FUNDAÇÃO GETÚLIO VARGAS ESCOLA DE ECONOMIA DE SÃO PAULO JOSÉ SILVÉRIO DA CUNHA GARCIA JUNIOR A MUDANÇA NA POUPANÇA ERA NECESSÁRIA? Evidências a partir de Modelagem Econométrica SÃO PAULO 2013 1 JOSÉ SILVÉRIO DA CUNHA GARCIA JUNIOR A MUDANÇA NA POUPANÇA ERA NECESSÁRIA? Evidências a partir de Modelagem Econométrica Dissertação apresentada à Escola de Economia da Fundação Getúlio Vargas, como requisito para obtenção do título de Mestre em Economia Campo de conhecimento: Econometria/Macroeconomia Orientador: Prof. Dr. Emerson Fernandes Marçal 2 Garcia Jr., José Silvério da Cunha . A MUDANÇA NA POUPANÇA ERA NECESSÁRIA? – Evidências a partir de Modelagem Econométrica / José Silvério da Cunha Garcia Junior. - 2013. 55 f. Orientador: Emerson Fernandes Marçal. Dissertação (MPFE) - Escola de Economia de São Paulo. 1. Cadernetas de poupança. 2. Poupança e investimento - Brasil. 3. Fundos mútuos de renda fixa. 4. Taxas de juros - Brasil. I. Marçal, Emerson Fernandes. II. Dissertação (MPFE) - Escola de Economia de São Paulo. III. Título. CDU 336.722.8(81) 3 JOSÉ SILVÉRIO DA CUNHA GARCIA JUNIOR A MUDANÇA NA POUPANÇA ERA NECESSÁRIA? Evidências a partir de Modelagem Econométrica Dissertação apresentada à Escola de Economia da Fundação Getúlio Vargas, como requisito para obtenção do título de Mestre em Economia Campo de conhecimento: Econometria/Macroeconomia Data de Aprovação: ____/____/_______ Banca Examinadora: Prof. Dr. Emérson F. Marçal (Orientador) FGV-EESP Prof. Dr. Rogério Mori FGV-EESP Profa. Dra. Marislei Nishijima USP 4 RESUMO Esse trabalho tem o objetivo de estudar o comportamento dos saldos de cadernetas de poupança e fundos de renda fixa no Brasil em função de variações da taxa básica de juros da economia, analisando o impacto de uma queda acentuada na taxa de juros. Avaliamos o potencial de migração de recursos de fundos de renda fixa nesse cenário, que justificou a alteração nas regras de remuneração da caderneta de poupança no Brasil. A modelagem utilizada indicou que esse potencial de migração efetivamente existia. Palavras-chave: caderneta de poupança, fundos de renda fixa, econometria 5 ABSTRACT This work intends to study the behavior of savings accounts and fixed mutual funds balances as a function of the basic interest rate in Brazil, analyzing the impact of a sharp decline on those rates. We evaluate the possible migration of capital from fixed income mutual funds to application on savings accounts that has been used as the rational for the change made by the Brazilian government on the laws that regulate the gains from application on savings accounts. The econometric models used indicated that there was actually a possibility for such migration of capital. Keywords: savings accounts, fixed income, econometrics 6 AGRADECIMENTOS Gostaria de registrar meus agradecimentos a meu orientador, Prof. Dr. Emérson Fernandes Marçal, por todo seu apoio, paciência e disponibilidade em ajudar-me durante o desenvolvimento do trabalho. Também agradeço ao Banco Central do Brasil pelo incentivo oferecido para que eu cursasse esse mestrado, demonstrando a importância dada por essa instituição à formação de seus servidores. A todos os colegas do curso que acompanharam esse processo pela amizade e parceria que sempre demonstraram. E finalmente a meus pais, que desde cedo sempre mostraram a importância da educação, a meus irmãos pelo apoio e incentivo e a minha esposa, Luciana, pelo suporte e compreensão oferecidos. 7 SUMÁRIO 1. Introdução ................................................................................................................................... 9 2. Estrutura de remuneração da caderneta de poupança versus outras aplicações de renda fixa .. 12 3. Revisão da Literatura ................................................................................................................ 19 4. Variáveis e dados estudados ...................................................................................................... 24 5. Metodologia .............................................................................................................................. 32 6. Resultados ................................................................................................................................. 33 7. Conclusão .................................................................................................................................. 44 8. Bibliografia ............................................................................................................................... 47 9. Apêndices .................................................................................................................................. 49 8 1. Introdução Ao longo dos anos de 2011 e 2012 o Brasil tem atravessado um período de queda da taxa de juros básica da economia (SELIC). Esse processo gerou discussões dentro do governo sobre a fórmula de remuneração da caderneta de poupança, uma das aplicações financeiras mais tradicionais no Brasil, que pela regra anterior a 4.5.2012 remunerava seus aplicadores com um rendimento equivalente à Taxa Referencial (TR) do mês acrescida de 0,5% de juros. O argumento que embasava a mudança dessa regra era que a remuneração da caderneta de poupança criava um piso para a taxa de juros básica da economia, constituindo-se, portanto em um obstáculo à redução dessa taxa pelo Banco Central. Temia-se que uma queda das taxas de juros, que tornasse a caderneta de poupança mais atrativa aos investidores que os fundos de renda fixa, criaria dificuldades ao governo para administração da dívida pública, pois uma redução das aplicações nesse fundos seria refletida em menor demanda por títulos públicos, considerando a concentração de investimentos por parte desses fundos nesses títulos do governo. Como consequência desse processo de discussões, o governo federal editou em 3.5.2012 a Medida Provisória 567, que alterou as regras de remuneração da caderneta de poupança, estabelecendo que depósitos efetuados a partir dessa data fossem sujeitos a uma nova regra de remuneração, variando em função do patamar da taxa SELIC. Caso a SELIC seja superior a 8,5%, vale a regra antiga, se for inferior, aplica-se correção pela TR acrescida de 70% da taxa SELIC. A motivação dessa alteração em uma regra centenária1 aparentemente tem uma justificativa óbvia e clara, a existência de uma aplicação com rendimento superior à taxa básica da economia provocaria distorções no mercado financeiro. Um investidor racional, que desejasse um investimento de baixo risco, migraria suas aplicações dos tradicionais fundos de renda fixa para a caderneta de poupança, caso essa oferecesse uma remuneração superior. Entretanto, em sistemas que envolvem a interação simultânea de múltiplas variáveis, como a economia de um país, decisões de alocação de recursos podem ser influenciadas por múltiplos fatores que eventualmente não são considerados em uma análise inicial. Preferências distintas por risco, motivações diferentes para investimento, 1 Desde sua criação, pelo Decreto 2723 de 1861, a poupança era remunerada por uma regra de juro anual fixo, na época da criação, 6% ao ano. 9 fatores exógenos que impactem a renda dos investidores, entre outras motivações, podem eventualmente gerar resultados agregados que não sejam totalmente aderentes à expectativa original. Sob essa perspectiva, a alteração na remuneração da caderneta de poupança pode ser analisada de forma mais abrangente, com uma visão de sua participação na estrutura da economia como mais um canal de aplicação de recursos excedentes das famílias, junto a outras opções como fundos mútuos, mercado de capitais, fundos de previdência e mercado imobiliário. Uma questão que cabe ser brevemente analisada é como as regras brasileiras para aplicações em cadernetas de poupança comparam-se as vigentes em outros países. Elas são similares ou possuem alguma peculiaridade que só exista em nossa economia? Para avaliar brevemente essa questão, pesquisamos quais são as principais regras que governam as aplicações em contas de poupança nos Estados Unidos (maior PIB, economia mais desenvolvida), Reino Unido, França (representantes de duas filosofias distintas na Europa, o Reino Unido de orientação mais liberal e a França tipicamente mais intervencionista) e o Chile (economia mais estável da América Latina), a tabela seguinte mostra um resumo das principais características encontradas em cada país. Tabela 1 – Regras de contas de poupança em alguns países PAÍS REGRAS DE APLICAÇÃO DOS REGRAS DE GARANTIA DAS MOVIMENTAÇÃO RECURSOS RENDIMENTO Estados Permitidas 6 retiradas ou Definidas pela instituição, Variáveis e determinados pelo Até Unidos transferências normalmente crédito pessoal mercado, garantidos pelo FDIC2 depósitos são ilimitados e hipotecas pouco superiores aos de títulos Reino Normalmente Crédito Unido restrições mensais, tipicamente APLICAÇÕES um US$ 100.00 públicos do tesouro americano sem imobiliário via "building societies", crédito Variáveis, tipicamente um pouco superiores à taxa Libor Garantia sem limite do Tesouro Britânico ao setor público via National somente para aplicações Savings no National Savings and and Investments Bank, alguns tipos de ações e Investment Bank seguros de vida 2 FDIC é a Federal Deposits Insurance Corporation, agência independente criada pelo Congresso dos EUA para garantir depósitos em instituições financeiras utilizando recursos recolhidos no próprio sistema, similar ao FGC brasileiro. 