XXXIII ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO A Gestão dos Processos de Produção e as Parcerias Globais para o Desenvolvimento Sustentável dos Sistemas Produtivos Salvador, BA, Brasil, 08 a 11 de outubro de 2013. DETERMINAÇÃO DE TEMPERATURAS ÓTIMAS EM PROCESSOS DE ESTRANGULAMENTO AO LONGO DO ESCOAMENTO LICIANNE PIMENTEL SANTA ROSA (UFBA ) [email protected] Aline Pereira Peixoto (UFBA ) [email protected] Karen Valverde Pontes (UFBA ) [email protected] Gloria Meyberg Nunes Costa (UFBA ) [email protected] Em processos de estrangulamentos ocorrem uma variação de temperatura proporcionada pela queda de pressão, efeito conhecido como expansão Joule-Thomson. O objetivo deste trabalho é determinar quedas de pressões ótimas de modo a especificar aa temperatura de saída do estrangulamento, evitando que temperaturas indesejáveis sejam atingidas ou proporcionando a operação mais eficiente de processos a jusante. Neste trabalho foi apresentada uma nova abordagem para a modelagem do efeito Joule-Thomson, utilizando equação de estado PC-SAFT e o conceito de entalpia residual.Calculou-se a temperatura de estrangulamento para o eteno e para a mistura metano/etano e os desvios relacionados com dados experimentais foram baixos. Os resultados indicam, portanto, a qualidade de predição da equação de estado PC-SAFT para os sistemas investigados e a validade e o potencial da metodologia proposta. Palavras-chaves: processos, Joule-Thomson, otimização, XXXIII ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO A Gestão dos Processos de Produção e as Parcerias Globais para o Desenvolvimento Sustentável dos Sistemas Produtivos Salvador, BA, Brasil, 08 a 11 de outubro de 2013. 1. Introdução Processos de escoamento estão frequentemente sujeitos a obstruções em linha, como válvulas, por exemplo, como ilustra a Figura 1. Em um processo de estrangulamento ocorre uma expansão normalmente adiabática sem a realização de trabalho externo, portanto isentálpica, ocasionando uma variação de temperatura, efeito conhecido como expansão Joule-Thomson. A mudança de temperatura experimentada pelo gás durante a expansão depende não só das pressões inicial e final, mas também da natureza do gás e das condições da expansão. Por questões econômicas e de segurança de processos, é de fundamental importância se conhecer a variação de temperatura proporcionada pela queda de pressão em estrangulamentos. Figura 1- Representação do comportamento do fluido ao passar por uma restrição Fonte: Rodrigues (2011) O copolímero de etileno vinil acetato (EVA), por exemplo, é formado a altíssimas pressões, cerca de 1.200 bar. A fim de permitir a separação entre os produtos e os reagentes não consumidos, a descarga do reator é despressurizada através de uma válvula redutora de pressão para aproximadamente 250 bar. Esta brusca queda de pressão em um processo de estrangulamento isentálpico é acompanhada de um aumento de temperatura devido ao efeito Joule-Thomson. Tendo em vista que a eficiência da separação depende das condições de temperatura e pressão na entrada do vaso, a jusante da válvula, é de fundamental importância conhecer e monitorar o processo de estrangulamento. Devido à dificuldade de determinação experimental da temperatura de saída de uma válvula parcialmente aberta, o emprego de um modelo é bastante útil. O uso de equações de estado para o cálculo do coeficiente Joule-Thomson é uma abordagem utilizada há muito tempo para estimar o aquecimento ou resfriamento de um fluido com uma queda de pressão em processos à entalpia constante. Alguns trabalhos, como Roebuck (1992), Chacín et.al. (1999), Darwish e Al-Muhtaseb (1996), Wisniak e Avraham (1996), Behzad et. al. (2004), Oldenburg (2006) e Leal (2012) utilizam equações de estado cúbicas e multiparamétricas para a descrição do efeito Joule Thosmon, bem como para validação das mesmas em sistemas relativamente simples. Já Colina et. al. (2002), Marcano et. al. (2008) e Tafazzol et. al. (2011) utilizam equações de estado baseadas na teoria da perturbação para modelar o efeito Joule- 2 XXXIII ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO A Gestão dos Processos de Produção e as Parcerias Globais para o Desenvolvimento Sustentável dos Sistemas Produtivos Salvador, BA, Brasil, 08 a 11 de outubro de 2013. Thomson e prever a curva de inversão, que é o lugar geométrico dos pontos em que o coeficiente Joule-Thomson é nulo, ou seja, não ocorre variação de temperatura com a queda de pressão. Diante do exposto, nota-se que a literatura, usualmente, utiliza equações de estado para calcular o coeficiente Joule-Thomson e curvas de inversão. Esta abordagem normalmente visa avaliar uma equação de estado através de dados experimentais da curva de inversão, sem, no entanto realizar uma análise detalhada do dispositivo promotor do estrangulamento. Estas informações, contudo, permitem verificar apenas se o fluido aqueceu ou resfriou após ser estrangulado, não sendo possível conhecer o valor da temperatura na saída do processo. Como exemplificado anteriormente, o cálculo da temperatura de estrangulamento permitiria uma análise mais detalhada e a otimização de processos que envolvem separação de produtos, por exemplo. Apesar de exaustiva busca na literatura, apenas Leal (2012) calcula a temperatura a jusante dos estranguladores diretamente, porém utilizando equações de estado cúbicas e multiparamétricas para o CO2. Portanto, esse presente trabalho pretende fornecer uma contribuição para a literatura no que diz respeito ao cálculo da temperatura de saída em processos de estrangulamentos a partir de equações de estado baseadas na teoria da perturbação, já que estas têm potencial de aplicação em sistemas poliméricos (Guerrieri et al., 2012). Com base nisso, propõe-se ainda outra contribuição, qual seja, a determinação da pressão de saída do estrangulamento de forma a se atingir uma temperatura de saída desejada. Este problema é aqui abordado através da formulação e solução de um problema de otimização, sendo bastante útil na determinação de condições ótimas de alimentação e operação de processos de separação, visando maximizar a sua eficiência. O objetivo desse trabalho é, portanto, modelar o efeito Joule Thomson, calculando a temperatura de estrangulamento a partir de uma equação de estado baseada em teoria da perturbação, logo aplicável a sistemas poliméricos. Ainda, visa-se determinar quedas de pressões ótimas de modo a especificar a temperatura de saída do estrangulamento, evitando que temperaturas indesejáveis sejam atingidas ou proporcionando a operação mais eficiente de processos a jusante. A fim de validar a metodologia proposta, são necessários dados experimentais de coeficiente de Joule-Thomson para diferentes condições de temperatura e pressão, normalmente escassos na literatura. A partir da disponibilidade de tais informações, adotou-se os sistemas eteno e a mistura etano/metano para validação da metodologia. 3 XXXIII ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO A Gestão dos Processos de Produção e as Parcerias Globais para o Desenvolvimento Sustentável dos Sistemas Produtivos Salvador, BA, Brasil, 08 a 11 de outubro de 2013. A seção seguinte apresenta a abordagem para cálculo da temperatura de estrangulamento, baseado no conceito da entalpia residual, seguida da formulação do problema de otimização para determinação da variação de pressão que especifique a temperatura de saída do estrangulamento. Em seguida, são mostrados a validação da metodologia e os resultados da pressão/temperatura ótima. Após discussão dos resultados, as conclusões finais são apresentadas. 2. Metodologia 2.1 Abordagem proposta para o calculo da temperatura de estrangulamento Na prática, o efeito Joule-Thomson é monitorado permitindo-se que o fluido se expanda através de um dispositivo de estrangulamento, que deve estar muito bem isolado para impedir qualquer transferência de calor para ou pelo gás. A taxa de variação da temperatura em relação à pressão , à entalpia constante , é o coeficiente de Joule-Thomson, , definido por: (1) O processo de estrangulamento ocorre ao longo de uma curva à entalpia constante, no sentido de diminuiçaõ da pressão o que significa que o processo ocorre da esquerda para a direita em um diagrama T-P como ilustrado na Figura 2. À medida que se avança ao longo de uma curva de entalpia constante, a altas pressões a temperatura aumenta, até a temperatura de inversão. A partir deste ponto, ou seja, para pressões de saída menores que a pressão de inversão, a tempeatura diminui, logo o fluido se resfria. A curva de inversão é a representação geométrica dos pontos de inversão para diferentes condições a montante do estrangulamento. Figura 2 - Isentálpica em diagrama TP Fonte: Lomonaco Neto (2010) 4 XXXIII ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO A Gestão dos Processos de Produção e as Parcerias Globais para o Desenvolvimento Sustentável dos Sistemas Produtivos Salvador, BA, Brasil, 08 a 11 de outubro de 2013. Conforme citado anteriormente, a prática usual na literatura é calcular o coeficiente Joule-Thomson ou a curva de inversão para avaliar a eficiência de uma equação de estado na representação do processo de estrangulamento. Neste trabalho utiliza-se a equação de estado PC-SAFT (Perturbed Chain- Statistical Associating Fluid Theory) através do conceito de entalpia residual. Pode-se demonstrar (Leal, 2012) que a variação de entalpia no processo de estrangulamento é dada por: (02) onde os termos e correspondem à entalpia residual calculadas nas condições antes e depois do estrangulamento, respectivamente, o termo , designa a variação de entalpia devido a diferença de temperatura no estado de gás ideal, onde é o calor específico ideal. A expressão para a entalpia residual é deduzida a partir da equação de estado PC-SAFT, conforme apresentado por Gross (2001), enquanto que o calor específico ideal é determinado através de uma equação polinomial em função da temperatura: (03) onde , , e são os coeficientes constantes do polinômio, obtidos por regressão de dados (Van Ness et. al., 2007). Lembrando que o processo é isentálpico, a equação 2 se resume a: (04) Logo, o problema consiste em encontrar a raiz de uma equação não-linear, no caso a temperatura de estrangulamento ( ), dadas as condições de entrada ( , ) e a pressão de saída ( ), além dos parâmetros da equação de estado. O modelo apresentado foi implementado em linguagem Fortran 90 e o método bisseção foi utilizado para cálculo da raiz de uma equação não-linear. Visando à validação da metodologia proposta, faz-se necessária comparação da predição do modelo com dados experimentais. Como mencionado anteriormente, dados de coeficiente Joule-Thomson em diferentes condições de pressão e temperatura são escassos devido à dificuldade de obtenção experimental. Após uma vasta revisão da literatura, foram 5 XXXIII ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO A Gestão dos Processos de Produção e as Parcerias Globais para o Desenvolvimento Sustentável dos Sistemas Produtivos Salvador, BA, Brasil, 08 a 11 de outubro de 2013. encontrados dados experimentais para eteno (Groot et. al., 1947) e etano/metano (Budenholzer, 1939), de forma que estes sistemas foram usados para validação do modelo. 2.2 Formulação do problema de otimização Visando calcular a pressão de saída de forma a especificar uma temperatura de estrangulamento desejada, formulou-se um problema de otimização, descrito por: (05) onde é a temperatura calculada através da equação 4, temperatura e pressão a montante do estrangulamento, liberdade da otimização, e são as condições de é a pressão de saída, grau de é a temperatura de estrangulamento desejada e é o vetor de parâmetros da equação de estado PC-SAFT. 3. Resultados e discussões Nesta seção, a metodologia proposta para predição da temperatura de estrangulamento é validada com dados experimentais de literatura para o eteno e para a mistura de etano/metano. A fim de ilustrar a aplicação da metodologia proposta, são apresentadas as curvas de entalpia constante para o eteno e para a mistura de etano/metano. Por fim, são apresentados os resultados de pressões ótimas para determinação da temperatura de estrangulamento com base no problema de otimização formulado na seção anterior. 3.1 Determinação da temperatura de estrangulamento (efeito Joule-Thomson) Com a intenção de validar o modelo para cálculo da temperatura de estrangulamento, inicialmente realizou-se simulações com componentes puros. Groot et. al. (1947) estudaram experimentalmente o coeficiente Joule-Thomson para o eteno e, consequentemente, a temperatura de estrangulamento, nas condições listadas na Tabela 1 (Goot et. al.,1947), onde 1 designa as condições de entrada da válvula e 2, a de saída. 6 XXXIII ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO A Gestão dos Processos de Produção e as Parcerias Globais para o Desenvolvimento Sustentável dos Sistemas Produtivos Salvador, BA, Brasil, 08 a 11 de outubro de 2013. Tabela 1 – Condições experimentais para o calculo de Pressão 1 (atm) 50 100 200 600 600 800 2000 Intervalo de temperatura 1 (K) 348.15- 423.15 348.15-423.15 373.15-423.15 373.15-423.15 348.15-423.15 348.15-373.15 298.15-398.15 Pressão 2 (atm) 1 50 100 200 400 400 1500 Fonte: Groot et. al. (1947) A Figura 3 mostra a comparação entre a temperatura de estrangulamento calculada pelo modelo com a experimental obtida por Groot et. al. (1947). Observa-se que a metodologia utilizada para o cálculo da temperatura de estrangulamento do eteno foi bastante satisfatória, pois o desvio médio é de 3.39%. Logo, nota-se não apenas a eficiência da equação PC-SAFT para o etileno puro, mas também a capacidade de predição da metodologia proposta nesse trabalho. Figura 3 - Temperatura de estrangulamento do etileno comparada com dados de Groot et. al. (1947) Temperatura Calculada (K) 425 405 385 365 345 PC-SAFT 325 1ª Bissetriz 305 Desvio de 3,39% 285 265 265 285 305 325 345 365 385 405 425 Temperatura Experimental (K) A validação do coeficiente Joule-Thomson para misturas é realizada com dados experimentais do sistema etano/metano, com 62,5% em peso de etano, obtidos por Budenholzer (1939). Os dados cobrem a faixa de atm e entre 310 e 380 K, entre 500 e 1500 entre 250 e 1250 atm. A comparação entre a predição do modelo e os dados experimentais está apresentada na Figura 4. 7 XXXIII ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO A Gestão dos Processos de Produção e as Parcerias Globais para o Desenvolvimento Sustentável dos Sistemas Produtivos Salvador, BA, Brasil, 08 a 11 de outubro de 2013. Temperatura Calculada(K) Figura 4 - Temperatura de estrangulamento para a mistura etano/metano comparado com Budenholzer (1939) 370 360 350 340 330 320 1ª Bissetriz 310 Desvio de 3,15% 300 300 310 320 330 340 350 360 370 Temperatura Experimental (K) Com base nos valores fornecidos pela Figura 4 observa-se que os resultados calculados para a temperatura de estrangulamento do mistura etano/metano estão próximos dos apresentados pela literatura. O desvio médio entre a temperatura experimental e a calculada é de 3,15%, demonstrando assim eficiência da metodologia proposta neste trabalho. 2.2 Determinação das isentálpicas de estrangulamento O processo de estrangulamento ocorre ao longo de uma curva isentálpica cujo conhecimento permite determinar a temperatura de saída para uma queda de pressão a partir da condição de entrada e , sendo bastante útil na análise e otimização do processo. As Figuras 5 e 6 ilustram as isentálpicas obtidas pelo modelo para os sistemas investigados, etileno e etano/metano. Figura 5 - Isentálpica para o etileno 480 Ponto de Inversão 460 Temperatura (K) 440 420 400 380 360 340 320 0 200 400 600 800 1000 Pressão (atm) 1200 1400 1600 1800 2000 8 XXXIII ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO A Gestão dos Processos de Produção e as Parcerias Globais para o Desenvolvimento Sustentável dos Sistemas Produtivos Salvador, BA, Brasil, 08 a 11 de outubro de 2013. Figura 6 - Isentálpica para a mistura etano/metano 400 Ponto de Inversão 380 Temperatura (K) 360 340 320 300 280 260 240 220 0 200 400 600 800 1000 1200 Pressão (atm) 1400 1600 1800 2000 Com base nos gráficos apresentados nas Figuras 5 e 6, nota-se que, à medida que se avança ao longo da curva de entalpia constante, a altas pressões a temperatura aumenta, até a temperatura de inversão. Depois desse ponto, conhecido como ponto de inversão, a queda de pressão levará à diminuição da temperatura. Esse fato confirma os aspectos teóricos do efeito Joule-Thomson, mostrando que a metodologia proposta é bastante útil também para o mapeamento quantitativo das condições de processo. Esta é uma importante contribuição deste trabalho já que, conforme citado em seções anteriores, a prática na literatura é conhecer apenas se o fluido aqueceu ou resfriou, sem qualquer informação sobre o valor da temperatura de estrangulamento. 2.2 Determinação do delta de pressão ótimo A fim de exemplificar o problema de otimização formulado, dois cenários foram investigados, um para cada sistema investigado. Para cada condição inicial de temperatura e pressão ( , ) duas pressões de saída são possíveis: uma antes do ponto de inversão ( ) e outra depois ( ). A escolha da pressão de operação ótima estará condicionada as necessidades do processo. Esta decisão pode está formulada junto com o problema de otimização através da inclusão de uma restrição de forma que haja apenas uma solução para o problema. 9 XXXIII ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO A Gestão dos Processos de Produção e as Parcerias Globais para o Desenvolvimento Sustentável dos Sistemas Produtivos Salvador, BA, Brasil, 08 a 11 de outubro de 2013. Para os sistemas estudados nesse trabalho adotou-se como pressão ótima de operação o ponto localizado após o ponto de inversão, que apresenta maior variação de pressão considerando as condições iniciais, , como pode ser observado nas Figuras 5 e 6. Para o eteno a uma condição saída tal que a temperatura não exceda = 2000 atm, =380K, deseja-se conhecer a pressão de =440K a fim de garantir a operação dos processos a jusante da válvula. A solução do problema de otimização indica que a válvula deve fornecer uma queda de pressão tal que 1400 atm, = 171.7 atm. Para a mistura etano/metano na condição =320 K, calculou-se a pressão a jusante do estrangulamento para otimização mostra que a válvula deve operar com uma pressão de saída = =360 K. A =160.7 atm. A análise das Figuras 5 e 6 indica que o problema de otimização calculou satisfatoriamente a queda de pressão em um dispositivo de estrangulamento a fim de especificar a temperatura de saída. Este modelo é bastante útil para aplicações em que a simples inspeção gráfica não seria suficiente para a otimização do processo. Logo, pode ser incorporado a modelos de processos mais complexos visando, por exemplo, à minimização da formação de sub-produtos ou à operação mais eficiente de vasos separadores. 3. Conclusões Neste trabalho foi apresentada uma nova abordagem para a modelagem do efeito Joule-Thomson, utilizando equação de estado PC-SAFT e o conceito de entalpia residual. O modelo para cálculo da temperatura de estrangulamento para o eteno e para a mistura metano/etano foi validado com dados experimentais de literatura, tendo apresentado baixos desvios. Os resultados indicam, portanto, a qualidade de predição da equação de estado PCSAFT para os sistemas investigados e a validade e o potencial da metodologia proposta. Determinou-se ainda, através de um problema de otimização, a pressão de saída para atingir uma temperatura desejada a jusante do dispositivo de estrangulamento, cálculo este que pode ser incorporado a outros modelos visando à otimização do processo como, por exemplo, a minimização da formação de sub-produtos e a maior eficiência de separadores. Vale ressaltar que a equação PC-SAFT é bastante aplicada para sistemas mais complexos como os que envolvem polímeros, de forma que a metodologia proposta tem grande potencial de aplicação, inclusive para otimização de processos industriais. Sendo assim, os resultados motivam estudos futuros, sobretudo no que diz respeito à utilização dessa abordagem para outros processos onde ocorram o efeito Joule-Thomson. 10 XXXIII ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUCAO A Gestão dos Processos de Produção e as Parcerias Globais para o Desenvolvimento Sustentável dos Sistemas Produtivos Salvador, BA, Brasil, 08 a 11 de outubro de 2013. 3. Referências bibliográficas BEHZAD, H., Hussaindokht, M. R., Bozorgmehr, M. R., Matin, N. S. Joule–Thomson inversion curve prediction by using equation of state. Chinese Chemical Letters, v.18, 1154-1158, 2007. BUDENHOLZER, R. A., Sage, B. H., And Lacey, W. N. Joule-Thomson coefficient o gaseous mixtures of methane and ethane. Industrial and Engineering Chemistry, 1939. CHACÍN, A., Vázquez, J. M., Muller, E. A. Molecular simulation of the Joule–Thomson inversion curve of carbon dioxide. Fluid Phase Equilibria, 165, 147–155, 1999. DARWISH, N. A., Al-Muhtaseb, S. A. 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