CAMILA RIBEIRO LARA REPRESENTAÇÕES DOS PROFESSORES DE EDUCAÇÃO FÍSICA SOBRE O ENSINO DA DANÇA LONDRINA 2012 CAMILA RIBEIRO LARA REPRESENTAÇÕES DOS PROFESSORES DE EDUCAÇÃO FÍSICA SOBRE O ENSINO DA DANÇA Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Departamento de Estudos do Movimento Humano da Universidade Estadual de Londrina. Orientadora: Profª. Drª. Teixeira Victoria Palma. LONDRINA 2012 Ângela Pereira CAMILA RIBEIRO LARA REPRESENTAÇÕES DOS PROFESSORES DE EDUCAÇÃO FÍSICA SOBRE O ENSINO DA DANÇA Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Departamento de estudos do Movimento Humano da Universidade Estadual de Londrina. COMISSÃO EXAMINADORA ____________________________________ Profª. Orientadorª Drª. Ângela Pereira Teixeira Victoria Palma Universidade Estadual de Londrina ____________________________________ Profª. Esp. Debora Beatriz Martins Universidade Estadual de Londrina ____________________________________ Profª. Drª Marilene Cesário Universidade Estadual de Londrina Londrina, 28 de Novembro de 2012. Dedico este trabalho as pessoas especiais que fazem parte da minha vida: aos meu pais, Lucimerie e Jairce, que sempre me incentivaram e torceram muito por mim em toda minha vida, e também ao meu namorado Eduardo e as minhas amiga Anny, Jocemara, Joyce, Naiane, Franciele, Camila e Bruna. AGRADECIMENTOS Agradeço a Deus por ter me dado força e ânimo para concluir mais esta etapa da minha vida, dando-me sabedoria e iluminado os meus passos nesta caminhada. Aos meus pais, Lucimerie e Jairce, por terem sempre me apoiado nesta minha nova jornada de vida, sempre investido sua confiança em mim. Agradeço ao meu namorado Eduardo, pela paciência que teve comigo principalmente neste ultimo período do curso. Amo vocês! Agradeço a minha orientadora Ângela Palma por ter me orientado, sempre tirando as minhas dúvidas, por estar presente quando mais precisei, e ter tido paciência e confiança em mim. A professora Karina por ter me orientado no projeto, agradeço pela orientação inicial para que este trabalho e pela dedicação que teve comigo no começo. Aos professores que contribuíram para minha formação, me ensinando tudo que precisava aprender para ser uma ótima professora. Principalmente a Débora Beatriz Martins e Marilene Cesário por terem aceito participar da minha banca de qualificação, confiando assim em meu trabalho. Aos colegas que me deram forças para continuar lutando e não desistir, principalmente a Jocemara por ter me aguentado nesses quatro anos de curso, em muitos momentos foi minha companheira e irmã. Agradeço a minha amiga Anny por ter me aguentado todos os dias, por sempre ter me apoiado, tanto durante o curso quanto a minha vida pessoal. Adoro vocês meninas! A todos aqueles que contribuíram direta ou indiretamente para que este trabalho fosse concluído. Obrigada! "Dançar é sentir, sentir é sofrer, sofrer é amar... Tu amas, sofres e sentes. Dança!" Isadora Duncan LARA, Camila Ribeiro. Representações dos professores de educação física sobre o ensino da dança. 2012. 70 folhas. Trabalho de Conclusão de Curso (Licenciatura em Educação Física) – Universidade Estadual de Londrina, Londrina, 2012. RESUMO O Brasil é conhecido mundialmente como um país dançante e assim a Dança é considerada uma manifestação cultural na sociedade. A Dança também é considerada um conteúdo a ser ensinado nas aulas de Educação Física com objetivo educacionais a serem cumpridos. Para verificar qual a verdadeira realidade da Dança dentro da escola, elencamos como problema de pesquisa: o que pensam os professores das escolas da Educação Básica sobre o ensino da Dança nas aulas de Educação Física? Como objetivo geral: identificar quais as representações de professores de Educação Física sobre a Dança nas aulas de Educação Física na cidade de Porecatu. Construímos o referencial teórico para este trabalho dos seguintes assuntos: histórico sobre a Dança, o conceito de conteúdo e a Dança sendo um destes conteúdos a teoria da representação social e seu conceito. Esta pesquisa é de campo de natureza qualitativa e exploratória, para a coleta de dados foi utilizado como instrumento uma entrevista semiestruturada. Os participantes desta pesquisa foram 7 professores de Educação Física das escolas da Educação Básica e modalidades de ensino da cidade de Porecatu – PR. Para a análise de dados utilizamos à técnica da análise de discurso, formando assim categorias de acordo com as respostas dos professores que foram: a)- Dança enquanto estratégia ou atividade; b)- Dança enquanto conteúdo; c)- Dança enquanto apresentação de datas festivas; d)- Razões pelo não ensino da Dança nas aulas de Educação Física; e)- A influência da formação inicial. Com esta pesquisa foi possível verificar que os professores identificam, nos seus discursos, a dança como um conteúdo da Educação Física necessário a ser ensinado durante as aulas, porém não conseguem contextualizá-la e ensiná-la corretamente no âmbito escolar, pois distanciam da Dança como conteúdo da Educação Física e a consideram como uma simples apresentação de datas festivas. Palavras-chave: Dança. Conteúdo. Educação Física. Formação de professores. LISTA DE TABELAS Tabela 1 – Perfil dos professores informantes da pesquisa .................................... 34 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS PCNs – Parâmetros Curriculares Nacionais DCNs – Diretrizes Curriculares Nacionais SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ....................................................................................................... 11 2 A DANÇA NA ESCOLA........................................................................... .............. 14 2.1 A HISTÓRIA DA DANÇA E SUA INFLUÊNCIA NA SOCIEDADE ....................... 14 2.2 DANÇA ENQUANTO CONTEÚDOS NAS AULAS DE EDUCAÇÃO FÍSICA.................. ..................................................................................................... 19 3 TEORIA DA REPRESENTAÇÃO SOCIAL ........................................................... 26 4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS............................................................... 31 5 ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS DADOS ............................................................... 34 6 CONCLUSÃO ....................................................................................................... 47 REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 50 APÊNDICES ............................................................................................................. 54 APÊNDICE A – Roteiro das perguntas para as entrevistas ...................................... 55 ANEXOS ................................................................................................................... 56 ANEXO A – Termo de consentimento e livre esclarecimento ................................... 57 ANEXO B – Entrevistas ............................................................................................. 59 11 1 INTRODUÇÃO A escola, na sociedade, possui um papel muito importante, pois é o local onde o aluno tem o contato com várias culturas e costumes de sua população. A escola deve favorecer ao aluno o desenvolvimento de suas possibilidades de ação motora, verbal e mental, de forma que possa, posteriormente, intervir no processo sociocultural e inovar a sociedade (MIZUKAMI,1986, p. 73). Dentro da escola as disciplinas que compõem o currículo favorecem ao aprendizado do aluno e uma delas é a Educação Física. Essa Educação Física deve ter como o objetivo favorecer o aluno a refletir sobre suas ações e movimentos, para que assim tome consciência do que realmente está realizando e com isso buscar sua própria autonomia. O Brasil é conhecido mundialmente como um país dançante, por causa dos carnavais, do samba, das micaretas e pelas festas regionais. A Dança é abordada como conteúdo de ensino na disciplina de Educação Física tanto nos Parâmetros Curriculares Nacionais - PCNS (BRASIL, 1998), quanto nas Diretrizes Curriculares do Paraná1 - DCNPR (PARANÁ, 2008). Nas Diretrizes Curriculares do Paraná de Educação Física (PARANÁ, 2008, p. 70) a Dança é abordada como: O professor, ao trabalhar com a dança no espaço escolar, deve tratála de maneira especial, considerando-a conteúdo responsável por apresentar as possibilidades de superação dos limites e das diferenças corporais. A dança é a manifestação da cultura corporal responsável por tratar o corpo e suas expressões artísticas, estéticas, sensuais, criativas e técnicas que se concretizam em diferentes práticas, como nas danças típicas (nacionais e regionais), danças folclóricas, danças de rua, danças clássicas entre outras. Com base no estágio obrigatório e não obrigatório em Educação Física realizados durante o curso de graduação nas escolas dos municípios de Porecatu e de Londrina, podemos observar nos planejamentos bimestrais e anuais das mesmas, que os professores que estão atuando nas escolas sempre acabam 1 No PARECER CEE/CEB N.º 130/10 há uma recomendação governamental para substituição da expressão – Diretrizes Curriculares da Educação Básica por Diretrizes Curriculares Orientadoras da Educação Básica para a Rede Estadual de Ensino por entender que as Diretrizes Curriculares Nacionais já foram traçadas pelo Conselho Nacional de Educação. 12 deixando de lado este conteúdo, em muitos casos reclamam por ser difícil de ministrar aulas para os estudantes, por acharem que os alunos não participariam. Nessas atividades de estágio, os professores mostravam que seria mais fácil ou cômodo darem simplesmente um jogo do que ensinar a Dança em suas aulas, pois segundo um dos professores, eles deveriam pesquisar mais sobre a Dança já que nos outros conteúdos eles simplesmente deveriam reproduzir aquilo que estavam fazendo. Outra justificativa que os mesmos utilizavam, para a Dança não ser ensinada, era que não sabiam dançar, então não teriam como ensinar este assunto e só seria apresentado aos estudantes nas datas comemorativas, por exemplo: em apresentação dos dias das mães, em festas juninas, entre outros, porque eram obrigados pela direção da escola em montar coreografias ou algumas apresentações. Essa realidade nas escolas, aliada aos estudos realizados no período de formação inicial, permitiu perceber que seria importante pesquisar sobre as representações dos professores a cerca do conteúdo Dança, pois com os conhecimentos dos mesmos a realidade poderia vir à tona e poderíamos entender qual a verdadeira situação do conteúdo Dança nas aulas de Educação Física, sendo está fundamental para o conhecimento do aluno, pois é por meio da mesma que o estudante terá contato com as culturas de outras regiões, poderá se expressar corporalmente, terá um domínio de seu próprio corpo e poderá melhorar sua autoestima, sua concentração, entre outros. E assim o professor observará em cada aluno suas características, seus comportamentos, suas dificuldades; ajudando-os durantes as outras aulas e nas outras disciplinas. Para verificar qual a realidade da Dança dentro da escola, este trabalho possui como problema de pesquisa a seguinte indagação: o que pensam os professores das escolas da Educação Básica e modalidades de ensino sobre o ensino da Dança nas aulas de Educação Física? Foi escolhida para esta pesquisa a cidade de Porecatu, pois foi onde se realizou alguns dos estágios obrigatórios e por ser a cidade que a pesquisadora reside. Por Porecatu ser uma cidade distante de Londrina ou de outro grande centro, a maioria dos professores não participa de cursos de formação continuada apresentando uma dificuldade maior em continuar adquirindo e aprofundando novos conhecimentos. 13 Como objetivo geral pretendeu-se identificar quais as representações de professores de Educação Física sobre a Dança nas aulas de Educação Física na cidade de Porecatu e como objetivos específicos: compreender a Dança enquanto conteúdo de ensino nas aulas de Educação Física, entender a teoria das representações sociais como possibilitadora de reflexões sobre a Dança, analisar se há dificuldades dos professores de Educação Física em ensinar o conteúdo Dança e identificar nas Diretrizes Curriculares Educacionais do Paraná a Dança como conteúdo curricular. O referencial teórico está estruturado em três capítulos. No primeiro capítulo é apresentado um breve histórico sobre a Dança, sua evolução na sociedade e as mudanças desta com o passar dos anos. No segundo capítulo abordamos sobre a concepção da disciplina Educação Física, conteúdo de ensino e logo após é apresentada a Dança como um destes conteúdos dentro da escola. Por fim, no último capítulo, será apresentado a teoria da representação social e seu conceito e assim será como uma base para analisar as respostas dos professores sobre o problema proposto neste trabalho. 14 2 A DANÇA NA ESCOLA 2.1 A HISTÓRIA DA DANÇA E SUA INFLUÊNCIA NA SOCIEDADE A Dança está presente em diversos lugares como: academias, eventos, festas, escolas, programas de televisão, entre outros. Rangel (2002, p. 23) diz que: [...] a dança ultrapassa a representação de si mesmo e adquire outros significados, onde o saltar que no dia-a-dia representava ultrapassar obstáculos pode na dança representar um ato de euforia, alegria, explosão de sentimentos. A Dança é uma das três principais artes cênicas da antiguidade e caracteriza-se pelo uso do corpo seguido de movimentos coreografados ou improvisados. A Dança, segundo o dicionário Aurélio, é uma série ritmada de gestos e de passos que pode ou não ser acompanhada de som. Segundo Rangel (2002, p. 22): A dança possui definições relacionadas a vários enfoques, envolvendo sempre o movimento, como: relações com os deuses, relação consigo, com os outros e com a natureza; transcendência, emoção, expressão, sentimentos; símbolos, linguagens e comunicação; interação entre aspectos fisiológicos, psicológicos, intelectuais, emocionais; tempo, espaço, ritmo; arte; educação. O homem sempre utilizou a Dança como forma de se manifestar corporalmente e mostrar seus sentimentos, por meio dela é possível conhecer os hábitos e costumes da sociedade, pois com essa tradução da linguagem corporal realizada pelo homem podemos saber sobre a história da humanidade. Nanni (1995b, p. 8), argumenta que “pressionada pelo ritmo natural, a Dança na vida do homem primitivo presidia a todos os acontecimentos – nascimento/morte; guerra/paz; cerimônias religiosas e de iniciação; [...]”. O homem desde a sua origem sempre utilizou a Dança como meio de celebrar os deuses, rituais de passagens, nas comemorações das caças e das guerras. 