A capa
O conjunto de imagens mostra o Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna em tranquilo
repouso às margens do Rio Miranda, flanqueado por cenas da coluna em retirada e do episódio que
ficou conhecido como "abandono dos coléricos".
Ao fundo, cortado de norte a sul, uma faixa na cor vermelha, desbotada, representando a
memória do sangue dos brasileiros que tombaram em defesa do solo pátrio durante a operação de
retirada do território inimigo.
A frase "Hoje em dia há muitos que desconhecem fatos marcantes como esse e, portanto, nem os
homenageiam" foi escrita em uma correspondência do general Flammarion Pinto de Campos, no dia 25
de agosto de 1990 e endereçada ao capitão Fernando dos Anjos Souza, então comandante da 4ª Companhia
de Engenharia de Combate Mecanizada (4ª Cia E Cmb Mec), após a publicação no Noticiário do Exército,
da homenagem que a Unidade fizera aos Heróis da Retirada da Laguna.
O general Flammarion é filho de um dos 700 sobreviventes, o general de divisão João Antônio
da Costa Campos, à época da Retirada, alferes em Comissão no 21º Batalhão de Infantaria (seus restos
mortais encontram-se no Monumento aos Heróis da Laguna e Dourados, na Praia Vermelha, Rio de
Janeiro). O general Flammarion foi importante membro da comissão criada em 1920 para construção do
monumento, como aluno, a partir de 1927, cadete, e 1º tenente, em 1935.
A capa é, ainda, uma homenagem ao ex-Cmt da 4ª Cia E Cmb Mec, o então major Fernando dos
Anjos Souza, que foi o primeiro Cmt a divulgar a importância daquele sítio histórico e a vinculação
do nome do tenente-coronel Juvêncio Manoel Cabral de Menezes, Chefe da Comissão de Engenheiros das
Forças em Operações ao Sul de Mato Grosso, com a denominação histórica para aquela jovem Unidade de
Engenharia, aprovada mais tarde, no ano de 2000, como Companhia "Tenente-Coronel Juvêncio".
(Arte e texto: Sgt Edmilson Lima de Souza)
José Vicente Dalmolin
Edmilson Lima de Souza
Memorial Descritivo
CEMITÉRIO DOS HERÓIS
DA RETIRADA DA LAGUNA
Dados de Registro sob o nº
Cartório de 1º Oficio
Cidade de Jardim – Mato Grosso do Sul - Brasil
Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna. José Vicente Dalmolin e
Edmilson Lima de Souza. Jardim, MS. Livraria e Editora Tira-Teima,
2011.
1. Guerra do Paraguai. 2. Retirada da Laguna 3. Cemitério dos Heróis da
Retirada da Laguna. 4.Turismo Histórico em MS. Jardim-MS.
Impresso no Brasil
Presita Brazilo
Mensagem
In memoriun
“O Prefeito Evandro Bazzo disse que a Marcha dedicada a
Retirada da Laguna agrega valor a nossa história, além de resgatar
os conceitos heróicos daqueles brasileiros que lutaram em defesa
do país. São heróis que precisam ser lembrados sempre, exemplo
de luta”.
VI Marcha Cívico cultural
Agosto de 2008
Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna – MS
PREFÁCIO
MEMORIAL DESCRITIVO
Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna
A história organizada neste memorial descritivo é um relato da cultura brasileira, que se
mistura com os principais acontecimentos históricos Sul-americanos. Neste trabalho, os autores
José Vicente Dalmolin e Edmilson Lima de Souza resgatam informações sobre um dos
importantes fatos da Guerra do Paraguai, a Retirada da Laguna, com foco no local onde
repousam restos mortais de grandes homens para o nosso país, o Cemitério dos Heróis da
Retirada da Laguna.
A compilação deste material é de extrema importância para o resgate histórico-cultural da
nossa nação, memorando fatos e pessoas que contribuíram para o destino do Brasil. A luta de
alguns heróis e a história de toda região sudoeste sul-mato-grossense, a citar Jardim e Guia
Lopes da Laguna, são imortalizadas neste memorial.
É um caleidoscópico da história, que abrange a soma das influências das fronteiras Brasil,
Paraguai, Argentina e Uruguai. Iniciativas como a dos autores são louváveis, pois guardam para
a eternidade fatos que poderiam ser esquecidos com o tempo.
É impossível falar sobre a Guerra do Paraguai sem citar grandes nomes da nossa história
como José Francisco Lopes (o Guia Lopes), coronel Carlos de Morais Camisão e tenente-coronel
Juvêncio Manoel Cabral de Menezes, em nome dos quais homenageamos todos os combatentes
que lutaram pela soberania da nossa nação.
MARCIO CAMPOS MONTEIRO
Deputado Estadual (2011-2014)
Prefeito Municipal de Jardim (1997-2000 / 2001-2004)
SUMÁRIO
CONTRACAPA
DADOS DE CATALOGAÇÃO
MENSAGEM
PREFÁCIO
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO
METODOLOGIA DE PESQUISA
UNIDADE I
LOCALIZAÇÃO.
UNIDADE II
BREVE RESUMO CRONOLÓGICO DA RETIRADA DA LAGUNA ATÉ O CEMITÉRIO
DOS HERÓIS DA RETIRADA DA LAGUNA.
UNIDADE III
AS ORIGENS DA DENOMINAÇÃO DE CEMITÉRIO DOS HERÓIS.
UNIDADE IV
RESGATE E RECONHECIMENTO DOS FALECIDOS - 1874 - PELO GOVERNO
IMPERIAL - ORIGEM DA LÁPIDE COMEMORATIVA.
UNIDADE V
A UTILIZAÇÃO DO “CEMITÉRIO DOS HERÓIS DA RETIRADA DA LAGUNA” PELA
COMUNIDADE.
UNIDADE VI
TRASLADOS E O MONUMENTO AOS HERÓIS DE LAGUNA E DOURADOS.
UNIDADE VII
EXPEDIÇÕES CÍVICAS QUE PASSARAM PELO CEMITÉRIO DOS HERÓIS DA
RETIRADA DA LAGUNA E REVITALIZAÇÕES.
UNIDADE VIII
BREVES BIOGRAFIAS DE LOPES, CAMISÃO E JUVÊNCIO.
UNIDADE IX
PROJETO DE REVITALIZAÇÃO.
UNIDADE X
CURRÍCULOS DOS AUTORES.
JARDIM-MS.
Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna
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INTRODUÇÃO
No ano em que comemoramos 141 (2008) anos do desenlace físico de JOSÉ
FRANCISCO LOPES e dos comandantes, coronel CARLOS DE MORAES CAMISÃO e
tenente-coronel JUVÊNCIO MANOEL CABRAL DE MENEZES, 27 e 29 de maio de 1867, as
preocupações com o local hoje denominado CEMITÉRIO DOS HERÓIS DA RETIRADA
DA LAGUNA, sempre foi objeto de visita, de culto cívico, momento histórico e até ato
religioso.
Muitas expedições e comissões passaram pelo local, cada um deixando a sua marca
indelével, alguns com apelos às autoridades, diante do descaso com o qual se encontrou por
muitas décadas o referido campo de repouso dos imortais dos mortais.
O Dr. Armando Pereira em peregrinação por este local no ano de 1925, transcreveu em
seu Livro “Heroes Abandonados” as suas impressões, e preocupações, em uma das suas
narrativas podemos ler:
“Aos brasileiros que nos lerem, pedimos trabalhem da melhor forma que puderem,
junto ao Governo, junto dos amigos políticos que tiverem para que se faça uma homenagem
condigna, a fim de que se saldem essa dívida de gratidão, há muito contrahida para com a
memória desses três vultos, desses três homens de facto, caracteres másculo, de rigeza férrea,
de abnegação completa ao cumprimento do dever consciente.
Essa homenagem precisa ser feita para que as gerações vindouras não nos acoimem de
ingratos para com aquelles que, sacrificando-se sem medir conseqüência, trabalharam a fim
de que fossemos portadores de um passado glorioso, fornecendo-nos exemplos para serem
imitados pelos futuros defensores desse Brasil Amado!”
Assim, para nós autores, queremos deixar às gerações do presente e do futuro uma nova
visão cívico-histórica ao visitar o local do CHRL; que o simbolismo histórico do visitante ao
campo santo deixe de ser uma sensação de vazio, de morte, de nostalgia, de passado distante, de
cruzes, placas e mausoléus, mas sim, quando o visitante, seja antes o leitor destas memórias
descritivas, possa chegar ao Cemitério com compreensão dos fatos que foram se desenrolando
através dos tempos e que fazem a história humana.
Assim, entendemos que, o CHRL não é uma História morta, do passado, mas que tem
sido construída a sua história ao longo dos séculos XIX e XX e que nova será pelo XXI e
vindouros por cada brasileiro que ali descobre que morrer não é o fim, mas pode ser o começo de
uma imortalidade. Os nossos ex-combatentes não morreram, mas seus testemunhos de coragem,
trabalho e amor pela Pátria Brasileira lhes outorgaram as mais altas insígnias, o título de Herói
no panteão dos grandes feitores da História Nacional e o Herói, é sempre imortal na História das
Civilizações.
José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza
JARDIM-MS.
Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna
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Considerando que esse trabalho visa facilitar o conhecimento Histórico do CHRL, estará
subdividido nas seguintes Unidades Temáticas:
Unidade I – Tratará da Localização;
Unidade II – Breve resumo histórico da Retirada da Laguna, sem o qual não será
possível contextualizar a origem do Cemitério;
Unidade III – Aborda conceitos sobre a denominação do Cemitério;
A Unidade IV – Resgata as preocupações com o reconhecimento das pessoas que ali
foram sepultadas, inclusive a do Imperador do Brasil, D. Pedro II, no ano de 1874.
A Unidade V – Demonstra que o local do Cemitério serviu também para sepultar
habitantes que residiam nestas cercanias antes da fundação das cidades de Guia Lopes da Laguna
e Jardim;
A Unidade VI – Descreve o memorial histórico sobre os motivos que propiciaram os
traslados dos restos mortais do Guia Lopes, Camisão e Juvêncio para o Memorial no Rio de
Janeiro, no ano de 1938;
A Unidade VII – Retrata algumas expedições que passaram pelo local, homenagens
prestadas, e processos de revitalizações.
A Unidade VIII – As informações bibliográficas sobre os três primeiros personagens da
História Nacional que deu Origem ao Cemitério e que faleceram na ocasião do Episódio da
Guerra do Paraguai, Retirada da Laguna;
A Unidade IX – Traz ao Projeto de REVITALIZAÇÃO.
Unidade X – Currículos dos autores
Unidade XI – Traz as principais fontes de consulta bibliográficas.
José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza
JARDIM-MS.
Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna
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METODOLOGIA DA PESQUISA
Em uma das nossas visitas ao local do Campo Santo, hoje denominado de Cemitério dos
Heróis da Retirada da Laguna e ao Cambaracê, nasceu a idéia de fazermos uma parceria e
escrevermos um livro, se assim pode ser chamado, que pudesse tratar de maneira descritiva na
forma de Memorial um pouco da História deste local.
Fotografia histórica para nós autores – 25 de novembro de 2003 – quando nasceu a idéia de
realizarmos o Projeto deste Livro Memorial. O primeiro da esquerda o Prof. MSc. José
Vicente Dalmolin e o primeiro da direita o Sgt Edmilson Lima de Souza. Segundo da
esquerda, o Maj Eng Luís Fernando França Sousa, então comandante da 4ª Cia E Cmb Mec; ao
centro, a Comitiva da Diretoria de Assuntos Culturais (DAC), Cel R/1 Cardoso e Cel Antonio
Ferreira Sobrinho, em visita ao Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna; o segundo da
direita, o Maj Eng Eduardo de Moura Gomes, do Comando da 4ª Bda C Mec (Dourados-MS).
(Foto Arquivo dos Autores)
Outro ponto sempre nos incomodava, constantemente somos chamados para acompanhar
grupos de estudantes, civis e militares ao CHRL e apresentarmos um pouco da História e dos
fatos ali ocorridos.
Em outras situações somos procurados por estudantes para oferecermos informações e
referências bibliografias sobre o local.
Assim, amadurece gradativamente o projeto “CEMITÉRIO DOS HERÓIS DA
RETIRADA DA LAGUNA - MEMORIAL DESCRITIVO”. Após longas trocas de idéias
saímos para o campo da ação através do delineamento metodológico:
José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza
JARDIM-MS.
Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna
11
a) TÍTULO
CEMITÉRIO DOS HERÓIS DA RETIRADA DA LAGUNA
b) MEMORIAL DESCRITIVO
c) OBJETIVOS
 Preservar a memória histórico-cultural das cidades de Jardim e Guia Lopes da Laguna;
 Propiciar a todos os visitantes, estudantes, cidadãos, civis e militares a disponibilidade de
informações sobre o CHRL;
 Disponibilizar de forma didática os principais acontecimento e transformações ocorridas
no local;
 Subsidiar aos agentes (guias) de turismo conhecimentos históricos para subsidiar com
informações verídicas aos turistas; e
 Reunir todas as informações esparsas sobre o CHRL e reuni-lo em um único volume
literário.
d) JUSTIFICATIVAS
A necessidade estimula a inteligência humana a desenvolver ações como forma de saciar
esta mesma necessidade.
A necessidade nasce sempre da ausência de algo.
A ausência de um “Livro” que pudesse servir de referência de consulta sobre o Histórico
do CHRL, que completou no dia 29 de maio de 2008, 141 anos de existência, pois ele nasce
exatamente com o sepultamento dos comandantes coronel Camisão e tenente-coronel Juvêncio,
no dia 29 de maio de 1867, para toda a comunidade civil e militar, turistas, estudantes, curiosos
que visitam o Campo Santo.
A ausência de um volume literário que trata do local moveu-nos a reunir todos os nossos
conhecimentos de historiadores autodidatas e encamparmos uma verdadeira garimpagem,
vasculhando o tempo histórico, estudando as modificações do espaço, no intuito de deixarmos
para as gerações futuras o conhecimento do passado em perspectiva histórica de um Memorial
Descritivo.
e) ENCAMINHAMENTO METODOLÓGICO
1. Optamos inicialmente que o nosso Trabalho obedeceria a uma linha didática subdividida
por unidades temáticas.
2. Os conteúdos das Unidades Temáticas abordariam uma perspectiva de memorial
descritivo, permeada com algumas análises e notas de caráter pessoal.
José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza
JARDIM-MS.
Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna
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3. Embora em termos de publicação aumente os custos, mas pelo caráter didático deste
Trabalho rechearíamos os conteúdos com ilustrações.
4. As ilustrações têm um caráter de possibilitar a visualização de acontecimentos ocorridos
ao longo da linha do tempo histórico e geográfico.
5. A preocupação não estaria centrada apenas na memória do passado, mas também
apresentar a proposta do Projeto de Revitalização do Campo Santo.
6. Início dos Trabalhos de Pesquisa ocorrera na manhã de sábado do dia 24 de janeiro do
ano de 2004, – muito calor –, reunimos nossos papéis e apontamentos e passamos
algumas horas no local do Cemitério fazendo estudos e delineamos que o trabalho
deveria encampar algumas diretrizes nos conteúdos tais como:
6.1 Sumário para a Pesquisa:
 Localização geográfica do cemitério;
 Origem da denominação;
 Histórico temporal/espacial da RETIRADA DA LAGUNA, até o cemitério e que
culminou com as mortes do Guia LOPES, do comandante da coluna, coronel CAMISÃO
e de seu imediato tenente-coronel JUVÊNCIO (relato do Maj. TOMAZ);
 O resgate e o reconhecimento dos falecidos (1874 - Governo Imperial);
 A utilização do cemitério pela comunidade local;
 Biografias do Guia LOPES, do Cel CAMISÃO e do TC JUVÊNCIO;
 Reconhecimento dos falecidos e enterrados no cemitério;
 A organização (ordenação) e jardinagem do cemitério;
 As expedições, como forma de preito àqueles bravos heróis (1920/1930 [Arruda/Malan] 1970 - 1989 - 1999 - 2003);
 Paisagem natural da área do cemitério;
 O translado dos restos mortais do Guia LOPES, do Comandante e de seu imediato;
 Atual situação da área do cemitério:
a) Proprietário;
b) Documentação;
c) Preservação do local;
José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza
JARDIM-MS.
Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna
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d) Responsabilidade;
 Proposição final (projeto de revitalização do sítio histórico).
7. Etapa da Pesquisa:
7.1 Consulta, leitura, catalogação, compilação das referências bibliográficos disponíveis nos
arquivos particular, bibliotecas e Unidades militar;
7.2 Catalogação e digitalização de todas as imagens fotográficas e outros ícones disponíveis;
7.3 Entrevista com pessoas que dispunham de informações orais ou documentos sobre o
Cemitério;
7.4 Processamento de todos os dados catalogados, digitalização e impressão das minutas dos
textos para análise dos conteúdos;
7.5 Disponibilizado as minutas dos conteúdos processados, procede à etapa de revisão,
correção, complementação e supressão de referências;
7.6 Disponibilização de cópias (minutas) do trabalho e apresentação a algumas pessoas da
comunidade, civis e militares para que façam a leitura, as análises, sugestões;
7.7 Revisão após recolhimento das minutas e reedição;
7.8 Correção gramatical e ortográfica;
7.9 Edição Final;
7.10 Apresentação em ato solene as autoridades e comunidade da Edição Final;
7.11 Busca com os órgãos competentes os recursos financeiros para a publicação.
f) RECURSOS
 Não prevemos durante a fase da pesquisa recursos financeiros para subsidiar os custos
do trabalho, senão recursos próprios;
 Entretanto, prevemos gastos com papel, tinta para impressora, combustível para veículos,
telefonemas, serviços de computador para digitação e digitalização, CDs para gravação.
g) CRONOGRAMA
 Estabelecemos uma estimativa de 24 meses – janeiro de 2004 a janeiro de 2006 – como
fase principal de elaboração.
 E até maio de 2011 ainda não conseguimos a conclusão e pleitear a publicação.
José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza
JARDIM-MS.
Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna
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UNIDADE I
LOCALIZAÇÃO
1. Nas Terras da Fazenda Jardim
O Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna – CHRL, está assentado à margem
esquerda do Rio Miranda, numa área de um hectare, doada ainda extra oficialmente na década de
1930 pelo Senhor Fábio Barbosa Martins ao Ministério da Guerra, no Município de Jardim,
Sudoeste do Estado de Mato Grosso do Sul, Brasil.
Outrora, no ano de 1867, o local onde hoje está o CHRL fizera parte da Fazenda Jardim
de Propriedade de José Francisco Lopes, o Guia Lopes e esposa Dona Senhorinha Maria
Conceição Barbosa de Lopes, cuja fazenda tinha a sede com casa de residência e mangueiro para
fechar o gado, na margem direita do Rio Miranda, atual município de Guia Lopes da Laguna, à
margem da Rodovia que interliga os Municípios de Guia Lopes da Laguna e Bonito – MS-382 –
Km 2. Com a partilha das terras em 1882, pertencera aos herdeiros1, Izabel Porcina Lopes e
Clemente Gonçalves Barbosa. Depois os herdeiros negociaram o Senhor Fábio Martins Barbosa
e sua esposa Deolinda Barbosa Martins.
O CHRL fica distante da cidade de Jardim, cerca de quatro quilômetros. “O Passo do
Lopes” local onde as tropas brasileiras passaram o Rio Miranda, fica distante do Cemitério
aproximadamente trezentos metros.
Cemitério HRL
– Vista atual –
Rio Miranda
– Vista atual do Passo –
Fazenda Jardim
– Vista atual –
(Arquivo dos Autores)
(Arquivo dos Autores)
(Arquivo dos Autores)
Coordenadas: LATITUDE 21°26'54.42"S LONGITUDE 56° 9'1.25"O
1
Segundo informações da tradição oral.
José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza
JARDIM-MS.
Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna
Visto no centro o Rio Miranda que serve de divisor de limites entre as cidades e municípios
de Jardim e de Guia Lopes da Laguna, no Mato Grosso do Sul. À esquerda, local do Cemitério
dos Heróis da Retirada da Laguna e à direita o local da Fazenda Jardim, que outrora
pertencera a José Francisco Lopes, o “Guia Lopes” (Foto Google Earth, 4 Jan 2008)
À esquerda, vista da entrada do CHRL e à direita o Passo do Rio Miranda.
(Foto Google Earth, 4 Jan 2008)
José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza
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JARDIM-MS.
Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna
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UNIDADE II
BREVE RESUMO CRONOLÓGICO DA RETIRADA DA LAGUNA ATÉ O
CEMITÉRIO DOS HERÓIS DA RETIRADA DA LAGUNA.
Ao leitor mais aguçado no conhecimento histórico, reforçamos a sugestão de que leia as
obras de Visconde de Taunay, entre outras, a da Retirada da Laguna. O esboço aqui apresentado
é uma descritiva para situar-se no tempo.
Não é possível ao visitante do CHRL seja estudante, turista, militar, pesquisador, curioso
uma compreensão dos fatos que ali guardam memória, sem uma leitura, mesmo de leve, sobre o
contexto da Guerra do Paraguai, invasão, ocupação e reações de defesa no território do então sul
da Província de Mato Grosso (1822-1889) e que hoje corresponde ao Sudoeste do Estado de
Mato Grosso do Sul (11 de outubro de 1977).
1. A invasão e ocupação das Tropas Paraguaias na região Sudoeste do atual Estado de
Mato Grosso do Sul
O resumo seguinte1 está baseado no Livro “Guia Lopes da Laguna, Nossa Terra, Nossa
Gente, Nossa História”, de autoria de José Vicente Dalmolin.
Na invasão de Mato Grosso foram empregadas duas Colunas Paraguaias:
a) via fluvial – que atuou através do Rio Paraguai;
b) via terrestre – que atuou de Concépcion – Bela Vista Paraguai, Colônia dos Dourados,
Colônia de Miranda, Nioaque, Vila de Miranda e Coxim.
A expedição terrestre, comandada pelo Coronel de Cavalaria Isidoro Resquín e pelo
subchefe da mesma arma Major Martín Urbieta. Esta Coluna Militar contava com um efetivo de
aproximadamente 2.500 cavalarianos e um batalhão de infantaria.
A Divisão Norte, nome da Coluna que atacou por terra, partiu de Concépcion em
dezembro de 1864.
Resquín penetrou em Mato Grosso, vindo direto do Forte de Bela Vista (Paraguai), em
seguida atravessa o atual Rio Apa.
Urbieta deslocou-se por Cerro Corá, Chiriguelo, indo à Colônia Militar do Dourados
onde era comandada pelo tenente Antônio João Ribeiro.
1
Esclarecemos que no momento desta pesquisa, o livro de José Vicente Dalmolin, encontra-se pronto,
aguardando recursos para a impressão. É um livro rico em informações sobre esta região. Outro livro do
mesmo autor, tratando sobre Nioaque, no contexto do Século XIX, apresenta outros detalhes
interessantes, uma vez que na ocasião da invasão e ocupação paraguaia a única vila nesta cercania era
a de Nioaque.
José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza
JARDIM-MS.
Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna
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Marchando na direção Norte, a Coluna comandada pelo Coronel Resquín, partindo do
Forte de Bela Vista, chegou à Colônia Militar de Miranda, que já havia sido abandonada, com a
notícia da chegada das tropas paraguaias, a 31 de dezembro de 1864.No dia 2 de janeiro de 1865,
Francisco Isidoro Resquín, ocupa a Povoação de Nioaque e em seguida a Vila de Miranda e
Coxim, sendo que Nioaque era o Quartel-General.
A estrada utilizada, saída da Colônia, a única então existente, passava no atual território
de Guia Lopes da Laguna, no rumo das confluências dos rios Feio e Desbarrancado no Santo
Antônio, afluente do Rio Miranda, próximo a cidade de Guia Lopes. A Sede da Fazenda Jardim,
de propriedade do José Francisco Lopes, encontrava-se muito longe desta estrada, por este
motivo não foi visitada de imediato pelas tropas paraguaias.
No dia 30 de dezembro de 1864, organiza-se a partir de Nioaque uma resistência, uma
força militar e civil, de Nioaque, Colônia de Miranda e região para contra-atacar a coluna
paraguaia.
No dia 31 de dezembro, 200 brasileiros, contra 2.500 paraguaios, são obrigados a recuar,
depois de tiroteios violentos na região do rio Feio, onde o comandante paraguaio exige que o
comandante brasileiro se renda. Os brasileiros recuam para as margens do Santo Antônio, não
muito distante, já sem condições de fazer enfrentamento, recuam, para o Desbarrancado,
deferindo ai, novo e encarniçado combate. O comandante brasileiro manda incendiar a ponte e
retira-se para Nioaque
Da ponte do rio Desbarrancado, resolve Dias e Silva, exercer ação retardadora no eixo
Nioaque-Miranda, tendo como ponto de refúgio Santana do Paranaíba (Paranaíba-MS).
A sede da Fazenda Jardim fora visitada em janeiro de 1865, onde toda a família do Guia
Lopes fora feita prisioneira e levada para a Vila de Orqueta, no Paraguai, permanecendo até
março de 1870.
2. A organização das Tropas Brasileira e a reação contra os Paraguaios na região Sudoeste
Depois de quase dois anos, a nossa região se encontrava sob o domínio paraguaio. Em
abril de 1865, com a finalidade de socorrer as tropas estacionadas em Mato Grosso, Cuiabá e
Santana do Paranaíba, partiu de Santos, São Paulo uma expedição de 600 homens, acrescida
principalmente de voluntários do Rio de Janeiro, São Paulo, Goiás, Paraná e Minas Gerais para
ocuparem posição em Nioaque no dia 24 de janeiro de 1867.
Este Corpo de Artilharia, em junho de 1865 chegou à cidade de Uberaba, onde foram
incorporados mais 1.200 homens de Minas Gerais. Com um efetivo de aproximadamente 2.500
homens, rumou para Mato Grosso. À princípio, o destino era Cuiabá. No entanto, no meio do
caminho, receberam ordens para seguir para a Vila de Miranda. Na Freguesia de Herculânea,
(Coxim), ficaram retidos por causa das fortes chuvas e inundações, permanecendo até julho de
1866.
José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza
JARDIM-MS.
Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna
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Em Miranda havia uma guarnição militar paraguaia, que a abandonaram com a
aproximação das tropas brasileiras a 17 de setembro do mesmo ano. O efetivo brasileiro já se
encontrava reduzido a 2.000 combatentes. O comandante, coronel Enéas Galvão, morrera,
passando o comando ao coronel Camisão.
Em 31 de dezembro de 1866, uniu-se em Miranda a Coluna comandada pelo Coronel
Camisão com a tropa do 1º Corpo de Cavalaria, que anterior à ocupação paraguaia, combatera no
Desbarrancado sob o comando do Capitão Pedro José Rufino, retornou a Nioaque e fez parte da
expedição pelo Apa e Laguna.
No dia 11 de janeiro, o comandante, coronel Camisão, deu ordens para a retirada da Vila
de Miranda (agora em ruínas), rumando para Nioaque.
Moveu-se a Força, a 11 de janeiro de 1867, depois de permanecerem em Miranda por
cento e trinta e um dias.
Às 11 horas do dia 24 de janeiro de 1867, chegaram a Nioaque o corpo de Tropas de
Infantaria, Artilharia e Cavalaria de Exército.
O coronel Camisão, cuja honra estava ferida, porque no início da invasão o obrigou a
retirar-se de Corumbá.
Somente o Paraguai interessava.
Nioaque ficou sendo a base das Operações, enquanto a Coluna avançava.
Segundo Taunay2:
25 de Fevereiro de 1867 havíamos saídos de Nioaque.
A 26 estávamos no Canindé.
E a 27 estávamos no Desbarrancado (Município atual de Guia Lopes da Laguna), onde
debandara nos últimos dias de 1864, o Corpo de Cavalaria do tenente-coronel Dias. Demoramos
ali dois dias, 28 de fevereiro e 1º de março.
No dia 2 de março chegamos ao rio Feio (Município atual de Guia Lopes da Laguna).
E no dia 3 de março, ocupávamos o local onde existira a Colônia de Miranda, 12 léguas
ao Sudoeste de Nioaque” (também em Guia Lopes da Laguna).
Há quase um mês acampados na sede da Antiga Colônia Militar de Miranda, ordenou o
seu comandante que utilizassem os poucos cavalos, montaria dos oficiais e saísse pelos campos
da região à procura de gado. Mas para infelicidade dos brasileiros, quando os paraguaios
efetuaram a retirada, diante a aproximação das tropas brasileiras, levaram consigo todo o gado
2
A Retirada da Laguna, Editora Tecnoprint Ltda, SP.
José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza
JARDIM-MS.
Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna
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existente. Da Fazenda Jardim, de propriedade de José Francisco Lopes, pouco mais de 200 reses
foram levadas para Ipané, no Paraguai em dezembro de 1866, com mais outras 2.000 reses,
recolhidas das fazendas vizinhas, conforme carta do Comandante do Forte de Bella Vista,
tenente Romualdo Molinas.
E como encontrar gado, alimento básico da tropa? Com fome, não há resistência e sem
resistência não há combatentes. Nos planos do Comandante, o retorno a Nioaque, seria a solução
mais prudente. Segundo Taunay, o Comandante reuniu por diversas vezes o seu grupo de
oficiais, no qual os membros da Comissão apresentaram o quadro real das condições das Tropas,
caso desejassem avançar na direção do Rio Apa: insuficiência de alimentos, falta de meios de
transportes, ausência de um Corpo de Cavalaria, escassez das munições, impossibilidade de
angariar reforços ou socorro para caso sofressem um contra-ataque paraguaio.
No entanto, não era unânime a decisão, o próprio Coronel Juvêncio alega: “Deixo viúva e
seis órfãos. Terão como única herança um nome honrado”.
Um outro fato influencia na decisão da Tropa, ao invés de recuar para Nioaque a estimula
avançar rumo ao Paraguai, quando saíram tropas da Colônia para levantamento de
reconhecimento da região além do Rio Miranda. No dia 25 de março, saiu o 21º Batalhão de
Infantaria, paulista, chegando na região conhecida como Fazenda Monjolinho, onde Gabriel
Francisco Lopes e Dona Senhoria residiram por alguns anos e no dia 10 de abril, o 17º Batalhão
de Voluntários de Ouro Preto, avançou uns 50 km adiante, reconhecimento este efetuado pelas
tropas, marchando a pé.
José Francisco Lopes fazia parte do 17º Batalhão de Voluntários, durante esta incursão de
reconhecimento, recebera notícias do seu filho e companheiros levados prisioneiros, em janeiro
de 1865. Estavam de regresso, ao todo, dez jovens brasileiros, fugitivos das prisões paraguaias,
pertencentes às famílias Lopes, Barbosa e Ferreira. Mais dez voluntários que ingressaram no 17º
de Voluntários, e gritavam entusiasmados: Ao Apa! Ao Apa!. Este fato foi decisivo na
determinação de avançar para além da fronteira do Brasil.
Em 14 de abril de 1867 inicia-se a travessia do Rio Miranda. Primeiro o Corpo de
Caçadores, goiano (agora a pé, os cavalos estavam mortos); em seguida o 21º Batalhão de
Infantaria, paulista, precedendo uma bateria de duas peças raiadas; depois, o 20º Batalhão de
Infantaria, também goiano, com baterias idênticas à outra e por fim o 17º Batalhão de
Voluntários da Pátria, ao qual acompanhavam, na retaguarda, as bagagens, as carretas dos
comerciantes, as mulheres dos soldados e as crianças. Duraram duas horas na travessia do
Miranda (estas terras, à margem esquerda, pertencem hoje ao Município de Jardim).
Em 17 de abril de 1867 a Coluna da Força Expedicionária em Operação no Sul da
Província de Mato Grosso, comandada pelo Coronel Carlos de Moraes Camisão, chegava à
fronteira do Império do Brasil, de D. Pedro II, com a República do Paraguai, de Francisco
Solano López, alcançando a “Bella Vista” (Paraguai) no dia 20.
Gado era um dos objetivos. Abater os paraguaios, vinha em seguida.
José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza
JARDIM-MS.
Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna
20
3. O avanço das tropas Brasileiras até a Invernada da Laguna, no Paraguai
Para conhecer a continuidade desta marcha até a Fazenda Laguna, de propriedade do
Governo Paraguaio, onde supunha haver abundância de gado, está sendo transcrito o Relatório
do Major José Thomaz Gonçalves3. Este relato, para elevar o seu caráter histórico, será em grafia
original:
“Parte dada pelo Commandante Interino das Forças em Operação no Sul de MattoGrosso, que invadiaram o territorio paraguayo, Major José Thomaz Gonçalves, ao Presidente
da Provincia de Matto-Grosso, Dr. José Vieira Couto Magalhães, em officio de 16 de junho de
1867.
No dia 21 de abril, entraram as forças brazileiras sob o comando do Coronel Camisão
no Forte Paraguayo de Bella Vista, que foi desamparado pela sua guarnição á vista de nossas
bandeiras: feito glorioso para as nossas armas a qual já deve estar no conhecimento do
Governo Imperial, e que encheo de justo orgulho ao chefe da nossa expedição.
Desde o dia da occupação,
começando-se a fazer sentir a falta de
gado, mandava a prudencia que fosse
effectuada uma prompta retirada sobre
Nioac que era a nossa base de
operações que algum tanto inconsideravelmente fôra deixada, apenas
protegida por uma pequena guarnição,
visto como mesmo a diminuta porção de
1500 a 1600 soldados, não permittia
distrahir muitas praças por occasião de
avançar contra o inimigo. Entretanto, o
coronel
Camisão,
tendo
tido
Região da Laguna - Paraguai.
(Arquivo dos Autores)
informações dos fugitivos brasileiros, os
quaes como V. Exa. não ignora, se achavam entre nós desde 11 de abril, que a 3 ½ leguas de
Bella Vista, n’uma Fazenda do Presidente López havia grande quantidade de gado (Fazenda
Laguna), não trepidou em avançar, dando ordem de marcha ás forças no dia 30 do mez acima
citado. Como subordinados, obedecemos de bom grado a resolução de nosso chefe, tocando-me
tão sómente como commandante do corpo e cumprir os deveres difficeis que a todos exigia
aquelle passo brilhante, porem algum tanto arrojado.
Foi, pois, pouco desvanecendo-se a esperança que nutria o Commandante das forças, a
qual, depois de resolver levantar acampamento quis, contudo, por uma surpreza audaz, ir bater
o inimigo, acampado a mais de legua e cujo numero era ainda desconhecido.
Na madrugada de 6 de maio (1867) foram os paraguayos accordados ao som de nossas
descargas, sendo incontinentemente occupado o acampamento inimigo. Gloria immensa coube a
3
ALMANACHE ILUSTRADO. Empreza Editora, Tres Lagoas MT. N.º 2 e 3, Anno III – 1929/1930.
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JARDIM-MS.
Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna
21
nossa soldadesca! O entusiasmo era indescriptivel! N’esse occasião, os paraguayos
desmascaravam a força de que dispunham. Mais de 700 cavalleiros, carregaram por vezes a
Infantaria Brazileira, ao passo que duas boccas de fogo atiravam sobre ella innumeros
projecteis.
O dia 7 passou-se sem novidades, bem que um temporal violentissimo acompanhado de
chuva torrencial”.
4. A reação Paraguaia e a Retirada das tropas Brasileira da Invernada da Laguna
Caro leitor, a partir deste contexto é que iniciam propriamente as narrativas da Épica
Retirada da Laguna, e que culminará com as mortes do Guia Lopes, e dos comandantes coronel
Camisão e Juvêncio episódios que darão historicamente a origem ao Cemitério dos Heróis da
Retirada da Laguna.
Continuaremos conferindo estas narrativas de maneira resumida nos relatórios do major
Gonçalves4, que foi o oficial encarregado de conduzir o restante das tropas após a morte dos seus
dois comandantes, Camisão e Juvêncio.
4.1 Retirando-se da Fazenda Laguna, em território do Paraguai
“No dia 8 de maio ás 7 horas da manhã começou a força a mover-se, sendo logo
tiroteiada fortemente por infantes, emboscados em uma mattinha, os quaes, porem cederam á
bizarria do Corpo de Caçadores a Cavallo que d’ella os expelliu, apezar das de Cavallaria que
o obrigaram a formar circulos parciaes até a chegada de uma grande Divisão do Batalhão n. 20
que com uma bocca de fogo correu em seu auxilio. O campo de acção ficou em nosso poder.
Enterramos os mortos, foram n’elles curados os feridos, e seguiu-se avante...
Os paraguayos estenderam então a linha de atiradores por todos os lados, frente,
retaguarda, flancos fazendo continuado fogo calibre 3 e 6 muito aligeirada e puxada por
cavallos, tomava rapidamente posição, procurando incessantemente offender-nos a marcha
deste dia, de 2 ½ leguas, effectuou-se sempre ao som da artilharia e fuzilaria, conservando
comtudo, a força brazileira a attitude a mais firme possivel, cabendo a nossa Artilharia pelas
eminencias que occupou e d’onde varias vezes
fulminou o inimigo, o mais importante papel
n’essa jornada gloriosa.
V. Exa. conhece perfeitamente os
perigos de uma retirada diante de uma
cavallaria ousada, quando a infantaria não
tem para oppôr aos ataques d’ella alguns
esquadrões resolutos. A força moral que o
soldado perde por effeito de um movimento
retrogado, tem de ser substituido pela coragem
4
Major Thomaz Gonçalves, Op. Cit.
José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza
Gravura ilustrando episódio da
Retirada da Laguna.
(Extraída do livro História do Exercito Brasileiro
JARDIM-MS.
Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna
22
continua e esforços incessantes.
Mil e tresentos combatentes á pé não podiam desprezar setecentos homens perfeitamente
montados e que dispunham da artilharia extremamente movel. Por isso, o dia 8 de maio deve ser
considerado um brilho feito de armas: por isso só se por ventura fosse esse feito o único na
história da força operadora em Matto-Grosso, mereceriam os seus officiaes e soldados a
attenção benevola do paiz.
No dia 9 raiou com o troar do canhão e da fuzilaria de uma extensa linha de atiradores
inimigos; entretanto, as posições que tomou a nossa artilharia e as perdas que experimentaram
os contrarios com os nossos tiros, fizeram com que a entrada no forte de Bella Vista fosse-nos
facil e os paraguayos não procurassem nos deter os passos”.
4.2 De regresso ao solo brasileiro
“O dia 10 foi de descanso, effectuando-se a 11 pela manhã a passagem do Apa, com a
qual gastou a força mais de 4 horas pela quantidade de animaes e carros que passaram de uma
margem a outra. As 9 horas começou na ordem adoptada anteriormente, caminhando-se perto
de tres quarto de leguas sem avistarem-se inimigos.
Entretanto, os terrenos prestavam-se perfeitamente ao movimento da cavallaria por
serem ligeiramente ondulados e abertos em todos os sentidos. Observou-se por isso o maior
cuidado, prevendo qualquer tentativa em que fosse ainda experimentado o valor brazileiro. Na
realidade ás 11 horas do dia foi repentinamente atacada a linha de atiradores do Batalhão n. 17
de Voluntarios da Patria que marchavam na frente, por infantaria inimiga, á qual se seguiu uma
furiosa carga de cavallaria que veio esbarrar contra aquelle Batalhão, abrindo-se em duas alas,
as quaes desfilaram a todo galope de um lado e de outro de nossa força, procurando penetrar
na bagagem. O fogo que então sofreu o inimigo foi terrivel. Cada Batalhão formou quadrado
com rapidez espantosa, indo muitos cavalleiros morrer espetados nas pontas das bayonetas do
intrepido Batalhão n. 21. A Artilharia mettendo em bateria com extrema velocidade, fez fogo
mortifero de granada sobre a cavallaria paraguaya, que deixava o campo alastrado de mortos e
feridos. A perda do inimigo não foi inferior a 70 homens; a nossa foi de 19 mortos e 29 feridos,
nos numeros dos quaes constam o Tenente do Batalhão n. 17, Joaquim Mathias de Assumpção
Palestino que faleceu dois dias depois e Raymundo Fernandes Monteiro, que portou-se com
muita intrepidez. Ainda essa vez como sempre, o campo ficou em nosso poder, dando-se
sepultamento aos mortos e recolhendo-se os feridos.
Um soldado paraguayo ferido declarou que o commandante da força inimiga era o
Major Martinho Urbieta e que o reforço esperado por este e pedido depois de conhecidos os
movimentos da força brazileira, havia chegado, devendo-se reunir com brevidade outra que já
se encontrava no caminho.
Uma circunstancia veio depois entristecer os espiritos depois de acabada a animação
d’aquelle glorioso combate: o gado que era trazido enconstado ao flanco direito da força, havia
desembestado com o estrondo das descargas, assim com os poucos cavallos que serviam para
José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza
JARDIM-MS.
Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna
23
tangel-o. Eram os recursos de bocca que escasseavam por modo desanimador, deixando a
nossos soldados a perspectiva de 25 leguas de marcha com o inimigo sempre a frente e sem
esperança de renovação de boiada”.
4.3 A mudança de Direção
A mudança de direção - ao invés da estrada que ligava à Colônia Militar de Miranda,
procurou o caminho na direção da Fazenda Jardim de José Francisco Lopes. Nesta mudança de
direção deixam de lado a estrada carreteira e seguem por caminhos – campo e cerrado a dentro,
picadas e atalhos sujos, que somente o Guia Lopes e seu filho conheciam, mudança esta que
colocará as tropas nas mais intensas privações e provações, culminando com uma paragem
forçada, acampando na margem esquerda do Rio Miranda, local do nosso histórico Cemitério
dos Heróis da Retirada da Laguna, ocasião que o rio estava muito cheio e não apresentava
vau para a passagem das tropas.
Acompanhando as narrativas com o major Gonçalves5:
“Esse facto importantissimo, influiu poderosamente para que o Coronel Camisão
tomasse então uma resolução que veio para o futuro crear novos e terriveis obstaculos a facil
retirada das forças.
Achava-se como guia entre nós o excellente pratico José Francisco Lopes o qual de há
muito conhecedor dos terrenos do Apa e suas visinhanças, apresentou a possibilidade de
conduzir a força por lugares retirados da estrada com seis dias de marcha á Fazenda Jardim
que lhe pertencia e a qual dista de Nioac 9 leguas.
