GOVERNO DO DISTRITO FEDERAL – GDF SECRETARIA DE ESTADO DE OBRAS PROGRAMA DE SANEAMENTO BÁSICO NO DISTRITO FEDERAL ACORDO DE EMPRÉSTIMO Nº 1288/OC-BR – BID PLANO DIRETOR DE DRENAGEM URBANA DO DISTRITO FEDERAL Volume 4 Relatório de Produto 2 Caracterização Setembro / 2008 GOVERNO DO DISTRITO FEDERAL – GDF SECRETARIA DE ESTADO DE OBRAS PROGRAMA DE SANEAMENTO BÁSICO NO DISTRITO FEDERAL ACORDO DE EMPRÉSTIMO Nº 1288/OC-BR – BID PLANO DIRETOR DE DRENAGEM URBANA DO DISTRITO FEDERAL Volume 4 Relatório de Produto 2 Caracterização Setembro / 2008 Ficha Catalográfica Distrito Federal, Secretaria de Estado de Obras, Plano Diretor de Drenagem Urbana do Distrito Federal – 2008. Brasília: Concremat Engenharia, 2008 V.4, T.01/03 Conteúdo: 12 V Relatório de Produto 2 – Caracterização da Rede de Macrodrenagem; do Problema da Erosão Urbana e do Risco Geológico e do Problema de Carreamento de Lixo para os Cursos D'água 1. Planejamento. 2. Plano Diretor de Drenagem Urbana. 3. Distrito Federal. I. Concremat Engenharia, II Secretaria de Estado de Obras do Distrito Federal. III. NOVACAP CDU 556:711.4 SUMÁRIO APRESENTAÇÃO ................................................................................................................ III LISTA DE FIGURAS ............................................................................................................ IV LISTA DE QUADROS ......................................................................................................... VII LISTA DE TABELAS ........................................................................................................... VII LISTA DE ANEXOS ............................................................................................................ VII LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS ................................................................................... VII 1 2 ASPECTOS GERAIS ....................................................................................................... 1 1.1 Principais Características do Contrato ............................................................................ 3 1.2 Identificação da Área de Abrangência do Trabalho ......................................................... 3 1.3 Resumo deste relatório ................................................................................................. 4 SUMÁRIO EXECUTIVO ................................................................................................. 5 2.1 3 Estudos consultados ...................................................................................................... 7 CARACTERIZAÇÃO DA REDE DE MACRODRENAGEM DO DISTRITO FEDERAL ............... 12 3.1 Introdução .................................................................................................................. 12 3.2 Drenagem urbana no Distrito Federal .......................................................................... 15 3.2.1 3.2.2 3.2.3 3.2.4 Implantado...................................................................................................................................... 19 Implantado parcialmente ............................................................................................................... 19 Em implantação .............................................................................................................................. 20 Não implantado .............................................................................................................................. 22 3.3 Caracterização do sistema de drenagem pluvial............................................................ 23 3.4 Locais com drenagem pluvial problemática .................................................................. 33 3.4.1 3.4.2 3.4.3 3.4.4 3.4.5 3.4.6 3.4.7 3.4.8 3.4.9 3.4.10 3.4.11 3.4.12 3.4.13 3.4.14 3.4.15 3.4.16 3.4.17 3.4.18 3.4.19 3.4.20 3.4.21 Plano Piloto ..................................................................................................................................... 34 Guará .............................................................................................................................................. 36 Candangolândia .............................................................................................................................. 36 Núcleo Bandeirante ........................................................................................................................ 36 Gama ............................................................................................................................................... 37 Cruzeiro........................................................................................................................................... 37 Sobradinho...................................................................................................................................... 37 Recanto das Emas ........................................................................................................................... 38 Sudoeste ......................................................................................................................................... 38 Paranoá ...................................................................................................................................... 38 Lago Sul e Lago Norte................................................................................................................. 38 Varjão ......................................................................................................................................... 39 Planaltina ................................................................................................................................... 39 São Sebastião ............................................................................................................................. 39 Brazlândia................................................................................................................................... 40 Taguatinga.................................................................................................................................. 40 Riacho Fundo I e II ...................................................................................................................... 40 Samambaia................................................................................................................................. 40 SIA .............................................................................................................................................. 40 Ceilândia..................................................................................................................................... 41 SCIA/Estrutural ........................................................................................................................... 41 I 3.4.22 3.4.23 3.4.24 4 Itapoã ......................................................................................................................................... 41 Jardim Botânico ......................................................................................................................... 42 Fercal .......................................................................................................................................... 42 CARACTERIZAÇÃO DO PROBLEMA DE EROSÃO URBANA E DO RISCO GEOLÓGICO ...... 43 4.1 Desenvolvimento urbano e suas conseqüências ........................................................... 43 4.2 Erosão ......................................................................................................................... 44 4.2.1 4.2.2 Classificação das erosões ................................................................................................................ 44 Fatores condicionantes ................................................................................................................... 49 4.3 Processos erosivos no Distrito Federal ......................................................................... 50 4.4 Processos erosivos por bacias elementares .................................................................. 55 4.5 Processos erosivos por regiões administrativas ............................................................ 60 4.5.1 4.5.2 4.5.3 4.5.4 4.6 Região administrativa de Sobradinho ............................................................................................. 61 Região administrativa de Ceilândia ................................................................................................ 65 Região administrativa de Santa Maria ............................................................................................ 80 Região administrativa do Gama ...................................................................................................... 84 Controle preventivo e corretivo de processos erosivos ................................................. 88 5 CARACTERIZAÇÃO DO PROBLEMA DE CARREAMENTO DE LIXO PARA OS CURSOS D’ÁGUA............................................................................................................................ 90 5.1 Classificação dos resíduos sólidos................................................................................. 92 5.2 Sistema de gerenciamento........................................................................................... 93 5.3 Modelo operacional .................................................................................................. 104 5.3.1 5.3.2 5.3.3 5.3.4 Coleta domiciliar/comercial .......................................................................................................... 104 Coleta de resíduos sólidos de construção civil – RSCC ................................................................. 109 Resíduos sólidos de serviços de saúde – RSSS .............................................................................. 110 Varrição de logradouros públicos ................................................................................................. 111 5.4 Dados técnicos .......................................................................................................... 113 5.5 Pontos críticos de disposição de resíduos sólidos........................................................ 114 6 CRONOGRAMA ....................................................................................................... 134 7 EQUIPE TÉCNICA E DE APOIO ................................................................................... 136 8 7.1 Governo do Distrito Federal – GDF ............................................................................. 136 7.2 Secretaria de Estado de Obras.................................................................................... 136 7.3 Equipe de coordenação e apoio da contratante. ......................................................... 136 7.4 Concremat Engenharia............................................................................................... 136 BIBLIOGRAFIA ......................................................................................................... 138 ANEXOS ......................................................................................................................... 143 II APRESENTAÇÃO O Plano Diretor de Drenagem Urbana do Distrito Federal, objeto do contrato nº 037/08 firmado entre a Secretaria de Obras do DF e a Concremat Engenharia, tem como finalidades principais, entre outras: 1) a definição de diretrizes institucionais visando estabelecer condições de sustentabilidade para as políticas de drenagem urbana, 2) a caracterização das condições de funcionamento hidráulico das tubulações, galerias, canais a céu aberto, canais naturais, dispositivos de captação e conexão entre redes e de dissipação de energia, bueiros e pontes, 3) as proposições, em nível de anteprojeto, de obras de curto, médio e longo prazo necessárias para equacionamento dos problemas encontrados na macrodrenagem urbana. O Relatório Final do Plano Diretor de Drenagem Urbana - DF, no qual são abordadas as questões acima mencionadas, é composto por 12 volumes, separados de acordo com a natureza dos estudos apresentados em relatórios de andamento e de produto. Este Relatório Técnico corresponde ao volume 4, e apresenta a conclusão das atividades de caracterização da rede de macrodrenagem, do problema da erosão urbana e do risco geológico, bem como do problema de carreamento de lixo para os cursos d’água. Inicialmente, são descritas as características principais do contrato, a área de abrangência dos trabalhos, os objetivos e o escopo dos estudos, bem como o conteúdo do presente Relatório Técnico. Celso Queiroz Coordenador III LISTA DE FIGURAS Figura 3.1. Áreas de ocupação urbana irregular (Fonte: TAHAN et al., 2008). ......................... 13 Figura 3.2. Impactos da urbanização......................................................................................... 14 Figura 3.3. Situação da rede de drenagem pluvial. ................................................................... 18 Figura 3.4. Obras de implantação da rede de drenagem na RA Itapoã. ................................... 20 Figura 3.5. Estrutura de controle (bacia de detenção) da drenagem em implantação na RA Itapoã. ................................................................................................................................ 21 Figura 3.6. Obras de implantação da rede de drenagem na Cidade Estrutural. ....................... 21 Figura 3.7. Placa informativa nas obras de pavimentação no Itapoã no âmbito do Programa Pró-Moradia....................................................................................................................... 22 Figura 3.8. Alagamento em via da Cidade Estrutural. ............................................................... 23 Figura 3.9. a) Boca-de-lobo com grelha junto ao meio-fio, localizado no SHS Qd. 5, em Brasília. b) Boca-de-lobo lateral na Ceilândia, onde foi colocada uma grade irregular. ... 24 Figura 3.10. Boca-de-lobo de “engolimento lateral”. ............................................................... 25 Figura 3.11. Vista interna de um poço de visita – chaminé de acesso em anéis pré-moldados de concreto........................................................................................................................ 26 Figura 3.12. Tampão de um poço de visita típico...................................................................... 26 Figura 3.13. Galeria fechada de seção retangular em concreto armado. ................................. 27 Figura 3.14. Canal de drenagem a céu aberto de seção retangular em concreto armado em Santa Maria........................................................................................................................ 28 Figura 3.15. Bacia de amortecimento dissipadora de energia (construída em gabiões caixa) em lançamento da drenagem no córrego Riacho Fundo. ................................................. 28 Figura 3.16. Dissipador de energia existente em saída da drenagem. ..................................... 29 Figura 3.17. Bacia de detenção implantada na RA Riacho Fundo II. ......................................... 31 Figura 3.18. Bacia de detenção implantada na RA Recanto das Emas. .................................... 32 Figura 3.19. Bacia de detenção implantada na RA do Gama. ................................................... 32 Figura 3.20. Esgoto na rede pluvial. a) Esgoto e assoreamento. b) Infiltração de esgoto pelas juntas da rede de drenagem. (Fonte: CONTER, 2008). ..................................................... 33 Figura 4.1. Degradação do solo ligada à degradação ambiental (modificado: Lal, 1999). ....... 46 Figura 4.2. Surgimento de sulcos devido ao corte da estrada, Paranoá. .................................. 48 Figura 4.3. Ravina ocasionada pelo escoamento de água pluvial na RA de Brazlândia. ........... 48 Figura 4.4. Voçoroca de grande porte no Condomínio Privê, na RA Ceilândia. ........................ 49 Figura 4.5. Feições erosivas do Distrito Federal. ....................................................................... 53 Figura 4.6. Feições erosivas associadas às bacias do Distrito Federal. ..................................... 54 Figura 4.7. Número das erosões identificadas nas bacias elementares com ocupação urbana. ........................................................................................................................................... 56 Figura 4.8. Distribuição (numérica; percentual) dos tipos de processos erosivos identificados nas bacias elementares. .................................................................................................... 57 Figura 4.9. Distribuição (numérica; percentual) das ravinas identificadas nas bacias elementares. ...................................................................................................................... 58 Figura 4.10. Distribuição das voçorocas identificadas por bacia elementar............................. 59 Figura 4.11. Distribuição dos sulcos identificados por bacia elementar................................... 60 Figura 4.12. Distribuição numérica das erosões por região administrativa. ............................ 61 Figura 4.13. Distribuição numérica das feições identificadas na RA Sobradinho. .................... 62 IV Figura 4.14. Feições erosivas identificadas na RA Sobradinho. ................................................ 63 Figura 4.15. Vista das áreas degradadas ao lado da DF 150, em Sobradinho. ......................... 64 Figura 4.16. Ravina de médio porte ao lado da DF 150, em Sobradinho.................................. 65 Figura 4.17. Distribuição percentual das erosões na RA de Ceilândia. ..................................... 66 Figura 4.18. Localização da erosão no Condomínio Privê em imagem de satélite (2003) e registro de sua situação atual (2008). ............................................................................... 68 Figura 4.19. Vista frontal da ravina no Condomínio Privê, na Ceilândia. .................................. 69 Figura 4.20. Visão geral da ravina, registrando a proximidade com as residências no Condomínio Privê. ............................................................................................................. 69 Figura 4.21. Erosão comprometendo a infraestrutura local (poste da rede elétrica), no Condomínio Privê. ............................................................................................................. 70 Figura 4.22. Localização da QNP 28 no Setor P Sul, Ceilândia. ................................................. 71 Figura 4.23. Localização da voçoroca nas proximidades da QNP 28. ....................................... 72 Figura 4.24. Voçoroca de grande porte na QNP 28, Ceilândia (vista 1). ................................... 74 Figura 4.25. Voçoroca de grande porte na QNP 28, Ceilândia (vista 2). ................................... 74 Figura 4.26. Voçoroca de grande porte na QNP 28, Ceilândia (vista 3). ................................... 75 Figura 4.27. Vista geral da erosão de grande porte na QNP 28, Ceilândia. .............................. 76 Figura 4.28. Localização da área de risco no Condomínio Sol Nascente, Ceilândia (imagem de 2003). ................................................................................................................................. 77 Figura 4.29. Erosão de grande porte nas proximidades da QNN 26/28, Ceilândia. ................. 78 Figura 4.30. Fluxo de água existente na erosão da QNN 26/28, Ceilândia. .............................. 