CASO CLÍNICO: O USO DE MASSAGEM NA RECONSTRUÇÃO DE
UM EGO COLAPSADO QUANDO FALHA O‘PARA-EXCITAÇÕES’.
MARIA FORLANI
Monografia apresentada
para conclusão do curso de
Psicossomática do Instituto Sedes
Sapientiae.
Orientadora: MARIA HELENA FERNANDES
INSTITUTO SEDES SAPIENTIAE
ANO: 200l.
SUMÁRIO
Introdução
I. O “escudo protetor”.
II. O “pára excitações”.
III. Recortes de um atendimento.
IV. A pele e suas funções relacionadas ao “pára excitações”.
Conclusão
Referências bibliográficas
“Sim!
Os bebês têm necessidade de leite.
Mas muito mais de ser amados
E receber carinho.
Sentir...
Para o nariz, sentir é perceber o mundo mais adiante do que a mão pode
alcançar.
Ouvir é explorar mais longe ainda.
E ver, ah! Ver... é acariciar com os olhos o universo milhares de quilômetros
ao redor.
Cada sentido fala o mundo para nós. Seu mundo. E a harmonia se faz.
Cada sentido afasta um pouco mais além as fronteiras, tornando mais vasto,
mais variado e mais rico o universo.
Apalpar, porém, é por aí que tudo, de modo muito simples, começou.
A língua, que sabe tantas coisas, lembra-se disso:
“É tocante ...
De fato, amigo, estou tocado, muito tocado por sua atenção...”
Nos bebês, a pele transcende a tudo.
É ela o primeiro sentido.
É ela que sabe.
Como ela se inflama com facilidade em todas as criancinhas!
Erupções, eritemas, pústulas...
Micróbio? Infecção?
Não, não.
Mal-apanhadas.
Mal-acabadas. Mal cuidadas.
Mal conduzidas.
Mal-amadas.
Ah, sim, é preciso dar atenção a esta pele, nutrí-la.
Com amor. Mas não com cremes.
Ser levados, embalados, acariciados, pegos, massageados, constitui para os
bebês, alimentos
tão indispensáveis, senão mais, do que vitaminas, sais minerais e proteínas.
Se for privado disso tudo
e do cheiro, do calor
e da voz
que ela conhece bem,
mesmo cheia de leite, a criança vai-se deixar morrer
de fome.”
FRÉDÉRICK LEBOYER
(Shantala, p. 21-22-23. São Paulo:
Editora Ground Ltda)
Introdução
Escolhi estudar este assunto porque em nossas clínicas corporais reichianas o
caminho tomado pela excitação é de grande importância. Reich falava de um
encouraçamento muscular e de caráter que tentava conter a inundação de excitação não
descarregada e esse é o ponto de partida para a abordagem corporal.
Tomava como condição essencial para o adoecer humano disfunções nessa
descarga, privilegiando a descarga plena pela via do orgasmo, momento em que o
indivíduo adulto “saudável” realizava no encontro amoroso, a capacidade de entrega de
si para o outro e ao prazer. Como Freud, acreditava que o funcionamento econômico do
indivíduo seguia um direcionamento adquirido nos primeiros anos de vida, até a
dissolução do Complexo de Édipo. Enfatizando a sexualidade humana na origem do
adoecimento, atribuiu ao ambiente, excepcionalmente ao seu aspecto punitivo e
repressor para com a sexualidade infantil um fator de peso considerável. Se ele trouxe
contribuições importantes à dinâmica e à economia da vida psíquica, seu olhar ficou
sensivelmente preso ao caráter genital da sexualidade, não avançando nas sutilezas da
relação com o outro, notadamente à época em que o aparelho psíquico se constitui.
Não pretendo fazer um estudo comparativo da abordagem reichiana com a
psicanalítica na questão referente ao acúmulo de excitação que para um indivíduo em
formação pode transformar-se em trauma. Apenas vi na necessidade de elaboração desta
monografia, uma oportunidade para aprofundar minha reflexão sobre o tema, voltando
às origens das formulações dessa questão em Freud e os desdobramentos que ela teve
para os pesquisadores da Escola de Paris. Para ser mais precisa, pretendo abordar a
função de “pára-excitações”, função importante na abordagem psicossomática, e creio
eu, no tratamento de pacientes que experimentaram falhas precoces. Pretendo apresentar
para discussão um atendimento que fiz, no qual utilizei uma técnica corporal, a
massagem, que acredito haver funcionado de forma semelhante ao “pára-excitações”.
I. O “escudo protetor”
O papel econômico das excitações para a constituição do aparelho psíquico
esteve sempre presente nos estudos de Freud e desde seus primeiros trabalhos como no
Projeto de uma psicologia científica, chama atenção para a existência de mecanismos
que protegeriam o organismo das excitações provenientes do exterior, consideradas
excessivas para a capacidade de descarga ou de processamento para um aparelho
psíquico em formação.
