CENTRO UNIVERSITÁRIO POSITIVO BANCADA DIDÁTICA PARA A DETERMINAÇÃO DA CONDUTIVIDADE TÉRMICA EM LIGAS METÁLICAS CURITIBA 2006 GUILHERME HAMATI BANCADA DIDÁTICA PARA A DETERMINAÇÃO DA CONDUTIVIDADE TÉRMICA EM LIGAS METÁLICAS Monografia apresentada para obtenção do título de Engenheiro Mecânico, no Curso de Graduação em Engenharia Mecânica do Centro Universitário Positivo Orientador: Prof. Nelson Elias Vogt Adaime CURITIBA 2006 TERMO DE APROVAÇÃO ii AGRADECIMENTOS Ao professor orientador Nelson Elias Vogt Adaime Pelo incentivo a prática científica, a reflexão e a pesquisa, no sentido de agregar conhecimento e fazer com que os resultados sirvam de motivação para a constante busca e aprimoramento do conhecimento. iii SUMÁRIO TERMO DE APROVAÇÃO ......................................................................................... ii AGRADECIMENTOS ................................................................................................. iii LISTA DE TABELAS ................................................................................................. vi LISTA DE GRÁFICOS .............................................................................................. vii LISTA DE FIGURAS ................................................................................................ viii 1 INTRODUÇÃO ........................................................................................................1 1.1 Objetivo Geral.......................................................................................................2 1.2 Objetivos Específicos ...........................................................................................2 1.3 Escopo..................................................................................................................3 1.4 Estrutura do Projeto..............................................................................................4 2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ...................................................................................5 2.1 Determinação Experimental de k (Histórico) ....................................................... 5 2.2 Condução de Calor...............................................................................................7 2.3 Equação para o Fluxo de Calor por Condução.....................................................8 2.4 A Condutividade Térmica e o Estado Sólido ......................................................11 2.5 Metais Utilizados nas Barras de Prova ...............................................................14 2.5.1 Aço ..................................................................................................................14 2.5.2 Alumínio...........................................................................................................15 2.5.3 Cobre...............................................................................................................15 3 DESENVOLVIMENTO...........................................................................................16 3.1 Experimento .......................................................................................................16 3.2 Concepção da Bancada Didática .......................................................................17 3.3 Calorímetros .......................................................................................................18 3.3.1 Modelos Disponíveis Comercialmente.............................................................18 3.4 Confecção da Bancada ......................................................................................20 3.5 Métodos para Determinação Experimental da Condutividade Térmica ..............24 3.5.1 Determinação de k Considerando Regime Permanente..................................24 3.5.2 Determinação de k Considerando Regime Transiente ...................................25 4 RESULTADOS E VALIDAÇÃO DA BANCADA ...................................................30 4.1 Resultados para k em Regime Permanente .......................................................30 4.2 Resultados para k em Regime Transiente.........................................................31 iv 4.3 Análise Dos Resultados.....................................................................................35 5 CONCLUSÃO .......................................................................................................37 SUGESTÃO PARA TRABALHOS FUTUROS..........................................................39 GLOSSÁRIO .............................................................................................................40 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ..........................................................................41 Anexo A – Projeto para Execução .............................................................................42 Anexo B – Evolução dos Resultados de k Obtidos Utilizando Diferentes Métodos de Isolamento .................................................................................................................46 Anexo C – Roteiro de Aula Prática ............................................................................50 v LISTA DE TABELAS TABELA 1: CONDUTIVIDADES TÉRMICAS (W/m oC)......................................................................... 10 TABELA 2: VALORES DE k PARA O REGIME PERMANENTE .......................................................... 31 TABELA 3: VALORES DE k PARA O REGIME TRANSIENTE ............................................................ 32 TABELA 4: ERRO NA DETERNIÇÃO EXPERIMENTAL DE k ............................................................. 35 TABELA 5: VALORES DE k PARA O COBRE ISOLADO COM E.V.A................................................. 47 TABELA 6: TABELA 6: VALORES DE k PARA O COBRE ISOLADO COM LÃ DE VIDRO (PRIMEIRA BATERIA DE ENSAIOS) ...................................................................................................................... 47 TABELA 7 VALORES DE k PARA O COBRE ISOLADO COM LÃ DE VIDRO (SEGUNDA BATERIA DE ENSAIOS)........................................................................................................................................ 48 TABELA 8: VALORES DE k PARA O AÇO 1020 ISOLADO COM AMIANTO ..................................... 48 TABELA 9: VALORES DE k PARA O ALUMÍNIO ISOLADO COM AMIANTO ..................................... 49 TABELA 10: VALORES DE k PARA O COBRE ISOLADO COM AMIANTO ....................................... 49 vi LISTA DE GRÁFICOS GRÁFICO 1: COMPORTAMENTO DA TEMPERATURA (T) EM FUNÇÃO DO TEMPO (t) ................ 28 GRÁFICO 2: DETERMINAÇÃO DA ÁREA CORRESPONDENTE A DIFERENÇA DE TEMPERATURA ENTRE O RECIPIENTE E O CALORÍMETRO ..................................................................................... 29 GRÁFICO 3: VARIAÇÃO DE Tcal EM FUNÇÃO DO TEMPO PARA O AÇO 1020............................... 33 GRÁFICO 4: VARIAÇÃO DE Tcal EM FUNÇÃO DO TEMPO PARA O ALUMÍNIO .............................. 34 GRÁFICO 5: VARIAÇÃO DE Tcal EM FUNÇÃO DO TEMPO PARA O COBRE................................... 34 vii LISTA DE FIGURAS FIGURA 1: TRANSFERÊNCIA DE CALOR POR CONDUÇÃO ............................................................. 8 FIGURA 2: ESQUEMA DO FLUXO DE CALOR ..................................................................................... 9 FIGURA 3: ESQUEMA DA BANCADA DIDÁTICA................................................................................ 16 FIGURA 4: CALORÍMETRO.................................................................................................................. 19 FIGURA 5: CALORÍMETRO SIMPLES ................................................................................................. 19 FIGURA 6: CALORÍMETRO COM RESISTÊNCIA E TERMÔMETRO................................................. 19 FIGURA 7: CALORÍMETRO COM DUAS ENTRADAS ........................................................................ 20 FIGURA 8: CONCEPÇÃO INICIAL DA BANCADA – RECIPIENTE EM AÇO...................................... 21 FIGURA 9: DETALHE DA FALHA NA ESTANQUEIDADE DO RECIPIENTE...................................... 21 FIGURA 10: TESTE FINAL DE MONTAGEM DO NOVO EQUIPAMENTO ......................................... 