79 Figura 4.31. Destroços da estrutura de uma edificação atingida pela erosão nas proximidades da QNN 26/28, Ceilândia. .................................................................................................. 80 Figura 4.32. Levantamento de processos erosivos na RA Santa Maria. ................................... 81 Figura 4.33. Vista geral da voçoroca na RA Santa Maria........................................................... 81 Figura 4.34. Levantamento da profundidade da voçoroca na RA Santa Maria. ....................... 82 Figura 4.35. Vista do interior da voçoroca com fluxo de água do lençol freático. ................... 83 Figura 4.36. Canal de drenagem pluvial construído em Santa Maria, próximo à área erodida. ........................................................................................................................................... 84 Figura 4.37. Voçoroca Grand Canyon, na RA do Gama. ............................................................ 85 Figura 4.38. Localização da voçoroca Grand Canyon, na RA do Gama. .................................... 86 Figura 4.39. Medida que contribui para a prevenção dos processos erosivos – bacia de detenção, implantada na RA do Gama.............................................................................. 88 Figura 5.1. Boca-de-lobo parcialmente obstruída por resíduos sólidos carreados pela chuva, na Ceilândia. ...................................................................................................................... 91 Figura 5.2. Organograma do Serviço de Limpeza Urbana do DF (Fonte: PDRS - GDF, 2008) ... 96 Figura 5.3. Áreas de abrangência dos Núcleos Regionais de Limpeza Urbana do DF............... 99 Figura 5.4. Localização dos centros de triagem de resíduos no DF. ....................................... 103 Figura 5.5. Contêiner metálico para disposição de resíduos residenciais, localizado no Park Way. (Fonte: PDRS - GDF, 2008). ..................................................................................... 105 Figura 5.6. Contêiner metálico para disposição de resíduos com identificação do gerador – Setor Hoteleiro Sul, Plano Piloto. .................................................................................... 105 Figura 5.7. Disposição de resíduos ensacados para recolhimento em passeio público, no Plano Piloto................................................................................................................................ 106 Figura 5.8. Disposição de resíduos ensacados para recolhimento em logradouro público, no Plano Piloto...................................................................................................................... 106 V Figura 5.9. Operação de esvaziamento dos contêineres com resíduos sólidos domiciliares. (Fonte: PDRS - GDF, 2008). .............................................................................................. 107 Figura 5.10. Contêineres para coleta seletiva em condomínio residencial no Plano Piloto. (Fonte: PDRS - GDF, 2008). .............................................................................................. 108 Figura 5.11. Área utilizada para disposição inadequada de RSCC, em Taguatinga. (Fonte: PDRS - GDF, 2008). .................................................................................................................... 109 Figura 5.12. Contêiner com capacidade excedida, em área de circulação de pedestres – Hospital São Braz, Setor Hospitalar Sul. (Fonte: PDRS - GDF, 2008). .............................. 111 Figura 5.13. Varrição com o uso de carrinho, em Samambaia. (Fonte: PDRS - GDF, 2008). .. 112 Figura 5.14. Esvaziamento de papeleiras, em Samambaia. (Fonte: PDRS - GDF, 2008). ........ 112 Figura 5.15. Vetores patógenos comuns em aterros e lixões. ................................................ 115 Figura 5.16. Atuação de catadores em lixões.......................................................................... 115 Figura 5.17. Vista do aterro do Jockey Club. ........................................................................... 116 Figura 5.18. Seção transversal típica de um aterro controlado. (Fonte: MONTEIRO et al., 2001) ................................................................................................................................ 117 Figura 5.19. Vista aérea da localização do aterro Jockey Club e identificação dos cursos d’água mais próximos. ................................................................................................................ 118 Figura 5.20. Localização do aterro do Jockey Club. ................................................................. 119 Figura 5.21. Fluxo das águas em um aterro. (Fonte: MONTEIRO et al., 2001) ....................... 120 Figura 5.22. Resíduos sólidos no Córrego do Valo, nas proximidades do aterro do Jockey Club. ......................................................................................................................................... 121 Figura 5.23. Área utilizada para disposição inadequada de RSCC, SGAN 912, na Asa Norte (ponto 19). ....................................................................................................................... 124 Figura 5.24. Presença de catadores constatada em área de inadequada disposição de resíduos sólidos, no Plano Piloto (SGAN 912, ponto 19). ............................................... 124 Figura 5.25. Área de disposição inadequada de resíduos sólidos diversos, no Plano Piloto (SGAN 911, ponto 20). ..................................................................................................... 125 Figura 5.26. Resíduos sólidos depositados em área nos arredores do Gama (ponto 21), às margens da rodovia DF-290. ........................................................................................... 126 Figura 5.27. Resíduos sólidos depositados em área próxima ao cemitério do Gama (ponto 22). ......................................................................................................................................... 126 Figura 5.28. Resíduos sólidos descartados nas proximidades de uma bacia de detenção localizada na RA Riacho Fundo II (ponto 23). .................................................................. 127 Figura 5.29. Disposição de resíduos nos arredores do aterro controlado, na Cidade Estrutural (ponto 24). ....................................................................................................................... 127 Figura 5.30. Disposição de resíduos em terreno cercado, na Cidade Estrutural (ponto 28). . 128 Figura 5.31. Local de disposição de resíduos em Samambaia, nas proximidades da QR 619 (ponto 26). ....................................................................................................................... 129 Figura 5.32. Resíduos sólidos (RSCC e outros) dispostos em Samambaia, próximo à QR 625 (ponto 27). ....................................................................................................................... 129 Figura 5.33. Local de disposição de resíduos sólidos diversos, no Paranoá (ponto 25). ........ 130 Figura 5.34. Resíduos sólidos no interior de estrutura do sistema de macrodrenagem nas proximidades das Quadras 21 e 25, onde há um local de disposição incorreta. ............ 130 Figura 5.35. Resíduos sólidos na voçoroca do Condomínio Privê, na Ceilândia (ponto 34). .. 131 Figura 5.36. Locais de disposição de resíduos sólidos no DF. ................................................. 133 VI LISTA DE QUADROS Quadro 5.1. Resíduos sólidos domiciliares coletados ............................................................. 113 Quadro 5.2. Coleta de remoção - RSCC ................................................................................... 113 Quadro 5.3. Coleta resíduos sólidos de serviços de saúde - RSSS .......................................... 114 LISTA DE TABELAS Tabela 3.1. Redes de águas pluviais executadas e cadastradas no DF até 2007. ..................... 16 Tabela 4.1. Distribuição das áreas com indícios de erosão no Distrito Federal........................ 52 Tabela 4.2. Distribuição das erosões lineares em meio urbano por bacia elementar.............. 55 Tabela 4.3. Distribuição das voçorocas por bacia elementar.................................................... 58 Tabela 4.4. Distribuição das famílias de sulcos por bacia elementar. ...................................... 59 Tabela 4.5. Distribuição das erosões levantadas por região administrativa............................. 61 Tabela 5.1. Relação dos Núcleos Regionais de Limpeza Urbana do DF .................................... 97 Tabela 5.2. Relação das Usinas de Tratamento de lixo do DF................................................. 100 Tabela 5.3. Núcleos pertencentes à Gerência de Produtos Recicláveis do SLU. .................... 100 Tabela 5.4. Listagem de cooperativas/associações de materiais recicláveis – centros de triagem. ........................................................................................................................... 101 Tabela 5.5. Lixões localizados em Brasília - Distrito Federal. .................................................. 122 LISTA DE ANEXOS ANEXO I.................................................................................................................................... 144 ANEXO II....................................................................................................................... Tomo 2 e 3 LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS ABNT ADASA AE ANA ANEEL AOS BID Caesb CEB CL CLN CLS CLSW CNUMAD CUA Conama Associação Brasileira de Normas Técnicas Agencia Reguladora de Águas e Saneamento do Distrito Federal Área Especial Agencia Nacional de Águas Agencia Nacional de Energia Elétrica Área Octogonal Sul Banco Interamericano de Desenvolvimento Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal Companhia Energética de Brasília Comércio Local Comércio Local Norte Comércio Local Sul Comércio Local Sudoeste Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento Condição de umidade antecedente Conselho Nacional de Meio Ambiente VII Contratante CRN CRS DF EM Embrapa EN EPDB EPTG ES ETE GDF IBAMA IBGE INMET ML NBR Novacap NURELSUL NUROE OS PC PDDU PDRS/DF PGA PGIRH-DF QI QL QRS RA RIDE RSCC RSSS SAAN SAFS SAIN SAIS SAN SAS SBN SBS SCEN SCES SCLRN SCN SCS Governo do Distrito Federal por meio da Secretaria de Estado de Obras Comércio Residencial Norte Comércio Residencial Sul Distrito Federal Esplanada dos Ministérios Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária Entrequadra Norte Estrada Parque Dom Bosco Estrada Parque Taguatinga Entrequadra Sul Estação de Tratamento de Esgoto Governo do Distrito Federal Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística Instituto Nacional de Meteorologia Mansões do Lago Norma Brasileira Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil Núcleo Regional de Limpeza Urbana Sul Núcleo Regional de Operações Especiais Ordem de Serviço Sigla em Inglês de Computador Pessoal (Personal Computer) Plano Diretor de Drenagem Urbana Plano Diretor de Resíduos Sólidos para o Distrito Federal Plano de Gestão e Ação Plano de Gerenciamento Integrado de Recursos Hídricos do DF Quadra Interna Quadra do Lago Quadra Residencial Sudoeste Região Administrativa Região Integrada de Desenvolvimento do Distrito Federal e Entorno Resíduos Sólidos da Construção Civil Resíduos Sólidos dos Serviços de Saúde Setor de Armazenagem e Abastecimento Norte Setor de Administração Federal Sul Setor de Áreas Isoladas Norte Setor de Áreas Isoladas Sul Setor de Autarquias Norte Setor de Autarquias Sul Setor Bancário Norte Setor Bancário Sul Setor de Clubes Esportivos Norte Setor de Clubes Esportivos Sul Setor Comercial Local Residencial Norte Setor Comercial Norte Setor Comercial Sul VIII SDN SDS SEDUMA SEMATEC SEN SEPNQ SEPS SES SGAN SGAS SGON SH SHIN SHIS SHLN SHLS SHN SHS SHTN SIA SICAD SIG SIG SLU SMDB SMHN SMHS SMLN SMU SO SPS SQN SQS SQSW SRTN SRTS TDR Terracap UCCS UnB Setor de Diversões Norte Setor de Diversões Sul Secretaria de Estado de Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente Secretaria do Meio Ambiente, Ciência e Tecnologia do Distrito Federal Setor de Embaixadas Norte Setor de Edifícios Públicos Norte Setor de Edifícios Públicos Sul Setor de Embaixadas Sul Setor de Grandes Áreas Norte Setor de Grandes Áreas Sul Setor de Garagens e Oficinas Norte Setor Hípico Setor Habitacional Individual Norte Setor de Habitações Individuais Sul Setor Hospitalar Local Norte Setor Hospitalar Local Sul Setor Hoteleiro Norte Setor Hoteleiro Sul Setor de Hotéis e Turismo Norte Setor de Indústria e Abastecimento Sistema Cartográfico do Distrito Federal Setor de Indústrias Gráficas Sistema de Informações Geográficas Serviço de Limpeza Urbana do Distrito Federal Setor de Mansões Dom Bosco Setor Médico Hospitalar Norte Setor Médico Hospitalar Sul Setor de Mansões Lago Norte Setor Militar Urbano Secretaria de Estado de Obras Setor Policial Sul Superquadra Norte Superquadra Sul Superquadra Sudoeste Setor de Rádio e Televisão Norte Setor de Rádio e Televisão Sul Termo de Referencia onde se define o escopo dos serviços Companhia Imobiliária de Brasília Unidade Central de Coleta Seletiva Universidade de Brasília IX 1 ASPECTOS GERAIS A crescente urbanização das cidades brasileiras observada nas últimas décadas tem sido acompanhada por grandes problemas relacionados a praticamente todos os aspectos da infraestrutura: transporte, habitação, abastecimento, dentre outros. A drenagem pluvial não é exceção: com a urbanização, vem a impermeabilização e uma parcela de água que infiltrava no solo passa a compor o escoamento superficial, com aumento dos volumes escoados e das vazões de pico, ao mesmo tempo em que o tempo de concentração se reduz, o que faz com que os hidrogramas de cheias se tornem mais críticos. Estas alterações provocam um aumento na freqüência e gravidade das inundações, ao mesmo tempo em que ocorre a deterioração da qualidade da água. A prática tradicional em projetos de drenagem urbana para evitar os alagamentos dentro da cidade tem sido a de soluções localizadas, buscando a rápida evacuação das águas para longe dos centros de geração do escoamento. Essa prática mostra-se insuficiente, além de apresentar altos custos. O projeto de drenagem é realizado, na maioria das vezes, procurando resolver um problema pontual, não identificando os impactos que essa solução pode gerar nas regiões a jusante. Muitas vezes, uma alternativa pode ser aparentemente razoável quando pensada e planejada isoladamente, mas inviável ou ineficiente quando o conjunto da bacia é considerado. As soluções localizadas resolvem o problema da cheia em uma área, mas o transferem para jusante, exigindo, assim, o redimensionamento da rede de drenagem de jusante e resultando em custos cada vez mais elevados devido às dimensões das novas estruturas. Para resolver este problema, novas soluções têm sido pensadas e estudadas, procurando favorecer o controle na fonte, através de uma abordagem compensatória, 1 ou ambientalista. As soluções compensatórias de drenagem, agindo em conjunto com as estruturas convencionais, buscam compensar os efeitos da urbanização. Dessa forma, os princípios de controle passam a priorizar o planejamento do conjunto da bacia, evitando a transferência dos impactos para jusante, através da utilização de dispositivos de infiltração, detenção e retenção. Os Planos Diretores de Drenagem Urbana tentam traduzir esses conceitos compensatórios buscando sua implementação nos centros urbanos. O Plano Diretor de Drenagem Urbana tem o objetivo de criar os mecanismos de gestão da infraestrutura urbana relacionados com o escoamento das águas pluviais e dos rios na área urbana da cidade. Ele busca planejar a distribuição da água no tempo e no espaço, com base na tendência de ocupação urbana compatibilizando esse desenvolvimento e a infraestrutura para evitar prejuízos econômicos e ambientais. Busca também controlar a ocupação de áreas de risco de inundação através de restrições nas áreas de alto risco, além de propiciar as condições para convivência com as enchentes nas áreas de baixo risco. Este Relatório Técnico apresenta a consolidação das atividades de caracterização da rede de macrodrenagem, dos problemas da erosão urbana e do risco geológico, bem como caracterização dos transtornos do carreamento do lixo para os cursos d’água. Estas atividades de caracterização fazem parte do módulo de estudos preliminares e constituem-se em elementos essenciais na elaboração do Plano Diretor de Drenagem Urbana do Distrito Federal (PDDU-DF). Inicialmente, são descritas as características principais do contrato, a área de abrangência dos trabalhos, os objetivos e o escopo dos estudos, bem como o conteúdo do presente Relatório. 2 1.1 Principais Características do Contrato O Relatório que segue está de acordo com os ditames da Proposta Técnica apresentada pela CONTRATANTE no certame licitatório de que tratou a Solicitação de Proposta SDP No 001/2007 – SO/DF promovida pela Secretaria de Estado de Obras do DF numerado. Ainda, está plenamente aderente ao Termo de Referência emitido pela Secretaria de Estado de Obras - DF, anexo ao Edital, cujo título é: “ELABORAÇÃO DO PLANO DIRETOR DE DRENAGEM URBANA DO DISTRITO FEDERAL- PDDU”. O contrato do serviço que a regula foi protocolado com o No 37/2008 entre a Secretaria de Estado de Obras do Distrito Federal e Concremat Engenharia e Tecnologia S.A. Os principais dados e informações que permitem caracterizar o referido contrato de prestação de serviços de consultoria são os seguintes: Protocolado como Nº 37/2008; Modalidade/Identificação da Licitação: Solicitação de Proposta SDP 001/2007 – SO/DF; Data da Licitação: 24 de Maio de 2007; Data da Assinatura do Contrato: 06 de Maio de 2008; Prazo de Execução: 12 meses. 1.2 Identificação da Área de Abrangência do Trabalho A presente área de estudo corresponde às bacias de macrodrenagem urbana do DF. Em função da disponibilidade de dados e necessidades de detalhamento, o presente estudo detalhará as obras e simulações necessárias nas áreas compreendidas dentro da urbanização presente e futura (esta estimada como a máxima área de expansão urbana prevista no PDOT), e indicará ações de caráter geral e de gerenciamento preventivo nas demais bacias do DF. 3 A partir da observação do material cartográfico disponível para a região de interesse do estudo, referenciada às informações obtidas com a coleta e sistematização de dados existentes, foi estabelecida a área de abrangência do trabalho. A área de abrangência foi definida a partir do cruzamento das bacias elementares, estimadas como as unidades hidrográficas de gerenciamento (UHG) definidas no mapa das unidades hidrográficas do DF elaborado pela Sematec (1994), e da máxima área definida no PDOT. 1.3 Resumo deste relatório O presente Relatório de Produto RP-2 tem por finalidade apresentar a consolidação das atividades de caracterização da rede de macrodrenagem, caracterização do problema de erosão urbana e do risco geológico e de caracterização do problema de carreamento de lixo para os cursos d’água, relativas aos estudos preliminares do Plano Diretor de Drenagem Urbana do Distrito Federal, face à programação prevista no cronograma atualizado dos trabalhos, constante no Cap. 6. 