A capa O conjunto de imagens mostra o Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna em tranquilo repouso às margens do Rio Miranda, flanqueado por cenas da coluna em retirada e do episódio que ficou conhecido como "abandono dos coléricos". Ao fundo, cortado de norte a sul, uma faixa na cor vermelha, desbotada, representando a memória do sangue dos brasileiros que tombaram em defesa do solo pátrio durante a operação de retirada do território inimigo. A frase "Hoje em dia há muitos que desconhecem fatos marcantes como esse e, portanto, nem os homenageiam" foi escrita em uma correspondência do general Flammarion Pinto de Campos, no dia 25 de agosto de 1990 e endereçada ao capitão Fernando dos Anjos Souza, então comandante da 4ª Companhia de Engenharia de Combate Mecanizada (4ª Cia E Cmb Mec), após a publicação no Noticiário do Exército, da homenagem que a Unidade fizera aos Heróis da Retirada da Laguna. O general Flammarion é filho de um dos 700 sobreviventes, o general de divisão João Antônio da Costa Campos, à época da Retirada, alferes em Comissão no 21º Batalhão de Infantaria (seus restos mortais encontram-se no Monumento aos Heróis da Laguna e Dourados, na Praia Vermelha, Rio de Janeiro). O general Flammarion foi importante membro da comissão criada em 1920 para construção do monumento, como aluno, a partir de 1927, cadete, e 1º tenente, em 1935. A capa é, ainda, uma homenagem ao ex-Cmt da 4ª Cia E Cmb Mec, o então major Fernando dos Anjos Souza, que foi o primeiro Cmt a divulgar a importância daquele sítio histórico e a vinculação do nome do tenente-coronel Juvêncio Manoel Cabral de Menezes, Chefe da Comissão de Engenheiros das Forças em Operações ao Sul de Mato Grosso, com a denominação histórica para aquela jovem Unidade de Engenharia, aprovada mais tarde, no ano de 2000, como Companhia "Tenente-Coronel Juvêncio". (Arte e texto: Sgt Edmilson Lima de Souza) José Vicente Dalmolin Edmilson Lima de Souza Memorial Descritivo CEMITÉRIO DOS HERÓIS DA RETIRADA DA LAGUNA Dados de Registro sob o nº Cartório de 1º Oficio Cidade de Jardim – Mato Grosso do Sul - Brasil Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna. José Vicente Dalmolin e Edmilson Lima de Souza. Jardim, MS. Livraria e Editora Tira-Teima, 2011. 1. Guerra do Paraguai. 2. Retirada da Laguna 3. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna. 4.Turismo Histórico em MS. Jardim-MS. Impresso no Brasil Presita Brazilo Mensagem In memoriun “O Prefeito Evandro Bazzo disse que a Marcha dedicada a Retirada da Laguna agrega valor a nossa história, além de resgatar os conceitos heróicos daqueles brasileiros que lutaram em defesa do país. São heróis que precisam ser lembrados sempre, exemplo de luta”. VI Marcha Cívico cultural Agosto de 2008 Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna – MS PREFÁCIO MEMORIAL DESCRITIVO Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna A história organizada neste memorial descritivo é um relato da cultura brasileira, que se mistura com os principais acontecimentos históricos Sul-americanos. Neste trabalho, os autores José Vicente Dalmolin e Edmilson Lima de Souza resgatam informações sobre um dos importantes fatos da Guerra do Paraguai, a Retirada da Laguna, com foco no local onde repousam restos mortais de grandes homens para o nosso país, o Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna. A compilação deste material é de extrema importância para o resgate histórico-cultural da nossa nação, memorando fatos e pessoas que contribuíram para o destino do Brasil. A luta de alguns heróis e a história de toda região sudoeste sul-mato-grossense, a citar Jardim e Guia Lopes da Laguna, são imortalizadas neste memorial. É um caleidoscópico da história, que abrange a soma das influências das fronteiras Brasil, Paraguai, Argentina e Uruguai. Iniciativas como a dos autores são louváveis, pois guardam para a eternidade fatos que poderiam ser esquecidos com o tempo. É impossível falar sobre a Guerra do Paraguai sem citar grandes nomes da nossa história como José Francisco Lopes (o Guia Lopes), coronel Carlos de Morais Camisão e tenente-coronel Juvêncio Manoel Cabral de Menezes, em nome dos quais homenageamos todos os combatentes que lutaram pela soberania da nossa nação. MARCIO CAMPOS MONTEIRO Deputado Estadual (2011-2014) Prefeito Municipal de Jardim (1997-2000 / 2001-2004) SUMÁRIO CONTRACAPA DADOS DE CATALOGAÇÃO MENSAGEM PREFÁCIO SUMÁRIO INTRODUÇÃO METODOLOGIA DE PESQUISA UNIDADE I LOCALIZAÇÃO. UNIDADE II BREVE RESUMO CRONOLÓGICO DA RETIRADA DA LAGUNA ATÉ O CEMITÉRIO DOS HERÓIS DA RETIRADA DA LAGUNA. UNIDADE III AS ORIGENS DA DENOMINAÇÃO DE CEMITÉRIO DOS HERÓIS. UNIDADE IV RESGATE E RECONHECIMENTO DOS FALECIDOS - 1874 - PELO GOVERNO IMPERIAL - ORIGEM DA LÁPIDE COMEMORATIVA. UNIDADE V A UTILIZAÇÃO DO “CEMITÉRIO DOS HERÓIS DA RETIRADA DA LAGUNA” PELA COMUNIDADE. UNIDADE VI TRASLADOS E O MONUMENTO AOS HERÓIS DE LAGUNA E DOURADOS. UNIDADE VII EXPEDIÇÕES CÍVICAS QUE PASSARAM PELO CEMITÉRIO DOS HERÓIS DA RETIRADA DA LAGUNA E REVITALIZAÇÕES. UNIDADE VIII BREVES BIOGRAFIAS DE LOPES, CAMISÃO E JUVÊNCIO. UNIDADE IX PROJETO DE REVITALIZAÇÃO. UNIDADE X CURRÍCULOS DOS AUTORES. JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 8 INTRODUÇÃO No ano em que comemoramos 141 (2008) anos do desenlace físico de JOSÉ FRANCISCO LOPES e dos comandantes, coronel CARLOS DE MORAES CAMISÃO e tenente-coronel JUVÊNCIO MANOEL CABRAL DE MENEZES, 27 e 29 de maio de 1867, as preocupações com o local hoje denominado CEMITÉRIO DOS HERÓIS DA RETIRADA DA LAGUNA, sempre foi objeto de visita, de culto cívico, momento histórico e até ato religioso. Muitas expedições e comissões passaram pelo local, cada um deixando a sua marca indelével, alguns com apelos às autoridades, diante do descaso com o qual se encontrou por muitas décadas o referido campo de repouso dos imortais dos mortais. O Dr. Armando Pereira em peregrinação por este local no ano de 1925, transcreveu em seu Livro “Heroes Abandonados” as suas impressões, e preocupações, em uma das suas narrativas podemos ler: “Aos brasileiros que nos lerem, pedimos trabalhem da melhor forma que puderem, junto ao Governo, junto dos amigos políticos que tiverem para que se faça uma homenagem condigna, a fim de que se saldem essa dívida de gratidão, há muito contrahida para com a memória desses três vultos, desses três homens de facto, caracteres másculo, de rigeza férrea, de abnegação completa ao cumprimento do dever consciente. Essa homenagem precisa ser feita para que as gerações vindouras não nos acoimem de ingratos para com aquelles que, sacrificando-se sem medir conseqüência, trabalharam a fim de que fossemos portadores de um passado glorioso, fornecendo-nos exemplos para serem imitados pelos futuros defensores desse Brasil Amado!” Assim, para nós autores, queremos deixar às gerações do presente e do futuro uma nova visão cívico-histórica ao visitar o local do CHRL; que o simbolismo histórico do visitante ao campo santo deixe de ser uma sensação de vazio, de morte, de nostalgia, de passado distante, de cruzes, placas e mausoléus, mas sim, quando o visitante, seja antes o leitor destas memórias descritivas, possa chegar ao Cemitério com compreensão dos fatos que foram se desenrolando através dos tempos e que fazem a história humana. Assim, entendemos que, o CHRL não é uma História morta, do passado, mas que tem sido construída a sua história ao longo dos séculos XIX e XX e que nova será pelo XXI e vindouros por cada brasileiro que ali descobre que morrer não é o fim, mas pode ser o começo de uma imortalidade. Os nossos ex-combatentes não morreram, mas seus testemunhos de coragem, trabalho e amor pela Pátria Brasileira lhes outorgaram as mais altas insígnias, o título de Herói no panteão dos grandes feitores da História Nacional e o Herói, é sempre imortal na História das Civilizações. José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 9 Considerando que esse trabalho visa facilitar o conhecimento Histórico do CHRL, estará subdividido nas seguintes Unidades Temáticas: Unidade I – Tratará da Localização; Unidade II – Breve resumo histórico da Retirada da Laguna, sem o qual não será possível contextualizar a origem do Cemitério; Unidade III – Aborda conceitos sobre a denominação do Cemitério; A Unidade IV – Resgata as preocupações com o reconhecimento das pessoas que ali foram sepultadas, inclusive a do Imperador do Brasil, D. Pedro II, no ano de 1874. A Unidade V – Demonstra que o local do Cemitério serviu também para sepultar habitantes que residiam nestas cercanias antes da fundação das cidades de Guia Lopes da Laguna e Jardim; A Unidade VI – Descreve o memorial histórico sobre os motivos que propiciaram os traslados dos restos mortais do Guia Lopes, Camisão e Juvêncio para o Memorial no Rio de Janeiro, no ano de 1938; A Unidade VII – Retrata algumas expedições que passaram pelo local, homenagens prestadas, e processos de revitalizações. A Unidade VIII – As informações bibliográficas sobre os três primeiros personagens da História Nacional que deu Origem ao Cemitério e que faleceram na ocasião do Episódio da Guerra do Paraguai, Retirada da Laguna; A Unidade IX – Traz ao Projeto de REVITALIZAÇÃO. Unidade X – Currículos dos autores Unidade XI – Traz as principais fontes de consulta bibliográficas. José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 10 METODOLOGIA DA PESQUISA Em uma das nossas visitas ao local do Campo Santo, hoje denominado de Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna e ao Cambaracê, nasceu a idéia de fazermos uma parceria e escrevermos um livro, se assim pode ser chamado, que pudesse tratar de maneira descritiva na forma de Memorial um pouco da História deste local. Fotografia histórica para nós autores – 25 de novembro de 2003 – quando nasceu a idéia de realizarmos o Projeto deste Livro Memorial. O primeiro da esquerda o Prof. MSc. José Vicente Dalmolin e o primeiro da direita o Sgt Edmilson Lima de Souza. Segundo da esquerda, o Maj Eng Luís Fernando França Sousa, então comandante da 4ª Cia E Cmb Mec; ao centro, a Comitiva da Diretoria de Assuntos Culturais (DAC), Cel R/1 Cardoso e Cel Antonio Ferreira Sobrinho, em visita ao Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna; o segundo da direita, o Maj Eng Eduardo de Moura Gomes, do Comando da 4ª Bda C Mec (Dourados-MS). (Foto Arquivo dos Autores) Outro ponto sempre nos incomodava, constantemente somos chamados para acompanhar grupos de estudantes, civis e militares ao CHRL e apresentarmos um pouco da História e dos fatos ali ocorridos. Em outras situações somos procurados por estudantes para oferecermos informações e referências bibliografias sobre o local. Assim, amadurece gradativamente o projeto “CEMITÉRIO DOS HERÓIS DA RETIRADA DA LAGUNA - MEMORIAL DESCRITIVO”. Após longas trocas de idéias saímos para o campo da ação através do delineamento metodológico: José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 11 a) TÍTULO CEMITÉRIO DOS HERÓIS DA RETIRADA DA LAGUNA b) MEMORIAL DESCRITIVO c) OBJETIVOS Preservar a memória histórico-cultural das cidades de Jardim e Guia Lopes da Laguna; Propiciar a todos os visitantes, estudantes, cidadãos, civis e militares a disponibilidade de informações sobre o CHRL; Disponibilizar de forma didática os principais acontecimento e transformações ocorridas no local; Subsidiar aos agentes (guias) de turismo conhecimentos históricos para subsidiar com informações verídicas aos turistas; e Reunir todas as informações esparsas sobre o CHRL e reuni-lo em um único volume literário. d) JUSTIFICATIVAS A necessidade estimula a inteligência humana a desenvolver ações como forma de saciar esta mesma necessidade. A necessidade nasce sempre da ausência de algo. A ausência de um “Livro” que pudesse servir de referência de consulta sobre o Histórico do CHRL, que completou no dia 29 de maio de 2008, 141 anos de existência, pois ele nasce exatamente com o sepultamento dos comandantes coronel Camisão e tenente-coronel Juvêncio, no dia 29 de maio de 1867, para toda a comunidade civil e militar, turistas, estudantes, curiosos que visitam o Campo Santo. A ausência de um volume literário que trata do local moveu-nos a reunir todos os nossos conhecimentos de historiadores autodidatas e encamparmos uma verdadeira garimpagem, vasculhando o tempo histórico, estudando as modificações do espaço, no intuito de deixarmos para as gerações futuras o conhecimento do passado em perspectiva histórica de um Memorial Descritivo. e) ENCAMINHAMENTO METODOLÓGICO 1. Optamos inicialmente que o nosso Trabalho obedeceria a uma linha didática subdividida por unidades temáticas. 2. Os conteúdos das Unidades Temáticas abordariam uma perspectiva de memorial descritivo, permeada com algumas análises e notas de caráter pessoal. José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 12 3. Embora em termos de publicação aumente os custos, mas pelo caráter didático deste Trabalho rechearíamos os conteúdos com ilustrações. 4. As ilustrações têm um caráter de possibilitar a visualização de acontecimentos ocorridos ao longo da linha do tempo histórico e geográfico. 5. A preocupação não estaria centrada apenas na memória do passado, mas também apresentar a proposta do Projeto de Revitalização do Campo Santo. 6. Início dos Trabalhos de Pesquisa ocorrera na manhã de sábado do dia 24 de janeiro do ano de 2004, – muito calor –, reunimos nossos papéis e apontamentos e passamos algumas horas no local do Cemitério fazendo estudos e delineamos que o trabalho deveria encampar algumas diretrizes nos conteúdos tais como: 6.1 Sumário para a Pesquisa: Localização geográfica do cemitério; Origem da denominação; Histórico temporal/espacial da RETIRADA DA LAGUNA, até o cemitério e que culminou com as mortes do Guia LOPES, do comandante da coluna, coronel CAMISÃO e de seu imediato tenente-coronel JUVÊNCIO (relato do Maj. TOMAZ); O resgate e o reconhecimento dos falecidos (1874 - Governo Imperial); A utilização do cemitério pela comunidade local; Biografias do Guia LOPES, do Cel CAMISÃO e do TC JUVÊNCIO; Reconhecimento dos falecidos e enterrados no cemitério; A organização (ordenação) e jardinagem do cemitério; As expedições, como forma de preito àqueles bravos heróis (1920/1930 [Arruda/Malan] 1970 - 1989 - 1999 - 2003); Paisagem natural da área do cemitério; O translado dos restos mortais do Guia LOPES, do Comandante e de seu imediato; Atual situação da área do cemitério: a) Proprietário; b) Documentação; c) Preservação do local; José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 13 d) Responsabilidade; Proposição final (projeto de revitalização do sítio histórico). 7. Etapa da Pesquisa: 7.1 Consulta, leitura, catalogação, compilação das referências bibliográficos disponíveis nos arquivos particular, bibliotecas e Unidades militar; 7.2 Catalogação e digitalização de todas as imagens fotográficas e outros ícones disponíveis; 7.3 Entrevista com pessoas que dispunham de informações orais ou documentos sobre o Cemitério; 7.4 Processamento de todos os dados catalogados, digitalização e impressão das minutas dos textos para análise dos conteúdos; 7.5 Disponibilizado as minutas dos conteúdos processados, procede à etapa de revisão, correção, complementação e supressão de referências; 7.6 Disponibilização de cópias (minutas) do trabalho e apresentação a algumas pessoas da comunidade, civis e militares para que façam a leitura, as análises, sugestões; 7.7 Revisão após recolhimento das minutas e reedição; 7.8 Correção gramatical e ortográfica; 7.9 Edição Final; 7.10 Apresentação em ato solene as autoridades e comunidade da Edição Final; 7.11 Busca com os órgãos competentes os recursos financeiros para a publicação. f) RECURSOS Não prevemos durante a fase da pesquisa recursos financeiros para subsidiar os custos do trabalho, senão recursos próprios; Entretanto, prevemos gastos com papel, tinta para impressora, combustível para veículos, telefonemas, serviços de computador para digitação e digitalização, CDs para gravação. g) CRONOGRAMA Estabelecemos uma estimativa de 24 meses – janeiro de 2004 a janeiro de 2006 – como fase principal de elaboração. E até maio de 2011 ainda não conseguimos a conclusão e pleitear a publicação. José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 14 UNIDADE I LOCALIZAÇÃO 1. Nas Terras da Fazenda Jardim O Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna – CHRL, está assentado à margem esquerda do Rio Miranda, numa área de um hectare, doada ainda extra oficialmente na década de 1930 pelo Senhor Fábio Barbosa Martins ao Ministério da Guerra, no Município de Jardim, Sudoeste do Estado de Mato Grosso do Sul, Brasil. Outrora, no ano de 1867, o local onde hoje está o CHRL fizera parte da Fazenda Jardim de Propriedade de José Francisco Lopes, o Guia Lopes e esposa Dona Senhorinha Maria Conceição Barbosa de Lopes, cuja fazenda tinha a sede com casa de residência e mangueiro para fechar o gado, na margem direita do Rio Miranda, atual município de Guia Lopes da Laguna, à margem da Rodovia que interliga os Municípios de Guia Lopes da Laguna e Bonito – MS-382 – Km 2. Com a partilha das terras em 1882, pertencera aos herdeiros1, Izabel Porcina Lopes e Clemente Gonçalves Barbosa. Depois os herdeiros negociaram o Senhor Fábio Martins Barbosa e sua esposa Deolinda Barbosa Martins. O CHRL fica distante da cidade de Jardim, cerca de quatro quilômetros. “O Passo do Lopes” local onde as tropas brasileiras passaram o Rio Miranda, fica distante do Cemitério aproximadamente trezentos metros. Cemitério HRL – Vista atual – Rio Miranda – Vista atual do Passo – Fazenda Jardim – Vista atual – (Arquivo dos Autores) (Arquivo dos Autores) (Arquivo dos Autores) Coordenadas: LATITUDE 21°26'54.42"S LONGITUDE 56° 9'1.25"O 1 Segundo informações da tradição oral. José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna Visto no centro o Rio Miranda que serve de divisor de limites entre as cidades e municípios de Jardim e de Guia Lopes da Laguna, no Mato Grosso do Sul. À esquerda, local do Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna e à direita o local da Fazenda Jardim, que outrora pertencera a José Francisco Lopes, o “Guia Lopes” (Foto Google Earth, 4 Jan 2008) À esquerda, vista da entrada do CHRL e à direita o Passo do Rio Miranda. (Foto Google Earth, 4 Jan 2008) José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza 15 JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 16 UNIDADE II BREVE RESUMO CRONOLÓGICO DA RETIRADA DA LAGUNA ATÉ O CEMITÉRIO DOS HERÓIS DA RETIRADA DA LAGUNA. Ao leitor mais aguçado no conhecimento histórico, reforçamos a sugestão de que leia as obras de Visconde de Taunay, entre outras, a da Retirada da Laguna. O esboço aqui apresentado é uma descritiva para situar-se no tempo. Não é possível ao visitante do CHRL seja estudante, turista, militar, pesquisador, curioso uma compreensão dos fatos que ali guardam memória, sem uma leitura, mesmo de leve, sobre o contexto da Guerra do Paraguai, invasão, ocupação e reações de defesa no território do então sul da Província de Mato Grosso (1822-1889) e que hoje corresponde ao Sudoeste do Estado de Mato Grosso do Sul (11 de outubro de 1977). 1. A invasão e ocupação das Tropas Paraguaias na região Sudoeste do atual Estado de Mato Grosso do Sul O resumo seguinte1 está baseado no Livro “Guia Lopes da Laguna, Nossa Terra, Nossa Gente, Nossa História”, de autoria de José Vicente Dalmolin. Na invasão de Mato Grosso foram empregadas duas Colunas Paraguaias: a) via fluvial – que atuou através do Rio Paraguai; b) via terrestre – que atuou de Concépcion – Bela Vista Paraguai, Colônia dos Dourados, Colônia de Miranda, Nioaque, Vila de Miranda e Coxim. A expedição terrestre, comandada pelo Coronel de Cavalaria Isidoro Resquín e pelo subchefe da mesma arma Major Martín Urbieta. Esta Coluna Militar contava com um efetivo de aproximadamente 2.500 cavalarianos e um batalhão de infantaria. A Divisão Norte, nome da Coluna que atacou por terra, partiu de Concépcion em dezembro de 1864. Resquín penetrou em Mato Grosso, vindo direto do Forte de Bela Vista (Paraguai), em seguida atravessa o atual Rio Apa. Urbieta deslocou-se por Cerro Corá, Chiriguelo, indo à Colônia Militar do Dourados onde era comandada pelo tenente Antônio João Ribeiro. 1 Esclarecemos que no momento desta pesquisa, o livro de José Vicente Dalmolin, encontra-se pronto, aguardando recursos para a impressão. É um livro rico em informações sobre esta região. Outro livro do mesmo autor, tratando sobre Nioaque, no contexto do Século XIX, apresenta outros detalhes interessantes, uma vez que na ocasião da invasão e ocupação paraguaia a única vila nesta cercania era a de Nioaque. José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 17 Marchando na direção Norte, a Coluna comandada pelo Coronel Resquín, partindo do Forte de Bela Vista, chegou à Colônia Militar de Miranda, que já havia sido abandonada, com a notícia da chegada das tropas paraguaias, a 31 de dezembro de 1864.No dia 2 de janeiro de 1865, Francisco Isidoro Resquín, ocupa a Povoação de Nioaque e em seguida a Vila de Miranda e Coxim, sendo que Nioaque era o Quartel-General. A estrada utilizada, saída da Colônia, a única então existente, passava no atual território de Guia Lopes da Laguna, no rumo das confluências dos rios Feio e Desbarrancado no Santo Antônio, afluente do Rio Miranda, próximo a cidade de Guia Lopes. A Sede da Fazenda Jardim, de propriedade do José Francisco Lopes, encontrava-se muito longe desta estrada, por este motivo não foi visitada de imediato pelas tropas paraguaias. No dia 30 de dezembro de 1864, organiza-se a partir de Nioaque uma resistência, uma força militar e civil, de Nioaque, Colônia de Miranda e região para contra-atacar a coluna paraguaia. No dia 31 de dezembro, 200 brasileiros, contra 2.500 paraguaios, são obrigados a recuar, depois de tiroteios violentos na região do rio Feio, onde o comandante paraguaio exige que o comandante brasileiro se renda. Os brasileiros recuam para as margens do Santo Antônio, não muito distante, já sem condições de fazer enfrentamento, recuam, para o Desbarrancado, deferindo ai, novo e encarniçado combate. O comandante brasileiro manda incendiar a ponte e retira-se para Nioaque Da ponte do rio Desbarrancado, resolve Dias e Silva, exercer ação retardadora no eixo Nioaque-Miranda, tendo como ponto de refúgio Santana do Paranaíba (Paranaíba-MS). A sede da Fazenda Jardim fora visitada em janeiro de 1865, onde toda a família do Guia Lopes fora feita prisioneira e levada para a Vila de Orqueta, no Paraguai, permanecendo até março de 1870. 2. A organização das Tropas Brasileira e a reação contra os Paraguaios na região Sudoeste Depois de quase dois anos, a nossa região se encontrava sob o domínio paraguaio. Em abril de 1865, com a finalidade de socorrer as tropas estacionadas em Mato Grosso, Cuiabá e Santana do Paranaíba, partiu de Santos, São Paulo uma expedição de 600 homens, acrescida principalmente de voluntários do Rio de Janeiro, São Paulo, Goiás, Paraná e Minas Gerais para ocuparem posição em Nioaque no dia 24 de janeiro de 1867. Este Corpo de Artilharia, em junho de 1865 chegou à cidade de Uberaba, onde foram incorporados mais 1.200 homens de Minas Gerais. Com um efetivo de aproximadamente 2.500 homens, rumou para Mato Grosso. À princípio, o destino era Cuiabá. No entanto, no meio do caminho, receberam ordens para seguir para a Vila de Miranda. Na Freguesia de Herculânea, (Coxim), ficaram retidos por causa das fortes chuvas e inundações, permanecendo até julho de 1866. José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 18 Em Miranda havia uma guarnição militar paraguaia, que a abandonaram com a aproximação das tropas brasileiras a 17 de setembro do mesmo ano. O efetivo brasileiro já se encontrava reduzido a 2.000 combatentes. O comandante, coronel Enéas Galvão, morrera, passando o comando ao coronel Camisão. Em 31 de dezembro de 1866, uniu-se em Miranda a Coluna comandada pelo Coronel Camisão com a tropa do 1º Corpo de Cavalaria, que anterior à ocupação paraguaia, combatera no Desbarrancado sob o comando do Capitão Pedro José Rufino, retornou a Nioaque e fez parte da expedição pelo Apa e Laguna. No dia 11 de janeiro, o comandante, coronel Camisão, deu ordens para a retirada da Vila de Miranda (agora em ruínas), rumando para Nioaque. Moveu-se a Força, a 11 de janeiro de 1867, depois de permanecerem em Miranda por cento e trinta e um dias. Às 11 horas do dia 24 de janeiro de 1867, chegaram a Nioaque o corpo de Tropas de Infantaria, Artilharia e Cavalaria de Exército. O coronel Camisão, cuja honra estava ferida, porque no início da invasão o obrigou a retirar-se de Corumbá. Somente o Paraguai interessava. Nioaque ficou sendo a base das Operações, enquanto a Coluna avançava. Segundo Taunay2: 25 de Fevereiro de 1867 havíamos saídos de Nioaque. A 26 estávamos no Canindé. E a 27 estávamos no Desbarrancado (Município atual de Guia Lopes da Laguna), onde debandara nos últimos dias de 1864, o Corpo de Cavalaria do tenente-coronel Dias. Demoramos ali dois dias, 28 de fevereiro e 1º de março. No dia 2 de março chegamos ao rio Feio (Município atual de Guia Lopes da Laguna). E no dia 3 de março, ocupávamos o local onde existira a Colônia de Miranda, 12 léguas ao Sudoeste de Nioaque” (também em Guia Lopes da Laguna). Há quase um mês acampados na sede da Antiga Colônia Militar de Miranda, ordenou o seu comandante que utilizassem os poucos cavalos, montaria dos oficiais e saísse pelos campos da região à procura de gado. Mas para infelicidade dos brasileiros, quando os paraguaios efetuaram a retirada, diante a aproximação das tropas brasileiras, levaram consigo todo o gado 2 A Retirada da Laguna, Editora Tecnoprint Ltda, SP. José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 19 existente. Da Fazenda Jardim, de propriedade de José Francisco Lopes, pouco mais de 200 reses foram levadas para Ipané, no Paraguai em dezembro de 1866, com mais outras 2.000 reses, recolhidas das fazendas vizinhas, conforme carta do Comandante do Forte de Bella Vista, tenente Romualdo Molinas. E como encontrar gado, alimento básico da tropa? Com fome, não há resistência e sem resistência não há combatentes. Nos planos do Comandante, o retorno a Nioaque, seria a solução mais prudente. Segundo Taunay, o Comandante reuniu por diversas vezes o seu grupo de oficiais, no qual os membros da Comissão apresentaram o quadro real das condições das Tropas, caso desejassem avançar na direção do Rio Apa: insuficiência de alimentos, falta de meios de transportes, ausência de um Corpo de Cavalaria, escassez das munições, impossibilidade de angariar reforços ou socorro para caso sofressem um contra-ataque paraguaio. No entanto, não era unânime a decisão, o próprio Coronel Juvêncio alega: “Deixo viúva e seis órfãos. Terão como única herança um nome honrado”. Um outro fato influencia na decisão da Tropa, ao invés de recuar para Nioaque a estimula avançar rumo ao Paraguai, quando saíram tropas da Colônia para levantamento de reconhecimento da região além do Rio Miranda. No dia 25 de março, saiu o 21º Batalhão de Infantaria, paulista, chegando na região conhecida como Fazenda Monjolinho, onde Gabriel Francisco Lopes e Dona Senhoria residiram por alguns anos e no dia 10 de abril, o 17º Batalhão de Voluntários de Ouro Preto, avançou uns 50 km adiante, reconhecimento este efetuado pelas tropas, marchando a pé. José Francisco Lopes fazia parte do 17º Batalhão de Voluntários, durante esta incursão de reconhecimento, recebera notícias do seu filho e companheiros levados prisioneiros, em janeiro de 1865. Estavam de regresso, ao todo, dez jovens brasileiros, fugitivos das prisões paraguaias, pertencentes às famílias Lopes, Barbosa e Ferreira. Mais dez voluntários que ingressaram no 17º de Voluntários, e gritavam entusiasmados: Ao Apa! Ao Apa!. Este fato foi decisivo na determinação de avançar para além da fronteira do Brasil. Em 14 de abril de 1867 inicia-se a travessia do Rio Miranda. Primeiro o Corpo de Caçadores, goiano (agora a pé, os cavalos estavam mortos); em seguida o 21º Batalhão de Infantaria, paulista, precedendo uma bateria de duas peças raiadas; depois, o 20º Batalhão de Infantaria, também goiano, com baterias idênticas à outra e por fim o 17º Batalhão de Voluntários da Pátria, ao qual acompanhavam, na retaguarda, as bagagens, as carretas dos comerciantes, as mulheres dos soldados e as crianças. Duraram duas horas na travessia do Miranda (estas terras, à margem esquerda, pertencem hoje ao Município de Jardim). Em 17 de abril de 1867 a Coluna da Força Expedicionária em Operação no Sul da Província de Mato Grosso, comandada pelo Coronel Carlos de Moraes Camisão, chegava à fronteira do Império do Brasil, de D. Pedro II, com a República do Paraguai, de Francisco Solano López, alcançando a “Bella Vista” (Paraguai) no dia 20. Gado era um dos objetivos. Abater os paraguaios, vinha em seguida. José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 20 3. O avanço das tropas Brasileiras até a Invernada da Laguna, no Paraguai Para conhecer a continuidade desta marcha até a Fazenda Laguna, de propriedade do Governo Paraguaio, onde supunha haver abundância de gado, está sendo transcrito o Relatório do Major José Thomaz Gonçalves3. Este relato, para elevar o seu caráter histórico, será em grafia original: “Parte dada pelo Commandante Interino das Forças em Operação no Sul de MattoGrosso, que invadiaram o territorio paraguayo, Major José Thomaz Gonçalves, ao Presidente da Provincia de Matto-Grosso, Dr. José Vieira Couto Magalhães, em officio de 16 de junho de 1867. No dia 21 de abril, entraram as forças brazileiras sob o comando do Coronel Camisão no Forte Paraguayo de Bella Vista, que foi desamparado pela sua guarnição á vista de nossas bandeiras: feito glorioso para as nossas armas a qual já deve estar no conhecimento do Governo Imperial, e que encheo de justo orgulho ao chefe da nossa expedição. Desde o dia da occupação, começando-se a fazer sentir a falta de gado, mandava a prudencia que fosse effectuada uma prompta retirada sobre Nioac que era a nossa base de operações que algum tanto inconsideravelmente fôra deixada, apenas protegida por uma pequena guarnição, visto como mesmo a diminuta porção de 1500 a 1600 soldados, não permittia distrahir muitas praças por occasião de avançar contra o inimigo. Entretanto, o coronel Camisão, tendo tido Região da Laguna - Paraguai. (Arquivo dos Autores) informações dos fugitivos brasileiros, os quaes como V. Exa. não ignora, se achavam entre nós desde 11 de abril, que a 3 ½ leguas de Bella Vista, n’uma Fazenda do Presidente López havia grande quantidade de gado (Fazenda Laguna), não trepidou em avançar, dando ordem de marcha ás forças no dia 30 do mez acima citado. Como subordinados, obedecemos de bom grado a resolução de nosso chefe, tocando-me tão sómente como commandante do corpo e cumprir os deveres difficeis que a todos exigia aquelle passo brilhante, porem algum tanto arrojado. Foi, pois, pouco desvanecendo-se a esperança que nutria o Commandante das forças, a qual, depois de resolver levantar acampamento quis, contudo, por uma surpreza audaz, ir bater o inimigo, acampado a mais de legua e cujo numero era ainda desconhecido. Na madrugada de 6 de maio (1867) foram os paraguayos accordados ao som de nossas descargas, sendo incontinentemente occupado o acampamento inimigo. Gloria immensa coube a 3 ALMANACHE ILUSTRADO. Empreza Editora, Tres Lagoas MT. N.º 2 e 3, Anno III – 1929/1930. José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 21 nossa soldadesca! O entusiasmo era indescriptivel! N’esse occasião, os paraguayos desmascaravam a força de que dispunham. Mais de 700 cavalleiros, carregaram por vezes a Infantaria Brazileira, ao passo que duas boccas de fogo atiravam sobre ella innumeros projecteis. O dia 7 passou-se sem novidades, bem que um temporal violentissimo acompanhado de chuva torrencial”. 4. A reação Paraguaia e a Retirada das tropas Brasileira da Invernada da Laguna Caro leitor, a partir deste contexto é que iniciam propriamente as narrativas da Épica Retirada da Laguna, e que culminará com as mortes do Guia Lopes, e dos comandantes coronel Camisão e Juvêncio episódios que darão historicamente a origem ao Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna. Continuaremos conferindo estas narrativas de maneira resumida nos relatórios do major Gonçalves4, que foi o oficial encarregado de conduzir o restante das tropas após a morte dos seus dois comandantes, Camisão e Juvêncio. 