Universidade Federal de Pernambuco CCEN - Departamento de Física Física Experimental 2 - 2014.2 Prática 5: Experimento Ótica Geométrica e Polarização da Luz Material utilizado: Fontes de luz branca (policromática), lasers de HeNe ou de diodo, peças de acrílico, lentes divergentes e convergentes, padrões (máscaras), polarizadores, suportes, réguas e anteparos. 1 Medidas de índice de refração O objetivo desta parte da prática é explorar a Lei de Snell em experimentos de Óptica Geométrica. O estudante medirá o índice de refração do acrílico em várias congurações e ao mesmo tempo determinará o ângulo crítico para reexão interna e estudará o desvio de um feixe de luz ao passar por um meio transparente de faces paralelas. 1.1 Medidas do índice de refração do acrílico Monte o aparato esquematizado na Fig. 1 abaixo, usando o laser de HeNe ou de diodo como fonte de luz, e montando o prisma semicircular sobre a mesa giratória graduada em ângulo. Figura 1: Incidência de um feixe sobre o centro de um prisma semicircular de acrílico. O feixe não deve ser desviado ao passar pela segunda interface (acrílico-ar) por incidir paralelo à normal. 1. Alinhe o laser sobre o prisma semicircular de modo que o feixe não seja desviado na segunda interface. Para isto o feixe deve incidir sobre o ponto médio do prisma, que deve estar sobre o centro da mesa giratória. 2. Varie o ângulo de incidência em passos 10o entre θ1 = 10o e θ1 = 80o medindo os ângulos de refração, θ2 . Para compensar pequenos desalinhamentos repita o experimento para −θ1 e use o valor médio das duas medidas. Usando a Lei de Snell, calcule os índices de refração do acrílico para cada um desses ângulos. N 1 2 2 3. Calcule a média nm e o erro absoluto ∆n, usando as equações: nm = N1 N i=1 ni e ∆ n = N i=1 (nm − ni ) , onde N é o número total de medidas. Escreva a resposta nal na forma n = (nm ± ∆n). Neste caso, não é necessário considerar o erro na precisão da escala do instrumento de medida, pois o erro estatístico calculado se sobrepõe a este último. P P 1.2 Reexão interna total Neste seção estudamos a reexão interna total, que permite compreender qualitativamente como a luz pode ser guiada através de uma bra óptica. 1. Inverta o sentido de incidência do feixe sobre o prisma com relação ao que é mostrado na Fig. 1. Neste caso o feixe incide primeiro sobre a superfície curva do prisma semicircular. 2. Determine o maior ângulo para o qual a luz ainda pode ser transmitida através da superfície plana do prisma semicircular, obtendo assim o ângulo crítico para este material. Repita o procedimento para −θ1 e use o valor médio destas duas medidas. Determine o índice de refração do acrílico a partir da medida do ângulo crítico. 3. Compare o resultado desta medida do índice de refração com o seu resultado anterior. Determine o erro relativo da medida. 1.3 Desvio linear em bloco de faces paralelas Neste experimento o estudante medirá o desvio linear de um feixe ao passar por um bloco de faces planas paralelas. Isto permitirá obter novamente o índice de refração. 1. Meça a espessura D do bloco de faces paralelas. 2. Coloque o bloco de faces paralelas sobre o disco com divisões angulares, como mostra a Fig. 2. Figura 2: Esquema para a medida do desvio linear δ, em bloco de faces paralelas de espessura D. 3. Faça o laser incidir sobre o ponto médio de uma das faces do bloco e varie o ângulo de incidência fazendo θ1 = 30o , 45o , e 60o (repetindo para −θ1 ) . Meça o desvio linear observado do raio emergente, δ , em relação à direção do raio incidente, para cada ângulo θ1 . 4. Utilizando os valores medidos dos desvios δ determine o valor médio do índice de refração para este conjunto de medida e compare com as primeiras medidas de índice de refração do acrílico e determine o erro relativo entre estas. 2 Estudo da polarização da luz Nesta parte da prática o objetivo será determinar o ângulo de Brewster na reexão de luz polarizada em uma superfície plana. Isto permitirá explorar o fato de que as ondas eletromagnéticas são transversais e possuem dois estados de polarização ortogonais. Para isto será necessário fazer uso de um ltro polaroide, similar ao que é usado em alguns óculos escuros para minimizar a luz reetida em vidros de automóveis ou na superfície de um lago que chega aos nossos olhos. Figura 3: Montagem para determinar o ângulo de Brewster. O campo elétrico ~ E deve estar polarizado paralelo ao plano de incidência. 1. Faça incidir o feixe de um laser de HeNe ou de diodo sobre a superfície plana do prisma semicircular de acrílico. 2. Use um polarizador para orientar o campo elétrico paralelo ao plano de incidência, conforme a Fig. 3. Para determinar a orientação do polarizador olhe para uma superfície lisa (luz da sala reetida em um vidro ou no chão) através do mesmo. Verique para que orientação do polarizador a luz reetida é mínima. Quando isto ocorrer o polarizador estará orientado paralelo ao plano de incidência da superfície. 3. Varie o ângulo de incidência θ1 até encontrar o ângulo de Brewster, no qual a radiação reetida no bloco é mínima, o mais próximo de zero possível, repetindo para −θ1 . Meça θ1 = θB e θ2 . Verique que θ1 +θ2 = π/2. 4. Determine o índice de refração do acrílico usando o fato de que θB + θ2 = π/2. Compare este resultado com as medidas anteriores do índice de refração do acrílico. 5. Ao se colocar dois polarizadores cruzados a quantidade de luz transmitida é praticamente nula. Contudo ao se colocar um terceiro polarizador entre os dois primeiros e orientado a π/4, uma fração signicativa de luz é transmitida. Procure observar este efeito em seu sistema experimental. O que está ocorrendo? É possível se aumentar mais ainda a transmissão de luz neste sistema? 6. No laboratório, o periscópio é um instrumento óptico que é usado para mudar a altura de um feixe laser. Basicamente, ele consiste de dois espelhos alinhados na vertical. A depender de como os espelhos são montados é possível girar a polarização do feixe de π/2. Explique e esboce como usando um par de espelhos, como em um periscópio, é possível girar a polarização de π/2 e quando usando este mesmo par de espelhos a polarização original no feixe é mantida. 3 Lentes esféricas Nesta seção será estudada a formação de imagens reais com uma lente ou um par de lentes. O estudante também terá a oportunidade de montar um telescópio simples. 3.1 Formação de imagens com uma lente esférica 1. Nesta parte será usada uma fonte de luz branca alimentada pela tensão DC variável (Vmax = 12 V) da fonte Phywe. É possível reduzir a intensidade da lâmpada reduzindo esta tensão. Utilize a fonte de luz branca para projetar a imagem de um objeto (máscara com o desenho de uma seta e papel vegetal para difundir a luz da lâmpada) num anteparo colocado ao nal do trilho óptico, passando por uma lente de distância focal f = 100 mm ou f = 50 mm, conforme mostrado na Fig. 4. 2. Quantas imagens nítidas podem ser observadas no anteparo variando a posição da lente ao longo do trilho e mantendo o objeto e o anteparo xos ? Explique seu resultado. Registre em ambos os casos a distância s (objeto-lente) e s' (lente-imagem). Meça diretamente a magnicação da imagem em ambos os casos, determinando alguma dimensão do objeto e a correspondente dimensão da imagem. Compare com o previsto teoricamente. Figura 4: Montagem para estudar a formação de imagens por uma lente convergente de distância focal F. A distância objeto-lente é s e a distância lente-imagem é s0 . 3. Coloque agora a seta luminosa a uma distância s = 1.5 f . Meça a distância s0 da imagem. 4. Repita o procedimento anterior até s = 3.5 f , em passos de 0.2 f , construindo uma tabela com s e (s+s0 ). Faça um gráco de (s+s0 )×s e ajuste para determinar a distância focal da lente usando a equação (s+s0 )min = 4f , comparando com o valor nominal. Determine o erro relativo: ∆f /f = (fmedido − f )/f . 