Universidade Estadual de Londrina Centro de Tecnologia e Urbanismo Departamento de Construção Civil Mestrado em Engenharia de Edificações e Saneamento THALITA GORBAN FERREIRA GIGLIO AVALIAÇÃO DO DESEMPENHO TÉRMICO DE PAINÉIS DE VEDAÇÃO EM MADEIRA PARA O CLIMA DE LONDRINA - PR Londrina Agosto de 2005 THALITA GORBAN FERREIRA GIGLIO AVALIAÇÃO DO DESEMPENHO TÉRMICO DE PAINÉIS DE VEDAÇÃO EM MADEIRA PARA O CLIMA DE LONDRINA - PR Dissertação apresentada ao Curso de PósGraduação em Engenharia de Edificações e Saneamento, da Universidade Estadual de Londrina, como requisito parcial à obtenção do título de Mestre. Orientadora: Profª. Drª. Miriam Jerônimo Barbosa. Londrina Agosto de 2005 Catalogação na publicação elaborada pela Divisão de Processos Técnicos da Biblioteca Central da Universidade Estadual de Londrina. Dados Internacionais de Catalogação-na-Publicação (CIP) G459a Giglio, Thalita Gorban Ferreira. Avaliação do desempenho térmico de painéis de vedação em madeira para o clima de Londrina - PR / Thalita Gorban Ferreira Giglio. – Londrina, 2005. 135f. : il. + anexos no final da obra. Orientador: Miriam Jerônimo Barbosa. Dissertação (Mestrado em Engenharia de Edificações e Saneamento) – Universidade Estadual de Londrina, 2005. Bibliografia: f.128-134. 1.Madeira – Vedação – Teses. 2.Madeira – Propriedades térmicas – Teses. 3.Vedação (Tecnologia) – Teses. 4.Materiais isolantes – Teses. 5.Edificaçoes – Teses. 6.Conforto térmico – Teses. I.Barbosa, Miriam Jerônimo. II.Universidade Estadual de Londrina. III.Título. CDU 674.21(816.22) 694.6(816.22) THALITA GORBAN FERREIRA GIGLIO AVALIAÇÃO DO DESEMPENHO TÉRMICO DE PAINÉIS DE VEDAÇÃO EM MADEIRA PARA O CLIMA DE LONDRINA - PR Dissertação apresentada ao Curso de PósGraduação em Engenharia de Edificações e Saneamento, da Universidade Estadual de Londrina, como requisito parcial à obtenção do título de Mestre. Orientadora: Profª. Drª. Miriam Jerônimo Barbosa. COMISSÃO EXAMINADORA Profª. Drª. Miriam Jerônimo Barbosa - Orientadora Universidade Estadual de Londrina Prof. Dr. Jorge Daniel de Mello Moura Universidade Estadual de Londrina Prof. Dr. Roberto Lamberts Universidade Federal de Santa Catarina Londrina, de de 2005. A Deus, aos meus pais Aldenir e Geni e ao meu marido Luiz Afonso. AGRADECIMENTOS À minha orientadora, Profª.Drª. Miriam Jerônimo Barbosa, pelo conhecimento e tranqüilidade transmitidos ao longo das etapas desta pesquisa. Aos professores do mestrado, pelo aprendizado adquirido no curso. À Profª. Ercília e Profª. Sandra, pelo apoio e contribuições feitas a esta pesquisa. Aos amigos Eduardo e Jucelia, meus grandes companheiros de curso. À minha família, pela compreensão e ajuda nos momentos mais difíceis. E ao CNPq, pelo apoio financeiro concedido durante o mestrado. GIGLIO, Thalita Gorban Ferreira. Avaliação do Desempenho Térmico de Painéis de Vedação em Madeira para o Clima de Londrina, PR. 2005. Dissertação de Mestrado (mestrado em engenharia de edificações e saneamento). Universidade Estadual de Londrina, Londrina. RESUMO Esta pesquisa consiste numa avaliação do desempenho térmico de painéis de vedação em madeira inseridos em protótipo habitacional de interesse social. Tem-se como objetivo, a avaliação térmica de painéis em madeira segundo aplicação de diferentes métodos, buscando identificar desta forma, qual painel é o mais adequado à região de Londrina, PR. Sabe-se que o problema do desconforto térmico das habitações em madeira está ligado à baixa inércia térmica do sistema construtivo. Assim, procura-se avaliar composições de painéis com o incremento da resistência térmica, que minimizem esta deficiência. O método adotado baseia-se em simulações realizadas na ferramenta COMFIE (PEUPORTIER e SOMMEREUX, 1991), a qual gera dados anuais de temperatura no interior do protótipo e permite obter uma resposta térmica global de uma edificação, com exposição dinâmica a um clima específico. Os dados foram analisados a partir da aplicação do método do projeto de norma brasileira de desempenho de edificações de até cinco pavimentos (ABNT, 2002), e a partir de um método regional proposto por Barbosa (1999). Além desta análise, fez-se uma avaliação segundo parâmetros definidos por métodos simplificados, como o da atual norma brasileira de desempenho térmico (NBR 15220, 2005), e também do projeto de norma brasileira de desempenho de edificações de até cinco pavimentos (ABNT, 2002). Ao final, fez-se uma análise acerca do desempenho térmico dos painéis e também acerca da compatibilidade dos resultados oriundos da aplicação dos diferentes métodos. Deste estudo comprovou-se o bom desempenho dos painéis de vedação que apresentam elementos de alta resistência térmica em suas composições. Divergências foram constatadas entre resultados obtidos da aplicação da atual norma de desempenho térmico e do projeto de norma de edificações de até cinco pavimentos. Esta divergência favorece a discussão de alguns parâmetros definidos nos métodos que podem ser revistos para uma melhor avaliação de sistemas construtivos alternativos. Palavras-chave: Painéis de vedação em madeira, desempenho térmico, simulação, métodos de avaliação. GIGLIO, Thalita Gorban Ferreira. Thermal Performance Evaluation of Wood-Based Walls to Londrina’s Climate, PR. 2005. Dissertação de Mestrado (mestrado em engenharia de edificações e saneamento). Universidade Estadual de Londrina, Londrina. ABSTRACT This research presents a thermal performance evaluation of wood-based walls, when applied in low-income housing prototype. The objective is to improve the thermal evaluation of wood-based walls through application of different methods, in order to identify which is the most adequate to Londrina’s climate. It has been proved that the thermal discomfort of timber house is associated to the low thermal inertia of the construction system. For this reason, it was evaluated wood-based walls compositions with increase of thermal resistance, which could minimize the lacking of the system. The research method consists of thermal simulations with software COMFIE (PEUPORTIER e SOMMEREUX, 1991), which provide prototype’s indoor temperature, and allows reach a global thermal answer of a construction when exposed on a specific climate. Indoor temperatures were analyzed through application of Brazilian’s design standard method for performance building (ABNT, 2002), and also through application of regional method according to Barbosa (1999). In addition to this analysis, it was applied simplified methods like Brazilian’s thermal performance standard (NBR 15220, 2005), and Brazilian’s design standard method for performance building (ABNT, 2002). Finally, through the results, it was evaluated the thermal performance of the panels, and the compatibility of the methods applied. The study reveals satisfactory thermal performance of wood-based walls with the increase of thermal resistance. Moreover, some divergences were confirmed between results of Brazilian’s standard method and Brazilian’s design standard method. Those divergences favor the discussion of some parameters that could be reviled to better evaluation of alternatives systems constructive. Key-words: Wood-Based Walls, Thermal Performance, Simulation, Evaluation methods. LISTA DE FIGURAS Figura 1 - Modelo de painel de vedação empregado em países de clima frio, em planta baixa..................................................................................................................... 22 Figura 2 - Planta baixa e imagem de uma parede formada por tábuas de 2,2 cm e mata-junta . 24 Figura 3 - Painel de vedação com câmara de ar ...................................................................... 25 Figura 4 - Modelo do painel desenvolvido pela UFSC com câmara de ar. .............................. 25 Figura 5 - Modelo de painel com duas câmaras de ar.............................................................. 26 Figura 6 - Carta Bioclimática de Londrina.............................................................................. 32 Figura 7 - Limites de aceitabilidade para temperatura de ambientes internos não condicionados....................................................................................................... 51 Figura 8 - Gráfico comparativo COMFIE X ESP ................................................................... 56 Figura 9 – Gráfico do fluxo térmico nos painéis de fachada norte........................................... 62 Figura 10 – Etapas da pesquisa............................................................................................... 66 Figura 11 – Composições dos painéis e parede avaliados ....................................................... 67 Figura 12 – Procedimentos de avaliação do desempenho térmico dos painéis......................... 69 Figura 13 – Módulos definidos para cálculos das propriedades térmicas................................. 72 Figura 14 – Planta baixa e corte do protótipo adotado para simulação .................................... 75 Figura 15 – Imagem do protótipo experimental ...................................................................... 76 Figura 16 – Esquema da estrutura dos painéis P1, P2 e P3...................................................... 80 Figura 17 – Esquema dos painéis equivalentes P1 e P2 para entrada de dados no COMFIE.... 81 Figura 18 – Esquema do painel equivalente P3 para entrada de dados no COMFIE ................ 81 Figura 19 – Esquema da parede equivalente PRA para entrada de dados no COMFIE ............ 82 Figura 20 – Esquema da parede equivalente PRB para entrada de dados no COMFIE ............ 83 Figura 21 - Composição do piso em madeira.......................................................................... 84 Figura 22 – Camadas do piso de concreto para entrada de dados no COMFIE........................ 84 Figura 23 – Camadas da cobertura para entrada de dados no COMFIE................................... 85 Figura 24 – Planta baixa: Indicação das paredes externas, capacitivas e janelas. ..................... 87 Figura 25 – Procedimentos para aplicação dos métodos por desempenho ............................... 90 Figura 26 – Gráfico comparativo das curvas de temperatura interna obtidas por monitoramento e por simulação.. .......................................................................... 93 Figura 27 – Gráfico comparativo da propriedade de atraso térmico dos painéis e paredes....... 95 Figura 28 – Gráfico comparativo das propriedades de capacidade térmica e resistência térmica dos painéis e paredes referenciais ............................................................. 96 Figura 29 – Gráfico do fluxo de calor dos painéis e paredes avaliados - Orientação oeste....... 98 Figura 30 – Comparação dos resultados de temperatura obtidos por simulação, para o dia de solstício de verão, 22 de dezembro, com o protótipo configurado com 37 ren/h e com fontes internas de calor. ................................................................... 102 Figura 31 - Comparação dos resultados de temperatura obtidos por simulação, para o dia de solstício de verão, 22 de dezembro, com o protótipo configurado com 1 ren/h e sem fontes internas de calor. ............................................................................... 103 Figura 32 - Comparação dos resultados de temperatura obtidos por simulação, para o dia de solstício de inverno, 22 de junho, com o protótipo configurado com 1 ren/h e sem fontes internas de calor. ............................................................................... 105 Figura 33 – Amplitudes térmicas no dia de solstício de verão e de solstício de inverno. ....... 106 Figura 34 – Gráfico comparativo da porcentagem de horas de temperatura dentro do intervalo de 18°C a 29°C, obtidos por simulação com protótipo configurado com 1 ren/h e sem fontes internas de calor, para o ano inteiro. ............................ 107 Figura 35 – Gráfico comparativo das horas de desconforto obtidas por simulação, com o protótipo configurado com fontes internas de calor, 37 ren/h no verão e 1 ren/h no inverno. ......................................................................................................... 112 Figura 36 – Gráfico comparativo das horas de desconforto obtidas por simulação, com protótipo configurado com dispositivo de sombreamento nas aberturas, 10 ren/h no verão e 1 ren/h no inverno.............................................................................. 114 Figura 37 - Gráfico com os resultados de temperatura simulados para o dia típico de verão (19/12/96) de Londrina, com protótipo configurado sem fontes internas de calor e com 37 ren/h. ................................................................................................... 115 Figura 38 - Gráfico com os resultados de temperatura simulados para o dia típico de verão (19/12/96) de Londrina, com protótipo configurado sem fontes internas de calor e com 1 ren/h. ..................................................................................................... 117 Figura 39 - Gráfico com os resultados de temperatura simulados para o dia típico de inverno (12/07/96) de Londrina, com protótipo configurado sem fontes internas de calor e com 1 ren/h......................................................................................... 118 Figura 40 - Gráfico com os resultados de temperatura simulados para o dia típico de inverno (12/07/96) de Londrina, com protótipo configurado com fontes internas de calor e com 1 ren/h......................................................................................... 119 LISTA DE TABELAS Tabela 1 – Propriedades Térmicas do Pinus (ssp) ................................................................... 20 Tabela 2 – Propriedades Térmicas de Madeiras e Derivados................................................... 21 Tabela 3 – Resistência térmica de câmaras de ar não ventiladas ............................................. 28 Tabela 4 – Estratégias bioclimáticas para Londrina - PR ........................................................ 32 Tabela 5 – Propriedades térmicas para zona bioclimática 3 .................................................... 38 Tabela 6 - Nível de desempenho de paredes externas quanto à transmitância térmica ............. 40 Tabela 7 - Nível de desempenho de paredes externas quanto à capacidade térmica................. 40 Tabela 8 - Critério de Avaliação de Desempenho Térmico para Condições de Verão ............. 42 Tabela 9 - Critério de Avaliação de Desempenho Térmico para Condições de Inverno........... 42 Tabela 10 – Resultados parciais da avaliação do desempenho térmico de tipologias de painéis em madeira de Santa Catarina ................................................................... 60 Tabela 11 – Dados de radiação solar incidente – Latitude 23°30’Sul – 22/12 ......................... 70 Tabela 12 – Propriedades dos materiais adotados para simulação ........................................... 78 Tabela 13 – Propriedades Térmicas dos Painéis e Paredes Referenciais.................................. 94 Tabela 14 – Resultado da avaliação dos painéis e paredes de acordo com o projeto de norma de desempenho térmico (ABNT, 1998). ..................................................... 99 Tabela 15 - Resultado da avaliação dos painéis e paredes de acordo com o projeto de norma de desempenho (ABNT, 2002)............................................................................ 100 Tabela 16 – Resultado de horas de conforto dentro dos intervalos de temperatura de 18°C e 29°C para protótipo configurado com fontes internas de calor, 37 ren/h para o período de verão e 1 ren/h para o período de inverno. ......................................... 111 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO............................................................................................................... 13 2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ....................................................................................... 19 2.1 Propriedades Térmicas da Madeira................................................................................... 19 2.2 Painel de Vedação ............................................................................................................ 21 2.2.1 Conceitos de Composição de Painel em Madeira ........................................................... 22 2.2.2 Painel de Vedação em Madeira x Propriedades Térmicas .............................................. 26 2.3 Recomendações Construtivas para a Cidade de Londrina ................................................. 29 2.3.1 Caracterização Climática ............................................................................................... 29 2.3.2 Clima de Londrina x Recomendações Bioclimáticas...................................................... 31 2.4 Procedimentos de Avaliação Térmica............................................................................... 34 2.4.1 Métodos Brasileiros....................................................................................................... 36 2.4.1.1 Norma de Desempenho Térmico de Edificações ......................................................... 36 2.4.1.2 Projeto de Norma de Desempenho de Edificações ...................................................... 38 2.4.1.3 Método do Instituto de Pesquisa Tecnológica de São Paulo (IPT)............................... 43 2.4.1.4 Método das Horas de Desconforto .............................................................................. 45 2.4.1.5 Método de Cálculo do Fluxo de Calor ........................................................................ 47 2.4.2 Zona de Conforto Térmico ............................................................................................ 49 2.4.2.1 Escalas de conforto de Fanger .................................................................................... 50 2.4.2.2 Zona de conforto de Givoni ........................................................................................ 52 2.4.3 Ferramentas de Simulação............................................................................................. 53 2.4.3.1 Ferramenta COMFIE e sua Validação ........................................................................ 55 2.4 Experiências na Avaliação do Desempenho Térmico de Painel de Vedação em Madeira .. 57 3 MÉTODO DE PESQUISA .............................................................................................. 66 3.1 Definição dos Painéis de Vedação .................................................................................... 67 3.2 Procedimentos de Avaliação do Desempenho Térmico..................................................... 69 3.2.1 Definição dos Métodos Simplificados ........................................................................... 70 3.2.2 Definição dos Métodos por Desempenho....................................................................... 71 3.3 Cálculo das Propriedades Térmicas dos Painéis................................................................ 72 3.4 Simulações Térmicas........................................................................................................ 73 3.4.1 Determinação dos dados climáticos externos ................................................................. 74 3.4.2 Escolha do protótipo...................................................................................................... 74 3.4.3 Dados de entrada........................................................................................................... 77 3.4.3.1 Dados iniciais ............................................................................................................. 77 3.4.3.2 Propriedades térmicas................................................................................................. 78 3.4.3.3 Configurações das composições de fechamento.......................................................... 79 3.4.3.4 Zonas e Esquemas de Ocupação ................................................................................. 85 3.4.4 Procedimentos para aplicação dos métodos por desempenho e análises comparativas .... 89 3.5 Verificação dos dados do Protótipo Monitorado x Simulado............................................. 92 4 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS ................................................. 94 4.1 Caracterização das Propriedades Térmicas dos Painéis ..................................................... 94 4.2 Aplicação de Métodos Simplificados................................................................................ 97 4.2.1 Método do Fluxo de Calor............................................................................................. 97 4.2.2 Método da norma de desempenho térmico ..................................................................... 99 4.2.3 Método do Projeto de Norma de Desempenho............................................................. 100 4.3 Resultados das Simulações e Análise Comparativa......................................................... 101 4.4 Aplicação dos Métodos por Desempenho ....................................................................... 110 4.4.1 Método das Horas de Desconforto............................................................................... 110 4.4.2 Método do projeto de norma de desempenho............................................................... 115 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS ......................................................................................... 121 5.1 Considerações sobre métodos e procedimentos de simulação para avaliação de fechamentos verticais: .......................................................................................................... 125 5.2 Considerações sobre o desempenho térmico dos painéis de vedação em madeira inseridos no clima de Londrina: ........................................................................................... 126 5.3 Sugestões para Trabalhos Futuros................................................................................... 127 6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .......................................................................... 129 ANEXOS..................................................................................................................................136 INTRODUÇÃO 13 1 INTRODUÇÃO Ao longo dos anos, o desempenho térmico das habitações em madeira tem sido muito criticado e visto como inadequado ao clima tropical brasileiro. Vinculou-se o conceito de que as habitações apresentam baixo desempenho térmico, tanto no período de verão como no de inverno. Consequentemente, a rejeição à introdução da tecnologia em madeira nas habitações de interesse social tornou-se forte. Bittencourt (1995) explica que essas rejeições existem, principalmente devido ao mau emprego da técnica em habitações pioneiras ou de baixa qualidade construtiva, onde os requisitos para que a edificação tenha desempenho térmico, não eram praticados pelos construtores. Pesquisas como as de Atem (2002) e Silva (2001) confirmam o baixo desempenho térmico, não somente de habitações pioneiras, mas também daquelas construídas por empresas de pré-fabricados. Vê-se portanto, que não houve uma evolução da tecnologia em madeira de modo que se pudesse resolver o problema do desconforto térmico. Neste contexto se inserem os painéis de vedação, os quais atuam como importante campo de estudos das habitações em madeira, e necessitam de aprimoramento e adequação climática para garantir desempenho térmico eficaz perante todo o conjunto da edificação. Um dos fatores que pode contribuir para o baixo desempenho térmico das habitações em madeira é o emprego de fechamentos verticais com apenas 2,2 cm de espessura, sendo este o sistema de parede em madeira mais empregado na região Sul do país. A pesquisa de Bogo (2003) avaliou painéis de pouca espessura e os identificou como inadequados à maioria das regiões brasileiras. INTRODUÇÃO 14 Atualmente, o sistema construtivo em madeira mais citado pela literatura estrangeira é o Wood-Frame Construction, um sistema formado por peças pregadas e de secção padronizada (CANADIAN WOOD COUNCIL, 1997). Deste sistema derivam os painéis de vedação com pelo menos uma câmara de ar e fechamentos, exterior e interior, conhecidos como painéis duplos. As variações a partir desta composição são inúmeras e somente conhecendo suas características térmicas, é possível adequá-las ao clima de uma região. Os painéis de vedação em madeira, de modo geral, caracterizam-se por sistemas leves, de pouca massa, o que, segundo Rivero (1986), faz com que transmitam mais rapidamente as variações térmicas do clima externo. Sendo assim, faz-se necessário investigar as características térmicas dos painéis para que apresentem desempenho térmico satisfatório. Nas recomendações da norma brasileira de desempenho térmico (NBR 15220 – 3 de 04/2005) para a região bioclimática 3, na qual se insere a cidade em estudo, especifica-se que as paredes externas devem ser leves, de menor massa. Já no projeto de norma de desempenho de edificações de até cinco pavimentos (ABNT, 2002) especificam-se valores de capacidade térmica que atendem apenas às paredes de maior massa. Sendo assim, expõe-se a dúvida se os painéis de vedação em madeira são adequados ou não à região bioclimática 3. JUSTIFICATIVA Várias são as razões para aperfeiçoar o desempenho térmico de painéis de vedação em madeira. O fato de ser um material de baixo impacto ambiental, de disponibilidade regional, e por apresentar baixa condutividade térmica, são algumas qualidades que envolvem o uso da madeira em painéis. Segundo Barbosa e Ino (2001) em pesquisa desenvolvida através do método “LCA” (Life Cycle Analysis), concluiu-se que a madeira apresenta um potencial favorável ao INTRODUÇÃO 15 meio ambiente para utilização como material de construção. Ela representa um recurso renovável, de baixa demanda energética em seu processo de produção e com grandes possibilidades de aproveitamento do poder calorífico dos resíduos produzidos, além de ter um importante papel como medida estratégica na redução da concentração de CO2 na atmosfera. Segundo pesquisas de Navarro e Ino (1998), em relação à cadeia produtiva na fabricação de painéis de vedação, confirma-se que a aplicação de sistemas de vedação que utilizam madeira de reflorestamento como componentes básicos mostra-se bastante promissor, tendo em vista o baixo consumo de energia na sua produção, e também por se tratar de um recurso renovável, garantindo sua sustentabilidade. Outro fator que contribui para o emprego da madeira é a sua grande disponibilidade na região em estudo. O Paraná é um grande produtor da madeira de reflorestamento, com destaque para o pinus (ssp), e conta com uma área de aproximadamente 260.000 hectares. (MOURA e BARNABÉ, 2003). Atualmente, devido à grande demanda por derivados da madeira, algumas florestas econômicas do Paraná estão direcionadas para a fabricação das chapas. As chapas de derivados já apresentam emprego consolidado, em painéis de vedação, pelos paises desenvolvidos, e viabilizam rapidez de execução e economia de mão de obra especializada. Em relação às propriedades térmicas, a madeira apresenta baixo valor de condutividade térmica, o que favorece maior resistência à passagem de energia térmica. A madeira de pinus (ssp), por ser porosa, de baixa densidade térmica, apresenta condutividade térmica da ordem de 0,15 W/(m.K), (UCHOA, 1989) (NBR 15220 –2 de 04/2005), enquanto que a cerâmica apresenta valor de 0,90 W/(m.K). INTRODUÇÃO 16 Aperfeiçoar os painéis de vedação em madeira, sob o aspecto de desempenho térmico, pode contribuir para uma melhor aceitação da tecnologia pela população, e sobretudo eliminar o paradigma de que as habitações em madeira são desconfortáveis termicamente. OBJETIVO GERAL Tem-se como objetivo geral desta pesquisa, avaliar se os painéis de vedação em madeira, que derivam do sistema Wood-Frame Construction, compostos por câmara de ar e por outros elementos construtivos, atendem ou não aos requisitos de desempenho térmico quando aplicados em habitações de interesse social e ao clima da cidade de Londrina, Paraná. OBJETIVOS ESPECÍFICOS ! Levantar e aplicar métodos de avaliação do desempenho térmico em painéis de vedação em madeira; ! Avaliar a compatibilidade entre os resultados dos métodos simplificados, os quais consideram o comportamento térmico dos painéis de vedação isoladamente, e dos métodos por desempenho, os quais consideram a resposta térmica global de uma edificação. MÉTODO DE PESQUISA O método de pesquisa adotado foi conduzido por uma análise do comportamento térmico dos painéis de vedação isoladamente e também, considerando a resposta térmica global de uma edificação, com exposição dinâmica ao clima de Londrina. Neste caso, adotou-se o procedimento de simulação térmica através da ferramenta COMFIE (PEUPORTIER e SOMMEREUX, 1991). Primeiramente foi realizada uma revisão bibliográfica acerca de composições de painéis de vedação atualmente empregados em países desenvolvidos e experimentados em protótipos habitacionais. Algumas recomendações bioclimáticas para fechamentos verticais INTRODUÇÃO 17 foram levantadas para a região de estudo, além da caracterização das propriedades térmicas da madeira e dos painéis. Com esta etapa da revisão, foram definidas as composições de painéis a serem avaliadas termicamente. A segunda etapa da revisão envolve métodos e procedimentos de avaliação do desempenho térmico de fechamentos verticais, com enfoque para os atuais sistemas normativos, além daqueles de caráter regional. Aspectos referentes à ferramenta de simulação COMFIE, e de zonas de conforto foram abordados. Através desta etapa, definiram-se os métodos e procedimentos a serem aplicados para avaliação térmica dos painéis. A última parte da revisão foi concentrada nas pesquisas já realizadas acerca do desempenho térmico de habitações e painéis em madeira. Nesta etapa, ampliou-se a visão de pesquisa a respeito da problemática que envolve o desempenho térmico de painéis de vedação em madeira e a carência de pesquisas nesta área. Esta etapa ajudou também na definição das composições a serem avaliadas, além de alguns aspectos relacionados com os procedimentos de avaliação. As simulações térmicas foram realizadas com base em um protótipo habitacional experimental de interesse social. Adotou-se, para as simulações, o arquivo climático de referência de Londrina. Com os resultados, fez-se uma análise comparativa e aplicaram-se os requisitos de desempenho térmico através de métodos de avaliação. Ao final, fez-se uma análise dos resultados provenientes dos métodos de avaliação, tanto os simplificados (através de cálculos), como por desempenho (através das simulações). Perspectivas de continuidade desta pesquisa foram citadas. DELIMITAÇÕES DA PESQUISA • As simulações foram realizadas com base em um projeto de um protótipo experimental de interesse social, de pequenas dimensões; INTRODUÇÃO • 18 Utilizou-se das propriedades térmicas da madeira de pinus (ssp), adotada devido à sua disponibilidade regional; • Empregou-se o arquivo climático de referência da cidade de Londrina, para avaliar o desempenho dos painéis frente à condição específica de clima de uma região; • A pesquisa foi conduzida apenas a partir de simulações térmicas, sem o emprego de medições no protótipo, pois acredita-se que os resultados reproduzem bem o seu desempenho perante o clima em estudo. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 19 2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA Este capítulo está subdividido em cinco partes. Na primeira e segunda parte, são definidas as propriedades térmicas da madeira, sua aplicação em painéis de vedação, e aspectos relativos às propriedades térmicas de sistemas de vedação em madeira. A terceira parte está fundamentada nas recomendações de sistemas construtivos adequados ao clima da região em estudo. Na quarta parte, com enfoque para métodos de avaliação térmica, busca-se expor os procedimentos atuais para qualificar sistemas construtivos sob a ótica do desempenho térmico. Aspectos relativos às zonas de conforto bem como às ferramentas de simulação são abordados. Por fim, a quinta parte envolve pesquisas de avaliação térmica em painéis de madeira numa referência à necessidade de estudos nesta área. 2.1 Propriedades Térmicas da Madeira A análise do desempenho térmico de sistemas construtivos está vinculada ao conhecimento das propriedades térmicas de seus elementos, os quais podem ser definidos pela condutividade térmica, densidade de massa aparente e pelo calor específico. Segundo Kollmann e Cotê (1968), por ser um material poroso e pobre em elétrons livres (responsáveis pela rápida transmissão de energia), a madeira apresenta a propriedade de ser má condutora de calor. Desta forma, a madeira e seus derivados (chapas de OSB – oriented strand board, aglomerado, MDF – medium density fiberboard) possuem baixa condutividade térmica, podendo atuar como isolantes térmicos. De acordo com Uchôa (1989), as madeiras menos densas, mais porosas, apresentam coeficientes de condutividade térmica baixos, aumentando conforme a densidade. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 20 Em relação à madeira de pinus (ssp), gênero adotado para os experimentos da presente pesquisa, as literaturas estrangeiras estabelecem diferentes valores para suas propriedades de densidade e condutividade térmica. Na tabela a seguir, relatam-se alguns valores referenciais. Tabela 1 – Propriedades Térmicas do Pinus (ssp) Madeira Pinus sp Densidade Condutividade Térmica Umidade 3 (kg/m ) 550 550 600 550 600 500-600 513 377 496 496 500-600 550 550 (W/m.K) 0,163 0,145 0,151 0,151 0,163 0,209 0,116 0,106 0,128 0,151 0,15 0,139 0,174 % * 0 0 ** ** ** ** * 0 12 ** 0 12 Referências Bibliográficas Costa (1974) Cadiergues (1959) Torreira (1980) Kreith (1977) Schneider & Engelhardt (1977) CSTB (1977) CSTC (1973) * sem especificar a umidade ** valores para projeto (umidade de equilíbrio) Fonte: CSTB – Centre Scientifique et Technique du Batiment apud Uchôa (1989) Através da tabela 1, identificam-se para a madeira de pinus (ssp), densidades que variam de 377 a 600 kg/m3 e condutividade térmica da ordem de 0,106 a 0,174 W/(m.K). Através da tabela, nota-se que mesmo úmida a madeira ainda pode ser considerada má condutora de calor. A norma de desempenho térmico (NBR 15220 – 2 de 04/2005) também estabelece valores referenciais para propriedades térmicas de algumas espécies de madeira e derivados. A comparação do pinus (ssp) com madeiras mais densas permite compreender suas vantagens térmicas. Pela tabela 2, definindo a densidade da madeira de pinus (ssp) entre 450 e REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 21 600 kg/m3, obtem-se valor médio de condutividade térmica de 0,15 W/(m.K), enquanto que para madeiras de alta densidade este valor chega a 0,29 W/(m.K). Tabela 2 – Propriedades Térmicas de Madeiras e Derivados Material Madeiras com densidade de massa aparente elevada Madeira de carvalho, freijó, pinho, cedro, pinus Aglomerado de partículas de madeira Densidade 3 (kg/m ) Condutividade Térmica (W/(m.K)) Calor Específico (kJ/(kg.K)) 800-1000 0,29 1,34 600-750 0,23 450-600 0,15 300-450 0,12 650-750 0,17 550-650 0,14 1,34 2,30 Fonte: NBR 15220 – 2 de 04/2005 Denomina-se calor específico de um corpo, a quantidade de calor necessário para elevar a temperatura de uma unidade de massa, em 1°C. (RIVERO, 1986); (NBR 15220 – 2 de 04/2005). Segundo Uchôa (1989), a madeira apresenta calor específico relativamente alto, o que em média chega a 1,34 kJ/(kg.K) (NBR 15220 – 2 de 04/2005), sendo necessária uma grande quantidade de calor para elevar sua temperatura. 2.2 Painel de Vedação Segundo Hoor (1985), construção com painéis significa construir com o auxílio de painéis portantes ou não portantes, com a função de separar e delimitar espaços. Segundo o mesmo autor, o uso de painéis teve origem com a intenção de se otimizar a pré-fabricação, dentro de um novo conceito de não somente os elementos modulares serem rapidamente disponíveis, mas também no sentido de antecipar determinada etapa construtiva que REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 22 anteriormente poderia apenas ser realizada “in loco”. Dentro desse conceito, não somente os componentes dos painéis poderiam ser pré-fabricados e sim, todo conjunto por ele formado. 2.2.1 Conceitos de Composição de Painel em Madeira Após evolução tecnológica crescente, o sistema construtivo de painéis em madeira mais divulgado na literatura norte-americana e canadense consiste numa trama formada por peças serradas de seção padronizada e unidas por pregos, chamada de WoodFrame Construction. Segundo Canadian Wood Council (1997), esse sistema faz uso de peças de pequenas dimensões espaçadas igualmente e próximas umas as outras. Os montantes dos painéis geralmente apresentam dimensões de 38 x 89 mm (2”x 4” nominal), 38 x 140 mm (2”x 6” nominal) ou 38 x 184 mm (2”x 8” nominal), espaçados aproximadamente a cada 40, 50 ou 60 cm de distância. 17,95 TÁBUA DE MADEIRA 19 MM OPÇÃO P/ PVC PERFILADO DE VINIL OU ALUMÍNIO COM REVEST. EM ARGAMASSA RIPA 22 X 30 mm COLCHÃO DE AR VENTILADO - 22 mm BARREIRA DE VAPOR 40 CHAPA DE AGLOMERADO 13 MM DE ESP. OPÇÃO P/ OSB E COMPENSADO BARREIRA DE ÁGUA PERMEÁVEL AO VAPOR COLCHÃO DE AR Ñ VENTILADO - 30 mm LÃ DE VIDRO 70 mm DENSIDADE DE 50 (KG/M3) MONTANTE EM MADEIRA MACIÇA - 50 X 100 mm R = 2,20 m2 . K / W U = 0,42 W/ m2 . K INT. EXT. PLACA DE GESSO ACARTONADO 12,5 mm Figura 1 – Modelo de painel de vedação empregado em países de clima frio, em planta baixa. Fonte: Reconstituído de Hoor (1985 p.274) REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 23 O fechamento externo do painel é feito através de chapa de derivado da madeira, barreira de água e ar permeável ao vapor e, por último, revestimento em madeira maciça, PVC ou perfilado de vinil ou alumínio revestido com argamassa. Entre o revestimento externo e barreira de água e ar, forma-se outra câmara de ar. Para o fechamento interno do painel, usa-se aplicar uma barreira de vapor, fixando-a na superfície de uma chapa de derivado de madeira. Por último, é fixada a placa de gesso acartonado. Este sistema incorporou as principais mudanças na variação de composição dos painéis. Ele possibilitou uma melhor resposta em relação ao desempenho térmico devido à introdução de isolantes ou mesmo à existência de câmaras de ar não ventiladas entre montantes. Nas composições dos painéis de vedação que atendem ao clima frio, os valores de resistência térmica tendem a ser elevados devido ao seu preenchimento com isolante térmico. Quanto mais isolante e protegido for o painel de vedação em madeira, menor será a perda de calor e consequentemente, menor será o consumo de energia para aquecimento de edificações. A atenção é dada para as possíveis perdas de calor pelos elementos do sistema como os montantes e sarrafos, chamados de pontes térmicas. Neste sentido, os valores de resistência térmica dos painéis passam a assumir de 2,50 (m2.K)/W a 5 (m2.K)/W, em média. (CANADIAN WOOD COUNCIL, 1997). Já no sul do Brasil, algumas das primeiras composições de parede formadas através do uso da madeira em habitações, apresentavam-se ou por tábua fina de madeira de 2,2 cm ou por madeira roliça, mais grossa, sendo esta última mais comum em regiões de clima frio como Curitiba, Paraná. A partir de Zani (1997), sabe-se que as vedações verticais mais empregadas na região norte do Paraná eram formadas por tábuas de peroba rosa de 22 x 2,2 cm de espessura, REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 24 pregadas perpendicularmente em um quadro inferior e superior, com juntas entre elas de 1 cm, e réguas de 6 x 1,2 cm tipo mata-junta, colocadas nos lados externo e interno. Elas eram pintadas, quase sempre, por tintas látex ou a óleo, em tons fortes como azul, amarelo ou cinza. MATA-JUNTA 1,2 X 6 CM PEROBA ROSA TÁBUA 2,2 X 22 CM PEROBA ROSA Figura 2 - Planta baixa e imagem de uma parede formada por tábuas de 2,2 cm e mata-junta Fonte: Reconstituído de Zani (1997) – imagem: arquivo do autor (2003) Seus valores de resistência térmica variam, em média, de 0,25 (m2.K)/W a 0,35 (m2.K)/W, dependendo da madeira empregada. Atualmente no Brasil, composições de painéis baseadas no sistema WoodFrame Construction foram introduzidas em protótipos experimentais, conduzidos por pesquisadores da área. Exemplos do emprego desse sistema se encontram nas pesquisas de Della Noce (1996), Navarro (1999), Moura e Barnabé (2003), entre outros. Os painéis mais simples apresentam câmara de ar entre montantes, e fechamentos internos e externos em tábua de madeira ou derivado. Cita-se como exemplo do emprego desta composição o protótipo inserido no assentamento João Turquino, na cidade de Londrina. (MOURA e BARNABÉ, 2003). REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 25 9.4 MONTANTE EM MADEIRA DE PINUS 5 X 5 CM CÂMARA DE AR 50 Ñ VENTILADA - 5 CM TÁBUA - MADEIRA DE PINUS - 12 X 2,2 CM EXT. INT. Figura 3 – Painel de vedação com câmara de ar Fonte: Reconstituído de Moura e Barnabé (2003) Seguindo o mesmo princípio, outras variações de painéis foram implantadas em protótipos experimentais, com incremento da resistência térmica. Cita-se a tipologia de painel implantada no campus da UFSC, com câmara de ar, fechamento externo com madeira de pinus (ssp) de 2 cm e manta de polietileno aluminizada de 4 mm, e fechamento interno de compensado de 10 mm e gesso acartonado. (BARTH et al, 2003). A manta aluminizada reduz a emissão de calor, aumentando a resistência da câmara de ar. 11.85 MONTANTE 56 X 70 mm PINUS CÂMARA DE AR Ñ VENTILADA - 70 mm 40.7 MANTA DE POLIETILENO ALUMINIZADA - 4 mm GESSO CARTÃO 12,5 mm CHAPA DE SARRAFEADO 12 mm INT. EXT. SIDING 145 x 20 mm PINUS Figura 4 - Modelo do painel desenvolvido na UFSC, com câmara de ar. Fonte: Reconstituído de Barth et al (2003) REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 26 Ainda em termos de variações de painéis, tem-se a tipologia implantada na Unidade Experimental 002, inserida no campus da EESC/USP. (NAVARRO, 1999). A inovação consiste no acréscimo de uma segunda câmara de ar seguindo os princípios desenvolvidos na América do Norte. Tal acréscimo incrementa a resistência térmica do conjunto. MONTANTE DE PINUS 7 X 2,4 CM TÁBUA DE PINUS HORIZONTAL- 22 X 2,2 CM MATA JUNTA 1,6 X 5 CM PINUS 99.8 CÂMARA DE AR Ñ VENTILADA - 7 CM RIPA DE PINUS HORIZONTAL - 5 X 2,4 CM COM CÂMARA DE AR NÃO VENTILADA CHAPA DE AGLOMERADO 8 mm TÁBUA DE PINUS VERTICAL - 22 X 2,2 CM INT. EXT. Figura 5 – Modelo de painel com duas câmaras de ar Fonte: Navarro, 1999. 2.2.2 Painel de Vedação em Madeira x Propriedades Térmicas As quatro propriedades térmicas de Transmitância Térmica, Resistência Térmica, Atraso Térmico e Fator de Calor Solar, definidas pela norma brasileira de desempenho térmico (NBR 15220 – 1 de 04/2005), são aqui relacionadas com os painéis de vedação em madeira. Os painéis em madeira são classificados como sistemas leves, apresentando baixa capacidade térmica, isto é, baixa capacidade da de armazenar e liberar calor. O seu uso REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 27 contribui para o atraso e a diminuição dos picos do calor externo. A sua carência faz com que a temperatura interna acompanhe a variação da temperatura externa. (PAPST, 1999) A capacidade térmica é o produto da densidade pela espessura e pelo calor específico dos seus componentes, por unidade de medida. A ausência de componentes de elevada massa térmica combinada com seções de pouca espessura pressupõe baixa capacidade térmica do sistema. Assim se definem os sistemas de painéis em madeira. Segundo a norma de desempenho térmico (NBR 15220 – 1 de 04/2005), a capacidade térmica de câmaras de ar pode ser desprezada já que o ar apresenta uma densidade muito baixa (ρ = 1,2 kg/m3). Assim, apenas os elementos de fechamento interno e externo bem como a estrutura do painel, são considerados para cálculo. Quanto à propriedade de resistência térmica, propriedade do material de resistir à passagem de calor, os painéis apresentam, de modo geral, valor elevado. A norma (NBR 15220 – 1 de 04/2005) define como sendo o quociente da diferença de temperatura verificada entre as superfícies de um componente construtivo pela densidade do fluxo de calor, em regime estacionário. Alvarez e Vittorino (1993), em pesquisa realizada por monitoramento em módulos de madeira implantados na Antártica, constataram que a temperatura do ar interior eleva-se rapidamente ao iniciar-se a ação de fontes internas de calor e reduz-se da mesma forma quando desativadas. A este fato atribuiu-se a característica de baixa inércia térmica dos fechamentos. Os autores citam que tal característica é determinada pela presença de componentes de alta resistência térmica e inexistência de elementos que apresentam elevada capacidade térmica. Um dos fatores que contribui para a alta resistência térmica dos painéis é a propriedade da madeira de ser má condutora de calor. Materiais de baixa condutividade REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 28 térmica apresentam alta resistência térmica. Complementa-se ainda que a possibilidade de preenchimento do painel por isolante térmico como a lã de vidro, favorece ainda mais o aumento da resistência térmica. Outro fator que contribui para a alta resistência térmica de painéis em madeira é a presença de ar confinado, o qual tem a função de ser mau condutor de calor. A norma (NBR 15220 – 2 de 04/2005) considera incremento mínimo de 0,14 (m2.K)/W na resistência térmica de paredes com câmara de ar, e máximo de 0,37 (m2.K)/W quando esta apresenta superfície de baixa emissividade. Os valores variam conforme a espessura da câmara de ar. (ver tabela 3). Tabela 3 – Resistência térmica de câmaras de ar não ventiladas Resistência térmica Rar 2 Natureza da Espessura “e” da Superfície da Câmara de Ar Câmara de Ar Superfície de alta emissividade E > 0,8 Superfície de baixa emissividade E< 0,2 m .K/W Direção do fluxo de calor Horizontal Ascendente Descendente # $ % 1,0 ≤ e ≤ 2,0 0,14 0,13 0,15 2,0 < e ≤ 5,0 0,16 0,14 0,18 e > 5,0 0,17 0,14 0,21 1,0 ≤ e ≤ 2,0 0,29 0,23 0,29 2,0 < e ≤ 5,0 0,37 0,25 0,43 e > 5,0 0,34 0,27 0,61 1) E é a emissividade hemisférica total. 2) Os valores para câmaras de ar com uma superfície refletora só podem ser usados se a emissividade da superfície for controlada e prevê-se que a superfície continue limpa, sem pó, gordura ou água de condensação. 3) Para coberturas, recomenda-se a colocação da superfície refletora paralelamente ao plano das telhas (exemplo C.6 do anexo C); desta forma, garante-se que pelo menos uma das superfícies - a inferior - continuará limpa, sem poeira. 4) Caso, no processo de cálculo, existam câmaras de ar com espessura inferior a 1,0 cm, pode-se utilizar o valor mínimo fornecido por esta tabela. Fonte: NBR 15220 – 2 de 04/2005. Givoni (1976) define, para regiões quentes e úmidas, que a capacidade térmica em edificações deve ser baixa para prevenir a acumulação do calor durante o dia, o que REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 29 poderia elevar a temperatura interna no período da noite com a liberação do calor armazenado. Ainda segundo o mesmo autor, nestas regiões, a resistência térmica de paredes externas é vantajosa dentro de certos limites que compreende minimizar o fluxo de calor exterior. Com a ajuda de materiais isolantes, é possível manter a temperatura da superfície interna das paredes externas, muito próxima da temperatura interna. A propriedade de atraso térmico está relacionada com a capacidade térmica dos componentes e com a ordem de suas camadas. A norma de desempenho térmico (NBR 15220 – 1 de 04/2005) define como sendo o “tempo transcorrido entre uma variação térmica em um meio e sua manifestação na superfície oposta de um componente construtivo submetido a um regime periódico de transmissão de calor”. De modo geral, o painel de vedação em madeira apresenta baixo valor de atraso térmico devido à sua reduzida capacidade térmica. 2.3 Recomendações Construtivas para a Cidade de Londrina Dos estudos de Givoni (1976) sabe-se que os diferentes sistemas construtivos de edificações devem ser aplicados de acordo com as características climáticas de cada região. Nestas condições, analisar o clima da cidade de Londrina é fundamental para o emprego de sistemas de fechamentos adequados. 2.3.1 Caracterização Climática A cidade de Londrina está situada no norte do Paraná, entre os paralelos 23°08’47” e 23°55’46” de Latitude Sul e entre os meridianos de 50°52’23” e 51°19’11” a REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 30 Oeste de Greenwich. Apresenta verões quentes e invernos amenos, com índices de umidade relativa do ar em torno de 73% no verão e 67% no inverno, e com a umidade relativa média de ano situada em 68%. O vento dominante na cidade vem da orientação Leste. (LONDRINA, 2001). A Secretaria de Planejamento (LONDRINA, 2001) classifica o clima de Londrina com sendo do tipo Cfa. De acordo com a classificação de Koppen apud Instituto Agronômico do Paraná – IAPAR (1994), o clima é definido como subtropical úmido, com média do mês mais frio inferior a 18°C e do mês mais quente superior a 22°C, com verões quentes, geadas pouco freqüentes e tendência de concentração das chuvas nos meses de verão. Segundo levantamento pela Secretaria de Planejamento (2001) a temperatura média do mês mais quente em Londrina, é superior a 24°C e a do mês mais frio, inferior a 14,1°C. Segundo o mesmo órgão municipal, através de levantamento realizado pelo Instituto Agronômico do Paraná – IAPAR em 2000 foi constatado que a temperatura média anual foi de 21,1°C, com média máxima de 27,5°C e a média mínima de 15,9°C. A insolação máxima, em qualquer ponto do Paraná, é de aproximadamente 4.400 horas por ano. Entretanto o valor é dificilmente atingido devido à presença de nuvens e barreiras de relevo. (IAPAR, 1994). O TRY (test reference year), ou arquivo climático de referência, retrata o ano que melhor caracteriza o clima de uma cidade. É de suma importância seu conhecimento, pois permite avaliar, de forma mais precisa, a adequação térmica de sistemas construtivos ao clima específico de uma determinada região. Na pesquisa desenvolvida por Barbosa et al (1999), chegou-se ao ano climático de referência de Londrina, elaborado conforme método da ASHRAE e a partir de dados fornecidos principalmente pelo Instituo Agronômico do Paraná (IAPAR). O ano de 1996, REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 31 dentro do período de 1986 a 1996, foi definido como o ano climático de referência para Londrina, e apresentou temperatura horária anual mais freqüente de 22° C. O ano apresentou média máxima de 27,4° C e a média mínima de 16,2° C, sendo valores próximos do ano de 2000 já citados. 2.3.2 Clima de Londrina x Recomendações Bioclimáticas A aplicação dos dados do ano climático de referência à ferramenta ANALYSIS BIO (www.labeee.ufsc.br), gera a porcentagem de horas do ano em que se tem conforto térmico (dentro dos intervalos de temperatura de 18°C e 29°C) e a porcentagem que não se tem conforto. Os dados são plotados em uma carta psicrométrica delimitada por zonas de conforto, adaptadas a partir de Givoni (1992). Para as horas de temperatura fora da zona, são definidas estratégias bioclimáticas para resolver o problema do desconforto térmico. A introdução do arquivo climático de Londrina com dados horários anuais de temperatura de bulbo seco e umidade relativa à ferramenta ANALYSIS BIO, permite saber que 49,2% das temperaturas do clima externo situam-se dentro da zona de conforto. O restante, 50,8%, está situado fora da zona, sendo 26,1% do desconforto pelo frio, e 24,7% do desconforto pelo calor. Deste modo, a ferramenta expõe estratégias bioclimáticas, as quais utilizam recursos do clima, para solucionar o problema. Através da tabela 4, tem-se o relatório com os resultados finais da porcentagem de horas de desconforto por estratégia bioclimática. Para o problema do desconforto pelo calor, a principal estratégia recomendada para Londrina é a ventilação natural. Já para o frio, sugere-se a adoção de massa térmica para aquecimento e aquecimento solar passivo, ou seja, sistemas construtivos de paredes e coberturas mais pesados, de maior inércia, além da incidência solar nos fechamentos. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 32 30 ZONAS: 30 1. Conforto 2. Ventilacao 3. Resfriamento Evaporativo 4. Massa Térmica p/ Resfr. 5. Ar Condicionado 6. Umidificação 7. Massa Térmica/ Aquecimento Solar 8. Aquecimento Solar Passivo 9. Aquecimento Artificial 15 10.Ventilação/ Massa 11.Vent./ Massa/ Resf. Evap. 1 0 12.Massa/ Resf. Evap. 5 25 25 10 9 1 4 15 10 11 12 8 5 7 3 6 0 5 10 20 W[g/kg] [° C ] U 20 T B 0 5 2 15 20 25 30 35 TBS[°C] 0 40 45 50 U F SC - E CV - L abE E E - NP C Figura 6 – Carta Bioclimática de Londrina Fonte: Ferramenta ANALYSIS BIO Tabela 4 – Estratégias bioclimáticas para Londrina - PR Porcentagem de horas de desconforto por estratégia bioclimática Calor Frio Ventilação: 22.2% Massa Termica/Aquecimento Solar: 18.8% Massa p/ Resfr.: 6.99% Aquecimento Solar Passivo: 5.23% Resfr. Evap.: 8.11% Aquecimento Artificial: 2.04% Ar Condicionado: 0.0571% Umidificação: 0.548% Fonte: Ferramenta ANALYSIS BIO Assim, as recomendações de projeto para Londrina definidas através da ferramenta ANALYSIS BIO, sugerem predominantemente, aberturas para ventilação natural no verão e fechamentos com massa térmica elevada no inverno. Destaca-se que é necessário estabelecer um equilíbrio entre as estratégias recomendadas para Londrina já que a massa térmica elevada pode tornar desconfortável o ambiente interno no período noturno do verão, através da liberação do calor acumulado ao longo do dia. A norma de desempenho térmico (NBR 15220 – 3 de 04/2005) também apresenta recomendações construtivas de acordo com a região em estudo. Segundo a norma, REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 33 Londrina se insere na zona bioclimática 3. As recomendações referentes aos fechamentos de edificações para esta zona são: Vedações externas Parede: Leve refletora Cobertura: Leve isolada Quadro 1 - Tipos de vedações externas para Zona Bioclimática 3 Fonte: NBR 15220 – 3 de 04/2005 Estação Verão Inverno Estratégias de condicionamento térmico passivo J) Ventilação cruzada B) Aquecimento solar da edificação C) Vedações internas pesadas (inércia térmica) Quadro 2 - Estratégias de condicionamento térmico passivo para a Zona Bioclimática 3 Fonte: NBR 15220 – 3 de 04/2005 Os códigos J, B e C são os mesmos adotados no método utilizado para definir o Zoneamento Bioclimático do Brasil (anexo B da NBR 15220 – 3 de 04/2005). A norma recomenda para Londrina, que as paredes externas sejam leves e refletoras (quadro 1), isto é, de baixa capacidade térmica e acabamentos que apresentem baixo coeficiente de absortância à radiação solar. Composições de elevada capacidade térmica deve ser adotadas apenas em paredes internas (quadro 2). Da aplicação do arquivo climático de Londrina à carta bioclimática da ferramenta ANALYSIS BIO tem-se que as paredes e coberturas devem ser pesadas, com maior capacidade térmica. Entretanto, as recomendações sugeridas pela norma brasileira (NBR 15220 – 3 de 04/2005) para a zona bioclimática 3, são que as paredes externas devem ser leves e refletoras. Tal divergência leva a necessidade de realizar avaliações térmicas de sistemas construtivos de paredes. Os painéis em madeira, de modo geral, apresentam alta resistência térmica e baixa capacidade de armazenar calor. Entretanto, com a introdução de REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 34 isolante térmico, eleva-se a resistência térmica do painel, o que acaba compensando sua carência de capacidade térmica. Assim, leva-se ao questionamento de como deveria ser a composição de painel de vedação em madeira adequada à cidade de Londrina, para desempenhar, satisfatoriamente, seu papel de fechamento vertical. Para o melhor entendimento do desempenho térmico de painéis de vedação quando aplicados à região de interesse, deve-se avaliá-los a partir de métodos ou procedimentos existentes. 2.4 Procedimentos de Avaliação Térmica O processo de avaliação do desempenho térmico teve sua origem em países de clima frio, devido à necessidade de controle do consumo energético proveniente do aquecimento dos ambientes. Após o primeiro choque do petróleo, na década de 70, a Europa passou a dar ênfase à economia de energia através de exigências maiores em relação ao isolamento térmico dos fechamentos das edificações. Akutsu e Vittorino (1999) citam como exemplo da preocupação de economia de energia, a regulamentação francesa que em 1974 visava reduzir em 25% o consumo de derivados do petróleo utilizados no aquecimento dos edifícios. Em 1982, buscou-se uma redução adicional de 25%, e em 1989, foram estabelecidos limites de consumo de combustíveis visando outra redução do consumo energético de 25% em relação à de 1982. As normas ASHRAE, dos Estados Unidos, também devem ser citadas como exemplo de regulamentação que busca maior eficiência energética nas edificações. A série ANSI/ASHRAE/IESNA 90.1 – Energy Standard for Buildings Except Low-Rise Residencial Buildings, para edifícios exceto residências unifamiliares ou edifícios baixos de até três REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 35 pavimentos, vem estabelecendo exigências quanto ao consumo de energia desde 1975, com a última atualização da norma em 1999. Atualmente, como forma de complementação da norma ASHRAE 90.1 – 1999, segundo Colliver e Jarnagin (2005), foi desenvolvido um guia para eficiência energética de projetos para pequenos edifícios de escritórios (de até 1860 m2) o qual visa uma redução do consumo energético de 30% em relação ao proposto pela norma vigente. O guia estabelece um conjunto de diretrizes ou recomendações de eficiência energética para facilitar o desenvolvimento de pequenos projetos e auxiliar projetistas. As recomendações variam de acordo com oito regiões climáticas do país, definidas pelo Departamento de Energia dos Estados Unidos. Ressalta-se que o documento não substitui a norma vigente, apenas auxilia nos projetos de pequenos edifícios a consumirem menos energia. Akutsu e Vittorino (1997) complementam que o que diferencia as normas ASHRAE das normas européias é o incentivo para análise do consumo energético a partir de ferramentas de simulação detalhada, em bases horárias, para anos típicos de referência, os quais determinam o consumo em separado de eletricidade, carvão, gás natural, entre outros. Assim, os métodos visam basicamente, reduzir o consumo de energia e focam, principalmente, na limitação das perdas de calor nos ambientes, tanto por condução de calor através das vedações como pela infiltração de ar nos ambientes, fixando valores limites para resistências térmicas do fechamento e para a estanqueidade ao ar de caixilhos. (AKUTSU e VITTORINO, 1997). Já em países de clima quente, variáveis como a ventilação e a radiação solar influenciam diretamente o desempenho térmico das edificações, principalmente quando estas são desprovidas de sistemas de ar-condicionado. Segundo Akutsu e Vittorino (1997), nestas REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 36 edificações, o parâmetro de avaliação deixa de ser o consumo de energia e passa a ser o conforto térmico dos ocupantes, tendo como variáveis de análise a temperatura, umidade, velocidade do ar e a temperatura radiante média do ambiente. Dentro do âmbito da habitação de interesse social, a qual se caracteriza por ser desprovida de sistemas de ar-condicionado, avaliar o desempenho térmico de uma edificação significa verificar se as condições climáticas internas dos ambientes atendem ou não às exigências humanas mínimas de conforto térmico. Esta etapa da pesquisa apresenta alguns métodos de avaliação do desempenho térmico de edificações desprovidas de ar condicionado, dando enfoque para os métodos brasileiros e seu atual sistema normativo 2.4.1 Métodos Brasileiros 2.4.1.1 Norma de Desempenho Térmico de Edificações A atual norma de desempenho térmico de edificações, em vigor desde 30 de maio de 2005, deriva do Projeto de Norma da ABNT (1998), ligado à comissão de estudos (CE-02:135.07) do Comitê Brasileiro de Construção Civil (CB-02) da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), e faz parte do processo de Normalização em Conforto Ambiental. O projeto de norma de desempenho térmico foi subdividido em cinco partes, sendo elas: • Projeto 02:135.07-001:1998 - Parte 1: Definições, símbolos e unidades; • Projeto 02:135.07-002:1998 – Parte 2: Métodos de cálculo das propriedades térmicas de elementos e componentes de edificações; REVISÃO BIBLIOGRÁFICA • 37 Projeto 02:135.07-003:1998 – Parte 3: Zoneamento bioclimático brasileiro e diretrizes construtivas para habitações unifamiliares de interesse social; • Projeto 02:135.07-004:1998 – Parte 4: Medição da resistência térmica e da condutividade térmica pelo princípio da placa quente protegida; • Projeto 02:135.07-005:1998 – Parte 5: Medição da resistência térmica e da