4.1 Retirando-se da Fazenda Laguna, em território do Paraguai “No dia 8 de maio ás 7 horas da manhã começou a força a mover-se, sendo logo tiroteiada fortemente por infantes, emboscados em uma mattinha, os quaes, porem cederam á bizarria do Corpo de Caçadores a Cavallo que d’ella os expelliu, apezar das de Cavallaria que o obrigaram a formar circulos parciaes até a chegada de uma grande Divisão do Batalhão n. 20 que com uma bocca de fogo correu em seu auxilio. O campo de acção ficou em nosso poder. Enterramos os mortos, foram n’elles curados os feridos, e seguiu-se avante... Os paraguayos estenderam então a linha de atiradores por todos os lados, frente, retaguarda, flancos fazendo continuado fogo calibre 3 e 6 muito aligeirada e puxada por cavallos, tomava rapidamente posição, procurando incessantemente offender-nos a marcha deste dia, de 2 ½ leguas, effectuou-se sempre ao som da artilharia e fuzilaria, conservando comtudo, a força brazileira a attitude a mais firme possivel, cabendo a nossa Artilharia pelas eminencias que occupou e d’onde varias vezes fulminou o inimigo, o mais importante papel n’essa jornada gloriosa. V. Exa. conhece perfeitamente os perigos de uma retirada diante de uma cavallaria ousada, quando a infantaria não tem para oppôr aos ataques d’ella alguns esquadrões resolutos. A força moral que o soldado perde por effeito de um movimento retrogado, tem de ser substituido pela coragem 4 Major Thomaz Gonçalves, Op. Cit. José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza Gravura ilustrando episódio da Retirada da Laguna. (Extraída do livro História do Exercito Brasileiro JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 22 continua e esforços incessantes. Mil e tresentos combatentes á pé não podiam desprezar setecentos homens perfeitamente montados e que dispunham da artilharia extremamente movel. Por isso, o dia 8 de maio deve ser considerado um brilho feito de armas: por isso só se por ventura fosse esse feito o único na história da força operadora em Matto-Grosso, mereceriam os seus officiaes e soldados a attenção benevola do paiz. No dia 9 raiou com o troar do canhão e da fuzilaria de uma extensa linha de atiradores inimigos; entretanto, as posições que tomou a nossa artilharia e as perdas que experimentaram os contrarios com os nossos tiros, fizeram com que a entrada no forte de Bella Vista fosse-nos facil e os paraguayos não procurassem nos deter os passos”. 4.2 De regresso ao solo brasileiro “O dia 10 foi de descanso, effectuando-se a 11 pela manhã a passagem do Apa, com a qual gastou a força mais de 4 horas pela quantidade de animaes e carros que passaram de uma margem a outra. As 9 horas começou na ordem adoptada anteriormente, caminhando-se perto de tres quarto de leguas sem avistarem-se inimigos. Entretanto, os terrenos prestavam-se perfeitamente ao movimento da cavallaria por serem ligeiramente ondulados e abertos em todos os sentidos. Observou-se por isso o maior cuidado, prevendo qualquer tentativa em que fosse ainda experimentado o valor brazileiro. Na realidade ás 11 horas do dia foi repentinamente atacada a linha de atiradores do Batalhão n. 17 de Voluntarios da Patria que marchavam na frente, por infantaria inimiga, á qual se seguiu uma furiosa carga de cavallaria que veio esbarrar contra aquelle Batalhão, abrindo-se em duas alas, as quaes desfilaram a todo galope de um lado e de outro de nossa força, procurando penetrar na bagagem. O fogo que então sofreu o inimigo foi terrivel. Cada Batalhão formou quadrado com rapidez espantosa, indo muitos cavalleiros morrer espetados nas pontas das bayonetas do intrepido Batalhão n. 21. A Artilharia mettendo em bateria com extrema velocidade, fez fogo mortifero de granada sobre a cavallaria paraguaya, que deixava o campo alastrado de mortos e feridos. A perda do inimigo não foi inferior a 70 homens; a nossa foi de 19 mortos e 29 feridos, nos numeros dos quaes constam o Tenente do Batalhão n. 17, Joaquim Mathias de Assumpção Palestino que faleceu dois dias depois e Raymundo Fernandes Monteiro, que portou-se com muita intrepidez. Ainda essa vez como sempre, o campo ficou em nosso poder, dando-se sepultamento aos mortos e recolhendo-se os feridos. Um soldado paraguayo ferido declarou que o commandante da força inimiga era o Major Martinho Urbieta e que o reforço esperado por este e pedido depois de conhecidos os movimentos da força brazileira, havia chegado, devendo-se reunir com brevidade outra que já se encontrava no caminho. Uma circunstancia veio depois entristecer os espiritos depois de acabada a animação d’aquelle glorioso combate: o gado que era trazido enconstado ao flanco direito da força, havia desembestado com o estrondo das descargas, assim com os poucos cavallos que serviam para José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 23 tangel-o. Eram os recursos de bocca que escasseavam por modo desanimador, deixando a nossos soldados a perspectiva de 25 leguas de marcha com o inimigo sempre a frente e sem esperança de renovação de boiada”. 4.3 A mudança de Direção A mudança de direção - ao invés da estrada que ligava à Colônia Militar de Miranda, procurou o caminho na direção da Fazenda Jardim de José Francisco Lopes. Nesta mudança de direção deixam de lado a estrada carreteira e seguem por caminhos – campo e cerrado a dentro, picadas e atalhos sujos, que somente o Guia Lopes e seu filho conheciam, mudança esta que colocará as tropas nas mais intensas privações e provações, culminando com uma paragem forçada, acampando na margem esquerda do Rio Miranda, local do nosso histórico Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna, ocasião que o rio estava muito cheio e não apresentava vau para a passagem das tropas. Acompanhando as narrativas com o major Gonçalves5: “Esse facto importantissimo, influiu poderosamente para que o Coronel Camisão tomasse então uma resolução que veio para o futuro crear novos e terriveis obstaculos a facil retirada das forças. Achava-se como guia entre nós o excellente pratico José Francisco Lopes o qual de há muito conhecedor dos terrenos do Apa e suas visinhanças, apresentou a possibilidade de conduzir a força por lugares retirados da estrada com seis dias de marcha á Fazenda Jardim que lhe pertencia e a qual dista de Nioac 9 leguas. As vantagens d’este desvio, era em primeiro logar, o encurtimento de viagem, pois elle promettia levar a força em 8 dias a Nioac e ainda abrir uma estrada de recursos, completamente desconhecida pelos paraguayos e onde poder-se-hia apanhar o gado que fosse encontrado n’aquelles terrenos, que segundo afiançava o mesmo pratico, era abundante. Além d’isso, arredava-se o inimigo do caminho de Nioac, onde sabia o Coronel, acharem-se muitos carros e mantimentos que vinham ao nosso encontro, obrigando os inimigos a nos acompanharem por logares que elles mal conheciam. Tomaram, pois, as forças nova direcção, abrindo os pés de nossos soldados, uma estrada por terrenos nunca d’antes trilhados. As razões apresentadas acima são as ponderações justificativas d’aquelle passo; entretanto, outras lhe eram bem contrarias e os acontecimentos futuros demonstraram a toda evidencia que houve erro fatal na escolha d’aquella direcção. Perderam com elle os nossos soldados bôa parte da força moral, abandonando a estrada para irem trilhar logares cobertos de matto ou campos não bem conhecidos, que souberam aproveitar com habilidade. 5 Op. Cit. José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 24 O Coronel Camisão, foi sempre guiado pelo desejo ardente em poupar fadigas e incommodos ao soldado e n’aquelle passo, houve tão sómente confiança desmedida em promessas que não se verificaram e que um conjuncto de circunstancias muito especiaes tornaram irrealisaveis. A marcha, pois, tomou novo rumo, cortando o Pratico5, rumo ao Norte, para ganhar o ponto denominado Jardim, cinco leguas adiante da Colonia de Miranda e nove leguas distante de Nioac. O primeiro dia de marcha foi por cerrados, ficando assim inutilisados os meios de acção da cavallaria e artilharia inimiga, o que nos poupava o argumento de gravame de bagagem, consideração que pesou também no animo do Coronel Commandante. Entretanto, com difficuldade caminhava a nossa força, vencendo, apesar de andar o dia inteiro, muita pequena distancia no bom rumo. No dia seguinte, passaram-se as cousa do mesmo modo, indo a força acampar depois de rodeiar muitas cabeceiras do corrego José Carlos, n’uma mattinha, que foi logo cercada pela cavallaria inimiga, a qual nos acompanhara de longe. Conquistou-se a agua a tiros, e a força passou a noite em alarme. No dia 13 de maio6 cahiu uma chuva torrencial que impossibilitou a marcha, tornando os terrenos que deviamos atravessar, quasi intransitaveis e fazendo sofrer a nossa soldadesca extremamente pela falta de fardamento. N’esse pouso, decidiu o Commandante das Forças a reducção da bagagem, o que foi executado pelos officiaes com a maior bôa vontade e espontaneidade. Os seus animaes de carga passaram a servir no transporte do cartuxame e todos abandonaram as poucas commodidades de que ainda gozavam, em consideração ao bem geral. A 14 recomeçou a marcha que em breve tornou-se penosissima, pelo estado dos terrenos e pelo novo meio de guerra que adotarão desde então os paraguayos para impedir-nos a continuação da viagem: lançavam fogo aos campos, os quaes reseccados pelo sol ardente de dias de trovoadas ardiam com intensidade extraordinaria, cercando-nos por todos os lados de calor abrasador e fumaça asphyxiante. O vento Norte que soprava constantemente n’este mez, ainda mais critica tornava a posição da nossa força. Protegidos pela fumaça, vinham então tiroteiar-nos vivamente, respondendo os nossos soldados com grande tenacidade e constancia. No pouso, esta scena repetiu-se, recebendo a força em massa durante muitas horas um chuveiro de balas partindo por dentro de densos rolos de fumo. No dia subsequente, os inimigos, procuravam deter-nos, fazendo fogo vivo, encobertos por accidentes de terreno, enquanto passava a nossa pesada bagagem um difficultuoso banhado. 5 6 José Francisco Lopes. Maio de 1867. José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 25 A resposta de nossa parte trouxe-lhes, entretanto, a convicção de que nunca poderiam fazer-nos frente, pois que as pontarias certeiras de nossos soldados se succediam ao passo que as d’elles eram todas incertas e os tiros precipitados. Continuaram, pois, o systema de guerra desleal que haviam adoptado detendo-nos pelas queimadas dos campos durante muitas horas em que era impossivel a marcha. Os transes por que passaram a força, commeçaram a ser horriveis. A boiada dos carros era de há muito morta para sustento das praças e regulada de modo que já muito soffriam ellas da falta de alimentação. Officiaes e soldados enfraquecidos, assim eram comtudo, obrigados a extrema vigilancia na guarda dos acampamentos, aos trabalhos em construir pontes e fazer rampas nos ribeirões e corregos que encontravamos engrossados pelas continuas chuvas. A inclemencia do tempo era desanimadora. Marchavam os nossos soldados ora em pantanaes, ora em campos que o fogo devorava n’uma larga extensão”. 4.4 O Cólera-morbo7 e o abandono dos coléricos na mata do Cambaracê “No dia 18 de maio, houve um novo tiroteio, retirando-se o inimigo, apenas começou a trabalhar a artilharia que elle respeitava extremamente. N’este dia começaram aparecer com mais frequencia os casos de uma molestia que os dous distinctos facultativos da força, duvidaram por dias, apesar de seus syntomas irrecusaveis em qualificar, e que em breve tornouse um flagello medonho, capaz de causar a desorganisação dos mais bem constituidos exercitos. Era a Cholera Morbus, que fazia a sua apparição, grassando repentinamente nas fileiras de nossos soldados reduzidos á susceptividade morbida, depois de soffrimentos extraordinarios. As causas e marcha d’esta epidemia vão minuciosamente descripta na parte do medico a qual acompanha esta exposição. A progressão assustadora. crescente da enfermidade foi No dia 19 de maio de continuo tiroteio, os atacados pela epidemia, eram ja em numero extraordinario, as victimas, em poucas horas perecciam no meio de dores crueis chegando a ser summamente difficil o transporte dos doentes de pouso a pouso, apesar de marchas muitas vezes de menos 7 Marco no Cambaracê (Arquivo dos autores) Cólera, doença infecciosa caracterizada por vômitos, diarréia, cãibras. É uma moléstia infecciosa aguda, fortemente contagiosa, produzido por um bacilo ligeiramente curvo, que, pela sua forma, é chamado bacilo vírgula. Descoberto por Kock em 1883. A cólera começa com náuseas, insônia e arrepios, seguidos de uma diarréia violenta e repetida, acompanhada de vômitos e de vertigens. Alguns dias depois o doente queixa-se de zunidos nos ouvidos, palpitações no coração, peso no estômago, expressão de angústia e palidez na face. Os intestinos apresentam-se vazios, sem dor, com descargas semelhantes à água de arroz. A dor no estômago e sobre o coração é muitas vezes insuportável, cãibras nas barrigas das pernas e nos braços. A sede é contínua e violenta. O doente cai em algidez. Muitas vezes as urinas são suprimidas. O doente cai numa sonolência, depois em estado comatoso e morre ou pode repentinamente melhorar e então ir para a convalescença ou cair no coma fatal em poucos dias. (Baseado na Enciclopédia Didática de Informações e Pesquisa Educacional, vol. 3, 1987. p. 951). José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 26 de meia legua. A 20 de maio, o fogo inimigo durou desde a manhã até as quatro horas da tarde, respondidos rigorosamente pelos nossos que então luctavam com a cholera, com a fome e com o excesso de cansaço proveniente do serviço de guerra aggravado pela necessidade em carregarem os seus companheiros, visto como a boiada dos carros que se ia carneando, obrigava a queimar aquelle meio de conducção. N’essas penosas contigencias marchou a força debaixo de chuvas repetidas durante os dias 21, 22, 23, 24 e 25 de maio, em que chegou ao corrego Prata, a 3 ½ leguas do Jardim8. Então, o numero de enfermos era tal que litteralmente metade da força era empregada em carregal-os, pois que cada piola occupava oito homens em sua conducção. O descontentamento e a fadiga da soldadesca eram evidentes. Os sãos depois de poucas marchas cahiam exhaustos pelo cansaço aos golpes da molestia; o estado geral, reclamava uma prompta solução. O Coronel Camisão tomou então uma medida de que dependia a salvação do resto da força, medida cuja execução foi horrorosa e custou-nos momentos angustiosos e crueis. A 26 de maio ficaram abandonados 76 moribundos, os quaes apenas moveu-se a força, foram degollados pelos paraguayos que seguiam-nos sempre em certa distancia. Scena medonha que fica indelevemente marcada no espirito d’aquelles que ouviram os gritos dos miseros cholericos! Quadro horroroso, que a sorte adversa nos proporcionou na mais extraordinaria collisão”! 5 A Morte do Guia Lopes José Francisco Lopes morrera em campos da sua fazenda, Fazenda Jardim, sem que chegasse ao local pretendido, a sede da fazenda e Nioaque. “N’esse dia caminhou a força de um só folego 3½ leguas, levando ainda muitos enfermos nos armões e carros de artilharia. Sobre elles iam deitados o Commandante das Forças e seu immediato, atacados pela cholera morbus, indo a falecer ambos no mesmo dia, no acampamento, junto a margem esquerda do rio Miranda. Na vespera6 tambem havia perecido do mesmo mal o pratico José Francisco Lopes e seu filho, os unicos que poderiam levar as forças ao ponto em que encontrava-se estrada batida. A divina providencia permittiu que aquella coincidencia fatal se d’esse no mesmo dia em que muitos dos nossos soldados de cavallaria pisaram terrenos que lhes eram conhecidos. No dia 29 de maio assumi, pois, o commando interino das forças, havendo previamente reunido os diversos commandantes dos corpos, os quaes, concordaram em dar-me aquelle logar 8 6 Estas terras pertencem ao atual Município de Jardim. Dia 27 de maio de 1867. José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 27 que me tocava por direito de antiguidade, havendo então dado parte de doente o TenenteCoronel de Comissão Antônio Enéas Gustavo Galvão, por ser no exército de patente inferior a minha”. Do livro “A Retirada da Laguna” de Visconde de Taunay, extraímos algumas referências sobre os últimos momentos de José Francisco Lopes: O filho de Lopes, até então transportado num reparo de peça e escoltado por antigos companheiros de cativeiro no Paraguai, foi enterrado à margem direita7. O pai que, enquanto se abria a sepultura, se mantivera a alguma distância, disse-lhe, ao lhe contarem que o solo estava úmido e até encharcado: “Agora que importa? Entreguem a terra o que lhe pertence!” Voltava pouco depois colocar-se nos ao lado, pálido e como exausto do cansaço, dominando-se, contudo. Sob os nossos olhos se dilatavam a sua imensa propriedade8; assinalounos diversos pontos, por ele consagrados pelas recordações da vida plácida que ali fora sua. Naquele ponto, ao longe iam as suas vacas beber a água em um solo nitroso. Em outro encontrava o seu gado, do qual parte era meio alçado, pastagens das melhores que o detinham ou logo fazia voltar. Outros lugares despertavam-lhe imagens de cenas patriarcais; dominava-o febril expansão que não conseguia reprimir. Deitado de costas na macega, com o chapéu no rosto, desde que se levantou e descobriu, para nos falar, vimo-lo irrediavelmente perdido; os estigmas da cólera sobre ele se haviam impresso. Conservava, no entanto, uma calma que a situação tornava admirável. “Vou morrer, também pronunciou; era fatal. Salvei a Expedição. O Sr. que o sabe, há de dizer”. Ao recomeçarmos a marcha, nem sequer experimentou montar a cavalo, carregaram-no para um armão, onde o puseram ao lado do tenente Sílvio, já agonizante; dois cadáveres, um perto do outro. Era-lhe a impossibilidade completa; mão cruzadas sobre o peito com o chapéu desabado sobre os olhos, procurava subtrair-se aos raios do sol deslumbrante que a esta triste cena iluminava. Queixando-se à Juvêncio de tão ofuscante claridade, corremos em busca de um guardasol que vimos aberto. Determinou-se o ponto do pouso: No meio da Mangueira de Lopes9. Estava a findar o desempenho completo da missão do velho Guia e este dever parecia ser o último liame que a vida o prendia. Dissera-nos algumas horas antes: “Reparem neste campo verde-escuro; é o meu retiro. Não chegarei até lá. Os Senhores é que breve estarão em Nioac”. Enfraquecido, arcado, caminhava cabisbaixo sobre o arpão da sela. Escaparam-lhe de repente os estribos e rolou ao chão, assaltado pela cólera. Colocado sobre um reparo, reanimouse um pouco e ainda assim dirigiu a marcha. Como o genro, Gabriel, quisesse atalhar por um 7 Atual Fazenda Jatobá – Rodovia Jardim à Porto Murtinho. Segundo a Escritura de Terra, do ano de 1905, consta a área com uma metragem de mais de 42.000 hectares. Guia Lopes da Laguna, Nossa Terra, Nossa Gente, Nossa História – José Vicente Dalmolin. 9 Sede da outra parte da Fazenda, mais tarde foi escriturada pelo nome de Fazenda do Prata. 8 José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 28 capão, recomendou com voz sumida: “contornem o mato, que é muito sujo.” Ao cair da noite, estávamos à vista da colina, ao pé da qual se acha o retiro, o antigo local do rodeio do gado da estância, que Lopes de longe nos mostrara. Declinava o sol, no seu disco, grandes raios alaranjados se desferiam, na fímbria do horizonte, realçando a mais admirável perspectiva, tão bela. Que a memória no-la reproduz ainda agora. Foram o coronel Camisão, o tenente-coronel Juvêncio e o Guia Lopes instalados num galpão arruinado, perto do qual acendemos grande fogueira para ver se os aquecíamos. Alguns limões e laranjas que lhe foram dados acalmaram-lhes um pouco a sede. 10 Já sem voz, era o coronel Camisão carregado sobre um reparo de peça, Lopes sobre o outro e o tenente-coronel Juvêncio, assim como vários outros oficiais e inferiores, em redes. Durante a última parada, três haviam morrido. A meia légua do retiro, atingimos afinal a margem do Miranda, demasiado abatidos e acabrunhados, porém para podermos experimentar a alegria com que contáramos. Via-se à margem oposta, a casa do Guia, o teto hospitaleiro, onde o viandante sempre encontrara boa acolhida e a abundância de tudo, no momento de ali chegar, expirou o nobre velho, insensível à vista daquilo que tanto amara. Foi enterrado no meio do nosso acampamento, em terra que era sua. Os amigos lhe puseram sobre a sepultura tosca cruz de madeira. 6 O acampamento a Margem Esquerda do Rio Miranda e as mortes de Camisão e Juvêncio De acordo com as narrativas já apresentadas os Comandantes Camisão e Juvêncio já se encontravam contaminados pela cólera e que as suas mortes foi uma consequência desta epidemia. Nas imediações onde hoje localiza-se o CHRL as tropas ficaram estacionadas entre os dias 28 de maio até 1º de junho de 1867, quando se conseguiu fazer toda a passagem das tropas e os equipamentos de Guerra para a margem direita do rio Miranda, ocupando a sede, agora tapera, da Fazenda Jardim; só então, o novo comandante deu ordens de marcha em direção a Nioaque. Os últimos instantes podem ser conhecidos nas narrativas de Taunay11, em A Retirada da Laguna: “Desde 13 de maio, haviam sido as chuvaradas que o Miranda intumescera de modo assustador, bramindo e espumando sobre as raízes desnudadas das árvores da barranca, não dando esperanças de permitir vau antes de alguns dias. No entanto, era para a Coluna o único meio de o transpor...” 10 11 Na Fazenda do Prata, do Guia Lopes, hoje município de Jardim. Op. Cit. José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 29 “Longe de amortecer, redobrara a cólera de violência. Crescia o numero de enfermos e receávamos que, quando o rio baixasse, a ponto de nos dar vau, não tivéssemos remédio senão abandonar segundo grupo de moribundos, a mercê do inimigo inexorável e só esta idéia nos causava a angústia de um pesadelo.” 6.1 As despedidas do Comandante “A 29 de maio tornou-se evidente que o coronel morreria. Por vezes, vencera o sofrimento aquela dignidade que tanto zelara: „Dizem que a água mata, exclamava, dêem-ma; quero morrer!‟ Caiu num estado de torpor e sonolência e o corpo cobriu-se-lhe de manchas violáceas. As sete e meia fez supremo esforço; levantou-se do couro que estava deitado, apoiouse sobre o capitão Lago e perguntou-lhe onde estava a Coluna, repetindo ainda que a salvara. Depois voltando os olhos, já vidrados, para o seu ordenança, exclamou em tom de comando: „Salvador! Dê-me a espada e o revolver‟. Procurou afivelar o talim e exatamente nesta ocasião deixou-se rolar no chão murmurando: „Façam seguir as Forças, que vou descansar‟. E assim expirou.” 6.2 As despedidas do Sub-comandante “Alguns passos dali, numa barraca a todos os ventos aberta, achava-se o tenente-coronel Juvêncio. Recobrara um fio de voz e livrara-se da horrível tortura das câimbras, queixando-se todavia, de forte dor no fígado. O tenente Cantão, a quem do melhor modo auxiliávamos, fazialhes continuamente aplicações novas, que contudo, não o aliviavam. Tinha constantemente os nossos nomes nos lábios para ambos recomendar a família. Ao meio dia, acalmou-se, caiu numa letargia entrecortada de sobressaltos, e as três horas expirou depois de nos entregar, para a mulher e seus filhos, uma bolsinha de couro contendo algumas economias de campanha. 6.3 O sepultamento dos Comandantes Numa cova aberta, sob grande árvore, no meio da mata, enterrou-se o Coronel com o seu uniforme e insígnias. Em outra cova, imediata, e à direita, foi o corpo do Tenente-Coronel Juvêncio colocado pelos seus companheiros e alguns oficiais do Corpo de Artilharia. Jamais se nos varrerá da memória esta lúgubre cerimônia a que a escuridão da noite e da mata ainda mais soturna tornavam. Eram quase sete horas quando de lá voltávamos12. Descansam os nossos infelizes chefes à esquerda do Miranda, a alguma distância da entrada do bosque e em altura correspondente, a estância do Jardim, à margem direita. “Se lhes não profanarem os túmulos é de esperar que um dia ou outro alguma cruz de material duradouro, com uma inscrição, aponte à memória dos brasileiros o lugar que recebeu os despojos destas nobres vítimas do dever.” Para o leitor conhecer o restante dos fatos Históricos da Retirada da Laguna que se estende da sede da Fazenda Jardim à Nioaque e de Nioaque até o Acampamento junto à margem 12 Grifos nossos, queremos chamar a atenção, quanto ao local do acampamento José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 30 esquerda do Rio Aquidauana, 16 de junho de 1867, onde se encerra propriamente a Retirada e o afastamento definitivo da contra-ofensiva Paraguaia sugerimos que faça a leitura das Obras de Alfredo D‟Escragnolle Taunay, pois para este trabalho visamos caracterizar apenas o contexto que deu origem ao Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna, nosso objeto de Pesquisa. José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 31 UNIDADE III AS ORIGENS DA DENOMINAÇÃO DE CEMITÉRIO DOS HERÓIS Não temos como precisar datas quanto às origens das denominações que foram atribuídas ao local que hoje leva o nome de “Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna”, mas é possível rememorar algumas passagens que indicam algumas orientações. Nas orientações 1 de 1873 trata o local pelo nome de sepultura dos comandantes militares, segundo João José de Oliveira Junqueira. “Convido assinalar de um modo perdurável o lugar em que se acham sepultados o Coronel Carlos de Moraes Camisão e o Tenente-Coronel Juvêncio Manoel Cabral de Menezes, comandante e imediato das forças em operações ao sul da província de Mato Grosso...” Também em transcrição do General Malan, era objetivo do Governo Imperial transformar o local das sepulturas em um Monumento em homenagens aos mortos. Em 1905 pela construção da linha telegráfica pela comissão do Marechal Cândido Floriano Rondon, trata o local pela descrição de sepulturas do Coronel Camisão, Juvêncio e do Guia. O Dr. Armando Arruda2, 1925, trata pelo título de Os túmulos de Camisão, Juvêncio e Guia Lopes. O General Malan3 descreveu o local pelos títulos de A Sepultura do Guia Lopes, Os túmulos de Camisão e Juvêncio. O Tenente Luiz Moreira em seu relatório ao General Malan, após os reparos efetuados em 1927, trata o local pela denominação de Cemitério e Campo Santo: “O pequeno campo santo tem a fórma quadrada, de 14 metros de lado”. “Foi o cemitério completamente limpo, respeitadas as arvores...” Até o início do século XX o local era conhecido popularmente pela denominação de Catacumba de Camisão, informações recolhidas pelo General Malan 4 entre os herdeiros da Fazenda Jardim que fora pertencente ao Guia Lopes: José Francisco Lopes, Bernardino Francisco Lopes e Fábio Martins. A partir da década de 1940, após a fundação das cidades de Guia Lopes da Laguna, Jardim e a presença da instituição Militar da antiga CER/3, o local passou a ser visitado e cultuado como monumento cívico e histórico, adquirindo a denominação que configura atualmente por CEMITÉRIO DOS HERÓIS DA RETIRADA DA LAGUNA. 1 Estevão de Mendonça - Datas Matogrossenses - I Volume 2ª Edição 1973 P. 259 Armando de Arruda Pereira, Heróis Abandonados (Peregrinação aos lugares Históricos do Sul de Mato Grosso 1925 p. 43-44. 3 General Alfredo Malan D’Angrogne – Heroes Esquecidos, 1926, p.376. 4 Malan, Op. Cit p. 385. 2 José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 32 CEMITÉRIO, por identificar-se como local que abrigou por mais de setenta anos os restos mortais de diversas pessoas residentes nas cercanias, crianças, jovens, adultos, proprietários e peões. HERÓIS DA RETIRADA DA LAGUNA, esta denominação passou a configurar pela tradição popular e principalmente pelos atos de culto cívico que passou a ser efetuada por grupos militares, que em reverencia à memória dos ex-combatentes e comandantes da Expedição pelo Sul da Província de Mato Grosso entre os anos de 1866 e 1867, por ocasião da invasão e ocupação destas terras por tropas militares do Marechal Francisco Solano Lopez, presidente do Paraguai, mais conhecido pelo nome de Guerra do Paraguai. Heróis da Retirada da Laguna – apesar de o local ter abrigado os restos mortais de cerca de uma meia centena 5 de indivíduos, entretanto, os seus nomes ficaram no anonimato. Os únicos nomes preservados pela História Oficial são as memórias do Coronel Carlos de Morais Camisão, Tenente-Coronel Manoel Juvêncio de Menezes e de José Francisco Lopes, o Guia Prático, morador, conhecedor, desbravador e bandeirante desta região Oeste do Brasil e do atual Estado de Mato Grosso do Sul, juntamente com seus irmãos, Gabriel Francisco Lopes e Joaquim Francisco Lopes. Quanto ao túmulo de João Francisco Lopes ou simplesmente João Lopes, faremos um adendo a História para justificar a sua presença neste campo santo, na linhagem dos imortais do mundo. João Lopes fora o filho mais velho do casamento do Guia Lopes e dona Senhorinha Barbosa Lopes, embora não tenha participado da expedição da Coluna comandada pelo Coronel Camisão juntamente com seu Pai, mas nem por isso deixou de sofrer os efeitos da Guerra. Em janeiro de 1865 quando as tropas paraguaias ocupavam a Colônia Militar de Miranda e Nioaque, também ocupam as sedes das fazendas e tinham ordens expressas de seus comandantes, tratarem com benevolência os brasileiros que cooperassem com seus planos de invasão e tratar como prisioneiros de guerra os que não demonstrassem esta cooperação. Foi assim, que nesta ocasião da ocupação da sede da fazenda Jardim6 José Francisco Lopes, o Guia Lopes, se encontrava na Vila de Miranda negociando uma tropa de gado, não podendo mais retornar a fazenda, sendo obrigado a refugiar-se em Paranaíba, ocasião que incorporou junto às tropas brasileiras vindas do Sudeste Brasileiro. Enquanto isso, na Fazenda Jardim do Guia Lopes, a sua família, esposa, filhos, genro, nora e netos, não se rendendo aos propósitos dos invasores paraguaios, foram declarados prisioneiros e levados para a Vila de Orqueta, no Paraguai, sofrendo todos os tipos de privações e humilhações próprias dos prisioneiros de guerra. João Lopes, ao lado da mãe, da Senhorinha Maria da Conceição e demais entes queridos, também sofreu todos os tipos de males da Guerra. A liberdade somente fora conquistada após 1º de março de 1870, quando as tropas do General Câmara libertam diversas famílias, entre elas a do Guia Lopes. No retorno à antiga fazenda, nada mais tinham, tudo se perdera, o pai, irmãos, bens, documentos... Foi um recomeço doloroso, pois 5 Dados não oficial. Hoje está localizada à margem da Rodovia que liga as cidades de Guia Lopes da Laguna a Bonito, BR MS 383 – Km 2 – de propriedade do Senhor Joelcio Padilha e família (2008). 