caderno do
ensino médio
a
1 - SÉRIE
volume 2 - 2009
EDUCAçÃO FÍSICA
PROFESSOR
Coordenação do Desenvolvimento dos
Conteúdos Programáticos e dos Cadernos dos
Professores
Ghisleine Trigo Silveira
AUTORES
Ciências Humanas e suas Tecnologias
Filosofia: Paulo Miceli, Luiza Christov, Adilton
Luís Martins e Renê José Trentin Silveira
Geografia: Angela Corrêa da Silva, Jaime Tadeu
Oliva, Raul Borges Guimarães, Regina Araujo,
Regina Célia Bega dos Santos e Sérgio Adas
Governador
José Serra
História: Paulo Miceli, Diego López Silva,
Glaydson José da Silva, Mônica Lungov Bugelli e
Raquel dos Santos Funari
Vice-Governador
Alberto Goldman
Sociologia: Heloisa Helena Teixeira de Souza
Martins, Marcelo Santos Masset Lacombe,
Melissa de Mattos Pimenta e Stella Christina
Schrijnemaekers
Secretário da Educação
Paulo Renato Souza
Secretário-Adjunto
Guilherme Bueno de Camargo
Chefe de Gabinete
Fernando Padula
Coordenadora de Estudos e Normas
Pedagógicas
Valéria de Souza
Coordenador de Ensino da Região
Metropolitana da Grande São Paulo
José Benedito de Oliveira
Coordenador de Ensino do Interior
Rubens Antonio Mandetta
Presidente da Fundação para o
Desenvolvimento da Educação – FDE
Fábio Bonini Simões de Lima
EXECUÇÃO
Coordenação Geral
Maria Inês Fini
Concepção
Guiomar Namo de Mello
Lino de Macedo
Luis Carlos de Menezes
Maria Inês Fini
Ruy Berger
GESTÃO
Fundação Carlos Alberto Vanzolini
Presidente do Conselho Curador:
Antonio Rafael Namur Muscat
Presidente da Diretoria Executiva:
Mauro Zilbovicius
Diretor de Gestão de Tecnologias
aplicadas à Educação:
Guilherme Ary Plonski
Coordenadoras Executivas de Projetos:
Beatriz Scavazza e Angela Sprenger
COORDENAÇÃO TÉCNICA
CENP – Coordenadoria de Estudos e Normas
Pedagógicas
Ciências da Natureza e suas Tecnologias
Biologia: Ghisleine Trigo Silveira, Fabíola Bovo
Mendonça, Felipe Bandoni de Oliveira, Lucilene
Aparecida Esperante Limp, Maria Augusta Querubim Rodrigues Pereira, Olga Aguilar Santana, Paulo
Roberto da Cunha, Rodrigo Venturoso Mendes da
Silveira e Solange Soares de Camargo
Ciências: Ghisleine Trigo Silveira, Cristina
Leite, João Carlos Miguel Tomaz Micheletti Neto,
Julio Cézar Foschini Lisbôa, Lucilene Aparecida
Esperante Limp, Maíra Batistoni e Silva, Maria Augusta Querubim Rodrigues Pereira, Paulo Rogério
Miranda Correia, Renata Alves Ribeiro, Ricardo
Rechi Aguiar, Rosana dos Santos Jordão, Simone
Jaconetti Ydi e Yassuko Hosoume
Física: Luis Carlos de Menezes, Sonia Salem,
Estevam Rouxinol, Guilherme Brockington, Ivã
Gurgel, Luís Paulo de Carvalho Piassi, Marcelo de
Carvalho Bonetti, Maurício Pietrocola Pinto de
Oliveira, Maxwell Roger da Purificação Siqueira e
Yassuko Hosoume
Química: Denilse Morais Zambom, Fabio Luiz de
Souza, Hebe Ribeiro da Cruz Peixoto, Isis Valença
de Sousa Santos, Luciane Hiromi Akahoshi, Maria
Eunice Ribeiro Marcondes, Maria Fernanda Penteado Lamas e Yvone Mussa Esperidião
Linguagens, Códigos e suas Tecnologias
Arte: Geraldo de Oliveira Suzigan, Gisa Picosque,
Jéssica Mami Makino, Mirian Celeste Martins e
Sayonara Pereira
Educação Física: Adalberto dos Santos Souza,
Jocimar Daolio, Luciana Venâncio, Luiz Sanches
Neto, Mauro Betti e Sérgio Roberto Silveira
LEM – Inglês: Adriana Ranelli Weigel Borges,
Alzira da Silva Shimoura, Lívia de Araújo Donnini
Rodrigues, Priscila Mayumi Hayama e Sueli Salles
Fidalgo
Língua Portuguesa: Alice Vieira, Débora Mallet
Pezarim de Angelo, Eliane Aparecida de Aguiar,
José Luís Marques López Landeira e João Henrique
Nogueira Mateos
Matemática
Matemática: Nílson José Machado, Carlos
Eduardo de Souza Campos Granja, José Luiz Pastore
Mello, Roberto Perides Moisés, Rogério Ferreira da
Fonseca, Ruy César Pietropaolo e Walter Spinelli
Caderno do Gestor
Lino de Macedo, Maria Eliza Fini e Zuleika de Felice
Murrie
Equipe de Produção
Coordenação Executiva: Beatriz Scavazza
Assessores: Alex Barros, Antonio Carlos de
Carvalho, Beatriz Blay, Carla de Meira Leite, Eliane
Yambanis, Heloisa Amaral Dias de Oliveira, José
Carlos Augusto, Luiza Christov, Maria Eloisa Pires
Tavares, Paulo Eduardo Mendes, Paulo Roberto da
Cunha, Pepita Prata, Renata Elsa Stark, Ruy César
Pietropaolo, Solange Wagner Locatelli e Vanessa
Dias Moretti
Equipe Editorial
Coordenação Executiva: Angela Sprenger
Assessores: Denise Blanes e Luis Márcio Barbosa
Projeto Editorial: Zuleika de Felice Murrie
Edição e Produção Editorial: Conexão Editorial,
Verba Editorial e Occy Design (projeto gráfico)
APOIO
FDE – Fundação para o Desenvolvimento da
Educação
CTP, Impressão e Acabamento
Esdeva Indústria Gráfica
A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo autoriza a reprodução do conteúdo do material de sua titularidade pelas demais secretarias de educação do país, desde que mantida a integridade da obra e dos créditos, ressaltando que direitos autorais protegidos*
deverão ser diretamente negociados com seus próprios titulares, sob pena de infração aos artigos da Lei nº 9.610/98.