22 FIGURA 11: TORNEAMENTO INICIAL DO RECIPIENTE EM NYLON ............................................... 23 FIGURA 12: TORNEAMENTO REVISADO DO RECIPIENTE EM NYLON ......................................... 23 FIGURA 13: TAMPA DO RESERVATÓRIO COM RESISTOR ACOPLADO ....................................... 24 viii 1 INTRODUÇÃO A determinação da condutividade térmica é um passo importante no processo de aprendizagem do conteúdo relacionado à transferência de calor. O objeto de estudo deste trabalho é o processo de condução de calor através de barras metálicas sólidas e homogêneas. Para tanto, será desenvolvida uma bancada didática que permita o estudo da propagação de calor em barras metálicas. Também serão propostos dois métodos para determinação da condutividade térmica utilizando a bancada. Essa bancada será destinada à realização de aulas experimentais nas disciplinas de Física e de Fenômenos de Transporte do curso de Engenharia Mecânica do Centro Universitário Positivo (UnicenP). A transferência de calor é um assunto relevante para a engenharia. O presente trabalho pretende quantificar os valores da taxa de transferência de calor por condução utilizando dois métodos: condução em regime permanente (estacionário) e condução em regime transiente (não estacionário). Os valores obtidos para o fluxo de calor através das barras metálicas serão utilizados para determinação da condutividade térmica. A bancada didática desenvolvida será provida de três barras metálicas de diferentes materiais, e um roteiro de aula prática. Para que esta atividade seja possível, fatores determinantes na condução de calor em ligas metálicas serão abordados incluindo também um histórico da determinação experimental do valor da condutividade térmica. No que diz respeito à confecção da bancada, serão referenciados aspectos construtivos, materiais e equipamentos utilizados. Quando da obtenção dos valores da condutividade térmica, representada costumeiramente pela letra k, as relações matemáticas com seus respectivos cálculos serão demonstradas, bem como diferentes formas de resolução serão apresentadas com o objetivo de complementar o estudo realizado. 2 1.1 Objetivo Geral Projetar, construir e testar uma bancada para determinação da condutividade térmica, utilizando barras cilíndricas de alumínio, cobre e aço 1020. A bancada será construída levando-se em conta características apropriadas aos fins didáticos. 1.2 Objetivos Específicos Os objetivos específicos são listados a seguir: • determinar a melhor composição de materiais para a construção da bancada; • selecionar os materiais a serem ensaiados e otimizar a sua geometria; • elaborar um roteiro de aula prática para que o experimento possa ser reproduzido pelos alunos de maneira clara e objetiva; • desenvolver um método que permita quantificar o fluxo de calor considerando um regime permanente; • desenvolver um método que permita quantificar o fluxo de calor considerando a propagação de calor em regime transiente; • analisar e interpretar os resultados, após a construção da bancada. 3 1.3 Escopo O escopo do trabalho envolve as seguintes etapas: • levantamento de informações junto a fabricantes de equipamentos didáticos; para a seleção dos materiais necessários na construção da bancada; • construção da bancada; • projeto; • usinagem dos componentes; • estudo da propagação de calor ao longo de barras metálicas em regime permanente e transiente; • testes para validação da bancada; • elaboração de um roteiro de aula prática. 4 1.4 Estrutura do Projeto Esse capítulo descreve como o trabalho será apresentado. O trabalho está dividido nas seguintes partes: • revisão bibliográfica; • desenvolvimento e construção da bancada, aspectos construtivos e métodos utilizados; • teste da bancada, através da determinação experimental dos valores de k; • validação dos resultados obtidos, e comparação com valores tabelados indicados na bibliografia; • elaboração de um roteiro de aula prática; • conclusões finais do projeto. 5 2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA Para a compreensão da atividade experimental a que esse trabalho se propõe, são necessários que alguns conceitos e técnicas relacionadas à condução de calor sejam contemplados. Assim, esse capítulo abordará os seguintes temas: • determinação experimental de k (histórico); • condução de calor; • equação para o fluxo de calor por condução; • a condutividade térmica e o estado sólido; • metais utilizados nos corpos de prova; • determinação experimental de k. 2.1 Determinação Experimental de k (Histórico) A primeira tentativa de se ter uma idéia relativa dos coeficientes de condução de calor dos metais foi realizada aproximadamente em 1780 pelo cientista holandês Jan Ingenhousz (1730 – 1799). Nascido em Breda, Países Baixos, e criado na Inglaterra, Ingenhousz utilizou um aparelho que consistia de um recipiente contendo água fervendo e engastada nele uma série de varetas metálicas de mesmas secções transversais e impregnadas de cera. Notou-se que, mantendo a 100°C a temperatura da água em que uma das extremidades das varetas era submetida, o comprimento da parte derretida da cera variava notavelmente de metal para metal. Isso significava que o calor se transmitia mais facilmente nas varetas onde a cera se derretia em maiores proporções. Entretanto, apenas pelo comprimento da porção derretida não se podia ter uma determinação de k. Depois de algum tempo, o físico francês Jean Claude Eugène Péclet (1793 1857), imaginou um sistema de medida absoluta que teoricamente parecia ser aceitável, mas que praticamente provou não o ser. A aparelhagem consistia de um bloco de chumbo de medidas determinadas, que era aquecido em cima por meio de vapor d’água a 100°C e a parte inferior era mantida em uma câmara de água, que entrava a certa temperatura e a certa velocidade. Sabendo a velocidade da água e o aumento da temperatura durante a passagem, podia-se ter uma espécie de 6 calorímetro. Péclet tinha então a quantidade de calorias Q que passava através de uma superfície determinada do bloco de chumbo, durante certo intervalo de tempo, e sabendo a espessura do bloco e a diferença total de temperatura, tinha uma única incógnita na expressão de Fourier, o valor de k. Porém ele percebeu que esse coeficiente variava enormemente ao variarem as dimensões do bloco. Devendo o k ser constante para o chumbo, Péclet reconheceu que essa variação era devida ao fato de que no ponto de contato entre vapor e chumbo e entre este e a água, formavam-se coeficientes adicionais de resistência térmica, que hoje se sabe serem os coeficientes de película. Ele pensou em eliminar esse inconveniente colocando no recipiente de água uma escova rotativa a fim de eliminar a película de líquido. Mesmo desse modo não obteve resultados aceitáveis e foi necessário modificar o método. A modificação mais simples foi que em lugar de determinar a diferença de temperatura total entre vapor e água, furou-se o bloco de chumbo em dois pontos próximos das extremidades, furos esses os mais finos possíveis e introduziu-se neles um par termo-elétrico, que dava a diferença de temperatura entre os dois pontos. Eliminamse desse modo os efeitos perturbadores das películas. Com esse sistema foi possível obter valores de k mais exatos. Faltava ainda corrigir duas fontes de erro. Em primeiro lugar, tem-se que a extremidade do bloco de chumbo se achava em contato com o ar e podia perder calor pelas paredes o que falseava os resultados. Para eliminar esse inconveniente deve-se trabalhar em vácuo evitando perda de calor pelas paredes. Deve-se eliminar ainda o erro provindo da possibilidade da perda ou ganho de calor através da irradiação. A irradiação pode ser neutralizada colocando ao redor do bloco de chumbo de prova, outros blocos de chumbo que sejam aquecidos às mesmas temperaturas nas extremidades, de maneira que salvo pequenas oscilações pode-se admitir que em cada ponto as temperaturas das superfícies de mesma altura que se defrontam são iguais e, portanto não haverá perda nem ganho de calor por irradiação. Com esse sistema e suas modificações, foi possível determinar valores de k satisfatorios, e variando o sistema calorimétrico determinou-se o k em diversas temperaturas. “O método de Péclet com