As excitações provenientes do interior do organismo, por possuírem uma
magnitude compatível com o funcionamento do sistema, prescindem de um mecanismo
exclusivo de proteção. Em desequilíbrio viriam a constituir as sensações de prazer e
desprazer que sinalizam o que ocorre no interior do organismo. Se o desprazer for
demasiado intenso, desenvolve-se inicialmente o que virá a constituir o mecanismo de
projeção: as excitações são tratadas como se elas viessem de fora, de maneira a tornarse possível utilizar com elas o mesmo mecanismo de proteção utilizado para o
arremesso dos estímulos externos. Este mecanismo de proteção contra os estímulos
externos é o que pretendo pesquisar.
Laplanche e Pontalis citam o termo “para-excitações” utilizado por Freud ,
dizendo que ele é “usado num modelo psicofisiológico para designar uma certa função e
o aparelho que é seu suporte. A função consiste em proteger (schützen) o organismo
contra as excitações provenientes do mundo exterior que, pela sua intensidade,
ameaçariam destruí-lo. O aparelho é concebido como uma camada superficial que
envolve o organismo e filtra passivamente as excitações”.1
Para Freud, a proteção contra os estímulos exteriores teria uma função tão ou
mais importante que a recepção deles, pois os avassaladores estímulos provenientes do
mundo externo poderiam ser fatais caso o aparelho psíquico não pudesse suportá-los,
constituindo-se em traumas.
Nas versões para o português das obras de Freud utiliza-se o termo escudo
protetor, tradução do inglês protective shield que vem do alemão reizschutz. Em
francês o termo utilizado é pare-excitations,2 o que ocasionou o "para-excitações"nas
traduções para o português da literatura psicanalítica francesa.
Utilizarei o termo “escudo protetor”, como aparece nas nossas traduções de
Freud, quando o autor estiver se referindo a uma função discutida em termos orgânicos,
passando a utilizar “pára-excitações” quando esta função estiver associada à relação
objetal, por entender que houve um desdobramento na abordagem realizada pelos
franceses.
Freud utiliza o termo "escudo protetor" para designar uma função do aparelho
perceptual de nossa mente, que segundo ele consiste em duas camadas: uma mais
superficial, um revestimento, cuja missão seria diminuir a intensidade das excitações
que nele ingressam e a segunda, abaixo desta, constituída pelos órgãos dos sentidos.
Este sistema colhe “amostras” do mundo externo para classificá-las, regulando a
quantidade de estímulos que possa ser tolerada pelo organismo.3
Para descrever a função do escudo de proteção, o autor toma como exemplo um
primitivo organismo vivo, “uma vesícula indiferenciada” de uma substância
1
J.Laplanche e J.B. Pontalis (1975) Dicionário de psicanálise, p.422.
Ibid, p. 42l .
3
S. Freud (l920) Mais além do princípio do prazer, E.S.B. XVIII, p.39.
2
estimulável: “Esse pequeno fragmento de substância viva acha-se suspenso no meio de
um mundo externo carregado com as mais poderosas energias, e seria morto pela
estimulação delas emanadas, se não dispusesse de um escudo protetor contra os
estímulos. Ele adquire esse escudo da seguinte maneira: sua superfície mais externa
deixa de ter a estrutura apropriada à matéria viva, torna-se até certo ponto inorgânica e,
daí por diante, funciona como um envoltório ou membrana especial, resistente aos
estímulos. Em conseqüência disso, as energias do mundo externo só podem passar para
as camadas subjacentes seguintes, que permaneceram vivas, com um fragmento de sua
intensidade original, e essas camadas podem dedicar-se, por trás do escudo protetor, à
recepção das quantidades de estímulo que deixou passar. Através de sua morte, a
camada exterior salvou todas as camadas mais profundas de um destino semelhante, a
menos que os estímulos que a atinjam sejam tão fortes que atravessem o escudo
protetor”.4
O sistema de proteção ocorreria também de outra forma, com um sentido mais
psicológico e com um papel apenas funcional, sem substrato corporal, em decorrência
da periodicidade em que ocorre a excitabilidade do sistema perceptual. Este sistema,
permeável, é atravessado de tempos em tempos por censores do inconsciente que se
dirigem ao meio externo e se retiram depois de classificar os estímulos dalí colhidos.