6 José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 33 nesta época não havia indenizações a estes primeiros brasileiros povoadores do Oeste do Brasil e Sudoeste Sul mato-grossense. Pelos padecimentos de Guerra e pela memória do Pai, consideramos justo que o primogênito de Lopes, João Francisco Lopes, seja respeitado nos panteões dos Heróis, assim como tantos outros, cujos nomes ficaram no anonimato da nossa História. Em documentos oficiais e artigos esporádicos encontramos ainda as denominações de “Sítio Histórico dos Heróis da Retirada da Laguna” e “Cemitério Militar dos Heróis da Retirada da Laguna”. No nosso parecer, a última denominação não se justifica ser Cemitério Militar, em razão de que não há oficialmente corpos de militares sepultados, os restos mortais dos comandantes Camisão e Juvêncio não mais se encontram no local e além do mais, neste local foram sepultados muito mais corpos de civis do que de militares. Quanto à denominação Sítio Histórico, parece ser a terminologia mais adequada, pois neste local além das vítimas que ali foram sepultados, Lopes, Juvêncio, Camisão, sabe-se que houve outras vítimas, mulheres e mesmo militares que morreram afogados na tentativa de atravessarem o rio Miranda que se encontrava cheio. O próprio Taunay, em “A Retirada da Laguna”, capítulo XVIII, registra essas mortes: “Após a passagem do corpo de caçadores, cada vez mais considerável se tornara o ajuntamento à beira-rio. Todos os movimentos daquele batalhão, na outra margem, acompanhados pelas nossas vistas alongadas, nós os comentávamos. De tempos a tempos precipitava-se alguém a nado ou arriscava passar em pelota para procurar reunir-se aos camaradas, apesar das ordens em contrário. A morte de vários soldados, afogados, mostrara a urgência de se manter, mais rigorosa ainda, a proibição. Não houve, entretanto, ameaças nem objeções capazes de dissuadir um capitão do 20º que, todo vestido, entrou numa pelota, conduzida por dois nadadores. Queria poder com eles contar, mas, no meio do rio, como as forças lhes faltassem, entregaram-no à correnteza. Vimo-lo envidar longos esforços para se manter à tona e depois submergir-se, pouco a pouco a desaparecer, com gritos de desespero a que, à míngua de socorro, respondiam os da multidão reunida no lugar de onde partira”. Outra razão muito forte para que seja denominado de Sítio Historio da Retirada da Laguna, foi neste local que as tropas brasileiras, na excursão da Retirada da Laguna permaneceram acampadas por diversos dias 28, 29, 30, 31 de maio e 1º de junho de 1867. Foi também neste local que se processou a troca de comando das Tropas após o falecimento de Camisão e Juvêncio para o Major José Tomaz Gonçalves. Também foi este local utilizado por muitos anos para sepultamento de pessoas residentes na região antes da fundação das cidades de Guia Lopes da Laguna e Jardim. Assim, embora adotamos a termologia oficial de Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna, entretanto a denominação mais correta deveria ser Sítio Histórico da Retirada da Laguna. José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 34 UNIDADE IV RESGATE E RECONHECIMENTO DOS FALECIDOS – 1874 – PELO GOVERNO IMPERIAL - ORIGEM DA LÁPIDE COMEMORATIVA 1. As origens - A organização do Cemitério As preocupações com a memória dos comandantes militares Coronel Camisão e TenenteCoronel Juvêncio, assim como os restos mortais do Guia Lopes sempre foi interesse de autoridades militares, desde os tempos do Império de D. Pedro II. O conflito que envolveu o Brasil e o Paraguai concluiu oficialmente em 1º de março de 1870. Decorridos quatro anos, 1874, registramos a primeira preocupação com o Local onde encontravam-se os restos mortais dos Comandantes e o translado dos restos mortais do Guia Lopes para junto aos dois Comandantes. O historiador mato-grossense, Estevão de Mendonça1 apresenta as seguintes referências quanto a esta empreitada cívica e histórica: “Em 29 de maio de 1867, sucumbe, à margem esquerda do rio Miranda, vitimado pelo cólera, o Coronel Carlos Moraes Camisão e o Tenente-Coronel Juvêncio Manoel Cabral de Menezes, comandante e imediato da expedição militar que operou no sul desta então província e norte do Paraguai, produzindo a prodigiosa epopéia de heroísmo, sacrifícios e abnegações que a história pátria registra e a tradição popular consagra nas memoráveis palavras – Retirada da Laguna. A fim de assinalar o jazido desses dois heróis, o ministro da Guerra expediu ao Coronel Rufino Enéas Gustavo Galvão2 – depois Barão e Visconde de Maracaju – o seguinte aviso: “Gabinete do Ministro Rio de Janeiro, 30 de Junho de 1873 Convido assinalar de um modo perdurável o lugar em que se acham sepultados o Coronel Carlos de Moraes Camisão e o Tenente-Coronel Juvêncio Manoel Cabral de Menezes, 1 Estevão de Mendonça - Datas Matogrossenses - I Volume, 2ª Edição, 1973 p. 259. Segundo Demosthenes Martins - Rufino Enéas Gustavo Galvão - História de Mato Grosso “Acumulando o cargo de Comandante das Armas, foi nomeado a 9 de outubro de 1879, por Carta Imperial, que se empossou no dia 5 de dezembro de 1879. Oficial de engenheiros, coube-lhe a comissão de fixar os limites do Brasil com o Paraguai, traçando a linha divisória que se situa no território mato-grossense. Desempenhou-se dessa importante tarefa com presteza e rigor técnico, o que lhe valeu a adjudicação do título de Barão de Maracaju, posteriormente elevado ao de Visconde. No seu governo, em consequência da descoberta feita durante a locação da linha divisória, iniciou-se a exploração da erva-mate nativa na região, que logo se eregiu um poderoso esteio da economia mato-grossense, mantendo-se por dezenas de anos, como um dos elementos de grande vitalidade comercial.” P.66 2 José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 35 comandante e imediato das forças em operações ao sul da província de Mato Grosso, os quais, nos meses de abril e maio de 1867, executaram a gloriosa Retirada da Laguna, e achando-se V. S. com uma comissão de engenharia próximo àquele lugar, deve V. S. encarregar um dos seus ajudantes a fim de que vá levantar um singelo monumento de terra ou pedra, que indique, porém, a hierarquia dos oficiais que ali descansam. Segundo se lê na História daquela retirada, fica essa sepultura à entrada da mata da margem do rio Miranda, na estrada que vai do Retiro do fazendeiro brasileiro Lopes à estância do Jardim; em todo o caso, o Capitão Cesário de Almeida Nobre de Gusmão, como um dos ajudantes da comissão que presentemente V. S. dirige, conhece bem as localidades e poderá com vantagem se incumbir deste cargo, que tem em sua realização grande alcance moral. Fora, talvez conveniente, levar uma das pedras lavradas. Servem para a demarcação e mandar lavrar uma e transportá-la para àquele ponto, que distará, quando muito, 11 léguas ao norte de Bela Vista, para assentá-la no túmulo que cobrir os restos dos referidos oficiais, que foram enterrados um ao lado do outro. Convém também que seja levantado o traço topográfico do caminho que seguiram aquelas forças em retirada, e tomadas todas as indicações que possam ilustrar as peripécias daquele fato de guerra, que tem um lugar de honra nos anais de nossa história militar. Deus guarde a V. S. João José de Oliveira Junqueira”. Dando inteiro cumprimento a essa recomendação, o chefe da comissão demarcadora de limites entre o Brasil e a República do Paraguai, fez colocar sobre as sepulturas daqueles oficiais uma lápide comemorativa, abrangendo também a sepultura de José Francisco Lopes, o abnegado Guia da Expedição. 2. Os cuidados do Marechal Cândido Mariano da Silva Rondon Mais tarde, em 1905, passando por aquele local, a comissão construtora da linha telegráfica chefiada por Cândido Mariano da Silva Rondon, fez este devotado Mato-grossense construir uma grade de ferro em torno das três sepulturas. Em 1925 quando o Jornalista Armando de Arruda Pereira3, passando pelo Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna”, expressa: “A um lado, há uma sepultura baixa, uma simples caixa rectangular, de ardósia cinzenta, esburacada nos cantos, com uma placa de mármore medindo 98 por 129 centímetros. Vê-se uma cruz gravada na pedra e lê-se o seguinte: 3 Armando de Arruda Pereira, Heróes Abandonados (Peregrinação aos lugares Históricos do Sul de Mato Grosso), 1925, p. 43-44 José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 36 A’ MEMORIA “Dos Beneméritos Cel. Carlos de Moraes Camisão e Tte. Cel. Juvencio M.Cabral de Menezes Comte. e Imto das forças em operação ao sul desta Provincia. Fallecidos na memoravell retirada das mesmas forças em 29 de maio de 1867. O Governo Imperial mandou erigir este Monumento em 1874”. Na opinião ainda do Dr. Armando sobre a pedra de mármore com as inscrições comenta: “Pelo que se deprehende, aquella pedra marmore deveria ser a placa de um monumento, mas ninguem poderá crer, um só segundo, seja aquella réles sepultura abandonada o monumento que um governo tenha mandado erigir para abrigar os restos sagrados que alli jazem”. 3. Reconhecimento dos Túmulos e Sepulturas Na expedição comandada pelo General Malan em 1926, demonstra as dificuldades de identificação dos túmulos em virtude do abandono e do matagal que apossou-se de todos os espaços vazios. Dois túmulos principais foram identificados, os do Coronel Camisão e Juvêncio eregidos em 1874, o de João Lopes, em 1915 e a sepultura do Guia, que havia sido efetuada em 1874, com os traslados dos restos mortais. Túmulo onde se encontram os restos mortais do coronel Camisão e TC Juvêncio, cuja lápide contém a seguinte inscrição: A’ MEMORIA Dos Beneméritos Cel. Carlos de Moraes Camisão e Tte. Cel. Juvencio M.Cabral de Menezes Comte. e Imto das forças em operação ao sul desta Provincia. Fallecidos na memoravell retirada das mesmas forças em 29 de maio de 1867. O Governo Imperial mandou erigir este Monumento em 1874. (Arquivo dos Autores) Algumas descrições apresentadas por Malan: José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 37 “Após confrontar documentos e comparar depoimentos, tenho para mim que, realmente o Visconde de Maracaju, mandou rematar o tumulo denominado generosamente Monumento 4, tendo como é provável, trazido do Rio, da Corte, a lápide e demais pedras de mármore; construiu a sepultura simples destinada ao Guia, cujos restos aproximou de seus irmãos de glória”. Malan comenta ainda a existência de um terceiro jazido aberto: o primeiro onde reunia os restos mortais de Camisão e Juvêncio, o segundo, o do Guia e o terceiro “aberto em meio do cemitério, devia ter sido modesta fossa em que foi reunida a ossamenta encontrada”. Modernamente, com a revitalização do Cemitério, hoje o local está disposto com diversas cruzes, delineando como campo santo e respeito por parte dos visitantes. Segundo os depoimentos de Clemente Barbosa, José Francisco Lopes (filho do Guia) e Fábio Martins, declararam que antes de ser construído o túmulo de João Lopes, não havia nenhum túmulo, entre os túmulos de Camisão-Juvêncio e Guia Lopes, razões pelas quais o filho do Guia fora sepultado ao lado do Pai5 e dos Comandantes Na descrição do general Malan6 sobre a origem e finalidade da lápide, “revela haver sido destinada, primitivamente, a um monumento que a carência de tempo, de operários, de recursos não consentiu talvez erguer. Ainda segundo Malan, “Sabe-se que em 1874, a commissão de limites, chefiada pelo coronel Rufino Galvão, depois Visconde de Maracaju, cumpriu o piedoso encargo de reconhecer os restos do commandante e immediato da columna, levantando o singelo tumulo. Nessa occasião transladou para o cemitério os ossos do Guia Lopes. Trinta annos mais tarde, quando a Commissão de Linha telegraphica religou Porto Murtinho a Aquidauana, o Major Rondon determinou como ponto obrigatório de passagem a Fazenda do Jardim. E o então Capitão Marciano Ávila, acampando na costa do Miranda, mandou limpar e cercar novamente o cemitério, construindo o aramado de protecção”. As informações do General Malan subentende-se que José Francisco Lopes, o Guia Lopes, foi sepultado em local distante do local do atual cemitério. Parte dada pelo Comandante Interino das Forças em Operação no Sul de Matogrosso, que invadiram o território Paraguaçu, Major José Thomaz Gonçalves, ao Presidente da Província de Mato Grosso, Dr. José Vieira Couto Magalhães, em ofício de 16 de junho de 1867: “N’esse dia caminhou a força de um só folego 3 ½ leguas, levando ainda muitos enfermos nos armões e carros de artilharia. Sobre elles iam deitados o Commandante das 4 Grifo nossos, pois identificamos que a idéia inicial que vinha dos ministros do Governo Imperial do Rio de Janeiro era tornar o local como um Monumento Histórico em homenagem aos ex-combatentes, e que a lápide fora esculpida na Capital do Império, Rio de Janeiro. 5 Sepultado em 1905 (inscrição 105) e a confecção do túmulo em 1915. 6 General Alfredo Malan D’Angrogne – Heroes Esquecidos, 1926, p.376. José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 38 Forças e seu immediato, atacados pela cholera morbus, indo a falecer ambos no mesmo dia 7, no acampamento, junto a margem esquerda do rio Miranda. Na vespera8, tambem havia perecido do mesmo mal o pratico José Francisco Lopes e seu filho, os unicos que poderiam levar as forças ao ponto em que encontrava-se estrada batida”. Possivelmente, foi em 1874 o translado dos restos mortais de José Francisco Lopes, o Guia Lopes, para o local do “CHRL” ao lado de Camisão e Juvêncio. Os dois comandantes faleceram no local atual como atesta o comandante das Tropas “indo a falecer ambos no mesmo dia9, no acampamento, junto à margem esquerda do rio Miranda”. 4. A Revitalização pelo 6º Batalhão de Engenharia a Cavalo de Aquidauana Depois da passagem da Comissão do General Malan pelo local onde se encontravam os restos mortais de Camisão, Juvêncio e Lopes, determina uma missão ao 6º Batalhão de Engenharia a Cavalo, sediado na cidade de Aquidauana, pois assim, descreve em seu relatório10: “O 6º Batalhão de Engenharia dispunha de alguns artíficies, podia executar mais rapidamente o trabalho e contava em seu effectivo o official commissionado sobre quem fixara a escolha, como capaz de levar a bom termo o serviço de que pretendia incumbil-o”. Entre outras instruções dadas ao oficial militar, tenente Luiz Moreira, encarregado de executar a missão, está na ordem: Transportar com praças montadas a cavalo o material em cargueiros ou carretas via a cidade de Nioaque até o local onde se encontravam as catacumbas dos Oficiais Camisão e Juvêncio. Nesta época, 1926, as cidades de Guia Lopes da Laguna, e Jardim ainda não existiam: Campo Grande – Aquidauana – Nioaque – Bela Vista – Porto Murtinho; Consertar o aramado, ou seja, a cerca de arame farpado que dava proteção aos locais sagrados, protegendo da invasão de gados bovinos; Rejuntar a cal e cimento o túmulo do chefe das forças; Reconhecer e identificar a sepultura do Guia Lopes, José Francisco Lopes, levantar sobre esta um estrado de alvenaria e cravar uma cruz de aroeira, com singela inscrição; Indicou o nome do José Francisco Lopes (filho do Guia Lopes), residente em área da antiga Fazenda Jardim, para auxiliar na localização do jazido do pai; Pede ainda que se faça a identificação de quem é o grande túmulo com a inscrição “João Lopes”. 7 Dia 29 de maio de 1867. Dia 27 de maio de 1867. 9 Dia 29 de maio de 1867. 10 Malan, Op. Cit. P.379. 8 José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 39 4.1 A Execução da Missão de Revitalização A missão foi cumprida conforme relata Malan em relatório, pois o mesmo pedia que houvesse ata e testemunhos da documentação, encontramos a seguinte descrição11: “O official mostrou-se a altura da confiança com que o distingui. Partiu de Aquidauana a 8 de abril, com sete praças do 6º Batalhão de Engenharia a Cavallo, comboiando cargueiros. Atrasado pelas chuvas e enchentes, alcançou Nioac a 10. Prosseguindo em carretas, vadeando o Miranda, no passo, a jusante do cemitério, chegava a 13, ao escurecer, à fazenda da Cachoeirinha, propriedade de Fábio Martins, casado com uma neta do Guia. No dia immediato encetava trabalho. Eis a sua descripção summaria, que ainda resumo, arredondando numeros: O cemitério fica a uns 2600 metros a NO da fazenda Cachoeirinha, junto à linha telegraphica, de cujo poste n. 712 dista 260 metros. Ocupa pequena elevação que se transforma em ilha nas grandes enchentes do Miranda. O antigo passo do Jardim, por onde cruza a linha, tende a desaparecer, cavado mais e mais pelas águas. Fica o novo passo, para cavalleiro, dois kilometros mais ou menos a montante; o de carreta, cerca de tres a jusante. O Cemiterio dista 500 metros do rio, cuja largura orça entre 50 a 60 metros do rio, e profundidade 1,50 metros nessa occasião, O pequeno campo santo tem a fórma quadrada, de 14 metros de lado e é cercado por um aramado bem feito, mas damnificado pelo gado. Estava no mais completo abandono: o mattagal crescia mais de metro. Paus de grossura apreciavel enrolavam-se no aramado, forçando-o, arrancando-o. Grandes espinheiros e não menores cipoaes, tudo denotava esquecimento. Uma grande palmeira, das chamadas bacayuvas, ergue quase ao centro do cemitério as suas esguias folhas, parecendo querer nortear a quem procure aquelle recanto, como se temesse eterno olvido aos que repousam a seus pés... A lapide solta denegrida. O pedestal desmoronado, fendido. Pedras deslocadas pelas grossas raízes. O pedestal foi completamente restaurado a cal e cimento, a lousa rejuntada a cimento, com cuidado.” 4.1.1 A Revitalização da Sepultura do Guia Lopes e o encontro com o filho José Francisco Lopes Nas narrativas contidas no relatório do Tenente do 6º Batalhão de Engenharia a Cavalo de Aquidauana, Luiz Moreira, podemos ler um encontro emocionante com o filho do Guia Lopes, que também levava o mesmo nome do pai, o último dos filhos de José Francisco Lopes e 11 Malan, Op. Cit. P.380. José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 40 Senhorinha Maria Conceição Barbosa de Lopes e o trabalho de restauração do local onde haviam sido deixados os restos mortais após o translado da sepultura que se encontrava próximo a fazenda do Prata, atualmente Fazenda Jatobá12, na estrada Jardim a Porto Murtinho. Dando a conhecer estes relatos históricos: “Junto a tres pés de umbauva, no angulo posterior direito do cemitério, quase alinhado com as outras duas sepulturas, havia um monte de escombros, afogados sob o matto, invisível. Eram as ruinas do tumulo do Guia. Sem indicação certa, para descobril-o seria preciso adivinhar. Dispunha eu felizmente da pessôa do Senhor José Francisco Lopes Filho, filho do Guia, que foi indicar-me onde jaziam os restos do Grande Vaqueano. Na vespera tinha ido á sua casa, uma fracção da fazenda do Jardim, na margem direita do Miranda e a 4 kms., mais ou menos da fazenda do Cachoeirinha. Alli recebeu-me um velho alquebrado, pálido, calvo, de barbas brancas, pobremente vestido. Alegrou-se com a notícia do que ia alli fazer. Disse que a vinte annos não punha os pés no cemitério.Que desde o ano de 1905, quando foi pratico das construcções das linhas telegraphicas, jamais alli voltara. Deu-me varias indicações a respeito da localização do jazido de seu pae, da antiga cruz do cemitério, da mata cambarecê, onde os cholericos foram abandonados, informações estas que, reduzidas a termo, foram por elle assignadas e a firma reconhecida. Embora adoentado, poz-se a minha disposição para ir mostrar-me a sepultura do seu pae. Determinado o logar exacto, levantei um estrado de pedra, cal e cimento, cuja superfície superior termina em forma de pyramide. Ao lado esquerdo do túmulo, para poupar os três pés de umbauva, cujas raízes se estendem para o interior, foi deixada uma reentrância trapezoidal. Isso torna inconfundível o túmulo do Guia. Foi todo revestido de cimento, a fim de resistir a pressão dos troncos de umbauva, quando crescerem, o estrado foi todo construido de pedras”. 4.1.1.1 A Cruz da Sepultura do Guia Lopes A simbologia cívica e ao mesmo tempo o culto histórico foi a origem do material da cruz que fora posta na sepultura do Guia Lopes, o Tenente Moreira descreve esta busca entre os restos do madeirames da Fazenda Jardim, antiga morada de Lopes: 12 Fazenda Jatobá, de propriedade do Senhor Rufino. Nesta fazenda há uma sepultura com os restos mortais de um dos filhos do Guia Lopes que morreram durante a Guerra com o Paraguai. José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 41 O senhor que se encontra atrás da cruz é José Francisco Lopes, o penúltimo filho do Guia Lopes. (Arquivo dos Autores) “Sabendo da existencia de uma tapera, outrora Fazenda do Jardim, imaginei construir a cruz destinada ao jazido com madeira alli obtida. Pensei assim symbolizar o carinho e grande amor que o Guia voltava ao seu lar. Obtida autorização escripta do actual proprietário da tapera, Coronel Clemente Barbosa13, genro de José Lopes, retirei dois esteios pequenos de aroeira. A lembrança foi acolhida de regosijo por parte de todos os membros da familia. A Cruz mede 1,50 de altura e sobre o braço horizontal foi aberta a formão a seguinte inscripção: GUIA LOPES + 27-5-1867” Foi o cemiterio completamente limpo, respeitadas as arvores. A cerca foi concertada e reforçada, com quatro fios de arame farpado para protegel-o contra o gado.” 5. As escavações nas sepulturas em busca de “enterros” Ainda é muito comum a mentalidade entre alguns “lunáticos” do nosso tempo de realizarem escavações por locais onde caminharam as tropas no período da Guerra entre 1864 – 1867 ou por locais onde fora residência, sede de fazenda e mesmo cemitérios em busca de haveres que possam ter pertencidos ao falecido. Assim, na própria fazenda Jardim, (Guia Lopes da Laguna) há vestígios de diversas escavações. As sepultaras do Coronel Camisão e Juvêncio, também não foram poupados nesta época, início do século XX. Neste período de 1926, na revitalização do local, o próprio Tenente do 6º Batalhão de Engenharia, registra este fato 14 : “o tumulo de Camisão e Juvencio, arruinados. Marmores 13 Clemente Barbosa fora casado com a filha de José Francisco Lopes (Guia) e Senhorinha Barbosa Lopes, Izabel Poncina Lopes. 14 Malan, Op. Cit. P.381. José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 42 cahidos ou arrancados, effeito do tempo ou quem sabe se de mãos criminosas, pois segundo corre entre os moradores da região, ha ainda quem pense encontrar enterrados os haberes da columna Camisão que dizem escondidos em diversos logares. Assim, não raro, apparecem terras revolvidas de fresco, excavações em mattagaes, em sepulturas, casas velhas, etc.” 6. Mausoléu de João Francisco Lopes João Francisco Lopes ou simplesmente João Lopes, segundo consta na tradição oral era o filho mais velho do Guia Lopes, do seu casamento com Dona Senhorinha. Até hoje quando o visitante adentra o campo santo é o túmulo que se destaca pela sua imponência, pois o mesmo foi construído entre a Sepultura do Pai, o Guia e os com comandantes militares Coronel Camisão e Juvencio. (Arquivo dos Autores) Valendo das informações escritas deixadas pelo próprio tenente Luiz Moreira é possível o porquê desde Mausoléu: José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna JOÃO FRANCISCO LOPES “Entre os túmulos de Camisão e do Guia, ergue-se um grande mausoléu de pedra e cal que mede cerca de 2,50 de comprimento por 1,40 de largura e aproximadamente 1,10 de altura, um espaldar de 2,50, comporta uma inscrição mal feita relativa ao nascimento e morte de João Lopes, filho do Guia que fora assassinado em 1905. Este tumulo fora mandado construir por seu cunhado Clemente Barbosa no ano de 1915. Não é absolutamente o tumulo do Guia”. Todos estes esclarecimentos foram prestados por José Francisco Lopes, Fábio Martins e Clemente Barbosa. José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza 43 JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 44 UNIDADE V A UTILIZAÇÃO DO “CEMITÉRIO DOS HERÓIS DA RETIRADA DA LAGUNA” PELA COMUNIDADE 1. Nasce um Cemitério Quando o visitante adentra ao local onde repousam o memorial dos falecidos em maio de 1867, Coronel Camisão, Ten. Cel. Juvêncio e José Francisco Lopes (Guia Lopes) depara logo com diversas cruzes e outras sepulturas. Quem são estes outros cujos restos mortais também repousaram neste campo santo? Existem no cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna1 04 (quatro) túmulos e várias cruzes de madeira, simbolizando soldados e outras pessoas participantes ou não da retirada. O primeiro túmulo, à esquerda de quem adentra ao cemitério, é o do Guia Lopes, José Francisco Lopes. Ao lado direito daquele túmulo, ergue-se um túmulo imponente, onde encontra-se enterrado o Sr João José Lopes, filho do Guia Lopes. Imediatamente ao lado direito desse túmulo, sob uma lápide mandada colocar no ano de 1874, encontra-se o túmulo do Comandante da Expedição, Coronel Carlos de Morais Camisão e de seu Imediato, Tenente-Coronel Juvêncio Manoel Cabral de Menezes. Necessário que se faça uma retrospectiva no tempo para entender alguns fatos que desencadearam a utilização do Local do Cemitério para abrigar os restos mortais de outras pessoas, não os Heróis da Épica Retirada da Laguna. Primeiramente, desde 1874 o local fora assinalado como um campo santo por jazer restos mortais, dois ex-combatentes brasileiros da composição das tropas em retirada; Após a conclusão da Guerra e a demarcação dos limites de fronteira com o Paraguai, a região foi ocupada por diversos fazendeiros aumentando o numero de habitantes; Com a exploração da erva-mate nativa, nas regiões de Ponta-Porã a Vista Alegre; a exploração do tanino utilizado no curtume de couro na região de Porto Murtinho, o estabelecimento de um Núcleo populacional na Fronteira com o Paraguai originado a cidade de Bela Vista; 1 Vau no Rio Miranda, 1925 Dr. Armando Arruda Pereira Lembramos ao leitor que os restos mortais se encontram hoje no Monumento em Homenagem aos Heróis de Laguna e Dourados, memorial construído no Rio de Janeiro. No CHRL encontramos apenas os túmulos vazios. José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 45 Considerando também que a travessia do rio Miranda não era por ponte e que o vau ou passo de uma margem a outra era nas imediações do atual campo santo; Considerando que a fundação das cidades de Guia Lopes da Laguna e Jardim tem suas origens nos idos do ano de 1938; Considerando, que nesta época a região estava toda tomada por fazendas e que além dos familiares dos proprietários, sempre havia peões e outros transeuntes; Outro fato a considerar, nas leituras de "A Retirada da Laguna", de Taunay, ele descreve quando as tropas estavam estacionadas a margem esquerda do Miranda esperando as águas baixarem para poderem atravessar para a outra margem, ele fala de outros civis e militares que morreram neste local: “Neste mesmo dia2 28 morreram, algumas mulheres mais desvalidas ainda que os demais doentes, mais desprovidas de recursos e, por motivo de sua natural fraqueza, mais ferreteadas pelos estigmas da miséria absoluta.” Outro fato que também reforça a idéia se ser o local um campo santo, mais que um memorial histórico é a razão de que diversos combatentes pereceram com a vida tentando vencer as correntezas do rio Miranda, foram arrastados e morreram afogados. Ainda segundo Taunay 3 “De tempos a tempos, precipitavam-se alguém a nado ou arriscava passar em pelotas para procurar reunir-se aos camaradas, apesar das ordens em contrário. A morte de vários soldados, afogados, mostrara-se a urgência de se manter mais rigorosa ainda, a proibição.” “Depois dele vimos coléricos tentar vencer o passo e consegui-lo, não somente, como até ainda da prova se saírem alguns completamente curados. Alguns houve também que se afogarem; procuramos no começo, por meio de boas palavras, convencê-los a que esperassem, mas como tivessem presenciado o abandono dos enfermos, ainda tão recente, não lhes saíssem da mente a previsão de igual destino4.” Quando acabara a travessia do Miranda, relata Taunay “ Restavam-nos poucos doentes, havendo vários falecidos nos dias antecedentes, e entre eles o Alferez Muniz5” O Major Gonçalves 6 , relata a morte de outro oficial na transposição do Rio Miranda “D’esde então, tomei as mais enérgicas providencias sobre os meios de passagem do rio Miranda, que se achava muito cheio. Affogando-se por occasião da transposição duas praças e o Srn. Capitão Antônio Dionizio do Souto Gondim, arrebatados pela muita correnteza das águas.” 2 A Retirada da Laguna, Visconde da Taunay, Tecnoprint, p. 115. Dia 28 de maio de 1867. Op. Cit. P.114. 4 Op. Cit. P.122. 5 Op. Cit. P. 122. 6 “Parte dada pelo Commandante Interino das Forças em Operação no Sul de Matto-Grosso, que invadiaram o territorio paraguayo, Major José Thomaz Gonçalves, ao Presidente da Provincia de MattoGrosso, Dr. José Vieira Couto Magalhães, em officio de 16 de junho de 1867. 3 José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 46 Fatos estes descritos nos dão fortes argumentos até para que se reveja as concepções histórica de homenagem aos heróis da Laguna, seria justo continuar reverenciando somente Camisão, Juvêncio e o Guia? E os demais oficiais, praças, alferes e civis que passaram pelas mesmas privações e provações da Retirada e da Guerra, será que eles são menos heróis? Será que o local do Campo Santo não poderá reverenciar o culto cívico e até religioso aos outros que pereceram neste mesmo local? Acreditamos que é chegado o tempo de ampliarmos os horizontes na compreensão da História do próprio CHRL. Diante do exposto, quando falecia alguém nas fazendas, duas opções eram as possíveis: enterrar o defunto em um cemitério familiar da própria fazenda ou então conduzir o cadáver para o local onde haviam os ex-combatentes, nossos históricos heróis da Retirada da Laguna. Assim, com o passar dos anos, foi-se enchendo o local, sendo demarcados com simples cruz e que o tempo se encarregou de consumi-las, perpetuando para a história o anonimato dos que receberam como última morada nesta terra, o campo dos nossos heróicos combatentes. O General7 Malan, passando por este local no ano de 1926, escreveu o seguinte: “Inesquecivel a impressão ao deparar, á luz escasseante do crepusculo, com o aramado, já em ruínas, que cerca os tumulos. É neste recanto sombrio e deserto, de aspecto selvagem e quase hostil, que repousam, ha 59 annos, os restos de Camisão e de Juvencio. Descobrimo-nos, respeitosos. Á entrada numerosas cruzes de madeira, de agregados da fazenda, pobre e humildes mortos sem nomes. No fundo, á direita, sob um tristonho pé de bocayuva, um caixão de mármore, ennegrecido pelo tempo e ja se entreabrindo. Pelas exiguas dimensões, parece apenas encobrir corpos de crianças”. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna – 1926 (Foto cedida por Leonor Flores Barbosa) 7 General Alfredo Malan D’Angrogne – Heroes Esquecidos. Revista do Instituto, p. 376. José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 47 No relatório apresentado pelo Tenente do 6º Batalhão de Engenharia, Luiz Moreira8, comenta sobre as cruzes: “existem no Cemitério muitas outras sepulturas razas, de parentes e membros estranhos a família Lopes, algumas assignaladas, a maioria ignoradas”. Quanto ao Mausoléu de João Francisco Lopes, este é visivelmente identificável, pois preserva as inscrições. João Francisco Lopes era filho de José Francisco Lopes (Guia Lopes) e de Dona Senhorinha Maria da Conceição Barbosa de Lopes. Conforme a própria inscrição, João Lopes nasceu em 1856 e faleceu em 1905. De acordo com os levantamentos cronológicos foi o primogênito deste casamento. Sobre este mausoléu, escreveu o General Malan9 em sua visita em 1926: “Ao lado, a massa imponente de um mausoléo de alvenaria domina o pequeno esquife de mármore. Lidos os ingênuos dizeres que se referem a João Lopes, nascido em outubro de 1856 e morto em 21 de maio de 195 (o inculto pedreiro quis gravar 1905) percebemos tratar-se de um filho do celebre Guia. Devo dizer que trazia idea preconcebida de não encontrar ahi a sepultura do Vaqueano: enviei a tempo, a um amigo, no Rio a photografia de tres filhos de José Lopes, representados junto a um pequeno marco de mármore, que me pareceu modesta columna mortuaria. Talvez por ter mal entendido a informação de quem me offereceu esse grupo, interpretei haver sido mandado construir pela família, no Jardim, novo jazido para recolher os restos de seu grande chefe.” 2. O Encontro com Fábio Martins Barbosa e o descaso da sepultura do Guia Lopes Quando em 1926 o General Malan passou pelo local do CHRL o local do Cemitério estava dentro da propriedade do Fazendeiro Fábio Martins Barbosa, o mesmo que doará parte das terras em 1939 para complementar o perímetro urbano da cidade de Guia Lopes da Laguna e terras da mesma fazenda, que outrora pertencera a José Francisco Lopes, também foram ocupadas pelo perímetro urbano da então Vila de Jardim. Sobre o encontro da Comissão de Malan no CHRL, escreve sobre as condições que encontrou o Cemitério, tecendo sua crítica, aspecto possível ser observado na fotografia acima10: “A vegetação invasora cresce e recobre os tumulos abandonados: forceja em nivelar a gradação social que a humanidade pretende conservar na morte. Dos chefes nobres, heroes ou simplesmente abastados em vida, alvejam na escuridão as sepulturas de mármore ou de alvenaria. O resto, a miuçalha ignorada, repousa na terra humilde á qual reverte, sem inscrição nem epigraphe, sob pobres cruzes caídas ou já desaprumadas. 8 Op. Cit. Malan, p. 382. Op. Cit. p. 376. 10 Do Álbum Fotográfico da professora Leonor Barbosa Flores, bisneta do Guia Lopes. 9 José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 48 Ao transpor a baixada, no regresso, atolamos o auto no banhado. Aguardamos longas horas pela salvadora junta de bois que Marcos fora á pé solicitar na fazenda do cunhado Fábio Martins. Este chegou tarde, apesar de haver-se posto logo em nossa busca, com peões, chamando-nos com disparos na escuridão. Na rápida palestra, ao inquirir do tumulo do Guia, avó de sua mulher 11 , Fábio affirmou-me encontrar-se lá mesmo, em cova rasa, recoberta apenas de pedras, já desaparecida a cruz que assinalava. Propoz-se conduzir-me. Montei a cavallo e, pelas dez horas, entrei segunda vez no pequeno campo santo. Na fotografia no mesmo local onde fora a sepultura do Guia Lopes, a presença dos netos do Guia Lopes, Sr. Renato Francisco Lopes e Sra. Eremita Francisca Lopes, em 2002. A sepultura do Guia encontra-se á esquerda de quem olha para a de João Lopes, quasi aos pés deste mausoléo. Tres umbauvas 12 , irromperam ao lado esquerdo e sombream a cova ao rez do chão, ao de leve abahulada. Nenhuma epigraphe existe mais, nenhum preito consagra a immensa gratidão da Pátria ao Velho Campeiro que lhe salvou as bandeiras, os canhões e a vida de um milheiro de soldados. (Arquivo dos Autores) Nada que revele alli se acharem, sob alguns pedregulhos amontoados, os restos de quem personifica o nosso Vaqueano, o cortador de palmitos, o pioneiro da penetração do nosso Oéste. Deante da cova rasa e perante minha consciencia, tomei o compromisso de, tão logo pudesse, enviar uma faxina militar assegurar a provisória conservação do cemitério e identifica a sepultura desconhecida, mandar cravar uma cruz de aroeira com a summaria e expressiva legenda: “Guia Lopes”. Ainda sobre o encontro da Comissão com Fabio Martins, o mesmo comenta a hospitalidade do anfitrião: “não me estenderei sobre a acolhida franca e hospitaleira da familia do Fabio: os tenentes Parreira e Antero, recordam o gostoso sabor do guisado de carreteiro, devorado á meia-noite, o catira dançado por dois pretinhos, ao som de cujas melopéas adormecemos logo e profundamente, nas rêdes de algodão...” 