15 Essas manifestações foram constatadas por meio dos desenhos deixados nas paredes de cavernas, rochas que assim retratavam a presença da Dança na história da civilização. No período paleolítico, a Dança começou surgir como uma imitação e incorporação dos animais que os homens, desta época, caçavam, sendo assim uma manifestação corporal que utilizavam para atrair outros animais e como forma de proteção. Segundo Caminada (1999, p. 22), “na forma mais elementar, a Dança se manifesta através de movimentos que imitam as forças da natureza que parecem mais poderosas ao homem e que trazem consigo a ideia de que esta imitação tornará possível a posse dos poderes dessas forças”. Oliveira (2001, p.14), menciona que: Uma das atividades físicas mais significativas para o homem antigo foi à dança. Utilizada como forma de exibir suas qualidades físicas e de expressar os seus sentimentos, era praticada por todos os povos, desde o paleolítico superior (60.000 a.C.). No período neolítico, a Dança começa a ser uma forma de culto e adoração aos deuses e aos mortos. Existiam danças que eram realizadas só por homens como: caças, guerreiras, espíritos e outras realizadas pelas mulheres como: colheita, chuva, fertilidade e nascimento. Segundo Ellmerich (1964, p.14): Os povos de costumes patriarcas, de índole guerreira, praticando caças, executavam danças mimicas e de imitação; povos de costumes matriarcas (introvertidos), de caráter pacífico, pastores e agricultores, se entregam a danças estáticas e tranquilas. Como requisitos usam-se joias e máscaras. No Egito havia as Danças sacras que eram em homenagens aos deuses como Ápis (touro sagrado), Hathor (a deusa da dança e da música) e entre outros. Nas danças fúnebres os dançarinos iam ao encontro dos cortejos fúnebres e as pessoas acreditavam que essas coreografias das danças eram para facilitar a entrada do defunto no além. Na Índia as Danças eram para a invocação a Shiva (deus da dança). Com suas danças e músicas, os hindus procuravam uma união com a natureza. Assim como a egípcia, a dança de Shiva tinha por tema a atividade cósmica. O rítmo 16 da dança estava associado à criação contínua do mundo, a manutenção desse mundo, a destruição de algumas formas para o nascimento de outras. A Dança era muito valorizada entre os gregos. Para eles, a perfeição estava na harmonia entre corpo e espírito no qual este corpo deveria ser um corpo bem moldado, adquirido graças ao esporte e a dança. Os Hebreus possuíam suas próprias Danças. Na Bíblia há uma passagem em que Miriã, irmã de Aarão, pega seu tamborim e todas as mulheres saiam atrás dela com Danças para festejar a travessia do Mar Vermelho. Na China, segundo Ellmerich (1964, p.16), na época de Ou-wang, já existia uma espécie de bailado histórico. A música era sempre lenta, a princípio, acelerando-se cada vez mais, de acordo com a execução coreográfica. Ellmerich (1964, p.17) diz que: Na Grécia, nas cerimônias rituais intervinham três fatores: o verso cantado, o instrumento vinculado à divindade e a dança. Esta então, era o centro de atração, em virtude de seus executantes encarnarem ou representarem a divindade ou algum de seus atributos, tendo assim um valor simbólico. Em Roma a Dança era desprezada, pois era considerada incompatível com o espírito do povo conquistador. O grande espetáculo era as enormes arenas, onde aconteciam as lutas entre gladiadores com animais ferozes. Na Idade Média, nas Danças populares, eram encontrados os mesmo motivos das Danças primitivas. O cristianismo conseguiu atenuar, mas não apagar completamente o sentido pagão dessas Danças. Na segunda parte da Idade Média surge o “mestre de Dança” que acompanhava seus senhores, os nobres e possuíam muitas vezes cargos de confiança. Logo após começam a serem professores de boas maneiras e desde então a Dança começa a fazer parte da educação dos cavalheiros (ELLMERICH, 1964, p. 21). No século XI e XII, foi marcado pela peste negra e outras doenças causando muitas mortes. As pessoas dançavam desesperadamente para espantar a morte. Essa dança ficou conhecida como dança macabra ou dança da morte. O Renascimento cultural dos séculos XV e XVI trouxe diversas mudanças no campo das artes, da cultura, da política e da religião e também a Dança. Com o Renascimento a Igreja começou a intervir reprimindo todas essas manifestações de Dança. Nesta época, a dança começou a ter um sentido social, 17 isto é, passou a ser dançada pela nobreza em grandes espetáculos teatrais. Segundo Langendonck (2010), neste período do Renascimento, em 1581 foi intitulado o primeiro “balé da corte”. A Dança saiu dos palácios e chegou aos palcos dos teatros, em 1669-1700, ainda como mera coadjuvante de alguns trechos de óperas. Já em 1713, Luís XIV criou uma companhia de dança, com vinte bailarinos, para a famosa Ópera de Paris. Em 1830, o balé romântico se desenvolve na França e se estende por toda a Europa. As histórias românticas mostravam, em sua maioria, uma heroína triste, capaz de morrer ou enlouquecer por amor. O balé modificou-se, em busca desse novo mundo de sonhos. Os passos não serviam mais unicamente para a evolução da ação, mas estavam carregados de um conteúdo emocional profundo. A Dança moderna foi um período onde não é simplesmente a técnica, mas, também, o pensamento que norteou sua elaboração. Com a necessidade de maior expressão corporal surge a Dança contemporânea. Essa nova etapa da história da Dança, não se utiliza de padrões: os corpos não têm um padrão preestabelecido. São gordos, magros, altos, baixos e de diferentes etnias. A maioria desses trabalhos incorpora novos movimentos e não mais os movimentos convencionais do balé ou das técnicas de dança moderna (LANGENDONCK, 2010). Na segunda metade do século XX, a dança contemporânea ganhou estabilidade não só nos países como os Estados Unidos e a Alemanha, mas também na França, na Inglaterra e no Brasil. Desde então, a Dança foi se transformando e se tornou acessível as camadas menos privilegiadas da sociedade, as quais já desenvolviam outro tipo de Dança: as Danças populares, logo após começou a surgir uma Dança que era desenvolvida por casais sendo esta a Dança de Salão. O ser humano sempre sentiu a necessidade de praticar atividade física, seja por prazer ou para sobreviver diante das dificuldades impostas pelo cotidiano. Com o passar do tempo a Educação Física iniciou um processo de legitimação perante a sociedade, tanto que foram inseridas tais atividades nas instituições escolares. A Dança começa a ser inserida dentro da escola por meio da Educação Física, sendo aquela um dos conteúdos a ser ensinado durante as aulas. Segundo Sborquia (2002, p.12): 18 [...] a educação e a dança podem ser um projeto de unificação porque, se a educação é um projeto cultural, a dança faz parte deste projeto e é direito de todo e qualquer ser humano ter acesso a ela. A escola pode possibilitar o acesso a todo patrimônio cultural, porque a dança é patrimônio da humanidade, a dança é cultura, é história. Mesmo que a dança possua uma técnica própria, como é o caso da dança acadêmica, a escola pode promover condições para o acesso a ela. Com base na autora acima citada a Dança é uma manifestação cultural e para entender sua influência na cultura de um povo é preciso relacioná-la com a cultura e assim a educação torna-se uma forma de transmissão cultural importante dentro da escola, pois possibilita o sujeito se expressar corporalmente, no qual seus sentimentos são manifestados e são comunicados ao outro por meio dos movimentos graciosos e ao ritmo de um som. É por meio da Dança que este sujeito terá contato com a sociedade e com o seu próprio interior, podendo assim buscar sua própria identidade. 19 2.2 DANÇA ENQUANTO CONTEÚDO NAS AULAS DE EDUCAÇÃO FÍSICA Na Antiguidade a Educação Física era considerada a Ginástica, que era utilizada como uma área que cuidava da higiene, da saúde, formar homens para a guerra, enfim do corpo físico. Com o passar dos anos os professores de Educação Física foram aprofundando seus estudos e a área veio ganhando legitimação e se tornando uma disciplina dentro da escola. A concepção que se propõe para a Educação Física é com objetivo de favorecer ao aluno buscar sua autonomia, através de indagações, de reflexão sobre seus movimentos culturalmente construídos. Na obra do Coletivo de Autores (1992), é definido como objeto de estudo da Educação Física o homem e a cultura corporal, tendo em vista que: O homem se apropria da cultura corporal dispondo sua intencionalidade para o lúdico, o artístico, o agonístico, o estético ou outros, que são representações, ideias, conceitos produzidos pela consciência social e que chamaremos de “significações objetivas”. Em face delas, ele desenvolve um “sentido pessoal” que exprime sua subjetividade e relaciona as significações objetivas com a realidade da sua própria vida, do seu mundo e das suas motivações (p. 62). O papel da Educação Física é fazer com que os alunos reflitam sobre seus movimentos culturalmente construídos e assim ressinificando aquilo que já possuía. Isso só será possível através de um ensino que possibilitará o aluno fazer a relação entre conteúdo e a realidade, a fim de ter um sentido e um significado para a vida deste na sociedade. Morin (2003) relata a diferença de uma cabeça bem cheia (uma cabeça onde o saber é acumulado e não dispõe de organização) e uma cabeça bem feita (apta a organizar e ligar os novos e múltiplos conhecimentos). Para organizar o conhecimento há necessidade de uma reforma de pensamento já existente tanto do professor, no momento do ensino, quanto do estudante, no momento da aprendizagem, para que assim o aluno possa co-relacionar o conhecimento que já possuía com este que acabou de adquirir. Então o professor deve ensinar aos seus alunos conhecimentos e não informações (saberes acumulados), pois terá como objetivo no momento do ensino favorecer a formação de aluno com a cabeça bem 20 feita, promovendo dessa forma que o aluno tenha condições de antecipar possíveis respostas, refletir sobre todos os pontos colocados, dessa forma o professor favorece a emancipação do estudante. O professor de Educação Física refletirá sobre seus objetivos e intenções ao ensinar determinado conteúdo na escola e relacioná-lo com a sociedade, tendo em vista provocar mudanças no contexto ao qual o aluno está inserido (COLETIVO DE AUTORES, 1992). Segundo Mizukami (1986, p. 77), “caberá ao professor criar situações, propiciando condições onde possam se estabelecer reciprocidade intelectual e cooperação ao mesmo tempo e racional”. O professor deve criar situações problemas para que quando o aluno tentar resolver essas situações, ele possa refletir, antecipar possíveis respostas e agir. Na escola, o professor de Educação Física deverá se organizar e selecionar conteúdos “com o objetivo de promover a leitura da realidade” (COLETIVO DE AUTORES, 1992, p. 63). As aulas de Educação Física buscam ser entendidas como espaços concretos para a construção da compreensão da motricidade humana, através da produção de abstrações pela criança, relacionadas à generalização e esta aos processos de pensamentos (PALMA ET ALL, 2010). As aulas devem ser de tal forma que favoreça ao estudante interpretar a realidade dada pelo professor, criando possibilidades do estudante generalizar para outras situações do seu cotidiano, tendo assim um sentido e um significado para a vida deste estudante. A Educação Física na escola precisa ter um planejamento e conteúdos para que os professores possam ensinar diversos assuntos aos alunos. Mas o que é conteúdo? Segundo Libâneo (1994, p. 128), diz que: Conteúdos de ensino são o conjunto de conhecimentos, habilidades, hábitos, modos valorativos e atitudinais de atuação social, organizados pedagógica e didaticamente, tendo em vista assimilação ativa e aplicação pelos alunos na sua prática de vida. Englobam, portanto: conceitos, ideias, fatos, processos, princípios, leis científicas, regras; habilidades cognoscitivas, modos de atividade, métodos de compreensão e aplicação, hábitos de estudo, de trabalho e de convivência social; valores, convicções, atitudes. 21 Os conteúdos são instrumentos sistematizados, organizados e seriados pelos quais os alunos também vão adquirir o conhecimento necessário para vida, pois estes deverão estar contextualizados com a vida dos alunos, para que assim tudo que o estudante aprender nas aulas possa incluir em sua vida na sociedade. Para um assunto tornar-se um conteúdo é preciso que tenha uma cultura construída e deve favorecer um aprendizado para os alunos. Segundo Sacristán (1998, p. 150), Os conteúdos compreendem todas as aprendizagens que os alunos/as devem alcançar para progredir nas direções que marcam os fins da educação numa etapa de escolarização, em qualquer área ou fora dela, e para tal é necessário estimular comportamentos, adquirir valores, atitudes e habilidades de pensamentos, além de conhecimento. O papel do conteúdo não é algo a ser despejado ou jogado para o estudante ou simplesmente algo a ser decorado por este e sim um conteúdo que possa favorecer a formação de alunos críticos e reflexivos. Na escolha do conteúdo de ensino, portanto, leva-se em conta não só a herança cultural manifesta nos conhecimentos e habilidades, mas também a experiência prática social vivida no presente dos alunos, isto é, nos problemas e desafios existentes no contexto em que vivem (LIBÂNEO, 1994, p. 130). O conteúdo precisa se tornar valioso, ou seja, ir ao encontro dos objetivos proposto pelo professor para a determinada aula, propiciando assim uma melhora da aprendizagem. Segundo Sacristán (1998, p. 155): Um conteúdo passa a ser valioso e legítimo quando goza do aval social dos que têm poder para determinar sua validade; por isso, a fonte do currículo é a cultura que emana de uma sociedade. Sua seleção deve ser feita em função de critérios psicopedagógicos, mas é preciso considerar antes de mais nada a que ideia de indivíduo e de sociedade servem. Para contribuir com o planejamento do professor e escolher os conteúdos possíveis de serem ensinados na escola, foram criados os Parâmetros Curriculares Nacionais – PCNs (BRASIL, 1998). Os PCNs são livros de apoio que os docentes podem utilizar para a construção de seus planejamentos e do currículo da 22 escola. Ele foi criado em um plano que a Educação deveria ser para todos com igualdade, assim o MEC cria os PCNS com a intenção de aumentar a eficiência e, para servir de orientação na organização do currículo nas escolas, o mesmo foi organizado de forma a corresponder à praticidade de manuseio do professor em sua aplicação. Os Parâmetros Curriculares Nacionais foram elaborados a partir de 700 propostas feitas por especialistas em educação e levaram em conta experiências já existentes em escolas públicas e privadas. Aprovados pelo CNE (Conselho Nacional de Educação), eles foram transformados nos livros que serão enviados aos professores. As diretrizes mostram o tipo de ensino básico que o Ministério da Educação classifica de desejável (FOLHA DE SÃO PAULO, Cotidiano, 1997, p.3). Os PCNs são divididos em dez livros um número para cada área de conhecimento ensinada na escola. Cada livro esta dividido em conteúdos que poderão ser ministrados pelos docentes. No PCNs de Educação Física, os conteúdos estão divididos em três blocos: 1) Bloco do Esporte, Jogos, Lutas e Ginástica; 2) Bloco Atividades rítmicas e expressivas onde a Dança esta inserida como um conteúdo a ser ensinado nas aulas de Educação Física e 3) Bloco do Conhecimento sobre o corpo. Outro documento que contribui para o planejamento dos professores são as Diretrizes Curriculares Nacionais - DCNs. Dela surgem as Diretrizes Curriculares da Educação Básica de Educação Física do Paraná (2008), contendo os conteúdos estruturantes que são: Esporte, Jogos e Brincadeiras, Ginástica, Lutas e Dança. De acordo com as DCNs, o professor, ao ensinar o conteúdo Dança no espaço escolar, deve considerá-la como um conteúdo responsável por apresentar as possibilidades de superação dos limites e das diferenças corporais e o professor deve reconhecer que a Dança se constitui como elemento significativo da disciplina de Educação Física no espaço escolar, pois contribui para desenvolver a criatividade, a sensibilidade, a expressão corporal, a cooperação. Favorece ainda, que o estudante entenda as diversas naturezas da Dança, tais como: dança de salão, dança folclórica, dança de rua, dança clássica, entre outras. Outra possibilidade de pesquisa na qual o professor pode utilizar é o livro de Educação Física e a organização curricular (PALMA ET ALL, 2010), que apresentam os conteúdos a serem ensinado na Educação Física. 