Vejamos o texto de Freud: “Minha teoria expunha que inervações da catexia são
enviadas e retiradas em rápidos impulsos periódicos, de dentro, para o sistema
Perceptual-consciente completamente permeável. Enquanto catexizado dessa maneira
esse sistema recebe percepções (que são acompanhadas por consciência) e transmite a
4
Ibid, p.42.
excitação para os sistemas mnêmicos inconscientes; entretanto, assim que a catexia é
retirada, a consciência se extingue e o funcionamento do sistema se detém ...”.5
No texto Inibição, sintoma e ansiedade (1926), Freud também se refere ao
escudo protetor e quando este sistema falha, ao seu rompimento ele credita a ocorrência
das repressões primitivas: “é altamente provável que as causas precipitantes imediatas
das repressões primitivas sejam fatores quantitativos, tais como uma força excessiva de
excitação e o rompimento do escudo protetor contra os estímulos.
Essa menção ao escudo protetor provoca algo que nos relembra o fato de que a
repressão ocorre em duas situações diferentes - a saber, quando um impulso instintual
indesejável é provocado por certa percepção externa e quando surge internamente sem
qualquer provocação. Mas o escudo protetor existe apenas no tocante a estímulos
externos, não quanto a exigências pulsionais internas”. 6
Aponta também uma função econômica para a angústia, a de atrair para sí o
excedente de excitação proveniente do rompimento do estudo protetor em uma situação
traumática. Da mesma forma, ele atribui a ocorrência da dor física à uma falha no
escudo protetor
Neste texto temos uma importante modificação na abordagem freudiana para a
função do escudo protetor, que até aqui aparece sempre relacionado a um sistema
orgânico fechado em si mesmo. Ele dá-lhe um enfoque mais psicológico, ao propor uma
analogia entre a dor física e a dor psíquica.
Lança mão do conceito de investimento para explicar que a dor física
proveniente do escudo protetor que se rompeu é conseqüência de um investimento
libidinal maciço no representante psíquico do local onde tal ocorre, que provoca um
desinvestimento no restante do sistema. Segundo o uso comum que fala em dor mental,
5
6
S. Freud (l925) Uma nota sobre o “Bloco Mágico”, E.S.B. XIX, p.290.
S. Freud(l926) Inibição, sintoma e ansiedade, E.S.B. XX,p.ll6.
propõe que a perda objetal está na origem do sofrimento psíquico, apresentando,
portanto, a dinâmica físico/psíquico como equivalentes: “Penso ser aqui que
encontraremos o ponto de analogia que tornou possível levar sensações de dor até a
esfera mental, pois a intensa catexia de anseio que está concentrada no objeto do qual se
sente falta ou que está perdido (uma catexia que aumenta com firmeza porque não pode
ser apaziguada) cria as mesmas condições (grifo meu) que são criadas pela catexia da
dor que se acha concentrada na parte danificada do corpo. A transição da dor física para
a mental corresponde a uma mudança da catexia narcísica para a catexia de objeto. Uma
representação de objeto que esteja altamente catexizada pela necessidade pulsional
desempenha o mesmo papel que uma parte do corpo catexizada por um aumento de
estímulo. A natureza contínua do processo catexial e a impossibilidade de inibi-lo
produzem o mesmo estado de desamparo mental”.7
Elabora a idéia que uma situação traumática traz em si uma experiência de
desamparo, conseqüência de um acúmulo de excitação que pode vir de dentro do
indivíduo ou do ambiente e que ele não pode lidar. A angústia como um sinal, diz
Freud, é uma resposta à ameaça de ocorrência de uma situação traumática ocasionada
por um perigo. Os perigos internos têm uma característica comum: envolvem a
separação ou perda de um objeto amado. Esta perda pode, de várias maneiras conduzir a
um acúmulo de necessidades e desejos insatisfeitos e à situação de desamparo.
Até esse momento, por trás do conceito de escudo protetor encontrávamos a
idéia de trauma associada a falência daquele mecanismo pensado em termos
intrapsíquicos. A partir deste texto ele abre a perspectiva para uma abordagem
intersistêmica e pulsional, colocando em cena “o anseio concentrado no objeto que se
sente falta”.
7
Ibid, p. l96.
Este aspecto mais psicológico do sistema de proteção será apropriado pela
Escola de Paris e como decorrência uma ênfase especial será dada à relação objetal,
visto que é o investimento materno que abastece o reservatório de energia vinculada da
criança. À
função materna será dado um tom semelhante à concepção original
freudiana. Cabe inicialmente a mãe realizar a tarefa que depois é executada pelo escudo
protetor e seus derivados, os órgãos sensoriais: dosar, classificar, ritmizar, etc., os
estímulos que chegam até seu filho.
II. O “pára-excitações”
A partir de 1926, o papel do meio ambiente representado pela mãe e a
necessidade de auxílio desta nas situações de desamparo passam a ocupar o centro da
discussão do conceito de trauma. A ênfase na relação mãe-filho, alterando o referencial
para discutir o trauma constitui fato relevante para o desdobramento do enfoque
psicanalítico posterior no que se refere a constituição do psiquismo.