4 2 SUMÁRIO EXECUTIVO A caracterização da rede de macrodrenagem partiu do levantamento dos cadastros existentes, no qual foram avaliadas as condições cadastrais das obras mais antigas e daquelas intervenções mais recentes, o grau de organização e de informatização disponível, e identificadas algumas lacunas no cadastro. Para completar esta caracterização, as informações indisponíveis no cadastro existente foram complementadas por vistorias em campo. Com base na avaliação do cadastro e nas vistorias em campo, foi conduzido um mapeamento, produzindo-se um esquema topológico sobre base de mapa existente do DF, mostrando o plano geral da rede de macrodrenagem. A este mapeamento foi adicionado o mapeamento das principais galerias, incluindo sempre todas aquelas com diâmetro efetivo (ou diâmetro equivalente) igual ou superior a 1000 mm. O nível de precisão de tal mapeamento foi aquele necessário e suficiente para permitir a modelagem hidráulica do sistema, etapa a ser realizada posteriormente, conforme planejado no cronograma de atividades. Também foram devidamente identificados os canais em leito natural e sua trajetória, bem como a localização das nascentes. As seções transversais aproximadas dos canais artificiais ou em leito natural, assim como o material de revestimento dos canais artificiais estão sendo levantadas em função da delimitação final das microbacias para simulação e serão apresentados no RP4, embora no documento final do projeto estas informações aparecerão agrupadas com o cadastro da rede. Além disso, foram realizados levantamentos das ocorrências de problemas no sistema de drenagem, gerando um banco de dados de relevância na identificação dos principais pontos críticos na rede. Este banco de dados se complementa com as informações a serem apresentadas no RP3, onde serão cadastradas todas as 5 informações recolhidas sobre pontos de lançamento de esgotos sanitário na drenagem pluvial, permitindo identificar trechos onde se espera encontrar a presença de poluição por esgotos sanitários nas redes de macrodrenagem de águas pluviais, assim como assoreamentos e patologias nos canais e infraestrutura da rede. Outras informações relativas às erosões e despejo de resíduos sólidos na rede de drenagem pluvial estão contidas nos capítulos correspondentes do presente relatório. A caracterização da erosão urbana foi conduzida pela identificação de focos erosivos quanto à sua natureza e quanto à sua “produtividade” ou grau de avanço, determinando-se as causas prováveis dos processos erosivos específicos. Além disso, foram avaliados os graus de intensidade de cada foco erosivo detectado, localizandoos conforme a classificação em mapa com base pré-existente do DF e determinandose sua localização, relativas às outras estruturas existentes. Na medida do possível, as causas potenciais dos focos erosivos serão cruzadas com os diferentes graus de avanço ou de comprometimento dos solos e dos locais onde se detectou tais processos. Com relação à disposição de resíduos sólidos, o Distrito Federal apresenta apenas uma área, constituindo o chamado Aterro do Jockey Club, o qual é considerado um “aterro controlado”, embora seja alegadamente um lixão. O fato é que esta pode ser uma grande fonte de poluição do aqüífero local, embora não se realize atualmente monitoramento de qualquer pluma de dispersão de poluentes no subsolo de seu entorno. Desta maneira, sua localização em mapa e a verificação de sua efetiva proximidade com as coleções hídricas das redondezas são necessárias como indicador de possível fonte de poluição dos recursos hídricos que recebem a macrodrenagem daquela porção do DF. Existem relatos de outros locais de disposição irregular de lixo doméstico, além do Aterro do Jockey Club, consubstanciando outras fontes de poluição potencial. Foram assim identificados, na medida do possível, áreas de “desova” de entulhos, caliças e resíduos de construção civil, de movimentação de terra e de demolições, 6 uma vez que, mesmo teoricamente “inertes”, tais resíduos podem constituir fontes de assoreamento de canais, alterando seu funcionamento hidráulico, entupindo galerias, constituindo pequenos barramentos capazes de interferir nos fluxos naturais (canais em leito natural) ou projetados (canais retificados, alterados ou mesmo em galerias e tubulações de travessias). 2.1 Estudos consultados Para o desenvolvimento desta etapa dos trabalhos foram consultados diversos estudos técnicos e acadêmicos existentes. Neste item são mencionados explicitamente os principais documentos analisados. Pesquisa Nacional de Saneamento Básico – IBGE 2000: Reúne parte dos resultados da pesquisa sobre a oferta e a qualidade dos serviços de saneamento básico no país, com base em levantamento realizado junto às prefeituras municipais e empresas contratadas para a prestação de abastecimento de água, esgotamento sanitário, drenagem urbana e limpeza urbana e coleta de lixo, nos 5507 municípios existentes na data da pesquisa. A pesquisa resulta de convênio com a Secretaria Especial de Desenvolvimento Urbano da Presidência da República – SEDU/PR, a Fundação Nacional de Saúde – FUNASA e a Caixa Econômica Federal – CAIXA, e da colaboração técnica e financeira da Organização Pan-Americana de Saúde – OPAS, através de sua representação no Brasil. A publicação impressa inclui gráficos, textos analíticos sobre a cobertura dos serviços de saneamento nas regiões brasileiras, bem um glossário com os conceitos e termos considerados relevantes para a compreensão dos resultados. Série “Inventário Hidrogeológico e dos Recursos Hídricos Superficiais do Distrito Federal”: A série, editada em 1998 pelo Instituto de Ecologia e Meio Ambiente do Distrito Federal - IEMA e pela Universidade de Brasília - UnB, traz, em quatro volumes, informações atualizadas sobre o meio físico do DF, além de dados 7 diversos referentes a análises da quantidade e qualidade dos recursos hídricos superficiais e subterrâneos e usos do solo e da água nas bacias hidrográficas. Plano Diretor de Resíduos Sólidos para o Distrito Federal – Diagnóstico do Sistema de Limpeza Urbana Do Distrito Federal: O Governo do Distrito Federal - GDF, através de cooperação do Governo da Espanha, vem coordenando a elaboração de um Plano Diretor de Resíduos Sólidos – PDRS, sob a responsabilidade da empresa espanhola IDOM Engenharia Arquitetura e Consultoria, da qual a TCBR é subcontratada para a realização de serviços específicos. O PDRS servirá de base para a elaboração de um novo marco tecnológico, legal e institucional de gestão integrada do SLU-DF, prevendo a participação da iniciativa privada e, complementarmente, da sociedade civil organizada, de forma a promover a dinamização econômica do setor e garantir ao mesmo tempo segurança e qualidade nos serviços prestados à população, através da regulamentação das atividades de competência do Estado. Assim sendo, o PDRS tem como objetivos principais diagnosticar o atual modelo operacional e político-institucional do Sistema de Limpeza Pública do Distrito Federal, propor melhorias ao sistema e estabelecer diretrizes e metas futuras com vistas ao desenvolvimento sustentável do setor, ao fortalecimento institucional e administrativo, à modernização tecnológica e à inclusão social. Plano Estrutural de Organização Territorial do Distrito Federal – PEOT: Em 1977, numa tentativa de definir uma política de ocupação territorial para o Distrito Federal após um longo vazio de planejamento, quando os problemas da migração e ocupação irregular do solo já extrapolavam a proposta original, elaborou-se o Plano estrutural de organização territorial do Distrito Federal - PEOT. O PEOT inicia uma geração de projetos de macrozoneamento do território. Foi o primeiro cenário em longo prazo do Distrito Federal após o plano original e procurou evitar que Brasília assumisse o modelo de urbanização das grandes cidades 8 brasileiras, para não comprometer o seu objetivo primordial - capital da República. O PEOT preocupou-se bastante com a preservação do projeto original do Plano Piloto, dando prioridade ao seu caráter político-administrativo. Plano de Ocupação Territorial (POT): Em 1985, no sentido de consolidar as propostas do PEOT, foi criado o Plano de Ocupação Territorial (POT). O objetivo do POT era de dotar o GDF de um instrumento normativo de ocupação do solo, definindo as grandes áreas as grandes áreas ambientais (naturais, rurais e urbanas) com usos predominantes e exclusivos. Plano Diretor de Ordenamento Territorial – PDOT: Com a promulgação da Constituição em 1988 tornando obrigatório o Plano Diretor para cidades acima de 20000 habitantes, art.182 e 183; a lei distrital n.º 212 de 20.12.91 e a posse do primeiro governo eleito em 1991, criaram-se condições para realização do Plano Diretor de Ordenamento Territorial – PDOT. O PDOT compatibiliza as áreas definidas para expansão urbana pelos planos anteriores inclusive às ocupadas pela política habitacional empreendida a partir de 1989. Aponta novas áreas de expansão urbana fora da bacia do Paranoá promovendo uma nova tendência de crescimento radial para o Distrito Federal. Apesar de apresentar objetivos voltados para promoção do desenvolvimento sustentável o PDOT/92 se revela como mais um plano de caráter de ordenamento territorial, restrito ao planejamento do espaço físico. A versão final do Plano Diretor de Ordenamento Territorial ocorreu em 1997, após a aprovação pela Câmara Legislativa. O PDOT/97 promove a divisão do território do Distrito Federal nas seguintes zonas a) Zona Urbana de Dinamização; b) Zona Urbana de Consolidação; c) Zona Urbana de Uso Controlado; d) Zona Rural de Dinamização; e) Zona Rural de Uso Diversificado; f) Zona Rural de Uso Controlado Plano de Ocupação e Uso do Solo – POUSO: em 1986, foi elaborado o Plano de Ocupação e Uso do Solo - POUSO como instrumento normativo do 9 macrozoneamento, visando o controle do uso e ocupação do solo. Tenta dar respostas às ocupações irregulares e confirma o não adensamento do Plano Piloto. Preocupa-se com as bacias do Paranoá, Descoberto e São Bartolomeu e estabelece a exigência de estudos de impactos ambientais antes de qualquer intervenção urbanística. Plano Diretor de Águas e Esgotos e controle da poluição hídrica do Distrito Federal: Outro plano de caráter setorial, mas determinante dos destinos do uso e ocupação do solo do Distrito Federal é o Plano Diretor de Águas e Esgotos e controle da poluição hídrica do Distrito Federal elaborado pela CAESB concluído em 1990. Também foi consultada a atualização do Plano de Águas e Esgotos que ocorreu no período 2000-2003 e foi executada pela Magna Engenharia. Este plano contemplou as zonas urbana e rural do Distrito Federal, apoiado em estudos socioeconômicos, demográficos e de recursos hídricos, apontando alternativas para abastecimento de água e esgotamento sanitário e de controle da poluição hídrica, para um horizonte futuro. Problemas de drenagem urbana no Distrito Federal – Avaliação de prioridades: Este documento elaborado pela TCBR em 2000 a pedido da NOVACAP apresentar o processo de hierarquização de prioridades para a definição de obras de drenagem e pavimentação que a NOVACAP pretende executar no âmbito do programa de saneamento do distrito federal com o apoio do Banco Interamericano de Desenvolvimento – BID. Para tanto, buscou lançar mão de critérios objetivos e de metodologias consagradas de apoio à decisão. Termo de Referencia e especificações para elaboração de projetos de sistema de drenagem pluvial: este termo de referência, elaborado pela NOVACAP em 2005, tem como finalidade disciplinar a execução de serviços de elaboração de projetos executivos de sistemas de drenagem pluviais no Distrito Federal, englobando todas as partes deles integrantes. 10 Plano de Gerenciamento Integrado de Recursos Hídricos do Distrito Federal e Entorno – PGIRH /DF. A Secretaria de Estado de Infraestrutura e Obras do Distrito Federal estabeleceu processo licitatório para a contratação de serviços especializados de consultoria, visando à elaboração do Plano de Gerenciamento Integrado dos Recursos Hídricos do Distrito Federal - PGIRH, integrante do Programa de Saneamento Básico no Distrito Federal, estabelecido pela Lei Distrital nº. 2.725, de 13 de junho de 2001. O PGIRH tem uma visão mais ampla dos Recursos Hídricos do DF, e pode entender-se que o PDDU-DF elaborado neste estudo é uma componente adicional ao referido plano, com foco nas águas da área urbana atual e futura do DF. 11 3 CARACTERIZAÇÃO DA REDE DE MACRODRENAGEM DO DISTRITO FEDERAL 3.1 Introdução Em termos gerais, a rede de drenagem do Distrito Federal possui características típicas de uma cidade brasileira delineada sob o conceito “higienista”, ou seja, está composta de redes de drenagem dimensionadas para o escoamento rápido de águas para longe dos centros urbanos. Apesar de Brasília ser uma cidade projetada sob padrões modernos, o fato de ter um crescimento muito rápido, passando de quase nenhuma população aos quase 2,5 milhões atuais em menos de 50 anos, extrapolou as previsões populacionais. Isto ocasionou, em diversas áreas, invasões e urbanizações não controladas (Figura 3.1) entre cujos efeitos se destacam a impermeabilização do solo e implantação de redes de drenagem deficientes ou sobrecargas das redes existentes. Assim, sobram exemplos de impermeabilização de grandes áreas, previstos para serem núcleos rurais, tais como a região de Vicente Pires. Esta região, originalmente prevista como zona de chácaras rurais, tornou-se uma das áreas com maior concentração de condomínios do DF, e, conseqüentemente, altamente impermeabilizada, sem que tenham sido tomadas medidas de adaptação da rede de drenagem pluvial mesmo por métodos tradicionais ou de ampliação da mesma. O aumento da impermeabilização, por um lado, diminui a evapotranspiração e a infiltração e recarga dos aqüíferos (com a agravante de também diminuir a disponibilidade de água no tempo seco), enquanto aumenta consideravelmente (até sete vezes) o volume e vazões de pico do escoamento superficial (Figura 3.2). 12 INSERIR A3 Figura 3.1. Áreas de ocupação urbana irregular (Fonte: TAHAN et al., 2008). 13 Figura 3.2. Impactos da urbanização. Em geral, os sistemas de drenagem em uma cidade são definidos como na fonte, microdrenagem e macrodrenagem. A drenagem na fonte é caracterizada pelo escoamento que ocorre no lote, condomínio ou empreendimento individualizado, estacionamentos, parques e passeios. O sistema de microdrenagem é definido por condutos pluviais ou canais em nível de loteamento ou de rede primária urbana, dimensionados para atender ao escoamento de precipitações com risco moderado (de 2 a 10 anos de período de retorno). A macrodrenagem é constituída por canais (abertos ou de contorno fechado) de maiores dimensões (projetados para períodos de retorno entre 10 e 25 anos), e envolve os sistemas coletores de diversos sistemas de microdrenagem, abrangendo áreas superiores a 2 km² ou 200 hectares. De acordo com Tucci (2001), um dos aspectos que tem caracterizado este tipo de definição é a metodologia de estimativa, uma vez que o Método Racional é freqüentemente utilizado para estimar as vazões na microdrenagem (utilizado para 14 bacias da ordem de 2 km²) enquanto que os modelos hidrológicos que determinam o hidrograma do escoamento são utilizados na macrodrenagem. Entretanto, para a presente caracterização, considera-se como sistema de macrodrenagem toda rede ou galeria que possuir diâmetro igual ou superior a 1000 mm, ou seção equivalente, conforme definido no Termo de Referência para elaboração do Plano Diretor de Drenagem Urbana. 3.2 Drenagem urbana no Distrito Federal Compete a Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil – Novacap, criada pela Lei nº. 2.874, de 19 de setembro de 1956, empresa pública, de sociedade de economia mista, subordinada à Secretaria de Obras e integrante da Administração Indireta do Governo do Distrito Federal, a responsabilidade por administrar a execução de obras e serviços de urbanização, incluindo a implantação de redes de drenagem, e construção civil de interesse do Distrito Federal, diretamente ou por contratos e/ou convênios com entidades públicas e privadas. A empresa encontra-se estruturada em quatro diretorias, sendo de responsabilidade do Departamento de Infraestrutura Urbana – DEINFRA, subordinado a Diretoria de Urbanização da Novacap, a responsabilidade pela elaboração de projetos, implantação e manutenção de obras dos sistemas de drenagem urbana do Distrito Federal, mediante a alocação de recursos da Secretaria de Obras, bem como controle do cadastro deste. A Novacap utiliza o Método Racional para estimar as vazões para bacias com área de drenagem de até 3 km2 e para um período de retorno de 5 anos e possui normatização específica para a elaboração de projetos de drenagem pluvial intitulada “Termo de Referência para a Elaboração de Projetos Executivos de Sistema de Drenagem Pluvial”. 15 A Novacap preocupa-se cada vez mais com a questão do Sistema de Águas Pluviais no Distrito Federal, nos aspectos de projeto, implantação e manutenção do sistema. Desde 2000, vem sendo produzido um relatório sobre vídeo-inspeção robotizada na drenagem pluvial, na qual foram inspecionados diversos locais problemáticos no Distrito Federal, do ponto de vista de alagamento. Um dos pontos observados neste relatório é o lançamento de esgoto sanitário na rede de águas pluviais, que acarreta mau cheiro na rede e diminuição da capacidade de condução da tubulação, além da deterioração progressiva do concreto armado. O relatório mostra, também, diversos pontos da rede de drenagem urbana assoreada por material proveniente das vias urbanas, que muitas vezes carecem de uma manutenção (limpeza) adequada. A Tabela 3.1 apresenta a extensão das redes de drenagem instaladas por RA segundo levantamento pela Novacap realizado em 2006, para a preparação do Programa Águas do DF, bem como dados de atualização do Relatório da Diretoria de Urbanização (DU- Novacap). Como mencionado anteriormente, a macrodrenagem é responsável pelo escoamento final das águas pluviais provenientes de um sistema inicial. É constituída por tubulações com diâmetros iguais ou maiores que 1000 mm, por canais ou galerias de maiores dimensões e pelos leitos dos cursos d’água naturais. Tabela 3.1. Redes de águas pluviais executadas e cadastradas no DF até 2007. RA I II III IV V VI VII VIII Brasília Gama Taguatinga Brazlândia Sobradinho Planaltina Paranoá Núcleo Bandeirante Extensão da rede (m) 885.035@ 136.228@ 172.401# 43.943* 102.774@ 114.323* 36.783# 38.718@ 16 RA IX X XI XII XIII XIV XV XVI XVII XVIII XIX XX XXI XXII XXIII XXIV XXV Extensão da rede (m) 251.830@ 175.360@ 85.122# 327.598@ 71.522* 63.356* 110.531# 57.816@ 17.408@ 53.175@ 19.505# 13.058@ 37.228* 34.838# 2.960@ 6.503* Ceilândia Guará Cruzeiro Samambaia Santa Maria São Sebastião Recanto das Emas Lago Sul Riacho Fundo I Lago Norte Candangolândia Águas Claras Riacho Fundo II Sudoeste/Octogonal Varjão Park Way SCIA (Setor Complementar de Indústria e 27.413@ Abastecimento) XXVI Sobradinho II 27.115@ XXVII Jardim Botânico 16.213@ XXVIII Itapoã 6.460* XXIX SIA 3.483@ Total: 2.938.699 # Fonte: Novacap/SEAU, 2007; * Relatório Pró-Moradia, atualização 26/01/2009; @Relatório da Diretoria de Urbanização/Novacap, 2009. É importante destacar que os valores apresentados na Tabela 3.1 podem apresentar inconsistências visto que não existe referência disponível dos corretos limites de todas as RAs. A delimitação dos novos limites das RAs ainda encontra-se em processo de regulamentação. No Distrito Federal podemos situar a drenagem pluvial em quatro grupos: implantado, implantado parcialmente, em implantação e não implantado. A Figura 3.3 ilustra a situação de implantação das redes de drenagem no Distrito Federal. 17 INSERIR A3 Figura 3.3. Situação da rede de drenagem pluvial. 