11 12 Deolinda Barbosa Martins. Também conhecido como dedo de veado, folhas dorsi-branca e palmatripartida. José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 49 3. Informações no Relatório13 da Comissão de Estradas de Rodagem Nº 3 (CER/3) Com a finalidade de fornecer informações de caráter imediato ao Exmo Sr Gen Div Roberto França Domingues, Diretor da DOC e respectiva Comitiva, por ocasião da visita a CER/3, nos dias 11 a 14 de abril de 1983. No roteiro do programa, incluía a visita da comitiva ao Cemitério dos Heróis a Retirada da Laguna e para isso, foi dada as seguintes informações históricas: “O Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna situa-se à margem esquerda do Rio Miranda, numa área de um hectare, doada extra-oficialmente na década de 1930 pelo senhor Fábio Martins Barbosa. Fica distante do centro da cidade, 04 km. A 300 metros desse local, encontra-se o Passo do Lopes, onde atravessaram as tropas brasileiras, em retirada. Existe no Cemitério 04 túmulos e 40 cruzes que simbolizam os mortos naquele local, conforme se segue: Nº 1 – Representa o local de sepultamento de 14 soldados, na época da Retirada; Nº 2 – Representa o local de sepultamento de José Francisco Lopes, o Guia Lopes da Retirada da Laguna, filho de Antonio Francisco Lopes e de Teotonia Maria das Neves, nascido no dia 26 de fevereiro de 1811, na Vila de Pihumi, então Província de Minas Gerais; Nº 3 – Neste local fora sepultado o senhor João Lopes, filho do Guia Lopes; Nº 4 – Representa o local de sepultamento do Cel. Carlos de Moraes Camisão e do TC Juvêncio Manoel Cabral de Menezes; Os demais símbolos referem-se à pessoas da família do Guia Lopes, sepultado naquele cemitério, conforme dados colhidos em Jardim e na Cidade de Guia Lopes. Os restos mortais do Cel. Carlos Moraes Camisão, TC Juvêncio Cabral de Menezes e de José Francisco Lopes (guia Lopes) foram transladados em 1946, para o Rio de Janeiro. O Cemitério vem sendo conservado (limpeza e acesso) pela CER/3, desde 1950” 13 Boletim da Comissão de Estradas de Rodagem nº 3 – Ministério do Exército – DEC – DOC; Ministério dos Transportes – DNER – Programa, Jardim – MS. 7 de abril de 1983. Arquivos da Antiga CER/3 – 4ª Cia. Eng. Combate Mecanizada. José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna Croqui anexo ao Boletim de Informação à Comitiva da DOC em abril de 1983 1 – caracteriza os 14 soldados desconhecidos 2 – Sepultura de José Francisco Lopes, (o Guia Lopes) 3 – Sepultura de João Lopes 4 – Sepultura do Coronel Camisão e Tenente-Coronel Juvêncio. José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza 50 JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 51 UNIDADE VI O TRANSLADO E O MONUMENTO AOS HERÓIS DE LAGUNA E DOURADOS Ao elaboramos este Memorial Descritivo sobre o Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna, tínhamos uma questão a responder: Porque foi feito o translado dos restos mortais do Guia Lopes, coronel Camisão e TC Juvêncio para o Rio de Janeiro? Oferecemos aos leitores do nosso trabalho detalhes que provocaram este translado cuja origem inicia-se em 1929 e é concluído em 1941. Ressaltamos que o Monumento aos Heróis de Laguna e Dourados foi inaugurado oficialmente em 1938 e os restos mortais depositados na cripta em 1941, depois de uma longa peregrinação. Lembramos ainda, que nesta data, as cidades de Guia Lopes da Laguna e Jardim, estavam no início de suas fundações. Hoje, o CHRL, apresenta aspecto de relativa conservação, o que não ocorria nos idos da década de 1930/40. Quando ouvimos algumas pessoas comentarem que deveria retornar para a origem os restos mortais, entre eles o do Guia Lopes, acreditamos, que após a leitura desta Unidade, mudarão de opinião, e que eles repousam em paz onde estão. Parte do texto seguinte fora escrito por Flammarion Pinto de Campos1 com alguns comentários inseridos por nossas análises. 1. As origens do Monumento “Em 20 de maio de 1920, no Clube Militar, o emérito professor General José Feliciano Lobo Viana, como dissera, “ante um seleto e intelectual auditório, não farto de quimeras não bordado de sonhos, mas tecido, rendilhado de realidades real” relembrou, com tintas vivas, o 53º aniversário da morte do coronel Carlos de Moraes Camisão, e tenente-coronel Juvêncio Manoel Cabral de Menezes, respectivamente, chefe e vice-chefe do Corpo Expedicionário de Minas Praça General Tibúrcio com o Morro da Urca ao fundo. Gerais, São Paulo, Paraná, Santa (Arquivo dos Autores) Catarina, Goiás, Mato Grosso e Amazonas, de 1865, que rumou para o norte do Paraguai, como revide a uma afronta à Pátria. 1 Matéria extraída de Conferência proferida pelo autor, em 25 de dezembro de 1988, do Arquivo Histórico do Exército, ao ensejo do cinquentenário da inauguração do Monumento aos Heróis de Laguna e Dourados, erguido na Praia Vermelha, Rio de Janeiro - RJ. José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 52 Aí presentes estavam: o representante do Presidente da República, Dr. Epitácio da Silva Pessoa; o Ministro da Guerra, Dr. João Pandiá Calógeras; marechal João José da Luz, um dos sobreviventes da Retirada e da época, alferes do 17º Batalhão Voluntários da Pátria; a Exma. Sra. Constança Elizza Camisão, irmã do coronel Camisão; o marechal Chefe do Estado-Maior do Exército; o Chefe da Missão Militar Francesa, general Maurice Gamellin; oficiais-generais; oficiais; juventude militar; senhoras e senhores. O conferencista, em linguagem escorreita e fluente, faz um relato minucioso, completo, vivo e impressionante, da cruciante jornada da Laguna, o qual não só encantou sobremaneira e sensibilizou os quantos o ouviram como mereceu de imediato, do Senhor Ministro da Guerra, a determinação para a impressão de 2.000 exemplares desse primoroso trabalho, para distribuição a autoridades, quartéis, escolas e bibliotecas. Essa conferência ultrapassou os umbrais do Clube Militar e repercutiu longe. Na imprensa, o “O Jornal” de 14 de junho de 1920, focalizou o assunto aí tratado, com esmero e patriotismo vigoroso, atendendo ao apelo do insigne mestre, para que se desse um aspecto condigno as sepulturas dos Heróis da Retirada da Laguna, abandonadas nos ermos de Mato Grosso, ao mesmo tempo em que convocava os brasileiros a tanto. Na Escola Militar, entretanto, a repercussão foi ao máximo e o entusiasmo tomou conta dos alunos, ultrapassando todos os limites do mais sadio civismo. Ante esse estado de espírito da fina flor da juventude militar, o presidente da Sociedade Bibliotecária (SBA) aluno Osório Tuyuty de Oliveira Freitas, convoca uma reunião para tratar desse relevante assunto, a fim de se concretizar a idéia em ebulição, no dia 24 de Agosto de 1920. No Praça General Tibúrcio com o decorrer da sessão, após acalorados Pão de Açúcar ao fundo. pareceres, o aluno Napoleão de Alencastro (Arquivo dos Autores) Guimarães, propõe que “os membros da Diretoria da SBA e do Corpo Redatorial da Revista Cruzada, constituíssem a Comissão, para tratar do que estava em pauta”. Sem discussão qualquer e por aclamação, essa proposição foi aprovada unanimemente. Aí estava presente o 1º Tenente Pedro Cordolino Ferreira de Azevedo, da Escola, que, aproveitando o ensejo faz a sua proposta “para que se saldasse, de maneira mais significativa, a dívida contraída pela Pátria, para com os Heróis da Laguna e de Dourados, erigindo-se-lhes um grande e majestoso monumento. Como a proposta anterior, mas vibrante e entusiasticamente e de pé, ela foi aclamada por unanimidade. Ficou, então, de lado a reparação das sepulturas, senão a sua conservação condigna, até ulterior deliberação. No auge daquele ardor cívico, o aluno Tuyuty propõe para Presidente da José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 53 Comissão o Tenente Cordolino. Sem discussão e de imediato, foi aceita essa indicação e aclamado por todos os presentes, o ardoroso oficial.2 2 Notas do autor do texto. É grato e justo relembrar, aqui essa primeira Comissão e elementos de outros mais, a seguir: 1920 – Presidente: 1º tenente Pedro Cordolino Ferreira de Azevedo. Vice-presidente: Aluno Osório Tuyuty de Oliveira Freitas Primeiro Secretário: Aluno Mario Portella Fagundes Segundo Secretário: Aluno Orlando Santiago (falecido em 1925) Primeiro Tesoureiro: Aluno Pericles Telles Carneiro da Cunha Segundo Tesoureiro: Ubirajara Galvão Paiva Vogais: Aluno Scipião de Carvalho Edmundo Macedo Soares e Silva Aluno Arthur da Costa e Silva Aluno Humberto de Alencar Castello Branco Aluno Adaucto Castello Branco Vieira Aluno Alcino Nunes Pereira Aluno Olintho de França Almeida e Sá Aluno Alberto Seggiaro Aluno Ernesto Bandeira Coelho. A partir de 1920 até o final da construção do Monumento e de sua inauguração, o Presidente foi sempre o 1º tenente, depois capitão, major e tenente-coronel Pedro Cordolino Ferreira de Azevedo e o 1º tesoureiro o subsecretário da Escola, Senhor João Carlos Martins, até 29 de dezembro de 1938, quando se fez a liquidação das contas e a entrega do acervo ao Arquivo Nacional. 1921 – Vice-presidente: Aluno Osório Tuyuty de Oliveira Freitas; 1º secretário: Aluno Mario Portella Fagundes. 1922 – Vice-presidente: Salm de Miranda; Vogal – aluno Riograndino da Costa e Silva. 1923 – Vice-presidente: Newton O’Reilly de Souza; Secretário-geral: Aluno Ramiro Pessoa Souto Mayor (falecido em 1925); Vogal: Aluno Isaac Nahon. 1924 – Vice-presidente: Aluno Djalma Leite de Rezendes (falecido em 1925); Secretario-geral: Aluno Carlos Luiz Guedes; Vogais: Alunos Antonio Carlos da Silva Muricy e Isaac Nahon. 1925 – Vice-presidente: Carlos Luiz Guedes; Secretario-geral: Aluno Aurélio de Lyra Tavares; Vogais: Aluno Antonio Carlos da Silva Muricy e Isaac Nahon. 1926 – Vice-presidente: Aluno Frederico Guilherme Klumb; Secretario-geral: Aluno Érico da Fonseca Moraes; Vogais: Alunos Jacy Leite Guimarães e Flammarion Pinto de Campos. 1927 – Vice-presidente: Aluno Aluízio de Andrade Moura; Secretario-geral: Aluno Flammarion Pinto de Campos. 1928 – Vice-presidente: Aluno Sergio Bezerra Marinho; 2º secretário: Aluno Flammarion Pinto de Campos. 1929 – Vice-presidente: Aluno João Alberto Dale Coutinho; 1º secretario: Aluno Flammarion Pinto de Campos. 1930 – Vice-presidente: Aluno Geraldo de Menezes Côrtes; Secretário-geral: Aluno Flammarion Pinto de Campos. 1931 – Cadete Flammarion Pinto de Campos. 1932 – Vice-presidente: Cadete Umbelino Dornelles Vargas. 1934 – Vice-presidente: Cadete Plínio Dornelles Vargas. 1935 – Vice-presidente: Capitão Frederico Guilherme Klumb; 1º Secretário: 1º tenente Hugo Mendes Villela; Vogal, 1º tenente Flammarion Pinto de Campos. 1938 – Última Comissão: Presidente: Tenente-coronel Pedro Cordolino Ferreira de Azevedo; Vice-presidente: Capitão Juracy Montenegro Magalhães; 1º Secretário: Capitão Jayme Alves de Lemos; 2º Secretário: Capitão Hugo Mendes Villela; Tesoureiro: Senhor João Carlos Martins; Vogais: Capitão Cyro Perdigão da Silveira, Mario Guimarães Carneiro, Reynaldo Pessoa Sobral, Fabio de Castro, cadete Gilberto Pessoa. José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 54 Após essa data, devida e respeitosamente convidada, é constituída a Comissão Julgadora do Projeto do Monumento, a qual se reúne com frequência e é composta das seguintes personalidades: Dr. João Pandiá Calógeras, Ministro da Guerra e seu Presidente; coronel Eduardo Monteiro de Barros, depois general-de-brigada, comandante da Escola Militar; deputado Félix Pacheco, emérito jornalista; professor Correia Lima, da Escola Nacional de Belas Artes; 1º tenente José Norival Francisco de Lemos, engenheiro militar, arquiteto e secretário da Comissão; 1º tenente Pedro Cordolino Ferreira de Azevedo, Presidente da Comissão Central do Monumento. Esta Comissão elaborou, a seguir, o Edital da Concorrência para a construção do Monumento e sua seleção, o que se deu em 22 de outubro de 1921. O vencedor, dentre 15 concorrentes, foi o escultor brasileiro, Antonio Pinto de Mattos, com o pseudônimo “Veritas et Labor”. O contrato foi assinado em 25 de outubro seguinte, no valor de 320:000$000 (trezentos e vinte contos de réis). Todo o bronze já havia sido doado pelo Ministro Calógeras, que mandou recolhê-lo das fortalezas e fortes desativados de todo o Brasil. O granito viria de Petrópolis. Duzentos contos seriam para as esculturas e a fundição. Cem contos para a arquitetônica. Vinte contos para a construção do alicerce. O pagamento seria parcelado, de acordo com as peças prontas na fundição Cavina e o andamento da obra, que tinha o prazo mínimo de vinte e quatro meses e o máximo de trinta e seis meses para a sua entrega. O local preferido, escolhido e designado pela Memorial aos Heróis de Prefeitura, foi nos terrenos da Ponta do Calabouço, Laguna e Dourados. porque dai, partiram as tropas para o Paraguai. O (Arquivo dos Autores) Prefeito Alaor Pata foi à Escola Militar em 26 de julho de 1925 e, aí, recebeu uma caneta de ouro, para a assinatura do decreto de doação desse terreno, o que foi feito na sala da Sociedade Acadêmica Militar. Infelizmente, foi constatado, o terreno não suportaria o peso do Monumento, cerca de trezentas toneladas e, por isso, outro local seria designado. Aí estão alguns dos prezados companheiros, dentre muitos outros, que deram o seu patriotismo e eficiente esforço, no sentido de ser atingido o tão sonhado objetivo de 1920. José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 55 Passou-se, então a trabalhar no sentido de conseguir-se outro local, o qual, após penosos, árduos e longos anos, foi encontrado na Praia Vermelha, onde está e bem localizado porque entre os morros da Babilônia e Urca, além, o Pão de Açúcar, ao fundo o mar e, de um lado a Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME) e do outro, o Instituto Militar de Engenharia (IME), formando e doutorando novos elementos de escol do Exército e recordando, com o carinho devido, a antiga Escola Militar da Praia Vermelha, que deu um sem-número de vultos de notável saber, mestres e chefes insignes, sempre presentes que nos legaram exemplos dignificantes! Mas logo após as reuniões de 24 a 26 de agosto de 1929, na Escola Militar, começaram a serem expedidas as listas as autoridades, quartéis e para todo o Brasil, a fim de angariar donativos para a construção do Monumento. Ao mesmo tempo, foi lembrado e solicitou-se ao capitão Genserico de Vasconcellos, escritor militar, para que escrevesse algo para a venda em prol do Monumento e ele fez, especialmente a monografia: “Guerra do Paraguay no Theatro de Mato Grosso”, que teve grande acolhida e rendeu bem. Do mesmo modo, a venda de cartões postais sobre a parada de 7 de setembro de 1922, mandados fazer pela Comissão, tiveram saída rápida e renderam bastante. O orçamento inicial foi de 200:000$000 (duzentos contos de réis). As primeiras contribuições nas listas dos alunos foram: Dr. Epitácio da Silva Pessoa, Presidente da República, com um dia do seu subsídio 333$333 (trezentos e trinta e três mil e trezentos e trinta e três réis); Dr. Pandiá Calógeras, então Ministro da Guerra, com um dia do seu subsídio, 327$226 (trezentos e vinte e sete mil e duzentos e vinte e seis réis); Dr. Arthur da Silva Bernardes, Presidente do Estado de Minas Gerais, com 100$000 (cem mil réis); E dos quartéis, a primeira contribuição que chegou foi a do 1º Regimento de Infantaria. Em 1921, o Governo Federal contribuiu com a quantia de 100:000$000 (cem contos de réis); E do Conselho Municipal do então Distrito Federal com 50:000$000 (cinquenta contas de réis). Perfazendo nessa ocasião a arrecadação da importância de 230:709$429 (duzentos e trinta contos, setecentos e nove mil, quatrocentos e vinte e nove réis). Vibração intensa por isso! O encerramento da coleta dos donativos, no entanto, estava prevista, para o dia 15 de janeiro de 1921 e a data para estar pronto o Monumento era para o centenário da Proclamação da José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 56 Independência3 do Brasil, 7 de setembro de 1922 e seria uma contribuição da Escola Militar para estas festividades do Calendário Cívico da Pátria. Por motivos diversos e poderosos, isso não pode ser realizado e inicia-se então uma verdadeira Via Crucis 4 para todos aqueles idealistas que se dispuseram a levar avante a magnífica obra em homenagem e gratidão aos Heróis da Pátria em defesa do solo das fronteiras do sul da então Província de Mato Grosso: Dourados e Laguna, mais especialmente. Os abnegados brasileiros, patriotas da linha de frente, não esmoreceram e nas pegadas do Mestre Cordolino, continuaram em campo, lutaram e venceram todos os obstáculos. Enfim, a obra do Monumento foi iniciada. (Arquivo dos Autores) O Monumento, de autoria do escultor Antonino Pinto de Mattos, depois da base circular, vai subindo e se adelgaçando. No início da circunferência de 53 metros em granito branco de Petrópolis, forma o pé do Monumento, que serve de apoio à porção mais impressionante da obra estrutural. Nesta é que se desenha e ressalta emocionante e vívida, a sequência dos fatos culminantes da Retirada: Um alto-relevo que se desdobra por 16,50 metros de extensão circular, por 1,80 metros de altura, representando a marcha forçada entre as estátuas de Antônio João e Guia Lopes; 3 A Proclamação da Independência do Brasil é oficialmente comemorada no dia 7 de setembro, o ano da proclamação foi em 1822, por D. Pedro I. 4 Expressão para designar um longo caminho de peregrinação, de sofrimento, de luta, esforço, dificuldades; a caminho do calvário; caminho da Cruz. José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 57 (Arquivo dos Autores) O salvamento dos canhões, entre esta e a do coronel Carlos de Moraes Camisão; E o transporte dos coléricos, onde está em evidência e bem esculpida a abnegada Ana "Mamuda", entre a do Guia Lopes e a de Antônio João; (Arquivo dos Autores) Acima dessa, está, em pedestal quadrangular, a estátua da Pátria; correspondendo à do Guia Lopes, a da espada; acima da de Camisão, a da História. José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 58 (Arquivo dos Autores) Subindo pelo centro, uma coluna granítica estilizada em tubo-alma de canhão, delgada, para não dar idéia de força, eleva-se a da Glória, que, lá de (Arquivo dos Autores) cima, emergindo dos episódios, símbolos e figuras apresentadas, alada, grácil, esplendorosa, dá a impressão de comunicação entre ela e aquelas cenas da dolorosa provação! Ainda abaixo das três figuras máximas: Antonio João, Camisão e Guia Lopes, há três baixosrelevos de 1,30 x 1,00 metros, que relembram, respectivamente: 1º O Combate do Forte de Coimbra, no qual 167 homens e 11 canhões, do comando do tenente-coronel Hermenegildo de Albuquerque Portocarrero, contra uma esquadrilha de doze navios, com cinco mil homens e sessenta e três canhões, do comando de Barrios, bateram-se denotadamente; José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna (Arquivo dos Autores) 59 (Arquivo dos Autores) 2º A Retirada de Oliveira Mello, o valoroso tenente, que pelo pantanal, levou os habitantes de Corumbá e soldados, durante quatro meses, até Cuiabá, a capital da província mato-grossense, salvandoos dos invasores; 3º E por fim, o combate do Alegre, revivendo a retomada do vapor Jaurú, pelo intrépido tenente Balduíno, que saindo de Corumbá em direção a Cuiabá, perseguidos por dois navios paraguaios, foi capturado e pouco depois, reconquistado, vendo-se nesse baixorelevo, ao fundo, Corumbá retomada e a figura do seu herói, tenente-coronel Antonio Maria Coelho. Na base do Monumento há uma cripta, graças ao Exmo. Sr. Ministro Eurico Gaspar Dutra que proporcionou os meios para a sua construção. Ali estão os restos mortais do tenentecoronel Carlos de Moraes Camisão, chefe da expedição e vítima do cólera-morbus em 29 de maio de 1867; do tenente-coronel Juvêncio Manoel Cabral de Menezes, subcomandante da expedição, morto também no mesmo dia e do mesmo mal; do Guia Lopes, nome de guerra imortalizado por Visconde de Taunay, no livro A Retirada da Laguna. O mineiro-sul-matogrossense José Francisco Lopes, sertanista, profundo conhecedor dos sertões, principalmente do sudoeste do atual Estado de Mato Grosso do Sul e do tenente Antonio João Ribeiro, valorosos heróis, inesquecidos da resistência de Dourados. (Arquivo dos Autores) Fazendo um parêntese no contexto da História do país e nos panteões dos heróis, o Guia Lopes, é um dos poucos civis entre os militares que ocupam os altares dos homens devotados e imortalizados, não pelos seus defeitos e fraquezas, mas por atitudes de altruísmo, patriotismo, ao dever, sacrificando a própria vida. 2. Os translados dos restos mortais No princípio de 1940, iniciou-se os translados dos restos mortais do Cemitério dos Heróis, município de Jardim-MS, para a cidade de Aquidauna, utilizando as viaturas automotoras da época. José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 60 Da cidade de Aquidauana, então parte do Mato Grosso uno, no mês de novembro de 1941, os restos mortais, do coronel Camisão, tenente-coronel Juvêncio, Guia Lopes, tenente Antonio João embarcam em um vagão de trem especial com destino ao campo santo idealizado por devotados militares e colaboradores do início da década de 1929. O trem, em vagão especial, passando por diversas cidades, recebeu significativas homenagens do povo, militares, autoridades. Em Campo Grande recebera homenagem da 9ª Região Militar e do povo. Durante o trajeto até São Paulo, receberam inúmeras manifestações cívicas, as mais calorosas e emocionantes, quando das paradas normais nas estações ferroviárias. Em São Paulo, as urnas foram levadas para a Igreja de São Bento, onde receberam homenagens, sendo celebrada uma missa e visitação do povo. Nessa ocasião, incorporou às urnas com os restos mortais vindos de Mato Grosso5, a uma outra chegada de Alfenas, Minas Gerais, com os restos mortais do general João Antonio da Costa Campos, alferes do 21º Batalhão de Infantaria na Retirada da Laguna e pai do acompanhante desses despojos, o então capitão de Artilharia Flammarion Pinto de Campos, do Serviço de Material Bélico, da 9ª Região Militar. Partiram de São Paulo no dia 14 de novembro de 1941, acompanhadas de elementos da Comissão Central do Monumento, com manifestação expressiva da 2ª Região Militar e do povo. Praça General Tiburcio (Arquivo dos Autores) 5 Até 11 de outubro de 1977, o Mato Grosso era um território uno. Através da Lei Complementar n° 31 a Constituição Federal divide o território do Estado e no desmembramento, cria-se o atual Estado de Mato Grosso do Sul, daí, deve-se entender que todos os fatos históricos até esta data diz respeito a Mato Grosso, mesmo que ocorridos onde hoje faz parte do novo Estado, no caso deste estudo, os translados dos restos mortais dos nossos líderes vitimados durante os combates na Guerra do Paraguai. José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 61 No trajeto até o Rio de Janeiro, receberam carinhosas manifestações por onde passaram e pararam, chegando ao Rio de Janeiro, no dia 15 de novembro de 1941, aniversário da Proclamação da República do Brasil6. Recebida solenemente, as cinco urnas foram transportadas com escolta para o Monumento. Aguardava-nos, aí, o Dr. Getúlio Vargas, Chefe do Governo; general Eurico Gaspar Dutra, Ministro da Guerra; almirante Aristides Guilherme, Ministro da Marinha; Dr Joaquim Pedro Salgado Filho, Ministro da Aeronáutica; Bispo Dom Aquino Correa 7 , orador oficial; general Góis Monteiro, oficiais-generais, tenente-coronel Cordolino, autoridades, oficiais, cadetes, escolas, estandartes de Organizações Militares (OM) e de associações várias e o povo. A solenidade transcorreu em ambiente de civismo significativas, culminando com o discurso de Dom Aquino, que proporcionou uma magnífica aula de História que sensibilizou e empolgou a todos os que ouviram. O major Lopes Novais8 assim proferiu em sua conferência em comemoração ao dia da Retirada da Laguna e morte do Guia Lopes: “Meus senhores, antes de encerrar a presente conferência, compre-me prestar singela homenagem ao então Arcebisto de Cuiabá. Dom Francisco de Aquino Correia, leu três estrofes de poema de sua autoria que fora lido na manhã do dia 15 de novembro de 1941, por ocasião da cerimônia da transladação das cinzas dos bravos heróis da Laguna e Dourados para a cripta do monumento. Assim vós, ó heróis de minha terra, Prostados pelo monstro atroz da guerra, Viestes nesta praia repousar, Onde hão de nos falar, eternamente, Das vossas glórias a montanha e o mal Camisão! Mártir do dever, que expiras, Pedindo ainda a espada com que firas A última pugna em prol dos teus ideais, Guia Lopes! Espectro venerado Dum novo Cid Campeador, salvando. Quase morto, as bandeiras nacionais! Dom Aquino Correa 6 A República Brasileira foi proclamada no dia 15 de novembro de 1889, pelo então marechal Deodoro da Fonseca e demais, substituindo a forma de Governo Monárquica. 7 Francisco de Aquino Correa, Bispo de Cuiabá, assumiu o Governo de Mato Grosso em 22 de janeiro de 1918, no cargo de Presidente do Estado, até 1922, nos dizeres de Demosthenes Martins, História de Mato Grosso s/d. “Titular de nome consagrado nos cimos da cultura nacional”. Poeta, escritor, intelectual, religioso, político, filósofo, foi o criador da Academia Mato-grossense de Letras. 8 Major Int. Jacy Lopes Novais – Conferencia pronunciada no Círculo Militar de Campo Grande, em 27 de maio de 1959, data do falecimento do Guia Lopes. José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 62 E lá, do pícaro do Corcovado, Numa apoteose imensa, lado a lado, Cristo vos abre os braços, desde os céus, Que o bravo como vós, que de alma forte Na fé e no dever, até a morte Cai pela Pátria, voa para Deus”. 3. Nomes dos Homenageados através dos Medalhões dentro da Cripta Dentro da cripta, há dez medalhões de bronze, que lá estão para relembrar, com esfinges, personagens de proa da épica jornada: 1. Tenente-coronel Juvêncio Manoel Cabral de Menezes, chefe da Comissão de Engenheiros; 2. 1º Tenente Alfredo D’Escragnolle Taunay, imortal autor de A Retirada da Laguna e Secretário da Comissão de Engenheiros; 3. Major de Comunicações José Thomaz Gonçalves, comandante do 21º Batalhão de Infantaria e substituto do coronel Camisão após a sua morte; 4. Tenente-coronel Hermenegildo de Albuquerque Portocarrero, comandante do Forte de Coimbra, apresentou resistência à esquadra paraguaia solicitando a sua rendição; 5. Tenente João de Oliveira Mello, comandante da Retirada de Corumbá; 6. Capitão Pedro José Rufino, comandante interino do 1º Corpo de Caçadores a Cavalo; 7. Major de Comunicações João Thomaz Cantuária, comandante do Corpo Provisório de Artilharia; 8. Tenente-coronel de Comunicações Antonio Enéas Gustavo Galvão, comandante do 17º Batalhão de Voluntários da Pátria; 9. Dr. Manuel de Aragão Gesteira, 1º Cirurgião da Expedição. Além desses medalhões individuais, há dois outros maiores onde estão inscritos os nomes, nove no primeiro e oito no segundo medalhão, dos seguintes militares distinguidos da Expedição de Mato Grosso a Laguna. No primeiro Medalhão são homenageados os seguintes militares em virtude dos seus serviços, atitudes heróicas, patriótica no cumprimento do dever, são eles: 1. Tenente-coronel José Antonio da Fonseca Galvão, que faleceu próximo ao povoado de Coxim, como 2º Comandante da Expedição, já brigadeiro; José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 63 2. 2º tenente de Artilharia Cesário de Almeida Nobre de Gusmão, comandante da 4ª Seção de Artilharia; 3. Capitão Antonio Florêncio Pereira do Lago, da Comissão de Engenheiros e assistente do Ajudante-General; 4. 1º tenente de Artilharia João Baptista Marques da Cruz, comandante da 1ª Bateria; 5. Major José Maria Borges, fiscal do 17º Batalhão de Voluntários da Pátria; 6. Capitão Delfino Rodrigues de Almeida Pires Flores, valente oficial da Guarda Nacional do 21º Batalhão de Infantaria; 7. Alferes de Comunicações Amaro Francisco de Moura, Secretário Militar das Forças; 8. 1º tenente José Eduardo Barbosa, assistente do Quartel-Mestre-General; 9. Soldado Damazio, que salvou um canhão que caíra no rio Miranda. No outro medalhão constam os nomes de oito homenageados entre civis e militares por atitudes de bravura, civismo, altruísmo, são eles: 1. Dr. Candido Manuel de Oliveira Quintana que desempenhava a função de 1º Cirurgião na Expedição; 2. Capitão-tenente Balduino José Ferreira de Aguiar, o bravo comandante do navio à vapor Amambahy, que salvou o pessoal do Forte de Coimbra, após heróica resistência; 3. Capitão Joaquim Ferreira de Paiva, digno comandante do 20º Batalhão de Infantaria; 4. Tenente do Estado-Maior da 1ª Classe Catão Augusto dos Santos Roxo, assistente do Quartel-Mestre-General; 5. 1º tenente de Artilharia Napoleão Augusto Muniz Freire, comandante da 3ª Seção de Artilharia e bravo soldado; 6. Tenente-coronel José Miranda da Silva Reis, 1º Chefe da Comissão de Engenheiros da Província de Mato Grosso e, depois Ajudante-General junto às Forças; 7. Tenente Joaquim Pinto Chichorro da Gama, da Comissão de Engenheiros; 8. Anna Mamuda, o Anjo da Caridade. José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza JARDIM-MS. Ana Mamuda Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna Ten. Cel. Juvêncio Manoel Cabral de Menezes Coronel Carlos de Moraes Camisão Ten. João de Oliveira Mello Soldado Damasio Major de Comunicações José Thomaz Gonçalves 64 1º Ten. Alfredo D’Escragnolle Taunay Ten. Cel. de Comunicações Antonio Enéas Gustavo Galvão Os despojos, isto é, os restos mortais das urnas vindas de Alfenas no Estado de Minas Gerais e do Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna, em Mato Grosso, foram depositárias das seguintes personalidades do teatro da Guerra que envolveu o Brasil e Paraguai, no Sul da Província de Mato Grosso. Destacam-se no Sarcófago maior da Cripta, vindas do Mato Grosso: 1. Coronel Carlos de Moraes Camisão; 2. Tenente-coronel Juvêncio Manoel Cabral de Menezes; 3. Tenente Antonio João Ribeiro9; 4. José Francisco Lopes, o Guia Lopes. Ten. Antonio João Ribeiro Guia Lopes Cel Camisão 9 Cel Juvêncio Foto cedida pelo Centro de Informações Turísticas de Jardim. Original encontra-se no Quartel na cidade de Bela Vista (MS) José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 65 No Sarcófago menor da direita, os restos mortais do: – General Costa Campos. No Sarcófago menor da esquerda, destacam os restos mortais de: 1. Dr. Gesteira que viera da cidade de Ouro Preto, translado feito em janeiro de 1939; 2. Dr. Quintana que viera transferido da cidade de Alegrete, no Estado do Rio Grande do Sul, em 27 de maio de 1978. E neste ambiente augusto, de guarda, está a estátua de bronze de um Soldado de Cavalaria do Império, com sua lança perfilada, grandioso trabalho de Leão Veloso. 4. Fechando a Cripta Fechando a cripta, há uma porta de bronze, na qual a estátua de bronze de um Soldado de Infantaria do Império, arma em posição de funeral, magnífico trabalho do escultor Calmon Barreto10, doação feita pelo Dr. Arnaldo Guinle. 4.1. Material do Monumento O material empregado na construção do monumento em homenagem aos heróis que faleceram no teatro de operações da guerra em defesa do solo da Pátria Brasileira está resumido assim: Aproximadamente 300 toneladas de granito branco, oriundos de Petrópolis, Rio de Janeiro; Aproximadamente 20 toneladas de bronze proveniente das seguintes localidades: Tabatinga, Forte de Coimbra, Príncipe da Beira (MT); Cabedelo (PB); Desterro (SC); Barra e Rio de Janeiro; e outros, não citados pelo autor. 10 Calmon Barreto nasceu em Araxá, em 1909. Ainda um menino de onze anos, deixou os sertões do Triângulo Mineiro e foi em busca de conhecimentos na antiga capital, Rio de Janeiro, onde permaneceu até 1967. Na Casa da Moeda deram-se seus primeiros estudos de Arte. Lá, aprendeu o desenho e a gravura em aço. Breve estaria criando uma série de moedas (as chamadas vicentinas) lançadas em circulação em todo o país. Aos 14 anos, iniciou os estudos na Escola Nacional de Belas Artes, especializando-se em desenho e escultura. Depois de obter as premiações preliminares do Salão Nacional de Belas Artes conquistou, em 1929, o grande prêmio de viagem. Nos dois anos seguintes, cursou Escolas de Arte em Roma e peregrinou pelos museus de toda a Europa. Retornando ao Rio de Janeiro, passou a colaborar com as principais revistas e periódicos da Capital, criando cerca de mil e quinhentas ilustrações de contos, crônicas, livros etc. Também executou um grande número de esculturas, medalhões, camafeus etc. O monumento dedicado aos "Heróis da Laguna e Dourados" na Praia Vermelha é constituído por várias peças suas; a sede do Banco de Crédito de Minas Gerais José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 66 5. Inauguração Oficial do Monumento A inauguração oficial do Monumento ocorreu no dia 29 de dezembro do ano de 1938. Estavam presentes a este ato solene as seguintes personalidades: Dr. Getúlio Vargas, Exmo Sr. Presidente da República do Brasil; Ministros; autoridades; generais; oficiais; cadetes; escolas; estandartes das OM; associações várias; tropas militares; Tenente-coronel Pedro Cordolino Ferreira de Azevedo, figura máxima desse empreendimento do Memorial Histórico e também orador oficial, que encheu sua alma de alegria e extravasou, em puro civismo, o que transmitira aos presentes, pelo cumprimento da significativa missão que assumira em 1929 com os outros devotados companheiros e que naquele instante solene contemplava, senão genuflexo, mas com humildade cristã, como era de seu feitio, o coroamento da obra; e o seu discurso emocionou a todos. General Raphael Tobias de Souza Vasconcellos, herói e último sobrevivente, que na ocasião da Retirada da Laguna era alferes do 17º Batalhão de Voluntários da Pátria, e aí nessa oportunidade feliz, foi condecorado pelo Governo com a medalha Ordem do Mérito Militar. Assim, estava inaugurado o Monumento aos Heróis da Laguna e Dourados, fruto do esforço de uma plêiade de bons brasileiros, amantes da História, da Cultura, do Civismo e amor a Pátria. Exemplo a ser seguido pelas autoridades, estudantes e o povo do nosso Estado de Mato Grosso, respeito e resgate dos locais sagrados por aqueles brasileiros que percorreram nos dizeres do título da obra do historiador Acyr Vaz Guimarães – “Seiscentas Léguas a Pé” para a defesa das terras sul-mato-grossenses. (Arquivo dos Autores) Parque Histórico Colônia Militar de Dourados (PHCMD), em Antônio João (MS) (www.exercito.gov.br/NE/1998/NE/ne947 7/heroi477.htm) José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 67 UNIDADE VII EXPEDIÇÕES CÍVICAS QUE PASSARAM PELO CEMITÉRIO DOS HERÓIS DA RETIRADA DA LAGUNA E REVITALIZAÇÕES Ao longo dos períodos do Século XIX – (entre 1867-1900), Século XX (1901-2000) e agora no princípio deste Século XXI (2001-2100) muitas têm sido as homenagens, visitas, passeios, paragens, passagens, revitalizações, translado de caráter cívico-histórico, militar e civil. Neste pequeno esboço, tentaremos recuperar algumas destas missões oficiais e identificação dos seus propósitos. Estas missões, atendendo aos objetivos de particulares ou de caráter geral, fazem parte desde Campo onde repousaram as vestimentas físicas do corpo de homens, mulheres, crianças, alguns no anonimato e outros na memória da História. Reunir detalhes não será possível, mas desejamos que a história e as gerações vindouras não permaneçam nas concepções do – “disque-disque; ouvi falar; não registros; eu acho; provavelmente...”, mas carreguem a certeza dos fatos históricos e que se sintam parte dela, como cidadãos no mundo e com o mundo; na história e com a história. Decorrido (entre 1867 e 2008) mais de um século, 141 anos, muitos registros dos acontecimentos estão esquecidos, guardados, empoeirados em alguma prateleira, em algum arquivo, em algum lugar. Localizá-los não é uma tarefa fácil, demanda tempo, pesquisa, persistência e recursos; por isso mesmo, também deixaremos lacunas nestes registros. Fazer justiça à História. Nós estamos cumprindo com o nosso dever; no vindouro, outros façam a sua parte, não deixando o elo da corrente quebrar, pois, a História é uma via sempre em reconstrução. 