23 Os conteúdos de ensino, segundo Palma et all, (2010), podem ser divididos em cinco núcleos: O movimento e a corporeidade; O movimento e os jogos; O movimento e o esporte, O movimento e a saúde e O movimento em expressão e ritmo, onde didaticamente em uma organização curricular se encontraria os conteúdos da Dança. No núcleo o movimento em expressão e ritmo os autores sinalizam o seguinte “promover a experiência do movimento rítmico como forma de expressão corporal e de representação social, valorizando-o em diversas manifestações culturais” (PALMA ET ALL, 2010, p. 61). A Dança deve ser ensinada aos alunos como um conteúdo valioso cumprindo com os objetivos proposto e não como forma de atividade ou ainda apenas para uma apresentação festiva da escola. Entendemos as atividades como estratégias utilizadas para ensinar determinado conteúdo. Como foi afirmado anteriormente, a Dança faz parte de um dos núcleos de conteúdos, então essa importante manifestação cultural é entendida como um conteúdo nas aulas de Educação Física e não apenas uma atividade para desenvolver ou ensinar outro conteúdo. Embora entendemos que a Dança é uma excelente estratégia para ensinar vários outros conteúdos, como exemplo podemos citar a compreensão dos estudantes no seu ritmo interno e externo, a compreensão da sua coordenação ao fazer um conjunto de movimentos, entre outros. Na escola, o ensino da Dança deve favorecer a perpetuação da cultura existente na sociedade, proporcionar que o estudante possa se comunicar com os outros e favorecer aos mesmos a compreensão do seu próprio movimento e sentimentos, cabendo ao professor e ao aluno estar sempre comprometidos para as aulas. O professor por meio da Dança poderá fazer com que seus alunos possam compreender seus sentimentos, possam mostrar essa alegria que está dentro de cada um, se expressar corporalmente, ter contato com a cultura de seu povo e de outros povos e através da Dança o aluno poderá adquirir um novo conhecimento. Segundo Nanni (1995, p. 6), diz que ”o objetivo da educação, portanto, não consistirá na transmissão de verdades, informações, demonstrações e modelos, mas sim que o aluno compreenda por si próprio, através de experiências pessoais e subjetivas, a necessidade de conquistar as verdades através do conhecimento [...]”. É fundamental que haja um planejamento dos objetivos a serem alcançados e a utilização de estratégias que estabeleçam relações entre as demais 24 disciplinas e que permitam ao aluno desenvolver sua personalidade através de seus conhecimentos, de suas habilidades, de seus comportamentos e da própria consciência corporal sobre as individualidades e limitações. O professor deve incentivar o aluno a participar das aulas de Dança, mostrando ao estudante a influência desta na sociedade, no seu próprio corpo e comportamento. O professor deve aprofundar seus conhecimentos cultural, técnico em Dança para que assim possa sentir mais preparado na hora de ministrar uma aula sobre este conteúdo. O professor não precisa entender o seu aluno como um dançarino profissional, mas sim levar em consideração o aprendizado que este teve durante suas aulas, na aquisição de conhecimento que o estudante conquistou durante suas experiências durante as aulas modificando assim as que já existiam. Cunha (1992, p. 13), ressalta a importância do processo de escolarização da dança argumentando: "Acreditamos que somente a escola, através do emprego de um trabalho consciente de Dança, terá condições de fazer emergir e formar um indivíduo com conhecimento na dança”. Para que esses objetivos sejam alcançados em aulas de dança na escola, o conteúdo desenvolvido deve caracterizar-se por uma lógica didática com relação a seus objetivos, à organização dos conteúdos, à escolha metodológica, aos procedimentos a serem tomados. Sobretudo, todas essas decisões devem ser tomadas sob uma concepção de educação e, portanto, de Educação Física, para que efetivamente o professor venha a escolher o caminho correto para a consecução dos seus objetivos educacionais (PEREIRA et al., 2001, p. 60). Moreira (2004), afirma que a prática da Dança na Educação Física na escola assume o papel de construção de uma cultura reflexiva e não mais a prática pela prática, o movimento pelo movimento, separando aptos de inaptos. A Dança na escola, não pode fugir do compromisso e responsabilidade com a formação do indivíduo e, neste sentido, seu ensino deve proporcionar momentos em que os alunos possam experimentar, sentir, articular e pensar a arte como criadores e sujeitos do mundo (MARQUES, 2007). Pereira (2001, p. 61) afirma que: [...] a dança é um conteúdo fundamental a ser trabalhado na escola: com ela, pode-se levar os alunos a conhecerem a si próprios e/com os outros; a explorarem o mundo da emoção e da imaginação; a 25 criarem; a explorarem novos sentidos, movimentos livres [...]. Verifica-se assim, as infinitas possibilidades de trabalho do/para o aluno com sua corporeidade por meio dessa atividade. Com a compreensão do que é um conteúdo, das fontes que o professor poderá recorrer para planejar suas aulas e da importância da Dança nas aulas de Educação Física é importante que o professor planeje e alcance seus objetivos sempre pensando na formação integral do aluno e levando este a uma autonomia e reflexão sobre seu movimento culturalmente construído. Para que a Dança seja inserida nas aulas de Educação Física é importante que os professores a reconheçam como um conteúdo a ser ensinado e não uma simples estratégia ou uma apresentação de data festiva. A Dança pode favorecer na formação do estudante, fazendo com que ele reconheça seu próprio movimento e perpetuação da cultura do país ou de determinada sociedade. 26 3 TEORIA DAS REPRESENTAÇÕES SOCIAIS O termo representação social foi originalmente criado por Serge Moscovici, em 1961 na França. A teoria das representações sociais pode ser considerada como uma forma sociológica de Psicologia Social. A expressão é mencionada por Moscovici em seu estudo sobre a representação social da psicanálise, que recebeu o título de Psychanalyse: son image et son public. Em sua obra sobre a Teoria da Representação Social, Moscovici apresenta um estudo no qual tenta compreender de que forma a psicanálise adquire uma nova significação pelos grupos populares. O que motivou Moscovici a desenvolver o estudo das representações sociais foi sua crítica aos pressupostos positivistas e funcionalistas das demais teorias que não explicavam a realidade, como é o caso da dimensão histórico-crítica. As representações sociais podem ser definidas como “imagens construídas sobre o real” (MINAYO, 1994, p. 108), no qual seria a relação do indivíduo com um determinado grupo. A teorização de Moscovici das representações sociais foi inspirada por Émile Durkheim sendo uma noção de representações coletivas. A “representação coletiva”, segundo Durkheim, não se reduz a soma das representações dos indivíduos que compõem a sociedade, mas é um novo conhecimento formado que supera a soma dos indivíduos e favorece uma recriação do coletivo. Sobre as representações coletivas, Durkheim (1970, p. 39) afirma que elas: [...] são exteriores com relação às individuais, é porque não derivam dos indivíduos considerados isoladamente, mas de sua cooperação, o que é bastante diferente. Naturalmente na elaboração do resultado comum, cada qual traz a sua quota-parte; mas os sentimentos privados apenas se tornam sociais pela sua combinação, sob a ação de forças sui generis, que a associação desenvolve; em consequência dessas combinações e das alterações mútuas que delas decorrem, eles se transformam em outra coisa. O método utilizado por Émile Durkheim não se baseia apenas na observação e análise do que é discutido pelos indivíduos para representar a realidade, pois afirma que a representação feita pelo grupo ocorre “até mesmo pela 27 maneira como se dispõe territorialmente, face a realidade. E suas formas organizacionais da vida social, além de mediações empíricas, são portadoras de uma ideologia implícita, que forma um arcabouço interno” (DURKHEIM apud RODRIGUES, 1990, p. 22). Já Moscovici (1978), enfatiza a verbalização, o discurso dos componentes do grupo estudado. Segundo Sá (1995, p. 23), a diferença entre a representação social, criada por Moscovici, e a representação coletiva de Durkheim está em que: [...] as representações coletivas eram vistas, na sociologia durkeimiana, como dados, como entidades explicativas absolutas, irredutíveis por qualquer análise posterior, e não como fenômenos que devessem ser por eles próprios explicados. A psicologia social, pelo contrário, segundo Moscovici, caberia penetrar nas representações para descobrir a sua estrutura e os seus mecanismos internos. Segundo a definição apresentada por Jodelet (1984, p. 8), sobre a teoria das representações sociais, são modalidades de conhecimento prático orientadas para a comunicação e para a compreensão do contexto social, material e ideológico em que vivemos. A representação social é todo comportamento, todo sentimento de um indivíduo em uma sociedade. [...] forma de conhecimento, socialmente elaborada e partilhada e que contribui para a construção de uma realidade comum a um conjunto social. Igualmente designada como saber de senso comum ou ainda saber ingênuo natural, esta forma de conhecimento é diferenciada, entre outra, do conhecimento científico [...] a sua importância na vida social é a elucidação possibilitadora dos processos cognitivos e das interações sociais. (JODELET, 2001, p. 22). Em seu estudo, Moscovici procurou investigar as teorias científicas dentro do senso comum, enfim a vida cotidiana de uma determinada população. Para tal análise, Moscovici apresenta dois universos: o universo reificado da ciência, que opera de acordo com regras e procedimentos científicos e dá origem ao conhecimento científico e o universo consensual da representação social, em que o público leigo elabora e divulga formas de conhecimento que constrói o conteúdo do senso comum. 28 Esse mesmo autor diz que a representação social é uma preparação para a ação, tanto por conduzir o comportamento, como por modificar e reconstituir os elementos do meio ambiente. Para ele, o ser humano é um ser pensante que formula questões e busca respostas e, ao mesmo tempo, compartilha realidades por ele representadas. Com está visão, Moscovici assinala sua concepção do social como uma coletividade racional, que não pode ser concebida apenas como um conjunto de cérebros processadores de informações que as transforma em movimentos, atribuições e julgamentos sob a força de condicionamentos externos. Moscovici (1978, p. 25), comenta sobre as representações sociais e afirma que: “Toda representação é composta de figuras e de expressões socializadas. Conjuntamente, uma representação social é a organização de imagens e linguagem, porque ela realça e simboliza atos e situações que nos são e que nos tornam comuns. Encarada de modo passivo, ela é compreendida a título de reflexo, na consciência individual ou coletiva, de um projeto, de um feixe de ideias que lhe são exteriores. A analogia com uma fotografia captada e alojada no cérebro é fascinante; a delicadeza de uma representação é, por conseguinte, comparada ao grau de definição e nitidez ótica de uma imagem. É nesse sentido que nos referimos, frequentemente, a representação (imagem) do espaço, da cidade, da mulher, da criança, da ciência, do cientista, e assim por diante.” Por meio da sua linguagem, o indivíduo interpreta e relaciona com a sociedade em que está inserido e acaba reproduzindo-a, além disso, ele dá um sentido e um significado para essa representação sendo um sentido cognitivo, social e afetivo e com isso reconstruindo a realidade em que vive. Para Moscovici (apud GUARECHI, 1994, p. 212), o que desencadeia o processo formador das representações sociais, seu propósito, é o de “transformar algo não familiar em familiar, ou a não familiaridade, em familiar”. Uma definição para a representação social, Jodelet (1989 apud Sá 1996, p. 32), a define como uma forma de conhecimento, socialmente elaborada e partilhada, que tem um objetivo prático e concorre para a construção de uma realidade comum a um conjunto social. O objetivo das Representações Sociais é a familiarização do que é desconhecido para um grupo, é tornar fatos que estão presente no cotidiano da sociedade em um fato comum, um fato familiarizado, com isso será interpretado, analisado para que assim a sociedade tome conhecimento deste acontecimento. 29 Segundo Moscovici (1978), o desconhecido atrai, mas, ao mesmo tempo, perturba tanto as pessoas quanto o seu grupo, fato que mexe com as referências habituais de compreensão da realidade, tornando mais premente a necessidade de transformar o não familiar em familiar. A função das representações sociais: [...] é tornar familiar o não familiar numa dinâmica em que objetos e eventos são reconhecidos, compreendidos com base em encontros anteriores, em modelos. No caso, a memória predomina sobre a lógica, o passado sobre o presente, a resposta sobre o estímulo, perturbador do universo exterior para o interior, coloca-o em uma categoria e contexto conhecidos. Nesse universo consensual o veredicto precede o julgamento. (LEME, 1995, p. 48). Ao analisarmos as definições sobre a representação social, todas abordam esta representação como uma forma de saber que liga um sujeito a um objeto. Moscovici, por meio da representação social, vai encontrar no senso comum uma forma de reproduzir o conhecimento científico. Moscovici (1978), detalha que uma representação é sempre uma representação de alguém, tanto quanto de alguma coisa. Moscovici (1976 apud Sá 1996, p. 31), identifica também a estrutura das representações sociais estabelecida em três dimensões: A informação: se refere à organização dos conhecimentos que um grupo possui a respeito de um objeto social. O campo de representação: remete a ideia de modelo social ao conteúdo concreto. Atitude: termina por focalizar a orientação global em relação ao objeto de representação social. Para organizar essas representações é preciso dois mecanismos: a ancoragem e a objetivação. Segundo Moscovici (2003), ancorar ideias estranhas é reduzi-las a categorias e imagens comuns, colocá-las em um contexto familiar. Já objetivar é transformar algo abstrato em algo quase concreto. A ancoragem é transformar algo desconhecido em algo conhecido, já a objetivação é tornar aquilo que esta na imaginação em algo concreto. As representações sociais podem ser resumidas em três cenários segundo Araujo (2008, p. 108), cujos elementos estão interligados. “O primeiro cenário é o do imaginário individual, no qual surgem as representações individuais; o 30 segundo o do imaginário coletivo, no qual aparecem as representações sociais – construídas pelo grupo. Segundo Cardoso (2000), é este cenário que integra os mitos, os preconceitos, os estereótipos, os lugares comuns, as religiões, as ideologias, etc. E o terceiro cenário trata da realidade social como atuação, é nele que tomam forma às representações que têm por objeto as ações sociais”. Essa teoria foi utilizada neste trabalho com o intuito de verificar qual são as concepções dos professores sobre a Dança dentro da escola, quais as representações sociais destes em relação à Dança. Segundo Araújo (2008, p. 111): Na teoria das representações sociais a captação do senso comum é de extrema importância, porque é na utilização do senso comum que os grupos sociais vão construir uma definição da realidade e de sua situação. A partir dele vão agir e atribuir significado a essa ação, de modo coerente com a sua história e com o conjunto de conhecimentos que possui. As representações sociais dos grupos são compostas com olhar que eles lançam sobre a sua vida cotidiana. Percebe-se, desse modo, a relação entre o subjetivo (olhar do sujeito) e o objetivo (a realidade). A importância de se utilizar da Teoria da Representação social para analisar as concepções dos professores é que com ela, pretende-se conhecer um grupo social específico e entender o porquê do seu modo de agir tornando possível verificar qual é a realidade da Dança dentro da escola na Cidade de Porecatu. 