18 3.2.1 Implantado No grupo implantado encontram-se as regiões administrativas de Brasília, Guará, Candangolândia, Núcleo Bandeirante, Cruzeiro, Sobradinho, Sobradinho II, Recanto das Emas, Santa Maria, Sudoeste/Octogonal, Paranoá e quase a totalidade do Gama (existe uma pequena porção não implantada, conforme mostrado na Figura 3.3). Importante ressaltar, que o fato destas cidades estarem enquadradas como sistema de drenagem pluvial implantado, significa apenas que grande parte do sistema está concluído, porém, existem algumas áreas ainda carentes de drenagem pluvial, o que ainda causa muito transtorno à população e ao meio físico em função de constantes alagamentos. 3.2.2 Implantado parcialmente No grupo implantado parcialmente estão as regiões administrativas do Lago Sul, Lago Norte, Planaltina, São Sebastião, Brazlândia, Taguatinga, Riacho Fundo I e II, Samambaia, SIA, Águas Claras, Varjão e Ceilândia, onde os sistemas de micro e macrodrenagem não estão totalmente implantados. Também se encontram com sistemas parcialmente implantados as localidades de Taquari (1ª etapa implantada), SOF-Sul, SCIA e Torto. Com exceção das regiões administrativas do Lago Sul, Lago Norte e SIA, as demais cidades tinham até meados da década de 90, seus sistemas de drenagem pluvial implantados quase que na sua maioria, entretanto com a criação dos assentamentos e as expansões irregulares a cobertura por sistema de drenagem pluvial tornou-se parcial, logo necessitando de ampliações para atendimento dessas novas áreas. Nesse sentido a Novacap, por meio do Programa Pró-Moradia, vem complementando os sistemas de drenagem das cidades de São Sebastião (Quadras 204 E 304 a 307 do Setor Residencial Oeste), Brazlândia (Vila São José), Ceilândia (Complementação das quadras QNR, QNP, Pôr do Sol e Sol Nascente), Riacho Fundo II 19 (Quadras QS 2 a QS 18), Planaltina (Mestre D’Armas, Arapoanga, Bairro Nossa Senhora de Fátima e Vale do Amanhecer) e Taguatinga (Areal QS 11). 3.2.3 Em implantação As regiões administrativas de Itapoã (Figura 3.4 e Figura 3.5) e Cidade Estrutural (Figura 3.6) encontram-se em fase de implantação dos seus sistemas de drenagem pluvial, tendo como data prevista de conclusão para meados de 2009. As obras de implantação do sistema de drenagem do Itapoã estão sendo realizadas no âmbito do programa Pró-Moradia (Figura 3.7) e, as da Cidade Estrutural, no Programa Brasília Sustentável. Figura 3.4. Obras de implantação da rede de drenagem na RA Itapoã. 20 Figura 3.5. Estrutura de controle (bacia de detenção) da drenagem em implantação na RA Itapoã. Figura 3.6. Obras de implantação da rede de drenagem na Cidade Estrutural. 21 Figura 3.7. Placa informativa nas obras de pavimentação no Itapoã no âmbito do Programa Pró-Moradia. Essas duas áreas atualmente apresentam problemas significativos de alagamentos em suas vias locais (Figura 3.8), trazendo diversos transtornos à população local. É esperado que, com a implantação dos novos sistemas, esses problemas sejam sanados. Outro local onde o sistema está em implantação é o Jardim Botânico, consistindo na 3ª etapa do projeto, que inclui também os lançamentos. 3.2.4 Não implantado No terceiro e mais crítico grupo, não implantado, estão as áreas do Park Way, Vicente Pires, Arniqueira, Lago Oeste, Fercal, Setor Habitacional Tororó, Setor Habitacional Água Quente e Condomínios Colorado/Contagem, Setor Habitacional São Bartolomeu e grande parte dos condomínios irregulares. 22 Figura 3.8. Alagamento em via da Cidade Estrutural. 3.3 Caracterização do sistema de drenagem pluvial Os sistemas de drenagem urbana existentes no Distrito Federal foram implantados ao longo do tempo utilizando bases conceituais de um sistema tradicional (higienista), que proporcionam um rápido escoamento das águas pluviais captadas na área urbana sem levar em consideração os devidos cuidados com as áreas a jusante. As características do sistema de drenagem do DF constituem-se basicamente pela conjugação das ruas, bocas-de-lobo, poços de visitas, redes tubulares e galerias celulares, e estruturas de lançamento final. Como as ruas no DF, normalmente, possuem inclinação transversal para apenas um dos lados, a condução das águas ocorre junto ao meio-fio, no lado para o qual se dá o caimento transversal e a captação das águas pluviais. A captação é feita junto ao meio-fio, através de abertura na guia e/ou grelha com rebaixo de 5 cm para melhor direcionar as águas para o interior da boca-de-lobo. Em alguns locais, tal como a Ceilândia, as bocas-de-lobo são instaladas lateralmente no meio-fio (Figura 3.9), 23 denominadas de “engolimento lateral”, executadas em alvenaria de tijolo maciço e cobertas, ao nível do passeio, com tampas pré-moldadas de concreto armado (Figura 3.10). a) b) Figura 3.9. a) Boca-de-lobo com grelha junto ao meio-fio, localizado no SHS Qd. 5, em Brasília. b) Boca-de-lobo lateral na Ceilândia, onde foi colocada uma grade irregular. As bocas-de-lobo, conectadas aos poços de visita por meio dos ramais de ligação, são responsáveis pela captação do escoamento superficial nas vias públicas. Os ramais de ligação são em tubos de concreto simples, com diâmetro interno mínimo de 400 mm. 24 Figura 3.10. Boca-de-lobo de “engolimento lateral”. Os poços de visita são localizados no início das redes e na interligação das mesmas, bem como nas mudanças de direção, tendo como distância máxima de 80 m entre si, para permitir a inspeção e limpeza. São geralmente construídos em blocos de concreto, com parede de espessura igual a 10 cm para diâmetro de 600 mm e espessura de 20 cm para diâmetro de 800 mm, e em concreto armado para os diâmetros de 1000, 1200 e 1500 mm, assentados sobre base de concreto armado, chaminé de acesso em anéis pré-moldados (aduelas, Figura 3.11) de concreto com diâmetro interno de 600 mm e tampão de ferro fundido quando em pavimento (Figura 3.12), podendo ser adotado tampo de concreto quando em áreas verdes (não pavimentadas). 25 Figura 3.11. Vista interna de um poço de visita – chaminé de acesso em anéis prémoldados de concreto. Figura 3.12. Tampão de um poço de visita típico. 26 As redes tubulares são em tubos de concreto simples para diâmetro interno de 400, 500 e 600 mm e em tubos de concreto armado para diâmetros de 800, 1000, 1200 e 1500 mm. As galerias são de concreto armado, moldadas in loco, com seções quadradas variando de 1,65 a 3,00 m, fechadas (Figura 3.13) e/ou a céu aberto, em função da vazão escoada. Os emissários finais (em geral galerias e/ou canais a céu aberto de seção retangular em concreto armado, conforme ilustra a Figura 3.14) afastam as águas pluviais do sítio urbano, conduzindo-as para lançamentos nos córregos, corpos receptores da drenagem natural. As extremidades desses lançamentos são dotadas de estruturas dissipadoras de energia denominadas bacias de amortecimento ou dissipadores localizados (Figura 3.15). Figura 3.13. Galeria fechada de seção retangular em concreto armado. 27 Figura 3.14. Canal de drenagem a céu aberto de seção retangular em concreto armado em Santa Maria. Figura 3.15. Bacia de amortecimento dissipadora de energia (construída em gabiões caixa) em lançamento da drenagem no córrego Riacho Fundo. 28 Nas extremidades das galerias e canais em geral (macrodrenagem) são executados dissipadores de energia com anteparo para reduzir a velocidade do fluxo e controlar o escoamento das águas para o terreno natural, evitando, assim, problemas de erosão (Figura 3.16). Figura 3.16. Dissipador de energia existente em saída da drenagem. Como exemplo de receptor natural do escoamento pluvial do DF pode-se citar o Lago Paranoá. O lago foi criado com o objetivo de aumentar a umidade em suas proximidades, e vem sendo diariamente degradado, já que se constitui em um dos principais corpos receptores diretos da drenagem pluvial e através de outros cursos d’água que a ele afluem, cuja qualidade também se encontra comprometida. 29 Segundo o cadastro da rede de drenagem levantado junto a Novacap, o qual acompanha este relatório em seu Anexo II, foi identificado um total de 373 lançamentos de drenagem pluvial, dos quais 124 são pontos de lançamento de águas pluviais no Lago Paranoá. Esses lançamentos caracterizam-se por tubulações circulares com diâmetros variando de 400 a 1500 mm e galerias celulares com seções quadradas, cujas medidas variam entre 1,65 a 5,40 m . Alguns estão afogados, outros 1 com dissipadores em forma de aba. Entretanto, nenhum deles possui estruturas/técnicas que atuem no sentido de melhorar a qualidade da água lançada no lago. Mesmo a dissipação da energia hidráulica do escoamento pluvial não acontece a contento. Estes fatos, somados à ausência de estruturas de sedimentação, bem como à deficiência na dissipação da energia da água, aliados ao lançamento de águas servidas contendo detergentes, óleos e graxas provenientes da lavagem dos carros em estacionamentos – uma prática corrente no DF – que aportam ao sistema de drenagem, constituem-se em impactos ambientais significativos ao Lago Paranoá. A ausência de estruturas de sedimentação pode ser responsável pelo aporte de aproximadamente duas toneladas por hectare ao ano de sedimentos, provenientes de processos erosivos laminares, segundo dados do Plano de Gestão e Preservação do Lago Paranoá (CAESB/CONCREMAT, 2003). A falta ou ineficiência dos dissipadores de energia é responsável pela criação de erosões de base e margem, terminando por gerar uma quantidade ainda maior de sedimentos. O aporte de águas servidas e esgotos clandestinos têm sido responsáveis pela deterioração da qualidade da água do lago. Embora o tipo de urbanização adotado em Brasília seja propício para a implantação de medidas de controle do tipo compensatória, tais como reservatórios de detenção ou retenção, ou de controle na fonte, (por exemplo, trincheiras de 1 Dimensão da galeria de lançamento pluvial ao lado da ETE Sul, Asa Sul. 30 infiltração ou pavimentos permeáveis) foram encontradas poucas destas estruturas implementadas na cidade, permitindo, considerar desta forma a possibilidade de utilizar estas estruturas para controlar, ainda que parcialmente, os problemas da drenagem atual. Foram encontradas algumas destas estruturas implantadas no DF, nas RAs Riacho Fundo II (Figura 3.17), Recanto das Emas (Figura 3.18), Gama (Figura 3.19), e outras em fase de implantação. Figura 3.17. Bacia de detenção implantada na RA Riacho Fundo II. 31 Figura 3.18. Bacia de detenção implantada na RA Recanto das Emas. Figura 3.19. Bacia de detenção implantada na RA do Gama. Outro aspecto importante sobre o sistema de drenagem pluvial diz respeito à presença de esgotos sanitários junto ao esgotamento pluvial. A rede pluvial de Brasília foi projetada para trabalhar segundo o tipo separador absoluto, isto é, que não se permite a mistura do esgoto pluvial e sanitário. No entanto, seja pelo fato de ocorrerem lançamentos clandestinos, seja porque a rede de esgotos não atinge a toda a população, ou até porque na construção da rede de drenagem pluvial ouve o cruzamento ou ruptura da rede de esgotos sanitários, foi verificada a existência de esgotos sanitários em parte significativa da rede pluvial (Figura 3.20). a) b) 32 Figura 3.20. Esgoto na rede pluvial. a) Esgoto e assoreamento. b) Infiltração de esgoto pelas juntas da rede de drenagem. (Fonte: CONTER, 2008). Embora o sistema de separador absoluto seja o desejável, mesmo quando existem sistemas mistos, se estes são corretamente gerenciados, o esgoto pluvial e sanitário podem ser gerenciados em conjunto, implementando-se sistemas de tratamento para ambos os esgotos. Sistemas deste tipo foram projetados para a cidade de Caxias do Sul, por exemplo, na qual, pela dificuldade de implementação de obras imediatas no centro da cidade onde existiam redes antigas mistas, foi projetado um sistema de coletores que durante o tempo seco coletam o esgoto sanitário e o denominado “first flush”, encaminhando as águas poluídas para um sistema de tratamento e somente a água com uma carga de poluentes muito pequena chega aos córregos da cidade. Denomina-se de “first flush” à primeira parte da chuva, que “limpa” as superfícies de escoamento, carregando, portanto uma carga de poluentes e metais pesados muito grande. No entanto, dado o não planejamento da rede mista existente em Brasília, existem pontos de mau cheiro em áreas de fundo de vale – por onde correm os cursos d’água a céu aberto – que, por sua vez, propiciam a proliferação de vetores de doenças e a degradação da qualidade da água, o que traz consigo inúmeras outras perdas de qualidade ambiental. No volume 6 (RP3) deste PDDU será analisada a interligação entre sistemas de esgotamento sanitário e pluvial, onde serão identificados pontualmente os locais de lançamento ou entrada de esgotos na drenagem, bem como serão sugeridas possíveis soluções. 3.4 Locais com drenagem pluvial problemática Embora a identificação dos pontos críticos seja uma atividade prevista no RP4, para entender melhor o sistema de drenagem urbana do DF é necessário conhecer aqueles locais onde a drenagem apresenta problemas. 33 Em cidades já consolidadas no Distrito Federal, grande parte das suas áreas urbanas dispõe de um sistema de coleta de águas pluviais, como, por exemplo, as áreas do Guará e Plano Piloto. Esses sistemas foram implantados há pelo menos 30 anos, numa época em que as cidades se encontravam em processo de consolidação de seus espaços urbanos. Com o passar dos anos foi ocorrendo a densificação dessas cidades, com o conseqüente aumento da impermeabilização proporcionando alagamentos em diversos pontos da área urbana como será apresentado a seguir. Nas cidades do grupo implantado têm ocorrido ampliações dos seus espaços urbanos, e com o passar dos anos, têm exigido cada vez mais do Poder Público, a expansão e ampliação das redes de drenagem urbana. O que se observa muitas vezes é a defasagem temporal entre as expansões das cidades e a efetiva ampliação dos sistemas de drenagem, provocando assim transtornos nos locais ainda não atendidos pelo sistema. No segundo grupo, do qual fazem parte, por exemplo, os Lagos Sul e Norte, e Areal (Taguatinga), os sistemas de drenagem pluvial foram implantados parcialmente e, conseqüentemente, apresentam alguns locais de alagamentos por falta de estruturas de drenagem. No grupo dos locais com drenagem em implantação espera-se que muitos dos problemas atualmente existentes sejam erradicados ou amenizados pelas obras de infraestrutura em andamento. Segundo dados levantados junto a Defesa Civil do DF, diversos pontos de alagamentos são identificados nas RAs durante eventos chuvosos. A seguir é apresentado um breve resumo destes locais. 3.4.1 Plano Piloto Na Asa Norte é possível identificar alagamentos durante períodos chuvosos nos seguintes pontos: 34 • Saída da Avenida L2 Norte para o Eixo Monumental; • Setor Bancário Norte em frente ao prédio sede dos correios e em frente à parada da galeria; • Via de ligação Eixinho Norte/Leste à L2 norte ao lado do DNIT; • Eixinho Norte/Oeste entre o Setor Comercial Norte e o HRAN; • Avenida W3 Norte, em frente ao Setor de Rádio Televisão Norte; • Tesourinha da SQN 202; • Rotatória ou Balão da SQN 202/402; • SQN 402 Blocos F e G; • Tesourinha da 203/204 Norte; • Avenida W2 Norte, entre a SQN 311 e a SEPN 511; • Tesourinha da 211/212 Norte; • Via W1 Norte e SQN 115; • Tesourinha 215/216 Norte; • Setor terminal Norte em frente ao Hipermercado Extra; • Setor terminal Norte, portaria da Embrapa; • VIA EPAA, balão de acesso ao SAAN e RCG. Na Asa Sul é possível identificar alagamentos durante períodos chuvosos nos seguintes pontos: • SQS 416 – Estacionamento do Bloco S; • Avenida W3, Setor Médico Hospitalar Local Sul (716); • Passagem de níveis do Eixo Rodoviário Sul, altura da 110/210; • Passagem de níveis do Eixo Rodoviário Sul, altura da 111/211; • Tesourinha da 202 Sul; • Avenida L2 Sul, em frente ao Setor de Autarquias; • Avenida W3 sul, entre a TV Nacional e o Pátio Brasil; • Via interna do Parque da Cidade, nas proximidades do parque infantil Ana Lídia. 35 3.4.2 Guará Na cidade do Guará, o sistema de drenagem implantado não mais suporta as precipitações com recorrências pequenas, e os seguintes locais tem apresentado alagamentos freqüentes, a saber: • QE 17 – Conjuntos A, B, C, D, E e F; • QE 15 – Conjuntos C, Q e S; • Balão do SESC – Guará I; • QE 07 – AE, em frente à Agência dos Correios; • QE 40 – Anel Viário, em frente à antiga Agência do BRB; • QE 32 – Conjuntos J e K; • Anel Viário – em frente ao Centro de Saúde 02; • Setor de Oficinas Sul – não existe rede de captação de águas pluviais; • QE 07 – Comércio; • Viaduto do metrô abaixo da estação da feira do Guará; • QI 33 – Entorno do Edifício Consei; • Viaduto de saída do Guará, sentido EPTG; • QE 32 – Conjunto M; • QE 08- Área especial 1, entorno do colégio JK. 3.4.3 Candangolândia Na região administrativa da Candangolândia, são apresentadas duas áreas críticas de alagamento, a saber: • Via do Contorno; • Rua dos Transportes próximo ao balão e CBMDF. 3.4.4 Núcleo Bandeirante Na região administrativa do Núcleo bandeirante, são apresentados alguns pontos de alagamentos, a saber: 36 • Vila Cauhy; • Pontilhão que liga a Divinéia à Metropolitana; • Setor de Chácaras: Chácara nº 02 até a ponte da Metropolitana; • Ação do Córrego Riacho Fundo, na área entre as casas 09 e 15 da Rua 01 do Setor dos Engenheiros – Metropolitana; • Setor de Oficinas do Núcleo Bandeirante. 3.4.5 Gama Na região administrativa do Gama, são apresentados alguns pontos de alagamentos, a saber: • Encontro da Av. dos Bombeiros e padre Alessandro Ferloni; • Av. dos Pioneiros em frente ao HRG; • Av Wagner Piau em frente a RA II; • Av. dos Bombeiros em frente ao conjunto B da Q.1 do Setor Norte; • Encontro das Av. JK e Pioneiros. 3.4.6 Cruzeiro Na região administrativa do Cruzeiro, são apresentadas duas áreas críticas de alagamento, a saber: • EPCB, em baixo do Eixo Monumental; • EPIG, no cruzamento com HCE 1 (Semáforos). 3.4.7 Sobradinho • Quadra 02 (área central); • Rua 10 (Quadra 17, entre AE 1 e 2); • AR 13 Conjunto 17; • AR 10 Conjuntos 11 e 12; • Av. Contorno (entre Quadra 1 e Quadra 3); • AR 7/AR 5 (muro do cemitério). 37 3.4.8 Recanto das Emas • Av. Recanto das Emas (canteiro central); • Av. Vargem da Benção da Quadra 102 até Quadra 111; • Entre a Quadra 102 até a Quadra 105; • Nas Quadras 600 a 800. 3.4.9 Sudoeste • SQSW 302 bloco B; • SQSW 300 bloco N; • SQSW 104 bloco C. 3.4.10 Paranoá • Quadra 08 entre os conjs. M e P; • Quadra 18 entre os conjs. O e F; • Quadra 18 entre os conjs. K e N; • Quadra 16 conjunto D lote 01; • Quadra 20 conjunto B lote 03; • Quadra 20 conjunto J lote 03; • Quadra 15 conjunto M lote 04 e 05; • Quadra 15 conjunto M lote 15 e 16; • Quadra 34 conjunto E lote 01. 3.4.11 Lago Sul e Lago Norte Nas regiões dos Lagos Sul e Norte têm como característica principal a proximidade da maioria de suas áreas urbanas com um grande corpo receptor das águas pluviais, o Lago Paranoá. Assim, o impacto decorrente do escoamento das águas pluviais é minimizado. Outro aspecto que diferencia a região é a existência de sistema de drenagem urbana apenas nos locais mais críticos e suas principais vias de acesso. 38 • EPDB (Estrada Parque Dom Bosco) da Ql 14, conjunto 01, até o posto Ipiranga; • HI 70, entre a EPCV e o Parque Canjerana, acesso ao SMDB 25(Setor de Mansões Dom Bosco); • QI 21, conjunto 09, passagem de servidão; • QI 21, conjunto 05 casa 02; • Ponte entre a QI 21 e Qi 09, HI 60. Este alagamento traz maiores preocupações devido a sobrecarga da lâmina de d´água que chega a atingir 40 cm; • EPDB (DF 025) na altura da entrada da QI 21; • EPDB (DF 025) na altura da QI 25 conjunto 04; • QI 29 conjunto 02; • Comércio da SMDB conjunto 12, estendendo-se até o lote 01 do conjunto. 3.4.12 Varjão No Varjão, são indicadas áreas sujeitas às inundações, a saber: • Área entre a Rua da Grota, próxima ao Conjunto C da Quadra 05, Conjunto a da Quadra 05 e o Conjunto D da quadra 07; • Área que fica abaixo do setor Taquari, acima do Conjunto F da Quadra 08, acima do Conjunto H da Quadra 06, acima do Conjunto F da Quadra 04 e acima do Conjunto B da Quadra 02. 