1 - Ano de 1874 – Expedição Enéas Galvão Coronel Rufino Enéas Gustavo Galvão - depois Barão e Visconde de Maracaju Demarcação das fronteiras entre Brasil e Paraguai Construção dos túmulos e da lapide Translado dos restos mortais do Guia Lopes. Segundo Acyr Vaz Guimarães1, “Taunay, finda a guerra, como oficial de gabinete do Ministro da Guerra, Conselheiro João José de Oliveira Junqueira, propôs erigir um monumento “modesto embora”, como disse à memória de Camisão e Juvêncio, em lugar onde haviam sido sepultados. Incumbiu-se dessa missão o chefe da comissão de limites Brasil-Paraguai, coronel Rufino Enéas Gustavo Galvão, filho do falecido brigadeiro Galvão, que comandava a Força Expedicionária de Mato Grosso, quando estacionada às margens do rio Negro, a caminho de Miranda, saída de Coxim, em 1866. Desincumbiu-se Rufino, levantando-o, à margem esquerda 1 Acyr Vaz Guimarães. Mato Grosso do Sul, História dos Municípios, Jardim, Volume 1, 1982, p.108. José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 68 do rio Miranda “junto ao Passo do Jardim, no alto de uma colina e a 16 léguas do Passo de Bela Vista, no Apa”. Relata o coronel: “é de mármore e a sua base de pedra e cal. A lápide que está assentada em plano inclinado sobre quatro peças também de mármore, olha para a estrada da retirada das forças que passa a 50 metros de distância. Contém a seguinte inscrição: ’À memória dos beneméritos coronel Carlos de Moraes Camisão e tenente-coronel Juvêncio Manoel Cabral de Menezes, comandante e imediato das forças em operações ao sul desta Província, falecidos em 29 de maio de 1867”. Gabriel Lopes, sobrinho de José Francisco Lopes, que morava na Fazenda Jardim, reconheceu o local para ali ser ereto o monumento em 1874”. 2 - Ano de 1905 – Expedição Rondon Marechal Cândido Mariano da Silva Rondon Construção da linha Telegráfica – Aquidauana – Porto Murtinho Postes próximo ao Cemitério cercado A visita do marechal Cândido Mariano da Silva Rondon na ocasião da construção da linha telegráfica e em visita ao CHRL – no ano de 1905, ao lado do túmulo do coronel Camisão e tenente–coronel Juvêncio. Foto extraída do Relatório dos Trabalhos realizados de 1900 a 1906 – Major de Eng. Cândido Mariano da Silva Rondon, Departamento de Imprensa Nacional, 1949-RJ Segundo Acyr Vaz Guimarães2, em 1905 o denodado Rondon, fez passar por terras, do hoje município de Jardim, a linha telegráfica de Nioaque para a Fazenda Margarida, levantando à altura do ribeirão verde, afluente do Prata, cruzando terras palmilhadas pela Coluna Camisão, na Retirada da Laguna. Rondon encontrou algumas dificuldades para levantar os postes, face às pedras e atoleiros encontrados.” 2 Acyr Vaz Guimarães. Mato Grosso do Sul, História dos Municípios, Jardim, Volume 1, 1982, p.108. José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 69 Ainda segundo Acyr3 “o então major Rondon, ligou Nioaque à Fazenda Jardim por fios de telégrafos e nesta ocasião fez visita à dona Senhorinha, de quem disse: “gorda, baixa, vivos olhos azuis, gostava muito de conversar e de tudo se lembrava (...) embora muito velha, tinha perfeita memória”. Dona Senhorinha Maria da Conceição Barbosa de Lopes, esposa em segunda núpcias do Guia Lopes, possuía sangue germânico. A expedição de Rondon era composta por oficiais e cerca de cem praças. 3 - Ano 1925 – Expedição Arruda Pereira Dr. Armando Arruda Pereira Heroes Abandonados Peregrinação pelos Lugares Históricos do Sul de Mato Grosso Visita ao Cemitério Ano de 1925 – cemitério e árvores ao fundo Dr. Armando Arruda e sua Comitiva. (Foto do livro Heróes Abandonados) Ano 1925 – CHRL – À esquerda o túmulo de João Lopes, filho do Guia Lopes e à direita o túmulo dos comandantes Camisão e Juvêncio. (Foto do livro Heróes Abandonados) 4 - Ano 1926 – Expedição General Malan General Alfredo Malan D’Angrogne Heroes Esquecidos Comandante da Região Militar Matogrosense sediada em Campo Grande (comandante da Circunscrição Militar) Revitalização do cemitério. Mandou reconstruir os túmulos de Camisão, Juvêncio e Guia Lopes Resultou na publicação do livro Heroes Esquecidos. Missão restauradora do 6º Batalhão de Engenharia a Cavalo de Aquidauana 3 Op. Cit. Guia Lopes da Laguna, p. 129. Também poderá ser lido o Livro – Relatório dos Trabalhos realizados de 1900 a 1906 – Major de Eng. Cândido Mariano da Silva Rondon, Departamento de Imprensa Nacional, 1949-RJ. José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 70 5 - Revitalização do 6º Batalhão de Engenharia a Cavalo de Aquidauana Foi na missão do 6º BEC que o cemitério recebeu a primeira disposição arquitetônica e proteção aos bens imortais da memória ao culto dos que foram sepultados no cemitério, junto aos três primeiros mártires, Lopes, Camisão e Juvêncio. 6 - Ano 1931 - Passagem do Tenente Danilo Paladini O texto seguinte, publicado em 1931, apresenta um relatório expressando os sentimentos e impressões de um militar quando em passagem por esta região onde atualmente compreende os territórios dos municípios de Guia Lopes da Laguna e de Jardim, mas que na década de 1930 compreendiam os municípios de Nioaque e Bela Vista. Reconhece o local do cemitério e como um patriota fica indignado com o abandono em que se encontra o local onde estão os restos mortais, sugerindo que sejam transladados para a capital do Brasil, que nesta ocasião estava situada no Estado do Rio de Janeiro. Além do cemitério, descreve sua passagem pela Fazenda Jardim, Rio Miranda, do Cambaracê. E mais uma vez, na história, o neto do Guia Lopes, não sabemos quem, mas colaboram nas informações e visita aos locais dos sítios históricos por onde passaram a expedição brasileira que veio socorrer o sul da então Província de Mato Grosso que se encontrava sob o domínio dos soldados de Francisco Solano Lopez, Presidente da República do Paraguai. É uma leitura histórica transcrito na grafia original, cheia de história, cheia de emoções. No Túmulo de Camisão Pelo 2º Tenente de Comunicação – Danilo Paladini “Por circunstancias que não interessam achamo-nos acampado um dia nas margens do rio Santo Antonio da Cava entre as cidades de Nioac e Bella-Vista, em Matto-Grosso. Os terrenos onde estavamos pertence a Fazenda da Cava cujo proprietário é neto do celebre Guia Lopes sobejamente conhecido através dos factos da “Retirada da Laguna” conversando uma noite com o fazendeiro viemos que, não longe de nós permaneciam o tumulo daquelle Guia bem como dos commandos Coronel Camisão e Tenente-Coronel Juvencio. Nada mais foi preciso: Na madrugada daquella mesma noite partiamos, a cavallo, em busca do minusculo cemiterio.Minusculo em extensão, mas incommensuravel em valor histórico! Eram apenas tres leguas a percorrer pela rudimentar estrada que fora trilhada pela Expedição gloriosa da laguna. Pouco antes de chegarmos a margem do rio Miranda, que naquella epoca fora tão ingrato, descansamos na Fazenda Jardim, que a história também immortalizou, e cujo o José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 71 laranjal, não menos conhecido, nos confortou com a sua sombra amiga, unico producto das vetastas e hoje estereis laranjeiras. Atravessamos o Rio Miranda; era epoca da vasante. Embora assim, a água cobria a anca dos animaes. E ficando a relembrar que a expedição enfraquecida pela peste, atravessou por aquelle mesmo “passo” no tempo da cheia. Neste mesmo local, a caudal que tantos irmãos nos furtou é hoje atravessado pelos fios do Telegrapho Nacional. Uma vez na margem esquerda, percorremos mais uns 500 metros de “cerrado” e á direita da estrada, na orla da matta espessa, avistamos o logar sagrado. A emoção foi profunda! Sentíamos um mixto de veneração e respeito. Uma cerca de tres fios de arame liso, abrangendo uns 15 metros quadrados de terra circundava os tumulos que a Fazenda Cachoeirinha tem a honra de guardar em seu seio. Trato nenhum. Olvido completo. Quebrando do matto, approximamo-nos dos modestissimos baldrames. Sobre um delles uma grossa lapide de mármore, rachada, enegrecida e carcomida pelo rigor das intemperies, nos permittiu ler a custo, a seguinte inscripção: “Á memoria dos beneméritos coronéis Carlos de Moraes Camisão e Tenente-Coronel Juvencio Cabral de Menezes, Commandante e imediado das forças em operações ao Sul dessa Provincia, fallecidos na memoravel retirada das mesmas forças, em 29 – 5 – 1867. O Governo Imperial mandou erigir este monumento em 1874.” E nada mais! Á direita e a esquerda respectivamente, os tumulos do Guia Lopes e de seu filho João, morto posteriormente, cujos nomes se podem ler em toscas cruzes de madeira. O abnegado Guia viu os seus ultimos momentos quando já respirava o ar da sua Fazenda Jardim, a menos de um Kilometro. Prosseguindo pela estrada que nos levou aos tumulos, tres leguas adeante encontram-se “as mattas de cambarecem”, os colericos mais fracos ficaram por circunstancias imperiosas, abandonados a sua sorte com o dizer em uma arvore “Piedade para os colericos”. Que os paraguayos não souberam respeitar. E sentindo em turbilhão passarem pela memoria os factos da “Epopeia da Laguana”. Regressamos com um pensamento fixo: Não seria possível a transladação para esta Capital dos restos destes tres gloriosos personagem de nossa História militar? Assim, ao menos, haveria mais probabilidade de um dia repousarem do já ideado Pantheon Nacional. Mais tarde, o Sr. General Malan D’Angrogne, mandou uma pequena expedição identificar e reconstruir os túmulos, quase a solidão e o ermo velam.” José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 72 7 - Ano 1940 – Expedição dos Translados Translados 4 dos restos mortais do Guia Lopes, coronel Camisão e tenente-coronel Juvêncio, para a Praia Vermelha, no Rio de Janeiro, onde se localizava a capital do Brasil. Temos como testemunha da história a fotografia abaixo que ilustra os familiares realizando a última despedida com a celebração de um culto religioso, e o pai da terra, o Guia Lopes, deixou para a história um nome que é uma lenda não só no Mato Grosso do Sul, mas também em Minas onde nasceu.5 Suas atitudes estão imortalizadas na história. Observe na fotografia abaixo a presença de José Francisco Lopes, o último que se encontrava vivo até aquele momento. Estão à frente da catacumba do Guia Lopes, que fora transportado de carreta, juntamente com o coronel Camisão e tenente-coronel Juvêncio até Aquidauana e de lá para São Paulo e depois Rio de Janeiro de trem, como poderá ser lido no histórico da Unidade VI. 4 5 Verificar a Unidade VI, que trata especificamente sobre este episódio. Foto arquivo do 9º Batalhão de Suprimento, Guia Lopes, Memorial Guia Lopes. José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 73 8 – Ano de 1954 – Celebração de uma missa campal no Cemitério dos Heróis, (lembrando que nesta época Guia Lopes da Laguna e Jardim já eram cidades emancipadas. Presença do Bispo Dom Ladslau Paes, Bispo da Diocese de Corumbá6) Acima a presença e participação da comunidade local na celebração7. 6 7 Foto arquivo do 9º Batalhão de Suprimento, Guia Lopes, Memorial Guia Lopes. Campo Grande. Foto arquivo do 9º Batalhão de Suprimento,Guia Lopes, Memorial Guia Lopes. Campo Grande. José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 74 9 - Ano de 1967 – Missa de Comemoração dos 100 anos da Retirada da Laguna No mês de maio de 1967 para comemorar o 1º centenário (18671967) do falecimento dos principais homenageados do Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna (José Francisco Lopes – Guia Lopes, 27 de maio de 1867, coronel Carlos de Moraes Camisão e tenentecoronel Juvêncio Manoel Cabral de Menezes, 29 Preparativos e limpeza da área para a celebração da missa para de maio de 1867) e o comemorar o 1º centenário da Retirada da Laguna. (Foto Arquivo Profª MSc. Rita Braga) final da épica Retirada da Laguna, episódio da Guerra do Paraguai, campanha pelo sul da então Província de Mato Grosso, foi celebrada uma missa com a participação de autoridades eclesiásticas, políticas, militares, funcionários da CER-3 e cidadãos jardinenses. Celebração da Missa dos 100 anos da Retirada da Laguna. Celebrantes Dom Ladslau Paes, Bispo da Diocese de Corumbá, Padre José Ferrero (no centro) e o Prefeito, Senhor Alcides Cavalheiro Flores. (Foto Arquivo Profª MSc. Rita Braga) José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza Dom Ladslau Paes, o Bispo celebrante e Prefeito, Senhor Alcides Cavalheiro Flores (Foto Arquivo Profª MSc. Rita Braga) JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 75 10 - Ano 1970 – Primeiro Centenário do Fim da Guerra do Paraguai Comemoração do 1º Centenário do fim da Guerra que envolveu o Paraguai contra a Tríplice Aliança Formada pelo Brasil, Argentina e Uruguai, findada oficialmente em 1º de Março de 1870. I CENTENÁRIO DA GUERRA DA TRÍPLICE ALIANÇA 1870 - 1970 A 9ª REGIÃO MILITAR, A 4ª DIVISÃO DE CAVALARIA, PREFEITO, AUTORIDADES, ESCOLA E POVO EM GERAL, PRESTARAM HOMENAGEM AOS HERÓIS DE DOURADOS E LAGUNA 1000 KM DE CIVISMO SEMANA DE 15 A 20 DE JULHO DE 1970 José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 76 11 - Ano de 1974 – Visita do General Humberto de Souza Melo Nesta fotografia tirada (Foto Arquivo da 4ª Cia Eng. Cmb. Mec. – Jardim) no auge da extinta CER-3, antes da última revitalização à frente aos túmulos do Guia Lopes, João Lopes, Camisão e Juvêncio, à direita, de botas, bombacha e lenço em torno do pescoço, o neto do Guia Lopes, Murfiel Lopes 8 , aos 82 anos de idade; ao seu lado, o general Humberto de Souza Melo; o terceiro da frente com os braços para trás era o comandante da CER-3, na ocasião Major de Engenharia QEM Dalvo João Storchi. Os demais são oficiais de alta patente. ......???? anos 1980 - Revitalização realizada pelo comandante Cel José Vicente Sanctis Pires Segundo as informações recolhidas na sua primeira administração como Prefeito Municipal de Jardim, foi efetuado algumas melhorias no local onde está o cemitério, com a construção do pequeno monumento que se encontra na entrada e estão fixadas as placas por ocasião das diversas comemorações que naquele lugar foram efetuadas. Também foi realizado o calçamento com as pedras, respeitando o projeto antigo que separa o local do acesso para o público e o das cruzes que caracterizam, ou melhor dizendo, simbolizam as pessoas que ali foram sepultadas. O que se constata que onde estão as cruzes não representa na realidade que exatamente abaixo delas se encontram restos mortais; até mesmo porque as pessoas que foram sepultadas ali, não obedeciam a um planejamento de sepulturas. 12 - Ano de 1989 - Homenagem Constância e Valor Homenagem efetuada em 1989 pelo 44º Batalhão de Infantaria Motorizada (Coxim-MT), cuja denominação histórica recebida em 1986 “Batalhão Laguna”, com o dístico “Constância e Valor” homenageiam os bravos do 21º Batalhão de Infantaria, elemento formador do atual batalhão e que teve destacada participação na Retirada da Laguna. 8 Murfiel Lopes era filho de Pedro José Lopes e Carmelina Barbosa. José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza JARDIM-MS. 77 Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna CONSTÂNCIA E VALOR O 21º BI, ATUAL 44 BIMTZ, HOMENAGEIA SEUS HERÓIS DA RETIRADA DA LAGUNA PERCORRENDO, COM EFETIVO COMPLETO, O ITINERÁRIO DE 122 ANOS PASSADOS: BELA VISTA - JARDIM - NIOAC - AQUIDAUANA - COXIM - CUIABÁ JUN 1867 - OUT 1989 13 - Ano 1991 - Registro Memorial A fotografia registra a primeira homenagem realizada pela 4ª Companhia de Engenharia de Combate Mecanizada aos Heróis. No quadro exposto, Cel. Camisão, Ten Cel Juvêncio e José Francisco Lopes, o Guia Lopes. A partir desse preito, publicado em Noticiário do Exército, que se manifestou o Gen Flammarion, em correspondência ao Cmt da Unidade, o Maj Fernando dos Anjos Souza. (Foto Arquivo da 4ª Cia Eng. Cmb. Mec. – Jardim) 14 - Ano de 1991 – Momento Histórico Registro Histórico. O primeiro da direita, o Senhor Oswaldo Fernandes Monteiro, proprietário da Fazenda Jardim da margem esquerda do rio Miranda (Jardim) e doador da área onde se encontra o CHRL e o último, o Senhor Tuta Barbosa, proprietário da Fazenda Jardim da margem direita do rio Miranda (Guia Lopes da Laguna) (ambos falecidos). No centro, o major Fernando, na ocasião comandante da 4ª Companhia de Engenharia de Combate Mecanizada. José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza (Foto Arquivo da 4ª Cia Eng. Cmb. Mec. – Jardim) JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 78 O Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna, ao longo de vários anos, tem recebido homenagens em diversas situações. Desde o ano de 1991, quando o então major Fernando dos Anjos Souza, comandante da 4ª Companhia de Engenharia de Combate Mecanizada, incluiu o Preito aos Heróis da Retirada da Laguna, durante a realização de uma atividade militar, todos os demais comandantes daquela Unidade também realizam a distinta e singela homenagem. 15 - Ano de 1999 – Registro Histórico A fotografia registra da esquerda para a direita, em pé, na quarta posição, Oswaldo Fernandes Monteiro e esposa, Márcio Monteiro e Evandro Bazzo; posterior a senhora, Sr. Aroldo. (Foto Arquivo da 4ª Cia Eng. Cmb. Mec. – Jardim) 16 - Ano de 1999 - Primeira Marcha Cívico-Cultural Retirada da Laguna No ano de 1999, sob o Comando da 4ª Brigada de Cavalaria Mecanizada, sediada em Dourados-MS, foi realizada a 1ª Marcha Cívico-Cultural da Retirada da Laguna, num percurso de mais de 200 (duzentos) Km, desde a Estância Laguna, em território Paraguai, até a cidade de Nioaque, com a realização de singular homenagem àqueles bravos soldados, em grande formatura geral no Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna. A Retirada da Laguna9, ocorrida entre 8 de maio e 11 de junho de 1867, durante a Guerra da Tríplice Aliança, teve início na Fazenda Laguna, situada no Paraguai, e desenvolveu-se na região 9 Imagens e informes extraídos do Boletim - http://www.exercito.gov.br/VO/169/laguna.htmBrasília - DF Ano XXVIII - N.º 169 RETIRADA DA LAGUNA José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 79 compreendida pelos atuais municípios de Bela Vista, Jardim, Guia Lopes e Nioaque (MS), todos na área de responsabilidade da 4ª Brigada de Cavalaria Mecanizada (4ª Bda C Mec). RETIRADA DA LAGUNA A 4ª BDA C MEC REALIZOU NO PERÍODO DE 13 A 20 DE JUL 99 A PRIMEIRA MARCHA CÍVICO-CULTURAL A PÉ, PERCORRENDO 223 KM ENTRE BELA VISTANIOAQUE E VIVENCIANDO AS EFEMÉRIDES DO VISCONDE DE TAUNAY E O FATO HISTÓRICO RETIRADA DA LAGUNA. E NESTE SÍTIO HISTÓRICO FOI REALIZADA A CERIMÔNIA DE CULTO AOS HERÓIS DESTA CÉLEBRE EPOPÉIA. JARDIM-MS, 18 JUL 1999. 4ª C IA E C MB M EC Com o objetivo de resgatar esse importante fato histórico e cultuar os modelos de virtude e abnegação dos heróis daquela epopéia, foi realizada uma marcha cívico-cultural, congregando, em torno do evento, as comunidades civil e militar, particularmente os segmentos estudantil, acadêmico e de comunicação. Tal evento teve início no dia 13 de julho de 1999, com uma visita às Fazendas Laguna e Machorra – esta localizada no Brasil – e a transposição do rio Apa, na fronteira entre o Brasil e o Paraguai. No dia 14 de julho, iniciou-se a marcha desde Bela Vista até Nioaque. Foi concluída oito dias mais tarde, depois de terem sidos percorridos, a pé, 213 km. Todos os trabalhos concentraram-se no propósito de homenagear os nossos heróis e resgatar a História do Brasil, destacando esse episódio da Guerra da Tríplice Aliança. José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 80 A marcha cívico-cultural dedicada à Retirada da Laguna foi planejada de forma centralizada e executada por todas as unidades da 4ª Bda C Mec. O trecho de 213 km percorrido foi dividido, para fins de execução e apoio logístico (alimentação e montagem de acampamentos), em três áreas de Solenidade no Cemitério dos Heróis responsabilidade a cargo do 10º Regimento de Cavalaria Foto:http://www.exercito.gov.br/VO/169 Mecanizado, da 4ª Companhia de Engenharia de Combate /laguna.htm Mecanizada (4ª Cia E Cmb Mec) e do 9º Grupo de Artilharia de Campanha. Coube ao 28º Batalhão Logístico Mecanizado propiciar o apoio logístico ao evento. Houve ainda um preito aos mortos naquela epopéia no Cemitério dos Heróis – localizado no município de Jardim (MS), – após o que, transpôs-se o rio Miranda com passadeiras. Para se reviver os fatos ali ocorridos, executou-se uma demonstração de transposição de curso de água, empregando-se meios de flutuação improvisados, feitos de couro de boi, nos quais foram transportadas laranjas. Dessa forma, reviveu-se o episódio das laranjas, cujo consumo, segundo alguns autores, permitiu a cura dos coléricos. 17 - Ano 1999 – Registro Histórico Foto Arquivo da 4ª Cia de Eng. - Jardim A fotografia registra do lado esquerdo o general Barroso, responsável e incentivador pela Marcha Cívica Cultural da Retirada da Laguna, iniciada em julho de 1999. Ao seu lado o coronel David, também historiador, responsável pela denominação histórica da 4ª Cia. de Engenharia, “Ten-Cel Juvêncio”, no ano de 2000. 18 - Ano 2003 - Segunda Marcha Cívico-Cultural Retirada da Laguna Mês de Agosto No mês de agosto de 2003, houve a 2ª edição da Marcha Cívico-Cultural, um pouco diferente em relação à de 1999, mas com o mesmo sentimento de reverência aos heróis e cívico patriotismo. José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 81 Exército realiza Marcha Retirada da Laguna Mato Grosso do Sul, Quinta-Feira, 31 de julho de 2003 - 12:13 Fonte: Campo Grande News Luciano Shakihama Fazendo parte das comemorações do bicentenário do nascimento do Duque de Caxias, o Patrono do Exército, o Exército Brasileiro, através da 4ª Brigada de Cavalaria Mecanizada, realiza a partir do dia 5 de agosto, a Marcha Cívico-Cultural Retirada da Laguna. A marcha tem a finalidade de contribuir, através da coleta de dados e da pesquisa de campo, com o estudo daquela epopéia e congregar, durante a marcha em torno do fato histórico, a comunidade militar com os diversos segmentos da comunidade civil. Serão formadas três colunas de marcha saindo simultaneamente de três locais distintos. A primeira sairá de Bela Vista e irá até a Fazenda São Pedro. A segunda sairá da Fazenda Santo Antônio até a Fazenda Jardim. A terceira sairá da Fazenda Maracaju com destino à Fazenda Vista Alegre. As três colunas têm previsão de saída no dia 5 de agosto de seus locais definidos e andarão até o dia 7 de agosto. Após, todos os participantes se encontrarão na Fazenda Vista Alegre, local onde realizarão a última caminhada de 8 Km até a Igreja de Nioaque. Marcha da Retirada da Laguna começa em 3 municípios Terça-feira, 5 de agosto de 2003 17:51 Flávia Lima Fonte: Campo Grande News A 2ª Marcha Cívica da Retirada da Laguna começou hoje, nos municípios de Bela Vista, Nioaque e Jardim. De cada um desses municípios se deslocaram três colunas formadas por militares e civis convidados. O deslocamento para os pontos históricos, empreendida por Guia Lopes e a tropa brasileira durante a Campanha da Tríplice Aliança, teve início por volta das 6h30 de hoje. Os 75 integrantes da coluna de Nioaque (entre eles 25 civis) saíram da Fazenda Jardim e percorrem o caminho em direção à Fazenda Riacho (localizada na região entre Jardim e Maracajú), onde irão passar a noite. Os participantes devem caminhar hoje 23 quilômetros. Integrantes de Marcha visitam Buraco das Araras Quarta-feira, 06 de Agosto de 2003 17:32 Flávia Lima Fonte: Campo Grande News Os participantes da 2ª Marcha Cívica da Retirada da Laguna, que teve início ontem, em três municípios de Mato grosso do Sul, estiveram hoje no Buraco das Araras, na região de Jardim. A coluna, formada por 44 militares e civis, percorreu 28 quilômetros, passando pela Fazenda São Cândido, Fazenda Lagoa Grande, encerrando a caminhada na Fazenda Imbirussu, onde os integrantes da marcha passaram a noite. Hoje pela manhã, após a ida ao Buraco, a José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 82 marcha seguiu para a Fazenda Cambaracê, outro ponto onde a tropa brasileira esteve durante o episódio da Retirada da Laguna. Já a coluna que partiu de Guia Lopes da Laguna, composta por 75 pessoas, percorreu hoje 24 quilômetros, chegando à Fazenda Buriti, localizada a 26 quilômetros de Nioaque. À noite haverá palestras sobre o episódio da Retirada e debates. Amanhã pela manhã os participantes vão até a Fazenda Vista Alegre, que fica a oito quilômetros de Nioaque. Esse percurso deverá ser completado na sexta-feira de manhã, quando haverá a junção das três colunas para o encerramento da marcha. 19 - Ano 2004 - Terceira Marcha Cívico-Cultural Retirada da Laguna 18/06/2004 Lançamento da 3ª Marcha Cívica da Retirada da Laguna. Museu de Arte Contemporânea, Parque das Nações Indígenas. 7h30 Zeca lança projeto da Retirada da Laguna no Marco Sexta-feira, 18 de Junho de 2004 06:20 Patrícia Hadlich O governador de Mato Grosso do Sul Zeca do PT participa esta manhã do lançamento do projeto Trilha da Retirada da Laguna, que será percorrida por uma expedição formada por militares, autoridades civis, profissionais da imprensa regional e mídia nacional, além de representantes de universidades. O percurso de 213 quilômetros entre Bela Vista e Nioaque será feito em uma semana, no período de 2 a 6 de agosto. O lançamento da Marcha será no Museu de Arte Contemporânea, Marco, na rua Antônio Maria Coelho, Parque das Nações Indígenas, às 7h30. Trilha da Retirada da Laguna será feita por convidados Sexta-feira, 18 de Junho de 2004 09:39 Patrícia Hadlich David Majella A 3ª Marcha Cívico Cultural da Retirada da Laguna, em agosto, vai ser percorrida por 300 convidados entre imprensa, Exército, Fundação de Turismo, Secretaria de Cultura e representantes de universidades. Serão 150 civis e 150 militares. Segundo o capitão da reserva do Exército Krugerson Mattos, que organizou as duas trilhas realizadas até agora (em 1999 e 2003), mais 300 pessoas estarão envolvidas no trabalho de apoio nos acampamentos, alimentação, saúde e transporte. O capitão explica que os convidados estarão divididos em três frentes, cada uma percorrendo uma José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza Capitão do Exército levantou o percurso feito pelos militares na Retirada da Laguna. JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 83 parte do caminho. “Uma vai percorrer a trilha em Bela Vista, outra em Nioaque e outra em Jardim”, explica. A trilha será feita a pé em cinco dias. A Retirada da Laguna, em 1867, é um episódio marcante da Guerra do Paraguai, quando militares brasileiros recuaram da cidade paraguaia de Laguna exauridos, com fome e doentes. Marcha cívica revive Retirada da Laguna em MS Quarta-feira, 28 de Julho de 2004 13:17 Marina Miranda A 4ª Brigada de Cavalaria Mecanizada e o CMO (Comando Militar do Oeste) realizam a partir do dia 2 de agosto a 3ª Marcha Cívico-Cultural Retira da Laguna. O evento pretende fazer o mesmo percurso com visita à fazenda Laguna no Paraguai e a travessia do Rio APA. Nos dias 03, 04 e 05 de agosto, três colunas de marcha seguirão simultaneamente de três municípios do Estado. A Coluna Sul vai de Bela Vista a Jardim, a coluna centro vai de Jardim a Guia Lopes da Laguna e a coluna norte vai de Guia Lopes da Laguna até a fazenda Vista Alegre. No dia 06 de agosto todas as colunas se encontram na fazenda Vista Alegre e seguem até Nioaque onde será encerrada a marcha. Além de reviver o percurso da retirada que aconteceu entre maio e junho de 1867, durante a guerra do Paraguai, o evento faz homenagem ao Visconde de Taunay e tem o intuito de contribuir, através da coleta de dados e da pesquisa de campo, com o estudo histórico daquela época. O evento terá participação das Unidades Militares da 4ª Brigada e também estará aberta ao público civil. As inscrições podem ser feitas até 30 de julho 2004 no Comando da Brigada em Dourados, no 10º Regimento de Cavalaria Mecanizado, em Bela Vista, na 4ª Companhia de Engenharia de Combate Mecanizada, em Jardim e no 9º Grupo de Artilharia de Campanha, em Nioaque. 20 - Ano 2006 - Quarta Marcha Cívico-Cultural Retirada da Laguna De acordo com a publicação no Jornal O Estado do Pantanal, com o título "Resgatando a História", extraímos partes da reportagem focando o evento da Quarta Marcha da Retirada da Laguna, a passagem pelo Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna e a assinatura do termo de doação das terras, pela Senhora Iva Maciel Monteiro onde está assentado o CHRL, entrega oficial feita ao comandante da 4ª Companhia de Engenharia de Combate Mecanizada, Major Mauri Félix. Uma Marcha10 para relembrar um dos episódios mais importantes da história de Mato Grosso do Sul: A Retirada da Laguna. A Quarta Marcha dedicada à Retirada da Laguna, teve 10 Publicação O Estado do Pantanal, Ano V-Nº 311, 28 de Julho de 2006, p.1,4,9. José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 84 início no sábado, dia 22 de Julho de 2006, onde as colunas de Jardim, Nioaque e Bela Vista iniciaram o trajeto a partir dos sítios históricos no Paraguai. Na região de Bela Vista os participantes visitaram as trincheiras da Fazenda Laguna, Fazenda Machorra e o Monumento Nhandepá. A Marcha percorreu cerca de 180 quilômetros, sendo que parte foi realizada motorizada e a outra parte à pé, totalizando cinco dias de atividades. A caminhada iniciou efetivamente a partir da fazenda São Cândido. Na região foram registrados os primeiros casos de cólera entre a coluna comandada pelo coronel Carlos Camisão. A Marcha chegou ainda até o monumento dos Leites e ao Cemitério do Cambarecê, está localizado no Município de Jardim em homenagem aos 122 coléricos que ficaram pelo caminho da retirada. A partir da Fazenda Mimoso, onde está localizado o Monumento do Cambarecê, a coluna visitou o local onde está o monumento da sepultura do Filho do Guia Lopes, José Francisco Lopes e de Dona Maria Pereira, o também José Francisco Lopes Junior, que também faleceu em 1867, pouco antes do Pai, vitimado pela Cólera, localizado na atual Fazenda Jatobá. Estiveram inscritos 75 civis para Marcha, entretanto somente 50 participaram. Chegada ao Cemitério Da Fazenda Jatobá seguiu-se para o Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna. No local aconteceu uma formatura Cívico Cultural e teve a participação dos prefeitos Evandro Bazzo, de Jardim e Nelson Moreno, de Guia Lopes da Laguna, do comandante da 4ª Companhia de Engenharia de Combate Mecanizada, Major Mauri Marcelo Félix Freitas, do General de Exercito Renato César Tibau da Costa, do Comando da 4ª Brigada de Cavalaria Mecanizada de Dourados, General de Brigada Sérgio Westhhalen Etchegoyen, do Promotor de Justiça Humberto Lapa Ferri, entre outras autoridades civis e militares de Jardim e da Região. 