As vantagens d’este desvio, era em primeiro logar, o encurtimento de viagem, pois elle
promettia levar a força em 8 dias a Nioac e ainda abrir uma estrada de recursos, completamente
desconhecida pelos paraguayos e onde poder-se-hia apanhar o gado que fosse encontrado
n’aquelles terrenos, que segundo afiançava o mesmo pratico, era abundante. Além d’isso,
arredava-se o inimigo do caminho de Nioac, onde sabia o Coronel, acharem-se muitos carros e
mantimentos que vinham ao nosso encontro, obrigando os inimigos a nos acompanharem por
logares que elles mal conheciam.
Tomaram, pois, as forças nova direcção, abrindo os pés de nossos soldados, uma estrada
por terrenos nunca d’antes trilhados.
As razões apresentadas acima são as ponderações justificativas d’aquelle passo;
entretanto, outras lhe eram bem contrarias e os acontecimentos futuros demonstraram a toda
evidencia que houve erro fatal na escolha d’aquella direcção. Perderam com elle os nossos
soldados bôa parte da força moral, abandonando a estrada para irem trilhar logares cobertos
de matto ou campos não bem conhecidos, que souberam aproveitar com habilidade.
5
Op. Cit.
José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza
JARDIM-MS.
Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna
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O Coronel Camisão, foi sempre guiado pelo desejo ardente em poupar fadigas e
incommodos ao soldado e n’aquelle passo, houve tão sómente confiança desmedida em
promessas que não se verificaram e que um conjuncto de circunstancias muito especiaes
tornaram irrealisaveis.
A marcha, pois, tomou novo rumo, cortando o Pratico5, rumo ao Norte, para ganhar o
ponto denominado Jardim, cinco leguas adiante da Colonia de Miranda e nove leguas distante
de Nioac.
O primeiro dia de marcha foi por cerrados, ficando assim inutilisados os meios de acção
da cavallaria e artilharia inimiga, o que nos poupava o argumento de gravame de bagagem,
consideração que pesou também no animo do Coronel Commandante. Entretanto, com
difficuldade caminhava a nossa força, vencendo, apesar de andar o dia inteiro, muita pequena
distancia no bom rumo.
No dia seguinte, passaram-se as cousa do mesmo modo, indo a força acampar depois de
rodeiar muitas cabeceiras do corrego José Carlos, n’uma mattinha, que foi logo cercada pela
cavallaria inimiga, a qual nos acompanhara de longe. Conquistou-se a agua a tiros, e a força
passou a noite em alarme.
No dia 13 de maio6 cahiu uma chuva torrencial que impossibilitou a marcha, tornando os
terrenos que deviamos atravessar, quasi intransitaveis e fazendo sofrer a nossa soldadesca
extremamente pela falta de fardamento. N’esse pouso, decidiu o Commandante das Forças a
reducção da bagagem, o que foi executado pelos officiaes com a maior bôa vontade e
espontaneidade. Os seus animaes de carga passaram a servir no transporte do cartuxame e
todos abandonaram as poucas commodidades de que ainda gozavam, em consideração ao bem
geral.
A 14 recomeçou a marcha que em breve tornou-se penosissima, pelo estado dos terrenos
e pelo novo meio de guerra que adotarão desde então os paraguayos para impedir-nos a
continuação da viagem: lançavam fogo aos campos, os quaes reseccados pelo sol ardente de
dias de trovoadas ardiam com intensidade extraordinaria, cercando-nos por todos os lados de
calor abrasador e fumaça asphyxiante. O vento Norte que soprava constantemente n’este mez,
ainda mais critica tornava a posição da nossa força.
Protegidos pela fumaça, vinham então tiroteiar-nos vivamente, respondendo os nossos
soldados com grande tenacidade e constancia. No pouso, esta scena repetiu-se, recebendo a
força em massa durante muitas horas um chuveiro de balas partindo por dentro de densos rolos
de fumo.
No dia subsequente, os inimigos, procuravam deter-nos, fazendo fogo vivo, encobertos
por accidentes de terreno, enquanto passava a nossa pesada bagagem um difficultuoso banhado.
5
6
José Francisco Lopes.
Maio de 1867.
José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza
JARDIM-MS.
Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna
25
A resposta de nossa parte trouxe-lhes, entretanto, a convicção de que nunca poderiam
fazer-nos frente, pois que as pontarias certeiras de nossos soldados se succediam ao passo que
as d’elles eram todas incertas e os tiros precipitados.
Continuaram, pois, o systema de guerra desleal que haviam adoptado detendo-nos pelas
queimadas dos campos durante muitas horas em que era impossivel a marcha.
Os transes por que passaram a força, commeçaram a ser horriveis. A boiada dos carros
era de há muito morta para sustento das praças e regulada de modo que já muito soffriam ellas
da falta de alimentação. Officiaes e soldados enfraquecidos, assim eram comtudo, obrigados a
extrema vigilancia na guarda dos acampamentos, aos trabalhos em construir pontes e fazer
rampas nos ribeirões e corregos que encontravamos engrossados pelas continuas chuvas. A
inclemencia do tempo era desanimadora. Marchavam os nossos soldados ora em pantanaes, ora
em campos que o fogo devorava n’uma larga extensão”.
4.4 O Cólera-morbo7 e o abandono dos coléricos na mata do Cambaracê
“No dia 18 de maio, houve um novo tiroteio, retirando-se o inimigo, apenas começou a
trabalhar a artilharia que elle respeitava extremamente. N’este dia começaram aparecer com
mais frequencia os casos de uma molestia que os dous distinctos facultativos da força,
duvidaram por dias, apesar de seus syntomas irrecusaveis em qualificar, e que em breve tornouse um flagello medonho, capaz de causar a desorganisação dos mais bem constituidos exercitos.
Era a Cholera Morbus, que fazia a sua apparição, grassando repentinamente nas fileiras de
nossos soldados reduzidos á susceptividade morbida, depois de soffrimentos extraordinarios.
As causas e marcha d’esta epidemia vão minuciosamente descripta na parte do medico a
qual acompanha esta exposição.
A progressão
assustadora.
crescente
da
enfermidade
foi
No dia 19 de maio de continuo tiroteio, os atacados
pela epidemia, eram ja em numero extraordinario, as
victimas, em poucas horas perecciam no meio de dores crueis
chegando a ser summamente difficil o transporte dos doentes
de pouso a pouso, apesar de marchas muitas vezes de menos
7
Marco no Cambaracê
(Arquivo dos autores)
Cólera, doença infecciosa caracterizada por vômitos, diarréia, cãibras. É uma moléstia infecciosa
aguda, fortemente contagiosa, produzido por um bacilo ligeiramente curvo, que, pela sua forma, é
chamado bacilo vírgula. Descoberto por Kock em 1883. A cólera começa com náuseas, insônia e
arrepios, seguidos de uma diarréia violenta e repetida, acompanhada de vômitos e de vertigens. Alguns
dias depois o doente queixa-se de zunidos nos ouvidos, palpitações no coração, peso no estômago,
expressão de angústia e palidez na face. Os intestinos apresentam-se vazios, sem dor, com descargas
semelhantes à água de arroz. A dor no estômago e sobre o coração é muitas vezes insuportável, cãibras
nas barrigas das pernas e nos braços. A sede é contínua e violenta. O doente cai em algidez. Muitas
vezes as urinas são suprimidas. O doente cai numa sonolência, depois em estado comatoso e morre ou
pode repentinamente melhorar e então ir para a convalescença ou cair no coma fatal em poucos dias.
(Baseado na Enciclopédia Didática de Informações e Pesquisa Educacional, vol. 3, 1987. p. 951).
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Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna
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de meia legua.
A 20 de maio, o fogo inimigo durou desde a manhã até as quatro horas da tarde,
respondidos rigorosamente pelos nossos que então luctavam com a cholera, com a fome e com o
excesso de cansaço proveniente do serviço de guerra aggravado pela necessidade em
carregarem os seus companheiros, visto como a boiada dos carros que se ia carneando,
obrigava a queimar aquelle meio de conducção. N’essas penosas contigencias marchou a força
debaixo de chuvas repetidas durante os dias 21, 22, 23, 24 e 25 de maio, em que chegou ao
corrego Prata, a 3 ½ leguas do Jardim8. Então, o numero de enfermos era tal que litteralmente
metade da força era empregada em carregal-os, pois que cada piola occupava oito homens em
sua conducção. O descontentamento e a fadiga da soldadesca eram evidentes. Os sãos depois de
poucas marchas cahiam exhaustos pelo cansaço aos golpes da molestia; o estado geral,
reclamava uma prompta solução.
O Coronel Camisão tomou então uma medida de que dependia a salvação do resto da
força, medida cuja execução foi horrorosa e custou-nos momentos angustiosos e crueis.
A 26 de maio ficaram abandonados 76 moribundos, os quaes apenas moveu-se a força,
foram degollados pelos paraguayos que seguiam-nos sempre em certa distancia.
Scena medonha que fica indelevemente marcada no espirito d’aquelles que ouviram os
gritos dos miseros cholericos!
Quadro horroroso, que a sorte adversa nos proporcionou na mais extraordinaria
collisão”!
5 A Morte do Guia Lopes
José Francisco Lopes morrera em campos da sua fazenda, Fazenda Jardim, sem que
chegasse ao local pretendido, a sede da fazenda e Nioaque.
“N’esse dia caminhou a força de um só folego 3½ leguas, levando ainda muitos
enfermos nos armões e carros de artilharia. Sobre elles iam deitados o Commandante das
Forças e seu immediato, atacados pela cholera morbus, indo a falecer ambos no mesmo dia, no
acampamento, junto a margem esquerda do rio Miranda.
Na vespera6 tambem havia perecido do mesmo mal o pratico José Francisco Lopes e seu
filho, os unicos que poderiam levar as forças ao ponto em que encontrava-se estrada batida.
A divina providencia permittiu que aquella coincidencia fatal se d’esse no mesmo dia em
que muitos dos nossos soldados de cavallaria pisaram terrenos que lhes eram conhecidos.
No dia 29 de maio assumi, pois, o commando interino das forças, havendo previamente
reunido os diversos commandantes dos corpos, os quaes, concordaram em dar-me aquelle logar
8
6
Estas terras pertencem ao atual Município de Jardim.
Dia 27 de maio de 1867.
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Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna
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que me tocava por direito de antiguidade, havendo então dado parte de doente o TenenteCoronel de Comissão Antônio Enéas Gustavo Galvão, por ser no exército de patente inferior a
minha”.
Do livro “A Retirada da Laguna” de Visconde de Taunay, extraímos algumas referências
sobre os últimos momentos de José Francisco Lopes:
O filho de Lopes, até então transportado num reparo de peça e escoltado por antigos
companheiros de cativeiro no Paraguai, foi enterrado à margem direita7. O pai que, enquanto se
abria a sepultura, se mantivera a alguma distância, disse-lhe, ao lhe contarem que o solo estava
úmido e até encharcado: “Agora que importa? Entreguem a terra o que lhe pertence!”
Voltava pouco depois colocar-se nos ao lado, pálido e como exausto do cansaço,
dominando-se, contudo. Sob os nossos olhos se dilatavam a sua imensa propriedade8; assinalounos diversos pontos, por ele consagrados pelas recordações da vida plácida que ali fora sua.
Naquele ponto, ao longe iam as suas vacas beber a água em um solo nitroso. Em outro
encontrava o seu gado, do qual parte era meio alçado, pastagens das melhores que o detinham ou
logo fazia voltar. Outros lugares despertavam-lhe imagens de cenas patriarcais; dominava-o
febril expansão que não conseguia reprimir.
Deitado de costas na macega, com o chapéu no rosto, desde que se levantou e descobriu,
para nos falar, vimo-lo irrediavelmente perdido; os estigmas da cólera sobre ele se haviam
impresso. Conservava, no entanto, uma calma que a situação tornava admirável. “Vou morrer,
também pronunciou; era fatal. Salvei a Expedição. O Sr. que o sabe, há de dizer”.
Ao recomeçarmos a marcha, nem sequer experimentou montar a cavalo, carregaram-no
para um armão, onde o puseram ao lado do tenente Sílvio, já agonizante; dois cadáveres, um
perto do outro. Era-lhe a impossibilidade completa; mão cruzadas sobre o peito com o chapéu
desabado sobre os olhos, procurava subtrair-se aos raios do sol deslumbrante que a esta triste
cena iluminava.
Queixando-se à Juvêncio de tão ofuscante claridade, corremos em busca de um guardasol que vimos aberto.
Determinou-se o ponto do pouso: No meio da Mangueira de Lopes9. Estava a findar o
desempenho completo da missão do velho Guia e este dever parecia ser o último liame que a
vida o prendia. Dissera-nos algumas horas antes: “Reparem neste campo verde-escuro; é o meu
retiro. Não chegarei até lá. Os Senhores é que breve estarão em Nioac”.
Enfraquecido, arcado, caminhava cabisbaixo sobre o arpão da sela. Escaparam-lhe de
repente os estribos e rolou ao chão, assaltado pela cólera. Colocado sobre um reparo, reanimouse um pouco e ainda assim dirigiu a marcha. Como o genro, Gabriel, quisesse atalhar por um
7
Atual Fazenda Jatobá – Rodovia Jardim à Porto Murtinho.
Segundo a Escritura de Terra, do ano de 1905, consta a área com uma metragem de mais de 42.000
hectares. Guia Lopes da Laguna, Nossa Terra, Nossa Gente, Nossa História – José Vicente Dalmolin.
9
Sede da outra parte da Fazenda, mais tarde foi escriturada pelo nome de Fazenda do Prata.
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Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna
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capão, recomendou com voz sumida: “contornem o mato, que é muito sujo.” Ao cair da noite,
estávamos à vista da colina, ao pé da qual se acha o retiro, o antigo local do rodeio do gado da
estância, que Lopes de longe nos mostrara. Declinava o sol, no seu disco, grandes raios
alaranjados se desferiam, na fímbria do horizonte, realçando a mais admirável perspectiva, tão
bela. Que a memória no-la reproduz ainda agora.
Foram o coronel Camisão, o tenente-coronel Juvêncio e o Guia Lopes instalados num
galpão arruinado, perto do qual acendemos grande fogueira para ver se os aquecíamos. Alguns
limões e laranjas que lhe foram dados acalmaram-lhes um pouco a sede.
10
Já sem voz, era o coronel Camisão carregado sobre um reparo de peça, Lopes sobre o
outro e o tenente-coronel Juvêncio, assim como vários outros oficiais e inferiores, em redes.
Durante a última parada, três haviam morrido. A meia légua do retiro, atingimos afinal a margem
do Miranda, demasiado abatidos e acabrunhados, porém para podermos experimentar a alegria
com que contáramos.
Via-se à margem oposta, a casa do Guia, o teto hospitaleiro, onde o viandante sempre
encontrara boa acolhida e a abundância de tudo, no momento de ali chegar, expirou o nobre
velho, insensível à vista daquilo que tanto amara.
Foi enterrado no meio do nosso acampamento, em terra que era sua.
Os amigos lhe puseram sobre a sepultura tosca cruz de madeira.
6 O acampamento a Margem Esquerda do Rio Miranda e as mortes de Camisão e Juvêncio
De acordo com as narrativas já apresentadas os Comandantes Camisão e Juvêncio já se
encontravam contaminados pela cólera e que as suas mortes foi uma consequência desta
epidemia.
Nas imediações onde hoje localiza-se o CHRL as tropas ficaram estacionadas entre os
dias 28 de maio até 1º de junho de 1867, quando se conseguiu fazer toda a passagem das tropas e
os equipamentos de Guerra para a margem direita do rio Miranda, ocupando a sede, agora tapera,
da Fazenda Jardim; só então, o novo comandante deu ordens de marcha em direção a Nioaque.
Os últimos instantes podem ser conhecidos nas narrativas de Taunay11, em A Retirada da
Laguna:
“Desde 13 de maio, haviam sido as chuvaradas que o Miranda intumescera de modo
assustador, bramindo e espumando sobre as raízes desnudadas das árvores da barranca, não
dando esperanças de permitir vau antes de alguns dias. No entanto, era para a Coluna o único
meio de o transpor...”
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11
Na Fazenda do Prata, do Guia Lopes, hoje município de Jardim.
Op. Cit.
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Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna
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“Longe de amortecer, redobrara a cólera de violência. Crescia o numero de enfermos e
receávamos que, quando o rio baixasse, a ponto de nos dar vau, não tivéssemos remédio senão
abandonar segundo grupo de moribundos, a mercê do inimigo inexorável e só esta idéia nos
causava a angústia de um pesadelo.”
6.1 As despedidas do Comandante
“A 29 de maio tornou-se evidente que o coronel morreria. Por vezes, vencera o
sofrimento aquela dignidade que tanto zelara: „Dizem que a água mata, exclamava, dêem-ma;
quero morrer!‟ Caiu num estado de torpor e sonolência e o corpo cobriu-se-lhe de manchas
violáceas. As sete e meia fez supremo esforço; levantou-se do couro que estava deitado, apoiouse sobre o capitão Lago e perguntou-lhe onde estava a Coluna, repetindo ainda que a salvara.
Depois voltando os olhos, já vidrados, para o seu ordenança, exclamou em tom de comando:
„Salvador! Dê-me a espada e o revolver‟. Procurou afivelar o talim e exatamente nesta ocasião
deixou-se rolar no chão murmurando: „Façam seguir as Forças, que vou descansar‟. E assim
expirou.”
6.2 As despedidas do Sub-comandante
“Alguns passos dali, numa barraca a todos os ventos aberta, achava-se o tenente-coronel
Juvêncio. Recobrara um fio de voz e livrara-se da horrível tortura das câimbras, queixando-se
todavia, de forte dor no fígado. O tenente Cantão, a quem do melhor modo auxiliávamos, fazialhes continuamente aplicações novas, que contudo, não o aliviavam. Tinha constantemente os
nossos nomes nos lábios para ambos recomendar a família. Ao meio dia, acalmou-se, caiu numa
letargia entrecortada de sobressaltos, e as três horas expirou depois de nos entregar, para a
mulher e seus filhos, uma bolsinha de couro contendo algumas economias de campanha.
6.3 O sepultamento dos Comandantes
Numa cova aberta, sob grande árvore, no meio da mata, enterrou-se o Coronel com o seu
uniforme e insígnias. Em outra cova, imediata, e à direita, foi o corpo do Tenente-Coronel
Juvêncio colocado pelos seus companheiros e alguns oficiais do Corpo de Artilharia.
Jamais se nos varrerá da memória esta lúgubre cerimônia a que a escuridão da noite e da
mata ainda mais soturna tornavam. Eram quase sete horas quando de lá voltávamos12.
Descansam os nossos infelizes chefes à esquerda do Miranda, a alguma distância da
entrada do bosque e em altura correspondente, a estância do Jardim, à margem direita. “Se lhes
não profanarem os túmulos é de esperar que um dia ou outro alguma cruz de material duradouro,
com uma inscrição, aponte à memória dos brasileiros o lugar que recebeu os despojos destas
nobres vítimas do dever.”
Para o leitor conhecer o restante dos fatos Históricos da Retirada da Laguna que se
estende da sede da Fazenda Jardim à Nioaque e de Nioaque até o Acampamento junto à margem
12
Grifos nossos, queremos chamar a atenção, quanto ao local do acampamento
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JARDIM-MS.
Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna
30
esquerda do Rio Aquidauana, 16 de junho de 1867, onde se encerra propriamente a Retirada e o
afastamento definitivo da contra-ofensiva Paraguaia sugerimos que faça a leitura das Obras de
Alfredo D‟Escragnolle Taunay, pois para este trabalho visamos caracterizar apenas o contexto
que deu origem ao Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna, nosso objeto de Pesquisa.
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Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna
31
UNIDADE III
AS ORIGENS DA DENOMINAÇÃO DE CEMITÉRIO DOS HERÓIS
Não temos como precisar datas quanto às origens das denominações que foram atribuídas
ao local que hoje leva o nome de “Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna”, mas é
possível rememorar algumas passagens que indicam algumas orientações.
Nas orientações 1 de 1873 trata o local pelo nome de sepultura dos comandantes
militares, segundo João José de Oliveira Junqueira. “Convido assinalar de um modo perdurável o
lugar em que se acham sepultados o Coronel Carlos de Moraes Camisão e o Tenente-Coronel
Juvêncio Manoel Cabral de Menezes, comandante e imediato das forças em operações ao sul da
província de Mato Grosso...” Também em transcrição do General Malan, era objetivo do
Governo Imperial transformar o local das sepulturas em um Monumento em homenagens aos
mortos.
Em 1905 pela construção da linha telegráfica pela comissão do Marechal Cândido
Floriano Rondon, trata o local pela descrição de sepulturas do Coronel Camisão, Juvêncio e do
Guia.
O Dr. Armando Arruda2, 1925, trata pelo título de Os túmulos de Camisão, Juvêncio e
Guia Lopes.
O General Malan3 descreveu o local pelos títulos de A Sepultura do Guia Lopes, Os
túmulos de Camisão e Juvêncio.
O Tenente Luiz Moreira em seu relatório ao General Malan, após os reparos efetuados
em 1927, trata o local pela denominação de Cemitério e Campo Santo: “O pequeno campo
santo tem a fórma quadrada, de 14 metros de lado”. “Foi o cemitério completamente limpo,
respeitadas as arvores...”
Até o início do século XX o local era conhecido popularmente pela denominação de
Catacumba de Camisão, informações recolhidas pelo General Malan 4 entre os herdeiros da
Fazenda Jardim que fora pertencente ao Guia Lopes: José Francisco Lopes, Bernardino
Francisco Lopes e Fábio Martins.
A partir da década de 1940, após a fundação das cidades de Guia Lopes da Laguna,
Jardim e a presença da instituição Militar da antiga CER/3, o local passou a ser visitado e
cultuado como monumento cívico e histórico, adquirindo a denominação que configura
atualmente por CEMITÉRIO DOS HERÓIS DA RETIRADA DA LAGUNA.
1
Estevão de Mendonça - Datas Matogrossenses - I Volume 2ª Edição 1973 P. 259
Armando de Arruda Pereira, Heróis Abandonados (Peregrinação aos lugares Históricos do Sul de Mato
Grosso 1925 p. 43-44.
3
General Alfredo Malan D’Angrogne – Heroes Esquecidos, 1926, p.376.
4
Malan, Op. Cit p. 385.
2
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Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna
32
CEMITÉRIO, por identificar-se como local que abrigou por mais de setenta anos os
restos mortais de diversas pessoas residentes nas cercanias, crianças, jovens, adultos,
proprietários e peões.
HERÓIS DA RETIRADA DA LAGUNA, esta denominação passou a configurar pela
tradição popular e principalmente pelos atos de culto cívico que passou a ser efetuada por grupos
militares, que em reverencia à memória dos ex-combatentes e comandantes da Expedição pelo
Sul da Província de Mato Grosso entre os anos de 1866 e 1867, por ocasião da invasão e
ocupação destas terras por tropas militares do Marechal Francisco Solano Lopez, presidente do
Paraguai, mais conhecido pelo nome de Guerra do Paraguai. Heróis da Retirada da Laguna –
apesar de o local ter abrigado os restos mortais de cerca de uma meia centena 5 de indivíduos,
entretanto, os seus nomes ficaram no anonimato. Os únicos nomes preservados pela História
Oficial são as memórias do Coronel Carlos de Morais Camisão, Tenente-Coronel Manoel
Juvêncio de Menezes e de José Francisco Lopes, o Guia Prático, morador, conhecedor,
desbravador e bandeirante desta região Oeste do Brasil e do atual Estado de Mato Grosso do Sul,
juntamente com seus irmãos, Gabriel Francisco Lopes e Joaquim Francisco Lopes.
Quanto ao túmulo de João Francisco Lopes ou simplesmente João Lopes, faremos um
adendo a História para justificar a sua presença neste campo santo, na linhagem dos imortais do
mundo.
João Lopes fora o filho mais velho do casamento do Guia Lopes e dona Senhorinha
Barbosa Lopes, embora não tenha participado da expedição da Coluna comandada pelo Coronel
Camisão juntamente com seu Pai, mas nem por isso deixou de sofrer os efeitos da Guerra.
Em janeiro de 1865 quando as tropas paraguaias ocupavam a Colônia Militar de Miranda
e Nioaque, também ocupam as sedes das fazendas e tinham ordens expressas de seus
comandantes, tratarem com benevolência os brasileiros que cooperassem com seus planos de
invasão e tratar como prisioneiros de guerra os que não demonstrassem esta cooperação. Foi
assim, que nesta ocasião da ocupação da sede da fazenda Jardim6 José Francisco Lopes, o Guia
Lopes, se encontrava na Vila de Miranda negociando uma tropa de gado, não podendo mais
retornar a fazenda, sendo obrigado a refugiar-se em Paranaíba, ocasião que incorporou junto às
tropas brasileiras vindas do Sudeste Brasileiro.
Enquanto isso, na Fazenda Jardim do Guia Lopes, a sua família, esposa, filhos, genro,
nora e netos, não se rendendo aos propósitos dos invasores paraguaios, foram declarados
prisioneiros e levados para a Vila de Orqueta, no Paraguai, sofrendo todos os tipos de privações
e humilhações próprias dos prisioneiros de guerra. João Lopes, ao lado da mãe, da Senhorinha
Maria da Conceição e demais entes queridos, também sofreu todos os tipos de males da Guerra.
A liberdade somente fora conquistada após 1º de março de 1870, quando as tropas do General
Câmara libertam diversas famílias, entre elas a do Guia Lopes. No retorno à antiga fazenda, nada
mais tinham, tudo se perdera, o pai, irmãos, bens, documentos... Foi um recomeço doloroso, pois
5
Dados não oficial.
Hoje está localizada à margem da Rodovia que liga as cidades de Guia Lopes da Laguna a Bonito, BR
MS 383 – Km 2 – de propriedade do Senhor Joelcio Padilha e família (2008).
6
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Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna
33
nesta época não havia indenizações a estes primeiros brasileiros povoadores do Oeste do Brasil e
Sudoeste Sul mato-grossense.
Pelos padecimentos de Guerra e pela memória do Pai, consideramos justo que o
primogênito de Lopes, João Francisco Lopes, seja respeitado nos panteões dos Heróis, assim
como tantos outros, cujos nomes ficaram no anonimato da nossa História.
Em documentos oficiais e artigos esporádicos encontramos ainda as denominações de
“Sítio Histórico dos Heróis da Retirada da Laguna” e “Cemitério Militar dos Heróis da
Retirada da Laguna”.
No nosso parecer, a última denominação não se justifica ser Cemitério Militar, em razão
de que não há oficialmente corpos de militares sepultados, os restos mortais dos comandantes
Camisão e Juvêncio não mais se encontram no local e além do mais, neste local foram sepultados
muito mais corpos de civis do que de militares.
Quanto à denominação Sítio Histórico, parece ser a terminologia mais adequada, pois
neste local além das vítimas que ali foram sepultados, Lopes, Juvêncio, Camisão, sabe-se que
houve outras vítimas, mulheres e mesmo militares que morreram afogados na tentativa de
atravessarem o rio Miranda que se encontrava cheio. O próprio Taunay, em “A Retirada da
Laguna”, capítulo XVIII, registra essas mortes: “Após a passagem do corpo de caçadores, cada
vez mais considerável se tornara o ajuntamento à beira-rio. Todos os movimentos daquele
batalhão, na outra margem, acompanhados pelas nossas vistas alongadas, nós os comentávamos.
De tempos a tempos precipitava-se alguém a nado ou arriscava passar em pelota para procurar
reunir-se aos camaradas, apesar das ordens em contrário. A morte de vários soldados, afogados,
mostrara a urgência de se manter, mais rigorosa ainda, a proibição. Não houve, entretanto,
ameaças nem objeções capazes de dissuadir um capitão do 20º que, todo vestido, entrou numa
pelota, conduzida por dois nadadores. Queria poder com eles contar, mas, no meio do rio, como
as forças lhes faltassem, entregaram-no à correnteza. Vimo-lo envidar longos esforços para se
manter à tona e depois submergir-se, pouco a pouco a desaparecer, com gritos de desespero a
que, à míngua de socorro, respondiam os da multidão reunida no lugar de onde partira”.
Outra razão muito forte para que seja denominado de Sítio Historio da Retirada da
Laguna, foi neste local que as tropas brasileiras, na excursão da Retirada da Laguna
permaneceram acampadas por diversos dias 28, 29, 30, 31 de maio e 1º de junho de 1867. Foi
também neste local que se processou a troca de comando das Tropas após o falecimento de
Camisão e Juvêncio para o Major José Tomaz Gonçalves. Também foi este local utilizado por
muitos anos para sepultamento de pessoas residentes na região antes da fundação das cidades de
Guia Lopes da Laguna e Jardim.
Assim, embora adotamos a termologia oficial de Cemitério dos Heróis da Retirada da
Laguna, entretanto a denominação mais correta deveria ser Sítio Histórico da Retirada da
Laguna.
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Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna
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UNIDADE IV
RESGATE E RECONHECIMENTO DOS FALECIDOS – 1874 – PELO
GOVERNO IMPERIAL - ORIGEM DA LÁPIDE COMEMORATIVA
1. As origens - A organização do Cemitério
As preocupações com a memória dos comandantes militares Coronel Camisão e TenenteCoronel Juvêncio, assim como os restos mortais do Guia Lopes sempre foi interesse de
autoridades militares, desde os tempos do Império de D. Pedro II. O conflito que envolveu o
Brasil e o Paraguai concluiu oficialmente em 1º de março de 1870. Decorridos quatro anos,
1874, registramos a primeira preocupação com o Local onde encontravam-se os restos mortais
dos Comandantes e o translado dos restos mortais do Guia Lopes para junto aos dois
Comandantes.
O historiador mato-grossense, Estevão de Mendonça1 apresenta as seguintes referências
quanto a esta empreitada cívica e histórica:
“Em 29 de maio de 1867, sucumbe, à margem esquerda do rio Miranda, vitimado pelo
cólera, o Coronel Carlos Moraes Camisão e o Tenente-Coronel Juvêncio Manoel Cabral de
Menezes, comandante e imediato da expedição militar que operou no sul desta então província e
norte do Paraguai, produzindo a prodigiosa epopéia de heroísmo, sacrifícios e abnegações que a
história pátria registra e a tradição popular consagra nas memoráveis palavras – Retirada da
Laguna.
A fim de assinalar o jazido desses dois heróis, o ministro da Guerra expediu ao Coronel
Rufino Enéas Gustavo Galvão2 – depois Barão e Visconde de Maracaju – o seguinte aviso:
“Gabinete do Ministro
Rio de Janeiro, 30 de Junho de 1873
Convido assinalar de um modo perdurável o lugar em que se acham sepultados o Coronel
Carlos de Moraes Camisão e o Tenente-Coronel Juvêncio Manoel Cabral de Menezes,
1
Estevão de Mendonça - Datas Matogrossenses - I Volume, 2ª Edição, 1973 p. 259.
Segundo Demosthenes Martins - Rufino Enéas Gustavo Galvão - História de Mato Grosso “Acumulando o cargo de Comandante das Armas, foi nomeado a 9 de outubro de 1879, por Carta
Imperial, que se empossou no dia 5 de dezembro de 1879.
Oficial de engenheiros, coube-lhe a comissão de fixar os limites do Brasil com o Paraguai,
traçando a linha divisória que se situa no território mato-grossense. Desempenhou-se dessa importante
tarefa com presteza e rigor técnico, o que lhe valeu a adjudicação do título de Barão de Maracaju,
posteriormente elevado ao de Visconde.
No seu governo, em consequência da descoberta feita durante a locação da linha divisória,
iniciou-se a exploração da erva-mate nativa na região, que logo se eregiu um poderoso esteio da
economia mato-grossense, mantendo-se por dezenas de anos, como um dos elementos de grande
vitalidade comercial.” P.66
2
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Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna
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comandante e imediato das forças em operações ao sul da província de Mato Grosso, os quais,
nos meses de abril e maio de 1867, executaram a gloriosa Retirada da Laguna, e achando-se V.
S. com uma comissão de engenharia próximo àquele lugar, deve V. S. encarregar um dos seus
ajudantes a fim de que vá levantar um singelo monumento de terra ou pedra, que indique, porém,
a hierarquia dos oficiais que ali descansam.
Segundo se lê na História daquela retirada, fica essa sepultura à entrada da mata da
margem do rio Miranda, na estrada que vai do Retiro do fazendeiro brasileiro Lopes à estância
do Jardim; em todo o caso, o Capitão Cesário de Almeida Nobre de Gusmão, como um dos
ajudantes da comissão que presentemente V. S. dirige, conhece bem as localidades e poderá com
vantagem se incumbir deste cargo, que tem em sua realização grande alcance moral.
Fora, talvez conveniente, levar uma das pedras lavradas. Servem para a demarcação e
mandar lavrar uma e transportá-la para àquele ponto, que distará, quando muito, 11 léguas ao
norte de Bela Vista, para assentá-la no túmulo que cobrir os restos dos referidos oficiais, que
foram enterrados um ao lado do outro.
Convém também que seja levantado o traço topográfico do caminho que seguiram
aquelas forças em retirada, e tomadas todas as indicações que possam ilustrar as peripécias
daquele fato de guerra, que tem um lugar de honra nos anais de nossa história militar.
Deus guarde a V. S.
João José de Oliveira Junqueira”.
Dando inteiro cumprimento a essa recomendação, o chefe da comissão demarcadora de
limites entre o Brasil e a República do Paraguai, fez colocar sobre as sepulturas daqueles oficiais
uma lápide comemorativa, abrangendo também a sepultura de José Francisco Lopes, o abnegado
Guia da Expedição.
2. Os cuidados do Marechal Cândido Mariano da Silva Rondon
Mais tarde, em 1905, passando por aquele local, a comissão construtora da linha
telegráfica chefiada por Cândido Mariano da Silva Rondon, fez este devotado Mato-grossense
construir uma grade de ferro em torno das três sepulturas.
Em 1925 quando o Jornalista Armando de Arruda Pereira3, passando pelo Cemitério dos
Heróis da Retirada da Laguna”, expressa:
“A um lado, há uma sepultura baixa, uma simples caixa rectangular, de ardósia
cinzenta, esburacada nos cantos, com uma placa de mármore medindo 98 por 129 centímetros.
Vê-se uma cruz gravada na pedra e lê-se o seguinte:
3
Armando de Arruda Pereira, Heróes Abandonados (Peregrinação aos lugares Históricos do Sul de
Mato Grosso), 1925, p. 43-44
José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza
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Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna
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A’ MEMORIA
“Dos Beneméritos Cel. Carlos de Moraes Camisão e Tte. Cel. Juvencio M.Cabral de
Menezes Comte. e Imto das forças em operação ao sul desta Provincia. Fallecidos na
memoravell retirada das mesmas forças em 29 de maio de 1867. O Governo Imperial mandou
erigir este Monumento em 1874”.
Na opinião ainda do Dr. Armando sobre a pedra de mármore com as inscrições comenta:
“Pelo que se deprehende, aquella pedra marmore deveria ser a placa de um monumento, mas
ninguem poderá crer, um só segundo, seja aquella réles sepultura abandonada o monumento
que um governo tenha mandado erigir para abrigar os restos sagrados que alli jazem”.
3. Reconhecimento dos Túmulos e Sepulturas
Na expedição comandada pelo General Malan em 1926, demonstra as dificuldades de
identificação dos túmulos em virtude do abandono e do matagal que apossou-se de todos os
espaços vazios.
Dois túmulos principais foram identificados, os do Coronel Camisão e Juvêncio eregidos
em 1874, o de João Lopes, em 1915 e a sepultura do Guia, que havia sido efetuada em 1874,
com os traslados dos restos mortais.
Túmulo onde se encontram
os
restos
mortais
do
coronel
Camisão
e
TC
Juvêncio,
cuja
lápide
contém a seguinte inscrição:
A’ MEMORIA
Dos Beneméritos Cel. Carlos de Moraes Camisão e Tte. Cel.
Juvencio M.Cabral de Menezes Comte. e Imto das forças em
operação ao sul desta Provincia. Fallecidos na memoravell
retirada das mesmas forças em 29 de maio de 1867.
O Governo Imperial mandou erigir este Monumento em 1874.
(Arquivo dos Autores)
Algumas descrições apresentadas por Malan:
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Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna
37
“Após confrontar documentos e comparar depoimentos, tenho para mim que, realmente o
Visconde de Maracaju, mandou rematar o tumulo denominado generosamente Monumento 4,
tendo como é provável, trazido do Rio, da Corte, a lápide e demais pedras de mármore;
construiu a sepultura simples destinada ao Guia, cujos restos aproximou de seus irmãos de
glória”.
Malan comenta ainda a existência de um terceiro jazido aberto: o primeiro onde reunia os
restos mortais de Camisão e Juvêncio, o segundo, o do Guia e o terceiro “aberto em meio do
cemitério, devia ter sido modesta fossa em que foi reunida a ossamenta encontrada”.
Modernamente, com a revitalização do Cemitério, hoje o local está disposto com diversas cruzes,
delineando como campo santo e respeito por parte dos visitantes.
Segundo os depoimentos de Clemente Barbosa, José Francisco Lopes (filho do Guia) e
Fábio Martins, declararam que antes de ser construído o túmulo de João Lopes, não havia
nenhum túmulo, entre os túmulos de Camisão-Juvêncio e Guia Lopes, razões pelas quais o filho
do Guia fora sepultado ao lado do Pai5 e dos Comandantes
Na descrição do general Malan6 sobre a origem e finalidade da lápide, “revela haver sido
destinada, primitivamente, a um monumento que a carência de tempo, de operários, de recursos
não consentiu talvez erguer.
Ainda segundo Malan, “Sabe-se que em 1874, a commissão de limites, chefiada pelo
coronel Rufino Galvão, depois Visconde de Maracaju, cumpriu o piedoso encargo de
reconhecer os restos do commandante e immediato da columna, levantando o singelo tumulo.
Nessa occasião transladou para o cemitério os ossos do Guia Lopes. Trinta annos mais
tarde, quando a Commissão de Linha telegraphica religou Porto Murtinho a Aquidauana, o
Major Rondon determinou como ponto obrigatório de passagem a Fazenda do Jardim.
E o então Capitão Marciano Ávila, acampando na costa do Miranda, mandou limpar e
cercar novamente o cemitério, construindo o aramado de protecção”.
As informações do General Malan subentende-se que José Francisco Lopes, o Guia
Lopes, foi sepultado em local distante do local do atual cemitério.
Parte dada pelo Comandante Interino das Forças em Operação no Sul de Matogrosso, que
invadiram o território Paraguaçu, Major José Thomaz Gonçalves, ao Presidente da Província de
Mato Grosso, Dr. José Vieira Couto Magalhães, em ofício de 16 de junho de 1867:
“N’esse dia caminhou a força de um só folego 3 ½ leguas, levando ainda muitos
enfermos nos armões e carros de artilharia. Sobre elles iam deitados o Commandante das
4
Grifo nossos, pois identificamos que a idéia inicial que vinha dos ministros do Governo Imperial do Rio
de Janeiro era tornar o local como um Monumento Histórico em homenagem aos ex-combatentes, e que
a lápide fora esculpida na Capital do Império, Rio de Janeiro.
5
Sepultado em 1905 (inscrição 105) e a confecção do túmulo em 1915.
6
General Alfredo Malan D’Angrogne – Heroes Esquecidos, 1926, p.376.
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Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna
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Forças e seu immediato, atacados pela cholera morbus, indo a falecer ambos no mesmo dia 7, no
acampamento, junto a margem esquerda do rio Miranda.
Na vespera8, tambem havia perecido do mesmo mal o pratico José Francisco Lopes e
seu filho, os unicos que poderiam levar as forças ao ponto em que encontrava-se estrada
batida”.
Possivelmente, foi em 1874 o translado dos restos mortais de José Francisco Lopes, o
Guia Lopes, para o local do “CHRL” ao lado de Camisão e Juvêncio. Os dois comandantes
faleceram no local atual como atesta o comandante das Tropas “indo a falecer ambos no mesmo
dia9, no acampamento, junto à margem esquerda do rio Miranda”.
4. A Revitalização pelo 6º Batalhão de Engenharia a Cavalo de Aquidauana
Depois da passagem da Comissão do General Malan pelo local onde se encontravam os
restos mortais de Camisão, Juvêncio e Lopes, determina uma missão ao 6º Batalhão de
Engenharia a Cavalo, sediado na cidade de Aquidauana, pois assim, descreve em seu relatório10:
“O 6º Batalhão de Engenharia dispunha de alguns artíficies, podia executar mais rapidamente
o trabalho e contava em seu effectivo o official commissionado sobre quem fixara a escolha,
como capaz de levar a bom termo o serviço de que pretendia incumbil-o”.
Entre outras instruções dadas ao oficial militar, tenente Luiz Moreira, encarregado de
executar a missão, está na ordem:

Transportar com praças montadas a cavalo o material em cargueiros ou carretas via a
cidade de Nioaque até o local onde se encontravam as catacumbas dos Oficiais Camisão
e Juvêncio. Nesta época, 1926, as cidades de Guia Lopes da Laguna, e Jardim ainda não
existiam: Campo Grande – Aquidauana – Nioaque – Bela Vista – Porto Murtinho;

Consertar o aramado, ou seja, a cerca de arame farpado que dava proteção aos locais
sagrados, protegendo da invasão de gados bovinos;

Rejuntar a cal e cimento o túmulo do chefe das forças;

Reconhecer e identificar a sepultura do Guia Lopes, José Francisco Lopes, levantar sobre
esta um estrado de alvenaria e cravar uma cruz de aroeira, com singela inscrição;

Indicou o nome do José Francisco Lopes (filho do Guia Lopes), residente em área da
antiga Fazenda Jardim, para auxiliar na localização do jazido do pai;

Pede ainda que se faça a identificação de quem é o grande túmulo com a inscrição “João
Lopes”.
7
Dia 29 de maio de 1867.
Dia 27 de maio de 1867.
9
Dia 29 de maio de 1867.
10
Malan, Op. Cit. P.379.
8
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Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna
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4.1 A Execução da Missão de Revitalização
A missão foi cumprida conforme relata Malan em relatório, pois o mesmo pedia que
houvesse ata e testemunhos da documentação, encontramos a seguinte descrição11:
“O official mostrou-se a altura da confiança com que o distingui.
Partiu de Aquidauana a 8 de abril, com sete praças do 6º Batalhão de Engenharia a
Cavallo, comboiando cargueiros.
Atrasado pelas chuvas e enchentes, alcançou Nioac a 10. Prosseguindo em carretas,
vadeando o Miranda, no passo, a jusante do cemitério, chegava a 13, ao escurecer, à fazenda da
Cachoeirinha, propriedade de Fábio Martins, casado com uma neta do Guia.
No dia immediato encetava trabalho. Eis a sua descripção summaria, que ainda resumo,
arredondando numeros:
O cemitério fica a uns 2600 metros a NO da fazenda Cachoeirinha, junto à linha
telegraphica, de cujo poste n. 712 dista 260 metros.
Ocupa pequena elevação que se transforma em ilha nas grandes enchentes do Miranda.
O antigo passo do Jardim, por onde cruza a linha, tende a desaparecer, cavado mais e mais
pelas águas. Fica o novo passo, para cavalleiro, dois kilometros mais ou menos a montante; o
de carreta, cerca de tres a jusante. O Cemiterio dista 500 metros do rio, cuja largura orça entre
50 a 60 metros do rio, e profundidade 1,50 metros nessa occasião,
O pequeno campo santo tem a fórma quadrada, de 14 metros de lado e é cercado por um
aramado bem feito, mas damnificado pelo gado.
Estava no mais completo abandono: o mattagal crescia mais de metro. Paus de grossura
apreciavel enrolavam-se no aramado, forçando-o, arrancando-o. Grandes espinheiros e não
menores cipoaes, tudo denotava esquecimento. Uma grande palmeira, das chamadas bacayuvas,
ergue quase ao centro do cemitério as suas esguias folhas, parecendo querer nortear a quem
procure aquelle recanto, como se temesse eterno olvido aos que repousam a seus pés...
A lapide solta denegrida. O pedestal desmoronado, fendido. Pedras deslocadas pelas
grossas raízes. O pedestal foi completamente restaurado a cal e cimento, a lousa rejuntada a
cimento, com cuidado.”
4.1.1 A Revitalização da Sepultura do Guia Lopes e o encontro com o filho José Francisco
Lopes
Nas narrativas contidas no relatório do Tenente do 6º Batalhão de Engenharia a Cavalo de
Aquidauana, Luiz Moreira, podemos ler um encontro emocionante com o filho do Guia Lopes,
que também levava o mesmo nome do pai, o último dos filhos de José Francisco Lopes e
11
Malan, Op. Cit. P.380.
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Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna
40
Senhorinha Maria Conceição Barbosa de Lopes e o trabalho de restauração do local onde haviam
sido deixados os restos mortais após o translado da sepultura que se encontrava próximo a
fazenda do Prata, atualmente Fazenda Jatobá12, na estrada Jardim a Porto Murtinho. Dando a
conhecer estes relatos históricos:
“Junto a tres pés de umbauva, no angulo posterior direito do cemitério, quase alinhado
com as outras duas sepulturas, havia um monte de escombros, afogados sob o matto, invisível.
Eram as ruinas do tumulo do Guia. Sem indicação certa, para descobril-o seria preciso
adivinhar. Dispunha eu felizmente da pessôa do Senhor José Francisco Lopes Filho, filho do
Guia, que foi indicar-me onde jaziam os restos do Grande Vaqueano. Na vespera tinha ido á sua
casa, uma fracção da fazenda do Jardim, na margem direita do Miranda e a 4 kms., mais ou
menos da fazenda do Cachoeirinha.
Alli recebeu-me um velho alquebrado, pálido, calvo, de barbas brancas, pobremente
vestido. Alegrou-se com a notícia do que ia alli fazer. Disse que a vinte annos não punha os pés
no cemitério.Que desde o ano de 1905, quando foi pratico das construcções das linhas
telegraphicas, jamais alli voltara. Deu-me varias indicações a respeito da localização do jazido
de seu pae, da antiga cruz do cemitério, da mata cambarecê, onde os cholericos foram
abandonados, informações estas que, reduzidas a termo, foram por elle assignadas e a firma
reconhecida.
Embora adoentado, poz-se a minha disposição para ir mostrar-me a sepultura do seu
pae. Determinado o logar exacto, levantei um estrado de pedra, cal e cimento, cuja superfície
superior termina em forma de pyramide. Ao lado esquerdo do túmulo, para poupar os três pés
de umbauva, cujas raízes se estendem para o interior, foi deixada uma reentrância trapezoidal.
Isso torna inconfundível o túmulo do Guia. Foi todo revestido de cimento, a fim de resistir a
pressão dos troncos de umbauva, quando crescerem, o estrado foi todo construido de pedras”.
4.1.1.1
A Cruz da Sepultura do Guia Lopes
A simbologia cívica e ao mesmo tempo o culto histórico foi a origem do material da cruz
que fora posta na sepultura do Guia Lopes, o Tenente Moreira descreve esta busca entre os restos
do madeirames da Fazenda Jardim, antiga morada de Lopes:
12
Fazenda Jatobá, de propriedade do Senhor Rufino. Nesta fazenda há uma sepultura com os restos
mortais de um dos filhos do Guia Lopes que morreram durante a Guerra com o Paraguai.
José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza
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Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna
41
O senhor que se encontra atrás da cruz é José Francisco Lopes,
o penúltimo filho do Guia Lopes. (Arquivo dos Autores)
“Sabendo da existencia de uma tapera, outrora Fazenda do Jardim, imaginei construir a
cruz destinada ao jazido com madeira alli obtida. Pensei assim symbolizar o carinho e grande
amor que o Guia voltava ao seu lar.
Obtida autorização escripta do actual proprietário da tapera, Coronel Clemente
Barbosa13, genro de José Lopes, retirei dois esteios pequenos de aroeira.
A lembrança foi acolhida de regosijo por parte de todos os membros da familia.
A Cruz mede 1,50 de altura e sobre o braço horizontal foi aberta a formão a seguinte
inscripção: GUIA LOPES + 27-5-1867”
Foi o cemiterio completamente limpo, respeitadas as arvores. A cerca foi concertada e
reforçada, com quatro fios de arame farpado para protegel-o contra o gado.”
5. As escavações nas sepulturas em busca de “enterros”
Ainda é muito comum a mentalidade entre alguns “lunáticos” do nosso tempo de
realizarem escavações por locais onde caminharam as tropas no período da Guerra entre 1864 –
1867 ou por locais onde fora residência, sede de fazenda e mesmo cemitérios em busca de
haveres que possam ter pertencidos ao falecido. Assim, na própria fazenda Jardim, (Guia Lopes
da Laguna) há vestígios de diversas escavações. As sepultaras do Coronel Camisão e Juvêncio,
também não foram poupados nesta época, início do século XX.
Neste período de 1926, na revitalização do local, o próprio Tenente do 6º Batalhão de
Engenharia, registra este fato 14 : “o tumulo de Camisão e Juvencio, arruinados. Marmores
13
Clemente Barbosa fora casado com a filha de José Francisco Lopes (Guia) e Senhorinha Barbosa
Lopes, Izabel Poncina Lopes.
14
Malan, Op. Cit. P.381.
José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza
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Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna
42
cahidos ou arrancados, effeito do tempo ou quem sabe se de mãos criminosas, pois segundo
corre entre os moradores da região, ha ainda quem pense encontrar enterrados os haberes da
columna Camisão que dizem escondidos em diversos logares. Assim, não raro, apparecem terras
revolvidas de fresco, excavações em mattagaes, em sepulturas, casas velhas, etc.”
6. Mausoléu de João Francisco Lopes
João Francisco Lopes ou simplesmente João Lopes, segundo consta na tradição oral era o
filho mais velho do Guia Lopes, do seu casamento com Dona Senhorinha. Até hoje quando o
visitante adentra o campo santo é o túmulo que se destaca pela sua imponência, pois o mesmo foi
construído entre a Sepultura do Pai, o Guia e os com comandantes militares Coronel Camisão e
Juvencio.
(Arquivo dos Autores)
Valendo das informações escritas deixadas pelo próprio tenente Luiz Moreira é possível o
porquê desde Mausoléu:
José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza
JARDIM-MS.
Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna
JOÃO FRANCISCO
LOPES
“Entre os túmulos de Camisão e do
Guia, ergue-se um grande mausoléu de
pedra e cal que mede cerca de 2,50 de
comprimento por 1,40 de largura e
aproximadamente 1,10 de altura, um
espaldar de 2,50, comporta uma
inscrição mal feita relativa ao
nascimento e morte de João Lopes, filho
do Guia que fora assassinado em 1905.
Este tumulo fora mandado
construir por seu cunhado Clemente
Barbosa no ano de 1915. Não é
absolutamente o tumulo do Guia”.
Todos estes esclarecimentos foram
prestados por José Francisco Lopes,
Fábio Martins e Clemente Barbosa.
José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza
43
JARDIM-MS.
Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna
44
UNIDADE V
A UTILIZAÇÃO DO “CEMITÉRIO DOS HERÓIS DA RETIRADA DA
LAGUNA” PELA COMUNIDADE
1. Nasce um Cemitério
Quando o visitante adentra ao local onde repousam o memorial dos falecidos em maio de
1867, Coronel Camisão, Ten. Cel. Juvêncio e José Francisco Lopes (Guia Lopes) depara logo
com diversas cruzes e outras sepulturas. Quem são estes outros cujos restos mortais também
repousaram neste campo santo?
Existem no cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna1 04 (quatro) túmulos e várias
cruzes de madeira, simbolizando soldados e outras pessoas participantes ou não da retirada. O
primeiro túmulo, à esquerda de quem adentra ao cemitério, é o do Guia Lopes, José Francisco
Lopes. Ao lado direito daquele túmulo, ergue-se um túmulo imponente, onde encontra-se
enterrado o Sr João José Lopes, filho do Guia Lopes. Imediatamente ao lado direito desse
túmulo, sob uma lápide mandada colocar no ano de 1874, encontra-se o túmulo do Comandante
da Expedição, Coronel Carlos de Morais Camisão e de seu Imediato, Tenente-Coronel Juvêncio
Manoel Cabral de Menezes.
Necessário que se faça uma retrospectiva no tempo para entender alguns fatos que
desencadearam a utilização do Local do Cemitério para abrigar os restos mortais de outras
pessoas, não os Heróis da Épica Retirada da Laguna.
Primeiramente, desde 1874 o local fora assinalado como um campo santo por jazer restos
mortais, dois ex-combatentes brasileiros da composição das tropas em retirada;
Após a conclusão da Guerra e a demarcação
dos limites de fronteira com o Paraguai, a região foi
ocupada por diversos fazendeiros aumentando o
numero de habitantes;
Com a exploração da erva-mate nativa, nas
regiões de Ponta-Porã a Vista Alegre; a exploração do
tanino utilizado no curtume de couro na região de
Porto Murtinho, o estabelecimento de um Núcleo
populacional na Fronteira com o Paraguai originado a
cidade de Bela Vista;
1
Vau no Rio Miranda, 1925
Dr. Armando Arruda Pereira
Lembramos ao leitor que os restos mortais se encontram hoje no Monumento em Homenagem aos
Heróis de Laguna e Dourados, memorial construído no Rio de Janeiro. No CHRL encontramos apenas
os túmulos vazios.
José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza
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Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna
45
Considerando também que a travessia do rio Miranda não era por ponte e que o vau ou
passo de uma margem a outra era nas imediações do atual campo santo;
Considerando que a fundação das cidades de Guia Lopes da Laguna e Jardim tem suas
origens nos idos do ano de 1938;
Considerando, que nesta época a região estava toda tomada por fazendas e que além dos
familiares dos proprietários, sempre havia peões e outros transeuntes;
Outro fato a considerar, nas leituras de "A Retirada da Laguna", de Taunay, ele descreve
quando as tropas estavam estacionadas a margem esquerda do Miranda esperando as águas
baixarem para poderem atravessar para a outra margem, ele fala de outros civis e militares que
morreram neste local: “Neste mesmo dia2 28 morreram, algumas mulheres mais desvalidas ainda
que os demais doentes, mais desprovidas de recursos e, por motivo de sua natural fraqueza, mais
ferreteadas pelos estigmas da miséria absoluta.”
Outro fato que também reforça a idéia se ser o local um campo santo, mais que um
memorial histórico é a razão de que diversos combatentes pereceram com a vida tentando vencer
as correntezas do rio Miranda, foram arrastados e morreram afogados.
Ainda segundo Taunay 3 “De tempos a tempos, precipitavam-se alguém a nado ou
arriscava passar em pelotas para procurar reunir-se aos camaradas, apesar das ordens em
contrário. A morte de vários soldados, afogados, mostrara-se a urgência de se manter mais
rigorosa ainda, a proibição.”
“Depois dele vimos coléricos tentar vencer o passo e consegui-lo, não somente, como até
ainda da prova se saírem alguns completamente curados. Alguns houve também que se
afogarem; procuramos no começo, por meio de boas palavras, convencê-los a que esperassem,
mas como tivessem presenciado o abandono dos enfermos, ainda tão recente, não lhes saíssem
da mente a previsão de igual destino4.”
Quando acabara a travessia do Miranda, relata Taunay “ Restavam-nos poucos doentes,
havendo vários falecidos nos dias antecedentes, e entre eles o Alferez Muniz5”
O Major Gonçalves 6 , relata a morte de outro oficial na transposição do Rio Miranda
“D’esde então, tomei as mais enérgicas providencias sobre os meios de passagem do rio
Miranda, que se achava muito cheio. Affogando-se por occasião da transposição duas praças e
o Srn. Capitão Antônio Dionizio do Souto Gondim, arrebatados pela muita correnteza das
águas.”
2
A Retirada da Laguna, Visconde da Taunay, Tecnoprint, p. 115. Dia 28 de maio de 1867.
Op. Cit. P.114.
4
Op. Cit. P.122.
5
Op. Cit. P. 122.
6
“Parte dada pelo Commandante Interino das Forças em Operação no Sul de Matto-Grosso, que
invadiaram o territorio paraguayo, Major José Thomaz Gonçalves, ao Presidente da Provincia de MattoGrosso, Dr. José Vieira Couto Magalhães, em officio de 16 de junho de 1867.
3
José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza
JARDIM-MS.
Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna
46
Fatos estes descritos nos dão fortes argumentos até para que se reveja as concepções
histórica de homenagem aos heróis da Laguna, seria justo continuar reverenciando somente
Camisão, Juvêncio e o Guia? E os demais oficiais, praças, alferes e civis que passaram pelas
mesmas privações e provações da Retirada e da Guerra, será que eles são menos heróis? Será que
o local do Campo Santo não poderá reverenciar o culto cívico e até religioso aos outros que
pereceram neste mesmo local? Acreditamos que é chegado o tempo de ampliarmos os horizontes
na compreensão da História do próprio CHRL.
Diante do exposto, quando falecia alguém nas fazendas, duas opções eram as possíveis:
enterrar o defunto em um cemitério familiar da própria fazenda ou então conduzir o cadáver para
o local onde haviam os ex-combatentes, nossos históricos heróis da Retirada da Laguna. Assim,
com o passar dos anos, foi-se enchendo o local, sendo demarcados com simples cruz e que o
tempo se encarregou de consumi-las, perpetuando para a história o anonimato dos que receberam
como última morada nesta terra, o campo dos nossos heróicos combatentes.
O General7 Malan, passando por este local no ano de 1926, escreveu o seguinte:
“Inesquecivel a impressão ao deparar, á luz escasseante do crepusculo, com o aramado,
já em ruínas, que cerca os tumulos. É neste recanto sombrio e deserto, de aspecto selvagem e
quase hostil, que repousam, ha 59 annos, os restos de Camisão e de Juvencio.
Descobrimo-nos, respeitosos. Á entrada numerosas cruzes de madeira, de agregados da
fazenda, pobre e humildes mortos sem nomes. No fundo, á direita, sob um tristonho pé de
bocayuva, um caixão de mármore, ennegrecido pelo tempo e ja se entreabrindo. Pelas exiguas
dimensões, parece apenas encobrir corpos de crianças”.
Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna – 1926
(Foto cedida por Leonor Flores Barbosa)
7
General Alfredo Malan D’Angrogne – Heroes Esquecidos. Revista do Instituto, p. 376.
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Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna
47
No relatório apresentado pelo Tenente do 6º Batalhão de Engenharia, Luiz Moreira8,
comenta sobre as cruzes: “existem no Cemitério muitas outras sepulturas razas, de parentes e
membros estranhos a família Lopes, algumas assignaladas, a maioria ignoradas”.
Quanto ao Mausoléu de João Francisco Lopes, este é visivelmente identificável, pois
preserva as inscrições. João Francisco Lopes era filho de José Francisco Lopes (Guia Lopes) e
de Dona Senhorinha Maria da Conceição Barbosa de Lopes.
Conforme a própria inscrição, João Lopes nasceu em 1856 e faleceu em 1905. De acordo
com os levantamentos cronológicos foi o primogênito deste casamento. Sobre este mausoléu,
escreveu o General Malan9 em sua visita em 1926:
“Ao lado, a massa imponente de um mausoléo de alvenaria domina o pequeno esquife de
mármore. Lidos os ingênuos dizeres que se referem a João Lopes, nascido em outubro de 1856 e
morto em 21 de maio de 195 (o inculto pedreiro quis gravar 1905) percebemos tratar-se de um
filho do celebre Guia. Devo dizer que trazia idea preconcebida de não encontrar ahi a sepultura
do Vaqueano: enviei a tempo, a um amigo, no Rio a photografia de tres filhos de José Lopes,
representados junto a um pequeno marco de mármore, que me pareceu modesta columna
mortuaria. Talvez por ter mal entendido a informação de quem me offereceu esse grupo,
interpretei haver sido mandado construir pela família, no Jardim, novo jazido para recolher os
restos de seu grande chefe.”
2. O Encontro com Fábio Martins Barbosa e o descaso da sepultura do Guia Lopes
Quando em 1926 o General Malan passou pelo local do CHRL o local do Cemitério
estava dentro da propriedade do Fazendeiro Fábio Martins Barbosa, o mesmo que doará parte
das terras em 1939 para complementar o perímetro urbano da cidade de Guia Lopes da Laguna e
terras da mesma fazenda, que outrora pertencera a José Francisco Lopes, também foram
ocupadas pelo perímetro urbano da então Vila de Jardim.
Sobre o encontro da Comissão de Malan no CHRL, escreve sobre as condições que
encontrou o Cemitério, tecendo sua crítica, aspecto possível ser observado na fotografia acima10:
“A vegetação invasora cresce e recobre os tumulos abandonados: forceja em nivelar a
gradação social que a humanidade pretende conservar na morte. Dos chefes nobres, heroes ou
simplesmente abastados em vida, alvejam na escuridão as sepulturas de mármore ou de
alvenaria. O resto, a miuçalha ignorada, repousa na terra humilde á qual reverte, sem inscrição
nem epigraphe, sob pobres cruzes caídas ou já desaprumadas.
8
Op. Cit. Malan, p. 382.
Op. Cit. p. 376.
10
Do Álbum Fotográfico da professora Leonor Barbosa Flores, bisneta do Guia Lopes.
9
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JARDIM-MS.
Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna
48
Ao transpor a baixada, no regresso, atolamos o
auto no banhado. Aguardamos longas horas pela
salvadora junta de bois que Marcos fora á pé solicitar
na fazenda do cunhado Fábio Martins. Este chegou
tarde, apesar de haver-se posto logo em nossa busca,
com peões, chamando-nos com disparos na escuridão.
Na rápida palestra, ao inquirir do tumulo do Guia, avó
de sua mulher 11 , Fábio affirmou-me encontrar-se lá
mesmo, em cova rasa, recoberta apenas de pedras, já
desaparecida a cruz que assinalava. Propoz-se
conduzir-me. Montei a cavallo e, pelas dez horas, entrei
segunda vez no pequeno campo santo.
Na fotografia no mesmo local onde
fora a sepultura do Guia Lopes, a
presença dos netos do Guia Lopes,
Sr. Renato Francisco Lopes e Sra.
Eremita Francisca Lopes, em 2002.
A sepultura do Guia encontra-se á esquerda de
quem olha para a de João Lopes, quasi aos pés deste
mausoléo. Tres umbauvas 12 , irromperam ao lado
esquerdo e sombream a cova ao rez do chão, ao de leve
abahulada.
Nenhuma epigraphe existe mais, nenhum preito
consagra a immensa gratidão da Pátria ao Velho
Campeiro que lhe salvou as bandeiras, os canhões e a vida de um milheiro de soldados.
(Arquivo dos Autores)
Nada que revele alli se acharem, sob alguns pedregulhos amontoados, os restos de quem
personifica o nosso Vaqueano, o cortador de palmitos, o pioneiro da penetração do nosso Oéste.
Deante da cova rasa e perante minha consciencia, tomei o compromisso de, tão logo
pudesse, enviar uma faxina militar assegurar a provisória conservação do cemitério e identifica
a sepultura desconhecida, mandar cravar uma cruz de aroeira com a summaria e expressiva
legenda: “Guia Lopes”.
Ainda sobre o encontro da Comissão com Fabio Martins, o mesmo comenta a hospitalidade do
anfitrião: “não me estenderei sobre a acolhida franca e hospitaleira da familia do Fabio: os
tenentes Parreira e Antero, recordam o gostoso sabor do guisado de carreteiro, devorado á
meia-noite, o catira dançado por dois pretinhos, ao som de cujas melopéas adormecemos logo e
profundamente, nas rêdes de algodão...”
11
12
Deolinda Barbosa Martins.
Também conhecido como dedo de veado, folhas dorsi-branca e palmatripartida.
José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza
JARDIM-MS.
Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna
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3. Informações no Relatório13 da Comissão de Estradas de Rodagem Nº 3 (CER/3)
Com a finalidade de fornecer informações de caráter imediato ao Exmo Sr Gen Div
Roberto França Domingues, Diretor da DOC e respectiva Comitiva, por ocasião da visita a
CER/3, nos dias 11 a 14 de abril de 1983.
No roteiro do programa, incluía a visita da comitiva ao Cemitério dos Heróis a Retirada
da Laguna e para isso, foi dada as seguintes informações históricas:
“O Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna situa-se à margem esquerda do Rio
Miranda, numa área de um hectare, doada extra-oficialmente na década de 1930 pelo senhor
Fábio Martins Barbosa.
Fica distante do centro da cidade, 04 km. A 300 metros desse local, encontra-se o Passo
do Lopes, onde atravessaram as tropas brasileiras, em retirada.
Existe no Cemitério 04 túmulos e 40 cruzes que simbolizam os mortos naquele local,
conforme se segue:
Nº 1 – Representa o local de sepultamento de 14 soldados, na época da Retirada;
Nº 2 – Representa o local de sepultamento de José Francisco Lopes, o Guia Lopes da
Retirada da Laguna, filho de Antonio Francisco Lopes e de Teotonia Maria das Neves, nascido
no dia 26 de fevereiro de 1811, na Vila de Pihumi, então Província de Minas Gerais;
Nº 3 – Neste local fora sepultado o senhor João Lopes, filho do Guia Lopes;
Nº 4 – Representa o local de sepultamento do Cel. Carlos de Moraes Camisão e do TC
Juvêncio Manoel Cabral de Menezes;
Os demais símbolos referem-se à pessoas da família do Guia Lopes, sepultado naquele
cemitério, conforme dados colhidos em Jardim e na Cidade de Guia Lopes. Os restos mortais do
Cel. Carlos Moraes Camisão, TC Juvêncio Cabral de Menezes e de José Francisco Lopes (guia
Lopes) foram transladados em 1946, para o Rio de Janeiro.
O Cemitério vem sendo conservado (limpeza e acesso) pela CER/3, desde 1950”
13
Boletim da Comissão de Estradas de Rodagem nº 3 – Ministério do Exército – DEC – DOC; Ministério
dos Transportes – DNER – Programa, Jardim – MS. 7 de abril de 1983. Arquivos da Antiga CER/3 –
4ª Cia. Eng. Combate Mecanizada.
José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza
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Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna
Croqui anexo ao Boletim de Informação à Comitiva da DOC em abril de 1983
1 – caracteriza os 14 soldados desconhecidos
2 – Sepultura de José Francisco Lopes, (o Guia Lopes)
3 – Sepultura de João Lopes
4 – Sepultura do Coronel Camisão e Tenente-Coronel Juvêncio.
José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza
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JARDIM-MS.
Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna
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UNIDADE VI
O TRANSLADO E O MONUMENTO AOS HERÓIS DE LAGUNA E
DOURADOS
Ao elaboramos este Memorial Descritivo sobre o Cemitério dos Heróis da Retirada da
Laguna, tínhamos uma questão a responder: Porque foi feito o translado dos restos mortais do
Guia Lopes, coronel Camisão e TC Juvêncio para o Rio de Janeiro? Oferecemos aos leitores do
nosso trabalho detalhes que provocaram este translado cuja origem inicia-se em 1929 e é
concluído em 1941. Ressaltamos que o Monumento aos Heróis de Laguna e Dourados foi
inaugurado oficialmente em 1938 e os restos mortais depositados na cripta em 1941, depois de
uma longa peregrinação. Lembramos ainda, que nesta data, as cidades de Guia Lopes da Laguna
e Jardim, estavam no início de suas fundações.
Hoje, o CHRL, apresenta aspecto de relativa conservação, o que não ocorria nos idos da
década de 1930/40. Quando ouvimos algumas pessoas comentarem que deveria retornar para a
origem os restos mortais, entre eles o do Guia Lopes, acreditamos, que após a leitura desta
Unidade, mudarão de opinião, e que eles repousam em paz onde estão. Parte do texto seguinte fora
escrito por Flammarion Pinto de Campos1 com alguns comentários inseridos por nossas análises.
1. As origens do Monumento
“Em 20 de maio de 1920, no
Clube Militar, o emérito professor
General José Feliciano Lobo Viana,
como dissera, “ante um seleto e
intelectual auditório, não farto de
quimeras não bordado de sonhos, mas
tecido, rendilhado de realidades real”
relembrou, com tintas vivas, o 53º
aniversário da morte do coronel Carlos
de Moraes Camisão, e tenente-coronel
Juvêncio Manoel Cabral de Menezes,
respectivamente, chefe e vice-chefe do
Corpo Expedicionário de Minas
Praça General Tibúrcio com o Morro da Urca ao fundo.
Gerais, São Paulo, Paraná, Santa
(Arquivo dos Autores)
Catarina, Goiás, Mato Grosso e
Amazonas, de 1865, que rumou para o norte do Paraguai, como revide a uma afronta à Pátria.
1
Matéria extraída de Conferência proferida pelo autor, em 25 de dezembro de 1988, do Arquivo Histórico
do Exército, ao ensejo do cinquentenário da inauguração do Monumento aos Heróis de Laguna e
Dourados, erguido na Praia Vermelha, Rio de Janeiro - RJ.
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JARDIM-MS.
Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna
52
Aí presentes estavam: o representante do Presidente da República, Dr. Epitácio da Silva
Pessoa; o Ministro da Guerra, Dr. João Pandiá Calógeras; marechal João José da Luz, um dos
sobreviventes da Retirada e da época, alferes do 17º Batalhão Voluntários da Pátria; a Exma. Sra.
Constança Elizza Camisão, irmã do coronel Camisão; o marechal Chefe do Estado-Maior do
Exército; o Chefe da Missão Militar Francesa, general Maurice Gamellin; oficiais-generais;
oficiais; juventude militar; senhoras e senhores.
O conferencista, em linguagem escorreita e fluente, faz um relato minucioso, completo,
vivo e impressionante, da cruciante jornada da Laguna, o qual não só encantou sobremaneira e
sensibilizou os quantos o ouviram como mereceu de imediato, do Senhor Ministro da Guerra, a
determinação para a impressão de 2.000 exemplares desse primoroso trabalho, para distribuição
a autoridades, quartéis, escolas e bibliotecas.
Essa conferência ultrapassou os umbrais do Clube Militar e repercutiu longe. Na
imprensa, o “O Jornal” de 14 de junho de 1920, focalizou o assunto aí tratado, com esmero e
patriotismo vigoroso, atendendo ao apelo do insigne mestre, para que se desse um aspecto
condigno as sepulturas dos Heróis da Retirada da Laguna, abandonadas nos ermos de Mato
Grosso, ao mesmo tempo em que convocava os brasileiros a tanto.
Na Escola Militar, entretanto, a
repercussão foi ao máximo e o entusiasmo
tomou conta dos alunos, ultrapassando
todos os limites do mais sadio civismo.
Ante esse estado de espírito da fina flor da
juventude militar, o presidente da
Sociedade Bibliotecária (SBA) aluno
Osório Tuyuty de Oliveira Freitas, convoca
uma reunião para tratar desse relevante
assunto, a fim de se concretizar a idéia em
ebulição, no dia 24 de Agosto de 1920. No
Praça General Tibúrcio com o
decorrer da sessão, após acalorados
Pão de Açúcar ao fundo.
pareceres, o aluno Napoleão de Alencastro
(Arquivo dos Autores)
Guimarães, propõe que “os membros da
Diretoria da SBA e do Corpo Redatorial da Revista Cruzada, constituíssem a Comissão, para
tratar do que estava em pauta”. Sem discussão qualquer e por aclamação, essa proposição foi
aprovada unanimemente. Aí estava presente o 1º Tenente Pedro Cordolino Ferreira de Azevedo,
da Escola, que, aproveitando o ensejo faz a sua proposta “para que se saldasse, de maneira mais
significativa, a dívida contraída pela Pátria, para com os Heróis da Laguna e de Dourados,
erigindo-se-lhes um grande e majestoso monumento. Como a proposta anterior, mas vibrante e
entusiasticamente e de pé, ela foi aclamada por unanimidade.
Ficou, então, de lado a reparação das sepulturas, senão a sua conservação condigna, até
ulterior deliberação. No auge daquele ardor cívico, o aluno Tuyuty propõe para Presidente da
José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza
JARDIM-MS.
Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna
53
Comissão o Tenente Cordolino. Sem discussão e de imediato, foi aceita essa indicação e
aclamado por todos os presentes, o ardoroso oficial.2
2
Notas do autor do texto. É grato e justo relembrar, aqui essa primeira Comissão e elementos de outros
mais, a seguir:
1920 –
Presidente: 1º tenente Pedro Cordolino Ferreira de Azevedo.
Vice-presidente: Aluno Osório Tuyuty de Oliveira Freitas
Primeiro Secretário: Aluno Mario Portella Fagundes
Segundo Secretário: Aluno Orlando Santiago (falecido em 1925)
Primeiro Tesoureiro: Aluno Pericles Telles Carneiro da Cunha
Segundo Tesoureiro: Ubirajara Galvão Paiva
Vogais: Aluno Scipião de Carvalho
Edmundo Macedo Soares e Silva
Aluno Arthur da Costa e Silva
Aluno Humberto de Alencar Castello Branco
Aluno Adaucto Castello Branco Vieira
Aluno Alcino Nunes Pereira
Aluno Olintho de França Almeida e Sá
Aluno Alberto Seggiaro
Aluno Ernesto Bandeira Coelho.
A partir de 1920 até o final da construção do Monumento e de sua inauguração, o Presidente foi sempre
o 1º tenente, depois capitão, major e tenente-coronel Pedro Cordolino Ferreira de Azevedo e o 1º
tesoureiro o subsecretário da Escola, Senhor João Carlos Martins, até 29 de dezembro de 1938, quando
se fez a liquidação das contas e a entrega do acervo ao Arquivo Nacional.
1921 – Vice-presidente: Aluno Osório Tuyuty de Oliveira Freitas; 1º secretário: Aluno Mario Portella
Fagundes.
1922 – Vice-presidente: Salm de Miranda; Vogal – aluno Riograndino da Costa e Silva.
1923 – Vice-presidente: Newton O’Reilly de Souza; Secretário-geral: Aluno Ramiro Pessoa Souto Mayor
(falecido em 1925); Vogal: Aluno Isaac Nahon.
1924 – Vice-presidente: Aluno Djalma Leite de Rezendes (falecido em 1925); Secretario-geral: Aluno
Carlos Luiz Guedes; Vogais: Alunos Antonio Carlos da Silva Muricy e Isaac Nahon.
1925 – Vice-presidente: Carlos Luiz Guedes; Secretario-geral: Aluno Aurélio de Lyra Tavares; Vogais:
Aluno Antonio Carlos da Silva Muricy e Isaac Nahon.
1926 – Vice-presidente: Aluno Frederico Guilherme Klumb; Secretario-geral: Aluno Érico da Fonseca
Moraes; Vogais: Alunos Jacy Leite Guimarães e Flammarion Pinto de Campos.
1927 – Vice-presidente: Aluno Aluízio de Andrade Moura; Secretario-geral: Aluno Flammarion Pinto de
Campos.
1928 – Vice-presidente: Aluno Sergio Bezerra Marinho; 2º secretário: Aluno Flammarion Pinto de
Campos.
1929 – Vice-presidente: Aluno João Alberto Dale Coutinho; 1º secretario: Aluno Flammarion Pinto de
Campos.
1930 – Vice-presidente: Aluno Geraldo de Menezes Côrtes; Secretário-geral: Aluno Flammarion Pinto de
Campos.
1931 – Cadete Flammarion Pinto de Campos.
1932 – Vice-presidente: Cadete Umbelino Dornelles Vargas.
1934 – Vice-presidente: Cadete Plínio Dornelles Vargas.
1935 – Vice-presidente: Capitão Frederico Guilherme Klumb; 1º Secretário: 1º tenente Hugo Mendes
Villela; Vogal, 1º tenente Flammarion Pinto de Campos.
1938 – Última Comissão:
Presidente: Tenente-coronel Pedro Cordolino Ferreira de Azevedo;
Vice-presidente: Capitão Juracy Montenegro Magalhães;
1º Secretário: Capitão Jayme Alves de Lemos;
2º Secretário: Capitão Hugo Mendes Villela;
Tesoureiro: Senhor João Carlos Martins;
Vogais: Capitão Cyro Perdigão da Silveira, Mario Guimarães Carneiro, Reynaldo Pessoa Sobral, Fabio
de Castro, cadete Gilberto Pessoa.
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Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna
54
Após essa data, devida e respeitosamente convidada, é constituída a Comissão Julgadora
do Projeto do Monumento, a qual se reúne com frequência e é composta das seguintes
personalidades: Dr. João Pandiá Calógeras, Ministro da Guerra e seu Presidente; coronel
Eduardo Monteiro de Barros, depois general-de-brigada, comandante da Escola Militar;
deputado Félix Pacheco, emérito jornalista; professor Correia Lima, da Escola Nacional de Belas
Artes; 1º tenente José Norival Francisco de Lemos, engenheiro militar, arquiteto e secretário da
Comissão; 1º tenente Pedro Cordolino Ferreira de Azevedo, Presidente da Comissão Central do
Monumento.
Esta Comissão elaborou, a seguir, o Edital da Concorrência para a construção do
Monumento e sua seleção, o que se deu em 22 de outubro de 1921.
O vencedor, dentre 15 concorrentes, foi o escultor brasileiro, Antonio Pinto de Mattos,
com o pseudônimo “Veritas et Labor”. O contrato foi assinado em 25 de outubro seguinte, no
valor de 320:000$000 (trezentos e vinte contos de réis).
Todo o bronze já havia sido doado pelo Ministro Calógeras, que mandou recolhê-lo das
fortalezas e fortes desativados de todo o Brasil.
O granito viria de Petrópolis.
Duzentos contos seriam para as esculturas e a
fundição.
Cem contos para a arquitetônica.
Vinte contos para a construção do alicerce.
O pagamento seria parcelado, de acordo com as
peças prontas na fundição Cavina e o andamento da
obra, que tinha o prazo mínimo de vinte e quatro meses
e o máximo de trinta e seis meses para a sua entrega.
O local preferido, escolhido e designado pela
Memorial aos Heróis de
Prefeitura, foi nos terrenos da Ponta do Calabouço,
Laguna e Dourados.
porque dai, partiram as tropas para o Paraguai. O
(Arquivo dos Autores)
Prefeito Alaor Pata foi à Escola Militar em 26 de julho
de 1925 e, aí, recebeu uma caneta de ouro, para a assinatura do decreto de doação desse terreno,
o que foi feito na sala da Sociedade Acadêmica Militar. Infelizmente, foi constatado, o terreno
não suportaria o peso do Monumento, cerca de trezentas toneladas e, por isso, outro local seria
designado.
Aí estão alguns dos prezados companheiros, dentre muitos outros, que deram o seu patriotismo e
eficiente esforço, no sentido de ser atingido o tão sonhado objetivo de 1920.
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Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna
55
Passou-se, então a trabalhar no sentido de conseguir-se outro local, o qual, após penosos,
árduos e longos anos, foi encontrado na Praia Vermelha, onde está e bem localizado porque entre
os morros da Babilônia e Urca, além, o Pão de Açúcar, ao fundo o mar e, de um lado a Escola de
Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME) e do outro, o Instituto Militar de Engenharia
(IME), formando e doutorando novos elementos de escol do Exército e recordando, com o
carinho devido, a antiga Escola Militar da Praia Vermelha, que deu um sem-número de vultos de
notável saber, mestres e chefes insignes, sempre presentes que nos legaram exemplos
dignificantes!
Mas logo após as reuniões de 24 a 26 de agosto de 1929, na Escola Militar, começaram a
serem expedidas as listas as autoridades, quartéis e para todo o Brasil, a fim de angariar
donativos para a construção do Monumento.
Ao mesmo tempo, foi lembrado e solicitou-se ao capitão Genserico de Vasconcellos,
escritor militar, para que escrevesse algo para a venda em prol do Monumento e ele fez,
especialmente a monografia: “Guerra do Paraguay no Theatro de Mato Grosso”, que teve grande
acolhida e rendeu bem.
Do mesmo modo, a venda de cartões postais sobre a parada de 7 de setembro de 1922,
mandados fazer pela Comissão, tiveram saída rápida e renderam bastante.
O orçamento inicial foi de 200:000$000 (duzentos contos de réis). As primeiras
contribuições nas listas dos alunos foram:

Dr. Epitácio da Silva Pessoa, Presidente da República, com um dia do seu subsídio
333$333 (trezentos e trinta e três mil e trezentos e trinta e três réis);

Dr. Pandiá Calógeras, então Ministro da Guerra, com um dia do seu subsídio,
327$226 (trezentos e vinte e sete mil e duzentos e vinte e seis réis);

Dr. Arthur da Silva Bernardes, Presidente do Estado de Minas Gerais, com 100$000
(cem mil réis);

E dos quartéis, a primeira contribuição que chegou foi a do 1º Regimento de
Infantaria.

Em 1921, o Governo Federal contribuiu com a quantia de 100:000$000 (cem contos
de réis);

E do Conselho Municipal do então Distrito Federal com 50:000$000 (cinquenta
contas de réis).
Perfazendo nessa ocasião a arrecadação da importância de 230:709$429 (duzentos e trinta
contos, setecentos e nove mil, quatrocentos e vinte e nove réis). Vibração intensa por isso!
O encerramento da coleta dos donativos, no entanto, estava prevista, para o dia 15 de
janeiro de 1921 e a data para estar pronto o Monumento era para o centenário da Proclamação da
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Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna
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Independência3 do Brasil, 7 de setembro de 1922 e seria uma contribuição da Escola Militar para
estas festividades do Calendário Cívico da Pátria.
Por motivos diversos e poderosos, isso não pode ser realizado e inicia-se então uma
verdadeira Via Crucis 4 para todos aqueles idealistas que se dispuseram a levar avante a
magnífica obra em homenagem e gratidão aos Heróis da Pátria em defesa do solo das fronteiras
do sul da então Província de Mato Grosso: Dourados e Laguna, mais especialmente.
Os abnegados brasileiros, patriotas da linha de frente, não esmoreceram e nas pegadas do
Mestre Cordolino, continuaram em campo, lutaram e venceram todos os obstáculos. Enfim, a
obra do Monumento foi iniciada.
(Arquivo dos Autores)
O Monumento, de autoria do escultor Antonino Pinto de Mattos, depois da base circular,
vai subindo e se adelgaçando. No início da circunferência de 53 metros em granito branco de
Petrópolis, forma o pé do Monumento, que serve de apoio à porção mais impressionante da obra
estrutural. Nesta é que se desenha e ressalta emocionante e vívida, a sequência dos fatos
culminantes da Retirada:
 Um alto-relevo que se desdobra por 16,50 metros de extensão circular, por 1,80 metros
de altura, representando a marcha forçada entre as estátuas de Antônio João e Guia Lopes;
3
A Proclamação da Independência do Brasil é oficialmente comemorada no dia 7 de setembro, o ano da
proclamação foi em 1822, por D. Pedro I.
4
Expressão para designar um longo caminho de peregrinação, de sofrimento, de luta, esforço,
dificuldades; a caminho do calvário; caminho da Cruz.
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Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna
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(Arquivo dos Autores)
 O salvamento dos canhões, entre esta e a do coronel Carlos de Moraes Camisão;
 E o transporte dos coléricos, onde está em evidência e bem esculpida a abnegada
Ana "Mamuda", entre a do Guia Lopes e a de Antônio João;
(Arquivo dos Autores)
 Acima dessa, está, em pedestal quadrangular, a estátua da Pátria; correspondendo à do Guia
Lopes, a da espada; acima da de Camisão, a da História.
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(Arquivo dos Autores)
 Subindo pelo centro, uma coluna granítica estilizada em tubo-alma de canhão,
delgada, para não dar idéia de força, eleva-se a da Glória, que, lá de
(Arquivo dos Autores)
cima, emergindo dos episódios, símbolos e figuras apresentadas,
alada, grácil, esplendorosa, dá a impressão de comunicação entre ela
e aquelas cenas da dolorosa provação!
Ainda abaixo das três figuras máximas:
 Antonio João, Camisão e Guia Lopes, há três baixosrelevos de 1,30 x 1,00 metros, que relembram, respectivamente:
1º O Combate do Forte de Coimbra, no qual 167 homens e 11
canhões, do comando do tenente-coronel Hermenegildo de
Albuquerque Portocarrero, contra uma esquadrilha de doze navios,
com cinco mil homens e sessenta e três canhões, do comando de
Barrios, bateram-se denotadamente;
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Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna
(Arquivo dos Autores)
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(Arquivo dos Autores)
2º A Retirada de Oliveira
Mello, o valoroso tenente, que pelo
pantanal, levou os habitantes de
Corumbá e soldados, durante quatro
meses, até Cuiabá, a capital da
província mato-grossense, salvandoos dos invasores;
3º E por fim, o combate do
Alegre, revivendo a retomada do
vapor Jaurú, pelo intrépido tenente
Balduíno, que saindo de Corumbá
em direção a Cuiabá, perseguidos
por dois navios paraguaios, foi
capturado
e
pouco
depois,
reconquistado, vendo-se nesse baixorelevo, ao fundo, Corumbá retomada
e a figura do seu herói, tenente-coronel Antonio Maria Coelho.
Na base do Monumento há uma cripta, graças ao Exmo. Sr. Ministro Eurico Gaspar
Dutra que proporcionou os meios para a sua construção. Ali estão os restos mortais do tenentecoronel Carlos de Moraes Camisão, chefe da expedição e vítima do cólera-morbus em 29 de
maio de 1867; do tenente-coronel Juvêncio Manoel Cabral de Menezes, subcomandante da
expedição, morto também no mesmo dia e do mesmo mal; do Guia Lopes, nome de guerra
imortalizado por Visconde de Taunay, no livro A Retirada da Laguna. O mineiro-sul-matogrossense José Francisco Lopes, sertanista, profundo conhecedor dos sertões, principalmente do
sudoeste do atual Estado de Mato Grosso do Sul e do tenente Antonio João Ribeiro, valorosos
heróis, inesquecidos da resistência de Dourados.
(Arquivo dos Autores)
Fazendo um parêntese no contexto da História do
país e nos panteões dos heróis, o Guia Lopes, é um dos
poucos civis entre os militares que ocupam os altares dos
homens devotados e imortalizados, não pelos seus defeitos
e fraquezas, mas por atitudes de altruísmo, patriotismo, ao
dever, sacrificando a própria vida.
2. Os translados dos restos mortais
No princípio de 1940, iniciou-se os translados dos
restos mortais do Cemitério dos Heróis, município de
Jardim-MS, para a cidade de Aquidauna, utilizando as
viaturas automotoras da época.
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Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna
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Da cidade de Aquidauana, então parte do Mato Grosso uno, no mês de novembro de
1941, os restos mortais, do coronel Camisão, tenente-coronel Juvêncio, Guia Lopes, tenente
Antonio João embarcam em um vagão de trem especial com destino ao campo santo idealizado
por devotados militares e colaboradores do início da década de 1929.
O trem, em vagão especial, passando por diversas cidades, recebeu significativas
homenagens do povo, militares, autoridades. Em Campo Grande recebera homenagem da 9ª
Região Militar e do povo. Durante o trajeto até São Paulo, receberam inúmeras manifestações
cívicas, as mais calorosas e emocionantes, quando das paradas normais nas estações ferroviárias.
Em São Paulo, as urnas foram levadas para a Igreja de São Bento, onde receberam homenagens,
sendo celebrada uma missa e visitação do povo.
Nessa ocasião, incorporou às urnas com os restos mortais vindos de Mato Grosso5, a uma
outra chegada de Alfenas, Minas Gerais, com os restos mortais do general João Antonio da Costa
Campos, alferes do 21º Batalhão de Infantaria na Retirada da Laguna e pai do acompanhante
desses despojos, o então capitão de Artilharia Flammarion Pinto de Campos, do Serviço de
Material Bélico, da 9ª Região Militar.
Partiram de São Paulo no dia 14 de novembro de 1941, acompanhadas de elementos da
Comissão Central do Monumento, com manifestação expressiva da 2ª Região Militar e do povo.
Praça General Tiburcio (Arquivo dos Autores)
5 Até 11 de outubro de 1977, o Mato Grosso era um território uno. Através da Lei Complementar n° 31 a
Constituição Federal divide o território do Estado e no desmembramento, cria-se o atual Estado de Mato
Grosso do Sul, daí, deve-se entender que todos os fatos históricos até esta data diz respeito a Mato
Grosso, mesmo que ocorridos onde hoje faz parte do novo Estado, no caso deste estudo, os translados
dos restos mortais dos nossos líderes vitimados durante os combates na Guerra do Paraguai.
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Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna
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No trajeto até o Rio de Janeiro, receberam carinhosas manifestações por onde passaram e
pararam, chegando ao Rio de Janeiro, no dia 15 de novembro de 1941, aniversário da
Proclamação da República do Brasil6. Recebida solenemente, as cinco urnas foram transportadas
com escolta para o Monumento. Aguardava-nos, aí, o Dr. Getúlio Vargas, Chefe do Governo;
general Eurico Gaspar Dutra, Ministro da Guerra; almirante Aristides Guilherme, Ministro da
Marinha; Dr Joaquim Pedro Salgado Filho, Ministro da Aeronáutica; Bispo Dom Aquino
Correa 7 , orador oficial; general Góis Monteiro, oficiais-generais, tenente-coronel Cordolino,
autoridades, oficiais, cadetes, escolas, estandartes de Organizações Militares (OM) e de
associações várias e o povo. A solenidade transcorreu em ambiente de civismo significativas,
culminando com o discurso de Dom Aquino, que proporcionou uma magnífica aula de História
que sensibilizou e empolgou a todos os que ouviram.
O major Lopes Novais8 assim proferiu em sua conferência em comemoração ao dia da
Retirada da Laguna e morte do Guia Lopes:
“Meus senhores, antes de encerrar a presente conferência, compre-me prestar singela
homenagem ao então Arcebisto de Cuiabá. Dom Francisco de Aquino Correia, leu três estrofes
de poema de sua autoria que fora lido na manhã do dia 15 de novembro de 1941, por ocasião da
cerimônia da transladação das cinzas dos bravos heróis da Laguna e Dourados para a cripta do
monumento.
Assim vós, ó heróis de minha terra,
Prostados pelo monstro atroz da guerra,
Viestes nesta praia repousar,
Onde hão de nos falar, eternamente,
Das vossas glórias a montanha e o mal
Camisão! Mártir do dever, que expiras,
Pedindo ainda a espada com que firas
A última pugna em prol dos teus ideais,
Guia Lopes! Espectro venerado
Dum novo Cid Campeador, salvando.
Quase morto, as bandeiras nacionais!
Dom Aquino Correa
6 A República Brasileira foi proclamada no dia 15 de novembro de 1889, pelo então marechal Deodoro
da Fonseca e demais, substituindo a forma de Governo Monárquica.
7 Francisco de Aquino Correa, Bispo de Cuiabá, assumiu o Governo de Mato Grosso em 22 de janeiro
de 1918, no cargo de Presidente do Estado, até 1922, nos dizeres de Demosthenes Martins, História de
Mato Grosso s/d. “Titular de nome consagrado nos cimos da cultura nacional”. Poeta, escritor,
intelectual, religioso, político, filósofo, foi o criador da Academia Mato-grossense de Letras.
8 Major Int. Jacy Lopes Novais – Conferencia pronunciada no Círculo Militar de Campo Grande, em 27
de maio de 1959, data do falecimento do Guia Lopes.
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Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna
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E lá, do pícaro do Corcovado,
Numa apoteose imensa, lado a lado,
Cristo vos abre os braços, desde os céus,
Que o bravo como vós, que de alma forte
Na fé e no dever, até a morte
Cai pela Pátria, voa para Deus”.
3. Nomes dos Homenageados através dos Medalhões dentro da Cripta
Dentro da cripta, há dez medalhões de bronze, que lá estão para relembrar, com esfinges,
personagens de proa da épica jornada:
1. Tenente-coronel Juvêncio Manoel Cabral de Menezes, chefe da Comissão de
Engenheiros;
2. 1º Tenente Alfredo D’Escragnolle Taunay, imortal autor de A Retirada da Laguna e
Secretário da Comissão de Engenheiros;
3. Major de Comunicações José Thomaz Gonçalves, comandante do 21º Batalhão de
Infantaria e substituto do coronel Camisão após a sua morte;
4. Tenente-coronel Hermenegildo de Albuquerque Portocarrero, comandante do Forte de
Coimbra, apresentou resistência à esquadra paraguaia solicitando a sua rendição;
5. Tenente João de Oliveira Mello, comandante da Retirada de Corumbá;
6. Capitão Pedro José Rufino, comandante interino do 1º Corpo de Caçadores a Cavalo;
7. Major de Comunicações João Thomaz Cantuária, comandante do Corpo Provisório de
Artilharia;
8. Tenente-coronel de Comunicações Antonio Enéas Gustavo Galvão, comandante do 17º
Batalhão de Voluntários da Pátria;
9. Dr. Manuel de Aragão Gesteira, 1º Cirurgião da Expedição.
Além desses medalhões individuais, há dois outros maiores onde estão inscritos os
nomes, nove no primeiro e oito no segundo medalhão, dos seguintes militares distinguidos da
Expedição de Mato Grosso a Laguna.
No primeiro Medalhão são homenageados os seguintes militares em virtude dos seus
serviços, atitudes heróicas, patriótica no cumprimento do dever, são eles:
1. Tenente-coronel José Antonio da Fonseca Galvão, que faleceu próximo ao povoado de
Coxim, como 2º Comandante da Expedição, já brigadeiro;
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Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna
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2. 2º tenente de Artilharia Cesário de Almeida Nobre de Gusmão, comandante da 4ª
Seção de Artilharia;
3. Capitão Antonio Florêncio Pereira do Lago, da Comissão de Engenheiros e assistente
do Ajudante-General;
4. 1º tenente de Artilharia João Baptista Marques da Cruz, comandante da 1ª Bateria;
5. Major José Maria Borges, fiscal do 17º Batalhão de Voluntários da Pátria;
6. Capitão Delfino Rodrigues de Almeida Pires Flores, valente oficial da Guarda
Nacional do 21º Batalhão de Infantaria;
7. Alferes de Comunicações Amaro Francisco de Moura, Secretário Militar das Forças;
8. 1º tenente José Eduardo Barbosa, assistente do Quartel-Mestre-General;
9. Soldado Damazio, que salvou um canhão que caíra no rio Miranda.
No outro medalhão constam os nomes de oito homenageados entre civis e militares por
atitudes de bravura, civismo, altruísmo, são eles:
1. Dr. Candido Manuel de Oliveira Quintana que desempenhava a função de 1º Cirurgião
na Expedição;
2. Capitão-tenente Balduino José Ferreira de Aguiar, o bravo comandante do navio à
vapor Amambahy, que salvou o pessoal do Forte de Coimbra, após heróica resistência;
3. Capitão Joaquim Ferreira de Paiva, digno comandante do 20º Batalhão de Infantaria;
4. Tenente do Estado-Maior da 1ª Classe Catão Augusto dos Santos Roxo, assistente do
Quartel-Mestre-General;
5. 1º tenente de Artilharia Napoleão Augusto Muniz Freire, comandante da 3ª Seção de
Artilharia e bravo soldado;
6. Tenente-coronel José Miranda da Silva Reis, 1º Chefe da Comissão de Engenheiros da
Província de Mato Grosso e, depois Ajudante-General junto às Forças;
7. Tenente Joaquim Pinto Chichorro da Gama, da Comissão de Engenheiros;
8. Anna Mamuda, o Anjo da Caridade.
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Ana Mamuda
Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna
Ten. Cel.
Juvêncio Manoel
Cabral de
Menezes
Coronel Carlos
de Moraes
Camisão
Ten. João de
Oliveira Mello
Soldado Damasio
Major de
Comunicações José
Thomaz Gonçalves
64
1º Ten. Alfredo
D’Escragnolle
Taunay
Ten. Cel. de
Comunicações
Antonio Enéas
Gustavo Galvão
Os despojos, isto é, os restos mortais das urnas vindas de Alfenas no Estado de Minas
Gerais e do Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna, em Mato Grosso, foram depositárias
das seguintes personalidades do teatro da Guerra que envolveu o Brasil e Paraguai, no Sul da
Província de Mato Grosso.
Destacam-se no Sarcófago maior da Cripta, vindas do Mato Grosso:
1. Coronel Carlos de Moraes Camisão;
2. Tenente-coronel Juvêncio Manoel Cabral de Menezes;
3. Tenente Antonio João Ribeiro9;
4. José Francisco Lopes, o Guia Lopes.
Ten. Antonio
João Ribeiro
Guia Lopes
Cel Camisão
9
Cel Juvêncio
Foto cedida pelo Centro de Informações Turísticas de Jardim. Original encontra-se no Quartel na
cidade de Bela Vista (MS)
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Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna
65
No Sarcófago menor da direita, os restos mortais do:
– General Costa Campos.
No Sarcófago menor da esquerda, destacam os restos mortais de:
1. Dr. Gesteira que viera da cidade de Ouro Preto, translado feito em janeiro de 1939;
2. Dr. Quintana que viera transferido da cidade de Alegrete, no Estado do Rio Grande do
Sul, em 27 de maio de 1978.
E neste ambiente augusto, de guarda, está a estátua de bronze de um Soldado de
Cavalaria do Império, com sua lança perfilada, grandioso trabalho de Leão Veloso.
4. Fechando a Cripta
Fechando a cripta, há uma porta de bronze, na qual a estátua de bronze de um Soldado de
Infantaria do Império, arma em posição de funeral, magnífico trabalho do escultor Calmon
Barreto10, doação feita pelo Dr. Arnaldo Guinle.
4.1. Material do Monumento
O material empregado na construção do monumento em homenagem aos heróis que
faleceram no teatro de operações da guerra em defesa do solo da Pátria Brasileira está resumido
assim:
 Aproximadamente 300 toneladas de granito branco, oriundos de Petrópolis, Rio de
Janeiro;
 Aproximadamente 20 toneladas de bronze proveniente das seguintes localidades:
Tabatinga, Forte de Coimbra, Príncipe da Beira (MT); Cabedelo (PB); Desterro (SC);
Barra e Rio de Janeiro; e outros, não citados pelo autor.
10 Calmon Barreto nasceu em Araxá, em 1909. Ainda um menino de onze anos, deixou os sertões do
Triângulo Mineiro e foi em busca de conhecimentos na antiga capital, Rio de Janeiro, onde permaneceu
até 1967. Na Casa da Moeda deram-se seus primeiros estudos de Arte. Lá, aprendeu o desenho e a
gravura em aço. Breve estaria criando uma série de moedas (as chamadas vicentinas) lançadas em
circulação em todo o país. Aos 14 anos, iniciou os estudos na Escola Nacional de Belas
Artes, especializando-se em desenho e escultura. Depois de obter as premiações preliminares do Salão
Nacional de Belas Artes conquistou, em 1929, o grande prêmio de viagem. Nos dois anos seguintes,
cursou Escolas de Arte em Roma e peregrinou pelos museus de toda a Europa. Retornando ao Rio de
Janeiro, passou a colaborar com as principais revistas e periódicos da Capital, criando cerca de mil e
quinhentas ilustrações de contos, crônicas, livros etc. Também executou um grande número de
esculturas, medalhões, camafeus etc. O monumento dedicado aos "Heróis da Laguna e Dourados" na
Praia Vermelha é constituído por várias peças suas; a sede do Banco de Crédito de Minas Gerais
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5. Inauguração Oficial do Monumento
A inauguração oficial do Monumento ocorreu no dia 29 de dezembro do ano de 1938.
Estavam presentes a este ato solene as seguintes personalidades:
 Dr. Getúlio Vargas, Exmo Sr. Presidente da República do Brasil;
 Ministros; autoridades; generais; oficiais; cadetes; escolas; estandartes das OM;
associações várias; tropas militares;
 Tenente-coronel Pedro Cordolino Ferreira de Azevedo, figura máxima desse
empreendimento do Memorial Histórico e também orador oficial, que encheu sua alma
de alegria e extravasou, em puro civismo, o que transmitira aos presentes, pelo
cumprimento da significativa missão que assumira em 1929 com os outros devotados
companheiros e que naquele instante solene contemplava, senão genuflexo, mas com
humildade cristã, como era de seu feitio, o coroamento da obra; e o seu discurso
emocionou a todos.
 General Raphael Tobias de Souza Vasconcellos, herói e último sobrevivente, que na
ocasião da Retirada da Laguna era alferes do 17º Batalhão de Voluntários da Pátria, e
aí nessa oportunidade feliz, foi condecorado pelo Governo com a medalha Ordem do
Mérito Militar.
Assim, estava inaugurado o Monumento aos Heróis da Laguna e Dourados, fruto do
esforço de uma plêiade de bons brasileiros, amantes da História, da Cultura, do Civismo e amor a
Pátria. Exemplo a ser seguido pelas autoridades, estudantes e o povo do nosso Estado de Mato
Grosso, respeito e resgate dos locais sagrados por aqueles brasileiros que percorreram nos
dizeres do título da obra do historiador Acyr Vaz Guimarães – “Seiscentas Léguas a Pé” para a
defesa das terras sul-mato-grossenses.
(Arquivo dos Autores)
Parque
Histórico
Colônia
Militar de Dourados (PHCMD), em
Antônio João (MS)
(www.exercito.gov.br/NE/1998/NE/ne947
7/heroi477.htm)
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UNIDADE VII
EXPEDIÇÕES CÍVICAS QUE PASSARAM PELO CEMITÉRIO DOS
HERÓIS DA RETIRADA DA LAGUNA E REVITALIZAÇÕES
Ao longo dos períodos do Século XIX – (entre 1867-1900), Século XX (1901-2000) e
agora no princípio deste Século XXI (2001-2100) muitas têm sido as homenagens, visitas,
passeios, paragens, passagens, revitalizações, translado de caráter cívico-histórico, militar e civil.
Neste pequeno esboço, tentaremos recuperar algumas destas missões oficiais e
identificação dos seus propósitos. Estas missões, atendendo aos objetivos de particulares ou de
caráter geral, fazem parte desde Campo onde repousaram as vestimentas físicas do corpo de
homens, mulheres, crianças, alguns no anonimato e outros na memória da História.
Reunir detalhes não será possível, mas desejamos que a história e as gerações vindouras
não permaneçam nas concepções do – “disque-disque; ouvi falar; não registros; eu acho;
provavelmente...”, mas carreguem a certeza dos fatos históricos e que se sintam parte dela, como
cidadãos no mundo e com o mundo; na história e com a história.
Decorrido (entre 1867 e 2008) mais de um século, 141 anos, muitos registros dos
acontecimentos estão esquecidos, guardados, empoeirados em alguma prateleira, em algum
arquivo, em algum lugar. Localizá-los não é uma tarefa fácil, demanda tempo, pesquisa,
persistência e recursos; por isso mesmo, também deixaremos lacunas nestes registros. Fazer
justiça à História. Nós estamos cumprindo com o nosso dever; no vindouro, outros façam a sua
parte, não deixando o elo da corrente quebrar, pois, a História é uma via sempre em
reconstrução.
1 - Ano de 1874 – Expedição Enéas Galvão
Coronel Rufino Enéas Gustavo Galvão - depois Barão e Visconde de Maracaju
Demarcação das fronteiras entre Brasil e Paraguai
Construção dos túmulos e da lapide
Translado dos restos mortais do Guia Lopes.
Segundo Acyr Vaz Guimarães1, “Taunay, finda a guerra, como oficial de gabinete do
Ministro da Guerra, Conselheiro João José de Oliveira Junqueira, propôs erigir um monumento
“modesto embora”, como disse à memória de Camisão e Juvêncio, em lugar onde haviam sido
sepultados. Incumbiu-se dessa missão o chefe da comissão de limites Brasil-Paraguai, coronel
Rufino Enéas Gustavo Galvão, filho do falecido brigadeiro Galvão, que comandava a Força
Expedicionária de Mato Grosso, quando estacionada às margens do rio Negro, a caminho de
Miranda, saída de Coxim, em 1866. Desincumbiu-se Rufino, levantando-o, à margem esquerda
1
Acyr Vaz Guimarães. Mato Grosso do Sul, História dos Municípios, Jardim, Volume 1, 1982, p.108.
José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza
JARDIM-MS.
Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna
68
do rio Miranda “junto ao Passo do Jardim, no alto de uma colina e a 16 léguas do Passo de Bela
Vista, no Apa”. Relata o coronel: “é de mármore e a sua base de pedra e cal. A lápide que está
assentada em plano inclinado sobre quatro peças também de mármore, olha para a estrada da
retirada das forças que passa a 50 metros de distância. Contém a seguinte inscrição: ’À memória
dos beneméritos coronel Carlos de Moraes Camisão e tenente-coronel Juvêncio Manoel Cabral
de Menezes, comandante e imediato das forças em operações ao sul desta Província, falecidos
em 29 de maio de 1867”. Gabriel Lopes, sobrinho de José Francisco Lopes, que morava na
Fazenda Jardim, reconheceu o local para ali ser ereto o monumento em 1874”.
2 - Ano de 1905 – Expedição Rondon
Marechal Cândido Mariano da Silva Rondon
Construção da linha Telegráfica – Aquidauana – Porto Murtinho
Postes próximo ao Cemitério cercado
A visita do marechal Cândido Mariano da Silva Rondon na ocasião da
construção da linha telegráfica e em visita ao CHRL – no ano de 1905,
ao lado do túmulo do coronel Camisão e tenente–coronel Juvêncio.
Foto extraída do Relatório dos Trabalhos realizados de 1900 a 1906 –
Major de Eng. Cândido Mariano da Silva Rondon, Departamento de
Imprensa Nacional, 1949-RJ
Segundo Acyr Vaz Guimarães2, em 1905 o denodado Rondon, fez passar por terras, do
hoje município de Jardim, a linha telegráfica de Nioaque para a Fazenda Margarida, levantando à
altura do ribeirão verde, afluente do Prata, cruzando terras palmilhadas pela Coluna Camisão, na
Retirada da Laguna. Rondon encontrou algumas dificuldades para levantar os postes, face às
pedras e atoleiros encontrados.”
2
Acyr Vaz Guimarães. Mato Grosso do Sul, História dos Municípios, Jardim, Volume 1, 1982, p.108.
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Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna
69
Ainda segundo Acyr3 “o então major Rondon, ligou Nioaque à Fazenda Jardim por fios
de telégrafos e nesta ocasião fez visita à dona Senhorinha, de quem disse: “gorda, baixa, vivos
olhos azuis, gostava muito de conversar e de tudo se lembrava (...) embora muito velha, tinha
perfeita memória”. Dona Senhorinha Maria da Conceição Barbosa de Lopes, esposa em segunda
núpcias do Guia Lopes, possuía sangue germânico.
A expedição de Rondon era composta por oficiais e cerca de cem praças.
3 - Ano 1925 – Expedição Arruda Pereira
Dr. Armando Arruda Pereira
Heroes Abandonados
Peregrinação pelos Lugares Históricos do Sul de Mato Grosso
Visita ao Cemitério
Ano de 1925 – cemitério e árvores ao fundo
Dr. Armando Arruda e sua Comitiva.
(Foto do livro Heróes Abandonados)
Ano 1925 – CHRL – À esquerda o túmulo de
João Lopes, filho do Guia Lopes e à direita
o túmulo dos comandantes Camisão e
Juvêncio. (Foto do livro Heróes Abandonados)
4 - Ano 1926 – Expedição General Malan
General Alfredo Malan D’Angrogne
Heroes Esquecidos
Comandante da Região Militar Matogrosense sediada em Campo Grande (comandante da
Circunscrição Militar)
Revitalização do cemitério. Mandou reconstruir os túmulos de Camisão, Juvêncio e Guia
Lopes
Resultou na publicação do livro Heroes Esquecidos.
Missão restauradora do 6º Batalhão de Engenharia a Cavalo de Aquidauana
3
Op. Cit. Guia Lopes da Laguna, p. 129.
Também poderá ser lido o Livro – Relatório dos Trabalhos realizados de 1900 a 1906 – Major de Eng.
Cândido Mariano da Silva Rondon, Departamento de Imprensa Nacional, 1949-RJ.
José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza
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Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna
70
5 - Revitalização do 6º Batalhão de Engenharia a Cavalo de Aquidauana
Foi na missão do 6º BEC que o cemitério recebeu a primeira disposição arquitetônica e
proteção aos bens imortais da memória ao culto dos que foram sepultados no cemitério, junto aos
três primeiros mártires, Lopes, Camisão e Juvêncio.
6 - Ano 1931 - Passagem do Tenente Danilo Paladini
O texto seguinte, publicado em 1931, apresenta um relatório expressando os sentimentos
e impressões de um militar quando em passagem por esta região onde atualmente compreende os
territórios dos municípios de Guia Lopes da Laguna e de Jardim, mas que na década de 1930
compreendiam os municípios de Nioaque e Bela Vista.
Reconhece o local do cemitério e como um patriota fica indignado com o abandono em
que se encontra o local onde estão os restos mortais, sugerindo que sejam transladados para a
capital do Brasil, que nesta ocasião estava situada no Estado do Rio de Janeiro.
Além do cemitério, descreve sua passagem pela Fazenda Jardim, Rio Miranda, do
Cambaracê. E mais uma vez, na história, o neto do Guia Lopes, não sabemos quem, mas
colaboram nas informações e visita aos locais dos sítios históricos por onde passaram a
expedição brasileira que veio socorrer o sul da então Província de Mato Grosso que se
encontrava sob o domínio dos soldados de Francisco Solano Lopez, Presidente da República do
Paraguai.
É uma leitura histórica transcrito na grafia original, cheia de história, cheia de emoções.
No Túmulo de Camisão
Pelo 2º Tenente de Comunicação – Danilo Paladini
“Por circunstancias que não interessam achamo-nos acampado um dia nas margens do
rio Santo Antonio da Cava entre as cidades de Nioac e Bella-Vista, em Matto-Grosso.
Os terrenos onde estavamos pertence a Fazenda da Cava cujo proprietário é neto do
celebre Guia Lopes sobejamente conhecido através dos factos da “Retirada da Laguna”
conversando uma noite com o fazendeiro viemos que, não longe de nós permaneciam o tumulo
daquelle Guia bem como dos commandos Coronel Camisão e Tenente-Coronel Juvencio.
Nada mais foi preciso: Na madrugada daquella mesma noite partiamos, a cavallo, em
busca do minusculo cemiterio.Minusculo em extensão, mas incommensuravel em valor histórico!
Eram apenas tres leguas a percorrer pela rudimentar estrada que fora trilhada pela Expedição
gloriosa da laguna.
Pouco antes de chegarmos a margem do rio Miranda, que naquella epoca fora tão
ingrato, descansamos na Fazenda Jardim, que a história também immortalizou, e cujo o
José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza
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Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna
71
laranjal, não menos conhecido, nos confortou com a sua sombra amiga, unico producto das
vetastas e hoje estereis laranjeiras.
Atravessamos o Rio Miranda; era epoca da vasante. Embora assim, a água cobria a
anca dos animaes. E ficando a relembrar que a expedição enfraquecida pela peste, atravessou
por aquelle mesmo “passo” no tempo da cheia.
Neste mesmo local, a caudal que tantos irmãos nos furtou é hoje atravessado pelos fios
do Telegrapho Nacional.
Uma vez na margem esquerda, percorremos mais uns 500 metros de “cerrado” e á
direita da estrada, na orla da matta espessa, avistamos o logar sagrado.
A emoção foi profunda! Sentíamos um mixto de veneração e respeito. Uma cerca de tres
fios de arame liso, abrangendo uns 15 metros quadrados de terra circundava os tumulos que a
Fazenda Cachoeirinha tem a honra de guardar em seu seio.
Trato nenhum. Olvido completo. Quebrando do matto, approximamo-nos dos
modestissimos baldrames. Sobre um delles uma grossa lapide de mármore, rachada, enegrecida
e carcomida pelo rigor das intemperies, nos permittiu ler a custo, a seguinte inscripção:
“Á memoria dos beneméritos coronéis Carlos de Moraes Camisão e Tenente-Coronel
Juvencio Cabral de Menezes, Commandante e imediado das forças em operações ao Sul dessa
Provincia, fallecidos na memoravel retirada das mesmas forças, em 29 – 5 – 1867. O Governo
Imperial mandou erigir este monumento em 1874.”
E nada mais! Á direita e a esquerda respectivamente, os tumulos do Guia Lopes e de seu
filho João, morto posteriormente, cujos nomes se podem ler em toscas cruzes de madeira. O
abnegado Guia viu os seus ultimos momentos quando já respirava o ar da sua Fazenda Jardim,
a menos de um Kilometro.
Prosseguindo pela estrada que nos levou aos tumulos, tres leguas adeante encontram-se
“as mattas de cambarecem”, os colericos mais fracos ficaram por circunstancias imperiosas,
abandonados a sua sorte com o dizer em uma arvore “Piedade para os colericos”. Que os
paraguayos não souberam respeitar. E sentindo em turbilhão passarem pela memoria os factos
da “Epopeia da Laguana”. Regressamos com um pensamento fixo: Não seria possível a
transladação para esta Capital dos restos destes tres gloriosos personagem de nossa História
militar?
Assim, ao menos, haveria mais probabilidade de um dia repousarem do já ideado
Pantheon Nacional.
Mais tarde, o Sr. General Malan D’Angrogne, mandou uma pequena expedição
identificar e reconstruir os túmulos, quase a solidão e o ermo velam.”
José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza
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Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna
72
7 - Ano 1940 – Expedição dos Translados
Translados 4 dos restos mortais do Guia Lopes, coronel Camisão e tenente-coronel
Juvêncio, para a Praia Vermelha, no Rio de Janeiro, onde se localizava a capital do Brasil.
Temos como testemunha da história a fotografia abaixo que ilustra os familiares
realizando a última despedida com a celebração de um culto religioso, e o pai da terra, o Guia
Lopes, deixou para a história um nome que é uma lenda não só no Mato Grosso do Sul, mas
também em Minas onde nasceu.5
Suas atitudes estão imortalizadas na história.
Observe na fotografia abaixo a presença de José Francisco Lopes, o último que se
encontrava vivo até aquele momento.
Estão à frente da catacumba do Guia Lopes, que fora transportado de carreta, juntamente
com o coronel Camisão e tenente-coronel Juvêncio até Aquidauana e de lá para São Paulo e
depois Rio de Janeiro de trem, como poderá ser lido no histórico da Unidade VI.
4
5
Verificar a Unidade VI, que trata especificamente sobre este episódio.
Foto arquivo do 9º Batalhão de Suprimento, Guia Lopes, Memorial Guia Lopes.
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8 – Ano de 1954 – Celebração de uma missa campal no Cemitério dos Heróis,
(lembrando que nesta época Guia Lopes da Laguna e Jardim já eram cidades emancipadas.
Presença do Bispo Dom Ladslau Paes, Bispo da Diocese de Corumbá6)
Acima a presença e participação da comunidade local na celebração7.
6
7
Foto arquivo do 9º Batalhão de Suprimento, Guia Lopes, Memorial Guia Lopes. Campo Grande.
Foto arquivo do 9º Batalhão de Suprimento,Guia Lopes, Memorial Guia Lopes. Campo Grande.
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9 - Ano de 1967 – Missa de Comemoração dos 100 anos da Retirada da
Laguna
No mês de maio de
1967 para comemorar o
1º centenário (18671967) do falecimento
dos principais homenageados do Cemitério dos
Heróis da Retirada da
Laguna (José Francisco
Lopes – Guia Lopes, 27
de maio de 1867, coronel
Carlos
de
Moraes
Camisão e tenentecoronel Juvêncio Manoel
Cabral de Menezes, 29
Preparativos e limpeza da área para a celebração da missa para
de maio de 1867) e o
comemorar o 1º centenário da Retirada da Laguna.
(Foto Arquivo Profª MSc. Rita Braga)
final da épica Retirada
da Laguna, episódio da
Guerra do Paraguai, campanha pelo sul da então Província de Mato Grosso, foi celebrada uma missa
com a participação de autoridades eclesiásticas, políticas, militares, funcionários da CER-3 e
cidadãos jardinenses.
Celebração da Missa dos 100 anos da Retirada da Laguna.
Celebrantes Dom Ladslau Paes, Bispo da Diocese de
Corumbá, Padre José Ferrero (no centro) e o Prefeito,
Senhor Alcides Cavalheiro Flores.
(Foto Arquivo Profª MSc. Rita Braga)
José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza
Dom Ladslau Paes, o Bispo
celebrante e Prefeito,
Senhor Alcides
Cavalheiro Flores
(Foto Arquivo Profª MSc.
Rita Braga)
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75
10 - Ano 1970 – Primeiro Centenário do Fim da Guerra do Paraguai
Comemoração do 1º Centenário do fim da Guerra que envolveu o Paraguai contra a
Tríplice Aliança Formada pelo Brasil, Argentina e Uruguai, findada oficialmente em 1º de
Março de 1870.
I CENTENÁRIO DA GUERRA DA TRÍPLICE ALIANÇA
1870 - 1970
A 9ª REGIÃO MILITAR, A 4ª DIVISÃO DE CAVALARIA,
PREFEITO,
AUTORIDADES,
ESCOLA
E
POVO
EM
GERAL, PRESTARAM HOMENAGEM AOS HERÓIS DE
DOURADOS E LAGUNA
1000 KM DE CIVISMO
SEMANA DE 15 A 20 DE JULHO DE 1970
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Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna
76
11 - Ano de 1974 – Visita do General Humberto de Souza Melo
Nesta fotografia tirada
(Foto Arquivo da 4ª Cia Eng. Cmb. Mec. – Jardim)
no auge da extinta CER-3,
antes
da
última
revitalização à frente aos
túmulos do Guia Lopes,
João Lopes, Camisão e
Juvêncio, à direita, de
botas, bombacha e lenço
em torno do pescoço, o
neto do Guia Lopes,
Murfiel Lopes 8 , aos 82
anos de idade; ao seu lado,
o general Humberto de
Souza Melo; o terceiro da
frente com os braços para
trás era o comandante da
CER-3, na ocasião Major
de Engenharia QEM Dalvo João Storchi. Os demais são oficiais de alta patente.
......???? anos 1980 - Revitalização realizada pelo comandante Cel José
Vicente Sanctis Pires
Segundo as informações recolhidas na sua primeira administração como Prefeito
Municipal de Jardim, foi efetuado algumas melhorias no local onde está o cemitério, com a
construção do pequeno monumento que se encontra na entrada e estão fixadas as placas por
ocasião das diversas comemorações que naquele lugar foram efetuadas.
Também foi realizado o calçamento com as pedras, respeitando o projeto antigo que
separa o local do acesso para o público e o das cruzes que caracterizam, ou melhor dizendo,
simbolizam as pessoas que ali foram sepultadas. O que se constata que onde estão as cruzes não
representa na realidade que exatamente abaixo delas se encontram restos mortais; até mesmo
porque as pessoas que foram sepultadas ali, não obedeciam a um planejamento de sepulturas.
12 - Ano de 1989 - Homenagem Constância e Valor
Homenagem efetuada em 1989 pelo 44º Batalhão de Infantaria Motorizada (Coxim-MT),
cuja denominação histórica recebida em 1986 “Batalhão Laguna”, com o dístico “Constância e
Valor” homenageiam os bravos do 21º Batalhão de Infantaria, elemento formador do atual
batalhão e que teve destacada participação na Retirada da Laguna.
8
Murfiel Lopes era filho de Pedro José Lopes e Carmelina Barbosa.
José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza
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77
Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna
CONSTÂNCIA E VALOR
O 21º BI, ATUAL 44 BIMTZ, HOMENAGEIA
SEUS HERÓIS DA RETIRADA DA LAGUNA
PERCORRENDO, COM EFETIVO COMPLETO,
O ITINERÁRIO DE 122 ANOS PASSADOS:
BELA
VISTA
-
JARDIM
-
NIOAC
-
AQUIDAUANA - COXIM - CUIABÁ
JUN 1867 - OUT 1989
13 - Ano 1991 - Registro Memorial
A fotografia registra a primeira
homenagem realizada pela 4ª
Companhia de Engenharia de
Combate Mecanizada aos Heróis. No
quadro exposto, Cel. Camisão, Ten
Cel Juvêncio e José Francisco Lopes,
o Guia Lopes. A partir desse preito,
publicado em Noticiário do Exército,
que se manifestou o Gen Flammarion,
em correspondência ao Cmt da
Unidade, o Maj Fernando dos Anjos
Souza.
(Foto Arquivo da 4ª Cia Eng. Cmb. Mec. – Jardim)
14 - Ano de 1991 – Momento Histórico
Registro Histórico. O primeiro da
direita, o Senhor Oswaldo Fernandes
Monteiro, proprietário da Fazenda Jardim
da margem esquerda do rio Miranda
(Jardim) e doador da área onde se encontra