3.4.13 Planaltina • Via Independência; • Via NS1; • Av. Goiás próximo a ponte do rio Mestre D’Armas; • Travessia do córrego do Atoleiro (Arapoanga); • Q 05 do SRI. 3.4.14 São Sebastião • Av. Comercial – Rua 48; • Rua da Gameleira; 39 • Rua da Escola (entre os bairros Vila Nova e São José); • Quadra 108. 3.4.15 Brazlândia • Ligação entre a quadra 05 setor norte, Setor Veredas e Balneário Veredinha • Expansão da Vila São José, quadras 45 a 48 e 55 a 58 • Em frente ao hospital regional de Brazlândia 3.4.16 Taguatinga • QSC 19 (fundos do clube primavera) Conjunto A-1; • QSC 12 Casas 46 a 48 (margeando Árie JK). Apresenta correntezas formadas pela descida da água em grande volume e velocidade. 3.4.17 Riacho Fundo I e II • Colônia Agrícola Riacho Fundo, antiga Vila do Matadouro; • QS 16; • Bueiros que ligam a antiga fazenda Sucupira para o Riacho Fundo II e Bueiros que ligam o Instituto de Saúde Mental do Riacho Fundo II. 3.4.18 Samambaia • Atrás da escola classe da QS 318; • 2⁰ Avenida Norte QR 602 até 614; • 2⁰ Avenida Norte QR 601 até 617; • 2⁰ Avenida Sul em frente a QR 510; • QR 401, 402, 404, 406, 408 e 410 (casas são inundadas); • Margem direita da BR 060 da altura da QR 511 até a garagem da Viplan; • 2⁰ Avenida Norte em frente as QR 425 e 625. 3.4.19 SIA • SIA Trecho 1 /2, na via, no local defronte ao Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal; 40 • Quadra 02, Conjunto B, lote 07, via adjacente. 3.4.20 Ceilândia • QNM 22 entre os conjuntos O e P; • EQNM 18/20, 17/19, 19/21 e 21/23; • QNM 23 entre o conjunto O e P; • QNM 25 em frente a BR-070. 3.4.21 SCIA/Estrutural As localidades do terceiro grupo, sistemas em implantação, situam-se entre as áreas mais carentes do DF. • Quadra 08 Conjunto 1, avenidas com alagamento; • Avenida entre a Quadra 12 e a 10, próximo à Igreja Assembléia de Deus; • Entra da Vila Estrutural no Viaduto, com a presença de Bocas de Lobo Entupidas causando alagamento e inundações impossibilitando a passagem a pé ou com qualquer meio de Transporte; • Setor de Chácaras, na Cabeceira do Córrego do Valo, destacando-se a avenida; • Quadra 15 Conjunto C, próximo à Igreja Cristã do Brasil; • Área especial 03 praça central, em frente ao posto de saúde e o colégio; • Entrada da cidade, entre o posto policial e o circo; • Quadra 1 /2, próximo ao conjunto C; • Quadra 09, conjuntos F, G, H e D; • Quadra 05/07, Conjuntos E e C; • Quadra 11, próximo aos Conjuntos D e F; • Quadra 12/17, o campo fica alagado; • Quadra 02, conjunto A, em frente à quadra 12 Conjunto A; • Quadra 15/13, avenida que liga ao Lixão; 3.4.22 Itapoã • Via de ligação DF 250/440, em frente ao Bar do Maranhão; 41 • Em frente à Quadra 377, a partir do lote 33; • Ao lado e em frente à Quadra 350; • Quadras 324, 325 e 327; • Ao longo da margem da DF 250. 3.4.23 Jardim Botânico • Condomínio Solar de Brasília – Quadra 03; • Bifurcação da Avenida Dom Bosco com Avenida do Sol; • Área de Lazer no Condomínio Estância Jardim Botânico. 3.4.24 Fercal • Comunidade Queima Lençol DF 205 Km 2,4 Qd 3 Lt 31; • DF 205 Leste Km 01 Qd.18 Lote 78-A Fercal II; • DF 205 leste Km 01 Qd 19 e 20. 42 4 CARACTERIZAÇÃO DO PROBLEMA DE EROSÃO URBANA E DO RISCO GEOLÓGICO 4.1 Desenvolvimento urbano e suas conseqüências Os impactos ambientais da urbanização têm sido um dos grandes problemas mundiais a serem enfrentados pelos administradores, planejadores e usuários do espaço ocupado pela cidade e suas áreas adjacentes. No Brasil, a concentração urbana é da ordem de 80% do total da população. Essa concentração urbana pode ser caracterizada pela expansão irregular da periferia, com pouca obediência à regulamentação urbana estabelecida por um plano diretor ou às normas específicas de loteamentos, ocorrendo, sistematicamente, ocupação irregular de áreas públicas e privadas por contingente populacional de baixa renda. Dessa forma, assiste-se a um conjunto de eventos trágicos a cada período de chuvas, que se reproduzem em acidentes de características semelhantes em áreas urbanas de risco em todo País, como inundações de vales, instabilidade de encostas e ocorrência de processos erosivos, entre outros. Esses eventos são tratados essencialmente de forma emergencial pelos sistemas de defesa civil, inexistindo, na quase totalidade dos municípios brasileiros, qualquer política pública para equacionamento prévio do problema. Se a falta de sistema de drenagem de águas pluviais pode ser causa de erosão superficial e formação de sulcos, ravinas e voçorocas nas áreas urbanas e seu entorno, seu lançamento inapropriado pode proporcionar a erosão dos leitos e margens dos mananciais. Segundo Martins et al. (2004), as erosões geram várias conseqüências socioeconômicas como a perda de áreas habitáveis ou agriculturáveis, interrupção de vias, assoreamento do leito dos cursos d’água e exposição do patrimônio público e 43 privado ao risco, fatos comuns em outras cidades e constantemente veiculados nos meios de comunicação. Martins (2005) relata que o Brasil precisa criar modelos de gestão de seu território, valorizando o seu povo, incentivando a divulgação de projetos científicos e tecnológicos que contemplem a questão ambiental e o envolvimento do cidadão, desde as comunidades mais carentes até os centros mais ricos. Dessa forma, o plano diretor dará uma percepção clara das áreas a serem ocupadas e das áreas a serem preservadas, com o intuito de se mitigar os inevitáveis danos ambientais. 4.2 Erosão Erosão, cujo termo vem do latim (erode), significa corroer. Segundo IPT (1986) é o processo de degradação e remoção de partículas de rochas e solos pela ação dos agentes erosivos, como a água, o vento, o gelo, as plantas, os animais e o homem. Em regiões tropicais úmidas, a erosão pode ser formada como um fenômeno de natureza hidrológica, sendo desencadeada pela ação de escoamentos superficiais e subsuperficiais ou, ainda, pela ação gravitacional diante do decréscimo de resistências dos materiais sob saturação ou movimento de terras (COELHO NETO, 1998). A ação das chuvas (erosão pluvial) é a principal responsável pelo processo de erosão, pois desagregam as partículas das camadas de solo que recobrem as rochas, que são carregadas pela enxurrada. 4.2.1 Classificação das erosões As erosões se classificam em duas formas de abordagem para os processos erosivos: erosão natural ou geológica, que se desenvolve em condições de equilíbrio com a formação do solo, e erosão acelerada ou antrópica, cuja intensidade, sendo superior à da formação do solo, não permite a sua recuperação natural. 44 Denomina-se erosão natural ou geológica, o processo erosivo que ocorre em ambientes com cobertura vegetal natural e sem pressão de fatores antrópicos, e manifesta-se de uma forma muito lenta, sendo perceptível somente com o decorrer de longos períodos de atividade (BERTONI & LOMBARD NETO, 1999). A erosão antrópica ou acelerada é resultante da ocupação inadequada dos solos por atividades agrícolas ou urbanas, que aceleram ou intensificam os processos erosivos devido às condições induzidas ou modificados pelo homem ao solo (MARTINS, 2005). As conseqüências da erosão acelerada são: redução do potencial de áreas agricultáveis, danos a equipamentos de infraestrutura nas áreas urbanas e assoreamento dos rios, lagos, represas e reservatórios. Em escala global, a erosão acelerada provocada pela água é o tipo dominante da degradação do solo e a erosão pelo vento, o segundo tipo mais importante, segundo Lal (1999). O referido autor cita a ligação entre a degradação ambiental e a degradação do solo, mostrada na Figura 4.1. Dependendo da forma como se processa o escoamento superficial, podem-se desenvolver dois tipos de erosão: erosão laminar e a erosão linear. O processo de erosão laminar, ou em lençol, caracteriza-se pelo escoamento superficial homogêneo e difuso, em grandes áreas, carreando pequenas camadas do solo, sendo pouco visíveis sinais no solo, mas perceptível com o aumento da turbidez da água do rio. Sua ação pode continuar durante anos, com o empobrecimento do solo ou com o assoreamento de áreas à jusante. Na zona rural, as conseqüências da erosão laminar são mais perceptíveis, pois além de levar grande parte dos nutrientes, desestabiliza as plantações, atingindo a cobertura de suas raízes. 45 Degradação Ambiental Redução da qualidade atmosférica Redução na diversidade da biosfera Contaminação das águas Degradação física do solo Alterações na litosfera Alterações na pedologia Degradação química do solo Degradação biológica do solo Alteração na estrutura do solo Erosão acelerada do solo Redução da biodiversidade do solo Contaminação das águas Voçoroca e deslizamentos de terras Figura 4.1. Degradação do solo ligada à degradação ambiental (modificado: Lal, 1999). A erosão linear é o resultado das alterações do escoamento superficial causado pela concentração do fluxo das águas pluviais, devido à urbanização, estradas, entre outros, resultando em incisões na superfície do terreno (IWASA & FENDRICH, 1998). Este tipo de erosão é prioridade neste estudo, devido ao alto índice de ocorrência no Distrito Federal. 46 As principais feições que caracterizam a erosão linear são: sulcos, ravinas e voçorocas. A erosão em sulcos (Figura 4.2) resulta de pequenas irregularidades na declividade do terreno, que faz com que a enxurrada, concentrando-se em alguns pontos do terreno, atinja volume e velocidade suficientes para formar traçados mais ou menos profundos de até 10 cm. Na fase de aparecimento dos sulcos não ocorrem grandes concentrações de água e eles se dão geralmente de forma difusa. Com efeito, seja pela atuação mais intensa dos agentes erosivos, seja devido à maior erodibilidade do solo aos fatores moduladores favoráveis, tais como a geomorfologia e a vegetação, ocorrerá uma maior concentração de água, fazendo com que os sulcos evoluam para ravinas (LIMA, 2003). As ravinas (Figura 4.3) são feições de maior porte, com profundidade variável, de forma alongada e que não atingem o nível d’água subterrânea, onde atuam mecanismos de desprendimento de material dos taludes laterais e transporte de partículas de solo. Ravinas e voçorocas podem ser consideradas como incisões que resultam da tendência dos sistemas naturais a atingir um estágio de equilíbrio entre energia disponível e eficiência do sistema em dissipar energia. 47 Figura 4.2. Surgimento de sulcos devido ao corte da estrada, Paranoá. Figura 4.3. Ravina ocasionada pelo escoamento de água pluvial na RA de Brazlândia. 48 Voçoroca (Figura 4.4) corresponde a um estágio mais avançado e complexo de erosão, cujo poder destrutivo é superior ao das outras formas e assim mais difícil a sua contenção. Figura 4.4. Voçoroca de grande porte no Condomínio Privê, na RA Ceilândia. 4.2.2 Fatores condicionantes A ocupação humana do solo representa o fator decisivo da aceleração dos processos erosivos. Porém, existem fatores condicionantes que influenciam na velocidade deste processo. Os principais fatores são: climáticos, a cobertura vegetal, a topografia e os tipos de solos. A intensidade e a freqüência da manifestação dos processos erosivos urbanos mobilizam milhões de metros cúbicos de solos. Uma parte dos sedimentos proveniente desses processos deposita-se nas vertentes e, outra parte, atinge os fundos de vales, provocando o assoreamento dos rios. Esse assoreamento constitui um grave impacto da erosão no meio ambiente, promovendo enchentes, perdas de 49 capacidade de armazenamento d’água em reservatórios e prejuízos para o abastecimento e a produção de energia hidrelétrica, segundo Iwasa & Fendrich (1998). Os referidos autores relatam que o agravamento dos problemas erosivos está diretamente relacionado ao crescimento vertiginoso da população urbana, num processo de rápida urbanização, sem planejamento ou com projetos e práticas de parcelamento do solo, inadequados e ineficientes. Por outro lado, as ineficiências de algumas obras de combate implantadas são destruídas em curto espaço de tempo por vários fatores, tais como: subdimensionamento das estruturas hidráulicas, não consideração das águas subterrâneas, ausência de estruturas de dissipação no lançamento final pelos emissários, drenagem pluvial urbana e falta de conservação e manutenção das obras instaladas. Em regiões tropicais, segundo Martins (2005), a ação das chuvas (erosão pluvial) é a principal causa do processo de erosão, visto que a precipitação e o escoamento superficial gerado desagregam as partículas das camadas de solo que recobrem as rochas, que acabam por ser carreadas pela enxurrada. 4.3 Processos erosivos no Distrito Federal No Distrito Federal, situado na região fitogeográfica do cerrado, cuja área é de 5.814 km², a ocorrência de alguns focos erosivos já pôde ser observada no princípio da ocupação por ocasião da implantação da Nova Capital, como foi relatado no relatório Belcher (1954). De acordo com Silva (1986) é inacreditável que uma cidade bem planejada como Brasília, cuja área foi estudada de 1954 a 1955 pela firma norte-americana Donald J. Belcher and Associates Ithaca, N.Y., sofra com o problema da erosão, uma vez que os estudos foram feitos nas áreas de geologia, hidrologia, solos para agricultura e para engenharia, pois, naquela época, os técnicos já alertavam aos engenheiros de viação sobre a susceptibilidade do retângulo à erosão. 50 Silva (1986) identificou alguns focos de processos erosivos na área do Distrito Federal, na época o DF era dividido em 8 (oito) regiões administrativas (RA). A distribuição dos focos erosivos nas regiões administrativas na época era: RA (I) – Brasília com 20 processos erosivos; RA (II) – Gama com 12 focos erosivos; RA (III) Taguatinga/Ceilândia com 08 focos erosivos, a população desta região foi surpreendida em fevereiro de 1986 pelo desmoronamento das extremidades de três galerias moldadas de águas pluviais, uma creche e algumas casas residências; RA (IV) – Brazlândia com 7 focos erosivos; RA (V) – Sobradinho com 7 focos de erosão; RA (VI) – Planaltina com 3 processos erosivos; e finalizando com as RA (VII) e (VIII) – Paranoá e Núcleo Bandeirante, onde foram identificadas na época 27 focos de processos erosivos. Oliveira (2002) cadastrou 48 processos erosivos em 10 regiões administrativas: RA (I) – Brasília, com 3 processos erosivos; RA (II) – Gama: 7 processos erosivos; RA (III) – Taguatinga: 7 processos erosivos; RA (VIII) – Núcleo Bandeirante: 10 processos erosivos; RA (IX) – Ceilândia: 4 processos erosivos; RA (XIII) – Santa Maria: 2 processos erosivos; RA (XV) – Recanto das Emas: 5 processos erosivos; RA (XVI) – Lago Sul: 2 processos erosivos e RA (XVII) – Riacho Fundo com 1 processo erosivo. Martins (2005) identificou, por meio da imagem de satélite Landsat 7 do ano de 2002, 934 áreas possíveis de degradação do solo, sendo necessário o trabalho de campo para confirmação dos dados. O trabalho de campo foi realizado nas 934 áreas e em áreas adicionais, à medida que outras áreas eram identificadas. Das 934 áreas possíveis de processo erosivo, algumas não foram identificadas como erosão, indicando assim a importância do trabalho de campo, que por sua vez foi realizado em 19 Regiões Administrativas do Distrito Federal, de onde resultaram 1252 áreas visitadas (Tabela 4.1) e cadastradas em um banco de dados georreferenciado (Figura 4.5 e Figura 4.6). 51 Tabela 4.1. Distribuição das áreas com indícios de erosão no Distrito Federal. Região Administrativa Áreas degradadas localizadas (nº) Candangolândia Cruzeiro Guará Lago Norte Santa Maria Lago Sul Riacho Fundo Taguatinga Samambaia Recanto das Emas Brasília Núcleo Bandeirante Gama Brazlândia Ceilândia Paranoá São Sebastião Sobradinho Planaltina Total Fonte: Martins, 2005. 00 01 06 14 17 23 25 26 30 32 33 34 83 92 108 167 183 188 190 1252 Áreas degradadas identificadas em campo (%) 0,00 0,08 0,48 1,12 1,36 1,84 2,00 2,08 2,40 2,56 2,64 2,72 6,63 7,35 8,63 13,34 14,62 15,02 15,18 100,00 Área (km²) Área (%) 7,00 9,10 46,00 66,08 215,90 183,45 57,19 122,00 106,00 101,50 473,73 81,50 277,34 476,03 232,15 857,02 386,85 575,65 1540,00 5814,00 0,12 0,16 0,79 1,14 3,71 3,16 0,98 2,10 1,82 1,75 8,15 1,40 4,77 8,19 3,99 14,74 6,65 9,90 26,49 100,0 52 INSERIR A3 Figura 4.5. Feições erosivas do Distrito Federal. 53 INSERIR A3 Figura 4.6. Feições erosivas associadas às bacias do Distrito Federal. 54 4.4 Processos erosivos por bacias elementares As feições erosivas cadastradas ocorreram em locais próximos à área urbana, área agrícola, estradas não pavimentadas e estradas pavimentadas próximas aos núcleos urbanos. Levando em consideração que a presença antrópica tem sido marcada pela distribuição do sistema viário, este é um dos fatores condicionantes no aumento do processo erosivo no Distrito Federal, por meio da ocupação desordenada do solo, principalmente das encostas, seja pela expansão urbana e cortes para a abertura de estradas. Diante do grande número de erosões identificadas nas referências bibliográficas mencionadas, foi realizado um levantamento das erosões lineares (ravinas, voçorocas e família de sulcos) localizadas nas bacias elementares onde há aglomeração urbana no Distrito Federal. Assim, a Tabela 4.2 e o gráfico da Figura 4.7 ilustram a distribuição de erosões lineares em meio urbano de acordo com as bacias elementares do Distrito Federal. Tabela 4.2. Distribuição das erosões lineares em meio urbano por bacia elementar. Bacia Elementar Pedreira Melchior/Belchior Alagado/Ponte Alta Sonhim Lago Descoberto Bananal Sobradinho Riacho Fundo Mestre D’Armas Vereda Grande Lago Paranoá Santa Maria/Torto Total Nº de erosões identificadas 51 48 37 37 15 13 13 07 06 03 01 01 232 Nº de erosões identificadas (%) 22,0 20,7 15,9 15,9 6,5 5,6 5,6 3,0 2,6 1,3 0,4 0,4 100,0 55 Figura 4.7. Número das erosões identificadas nas bacias elementares com ocupação urbana. Conforme os dados apresentados na Tabela 4.2 e na Figura 4.7, as bacias elementares Pedreira, Melchior/Belchior, Alagado/Ponte Alta e Sonhim englobam mais de 70% das erosões lineares identificadas. A distribuição dos tipos de processos erosivos identificados nas 12 bacias elementares pode ser visualizada na Figura 4.8. Verifica-se a distribuição percentual das feições identificadas corresponderam a voçorocas - 14%, ravinas - 59% e famílias de sulcos - 27%. O número dessas erosões tende a aumentar devido a grande quantidade de áreas de empréstimo existentes, que se encontram associadas aos processos erosivos. 56 Figura 4.8. Distribuição (numérica; percentual) dos tipos de processos erosivos identificados nas bacias elementares. Na Figura 4.9, observa-se a distribuição numérica e percentual das ravinas identificadas nas unidades hidrográficas do Distrito Federal. Dentre 136 ravinas identificadas, 69% delas estão localizadas nas bacias elementares Pedreira, Melchior/Belchior, Sonhim e Alagado/Ponte Alta. 57 Figura 4.9. Distribuição (numérica; percentual) das ravinas identificadas nas bacias elementares. Quanto às voçorocas, é possível observar na Tabela 4.3 e Figura 4.10 as distribuições numéricas e percentuais por bacia elementar no Distrito Federal. Tabela 4.3. Distribuição das voçorocas por bacia elementar. Bacia Elementar Alagado/Ponte Alta Bananal Lago Descoberto Lago Paranoá Melchior/Belchior Mestre D’Armas Pedreira Riacho Fundo Santa Maria/Torto Sobradinho Sonhim Vereda Grande Total Nº de erosões identificadas 04 02 00 01 07 00 06 05 00 02 05 01 33 Nº de erosões identificadas (%) 12,1 6,1 0,0 3,0 21,2 0,0 18,2 15,2 0,0 6,1 15,2 3,0 100,0 58 Figura 4.10. Distribuição das voçorocas identificadas por bacia elementar. Além das ravinas e voçorocas, foi identificado um grande número de famílias de sulcos. Caso não sejam tomadas providências, tais focos de sulcos darão lugar à formação de ravinas e, em alguns casos, até de grandes voçorocas. A Tabela 4.4 e o gráfico da Figura 4.11 apresentam o quantitativo de sulcos nas bacias elementares urbanizadas do Distrito Federal. Tabela 4.4. Distribuição das famílias de sulcos por bacia elementar. Bacia Elementar Alagado/Ponte Alta Bananal Lago Descoberto Lago Paranoá Melchior/Belchior Mestre D’Armas Pedreira Riacho Fundo Santa Maria/Torto Sobradinho Sonhim Nº de erosões identificadas 15 01 03 00 15 0 20 00 00 01 07 Nº de erosões identificadas (%) 23,8 1,6 4,8 0,0 23,8 0,0 31,7 0,0 0,0 1,6 11,1 59 Bacia Elementar Vereda Grande Total Nº de erosões identificadas 01 63 Nº de erosões identificadas (%) 1,6 100,0 Figura 4.11. Distribuição dos sulcos identificados por bacia elementar. 