31 4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS Este estudo foi construído por meio de pesquisa de campo que de acordo com Marconi e Lakatos (1996), a pesquisa de campo é uma fase que é realizada após os estudos bibliográficos, para que o pesquisador tenha um bom conhecimento sobre o assunto, pois é nesta etapa que vai definir os objetivos da pesquisa, as hipóteses, delimitar qual é o meio de coleta de dados e a metodologia aplicada. Quanto à forma de análise, este estudo foi qualitativo, pois “[...] tem por objetivo traduzir e expressar os sentidos dos fenômenos do mundo social; tratase de reduzir a distância entre indicador e indicado, entre teoria e dados, entre contexto e ação” (MAANEN, 1979, p. 520). Está pesquisa caracteriza-se como exploratório que segundo Gil (1999), visa proporcionar uma visão geral de um determinado fato, do tipo aproximativo. Para Oliveira (2004, p. 135) “os estudos exploratórios têm como objetivo a formulação de um problema para efeito de uma pesquisa mais precisa ou, ainda, para a elaboração de hipóteses”. O fundamento teórico utilizado neste estudo foi a Teoria das Representações Sociais, que são formas de conhecimento socialmente construídas pelos integrantes dos grupos para explicar as relações estabelecidas entre eles, com outros grupos e com a natureza (ARAUJO, 2008). Com está teoria foi possível entender a teoria das representações sociais como possibilitadora de reflexões sobre a Dança e é por meio desta que as concepções, argumentações dos professores sobre a dança foi abordada neste trabalho e com isso verificar qual a influência desse conhecimento na sociedade. Está pesquisa teve como sujeitos 07 professores de Educação Física sendo estes 100% dos professores que atuam em escolas de Educação Básica e modalidades de ensino da cidade de Porecatu-Pr. O instrumento utilizado para a coleta de dados foi à entrevista. Segundo Cervo (1985, p. 157), “a entrevista não é uma conversa simples. É uma conversa orientada para um objetivo definido: recolher, através do interrogatório do informante, dados para a pesquisa”. As entrevistas qualitativas são essenciais no estudo das representações sociais e foi do tipo semiestruturada, que segundo Araújo (2008, p.111), para a representação social “é preciso à realização de entrevistas 32 semiestruturadas, que são entrevistas com um prévio roteiro de perguntas (Apêndice A) sobre o tema de interesse”, pois assim as questões já estarão preparadas fazendo com que vários participantes respondam as mesmas questões. A entrevista foi realizada com os professores de Educação Física das escolas de Porecatu sobre a dança como conteúdo nas aulas de Educação Física tendo uma questão deflagradora e, então, outras questões foram enunciadas conforme as respostas dos professores e professoras participantes. A questão deflagradora para a entrevista foi: O que você pensa sobre o ensino da Dança nas aulas de Educação Física? Os procedimentos de pesquisa foram da seguinte maneira: primeiro foi realizado um levantamento em todas as escolas da cidade de Porecatu, listando todos os possíveis participantes da entrevista. Na sequência foi agendado um horário com a diretora de cada escola para explicar sobre os objetivos e os procedimentos da pesquisa. Nessa ocasião entregou-se aos professores, que aceitaram participar como informantes do estudo e as escolas, um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (Anexo A). Salientamos que todos os professores da cidade aceitaram colaborar com a pesquisa. Antes de iniciarmos a entrevista com os professores informantes realizamos entrevistas piloto com uma professora de Educação Física que não se encaixavam no perfil desta pesquisa, pois a mesma está na supervisão de ensino e atualmente não esta em sala de aula. Foi possível com a entrevista piloto corrigir algumas falhas, ajustar as questões, e observar se as mesmas eram entendidas pelo informante. Os dados da pesquisa piloto não foram utilizados na análise dos dados. Em seguida agendamos dia e horário para a realização da coleta de dados com os professores. Para a entrevista, foi utilizado um aparelho celular Nokia X2-01 para gravar todas as respostas dos professores, o áudio gravado foi transcrito posteriormente na íntegra para a análise dos dados. Logo após as entrevista, que teve a duração média de uma hora, foram analisadas as representações dos participantes. A análise dos dados se fundamentou na teoria da análise de discurso, que segundo Orlandi (2001, p. 15), “a análise de discurso concebe a linguagem com mediação necessária entre o homem e a realidade natural e social”. 33 Ela trata do próprio discurso. Com o estudo do discurso observa-se o homem falando. Com os resultados desta pesquisa, se formaram categorias que estavam presentes nas respostas dos participantes. Essas categorias foram encontradas por meio de várias leituras realizadas nas respostas. As categorias encontradas foram: a)- Dança enquanto estratégia ou atividade; b)- Dança enquanto conteúdo; c)- Dança enquanto apresentação de datas festivas; d)- Razões pelo não ensino da Dança nas aulas de Educação Física; e)- A influência da formação inicial. Criou-se também um quadro com o perfil dos participantes para uma melhor compreensão das características dos participantes desta pesquisa. Com as respostas podemos compreender quais as representações de professores de Educação Física sobre a Dança nas aulas de Educação Física na cidade de Porecatu. 34 5 ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS DADOS Neste capítulo serão apresentadas as representações dos professores de Educação Física sobre o ensino da Dança no âmbito escolar. Os participantes desta pesquisa foram 07 professores de Educação Física da Educação Básica e modalidade de ensino perfazendo 100% dos professores da cidade de Porecatu no Paraná. As análises ocorreram de forma qualitativa, respeitando as respostas obtidas nas entrevistas que foram transcritos na íntegra. Solicitamos dos professores que respondessem sobre seu perfil e a partir dessas características de cada professor, foi feito o seguinte quadro: Professor Sexo Escolas 01 Fem. Anos Formação Anos de Curso de de inicial formado especialização atuação Particular 15 anos UNESP 1997 Sim 02 Fem. Estadual 03 Fem. Municipal 7 anos 26 anos UEL 1985 Sim UNOPAR 2004 Não E particular 04 Masc. Municipal 4 anos UNOPAR 2004 Sim 05 Masc. Estadual 21 anos UEL 1989 Sim e particular 06 Masc. Especial 9 anos UEL 2003 Sim 07 Fem. 27 anos UEL 1984 Sim Estadual Quadro 01 – perfil dos professores informantes da pesquisa Como é possível observar no quadro 01, temos 03 escolas particulares, 02 municipais, 03 estaduais e 01 escola especial. Entre os nossos informantes, encontramos 03 professores que estão atuando mais de 20 anos como professor, há 03 que atuam menos de 10 anos como docentes e 01 que atua há 15 anos. Com isso verificamos que os professores que estão há mais tempo nas escola possuem uma concepção diferente da Dança, pois o ensino desta na sua formação 35 inicial era mais ligada a coreografias, apresentações de datas festivas e com isso em suas respostas afirmavam que sua aula era mais prática do que teoria, já os que se formaram a pouco tempo, abordavam em suas aulas a parte teórica, sendo esta a história da Dança, seus estilos e entre outros e também abordavam a prática. Mas todos afirmam que na formação inicial o conteúdo Dança foi restritamente abordado. Para analisar as respostas dos professores, levantamos algumas categorias. Essas categorias foram encontradas nas várias leituras realizadas das respostas dos entrevistados. A primeira ação que fizemos foi selecionar as respostas de todas as questões 01, 02 e assim sucessivamente, de tal forma, que pudéssemos observar no que as respostas se aproximavam ou se distanciavam umas das outras sobre a mesma indagação. As categorias encontradas, a partir das respostas dos informantes, foram: a)- Dança enquanto estratégia ou atividade; b)- Dança enquanto conteúdo; c)- Dança enquanto apresentação de datas festivas; d)- Razões pelo não ensino da Dança nas aulas de Educação Física; e)- A influência da formação inicial. Fizemos as seguintes perguntas aos informantes dessa pesquisa para categoria A: O que você pensa sobre o ensino da Dança nas aulas de Educação Física? O que da Dança deveria ser ensinado na escola? Para a categoria B e C as questões foram: Qual a diferença entre ensinar o conteúdo dança nas aulas e preparar uma apresentação para uma atividade festiva? Para a categoria D as questões foram: Você encontra dificuldades em ensinar o conteúdo Dança durante as aulas de Educação Física? Explique sua resposta. O que é preciso acontecer para que a Dança seja inserida nas aulas de Educação Física? Para categoria E foram: Sua formação inicial favoreceu a você construir conhecimentos sobre a dança? Na sua forma de entender como deveria ser o ensino da dança no curso de formação inicial para favorecer você a ensinar dança na educação básica? Agora faremos a análise das respostas dos informantes a partir das categorias encontradas nas mesmas. A)- Dança enquanto estratégia ou atividade 36 Nas falas de alguns professores, foi possível perceber que utilizam a Dança enquanto estratégia ou atividades para desenvolverem e ensinarem outras habilidades e conteúdos. As respostas que levaram a esta conclusão foram as seguintes: P.1 [...] a coordenação motora geral das crianças. Dentro da Dança dá para ser trabalhada a flexibilidade [...]. Então na dança, o principal ensinamento é esse, porque todo mundo tem igualdade, todo mundo dança, todo mundo joga e todos somos iguais. Com a Dança nós podemos trabalhar o ritmo [...] você trabalhando com a Dança nas aulas de Educação Física você coloca qualquer ritmo, dá para englobar todos os ritmos [...]. P.2 A postura, o comportamento [...] a Dança na Educação Física pode colocar o corpo em movimento em qualquer ritmo, qualquer sentido de dança. P.3 [...] porque você trabalha a coordenação motora, você trabalha a socialização com as crianças tudo você trabalha nisso, a lateralidade, você engloba tudo que o que é da Educação Física coloca na Dança e é interessante você estar colocando. P.4 [...] a dança vejo também que pode ser trabalhada dentro de outros conteúdos [...]. P.6 [...] a gente vem trabalhando, ai dentro disso tento trabalhar a lateralidade, noção espacial, porque ai é a parte psicomotora, mas relacionada junto com a Dança [...]. Nas aulas de Educação Física os professores estão utilizando a Dança não como conteúdo a ser ensinado e sim como uma estratégia para desenvolver outras habilidades como: lateralidade corporal, igualdade, postura, flexibilidade entre outros. Os professores se confundem ao entenderem a Educação Física como algo só para desenvolver a habilidade motora do estudante, não conseguem enxergar que ela também pode promover a tomada de consciência sobre seu movimento e não só estar ligada a parte motora. Com isso os professores utilizam a Dança como estratégia para desenvolver essas habilidades e não a utilizam como um conteúdo que possam ter como assuntos a linguagem, a expressão corporal, entre outros. Segundo Marques (2007, p. 23), essa realidade esta muito presente na escola. [...] ainda são constantes os trabalhos com a dança que servem somente ao propósito de “trabalhar a coordenação motora” e “ter experiências concretas” nas outras áreas do conhecimento. Mas, será que para alcançar todos esses objetivos precisamos realmente da dança? Não que ela atenda/possa atender, mas outras disciplinas 37 também satisfariam a estas necessidades e, em alguns casos, até mesmo de maneira mais efetiva. A Dança faz parte dos saberes da Educação Física nas aulas como um conteúdo a ser ensinado, com objetivos por meio das estratégias. A Dança é considerada um conteúdo, porque por meio dela o aluno poderá perpetuar seu conhecimento e sua cultura, se tornar um aluno crítico e reflexivo, assim favorecendo seu aprendizado. Nanni (1995), diz que a Dança permite, pelo processo educacional, a utilização do processo criativo, e por meio deste, criar novas formas e fenômeno do movimento. Criar e contribuir com ideias originais e explorá-las até seus limites. Este conteúdo favorece ao aluno, assuntos que possam refletir sobre a Dança na sociedade em que está inserido, possibilita que, ao dançar, há um sentido e um significado nos movimentos que está realizando, para que assim o aluno quando refletir possa trazer para a sua realidade. É a partir desses aspectos que a dança passa a ser considerada como assunto a ser ensinado na escola. O conteúdo é um assunto que o professor vai ensinar aos alunos, tendo assim objetivos a ser cumpridos durante a aula, favorecendo a formação do aluno. Por exemplo, tendo a Dança como conteúdo e como assunto o estilo de Dança individual como o Rock, o professor elabora os seus objetivos levando o aluno a ter um conhecimento teórico e prático sobre a Dança no estilo Rock, ele procurara estratégia que contemple este conteúdo, favorecendo assim o aprendizado do aluno. A estratégia é utilizada como instrumento, como uma atividade para ensinar um determinado conteúdo proposto para aula, sendo está um meio e os objetivos propostos para a aula devem favorecer que o estudante entenda o que está sendo ensinado. A dança pode também ser utilizada como estratégia, desde que o professor saiba o que esta ensinando bem como seus objetivos propostos para a aula. O professor também deve deixar clara a intenção desta aula para os alunos, para que possam saber o que realmente estão aprendendo e qual é o conteúdo proposto para a aula. Como por exemplo, o assunto é a lateralidade e como estratégia o professor utilizará a Dança, por meio dos ritmos o professor poderá abordar a lateralização do corpo para os alunos, mas sempre deixando claro que o objetivo proposto para a aula e aprender os lateralidade e não a Dança, aqui ela aparece como uma estratégia para ensinar a dominância lateral. 38 B)- Dança enquanto conteúdo Na questão levantada sobre qual assunto da Dança deveria ser ensinado na escola e na questão sobre qual a diferença entre ensinar o conteúdo Dança nas aulas e preparar uma apresentação para uma atividade festiva, os professores acabaram listando alguns conteúdos a serem ensinados dentro do Conteúdo Dança e as respostas foram as seguintes: P.3 Conteúdos teóricos como história da dança, a fundamentação da dança [...]. P.4 Nós podemos estar abordando vários temas desde o forró, o axé, das músicas gaúchas, das músicas sertanejas então os ritmos são diversos, nós temos uma cultura imensa e muito rica para poder estar trabalhando a Dança e até mesmo a cultura que envolve cada ritmo e a cada Dança no nosso país. P.5 Principalmente ritmo, os estilos, o que seria da cultura local, quais as Danças da região e só. O conteúdo Dança você vai mostrar não só a história, mas o próprio ensinar a Dança em si. P.6 [...] (a dança) é bem importante e também para você conhecer novos tipos de Dança, regionais também e internacional. Para ter uma vivencia ampla para os alunos. P.7 Então esse contexto cultural da onde ela veio o que ela traz, o que representa nos dias de hoje, se a mídia que influencia ou se eu que gosto de Dançar, e a gente fica batendo bastante nessa tecla. Os professores, por meio da manifestação cultural, precisam ensinar a Dança ao aluno e assim este conhecer a influência da cultura de cada região, da história, de onde se originou a Dança ensinada, o que seria a expressão corporal, entre outros. Dessa forma, levar os estudantes a refletir, a aprender este conteúdo. Segundo Marques (2007, p. 31), “[...] os conteúdos específicos da Dança são: aspectos e estruturas do aprendizado do movimento [...]; disciplinas que contextualizem a Dança [...] e possibilidades de vivenciar a Dança em si [...]”