o CHRL e o último, o Senhor Tuta
Barbosa, proprietário da Fazenda Jardim da
margem direita do rio Miranda (Guia Lopes
da Laguna) (ambos falecidos). No centro, o
major Fernando, na ocasião comandante da
4ª Companhia de Engenharia de Combate
Mecanizada.
José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza
(Foto Arquivo da 4ª Cia Eng. Cmb. Mec. – Jardim)
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Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna
78
O Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna, ao longo de vários anos, tem recebido
homenagens em diversas situações. Desde o ano de 1991, quando o então major Fernando dos
Anjos Souza, comandante da 4ª Companhia de Engenharia de Combate Mecanizada, incluiu o
Preito aos Heróis da Retirada da Laguna, durante a realização de uma atividade militar, todos os
demais comandantes daquela Unidade também realizam a distinta e singela homenagem.
15 - Ano de 1999 – Registro Histórico
A fotografia registra da esquerda para a direita, em pé, na quarta posição, Oswaldo
Fernandes Monteiro e esposa, Márcio Monteiro e Evandro Bazzo; posterior a senhora, Sr.
Aroldo.
(Foto Arquivo da 4ª Cia Eng. Cmb. Mec. – Jardim)
16 - Ano de 1999 - Primeira Marcha Cívico-Cultural Retirada da Laguna
No ano de 1999, sob o Comando da 4ª Brigada de Cavalaria Mecanizada, sediada em
Dourados-MS, foi realizada a 1ª Marcha Cívico-Cultural da Retirada da Laguna, num percurso
de mais de 200 (duzentos) Km, desde a Estância Laguna, em território Paraguai, até a cidade de
Nioaque, com a realização de singular homenagem àqueles bravos soldados, em grande
formatura geral no Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna.
A Retirada da Laguna9, ocorrida entre 8 de maio e 11 de junho de 1867, durante a Guerra da
Tríplice Aliança, teve início na Fazenda Laguna, situada no Paraguai, e desenvolveu-se na região
9
Imagens e informes extraídos do Boletim - http://www.exercito.gov.br/VO/169/laguna.htmBrasília - DF Ano XXVIII - N.º 169 RETIRADA DA LAGUNA
José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza
JARDIM-MS.
Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna
79
compreendida pelos atuais municípios de Bela Vista, Jardim, Guia Lopes e Nioaque (MS), todos
na área de responsabilidade da 4ª Brigada de Cavalaria Mecanizada (4ª Bda C Mec).
RETIRADA DA LAGUNA
A 4ª BDA C MEC REALIZOU
NO PERÍODO DE 13 A 20 DE JUL 99 A
PRIMEIRA MARCHA CÍVICO-CULTURAL
A PÉ, PERCORRENDO 223 KM ENTRE BELA VISTANIOAQUE E VIVENCIANDO AS EFEMÉRIDES DO VISCONDE DE
TAUNAY E O FATO HISTÓRICO RETIRADA DA LAGUNA.
E NESTE SÍTIO HISTÓRICO FOI REALIZADA A CERIMÔNIA
DE CULTO AOS HERÓIS DESTA CÉLEBRE EPOPÉIA.
JARDIM-MS, 18 JUL 1999.
4ª C IA E C MB M EC
Com o objetivo de resgatar esse importante fato histórico e cultuar os modelos de virtude
e abnegação dos heróis daquela epopéia, foi realizada uma marcha cívico-cultural, congregando,
em torno do evento, as comunidades civil e militar, particularmente os segmentos estudantil,
acadêmico e de comunicação.
Tal evento teve início no dia 13 de julho de 1999, com uma visita às Fazendas Laguna e
Machorra – esta localizada no Brasil – e a transposição do rio Apa, na fronteira entre o Brasil e o
Paraguai. No dia 14 de julho, iniciou-se a marcha desde Bela Vista até Nioaque. Foi concluída
oito dias mais tarde, depois de terem sidos percorridos, a pé, 213 km.
Todos os trabalhos concentraram-se no propósito de homenagear os nossos heróis e
resgatar a História do Brasil, destacando esse episódio da Guerra da Tríplice Aliança.
José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza
JARDIM-MS.
Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna
80
A marcha cívico-cultural dedicada à Retirada da
Laguna foi planejada de forma centralizada e executada por
todas as unidades da 4ª Bda C Mec. O trecho de 213 km
percorrido foi dividido, para fins de execução e apoio logístico
(alimentação e montagem de acampamentos), em três áreas de
Solenidade no Cemitério dos Heróis
responsabilidade a cargo do 10º Regimento de Cavalaria
Foto:http://www.exercito.gov.br/VO/169
Mecanizado, da 4ª Companhia de Engenharia de Combate
/laguna.htm
Mecanizada (4ª Cia E Cmb Mec) e do 9º Grupo de Artilharia
de Campanha. Coube ao 28º Batalhão Logístico Mecanizado propiciar o apoio logístico ao
evento.
Houve ainda um preito aos mortos naquela epopéia no Cemitério dos Heróis – localizado
no município de Jardim (MS), – após o que, transpôs-se o rio Miranda com passadeiras. Para se
reviver os fatos ali ocorridos, executou-se uma demonstração de transposição de curso de água,
empregando-se meios de flutuação improvisados, feitos de couro de boi, nos quais foram
transportadas laranjas. Dessa forma, reviveu-se o episódio das laranjas, cujo consumo, segundo
alguns autores, permitiu a cura dos coléricos.
17 - Ano 1999 – Registro
Histórico
Foto Arquivo da 4ª Cia de Eng. - Jardim
A fotografia registra do lado
esquerdo
o
general
Barroso,
responsável e incentivador pela
Marcha Cívica Cultural da Retirada
da Laguna, iniciada em julho de
1999. Ao seu lado o coronel David,
também historiador, responsável pela
denominação histórica da 4ª Cia. de
Engenharia, “Ten-Cel Juvêncio”, no
ano de 2000.
18 - Ano 2003 - Segunda Marcha Cívico-Cultural Retirada da Laguna
Mês de Agosto
No mês de agosto de 2003, houve a 2ª edição da Marcha Cívico-Cultural, um pouco
diferente em relação à de 1999, mas com o mesmo sentimento de reverência aos heróis e cívico
patriotismo.
José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza
JARDIM-MS.
Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna
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Exército realiza Marcha Retirada da Laguna
Mato Grosso do Sul, Quinta-Feira, 31 de julho de 2003 - 12:13
Fonte: Campo Grande News
Luciano Shakihama
Fazendo parte das comemorações do bicentenário do nascimento do Duque de Caxias, o
Patrono do Exército, o Exército Brasileiro, através da 4ª Brigada de Cavalaria Mecanizada,
realiza a partir do dia 5 de agosto, a Marcha Cívico-Cultural Retirada da Laguna.
A marcha tem a finalidade de contribuir, através da coleta de dados e da pesquisa de
campo, com o estudo daquela epopéia e congregar, durante a marcha em torno do fato histórico,
a comunidade militar com os diversos segmentos da comunidade civil.
Serão formadas três colunas de marcha saindo simultaneamente de três locais distintos. A
primeira sairá de Bela Vista e irá até a Fazenda São Pedro. A segunda sairá da Fazenda Santo
Antônio até a Fazenda Jardim. A terceira sairá da Fazenda Maracaju com destino à Fazenda
Vista Alegre.
As três colunas têm previsão de saída no dia 5 de agosto de seus locais definidos e
andarão até o dia 7 de agosto. Após, todos os participantes se encontrarão na Fazenda Vista
Alegre, local onde realizarão a última caminhada de 8 Km até a Igreja de Nioaque.
Marcha da Retirada da Laguna começa em 3 municípios
Terça-feira, 5 de agosto de 2003 17:51
Flávia Lima
Fonte: Campo Grande News
A 2ª Marcha Cívica da Retirada da Laguna começou hoje, nos municípios de Bela Vista,
Nioaque e Jardim. De cada um desses municípios se deslocaram três colunas formadas por
militares e civis convidados. O deslocamento para os pontos históricos, empreendida por Guia
Lopes e a tropa brasileira durante a Campanha da Tríplice Aliança, teve início por volta das 6h30
de hoje. Os 75 integrantes da coluna de Nioaque (entre eles 25 civis) saíram da Fazenda Jardim e
percorrem o caminho em direção à Fazenda Riacho (localizada na região entre Jardim e
Maracajú), onde irão passar a noite. Os participantes devem caminhar hoje 23 quilômetros.
Integrantes de Marcha visitam Buraco das Araras
Quarta-feira, 06 de Agosto de 2003 17:32
Flávia Lima
Fonte: Campo Grande News
Os participantes da 2ª Marcha Cívica da Retirada da Laguna, que teve início ontem, em
três municípios de Mato grosso do Sul, estiveram hoje no Buraco das Araras, na região de
Jardim. A coluna, formada por 44 militares e civis, percorreu 28 quilômetros, passando pela
Fazenda São Cândido, Fazenda Lagoa Grande, encerrando a caminhada na Fazenda Imbirussu,
onde os integrantes da marcha passaram a noite. Hoje pela manhã, após a ida ao Buraco, a
José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza
JARDIM-MS.
Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna
82
marcha seguiu para a Fazenda Cambaracê, outro ponto onde a tropa brasileira esteve durante o
episódio da Retirada da Laguna.
Já a coluna que partiu de Guia Lopes da Laguna, composta por 75 pessoas, percorreu hoje
24 quilômetros, chegando à Fazenda Buriti, localizada a 26 quilômetros de Nioaque. À noite
haverá palestras sobre o episódio da Retirada e debates. Amanhã pela manhã os participantes vão
até a Fazenda Vista Alegre, que fica a oito quilômetros de Nioaque. Esse percurso deverá ser
completado na sexta-feira de manhã, quando haverá a junção das três colunas para o
encerramento da marcha.
19 - Ano 2004 - Terceira Marcha Cívico-Cultural Retirada da Laguna
18/06/2004 Lançamento da 3ª Marcha Cívica da Retirada da Laguna. Museu de Arte
Contemporânea, Parque das Nações Indígenas. 7h30
Zeca lança projeto da Retirada da Laguna no Marco
Sexta-feira, 18 de Junho de 2004 06:20
Patrícia Hadlich
O governador de Mato Grosso do Sul Zeca do PT participa esta manhã do lançamento do
projeto Trilha da Retirada da Laguna, que será percorrida por uma expedição formada por
militares, autoridades civis, profissionais da imprensa regional e mídia nacional, além de
representantes de universidades. O percurso de 213 quilômetros entre Bela Vista e Nioaque será
feito em uma semana, no período de 2 a 6 de agosto.
O lançamento da Marcha será no Museu de Arte Contemporânea, Marco, na rua Antônio
Maria Coelho, Parque das Nações Indígenas, às 7h30.
Trilha da Retirada da Laguna será feita por convidados
Sexta-feira, 18 de Junho de 2004 09:39
Patrícia Hadlich
David Majella
A 3ª Marcha Cívico Cultural da Retirada da
Laguna, em agosto, vai ser percorrida por 300
convidados entre imprensa, Exército, Fundação de
Turismo, Secretaria de Cultura e representantes de
universidades. Serão 150 civis e 150 militares.
Segundo o capitão da reserva do Exército Krugerson
Mattos, que organizou as duas trilhas realizadas até
agora (em 1999 e 2003), mais 300 pessoas estarão
envolvidas no trabalho de apoio nos acampamentos,
alimentação, saúde e transporte.
O capitão explica que os convidados estarão
divididos em três frentes, cada uma percorrendo uma
José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza
Capitão do Exército levantou o
percurso feito pelos militares na
Retirada da Laguna.
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parte do caminho. “Uma vai percorrer a trilha em Bela Vista, outra em Nioaque e outra em
Jardim”, explica. A trilha será feita a pé em cinco dias.
A Retirada da Laguna, em 1867, é um episódio marcante da Guerra do Paraguai, quando
militares brasileiros recuaram da cidade paraguaia de Laguna exauridos, com fome e doentes.
Marcha cívica revive Retirada da Laguna em MS
Quarta-feira, 28 de Julho de 2004 13:17
Marina Miranda
A 4ª Brigada de Cavalaria Mecanizada e o CMO (Comando Militar do Oeste) realizam a
partir do dia 2 de agosto a 3ª Marcha Cívico-Cultural Retira da Laguna. O evento pretende fazer
o mesmo percurso com visita à fazenda Laguna no Paraguai e a travessia do Rio APA.
Nos dias 03, 04 e 05 de agosto, três colunas de marcha seguirão simultaneamente de três
municípios do Estado. A Coluna Sul vai de Bela Vista a Jardim, a coluna centro vai de Jardim a
Guia Lopes da Laguna e a coluna norte vai de Guia Lopes da Laguna até a fazenda Vista
Alegre.
No dia 06 de agosto todas as colunas se encontram na fazenda Vista Alegre e seguem até
Nioaque onde será encerrada a marcha.
Além de reviver o percurso da retirada que aconteceu entre maio e junho de 1867,
durante a guerra do Paraguai, o evento faz homenagem ao Visconde de Taunay e tem o intuito de
contribuir, através da coleta de dados e da pesquisa de campo, com o estudo histórico daquela
época.
O evento terá participação das Unidades Militares da 4ª Brigada e também estará aberta
ao público civil. As inscrições podem ser feitas até 30 de julho 2004 no Comando da Brigada em
Dourados, no 10º Regimento de Cavalaria Mecanizado, em Bela Vista, na 4ª Companhia de
Engenharia de Combate Mecanizada, em Jardim e no 9º Grupo de Artilharia de Campanha, em
Nioaque.
20 - Ano 2006 - Quarta Marcha Cívico-Cultural Retirada da Laguna
De acordo com a publicação no Jornal O Estado do Pantanal, com o título "Resgatando a
História", extraímos partes da reportagem focando o evento da Quarta Marcha da Retirada da
Laguna, a passagem pelo Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna e a assinatura do termo de
doação das terras, pela Senhora Iva Maciel Monteiro onde está assentado o CHRL, entrega
oficial feita ao comandante da 4ª Companhia de Engenharia de Combate Mecanizada, Major
Mauri Félix.
Uma Marcha10 para relembrar um dos episódios mais importantes da história de Mato
Grosso do Sul: A Retirada da Laguna. A Quarta Marcha dedicada à Retirada da Laguna, teve
10
Publicação O Estado do Pantanal, Ano V-Nº 311, 28 de Julho de 2006, p.1,4,9.
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início no sábado, dia 22 de Julho de 2006, onde as colunas de Jardim, Nioaque e Bela Vista
iniciaram o trajeto a partir dos sítios históricos no Paraguai.
Na região de Bela Vista os participantes visitaram as trincheiras da Fazenda Laguna,
Fazenda Machorra e o Monumento Nhandepá. A Marcha percorreu cerca de 180 quilômetros,
sendo que parte foi realizada motorizada e a outra parte à pé, totalizando cinco dias de
atividades.
A caminhada iniciou efetivamente a partir da fazenda São Cândido. Na região foram
registrados os primeiros casos de cólera entre a coluna comandada pelo coronel Carlos Camisão.
A Marcha chegou ainda até o monumento dos Leites e ao Cemitério do Cambarecê, está
localizado no Município de Jardim em homenagem aos 122 coléricos que ficaram pelo caminho
da retirada.
A partir da Fazenda Mimoso, onde está localizado o Monumento do Cambarecê, a coluna
visitou o local onde está o monumento da sepultura do Filho do Guia Lopes, José Francisco
Lopes e de Dona Maria Pereira, o também José Francisco Lopes Junior, que também faleceu em
1867, pouco antes do Pai, vitimado pela Cólera, localizado na atual Fazenda Jatobá.
Estiveram inscritos 75 civis para Marcha, entretanto somente 50 participaram.
Chegada ao Cemitério
Da Fazenda Jatobá seguiu-se para o Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna. No
local aconteceu uma formatura Cívico Cultural e teve a participação dos prefeitos Evandro
Bazzo, de Jardim e Nelson Moreno, de Guia Lopes da Laguna, do comandante da 4ª Companhia
de Engenharia de Combate Mecanizada, Major Mauri Marcelo Félix Freitas, do General de
Exercito Renato César Tibau da Costa, do Comando da 4ª Brigada de Cavalaria Mecanizada de
Dourados, General de Brigada Sérgio Westhhalen Etchegoyen, do Promotor de Justiça Humberto
Lapa Ferri, entre outras autoridades civis e militares de Jardim e da Região.
21. Assinatura da doação da Área
Na cerimônia a proprietária das terras onde está
instalado o Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna,
a Senhora Iva Maciel Monteiro, entregou a documentação
de doação da área ao comandante da 4ª Cia Eng, Major
Felix. Também foi apresentada a maquete do projeto
arquitetônico e paisagístico do CHRL que será construído
futuramente.
Dona Iva Maciel Monteiro, assina
Destacou o Prefeito Evandro Bazzo a importância
o Termo de Doação das terras
da revitalização do Monumento dos Heróis a partir da
juntamente com o major Félix
Freitas.
doação da área ao exército, será possível viabilizar
(Foto Jornal O Estado do Pantanal)
recursos junto ao Ministério da Defesa, é uma obra
importante e estaremos colaborando para que seja implantada em breve.
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Mensagens
Durante a homenagem aos Heróis da Retirada da Laguna, o Comandante da 4ª Brigada de
Cavalaria Mecanizada de Dourados, General de Brigada Sérgio Westhhalen Etchegoyen, falou
dos valores éticos e morais que norteiam o futuro do país, que o povo brasileiro precisa fazer
vingar os valores éticos e morais de Carlos Camisão e do Fazendeiro Guia Lopes e de tantos
outros que participaram daquele episódio. Valores estes que vão ajudar na construção de um país
melhor, ao contrário vamos ceder espaços aos marcolas, mensaleiros, PCC entre outros. O Brasil
é um país sofisticado politicamente, mas é preciso ainda erradicar a cultura do “jeitinho”, do
meio fácil ou do pistolão. Quem participou da Marcha tem a noção destes valores tão
importantes e que precisam vingar em nosso país.
Cópia da escritura oficial de posse da área do cemitério, que passou no primeiro
momento a oficialização entre a Quarta Companhia de Engenharia. Mais tarde percebeu-se que
havia acontecido um pequeno equívoco no sistema de doação, o que levou as autoridades a
fazerem uma Retificação. Termo de Retificação e retificação da escritura pública de doação
celebrada entre a Senhora Iva Maciel Monteiro e a União e entrega ao Comando Militar do
Oeste/9ª. Região Militar com área de 0.8646,00 m2, parte da fazenda Jardim, imóvel denominado
“Cemitério dos Heróis”, situado no Município de Jardim .
Militares usaram uniformes da época para homenagear
soldados heróis, foi também um dos momentos significativos
da Marcha.
(Arquivo dos Autores)
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22. Termo de ratificação e retificação
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Mais tarde percebeu uma falha na doação da área do local denominado Cemitério da dos
Heróis da retirada da laguna, a área deveria ser doada a União e não a Companhia e para isso foi
feito a ratificação da mesma Escritura.
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23 - Ano 2007 - Quinta Marcha Cívico-Cultural Retirada da Laguna
“A história de Jardim11 se confunde com um dos maiores fatos históricos do Brasil, no
cenário da Guerra da Tríplice Aliança na Campanha Retirada da Laguna, atos vividos no
passado, mas que trazem, hoje, a possibilidade de integração cívica, cultural e econômica dos
municípios envolvidos.
11
Jornal Tribuna PopularANO 26 - Jardim e Região Sudoeste de MS - Domingo, 10/2/2008 - Edição
N.º1392 . Núcleo de Comunicação/PMJardim
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As trilhas percorridas no passado por indígenas e pioneiros, que marcam a página heróica
de nossa história, é hoje lembrada pelo glorioso Exército Brasileiro, através da Marcha CívicoCultural – A Retirada da Laguna.
As atividades que marcaram a quinta edição da marcha, em Jardim, foram realizadas sob
a coordenação da 4ª CIA Eng. Cmb. Mec., comandada pelo capitão Robert Maciel de Souza, e
tiveram início no dia 31 de julho no anfiteatro da UEMS onde o Exército, acadêmicos e
sociedade se integraram e receberam orientações para os interessados em participar da marcha
cívica.
A marcha aconteceu no último final de semana e foi iniciada em Bela Vista na sexta-feira
(10/08). A coluna foi recebida em Jardim no domingo, na fazenda Mimoso, onde se encontrava o
prefeito Evandro Bazzo que, juntamente com o General-de-Exército José Carlos De Nardi –
comandante do Comando Militar do Oeste – CMO; General-de-Divisão Walter Paulo –
comandante da 9ª Região Militar; General-de-Brigada João Henrique Carvalho Freitas – Chefe
do Centro de Operações do CMO; General-de-Brigada Roberto Fantoni Saurin – comandante da
4ª Brigada Cavalaria Mecanizada, e demais autoridades e convidados participara da visita ao
Cambaracê, local onde os coléricos foram deixados pela Coluna de Carlos Camisão e onde os
Agentes Jovens da Prefeitura de Jardim apresentaram uma encenação do episódio.
Da fazenda Mimoso, a coluna se dirigiu para recepção na 4ª CIA e, no período da tarde
seguiram par ao marco histórico de Jardim – Cemitério dos Heróis, onde participaram da
formatura cívico-cultural”.
O evento encerra dia 12, domingo, com um ato cívico no Cemitério dos Heróis, a partir
das 16 horas e toda comunidade estava convidada a participar e reviver os dias que marcaram a
época.
“12A passagem da coluna da Retirada da Laguna por Jardim teve seu encerramento no
Centro de Convenções Oswaldo Fernandes Monteiro, na noite do domingo (12/08), quando foi
recepcionada pelo prefeito Evandro Bazzo. “Relembrar heróis de nossa terra é importante para
cultuar o civismo de um povo, que deles é descendente. Jardim nasceu com a bravura e a garra
do povo brasileiro, portanto não podemos deixar de dar suporte à realizações que visam trazer
essa lembrança ao jardinense que deles herdou a vontade de vencer”, disse.”
24 - Ano de 2008 – Sexta Marcha Cívico-Cultural “Retirada Da Laguna”
Dia 3 de Agosto de 2008 – Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna”
A Realização da VI Marcha Cívico-Cultural “Retirada Da Laguna” Constou apenas
de atos solenes em locais e cidades históricas nos Municípios de Bela Vista, Jardim, Guia Lopes
da Laguna e Nioaque. Não houve a tradicional caminhada em virtude da falta de recursos
financeiros para garantir o apoio logístico aos participantes da marcha.
Marcha Cívico-Cultural – A Retirada da Laguna em Jardim Domingo, dia 19 de Agosto de 2007.
www.aquidauananews.com
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Sabemos que é o
Exército Brasileiro através
das organizações militares
que vem mantendo acesa a
chama do Civismo Histórico
alusivo à Campanha da
Guerra do Paraguai e ao
contexto da Retirada da
Laguna na região Sudoeste
do Estado.
97
Solenidade no Cemitério dos Heróis no dia 3 de agosto, por
ocasião da realização da VI Marcha Cívico-Cultural da Retirada
da Laguna.
(Arquivo dos Autores)
A 4ª Brigada de
Cavalaria Mecanizada em
parceria com o Instituto do
Patrimônio
Histórico
e
Artístico Nacional (IPHAN)
e com o Governo do Estado
do Mato Grosso do Sul, e
com o apoio da POUPEX, do
Banco do Brasil e do Banco SICREDI, e de algumas prefeituras municipais realizou no período
de 1º a 3 de agosto de 2008, a 6ª edição da Marcha Cívico-Cultural Retirada da Laguna.
A 6ª Marcha Cívico Cultural tem como objetivo precípuo resgatar a história da “Retirada
da Laguna”, conservando suas evidências nas cidades que serviram de palco para o episódio.
Busca reforçar o sentimento de patriotismo e de orgulho matogrossense pelo culto dos heróis da
Retirada que deram mostras de superação física e psicológica. Será o refazer da epopéia dos
bravos matogrossenses e brasileiros, percorrendo os caminhos por eles realizados.
Para a comemoração da VI Marcha da Retirada da Laguna foi confeccionada uma
camiseta alusiva e distribuída entre muitos dos participantes nas cidades de Bela Vista, Jardim e
Nioaque.
Estampa “Frente da Camiseta”
(Foto da camiseta de José Vicente
Dalmolin)
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Estampa “Costas da Camiseta”
(Foto da camiseta de José Vicente
Dalmolin)
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Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna
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“Nos dias 2 e 3 de agosto, a 4ª Companhia de Engenharia de Combate Mecanizada
realizou a VI Marcha Cívico-Cultural “Retirada da Laguna”, resgatando a história e reforçando
os sentimentos de patriotismo entre os munícipes de Jardim e Guia Lopes da Laguna, palco da
epopéia dos episódios ocorridos durante a Retirada da Laguna. Estiveram presentes alunos da
Escola Chaquib Kadri e do Projeto Pelotão Esperança de Jardim e alunos das Escolas Basílio
Barbosa, Escola Agrícola e Projeto Patrulha Florestinha de Guia Lopes da Laguna.
O Comandante da 4ª Cia E Cmb Mec – Maj Robert Maciel de Sousa, convidou a todos
para voltar no tempo e reviver os fatos históricos ocorridos na Guerra da Tríplice Aliança (18641870) e conhecer “in loco” os locais destes municípios onde ocorreram importantes
acontecimentos de nossa história.
Como parte das solenidades, três eventos de grande importância: a reconstituição do fato
ocorrido em 27 de maio de 1867 quando, no monumento denominado “Cambaracê”, na Fazenda
Mimoso, há 141 anos, cerca de 130 coléricos que integraram a Coluna foram impiedosamente
fuzilados pela tropa paraguaia. O nome Cambaracê significa em língua tupi-guarani, “negro que
chora”, uma alusão aos gritos e gemidos dos enfermos. Neste local, o Grupo teatral do Programa
Nacional de Inclusão de
Simulação da travessia do rio Miranda entre a Fazenda Jardim e o
Jovens – PROJOVEM –
Cemitério dos Heróis, com laranjas transportadas em “Pelotas”
(Arquivo dos Autores)
da Gerência de Assistência
Social de Jardim, sob a
coordenação da Professora
Elida Maria Ferreira de
Oliveira, realizou uma
encenação histórica deste
episódio da Retirada da
Laguna. A noite, no
Centro de Convenções
Osvaldo
Fernandes
Monteiro, em Jardim, o
capitão Brito, do Centro
de
Operações
da
Companhia, proferiu uma
palestra
ricamente
ilustrada sobre a Guerra do
Paraguai. O PROJOVEM apresentou um texto escrito pela Professora Rita Carmem Braga Lima,
lido pela aluna Katiúcia – e um jogral em homenagem aos heróis da Retirada da Laguna.
Dando continuidade, a Companhia de Artes Cênicas Petitó, da Prefeitura Municipal de
Nioaque, através de seu diretor de Cultura e coordenador do Grupo teatral – Lourival Aiwi,
realizou a apresentação da peça intitulada “Ana Mamuda”, que conta a história da guerra de uma
forma animada, descontraída e por vezes divertida.
José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza
JARDIM-MS.
Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna
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Encerrando os eventos programados, no domingo pela manhã (dia 3 de agosto de 2008),
no Cemitério dos Heróis - patrimônio histórico do município de Jardim, na margem esquerda do
Rio Miranda, foi realizada uma solenidade em homenagem aos heróis da Retirada da Laguna,
conservando deste modo suas evidências neste palco histórico. Em ato solene, o coronel Luis
Augusto Cristóvão Lioti - Chefe do Estado-Maior da 4ª Brigada de Cavalaria Mecanizada, o
Major Robert - Cmt da 4ª Companhia e um aluno do Projeto Pelotão Esperança da Prefeitura
Municipal de Jardim, colocaram no monumento histórico, uma corbelha de flores simbolizando a
gratidão do povo dessa
Chegada à Fazenda Jardim de um grupo de civis e militares.
região, seguido do toque
Após a solenidade no Cemitério dos Heróis e a travessia do
Rio Miranda pela ponte móvel construída pela 4ª Cia E Cmb Mec –
de silêncio em homenagem
Município de Guia Lopes da Laguna
aos heróis que padeceram
(Arquivo dos Autores)
neste local.
A cerimônia foi
encerrada com a travessia
do Rio Miranda sobre uma
passadeira de alumínio
construída pela 4ª Cia, e
uma caminhada até o
laranjal da Fazenda Jardim
já no município de Guia
Lopes da Laguna, onde
foram
finalizados
os
eventos”.
http://www.tribunapopular
news.com.br/news.php?ne
wsid=10807
ANO 26 - Jardim e Região Sudoeste de MS - Domingo, 10/8/2008 Edição N.º1417.
25 - Ano 2009 – Evento alusivo a sétima caminhada da Marcha CívicoCultural aos 142 anos da Retirada da Laguna
Este ano, no dia 28 de setembro, houve uma mobilização militar com a participação do
Exército, Marinha e Aeronáutica, com o objetivo de promover treinamento das Forças Armadas.
A Operação contou com a presença do Ministro Nelson Jobim e envolveu os municípios do
Sudoeste do Mato Grosso do Sul.
Assim como os outros eventos sempre envolve os acontecimento além do local do
cemitério, mas também pelos locais os combatentes percorreram nos idos de maio e junho de
1867.
José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza
JARDIM-MS.
A
seguir
transcreveremos
literalmente o texto,
do Jornal Tribuna
Popular, de Jardim
que gentilmente nos
deram apoio para
resgatar o contexto
histórico e imagem
dos seus arquivos.
Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna
100
No centro o ministro Nelson Jobim; à esquerda o prefeito
de Guia Lopes da Laguna, Sr. Jacomo Dagostim, e à direita o
prefeito de Jardim Sr. Evandro Bazzo.
“Jardim recebeu
o Ministro da
Defesa
Nelson
13
Jobim ”
A Operação
Laguna que começou
no dia 28 de setembro chegou ao fim na tarde de 7 de outubro com manobras realizadas em Guia
Lopes da Laguna para receber o ministro da defesa Nelson Jobim, que chegou em Campo
Grande concedeu uma entrevista de trinta minutos para a imprensa da Capital e seguiu para
Jardim para o encerramento do Exercício.
A Operação Laguna mobilizou mais de dez mil homens do Exercito, Marinha e Força
Aérea dentro de todo o Estado do MS, segundo o ministro Jobim.
Este exercício é desenvolvido todos os anos e tem como foco principal promover o
treinamento das Forças Armadas Brasileiras por meio da simulação de um conflito internacional.
O local da Operação é definido em sistema de rodízio entre as regiões do Brasil. Em 2008, o
exercício foi realizado na região sul do país, este ano, foi no Mato Grosso do Sul abrangendo as
cidades de Campo Grande, Dourados, Ponta Porã, Nioaque, Guia Lopes da Laguna, Jardim, Bela
Vista, Ladário e Coimbra.
Os principais objetivos da Operação
Laguna são: aperfeiçoar a logística conjunta
das Forças Armadas, treinar ações
humanitárias e de apoio a evacuados em uma
situação de conflito simulado, difundir o
sentimento de patriotismo junto à população
e realizar ações de apoio a população da área
13
Redação Tribuna Popular
Juliana Brum
Fotos – Toninho Souza
Matéria publicada no Jornal Tribuna Popular do dia 9 de outubro de 2009, Ano 27, n. 1477 . 12 páginas,
caderno dois.
José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza
JARDIM-MS.
Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna
101
do exercício. Durante a Operação, tropas, veículos, embarcações e aeronaves da Marinha, do
Exército e da Força Aérea executaram na região, missões reais como bloqueios nas principais
rodovias, além de simulações como durante a apresentação feita para Jobim na última quartafeira.
Foto - Operação militar com helicópteros
No encerramento da Operação estavam presentes as seguintes autoridades: Ministro da
Defesa Nelson Jobim; General de Exército e Comandante do Exército Enzo Martins Peri,
Almirante de Esquadra Aurélio Ribeiro da Silva Filho, Major Brigadeiro Pertusi, o Comandante
da 4ª Brigada de Cavalaria Mecanizada de Dourados, Luis Felipe Kramer Carbonell, o Prefeito
de Jardim Evandro Bazzo, Prefeito de Guia Lopes da Laguna Jacomo D’Agostin, Presidente da
Câmara de Jardim Gláucio Cabrera, Vereadora Cláudia Barbosa, Vereador Ernei Barbosa e
também o Vereador Tadeu Ruiz.
José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza
JARDIM-MS.
Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna
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Foto - Operação militar aérea com grupo de pára-quedistas e
deslocamento de tropa com apoio de helicópteros.
Momento alto da solenidade foram as simulações de “controle Este ano 28 de setembro
houve uma mobilização militar com a participação do Exército, marinha e Aeronautica. Com
objetivo de promover treinamento das Forças Armadas. A Operação contou com a presença do
Ministro Nelson Jobim. Envolvendo os municípios do Sudoeste do Mato Grosso do Sul.
Assim como os outros eventos sempre envolve os acontecimento alem do local do
cemitério, mas também pelos locais os combatentes percorreram nos idos de maio e junho de
1867.
de evacuados” que representou situações de emergência em que as tropas retiraram do
local de emergência autoridades e pessoas envolvidas, além dos saltos de paraquedas realizado
pelo 27º Batalhão da Brigada de Infantaria Pára-quedista do RJ que se apresentaram com 67
homens, representando os 800 homens das Forças de Ação Rápida Brasileira, aptos para atuarem
em todo o território nacional.
Durante os minutos em que o Ministro esteve com a imprensa local, Jobim revelou para o
jornal “Tribuna Popular” que não tem Projetos para realizar reformas ou criar homenagens para
os heróis da Retirada da Laguna, fato histórico que marcou MS e todo o país ao recordar da
Guerra da Tríplice Aliança, mas que levará a idéia para o Ministério de Turismo e também para
José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza
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Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna
103
o Ministério da Cultura, pois reconheceu que é um fato importante da nossa história de combate
e precisa ser cortejado.
“Fico feliz em receber em nossa cidade importante autoridade e fazermos parte de uma
importante Operação que mobilizou mais de dez mil homens em nome da Pátria, assim
realizando simulações para eventuais necessidades”, ressaltou prefeito Evandro Bazzo.
Após as apresentações e simulações as autoridades participaram de um almoço reservado
na 4ª Cia Eng, de Jardim.”
Redação Tribuna Popular
Juliana Brum
Fotos – Toninho Souza
Este ato realizado na região sudoeste do Estado marcará
para sempre a nossa História, fato relevante para as
comemorações dos 142 anos do episódio do falecimento de
combatentes da coluna militar em operação, coronel Camisão,
tenente-coronel Juvencio, o Guia Lopes e tantos outros vítimas
da cólera e alguns vitimados pelo afogamento ao tentar
atravessar o Rio Miranda, na ocasião havia uma enchente.
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Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna
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UNIDADE VIII
BREVE BIOGRAFIAS DE LOPES, CAMISÃO E JUVÊNCIO
 José Francisco Lopes
 Carlos de Moraes Camizão
 Juvêncio Manoel Cabral de Menezes
 JOSÉ FRANCISCO LOPES, “O Guia Lopes”
(Do Livro – Guia Lopes da Laguna, Nossa Terra, Nossa Gente, Nossa História – José Vicente
Dalmolin)
1. Introdução
Aqui, para os lagunenses, José Francisco Lopes, o Guia Lopes,
além de morador ilustre, emprestou o seu nome de guerra “Lopes”,
imortalizado como um dos heróis da forçada Retirada das Tropas em
operação no sul da Província de Mato Grosso das terras paraguaias, na
região da Fazenda Laguna, embora não conseguiu ver o final da Guerra,
mas cumpriu seu “destino” como “Guia” das tropas do Apa à margem
esquerda do rio Miranda, em terras de sua propriedade. Na memória dos
seus descendentes e admiradores da década de 1930, batizaram a
fundação do Patrimônio com o topônimo de “Guia Lopes”,
posteriormente Distrito e Município. Laguna, relativo ao nome da
Fazenda no Paraguai, de onde houve a retirada. Além do Histórico, de José Francisco Lopes, o
Guia Lopes e de dona Senhorinha Barbosa, legaram uma parentela grandiosa dos Lopes e
Barbosas, constituindo as raízes das primeiras famílias do Município e região.
José Francisco Lopes, o Guia Lopes, era neto de portugueses, filho de Antonio Francisco
Lopes e Theotônia Joaquina de Souza. Seus ascendentes têm raízes em Itabira, Ituverava e Curral
Del Rei (hoje Belo Horizonte) Foram os seus padrinhos de batismo Francisco de Paula Machado
e Maria Felícia de Jesus. O registro de batismo foi assinado pelo vigário Vicente Inácio da Silva.
Nascido a 26 de fevereiro de 1811.
Três foram os “José Francisco Lopes”: o pai mineiro e que nasceu no município de
Piumhi e os filhos mato-grossenses, o primeiro, desconhecemos ainda o local do seu nascimento,
provavelmente na região de Paranaíba, recebera o nome de José Francisco Lopes Junior, do
primeiro casamento do Guia Lopes com Dona Maria Pereira e que falecera no dia 26 de maio de
1867, durante a retirada da Laguna; e o segundo filho, José Francisco Lopes, do segundo
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Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna
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casamento com Dona Senhorinha Maria Conceição Barbosa de Lopes, nasceu na Fazenda
Jardim, atual município de Guia Lopes da Laguna, sendo um dos fundadores da cidade e que
doou terras para o início do assentamento do patrimônio de Guia Lopes.
2. O que dizia Lopes, do Livro Retirada da Laguna, de Visconde de Taunay
_ “Prometeu-me o governo dar-me, a título de recompensa, trezentos mil réis, mas nunca
os pagou. Perdoei-lhe a dívida”. (Sobre uma ferida incurável que tinha na planta do pé).
_ “Nada sei, sou sertanejo, os senhores que estudaram nos livros, é que sabem”. (Em
discussão no acampamento dos soldados).
_ “Desafio todos os engenheiros com as suas agulhas e plantas. Nos campos da Pedra-deCal e Margarida sou rei”. (Sobre o caminho a ser tomado pela tropa em direção a Laguna).
_ “Só Deus, eu e meu filho podemos ir de minha Fazenda ao Apa pelo campo”. (Sobre o
trajeto entre a Fazenda Jardim e o rio Apa).
_ “O da minha cabeça”. (Sobre o rumo que seguiria para frustrar uma tocaia dos
paraguaios).
_ “Bem se vê que os senhores são novatos nessa terra”. (Aos oficiais e soldados da
expedição).
_ “Quando alguém, pelo campo procura caminho nunca deve parar”. (Orientando a
retirada da tropa).
_ “Saibamos morrer; dirão os sobreviventes o que fizemos”. (Buscando elevar o moral
num momento difícil da epopéia).
_ “Deus que tudo determina, salvou-o várias vezes das mãos dos homens para tomá-lo
hoje”. (Sobre a morte do Filho)3
_ “Agora que importa? Entreguem à terra o que lhe pertence”. (Quando lhe disseram que
a terra em que seu filho seria sepultado estava encharcada).
_ “Salvei a expedição; o senhor que o sabe há de dizer”. (Ao tenente-coronel Juvêncio,
pouco depois de atacado pelo cólera-morbo).
_ “Reparem neste campo verde escuro; é o meu retiro. Não chegarei lá. Os senhores é que
em breve estarão em Nioac”. (Pouco antes de morrer).
3
O que dispomos de informação sobre quais dos filhos morreram, temos “Que duro tempo da guerra que
além do seu marido perdeu a peticionaria três filhos, Antonio, Manoel e Affonso Lopes, que voluntários
ao serviço da Pátria pereceram, o primeiro com viagem para a Capital do Estado e os outros
massacrados em luta com o inimigo...”
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3. Taunay tratava Guia Lopes como homem das solidões
É de Taunay a mais completa descrição desse mineiro-matogrossense célebre. Em seu
livro A Retirada da Laguna, chamava-o de o “homem das solidões”. Numa visão romântica, o
escritor, que como 2º tenente do 20º Batalhão de Infantaria participou da campanha do Mato
Grosso, em 1867, revela que a figura do velho Guia Lopes evocava o personagem “Olho de
Falcão”, da obra de James Finamore Cooper “O Último dos Moicanos”.
Alfredo D‟Escragnolle Taunay, o Visconde de Taunay, que entre outras funções foi
oficial superior do Exército Brasileiro, senador do Império, membro da Academia Brasileira de
Letras, escreveu, entre outros livros, a Retirada da Laguna.
Sobre Lopes escreveria Taunay em seu livro publicado em 1871: “tivera desde a infância