4.5 Processos erosivos por regiões administrativas Dentre as regiões administrativas mais propícias aos processos erosivos, estão àquelas situadas nas bordas de chapadas, tais como Ceilândia, Gama e Samambaia, e as que apresentam declividade de moderada a forte, por exemplo, Taguatinga, Sobradinho, Paranoá, entre outras. Diante do exposto e com base nas erosões identificadas nas bacias elementares, os processos erosivos detectados são apresentados em função das regiões administrativas nas quais se manifestam. As erosões levantadas ocorrem em 12 RAs, conforme é possível verificar na Tabela 4.5 e no gráfico da Figura 4.12. Percebe-se que as regiões administrativas de Sobradinho, Ceilândia e Gama concentram mais de 70% dos processos erosivos identificados. 60 Tabela 4.5. Distribuição das erosões levantadas por região administrativa. Região Administrativa Águas Claras Brasília Brazlândia Ceilândia Gama Paranoá Planaltina Recanto das Emas Samambaia Santa Maria Sobradinho Taguatinga Total Nº de erosões identificadas 1 13 9 41 33 02 05 10 10 02 89 17 232 Nº de erosões identificadas (%) 0,4 5,6 3,9 17,7 14,2 0,9 2,2 4,3 4,3 0,9 38,4 7,3 100,0 Figura 4.12. Distribuição numérica das erosões por região administrativa. 4.5.1 Região administrativa de Sobradinho Na RA Sobradinho foi constatado a ocorrência de feições erosivas nas proximidades de áreas urbanizadas, a partir da imagem de satélite. A distribuição das 61 feições identificadas em função dos tipos de processos erosivos (ravinas, voçorocas ou sulcos) é apresentada na Figura 4.13. Figura 4.13. Distribuição numérica das feições identificadas na RA Sobradinho. A localização dos processos erosivos na RA de Sobradinho de maior interesse, em função da proximidade com as áreas urbanizadas e do conseqüente risco que representa, pode ser vista no recorte da imagem apresentado na Figura 4.14. 62 INSERIR A3 Figura 4.14. Feições erosivas identificadas na RA Sobradinho. 63 Diante das erosões identificadas na RA de Sobradinho, observou-se que o entorno da Rodovia DF-150 apresenta grande susceptibilidade quanto ao processo erosivo, conforme pode ser visualizado na Figura 4.15. A ravina selecionada na Figura 4.16, localiza-se ao lado da rodovia DF-150, próximo ao Condomínio Serra Azul. Suas dimensões são de aproximadamente 130,0 m (extensão), 10,0 m (largura) e 2,5 m (profundidade). As coordenadas geográficas deste processo erosivo são 15°37'49,03" S e 47°51'27" O. Ravina de médio porte provocada pela falha no sistema de drenagem Figura 4.15. Vista das áreas degradadas ao lado da DF 150, em Sobradinho. Tal erosão selecionada é uma ravina de médio porte devido suas dimensões (ver Figura 4.18) e o solo é de textura arenosa no topo e argilosa em direção a base do talude com presença de camadas lateríticas. Na área a montante da erosão encontrase a DF-150. A vegetação local é rasteira e o entorno da erosão localizam-se várias áreas de empréstimos abandonadas sem nenhum tipo de recuperação/proteção da área. 64 A possível causa dessa erosão sucede da falha no sistema de drenagem da rodovia DF-150, da infraestrutura ao lado da erosão e a declividade do terreno. Aparentemente a erosão está controlada, porém não estabilizada, visto que algumas partes dela se encontram em evolução e com a chegada do período de chuva o processo pode aumentar consideravelmente colocando risco as pessoas que transitam pela Rodovia DF 150. Diante do exposto, faz-se necessário uma intervenção na área em médio prazo. Figura 4.16. Ravina de médio porte ao lado da DF 150, em Sobradinho. 4.5.2 Região administrativa de Ceilândia Na Região Administrativa de Ceilândia foram identificadas, por meio de imagens de satélite, 41 áreas com processos erosivos, sendo elas ravinas (20), sulcos (13) e voçorocas (8). Além do grande número de erosões, foi observado que nessa RA grande concentração de áreas de empréstimo abandonadas, sem nenhuma recuperação e/ou proteção, que por sua vez poderão ocasionar o surgimento de 65 erosões lineares. A Figura 4.17 ilustra percentualmente a distribuição das erosões nessa RA. Figura 4.17. Distribuição percentual das erosões na RA de Ceilândia. Nessa RA foram identificadas algumas erosões que apresenta risco a população existente nas proximidades. Erosão de grande porte – Condomínio Privê O Condomínio Privê surgiu em 1989, e seus moradores vêm enfrentando diversos problemas, entre eles, um de grande destaque é a erosão localizada próxima a Rua 10 e 11, cujas coordenadas geográficas do local são 15°46'43.55"S e 48°08'09.54". Em 2004, já havia sido identificado tal erosão, mas a mesma encontrava-se distante das residências por aproximadamente 800 m. Com o aumento da aglomeração sem planejamento nessa área e com a falta de um sistema de captação 66 adequado, o processo erosivo aumentou e atualmente dista, em alguns locais, apenas 10,0 m das residências. Em virtude da proximidade desta erosão em relação à população local, constata-se a necessidade de implantação de medidas de controle em curto prazo. Trata-se de uma voçoroca de grande porte que vem aumentando a cada período de chuva, pois se encontra bastante ativa. As dimensões da erosão são aproximadamente 150 metros de comprimento, 10 metros de profundidade e 5 metros de largura. Além da chuva, a população tem contribuído com aceleramento, dispondo resíduos sólidos de maneira inadequada na área. A Figura 4.18 ilustra a situação da área em setembro de 2004 e a situação atual (setembro de 2008). O que antes era apenas uma área de solo exposto, hoje dá espaço a um cenário bastante preocupante (Figura 4.19 a Figura 4.21). Dentre as prováveis causas pode-se citar a falta de um sistema de drenagem eficiente no Setor O de Ceilândia, visto que o escoamento pluvial desta área se dá em direção ao Condomínio Privê, a falta de um sistema de captação adequado da BR-070, a declividade do terreno e a ação humana. O solo é vermelho de textura arenosa no topo e argilosa em direção a base do talude, e apresenta camadas lateríticas. 67 INSERIR A3 Figura 4.18. Localização da erosão no Condomínio Privê em imagem de satélite (2003) e registro de sua situação atual (2008). 68 Figura 4.19. Vista frontal da ravina no Condomínio Privê, na Ceilândia. Figura 4.20. Visão geral da ravina, registrando a proximidade com as residências no Condomínio Privê. 69 Figura 4.21. Erosão comprometendo a infraestrutura local (poste da rede elétrica), no Condomínio Privê. Erosão de grande porte – P Sul - QNP 28 A voçoroca identificada no P Sul, próximo a QNP 28 em Ceilândia, apresenta extensão, largura e profundidade média de aproximadamente 150m, 15m e 10m, respectivamente. A bacia de contribuição compreende a quadra QNP 28 e a via P5 (ver Figura 4.22), sendo que a área a montante da erosão é uma área de solo exposto. Está situada próximo à usina de resíduos sólidos de Ceilândia, na cabeceira do córrego do Valo, afluente do rio Melchior (Figura 4.23). 70 CEILÂNDIA QNP 28 Figura 4.22. Localização da QNP 28 no Setor P Sul, Ceilândia. 71 INSERIR A3 Figura 4.23. Localização da voçoroca nas proximidades da QNP 28. 72 Constitui-se em uma erosão de grande porte, em forma de anfiteatro, cujas paredes laterais atingem entre 8 e 10 metros de altura. Foram verificados vários pontos de ruptura recente de talude e a presença de orifícios nas paredes, que configuram a ocorrência de piping. Pode-se observar um fluxo de água na erosão (Figura 4.24), proveniente do lençol freático e do escoamento de água superficial oriunda do conjunto habitacional (Setor P Sul). Aparentemente a erosão está controlada, porém não estabilizada, visto que algumas partes dela se encontram em evolução (Figura 4.25). O solo é vermelho de textura arenosa no topo e argilosa em direção a base do talude (Figura 4.26). Apresenta camadas lateríticas e a região onde se localiza é bem próxima da interseção entre os pediplanos Rodeador e Brasília, aonde a diferença de nível chega a ser de 200m, contribuindo assim para o surgimento de processos erosivos. A possível causa dessa voçoroca refere-se à concentração de fluxo superficial de águas provenientes das quadras residenciais a montante, e solo exposto na cabeceira da drenagem, bem como ao fluxo de água proveniente do lençol freático. A erosão pode evoluir com facilidade para montante no período das chuvas (Figura 4.27). Dentre os principais impactos desta evolução estão o aumento do risco desta voçoroca atingir as edificações próximas e o assoreamento dos córregos e do rio Melchior com os sedimentos levados desta área. 73 Figura 4.24. Voçoroca de grande porte na QNP 28, Ceilândia (vista 1). Figura 4.25. Voçoroca de grande porte na QNP 28, Ceilândia (vista 2). 74 Figura 4.26. Voçoroca de grande porte na QNP 28, Ceilândia (vista 3). 75 Figura 4.27. Vista geral da erosão de grande porte na QNP 28, Ceilândia. Erosão de grande porte – Condomínio Sol Nascente - QNN 26/28 A erosão existente no Condomínio Sol Nascente está situada dentro de uma Faixa de Proteção (Resolução Conama Nº 13, de 06 de dezembro de 1990), próxima a QNN 26/28. Parte da bacia de contribuição é ocupada pela porção oeste da RA Ceilândia, com as seguintes características em relação à voçoroca: a montante está a porção oeste da RA, na vertente direita está situado o assentamento do Setor P, inclusive com casas junto ao talude. A jusante está o córrego Grotão (Figura 4.28). É uma voçoroca de grande porte, com a base alargada e aspecto retilíneo que existe há aproximadamente 20 anos. As paredes laterais apresentam contorno sinuoso e inclinação variando entre 80° e 90°. Muitas destas paredes estão em ruptura. Além disso, ocorrem algumas fraturas na superfície, que indicam uma tendência a progressão lateral (Figura 4.29). 76 INSERIR A3 Figura 4.28. Localização da área de risco no Condomínio Sol Nascente, Ceilândia (imagem de 2003). 77 Figura 4.29. Erosão de grande porte nas proximidades da QNN 26/28, Ceilândia. O desenvolvimento da voçoroca deve estar também ligado a processos de instabilidade gerados pela água subterrânea. O gradiente hidráulico deve atingir altos valores durante a percolação da água nas fraturas verticais, propiciando o surgimento do fenômeno de erosão interna, chamado piping, observado nos horizontes mais profundos. A formação de canais pelo processo de piping leva ao surgimento de instabilidades localizadas, evidenciadas pela formação de um perfil côncavo na base do talude, permitindo que o processo erosivo avance. Observa-se um fluxo de água escoando superficialmente no interior da erosão proveniente do afloramento do lençol freático (Figura 4.30). 78 Figura 4.30. Fluxo de água existente na erosão da QNN 26/28, Ceilândia. Desde 1984, a área a jusante do Setor P Sul e Norte vêm sendo duramente atingida pelas erosões. Para diminuir a velocidade e o volume do fluxo superficial, existiam bacias de dissipação a jusante dos lançamentos. Em fevereiro de 1986, uma das bacias rompeu e a população foi surpreendida pelo desmoronamento das extremidades de três galerias de águas pluviais, uma creche e de algumas residências na QNN 20, agravando mais o problema. O rápido crescimento populacional e a ocupação desordenada não permitiram a implantação em paralelo da infraestrutura necessária. A solução adotada não se mostrou viável, visto que as águas chegam a uma região de acentuada inclinação, entrecortada por veredas que funcionam como imensas calhas naturais na condução dessas águas, e que eram barradas pela construção das bacias de retenção. Recentemente, moradores do local deixaram suas casas por causa de desabamento, conforme mostrado na Figura 4.31. 79 Figura 4.31. Destroços da estrutura de uma edificação atingida pela erosão nas proximidades da QNN 26/28, Ceilândia. 4.5.3 Região administrativa de Santa Maria A RA de Santa Maria não se concentra muitas erosões se comparada às demais RAs. No entanto, uma erosão preocupa bastante os moradores daquela região. A voçoroca de grande porte está situada próxima às quadras 416/516, cujas coordenadas geográficas são 16°00’56’’ S e 47°59’47’’ O, e constitui-se em uma erosão de grande destaque no Distrito Federal (Figura 4.32 e Figura 4.33). 80 Santa Maria Figura 4.32. Levantamento de processos erosivos na RA Santa Maria. Figura 4.33. Vista geral da voçoroca na RA Santa Maria. 81 Ocupa uma área de aproximadamente 64.400 m² e um perímetro de aproximadamente 1000 m. A profundidade, em alguns pontos, atinge entre 10 a 15 m (Figura 4.34). Tal erosão está em plena atividade, distando aproximadamente 300 m de rua pavimentada, porém existem algumas residências de moradores que cultivam a terra nesta área a menos de 300 m. Os principais impactos causados pela evolução da voçoroca constituem-se no risco para as residências adjacentes e no assoreamento do Ribeirão Santa Maria. Figura 4.34. Levantamento da profundidade da voçoroca na RA Santa Maria. 82 A possível causa dessa voçoroca relaciona-se à concentração do fluxo de água proveniente do lençol freático (Figura 4.35) e à extração do solo. Segundo relato dos moradores locais, após a construção do canal de drenagem em concreto (Figura 4.36), o qual desvia o escoamento de atingir a área da erosão, o avanço desta voçoroca foi sensivelmente reduzido. No entanto, em visita de campo, constatou-se que a voçoroca está em plena atividade em virtude de não terem sido implantadas medidas de recuperação desta erosão. Diante do exposto faz-se necessário um programa de recuperação em longo prazo e implantar algumas medidas de recuperação em médio prazo, tais como cercamento da área e reflorestamento próximo das bordas, ou seja, a montante da voçoroca, a fim de minimizar o impacto das águas pluviais. Figura 4.35. Vista do interior da voçoroca com fluxo de água do lençol freático. 83 Figura 4.36. Canal de drenagem pluvial construído em Santa Maria, próximo à área erodida. 4.5.4 Região administrativa do Gama De acordo com os dados do estudo realizado, a RA do Gama englobou aproximadamente 14% das erosões identificadas, sendo 15 ravinas, 04 voçorocas e 14 famílias de sulcos. Dessas erosões, merece destaque uma erosão de grandes dimensões, conhecida como Grand Canyon (Figura 4.37), localizada entre a DF-290 e a VC-379, cuja coordenada geográfica é 16°01’39” S e 48°05’44” O. Apresenta extensão, largura e profundidade média de 3200 m, 25 m e 20 m, respectivamente (Figura 4.38). 84 Figura 4.37. Voçoroca Grand Canyon, na RA do Gama. 85 INSERIR A3 Figura 4.38. Localização da voçoroca Grand Canyon, na RA do Gama. 86 A bacia de contribuição inclui toda porção sudoeste e o setor sul do Gama e a rodovia DF-290. Está instalada em meio ao cerrado e sua cabeceira situa-se em área de cortes e de empréstimo da estrada. A vertente direita é ocupada pela rodovia DF290 e a vertente esquerda pela estrada de terra VC-379. No contexto geomorfológico do DF, esta erosão está situada nas proximidades da intersecção dos pediplanos Rodeador e Brasília, aonde, segundo alguns estudos, a diferença de nível chega a ser de 200m, formando em alguns casos, taludes bem íngremes, contribuindo assim para o surgimento de problemas de erosão. As paredes laterais apresentam inclinação variando entre 60° e 90°. Muitas destas paredes mostram evidências de movimentações recentes, principalmente, rupturas e desplacamentos. Além disso, ocorrem algumas fraturas na superfície, que indicam uma tendência a progressão lateral. O desenvolvimento da voçoroca deve estar também ligado a processos de instabilidade gerados pela água subterrânea, propiciando o surgimento do fenômeno de erosão interna, denominado piping, observado nos horizontes mais profundos. A formação de canais pelo processo de piping leva ao surgimento de instabilidades localizadas, permitindo que o processo erosivo avance. Foi observada a ocorrência de fluxo de água no interior da erosão proveniente da contribuição da bacia e do lençol freático. Parte da cabeceira da voçoroca foi aterrada com lixo e entulho de construção que estão sendo carreados para jusante, pelo fluxo superficial. Os taludes da voçoroca parecem estabilizados, com bastante vegetação em grande parte. A cabeceira apresenta algumas estruturas de ruptura recentes e o solo a montante encontra-se sem vegetação, constituindo um ponto potencial à evolução da voçoroca. As possíveis causas são a concentração de fluxo de água do Setor Sul do Gama e da rodovia DF-290, bem como extração de solo nas proximidades da erosão. 87 O principal impacto dessa erosão é o assoreamento dos córregos a jusante, foco de doenças pela presença de lixo e água parada no fundo. Ressalta-se que bacias de detenção de águas pluviais vêm sendo implantadas pelo GDF, a fim de reduzir a velocidade do escoamento das águas nas áreas suscetíveis a processo erosivo (Figura 4.39). Figura 4.39. Medida que contribui para a prevenção dos processos erosivos – bacia de detenção, implantada na RA do Gama. 4.6 Controle preventivo e corretivo de processos erosivos Para tornar possível o controle de processos erosivos é necessário introduzir, em nível de planejamento e legislação, diretrizes para implantação de novas ocupações e para a adequação de ocupações existentes. As soluções das erosões urbanas, que estão associadas à falta de um planejamento adequado das cidades, passam pela necessidade de desenvolvimento de soluções normativas e de projetos de obras adequadas para cada situação do meio físico encontrado. Essas soluções devem ser o mais simples possível e menos 88 onerosas, porém eficientes e que justifiquem o investimento público, resultando em segurança para a população e para os equipamentos públicos, de forma a restabelecer a área para o seu uso urbano. Para o controle de erosão urbana é preciso levar em consideração tanto os aspectos geotécnicos quanto os aspectos urbanísticos. Em se tratando dos aspectos geotécnicos, exige-se uma caracterização dos fatores e mecanismos relacionados às causas do desenvolvimento dos processos erosivos. Quanto aos aspectos urbanísticos, devem-se observar as possibilidades e alternativas de ocupação urbana. Salomão (1999) destacou as principais causas do desencadeamento e evolução da erosão nas cidades: • Plano de obra inadequado do sistema viário, muitas vezes agravado pela falta de pavimentação, guias e sarjetas; • Traçado inadequado do sistema viário, não considerando a declividade e o comprimento das vertentes; • Deficiência do sistema de drenagem de águas pluviais e servidas; • Expansão urbana descontrolada. De acordo com Salomão & Iwasa (1995), durante a elaboração de projetos para correção dos processos erosivos, é importante observar que: • As características geométricas da ocorrência erosiva podem sofrer modificações, após curtos períodos de chuvas, exigindo flexibilidade do projeto com adaptações de obras a serem implementadas durante a fase construtiva; • Embora existam erosões cujos processos e mecanismos sejam comuns, todo projeto deve considerar as especificidades próprias da ocorrência, o que dificulta a generalização de soluções-padrão. 