Considerando que a dependência do bebê é mais prolongada que a de qualquer
outra espécie conhecida e que é a partir dessa dependência que se constitui a
subjetividade, passa-se a pensar a função materna como abarcando, entre outros papéis,
o de escudo protetor ou “pára excitações”. De um modo geral este papel constitui o
ambiente normal para satisfazer as necessidades do bebê, que deve compreender não só
a participação pessoal da mãe junto ao filho, mas também o manejo do ambiente não
humano de que a criança depende para um completo bem estar ( o quarto, o berço, etc ).
De modo particular, protegendo seu filho das excitações que ele não pode assimilar tanto as internas quanto as externas - a mãe desempenha uma função reguladora,
promovendo a homeostase de seu bebê, o que permite que seu aparelho psíquico se
constitua e passe, pouco a pouco, a desempenhar a função de “pára excitações”. Este
aparelho psíquico exerce uma função essencial de assimilação e elaboração dos
estímulos proveniente da realidade externa e do meio interno, trás na sua constituição e
em seu funcionamento, as marcas da experiência com outro humano que o adentrou na
existência, marcas nem sempre de satisfação, de prazer e amor.
Leon Kreisler assim se refere à função materna: “A função materna cumpre
múltiplas finalidades do ponto de vista da economia psicossomática: satisfazer as
necessidades básicas, fisiológicas e instintuais; proteger a criança não apenas dos riscos
externos, mas das excitações nocivas do meio. Esse papel de “pára-excitação” é
exercido pela mãe antes do psiquismo adquirir seu funcionamento protetor autônomo.
Na clínica psicossomática essa noção, que é fundamental, concerne a vertente
quantitativa dos fenômenos patogênicos... constituindo as influências etiológicas em
duas correntes opostas: por um lado, o excesso de excitação, por outro a insuficiência e
a carência”.8
M. Fain reconhece no investimento pela mãe o fator que permite a edificação do
narcisismo primário. Sua omissão no papel de apoio e de “pára-excitações tem como
conseqüência uma deterioração do funcionamento mental em seu estágio inicial quando
estrutura-se o equilíbrio entre libido objetal e a libido narcísica, a realização alucinatória
do desejo e a fantasia, a elaboração da representação, do afeto, a neutralização das
tendências agressivas e o investimento da motricidade.9
8
L. Kreisler (l992) A nova criança da desordem psicossomática, p. 35l.
9
L. Kreisler, M. Fain e M. Soulé (l974) A criança e seu corpo: psicanálise da primeira
infância.
W. Ranña afirma que na situação inicial que desencadeia o processo de
organização pulsional, as excitações provenientes das urgências somáticas e interativas
invadem o incipiente aparelho psíquico do bebê e daí não têm descarga, sendo
impossível a realização de representação, pois ainda são poucos os traços mnêmicos
disponíveis. A evolução de um processo maturacional terá sucesso se forem conjugados
três processos: a intensidade das excitações, a descarga nos sistemas somáticos e o
“pára-excitações”, sendo que “a para-excitação é o aspecto principal dessa primeira
etapa e é dado pela maternagem, compondo-se de um aspecto objetivo, representado
pela eficiência no atendimento às urgências físicas e psíquicas do bebê e de um aspecto
subjetivo, na medida em que a mãe, ou o “outro da maternagem”, supõe um sujeito no
bebê que grita, dando um significado aos gritos e suas demandas a partir de seus
próprios referenciais subjetivos e inconscientes. Aqui fica enfatizado o caráter
fantasmático da interação, atribuindo à pára excitação um aspecto intersubjetivo. As
representações psíquicas inscritas nos sistemas mnêmicos do bebê que vão constituindo
seu aparelho psíquico, resultam desse campo intersubjetivo, sendo profundamente
configuradas por ele, consubstanciando as marcas identificatórias dessa etapa”.10
O desconforto e a tensão vão sendo mais suportados na medida em que a
memória das experiências de satisfação, ou a inscrição mnêmica das mesmas, é
acionada, dando conta de uma realização alucinatória do desejo, nossa primeira
atividade mental.
Quando a mãe falha na sua função de “pára-excitações” a criança não pode
contar com um reservatório de inscrições que lhe permitam suportar um excesso de
estimulação e o aparelho psíquico se constitui de forma precária. Posteriormente esta
deficiência poderá desencadear uma psicose ou perturbações somáticas.
10
W. Ranña, Psicossomática e o infantil: uma abordagem através da pulsão e da
relação objetal, p.109.
Gostaria de apresentar um caso em que as falhas não foram tão severas, mas
suficientes para marcar a ocorrência de um núcleo confusional que se acentuava
sobremaneira em momentos de vida quando se exacerbavam os conflitos ou o aumento
de pressão provenientes de fatores externos. Nessa paciente ficava claro que o
dispositivo do “pára-excitação” encontrava-se em um nível de funcionamento bastante
precário.