o pendor pelas entradas nos sertões brutos. Contava-se também que um ato violento, da primeira
mocidade, lhe impusera, durante algum tempo, esse modo de vida. Viera depois a idade
desenvolver-lhe todas as aptidões. Prodigiosamente sóbrio, viajava dias inteiros sem beber,
trazendo a garupa da cavalgadura pequeno saco de farinha de mandioca, amarrado ao pelego
macio, que lhe forrava o selim. Jamais deixava o machado destinado a cortar palmito. Nascido
na Vila de Piumhi (sic) em Minas Gerais, dali, ao léu das aventuras, havia atingido todos os
pontos da área que se estende das margens do Paraná às do Paraguai. A fundo conhecia as
planícies que entestam com o Apa, divisa do Brasil e do Paraguai. Numerosas localidades até
então virgens do pé humano, até mesmo selvagem, percorrera e a várias batizara (Pedra-de-Cal,
entre outras). Tomara em nome do Brasil, posse ele só, de imensa floresta, no meio da qual
plantara uma cruz, grosseiramente falquejada, onde esculpira a inscrição P II (Pedro Segundo),
imponente madeiro, perdido no recesso dos desertos. Criava a iniciativa do sertanista domínios
ao soberano.
Numa viagem para estudar a navegação do rio Dourados, afluente do Paraná, teve
gravemente ferida a planta do pé, acidente que jamais pudera curar-se. Um dia, como lhe
víssemos a chaga, semicicatrizada, sempre a sangrar, disse-nos: “Prometeu-me o governo dar-me
a titulo de recompensa 300 mil réis, mas nunca os pagou. Perdoei-lhe a dívida; o que se me devia
era uma condecoração: já há tenho e nada mais quero”.
Durante sete anos com a família, residira no Paraguai; mas no momento da invasão, já
estava ao solo brasileiro, habitando a margem direita do rio Miranda, uma propriedade sua que
batizara Jardim, fertilizada pelo seu trabalho e o dos filhos já crescidos. Ele e a mulher Dona
Senhorinha, generosamente hospedavam quantos ali fossem ter.
Quando em 1865, irromperam os paraguaios em território brasileiro, conseguira escaparlhes, mas único da família, que caíra toda em poder do inimigo e fora transportada para a aldeia
paraguaia de Orcheta, a sete léguas da cidade de Concepcion. Com ela vivia o coração do velho
Guia. Por todas estas razões, nele encontrou o coronel Camisão apaixonado adepto. Desde que
lhe dando a conhecer seus projetos, acenou a José Francisco Lopes com o ensejo de, como guia
da expedição, ir ter com a família e vingar-lhe os agravos, empolgou o espírito do sertanista
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brasileiro, que apesar de todo o ardor, jamais perdeu, contudo a perfeita intuição das
conveniências. Assim, nunca esquecendo a modéstia da posição frequentemente dizia: nada sei,
sou sertanejo; os senhores que estudaram nos livros é que sabem.
Era o orgulho num único ponto irredutível, no que tocava ao conhecimento do terreno,
legítima ambição, além do mais, pois dela nos proveio a salvação. Desafio exclamava, todos os
engenheiros com suas agulhas (bússola) e plantas. Nos campos da Pedra-de-Cal e Margarida sou
rei. Só eu e os índios Cadiuéus conhecemos tudo isso. Resolveu-se à partida de Nioac, embora já
com grandes dificuldades tivéssemos que lutar, sobretudo quanto ao abastecimento de gado”.
4. Consagração do velho herói mineiro-matogrossense
13 de maio de 1867 um novo e violento combate entre as tropas comandadas pelo coronel
Camisão e as forças paraguaias. Os brasileiros escorraçaram os inimigos, mas perdem as últimas
cabeças de gado destinadas à alimentação dos combatentes. Centenas de mortos de ambos os
lados. O Guia Lopes é a única esperança de salvação dos milhares de esfarrapados e castigados
soldados que naquela altura dos acontecimentos, transformaram-se os bravos que seguiam do
Rio de Janeiro para tomar de assalto à Laguna, propriedade do ditador do Paraguai, Solano
Lopez.
Lopes, o Guia brasileiro, insiste que o melhor caminho de volta é o da sua fazenda, um
percurso que só ele, o seu filho, e os índios conheciam. Os paraguaios ateiam fogo à macega.
Lopes determina as providências, dá ordens e a retirada toma formas. As carretas atolam nos
pântanos. Carga cerrada da artilharia inimiga e a longa fila seguem varando os sertões numa
epopéia militar recheada de sofrimentos e penúrias, de sangrentos combates, de fome, de peste,
e, sobretudo, de atos de bravura e heroísmo.
Esse episódio, contado no Livro pelo Visconde de Taunay, tornou-se conhecido como a
Retirada de Laguna. Uma tentativa frustrada de invasão do Paraguai por tropas brasileiras
comandadas pelo coronel Carlos de Moraes Camisão, a partir do Sul de Mato Grosso.
Estrategicamente insustentável, a operação só não se tornou um desastre maior graças à atuação
do Guia Lopes. Conhecedor profundo da região de divisa entre o Brasil e o Paraguai, esse
piumhiense que passara boa parte de sua juventude no então distrito de São Roque, guiou a
expedição de volta ao solo brasileiro, no momento em que a situação tomou proporções trágicas.
Foi por sua providencial e decisiva participação nesse episódio, um dos mais dramáticos
da Guerra do Paraguai, em 1867, que José Francisco Lopes (1811-1867) – entrou para a galeria
dos heróis cultuados pelo Exército Brasileiro – e conquistou o seu lugar nas páginas da História
do Brasil.
Dos quase dois mil homens que participaram da invasão, menos da metade voltou com
vida. Entre os que pereceram na retirada da Laguna, está o próprio Guia Lopes, e o seu filho,
José Francisco Lopes Junior; este e o seu genro Inácio Gonçalves Barbosa foram os únicos
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familiares que ele voltou a ver desde 1865, quando os paraguaios invadiram suas terras no Mato
Grosso e capturaram toda a sua família.
O desenrolar dos acontecimentos:
ANO DE 1867
1º de janeiro – Nomeado pelo governo de Mato Grosso, o coronel Carlos de Moraes
Camisão assume o comando das forças que deveriam atuar sobre o Alto Paraguai.
24 de janeiro – A tropa chega à Vila de Nioac. José Francisco Lopes oferece-se para
acompanhá-la como guia. É aceito e logo ganha a confiança do coronel Camisão. Torna-se o seu
conselheiro.
25 de fevereiro – A força marcha sobre a fronteira paraguaia. Forma-se o Conselho de
Guerra.
25 de março – O Guia Lopes em companhia de um grupo de índios Terenas e Guaicurus
partem em missão de reconhecimento do terreno. No retorno desta expedição recebe a notícia de
que seu filho havia escapado dos paraguaios e viera juntar-se às tropas, após dois anos de
cativeiro. O reencontro de pai e filho emociona a todos na Colônia Militar de Miranda, hoje
terras do Município de Guia Lopes da Laguna.
19 de abril – A tropa brasileira tem o primeiro encontro choque com os paraguaios,
coloca-os em fuga e vai acampar a margem do rio Apa, na fronteira.
20 de abril – Os brasileiros tomam a fazenda Machorra, propriedade do ditador Solano
Lopez que mantinha em terras brasileiras.
21 de abril – os inimigos recuam. Os brasileiros cruzam a fronteira e tomam o Forte de
Bela Vista. Há uma troca de mensagem entre os dois exércitos. Os paraguaios referem-se ao
coronel Camisão como Crânio Pelado.
1º de maio – Os brasileiros entram na fazenda Laguna, também pertencente a Solano
Lopes. A propriedade havia sido incendiada e abandonada pelos paraguaios.
4 de maio – Começa a faltar alimentos para os soldados. O Mascate italiano Miguel
Arcanjo Saraco chega ao acampamento conduzindo duas carretas de víveres que são
insuficientes. Os brasileiros, apesar disso, forçam e tomam um acampamento paraguaio, mas
sofrem baixas consideráveis.
8 de maio – Acirram-se os combates. Crescem as dificuldades. A coluna começa a
retroceder sobre o rio Apa e é completamente envolvida pelos inimigos. Já em retirada.
11 de maio – O filho de Lopes é ferido.
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13 de maio – Cada vez mais violentos os choques. Incêndios na vegetação põem em risco
a vida das tropas que recua.
18 de maio – Chove torrencialmente. Os soldados comem a carne dos cachorros da tropa.
Estão maltrapilhos e debilitados. Arrastam-se pelo solo alagadiço sob tiroteio cerrado. Um boi é
devorado cru pelos soldados. Novo drama. Surge uma epidemia de cólera.
21 de maio – Meia légua apenas fora vencida desde o dia 19. Agora começa a faltar água.
22 de maio – O coronel Camisão envia mensagem à Nioac. Pede ajuda.
22 de maio – Chuva pesada. Mais soldados morrem da peste. O frio fustiga. À noite,
passado o temporal, a tropa se alimenta de palmitos colhidos pelo Guia Lopes.
25 de maio – A peste mata mais vinte. Diante do estado de fadiga da tropa e da
impossibilidade de transportar os enfermos, o coronel dá a ordem de abandoná-los numa clareira.
“Compaixão para com os coléricos” – pedia o cartaz deixado pelos brasileiros junto aos que
ficaram.
26 de maio – De cólera morre o filho de Guia Lopes. A fazenda Jardim estava próxima. O
Guia e o comandante também são contaminados pela doença.
27 de maio – A tropa entra em terreno seguro, a Jardim, propriedade de Lopes, que morre
a meia légua de sua casa. É enterrado às margens do rio Miranda. A expedição ou o que restava
dela, estava salva.
5. Paróquia guarda batismo do Herói
O nascimento de José Francisco Lopes está registrado no livro de Batizados da Paróquia
de Nossa Senhora do Livramento de Piumhi, volume número 1, que compreende os anos de 1773
a 1816.
A seguir, a reprodução do assento de batismo de Guia Lopes, no livro I da Paróquia de
Nossa Senhora do Livramento de Piumhi, na data de 8 de maio de 1811.
O Guia Lopes nasceu no dia 26 de fevereiro de 1811.
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Por outro lado acrescenta dados até então inéditos do único piumhiense a figurar no
panteão dos heróis nacionais, celebrizado por Taunay numa das passagens mais dramáticas da
Guerra do Paraguai conhecida como a Retirada da Laguna. José Francisco Lopes, o Guia Lopes,
era neto de portugueses, filho de Antonio Francisco Lopes e Theotônia Joaquina de Souza. Seus
ascendentes têm raízes em Itabira, Ituverava e Curral Del Rei (hoje Belo Horizonte). Foram os
seus padrinhos de batismo Francisco de Paula Machado e Maria Felícia de Jesus. O registro de
Batismo foi assinado pelo vigário Vicente Inácio da Silva.
O resgate do batismo de Guia Lopes também não deixa mais dúvida alguma sobre a
naturalidade do Guia Lopes: piumhiense. Pelo intervalo entre as datas de nascimento, 26 de
fevereiro e a do batizado, 7 de maio – 70 dias – deduz que tenha nascido na zona rural do
município. Contam que teria vivido em São Roque de Minas até que, num arroubo juvenil,
meteu-se numa confusão. Aí, movido pelo seu espírito aventureiro, foi dar com os costados no
Sul do Mato Grosso, onde por força do destino, foi personagem de destaque na epopéia da
Retirada da Laguna. Guiando as tropas brasileiras flageladas pela fome, pelas epidemias e sob o
fogo cerrado dos soldados paraguaios, conquistou o seu posto de herói nacional reverenciado
pelo Exército Brasileiro e lembrado em monumentos fincados em várias partes do país.
6. A saga de Guia Lopes da Laguna 9
Além do Visconde de Taunay em A Retirada da Laguna, a saga de Guia Lopes é narrada
pelo General João Pereira de Oliveira em seu livro “Vultos e Fatos de Nossa História”. Em
1965, o Ministério da Guerra, publicaria o Guia Lopes, baseado na obra do General Pereira de
Oliveira, editado pela Imprensa do Exército. É deste que o Alto pinça algumas passagens que
endossam novamente, em tons de heroísmo, a participação de Lopes nessa célebre passagem da
Guerra do Paraguai.
“Mal percebeu que, quase na totalidade, o paraguaio ocupante de Bela Vista dali se
retiravam, desordenadamente, entrou Lopes a provocá-los com assobios e apóstrofes de
desprezo, que despertaram o riso em todos os presentes” (Da ousadia do velho Guia frente ao
inimigo)
“Pois nesse momento, precisamente, é que a obra mirífica do velho Guia Lopes começou
a fazer-se ainda maior, ainda mais divina, se assim me é lícito dizer” (tão logo se decidiu pela
retirada da tropa)
“Mas Lopes, que se achava sempre na vanguarda, mais uma vez salvou a situação: sem
que lhe fosse dada ordem (...) inflectiu para a esquerda e, contra-marchando, subitamente, levou
as nossas forças ao pé de um morro, onde, se preciso, se poderia localizar uma bateria”
(Logrando mais uma escaramuça13 paraguaia).
9
Jornal Alto de São Francisco, edição 3.106, 20 de maio de 2001, página 7 – Piumhi – MG.
Escaramuça, Combate de pequena importância. Peleja entre alguns corpos de tropas contrárias.
Briga, conflito.
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“O velho Lopes não perdeu tempo: ordenou que o pessoal de que podia dispor, cortasse, a
toda pressa, a macega que circundava o local do estacionamento, que uma vez cortada fosse
imediatamente conduzida para longe, coberta de terra e depois calçada”. (Livrando a tropa de
mais de mais um dos incêndios ateados pelos inimigos).
Por toda a parte, estava ele, então, grande, sublime, incomparável, estimulando os outros,
e lutando como leão indômito por apagar aquele mar de chamas, com que o inimigo desumano e
astuto, procurava aniquilar, de vez aqueles homens sofridos e destemerosos”. (Sobre o
desempenho de Lopes à frente da tropa).
“O nosso guia, que, no combate, era de intrepidez sem igual, e até terrível, mostrava-se
sempre, na hora calma das deliberações, mais que qualquer outro, o homem dos bons conselhos.
Para ele, pois, é que apelou o chefe da expedição”. (Após combate em que a tropa perdeu o gado
e ficou sem víveres).
“Naquele dia, o velho Lopes foi bem maior que muitos heróis que Homero, em seus
poemas épicos, celebrou em estrofes harmoniosas e imperecíveis”. (Depois de mais uma batalha
e outro incêndio debelado).
“Estava por findar a missão do velho Lopes. Combalido, arcado para frente, com a
cabeça sobre o arção18 da sela, seguia ele, sem proferir palavra. Súbito, saltaram-lhe os estribos,
e ele caiu, pesadamente, ao solo”. (Ao ser contaminado pela Cólera-morbo).
“Hoje, ele tem o nome sob alçado pela nossa história e a figura perpetuada no bronze do
monumento que se levanta, solene, na Capital da República, sob as bênçãos desta Pátria”. (Do
reconhecimento pelo Exército dos feitos de Guia Lopes).
Guia Lopes: „nunca mais será minha a estância do Jardim‟ (O reencontro de Guia Lopes
com o filho que não via há dois anos)20
O reencontro de Guia Lopes com seu filho, após dois anos de cativeiro, foi uma das cenas
mais emocionantes narradas por Visconde de Taunay em A Retirada da Laguna. Na realidade, o
filho – José Francisco Lopes Junior – e o genro Barbosa foram os únicos familiares que Lopes
voltava a ver desde 1865. Naquele ano os paraguaios tomaram de assalto a Fazenda Jardim,
promoveram o saque e sequestraram toda a sua família. Além do filho e do genro, que
conseguiram escapar, Lopes morreu sem rever a esposa Dona Senhorinha e os demais filhos.
O que conta Taunay:
“Deu-se logo o alarme em toda frente à retaguarda, mas tivemos logo a agradável
surpresa do regresso do nosso destacamento trazendo dez cavaleiros. Eram brasileiros, eram
irmãos! (...).
18
Arção, peça de madeira ou de metal, arqueada e proeminente que faz parte da sela, parte dos
instrumentos de montaria à cavalo.
20
Jornal Alto de São Francisco, edição 3.106, 20 de maio de 2001, página 7 – Piumhi – MG.
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Um deles, o filho do Guia Lopes, chamou o coronel à sua barraca e a sós. Era moço
simpático, cuja inteligência e discrição pareciam provir da herança paterna (...).
Anunciou-se neste momento a volta do 17º Batalhão que acompanhara o velho Lopes.
Era geral o desejo de assistir ao primeiro encontro do pai e do primogênito que lhe voltava aos
braços. Passando pelos postos avançados soubera o nosso guia da grande notícia.
Vinha pálido, lacrimejante, em direção ao filho que, respeitosamente, o esperava
descoberto. Não descavalgou; estendeu a destra trêmula ao filho, que a beijou; depois o velho
guia deu-lhe a benção e passou sem proferir palavra. (...)
Que emoção devia sentir o velho, vendo o filho escapo ao inimigo! E quanta dor ao
pensar que os outros membros da família, ainda cativos, haviam perdido o mais valente defensor.
Quando em tal lhe falamos, tomou longa pitada e disse: „Deus tudo faz. Deus assim quis. Fui
outrora feliz, tive casa e família. Hoje durmo ao relento; estou só e como do que a caridade me
dá‟.
Vamos encontrar casa em Bela Vista, lhe respondemos. Tem o senhor a seu lado filho e
genro. Come em companhia de amigos e até ainda é quem lhes dá a comer de seu gado.
Com um sorriso melancólico, meneou21 a cabeça dizendo: Nunca mais será minha a
estância do Jardim”.
7. A Violenta sede de vingança (Trechos do Livro a Retirada da Laguna de Visconde de
Taunay)
A perdiz voa
“(...) víamos o velho Lopes apressurado23, montando belo cavalo baio, um daqueles
animais que o filho e os companheiros deste haviam tomado aos paraguaios.
Estava no auge da alegria, o olhar como o de um rapineiro, a fitar Bela Vista, que
começávamos a avistar. De repente, no momento em que acabávamos de chegar ao seu lado
percebemos que a fisionomia se lhe anuviara24: „A perdiz voa do ninho e nada nos quer deixar,
nem os ovos‟. Mostrava ao mesmo tempo tênue fumo que subia aos ares”.
Lopes provoca
“Pelo interior e vizinhança vagavam ainda paraguaios a pé, retardados pelo pesar da presa
que nos abandonavam e a ira que os levavam a tudo devastar. Outros, em maior número e a
cavalo, retiravam-se desordenadamente.
21
Menear, manejar, mover de um lado para outro. Mexer-se, mover-se, oscilar. Saracotear-se, balançar
o corpo em movimentos laterais.
23
Apressurar, apressar, acelerar, aprontar-se com precipitação.
24
Anuviar, cobrir(-se) de nuvens, nublar(-se); escurecer(-se).
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Pôs-se o nosso guia a provocá-los com assobios, apóstrofes de desprezo, ante as quais
difícil nos foi conter o riso. Teriam podido volver contra nós estes robustos cavaleiros e com as
suas possantes montarias e pesados sabres facilmente destroçar nosso pequeno grupo (...).
Mas tal idéia não nos ocorreria e a Lopes muito menos. Este intrépido velho quase
sempre nos perdera na carreira, a galope (...), a todo instante redobrava de velocidade, pensando
na mulher, duas vezes agarrada e arrastada prisioneira para o Paraguai (...). Mil recordações de
atrocidades antigas e recentes lhe incutiam violenta sede de vingança”.
Mensagem dos brasileiros
“Aos Paraguaios: Fala-vos a expedição brasileira como a amigos. Não é seu intuito levar
a destruição, a miséria e as lágrimas ao seu território (...)”
A resposta dos Paraguaios
„Avança crânio pelado25! Mal aventurado General que espontaneamente vem procurar o
túmulo”.
A tomada da Laguna
“Ao chegarmos vimos um dos nossos soldados dirigirem-se ao nosso encontro trazendo
um papel que achara pregado ao tronco de uma macaubeira (...) Assim dizia: Malfadado26 o
General que aqui vem procurar o túmulo; o leão do Paraguai, altivo e sanguissedento, rugirá
contra qualquer invasor”.
8. José Francisco Lopes (O Guia Lopes) pelos sertões mato-grossenses
(Antes de vir residir na fazenda Jardim)
Considerando o tempo da passagem de José Francisco Lopes desta vida para a outra, (26
de Fevereiro de 1811 – 27 de maio de 1867 – 56 anos de idade), poucos são os testemunhos que
podem fornecer informações sobre a vida e trajetória deste sertanista.
É uma verdadeira
garimpagem histórica, um registro aqui outro lá, outros confusos, mas assim vamos catalogando
cada informe e dando um corpo a História. Depoimentos orais são inexistentes, pois, as gerações
posteriores são praticamente de bisnetos para frente.
Sabe-se historicamente, que José Francisco Lopes antes de estabelecer na Região hoje
município de Guia Lopes da Laguna, viveu em Piumhi, São Roque de Minas, Estado de Minas
Gerais; Vila de Franca Estado de São Paulo, onde residia seu Pai Antonio Francisco Lopes e
irmãos. Por muitos anos acompanhou o seu irmão Joaquim Francisco Lopes, secundado por
25
26
Crânio Pelado, assim como os paraguaios chamavam o Coronel Carlos Morais Camisão.
Malfadado, que, ou aquele que tem mau fado ou má sorte.
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outros irmãos e parentes30 que deixou escritos diversos relatórios das suas Expedições pelos
territórios Mato-grossenses e sul mato-grossenses, além de São Paulo e Paraná e que faz algumas
citações sobre a participação de José e do mano Gabriel Francisco Lopes.
Nos escritos de Ledir Marques Pedrosa31 tratando sobre as Primeiras Entradas, entre os
anos de 1829 à 1836, de Joaquim Francisco Lopes pela região de Paranaíba, no estado de Mato
Grosso do Sul, muitas das quais acompanhadas por José e Gabriel Francisco Lopes, lemos:
“No fim deste ano32 regressando Lopes33 do Sertão, encontrou o seu pai Antonio
Francisco Lopes, no Porto da Paraíba, fazendo canoas, para ir explorar o Rio Verde e aliou-se à
nova empresa. Fizeram três canoas e desceram em numero de 9 pessoas, sendo ele, seu pai, três
irmãos de nomes João, Gabriel, José, dois camaradas de nomes José Gonçalves, Manoel Peão e
dois escravos de nomes: Vicente e Francisco. Desceram o rio Paraná até o rio Quitéria, a fim de
se apossarem de uma fazenda que o Capitão Garcia doara a seu pai e onde fizeram ainda roça de
mantimentos. Depois desceram novamente o rio Paraná, com destino ao Rio Verde, fazendo
ponto em frente da ilha comprida, no riacho que batizaram de Espera, onde ficara o seu irmão
José Francisco Lopes, doente e o camarada34 José Gonçalves.
Em 1º de Junho de 1835 voltou novamente para o Sertão em companhia de seu mano
José com sua família de mudança para a fazenda de seu cunhado Alceno. Passaram nas fazendas
de Januário Garcia e de Antonio Barbosa, este sogro de seu irmão Gabriel. Em 4 de agosto
embarcou novamente no Paranaíba, rumo ao rio Verde, para retificar as posses feitas em 1831,
levando em sua companhia seu irmão José, o escravo Vicente e Joaquim José Pedroso. No dia
26, chegaram ao rio Taquarussú, cuja posse retificaram para seu irmão José. Essa posse, fora
feita primitivamente para Januário Garcia, que lhe cedera e ele doara a seu irmão Essa Fazenda
Taquarussú, foi portanto a primeira propriedade que teve em Mato Grosso o Guia Lopes, mais
tarde pertenceu quase na sua totalidade a um Sindicado Inglês. Retificaram mais posses no
ribeirão que Batizaram de Duas Barras e Cascalho, ambos próximos ao Taquarussú, depois de
subirem o rio Verde. 29 dias de marcha ida e volta...”
Sobre o mesmo assunto, Hildebrando Campestrini35 descreve:
30
Sugiro ler Revista do instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso, nº 1 – Dezembro de 1998 p.70115.
31
Ledir Marques Pedrosa. Origem Histórica e Bravuras dos Barbosas. 2ª Edição. Campo Grande, 1986.
p.243- 246.
32
Ano de 1831. N.A.
33
Joaquim Francisco Lopes.
34
Camarada, termo muito utilizado no século XIX que entre outros significados: indivíduo empregado
em serviços avulsos no campo e nas fazendas; pajé; tropeiro, garimpeiro assalariado.
35
Hildebrando Campestrini. Santana do Paranaíba de 1700 a 2002. 2ª ed. Instituto Histórico e
Geográfico de Mato Grosso do Sul. Campo Grande. 2002. p. 101-109. Sugerimos ao leitor que deseja
aprofundar as narrativas sobre este assunto, Ler Capítulo III – A Bandeira de Lopes (Joaquim Francisco
Lopes), rica em detalhes, dificuldades, doenças e peregrinações na segunda e terceira década do século
XIX. Como objeto de nosso trabalho é apenas recolher citações que fazem referência a José Francisco
Lopes. Neste trecho, Joaquim Francisco Lopes fala dos seus familiares que lhe acompanham, e que
além do mano José, havia o Gabriel, Manoel, João e Remualdo.
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“Voltando para o Monte Alto, encontrei meu Pai no porto, destinado a fazer canoas e
rodar a descobri o rio Verde. Fui acompanhá-lo e levemos três canoas, e quatorze índios caiapós.
Chegando na barra da dita com o rio Grande topamos com índios da aldeia do Tietê; pousemos
por baixo da ilha Grande fugiram os ditos quatorze índios e ajuntaram-se com os da aldeia.
Enfim, continuamos a viagem com nove pessoas, a saber: eu, meu pai e três manos37, dois
escravos e dois camaradas, subimos pelo ribeirão de Santa Quitéria, a ver uma fazenda que o dito
Garcia deu a meu Pai; fizemos roça e voltemos; rodamos; no Arapungá, vi a meu Pai, dois
irmãos, dois escravos, dois camaradas, morto na boca dos canais, por não sabermos do varador;
porém por milagre escaparam da morte, e seguimos; abaixo do Sucuriú no lado direito demos
princípio a fazer posses.
Chegando na Ilha Comprida, topamos canos de Francisco Goiano e chegando no rio
Verde, subimos por este, aposseando de um e outro lado três dias e meio; largamos as canoas na
boca de um riacho que lhe demos o nome de Espera, e aí ficou o meu mano José, por ter cortado
um pé e um camarada José Gonçalves; eu, meu mano Manoel e o escravo Vicente, seguimos rio
Verde acima pela parte direita, pondo posse, e meu pai, meu, meu mano João e Francisco
Escravo sapateiro e o Camarada Manuel Peão fazendo posse da parte esquerda e chegaram até o
ribeirão Santa Rita, como consta do Livrinho e voltaram.
(...) No dia 1º de Julho de 1835, Lopes entrou par o Sertão do Rio Verde com o mano
José e Sua Família, de mudança para a fazenda do Cunhado Vieira. E depois de relacionar os
animais que comprou, continua: Cheguei na fazenda do Sr. Januário Garcia, o qual senhor
suprimiu-me de farinha e arroz, etc. Segui a minha derrota a meu cunhado na casa do Senhor
Antonio Barbosa; Em 4 de agosto embarquei-me em batelão, no rio da Paranaíba a retificar
posses do rio Verde, postas no ano de 1831 e tomar conta de uma fazenda que comprei,
constante de papéis que se acham em meu poder. Pessoas que me acompanharam foram: meu
mano José, o escravo Vicente e Joaquim Pedroso, que homem o encontrei no porto de embarque,
gravemente molesto de um antraz nas costas e rodemos pelo rio abaixo, passando várias
corredeiras e saltos com felicidade; no dia 26 chegamos a um córrego abaixo do sucuriú, por
nome Taquarruçu, retifiquemos para meu mano José, que até aí estava por conta do sr. Januário
Garcia Leal, o qual havia cedido-me e fiz dádiva ao dito meu irmão; mais abaixo retifiquemos
um ribeirão que faz barra fronteando a uma praia grande de areia, entra parte de suas águas que
deságua pela parte baixa, no qual riacho puz o nome de Duas Barras...”
A transcrição do Original que trata sobre a Bandeira de Joaquim Francisco Lopes entre o
ano de 1929 e 1839 encontram-se na Revista do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso
do Sul, nº 1 – Dezembro de 1998, p. 68-115. Vale a pena conferir escrito todo em grafia
original.
37
Acompanhavam Joaquim Francisco Lopes em suas andanças, o Pai Antonio Francisco Lopes; os
irmão Gabriel Francisco Lopes, José Francisco Lopes, Manuel, João Remualdo; e os cunhados Alcinos e
Antonio Vieira Moço.
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JARDIM-MS.
Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna
116
9. Os translados dos restos mortais
No principio de 1940, iniciou-se os translados
dos restos mortais do Cemitério dos Heróis, município
de Jardim-MS para a cidade de Aquidauna, utilizando as
viaturas automotoras da época. (ler a Unidade sobre o
Memorial aos Heróis de Laguna e Dourados).
10. Tudo começou na Fazenda Jardim – em busca da
arvore genealógica
A Viúva, Dona Senhorinha Maria da Conceição
Barbosa de Lopes casou-se com o cunhado, o Guia
Lopes, José Francisco Lopes, também viúvo e foram
morar na Fazenda Jardim. Deste segundo casamento
nasceram os seguintes filhos, irmãos do nosso fundador
e morador da Cidade de Guia Lopes da Laguna, na
ordem decrescente:
1º Izabel Porcina Lopes;
2º Fausta Felisbina Lopes;
3º João José Lopes;
4º Pedro José Lopes;
5º José Francisco Lopes;
6º Bernardino Francisco Lopes;
Do casamento de José Francisco Lopes (Guia Lopes) (1º Casamento)
Com Maria Pereira
Poucas são as fontes que fazem referência sobre este primeiro casamento de José
Francisco Lopes, pois entre os atuais descendentes do Guia Lopes, as únicas referências tratam
do segundo casamento, com Dona Senhorinha.
Visconde de Taunay1, alem de nos deixar preciosas informações sobre o Guia Lopes e
também escreveu sobre o filho possuidor do homônimo do pai, José Francisco Lopes, que fora
um dos prisioneiros brasileiros levado para o Paraguai em 1866 e que conseguem fugir um ano
depois com mais nove companheiros e se reencontram na Colônia Militar de Miranda (atual
Município de Guia Lopes) incorporando as tropas brasileira comandadas pelo coronel Camisão.
Tomado pelo Cólera, morrera no dia 26 de maio, antes de chegar a sede da fazenda Jardim.
1
Alfredo D”Escragnolle Taunay – Visconde de Taunay. A Retirada da Laguna – Episódio da Guerra do
Paraguai. Editora Tecnoprint LTDA. Ediouro.
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117
Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna
Segundo Taunay “O filho do Lopes até então transportado num reparo de peça e
escoltado pelos antigos companheiros de cativeiro no Paraguai, foi enterrado a margem direita. O
Pai que enquanto se abria a sepultura, se mantivera a alguma distância, disse, ao lhe contarem
que o solo estava muito
úmido e até encharcado:
“Agora
que
importa?
Entreguem a terra o que lhe
pertence!”
Assim no dia 26 de
maio de 1867, vitimado
pela Cólera-morbus, fora
– Sepultura de José
– Cambarecê –
sepultado o filho do Guia
(Foto do Centro de Atendimento ao
Francisco Lopes Junior –
Turista–CAT, Jardim–MS)
(Foto do Centro de Atendimento
Lopes, nas terras da
ao Turista–CAT, Jardim–MS)
Fazenda Jardim, que mais
tarde, na escritura de 1909 fizera parte como fazenda do Prata. Atualmente o local está situada a
sede da Fazenda Jatobá, (Município de Jardim) distante a 15 quilômetros do centro da cidade de
Jardim.
Do Casamento da Primeira Núpcias
José Francisco Lopes e Dona Maria Pereira, nasceram os seguintes filhos:
Pai: Antonio Francisco Lopes
Mãe: Teotonia Joaquina de Souza
José Francisco Lopes
Dona Maria Pereira
(O Guia Lopes)
Esposa (o)
1º José Francisco
Lopes Junior
(falecido na Guerra
do Paraguai - 1867)
Filhos
1ª Núpcias
Neves e Manoel
Maria Victoria
Barbosa
(Ambos falecidos
durante a Guerra
do Paraguai)
2ª Núpcias de
Alziro Lopes da
Costa2
Maria Victoria
Barbosa – casou-se
com
Netos
Bisnetos
Tataranetos
Outros: (???)
Eugenio Lopes da
Costa
2 Alziro Lopes da Costa – nascido no dia 10 de Agosto de 1878, no município de Nioaque. Em Guia Lopes d Laguna há uma
Escola Estadual em homenagem – Escola Estadual Alziro Lopes.
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118
Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna
1ª Núpcias
Ignacio
Barbosa
2º Theotonia
Maria Lopes
Gonçalves
Zacharias
Antonio
e
(falecida na Guerra
do Paraguai – 1864
–1870 ???)
Ignácio Gonçalves foi
Casado em segundas
Núpcias com
Casada primeira
Núpcias
3º Ritta Lopes
(falecida na Guerra
do Paraguai – 1864
–1870 ???)
Dona
Theotonia
Joaquina de Sousa,
Filho:
Manoel
Verissimo Cardoso
Verissimo Antonio
Cardoso
(falecido na Guerra
do Paraguai – 1864 –
1870 ???)
11. Do Casamento de José Francisco Lopes (O Guia Lopes) com Dona Senhorinha
Nasceram os seguintes Filhos3:
Pai: Antonio Gonçalves Barbosa4
Pai: Antonio Francisco Lopes
Mãe: Teotonia Joaquina de Souza
Mãe: Maria Vitória de Jesus
Senhorinha5 Maria da Conceição Barbosa de Lopes
José Francisco Lopes
(O Guia Lopes)
Esposa (o)
Filhos
Netos
Bisnetos
Tataranetos
3 Em consulta em algumas cópias avulsas de meus arquivos, página 23, que trata da genealogia da família “Barbosa”, sem data e
sem o registro do autor, trás a seguinte referência “... quando da invasão paraguaia; Maria de Jesus Gonçalves Barbosa (filha do
segundo casamento de Antonio Gonçalves Barbosa e Maria Vitória de Jesus) casou com José Lopes Barbosa, filho do Guia Lopes
e foi morar na Fazenda Desbarrancado”. ( Dos filhos do Guia Lopes com o nome de José, havia: João José Lopes, Pedro José
Lopes e José Francisco Lopes, no momento não reconhecemos, qual deles).
4 Antonio Gonçalves Barbosa era filho mais velho de Francisco Apolinário Gonçalves Barbosa, descendente de Portugueses e de
Margarida Teveja Brunswick, que ao casar-se adotou “Jesus”, descendente de alemães, e residia em Sabará, Província de Minas
Gerais. Foram seus irmãos Joaquim Gonçalves Barbosa, João Gonçalves Barbosa, Inácio Gonçalves Barbosa Francisca Maria
Gonçalves Barbosa, Alexandre Gonçalves Barbosa, Francisco Gonçalves Barbosa. Antonio Gonçalves Barbosa casou-se três
vezes, com Ana Maria da Costa em 1809. Nesta época era ele furriel e guarda do ouro da Coroa. Sua esposa faleceu no parto de
sua primeira filha, que se chamou Maria da Costa Barbosa. Depois casou-se com Maria Vitória de Jesus, com a qual tiveram dez
filhos e por fim casou-se com a viúva Rita de Souza, da qual tiveram um filho, chamado Teotônio. Em meados de 1848, por volta
dos sessenta anos, faleceu na região, debaixo da Serra de Maracaju.
5 Dona Senhorinha nasceu em Sabará, antiga Província de Minas Gerais, a margem direita do rio das Velhas. Era neta Paterna
de Francisco Apolinário Gonçalves Barbosa (descendente de Português) e Margarida Teveja Brunszwick (origem alemã e adotou
“Jesus” ao casar-se).
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1º Izabel Porcina
Lopes
Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna
1ª Núpcias
casou-se com
Clemente Gonçalves
Barbosa
119
Marcos Gonçalves
Barbosa, (Fazenda
Reforma – Bela
Vista)
2ª Núpcias
2º Fausta Felisbina 1ª Núpcias
Lopes
casou-se com
Manoel Silvestre
Loureiro
2ª Núpcias
1ª Núpcias
3º João José Lopes
Georgina Cardoso
Lopes
Manoel Lopes
(casou-se com
Elmira)
Laurindo (casado
com Clara)
2ª Núpcias
Leonor Nunes
Pedroso
Maria de Lourdes
Lopes Bacha
(casou-se com
munir Bacha)
Helio Artur
Paulo Marcio
Sonia Roseli
Maria da Gloria
Macaria Pedroso
Adão Lopes
Lopes Barbosa (
Barbosa
casou-se em
primeira núpcia com
Marcos Gonçalves
Barbosa, que era
filho da Izabel
Armando Lopes
Poncina)
Orlei
Neire
Sonia Roseli
(2ª Casamento)
Cleto Neri
Áurea
Macaria Lopes
Barbosa (casou-se
com Basílio
Barbosa)
Leonor Babosa
Flores
João Paulo )
4º Pedro José
Lopes6
1ª Núpcias
Carmelina Barbosa
Murfiel Lopes
Belmiro Lopes
Berenice
Marciana Lopes
Saravy
2ª Núpcias
6 Pedro José Lopes fora casado com Carmelina, filha de José Henrique Pires Martins e de Marcelina Barbosa Marques. Ledir
Marques Pedrosa, trata pelo nome de José Lopes Barbosa. Barbosa era da mãe e Lopes do Pai. O Sobrenome do Pai era
sempre colocado com parte do último nome e o da mãe, antepenúltimo. P. 136 Origem Histórica e Bravura dos Barbosas. 2.ed
1986.
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5º José Francisco 1ª Núpcias
Lopes7 (Filho)
Maria Rufino Lopes
Conrado
Lopes
Francisco
Amarques Francisco
Lopes
Marcos
Lopes
Francisco
Caciano
Lopes
Francisco
Renato
Lopes
Francisco
Melania
Lopes
Francisco
Desidério Francisco
Lopes
Marcelina Francisca
Lopes
Catarina
Lopes
Francisca
Madalena Francisca
Lopes
Doralina
Lopes
Francisca
Otilia
Lopes
Francisca
Eremita
Lopes
Francisca
Senhorinha
Francisca Lopes
Nicolau Lopes
6º Bernardino
Lopes
1ª Núpcias
Laucídio
Ariovaldo
Márcio
José
2ª Núpcias
7
Nas próximas Páginas, haverá alguns dados sobre José Francisco Lopes.
José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza
120
JARDIM-MS.
Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna
121
Ao elaborarmos estes dados biográficos sobre o
fundador de Guia Lopes da Laguna, José Francisco
Lopes, nossos colaboradores diretos foram o Senhor
Renato Francisco Lopes, nascido em 1922 e a Senhora
Eremita Francisca Lopes, que nasceu em 1917, sem os
quais seria impossível recuperarmos alguns dados.
(Fotografia ao lado, tirada em 2002, no local da
antiga Fazenda Jardim. Os irmãos Renato e Eremita
em 2005, os netos do Guia Lopes)
 CARLOS DE MORAES CAMISÃO
a. Dados Biográficos
(Pesquisa realizada por Alcemar Ferreira Junior – 1º Ten. Historiador)
Do Arquivo Histórico do Exército
NOME: Carlos de Moraes Camizão8
FILIAÇÃO: Joaquim de Moraes Camizão
NASCIMENTO: Província do Rio de Janeiro
FALECIMENTO: 29 de maio de 1867
DATA DE PRAÇA: 02 de dezembro 1839
DATA DE RESERVA:
TEMPO DE SERVIÇO:
Carlos de Moraes Camizão
VIDA ESCOLAR: Real Academia Militar; conforme o
Regulamento de 1839
VIDA PROFISSIONAL: Imperial Corpo de Engenheiros (ICE) 02/12/1839 a 05/04/1842;
Batalhão Provisório de Linha da Província de São Paulo 09/05/1843 a 22/05/1843; ICE
8
Ilustração extraída do Livro Retirada da Laguna – A Defesa Nacional, publicação de julho de 1941.
Cópia fornecida pelo Centro de Documentação do Exército.
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23/05/1843 a 18/10/1843; 4º Batalhão de Artilharia 15/05/1844 a 25/10/1849; Comandante da
Companhia de Artífices da Província de Pernambuco 26/10/1849 a 02/12/1854; Fortaleza do
Brum abr e mai de 1851; Corpo Artífices da Corte 02/12/1854 a 1858; Corpo do Amazonas
10/1858 a 02/1860; Comandante do 2º Batalhão de Artilharia a partir 1860
CONDECORAÇÕES: Cavaleiro da Ordem de Christo
Cavaleiro da Imperial Ordem da Rosa
Cavaleiro da Ordem de Aviz
MEDALHAS:
CURSOS: Engenharia e Artilharia pelo Regulamento de 1839
2º Tenente: 02/12/1839
1º Tenente: Graduado-04/10/1842* Efetivo: 23/07/1844
Capitão: 27/08/1849
Major Efetivo: 02/12/1854 – Merecimento
Tenente Coronel Graduado: 02/12/1861
Tenente Coronel Efetivo: 02/12/1862
Coronel Efetivo: 22/01/1866
OUTROS POSTOS:
OUTROS: *Foi promovido ao posto de 1º Tenente Graduado por ter se distinguido no ataque de
Santa Luzia de Sabará durante a Revolta Liberal de 1842.
Participou da repressão à Revolução Praieira em Pernambuco em 1848.
Comandou o 2º Batalhão de Artilharia na Campanha do Paraguai.
Comandou as Forças Expedicionária ao sul da Província do Mato Grosso, conduzindo a coluna
que se distinguiu na histórica da Retirada de Laguna
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Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna
123
b) Carlos de Moraes Camisão
(texto fornecido pelo do 9º BE Cmb de
Aquidauana-MS.)
Coronel Carlos de Moraes Camisão9, nasceu no
ano de 1820. Em 1º de janeiro de 1867 assumiu o
comando dos bravos soldados da Coluna Expedicionária
que tinha por missão, depois de longa e vitoriosa marcha,
invadir o norte do Paraguai.
Após a invasão, foi forçado a retroceder ante a
pressão de forças muito superiores e que lhe impuseram a
"marcha retrógrada", penosa e heróica, que passaria à
história com o nome de "Retirada da Laguna".
Camisão era, no conceito geral de seus
comandados, uma figura simpática e respeitada como chefe, seguro e refletido. Coube-lhe a fase
mais difícil da missão, perdendo grande parte do efetivo, devido ao ataque da varíola e da febre
amarela.
O inimigo tudo fez, porém, resistiu Camisão. Somente lograria abatê-lo o "CóleraMorbus", que começou a lavrar em 18 de maio. Já perto das margens do Rio Miranda, para onde
