Graduação em Engenharia Ambiental e Urbana Camila Nunes de Brito Oliveira LOGÍSTICA REVERSA: UMA BUSCA PELO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL E POR NOVAS OPORTUNIDADES EMPRESARIAIS. Monografia SANTO ANDRÉ - SP Janeiro/2014 Camila Nunes de Brito Oliveira LOGÍSTICA REVERSA: UMA BUSCA PELO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL E POR NOVAS OPORTUNIDADES EMPRESARIAIS. Monografia Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Universidade Federal do ABC como requisito parcial para obtenção do grau de bacharel em Engenharia Ambiental e Urbana. Orientador: Prof. Dr. Gerardo Alberto Silva SANTO ANDRÉ - SP Janeiro/2014 Camila Nunes de Brito Oliveira LOGÍSTICA REVERSA: UMA BUSCA PELO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL E POR NOVAS OPORTUNIDADES EMPRESARIAIS. Esta monografia foi julgada e aprovada para a obtenção do grau de bacharel no curso de Engenharia Ambiental e Urbana da Universidade Federal do ABC. Santo André – SP, 05 de fevereiro de 2014. Prof. Dr. Humberto de Paiva Junior Coordenador do Curso BANCA EXAMINADORA Prof. Dr. Gerardo Alberto Silva Orientador (UFABC) Prof. Dr. Ricardo de Souza Moretti (UFABC) À meus queridos pais e avós, fonte de amor e apoio sempre, ao Fernando e à toda minha família maravilhosa. AGRADECIMENTOS Agradeço, primeiramente e acima de tudo, a Deus por ter me presenteado com uma família tão maravilhosa, pelas infinitas oportunidades e por tornar tudo possível. Agradeço infinitamente aos meus pais por todo apoio, amor e confiança em mim depositados. Ao meu pai por investir na minha educação da melhor maneira, sem medir esforços, por sempre acreditar em mim e me mostrar que sempre posso ir mais longe, por dizer sempre as palavras certas. À minha mãe pelo amor incondicional, por ser sempre tão dedicada, por fazer tudo por mim e me incentivar a seguir sempre, me apoiando e estando sempre ao meu lado, todos os dias, mesmo distante. Vocês são minha referência de honestidade, caráter e trabalho. Agradeço ao Fernando por tantos anos me apoiando, por me fazer sempre acreditar que sou capaz, por me incentivar a chegar até aqui, pelo amor e companheirismo. Aos meus avós, não tenho palavras para agradecer tanto amor e dedicação em todos os momentos da minha vida. Agradeço às minhas amigas Diana, Carol e Mônica por todo apoio e companheirismo, durante a minha graduação e principalmente pela amizade. Aos meus amigos que estão longe, mas que sempre me apoiaram e me incentivaram. Agradeço ao Prof. Dr. Gerardo, que me orientou neste trabalho, pelo auxílio, colaboração, dedicação em tantos momentos da minha graduação e principalmente pela amizade e compreensão. Agradeço a todos que de alguma forma contribuíram para a realização deste trabalho e pela concretização de um sonho. ”A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, cante, chore, dance, ria e viva intensamente, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos.” Charles Chaplin RESUMO No atual cenário econômico competitivo, muitas empresas descobriram que controlar a gestão e destinação de seus resíduos e se adequar a padrões ecologicamente corretos são medidas que possibilitam a conquista do reconhecimento pela sociedade. Por este motivo, a logística reversa tem sido cada dia mais implantada em empresas líderes de mercado de diversos setores, como parte estratégica de suas atividades empresariais. A logística reversa atua em duas áreas: Logística reversa de pós-venda e logística reversa de pós-consumo. Este trabalho tem como foco a logística reversa de pós-consumo que vem substituir o conceito “do berço ao túmulo” (cradle to grave) pelo conceito “do berço ao berço” (cradle to cradle). Espera-se, então, mostrar, através de estudos de caso de três grandes empresas, Gerdau S.A., inpEV e Reciclanip, que o desenvolvimento sustentável pressupõe o envolvimento da empresa com as questões do ciclo de vida dos seus produtos, que envolve desde a escolha da matéria prima que será utilizada nos seus produtos e embalagens, até o descarte do produto ou embalagem. Pretende-se, ainda, mostrar que a logística reversa pode trazer novas oportunidades empresariais para as organizações que a realizam, a importância desta prática em diversos setores da sociedade, ressaltando, ainda, a responsabilidade compartilhada entre os diversos setores e o poder público. Palavras-chave: logística reversa, sustentabilidade, bens de pós-consumo, ciclo de vida, resíduos. ABSTRACT In today's competitive economic environment, many companies have found that the management control and the destination of waste aiming to adapt to environmental standards are measures that enable to achieve recognition from society. Therefore, Reverse Logistics has been increasingly deployed in leading enterprises in various sectors as a strategic part of their business activities. The Reverse logistics operates in two areas: Reverse Logistics Post-Sale and Reverse Logistics Post-Consumer. The focus of this work is Reverse Logistics Post-Consumer which, in turn, replaces the concept of "cradle to grave" by that of "cradle to cradle". Thus, the objective is to show, by means of case studies of three large companies, Gerdau SA, inpEV and Reciclanip, that sustainable development requires the involvement of the company with issues such as the life cycle of their products, ranging from the choice of the raw material to be used in the products, destination of the product and packaging. The assumption is also to show that reverse logistics can bring new business opportunities for enterprises that put it in practice, the importance of this practice in various sectors of society, as well as to emphasize the shared responsibility within the various sectors and the government. Keywords: reverse logistics, sustainability, post-consumer goods, life cycle, waste. LISTA DE FIGURAS Figura 1: Logística Reversa.......................................................................................................... 17 Figura 2: Ciclo da sucata .............................................................................................................. 27 Figura 3: Volume de embalagens vazias de defensivos agrícolas destinadas desde 2002. .......... 32 Figura 4: Ciclo de gestão das embalagens vazias. ....................................................................... 36 Figura 5: Ciclo de vida do pneu ................................................................................................... 40 LISTA DE TABELAS Tabela 1: Responsabilidades compartilhadas de acordo com a lei n° 9.974/00. .......................... 32 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ........................................................................................................................ 12 1.1 Justificativa ......................................................................................................................... 13 1.2 Objetivos ............................................................................................................................. 13 2 REVISÃO DE LITERATURA ................................................................................................ 14 2.1 Logística e Sustentabilidade .............................................................................................. 14 2.2 Logística Reversa................................................................................................................ 15 2.3 Avaliação do Ciclo de Vida................................................................................................ 19 2.4 Legislação ............................................................................................................................ 20 3 METODOLOGIA..................................................................................................................... 23 4 ESTUDOS DE CASO ............................................................................................................... 24 4.1 Gerdau ................................................................................................................................. 24 4.1.1 Gerdau e Logística Reversa .......................................................................................... 24 4.2 inpEV ................................................................................................................................... 29 4.2.1 O Sistema Campo Limpo .............................................................................................. 30 4.2.2 Logística Reversa de Ciclo Fechado ............................................................................ 35 4.3 Reciclanip ............................................................................................................................ 37 4.3.1 Reciclanip e Logística Reversa ..................................................................................... 37 4.3.2 Destinação final de pneus. ............................................................................................ 39 5 RESULTADOS E DISCUSSÃO ............................................................................................. 41 5.1 O papel das cooperativas e dos catadores no processo de logística reversa ................. 42 5.2 Logística reversa e suas vantagens ................................................................................... 44 6 CONCLUSÃO........................................................................................................................... 46 7 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................................... 