III. Recortes de um atendimento
Raquel me procurou em um momento de desorganização em que parecia
delinear-se uma situação de risco de descompensação psíquica. Apresentava várias
queixas: falta de energia, distúrbio do sono, irritabilidade, indefinição profissional,
colapso do casamento, relação difícil com as filhas. As queixas eram gerais, ela não
conseguia precisar nenhuma. O único momento em que foi taxativa:
– “Não quero acabar como minha mãe que toma l2 comprimidos por dia”.
Dividia-se a procura de solução para seu sofrimento, transitando da
ginecologista para o homeopata, deste para o médico ortomolecular; do psicoterapeuta
para a taróloga, o numerólogo, a astróloga. Eu seria a massagista que a “mulher que
estuda anjos” indicou.
Na terceira sessão de massagem caiu num choro convulsivo ao deparar-se com o
desamparo em que se encontrava, especialmente no seu processo psicoterapêutico: um
grupo de 10 pessoas, em uma situação confusa onde uma terapia de casal havia se
desdobrado em duas individuais – para ela e para o marido, com o mesmo terapeuta resultando no mencionado processo de grupo.
Pede-me para tomá-la como cliente de psicoterapia.
Quando iniciamos o processo verbal eu não tinha como alcançá-la. Só se referia
a sua romaria em busca de conforto e cura da dor. Qualquer tentativa de interpretação,
de significação, fosse do que fosse, acentuava seu desespero. Ela não conseguia me
entender, por mais que eu tentasse simplificar, dar exemplos, fazer uso de imagens. Se
em uma sessão eu me referisse a alguma estrutura interna dela – um pensamento, uma
sensação, uma emoção – ela voltava na sessão seguinte completamente confusa,
obnubilada, tentando agarrar-se a uma palavra minha para dar-lhe um significado.
Propus que fizéssemos duas sessões semanais e que uma sessão fosse usada com
massagem.
Na sessão verbal passei a me ocupar com sua situação de vida concreta. Como
ajudá-la a organizar seu dia a dia caótico, como programar atividades que coubessem
em um determinado espaço de tempo, como encontrar em sua casa um local onde
pudesse, em um momento de muita agitação interna, estar só para fazer o que achasse
necessário para cuidar-se. Tudo era muito para ela, eu tinha que abordá-la com
“colherinha de chá”, senão ela voltava para seu estado de confusão.
Na massagem também orientei-me pelo pouco: poucas manobras, toque
caloroso, pouco tempo de massagem, um toque que desse a sensação de contorno, de
limite corporal, de existir concretamente, de contenção. Eu a tocava por 30 minutos, ela
se aquietava, às vezes dormia. Nessas sessões de massagem eu procurava falar-lhe só o
indispensável e respondia à sua solicitação verbal apenas para mandá-la de volta ao seu
corpo, às suas sensações. Deixava de estimular qualquer atividade que exigisse um
funcionamento mental mais evoluído.
Quando ela começou a falar de si nas sessões verbais, mencionou ter falado
apenas aos 5 anos. Nunca recordava seus sonhos. Interrogava-se a respeito de uma
retomada profissional mas não conseguia vislumbrar um desejo, algo que pudesse
trazer-lhe prazer. Essa palavra não possuía significado para ela. Em momentos de
desespero relatava que só lembrava de si mesma sofrendo.
Por quase um ano mantivemos esse ritmo: duas sessões semanais, uma para
massagem, outra verbal. À medida que eu a tocava através da massagem, tentando
identificar o toque com o que Winnicott chamou de “cuidado devocional” nossas
sessões verbais foram se organizando e se enriquecendo. Ela me falou de seu
casamento, onde, por vários anos teve como descarga para sua imensa angústia, as
intempéries verbais e motoras desferidas contra o marido e contra as filhas. Narrou seu
desespero freqüente quando, na situação simbiótica que viviam, ligava para ele no
trabalho e não conseguia encontrá-lo. Passava a ligar para todos os telefones possíveis,
alucinadamente, várias vezes. Não satisfeita com isso, não o encontrando por telefone,
pegava o carro e rodava horas seguidas, até exaurir-se. Com as filhas vivia uma rotina
estafante. Uma vez tentamos passar em revista o seu dia a dia e constatamos que ela
era de uma atividade desordenada e frenética: se houvesse um intervalo de l5 minutos
entre uma escola e outra, esse tempo era preenchido com uma ida ao sapateiro. Raquel
parecia consumir-se numa procura louca de possibilidades para aumentar seu já
congestionado reservatório de excitação ou então procurava descarga para sua angústia
nesse fazer incessante.