condutividade térmica em regime estacionário pelo método fluximétrico. Todas as cinco partes do projeto de norma passaram a vigorar como normas da ABNT, preenchendo uma importante lacuna antes existente na normalização aplicável à produção habitacional. A parte 2 da atual norma (NBR 15220 – 2 de 04/2005) estabelece um método de cálculo para obtenção das propriedades térmicas de elementos e componentes de edificações, sendo elas a resistência térmica, transmitância térmica, capacidade térmica, atraso térmico e o fator de calor solar. A norma compõe tabelas de auxílio, com valores para câmaras de ar não ventiladas, resistências térmicas superficiais internas e externas, absortância à radiação solar e emissividade para radiações a temperaturas comuns, além das propriedades térmicas de materiais, fornecendo a densidade de massa aparente, a condutibilidade térmica e o calor específico. A parte 3 apresenta um Zoneamento Bioclimático Brasileiro, o qual divide o território em 8 partes relativamente homogêneas em relação ao clima, nomeadas zonas bioclimáticas. O método adotado para a definição das 8 zonas bioclimáticas brasileiras apresenta-se detalhadamente na norma de desempenho térmico. Ainda na parte 3 da norma, especifica-se um conjunto de diretrizes construtivas para habitações unifamiliares de interesse social. Definem-se recomendações para ventilação REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 38 interna dos ambientes, sombreamento, e para paredes e coberturas, as quais variam em função da zona bioclimática onde está localizada cada cidade brasileira. A norma estabelece valores limites para as propriedades de transmitância térmica, atraso térmico e fator de calor solar, além de taxas de abertura para ventilação. A seguir, têm-se os valores limites propostos para adequação de paredes e coberturas à zona bioclimática 3, a qual está inserida a cidade de Londrina, PR, local do presente estudo. Tabela 5 – Propriedades térmicas para zona bioclimática 3 Vedações Externas Transmitância Térmica U W/(m2K) Atraso Térmico φ Horas Fator de Calor Solar FCS % Parede: Leve e Refletora U ≤ 3,60 φ ≤ 4,3 FCS ≤ 4,0 Cobertura: Leve e Isolada U ≤ 2,00 Fonte: (NBR 15220). φ ≤ 3,3 FCS ≤ 6,5 2.4.1.2 Projeto de Norma de Desempenho de Edificações O projeto de norma de desempenho de edifícios habitacionais de até cinco pavimentos, em desenvolvimento desde 2002, está em fase final de elaboração e representa um grande passo para avaliação normativa de novos sistemas construtivos. Está sendo elaborada por uma comissão de estudos (CE-02:136.01) ligada ao Comitê Brasileiro de Construção Civil (CB-02) da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). A norma compõe um conjunto normativo de seis partes, sendo elas: • Parte 1: Requisitos Gerais • Parte 2: Estrutura • Parte 3: Pisos Internos REVISÃO BIBLIOGRÁFICA • Parte 4: Fachadas e Paredes Internas • Parte 5: Coberturas • Parte 6: Sistemas Hidrossanitários 39 A parte 1 apresenta as exigências comuns aos diferentes elementos da construção. Critérios particulares são tratados em cada parte específica. A norma expõe três métodos alternativos de avaliação do desempenho térmico aplicáveis à análise de painéis de vedação. a) Método 1 É um método simplificado que consiste na verificação do atendimento aos requisitos e critérios estabelecidos para fachadas e paredes internas. Descritos na parte 4 do projeto de norma, os requisitos referem-se às propriedades térmicas de transmitância térmica e capacidade térmica, áreas para aberturas de ventilação e sombreamento de aberturas. Entretanto, aborda-se aqui, aspectos relativos às propriedades térmicas de fachadas. A transmitância térmica e a capacidade térmica devem apresentar valores adequados que proporcionem um desempenho térmico mínimo (M) para cada uma das 8 zonas bioclimáticas. As zonas são correspondentes àquelas definidas pela norma de desempenho térmico (NBR 15220 – 3 de 04/2005). Os valores máximos e/ou mínimos admissíveis para as duas propriedades citadas são: REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 40 Tabela 6 - Nível de desempenho de paredes externas quanto à transmitância térmica (1) Nível de Desempenho Transmitância Térmica Zonas 3, 4, 5, 6, 7, e 8 Zonas 1 e 2 M (1) 2 (U, em W/(m .K)) U ≤ 2,5 α (2) < 0,6 U ≤ 3,7 α (2) ≥ 0,6 U ≤ 2,5 Valores de transmitância térmica (U) considerando-se a resistência superficial interna com 2 2 valor de 0,13 (m .K)/W e a resistência térmica superficial externa com valor de 0,04 (m .K)/W; (2) α é absortância à radiação solar da superfície externa da parede. Fonte: ABNT (2002). Os valores de transmitância térmica variam, não somente de acordo com a zona bioclimática, mas também, de acordo com a absortância à radiação solar. Para pinturas das paredes com cores médias onde a absortância não ultrapassa 0,6, a norma permite que a transmitância térmica chegue a 3,70 W/(m2.K). Já para paredes com cores mais escuras, admite-se valor máximo de 2,50 W/(m2.K). Tabela 7 - Nível de desempenho de paredes externas quanto à capacidade térmica Nível de Desempenho M Capacidade Térmica (CT, em KJ/(m2.K)) Zona 8 CT ≥ 45 Zonas 1, 2, 3, 4, 5, 6 e 7 CT ≥ 130 Fonte: ABNT (2002). Analisando os valores limites especificados pela norma para a propriedade de capacidade térmica, para todas as zonas exceto a 8, já se pressupõe que as paredes externas devam ser pesadas, ou seja, com elevada capacidade térmica, devido ao seu alto valor. No entanto, o painel de vedação em madeira não apresenta esta propriedade. No caso das paredes apresentarem em sua composição materiais isolantes térmicos, com valores de condutividade térmica menores ou iguais a 0,065 W/(m.K) e resistência térmica maior do que 0,5 (m2.K)/W, ou espaços de ar com resistência térmica REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 41 maior do que 0,5 (m2.K)/W, o cálculo da capacidade térmica deve ser realizado desprezandose todos os materiais voltados para o ambiente externo, posicionados a partir do isolante ou espaço de ar. (ABNT, 2002). Com este procedimento, diminui-se ainda mais a capacidade térmica dos painéis, quando dentro das características especificadas acima. b) Método 2 É um método realizado por meio de simulação computacional do desempenho térmico do edifício, e consta da verificação do atendimento aos requisitos e critérios estabelecidos a partir da análise dos dias típicos de verão e de inverno. Devem-se utilizar os dados climáticos da cidade onde a edificação está inserida, ou, na ausência desses dados, da cidade mais próxima. O método estabelece alguns procedimentos para o processo de simulação. A seguir, têm-se alguns deles: • Deve-se desconsiderar a presença de fontes internas de calor como pessoas, lâmpadas e equipamentos (exceto para as zonas bioclimáticas 1 e 2); • Para habitações ainda em fase de projeto, recomenda-se a configuração de 1 renovação de volume de ar por hora (1 ren/h), para as simulações do dia típico de verão e inverno; • Deve-se configurar as aberturas para ventilação sem dispositivos de sombreamento; • Deve-se adotar 5 ren/h e janelas com dispositivos de sombreamento para o caso do edifício não atender aos critérios definidos para verão, com 1 ren/h e sem dispositivos. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 42 Acredita-se que o procedimento de não considerar fontes de calor para o processo de simulação faz com que o resultado não fique próximo da realidade. Somente a presença de pessoas no interior de ambientes já promove ganhos de calor, o que tende a elevar a temperatura do ar interno. O método apresenta os critérios estabelecidos a seguir: Tabela 8 - Critério de Avaliação de Desempenho Térmico para Condições de Verão Nível de Desempenho Limites de temperatura do ar no verão M - Valor máximo diário da temperatura do ar interior ≤ valor máximo diário da temperatura do ar exterior (zonas 1 a 8) I - Valor máximo diário da temperatura do ar interior ≤ 29ºC (zonas 1 a 7) - Valor máximo diário da temperatura do ar interior ≤ 28ºC (zona 8) S - Valor máximo diário da temperatura do ar interior ≤ 27ºC (zonas 1 a 7) - Valor máximo diário da temperatura do ar interior ≤ 26ºC (zona 8) Zonas Bioclimáticas de acordo com o projeto de norma 02:135.07-003:1998 - Parte 3 Fonte: ABNT (2002). Tabela 9 - Critério de Avaliação de Desempenho Térmico para Condições de Inverno Nível de Desempenho M I S Limites de temperatura do ar no inverno - Valor máximo diário da temperatura do ar interior ≥ 12ºC (zonas 1 a 5) - Valor máximo diário da temperatura do ar interior ≥ 15ºC (zonas 1 a 5) - Valor máximo diário da temperatura do ar interior ≥ 17ºC (zonas 1 a 5) Nas zonas 1 e 2 o critério deve ser verificado considerando-se fonte interna de calor de 1000W Para as zonas 6, 7 e 8 os limites de temperatura do ar no inverno não precisam ser verificados Zonas Bioclimáticas de acordo com o projeto de norma 02:135.07-003:1998 - Parte 3 Fonte: ABNT (2002). As nomenclaturas M, I e S referem-se, respectivamente aos níveis de desempenho mínimo, intermediário e superior. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 43 c) Método 3 É um método realizado por meio de medições em edificações ou protótipos construídos, e também consta da verificação do atendimento aos mesmos requisitos e critérios estabelecidos no método 2. O procedimento para realizar as medições está descrito no Anexo B da parte 1 da norma. 2.4.1.3 Método do Instituto de Pesquisa Tecnológica de São Paulo (IPT) A divisão de Edificações do Instituto de Pesquisa Tecnológica de São Paulo vem desenvolvendo, desde 1981, um método para avaliar o desempenho térmico de edificações, sendo a pesquisa de 1995 a mais recente publicada pelo IPT. O método pode ser efetuado sob três formas: a) Através de cálculos, utilizando softwares de simulação do comportamento térmico da edificação; b) Através de medições “in loco”; c) Através de consultas por tabelas (esta opção é apresentada para alguns tipos específicos de sistemas construtivos). No processo de simulação, caracterizam-se as exigências humanas de acordo com a norma ISO 7730 (1984), adotando os seguintes valores como parâmetro de conforto: • Taxa de metabolismo dos ocupantes: 47 W/m2 e 70 W/m2, que corresponde respectivamente, às atividades de dormir e à execução de serviços leves; REVISÃO BIBLIOGRÁFICA • 44 Índices de resistência térmica total das roupas: 0,35 Clo (unidade de resistência térmica da roupa onde 1 clo = 0,155 m2 °C/W) para roupas leves; 0,80 Clo para roupas de inverno e 2,00 Clo para roupas pesadas ou cobertores; • Umidade relativa do ar: 40% a 60%; • Temperatura radiante média do ambiente: igual à temperatura do ar. Assim, fixando essas variáveis, que satisfazem mais de 80% dos ocupantes de um recinto, a temperatura do ar produzirá condições de conforto, em intervalos entre 12°C e 29°C. As condições de exposição da edificação ao clima são caracterizadas nos dias típicos de projeto, para verão e inverno. Para a caracterização das condições climáticas foi proposto um zoneamento climático de referência, estabelecido a partir das médias mensais das temperaturas máximas e mínimas diárias, da amplitude térmica anual média e da umidade relativa média anual. Sob estas condições de conforto foram definidos três níveis de desempenho térmico da habitação (nível A, B,C). Para o dia típico de verão: • Nível A: Ambiente cujas temperaturas do ar interior for menor ou igual a 29°C durante todo o dia. • Nível B: Ambiente cujas temperaturas máximas diárias do ar interior não ultrapassam o valor máximo diário da temperatura exterior. • Nível C: Ambiente cujas temperaturas máximas diárias do ar interior é superior ao valor máximo da temperatura exterior. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 45 Para o dia típico de inverno: • Nível A: Ambiente cujas temperaturas do ar interior for maior ou igual a 17°C durante todo o dia. • Nível B: Ambiente cujas temperaturas mínimas diárias do ar interior não ultrapassar o valor mínimo diário da temperatura exterior de 12°C. • Nível C: Ambiente cujas temperaturas mínimas diárias do ar interior é inferior ao valor mínimo da temperatura exterior de 12°C. Não são adequadas as edificações classificadas como nível C, seja para condições de verão ou inverno. O nível A corresponde ao maior conceito de desempenho térmico. Percebe-se grande similaridade entre o método do projeto de norma de desempenho (ABNT, 2002) (métodos 2 e 3) e o método do IPT (1995), com intervalos de temperatura de conforto térmico entre 12°C e 29°C. 2.4.1.4 Método das Horas de Desconforto Desenvolvido como tese de doutorado de Barbosa (1997), o método visa avaliar o desempenho térmico de edificações residenciais unifamiliares, segundo pesquisas em habitações de interesse social realizada na cidade de Londrina-PR. O método pode ser realizado por prescrição (a partir de valores de referência para algumas propriedades térmicas) ou por desempenho (a partir de simulações ou medições “in loco”) e para ambos, foi adotada a zona de conforto de Givoni (1992) para países em REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 46 desenvolvimento e de clima quente, com temperaturas de conforto que variam de 18°C a 29°C. Em Londrina, uma pesquisa de campo foi realizada com cinco sistemas construtivos diferentes. Em cada uma das 4 (quatro) habitações com sistema construtivo diferenciado foram registradas as sensações térmicas dos usuários e as temperaturas internas no verão e no inverno para o ano de 1994. Os registros das sensações térmicas dos usuários confirmaram a validade dos limites de temperaturas da zona de conforto térmico adotada, onde 90% das respostas de conforto no levantamento de Londrina ficaram posicionados, na carta psicrométrica, dentro ou acima da zona de conforto de Givoni. A avaliação por desempenho do presente método consiste em verificar, por simulação, as horas de desconforto anuais da edificação, isto é, as horas cujas temperaturas internas estejam fora da zona de conforto definida por Givoni (1992). Para o caso específico da região de Londrina, foram adotados os seguintes critérios: a) Quantidade de horas anuais fora da zona de conforto inferior a 1000 horas: edificação considerada dentro do limite aceitável de desempenho térmico; b) Quantidade de horas anuais fora da zona de conforto superior a 1000 horas: edificação considerada fora do limite aceitável de desempenho térmico. A quantidade de 1000 horas de desconforto foi obtida a partir de simulação anual com base na casa padrão da COHAB, determinada, pela pesquisadora, como o sistema construtivo de habitação popular mais construído em todo o Brasil. Esta habitação apresenta parede de tijolos cerâmicos, rebocada em ambos os lados e com cobertura de duas águas de cimento-amianto e laje mista de 10 cm. A simulação realizada com base nas características dessa tipologia quantificou em 1500 horas anuais de desconforto. Com a pintura da telha na REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 47 cor branca as horas de desconforto caíram para 1000. Este limite foi adotado como referencial na metodologia e corresponde a 11,42% das horas de desconforto no ano. Para a prática do método são necessários: • Temperaturas de conforto entre 18°C a 29°C; • Arquivo climático do Ano Climático de Referência da região de estudo (TRY); • Ferramenta para simulação de desempenho de edificações com base horária, COMFIE, ESP ou outros ajustada às tipologias mais usadas; • Montagem do esquema de utilização básico por estação climática, para os usuários de habitação popular na região. 2.4.1.5 Método de Cálculo do Fluxo de Calor Segundo Mendes e Barth (1999), um bom indicativo utilizado para a comparação de sistemas de vedação quanto ao desempenho térmico é o fluxo de calor, podendo ser avaliado de maneira simples, para a condição de verão, através da temperatura sol-ar, ou temperatura equivalente. O conceito da temperatura sol-ar é definido como sendo a temperatura de um meio isotérmico, o qual origina um processo de transmissão de calor na superfície do fechamento semelhante às condições reais, avaliando os intercâmbios de calor por convecção com o ar e por radiação com todos os corpos que a envolvem, incluindo o Sol e o céu. (RIVERO, 1986). A seguir, tem-se a equação 1, para determinação da temperatura sol-ar segundo Rivero (1986) e Lamberts, Ghisi e Papst (2000). Tsol ar = Text + α . RS . Rse – ε . ∆RL . Rse (1) REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 48 Text – Temperatura externa / α – absortância à radiação solar/ RS – Radiação total incidente na superfície / Rse – Resistência superficial externa / ε – coeficiente de emissividade da superfície / ∆RL – é a diferença entre a radiação de onda longa emitida e recebida pela superfície. O termo ε . ∆RL . Rse , segundo dados experimentais, é igual a 4°C para planos horizontais (cobertura) e 0°C para planos verticais em qualquer hora do dia. Rivero (1986) explica que camadas altas da atmosfera têm sempre baixa temperatura o que faz com que o plano horizontal perca energia por radiação. Já nos planos verticais, essa perda fica compensada pela radiação de onda longa recebida do solo e das outras superfícies do meio. Assim, a equação da temperatura sol-ar para planos verticais pode ser reescrita da seguinte forma: Tsol ar = Text + α . RS . Rse (2) O cálculo do fluxo de calor que atravessa uma superfície vertical depende dos seus valores de transmitância térmica (U - W/m2.K), área (A - m2), da temperatura sol-ar e da temperatura do ambiente interno. Assim, a equação do fluxo de calor (q - W/m2) é definida como: q = U. A (Text + α . RS . Rse - Tint ) (3) Na pesquisa de Mendes e Barth (1999), realizada em fachadas ventiladas e, utilizando o método de cálculo de fluxo de calor, constatou-se que as propriedades de transmitância e atraso térmico não podem isoladamente caracterizar o comportamento térmico de vedações. Dados como radiação solar a que a fachada estará exposta além da propriedade de absorção à radiação solar, podem melhorar a caracterização do desempenho térmico e orientar na escolha do sistema de vedação. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 49 Em relação aos métodos citados, nota-se que as normas norte-americanas apresentam-se, atualmente, em constante desenvolvimento na busca pelo menor consumo de energia e maior conforto térmico dos usuários. Em relação aos métodos brasileiros, as pesquisas realizadas através do IPT (1995) contribuíram para a formação dos critérios do projeto de norma de desempenho de edificações (ABNT, 2002), em fase final de normalização. Destaca-se a grande similaridade entre os métodos. Já o projeto de norma de desempenho térmico (ABNT, 1998) propiciou a criação da atual norma de desempenho térmico de edificações (NBR 15220 de 04/2005). Atesta-se assim, um período de grande importância para a área de desempenho térmico no Brasil. 2.4.2 Zona de Conforto Térmico A aplicação de método de avaliação do desempenho térmico pressupõe a escolha de intervalos de temperaturas, onde provavelmente, a maioria das pessoas terá sensação de conforto térmico. Entretanto, a definição dessa zona é muito delicada já que a sensação de conforto térmico dos seres humanos é subjetiva e depende de sua aclimatação a partir de um clima específico. Givoni (1992) define a zona de conforto como sendo os intervalos das condições climáticas dentro dos quais a maioria das pessoas pode não vir a sentir desconforto térmico, tanto pelo calor como pelo frio. Segundo Olesen e Brager (2004), conforto térmico é essencialmente uma resposta subjetiva ou um estado de espírito, onde uma pessoa expressa satisfação com o ambiente térmico. Embora exista a influência de fatores culturais ou instintivos, a sensação de conforto é principalmente resultante das trocas de calor do ocupante com o meio. Isso ocorre sob a influência de quatro parâmetros ambientais, sendo eles a temperatura do ar, temperatura REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 50 radiante, umidade e velocidade do ar, e dois parâmetros pessoais, a vestimenta e o metabolismo. A seguir, relatam-se as zonas de conforto adotadas pelas normas internacionais e nacionais, para expressão do conforto térmico. 2.4.2.1 Escalas de conforto de Fanger As normas da ISO, através da ISO-7730 (1984), adotaram a pesquisa de Fanger, o qual desenvolveu experimentos com pessoas dinamarquesas e norte-americanas, e relacionou com o Voto Médio Estimado (PMV) e com o conceito da Porcentagem de Pessoas Insatisfeitas (PPD) para avaliação térmica de um ambiente. A partir de sua pesquisa, as normas da ISO-7730 (1984) passaram a recomendar, para o conforto dos espaços, que o PPD deveria ser menor do que 10%, correspondendo a uma faixa de variação de PMV de - 0,5 a + 0,5. (BARBOSA, 1997). Fanger também teve seu trabalho incorporado à carta de conforto de ASHRAE (Sociedade Americana de Aquecimento, Refrigeração e Engenharia de Ar Condicionado). A norma ASHRAE-55, desenvolvida nos Estados Unidos, está em constante desenvolvimento desde 1981, com sua última atualização em 2004, e lida exclusivamente com o conforto térmico de ambientes internos. Com a última atualização, a norma incorporou métodos de cálculos baseados no voto médio predito e porcentagem de pessoas insatisfeitas (PMV e PPD). A norma ASHRAE-55, assim como a ISO 7730, também considera aceitável um ambiente com pelo menos 80% dos ocupantes satisfeitos. (OLESEN e BRAGER, 2004). A atualização da norma ASHRAE 55 de 2004 possibilitou também a introdução de um método para avaliar o conforto térmico em edificações naturalmente REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 51 condicionadas. Neste sentido, as condições térmicas são controladas pelos ocupantes através das aberturas ou fechamentos das janelas. A condição de aceitabilidade dos ambientes internos varia em função das temperaturas exteriores e está baseada em um modelo de conforto térmico desenvolvido através de um projeto de pesquisa com apoio da ASHRAE. O modelo deriva de um banco de 20.000 dados de medições realizadas em edifícios de escritórios localizados em quatro diferentes continentes. Segundo Olesen e Brager (2004), a pesquisa demonstrou que quando os ocupantes têm o controle para abertura e fechamento das janelas e estão acostumados às naturais oscilações do clima exterior, a noção subjetiva do conforto e as temperaturas preferíveis resultam da sua disponibilidade de controle na edificação, diferente das experiências térmicas já realizadas, onde a condição ambiental está definida. Figura 7 – Limites de aceitabilidade para temperatura de ambientes internos não condicionados Fonte: Olesen e Brager (2004) A partir da temperatura média mensal exterior, são encontradas as temperaturas de ambientes internos. (ver figura 7). Os limites de aceitabilidade variam de 80% e 90% do total de ocupantes. Por exemplo, estabelecendo uma temperatura média mensal exterior de 25°C, para que o ambiente interno controlável seja aceito por 80% dos ocupantes, a REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 52 temperatura interna deve ser de 22°C. Para aceitabilidade de 90% dos ocupantes a norma sugere elevar para 23°C, a temperatura de ambientes internos controláveis. Segundo a norma norte-americana, para a pesquisa, os ocupantes apresentavam taxa metabólica (taxa de produção de energia no corpo) de 58,15 a 75,6 W/m2. Valores limites de umidade e velocidade do ar não foram especificados. Segundo ANSI/ASHRAE-55 (1992), as temperaturas limites da zona de conforto são: a) Para o verão - de 23ºC à 26ºC, nas seguintes condições: vestimenta igual a 0,5 Clo, metabolismo menor ou igual a 1,2 Met (unidade de medida de taxa metabólica), velocidade do ar menor ou igual a 0,15 m/s; b) Para o inverno – de 20ºC a 23,5ºC, nas seguintes condições: vestimenta igual a 0,9 Clo, metabolismo menor ou igual a 1,2 Met e velocidade do ar menor ou igual a 0,15 m/s. Segundo Olesen e Brager (2004), as futuras revisões da norma ASHRAE-55 terão como um dos objetivos estudar o aumento da porcentagem de pessoas satisfeitas (para mais de 80%), a partir da interferência pessoal de cada ocupante no ambiente térmico, para controle da ventilação, radiação e temperatura. Para isso, serão necessárias pesquisas sobre as diferentes formas de ocupação e controle da edificação, além de fatores locais. 2.4.2.2 Zona de conforto de Givoni Givoni (1992) estabeleceu limites de temperatura para uma zona de conforto, a partir da subdivisão em países desenvolvidos e em desenvolvimento. Baseado em cálculos, a variação de temperaturas de conforto sugerida por Givoni para pessoas que habitam países REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 53 desenvolvidos é de 18ºC a 25ºC para inverno e de 20ºC a 27ºC para verão, com conteúdo de vapor máximo de 4 g/kg. Já para países em desenvolvimento e de clima quente, o pesquisador sugere elevar 2ºC a temperatura máxima e 2 g/kg o valor do conteúdo de vapor. Assim, a zona de conforto de Givoni (1992), para países em desenvolvimento e de clima quente, considera aceitáveis as temperaturas internas no intervalo de 18°C a 29°C. Considerando as estratégias de ventilação natural no projeto, pode-se chegar à delimitação de temperaturas aceitáveis para o interior de 32°C, com ventilação de 2 m/s. Em relação à umidade, os limites são de 4 g/kg a 17 g/kg e 80% de umidade relativa. A norma brasileira de desempenho térmico (NBR 15220 – 3 de 04/2005) adota a zona de conforto de Givoni para países em desenvolvimento e de clima quente, para propor diretrizes construtivas que otimizam o desempenho térmico de habitações de interesse social. A partir da alteração da carta bioclimática de Givoni (1992), a qual propõe estratégias passivas para o desempenho de edificações, foi feita a classificação do clima brasileiro em 8 diferentes zonas bioclimáticas. Atualmente, a classificação do território brasileiros em 8 zonas bioclimáticas, a partir dos estudos de Givoni (1992) é utilizada como base do projeto de norma de desempenho de edificações de até cinco pavimentos (ABNT, 2002) para avaliação do desempenho térmico. 2.4.3 Ferramentas de Simulação A obtenção de dados climáticos internos de edificações para avaliação do desempenho térmico está vinculada basicamente, ou ao processo de medição “in loco”, quando da existência da edificação e disponibilidade de equipamentos, ou ao processo de REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 54 simulação, conduzido por uma ferramenta computacional. Este último recurso apresenta algumas vantagens para o processo de avaliação, dentre elas: • Maior rapidez para obtenção dos dados climáticos, podendo ser gerados para um período anual inteiro dentro de curto intervalo de tempo; • Possibilidade de avaliação térmica de um mesmo objeto de estudo ao clima de diferentes cidades; • Flexibilidade ao projetista para empregar diferentes sistemas construtivos numa única edificação, avaliando o desempenho de cada um deles; • Capacidade de antever o desempenho térmico de edificações ainda em fase de projeto. Segundo Santos, Mendes e Parise (2004), como conseqüência da crise do petróleo, na década de 70, foram desenvolvidas várias ferramentas computacionais tal como o BLAST, DOE-1, NBSLD, TRNSYS e ESP-r para simular o comportamento termoenergético de edificações. Mais recentemente, foram desenvolvidas interfaces gráficas como as das ferramentas PowerDomus, VisualDoe e PowerDOE, que facilitam a disseminação da cultura de simulação de eficiência energética em edificações. Atualmente, o uso do processo de simulação para predizer o desempenho vem sendo quase que indispensável durante o projeto e manutenção de edifícios e seus sistemas. As técnicas e aplicações das simulações de desempenho de edifícios apresentam-se sob constante mudança, sendo possível simular processos físicos num maior nível de detalhes e de escalas de tempo, que até pouco tempo atrás, não era conseguido. (HENSEN, LAMBERTS e NEGRÃO, 2002). REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 55 2.4.3.1 Ferramenta COMFIE e sua Validação O COMFIE (Calcul d`Ouvrages Multizones Fixé à une Interface Expert – Cálculo de Multizonas, Fixadas a uma Interface Inteligente) é uma ferramenta de simulação para avaliação térmica de projetos de edificações, desenvolvida por Peuportier e Sommereux (1991) na Escola de Minas de Paris. Segundo os autores, seu módulo de cálculo baseia-se na análise modal, uma técnica de modelo reduzido, inicialmente desenvolvida pela engenharia mecânica para o estudo de transferência de calor, a qual permite realizar uma simulação num curto intervalo de tempo. Uma das principais características da ferramenta é sua capacidade de simular vários ambientes ao mesmo tempo, segunda sua análise multizona (cada zona representa um ambiente térmico homogêneo), com número máximo de 6 zonas. Outra característica é a possibilidade da utilização de um arquivo climático de dados horários de um ano inteiro através do TRY (teste reference year), composto por 52 semanas típicas. Pode-se optar também, pela utilização do arquivo climático do tipo SRY (short reference year) o qual é reduzido à 8 semanas típicas, sendo duas por estação. Os dados climáticos necessários para a composição do arquivo base para o COMFIE são: temperatura de bulbo seco, radiação global, radiação difusa do céu, radiação indireta, duração de brilho solar, umidade relativa, velocidade do vento, além do mês, dia e hora. Sua estrutura de dados orientada ao projeto permite a montagem do edifício a partir da representação de seus componentes desde o mais simples (os materiais compostos), até os mais complexos (as paredes e zonas). No seu módulo de cálculo pode-se optar pela simulação da carga de aquecimento para o período de aquecimento do ano de referência, ou pela simulação do conforto térmico no verão. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 56 Os resultados expõem para cada zona, as temperaturas mínima, máxima e média, com carga de resfriamento ou aquecimento. Apresenta também, o consumo anual de energia além de uma estimativa de custos para alguns tipos de energia. No processo de elaboração e validação da ferramenta de simulação COMFIE, os primeiros resultados gerados foram comparados com os obtidos pela ferramenta ESP. Esta ferramenta, desenvolvida na Escócia, gera simulação térmica detalhada do ambiente e foi utilizada como parâmetro para o processo de validação. As primeiras respostas, após vários estudos, geraram os seguintes resultados, segundo Peuportier e Sommereux (1991): Histograma COMFIE X ESP 300 horas 240 180 120 60 0 19 20 COMFIE 21 ESP 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 temperatura (°C) Figura 8 - Gráfico comparativo COMFIE X ESP Fonte: Reconstituído de Peuportier e Sommereux (1991) Os resultados demonstraram grande proximidade dos valores de temperatura gerada pelas duas ferramentas de simulação, através do histograma de temperatura. Com isso, confirmou-se o bom desempenho da ferramenta COMFIE. Outras validações foram realizadas na Universidade de Stuttgart e pela Politécnica Central de Londres, sendo esta, através das ferramentas de simulação SERI-RES e APACHE, através do pesquisador John Littler. (PEUPORTIER e SOMMEREUX, 1991). REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 57 Atualmente a ferramenta tem sido empregada para simulações do comportamento térmico de edificações, no auxílio de diversas pesquisas. Mostra-se de fácil domínio e compreensão, além de ser acessível. Dentre os pesquisadores que utilizam ou utilizaram recentemente a ferramenta COMFIE, cita-se alguns deles e suas respectivas pesquisas. Kruger e Givoni (2004) utilizaram a ferramenta COMFIE para simular o desempenho térmico de habitações de interesse social inseridas na cidade de Curitiba, Paraná. Os valores de temperatura gerados pela ferramenta foram utilizados como referência para comparação com os resultados obtidos da aplicação das equações preditivas, elaboradas por Givoni. As equações são utilizadas para predizer as temperaturas internas de moradias através apenas de dados diários de temperatura externa do ambiente. Para a pesquisa citada, o objetivo era validar a aplicação das equações preditivas desenvolvidas por Givoni, na cidade de Curitiba, através da comparação com os dados gerados pelo COMFIE, o que demonstra confiabilidade pela ferramenta de simulação. Na pesquisa de Barbosa (1997) para determinação de método de avaliação do desempenho térmico, também foi empregada a ferramenta COMFIE, versão 2.0. Através dela, pode-se determinar a quantidade de horas de temperatura interna, situadas fora dos intervalos de 18°C e 29°C, em diferentes sistemas construtivos usualmente empregados em habitações de interesse social na cidade de Londrina. 2.4 Experiências na Avaliação do Desempenho Térmico de Painel de Vedação em Madeira Segundo Silva (2000) existe uma grande dificuldade em relatar experiências realizadas no Brasil com a madeira, devido à reduzida bibliografia sobre o assunto. A maioria REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 58 das pesquisas é encontrada principalmente, “em regiões com grandes reservas florestais ou ligadas às tradições construtivas de uma determinada população de imigrantes, além de experiências de unidades ou conjuntos populacionais propostos por centros de pesquisas vinculados ao tema”. O autor cita, entre os centros de pesquisa, o Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo – IPT, a Fundação de Tecnologia do Estado do Acre – FUNTAC e o Laboratório de Madeiras e de Estruturas de Madeira da EESC/USP, os quais têm desenvolvido novos sistemas construtivos a partir das diferentes características sócioeconômicas das regiões do país. Sob aspecto do desempenho térmico, as habitações em madeira têm sido, ao longo dos anos, muito criticada. Numa avaliação subjetiva sabe-se que elas são conhecidas como quentes no verão e frias no inverno. Tal contexto é reforçado quando se avalia, através de métodos de desempenho térmico, alguns exemplares da década de 30, 40 e 50, ou mesmo os implantados recentemente por empresas de casas pré-fabricadas. Na pesquisa de Silva e Basso (2001), foi comprovado o baixo desempenho térmico de cinco diferentes habitações em madeira implantadas nas cidades de Curitiba e Londrina, Paraná. Quatro habitações pré-fabricadas em madeira, inseridas em Curitiba, juntamente com a “Casa do Pioneiro” (sistema tradicional) inserida em Londrina, foram avaliadas por meio da ferramenta de simulação Arquitrop versão 3.0. Na pesquisa, o foco foi o desempenho térmico de todo conjunto formado pela habitação em madeira, e a verificação do atendimento aos critérios estabelecidos pela norma de desempenho térmico (NBR 15220 – 3 de 04/2005) e pelo método de horas de desconforto de Barbosa (1997). Com a análise realizada por meio de simulação para condições de verão e inverno, constatou-se que, sob aspecto do desempenho térmico, todos os sistemas construtivos apresentaram resultado ruim. Segundo Silva e Basso (2003), “o padrão de qualidade das casas em madeira produzidas no Paraná encontra-se abaixo do mínimo necessário para uma REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 59 habitação destinada à família de baixa renda”. Constatou-se a inadequação dos sistemas construtivos ao clima da região, com horas de desconforto na maior parte do dia, tanto no período de verão como de inverno. Com a presente pesquisa direcionada para os painéis de vedação, sabe-se que as paredes dos cinco protótipos avaliados eram formadas por apenas tábuas de madeira com cerca de 2,2 cm de espessura, fato que pode contribuir para o baixo desempenho térmico do conjunto. Bogo (2003), em sua pesquisa realizada com painéis de vedação em madeira, comprovou o baixo desempenho térmico de paredes simples de madeira formada por apenas tábua de pouca espessura. A pesquisa dirigia-se à análise do desempenho térmico de fechamentos verticais em habitações pré-fabricadas em madeira e comercializadas na região de Florianópolis, SC, e em habitações pioneiras da região do Planalto Norte, Meio-Oeste e Oeste de Santa Catarina. Com a aplicação do método simplificado da norma de desempenho térmico (NBR 15220 – 3 de 04/2005), foram avaliados painéis em madeira com câmara de ar entre os fechamentos externo e interno (casas pré-fabricadas) e outras compostas por apenas tábuas simples (casas pioneiras) de espécies de madeira de alta densidade como angelim pedra, ipê, cedro, jatobá, ou baixa densidade como o pinus. Os resultados demonstraram que das vinte e quatro composições de painéis de paredes avaliadas, metade não atendeu à norma para as zonas bioclimáticas 1, 2, 3 e 5. Percebe-se, pela tabela 10, que o terceiro painel, caracterizado por parede dupla com câmara de ar de 7 cm preenchida por isopor com 4 cm, apresenta valor de atraso térmico superior aos dos outros painéis. Isso ocorre devido à sua alta resistência térmica da composição influenciada pelo isolante térmico. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 60 Tabela 10 – Resultados parciais da avaliação do desempenho térmico de tipologias de painéis em madeira de Santa Catarina Caracterização Construtiva Espécie de Madeira Parede dupla c/ tábua externa, câmara de ar Angelim Pedra c/ montante 10 cm e forração Parede simples Parede dupla c/ tábua externa, câmara de ar c/ isopor 4 cm, montane 7 cm e forração Parede simples Parede simples Parede simples Parede dupla com tábua externa, câmara de ar 4,5 cm e forração Fator de Adequação Espessura Transmitância Capacidade Atraso Calor às zonas Parede Térmica Térmica Térmico Solar* bioclimáticas (cm) W/(m2.K) KJ/(m2.K) h % 1 2 3 5 13,2 2,22 34 1,7 2,6 Idem acima 4 3,24 42 1,7 3,8 Grápia 12 0,6 55 3,8 0,7 Idem acima 3 3,65 32 1,3 4,3 Maçaranduba, jatobá, guajará, ipê, jaraúna, sapucaia 2,5 3,9 26 1,1 4,6 Pinus 2,5 2,97 15 1,1 3,5 Pinus 8 1,77 21 1,7 2,1 A A A A I I A I A A A I I I I A I I I A A A A A A A A A * Valor de absortância à radiação solar = 0,3, representativa de paredes externas na cor clara. Fonte: Bogo (2003) As nomenclaturas A e I definem a adequação ou inadequação das propriedades térmicas aos limites estabelecidos pela norma (NBR 15220 – 3 de 04/2005) para 4 das 8 zonas bioclimáticas brasileiras. Segundo Bogo (2003), a madeira pode constituir-se como um adequado material para o desempenho térmico em paredes, dependendo da espécie empregada, da sua espessura e bem como da composição construtiva. O autor complementa que as paredes em madeira com bom desempenho térmico são duplas (tábua externa + espaçamento livre e/ou isolamento térmico + forração interna), ou paredes simples em madeira de lei com espessura mínima de 4 cm ou ainda paredes simples em madeira mole (pinus (ssp)) com espessura REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 61 mínima de 2,5 cm. Esta última apresentou valor de transmitância térmica próxima do mínimo estabelecido pela norma (NBR 15220 – 3 de 04/2005), o que necessita de maiores cuidados para seu emprego. Alves e Ino (2001), considerando os benefícios térmicos dos painéis duplos em madeira, conforme constatado nas pesquisas de Bogo (2003), avaliaram o desempenho térmico de dois protótipos semelhantes, inseridos no campus da EESC-USP de São Carlos, SP, e construídos com mesmas dimensões (2,40 m x 2,80 m), orientação solar e cobertura. As variações ocorreram apenas nos fechamentos verticais. Um deles apresentava painel com câmara de ar de 5 cm formada entre os montantes e fechamento interno e externo em chapa de compensado de 1 cm de espessura. O outro protótipo recebeu fechamento em alvenaria de tijolos cerâmicos, sistema tradicionalmente empregado em todo o país. Através do processo de monitoramento, obteve-se a comparação do desempenho térmico dos protótipos de madeira e de alvenaria. Segundo Alves e Ino (2001), de modo geral o protótipo em madeira apresentou maior desconforto térmico no período diurno, devido sua facilidade em ganhar calor. Entretanto, devido a sua baixa inércia térmica e a facilidade também em perder calor, este sistema ofereceu melhores condições térmicas no período noturno do que o protótipo em alvenaria. Foi constatado também, menores amplitudes térmicas diárias para o protótipo com fechamento em alvenaria de tijolos cerâmicos quando comparado com o protótipo com vedação em madeira. Ainda segundo os autores, o painel duplo em madeira teve, posteriormente, sua câmara de ar preenchida por isopor, adotado para compensar sua baixa inércia térmica. Entretanto, a deficiência da cobertura do protótipo monitorado (formada por telha de fibrocimento), devido à presença de frestas que permitiam a entrada de ar, além da ausência de ventilação no protótipo, influenciaram os resultados finais. O protótipo apresentava-se ainda mais quente no verão devido ao ganho de calor pela cobertura e dificuldade na sua REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 62 liberação pelo painel isolante, e no inverno, seus benefícios exerciam menor influência do que o ar frio que entrava pelas frestas da cobertura. Na pesquisa de Atem (2002), pôde-se avaliar melhor os benefícios dos isolantes térmicos inseridos em painéis. Através de monitoramento, constatou-se grande quantidade de horas de desconforto em uma habitação inserida em Curitiba, Paraná, cujo fechamento vertical era composto por tábua em madeira de grápia de 3,5 cm de espessura. Por meio de simulação, procedeu-se à pesquisa através da ferramenta Arquitrop, onde foram inseridos materiais isolantes à vedação existente, com o objetivo de compensar a baixa inércia térmica do sistema. Sete variações de composição foram simuladas. Real Painel 01 Painel 02 Painel 03 Painel 04 Painel 05 Painel 06 Painel 07 Painéis Simulados Somente grápia (3,5 cm) Grápia (3,5 cm) + Cortiça (2 cm) + Compensado (1 cm) Grápia (3,5 cm) + Poliestireno expandido (2 cm) + Compensado (1 cm) Grápia (3,5 cm) + Ar (4 cm) + Compensado (1 cm) Grápia (3,5 cm) + Ar (4 cm) + Pinus (1,2 cm) Grápia (3,5 cm) + Ar (4 cm) + Pinus (2,2 cm) Grápia (3,5 cm) + Isopor (2 cm) + Ar (4 cm) + Compensado (1 cm) Grápia (3,5 cm) + Lã de vidro (4 cm) + Pinus (1,2 cm) Quadro 3 – Composições de vedações simuladas Fonte: Atem (2002) Figura 9 – Gráfico do fluxo térmico nos painéis de fachada norte Fonte: Atem (2002) REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 63 O painel 07, de maior resistência térmica, dificultou os ganhos e perdas de calor à edificação, apresentando bom desempenho térmico. Depois dele destacam-se, respectivamente, em ordem decrescente de desempenho térmico, os painéis 06, 02, 01, 05 e 03. Em Atem (2002) destaca-se a importância em se estudar a vedação em madeira, com intuito de aumentar sua resistência para compensar sua baixa capacidade de armazenar calor, e promover assim melhor desempenho às habitações em madeira. As pesquisas aqui abordadas confirmaram o baixo desempenho térmico das habitações e de composições de painéis em madeira para a maioria das regiões brasileiras. De modo geral, os painéis simples, de pouca espessura, não contribuem para o bom desempenho térmico das habitações. Os painéis duplos mostram-se boas soluções de vedações. Seu incremento com isolante térmico pode ser uma solução apta a compensar o problema da inércia térmica em painéis em madeira. Porém, seu benefício só pode ser observado com uma cobertura bem protegida, fato destacado na pesquisa de Alves e Ino (2001). Relata-se que pesquisas internacionais ligadas ao desempenho de painéis de vedação em madeira direcionam seus estudos para o problema da condensação que ocorre devido à grande diferença de temperatura existente entre o ar interior e exterior de uma edificação em países de clima frio. Assim, as pesquisas abordam o problema da umidade apontando a inserção de barreiras de ar e vapor nas composições de painéis como medida estratégica para o seu melhor desempenho. Além do problema da condensação, o enfoque de pesquisas internacionais se direciona também para o incremento da resistência térmica com a finalidade em diminuir o consumo de energia para o sistema de aquecimento artificial. O incremento da resistência minimiza a perda de calor do interior dos ambientes, o que reflete diretamente no consumo energético. Estes estudos podem ser encontrados em Canadian Wood REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 64 Council (1997), Junta del Acuerdo de Cartagena (1984), Canadian Home Builders Association – CHBA (2001) e Zarr, Burch and Fanney (1995), entre outros. No Brasil, para a viabilidade de painéis de vedação em madeira em habitações de interesse social, o incremento da resistência nas composições deve ser o mínimo necessário para garantir conforto tanto no verão como no inverno, partindo do pressuposto de que as habitações são desprovidas de sistemas artificiais de resfriamento e aquecimento. Entretanto, não se sabe, como deve ser a composição mínima que garanta tais condições. Assim, a importância desta pesquisa está na análise do desempenho térmico de composições de painéis que possam ser empregados na habitação social, de forma a garantir condições mínimas de conforto. Já foi comprovada a ineficiência de paredes simples, de pouca espessura, em várias regiões do Brasil, mas não se sabe ao certo qual a mínima composição de painel apropriada ao clima de uma região, de forma a compensar a baixa capacidade térmica do sistema. Nesta pesquisa, avalia-se o desempenho térmico de painéis a partir da condição específica do clima de Londrina utilizando-se de métodos brasileiros. A partir da revisão bibliográfica constatou-se que tanto o método do IPT (1995), como o método de horas de desconforto de Barbosa (1997) e o do projeto de norma de desempenho (ABNT, 2002), permitem uma análise segundo a resposta térmica global da edificação e não somente dos seus elementos de vedação, o que torna uma avaliação mais completa. O método de Barbosa (1997) possibilita avaliação para um ano inteiro. Já os métodos da ABNT (2002) e do IPT (1995) determinam uma avaliação através dos dias típicos de verão e inverno. Os critérios de análise desses dois últimos métodos são muito similares, pois consideram os mesmos intervalos de temperatura (entre 12ºC e 29ºC), baseados na norma ISO 7730, fundamentada nos experimentos de Fanger com pessoas adaptadas ao clima frio. Por outro lado, o método de Barbosa (1997) baseia-se nas pesquisas de Givoni (1992) realizadas com pessoas adaptadas ao clima quente. Devido à similaridade entre o método do IPT (1995) e o projeto de norma de REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 65 desempenho (ABNT, 2002), adota-se para o presente trabalho, este último, juntamente com o método de horas de desconforto (BARBOSA, 1997) para avaliação dos painéis em madeira. Os métodos simplificados da norma de desempenho térmico (NBR 15220 – 3 de 04/2005) e do projeto de norma de desempenho (ABNT, 2002) prescrevem valores limites para algumas propriedades térmicas. Nota-se, desde já, uma contradição entre eles, já que aquele, para zona bioclimática 3, sugere paredes externas leves e refletoras, e este, com limite de capacidade térmica mínima de 130 kJ/(m2.K), sugere paredes externas pesadas. Ambos serão aplicados para análise térmica dos painéis de vedação. O método de cálculo do fluxo de calor pode auxiliar, através de análise comparativa, na escolha de fechamentos verticais ou horizontais que mais possam minimizar os ganhos de calor no verão e promover assim, melhor desempenho à edificação. MÉTODO DE PESQUISA 66 3 MÉTODO DE PESQUISA Através da fundamentação teórica, foram verificadas poucas pesquisas relacionadas com a avaliação do desempenho térmico de painéis em madeira que apresentem maior resistência térmica, e cujas composições provêm do sistema Wood-Frame Construction, atualmente empregado por países desenvolvidos. Desta forma, optou-se pela avaliação do desempenho térmico de três composições de painéis que seguem estes princípios, inseridos em protótipo habitacional, e submetidos ao clima da cidade de Londrina. Para isso, o método de pesquisa foi conduzido por simulações, a partir de uma ferramenta de simulação térmica. A estratégia de pesquisa foi avaliar a resposta térmica global de um protótipo em função apenas da variação dos painéis. A pesquisa foi orientada através dos procedimentos a seguir: REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ↓ ↓ DEFINIÇÃO DOS PAINÉIS DE VEDAÇÃO E PROTÓTIPO HABITACIONAL DEFINIÇÃO DOS MÉTODOS DE AVALIAÇÃO E PROCEDIMENTOS DE SIMULAÇÃO ↓ CÁLCULO DAS PROPRIEDADES TÉRMICAS ↓ SIMULAÇÕES ↓ APLICAÇÃO DE MÉTODOS DE AVALIAÇÃO ↓ ANÁLISE DOS RESULTADOS Figura 10 – Etapas da pesquisa MÉTODO DE PESQUISA 67 3.1 Definição dos Painéis de Vedação A revisão acerca do sistema construtivo em madeira atualmente empregado em habitações por países desenvolvidos, além dos experimentados em protótipos por pesquisadores da área, forneceu embasamento para escolha de três composições de painéis para avaliação térmica, quando exposto ao clima de Londrina. Preocupou-se com a definição de painéis que provém de sistema construtivo atual, acompanhando as evoluções da tecnologia em madeira. Definidos como painéis P1, P2 e P3, todos apresentam câmara de ar entre os fechamentos, com algumas variações devido à introdução de outros elementos. O painel P1 possui composição mais simples, com poucos elementos construtivos. Já os painéis P2 e P3 apresentam elementos de maior resistência térmica, dificultando assim, a passagem de calor. PRA EXT. P1 P2 EXT. INT. EXT. 2.2 PRB EXT. INT. EXT. INT. 9.4 P3 9.4 INT. INT. 13 Figura 11 – Composições dos painéis e parede avaliados 14 MÉTODO DE PESQUISA 68 Para melhor interpretação dos resultados, os painéis foram comparados com duas paredes referenciais, a PRA (parede referencial A) e a PRB (parede referencial B). A PRA representa uma parede de baixo desempenho térmico, formada apenas por tábuas de madeira de pinus (ssp) de 2,2 cm de espessura, fato comprovado por pesquisas relatadas na revisão bibliográfica. A PRB representa uma parede de bom desempenho térmico, formada por tijolos cerâmicos e reboco, através de sistema construtivo já consolidado no país e na região em estudo. A medida de 2,2 cm para tábuas de pinus (ssp) adotada nesta pesquisa corresponde à espessura de madeira usualmente comercializada para estes fins na região do Estado do Paraná. A seguir, tem-se a descrição de cada composição de parede avaliada. • P1 – Painel formado por tábua de pinus de 2,2 cm (exterior) + câmara de ar não ventilada de 5 cm + tábua de pinus de 2,2 cm (interior); • P2 – Painel formado por tábua de pinus de 2,2 cm (exterior) + lã de vidro 5 cm + tábua de pinus de 2,2 cm (interior); • P3 - Painel formado por tábua de pinus de 2,2 cm (exterior) + câmara de ar não ventilada de 2,4 cm e sarrafos de 2,4 x 5 cm + chapa de OSB de 1,2 cm (Oriented Strand Board – Chapa de partículas de madeira orientada) + câmara de ar não ventilada 5 cm + tábua de pinus de 2,2 cm (interior); • PRA – Parede referencial A, de baixo desempenho térmico – Tábua de pinus de 2,2 cm de espessura e 22 cm de largura, com mata-junta de madeira de pinus de 1,2 cm de espessura e 6 cm de largura; • PRB – Parede referencial B, de bom desempenho térmico – Alvenaria de tijolos cerâmicos de seis furos, de 9 cm, rebocados dos dois lados. MÉTODO DE PESQUISA 69 3.2 Procedimentos de Avaliação do Desempenho Térmico Para o procedimento de avaliação do desempenho térmico dos painéis de vedação, foram aplicados os seguintes métodos: • Métodos simplificados: Consideram o comportamento térmico dos painéis de vedação isoladamente e, consiste na verificação do atendimento aos parâmetros definidos pela norma brasileira de desempenho térmico (NBR 15220 – 3 de 04/2005) e pelo projeto de norma de desempenho de edificações de até cinco pavimentos (ABNT, 2002); • Métodos por desempenho: Consideram o comportamento térmico global de uma edificação e, consiste na verificação do atendimento aos parâmetros definidos pelo projeto de norma de desempenho de edificações de até cinco pavimentos (ABNT, 2002) e pelo método regional de Barbosa (1997). O fato de ter sido adotado mais de um método nesta pesquisa, contribuiu para obtenção de melhores resultados, além de permitir a verificação da compatibilidade entre eles. Assim, o procedimento da avaliação subdividiu-se em 2 etapas: 1ª Etapa Cálculo das Propriedades Térmicas dos Painéis → Avaliação a partir de Métodos Simplificados → Análise dos Resultados 2ª Etapa Simulações Térmicas do Comportamento Térmico de um Protótipo → Avaliação a partir de Métodos por Desempenho → Figura 12 – Procedimentos de avaliação do desempenho térmico dos painéis MÉTODO DE PESQUISA 70 3.2.1 Definição dos Métodos Simplificados Dos métodos simplificados descritos na revisão bibliográfica, aplicam-se os propostos pelo projeto de norma brasileira de desempenho térmico (NBR 15220 – 3 de 04/2005), e pelo projeto de norma brasileira de desempenho de edificações de até cinco pavimentos (ABNT, 2002). A adoção dos dois métodos permitiu avaliar suas aplicabilidades em painéis de vedação em madeira, bem como realizar uma análise comparativa de seus resultados. O método de cálculo de fluxo de calor também foi aplicado, podendo ser interpretado através de análise comparativa entre os painéis e paredes referenciais. Para o cálculo dos fluxos foi necessário obter os dados de radiação solar incidente sobre planos verticais, para a cidade de Londrina. Segundo Frota e Schiffer (2001), os dados de radiação solar incidente sobre planos verticais e horizontais para a latitude de 23°30’Sul, no dia de solstício de verão (22 de dezembro) são: Tabela 11 – Dados de radiação solar incidente (W/ m2) – Latitude 23°30’Sul – 22/12 Orientação S SE E NE N NW W SW H 6h 114 255 276 121 20 20 20 20 81 7h 208 560 608 323 40 40 40 40 317 8h 195 615 704 410 50 50 50 50 575 9h 10h 11h 12h 13h 14h 151 106 74 63 74 106 549 410 244 63 68 63 659 511 311 63 68 63 417 349 235 65 68 63 58 63 68 66 68 63 58 63 68 65 235 349 58 63 68 63 311 511 58 63 68 63 244 410 811 990 1108 1138 1108 990 15h 151 58 58 58 58 417 659 549 811 16h 17h 18h 195 208 114 50 40 20 50 40 20 50 40 20 50 40 20 410 323 121 704 608 276 615 560 255 575 317 81 Fonte: Frota e Schiffer (2001) A letra H da tabela 11 representa o plano horizontal e as demais letras representam as orientações para os planos verticais. Para a avaliação, adotaram-se os dados MÉTODO DE PESQUISA 71 correspondentes à orientação Oeste (W), representando a condição de exposição à maior quantidade de radiação solar incidente dentre os planos verticais. No cálculo do fluxo de calor, todos os fechamentos foram avaliados com absortância de 0,3, correspondente à pintura cor clara. Foi introduzido também um painel nomeado como P1 natural. Este painel apresenta cor natural da madeira de pinus (ssp), sendo adotado valor médio de absortância correspondente à 0,5, o que equivale a uma cor média. A introdução do painel P1 natural, com absortância superior às demais, permite avaliar a influência da cor em fechamentos verticais. Destaca-se que muitas habitações em madeira são mantidas com sua cor natural. 3.2.2 Definição dos Métodos por Desempenho Os métodos por desempenho foram adotados para interpretação dos dados de temperatura interna obtidos por simulação. Dentre os métodos citados na revisão, adotaram-se o proposto pelo projeto de norma de desempenho (ABNT, 2002) além do método de horas de desconforto de Barbosa (1997), os quais apresentam parâmetros de conforto térmico diferenciados. Para o método do projeto de norma de desempenho (ABNT, 2002), de todos os dados horários anuais de temperatura interna gerados pela simulação, apenas os dias típicos de verão e de inverno da cidade de Londrina foram avaliados. Já para o método de horas de desconforto, avaliaram-se os 8736 dados de temperatura gerados pela ferramenta de simulação, ou seja, os dados simulados de hora em hora para cada dia de um ano inteiro. MÉTODO DE PESQUISA 72 3.3 Cálculo das Propriedades Térmicas dos Painéis As propriedades térmicas das três variações de painéis, bem como das paredes referenciais, foram calculadas segundo procedimentos da norma brasileira de desempenho térmico (NBR 15220 – 2 de 04/2005). A determinação das propriedades foi necessária para aplicação dos métodos simplificados. Para o procedimento de cálculo, preocupou-se com a presença de montantes e travessas existentes na estrutura dos painéis de vedação, e sua influência no desempenho térmico do conjunto. Assim, foi considerado um módulo de 60 cm de largura x 60 cm de altura (correspondente ao espaçamento entre montantes e travessas, em média), composto por um montante de 5 cm x 5 cm x 60 cm e uma travessa de 5 cm x 5 cm x 55 cm, para cada uma das três variações de painéis. 60 cm Seção B 22 Montante MÓDULO BASE - P1, P2 E P3 cm Seção A Seção B Travessa 22 cm 60 cm Seção A Seção A Seção B Mata-junta MÓDULO BASE - PRA Seção C ELEMENTO ISOLADO - PRB Figura 13 – Módulos definidos para cálculos das propriedades térmicas Quanto à parede referencial A – PRA, foi considerada a presença de matajuntas, tanto na face externa como na interna da parede. Sua modulação de 22 cm segue ao espaçamento padrão das habitações pioneiras. Para a parede referencial B – PRB, os cálculos MÉTODO DE PESQUISA 73 foram definidos em relação a um módulo padrão composto por um tijolo de seis furos, reboco externo e interno e argamassa de assentamento na face superior e lateral. Em relação às propriedades térmicas da madeira de pinus (ssp), adotaram-se os valores de 0,15 W/(m.K) de condutividade térmica (CSTB apud UCHÔA, 1989); (NBR 15220 – 2 de 04/2005), com densidade correspondente a 500 kg/m3. O calor específico, adotado segundo a norma brasileira (NBR 15220 – 2 de 04/2005), foi de 1,34 kJ /kg.K. O incremento com lã de vidro em P2 (podendo ser substituída por outro isolante térmico) foi realizado com as propriedades térmicas definidas pela norma brasileira (NBR 15220 – 2 de 04/2005), com condutividade térmica de 0,045 W/(m.K), densidade de 100 kg/m3, e calor específico de 0,70 kJ /kg.K. Para o derivado de madeira OSB (oriented strand board) inserido no painel P3, definiu-se, segundo a norma, condutividade térmica de 0,14 W/(m.K), densidade de 650 kg/m3 e calor específico de 230 kJ /kg.K, a partir de sua classificação com aglomerado de partículas de madeira. A densidade de 650 kg/m3 também corresponde ao valor especificado por fabricantes da chapa. 3.4 Simulações Térmicas As simulações térmicas consideram a resposta térmica global de uma edificação, sob a influência da cobertura, ventilação, ocupação e clima, e não somente o comportamento térmico dos elementos de vedação isoladamente. O processo de simulação foi conduzido pela ferramenta COMFIE (PEUPORTIER e SOMMEREUX, 1991), considerando as condições dinâmicas de exposição ao clima de Londrina. A partir das simulações, avaliouse para um ano inteiro, o desempenho térmico de um protótipo, com a variação apenas dos painéis e de parede, fazendo uma análise comparativa dos resultados e aplicando os critérios de avaliação dos métodos por desempenho. MÉTODO DE PESQUISA 74 A escolha pelo processo de simulação se deu devido à praticidade para avaliação de várias composições de parede, o que, por monitoramento, seria necessária a construção de um protótipo para cada variação, além de maior disponibilidade de tempo e de recursos. Optou-se pelo uso da ferramenta COMFIE devido à sua capacidade de simular anualmente os valores horários da temperatura do ar interior. A acessibilidade à ferramenta bem como a proximidade com pesquisadores que detêm o seu domínio, também motivaram a escolha. 3.4.1 Determinação dos dados climáticos externos Para o uso da ferramenta de simulação COMFIE, (PEUPORTIER e SOMMEREUX, 1991) necessita-se que o arquivo do ano climático de referência (TRY) seja montado dentro de um formato específico. Barbosa et al (1999) configuraram o arquivo do ano climático de Londrina, de 1996, no formato COMFIE. Os dados que compõem o arquivo são: temperatura de bulbo seco, radiação solar global, direta e difusa, horas de brilho solar, umidade relativa do ar, velocidade dos ventos e mês, dia e hora em que tais fatores climáticos ocorreram. Totalizam-se 8736 horas para cada variável envolvida. 