suas modificações serve perfeitamente para metais, mas no caso de maus condutores, as quantidades de calor que passam se tornam 7 da mesma ordem de grandeza das perdas possíveis, de maneira com que os erros se tornam excessivamente grandes”. (INCROPERA, 1998) 2.2 Condução de Calor O processo de condução de calor é caracterizado pela propagação de energia em um corpo, como resultado da presença de um gradiente de temperatura no mesmo. Este processo depende diretamente da substância que constitui o corpo, sendo também denominado difusão de calor. A condução de calor em uma barra metálica sólida (ou haste metálica) ocorre através do aumento nas amplitudes de vibração dos átomos que a constituem. Esse aumento nas amplitudes de vibração é transmitido ao longo da haste, de átomo para átomo, pelas colisões entre átomos adjacentes. Por exemplo, se a extremidade de uma barra metálica sólida for aquecida, os átomos próximos à fonte de calor vibrarão com maior intensidade que os da extremidade fria. Neste caso, a condução de calor pode ser imaginada como a transferência de energia das partículas mais energéticas (que vibram mais intensamente) para as adjacentes que estão menos energéticas; ou seja, a interação dos átomos mais energéticos com seus vizinhos provoca a propagação de calor ao longo da barra metálica (Figura 1). É importante citar que nos metais o transporte de energia térmica se faz também pelos elétrons livres, que podem se deslocar entre os átomos da rede metálica cristalina. (TIPLER, 1995). 8 FIGURA 1: TRANSFERÊNCIA DE CALOR POR CONDUÇÃO Fonte: O autor, 2006 Na concepção moderna, atribui-se a transferência de energia a ondas na rede provocadas pelo movimento atômico. Num sólido isolante, a transferência de energia se faz exclusivamente através dessas ondas; num sólido condutor também se deve ao movimento translacional dos elétrons livres. É possível quantificar o processo de transferência de calor em termos da equação para fluxo de condução de calor por condução. Esta equação é conhecida como a Lei de Fourier, que relaciona condução de calor por unidade de tempo. 2.3 Equação para o Fluxo de Calor por Condução “A lei de Fourier é uma lei fenomenológica, isto é, uma lei desenvolvida a partir de fenômenos observados e não deduzida a partir de princípios fundamentais. Por isso, encaramos a equação para o fluxo de calor por condução como uma generalização baseada numa grande soma de evidências experimentais”. (INCROPERA, 1998). Por exemplo, consideremos a representação esquemática da condução de calor apresentada na Figura 2. Uma barra cilíndrica de material conhecido está isolada na face curva, enquanto as duas faces terminais são mantidas em 9 temperaturas diferentes. A diferença de temperatura provoca a transferência de calor por condução no sentido da extremidade quente para a fria. A taxa com que essa transferência ocorre (denominada fluxo de calor) é expressa como a razão da quantidade de energia transferida por intervalo de tempo e representada pela letra grega φ. O ponto inicial de nosso estudo passa a ser então a determinação da dependência do fluxo de calor em relação às seguintes variáveis: a diferença de temperatura entre a extremidade fria e a quente, o comprimento da barra e a área da seção transversal reta. FIGURA 2: ESQUEMA DO FLUXO DE CALOR Fonte: O autor, 2006 Podemos imaginar inicialmente que a diferença de temperatura e a distância entre as extremidades do corpo sejam constantes, variando apenas a área da seção transversal. Nesse caso, o fluxo é diretamente proporcional à área. Mantendo a diferença de temperatura e a área constantes, observamos que o fluxo varia numa proporção inversa ao comprimento. Finalmente, mantendo as dimensões da barra constantes, encontramos que o fluxo é diretamente proporcional à diferença de temperatura. O efeito coligativo é, então: ϕ ≈ A. ∆T ∆x Ao se modificar o material, encontraremos que a proporcionalidade mencionada continua a valer. No entanto, também descobriremos que para os mesmos valores da área, do comprimento e da diferença de temperatura, o fluxo de calor será menor no caso de um plástico do que no caso de um metal. Isto sugere 10 que a proporcionalidade pode ser convertida numa igualdade mediante a introdução de um coeficiente que é a medida do comportamento do material. Escrevemos, assim, ϕ= ∆Q ∆T = −k . A. (equação 1) ∆t ∆x onde: • φ representa o fluxo de calor. No Sistema Internacional de Unidades (SI) essa grandeza é expressa em Joules por segundo (J/s); • ∆Q representa a quantidade calor transferido, expressa em joules (J); • ∆t representa o intervalo de tempo considerado, expresso em segundos (s); • k representa a constante de proporcionalidade denominada de condutividade térmica. Ela é característica do material condutor, é definida em termos da quantidade de energia conduzida em função do comprimento e da diferença de temperatura e é expressa no SI em Watt por metro-Celsius (W/m-1.oC-1); • A representa a área da seção transversal do corpo condutor, sua unidade no SI é o metro quadrado (m2); • ∆T representa a variação de temperatura no intervalo considerado e é medida em graus Celsius (°C); • ∆x representa a variação de comprimento considerada, medida em metros (m). Nota: a razão ∆T é denominada gradiente de temperatura. ∆x Reescrevendo a equação 1 na forma diferencial, para um comprimento dx da liga, onde a variação da temperatura é dT, obtemos para o fluxo de calor: ϕ = − k . A. dT dx A lei de Fourier escrita nessa forma mostra que o fluxo de calor é uma grandeza direcional. Em particular, a direção do fluxo de calor é normal à secção reta de área A. O sinal negativo é necessário, pois o calor se transfere sempre na direção das temperaturas decrescentes e k é um parâmetro positivo. 11 2.4 A Condutividade Térmica e o Estado Sólido A condutividade térmica é conhecida como uma propriedade de transporte, proporciona uma indicação sobre a taxa de transferência de energia através do processo de condução, também conhecido como processo de difusão. Depende da estrutura física, atômica, e molecular da matéria, que está relacionada ao estado da matéria. “Na visão moderna dos materiais um sólido é considerado composto por elétrons livres e por átomos ligados em um arranjo periódico em forma de rede. Neste modelo, o transporte de energia térmica se dá por meio de dois efeitos distintos: a migração de elétrons livres e através de ondas vibracionais na rede. Esses efeitos são aditivos de tal forma que a condutividade térmica, k, é a soma do componente eletrônico, kel, com o componente da rede, kr”. (INCROPERA, 1998) k = kel + kr (equação 2) Em sólidos metálicos a parcela de maior peso sobre o valor da soma é o componente eletrônico, enquanto que para não metálicos é o componente de rede. Neste caso, a regularidade da rede é de fundamental importância para a propriedade de condução térmica, chegando ao ponto de haver sólidos não metálicos de rede bem organizada, como por exemplo o diamante, que apresentam valores de condutividade térmica superiores aos de metais. Ainda em sólidos não metálicos, vale citar que aqueles de estrutura amorfa, como o vidro, encontram-se no extremo oposto em termos de condutividade, sendo geralmente bons isolantes. De acordo com o modelo apresentado na figura 2 e nas relações propostas pela lei de Fourier, para uma dada diferença de temperatura entre os reservatórios, os materiais com condutividade térmica maior, irão transferir maiores quantidades de calor por unidade de tempo. Tais materiais, por exemplo, o cobre, são bons condutores térmicos. Ao contrário, materiais com pequenas condutividades térmicas irão transferir pequenas quantidades de calor por unidade de tempo. Esses materiais são condutores térmicos pobres, ou materiais isolantes. O isolamento é usualmente descrito em termos de resistência térmica, Rt, que é definida por: 12 Rt = 1 (equação 3) k Materiais que possuem uma alta condutividade térmica apresentam baixa resistência térmica, são bons condutores. Por outro lado, materiais com pequena condutividade térmica possuem grande resistência térmica - são bons isolantes. A tabela 1 abaixo apresenta a condutividade térmica dos principais materiais utilizados na construção da bancada didática. Primeiro os condutores e na seqüência os materiais isolantes. TABELA 1: CONDUTIVIDADES TÉRMICAS (W/m.oC) Alumínio 237 Aço 1020 63,9 Cobre 401 Amianto 0,17 EVA(Polímero) 0,25 Lã de vidro 0,045 Nylon 0,23 Fonte: http://www.materiales-sam.org.ar A condutibilidade térmica varia com a temperatura. Porém, tal variação pode ser desprezada para variações de temperatura não muito grandes. Por outro lado, quando a diferença de temperatura em um sistema causa variações significativas na estrutura atômica, mesmo sem mudança de estado físico, a dependência da temperatura deve ser levada em consideração. Para numerosos materiais, especialmente dentro de um intervalo de temperatura limitado, as variações da condutividade representadas pela função linear: k = k0 .