Há anos vinha fazendo um tratamento capilar e não podia usar os cabelos soltos
de tão ralos que eles haviam ficado em conseqüência de queda recorrente. Passava por
um tratamento interminável de dentes, parecendo que seu transbordamento interno
encontrara esses dois diques para vazar uma carga inesgotável.
Inicialmente ela tinha uma lembrança pobre de sua infância. Eu percebia que a
sessão de massagem lhe ajudava a conter não apenas a inundação que se traduzia na
forma operatória de viver, mas lhe ajudava também a processar o que abordávamos na
sessão verbal. Procurei focar o toque da massagem dando atenção especial ao ritmo,
permitindo que ela experimentasse corporalmente algo diferente do constante
sobressalto que era seu mundo interno e externo. O toque ritmado, o setting organizado
foram lhe oferecendo a possibilidade de vivenciar a constância e ela passou a trazer
alguns relatos da infância.
O pai saía para trabalhar, a mãe saía a procura de outros homens. Desde muito
cedo, ela, a filha mais velha, procurou dar um pouco de ordem na casa caótica que a
mãe abandonava: lavava a louça, o quintal, arrumava a casa. Lamentava muito ter
aprendido a fazer tudo sozinha, inclusive a praticar medidas de higiene, como pentearse, escovar os dentes, vestir-se. Quando se aproximava o horário do pai voltar para casa,
ela se desesperava, fixada no relógio, caso a
mãe ainda não houvesse retornado.
Algumas vezes os pais brigavam e o pai, bêbado, ameaçava jogar-se no poço da casa.
Um dia, enquanto eu lhe massageava amorosamente a cabeça, puxando os
cabelos até a ponta dos fios, pôs-se a chorar, lembrando, quando, por volta dos 4 anos,
saiu correndo e chorando atrás da mãe, pedindo para ela não sair. Ela saiu arrastando a
menina pelos cabelos, até a porta da casa.
Com o prosseguimento do trabalho, ao tocá-la, sentia que ela ganhava
consistência. Acredito que o toque para ela teve uma função estruturante, no sentido
mesmo da película do escudo protetor, ao mesmo tempo que lhe dava uma noção de
unidade, coisa que provavelmente sua mãe, profundamente comprometida, jamais
conseguiu possibilitar à filha. Através do toque Raquel foi construindo a experiência do
interno e do externo, as interpretações
deixaram de ser sentidas como ameaça, ao
mesmo tempo que começou a apresentar, ela mesma, significados para os
acontecimentos de sua vida.
Pudemos deixar de usar a massagem após uma experiência significativa para ela.
O marido e as filhas várias vezes referiam-se a ela como louca, por sua impulsividade.
Ela mesma oscilava entre a desconfiança da assertividade de sua percepção e os sinais
de possuir uma intuição muito desenvolvida. Uma vez desconfiou que sua faxineira
vinha se apropriando de roupas e materiais de casa. Conteve sua desconfiança e
aguardou uma situação para pô-la à prova. Quando esta situação se realizou, foi até a
casa da faxineira com um roteiro construído para não agredir a
moça, caso suas
suspeitas fossem infundadas. Constatou que ela roubara algumas peças e conseguiu
recuperá-las. Sua satisfação quando me contou o episódio foi enorme. Podia mostrar à
família que sua percepção tinha fundamento, que não tinha “imaginado coisas”.
A partir do momento que paramos de utilizar a massagem como dispositivo
clínico porque ela já conseguia, por outros meios, conter-se e beneficiar-se da
psicoterapia verbal e porque o uso desse dispositivo passava a configurar-se como
resistência ao processo psicoterapêutico, ela teve alguns pequenos retrocessos, quando a
situação de vida lhe pesava mais. Algumas vezes voltamos a utilizar a massagem como
algo que podia protegê-la do excesso de pressão, devolvendo-a para si mesma, de forma
que sua mente se reorganizasse para efetuar esse papel. Depois de um tempo, estando
Raquel bem mais estruturada, a massagem era eventualmente pedida e recebida por ela
como “um algo mais”, uma coisa gostosa, uma escolha de experiência profundamente
associada ao prazer de existir.
IV. A pele e suas funções relacionadas ao "pára-excitações".
Quando penso em associar o uso clínico da massagem à função protetora do
pára-excitação, tenho em mente o modelo freudiano inicial que conferia a esse conceito
um valor calcado no modelo fisiológico, além da sua inscrição numa concepção tópica.
A massagem que pratiquei no caso relatado efetivou-se no tecido cutâneo e pele,
especialmente. Freud se referia ao escudo protetor como uma "camada mais superficial,
um revestimento", onde podemos ler a pele e os órgãos sensoriais a ela relacionados.