10 França Existem tipos, Direcionada para projetos de Variável, distintas interesse do governo, por periodicamente ao longo do estabelecidas pelo governo: exemplo no caso do LDD, ano em função da inflação, - Livret A: 800 euros a para de exceto Livret Jeune, definida cada período de 7 dias; - desenvolvimento sustentável, pelos bancos, a taxa é fixada Livret no caos do Livret A para pelo governo. Taxas atuais : - programas Livret A: 1,75%; - Livret Bleu: com diversos regras Bleu: restrições; sem Livret Devéloppement de Durable: projetos sociais de habitação 1,75%; Livret sem restrições; - Livret Devéloppement d’Epargne Populaire: sem 1,75%; retrições; - Livret Jeune: Populaire: sem restrições Chile alterada Garantido pelo governo de Durable: - Livret 2,25%; d’Epargne - Livret composta por Jeune: 3,25% Limitado a quatro saques Em por ano, não perdendo restritos a crédito imobiliário correção da inflação mais taxa para direito no de investimentos de pessoas a correção da inflação e juros, ou seis geral caso livres, da sendo modalidade "ahorro para la vivienda" saques por ano, mantendo Variável, juros rendimentos cada 12 meses de marcado, capitalizados a Garantia do governo 90% dos físicas, limitado a 120 UF por ano nesse caso somente juros e (aproximadamente 2,7 perdendo a correção da milhões inflação. Bancos podem chilenos no fim de 2012) de pesos oferecer juros maiores com maiores restrições de saques. Fonte: elaboração do autor utilizando documentação disponibilizada nos sites dos órgãos reguladores do mercado financeiro em cada país É possível perceber que em relação aos países pesquisados, as regras da caderneta de poupança brasileira encontram algumas semelhanças, como a destinação obrigatória que deve ser dada aos recursos (parcela significativa deve ser aplicada obrigatoriamente em habitação e crédito rural no Brasil), também observada no Reino Unido e na França, e a existência de garantia aos depositantes, que de formas distintas existe em todos os países. Em relação às regras de remuneração, em todos os casos estudados, as taxas são variáveis, diferenciando-se da antiga regra brasileira, que tinha parcela da taxa variável e parcela da taxa fixa. A alteração da regra, que, como veremos mais adiante transforma a parcela fixa em variável, sob certas condições, indica, portanto uma convergência do Brasil para as regras dos países que compõem a amostra selecionada. Também podemos destacar que a maioria esmagadora dos casos analisados, com exceção do Reino Unido, impõe algum tipo de restrição mais forte a movimentações indiscriminadas nas contas de poupança, o que praticamente não ocorre no Brasil. 11 O objetivo desse estudo é aprofundar a análise dessa mudança de regras, indo além da comparação com outros países, criando uma modelagem econométrica do comportamento dos saldos da caderneta de poupança em função de outras variáveis da economia, tais como a taxa SELIC e os saldos de fundos mútuos de aplicação em renda fixa. Com esse modelo tentaremos identificar o comportamento dinâmico dessas variáveis, buscando apontar uma evidência empírica que suporte a expectativa que uma queda da taxa básica de juros provoca uma migração acentuada de recursos das aplicações mais tradicionais de renda fixa para a caderneta de poupança. Nosso trabalho está estruturado em cinco partes distintas, começando por uma análise detalhada da estrutura de remuneração antiga da caderneta de poupança, comparando-a com a remuneração e tributação dos fundos de renda fixa, para entender a expectativa de migração de recursos com eventual queda da taxa de juros. Em seguida fazemos uma revisão de literatura existente sobre as motivações dos poupadores, a hipótese de mercados eficientes e as metodologias econométricas utilizadas em nosso trabalho, bem como alguns trabalhos empíricos que utilizaram técnicas similares. Em seguida, partimos para apresentação dos dados utilizados, fornecendo uma análise descritiva dos mesmos, explicamos a abordagem de análise utilizada e finalmente apresentamos os resultados obtidos e as conclusões a que chegamos. 2. Estrutura de remuneração da caderneta de poupança versus outras aplicações de renda fixa A regra de remuneração que era válida para as cadernetas de poupança até 4.5.20123 estabelecia que os depósitos de caderneta de poupança seriam remunerados por dois componentes: - a chamada remuneração básica, calculada pela acumulação da taxa referencial diária ao longo do período compreendido do dia do último crédito de rendimento, inclusive, e o dia de crédito do rendimento, exclusive; - a remuneração adicional por juros, estabelecida então em 0,5% ao mês. A alteração que foi efetuada pela Medida Provisória no 5674 foi no componente de remuneração adicional, que passou a contar com duas possibilidades, a mesma 3 0 Determinada pela Lei n 8.177 de 10 de março de 1991 12 remuneração de 0,5% ao mês para momentos em que a meta da taxa SELIC seja inferior a 8,5% ao ano, ou uma remuneração equivalente a 70% da meta da taxa SELIC ao ano, mensalizada, para momentos em que essa meta seja inferior a 8,5% ao ano. Permaneceu, portanto, a remuneração pela taxa referencial (TR), sendo alterada a remuneração adicional por juros, que agora admite duas possibilidades. Essa mesma Lei estabelece que o cálculo da TR é responsabilidade do Banco Central do Brasil, devendo considerar a remuneração média mensal, líquida de impostos, dos depósitos a prazo fixo captados pelas instituições financeiras ou dos títulos públicos. Essa metodologia de cálculo5 estabelece que o Banco Central apurará inicialmente a Taxa Básica Financeira (TBF), calculada como a média ponderada das taxas médias mensais de certificados e recibos de depósito bancário (CDB/RDB), com prazo de 30 a 35 dias corridos, emitidos pelas 30 maiores instituições financeiras do país. A partir da TBF, calcula-se então a Taxa Referencial (TR) que é obtida a partir da TBF utilizando-se a seguinte fórmula: = Á0,100 1 + /100/ − 1 (1) Todos os valores devem ser expressos em % e o fator R, chamado de redutor, é calculado para todos os dias, inclusive aqueles não úteis, pela expressão: = + . (2) Onde: a = 1,005 e b = valor determinado pela tabela 2: Tabela 2 – Relação entre TBF anual e parâmetro b do redutor da TR TBF (% a.a) Maior do que 16 Menor ou igual a 16 e maior que 15 Menor ou igual a 15 e maior que 14 Menor ou igual a 14 e maior que 13 Menor ou igual a 13 e maior ou igual a 11 Parâmetro b 0,48 0,44 0,40 0,36 0,32 Fonte: Resolução no 3.354 do Conselho Monetário Nacional de 31.3.2006 4 5 o Posteriormente convertida na Lei n 12.703 o Definida em sua versão mais recente pela Resolução n 3.354 de 31 de março de 2006 13 A mesma Resolução estabelece que para valores da TBF inferiores a 11% o Banco Central fica autorizado a determinar o valor do parâmetro b. Com relação aos aspectos tributários, a caderneta de poupança desfruta de isenção de imposto de renda sobre seus ganhos, diferentemente das demais aplicações em renda fixa, que atualmente tem seus rendimentos tributados por alíquotas aplicadas como mostrado na tabela 3 a seguir: Tabela 3 – Alíquotas de imposto de renda para aplicações de renda fixa Prazo da aplicação Até 6 meses Superior a 6 meses e inferior ou igual a 12 meses Superior a 12 meses e inferior ou igual a 24 meses Superior a 24 meses Alíquota 22,5% 20% 17,5% 15% Fonte: Lei no 11.033 de 21.12.2004, art. 10; Instrução Normativa RFB no 1.022 de 5.4.2012, art. 37 Conhecendo a estrutura de remuneração da poupança e seus aspectos tributários, podemos calcular qual seria o valor da taxa SELIC a partir da qual aplicações em poupança poderiam ter maior rentabilidade final para o aplicador do que uma aplicação típica em fundos de renda fixa, tanto pela regra antiga como pela regra atual. Essa análise é baseada em metodologia proposta em artigo publicado pela Associação Nacional de Bancos de Investimento em 2004 (ANBID,2004), entidade que foi sucedida pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (ANBIMA), com adequações e adaptações de premissas e metodologia efetuadas pelo autor do presente trabalho em função da situação atual do mercado. Adotaremos algumas premissas para efetuar essa análise: • TBF equivalente a 96,23% da SELIC (média calculada utilizando amostra da TBF e SELIC de agosto de 1995 a setembro de 2012, tabela no apêndice A); • Rentabilidade média de fundos de renda fixa equivalente a 101,1% da SELIC (média de 12 meses, agosto/2001 a agosto/2012, fonte: ANBIMA, tabela no apêndice B), antes do imposto de renda; • Simulações com as quatro possibilidades de alíquota de imposto de renda sobre o rendimento dos fundos de renda fixa; 14 • Fator b valendo 0,23 para o taxa SELIC inferior a 11%, em coerência com o comportamento adotado mais recentemente pelo Banco Central para definição desse parâmetro, pois na mais recente trajetória de queda da SELIC, após a ultrapassagem do patamar de 11%, o parâmetro tem sido definido em 0,23 de forma predominante, conforme mostrado em tabela no apêndice C. Elaboramos quatro tabelas que consideram intervalos da taxa SELIC variando de 14% a 4% em intervalos de 0,5%, calculando para cada um desses pontos o rendimento da caderneta de poupança pela regra antiga, pela regra atual e o rendimento médio dos fundos de renda fixa, de acordo com as premissas detalhadas anteriormente. Apresentamos a seguir os resultados dessas simulações: Tabela 4 – Comparação entre poupança e renda fixa, IR = 22,5% SELIC (%a.a.) 14 13,5 13 12,5 12 11,5 11 10,5 10 9,5 9 8,5 8 7,5 7 6,5 6 5,5 5 4,5 4 TBF (% a.a.) 13,47 12,99 12,51 12,03 11,55 11,07 10,59 10,10 9,62 9,14 8,66 8,18 7,70 7,22 6,74 6,25 5,77 5,29 4,81 4,33 3,85 B R 0,36 0,36 0,32 0,32 0,32 0,32 0,32 0,23 0,23 0,23 0,23 0,23 0,23 0,23 0,23 0,23 0,23 0,23 0,23 0,23 0,23 1,0088 1,0087 1,0082 1,0080 1,0079 1,0078 1,0077 1,0069 1,0068 1,0067 1,0066 1,0065 1,0064 1,0063 1,0063 1,0062 1,0061 1,0060 1,0059 1,0058 1,0057 TR (% a.m.) 0,18 0,15 0,17 0,15 0,12 0,10 0,07 0,11 0,09 0,06 0,03 0,01 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 REND POUPANÇA– regra antiga (% a.m.) 0,68 0,65 0,67 0,65 0,62 0,60 0,57 0,61 0,59 0,56 0,53 0,51 0,50 0,50 0,50 0,50 0,50 0,50 0,50 0,50 0,50 REND POUPANÇA– regra nova (% a.m.) 0,68 0,65 0,67 0,65 0,62 0,60 0,57 0,61 0,59 0,56 0,53 