Este Manual foi realizado por:
Mattia Donadel;Eliana Caramelli;
Cristian Carraretto; Alessandro De Pol;
Alessandra Vivona; Valentina Zanfini;
Daniele Bandoni; Francesco Grazzi;
Marco Bianchi; Francesca Sandonà.
Tradução
Aurora Narciso
Design gráfico, ilustração e layout de:
Gabriele Soave
Dezembro de 2007
www.echoaction.net
Adaptação
Pedro Oliveira
João Barroso
Helena Costa
Comune di Bologna
Settore Ambiente e
Verde Urbano
Aviso
A responsabilidade dos conteúdos desta publicação é exclusiva dos seus autores. Não
representa a opinião da Comunidade Europeia. Os autores e a Comissão Europeia não
são responsáveis pelo uso que possa ser feito das informações aqui contidas.
PREFÁCIO
O PROJECTO ECHO ACTION
“ENERGY-CONSCIOUS HOUSEHOLDS IN ACTION”
projecto ECHO ACTION visou sensibilizar e envolver, a uma escala europeia, duas mil famíO
lias num processo activo de alterar os seus estilos de vida e padrões de consumo energéticos, abarcando o domínio das tecnologias de elevada eficiência, o aumento na utilização de
energias renováveis e de soluções alternativas para a mobilidade pessoal.
O principal objectivo foi envolver de forma voluntária e participativa cidadãos e parceiros económicos na criação de planos energéticos locais através da implementação de acções de sensibilização dirigidas à redução dos consumos de energia, ao aumento de fontes renováveis de energia e
ao seu uso mais eficiente.
O projecto está organizado em dois eixos de actuação, por um lado envolve cidadãos e famílias,
os consumidores finais de modo a optimizar a procura; por outro, abarca produtores, distribuidores, fornecedores de serviços, de tecnologias energéticas e actores financeiros que possam responder às exigências do uso racional de energia (energia e poupança), às exigências de sistemas
de energia renovável e às exigências de esquemas financeiros específicos.
Durante o desenrolar deste projecto, indicou-se às famílias participantes, soluções concretas.
Estas soluções abrangeram quer sistemas técnicos disponíveis no mercado local quer os esquemas financeiros que visem a poupança energética e a produção própria de energia, especificamente para o uso privado de energia (aquecimento e electricidade) e para a mobilidade pessoal.
s famílias foram divididas em grupos locais com base em condições específicas, escolhidas
A
por todas as cidades participantes (pessoas que vivem no mesmo edifício de apartamentos,
região ou aldeia; grupos de colegas de trabalho, etc.) de acordo com as necessidades locais e
COMO FUNCIONOU?
com os níveis de envolvimento esperados.
Este projecto previu três níveis de acção:
► 1° nível: revisão crítica de comportamentos e reorientação dos consumos
► 2° nível: melhorias de baixo custo, fáceis de concretizar
► 3° nível: melhorias substanciais na habitação, na mobilidade pessoal ou na realização de acções de interesse comum.
Todas as acções realizadas contribuíram para os objectivos do projecto, mas terão igualmente,
valor como exemplo a seguir para toda a sociedade.
PREFÁCIO
1
O
ste manual pretende ser
E
um guia para os vários
temas relacionados com a
QUAIS OS PRINCIPAIS
RESULTADOS
O MANUAL
s principais resultados
serão
► Implementar as acções
de primeiro e segundo
nível (reorientação de
comportamentos e
melhorias de baixo
custo);
► A realização de intervenções substanciais
de terceiro nível, em
pelo menos 10% das
famílias envolvidas no
projecto, em cada cidade participante, prevendo-se atingir um
total de poupança de
energia de 600 MWh
por ano, de 625 toneladas equivalentes de
petróleo por ano e de
1 500 toneladas de
CO2 evitadas por ano;
► A criação de redes locais de agentes comerciais especializados
(fornecedores, distribuidores e instaladores
de tecnologia URE &
ER), facilmente acessíveis às famílias participantes através das
“Páginas Amarelas”;
CIDADES ENVOLVIDAS
NO PROJECTO?
Bulgária, Bourgas
Alemanha, Berlim
Itália, Bolonha
Itália, Capannori
Itália, Veneza
Lituânia, Kaunas
Portugal, Sintra
Suécia, Karlstad
Grã-Bretanha, Londres
► A criação de, pelo
menos, dez grupos de
aquisição para negociar melhor os preços
de mercado de tecnologias específicas;
► O desenvolvimento de
uma rede sólida de, no
mínimo, quarenta
cidades como cidades
“observadoras”.
2
PREFÁCIO
energia. Questões como a eficiência energética, energias
renováveis, a utilização de
energias nas habitações, a
mobilidade serão aqui abordadas. Serão dados também
conselhos e sugestões para
uma correcta e racional utilização de energia nas nossas
casas e na mobilidade.
A primeira parte deste manual
é dedicada às medidas de
baixo custo que podem ser implementadas facilmente com
vista a redução dos consumos
e consequentemente dos custos com a energia.
Na segunda parte do manual,
apresentam-se soluções com
custos mais elevados em que
se identifica algumas soluções
técnicas existentes no mercado, intervenções específicas
e alguns materiais.
Para mais informações consulte os sites
www.echoaction.net e
www.ames.pt
INTRODUÇÃO
s nossos estilos de vida e hábitos baseiO
am-se no uso de fontes de energia primárias, definidas como não renováveis ou
OS RECURSOS DE ENERGIA
ESTÃO A ESGOTAR-SE
combustíveis fósseis (carvão, petróleo, gás
natural).
A utilização de combustíveis fósseis, de acordo
com os nossos níveis de produção, vai esgotar-se em poucas décadas.
A factura energética dos combustíveis tem
vindo a sofrer um crescimento significativo, na
medida em que, para além de acompanhar o
aumento do consumo, é dependente de factores exógenos, nomeadamente aqueles que
provocam as variações dos preços das matérias-primas. Desde 1998 que o preço do barril
de petróleo não pára de crescer.
O consumo dos recursos, o aumento dos custos de extracção e o facto de as fontes estarem
localizadas em países geo-politicamente instáveis provoca um forte aumento do preço do petróleo (cerca de 140 dólares por barril em
Junho de 2008).
A estes factores devemos também juntar o problema das emissões dos gases com efeito de
estufa (GEE). A utilização de combustíveis fósseis é uma das principais causas de emissões
para a atmosfera de dióxido de carbono (CO2),
que é o mais significativo dos GEE.
Com a ratificação do Protocolo de Quioto
(acordo internacional para redução de GEE,
que estará em vigor no período de 2008 a
2012), a União Europeia comprometeu-se a
uma redução de emissões de 8%, relativamente aos valores de 1990 (ano base). No
acordo de partilha de responsabilidades entre
os vários Estados-Membros, ficou estabelecido
que Portugal poderia aumentar as suas emis-
INTRODUÇÃO
3
sões até 27% (relativamente ao ano base) durante o período de cumprimento do Protocolo.
De acordo com os últimos dados, Portugal teve
um incremento de emissões de aproximadamente
40% (comparativamente às emissões de 1990), o
que ultrapassa significativamente o limiar que foi
imposto, implicando um esforço acrescido na redução da intensidade carbónica da economia portuguesa.
Esta questão é urgente e não pode esperar por
uma solução.
ortugal é um país com escassos recursos
P
energéticos próprios, nomeadamente aqueles que asseguram a generalidade das necessida-
A SITUAÇÃO NO PAÍS
des energética da maioria dos países
desenvolvidos (como petróleo, carvão e gás).
Tal situação de escassez conduz a uma elevada
dependência energética do exterior (84,1% em
2006), sendo o país fortemente dependente das
importações de fontes primárias de origem fóssil,
e com uma contribuição das energias hídrica
(muito dependente da condições climatéricas), eólica, solar e geotérmica, biogás e de biomassa,
que importa aumentar.
Consumo de energia primária em Portugal (%)
Petróleo
55,2
Carvão
Gás Natural
Energias Renováveis
Total
12,8
13,9
18,1
100
Dados de 2006 – Fonte DGEG
O consumo de energia em Portugal tem mantido
um crescimento elevado ao longo dos últimos
anos, relacionado não só com o progresso económico e social que se tem verificado nas últimas
décadas, mas também com a elevada ineficiência
energética devida ao grande crescimento de consumos no sector doméstico, serviços e transportes.
As mais altas taxas de consumo têm sido verificadas sobretudo nos edifícios e transportes, por razões que se ligam directamente com o tipo de
comportamento dos cidadãos, bem como à ausên4
cia de políticas coerentes sobre ordenamento do
território e energia.
Os edifícios são responsáveis por mais de 60%
de toda a energia eléctrica disponibilizada ao consumo.
Assim sendo, se a electricidade é um problema de
emissões de CO2, os edifícios devem ser parte da
sua solução.
É necessário alterar hábitos e padrões de consumo, com instrumentos e medidas que incentivem os cidadãos a melhores opções energéticas
e ambientais.
promoção de comunidades energeticaA
mente sustentáveis (onde as autoridades locais, os agentes económicos e os cidadãos
COMUNIDADES ENERGETICAMENTE
SUSTENTÁVEIS
colaboram activamente para a implementação de
serviços energéticos altamente descentralizados,
promovendo o uso de energias renováveis e a
aplicação de medidas de eficiência energética em
cada uso final) não é apenas numa questão ambiental, mas visa também uma maior equidade na
distribuição e segurança no acesso aos recursos.
Consequentemente, é necessário agir aos níveis
da política e da economia para promover:
A poupança de energia, entendida como redução
de consumos a partir dos nossos hábitos e das
nossas aquisições, bem como a Eficiência Energética obtida pela adopção de tecnologias e sistemas que permitam um uso optimizado das fontes
de energia.
Sistemas de energias renováveis, uma solução
necessária para evitar a exaustão das fontes disponíveis, mas justificada também com a integração de acções de poupança de energia.
Note-se que o crescimento médio de eficiência
energética, quer na produção quer no uso final, e
da redução do consumo, individual e colectivo, representa em si mesmo uma preciosa fonte de
energia. Para além disso, representa um pré-requisito para um desenvolvimento adequado de recursos renováveis, que actualmente são mais
caros que os fósseis.
INTRODUÇÃO
PARA COMEÇAR….
1
ara o Sistema Internacional (SI), a unidade
P
de energia é o Joule (J), quando falamos
em energia eléctrica a unidade é o Quilowatt-
MEDIR A QUANTIDADE DE ENERGIA E POTÊNCIA
hora (kWh).
O Joule é uma pequena quantidade, por isso
usamos frequentemente os seus múltiplos, tais
como o Megajoule (MJ), um milhão de joules
(106), e o Gigajoule (GJ), um bilião de joules
(109).
Uma outra unidade para a energia é a caloria
(cal) que é definida como a quantidade de calor
necessária para aumentar de 14,5 a 15,5ºC a
massa de uma grama de água que se encontre
no nível médio da água do mar.
Quando avaliamos uma grande quantidade de
energia, tal como o consumo eléctrico de uma
indústria ou de uma grande cidade ou região,
usamos o tep, isto é, a quantidade equivalente
de energia produzida pela queima de mil quilos
de petróleo.
Um tep é o mesmo que 42 GJ e que 11,63
MWh.
Cada tipo de combustível tem o seu próprio
“poder calorífico”, isto é, a quantidade de energia produzida pela queima de um quilograma
ou um metro cúbico desse mesmo combustível.
UNIDADES DE ENERGIA E OS SEUS MÚLTIPLOS
Unidade de Base
x 1 000
x 1 000 000
x 1 000 000 000
1 Joule (J)
1 QuiloJoule (kJ)
1 MegaJoule (MJ)
1 GigaJoule (GJ)
1 caloria (cal)
1 Quilocal (kcal)
1 Megacal (Mcal)
1 Gigacal (Gcal)
1 Watthora (Wh)
1 QuiloWatthora (kWh)
1 MegaWatthora (MWh)
1 GigaWatthora (GWh)
ALGUMAS EQUIVALENCIAS
1 kJ = 0,24 kcal = 0,000278 kWh
corresponde à energia contida
em 0,06 g de açúcaro
1 kcal = 4186.8 J = 0,00116 kWh
corresponde à energia contida
em 8 g de petróleo.
1 kWh = 3,6 MJ = 860 kcal
corresponde à energia contida
em 8 g de petróleo.
medida para a potência eléctrica é o Watt
A
(W) e os seus múltiplos comuns são o quilowatt (1 kW = 1 000 W), o Megawatt
(1 MW = 1 000 000 W).
Um Watt é o mesmo que 1 (kcal/h) *1,163,
assim, por exemplo, uma caldeira a vapor de
25 000 kcal/h é uma caldeira de 29 kW de
energia (25 000 kcal/h x 1,163 = 29 000 W).
1 tep = 41,9 GJ = 11 628 kWh = 10 000 Mcal
corresponde ao consumo anual de
2-3 famílias da Europa ocidental.
CAPITULO 1 - PARA COMEÇAR
5
1
A ENERGIA CONTIDA
NOS COMBUSTÍVEIS
E AS EMISSÕES DE CO 2
maior parte da energia que usamos
A
provém de combustíveis fósseis, por
exemplo, o petróleo e os seus derivados, o
carvão, o gás natural. Todos estes combustíveis são ricos em carbono. Durante a fase de
combustão, o carbono combina-se com o oxigénio formando o CO2, um dos principais
responsáveis do chamado “efeito estufa”.
6
Todos os combustíveis caracterizam-se pelo
seu poder calorífico, a quantidade de calor
que se obteria pela queima completa de 1 kg
ou 1 m3 do mesmo. Como exemplo, a partir
de 1 kg de gasóleo obtém-se 42,3 MJ; de 1
kg de metano obtém-se 50 MJ. Na tabela seguinte encontram-se alguns dados sobre a
energia calorífica dos combustíveis mais comuns.
FACTOR DE EMISSÃO DE
GASES DE EFEITO DE
ESTUFA (KGCO2E/GJ)
Tipo de
Combustível
Poder Calorífico
(MJ/ Kg)
Metano
50
Gasóleo
42,3
74
GPL
46 046
63
Lenha
11,6
0
Querosene
43,8
71,8
CAPITULO 1 - PARA COMEÇAR
54,9
1
ENERGIA EM CASA
uando falamos de energia nas nossas habitações referimo-nos à soma da energia usada para
Q
o aquecimento/arrefecimento e consumo eléctrico. A área residencial e comercial representa
30% dos consumos nacionais de muitos países e é responsável pela emissão de aproximada-
mente 18% de CO2.
uma habitação, a energia é usada para
N
múltiplas actividades: a energia é transformada a partir de vários dispositivos de modo a
satisfazer todas as nossas exigências. Os equipamentos não são mais do que electrodomésticos, a caldeira para aquecer no Inverno e para
uso de águas quentes, as lâmpadas, etc.
Sempre que utilizamos energia transformando-a, por exemplo, da corrente eléctrica em iluminação, de gás em aquecimento, nesta transformação uma parte da energia perde-se sem
qualquer possibilidade de recuperação (perdas). Trata-se de um fenómeno físico impossível de evitar, é como uma espécie de taxa que
somos obrigados a pagar à natureza.
Dentro de determinados limites, melhorando as
tecnologias dos equipamentos, podemos todavia, reduzir esta taxa e obter maiores benefícios, isto é aumentar o desempenho. A
melhoria do desempenho significa lidar com o
conceito de eficiência, ou seja a relação entre a
energia efectivamente usada e o valor energético exigido. Uma das causas do enorme consumo energético deve-se seguramente ao uso
de tecnologias ineficientes na produção, distribuição e uso final de energia.
Um outro aspecto fundamental é a poupança
de energia, consequentemente a atenção dispensada por todos ao uso de energia e recursos, um exemplo disso é deixar a torneira
aberta enquanto se lava os dentes, acção que
envolve um desperdício desnecessário de água
e de gás; neste caso, um simples gesto da mão
reduz os consumos sem comprometer o bem-estar.
Para usar uma metáfora simpática, a nossa
casa pode ser representada por um balde
esburacado em que temos de garantir um de-
terminado nível de água. Para atingir este objectivo é possível seguir duas vias:
1. Abrir a torneira e continuar a encher o balde
para compensar as perdas de água pelos
buracos;
2. Preferir agir sobre o balde, tapando todos os
buracos e em seguida abrir a torneira de
modo a compensar a perda reduzida de
água.
Obviamente a segunda opção é a mais correcta, pois a primeira alimenta o desperdício e
o consumo energético desnecessário.
Nas nossas habitações, a água representa toda
a energia que utilizamos (térmica, eléctrica,
mecânica, etc.), os buracos são todos os desperdícios energéticos que acontecem através
da envolvente (paredes, coberturas, janelas) ou
causadas pelo uso de sistemas pouco eficientes ou, também, devido a comportamentos de
desperdício.
Deste modo, para fechar os “buracos” do nosso
“balde” devemos poupar energia, prestando
mais atenção aos nossos gestos diários, à melhoria da eficiência tecnológica da habitação
onde vivemos, aos electrodomésticos, às paredes e cobertura, ao sistema de aquecimento,
etc. A poupança e a eficiência energética constituem as chaves para reduzir o impacto no
meio ambiente, mas também nas contas a
pagar.
Tornarmo-nos conscientes de quanto é consumido constitui um passo importante para mudarmos os nossos hábitos. As tabelas que se
seguem apresentam alguns dados úteis como referências em termos de recursos e de despesas.
CAPITULO 1 - PARA COMEÇAR
7
1
CONSUMO ELÉCTRICO E CUSTO MÉDIO MENSAL DE ALGUNS ELECTRODOMÉSTICOS, SEGUNDO O ESTUDO
DA ADENE “EFICIÊNCIA ENERGÉTICA EM EQUIPAMENTOS E SISTEMAS ELÉCTRICOS NO SECTOR RESIDENCIAL”.
Tipo de electrodoméstico
Consumo kWh/ano
Euros/ano (*)
380
43,4
CONGELADOR
625
71,4
MÁQUINA DE LAVAR LOUÇA
396
45,3
MÁQUINA DE LAVAR ROUPA
240
27,4
FORNO ELÉCTRICO
306
34,9
COMPUTADOR
200
22,8
AUDIOVISUAL
335
38,3
ILUMINAÇÃO
500
57,1
FRIGORÍFICO
(*) CUSTO MÉDIO kWh: € 0,1143 – TARIFA SIMPLES DA EDP PARA CLIENTES FINAIS EM 2008
8
CAPITULO 1 - PARA COMEÇAR
1
O CONSUMO ENERGÉTICO (EM LITROS DE PETRÓLEO) E CONSUMO DE ÁGUA
PARA PRODUZIR A ÁGUA QUENTE SANITÁRIA POR PESSOA E POR ANO
Duche
Litros de petróleo
Litro de água
620
50 000
320
Casa de banho
Torneira tradicional
25 000
240
Torneira com redutor de fluxo
44 000
150
Máquina de lavar roupa tradicional
23 400
55
Máquina de lavar roupa de baixo
consumo
4 700
40
Máquina de lavar louça tradicional
2 600
250
Máquina de lavar louça com
poupança energética
7 300
160
3 650
EXEMPLOS DE QUANTIDADE DE EMISSÕES DE CO2 NUM ANO, EM CONDIÇÕES STANDARD DE UTILIZAÇÃO
Exemplos
Emissões de CO2 por ano
Edifício de dimensão média bem isolado
2 500 Kg CO2 por apartamento
Termoacumulador ligado durante 6 horas
1 000 kg
O mesmo edifício sem isolamento
Termoacumulador sempre ligado
Sistema de aquecimento a 18°C
Sistema de aquecimento a 22°C
Lâmpada fluorescente
Lâmpada incandescente
Máquina de lavar louça com programação
de poupança energética a 30°C
Máquina de lavar louça com programação
normal a 90°C
CAPITULO 1 - PARA COMEÇAR
4 200 kg
2 100 kg
2 900 kg
3 600 kg
210 kg
360 kg
250 kg
360 kg
9
1
COMO POUPAR ENERGIA A CUSTO ZERO
al como dissemos anteriormente, existem comportamentos adequados que conduzem a uma
T
redução significativa dos consumos, utilizando a energia de uma forma mais eficiente. Consequentemente, podemos melhorar a eficiência sem adquirir novos equipamentos, mas apenas
prestando atenção a pequenos gestos..
► Para começar, é bom registar num caderno todas as semanas ou meses os consumos de gás,
electricidade e água. Ter consciência dos consumos ajuda a modificar o estilo de vida.
ENERGIA ELÉCTRICA
Para todos os equipamentos eléctricos, deve:
► Desligá-lo sempre se não está a utilizá-lo;
► Desligar também, o modo de standby sempre que não o use o equipamento durante um
período de uma hora.
O FRIGORÍFICO
► Não colocar o frigorífico perto de fontes de calor (janelas, fornos).
► O frigorífico deve estar afastado pelo menos 5 cm da parede para promover o arejamento do condensador.
► Limpar a grelha traseira pelo menos 1 vez por ano.
► Verificar periodicamente o estado da borracha da vedação das portas.
► Descongelar periodicamente o equipamento.
► Arrumar os alimentos de um modo organizado deixando espaço junto às paredes.
► Nunca introduzir alimentos quentes dentro do frigorífico/congelador.
► A temperatura ideal de conservação dos alimentos no frigorífico é de 3 a 5º C e no
congelador de -3 a -18ºC.
► Deve fechar sempre bem a porta do frigorífico e evitar aberturas desnecessárias e prolongadas.
► Quando se ausentar por períodos prolongados desligar ou regular o termóstato para o
mínimo.
MÁQUINA DE LAVAR E SECAR ROUPA
► Utilizar sempre a máquina com a carga recomendada.
► Se lavar pouca roupa, usar a função “meia carga”, mas atenção
duas “meias cargas” não consomem menos energia que uma carga
completa.
► Preferir programas com temperaturas mais baixas (30 a 40ºC).
► Prescindir da função de pré-lavagem.
► Se tiver que usar a máquina de secar roupa, preferir as máquinas
que usam sensor de humidade ou temporizador.
10
CAPITULO 1 - PARA COMEÇAR
1
► Colocar a máquina de secar roupa num local arejado.
► Colocar a roupa bem torcida no secador.
► Maiores velocidades de centrifugação, secam mais rapidamente a roupa
► Privilegie a secagem da roupa no estendal – secagem a custo zero
MÁQUINA DE LAVAR LOIÇA
► Utilizar sempre a máquina com a carga completa.
► Evitar a pré-lavagem quando a seguir se vai realizar uma lavagem.
► Passar a loiça por água fria antes de a colocar na máquina.
► Utilizar programas mais curtos e com temperaturas mais baixas.
► Eliminar o programa de secagem por ar quente, principalmente no
Verão.
FORNOS E FOGÕES
► Evitar abrir o forno quando este se encontra em funcionamento.
► Desligar sempre o forno um pouco antes do cozinhado estar pronto, aproveitando deste modo o calor residual.
► Verificar se a porta do forno se encontra bem vedada.
► Nos fogões a gás deve utilizar uma intensidade de chama adequada.
► Verificar se o fogão está a realizar uma boa combustão, chama uniforme,
de cor azul e que se propaga por todos os orifícios.
► Os bicos devem estar sempre bem regulados e não devem estar obstruídos, evitando uma má combustão.
► O utilizar um fogão eléctrico, a placa eléctrica não deve ser maior que a base da panela
ou tacho.
► Mantenha a tampa da panela/tacho enquanto cozinha.
► O uso de recipientes de cerâmica ou vidro permite baixar a temperatura necessária ao
cozinhado, estes materiais retêm melhor o calor.
► Utilize panelas/tachos com fundos difusores.
► Utilize frequentemente a panela de pressão.
SISTEMA DE ILUMINAÇÃO
► Ao mobilar a casa deve-se avaliar a disposição e a quantidade de pontos de luz relativamente à sua utilização em cada divisão. Para iluminar correctamente uma divisão, utilize
lâmpadas com potência adequada às necessidades do local e tipo de utilização.
► Sempre que possível, privilegie a iluminação natural.
► Pinte a habitação com cores claras, ajuda a reflectir a luz.
► Não esqueça de apagar a iluminação nas divisões que não estão a ser
utilizadas.
► De manhã, abra as cortinas em vez de ligar a iluminação.
► Limpe periodicamente as lâmpadas.
► Adquira candeeiros que permitam uma boa iluminação por forma a evitar
a utilização de lâmpadas com uma maior potência.
CAPITULO 1 - PARA COMEÇAR
11
1
TV, COMPUTADOR E OUTROS EQUIPAMENTOS COM BATERIA
► No seu PC, defina uma opção de “poupança de energia”.
► Desligue o monitor quando faz pausas superiores a 15 minutos.
► Desligue o computador se não o utilizar durante pelo menos uma
hora, a ideia de que ligar e desligar o computador frequentemente
pode danificá-lo é falsa.
► Não esqueça de retirar da tomada os dispositivos de recarga (por
exemplo o carregador de telemóvel) logo que a carga
esteja completa. Na realidade, mesmo que as baterias não
estejam ligadas, o transformador continua a trabalhar
desnecessariamente e a desperdiçar energia.
ENERGIA TÉRMICA
► Para aquecer a habitação no Inverno, aproveite os dias de sol, abrindo os
estores e persianas e fechando-os durante a noite para evitar perdas de
calor
► Cortinados mais espessos junto às janelas ajudam a manter a casa mais
quente
► Programe o tempo de aquecimento dos equipamentos.
► Não ligue e desligue repetidamente o sistema de aquecimento.
► Regule o termóstato para uma temperatura mais baixa: uma boa temperatura pode ser 17-18°C, que pode proporcionar uma temperatura confortável; durante a noite os 16°C são suficientes.
► Mantenha os equipamentos de aquecimento das divisões que não estão a
ser utilizadas desligados, fechando as portas para evitar desperdícios.
► Não mantenha as janelas abertas durante muito tempo nos dias frios: se
houver demasiado calor, adapte o termóstato em vez de abrir as janelas.
► Para fazer circular o ar, é melhor abrir as janelas durante 5-10 minutos,
ao invés de manter as mesmas parcialmente abertas durante longos períodos, se possível efectuar esta operação durante as horas mais quentes
do dia.
ARREFECIMENTO NO VERÃO
► Lembre-se que as cores claras reflectem o calor e que as escuras o absorvem.
► Feche as cortinas e os estores durante o dia para bloquear a entrada da luz solar, especialmente nas janelas viradas para sul ou para oeste
► Não deixe portas e janelas abertas quando o equipamento de frio estiver a funcionar;
► Abra as janelas à noite para deixar entrar o ar fresco.
► Apague as luzes que não são necessárias.
12
CAPITULO 1 - PARA COMEÇAR
1
ACÇÕES DE BAIXO CUSTO PARA POUPAR ENERGIA
e já temos um comportamento adequado e a preocupação de reduzir os desperdícios, então o
S
passo seguinte é tentar melhorar a eficiência da nossa habitação actuando sobre a sua estrutura, sistemas e equipamentos.
As intervenções estruturais, geralmente, exigem o investimento de elevadas quantias, tal como
explicaremos posteriormente. Todavia, é possível adoptar dispositivos técnicos simples e inteligentes para conter os custos. Estas acções de baixo custo, são facilmente reembolsadas num período de tempo relativamente curto através da energia que é poupada.
INTERVENÇÕES AO NÍVEL DOS EQUIPAMENTOS ELÉCTRICOS
ELECTRODOMÉSTICOS
► No momento da aquisição de qualquer electrodoméstico, escolha os modelos de alta eficiência (classe A ou superior). Estes equipamentos podem ter um preço inicial mais elevado mas o que vai poupar ao longo do tempo de vida dos equipamentos paga, num
curto período de tempo, o investimento inicial;
► Para as máquinas de lavar, é melhor adquirir as que utilizam menos água e, consequentemente, menos energia para o seu aquecimento. Para além disso, se a máquina estiver
preparada com um sistema de entrada de água quente, é possível fornecer água quente
de forma mais eficiente, em vez do vulgar dispositivo eléctrico.
► Os modelos com lavagem e secagem são confortáveis, mas consomem muita energia.
Em relação às máquinas de lavar loiça, estas recomendações também se aplicam.
► Para os fornos, a função de auto-ventilação é aconselhável porque favorece uma distribuição uniforme do calor.
► No caso dos frigoríficos, deve-se estimar cuidadosamente a capacidade do mesmo em
relação às necessidades da família: os de 100-150 litros são bons para uma pessoa, os
de 220-280 litros para 2 pessoas, os de 300 litros e capacidade superior são adequados
para mais de 4 pessoas.
► Para os equipamentos de ar condicionado, se não existirem exigências específicas (a
presença de idosos ou de crianças na família, por exemplo), é melhor evitar a sua instalação; de qualquer modo, é importante adquirir modelos de alta eficiência.
► Evitar a instalação de equipamentos eléctricos para aquecimento de água ou então, utilizá-los se estritamente necessário. Os equipamentos eléctricos deste tipo apresentam
consumos muito elevados.
CAPITULO 1 - PARA COMEÇAR
13
1
ILUMINAÇÃO
► Troque as lâmpadas incandescentes pelas de baixo consumo. Este tipo de lâmpadas
duram muito mais tempo e apresentam uma maior eficiência luminosa. Com efeito, transformam em luz 20% da electricidade consumida comparativamente com os 4% das lâmpadas de filamentos tradicionais.
► Nas divisões da habitação com menor utilização ou no jardim, podem ser instalados sensores de presença que apenas são accionados quando revelam a presença de alguém.
OUTROS EQUIPAMENTOS
► Nas zonas da habitação em que existam pequenos electrodomésticos em grande número, é boa prática instalar uma extensão de várias tomadas com interruptor. Este sistema permite, com um único gesto, desligar durante a noite ou quando ninguém está em
casa todos os equipamentos de uma só vez, evitando desta forma os consumos standby
e fantasma.
► As pilhas recarregáveis são mais convenientes do que as descartáveis.
► Entre as pilhas descartáveis, é preferível utilizar as alcalinas que garantem melhor desempenho.
INTERVENÇÕES AO NÍVEL TÉRMICO
► Isolar a caixa dos estores e instalar painéis isolantes e reflectores de calor atrás dos radiadores.
► Colocar isolamento térmico nas paredes pelo exterior ou interior.
► Calafetar portas e janelas.
► Utilizar toldos para o ensombramento.
► Aplicar películas reflectoras nos envidraçados.
► Isolar as paredes com caixa-de-ar: quando as paredes apresentam caixa-de-ar, é possível preenchê-las com material isolante (por exemplo, argila expandida). É uma forma fácil
e económica para reduzir os consumos térmicos.
► Isolar sótãos e águas-furtadas: a cobertura é um dos elementos da habitação através do
qual há mais desperdício de energia; em muitos casos, sem se agir na cobertura, mas
simplesmente aplicando no pavimento do sótão painéis de isolamento térmico ou outros
materiais, pode obter-se uma razoável poupança de energia.
► Instalar válvulas termostáticas nos radiadores.
► Equipar a habitação com termóstatos para programar o aquecimento ambiente.
► Em caso da existência de sistema de aquecimento central, deve-se instalar um sistema
de contagem para cada utilizador.
14
CAPITULO 1 - PARA COMEÇAR
1
POUPANÇAS ALCANÇÁVEIS E CUSTOS
DE ALGUMAS INTERVENÇÕES
EXEMPLO 1 – SUBSTITUIÇÃO DAS LÂMPADAS TRADICIONAIS PELAS DE BAIXO
CONSUMO
LÂMPADAS DE
INCANDESCENTE
Potência em
Watt
LÂMPADAS DE BAIXO
CONSUMO
POUPANÇA
Potência
Quilowatt usados
Quilowatt usados kWh economiza- Dinheiro poupado
correspondente
em 15 000 horas
em 15 000 horas
dos em 15 000
(custo médio de
das lâmpadas de
(12 anos) - kWh
(12 anos) - kWh
horas
0,1143 € por kWh)
baixo consumo
100
1 500
20
300
1 200
102,87 €
75
1 125
15
225
900
102,87 €
60
900
11
165
735
84,01 €
Dados da Osram e da Greenpeace.
(1 500 horas é a duração máxima de uma lâmpada de baixo consumo)
O custo de uma lâmpada de baixo consumo é compensado em aproximadamente um ano.
CAPITULO 1 - PARA COMEÇAR
15
1
EXEMPLO 2 – APLICAÇÃO DE PAINÉIS
REFLECTORES ATRÁS DOS AQUECEDORES
custo de um painel reflector para um
O
radiador com a dimensão de 100x70 cm é
de aproximadamente 10 €. Considerámos as
seguintes hipóteses para um apartamento:
► Superfície: 50 m2;
► Sistema de aquecimento: único com
gás natural e emissão de calor através
de 5 radiadores 100x70cm;
► Consumo médio por ano por m2 : 120
kWh/m2/ano;
► Consumo anual estimado:
120x50 = 6 000 kWh;
► Quantidade de gás natural:
6000:10,76 = 557,62 m3 ;
► Despesas anuais estimadas:
557,62*0,6041 = 337 €
Ao instalar-se painéis reflectores entre a parede e os aquecedores, é possível obter uma economia de aproximadamente 5-10%, consequentemente, em termos económicos, significa 17-34 €/
ano. Considerando que o custo do trabalho para 5 radiadores é de cerca 50 €, em pouco mais de
um ano, a despesa é reembolsada através da poupança alcançada.
16
CAPITULO 1 - PARA COMEÇAR
ENERGIA TÉRMICA
2
REVESTIMENTO DO EDIFÍCIO
revestimento de um edifício consiste na aplicação, na totalidade, de componentes exteriores
O
que delimitam o mesmo: paredes verticais, coberturas, pavimentos, portas exteriores e janelas. Todos estes elementos são muito importantes porque as trocas térmicas entre as zonas inte-
riores e exteriores acontecem através destes elementos. Por esta razão, é necessário agir sobre
estes componentes para melhorar a eficiência energética do edifício.
Nos edifícios, o calor flui através das paredes ou fendas entre paredes e portas de dois
modos diferentes:
1. O calor flui através das paredes, movendo-se da superfície em contacto com a zona de
temperatura mais elevada para a zona de temperatura mais baixa. A quantidade de fluxo
térmico depende dos materiais que compõem as paredes (a ordem dos materiais também
é importante) e da sua capacidade de transferência do calor.
2 . Transferência de calor através de fendas.
O ar quente move-se na direcção das zonas mais frias através de fendas existentes entre
as paredes, janelas e portas ou através de outras aberturas, tais como as chaminés.
perdas das caldeiras
cobertura
ventilação
paredes exteriores
janela
cozinha
FIGURA – Superfície e elementos de construção que causam perdas térmicas num Edifício
CAPITULO 2 - ENERGIA TÉRMICA
17
2
elhorar o isolamento das paredes e da cobertura é uma excelente solução para poupar
M
energia no aquecimento e no arrefecimento do edifício através da redução das suas perdas
térmicas. Os materiais isolantes reduzem a transferência de calor, aumentando a eficiência ener-
ISOLAMENTO DAS PAREDES E DA COBERTURA
gética do edifício.
P
ode aplicar-se isolamento quer do lado interior quer do lado exterior das paredes
ou, se for possível, na caixa-de-ar das paredes.
ISOLAMENTO DAS PAREDES
isolamento interior é uma solução partiO
cularmente aplicada durante obras de
reestruturação.
ISOLAMENTO INTERIOR
O isolamento interior é efectuado através da
aplicação de painéis pré-moldados, que contêm
uma camada isolante e são aplicados por colagem à parede ou colocados numa estrutura
aplicada para o efeito.
Valores típicos (moradia ou apartamento)
Poupança anual
€270 - €340
Custo
desde €50/m2
VANTAGENS E DESVANTAGENS DO ISOLAMENTO INTERIOR:
✓ É muito menos dispendioso do que o
isolamento exterior.
✓ Pode ser realizado pelos adeptos da
bricolage ou por pessoas não profissionais.
✓ Não são necessárias alterações à
estrutura exterior do edifício.
✓ É fácil de colocar (não são necessários andaimes nem escadas)
✓ A temperatura interior pode ser alterada rapidamente devido à baixa inércia térmica das divisões.
✕ As pontes térmicas permanecem.
✕ É difícil fixar artigos pesados nas paredes.
✕ A área das divisões torna-se mais reduzida.
✕ É necessário alterar a posição das
molduras das portas e das janelas,
bem como dos interruptores e tomadas eléctricas.
✕ Pode haver condensação entre a parede e o painel isolante se esta tarefa
não for devidamente executada.
Parede exterior
Isolamento
Barreira Contra o Vapor
Tijolo
Reboco
Caixa-de-ar
pavimento
18
CAPITULO 2 - ENERGIA TÉRMICA
2
isolamento exterior pode ser efectuado em
O
edifícios novos ou já existentes.
O trabalho consiste na aplicação, na face exte-
ISOLAMENTO EXTERIOR
(OU REVESTIMENTO)
rior das paredes, de um painel isolante coberto
por uma superfície de gesso ou calcário reforçado por uma estrutura metálica.
A espessura do material isolante deve ser
escolhida tendo em consideração as condições
climáticas e aplicando-se as leis específicas, no
que diz respeito à energia, vigentes no país em
questão. Para Portugal, a legislação aplicável é
o decreto-lei 80/2007.
Valores típicos (vivenda)
Poupança anual
Custo*
Tempo de reembolso
*
€300-€400
desde €2500
6-7 anos
✓ Um elevado nível de isolamento pode
ser aplicado sem comprometer as dimensões das divisões.
✓ A inércia térmica aumenta, por isso o
edifício permanece quente mesmo algumas horas após os sistemas de
aquecimento terem sido desligados.
✕ É indispensável o emprego de trabalhadores profissionais.
✕ Há uma alteração radical na estrutura
do edifício – é preciso licença da autarquia, sendo impossível de realizar
em edifícios históricos.
✕ O sistema de escoamento de águas
tem de ser alterado.
✕ O tempo de aquecimento das paredes
é lento.
O custo é insignificante, se a reformulação da fachada
do edifício já estiver programada e considerando o
tempo de vida do edifício de 50 anos.
VANTAGENS E DESVANTAGENS DO ISOLAMENTO EXTERIOR:
✓ Grande redução dos custos com o
aquecimento e com o arrefecimento.
✓ Eliminação das pontes térmicas e dos
fenómenos de condensação.
Parede Externa
Cola
Isolamento
Tela
Rede
Argamassa
Acabamento
finitura
CAPITULO 2 - ENERGIA TÉRMICA
19
2
empre que é possível, a inserção de isoS
lamento nas caixas-de-ar é uma técnica
amplamente difundida. Logo que o isolamento
ISOLAMENTO DAS CAIXAS-DE-AR
térmico é colocado no interior das paredes, ficará praticamente inacessível. Por esta razão,
é indispensável escolher um produto com bom
desempenho no que diz respeito à duração e
aos comportamentos térmicos a longo
prazo.
É possível preencher as cavidades
das paredes com um painel de
isolamento (poliestireno expandido
ou extrudido) ou argila expandida.
Outros tipos de parede necessitam de
uma análise mais detalhada para se fornecer uma possibilidade de intervenção eficaz.
20
CAPITULO 2 - ENERGIA TÉRMICA
2
pavimento de uma divisão aquecida em
O
contacto com uma divisão inferior não
aquecida (por exemplo uma cave ou garagem)
ISOLAMENTO DE PAVIMENTOS E TECTOS
PARA ZONAS NÃO AQUECIDAS
perde uma grande quantidade de calor. Aplicando um bom isolamento na superfície inferior
do soalho evitará a condensação e evitará a
troca de calor entre espaços.
O isolamento, devido à sua baixa condutividade
térmica, que consiste na capacidade de um
material transferir o calor, torna a temperatura
da superfície muito próxima da temperatura
ambiente na divisão, evitando a perda de calor
e melhorando o conforto. O isolamento também
fornece uma boa resistência à difusão de vapores, impedindo os fenómenos de condensação
e limitando a propagação de ruídos.
Tijolo Exterior
Isolamento
Betão
Tijolo Furado
Isolamento
Pavimento
Tela Drenante
Soalho
Isolamento
CAPITULO 2 - ENERGIA TÉRMICA
21
2
U
ma cobertura tecnicamente funcional, deve
desempenhar de uma forma eficaz e duradoura a função de proteger a habitação do
efeito dos agentes ambientais exteriores e garantir o conforto da habitação.
ISOLAMENTO DA COBERTURA
A cobertura é o elemento mais sensível ao
calor numa habitação, por isso torna-se pertinente isolá-lo convenientemente, sendo
imprescindível efectuar esta acção quando estiver pensada alguma intervenção neste elemento.
Os tipos de coberturas mais comuns são:
► A cobertura plana
► A cobertura inclinada com sótão não
habitável
► A cobertura inclinada com sótão
habitável
O isolamento de uma cobertura plana constitui
uma intervenção delicada que necessita de
atenção quanto a uma impermeabilização rigorosa e à pavimentação da superfície superior
(se a cobertura for acessível).
No caso de uma cobertura inclinada com sótão
não habitável, é conveniente colocar o isolamento no pavimento do sótão. Trata-se de uma
intervenção económica e simples, isto é, é possível colocar placas isolantes de 8-10 cm de
espessura.
Numa cobertura inclinada com sótão habitável,
o isolamento deve ser colocado em paralelo à
inclinação na parte inferior da cobertura. É possível fixar painéis na cobertura interior, prestando atenção à posição da barreira de vapor
para evitar a condensação.
O isolamento de uma cobertura pode determinar uma redução de custos com o aquecimento
de cerca de 20%.
Rede Anti-Insectos
Telha
Cume Ventilado
Telha Plana
Separador
Impermeabilizante
Painel Isolante
Betonilha
Rede
anti-insecto
22
CAPITULO 2 - ENERGIA TÉRMICA
2
A
cobertura verde proporciona uma oportunidade para estabelecer o equilíbrio nas relações entre os espaços verdes e as áreas
construídas. É uma tecnologia natural que explora a cobertura dos edifícios permitindo aos
mesmos, benefícios térmicos nos espaços adjacentes.
As coberturas dos edifícios quando revestidas
com material vegetal, promovem um conjunto
vasto de funções, contribuindo significativamente para a melhoria do clima urbano, o aumento da área de zona verde/habitante, a
instalação de áreas privadas ou públicas de socialização e recreio, melhor isolamento térmico
e acústico dos edifícios e prologam a vidas dos
materiais utilizados na impermeabilização e isolamento.
Quando se implementam jardins nas coberturas dos edifícios, está-se a promover a redução
do consumo energético, a preservação dos recursos naturais (solo, fauna, flora, combustíveis
COBERTURAS VERDES OU AJARDINADAS
fósseis), a redução da produção de resíduos
(prolonga a vida dos materiais havendo um número menor de desperdícios), a melhoria do
sistema de drenagem de águas pluviais e a
contribuir para o verde contínuo em espaço urbano.
As coberturas verdes são classificadas segundo duas categorias, as coberturas verdes
intensivas e as coberturas verdes extensivas.
Estas duas categorias diferem entre si não
pelas suas características técnicas mas sim
pelos objectivos que se esperam implementar
ou alcançar.
A cobertura verde extensiva emprega uma vegetação já com um grande grau de desenvolvimento, com boas características de
auto-regeneração e que requerem pouca manutenção. O sistema é projectado de modo que
o abastecimento de água e de elementos nutritivos seja feito, tanto quanto possível, através
de processos naturais, apenas após o segundo
Vegetação
Solo
Tela Filtrante
Elemento drenante
(acumulação de água)
Acumulação de
nutrientes)
Anti-raiz (protecção
mecânica)
CAPITULO 2 - ENERGIA TÉRMICA
23
2
ano de vida, requerendo uma manutenção de
pelo menos duas vezes por ano.
A espessura total do sistema é inferior a 150mm.
O custo de investimento e de manutenção são
reduzidos e por isso pode ser aplicado numa
grande área da cobertura sendo, também
possível, reaproveitar materiais inertes como o
cascalho.
Dado o seu peso total, este tipo de coberturas
verdes podem também ser implementadas em
coberturas inclinadas.
As coberturas verdes intensivas podem ter
espessuras até 500 mm e por isso permitem o
crescimento de vegetação mais rica e mais
alta. Este tipo de coberturas já exige uma
manutenção mais frequente e exige também
um sistema de irrigação. Os custos de
investimento e de manutenção são maiores e
podem ser implementados apenas em
coberturas em terraço (inclinação máxima de
3%).
24
CAPITULO 2 - ENERGIA TÉRMICA
2
s portas e as janelas apresentam componenA
tes térmicos fracos e devem ser instaladas
com algum cuidado e critério. Se tivermos muitas
PORTAS E JANELAS
janelas numa divisão, haverá um arrefecimento
excessivo no Inverno e um sobreaquecimento no
Verão e se não estiverem bem isoladas, serão
responsáveis por uma grande quantidade de
transmissão de calor.
As janelas de elevada eficiência, se forem devidamente instaladas, são uma excelente forma de
reduzir os custos associados com o aquecimento
e o arrefecimento e melhoram significativamente
o conforto térmico da habitação.
Apesar do tempo de retorno do investimento da
substituição de janelas e portas não ser muito reduzido, a colocação deste equipamento é bastante fácil não causando grandes incómodos aos
residentes da habitação.
s principais componentes das janelas são o
O
vidro e o caixilho. As janelas de vidro simples
são muito baratas, mas apresentam fraca eficiência
JANELAS NOVAS
energética. Os critérios de poupança energética indicam como as melhores janelas, as janelas de
vidro duplo ou triplo com caixilhos de PVC ou de
madeira, ainda que os caixilhos de madeira necessitem de maior manutenção, especialmente se as
janelas estiverem expostas a Sul.
O tempo de reembolso de investimento neste tipo
de janelas é de cerca de 5-6 anos.
A mudança das janelas deve ser realizada por um
profissional qualificado para reduzir as falhas devidas a uma má instalação.
A alteração de janelas de edifícios históricos pode
estar sujeita a licença das autoridades competentes.
TIPOS DE JANELAS DE ELEVADA
EFICIÊNCIA:
Vidro duplo e triplo
O principio do vidro duplo ou triplo, permite obter
um melhor isolamento e consiste em encerrar
entre dois/três vidros uma câmara de ar de modo
a limitar as trocas térmicas por convecção e aproveitar a baixa condutividade térmica do ar.
O número de vidros, a sua espessura e a espessura do espaço entre eles afecta bastante a capacidade de isolamento. A típica janela de vidro
duplo apresenta os seguintes valores (vidro-arvidro): 4-6-4 mm ou 6-8-6 mm.
Quanto mais espessos forem os vidros, menor é
a transmissão de calor.
Vidros de baixa emissividade
De modo a melhorar o isolamento térmico, é necessário diminuir as transferências térmicas por
radiação que pode ser efectuadoo utilizando um
vidro com película de baixa emissividade.
Vidro com preenchimento de gás
Para reduzir as transferências de calor por condução e convecção, pode-se substituir o ar que se
encontra entre os vidros por um gás mais pesado
como o árgon, o cripton ou o xénon. Estes gases
transmitem muito menos calor do que o ar.
Caixilhos com corte térmico
O comportamento térmico de uma janela depende por sua vez das características do vidro,
da caixilharia e do material de junção entre estes
dois componentes. A escolha deste material é determinante para o comportamento térmico do
conjunto. Em regra geral são utilizados perfis intercalares metálicos (mesmo em janelas de PVC)
devido às suas performances mecânicas, apesar
dos inconvenientes de estes criarem pontes térmicas importantes à volta do vidro. A utilização de
materiais plásticos rígidos permite reduzir as pontes térmicas, melhorando em cerca de 10% o isolamento da janela e reduzindo
consideralvelmente os riscos de condensação.
Dispositivos isolantes entre os caixilhos e
as paredes
O uso de borracha como isolante permite o preenchimento dos espaços vazios, reduzindo a
perda de calor e a passagem do ar.
Substituição de portas
Para portas que tenham envidraçados, as recomendações acima descritas também se aplicam neste caso. Quanto à parte opaca, existem
portas que contêm isolamento que reduz em
muito as perdas térmicas.
CAPITULO 2 - ENERGIA TÉRMICA
25
2
estufa solar é uma área fechada, separada
A
do exterior por paredes transparentes, que
podem, em alguns casos, abrir-se. A cobertura
ESTUFAS SOLARES
pode ser transparente ou opaca, dependendo
da latitude ou das necessidades térmicas.
A estufa combina as características do ganho
térmico directo com as das paredes usadas
como dispositivos de armazenamento de calor.
Com efeito, é directamente aquecida pelos
raios solares, que funcionam como um sistema
de aquecimento directo e em seguida transfere
o calor para as paredes próximas que se tornam um sistema de acumulação de calor. A radiação solar é absorvida pelas paredes,
transformada em calor e parcialmente transferida para o edifício.
A estufa deve estar orientada na direcção Sul
para receber o máximo ganho térmico durante
o Inverno. Deve ser ventilada e coberta no
Verão para evitar o sobreaquecimento de modo
a que possibilite a troca do ar quente do interior
pelo ar mais fresco do exterior.
Verão-Dia
Sol
A estufa também é designada por “jardim de Inverno”, contendo plantas que contribuem para
o aumento da qualidade do ar e para a regulação da humidade interior. É útil escolher plantas de folha caduca de modo a aumentar a
radiação durante o Inverno e a sombra durante
o Verão e assim reduzir o sobreaquecimento.
A cobertura da estufa é a componente mais delicada: as superfícies horizontais recebem
muita radiação solar durante a estação quente
e por isso devem ser cobertas e, se possível,
ter a possibilidade de serem abertas.
Para garantir um bom comportamento térmico
para este sistema é aconselhável aplicar vidros
duplos, enquanto a cobertura deve ser construída com vidro muito resistente.
A estrutura pode ser constituída por vários materiais, tal como acontece para as janelas. Para
reduzir as perdas térmicas e a condensação é
aconselhável usar estruturas com corte
térmico.
Sol
Inverno-Dia
Ar Quente
Calor
Ar Frio
Inverno Noite
Verão-noite
Calor
Ar Quente
Ar Frio
26
CAPITULO 2 - ENERGIA TÉRMICA
Calor
2
SISTEMAS DE AQUECIMENTO
m sistema de aquecimento é constituído por três componentes principais: o sistema que proU
duz o calor, os sistemas de dissipação (radiadores, ventiladores, pavimento radiante) e o sistema de regulação. Cada um destes constituintes tem o seu peso na eficiência média e nos
TIPOS DE SISTEMAS
consumos energéticos.
Sistemas de aquecimento podem ser divididos em três tipologias diferentes:
1. Sistemas de aquecimento central que utilizam caldeiras de água quente e emissores de
calor (habitualmente radiadores ou convectores).;
2. Outros sistemas de aquecimento central, tais como aquecimento por ar quente;
3. Aquecedores individuais (termoacumuladores eléctricos, radiadores a óleo).
Se vai adquirir um sistema de aquecimento ou substituir o antigo é aconselhável pensar em mudar
para um que use um combustível económico e amigo do ambiente. Outros factores importantes
que deve ter em conta são:
► A eficiência do sistema de aquecimento;
► A quantidade de calor que a habitação necessita para manter-se com temperaturas confortáveis (que serão maiores nas habitações mais amplas e mal isoladas);
► A existência de um sistema automático de regulação;
► As actividades realizadas no interior do edifício.
Sistemas de aquecimento central com caldeira
Existem três tipos principais de aquecimento central com caldeira:
1. Sistemas com caldeira e com acumulação de águas quentes sanitárias;
2. Sistemas com caldeira de aquecimento instantâneo de águas sanitárias e aquecimento
ambiente;
3. Sistemas com caldeira e termoacumulador.
As caldeiras com acumulação de água são normalmente usadas em habitações grandes; as caldeiras com aquecimento instantâneo e aquecimento ambiente são geralmente usadas em habitações pequenas ou apartamentos grandes porque ocupam pouco espaço. As caldeiras funcionam
predominantemente a gás natural, gasóleo ou gás de petróleo liquefeito (GPL). Algumas caldeiras
eléctricas encontram-se disponíveis no mercado mas não são recomendadas pelo seu elevado
consumo energético. O mercado também oferece caldeiras a biomassa que sendo mais caras, poderão ser uma opção bastante interessante economicamente quando da disponibilidade deste tipo
de combustível.
As caldeiras existentes no mercado são:
CAPITULO 2 - ENERGIA TÉRMICA
27
2
TIPO DE CALDEIRAS
ste tipo de caldeira está ultrapassada e o
E
seu problema é a temperatura constante da
água, regulada geralmente para valores eleva-
A) CALDEIRAS CONVENCIONAIS DE
TEMPERATURA CONSTANTE
dos (70-80°C). Uma válvula misturadora inserida no circuito hidráulico mantém a
temperatura da água elevada dentro da caldeira para evitar problemas de condensação. A
temperatura elevada é responsável pela grande
perda de energia nas tubagens e aumenta o
desperdício de energia quando a caldeira é
desligada. Este tipo de caldeira tem muitos ciclos “ligado/desligado”, aumentando as perdas
devido à carga câmara de combustão. O conjunto destes factores, diminuem a eficiência
média, mesmo que as caldeiras apresentem
uma boa eficiência de combustão.
s caldeiras de temperatura variável permiA
tem valores elevados de eficiência média
graças ao estabelecimento de uma temperatura
B) CALDEIRA DE TEMPERATURA VARIÁVEL
regulável, de acordo com as necessidades
energéticas.
Deste modo, mesmo funcionando com cargas
parciais, a caldeira funciona segundo uma eficiência nominal, sem produzir mais calor do
que o pretendido, aumentando a eficiência global. Temperaturas baixas significam menos dissipação do calor nas tubagens e aumento da
eficiência de emissão dos radiadores. Geralmente, as caldeiras apresentam um queimador
modulante, com uma regulação contínua na relação ar-combustível.
s caldeiras de condensação distinguem-se
das tradicionais pela sua capacidade de reA
cuperarem calor dos produtos de combustão a
C) CALDEIRA DE CONDENSAÇÃO
partir do calor sensível (energia térmica recuperável pelo arrefecimento dos gases de combustão sem mudança de fase) do vapor de água e
do calor latente (ou de condensação – energia libertada pela passagem do vapor de água contidos nos gases de combustão a estado líquido).
28
O calor recuperado é reutilizado na caldeira
para o processo de aquecimento, obtendo-se
assim uma redução das perdas. Este tipo de
caldeiras são sempre mais eficientes que as
tradicionais.
Poupanças consideráveis são conseguidas
quando se substituem caldeiras com mais de
15 anos. Uma nova caldeira com regulador de
temperatura adequado, pode reduzir o custo do
combustível em 20-25%.
As principais características de uma caldeira de
condensação são:
► São adequadas para a grande maioria
das habitações (moradias ou apartamentos);
► É o tipo de caldeira mais eficiente;
► A eficiência continua elevada mesmo
quando opera a baixo nível, como é o
caso no Verão em que o consumo de
água quente é menor;
► É frequente aparecerem pequenas nuvens de vapor de água produzidas
pelos gases de combustão – indicando
que a caldeira está a funcionar de
forma eficiente.
As caldeiras de condensação estão geralmente
associadas a radiadores ou a um sistema de
pavimento radiante.
Os radiadores têm as seguintes vantagens:
► São uma solução económica;
► Têm uma fácil manutenção;
► A sua regulação é fácil e eficiente.
O pavimento ou parede radiante é:
► Esteticamente agradável;
► Necessitam de pouca manutenção;
CAPITULO 2 - ENERGIA TÉRMICA
2
► Proporciona um aquecimento contínuo;
► Pode haver dificuldades na manutenção, se ocorrerem problemas.
As caldeiras de condensação apresentam um
melhor desempenho se funcionarem numa
gama de temperatura entre os 25°C e os 40°C.
Assim, a aplicação mais eficaz é a caldeira de
condensação com um sistema de baixa temperatura como pavimento/parede radiante. Se quiser utilizar os radiadores convencionais é
preferível utilizar uma caldeira com temperatura
variável
termo biomassa define um variado conO
junto de matéria orgânica, de origem vegetal ou animal, ou ainda de resíduos resultantes
D) CALDEIRAS A BIOMASSA
da transformação natural ou artificial dessa matéria, susceptíveis de serem aproveitados para
fins energéticos.
As emissões de CO2 provenientes da queima
de biomassa para a produção de energia são
consideradas neutras, porque durante o ciclo
de vida dos resíduos florestais, estes absorvem
o CO2 da atmosfera na mesma proporção que
é libertado no processo de combustão.
De qualquer forma, se analisarmos o ciclo de
produção de biomassa para combustão, construção e manutenção da caldeira etc., podemos
constatar que a caldeira a biomassa não está
isenta de emissões, mas de qualquer modo, a
emissão de dióxido de carbono é mais baixa do
que nos sistemas em que são usados combustíveis fósseis.
As caldeiras a biomassa sólida podem dividir-se em três grupos, tendo em conta o estado
do combustível utilizado:
► Caldeiras a lenha;
► Caldeiras a estilha;
► Caldeiras a briquetes.
A caldeira a lenha deve ser alimentada com
combustível uma ou duas vezes por dia. Os
melhores modelos produzem baixa quantidade
de cinza e permitem uma combustão completa
dos pedaços de madeira. A forma particular
deste tipo de caldeira exige um termoacumulador para obedecer às necessidades de aquecimento dos utilizadores.
As caldeiras a estilha são as mais versáteis,
apesar de ser mais complicado a obtenção da
estilha e o seu nível de humidade ser bastante
elevado, comprometendo a eficiência da combustão. Este tipo de caldeiras são automáticas
sendo necessário um silo para armazenar o
combustível.
As caldeiras a briquetes são cómodas e automáticas no entanto, são um pouco mais dispendiosas. Os briquetes são pequenos cilindros
feitos de madeira moída e compactada. O nível
de humidade é baixo e a forma permite o seu
armazenamento em pequenos espaços. As briquetes possuem um maior poder calorífico em
relação à estilha. Para além disso, devido a um
melhor controlo da combustão é necessária
uma menor manutenção.
Em qualquer caso, para reduzir as emissões
provocadas pelo transporte, as caldeiras a biomassa são mais indicadas nas áreas rurais,
uma vez que a matéria-prima está próxima do
local de consumo.
E) BOMBAS DE CALOR
Estes sistemas apresentam custos de funcionamento semelhantes aos da caldeira de condensação a gás.
► A sua instalação é cara, mas é eficaz
quando o gás não está disponível;
► É muito eficaz para habitações em que
haja uma grande exigência de energia
térmica – consequentemente, medidas
para melhorar a eficiência energética da
habitação devem ser implementadas;
► Os custos de manutenção são também
mais baixos do que os sistemas con-
CAPITULO 2 - ENERGIA TÉRMICA
29
2
vencionais a gás.
► As bombas de calor podem igualmente
ser usadas para arrefecimento e
podem fornecer a água quente para a
habitação.
Oprincípio de funcionamento de uma bomba de
calor baseia-se numa máquina frigorífica alimentada a energia eléctrica. Este tipo de equipamentos transfere o calor de um ambiente a
temperatura mais baixa para um ambiente a
temperatura mais elevada.
O COP (“Coefficient of Performance” ou Coeficiente de Desempenho) representa o rácio
entre a energia térmica (calor ou frio) fornecida
por uma bomba de calor (ou um equipamento
de refrigeração) e a energia eléctrica consumida pelo sistema. Quanto maior for o COP,
mais eficiente será o sistema.
As bombas de calor podem alcançar um coeficiente de desempenho de três ou mais. Isto significa que para obter 3 kWh de energia
térmica, o compressor consome 1 kWh de
energia eléctrica.
Os equipamentos mais eficientes para climatizar um espaço, são as bombas de calor, já que
a reversibilidade lhe dá uma flexibilidade de utilização sazonal com elevado rendimento. Dentro deste tipo de equipamentos, escolha
sempre o que tiver um COP mais elevado, já
que quanto maior for o COP, mais eficiente
será o sistema.
As bombas de calor fornecem mais energia do
que aquela que consomem, através da extracção do calor do meio em que está instalada.
Dependendo das fontes de calor, os sistemas
designam-se por:
► água-água, em que o calor é transferido
para a água a partir de outra fonte de
água aquecida (i.e. um rio, um poço);
► água-ar, em que o ar é aquecido pela
extracção do calor da água;
► ar-ar, em que o ar é aquecido através
30
da extracção do calor do ar;
► ar-água, em que a água é aquecida
extraindo o calor do ar;
► terra-água, em que a água é aquecida
pela extracção do calor do solo;
► terra-ar, em que o ar é aquecido através da extracção do calor do solo
bomba de calor geotérmica é uma bomba
A
de calor que usa como fonte o calor presente na terra em profundidade.
BOMBA DE CALOR GEOTÉRMICA
O princípio de funcionamento baseia-se no
facto de que, enquanto o ar e a superfície da
terra têm, durante as estações do ano, uma
grande variação de temperatura, a terra a partir
dos três metros de profundidade e a água dos
lençóis freáticos ou dos poços, apresentam variações mínimas e, consequentemente, nos
meses de Verão são mais frescas e, no Inverno, são mais quentes.
Esta diferença de temperatura é explorada
usando sondas geotérmicas, que descem verticalmente no solo ou deslizam numa superfície
horizontal a poucos metros abaixo no nível da
terra, de forma a captar o calor e a passá-lo
para a bomba.
A bomba, alimentada a energia eléctrica, utiliza
o calor para aquecer (ou no Verão, para refrescar) a água ou o ar.
Os COP das bombas de calor geotérmicas são
geralmente muito elevados e permitem uma notável poupança energética. Habitualmente o
funcionameno de uma bomba de calor geotérmica permite poupar de 50% a 75% relativamente ao aquecimento a GPL.
As desvantagens de um sistema deste tipo são,
principalmente:
► elevados custos de instalação (mas
que são reembolsados num período
relativamente curto);
CAPITULO 2 - ENERGIA TÉRMICA
2
► necessidade de trabalhos de perfuração
► oportunidade de ligar à bomba de calor
a sistemas de emissão térmica a
“baixa temperatura” (não radiadores,
mas pavimentos e paredes radiantes
ou ventiloconvectores);
► necessidade de verificar se o subsolo
ou as águas subterrâneas estão interligadas;
► necessidade de uma análise preliminar
do solo para se ter noção dos custos
de perfuração.
As vantagens, para além da poupança
energética, são:
► nenhum impacto visual;
► menor manutenção em comparação
com uma caldeira tradicional (não é
necessária a manutenção anual, controlo de fumos, etc.);
► ausência de chaminé;
► reversibilidade da bomba (a bomba de
calor pode aquecer água ou ar no Inverno e no Verão arrefecer o ar).
Os sistemas mais comuns para aproveitar o
calor do subsolo com bombas de calor são: as
sondas geotérmicas, captação e re-injecção da
água nos poços e as serpentinas no terreno.
A
profundidade a que chegam as sondas
geotérmicas vai dos 50 aos 350 metros,
em função do tipo de terreno e da potência de
captação da sonda. É importante analisar o terreno antes de perfurar; deste modo, pode-se
calcular os custos de perfuração e a quantidade de energia necessária para a captação.
As sondas actuam em tubos de diâmetro relativamente pequeno (o diâmetro total de uma
sonda, que compreende os dois tubos de ida e
de volta) de menos de 30 centímetros.
AS SONDAS GEOTÉRMICAS:
Sistemas para captar águas subterrâneas:
Uma forma eficiente de tirar partido de uma
fonte geotérmica é usar o calor (ou o frio) contido na água de um lençol freático ou de um
poço. Os custos de instalação são bastante reduzidos (no caso de um poço, nem sequer é
necessária a perfuração) e como fluido térmico
pode-se usar directamente a água captada.
É igualmente verdade que, para encontrar um
lençol freático, é possível que os custos subam
devido à perfuração geotérmica, mesmo que o
mesmo seja encontrado a profundidades reduzidas de vinte ou trinta metros, visto que são
necessários estudos preliminares.
rata-se da forma absolutamente mais ecoT
nómica de usar a geotermia. As serpentinas
são constituídas por uma série de tubos dispos-
SERPENTINAS
tos numa superfície horizontal a poucos metros
de profundidade.
ara além dos sistemas em que é a água
P
quente que distribui o calor para o interior
do edifício, existem sistemas que tiram partido
F) SISTEMAS DE AR QUENTE
do ar, que com condutas fixas, transportam o
calor para o interior de todas as divisões, garantindo também a ventilação necessária ao
conforto termo-higrométrico.
A fonte de energia para estes sistemas pode
ser o gás natural, GPL, ou o gasóleo para o
aquecimento, existindo alguns modelos que utilizam a energia eléctrica.
Para os sistemas a gasóleo, os gases de combustão aquecem directamente um distribuidor de
calor fornecendo energia térmica ao ar.
Aqueles que operam a electricidade acumulam
o calor de noite, que posteriormente cedem durante o seu funcionamento, desfrutando das
vantagens do tarifário bi-horário.
m apartamento pequeno e bem isolado
Upode
não necessitar de um sistema de
G) AQUECEDORES COMUNS
CAPITULO 2 - ENERGIA TÉRMICA
31
2
aquecimento central: um ou dois aquecedores
eficientes podem ser adequados. Os aquecedores de ambiente podem também proporcionar calor adicional, complementando o sistema
de aquecimento principal.
Para ajudar a controlar o nível de aquecimento
em áreas diferentes (isto é, a sala de estar ou o
quarto de dormir), os aquecedores devem ser
programados para o tempo e para a temperatura pretendidos.
Aquecedores a gás natural, directamente aplicados na parede:
► Aquecedores convectores de parede.
► Geralmente requerem uma chaminé
adequada, por isso são aplicados
numa parede exterior.
► Pode-se instalar um sistema completo
em cada divisão.
► São muito eficientes para um aquecedor de ambiente – normalmente apresentam uma eficiência de 70%.
Convectores radiantes
► Fornecem calor radiante e convectivo.
► Apresentam um efeito de fogo decorativo. Produzem muito pouco calor e o
seu uso é principalmente decorativo
► O efeito de fogo é parcialmente instalado dentro da lareira e as chamas são
geralmente abertas. São habitualmente 40 a 70% eficientes, dependendo do modelo.
Aquecedores a gás
► Apresentam elevados custos de funcionamento.
► Apresentam um elevado risco de condensação através da produção de
vapor de água (cerca de 1kg de água
por quilograma de gás líquido).
32
Aquecedores eléctricos
► São 100% eficientes, mas com custos
muito elevados quando funcionam
com um tarifário normal.
► Os aquecedores a óleo devem funcionar com tarifários económicos de energia eléctrica, sempre que possível.
► Os acumuladores de calor eléctricos
têm custos muito elevados, mas tornam-se um equipamento interessante
quando associados à tarifa bi-horária.
Com esta opção, este tipo de equipamentos consumem energia eléctrica
durante a noite, no período económico, e dissipam a energia térmica durante o dia.
Lareiras e fogões a lenha
► É necessária uma área de armazenamento para a lenha.
► Devem-se usar nas lareiras recuperadores de calor que controlam a combustão através da regulação de ar.
► Equipamentos de combustíveis múltiplos podem funcionar com antracite,
carvão vegetal, lenha ou carvão sintético e briquetes.
► Queimar madeira a partir de uma fonte
sustentável produz emissões de CO2
mais baixas.
► Os fogões a lenha podem incluir uma
caldeira para proporcionar aquecimento e água quente.
► As lareiras abertas requerem a instalação de dispositivos de controlo da
quantidade de ar que é retirado da divisão, o que melhorará a sua eficiência
(as menos eficientes).
CAPITULO 2 - ENERGIA TÉRMICA
2
s sistemas de produção e distribuição de calor são usualmente classificados pelas seguintes
Otipologias:
SISTEMAS DE DISTRIBUIÇÃO DE CALOR
► Aquecedores (designados também por radiadores ou convectores) e placas radiantes;
► Termoconvectores e ventiloconvectores;
► Painéis radiantes: no pavimento (muito usados), na parede, no tecto.
quecedores (radiadores ou convectores)
A
Os equipamentos radiantes têm a função de
emitir para a atmosfera o calor produzido na
caldeira e transmitido através da rede de distribuição (rede hidráulica que liga a caldeira aos
radiadores), trocando calor com o ar.
O aquecedor é a parte final do sistema e varia
entre os radiadores ou convectores com elementos verticais (em ferro fundido, em aço ou
liga de alumínio) às placas radiantes.
s radiadores em ferro fundido caracteriO
zam-se por uma durabilidade quase ilimitada e são particularmente bons em divisões
que apresentam um uso contínuo do sistema
de aquecimento, visto que aquecem lentamente, mas mantêm o calor durante muito
tempo (têm uma elevada inércia térmica). Os
radiadores de aço estão disponíveis em modelos simpáticos, do ponto de vista estético, e têm
uma óptima produção térmica, contudo, estão
sujeitos a perigo de corrosão, o que limita a sua
durabilidade. Finalmente, os radiadores de alumínio caracterizam-se por uma boa resistência
à corrosão mas, devido a um peso menor e a
uma baixa inércia térmica aquecem rapidamente e deixam igualmente de aquecer logo
que o sistema é desligado.
Pelo contrário, as placas radiantes não são
constituídas por elementos modulares, mas por
um único bloco, em aço ou por vezes em ferro
fundido. Distinguem-se por uma massa menor,
uma menor quantidade de água e por uma fácil
manutenção (limpeza). Este último pormenor
torna-os particularmente bons para o uso em
locais que exigem a máxima limpeza, tais como
escolas, tribunais, hospitais.
posicionamento correcto dos radiadores
O
numa divisão é fundamental para se ter um
bom rendimento térmico do sistema de aqueci-
mento e consequentemente para incrementar a
poupança energética.
É uma boa prática colocar os aquecedores sob
as janelas ou junto às paredes exteriores, de
modo a contrariar o efeito das correntes frias e
para reduzir a diferença de temperatura entre o
tecto e o pavimento. Por razões estéticas, os
radiadores são frequentemente cobertos com
peças de mobiliário ou colocados em reentrâncias da parede, equipadas com um painel frontal para fechar; isto produz uma diminuição do
poder calorífico devido à limitação da circulação do ar e reduz de igual forma a acessibilidade, quando se pretende efectuar a sua
manutenção.
Se o radiador for colocado numa parede exterior (por exemplo, debaixo de uma janela) é
bom inserir, entre a parede e o radiador, um
CAPITULO 2 - ENERGIA TÉRMICA
33
2
painel de material isolante, que pode ser adquirido nos estabelecimentos comerciais e apresenta uma superfície reflectora específica com
o propósito de dirigir o calor para o interior.
ntes de ligar o sistema, é boa prática fazer
A
uma manutenção cuidadosa dos elementos
de aquecimento, eliminando o ar que se encon-
tra no seu interior através do purgador. É importante verificar a emissão térmica de todos
os radiadores, de modo a obter um sistema
com um bom rendimento. É, consequentemente, importante instalar válvulas termostáticas, que permitem uma melhor regulação da
temperatura ambiente. Estas válvulas, instaladas nos radiadores, estão equipadas com interruptor termoestático que controla o caudal de
água quente em função da temperatura do ar,
obtendo, deste modo, um bom controlo da temperatura em todas as divisões.
s termoventiladores emitem calor ou frio,
O
através de uma serpentina e um ventilador
no seu interior, fazendo recircular o ar, evitando
TERMOVENTILADORES
a formação de zonas não tratadas. Os mais recentes termoventiladores têm um filtro que bloqueia a sujidade, limpando o ar e prevenindo a
inalação de impurezas.
São normalmente usados no ar condicionado
no Verão e no Inverno, considerando o custo limitado, a versatilidade, o baixo peso e a boa
regulação da potência térmica distribuída pelo
equipamento.
Para o Verão é suficiente a instalação de um
pequeno e eficiente sistema de refrigeração de
34
água, tal como, por exemplo, uma bomba de
calor.
O sistema de refrigeração produz a água fria
que alimenta a serpentina, arrefecendo desta
forma o ar e removendo a humidade, pela
acção do ventilador.
A regulação manual do equipamento é levada a
cabo pelo utilizador alterando a velocidade do
ventilador, enquanto o controlo automático é
realizado por um termóstato que liga e desliga
o ventilador. O ventilador que existe no interior
do equipamento é ruidoso e o seu ruído aumenta à medida que o caudal de ar também
aumenta.
uso de termoventiladores é indicado para
O
escritórios e não para habitações devido
às propriedades descritas acima. Em qualquer
caso, para evitar tais desvantagens é bom usar
os termoventiladores equipados com ventiladores axiais. Para além das oportunidades de regulação, uma outra possibilidade de
programação do equipamento consiste no emprego de uma válvula de 3 vias que intercepta
o caudal de água regulado pela temperatura.
Os termoventiladores podem ser instalados em
modelos verticais, no pavimento, e modelos horizontais, no tecto; a escolha prende-se com a
necessidade de evitar que as pessoas fiquem
em posições demasiado expostas ao caudal de
ar e de se obter uma distribuição uniforme da
temperatura.
CAPITULO 2 - ENERGIA TÉRMICA
2
U
Os painéis radiantes são compostos por
superfícies de aquecimento que contêm
tubos em que flúi água quente ou fria, podendo
ser instalados no pavimento, na parede ou no
tecto. Os materiais usados para os paíneis são
o aço, o cobre e, mais frequentemente, o plástico.
A temperatura da água que entra no sistema é
de aproximadamente 45°C. Para os sistemas
instalados no pavimento (pavimento radiante),
o valor limite é de 25-28°C. A regulação independente de cada circuito permite fixar uma
temperatura diferente em cada divisão.
Outra vantagem dos painéis radiantes é a capacidade de dar a sensação de se estar num
ambiente com 22-23°C, enquanto, na verdade,
o termómetro marca 20°C. Para além disso,
apresenta uma importante função de isolamento acústico, que permite absorver os ruídos
PAINÉIS RADIANTES
entre os apartamentos. Uma outra vantagem
de operar a baixa temperatura, é o facto de se
poder conjugar perfeitamente com as caldeiras
de condensação e os colectores solares.
sistema de painéis radiantes mais difunO
dido é certamente o de pavimento (pavimento radiante). Este tipo de pavimento
PAVIMENTO RADIANTE
apresenta diversas vantagens:
► Melhora o conforto térmico, reduzindo
os consumos;
► Aquece e arrefece sem movimentar o
ar;
► Aumenta a superfície utilizável das divisões com um correspondente aumento do valor económico da
habitação (não se desperdiça espaço
para instalar os radiadores);
CAPITULO 2 - ENERGIA TÉRMICA
35
2
► Aquece com menor consumo de energia;
► Dá liberdade para mobilar (as mobílias
podem ser colocadas em qualquer
local);
► É polivalente (pode ser usado no Inverno e no Verão, se o sistema também possuir um dispositivo de
arrefecimento);
► Não levanta poeiras porque não faz
circular o ar, visto que funciona por
efeito de irradiação. Evitando assim, a
típica movimentação do ar provocada
pelos sistemas de ar condicionado e a
pintura periódica das manchas criadas
pelos radiadores;
► Se usado para arrefecimento, consome menos energia eléctrica do que
um “split” normal.
36
recomendável o uso deste sistema acoO
plado a uma caldeira de condensação.
Muitas pessoas possuem recordações negati-
vas desta tecnologia, porque foi usada em muitos apartamentos de luxo nos anos 60-70 com
alimentação de água quente (60-70 graus em
vez dos actualmente recomendados 28-29)
proveniente dos sistemas centrais de aquecimento, sem controlo rigoroso da temperatura.
O calor excessivo do pavimento provocava
dores nas pernas (e varizes), levantamento do
pó e consequente sensação de mal-estar. Hoje
em dia, o sistema tem um controlo eficiente da
temperatura da água de modo a reverter a situação e a fornecer um dos sistemas de aquecimento mais confortáveis disponíveis no
mercado.
CAPITULO 2 - ENERGIA TÉRMICA
2
or contabilização entende-se a medição
P
do consumo da energia térmica, de modo
directo ou indirecto, somando a quantidade de
CONTABILIZAÇÃO E CONTROLO TÉRMICO
energia emitida pelos equipamentos de aquecimento individuais.
A regulação de um sistema térmico representa
a totalidade das operações que são necessárias para obter e manter o conforto no interior
da habitação, controlando a temperatura ambiente mediante a temperatura exterior. Consequentemente, através de um sistema de
regulação é possível controlar todas as operações do sistema. Nalguns sistemas é também
possível regular o funcionamento da caldeira
com base na temperatura exterior.
Os equipamentos de aquecimento deverão ser
dotados de um
sistema de controlo autónomo
com termóstato,
que permita interromper o fornecimento de
energia quando
a temperatura
no local atinge a
temperatura pré-seleccionada.
Para além do
termóstato, o
sistema de controlo deverá também ser dotado de um relógio,
permitindo assim programar os períodos do dia
em que se pretende que o sistema de aquecimento funcione.
Os melhores sistemas são aqueles que estão
concebidos para dividir a habitação em zonas,
por exemplo, dois termóstatos para as zonas
mais frequentadas durante o dia e durante a
noite. Quem não possuir este tipo de sistema,
pode instalar válvulas termostáticas em todos
os radiadores, que regulam a entrada de água
quente em função da temperatura do ar na divisão.
PARA AS PESSOAS QUE
VIVEM EM
CONDOMÍNIO OU APARTAMENTO
ara os sistemas de aqueciP
mento central aplicados em
condomínios, é importante que
a regulação térmica dos apartamentos esteja sempre associada à contagem de calor
emitido, para reduzir perdas devidas ao uso indevido do sistema por pessoas
que não pagam directamente pelos seus maus
hábitos.
O sistema centralizado é muito mais eficiente e
seguro do que um independente. Para além
disso, o sistema centralizado caracteriza-se por
uma eficiência mais elevada do gerador de
calor, que aumenta à medida que aumenta a
potência da caldeira, e por custos de manutenção inferiores, que são divididos entre vários
utilizadores.
A grande desvantagem era a dificuldade de
gestão individual do sistema. Esse problema foi
ultrapassado através da regulação de uma contabilização separada da energia, o que permite
a todos a programação da temperatura desejada e o pagamento da energia consumida.
s exigências cada vez maiores das famílias
A
de poderem gerir individualmente o seu sistema de aquecimento levaram a uma grande di-
O QUE É MELHOR, O SISTEMA AUTÓNOMO OU O CENTRALIZADO?
fusão de sistemas autónomos, fazendo
esquecer todas as vantagens oferecidas pela
tecnologia do sistema central.
Tal como já foi demonstrado, hoje em dia, a autonomia, a eficiência e a segurança podem
coexistir num sistema centralizado, utilizando a
regulação térmica e os contadores de energia.
A contabilização separada realize-se facilmente
quer em sistemas de aquecimento por zonas
(em que é instalado um contador em cada
apartamento), quer em sistemas formados por
colunas modulares que alimentam os
CAPITULO 2 - ENERGIA TÉRMICA
37
2
esquema de um sistema
por zonas ( distribuição horizontal )
esquema de um sistema
por zonas ( distribuição
vertical )
radiadores de vários apartamentos na mesma
posição vertical (instalação de contadores para
cada equipamento de aquecimento).
Em todo o caso é sempre aconselhável seguir
as seguintes sugestões:
1. Seleccionar a temperatura mais baixa
possível na caldeira;
2. Aquecer as divisões do apartamento/moradia de modo autónomo e
de acordo com o uso dado a cada divisão;
3. Aquecer só quando é realmente necessário;
4. Não aquecer o apartamento/moradia a
uma temperatura superior a 20ºC,
visto ser esta a temperatura considerada ideal.
s sistemas de regulação do aquecimento
controlam todo o sistema de aquecimento
O
no que diz respeito à temperatura interior dese-
REGULAÇÃO DOS SISTEMAS DE
AQUECIMENTO
jada em função da temperatura exterior.
Quando a caldeira existente é recente, é conveniente investir num sistema de regulação de
38
elevada eficiência.
uando a caldeira já não é recente, a instaQ
lação deste tipo de sistemas de regulação
poderá ser efectuada em qualquer altura,
sendo o momento mais adequado quando a
caldeira for substituída ou forem efectuados outros trabalhos no sistema de aquecimento.
Poupança anual:
100-120 €
Custo de instalação: cerca de 150€
Tempo de recuperação do investimento:
cerca de 1,5 anos
Um bom sistema de regulação deve incluir:
► Um programador capaz de gerir separadamente o aquecimento e a produção de água quente;
► Termóstatos para diversas divisões da
apartamento/moradia;
► Válvulas motorizadas para satisfazer
as necessidades de aquecimento
Válvulas termostáticas
As válvulas termostáticas são aplicadas nos radiadores e permitem a variação da temperatura
ambiente, reduzindo o caudal da água quente
para o radiador à medida que o termóstato
CAPITULO 2 - ENERGIA TÉRMICA
2
atinge a temperatura programada.
Possibilitam também a definição de temperaturas mais baixas em divisões que são menos
frequentadas, de modo a poupar energia (a
poupança poderá corresponder a cerca de
20%).
de água quente para mais do que uma divisão
do apartamento/moradia. É particularmente eficaz em edifícios de grandes dimensões com divisões sujeitas a exposição solar variada.
Termóstato da temperatura ambiente
Este tipo de termóstato apresenta as seguintes
características:
► Desliga a caldeira e/ou a bomba de
calor quando a temperatura atingiu o
nível desejado;
► Está geralmente situado na sala ou na
entrada, a cerca de 1,5m acima do
nível do pavimento;
► Este tipo de termóstato pode ser combinado com um programador num
único dispositivo designado “termóstato programável”;
► Não deve ser instalado na proximidade
de radiadores, num local arejado ou
soalheiro ou em divisões com aquecimento suplementar (por exemplo, termoventiladores).
Programadores ou temporizador
► O programador permite programar os
períodos de tempo em que aquecimento e água quente são necessários;
► Os temporizadores incluem um relógio
fácil de programar, permitindo o aquecimento dos espaços e da água ao
mesmo tempo ou aquecer apenas a
água e não ligar o aquecimento;
► Os programadores digitais são preferíveis, pois normalmente permitem uma
programação de sete dias, quer para
aquecer o ambiente quer a água.
Regulação por zonas
A regulação por zonas é efectuada através de
uma válvula motorizada que controla o caudal
CAPITULO 2 - ENERGIA TÉRMICA
39
2
consumo de água quente sanitária pode ser
O
responsável por uma grande percentagem do
uso total de energia, especialmente numa habitação
ÁGUA QUENTE
moderna e bem isolada.
Existem várias formas de se obter água quente. As
mais comuns são:
► Depósito de água quente que é indirectamente aquecido por uma caldeira ou sistema de aquecimento com caldeira;
► Uma caldeira a quatro tubos que aquece
directamente a água;
► Termoacumulador eléctrico;
► Sistema solar.
m geral os sistemas que
E
utilizam a energia eléctrica para o aquecimento de
água não são bons quer
ecológica quer economicamente. Por exemplo, para o
aquecimento de 100 litros de
água a 60ºC (o suficiente
para um duche de 10 minutos) são necessários 1kWh
se o aquecimento for a gás, 5 kWh se for aquecimento eléctrico e 8 kWh se o aquecimento for eléctrico e o depósito não estiver bem isolado.
Os depósitos de água quente perdem energia com o
passar do tempo (a água vai arrefecendo) o que
leva a um funcionamento intermitente do sistema de
aquecimento de modo a manter a temperatura num
valor constante, este funcionamento intermitente é
altamente dispendioso e por isso é fundamental que
o depósito de água quente esteja bem isolado, para
reduzir ao mínimo as perdas.
Poupança anual:
aproximadamente €30
Custo de instalação:
a partir de €15
Tempo de recuperação do investimento:
cerca de 6 meses
Deve ter-se em conta que:
► Isolar este tipo de depósito é uma medida
prioritária.
► Estes equipamentos podem ser isolados
em qualquer altura.
► Adicionar um isolamento ao depósito é
uma medida eficaz. Um isolamento aplicado a um depósito que não possui isolamento pode poupar o dobro do seu próprio
custo no primeiro ano.
40
► Qualquer isolamento com menos de
80mm de espessura deve ser actualizado.
xiste no mercado uma grande variedade de isoE
lamentos de diferentes tamanhos. Estes podem
ser aplicados com cintas para se ajustarem à volta
do depósito, o que diminuirá ainda mais as perdas
de calor.
Um bom isolamento do depósito também serve um
outro objectivo que consiste em reduzir a possibilidade de sobreaquecimento no Verão.
Quando necessitar de substituir uma peça defeituosa, por exemplo, um depósito de água quente
com um rotura, deve aproveitar a oportunidade para
substituí-lo por outro de elevado desempenho. Um
depósito de elevado desempenho deverá apresentar as seguintes características:
► Ter 50-80mm de isolamento aplicado em
fábrica.
► Incorporar uma serpentina de elevada eficiência que forneça um aquecimento mais
rápido da água.
► Melhorar a eficiência periódica total do sistema de aquecimento.
Quando se substitui o sistema de aquecimento,
deve ter-se em conta que trocá-lo por uma caldeira
combinada (com depósito) elimina a necessidade de
instalar um novo depósito de água quente.
Quando se substitui um sistema de produção de
água quente sanitária é oportuno instalar também
um sistema electrónico de controlo. Um sistema de
controlo básico permite reduzir o consumo de energia e pode ter:
► Um sistema de programação que permite
controlar o tempo de funcionamento e a
temperatura da água;
► Um termóstato instalado no depósito que
suspenda o fornecimento de energia quando
a água atinge uma determinada temperatura
(recomenda-se cerca de 60º C);
► Uma bomba de alimentação que permita a
optimização da eficiência da permuta térmica.
Para além de isolar a tubagem principal, vale também a pena considerar o isolamento da tubagem secundária, entre o cilindro e as torneiras. Depósitos e
tubagens instalados no sótão devem ser sempre isolados, para evitar o congelamento e o risco de rebentamento.
CAPITULO 2 - ENERGIA TÉRMICA
2
m geral, os equipamentos de ar condicionado consomem muita energia, consequentemente, é
E
necessário usá-los com moderação. Antes de se instalar um sistema de ar condicionado é
bom estudar a possibilidade de melhorar o isolamento térmico para reduzir a transferência de
ARREFECIMENTO NO VERÃO
calor do exterior para o interior. Até porque, uma divisão bem isolada pode não necessitar de ar
condicionado.
Muitas pessoas compram ou usam equipamentos de ar condicionado sem compreenderem a sua
concepção, os seus componentes e os seus princípios de funcionamento. Um dimensionamento,
selecção, instalação e manutenção adequadas, para além de um uso correcto são fundamentais
para um funcionamento eficiente e para a redução geral dos custos.
Um equipamento de ar condicionado é semelhante a um grande frigorífico que refresca o seu
apartamento/moradia.
Se o seu apartamento/moradia já possui uma caldeira, mas nenhum equipamento de ar condicionado, este tipo de sistema é o mais económico quanto à sua instalação.
A
solução mais comum nos equipamentos
de ar condicionado é a modalidade tipo
“split”. Embora esta escolha possa parecer a
mais simples, é efectivamente a menos eficiente e inteligente, visto que devemos sempre
ter presente que o custo de um equipamento
deste tipo é calculado através da soma do
custo de aquisição mais o consumo energético
que ele vai representar.
Por esta razão, a aquisição de um sistema
“split” pode ser mais económica no curto prazo,
mas a longo prazo sairá muito dispendiosa. Se,
por alguma razão não existirem alternativas,
então deve-se adquirir um equipamento de eficiência elevada (apesar de ser mais caro) e
com uma potência superior à necessária, de
modo a evitar o seu funcionamento constante
na potência máxima, visto que esse funcionamento leva a um maior consumo de energia.
Também é fundamental escolher um equipamento equipado com inversor, um dispositivo
que modula a potência
(e consequentemente
o consumo) de acordo
com a necessidade de
arrefecimento.
Existem dois tipos de
equipamentos de ar
condicionado: “split”
interior com compressor exterior ou portátil.
EQUIPAMENTOS
ste é um tipo de equiE
pamento dividido em
duas unidades, uma ex-
“SPLIT” INTERIOR COM
COMPRESSOR EXTERIOR
terna com o compressor e
outra interna onde se
podem encontrar o condensador e o evaporador. Quando se trata de áreas muito grandes,
existe a possibilidade ligar várias unidades internas a apenas uma externa (“multisplit”).
ste tipo de equipamento é constituído por
E
apenas um elemento, sobre rodas, que tem
no seu interior o compressor, o condensador e
AR CONDICIONADO PORTÁTIL
o evaporador. Normalmente, este tipo de equipamentos é muito ruidoso, mas já existem disponíveis no mercado equipamentos mais
silenciosos.
Apesar de portáteis, estes equipamentos necessitam de ter uma janela perto do seu local
de utilização, de modo a ser possível colocar o
tubo de expulsão de ar quente. Outra desvantagem é o seu baixo rendimento, aliás, este tipo
de equipamentos são a pior opção para arrefecer a sua habitação. A sua única vantagem é o
facto de serem portáteis.
CAPITULO 2 - ENERGIA TÉRMICA
41
2
E
ste tipo de equipamento pode ser utilizado
apenas para o aquecimento, mas também
permite proceder ao arrefecimento, visto tratarse de um equipamento reversível. Para conhecer melhor este tipo de equipamentos deverá
consultar o capítulo deste manual dedicado a
eles.
BOMBAS DE CALOR
or arrefecimento solar entende-se a utilizaP
ção da tecnologia de aquecimento solar
(ver capítulo dedicado à Energia Térmica) com
ARREFECIMENTO SOLAR
a adição de dispositivos chamados absorvedores ou adsorsores (muito caros actualmente) de
modo a produzir frio a partir da utilização de
água quente. Podemos considerar que é o
sonho de qualquer pessoa, ser capaz de arrefecer a sua habitação no Verão, utilizando o
calor emitido pelo Sol. Infelizmente, essa tecnologia ainda não está suficientemente madura e
logo ainda não é vantajosa economicamente
(para mais informações sobre esta tecnologia,
poderá consultar a brochura Climatização Solar
disponível para download em: http://ames.linkare.pt//site/pagina.asp?nome=climasol&section=24).
REGULAÇÃO DOS SISTEMAS DE AR
CONDICIONADO
Existem, principalmente, dois tipos de sistemas
de regulação que funcionam nos equipamentos
com base num sensor de temperatura:
► A primeira possibilidade é a menos dispendiosa, mas a mais cara em termos de potência eléctrica e energética: o sistema
funciona na potência máxima e desliga-se
quando a temperatura está abaixo da determina pelo utilizador. Quando a temperatura é de um ou dois graus acima da
temperatura programada, ele liga-se novamente, baixando a temperatura, e assim
sucessivamente. Este é o sistema habitual
e precisa de uma elevada potência para
funcionar, para além de ser pouco eficiente.
► A segunda possibilidade é mais cara, mas
42
não necessita de elevada potência e reduz
o consumo de energia. O sistema de arrefecimento está equipado com dispositivo
inversor electrónico que modula a velocidade de arrefecimento, diminuindo a entrada de energia e mantendo a
temperatura constante. Este sistema também tem a vantagem de reduzir o caudal
de ar frio a partir da máquina, aumentando
o conforto
MANUTENÇÃO DOS
EQUIPAMENTOS DE AR
CONDICIONADO EXISTENTES
s equipamentos mais antigos
O
podem ainda ser capazes de
oferecer anos de uso com relativa eficiência. Todavia, fazer durar o velho
equipamento de ar condicionado requer uma adequada operação de
manutenção.
Problemas comuns
Um dos problemas mais comuns é o
manuseamento indevido. Se o seu equipamento de ar condicionado estiver ligado, certifique-se de que fechou todas as janelas e
portas. Outros problemas comuns resultam de
instalação defeituosa, mau procedimento do
fornecedor e manutenção inadequada.
Uma instalação indevida do equipamento de ar
condicionado pode resultar em fugas na tubagem e caudal de ar reduzido. Muitas vezes, a
carga de líquido refrigerador (a quantidade que
circula no sistema) não corresponde às especificações do fabricante. Se isto acontecer, o desempenho e a eficiência da unidade ficará
diminuída.
Os técnicos de instalação não detectam frequentemente problemas de carga ou até agravam os problemas já existentes, adicionando
líquido a um sistema que já está completamente cheio.
Se o seu equipamento de ar condicionado falhar, normalmente, deve-se a uma das seguintes razões:
► Fuga do líquido refrigerador: se o seu equipamento de ar condicionado apresentar
CAPITULO 2 - ENERGIA TÉRMICA
2
uma carga de líquido refrigerante baixa,
pode dever-se a instalação inadequada ou
a fuga. Se houver fuga, simplesmente adicionar mais líquido não é solução. Um técnico especializado poderá corrigir a fuga,
testar a reparação e recarregar o sistema
com a quantidade correcta de líquido refrigerador. Recorde-se de que o desempenho e a eficiência do seu equipamento
de ar condicionado são elevados quando a
carga do líquido refrigerador corresponder
exactamente às especificações do fabricante;
► Manutenção inadequada: se permitir que
os filtros e as serpentinas do equipamento
de ar condicionado fiquem sujos, o equipamento não funcionará devidamente e o
compressor ou os ventiladores vão, muito
provavelmente, danificar-se precocemente;
► Falha do controlo eléctrico: os controlos
dos ventiladores e do compressor podem
desgastar-se, especialmente quando o
equipamento for ligado e desligado frequentemente. Uma vez que o desgaste
das correias e cabos e dos terminais também representa um problema em muitos
sistemas, as conexões e contactos devem
ser verificados durante uma visita de um
profissional qualificado.
Isolar as tubagens
Um enorme desperdício de energia acontece
quando o ar frio se perde através da tubagem
de alimentação ou quando existe uma fuga de
ar quente na tubagem de retorno. Estudos recentes indicam que 10% a 30% do ar condicionado num sistema médio perde-se nas
tubagens. Para que o equipamento de ar condicionado seja eficiente, a tubagem deve ser hermética.
Manutenção regular
Os filtros, serpentinas e aletas do equipamento
de ar condicionado exigem uma manutenção
regular para que a unidade funcione correcta e
eficientemente ao longo dos seus anos de serviço. Negligenciar a manutenção necessária
garante o declínio do desempenho do equipamento ao mesmo tempo que aumenta o consumo de energia.
CAPITULO 2 - ENERGIA TÉRMICA
43
2
A
VENTILAÇÃO
construção de uma habitação moderna é
hoje em dia muito diferente do que era à
uns anos atrás. A utilização de isolamento térmico de qualidade nas paredes do edifício e a
garantia de manutenção são duas grandes conquistas da tecnologia que nos garantem um
ambiente mais confortável nas nossas habitações, bem como, uma gestão menos onerosa
do conforto interior.
A vida num ambiente completamente isolado
pode revelar-se uma surpresa, devido ao acumular de odores e vapores provenientes da
nossa presença, para além de provocar um
acumular de poluentes como por exemplo o
CO2. Uma das soluções para evitar estes efei-
VENTILAÇÃO NATURAL E MECÂNICA
44
tos nocivos passa por abrir regularmente as janelas, de modo a provocar a renovação do ar
interior. Contudo esta não é a melhor solução,
uma vez que não se adapta ao ritmo de vida
actual e acarreta alguns inconvenientes e desperdício de energia, como sejam:
► Entrada de insectos;
► Entrada de polén durante a Primavera;
► Entrada de folhas no Outono;
► Entrada de ar gélido no Inverno;
► Entrada de ar quente no Verão.
Assim, a presença de um sistema automático
que possibilite a renovação de ar e permita o
seu controlo total é a melhor solução.
CAPITULO 2 - ENERGIA TÉRMICA
2
Concluindo, todas as habitações requerem ventilação pelas seguintes razões:
► Por razões de saúde e conforto dos
habitantes.
► Para garantir o funcionamento seguro
e eficiente dos dispositivos de
combustão (por exemplo, caldeiras a
gás) que extraem o ar de combustão
do interior da habitação.
► Para controlar a condensação através
da remoção do vapor de água.
► Para eliminar outros poluentes e odores.
.
isolamento térmico da envolvente de um
O
edifício é uma qualidade essencial, bem
como, uma condição prévia indispensável para
VENTILAÇÃO MECÂNICA
implementar um bom plano de ventilação. A
ventilação mecânica controlada (VMC) é um
sistema integrado de ventilação que permite a
entrada de ar novo na habitação através de dispositivos colocados nos quartos e salas, sendo
que, as grelhas de extracção estão colocadas
nos locais mais “poluídos”, ou seja na casa de
banho e na cozinha. A transferência do ar novo
entre os quartos, a sala, a cozinha e casa de
banho ocorre através do espaço existente entre
as portas e o pavimento (cerca de 0,5cm). Para
criar este caudal de ar, um sistema de ventilação
utiliza um pequeno ventilador.
CAPITULO 2 - ENERGIA TÉRMICA
45
2
Um sistema de ventilação mecânica mais completo possui a capacidade de efectuar a recuperação de calor. E este deve ser o princípio
orientador para este tipo de tecnologia. Assim,
em vez de deixar que o calor presente nas
salas seja perdido através de janelas abertas,
nos edifícios bem isolados e que disponham de
um sistema de ventilação mecânica completo,
cerca de 80% do calor pode ser mantido no interior do edifício. Ao utilizar um sistema de ventilação mecânica o consumo de energia é cerca
de cinco vezes inferior quando comparado com
o sistema de ventilação natural (abertura de janelas).
O sistema de ventilação mecânica inicia o seu
processo com a aspiração de ar do exterior da
habitação e a sua filtragem (para retirar poeiras
e pólen) através de um microfiltro, depois o ar
exterior passa através de um permutador de
calor, sendo pré-aquecido. Para este pré-aquecimento é utilizado o calor presente no ar que
está a ser retirado do interior da habitação
(aproveitando-se cerca de 80% desse calor).
Por fim, depois de aquecido, o ar é insuflado
nas divisões da habitação através de grelhas
existentes na parede ou no pavimento. Por
outro lado, o ar interior é aspirado da cozinha e
casa de banho e conduzido para o exterior,
passando primeiro pelo permutador de calor.
46
Quando se decide instalar um sistema de ventilação mecânica é necessário considerar os seguintes pressupostos:
► As lareiras e fogões necessitam de um
sistema de alimentação de ar autónomo;
► O ar extraído da cozinha deverá passar primeiro por um filtro de carvão activado e só depois ser enviado para o
permutador de calor antes de ser
libertado para o exterior
Para problemas de condensação, consultar
www.ames.pt
CAPITULO 2 - ENERGIA TÉRMICA
ENERGIA ELÉCTRICA
3
ELECTRODOMÉSTICOS E ILUMINAÇÃO
s electrodomésticos eficientes necessitam de menos energia e, consequentemente, o seu
O
funcionamento é menos dispendioso. Existem provas claras de que os equipamentos domésticos que utilizam a energia de forma mais eficiente nem sempre são mais caros do que equipa-
mentos equivalentes muito menos eficientes. Quando se compra um electrodoméstico, deve-se
verificar a sua etiqueta energética.
E
m 1995, a União Europeia introduziu um
esquema de etiquetas obrigatório para os
equipamentos de uso doméstico, que inclui frigoríficos, arcas congeladoras e combinados.
Este esquema foi alargado, desde então, às
máquinas de secar e de lavar roupa, de lavar
loiça, lâmpadas, fornos eléctricos e equipamentos de ar condicionado. As etiquetas são colocadas sobre estes produtos, que são
apresentados em lojas ou exposições, para
permitir que os consumidores comparem as
suas eficiências.
As etiquetas energéticas mostram a estimativa
dos consumos (com base em resultados de
testes) de energia, que vão de A a G, em que A
é o mais eficiente (para equipamentos de frio,
A++ é o mais eficiente). Um equipamento clas-
ETIQUETAS ENERGÉTICAS
sificado com A usará aproximadamente metade
da energia gasta por um equipamento com a
classificação G.
Todavia, a quantidade de energia eléctrica
gasta dependerá da forma como o electrodoméstico é usado e o local em que está situado.
Por exemplo, um equipamento de frio (um frigorífico) que está colocado na proximidade de um
aquecedor ou forno gastará mais energia do
que um que se encontre situado num espaço
mais fresco, por isso a disposição da cozinha é
importante, no que se refere à eficiência energética.
Actualmente, algumas etiquetas também fornecem informações sobre outros aspectos do desempenho do electrodoméstico, por exemplo, o
desempenho da lavagem, o gasto de água por
ciclo, as rotações (no caso das máquinas de
lavar roupa), o ruído, etc.
CAPITULO 3 - ENERGIA ELÉCTRICA
47
3
ELECTRODOMÉSTICOS
s arcas congeladoras e frigoríficos consomem cerca de um sexto de toda a electricidade da
Ahabitação,
muito mais do que qualquer outro electrodoméstico.
ARCAS CONGELADORAS E FRIGORÍFICOS
CONSELHOS DE AQUISIÇÃO
► Escolha um modelo de classe A++ ou A+;
► Escolha um frigorífico de dimensões apropriadas para as suas necessidades. Quanto
maior o equipamento, maior o seu consumo. Outro factor que aumenta o consumo do
equipamento é utilizá-lo acima da capacidade máxima;
► As arcas congeladoras horizontais são, habitualmente, mais eficientes do que as verticais. Apresentam um isolamento melhor e o ar frio não sai quando se abre a porta;
► Os frigoríficos com função de descongelação automática podem consumir 40% a 50%
mais energia eléctrica do que os modelos isentos dessa funcionalidade.
RECOMENDAÇÕES QUANTO À MANUTENÇÃO
► Uma limpeza semestral do condensador e das serpentinas pode melhorar a eficiência do
equipamento até 30%. Tenha especial atenção para não danificar as serpentinas;
► As portas devem fechar hermeticamente. Para as testar, feche a porta sobre uma folha
de papel e tente puxá-la. Se deslizar facilmente, é necessário substituir a borracha da
porta, para evitar que o ar frio saia, ou considere a compra de uma nova unidade;
► Coloque o frigorífico numa posição afastada de uma potencial fonte de calor e a uma distância mínima de 5 cm da parede, de modo a permitir o correcto funcionamento do condensador;
► Mantenha a temperatura interior do frigorífico entre os 3°C e 5°C. A temperatura de congelação deve ser programada entre os -18°C e os -3°C;
► Desligue arcas e frigoríficos que não estejam a ser usados, para evitar um gasto de energia desnecessário;
► O consumo energético dos frigoríficos que já têm entre 10 a 20 anos pode chegar a mais
60%, comparativamente a um modelo recente.
EQUIPAMENTOS COM AS CLASSIFICAÇÕES A/A+
POUPANÇA MÉDIA ANUAL (/ANO)
Arca congeladora horizontal (A+)
€ 27,00
Frigorífico combinado (A+)
Arca congeladora vertical (A+)
Frigorífico (A+)
Máquina de lavar roupa (A)
Máquina de lavar loiça (A)
48
CAPITULO 3 - ENERGIA ELÉCTRICA
até €36
€ 27,00
€ 18,00
€ 9,00
€ 18,00
3
ctualmente não se atribui uma classificação energética a fornos e fogões de cozinha (à excepção
A
dos fornos eléctricos). Todavia, existem aspectos a considerar na aquisição e funcionamento de um
forno que podem conduzir a uma redução da factura energética (gás ou electricidade).
FORNOS E FOGÕES DE COZINHA
CONSELHOS A TER EM CONTA NA COMPRA:
► Se possível escolha um forno ou um fogão a gás. A maior desvantagem à utilização de gás é o
potencial risco para a saúde, que advêm dos subprodutos da combustão, mas um sistema de
ventilação adequado minimizará este risco;
► Os fornos com função de auto-limpeza apresentam um isolamento melhor do que os outros
modelos, por isso, são mais eficientes quando usados devidamente;
► Os fogões de cozinha que contêm vitrocerâmica, halogéneo ou elementos de indução são
mais eficientes do que aqueles que contêm resistências eléctricas. São, também, mais fáceis
de limpar e permitem um maior controlo da temperatura;
► Considere a instalação de uma chaminé para o fogão, em que a distância entre os mesmos
seja reduzida, para eliminar ruídos e fornecer ventilação adequada;
► Escolha um modelo que apresente exaustor de fumos e vapores e não um que faça a recirculação do ar dentro da habitação. Se a instalação de uma chaminé não for possível, considere,
um forno com ventilação directa, se seleccionar um equipamento a gás.
.
RECOMENDAÇÕES QUANTO À MANUTENÇÃO
► Os equipamentos com função de auto-limpeza gastam maiores quantidades de energia e
reduzem a poupança de energia total do modelo. Utilize esta função apenas quando for
necessário, não mais do que uma vez por mês e logo após ter usado o forno, de modo a
minimizar o consumo de energia desse processo;
► Muitos fogões de cozinha oferecem sistemas de ignição sem piloto, como queimador selado.
É importante manter o dispositivo de ignição limpo, para fornecer uma ignição sem falhas.
m geral, as máquinas de lavar loiça constituem uma forma melhor e mais eficiente de lavar a
E
loiça do que a lavagem à mão. Os modelos eficientes gastam em média 18 litros de água por
carga, sendo que para a mesma quantidade de loiça lavada à mão, nunca se gastará menos de
MÁQUINAS DE LAVAR LOIÇA
26 litros de água. O aquecimento da água é responsável por mais de 80% da energia utilizada
pelas máquinas de lavar loiça, pelo que se devem escolher temperaturas de lavagem mais baixas.
CONSELHOS A TER EM CONTA NA COMPRA
► Escolha um modelo com uma resistência de aquecimento mais potente, que tenha a capacidade
de elevar rapidamente a temperatura da água até aos 60°C. Isto permitirá uma poupança adicional
de energia através da programação se a temperatura seleccionado for de 40°C;
► Procure uma máquina de lavar loiça que forneça o número de ciclos suficientes correspondentes
aos diferentes graus de sujidade da loiça. Isto minimizará a utilização excessiva de água e energia;
► Escolha uma máquina que possua um método de secagem por circulação de ar ou secagem durante a noite. A secagem por calor seca rapidamente a loiça, mas às custas de um aumento da
energia utilizada. O aquecimento da água e do ar são os dois processos que mais energia consomem numa máquina de lavar loiça.
com sensatez nestes ou noutros equipamentos de maiores dimensões, visto que frequentemente apresentam um período de vida útil superior aos 15 anos.
IOnvista
potencial de poupança de energia e de recursos de um modelo eficiente pode fornecer um reembolso an-
MÁQUINAS DE LAVAR E SECAR ROUPA
tecipado e poupança nos custos ao longo de todo o seu período de funcionamento.
CAPITULO 3 - ENERGIA ELÉCTRICA
49
3
O aquecimento da água e a função de enxaguamento são responsáveis por 90% do total de energia consumida num ciclo. O motor gasta apenas os restantes 10%. A maioria das máquinas de lavar roupa convencionais gasta 60 a 120 litros de água por ciclo completo. A escolha de um equipamento mais eficiente poderá
reduzir os consumos de energia e água em mais de 40%.
CONSELHOS A TER EM CONTA NA COMPRA
► Seleccione sempre um modelo de classe A;
► As máquinas mais eficientes apresentam um eixo horizontal (nas quais se introduz as
roupas pela frente). Este tipo de máquina gasta cerca de um terço quando comparada
com uma máquina de eixo vertical (alimentação superior). Estes modelos também não
apresentam pás, o que quer dizer que são mais delicados com as roupas. Também a
centrifugação é mais rápida, o que resulta em menos tempo de secagem e custos.
RECOMENDAÇÕES QUANTO À MANUTENÇÃO
► Use programas de água fria tanto quanto possível. Os detergentes modernos estão concebidos para a água fria. Isto reduz a energia gasta a aquecer a água;
► Verifique periodicamente as mangueiras e os filtros, as linhas de entrada de água e as
linhas de drenagem, para evitar possíveis depósitos de metais ou sedimentos.
MÁQUINAS DE SECAR ROUPA
Q
► Este tipo de equipamento é muito pouco eficiente, consumindo uma grande quantidade
de energia. Assim sendo, sempre que possível utilize o sol e o vento para secar a sua
roupa, visto que são ambos gratuitos e renováveis.
OS CONSUMOS FANTASMAS E STAND-BY
uando desligamos um equipamento pensamos que estamos a poupar energia, o que desconhecemos
é que muitos equipamentos, apesar de desligados continuam a consumir energia. A isto chama-se consumo fantasma.
Um equipamento que tenha dispositivos como controlo remoto, relógio, temporizador, memória, microprocessador ou ligação instantânea muito provavelmente continuará a gastar energia mesmo quando é desligado.
Os televisores e leitores de VHS ou DVD contribuem em muito para as cargas fantasma. A electricidade é
utilizada para manter o controlo remoto e as características de ligação instantânea e para manter os filamentos quentes 24 horas por dia.
COMO RESOLVER A QUESTÃO DAS CARGAS FANTASMA:
► Se possível, escolha um electrodoméstico com relógio ou temporizador integrados. Enquanto
os mostradores apenas consomem cerca de 0,5 Watt, o fornecimento de energia no equipamento converte 220 Volt de corrente alternada em corrente directa de baixa voltagem para o
relógio ou temporizador. Isto é muito pouco eficiente e consome 100 a 200 Wh por dia. É a
energia suficiente para pôr a funcionar uma lâmpada fluorescente compacta continuamente
durante 10 horas;
► Evite deixar os equipamentos com pequenos transformadores nas tomadas eléctricas quando
não estão a ser utilizados. Para além disso, considere a compra de um equipamento com
todas as funcionalidades, tal como um telefone com atendedor de chamadas e mostrador incorporados. Isto reduzirá o número de pequenos transformadores ligados;
► Retirar o dispositivo da tomada ou usar uma extensão com interruptor que permita desligar todos os equipamentos quando não estão a ser utilizados é uma forma de evitar cargas fantasma.
50
CAPITULO 3 - ENERGIA ELÉCTRICA
3
iluminação é responsável por 5-10% do gasto total de energia numa habitação média e
A
custa 50€ a 150€ por ano em energia eléctrica. Talvez isto não pareça um grande montante,
mas cada vez mais pessoas estão a descobrir a vasta gama de benefícios que advêm do uso de
ILUMINAÇÃO DOMÉSTICA
um tipo de iluminação eficiente.
principal diferença entre uma lâmpada incandescente e uma fluorescente é a forma como a
Aluz
é gerada:
► Nas lâmpadas incandescentes, a luz é gerada devido ao aquecimento de um filamento de
tungsténio a uma temperatura de 2 500°C.
► A lâmpada fluorescente, explora as interacções entre electrões e um gás em particula
que se encontram dentro da lâmpada, com emissão de fotões convertidos em luz visível,
levando à irradiação de um revestimento de fósforo existente no interior do tubo de vidro.
Esta tecnologia fornece uma produção de luz muito eficiente de cerca de 70lm/W, enquanto as lâmpadas incandescentes convencionais produzem apenas 6-20lm/W.
Lâmpadas
fluorescentes
compactas (CFL)
As CFL emitem a mesma quantidade de luz que uma lâmpada incandescente, mas usam menos 75 por
cento da energia e duram 10 vezes mais tempo (mais de 10 000 horas, ou cerca de cinco anos).
► Podem substituir directamente as lâmpadas incandescentes ou de halogéneo. Embora sejam mais
caras, a poupança energética compensa o custo adicional em cerca de um ano, quando usadas em
mais de três horas por dia.
► As CFL modernas proporcionam o brilho característico das lâmpadas de incandescência, tornando-as
adequadas para qualquer aplicação na habitação.
Lâmpadas fluorescentes
tubulares
As lâmpadas fluorescentes tubulares são muito eficientes, mas por vezes não são adequadas para aplicações específicas devido ao seu comprimento.
► São frequentemente usadas em equipamentos que fazem parte das características arquitectónicas,
por exemplo, acima ou abaixo de armários ou em dosséis, cornijas ou molduras.
► Este tipo de lâmpada é ideal para espaços em que é necessária luz brilhante, tais como cozinhas,
lavandarias e oficinas.
► As lâmpadas fluorescentes T-8 (2,54cm de diâmetro) ou T-5 (1,58cm de diâmetro) com balastros electrónicos são mais eficientes do que as antigas T-12 (3,81cm de diâmetro). As lâmpadas fluorescentes
modernas, tais como as CFL também apresentam uma cor mais quente do que os modelos mais
antigos.
► Deve-se considerar a aplicação deste tipo de lâmpada quando se fazem renovações na habitação.
São facilmente instaladas por um electricista.
Lâmpadas de
halogéneo
LÂMPADAS: TIPOS E CARACTERÍSTICAS
Este tipo de lâmpadas são incandescente, mas o químico chamado “halogéneo” é introduzido na lâmpada para minimizar o desgaste do filamento. Tem o efeito de aumentar a vida útil até às 3 000 horas ou
cerca de dois anos.
► As lâmpadas de halogéneo estão disponíveis numa vasta variedade de formas e tamanhos e são
ideais para usos em que a luz focada seja necessária numa pequena área, tal como para desempenhar
uma tarefa, criar destaque ou acentuar algum espaço.
► Este tipo de lâmpada funciona a elevadas temperaturas, por isso devem ser instaladas longe de cortinas ou outros materiais inflamáveis.
Sendo uma lâmpada incandescente, a sua eficiência energética é muito reduzida, produzindo mais calor
do que luz.
continua
CAPITULO 3 - ENERGIA ELÉCTRICA
►
51
Lâmpadas
incandescentes
3
As lâmpadas incandescentes são as tradicionais lâmpadas que temos vindo a usar desde há anos.
► São baratas, mas muito pouco eficientes (apenas 4–6 por cento da energia eléctrica usada no bolbo é
convertida em luz visível; a restante energia perde-se em forma de calor).
► Têm um período de duração muito curto (750–1 000 horas, ou cerca de meio ano com um funcionamento normal).
► Algumas lâmpadas incandescentes são comercializadas como lâmpadas de longa duração ou como de
baixo consumo, mas alcançam estas características através da produção de menos lúmens (débito de luz).
São muito ineficientes em comparação com as lâmpadas fluorescentes compactas.
e substituir uma lâmpada incandescente de 75W (0,75€) por uma CFL de 15W (5,00€), consiS
derando o custo de energia de 0,1143€/kWh e uma duração de 1 000 horas para as lâmpadas
incandescentes convencionais e 10 000 horas para as CFL, pode-se poupar:
POUPANÇA ECONÓMICA E ENERGÉTICA
Utilização da
lâmpada
[horas/dia]
2
4
6
8
Poupança após
o 1º ano
Energia
kWh
€
Energia
kWh
9,18
240,90
40,15
4,59
120,45
13,77
80,30
160,60
Poupança após
o 3º ano
18,36
€
Energia
kWh
27,54
803,00
120,45
13,77
361,45
41,30
481,80
Poupança após o
10º ano
55,07
€
401,50
45,89
1.204,50
137,67
1.606,00
91,78
183,57
CONSELHOS PARA POUPAR ENERGIA E DINHEIRO NA ILUMINAÇÃO
APROVEITE A LUZ NATURAL DO SOL:
► Reposicione a mobília de modo a maximizar a utilidade da luz natural para ler, cozinhar
ou efectuar outras tarefas.
► Pinte as paredes em tons claros.
REDUZA AS LUZES DE FUNDO E CONCENTRE-SE MAIS NA ILUMINAÇÃO DA TAREFA:
► Concentre a luz onde ela é necessária, mantendo as luzes do tecto desligadas e usando
candeeiros de pé ou de mesa.
MUDE PARA LÂMPADAS FLUORESCENTES COMPACTAS.
USE COM SENSATEZ AS LÂMPADAS INCANDESCENTES:
► Num equipamento que permita a colocação de várias lâmpadas, use uma única com uma
potência maior, desde que seja seguro para o equipamento;
► Adquira lâmpadas mais eficientes, que gastem 5-13% menos energia.
52
CAPITULO 3 - ENERGIA ELÉCTRICA
MOBILIDADE
4
e acordo com as estatísticas, Portugal
D
ocupa a vigésima terceira posição, no que
diz respeito ao número de veículos em circula-
MOBILIDADE SUSTENTÁVEL
ção no Mundo, com 4,26 milhões de veículos.
Existe um automóvel por cada 2,3 habitantes,
incluindo bebés e pessoas que não conduzem,
assim na prática, cerca de dois carros por família. Se todas as famílias do mundo tivessem
dois automóveis e os usassem como nós, todo
o ecossistema já estaria comprometido.
Oitenta por cento do tráfego é privado. No entanto, dois terços das pessoas que vivem em
cidades declaram sofrer com o tráfego. Uma
quantidade semelhante declara estar preocupada com a poluição do ar. Temos também de
mencionar que 80% dos bens são transportados em camiões.
A quota de energia final consumida pelo sector
dos transportes no total de energia final consu-
mida em Portugal no ano de 2005 foi de 35,4%.
Visto que os transportes dependem quase exclusivamente dos produtos petrolíferos (gasolina e gasóleo), são também um dos maiores
responsáveis para a libertação para a atmosfera dos diversos poluentes responsáveis pelo
aumento do efeito de estufa, e consequentemente pelas alterações climáticas.
As alterações tecnológicas que têm sido implementadas nos veículos não são capazes, por si
só, de resolver os problemas energéticos (diminuir drasticamente os consumos de combustíveis) e os problemas ambientais (diminuir
significativamente as emissões de GEE). De
facto, o aumento da eficiência dos veículos não
consegue equilibrar a crescente procura dos
mesmos e o aumento da sua cilindrada/potência média.
CAPITULO 4 - MOBILIDADE
53
4
54
CAPITULO 4 - MOBILIDADE
4
CALCULE A QUANTIDADE DE CO2 QUE PRODUZ DEVIDO AO TRANSPORTE QUE UTILIZA
USE ESTA TABELA E SIGA AS INSTRUÇÕES
Meio de
transporte
Carro a gasolina
Km/litro
(média)
A
Km
B
Consumo em
litros
C=B:A
Carro a gasóleo
Carro a GPL
Autocarro
Bicicleta
Coeficiente de
emissão CO2
D
2,6 kg/l
Quantidade de
CO2
E=CxD
2,6 kg/l
1,5 kg/l
10
0,06 kg/l
0,001 kg/l
CAPITULO 4 - MOBILIDADE
55
4
N
SEIS BOAS RAZÕES PARA VIAJAR SEM A UTILIZAÇÃO
DO AUTOMÓVEL
4. CUSTOS EXTERNOS
s doenças e a tensão psicológica constituem os principais efeitos do tráfego sobre
a saúde. Cerca de 80% da poluição atmosférica deve-se ao tráfego de veículos, bem como
aos engarrafamentos e ruído.
Os riscos para a saúde devidos à poluição são
mais elevados para as crianças e para os idosos: de acordo com a OMS, o risco de desenvolver leucemia é três vezes mais elevado para
as crianças que vivem em áreas de grande
densidade de tráfego automóvel do que para
crianças que habitem em zonas rurais.
5. DESPESAS DE MANUTENÇÃO
A
2. RISCOS PARA A SAÚDE
s veículos libertam gases para a atmosfera
O
que contêm muitas substâncias tóxicas capazes de alterar as funções orgânicas dos
3. DANOS AMBIENTAIS:
ascender a várias dezenas de milhares de
milhões de euros por ano.
dos combustíveis e da manutenção
Oécusto
de cerca de 4 000 euros por ano.
bicicleta e o metro são mais rápidos do
A
que o automóvel, especialmente nas grandes cidades. A velocidade média para um carro
6. ESTRADAS SUPERLOTADAS NAS
ÁREAS URBANAS
em Lisboa é inferior 10 km/h. Sendo assim, se
considerarmos também o tempo que se gasta a
procurar estacionamento, a velocidade é ainda
menor. Nas grandes cidades (com mais de 500
000 habitantes) um automobilista gasta cerca
de 117 horas por ano em viagens urbanas.
S
ES
R
ST
D
a ano
sa s
úd pa
e ra
CAPITULO 4 - MOBILIDADE
Da
Trafego
o
id
Ru
seres vivos (quer das plantas quer animais), de
poluir o ar, a água e o solo, causando fenómenos acumulados e toxicidade nas cadeias alimentares.
O uso de combustíveis fósseis para os transportes é uma das principais causas do efeito de
estufa. Os transportes rodoviários produzem:
30% de emissões de dióxido de carbono, 72%
de monóxido de carbono e 52% de óxidos de
nitrogénio.
O impacto ambiental dos transportes também
se deve à extracção, transporte e refinamento
de petróleo, à extracção de ferro e outras matérias-primas para a produção de automóveis; à
superfície retirada aos ecossistemas para vias
de acesso (30 000 ha na Europa durante o período de 1990-98), para tratamento de resíduos
durante o ciclo de vida do automóvel (óleos de
lubrificação, filtros, etc.).
56
perda económica num País como Portugal
A
devido ao efeito de estufa, à poluição, aos
acidentes, ao ruído e engarrafamentos pode
a Europa, todos os anos, acontecem cerca
de dois milhões de acidentes rodoviários;
no mundo (segundo dados da OMS) as vítimas
mortais ascendem a aproximadamente um
milhão por ano.
1. ACIDENTES
En
ga
r
Custos
ra
no
s
fa
m
Am
bi
en
ta
en
to
is
4
POLUENTE
PATOLOGIA RELACIONADA
Monóxido de Carbono (CO)
Bloqueia a hemoglobina, provocando efeitos tóxicos no sistema cardiovascular, lesões nos
olhos e dores de cabeça
Óxidos de Azoto (NOx)
Alterações pulmonares, irritações, redução das
defesas imunológicas
Ozono (O3)
Afecções respiratórias, dores de cabeça, irritações oculares
Hidrocarbonetos aromáticos (PAHs)
Chumbo tetraetílico
Partículas (PM10)
Dificuldades respiratórias, asma, insuficiência
cardíaca, cancro
Atraso no desenvolvimento intelectual das
crianças, cancro
Irritações das vias respiratórias e dos olhos, veículo para outros agentes tóxicos, cancro
CAPITULO 4 - MOBILIDADE
57
4
ara solucionar os problemas com o tráfego,
P
muitas autarquias implementam medidas
temporárias que não permitem uma verdadeira
ALTERNATIVAS AO VEÍCULO PRIVADO
resolução do problema (isto é, a limitação do tráfego). Todas as acções, ainda que importantes,
não são o suficiente, se os cidadãos não mudarem o seu estilo de vida, reduzindo o uso do automóvel próprio, usando diferentes formas de
deslocação, tais como as seguintes:
► Andar a pé ou de bicicleta: andar a pé ou de
bicicleta durante apenas meia hora seria o bastante para reduzir em 50% os riscos provocados
pelo excesso de peso e para evitar muitas doenças. Quarenta por cento das viagens urbanas representam menos de 4km, uma distância que
pode ser facilmente percorrida com o uso da bicicleta.
► Andar de autocarro ou de metro: em quase
todas as cidades existe uma rede de transportes
de massas que compreende autocarro, eléctrico
e metro. A frequência do serviço está ajustada
nas horas de ponta, mas com organização é
possível viajar a praticamente qualquer hora do
dia.
O problema com os horários deve-se à intensidade do trânsito, mas o mesmo problema acontece com o uso do automóvel. Apesar do custo
58
dos bilhetes poder parecer elevado, se considerarmos os custos
de funcionamento de um automóvel, verificamos que é muito mais
barato usar um transporte público
colectivo. A utilização de transportes colectivos reduz o stress, os riscos de acidente e proporciona mais tempo livre para ler,
estudar ou praticar outras actividades.
► Andar de comboio: o comboio é o meio de
transporte mais rápido e seguro para as viagens
de média duração, por exemplo entre as cidades
e as aldeias próximas. É confortável: é possível
ler, dormir e transporta-nos directamente para o
centro da cidade.
► A partilha de automóvel alugado (“car-sharing”): é um serviço baseado no uso colectivo
do mesmo carro fornecido por uma empresa
específica, onde cada utilizador paga um preço
fixo por ano e um preço dependente das vezes
que utiliza o serviço. Para além disso, as pessoas que utilizam este sistema exploram automóveis menos poluentes e têm alguns
benefícios, tais como o uso de estacionamento
especial e o acesso a zonas de tráfego limitado.
Partilhar o carro permite a redução da emissão
de gases de efeito de estufa e, ao mesmo
CAPITULO 4 - MOBILIDADE
4
tempo, permite uma poupança monetária significativa.
Os factores de sucesso desta medida que tem o
propósito de atrair um grande número de pessoas (quer individualmente quer em empresas
ou instituições públicas) incluem os seguintes
aspectos:
►Conveniência! Proporcionam um elevado nível
do serviço dada a simplicidade com que se faz a
reserva, o rápido acesso a automóveis de elevada qualidade e à disponibilidade de carros
perto da zona de residência.
►Economia! Traz vantagens económicas, visto
que é mais barato do que ter um carro próprio,
tem um sistema de tarifas diferenciadas que
pode atrair clientes que não utilizam muito este
meio de transporte, bem como condutores mais
frequentes, o que conduz a descontos.
►Confiança! É altamente fiável devido ao apoio
prestado pela organização e ao uso de carros
novos, amigos do ambiente, que apresentam um
bom funcionamento e segurança.
► Uso partilhado do automóvel (“car-pooling”): enquanto estamos presos numa fila de
trânsito é muito fácil observar que quase todos
os carros têm apenas uma pessoa a bordo. Utilizar o carro em grupo é uma forma de colocar em
contacto pessoas que fazem o mesmo percurso
individualmente. Este sistema é eficaz entre pessoas que trabalham na mesma empresa ou entre
pais que levam os filhos à mesma escola. A partilha do carro reduz o número de automóveis em
circulação, com uma grande vantagem para o
ambiente. Acordar uma divisão justa dos gastos
é também uma maneira de reduzir as despesas.
Este sistema deve ser usado/considerado como
complemento para outras soluções de transporte. Não se trata, definitivamente, de vender o
carro e andar à boleia o resto da vida nem de
substituir o automóvel todos os dias da semana.
A melhor solução é encontrar uma (ou duas)
pessoa com quem partilhar uma viagem um dia
na semana, tornar isso num hábito e deixar que
as coisas aconteçam ao seu próprio ritmo. As empresas deviam, consequentemente, encorajar os
seus funcionários a “partilhar um carro um dia por
semana”.
Estes são os motivos para a partilha do automóvel:
►Locais de trabalho semelhantes – destinos semelhantes, rede de informações semelhante e
de pessoas conhecidas;
►Horas de trabalho regulares e semelhantes;
►Um percurso longo, pelo menos 20km de ida;
►Pequena perda de tempo, em comparação
com o facto de se fazer a viagem sozinho;
►Maus transportes públicos – poucas alternativas ao carro;
►Possibilidades de estacionamento reduzidas e
caras.
► Usar sistemas de parqueamento:
Um sistema de parqueamento compreende
uma rede de parques de estacionamento
construídos em áreas suburbanas, junto a
vias importantes ou estradas principais em
que as pessoas que viajam para o centro da
cidade podem estacionar e aceder a diferentes meios de transporte, quer sejam transportes públicos, bicicletas ou outros. Este
tipo de estacionamento é fundamental para
permitir mudar de sistema de transporte, evitando o congestionamento do trânsito.
E PARA AS CRIANÇAS? EXPERIMENTA O PEDIBUS!!!
Pedibus é o modo mais saudável, seguro, divertido e ecológico para chegar à
O
escola. Consiste num “autocarro humano”
onde as crianças são os “passageiros” e os
adultos são o “condutor” e o “revisor”.
O Pedibus foi originalmente criado na Dina-
marca e é muito usual nos países nórdicos e
nos Estados Unidos, estando neste momento
a se espalhar por outros Países.
A Internet é uma boa fonte de ideias, informação e documentação sobre todas as questões relacionadas com esta temática.
CAPITULO 4 - MOBILIDADE
59
4
MAIOR ATENÇÃO NA AQUISIÇÃO DO AUTOMÓVEL
xistem pessoas que, por várias razões,
E
não podem ou não querem renunciar ao
automóvel privado.
Mas, as pessoas que usam este tipo de transporte diariamente e que fazem dezenas de milhar de quilómetros por ano podem fazer algo
para reduzir o peso que representa o seu estilo
de vida para a atmosfera, para a saúde colectiva e para as suas próprias carteiras:
► escolher um automóvel com motor de cilindrada média a pequena: possuir um carro
grande, com um motor potente, super-desportivo, não significa que se seja melhor, mais
forte ou mais importante do que os outros... um
carro com um motor potente consome dez
vezes mais do que um que apresente dimensões mais pequenas, custe menos em termos
de manutenção, de imposto de circulação e de
seguros;
► estar atento ao consumo de combustível:
pelo mesmo preço, é bom comparar os quilómetros percorridos para cada litro de combustível porque consumos menores significam
maiores poupanças e menos poluição;
► verificar o equipamento de emergência: actualmente, mesmo nos modelos mais comuns
existem tecnologias instaladas para aumentar a
segurança activa e passiva do automóvel, mas
também na mesma categoria existem automóveis que estão equipados com melhores tecnologias;
► verificar os dispositivos de redução do impacto ambiental que vão desde o controlo das
emissões ao tipo de materiais usados na construção. Algumas leis europeias impõem a adaptação progressiva aos parâmetros pré
defenidos (para as emissões de CO2). Alguns
modelos “novos” apresentam motores e tecnologia relativamente antigas, que não estão
adaptados aos limites normativos que serão
aplicados num futuro próximo. No momento da
60
compra é conveniente ter em conta esses
aspectos;
► escolher criteriosamente o tipo de combustível com base nas necessidades reais: eventuais variações sucessivas são, de facto,
possíveis apenas nos motores a gasolina e que
podem também funcionar com GPL ou metano.
É do domínio público que estes combustíveis
são muito diferentes em relação ao seu custo e
às emissões que produzem em resultado da
combustão.
► manter o carro em perfeitas condições dá-lhe eficiência, segurança para os utilizadores e
limita o impacto ambiental. É uma atitude correcta proceder regularmente às revisões e inspecções periódicas obrigatórias;
PARA UMA BOA MANUTENÇÃO
► ter em atenção a correcta remoção dos desperdícios: óleo do motor, dos travões ou da
caixa de velocidades; os pneus devem ser levados para centros especializados de recolha
de resíduos perigosos. Queimar, abandonar ou
dispersar na atmosfera estas substâncias provoca danos graves ao ambiente. Nos
centros de recolha são usadas para
reciclagem;
► substituir o catalisador quando a
sua funcionalidade estiver esgotada;
► se possível, montar pneus regenerados, provenientes de processos de reciclagem. Os danos ambientais são limitados e a
qualidade é boa.
requentemente, as pessoas tendem a conF
duzir de forma nervosa e a privilegiar a velocidade. Tem sido amplamente demonstrado
CONDUZIR COM SEGURANÇA, POUPANDO DINHEIRO
que, em média e em viagens curtas, a condução rápida permite ganhar apenas alguns minutos, com um aumento do consumo da ordem
CAPITULO 4 - MOBILIDADE
4
dos 25-30%, com grandes impactos ambientais
e um aumento do risco de acidentes. Algumas
sugestões para uma condução menos dispendiosa, mais segura e menos poluente podem
passar por:
► adoptar um estilo de condução mais descontraído possibilita poupar entre 5 a 25% de combustível – em geral, os consumos, as emissões
e o ruído aumentam mais do que proporcionalmente ao aumento da velocidade;
►usar o acelerador de uma forma suave e progressiva e tentar manter uma velocidade constante. Manter uma velocidade baixa: ir até 125
km/h em vez de 110 km/h envolve um aumento
de consumo de 20%;
► ao usar a caixa de velocidades, deve evitarse o uso do motor em regime elevado de rotações;
►se possível, usar as mudanças mais altas;
► deslocar-se a uma velocidade baixa, em vez
de permanecer parado;
► desligar o motor quando o carro permanecer
em pausa durante um longo período de tempo
(isto é, nas passagens de nível, nos semáforos,
no estacionamento temporário);
► desligar todos os dispositivos eléctricos
quando não forem realmente indispensáveis
(isto é, ar condicionado, descongelamento,
luzes, luzes de nevoeiro);
► viajar com as janelas abertas e porta-bagagens cheio aumentam o consumo em 2% na cidade e até 20% em estrada;
► manter sempre os pneus com a pressão correcta.
m geral, também para as pessoas que
usam motorizadas aplicam-se as mes-mas
E
regras que para os proprietários de automó-
PARA OS AMANTES DAS MOTORIZADAS
escolher motores de quatro tempos em vez de
dois tempos; os motores de dois tempos são
muito mais poluidores;
► é também possível encontrar no mercado
modelos eléctricos ou a GPL.
os últimos anos, as viagens aéreas de
N
baixo custo tiveram um grande aumento,
quer para passageiros quer para bens. Com a
PARA VIAGENS LONGAS
difusão dos voos de último minuto e de companhias de aviação que oferecem voos de
baixo custo, é prática habitual voar não só em
viagens transcontinentais como também em
viagens de algumas centenas de quilómetros.
Do ponto de vista ambiental, o tráfego aéreo
constitui uma das fontes mais poluentes.
Um avião queima,
para uma viagem de
distância media, alguns milhares de litros
de combustível, emitindo uma quantidade enorme de gases de
efeito estufa (CO e CO2) e NOx, que, interagindo com a radiação solar, produzem, na parte
mais baixa da atmosfera, ozono e outras substâncias perigosas e nos níveis mais elevados
da atmosfera os aviões contribuem para a destruição da camada de ozono.
À mesma velocidade e ocupação do transporte,
um avião produz uma poluição dez vezes mais
elevada do que um comboio. Por estas razões
é melhor evitar o uso das viagens aéreas que
vão dos 500 aos 2 000 km e utilizar o comboio:
é geralmente mais barato, menos poluente e é
igual em termos de tempo, se considerarmos a
viagem de e para o aeroporto, o tempo para o
check in e para recolher as bagagens.
Para viagens de comboio em todo o mundo
visite o sítio: http:/www.seat61.com
veis, no que respeita à manutenção e ao estilo de condução.
Devem ser acres-centadas algumas referências particulares
quanto às scooters:
► no momento de aquisição, é conveniente
CAPITULO 4 - MOBILIDADE
61
4
VANTAGENS E DESVANTAGENS DOS VÁRIOS TIPOS
DE COMBUSTÍVEIS
GASOLINA: A gasolina é o combustível mais usado.
Com a introdução da gasolina sem chumbo e de
sistemas catalisadores, as emissões reduziram
significativamente. Os veículos com catalisadores
que usam gasolina sem chumbo reduzem as emissões de CO (60-80%), NOx (30- 80%), formaldeído
(90%) e de IPA (80-95%). É importante registar que o
sistemas de catalisadores são eficazes apenas
quando aquecidos e são necessários vários minutos (cerca de dez) antes de começarem a funcionar
e em viagens de poucos quilómetros, é provável
que nem funcionem.
DIESEL: O uso deste combustível produz gases sulfurosos, principais responsáveis pelas chuvas e poeiras ácidas (PM10). É importante referir que os
últimos modelos de motores a diesel (ECO3 e ECO4)
oferecem realmente bons desempenhos, baixos
consumos e emissões muito reduzidas. Existem
igualmente algumas tipologias diesel ainda menos
poluentes, que são:
- “blue diesel”: é um diesel com baixo teor de
enxofre;
- “white diesel”: é uma emulsão de gasóleo, aditivos
e água desmineralizada. É produzido pela GECAM e
está actualmente disponível apenas para grandes
consumidores. Permite a redução da emissão de
partículas (até 50%) e de NOx (até 30%). Pode ser
utilizado em vez do gasóleo comum (e pode ser
misturado no mesmo) sem alteração do motor.
- biodiesel: é obtido através de um tratamento químico dos óleos vegetais. Uma grande parte deste
tipo de combustível é usada no aquecimento
doméstico. O biodiesel não emite substâncias sulfurosas e produz menos partículas, IPA, CO e CO2,
porém, produz mais formaldeído. Um obstáculo à
difusão do biodiesel é a necessidade da exploração
de uma grande quantidade de terreno para a sua
produção: actualmente, para obter uma tonelada de
biodiesel, é necessário trabalhar cerca de 10 000 m2
de terreno. Este combustível pode criar problemas
aos componentes de alguns motores (p.ex. algumas borrachas).
62
GPL: O GPL é um gás derivado da refinação do petróleo e da extracção do gás natural. Apresenta
quantidades praticamente nulas de chumbo e de
enxofre, produz 10-20% menos NOx, 40% menos
IPA, 50-80% menos CO. Em termos económicos e
ambientais, o GPL é uma boa alternativa à gasolina.
METANO: O metano é um gás natural amplamente
presente na natureza e pode ser usado como combustível sem necessidade de refinação. Em comparação com os outros tipos de combustível,
apresenta um impacto ambiental mínimo. Não emite
partículas ou enxofre, bem como as quantidades de
NOx, CO e de CO2 são muito baixas (para o CO2 –
22%, em relação à gasolina, 30% em relação ao diesel e 12% em relação ao GPL). As vantagens do metano, em comparação com o GPL, o metano tem as
vantagens de ser mais barato, mais seguro e menos
poluente. As desvantagens são: custos mais elevados de instalação do sistema, as garrafas pesam
mais e são mais difíceis de transportar, não existem
pontos de reabastecimento e o tempo para o
mesmo é maior.
ELECTRICIDADE E HIDROGÉNIO: Os veículos eléctricos não apresentam emissões no que diz respeito ao seu uso. As emissões são transferidas
para as centrais termoeléctricas. As limitações dos
veículos eléctricos são a baixa autonomia e o elevado custo. No futuro, as baterias usadas podem
revelar-se um problema quanto à sua eliminação.
Os automóveis a hidrogénio ainda não são acessíveis, a não ser a nível experimental.
CAPITULO 4 - MOBILIDADE
4
lterar os hábitos de mobilidade é uma das tarefas mais difíceis para as pessoas, pois as ideias
A
e os estilos de vida que privilegiam o uso do automóvel privado estão muito enraizados em
todos. Existe uma forma de mudar esta perspectiva com o registo de todas as deslocações reali-
EXPERIMENTE DURANTE UMA SEMANA!!!
zadas de automóvel durante uma semana. Com esses dados será mais fácil compreender que o
uso do automóvel não é tão compensador como pensamos.
A tabela seguinte pode constituir uma ferramenta útil.
Dia
Meio de
Transporte
Tempo
CAPITULO 4 - MOBILIDADE
Km
Custo
63
4
Em seguida, adicione:
Meio de transporte
Total de km
Tempo total
Automóvel privado
Motorizada / Scooter
Bicicleta
A pé
Autocarro
Comboio
Outro
64
CAPITULO 4 - MOBILIDADE
Custo total
ENERGIA SOLAR
5
energia solar é uma fonte renovável de energia, que é amiga do ambiente. Ao contrário dos comA
bustíveis fósseis, a energia solar está disponível em qualquer lugar do planeta, sendo uma fonte
de energia gratuita e imune à subida dos preços dos combustíveis.
A ENERGIA SOLAR
O Sol potencia recursos naturais na terra, tais como o vento, os caudais de água e o crescimento das
plantas. O Homem aprendeu a usar estes recursos naturais para as suas necessidades energéticas,
por exemplo, fazendo fogo para cozinhar os alimentos e aquecimento, navegar através do oceanos,
gerar electricidade pela força hidroeléctrica. No entanto, o Sol é também uma fonte fiável de aquecimento e de luz que, por vezes, tomamos como garantida. Ao longo de gerações usou-se o vidro e outros materiais e estruturas para capturar e aumentar a energia do Sol e estes sistemas foram
gradualmente evoluindo no sentido de formar a base de técnicas amadurecidas que são utilizadas actualmente para aproveitar a energia solar.
s colectores solares são equipamentos que
O
permitem o aquecimento de água (que
pode ser utilizada para banhos, aquecimento
ÁGUA AQUECIDA COM A ENERGIA
SOLAR
ambiente ou de piscinas) recorrendo á energia
fornecida pelo Sol. Os sistemas captam a energia do Sol para aquecer o ar ou um fluido que
depois transfere essa temperatura, directa ou
indirectamente para a habitação, para a água
ou para a piscina.
Este tipo de aquecimento, por vezes designado
sistema doméstico de água quente solar, pode
ser um bom investimento para si e para a sua
família. É eficaz, em termos de custos, e tem
muitas aplicações ao longo da sua vida útil.
Embora o sistema de água quente solar seja
mais caro inicialmente do que os sistemas de
águas quentes tradicionais, a energia que usa
– a solar – é gratuita.
As tecnologias de aquecimento solares podem
ser utilizadas em qualquer clima. Para aproveitar a energia solar, geralmente, é preciso ter
uma área não sombreada virada o quadrante
Sul, como por exemplo, uma cobertura.
O tipo de sistema que se escolhe, incluindo o
tipo de colector e se a circulação é forçada ou
natural, depende de vários factores, incluindo:
o local, o clima em que se vive, a instalação e a
forma como se quer usar o sistema de aquecimento solar.
m sistema de circulação forçada é formado
por um colector solar (ou campo de colecU
tores) e por um depósito de água quente si-
SISTEMAS DE CIRCULAÇÃO FORÇADA
efectuada através de uma bomba de circulação.
O calor é transportado dos colectores para o
depósito e a sua transferência para a água sanitária é efectuada através de um permutador
de calor. No período do Verão, o sistema solar
é suficiente para satisfazer todas as necessidades de energia para o aquecimento de água,
mas no Inverno, ou nos dias de pouca radiação
solar, será necessário existir um apoio.
O apoio poderá ser dado pelo sistema já existente de aquecimento de água, por uma
caldeira ou através de uma resistência eléctrica
no interior do depósito de água quente. O apoio
só é utilizado quando o termóstato detectar que
a temperatura no interior do depósito é inferior
à temperatura pretendida para a água.
este tipo de sistemas, o depósito encontraN
-se num plano superior ao dos colectores,
levando a que a circulação entre eles funcione
SISTEMAS DE CIRCULAÇÃO NATURAL
por termo-sifão, o que elimina a necessidade
de uma bomba de circulação. O fluído é aquecido no colector e como o seu peso é inferior
ao do fluído mais frio que se encontra dentro do
depósito, existe uma diferença de densidades,
que leva a um movimento natural de circulação.
A transferência de calor entre o fluído e a água
que se pretende aquecer dá-se recorrendo a
um permutador de calor. Neste tipo de sistemas, o apoio normalmente é garantido por uma
resistência eléctrica colocada no interior do depósito.
tuado no interior do edifício, sendo que a
circulação entre os colectores e o depósito é
CAPITULO 5 - ENERGIA SOLAR
65
5
Os sistemas de aquecimento de água com
energia solar disponíveis no mercado actualmente são uma tecnologia já madura.
O maior campo de aplicação dos sistemas solares térmicos no sector doméstico é o aquecimento da água sanitária, onde a poupança de
energia ronda os 80% e o aquecimento ambiente, onde a poupança de energia pode chegar aos 40%.
A energia necessária para a preparação de
água quente numa habitação é de cerca de
1 000kWh por pessoa por ano. Assim, se utilizar colectores solares de elevada eficiência,
para uma família até 4 pessoas, um sistema de
circulação natural com uma área de colectores
de 2m2 é suficiente, se a família tiver entre 5 e
7 pessoas deverá optar por um sistema de circulação natural com uma área de colectores de
4m2. Quando o campo de colectores é maior,
ou quando se pretende também utilizar o sistema solar para o aquecimento ambiente, é
preferível recorrer a um sistema de circulação
forçada [face ao Sistema Nacional de Certificação Energética e da Qualidade do Ar Interior
CAMPOS DE APLICAÇÃO
66
nos Edifícios (SCE, Decreto-Lei n.º 78/2006 de
04 de Abril) deverá ser considerado 1m2/pessoa para um colector de referência].
Ao optar por utilizar os colectores solares para
o aquecimento ambiente, é necessário ter em
conta que o Inverno (altura em que vai utilizar o
aquecimento central) é a altura do ano com
menor radiação solar disponível, pelo que é
fundamental que a habitação esteja bem isolada (reduzindo assim as necessidades de
aquecimento), de modo a poder tirar o máximo
partido dos colectores solares. Como referência, tenha em atenção que necessitará de 1,5 a
3m2 de colector solar por cada kW de potência
nominal de aquecimento.
Outro campo de aplicação dos sistemas de
aquecimento de água através da energia solar
são os condomínios. Poderá ser criado um sistema de produção de água quente sanitária
central, com posterior distribuição por todas as
fracções. Neste caso é necessário dispor de
uma maior área de cobertura virada a sul e
também de um espaço para a acumulação de
água quente.
CAPITULO 5 - ENERGIA SOLAR
5
DIMENSIONAMENTO DE UM SISTEMA DE AQS
ficam alguns exemplos de dimensionamento (os dados apresentados são meramente
Aqui
indicativos, devendo ser confirmados caso a caso):
SISTEMA DE CIRCULAÇÃO NATURAL (EXEMPLO
PARA UMA FAMÍLIA DE 2 A 4 PESSOAS)
Área de colectores: 2m2
Volume do depósito: 190 L
Custo do sistema: cerca de 2 300€
SISTEMA DE AQUECIMENTO DE ÁGUA SANITÁRIA DE
GRANDES DIMENSÕES
Área de colectores: 0,8 a 1,2m2 por
utilizador;
Volume do depósito: 50 a 60L/m2;
CAPITULO 5 - ENERGIA SOLAR
67
5
s sistemas fotovoltaicos oferecem aos consuO
midores a capacidade de gerar electricidade
de forma limpa, silenciosa e fiável. Este tipo de sis-
SISTEMAS FOTOVOLTAICOS
INTRODUÇÃO
tema é constituído por células fotovoltaicas, dispositivos que convertem a energia dos raios solares
directamente em electricidade. O termo “fotovoltaico” tem origem no prefixo “foto”, que significa luz,
e “voltaico”, que se refere à produção de electricidade. Deste modo, o processo fotovoltaico consiste
em “produzir electricidade directamente a partir da
luz solar”.
Os sistemas fotovoltaicos são frequentemente designados por PV. Para algumas aplicações em que
pequenas quantidades de electricidade são necessárias, como por exemplo luz de emergência,
geralmente justifica-se os custos dos sistemas PV,
mesmo quando a rede eléctrica não se encontra
afastada. Quando as aplicações requerem maiores
quantidades de electricidade e estão afastadas das
linhas de corrente eléctrica já existentes, os sistemas fotovoltaicos podem, em muitos casos, oferecer a opção menos dispendiosa e mais viável.
s células fotovoltaicas convertem directamente
A
a luz do Sol em electricidade, sem criar qualquer tipo de poluição no ar ou na água. Estas célu-
COMO FUNCIONAM?
las são constituídas por, pelo menos, duas
camadas de material semiconductor. Uma camada
possui uma carga positiva, a outra, uma carga negativa.
Quando a luz entra na célula, alguns fotões são absorvidos pelos átomos semicondutores, libertando
electrões a partir da camada de células negativas.
Estes electrões atravessam um circuito externo,
voltando novamente para a camada positiva, e é
este caudal de electrões que produz corrente eléctrica.
Para aumentar a sua utilidade, dúzias de células fotovoltaicas individuais são interligadas numa caixa selada e à prova de água chamada módulo. Quando
dois módulos são ligados em série, a sua voltagem
duplica, embora a corrente se mantenha constante.
Quando dois módulos são ligados paralelamente, a
sua corrente duplica, mas a voltagem mantém-se
constante. Para alcançar a voltagem e a corrente desejadas, os módulos são ligados em séries e em paralelo para formar um campo fotovoltaico.
A flexibilidade do sistema modular fotovoltaico permite aos projectistas a criação de sistemas de
energia solar que podem satisfazer uma grande variedade de necessidades eléctricas, independentemente de serem grandes ou pequenas.
A instalação também necessita de um inversor de
corrente contínua em corrente alterna. O inversor é
um dispositivo capaz de transformar a corrente
contínua produzida nos painéis fotovoltaicos em
68
corrente alterna, que é o tipo de corrente que utilizamos nas nossas habitações.
lguns proprietários de habitações estão a optar
A
pelos sistemas fotovoltaicos por serem uma
energia limpa e fiável, embora seja frequentemente
A REDE: LIGADA OU NÃO?
mais cara do que a energia disponível a partir da
empresa de electricidade.
Estes proprietários podem complementar as suas
necessidades energéticas com electricidade da sua
empresa fornecedora de electricidade local,
quando o seu sistema fotovoltaico não estiver a fornecer energia suficiente (à noite e em dias nublados) e podem exportar o excesso de electricidade
para a empresa fornecedora de electricidade,
quando o sistema fotovoltaico estiver a gerar mais
energia do que a necessária.
Para locais afastados das linhas de rede eléctrica,
os sistemas fotovoltaicos podem ser usados para
abastecer bombas de água, vedações eléctricas ou
mesmo toda a habitação. Embora os sistemas PV
exijam um investimento substancial, em certas condições são mais baratos do que pagar os custos
associados à ligação à rede pública.
Um sistema fotovoltaico ligado à corrente pública
exigirá um inversor de corrente contínua para corrente alterna. Este dispositivo converterá a corrente
contínua produzida pela estrutura fotovoltaica em
corrente alterna, normalmente exigida para cargas
como as dos rádios, televisores e frigoríficos. Os inversores interactivos da rede pública contêm dispositivos de segurança instalados, impostos pela rede
eléctrica nacional.
Para armazenar electricidade a partir do sistema fotovoltaico, são necessárias baterias. As mais adequadas para estes sistemas são designadas
“secundárias” ou “de circuito profundo”.
Para além disso, os sistemas PV exigem ligações
correctas, interruptores e fusíveis de segurança,
dispositivos de controlo para evitar a sobrecarga ou
carga insuficiente das baterias, diodos para permitir
que a corrente passe
na direcção
correcta e
mecanismos
de terra para
proteger contra a queda
de relâmpagos.
O EQUIPAMENTO CORRECTO
CAPITULO 5 - ENERGIA SOLAR
5
ESPECIFICAÇÕES PARA UM SISTEMA
FOTOVOLTAICO DE POTÊNCIA IGUAL A 3,68 K W P
Tipos de módulos: Os módulos mais comuns são os de silício policristalino. Existem
também os módulos de silício amorfo (necessitam de uma maior área para obter a mesma
energia) ou silício monocristalino (necessitam
de menor área para obter a mesma energia).
Área ocupada: Para uma potência de
3,68kWp será necessária uma área de cerca
de 30m2.
Inclinação e orientação: A inclinação óptima são os 35º, mas como se aconselha a
instalação dos módulos na cobertura, os 20º
são normalmente a inclinação conseguida.
Em termos de orientação, Sul é sempre o caminho a seguir.
Custo do sistema: O custo de instalação,
chave na mão, é de cerca de 22 300€ + IVA.
Nota: as instalações fotovoltaicas têm um IVA
de 12%.
Produtividade: Com as opções especificadas, a produtividade esperada é de
5 300kWh por ano.
CAPITULO 5 - ENERGIA SOLAR
69
5
A
RENOVÁVEIS NA HORA – NOVA
OPORTUNIDADE PARA A MICROPRODUÇÃO
Microprodução é a produção de electricidade por intermédio
de instalações de pequena potência.
Recentemente foi criado o Programa Renováveis na Hora (DL
363/2007 de 2 de Novembro) com o objectivo de promover a microprodução de energia eléctrica utilizando fontes renováveis de energia, tendo sido criado o regime remuneratório bonificado. Este
regime beneficia a produção de energia eléctrica através de sistemas solares fotovoltaicos pois estes sistemas apresentam uma taxa
remuneratória de 100% à tarifa de referência.
Com este Programa os cidadãos poderão transformar-se de uma
forma simples e fácil em pequenos produtores de electricidade contribuindo para o cumprimento dos objectivos nacionais de energias
renováveis, para a redução dos gases com efeito de estufa e para a
redução da nossa dependência energética externa.
REQUISITOS DA UNIDADE PRODUÇÃO
► Podem ser produtores de electricidade por intermédio de unidades de microprodução todas as entidades que disponham de um
contrato de compra de electricidade em baixa tensão;
►Aunidade de microprodução deve ser integrada no local da instalação eléctrica de utilização;
►Para ter acesso ao regime bonificado a potência máxima de ligação só poderá ser de 3,68 kW e terá que existir pelo menos 2 m2 de
área de colectores solares térmicos na mesma instalação;
►A potência a injectar na rede não pode ser superior a 50% da potência contratada da instalação de consumo.
REQUISITOS DA UNIDADE PRODUÇÃO
Aremuneração no regime bonificado contempla os seguintes pontos:
► Para cada produtor em regime bonificado é definida uma tarifa
única de referência aplicável à energia produzida no ano da instalação e nos cinco anos civis seguintes;
► Nos primeiros 10 MW de potência de ligação registados a nível
nacional, a tarifa de referência é de 0,65 €/kWh
► Por cada 10 MW adicionais de potência de ligação registada a nível
nacional, a tarifa única aplicável é sucessivamente reduzida de 5%
► Após o período de 5 anos previsto no ponto anterior e durante o período adicional de 10 anos, aplica-se à instalação de microprodução,
anualmente, a tarifa única correspondente à que seja aplicável, no dia
1 de Janeiro desse ano, às novas instalações que sejam equivalentes;
► Após o período previsto no número anterior, aplica-se à instalação
de microprodução o regime geral previsto no artigo anterior.
Prevê-se a variação do valor de referência, segundo o exemplo a
seguir apresentado:
70
REQUISITOS DA UNIDADE PRODUÇÃO
► Todas as entidades instaladoras que pretendam exercer a sua
actividade de instalação de unidades de microprodução, devem proceder ao seu registo no Sistema de Registo de Microprodução
(SRM) mediante o preenchimento de um formulário electrónico a
aprovar por despacho do director-geral de Energia e Geologia;
► O registo é aceite a título provisório, até ao pagamento da taxa
aplicável, através de terminal de Multibanco ou de sistema de homebanking no prazo máximo de cinco dias úteis no valor de 250 €;
► Após o registo provisório, o requerente tem 120 dias para instalar a
unidade de microprodução e requerer o certificado de exploração
através do SRM, mediante o preenchimento de formulário electrónico;
► O certificado de exploração é emitido na sequência de inspecção,
que deve ser efectuada nos 20 dias subsequentes ao pedido, seguindo-se o envio do contrato de compra e venda de energia no
prazo de 5 dias úteis (Nota: taxa de reinspecção de 150€);
► A celebração do contrato e ligação da instalação pelo operador de
rede é realizada em 10 dias após a sua notificação.
REQUISITOS DA UNIDADE PRODUÇÃO
O Despacho do Director Geral de Energia e Geologia determina a suspensão de novos registos no Sistema de Registos da Microprodução, pelo período de um mês logo que sejam atingidos os 2 MW de
potência de pré-registos das novas instalações de microprodução.
REQUISITOS DA UNIDADE PRODUÇÃO
Sistema Fotovoltaico
25 000 € (c/IVA)
Sistema Solar Térmico Kit Solar 190 l, funcionamento
com termosifão
2 576 € (c/ IVA)
Total
27 576 € (c/ IVA)
REQUISITOS DA UNIDADE PRODUÇÃO
Dados Económicos:
► Remuneração anual até ao 5º ano
4 299,21 €/ano
► Remuneração do 6º ao 15ªº ano
3 061,9 €/ano
► Prevista a partir do 16ºano
1 185,7 €/ano
TIR – 11,64%
VAL – 43 239,27 € (taxa de desconto de 5%)
Retorno Previsto do Investimento – 6,7 anos
CAPITULO 5 - ENERGIA SOLAR
FINANCIAMENTO
6
Banca Ética representa já uma alternativa real ao sistema financeiro tradicional. É uma banca
A
que tem como referência a pessoa e não o capital, a ideia e não o património, a justa remuneração e não a especulação.
A BANCA ÉTICA
Representa uma ideia ambiciosa, com um objectivo também ambicioso: eliminar um bloqueio do
sistema bancário, dando crédito a pessoas que tenham um projecto economicamente viável e socialmente importante, mas que são consideradas pelas instituições financeiras tradicionais como
“não financiáveis”, não dignos de confiança ou incapazes de garantir o retorno devido a não terem
activos como garantia.
ão existe uma definição unívoca de banca
ética. Geralmente, a expressão banca ética
refere-se a dois tipos de aplicação financeira diferentes:
► A microfinança (especialmente o microcrédito) dada aos grupos populacionais mais vulneráveis. Um exemplo
que se difundiu muito nos Países de
Terceiro Mundo e que já está a chegar
aos Países Desenvolvidos;
► O investimento ético, a saber, a gestão
dos fluxos financeiros utilizando instrumentos como fundos mútuos para
apoiar organizações que trabalham no
domínio do ambiente, desenvolvimento sustentável, serviços sociais,
cultura e cooperação internacional.
N
A atenção à ética nas operações bancárias implica um outro objectivo destes bancos, garantir
ao cliente a máxima transparência sobre os investimentos feitos e como será utilizado o lucro
gerado:
►Excluir investimentos em áreas que,
por muito retorno que dêem, não estão
em sintonia com uma visão “ética” do
dinheiro (p.ex. fundos de investimento
que incluem acções de empresas envolvidas na produção ou venda de
armas, empresas poluidoras, etc.);
► Fornecer directamente ao cliente a
oportunidade de escolher as áreas
onde aplicar o lucro obtido (p.ex. a
área sócio-educativa, a protecção do
território, a protecção do ambiente,
etc.).
Um banco ético é um banco normal que,
U
no entanto, opera no mercado financeiro
com critérios éticos relacionados com o finan-
BANCOS ÉTICOS
ciamento. Um banco ético fornece aos seus
clientes os serviços bancários normais, mas no
âmbito da selecção de investimentos e aplicação de lucros, tem um critério especial.
Além disso, tal como os “bancos dos pobres”,
um banco ético opera com o microcrédito, fornecendo à população especialmente necessitada, empréstimos com taxas de juro muito
baixas.
Por exemplo em Itália, o desenvolvimento de
um sistema bancário deste tipo passou pela
criação de pequenos grupos de Autogestão
CAPITULO 6 - FINANCIAMENTO
71
6
Mútua, conhecidos como MAG. Estes grupos
contribuíram para o desenvolvimento do microcrédito, e para o nascimento de pontos de comercialização de produtos provenientes de
Países em Vias de Desenvolvimento.
Actualmente este tipo
de mercado está em
pleno desenvolvimento, e até mesmo
alguns bancos tradicionais oferecem investimentos “éticos”,
devolvendo um aparte
dos lucros obtidos a
iniciativas de beneficência.
Concluindo, a banca ética orienta-se pelos seguintes padrões:
1. Acredita que o crédito, em todas as suas
formas é um direito de todos os seres humanos.
Não descriminar no acesso ao crédito com
base em razões de género, etnia ou religião
nem com base no património, garantindo
assim o acesso aos pobres e marginalizados. Financia actividades de promoção humana, social e ambiental recorrendo a uma
avaliação dupla, em termos de vitalidade
económica e utilidade social.
2. Considera a eficiência uma responsabilidade ética.
A taxa de juro, neste contexto, é uma medida de eficiência na utilização das poupanças. Uma medida de compromisso de
salvaguardar os recursos disponibilizados
pelos clientes e colocá-lo ao serviço de projectos viáveis.
4. É transparente.
O intermediário financeiro tem o dever ético
de tratar como confidenciais as informações
dos seus clientes, mas o relacionamento
transparente com eles exige que seja dado a
conhecer todo o processo dos negócios financeiros efectuados e todas as decisões
de emprego das suas poupanças.
5. Prevê a participação dos seus decisores
e dos seus clientes na tomada de decisões importantes.
Nos formulários estão incluídos mecanismos
de indicação de preferência na atribuição de
fundos (podendo o cliente escolher o tipo de
projectos a ser apoiado pelas suas poupanças). Para além disso, os clientes são chamados a pronunciarem-se na tomada de
decisões consideradas importantes, promovendo-se assim a democracia económica.
6. Tem como padrões de referência na tomada de decisões a responsabilidade social e ambiental.
Localiza campos de utilização e áreas preferenciais, utilizando no histórico económico
critérios de decisão baseados no desenvolvimento humano e responsabilidade social e
ambiental. Exclui à partida actividades económicas que impeçam o desenvolvimento
humano e contribuam para violar os direitos
do Homem, tais como a produção e comércio de armas, a produção gravemente lesiva
do meio ambiente e da saúde, actividades
que tenham por base a exploração de trabalho infantil ou a repressão de liberdades
civis.
3. Não considera legítimo o enriquecimento
baseado exclusivamente na posse e troca
de dinheiro.
Não é uma forma de caridade: é economicamente viável e pretende ser socialmente útil.
Ter responsabilidade na utilização das poupanças dos clientes e sendo capaz de produzir valor, cria uma parceria duradoura com
os seus clientes.
72
CAPITULO 6 - FINANCIAMENTO
6
o sector ambiental, a banca é um instruN
mento estratégico para o desenvolvimento
de iniciativas individuais ou colectivas de res-
O FINANCIAMENTO DE PROJECTOS DE ENERGIA
ponsabilidade energética, graças aos instrumentos financeiros que disponibiliza.
Esquematicamente, um banco pode envolverse em duas áreas:
► Projectos de sustentabilidade;
► Produtos financeiros para a sustentabilidade.
Por projectos de sustentabilidade entende-se
os projectos em que a instituição financeira oferece o seu know-how e experiência para o desenvolvimento de iniciativas locais de
responsabilidade ambiental. As possibilidades
são variadas e vão desde objectivos de comunicação, empresariais, sociais, etc. Alguns
exemplos podem ser a de criar sinergias entre
as redes ligadas às questões ambientais, a
criação de parcerias e o desenvolvimento do
espírito empresarial no sector da energia, etc.
Por produtos financeiros para a sustentabilidade entende-se o financiamento com taxas de
juro reais e adaptadas a pessoas, empresas e
instituições públicas que pretendam implementar medidas de eficiência energética ou instalar
sistemas de aproveitamento de energias renováveis.
O desafio para as instituições financeiras no
sector da energia, especialmente para as instituições éticas, é a de não abordarem as partes
interessadas com o intuito de “vender” um produto financeiro, mas sim, o estudar produtos e
projectos que visam a sustentabilidade das comunidades locais, procurando não apenas o
decréscimo no uso de energia, mas promovendo também os aspectos ambientais, sociais
e organizacionais que estão por detrás do desenvolvimento de uma pessoa e de uma comunidade.
Assim, ao apreciar um projecto de investimento
no sector da energia, um banco deve analisar
três aspectos:
1. Sustentabilidade e viabilidade económica e técnica da iniciativa;
2. A minimização dos impactes
ambientais;
3. Maximização da coesão social do
território.
CAPITULO 6 - FINANCIAMENTO
73
6
m grupo de aquisição (GA) é um grupo
U
de pessoas que decidem unir-se para adquirir produtos de uso diário (alimentos, de-
GRUPOS DE AQUISIÇÃO
tergentes, etc.) em conjunto. Um GA
baseia-se em ideias éticas, tais como a importância das relações entre as pessoas, da
solidariedade, do respeito por culturas diferentes e pelo ambiente.
A organização de um GA é bastante simples:
todo o grupo escolhe um produto e um produtor, bem como uma pessoa que fica encarregue de recolher instruções e de comprar
bens que serão distribuídos entre os membros do GA. Cada um paga a sua própria encomenda, de acordo com a prática escolhida
pelo grupo (em dinheiro ou cartão de crédito).
Os critérios usados para escolher produtos e
produtores são rigorosos. O grupo decide o
que comprar e a quem comprar, com base
em princípios ambientais e éticos: o respeito
pela natureza e pelos trabalhadores (produtos orgânicos e comercialização justa ou
bens com garantia) e pela produção local, de
74
modo a que o impacto sobre o ambiente devido ao transporte seja reduzido.
O que é realmente importante é a relação
entre os membros do grupo e os produtores:
conhecer quem produz e observar a forma
como trabalha é a melhor garantia para ter
um bom produto. Esta é a razão pela qual os
membros de um GA costumam visitar os produtores.
Uma nova fronteira para os GA pode ser o
mercado energético, graças à atenção que os
seus membros prestam às questões ambientais. Podem agir de duas formas: como um
grupo de pessoas que procura em conjunto
energias renováveis para as suas habitações,
o que significa fazer pressão sobre o mercado para obter melhores preços e condições
de pagamento; ou criando estruturas (fábricas de produção de energia a biomassa, de
sistemas fotovoltaicos ou solares, a partilha
do automóvel, etc.) que sejam partilhadas
entre os membros do GA e que sirvam de
modelo ou como exemplo.
CAPITULO 6 - FINANCIAMENTO
6
NOTAS
CAPITULO 6 - FINANCIAMENTO
75
6
NOTAS
76
CAPITULO 6 - FINANCIAMENTO
GLOSSÁRIO
A
ACUMULAÇÃO: Depósito geralmente localizado na cave que armazena a água aquecida
pelos colectores solares ou pela caldeira;
B
BARRIL: Unidade padrão para medir o volume de petróleo e derivados. Um barril de crude
pesa cerca de 136kg.
BIOMASSA: Acumulação de energia, a partir da radiação solar sob a forma de massa vege-
tal, através do processo de fotossíntese. Graças a este processo, o material vegetal é a forma
mais sofisticada da natureza para a acumulação de energia solar. São considerados biomassa
todos os produtos de culturas agrícolas e florestais, a transformação de resíduos agrícolas, resíduos de alimentos, algas e, indirectamente, todos os produtos orgânicos derivados de animais e seres humanos, tais como os contidos nos resíduos sólidos urbanos. A energia da
biomassa é utilizada directamente como energia térmica através do processo de combustão
ou gasificação.
C
CALOR: Energia que é transmitida por um corpo mais quente para um mais frio, transformando-se em energia dentro do corpo receptor.
CALORIA: Unidade de medida da quantidade de calor e energia. A caloria é a quantidade de
calor que se deve fornecer a uma grama de água destilada, à pressão atmosférica, para aumentar a sua temperatura em 1ºC.
COGERAÇÃO: Produção combinada e simultânea de energia eléctrica e térmica.
CONDUTIVIDADE TÉRMICA : Propriedade de todos os materiais que lhes permite transmitir
energia térmica por condução entre as diversas faces exteriores.
CONTADOR DE CALORIAS : Equipamento que permite contabilizar a quantidade de calor
realmente utilizada. Este sistema permite que num condomínio, cada condómino pague apenas o calor que utiliza.
CALDEIRA MODULAR : Sistema composto por mais de um queimador que funcionam em
paralelo para a produção de calor. Se o primeiro queimador não cobrir as necessidades, entra
GLOSSÁRIO
77
em funcionamento o segundo e assim por diante.
CALDEIRA DE TEMPERATURA VARIÁVEL: O seu funcionamento é caracterizado por uma
temperatura variável, em função das necessidades de calor, permitindo atingir o seu pico de
performance nas estações médias.
CALDEIRA DE CONDENSAÇÃO: este tipo de caldeira permite recuperar o calor contido nos
gases de combustão, fazendo um pré-aquecimento da água apresentando um rendimento
muito elevado.
CORTE TÉRMICO: separação através de isolamento térmico que evita o contacto entre as
caixilharias interiores e exteriores de uma janela.
E
ESTILHA: A estilha consiste em pedaços pequenos de madeira, resultantes da redução de
um tronco feita por uma estilhadora;
EFEITO DE ESTUFA: O Efeito de Estufa é a forma que a Terra tem para manter constante a
temperatura propícia à vida que herdou. Mesmo sendo a atmosfera altamente transparente
perante a luz solar cerca de 35% da radiação que recebemos é reflectida de novo para o
espaço, ficando os outros 65% retidos na Terra. Isto deve-se principalmente ao efeito sobre os
raios infravermelhos de gases como o Dióxido de Carbono, Metano, Óxidos de Azoto e Ozono
presentes na atmosfera, que vão reter esta radiação na Terra, permitindo-nos assistir ao efeito
calorífico dos mesmos. Se a quantidade de gases com efeito de estufa se tornar demasiado
elevada, provocará um aquecimento global com consequências catastróficas: derretimento
dos glaciares, desertificação, dessalinização dos oceanos, etc.;
F
FRACÇÃO SOLAR (%) : Percentagem da energia anual utilizada para aquecer a água que é
proveniente do aproveitamento da energia solar face á energia total necessária.
FONTES DE ENERGIA RENOVÁVEL : Considera-se como fonte de energia renovável todas
as fontes para as quais a taxa de consumo seja inferior à sua taxa de regeneração. As energias renováveis são: sol, vento, água, marés, ondas e biomassa.
78
GLOSSÁRIO
G
GASES DE EFEITO DE ESTUFA : Os gases presentes na atmosfera que reflectem a radiação
infravermelha proveniente da Terra, novamente para a Terra, permitindo a manutenção de
uma temperatura adequada para a vida. Os gases com efeito de estufa são o metano (CH4),
o dióxido de carbono (CO2), o vapor de água (H2O), o dióxido de azoto (NO), o ozono (O3),
os clorofluorcarbonatos (CFC) e o hexafluoreto de enxofre (SF6).
GNL: Gás Natural Liquefeito, obtido à pressão atmosférica, arrefecendo o gás natural a
-160ºC. Sob esta forma o seu transporte marítimo é fácil, recorrendo a navios tanque.
GPL: Gás de Petróleo Liquefeito, que resulta da mistura de fracções de petróleo, e através de
uma pequena compressão passa do estado gasoso ao estado líquido.
H
HIDROCARBONETOS: Compostos orgânicos constituídos apenas por carbono e hidrogénio.
Todos os hidrocarbonetos apresentam uma propriedade comum de oxidar facilmente libertando calor. Entre os hidrocarbonetos extraídos geologicamente encontra-se o petróleo,
o carvão e o gás natural. A combustão destes compostos provoca a emissão de CO2, contribuindo para o efeito de estufa e para a formação do ozono troposférico.
I
ISOLANTE: Material caracterizado por um baixo coeficiente de condutividade térmica e, consequentemente, com pouca capacidade de transferir calor.
P
“PELLETS”: Combustível para caldeiras a biomassa. É obtido submetendo a serradura a alta
pressão, de modo a formar aglomerados de dimensões reduzidas. Não é utilizado nenhum
tipo de cola para manter o material compactado. As “pellets” têm cerca de 1 a 3cm de comprimento e 5 a 8mm de diâmetro.
PONTE TÉRMICA: Descontinuidade construtiva ou material que constitui um modo preferencial de perdas de calor. Podem ser consideradas pontes térmicas certos pilares e talões de
viga, etc.
GLOSSÁRIO
79
POTÊNCIA TÉRMICA ÚTIL: quantidade de calor transferido, numa unidade de tempo, para o
fluido que circula através da rede de distribuição do sistema de aquecimento.
PODER CALORÍFICO: é a quantidade de calor produzido pela combustão de uma unidade
completa de combustível em determinadas condições, mantendo constante a pressão.
R
RADIAÇÃO INFRAVERMELHA: a radiação solar é composta por uma parte visível (a luz) e
por outra não visível, mas que por ser “quente” se sente, a chamada radiação infravermelha.
S
SOLAR TÉRMICO : Tecnologia que permite, através da utilização de colectores solares, a
captação da energia solar para o aquecimento de água quente sanitária ou para a integração
no aquecimento ambiente da habitação.
T
TEP: Tonelada Equivalente de Petróleo. Unidade de medida que expressa a energia térmica
obtida a partir da combustão de um combustível que não seja petróleo, comparando-o com o
petróleo.
V
VÁLVULA TERMOSTÁTICA: É uma válvula equipada com um manípulo que permite seleccionar a temperatura que se pretende na divisão. O seu funcionamento consiste em controlar
o caudal de água quente que passa, de forma a controlar a temperatura e a garantir uma temperatura pré-definida pelo utilizador.
VASO DE EXPANSÃO: a sua presença é importante nos sistemas de aquecimento a água e
a sua função consiste em absorver a dilatação da água devida ao aumento de temperatura.
80
GLOSSÁRIO
Q
QUEIMADOR: Elemento interior dos equipamentos de combustão que é responsável pela
produção de chama.
GLOSSARIO
81
Download

2 - Europa