(1 + Bk .T ) (equação 4) térmica podem ser 13 Onde k0 é a condutividade térmica à temperatura T = 0 e Bk é uma constante chamada de coeficiente de temperatura da condutividade térmica; quando a variação da condutividade térmica é disponível na forma de uma curva mostrando como a mesma varia em função da temperatura, o coeficiente de temperatura pode ser obtido traçando-se uma reta passando pelas temperaturas em questão, sendo que k0 será numericamente igual à ordenada da interseção à temperatura T = 0. Condutividades térmicas dos sólidos têm sido estabelecidas experimentalmente porque elas dependem de muitos fatores que são difíceis de medir ou prever. Em sólidos porosos, por exemplo, a condutividade térmica é fortemente dependente da fração vazia, o formato do poro, e do fluido contido nos poros; nos materiais cristalinos a fase e a forma cristalina são importantes; nos sólidos amorfos o grau de orientação molecular tem efeito considerável. Geralmente, metais são melhores condutores de calor que não-metais, e materiais cristalinos conduzem calor mais facilmente do que materiais amorfos. Sólidos porosos secos são maus condutores de calor, portanto são excelentes para isolamento térmico. As condutividades da maioria dos metais puros, decresce com o aumento da temperatura, enquanto a condutividade dos não-metais aumenta; ligas metálicas mostram comportamento intermediário. Talvez a maior utilidade dessas regras é saber que as condutividades térmicas e elétricas estão em conexão. Para metais puros, a condutividade térmica k e a elétrica ke estão relacionadas como segue: k .T = L = constante (equação 5) ke Essa é a famosa equação da Wiedman, Franz e Lorenz. O número de Lorenz, L, é aproximadamente 22 a 29.10-9 (Volts/K)2 para metais puros a 0 ºC, aumentando de 10 a 20% a cada 1000 ºC. A equação tem utilidade limitada para ligas metálicas, uma vez que L varia muito dependendo da composição da liga e, em alguns casos, com a temperatura. O sucesso da equação nos metais puros é devido ao fato de que os elétrons livres são os maiores condutores de calor. A equação não é adequada para nãometais, nos quais a transmissão de energia por movimentação molecular predomina. 14 Todos os sólidos conduzem calor. Entre eles, os melhores condutores elétricos (Ag, Cu, Al, Au) são também os melhores condutores de calor. Uma vez que a condução de calor tem a sua origem no comportamento dos elétrons de valência, a similaridade do comportamento sugere que a condução de calor nos metais é também, em grande parte, resultado do comportamento dos elétrons de valência. Nem toda a condução de calor é devida aos elétrons. Desde que a energia de calor está primeiramente nas vibrações dos átomos sobre seu espaço delimitado, a energia pode ser transferida de um ponto a outro pelas colisões interatômicas. Tais vibrações são analisadas em termos de ondas sonoras, e denominadas fônons. Como estas vibrações se movem através da rede cristalina com a velocidade do som, pode-se deduzir que a condução de calor também pode se processar da mesma forma. Portanto, quando um sólido tem uma faixa de condução com um número significante de elétrons, a condução de calor pelos elétrons é muito maior do que pelas ondas vibracionais na rede. 2.5 Metais Utilizados Nos Corpos De Prova 2.5.1 Aço 1020 Os aços são ligas metálicas de ferro e carbono, com porcentagens deste último variáveis entre 0,008 e 2,1. O aço é o principal metal da indústria mecânica, com densidade de 7,8 g/cm3 a 0 ºC e condutividade térmica relativamente baixa se comparado a outros metais como cobre e alumínio. Seu calor específico, equivale a c = 486 J Kg .K , o que demonstra uma capacidade mediana de absorver calor de sua vizinhança externa, se comparado a outros metais. Sua constante de dilatação térmica linear equivale a α l = 12 × 10 −6 (°C ) −1 , o que significa que quando submetido a um aquecimento ou resfriamento, expande ou contrai-se com certa dificuldade. 15 2.5.2 Alumínio O alumínio é um metal leve e macio, porém resistente. Tem aspecto cinza prateado e fosco. Com ponto de fusão equivalente a 660ºC e densidade de 2,7 g/cm3 a 0 °C, aproximadamente um terço da do aço ou cobre,o alumínio comercialmente puro caracteriza-se pelas elevadas condutividades térmica e elétrica e pela baixa resistência mecânica. Tem grande capacidade de absorver calor do meio externo, com c = 900 J Kg .K , possuindo também facilidade em expandir-se ou contrair-se quando submetido a altas ou baixas temperaturas, tem uma constante de dilatação térmica linear equivalente a α l = 25,5 x10 −6 ( o C ) . Devido a essas −1 características, suas principais aplicações restringem-se a componentes de sistemas térmicos e elétricos. Considerando a quantidade e o valor do metal empregado, o uso do alumínio excede o de qualquer outro metal, exceto o aço. 2.5.3 Cobre O cobre é um dos metais mais importantes industrialmente, de coloração avermelhada, é dúctil e maleável. Manifesta excelentes propriedades de condução térmica e elétrica ficando apenas após a prata que é o melhor condutor. Com calor específico c = 386 J Kg .K , é o que possui menor capacidade em absorver calor do meio externo, se comparado as ligas acima. Quando submetido à temperatura, dilata-se ou contrai-se com facilidade, ficando atrás do alumínio e a frente do aço 1020, com constante de dilatação térmica linear correspondente a α l = 16,8 x10 −6 ( o C ) . −1 Tem aproximadamente 45% de seu consumo destinado a produção de materiais condutores de eletricidade (fios e cabos). Possui elevados pontos de fusão e ebulição. Sua densidade é de 8,92 (g/cm3) a 0 ºC. 16 3 DESENVOLVIMENTO 3.1 Experimento O experimento proposto neste trabalho baseia-se na condução de calor realizada por uma barra metálica isolada termicamente, a qual tem uma de suas extremidades em contato com água fervente e a outra conectada a um calorímetro. O primeiro método utiliza gelo e água no calorímetro como forma de manter a água à temperatura constante de 4 oC. Tendo no recipiente água em ebulição (temperatura constante), estabelece-se assim um regime de condução permanente. A quantidade de calor transferida para este método é obtida multiplicando-se a massa de gelo derretida ao final do experimento pelo seu respectivo calor latente de fusão. No segundo método acrescenta-se água a temperatura ambiente no calorímetro e monitora-se a variação de temperatura da água durante o intervalo de tempo considerado chegando assim à quantidade de energia conduzida, caracterizando um regime de condução transiente. Primeiramente, água é adicionada a aproximadamente 93 ºC no recipiente, acoplado a uma extremidade do cilindro que neste caso será de alumínio, aço 1020 ou cobre, de área A, e comprimento L. A outra extremidade é acoplada ao calorímetro, contendo água à temperatura ambiente, ou água e gelo, conforme a condição de regime de transferência de calor (os diferentes métodos para análise serão apresentados na seção 3.5). FIGURA 3: ESQUEMA DA BANCADA DIDÁTICA Fonte: O autor, 2006 17 R: Recipiente contendo água em ebulição (aproximadamente 93 oC) e resistor; C: Calorímetro contendo água à temperatura ambiente, ou água e gelo a temperatura de 4 oC; L: Comprimento da liga metálica. Sendo d o diâmetro da barra metálica e L seu comprimento , a área da seção transversal de contato A é dada pela expressão A = π . d2 . 4 3.2 Concepção da Bancada Didática Um fator de grande importância para o projeto de uma bancada como a proposta no presente trabalho é a determinação dos equipamentos que serão utilizados na confecção da mesma, sabendo-se que a instrumentação deve fornecer valores da taxa de transferência de calor e do gradiente de temperatura. Como exemplo, a determinação dos tipos de termômetros a serem utilizadas, as escolhas da fonte de calor, bem como a seleção dos materiais que serão utilizados no experimento. Para o desenvolvimento do projeto, é necessário realizar experimentos com barras cilíndricas de alumínio, cobre e aço 1020. Uma dificuldade que se verificou no projeto da bancada foi a obtenção das temperaturas para a realização dos cálculos necessários à determinação de k. Existem diversos dispositivos que podem ser utilizados para esta tarefa, mas devese atentar para os equipamentos disponíveis para utilização em sala de aula. Outro ponto chave são os cuidados com o isolamento térmico, que visa diminuir ao máximo as trocas de calor do sistema com o ambiente. No caso deste trabalho foram testados EVA (polímero), lã de vidro e amianto. No que diz respeito às dimensões utilizadas para as capacidades volumétricas do recipiente e do calorímetro, bem como às dos corpos de prova, as mesmas foram definidas levando-se em consideração o fato de que o experimento deve ter viabilidade de reprodução em aula. O calorímetro foi selecionado dentre os modelos comerciais disponíveis (ver seção 3.3 - Calorímetros) de modo que a capacidade volumétrica em seu interior proporcione uma variação de temperatura no intervalo de tempo em que o experimento será realizado. 18 Já o recipiente foi dimensionado com base em dois fatores, o primeiro deles a capacidade volumétrica do calorímetro utilizado para esse trabalho (120ml) e o segundo a viabilidade para a manutenção da água em ebulição através da resistência elétrica anexada na tampa do recipiente. 3.3 Calorímetros Basicamente, um calorímetro é constituído de um recipiente com paredes adiabáticas, podendo ser provido de um agitador e de um termômetro. O calorímetro utilizado na bancada desse trabalho participa das trocas de calor do sistema, uma vez que parte do calor que flui pelo corpo de prova será usada no aquecimento do calorímetro. A parcela de calor destinada ao aquecimento do calorímetro pode ser avaliada, utilizando-se: Q = C.∆T , onde: • Q é a quantidade de calor para aquecer o calorímetro; • C é a capacidade térmica do calorímetro; • ∆T (tf – ti) é a diferença de temperatura no calorímetro para o intervalo de tempo considerado. A seguir, descrevemos alguns modelos disponíveis no mercado, provenientes do fabricante 1 e fabricante 2 referenciados no final deste trabalho, com suas respectivas especificações. 3.3.1 Modelos Disponíveis Comercialmente Calorímetro Simples (Fabricante 1) O fabricante 1, especializado no desenvolvimento e fabricação de produtos para o ensino de Física, disponibiliza um modelo com capacidade equivalente em água de 120ml, tem isolamento térmico confeccionado em isopor, sendo que externamente é recoberto por plástico. Uma tampa fecha o conjunto. A tampa possui furo para colocação do termômetro. 19 FIGURA 5: CALORÍMETRO SIMPLES Fonte: Fabricante 1, 2006 Calorímetro com resistência e termômetro (Fabricante 2) Esse é um outro modelo de calorímetro com características construtivas um pouco diferentes em relação ao mostrado anteriormente. Possui vaso interno em alumínio com capacidade volumétrica de 200 ml de água, vaso externo isolante térmico, confeccionado em isopor, orifício para inserção do termômetro, termômetro analógico : escala -10 a 110°C; resolução de 1°C; resistência elétrica de 12,5 Ohms com potencia 10W acoplada a tampa. FIGURA 6: CALORÍMETRO COM RESISTÊNCIA E TERMÔMETRO Fonte: Fabricante 2, 2006 Calorímetro com duas entradas (Fabricante 1) Também disponibilizado pelo fabricante 1 e utilizado para a confecção da bancada do presente trabalho, possui capacidade volumétrica de 120 ml de água, capacidade térmica C = 83,6 J , (Joules por grau centígrado), sendo este valor °C obtido através da multiplicação do equivalente em água do calorímetro (0,02 Kg ) pelo calor específico da água, como mostrado abaixo: C = 0,02 Kg J J × 4180 = 83,6 °C °C Kg 20 É confeccionado a base de polímeros, e sua tampa possui dois furos para inserção de termômetro e agitador. FIGURA 7: CALORÍMETRO COM DUAS ENTRADAS Fonte: O autor, 2006 O ideal seria que os calorímetros não trocassem calor de modo algum com o ambiente, na prática, porém, o calorímetro apenas reduz a um mínimo a troca de calor. Quando a barra metálica entra em contato com a água do calorímetro, ela aquece tanto a água quanto o calorímetro e a parte imersa do termômetro. Nota-se assim que nem todo o calor é utilizado para o aquecimento da água. Costuma-se imaginar então, que tudo se passa como se houvesse um pouco mais de água do que realmente está presente dentro calorímetro. Desse modo o valor da capacidade térmica do calorímetro acima descrito visa eliminar esta parcela de calor que é dissipada aos outros elementos do sistema. 3.4 Confecção da Bancada No projeto inicial da primeira bancada construída, foi previsto um recipiente inteiramente metálico composto de base e cuba de aço carbono, unidas por soldagem (figura 8). Essa opção foi abandonada devido à falta de estanqueidade da união rosqueada entre o recipiente e a liga metálica. (figura 9). 21 FIGURA 8: CONCEPÇÃO INICIAL DA BANCADA – RECIPIENTE EM AÇO Fonte: O autor, 2006. FIGURA 9: DETALHE DA FALHA NA ESTANQUEIDADE DO RECIPIENTE Fonte: O autor, 2006 A segunda opção para o material do recipiente foi o nylon, pelo mesmo ser um material comum e de baixo custo. Além do fato de o nylon ser um material com baixa dilatação térmica linear (menor do que as ligas metálicas), é um material tenaz, ou seja, quando é feita a rosca no recipiente de nylon a tendência é de que o material sofra uma retração após cessados os esforços provenientes da manufatura, conseguindo-se assim uma melhor vedação na união rosqueada. 22 FIGURA 10: TESTE FINAL DE MONTAGEM DO NOVO EQUIPAMENTO Fonte: O autor, 2006 Com relação ao primeiro recipiente confeccionado houve também alteração nas medidas, uma vez que a capacidade volumétrica do primeiro modelo ficou superdimensionada. A dificuldade encontrada foi na usinagem do material, pois devido ao fato da alta tenacidade do nylon e da baixa velocidade de corte que estava sendo utilizada, a formação de cavacos estava acontecendo de maneira irregular e o acabamento superficial estava ruim (figura 11). Quando a velocidade de corte foi aumentada, regularizou-se a formação de cavacos melhorando assim o acabamento superficial (figura 12). Já com as ligas metálicas houve uma alteração de projeto que implicou na mudança do diâmetro das ligas, que inicialmente era de 18 mm, para um diâmetro de 16 mm, levando-se em consideração aspectos de montagem e de confecção da rosca nas ligas. 23 FIGURA 11: TORNEAMENTO INICIAL DO RECIPIENTE EM NYLON Fonte: O autor, 2006 FIGURA 12: TORNEAMENTO REVISADO DO RECIPIENTE EM NYLON Fonte: O autor, 2006 Para manter o fornecimento de energia necessário para a ebulição da água, foi instalado na tampa do recipiente R um resistor de 127 V (Volts) e 10 W (Watts) de potência bem como os cabos elétricos para a ligação do mesmo diretamente na alimentação de corrente alternada (figura 13). 24 FIGURA 13: TAMPA DO RESERVATÓRIO COM RESISTOR ACOPLADO Fonte: O autor, 2006 3.5 Métodos para Determinação Experimental da Condutividade Térmica Esse capítulo mostra a determinação de k a partir dos dois regimes de condução de calor reproduzidos na atividade experimental deste trabalho. As relações matemáticas referentes aos modelos de solução são baseadas em tudo o que já foi exposto até aqui, e explicitadas a seguir. 3.5.1 Determinação de k Considerando Regime Permanente A determinação de k de acordo com o experimento caracterizado no item 3.1 é realizada da seguinte maneira: • água fervendo é adicionada ao recipiente; • espera-se 10 minutos nesta condição afim de se obter a homogeneização da temperatura da liga metálica; • adiciona-se água a 4 oC no calorímetro, juntamente com uma barra de gelo; • Observa-se esta condição por mais 10 minutos. Assim, as condições para que se caracterize o regime permanente são satisfeitas uma vez que: 25 • a temperatura da água no recipiente foi mantida constante (temperatura de ebulição); • no calorímetro tem-se água à temperatura constante de 4 oC, uma vez que todo o calor conduzido pela barra metálica será utilizado para fundir o gelo, sem resultar em variação de temperatura até que toda a massa esteja em um mesmo estado físico; • a massa de gelo que se funde pode ser determinada subtraindo-se a quantidade total de água ao final do experimento da quantidade inicial. Considerando-se que, a quantidade de calor transferida por condução pode ser determinada pela relação: Q = mL f onde: • m é a massa de gelo derretida durante o intervalo de tempo considerado, medida em Kg; • Lf é o valor do calor latente de fusão do gelo e vale 330.000,00 J/Kg. basta isolar k na equação 1 e determinar o valor da condutividade térmica. 3.5.2 Determinação de k Considerando Regime Transiente Quando da realização do experimento caracterizando o regime transiente de condução de calor, faremos o mesmo procedimento descrito no 1° parágrafo do item 3.5.1, com a diferença que acrescentaremos apenas água à temperatura ambiente no calorímetro. Devemos então, levar em consideração a variação de temperatura entre as extremidades da liga metálica, pois a taxa de transferência de energia é afetada diretamente por tal diferença. Sendo assim, a quantidade de calor conduzida para este experimento passa a ser calculada através da seguinte equação: Q = m.c.∆T (equação 7), onde: • m é a massa de água em kg; • c é o calor específico da água, cujo valor correspondente é 1 cal/g°C ou 4180 J/Kg; 26 • ∆T (Tf – Ti) é a diferença de temperatura no calorímetro no intervalo de tempo considerado. O primeiro método de cálculo para o regime transiente utiliza a lei de Fourier, equação 1, de forma aproximada, onde considera-se que a taxa de transferência de calor manteve-se constante durante todo o intervalo de tempo do experimento, e é representado por: ϕ = − k . A. (Trec − Tcal − m ) m.c.(`T f − Ti ) C.(T f − Ti ) = + (equação 8), L (t f − t i ) (t f − t i ) onde: • Trec é a temperatura no interior do recipiente R; • Tcal-m é a temperatura média no interior do calorímetro ao longo do intervalo estudado; • (Tf – Ti) é a diferença de temperatura da água no calorímetro ao final do experimento; • C é a capacidade térmica do calorímetro utilizado, sendo obtida da multiplicação dos valores de seu equivalente em água pelo calor específico da água; • (tf – ti) é o intervalo de tempo de tempo considerado quando da realização do experimento. Note que: • os numeradores das parcelas ao lado direito da equação representam a quantidade de calor utilizada para aquecer a água e o calorímetro; • a soma destas duas parcelas representa a quantidade total de calor envolvida no experimento. A seguir serão apresentadas as relações matemáticas inerentes ao segundo método de cálculo. Nota-se que o fluxo de calor é proporcional à diferença de temperatura entre as extremidades da barra metálica. Sendo assim, tem-se que: 27 dT = Z .(Tres − Tcal ) (equação 9), dt onde: Trec corresponde à temperatura no interior do recipiente (mantida constante); Tcal à temperatura instantânea no interior do calorímetro e; Z é uma constante de proporcionalidade. Podemos, então, fazer alguns ajustes algébricos, a saber: dT = dt , logo, Z .(Tres − Tcal ) Tf t dT ∫T Z .(Tres − Tcal ) = ∫0 dt 0 Tomando-se um u = Z .(Tres − Tcal ) , temos que du = − Z .dT , então: 1 −Z Tf t − Z .dT 1 (Tres − T f ) de onde conclui-se que = dt − =t ln ∫ Z .(Tres − Tcal ) ∫0 Z (Tres − T0 ) T0 e assim, T (t ) = Tres − (Tres − T0 ).e − Z .t (equação 10), que passa a ser a solução para a temperatura em função do tempo, para situação de regime transiente. A representação cartesiana dessa função, de acordo com o gráfico 1, é uma exponencial cuja inclinação decresce com o tempo, sendo que quando este tende ao infinito, a temperatura do calorímetro tende a se igualar com a temperatura do recipiente (equilíbrio térmico). 28 Gráfico 1: COMPORTAMENTO DA TEMPERATURA (T) EM FUNÇÃO DO TEMPO (T) Fonte: O autor, 2006. Retornando a lei de Fourier e apresentando a mesma na forma diferencial tem se que: dQ k. A k.A =− (Tres − Tcal ) , logo, dQ = − (Tres − Tcal ).dt dt L L utilizando as informações da equação 10, tem-se que dQ = − k. A k.A (Tres − (Tres − (Tres − T0 ).e − Z .t )).dt , ou seja, dQ = − (Tres − T0 ).e − Z .t .dt L L por fim, Q t k.A − Z .t ∫0 dQ = − L ∫0 (Tres − T0 ).e .dt (equação 11) onde: Q ∫ dQ = calor que aqueceu a água no calorímetro, 0 T ∫ (T res − T0 ).e − Z .t .dt = esta integral é apresentada 0 numericamente igual à área da região hachurada no gráfico 2. no gráfico, sendo 29 Gráfico 2: DETERMINAÇÃO DA ÁREA CORRESPONDENTE A DIFERENÇA DE TEMPERATURA ENTRE O RECIPIENTE E O CALORÍMETRO TºC TºC (Tf – T) Tf Tf T T T0 T0 t t t(s) Fonte: O Autor, 2006 Note que: • A quantidade de calor que passa por condução pode ser determinada somando-se a parcela de calor utilizada para aquecer a água (equação 7), com a parcela de calor utilizada para aquecer o calorímetro, como segue: Q ∫ dQ = m.c.∆T + C.∆T 0 • Tendo o valor da área do gráfico 2 calculada, e a quantidade de calor conduzida durante o experimento, basta isolar k na equação 11. t(s) 30 4 RESULTADOS E VALIDAÇÃO DA BANCADA Neste capítulo serão apresentados os valores para a condutividade térmica nas barras de aço 1020, alumínio e cobre, obtidos a partir da realização dos experimentos propostos neste trabalho, e determinados através das soluções para o regime permanente e regime transiente. A bancada didática desenvolvida neste trabalho, bem como os equipamentos de medição de temperatura que foram utilizados, estão de acordo com o que estará disponível aos alunos quando os mesmos se encontrarem em laboratório para realizar o experimento. Para os experimentos em que se determinou k a partir do regime transiente foram utilizados termômetros de imersão com incerteza de medição de 1oC disponíveis nos laboratórios Unicenp. Para as experiências envolvendo o regime permanente foi utilizado um termopar tipo k juntamente com um termômetro digital com incerteza de medição de 2,2 oC . Os valores mostrados abaixo foram constantes em todos os experimentos realizados: Temperatura da água no recipiente TR = 93o C; Área da barra: 2,011x10-4 m2; Comprimento da barra L = 0,10 m; Capacidade térmica do calorímetro C = 83,6 J/oC; Intervalo de tempo de observação = 10 minutos. 4.1 Resultados para k em Regime Permanente A tabela 2 apresenta os valores para a condutividade térmica das ligas metálicas levando-se em conta o método de resolução para o regime permanente. Esta é a solução direta que utiliza a equação de Fourier exatamente como na equação 1. A massa de água adicionada ao calorímetro foi de 50 gramas. A massa derretida de gelo foi determinada subtraindo-se a quantidade de água ao final do experimento da quantidade inicial. 31 TABELA 2: VALORES DE k PARA O REGIME PERMANENTE Trec (oC) Tcal (oC) m (kg) L (J/Kg) Q (J) φ (J/s) k (W/m.oC) Aço 1020 93 4 0,010 330000 3300,00 5,50 30,72 Alumínio 93 4 0,034 330000 11220,00 18,70 104,48 Cobre 93 4 0,046 330000 15180,00 25,30 139,78 Fonte: O Autor, 2006 Para a obtenção dos valores de k presentes na tabela, foi usado o seguinte processo matemático: 5,5 = − k . A .(Tres − Tcal ) , L Sendo esses os valores para o aço e a relação funcional entre eles extraída da Lei de Fourier (equação 1). Prosseguindo, temos que: 5,5 = −k . 2,011.10 −4 .(93 − 4) , que resulta em k = 30,72 W/m.oC. 0,1 Toma-se essa solução analogamente para as demais ligas ensaiadas. 4.2 Resultados para k em Regime Transiente Abaixo temos os resultados obtidos da condutividade térmica, para as ligas metálicas quando da utilização da lei de Fourier de forma aproximada. Todas as variáveis referentes a este método de resolução foram monitoradas minuto a minuto durante os experimentos realizados, e os melhores valores de k, foram calculados de acordo com os dados da tabela 3. 32 TABELA 3: VALORES DE k PARA O REGIME TRANSIENTE Tcal-m o o o Tf ( C) m (kg) Q (J) t (min) Trec ( C) To ( C) (oC) o φ (J/s) k (W/m. C) Aço 1020 4 93 23 25 24 0,12 1170,4 4,88 35,15 Alumínio 1 93 23,5 25 24,25 0,12 877,8 14,63 105,84 Cobre 1 93 24 26,5 25,25 0,12 1463 24,38 179,03 Fonte: O Autor, 2006 Os cálculos para o cobre, referentes a este método de solução seguem abaixo, sendo analogamente aplicáveis ao aço 1020 e ao alumínio. k .2,011− 4 × (93 − 25,25) 0,12.4180.(26,5 − 24) 83,6.