21. Assinatura da doação da Área Na cerimônia a proprietária das terras onde está instalado o Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna, a Senhora Iva Maciel Monteiro, entregou a documentação de doação da área ao comandante da 4ª Cia Eng, Major Felix. Também foi apresentada a maquete do projeto arquitetônico e paisagístico do CHRL que será construído futuramente. Dona Iva Maciel Monteiro, assina Destacou o Prefeito Evandro Bazzo a importância o Termo de Doação das terras da revitalização do Monumento dos Heróis a partir da juntamente com o major Félix Freitas. doação da área ao exército, será possível viabilizar (Foto Jornal O Estado do Pantanal) recursos junto ao Ministério da Defesa, é uma obra importante e estaremos colaborando para que seja implantada em breve. José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 85 Mensagens Durante a homenagem aos Heróis da Retirada da Laguna, o Comandante da 4ª Brigada de Cavalaria Mecanizada de Dourados, General de Brigada Sérgio Westhhalen Etchegoyen, falou dos valores éticos e morais que norteiam o futuro do país, que o povo brasileiro precisa fazer vingar os valores éticos e morais de Carlos Camisão e do Fazendeiro Guia Lopes e de tantos outros que participaram daquele episódio. Valores estes que vão ajudar na construção de um país melhor, ao contrário vamos ceder espaços aos marcolas, mensaleiros, PCC entre outros. O Brasil é um país sofisticado politicamente, mas é preciso ainda erradicar a cultura do “jeitinho”, do meio fácil ou do pistolão. Quem participou da Marcha tem a noção destes valores tão importantes e que precisam vingar em nosso país. Cópia da escritura oficial de posse da área do cemitério, que passou no primeiro momento a oficialização entre a Quarta Companhia de Engenharia. Mais tarde percebeu-se que havia acontecido um pequeno equívoco no sistema de doação, o que levou as autoridades a fazerem uma Retificação. Termo de Retificação e retificação da escritura pública de doação celebrada entre a Senhora Iva Maciel Monteiro e a União e entrega ao Comando Militar do Oeste/9ª. Região Militar com área de 0.8646,00 m2, parte da fazenda Jardim, imóvel denominado “Cemitério dos Heróis”, situado no Município de Jardim . Militares usaram uniformes da época para homenagear soldados heróis, foi também um dos momentos significativos da Marcha. (Arquivo dos Autores) José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza 86 JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza 87 JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza 88 JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza 89 JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza 90 JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 22. Termo de ratificação e retificação José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza 91 JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 92 Mais tarde percebeu uma falha na doação da área do local denominado Cemitério da dos Heróis da retirada da laguna, a área deveria ser doada a União e não a Companhia e para isso foi feito a ratificação da mesma Escritura. José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza 93 JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza 94 JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 95 23 - Ano 2007 - Quinta Marcha Cívico-Cultural Retirada da Laguna “A história de Jardim11 se confunde com um dos maiores fatos históricos do Brasil, no cenário da Guerra da Tríplice Aliança na Campanha Retirada da Laguna, atos vividos no passado, mas que trazem, hoje, a possibilidade de integração cívica, cultural e econômica dos municípios envolvidos. 11 Jornal Tribuna PopularANO 26 - Jardim e Região Sudoeste de MS - Domingo, 10/2/2008 - Edição N.º1392 . Núcleo de Comunicação/PMJardim José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 96 As trilhas percorridas no passado por indígenas e pioneiros, que marcam a página heróica de nossa história, é hoje lembrada pelo glorioso Exército Brasileiro, através da Marcha CívicoCultural – A Retirada da Laguna. As atividades que marcaram a quinta edição da marcha, em Jardim, foram realizadas sob a coordenação da 4ª CIA Eng. Cmb. Mec., comandada pelo capitão Robert Maciel de Souza, e tiveram início no dia 31 de julho no anfiteatro da UEMS onde o Exército, acadêmicos e sociedade se integraram e receberam orientações para os interessados em participar da marcha cívica. A marcha aconteceu no último final de semana e foi iniciada em Bela Vista na sexta-feira (10/08). A coluna foi recebida em Jardim no domingo, na fazenda Mimoso, onde se encontrava o prefeito Evandro Bazzo que, juntamente com o General-de-Exército José Carlos De Nardi – comandante do Comando Militar do Oeste – CMO; General-de-Divisão Walter Paulo – comandante da 9ª Região Militar; General-de-Brigada João Henrique Carvalho Freitas – Chefe do Centro de Operações do CMO; General-de-Brigada Roberto Fantoni Saurin – comandante da 4ª Brigada Cavalaria Mecanizada, e demais autoridades e convidados participara da visita ao Cambaracê, local onde os coléricos foram deixados pela Coluna de Carlos Camisão e onde os Agentes Jovens da Prefeitura de Jardim apresentaram uma encenação do episódio. Da fazenda Mimoso, a coluna se dirigiu para recepção na 4ª CIA e, no período da tarde seguiram par ao marco histórico de Jardim – Cemitério dos Heróis, onde participaram da formatura cívico-cultural”. O evento encerra dia 12, domingo, com um ato cívico no Cemitério dos Heróis, a partir das 16 horas e toda comunidade estava convidada a participar e reviver os dias que marcaram a época. “12A passagem da coluna da Retirada da Laguna por Jardim teve seu encerramento no Centro de Convenções Oswaldo Fernandes Monteiro, na noite do domingo (12/08), quando foi recepcionada pelo prefeito Evandro Bazzo. “Relembrar heróis de nossa terra é importante para cultuar o civismo de um povo, que deles é descendente. Jardim nasceu com a bravura e a garra do povo brasileiro, portanto não podemos deixar de dar suporte à realizações que visam trazer essa lembrança ao jardinense que deles herdou a vontade de vencer”, disse.” 24 - Ano de 2008 – Sexta Marcha Cívico-Cultural “Retirada Da Laguna” Dia 3 de Agosto de 2008 – Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna” A Realização da VI Marcha Cívico-Cultural “Retirada Da Laguna” Constou apenas de atos solenes em locais e cidades históricas nos Municípios de Bela Vista, Jardim, Guia Lopes da Laguna e Nioaque. Não houve a tradicional caminhada em virtude da falta de recursos financeiros para garantir o apoio logístico aos participantes da marcha. Marcha Cívico-Cultural – A Retirada da Laguna em Jardim Domingo, dia 19 de Agosto de 2007. www.aquidauananews.com José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna Sabemos que é o Exército Brasileiro através das organizações militares que vem mantendo acesa a chama do Civismo Histórico alusivo à Campanha da Guerra do Paraguai e ao contexto da Retirada da Laguna na região Sudoeste do Estado. 97 Solenidade no Cemitério dos Heróis no dia 3 de agosto, por ocasião da realização da VI Marcha Cívico-Cultural da Retirada da Laguna. (Arquivo dos Autores) A 4ª Brigada de Cavalaria Mecanizada em parceria com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e com o Governo do Estado do Mato Grosso do Sul, e com o apoio da POUPEX, do Banco do Brasil e do Banco SICREDI, e de algumas prefeituras municipais realizou no período de 1º a 3 de agosto de 2008, a 6ª edição da Marcha Cívico-Cultural Retirada da Laguna. A 6ª Marcha Cívico Cultural tem como objetivo precípuo resgatar a história da “Retirada da Laguna”, conservando suas evidências nas cidades que serviram de palco para o episódio. Busca reforçar o sentimento de patriotismo e de orgulho matogrossense pelo culto dos heróis da Retirada que deram mostras de superação física e psicológica. Será o refazer da epopéia dos bravos matogrossenses e brasileiros, percorrendo os caminhos por eles realizados. Para a comemoração da VI Marcha da Retirada da Laguna foi confeccionada uma camiseta alusiva e distribuída entre muitos dos participantes nas cidades de Bela Vista, Jardim e Nioaque. Estampa “Frente da Camiseta” (Foto da camiseta de José Vicente Dalmolin) José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza Estampa “Costas da Camiseta” (Foto da camiseta de José Vicente Dalmolin) JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 98 “Nos dias 2 e 3 de agosto, a 4ª Companhia de Engenharia de Combate Mecanizada realizou a VI Marcha Cívico-Cultural “Retirada da Laguna”, resgatando a história e reforçando os sentimentos de patriotismo entre os munícipes de Jardim e Guia Lopes da Laguna, palco da epopéia dos episódios ocorridos durante a Retirada da Laguna. Estiveram presentes alunos da Escola Chaquib Kadri e do Projeto Pelotão Esperança de Jardim e alunos das Escolas Basílio Barbosa, Escola Agrícola e Projeto Patrulha Florestinha de Guia Lopes da Laguna. O Comandante da 4ª Cia E Cmb Mec – Maj Robert Maciel de Sousa, convidou a todos para voltar no tempo e reviver os fatos históricos ocorridos na Guerra da Tríplice Aliança (18641870) e conhecer “in loco” os locais destes municípios onde ocorreram importantes acontecimentos de nossa história. Como parte das solenidades, três eventos de grande importância: a reconstituição do fato ocorrido em 27 de maio de 1867 quando, no monumento denominado “Cambaracê”, na Fazenda Mimoso, há 141 anos, cerca de 130 coléricos que integraram a Coluna foram impiedosamente fuzilados pela tropa paraguaia. O nome Cambaracê significa em língua tupi-guarani, “negro que chora”, uma alusão aos gritos e gemidos dos enfermos. Neste local, o Grupo teatral do Programa Nacional de Inclusão de Simulação da travessia do rio Miranda entre a Fazenda Jardim e o Jovens – PROJOVEM – Cemitério dos Heróis, com laranjas transportadas em “Pelotas” (Arquivo dos Autores) da Gerência de Assistência Social de Jardim, sob a coordenação da Professora Elida Maria Ferreira de Oliveira, realizou uma encenação histórica deste episódio da Retirada da Laguna. A noite, no Centro de Convenções Osvaldo Fernandes Monteiro, em Jardim, o capitão Brito, do Centro de Operações da Companhia, proferiu uma palestra ricamente ilustrada sobre a Guerra do Paraguai. O PROJOVEM apresentou um texto escrito pela Professora Rita Carmem Braga Lima, lido pela aluna Katiúcia – e um jogral em homenagem aos heróis da Retirada da Laguna. Dando continuidade, a Companhia de Artes Cênicas Petitó, da Prefeitura Municipal de Nioaque, através de seu diretor de Cultura e coordenador do Grupo teatral – Lourival Aiwi, realizou a apresentação da peça intitulada “Ana Mamuda”, que conta a história da guerra de uma forma animada, descontraída e por vezes divertida. José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 99 Encerrando os eventos programados, no domingo pela manhã (dia 3 de agosto de 2008), no Cemitério dos Heróis - patrimônio histórico do município de Jardim, na margem esquerda do Rio Miranda, foi realizada uma solenidade em homenagem aos heróis da Retirada da Laguna, conservando deste modo suas evidências neste palco histórico. Em ato solene, o coronel Luis Augusto Cristóvão Lioti - Chefe do Estado-Maior da 4ª Brigada de Cavalaria Mecanizada, o Major Robert - Cmt da 4ª Companhia e um aluno do Projeto Pelotão Esperança da Prefeitura Municipal de Jardim, colocaram no monumento histórico, uma corbelha de flores simbolizando a gratidão do povo dessa Chegada à Fazenda Jardim de um grupo de civis e militares. região, seguido do toque Após a solenidade no Cemitério dos Heróis e a travessia do Rio Miranda pela ponte móvel construída pela 4ª Cia E Cmb Mec – de silêncio em homenagem Município de Guia Lopes da Laguna aos heróis que padeceram (Arquivo dos Autores) neste local. A cerimônia foi encerrada com a travessia do Rio Miranda sobre uma passadeira de alumínio construída pela 4ª Cia, e uma caminhada até o laranjal da Fazenda Jardim já no município de Guia Lopes da Laguna, onde foram finalizados os eventos”. http://www.tribunapopular news.com.br/news.php?ne wsid=10807 ANO 26 - Jardim e Região Sudoeste de MS - Domingo, 10/8/2008 Edição N.º1417. 25 - Ano 2009 – Evento alusivo a sétima caminhada da Marcha CívicoCultural aos 142 anos da Retirada da Laguna Este ano, no dia 28 de setembro, houve uma mobilização militar com a participação do Exército, Marinha e Aeronáutica, com o objetivo de promover treinamento das Forças Armadas. A Operação contou com a presença do Ministro Nelson Jobim e envolveu os municípios do Sudoeste do Mato Grosso do Sul. Assim como os outros eventos sempre envolve os acontecimento além do local do cemitério, mas também pelos locais os combatentes percorreram nos idos de maio e junho de 1867. José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza JARDIM-MS. A seguir transcreveremos literalmente o texto, do Jornal Tribuna Popular, de Jardim que gentilmente nos deram apoio para resgatar o contexto histórico e imagem dos seus arquivos. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 100 No centro o ministro Nelson Jobim; à esquerda o prefeito de Guia Lopes da Laguna, Sr. Jacomo Dagostim, e à direita o prefeito de Jardim Sr. Evandro Bazzo. “Jardim recebeu o Ministro da Defesa Nelson 13 Jobim ” A Operação Laguna que começou no dia 28 de setembro chegou ao fim na tarde de 7 de outubro com manobras realizadas em Guia Lopes da Laguna para receber o ministro da defesa Nelson Jobim, que chegou em Campo Grande concedeu uma entrevista de trinta minutos para a imprensa da Capital e seguiu para Jardim para o encerramento do Exercício. A Operação Laguna mobilizou mais de dez mil homens do Exercito, Marinha e Força Aérea dentro de todo o Estado do MS, segundo o ministro Jobim. Este exercício é desenvolvido todos os anos e tem como foco principal promover o treinamento das Forças Armadas Brasileiras por meio da simulação de um conflito internacional. O local da Operação é definido em sistema de rodízio entre as regiões do Brasil. Em 2008, o exercício foi realizado na região sul do país, este ano, foi no Mato Grosso do Sul abrangendo as cidades de Campo Grande, Dourados, Ponta Porã, Nioaque, Guia Lopes da Laguna, Jardim, Bela Vista, Ladário e Coimbra. Os principais objetivos da Operação Laguna são: aperfeiçoar a logística conjunta das Forças Armadas, treinar ações humanitárias e de apoio a evacuados em uma situação de conflito simulado, difundir o sentimento de patriotismo junto à população e realizar ações de apoio a população da área 13 Redação Tribuna Popular Juliana Brum Fotos – Toninho Souza Matéria publicada no Jornal Tribuna Popular do dia 9 de outubro de 2009, Ano 27, n. 1477 . 12 páginas, caderno dois. José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 101 do exercício. Durante a Operação, tropas, veículos, embarcações e aeronaves da Marinha, do Exército e da Força Aérea executaram na região, missões reais como bloqueios nas principais rodovias, além de simulações como durante a apresentação feita para Jobim na última quartafeira. Foto - Operação militar com helicópteros No encerramento da Operação estavam presentes as seguintes autoridades: Ministro da Defesa Nelson Jobim; General de Exército e Comandante do Exército Enzo Martins Peri, Almirante de Esquadra Aurélio Ribeiro da Silva Filho, Major Brigadeiro Pertusi, o Comandante da 4ª Brigada de Cavalaria Mecanizada de Dourados, Luis Felipe Kramer Carbonell, o Prefeito de Jardim Evandro Bazzo, Prefeito de Guia Lopes da Laguna Jacomo D’Agostin, Presidente da Câmara de Jardim Gláucio Cabrera, Vereadora Cláudia Barbosa, Vereador Ernei Barbosa e também o Vereador Tadeu Ruiz. José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 102 Foto - Operação militar aérea com grupo de pára-quedistas e deslocamento de tropa com apoio de helicópteros. Momento alto da solenidade foram as simulações de “controle Este ano 28 de setembro houve uma mobilização militar com a participação do Exército, marinha e Aeronautica. Com objetivo de promover treinamento das Forças Armadas. A Operação contou com a presença do Ministro Nelson Jobim. Envolvendo os municípios do Sudoeste do Mato Grosso do Sul. Assim como os outros eventos sempre envolve os acontecimento alem do local do cemitério, mas também pelos locais os combatentes percorreram nos idos de maio e junho de 1867. de evacuados” que representou situações de emergência em que as tropas retiraram do local de emergência autoridades e pessoas envolvidas, além dos saltos de paraquedas realizado pelo 27º Batalhão da Brigada de Infantaria Pára-quedista do RJ que se apresentaram com 67 homens, representando os 800 homens das Forças de Ação Rápida Brasileira, aptos para atuarem em todo o território nacional. Durante os minutos em que o Ministro esteve com a imprensa local, Jobim revelou para o jornal “Tribuna Popular” que não tem Projetos para realizar reformas ou criar homenagens para os heróis da Retirada da Laguna, fato histórico que marcou MS e todo o país ao recordar da Guerra da Tríplice Aliança, mas que levará a idéia para o Ministério de Turismo e também para José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 103 o Ministério da Cultura, pois reconheceu que é um fato importante da nossa história de combate e precisa ser cortejado. “Fico feliz em receber em nossa cidade importante autoridade e fazermos parte de uma importante Operação que mobilizou mais de dez mil homens em nome da Pátria, assim realizando simulações para eventuais necessidades”, ressaltou prefeito Evandro Bazzo. Após as apresentações e simulações as autoridades participaram de um almoço reservado na 4ª Cia Eng, de Jardim.” Redação Tribuna Popular Juliana Brum Fotos – Toninho Souza Este ato realizado na região sudoeste do Estado marcará para sempre a nossa História, fato relevante para as comemorações dos 142 anos do episódio do falecimento de combatentes da coluna militar em operação, coronel Camisão, tenente-coronel Juvencio, o Guia Lopes e tantos outros vítimas da cólera e alguns vitimados pelo afogamento ao tentar atravessar o Rio Miranda, na ocasião havia uma enchente. José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 104 UNIDADE VIII BREVE BIOGRAFIAS DE LOPES, CAMISÃO E JUVÊNCIO José Francisco Lopes Carlos de Moraes Camizão Juvêncio Manoel Cabral de Menezes JOSÉ FRANCISCO LOPES, “O Guia Lopes” (Do Livro – Guia Lopes da Laguna, Nossa Terra, Nossa Gente, Nossa História – José Vicente Dalmolin) 1. Introdução Aqui, para os lagunenses, José Francisco Lopes, o Guia Lopes, além de morador ilustre, emprestou o seu nome de guerra “Lopes”, imortalizado como um dos heróis da forçada Retirada das Tropas em operação no sul da Província de Mato Grosso das terras paraguaias, na região da Fazenda Laguna, embora não conseguiu ver o final da Guerra, mas cumpriu seu “destino” como “Guia” das tropas do Apa à margem esquerda do rio Miranda, em terras de sua propriedade. Na memória dos seus descendentes e admiradores da década de 1930, batizaram a fundação do Patrimônio com o topônimo de “Guia Lopes”, posteriormente Distrito e Município. Laguna, relativo ao nome da Fazenda no Paraguai, de onde houve a retirada. Além do Histórico, de José Francisco Lopes, o Guia Lopes e de dona Senhorinha Barbosa, legaram uma parentela grandiosa dos Lopes e Barbosas, constituindo as raízes das primeiras famílias do Município e região. José Francisco Lopes, o Guia Lopes, era neto de portugueses, filho de Antonio Francisco Lopes e Theotônia Joaquina de Souza. Seus ascendentes têm raízes em Itabira, Ituverava e Curral Del Rei (hoje Belo Horizonte) Foram os seus padrinhos de batismo Francisco de Paula Machado e Maria Felícia de Jesus. O registro de batismo foi assinado pelo vigário Vicente Inácio da Silva. Nascido a 26 de fevereiro de 1811. Três foram os “José Francisco Lopes”: o pai mineiro e que nasceu no município de Piumhi e os filhos mato-grossenses, o primeiro, desconhecemos ainda o local do seu nascimento, provavelmente na região de Paranaíba, recebera o nome de José Francisco Lopes Junior, do primeiro casamento do Guia Lopes com Dona Maria Pereira e que falecera no dia 26 de maio de 1867, durante a retirada da Laguna; e o segundo filho, José Francisco Lopes, do segundo José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 105 casamento com Dona Senhorinha Maria Conceição Barbosa de Lopes, nasceu na Fazenda Jardim, atual município de Guia Lopes da Laguna, sendo um dos fundadores da cidade e que doou terras para o início do assentamento do patrimônio de Guia Lopes. 2. O que dizia Lopes, do Livro Retirada da Laguna, de Visconde de Taunay _ “Prometeu-me o governo dar-me, a título de recompensa, trezentos mil réis, mas nunca os pagou. Perdoei-lhe a dívida”. (Sobre uma ferida incurável que tinha na planta do pé). _ “Nada sei, sou sertanejo, os senhores que estudaram nos livros, é que sabem”. (Em discussão no acampamento dos soldados). _ “Desafio todos os engenheiros com as suas agulhas e plantas. Nos campos da Pedra-deCal e Margarida sou rei”. (Sobre o caminho a ser tomado pela tropa em direção a Laguna). _ “Só Deus, eu e meu filho podemos ir de minha Fazenda ao Apa pelo campo”. (Sobre o trajeto entre a Fazenda Jardim e o rio Apa). _ “O da minha cabeça”. (Sobre o rumo que seguiria para frustrar uma tocaia dos paraguaios). _ “Bem se vê que os senhores são novatos nessa terra”. (Aos oficiais e soldados da expedição). _ “Quando alguém, pelo campo procura caminho nunca deve parar”. (Orientando a retirada da tropa). _ “Saibamos morrer; dirão os sobreviventes o que fizemos”. (Buscando elevar o moral num momento difícil da epopéia). _ “Deus que tudo determina, salvou-o várias vezes das mãos dos homens para tomá-lo hoje”. (Sobre a morte do Filho)3 _ “Agora que importa? Entreguem à terra o que lhe pertence”. (Quando lhe disseram que a terra em que seu filho seria sepultado estava encharcada). _ “Salvei a expedição; o senhor que o sabe há de dizer”. (Ao tenente-coronel Juvêncio, pouco depois de atacado pelo cólera-morbo). _ “Reparem neste campo verde escuro; é o meu retiro. Não chegarei lá. Os senhores é que em breve estarão em Nioac”. (Pouco antes de morrer). 3 O que dispomos de informação sobre quais dos filhos morreram, temos “Que duro tempo da guerra que além do seu marido perdeu a peticionaria três filhos, Antonio, Manoel e Affonso Lopes, que voluntários ao serviço da Pátria pereceram, o primeiro com viagem para a Capital do Estado e os outros massacrados em luta com o inimigo...” José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 106 3. Taunay tratava Guia Lopes como homem das solidões É de Taunay a mais completa descrição desse mineiro-matogrossense célebre. Em seu livro A Retirada da Laguna, chamava-o de o “homem das solidões”. Numa visão romântica, o escritor, que como 2º tenente do 20º Batalhão de Infantaria participou da campanha do Mato Grosso, em 1867, revela que a figura do velho Guia Lopes evocava o personagem “Olho de Falcão”, da obra de James Finamore Cooper “O Último dos Moicanos”. Alfredo D‟Escragnolle Taunay, o Visconde de Taunay, que entre outras funções foi oficial superior do Exército Brasileiro, senador do Império, membro da Academia Brasileira de Letras, escreveu, entre outros livros, a Retirada da Laguna. Sobre Lopes escreveria Taunay em seu livro publicado em 1871: “tivera desde a infância o pendor pelas entradas nos sertões brutos. Contava-se também que um ato violento, da primeira mocidade, lhe impusera, durante algum tempo, esse modo de vida. Viera depois a idade desenvolver-lhe todas as aptidões. Prodigiosamente sóbrio, viajava dias inteiros sem beber, trazendo a garupa da cavalgadura pequeno saco de farinha de mandioca, amarrado ao pelego macio, que lhe forrava o selim. Jamais deixava o machado destinado a cortar palmito. Nascido na Vila de Piumhi (sic) em Minas Gerais, dali, ao léu das aventuras, havia atingido todos os pontos da área que se estende das margens do Paraná às do Paraguai. A fundo conhecia as planícies que entestam com o Apa, divisa do Brasil e do Paraguai. Numerosas localidades até então virgens do pé humano, até mesmo selvagem, percorrera e a várias batizara (Pedra-de-Cal, entre outras). Tomara em nome do Brasil, posse ele só, de imensa floresta, no meio da qual plantara uma cruz, grosseiramente falquejada, onde esculpira a inscrição P II (Pedro Segundo), imponente madeiro, perdido no recesso dos desertos. Criava a iniciativa do sertanista domínios ao soberano. Numa viagem para estudar a navegação do rio Dourados, afluente do Paraná, teve gravemente ferida a planta do pé, acidente que jamais pudera curar-se. Um dia, como lhe víssemos a chaga, semicicatrizada, sempre a sangrar, disse-nos: “Prometeu-me o governo dar-me a titulo de recompensa 300 mil réis, mas nunca os pagou. Perdoei-lhe a dívida; o que se me devia era uma condecoração: já há tenho e nada mais quero”. Durante sete anos com a família, residira no Paraguai; mas no momento da invasão, já estava ao solo brasileiro, habitando a margem direita do rio Miranda, uma propriedade sua que batizara Jardim, fertilizada pelo seu trabalho e o dos filhos já crescidos. Ele e a mulher Dona Senhorinha, generosamente hospedavam quantos ali fossem ter. Quando em 1865, irromperam os paraguaios em território brasileiro, conseguira escaparlhes, mas único da família, que caíra toda em poder do inimigo e fora transportada para a aldeia paraguaia de Orcheta, a sete léguas da cidade de Concepcion. Com ela vivia o coração do velho Guia. Por todas estas razões, nele encontrou o coronel Camisão apaixonado adepto. Desde que lhe dando a conhecer seus projetos, acenou a José Francisco Lopes com o ensejo de, como guia da expedição, ir ter com a família e vingar-lhe os agravos, empolgou o espírito do sertanista José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 107 brasileiro, que apesar de todo o ardor, jamais perdeu, contudo a perfeita intuição das conveniências. Assim, nunca esquecendo a modéstia da posição frequentemente dizia: nada sei, sou sertanejo; os senhores que estudaram nos livros é que sabem. Era o orgulho num único ponto irredutível, no que tocava ao conhecimento do terreno, legítima ambição, além do mais, pois dela nos proveio a salvação. Desafio exclamava, todos os engenheiros com suas agulhas (bússola) e plantas. Nos campos da Pedra-de-Cal e Margarida sou rei. Só eu e os índios Cadiuéus conhecemos tudo isso. Resolveu-se à partida de Nioac, embora já com grandes dificuldades tivéssemos que lutar, sobretudo quanto ao abastecimento de gado”. 4. Consagração do velho herói mineiro-matogrossense 13 de maio de 1867 um novo e violento combate entre as tropas comandadas pelo coronel Camisão e as forças paraguaias. Os brasileiros escorraçaram os inimigos, mas perdem as últimas cabeças de gado destinadas à alimentação dos combatentes. Centenas de mortos de ambos os lados. O Guia Lopes é a única esperança de salvação dos milhares de esfarrapados e castigados soldados que naquela altura dos acontecimentos, transformaram-se os bravos que seguiam do Rio de Janeiro para tomar de assalto à Laguna, propriedade do ditador do Paraguai, Solano Lopez. Lopes, o Guia brasileiro, insiste que o melhor caminho de volta é o da sua fazenda, um percurso que só ele, o seu filho, e os índios conheciam. Os paraguaios ateiam fogo à macega. Lopes determina as providências, dá ordens e a retirada toma formas. As carretas atolam nos pântanos. Carga cerrada da artilharia inimiga e a longa fila seguem varando os sertões numa epopéia militar recheada de sofrimentos e penúrias, de sangrentos combates, de fome, de peste, e, sobretudo, de atos de bravura e heroísmo. Esse episódio, contado no Livro pelo Visconde de Taunay, tornou-se conhecido como a Retirada de Laguna. Uma tentativa frustrada de invasão do Paraguai por tropas brasileiras comandadas pelo coronel Carlos de Moraes Camisão, a partir do Sul de Mato Grosso. Estrategicamente insustentável, a operação só não se tornou um desastre maior graças à atuação do Guia Lopes. Conhecedor profundo da região de divisa entre o Brasil e o Paraguai, esse piumhiense que passara boa parte de sua juventude no então distrito de São Roque, guiou a expedição de volta ao solo brasileiro, no momento em que a situação tomou proporções trágicas. Foi por sua providencial e decisiva participação nesse episódio, um dos mais dramáticos da Guerra do Paraguai, em 1867, que José Francisco Lopes (1811-1867) – entrou para a galeria dos heróis cultuados pelo Exército Brasileiro – e conquistou o seu lugar nas páginas da História do Brasil. Dos quase dois mil homens que participaram da invasão, menos da metade voltou com vida. Entre os que pereceram na retirada da Laguna, está o próprio Guia Lopes, e o seu filho, José Francisco Lopes Junior; este e o seu genro Inácio Gonçalves Barbosa foram os únicos José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 108 familiares que ele voltou a ver desde 1865, quando os paraguaios invadiram suas terras no Mato Grosso e capturaram toda a sua família. O desenrolar dos acontecimentos: ANO DE 1867 1º de janeiro – Nomeado pelo governo de Mato Grosso, o coronel Carlos de Moraes Camisão assume o comando das forças que deveriam atuar sobre o Alto Paraguai. 24 de janeiro – A tropa chega à Vila de Nioac. José Francisco Lopes oferece-se para acompanhá-la como guia. É aceito e logo ganha a confiança do coronel Camisão. Torna-se o seu conselheiro. 25 de fevereiro – A força marcha sobre a fronteira paraguaia. Forma-se o Conselho de Guerra. 25 de março – O Guia Lopes em companhia de um grupo de índios Terenas e Guaicurus partem em missão de reconhecimento do terreno. No retorno desta expedição recebe a notícia de que seu filho havia escapado dos paraguaios e viera juntar-se às tropas, após dois anos de cativeiro. O reencontro de pai e filho emociona a todos na Colônia Militar de Miranda, hoje terras do Município de Guia Lopes da Laguna. 19 de abril – A tropa brasileira tem o primeiro encontro choque com os paraguaios, coloca-os em fuga e vai acampar a margem do rio Apa, na fronteira. 20 de abril – Os brasileiros tomam a fazenda Machorra, propriedade do ditador Solano Lopez que mantinha em terras brasileiras. 21 de abril – os inimigos recuam. Os brasileiros cruzam a fronteira e tomam o Forte de Bela Vista. Há uma troca de mensagem entre os dois exércitos. Os paraguaios referem-se ao coronel Camisão como Crânio Pelado. 1º de maio – Os brasileiros entram na fazenda Laguna, também pertencente a Solano Lopes. A propriedade havia sido incendiada e abandonada pelos paraguaios. 4 de maio – Começa a faltar alimentos para os soldados. O Mascate italiano Miguel Arcanjo Saraco chega ao acampamento conduzindo duas carretas de víveres que são insuficientes. Os brasileiros, apesar disso, forçam e tomam um acampamento paraguaio, mas sofrem baixas consideráveis. 8 de maio – Acirram-se os combates. Crescem as dificuldades. A coluna começa a retroceder sobre o rio Apa e é completamente envolvida pelos inimigos. Já em retirada. 11 de maio – O filho de Lopes é ferido. José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 109 13 de maio – Cada vez mais violentos os choques. Incêndios na vegetação põem em risco a vida das tropas que recua. 18 de maio – Chove torrencialmente. Os soldados comem a carne dos cachorros da tropa. Estão maltrapilhos e debilitados. Arrastam-se pelo solo alagadiço sob tiroteio cerrado. Um boi é devorado cru pelos soldados. Novo drama. Surge uma epidemia de cólera. 21 de maio – Meia légua apenas fora vencida desde o dia 19. Agora começa a faltar água. 22 de maio – O coronel Camisão envia mensagem à Nioac. Pede ajuda. 22 de maio – Chuva pesada. Mais soldados morrem da peste. O frio fustiga. À noite, passado o temporal, a tropa se alimenta de palmitos colhidos pelo Guia Lopes. 25 de maio – A peste mata mais vinte. Diante do estado de fadiga da tropa e da impossibilidade de transportar os enfermos, o coronel dá a ordem de abandoná-los numa clareira. “Compaixão para com os coléricos” – pedia o cartaz deixado pelos brasileiros junto aos que ficaram. 26 de maio – De cólera morre o filho de Guia Lopes. A fazenda Jardim estava próxima. O Guia e o comandante também são contaminados pela doença. 27 de maio – A tropa entra em terreno seguro, a Jardim, propriedade de Lopes, que morre a meia légua de sua casa. É enterrado às margens do rio Miranda. A expedição ou o que restava dela, estava salva. 5. Paróquia guarda batismo do Herói O nascimento de José Francisco Lopes está registrado no livro de Batizados da Paróquia de Nossa Senhora do Livramento de Piumhi, volume número 1, que compreende os anos de 1773 a 1816. A seguir, a reprodução do assento de batismo de Guia Lopes, no livro I da Paróquia de Nossa Senhora do Livramento de Piumhi, na data de 8 de maio de 1811. O Guia Lopes nasceu no dia 26 de fevereiro de 1811. José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 110 Por outro lado acrescenta dados até então inéditos do único piumhiense a figurar no panteão dos heróis nacionais, celebrizado por Taunay numa das passagens mais dramáticas da Guerra do Paraguai conhecida como a Retirada da Laguna. José Francisco Lopes, o Guia Lopes, era neto de portugueses, filho de Antonio Francisco Lopes e Theotônia Joaquina de Souza. Seus ascendentes têm raízes em Itabira, Ituverava e Curral Del Rei (hoje Belo Horizonte). Foram os seus padrinhos de batismo Francisco de Paula Machado e Maria Felícia de Jesus. O registro de Batismo foi assinado pelo vigário Vicente Inácio da Silva. O resgate do batismo de Guia Lopes também não deixa mais dúvida alguma sobre a naturalidade do Guia Lopes: piumhiense. Pelo intervalo entre as datas de nascimento, 26 de fevereiro e a do batizado, 7 de maio – 70 dias – deduz que tenha nascido na zona rural do município. Contam que teria vivido em São Roque de Minas até que, num arroubo juvenil, meteu-se numa confusão. Aí, movido pelo seu espírito aventureiro, foi dar com os costados no Sul do Mato Grosso, onde por força do destino, foi personagem de destaque na epopéia da Retirada da Laguna. Guiando as tropas brasileiras flageladas pela fome, pelas epidemias e sob o fogo cerrado dos soldados paraguaios, conquistou o seu posto de herói nacional reverenciado pelo Exército Brasileiro e lembrado em monumentos fincados em várias partes do país. 6. A saga de Guia Lopes da Laguna 9 Além do Visconde de Taunay em A Retirada da Laguna, a saga de Guia Lopes é narrada pelo General João Pereira de Oliveira em seu livro “Vultos e Fatos de Nossa História”. Em 1965, o Ministério da Guerra, publicaria o Guia Lopes, baseado na obra do General Pereira de Oliveira, editado pela Imprensa do Exército. É deste que o Alto pinça algumas passagens que endossam novamente, em tons de heroísmo, a participação de Lopes nessa célebre passagem da Guerra do Paraguai. “Mal percebeu que, quase na totalidade, o paraguaio ocupante de Bela Vista dali se retiravam, desordenadamente, entrou Lopes a provocá-los com assobios e apóstrofes de desprezo, que despertaram o riso em todos os presentes” (Da ousadia do velho Guia frente ao inimigo) “Pois nesse momento, precisamente, é que a obra mirífica do velho Guia Lopes começou a fazer-se ainda maior, ainda mais divina, se assim me é lícito dizer” (tão logo se decidiu pela retirada da tropa) “Mas Lopes, que se achava sempre na vanguarda, mais uma vez salvou a situação: sem que lhe fosse dada ordem (...) inflectiu para a esquerda e, contra-marchando, subitamente, levou as nossas forças ao pé de um morro, onde, se preciso, se poderia localizar uma bateria” (Logrando mais uma escaramuça13 paraguaia). 