conduziu os seus homens, a fim de defendê-los de novas incursões do inimigo, o Coronel Carlos
Camisão, sucumbiu no dia 29 de maio de 1867.
O nome do Coronel Carlos de Moraes Camisão, chefe e herói da Retirada da Laguna,
ressurge pois, como um preito de justiça, no Pavilhão-Estandarte do 9º BE Cmb.
c) Histórico do coronel Carlos Camisão
Como revide à afronta com que nos provocou o Governo do Marechal Solano Lopes,
cujas forças invadiram, em fins de 1864, o território de Mato Grosso, o Governo Brasileiro
organizou, com contingentes do Rio, São Paulo, Minas e Goiás, uma expedição que deveria
socorrer a Província invadida, contendo a penetração do inimigo pelo interior, de modo a criar
condições para que ele fosse, depois, repeli-lo definitivamente do território nacional.
A Coluna Expedicionária, depois de longa e vitoriosa marcha, chegou a invadir o norte
do Paraguai, sendo forçada, depois, a retroceder, ante a pressão de forças muito superiores, que
lhe impuseram, em abril e maio de 1867, a "marcha retrógrada", penosa e heróica, que passaria à
história, na descrição da pena fulgurante de Alfredo Escragnolle Taunay, jovem Tenente
integrante da Comissão de Engenheiros, com o nome de "Retirada da Laguna".
9
Ilustração extraída do Livro Retirada da Laguna – A defesa Nacional, publicação de Julho de 1941.
Cópia fornecida pelo Centro de Documentação do Exército.
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Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna
124
O Coronel Joaquim José de Carvalho, que sucedera ao Brigadeiro José António da
Fonseca Galvão no Comando do Corpo Expedicionário, em meados de 1866, fizera, com suas
forças, uma longa parada de 4 meses em Miranda, na região julgada a mais insalubre do Baixo
Paraguai, o que acarretou cerca de 300 baixas, entre oficiais e praças do reduzido efetivo que
fora reunido.
Coube, a partir daí, ao Coronel Carlos de Morais Camisão a responsabilidade de dirigir a
coluna. Apesar das condições desfavoráveis em que operava a tão grande distância do apoio que
lhe seria necessário e a falta de aparelhamento, das condições climáticas hostis e da
superioridade evidente do inimigo, que nos atacara de surpresa e bem preparado, determinou-lhe
o Governo que marchasse na direção do Rio Apa, que marcava a fronteira entre o Brasil e o
Paraguai, para o fim de transpô-lo e incursionar no interior do território inimigo.
Dispunha ele, então, de 1.400 homens, para cujo abastecimento tratou de reunir, primeiro,
o gado necessário. Faltavam-lhe, porém, os mais rudimentares recursos necessários à saúde da
tropa, inclusive medicamentos, além de não dispor a Coluna dos elementos de Cavalaria, que lhe
eram imprescindíveis, em tais circunstâncias.
As estradas eram tremendamente precárias, as distâncias muito grandes e as informações
sobre as atividades do inimigo se tornavam muito difíceis na falta de uma tropa com a
mobilidade necessária para assegurar, não apenas a cobertura do deslocamento, como a busca de
informes que orientassem o Comando.
Camisão era, no conceito geral dos seus comandados, não apenas uma figura simpática e
respeitada, como Chefe seguro e refletido, embora a população local, intranqüila e indignada,
exigisse dele uma ação pronta e ampla contra o inimigo invasor, muito além do que era possível
realizar nas circunstâncias e com os meios precários com que teria de atuar.
Não recuou ele diante de tão difícil missão. Enfrentou-a, talvez por isso mesmo, com
espírito de resolução que raiava os limites da temeridade. Não tinha sob o seu comando uma
Divisão como era chamada, até então, a pequena coluna a que, mesmo assim impropriamente,
passou a denominar de Brigada, depois da reorganização que ele tomou a iniciativa de realizar.
Deslocou-se para Nioaque, aí acampando, como medida de segurança, entre os rios
Urumbeva e Nioaque, com elementos de vigilância na direção do rio Apa e de Vacaria.
Embora os sucessos das Forças Brasileiras, na frente Sul, pudessem ter influído para que
o Governo tentasse invadir o Paraguai pelo Norte de Mato Grosso, a operação importava, sem
dúvida, numa aventura difícil e perigosa, tanto mais que, até então, o inimigo, embora senhor da
iniciativa, denotava superestimar os nossos efetivos, calculando-os em cerca de 12.000 homens,
quando só dispúnhamos, então, de 1.300, o que ficaria evidente se passássemos a atuar em seu
território, deixando pelas nossas costas o obstáculo do Rio Apa.
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Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna
125
O recrutamento de contingente em Mato Grosso não correspondeu à expectativa do
Governo, quando os elementos iniciais da coluna do Coronel Drago, despachado do Rio de
Janeiro em 1º de abril de 1865, foram enviados, com uma Comissão de Engenheiros, através de
Santos, S. Paulo e Uberaba, na suposição de que seria fácil reunir, até a Província de destino,
uma importante força, capaz de operar com superioridade sobre o inimigo.
Contudo, era excelente o moral das tropas brasileiras, sob o Comando de Camisão.
Servia-lhes de guia, como conhecedor da região, o legendário José Francisco Lopes, vaqueano
seguro daqueles confins do Brasil, de quem os paraguaios haviam aprisionado toda a grande
família. Muito lhe ficou devendo a Coluna, nas situações críticas que teve de enfrentar, inclusive
a localização de recursos de abastecimento e o próprio gado da sua propriedade, que ele não
vacilou em reunir e entregar, para o consumo da tropa.
Camisão assumira o comando da Coluna em 1º de janeiro de 1867. Era, portanto, o seu
quarto comandante, desde a partida do Rio de Janeiro. O Coronel Drago, julgado muito moroso
nas providências que lhe foram determinadas, foi chamado à Corte; o Brigadeiro José António da
Fonseca Galvão, gravemente enfermo, teve de abandonar a missão; o Coronel José Joaquim de
Carvalho e o seu substituto Juvêncio.
Manoel Cabral, Chefe da Comissão de Engenheiros, foram, também, forçados a deixar o
comando, por imposição do. estado grave de saúde. Coube, então, ao Coronel Carlos de Morais
Camisão, o "Cabeça Pelada", como lhe chamavam os paraguaios, a fase mais difícil do
cumprimento da missão que o Governo impusera, sem a adequada análise da situação, aos
bravos remanescentes da Coluna, até então poupados ao ataque da varíola e da febre que haviam
dizimado tantos bravos expedicionários.
Na marcha para o inimigo, transposto o rio Taquaraçu, depois de reconstruída pelos
nossos engenheiros a ponte que os paraguaios haviam destruído, chegou, afinal, ao rio Apa a
Brigada do Coronel Camisão. Sem perder tempo, prosseguiu ela a sua marcha, atingindo e
conquistando, em abril de 1867, o Forte de Bela Vista, já em território paraguaio, queimando-o e
destruindo-o, à vista dos observadores inimigos, sem contudo poder persegui-los, por falta de
cavalaria.
Consegue, ainda, Camisão, apossar-se da estância da Laguna, de propriedade de
Francisco Solano Lopes, até onde pôde levar sua Brigada, graças, unicamente, à bravura pessoal
e à obediência ao cumprimento do dever.
A partir daí, o destino passou a desfavorecer a Coluna Brasileira, cobrando-lhe caro o
destemor e o arrojo do ímpeto ofensivo que a animava, pondo à prova a fibra dos seus homens, o
estoicismo heróico da sua conduta.
Ante o dilema de render-se, ou retirar, em face da flagrante superioridade do inimigo, em
cujo território não vacilara em enfrentar as forças do Major Urbieta e da sua valente e numerosa
cavalaria, Camisão teve de retroceder, como seu punhado de heróis, para preservá-los de um
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126
aniquilamento que seria fatal e, sobretudo, para trazer, incólume, de volta à Pátria, a Bandeira e
os canhões que lhe cumpria a responsabilidade de defender. No seu encalço, a perseguição e os
incêndios das matas acossavam, de perto, a Coluna retirante, como que a experimentar-lhes a
resistência e o ânimo combatente.
"Desprovidos de víveres, sentindo-se em grande desproporção numérica em relação à
Coluna de Urbieta," o Corpo Expedicionário Brasileiro não podia fazer outra coisa que
retroceder.
A 8 de maio de 1867, encontrava-se a série sinistra das efemérides da Retirada da
Laguna, terminada em princípios de junho seguinte, vinte e poucos dias, em que a Coluna
Camisão quase perdeu dois terços do seu pequeno efetivo, reduzindo-se de 1.650 a 700 homens.
Nesse dia, travou-se o sangrento combate de Bayendê. A 10, a Coluna repassou o Apa, e
a 11, outra refrega ainda mais violenta seria travada: a de Nhadipá, já em território nacional.
Duas vezes repelido com perdas muito pesadas, não se atreveu mais o inimigo a enfrentar
a bravura indomável de Camisão. Tudo fez, porém, para dificultar-lhe a retirada, incendiando,
inclusive, a macega alta e seca, como recurso último para dizimar os heróicos remanescentes da
Coluna Brasileira.
A tudo, porém, resistiu Camisão. Somente lograria abatê-lo a "Colera-morbus", que
começou a lavrar no dia 18 de maio. A partir daí, tornou-se ainda mais penosa a marcha da
Coluna, já muito castigada pelo grande percurso, em grande parte feito sobre estradas difíceis e
debaixo de temporais violentos que as tornavam ainda pesadas aos pés doloridos dos
expedicionários.
Não era possível nem mesmo o transporte dos coléricos, que iam ficando, sem socorro, ao
longo do itinerário de marcha, como que a balizar o percurso glorioso e trágico daquela plêiade
de bravos em cujo destemer o sacrifício pelo dever não tinha limites nem a sanha perversa do
inimigo e sem recursos de sobrevivência seriam capazes de abater o espírito indomável que
tornou legendária a resistência da Coluna.
Já perto das margens do Rio Miranda, para onde conduziu os seus homens, a fim de pôlos a coberto de novas incursões do inimigo, o Coronel Camisão, vitimado, também, pela
"colera-morbus", termina por sucumbir.
A sorte dos elementos que lhe coube comandar, até tão perto do abrigo seguro em que
seriam, afinal, acolhidos, surpreenderia a Nação inteira, que já os tinha por vencidos e
liquidados. Foi ele, já morto, o herói da epopéia memorável que a Ordem do Dia de 12, já
quando os destroços da Coluna Camisão repousavam, em segurança, na base de Nioac,
descreveu, para a posteridade, nos seguintes termos:
"Sem Cavalaria, contra o inimigo audaz, que a possuía formidável, em campos onde o
incêndio da macega, continuamente aceso, ameaçava devorar-vos e vos disputava o ar respirável,
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127
extenuados pela fome, dizimados pela cólera que vos roubou, em dois dias, o vosso Comandante, o
seu substituto e ambos os vossos guias, todos estes males, todos estes desastres, vós os suportastes,
numa inversão de estações sem exemplo, debaixo de chuvas torrenciais, no meio de tormentas e
através de imensas inundações, em tal desorganização da natureza, que esta parecia conspirar
contra vós.
Soldados! Honra à vossa constância, que conservou ao império os nossos canhões e as
nossas Bandeiras!"
O nome do Coronel Carlos de Morais Camisão, Chefe e herói da Retirada da Laguna,
ressurge pois, como um preito de justiça, no Pavilhão-Estandarte do 9,° BE da Expedição da
Itália, como elo da tradição da bravura do soldado brasileiro, ligando dois capítulos gloriosos da
nossa História Militar.
JUVÊNCIO MANOEL CABRAL DE MENEZES
a) Histórico
(Texto elaborado por Edmilson Lima de Souza – Sgt. da 4ª Cia. E. Cmb. Mec)
TC Juvêncio Ma noel Cabral de M ene zes
Tenente-Coronel JUVÊNCIO MANOEL
CABRAL DE MENEZES.
Filho de MANOEL ANTUNES DE
MENEZES, nascido aos 12 de setembro de 1821,
na cidade do RIO DE JANEIRO-RJ e falecido em
ação, na Província de MATO GROSSO, quando
fazia parte das Forças Expedicionárias, durante a
Campanha do PARAGUAI, em 29 de maio de
1867.
Assentou praça pela primeira vez em 03
de março de 1837, aos 16 anos de idade, na
Academia Real Militar e cursou a Escola Militar
nos anos de 1841 e 1842.
Óleo sobre tela - Pintado e doado pelo Maj Luis Fernando França Sousa
Casado com a Sra. MARIA DA GLÓRIA
CABRAL DE MENEZES, possuindo dois filhos,
OVÍDIO CABRAL DE MENEZES (o mais velho)
e LUIZ CABRAL DE MENEZES.
Serviu na Fábrica de Pólvoras; Comissão na Província de ALAGOAS SANTA
CATARINA, quando demarcou as terras dadas em dote à princesa de JOINVILLE; na Província
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JARDIM-MS.
Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna
128
do CEARÁ exerceu a direção de Obras contra a seca; serviu por mais de cinco anos na Província
do PARÁ; foi secretário do Corpo de Engenheiros; 3º Ajudante da Diretoria do Arsenal de
Guerra da Corte; Diretor Geral do Corpo de Bombeiros da Corte (nomeado em Set 1859); e
Chefe da Comissão de Engenheiros, junto ao Exército Expedicionário da Província de MATO
GROSSO.
Possuía o Curso Completo pelo Regulamento de 1839 e Bacharel em Matemática.
Foi condecorado Dignitário da Ordem de Cristo (23 Fev 1846), Dignitário da Ordem de
São Bento e Aviz (Set 1857) e Cavaleiro da Ordem da Rosa (21 Abr. 1864).
Promovido ao posto de Tenente-Coronel, por merecimento, em 19 de março de 1864.
b) Em Campanha
Durante a marcha para o combate, a Coluna acampara na COLÔNIA MIRANDA, onde
existia um pequeno destacamento militar, atual município de GUIA LOPES DA LAGUNA-MS,
destruído e queimado pelos paraguaios, por ocasião da invasão. O fornecimento do gado era
realizado pelo Guia LOPES, arrebanhado na Fazenda JARDIM. A base de apoio logístico,
estacionada em NIOAQUE, informara que os recursos estavam esgotados, não mais podendo
prover o suprimento para as tropas, dependendo do recebimento de novos comboios.
O Coronel CAMISÃO ordenou a reunião da Comissão para, em conselho de guerra,
deliberar sobre a possibilidade de um movimento ofensivo e identificar os meios possíveis para o
cumprimento da missão.
Três oficiais da Comissão procuraram retratar a realidade existente, tal qual realmente
era: escassez dos víveres, insuficiência de munições, impossibilidade de receber reforços e
recursos para o tratamento dos enfermos, ausência absoluta de Cavalaria e desconhecimento do
terreno a ser percorrido. Com tais argumentos, procuravam convencer seus companheiros de que
a aventura de uma ofensiva iria conduzir a um desastre, com a conseqüência maior de atrair
novamente para o nosso território o invasor paraguaio.
Concluíram pela retirada para NIOAQUE.
Dois outros membros, porém, divergiram desses pensamentos. Argumentavam sobre a
missão recebida pelas Forças, a necessidade de auxiliar o esforço principal da guerra, criando
uma outra frente ao norte do Paraguai. Mesmo sendo os meios insuficientes, deveria a coluna
prosseguir para o sacrifício total, colocando a honra e o dever acima das contingências.
A discussão propiciou troca de ásperas palavras e recriminações pessoais, fruto das
opiniões contrárias e do ardor dos participantes. Até então se mantivera calado o ten.cel.
JUVÊNCIO, embora visivelmente comovido. Do seu voto deveria depender o futuro próximo
daqueles bravos soldados!
José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza
JARDIM-MS.
Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna
129
Encerrada a discussão, o chefe da comissão resumiu os pareceres contrários e acrescentou
sua opinião: "Não podia a coluna avançar sem víveres e já não dispunha de mais gado".
Ia continuar justificando o seu parecer, quando aconteceu uma dessas coincidências que,
imprevistamente, mudam as opiniões e a prudência humana, dando novo rumo às decisões. O
Guia LOPES adentrou ao acampamento, conduzindo um rebanho de gado. Ao ouvir o mugido
dos animais, tangidos pelos clamores dos vaqueiros, os soldados responderam com gritos alegres
e exultantes. A boiada, conduzida festivamente pelo acampamento, derrubou os argumentos
contrários à ofensiva. Era o voto decisivo.
O Presidente do Conselho mandou lavrar a ata da sessão, encarregando o secretário de
comunicar ao comandante que a Comissão era unanimemente favorável à marcha para frente,
oferecendo os seus esforços para o êxito da operação. E concluiu, como que pressentindo os
dissabores a serem enfrentados: "Deixo viúva e seis órfãos. Terão como única herança um
nome honrado!".
A coluna estava por atingir a Fazenda da MACHORRA, situada em território brasileiro
menos de dez quilômetros do forte de BELLA VISTA, construído na margem paraguaia do Rio
APA. A vanguarda, formada pelo 21º Batalhão de Infantaria, distanciara-se demasiadamente,
sem perceber as paradas contínuas dos demais Corpos, motivadas por acidentes com as carretas
de munição. Isolada, não ouvia as ordens dos clarins.
O Ten Cel JUVÊNCIO se apresentou para realizar a ligação, transmitindo as ordens para
a vanguarda aguardar a aproximação da coluna. Encontrou-a empenhada em combate e,
ultrapassando um volumoso ribeirão, reuniu-se ao Tenente-Coronel em comissão ENÉAS
GALVÃO. Pelas circunstâncias em que o inimigo se encontrava, concordou com o avanço e, em
seguida, com a transposição do ribeirão, foi ocupada a fazenda. Ainda encontraram roças
cultivadas com mandioca e cana, não destruídas pelos paraguaios.
No dia 21 de abril, os exploradores informaram que o inimigo ateara fogo em todas as
casas do forte. JUVÊNCIO, que prosseguia com a vanguarda, adiantou-se seguindo os
exploradores e retornou com as informações do que ocorria na frente. O 200 avançou em
“marche-marche” para a margem direita do Rio APA e, com uma descarga de suas armas,
colocou em debandada o inimigo, surgindo a euforia da primeira vitória em solo paraguaio, com
aclamação ao Imperador, à integridade do Império e às Forças Expedicionárias. O chefe da
Comissão de Engenheiros, em momento de grande emoção, realizou o primeiro hasteamento do
Pavilhão Nacional em terras paraguaias, sobre o conquistado Forte de BELLA VISTA.
c) Liderança
O Tenente Coronel JUVÊNCIO MANOEL CABRAL DE MENEZES chefiou a
Comissão de Engenheiros das Forças em Operações ao Sul de Mato Grosso. A presença dos
engenheiros era necessária, tendo em vista o longo itinerário a ser percorrido até MIRANDA,
destino inicial das forças.
José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza
JARDIM-MS.
Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna
130
Os caminhos eram desconhecidos, com poucos recursos locais e entrecortados de cursos
de água, que os submeteram a inundações periódicas.
Sob sua supervisão, a Comissão realizou a construção de diversas pontes para a passagem
das tropas em rios não vadeáveis, ou improvisou a montagem de balsas para a travessia.
Antecipando-se ao deslocamento do Corpo, reconhecia o terreno e preparava locais para
acampamento.
Faleceu no dia 29 de maio de 1867, acometido por cólera, logo após a morte do Coronel
CAMISÃO, sendo sepultado a seu lado, às margens do Rio MIRANDA, no atual município de
JARDIM.
Desde o dia 26 de maio, o Ten Cel JUVÊNCIO estava acometido de cólera-morbus. A 29
pela manhã apresentara uma melhora na voz, e livrara-se das terríveis câimbras. Queixava-se,
porém, de forte dor no fígado. Constantemente, clamava pela família junto aos membros da
Comissão de Engenheiros.
Veio a falecer às três horas da tarde, depois de entregar pequena bolsa de couro com suas
economias de campanha, para ser entregue à sua mulher e aos filhos.
Cumprido o seu dever com a Pátria, voltava-se para a responsabilidade familiar!
d) Reconhecimento
Com a atribuição da denominação histórica "Tenente Coronel JUVÊNCIO MANOEL
CABRAL DE MENEZES", para a 4ª Companhia de Engenharia de Combate Mecanizada, o
Exército Brasileiro resgatou a homenagem de reconhecimento por força do heroísmo do Chefe
da Comissão de Engenheiros: BRAVURA, DEDICAÇÃO e VALOR.
A Pátria, que lhe cobrou a vida, mostrou-se agradecida.
Relembrando a Retirada da Laguna e a Campanha no MATO GROSSO, as seguintes
denominações históricas já foram concedidas:
 Batalhão "Carlos Camisão" (9º Batalhão de Engenharia de Combate, em Aquidauana-MS);
 Batalhão "Guia Lopes" (9º Batalhão de Suprimentos, em Campo Grande-MS);
 Batalhão "Laguna" (44º Batalhão de Infantaria Motorizada, em Cuiabá-MT);
 Batalhão "Visconde de Taunay" (7º Batalhão de Engenharia de Combate, em Natal-RN);
 Regimento "Antônio João" (10º Regimento de Cavalaria Mecanizada, em Bela Vista-MS);
 Brigada "Guaicurus" (4ª Brigada de Cavalaria Mecanizada, em Dourados-MS).
José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza
JARDIM-MS.
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UNIDADE IX
PROJETO DE REVITALIZAÇÃO
Maio de 2008 – Vista aérea do CHRL (Arquivo dos autores)
VISTA
Desenho Original 2005 – Projeto de Revitalização
José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza
JARDIM-MS.
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Abril de 2008 – Vista do Cemitério após algumas revitalizações realizadas em 2007 (Arquivo dos autores)
Abril de 2008 – Vista do Cemitério após algumas revitalizações realizadas em 2007 (Arquivo dos autores)
José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza
JARDIM-MS.
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Imagens de um projeto de paisagismo de Revitalização.
(Imagens cedidas pela 4ª Cia E Cmb Mec)
Imagens cedidas pela 4ª Cia E. Cmb Mec.
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JARDIM-MS.
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CURRICULUM VITAE
1. DADOS PESSOAIS
Nome - JOSÉ VICENTE DALMOLIN
Nacionalidade - Brasileira
Natural - Vicente Dutra - RS.
Data de Nascimento - 30 de maio de 1960
Filiação:
Pai: Gentil Dalmolin
Mãe: Maria Antonia Demo Dalmolin
Estado Civil: Casado com Célia Flores Acosta Dalmolin
Filhos: três filhas, Neismy, Melissa e Ana
2. SITUAÇÃO PROFISSIONAL
Matrícula como Professor Secretaria de Estado de Educação
Lotação: Escola Estadual Salomé de Melo Rocha
3. ENDEREÇO
Endereço Residencial e para correspondência:
Rua Guanabara, 465 - Vila Planalto - 79.230 000 - Guia Lopes da Laguna
Estado de Mato Grosso do Sul - Caixa Postal nº 21
E-mail: [email protected] - Telefones: 67 269-1051
4. HISTÓRICOS - CURSOS - QUALIFICAÇÕES  1967-1973 - 1º a 4º ano primário - Exame de Admissão - 1ª e 2ª série ginasial - Escola
Estadual Padre Réus - Pérola do Oeste - Paraná
 1974 - 1975 - Cursou a 7ª e 8ª Série na Escola Estadual 31 de Março em Canarana - Mato
Grosso
 1976-1979 - Estudos no Seminário - Campo Grande e Rondonópolis (Salesianos e La
Sallistas)
 1979 - Curso de Atualização Pedagógica - DREC Rondonópolis-MT. CH. 40 Horas
 1978 - Conclusão do Curso Magistério - 2º grau
 1977-1979 - Professor 3ª e 4ª séries - Escola Estadual Pindorama - Rondonópolis - MT.
 1980/1 - Conclusão do Curso de Oficial do Exército - R/2 - NPOR - Rondonópolis-MT.
Certificado Militar - Carta Patente de 2º Tenente de Artilharia - 18º GAC
Diploma de Aspirante a Oficial do Curso de Artilharia, com menção “B”.
 1981 - Professor - Escola Especial - APAE - Rondonópolis-MT.
 1982 - Ingresso Magistério Estadual do Mato Grosso do Sul, como Professor nas disciplinas
de História e Geografia e Disciplinas Pedagógicas no Curso Magistério, Escola Estadual
Odete I.R.Villas Boas - Nioaque-MS.
José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza
JARDIM-MS.
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 1983-1984 - Professor Escola Municipal Guilherme Correa da Silva - Nioaque-MS.
 1984-1988 - Diretor Escolar da Escola Estadual Odete Ignez Resstel Villas Boas - NioaqueMS.
 1988 - Ganhou o prêmio nacional da Werril, com a monografia, “A Importância da Fanfarra
na Escola”.
 1989 - Publicação do livro didático - 3ª série Estudos Sociais - Município de Nioaque.
 1989 - Participou de Seminários sobre livros e bibliotecas públicas e Escolares - Promovido
pelo Instituto Nacional do Livro - representando o Prefeito de Nioaque - Brasília-DF.
 1989 - Publicação no Jornal Correio do Estado - Suplemento Cultural, Documentário de
Pesquisa sobre a participação de Nioaque no Centenário da Proclamação da República do
Brasil.
 1989-1990 - Assessor Educacional e Cultural e ministrante de cursos a professores da Rede
Municipal de Ensino de Nioaque - Secretaria Municipal de Educação.
Diretor do Departamento Cultural e de Eventos da Prefeitura de Nioaque
Publicações de encartes culturais, educacionais e históricos - Jornal Quinzenal - NioaqueMS.
 1991- 1993 - Técnico na Área de Estudos Sociais na Agência Regional de Educação de
Jardim - MS.
 Técnicos
 1993 - Ministrante do Programa “Um Salto Para o Futuro” - Capacitação de Professores da 1ª
a 4ª Séries
 1993/1994 - Supervisor e Orientador da Aprendizagem e implantação do Programa “Um
Salto Para o Futuro” - NE/50 - Jardim e Região - MS.
 1994-1995 - Professor de História, Geografia e Inglês - Escola Estadual Coronel Juvêncio Jardim.
 1993 - Ministrante de Cursos na Área de Estudos Sociais para os professores do Município
de Guia Lopes da Laguna - MS.
 1993 - Coordenador de um grupo de professores - elaboração de um livro texto - para 3ª série
do Ensino Fundamental.
 1993 - Participação como palestrante no V Seminário Estadual do Projeto Vídeo Escola e
encontro Estadual de Teleducação - Campo Grande-MS.
 1994 - Ministrante de Cursos à Professores da Educação Infantil - através da OMEP - para as
áreas de Ciências e Estudos Sociais - Jardim - MS.
 Ministrante do Programa “Um Salto Para o Futuro” - Série Especial de Educação Especial
“O Direito de Ser Diferente”, como Orientador da Aprendizagem.
 1991-1994 - Cursos, repasses, orientações: Regimento Escolar, Colegiado Escolar,
Gerenciamento Escolar, APM, Grêmios, Orientação e Supervisão para o Programa Um Salto
para o Futuro e Vídeo Escola. Aos Municípios Jurisdicionados a ARE-03 - Jardim- MS.
 1995 - Curso de Atualização em Geografia - Centro Universitário de Aquidauana Aquidauana - MS.
 Curso de Capacitação para Professores que atuarão nas Oficinas Pedagógicas.
 1995-1996 - Técnico na área de Geografia NE/50 Jardim-MS. - Oficina Pedagógica,
ministrando cursos aos professores da Rede Municipal e Estadual de Jardim, Nioaque,
Bonito, Guia Lopes, Caracol, Bela Vista, Porto Murtinho.
José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza
JARDIM-MS.
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 1997 - 2000 - Cedido à Prefeitura Municipal de Guia Lopes da Laguna, na função de
Secretário Municipal de Educação.
 1997 - Ministrou Curso de Estudos Sociais e Recreação e Jogos para a OMEP, cursistas de
Jardim e Guia Lopes da Laguna.
 1998 - Curso de Capacitação Continuada para Professores da Oficina Pedagógica - CH - 50
horas.
 1998 - Curso de Capacitação Continuada do Programa Aprender Aprendendo 1998 Participou do Programa de Apoio aos Secretários Municipais de Educação - I PRASEM - 25
a 27 de maio de 1998.
 1999 - Participou de Seminários sobre Turismo:
Lançamento do PDTUR - Programa de Desenvolvimento do Turismo para Mato Grosso do
Sul nas Cidades de Campo Grande e Bonito
 1998/2000 - Membro do Conselho do FUNDEF de Guia Lopes da Laguna - Presidente
 1997-1998 - Membro do Conselho Municipal de Saúde - Guia Lopes da Laguna- MS.
 1999/2000 - Membro do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e Adolescente de Guia
Lopes da Laguna - Vice-presidente
 1999-2000 - Secretário Financeiro, Diretoria da União Municipal dos Dirigentes em
Educação de Mato Grosso do Sul - UNDIME
 1999 - II - PRASEM - SEMINÁRIO - PROGRAMA DE CAPACITAÇÃO DE
SECRETÁRIOS MUNICIPAIS DE EDUCAÇÃO - PROGRAMA DO FUNDESCOLA.
 2000 - Toma posse da Academia Municipalista de Letras do Brasil - Como Membro
Correspondente.
 2000 - Apresentou Trabalhos com o Tema Vídeo e Imagem no Processo da Produção do
Conhecimento, durante o Evento da 1ª Semana Acadêmica do Curso Normal Superior - 17 a
21 de julho de 2000, na Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul - Dourados MS.
 2001 - Ministrante da Disciplina de Educação a Distancia e as novas Tecnologias na
Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul, aos Alunos do Curso Normal Superior Unidade de Jardim - MS.
 2001 - Professor de História no Ensino Fundamental e Médio, na Escola Estadual Alziro
Lopes - Guia Lopes da Laguna-MS.
 2001 - Coordenador Pedagógico - atuando no Projeto de Inclusão de alunos com Deficiência
no Ensino Fundamental, informática e ensino de LIBRAS e Braille.
 2002 - Professor de História no Ensino Fundamental e Médio - carga horária de 22 horas,
Escola Estadual Alziro Lopes - Guia Lopes da Laguna - MS.
 2002 - desde junho de 2001 - Função de professor coordenador pedagógico na Escola
Estadual Alziro Lopes - Guia Lopes da Laguna - atuando na área de inclusão escolar dos
alunos com deficiência auditiva, mental, física, visual, síndrome de Down.
 2001 - Conclusão do curso em Língua de Sinais - Programa Nacional de Apoio à Educação
de Surdos - convênio MEC/SED/CEADA - Campo Grande - MS.
 2003 - Curso de Capacitação de LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais. Campo Grande-MS.
 2003 Certificado por serviços voluntários prestados ao Programa Agente Jovem de
Desenvolvimento Social e Humano - Departamento de Assistência Social de Guia Lopes da
Laguna- MS.
José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza
JARDIM-MS.
Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna
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 2003 - Professor das disciplinas de História e Geografia no Ensino Fundamental - 5ª a 7ª
séries na Escola Particular New Hope - Jardim-MS.
 2003 Professor da Disciplina de Informática na Escola Estadual Salomé de Melo Rocha Professores, Funcionários e Alunos do Ensino Médio. Guia Lopes da Laguna- MS.
 2003 - Apoio como Historiador ao Grupo de Estudos para a Instalação do Memorial Guia
Lopes, na sede da Antiga Fazenda Jardim - Guia Lopes da Laguna-MS, trabalhos
apresentados em Campo Grande, dezembro 2003.
 2004 - Professor de Informática na Escola Estadual Salomé de Melo Rocha, em Guia Lopes
da Laguna.
 2004 - (agosto a outubro) Candidato a vereador pelo PSDB - na coligação com o PL ficando na condição de suplente.
 2005 - 1º Janeiro toma posse como Secretário Municipal de Educação de Guia Lopes da
Laguna.
 2005 - abril - apresenta o I Seminário de História Regional “Nas Trilhas do Guia Lopes” pela
UEMS - com o Tema ícone Guia Lopes - no projeto “Diagnóstico e Diretrizes Turísticas para
o Município de Guia Lopes da Laguna - MS
 2005 - junho - apresenta o II Seminário de História Regional “Nas Trilhas do Guia Lopes”
pela UEMS - com o tema nascimento, vida e morte do Guia Lopes - no projeto “Diagnóstico
e Diretrizes Turísticas para o Município de Guia Lopes da Laguna - MS.
 2005 - Participação do Curso de Manutenção em Micros Hardware.
 2006 - Participação do Curso de Formação de Profissionais em Educação Inclusica SED/MS.
 2006 - Participação no Desenvolvimento do Projeto Transitando - Ensino Médio. EE Salomé
de Melo Rocha.
 2006 - Retorna para o Quadro do Magistério do Estado de Mato Grosso do Sul.
 2006 - Nas Eleições - Atuou como Mesário - Serviço prestado à Justiça Eleitoral
 2006 - Colaborador no Projeto Um Breve Olhar para a Construção do Estado de Mato Grosso
do Sul - UEMS - Jardim e Dourados
 2006 - Participação como colaborador da II Noite Cultural da UEMS - Jardim
 2006-2007 - Desempenha a função técnica no Núcleo de Educação Especial de Guia Lopes
da Laguna.
 2007 - Participação no II EBETUR - UEMS - Jardim - Mini-Curso - Nas Trilhas do Guia
Lopes.
 2007 - Desenvolve mini-curso na Semana do Turismo da Universidade Estadual de Mato
Grosso do Sul - com o tema História Regional.
 2007 - Abril - recebeu a placa de Homenagem - no aniversário da cidade de Nioaque da
Escola Municipal Guilherme Correa da Silva - pelas Contribuições Históricas ao Município.
 2007 - Curso de Leitura e Escrita: Desenvolvimento Normal e Alterações - CEFAC
 2007 - Avaliação de Competência Básica para Sala de Tecnologia - Resultado: Apto - Nota
7,75.
 2007 - Participação do Curso do Programa Salto Para o Futuro TV Escola - Mídias Digitais e
juventude em Rede
 2008 - Curso de Capacitação em Gestão Escolar da Rede Estadual de Ensino de MS.
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 2008 - Participou da Avaliação de Competência Básica em Gestão Escolar - da Secretaria de
Estado de Educação de Mato Grosso do Sul - Resultado: Apto - Nota - 7,00.
 2008 - Participou do Curso - Distúrbios de Aprendizagem, Leitura e Escrita - CEFAC.
 Toma Posse como Associado correspondente do Instituto Histórico e Geográfico de Mato
Grosso do Sul.
 2009 - Profissionalmente continua no Exercício da Função de Técnico do Núcleo de
Educação Especial
 2009 - maio a janeiro 2011 - afastado serviço motivos de doenças.
5. OUTROS CURSOS:
 Outros Cursos e Participações:
. Eletrônica. eletricidade. mecânica de máquinas pesadas. horticultura. agrotóxicos. drogas.
doenças sexualmente transmissíveis. fotografia. vídeos e filmagens. computação. membro
sindical. congressos de professores. seminários sobre legislação de Ensino. cursos na área de
inspeção escolar. seminários sobre FUNDEF, FUNDEB. Seminário sobre Turismo.
6. ESCOLARIDADE:
ENSINO FUNDAMENTAL:
1º a 4º ano primário - Exame de Admissão - 1ª e 2ª série ginasial - Escola Estadual Padre Réus Perola do Oeste - Paraná
7ª e 8ª Série - Escola Estadual 31 de Março - Canarana - Mato Grosso
ENSINO MÉDIO - Habilitação em Magistério:
1º e 2º ano - Seminário Salesiano de Campo Grande-MS.
3º e 4º ano - Colégio das Irmãs do Sagrado Coração de Jesus, em Rondonópolis - Mato Grosso
EDUCAÇÃO SUPERIOR:
1. Licenciatura em Estudos Sociais - História e Geografia - Centro Universitário de
Rondonópolis - Universidade Federal de Mato Grosso - Rondonópolis - MT.
2. Licenciatura em Pedagogia - Pré-escolar, séries iniciais e disciplinas pedagógicas do
Magistério. - Universidade Federal de Mato Grosso do Sul - Jardim e Campo Grande - MS.
ESPECIALIZAÇÃO - PÓS-GRADUAÇÃO:
1. PLANEJAMENTO EDUCACIONAL - UNIVERSO - Universidade Salgado de Oliveira - RJ.
- Extensão em Jardim - MS.
2. PSICOPEDAGOGIA - UFRJ - UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO Convênio com Ministério do Exército - CEP/MEx. Rio de Janeiro - 4ª Cia de Engenharia Jardim-MS.
MESTRADO:
José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza
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1. MESTRADO EM ENGENHARIA DE PRODUÇÃO - Área de Concentração Mídia e
conhecimento - Universidade Federal de Santa Catarina/UFSC - Conclusão do Curso de PósGraduação e Defesa Pública de Dissertação de Mestrado, realizada em 23 de agosto de 2001.
_________________________________________
LIVROS PRONTOS PARA PUBLICAÇÃO 2008
TEMÁTICA: HISTÓRIA REGIONAL
1. NIOAQUE NO CONTEXTO DA HISTÓRIA DE MATO GROSSO DO SUL E DO
BRASIL - SÉCULO XIX - 420 P.
2. GUIA LOPES DA LAGUNA, NOSSA HISTÓRIA, NOSSA TERRA, NOSSA GENTE.
Vol 1 - 250 p.
LIVROS EM PESQUISA
1. GUIA LOPES DA LAGUNA - Volume 2 - História e Volume 3 - Geografia
2. NIOAQUE - Século XX - Resenhas complementares.
José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza
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CURRICULUM VITAE
EDMILSON LIMA DE SOUZA é 1º Sargento do Exército Brasileiro, da Arma de
Engenharia, pertencente à Turma "Centenário da República", da Escola de Sargentos das Armas
(Três Corações-MG/1989).
Potiguar de NATAL-RN, serviu no então 2º Batalhão Ferroviário (Araguari-MG), hoje
11º Batalhão de Engenharia de Construção, de 1984, quando incorporou às fileiras do Exército,
até 1988.
Após sua formação, por mérito intelectual, escolheu a recém-criada Unidade de
Engenharia em Jardim-MS, a 4ª Companhia de Engenharia de Combate Mecanizada, onde
identificou-se profundamente com a cidade e a Unidade.
Ao longo de quase duas décadas envolveu-se muito com a Unidade. Fruto desse
envolvimento, em 1993 foi designado para a Comissão que tinha como missão, organizar e
inaugurar o sonho de vários militares e ex-funcionários: o Museu da CER-3.
Em 1998 participou da Comissão que propôs a 1ª Denominação Histórica da Unidade.
Após a realização do Curso de Aperfeiçoamento de Sargentos, em 1998, na cidade de
Cruz Alta-RS, permanece classificado em Jardim e reassume a mesma função de Auxiliar de
Operações, que desempenhou por mais de dez anos.
Em 1999 auxiliou nos trabalhos da Comissão que propôs a Denominação Histórica
"Companhia Tenente-Coronel Juvêncio" à 4ª Cia E Cmb Mec, que foi aprovada pelo
Comandante do Exército no ano de 2000.
Em 2002 foi o responsável pela construção e inauguração do conjunto arquitetônico,
Praça e Capela de São Francisco de Assis, padroeiro da Arma de Engenharia. Participou da
revitalização e recuperação do Museu da CER-3, sendo designado diretor daquele espaço
cultural após esse trabalho.
Em 2004 participou ativamente da introdução do Museu da CER-3 no Projeto de
Regionalização do Turismo. Orientou a formação de monitores para acompanhar turistas em
visitação ao Museu da CER-3, abrindo de vez as portas do museu para a comunidade. Foi
designado para a Comissão que criou e inaugurou a Casa da Memória "Tenente-Coronel
Juvêncio", importante espaço cultural que resgatou o acervo histórico da Unidade.
Recentemente participou, juntamente com o renomado pesquisador e historiador, Profº
José Vicente Dalmolin, da elaboração do Memorial Descritivo do Cemitério dos Heróis da
Retirada da Laguna, importante sítio histórico da épica Retirada da Laguna, por ocasião da
Guerra do Paraguai.
José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza
JARDIM-MS.
Cemitério dos Heróis da Retirada da Laguna
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Na 4ª Cia E Cmb Mec teve a honra e a oportunidade de servir com todos os
Comandantes, à exceção de seu 1º Cmt, onde passou a ser, por muito tempo, o sargento mais
antigo da Unidade, importante guardião da memória e da tradição "Azul Turquesa" da Unidade.
Destacou-se na modalidade de tiro de fuzil de combate, sendo por três vezes campeão por
equipe da Olimpíada da 4ª Brigada de Cavalaria Mecanizada (Dourados-MS).
Foi condecorado com a Medalha Militar de Prata, Medalha da Vitória e Medalha Corpo
de Tropa de Prata, tendo desempenhado funções nos 2º e 3º Pelotões de Engenharia de Combate,
no antigo Pelotão de Pontes (atual Pelotão de Equipagem de Assalto), no Almoxarifado e na 3ª
Seção.
Em 2005, a convite do Gabinete do Comandante do Exército, foi movimentado para a
Guarnição de Brasília-DF, sendo nomeado para o Ministério de Ciência e Tecnologia.
Serviu em Jardim-MS por mais de quinze anos, onde deixou registrado seu devotamento
e amor à Força Terrestre, sua dedicação e espírito de sacrifício à 4ª Cia E Cmb Mec, seu respeito
e admiração à história de Jardim e de Guia Lopes da Laguna, além de extenso e carinhoso
círculo de amizade.
José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza
JARDIM-MS.
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142
BIBLIOGRAFIAS