3.4.2 Escolha do protótipo O primeiro passo para o desenvolvimento das simulações foi a escolha do protótipo utilizado como base para as variações dos painéis de vedação. Adotou-se o protótipo de habitação social experimental, existente no campus da Universidade Estadual de Londrina, construído através do programa HABITARE (BARBOSA et al, 2000). As razões para escolha do protótipo foram: MÉTODO DE PESQUISA • 75 Facilidade na obtenção de dados relacionados com o seu dimensionamento, composições de cobertura e de piso, aberturas para ventilação; • Possibilidade de monitoramento de dados climáticos internos para comparação com os resultados obtidos através do processo de simulação; • Eficiência do sistema de ventilação e iluminação natural devido ao bom dimensionamento e composição das aberturas; • Simplicidade formal. J1 J1 DORMITORIO 8.78 m2 DORMITORIO 8.78 m2 P1 J2 P1 HALL 2.62 m2 P2 I.S. 1.35 m2 J3 COBERTURA CERAMICA i = 35% J1 P2 BANHO 1.13 m2 SALA ESTAR 11.76 m2 J4 J3 P1 P2 P2 P1 J1 COZINHA 5.80 m2 P1 J1 PLANTA BAIXA - PROTÓTIPO CORTE Figura 14 – Planta baixa e corte do protótipo adotado para simulação O protótipo experimental possui área interna de 42,9 m2 e volume interno de 109,69 m3. Apresenta-se com paredes formadas por blocos cerâmicos estruturais aparentes, com modulação do componente principal de 29 x 14 x 6,5 cm de altura. A cobertura possui MÉTODO DE PESQUISA 76 laje mista, câmara de ar com estrutura em madeira, e telhas cerâmicas romanas, de cor natural. O piso de 5 cm de espessura é de concreto magro com capeamento de argamassa, permanecendo a cor natural do cimento. As principais aberturas para ventilação (J1) são compostas por duas folhas de abrir de vidro simples transparente e duas folhas de abrir de madeira tipo veneziana. As janelas basculantes encontram-se apenas no banheiro e cozinha. Figura 15 – Imagem do protótipo experimental Na etapa de montagem do projeto no COMFIE, algumas configurações foram modificadas na composição da cobertura. Isso porque a associação dos painéis em madeira à sua tecnologia para habitações exige o emprego de componentes construtivos leves e secos. Assim, a laje mista original do protótipo foi substituída por forro de madeira nas simulações, MÉTODO DE PESQUISA 77 pois este apresenta menor massa térmica além de compatibilidade de soluções e adequação à realidade. Tendo em vista que na pesquisa de Alves e Ino (2001) não foi possível atingir todos os objetivos em relação à pesquisa com painéis devido à ineficiência da cobertura do protótipo, buscou-se adotar uma composição bem isolada e protegida para as simulações. Entretanto, com a substituição da laje mista por forro de madeira, a cobertura do protótipo acabou ficando mais suscetível ao ganho de calor no verão. Assim, optou-se por adicionar uma manta de alumínio nas simulações, com função de reduzir a emissão de calor, além de configurar a telha na cor branca, o que reduz o coeficiente de absortância à radiação solar. As demais configurações realizadas na ferramenta COMFIE apresentam-se a seguir. 3.4.3 Dados de entrada Os dados de entrada referem-se a todas as informações necessárias para alimentar a ferramenta COMFIE de modo que a interpretação das características do protótipo e dos painéis analisados sejam as mais reais possíveis. 3.4.3.1 Dados iniciais Os dados iniciais solicitados pela ferramenta, dizem respeito à localização geográfica e à temperatura média do solo do local em estudo. Define-se o posicionamento médio para Londrina com: latitude de 23,4°S (dado de entrada = - 23,4), longitude de 51,2°L (dado de entrada = 51,2) e altitude de 560 m. MÉTODO DE PESQUISA 78 Em relação à temperatura média do solo, adotou-se o valor definido através das pesquisas de Godoy apud Barbosa (1997), correspondente a 20° C para a região de Londrina. 3.4.3.2 Propriedades térmicas A ferramenta COMFIE não possibilita a entrada de dados de resistência térmica ou capacidade térmica dos painéis. A interpretação do fechamento é dada através de elemento por elemento o qual ele é composto, a partir da definição das suas propriedades térmicas e espessuras perpendiculares ao fluxo de calor. Assim, montou-se uma tabela com todos os valores adotados por elemento construtivo, os quais estão de acordo com a norma brasileira de desempenho térmico (NBR 15220 – 2 de 04/2005). Apenas para a propriedade de calor específico foi necessária a conversão de kJ/(kg.K) do sistema internacional, para Wh/(kg.K), unidade de cálculo do COMFIE. Tabela 12 – Propriedades dos materiais adotados para simulação Local Densidade (Kg/m3) Condutividade Térmica (W/(m.K)) Calor Específico (KJ/(Kg.K)) SI Calor Específico (Wh/(Kg.K)) COMFIE PRB e piso 1800 1,15 1 0,28 Câmara de ar P1, P2, P3 e cobertura 1 * 1,24 0,34 Cerâmica PRB e telha cobertura 1600 0,9 0,92 0,26 Concreto piso 2200 1,75 1 0,28 Lã de Vidro P2 100 0,045 0,7 0,19 cobertura 2700 230 0,88 0,24 P3 650 0,14 2,3 0,64 PRA, P1, P2, P3 e forro da cobertura 500 0,15 1,34 0,37 janelas 2700 1,1 0,84 0,23 Material Argamassa Manta de alumínio OSB (oriented strand board) Pinus Vidro 3 mm * variável com espessura e emissividade MÉTODO DE PESQUISA 79 Em relação ao acabamento dos fechamentos do protótipo, foram determinados os seguintes valores para as propriedades de absortância (α) para radiação solar e emissividade (ε) para radiações a temperaturas comuns: • Painéis e paredes: exterior: α = 0,30 e ε = 0,90 / interior: α = 0,30 e ε = 0,90 • Painel 1 natural: exterior: α = 0,50 e ε = 0,90 / interior: α = 0,50 e ε = 0,90 • Cobertura: exterior: α = 0,30 e ε = 0,90 / interior: α = 0,30 e ε = 0,90 • Piso: exterior: α = 0,40 e ε = 0,90 / interior: α = 0,40 e ε = 0,90 A absortância de 0,3 representa a pintura branca (cor clara), 0,40 a pintura cinza e cor de terra, e 0,5 a cor natural da madeira de pinus (ssp) (cor média). 3.4.3.3 Configurações das composições de fechamento Para a configuração das composições de todos os fechamentos, solicita-se a espessura de cada elemento com suas respectivas propriedades térmicas. A ordem de entrada dos elementos ocorre do exterior para o interior, perpendicular ao fluxo do calor. A ferramenta interpreta cada elemento como uma camada homogênea. Assim, nesta etapa, foi necessário adequar as composições de fechamento compostas por camadas heterogêneas. Os painéis de vedação, por exemplo, apresentam montantes de 5 x 5 cm em madeira e câmara de ar numa única camada, assim como os tijolos cerâmicos, com camada composta por cerâmica e câmara de ar. Para a interpretação de camadas homogêneas, adotou-se o critério de compensação de massa, utilizado nos experimentos de Barbosa (1997) e recomendado pelo manual do COMFIE (PEUPORTIER e SOMMEREUX, 1991), com o objetivo de tornar a composição equivalente em resistência térmica. MÉTODO DE PESQUISA • 80 Painéis de vedação P1, P2 e P3: Primeiramente foram considerados todos os elementos que compõem a estrutura de um painel típico em madeira, como montantes, travessas e guias superiores e inferiores. As áreas desses componentes foram distribuídas para a superfície das tábuas de madeira exterior e interior, adotando um acréscimo na sua espessura. Adotou-se um módulo de 60 cm de largura, composto por um montante, duas travessas e duas guias, superior e inferior, conforme é demonstrado no esquema a seguir. Montante 5 x 5 x 250 cm Guia superior 5 x 5 x 60 cm Travessa 5 x 5 x 55 cm Travessa 5 x 5 x 55 cm Guia inferior 5 x 5 x 60 cm MÓDULO P1, P2 E P3 VISTA PAINEL MODELO Figura 16 – Esquema da estrutura dos painéis P1, P2 e P3. As áreas dos componentes da estrutura dos painéis distribuídas ao longo do módulo definiram um acréscimo de 0,8 cm na espessura em camada de madeira. Metade do valor, 0,4 cm, foi adicionado à camada de madeira exterior e a outra metade à camada interior. Ambas assumiram assim, espessura de 2,6 cm, restando uma camada de ar de 4,2 cm no centro. MÉTODO DE PESQUISA P1 original 81 P1 equivalente 60 Câmara de ar Rar = 0,16 (m2.K)/W Camada de madeira Montante EXT. 2.2 EXT. INT. 5 2.2 2.6 INT. 4.2 2.6 Figura 17 – Esquema dos painéis equivalentes P1 e P2 para entrada de dados no COMFIE Para P2, assume-se o mesmo painel equivalente de P1, diferenciando-se apenas pelo seu preenchimento por lã de vidro. O painel P3, além da estrutura padrão, apresenta sarrafos de madeira devido ao acréscimo da segunda câmara de ar. Assim, além da adição de 0,4 cm para cada lado do painel, determinou-se outro acréscimo de 0,2 cm para cada lado, referente à compensação da área dos dois sarrafos. P3 original P3 equivalente OSB Câmara de ar Rar = 0,16 (m2.K)/W OSB 60 Sarrafo 5 EXT. Camada de madeira 2.2 INT. 2.4 5 1.2 2.2 EXT. 2.4 INT. 2 4.2 1.2 0.6 2.6 Figura 18 – Esquema do painel equivalente P3 para entrada de dados no COMFIE MÉTODO DE PESQUISA 82 A equivalência em resistência térmica correspondente para P3 foi dada por seis camadas homogêneas, sendo uma camada de madeira com 2,4 cm (0,2 do acréscimo dos sarrafos), uma camada de ar de 2 cm, uma camada de OSB de 1,2 cm, uma camada de madeira de 0,6 cm (0,2 do acréscimo dos sarrafos e 0,4 do acréscimo do montante, travessas e guias), e por último, uma camada de madeira de 2,6 cm (0,4 do acréscimo do montante, travessas e guias). • Paredes PRA e PRB: Na PRA, a área da mata-junta, presente no sistema, foi transformada em espessura equivalente, gerando uma única camada de madeira com 2,8 cm de espessura. PRA original EXT. EXT. INT. 6 Mata-junta INT. Camada de madeira 22 Tábua PRA equivalente 1.2 1.2 2.8 2.2 Figura 19 – Esquema da parede equivalente PRA para entrada de dados no COMFIE Da mesma forma procedeu-se com PRB formada por tijolo cerâmico de 6 furos, de dimensões de 9 x 19 x 14 cm (alt.), reboco de 2,5 cm dos dois lados e argamassa de assentamento na face superior e uma das laterais. Para equivalência, formaram-se sete camadas homogêneas sendo elas: duas camadas de reboco + argamassa de assentamento com 3,2 cm, três camadas de tijolo cerâmico com 1,96 cm, e duas camadas de ar com 2,7 cm. MÉTODO DE PESQUISA PRB original 83 PRB equivalente Camada de tijolo cerâmico Camada de ar Rar = 0,16 (m2.K)/W Camada de reboco + 2.5 14 2.5 3.2 2.7 2.7 1.96 3.2 1.96 1.96 Figura 20 – Esquema da parede equivalente PRB para entrada de dados no COMFIE Salienta-se que a adoção de espessuras equivalentes é um procedimento recomendado pelo manual do COMFIE. Entretanto, podem ocorrer algumas distorções nos resultados finais já que as espessuras originais são alteradas. Algumas ferramentas de simulação atualmente difundidas podem eliminar estas distorções, tal como o Energy Plus. • Cobertura e Piso: Em relação ao piso, fazendo uma associação com a tecnologia da madeira, recomenda-se que a edificação esteja elevada 50 cm do solo, apoiada em bases de concreto com estrutura protegida contra umidade. A seqüência de composição deste tipo de piso no COMFIE seria: uma camada de terra, câmara de ar não ventilada, plataforma do piso e assoalho de 2,2 cm. Já o piso original do protótipo é composto por terra, concreto e argamassa. Entretanto, ao comparar as resistências térmicas de superfície a superfície dos dois tipos de composição, obtêm-se valores de 0,1131 (m2.K)/W para o piso em madeira e de 0,1149 (m2.K)/W para o piso em concreto. MÉTODO DE PESQUISA INT. 84 10 ASSOALHO EM TÁBUA DE 2,2 CM DE ESP. EXT. VIGA DE MADEIRA DE PINUS - 5 X 10 CM 50 40 CÂMARA DE AR TERRA Figura 21 - Composição do piso em madeira 1 5 4 ARGAMASSA 1 CM CONCRETO 4 CM Fonte: Reconstituído de Moura e Barnabé (2003) TERRA Figura 22 – Camadas do piso de concreto para entrada de dados no COMFIE Fonte: Reconstituído de Barbosa et al (2000) Sabe-se que, na habitação em madeira, o espaço livre a 50 cm do solo normalmente é ventilado. Porém, o COMFIE interpreta como uma câmara de ar não ventilada, o que descaracteriza o comportamento térmico do sistema. Assim, devido a não interpretação da ferramenta acerca da composição do piso tradicionalmente adotada nas habitações em madeira e, sabendo que as resistências térmicas dos dois pisos analisados estão muito próximas, adotou-se a composição do piso original em concreto. Como futuras MÉTODO DE PESQUISA 85 contribuições, o efeito do piso elevado de madeira pode ser avaliado por meio de monitoramento de um protótipo, podendo garantir assim, resultados reais. Para a cobertura, adotou-se câmara de ar com altura equivalente de 45 cm, correspondente a metade da altura do forro até a cumeeira. A composição da cobertura foi definida através das camadas homogêneas a seguir. A manta de alumínio foi adotada para reduzir a emissão de calor, favorecendo o aumento da resistência da câmara de ar, principalmente para fluxo de calor descendente. TELHA CERÂMICA 1 cm CÂMARA DE AR 3 cm CÂMARA DE AR Rar = 0,61 (m2.K)/W para verão Rar = 0,27 (m2.K)/W para inverno 45 MANTA DE ALUMÍNIO FORRO DE MADEIRA 1 CM Figura 23 – Camadas da cobertura para entrada de dados no COMFIE 3.4.3.4 Zonas e Esquemas de Ocupação A ferramenta COMFIE permite a definição de várias zonas para avaliação térmica de ambientes independentes, dentro de um mesmo projeto. Como o protótipo adotado apresenta dimensões reduzidas e poucos cômodos, este foi considerado como uma única zona para o processo de simulações. A zona apresenta quatro paredes externas além dos fechamentos da cobertura e piso. As paredes internas foram consideradas como paredes capacitivas, interpretadas pela ferramenta, através de suas áreas e composições. As paredes internas apresentam as mesmas composições das paredes externas simuladas. MÉTODO DE PESQUISA 86 Na etapa de definição da zona, deve-se introduzir o valor correspondente ao número máximo de renovações do ar que ocorrem, por hora, no interior do protótipo. Através do procedimento de cálculo definido por Lamberts, Ghisi e Papts (2000) para cálculo do número de renovações de ar, e através da previsão do fluxo de entrada e saída do ar pelas aberturas do protótipo definido por Barbosa et al (2000), chegou-se ao valor máximo de 37 renovações de ar por hora. (ver cálculo em anexo A). Este valor foi introduzido na ferramenta para o processo de simulação. Na etapa de entrada dos dados referentes ao esquema de ocupação, a ferramenta permite que se defina um modelo de ocupação baseado no número de pessoas existentes por hora do dia, controle da porcentagem do número de renovação do ar por hora do dia e, geração de fontes internas de calor por horas do dia. Em relação às fontes internas de calor, foram adotados dois procedimentos. O primeiro segue a recomendação do projeto de norma brasileira de desempenho (ABNT, 2002) para aplicação do seu método por desempenho. A norma especifica que para a aplicação do método, deve-se desconsiderar a presença de fontes internas de calor (ocupantes, lâmpadas e outros equipamentos em geral), tanto para avaliar as condições de conforto no verão como também no inverno, na zona bioclimática 3. Assim, uma etapa de simulações foi realizada desconsiderando a presença de fontes internas de calor. O segundo procedimento de simulação considera as fontes internas de calor para aplicação do método de horas de desconforto. O esquema de ocupação para a definição das fontes internas foi baseado nos estudos de campo realizados por Barbosa (1997), na cidade de Londrina, em algumas habitações de interesse social. Para o esquema de ocupação com pessoas, adotaram-se quatro usuários hipotéticos, com variações de permanência no protótipo, ao longo do dia. MÉTODO DE PESQUISA 87 É importante ressaltar que a avaliação segundo a interferência de fontes internas de calor representa uma condição mais real e de grande influência nos resultados finais de temperatura no interior do ambiente. PAREDE NORTE DORMITORIO CIMENTADO P1 JANELA DE ABRIR - UMA FOLHA DE VIDRO E UMA DE MADEIRA PAREDE OESTE J2 J1 DORMITORIO CIMENTADO P1 HALL CIMENTADO J1 I.S. BANHO CIMENTADO J3 PAREDE LESTE J1 JANELAS COM DUAS FOLHAS DE VIDRO E DUAS FOLHAS DE MADEIRA PAREDES INTERNAS CAPACITIVAS PAREDES EXTERNAS JANELAS BASCULANTES SALA ESTAR CIMENTADO J4 P2 COZINHA CIMENTADO P1 PAREDE SUL PLANTA BAIXA - PROTÓTIPO Figura 24 – Planta baixa: Indicação das paredes externas, capacitivas e janelas do protótipo simulado Todos as janelas foram configuradas com transmitância térmica de 5,79 W/(m2.K), correspondente ao vidro comum de 3 mm. Além de duas folhas de abrir, em vidro, presente nas principais janelas, essas apresentam também duas folhas tipo veneziana, em madeira. Nas simulações, as folhas de madeira foram configuradas como dispositivo de sombreamento, representando 100% de opacidade, dentro de um período das 21:00 as 7:00 horas da manhã. Com isso, atribuiu-se um aumento de 0,2367 (m2.K)/W na resistência térmica para cada janela que apresenta a folha de madeira (espessura da folha de 1 cm e condutividade de 0,15 W/(m.K), durante o período MÉTODO DE PESQUISA 88 noturno. Ao longo do dia, manteve-se a incidência da radiação solar direta através das aberturas. O protótipo também foi simulado com dispositivo de sombreamento nas aberturas, de modo a avaliar o comportamento térmico dos painéis em função da ausência da radiação solar direta no interior do ambiente. Assim, atribuiu-se o uso de cortinas em todas as aberturas, das 7:00 as 21:00 horas. Outro sombreamento configurado foi o beiral da cobertura. Para todas as simulações, as janelas recebem proteção do beiral de 60 cm. Em relação ao controle do número de renovação do ar, foram definidos três procedimentos específicos de simulação: • O primeiro com 100% do número de renovação do ar, ou 37 ren/h, ocorrendo das 7:00 as 21:00 horas e 10%, ou 3,7 ren/h, ocorrendo no restante dos horários, para avaliar as condições de verão; • O segundo procedimento com 3% do número de renovações do ar, ou 1 ren/h, ocorrendo para o dia todo, para avaliar as condições de inverno; • O terceiro procedimento com 27% do número de renovações, ou 10 ren/h, ocorrendo das 7:00 as 21:00 e 10% ocorrendo no restante dos horários, para avaliar as condições de verão. A redução do número de renovações do ar por hora, de 37 ren/h para 10 ren/h, adotado no terceiro procedimento, ocorreu devido a este último ser mais adaptável à realidade das habitações de interesse social, com limitações de custo. Esta condição de 10 ren/h foi adotada no protótipo com dispositivo de sombreamento nas aberturas, devido ao fato de que ativando-se o dispositivo pelo morador reduz-se a ventilação no protótipo. Considera-se que o MÉTODO DE PESQUISA 89 usuário não fecha todas as cortinas ao mesmo tempo, e sim apenas a de incidência de radiação solar em determinados horários. As informações sobre cada procedimento adotado para as variações de simulação encontram-se em anexo. (ver anexo D). 3.4.4 Procedimentos para aplicação dos métodos por desempenho e análises comparativas Devido à necessidade de adequação do projeto do protótipo aos diferentes esquemas de ocupação (com fontes de calor, sem fontes de calor, com janelas abertas ou fechadas,...), criou-se um conjunto de simulações, que ao final, geraram resultados aptos a serem utilizados para análise comparativa e aplicação dos métodos por desempenho. Para as análises comparativas, foram utilizadas as configurações do protótipo com 1 ren/h e sem fontes internas de calor, de modo a obter uma melhor interpretação dos resultados entre painéis, sem a influência excessiva da ventilação e sem a geração de calor interno por equipamentos e pessoas. Para os métodos de avaliação por desempenho, os procedimentos adotados de simulação estão descritos na figura a seguir: MÉTODO DE PESQUISA Simulações com fontes internas de calor para cada variação de painel e parede referencial Simulações sem fontes internas de calor para cada variação de painel e parede referencial 1- Com 37 ren/h 2- Resistência Térmica da câmara de ar da cobert. de 0,61 (m2.K)/W 3- Sem dispositivo de sombreamento nas aberturas 1- Com 1 ren/h 2- Resistência Térmica da câmara de ar da cobert. de 0,27 (m2.K)/W 3- Sem dispositivo de sombreamento nas aberturas Avaliação das temperaturas do dia típico de verão Avaliação das temperaturas do dia típico de inverno Aplicação do método do projeto de norma de desempenho 90 1- Com 37 ren/h 2- Resistência Térmica da câmara de ar da cobert. de 0,61 (m2.K)/W 3- Sem dispositivo de sombreamento nas aberturas Análise comparativa do desempenho dos painéis 1- Com 10 ren/h 2- Resistência Térmica da câmara de ar da cobert. de 0,61 (m2.K)/W 3- Com dispositivo de sombreamento nas aberturas 1- Com 1 ren/h 2- Resistência Térmica da câmara de ar da cobert. de 0,27 (m2.K)/W 3- Sem dispositivo de sombreamento nas aberturas Somatório das temperaturas acima de 29°C Somatório das temperaturas abaixo de 18°C Aplicação do método de horas de desconforto Figura 25 – Procedimentos para aplicação dos métodos por desempenho Em cada variação de esquema de ocupação foram realizadas seis simulações referentes às diferentes composições de parede, sendo elas: PRA, PRB, P1, P2, P3 e P1 natural (cor da madeira de pinus (ssp)). As simulações realizadas com 37 ren/h e com 10 ren/h tiveram a composição da cobertura configurada com resistência térmica da câmara de ar de 0,61 (m2.K)/W, para fluxo de calor descendente, representando uma condição de verão. As simulações realizadas com 1 ren/h foram configuradas com resistência térmica da câmara de ar da cobertura de 0,27 (m2.K)/W, para fluxo de calor ascendente, e representam uma condição de inverno. MÉTODO DE PESQUISA 91 As janelas, em condição de verão e sem dispositivo de sombreamento representam: Esquema de ocupação com 100% do número de renovação do ar por hora dentro do período de 7:00 as 21:00 horas e de 10% dentro do período de 22:00 as 06:00 horas. As janelas, em condição de verão e com dispositivo de sombreamento representam: Esquema de ocupação com 27% do número de renovação do ar por hora dentro do período de 7:00 as 21:00 horas e de 10% dentro do período de 22:00 as 06:00 horas. As janelas em condição de inverno representam: Esquema de ocupação com 3% do número de renovação do ar para todas as horas do dia. Para o processamento de simulação, o arquivo climático de Londrina foi introduzido para simular cada um dos projetos criados, resultando, para cada um deles, 8736 dados horários anuais de temperatura interna. Para a realização da análise comparativa e aplicação do método de horas de desconforto de Barbosa (1997) e do projeto de norma de desempenho (ABNT, 2002), os 8736 dados gerados pelo COMFIE no formato txt foram convertidos para o formato xls, do Excel. O somatório das temperaturas que ficaram acima de 29°C (acima da condição de conforto definida por Givoni (1992)) ocorreu para as simulações cujo protótipo apresenta fontes internas de calor e janelas com e sem dispositivos de sombreamento nas aberturas. O somatório das temperaturas que ficaram abaixo de 18°C (abaixo da condição de conforto definida por Givoni (1992)) ocorreu para as simulações de protótipo com 1 ren/h e sem dispositivo de sombreamento. Obteve-se assim, a quantidade de horas de temperatura fora da zona de conforto, tanto para o frio como para o calor. Com o resultado, pode-se aplicar o parâmetro de 1000 horas de desconforto definido pelo método de horas de desconforto de Barbosa (1997) para a cidade de Londrina. MÉTODO DE PESQUISA 92 Os dados necessários para aplicação do método do projeto de norma de desempenho (ABNT, 2002) referem-se apenas aos dias típicos de verão e de inverno. Segundo Lemos e Barbosa (1999), pode-se adotar como dias típicos para Londrina o dia 12/07/96 (inverno), e o dia 19/12/96 (verão). Assim, apenas os 24 dados horários de temperatura referentes a cada dia típico, foram avaliados para a aplicação do método do projeto de norma. 3.5 Verificação dos dados do Protótipo Monitorado x Simulado Para a confirmação dos procedimentos de simulação adotados no COMFIE para esta pesquisa, fez-se uma comparação dos resultados de temperatura do protótipo, gerados por simulação e por monitoramento. O protótipo apresenta-se sob constante monitoramento através de aparelhos data-loggers do tipo HOBO, instalados em todos os ambientes. Coletaram-se os dados de temperatura e umidade do dia 09 de julho de 2004, do HOBO posicionado no centro da sala do protótipo, na altura mediana. No período de monitoramento, o protótipo apresentava-se fechado, com todas as folhas das janelas, de vidro e de madeira, fechadas, sem ocupação e sem geração de fontes internas de calor. Para a simulação, mantiveram-se todas as características construtivas do protótipo, com paredes em blocos cerâmicos aparentes, e cobertura com laje mista. Ele foi simulado sem fontes internas de calor, sem ocupação e com todas as folhas de madeira fechadas, representando 100% de opacidade ao longo do dia. Com esta alteração, a ferramenta interpretou que não houve a incidência de radiação solar direta no ambiente interno, aproximando-se desta forma, da condição real no período de monitoramento. MÉTODO DE PESQUISA 93 Embora o monitoramento tenha sido realizado em condição climática exterior diferente da adotada para a simulação (aquele em 2004 e este com o arquivo climático de 1996), o traçado de suas curvas demonstra proximidade dos valores de temperatura interna, indicando boa interpretação pela ferramenta COMFIE, dos dados originais. A seguir, tem-se o gráfico com as variações de temperatura interna ocorridas no protótipo monitorado e no simulado, para o dia 09 de julho. 22 21 20 19 18 Temp. 17 (°C) 16 15 14 13 12 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 Horas Temp. abrigo externo Temp. interna monitorada Temp. interna simulada Figura 26 – Gráfico comparativo das curvas de temperatura interna obtidas por monitoramento e por simulação. APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS 94 4 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS 4.1 Caracterização das Propriedades Térmicas dos Painéis Na tabela a seguir, tem-se os valores das propriedades térmicas calculadas conforme os procedimentos da norma brasileira de desempenho térmico (NBR 15220 – 2 de 04/2005). A memória de cálculo apresenta-se em anexo (anexo B). Tabela 13 – Propriedades Térmicas dos Painéis e Paredes Referenciais TIPOLOGIA ESPESS. (m) DE PAINEL CAPAC. TÉRMICA KJ / (m2 . K) TRANSMITÂNCIA TÉRMICA W / (m2.K) RESIST. FATOR ATRASO TÉRMICA SOLAR TÉRMICO (%) (HORAS) (m2.K) / W PRA 0,022 + mata-junta 17 2,93 0,3410 3,5 1,1 P1 0,094 33 1,55 0,6442 1,9 2,4 P2 0,094 37 0,75 1,3421 0,9 3,7 P3 0,13 51 1,12 0,8919 1,3 3,7 PRB 0,14 160 2,38 0,4202 2,9 3,6 Todas as paredes foram avaliadas com pintura externa e interna na cor clara (absortância = 0,3 e emissividade = 0,9). Nota-se, pela tabela 13, que a maior diferença estabelecida entre as propriedades dos painéis e de PRB são para valores de capacidade térmica. Definem-se dois sistemas distintos, já descritos na revisão bibliográfica. Um sistema leve, mas com elevada resistência térmica, formado pelos painéis em madeira e, um sistema de elevada capacidade térmica e baixa resistência térmica, formada pelo sistema tradicional de alvenaria de tijolos cerâmicos. APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS 95 Outro fator importante a se observar é a propriedade de atraso térmico. As variações P2 e P3 com seus devidos incrementos, por lã de vidro e duas câmaras de ar, respectivamente, atingem as mesmas quantidades de horas de atraso entre si, e em relação à parede PRB. O aumento do atraso térmico de 2,4 horas (obtido para P1) para 3,7 horas (obtido em P2 e P3) ocorreu devido à alta resistência térmica adquirida com a introdução de isolante térmico, para P2 e, com o incremento com uma segunda câmara de ar além de mais elementos de baixa condutividade térmica, para P3. A seguir, tem-se o gráfico comparativo das propriedades de atraso térmico obtidas para os painéis e paredes referenciais. Atraso Térmico 4 3,7 3,7 3,6 P2 P3 PRB 3,5 Horas 3 2,4 2,5 2 1,5 1,1 1 0,5 0 PRA P1 Figura 27 – Gráfico comparativo da propriedade de atraso térmico dos painéis e paredes Através das propriedades de capacidade térmica e resistência térmica dos painéis, obteve-se o gráfico comparativo entre os painéis avaliados e as paredes referenciais de baixo (PRA) e bom desempenho (PRB). APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS 160 160 1,40 1,3421 140 1,20 120 1,00 0,8919 100 80 60 0,6442 0,3410 40 20 1,60 33 0,80 0,60 51 37 0,4202 17 0,40 0,20 0 Resistência térmica (m2.K/W) Capacidade térmica (KJ/m2.K) 180 96 0,00 PRA P1 P2 Capacidade Térmica P3 PRB Resistência Térmica Figura 28 – Gráfico comparativo das propriedades de capacidade térmica e resistência térmica dos painéis e paredes referenciais Os três painéis P1, P2 e P3 apresentam valores de resistência térmica superiores aos das paredes referenciais. No caso da parede PRB, em alvenaria de tijolos cerâmicos, a baixa resistência térmica pode ser compensada pela sua alta capacidade térmica. Já a parede PRA, em tábua de madeira, apresenta valores baixos para ambas as propriedades, definindo assim, baixo desempenho térmico. A variação mais significativa da propriedade de capacidade térmica, em relação aos painéis em madeira, ocorre entre as composições PRA e P1. Devido ao acréscimo de uma câmara de ar e à duplicação do fechamento em P1, a capacidade térmica passou a assumir o dobro do valor de PRA. Já para as outras variações de painéis, os valores de capacidade térmica não sofreram aumento significativo, mesmo com o acréscimo de outros elementos construtivos, como em P3. Demonstra-se que os painéis de vedação mantêm-se com baixos valores de capacidade térmica. Portanto, define-se o sistema de painéis em madeira como fechamentos APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS 97 de baixa capacidade de armazenar calor, conforme já destacado em Atem (2002), Bogo (2003) e Alvarez e Vittorino (1993). Entretanto, devido à baixa condutividade térmica da madeira e à presença de câmaras de ar no interior dos painéis, a resistência térmica tende a ser elevada, assim como é demonstrado no gráfico da figura 28. A variação mais expressiva ocorreu com a introdução de um isolante térmico no interior do painel P2. A partir da análise das propriedades térmicas, não se sabe se, para o clima de Londrina, os valores de resistência térmica obtidos em P1 e P3 são suficientes para suprir a baixa capacidade térmica do sistema construtivo, ou se é necessário o emprego de isolantes térmicos, como em P2. Assim, empregam-se métodos de avaliação para melhor compreensão do desempenho térmico dos painéis. 