0,51 0,45 0,42 0,40 0,37 0,34 0,31 0,29 0,26 0,23 REND RENDA FIXA (% a.m.) 0,86 0,83 0,80 0,77 0,74 0,71 0,68 0,66 0,63 0,60 0,57 0,53 0,50 0,47 0,44 0,41 0,38 0,35 0,32 0,29 0,26 Fonte: dados do Banco Central e cálculos elaborados pelo autor 15 Tabela 5 – Comparação entre poupança e renda fixa, IR = 20% SELIC (%a.a.) 14 13,5 13 12,5 12 11,5 11 10,5 10 9,5 9 8,5 8 7,5 7 6,5 6 5,5 5 4,5 4 TBF (% a.a.) 13,47 12,99 12,51 12,03 11,55 11,07 10,59 10,10 9,62 9,14 8,66 8,18 7,70 7,22 6,74 6,25 5,77 5,29 4,81 4,33 3,85 B R 0,36 0,36 0,32 0,32 0,32 0,32 0,32 0,23 0,23 0,23 0,23 0,23 0,23 0,23 0,23 0,23 0,23 0,23 0,23 0,23 0,23 1,0088 1,0087 1,0082 1,0080 1,0079 1,0078 1,0077 1,0069 1,0068 1,0067 1,0066 1,0065 1,0064 1,0063 1,0063 1,0062 1,0061 1,0060 1,0059 1,0058 1,0057 TR (% a.m.) 0,18 0,15 0,17 0,15 0,12 0,10 0,07 0,11 0,09 0,06 0,03 0,01 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 REND POUPANÇA– regra antiga (% a.m.) 0,68 0,65 0,67 0,65 0,62 0,60 0,57 0,61 0,59 0,56 0,53 0,51 0,50 0,50 0,50 0,50 0,50 0,50 0,50 0,50 0,50 REND POUPANÇA– regra nova (% a.m.) 0,68 0,65 0,67 0,65 0,62 0,60 0,57 0,61 0,59 0,56 0,53 0,51 0,45 0,42 0,40 0,37 0,34 0,31 0,29 0,26 0,23 REND RENDA FIXA (% a.m.) 0,89 0,86 0,83 0,80 0,77 0,74 0,71 0,68 0,65 0,61 0,58 0,55 0,52 0,49 0,46 0,43 0,39 0,36 0,33 0,30 0,26 REND POUPANÇA– regra nova (% a.m.) 0,68 0,65 0,67 0,65 0,62 0,60 0,57 0,61 0,59 0,56 0,53 0,51 0,45 0,42 0,40 0,37 0,34 0,31 0,29 0,26 0,23 REND RENDA FIXA (% a.m.) 0,92 0,89 0,86 0,83 0,80 0,77 0,73 0,70 0,67 0,64 0,61 0,57 0,54 0,51 0,47 0,44 0,41 0,38 0,34 0,31 0,27 Fonte: dados do Banco Central e cálculos elaborados pelo autor Tabela 6 – Comparação entre poupança e renda fixa, IR = 17% SELIC (%a.a.) 14 13,5 13 12,5 12 11,5 11 10,5 10 9,5 9 8,5 8 7,5 7 6,5 6 5,5 5 4,5 4 TBF (% a.a.) 13,47 12,99 12,51 12,03 11,55 11,07 10,59 10,10 9,62 9,14 8,66 8,18 7,70 7,22 6,74 6,25 5,77 5,29 4,81 4,33 3,85 b R 0,36 0,36 0,32 0,32 0,32 0,32 0,32 0,23 0,23 0,23 0,23 0,23 0,23 0,23 0,23 0,23 0,23 0,23 0,23 0,23 0,23 1,0088 1,0087 1,0082 1,0080 1,0079 1,0078 1,0077 1,0069 1,0068 1,0067 1,0066 1,0065 1,0064 1,0063 1,0063 1,0062 1,0061 1,0060 1,0059 1,0058 1,0057 TR (% a.m.) 0,18 0,15 0,17 0,15 0,12 0,10 0,07 0,11 0,09 0,06 0,03 0,01 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 REND POUPANÇA– regra antiga (% a.m.) 0,68 0,65 0,67 0,65 0,62 0,60 0,57 0,61 0,59 0,56 0,53 0,51 0,50 0,50 0,50 0,50 0,50 0,50 0,50 0,50 0,50 Fonte: dados do Banco Central e cálculos elaborados pelo autor 16 Tabela 7 – Comparação entre poupança e renda fixa, IR = 15% SELIC (%a.a.) 14 13,5 13 12,5 12 11,5 11 10,5 10 9,5 9 8,5 8 7,5 7 6,5 6 5,5 5 4,5 4 TBF (% a.a.) 13,47 12,99 12,51 12,03 11,55 11,07 10,59 10,10 9,62 9,14 8,66 8,18 7,70 7,22 6,74 6,25 5,77 5,29 4,81 4,33 3,85 b R 0,36 0,36 0,32 0,32 0,32 0,32 0,32 0,23 0,23 0,23 0,23 0,23 0,23 0,23 0,23 0,23 0,23 0,23 0,23 0,23 0,23 1,0088 1,0087 1,0082 1,0080 1,0079 1,0078 1,0077 1,0069 1,0068 1,0067 1,0066 1,0065 1,0064 1,0063 1,0063 1,0062 1,0061 1,0060 1,0059 1,0058 1,0057 TR (% a.m.) 0,18 0,15 0,17 0,15 0,12 0,10 0,07 0,11 0,09 0,06 0,03 0,01 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 REND POUPANÇA– regra antiga (% a.m.) 0,68 0,65 0,67 0,65 0,62 0,60 0,57 0,61 0,59 0,56 0,53 0,51 0,50 0,50 0,50 0,50 0,50 0,50 0,50 0,50 0,50 REND POUPANÇA– regra nova (% a.m.) 0,68 0,65 0,67 0,65 0,62 0,60 0,57 0,61 0,59 0,56 0,53 0,51 0,45 0,42 0,40 0,37 0,34 0,31 0,29 0,26 0,23 REND RENDA FIXA (% a.m.) 0,94 0,91 0,88 0,85 0,82 0,78 0,75 0,72 0,69 0,65 0,62 0,59 0,55 0,52 0,49 0,45 0,42 0,38 0,35 0,32 0,28 Fonte: dados do Banco Central e cálculos elaborados pelo autor Analisando o resultado obtido com as simulações, percebe-se que existe um patamar da taxa de juros em que ocorre equilíbrio entre os rendimentos da poupança segundo a regra antiga e os rendimentos de fundos de renda fixa, que passa a não ser válido no caso da regra nova, como seria esperado, pois a remuneração adicional foi convertida do valor fixa de 0,5% a.m. para uma taxa variável, equivalente a 70% da SELIC, portanto a remuneração adicional, pela nova regra, será sempre inferior a remuneração média dos fundos de renda fixa, pois eles tipicamente aproximam-se dos rendimentos da SELIC e a alíquota máxima de imposto de renda é de 22,5%. Esse patamar de taxa de juros em que ocorre equilíbrio entre poupança e fundos de renda fixa varia em função do prazo de aplicação dos recursos, que é o parâmetro que define a alíquota de imposto de renda a ser aplicada sobre os rendimentos, conforme ilustrado no gráfico 1 a seguir. 17 .010 .009 .008 Rendimento poupança - regra antiga Rendimento poupança - regra atual Rendimento de fundos - IR 22,5% Rendimento de fundos - IR 15% Rendimento de fundos - IR 17% Rendimento de fundos - IR 20% .007 .006 .005 .004 .003 .002 .02 .04 .06 .08 .10 .12 .14 .16 Selic (a.a.) Gráfico 1 – Comparação entre rendimentos Fonte: elaboração do autor É possível calcular o patamar da taxa SELIC que leva ao equilíbrio entre os rendimentos dos dois tipos de aplicação igualando as expressões de cálculo do rendimento em função da taxa vigente, procedendo dessa maneira obtivemos os seguintes resultados: Tabela 8 – Taxa SELIC de equilíbrio entre poupança e fundos de renda fixa Alíquota de imposto Taxa SELIC de de renda (%) equilíbrio (% a.a.) 22,5 7,93 20,0 7,67 17,0 7,39 15,0 7,21 Fonte: elaboração do autor Portanto, pelas regras de remuneração anteriores da caderneta de poupança, taxas inferiores a 8% a.a. poderiam provocar uma migração de recursos de fundos de renda fixa para depósitos de poupança. Esse processo não ocorreria de maneira homogênea, pois existe uma grande variedade de fundos no mercado, com diferentes rendimentos, portanto, devemos encarar esse patamar de taxa como um valor médio, a partir do qual o processo se intensificaria, pois, para fundos que obtivessem rendimentos inferiores à média que 18 utilizamos em nossas premissas de cálculo, o início de um processo de migração ocorreria a partir de taxas mais altas. 3. Revisão da Literatura Em meados da década de 50, foram apresentadas duas teorias bem similares que buscam explicar a fundamentação microeconômica por trás das decisões de poupança dos indivíduos, utilizando uma perspectiva intertemporal. São as hipóteses do Ciclo de Vida (MODIGLIANI e BRUMBERG, 1954) e da Renda Permanente (FRIEDMAN, 1957). Ambas são similares, e, partindo de modelos simples, postulam que a poupança e o consumo dos indivíduos são definidos não somente por fatores atuantes no momento presente, mas também por eventos passados e expectativas dos indivíduos. No caso da hipótese do Ciclo de Vida, a justificativa para valores relativos renda destinados a consumo e poupança é a necessidade de suavização do consumo por parte das famílias, que reconhecem que sua renda variará ao longo do tempo em função de sua idade e experiência e produtividade, iniciando-se em valores mais baixos para os mais jovens, atingindo picos no ápice de sua capacidade produtiva e caindo novamente após a aposentadoria. Esse ciclo influencia as decisões de alocação de renda, pois indivíduos em diferentes fases da vida podem tomar decisões bem distintas sob a influência de fatores exógenos idênticos. A hipótese da Renda Permanente trabalha decompondo a renda de um indivíduo em dois elementos, a Renda Permanente e a Renda Transitória, de naturezas bem distintas, explicadas pelo próprio Friedman em seu texto original usando uma analogia com a Estatística, tratando-se a Renda Permanente como “... o valor esperado de uma distribuição de probabilidades...” e o componente transitório pode ser interpretado como um componente que reflete todos os ‘outros’ fatores ... tratados como ‘choques’ ou ‘ocorrências fortuitas’ ... “(FRIEDMAN, 1957, cap.2, p. 21-22, tradução nossa). Segundo Friedman, as decisões dos indivíduos seriam tomadas reconhecendo o caráter distinto da renda permanente e da transitória, gerando, portanto decisões diferentes para famílias com mesma renda absoluta, mas diferentes percentuais entre renda permanente e transitória. O grande mérito dessas duas visões, hoje largamente divulgadas no âmbito acadêmico, é a abordagem da tomada de decisão de poupança e investimento por uma perspectiva multifatorial, observando que os sistemas econômicos são em geral caracterizados por um alto grau de inter-relação e endogeneidade das variáveis neles envolvidas. 19 A modelagem desses tipos de sistemas não é trivial, pois envolve um grande número de variáveis relacionadas em diferentes instantes do tempo, requerendo um número de amostras considerável e também normalização das matrizes que o descrevem. As premissas adotadas para executar essa normalização podem ser objeto de controvérsia entre diferentes correntes de economistas, pois a adoção de critérios distintos influencia os resultados obtidos, a identificação correta desse tipo de sistema é um trabalho conjunto de Teoria Econômica e técnicas estatísticas. Historicamente, algumas abordagens a esse problema têm sido recomendadas por diferentes cientistas. Inspirados por Favero (FAVERO, 2001), apresentamos e revisamos a seguir algumas das principais correntes seguidas nesse tema. A estratégia de modelagem tradicional, majoritária até o início da década de setenta do século passado, era a chamada visão da chamada “Comissão Cowles”, um instituto de pesquisa econômica criado em 1932 por Alfred Cowles nos Estados Unidos. Seu objetivo principal é buscar ligar as teorias da Economia, Matemática e Estatística, criando modelos econométricos que permitam validar a Teoria Econômica, realizar previsões e orientar políticas. A abordagem da “Comissão Cowles” pode ser resumidamente descrita (FAIR, 1992) como a especificação de um modelo descrito pela equação : ! , "! , # = %! (3) onde: ! = vetor de variáveis endógenas de dimensão n; "! = vetor de variáveis predeterminadas, incluindo variáveis endógenas defasadas; # = vetor de coeficientes %! = termo de erro para equação i no período t; Para estimar esse modelo, escolhem-se as variáveis com base na Teoria Econômica e adota-se uma normalização da matriz representativa do sistema. Busca-se estimar o modelo estrutural mais completo, recorrendo-se a aproximações para algumas das equações a fim de obter a estimativa do modelo. A partir do início da década de setenta surgiram críticas a essa estratégia da “Comissão Cowles”, dentre a quais destacamos as principais. 