5. Baseado neste experimento de formação de imagens com lentes esféricas, descreva o princípio de funcionamento de uma lupa e de um microscópio composto. Projete um microscópio composto que permita uma magnicação de 20x, para tanto diga quais foram suas escolhas de lente para a objetiva e ocular e faça uma representação esquemática do seu microscópio usando os conceitos de propagação de raios luminosos da óptica geométrica. Não se esqueça de indicar qual deve ser a distância entre as lentes. 3.2 Telescópio O telescópio é um instrumento óptico útil não apenas para observação de corpos celestes, mas também para ser usado como expansor e colimador de feixes lasers. Nesta parte será estudado um telescópio refrativo, para isto serão necessárias duas lentes de distâncias focais foc e fobj . Duas congurações serão testadas: foc = +20 mm com fobj = +300 mm; e foc = +50 mm com fobj = +300 mm. A montagem está esquematizada na Fig. 6. Figura 5: Diagrama esquemático de um telescópio refrativo. 1. Com um paquímetro faça uma estimativa grosseira do diâmetro do feixe na saída do laser de HeNe. Ou seja, projete o feixe do laser num anteparo a uma certa distância, posicione o paquímetro aberto próximo a saída do laser e vá fechando-o gradativamente até o ponto em que é possível começar a se observar deformações no feixe devido ao truncamento das bordas do feixe pelas lâminas do paquímetro. Estas deformações do feixe devem-se ao fenômeno da difração que é assunto da próxima prática. Em seguida, alinhe a objetiva e a ocular de seu telescópio sobre o sistema de tal modo que o feixe do laser passe aproximadamente no centro das duas lentes e a distância entre elas seja igual à soma das suas distâncias focais. Com o feixe expandido, na saída da objetiva, é possível se fazer uma estimativa de seu diâmetro usando-se apenas uma régua comum. Compare os diâmetros e veja se magnicação obtida está de acordo com o previsto. Varie a distância entre as lentes e anote o que acontece com a divergência do feixe para distâncias maiores e menores que soma das suas distâncias focais. 2. Representando o feixe do laser na entrada da lente por um par de raios paralelos a uma incidência normal, faça uma representação esquemática usando propagação dos raios luminosos do que está ocorrendo com o feixe quando a separação entre as lentes é menor, igual ou maior que soma das distâncias focais. 3. Projete o feixe laser na outra extremidade da sala e compare o diâmetro do feixe nas situações quando o telescópio é usado para expandir o feixe e quando não há telescópio. O que se pode dizer a respeito da divergência do feixe, em qual situação ela é maior? 4. O telescópio da Fig. 6 é chamado de telescópio "Kepleriano", ou telescópio de Kepler, e como pode ser observado é formado por duas lentes esféricas convergentes. Uma outra maneira de se montar um telescópio seria substituir uma das lentes convergentes por uma lente divergente. Este telescópio é chamado de "Galileano", ou telescópio de Galileu. Para efeito de comparação, monte no laboratório um telescópio com as lentes de foco +300 mm e -50 mm. Leve à outra extremidade da sala um papel com duas setas estreitas de caneta, paralelas e muito próximas entre si. Peça para seu colega visualizar as setas sem o telescópio e com o telescópio. Descreva o resultado de sua medida. Agora monte um telescópio com as lentes de foco +300 mm e +50 mm e novamente procure observar as setas. Novamente, descreva o resultado de sua medida. Observação: Note que a abertura angular do sistema é muito pequena, de modo que você pode encontrar alguma diculdade inicial para visualizar as setas. Não desista!! 5. Baseado nas observações do item 4 e considerando aspectos técnicos tais como o tipo de imagem, o campo de visão, o tamanho nal do telescópio, etc., comente quais são as vantagens e as desvantagens que um telescópio Kepleriano possui sobre um Galileano de mesma magnicação transversal. 6. Faça uma representação esquemática do telescópio de Galileu desenhando a propagação dos raios luminosos.