4.2 Aplicação de Métodos Simplificados 4.2.1 Método do Fluxo de Calor A partir do cálculo de fluxo de calor, foi realizada a comparação da quantidade de calor que atravessa os painéis e paredes orientadas para oeste, por m2, com a influência da radiação solar, transmitância térmica de cada fechamento e absortância à radiação solar. Para o cálculo, igualou-se a temperatura exterior com a interior. Através da aplicação do método de cálculo do fluxo de calor para as paredes referenciais e painéis avaliados, obtiveram-se os seguintes resultados: APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS 98 30 25 20 q 2 (W/m ) 15 10 5 0 6 8 10 12 14 16 18 Horas PRA P1 P2 P3 PRB P1 natural Figura 29 – Gráfico do fluxo de calor dos painéis e paredes avaliados - Orientação oeste. Devido à constância das variáveis envolvidas no cálculo do fluxo de calor, com exceção da transmitância térmica, os resultados são proporcionais a esta última propriedade. Observa-se que os melhores desempenhos foram obtidos, respectivamente, por P2, P3 e P1, os quais apresentam os menores valores de transmitância térmica. Consequentemente PRA e PRB apresentam os mais altos fluxos de calor devido à alta transmitância térmica. Para avaliar a influência da cor na fachada, obteve-se também o fluxo de calor do painel P1 com cor natural da madeira de pinus (ssp), nomeado P1 natural, com absortância de 0,5. Nota-se pelo gráfico da figura 29, a forte influência da cor, onde a curva de P1 natural fica próxima da curva de PRA, atestando maior suscetibilidade aos ganhos de calor. Desta forma, a partir da análise do fluxo de calor, avalia-se que é importante adotar cores mais claras para os painéis de vedação em madeira, para minimizar assim, os ganhos de calor no verão. APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS 99 4.2.2 Método da norma de desempenho térmico A norma brasileira de desempenho térmico (NBR 15220 – 3 de 04/2005) apresenta parâmetros avaliativos para algumas propriedades térmicas de fechamentos verticais. Para a zona bioclimática 3 (região de Londrina) chegou-se aos seguintes resultados: Tabela 14 – Resultado da avaliação dos painéis e paredes de acordo com a norma de desempenho térmico (NBR 15220 – 3 de 04/2005). Tipologia de Painel Valores obtidos Transmitância Térmica U ≤ 3,60 W/(m2.K) Atraso Térmico Fator de Calor Solar φ ≤ 4,3 horas FCS ≤ 4,0 % 2 PRA - tábua U = 2,93 W/(m .K) φ = 1,1 horas FCS = 3,5 % A A A P1 - tábua + câmara de ar 5 cm + tábua U = 1,55 W/(m2.K) φ = 2,4 horas FCS = 1,9 % A A A U = 0,75 W/(m2.K) P2 - tábua + lã de vidro 5 cm + φ = 3,7 horas tábua FCS = 0,9 % A A A U = 1,12 W/(m2.K) φ = 3,7 horas FCS = 1,3 % A A A U = 2,38 W/(m2.K) PRB - tijolo cerâmico + reboco φ = 3,6 horas FCS = 2,9 % A A A P3 - tábua + câmara de ar 5 cm +OSB + câmara de ar 2,4 cm + tábua I - Desempenho Inadequado A - Desempenho adequado Todos os painéis e paredes referenciais foram considerados adequados para a região de Londrina, segundo a norma de desempenho térmico (NBR 15220 – 3 de 04/2005). Até mesmo a parede PRA de apenas tábua de madeira de pinus (ssp) foi considerada adequada, fato já comprovado por Bogo (2003), destacando que apenas as madeiras de baixa densidade são aprovadas pelo projeto de norma. Madeiras densas, de maior condutividade térmica, aplicadas numa única camada de 2,2 cm não são adequadas à região. Em relação aos parâmetros especificados, não existe um valor mínimo para a propriedade de atraso térmico. Com atraso térmico de 1,1 horas calculado para PRA, acredita- A P R E S E N T A Ç Ã O E A N Á L I S E D O S R E S U L T A D O S 100 se que este seja um valor muito baixo, o que favorece a ocorrência de grandes amplitudes térmicas no interior da edificação que recebe este tipo de fechamento. 4.2.3 Método do Projeto de Norma de Desempenho O método do projeto de norma de desempenho de edificações de até cinco pavimentos (ABNT, 2002) estabelece dois parâmetros avaliativos: a transmitância e a capacidade térmica. A seguir, tem-se a avaliação segundo este método para a zona bioclimática 3. Tabela 15 - Resultado da avaliação dos painéis e paredes de acordo com o projeto de norma de desempenho (ABNT, 2002). Tipologia de Painel Valores Obtidos Transmitância Térmica Capacidade Térmica U ≤ 3,7 (p/ α < 0,6) CT ≥ 130 2 PRA - tábua U = 2,93 W/(m .K) CT = 17 kJ/(m2.K) A I P1 -tábua + câmara de ar 5 cm + tábua U = 1,55 W/(m2.K) CT = 33 kJ/(m2.K) A I P2 - tábua + lã de vidro + tábua U = 0,75 W/(m2.K) CT* = 20 kJ/(m2.K) A I P3 - tábua + câmara de ar 5 cm + U = 1,12 W/(m2.K) OSB + câmara de ar 2,4 cm + CT = 51 kJ/(m2.K) tábua A I U = 2,38 W/(m2.K) CT = 160 kJ/(m2.K) A A PRB - tijolo cerâmico + reboco I - Desempenho Inadequado A - Desempenho adequado * CT de P2 foi recalculado para atender aos requisitos do projeto de norma devido a existência de isolante térmico com valor de condutividade térmica menor do que 0,065 W/(m.K) e resistência térmica maior do que 0,5 (m2.K)/W. Assim, o cálculo da capacidade térmica foi realizado desprezando-se o fechamernto em tábua de pinus (ssp) voltado para o ambiente externo, posicionado a partir do isolante térmico. Ver cálculo em anexo C. Todos os painéis de vedação em madeira foram considerados inadequados para a região de Londrina segundo o projeto de norma de desempenho (ABNT, 2002), para o requisito de capacidade térmica. O maior valor obtido foi de 51 kJ/(m2.K), em P3. Este valor A P R E S E N T A Ç Ã O E A N Á L I S E D O S R E S U L T A D O S 101 está distante do mínimo estabelecido pela norma, inviabilizando qualquer tipo de adequação dos painéis de vedação em madeira para a zona bioclimática em estudo. Já a transmitância térmica mínima recomendada favorece adequação de todas as paredes e painéis avaliados, inclusive a PRA, utilizada nesta pesquisa, como parâmetro de fechamento de baixo desempenho térmico. Nota-se uma contradição dos resultados gerados da aplicação dos dois projetos de norma. Enquanto que a norma de desempenho térmico (NBR 15220 – 3 de 04/2005) recomenda que as paredes sejam leves e refletoras e assim, considera adequados todos os painéis para a zona bioclimática 3, o projeto de norma de desempenho (ABNT, 2002) desaprova todos os painéis devido à baixa capacidade térmica deles. Da aplicação dos métodos simplificados das normas, mantêm-se a dúvida se os painéis são adequados termicamente ou não, à região de Londrina. Assim, para atingir o objetivo da pesquisa, esta foi conduzida pela avaliação térmica dos painéis a partir dos resultados das simulações e aplicação dos métodos por desempenho. 4.3 Resultados das Simulações e Análise Comparativa As simulações foram adotadas para avaliar o desempenho térmico dos painéis de vedação em madeira frente à influência da cobertura, ventilação, ocupação e considerando as condições dinâmicas de exposição ao clima de Londrina, de modo a gerar resultados mais completos quando submetidos a estas variáveis. Assim, as análises tiveram como base a resposta térmica de um protótipo e a comparação dos resultados obtidos com P1, P2 e P3, e com os referenciais já conhecidos de mau e bom desempenho, representado respectivamente por PRA e PRB. A P R E S E N T A Ç Ã O E A N Á L I S E D O S R E S U L T A D O S 102 A ferramenta de simulação gerou resultados para cada variação de esquema de ocupação definida no capítulo de método de pesquisa. Observou-se que as constantes renovações de ar no interior do protótipo, configurado com 37 ren/h, dificultavam a análise das variações térmicas que ocorriam com os diferentes painéis, conforme é demonstrado no gráfico da figura 30. Avalia-se que as condições internas no interior do protótipo foram fortemente influenciadas pelas constantes trocas de ar, inviabilizando uma análise térmica em função da variação dos painéis. Assim, optou-se por fazer uma análise comparativa do desempenho dos painéis no protótipo com 1 ren/h e sem fontes internas de calor. Desta forma, as variações térmicas entre os painéis foram mais compreensíveis para análise. Variações da temperatura ao longo do dia de solstício de verão 34 32 30 Temp. 28 (°C) 26 24 22 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 Horas Clima externo PRA P1 P2 P3 P1 natural PRB Figura 30 – Comparação dos resultados de temperatura obtidos por simulação, para o dia de solstício de verão, 22 de dezembro, com o protótipo configurado com 37 ren/h e com fontes internas de calor. A P R E S E N T A Ç Ã O E A N Á L I S E D O S R E S U L T A D O S 103 No gráfico da figura 30, observa-se que as curvas que expressam o comportamento térmico dos painéis e paredes, de hora em hora, estão muito próximas umas às outras, inviabilizando uma análise mais detalhada das variações de painéis. Já no protótipo com 1 ren/h e sem fontes internas de calor geradas por lâmpadas, equipamentos e pessoas, a resposta térmica foi influenciada pelo desempenho térmico dos painéis e paredes, como é demonstrado no gráfico da figura 31. Ressalta-se que a hierarquia de desempenho térmico dos painéis e paredes manteve-se a mesma, tanto na análise do protótipo com 37 ren/h como o protótipo com 1 ren/h. Variações da temperatura ao longo do dia de solstício de verão 34 32 30 Temp. 28 (°C) 26 24 22 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 Horas Clima Ext. PRA P1 P2 P3 P1 natural PRB Figura 31 - Comparação dos resultados de temperatura obtidos por simulação, para o dia de solstício de verão, 22 de dezembro, com o protótipo configurado com 1 ren/h e sem fontes internas de calor. No dia de solstício de verão, o protótipo com PRA, parede referencial formada por apenas tábua de 2,2 cm de espessura, apresenta a curva que mais acompanha as oscilações climáticas exteriores. A temperatura interna eleva-se rapidamente com o aumento da temperatura exterior e diminui na medida em que a temperatura do ar externo baixa, o que A P R E S E N T A Ç Ã O E A N Á L I S E D O S R E S U L T A D O S 104 promove no interior do protótipo, elevada amplitude térmica. Este comportamento ocorre devido à baixa capacidade térmica da parede, a qual não armazena calor suficiente que possa minimizar as oscilações climáticas exteriores. Esta característica de baixa capacidade térmica apresentada pelos painéis de vedação que são compostos por elementos de pouca espessura, é também confirmada na pesquisa de Alves e Ino (2001). As autoras analisaram o comportamento térmico de um painel formado por uma câmara de ar e dois fechamentos em compensado de apenas 1 cm de espessura cada. Verificaram que o protótipo apresentava picos mais elevados de temperatura máxima e picos mais baixos de temperatura mínima, ao longo de um dia de verão, quando comparados com o protótipo com paredes em tijolos cerâmicos rebocados. E ainda que, esses picos de temperatura interna foram atingidos antes de ocorrer as máximas exteriores. No protótipo com P1, com fechamentos de 2,2 cm de espessura, o comportamento com o painel demonstra que sua temperatura máxima interior também atinge o pico da máxima exterior, mas com certo atraso, sem atingi-lo antes, como no caso do painel monitorado por Alves e Ino (2001), e com pouca diferença de temperatura entre os picos interno e externo. A linearidade da curva do protótipo com P3 e com PRB atesta o bom desempenho dos dois fechamentos. As temperaturas internas sofrem poucas variações frente às oscilações do clima externo. O protótipo com P3 apresentou o melhor desempenho mantendo a temperatura interior próxima de 29°C enquanto que os picos externos de calor chegam acima de 30°C. Assim, percebe-se que mesmo que o painel P3 apresente baixa capacidade térmica, ele pode cumprir satisfatoriamente seu papel em termos de desempenho térmico. Já PRB, tem seu bom desempenho atestado pela sua alta capacidade de armazenar calor. Nestas situações distintas, ambos os fechamento se assemelham em termos de desempenho térmico. A P R E S E N T A Ç Ã O E A N Á L I S E D O S R E S U L T A D O S 105 O protótipo com P2, painel com enchimento de lã de vidro, também amortece os picos de calor exterior. A temperatura máxima interna não atinge o pico de temperatura exterior máxima, embora chegue acima de 30°C. O bom desempenho de P2 é justificado pela sua alta resistência térmica devido ao acréscimo de isolante térmico. Mesmo no verão, o isolante térmico contribui para o melhor desempenho do conjunto. P1 e P1 natural (com cor natural da madeira de pinus (ssp)) atingem os picos das temperaturas exteriores e atestam os mais baixos desempenhos térmicos para o período de verão, entre os painéis avaliados. P1 natural acompanha a curva de PRA o que permite afirmar que mesmo P1 sendo duplo e com duas camadas de madeira, com valor de absortância de 0,5, seu comportamento térmico mantêm-se muito próximo da parede referencial de baixo desempenho, em um dia quente. Para análise das condições de inverno, as configurações na ferramenta mantêm-se com 1 ren/h e sem fontes internas. Variações da temperatura ao longo do dia de solstício de inverno 24 22 20 Temp. 18 (°C) 16 14 12 10 1 2 3 4 5 Clima Ext. 6 7 8 PRA 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 Horas P1 P2 P3 P1 natural PRB Figura 32 - Comparação dos resultados de temperatura obtidos por simulação, para o dia de solstício de inverno, 22 de junho, com o protótipo configurado com 1 ren/h e sem fontes internas de calor. A P R E S E N T A Ç Ã O E A N Á L I S E D O S R E S U L T A D O S 106 A linearidade das curvas do protótipo com P2, P3 e PRB (ver figura 32) está mais nítida e demonstra grande capacidade de amortecimento das variações e quedas de temperatura do clima externo, ao longo do dia de solstício de inverno. No período de inverno, observa-se que o protótipo com P2 apresenta curva mais linear do que no período de verão. Os protótipos com os painéis P1 e P1 natural apresentaram os mais baixos desempenhos térmicos atestado pelas oscilações de temperatura interna. Nota-se que a cor da superfície do painel P1 natural não influenciou nos resultados para inverno, pois sua curva acompanha a curva de P1. Já no verão, o efeito da maior absorção de radiação solar pelo P1 natural foi influente. No gráfico da figura 33, tem-se a comparação dos valores de amplitude térmica máxima, obtidos no interior do protótipo configurado com 1 ren/h e sem fontes internas de calor. Amplitude térmica no interior do protótipo 10 9 8 9,44 8,9 8,1 8,18 7,61 6,91 7 5,8 6 Temp. 5 (°C) 4,02 4 6,24 5,59 4,33 3,51 3 2,97 3,04 2 1 0 Clima Ext. PRA P1 P2 22 de dezembro P3 P1 natural PRB 22 de junho Figura 33 – Amplitudes térmicas no dia de solstício de verão e de solstício de inverno. A P R E S E N T A Ç Ã O E A N Á L I S E D O S R E S U L T A D O S 107 Observa-se que a amplitude térmica no interior do protótipo com PRA, para o verão, é superior à amplitude do clima externo. O protótipo com P1 natural também apresenta elevada amplitude térmica no verão, chegando próximo da amplitude exterior. Em relação aos painéis P1, P2 e P3, as amplitudes térmicas diminuem com os incrementos nas composições, tanto no verão como no inverno. O protótipo com P3 apresentou a menor amplitude para o dia de solstício de verão. Para o inverno, a amplitude térmica do protótipo com PRB foi a menor, embora seu valor esteja muito próximo de P3. No período de inverno, o protótipo apresentou capacidade de amortecimento térmico em relação às temperaturas externas, onde as amplitudes se mantiveram sempre abaixo da amplitude térmica exterior. A partir do gráfico da figura 34, expõe-se a porcentagem das temperaturas internas de um ano inteiro que estão dentro dos intervalos de 18°C e 29°C, adotada como zona de conforto para países em desenvolvimento segundo Givoni (1992). Porcentagem de horas de conforto 90% 86,98% 84,97% 83,24% 85% 81,10% 79,13% 80% 75,38% 75% 71,20% 70% 65% 60% Clima Externo PRA P1 natural P1 P2 P3 PRB Figura 34 – Gráfico comparativo da porcentagem de horas de temperatura dentro do intervalo de 18°C a 29°C, obtidos por simulação com protótipo configurado com 1 ren/h e sem fontes internas de calor, para o ano inteiro. A P R E S E N T A Ç Ã O E A N Á L I S E D O S R E S U L T A D O S 108 Ressalta-se, segundo o gráfico da figura 34, que o protótipo foi simulado com apenas 1 ren/h, durante o ano todo. Além de ser uma medida para uma melhor análise do comportamento térmico dos painéis e paredes, este esquema de ocupação atesta uma realidade existente em assentamentos urbanos, já que muitas habitações de baixa renda apresentam pouca ventilação e em alguns casos, estas permanecem fechadas ao longo do dia, como medida de segurança. De acordo com os resultados da avaliação anual, o protótipo com P3, entre todos, desempenha melhores condições térmicas, já que a quantidade de horas onde se pode ter a maior probabilidade de obter conforto térmico é maior, com 86,98% do total de horas de temperatura no ano. Através deste resultado, pode-se afirmar que P3 desempenha um bom comportamento térmico, pois apresenta mais quantidades de horas de conforto do que PRB, tomado aqui, como uma parede referencial de bom desempenho. P2 também apresenta bom desempenho, com uma diferença de apenas 1,73% de horas de conforto no ano, em relação à PRB. O protótipo com P1 apresenta desempenho térmico intermediário, se comparado com todos os outros painéis e paredes avaliados. Em seguida, P1 natural e PRA assumem as piores posições, com menores quantidades de horas na zona de conforto. Diante dos resultados comparativos, sabe-se que P2 e P3 desempenharam bom comportamento térmico devido à proximidade de seus resultados com os de PRB. Entretanto, fica-se a dúvida em relação à P1, se este representa um fechamento de bom desempenho térmico ou não. A análise confirma o baixo desempenho térmico de PRA e vai de encontro com os resultados de avaliações térmicas realizadas por Silva e Basso (2001), Bogo (2003) e Atem A P R E S E N T A Ç Ã O E A N Á L I S E D O S R E S U L T A D O S 109 (2002). Confirma-se também o bom desempenho térmico da parede referencial PRB, atestando sua boa aceitação na cidade de Londrina e no país. Nos resultados obtidos até aqui, através das simulações e da aplicação dos métodos simplificados, constata-se uma série de contradições. Enquanto que o projeto de norma de desempenho (ABNT, 2002) desaprova o desempenho térmico de todos os painéis avaliados devido à característica de baixa capacidade térmica, nas simulações observou-se que P2 e P3 tiveram bom desempenho térmico devido à proximidade dos resultados com PRB, com a superação de P3 na quantidade de horas de conforto, em relação à PRB. As curvas de temperatura interna ao longo dos dias de solstício de verão e inverno apresentaramse linearmente, com poucas oscilações internas e sem atingir os picos de temperatura exteriores. A norma de desempenho térmico (NBR 15220 – 3 de 04/2005) aprova o desempenho térmico de PRA. Entretanto, com a análise comparativa realizada, pode-se constatar que o protótipo com PRA apresentou grandes oscilações térmicas internas para o verão, com amplitude térmica superior à amplitude do clima externo. Sem ainda concluir os desempenhos térmicos dos painéis avaliados, mas sabendo que P2 e P3 apresentaram boa resposta térmica em relação aos painéis e paredes referenciais avaliados, fez-se a aplicação dos resultados das simulações aos métodos por desempenho. A P R E S E N T A Ç Ã O E A N Á L I S E D O S R E S U L T A D O S 110 4.4 Aplicação dos Métodos por Desempenho 4.4.1 Método das Horas de Desconforto As simulações com o protótipo configurado com 37 ren/h e com fontes internas de calor geraram dados de temperatura anuais. As horas de temperatura que estiveram acima de 29°C, identificadas como horas de desconforto pelo calor, foram somadas. As simulações com o protótipo configurado com 1 ren/h e com fontes internas de calor geraram dados de temperatura anuais. As horas de temperatura que estiveram abaixo de 18°C, identificadas como horas de desconforto pelo frio, foram somadas. A partir da tabela 16, apresentam-se os resultados de horas de desconforto pelo calor e pelo frio, obtidos para o protótipo com fontes internas de calor. As menores quantidades de horas de desconforto foram obtidas, respectivamente, para o protótipo com P3, seguido por P2 e PRB. A quantidade de horas de desconforto pelo calor foi maior do que a quantidade de horas de desconforto pelo frio, para todos os tipos de painéis e paredes, exceto PRA que apresentou grande suscetibilidade ao período frio. Nota-se que a adoção da cor natural da madeira de pinus (ssp) não interferiu nos resultados finais de horas de desconforto no protótipo. Enquanto houve um aumento, entre P1 e P1 natural, nas horas de desconforto pelo calor em função da maior absorção de radiação solar por este último, no inverno, a situação se inverte e P1 natural contribui para o melhor desempenho térmico do conjunto. Assim, os resultados finais de horas de desconforto entre os dois painéis, praticamente se igualam. A P R E S E N T A Ç Ã O E A N Á L I S E D O S R E S U L T A D O S 111 Tabela 16 – Resultado de horas de conforto dentro dos intervalos de temperatura de 18°C e 29°C para protótipo configurado com fontes internas de calor, 37 ren/h para o período de verão e 1 ren/h para o período de inverno. TIPOLOGIA DE PAREDE HORAS DE HORAS DE HORAS DE DESCONFORTO DESCONFORTO DESCONFORTO NO PROTÓTIPO PELO FRIO PELO CALOR (FORA DOS (ABAIXO DE (ACIMA DE INTERVALOS DE 18ºC) 29ºC) 18ºC A 29ºC) Clima externo 2518 1918 598 PRA Tábua esp. 2,2cm 1497 809 688 1142 552 590 943 394 549 933 427 506 P1 natural cor da madeira 1158 523 635 PRB Parede de tij. Cerâm. 6 furos 960 468 492 P1 Painel com 1 câmara de ar P2 Painel com isolante térmico P3 Painel com 2 câmaras de ar obs: Todas as paredes possuem absortância à radiação solar de 0,30 e emissividade de 0,90 exceto P1 natural com absortância de 0,5 O gráfico a seguir, apresenta a limitação das 1000 horas de desconforto no ano, definida a partir do método de horas de desconforto (BARBOSA, 1997) para adequação térmica do protótipo à região de Londrina. A P R E S E N T A Ç Ã O E A N Á L I S E D O S R E S U L T A D O S 112 Quantidade de horas de desconforto no protótipo 3000 2518 Horas de desconforto 2500 1918 2000 1497 1500 1158 1142 943 809 1000 688 598 552 500 590 394 960 933 549 506 427 523 635 468 492 0 Clima externo PRA P1 P2 P3 horas de desconforto desconforto pelo frio 1000 horas 1500 horas P1 natural PRB desconforto pelo calor Figura 35 – Gráfico comparativo das horas de desconforto obtidas por simulação, com o protótipo configurado com fontes internas de calor, 37 ren/h no verão e 1 ren/h no inverno. A partir da aplicação do limite de 1000 horas de desconforto, atesta-se que P2 e P3, abaixo do limite, apresentam-se como painéis de bom desempenho térmico para a região de Londrina, quando aplicados em protótipo habitacional com cobertura bem protegida e com boa ventilação no verão. Já P1, apresentou 142 horas de desconforto acima do limite de 1000 horas, considerando-o inadequado para a cidade. PRA excedeu o limite em quase 500 horas de desconforto. Na pesquisa de Barbosa (1997), as habitações populares que ficaram abaixo do limite de 1000 horas de desconforto eram as que apresentavam benefícios térmicos como pintura branca da cobertura ou isolamento térmico com lã de vidro sobre a laje mista. Entre os limites de 1000 e 1500 horas de desconforto, apresentava-se um grupo de tipologias de parede em alvenaria de tijolos cerâmicos furados ou maciços, blocos de concreto e concreto A P R E S E N T A Ç Ã O E A N Á L I S E D O S R E S U L T A D O S 113 monolítico. Acima de 1500 horas de desconforto apresentavam-se as tipologias de paredes mais leves, com espessura inferior à 5 cm, sendo as mais criticadas pelos usuários. No caso desta pesquisa, o protótipo apresenta cobertura pintada de branco (absortância de 0,3) e aberturas para ventilação que corresponde à 19% (incluindo a área das duas portas) da área de piso interno, ocorrendo 37 trocas de volume de ar por hora, representando uma habitação com bons benefícios térmicos. Mesmo assim, a introdução de P1 no protótipo não garantiu o limite de 1000 horas de desconforto térmico assim como o protótipo com P1 natural e PRA. Nos resultados obtidos, o protótipo foi simulado sem dispositivos de sombreamento nas aberturas, considerando a incidência da radiação solar direta no interior do protótipo. Uma nova simulação foi realizada adotando cortinas como dispositivos de sombreamento nas aberturas existentes e reduzindo o número de renovações do ar para 10 ren/h durante o dia, para os dias de verão. A forma de controle do dispositivo de sombreamento pelo usuário é muito subjetiva e de grandes variações. Nesta pesquisa, experimentou-se o uso de dispositivos de sombreamento, pois é uma interferência viável para a população de baixa renda através da adoção de cortinas, ou tecidos para proteção contra a incidência da radiação solar em momento indesejável. O fato de reduzir o número de renovações do ar por hora de 37 ren/h para 10 ren/h também se aproxima das condições reais das habitações de interesse social, já que aberturas de grandes dimensões dificilmente é introduzida devido às limitações de custo. A seguir, têm-se os resultados das simulações com o protótipo modificado. A P R E S E N T A Ç Ã O E A N Á L I S E D O S R E S U L T A D O S 114 Quantidade de horas de desconforto no protótipo 3000 Horas de desconforto 2500 2000 2516 1918 1464 1500 809 1000 756 655 598 1055 989 552 500 394 437 739 778 523 532 427 312 362 468 310 0 Clima externo PRA P1 P2 P3 horas de desconforto desconforto pelo frio 1000 horas 1500 horas P1 natural PRB desconforto pelo calor Figura 36 – Gráfico comparativo das horas de desconforto obtidas por simulação, com protótipo configurado com dispositivo de sombreamento nas aberturas, 10 ren/h no verão e 1 ren/h no inverno. O protótipo com P1, com dispositivo de sombreamento nas aberturas e 10 ren/h no verão, passou a apresentar 989 horas de desconforto no ano, ficando dentro do limite estabelecido pelo método. Já PRA e P1 natural continuaram mantendo horas de desconforto acima do limite de 1000 horas. Configurando o protótipo com as características de ocupação das habitações de interesse social, constata-se que os painéis P1, P2 e P3 são aptos termicamente, para introdução em habitações na cidade de Londrina, pois não ultrapassaram o limite de 1000 horas de desconforto. Entretanto, existem algumas limitações para que os painéis apresentem tais condições de desempenho. A cobertura do protótipo deve ser bem protegida e isolada, e as condições de ventilação devem promover 10 ren/h nos dias quentes. A P R E S E N T A Ç Ã O E A N Á L I S E D O S R E S U L T A D O S 115 4.4.2 Método do projeto de norma de desempenho O método do projeto de norma de desempenho (ABNT, 2002) foi aplicado a partir dos resultados gerados com o protótipo configurado sem fontes internas de calor e sem dispositivos de sombreamento, conforme recomendado pelo projeto de norma. O método apresenta limites máximos de temperatura para a condição de verão e limites mínimos de temperatura para a condição de inverno. A seguir, têm-se os resultados da aplicação desses parâmetros. 31 Limite para nível de desempenho intermediário 29 Limite para nível de desempenho mínimo 27 Temp. (°C) ↓ Limite para nível de desempenho superior 25 23 21 19 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 Horas Clima externo PRA P1 P2 P3 P1 natural PRB Figura 37 - Gráfico com os resultados de temperatura simulados para o dia típico de verão (19/12/96) de Londrina, com protótipo configurado sem fontes internas de calor e com 37 ren/h. Para o dia típico de verão, a temperatura máxima exterior obtida foi de 28,5°C. A norma especifica que para a obtenção do nível de desempenho mínimo, a temperatura máxima no interior do protótipo não deve ser maior do que a máxima exterior, de 28,5°C. O A P R E S E N T A Ç Ã O E A N Á L I S E D O S R E S U L T A D O S 116 protótipo com todas as variações de painéis e paredes não excedeu a temperatura máxima exterior. O valor mais próximo foi de 28,22°C para o protótipo com PRA. Para a obtenção do nível intermediário de desempenho, a norma especifica que o valor máximo da temperatura interior não deve ser superior à 29°C. Como o protótipo, com todas as variações de painéis e paredes, não atingiu 28,5°C, logo, também não foi atingido 29°C. Acredita-se que para a elaboração dos limites de temperatura pela norma, partiu-se do princípio de que a temperatura máxima exterior fosse maior do que 29°C. Entretanto, para o caso de Londrina, avaliando o dia típico do ano de 1996, a temperatura máxima ficou abaixo de 29°C. Para a obtenção do nível superior de desempenho térmico, a norma especifica que o valor máximo da temperatura interior não deve exceder 27°C. Pelo gráfico da figura 37, percebe-se que o protótipo com todas as variações de painel e parede não atendeu este limite, sendo o valor da temperatura máxima mais baixa foi obtida pelo protótipo com PRB com 27,46°C, seguido pelo protótipo com P3, com máxima de 27,52°C. Assim, interpreta-se que o protótipo com todas as variações de painel e parede apresenta nível de desempenho térmico intermediário para o verão. Entretanto, salienta-se que os resultados foram gerados a partir da configuração do protótipo com 37 ren/h. O projeto de norma recomenda, para as simulações ainda em fase de projeto, que a renovação do ar seja igual a 1 ren/h. Embora se esteja trabalhando com os dados de um protótipo existente, foi feita outra simulação seguindo a recomendação do projeto de norma e adotando 1 ren/h. Assim, os novos resultados foram gerados a partir da configuração do protótipo com 1 ren/h e sem fontes internas de calor, como recomenda a norma brasileira. A P R E S E N T A Ç Ã O E A N Á L I S E D O S R E S U L T A D O S 117 31 Limite para nível de desempenho intermediário 29 Limite para nível de desempenho mínimo 27 Temp. (°C) ↓ Limite para nível de desempenho superior 25 23 21 19 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 Horas Clima externo PRA P1 P2 P3 P1 natural PRB Figura 38 - Gráfico com os resultados de temperatura simulados para o dia típico de verão (19/12/96) de Londrina, com protótipo configurado sem fontes internas de calor e com 1 ren/h. Percebe-se, pelo gráfico da figura 38, que com o protótipo configurado com 1 ren/h, os resultados demonstraram-se melhores quando comparados com o protótipo com 37 ren/h, onde os picos de temperatura no interior estiveram mais altos. Isso ocorreu devido à entrada do ar quente exterior, o que tornou o ambiente interno com temperaturas mais elevadas, se assemelhando às condições exteriores. P2, P3 e PRB passam a atender ao critério de nível de desempenho superior, com temperaturas máximas abaixo de 27°C, sendo a mais baixa de 26,39 assumida pelo protótipo com P3, seguido por PRB com 26,43°C de temperatura máxima interna. P1, P1 natural e PRA mantiveram-se com nível de desempenho intermediário sendo que esta última atinge temperatura máxima de 28,57°C, que se assemelha ao pico da temperatura máxima exterior. A P R E S E N T A Ç Ã O E A N Á L I S E D O S R E S U L T A D O S 118 Para o dia típico de inverno, a temperatura mínima para nível de desempenho mínimo, não deve ser menor do que 12°C, para intermediário, 15°C, e para nível de desempenho superior, a temperatura mínima não deve ser menor do que 17°C. Os resultados da simulação com o protótipo configurado com 1 ren/h e sem fontes internas de calor, delimitados pelos parâmetros normativos, encontram-se a seguir: 19 Limite para nível de desempenho superior 17 Limite para nível de desempenho intermediário 15 13 ↑ Limite para nível de desempenho mínimo Temp. (°C) 11 9 7 5 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 Horas Clima externo PRA P1 P2 P3 P1 natural PRB Figura 39 - Gráfico com os resultados de temperatura simulados para o dia típico de inverno (12/07/96) de Londrina, com protótipo configurado sem fontes internas de calor e com 1 ren/h. Apenas o protótipo com P3 atingiu o nível de desempenho mínimo para a condição de inverno segundo os parâmetros de desempenho térmico do projeto de norma de desempenho (ABNT, 2002). A temperatura mínima obtida foi de 12,44°C, as 24:00 horas, sendo superior a mínima de 12°C. O protótipo com todos os outros painéis e paredes, inclusive o PRB, adotado como parâmetro de bom desempenho térmico, excedeu a temperatura mínima de 12°C. PRB e A P R E S E N T A Ç Ã O E A N Á L I S E D O S R E S U L T A D O S 119 P2 estiveram mais próximos desse limite. Em seguida, P1 e P1 natural e por último, PRA, com o pior desempenho. Deve-se destacar que o protótipo simulado apresenta configurações sem fontes internas de calor, a partir da exigência do projeto de norma (ABNT, 2002) para a zona bioclimática 3. A norma recomenda somente para as zonas 1 e 2, que para a condição de inverno, o protótipo apresente 1000 W de fontes internas de calor. Adotando fontes internas de calor no protótipo simulado, seguindo as configurações de Barbosa (1997), os painéis e paredes passam a desempenhar melhores resultados. 19 Limite para nível de desempenho superior 17 Limite para nível de desempenho intermediário 15 Temp. 13 (°C) ↑ Limite para nível de desempenho mínimo 11 9 7 5 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 Horas Clima externo PRA P1 P2 P3 P1 natural PRB Figura 40 - Gráfico com os resultados de temperatura simulados para o dia típico de inverno (12/07/96) de Londrina, com protótipo configurado com fontes internas de calor e com 1 ren/h. Pelo gráfico da figura 40, os resultados gerados demonstram a adequação de todos os painéis, ao nível de desempenho mínimo, com exceção de PRA. Isso ocorreu devido A P R E S E N T A Ç Ã O E A N Á L I S E D O S R E S U L T A D O S 120 ao aquecimento do protótipo pelo calor gerado por lâmpadas, equipamentos e pessoas que contribuiu para elevar a temperatura em um dia frio. Observa-se que o protótipo com PRA assume o pior desempenho térmico. Nota-se também que, o protótipo com PRB simulado com fontes internas de calor, para o dia típico de inverno, adquire nível de desempenho mínimo. Através da aplicação do método do projeto de norma de desempenho (ABNT, 2002) com o protótipo configurado sem fontes internas de calor e 1 ren/h, conclui-se que apenas o protótipo com P3 atinge o nível de desempenho mínimo para a condição de inverno. Já para a condição de verão, o protótipo com P1, P1 natural e PRA atinge o nível de desempenho intermediário, e P2, P3 e PRB atingem nível de desempenho superior. C O N S I D E R A Ç Õ E S F I N A I S 121 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS O objetivo desta pesquisa foi avaliar se os painéis de vedação em madeira, quando compostos por câmara de ar e por outros elementos construtivos, atendem ou não aos requisitos de desempenho térmico quando aplicados ao clima de Londrina. Definem-se os painéis de vedação em madeira como fechamentos leves, de baixa inércia térmica. Quanto menor for sua resistência térmica e menor a quantidade de elementos de composição, maiores serão as oscilações térmicas internas nas edificações que recebem esses painéis, gerando desconforto térmico aos ocupantes. Os bons painéis de vedação em madeira, para a região de Londrina, são classificados como duplos (dois fechamentos e uma câmara de ar), como recomenda Bogo (2003) em sua pesquisa. Entretanto, os melhores painéis, ou aqueles que mais se aproximam do desempenho térmico da parede de alvenaria de tijolos cerâmicos, devem ser, além de duplos, compostos por elementos que aumentem a resistência térmica do conjunto. Nesta pesquisa, procurou-se avaliar variações de painéis que detém esta característica. Uma dessas variações apresenta isolante térmico e favoreceu que o painel assumisse resistência térmica de 1,34 (m2.K)/W, bem superior à resistência da parede de tijolos cerâmicos, com 0,4202 (m2.K)/W. O alto valor assumido pelo painel com isolante, nomeado de P2 nesta pesquisa, compensa sua baixa capacidade térmica e em termos de comportamento térmico, se assemelha com a parede de tijolos cerâmicos, nomeada de PRB. Outra variação de painel avaliado apresenta uma segunda câmara de ar, a qual deriva da composição muito empregada por países desenvolvidos, mas que no Brasil é empregada apenas em protótipos experimentais. Esta variação, nomeada como P3, atingiu o melhor desempenho térmico, entre todos os painéis, inclusive em relação à parede tida como C O N S I D E R A Ç Õ E S F I N A I S 122 referencial de bom desempenho, a PRB. Sua composição caracteriza-se pela presença de duas câmaras de ar e pelo acréscimo da chapa de OSB (oriented strand board) entre as duas câmaras. Com isso, incrementa-se a resistência térmica (com 0,8919 (m2.K)/W) e a capacidade térmica (com 51 KJ/(m2.K)). Seu atraso térmico se iguala ao de PRB, assim com ao de P2. Avaliando o comportamento térmico quando aplicado em protótipo, seu bom desempenho é atestado pela sua grande capacidade de amortecer as variações e os picos de temperaturas máximas e mínimas exteriores. Ressalta-se que P2 e P3, mesmo com o aumento da resistência térmica, mantiveram suas características de painéis leves e de baixa capacidade térmica. Devido ao baixo valor desta última propriedade, todas as variações avaliadas, P1 (painel duplo com uma câmara de ar), P2 (painel duplo com isolante térmico) e P3 (painel triplo com duas câmaras de ar), foram considerados inadequados a partir do método simplificado do projeto de norma de desempenho (ABNT, 2002) para a região de Londrina, o qual aprova somente as paredes pesadas, de elevada capacidade térmica. As simulações propiciaram uma visão mais completa em relação à avaliação de painéis de vedação, pois permitiram analisar seus comportamentos térmicos ao longo do ano, submetidos à influência da cobertura, ventilação, ocupação e às condições dinâmicas de exposição ao clima de Londrina. Seus resultados demonstraram que os painéis não precisam desempenhar elevada capacidade térmica para amortecer os picos de calor e de frio exterior. As variações com a otimização da resistência térmica e de novos elementos construtivos favoreceram seu bom desempenho térmico quando aplicados no protótipo simulado, assim como a parede de tijolos cerâmicos. Em relação aos requisitos de desempenho térmico aplicados, os resultados do método de horas de desconforto de Barbosa (1997) vieram de encontro com os resultados obtido por análise comparativa. P2, P3 e PRB foram considerados adequados à região de C O N S I D E R A Ç Õ E S F I N A I S 123 Londrina, pois contribuíram para que a quantidade de horas fora da zona de conforto de Givoni (1992), dentre os intervalos de temperatura de 18°C a 29°C, não ultrapassasse 1000 horas no interior do protótipo, durante um ano inteiro. P1 não proporcionou a mesma condição, ultrapassando a quantidade de 1000 horas. Entretanto, constatou-se que se as janelas estivessem protegidas contra a incidência da radiação solar direta no interior do ambiente juntamente com aberturas que promovessem 10 ren/h no período quente, o protótipo com P1 atingiria 989 horas de desconforto térmico. Sendo assim, expõe-se uma questão muito subjetiva que é a forma de controle das aberturas pelos usuários e as inúmeras intervenções que podem ser realizadas na busca pelo conforto térmico. Esta é uma questão atual, pois segundo Olesen e Brager (2004), as próximas revisões da norma ASHRAE-55 terão como um dos objetivos, a pesquisa de diferentes formas de ocupação e controle da edificação. Os resultados da avaliação pelo método por desempenho do projeto de norma de desempenho (ABNT, 2002) foram parcialmente de encontro com as análises comparativas e com o método de horas de desconforto de Barbosa (1997). Para a condição de verão, todos os painéis e paredes, inclusive PRA, foram considerados adequados às exigências de desempenho térmico, sendo que P1, P1 natural e PRA atingiram nível intermediário e P2, P3 e PRB nível superior. Já para a condição de inverno, somente o protótipo com P3 atingiu às exigências da norma com nível de desempenho térmico mínimo. Os demais painéis e paredes não foram considerados adequados. Esses resultados, para a condição de inverno, contradizem os obtidos pelo método de horas de desconforto e pelas análises comparativas, os quais demonstraram o bom desempenho também de P2 e PRB, comprovado pela capacidade de amortecer os picos máximos e mínimos das temperaturas interiores. C O N S I D E R A Ç Õ E S F I N A I S 124 Para a condição de verão, as análises comparativas demonstraram as grandes oscilações de temperatura no protótipo com PRA. Pelo método das horas de desconforto, o protótipo com PRA não foi considerado satisfatório para Londrina. Já a norma, aprova o desempenho térmico de PRA para o verão. Destaca-se que, aplicando os critérios da norma para a condição de inverno, a partir de um protótipo configurado com fontes internas de calor, o resultado gerado determinou nível de desempenho mínimo para todas as variações de painéis e paredes, exceto PRA, a qual não atingiu o nível mínimo. Sendo assim, quando se consideram fontes internas de calor no protótipo, os resultados vão de encontro com os obtidos a partir das outras avaliações. Sugere-se que o projeto de norma de desempenho (ABNT, 2002) reavalie os critérios estabelecidos em relação às fontes internas de calor para a condição de inverno para a zona bioclimática 3. No caso das zonas bioclimáticas 1 e 2, a norma especifica 1000 W de fontes internas de calor para a aplicação de seus critérios. A avaliação da parede formada por apenas tábua de 2,2 cm, nomeada como PRA, confirma o que as pesquisas relatadas já afirmaram. A PRA não apresenta bom desempenho térmico. Para a cidade de Londrina, mesmo quando a PRA é empregada em condições de boa ventilação e com cobertura bem protegida seu desempenho não é satisfatório. Com isso, pode-se justificar a baixa aceitação térmica das habitações pioneiras em madeira. Entretanto a norma brasileira de desempenho térmica (NBR 15220 – 3 de 04/2005) avalia o desempenho térmico de PRA como adequado à zona bioclimática 3. Assim, acredita-se ser necessário uma revisão da norma em relação aos parâmetros mínimos especificados para as propriedades térmicas, já que pode-se comprovar nesta pesquisa o baixo desempenho térmico de paredes de pouca espessura como a PRA. C O N S I D E R A Ç Õ E S F I N A I S 125 5.1 Considerações sobre métodos e procedimentos de simulação para avaliação de fechamentos verticais: • Os métodos simplificados de avaliação térmica de fechamentos verticais mostraram-se contraditórios, deixando a dúvida se o emprego de sistemas construtivos leves, o qual caracteriza os painéis de vedação, é adequado ou não ao clima de Londrina; • O método simplificado do projeto de norma de desempenho (ABNT, 2002) necessita de uma revisão acerca de seus critérios relacionados com a propriedade de capacidade térmica, que determina paredes pesadas para a zona bioclimática 3. Ressalta-se que este critério não vai de encontro com os resultados dessa pesquisa e com a atual norma brasileira de desempenho térmico (NBR 15220 –3 de 04/2005); • Através do método de cálculo do fluxo de calor, não foi possível antever os resultados de desempenho térmico dos painéis obtidos por simulação; • A avaliação do desempenho térmico dos fechamentos deve considerar a resposta térmica global da edificação e não somente o comportamento térmico de cada elemento de fechamento isoladamente; • A adoção pelo procedimento de simulação garantiu flexibilidade no decorrer da pesquisa para ajustar mecanismos como fontes internas de calor e dispositivos de sombreamento, o que pelo processo de monitoramento, seria mais difícil; • As simulações realizadas com apenas 1 ren/h e sem fontes internas de calor demonstraram ser melhores para avaliação, por análise comparativa, das C O N S I D E R A Ç Õ E S F I N A I S 126 variações térmicas que ocorreram no protótipo em função dos painéis de vedação; • A utilização de um referencial já conhecido de desempenho térmico, como o caso das paredes PRA e PRB foram de grande importância para as análises comparativas e compreensão dos resultados dos métodos aplicados; • O método do projeto de norma de desempenho de edificações de até cinco pavimentos (ABNT, 2002) aprovou, para a condição de verão, a parede tida como de baixo desempenho térmico PRA e desaprovou, para condição de inverno, a parede tida como de bom desempenho térmico PRB, tornando sua análise confusa. 5.2 Considerações sobre o desempenho térmico dos painéis de vedação em madeira inseridos no clima de Londrina: • Entre todos os painéis avaliados, o P3, painel com duas câmaras de ar e três camadas de madeira (uma delas derivado da madeira), apresentou o melhor desempenho térmico para a condição climática de Londrina, superando o desempenho da parede de alvenaria de tijolos cerâmicos; • As condições para que protótipo com P2 (com isolante térmico) e P3 assuma bom desempenho térmico são: cobertura bem protegida, com transmitância térmica em torno de 1,5 W/(m2.K), e com cerca de 10 ren/h ocorrendo no período de verão; • As condições para que protótipo com P1 assuma bom desempenho térmico são: cobertura bem protegida, com transmitância térmica em torno de 1,5 C O N S I D E R A Ç Õ E S F I N A I S 127 W/(m2.K), dispositivos de sombreamento nas aberturas e com no mínimo 10 ren/h ocorrendo no período de verão; • Os painéis de vedação devem apresentar cores claras com absortância à radiação solar de 0,3; • A adoção de P2, de alta resistência térmica, deve ser uma opção quando o protótipo apresenta cobertura bem protegida e livre de infiltrações por ar quente, o que dificultaria a perda de calor pelo painel; • Sugere-se em P2, para o emprego em habitações de interesse social, a substituição da lã de vidro pela serragem, resíduo de baixo custo e baixa condutividade térmica, sendo classificado também como isolante térmico; • O painel P1 com fechamento exterior na cor natural da madeira de pinus (ssp), não atende ao limite de 1000 horas de desconforto, mesmo com cobertura bem protegida, dispositivos de sombreamento e 10 ren/h, não sendo portanto, adequado à região de Londrina; • PRA também não deve ser adotado para o clima de Londrina. 5.3 Sugestões para Trabalhos Futuros Recomenda-se para futuras pesquisas: 1 – Realizar avaliações com ferramenta de simulação mais detalhada e aperfeiçoada, como por exemplo, o Energy Plus, que permite a entrada de dados de composições de fechamentos a partir do valor de transmitância térmica. Com isso, reduzem-se as distorções favorecidas pela equivalência de espessuras, adotadas nesta pesquisa para que a ferramenta interpretasse a estrutura dos painéis simulados; C O N S I D E R A Ç Õ E S F I N A I S 128 2 - Avaliar, por monitoramento, o efeito térmico do piso elevado do solo, adotado das habitações em madeira como medida de proteção contra a umidade; 3 – Avaliar, por monitoramento, o desempenho térmico dos painéis de vedação, buscando comparar os resultados obtidos desta pesquisa; 4 – Avaliar questões de durabilidade e de transferência de tecnologia para o canteiro de obra, na busca pela aplicação dos painéis de vedação com isolante térmico e com dupla câmara de ar, em habitações de interesse social; 5 – Aplicar o método por desempenho do projeto de norma de desempenho (ABNT, 2002), em condição de inverno, em outras regiões que pertençam à zona bioclimática 3, sem o emprego de fontes internas de calor, buscando comparar seus resultados com outros métodos, e verificar se a não configuração com fontes internas de calor também promove resultados confusos acerca de tecnologias já consolidadas. R E F E R Ê N C I A S B I B L I O G R Á F I C A S 129 6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS & ALVAREZ, C.E. de; VITTORINO, F. Comportamento Térmico de Módulos em Madeira Implantados pelo Brasil na Antártica. In: Encontro Nacional de Conforto no Ambiente Construído, 1993, Florianópolis. Anais do II ENCAC, 1993. & ALVES, S.; INO, A. Análise Comparativa de Conforto Térmico entre um Protótipo de Madeira e Outro de Alvenaria, Inseridos no Clima de São Carlos – SP. In: Encontro Nacional sobre Conforto no Ambiente Construído, 2001, São Pedro. Anais do VI ENCAC, 2001. & ANSI/ASHRAE 55 – 1992. Thermal Environmental Conditions for Human Occupancy. Atlanta: ANSI, 1992. & AKUTSU, M.; VITTORINO, F.; PERDROSO, N.G. Critérios Mínimos de Desempenho de Habitações Térreas Unifamiliares. Anexo 5: Conforto Térmico. São Paulo: IPT, 1995. p.35-47. & ________ . A Tendência Atual dos Métodos de Avaliação do Desempenho Térmico e Energético de Edificações. 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NBR15220 – 2 de 04/2005: Desempenho Térmico de Edificações – Parte 2: Métodos de cálculo de transmitância térmica, da capacidade térmica, do atraso térmico e do fator solar de elementos e componentes de edificações. & ________ . NBR15220 – 3 de 04/2005: Desempenho Térmico de Edificações – Parte 3: Zoneamento bioclimático brasileiro e diretrizes construtivas para habitações unifamiliares de interesse social. & ________ . Projeto 02:136.01-001:2002: Desempenho de Edificações de até Cinco Pavimentos – Parte 1: Requisitos Gerais. & ________ . Projeto 02:136.01-004:2002: Desempenho de Edificações de até Cinco Pavimentos – Parte 4: Fachadas e Paredes Internas. & ATEM, C.G. Desempenho Térmico de uma Habitação em Madeira. In: Encontro Brasileiro em Madeira e em Estruturas em Madeira, 2002, Uberlândia. Anais do VIII EBRAMEM, 2002. & BARBOSA, J.C.; INO, A. Madeira, Material de Baixo Impacto Ambiental na Construção Civil – Análise do Ciclo de Vida. 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(90 - 60) = 0,65 ∆CP = 0,30 . ∆CPL ∆CP = 0,195 b) Correção da velocidade do vento Vz = V10 . K . ZA Vz = 1,46 m/s c) Área útil para ventilação AENTRADA = 1,2 (J1 sala) + 1,2 (J1 sala) + 1,68 (P1 sala) = 4,08 m2 ASAÍDA = 1,2 (J1 quarto) + 1,2 (J1 quarto) + 1,26 (P2 cozinha) + 0,16 (J2 basculante cozinha) + 0,11 (J3 basculante bwc) + 0,27 (J4 lavatório na circ.) = 4,20 m2 Para janelas basculantes tem-se que A= L. C . (1 - cos Ө = 60°). 1 1 1 = + = 2,93m 2 2 2 2 Aw 4,08 4, 2 d) Fluxo de ar Ventilação cruzada Qw = 0,6. Aw.Vz. ∆Cp Qw = 1,13 m/s e) Número de trocas de ar Q.3600 N= = 37 ren / h V J1 J1 DORMITORIO 8.78 m2 P1 DORMITORIO 8.78 m2 P1 J2 HALL 2.62 m2 J1 J3 I.S. 1.35 m2 BANHO 1.13 m2 SALA ESTAR 11.76 m2 J4 P2 COZINHA 5.80 m2 P1 J1 ESQUEMA DE VENTILAÇÃO NO PROTÓTIPO Figura A - Esquema de ventilação no protótipo Fonte: Reconstituído de Barbosa et al (2000) ANEXO B CÁLCULO DAS PROPRIEDADES TÉRMICAS DOS PAINÉIS DE VEDAÇÃO EM MADEIRA ADOTADOS NA PESQUISA Cálculos realizados de acordo com o projeto de norma de desempenho térmico (ABNT, 1998) (atual norma brasileira NBR 15220 –2 de 04/2005). 60 cm Seção B 60 cm Seção A Travessa Montante MÓDULO BASE - P1, P2 E P3 B.1 Painel 1 – P1: Painel formado por dois fechamentos em tábua de madeira e câmara de ar Dados: Dimensões do módulo = 60 cm x 60 cm x 9,4 cm ρpinus= 500 kg/m3 λpinus= 0,15 W/(m.K) Cpinus= 1,34 kJ/(kg.K) Rar = 0,16 (m2.K)/W (superfície de alta emissividade, espessura da câmara de ar = 5 cm, fluxo horizontal) a) resistência térmica da parede: Seção A (tábua + montante + tábua): Aa= 0,05 x 0,60 + 0,05 x 0,55 = 0,0575 m2 e e e 0,022 0,05 0,022 Ra = tábua + mon tan te + tábua = + + = 0,6267 (m2.K)/W λ pinus λ pinus λ pinus 0,15 0,15 0,15 Seção B (tábua + câmara de ar + tábua): Ab = 0,55 x 0,55 = 0,3025 m2 e e 0,022 0,022 Rb = tábua + Rar + tábua = + 0,16 + = 0,4533 (m2.K)/W λ pinus λ pinus 0,15 0,15 Portanto, a resistência térmica da parede será: A + Ab 0,0575 + 0,3025 0,36 = = = 0,4742 (m2.K)/W Rt = a 0,0575 0,3025 0,7591 Aa Ab + + 0,6267 0,4533 Ra Rb b) resistência térmica total: RT = Rsi + Rt + Rse = 0,13 + 0,4742 + 0,04 = 0,6442 (m2.K)/W c) transmitância térmica: 1 1 U= = = 1,55 W/(m2.K) RT 0,6442 d) capacidade térmica da parede: Seção A (tábua + montante + tábua): Aa= 0,05 x 0,60 + 0,05 x 0,55 = 0,0575 m2 3 CTa = ∑ ei .ci .ρ i = (e.c.ρ )tábua + (e.c.ρ )mon tan te + (e.c.ρ )tábua i =1 CTa = 2 x(0,022 x1,34 x500) + 0,05 x1,34 x500 = 63 kJ/(m2.K) Seção B (tábua + câmara de ar + tábua): Ab = 0,55 x 0,55 = 0,3025 m2 3 CTb = ∑ ei .c i .ρ i = (e.c.ρ )tábua + (Car = 0 ) + (e.c.ρ )tábua i =1 CTb = 2 x (0,022 x1,34 x500) = 30 kJ/(m2.K) Portanto, a capacidade térmica da parede será: A + Ab = 33 kJ/(m2.K) CT = a Aa A + b CTa CTb e) atraso térmico: Rt = 0,4742 (m2.K)/W B0 = CT – CText = 33 – 0,022.1,34.500 = 18 B 18 B1 = 0,226. 0 = 0,226. = 8,6 Rt 0,4742 (λ.ρ.c)ext R − R ext . R ext − t B 2 = 0,205. 10 Rt 0,022 (0,15.500.1,34)ext 0,022 0,4742 − 0,15 B 2 = 0,205. . − 10 0,4742 0,15 ( ) =5 ϕ = 1,382.R t . B1 + B2 = 1,382.0,47 42. 8,6 + 5 = 2,4 horas f) fator solar: FSo = 100.U.α.Rse = 100.U.α.0,04 = 4.U.α Utilizando cor externa branca (α = 0,3), tem-se: FSo = 4.1,55.0,3 = 1,9 % B.2 Painel 2 – P2: Painel formado por dois fechamentos em tábua de madeira e lã de vidro Dados: Dimensões do módulo = 60 cm x 60 cm x 9,4 cm ρpinus= 500 kg/m3 λpinus= 0,15 W/(m.K) Cpinus= 1,34 kJ/(kg.K) ρlã de vidro= 100 kg/m3 λlã de vidro= 0,045 W/(m.K) Clã de vidro = 0,70 kJ/(kg.K) a) resistência térmica da parede: Seção A (tábua + montante + tábua): Aa= 0,05 x 0,60 + 0,05 x 0,55 = 0,0575 m2 e e e 0,022 0,05 0,022 Ra = tábua + mon tan te + tábua = + + = 0,6267 (m2.K)/W λ pinus λ pinus λ pinus 0,15 0,15 0,15 Seção B (tábua + lã de vidro + tábua): Ab = 0,55 x 0,55 = 0,3025 m2 e e e 0,022 0,05 0,022 Rb = tábua + lãdevidro + tábua = + + = 1,4044 (m2.K)/W λ pinus λlãdevidro λ pinus 0,15 0,045 0,15 Portanto, a resistência térmica da parede será: A + Ab 0,0575 + 0,3025 = = 1,1721 (m2.K)/W Rt = a Aa Ab 0,0575 0,3025 + + 0,6267 1,4044 Ra Rb b) resistência térmica total: RT = Rsi + Rt + Rse = 0,13 + 1,1721 + 0,04 = 1,3421 (m2.K)/W c) transmitância térmica: 1 1 = = 0,75 W/(m2.K) U= RT 1,3421 d) capacidade térmica da parede: Seção A (tábua + montante + tábua): Aa= 0,05 x 0,60 + 0,05 x 0,55 = 0,0575 m2 3 CTa = ∑ ei .ci .ρ i = (e.c.ρ )tábua + (e.c.ρ )mon tan te + (e.c.ρ )tábua i =1 CTa = 2 x(0,022 x1,34 x500 + 0,05 x1,34 x500 = 63 kJ/(m2.K) Seção B (tábua + lã de vidro + tábua): Ab = 0,55 x 0,55 = 0,3025 m2 3 CTb = ∑ ei .c i .ρ i = (e.c.ρ )tábua + (e.c.ρ )lãdevidro + (e.c.ρ )tábua i =1 CTb = 2 x (0,022 x1,34 x500) + 0,05 x 0,70 x100 = 34 kJ/(m2.K) Portanto, a capacidade térmica da parede será: CT = Aa + Ab = 37 kJ/(m2.K) Aa A + b CTa CTb e) atraso térmico: Rt = 1,1721 (m2.K)/W B0 = CT – CText = 37 – 0,022.1,34.500 = 22,3 B 22,3 B1 = 0,226. 0 = 0,226. = 4,3 Rt 1,1721 (λ.ρ.c)ext R − R ext . R ext − t B 2 = 0,205. 10 Rt 0,022 (0,15.500.1,34)ext 0,022 0,4742 − 0,15 B 2 = 0,205. − . 10 1,1721 0,15 ( ) = 0,8 ϕ = 1,382.R t . B1 + B 2 = 1,382.1,17 21. 5,1 = 3,7 horas f) fator solar: FSo = 100.U.α.Rse = 100.U.α.0,04 = 4.U.α Utilizando cor externa branca (α = 0,3), tem-se: FSo = 4.0,75.0,3 = 0,9 % B.3 Painel 3 – P3: Painel formado por fechamento interno em tábua, seguido por câmara de ar, OSB, câmara de ar e fechamento externo em tábua. Dados: Dimensões do módulo = 60 cm x 60 cm x 13 cm ρpinus= 500 kg/m3 λpinus= 0,15 W/(m.K) Cpinus= 1,34 kJ/(kg.K) ρosb= 650 kg/m3 λosb= 0,14 W/(m.K) Cosb= 2,30 kJ/(kg.K) Rar = 0,16 (m2.K)/W (superfície de alta emissividade, espessura da câmara de ar = 5 cm e 2,4 cm, fluxo horizontal) a) resistência térmica da parede: Seção A (tábua + montante + OSB + sarrafo + tábua): Aa= 0,05 x 0,60 + 0,05 x 0,55 = 0,0575 m2 e sarrafo etábua 0,022 0,05 0,012 0,024 0,022 e e e + = + + + + = 0,8724 Ra = tábua + mon tan te + osb + 0,15 0,15 0,14 0,15 0,15 λ pinus λ pinus λosb λ pinus λ pinus (m2.K)/W Seção B (tábua + câmara de ar + OSB + câmara de ar + tábua): Ab = 0,55 x 0,55 = 0,3025 m2 Rb = etábua λ pinus + Rar + eosb λosb + Rar + etábua λ pinus = 0,022 0,012 0,022 + 0,16 + + 0,16 + = 0,6990 0,15 0,14 0,15 2 (m .K)/W Portanto, a resistência térmica da parede será: A + Ab 0,0575 + 0,3025 0,36 = = = 0,7219 (m2.K)/W Rt = a 0,0575 0,3025 0,4987 Aa Ab + + 0,8724 0,6990 Ra Rb b) resistência térmica total: RT = Rsi + Rt + Rse = 0,13 + 0,7219 + 0,04 = 0,8919 (m2.K)/W c) transmitância térmica: 1 1 = = 1,12 W/(m2.K) U= RT 0,8919 d) capacidade térmica da parede: Seção A (tábua + montante + OSB + sarrafo + tábua): Aa= 0,05 x 0,60 + 0,05 x 0,55 = 0,0575 m2 3 CTa = ∑ ei .c i .ρ i = (e.c.ρ )tábua + (e.c.ρ )mon tan te + (e.c.ρ )osb + (e.c.ρ )sarrafo + (e.c.ρ )tábua i =1 CTa = 2 x(0,022 x1,34 x500) + 0,05 x1,34 x500 + 0,012 x 2,30 x650 + 0,024 x1,34 x500 = 97 kJ/(m2.K) Seção B (tábua + câmara de ar + OSB + câmara de ar + tábua): Ab = 0,55 x 0,55 = 0,3025 m2 3 CTb = ∑ ei .c i .ρ i = (e.c.ρ )tábua + (Car = 0 ) + (e.c.ρ )osb + (Car = 0 ) + (e.c.ρ )tábua i =1 CTb = 2 x (0,022 x1,34 x500) + 0,012 x 2,30 x 650 = 47 kJ/(m2.K) Portanto, a capacidade térmica da parede será: A + Ab = 51 kJ/(m2.K) CT = a Aa A + b CTa CTb e) atraso térmico: Rt = 0,7219 (m2.K)/W B0 = CT – CText = 51 – 0,022.1,34.500 = 36,3 B 36,3 B1 = 0,226. 0 = 0,226. = 11,4 Rt 0,7219 (λ.ρ.c)ext R − R ext . R ext − t B 2 = 0,205. 10 Rt 0,022 (0,15.500.1,34)ext 0,022 0,7219 − 0,15 B 2 = 0,205. − . 10 0,7219 0,15 ( ) = 2,6 ϕ = 1,382.R t . B1 + B2 = 1,382.0,72 19. 11,4 + 2,6 = 3,7 horas f) fator solar: FSo = 100.U.α.Rse = 100.U.α.0,04 = 4.U.α Utilizando cor externa branca (α = 0,3), tem-se: FSo = 4.1,12.0,3 = 1,3 % B.4 Parede referencial A – PRA: Parede formada por tábua e mata-junta Dados: Dimensões do módulo = 22 cm x 22 cm x 2,2 cm ρpinus= 500 kg/m3 λpinus= 0,15 W/(m.K) Cpinus= 1,34 Kj/(kg.K) c 22 m 22 cm Seção B Seção A Mata-junta MÓDULO BASE - PRA a) resistência térmica da parede: Seção A (mata-junta + tábua + mata-junta): Aa= 0,06 x 0,22 = 0,0132 m2 emata − junta etábua emata − junta 0,012 0,022 0,012 Ra = + + = + + = 0,3067 (m2.K)/W 0,15 0,15 0,15 λ pinus λ pinus λ pinus Seção B (tábua): Ab = 0,16 x 0,22 = 0,0352 m2 e 0,022 Rb = tábua = = 0,1467 (m2.K)/W 0,15 λ pinus Portanto, a resistência térmica da parede será: A + Ab 0,0132 + 0,0352 0,0484 = = = 0,1710 (m2.K)/W Rt = a 0,0132 0,0352 0,28298 Aa Ab + + 0,3067 0,1467 Ra Rb b) resistência térmica total: RT = Rsi + Rt + Rse = 0,13 + 0,1710 + 0,04 = 0,3410 (m2.K)/W c) transmitância térmica: 1 1 = = 2,93 W/(m2.K) U= RT 0,3410 d) capacidade térmica da parede: Seção A (mata-junta + tábua + mata-junta): Aa= 0,06 x 0,22 = 0,0132 m2 3 CTa = ∑ ei .ci .ρ i = (e.c.ρ )mata − junta + (e.c.ρ )tábua + (e.c.ρ )mata − junta i =1 CTa = 2 x(0,012 x1,34 x500) + 0,022 x1,34 x500 = 31 kJ/(m2.K) Seção B (tábua): Ab = 0,16 x 0,22 = 0,0352 m2 3 CTb = ∑ ei .ci .ρ i = (e.c.ρ )tábua i =1 CTb = 0,022 x1,34 x500 = 15 kJ/(m2.K) Portanto, a capacidade térmica da parede será: A + Ab = 17 kJ/(m2.K) CT = a Aa A + b CTa CTb e) atraso térmico: Rt = 0,1710 (m2.K)/W B0 = CT – CText = 17 – 0,022.1,34.500 = 2,3 B 2,3 B1 = 0,226. 0 = 0,226. =3 Rt 0,1710 (λ.ρ.c)ext R − R ext . R ext − t B 2 = 0,205. 10 Rt 0,022 (0,15.500.1,34)ext 0,022 0,1710 − 0,15 − B 2 = 0,205. . 10 0,1710 0,15 ( ) = 17,4 ϕ = 1,382.R t . B1 + B2 = 1,382.0,47 42. 3 + 17,4 = 1,1 horas f) fator solar: FSo = 100.U.α.Rse = 100.U.α.0,04 = 4.U.α Utilizando cor externa branca (α = 0,3), tem-se: FSo = 4.2,93.0,3 = 3,5 % B.5 Parede referencial B – PRB: Parede formada por tijolo cerâmico de 6 furos rebocado dos dois lados. Exemplo de cálculo especificado do projeto de norma de desempenho térmico (ABNT, 1998) (atual norma brasileira NBR 15220 –2 de 04/2005), exemplo 3. Dados: Dimensões do tijolo = 32 cm x 16 cm x 10 cm ρcerâmica = 1600 kg/m3 λcerâmica = 0,90 W/(m.K) (ver tabela B.3) (ver tabela B.3) ccerâmica = 0,92 kJ/(kg.K) = ρ = 2000 kg/m3 ρargamassa reboco = λreboco = 1,15 W/(m.K) (ver tabela B.3) λargamassa = 1,00 kJ/(kg.K) (ver tabela B.3) cargamassa = creboco Para a câmara de ar, Rar = 0,16 (m2.K)/W (superfície de alta emissividade, espessura da câmara de ar = 3,0 cm, fluxo horizontal). Elemento isolado Vista em perspectiva Parede de tijolos cerâmicos de seis furos rebocados em ambas as faces Fonte: Projeto de norma de desempenho térmico (ABNT, 1998) a) resistência térmica da parede: Seção A (reboco + argamassa + reboco): Aa = 0,01 x 0,32 + 0,01 x 0,17 = 0,0049 m2 Ra = ereboco earg amassa ereboco 0,02 0,10 0,02 0,14 + + = + + = = 0,1217 (m2.K)/W λ reboco λ arg amassa λ reboco 1,15 1,15 1,15 1,15 Seção B (reboco + tijolo + reboco): Ab = 0,01 x 0,32 = 0,0032 m2 Rb = e reboco e cerâmica e reboco 0,02 0,10 0,02 + + = + + = 0,1459 (m2.K)/W λ reboco λ cerâmica λ reboco 1,15 0,90 1,15 Seção C (reboco + tijolo + câmara de ar + tijolo + câmara de ar + tijolo + reboco): Ac = 0,04 x 0,32 = 0,0128 m2 e reboco e cerâmica e e e + + R ar + cerâmica + R ar + cerâmica + reboco λ reboco λ cerâmica λ cerâmica λ cerâmica λ reboco 0,02 0,015 0,01 0,015 0,02 2 Rc = + + 0,16 + + 0,16 + + = 0,3992 (m .K)/W 1,15 0,90 0,90 0,90 1,15 Rc = Portanto, a resistência da parede será: Rt = A a + 4 xA b + 3 xA c 0,0049 + 4 x0,0032 + 3 x0,0128 0,0561 2 = = = 0,2502 (m .K)/W A a 4 xA b 3 xA c 0,0049 4 x0,0032 3 x0,0128 0,2242 + + + + 0,1217 0,1459 0,3992 Ra Rb Rc b) resistência térmica total: RT = Rsi + Rt + Rse = 0,13 + 0,2502 + 0,04 = 0,4202 (m2.K)/W c) transmitância térmica: U= 1 1 = = 2,38 W/(m2.K) R T 0,4202 d) capacidade térmica da parede: Seção A (reboco + argamassa + reboco): Aa = 0,01 x 0,32 + 0,01 x 0,17 = 0,0049 m2 C Ta = 3 ∑ e .c .ρ = (e.c.ρ) i i i reboco + (e.c.ρ )arg amassa + (e.c.ρ )reboco i=1 Como ρreboco = ρargamassa = 2000 kg/m3 e creboco = cargamassa = 1,00 kJ/(kg.K), tem-se: 2 C Ta = 0,14 x1,00 x2000 = 280 kJ/(m .K) Seção B (reboco + tijolo + reboco): Ab = 0,01 x 0,32 = 0,0032 m2 C Tb = 3 ∑ e .c .ρ = (e.c.ρ) i i i reboco + (e.c.ρ )cerâmica + (e.c.ρ)reboco i=1 2 C Tb = 0,02 x1,00 x 2000 + 0,10 x0,92 x1600 + 0,02 x1,00 x 2000 = 227 kJ/(m .K) Seção C (reboco + tijolo + câmara de ar + tijolo + câmara de ar + tijolo + reboco): Ac = 0,04 x 0,32 = 0,0128 m2 C Tc = 7 ∑ e .c .ρ i i i i=1 C Tc = (e.c.ρ)reboco + (e.c.ρ)cerâmica + (e.c.ρ )ar + (e.c.ρ)cerâmica + (e.c.ρ )ar + (e.c.ρ)cerâmica + (e.c.ρ )reboco 2 C Tc = 0,04x1,00x2000 + 0,04x0,92x1600 = 139 kJ/(m .K) Portanto, a capacidade térmica da parede será: CT = A a + 4 xA b + 3 xA c 2 = 160 kJ/(m .K) Aa 4 xA b 3 xA c + + C Ta C Tb C Tc e) atraso térmico: Rt = 0,2502 (m2.K)/W B0 = CT – CText = 160 – 0,02.1,00.2000 = 120 B1 = 0,226. B0 120 = 0,226. = 108,4 Rt 0,2502 R − R ext . R ext − t 10 0,02 (1,15.2000.1,00) ext 0,02 0,2502 − 1,15 − B 2 = 0,205. . 10 0,2502 1,15 (λ.ρ.c)ext B 2 = 0,205. Rt ( B2 é desconsiderado pois resultou em valor negativo. ϕ = 1,382.R t . B1 + B 2 = 1,382.0,25 02. 108,4 = 3,6 horas f) fator solar: FSo = 4.U.α Utilizando cor externa branca (α = 0,3), tem-se: FSo = 4.2,38.0,3 = 2,9% ) = -11,1 ANEXO C CÁLCULO DA CAPACIDADE TÉRMICA DE P2 PARA ADEQUAÇÃO AO MÉTODO SIMPLIFICADO DO PROJETO DE NORMA DE DESEMPENHO (ABNT, 2002) Painel 2 – Capacidade térmica de P2 desprezando-se a última camada externa, conforme procedimento normativo. Capacidade térmica da parede: Seção A (tábua + montante): Aa= 0,05 x 0,60 + 0,05 x 0,55 = 0,0575 m2 3 CTa = ∑ ei .ci .ρ i = (e.c.ρ )tábua + (e.c.ρ )mon tan te i =1 CTa = 0,022 x1,34 x500 + 0,05 x1,34 x500 = 48 kJ/(m2.K) Seção B (tábua + lã de vidro): Ab = 0,55 x 0,55 = 0,3025 m2 3 CTb = ∑ ei .c i .ρ i = (e.c.ρ )tábua + (e.c.ρ )lãdevidro i =1 CTb = 0,022 x1,34 x500 + 0,05 x0,70 x100 = 18,24 kJ/(m2.K) Portanto, a capacidade térmica da parede será: A + Ab = 20 kJ/(m2.K) CT = a Aa A + b CTa CTb ANEXO D SIMULAÇÕES NO COMFIE VERSÃO 3.4 PROTÓTIPO SIMULADO COM FONTES INTERNAS DE CALOR E 10 REN/H CONDIÇÃO DE VERÃO COM DISPOSITIVO DE SOMBREAMENTO NAS ABERTURAS PAINEL P1 **************************************************************** BUILDING **************************************************************** p1ver27 NAME OF THE SAVING FILE : p1ver27 LOCATION : Londrina ALTITUDE : 560m LATITUDE : -23.4° METEOROLOGICAL LOCATION : STU LONGITUDE : 51.2° ******************************************* WALLS ******************************************* sul SLOPE 90° ORIENTATION 0° INTERNAL BUILDING FINISH : branco ALPHA=0.30 EPSILON=0.90 EXTERNAL BUILDING FINISH : branco ALPHA=0.30 EPSILON=0.90 COMPOSITION : painel1 2.60cm OF pinus K:0.15 W/m/K RO:500.00 kg/m3 CP:0.37 Wh/kg/K 4.20cm OF AIR_painel1 K:0.26 W/m/K RO:1.00 kg/m3 CP:0.34 Wh/kg/K 2.60cm OF pinus K:0.15 W/m/K RO:500.00 kg/m3 CP:0.37 Wh/kg/K leste SLOPE 90° ORIENTATION -90° INTERNAL BUILDING FINISH : branco ALPHA=0.30 EPSILON=0.90 EXTERNAL BUILDING FINISH : branco ALPHA=0.30 EPSILON=0.90 COMPOSITION : painel1 2.60cm OF pinus K:0.15 W/m/K RO:500.00 kg/m3 CP:0.37 Wh/kg/K 4.20cm OF AIR_painel1 K:0.26 W/m/K RO:1.00 kg/m3 CP:0.34 Wh/kg/K 2.60cm OF pinus K:0.15 W/m/K RO:500.00 kg/m3 CP:0.37 Wh/kg/K norte SLOPE 90° ORIENTATION 180° INTERNAL BUILDING FINISH : branco ALPHA=0.30 EPSILON=0.90 EXTERNAL BUILDING FINISH : branco ALPHA=0.30 EPSILON=0.90 COMPOSITION : painel1 2.60cm OF pinus K:0.15 W/m/K RO:500.00 kg/m3 CP:0.37 Wh/kg/K 4.20cm OF AIR_painel1 K:0.26 W/m/K RO:1.00 kg/m3 CP:0.34 Wh/kg/K 2.60cm OF pinus K:0.15 W/m/K RO:500.00 kg/m3 CP:0.37 Wh/kg/K oeste SLOPE 90° ORIENTATION 90° INTERNAL BUILDING FINISH : branco ALPHA=0.30 EPSILON=0.90 EXTERNAL BUILDING FINISH : branco ALPHA=0.30 EPSILON=0.90 COMPOSITION : painel1 2.60cm OF pinus K:0.15 W/m/K RO:500.00 kg/m3 CP:0.37 Wh/kg/K 4.20cm OF AIR_painel1 K:0.26 W/m/K RO:1.00 kg/m3 CP:0.34 Wh/kg/K 2.60cm OF pinus K:0.15 W/m/K RO:500.00 kg/m3 CP:0.37 Wh/kg/K piso SLOPE 0° INTERNAL BUILDING FINISH : cinza ALPHA=0.40 EPSILON=0.90 EXTERNAL BUILDING FINISH : terra ALPHA=0.40 EPSILON=0.90 COMPOSITION : piso 4.00cm OF concreto piso K:1.75 W/m/K RO:2200.00 kg/m3 CP:0.28 Wh/kg/K 1.00cm OF argamassa K:1.15 W/m/K RO:1800.00 kg/m3 CP:0.28 Wh/kg/K cobertura SLOPE 0° INTERNAL BUILDING FINISH : branco ALPHA=0.30 EPSILON=0.90 EXTERNAL BUILDING FINISH : branco ALPHA=0.30 EPSILON=0.90 COMPOSITION : cobertura 1.00cm OF tijolo cerâmico K:0.90 W/m/K RO:1600.00 kg/m3 CP:0.26 Wh/kg/K 0.02cm OF manta aluminio K:230.00 W/m/K RO:2700.00 kg/m3 CP:0.24 Wh/kg/K 45.00cm OF AIR_cobertura K:0.74 W/m/K RO:1.00 kg/m3 CP:0.34 Wh/kg/K 1.00cm OF pinus K:0.15 W/m/K RO:500.00 kg/m3 CP:0.37 Wh/kg/K ******************************* * ZONE OUTSIDE * ******************************* ******************************* * ZONE GROUND * ******************************* TEMPERATURE :20°C ******************************* * ZONE casa * ******************************* OCCUPANCY SCHEDULE : ocup padrao VOLUME OF casa :109.69 m3 INERTIA OF THE FURNITURE : 42.9 Wh/K INTERNAL CAPACITIVE WALL : 43.0 m2 OF norte MAXIMAL EXTERNAL VENTILATION FLOW RATE :37.00 VOLUME/h STANDARD WEEK -% of max FLOW RATEHOUR MONDAY TUESDAY WEDNESDAY THURSDAY FRIDAY 1 10 10 10 10 10 2 10 10 10 10 10 3 10 10 10 10 10 4 10 10 10 10 10 5 10 10 10 10 10 6 10 10 10 10 10 7 27 27 27 27 27 8 27 27 27 27 27 9 27 27 27 27 27 10 27 27 27 27 27 11 27 27 27 27 27 12 27 27 27 27 27 SATURDAY 10 10 10 10 10 10 27 27 27 27 27 27 SUNDAY 10 10 10 10 10 10 27 27 27 27 27 27 STANDARD WEEK HOUR MONDAY 13 27 14 27 15 27 16 27 17 27 18 27 19 27 20 27 21 10 SATURDAY 27 27 27 27 27 27 27 27 10 SUNDAY 27 27 27 27 27 27 27 27 10 -% of max FLOW RATETUESDAY WEDNESDAY THURSDAY 27 27 27 27 27 27 27 27 27 27 27 27 27 27 27 27 27 27 27 27 27 27 27 27 10 10 10 FRIDAY 27 27 27 27 27 27 27 27 10 22 23 24 10 10 10 10 10 10 10 10 10 10 10 10 10 10 10 10 10 10 10 10 10 STANDARD WEEK HOUR MONDAY 1 150 2 150 3 150 4 150 5 150 6 150 7 150 8 150 9 170 10 170 11 170 12 170 -Int HEAT GAINS (W)TUESDAY WEDNESDAY THURSDAY 150 150 150 150 150 150 150 150 150 150 150 150 150 150 150 150 150 150 150 150 150 150 150 150 170 170 170 170 170 170 170 170 170 170 170 170 FRIDAY 150 150 150 150 150 150 150 150 170 170 170 170 SATURDAY SUNDAY 150 150 150 150 150 150 150 150 150 150 150 150 150 150 150 150 170 170 170 170 170 170 170 170 STANDARD WEEK HOUR MONDAY 13 170 14 150 15 150 16 150 17 150 18 150 19 210 20 230 21 290 22 150 23 150 24 150 -Int HEAT GAINS (W)TUESDAY WEDNESDAY THURSDAY 170 170 170 150 150 150 150 150 150 150 150 150 150 150 150 150 150 150 210 210 210 230 230 230 290 290 290 150 150 150 150 150 150 150 150 150 FRIDAY 170 150 150 150 150 150 210 230 290 150 150 150 SATURDAY SUNDAY 170 170 150 150 150 150 150 150 150 150 150 150 210 210 230 230 290 290 150 150 150 150 150 150 Max NUMBER OF PRESENT PEOPLE:4 STANDARD WEEK -% OF PRESENCEHOUR MONDAY TUESDAY WEDNESDAY 1 100 100 100 2 100 100 100 3 100 100 100 4 100 100 100 5 100 100 100 6 100 100 100 7 100 100 100 8 50 50 50 9 50 50 50 10 50 50 50 11 50 50 50 12 50 50 50 THURSDAY 100 100 100 100 100 100 100 50 50 50 50 50 FRIDAY 100 100 100 100 100 100 100 50 50 50 50 50 SATURDAY SUNDAY 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 50 50 50 50 50 50 50 50 50 50 STANDARD WEEK HOUR MONDAY 13 50 14 25 15 25 16 25 17 25 18 100 19 100 20 100 THURSDAY FRIDAY 50 50 25 25 25 25 25 25 25 25 100 100 100 100 100 100 SATURDAY SUNDAY 50 50 25 25 25 25 25 25 25 25 100 100 100 100 100 100 -% OF PRESENCETUESDAY WEDNESDAY 50 50 25 25 25 25 25 25 25 25 100 100 100 100 100 100 21 22 23 24 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 THE ZONE casa IS SURROUNDED BY 6 WALLS 13.8 m2 OF sul BETWEEN casa AND OUTSIDE THE ZONE WALL n°1 IS REACHED BY 0 DISTANT SHADING(S) NAME OF THE ALBEDO : externo JAN FEB MAR APR MAY JUN JUL AUG SEP OCT NOV DEC ALBEDO: 0.2 0.2 0.2 0.2 0.2 0.2 0.2 0.2 0.2 0.2 0.2 0.2 THERMAL BRIDGES : 0.0 W/K THE WIND EXPOSURE IS NORMAL 1 GLAZING(s) SHADING DEVICE : cortina SUPPLEMENTARY RESISTANCE FOR 100% OCCULTATION: 0.06 m2.K/W STANDARD WEEK -% OPACITYHOUR MONDAY TUESDAY WEDNESDAY THURSDAY FRIDAY SATURDAY 1 90 90 90 90 90 90 2 90 90 90 90 90 90 3 90 90 90 90 90 90 4 90 90 90 90 90 90 5 90 90 90 90 90 90 6 90 90 90 90 90 90 7 90 90 90 90 90 90 8 90 90 90 90 90 90 9 90 90 90 90 90 90 10 90 90 90 90 90 90 11 90 90 90 90 90 90 12 90 90 90 90 90 90 SUNDAY 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 STANDARD WEEK HOUR MONDAY 13 90 14 90 15 90 16 90 17 90 18 90 19 90 20 90 21 90 22 90 23 90 24 90 SUNDAY 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 -% OPACITYTUESDAY WEDNESDAY 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 THURSDAY 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 FRIDAY 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 SATURDAY 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 1.2 m2 OF janela quarto/sala U:5.79 W/(m2.K) TAU_N:0.85 1 GLAZING(S) WIDTH : 1.20 m HEIGHT : 1.00 m YOUR janela quarto/sala IS SHADED BY beiral sul DISTANCE FROM THE WINDOW: 1.15 WIDTH: 0.60 22.7 m2 OF leste BETWEEN casa AND OUTSIDE THE ZONE WALL n°2 IS REACHED BY 0 DISTANT SHADING(S) NAME OF THE ALBEDO : externo JAN FEB MAR APR MAY JUN JUL AUG SEP OCT NOV DEC ALBEDO: 0.2 0.2 0.2 0.2 0.2 0.2 0.2 0.2 0.2 0.2 0.2 0.2 THERMAL BRIDGES : 0.0 W/K THE WIND EXPOSURE IS NORMAL 1 GLAZING(s) SHADING DEVICE : cortina SUPPLEMENTARY RESISTANCE FOR 100% OCCULTATION: STANDARD WEEK -% OPACITYHOUR MONDAY TUESDAY WEDNESDAY THURSDAY 1 90 90 90 90 2 90 90 90 90 3 90 90 90 90 4 90 90 90 90 5 90 90 90 90 6 90 90 90 90 7 90 90 90 90 8 90 90 90 90 9 90 90 90 90 10 90 90 90 90 11 90 90 90 90 12 90 90 90 90 0.06 m2.K/W FRIDAY 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 SATURDAY 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 SUNDAY 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 FRIDAY 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 SATURDAY 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 SUNDAY 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 13.8 m2 OF norte BETWEEN casa AND OUTSIDE THE ZONE WALL n°3 IS REACHED BY 0 DISTANT SHADING(S) NAME OF THE ALBEDO : externo JAN FEB MAR APR MAY JUN JUL AUG SEP OCT NOV DEC ALBEDO: 0.2 0.2 0.2 0.2 0.2 0.2 0.2 0.2 0.2 0.2 0.2 0.2 THERMAL BRIDGES : 0.0 W/K THE WIND EXPOSURE IS NORMAL 2 GLAZING(s) SHADING DEVICE : cortina SUPPLEMENTARY RESISTANCE FOR 100% OCCULTATION: 0.06 m2.K/W STANDARD WEEK -% OPACITYHOUR MONDAY TUESDAY WEDNESDAY THURSDAY FRIDAY SATURDAY 1 90 90 90 90 90 90 2 90 90 90 90 90 90 3 90 90 90 90 90 90 4 90 90 90 90 90 90 5 90 90 90 90 90 90 6 90 90 90 90 90 90 7 90 90 90 90 90 90 8 90 90 90 90 90 90 9 90 90 90 90 90 90 10 90 90 90 90 90 90 11 90 90 90 90 90 90 SUNDAY 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 STANDARD WEEK HOUR MONDAY 13 90 14 90 15 90 16 90 17 90 18 90 19 90 20 90 21 90 22 90 23 90 24 90 -% OPACITYTUESDAY WEDNESDAY 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 THURSDAY 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 1.2 m2 OF janela quarto/sala U:5.79 W/(m2.K) TAU_N:0.85 1 GLAZING(S) WIDTH : 1.20 m HEIGHT : 1.00 m YOUR janela quarto/sala IS SHADED BY beiral leste DISTANCE FROM THE WINDOW: 0.60 WIDTH: 0.60 12 90 90 90 90 FRIDAY 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 SATURDAY 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 SUNDAY 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 22.7 m2 OF oeste BETWEEN casa AND OUTSIDE THE ZONE WALL n°4 IS REACHED BY 0 DISTANT SHADING(S) NAME OF THE ALBEDO : externo JAN FEB MAR APR MAY JUN JUL AUG SEP OCT NOV DEC ALBEDO: 0.2 0.2 0.2 0.2 0.2 0.2 0.2 0.2 0.2 0.2 0.2 0.2 THERMAL BRIDGES : 0.0 W/K THE WIND EXPOSURE IS NORMAL 3 GLAZING(s) SHADING DEVICE : cortina SUPPLEMENTARY RESISTANCE FOR 100% OCCULTATION: 0.06 m2.K/W STANDARD WEEK -% OPACITYHOUR MONDAY TUESDAY WEDNESDAY THURSDAY FRIDAY SATURDAY 1 90 90 90 90 90 90 2 90 90 90 90 90 90 3 90 90 90 90 90 90 4 90 90 90 90 90 90 5 90 90 90 90 90 90 6 90 90 90 90 90 90 7 90 90 90 90 90 90 8 90 90 90 90 90 90 9 90 90 90 90 90 90 10 90 90 90 90 90 90 11 90 90 90 90 90 90 12 90 90 90 90 90 90 SUNDAY 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 STANDARD WEEK HOUR MONDAY 13 90 14 90 15 90 16 90 17 90 18 90 SUNDAY 90 90 90 90 90 90 STANDARD WEEK HOUR MONDAY 13 90 14 90 15 90 16 90 17 90 18 90 19 90 20 90 21 90 22 90 23 90 24 90 90 90 -% OPACITYTUESDAY WEDNESDAY 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 THURSDAY 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 1.2 m2 OF janela quarto/sala U:5.79 W/(m2.K) TAU_N:0.85 1 GLAZING(S) WIDTH : 1.20 m HEIGHT : 1.00 m YOUR janela quarto/sala IS SHADED BY beiral norte DISTANCE FROM THE WINDOW: 1.30 WIDTH: 0.60 1.2 m2 OF janela quarto/sala U:5.79 W/(m2.K) TAU_N:0.85 1 GLAZING(S) WIDTH : 1.20 m HEIGHT : 1.00 m YOUR janela quarto/sala IS SHADED BY beiral norte DISTANCE FROM THE WINDOW: 1.30 WIDTH: 0.60 -% OPACITYTUESDAY WEDNESDAY 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 THURSDAY 90 90 90 90 90 90 FRIDAY 90 90 90 90 90 90 SATURDAY 90 90 90 90 90 90 19 20 21 22 23 24 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 90 0.3 m2 OF janela corredor U:5.79 W/(m2.K) TAU_N:0.85 1 GLAZING(S) WIDTH : 0.60 m HEIGHT : 1.00 m YOUR janela corredor IS SHADED BY beiral oeste DISTANCE FROM THE WINDOW: 0.60 WIDTH: 0.60 0.4 m2 OF basculante bwc U:5.79 W/(m2.K) TAU_N:0.85 1 GLAZING(S) WIDTH : 0.60 m HEIGHT : 0.60 m YOUR basculante bwc IS SHADED BY beiral oeste DISTANCE FROM THE WINDOW: 0.60 WIDTH: 0.60 0.6 m2 OF basculante cozinha U:5.79 W/(m2.K) TAU_N:0.85 1 GLAZING(S) WIDTH : 0.60 m HEIGHT : 1.00 m YOUR basculante cozinha IS SHADED BY beiral oeste DISTANCE FROM THE WINDOW: 0.60 WIDTH: 0.60 43.0 m2 OF piso BETWEEN casa AND GROUND K: 5.41 W/K, THERMAL BRIDGES: 27.04 W/K 43.0 m2 OF cobertura BETWEEN casa AND OUTSIDE THE ZONE WALL n°6 IS REACHED BY 0 DISTANT SHADING(S) NAME OF THE ALBEDO : externo JAN FEB MAR APR MAY JUN JUL AUG SEP OCT NOV DEC ALBEDO: 0.2 0.2 0.2 0.2 0.2 0.2 0.2 0.2 0.2 0.2 0.2 0.2 THERMAL BRIDGES : 0.0 W/K THIS ZONE WALL IS A CEILING THE WIND EXPOSURE IS NORMAL 0 GLAZING(s) 90 90 90 90 90 90 PROTÓTIPO SIMULADO COM FONTES INTERNAS DE CALOR E 37 REN/H CONDIÇÃO DE VERÃO SEM DISPOSITIVO DE SOMBREAMENTO NAS ABERTURAS PAINEL P2 **************************************************************** BUILDING **************************************************************** painel2 ver fon NAME OF THE SAVING FILE : p2ver fo LOCATION : Londrina ALTITUDE : 560m LATITUDE : -23.4° METEOROLOGICAL LOCATION : STU LONGITUDE : 51.2° ******************************************* WALLS ******************************************* sul SLOPE 90° ORIENTATION 0° INTERNAL BUILDING FINISH : branco ALPHA=0.30 EPSILON=0.90 EXTERNAL BUILDING FINISH : branco ALPHA=0.30 EPSILON=0.90 COMPOSITION : painel2 2.60cm OF pinus K:0.15 W/m/K RO:500.00 kg/m3 CP:0.37 Wh/kg/K 4.20cm OF lã de vidro K:0.05 W/m/K RO:100.00 kg/m3 CP:0.19 Wh/kg/K 2.60cm OF pinus K:0.15 W/m/K RO:500.00 kg/m3 CP:0.37 Wh/kg/K leste SLOPE 90° ORIENTATION -90° INTERNAL BUILDING FINISH : branco ALPHA=0.30 EPSILON=0.90 EXTERNAL BUILDING FINISH : branco ALPHA=0.30 EPSILON=0.90 COMPOSITION : painel2 2.60cm OF pinus K:0.15 W/m/K RO:500.00 kg/m3 CP:0.37 Wh/kg/K 4.20cm OF lã de vidro K:0.05 W/m/K RO:100.00 kg/m3 CP:0.19 Wh/kg/K 2.60cm OF pinus K:0.15 W/m/K RO:500.00 kg/m3 CP:0.37 Wh/kg/K norte SLOPE 90° ORIENTATION 180° INTERNAL BUILDING FINISH : branco ALPHA=0.30 EPSILON=0.90 EXTERNAL BUILDING FINISH : branco ALPHA=0.30 EPSILON=0.90 COMPOSITION : painel2 2.60cm OF pinus K:0.15 W/m/K RO:500.00 kg/m3 CP:0.37 Wh/kg/K 4.20cm OF lã de vidro K:0.05 W/m/K RO:100.00 kg/m3 CP:0.19 Wh/kg/K 2.60cm OF pinus K:0.15 W/m/K RO:500.00 kg/m3 CP:0.37 Wh/kg/K oeste SLOPE 90° ORIENTATION 90° INTERNAL BUILDING FINISH : branco ALPHA=0.30 EPSILON=0.90 EXTERNAL BUILDING FINISH : branco ALPHA=0.30 EPSILON=0.90 COMPOSITION : painel2 2.60cm OF pinus K:0.15 W/m/K RO:500.00 kg/m3 CP:0.37 Wh/kg/K 4.20cm OF lã de vidro K:0.05 W/m/K RO:100.00 kg/m3 CP:0.19 Wh/kg/K 2.60cm OF pinus K:0.15 W/m/K RO:500.00 kg/m3 CP:0.37 Wh/kg/K piso SLOPE 0° INTERNAL BUILDING FINISH : cinza ALPHA=0.40 EPSILON=0.90 EXTERNAL BUILDING FINISH : terra ALPHA=0.40 EPSILON=0.90 COMPOSITION : piso 4.00cm OF concreto piso K:1.75 W/m/K RO:2200.00 kg/m3 CP:0.28 Wh/kg/K 1.00cm OF argamassa K:1.15 W/m/K RO:1800.00 kg/m3 CP:0.28 Wh/kg/K cobertura SLOPE 0° INTERNAL BUILDING FINISH : branco ALPHA=0.30 EPSILON=0.90 EXTERNAL BUILDING FINISH : branco ALPHA=0.30 EPSILON=0.90 COMPOSITION : cobertura 1.00cm OF tijolo cerâmico K:0.90 W/m/K RO:1600.00 kg/m3 CP:0.26 Wh/kg/K 0.02cm OF manta aluminio K:230.00 W/m/K RO:2700.00 kg/m3 CP:0.24 Wh/kg/K 45.00cm OF AIR_cobertura K:0.74 W/m/K RO:1.00 kg/m3 CP:0.34 Wh/kg/K 1.00cm OF pinus K:0.15 W/m/K RO:500.00 kg/m3 CP:0.37 Wh/kg/K ******************************* * ZONE OUTSIDE * ******************************* ******************************* * ZONE GROUND * ******************************* TEMPERATURE :20°C ******************************* * ZONE casa * ******************************* OCCUPANCY SCHEDULE : ocup padrao VOLUME OF casa :109.69 m3 INERTIA OF THE FURNITURE : 42.9 Wh/K INTERNAL CAPACITIVE WALL : 43.0 m2 OF norte MAXIMAL EXTERNAL VENTILATION FLOW RATE :37.00 STANDARD WEEK -% of max FLOW RATEHOUR MONDAY TUESDAY WEDNESDAY THURSDAY 1 10 10 10 10 2 10 10 10 10 3 10 10 10 10 4 10 10 10 10 5 10 10 10 10 6 10 10 10 10 7 100 100 100 100 8 100 100 100 100 9 100 100 100 100 10 100 100 100 100 11 100 100 100 100 12 100 100 100 100 STANDARD WEEK HOUR MONDAY 13 100 14 100 15 100 16 100 17 100 18 100 19 100 20 100 21 10 22 10 23 10 24 10 -% of max FLOW RATETUESDAY WEDNESDAY THURSDAY 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 10 10 10 10 10 10 10 10 10 10 10 10 VOLUME/h FRIDAY 10 10 10 10 10 10 100 100 100 100 100 100 SATURDAY SUNDAY 10 10 10 10 10 10 10 10 10 10 10 10 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 FRIDAY 100 100 100 100 100 100 100 100 10 10 10 10 SATURDAY SUNDAY 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 10 10 10 10 10 10 10 10 STANDARD WEEK HOUR MONDAY 1 150 2 150 3 150 4 150 5 150 6 150 7 150 8 150 9 170 10 170 11 170 12 170 -Int HEAT GAINS (W)TUESDAY WEDNESDAY THURSDAY 150 150 150 150 150 150 150 150 150 150 150 150 150 150 150 150 150 150 150 150 150 150 150 150 170 170 170 170 170 170 170 170 170 170 170 170 FRIDAY 150 150 150 150 150 150 150 150 170 170 170 170 SATURDAY SUNDAY 150 150 150 150 150 150 150 150 150 150 150 150 150 150 150 150 170 170 170 170 170 170 170 170 STANDARD WEEK HOUR MONDAY 13 170 14 150 15 150 16 150 17 150 18 150 19 210 20 230 21 290 22 150 23 150 24 150 -Int HEAT GAINS (W)TUESDAY WEDNESDAY THURSDAY 170 170 170 150 150 150 150 150 150 150 150 150 150 150 150 150 150 150 210 210 210 230 230 230 290 290 290 150 150 150 150 150 150 150 150 150 FRIDAY 170 150 150 150 150 150 210 230 290 150 150 150 SATURDAY SUNDAY 170 170 150 150 150 150 150 150 150 150 150 150 210 210 230 230 290 290 150 150 150 150 150 150 Max NUMBER OF PRESENT PEOPLE:4 STANDARD WEEK -% OF PRESENCEHOUR MONDAY TUESDAY WEDNESDAY 1 100 100 100 2 100 100 100 3 100 100 100 4 100 100 100 5 100 100 100 6 100 100 100 7 100 100 100 8 50 50 50 9 50 50 50 10 50 50 50 11 50 50 50 12 50 50 50 THURSDAY 100 100 100 100 100 100 100 50 50 50 50 50 FRIDAY 100 100 100 100 100 100 100 50 50 50 50 50 SATURDAY SUNDAY 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 50 50 50 50 50 50 50 50 50 50 STANDARD WEEK HOUR MONDAY 13 50 14 25 15 25 16 25 17 25 18 100 19 100 20 100 21 100 22 100 23 100 24 100 THURSDAY 50 25 25 25 25 100 100 100 100 100 100 100 FRIDAY 50 25 25 25 25 100 100 100 100 100 100 100 SATURDAY SUNDAY 50 50 25 25 25 25 25 25 25 25 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 -% OF PRESENCETUESDAY WEDNESDAY 50 50 25 25 25 25 25 25 25 25 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 THE ZONE casa IS SURROUNDED BY 6 WALLS 13.8 m2 OF sul BETWEEN casa AND OUTSIDE THE ZONE WALL n°1 IS REACHED BY 0 DISTANT SHADING(S) NAME OF THE ALBEDO : externo JAN FEB MAR APR MAY JUN JUL AUG SEP OCT NOV DEC ALBEDO: 0.2 0.2 0.2 0.2 0.2 0.2 0.2 0.2 0.2 0.2 0.2 0.2 THERMAL BRIDGES : 0.0 W/K THE WIND EXPOSURE IS NORMAL 1 GLAZING(s) SHADING DEVICE : *folhamade SUPPLEMENTARY RESISTANCE FOR 100% OCCULTATION: 0.24 m2.K/W STANDARD WEEK -% OPACITYHOUR MONDAY TUESDAY WEDNESDAY THURSDAY FRIDAY SATURDAY SUNDAY 1 100 100 100 100 100 100 100 2 100 100 100 100 100 100 100 3 100 100 100 100 100 100 100 4 100 100 100 100 100 100 100 5 100 100 100 100 100 100 100 6 100 100 100 100 100 100 100 7 0 0 0 0 0 0 0 8 0 0 0 0 0 0 0 9 0 0 0 0 0 0 0 10 0 0 0 0 0 0 0 11 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WEDNESDAY THURSDAY FRIDAY SATURDAY SUNDAY 1 100 100 100 100 100 100 100 2 100 100 100 100 100 100 100 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 100 100 100 100 0 0 0 0 0 0 STANDARD WEEK HOUR MONDAY 13 0 14 0 15 0 16 0 17 0 18 0 19 0 20 0 21 100 22 100 23 100 24 100 100 100 100 100 0 0 0 0 0 0 100 100 100 100 0 0 0 0 0 0 -% OPACITYTUESDAY WEDNESDAY 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 0 0 0 0 0 0 100 100 100 100 0 0 0 0 0 0 100 100 100 100 0 0 0 0 0 0 100 100 100 100 0 0 0 0 0 0 THURSDAY 0 0 0 0 0 0 0 0 100 100 100 100 FRIDAY 0 0 0 0 0 0 0 0 100 100 100 100 SATURDAY SUNDAY 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 100 100 100 100 100 100 100 100 1.2 m2 OF janela quarto/sala U:5.79 W/(m2.K) TAU_N:0.85 1 GLAZING(S) WIDTH : 1.20 m HEIGHT : 1.00 m YOUR janela quarto/sala IS SHADED BY beiral leste DISTANCE FROM THE WINDOW: 0.60 WIDTH: 0.60 13.8 m2 OF norte BETWEEN casa AND OUTSIDE THE ZONE WALL n°3 IS REACHED BY 0 DISTANT SHADING(S) NAME OF THE ALBEDO : externo JAN FEB MAR APR MAY JUN JUL AUG SEP OCT NOV DEC ALBEDO: 0.2 0.2 0.2 0.2 0.2 0.2 0.2 0.2 0.2 0.2 0.2 0.2 THERMAL BRIDGES : 0.0 W/K THE WIND EXPOSURE IS NORMAL 2 GLAZING(s) SHADING DEVICE : *folhamade SUPPLEMENTARY RESISTANCE FOR 100% OCCULTATION: 0.24 m2.K/W STANDARD WEEK -% OPACITYHOUR MONDAY TUESDAY WEDNESDAY THURSDAY FRIDAY SATURDAY SUNDAY 1 100 100 100 100 100 100 100 2 100 100 100 100 100 100 100 3 100 100 100 100 100 100 100 4 100 100 100 100 100 100 100 5 100 100 100 100 100 100 100 6 100 100 100 100 100 100 100 7 0 0 0 0 0 0 0 8 0 0 0 0 0 0 0 9 0 0 0 0 0 0 0 10 0 0 0 0 0 0 0 11 0 0 0 0 0 0 0 12 0 0 0 0 0 0 0 STANDARD WEEK HOUR MONDAY 13 0 14 0 -% OPACITYTUESDAY WEDNESDAY 0 0 0 0 THURSDAY 0 0 FRIDAY 0 0 SATURDAY 0 0 SUNDAY 0 0 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 0 0 0 0 0 0 100 100 100 100 0 0 0 0 0 0 100 100 100 100 0 0 0 0 0 0 100 100 100 100 0 0 0 0 0 0 100 100 100 100 0 0 0 0 0 0 100 100 100 100 0 0 0 0 0 0 100 100 100 100 1.2 m2 OF janela quarto/sala U:5.79 W/(m2.K) TAU_N:0.85 1 GLAZING(S) WIDTH : 1.20 m HEIGHT : 1.00 m YOUR janela quarto/sala IS SHADED BY beiral norte DISTANCE FROM THE WINDOW: 1.30 WIDTH: 0.60 1.2 m2 OF janela quarto/sala U:5.79 W/(m2.K) TAU_N:0.85 1 GLAZING(S) WIDTH : 1.20 m HEIGHT : 1.00 m YOUR janela quarto/sala IS SHADED BY beiral norte DISTANCE FROM THE WINDOW: 1.30 WIDTH: 0.60 22.7 m2 OF oeste BETWEEN casa AND OUTSIDE THE ZONE WALL n°4 IS REACHED BY 0 DISTANT SHADING(S) NAME OF THE ALBEDO : externo JAN FEB MAR APR MAY JUN JUL AUG SEP OCT NOV DEC ALBEDO: 0.2 0.2 0.2 0.2 0.2 0.2 0.2 0.2 0.2 0.2 0.2 0.2 THERMAL BRIDGES : 0.0 W/K THE WIND EXPOSURE IS NORMAL 3 GLAZING(s) 0.3 m2 OF janela corredor U:5.79 W/(m2.K) TAU_N:0.85 1 GLAZING(S) WIDTH : 0.60 m HEIGHT : 1.00 m YOUR janela corredor IS SHADED BY beiral oeste DISTANCE FROM THE WINDOW: 0.60 WIDTH: 0.60 0.4 m2 OF basculante bwc U:5.79 W/(m2.K) TAU_N:0.85 1 GLAZING(S) WIDTH : 0.60 m HEIGHT : 0.60 m YOUR basculante bwc IS SHADED BY beiral oeste DISTANCE FROM THE WINDOW: 0.60 WIDTH: 0.60 0.6 m2 OF basculante cozinha U:5.79 W/(m2.K) TAU_N:0.85 1 GLAZING(S) WIDTH : 0.60 m HEIGHT : 1.00 m YOUR basculante cozinha IS SHADED BY beiral oeste DISTANCE FROM THE WINDOW: 0.60 WIDTH: 0.60 43.0 m2 OF piso BETWEEN casa AND GROUND K: 5.41 W/K, THERMAL BRIDGES: 27.04 W/K 43.0 m2 OF cobertura BETWEEN casa AND OUTSIDE THE ZONE WALL n°6 IS REACHED BY 0 DISTANT SHADING(S) NAME OF THE ALBEDO : externo JAN FEB MAR APR MAY JUN JUL AUG SEP OCT NOV DEC ALBEDO: 0.2 0.2 0.2 0.2 0.2 0.2 0.2 0.2 0.2 0.2 0.2 0.2 THERMAL BRIDGES : 0.0 W/K THIS ZONE WALL IS A CEILING THE WIND EXPOSURE IS NORMAL 0 GLAZING(s) 0 0 0 0 0 0 100 100 100 100 PROTÓTIPO SIMULADO COM FONTES INTERNAS DE CALOR E 37 REN/H CONDIÇÃO DE VERÃO SEM DISPOSITIVO DE SOMBREAMENTO PAINEL P3 **************************************************************** BUILDING **************************************************************** p3 ver fon sem dispo NAME OF THE SAVING FILE : p3verfsd LOCATION : Londrina ALTITUDE : 560m LATITUDE : -23.4° METEOROLOGICAL LOCATION : STU LONGITUDE : 51.2° ******************************************* WALLS ******************************************* sul SLOPE 90° ORIENTATION 0° INTERNAL BUILDING FINISH : branco ALPHA=0.30 EPSILON=0.90 EXTERNAL BUILDING FINISH : branco ALPHA=0.30 EPSILON=0.90 COMPOSITION : painel3 2.40cm OF pinus K:0.15 W/m/K RO:500.00 kg/m3 CP:0.37 Wh/kg/K 2.00cm OF AIR_painel3 K:0.13 W/m/K RO:1.00 kg/m3 CP:0.34 Wh/kg/K 1.20cm OF osb K:0.14 W/m/K RO:650.00 kg/m3 CP:0.64 Wh/kg/K 0.60cm OF pinus K:0.15 W/m/K RO:500.00 kg/m3 CP:0.37 Wh/kg/K 4.20cm OF AIR_painel1 K:0.26 W/m/K RO:1.00 kg/m3 CP:0.34 Wh/kg/K 2.60cm OF pinus K:0.15 W/m/K RO:500.00 kg/m3 CP:0.37 Wh/kg/K leste SLOPE 90° ORIENTATION -90° INTERNAL BUILDING FINISH : branco ALPHA=0.30 EPSILON=0.90 EXTERNAL BUILDING FINISH : branco ALPHA=0.30 EPSILON=0.90 COMPOSITION : painel3 2.40cm OF pinus K:0.15 W/m/K RO:500.00 kg/m3 CP:0.37 Wh/kg/K 2.00cm OF AIR_painel3 K:0.13 W/m/K RO:1.00 kg/m3 CP:0.34 Wh/kg/K 1.20cm OF osb K:0.14 W/m/K RO:650.00 kg/m3 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Wh/kg/K ******************************* * ZONE OUTSIDE * ******************************* ******************************* * ZONE GROUND * ******************************* TEMPERATURE :20°C ******************************* * ZONE casa * ******************************* OCCUPANCY SCHEDULE : ocup padrao VOLUME OF casa :109.69 m3 INERTIA OF THE FURNITURE : 42.9 Wh/K INTERNAL CAPACITIVE WALL : 43.0 m2 OF norte MAXIMAL EXTERNAL VENTILATION FLOW RATE :37.00 STANDARD WEEK -% of max FLOW RATEHOUR MONDAY TUESDAY WEDNESDAY THURSDAY 1 10 10 10 10 2 10 10 10 10 3 10 10 10 10 4 10 10 10 10 5 10 10 10 10 6 10 10 10 10 7 100 100 100 100 8 100 100 100 100 9 100 100 100 100 10 100 100 100 100 11 100 100 100 100 12 100 100 100 100 STANDARD WEEK HOUR MONDAY -% of max FLOW RATETUESDAY WEDNESDAY THURSDAY VOLUME/h FRIDAY 10 10 10 10 10 10 100 100 100 100 100 100 FRIDAY SATURDAY SUNDAY 10 10 10 10 10 10 10 10 10 10 10 10 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 SATURDAY SUNDAY 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 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210 210 210 230 230 230 290 290 290 150 150 150 150 150 150 150 150 150 FRIDAY 170 150 150 150 150 150 210 230 290 150 150 150 SATURDAY SUNDAY 170 170 150 150 150 150 150 150 150 150 150 150 210 210 230 230 290 290 150 150 150 150 150 150 FRIDAY 100 100 100 100 100 100 100 50 50 50 50 50 SATURDAY SUNDAY 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 50 50 50 50 50 50 50 50 50 50 Max NUMBER OF PRESENT PEOPLE:4 STANDARD WEEK -% OF PRESENCEHOUR MONDAY TUESDAY WEDNESDAY 1 100 100 100 2 100 100 100 3 100 100 100 4 100 100 100 5 100 100 100 6 100 100 100 7 100 100 100 8 50 50 50 9 50 50 50 10 50 50 50 11 50 50 50 12 50 50 50 STANDARD WEEK -% OF PRESENCE- THURSDAY 100 100 100 100 100 100 100 50 50 50 50 50 HOUR 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 MONDAY 50 25 25 25 25 100 100 100 100 100 100 100 TUESDAY 50 25 25 25 25 100 100 100 100 100 100 100 WEDNESDAY 50 25 25 25 25 100 100 100 100 100 100 100 THURSDAY 50 25 25 25 25 100 100 100 100 100 100 100 FRIDAY 50 25 25 25 25 100 100 100 100 100 100 100 SATURDAY SUNDAY 50 50 25 25 25 25 25 25 25 25 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 THE ZONE casa IS SURROUNDED BY 6 WALLS 13.8 m2 OF sul BETWEEN casa AND OUTSIDE THE ZONE WALL n°1 IS REACHED BY 0 DISTANT SHADING(S) NAME OF THE ALBEDO : externo JAN FEB MAR APR MAY JUN JUL AUG SEP OCT NOV DEC ALBEDO: 0.2 0.2 0.2 0.2 0.2 0.2 0.2 0.2 0.2 0.2 0.2 0.2 THERMAL BRIDGES : 0.0 W/K THE WIND EXPOSURE IS NORMAL 1 GLAZING(s) SHADING DEVICE : *folhamade SUPPLEMENTARY RESISTANCE FOR 100% OCCULTATION: 0.24 m2.K/W STANDARD WEEK -% OPACITYHOUR MONDAY TUESDAY WEDNESDAY THURSDAY FRIDAY SATURDAY SUNDAY 1 100 100 100 100 100 100 100 2 100 100 100 100 100 100 100 3 100 100 100 100 100 100 100 4 100 100 100 100 100 100 100 5 100 100 100 100 100 100 100 6 100 100 100 100 100 100 100 7 0 0 0 0 0 0 0 8 0 0 0 0 0 0 0 9 0 0 0 0 0 0 0 10 0 0 0 0 0 0 0 11 0 0 0 0 0 0 0 12 0 0 0 0 0 0 0 STANDARD WEEK HOUR MONDAY 13 0 14 0 15 0 16 0 17 0 18 0 19 0 20 0 21 100 22 100 23 100 24 100 -% 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100 100 100 100 100 100 100 5 100 100 100 100 100 100 100 6 100 100 100 100 100 100 100 7 0 0 0 0 0 0 0 8 0 0 0 0 0 0 0 9 0 0 0 0 0 0 0 10 0 0 0 0 0 0 0 11 0 0 0 0 0 0 0 12 0 0 0 0 0 0 0 STANDARD WEEK HOUR MONDAY 13 0 14 0 15 0 16 0 17 0 18 0 19 0 20 0 21 100 22 100 23 100 24 100 -% OPACITYTUESDAY WEDNESDAY 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 100 100 100 100 100 100 100 100 THURSDAY 0 0 0 0 0 0 0 0 100 100 100 100 FRIDAY 0 0 0 0 0 0 0 0 100 100 100 100 SATURDAY SUNDAY 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 100 100 100 100 100 100 100 100 1.2 m2 OF janela quarto/sala U:5.79 W/(m2.K) TAU_N:0.85 1 GLAZING(S) WIDTH : 1.20 m HEIGHT : 1.00 m YOUR janela quarto/sala IS SHADED BY beiral leste DISTANCE FROM THE WINDOW: 0.60 WIDTH: 0.60 13.8 m2 OF norte BETWEEN casa AND OUTSIDE THE ZONE WALL n°3 IS REACHED BY 0 DISTANT SHADING(S) NAME OF THE ALBEDO : externo JAN FEB MAR APR MAY JUN JUL AUG SEP OCT NOV DEC ALBEDO: 0.2 0.2 0.2 0.2 0.2 0.2 0.2 0.2 0.2 0.2 0.2 0.2 THERMAL BRIDGES : 0.0 W/K THE WIND EXPOSURE IS NORMAL 2 GLAZING(s) SHADING DEVICE : *folhamade SUPPLEMENTARY RESISTANCE FOR 100% OCCULTATION: 0.24 m2.K/W STANDARD WEEK -% OPACITYHOUR MONDAY TUESDAY WEDNESDAY THURSDAY FRIDAY SATURDAY SUNDAY 1 100 100 100 100 100 100 100 2 100 100 100 100 100 100 100 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 100 100 100 100 0 0 0 0 0 0 STANDARD WEEK HOUR MONDAY 13 0 14 0 15 0 16 0 17 0 18 0 19 0 20 0 21 100 22 100 23 100 24 100 100 100 100 100 0 0 0 0 0 0 100 100 100 100 0 0 0 0 0 0 -% OPACITYTUESDAY WEDNESDAY 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 0 0 0 0 0 0 100 100 100 100 0 0 0 0 0 0 100 100 100 100 0 0 0 0 0 0 100 100 100 100 0 0 0 0 0 0 THURSDAY 0 0 0 0 0 0 0 0 100 100 100 100 FRIDAY 0 0 0 0 0 0 0 0 100 100 100 100 SATURDAY SUNDAY 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 100 100 100 100 100 100 100 100 1.2 m2 OF janela quarto/sala U:5.79 W/(m2.K) TAU_N:0.85 1 GLAZING(S) WIDTH : 1.20 m HEIGHT : 1.00 m YOUR janela quarto/sala IS SHADED BY beiral norte DISTANCE FROM THE WINDOW: 1.30 WIDTH: 0.60 1.2 m2 OF janela quarto/sala U:5.79 W/(m2.K) TAU_N:0.85 1 GLAZING(S) WIDTH : 1.20 m HEIGHT : 1.00 m YOUR janela quarto/sala IS SHADED BY beiral norte DISTANCE FROM THE WINDOW: 1.30 WIDTH: 0.60 22.7 m2 OF oeste BETWEEN casa AND OUTSIDE THE ZONE WALL n°4 IS REACHED BY 0 DISTANT SHADING(S) NAME OF THE ALBEDO : externo JAN FEB MAR APR MAY JUN JUL AUG SEP OCT NOV DEC ALBEDO: 0.2 0.2 0.2 0.2 0.2 0.2 0.2 0.2 0.2 0.2 0.2 0.2 THERMAL BRIDGES : 0.0 W/K THE WIND EXPOSURE IS NORMAL 3 GLAZING(s) SHADING DEVICE : *folhamade SUPPLEMENTARY RESISTANCE FOR 100% OCCULTATION: 0.24 m2.K/W STANDARD WEEK -% OPACITYHOUR MONDAY TUESDAY WEDNESDAY THURSDAY FRIDAY SATURDAY SUNDAY 1 100 100 100 100 100 100 100 2 100 100 100 100 100 100 100 3 100 100 100 100 100 100 100 4 100 100 100 100 100 100 100 5 100 100 100 100 100 100 100 6 100 100 100 100 100 100 100 7 0 0 0 0 0 0 0 8 0 0 0 0 0 0 0 9 0 0 0 0 0 0 0 10 0 0 0 0 0 0 0 11 0 0 0 0 0 0 0 12 0 0 0 0 0 0 0 STANDARD WEEK HOUR MONDAY 13 0 14 0 15 0 16 0 17 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WALL n°6 IS REACHED BY 0 DISTANT SHADING(S) NAME OF THE ALBEDO : externo JAN FEB MAR APR MAY JUN JUL AUG SEP OCT NOV DEC ALBEDO: 0.2 0.2 0.2 0.2 0.2 0.2 0.2 0.2 0.2 0.2 0.2 0.2 THERMAL BRIDGES : 0.0 W/K THIS ZONE WALL IS A CEILING THE WIND EXPOSURE IS NORMAL 0 GLAZING(s)