9 Jornal Alto de São Francisco, edição 3.106, 20 de maio de 2001, página 7 – Piumhi – MG. Escaramuça, Combate de pequena importância. Peleja entre alguns corpos de tropas contrárias. Briga, conflito. 13 José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 111 “O velho Lopes não perdeu tempo: ordenou que o pessoal de que podia dispor, cortasse, a toda pressa, a macega que circundava o local do estacionamento, que uma vez cortada fosse imediatamente conduzida para longe, coberta de terra e depois calçada”. (Livrando a tropa de mais de mais um dos incêndios ateados pelos inimigos). Por toda a parte, estava ele, então, grande, sublime, incomparável, estimulando os outros, e lutando como leão indômito por apagar aquele mar de chamas, com que o inimigo desumano e astuto, procurava aniquilar, de vez aqueles homens sofridos e destemerosos”. (Sobre o desempenho de Lopes à frente da tropa). “O nosso guia, que, no combate, era de intrepidez sem igual, e até terrível, mostrava-se sempre, na hora calma das deliberações, mais que qualquer outro, o homem dos bons conselhos. Para ele, pois, é que apelou o chefe da expedição”. (Após combate em que a tropa perdeu o gado e ficou sem víveres). “Naquele dia, o velho Lopes foi bem maior que muitos heróis que Homero, em seus poemas épicos, celebrou em estrofes harmoniosas e imperecíveis”. (Depois de mais uma batalha e outro incêndio debelado). “Estava por findar a missão do velho Lopes. Combalido, arcado para frente, com a cabeça sobre o arção18 da sela, seguia ele, sem proferir palavra. Súbito, saltaram-lhe os estribos, e ele caiu, pesadamente, ao solo”. (Ao ser contaminado pela Cólera-morbo). “Hoje, ele tem o nome sob alçado pela nossa história e a figura perpetuada no bronze do monumento que se levanta, solene, na Capital da República, sob as bênçãos desta Pátria”. (Do reconhecimento pelo Exército dos feitos de Guia Lopes). Guia Lopes: „nunca mais será minha a estância do Jardim‟ (O reencontro de Guia Lopes com o filho que não via há dois anos)20 O reencontro de Guia Lopes com seu filho, após dois anos de cativeiro, foi uma das cenas mais emocionantes narradas por Visconde de Taunay em A Retirada da Laguna. Na realidade, o filho – José Francisco Lopes Junior – e o genro Barbosa foram os únicos familiares que Lopes voltava a ver desde 1865. Naquele ano os paraguaios tomaram de assalto a Fazenda Jardim, promoveram o saque e sequestraram toda a sua família. Além do filho e do genro, que conseguiram escapar, Lopes morreu sem rever a esposa Dona Senhorinha e os demais filhos. O que conta Taunay: “Deu-se logo o alarme em toda frente à retaguarda, mas tivemos logo a agradável surpresa do regresso do nosso destacamento trazendo dez cavaleiros. Eram brasileiros, eram irmãos! (...). 18 Arção, peça de madeira ou de metal, arqueada e proeminente que faz parte da sela, parte dos instrumentos de montaria à cavalo. 20 Jornal Alto de São Francisco, edição 3.106, 20 de maio de 2001, página 7 – Piumhi – MG. José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 112 Um deles, o filho do Guia Lopes, chamou o coronel à sua barraca e a sós. Era moço simpático, cuja inteligência e discrição pareciam provir da herança paterna (...). Anunciou-se neste momento a volta do 17º Batalhão que acompanhara o velho Lopes. Era geral o desejo de assistir ao primeiro encontro do pai e do primogênito que lhe voltava aos braços. Passando pelos postos avançados soubera o nosso guia da grande notícia. Vinha pálido, lacrimejante, em direção ao filho que, respeitosamente, o esperava descoberto. Não descavalgou; estendeu a destra trêmula ao filho, que a beijou; depois o velho guia deu-lhe a benção e passou sem proferir palavra. (...) Que emoção devia sentir o velho, vendo o filho escapo ao inimigo! E quanta dor ao pensar que os outros membros da família, ainda cativos, haviam perdido o mais valente defensor. Quando em tal lhe falamos, tomou longa pitada e disse: „Deus tudo faz. Deus assim quis. Fui outrora feliz, tive casa e família. Hoje durmo ao relento; estou só e como do que a caridade me dá‟. Vamos encontrar casa em Bela Vista, lhe respondemos. Tem o senhor a seu lado filho e genro. Come em companhia de amigos e até ainda é quem lhes dá a comer de seu gado. Com um sorriso melancólico, meneou21 a cabeça dizendo: Nunca mais será minha a estância do Jardim”. 7. A Violenta sede de vingança (Trechos do Livro a Retirada da Laguna de Visconde de Taunay) A perdiz voa “(...) víamos o velho Lopes apressurado23, montando belo cavalo baio, um daqueles animais que o filho e os companheiros deste haviam tomado aos paraguaios. Estava no auge da alegria, o olhar como o de um rapineiro, a fitar Bela Vista, que começávamos a avistar. De repente, no momento em que acabávamos de chegar ao seu lado percebemos que a fisionomia se lhe anuviara24: „A perdiz voa do ninho e nada nos quer deixar, nem os ovos‟. Mostrava ao mesmo tempo tênue fumo que subia aos ares”. Lopes provoca “Pelo interior e vizinhança vagavam ainda paraguaios a pé, retardados pelo pesar da presa que nos abandonavam e a ira que os levavam a tudo devastar. Outros, em maior número e a cavalo, retiravam-se desordenadamente. 21 Menear, manejar, mover de um lado para outro. Mexer-se, mover-se, oscilar. Saracotear-se, balançar o corpo em movimentos laterais. 23 Apressurar, apressar, acelerar, aprontar-se com precipitação. 24 Anuviar, cobrir(-se) de nuvens, nublar(-se); escurecer(-se). José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 113 Pôs-se o nosso guia a provocá-los com assobios, apóstrofes de desprezo, ante as quais difícil nos foi conter o riso. Teriam podido volver contra nós estes robustos cavaleiros e com as suas possantes montarias e pesados sabres facilmente destroçar nosso pequeno grupo (...). Mas tal idéia não nos ocorreria e a Lopes muito menos. Este intrépido velho quase sempre nos perdera na carreira, a galope (...), a todo instante redobrava de velocidade, pensando na mulher, duas vezes agarrada e arrastada prisioneira para o Paraguai (...). Mil recordações de atrocidades antigas e recentes lhe incutiam violenta sede de vingança”. Mensagem dos brasileiros “Aos Paraguaios: Fala-vos a expedição brasileira como a amigos. Não é seu intuito levar a destruição, a miséria e as lágrimas ao seu território (...)” A resposta dos Paraguaios „Avança crânio pelado25! Mal aventurado General que espontaneamente vem procurar o túmulo”. A tomada da Laguna “Ao chegarmos vimos um dos nossos soldados dirigirem-se ao nosso encontro trazendo um papel que achara pregado ao tronco de uma macaubeira (...) Assim dizia: Malfadado26 o General que aqui vem procurar o túmulo; o leão do Paraguai, altivo e sanguissedento, rugirá contra qualquer invasor”. 8. José Francisco Lopes (O Guia Lopes) pelos sertões mato-grossenses (Antes de vir residir na fazenda Jardim) Considerando o tempo da passagem de José Francisco Lopes desta vida para a outra, (26 de Fevereiro de 1811 – 27 de maio de 1867 – 56 anos de idade), poucos são os testemunhos que podem fornecer informações sobre a vida e trajetória deste sertanista. É uma verdadeira garimpagem histórica, um registro aqui outro lá, outros confusos, mas assim vamos catalogando cada informe e dando um corpo a História. Depoimentos orais são inexistentes, pois, as gerações posteriores são praticamente de bisnetos para frente. Sabe-se historicamente, que José Francisco Lopes antes de estabelecer na Região hoje município de Guia Lopes da Laguna, viveu em Piumhi, São Roque de Minas, Estado de Minas Gerais; Vila de Franca Estado de São Paulo, onde residia seu Pai Antonio Francisco Lopes e irmãos. Por muitos anos acompanhou o seu irmão Joaquim Francisco Lopes, secundado por 25 26 Crânio Pelado, assim como os paraguaios chamavam o Coronel Carlos Morais Camisão. Malfadado, que, ou aquele que tem mau fado ou má sorte. José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 114 outros irmãos e parentes30 que deixou escritos diversos relatórios das suas Expedições pelos territórios Mato-grossenses e sul mato-grossenses, além de São Paulo e Paraná e que faz algumas citações sobre a participação de José e do mano Gabriel Francisco Lopes. Nos escritos de Ledir Marques Pedrosa31 tratando sobre as Primeiras Entradas, entre os anos de 1829 à 1836, de Joaquim Francisco Lopes pela região de Paranaíba, no estado de Mato Grosso do Sul, muitas das quais acompanhadas por José e Gabriel Francisco Lopes, lemos: “No fim deste ano32 regressando Lopes33 do Sertão, encontrou o seu pai Antonio Francisco Lopes, no Porto da Paraíba, fazendo canoas, para ir explorar o Rio Verde e aliou-se à nova empresa. Fizeram três canoas e desceram em numero de 9 pessoas, sendo ele, seu pai, três irmãos de nomes João, Gabriel, José, dois camaradas de nomes José Gonçalves, Manoel Peão e dois escravos de nomes: Vicente e Francisco. Desceram o rio Paraná até o rio Quitéria, a fim de se apossarem de uma fazenda que o Capitão Garcia doara a seu pai e onde fizeram ainda roça de mantimentos. Depois desceram novamente o rio Paraná, com destino ao Rio Verde, fazendo ponto em frente da ilha comprida, no riacho que batizaram de Espera, onde ficara o seu irmão José Francisco Lopes, doente e o camarada34 José Gonçalves. Em 1º de Junho de 1835 voltou novamente para o Sertão em companhia de seu mano José com sua família de mudança para a fazenda de seu cunhado Alceno. Passaram nas fazendas de Januário Garcia e de Antonio Barbosa, este sogro de seu irmão Gabriel. Em 4 de agosto embarcou novamente no Paranaíba, rumo ao rio Verde, para retificar as posses feitas em 1831, levando em sua companhia seu irmão José, o escravo Vicente e Joaquim José Pedroso. No dia 26, chegaram ao rio Taquarussú, cuja posse retificaram para seu irmão José. Essa posse, fora feita primitivamente para Januário Garcia, que lhe cedera e ele doara a seu irmão Essa Fazenda Taquarussú, foi portanto a primeira propriedade que teve em Mato Grosso o Guia Lopes, mais tarde pertenceu quase na sua totalidade a um Sindicado Inglês. Retificaram mais posses no ribeirão que Batizaram de Duas Barras e Cascalho, ambos próximos ao Taquarussú, depois de subirem o rio Verde. 29 dias de marcha ida e volta...” Sobre o mesmo assunto, Hildebrando Campestrini35 descreve: 30 Sugiro ler Revista do instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso, nº 1 – Dezembro de 1998 p.70115. 31 Ledir Marques Pedrosa. Origem Histórica e Bravuras dos Barbosas. 2ª Edição. Campo Grande, 1986. p.243- 246. 32 Ano de 1831. N.A. 33 Joaquim Francisco Lopes. 34 Camarada, termo muito utilizado no século XIX que entre outros significados: indivíduo empregado em serviços avulsos no campo e nas fazendas; pajé; tropeiro, garimpeiro assalariado. 35 Hildebrando Campestrini. Santana do Paranaíba de 1700 a 2002. 2ª ed. Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso do Sul. Campo Grande. 2002. p. 101-109. Sugerimos ao leitor que deseja aprofundar as narrativas sobre este assunto, Ler Capítulo III – A Bandeira de Lopes (Joaquim Francisco Lopes), rica em detalhes, dificuldades, doenças e peregrinações na segunda e terceira década do século XIX. Como objeto de nosso trabalho é apenas recolher citações que fazem referência a José Francisco Lopes. Neste trecho, Joaquim Francisco Lopes fala dos seus familiares que lhe acompanham, e que além do mano José, havia o Gabriel, Manoel, João e Remualdo. José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 115 “Voltando para o Monte Alto, encontrei meu Pai no porto, destinado a fazer canoas e rodar a descobri o rio Verde. Fui acompanhá-lo e levemos três canoas, e quatorze índios caiapós. Chegando na barra da dita com o rio Grande topamos com índios da aldeia do Tietê; pousemos por baixo da ilha Grande fugiram os ditos quatorze índios e ajuntaram-se com os da aldeia. Enfim, continuamos a viagem com nove pessoas, a saber: eu, meu pai e três manos37, dois escravos e dois camaradas, subimos pelo ribeirão de Santa Quitéria, a ver uma fazenda que o dito Garcia deu a meu Pai; fizemos roça e voltemos; rodamos; no Arapungá, vi a meu Pai, dois irmãos, dois escravos, dois camaradas, morto na boca dos canais, por não sabermos do varador; porém por milagre escaparam da morte, e seguimos; abaixo do Sucuriú no lado direito demos princípio a fazer posses. Chegando na Ilha Comprida, topamos canos de Francisco Goiano e chegando no rio Verde, subimos por este, aposseando de um e outro lado três dias e meio; largamos as canoas na boca de um riacho que lhe demos o nome de Espera, e aí ficou o meu mano José, por ter cortado um pé e um camarada José Gonçalves; eu, meu mano Manoel e o escravo Vicente, seguimos rio Verde acima pela parte direita, pondo posse, e meu pai, meu, meu mano João e Francisco Escravo sapateiro e o Camarada Manuel Peão fazendo posse da parte esquerda e chegaram até o ribeirão Santa Rita, como consta do Livrinho e voltaram. (...) No dia 1º de Julho de 1835, Lopes entrou par o Sertão do Rio Verde com o mano José e Sua Família, de mudança para a fazenda do Cunhado Vieira. E depois de relacionar os animais que comprou, continua: Cheguei na fazenda do Sr. Januário Garcia, o qual senhor suprimiu-me de farinha e arroz, etc. Segui a minha derrota a meu cunhado na casa do Senhor Antonio Barbosa; Em 4 de agosto embarquei-me em batelão, no rio da Paranaíba a retificar posses do rio Verde, postas no ano de 1831 e tomar conta de uma fazenda que comprei, constante de papéis que se acham em meu poder. Pessoas que me acompanharam foram: meu mano José, o escravo Vicente e Joaquim Pedroso, que homem o encontrei no porto de embarque, gravemente molesto de um antraz nas costas e rodemos pelo rio abaixo, passando várias corredeiras e saltos com felicidade; no dia 26 chegamos a um córrego abaixo do sucuriú, por nome Taquarruçu, retifiquemos para meu mano José, que até aí estava por conta do sr. Januário Garcia Leal, o qual havia cedido-me e fiz dádiva ao dito meu irmão; mais abaixo retifiquemos um ribeirão que faz barra fronteando a uma praia grande de areia, entra parte de suas águas que deságua pela parte baixa, no qual riacho puz o nome de Duas Barras...” A transcrição do Original que trata sobre a Bandeira de Joaquim Francisco Lopes entre o ano de 1929 e 1839 encontram-se na Revista do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso do Sul, nº 1 – Dezembro de 1998, p. 68-115. Vale a pena conferir escrito todo em grafia original. 37 Acompanhavam Joaquim Francisco Lopes em suas andanças, o Pai Antonio Francisco Lopes; os irmão Gabriel Francisco Lopes, José Francisco Lopes, Manuel, João Remualdo; e os cunhados Alcinos e Antonio Vieira Moço. José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 116 9. Os translados dos restos mortais No principio de 1940, iniciou-se os translados dos restos mortais do Cemitério dos Heróis, município de Jardim-MS para a cidade de Aquidauna, utilizando as viaturas automotoras da época. (ler a Unidade sobre o Memorial aos Heróis de Laguna e Dourados). 10. Tudo começou na Fazenda Jardim – em busca da arvore genealógica A Viúva, Dona Senhorinha Maria da Conceição Barbosa de Lopes casou-se com o cunhado, o Guia Lopes, José Francisco Lopes, também viúvo e foram morar na Fazenda Jardim. Deste segundo casamento nasceram os seguintes filhos, irmãos do nosso fundador e morador da Cidade de Guia Lopes da Laguna, na ordem decrescente: 1º Izabel Porcina Lopes; 2º Fausta Felisbina Lopes; 3º João José Lopes; 4º Pedro José Lopes; 5º José Francisco Lopes; 6º Bernardino Francisco Lopes; Do casamento de José Francisco Lopes (Guia Lopes) (1º Casamento) Com Maria Pereira Poucas são as fontes que fazem referência sobre este primeiro casamento de José Francisco Lopes, pois entre os atuais descendentes do Guia Lopes, as únicas referências tratam do segundo casamento, com Dona Senhorinha. Visconde de Taunay1, alem de nos deixar preciosas informações sobre o Guia Lopes e também escreveu sobre o filho possuidor do homônimo do pai, José Francisco Lopes, que fora um dos prisioneiros brasileiros levado para o Paraguai em 1866 e que conseguem fugir um ano depois com mais nove companheiros e se reencontram na Colônia Militar de Miranda (atual Município de Guia Lopes) incorporando as tropas brasileira comandadas pelo coronel Camisão. Tomado pelo Cólera, morrera no dia 26 de maio, antes de chegar a sede da fazenda Jardim. 1 Alfredo D”Escragnolle Taunay – Visconde de Taunay. A Retirada da Laguna – Episódio da Guerra do Paraguai. Editora Tecnoprint LTDA. Ediouro. José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza JARDIM-MS. 117 Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna Segundo Taunay “O filho do Lopes até então transportado num reparo de peça e escoltado pelos antigos companheiros de cativeiro no Paraguai, foi enterrado a margem direita. O Pai que enquanto se abria a sepultura, se mantivera a alguma distância, disse, ao lhe contarem que o solo estava muito úmido e até encharcado: “Agora que importa? Entreguem a terra o que lhe pertence!” Assim no dia 26 de maio de 1867, vitimado pela Cólera-morbus, fora – Sepultura de José – Cambarecê – sepultado o filho do Guia (Foto do Centro de Atendimento ao Francisco Lopes Junior – Turista–CAT, Jardim–MS) (Foto do Centro de Atendimento Lopes, nas terras da ao Turista–CAT, Jardim–MS) Fazenda Jardim, que mais tarde, na escritura de 1909 fizera parte como fazenda do Prata. Atualmente o local está situada a sede da Fazenda Jatobá, (Município de Jardim) distante a 15 quilômetros do centro da cidade de Jardim. Do Casamento da Primeira Núpcias José Francisco Lopes e Dona Maria Pereira, nasceram os seguintes filhos: Pai: Antonio Francisco Lopes Mãe: Teotonia Joaquina de Souza José Francisco Lopes Dona Maria Pereira (O Guia Lopes) Esposa (o) 1º José Francisco Lopes Junior (falecido na Guerra do Paraguai - 1867) Filhos 1ª Núpcias Neves e Manoel Maria Victoria Barbosa (Ambos falecidos durante a Guerra do Paraguai) 2ª Núpcias de Alziro Lopes da Costa2 Maria Victoria Barbosa – casou-se com Netos Bisnetos Tataranetos Outros: (???) Eugenio Lopes da Costa 2 Alziro Lopes da Costa – nascido no dia 10 de Agosto de 1878, no município de Nioaque. Em Guia Lopes d Laguna há uma Escola Estadual em homenagem – Escola Estadual Alziro Lopes. José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza JARDIM-MS. 118 Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 1ª Núpcias Ignacio Barbosa 2º Theotonia Maria Lopes Gonçalves Zacharias Antonio e (falecida na Guerra do Paraguai – 1864 –1870 ???) Ignácio Gonçalves foi Casado em segundas Núpcias com Casada primeira Núpcias 3º Ritta Lopes (falecida na Guerra do Paraguai – 1864 –1870 ???) Dona Theotonia Joaquina de Sousa, Filho: Manoel Verissimo Cardoso Verissimo Antonio Cardoso (falecido na Guerra do Paraguai – 1864 – 1870 ???) 11. Do Casamento de José Francisco Lopes (O Guia Lopes) com Dona Senhorinha Nasceram os seguintes Filhos3: Pai: Antonio Gonçalves Barbosa4 Pai: Antonio Francisco Lopes Mãe: Teotonia Joaquina de Souza Mãe: Maria Vitória de Jesus Senhorinha5 Maria da Conceição Barbosa de Lopes José Francisco Lopes (O Guia Lopes) Esposa (o) Filhos Netos Bisnetos Tataranetos 3 Em consulta em algumas cópias avulsas de meus arquivos, página 23, que trata da genealogia da família “Barbosa”, sem data e sem o registro do autor, trás a seguinte referência “... quando da invasão paraguaia; Maria de Jesus Gonçalves Barbosa (filha do segundo casamento de Antonio Gonçalves Barbosa e Maria Vitória de Jesus) casou com José Lopes Barbosa, filho do Guia Lopes e foi morar na Fazenda Desbarrancado”. ( Dos filhos do Guia Lopes com o nome de José, havia: João José Lopes, Pedro José Lopes e José Francisco Lopes, no momento não reconhecemos, qual deles). 4 Antonio Gonçalves Barbosa era filho mais velho de Francisco Apolinário Gonçalves Barbosa, descendente de Portugueses e de Margarida Teveja Brunswick, que ao casar-se adotou “Jesus”, descendente de alemães, e residia em Sabará, Província de Minas Gerais. Foram seus irmãos Joaquim Gonçalves Barbosa, João Gonçalves Barbosa, Inácio Gonçalves Barbosa Francisca Maria Gonçalves Barbosa, Alexandre Gonçalves Barbosa, Francisco Gonçalves Barbosa. Antonio Gonçalves Barbosa casou-se três vezes, com Ana Maria da Costa em 1809. Nesta época era ele furriel e guarda do ouro da Coroa. Sua esposa faleceu no parto de sua primeira filha, que se chamou Maria da Costa Barbosa. Depois casou-se com Maria Vitória de Jesus, com a qual tiveram dez filhos e por fim casou-se com a viúva Rita de Souza, da qual tiveram um filho, chamado Teotônio. Em meados de 1848, por volta dos sessenta anos, faleceu na região, debaixo da Serra de Maracaju. 5 Dona Senhorinha nasceu em Sabará, antiga Província de Minas Gerais, a margem direita do rio das Velhas. Era neta Paterna de Francisco Apolinário Gonçalves Barbosa (descendente de Português) e Margarida Teveja Brunszwick (origem alemã e adotou “Jesus” ao casar-se). José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza JARDIM-MS. 1º Izabel Porcina Lopes Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 1ª Núpcias casou-se com Clemente Gonçalves Barbosa 119 Marcos Gonçalves Barbosa, (Fazenda Reforma – Bela Vista) 2ª Núpcias 2º Fausta Felisbina 1ª Núpcias Lopes casou-se com Manoel Silvestre Loureiro 2ª Núpcias 1ª Núpcias 3º João José Lopes Georgina Cardoso Lopes Manoel Lopes (casou-se com Elmira) Laurindo (casado com Clara) 2ª Núpcias Leonor Nunes Pedroso Maria de Lourdes Lopes Bacha (casou-se com munir Bacha) Helio Artur Paulo Marcio Sonia Roseli Maria da Gloria Macaria Pedroso Adão Lopes Lopes Barbosa ( Barbosa casou-se em primeira núpcia com Marcos Gonçalves Barbosa, que era filho da Izabel Armando Lopes Poncina) Orlei Neire Sonia Roseli (2ª Casamento) Cleto Neri Áurea Macaria Lopes Barbosa (casou-se com Basílio Barbosa) Leonor Babosa Flores João Paulo ) 4º Pedro José Lopes6 1ª Núpcias Carmelina Barbosa Murfiel Lopes Belmiro Lopes Berenice Marciana Lopes Saravy 2ª Núpcias 6 Pedro José Lopes fora casado com Carmelina, filha de José Henrique Pires Martins e de Marcelina Barbosa Marques. Ledir Marques Pedrosa, trata pelo nome de José Lopes Barbosa. Barbosa era da mãe e Lopes do Pai. O Sobrenome do Pai era sempre colocado com parte do último nome e o da mãe, antepenúltimo. P. 136 Origem Histórica e Bravura dos Barbosas. 2.ed 1986. José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 5º José Francisco 1ª Núpcias Lopes7 (Filho) Maria Rufino Lopes Conrado Lopes Francisco Amarques Francisco Lopes Marcos Lopes Francisco Caciano Lopes Francisco Renato Lopes Francisco Melania Lopes Francisco Desidério Francisco Lopes Marcelina Francisca Lopes Catarina Lopes Francisca Madalena Francisca Lopes Doralina Lopes Francisca Otilia Lopes Francisca Eremita Lopes Francisca Senhorinha Francisca Lopes Nicolau Lopes 6º Bernardino Lopes 1ª Núpcias Laucídio Ariovaldo Márcio José 2ª Núpcias 7 Nas próximas Páginas, haverá alguns dados sobre José Francisco Lopes. José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza 120 JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 121 Ao elaborarmos estes dados biográficos sobre o fundador de Guia Lopes da Laguna, José Francisco Lopes, nossos colaboradores diretos foram o Senhor Renato Francisco Lopes, nascido em 1922 e a Senhora Eremita Francisca Lopes, que nasceu em 1917, sem os quais seria impossível recuperarmos alguns dados. (Fotografia ao lado, tirada em 2002, no local da antiga Fazenda Jardim. Os irmãos Renato e Eremita em 2005, os netos do Guia Lopes) CARLOS DE MORAES CAMISÃO a. Dados Biográficos (Pesquisa realizada por Alcemar Ferreira Junior – 1º Ten. Historiador) Do Arquivo Histórico do Exército NOME: Carlos de Moraes Camizão8 FILIAÇÃO: Joaquim de Moraes Camizão NASCIMENTO: Província do Rio de Janeiro FALECIMENTO: 29 de maio de 1867 DATA DE PRAÇA: 02 de dezembro 1839 DATA DE RESERVA: TEMPO DE SERVIÇO: Carlos de Moraes Camizão VIDA ESCOLAR: Real Academia Militar; conforme o Regulamento de 1839 VIDA PROFISSIONAL: Imperial Corpo de Engenheiros (ICE) 02/12/1839 a 05/04/1842; Batalhão Provisório de Linha da Província de São Paulo 09/05/1843 a 22/05/1843; ICE 8 Ilustração extraída do Livro Retirada da Laguna – A Defesa Nacional, publicação de julho de 1941. Cópia fornecida pelo Centro de Documentação do Exército. José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 122 23/05/1843 a 18/10/1843; 4º Batalhão de Artilharia 15/05/1844 a 25/10/1849; Comandante da Companhia de Artífices da Província de Pernambuco 26/10/1849 a 02/12/1854; Fortaleza do Brum abr e mai de 1851; Corpo Artífices da Corte 02/12/1854 a 1858; Corpo do Amazonas 10/1858 a 02/1860; Comandante do 2º Batalhão de Artilharia a partir 1860 CONDECORAÇÕES: Cavaleiro da Ordem de Christo Cavaleiro da Imperial Ordem da Rosa Cavaleiro da Ordem de Aviz MEDALHAS: CURSOS: Engenharia e Artilharia pelo Regulamento de 1839 2º Tenente: 02/12/1839 1º Tenente: Graduado-04/10/1842* Efetivo: 23/07/1844 Capitão: 27/08/1849 Major Efetivo: 02/12/1854 – Merecimento Tenente Coronel Graduado: 02/12/1861 Tenente Coronel Efetivo: 02/12/1862 Coronel Efetivo: 22/01/1866 OUTROS POSTOS: OUTROS: *Foi promovido ao posto de 1º Tenente Graduado por ter se distinguido no ataque de Santa Luzia de Sabará durante a Revolta Liberal de 1842. Participou da repressão à Revolução Praieira em Pernambuco em 1848. Comandou o 2º Batalhão de Artilharia na Campanha do Paraguai. Comandou as Forças Expedicionária ao sul da Província do Mato Grosso, conduzindo a coluna que se distinguiu na histórica da Retirada de Laguna José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 123 b) Carlos de Moraes Camisão (texto fornecido pelo do 9º BE Cmb de Aquidauana-MS.) Coronel Carlos de Moraes Camisão9, nasceu no ano de 1820. Em 1º de janeiro de 1867 assumiu o comando dos bravos soldados da Coluna Expedicionária que tinha por missão, depois de longa e vitoriosa marcha, invadir o norte do Paraguai. Após a invasão, foi forçado a retroceder ante a pressão de forças muito superiores e que lhe impuseram a "marcha retrógrada", penosa e heróica, que passaria à história com o nome de "Retirada da Laguna". Camisão era, no conceito geral de seus comandados, uma figura simpática e respeitada como chefe, seguro e refletido. Coube-lhe a fase mais difícil da missão, perdendo grande parte do efetivo, devido ao ataque da varíola e da febre amarela. O inimigo tudo fez, porém, resistiu Camisão. Somente lograria abatê-lo o "CóleraMorbus", que começou a lavrar em 18 de maio. Já perto das margens do Rio Miranda, para onde conduziu os seus homens, a fim de defendê-los de novas incursões do inimigo, o Coronel Carlos Camisão, sucumbiu no dia 29 de maio de 1867. O nome do Coronel Carlos de Moraes Camisão, chefe e herói da Retirada da Laguna, ressurge pois, como um preito de justiça, no Pavilhão-Estandarte do 9º BE Cmb. c) Histórico do coronel Carlos Camisão Como revide à afronta com que nos provocou o Governo do Marechal Solano Lopes, cujas forças invadiram, em fins de 1864, o território de Mato Grosso, o Governo Brasileiro organizou, com contingentes do Rio, São Paulo, Minas e Goiás, uma expedição que deveria socorrer a Província invadida, contendo a penetração do inimigo pelo interior, de modo a criar condições para que ele fosse, depois, repeli-lo definitivamente do território nacional. A Coluna Expedicionária, depois de longa e vitoriosa marcha, chegou a invadir o norte do Paraguai, sendo forçada, depois, a retroceder, ante a pressão de forças muito superiores, que lhe impuseram, em abril e maio de 1867, a "marcha retrógrada", penosa e heróica, que passaria à história, na descrição da pena fulgurante de Alfredo Escragnolle Taunay, jovem Tenente integrante da Comissão de Engenheiros, com o nome de "Retirada da Laguna". 