89 5 CARACTERIZAÇÃO DO PROBLEMA DE CARREAMENTO DE LIXO PARA OS CURSOS D’ÁGUA Os resíduos sólidos constituem em produtos não aproveitados oriundos das atividades humanas. Quando não recebem o tratamento adequado, tais derivados podem gerar problemas sanitários, ambientais, econômicos e estéticos. A poluição ambiental ocasionada pelos resíduos das atividades humanas é uma preocupação crescente em todo o mundo. Essa preocupação se reflete em diversos documentos, tais como a Agenda 21, a qual se refere aos resíduos sólidos em diversos capítulos, construída com a contribuição de governos e instituições da sociedade civil de 179 países em um processo culminou com a realização da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (CNUMAD), também conhecida por Rio 92. A Agenda 21 alerta que aproximadamente 5,2 milhões de pessoas, dos quais 4 milhões são crianças, morrem ao ano por doenças relacionadas aos resíduos sólidos e que metade da população urbana dos países em desenvolvimento não tem serviços para lidar com eles (PHILIPPI Jr., 1999 apud NEVES, 2006). De acordo com dados da Pesquisa Nacional de Saneamento Básico, realizada no ano 2000 (IBGE, 2002), estimou-se que são gerados, no Brasil, perto de 157 mil toneladas de lixo domiciliar e comercial por dia. Entretanto, 20% da população brasileira ainda não contam com serviços regulares de coleta. Nos últimos anos, o considerável aumento populacional ocorrido no Distrito Federal, com implantação de núcleos urbanos, condomínios e invasões, acarretou um significativo crescimento no volume de resíduos sólidos de origem doméstica, hospitalar, comercial e industrial, ultrapassando o índice de 1,59 kg/hab/dia, estimado com base nos dados de coleta do SLU e população projetada pelo IBGE, ambos do ano de 2006. As usinas de processamento e de incineração de lixo existentes (Ceilândia, 90 Lago Sul e Brazlândia), assim como as estações de transbordo (Gama, Sobradinho, Asa Norte e Asa Sul), não atendem à demanda atual e apresentam problemas operacionais e ambientais crônicos (GDF, 2006). O esforço para coleta seletiva e compostagem do lixo pode minorar essas deficiências, porém não resolverá o problema em sua totalidade. Quando os serviços de coleta e disposição de resíduos são inexistentes ou não funcionam de maneira adequada, estes resíduos acumulam-se nas vias públicas ou áreas desocupadas. Além dos problemas sanitários e estéticos desse acúmulo, claramente percebidos, a ocorrência de chuvas pode provocar o carreamento destes resíduos para o sistema de drenagem, obstruindo bocas-de-lobo, condutos e galerias, afetando seu funcionamento e contribuindo para a degradação da qualidade das águas pluviais, e, conseqüentemente, dos cursos d’água aos quais estas águas são encaminhadas (Figura 5.1). Figura 5.1. Boca-de-lobo parcialmente obstruída por resíduos sólidos carreados pela chuva, na Ceilândia. 91 Assim, a fim de se buscar tipificar e quantificar os resíduos que possam alcançar o sistema de drenagem urbana torna-se imprescindível conhecer o funcionamento dos serviços de limpeza urbana e coleta de resíduos no Distrito Federal. 5.1 Classificação dos resíduos sólidos Os resíduos sólidos no Brasil são classificados pela Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT, de acordo com suas características físicas, químicas e biológicas. Os casos mais específicos são tratados pelo Conselho Nacional de Meio Ambiente - Conama, que define diretrizes para classificação, tratamento e destino final de diversos tipos de resíduos. A NBR 10.004/2004 define lixo como todo resíduo sólido ou semi-sólido resultante das atividades normais da comunidade, considerando ainda que os resíduos possam ser de origem domiciliar, hospitalar, comercial, de serviços, de varrição e industrial. Para efeito de classificação, enquadra os resíduos sólidos nas seguintes categorias: • Classe I – Resíduos Sólidos Perigosos, assim classificados porque, em função de suas características físicas, químicas, ou infecto-contagiosas, podem apresentar riscos à saúde pública ou ao meio ambiente, ou ainda os inflamáveis, corrosivos, reativos, tóxicos ou patogênicos. Estes tipos de resíduos normalmente são gerados em estabelecimentos industriais, de serviços de saúde e assemelhados. • Classe II – Resíduos Sólidos Não Perigosos, são aqueles que não se enquadram na classe anterior, e que podem ser combustíveis, biodegradáveis ou solúveis em água. Esta classe subdivide-se em: 92 o Classe II – A: Não-inertes: nesta classe enquadra-se o lixo domiciliar, gerado nas residências em geral, estabelecimentos de serviços, comércio, indústrias, serviços de saúde e assemelhados; o Classe II – B: Inertes: são aqueles que, quando amostrados de forma representativa, conforme NBR 10.007, e submetidos aos procedimentos da NBR 10.006, ambas da ABNT, não apresentam quaisquer de seus constituintes solubilizados em concentrações superiores aos padrões de potabilidade da água, exceto aspecto, turbidez, dureza e sabor. Este tipo de resíduo normalmente é resultante dos serviços de manutenção da limpeza e conservação dos logradouros, constituindo-se, basicamente, de terra, entulhos de obras, papéis, folhagens, galhadas, etc. Além destes, alguns resíduos especiais possuem resoluções que estabelecem diretrizes para o correto tratamento e destinação final, tais como os resíduos oriundos dos serviços de saúde (Resolução Conama Nº 358, de 29 de abril de 2005) e os resíduos sólidos de construção civil (Resolução Conama Nº 307, de 05 de julho de 2002). No Distrito Federal, a metodologia utilizada para a tipificação e quantificação dos dados sobre resíduos sólidos considera apenas as seguintes classificações: • resíduos domiciliares e comerciais; • resíduos de remoção; • resíduos de serviços de saúde. 5.2 Sistema de gerenciamento No Distrito Federal, os serviços de limpeza urbana e coleta de resíduos estão centralizados em um único órgão público, a saber, o SLU – Serviço de Limpeza Urbana 93 do DF, autarquia vinculada à Secretaria de Estado de Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente. As principais atribuições do SLU envolvem gerenciar e fiscalizar os serviços que atualmente são executados quase que totalmente por empresas privadas, neste momento por intermédio de contratos emergenciais. Este cenário de empresas privadas na operação do sistema de limpeza teve inicio em 1999. Naquela ocasião, o Edital 001/2000, cujo objeto era a contratação de serviços de coleta e destinação de resíduos sólidos urbanos, abrangia os seguintes serviços: • coleta domiciliar; • coleta de resíduos sólidos de serviços de saúde; • coleta de resíduos de remoção; • varrição manual de vias e logradouros públicos; • varrição mecanizada de sarjetas; • limpeza de áreas de eventos; • pintura de meio-fios; • frisagem (ou capina) de meio-fios; • catação pontual de resíduos em áreas ajardinadas; • rastelagem de áreas gramadas; • serviços especiais (coleta de animais mortos, lavagem de pontos de ônibus e passagens subterrâneas); • operação das unidades de triagem e tratamento de resíduos; • operação da unidade de incineração; • operação do Aterro do Jockey Club. 94 Os serviços de limpeza e coleta de resíduos a serem executados nas regiões administrativas de Brazlândia e Santa Maria não foram incluídos no processo de licitação, e continuaram a ser operados diretamente pelo órgão da limpeza urbana com mão-de-obra e equipamentos próprios. Para gestão do sistema e o efetivo cumprimento de suas atribuições, a Superintendência de Orientação, Controle e Fiscalização da Limpeza Urbana do SLU conta com cinco gerências, a saber: Gerência de Supervisão da Limpeza Urbana, Gerência de Destinação Final, Gerência de Orientação e Fiscalização da Limpeza Urbana, Gerência de Usinas e Gerência de Produtos Recicláveis. Cada uma destas gerências é composta por núcleos de operação, conforme apresentados no organograma da Figura 5.2. 95 Figura 5.2. Organograma do Serviço de Limpeza Urbana do DF (Fonte: PDRS - GDF, 2008) 96 A Gerência de Supervisão da Limpeza Urbana é formada por 12 núcleos regionais, os quais constituem-se em unidades descentralizadas com a atribuição de coordenar e fiscalizar os serviços de limpeza urbana dentro de suas respectivas áreas de abrangência (Figura 5.3), conforme listados na Tabela 5.1, apresentada a seguir. Tabela 5.1. Relação dos Núcleos Regionais de Limpeza Urbana do DF Núcleo Núcleo Regional de Limpeza Urbana Sul - NURELSUL Localização Av. das Nações, s/nº Margens do Lago Sul Núcleo Regional de Limpeza Urbana Norte - NURELNORTE Núcleo Regional de Limpeza Urbana de Taguatinga – NURELTAG Núcleo Regional de Limpeza Urbana de Ceilândia – NURELCEI Núcleo Regional de Limpeza Urbana de Samambaia – NURELSAM Núcleo Regional de Limpeza Urbana do Gama – NURELGAMA Núcleo Regional de Limpeza Urbana de Brazlândia – NURELBRAZ Núcleo Regional de Limpeza Urbana de Planaltina – NURELPLAN Núcleo Regional de Limpeza Urbana de Sobradinho I e II – NURELSOB Núcleo Regional de Limpeza Urbana do Recanto das Emas – NURELCANTO SGAN Lote 23 - Asa Norte AE Nº09 Setor QNG Taguatinga Norte Áreas de Atuação Asa Sul, Núcleo Bandeirante, Guará I e II, Candangolândia, Lago Sul, SIA, Octogonal/Sudoeste, Park Way e Cruzeiro Asa Norte, Lago Norte e Varjão Taguatinga e Águas Claras AE Nº24 Módulo G e K Ceilândia Ceilândia QR 302 AE s/n - Samambaia Samambaia Avenida do Contorno AE Lote Gama 02 - Gama AE Nº02 Norte - Brazlândia Brazlândia AE LT 02 - Planaltina Planaltina AE P/INDÚSTRIA Nº 03 LT 04 a 06 - Sobradinho Sobradinho AV. Vargem da Benção Chácara Nº 03 - Recanto das Emas Recanto das Emas 97 Núcleo Localização Áreas de Atuação Núcleo Regional de Limpeza QR 408 Conj. A - A/E Santa Santa Maria Urbana de Santa Maria – Maria NURELMAR Núcleo Regional de Limpeza Qd.20 Conj. N Lote 04 Paranoá e São Sebastião Urbana do Paranoá e São Paranoá Sebastião – NURELPAS Nota: Junto ao NURELSUL encontra-se o Núcleo Regional de Operações Especiais – NUROE, responsável pela execução das chamadas “atividades especiais”. Fonte: http://www.semarh.df.gov.br/ 98 INSERIR MAPA A3 Figura 5.3. Áreas de abrangência dos Núcleos Regionais de Limpeza Urbana do DF. 99 A Gerência de Usinas conta com 4 núcleos de operação de usinas, relacionados na Tabela 5.2, e um núcleo de supervisão responsável pela manutenção das usinas. A unidade de incineração de resíduos especiais, localizada em Ceilândia, recebe para tratamento resíduos de estabelecimentos de saúde e outros cuja destruição por combustão seja exigida, tais como remédios com prazo de validade vencido, documentos sigilosos, alimentos deteriorados, etc., enquanto que a unidade localizada em Brazlândia realiza compostagem e reciclagem com tecnologia simplificada. Existe ainda uma Unidade Central de Coleta Seletiva – UCCS, localizada junto ao NOUSUL, construída para receber os resíduos “secos” da coleta seletiva e fazer a triagem dos materiais recicláveis. Tabela 5.2. Relação das Usinas de Tratamento de lixo do DF Usina Núcleo de Operação da Usina de Tratamento de Lixo da Asa Sul – NOUSUL Núcleo de Operação da Usina de Incineração de Lixo Especial – NOUILE Núcleo de Operação da Usina de Tratamento de Lixo de Ceilândia – NOUCEI Núcleo de Operação da Usina de Tratamento de Lixo de Brazlândia – NOUBRAZ Fonte: http://www.semarh.df.gov.br/ Localização Av. das Nações, s/nº - Margens do Lago Sul Av. das Nações, s/nº - Margens do Lago Sul QNB 28- Área Especial s/nº Setor P Sul – Ceilândia Área Especial 2 Norte Lote 18 KL – Brazlândia A Gerência de Produtos Recicláveis possui 2 núcleos, relacionados na Tabela 5.3. Tabela 5.3. Núcleos pertencentes à Gerência de Produtos Recicláveis do SLU. Núcleo Núcleo de Triagem, Classificação e Destinação – NUTRID Núcleo de Comercialização – NUCOP Localização SGON Quadra 5 Lt 23 – Setor de Áreas Isoladas Norte SGON Quadra 5 Lt 23 – Setor de Áreas Isoladas Norte Fonte: http://www.semarh.df.gov.br/ 100 O Núcleo de Destinação Final de Resíduos Sólidos – NUDEF, pertencente à Gerência da Destinação Final, localiza-se no Aterro do Jockey Club, junto à Vila Estrutural, onde também encontra-se instalada uma central de processamento de resíduos da construção civil. O sistema possui ainda duas estações de transbordo de lixo, localizadas em Sobradino e Gama. De acordo com o Plano Diretor de Resíduos Sólidos do Distrito Federal, ainda em fase de elaboração, o Decreto Nº 26.296, de 19 de Outubro de 2005 instituiu o programa Lixo Limpo. Este programa tem como finalidade o tratamento de resíduos sólidos associado à inclusão social e à emancipação econômica dos catadores de materiais recicláveis do DF, através de criação de centros de triagem de resíduos sólidos localizados em todas as regiões administrativas. A Tabela 5.4 a seguir apresenta a listagem de Cooperativas/Associações de materiais recicláveis que integrarão a rede do Programa de Coleta Seletiva do DF, fornecida pela CENTCOOP – Central de Cooperativas do DF, e a Figura 5.4 ilustra a localização dos centros de triagem. Tabela 5.4. Listagem de cooperativas/associações de materiais recicláveis – centros de triagem. Cooperativa/Associação Ambiente – Associação Ambientalistas da Vila Estrutural Astradasm – Associação de Trabalho dos Recicladores, Desenvolvimento Agrícola e Ambientalista de Santa Maria Ageplan – Associação dos Agentes Ecológicos da Vila Planalto 100 Dimensão – Cooperativa de Coleta Seletiva e Reciclagem de Resíduos Sólidos em Formação e Educação Ambiental Presidente Manoel Simão Viana Nº Associados 1.200 Localização Aterro do Jockey Club – Vila Estrutural/ DF Lindon Jhonson Lencar Leal 450 Francisco Lobato 79 CL 114 (abaixo da 114), lote “F” Avenida Alagados Santa Maria do Norte Rua do Armazém Casa 01 Acampamento DFL Ronei 250 QNR 16 Conjunto 05 lote 02 – Riacho Fundo II/ DF 101 Cooperativa/Associação Coortrap – Cooperativa de Reciclagem, Trabalho e Produção Presidente Janilson Andrade Santana APCORC – Associação Précooperativista dos Catadores e Recicladores de Resíduos Sólidos de Ceilândia Cataguar – Associação de Catadores do Guará CATAMARE – Cooperativa dos Catadores de Materiais Recicláveis do DF Fundamental – Cooperativa de Coletores de Resíduos Sólidos Recicláveis com Formação e Educação Ambiental Superação – Cooperativa de catadores de Mat. Recicláveis com Formação Eduacação Ambiental do Recanto das Emas APCORB – Associação Précooperativista dos Catadores e Recicladores de Resíduos Sólidos de Brasília Grupo de Taguatinga – RECICLO COOPERNOES – Cooperativa de Materiais Recicláveis Nova Esperança Coopativa – Cooperativa Popular de Coleta Seletiva ACOBRAZ – Associação de Catadores de Resíduos Sólidos de Brazlândia Sinvaldo Nº Associados 110 180 Localização SCIA Quadra 09 Conjunto ½ Pró-DF (Cidade do Automóvel) Área Especial S/n – P Sul – Ceilândia Graça NI Antônia NI Aldemir dos Santos da Silva 25 SRL 26 Conjunto “J” Lote 05 – Planaltina Assis Linhares 60 Welton NI Quadra 104 conjunto 15 casa 05 Endereço Galpão: Quadra 406 conjunto “J”casa 14 Plano Piloto Jaqueline NI Taguatinga Renério NI Guará Marcelo 240 Setor de Inflamáveis NI Ao lado da Quadra 35m na Vila São José, com saída para o Rodeador – Km 1 – Brazlândia/DF Marcone Pacheco QNR 03 conjunto “G” lote 15 – Ceilândia Ceilândia NI – Não informado. Fonte: http://www.semarh.df.gov.br/ 102 INSERIR MAPA A3 Figura 5.4. Localização dos centros de triagem de resíduos no DF. 103 5.3 Modelo operacional Este item tem por objetivo descrever o modelo operacional adotado para o sistema de limpeza do Distrito Federal, abordando sucintamente cada um dos diferentes tipos de resíduos e limpeza pública, a saber: • coleta domiciliar/comercial; • coleta de resíduos sólidos de construção civil – RSCC; • coleta de resíduos de serviços de saúde – RSSS; • varrição de logradouros públicos. 5.3.1 Coleta domiciliar/comercial Os resíduos domiciliares e comerciais advêm da rotina normal de coleta semimecanizada, com o uso de caminhões compactadores de diferentes capacidades, que fazem a coleta ¨porta a porta¨ dos resíduos em dias e horários pré-determinados. Estes resíduos são dispostos para recolhimento pela população de duas formas predominantes: acumulação em contêineres com capacidade de 1m3 ou disposição direta em logradouros públicos. A primeira forma de disposição é a predominante no Plano Piloto, onde moradores e comerciantes dispõem os resíduos em contêineres, normalmente metálicos, que ficam permanentemente colocados nos logradouros públicos e nos pátios de estacionamento dos edifícios (Figura 5.5 e Figura 5.6). 104 Figura 5.5. Contêiner metálico para disposição de resíduos residenciais, localizado no Park Way. (Fonte: PDRS - GDF, 2008). Figura 5.6. Contêiner metálico para disposição de resíduos com identificação do gerador – Setor Hoteleiro Sul, Plano Piloto. A forma de disposição dos resíduos diretamente nos logradouros públicos, ensacados e depositados sobre o solo (Figura 5.7) ou em cestas coletoras (Figura 5.8), 105 também ocorre no Plano Piloto, porém é forma de disponibilização para recolhimento predominante nas demais regiões administrativas. Figura 5.7. Disposição de resíduos ensacados para recolhimento em passeio público, no Plano Piloto. Figura 5.8. Disposição de resíduos ensacados para recolhimento em logradouro público, no Plano Piloto. 106 Os veículos utilizados para a coleta dos resíduos com características domiciliares são caminhões compactadores (Figura 5.9), equipados com dispositivos de içamento de contêineres (lifter). Figura 5.9. Operação de esvaziamento dos contêineres com resíduos sólidos domiciliares. (Fonte: PDRS - GDF, 2008). Na rotina regular de coleta de resíduos sólidos com características domiciliares, atualmente também se faz a coleta dos resíduos públicos derivados das atividades de roçada mecanizada, varrição, esvaziamento de papeleiras e lixeiras, pequenas podas e catação de resíduos leves em áreas ajardinadas. Estes resíduos, que são produzidos pelos agentes de limpeza durante sua rotina operacional, são ensacados e deixados nos logradouros públicos, em local visível e de fácil remoção para os garis de coleta. O plano de coleta seletiva em operação funciona apenas nas regiões da Asa Norte, Asa Sul, Lago Norte, Lago Sul e Brazlândia. Os serviços de coleta e transporte de materiais recicláveis (coleta seletiva) compreendem o recolhimento regular de todo material que tenha condições de 107 reaproveitamento (papel, papelão, plástico, vidro, metais ferrosos e não ferrosos), separados na fonte de geração e colocados para recolhimento nos dias e horários préestabelecidos pelo SLU, com destinação final para a Unidade Central de Coleta Seletiva – UCCS, junto a Usina de Tratamento da Asa Sul. A metodologia utilizada conta com a atuação dos moradores, que no próprio domicílio fazem a separação dos resíduos em secos (recicláveis) e úmidos (predominantemente orgânicos), e posterior acondicionamento em contêineres específicos para os tipos de resíduos devidamente identificados e assim designados: “contêineres azuis” para os resíduos úmidos e “contêineres verdes” para os resíduos secos (Figura 5.10). Figura 5.10. Contêineres para coleta seletiva em condomínio residencial no Plano Piloto. (Fonte: PDRS - GDF, 2008). Em alguns condomínios residenciais os moradores levam os resíduos, devidamente separados, a dois compartimentos de lixo no interior do edifício (compartimento para lixo seco e outro para lixo úmido), de onde são retirados ou pela 108 equipe de limpeza do respectivo condomínio ou pela guarnição do veículo de coleta em operação no local. 5.3.2 Coleta de resíduos sólidos de construção civil – RSCC Os resíduos sólidos de construção civil constituem-se num dos maiores problemas no Distrito Federal, tanto pelo volume gerado quanto pela inexistência de regulamentação das atribuições de responsabilidade para o seu correto manejo. De um modo geral, os grandes geradores de entulhos de obras contratam empresas especializadas na remoção deste tipo de resíduo, que fazem o destino final segundo o especificado pelo Serviço de Limpeza Urbana - SLU. Situação diferente dos pequenos geradores, onde predomina a contratação de carroceiros ou veículos autônomos, que fazem a coleta dos resíduos e efetuam sua disposição de forma inadequada em áreas descampadas ou terrenos baldios de fácil acesso (Figura 5.11). Figura 5.11. Área utilizada para disposição inadequada de RSCC, em Taguatinga. (Fonte: PDRS - GDF, 2008). 