47 1 INTRODUÇÃO O aumento de demanda por bens de consumo é responsável pelo lançamento de milhares de toneladas de resíduos no meio ambiente todos os anos, estes resíduos vão de embalagens plásticas de produtos de uso doméstico a fuselagens sucateadas de antigos aviões. Devido a este aumento da demanda por bens de consumo se faz necessária uma adaptação e capacitação contínuas, tanto por parte das empresas e instituições quanto por parte dos indivíduos. Neste sentido, há algum tempo, áreas que, aparentemente, não possuem impacto financeiro, como meio ambiente, responsabilidade social e governança corporativa, vêm assumindo um importante papel no mundo dos negócios (FIGUEIRÓ, 2010). Entretanto, apesar de muitas empresas buscarem práticas socialmente responsáveis em suas gestões, o maior desafio está em encontrar uma maneira equilibrada de gerenciar seus negócios, não apenas buscando a competitividade, com baixo custo e elevado padrão de qualidade, mas também considerando aspectos de desenvolvimento sustentável e atendendo às reivindicações da sociedade (GRAJEW apud FIGUEIRÓ, 2010). Essa nova realidade de mercado, de consumidores cada vez mais sensibilizados e preocupados com as questões ecológicas, tem mudado as estratégias competitivas empresariais. Neste contexto, a logística reversa tem se tornado um tema cada vez mais comum para as empresas no Brasil e no mundo. Muitas empresas descobriram que controlar a gestão e destinação de seus resíduos é uma medida que possibilita a conquista do reconhecimento pela sociedade, por este motivo, a logística reversa tem sido uma ferramenta para o gerenciamento empresarial, devido à sua contribuição na obtenção de vantagens econômicas, sem, contudo, desconsiderar os aspectos ambientais. A destinação final de produtos traz um grande problema ao meio ambiente, mas apresenta oportunidades de reciclagem ou reuso que podem incentivar diversas outras operações capazes de trazer resultados positivos tanto para as empresas quanto para a sociedade. (SHIBAO, et al, 2010). A escolha do tema foi motivada pelo fato de que a logística reversa se apresenta como uma das opções para se alcançar a preservação ambiental e trazer benefícios às organizações. Através de estudos, pretende-se avaliar a importância da logística reversa e tentar explicitar através deste trabalho os benefícios que ela traz a vários setores industriais. 1.1 Justificativa A redução do impacto ambiental tornou-se uma exigência para as empresas que desejam continuar atuando no mercado, tanto nacional quanto internacional. Por este motivo as empresas tem cada vez mais se adequado a padrões ecologicamente corretos através de diversas ferramentas, entre elas está a logística reversa. Portanto, acredita-se que é de grande importância a realização de um estudo que mostre a importância da realização da logística reversa para uma organização visando atingir os padrões de sustentabilidade estabelecidos pela sociedade atual. 1.2 Objetivos Tendo em vista a crescente implementação da logística reversa em empresas líderes de mercado em diversos setores, como parte estratégica de suas atividades empresariais, este trabalho tem como objetivo avaliar a importância do retorno dos bens de pós-consumo ao ciclo produtivo e as vantagens e desvantagens desta prática a diversos setores. O objetivo específico é conhecer o processo de logística reversa de alguns setores em especial, através da realização de estudos de casos, e analisar a sua importância para as organizações, tentando mostrar que a logística reversa oferece à empresa oportunidades de adicionar valor e obter vantagem competitiva através da percepção pública favorável, economia de custo ou rendimentos adicionais, enquanto avalia os efeitos de seus processos produtivos no ambiente. Para isso, foram escolhidas algumas empresas como a Gerdau S.A., líder no segmento de aços longos nas Américas e uma das principais fornecedoras de aços longos especiais no mundo. É também a maior recicladora da América Latina e transforma anualmente milhões de toneladas de sucata em aço no mundo; o inpEV – Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias, entidade sem fins lucrativos que tem o objetivo de promover, em todo o Brasil, a correta destinação das embalagens vazias de defensivos agrícolas e a Reciclanip, entidade sem fins lucrativos criada pelos fabricantes de pneus novos com o objetivo de coletar e destinar pneus inservíveis no Brasil. 2 REVISÃO DE LITERATURA 2.1 Logística e Sustentabilidade Com o crescente avanço tecnológico a logística tem se tornado cada vez mais importante para o crescimento das empresas. É difícil imaginar algum produto que chegue ao cliente, sem suporte logístico, porém, somente há relativamente pouco tempo, as empresas têm se concentrado na Logística e Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos como fontes de vantagem competitivas (GONÇALVES E MARINS, 2005). A definição de logística sugerida por Council of Supply Chain Management Professionals (apud Novaes, 2001) é a seguinte: Logística é o processo de planejar, implementar e controlar de maneira eficiente o fluxo e a armazenagem de produtos, bem como os serviços e informações associados, cobrindo desde o ponto de origem até o ponto de consumo, com o objetivo de atender os requisitos do consumidor. Esta definição implica que a logística é parte do processo da cadeia de suprimentos e inclui todas as atividades importantes para a disponibilização de bens e serviços aos consumidores quando e onde estes quiserem adquirí-los. (BALLOU, 2004) Segundo Ballou (2004), o processo da cadeia de suprimentos, ou, como é mais conhecido, Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos (GCS) é um termo que surgiu mais recentemente e que capta a essência da logística integrada e inclusive a ultrapassa. O GCS destaca as interações logísticas que ocorrem entre as funções de marketing, logística e produção no âmbito de uma empresa, e dessas mesmas interações entre as empresas legalmente separadas no âmbito do canal de fluxo de produtos. A cadeia de suprimentos abrange todas as atividades relacionadas com o fluxo e transformação de mercadorias desde o estágio da matéria-prima (extração) até o usuário final, bem como os respectivos fluxos de informação. O GCS é a integração dessas atividades, mediante relacionamentos aperfeiçoados na cadeia de suprimentos, objetivando conquistar uma vantagem competitiva sustentável. A primeira vez que o conceito de sustentabilidade foi expresso e aceito mundialmente foi em 1987 no “Relatório Brundtland” ou “Nosso Futuro Comum” encomendado pela Organização das Nações Unidas (ONU) à então primeira ministra da Noruega, Gro Brundtland. De acordo com o relatório, ser sustentável é conseguir prover as necessidades das gerações presentes sem comprometer a capacidade das gerações futuras em garantir suas próprias necessidades. Naquele momento chegou-se à conclusão de que era preciso mudar os atuais padrões de produção e consumo adotados pelas diversas sociedades da Terra, de forma a preservar os recursos e serviços ambientais necessários à sobrevivência humana. Um dos parâmetros criados, para garantir o desenvolvimento sustentável, mais aceito é o do Triple Bottom Line, que estabelece a necessidade de um equilíbrio entre as ações e resultados econômicos, ambientais e sociais das organizações. Ou seja, uma organização sustentável precisa ser economicamente lucrativa, ambientalmente correta e socialmente responsável. A busca pelo desenvolvimento sustentável por parte das empresas vai além dos cuidados relacionados ao controle e prevenção da poluição, chegando à relação entre a empresa e todos os demais integrantes da cadeia. As organizações estão optando por incluir a abordagem ambiental ao seu gerenciamento da cadeia, a fim de evitar herdar riscos ambientais dos fornecedores que possuem menor consciência diante destes aspectos (KLASSEN e WHYBARK apud FIGUEIRÓ, 2010). O Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos associado à Gestão Ambiental caracteriza o que se chama de Gestão Sustentável da Cadeia de Suprimentos (CSGS). Trata-se de um complemento das atividades tradicionais, incluindo a avaliação dos impactos ambientais de todos os produtos e processos desde a extração da matéria-prima até a disposição final, considerando outras etapas na estrutura da cadeia como: coleta, remanufatura, reuso, reciclagem e disposição final dos produtos e materiais (BEAMON apud FIGUEIRÓ, 2010). A busca pela sustentabilidade oferece à empresa oportunidades de adicionar valor e obter vantagem competitiva através da percepção pública favorável, economia de custo ou rendimentos adicionais, enquanto avalia os efeitos de seus produtos e processos produtivos no ambiente (NEUNFELD et al, 2005). 2.2 Logística Reversa As legislações ambientais tem se tornado cada vez mais duras, exigindo das empresas um comportamento ambiental mais ativo, responsabilizando-as pela completa gestão do ciclo de vida dos seus produtos, diminuindo assim os impactos ambientais não apenas dos processos, mas também daqueles causados pelas atividades de descarte (GARCIA, 2006). Leite (2002) define a logística reversa como a área da logística empresarial que planeja, opera e controla o fluxo, e as informações logísticas correspondentes, do retorno dos bens de pósvenda e de pós-consumo ao ciclo de negócios ou ao ciclo produtivo, através dos canais de distribuição reversos, agregando-lhes valor de diversas naturezas: econômico, ecológico, legal, logístico, de imagem corporativa, entre outros. De uma maneira mais simples a logística reversa pode ser entendida como um processo complementar à logística tradicional, pois enquanto a última tem o papel de levar os produtos dos fornecedores até os clientes intermediários ou finais, a logística reversa completa o ciclo, trazendo de volta os produtos já utilizados dos diferentes pontos de consumo até sua origem. (LACERDA apud GARCIA, 2006). Segundo Rogers e Tibben-lembke (apud Figueiró, 2010), Logística Reversa é o processo de planejamento, implementação e controle da eficiência e custo efetivo do fluxo de matériasprimas, estoques em processo, produtos acabados e as informações correspondentes do ponto de consumo para o ponto de origem, com o propósito de recapturar o valor ou destinar à apropriada disposição. Para Gontijo et al (2010), a idéia central da logística reversa é a recuperação de valor através do retorno dos bens ao processo produtivo ou ao ciclo de negócios. Além disso, fatores relacionados a questões ambientais de relacionamento com o cliente e imagem corporativa, ressaltam o papel estratégico da logística reversa. De acordo com a Lei n° 12.305 de 2 de agosto de 2010, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos, a logística reversa é um instrumento de desenvolvimento econômico e social caracterizado por um conjunto de ações, procedimentos e meios destinados a viabilizar a coleta