. Existem outros conteúdos como os tipos de Dança tais como: clássica, salão, rua, regionais, nacionais, internacionais, danças individuais e entre outros. O professor, ao planejar este conteúdo, deve levar em conta o contexto onde o aluno esta inserido, para que assim o aluno possa enxergar na Dança um sentido e um significado para sua vida. A Dança promove a abstração, 39 reflexão e diálogo com o que está sendo aprendido para quando precisar, o aluno possa generalizar em outras situações. Segundo Libâneo (1994, p. 128) “[...] os próprios conteúdos devem incluir elementos, da vivência prática dos alunos para orna-los mais significativos, mais vivos, mais vitais, de modo que eles possam assimilá-los ativa e conscientemente”. “O professor, engajado ao contexto dos alunos, se torna um propositor, e, principalmente, um articulador, um interlocutor entre estes contextos e o conhecimento em Dança a ser ensinado na escola” (MARQUES 2002, p. 32). Pudemos observar nas respostas dos professores entrevistados uma contradição, ou seja, os docentes reconhecem a dança como conteúdo das aulas de Educação Física, porém não conseguem contextualizá-la e ensiná-la corretamente em suas aulas, isso é, não diferenciam conteúdo de estratégia, pois ensinam a Dança só para as datas festivas, investindo várias aulas para treinar a coreografia. Podemos inferir que alguns desses professores não ensinam a manifestação cultural dança em suas aulas. C)- Dança enquanto apresentação de datas festivas Em algumas respostas, os professores entrevistados acabaram afirmando que a Dança serve como uma simples apresentação de datas comemorativas como os dias das mães, festa junina, formatura, entre outros. Não ensinam, aos seus alunos, a Dança como um conteúdo nas aulas de Educação Física. As respostas foram as seguintes: P.1 Para uma apresentação é ensaiado um tipo de coreografia, mais específica e mais cansativa para eles. P.2 Ela pode a dança do momento, música que você vê no momento é só colocar e você nem precisa ensinar, ele já começam a se movimentar no ritmo e a coisa acontece. [...] um festival você tem que voltar para um tema, você tem que apresentar ao público algo com sequencia [...]. P.3 Com as apresentações que tem nas escolas, festas juninas, folclore, todas essas apresentações que tem dentro ou fora da escola você pode estar colocando a Dança. Para preparar uma apresentação você tem que ter um pouco do dom mesmo [...]. P.4 [...] agora as festas, hoje mesmo na escola procura estar trabalhando mais voltado as datas festivas, quando essas festas acontecem. Ás vezes a gente peca um 40 pouco por se tratar dessas datas a gente procura trabalhar somente nessa data e quando poderia ter sido trabalhada durante o ano todo. P.5 Bom, aproveitando aquelas datas comemorativas como: semana cultural ai a gente aproveita e coloca para os alunos estarem apresentando no festival e mostrando os estilos, talvez isso. A apresentação é uma coisa mais de momento, para aquele momento que você está passando para eles, mas às vezes pode não fica e nem todos os alunos são contemplados em um festival [...]. P.6 A gente trabalha em relação à Educação Física com a parceria de Artes, nós trabalhamos assim. Então seguindo o planejamento, igual vai ter apresentação para dias das mães ai a gente vem trabalhando [...]. P.7 Quando eu viso a apresentação eu vou buscar aquele que é melhor, porque ele vai representar a escola [...]. A Dança pode aparecer nas festinhas realizadas nas escolas, mas ela tem que ser ensinada aos alunos como um conteúdo das aulas de Educação Física. Porque nas apresentações a Dança aparece como uma simples coreografia reproduzida pelos alunos, estes reproduzem aquilo que o professor ensina à eles, com poucas possibilidades de reflexão. Já a Dança como conteúdo, o aluno precisará refletir sobre cada movimento que seu corpo faz, sobre cada expressão corporal, e não reproduzir e sim criar seu próprio modo de se expressar. Marques (2002) argumenta que a escola não pode continuar considerando a Dança como um sinônimo de festinha de final de ano. A Dança tem que estar dentro do planejamento dos professores com objetivos específicos sobre a natureza da Dança a serem ensinados aos alunos. “Em relação ao ensino de Dança engloba conteúdos bem mais amplos e complexos do que uma coreografia de carnaval ou de uma Dança popular” (MARQUES 2002, p. 19). O professor, na maioria das vezes, é solicitado pelo diretor da escola a montar uma coreografia para uma apresentação de alguma data festiva. O que está acontecendo, é que os professores estão utilizando este momento e afirmando que estão ensinando a seus alunos o conteúdo Dança. O problema não está em montar uma coreografia e sim de fazer da Dança uma simples apresentação e não ser ensinada como um conteúdo. Queremos afirmar que ensaiar uma coreografia montada pelo professor ou pela mídia é também muito interessante, o problema que levantamos é o que acontece com os estudantes que não tem habilidades para a coreografia proposta? Ele fica a margem do processo? Como normalmente as coreografias são montadas em cima da hora é necessário investir muitos encontros 41 durante a aula para os ensaios, favorecendo que parte dos estudantes não participe da atividade, pois não irá se apresentar na festa. Para evitar esse processo de desgaste junto aos estudantes menos habilidosos e investimento nas aulas de Educação Física sugerimos que o professor faça os ensaios, com os estudantes que desejam se apresentar, em outro momento que não seja o momento da aula. É preciso que o professor entenda a diferença entre Dança como apresentação e Dança como conteúdo de Educação Física. Pois a Dança como conteúdo, o professor tem objetivo a ser cumprido, deve ensinar a Dança aos estudantes, não necessariamente é preciso ter uma coreografia montada e sim ser montada pelos próprios estudantes fazendo com que reflitam sobre cada movimento e a finalidade é o aprendizado do aluno, já em uma apresentação os estudantes possuem uma coreografia montada, a finalidade é a apresentação, nem todos os alunos são contemplados, está pode ser usada como estratégia e os estudantes acabam representando a escola. Na maioria dos casos na apresentação a coreografia vem pronta, às vezes é copiada da mídia e ao aluno basta executar o movimento sem reflexão, sem pensar em música, na vestimenta, sem pensar porque aqueles movimentos são os mais apropriados. D)- Razões pelo não ensino da Dança nas aulas de Educação Física Na questão levantada sobre se há dificuldade de ensinar o conteúdo Dança nas aulas de Educação Física, 06 professores entrevistados comentaram que realmente possuíam dificuldades e só um dos professores respondeu que não tinha dificuldades porque gostava muito de dançar. Em uma das perguntas também foi questionado o que era preciso acontecer para que a Dança fosse inserida nas aulas de Educação Física como conteúdo, para que assim essas dificuldades pudessem ser amenizadas. As falas que abordam as dificuldades e uma possibilidade de solução foram estas: P.1 [...] os meninos já veem com aquele preconceito que menino não dança e que menina não joga futebol. Começar dar (a dança) de base, lá do nível 3 e nível 4, porque ai ele já veem com aquilo inserido na cabeça, porque é o que eu faço. Já venho mostrando para eles que isso é um conteúdo, que é importante ai quando eles chegam ao quarto e quinto ano eles já sabem que isso faz parte. 42 P.2 [...] mas não é a maioria e sim a minoria que gosta de colocar o corpo em movimento e no espaço. Ele tem dificuldade, tem vergonha e ai a gente tem que trabalhar muito isso também então às vezes você acaba desistindo por desistência deles [...]. A maior rejeição é essa, as meninas gostam de colocar o corpo em movimento do jeito delas, que é o atual, os ritmos atuais que eu acho que não é conveniente para a escola e o comportamento dessas danças não é benéfica para a formação de um cidadão [...]. Ai quando você vai fazer a outra dança você encontra uma rejeição imensa, pois só querem o que esta no momento. [...] tem a quadrilha, mas você tem que dar nota para que eles dancem, porque se não você não consegue aluno para dançar quadrilha [...]. A gente podia levar mais tempo para ver o que eles gostam mesmo, quais ritmos que eles gostam e os meninos não topam. P.3 Não, porque eu gosto, assim para mim não. A vontade do professor, se ele tem a vontade de inserir isso na aula. Porque eu conheço muito professor de Educação Física que quando chega na hora das apresentações, eles não fazem porque não tem o dom da Dança, então vai do professor de Educação Física. P.4 [...] para as crianças se torna um pouco complexo você trabalhar especificamente, aprofundar muito sobre a Dança. Acho que dentro de um planejamento que o professor venha ter em seu cronograma [...]. P.5 [...] porque a prática existe certa resistência por parte dos alunos em estar praticando e também uma deficiência técnica para eu estar ensinando todos os estilos de Dança. Eu encontro dificuldade porque eu não tenho a técnica necessária, o conhecimento técnico prático para estar passando [...]. Um espaço adequado para você estar fazendo isso, porque em uma quadra aberta se for de manhã tá frescos, mas se for à tarde ninguém quer ficar no sol, se você tem dois ambientes um fechado e outro aberto, os alunos que estão fazendo Dança, ela é um pouco discriminada em relação aos outros esportes, então um grupo que está fazendo o esporte tira sarro naquele que esta fazendo Dança, então se a gente tivesse um espaço que ficasse fechado e você leva seus alunos lá e eles fazem sua aula de Dança sem que os outros veem, talvez eles se soltem mais. Então esse talvez seja um dos requisitos que precisaria para estar inserindo as aulas de Dança é o ambiente e o professor ter essa qualificação necessária para também estar trabalhando com ela. P.6 Bom, dificuldade há também em relação ao professor [...]. Às vezes muito por causa dos alunos, por causa da timidez, por causa do machismo [...]. [...] às vezes alguns alunos por mais da sua deficiência fica também muito acanhado em participar. Ai tem outros que já se soltam independente, às vezes não tem o ritmo, mas ele se solta conforme o estilo deles [...]. Eu creio que deveria ser feito um trabalho com os professores também desde já e tudo e para conscientizar os alunos [...] então fazer um trabalho de conscientização com os alunos mostrando a importância da Dança que ela é importante para o corpo também, para a saúde tanto física como mental e um trabalho feito com os professores, porque tem professores, igual no meu caso, que tem muitas dificuldades. P.7 Se voltado para o Ensino Médio, ela é vista pelo 6º e 7º ano com uma facilidade, as crianças ainda participam, montam coreografias, a partir do 8º e 9º ano e Ensino Médio tem uma dificuldade muito grande. [...] eles vem para a nossa escola de Fundamental de quinta a oitava com muita malicia no sentido do toque, do segurar. As crianças querem o que é o de hoje, o que está na mídia hoje. Ai você fica naquilo que a mídia esta propondo que não deixa de ser uma proposta porque também é um estilo de Dança, mas você não consegue contextualizar aquelas outras Danças que você precisa [...]. Bom, primeiro tirar dos nossos alunos que a aluna de Educação Física é só bola e isso teria que vir de um trabalho bem feito lá da base [...] essa importância da Dança não só como uma apresentação [...]. 43 De acordo com as respostas dos professores a maior dificuldade encontrada por estes é a questão dos meninos não participarem das aulas de Dança, pois eles acabam tendo vergonha, de acharem que isso é coisa de menina e que só devem jogar bola. Ao planejar as aulas o professor deve sempre montar atividades que comtemple todos os alunos e deixar claro que a Dança não é coisa só de meninas e sim de meninos também como ocorre em Dança como: o Break, Dança de rua que acaba sendo mais masculina do que feminina. Com isso o professor acaba tendo uma diversidade cultural durante sua aula, avançando para além do ensino da dança regional, nacional, de salão entre outras e acaba mostrando outros ritmos que também faz parte de uma Dança dentro da escola. Em primeiro lugar, não são poucos os pais de alunos (gênero masculino), e os próprios alunos, que ainda consideram dança “coisa de mulher”. Em um país como o nosso, por que será que essa visão de dança ainda é constante? Digo em um país como o nosso pensando nos inúmeros grupos de dança e trios elétricos formados majoritariamente por homens durante o carnaval [...]; entre tantas outras manifestações em que a dança não está associada ao corpo delicado da bailarina clássica, mas, ao contrário, à virilidade, à força, à identidade cultural do homem brasileiro (Marques, 2007, p.20). Outra dificuldade encontrada é que o professor não está totalmente seguro e preparado para ensinar este conteúdo aos alunos, por acharem que necessitam saber dançar para ensinar. Mas o foco do ensino da Dança na escola não é formar bailarinos ou dançarinos e sim ensinar aos alunos a influência da Dança na sociedade, os passos básicos dos diferentes estilos e de danças. A dificuldade também apresentada pelos professores é a questão dos ritmos atuais, porque os alunos só querem o que está na mídia e não aquelas danças que poderiam ser resgatadas, ou as mais típicas dos pais e com isso encontram problema de resgatar as outras danças. Nas respostas dos professores sobre o que seria preciso para que a Dança estivesse inserida nas aulas, a maioria das respostas foi que deveria começar o ensino da Dança desde a Educação Infantil para que assim os alunos começassem a entender que a Dança é realmente um conteúdo das aulas de Educação Física, uma conscientização com os alunos e professores mostrando a importância da Dança nas aulas. 44 Os professores tem que ensinar aos alunos desde a Educação Infantil que a Dança é legitima como os outros conteúdos, que também faz parte dos conteúdos principais a serem ensinados, mas isso deveria ocorrer não só na Educação Infantil e sim em todos os anos, mostrando a verdadeira importância desta para a formação do aluno e para o conhecimento da cultura de sua sociedade. E)- A influência da formação inicial Nas questões sobre a influência da formação inicial, foram questionados se essa formação realmente favoreceu á eles construírem conhecimento dobre a Dança e como deveria ser o ensino da Dança nesse curso de formação inicial. As argumentações foram as seguintes: P.2 Então eu fiz a UEL também, eu achei que a professora dá bastante base [...] mas, por exemplo, a minha formação foi dando cada ritmo, ela foi trabalhando cada música, coreografia do início, meio e fim [...]. P.4 Sim, apesar de que na faculdade a gente consegue ver uma parte muito restrita [...]. A Dança, eu falo assim que você precisa ter as duas principais fontes de aprendizagem que seria o conhecimento teórico e prático. P.5 Nós tivemos um conteúdo de Dança em um semestre e era a gente fazer basicamente festivais, não eram ensinados os estilos, todos os estilos de Dança. Primeiramente você conhecer todos os estilos e viver lá na faculdade, como você esta passando isso para os alunos. Não só ensinando para gente, mas a parte didática de como passar isso para os alunos [...] Outra coisa também você estar conciliando, porque as meninas querem fazer Dança e os meninos não querem fazer, então como você trabalhar isso e isso também tinha que ser passado na faculdade. P.6 Olha na época da graduação nós tivemos bastante por causa da professora, porque depende de quem você pega ali dentro para ser trabalhado, então a professora trabalhava bem essas coisas com a gente, então até pelo o que eles me passaram a parte ampla e um conhecimento bom [...]