Sabemos que em termos embrionários tanto a pele quanto o sistema nervoso
central originaram-se da mesma camada, a ectoderme. O sistema nervoso cuja principal
função inicialmente é manter o organismo informado do que está se passando fora dele,
desenvolve-se como a porção externa do embrião que depois se vira para dentro. Após a
diferenciação do cérebro, da medula espinhal e demais partes do sistema nervoso, o
revestimento de superfície torna-se pele e seus derivados, como pelos, unhas, dentes.
Com o registro primitivo de sua formação inicial, a pele e todas as suas partes
diferenciadas é o meio pelo qual o mundo externo é percebido. Ela serve de moduladora
entre o ambiente externo e o interno
.Montagu (l971) refere-se a "assombrosa versatilidade da pele, sua tolerância a
mudanças do meio ambiente e sua espantosa capacidade termo-reguladora, bem como
sua eficiência especialmente como barreira aos assaltos e lesões oriundas do meio
ambiente".11 Este autor atribui a pele o desempenho de uma típica função, de sua
superfície externa refletir o mundo da realidade objetiva, da mesma forma que reflete o
mundo vivo do interior do corpo, como se fosse um espelho do funcionamento do
organismo. Sua cor, textura, umidade, seus aspectos refletem nosso estado fisiológico e
também o psicológico, como atesta o fala popular: empalidecemos de medo,
enrubescemos de vergonha. Nossa pele formiga de excitação e adormece diante de um
choque. É espelho de nossas paixões e emoções.
11
A. Montagu, Tocar - O significado humano da pele, p.25
Na
Grécia
clássica
já
se
intuía
a
correspondência
pele/meio
ambiente/comportamento. A ginástica e a massagem eram utilizadas para moldar o
corpo e o comportamento necessários à realização cultural que se pretendia. Os
atenienses em seus exercícios visavam uma natureza humana livre, eloqüente, queriam
abrir-se para o mundo e seu legado artístico-cultural atesta isto. Apreciavam praticar
suas atividades ao ar livre, procuravam a claridade. Os espartanos, ao contrário,
procuravam adquirir resistência, eram mais introspectivos, lacônicos, duros. Para
adquirir este temperamento social, expunham-se às intempéries, como chuva e frio e
submetiam-se a fricções na pele realizadas com um composto de argila.12
Mas a pele não é apenas um escudo protetor e a fronteira física do corpo, está
também intimamente ligada a consciência. A consciência pode ser pensada como uma
função da superfície e representa a percepção da interação entre os dois mundos interno
e externo. Quando fecho o olho e adormeço, excluo o mundo externo, perco consciência
de mim mesma e do mundo externo. Mas tenho acentuada a consciência onírica,
intensifica-se minha sensibilidade para o que está acontecendo no meu interior. Se
alguém me bate de leve ou me sacode, tomo novamente consciência do mundo exterior.
Uma fronteira ou superfície separa duas áreas de fenômenos, cada uma das quais pode
agir sobre esta fronteira. A pele é a superfície imediata do corpo que separa os dois
mundos: o interior e o exterior e como tal é sensível a estímulos de fora e de dentro.
Pode-se dizer que a superfície do corpo envolve, não só a pele, mas os tecidos
subcutâneos e o envólucro de músculos voluntários que rodeiam o corpo. Os órgãos
sensoriais que aumentam a sensibilidade a eventos do mundo exterior, estão localizados
na superfície do corpo. Se diminuirmos essa sensibilidade, diminuimos a consciência do
ego. Se congelarmos a superfície da pele, podemos provocar uma anestesia local. Mas a
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M. Hauschka, Massagem ritmica
consciência do ego pode ser reduzida por um anestésico geral que atua diretamente
sobre o cérebro ou tronco cerebral, bloqueando as funções perceptivas desse ego. Isto
nos diz que duas superfícies estão envolvidas na consciência do ego: a superfície do
corpo e a superfície do cérebro. E dois eventos são necessários, portanto, para que
ocorra a percepção consciente: um evento que tem lugar dentro ou fora do organismo
deve provocar um impacto na superfície e a percepção ou reconhecimento desse
impacto deve ocorrer no cérebro.
A percepção é uma função do ego e está localizada na superfície do cérebro, a
qual atua como um radar ou tela de televisão onde aparece uma imagem do que está
acontecendo. A superfície do corpo atua como uma antena de televisão que recebe os
sinais antes de serem projetados na tela como imagem.