( 26,5 − 24) , = + 0,1 (60 − 0) (60 − 0) Isolando-se k temos que: k= 24,3838 , 0,1362 Ou seja, k = 179,03 W/m.oC. Para calcular os resultados inerentes ao segundo método de cálculo, tomamos das tabelas 8, 9 e 10, que se encontram no anexo B do presente trabalho, os seguintes valores: • Q (J), para o tempo de 10 minutos; • os valores da variação da temperatura da água no calorímetro durante os 10 minutos de realização do experimento. Tendo o valor da quantidade de calor eliminamos uma das incógnitas na equação 11.Tomando-se os dados da temperatura como base para a plotagem dos pontos da relação Tcal em função do tempo, pode-se fazer a aproximação da área compreendida entre essa curva e a curva da temperatura Trec, para utilização desta área em substituição ao valor da integral equivalente apresentado na equação 11. Seguem abaixo os valores calculados para esse método de resolução. 33 • Aço 1020 T (°C) GRÁFICO 3: VARIAÇÃO DE Tcal EM FUNÇÃO DO TEMPO PARA O AÇO 1020 100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 t (min) Trecipiente Tcalorímetro Fonte: O autor, 2006 Para a soma das áreas parciais, tomadas para incrementos de uma unidade na variável independente (∆t = 1 min), tem-se a expressão: n ∑ i =2 (Tres (i ) − Tcal (i )) + (Tres (i − 1) − Tcal (i − 1)) , 2 Que para o aço resulta em uma área de 677,75o C.min (40665 oC.s), que aplicada na equação 11 resulta em: Q ∫ dq = 0 k.A 2,011.10 −4 ( ) 2165 , 24 . T − T dT , ou seja, = − k .40665 f L ∫0 0,1 T Logo, k = 26,48 W/mo C. 34 • Alumínio GRÁFICO 4: VARIAÇÃO DE Tcal EM FUNÇÃO DO TEMPO PARA O ALUMÍNIO 100 80 T (oC) 60 40 20 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 t (m in) Trecipiente Tcalorímetro Fonte: O autor, 2006 Uma vez mais, é possível aplicar o método de cálculo da área entre as curvas, tomando-se um incremento unitário para a medida do tempo, o que resulta em uma área de 637,05o C.min, que processado pela equação 11 apresenta como solução uma constante de condutividade k = 87,57 W/moC. • Cobre GRÁFICO 5: VARIAÇÃO DE Tcal EM FUNÇÃO DO TEMPO PARA O COBRE 100 Tcal (o C) 80 60 40 20 0 1 2 3 4 5 6 7 8 t (min) Trecipiente Fonte: O autor, 2006 Tcalorímetro 9 10 35 Os valores calculados a partir do gráfico resultam em uma área entre as curvas de 606,6o C.min, o que conduz a um valor de k = 116,75 W/moC. 4.3 Análise dos Resultados Tradicionalmente os experimentos para determinação de k resultam em erros que variam entre 30 e 50%, razão pela qual não existem equipamentos voltados a esta finalidade disponíveis no mercado. A tabela a seguir apresenta os melhores resultados obtidos de k, que foram determinados através do regime transiente, utilizando como resolução a lei de Fourier de forma aproximada. Foram retirados da tabela 1 do presente trabalho os valores verdadeiros convencionais da condutividade térmica para as ligas metálicas, já os valores medidos correspondem aos valores da condutividade térmica determinados em experimento. Os erros em relação aos valores verdadeiros convencionais foram calculados através da seguinte equação: Ε(% ) = k vvc − k med × 100 (equação 12) k vvc onde: • Kvvc é o valor verdadeiro convencional da condutividade térmica; • Kmed é o valor medido em experimento. TABELA 4: ERRO NA DETERNIÇÃO EXPERIMENTAL DE k Kvvc (W/mºC) Kmed (W/mºC) E (%) Aço 1020 50 35,15 29,70 Alumínio 237 105,84 55,34 Cobre 385 179,03 53,50 Fonte: O Autor, 2006 Dentre as três ligas metálicas, a única que apresentou um resultado compatível ao erro esperado, foi a de aço 1020. As maiores parcelas de erro observadas foram para as ligas de alumínio e cobre. Uma possível explicação para o resultado encontrado seria que por estes 36 materiais conduzirem uma maior quantidade de calor, dissipou-se uma maior quantidade de calor comparativamente com o aço, gerando assim uma maior parcela de erro em suas determinações. 37 5 CONCLUSÃO O objetivo deste trabalho era projetar, construir e testar uma bancada didática para determinação da condutividade térmica em ligas metálicas, esse objetivo foi alcançado em sua totalidade. Os estudos realizados para elaboração dos métodos experimentais considerando os regimes permanente e transiente, bem como suas respectivas resoluções também obtiveram êxito, porém os valores obtidos de k, somente foram satisfatórios para a liga de aço 1020. Contrariamente a expectativa inicial, a liga de aço 1020 forneceu os menores erros na determinação de sua condutividade térmica, quando comparada ao seu valor verdadeiro convencional. Com a realização dos experimentos, e tendo em vista os valores verdadeiros convencionais da condutividade térmica para as ligas metálicas, comprovou-se que o cobre é melhor condutor dentre as três ligas e o aço 1020 o menor. O roteiro de aula prática desenvolvido adequa-se ao tempo de reprodução em aula, e transmite os conceitos relacionados a transferência de calor por condução, alcançando o objetivo esperado. Quando da determinação da condutividade térmica das ligas o presente trabalho não levou em consideração as perdas de calor por convecção e irradiação, que não são eliminadas mesmo com o uso de eficientes isolantes térmicos. Para que se chegasse aos resultados mostrados no capitulo 4, foram realizados experimentos onde: • diferentes materiais isolantes foram testados, sendo o amianto o mais eficiente; • diferentes formas de experimento foram realizadas, modificando-se o intervalo de tempo e a quantidade de água no calorímetro; • observou-se que a principal fonte de erro para os resultados obtidos, foi devido as dificuldades com o isolamento térmico das ligas metálicas; • os instrumentos utilizados nas medições de temperatura também contribuíram como parcela de erro na determinação de k; 38 • na realização dos experimentos para o regime permanente, a maior dificuldade encontrada, foi manter a água dentro do calorímetro a temperatura constante de 4 ºC; • os experimentos iniciais não foram incluídos no anexo C, por apresentarem valores distantes do esperado. Um inconveniente a ser resolvido no projeto atual da bancada é que a mesma necessita de reposição de água no recipiente de nylon pelo motivo da evaporação durante a realização do experimento. Uma possível solução seria fixar a resistência elétrica na tampa do recipiente de modo que a mesma ficasse a uma maior profundidade quando imersa dentro do mesmo. Outro fator a ser melhorado seria o sistema de isolamento das ligas metálicas de modo a diminuir os erros impostos por esta condição, bem como utilizar equipamentos de medição de temperatura com melhor resolução aos já utilizados. 39 SUGESTÃO PARA TRABALHOS FUTUROS Uma sugestão para trabalhos futuros seria o desenvolvimento de uma bancada didática que utiliza vapor d’água para o aquecimento das ligas metálicas, e um agitador dentro do calorímetro com o intuito de obter uma maior homogeneização na temperatura da água. Para melhorar o isolamento térmico do sistema, pode-se envolver cada liga metálica com um tubo de mesmo material depois que a mesma estiver devidamente coberta com o material isolante, de modo que: • o tubo fique conectado ao recipiente que contém vapor d’água, bem como ao calorímetro; • quando a liga for aquecida pelo vapor d’água, o tubo também será; • desse modo, a liga terá a sua volta o tubo a mesma temperatura, reduzindo assim a um mínimo a perda de calor por irradiação e conseqüentemente diminuindo o erro na determinação da condutividade térmica. 40 GLOSSÁRIO Adiabático – “Processo no qual não ocorre transferência alguma de energia na forma de calor entre o sistema e seu ambiente.” (HALLIDAY, 2001) Material cristalino – “Material cujos átomos, íons ou moléculas são situados em um arranjo repetitivo ou periódico por longas distâncias atômicas.” (CALLISTER, 1996) Material amorfo – “Material cujos átomos, íons ou moléculas não são situados em um arranjo repetitivo ou periódico por longas distâncias atômicas.” (CALLISTER, 1996) Calor – Energia térmica em trânsito. Temperatura – Medição da quantidade de calor de um sistema em um dado instante Cavaco – Cada pedaço de material removido em operações de corte. Coeficiente de Dilatação Térmica Linear – Razão pela qual a dimensão de um corpo expande em cada eixo do espaço, quando aumentada a temperatura. Tenaz – Propriedade de materiais que indica a quantidade de deformação suportada antes do limite de escoamento. Velocidade de corte – Velocidade relativa entre ferramenta e peça, no ponto de corte, em operações de usinagem. Calor latente (ou calor de transformação) – Quantidade de energia por unidade de massa que deve ser transferida sob a forma de calor quando uma amostra sofre completamente uma mudança de fase. (HALLIDAY, 2001) 41 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALONSO, Marcelo & FINN, Edward J. Física: Um curso universitário. Vol. 2 Campos e Ondas. São Paulo: Edgard Blücher, 1972. HALLIDAY, David; RESNICK, Robert & WALKER, Jearl. Fundamentos de Física, Vol 3 e 4. 