ALMANACHE ILUSTRADO. Empreza Editora, Três Lagoas MT. N. 2 e 3, Anno III,
1929/1930.

Registro Histórico e arquivos da 4ª Companhia de Engenharia de Combate Mecanizada.

CAMPOS, Flammarion Pinto. Conferência proferida em 25 de dezembro de 1988, no
Cinquentenário da Inauguração do Monumento dos Heróis de Laguna e Dourados.

DALMOLIN, José Vicente. Nioaque no Contexto do Século XIX na História do Mato
Grosso e do Brasil. Vol. 1. 2005 (cópia computadorizada).

DALMOLIN, José Vicente. Guia Lopes da Laguna, Nossa Terra, Nossa Gente, Nossa
História. Vol. 1, 2005 (cópia computadorizada).

Jornal Tribuna Popular de Jardim – MS.

Jornal O Estado do Pantanal. Guia Lopes da Laguna – MS.

MENDONÇA, Estevão. Datas Matogrossenses. Vol. 1, 2ª Edição, 1973, p. 259.

D’ANGROGNE, General Alfredo Malan. Heroes Esquecidos, 1926.

MARTINS, Demosthenes. História de Mato Grosso, p. 66.

NOVAIS, Jacy Lopes. Conferência proferida em 27 de maio de 1959, data do
falecimento do Guia Lopes, Campo Grande.

PEREIRA, Armando Arruda. Heroes Abandonados (peregrinação aos Lugares Históricos
do Sul de Mato Grosso, 1925, p. 43-44.

TAUNAY, Visconde. A Retirada da Laguna. Editora Tecnoprint Ltda. SP.
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http://www.retiradalaguna.hpg.com.br/ acessado em 9 de fevereiro de 2008.

http://www.exercito.gov.br/VO/169/laguna.htm acessado em 9 de fevereiro de 2008.
José Vicente Dalmolin & Edmilson Lima de Souza
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Memorial Descritivo (2014), de J. Vicente