e a restituição dos resíduos sólidos ao setor empresarial, para reaproveitamento, em seu ciclo ou em outros ciclos produtivos, ou outra destinação final ambientalmente adequada. A Logística Reversa tem sido utilizada como uma importante ferramenta de aumento de competitividade e de consolidação de imagem corporativa, quando inserida na estratégia empresarial e em particular na estratégia de Marketing Ambiental, em empresas que privilegiam uma visão de responsabilidade empresarial em relação ao meio ambiente e à sociedade. (LEITE, 2000) Segundo Leite (2000), esta atuação de responsabilidade ambiental, além de impactar positivamente na imagem das empresas, permitirá que uma nova economia de negócios se intensifique com enormes possibilidades de geração de empregos, de serviços e de desenvolvimento tecnológico, tanto mais visível quanto maior a consciência da sociedade ao desenvolvimento sustentado. A correta implementação de um sistema de logística reversa leva à necessidade de analisar as etapas da cadeia de suprimentos relacionadas ao retorno e reintrodução de produtos e materiais ao sistema produtivo. A figura 1 a seguir, mostra alternativas para a destinação destes produtos, como: retorno ao fornecedor, revenda, recondicionamento, reciclagem ou descarte (caso não seja possível reaproveitá-lo). Assim, toda a cadeia pode ser estruturada de forma que as atividades desenvolvidas causem menor impacto ambiental, sem comprometer o desempenho econômico das empresas. Figura 1: Logística Reversa Fonte: Figueiró (2010). Segundo Rao & Holt (apud Figueiró, 2010), a Gestão Sustentável da Cadeia de Suprimentos (GSCS) envolve iniciativas junto à logística reversa incluindo e envolvendo fornecedores de materiais, contratantes de serviços, vendedores, distribuidores e usuários, os quais trabalham juntos para mitigar impactos ambientais advindo de suas atividades. As organizações estão buscando envolver toda a cadeia nas decisões a respeito de como evitar a geração de resíduos em determinados projetos. Para isso repassam aos seus fornecedores necessidades de adaptação a exigências de stakeholders e da legislação. Diante disto, pode-se dizer que a Logística Reversa é um dos elementos que compõe a Gestão Sustentável da Cadeia de Suprimentos, ambas vinculadas à Gestão da Cadeia de Suprimentos. Existem duas grandes áreas de atuação da Logística Reversa que devem ser citadas. A primeira considera que a logística reversa tem duas áreas de atuação: logística reversa de pósvenda e logística reversa de pós-consumo. A outra diz respeito ao ciclo de vida do produto. Segundo Leite (2002), a logística reversa de pós-venda é a área específica de atuação que se ocupa da operacionalização do fluxo físico e das informações logísticas correspondentes aos bens de pós-venda, sem uso ou com pouco uso. Seu objetivo estratégico é o de agregar valor a um produto logístico que é devolvido por razões comerciais, erros de processamento dos pedidos, garantia dada pelo fabricante, defeitos ou falhas de funcionamento no produto, avarias no transporte, entre outros motivos. Ainda de acordo com Leite (2002), a logística reversa de pós-consumo é a área de atuação da logística reversa que operacionaliza o fluxo físico e as informações correspondentes aos bens de pós-consumo descartados pela sociedade em geral que retornam ao ciclo de negócios ou ao ciclo produtivo através de canais de distribuição reversos específicos. Os bens de pós-consumo são aqueles produtos em fim de vida útil ou usados e os resíduos industriais em geral. Seu objetivo estratégico é o de agregar valor a um produto logístico constituído por bens inservíveis ao proprietário original, ou que ainda possuam condições de utilização, por produtos descartados por terem atingido o fim de vida útil e por resíduos industriais. Estes produtos de pós-consumo poderão se originar de bens duráveis ou descartáveis e fluírem por canais reversos de reuso, desmanche ou reciclagem até a destinação final. As duas áreas da logística reversa possuem vantagens econômicas para a empresa que as utiliza. O Objetivo econômico de implantação da logística reversa de pós-consumo se deve às economias relacionadas com o aproveitamento das matérias-primas secundárias ou provenientes de reciclagem, bem como da revalorização dos bens pela reutilização e reprocesso (LEITE, 2003) Segundo Leite (2003), os canais de distribuição reversos que reintegram os produtos de pós-consumo ao ciclo produtivo subdividem-se em canais de ciclo aberto e de ciclo fechado. Os canais de distribuição reversos de ciclo aberto caracterizam-se pelo processo de extração de material constituinte do produto de pós-consumo, o qual será reintegrado ao ciclo produtivo por meio da sua utilização na fabricação de diferentes produtos em substituição às matérias-primas virgens. Por exemplo, a extração do material ferroso de produtos como máquinas e automóveis, para fabricação de chapas, barras, entre outros, bem como a extração do plástico componente de embalagens, brinquedos, utensílios domésticos e sua utilização na indústria de sacos de lixo, potes, vasos, peças elétricas, etc (LEITE, 2003). Os canais de distribuição reversos de ciclo fechado são caracterizados pela extração do componente de determinado produto de pós-consumo, que voltará ao ciclo produtivo sendo reutilizado na fabricação de um produto similar ao de origem. Como exemplo, pode-se citar a extração de chumbo e plástico de baterias de veículos descartadas para serem usadas na fabricação de novas baterias (LEITE, 2003). 2.3 Avaliação do Ciclo de Vida Por trás do conceito de logística reversa, tem-se um conceito ainda mais amplo que é o de ciclo de vida do produto. Empresas líderes que buscam agregar valos às suas atividades empresariais através de uma visão ética e responsável quanto ao impacto de seus produtos ao meio ambiente, possuem atitudes típicas como a avaliação dos produtos e processos através da análise do ciclo de vida ambiental. A Avaliação do Ciclo de Vida é uma das ferramentas mais empregadas para avaliação dos potenciais impactos ambientais associados a um produto, além de ser a única ferramenta da gestão ambiental que avalia o produto por todo o seu ciclo de vida, ou seja, desde a concepção dos recursos naturais à sua destinação final no meio ambiente. Por meio desta avaliação pode-se identificar os aspectos ambientais em todos os elos da cadeia de produção e de consumo, desde a extração dos recursos naturais ao uso do produto, podendo compreender as etapas de embalagem, transporte, pós-consumo e disposição final dos rejeitos (GALDIANO, 2006). A idéia fundamental é a de que se tenha um instrumento para decidir qual o nível de impacto ambiental de um produto ao longo de sua vida e poder compará-lo em todas as fases desta. Poderá tornar mais claro alguns casos clássicos como o da escolha da melhor alternativa: embalagem retornável ou descartável. Possivelmente, traz maior clareza nas decisões da sociedade sobre qual o ônus de cada agente que intervêm na forma de destinação final dos produtos (LEITE, 2000). Este conceito também é conhecido pela expressão “do berço ao túmulo” (cradle to grave), onde o berço representa o meio ambiente de onde são extraídos os recursos naturais que serão transformados, e o túmulo é o próprio meio ambiente enquanto destino final dos resíduos de produção e consumo que não forem reutilizados ou reciclados (BARBIERI et al , 2009). A logística reversa vem substituir este conceito “do berço ao túmulo” pelo conceito “do berço ao berço” (cradle to cradle), pois permite que produtos já utilizados voltem aos fornecedores e possam ser reciclados, reutilizados ou destinados para locais adequados ao invés de serem descartados no meio ambiente. 2.4 Legislação A Política Nacional dos Resíduos Sólidos (PNRS), instituída pela Lei n° 12.305 de 2 de agosto de 2010, reúne o conjunto de princípios, objetivos, instrumentos, diretrizes, metas e ações adotadas pelo Governo Federal, isoladamente ou em regime de cooperação com Estados, Distrito Federal, Municípios ou particulares, com vistas à gestão integrada e ao gerenciamento ambientalmente adequado dos resíduos sólidos (BRASIL, 2010). Dentre os objetivos da PNRS estão: a proteção da saúde pública e da qualidade do meio ambiente, não geração, redução, reutilização e tratamento de resíduos sólidos, incentivo à indústria da reciclagem, tendo em vista fomentar o uso de matérias-primas e insumos derivados de materiais recicláveis e reciclados, gestão integrada de resíduos sólidos, estímulo à implementação da avaliação do ciclo de vida do produto, entre outros (BRASIL, 2010). Ela estabelece que o Poder Público e a coletividade são responsáveis pela efetividade das ações que envolvam os resíduos sólidos gerados. Tem por instrumentos os planos de resíduos sólidos; o monitoramento e a fiscalização ambiental, sanitária e agropecuária; a coleta seletiva, os sistemas de logística reversa e outras ferramentas relacionadas à implementação da responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos; o incentivo à criação e ao desenvolvimento de cooperativas ou de outras formas de associação de catadores de materiais reutilizáveis e recicláveis; a cooperação técnica e financeira entre os setores público e privado para o desenvolvimento de pesquisas de novos produtos, métodos, processos e tecnologias de gestão, reciclagem, reutilização, tratamento de resíduos e disposição final ambientalmente adequada de rejeitos; etc. (BRASIL, 2010). De acordo com o artigo 33 da lei, são obrigados a estruturar e implementar sistemas de logística reversa, mediante retorno dos produtos após o uso pelo consumidor, de forma independente do serviço público de limpeza urbana e de manejo dos resíduos sólidos, os fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes de: Agrotóxicos e suas embalagens; Pilhas e baterias; Pneus; Óleos lubrificantes, seus resíduos e embalagens; Lâmpadas fluorescentes, de vapor de sódio e mercúrio e de luz mista; Produtos eletroeletrônicos e seus componentes. Também devem receber atenção, os produtos comercializados em embalagens plásticas, metálicas ou de vidro, considerando, prioritariamente, o grau e a extensão do impacto à saúde pública e ao meio ambiente dos resíduos gerados – caso dos remédios