4. ed. Rio de Janeiro: LTC, 1996. 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Rio de Janeiro: LTC, 2000. <http://www.azeheb.com.br>(Fabricante 1) Acessado em: 27 de abril de 2006. <http://www.cidep.com.br> (Fabricante 2) Acessado em: 27 de abril de 2006. <http://es.wikipedia.org> Acessado em: 04 de maio de 2006. <http://saladefisica.com.br> Acessado em: 12 de junho de 2006. <http://www.coc.com.br> Acessado em: 18 de agosto de 2006. <http://www.materiales-sam.org.ar> Acessado em: 03 de outubro de 2006. 42 Anexo A – Projeto para Execução 43 EngMEC2006_TCC_MON_Guilherme_Hamati_lay_out 44 EngMEc2006_TCC_MON_Guilherme_Hamati_recipiente 45 EngMEc2006_TCC_MON_Guilherme_Hamati_liga 46 Anexo B – Evolução dos Resultados de k Obtidos Utilizando Diferentes Métodos de Isolamento 47 As tabelas a seguir, referem-se à evolução dos resultados calculados para a condutividade térmica das ligas metálicas, para o regime transiente utilizando a lei Fourier de forma aproximada como forma de resolução. TABELA 5: VALORES DE k PARA O COBRE ISOLADO COM E.V.A. o o t (min) Tcal ( C) Q (J) φ (J/s) k (W/m. C) 1 16.5 - - - 2 17 300 0.84 5.45 3 21 600 3.76 25.00 4 22 900 3.07 20.64 5 24 1200 3.14 21.39 6 37 1500 6.86 48.65 7 40 1800 6.55 48.15 8 42 2100 6.09 46.21 9 44 2400 5.75 44.86 Fonte: O autor, 2006 TABELA 6: VALORES DE k PARA O COBRE ISOLADO COM LÃ DE VIDRO (PRIMEIRA BATERIA DE ENSAIOS) t (min) Tcal (oC) Q (J) φ (J/s) k (W/m.oC) 0 19 - - - 1 29 5016.20 16.72 120.52 2 32.5 6771.87 11.29 84.84 3 36 8527.54 9.48 73.78 4 39.5 10283.21 8.57 68.97 5 42.5 11788.07 7.86 65.23 6 44 12540.50 6.97 59.38 Fonte: O autor, 2006 48 TABELA 7: VALORES DE k PARA O COBRE ISOLADO COM LÃ DE VIDRO (SEGUNDA BATERIA DE ENSAIOS) o o t (min) Tcal ( C) Q (J) φ (J/s) k (W/m. C) 1 20 - - - 2 22 1003.24 8.36 57.75 3 25 2508.10 10.45 73.55 4 27 3511.34 9.75 69.80 5 28.8 4414.26 9.20 66.83 6 30.5 5267.01 8.78 64.73 Fonte: O autor, 2006 TABELA 8: VALORES DE k PARA O AÇO 1020 ISOLADO COM AMIANTO t (min) Tcal (oC) Q (J) φ (J/s) k 0 23,00 - - - 1 23,60 292,60 4,88 34,77 2 24,00 585,20 4,88 34,90 3 24,50 877,80 4,88 35,02 4 25,00 1170,40 4,88 35,15 5 25,40 1404,48 4,68 33,86 6 25,80 1638,56 4,55 33,03 7 26,10 1814,12 4,32 31,44 8 26,40 1989,68 4,15 30,25 9 26,70 2165,24 4,01 29,34 10 26,70 2165,24 3,61 26,47 Fonte: O autor, 2006 49 TABELA 9: VALORES DE K PARA O ALUMÍNIO ISOLADO COM AMIANTO t (min) Tcal (oC) Q (J) φ (J/s) k 0 23,50 - - - 1 25,00 877,80 14,63 105,84 2 26,00 1463,00 12,19 88,95 3 27,00 2048,20 11,38 83,69 4 28,00 2633,40 10,97 81,33 5 29,00 3218,60 10,73 80,14 6 30,00 3803,80 10,57 79,54 7 31,50 4681,60 11,15 84,64 8 33,00 5559,40 11,58 88,77 9 34,20 6261,64 11,60 89,72 10 35,00 6729,80 11,22 87,56 Fonte: O autor, 2006 TABELA 10: VALORES DE k PARA O COBRE ISOLADO COM AMIANTO t (min) Tcal (oC) Q (J) φ (J/s) k (W/m.oC) 0 24 - - - 1 26,50 1463,00 24,38 179,00 2 28,20 2457,84 20,48 152,57 3 30,00 3511,20 19,51 147,39 4 31,40 4330,48 18,04 138,11 5 32,60 5032,72 16,78 129,93 6 34,00 5852,00 16,26 127,38 7 35,50 6729,80 16,02 127,05 8 36,50 7315,00 15,24 122,19 9 37,40 7841,68 14,52 117,65 10 38,60 8543,92 14,24 116,57 Fonte: O autor, 2006 50 Anexo C – Roteiro de Aula Prática 51 Nesta seção será apresentado um modelo de roteiro de aula prática para realização do experimento para o regime permanente proposto por este trabalho, durante as aulas das disciplinas de Física e Fenômenos de Transporte no curso de engenharia mecânica do Unicenp. O roteiro apresenta: • introdução teórica; • desenvolvimento do experimento; • tabela para resultados experimentais; • questionário. 52 Roteiro de Aula Prática A determinação da condutividade térmica é um passo importante no aprendizado do conteúdo relacionado à condução de calor. Antes de prosseguirmos a atividade prática propriamente dita necessitamos entender alguns conceitos. Condução: processo de transferência de calor caracterizado pela propagação de energia em um corpo, como resultado da presença de um gradiente de temperatura no mesmo. Este processo depende da substância que compõe o corpo, e normalmente se da em sólidos. Regime Permanente: Regime onde não há geração interna de calor no sistema e a temperatura independe do tempo em qualquer ponto do mesmo. Regime Transiente: Regime no qual ocorrem mudanças nas condições de contorno do sistema ao longo do tempo. Como exemplo a variação da temperatura em função do tempo. Passaremos então a verificar na prática como se processa a Condução de Calor, utilizando a bancada desenvolvida no Unicenp. Faremos o experimento caracterizando um regime permanente de condução de calor como segue abaixo: • Aproximadamente 190 ml de água em ebulição devem ser adicionadas ao recipiente de nylon, e mantida em ebulição através da resistência elétrica fixada na tampa do recipiente por 10 minutos, de maneira a homogeneizar a temperatura da barra; • 50 ml de água a 4oC, juntamente com pedaços de gelo devem ser inseridos no calorímetro de modo a preenchê-lo; • Esta condição: (4º C), deve ser mantida durante 10 minutos, monitorando-se a temperatura do calorímetro com o termômetro, adicionando ou retirando gelo se necessário; 53 • No término do experimento a quantidade de gelo que foi derretida dentro do calorímetro deve ser determinada com o auxílio de um Becker, subtraindo a quantidade final de água da quantidade inicial. Poderemos então preencher os valores para a tabela abaixo. Tcal (ºC) Trec (ºC) ∆T(ºC) ∆Q(J) Aço 1020 Alumínio Cobre Onde: • Tcal representa a temperatura da água contida no calorímetro; • Trec representa a temperatura da água contida no recipiente; • ∆T representa a diferença de temperatura entre a água contida no recipiente e no calorímetro; • ∆Q representa a quantidade de calor conduzida durante o experimento. As três ligas metálicas acima possuem diâmetro igual a 16 mm, e comprimento de 100 mm. Para a determinação da quantidade de calor que passa por condução através das ligas metálicas temos: Q = m.L , onde: m = massa de gelo em kg, derretida durante o intervalo de tempo considerado, L = ao calor latente de fusão do gelo, e vale 330.000,00 J/Kg. A partir dos resultados obtidos, responda: 01) Qual das ligas metálicas conduziu a maior quantidade de calor? _______________________________________________________________ 02) Qual das ligas metálicas conduziu a menor quantidade de calor? _______________________________________________________________ 54 03) Com base nas respostas acima, o que se pode concluir sobre a condução de calor em diferentes materiais? ____________________________________________________________________________ 04) Como são classificados os diferentes materiais no que diz respeito à capacidade de conduzir calor? _______________________________________________________________ 05) Determine o fluxo de calor conduzido pelas ligas metálicas de aço 1020, alumínio e cobre, e preencha a tabela abaixo. Aço 1020 Alumínio Cobre φ (J/s) Tendo entendido o que acabamos de fazer, estamos aptos a entender também o que é conhecido como lei de Fourier, e determinar a condutividade térmica das ligas ensaiadas. ϕ= ∆Q ∆T = − k . A. ∆t ∆x onde: φ = fluxo de calor em J/s (Joules por segundo); A = área de seção transversal da liga metálica em m2; ∆T = gradiente de temperatura, medido em °C/m (grau Celsius por metro). ∆x 06) A partir da lei de Fourier determine os valores de k para as ligas ensaiadas e comente quais são os fatores determinantes para os erros obtidos. _________________________________________________________________ _________________________________________________________________ _________________________________________________________________