Raquel não havia constituído adequadamente essa barreira interno/externo. Sua
antena, saturada, funcionava como uma parabólica potente demais para seu acanhado
aparelho de TV, com um decodificador aquém dos sinais recebidos. A descoberta da
possibilidade de ser tocada fisicamente, como que fazendo um recorte entre o interno e
o externo, possibilitou a experiência daquilo que Winnicott considera imprescindível à
conquista da personalização, qual seja, a vivência do estado de não integração que a
massagem propiciava, seja permitindo um relaxamento onde o estado de consciência se
altera, ficando em algo parecido com o devaneio, ou mesmo conduzindo ao sono, aquele
sono reparador que possibilita a emergência da consciência onírica, forma de
escoamento para a excitação excessiva. O toque também trazia a consciência do seu
corpo, sua estrutura, apoio para a reestruturação de sua vida psíquica.
Sob o ponto de vista da relação objetal, o uso da massagem pode remeter ao que
Winnicott chamou de fase de dependência absoluta, quando o bebê deve ter como única
função o existir. À mãe cabe entender e providenciar a satisfação de todas as suas
necessidades, graduar os estímulos que possam ser suportados, etc. O psiquismo da mãe
é como que emprestado à criança que ainda não tem o seu constituído. No caso relatado
foi fundamental para Raquel poder viver o estado de dependência protegido pelo setting
e pela transferência, pois no dia a dia ela vivenciava com o marido uma dependência
simbiótica como uma experiência devastadora e imprescindível.
Nas sessões ela pode entregar-se ao estado de dependência que remetia a não
integração e sair dela, ao final da sessão, revigorada e com um sentimento
paulatinamente construído de ser alguém integrado. Era reconfortante para ela
mencionar que não precisava me pedir para tocá-la em tal ponto, que eu parecia
adivinhar-lhe a necessidade, toda vez que esta ocorresse. Era também muito
reconfortante poder ficar quietinha, passiva, apenas recebendo, sendo cuidada. Várias
vezes referiu-se a sensação de experimentar a vida penetrando no lugar que eu tocava,
como se minhas mãos fossem um "varinha de condão" capaz de acordar aquele pedaço
de carne para a existência.
Conclusão
Raquel viu-se profundamente afetada quando massageei, pela primeira vez, o
seu peito. Carecia então de um sistema perceptual organizado, vivia relações
simbióticas profundamente ameaçadoras para seu self mal constituído, seu ego
colapsado. Foi tocada ali, onde nós apontamos quando nos referimos ao "eu sou". De
forma concreta como um bebê precisa ser tocado. Foi nesse momento que começamos
aquela jornada que para ela configurou seu ser/estar no mundo de uma maneira mais
estruturada, lúdica, criativa e independente.
Considero ter sido de fundamental importância que nosso encontro tenha se
iniciado pela massagem, pois foi através dessa comunicação não verbal que Raquel que
só falou aos cinco anos, pode ser remetida à vivências que haviam recebido significado
além da palavra. Os registros de suas falhas precoces decorrentes de uma mãe
psiquicamente comprometida e do excesso que deve ter significado o ambiente físico
caótico em que ela cresceu pareciam estar inscrito no seu corpo e eu, como terapeuta,
tive acesso a eles porque a massagem me permitiu reportar-nos à relação básica e
fundamental para qualquer bebê, que
é a necessidade do toque corporal. Toque
efetuado como se eu fosse mesmo aquela pessoa que "cola os caquinhos de mosaicos",
somando a percepção de uma parte do corpo a outra, até que esse corpo pudesse servir
de apoio para uma instância psíquica. Enquanto isso não acontecia, a massagem foi
modulando um espaço, um tempo, uma intensidade, a adequação da percepção de
estímulos e ocorrências internas e externas que antes chegavam rompendo as barreiras
protetoras e provocando experiências de aniquilamento.
Acredito que nesse atendimento, bem como em outros casos de pacientes
borderlines, se a massagem puder ser recebida - e quero destacar que não é regra geral
que estas pessoas aceitem o toque ou possam receber a massagem como experiência de
gratificação - pode-se efetuar uma situação transferencial propícia à relação de algo
semelhante ao "pára-excitações", no seu aspecto fisiológico, pois a massagem, atuando
na pele e nas terminações nervosas que nela se encontram, influencia diretamente o
sistema perceptual, permitindo que ele gradue os estímulos recebidos do exterior e os
percebidos do interior.
Por outro lado, ao se constituir em uma forma de comunicação não verbal e
remeter aos cuidados maternos iniciais, a massagem possibilita uma reedição,
melhorada, dessa relação. Se esta nova experiência fôr vivenciada como gratificante,
pode instituir as marcas que faltavam para o fortalecimento do psiquismo; se acessada
uma experiência traumática temos o recurso da transferência e da análise verbal. De
qualquer forma, remetendo o paciente ao estado de não integração, a massagem pode
ser vista como instrumento semelhante a abordagem do "pára-excitações"da Escola de
Paris, no sentido que é o outro que promove a homeostase, até que o aparelho psíquico
possa assumir essa função.
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CASO CLÍNICO: O USO DE MASSAGEM NA RECONSTRUÇÃO DE