usados, por exemplo (BRASIL, 2010). Os fabricantes e os importadores deverão dar destinação ambientalmente adequada aos produtos e às embalagens reunidos ou devolvidos, na forma estabelecida pelo órgão competente. Conforme estabelecido no artigo 42 da lei, o poder público poderá instituir medidas indutoras e linhas de financiamento para atender, prioritariamente, às iniciativas como: prevenção e redução da geração de resíduos sólidos no processo produtivo; desenvolvimento de projetos de gestão dos resíduos sólidos e estruturação de sistemas de coleta seletiva e de logística reversa (BRASIL, 2010). Além da PNRS, outras legislações estão relacionadas ao gerenciamento de resíduos sólidos no Brasil. A Constituição federal de 1988, em seu artigo 225, garante o direito de todos os brasileiros “ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações”. Para fazer valer a Constituição, o país tem adotado medidas desde antes da PNRS. Além de leis estaduais sobre resíduos, destacam-se as legislações federais que impuseram, de alguma forma, novas condutas relacionadas à gestão de resíduos (INSTITUTO ETHOS, 2012): Lei nº 9.974/00, a qual dispõe sobre a pesquisa, experimentação, produção, embalagem e rotulagem, transporte, armazenamento, comercialização, propaganda comercial, utilização, importação, exportação, destino final dos resíduos e embalagens, registro, classificação, controle, inspeção e fiscalização de agrotóxicos, seus componentes e afins. Resolução CONAMA nº 313/2002, que dispõe sobre o Inventário Nacional de Resíduos Sólidos Industriais, conjunto de informações sobre geração, características, armazenamento, transporte, tratamento, reutilização, reciclagem, recuperação e disposição final dos resíduos sólidos gerados pelas indústrias do país. As atividades sujeitas a esse inventário estão listadas no Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) (INSTITUTO ETHOS, 2012). Por meio do Decreto n° 7404/10, foi criado o Comitê Orientador para Implantação dos Sistemas de Logística Reversa (Cori), órgão colegiado de caráter deliberativo e consultivo. O comitê é presidido pelo titular do Ministério do Meio Ambiente. Entre as competências do Cori estão a aprovação dos estudos de viabilidade técnica e econômica de sistemas de logística reversa instituídos nos termos da PNRS, o estabelecimento da orientação estratégica para implementação de tais sistemas e a definição das diretrizes metodológicas para avaliação dos impactos sociais e econômicos. De acordo com a PNRS, todos os estados e municípios devem possuir planos de gestão, inclusive para ter acesso a recursos federais. Os seguintes estados já possuem legislação própria sobre gerenciamento de resíduos sólidos: São Paulo, Mato Grosso, Ceará, Minas Gerais, Espírito Santo, Pernambuco, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul (INSTITUTO ETHOS, 2012). 3 METODOLOGIA As abordagens de uma pesquisa caracterizam de que maneira será realizado um processo de investigação com respeito a um problema e, também, identificam os métodos e tipos de pesquisa mais adequados para a situação de interesse. Esta pesquisa, quanto à abordagem, possui característica qualitativa. Segundo Godoy (1995), os estudos denominados qualitativos tem como preocupação fundamental o estudo e análise do mundo empírico em seu ambiente natural. Isto mostra a importância de se estabelecer um contato direto entre pesquisador, ambiente e a situação a ser estudada, o que permite a observação direta de aspectos relevantes da situação. Ainda segundo Godoy (1995), uma pesquisa qualitativa se caracteriza por utilizar diferentes caminhos para a obtenção das informações. Para a elaboração deste trabalho foi utilizada a pesquisa bibliográfica e o estudo de caso, pois foram os caminhos considerados mais adequados. No estudo de caso se realiza a análise aprofundada e detalhada de um ou mais objetos (casos), fazendo uso de múltiplos instrumentos de coleta de dados e interação do pesquisador com o objeto de pesquisa, o que permite um conhecimento mais detalhado. É um método muito produtivo para sugerir hipóteses e questões para a pesquisa. Foram realizados estudos de caso na área de logística reversa nas três empresas escolhidas: Gerdau S.A., inpEV e Reciclanip destacando sua importância para estas organizações e sua relação com diversos outros setores. A pesquisa é de natureza descritiva e explicativa, pois procura descrever a realidade observada e estudada da forma como ela se apresenta buscando compreender o processo de logística reversa, para então chegar-se a alguma conclusão. Para se alcançar o objetivo do estudo, foram realizadas coletas de dados secundários cujas fontes foram os materiais disponibilizados pelas próprias empresas, como relatório anual, políticas e normas ambientais e dados divulgados nos sites das mesmas. 4 ESTUDOS DE CASO 4.1 Gerdau A Gerdau teve início em 1901 com uma pequena fábrica de pregos em Porto Alegre (RS). Atualmente, a empresa é líder no segmento de aços longos nas Américas e uma das principais fornecedoras de aços longos especiais do mundo. A empresa possui mais de 45 mil funcionários e operações industriais em 14 países – nas Américas, na Europa e na Ásia –, as quais somam uma capacidade instalada superior a 25 milhões de toneladas por ano. É considerada a maior recicladora da América Latina e, no mundo, transforma, anualmente, milhões de toneladas de sucata em aço, o que contribui para a preservação do meio ambiente e a diminuição da quantidade de material depositado em aterros e locais inadequados – fator muito importante na decisão pela realização do estudo de caso nesta empresa. A Gerdau atende os setores da construção civil, indústria, e agropecuário, com uma ampla linha de produtos comercializados para os cinco continentes. Além disso, é também considerada líder mundial no fornecimento de aços longos especiais para a indústria automotiva. A Gerdau atua no Brasil com 15 usinas produtoras de aço e laminados, 3 unidades de transformação, 39 centros de corte e dobra de aço, 5 centros de serviços de aços planos, 9 unidades de coleta e processamento de sucata e 4 áreas de extração de minério de ferro. Além disso, conta com 87 filiais de distribuição da Comercial Gerdau. No mundo a Gerdau possui 61 unidades produtoras de aço e laminados, 141 unidades de transformação, 4 unidades de minério de ferro, 48 unidades de insumos / matérias – primas (compreendendo unidades de coleta e processamento de sucata, unidades de produção de ferrogusa sólido e unidades de carvão mineral), 4 centrais geradoras de energia, 126 unidades comerciais, 3 terminais portuários privativos. 4.1.1 Gerdau e Logística Reversa Partindo da definição dada pela Política Nacional de Resíduos Sólidos de que a logística reversa é um instrumento de desenvolvimento econômico e social caracterizado por um conjunto de ações, procedimentos e meios destinados a viabilizar a coleta e a restituição dos resíduos sólidos ao setor empresarial, para reaproveitamento, em seu ciclo ou em outros ciclos produtivos, ou outra destinação final ambientalmente adequada, e tendo como foco de análise a prática de logística reversa e sua importância sustentável, identificou-se que a Gerdau realiza logística reversa. A empresa trata o processo como reciclagem de sucata, no entanto, cuida da coleta, transporte e processamento da mesma, por isso este processo pode ser entendido como logística reversa. A logística reversa realizada pela Gerdau pode ser classificada como logística reversa de pós-consumo, pois retorna ao ciclo produtivo bens de pós-consumo descartados pela sociedade em geral. É considerada também logística reversa de ciclo aberto, pois os bens de pós-consumo, ou a sucata, é reintegrada ao ciclo produtivo para a produção de produtos diferentes. As maiores vantagens da reciclagem são a minimização da utilização de fontes naturais, muitas vezes não-renováveis, e a minimização da quantidade de resíduos que necessita de tratamento final, como aterramento ou incineração. A reciclagem do aço, por exemplo, que é o caso da Gerdau, não acarreta nenhuma perda de suas propriedades físicas, podendo assim ser reciclado continuamente (MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA, 2009). Segundo o Ministério de Minas e Energia (2009), pode-se classificar as sucatas ferrosas em: Sucata Interna: gerada dentro da própria Usina Siderúrgica; Sucata Industrial: gerada em metalúrgicas, fundições e plantas industriais; Sucata de Obsolescência: captada pós-consumo, provém da coleta de quaisquer materiais metálicos colocados em desuso que estejam em condições de serem reciclados; Levando em conta a classificação acima, a maior parte da sucata reciclada pela Gerdau são materiais que deixam de ser úteis à sociedade como fogões, geladeiras e carros velhos, classificados como sucata de obsolescência, esses materiais são reaproveitados e transformados em novos produtos de aço. A empresa recicla também o aço resultante do processo produtivo das indústrias, como a automotiva, de embalagens e de eletrodomésticos, o que seria a sucata industrial. A empresa busca, ainda, alternativas para o aproveitamento de coprodutos gerados durante a produção do aço, classificada como sucata interna, o que é feito por meio de diversas iniciativas, como a identificação de oportunidades de reciclagem no próprio processo produtivo do aço, o desenvolvimento de estudos em parcerias com universidades, entidades de pesquisa e indústrias, além de melhorias internas no beneficiamento dos coprodutos para viabilizar a reciclagem. O principal mercado associado à reciclagem de aço é formado pelas aciarias, que derretem a sucata, transformando-a em produtos ou novas chapas de aço. O incremento da coleta seletiva desse material estimula o aumento da demanda de empregos e equipamentos de separação, como eletroímãs. Cada tonelada de aço reciclado representa uma economia de 1.140 quilos de minério de ferro, 154 quilos de carvão e 18 quilos de cal (MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE, 2009). De acordo com informações oficiais do site da empresa, em 2011, a Gerdau ampliou o nível de reaproveitamento de seus coprodutos e um dos destaques foi o início da reciclagem de 100% do pó coletado das aciarias elétricas de usinas localizadas em São Paulo e Rio de Janeiro. Durante o processo, todo o zinco contido no pó é reaproveitado e o restante é transformado em produtos para a construção civil. Em 2012, foram iniciados estudos de viabilidade para ampliar esse projeto para outras plantas industriais localizadas no Brasil. Usinas nos Estados Unidos, no Canadá e na Espanha também contam com iniciativas para o reaproveitamento do pó de aciaria. Ações como estas contribuem para a conservação dos recursos naturais. Na Figura 2 a seguir é possível ver o ciclo da sucata, desde a separação até a produção e consumo do aço. De acordo com a figura podemos descrever as etapas: 1 – Materiais obsoletos, como carros, fogões velhos, e o aço resultante do processo produtivo como a automotiva e de eletrodomésticos, são separados e tratados. 2 – Através de seus pontos de recebimento e de sua rede de transportes, a Gerdau coleta tanto o material obsoleto, quanto as sobras do processo produtivo nas indústrias. 3 – Toda a sucata que chega às unidades Gerdau é classificada, separada e processada. Após essa operação ela está pronta para ser transformada em aço novamente. 4 – Nas usinas, a sucata é fundida junto aos outros elementos e transformada em aço líquido. O aço líquido passa por diversas etapas do processo produtivo e dá origem aos mais variados produtos para atender à construção civil, à agropecuária e à indústria. 5 – Os novos produtos de aço são consumidos pela sociedade até tornarem-se obsoletos. Quando chegam ao fim de sua vida útil são reciclados outra vez dando início a um novo ciclo. O aço pode ser reciclado infinitas vezes sem nunca perder suas propriedades. Figura 2: Ciclo da sucata Fonte: Gerdau (http://www.gerdau.com/meio-ambiente-e-sociedade/reciclagem-a-sucata.aspx) A utilização da sucata ferrosa no processo produtivo contribui para a preservação do meio ambiente e para a diminuição da quantidade de material depositado em aterros e locais inadequados, além de reduzir o uso de energia necessária no processo de produção do aço e, consequentemente, as emissões de CO2. Além disso, a coleta e o processamento de sucata geram empregos ao longo de uma extensa cadeia de pequenos, médios e grandes empreendedores que se dedicam a essa atividade. A obtenção da sucata se dá de várias maneiras. A Gerdau possui parceria com empresas como a AkzoNobel Ltda. – Tintas Coral. A Coral por meio do seu programa de logística reversa, possui um ponto de coleta de latas de tintas e vernizes vazias localizado em um grande Home Center em São Paulo. A Gerdau fica responsável por fazer a coleta destas latas vazias. Esta parceria gera um benefício tanto para a Coral, que tem a certeza de que os resíduos que são de sua responsabilidade estão sendo reaproveitados da maneira correta, além de poder proporcionar um serviço de descarte de latas para os seus clientes, melhorando assim a imagem de comprometimento com o meio ambiente da empresa, quanto para a Gerdau, que reutiliza estas latas em seu processo de produção do aço1. A Gerdau também possui unidades próprias de coleta e processamento de sucata no Brasil e na América do Sul. Para ampliar o abastecimento dessa matéria prima e desenvolver micro e pequenos fornecedores, foram promovidos, em 2012, programas de capacitações técnicas e gerenciais para cerca de 90 empresas e cooperativas de sucata no Brasil, no Chile, na Colômbia, no Peru, no Uruguai e na Venezuela, que ampliaram suas vendas para a Gerdau em 125%. A Gerdau também desenvolve projetos em parceria com o setor público no Brasil, na Colômbia e no Peru para promover a destinação correta de automóveis, caminhões e ônibus fora de circulação, objetivando ampliar ainda mais a coleta de sucata nas regiões onde atua. Além de contribuir para o meio ambiente, essas iniciativas desempenham um importante papel socioeconômico, pois reduzem as despesas dos governos com o armazenamento e geram ainda receita pela venda de sucata além de criar novas oportunidades de trabalho no processamento dessa matéria-prima. Já foram recicladas 36 mil toneladas de sucata desde 2010, quando o projeto teve início. A empresa deixa claro em seu Relatório Anual de 2012, que reciclar não é apenas uma iniciativa de proteção ambiental, pois faz parte, também, da sua estratégia de negócios. Os benefícios econômicos que a logística reversa traz para a empresa, também são inúmeros. Pode-se considerar um benefício econômico, a utilização da sucata ferrosa no processo de produção do aço, por ser uma matéria-prima muito mais barata, o que diminui o custo de produção. O próprio fato da Gerdau utilizar esta sucata como matéria-prima realizando a logística reversa e retirando do meio ambiente milhões de toneladas de sucata todos os anos, é um enorme benefício econômico, visto que a imagem de uma empresa que se mostra comprometida com a preservação do meio ambiente e dos recursos naturais atrai muitos consumidores que também se preocupam com estas questões. Através da análise dos dados coletados, foi possível perceber que a Gerdau é uma empresa que se preocupa com a sustentabilidade dos seus negócios. A logística reversa está presente no ciclo produtivo e nos negócios da empresa e reflete a sua preocupação com o meio ambiente e com a comunidade em geral. 1 De fato, a escolha do tema teve como influência o programa de logística reversa da AkzoNobel – Tintas Coral, empresa onde trabalho. A empresa é certificada pela norma ISO 14.001, que compõe o Sistema de Gestão Ambiental (SGA). Por meio do SGA, o ciclo de produção do aço é monitorado desde a coleta da matéria-prima até a entrega do produto final e a destinação dos coprodutos. Socialmente falando, no ano de 2012 foram investidos R$ 52,7 milhões em mais de 900 projetos sociais, os quais foram desenvolvidos em 13 países onde a Gerdau atua. Essas iniciativas são direcionadas pelo Instituto Gerdau, responsável pelas políticas e diretrizes de responsabilidade social da empresa. Independentemente dos conflitos ambientais gerados pela empresa em outros ambitos e/ou atividades, o exemplo acima mostra que a escolha da empresa corresponde com as espectativas do objetivo do estudo, pois permite avaliar a importância da logística reversa em relação a vários aspectos. 4.2 inpEV O inpEV – Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias é uma entidade sem fins lucrativos que tem o objetivo de promover, em todo o Brasil, a correta destinação das embalagens vazias de defensivos agrícolas. A criação do inpEV é resultado de um longo processo de amadurecimento sobre a questão da responsabilidade socioambiental e a sustentabilidade da agricultura brasileira. Nos anos 1960, os defensivos agrícolas começaram a ser utilizados em larga escala no país, neste período, um conjunto de leis buscou regulamentar sua aplicação, sem, no entanto, dispor sobre a destinação das embalagens pós-consumo. Com a falta de legislação para a destinação destas embalagens, os agricultores enterravam, queimavam e até descartavam as mesmas nos rios ou na própria lavoura, colocando em risco o meio ambiente. Algumas pessoas, ainda, reutilizavam as embalagens para transportar água e alimentos colocando em risco até a própria saúde. Diante desta situação, em 6 junho de 2000 foi promulgada a Lei Federal 9.974/00 que alterou a Lei n° 7.802 de 1989, atribuindo aos usuários de defensivos agrícolas a responsabilidade de devolver as embalagens vazias aos comerciantes que, por sua vez, teriam de encaminhá-las aos fabricantes. Para tornar esse processo viável, foi criado o inpEV, fundado em 14 de dezembro de 2001. Desde que entrou em funcionamento em março de 2002, o inpEV atua na mobilização de todos os elos da cadeia agrícola e da sociedade brasileira em geral em torno da questão da sustentabilidade. 4.2.1 O Sistema Campo Limpo A logística reversa das embalagens vazias de defensivos agrícolas é realizada por um programa gerenciado pelo inpEV denominado Sistema Campo Limpo. O programa abrange todas as regiões do país e o que tem garantido o seu sucesso é ter como base o conceito de responsabilidade compartilhada entre agricultores, indústria, canais de distribuição e poder público, conforme as determinações legais. De acordo com informações do site oficial do inpEV, a importância do Sistema Campo Limpo se evidencia diante do desempenho da agricultura brasileira nas últimas décadas. Devido ao agronegócio ter apresentado crescimento acima da média quando comparado aos setores industriais e de serviços, o uso de insumos, como fertilizantes e defensivos agrícolas também apresentou um grande crescimento. Sem a gestão dos resíduos daí resultantes, o impacto ambiental certamente seria gravíssimo. Uma pesquisa realizada pela Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef) em 1999 indicava que 50% das embalagens vazias de defensivos agrícolas no Brasil naquela época eram doadas ou vendidas sem qualquer controle, 25% tinham como destino a queima a céu aberto, 10% eram armazenadas ao relento e 15% eram simplesmente abandonadas no campo (INPEV, 2012). A partir de 2002, porém, quando o Sistema Campo Limpo entrou em funcionamento, a maior parte dessas embalagens passou a ter destinação correta – uma soma que, desde então, já ultrapassou 200 mil toneladas. Atualmente, cerca de 94% das embalagens plásticas primárias (que entram em contato direto com o produto) e 80% do total de embalagens vazias de defensivos agrícolas que são comercializadas têm destino certo. Podem ser encaminhadas para reciclagem 95% das embalagens colocadas no mercado, desde que tenham sido corretamente lavadas no momento do uso do produto no campo. As embalagens não laváveis (cerca de 5% do total) e aquelas que não foram devidamente lavadas pelos agricultores são encaminhadas para incineradores credenciados (INPEV, 2012). Ainda segundo o inpEV (2012), esses índices transformaram o Brasil em líder e referência mundial no assunto. Em segundo lugar vem a França, com 77%, seguida pelo Canadá, com 73%. Os Estados Unidos vêm em 9° lugar, com 33%. De acordo com a lei 9.974/00 os usuários de agrotóxicos, seus componentes e afins, deverão efetuar a devolução das embalagens vazias dos produtos aos estabelecimentos comerciais em que foram adquiridos, devidamente lavadas e inutilizadas, no prazo de até um ano, contado da data da compra, ou prazo superior, se autorizado pelo órgão registrante, podendo a devolução ser intermediada por postos ou centros de recolhimento desde que autorizados pelo órgão competente. Já as empresas produtoras e comercializadoras de agrotóxicos, seus componentes e afins, são responsáveis pela destinação das embalagens vazias dos produtos por elas fabricadas e comercializadas, após a devolução pelos usuários, com vistas à sua reutilização, reciclagem ou inutilização, obedecidas as normas e instruções dos órgãos registrantes e sanitário-ambientais competentes (BRASIL, 2000). A destinação final adequada, que é de responsabilidade dos fabricantes, é exercida por meio do inpEV, através do programa Sistema Campo Limpo. Já o governo responde pela fiscalização, pelo licenciamento das unidades de recebimento e pelo suporte aos fabricantes na promoção de ações de educação ambiental e de orientação técnica necessárias ao bom funcionamento do sistema. A seguir, a tabela 1, evidencia as responsabilidades de cada setor. Tabela 1: Responsabilidades compartilhadas de acordo com a lei n° 9.974/00. Canais de distribuição/ Agricultor cooperativas Lavar as embalagens e inutilizar Indústria fabricante Indicar o local de devolução Retirar as embalagens na nota fiscal de venda, ao vazias devolvidas nas vender o produto unidades de recebimento Poder público Fiscalizar Destinar - Dar a correta Armazenar temporariamente na fazenda Receber - dispor e gerenciar destinação final às local de recebimento embalagens (reciclagem ou Licenciar incineração) Devolver no local indicado na nota fiscal Comprovar - Emitir comprovante de entrega para agricultores Orientar e conscientizar Educar agricultores Comprovar - Guardar o Orientar e conscientizar Orientar e conscientizar comprovante por um ano agricultores agricultores Participam do Sistema Campo Limpo, gerenciado pelo inpEV, mais de 90 empresas associadas, que respondem por 85% dos custos do sistema, sendo que cada uma destina recursos de forma proporcional ao volume de embalagens colocadas no mercado. A seguir, o gráfico da figura 3 mostra o volume de embalagens vazias de defensivos agrícolas destinadas desde 2002. Figura 3: Volume de embalagens vazias de defensivos agrícolas destinadas desde 2002. Fonte: inpEV (http://www.inpev.org.br/sistema-campo-limpo/estatisticas). Segundo o inpEV (2012), as embalagens de defensivos agrícolas são classificadas em dois grandes grupos: laváveis e não laváveis. As embalagens laváveis são rígidas (plásticas, metálicas ou de vidro) e servem para acondicionar formulações líquidas para serem diluídas em água. Entre as embalagens rígidas, as plásticas predominam. As metálicas, geralmente representadas pelos baldes de folha de aço, representam apenas 10% de todo o volume de embalagens de defensivos agrícolas no Brasil. As embalagens plásticas diferem quanto ao tipo de resina utilizado em sua produção, podendo ser: Pead Mono (Polietileno de Alta Densidade) – Resina que apresenta alta resistência a impactos e aos agentes químicos. É identificada pelas siglas Hdpe (high density polyethylene), PE (polietileno) ou Pead. Este tipo de embalagem leva o número 2 e é a segunda resina mais reciclada do mundo. O Coex, ou coextrusão, também é conhecido pela sigla EVPE. É identificado pelas siglas COEX, EVPE ou PAPE (poliamida polietileno) e seu número de identificação é o 7. O PP ou Polipropileno é identificado pela sigla PP e pelo número 5, ambos estampados no fundo das embalagens. As embalagens não laváveis são aquelas que não utilizam água como veículo de pulverização, além de todas as embalagens flexíveis e as embalagens secundárias. Estão nesse grupo sacos de plástico, de papel, metalizados, mistos ou feitos com outro material flexível; embalagens de produtos para tratamento de sementes; caixas de papelão, cartuchos de cartolina, fibrolatas e, ainda, embalagens termo moldáveis que acondicionam embalagens primárias e não entram em contato direto com as formulações de defensivos agrícolas. A lavagem reduz os resquícios do produto na embalagem, impedindo que esses resíduos sequem e, assim, contaminem a própria embalagem. Além disso, os procedimentos de lavagem, quando realizados durante a preparação da calda, garantem a utilização de todo o produto, evitando tanto o desperdício como a contaminação do meio ambiente. Por meio do inpEV, o sistema mantém uma rede composta por 414 unidades de recebimento de embalagens vazias (302 postos e 112 centrais), em 25 estados brasileiros e no Distrito Federal, gerenciadas por cerca de 260 associações de revendedores, sendo que algumas delas são cogerenciadas pelo inpEV. As unidades de recebimento devem ser ambientalmente licenciadas para o recebimento das embalagens e são classificadas como postos ou centrais conforme o porte e o tipo de serviço efetuado. De acordo com a Resolução CONAMA n° 334/2003, que dispõe sobre os procedimentos de licenciamento ambiental de estabelecimentos destinados ao recebimento de embalagens vazias de agrotóxicos, os postos de recebimento são unidades que se destinam ao recebimento, controle e armazenamento temporário das embalagens vazias de agrotóxicos e afins, até que as mesmas sejam transferidas à central, ou diretamente à destinação final ambientalmente correta e devem ter, no mínimo, 80 m2 de área construída (MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE, 2003). Já as centrais, de acordo com a mesma resolução, são unidades que se destinam ao recebimento, controle, redução de volume, acondicionamento e armazenamento temporário de embalagens vazias de agrotóxicos e afins, que atenda aos usuários, estabelecimentos comerciais e postos, até a retirada das embalagens para a destinação final, ambientalmente adequada e devem ter, no mínimo, 160 m2 de área construída (MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE, 2003). O inpEV mantém parcerias com nove empresas recicladoras, estrategicamente localizadas em cinco estados: Mato Grosso, Minas Gerais Paraná, Rio de Janeiro e São Paulo. Essas empresas recebem e reciclam as embalagens vazias conforme todos os padrões preestabelecidos de segurança, qualidade e rastreabilidade, cumprindo as normas dos órgãos ambientais e as exigências legais. A partir da reciclagem das embalagens vazias de defensivos agrícolas, essas empresas produzem 17 diferentes artefatos, em especial os de uso industrial, todos orientados e aprovados pelo inpEV. São eles: barrica de papelão, tubo para esgoto, cruzeta de poste de transmissão de energia, embalagem para óleo lubrificante, caixa de bateria automotiva, conduíte corrugado, barrica plástica para incineração, duto corrugado, tampas para embalagens de defensivos agrícolas e a própria embalagem para defensivos agrícolas, entre outros. Já a incineração das embalagens não recicláveis é realizada por cinco empresas, três localizadas no estado de São Paulo, uma no Rio de Janeiro e uma na Bahia. O inpEV adota o conceito de aproveitamento do frete de retorno para o transporte das embalagens vazias até seu destino. Ou seja, o mesmo caminhão que leva os defensivos agrícolas para os distribuidores e cooperativas aproveita a viagem de volta para transportar as embalagens vazias (a granel ou compactadas) armazenadas nas unidades de recebimento. O conceito foi aplicado em mais de 98% das cargas de centrais para o destino final (INPEV, 2012). 4.2.2 Logística Reversa de Ciclo Fechado Desde sua criação, o inpEV busca a autossuficiência econômica do Sistema Campo Limpo, uma vez que o programa não visa lucro, sendo integralmente financiado por agricultores, distribuidores, cooperativas e indústria fabricante, cada grupo com sua parcela de responsabilidade. A partir de 2008, visando alcançar a autossuficiência econômica, o Sistema Campo Limpo passou a contar com uma empresa recicladora própria, a Campo Limpo Reciclagem e Transformação do Plástico S.A., instalada no Distrito Industrial do Piracangaguá, em Taubaté (SP). Com 30 fabricantes de defensivos agrícolas entre seus acionistas, atualmente, a Campo Limpo fecha o ciclo de gestão das embalagens de defensivos agrícolas pós-consumo. Com certificação ISO 9001 para a reciclagem e a transformação de plásticos em resinas pós-consumo, além do projeto, do desenvolvimento e da fabricação de novas embalagens, a empresa cria novas soluções industriais, propiciando a geração de emprego e renda (INPEV, 2012). A Ecoplástica Triex® 20 L é a primeira embalagem desenvolvida a partir da reciclagem de embalagens de defensivos agrícolas pós-consumo. Esta embalagem é produzida com resina reciclada e cada grupo de cem embalagens Ecoplástica Triex® 20 L, segundo estudo de ecoeficiência realizado pela Fundação Espaço Eco (FEE), contribui para a redução do equivalente a 360 quilos de emissão de gases de efeito estufa (GEE) na atmosfera. A título de comparação: duas árvores deixam de ser cortadas. A Ecoplástica Triex é destinada para o envase de defensivos agrícolas, óleo lubrificante, fertilizante foliar, além de outros produtos químicos (INPEV, 2012). O inpEV realiza, a cada dois anos, um estudo de socioecoeficiência, com base em metodologia desenvolvida pela Fundação Espaço Eco. O quinto estudo, que consolidou os resultados ambientais do Sistema Campo Limpo entre os anos de 2002 e 2012, apresentou uma análise de ciclo de vida completo, considerando desde a fabricação das embalagens dos defensivos agrícolas, seus usos, a devolução pós-consumo nas unidades de recebimento, o transporte delas até a destinação final e o último destino propriamente dito (reciclagem ou incineração). Este estudo mostrou, que no período de 2002 a 2012, graças às operações de logística reversa, o Sistema Campo Limpo evitou a emissão de 343 mil toneladas de CO2e (gás carbônico equivalente) (INPEV, 2012). A figura 4 a seguir mostra todo o ciclo fechado da logística reversa de embalagens vazias realizado pelo inpEV através do programa Sistema Campo Limpo. Figura 4: Ciclo de gestão das embalagens vazias. Fonte: Campo Limpo (http://www.campolimpoplasticos.com.br/Sustentabilidade/ciclo_de_gestao_das_embalagens_vazias.aspx) 4.3 Reciclanip A Reciclanip é uma entidade sem fins lucrativos criada em 2007 pelos fabricantes de pneus novos Bridgestone, Goodyear, Michelin e Pireli para coletar e destinar pneus inservíveis no Brasil. Ela originou-se a partir do Programa Nacional de Coleta e Destinação de Pneus Inservíveis implantado em 1999 pela Anip – Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos. Ao longo dos anos, o Programa foi ampliando sua atuação em todas as regiões do País, o que levou os fabricantes a criarem uma entidade voltada exclusivamente para a coleta e destinação de pneus no Brasil. Assim surgiu a Reciclanip. Desde 1999, quando começou a coleta dos pneus inservíveis pelos fabricantes, mais de 1,3 milhão de toneladas de pneus inservíveis, o equivalente a 270 milhões de pneus de passeio, foram coletados e destinados adequadamente (RECICLANIP, 2013). Segundo informações do site oficial da entidade, a Reciclanip é considerada uma das maiores iniciativas da indústria brasileira na área de responsabilidade pós-consumo. O trabalho de coleta e destinação de pneus inservíveis realizado pela entidade é comparável aos maiores programas de reciclagem desenvolvidos no país, em especial, o de latas de alumínio e o de embalagens de defensivos agrícolas, mostrado anteriormente. 4.3.1 Reciclanip e Logística Reversa A Resolução CONAMA n° 416/2009 que dispõem sobre a prevenção à degradação ambiental causada por pneus inservíveis e duas destinação ambiental adequada, estabelece que as empresas fabricantes e as importadoras de pneus são obrigadas a coletar e dar a destinação final adequada aos pneus inservíveis existentes no território nacional. A resolução estabelece, também, que os fabricantes e os importadores de pneus novos, de forma compartilhada ou isoladamente, deverão implementar pontos de coleta de pneus usados, podendo envolver os pontos de comercialização de pneus, os municípios, borracheiros e outros (MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE, 2009). De acordo com Lagarinhos e Tenório (apud Bartholomeu et al, 2010), quando os consumidores deixam os pneus nos distribuidores e revendedores após a troca, ou nos pontos de coleta após o término da vida útil, é realizada uma triagem na qual os pneus são classificados como servíveis ou inservíveis. É neste momento que inicia-se a logística reversa de um pneu inservível, que, devido ao estado da carcaça e da banda de rodagem, não pode mais ser reformado, sendo então encaminhado para o processo de pré tratamento: a separação da borracha, a separação do aço e das fibras têxteis. Os pneus considerados servíveis podem ser vendidos no comércio de pneus usados, como pneus meia-vida, ou podem ser reformados, através dos processos de recapagem, recauchutagem ou remoldagem. Assim, Quando um pneu chega ao fim de sua vida útil, deve ser encaminhado para uma revenda de pneus, uma borracharia ou diretamente para um ponto de coleta de pneus. Os Pontos de Coleta de Pneus da Reciclanip são mantidos em terrenos geralmente cedidos e administrados pelas prefeituras. Tais locais passam a recolher e armazenar o material vindo de diversos locais como borracharias, postos de revenda de pneus, serviços de limpeza pública (limpeza da cidade e agentes de controle da dengue) e, também, dos próprios cidadãos usuários. Os acordos com as Prefeituras Municipais têm permitido a ampliação do número de Pontos de Coleta de Pneus em todo País. Até meados de 2012, a Reciclanip contava com 743 pontos de coleta. O Convênio de Cooperação Mútua para abertura de um Ponto de Coleta de pneus é formalizado diretamente com o poder público. A Prefeitura indica um local coberto para onde são levados os pneus. É importante que a área seja coberta e protegida a fim de se evitar o acúmulo de água ou mesmo a entrada de pessoas não autorizadas (RECICLANIP, 2013). A Reciclanip, por meio da parceria de convênio, é responsável por toda gestão da logística de retirada dos pneus inservíveis dos pontos de coleta e pela destinação ambientalmente correta deste material em empresas destinadoras licenciadas pelos órgãos ambientais competentes e homologados pelo IBAMA – Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis. A Reciclanip transporta os pneus a partir dos pontos de coleta até as empresas de trituração, quando necessário, de onde os pneus serão encaminhados para a destinação final. Após a retirada do aço que também é reaproveitado pelas indústrias siderúrgicas, os pneus seguem na esteira para trituração ou picotagem. Triturados ou picotados, os pneus são reaproveitados em diversas atividades. 4.3.2 Destinação final de pneus. Atualmente, uma série de tecnologias vem sendo desenvolvidas ou já estão sendo utilizadas para fins de reutilização, reciclagem e valorização energética de pneus. De acordo com o Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial – INMETRO, o pneu pode ser reformado de três formas: a recauchutagem, a recapagem e a remoldagem. A recauchutagem é o processo no qual é substituída somente a borracha desgastada da banda de rodagem e dos ombros; na recapagem é substituída somente a borracha desgastada da banda de rodagem em contato com o solo, processo que se aplica exclusivamente aos pneus de transporte de carga, e por fim a remoldagem no qual é substituída toda a banda de rodagem, os ombros e os flancos, sendo a parte externa do pneu totalmente revestida com uma nova camada de borracha. Uma das utilidades da reciclagem do pneu é para a construção civil. As carcaças podem ser utilizadas de varias maneiras criativas na engenharia civil, tais como: barreira em acostamento de estradas; elementos de construção em parques e playgrounds; quebra-mar e, obstáculos para trânsito. Outra alternativa para a reciclagem é a trituração dos pneus para a obtenção da borracha regenerada. O processo de regeneração da borracha, mediante a adição de óleos aromáticos e produtos químicos desvulcanizantes, resulta em uma pasta que é utilizada pelas empresas que produzem tapetes de automóveis, mantas para quadras esportivas, pisos industriais, solados de sapatos e borrachas de vedação, entre outros (CEMPRE apud LEAL, 2010). A indústria de pneumáticos também tem incentivado e aprovado os estudos para utilização dos pneus inservíveis como componentes para a fabricação de manta asfáltica e asfalto borracha. Segundo o CEMPRE (apud Leal, 2010), o pó gerado na reforma de pneus e os restos de pneus moídos podem ser aplicados na composição de asfalto de maior elasticidade e durabilidade, além de atuarem como elemento aerador de solos compactados, pilhas de composto orgânico e outros artefatos de borracha. Devido ao elevado poder calorífico dos pneus inservíveis, a Reciclanip (2013) destaca como uma das formas mais comuns de reaproveitamento o seu uso como combustível alternativo para a indústria de cimento, que atualmente representa mais de 85% da destinação final dos pneus recolhidos pela empresa. Segundo Souza (apud Leal 2010), o co-processamento de pneus em indústrias de cimento é favorecido: à alta temperatura do processo, ao elevado tempo de residência (que evita a liberação de emissões), ao alto efeito de absorção da matéria-prima no pré-aquecimento e à incorporação das cinzas geradas ao clínquer. Os fornos clínquer das fábricas de cimento são ótimos destinos finais para os pneus inservíveis, desde que esses fornos estejam equipados com filtros que reduzam a emissão de poluentes na atmosfera. Além dos casos citados acima, existem muitas outras formas de se aproveitar os pneus inservíveis, neste caso foram citadas apenas as mais importantes. A figura 5 a seguir mostra o ciclo de vida do pneu. Figura 5: Ciclo de vida do pneu Fonte: Reciclanip (2013) 5 RESULTADOS E DISCUSSÃO Ao se fazer uma análise das empresas escolhidas para realização do estudo de caso quanto ao tipo de ciclo de logística reversa pode-se perceber que a empresa Gerdau S.A. realiza logística reversa de ciclo aberto, pois reintegra a sucata, proveniente de diferentes fontes, na cadeia produtiva como matéria-prima para a produção dos mais variados produtos para atender à construção civil, à agropecuária e à indústria. Já o inpEV pratica a logística reversa tanto de ciclo aberto como de ciclo fechado, pois as embalagens vazias de defensivos agrícolas podem ser vendidas para empresas recicladoras que irão produzir diversos produtos a partir da reciclagem destas embalagens, caracterizando o ciclo aberto. Ou ainda, estas embalagens vazias podem ser transformadas em novas embalagens de defensivos agrícolas pela empresa criada pelo próprio inpEV, visando alcançar a autossuficiência do Sistema Campo Limpo fechando, assim, o ciclo de gestão das embalagens. A Reciclanip também realiza logística reversa de ciclo aberto já que os pneus inservíveis que são recolhidos darão origem a diversos outros produtos ou, ainda, servirão como combustível alternativo em alguns setores industriais. Esta análise leva à percepção do quanto a logística reversa é importante tanto para os setores que realizam esta prática quanto para setores que podem utilizar estes resíduos descartados como matéria-prima para a fabricação de seus produtos. Neste sentido, é importante destacar que a logística reversa ainda é muito pouco praticada no Brasil. É possível perceber que os setores que mais se preocupam em realizá-la são aqueles obrigados por lei a darem destinação final ambientalmente adequada aos seus produtos, como é o caso das embalagens de defensivos agrícolas e dos pneus. Já a Gerdau, viu na realização da logística reversa, uma grande oportunidade de negócio tendo em vista que grande parte de sua matéria-prima é a sucata. Pode-se dizer, então, que a logística reversa é impulsionada, em grande parte, por uma força externa que pode ser uma lei, que obriga a empresa a realizar esta prática, ou um incentivo financeiro. O incentivo financeiro vem da possibilidade da inserção desses resíduos pelas empresas em seus próprios processos produtivos. Dessa forma a logística reversa é aplicada em prol da empresa, reaproveitando materiais e, consequentemente, amortizando seus custos e reduzindo a necessidade de extração desses materiais da natureza. O inpEV, encontrou na legislação uma forma de realizar um bom negócio. A entidade não só realiza a destinação final correta das embalagens de defensivos agrícolas como abriu uma empresa recicladora própria. No caso da Reciclanip, a legislação foi o principal incentivo para a criação desta instituição pelos fabricantes de pneus novos. Porém, os acordos com as prefeituras municipais, que disponibilizam os locais para a instalação dos pontos de coleta, tem ajudado bastante no desenvolvimento e crescimento do programa. Outro incentivo para a logística reversa seria motivar o consumidor a devolver os produtos aos centros de recebimento dos materiais, mesma motivação necessária para que o cidadão separe em casa o lixo seco (todos os materiais recicláveis, como PETs, papéis e papelão, metal, vidro e plásticos diversos) do orgânico, nos municípios onde há projeto de coleta seletiva. O consumidor tem que estar motivado a devolver o produto, neste sentido, a implantação da logística reversa tem que vir acompanhada de uma grande campanha de educação e conscientização ambiental que deve ser de responsabilidade do poder público. Daí surge o conceito de responsabilidade compartilhada, apresentado anteriormente. O que faz, também, com que muitas empresas realizem a logística reversa é a busca por encantar o cliente. Levando em conta que nos dias de hoje muitos consumidores se preocupam com a destinação final dos produtos que adquirem, muitas empresas começam a usar a logística reversa como estratégia para obter vantagens competitivas. Muitas vezes, esta estratégia acaba funcionando, pois cada dia mais as pessoas tem se preocupado em separar e destinar de maneira correta os seus resíduos, portanto, na hora de adquirir produtos, certamente estas pessoas vão dar preferência às empresas que também demonstram esta preocupação. 5.1 O papel das cooperativas e dos catadores no processo de logística reversa Outra questão que deve ser levantada é a importância das cooperativas e dos catadores no processo de logística reversa. Os catadores de material reciclado representam um papel significativo nos países em desenvolvimento. Dentre os benefícios que resultam da coleta de material reciclável, além da geração de renda para os trabalhadores envolvidos, pode-se citar a contribuição à saúde pública e ao sistema de saneamento, o fornecimento de material reciclável de baixo custo à indústria, a redução dos gastos municipais e a contribuição à sustentabilidade, tanto pela diminuição de matéria-prima primária utilizada, que conserva recursos e energia, como pela diminuição da necessidade de terrenos a serem utilizados como lixões e aterros sanitários (WIEGO apud PINTO, 2010). O Decreto n° 7.404/2010, que criou o Comitê Orientador para Implantação dos Sistemas de Logística Reversa (Cori), órgão colegiado de caráter deliberativo e consultivo, exige que os acordos setoriais devam prever a possibilidade de contratação de entidades, cooperativas ou outras formas de associação de catadores de materiais recicláveis ou reutilizáveis, para execução das ações propostas em um sistema de logística reversa a ser implantado (BRASIL, 2010). Este decreto fortalece este tipo de organização e coloca os catadores, que só agora estão recebendo o conhecimento merecido, a frente do processo. Um problema bastante enfrentado pelos catadores de materiais recicláveis é a exploração sofrida por intermediários ou atravessadores. O catador autônomo tem uma relação de dependência com os sucateiros, para quem se veem obrigados a vender sua mercadoria, pois não são capazes de atender a demanda de uma economia de escala, já que o preço da mercadoria está relacionado com seu volume. Devido à estrutura do mercado, os intermediários apropriam-se da maior parte dos recursos econômicos decorrentes da reciclagem, enquanto os catadores recebem rendimentos que usualmente são inferiores ao salário mínimo nacional, e essa condição permite que a exploração se perpetue (CARMO et al, apud PINTO, 2010). Segundo Medina (apud Pinto, 2010) a própria indústria estimula a ação dos intermediários, de forma a garantir a disponibilidade de quantidade e qualidade do material para reciclagem. Uma das maneiras de evitar a exploração dos catadores pelos intermediários é a organização desses profissionais em cooperativas que melhoram não só a renda, como também as condições de trabalho. Porém, as cooperativas também sofrem dificuldades, uma vez que os catadores tem baixa escolaridade, histórico de exclusão social e dificuldades em estabelecer vínculos e compromissos com a cooperativa. Neste sentido, o poder público deveria ter um papel mais proativo na profissionalização destes catadores, para que assim possam, além de deixarem de ser socialmente excluídos, estabelecerem vínculos e oferecerem melhores serviços às cooperativas. Tendo em vista o que foi discutido, o estudo de caso permitiu identificar que a Gerdau apóia a criação e o fortalecimento de cooperativas de catadores de resíduos recicláveis nas regiões onde possui unidades industriais. Para a empresa, esta forma de organização tem forte impacto social na comunidade na medida em que promove a geração de empregos e a inclusão social. Além disso, tem também impacto ambiental, pois incentiva a atividade de reciclagem. Este projeto teve início em 2006 e é desenvolvido em parceria com o Compromisso Empresarial para a Reciclagem (CEMPRE), organismo responsável pela capacitação em temas como cooperativismo, separação de materiais, comunicação com a comunidade e políticas públicas. Os colaboradores da Gerdau participam como voluntários ministrando palestras sobre segurança, metodologia de gestão, meio ambiente e desenvolvimento comunitário. 5.2 Logística reversa e suas vantagens A importância da reutilização dos produtos está ligada a crescente discussão da preservação do meio ambiente, tendo em vista que, produtos industriais contêm grandes quantidades de composições química, outros levam muitos anos para se decompor, causando degradação ambiental, e que, consequentemente acaba afetando a saúde da população. A logística reversa tornou-se uma ferramenta que reduz impactos ambientais, pois, produtos que antes eram despejados na natureza, por não apresentar mais utilidade, hoje são revitalizados pela própria empresa que o produziu, ou por outras empresas que irão produzir novos produtos a partir deste. Com estas atitudes, as empresas recapturam ativos financeiros e econômicos, além de minimizar os impactos ambientais gerados pelo descarte inadequado de resíduos na natureza. O reaproveitamento de materiais e a economia com embalagens retornáveis tem trazido ganhos que estimulam cada vez mais novas iniciativas e esforços em desenvolvimento e melhoria nos processos reversos. Os consumidores também estão preocupados com a questão ambiental, e essa sensibilidade ecológica faz com que procurem por empresas que realizam a logística reversa, como dito anteriormente. Esta imagem de boa reputação deixa a marca muito mais confiável, ganhando espaço no mercado e conquistando seu público alvo. A questão econômica é vista mais fortemente na lucratividade e rentabilidade, pois a redução de custo inicialmente é muito baixa. A logística reversa precisa de investimentos e seu retorno geralmente é de médio a longo prazo, dependendo do seguimento, mas o custo é rapidamente revertido em benefícios, como por exemplo, o aumento de sua carteira de clientes, aumento nas vendas, entre outros. A empresa que se preocupa com os recursos naturais certamente preservará tal recurso, e através de avançadas tecnologias e inovações inteligentes terá outras opções como outros tipos de matéria prima e outras fontes de produção. Os benefícios são muitos, tanto para quem realiza a logística reversa, como para diversos outros setores que participam indiretamente do processo, como já foi discutido anteriormente. Muitas organizações já a praticam, mas muitas não dão a devida atenção ao processo, sem foco, sem controle nos custos, não conseguem absorver as vantagens que ela tem a oferecer. 6 CONCLUSÃO Este trabalho permitiu mostrar que as empresas possuem diversidade de estrutura e de importância das atividades de logística reversa. Cada empresa estudada possui um incentivo diferente para realizar a logística reversa e obtém vantagens diferentes deste processo. A Gerdau SA reintegra a sucata, proveniente de diferentes fontes, na sua cadeia produtiva como matériaprima para a produção dos mais variados produtos, o inPEV, encontrou na legislação uma forma de realizar um bom negócio, não só realizando a destinação final correta das embalagens de defensivos agrícolas como criando uma empresa recicladora própria e a Reciclanip teve a legislação como o principal incentivo para a criação desta instituição pelos fabricantes de pneus novos. Foi possível entender, também, que a legislação tem um papel muito importante na implantação da logística reversa no Brasil. Apesar de ser uma força externa que obriga as instituições a realizar esta prática, ela acaba trazendo benefícios para todos os setores: empresas, cooperativas, catadores e população. E ainda, permite que as empresas descubram excelentes vantagens na realização deste processo, como foi o caso do inpEV que viu na obrigação uma oportunidade de criar um novo negócio para transformar o resíduo em matéria-prima para fabricação de novas embalagens de defensivos agrícolas. Ainda serão necessários esforços, por parte de todos, para a consolidação de uma logística reversa eficiente em todo o país, minimizando distâncias a serem percorridas e, consequentemente, aumentando a eficiência dos processos existentes. Por outro lado, apesar destes desafios, inerentes a qualquer processo em construção, é imprescindível destacar as soluções encontrada pelas empresas estudadas para os resíduos que são de sua responsabilidade. A logística reversa é atual e viável e acredita-se que não faltarão estímulos para sua adesão. Não podemos esquecer que a maior vantagem é do planeta, onde todos são beneficiados. 7 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BARBIERI, J.C.; CAJAZEIRA, J.E.R; BRANCHINI, O. Cadeia de suprimento e avaliação do ciclo de vida do produto: revisão teórica e exemplo de aplicação. Revista O Papel. São Paulo. v.70, n. 09.p. 52-72, set-2009. Disponível em < http://www.revistaopapel.org.br/noticiaanexos/1311883092_de7b3647b9dfc4ef6d0a128a5cb3ec6b_1778858231.pdf> Acesso em 05 dez. 2012. BALLOU, R.H., Gerenciamento da cadeia de suprimentos / Logística empresarial. 5. ed. Porto Alegre: Bookman, 2004. 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