20 Lucas (LUCAS, 1976) publicou artigo detalhando sua crítica a esse tipo de modelagem, atacando precisamente as estratégias adotadas para obter as aproximações das equações, que segundo ele é baseada em, por exemplo, premissas de exogeneidade de algumas variáveis, que seriam instrumentos escolhidos pelo formulador de políticas, o que, em sua visão, é uma formulação “ad-hoc” que não é fundamentada em princípios básicos de Teoria Econômica. Dessa maneira, segundo esse economista, as conclusões obtidas a partir dessa abordagem poderiam levar a conclusões equivocadas e uma modelagem desvinculada da realidade econômica. Essa crítica buscou aproximar o trabalho feito em Macroeconomia de fundamentos microeconômicos mais sólidos. Em linha de pensamento similar, Syms (SYMS, 1980) também fornece sua colaboração, formulando uma opção alternativa de modelagem, sem contar com as restrições da “Comissão Cowles”, definidas por esse autor como não críveis e descoladas dos fundamentos. Em seu artigo, Syms detalha suas objeções ao tipo de restrições usualmente adotadas, argumentando que restrições que podem ser consideradas razoáveis para solução de problemas de equilíbrio parcial podem causar distorções quando utilizadas em casos de equilíbrio geral, como é o caso dos problemas macroeconômicos. O autor justifica seu posicionamento argumentando que para sistemas mais simples, como por exemplo, a oferta e demanda de um produto agrícola, é fácil identificar restrições que identificam eficientemente o sistema, como o clima, que é uma variável que depende da natureza, ou preferências dos consumidores, que são independentes da produção agrícola, podendo ser consideradas exógenas sem grande questionamento. Entretanto, à medida que a dimensão dos sistemas aumenta, a efetiva exogeneidade das variáveis torna-se cada vez mais questionável, não existindo, na visão de Syms uma quantidade suficiente de variáveis que permita uma identificação segura em grandes modelos macroeconômicos. Essa abordagem preconizada em seu trabalho, o chamado VAR Estrutural (SVAR), trata todas as variáveis de forma simétrica, não tendo a ambição de identificar perfeitamente o sistema, mas sim obter alguns fatos estilizados úteis a partir do estudo do sistema, considerando a endogeneidade de todas as variáveis. O resultado de um trabalho seguindo essa corrente são evidências empíricas das respostas do sistema a mudanças nas 21 políticas, ao invés de previsões mais precisas de como o sistema reage a uma alteração da política considerando essa variação exógena. Outro caminho proposto para enfrentar as dificuldades no tipo de modelagem tradicionalmente adotado pela “Comissão Cowles” é a abordagem da London School of Economics (LSE), assim conhecido por ter sido propagado por alguns grandes pesquisadores vinculados à essa instituição. David Hendry (HENDRY, 1995), um dos expoentes dessa escola, sintetiza esse posicionamento em seu livro “Dynamic Econometrics”. Os pesquisadores partidários da visão da LSE entendem que as falhas na metodologia da “Comissão Cowles” podem ser corrigidas dando-se maior atenção a modelagem estatística aplicada a cada estrutura econômica estudada. Os partidários da LSE consideram que a Econometria é válida e aplicável ao estudo de sistemas macroeconômicos com diversas variáveis, divergindo da visão pessimista da crítica de Lucas e acreditando que é possível avançar além do tipo de modelagem proposta por Syms. O caminho para corrigir as falhas existentes na abordagem tradicional da “Comissão Cowles”, são na visão da LSE, um maior rigor e atenção aos fundamentos e técnicas estatísticas. Os partidários dessa abordagem consideram que é possível e válido modelar sistemas macroeconômicos, mas invertem a estratégia da “Comissão Cowles” de adotar inicialmente restrições ad-hoc com base em teorias prévias, buscando sim modelar o sistema e identificar a partir de técnicas estatísticas rigorosas quais são efetivamente as restrições que podem ser usadas para identificar corretamente o sistema, fazendo essa identificação com base em evidências estatísticas sólidas, evitando assim os problemas de má especificação e má identificação que veem na abordagem tradicional da “Comissão Cowles”. Testar, testar e testar sucessivamente até obter evidência estatística confiável é a metodologia adotada pelos partidários da visão da LSE. Reconhecendo o valor que todos esses posicionamentos trazem à evolução da Economia, o presente estudo irá pautar-se por um tratamento estatístico cuidadoso utilizando técnicas modernas, não perdendo de vista as limitações a que está sujeita a modelagem de sistemas envolvendo diversas variáveis. 22 Investigando a literatura empírica mais recente desenvolvida no Brasil com relação a esse tema, destacamos alguns trabalhos que oferecem resultados interessantes no estudo econométrico de variáveis macroeconômicas e financeiras. Nélson Sobrinho (SOUZA SOBRINHO, 2003) estuda a participação do canal de crédito na propagação dos efeitos da política monetária no Brasil, apresentando evidências para existência desse canal em nosso país através de testes econométricos. Emérson Marçal (MARÇAL, 2004) busca testar a hipótese de mercados eficientes, largamente utilizada na literatura de finanças, utilizando dados do Brasil e dos Estados Unidos. O trabalho concentra-se em dois pontos: o estudo estrutura a termo da taxa de juros, considerando uma premissa de expectativas racionais, prêmio de risco constante ao longo do tempo e postulado de eficiência, e a modelagem da volatilidade das séries de títulos soberanos da Argentina, Brasil, México e Rússia. O primeiro ponto foi atacado utilizando técnicas de cointegração, e o segundo ponto foi abordado modelos de volatilidade da família GARCH. No caso do primeiro tópico, o trabalho conclui que a evidência empírica aponta resultados diferentes para Brasil e Estados Unidos, no caso brasileiro os dados não são suficientes para aceitar a hipótese de expectativas e para o caso americano ocorre o oposto. Para o caso dos estudos de volatilidade, existe evidência de interdependência entre os ativos estudados bem como evidências de contágio em muitas das crises financeiras observadas anteriormente, principalmente nas crises brasileira, mexicana, asiática e russa de 1999. Também podemos destacar entre os trabalhos empíricos recentes abordando os depósitos em caderneta de poupança o artigo de Clodoaldo Annibal (ANNIBAl, 2011) publicado no Relatório de Economia Bancária e Crédito de 2011 do Banco Central do Brasil. O autor, utilizando modelos de regressão linear estimados com a técnica SUR (“seemingly unrelated regressions”) e através da análise de alguns fatos estilizados, encontra evidências que ocorre uma movimentação de recursos entre cadernetas de poupança e outras aplicações de renda fixa em função de variações no diferencial de rentabilidade entre essas aplicações e a poupança. 23 4. Variáveis e dados estudados Utilizamos em nosso trabalho séries históricas de saldos da caderneta de poupança, de estoque de quotas de fundos de investimento em renda fixa, da taxa SELIC e dos rendimentos médios das cadernetas de poupança. Selecionamos dados no intervalo de 1995 a 2012, embora estivessem disponíveis séries anteriores a esse período, pois julgamos que uma análise abrangendo a fase de inflação muito alta que o Brasil atravessou antes do Plano Real poderia capturar uma relação dinâmica muito distinta da observada nos dias de hoje. Apresentamos em maior detalhe a seguir as características principais e fontes dos dados utilizados no trabalho. Caderneta de Poupança Utilizamos dados de uma série histórica de saldos da caderneta de poupança disponibilizada pelo Banco Central do Brasil. Essa série tem periodicidade diária e soma os saldos de poupança do SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo) e da Poupança Rural. Essas duas modalidades diferem somente no direcionamento da aplicação dos seus recursos, enquanto as cadernetas de poupança integrantes do SBPE têm seus recursos canalizados para o financiamento imobiliário, a Poupança Rural, operada por bancos públicos federais, majoritariamente pelo Banco do Brasil, destina o grosso de seus recursos para operações de crédito rural. Como ambas são sujeitas a exatamente as mesmas regras de remuneração, elas são vistas pelos aplicadores como o mesmo tipo de investimento, portanto, para os fins de nosso estudo serão consideradas como um só tipo de aplicação, e usaremos a soma de seus saldos em nossa análise. Para evitar a influência em nossa análise de tendências que fossem alheias à dinâmica do processo que pretendemos estudar, os dados dessa série de saldos de caderneta de poupança foram deflacionados utilizando como índice o IPCA (Índice de Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), calculado pelo IBGE. Embora a série esteja disponível em periodicidade mensal, optamos por utilizar em nossa análise os dados de fim de trimestre, com o intuito buscar observar as relações dinâmicas de prazo mais longo, evitando assim a captura de flutuações momentâneas que pudessem interferir em nosso estudo. 24 Apresentamos no gráfico seguinte o comportamento dessa série no período do primeiro trimestre de 1995 ao segundo trimestre de 2012. R$ (milhões) 130000 Saldos Poupanca 120000 110000 100000 90000 80000 70000 60000 50000 1996 1998 2000 2002 2004 2006 2008 2010 2012 Gráfico 2 – Evolução dos saldos da poupança deflacionados Fonte: dados do Banco Central do Brasil e IBGE, gráfico de elaboração própria Percebe-se claramente no gráfico 2 uma tendência de crescimento dos saldos de poupança no longo prazo, embora interrompida por uma fase de estagnação entre 1998 e 2002, mas definitivamente assumida a partir de 2006. Quotas de Fundos de Renda Fixa A fonte desses dados é o Banco Central do Brasil, que disponibiliza para acesso público essa série histórica com periodicidade mensal, utilizando como fontes para levantamento dessas informações os balancetes analíticos das instituições financeiras do consolidado bancário (composto por bancos comerciais, múltiplos, de investimento, de desenvolvimento, caixas econômicas, financeiras, associações de poupança e empréstimo, sociedades de crédito imobiliário, companhias hipotecárias e fundos de investimento). 25 De maneira similar ao procedimento adotado para os saldos da caderneta de poupança, embora a série esteja disponível em periodicidade mensal, também optamos por utilizar em nossa análise os dados de fim de trimestre, com o intuito buscar observar as relações dinâmicas de prazo mais longo, evitando assim a captura de flutuações momentâneas que pudessem atrapalhar nossa análise. Por motivos análogos aos já apresentados anteriormente, os dados de fundos de renda fixa foram deflacionados utilizando-se o IPCA. Apresentamos a seguir gráfico mostrando a evolução desses saldos do primeiro trimestre de 1995 ao segundo trimestre de 2012. R$ (milhões) Quotas de fundos de renda fixa 400000 350000 300000 250000 200000 150000 100000 50000 1996 1998 2000 2002 2004 2006 2008 2010 2012 Gráfico 3 – Evolução dos saldos de fundos de renda fixa deflacionados Fonte: dados do Banco Central do Brasil e IBGE, gráfico de elaboração própria Percebe-se no gráfico uma tendência de crescimento desses saldos no longo prazo, de forma análoga a que foi observada anteriormente para os saldos da caderneta de poupança. 26 Taxa SELIC Os dados que usamos em nosso trabalho são relativos à Taxa SELIC over, equivalente à média ponderada por volume das transações diárias efetuadas com títulos públicos federais no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (SELIC), operado pelo Banco Central do Brasil. Essa taxa tem valor diferente da chamada SELIC meta, que é a taxa definida nas reuniões do Comitê de Política Monetária (COPOM), pois essa corresponde ao parâmetro perseguido pelo Banco Central em suas operações de mercado aberta, ao passo que a SELIC over é a taxa efetivamente observada como resultado dessas operações. Utilizamos os dados da taxa acumulada em cada trimestre, para manter coerência com a periodicidade adotada para as demais variáveis. Apresentamos no gráfico seguinte o comportamento dessa variável no período compreendido do primeiro trimestre de 1995 ao segundo trimestre de 2012. % a.t. Taxa SELIC 0.12 0.10 0.08 0.06 0.04 1996 1998 2000 2002 2004 2006 2008 2010 2012 Gráfico 4 – Evolução da taxa SELIC/over Fonte: dados do Banco Central do Brasil, gráfico de elaboração própria O gráfico mostra uma tendência de queda dessa taxa, acentuada notadamente a partir de 2005. 27 Rendimento Médio das Cadernetas de Poupança A informação sobre rendimento médio das cadernetas de poupança é proveniente de uma série histórica disponibilizada pelo Banco Central do Brasil em periodicidade mensal, devidamente ajustada pelo autor para intervalos trimestrais, para manter a coerência com os demais dados utilizados no estudo. Os dados de rendimento são referentes à média mensal dos rendimentos de aplicações em caderneta de poupança considerando os saldos em cada dia, pois pela própria forma de cálculo da remuneração da poupança, cadernetas com datas distintas de “aniversário” (forma convencionada no mercado para denominar a data da aplicação inicial, a partir do qual é calculada a TR a ser aplicada para cálculo) proporcionam rendimentos ligeiramente diferentes, em função basicamente da variação de dias úteis que pode haver em cada data específica de “aniversário”. A metodologia adotada de considerar os rendimentos médios do trimestre também auxilia a diluir essa pequena assimetria existente nos rendimentos. Apresentamos a seguir gráfico ilustrando a evolução dessa variável no período analisado. % a.t. 0.12 Rendimento da Poupança 0.11 0.10 0.09 0.08 0.07 0.06 0.05 0.04 0.03 0.02 1996 1998 2000 2002 2004 2006 2008 2010 2012 Gráfico 5 – Evolução do rendimento médio das cadernetas de poupança 28 Fonte: dados do Banco Central do Brasil, gráfico de elaboração própria Análise conjunta da evolução dos saldos de fundos de renda fixa e cadernetas de poupança Para comparar o comportamento conjunto dos saldos de fundos de renda fixa e cadernetas de poupança, traçamos um gráfico mostrando a evolução conjunta dessas variáveis. R$ (milhões) 130000 Saldos Poupanca Quotas de fundos de renda fixa 120000 110000 100000 90000 80000 70000 60000 50000 1996 1998 2000 2002 2004 2006 2008 2010 2012 Gráfico 6 – Evolução conjunta dos saldos de renda fixa e poupança Fonte: elaboração própria, dados de fundos escalonados pela média dos saldos de poupança Analisando o gráfico 6, percebe-se que ambas as séries possuem uma tendência de crescimento no longo prazo, mas as taxas de variação de ambas parecem ser bem distintas, pois em alguns momentos o intervalo entre elas é aumentado ou reduzido de maneira diferente. Observando-se, por exemplo, o período entre 2000 e 2001 percebe-se uma relativa estabilidade dos saldos de caderneta de poupança, enquanto as aplicações em fundos de renda fixa mostram um crescimento acentuado, já entre 2001 e 2003, as aplicações em renda fixa experimentam uma queda, ao passo que ocorre uma elevação discreta no saldo das cadernetas de poupança. Esse movimento é breve, pois, após esse período, e até 2007, ambas apresentam tendência de alta nos saldos, entretanto a taxa de 29 variação da renda fixa é superior à dos saldos da poupança, alargando sensivelmente o fosso entre essas aplicações. Em 2008 ocorre uma queda nos fundos de renda fixa, que não foi acompanhada pela caderneta de poupança, reduzindo-se um pouco a distância entre as aplicações, mas após esse breve período, após 2009, a tendência de alta nas aplicações em fundos de renda fixa retorna, alargando uma vez mais essa distância. Observando o gráfico 7 a seguir, em que mostramos a evolução da razão entre o logaritmo dos saldos de fundos de renda fixa e dos saldos de caderneta, podemos perceber uma tendência de crescimento do saldo de fundos de renda fixa em relação a caderneta de poupança ao longo da maior parte da amostra, com uma indicação de estabilização a partir de 2008, coincidentemente período a partir do qual a taxa SELIC apresentou na maior parte do tempo valores próximos ou abaixo da casa de 10%. RAZAO DOS SALDOS (Renda Fixa/Poupança) 1.16 1.12 1.08 1.04 1.00 0.96 0.92 0.88 1996 1998 2000 2002 2004 2006 2008 2010 Gráfico 7 – Evolução conjunta da razão dos saldos de renda fixa e poupança Fonte: elaboração própria De maneira geral, podemos observar que os saldos da poupança apresentam um comportamento mais estável, provavelmente em função do perfil de investidores que majoritariamente utilizam essa aplicação, que tendem a um comportamento mais conservador. Já os saldos dos fundos de renda fixa apresentam um comportamento mais volátil, reagindo rapidamente a alterações significativas no mercado, como, por exemplo, na queda de 2002, que podemos intuitivamente associar ao clima de incerteza que o 30 mercado financeiro atravessou com a troca do governo Fernando Henrique para Lula, e também em 2008, que pode ser associado com efeitos da crise do “subprime”. Análise descritiva dos dados Na tabela 9 apresentamos um quadro-resumo das principais características das amostras de dados com que trabalhamos. Destacamos que a distribuição desses dados não pode ser considerada aproximadamente normal, e apresenta uma elevada assimetria, como pode ser observado no gráfico 8. Tabela 9 – resumo de parâmetros dos dados VARIÁVEL OBSERVAÇÕES UNID MÉDIA MÁX MÍN DESVIOPADRÃO NORMALIDADE (P-VALUE) Saldo de Cadernetas de Poupança Saldo de Fundos de Renda Fixa Taxa SELIC Rendimento de Cadernetas de Poupança 69 R$ (milhões) 77.557 131.636 45.95 4 21.697 0.001916 69 R$ (milhões) 194.983 429.282 19.75 4 105.809 0.208954 69 69 % a.t. % a.t. 0.046 0.028 0.131 0.116 0.020 0.016 0.022 0.018 0.000000 0.000000 Fonte: elaboração própria Quotas de fundos de renda fixa Rendimento de poupança 12 28 10 24 20 Frequency Frequency 8 6 4 12 8 2 0 16 4 0 100,000 200,000 300,000 400,000 0 500,000 .01 SELIC 24 12 20 10 .04 .05 .06 .07 .08 .09 .10 .11 .12 16 Frequency Frequency .03 Saldos de caderneta de poupança 14 8 6 4 12 8 4 2 0 .02 1.00 1.02 1.04 1.06 1.08 1.10 1.12 1.14 0 40,000 60,000 80,000 100,000 120,000 Gráfico 8 – Histograma das variáveis estudadas Fonte: elaboração própria 31 5. Metodologia Utilizaremos em nossa análise modelos VAR (vetor autorregressivo), buscando capturar o relacionamento dinâmico entre as variáveis estudadas e reconhecendo a endogeneidade presente nesse processo, em que um parâmetro influencia e é influenciado pelo comportamento dos demais. Dessa forma, a modelagem VAR, conforme proposto originalmente por Syms (SYMS, 1980), trata todas as variáveis de forma simétrica, não considerando nenhuma delas como exógena. Modelos VAR podem ser descritos por uma equação do tipo: ! = & + ∑)* & !( + +! (4) Onde : ! = vetor nx1 composto de todas as variáveis do sistema no instante t; & = vetor nx1 de constantes (interceptos) do sistema de equações; & = matriz nxn de constantes associadas ao vetor das variáveis do sistema defasadas no instante i; !( = vetor nx1 de todas as variáveis do sistema defasadas no instante i; p = número de defasagens considerado no sistema; +! = vetor nx1 de erros. Em nosso caso, analisaremos o comportamento da diferença entre os saldos dos fundos de renda fixa e da caderneta de poupança e das outras variáveis estudadas, que comporão conjuntamente o vetor X e escolheremos os demais parâmetros, como a quantidade de defasagens, através de análise estatística dos modelos adotados. Seguiremos a abordagem consagrada de testar inicialmente a estacionariedade dos dados e analisar relações de cointegração, para, então, selecionar o melhor modelo e usá-lo para avaliar o comportamento do sistema. 32 6. Resultados Trabalhamos com o logaritmo natural das variáveis, analisando sua estacionariedade tanto em nível como em primeira diferença. Executamos testes de raiz unitária com esse objetivo, utilizando tanto o tradicional teste ADF como o KPSS (KWIATKOWSKI et al, 1992). Utilizamos dois tipos testes diferentes com o intuito de minimizar o problema de baixo poder enfrentado pelos testes de raízes unitárias, trabalhando com dois testes que consideram hipóteses nulas distintas em relação à estacionariedade, reduzimos o problema de baixo poder, caso fizéssemos uso de somente um tipo de teste. Para seleção do número de defasagens utilizada no teste ADF, adotamos o critério de informação de Schwarz, que é implementado de maneira automática no software Eviews. Apresentamos os resultados obtidos na tabela 10 a seguir. Tabela 10 – Testes de Raiz Unitária VARIÁVEL ADF (H0: presença de raiz unitária) 0,304484 -6,239657 *** KPSS (H0: estacionariedade) Saldo de Cadernetas de Poupança 0,836900 *** Saldo de Cadernetas de Poupança – primeira 0,201994 diferença Saldo de Fundos de Renda Fixa -1,860458 1,046041 *** Saldo de Fundos de Renda Fixa – primeira -3,320723 ** 0,421077 diferença Variação de saldos -4,609649 *** 0,372063 * Taxa SELIC -2,374806 0,981237 *** Taxa SELIC – primeira diferença -7,623087 *** 0,149067 Rendimento de Cadernetas de Poupança -2,027748 0,811883 *** Rendimento de Cadernetas de Poupança – -2,313906 0,304117 primeira diferença Obs.: Variação de saldos = Saldo de Fundos de Renda Fixa – Saldo de Cadernetas de Poupança (*) rejeição a 10% (**) rejeição a 5% (***) rejeição a 1% Fonte: elaboração própria Analisando os resultados apresentados na tabela 9, pode-se concluir que as variáveis estudadas não são estacionárias em nível, pois em todos os casos (saldos de cadernetas de poupança, saldos de fundos de renda fixa, taxa SELIC e rendimento de cadernetas de poupança) o teste ADF não rejeita a hipótese nula de existência de raiz unitária nem a 10% e o teste KPSS rejeita a 1% a hipótese nula de estacionariedade das séries. 33 Observando os resultados para a primeira diferença dessas mesmas séries, é possível constatar que nesse caso todas as séries podem ser consideradas estacionárias, já que o teste ADF rejeita a hipótese nula de existência de raiz unitária, no pior caso em 5%, e o teste KPSS não rejeita a hipótese nula de estacionariedade para nenhuma das séries em questão. No caso da nova variável criada a partir dos saldos de fundos de renda fixa e de cadernetas de poupança, “Variação de saldos”, que corresponde a diferença entre os saldos de fundos de renda fixa e de cadernetas de poupança, podemos considerá-la estacionária, pois o teste ADF rejeita fortemente a hipótese de raiz unitária e embora o teste KPSS indique rejeição da hipótese de estacionariedade, essa rejeição ocorre somente em um nível de 10%, em patamar muito próximo do limite para essa rejeição. Adicionalmente para esse caso, também executamos para essa variável o teste de Phillips-Perron, que teve como resultado um valor de -4,512209, correspondente a uma rejeição da hipótese nula de existência de raiz unitária no nível de 1%, corroborando nossa análise. Pode-se observar nos gráficos 9 a 13, que, de fato, todas essas séries apresentam uma evolução que indica seu comportamento estacionário. Primeira diferença dos saldos de fundos de renda fixa .4 .3 .2 .1 .0 -.1 -.2 1996 1998 2000 2002 2004 2006 2008 2010 Gráfico 9 – Primeira diferença do saldo (log) dos fundos de renda fixa Fonte: elaboração própria 34 Primeira diferença dos saldos de cadernetas de poupança .12 .08 .04 .00 -.04 -.08 1996 1998 2000 2002 2004 2006 2008 2010 Gráfico 10 – Primeira diferença dos saldos (log) de cadernetas de poupança Fonte: elaboração própria Primeira diferença dos rendimentos da poupança .04 .03 .02 .01 .00 -.01 -.02 -.03 -.04 1996 1998 2000 2002 2004 2006 2008 2010 Gráfico 11 – Primeira diferença dos rendimentos (log) da poupança Fonte: elaboração própria 35 Primeira diferença da taxa SELIC .5 .4 .3 .2 .1 .0 -.1 -.2 -.3 -.4 1996 1998 2000 2002 2004 2006 2008 2010 2008 2010 Gráfico 12 – Primeira diferença do logaritmo da taxa SELIC Fonte: elaboração própria Variação de Saldos .3 .2 .1 .0 -.1 -.2 -.3 1996 1998 2000 2002 2004 2006 Gráfico 13 – Variação de saldos Fonte: elaboração própria Inicialmente formulamos um modelo bem simples, relacionando apenas as séries variação dos saldos e variação da SELIC, para entender a relação dinâmica entre essas 36 duas variáveis. Executamos testes para seleção do número mais adequado de defasagens a ser utilizado no modelo, e selecionamos três defasagens, modelo que obteve os melhores resultados nos critérios dos testes, os valores detalhados desses testes de seleção de defasagem são mostrados no apêndice D. Verificando o comportamento dos resíduos do modelo estimado, observamos que não há autocorrelação serial estatisticamente relevante para a grande maioria das defasagens, como é possível verificar na tabela apresentada no apêndice E. Os principais parâmetros obtidos para o modelo são apresentados no apêndice F. Simulamos a resposta ao impulso em uma variação da taxa SELIC nesse modelo VAR usando a decomposição de Choleski, metodologia que assume que choques sobre a primeira variável do modelo afetam simultaneamente as demais, mas o inverso não é verdadeiro, ocorrendo o mesmo para uma segunda variável na segunda equação do sistema, e assim sucessivamente. Em nosso caso, essa decomposição parece adequada em função de um atraso que é esperado na resposta dos investimentos a variações da taxa de juros, pois os aplicadores usualmente aguardam a data de aniversário da poupança ou o cumprimento de um prazo de mínimo de aplicação no caso da renda fixa, em virtude da legislação tributária. Obtivemos os resultados mostrados nos gráficos 14 e 15 a seguir. 37 Resposta da Variação dos Saldos Impulso na variação da taxa SELIC .04 .03 .02 .01 .00 -.01 -.02 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Gráfico 14 – Resposta ao impulso de variação na SELIC, respostas não acumuladas Fonte: elaboração própria Resposta acumulada da Variação dos Saldos Impulso na variação da taxa SELIC .10 .08 .06 .04 .02 .00 -.02 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Gráfico 15 – Resposta ao impulso de variação na SELIC, respostas acumuladas Fonte: elaboração própria Nota-se que a variação dos saldos responde positivamente a variação de um impulso positivo na taxa SELIC, atingindo um pico no terceiro período e estabilizando-se após aproximadamente sete períodos. Comportamento similar é percebido na resposta 38 acumulada, o impulso na taxa SELIC gera um incremento positivo na variação dos saldos que é estabilizado em torno de aproximadamente 3%. O impulso utilizado foi de um desvio-padrão dos resíduos, que no caso de nosso modelo corresponde a aproximadamente 0,12. Esse comportamento é coerente com o que esperamos encontrar, pois uma variação positiva nos saldos corresponde a um aumento do “gap” entre os saldos de fundos de renda fixa e de caderneta de poupança, portanto uma elevação da taxa SELIC (variação positiva) gera um fluxo de recursos para renda fixa. O tempo de estabilização relativamente longo também é coerente com certa rigidez que é característica das aplicações em renda fixa no Brasil, devido à tabela regressiva de alíquota de imposto de renda aplicada (mostrada na tabela 2 dessa dissertação). Embora a respostas ao impulso atinja em seu pico somente o valor de 2% e esteja dentro da margem estatística de dois desvios-padrão, a conclusão mais interessante é que a resposta dinâmica do sistema tem a tendência esperada. Em seguida, estimamos um modelo VAR um pouco mais complexo, envolvendo adicionalmente a variação dos rendimentos da poupança, para observar a resposta dinâmica desse sistema mais completo. Executamos também testes para seleção do número mais adequado de defasagens a ser utilizado no modelo, e selecionamos quatro defasagens, pois essa quantidade obteve os melhores resultados nos critérios dos testes, os valores detalhados desses testes de seleção de defasagem são mostrados no apêndice G. Verificando o comportamento dos resíduos do modelo estimado, observamos que não há autocorrelação serial estatisticamente relevante para a grande maioria das defasagens, como é possível verificar na tabela apresentada no apêndice H. Os principais parâmetros obtidos para o modelo são apresentados no apêndice I. Simulamos a resposta ao impulso em uma variação da taxa SELIC e dos rendimentos da poupança nesse modelo VAR usando a decomposição de Choleski, e obtivemos os resultados mostrados nos gráficos 16 e 17 a seguir. 39 Resposta de VARIAÇÃO DOS SALDOS a VARIAÇÃO DA SELIC .05 .04 .03 .02 .01 .00 -.01 -.02 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Resposta de VARIAÇÃO DOS SALDOS a VARIAÇÃO DOS RENDIMENTOS DA POUPANÇA .05 .04 .03 .02 .01 .00 -.01 -.02 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Gráfico 16 – Respostas não acumuladas ao impulso de variação na SELIC e variação dos rendimentos da poupança Fonte: elaboração própria 40 Resposta acumulada de VARIAÇÃO DOS SALDOS a VARIAÇÃO DA SELIC .08 .04 .00 -.04 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Resposta acumulada de VARIAÇÃO DOS SALDOS a VARIAÇÃO DOS RENDIMENTOS DA POUPANÇA .08 .04 .00 -.04 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Gráfico 17 – Respostas acumuladas ao impulso de variação na SELIC e variação dos rendimentos da poupança Fonte: elaboração própria Analisando os resultados obtidos observamos que a variação dos saldos permanece respondendo com crescimento a um impulso na variação da taxa SELIC, como é esperado, e também apresenta um prazo de estabilização relativamente longo, de cinco trimestres. O comportamento da resposta ao impulso acumulada indica, de forma análoga ao modelo anterior, que ocorre a estabilização em um patamar de aproximadamente 3%. Com relação à nova variável adicionada no modelo, o comportamento da variação dos saldos em relação a um impulso na variação do rendimento da poupança também é coerente, pois ela responde negativamente a esse impulso, ou seja, o aumento do rendimento da poupança provoca uma redução do “gap” entre saldos de fundos de renda fixa e saldos de caderneta de poupança, como é esperado pela análise teórica da estrutura 41 de remuneração das aplicações que mostramos nesse estudo. Como esperado, no caso da resposta acumulada, a estabilização ocorre em um patamar inferior, mostrando a resposta negativa, mas de magnitude inferior a resposta observada ao impulso na SELIC, indicando que o maior impacto no modelo é realmente gerado pela SELIC, como esperaríamos pela análise teórica. Investigamos a existência de relações de cointegração entre as variáveis usadas no modelo, para verificar a possibilidade da montagem de um modelo de correção de erro. Inicialmente trabalhamos com o conjunto de variação de saldos, SELIC e rendimento da poupança, as últimas em nível. Seria esperado que fosse encontrada ao menos um vetor de cointegração, pois por construção da própria regra de remuneração da poupança, o rendimento é diretamente vinculado à SELIC e provavelmente existirá uma relação de cointegração entre essas variáveis. Apresentamos a seguir os resultados obtidos utilizando a metodologia desenvolvida originalmente por Johanssen (e ilustrada na referência JUSELIUS, 2007). Executamos para esse sistema o teste do traço e o teste do máximo autovalor, utilizando de uma a quatro defasagens e considerando uma tendência determinística linear. Tabela 11 – Testes de Cointegração Defasagem Teste do Traço 1 2 vetores de cointegração 2 1 vetor de cointegração 3 1 vetor de cointegração 4 nenhum vetor de cointegração Obs.: todos os resultados consideram o grau de significância de 5% Teste do Máximo Autovalor 2 vetores de cointegração 1 vetor de cointegração 1 vetor de cointegração nenhum vetor de cointegração Fonte: elaboração própria Os resultados indicam a existência de 1 vetor de cointegração com duas e três defasagens, 2 vetores de cointegração para o caso de uma defasagem e nenhum vetor de cointegração com quatro defasagens. Os valores dos testes são apresentados no apêndice J, e podemos observar que no caso de uma defasagem, o valor obtido é muito próximo ao valor crítico, o que não ocorre nas demais defasagens. Para comparação dos resultados obtidos com o VAR estimado com três defasagens, optamos por montar um modelo VEC, vetor de correção de erro, usando as 42 variáveis: variação dos saldos, SELIC e rendimentos da caderneta de poupança, com três defasagens e uma relação de cointegração. Apresentamos na tabela 12 os coeficientes obtidos no vetor de cointegração do modelo utilizado. Tabela 12 – Coeficientes do vetor de cointegração Variáveis Variação dos saldos (-1) SELIC (-1) Rend. Poup (-1) Constante Coeficientes Vetor de Cointegração 1,000000 -0,118141 (-3,08355) 6,208559 (3,45236) -0,550431 Fonte: elaboração própria Os sinais opostos obtidos para os coeficientes sugerem que a resposta da variação dos saldos é afetada em direções distintas pela SELIC e pelo rendimento da poupança, como já havia sido indicado pela análise da resposta ao impulso para o modelo VAR, sem considerar a cointegração. A grande diferença na magnitude desses coeficientes indica também que o grau de influência de cada variável é bem diferente. Os principais parâmetros estimados para esse modelo são mostrados no apêndice K, e destacamos em nosso estudo as respostas ao impulso na SELIC e nos rendimentos da caderneta de poupança obtidas nesse modelo usando a decomposição de Choleski, mostradas a seguir no gráfico 18. 43 Resposta da variação dos saldos ao impulso na selic Resposta da variação dos saldos ao impulso no rendimento da poupança .7 4 .6 0 .5 -4 .4 -8 .3 -12 .2 -16 .1 .0 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 -20 2 4 6 8 banda 1 banda 2 resposta ao impulso 10 12 14 16 18 20 banda 1 banda 2 resposta ao impulso Gráfico 18 – Respostas não acumuladas ao impulso de variação na SELIC e variação dos rendimentos da poupança Fonte: elaboração própria utilizando softwares JMulti e Eviews Podemos observar que nesse modelo, considerando a relação de cointegração, os resultados da resposta ao impulso na variação dos rendimentos da poupança mostram magnitude bem superior a aquela obtida no modelo VAR anterior, mantendo-se, entretanto o sentido da resposta detectado nos modelos anteriores, e a variável não retorna a seu patamar inicial nem mesmo dentro de um horizonte de 10 períodos. Para o caso da resposta ao impulso na SELIC, a magnitude obtida no pico também é superior a que foram encontradas na simulação dos modelos VAR anteriores, e esse pico ocorre aproximadamente no mesmo momento para os três modelos, o terceiro período. Observamos ainda que no caso do modelo VEC a variável não retorna a seu patamar inicial após o impulso na SELIC dentro de um horizonte de 10 períodos, e o sentido da resposta é o mesmo obtido nos modelos anteriores. 7. Conclusão Os resultados obtidos mostram que, de fato, existe uma resposta dinâmica do sistema coerente com a expectativa que, sobre as regras antigas de remuneração da caderneta de poupança, incrementos dos rendimentos da poupança em relação à taxa 44 SELIC teriam o potencial de provocar uma migração de recursos das aplicações de renda fixa para a poupança. A pequena magnitude obtida na análise das respostas ao impulso de variação nas taxas indica que, no período analisado, esse movimento não ocorreu de maneira muito acentuada, o que também é condizente com nossas previsões que taxas SELIC inferiores a 8% ao ano, como ilustrado na tabela 8, gerariam maiores rendimentos para aplicadores na poupança sob a vigência da regra antiga, e efetivamente no intervalo estudado, o valor mínimo dessa taxa foi de 2% ao trimestre, conforme ilustrado na tabela 11 desse trabalho, equivalente a aproximadamente 8,25% ao ano, portanto superior aos valores que potencialmente provocariam uma migração forte de recursos entre as aplicações. Outro ponto interessante sugerido no estudo dos modelos foi uma rigidez observada na resposta do sistema, pois a resposta não ocorria de maneira rápida, levando alguns períodos para atingir seu pico e um intervalo relativamente longo para estabilização. Esse resultado está alinhado com a previsão que uma eventual migração não ocorreria de forma instantânea, devido a regras de tributação das aplicações em renda fixa, que são tributadas por uma alíquota decrescente em função do prazo da aplicação, gerando alguns prazos mínimos durante os quais os aplicadores precisam manter seus recursos, para evitar a incidência de tributos em faixa mais elevada. Ao introduzirmos o modelo VEC, notamos que a magnitude das respostas aumenta de forma significativa, mas as respostas continuam ocorrendo no mesmo sentido dos modelos VAR. Portanto, o estudo mostra que os dados históricos efetivamente apoiam a expectativa de que poderia ocorrer uma migração de recursos entre aplicações no caso de uma baixa acentuada da taxa SELIC, que foi a motivação principal do governo ao alterar a regra de remuneração das cadernetas de poupança. Entretanto, cabe lembrar que a alteração dessas regras, por si só, é apenas uma das mudanças necessárias para garantir a queda e manutenção das taxas de juros básicas no Brasil em patamares mais próximos dos de outros países com os quais disputamos os mercados globais. Existem outras formas de investimento que podem ser utilizadas como alternativa pelos investidores, caso ocorra a percepção que a taxa básica de juros não oferece uma rentabilidade adequada. 45 Logo, uma redução da taxa básica de juros que não esteja ancorada em fundamentos econômicos coerentes, como redução da dívida pública e consequentes necessidades de financiamento do governo, pode não ser sustentável no longo prazo. Um ponto importante a ser também comentado é um eventual impacto que uma alteração nas regras possa causar na formação de expectativas dos agentes econômicos. Uma eventual alteração que fosse vista como somente um artifício para permitir uma queda mais acentuada dos juros, mesmo que não suportada por fundamentos econômicos razoáveis, mas calcada somente em motivações políticas, pode causar a percepção de uma política monetária mais “frouxa” no controle à inflação. Essa percepção poderia gerar diversas consequências indesejadas, como por exemplo, aumento excessivo de consumo e redução da taxa global de poupança na economia. Dessa forma, a alteração das regras de remuneração da caderneta de poupança efetivamente foi um passo necessário para preparar nosso mercado financeiro para um cenário de taxas básicas de juros mais baixas, mas não se constitui no único obstáculo a ser superado para que possamos manter esse importante parâmetro em níveis próximos a média mundial dos mercados, aumentando a eficiência e competitividade da economia brasileira, e só será eficaz se estiver conjugada com um conjunto de políticas que propicie mudanças estruturais no país. 46 8. Bibliografia MODIGLIANI, Franco. Life Cycle, Individual Thrift, and the Wealth of Nations. The American Economic Review, USA, vol. 76, n 3, p. 297-313, jun. 1986 BRASIL. Medida Provisória nº 567, de 3 de maio de 2012. Altera o artigo 12 da Lei nº 8.177, de 1º de março de 1991, que estabelece regras para a desindexação da economia, e dá outras providências. www.planalto.gov.br/CCIVIL_03/_Ato20112014/2012/Mpv/567.htm. BRASIL. 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Apêndices Apêndice A Data Fev/06 Mar/06 Abr/06 Mai/06 Jun/06 Jul/06 Ago/06 Set/06 Out/06 Nov/06 Dez/06 Jan/07 Fev/07 Mar/07 Abr/07 Mai/07 Jun/07 Jul/07 Ago/07 Set/07 Out/07 Nov/07 Dez/07 Jan/08 Fev/08 Mar/08 Abr/08 Mai/08 Jun/08 Jul/08 Ago/08 Set/08 Out/08 Nov/08 Dez/08 Jan/09 Fev/09 Mar/09 Abr/09 Mai/09 SELIC 1,15 1,42 1,08 1,28 1,18 1,17 1,26 1,06 1,09 1,02 0,99 1,08 0,87 1,05 0,94 1,03 0,91 0,97 0,99 0,80 0,93 0,84 0,84 0,93 0,80 0,84 0,90 0,88 0,96 1,07 1,02 1,10 1,18 1,02 1,12 1,05 0,86 0,97 0,84 0,77 TBF 1,09 1,36 1,05 1,18 1,16 1,16 1,25 1,01 1,07 0,99 0,96 1,06 0,84 1,01 0,92 0,99 0,88 0,95 0,96 0,79 0,91 0,82 0,82 0,88 0,76 0,80 0,88 0,84 0,91 1,02 0,97 1,03 1,11 0,97 1,06 1,01 0,81 0,96 0,81 0,74 TBF/SELIC 0,95 0,96 0,97 0,93 0,98 0,99 0,99 0,96 0,98 0,97 0,97 0,98 0,97 0,96 0,98 0,96 0,96 0,98 0,97 0,98 0,97 0,98 0,98 0,95 0,96 0,95 0,97 0,96 0,94 0,96 0,95 0,94 0,94 0,95 0,94 0,96 0,94 0,98 0,96 0,95 Data Jun/09 Jul/09 Ago/09 Set/09 Out/09 Nov/09 Dez/09 Jan/10 Fev/10 Mar/10 Abr/10 Mai/10 Jun/10 Jul/10 Ago/10 Set/10 Out/10 Nov/10 Dez/10 Jan/11 Fev/11 Mar/11 Abr/11 Mai/11 Jun/11 Jul/11 Ago/11 Set/11 Out/11 Nov/11 Dez/11 Jan/12 Fev/12 Mar/12 Abr/12 Mai/12 Jun/12 Jul/12 Ago/12 Set/12 SELIC 0,76 0,79 0,69 0,69 0,69 0,66 0,73 0,66 0,59 0,76 0,67 0,75 0,79 0,86 0,89 0,85 0,81 0,81 0,93 0,86 0,84 0,92 0,84 0,99 0,96 0,97 1,07 0,94 0,88 0,86 0,91 0,89 0,75 0,82 0,71 0,74 0,64 0,68 0,69 0,54 TBF 0,77 0,79 0,68 0,65 0,63 0,63 0,71 0,65 0,57 0,75 0,63 0,71 0,73 0,83 0,86 0,84 0,79 0,77 0,87 0,83 0,81 0,92 0,79 0,97 0,90 0,91 1,05 0,89 0,83 0,83 0,85 0,86 0,73 0,79 0,68 0,71 0,61 0,67 0,66 0,51 TBF/SELIC 1,01 0,99 0,99 0,94 0,92 0,96 0,98 0,98 0,97 0,99 0,94 0,95 0,92 0,96 0,97 0,99 0,97 0,96 0,94 0,97 0,97 1,00 0,94 0,98 0,94 0,94 0,98 0,95 0,95 0,96 0,94 0,96 0,97 0,96 0,96 0,96 0,95 0,99 0,96 0,94 Fonte: Banco Central do Brasil, trabalhado pelo autor 49 Apêndice B TIPO PATRIMÔNIO (R$ milhões) Curto Prazo Referenciado DI Renda Fixa 91.770,69 259.893,79 522.403,08 PATRIMÔNIO (%) 10,50 29,73 59,77 FATOR MÉDIO PONDERADO FATOR RENTABILIDAD E FUNDO/SELIC 0,888944 0,911685 1,082900 1,011627 Fonte: dados ANBIMA, tabela elaborada pelo autor Apêndice C Mês Janeiro/2012 Fevereiro/2012 Março/2012 Abril/2012 Maio/2012 TAXA SELIC META 10,5 10,5 9,75 9,00 8,5 FATOR b 0,32 0,31 0,23 0,23 0,23 Fonte: Banco Central do Brasil, tabela elaborada pelo autor Apêndice D Teste de seleção de defasagens para modelo VAR variação de saldos e variação da SELIC Defasagem 0 1 2 3 4 5 6 LogL LR FPE AIC SC HQ 128,3174 133,4020 143,9492 148,9527 149,7187 155,5368 159,5463 NA 9,677155 19,39332 8,877238 1,309583 9,571673* 6,337590 5,83e-5 5,63e-5 4,56e-5 4,42e-5* 4,92e-5 4,65e-5 4,67e-5 -4,074753 -4,109741 -4,320942 -4,353314* -4,248991 -4,307639 -4,307945 -4,006136* -3,903889 -3,977856 -3,872994 -3,631436 -3,552849 -3,415921 -4,047813 -4,028918 -4,186238* -4,164728 -4,006523 -4,011289 -3,957714 * defasagem selecionada pelo critério Fonte: elaboração do autor 50 Apêndice E Análise de autocorrelação serial dos resíduos para modelo VAR variação de saldos e variação da SELIC Defasagem 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 Estatística LM Probabilidade 4,896865 9,035519 2,052461 3,328429 2,887224 1,739777 4,403014 6,122018 3,387352 6,129159 0,925350 1,660797 0,2980 0,0602 0,7261 0,5044 0,5769 0,7835 0,3542 0,1902 0,4952 0,1897 0,9209 0,7978 Hipótese nula: não existência de correlação serial na defasagem n Probabilidades de uma distribuição qui-quadrado com 4 graus de liberdade Fonte: elaboração do autor Apêndice F Principais parâmetros do modelo VAR utilizando variação dos saldos e variação da SELIC Variação dos saldos (-1) Variação dos saldos (-2) Variação dos saldos (-3) Variação da SELIC (-1) Variação da SELIC (-2) Variação da SELIC (-3) Constante R2 Estatística F Akaike AIC Schwarz IC Fonte: elaboração do autor Variação dos saldos Variação da SELIC 0,356321 (2,60081) 0,447877 (3,35891) -0,114079 (-0,83736) 0,077580 (0,95851) 0,149922 (1,93150) -0,010571 (-0,12991) 0,08893 (1,03527) -0,195064 (-0,84230) -0,096243 (-0,42700) -0,530965 (-2,30566) 0,302978 (0,13681) -0,553201 (-4,21631) -0,096805 (-0,70381) -0,003161 (-0,21771) 0,371259 5,707965 -2,573972 -2,339807 0,395541 6,325590 -1,524096 -1,289931 51 Apêndice G Teste de seleção de defasagens para modelo VAR variação de saldos, variação da SELIC e variação do rendimento da poupança Defasagem 0 1 2 3 4 5 6 LogL LR FPE AIC SC HQ 430,7646 442,0743 459,4569 472,7628 486,1133 494,3353 502,2994 NA 21,16002 30,84016 22,31961 21,10229* 12,20039 11,04698 2,04e-10 1,90e-10 1,45e-10 1,27e-10 1,11e-10* 1,16e-10 1,23e-10 -13,79886 -13,87336 -14,14377 -14,28267 -14,42301* -14,39791 -14,36450 -13,69593* -13,46166 -13,42329 -13,25341 -13,08497 -12,75110 -12,40890 -13,75845 -13,71172 -13,86089 -13,87856 -13,89766* -13,75133 -13,59668 * defasagem selecionada pelo critério Fonte: elaboração do autor Apêndice H Análise de autocorrelação serial dos resíduos para modelo VAR variação de saldos , variação da SELIC e variação de rendimentos da poupança Defasagem 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 Estatística LM Probabilidade 20,7681 16,53624 18,03747 16,38441 5,006720 10,07874 12,35648 6,501641 7,440210 8,778192 6,077990 5,810006 0,0137 0,0565 0,0347 0,0593 0,8337 0,3441 0,1940 0,6888 0,5914 0,4580 0,7321 0,7588 Hipótese nula: não existência de correlação serial na defasagem n Probabilidades de uma distribuição qui-quadrado com 9 graus de liberdade Fonte: elaboração do autor 52 Apêndice I Principais parâmetros do modelo VAR utilizando variação dos saldos, variação da SELIC e variação do rendimento da poupança Variação dos saldos (-1) Variação dos saldos (-2) Variação dos saldos (-3) Variação dos saldos (-4) Variação da SELIC (-1) Variação da SELIC (-2) Variação da SELIC (-3) Variação da SELIC (-4) Variação rend. poup. (-1) Variação rend. poup. (-2) Variação rend. poup. (-3) Variação rend. poup. (-4) Constante R2 Estatística F Akaike AIC Schwarz IC Estatísticas t em parênteses Variação dos saldos 0,257797 (1,55620) 0,397837 (2,37135) -0,084190 (-0,52158) 0,106299 (0,64171) 0,171835 (1,15492) 0,092331 (0,66154) 0,025676 (0,19657) 0,049438(0,52497) -3,420402(-0,76488) 3,272019(0,89034) -1,983615(-0,60618) 1,419496(0,73130) 0,008856 (1,01392) Variação da SELIC -0,225267 (-0,78199) -0,156544 (-0,53668) -0,720702 (-2,56672) 0,104949 (0,36433) 0,521049 (2,01388) -0,704114 (-2,90113) 0,107767 (0,47445) -0,140513(-0,85805) -7,979906(-1,02619) 1,837209(0,28748) -5,411981(-0,95108) 1,375498(0,40751) -0,003684 (-0,24257) Variação rend. poup. -0,000908(-0,09526) -0,008431(-0,87362) -0,016451(-1,77148) -0,001483(-0,15561) 0,003876(0,45285) -0,014660(-1,82566) -0,006680(-0,88890) 0,006761(1,24790) -0,048055(-0,18678) -0,015882(-0,07511) -0,018997(-0,10090) -0,209294(-1,87411) -0.000152(-0,30228) 0,321161 2,010690 -2,510159 -2,071636 0,426875 3,165480 -1,403598 -0,965075 0,319332 1,993868 -8,220928 -7,782404 Fonte: elaboração do autor 53 Apêndice J Principais resultados do teste de cointegração de Johanssen para o sistema variação dos saldos, SELIC e rendimento da poupança DEFASAGEM 1 2 3 4 ESTATÍSTICA DO TRAÇO VALOR CRÍTICO A 5% 29,79707 ESTATÍSTICA DO MÁX AUTOVALOR 50,71081 VALOR CRÍTICO A 5% 21,13162 79,40333 28,69252 15,49471 25,59379 14,26460 3,098734 3,841466 3,098734 3,841466 42,52050 29,79707 28,25812 21,13162 14,26238 15,49471 13,08140 14,26460 1,180983 3,841466 1,180983 3,841466 44,56221 29,79707 30,92084 21,13162 13,64137 15,49471 12,00289 14,26460 1,638475 3,841466 1,638475 3,841466 27,66406 29,79707 16,79995 21,13162 10,86411 15,49471 10,14925 14,26460 0,714855 3,841466 0,714855 3,841466 CONCLUSÃO Rejeição da H0 de nenhum vetor de cointegração Rejeição da H0 de 1 vetor de cointegração Não rejeição da H0 de 2 vetores de cointegração Rejeição da H0 de nenhum vetor de cointegração Não rejeição da H0 de 1 vetor de cointegração Não rejeição da H0 de 2 vetores de cointegração Rejeição da H0 de nenhum vetor de cointegração Não rejeição da H0 de 1 vetor de cointegração Não rejeição da H0 de 2 vetores de cointegração Não rejeição da H0 de nenhum vetor de cointegração Não rejeição da H0 de 1 vetor de cointegração Não rejeição da H0 de 2 vetores de cointegração 54 Apêndice K Principais parâmetros do modelo VEC utilizando variação dos saldos, SELIC e rendimento da poupança Variáveis Variação dos saldos (-1) SELIC (-1) Rend. Poup (-1) Constante Coeficientes Vetor de Cointegração 1,000000 -0,118141 (-3,08355) 6,208559 (3,45236) -0,550431 Modelo de correção de erros Vetor de cointegração Variação dos saldos (-1) Variação dos saldos (-2) Variação dos saldos (-3) Variação da SELIC (-1) Variação da SELIC (-2) Variação da SELIC (-3) Variação rend. poup. (-1) Variação rend. poup. (-2) Variação rend. poup. (-3) Constante Variação dos saldos Variação da SELIC Variação rend. poup. -0,413774 (-1,98361) -0,374539 (-1,90460) 0,037652 (0,22852) -0,012850 (-0,10014) 0,178733 (1,20340) 0,121462 (0,93758) 0,014641 (0,12223) -4,291150 (-0,97266) 1,329590 (0,39924) -1,223169 (-0,39148) -0,001700 (-0,19701) -1,087064 (-3,09895) 0,779571 (2,35738) 0,528160 (1,90622) -0,191288 (-0,88651) 0,462860 (1,85320) -0.567921 (-2,60689) 0.074562 (0,37017) -6,289775 (-0,84779) -1,666276 (-0,29753) -6,004146 (-1,14271) -0,027586 (-1,90154) -0,034998 (-3,04222) 0,029102 (2,68339) 0,013884 (1,52798) -0,004262 (-0,60227) 0,000947 (0,11564) -0,017768 (-2,48693) 4.36E-05 (0,00660) 0,047137 (0,19374) 0,057665 (0,31397) -0,254851 (-1,47899) -0.000894 (-1,87997) R2 Estatística F Akaike AIC Schwarz IC Estatísticas t entre parênteses 0,491673 5,126367 -2,531657 -2,160599 0,441595 4,191321 -1,492119 -1,121061 0,348403 2,833862 -8,327076 -7,956018 Fonte: elaboração do autor 55