. Não sei como está agora, mas eu acho que você tem que ter o conhecimento da parte histórica, apesar que a parte histórica da Dança você agora tem uma facilidade para estar pesquisando na internet, mas é preciso você estar vendo os ritmos e coreografia e trazer um modo de estar trabalhando dentro da sala de aula que você conseguisse interagir com o grupo inteiro e também na parte da saúde, você deve estar demonstrando para os alunos a importância disso [...]. P.7 Sim, porque eu tive Dança na minha vida toda e quando eu fui fazer Educação Física, a parte de Dança e de Ginástica isso tudo pesou bastante [...]. Eu acredito que exatamente nessa formação inicial você deveria ter um contexto, passo básicos da Dança, estilos de Dança, conhecimento do que é, as nossas danças folclóricas brasileiras [...]. Todos os professores argumentaram que a sua formação inicial favoreceu a eles construírem conhecimentos sobre a Dança, mas o conhecimento foi 45 restrito, pois acabavam ensinando os futuros professores a montarem coreografias, não abordavam todos os ritmos, dependiam muito do tipo de professora que eles tiveram nessa formação. A formação inicial deve sim servir de base para o professor quando chegar na escola poder ensinar determinado conteúdo, mas os assuntos que estão incluídos na Dança são de uma grande variedade e na formação inicial acaba não dando tempo de ensinar todos esses estilos, ritmo, então cabe ao professor estar sempre pesquisando, tendo uma formação continuada, para que assim complemente tudo aquilo que aprendeu durante sua formação inicial e assim possam ter um ensino mais qualificado. Segundo Marques (2007, p. 48): Muitas vezes, as aulas de Didática e Prática de Ensino de Dança, obrigatória nos cursos de licenciatura no Brasil para a atuação do professor no ensino básico, são insuficientes para descobrir valores educacionais enraizados no futuro professor. Neste sentido, Rangel (2002, p. 61) diz que: É certo que a pouca utilização desta atividade em propostas escolares, pode ser um reflexo de sua situação nos cursos de graduação em Educação Física (licenciatura), da visão que os graduandos têm a respeito da dança e, consequentemente, do enfoque que a mesma tem recebido [...] Nas falas dos professores pode-se observar que na formação inicial deveria abordar mais sobre os estilos de Dança, mais parte teórica como a história e sua influência na sociedade, passos básicos dos estilos, como lidar com essa questão dos meninos não participarem das aulas, enfim os professores acabam afirmando que na formação inicial deveria estar mais ligada ao conteúdo de Dança do que uma simples montagem de coreografias. Podemos perceber que a Dança esta cada vez mais sendo deixada de lado, pelo fato dos professores não se sentirem preparados para ensinar este conteúdo, por sempre utilizarem das datas festivas e das montagens de coreografias para justificarem seu ensino só nestas datas, por acharem que nem todos os alunos participariam das aulas, entre outras justificativas. O professor tem que entender que a Dança é como os outros conteúdos como: Esporte, Jogos, Ginástica entre outros, que tem que ser ensinado 46 aos seus alunos durante as aulas de Educação Física, tem que mostrar a importância desta para a formação do estudante, mostrando assim que este conteúdo também é valioso para seu futuro na sociedade. 47 6 CONCLUSÃO Durante as entrevistas, foi possível notar a dificuldade que os professores tiveram em discutir e responder as questões que relacionavam o conteúdo Dança nas suas aulas de Educação Física e podemos compreender quais as representações dos professore sobre a Dança nas aulas de Educação Física. Ao analisarmos as respostas dos informantes, podemos observar as representações sociais e com isso nos utilizar dessa teoria como possibilitadora de reflexões sobre a Dança. Essas representações estão sempre ligadas a contextos culturais da sociedade como, por exemplo, a dificuldade que os professores tem para que os alunos do sexo masculino se envolvam com o conteúdo dança, pois sempre colocavam que a Dança tinha relação com o gênero feminino. Mas o professor não deve só se importar com a parte prática, mas também conhecendo a natureza da Dança como os tipos de Dança, a história que a envolve e entre outros. Nas entrevistas realizadas, notamos que os professores identificam a Dança como um conteúdo da Educação Física necessário a ser ensinado durante as aulas e também a sua existência dentro dos documentos educacionais relacionados à mesma, porém não conseguem contextualizá-la e ensiná-la corretamente em suas aulas, pois na maioria das afirmações, os professores utilizam a Dança como estratégias para ensinar outros conteúdos ligado sempre a ação motora do aluno. Dessa forma, analisando as respostas dos entrevistados, podemos inferir, que alguns desses professores não ensinam a manifestação cultural dança em suas aulas. Nas Diretrizes Curriculares do Paraná (2008, p. 70) a Dança é abordada como um conteúdo a ser ensinado durante as aulas de Educação Física. O professor, ao trabalhar com a dança no espaço escolar, deve tratála de maneira especial, considerando-a conteúdo responsável por apresentar as possibilidades de superação do limites e das diferenças corporais. A dança é a manifestação da cultura corporal responsável por tratar o corpo e suas expressões artísticas, estéticas, sensuais, criativas e técnicas que se concretizam em diferentes práticas, como nas danças típicas (nacionais e regionais), danças folclóricas, danças de rua, danças clássicas entre outras. Os professores em suas respostas afirmaram que só ensinam a Dança durante as datas festivas, ensaiando coreografias e montando 48 apresentações. Só que, ao utilizar da dança dessa forma, eles não percebem que com isso acabam não ensinando aos alunos o conteúdo Dança, e sim fazendo com que estes reproduzam coreografias já montadas, de modo que não reflitam sobre seu movimento e não dando um sentido e um significado para esta ação. O professor não pode só colocar uma música e pedir para os estudantes se movimentarem, tem que explicar qual é o sentido desta atividade para a vida do aluno, o que eles aprenderiam com isto, não basta só copiar uma coreografia da mídia, mas também fazer com que os estudantes possam criar sua própria coreografia, para que assim possam refletir e se expressar corporalmente. Uma das dificuldades apontadas pelos docentes, ao ensinarem a Dança como conteúdo, é a questão dos ritmos, pois hoje os estudantes só querem os ritmos atuais e que estão na mídia e não as danças que poderiam ser resgatadas ou as mais típicas do país. Não há problema nenhum do professor se utilizar das Danças do momento, não importa a natureza da Dança que ele utilizará e sim deixar claro aos estudantes qual é a intenção, objetivo da aula, em que momento da vida deles poderão utilizar este conteúdo, é preciso resgatar as Dança antigas, pois os alunos poderão acrescentar o seu conhecimento, mas utilizando as Danças atuais, o professor poderá ter um contato maior com o aluno, pois estará envolvendo aquilo que este já tem contato, é o que está inserido na mídia. Todos os docentes, durante suas respostas, argumentaram que a sua formação inicial favoreceu a eles construírem conhecimentos sobre a Dança, mas o conhecimento foi restrito, pois durante as aulas não abordavam todos os ritmos da Dança de salão, das folclórica e entre outros, e a maioria das aulas era montagem de coreografias sobre uma determinada época da história ou um estilo musical. Igual acontece com o Esporte, os professores entendem que é preciso fazer para poder ensinar, que eles precisam saber dançar para poder ensinar a Dança, então eles esperavam que no curso teriam que ter visto todos os estilos da dança. Mas esta formação deve servir de base para o ensino da Dança dentro da escola, o curso de formação não tem objetivo de ensinar todos os estilos e sim fazer com que o estudante compreenda a importância da Dança como um conteúdo dentro da escola, aprenda como ensinar, e como explorar e valorizar este conteúdo como os outros. Podemos concluir que os professores não estão ensinando a Dança como conteúdo e sim a utilizando como estratégia, como apresentações e não como 49 deveria ensinar segundo os documentos nacionais e estaduais da Educação Física, por vários motivos: por o docente não saber dançar, por acharem que os alunos não irão participar, por não gostarem da Dança, por não terem tido uma boa formação inicial que servisse de base para este ensino durante as aulas. A Dança deve ser ensinada nas aulas de Educação Física como um conteúdo valioso tendo objetivos a serem cumprindo e sempre relacionada com o cotidiano e a sociedade do aluno. O professor deve resgatar os estilos, característica de Dança antigas e típicas existente, deve se utilizar das Danças atuais e relacionála com a vida dos alunos. Durante a aula o professor tem que sempre estar problematizando com o aluno, levando este a refletir sobre seu movimento, sempre dando a liberdade deste se expressar corporalmente e assim buscar sua autonomia e dando um sentido em cada gesto. Durante as aulas o professor pode abordar a parte histórica de cada estilo de Dança, ritmos para que o estudante possa acrescentar em seu conhecimento. O professor não deve só se preocupar com a coreografia, ou parte prática e sim deixar que o estudante entenda a importância da Dança dentro da sua formação como cidadão e a influencia que esta faz dentro da sociedade que ele está inserido. 50 REFERÊNCIAS ARAUJO, Marivânia Conceição de. Revista Hospitalidade. São Paulo, ano V, n. 2, p. 98-119, jul.- dez. 2008. BRASIL. Lei Nº 9.394 – Lei das diretrizes e bases da educação nacional de 20 de Dezembro de 1996. Brasília: Gabinete da Presidência da República, 1996. BRASIL, MEC. Secretaria de Educação Fundamental. 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Sua formação inicial favoreceu à você construir conhecimentos sobre a dança? Na sua forma de entender como deveria ser o ensino da dança no curso de formação inicial para favorecer você a ensinar dança na educação básica? 56 ANEXOS 57 ANEXO A Termo de Consentimento Livre e Esclarecido Titulo da pesquisa: “.................................................................................................” Prezado(a) Senhor(a): Gostaríamos de convidá-lo (a) a participar da pesquisa “TITULO”, realizada em “LOCAL”. O objetivo da pesquisa é “ESCREVER os OBJETIVOS DE FORMA CLARA, EM LINGUAGEM SIMPLES”. A sua participação é muito importante e ela se daria da seguinte forma (AQUI COLOCAR DE FORMA BEM CLARA TODOS OS PROCEDIMENTOS QUE SERÃO REALIZADOS: PERGUNTAS, COLETA DE MATERIAL BIOLÓGICO, FOTOS, GRAVAÇÃO, ETC.). Gostaríamos de esclarecer que sua participação é totalmente voluntária, podendo você: recusar-se a participar, ou mesmo desistir a qualquer momento sem que isto acarrete qualquer ônus ou prejuízo à sua pessoa. Informamos ainda que as informações serão utilizadas somente para os fins desta pesquisa e serão tratadas com o mais absoluto sigilo e confidencialidade, de modo a preservar a sua identidade. (No caso de registros gravados ou coleta de material biológico deve ser especificado aqui a destinação final dos mesmos). Os benefícios esperados são____ (colocar os benefícios diretos ou indiretos da pesquisa). Se houver riscos, deve ser informado aos participantes). Informamos que o(a) senhor(a) não pagará nem será remunerado por sua participação. Garantimos, no entanto, que todas as despesas decorrentes da pesquisa serão ressarcidas, quando devidas e decorrentes especificamente de sua participação na pesquisa. Caso você tenha dúvidas ou necessite de maiores esclarecimentos pode nos contactar (NOME COMPLETO DO PESQUISADOR, ENDEREÇO COMPLETO, TELEFONE e E-MAIL), ou procurar o Comitê de Ética em Pesquisa Envolvendo Seres Humanos da Universidade Estadual de Londrina, na Avenida Robert Kock, nº 60, ou no telefone 33712490. Este termo deverá ser preenchido em duas vias de igual teor, sendo uma delas, devidamente preenchida e assinada entregue a você. Londrina, ___ de ________de 2011. 58 Pesquisador Responsável RG::__________________________ _____________________________________ (nome por extenso do sujeito de pesquisa), tendo sido devidamente esclarecido sobre os procedimentos da pesquisa, concordo em participar voluntariamente da pesquisa descrita acima. Assinatura (ou impressão dactiloscópica):____________________________ Data:___________________ Obs: Caso o participante da pesquisa seja menor de idade, deve ser incluído o campo para assinatura do menor e do responsável. 59 ANEXO B Entrevistas Professor 1 Você ensina o conteúdo Dança nas suas aulas de Educação Física? Sim O que você pensa sobre o ensino da Dança nas aulas de Educação Física? Com a Dança nós podemos trabalhar o ritmo, a coordenação motora geral das crianças. Dentro da Dança dá pra ser trabalho a flexibilidade e é uma maneira de ensinar se divertindo, todas as crianças gostam. Em sua opinião, como a Dança deve ser inserida na aula de Educação Física? É um conteúdo que tem que ser trabalhado como os outros conteúdos são. O que da Dança deveria ser ensinado na escola? Em primeiro lugar a igualdade, porque desde pequenos na Educação Física infantil, os meninos já veem com aquele preconceito que menino não dança e que menina não joga futebol. Então na dança, o principal ensinamento é esse, porque todo mundo tem igualdade, todo mundo dança, todo mundo joga e todos somos iguais. Qual a diferença entre ensinar o conteúdo dança nas aulas e preparar uma apresentação para uma atividade festiva? A diferença é o conteúdo, você trabalhando com a Dança nas aulas de Educação Física você coloca qualquer ritmo, dá para englobar todos os ritmos. Para uma apresentação é ensaiado um tipo de coreografia, mais específica e mais cansativa para eles. Você encontra dificuldades em ensinar o conteúdo Dança durante as aulas de Educação Física? Explique sua resposta. Encontro, por causa do preconceito dos meninos. O que é preciso acontecer para que a Dança seja inserida das aulas de Educação Física? Começar dar de base, lá do nível 3 e nível 4, porque ai ele já veem com aquilo inserido na cabeça, porque é o que eu faço. Já venho mostrando pra eles que isso é um conteúdo, que é importante ai quando eles chegam ao quarto e quinto ano eles já sabem que isso faz parte. Sua formação inicial favoreceu à você construir conhecimentos sobre a dança? Com certeza, porque eu fiz ginástica a vida toda e foi muito mais fácil. Na sua forma de entender como deveria ser o ensino da dança no curso de formação inicial para favorecer você a ensinar dança na educação básica? Ensinar a começar com os pequenos, ensinando que é a Dança uma matéria, uma coisa gostosa para todos e depois inserindo na Educação Básica. 60 Professor 2 Você ensina o conteúdo Dança nas suas aulas de Educação Física? Nem sempre, dependendo do semestre que dá para encaixar eu colo, mas no cotidiano não. O que você pensa sobre o ensino da Dança nas aulas de Educação Física? Quando o professor tem mais facilidade, ele se identifica mais com a Dança, ele consegue trabalhar a qualquer momento e os alunos tem interesse, mas não é a maioria e sim a minoria que gostam de colocar o corpo em movimento e no espaço. Ele tem dificuldade, tem vergonha e ai a gente tem que trabalhar muito isso também então às vezes você acaba desistindo por desistência deles, porque a gente não tem tanta facilidade e ai você leva para aluno e não tem aceitação é horrível. Em sua opinião, como a Dança deve ser inserida na aula de Educação Física? Ela pode a dança do momento, música que você vê no momento é só colocar e você nem precisa ensinar, ele já começam a se movimentar no ritmo e a coisa acontece. O que da Dança deveria ser ensinado na escola? A postura, o comportamento. A dança ela tem algumas coisas que podem ser tratadas diretamente para depois ele viver em sociedade, em grupo. Qual a diferença entre ensinar o conteúdo dança nas aulas e preparar uma apresentação para uma atividade festiva? A diferença é imensa, porque um festival você tem que voltar para um tema, você tem que apresentar ao público algo com sequencia, porque o povo já não é tão ignorante mais, ele quer alguma coisa agradável aos olhos e a Dança na educação física ela pode colocar o corpo em movimento em qualquer ritmo, qualquer sentido de dança. Você encontra dificuldades em ensinar o conteúdo Dança durante as aulas de Educação Física? Explique sua resposta. A maior rejeição é essa, as meninas gostam de colocar o corpo em movimento do jeito delas, que é o atual, os ritmos atuais que eu acho que não é conveniente para a escola e o comportamento dessas danças não são benéficos para a formação de um cidadão, então eu acho que trabalho muito voltado a isso. Ai quando você vai fazer a outra dança você encontra uma rejeição imensa, pois só querem o que esta no momento. Igual eu coloco a dança da caninha verde e encontro maior resistência, eu tento o folclore ai eu resgato o folclore e todo ano no segundo semestre eu faço isso e tem a quadrilha, mas você tem que dar nota para que eles dancem, porque se não você não consegue aluno para dançar quadrilha e a festa fica um evento muito bonito, porque tem comidas típicas, tem as músicas, a direção toda se envolve, fica um festival muito bonito, para encerrar o segundo semestre, mas a única coisa que eu consigo trabalhar com resultados, porque com outros ritmos eu não consigo. O que é preciso acontecer para que a Dança seja inserida das aulas de Educação Física? A gente podia levar mais tempo para ver o que eles gostam mesmo, quais ritmos que eles gostam e os meninos não topam. Agora embora a Dança de rua até se você colocar eles 61 topam, mas não é a maioria, é a minoria e ainda tá bem misto, as minhas turmas pelo menos tá mista, então eu não consigo fazer com que todos os alunos participem de uma turma de 15, 3 dançam ai os outros ficam todos parados e ai não dá certo. Sua formação inicial favoreceu à você construir conhecimentos sobre a dança? Então eu fiz a UEL também, eu achei que a professora dá bastante base ai eu só acho que a pessoa precisa estar nata também, porque a Dança também vem de muita criatividade, de coreografia e isso é nato, você não consegue desenvolver uma coreografia e trabalhar seu cérebro para ficar inventando vai chegar uma hora que o professor de educação física que é o considerado o criativo, mas também tem uma hora que chega ao limite, mas eu acho que a base foi boa sim, se a pessoa se encontra ela consegue desenvolver ótimo trabalho. Na sua forma de entender como deveria ser o ensino da dança no curso de formação inicial para favorecer você a ensinar dança na educação básica? Como eu tive uma base boa eu não sei nem como, mas por exemplo, a minha formação ela foi dando cada ritmo, ela foi trabalhando cada música, coreografia do início, meio e fim, como se começa, vai passando pelas dificuldades até chegar no limite. Mas eu tive uma boa formação, o que eu encontro um pouco é a falta de criatividade na montagem de uma coreografia, mas como a gente tem sempre alunos criativos você consegue somar, soma o teu conhecimento com a criatividade do aluno e a gente acaba montando alguma coreografia. Mas pelo fato de ficarem mistas as turmas também limita algumas coisas. É logico que todas as modalidades a gente não vai encontrar, alunos que colaborem com tudo, então a gente como professor tem que dar seus pulos. Professor 3 Você ensina o conteúdo Dança nas suas aulas de Educação Física? Sim O que você pensa sobre o ensino da Dança nas aulas de Educação Física? Importante, porque você trabalha a coordenação motora, você trabalha a socialização com as crianças tudo você trabalha nisso, a lateralidade, você engloba tudo que o que é da Educação Física coloca na Dança e é interessante você estar colocando. Em sua opinião, como a Dança deve ser inserida na aula de Educação Física? Com as apresentações que tem nas escolas, festas juninas, folclore, todas essas apresentações que tem dentro ou fora da escola você pode estar colocando a Dança. O que da Dança deveria ser ensinado na escola? Conteúdos teóricos como história da dança, a fundamentação da dança, tudo isso na parte teórica para ser trabalhado com a Dança. Qual a diferença entre ensinar o conteúdo dança nas aulas e preparar uma apresentação para uma atividade festiva? Para preparar uma apresentação você tem que ter um pouco do dom mesmo, porque às vezes é fácil montar uma dança, mas ai você tem que correr atrás de musica, musica que 62 seja adequada para aquela turma, porque tem o primeiro ano, tem segundo, terceiro, quarto ano e quinto ano e cada um tem que ter a música adequada, a coreografia adequada. Então tudo isso você tem que estar por dentro. A Dança você realmente tem que gostar. Você encontra dificuldades em ensinar o conteúdo Dança durante as aulas de Educação Física? Explique sua resposta. Não, porque eu gosto, assim para mim não. O que é preciso acontecer para que a Dança seja inserida das aulas de Educação Física? A vontade do professor, se ele tem a vontade de inserir isso na aula. Porque eu conheço muito professor de Educação Física que quando chega na hora das apresentações, eles não fazem porque não tem o dom da Dança, então vai do professor de Educação Física. Sua formação inicial favoreceu à você construir conhecimentos sobre a dança? Com certeza. Na sua forma de entender como deveria ser o ensino da dança no curso de formação inicial para favorecer você a ensinar dança na educação básica? Pelo menos a onde eu estudei tem bastantes professores que te passa, para mim eu tive uma base boa na faculdade. Professor 4 Você ensina o conteúdo Dança nas suas aulas de Educação Física? Sim O que você pensa sobre o ensino da Dança nas aulas de Educação Física? O ensino da Dança tem uma representatividade muito grande nas aulas de Educação Física, por se tratar de um conteúdo. Ela aborda vários temas no que diz respeito às culturas que hoje nos convivemos em nosso país. Em sua opinião, como a Dança deve ser inserida nas aulas de Educação Física? A Dança ele pode ser inserida de forma que nós podemos estar trabalhando num contexto onde pode ser abordado o ritmo nas atividades rítmicas, a dança vejo também que pode ser trabalhada dentro de outros conteúdos, no que diz respeito às atividades como as brincadeiras, as cantigas de roda que pode estar inserida a Dança também. O que da Dança deveria ser ensinado na escola? Olha a Dança em se tratando a nível Brasil, ela tem uma diversidade muito grande. Nós podemos estar abordando vários temas desde o forró, o axé, das músicas gaúchas, das músicas sertanejas então os ritmos são diversos, nós temos uma cultura imensa e muito rica para poder estar trabalhando a Dança e até mesmo a cultura que envolve cada ritmo e a cada Dança no nosso país. Qual a diferença entre ensinar o conteúdo dança nas aulas e preparar uma apresentação para uma atividade festiva? 63 O conteúdo a gente pode estar trabalhando ao longo do ano letivo algumas atividades em que você aborda a Dança especificamente a importância da história da Dança e trabalhando os ritmos, agora as festas, hoje mesmo na escola procura estar trabalhando mais voltado as datas festivas, quando essas festas acontecem. Ás vezes a gente peca um pouco por se tratar dessas datas a gente procura trabalhar somente nessa data e quando poderia ter sido trabalhada durante o ano todo. Você encontra dificuldades em ensinar o conteúdo Dança durante as aulas de Educação Física? Explique sua resposta. Da minha área, em se tratando da Educação Infantil e as séries iniciais do ensino Fundamental, para as crianças se torna um pouco complexo você trabalhar especificamente, aprofundar muito sobre a Dança. Nós temos aulas de Dança nas escolas no município que eu trabalho e você levar o conteúdo teórico torna se um pouco mais complicado para as crianças, elas gostam desse conteúdo Dança, muitos gostam de participar, principalmente quando tem essas datas festivas que eles ensaiam para apresentarem. Acho que a prática em si da Dança já é um benefício muito grande para essas crianças e é necessário estar trabalhando principalmente na Educação Infantil e nas séries inicias do Ensino Fundamental. O que é preciso acontecer para que a Dança seja inserida nas aulas de Educação Física? Acho que dentro de um planejamento que o professor venha ter em seu cronograma, no diário e já que a Dança faz parte dos conteúdos estruturante é preciso ser inserida, ser trabalhada, precisa ter mais essa riqueza de poder estar trabalhando com o conteúdo tão importante quanto a Dança já que nosso país hoje pode perceber o quanto é importante, mesmo porque a gente percebe durante o ano que o nosso país vive de festas e Danças e ritmos diferentes e isso é importante para a nossa área, para a nossa disciplina que de certa forma trabalha também a parte social, a cultura do nosso país e assim podemos estar trabalhando com essas culturas e com isso nossas crianças poderão aprender com as culturas diferentes do nosso país e a importância da Dança. Sua formação inicial favoreceu à você construir conhecimentos sobre a dança? Sim, apesar de que na faculdade a gente consegue ver uma parte muito restrita, muito pouca daquilo que nós poderíamos estar vendo e fazendo. Lógico que na Dança, a gente tem que estar buscando se aperfeiçoar buscar mais, entender um pouco mais da Dança, os ritmos diferentes, as culturas diferentes e isso a gente tem que buscar através de estudos, de conhecimentos e se especializar. Na sua forma de entender como deveria ser o ensino da dança no curso de formação inicial para favorecer você a ensinar dança na educação básica? A Dança, eu falo assim que você precisa ter as duas principais fontes de aprendizagem que seria o conhecimento teórico e prático. O teórico para você ter o conhecimento de qual o tipo de Dança você vai trabalhar nas suas aulas, o ritmo, a forma que você vai trabalhar e como você vai montar essa Dança e a prática quando você leva as crianças a realizarem essas atividades. Esses são os dois fatores essenciais, da parte da teórica e da prática também que são fundamentais para que você possa ter no final um resultado positivo daquilo que você almeja na sua aula. Professor 5 64 Você ensina o conteúdo Dança nas suas aulas de Educação Física? Ensino O que você pensa sobre o ensino da Dança nas aulas de Educação Física? Bom eu trabalho mais a parte teórica, porque a prática existe certa resistência por parte dos alunos em estar praticando e também uma deficiência técnica para eu estar ensinando todos os estilos de Dança. Em sua opinião, como a Dança deve ser inserida nas aulas de Educação Física? Bom aproveitando aquelas datas comemorativas como semana cultural, ai a gente aproveita e coloca para os alunos estarem apresentando no festival e mostrando os estilos, talvez isso. O que da Dança deveria ser ensinado na escola? Principalmente ritmo, os estilos, o que seria da cultura local, quais as Danças da região e só. Qual a diferença entre ensinar o conteúdo dança nas aulas e preparar uma apresentação para uma atividade festiva? O conteúdo Dança você vai mostrar não só a história, mas o próprio ensinar a Dança em si, se você tivesse o conhecimento técnico para estar mostrando pra eles. A apresentação é uma coisa mais de momento, para aquele momento que você está passando para eles, mas às vezes pode não fica e nem todos os alunos são contemplados em um festival, às vezes é só um grupo pequeno e no conteúdo você acaba abrangendo todos querendo ou não, se ele vai assimilar aquilo ou não você tem que passar aquele conteúdo para eles. Você encontra dificuldades em ensinar o conteúdo Dança durante as aulas de Educação Física? Explique sua resposta. Eu encontro dificuldade porque eu não tenho a técnica necessária, o conhecimento técnico prático para estar passando da mesma forma do conteúdo lutas, a prática é complicado e a teórica tudo bem. O que é preciso acontecer para que a Dança seja inserida nas aulas de Educação Física? Eu acho que esse conteúdo assim como os outros, mas principalmente a Dança porque não é uma coisa que está na mídia toda hora como o futebol. O futebol as crianças, principalmente os meninos, desde pequenos já estão vendo e já estão jogando. A Dança se ela fosse inserida desde pequenos, já com aqueles todos os conteúdos e estilos, para nós que somo do Ensino Fundamental II para frente e Ensino Médio já seria mais fácil ele aceitarem esses conteúdos e não teriam tanta resistência, porque hoje é muita resistência principalmente por parte dos meninos. Um espaço adequado para você estar fazendo isso, porque em uma quadra aberta se for de manhã tá frescos, mas se for a tarde ninguém quer ficar no sol, se você tem dois ambiente um fechado e outro aberto, os alunos que estão fazendo Dança, ela é um pouco discriminada em relação aos outros esportes, então um grupo que está fazendo o esporte tira sarro naquele que esta fazendo Dança, então se a gente tivesse um espaço que ficasse fechado e você leva seus alunos lá e eles fazem sua aula de Dança sem que os outros estarem vendo, talvez eles se soltem mais. Então esse talvez seja um dos requisitos que 65 precisaria para estar inserindo as aulas de Dança é o ambiente e o professor ter essa qualificação necessária para também estar trabalhando com ela. Sua formação inicial favoreceu à você construir conhecimentos sobre a dança? Nós tivemos um conteúdo de Dança em um semestre e era a gente fazer basicamente festivais, não eram ensinados os estilos, todos os estilos de Dança. Era dividido em grupos então eu não passava por todos os grupos, mas eu achei que teve uma deficiência com relação a esse conteúdo para eu estar passando para os meus alunos. Na sua forma de entender como deveria ser o ensino da dança no curso de formação inicial para favorecer você a ensinar dança na educação básica? Primeiramente você estar conhecendo todos os estilos e estar vivenciando lá na faculdade, como você esta passando isso para os alunos. Não só ensinando pra gente, mas a parte didática de como passar isso para os alunos, porque essa é a nossa dificuldade, às vezes a gente sabe para gente, mas não sabe passar. A didática tem que ser vista lá de uma maneira que facilite o trabalho com os alunos, principalmente dependendo da faixa etária, porque a gente pega alunos de Fundamental II para frente, de 10 anos pra cima, e em uma classe que é heterogenia, você às vezes não tem aluno só de 10 anos, tem de 14 e 13 também e que as vezes os de 13 não quer fazer aquele tipo de Dança, aquele tipo de atividade. Outra coisa também você estar conciliando, porque as meninas querem fazer Dança e os meninos não querem fazer, então como você trabalhar isso e isso também tinha que ser passado na faculdade. Professor 6 Você ensina o conteúdo Dança nas suas aulas de Educação Física? Trabalho O que você pensa sobre o ensino da Dança nas aulas de Educação Física? Se vista pela parte corporal, ela é bem importante e também para você conhecer novos tipos de Dança, regionais também e internacional. Para ter uma vivencia ampla para os alunos. Em sua opinião, como a Dança deve ser inserida na aula de Educação Física? Nós trabalhamos mais com a Dança tipo folclórica ou às vezes mais comemorativa. A gente trabalha em relação à Educação Física com a parceria da Artes, nós trabalhamos assim. Então seguindo o planejamento, igual vai ter apresentação para dias das mães ai a gente vem trabalhando, ai dentro disso tento trabalhar a lateralidade, noção espacial, porque ai é a parte psicomotora, mas relacionada junto com a Dança e ai a professora de Artes monta a coreografia, o ritmo. Então a gente aqui dividiu nessa parte assim. Igual agora teve a semana do excepcional ai à gente trabalhou junto com folclore. Com as crianças a gente trabalhou o hino nacional só que representando o folclore, vários estilos de Dança durante o hino, pois tem vários estilos. Até hoje eles foram lá apresentar. Então é feito assim, trabalhado o conteúdo do planejamento bimestral, mas em relação ao folclore, mais comemorativa, os estilos ou quando tem a cada dois anos o festival de Dança e nós já vimos trabalhando antes junto com o folclore, a lateralidade, noção espacial. 66 O que da Dança deveria ser ensinado na escola? Seria o que eu disse acima. Fora a parte histórica, mas eu não trabalho tanto a parte histórica porque a professora de artes já trabalha antes então a gente trabalha junto, pelo menos aqui na escola é assim e na escola regular trabalha mais a história. Qual a diferença entre ensinar o conteúdo dança nas aulas e preparar uma apresentação para uma atividade festiva? A apresentação festiva no caso, você vai ver a coreografia em si e tudo né, ai a Dança você pode estar trabalhando a parte motora do aluno que é a lateralidade, noção do espaço, esquerda e direita que muitos têm dificuldades nessa hora e ritmo, que é separada pela parte motora geralmente pode estar colocando isso e na parte festiva é a apresentação de um grupo em geral. Você encontra dificuldades em ensinar o conteúdo Dança durante as aulas de Educação Física? Explique sua resposta. Bom, dificuldade há também em relação ao professor. Para falar a verdade, eu tenho dificuldades de mim mesmo, por causa da minha pessoa, eu não sou aquela grande coisa. Mas coisinha ou outra a gente acaba dando um jeito. Às vezes muito por causa dos alunos, por causa da timidez, por causa do machismo, tem tudo isso e até aqui a gente acha isso. Tem aluno que é muito tímido, não gosta. Igual à gente faz, igual na Dança tem alunos que não querem de jeito nenhum por causa da timidez, por mais que a gente fala, nós não vamos fazer nada, ninguém vai ver, mas não fazem e às vezes alguns alunos por mais da sua deficiência fica também muito acanhado em participar. Ai tem outros que já se soltam independente, às vezes não tem o ritmo, mas ele se solta conforme o estilo deles mesmo se está até fora do ritmo, mas eles estão ali é bem diversificado. O que é preciso acontecer para que a Dança seja inserida das aulas de Educação Física? Eu creio que deveria ser feito um trabalho com os professores também desde já e tudo e para conscientizar os alunos né, para tirar, igual às vezes tem muitas pessoas que falam vai usar o funk e o rap é dança de rua e acaba tendo aquele preconceito contra aquele estilo trabalhado, então fazer um trabalho de conscientização com os alunos mostrando a importância da Dança que ela é importante para o corpo também, para a saúde tanto física como mental e um trabalho feito com os professores, porque tem professores, igual no meu caso, que tem muitas dificuldades. No meu caso eu consigo trabalhar legal, porque tenha a parceria com a professora de artes, então quando é só o professor no caso acaba tendo muita dificuldade. Muitos casos também vai do colégio, que dá o apoio a área pedagógica. Sua formação inicial favoreceu à você construir conhecimentos sobre a dança? Olha na época da graduação nós tivemos bastante por causa da professora, porque depende de quem você pega ali dentro para ser trabalhado, então a professora trabalhava bem essas coisas com a gente, então até pelo o que eles me passaram a parte ampla e um conhecimento bom, fizeram a gente apresentar um festival e não sei se ainda tem porque a gente tinha que montar um festival apara apresentar naquela época de Dança. Vai muito do professor, de como ele trabalha, pelo menos eu tive um conhecimento para estar passando e como nós do estado sempre estamos tendo cursos, sempre na jornada pedagógica sempre tem algumas matérias ou é passado oficinas e isso tem ajudado bastante. 67 Na sua forma de entender como deveria ser o ensino da dança no curso de formação inicial para favorecer você a ensinar dança na educação básica? Não sei como está agora, mas eu acho que você tem que ter o conhecimento da parte histórica, apesar que a parte histórica da Dança você agora tem uma facilidade para estar pesquisando na internet, mas é preciso você estar vendo os ritmos e coreografia e trazer um modo de estar trabalhando dentro da sala de aula que você conseguisse interagir com o grupo inteiro e também na parte da saúde, você deve estar demonstrando para os alunos a importância disso, não só para você saber de exibição, mas para o seu bem estar. Igual tem muitos trabalhos feitos para a terceira idade mostrando isso, mas é mais dança de salão e também é preciso sempre estar fazendo uns cursos à parte. Professor 7 Você ensina o conteúdo Dança nas suas aulas de Educação Física? Sim O que você pensa sobre o ensino da Dança nas aulas de Educação Física? Se voltado para o Ensino Médio, ela é vista pelo 6º e 7º ano com uma facilidade, as crianças ainda participam, montam coreografias, a partir do 8º e 9º ano e Ensino Médio tem uma dificuldade muito grande. Eu acredito até por conta de não ser tão trabalhado como deveria nas séries inicias que seria do 1º ao 5º ano, eles vem para a nossa escola de Fundamental de quinta a oitava com muita malicia no sentido do toque, do segurar. Então você vai ensinar, vamos supor uma Dança de quadrilha onde o menino tem contato com a menina a partir do 7º ano é bastante complicado. Volta-se melhor depois, se você trabalhar isso bem no Ensino Médio, porque dai você tem oitavos e nonos anos são bastante difícil, ai temos que trabalhar com Dança que não sejam de pares, a Dança individual então alguns passos, alguns contexto até conseguimos, mas a partir do que é de pares ai a Dança começa a ter dificuldades na parte prática e a parte teórica não, porque a parte teórica se desenvolve bem e a gente tem trabalhado de forma bem bacana. Em sua opinião, como a Dança deve ser inserida nas aulas de Educação Física? Então dessa forma, dentro desse conteúdo em que a gente possa trabalhar primeira a parte de ginástica, o conhecimento do corpo e depois o que é expressão corporal, o que é a musica, o que é som e compasso e depois a parte da Dança, tentando de uma forma que você possa trabalhar todos os ritmos e alguns mais vivenciados pela criança porque assim se torna uma coisa mais prazerosa porque ela conhece e gosta então nesse contexto e também trabalhando a parte cultural da Dança da onde ela veio, da onde surgiu, porque ela é dessa forma para que a criança possa ter noção disso. O que da Dança deveria ser ensinado na escola? Eu acho que a parte cultural da Dança. Agora mesmo na escola nós estamos vivenciando um festival de Dança e o que a gente pode observar foi uma dificuldade muito grande de criatividade de coreografia das nossas crianças, porque o ano passado nós não trabalhamos com a Dança, nós só trabalhamos a parte do conteúdo teórico e não prático, porque é uma das dificuldades do professor de Educação Física porque ele não é dançarino ele tem o conhecimento do conteúdo teórico e não prático e para você vivenciar essa prática, mesmo que você dê a oportunidade das crianças trazerem coreografia, é necessário que o 68 professor tenha alguns conhecimentos de como se desenvolve então essa é a dificuldade. Então a partir do momento em que a criança esteja gostando do que ela está fazendo ela é desenvolvida de forma mais fácil. O que tem que frisar muito a parte cultural da Dança, igual ao Funk nós tiramos agora e não pode, mas não pode porque nós não estamos tendo tempo, a letra da música tem que passar por uma censura, então o que está acontecendo nas nossas Danças aquilo que é um tango bem dançado, uma valsa bem dançada, um rock, um twist dos anos 60 e 70 eles não conhecem, então é preciso fazer um resgate dessas Danças e isso para depois passar e a partir do momento que eles veem e se localiza nos passos que são atuais, mas de forma diferenciada ai eles gostam da Dança. Então esse contexto cultural da onde ela veio o que ela trás, o que ela representa nos dias de hoje, se a mídia que influencia ou se eu que gosto de Dançar ,e agente fica batendo bastante nessa tecla. Qual a diferença entre ensinar o conteúdo dança nas aulas e preparar uma apresentação para uma atividade festiva? Quando eu trabalho a Dança na escola, eu trabalho de uma forma mais generalizada em que eu busco todo mundo mesmo com suas dificuldades, porque a gente sabe que Dança, é dom tem uns que dançam e tem uns que tem dificuldade, então quando eu trabalho o conteúdo de Dança nas aulas eu não vejo aquele que é bailarino, mas dou a oportunidade de todo mundo vivenciar aquilo que a gente está trabalhando. Quando eu viso a apresentação eu vou buscar aquele que é melhor, porque ele vai representar a escola, ele vai para uma competição ou seja ele é o foco daquilo que está sendo apresentado e na minha aula o foco não é esse, é ensinar ele a dançar igual se eu estou trabalhando um compasso de 4 ele tem que saber o que é um compasso de 4, compasso de 2, compasso de 8, como eu vou contar isso então seria esse o interessante. Agora vou frisar bem, é muito difícil trabalhar dança na escola. Você encontra dificuldades em ensinar o conteúdo Dança durante as aulas de Educação Física? Explique sua resposta. Exatamente por isso. As crianças querem o que é o de hoje, o que está na mídia hoje. No projeto de Dança que a gente teve na escola recentemente, nós tivemos essa dificuldade, as crianças não queriam aquilo que a gente vinha passar para eles e sim aquilo que era o foco na mídia, então hoje eu iria trabalhar o Funk, Hip Hop, Street Dance e as outras ficam totalmente fora desse contexto e uma que está agora até por causa da novela é o Charme que são aqueles passos coreografados então se você chegar com isso é o que a molecada ama. Ai você fica naquilo que a mídia esta propondo que não deixa de ser uma proposta porque também é um estilo de Dança, mas você não consegue contextualizar aquelas outras Danças que você precisa, eles realmente não querem, não participam e essa é a dificuldade maior. O que é preciso acontecer para que a Dança seja inserida nas aulas de Educação Física? Bom, primeiro tirar dos nosso alunos que a aluna de Educação Física é só bola e isso teria que vir de um trabalho bem feita lá da base e é isso que a gente sempre comenta desde a Educação Infantil até o quinto ano, para que quando eles chegarem aqui para nós 6º,7º à 9º ano ele já tem incutido isso, essa importância da Dança não só como uma apresentação, porque é o que acontece nas escolas municipais e normalmente particular, eles só trabalha a Dança quando é o dia dos pais, dia das mães ou então uma festa cultural na cidade ai eles vão para a apresentação, então a criança não tem aquele gosto, então por exemplo: 69 “hoje nós vamos lá ter Dança, vou ensinar uma Dança”, então isso não tem. Você pegou uma fase boa porque a gente está vindo com o festival de Dança e todo o contexto da escola está voltado para isso, mas antes não era igual antes nós só trabalhávamos, eu não posso querer enganar você realmente pegou em uma fase boa, era só quando tinha a época de apresentação ou tinha um festival de Dança no “ Macacão” ou tinha uma apresentação apara mães ou enquanto sobreviveu o projeto por 2 anos aqui na escola, também assim deu certo por 2 anos e já se cortou ai a verba vem para aquilo, ai esta dando certo e corta. Então é isso tudo começa e nuca termina e era um projeto Viva a escola, que era de Dança, Esporte, então nossos alunos eles tem que aprender que a Educação Física é voltada para Ginástica, Jogos e brincadeiras, para Esporte, para Lutas e não só para o jogo de bola e também só o Esporte como Futsal e Handebol ou Futsal e Voleibol, a gente tem abrir o maior numero de Esportes e ai nesse contexto também trabalhar o contexto de Dança e fica mais fácil quando eles já vêm sendo treinado para isso, vamos supor para gente trabalhar a Dança hoje ela é imposta de outra forma a gente não consegue. Sua formação inicial favoreceu à você construir conhecimentos sobre a dança? Sim, porque eu tive Dança na minha vida toda e quando eu fui fazer Educação Física, a parte de Dança e de Ginástica isso tudo pesou bastante, porque você tem facilidade, ai você pega um professor que nunca trabalhou com Dança ai como ele vai fazer isso, como ele vai criar então ai fica a dificuldade. Porque por mais que ele tenha alunos que saiam bem nas aulas e tenham o dom da Dança e para ele colocar o aluno para apresentar ele tem que saber o que o aluno vai apresentar, ele teria que ter visto antes então fica mais complicado. É a mesma coisa que eu ensinar Lutas, igual nós temos isso dentro dos conteúdos o Judô, o Taekwondo e isso tudo é teórico, porque a prática fica muito complicada, a gente não teve essa vivencia suficiente para passar para o aluno até porque se eu ensinar um Judô no mínimo eu tenho que ser faixa preta apara eu ser um instrutor de Judô. Então a gente fica nas nossa aulas, mesmo na Dança, em parte teóricas, em vídeos com a TV pen drive colaborou muito com as aulas de Educação Física. Agora a formação inicial é fundamental sem dúvida, se você vai montar uma dança que você já vivenciou aquilo você pode até não impor a Dança, mas você tem como instruir ele, você tem como demonstrar e o fato de você demonstrar cria no aluno certa segurança naquilo que ele vai fazer, agora dentro da formação acadêmica de Dança se eu não tive antes é muito pouco para você trazer para a realidade da escola é muito pouco, porque eu não sei como está a grade, mas na época que eu fiz era o mínimo era somente no currículo, você teve Dança, mas para você sair com formação para vir para a escola não. Na sua forma de entender como deveria ser o ensino da dança no curso de formação inicial para favorecer você a ensinar dança na educação básica? Eu acredito que exatamente nessa formação inicial você deveria ter um contexto, passo básicos da Dança, estilos de Dança, conhecimento do que é, as nossas danças folclóricas brasileiras, porque eu fico encantada de ver isso nos outros países de como eles valorizam o folclore. No nosso país a gente pode ver no Rio Grande do Sul, no Nordeste, na Bahia que eles têm a Dança e passam de pais para filhos no nosso Paraná não tem nada. Então fazer uma pesquisa sobre isso, passar exatamente essas Danças começando dai, então você faz um conhecimento ao mesmo tempo amplo, mas restrito em termos de passos e depois como eu vou ensinar e ai você pegar nos seus estágios uma turma e aplica aquilo que você aprendeu e se você consegue passar para eles, porque muitas vezes nós ficamos na teoria e na hora que você vai para prática não dá certo, nossa teoria é muito linda e a prática não 70 funciona e essa é nossa maior decepção. Então nós aprendamos aquilo e vamos por em prática, vamos chamar um grupo de alunos e trazer aqui e preparar uma aula e colocar em prática e você vai ser avaliado naquilo e ai assim eles conseguiram, depois de quantas aulas, eles conseguiram apresentar, mas a apresentação não na forma do show, mas na forma da Dança na escola, deu certo, contextualizaram e é o que falta. Depois você vai trabalhar com alunos que já estão no curso porque gostam, mas quem está em Educação física tem que gostar de tudo que está ali. Quando você vai para uma sala de aula, você pega uma sala de 35 alunos 10 gostam de aula e os outros 25 você vai fazer o que, ai a professora tem que se desmembrar em 20 para fazer a coisa acontecer e é por isso que eu falo a nossa falta da teoria vivenciada na prática e são esses laboratório de Dança que faz você chegar na escola depois e saber como fazer.