109 Por conta deste problema, os Núcleos de Limpeza Urbana solicitam ao Núcleo Regional de Operações Especiais – NUROE, máquinas e equipamentos específicos para a limpeza de terrenos baldios e remoção destes entulhos de obras, numa rotina que varia segundo as demandas locais. 5.3.3 Resíduos sólidos de serviços de saúde – RSSS Em função de suas características, os resíduos sólidos de serviços de saúde devem ser manejados de forma diferenciada dos demais resíduos, em função das suas propriedades físicas, químicas e infecto-contagiosas. Infelizmente, é comum em grande parte dos estabelecimentos de saúde no Brasil, que os resíduos sejam manejados e estocados desrespeitando-se critérios de segurança e normas sanitárias, utilizando mão-de-obra despreparada e sistemáticas operacionais incompatíveis aos cuidados inerentes ao correto manejo deste tipo de resíduo, o que resulta em riscos à saúde e considerável aumento do volume de resíduos que efetivamente necessitam de tratamento diferenciado, elevando-se os custos operacionais do sistema. No DF, pesquisas amostrais realizadas nos estudos para elaboração do PDRS/DF em diversos estabelecimentos de saúde na Asa Sul, Guará e Ceilândia constataram falta de um adequado gerenciamento de resíduos de saúde em diversas oportunidades. Como exemplo, casos em que o acondicionamento dos resíduos é feito com o uso de sacos na cor branca, mas que são estocados em contêineres fora de especificação, além de serem mantidos abertos e em área de intensa circulação de pedestres (Figura 5.12). 110 Figura 5.12. Contêiner com capacidade excedida, em área de circulação de pedestres – Hospital São Braz, Setor Hospitalar Sul. (Fonte: PDRS - GDF, 2008). Quanto à coleta, todos os resíduos gerados nos estabelecimentos de saúde do Distrito Federal, incluindo-se drogarias, clínicas odontológicas, clínicas veterinárias, laboratórios de análises clínicas e nos postos de saúde, sejam públicos ou privados, são realizados por empresa terceirizada pelo SLU. Para a coleta nos hospitais e clínicas de maior porte utilizam-se quatro caminhões compactadores de 6m³ de capacidade, com dois coletores em cada guarnição. Para estabelecimentos de menor porte, tais como drogarias, clínicas oftalmológicas e clínicas odontológicas, são utilizados quatro veículos leves (3 Fiorinos e 1 Doblô), com um coletor em cada veículo. 5.3.4 Varrição de logradouros públicos Os serviços de varrição são realizados diariamente em todo o Distrito Federal, segundo horários e freqüências definidos pelos núcleos regionais de limpeza urbana. Este serviço, predominantemente manual, consiste na limpeza de praças, logradouros públicos e sarjetas, com o uso de trabalhadores munidos de ferramental e outros utensílios indispensáveis à execução dos serviços (Figura 5.13). 111 Figura 5.13. Varrição com o uso de carrinho, em Samambaia. (Fonte: PDRS - GDF, 2008). Além dos serviços de varrição, os garis também fazem o esvaziamento das papeleiras e demais cestas coletoras do Plano Piloto e demais localidades do DF (Figura 5.14). Figura 5.14. Esvaziamento de papeleiras, em Samambaia. (Fonte: PDRS - GDF, 2008). 112 Segundo o PDRS (GDF, 2008), as deficiências encontradas no sistema de varrição podem ser atribuídas a descompassos com as rotinas da coleta e remoção de resíduos, associadas à cultura da população de jogar lixo nas vias públicas, o que dificulta a manutenção de um estado adequado de limpeza, manifestando-se pela sensação de ineficiência dos serviços. Além disso, a falta de padronização das papeleiras e demais cestas coletoras e o grande espaçamento entre elas não incentiva a população ao descarte adequado dos resíduos. 5.4 Dados técnicos Com relação aos quantitativos de coleta de cada um dos tipos de resíduos descritos no item anterior, os dados publicados pelo SLU em seus relatórios anuais de atividades entre 2002 e 2006 são os apresentados nos quadros a seguir. Quadro 5.1. Resíduos sólidos domiciliares coletados Ano Toneladas 2002 551.994 2003 561.762 2004 589.780 2005 614.816 2006 647.592 Fonte: Relatório Anual de Atividades – SLU Percentual (%) 39,80 40,01 43,04 45,29 46,63 Quadro 5.2. Coleta de remoção - RSCC Ano Toneladas 2002 827.795 2003 834.387 2004 772.734 2005 735.804 2006 735.083 Fonte: Relatório Anual de Atividades – SLU Percentual (%) 59,69 59,44 56,39 54,20 52,93 113 Quadro 5.3. Coleta resíduos sólidos de serviços de saúde - RSSS Ano Toneladas 2002 7.130 2003 7.602 2004 7.806 2005 6.924 2006 6.065 Fonte: Relatório Anual de Atividades – SLU 5.5 Percentual (%) 0,51 0,55 0,57 0,51 0,44 Pontos críticos de disposição de resíduos sólidos Toneladas de lixo ainda são depositadas em desacordo com as normas sanitárias brasileiras: cerca de 50% dos resíduos sólidos não sofrem qualquer tipo de tratamento, sendo depositados diretamente em lixões, controlados ou não. Não há monitoramento dos recursos hídricos, tanto subterrâneos quanto superficiais, nos arredores destes locais de deposição após sua instalação, como, por exemplo, a implantação de piezômetros. Nos locais de deposição coexistem micro e macrovetores patógenos (Figura 5.15), associados a uma multidão de catadores (Figura 5.16). É relevante a presença de metais pesados, concentrados pela atividade. Igualmente grave, do ponto de vista da saúde pública, é a implantação de núcleos habitacionais em áreas de lixões desativados, tal como identificado no Núcleo Rural Vicente Pires, onde há abundante material hospitalar. 114 Figura 5.15. Vetores patógenos comuns em aterros e lixões. Figura 5.16. Atuação de catadores em lixões. 115 O principal local de deposição de resíduos no DF é o lixão do Jockey Club ou lixão de Brasília (Figura 5.17). Este local situa-se na porção centro-oeste do DF, em um alto topográfico, a uma altitude aproximada de 1120 m. Às margens da rodovia estrutural (EPCL DF-095/BR-070), está limitado a norte e a leste pelo Parque Nacional de Brasília, reserva ecológica em cujo interior, próximo ao limite leste está localizado o Córrego do Acampamento, afluente do Córrego Bananal. A oeste do aterro, nas proximidades, encontra-se o Córrego do Valo, trecho de nascente do Córrego Vicente Pires, na bacia do Paranoá. Ocupa área aproximada de 150 hectares, onde há mais de 40 anos são depositados diariamente resíduos sólidos de origem doméstica da cidade (ARAÚJO, 1996). Figura 5.17. Vista do aterro do Jockey Club. Embora seja classificado pelo GDF como um “aterro controlado”, não passa de um aterro do tipo lixão, visto não contar com impermeabilização que previna a contaminação do solo e, consequentemente, do lençol freático, com a qual deve 116 contar um aterro controlado (Figura 5.18). Além disso, não há qualquer controle do sistema de drenagem superficial ou subterrâneo. Figura 5.18. Seção transversal típica de um aterro controlado. (Fonte: MONTEIRO et al., 2001) A localização do lixão do Jockey Club pode ser considerada extremamente desfavorável em termos ambientais, sobretudo em relação aos recursos hídricos. Está inserido em uma região de dissecação intermediária, que atua como dispersora de águas que fluem para porções distintas do Lago Paranoá, a saber, as bacias do Riacho Fundo e do Córrego Bananal (Figura 5.19 e Figura 5.20). 117 INSERIR A 3 Figura 5.19. Vista aérea da localização do aterro Jockey Club e identificação dos cursos d’água mais próximos. 118 INSERIR A 3 Figura 5.20. Localização do aterro do Jockey Club. 119 A Figura 5.21 esquematiza o fluxo das águas em um aterro, onde se percebem os potenciais impactos ambientais negativos: contaminação das águas superficiais, da camada permeável de solo e do lençol freático. Quando ocorrem chuvas, as águas que escoam superficialmente “lavam” a área do lixão, provocando o carreamento de resíduos e contaminantes. Vale ainda salientar que a região do aterro sofre um contínuo processo de remoção da cobertura vegetal, podendo ocasionar o assoreamento, além da já citada poluição por via superficial, de vários cursos d’água na bacia. A Figura 5.22 ilustra os resíduos sólidos que atingem o Córrego do Valo, curso hídrico mais próximo ao lixão. Figura 5.21. Fluxo das águas em um aterro. (Fonte: MONTEIRO et al., 2001) 120 Figura 5.22. Resíduos sólidos no Córrego do Valo, nas proximidades do aterro do Jockey Club. Os resíduos aterrados dão origem a um líquido de coloração escura, altamente poluidor, denominado chorume. O chorume gerado é rico em amônia, cloreto, nitrato, fósforo, manganês, magnésio e cálcio, contribuindo para a degradação das águas superficiais e subterrâneas. Estudos realizados por Araújo (1996) indicam um aumento na condutividade elétrica das águas subterrâneas, causado pela presença de nitrogênio amoniacal e cloretos. A ascensão do nível freático acarreta maior aporte de chorume nos poços e cacimbas, ampliando a contaminação. Segundo Franco (1996), há uma pluma de contaminação rasa a partir da área do aterro, em direção ao Parque Nacional de Brasília. Araújo (1996) considera, porém, que a propagação dessa pluma é restrita, possivelmente devido à eficiente atenuação dos solos. Andrade (1999) utilizou um sistema de informações georreferenciadas (SIG) para identificar áreas propícias à instalação de aterros sanitários na região. Os resultados obtidos reiteram a necessidade de levantamentos criteriosos para locação 121 de futuros sítios destinados à disposição ordenada de resíduos sólidos (aterros sanitários), de modo a minimizar os impactos sobre os recursos hídricos. Em suas propostas para os sítios de implantação Andrade (1999) faz as seguintes recomendações: • distanciamento adequado de núcleos habitacionais, unidades de conservação ambiental, • drenagens superficiais e reservatórios de água para abastecimento público; • consideração das características físicas locais: geológicas, pedológicas, geomorfológicas e topográficas; • altura do nível do lençol freático; • afastamento de vias de acesso muito utilizadas. Os estudos do PGIRH (GDF, 2006) indicam que há 17 lixões na bacia hidrográfica do Paranoá, além do aterro do Jockey Club. Mélo Filho (2002) localizou os 18 lixões de Brasília em seu estudo, identificando os principais produtos encontrados em cada um destes locais, conforme listados na Tabela 5.5. Tabela 5.5. Lixões localizados em Brasília - Distrito Federal. Lixões 1- Floresta Nacional de Brasília, ao lado do viveiro da PROFLORA 2- Aterro do Jockey Club 3- QE 42 Guará, antiga lagoa de estabilização da CAESB 4- Parque Ecológico do Guará – Park shopping 5- MSPW, próximo ao Aeroporto Principais Produtos Todos listados nesta tabela Área (ha) 120 Todos listados nesta tabela Resíduos sólidos urbanos e diversos NI 150 15,5 Papéis e sucatas NI NI 122 Lixões 6- Parque Bosque dos Eucaliptos, próximo ao INMET 7- SQS 908, próximo ao Parque da cidade 8- SQS 614, próximo ao colégio Marista 9- Usina da DL Sul Principais Produtos Papéis, sucatas, metais e vidros Área (ha) NI Resíduos sólidos urbanos NI Resíduos sólidos urbanos e diversos Usina de reciclagem, lixos diversos Madeiras, ferragens, sucata, vidros e metais Papéis, sucatas, metais, vidros e plásticos Resíduos sólidos urbanos NI 10- Torto, próximo à Granja do Torto 11- Parque ecológico norte, atrás do CEUB 12- Varjão, próximo a igreja Assembléia de Deus 13- Arboreto, avenida L4 Papéis, sucatas, ferragens, norte UnB madeiras e metais 14- SQN 201, próximo ao Resíduos sólidos urbanos DNER 15- Setor de Embaixadas Papéis e papelões Norte, via N4 leste 16- Setor de Clubes Sul, NI próximo ao Iate Club 17- Setor de Embaixadas Papéis, metais e sucatas Norte, balão da Vila Planalto 18- Academia de Tênis Papéis e papelões NI – Não informado. Fonte: Mélo Filho, 2002. NI 50 175,46 NI 5,0 NI NI NI NI NI Além destes locais apontados em estudos anteriores, outros depósitos de resíduos foram detectados durante os trabalhos de campo para elaboração deste PDDU. Por exemplo, na Asa Norte foram identificadas duas áreas com deposição de resíduos bastante próximas. Em terreno baldio localizado ao lado da Mesquita do Centro Islâmico do Brasil (ponto 19), no SGAN 912, foi constatada a disposição de RSCC, conforme ilustra a Figura 5.23, bem como outros tipos de resíduos e a presença de catadores no local (Figura 5.24). Próximo a este local, no SGAN 911, uma extensa área tem sido usada para disposição de resíduos sólidos (ponto 20), como é possível observar na Figura 5.25, e , inclusive,é local de “moradia” de catadores. 123 Figura 5.23. Área utilizada para disposição inadequada de RSCC, SGAN 912, na Asa Norte (ponto 19). Figura 5.24. Presença de catadores constatada em área de inadequada disposição de resíduos sólidos, no Plano Piloto (SGAN 912, ponto 19). 124 Figura 5.25. Área de disposição inadequada de resíduos sólidos diversos, no Plano Piloto (SGAN 911, ponto 20). Fora dos limites da bacia do Lago Paranoá também foram identificados locais onde resíduos sólidos são armazenados de forma inadequada. Dentre estes locais podem ser citadas algumas áreas na RA do Gama (Figura 5.26 e Figura 5.27), identificadas como pontos 21 e 22, pertencentes à bacia elementar Alagado/Ponte Alta. Resíduos sólidos foram encontrados também inadequadamente dispostos na RA Riacho Fundo II, identificado como ponto 23 (Figura 5.28), e na Cidade Estrutural (ponto 24, Figura 5.29), ambos locais dentro da bacia elementar Riacho Fundo. Também localizado na Cidade Estrutural, o ponto 28 (Figura 5.30) se situa em área de drenagem da bacia elementar do Bananal. 125 Figura 5.26. Resíduos sólidos depositados em área nos arredores do Gama (ponto 21), às margens da rodovia DF-290. Figura 5.27. Resíduos sólidos depositados em área próxima ao cemitério do Gama (ponto 22). 126 Figura 5.28. Resíduos sólidos descartados nas proximidades de uma bacia de detenção localizada na RA Riacho Fundo II (ponto 23). Figura 5.29. Disposição de resíduos nos arredores do aterro controlado, na Cidade Estrutural (ponto 24). 127 Figura 5.30. Disposição de resíduos em terreno cercado, na Cidade Estrutural (ponto 28). Foram identificados ainda locais com resíduos sólidos em Samambaia, nas proximidades da QR 619 (ponto 26, Figura 5.31) e QR 625 (ponto 27, Figura 5.32), na área de drenagem da bacia elementar do Melchior/Belchior; bem como na RA Paranoá, em área livre na proximidade das Quadras 21 e 25 (ponto 25, Figura 5.33), causando flagrante obstrução das estruturas de macrodrenagem implantadas na bacia elementar Paranoá, conforme registro fotográfico apresentado na Figura 5.34. Todos estes locais levantados (em estudos precedentes e trabalho de campo) indicam que outras áreas, além daquelas oficialmente designadas para receber e separar resíduos, estão sendo atualmente utilizadas como bota-fora de material de construção, podas de jardim, lixo domiciliar e materiais diversos. 128 Figura 5.31. Local de disposição de resíduos em Samambaia, nas proximidades da QR 619 (ponto 26). Figura 5.32. Resíduos sólidos (RSCC e outros) dispostos em Samambaia, próximo à QR 625 (ponto 27). 129 Figura 5.33. Local de disposição de resíduos sólidos diversos, no Paranoá (ponto 25). Figura 5.34. Resíduos sólidos no interior de estrutura do sistema de macrodrenagem nas proximidades das Quadras 21 e 25, onde há um local de disposição incorreta. 130 Em um local de constatada ocorrência de processos erosivos, nas proximidades do Condomínio Privê na RA de Ceilândia, em área de drenagem pertencente a bacia elementar do Lago Descoberto, foi constata a disposição inadequada de resíduos (ponto 34). Os moradores da redondeza aproveitam-se de uma área degradada para lançar resíduos sólidos diversos, conforme identificado pela Figura 5.35. Figura 5.35. Resíduos sólidos na voçoroca do Condomínio Privê, na Ceilândia (ponto 34). 131 A Figura 5.36 apresenta a localização dos pontos de disposição inadequada de resíduos sólidos no Distrito Federal mapeados por Mélo Filho (2002) e demais locais identificados por este PDDU. A numeração dos pontos mapeados por Mélo Filho (2002) apresentada na Figura 5.36 é correspondente à numeração dos locais apresentada na Tabela 5.5. É possível perceber que os pontos mapeados encontram-se situados nas bacias elementares do Lago Descoberto (pontos 1, 33 e 34), Riacho Fundo (pontos 22, 3, 4, 5, 23 e 24), Bananal (pontos 2, 6 e 28), Santa Maria/Torto (pontos 10 e 12), Lago Paranoá (pontos 7, 8, 9, 11, 13, 14, 15, 16, 17, 18, 19 e 20), Alagado/Ponte Alta (pontos 21, 22, 29, 30 e 31), Paranoá (ponto 25), Melchior/Belchior (pontos 26 e 27) e Mestre D’Armas (ponto 32), sobretudo em locais muito próximos às áreas urbanizadas e que são atendidas de maneira freqüente pelos serviços de coleta de resíduos gerenciados pelo SLU. Segundo informações do SLU, por Constituição Federal, o serviço de limpeza urbana deve ser realizado em 100% do Distrito Federal, em vias e logradouros públicos. Esta exigência encontra-se no contrato emergencial para a prestação de serviços de coleta de lixo e limpeza pública e, constará também no contrato definitivo. Assim, pode-se dizer que a coleta domiciliar urbana, realizada na escala domicílio (100 litros ou 300 kg por coleta) abrange 100% das áreas urbanas do Distrito Federal, conforme exigência contratual para prestação deste serviço. 2 Ponto localizado sobre o divisor de águas das bacias elementares Riacho Fundo e Bananal. 132 Figura 5.36. Locais de disposição de resíduos sólidos no DF. INSERIR A3 133 6 CRONOGRAMA A seguir é apresentado o cronograma físico de andamento das atividades. Com a entrega do presente relatório – RP-2, prevista para o dia 30 de setembro, percebese que o cronograma está sendo cumprido. 134 135 7 EQUIPE TÉCNICA E DE APOIO 7.1 Governo do Distrito Federal – GDF Governador: José Roberto Arruda 7.2 Secretaria de Estado de Obras Secretário de obras: Marcio Machado Secretário Adjunto: Jaime Alarcão Subsecretário de projetos de engenharia: Dalmo Rebello Silveira. Subsecretário de acompanhamento, controle e fiscalização de obras: Mauricio Canovas Segura. Subsecretária de gerenciamento de programas de obras: Renilda Teixeira Vieira Toscanelli Diretoria da Unidade de Administração Geral - UAG: Paulo Olivieri Assessoria de Comunicação: Laezia Bezerra Assessoria Jurídica: Henrique Bernardes 7.3 Equipe de coordenação e apoio da contratante. Secretaria de Estado de Obras: Edson Vieira ADASA: Paulo Guimarães Júnior Novacap: Vanessa Figueiredo M. de Freitas 7.4 Concremat Engenharia Coordenador: Celso S. Queiroz Especialista em Drenagem Urbana: Daniel G. Allasia P. Especialista em Drenagem Urbana: Wanda Morales Alonso Zeveri Especialista em Meio Ambiente: Lidiane Souza Gonçalves Especialista em Meio Ambiente: Antônio Cosme D’Elia 136 Especialista em Geologia e Geotecnia: Elidiane Oliveira Martins Especialista em Geologia e Geotecnia: Hiromiti Nakao Especialista em Planejamento da Drenagem: Carlos Tucci Especialista em Recursos Hídricos: José Carlos Rosa Especialista em Planejamento: André Bragança Gerenciamento Administrativo: Guaracy Klein Apoio Administrativo: Gontran Thiago Tibery Lima Maluf Secretaria: Tina Araújo 137 8 BIBLIOGRAFIA AB' SABER, A. N. Contribuição à geomorfologia da área dos cerrados. In: Simpósio sobre o Cerrado. São Paulo, USP, 1963. p. 117-240. AMORE, L. Fundamentos para Uso e Proteção das Águas Subterrâneas do Distrito Federal. (Dissertação de Mestrado). Escola de Engenharia de São Carlos. São Carlos (SP). Universidade de São Paulo, 1994. 142 p. ANDRADE, F. S. 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