9 Ilustração extraída do Livro Retirada da Laguna – A defesa Nacional, publicação de Julho de 1941. Cópia fornecida pelo Centro de Documentação do Exército. José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 124 O Coronel Joaquim José de Carvalho, que sucedera ao Brigadeiro José António da Fonseca Galvão no Comando do Corpo Expedicionário, em meados de 1866, fizera, com suas forças, uma longa parada de 4 meses em Miranda, na região julgada a mais insalubre do Baixo Paraguai, o que acarretou cerca de 300 baixas, entre oficiais e praças do reduzido efetivo que fora reunido. Coube, a partir daí, ao Coronel Carlos de Morais Camisão a responsabilidade de dirigir a coluna. Apesar das condições desfavoráveis em que operava a tão grande distância do apoio que lhe seria necessário e a falta de aparelhamento, das condições climáticas hostis e da superioridade evidente do inimigo, que nos atacara de surpresa e bem preparado, determinou-lhe o Governo que marchasse na direção do Rio Apa, que marcava a fronteira entre o Brasil e o Paraguai, para o fim de transpô-lo e incursionar no interior do território inimigo. Dispunha ele, então, de 1.400 homens, para cujo abastecimento tratou de reunir, primeiro, o gado necessário. Faltavam-lhe, porém, os mais rudimentares recursos necessários à saúde da tropa, inclusive medicamentos, além de não dispor a Coluna dos elementos de Cavalaria, que lhe eram imprescindíveis, em tais circunstâncias. As estradas eram tremendamente precárias, as distâncias muito grandes e as informações sobre as atividades do inimigo se tornavam muito difíceis na falta de uma tropa com a mobilidade necessária para assegurar, não apenas a cobertura do deslocamento, como a busca de informes que orientassem o Comando. Camisão era, no conceito geral dos seus comandados, não apenas uma figura simpática e respeitada, como Chefe seguro e refletido, embora a população local, intranqüila e indignada, exigisse dele uma ação pronta e ampla contra o inimigo invasor, muito além do que era possível realizar nas circunstâncias e com os meios precários com que teria de atuar. Não recuou ele diante de tão difícil missão. Enfrentou-a, talvez por isso mesmo, com espírito de resolução que raiava os limites da temeridade. Não tinha sob o seu comando uma Divisão como era chamada, até então, a pequena coluna a que, mesmo assim impropriamente, passou a denominar de Brigada, depois da reorganização que ele tomou a iniciativa de realizar. Deslocou-se para Nioaque, aí acampando, como medida de segurança, entre os rios Urumbeva e Nioaque, com elementos de vigilância na direção do rio Apa e de Vacaria. Embora os sucessos das Forças Brasileiras, na frente Sul, pudessem ter influído para que o Governo tentasse invadir o Paraguai pelo Norte de Mato Grosso, a operação importava, sem dúvida, numa aventura difícil e perigosa, tanto mais que, até então, o inimigo, embora senhor da iniciativa, denotava superestimar os nossos efetivos, calculando-os em cerca de 12.000 homens, quando só dispúnhamos, então, de 1.300, o que ficaria evidente se passássemos a atuar em seu território, deixando pelas nossas costas o obstáculo do Rio Apa. José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 125 O recrutamento de contingente em Mato Grosso não correspondeu à expectativa do Governo, quando os elementos iniciais da coluna do Coronel Drago, despachado do Rio de Janeiro em 1º de abril de 1865, foram enviados, com uma Comissão de Engenheiros, através de Santos, S. Paulo e Uberaba, na suposição de que seria fácil reunir, até a Província de destino, uma importante força, capaz de operar com superioridade sobre o inimigo. Contudo, era excelente o moral das tropas brasileiras, sob o Comando de Camisão. Servia-lhes de guia, como conhecedor da região, o legendário José Francisco Lopes, vaqueano seguro daqueles confins do Brasil, de quem os paraguaios haviam aprisionado toda a grande família. Muito lhe ficou devendo a Coluna, nas situações críticas que teve de enfrentar, inclusive a localização de recursos de abastecimento e o próprio gado da sua propriedade, que ele não vacilou em reunir e entregar, para o consumo da tropa. Camisão assumira o comando da Coluna em 1º de janeiro de 1867. Era, portanto, o seu quarto comandante, desde a partida do Rio de Janeiro. O Coronel Drago, julgado muito moroso nas providências que lhe foram determinadas, foi chamado à Corte; o Brigadeiro José António da Fonseca Galvão, gravemente enfermo, teve de abandonar a missão; o Coronel José Joaquim de Carvalho e o seu substituto Juvêncio. Manoel Cabral, Chefe da Comissão de Engenheiros, foram, também, forçados a deixar o comando, por imposição do. estado grave de saúde. Coube, então, ao Coronel Carlos de Morais Camisão, o "Cabeça Pelada", como lhe chamavam os paraguaios, a fase mais difícil do cumprimento da missão que o Governo impusera, sem a adequada análise da situação, aos bravos remanescentes da Coluna, até então poupados ao ataque da varíola e da febre que haviam dizimado tantos bravos expedicionários. Na marcha para o inimigo, transposto o rio Taquaraçu, depois de reconstruída pelos nossos engenheiros a ponte que os paraguaios haviam destruído, chegou, afinal, ao rio Apa a Brigada do Coronel Camisão. Sem perder tempo, prosseguiu ela a sua marcha, atingindo e conquistando, em abril de 1867, o Forte de Bela Vista, já em território paraguaio, queimando-o e destruindo-o, à vista dos observadores inimigos, sem contudo poder persegui-los, por falta de cavalaria. Consegue, ainda, Camisão, apossar-se da estância da Laguna, de propriedade de Francisco Solano Lopes, até onde pôde levar sua Brigada, graças, unicamente, à bravura pessoal e à obediência ao cumprimento do dever. A partir daí, o destino passou a desfavorecer a Coluna Brasileira, cobrando-lhe caro o destemor e o arrojo do ímpeto ofensivo que a animava, pondo à prova a fibra dos seus homens, o estoicismo heróico da sua conduta. Ante o dilema de render-se, ou retirar, em face da flagrante superioridade do inimigo, em cujo território não vacilara em enfrentar as forças do Major Urbieta e da sua valente e numerosa cavalaria, Camisão teve de retroceder, como seu punhado de heróis, para preservá-los de um José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 126 aniquilamento que seria fatal e, sobretudo, para trazer, incólume, de volta à Pátria, a Bandeira e os canhões que lhe cumpria a responsabilidade de defender. No seu encalço, a perseguição e os incêndios das matas acossavam, de perto, a Coluna retirante, como que a experimentar-lhes a resistência e o ânimo combatente. "Desprovidos de víveres, sentindo-se em grande desproporção numérica em relação à Coluna de Urbieta," o Corpo Expedicionário Brasileiro não podia fazer outra coisa que retroceder. A 8 de maio de 1867, encontrava-se a série sinistra das efemérides da Retirada da Laguna, terminada em princípios de junho seguinte, vinte e poucos dias, em que a Coluna Camisão quase perdeu dois terços do seu pequeno efetivo, reduzindo-se de 1.650 a 700 homens. Nesse dia, travou-se o sangrento combate de Bayendê. A 10, a Coluna repassou o Apa, e a 11, outra refrega ainda mais violenta seria travada: a de Nhadipá, já em território nacional. Duas vezes repelido com perdas muito pesadas, não se atreveu mais o inimigo a enfrentar a bravura indomável de Camisão. Tudo fez, porém, para dificultar-lhe a retirada, incendiando, inclusive, a macega alta e seca, como recurso último para dizimar os heróicos remanescentes da Coluna Brasileira. A tudo, porém, resistiu Camisão. Somente lograria abatê-lo a "Colera-morbus", que começou a lavrar no dia 18 de maio. A partir daí, tornou-se ainda mais penosa a marcha da Coluna, já muito castigada pelo grande percurso, em grande parte feito sobre estradas difíceis e debaixo de temporais violentos que as tornavam ainda pesadas aos pés doloridos dos expedicionários. Não era possível nem mesmo o transporte dos coléricos, que iam ficando, sem socorro, ao longo do itinerário de marcha, como que a balizar o percurso glorioso e trágico daquela plêiade de bravos em cujo destemer o sacrifício pelo dever não tinha limites nem a sanha perversa do inimigo e sem recursos de sobrevivência seriam capazes de abater o espírito indomável que tornou legendária a resistência da Coluna. Já perto das margens do Rio Miranda, para onde conduziu os seus homens, a fim de pôlos a coberto de novas incursões do inimigo, o Coronel Camisão, vitimado, também, pela "colera-morbus", termina por sucumbir. A sorte dos elementos que lhe coube comandar, até tão perto do abrigo seguro em que seriam, afinal, acolhidos, surpreenderia a Nação inteira, que já os tinha por vencidos e liquidados. Foi ele, já morto, o herói da epopéia memorável que a Ordem do Dia de 12, já quando os destroços da Coluna Camisão repousavam, em segurança, na base de Nioac, descreveu, para a posteridade, nos seguintes termos: "Sem Cavalaria, contra o inimigo audaz, que a possuía formidável, em campos onde o incêndio da macega, continuamente aceso, ameaçava devorar-vos e vos disputava o ar respirável, José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 127 extenuados pela fome, dizimados pela cólera que vos roubou, em dois dias, o vosso Comandante, o seu substituto e ambos os vossos guias, todos estes males, todos estes desastres, vós os suportastes, numa inversão de estações sem exemplo, debaixo de chuvas torrenciais, no meio de tormentas e através de imensas inundações, em tal desorganização da natureza, que esta parecia conspirar contra vós. Soldados! Honra à vossa constância, que conservou ao império os nossos canhões e as nossas Bandeiras!" O nome do Coronel Carlos de Morais Camisão, Chefe e herói da Retirada da Laguna, ressurge pois, como um preito de justiça, no Pavilhão-Estandarte do 9,° BE da Expedição da Itália, como elo da tradição da bravura do soldado brasileiro, ligando dois capítulos gloriosos da nossa História Militar. JUVÊNCIO MANOEL CABRAL DE MENEZES a) Histórico (Texto elaborado por Edmilson Lima de Souza – Sgt. da 4ª Cia. E. Cmb. Mec) TC Juvêncio Ma noel Cabral de M ene zes Tenente-Coronel JUVÊNCIO MANOEL CABRAL DE MENEZES. Filho de MANOEL ANTUNES DE MENEZES, nascido aos 12 de setembro de 1821, na cidade do RIO DE JANEIRO-RJ e falecido em ação, na Província de MATO GROSSO, quando fazia parte das Forças Expedicionárias, durante a Campanha do PARAGUAI, em 29 de maio de 1867. Assentou praça pela primeira vez em 03 de março de 1837, aos 16 anos de idade, na Academia Real Militar e cursou a Escola Militar nos anos de 1841 e 1842. Óleo sobre tela - Pintado e doado pelo Maj Luis Fernando França Sousa Casado com a Sra. MARIA DA GLÓRIA CABRAL DE MENEZES, possuindo dois filhos, OVÍDIO CABRAL DE MENEZES (o mais velho) e LUIZ CABRAL DE MENEZES. Serviu na Fábrica de Pólvoras; Comissão na Província de ALAGOAS SANTA CATARINA, quando demarcou as terras dadas em dote à princesa de JOINVILLE; na Província José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 128 do CEARÁ exerceu a direção de Obras contra a seca; serviu por mais de cinco anos na Província do PARÁ; foi secretário do Corpo de Engenheiros; 3º Ajudante da Diretoria do Arsenal de Guerra da Corte; Diretor Geral do Corpo de Bombeiros da Corte (nomeado em Set 1859); e Chefe da Comissão de Engenheiros, junto ao Exército Expedicionário da Província de MATO GROSSO. Possuía o Curso Completo pelo Regulamento de 1839 e Bacharel em Matemática. Foi condecorado Dignitário da Ordem de Cristo (23 Fev 1846), Dignitário da Ordem de São Bento e Aviz (Set 1857) e Cavaleiro da Ordem da Rosa (21 Abr. 1864). Promovido ao posto de Tenente-Coronel, por merecimento, em 19 de março de 1864. b) Em Campanha Durante a marcha para o combate, a Coluna acampara na COLÔNIA MIRANDA, onde existia um pequeno destacamento militar, atual município de GUIA LOPES DA LAGUNA-MS, destruído e queimado pelos paraguaios, por ocasião da invasão. O fornecimento do gado era realizado pelo Guia LOPES, arrebanhado na Fazenda JARDIM. A base de apoio logístico, estacionada em NIOAQUE, informara que os recursos estavam esgotados, não mais podendo prover o suprimento para as tropas, dependendo do recebimento de novos comboios. O Coronel CAMISÃO ordenou a reunião da Comissão para, em conselho de guerra, deliberar sobre a possibilidade de um movimento ofensivo e identificar os meios possíveis para o cumprimento da missão. Três oficiais da Comissão procuraram retratar a realidade existente, tal qual realmente era: escassez dos víveres, insuficiência de munições, impossibilidade de receber reforços e recursos para o tratamento dos enfermos, ausência absoluta de Cavalaria e desconhecimento do terreno a ser percorrido. Com tais argumentos, procuravam convencer seus companheiros de que a aventura de uma ofensiva iria conduzir a um desastre, com a conseqüência maior de atrair novamente para o nosso território o invasor paraguaio. Concluíram pela retirada para NIOAQUE. Dois outros membros, porém, divergiram desses pensamentos. Argumentavam sobre a missão recebida pelas Forças, a necessidade de auxiliar o esforço principal da guerra, criando uma outra frente ao norte do Paraguai. Mesmo sendo os meios insuficientes, deveria a coluna prosseguir para o sacrifício total, colocando a honra e o dever acima das contingências. A discussão propiciou troca de ásperas palavras e recriminações pessoais, fruto das opiniões contrárias e do ardor dos participantes. Até então se mantivera calado o ten.cel. JUVÊNCIO, embora visivelmente comovido. Do seu voto deveria depender o futuro próximo daqueles bravos soldados! José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 129 Encerrada a discussão, o chefe da comissão resumiu os pareceres contrários e acrescentou sua opinião: "Não podia a coluna avançar sem víveres e já não dispunha de mais gado". Ia continuar justificando o seu parecer, quando aconteceu uma dessas coincidências que, imprevistamente, mudam as opiniões e a prudência humana, dando novo rumo às decisões. O Guia LOPES adentrou ao acampamento, conduzindo um rebanho de gado. Ao ouvir o mugido dos animais, tangidos pelos clamores dos vaqueiros, os soldados responderam com gritos alegres e exultantes. A boiada, conduzida festivamente pelo acampamento, derrubou os argumentos contrários à ofensiva. Era o voto decisivo. O Presidente do Conselho mandou lavrar a ata da sessão, encarregando o secretário de comunicar ao comandante que a Comissão era unanimemente favorável à marcha para frente, oferecendo os seus esforços para o êxito da operação. E concluiu, como que pressentindo os dissabores a serem enfrentados: "Deixo viúva e seis órfãos. Terão como única herança um nome honrado!". A coluna estava por atingir a Fazenda da MACHORRA, situada em território brasileiro menos de dez quilômetros do forte de BELLA VISTA, construído na margem paraguaia do Rio APA. A vanguarda, formada pelo 21º Batalhão de Infantaria, distanciara-se demasiadamente, sem perceber as paradas contínuas dos demais Corpos, motivadas por acidentes com as carretas de munição. Isolada, não ouvia as ordens dos clarins. O Ten Cel JUVÊNCIO se apresentou para realizar a ligação, transmitindo as ordens para a vanguarda aguardar a aproximação da coluna. Encontrou-a empenhada em combate e, ultrapassando um volumoso ribeirão, reuniu-se ao Tenente-Coronel em comissão ENÉAS GALVÃO. Pelas circunstâncias em que o inimigo se encontrava, concordou com o avanço e, em seguida, com a transposição do ribeirão, foi ocupada a fazenda. Ainda encontraram roças cultivadas com mandioca e cana, não destruídas pelos paraguaios. No dia 21 de abril, os exploradores informaram que o inimigo ateara fogo em todas as casas do forte. JUVÊNCIO, que prosseguia com a vanguarda, adiantou-se seguindo os exploradores e retornou com as informações do que ocorria na frente. O 200 avançou em “marche-marche” para a margem direita do Rio APA e, com uma descarga de suas armas, colocou em debandada o inimigo, surgindo a euforia da primeira vitória em solo paraguaio, com aclamação ao Imperador, à integridade do Império e às Forças Expedicionárias. O chefe da Comissão de Engenheiros, em momento de grande emoção, realizou o primeiro hasteamento do Pavilhão Nacional em terras paraguaias, sobre o conquistado Forte de BELLA VISTA. c) Liderança O Tenente Coronel JUVÊNCIO MANOEL CABRAL DE MENEZES chefiou a Comissão de Engenheiros das Forças em Operações ao Sul de Mato Grosso. A presença dos engenheiros era necessária, tendo em vista o longo itinerário a ser percorrido até MIRANDA, destino inicial das forças. José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 130 Os caminhos eram desconhecidos, com poucos recursos locais e entrecortados de cursos de água, que os submeteram a inundações periódicas. Sob sua supervisão, a Comissão realizou a construção de diversas pontes para a passagem das tropas em rios não vadeáveis, ou improvisou a montagem de balsas para a travessia. Antecipando-se ao deslocamento do Corpo, reconhecia o terreno e preparava locais para acampamento. Faleceu no dia 29 de maio de 1867, acometido por cólera, logo após a morte do Coronel CAMISÃO, sendo sepultado a seu lado, às margens do Rio MIRANDA, no atual município de JARDIM. Desde o dia 26 de maio, o Ten Cel JUVÊNCIO estava acometido de cólera-morbus. A 29 pela manhã apresentara uma melhora na voz, e livrara-se das terríveis câimbras. Queixava-se, porém, de forte dor no fígado. Constantemente, clamava pela família junto aos membros da Comissão de Engenheiros. Veio a falecer às três horas da tarde, depois de entregar pequena bolsa de couro com suas economias de campanha, para ser entregue à sua mulher e aos filhos. Cumprido o seu dever com a Pátria, voltava-se para a responsabilidade familiar! d) Reconhecimento Com a atribuição da denominação histórica "Tenente Coronel JUVÊNCIO MANOEL CABRAL DE MENEZES", para a 4ª Companhia de Engenharia de Combate Mecanizada, o Exército Brasileiro resgatou a homenagem de reconhecimento por força do heroísmo do Chefe da Comissão de Engenheiros: BRAVURA, DEDICAÇÃO e VALOR. A Pátria, que lhe cobrou a vida, mostrou-se agradecida. Relembrando a Retirada da Laguna e a Campanha no MATO GROSSO, as seguintes denominações históricas já foram concedidas: Batalhão "Carlos Camisão" (9º Batalhão de Engenharia de Combate, em Aquidauana-MS); Batalhão "Guia Lopes" (9º Batalhão de Suprimentos, em Campo Grande-MS); Batalhão "Laguna" (44º Batalhão de Infantaria Motorizada, em Cuiabá-MT); Batalhão "Visconde de Taunay" (7º Batalhão de Engenharia de Combate, em Natal-RN); Regimento "Antônio João" (10º Regimento de Cavalaria Mecanizada, em Bela Vista-MS); Brigada "Guaicurus" (4ª Brigada de Cavalaria Mecanizada, em Dourados-MS). José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 131 UNIDADE IX PROJETO DE REVITALIZAÇÃO Maio de 2008 – Vista aérea do CHRL (Arquivo dos autores) VISTA Desenho Original 2005 – Projeto de Revitalização José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 132 Abril de 2008 – Vista do Cemitério após algumas revitalizações realizadas em 2007 (Arquivo dos autores) Abril de 2008 – Vista do Cemitério após algumas revitalizações realizadas em 2007 (Arquivo dos autores) José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna Imagens de um projeto de paisagismo de Revitalização. (Imagens cedidas pela 4ª Cia E Cmb Mec) Imagens cedidas pela 4ª Cia E. Cmb Mec. José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza 133 JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 134 CURRICULUM VITAE 1. DADOS PESSOAIS Nome - JOSÉ VICENTE DALMOLIN Nacionalidade - Brasileira Natural - Vicente Dutra - RS. Data de Nascimento - 30 de maio de 1960 Filiação: Pai: Gentil Dalmolin Mãe: Maria Antonia Demo Dalmolin Estado Civil: Casado com Célia Flores Acosta Dalmolin Filhos: três filhas, Neismy, Melissa e Ana 2. SITUAÇÃO PROFISSIONAL Matrícula como Professor Secretaria de Estado de Educação Lotação: Escola Estadual Salomé de Melo Rocha 3. ENDEREÇO Endereço Residencial e para correspondência: Rua Guanabara, 465 - Vila Planalto - 79.230 000 - Guia Lopes da Laguna Estado de Mato Grosso do Sul - Caixa Postal nº 21 E-mail: [email protected] - Telefones: 67 269-1051 4. HISTÓRICOS - CURSOS - QUALIFICAÇÕES 1967-1973 - 1º a 4º ano primário - Exame de Admissão - 1ª e 2ª série ginasial - Escola Estadual Padre Réus - Pérola do Oeste - Paraná 1974 - 1975 - Cursou a 7ª e 8ª Série na Escola Estadual 31 de Março em Canarana - Mato Grosso 1976-1979 - Estudos no Seminário - Campo Grande e Rondonópolis (Salesianos e La Sallistas) 1979 - Curso de Atualização Pedagógica - DREC Rondonópolis-MT. CH. 40 Horas 1978 - Conclusão do Curso Magistério - 2º grau 1977-1979 - Professor 3ª e 4ª séries - Escola Estadual Pindorama - Rondonópolis - MT. 1980/1 - Conclusão do Curso de Oficial do Exército - R/2 - NPOR - Rondonópolis-MT. Certificado Militar - Carta Patente de 2º Tenente de Artilharia - 18º GAC Diploma de Aspirante a Oficial do Curso de Artilharia, com menção “B”. 1981 - Professor - Escola Especial - APAE - Rondonópolis-MT. 1982 - Ingresso Magistério Estadual do Mato Grosso do Sul, como Professor nas disciplinas de História e Geografia e Disciplinas Pedagógicas no Curso Magistério, Escola Estadual Odete I.R.Villas Boas - Nioaque-MS. José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 135 1983-1984 - Professor Escola Municipal Guilherme Correa da Silva - Nioaque-MS. 1984-1988 - Diretor Escolar da Escola Estadual Odete Ignez Resstel Villas Boas - NioaqueMS. 1988 - Ganhou o prêmio nacional da Werril, com a monografia, “A Importância da Fanfarra na Escola”. 1989 - Publicação do livro didático - 3ª série Estudos Sociais - Município de Nioaque. 1989 - Participou de Seminários sobre livros e bibliotecas públicas e Escolares - Promovido pelo Instituto Nacional do Livro - representando o Prefeito de Nioaque - Brasília-DF. 1989 - Publicação no Jornal Correio do Estado - Suplemento Cultural, Documentário de Pesquisa sobre a participação de Nioaque no Centenário da Proclamação da República do Brasil. 1989-1990 - Assessor Educacional e Cultural e ministrante de cursos a professores da Rede Municipal de Ensino de Nioaque - Secretaria Municipal de Educação. Diretor do Departamento Cultural e de Eventos da Prefeitura de Nioaque Publicações de encartes culturais, educacionais e históricos - Jornal Quinzenal - NioaqueMS. 1991- 1993 - Técnico na Área de Estudos Sociais na Agência Regional de Educação de Jardim - MS. Técnicos 1993 - Ministrante do Programa “Um Salto Para o Futuro” - Capacitação de Professores da 1ª a 4ª Séries 1993/1994 - Supervisor e Orientador da Aprendizagem e implantação do Programa “Um Salto Para o Futuro” - NE/50 - Jardim e Região - MS. 1994-1995 - Professor de História, Geografia e Inglês - Escola Estadual Coronel Juvêncio Jardim. 1993 - Ministrante de Cursos na Área de Estudos Sociais para os professores do Município de Guia Lopes da Laguna - MS. 1993 - Coordenador de um grupo de professores - elaboração de um livro texto - para 3ª série do Ensino Fundamental. 1993 - Participação como palestrante no V Seminário Estadual do Projeto Vídeo Escola e encontro Estadual de Teleducação - Campo Grande-MS. 1994 - Ministrante de Cursos à Professores da Educação Infantil - através da OMEP - para as áreas de Ciências e Estudos Sociais - Jardim - MS. Ministrante do Programa “Um Salto Para o Futuro” - Série Especial de Educação Especial “O Direito de Ser Diferente”, como Orientador da Aprendizagem. 1991-1994 - Cursos, repasses, orientações: Regimento Escolar, Colegiado Escolar, Gerenciamento Escolar, APM, Grêmios, Orientação e Supervisão para o Programa Um Salto para o Futuro e Vídeo Escola. Aos Municípios Jurisdicionados a ARE-03 - Jardim- MS. 1995 - Curso de Atualização em Geografia - Centro Universitário de Aquidauana Aquidauana - MS. Curso de Capacitação para Professores que atuarão nas Oficinas Pedagógicas. 1995-1996 - Técnico na área de Geografia NE/50 Jardim-MS. - Oficina Pedagógica, ministrando cursos aos professores da Rede Municipal e Estadual de Jardim, Nioaque, Bonito, Guia Lopes, Caracol, Bela Vista, Porto Murtinho. José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 136 1997 - 2000 - Cedido à Prefeitura Municipal de Guia Lopes da Laguna, na função de Secretário Municipal de Educação. 1997 - Ministrou Curso de Estudos Sociais e Recreação e Jogos para a OMEP, cursistas de Jardim e Guia Lopes da Laguna. 1998 - Curso de Capacitação Continuada para Professores da Oficina Pedagógica - CH - 50 horas. 1998 - Curso de Capacitação Continuada do Programa Aprender Aprendendo 1998 Participou do Programa de Apoio aos Secretários Municipais de Educação - I PRASEM - 25 a 27 de maio de 1998. 1999 - Participou de Seminários sobre Turismo: Lançamento do PDTUR - Programa de Desenvolvimento do Turismo para Mato Grosso do Sul nas Cidades de Campo Grande e Bonito 1998/2000 - Membro do Conselho do FUNDEF de Guia Lopes da Laguna - Presidente 1997-1998 - Membro do Conselho Municipal de Saúde - Guia Lopes da Laguna- MS. 1999/2000 - Membro do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e Adolescente de Guia Lopes da Laguna - Vice-presidente 1999-2000 - Secretário Financeiro, Diretoria da União Municipal dos Dirigentes em Educação de Mato Grosso do Sul - UNDIME 1999 - II - PRASEM - SEMINÁRIO - PROGRAMA DE CAPACITAÇÃO DE SECRETÁRIOS MUNICIPAIS DE EDUCAÇÃO - PROGRAMA DO FUNDESCOLA. 2000 - Toma posse da Academia Municipalista de Letras do Brasil - Como Membro Correspondente. 2000 - Apresentou Trabalhos com o Tema Vídeo e Imagem no Processo da Produção do Conhecimento, durante o Evento da 1ª Semana Acadêmica do Curso Normal Superior - 17 a 21 de julho de 2000, na Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul - Dourados MS. 2001 - Ministrante da Disciplina de Educação a Distancia e as novas Tecnologias na Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul, aos Alunos do Curso Normal Superior Unidade de Jardim - MS. 2001 - Professor de História no Ensino Fundamental e Médio, na Escola Estadual Alziro Lopes - Guia Lopes da Laguna-MS. 2001 - Coordenador Pedagógico - atuando no Projeto de Inclusão de alunos com Deficiência no Ensino Fundamental, informática e ensino de LIBRAS e Braille. 2002 - Professor de História no Ensino Fundamental e Médio - carga horária de 22 horas, Escola Estadual Alziro Lopes - Guia Lopes da Laguna - MS. 2002 - desde junho de 2001 - Função de professor coordenador pedagógico na Escola Estadual Alziro Lopes - Guia Lopes da Laguna - atuando na área de inclusão escolar dos alunos com deficiência auditiva, mental, física, visual, síndrome de Down. 2001 - Conclusão do curso em Língua de Sinais - Programa Nacional de Apoio à Educação de Surdos - convênio MEC/SED/CEADA - Campo Grande - MS. 2003 - Curso de Capacitação de LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais. Campo Grande-MS. 2003 Certificado por serviços voluntários prestados ao Programa Agente Jovem de Desenvolvimento Social e Humano - Departamento de Assistência Social de Guia Lopes da Laguna- MS. José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 137 2003 - Professor das disciplinas de História e Geografia no Ensino Fundamental - 5ª a 7ª séries na Escola Particular New Hope - Jardim-MS. 2003 Professor da Disciplina de Informática na Escola Estadual Salomé de Melo Rocha Professores, Funcionários e Alunos do Ensino Médio. Guia Lopes da Laguna- MS. 2003 - Apoio como Historiador ao Grupo de Estudos para a Instalação do Memorial Guia Lopes, na sede da Antiga Fazenda Jardim - Guia Lopes da Laguna-MS, trabalhos apresentados em Campo Grande, dezembro 2003. 2004 - Professor de Informática na Escola Estadual Salomé de Melo Rocha, em Guia Lopes da Laguna. 2004 - (agosto a outubro) Candidato a vereador pelo PSDB - na coligação com o PL ficando na condição de suplente. 2005 - 1º Janeiro toma posse como Secretário Municipal de Educação de Guia Lopes da Laguna. 2005 - abril - apresenta o I Seminário de História Regional “Nas Trilhas do Guia Lopes” pela UEMS - com o Tema ícone Guia Lopes - no projeto “Diagnóstico e Diretrizes Turísticas para o Município de Guia Lopes da Laguna - MS 2005 - junho - apresenta o II Seminário de História Regional “Nas Trilhas do Guia Lopes” pela UEMS - com o tema nascimento, vida e morte do Guia Lopes - no projeto “Diagnóstico e Diretrizes Turísticas para o Município de Guia Lopes da Laguna - MS. 2005 - Participação do Curso de Manutenção em Micros Hardware. 2006 - Participação do Curso de Formação de Profissionais em Educação Inclusica SED/MS. 2006 - Participação no Desenvolvimento do Projeto Transitando - Ensino Médio. EE Salomé de Melo Rocha. 2006 - Retorna para o Quadro do Magistério do Estado de Mato Grosso do Sul. 2006 - Nas Eleições - Atuou como Mesário - Serviço prestado à Justiça Eleitoral 2006 - Colaborador no Projeto Um Breve Olhar para a Construção do Estado de Mato Grosso do Sul - UEMS - Jardim e Dourados 2006 - Participação como colaborador da II Noite Cultural da UEMS - Jardim 2006-2007 - Desempenha a função técnica no Núcleo de Educação Especial de Guia Lopes da Laguna. 2007 - Participação no II EBETUR - UEMS - Jardim - Mini-Curso - Nas Trilhas do Guia Lopes. 2007 - Desenvolve mini-curso na Semana do Turismo da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul - com o tema História Regional. 2007 - Abril - recebeu a placa de Homenagem - no aniversário da cidade de Nioaque da Escola Municipal Guilherme Correa da Silva - pelas Contribuições Históricas ao Município. 2007 - Curso de Leitura e Escrita: Desenvolvimento Normal e Alterações - CEFAC 2007 - Avaliação de Competência Básica para Sala de Tecnologia - Resultado: Apto - Nota 7,75. 2007 - Participação do Curso do Programa Salto Para o Futuro TV Escola - Mídias Digitais e juventude em Rede 2008 - Curso de Capacitação em Gestão Escolar da Rede Estadual de Ensino de MS. José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 138 2008 - Participou da Avaliação de Competência Básica em Gestão Escolar - da Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso do Sul - Resultado: Apto - Nota - 7,00. 2008 - Participou do Curso - Distúrbios de Aprendizagem, Leitura e Escrita - CEFAC. Toma Posse como Associado correspondente do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso do Sul. 2009 - Profissionalmente continua no Exercício da Função de Técnico do Núcleo de Educação Especial 2009 - maio a janeiro 2011 - afastado serviço motivos de doenças. 5. OUTROS CURSOS: Outros Cursos e Participações: . Eletrônica. eletricidade. mecânica de máquinas pesadas. horticultura. agrotóxicos. drogas. doenças sexualmente transmissíveis. fotografia. vídeos e filmagens. computação. membro sindical. congressos de professores. seminários sobre legislação de Ensino. cursos na área de inspeção escolar. seminários sobre FUNDEF, FUNDEB. Seminário sobre Turismo. 6. ESCOLARIDADE: ENSINO FUNDAMENTAL: 1º a 4º ano primário - Exame de Admissão - 1ª e 2ª série ginasial - Escola Estadual Padre Réus Perola do Oeste - Paraná 7ª e 8ª Série - Escola Estadual 31 de Março - Canarana - Mato Grosso ENSINO MÉDIO - Habilitação em Magistério: 1º e 2º ano - Seminário Salesiano de Campo Grande-MS. 3º e 4º ano - Colégio das Irmãs do Sagrado Coração de Jesus, em Rondonópolis - Mato Grosso EDUCAÇÃO SUPERIOR: 1. Licenciatura em Estudos Sociais - História e Geografia - Centro Universitário de Rondonópolis - Universidade Federal de Mato Grosso - Rondonópolis - MT. 2. Licenciatura em Pedagogia - Pré-escolar, séries iniciais e disciplinas pedagógicas do Magistério. - Universidade Federal de Mato Grosso do Sul - Jardim e Campo Grande - MS. ESPECIALIZAÇÃO - PÓS-GRADUAÇÃO: 1. PLANEJAMENTO EDUCACIONAL - UNIVERSO - Universidade Salgado de Oliveira - RJ. - Extensão em Jardim - MS. 2. PSICOPEDAGOGIA - UFRJ - UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO Convênio com Ministério do Exército - CEP/MEx. Rio de Janeiro - 4ª Cia de Engenharia Jardim-MS. MESTRADO: José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 139 1. MESTRADO EM ENGENHARIA DE PRODUÇÃO - Área de Concentração Mídia e conhecimento - Universidade Federal de Santa Catarina/UFSC - Conclusão do Curso de PósGraduação e Defesa Pública de Dissertação de Mestrado, realizada em 23 de agosto de 2001. _________________________________________ LIVROS PRONTOS PARA PUBLICAÇÃO 2008 TEMÁTICA: HISTÓRIA REGIONAL 1. NIOAQUE NO CONTEXTO DA HISTÓRIA DE MATO GROSSO DO SUL E DO BRASIL - SÉCULO XIX - 420 P. 2. GUIA LOPES DA LAGUNA, NOSSA HISTÓRIA, NOSSA TERRA, NOSSA GENTE. Vol 1 - 250 p. LIVROS EM PESQUISA 1. GUIA LOPES DA LAGUNA - Volume 2 - História e Volume 3 - Geografia 2. NIOAQUE - Século XX - Resenhas complementares. José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 140 CURRICULUM VITAE EDMILSON LIMA DE SOUZA é 1º Sargento do Exército Brasileiro, da Arma de Engenharia, pertencente à Turma "Centenário da República", da Escola de Sargentos das Armas (Três Corações-MG/1989). Potiguar de NATAL-RN, serviu no então 2º Batalhão Ferroviário (Araguari-MG), hoje 11º Batalhão de Engenharia de Construção, de 1984, quando incorporou às fileiras do Exército, até 1988. Após sua formação, por mérito intelectual, escolheu a recém-criada Unidade de Engenharia em Jardim-MS, a 4ª Companhia de Engenharia de Combate Mecanizada, onde identificou-se profundamente com a cidade e a Unidade. Ao longo de quase duas décadas envolveu-se muito com a Unidade. Fruto desse envolvimento, em 1993 foi designado para a Comissão que tinha como missão, organizar e inaugurar o sonho de vários militares e ex-funcionários: o Museu da CER-3. Em 1998 participou da Comissão que propôs a 1ª Denominação Histórica da Unidade. Após a realização do Curso de Aperfeiçoamento de Sargentos, em 1998, na cidade de Cruz Alta-RS, permanece classificado em Jardim e reassume a mesma função de Auxiliar de Operações, que desempenhou por mais de dez anos. Em 1999 auxiliou nos trabalhos da Comissão que propôs a Denominação Histórica "Companhia Tenente-Coronel Juvêncio" à 4ª Cia E Cmb Mec, que foi aprovada pelo Comandante do Exército no ano de 2000. Em 2002 foi o responsável pela construção e inauguração do conjunto arquitetônico, Praça e Capela de São Francisco de Assis, padroeiro da Arma de Engenharia. Participou da revitalização e recuperação do Museu da CER-3, sendo designado diretor daquele espaço cultural após esse trabalho. Em 2004 participou ativamente da introdução do Museu da CER-3 no Projeto de Regionalização do Turismo. Orientou a formação de monitores para acompanhar turistas em visitação ao Museu da CER-3, abrindo de vez as portas do museu para a comunidade. Foi designado para a Comissão que criou e inaugurou a Casa da Memória "Tenente-Coronel Juvêncio", importante espaço cultural que resgatou o acervo histórico da Unidade. Recentemente participou, juntamente com o renomado pesquisador e historiador, Profº José Vicente Dalmolin, da elaboração do Memorial Descritivo do Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna, importante sítio histórico da épica Retirada da Laguna, por ocasião da Guerra do Paraguai. José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 141 Na 4ª Cia E Cmb Mec teve a honra e a oportunidade de servir com todos os Comandantes, à exceção de seu 1º Cmt, onde passou a ser, por muito tempo, o sargento mais antigo da Unidade, importante guardião da memória e da tradição "Azul Turquesa" da Unidade. Destacou-se na modalidade de tiro de fuzil de combate, sendo por três vezes campeão por equipe da Olimpíada da 4ª Brigada de Cavalaria Mecanizada (Dourados-MS). Foi condecorado com a Medalha Militar de Prata, Medalha da Vitória e Medalha Corpo de Tropa de Prata, tendo desempenhado funções nos 2º e 3º Pelotões de Engenharia de Combate, no antigo Pelotão de Pontes (atual Pelotão de Equipagem de Assalto), no Almoxarifado e na 3ª Seção. Em 2005, a convite do Gabinete do Comandante do Exército, foi movimentado para a Guarnição de Brasília-DF, sendo nomeado para o Ministério de Ciência e Tecnologia. Serviu em Jardim-MS por mais de quinze anos, onde deixou registrado seu devotamento e amor à Força Terrestre, sua dedicação e espírito de sacrifício à 4ª Cia E Cmb Mec, seu respeito e admiração à história de Jardim e de Guia Lopes da Laguna, além de extenso e carinhoso círculo de amizade. José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza JARDIM-MS. Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna 142 BIBLIOGRAFIAS ALMANACHE ILUSTRADO. Empreza Editora, Três Lagoas MT. N. 2 e 3, Anno III, 1929/1930. Registro Histórico e arquivos da 4ª Companhia de Engenharia de Combate Mecanizada. CAMPOS, Flammarion Pinto. Conferência proferida em 25 de dezembro de 1988, no Cinquentenário da Inauguração do Monumento dos Heróis de Laguna e Dourados. DALMOLIN, José Vicente. Nioaque no Contexto do Século XIX na História do Mato Grosso e do Brasil. Vol. 1. 2005 (cópia computadorizada). DALMOLIN, José Vicente. Guia Lopes da Laguna, Nossa Terra, Nossa Gente, Nossa História. Vol. 1, 2005 (cópia computadorizada). Jornal Tribuna Popular de Jardim – MS. Jornal O Estado do Pantanal. Guia Lopes da Laguna – MS. MENDONÇA, Estevão. Datas Matogrossenses. Vol. 1, 2ª Edição, 1973, p. 259. D’ANGROGNE, General Alfredo Malan. Heroes Esquecidos, 1926. MARTINS, Demosthenes. História de Mato Grosso, p. 66. NOVAIS, Jacy Lopes. Conferência proferida em 27 de maio de 1959, data do falecimento do Guia Lopes, Campo Grande. PEREIRA, Armando Arruda. Heroes Abandonados (peregrinação aos Lugares Históricos do Sul de Mato Grosso, 1925, p. 43-44. TAUNAY, Visconde. A Retirada da Laguna. Editora Tecnoprint Ltda. SP. http://www.retiradalaguna.hpg.com.br/ acessado em 9 de fevereiro de 2008. http://www.exercito.gov.br/VO/169/laguna.htm acessado em 9 de fevereiro de 2008. José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza