutura aplicada para o efeito. Valores típicos (moradia ou apartamento) Poupança anual €270 - €340 Custo desde €50/m2 VANTAGENS E DESVANTAGENS DO ISOLAMENTO INTERIOR: ✓ É muito menos dispendioso do que o isolamento exterior. ✓ Pode ser realizado pelos adeptos da bricolage ou por pessoas não profissionais. ✓ Não são necessárias alterações à estrutura exterior do edifício. ✓ É fácil de colocar (não são necessários andaimes nem escadas) ✓ A temperatura interior pode ser alterada rapidamente devido à baixa inércia térmica das divisões. ✕ As pontes térmicas permanecem. ✕ É difícil fixar artigos pesados nas paredes. ✕ A área das divisões torna-se mais reduzida. ✕ É necessário alterar a posição das molduras das portas e das janelas, bem como dos interruptores e tomadas eléctricas. ✕ Pode haver condensação entre a parede e o painel isolante se esta tarefa não for devidamente executada. Parede exterior Isolamento Barreira Contra o Vapor Tijolo Reboco Caixa-de-ar pavimento 18 CAPITULO 2 - ENERGIA TÉRMICA 2 isolamento exterior pode ser efectuado em O edifícios novos ou já existentes. O trabalho consiste na aplicação, na face exte- ISOLAMENTO EXTERIOR (OU REVESTIMENTO) rior das paredes, de um painel isolante coberto por uma superfície de gesso ou calcário reforçado por uma estrutura metálica. A espessura do material isolante deve ser escolhida tendo em consideração as condições climáticas e aplicando-se as leis específicas, no que diz respeito à energia, vigentes no país em questão. Para Portugal, a legislação aplicável é o decreto-lei 80/2007. Valores típicos (vivenda) Poupança anual Custo* Tempo de reembolso * €300-€400 desde €2500 6-7 anos ✓ Um elevado nível de isolamento pode ser aplicado sem comprometer as dimensões das divisões. ✓ A inércia térmica aumenta, por isso o edifício permanece quente mesmo algumas horas após os sistemas de aquecimento terem sido desligados. ✕ É indispensável o emprego de trabalhadores profissionais. ✕ Há uma alteração radical na estrutura do edifício – é preciso licença da autarquia, sendo impossível de realizar em edifícios históricos. ✕ O sistema de escoamento de águas tem de ser alterado. ✕ O tempo de aquecimento das paredes é lento. O custo é insignificante, se a reformulação da fachada do edifício já estiver programada e considerando o tempo de vida do edifício de 50 anos. VANTAGENS E DESVANTAGENS DO ISOLAMENTO EXTERIOR: ✓ Grande redução dos custos com o aquecimento e com o arrefecimento. ✓ Eliminação das pontes térmicas e dos fenómenos de condensação. Parede Externa Cola Isolamento Tela Rede Argamassa Acabamento finitura CAPITULO 2 - ENERGIA TÉRMICA 19 2 empre que é possível, a inserção de isoS lamento nas caixas-de-ar é uma técnica amplamente difundida. Logo que o isolamento ISOLAMENTO DAS CAIXAS-DE-AR térmico é colocado no interior das paredes, ficará praticamente inacessível. Por esta razão, é indispensável escolher um produto com bom desempenho no que diz respeito à duração e aos comportamentos térmicos a longo prazo. É possível preencher as cavidades das paredes com um painel de isolamento (poliestireno expandido ou extrudido) ou argila expandida. Outros tipos de parede necessitam de uma análise mais detalhada para se fornecer uma possibilidade de intervenção eficaz. 20 CAPITULO 2 - ENERGIA TÉRMICA 2 pavimento de uma divisão aquecida em O contacto com uma divisão inferior não aquecida (por exemplo uma cave ou garagem) ISOLAMENTO DE PAVIMENTOS E TECTOS PARA ZONAS NÃO AQUECIDAS perde uma grande quantidade de calor. Aplicando um bom isolamento na superfície inferior do soalho evitará a condensação e evitará a troca de calor entre espaços. O isolamento, devido à sua baixa condutividade térmica, que consiste na capacidade de um material transferir o calor, torna a temperatura da superfície muito próxima da temperatura ambiente na divisão, evitando a perda de calor e melhorando o conforto. O isolamento também fornece uma boa resistência à difusão de vapores, impedindo os fenómenos de condensação e limitando a propagação de ruídos. Tijolo Exterior Isolamento Betão Tijolo Furado Isolamento Pavimento Tela Drenante Soalho Isolamento CAPITULO 2 - ENERGIA TÉRMICA 21 2 U ma cobertura tecnicamente funcional, deve desempenhar de uma forma eficaz e duradoura a função de proteger a habitação do efeito dos agentes ambientais exteriores e garantir o conforto da habitação. ISOLAMENTO DA COBERTURA A cobertura é o elemento mais sensível ao calor numa habitação, por isso torna-se pertinente isolá-lo convenientemente, sendo imprescindível efectuar esta acção quando estiver pensada alguma intervenção neste elemento. Os tipos de coberturas mais comuns são: ► A cobertura plana ► A cobertura inclinada com sótão não habitável ► A cobertura inclinada com sótão habitável O isolamento de uma cobertura plana constitui uma intervenção delicada que necessita de atenção quanto a uma impermeabilização rigorosa e à pavimentação da superfície superior (se a cobertura for acessível). No caso de uma cobertura inclinada com sótão não habitável, é conveniente colocar o isolamento no pavimento do sótão. Trata-se de uma intervenção económica e simples, isto é, é possível colocar placas isolantes de 8-10 cm de espessura. Numa cobertura inclinada com sótão habitável, o isolamento deve ser colocado em paralelo à inclinação na parte inferior da cobertura. É possível fixar painéis na cobertura interior, prestando atenção à posição da barreira de vapor para evitar a condensação. O isolamento de uma cobertura pode determinar uma redução de custos com o aquecimento de cerca de 20%. Rede Anti-Insectos Telha Cume Ventilado Telha Plana Separador Impermeabilizante Painel Isolante Betonilha Rede anti-insecto 22 CAPITULO 2 - ENERGIA TÉRMICA 2 A cobertura verde proporciona uma oportunidade para estabelecer o equilíbrio nas relações entre os espaços verdes e as áreas construídas. É uma tecnologia natural que explora a cobertura dos edifícios permitindo aos mesmos, benefícios térmicos nos espaços adjacentes. As coberturas dos edifícios quando revestidas com material vegetal, promovem um conjunto vasto de funções, contribuindo significativamente para a melhoria do clima urbano, o aumento da área de zona verde/habitante, a instalação de áreas privadas ou públicas de socialização e recreio, melhor isolamento térmico e acústico dos edifícios e prologam a vidas dos materiais utilizados na impermeabilização e isolamento. Quando se implementam jardins nas coberturas dos edifícios, está-se a promover a redução do consumo energético, a preservação dos recursos naturais (solo, fauna, flora, combustíveis COBERTURAS VERDES OU AJARDINADAS fósseis), a redução da produção de resíduos (prolonga a vida dos materiais havendo um número menor de desperdícios), a melhoria do sistema de drenagem de águas pluviais e a contribuir para o verde contínuo em espaço urbano. As coberturas verdes são classificadas segundo duas categorias, as coberturas verdes intensivas e as coberturas verdes extensivas. Estas duas categorias diferem entre si não pelas suas características técnicas mas sim pelos objectivos que se esperam implementar ou alcançar. A cobertura verde extensiva emprega uma vegetação já com um grande grau de desenvolvimento, com boas características de auto-regeneração e que requerem pouca manutenção. O sistema é projectado de modo que o abastecimento de água e de elementos nutritivos seja feito, tanto quanto possível, através de processos naturais, apenas após o segundo Vegetação Solo Tela Filtrante Elemento drenante (acumulação de água) Acumulação de nutrientes) Anti-raiz (protecção mecânica) CAPITULO 2 - ENERGIA TÉRMICA 23 2 ano de vida, requerendo uma manutenção de pelo menos duas vezes por ano. A espessura total do sistema é inferior a 150mm. O custo de investimento e de manutenção são reduzidos e por isso pode ser aplicado numa grande área da cobertura sendo, também possível, reaproveitar materiais inertes como o cascalho. Dado o seu peso total, este tipo de coberturas verdes podem também ser implementadas em coberturas inclinadas. As coberturas verdes intensivas podem ter espessuras até 500 mm e por isso permitem o crescimento de vegetação mais rica e mais alta. Este tipo de coberturas já exige uma manutenção mais frequente e exige também um sistema de irrigação. Os custos de investimento e de manutenção são maiores e podem ser implementados apenas em coberturas em terraço (inclinação máxima de 3%). 24 CAPITULO 2 - ENERGIA TÉRMICA 2 s portas e as janelas apresentam componenA tes térmicos fracos e devem ser instaladas com algum cuidado e critério. Se tivermos muitas PORTAS E JANELAS janelas numa divisão, haverá um arrefecimento excessivo no Inverno e um sobreaquecimento no Verão e se não estiverem bem isoladas, serão responsáveis por uma grande quantidade de transmissão de calor. As janelas de elevada eficiência, se forem devidamente instaladas, são uma excelente forma de reduzir os custos associados com o aquecimento e o arrefecimento e melhoram significativamente o conforto térmico da habitação. Apesar do tempo de retorno do investimento da substituição de janelas e portas não ser muito reduzido, a colocação deste equipamento é bastante fácil não causando grandes incómodos aos residentes da habitação. s principais componentes das janelas são o O vidro e o caixilho. As janelas de vidro simples são muito baratas, mas apresentam fraca eficiência JANELAS NOVAS energética. Os critérios de poupança energética indicam como as melhores janelas, as janelas de vidro duplo ou triplo com caixilhos de PVC ou de madeira, ainda que os caixilhos de madeira necessitem de maior manutenção, especialmente se as janelas estiverem expostas a Sul. O tempo de reembolso de investimento neste tipo de janelas é de cerca de 5-6 anos. A mudança das janelas deve ser realizada por um profissional qualificado para reduzir as falhas devidas a uma má instalação. A alteração de janelas de edifícios históricos pode estar sujeita a licença das autoridades competentes. TIPOS DE JANELAS DE ELEVADA EFICIÊNCIA: Vidro duplo e triplo O principio do vidro duplo ou triplo, permite obter um melhor isolamento e consiste em encerrar entre dois/três vidros uma câmara de ar de modo a limitar as trocas térmicas por convecção e aproveitar a baixa condutividade térmica do ar. O número de vidros, a sua espessura e a espessura do espaço entre eles afecta bastante a capacidade de isolamento. A típica janela de vidro duplo apresenta os seguintes valores (vidro-arvidro): 4-6-4 mm ou 6-8-6 mm. Quanto mais espessos forem os vidros, menor é a transmissão de calor. Vidros de baixa emissividade De modo a melhorar o isolamento térmico, é necessário diminuir as transferências térmicas por radiação que pode ser efectuadoo utilizando um vidro com película de baixa emissividade. Vidro com preenchimento de gás Para reduzir as transferências de calor por condução e convecção, pode-se substituir o ar que se encontra entre os vidros por um gás mais pesado como o árgon, o cripton ou o xénon. Estes gases transmitem muito menos calor do que o ar. Caixilhos com corte térmico O comportamento térmico de uma janela depende por sua vez das características do vidro, da caixilharia e do material de junção entre estes dois componentes. A escolha deste material é determinante para o comportamento térmico do conjunto. Em regra geral são utilizados perfis intercalares metálicos (mesmo em janelas de PVC) devido às suas performances mecânicas, apesar dos inconvenientes de estes criarem pontes térmicas importantes à volta do vidro. A utilização de materiais plásticos rígidos permite reduzir as pontes térmicas, melhorando em cerca de 10% o isolamento da janela e reduzindo consideralvelmente os riscos de condensação. Dispositivos isolantes entre os caixilhos e as paredes O uso de borracha como isolante permite o preenchimento dos espaços vazios, reduzindo a perda de calor e a passagem do ar. Substituição de portas Para portas que tenham envidraçados, as recomendações acima descritas também se aplicam neste caso. Quanto à parte opaca, existem portas que contêm isolamento que reduz em muito as perdas térmicas. CAPITULO 2 - ENERGIA TÉRMICA 25 2 estufa solar é uma área fechada, separada A do exterior por paredes transparentes, que podem, em alguns casos, abrir-se. A cobertura ESTUFAS SOLARES pode ser transparente ou opaca, dependendo da latitude ou das necessidades térmicas. A estufa combina as características do ganho térmico directo com as das paredes usadas como dispositivos de armazenamento de calor. Com efeito, é directamente aquecida pelos raios solares, que funcionam como um sistema de aquecimento directo e em seguida transfere o calor para as paredes próximas que se tornam um sistema de acumulação de calor. A radiação solar é absorvida pelas paredes, transformada em calor e parcialmente transferida para o edifício. A estufa deve estar orientada na direcção Sul para receber o máximo ganho térmico durante o Inverno. Deve ser ventilada e coberta no Verão para evitar o sobreaquecimento de modo a que possibilite a troca do ar quente do interior pelo ar mais fresco do exterior. Verão-Dia Sol A estufa também é designada por “jardim de Inverno”, contendo plantas que contribuem para o aumento da qualidade do ar e para a regulação da humidade interior. É útil escolher plantas de folha caduca de modo a aumentar a radiação durante o Inverno e a sombra durante o Verão e assim reduzir o sobreaquecimento. A cobertura da estufa é a componente mais delicada: as superfícies horizontais recebem muita radiação solar durante a estação quente e por isso devem ser cobertas e, se possível, ter a possibilidade de serem abertas. Para garantir um bom comportamento térmico para este sistema é aconselhável aplicar vidros duplos, enquanto a cobertura deve ser construída com vidro muito resistente. A estrutura pode ser constituída por vários materiais, tal como acontece para as janelas. Para reduzir as perdas térmicas e a condensação é aconselhável usar estruturas com corte térmico. Sol Inverno-Dia Ar Quente Calor Ar Frio Inverno Noite Verão-noite Calor Ar Quente Ar Frio 26 CAPITULO 2 - ENERGIA TÉRMICA Calor 2 SISTEMAS DE AQUECIMENTO m sistema de aquecimento é constituído por três componentes principais: o sistema que proU duz o calor, os sistemas de dissipação (radiadores, ventiladores, pavimento radiante) e o sistema de regulação. Cada um destes constituintes tem o seu peso na eficiência média e nos TIPOS DE SISTEMAS consumos energéticos. Sistemas de aquecimento podem ser divididos em três tipologias diferentes: 1. Sistemas de aquecimento central que utilizam caldeiras de água quente e emissores de calor (habitualmente radiadores ou convectores).; 2. Outros sistemas de aquecimento central, tais como aquecimento por ar quente; 3. Aquecedores individuais (termoacumuladores eléctricos, radiadores a óleo). Se vai adquirir um sistema de aquecimento ou substituir o antigo é aconselhável pensar em mudar para um que use um combustível económico e amigo do ambiente. Outros factores importantes que deve ter em conta são: ► A eficiência do sistema de aquecimento; ► A quantidade de calor que a habitação necessita para manter-se com temperaturas confortáveis (que serão maiores nas habitações mais amplas e mal isoladas); ► A existência de um sistema automático de regulação; ► As actividades realizadas no interior do edifício. Sistemas de aquecimento central com caldeira Existem três tipos principais de aquecimento central com caldeira: 1. Sistemas com caldeira e com acumulação de águas quentes sanitárias; 2. Sistemas com caldeira de aquecimento instantâneo de águas sanitárias e aquecimento ambiente; 3. Sistemas com caldeira e termoacumulador. As caldeiras com acumulação de água são normalmente usadas em habitações grandes; as caldeiras com aquecimento instantâneo e aquecimento ambiente são geralmente usadas em habitações pequenas ou apartamentos grandes porque ocupam pouco espaço. As caldeiras funcionam predominantemente a gás natural, gasóleo ou gás de petróleo liquefeito (GPL). Algumas caldeiras eléctricas encontram-se disponíveis no mercado mas não são recomendadas pelo seu elevado consumo energético. O mercado também oferece caldeiras a biomassa que sendo mais caras, poderão ser uma opção bastante interessante economicamente quando da disponibilidade deste tipo de combustível. As caldeiras existentes no mercado são: CAPITULO 2 - ENERGIA TÉRMICA 27 2 TIPO DE CALDEIRAS ste tipo de caldeira está ultrapassada e o E seu problema é a temperatura constante da água, regulada geralmente para valores eleva- A) CALDEIRAS CONVENCIONAIS DE TEMPERATURA CONSTANTE dos (70-80°C). Uma válvula misturadora inserida no circuito hidráulico mantém a temperatura da água elevada dentro da caldeira para evitar problemas de condensação. A temperatura elevada é responsável pela grande perda de energia nas tubagens e aumenta o desperdício de energia quando a caldeira é desligada. Este tipo de caldeira tem muitos ciclos “ligado/desligado”, aumentando as perdas devido à carga câmara de combustão. O conjunto destes factores, diminuem a eficiência média, mesmo que as caldeiras apresentem uma boa eficiência de combustão. s caldeiras de temperatura variável permiA tem valores elevados de eficiência média graças ao estabelecimento de uma temperatura B) CALDEIRA DE TEMPERATURA VARIÁVEL regulável, de acordo com as necessidades energéticas. Deste modo, mesmo funcionando com cargas parciais, a caldeira funciona segundo uma eficiência nominal, sem produzir mais calor do que o pretendido, aumentando a eficiência global. Temperaturas baixas significam menos dissipação do calor nas tubagens e aumento da eficiência de emissão dos radiadores. Geralmente, as caldeiras apresentam um queimador modulante, com uma regulação contínua na relação ar-combustível. s caldeiras de condensação distinguem-se das tradicionais pela sua capacidade de reA cuperarem calor dos produtos de combustão a C) CALDEIRA DE CONDENSAÇÃO partir do calor sensível (energia térmica recuperável pelo arrefecimento dos gases de combustão sem mudança de fase) do vapor de água e do calor latente (ou de condensação – energia libertada pela passagem do vapor de água contidos nos gases de combustão a estado líquido). 28 O calor recuperado é reutilizado na caldeira para o processo de aquecimento, obtendo-se assim uma redução das perdas. Este tipo de caldeiras são sempre mais eficientes que as tradicionais. Poupanças consideráveis são conseguidas quando se substituem caldeiras com mais de 15 anos. Uma nova caldeira com regulador de temperatura adequado, pode reduzir o custo do combustível em 20-25%. As principais características de uma caldeira de condensação são: ► São adequadas para a grande maioria das habitações (moradias ou apartamentos); ► É o tipo de caldeira mais eficiente; ► A eficiência continua elevada mesmo quando opera a baixo nível, como é o caso no Verão em que o consumo de água quente é menor; ► É frequente aparecerem pequenas nuvens de vapor de água produzidas pelos gases de combustão – indicando que a caldeira está a funcionar de forma eficiente. As caldeiras de condensação estão geralmente associadas a radiadores ou a um sistema de pavimento radiante. Os radiadores têm as seguintes vantagens: ► São uma solução económica; ► Têm uma fácil manutenção; ► A sua regulação é fácil e eficiente. O pavimento ou parede radiante é: ► Esteticamente agradável; ► Necessitam de pouca manutenção; CAPITULO 2 - ENERGIA TÉRMICA 2 ► Proporciona um aquecimento contínuo; ► Pode haver dificuldades na manutenção, se ocorrerem problemas. As caldeiras de condensação apresentam um melhor desempenho se funcionarem numa gama de temperatura entre os 25°C e os 40°C. Assim, a aplicação mais eficaz é a caldeira de condensação com um sistema de baixa temperatura como pavimento/parede radiante. Se quiser utilizar os radiadores convencionais é preferível utilizar uma caldeira com temperatura variável termo biomassa define um variado conO junto de matéria orgânica, de origem vegetal ou animal, ou ainda de resíduos resultantes D) CALDEIRAS A BIOMASSA da transformação natural ou artificial dessa matéria, susceptíveis de serem aproveitados para fins energéticos. As emissões de CO2 provenientes da queima de biomassa para a produção de energia são consideradas neutras, porque durante o ciclo de vida dos resíduos florestais, estes absorvem o CO2 da atmosfera na mesma proporção que é libertado no processo de combustão. De qualquer forma, se analisarmos o ciclo de produção de biomassa para combustão, construção e manutenção da caldeira etc., podemos constatar que a caldeira a biomassa não está isenta de emissões, mas de qualquer modo, a emissão de dióxido de carbono é mais baixa do que nos sistemas em que são usados combustíveis fósseis. As caldeiras a biomassa sólida podem dividir-se em três grupos, tendo em conta o estado do combustível utilizado: ► Caldeiras a lenha; ► Caldeiras a estilha; ► Caldeiras a briquetes. A caldeira a lenha deve ser alimentada com combustível uma ou duas vezes por dia. Os melhores modelos produzem baixa quantidade de cinza e permitem uma combustão completa dos pedaços de madeira. A forma particular deste tipo de caldeira exige um termoacumulador para obedecer às necessidades de aquecimento dos utilizadores. As caldeiras a estilha são as mais versáteis, apesar de ser mais complicado a obtenção da estilha e o seu nível de humidade ser bastante elevado, comprometendo a eficiência da combustão. Este tipo de caldeiras são automáticas sendo necessário um silo para armazenar o combustível. As caldeiras a briquetes são cómodas e automáticas no entanto, são um pouco mais dispendiosas. Os briquetes são pequenos cilindros feitos de madeira moída e compactada. O nível de humidade é baixo e a forma permite o seu armazenamento em pequenos espaços. As briquetes possuem um maior poder calorífico em relação à estilha. Para além disso, devido a um melhor controlo da combustão é necessária uma menor manutenção. Em qualquer caso, para reduzir as emissões provocadas pelo transporte, as caldeiras a biomassa são mais indicadas nas áreas rurais, uma vez que a matéria-prima está próxima do local de consumo. E) BOMBAS DE CALOR Estes sistemas apresentam custos de funcionamento semelhantes aos da caldeira de condensação a gás. ► A sua instalação é cara, mas é eficaz quando o gás não está disponível; ► É muito eficaz para habitações em que haja uma grande exigência de energia térmica – consequentemente, medidas para melhorar a eficiência energética da habitação devem ser implementadas; ► Os custos de manutenção são também mais baixos do que os sistemas con- CAPITULO 2 - ENERGIA TÉRMICA 29 2 vencionais a gás. ► As bombas de calor podem igualmente ser usadas para arrefecimento e podem fornecer a água quente para a habitação. Oprincípio de funcionamento de uma bomba de calor baseia-se numa máquina frigorífica alimentada a energia eléctrica. Este tipo de equipamentos transfere o calor de um ambiente a temperatura mais baixa para um ambiente a temperatura mais elevada. O COP (“Coefficient of Performance” ou Coeficiente de Desempenho) representa o rácio entre a energia térmica (calor ou frio) fornecida por uma bomba de calor (ou um equipamento de refrigeração) e a energia eléctrica consumida pelo sistema. Quanto maior for o COP, mais eficiente será o sistema. As bombas de calor podem alcançar um coeficiente de desempenho de três ou mais. Isto significa que para obter 3 kWh de energia térmica, o compressor consome 1 kWh de energia eléctrica. Os equipamentos mais eficientes para climatizar um espaço, são as bombas de calor, já que a reversibilidade lhe dá uma flexibilidade de utilização sazonal com elevado rendimento. Dentro deste tipo de equipamentos, escolha sempre o que tiver um COP mais elevado, já que quanto maior for o COP, mais eficiente será o sistema. As bombas de calor fornecem mais energia do que aquela que consomem, através da extracção do calor do meio em que está instalada. Dependendo das fontes de calor, os sistemas designam-se por: ► água-água, em que o calor é transferido para a água a partir de outra fonte de água aquecida (i.e. um rio, um poço); ► água-ar, em que o ar é aquecido pela extracção do calor da água; ► ar-ar, em que o ar é aquecido através 30 da extracção do calor do ar; ► ar-água, em que a água é aquecida extraindo o calor do ar; ► terra-água, em que a água é aquecida pela extracção do calor do solo; ► terra-ar, em que o ar é aquecido através da extracção do calor do solo bomba de calor geotérmica é uma bomba A de calor que usa como fonte o calor presente na terra em profundidade. BOMBA DE CALOR GEOTÉRMICA O princípio de funcionamento baseia-se no facto de que, enquanto o ar e a superfície da terra têm, durante as estações do ano, uma grande variação de temperatura, a terra a partir dos três metros de profundidade e a água dos lençóis freáticos ou dos poços, apresentam variações mínimas e, consequentemente, nos meses de Verão são mais frescas e, no Inverno, são mais quentes. Esta diferença de temperatura é explorada usando sondas geotérmicas, que descem verticalmente no solo ou deslizam numa superfície horizontal a poucos metros abaixo no nível da terra, de forma a captar o calor e a passá-lo para a bomba. A bomba, alimentada a energia eléctrica, utiliza o calor para aquecer (ou no Verão, para refrescar) a água ou o ar. Os COP das bombas de calor geotérmicas são geralmente muito elevados e permitem uma notável poupança energética. Habitualmente o funcionameno de uma bomba de calor geotérmica permite poupar de 50% a 75% relativamente ao aquecimento a GPL. As desvantagens de um sistema deste tipo são, principalmente: ► elevados custos de instalação (mas que são reembolsados num período relativamente curto); CAPITULO 2 - ENERGIA TÉRMICA 2 ► necessidade de trabalhos de perfuração ► oportunidade de ligar à bomba de calor a sistemas de emissão térmica a “baixa temperatura” (não radiadores, mas pavimentos e paredes radiantes ou ventiloconvectores); ► necessidade de verificar se o subsolo ou as águas subterrâneas estão interligadas; ► necessidade de uma análise preliminar do solo para se ter noção dos custos de perfuração. As vantagens, para além da poupança energética, são: ► nenhum impacto visual; ► menor manutenção em comparação com uma caldeira tradicional (não é necessária a manutenção anual, controlo de fumos, etc.); ► ausência de chaminé; ► reversibilidade da bomba (a bomba de calor pode aquecer água ou ar no Inverno e no Verão arrefecer o ar). Os sistemas mais comuns para aproveitar o calor do subsolo com bombas de calor são: as sondas geotérmicas, captação e re-injecção da água nos poços e as serpentinas no terreno. A profundidade a que chegam as sondas geotérmicas vai dos 50 aos 350 metros, em função do tipo de terreno e da potência de captação da sonda. É importante analisar o terreno antes de perfurar; deste modo, pode-se calcular os custos de perfuração e a quantidade de energia necessária para a captação. As sondas actuam em tubos de diâmetro relativamente pequeno (o diâmetro total de uma sonda, que compreende os dois tubos de ida e de volta) de menos de 30 centímetros. AS SONDAS GEOTÉRMICAS: Sistemas para captar águas subterrâneas: Uma forma eficiente de tirar partido de uma fonte geotérmica é usar o calor (ou o frio) contido na água de um lençol freático ou de um poço. Os custos de instalação são bastante reduzidos (no caso de um poço, nem sequer é necessária a perfuração) e como fluido térmico pode-se usar directamente a água captada. É igualmente verdade que, para encontrar um lençol freático, é possível que os custos subam devido à perfuração geotérmica, mesmo que o mesmo seja encontrado a profundidades reduzidas de vinte ou trinta metros, visto que são necessários estudos preliminares. rata-se da forma absolutamente mais ecoT nómica de usar a geotermia. As serpentinas são constituídas por uma série de tubos dispos- SERPENTINAS tos numa superfície horizontal a poucos metros de profundidade. ara além dos sistemas em que é a água P quente que distribui o calor para o interior do edifício, existem sistemas que tiram partido F) SISTEMAS DE AR QUENTE do ar, que com condutas fixas, transportam o calor para o interior de todas as divisões, garantindo também a ventilação necessária ao conforto termo-higrométrico. A fonte de energia para estes sistemas pode ser o gás natural, GPL, ou o gasóleo para o aquecimento, existindo alguns modelos que utilizam a energia eléctrica. Para os sistemas a gasóleo, os gases de combustão aquecem directamente um distribuidor de calor fornecendo energia térmica ao ar. Aqueles que operam a electricidade acumulam o calor de noite, que posteriormente cedem durante o seu funcionamento, desfrutando das vantagens do tarifário bi-horário. m apartamento pequeno e bem isolado Upode não necessitar de um sistema de G) AQUECEDORES COMUNS CAPITULO 2 - ENERGIA TÉRMICA 31 2 aquecimento central: um ou dois aquecedores eficientes podem ser adequados. Os aquecedores de ambiente podem também proporcionar calor adicional, complementando o sistema de aquecimento principal. Para ajudar a controlar o nível de aquecimento em áreas diferentes (isto é, a sala de estar ou o quarto de dormir), os aquecedores devem ser programados para o tempo e para a temperatura pretendidos. Aquecedores a gás natural, directamente aplicados na parede: ► Aquecedores convectores de parede. ► Geralmente requerem uma chaminé adequada, por isso são aplicados numa parede exterior. ► Pode-se instalar um sistema completo em cada divisão. ► São muito eficientes para um aquecedor de ambiente – normalmente apresentam uma eficiência de 70%. Convectores radiantes ► Fornecem calor radiante e convectivo. ► Apresentam um efeito de fogo decorativo. Produzem muito pouco calor e o seu uso é principalmente decorativo ► O efeito de fogo é parcialmente instalado dentro da lareira e as chamas são geralmente abertas. São habitualmente 40 a 70% eficientes, dependendo do modelo. Aquecedores a gás ► Apresentam elevados custos de funcionamento. ► Apresentam um elevado risco de condensação através da produção de vapor de água (cerca de 1kg de água por quilograma de gás líquido). 32 Aquecedores eléctricos ► São 100% eficientes, mas com custos muito elevados quando funcionam com um tarifário normal. ► Os aquecedores a óleo devem funcionar com tarifários económicos de energia eléctrica, sempre que possível. ► Os acumuladores de calor eléctricos têm custos muito elevados, mas tornam-se um equipamento interessante quando associados à tarifa bi-horária. Com esta opção, este tipo de equipamentos consumem energia eléctrica durante a noite, no período económico, e dissipam a energia térmica durante o dia. Lareiras e fogões a lenha ► É necessária uma área de armazenamento para a lenha. ► Devem-se usar nas lareiras recuperadores de calor que controlam a combustão através da regulação de ar. ► Equipamentos de combustíveis múltiplos podem funcionar com antracite, carvão vegetal, lenha ou carvão sintético e briquetes. ► Queimar madeira a partir de uma fonte sustentável produz emissões de CO2 mais baixas. ► Os fogões a lenha podem incluir uma caldeira para proporcionar aquecimento e água quente. ► As lareiras abertas requerem a instalação de dispositivos de controlo da quantidade de ar que é retirado da divisão, o que melhorará a sua eficiência (as menos eficientes). CAPITULO 2 - ENERGIA TÉRMICA 2 s sistemas de produção e distribuição de calor são usualmente classificados pelas seguintes Otipologias: SISTEMAS DE DISTRIBUIÇÃO DE CALOR ► Aquecedores (designados também por radiadores ou convectores) e placas radiantes; ► Termoconvectores e ventiloconvectores; ► Painéis radiantes: no pavimento (muito usados), na parede, no tecto. quecedores (radiadores ou convectores) A Os equipamentos radiantes têm a função de emitir para a atmosfera o calor produzido na caldeira e transmitido através da rede de distribuição (rede hidráulica que liga a caldeira aos radiadores), trocando calor com o ar. O aquecedor é a parte final do sistema e varia entre os radiadores ou convectores com elementos verticais (em ferro fundido, em aço ou liga de alumínio) às placas radiantes. s radiadores em ferro fundido caracteriO zam-se por uma durabilidade quase ilimitada e são particularmente bons em divisões que apresentam um uso contínuo do sistema de aquecimento, visto que aquecem lentamente, mas mantêm o calor durante muito tempo (têm uma elevada inércia térmica). Os radiadores de aço estão disponíveis em modelos simpáticos, do ponto de vista estético, e têm uma óptima produção térmica, contudo, estão sujeitos a perigo de corrosão, o que limita a sua durabilidade. Finalmente, os radiadores de alumínio caracterizam-se por uma boa resistência à corrosão mas, devido a um peso menor e a uma baixa inércia térmica aquecem rapidamente e deixam igualmente de aquecer logo que o sistema é desligado. Pelo contrário, as placas radiantes não são constituídas por elementos modulares, mas por um único bloco, em aço ou por vezes em ferro fundido. Distinguem-se por uma massa menor, uma menor quantidade de água e por uma fácil manutenção (limpeza). Este último pormenor torna-os particularmente bons para o uso em locais que exigem a máxima limpeza, tais como escolas, tribunais, hospitais. posicionamento correcto dos radiadores O numa divisão é fundamental para se ter um bom rendimento térmico do sistema de aqueci- mento e consequentemente para incrementar a poupança energética. É uma boa prática colocar os aquecedores sob as janelas ou junto às paredes exteriores, de modo a contrariar o efeito das correntes frias e para reduzir a diferença de temperatura entre o tecto e o pavimento. Por razões estéticas, os radiadores são frequentemente cobertos com peças de mobiliário ou colocados em reentrâncias da parede, equipadas com um painel frontal para fechar; isto produz uma diminuição do poder calorífico devido à limitação da circulação do ar e reduz de igual forma a acessibilidade, quando se pretende efectuar a sua manutenção. Se o radiador for colocado numa parede exterior (por exemplo, debaixo de uma janela) é bom inserir, entre a parede e o radiador, um CAPITULO 2 - ENERGIA TÉRMICA 33 2 painel de material isolante, que pode ser adquirido nos estabelecimentos comerciais e apresenta uma superfície reflectora específica com o propósito de dirigir o calor para o interior. ntes de ligar o sistema, é boa prática fazer A uma manutenção cuidadosa dos elementos de aquecimento, eliminando o ar que se encon- tra no seu interior através do purgador. É importante verificar a emissão térmica de todos os radiadores, de modo a obter um sistema com um bom rendimento. É, consequentemente, importante instalar válvulas termostáticas, que permitem uma melhor regulação da temperatura ambiente. Estas válvulas, instaladas nos radiadores, estão equipadas com interruptor termoestático que controla o caudal de água quente em função da temperatura do ar, obtendo, deste modo, um bom controlo da temperatura em todas as divisões. s termoventiladores emitem calor ou frio, O através de uma serpentina e um ventilador no seu interior, fazendo recircular o ar, evitando TERMOVENTILADORES a formação de zonas não tratadas. Os mais recentes termoventiladores têm um filtro que bloqueia a sujidade, limpando o ar e prevenindo a inalação de impurezas. São normalmente usados no ar condicionado no Verão e no Inverno, considerando o custo limitado, a versatilidade, o baixo peso e a boa regulação da potência térmica distribuída pelo equipamento. Para o Verão é suficiente a instalação de um pequeno e eficiente sistema de refrigeração de 34 água, tal como, por exemplo, uma bomba de calor. O sistema de refrigeração produz a água fria que alimenta a serpentina, arrefecendo desta forma o ar e removendo a humidade, pela acção do ventilador. A regulação manual do equipamento é levada a cabo pelo utilizador alterando a velocidade do ventilador, enquanto o controlo automático é realizado por um termóstato que liga e desliga o ventilador. O ventilador que existe no interior do equipamento é ruidoso e o seu ruído aumenta à medida que o caudal de ar também aumenta. uso de termoventiladores é indicado para O escritórios e não para habitações devido às propriedades descritas acima. Em qualquer caso, para evitar tais desvantagens é bom usar os termoventiladores equipados com ventiladores axiais. Para além das oportunidades de regulação, uma outra possibilidade de programação do equipamento consiste no emprego de uma válvula de 3 vias que intercepta o caudal de água regulado pela temperatura. Os termoventiladores podem ser instalados em modelos verticais, no pavimento, e modelos horizontais, no tecto; a escolha prende-se com a necessidade de evitar que as pessoas fiquem em posições demasiado expostas ao caudal de ar e de se obter uma distribuição uniforme da temperatura. CAPITULO 2 - ENERGIA TÉRMICA 2 U Os painéis radiantes são compostos por superfícies de aquecimento que contêm tubos em que flúi água quente ou fria, podendo ser instalados no pavimento, na parede ou no tecto. Os materiais usados para os paíneis são o aço, o cobre e, mais frequentemente, o plástico. A temperatura da água que entra no sistema é de aproximadamente 45°C. Para os sistemas instalados no pavimento (pavimento radiante), o valor limite é de 25-28°C. A regulação independente de cada circuito permite fixar uma temperatura diferente em cada divisão. Outra vantagem dos painéis radiantes é a capacidade de dar a sensação de se estar num ambiente com 22-23°C, enquanto, na verdade, o termómetro marca 20°C. Para além disso, apresenta uma importante função de isolamento acústico, que permite absorver os ruídos PAINÉIS RADIANTES entre os apartamentos. Uma outra vantagem de operar a baixa temperatura, é o facto de se poder conjugar perfeitamente com as caldeiras de condensação e os colectores solares. sistema de painéis radiantes mais difunO dido é certamente o de pavimento (pavimento radiante). Este tipo de pavimento PAVIMENTO RADIANTE apresenta diversas vantagens: ► Melhora o conforto térmico, reduzindo os consumos; ► Aquece e arrefece sem movimentar o ar; ► Aumenta a superfície utilizável das divisões com um correspondente aumento do valor económico da habitação (não se desperdiça espaço para instalar os radiadores); CAPITULO 2 - ENERGIA TÉRMICA 35 2 ► Aquece com menor consumo de energia; ► Dá liberdade para mobilar (as mobílias podem ser colocadas em qualquer local); ► É polivalente (pode ser usado no Inverno e no Verão, se o sistema também possuir um dispositivo de arrefecimento); ► Não levanta poeiras porque não faz circular o ar, visto que funciona por efeito de irradiação. Evitando assim, a típica movimentação do ar provocada pelos sistemas de ar condicionado e a pintura periódica das manchas criadas pelos radiadores; ► Se usado para arrefecimento, consome menos energia eléctrica do que um “split” normal. 36 recomendável o uso deste sistema acoO plado a uma caldeira de condensação. Muitas pessoas possuem recordações negati- vas desta tecnologia, porque foi usada em muitos apartamentos de luxo nos anos 60-70 com alimentação de água quente (60-70 graus em vez dos actualmente recomendados 28-29) proveniente dos sistemas centrais de aquecimento, sem controlo rigoroso da temperatura. O calor excessivo do pavimento provocava dores nas pernas (e varizes), levantamento do pó e consequente sensação de mal-estar. Hoje em dia, o sistema tem um controlo eficiente da temperatura da água de modo a reverter a situação e a fornecer um dos sistemas de aquecimento mais confortáveis disponíveis no mercado. CAPITULO 2 - ENERGIA TÉRMICA 2 or contabilização entende-se a medição P do consumo da energia térmica, de modo directo ou indirecto, somando a quantidade de CONTABILIZAÇÃO E CONTROLO TÉRMICO energia emitida pelos equipamentos de aquecimento individuais. A regulação de um sistema térmico representa a totalidade das operações que são necessárias para obter e manter o conforto no interior da habitação, controlando a temperatura ambiente mediante a temperatura exterior. Consequentemente, através de um sistema de regulação é possível controlar todas as operações do sistema. Nalguns sistemas é também possível regular o funcionamento da caldeira com base na temperatura exterior. Os equipamentos de aquecimento deverão ser dotados de um sistema de controlo autónomo com termóstato, que permita interromper o fornecimento de energia quando a temperatura no local atinge a temperatura pré-seleccionada. Para além do termóstato, o sistema de controlo deverá também ser dotado de um relógio, permitindo assim programar os períodos do dia em que se pretende que o sistema de aquecimento funcione. Os melhores sistemas são aqueles que estão concebidos para dividir a habitação em zonas, por exemplo, dois termóstatos para as zonas mais frequentadas durante o dia e durante a noite. Quem não possuir este tipo de sistema, pode instalar válvulas termostáticas em todos os radiadores, que regulam a entrada de água quente em função da temperatura do ar na divisão. PARA AS PESSOAS QUE VIVEM EM CONDOMÍNIO OU APARTAMENTO ara os sistemas de aqueciP mento central aplicados em condomínios, é importante que a regulação térmica dos apartamentos esteja sempre associada à contagem de calor emitido, para reduzir perdas devidas ao uso indevido do sistema por pessoas que não pagam directamente pelos seus maus hábitos. O sistema centralizado é muito mais eficiente e seguro do que um independente. Para além disso, o sistema centralizado caracteriza-se por uma eficiência mais elevada do gerador de calor, que aumenta à medida que aumenta a potência da caldeira, e por custos de manutenção inferiores, que são divididos entre vários utilizadores. A grande desvantagem era a dificuldade de gestão individual do sistema. Esse problema foi ultrapassado através da regulação de uma contabilização separada da energia, o que permite a todos a programação da temperatura desejada e o pagamento da energia consumida. s exigências cada vez maiores das famílias A de poderem gerir individualmente o seu sistema de aquecimento levaram a uma grande di- O QUE É MELHOR, O SISTEMA AUTÓNOMO OU O CENTRALIZADO? fusão de sistemas autónomos, fazendo esquecer todas as vantagens oferecidas pela tecnologia do sistema central. Tal como já foi demonstrado, hoje em dia, a autonomia, a eficiência e a segurança podem coexistir num sistema centralizado, utilizando a regulação térmica e os contadores de energia. A contabilização separada realize-se facilmente quer em sistemas de aquecimento por zonas (em que é instalado um contador em cada apartamento), quer em sistemas formados por colunas modulares que alimentam os CAPITULO 2 - ENERGIA TÉRMICA 37 2 esquema de um sistema por zonas ( distribuição horizontal ) esquema de um sistema por zonas ( distribuição vertical ) radiadores de vários apartamentos na mesma posição vertical (instalação de contadores para cada equipamento de aquecimento). Em todo o caso é sempre aconselhável seguir as seguintes sugestões: 1. Seleccionar a temperatura mais baixa possível na caldeira; 2. Aquecer as divisões do apartamento/moradia de modo autónomo e de acordo com o uso dado a cada divisão; 3. Aquecer só quando é realmente necessário; 4. Não aquecer o apartamento/moradia a uma temperatura superior a 20ºC, visto ser esta a temperatura considerada ideal. s sistemas de regulação do aquecimento controlam todo o sistema de aquecimento O no que diz respeito à temperatura interior dese- REGULAÇÃO DOS SISTEMAS DE AQUECIMENTO jada em função da temperatura exterior. Quando a caldeira existente é recente, é conveniente investir num sistema de regulação de 38 elevada eficiência. uando a caldeira já não é recente, a instaQ lação deste tipo de sistemas de regulação poderá ser efectuada em qualquer altura, sendo o momento mais adequado quando a caldeira for substituída ou forem efectuados outros trabalhos no sistema de aquecimento. Poupança anual: 100-120 € Custo de instalação: cerca de 150€ Tempo de recuperação do investimento: cerca de 1,5 anos Um bom sistema de regulação deve incluir: ► Um programador capaz de gerir separadamente o aquecimento e a produção de água quente; ► Termóstatos para diversas divisões da apartamento/moradia; ► Válvulas motorizadas para satisfazer as necessidades de aquecimento Válvulas termostáticas As válvulas termostáticas são aplicadas nos radiadores e permitem a variação da temperatura ambiente, reduzindo o caudal da água quente para o radiador à medida que o termóstato CAPITULO 2 - ENERGIA TÉRMICA 2 atinge a temperatura programada. Possibilitam também a definição de temperaturas mais baixas em divisões que são menos frequentadas, de modo a poupar energia (a poupança poderá corresponder a cerca de 20%). de água quente para mais do que uma divisão do apartamento/moradia. É particularmente eficaz em edifícios de grandes dimensões com divisões sujeitas a exposição solar variada. Termóstato da temperatura ambiente Este tipo de termóstato apresenta as seguintes características: ► Desliga a caldeira e/ou a bomba de calor quando a temperatura atingiu o nível desejado; ► Está geralmente situado na sala ou na entrada, a cerca de 1,5m acima do nível do pavimento; ► Este tipo de termóstato pode ser combinado com um programador num único dispositivo designado “termóstato programável”; ► Não deve ser instalado na proximidade de radiadores, num local arejado ou soalheiro ou em divisões com aquecimento suplementar (por exemplo, termoventiladores). Programadores ou temporizador ► O programador permite programar os períodos de tempo em que aquecimento e água quente são necessários; ► Os temporizadores incluem um relógio fácil de programar, permitindo o aquecimento dos espaços e da água ao mesmo tempo ou aquecer apenas a água e não ligar o aquecimento; ► Os programadores digitais são preferíveis, pois normalmente permitem uma programação de sete dias, quer para aquecer o ambiente quer a água. Regulação por zonas A regulação por zonas é efectuada através de uma válvula motorizada que controla o caudal CAPITULO 2 - ENERGIA TÉRMICA 39 2 consumo de água quente sanitária pode ser O responsável por uma grande percentagem do uso total de energia, especialmente numa habitação ÁGUA QUENTE moderna e bem isolada. Existem várias formas de se obter água quente. As mais comuns são: ► Depósito de água quente que é indirectamente aquecido por uma caldeira ou sistema de aquecimento com caldeira; ► Uma caldeira a quatro tubos que aquece directamente a água; ► Termoacumulador eléctrico; ► Sistema solar. m geral os sistemas que E utilizam a energia eléctrica para o aquecimento de água não são bons quer ecológica quer economicamente. Por exemplo, para o aquecimento de 100 litros de água a 60ºC (o suficiente para um duche de 10 minutos) são necessários 1kWh se o aquecimento for a gás, 5 kWh se for aquecimento eléctrico e 8 kWh se o aquecimento for eléctrico e o depósito não estiver bem isolado. Os depósitos de água quente perdem energia com o passar do tempo (a água vai arrefecendo) o que leva a um funcionamento intermitente do sistema de aquecimento de modo a manter a temperatura num valor constante, este funcionamento intermitente é altamente dispendioso e por isso é fundamental que o depósito de água quente esteja bem isolado, para reduzir ao mínimo as perdas. Poupança anual: aproximadamente €30 Custo de instalação: a partir de €15 Tempo de recuperação do investimento: cerca de 6 meses Deve ter-se em conta que: ► Isolar este tipo de depósito é uma medida prioritária. ► Estes equipamentos podem ser isolados em qualquer altura. ► Adicionar um isolamento ao depósito é uma medida eficaz. Um isolamento aplicado a um depósito que não possui isolamento pode poupar o dobro do seu próprio custo no primeiro ano. 40 ► Qualquer isolamento com menos de 80mm de espessura deve ser actualizado. xiste no mercado uma grande variedade de isoE lamentos de diferentes tamanhos. Estes podem ser aplicados com cintas para se ajustarem à volta do depósito, o que diminuirá ainda mais as perdas de calor. Um bom isolamento do depósito também serve um outro objectivo que consiste em reduzir a possibilidade de sobreaquecimento no Verão. Quando necessitar de substituir uma peça defeituosa, por exemplo, um depósito de água quente com um rotura, deve aproveitar a oportunidade para substituí-lo por outro de elevado desempenho. Um depósito de elevado desempenho deverá apresentar as seguintes características: ► Ter 50-80mm de isolamento aplicado em fábrica. ► Incorporar uma serpentina de elevada eficiência que forneça um aquecimento mais rápido da água. ► Melhorar a eficiência periódica total do sistema de aquecimento. Quando se substitui o sistema de aquecimento, deve ter-se em conta que trocá-lo por uma caldeira combinada (com depósito) elimina a necessidade de instalar um novo depósito de água quente. Quando se substitui um sistema de produção de água quente sanitária é oportuno instalar também um sistema electrónico de controlo. Um sistema de controlo básico permite reduzir o consumo de energia e pode ter: ► Um sistema de programação que permite controlar o tempo de funcionamento e a temperatura da água; ► Um termóstato instalado no depósito que suspenda o fornecimento de energia quando a água atinge uma determinada temperatura (recomenda-se cerca de 60º C); ► Uma bomba de alimentação que permita a optimização da eficiência da permuta térmica. Para além de isolar a tubagem principal, vale também a pena considerar o isolamento da tubagem secundária, entre o cilindro e as torneiras. Depósitos e tubagens instalados no sótão devem ser sempre isolados, para evitar o congelamento e o risco de rebentamento. CAPITULO 2 - ENERGIA TÉRMICA 2 m geral, os equipamentos de ar condicionado consomem muita energia, consequentemente, é E necessário usá-los com moderação. Antes de se instalar um sistema de ar condicionado é bom estudar a possibilidade de melhorar o isolamento térmico para reduzir a transferência de ARREFECIMENTO NO VERÃO calor do exterior para o interior. Até porque, uma divisão bem isolada pode não necessitar de ar condicionado. Muitas pessoas compram ou usam equipamentos de ar condicionado sem compreenderem a sua concepção, os seus componentes e os seus princípios de funcionamento. Um dimensionamento, selecção, instalação e manutenção adequadas, para além de um uso correcto são fundamentais para um funcionamento eficiente e para a redução geral dos custos. Um equipamento de ar condicionado é semelhante a um grande frigorífico que refresca o seu apartamento/moradia. Se o seu apartamento/moradia já possui uma caldeira, mas nenhum equipamento de ar condicionado, este tipo de sistema é o mais económico quanto à sua instalação. A solução mais comum nos equipamentos de ar condicionado é a modalidade tipo “split”. Embora esta escolha possa parecer a mais simples, é efectivamente a menos eficiente e inteligente, visto que devemos sempre ter presente que o custo de um equipamento deste tipo é calculado através da soma do custo de aquisição mais o consumo energético que ele vai representar. Por esta razão, a aquisição de um sistema “split” pode ser mais económica no curto prazo, mas a longo prazo sairá muito dispendiosa. Se, por alguma razão não existirem alternativas, então deve-se adquirir um equipamento de eficiência elevada (apesar de ser mais caro) e com uma potência superior à necessária, de modo a evitar o seu funcionamento constante na potência máxima, visto que esse funcionamento leva a um maior consumo de energia. Também é fundamental escolher um equipamento equipado com inversor, um dispositivo que modula a potência (e consequentemente o consumo) de acordo com a necessidade de arrefecimento. Existem dois tipos de equipamentos de ar condicionado: “split” interior com compressor exterior ou portátil. EQUIPAMENTOS ste é um tipo de equiE pamento dividido em duas unidades, uma ex- “SPLIT” INTERIOR COM COMPRESSOR EXTERIOR terna com o compressor e outra interna onde se podem encontrar o condensador e o evaporador. Quando se trata de áreas muito grandes, existe a possibilidade ligar várias unidades internas a apenas uma externa (“multisplit”). ste tipo de equipamento é constituído por E apenas um elemento, sobre rodas, que tem no seu interior o compressor, o condensador e AR CONDICIONADO PORTÁTIL o evaporador. Normalmente, este tipo de equipamentos é muito ruidoso, mas já existem disponíveis no mercado equipamentos mais silenciosos. Apesar de portáteis, estes equipamentos necessitam de ter uma janela perto do seu local de utilização, de modo a ser possível colocar o tubo de expulsão de ar quente. Outra desvantagem é o seu baixo rendimento, aliás, este tipo de equipamentos são a pior opção para arrefecer a sua habitação. A sua única vantagem é o facto de serem portáteis. CAPITULO 2 - ENERGIA TÉRMICA 41 2 E ste tipo de equipamento pode ser utilizado apenas para o aquecimento, mas também permite proceder ao arrefecimento, visto tratarse de um equipamento reversível. Para conhecer melhor este tipo de equipamentos deverá consultar o capítulo deste manual dedicado a eles. BOMBAS DE CALOR or arrefecimento solar entende-se a utilizaP ção da tecnologia de aquecimento solar (ver capítulo dedicado à Energia Térmica) com ARREFECIMENTO SOLAR a adição de dispositivos chamados absorvedores ou adsorsores (muito caros actualmente) de modo a produzir frio a partir da utilização de água quente. Podemos considerar que é o sonho de qualquer pessoa, ser capaz de arrefecer a sua habitação no Verão, utilizando o calor emitido pelo Sol. Infelizmente, essa tecnologia ainda não está suficientemente madura e logo ainda não é vantajosa economicamente (para mais informações sobre esta tecnologia, poderá consultar a brochura Climatização Solar disponível para download em: http://ames.linkare.pt//site/pagina.asp?nome=climasol§ion=24). REGULAÇÃO DOS SISTEMAS DE AR CONDICIONADO Existem, principalmente, dois tipos de sistemas de regulação que funcionam nos equipamentos com base num sensor de temperatura: ► A primeira possibilidade é a menos dispendiosa, mas a mais cara em termos de potência eléctrica e energética: o sistema funciona na potência máxima e desliga-se quando a temperatura está abaixo da determina pelo utilizador. Quando a temperatura é de um ou dois graus acima da temperatura programada, ele liga-se novamente, baixando a temperatura, e assim sucessivamente. Este é o sistema habitual e precisa de uma elevada potência para funcionar, para além de ser pouco eficiente. ► A segunda possibilidade é mais cara, mas 42 não necessita de elevada potência e reduz o consumo de energia. O sistema de arrefecimento está equipado com dispositivo inversor electrónico que modula a velocidade de arrefecimento, diminuindo a entrada de energia e mantendo a temperatura constante. Este sistema também tem a vantagem de reduzir o caudal de ar frio a partir da máquina, aumentando o conforto MANUTENÇÃO DOS EQUIPAMENTOS DE AR CONDICIONADO EXISTENTES s equipamentos mais antigos O podem ainda ser capazes de oferecer anos de uso com relativa eficiência. Todavia, fazer durar o velho equipamento de ar condicionado requer uma adequada operação de manutenção. Problemas comuns Um dos problemas mais comuns é o manuseamento indevido. Se o seu equipamento de ar condicionado estiver ligado, certifique-se de que fechou todas as janelas e portas. Outros problemas comuns resultam de instalação defeituosa, mau procedimento do fornecedor e manutenção inadequada. Uma instalação indevida do equipamento de ar condicionado pode resultar em fugas na tubagem e caudal de ar reduzido. Muitas vezes, a carga de líquido refrigerador (a quantidade que circula no sistema) não corresponde às especificações do fabricante. Se isto acontecer, o desempenho e a eficiência da unidade ficará diminuída. Os técnicos de instalação não detectam frequentemente problemas de carga ou até agravam os problemas já existentes, adicionando líquido a um sistema que já está completamente cheio. Se o seu equipamento de ar condicionado falhar, normalmente, deve-se a uma das seguintes razões: ► Fuga do líquido refrigerador: se o seu equipamento de ar condicionado apresentar CAPITULO 2 - ENERGIA TÉRMICA 2 uma carga de líquido refrigerante baixa, pode dever-se a instalação inadequada ou a fuga. Se houver fuga, simplesmente adicionar mais líquido não é solução. Um técnico especializado poderá corrigir a fuga, testar a reparação e recarregar o sistema com a quantidade correcta de líquido refrigerador. Recorde-se de que o desempenho e a eficiência do seu equipamento de ar condicionado são elevados quando a carga do líquido refrigerador corresponder exactamente às especificações do fabricante; ► Manutenção inadequada: se permitir que os filtros e as serpentinas do equipamento de ar condicionado fiquem sujos, o equipamento não funcionará devidamente e o compressor ou os ventiladores vão, muito provavelmente, danificar-se precocemente; ► Falha do controlo eléctrico: os controlos dos ventiladores e do compressor podem desgastar-se, especialmente quando o equipamento for ligado e desligado frequentemente. Uma vez que o desgaste das correias e cabos e dos terminais também representa um problema em muitos sistemas, as conexões e contactos devem ser verificados durante uma visita de um profissional qualificado. Isolar as tubagens Um enorme desperdício de energia acontece quando o ar frio se perde através da tubagem de alimentação ou quando existe uma fuga de ar quente na tubagem de retorno. Estudos recentes indicam que 10% a 30% do ar condicionado num sistema médio perde-se nas tubagens. Para que o equipamento de ar condicionado seja eficiente, a tubagem deve ser hermética. Manutenção regular Os filtros, serpentinas e aletas do equipamento de ar condicionado exigem uma manutenção regular para que a unidade funcione correcta e eficientemente ao longo dos seus anos de serviço. Negligenciar a manutenção necessária garante o declínio do desempenho do equipamento ao mesmo tempo que aumenta o consumo de energia. CAPITULO 2 - ENERGIA TÉRMICA 43 2 A VENTILAÇÃO construção de uma habitação moderna é hoje em dia muito diferente do que era à uns anos atrás. A utilização de isolamento térmico de qualidade nas paredes do edifício e a garantia de manutenção são duas grandes conquistas da tecnologia que nos garantem um ambiente mais confortável nas nossas habitações, bem como, uma gestão menos onerosa do conforto interior. A vida num ambiente completamente isolado pode revelar-se uma surpresa, devido ao acumular de odores e vapores provenientes da nossa presença, para além de provocar um acumular de poluentes como por exemplo o CO2. Uma das soluções para evitar estes efei- VENTILAÇÃO NATURAL E MECÂNICA 44 tos nocivos passa por abrir regularmente as janelas, de modo a provocar a renovação do ar interior. Contudo esta não é a melhor solução, uma vez que não se adapta ao ritmo de vida actual e acarreta alguns inconvenientes e desperdício de energia, como sejam: ► Entrada de insectos; ► Entrada de polén durante a Primavera; ► Entrada de folhas no Outono; ► Entrada de ar gélido no Inverno; ► Entrada de ar quente no Verão. Assim, a presença de um sistema automático que possibilite a renovação de ar e permita o seu controlo total é a melhor solução. CAPITULO 2 - ENERGIA TÉRMICA 2 Concluindo, todas as habitações requerem ventilação pelas seguintes razões: ► Por razões de saúde e conforto dos habitantes. ► Para garantir o funcionamento seguro e eficiente dos dispositivos de combustão (por exemplo, caldeiras a gás) que extraem o ar de combustão do interior da habitação. ► Para controlar a condensação através da remoção do vapor de água. ► Para eliminar outros poluentes e odores. . isolamento térmico da envolvente de um O edifício é uma qualidade essencial, bem como, uma condição prévia indispensável para VENTILAÇÃO MECÂNICA implementar um bom plano de ventilação. A ventilação mecânica controlada (VMC) é um sistema integrado de ventilação que permite a entrada de ar novo na habitação através de dispositivos colocados nos quartos e salas, sendo que, as grelhas de extracção estão colocadas nos locais mais “poluídos”, ou seja na casa de banho e na cozinha. A transferência do ar novo entre os quartos, a sala, a cozinha e casa de banho ocorre através do espaço existente entre as portas e o pavimento (cerca de 0,5cm). Para criar este caudal de ar, um sistema de ventilação utiliza um pequeno ventilador. CAPITULO 2 - ENERGIA TÉRMICA 45 2 Um sistema de ventilação mecânica mais completo possui a capacidade de efectuar a recuperação de calor. E este deve ser o princípio orientador para este tipo de tecnologia. Assim, em vez de deixar que o calor presente nas salas seja perdido através de janelas abertas, nos edifícios bem isolados e que disponham de um sistema de ventilação mecânica completo, cerca de 80% do calor pode ser mantido no interior do edifício. Ao utilizar um sistema de ventilação mecânica o consumo de energia é cerca de cinco vezes inferior quando comparado com o sistema de ventilação natural (abertura de janelas). O sistema de ventilação mecânica inicia o seu processo com a aspiração de ar do exterior da habitação e a sua filtragem (para retirar poeiras e pólen) através de um microfiltro, depois o ar exterior passa através de um permutador de calor, sendo pré-aquecido. Para este pré-aquecimento é utilizado o calor presente no ar que está a ser retirado do interior da habitação (aproveitando-se cerca de 80% desse calor). Por fim, depois de aquecido, o ar é insuflado nas divisões da habitação através de grelhas existentes na parede ou no pavimento. Por outro lado, o ar interior é aspirado da cozinha e casa de banho e conduzido para o exterior, passando primeiro pelo permutador de calor. 46 Quando se decide instalar um sistema de ventilação mecânica é necessário considerar os seguintes pressupostos: ► As lareiras e fogões necessitam de um sistema de alimentação de ar autónomo; ► O ar extraído da cozinha deverá passar primeiro por um filtro de carvão activado e só depois ser enviado para o permutador de calor antes de ser libertado para o exterior Para problemas de condensação, consultar www.ames.pt CAPITULO 2 - ENERGIA TÉRMICA ENERGIA ELÉCTRICA 3 ELECTRODOMÉSTICOS E ILUMINAÇÃO s electrodomésticos eficientes necessitam de menos energia e, consequentemente, o seu O funcionamento é menos dispendioso. Existem provas claras de que os equipamentos domésticos que utilizam a energia de forma mais eficiente nem sempre são mais caros do que equipa- mentos equivalentes muito menos eficientes. Quando se compra um electrodoméstico, deve-se verificar a sua etiqueta energética. E m 1995, a União Europeia introduziu um esquema de etiquetas obrigatório para os equipamentos de uso doméstico, que inclui frigoríficos, arcas congeladoras e combinados. Este esquema foi alargado, desde então, às máquinas de secar e de lavar roupa, de lavar loiça, lâmpadas, fornos eléctricos e equipamentos de ar condicionado. As etiquetas são colocadas sobre estes produtos, que são apresentados em lojas ou exposições, para permitir que os consumidores comparem as suas eficiências. As etiquetas energéticas mostram a estimativa dos consumos (com base em resultados de testes) de energia, que vão de A a G, em que A é o mais eficiente (para equipamentos de frio, A++ é o mais eficiente). Um equipamento clas- ETIQUETAS ENERGÉTICAS sificado com A usará aproximadamente metade da energia gasta por um equipamento com a classificação G. Todavia, a quantidade de energia eléctrica gasta dependerá da forma como o electrodoméstico é usado e o local em que está situado. Por exemplo, um equipamento de frio (um frigorífico) que está colocado na proximidade de um aquecedor ou forno gastará mais energia do que um que se encontre situado num espaço mais fresco, por isso a disposição da cozinha é importante, no que se refere à eficiência energética. Actualmente, algumas etiquetas também fornecem informações sobre outros aspectos do desempenho do electrodoméstico, por exemplo, o desempenho da lavagem, o gasto de água por ciclo, as rotações (no caso das máquinas de lavar roupa), o ruído, etc. CAPITULO 3 - ENERGIA ELÉCTRICA 47 3 ELECTRODOMÉSTICOS s arcas congeladoras e frigoríficos consomem cerca de um sexto de toda a electricidade da Ahabitação, muito mais do que qualquer outro electrodoméstico. ARCAS CONGELADORAS E FRIGORÍFICOS CONSELHOS DE AQUISIÇÃO ► Escolha um modelo de classe A++ ou A+; ► Escolha um frigorífico de dimensões apropriadas para as suas necessidades. Quanto maior o equipamento, maior o seu consumo. Outro factor que aumenta o consumo do equipamento é utilizá-lo acima da capacidade máxima; ► As arcas congeladoras horizontais são, habitualmente, mais eficientes do que as verticais. Apresentam um isolamento melhor e o ar frio não sai quando se abre a porta; ► Os frigoríficos com função de descongelação automática podem consumir 40% a 50% mais energia eléctrica do que os modelos isentos dessa funcionalidade. RECOMENDAÇÕES QUANTO À MANUTENÇÃO ► Uma limpeza semestral do condensador e das serpentinas pode melhorar a eficiência do equipamento até 30%. Tenha especial atenção para não danificar as serpentinas; ► As portas devem fechar hermeticamente. Para as testar, feche a porta sobre uma folha de papel e tente puxá-la. Se deslizar facilmente, é necessário substituir a borracha da porta, para evitar que o ar frio saia, ou considere a compra de uma nova unidade; ► Coloque o frigorífico numa posição afastada de uma potencial fonte de calor e a uma distância mínima de 5 cm da parede, de modo a permitir o correcto funcionamento do condensador; ► Mantenha a temperatura interior do frigorífico entre os 3°C e 5°C. A temperatura de congelação deve ser programada entre os -18°C e os -3°C; ► Desligue arcas e frigoríficos que não estejam a ser usados, para evitar um gasto de energia desnecessário; ► O consumo energético dos frigoríficos que já têm entre 10 a 20 anos pode chegar a mais 60%, comparativamente a um modelo recente. EQUIPAMENTOS COM AS CLASSIFICAÇÕES A/A+ POUPANÇA MÉDIA ANUAL (/ANO) Arca congeladora horizontal (A+) € 27,00 Frigorífico combinado (A+) Arca congeladora vertical (A+) Frigorífico (A+) Máquina de lavar roupa (A) Máquina de lavar loiça (A) 48 CAPITULO 3 - ENERGIA ELÉCTRICA até €36 € 27,00 € 18,00 € 9,00 € 18,00 3 ctualmente não se atribui uma classificação energética a fornos e fogões de cozinha (à excepção A dos fornos eléctricos). Todavia, existem aspectos a considerar na aquisição e funcionamento de um forno que podem conduzir a uma redução da factura energética (gás ou electricidade). FORNOS E FOGÕES DE COZINHA CONSELHOS A TER EM CONTA NA COMPRA: ► Se possível escolha um forno ou um fogão a gás. A maior desvantagem à utilização de gás é o potencial risco para a saúde, que advêm dos subprodutos da combustão, mas um sistema de ventilação adequado minimizará este risco; ► Os fornos com função de auto-limpeza apresentam um isolamento melhor do que os outros modelos, por isso, são mais eficientes quando usados devidamente; ► Os fogões de cozinha que contêm vitrocerâmica, halogéneo ou elementos de indução são mais eficientes do que aqueles que contêm resistências eléctricas. São, também, mais fáceis de limpar e permitem um maior controlo da temperatura; ► Considere a instalação de uma chaminé para o fogão, em que a distância entre os mesmos seja reduzida, para eliminar ruídos e fornecer ventilação adequada; ► Escolha um modelo que apresente exaustor de fumos e vapores e não um que faça a recirculação do ar dentro da habitação. Se a instalação de uma chaminé não for possível, considere, um forno com ventilação directa, se seleccionar um equipamento a gás. . RECOMENDAÇÕES QUANTO À MANUTENÇÃO ► Os equipamentos com função de auto-limpeza gastam maiores quantidades de energia e reduzem a poupança de energia total do modelo. Utilize esta função apenas quando for necessário, não mais do que uma vez por mês e logo após ter usado o forno, de modo a minimizar o consumo de energia desse processo; ► Muitos fogões de cozinha oferecem sistemas de ignição sem piloto, como queimador selado. É importante manter o dispositivo de ignição limpo, para fornecer uma ignição sem falhas. m geral, as máquinas de lavar loiça constituem uma forma melhor e mais eficiente de lavar a E loiça do que a lavagem à mão. Os modelos eficientes gastam em média 18 litros de água por carga, sendo que para a mesma quantidade de loiça lavada à mão, nunca se gastará menos de MÁQUINAS DE LAVAR LOIÇA 26 litros de água. O aquecimento da água é responsável por mais de 80% da energia utilizada pelas máquinas de lavar loiça, pelo que se devem escolher temperaturas de lavagem mais baixas. CONSELHOS A TER EM CONTA NA COMPRA ► Escolha um modelo com uma resistência de aquecimento mais potente, que tenha a capacidade de elevar rapidamente a temperatura da água até aos 60°C. Isto permitirá uma poupança adicional de energia através da programação se a temperatura seleccionado for de 40°C; ► Procure uma máquina de lavar loiça que forneça o número de ciclos suficientes correspondentes aos diferentes graus de sujidade da loiça. Isto minimizará a utilização excessiva de água e energia; ► Escolha uma máquina que possua um método de secagem por circulação de ar ou secagem durante a noite. A secagem por calor seca rapidamente a loiça, mas às custas de um aumento da energia utilizada. O aquecimento da água e do ar são os dois processos que mais energia consomem numa máquina de lavar loiça. com sensatez nestes ou noutros equipamentos de maiores dimensões, visto que frequentemente apresentam um período de vida útil superior aos 15 anos. IOnvista potencial de poupança de energia e de recursos de um modelo eficiente pode fornecer um reembolso an- MÁQUINAS DE LAVAR E SECAR ROUPA tecipado e poupança nos custos ao longo de todo o seu período de funcionamento. CAPITULO 3 - ENERGIA ELÉCTRICA 49 3 O aquecimento da água e a função de enxaguamento são responsáveis por 90% do total de energia consumida num ciclo. O motor gasta apenas os restantes 10%. A maioria das máquinas de lavar roupa convencionais gasta 60 a 120 litros de água por ciclo completo. A escolha de um equipamento mais eficiente poderá reduzir os consumos de energia e água em mais de 40%. CONSELHOS A TER EM CONTA NA COMPRA ► Seleccione sempre um modelo de classe A; ► As máquinas mais eficientes apresentam um eixo horizontal (nas quais se introduz as roupas pela frente). Este tipo de máquina gasta cerca de um terço quando comparada com uma máquina de eixo vertical (alimentação superior). Estes modelos também não apresentam pás, o que quer dizer que são mais delicados com as roupas. Também a centrifugação é mais rápida, o que resulta em menos tempo de secagem e custos. RECOMENDAÇÕES QUANTO À MANUTENÇÃO ► Use programas de água fria tanto quanto possível. Os detergentes modernos estão concebidos para a água fria. Isto reduz a energia gasta a aquecer a água; ► Verifique periodicamente as mangueiras e os filtros, as linhas de entrada de água e as linhas de drenagem, para evitar possíveis depósitos de metais ou sedimentos. MÁQUINAS DE SECAR ROUPA Q ► Este tipo de equipamento é muito pouco eficiente, consumindo uma grande quantidade de energia. Assim sendo, sempre que possível utilize o sol e o vento para secar a sua roupa, visto que são ambos gratuitos e renováveis. OS CONSUMOS FANTASMAS E STAND-BY uando desligamos um equipamento pensamos que estamos a poupar energia, o que desconhecemos é que muitos equipamentos, apesar de desligados continuam a consumir energia. A isto chama-se consumo fantasma. Um equipamento que tenha dispositivos como controlo remoto, relógio, temporizador, memória, microprocessador ou ligação instantânea muito provavelmente continuará a gastar energia mesmo quando é desligado. Os televisores e leitores de VHS ou DVD contribuem em muito para as cargas fantasma. A electricidade é utilizada para manter o controlo remoto e as características de ligação instantânea e para manter os filamentos quentes 24 horas por dia. COMO RESOLVER A QUESTÃO DAS CARGAS FANTASMA: ► Se possível, escolha um electrodoméstico com relógio ou temporizador integrados. Enquanto os mostradores apenas consomem cerca de 0,5 Watt, o fornecimento de energia no equipamento converte 220 Volt de corrente alternada em corrente directa de baixa voltagem para o relógio ou temporizador. Isto é muito pouco eficiente e consome 100 a 200 Wh por dia. É a energia suficiente para pôr a funcionar uma lâmpada fluorescente compacta continuamente durante 10 horas; ► Evite deixar os equipamentos com pequenos transformadores nas tomadas eléctricas quando não estão a ser utilizados. Para além disso, considere a compra de um equipamento com todas as funcionalidades, tal como um telefone com atendedor de chamadas e mostrador incorporados. Isto reduzirá o número de pequenos transformadores ligados; ► Retirar o dispositivo da tomada ou usar uma extensão com interruptor que permita desligar todos os equipamentos quando não estão a ser utilizados é uma forma de evitar cargas fantasma. 50 CAPITULO 3 - ENERGIA ELÉCTRICA 3 iluminação é responsável por 5-10% do gasto total de energia numa habitação média e A custa 50€ a 150€ por ano em energia eléctrica. Talvez isto não pareça um grande montante, mas cada vez mais pessoas estão a descobrir a vasta gama de benefícios que advêm do uso de ILUMINAÇÃO DOMÉSTICA um tipo de iluminação eficiente. principal diferença entre uma lâmpada incandescente e uma fluorescente é a forma como a Aluz é gerada: ► Nas lâmpadas incandescentes, a luz é gerada devido ao aquecimento de um filamento de tungsténio a uma temperatura de 2 500°C. ► A lâmpada fluorescente, explora as interacções entre electrões e um gás em particula que se encontram dentro da lâmpada, com emissão de fotões convertidos em luz visível, levando à irradiação de um revestimento de fósforo existente no interior do tubo de vidro. Esta tecnologia fornece uma produção de luz muito eficiente de cerca de 70lm/W, enquanto as lâmpadas incandescentes convencionais produzem apenas 6-20lm/W. Lâmpadas fluorescentes compactas (CFL) As CFL emitem a mesma quantidade de luz que uma lâmpada incandescente, mas usam menos 75 por cento da energia e duram 10 vezes mais tempo (mais de 10 000 horas, ou cerca de cinco anos). ► Podem substituir directamente as lâmpadas incandescentes ou de halogéneo. Embora sejam mais caras, a poupança energética compensa o custo adicional em cerca de um ano, quando usadas em mais de três horas por dia. ► As CFL modernas proporcionam o brilho característico das lâmpadas de incandescência, tornando-as adequadas para qualquer aplicação na habitação. Lâmpadas fluorescentes tubulares As lâmpadas fluorescentes tubulares são muito eficientes, mas por vezes não são adequadas para aplicações específicas devido ao seu comprimento. ► São frequentemente usadas em equipamentos que fazem parte das características arquitectónicas, por exemplo, acima ou abaixo de armários ou em dosséis, cornijas ou molduras. ► Este tipo de lâmpada é ideal para espaços em que é necessária luz brilhante, tais como cozinhas, lavandarias e oficinas. ► As lâmpadas fluorescentes T-8 (2,54cm de diâmetro) ou T-5 (1,58cm de diâmetro) com balastros electrónicos são mais eficientes do que as antigas T-12 (3,81cm de diâmetro). As lâmpadas fluorescentes modernas, tais como as CFL também apresentam uma cor mais quente do que os modelos mais antigos. ► Deve-se considerar a aplicação deste tipo de lâmpada quando se fazem renovações na habitação. São facilmente instaladas por um electricista. Lâmpadas de halogéneo LÂMPADAS: TIPOS E CARACTERÍSTICAS Este tipo de lâmpadas são incandescente, mas o químico chamado “halogéneo” é introduzido na lâmpada para minimizar o desgaste do filamento. Tem o efeito de aumentar a vida útil até às 3 000 horas ou cerca de dois anos. ► As lâmpadas de halogéneo estão disponíveis numa vasta variedade de formas e tamanhos e são ideais para usos em que a luz focada seja necessária numa pequena área, tal como para desempenhar uma tarefa, criar destaque ou acentuar algum espaço. ► Este tipo de lâmpada funciona a elevadas temperaturas, por isso devem ser instaladas longe de cortinas ou outros materiais inflamáveis. Sendo uma lâmpada incandescente, a sua eficiência energética é muito reduzida, produzindo mais calor do que luz. continua CAPITULO 3 - ENERGIA ELÉCTRICA ► 51 Lâmpadas incandescentes 3 As lâmpadas incandescentes são as tradicionais lâmpadas que temos vindo a usar desde há anos. ► São baratas, mas muito pouco eficientes (apenas 4–6 por cento da energia eléctrica usada no bolbo é convertida em luz visível; a restante energia perde-se em forma de calor). ► Têm um período de duração muito curto (750–1 000 horas, ou cerca de meio ano com um funcionamento normal). ► Algumas lâmpadas incandescentes são comercializadas como lâmpadas de longa duração ou como de baixo consumo, mas alcançam estas características através da produção de menos lúmens (débito de luz). São muito ineficientes em comparação com as lâmpadas fluorescentes compactas. e substituir uma lâmpada incandescente de 75W (0,75€) por uma CFL de 15W (5,00€), consiS derando o custo de energia de 0,1143€/kWh e uma duração de 1 000 horas para as lâmpadas incandescentes convencionais e 10 000 horas para as CFL, pode-se poupar: POUPANÇA ECONÓMICA E ENERGÉTICA Utilização da lâmpada [horas/dia] 2 4 6 8 Poupança após o 1º ano Energia kWh € Energia kWh 9,18 240,90 40,15 4,59 120,45 13,77 80,30 160,60 Poupança após o 3º ano 18,36 € Energia kWh 27,54 803,00 120,45 13,77 361,45 41,30 481,80 Poupança após o 10º ano 55,07 € 401,50 45,89 1.204,50 137,67 1.606,00 91,78 183,57 CONSELHOS PARA POUPAR ENERGIA E DINHEIRO NA ILUMINAÇÃO APROVEITE A LUZ NATURAL DO SOL: ► Reposicione a mobília de modo a maximizar a utilidade da luz natural para ler, cozinhar ou efectuar outras tarefas. ► Pinte as paredes em tons claros. REDUZA AS LUZES DE FUNDO E CONCENTRE-SE MAIS NA ILUMINAÇÃO DA TAREFA: ► Concentre a luz onde ela é necessária, mantendo as luzes do tecto desligadas e usando candeeiros de pé ou de mesa. MUDE PARA LÂMPADAS FLUORESCENTES COMPACTAS. USE COM SENSATEZ AS LÂMPADAS INCANDESCENTES: ► Num equipamento que permita a colocação de várias lâmpadas, use uma única com uma potência maior, desde que seja seguro para o equipamento; ► Adquira lâmpadas mais eficientes, que gastem 5-13% menos energia. 52 CAPITULO 3 - ENERGIA ELÉCTRICA MOBILIDADE 4 e acordo com as estatísticas, Portugal D ocupa a vigésima terceira posição, no que diz respeito ao número de veículos em circula- MOBILIDADE SUSTENTÁVEL ção no Mundo, com 4,26 milhões de veículos. Existe um automóvel por cada 2,3 habitantes, incluindo bebés e pessoas que não conduzem, assim na prática, cerca de dois carros por família. Se todas as famílias do mundo tivessem dois automóveis e os usassem como nós, todo o ecossistema já estaria comprometido. Oitenta por cento do tráfego é privado. No entanto, dois terços das pessoas que vivem em cidades declaram sofrer com o tráfego. Uma quantidade semelhante declara estar preocupada com a poluição do ar. Temos também de mencionar que 80% dos bens são transportados em camiões. A quota de energia final consumida pelo sector dos transportes no total de energia final consu- mida em Portugal no ano de 2005 foi de 35,4%. Visto que os transportes dependem quase exclusivamente dos produtos petrolíferos (gasolina e gasóleo), são também um dos maiores responsáveis para a libertação para a atmosfera dos diversos poluentes responsáveis pelo aumento do efeito de estufa, e consequentemente pelas alterações climáticas. As alterações tecnológicas que têm sido implementadas nos veículos não são capazes, por si só, de resolver os problemas energéticos (diminuir drasticamente os consumos de combustíveis) e os problemas ambientais (diminuir significativamente as emissões de GEE). De facto, o aumento da eficiência dos veículos não consegue equilibrar a crescente procura dos mesmos e o aumento da sua cilindrada/potência média. CAPITULO 4 - MOBILIDADE 53 4 54 CAPITULO 4 - MOBILIDADE 4 CALCULE A QUANTIDADE DE CO2 QUE PRODUZ DEVIDO AO TRANSPORTE QUE UTILIZA USE ESTA TABELA E SIGA AS INSTRUÇÕES Meio de transporte Carro a gasolina Km/litro (média) A Km B Consumo em litros C=B:A Carro a gasóleo Carro a GPL Autocarro Bicicleta Coeficiente de emissão CO2 D 2,6 kg/l Quantidade de CO2 E=CxD 2,6 kg/l 1,5 kg/l 10 0,06 kg/l 0,001 kg/l CAPITULO 4 - MOBILIDADE 55 4 N SEIS BOAS RAZÕES PARA VIAJAR SEM A UTILIZAÇÃO DO AUTOMÓVEL 4. CUSTOS EXTERNOS s doenças e a tensão psicológica constituem os principais efeitos do tráfego sobre a saúde. Cerca de 80% da poluição atmosférica deve-se ao tráfego de veículos, bem como aos engarrafamentos e ruído. Os riscos para a saúde devidos à poluição são mais elevados para as crianças e para os idosos: de acordo com a OMS, o risco de desenvolver leucemia é três vezes mais elevado para as crianças que vivem em áreas de grande densidade de tráfego automóvel do que para crianças que habitem em zonas rurais. 5. DESPESAS DE MANUTENÇÃO A 2. RISCOS PARA A SAÚDE s veículos libertam gases para a atmosfera O que contêm muitas substâncias tóxicas capazes de alterar as funções orgânicas dos 3. DANOS AMBIENTAIS: ascender a várias dezenas de milhares de milhões de euros por ano. dos combustíveis e da manutenção Oécusto de cerca de 4 000 euros por ano. bicicleta e o metro são mais rápidos do A que o automóvel, especialmente nas grandes cidades. A velocidade média para um carro 6. ESTRADAS SUPERLOTADAS NAS ÁREAS URBANAS em Lisboa é inferior 10 km/h. Sendo assim, se considerarmos também o tempo que se gasta a procurar estacionamento, a velocidade é ainda menor. Nas grandes cidades (com mais de 500 000 habitantes) um automobilista gasta cerca de 117 horas por ano em viagens urbanas. S ES R ST D a ano sa s úd pa e ra CAPITULO 4 - MOBILIDADE Da Trafego o id Ru seres vivos (quer das plantas quer animais), de poluir o ar, a água e o solo, causando fenómenos acumulados e toxicidade nas cadeias alimentares. O uso de combustíveis fósseis para os transportes é uma das principais causas do efeito de estufa. Os transportes rodoviários produzem: 30% de emissões de dióxido de carbono, 72% de monóxido de carbono e 52% de óxidos de nitrogénio. O impacto ambiental dos transportes também se deve à extracção, transporte e refinamento de petróleo, à extracção de ferro e outras matérias-primas para a produção de automóveis; à superfície retirada aos ecossistemas para vias de acesso (30 000 ha na Europa durante o período de 1990-98), para tratamento de resíduos durante o ciclo de vida do automóvel (óleos de lubrificação, filtros, etc.). 56 perda económica num País como Portugal A devido ao efeito de estufa, à poluição, aos acidentes, ao ruído e engarrafamentos pode a Europa, todos os anos, acontecem cerca de dois milhões de acidentes rodoviários; no mundo (segundo dados da OMS) as vítimas mortais ascendem a aproximadamente um milhão por ano. 1. ACIDENTES En ga r Custos ra no s fa m Am bi en ta en to is 4 POLUENTE PATOLOGIA RELACIONADA Monóxido de Carbono (CO) Bloqueia a hemoglobina, provocando efeitos tóxicos no sistema cardiovascular, lesões nos olhos e dores de cabeça Óxidos de Azoto (NOx) Alterações pulmonares, irritações, redução das defesas imunológicas Ozono (O3) Afecções respiratórias, dores de cabeça, irritações oculares Hidrocarbonetos aromáticos (PAHs) Chumbo tetraetílico Partículas (PM10) Dificuldades respiratórias, asma, insuficiência cardíaca, cancro Atraso no desenvolvimento intelectual das crianças, cancro Irritações das vias respiratórias e dos olhos, veículo para outros agentes tóxicos, cancro CAPITULO 4 - MOBILIDADE 57 4 ara solucionar os problemas com o tráfego, P muitas autarquias implementam medidas temporárias que não permitem uma verdadeira ALTERNATIVAS AO VEÍCULO PRIVADO resolução do problema (isto é, a limitação do tráfego). Todas as acções, ainda que importantes, não são o suficiente, se os cidadãos não mudarem o seu estilo de vida, reduzindo o uso do automóvel próprio, usando diferentes formas de deslocação, tais como as seguintes: ► Andar a pé ou de bicicleta: andar a pé ou de bicicleta durante apenas meia hora seria o bastante para reduzir em 50% os riscos provocados pelo excesso de peso e para evitar muitas doenças. Quarenta por cento das viagens urbanas representam menos de 4km, uma distância que pode ser facilmente percorrida com o uso da bicicleta. ► Andar de autocarro ou de metro: em quase todas as cidades existe uma rede de transportes de massas que compreende autocarro, eléctrico e metro. A frequência do serviço está ajustada nas horas de ponta, mas com organização é possível viajar a praticamente qualquer hora do dia. O problema com os horários deve-se à intensidade do trânsito, mas o mesmo problema acontece com o uso do automóvel. Apesar do custo 58 dos bilhetes poder parecer elevado, se considerarmos os custos de funcionamento de um automóvel, verificamos que é muito mais barato usar um transporte público colectivo. A utilização de transportes colectivos reduz o stress, os riscos de acidente e proporciona mais tempo livre para ler, estudar ou praticar outras actividades. ► Andar de comboio: o comboio é o meio de transporte mais rápido e seguro para as viagens de média duração, por exemplo entre as cidades e as aldeias próximas. É confortável: é possível ler, dormir e transporta-nos directamente para o centro da cidade. ► A partilha de automóvel alugado (“car-sharing”): é um serviço baseado no uso colectivo do mesmo carro fornecido por uma empresa específica, onde cada utilizador paga um preço fixo por ano e um preço dependente das vezes que utiliza o serviço. Para além disso, as pessoas que utilizam este sistema exploram automóveis menos poluentes e têm alguns benefícios, tais como o uso de estacionamento especial e o acesso a zonas de tráfego limitado. Partilhar o carro permite a redução da emissão de gases de efeito de estufa e, ao mesmo CAPITULO 4 - MOBILIDADE 4 tempo, permite uma poupança monetária significativa. Os factores de sucesso desta medida que tem o propósito de atrair um grande número de pessoas (quer individualmente quer em empresas ou instituições públicas) incluem os seguintes aspectos: ►Conveniência! Proporcionam um elevado nível do serviço dada a simplicidade com que se faz a reserva, o rápido acesso a automóveis de elevada qualidade e à disponibilidade de carros perto da zona de residência. ►Economia! Traz vantagens económicas, visto que é mais barato do que ter um carro próprio, tem um sistema de tarifas diferenciadas que pode atrair clientes que não utilizam muito este meio de transporte, bem como condutores mais frequentes, o que conduz a descontos. ►Confiança! É altamente fiável devido ao apoio prestado pela organização e ao uso de carros novos, amigos do ambiente, que apresentam um bom funcionamento e segurança. ► Uso partilhado do automóvel (“car-pooling”): enquanto estamos presos numa fila de trânsito é muito fácil observar que quase todos os carros têm apenas uma pessoa a bordo. Utilizar o carro em grupo é uma forma de colocar em contacto pessoas que fazem o mesmo percurso individualmente. Este sistema é eficaz entre pessoas que trabalham na mesma empresa ou entre pais que levam os filhos à mesma escola. A partilha do carro reduz o número de automóveis em circulação, com uma grande vantagem para o ambiente. Acordar uma divisão justa dos gastos é também uma maneira de reduzir as despesas. Este sistema deve ser usado/considerado como complemento para outras soluções de transporte. Não se trata, definitivamente, de vender o carro e andar à boleia o resto da vida nem de substituir o automóvel todos os dias da semana. A melhor solução é encontrar uma (ou duas) pessoa com quem partilhar uma viagem um dia na semana, tornar isso num hábito e deixar que as coisas aconteçam ao seu próprio ritmo. As empresas deviam, consequentemente, encorajar os seus funcionários a “partilhar um carro um dia por semana”. Estes são os motivos para a partilha do automóvel: ►Locais de trabalho semelhantes – destinos semelhantes, rede de informações semelhante e de pessoas conhecidas; ►Horas de trabalho regulares e semelhantes; ►Um percurso longo, pelo menos 20km de ida; ►Pequena perda de tempo, em comparação com o facto de se fazer a viagem sozinho; ►Maus transportes públicos – poucas alternativas ao carro; ►Possibilidades de estacionamento reduzidas e caras. ► Usar sistemas de parqueamento: Um sistema de parqueamento compreende uma rede de parques de estacionamento construídos em áreas suburbanas, junto a vias importantes ou estradas principais em que as pessoas que viajam para o centro da cidade podem estacionar e aceder a diferentes meios de transporte, quer sejam transportes públicos, bicicletas ou outros. Este tipo de estacionamento é fundamental para permitir mudar de sistema de transporte, evitando o congestionamento do trânsito. E PARA AS CRIANÇAS? EXPERIMENTA O PEDIBUS!!! Pedibus é o modo mais saudável, seguro, divertido e ecológico para chegar à O escola. Consiste num “autocarro humano” onde as crianças são os “passageiros” e os adultos são o “condutor” e o “revisor”. O Pedibus foi originalmente criado na Dina- marca e é muito usual nos países nórdicos e nos Estados Unidos, estando neste momento a se espalhar por outros Países. A Internet é uma boa fonte de ideias, informação e documentação sobre todas as questões relacionadas com esta temática. CAPITULO 4 - MOBILIDADE 59 4 MAIOR ATENÇÃO NA AQUISIÇÃO DO AUTOMÓVEL xistem pessoas que, por várias razões, E não podem ou não querem renunciar ao automóvel privado. Mas, as pessoas que usam este tipo de transporte diariamente e que fazem dezenas de milhar de quilómetros por ano podem fazer algo para reduzir o peso que representa o seu estilo de vida para a atmosfera, para a saúde colectiva e para as suas próprias carteiras: ► escolher um automóvel com motor de cilindrada média a pequena: possuir um carro grande, com um motor potente, super-desportivo, não significa que se seja melhor, mais forte ou mais importante do que os outros... um carro com um motor potente consome dez vezes mais do que um que apresente dimensões mais pequenas, custe menos em termos de manutenção, de imposto de circulação e de seguros; ► estar atento ao consumo de combustível: pelo mesmo preço, é bom comparar os quilómetros percorridos para cada litro de combustível porque consumos menores significam maiores poupanças e menos poluição; ► verificar o equipamento de emergência: actualmente, mesmo nos modelos mais comuns existem tecnologias instaladas para aumentar a segurança activa e passiva do automóvel, mas também na mesma categoria existem automóveis que estão equipados com melhores tecnologias; ► verificar os dispositivos de redução do impacto ambiental que vão desde o controlo das emissões ao tipo de materiais usados na construção. Algumas leis europeias impõem a adaptação progressiva aos parâmetros pré defenidos (para as emissões de CO2). Alguns modelos “novos” apresentam motores e tecnologia relativamente antigas, que não estão adaptados aos limites normativos que serão aplicados num futuro próximo. No momento da 60 compra é conveniente ter em conta esses aspectos; ► escolher criteriosamente o tipo de combustível com base nas necessidades reais: eventuais variações sucessivas são, de facto, possíveis apenas nos motores a gasolina e que podem também funcionar com GPL ou metano. É do domínio público que estes combustíveis são muito diferentes em relação ao seu custo e às emissões que produzem em resultado da combustão. ► manter o carro em perfeitas condições dá-lhe eficiência, segurança para os utilizadores e limita o impacto ambiental. É uma atitude correcta proceder regularmente às revisões e inspecções periódicas obrigatórias; PARA UMA BOA MANUTENÇÃO ► ter em atenção a correcta remoção dos desperdícios: óleo do motor, dos travões ou da caixa de velocidades; os pneus devem ser levados para centros especializados de recolha de resíduos perigosos. Queimar, abandonar ou dispersar na atmosfera estas substâncias provoca danos graves ao ambiente. Nos centros de recolha são usadas para reciclagem; ► substituir o catalisador quando a sua funcionalidade estiver esgotada; ► se possível, montar pneus regenerados, provenientes de processos de reciclagem. Os danos ambientais são limitados e a qualidade é boa. requentemente, as pessoas tendem a conF duzir de forma nervosa e a privilegiar a velocidade. Tem sido amplamente demonstrado CONDUZIR COM SEGURANÇA, POUPANDO DINHEIRO que, em média e em viagens curtas, a condução rápida permite ganhar apenas alguns minutos, com um aumento do consumo da ordem CAPITULO 4 - MOBILIDADE 4 dos 25-30%, com grandes impactos ambientais e um aumento do risco de acidentes. Algumas sugestões para uma condução menos dispendiosa, mais segura e menos poluente podem passar por: ► adoptar um estilo de condução mais descontraído possibilita poupar entre 5 a 25% de combustível – em geral, os consumos, as emissões e o ruído aumentam mais do que proporcionalmente ao aumento da velocidade; ►usar o acelerador de uma forma suave e progressiva e tentar manter uma velocidade constante. Manter uma velocidade baixa: ir até 125 km/h em vez de 110 km/h envolve um aumento de consumo de 20%; ► ao usar a caixa de velocidades, deve evitarse o uso do motor em regime elevado de rotações; ►se possível, usar as mudanças mais altas; ► deslocar-se a uma velocidade baixa, em vez de permanecer parado; ► desligar o motor quando o carro permanecer em pausa durante um longo período de tempo (isto é, nas passagens de nível, nos semáforos, no estacionamento temporário); ► desligar todos os dispositivos eléctricos quando não forem realmente indispensáveis (isto é, ar condicionado, descongelamento, luzes, luzes de nevoeiro); ► viajar com as janelas abertas e porta-bagagens cheio aumentam o consumo em 2% na cidade e até 20% em estrada; ► manter sempre os pneus com a pressão correcta. m geral, também para as pessoas que usam motorizadas aplicam-se as mes-mas E regras que para os proprietários de automó- PARA OS AMANTES DAS MOTORIZADAS escolher motores de quatro tempos em vez de dois tempos; os motores de dois tempos são muito mais poluidores; ► é também possível encontrar no mercado modelos eléctricos ou a GPL. os últimos anos, as viagens aéreas de N baixo custo tiveram um grande aumento, quer para passageiros quer para bens. Com a PARA VIAGENS LONGAS difusão dos voos de último minuto e de companhias de aviação que oferecem voos de baixo custo, é prática habitual voar não só em viagens transcontinentais como também em viagens de algumas centenas de quilómetros. Do ponto de vista ambiental, o tráfego aéreo constitui uma das fontes mais poluentes. Um avião queima, para uma viagem de distância media, alguns milhares de litros de combustível, emitindo uma quantidade enorme de gases de efeito estufa (CO e CO2) e NOx, que, interagindo com a radiação solar, produzem, na parte mais baixa da atmosfera, ozono e outras substâncias perigosas e nos níveis mais elevados da atmosfera os aviões contribuem para a destruição da camada de ozono. À mesma velocidade e ocupação do transporte, um avião produz uma poluição dez vezes mais elevada do que um comboio. Por estas razões é melhor evitar o uso das viagens aéreas que vão dos 500 aos 2 000 km e utilizar o comboio: é geralmente mais barato, menos poluente e é igual em termos de tempo, se considerarmos a viagem de e para o aeroporto, o tempo para o check in e para recolher as bagagens. Para viagens de comboio em todo o mundo visite o sítio: http:/www.seat61.com veis, no que respeita à manutenção e ao estilo de condução. Devem ser acres-centadas algumas referências particulares quanto às scooters: ► no momento de aquisição, é conveniente CAPITULO 4 - MOBILIDADE 61 4 VANTAGENS E DESVANTAGENS DOS VÁRIOS TIPOS DE COMBUSTÍVEIS GASOLINA: A gasolina é o combustível mais usado. Com a introdução da gasolina sem chumbo e de sistemas catalisadores, as emissões reduziram significativamente. Os veículos com catalisadores que usam gasolina sem chumbo reduzem as emissões de CO (60-80%), NOx (30- 80%), formaldeído (90%) e de IPA (80-95%). É importante registar que o sistemas de catalisadores são eficazes apenas quando aquecidos e são necessários vários minutos (cerca de dez) antes de começarem a funcionar e em viagens de poucos quilómetros, é provável que nem funcionem. DIESEL: O uso deste combustível produz gases sulfurosos, principais responsáveis pelas chuvas e poeiras ácidas (PM10). É importante referir que os últimos modelos de motores a diesel (ECO3 e ECO4) oferecem realmente bons desempenhos, baixos consumos e emissões muito reduzidas. Existem igualmente algumas tipologias diesel ainda menos poluentes, que são: - “blue diesel”: é um diesel com baixo teor de enxofre; - “white diesel”: é uma emulsão de gasóleo, aditivos e água desmineralizada. É produzido pela GECAM e está actualmente disponível apenas para grandes consumidores. Permite a redução da emissão de partículas (até 50%) e de NOx (até 30%). Pode ser utilizado em vez do gasóleo comum (e pode ser misturado no mesmo) sem alteração do motor. - biodiesel: é obtido através de um tratamento químico dos óleos vegetais. Uma grande parte deste tipo de combustível é usada no aquecimento doméstico. O biodiesel não emite substâncias sulfurosas e produz menos partículas, IPA, CO e CO2, porém, produz mais formaldeído. Um obstáculo à difusão do biodiesel é a necessidade da exploração de uma grande quantidade de terreno para a sua produção: actualmente, para obter uma tonelada de biodiesel, é necessário trabalhar cerca de 10 000 m2 de terreno. Este combustível pode criar problemas aos componentes de alguns motores (p.ex. algumas borrachas). 62 GPL: O GPL é um gás derivado da refinação do petróleo e da extracção do gás natural. Apresenta quantidades praticamente nulas de chumbo e de enxofre, produz 10-20% menos NOx, 40% menos IPA, 50-80% menos CO. Em termos económicos e ambientais, o GPL é uma boa alternativa à gasolina. METANO: O metano é um gás natural amplamente presente na natureza e pode ser usado como combustível sem necessidade de refinação. Em comparação com os outros tipos de combustível, apresenta um impacto ambiental mínimo. Não emite partículas ou enxofre, bem como as quantidades de NOx, CO e de CO2 são muito baixas (para o CO2 – 22%, em relação à gasolina, 30% em relação ao diesel e 12% em relação ao GPL). As vantagens do metano, em comparação com o GPL, o metano tem as vantagens de ser mais barato, mais seguro e menos poluente. As desvantagens são: custos mais elevados de instalação do sistema, as garrafas pesam mais e são mais difíceis de transportar, não existem pontos de reabastecimento e o tempo para o mesmo é maior. ELECTRICIDADE E HIDROGÉNIO: Os veículos eléctricos não apresentam emissões no que diz respeito ao seu uso. As emissões são transferidas para as centrais termoeléctricas. As limitações dos veículos eléctricos são a baixa autonomia e o elevado custo. No futuro, as baterias usadas podem revelar-se um problema quanto à sua eliminação. Os automóveis a hidrogénio ainda não são acessíveis, a não ser a nível experimental. CAPITULO 4 - MOBILIDADE 4 lterar os hábitos de mobilidade é uma das tarefas mais difíceis para as pessoas, pois as ideias A e os estilos de vida que privilegiam o uso do automóvel privado estão muito enraizados em todos. Existe uma forma de mudar esta perspectiva com o registo de todas as deslocações reali- EXPERIMENTE DURANTE UMA SEMANA!!! zadas de automóvel durante uma semana. Com esses dados será mais fácil compreender que o uso do automóvel não é tão compensador como pensamos. A tabela seguinte pode constituir uma ferramenta útil. Dia Meio de Transporte Tempo CAPITULO 4 - MOBILIDADE Km Custo 63 4 Em seguida, adicione: Meio de transporte Total de km Tempo total Automóvel privado Motorizada / Scooter Bicicleta A pé Autocarro Comboio Outro 64 CAPITULO 4 - MOBILIDADE Custo total ENERGIA SOLAR 5 energia solar é uma fonte renovável de energia, que é amiga do ambiente. Ao contrário dos comA bustíveis fósseis, a energia solar está disponível em qualquer lugar do planeta, sendo uma fonte de energia gratuita e imune à subida dos preços dos combustíveis. A ENERGIA SOLAR O Sol potencia recursos naturais na terra, tais como o vento, os caudais de água e o crescimento das plantas. O Homem aprendeu a usar estes recursos naturais para as suas necessidades energéticas, por exemplo, fazendo fogo para cozinhar os alimentos e aquecimento, navegar através do oceanos, gerar electricidade pela força hidroeléctrica. No entanto, o Sol é também uma fonte fiável de aquecimento e de luz que, por vezes, tomamos como garantida. Ao longo de gerações usou-se o vidro e outros materiais e estruturas para capturar e aumentar a energia do Sol e estes sistemas foram gradualmente evoluindo no sentido de formar a base de técnicas amadurecidas que são utilizadas actualmente para aproveitar a energia solar. s colectores solares são equipamentos que O permitem o aquecimento de água (que pode ser utilizada para banhos, aquecimento ÁGUA AQUECIDA COM A ENERGIA SOLAR ambiente ou de piscinas) recorrendo á energia fornecida pelo Sol. Os sistemas captam a energia do Sol para aquecer o ar ou um fluido que depois transfere essa temperatura, directa ou indirectamente para a habitação, para a água ou para a piscina. Este tipo de aquecimento, por vezes designado sistema doméstico de água quente solar, pode ser um bom investimento para si e para a sua família. É eficaz, em termos de custos, e tem muitas aplicações ao longo da sua vida útil. Embora o sistema de água quente solar seja mais caro inicialmente do que os sistemas de águas quentes tradicionais, a energia que usa – a solar – é gratuita. As tecnologias de aquecimento solares podem ser utilizadas em qualquer clima. Para aproveitar a energia solar, geralmente, é preciso ter uma área não sombreada virada o quadrante Sul, como por exemplo, uma cobertura. O tipo de sistema que se escolhe, incluindo o tipo de colector e se a circulação é forçada ou natural, depende de vários factores, incluindo: o local, o clima em que se vive, a instalação e a forma como se quer usar o sistema de aquecimento solar. m sistema de circulação forçada é formado por um colector solar (ou campo de colecU tores) e por um depósito de água quente si- SISTEMAS DE CIRCULAÇÃO FORÇADA efectuada através de uma bomba de circulação. O calor é transportado dos colectores para o depósito e a sua transferência para a água sanitária é efectuada através de um permutador de calor. No período do Verão, o sistema solar é suficiente para satisfazer todas as necessidades de energia para o aquecimento de água, mas no Inverno, ou nos dias de pouca radiação solar, será necessário existir um apoio. O apoio poderá ser dado pelo sistema já existente de aquecimento de água, por uma caldeira ou através de uma resistência eléctrica no interior do depósito de água quente. O apoio só é utilizado quando o termóstato detectar que a temperatura no interior do depósito é inferior à temperatura pretendida para a água. este tipo de sistemas, o depósito encontraN -se num plano superior ao dos colectores, levando a que a circulação entre eles funcione SISTEMAS DE CIRCULAÇÃO NATURAL por termo-sifão, o que elimina a necessidade de uma bomba de circulação. O fluído é aquecido no colector e como o seu peso é inferior ao do fluído mais frio que se encontra dentro do depósito, existe uma diferença de densidades, que leva a um movimento natural de circulação. A transferência de calor entre o fluído e a água que se pretende aquecer dá-se recorrendo a um permutador de calor. Neste tipo de sistemas, o apoio normalmente é garantido por uma resistência eléctrica colocada no interior do depósito. tuado no interior do edifício, sendo que a circulação entre os colectores e o depósito é CAPITULO 5 - ENERGIA SOLAR 65 5 Os sistemas de aquecimento de água com energia solar disponíveis no mercado actualmente são uma tecnologia já madura. O maior campo de aplicação dos sistemas solares térmicos no sector doméstico é o aquecimento da água sanitária, onde a poupança de energia ronda os 80% e o aquecimento ambiente, onde a poupança de energia pode chegar aos 40%. A energia necessária para a preparação de água quente numa habitação é de cerca de 1 000kWh por pessoa por ano. Assim, se utilizar colectores solares de elevada eficiência, para uma família até 4 pessoas, um sistema de circulação natural com uma área de colectores de 2m2 é suficiente, se a família tiver entre 5 e 7 pessoas deverá optar por um sistema de circulação natural com uma área de colectores de 4m2. Quando o campo de colectores é maior, ou quando se pretende também utilizar o sistema solar para o aquecimento ambiente, é preferível recorrer a um sistema de circulação forçada [face ao Sistema Nacional de Certificação Energética e da Qualidade do Ar Interior CAMPOS DE APLICAÇÃO 66 nos Edifícios (SCE, Decreto-Lei n.º 78/2006 de 04 de Abril) deverá ser considerado 1m2/pessoa para um colector de referência]. Ao optar por utilizar os colectores solares para o aquecimento ambiente, é necessário ter em conta que o Inverno (altura em que vai utilizar o aquecimento central) é a altura do ano com menor radiação solar disponível, pelo que é fundamental que a habitação esteja bem isolada (reduzindo assim as necessidades de aquecimento), de modo a poder tirar o máximo partido dos colectores solares. Como referência, tenha em atenção que necessitará de 1,5 a 3m2 de colector solar por cada kW de potência nominal de aquecimento. Outro campo de aplicação dos sistemas de aquecimento de água através da energia solar são os condomínios. Poderá ser criado um sistema de produção de água quente sanitária central, com posterior distribuição por todas as fracções. Neste caso é necessário dispor de uma maior área de cobertura virada a sul e também de um espaço para a acumulação de água quente. CAPITULO 5 - ENERGIA SOLAR 5 DIMENSIONAMENTO DE UM SISTEMA DE AQS ficam alguns exemplos de dimensionamento (os dados apresentados são meramente Aqui indicativos, devendo ser confirmados caso a caso): SISTEMA DE CIRCULAÇÃO NATURAL (EXEMPLO PARA UMA FAMÍLIA DE 2 A 4 PESSOAS) Área de colectores: 2m2 Volume do depósito: 190 L Custo do sistema: cerca de 2 300€ SISTEMA DE AQUECIMENTO DE ÁGUA SANITÁRIA DE GRANDES DIMENSÕES Área de colectores: 0,8 a 1,2m2 por utilizador; Volume do depósito: 50 a 60L/m2; CAPITULO 5 - ENERGIA SOLAR 67 5 s sistemas fotovoltaicos oferecem aos consuO midores a capacidade de gerar electricidade de forma limpa, silenciosa e fiável. Este tipo de sis- SISTEMAS FOTOVOLTAICOS INTRODUÇÃO tema é constituído por células fotovoltaicas, dispositivos que convertem a energia dos raios solares directamente em electricidade. O termo “fotovoltaico” tem origem no prefixo “foto”, que significa luz, e “voltaico”, que se refere à produção de electricidade. Deste modo, o processo fotovoltaico consiste em “produzir electricidade directamente a partir da luz solar”. Os sistemas fotovoltaicos são frequentemente designados por PV. Para algumas aplicações em que pequenas quantidades de electricidade são necessárias, como por exemplo luz de emergência, geralmente justifica-se os custos dos sistemas PV, mesmo quando a rede eléctrica não se encontra afastada. Quando as aplicações requerem maiores quantidades de electricidade e estão afastadas das linhas de corrente eléctrica já existentes, os sistemas fotovoltaicos podem, em muitos casos, oferecer a opção menos dispendiosa e mais viável. s células fotovoltaicas convertem directamente A a luz do Sol em electricidade, sem criar qualquer tipo de poluição no ar ou na água. Estas célu- COMO FUNCIONAM? las são constituídas por, pelo menos, duas camadas de material semiconductor. Uma camada possui uma carga positiva, a outra, uma carga negativa. Quando a luz entra na célula, alguns fotões são absorvidos pelos átomos semicondutores, libertando electrões a partir da camada de células negativas. Estes electrões atravessam um circuito externo, voltando novamente para a camada positiva, e é este caudal de electrões que produz corrente eléctrica. Para aumentar a sua utilidade, dúzias de células fotovoltaicas individuais são interligadas numa caixa selada e à prova de água chamada módulo. Quando dois módulos são ligados em série, a sua voltagem duplica, embora a corrente se mantenha constante. Quando dois módulos são ligados paralelamente, a sua corrente duplica, mas a voltagem mantém-se constante. Para alcançar a voltagem e a corrente desejadas, os módulos são ligados em séries e em paralelo para formar um campo fotovoltaico. A flexibilidade do sistema modular fotovoltaico permite aos projectistas a criação de sistemas de energia solar que podem satisfazer uma grande variedade de necessidades eléctricas, independentemente de serem grandes ou pequenas. A instalação também necessita de um inversor de corrente contínua em corrente alterna. O inversor é um dispositivo capaz de transformar a corrente contínua produzida nos painéis fotovoltaicos em 68 corrente alterna, que é o tipo de corrente que utilizamos nas nossas habitações. lguns proprietários de habitações estão a optar A pelos sistemas fotovoltaicos por serem uma energia limpa e fiável, embora seja frequentemente A REDE: LIGADA OU NÃO? mais cara do que a energia disponível a partir da empresa de electricidade. Estes proprietários podem complementar as suas necessidades energéticas com electricidade da sua empresa fornecedora de electricidade local, quando o seu sistema fotovoltaico não estiver a fornecer energia suficiente (à noite e em dias nublados) e podem exportar o excesso de electricidade para a empresa fornecedora de electricidade, quando o sistema fotovoltaico estiver a gerar mais energia do que a necessária. Para locais afastados das linhas de rede eléctrica, os sistemas fotovoltaicos podem ser usados para abastecer bombas de água, vedações eléctricas ou mesmo toda a habitação. Embora os sistemas PV exijam um investimento substancial, em certas condições são mais baratos do que pagar os custos associados à ligação à rede pública. Um sistema fotovoltaico ligado à corrente pública exigirá um inversor de corrente contínua para corrente alterna. Este dispositivo converterá a corrente contínua produzida pela estrutura fotovoltaica em corrente alterna, normalmente exigida para cargas como as dos rádios, televisores e frigoríficos. Os inversores interactivos da rede pública contêm dispositivos de segurança instalados, impostos pela rede eléctrica nacional. Para armazenar electricidade a partir do sistema fotovoltaico, são necessárias baterias. As mais adequadas para estes sistemas são designadas “secundárias” ou “de circuito profundo”. Para além disso, os sistemas PV exigem ligações correctas, interruptores e fusíveis de segurança, dispositivos de controlo para evitar a sobrecarga ou carga insuficiente das baterias, diodos para permitir que a corrente passe na direcção correcta e mecanismos de terra para proteger contra a queda de relâmpagos. O EQUIPAMENTO CORRECTO CAPITULO 5 - ENERGIA SOLAR 5 ESPECIFICAÇÕES PARA UM SISTEMA FOTOVOLTAICO DE POTÊNCIA IGUAL A 3,68 K W P Tipos de módulos: Os módulos mais comuns são os de silício policristalino. Existem também os módulos de silício amorfo (necessitam de uma maior área para obter a mesma energia) ou silício monocristalino (necessitam de menor área para obter a mesma energia). Área ocupada: Para uma potência de 3,68kWp será necessária uma área de cerca de 30m2. Inclinação e orientação: A inclinação óptima são os 35º, mas como se aconselha a instalação dos módulos na cobertura, os 20º são normalmente a inclinação conseguida. Em termos de orientação, Sul é sempre o caminho a seguir. Custo do sistema: O custo de instalação, chave na mão, é de cerca de 22 300€ + IVA. Nota: as instalações fotovoltaicas têm um IVA de 12%. Produtividade: Com as opções especificadas, a produtividade esperada é de 5 300kWh por ano. CAPITULO 5 - ENERGIA SOLAR 69 5 A RENOVÁVEIS NA HORA – NOVA OPORTUNIDADE PARA A MICROPRODUÇÃO Microprodução é a produção de electricidade por intermédio de instalações de pequena potência. Recentemente foi criado o Programa Renováveis na Hora (DL 363/2007 de 2 de Novembro) com o objectivo de promover a microprodução de energia eléctrica utilizando fontes renováveis de energia, tendo sido criado o regime remuneratório bonificado. Este regime beneficia a produção de energia eléctrica através de sistemas solares fotovoltaicos pois estes sistemas apresentam uma taxa remuneratória de 100% à tarifa de referência. Com este Programa os cidadãos poderão transformar-se de uma forma simples e fácil em pequenos produtores de electricidade contribuindo para o cumprimento dos objectivos nacionais de energias renováveis, para a redução dos gases com efeito de estufa e para a redução da nossa dependência energética externa. REQUISITOS DA UNIDADE PRODUÇÃO ► Podem ser produtores de electricidade por intermédio de unidades de microprodução todas as entidades que disponham de um contrato de compra de electricidade em baixa tensão; ►Aunidade de microprodução deve ser integrada no local da instalação eléctrica de utilização; ►Para ter acesso ao regime bonificado a potência máxima de ligação só poderá ser de 3,68 kW e terá que existir pelo menos 2 m2 de área de colectores solares térmicos na mesma instalação; ►A potência a injectar na rede não pode ser superior a 50% da potência contratada da instalação de consumo. REQUISITOS DA UNIDADE PRODUÇÃO Aremuneração no regime bonificado contempla os seguintes pontos: ► Para cada produtor em regime bonificado é definida uma tarifa única de referência aplicável à energia produzida no ano da instalação e nos cinco anos civis seguintes; ► Nos primeiros 10 MW de potência de ligação registados a nível nacional, a tarifa de referência é de 0,65 €/kWh ► Por cada 10 MW adicionais de potência de ligação registada a nível nacional, a tarifa única aplicável é sucessivamente reduzida de 5% ► Após o período de 5 anos previsto no ponto anterior e durante o período adicional de 10 anos, aplica-se à instalação de microprodução, anualmente, a tarifa única correspondente à que seja aplicável, no dia 1 de Janeiro desse ano, às novas instalações que sejam equivalentes; ► Após o período previsto no número anterior, aplica-se à instalação de microprodução o regime geral previsto no artigo anterior. Prevê-se a variação do valor de referência, segundo o exemplo a seguir apresentado: 70 REQUISITOS DA UNIDADE PRODUÇÃO ► Todas as entidades instaladoras que pretendam exercer a sua actividade de instalação de unidades de microprodução, devem proceder ao seu registo no Sistema de Registo de Microprodução (SRM) mediante o preenchimento de um formulário electrónico a aprovar por despacho do director-geral de Energia e Geologia; ► O registo é aceite a título provisório, até ao pagamento da taxa aplicável, através de terminal de Multibanco ou de sistema de homebanking no prazo máximo de cinco dias úteis no valor de 250 €; ► Após o registo provisório, o requerente tem 120 dias para instalar a unidade de microprodução e requerer o certificado de exploração através do SRM, mediante o preenchimento de formulário electrónico; ► O certificado de exploração é emitido na sequência de inspecção, que deve ser efectuada nos 20 dias subsequentes ao pedido, seguindo-se o envio do contrato de compra e venda de energia no prazo de 5 dias úteis (Nota: taxa de reinspecção de 150€); ► A celebração do contrato e ligação da instalação pelo operador de rede é realizada em 10 dias após a sua notificação. REQUISITOS DA UNIDADE PRODUÇÃO O Despacho do Director Geral de Energia e Geologia determina a suspensão de novos registos no Sistema de Registos da Microprodução, pelo período de um mês logo que sejam atingidos os 2 MW de potência de pré-registos das novas instalações de microprodução. REQUISITOS DA UNIDADE PRODUÇÃO Sistema Fotovoltaico 25 000 € (c/IVA) Sistema Solar Térmico Kit Solar 190 l, funcionamento com termosifão 2 576 € (c/ IVA) Total 27 576 € (c/ IVA) REQUISITOS DA UNIDADE PRODUÇÃO Dados Económicos: ► Remuneração anual até ao 5º ano 4 299,21 €/ano ► Remuneração do 6º ao 15ªº ano 3 061,9 €/ano ► Prevista a partir do 16ºano 1 185,7 €/ano TIR – 11,64% VAL – 43 239,27 € (taxa de desconto de 5%) Retorno Previsto do Investimento – 6,7 anos CAPITULO 5 - ENERGIA SOLAR FINANCIAMENTO 6 Banca Ética representa já uma alternativa real ao sistema financeiro tradicional. É uma banca A que tem como referência a pessoa e não o capital, a ideia e não o património, a justa remuneração e não a especulação. A BANCA ÉTICA Representa uma ideia ambiciosa, com um objectivo também ambicioso: eliminar um bloqueio do sistema bancário, dando crédito a pessoas que tenham um projecto economicamente viável e socialmente importante, mas que são consideradas pelas instituições financeiras tradicionais como “não financiáveis”, não dignos de confiança ou incapazes de garantir o retorno devido a não terem activos como garantia. ão existe uma definição unívoca de banca ética. Geralmente, a expressão banca ética refere-se a dois tipos de aplicação financeira diferentes: ► A microfinança (especialmente o microcrédito) dada aos grupos populacionais mais vulneráveis. Um exemplo que se difundiu muito nos Países de Terceiro Mundo e que já está a chegar aos Países Desenvolvidos; ► O investimento ético, a saber, a gestão dos fluxos financeiros utilizando instrumentos como fundos mútuos para apoiar organizações que trabalham no domínio do ambiente, desenvolvimento sustentável, serviços sociais, cultura e cooperação internacional. N A atenção à ética nas operações bancárias implica um outro objectivo destes bancos, garantir ao cliente a máxima transparência sobre os investimentos feitos e como será utilizado o lucro gerado: ►Excluir investimentos em áreas que, por muito retorno que dêem, não estão em sintonia com uma visão “ética” do dinheiro (p.ex. fundos de investimento que incluem acções de empresas envolvidas na produção ou venda de armas, empresas poluidoras, etc.); ► Fornecer directamente ao cliente a oportunidade de escolher as áreas onde aplicar o lucro obtido (p.ex. a área sócio-educativa, a protecção do território, a protecção do ambiente, etc.). Um banco ético é um banco normal que, U no entanto, opera no mercado financeiro com critérios éticos relacionados com o finan- BANCOS ÉTICOS ciamento. Um banco ético fornece aos seus clientes os serviços bancários normais, mas no âmbito da selecção de investimentos e aplicação de lucros, tem um critério especial. Além disso, tal como os “bancos dos pobres”, um banco ético opera com o microcrédito, fornecendo à população especialmente necessitada, empréstimos com taxas de juro muito baixas. Por exemplo em Itália, o desenvolvimento de um sistema bancário deste tipo passou pela criação de pequenos grupos de Autogestão CAPITULO 6 - FINANCIAMENTO 71 6 Mútua, conhecidos como MAG. Estes grupos contribuíram para o desenvolvimento do microcrédito, e para o nascimento de pontos de comercialização de produtos provenientes de Países em Vias de Desenvolvimento. Actualmente este tipo de mercado está em pleno desenvolvimento, e até mesmo alguns bancos tradicionais oferecem investimentos “éticos”, devolvendo um aparte dos lucros obtidos a iniciativas de beneficência. Concluindo, a banca ética orienta-se pelos seguintes padrões: 1. Acredita que o crédito, em todas as suas formas é um direito de todos os seres humanos. Não descriminar no acesso ao crédito com base em razões de género, etnia ou religião nem com base no património, garantindo assim o acesso aos pobres e marginalizados. Financia actividades de promoção humana, social e ambiental recorrendo a uma avaliação dupla, em termos de vitalidade económica e utilidade social. 2. Considera a eficiência uma responsabilidade ética. A taxa de juro, neste contexto, é uma medida de eficiência na utilização das poupanças. Uma medida de compromisso de salvaguardar os recursos disponibilizados pelos clientes e colocá-lo ao serviço de projectos viáveis. 4. É transparente. O intermediário financeiro tem o dever ético de tratar como confidenciais as informações dos seus clientes, mas o relacionamento transparente com eles exige que seja dado a conhecer todo o processo dos negócios financeiros efectuados e todas as decisões de emprego das suas poupanças. 5. Prevê a participação dos seus decisores e dos seus clientes na tomada de decisões importantes. Nos formulários estão incluídos mecanismos de indicação de preferência na atribuição de fundos (podendo o cliente escolher o tipo de projectos a ser apoiado pelas suas poupanças). Para além disso, os clientes são chamados a pronunciarem-se na tomada de decisões consideradas importantes, promovendo-se assim a democracia económica. 6. Tem como padrões de referência na tomada de decisões a responsabilidade social e ambiental. Localiza campos de utilização e áreas preferenciais, utilizando no histórico económico critérios de decisão baseados no desenvolvimento humano e responsabilidade social e ambiental. Exclui à partida actividades económicas que impeçam o desenvolvimento humano e contribuam para violar os direitos do Homem, tais como a produção e comércio de armas, a produção gravemente lesiva do meio ambiente e da saúde, actividades que tenham por base a exploração de trabalho infantil ou a repressão de liberdades civis. 3. Não considera legítimo o enriquecimento baseado exclusivamente na posse e troca de dinheiro. Não é uma forma de caridade: é economicamente viável e pretende ser socialmente útil. Ter responsabilidade na utilização das poupanças dos clientes e sendo capaz de produzir valor, cria uma parceria duradoura com os seus clientes. 72 CAPITULO 6 - FINANCIAMENTO 6 o sector ambiental, a banca é um instruN mento estratégico para o desenvolvimento de iniciativas individuais ou colectivas de res- O FINANCIAMENTO DE PROJECTOS DE ENERGIA ponsabilidade energética, graças aos instrumentos financeiros que disponibiliza. Esquematicamente, um banco pode envolverse em duas áreas: ► Projectos de sustentabilidade; ► Produtos financeiros para a sustentabilidade. Por projectos de sustentabilidade entende-se os projectos em que a instituição financeira oferece o seu know-how e experiência para o desenvolvimento de iniciativas locais de responsabilidade ambiental. As possibilidades são variadas e vão desde objectivos de comunicação, empresariais, sociais, etc. Alguns exemplos podem ser a de criar sinergias entre as redes ligadas às questões ambientais, a criação de parcerias e o desenvolvimento do espírito empresarial no sector da energia, etc. Por produtos financeiros para a sustentabilidade entende-se o financiamento com taxas de juro reais e adaptadas a pessoas, empresas e instituições públicas que pretendam implementar medidas de eficiência energética ou instalar sistemas de aproveitamento de energias renováveis. O desafio para as instituições financeiras no sector da energia, especialmente para as instituições éticas, é a de não abordarem as partes interessadas com o intuito de “vender” um produto financeiro, mas sim, o estudar produtos e projectos que visam a sustentabilidade das comunidades locais, procurando não apenas o decréscimo no uso de energia, mas promovendo também os aspectos ambientais, sociais e organizacionais que estão por detrás do desenvolvimento de uma pessoa e de uma comunidade. Assim, ao apreciar um projecto de investimento no sector da energia, um banco deve analisar três aspectos: 1. Sustentabilidade e viabilidade económica e técnica da iniciativa; 2. A minimização dos impactes ambientais; 3. Maximização da coesão social do território. CAPITULO 6 - FINANCIAMENTO 73 6 m grupo de aquisição (GA) é um grupo U de pessoas que decidem unir-se para adquirir produtos de uso diário (alimentos, de- GRUPOS DE AQUISIÇÃO tergentes, etc.) em conjunto. Um GA baseia-se em ideias éticas, tais como a importância das relações entre as pessoas, da solidariedade, do respeito por culturas diferentes e pelo ambiente. A organização de um GA é bastante simples: todo o grupo escolhe um produto e um produtor, bem como uma pessoa que fica encarregue de recolher instruções e de comprar bens que serão distribuídos entre os membros do GA. Cada um paga a sua própria encomenda, de acordo com a prática escolhida pelo grupo (em dinheiro ou cartão de crédito). Os critérios usados para escolher produtos e produtores são rigorosos. O grupo decide o que comprar e a quem comprar, com base em princípios ambientais e éticos: o respeito pela natureza e pelos trabalhadores (produtos orgânicos e comercialização justa ou bens com garantia) e pela produção local, de 74 modo a que o impacto sobre o ambiente devido ao transporte seja reduzido. O que é realmente importante é a relação entre os membros do grupo e os produtores: conhecer quem produz e observar a forma como trabalha é a melhor garantia para ter um bom produto. Esta é a razão pela qual os membros de um GA costumam visitar os produtores. Uma nova fronteira para os GA pode ser o mercado energético, graças à atenção que os seus membros prestam às questões ambientais. Podem agir de duas formas: como um grupo de pessoas que procura em conjunto energias renováveis para as suas habitações, o que significa fazer pressão sobre o mercado para obter melhores preços e condições de pagamento; ou criando estruturas (fábricas de produção de energia a biomassa, de sistemas fotovoltaicos ou solares, a partilha do automóvel, etc.) que sejam partilhadas entre os membros do GA e que sirvam de modelo ou como exemplo. CAPITULO 6 - FINANCIAMENTO 6 NOTAS CAPITULO 6 - FINANCIAMENTO 75 6 NOTAS 76 CAPITULO 6 - FINANCIAMENTO GLOSSÁRIO A ACUMULAÇÃO: Depósito geralmente localizado na cave que armazena a água aquecida pelos colectores solares ou pela caldeira; B BARRIL: Unidade padrão para medir o volume de petróleo e derivados. Um barril de crude pesa cerca de 136kg. BIOMASSA: Acumulação de energia, a partir da radiação solar sob a forma de massa vege- tal, através do processo de fotossíntese. Graças a este processo, o material vegetal é a forma mais sofisticada da natureza para a acumulação de energia solar. São considerados biomassa todos os produtos de culturas agrícolas e florestais, a transformação de resíduos agrícolas, resíduos de alimentos, algas e, indirectamente, todos os produtos orgânicos derivados de animais e seres humanos, tais como os contidos nos resíduos sólidos urbanos. A energia da biomassa é utilizada directamente como energia térmica através do processo de combustão ou gasificação. C CALOR: Energia que é transmitida por um corpo mais quente para um mais frio, transformando-se em energia dentro do corpo receptor. CALORIA: Unidade de medida da quantidade de calor e energia. A caloria é a quantidade de calor que se deve fornecer a uma grama de água destilada, à pressão atmosférica, para aumentar a sua temperatura em 1ºC. COGERAÇÃO: Produção combinada e simultânea de energia eléctrica e térmica. CONDUTIVIDADE TÉRMICA : Propriedade de todos os materiais que lhes permite transmitir energia térmica por condução entre as diversas faces exteriores. CONTADOR DE CALORIAS : Equipamento que permite contabilizar a quantidade de calor realmente utilizada. Este sistema permite que num condomínio, cada condómino pague apenas o calor que utiliza. CALDEIRA MODULAR : Sistema composto por mais de um queimador que funcionam em paralelo para a produção de calor. Se o primeiro queimador não cobrir as necessidades, entra GLOSSÁRIO 77 em funcionamento o segundo e assim por diante. CALDEIRA DE TEMPERATURA VARIÁVEL: O seu funcionamento é caracterizado por uma temperatura variável, em função das necessidades de calor, permitindo atingir o seu pico de performance nas estações médias. CALDEIRA DE CONDENSAÇÃO: este tipo de caldeira permite recuperar o calor contido nos gases de combustão, fazendo um pré-aquecimento da água apresentando um rendimento muito elevado. CORTE TÉRMICO: separação através de isolamento térmico que evita o contacto entre as caixilharias interiores e exteriores de uma janela. E ESTILHA: A estilha consiste em pedaços pequenos de madeira, resultantes da redução de um tronco feita por uma estilhadora; EFEITO DE ESTUFA: O Efeito de Estufa é a forma que a Terra tem para manter constante a temperatura propícia à vida que herdou. Mesmo sendo a atmosfera altamente transparente perante a luz solar cerca de 35% da radiação que recebemos é reflectida de novo para o espaço, ficando os outros 65% retidos na Terra. Isto deve-se principalmente ao efeito sobre os raios infravermelhos de gases como o Dióxido de Carbono, Metano, Óxidos de Azoto e Ozono presentes na atmosfera, que vão reter esta radiação na Terra, permitindo-nos assistir ao efeito calorífico dos mesmos. Se a quantidade de gases com efeito de estufa se tornar demasiado elevada, provocará um aquecimento global com consequências catastróficas: derretimento dos glaciares, desertificação, dessalinização dos oceanos, etc.; F FRACÇÃO SOLAR (%) : Percentagem da energia anual utilizada para aquecer a água que é proveniente do aproveitamento da energia solar face á energia total necessária. FONTES DE ENERGIA RENOVÁVEL : Considera-se como fonte de energia renovável todas as fontes para as quais a taxa de consumo seja inferior à sua taxa de regeneração. As energias renováveis são: sol, vento, água, marés, ondas e biomassa. 78 GLOSSÁRIO G GASES DE EFEITO DE ESTUFA : Os gases presentes na atmosfera que reflectem a radiação infravermelha proveniente da Terra, novamente para a Terra, permitindo a manutenção de uma temperatura adequada para a vida. Os gases com efeito de estufa são o metano (CH4), o dióxido de carbono (CO2), o vapor de água (H2O), o dióxido de azoto (NO), o ozono (O3), os clorofluorcarbonatos (CFC) e o hexafluoreto de enxofre (SF6). GNL: Gás Natural Liquefeito, obtido à pressão atmosférica, arrefecendo o gás natural a -160ºC. Sob esta forma o seu transporte marítimo é fácil, recorrendo a navios tanque. GPL: Gás de Petróleo Liquefeito, que resulta da mistura de fracções de petróleo, e através de uma pequena compressão passa do estado gasoso ao estado líquido. H HIDROCARBONETOS: Compostos orgânicos constituídos apenas por carbono e hidrogénio. Todos os hidrocarbonetos apresentam uma propriedade comum de oxidar facilmente libertando calor. Entre os hidrocarbonetos extraídos geologicamente encontra-se o petróleo, o carvão e o gás natural. A combustão destes compostos provoca a emissão de CO2, contribuindo para o efeito de estufa e para a formação do ozono troposférico. I ISOLANTE: Material caracterizado por um baixo coeficiente de condutividade térmica e, consequentemente, com pouca capacidade de transferir calor. P “PELLETS”: Combustível para caldeiras a biomassa. É obtido submetendo a serradura a alta pressão, de modo a formar aglomerados de dimensões reduzidas. Não é utilizado nenhum tipo de cola para manter o material compactado. As “pellets” têm cerca de 1 a 3cm de comprimento e 5 a 8mm de diâmetro. PONTE TÉRMICA: Descontinuidade construtiva ou material que constitui um modo preferencial de perdas de calor. Podem ser consideradas pontes térmicas certos pilares e talões de viga, etc. GLOSSÁRIO 79 POTÊNCIA TÉRMICA ÚTIL: quantidade de calor transferido, numa unidade de tempo, para o fluido que circula através da rede de distribuição do sistema de aquecimento. PODER CALORÍFICO: é a quantidade de calor produzido pela combustão de uma unidade completa de combustível em determinadas condições, mantendo constante a pressão. R RADIAÇÃO INFRAVERMELHA: a radiação solar é composta por uma parte visível (a luz) e por outra não visível, mas que por ser “quente” se sente, a chamada radiação infravermelha. S SOLAR TÉRMICO : Tecnologia que permite, através da utilização de colectores solares, a captação da energia solar para o aquecimento de água quente sanitária ou para a integração no aquecimento ambiente da habitação. T TEP: Tonelada Equivalente de Petróleo. Unidade de medida que expressa a energia térmica obtida a partir da combustão de um combustível que não seja petróleo, comparando-o com o petróleo. V VÁLVULA TERMOSTÁTICA: É uma válvula equipada com um manípulo que permite seleccionar a temperatura que se pretende na divisão. O seu funcionamento consiste em controlar o caudal de água quente que passa, de forma a controlar a temperatura e a garantir uma temperatura pré-definida pelo utilizador. VASO DE EXPANSÃO: a sua presença é importante nos sistemas de aquecimento a água e a sua função consiste em absorver a dilatação da água devida ao aumento de temperatura. 80 GLOSSÁRIO Q QUEIMADOR: Elemento interior dos equipamentos de combustão que é responsável pela produção de chama. GLOSSARIO 81