* Constituem “direitos autorais protegidos” todas e quaisquer obras de terceiros reproduzidas no material da SEE-SP que não estejam
em domínio público nos termos do artigo 41 da Lei de Direitos Autorais.
Catalogação na Fonte: Centro de Referência em Educação Mario Covas
S239c
São Paulo (Estado) Secretaria da Educação.
Caderno do professor: educação física, ensino médio - 1ª série, volume 2 /
Secretaria da Educação; coordenação geral, Maria Inês Fini; equipe, Adalberto
dos Santos Souza, Jocimar Daolio, Luciana Venâncio, Luiz Sanches Neto, Mauro
Betti, Sérgio Roberto Silveira. – São Paulo : SEE, 2009.
ISBN 978-85-7849-255-7
1. Educação Física 2. Ensino Médio 2. Estudo e ensino I. Fini, Maria Inês.
II. Souza, Adalberto dos Santos. III. Daolio, Jocimar. IV. Venâncio, Luciana.
V. Sanches Neto, Luiz. VI. Betti, Mauro. VII. Silveira, Sérgio Roberto. VIII. Título.
CDU: 373.5:796
Prezado(a) professor(a),
Vinte e cinco anos depois de haver aceito o convite do nosso saudoso e querido
Governador Franco Montoro para gerir a Educação no Estado de São Paulo, novamente assumo a nossa Secretaria da Educação, convocado agora pelo Governador
José Serra. Apesar da notória mudança na cor dos cabelos, que os vinte e cinco anos
não negam, o que permanece imutável é o meu entusiasmo para abraçar novamente a
causa da Educação no Estado de São Paulo. Entusiasmo alicerçado na visão de que
a Educação é o único caminho para construirmos um país melhor e mais justo, com
oportunidades para todos, e na convicção de que é possível realizar grandes mudanças
nesta área a partir da ação do poder público.
Nos anos 1980, o nosso maior desafio era criar oportunidades de educação para todas
as crianças. No período, tivemos de construir uma escola nova por dia, uma sala de aula
a cada três horas para dar conta da demanda. Aliás, até recentemente, todas as políticas
recomendadas para melhorar a qualidade do ensino concentravam-se nas condições de
ensino, com a expectativa de que viessem a produzir os efeitos desejados na aprendizagem dos alunos. No Brasil e em São Paulo, em particular, apesar de não termos atingido
as condições ideais em relação aos meios para desenvolvermos um bom ensino, o fato é
que estamos melhor do que há dez ou doze anos em todos esses quesitos. Entretanto, os
indicadores de desempenho dos alunos não têm evoluído na mesma proporção.
O grande desafio que hoje enfrentamos é justamente esse: melhorar a qualidade
de nossa educação pública medida pelos indicadores de proficiência dos alunos. Não
estamos sós neste particular. A maioria dos países, inclusive os mais desenvolvidos, estão lidando com o mesmo tipo de situação. O Presidente Barack Obama, dos Estados
Unidos, dedicou um dos seus primeiros discursos após a posse para destacar exatamente esse mesmo desafio em relação à educação pública em seu país.
Melhorar esses indicadores, porém, não é tarefa de presidentes, governadores ou
secretários. É dos professores em sala de aula no trabalho diário com os seus alunos.
Este material que hoje lhe oferecemos busca ajudá-lo nesta sua missão. Foi elaborado
com a ajuda de especialistas e está organizado em bimestres. O Caderno do Professor
oferece orientação completa para o desenvolvimento das Situações de Aprendizagem
propostas para cada disciplina.
Espero que este material lhe seja útil e que você leve em consideração as orientações
didático-pedagógicas aqui contidas. Estaremos atentos e prontos para esclarecer suas
dúvidas e acatar suas sugestões para melhorar a eficácia deste trabalho.
Alcançarmos melhores indicadores de qualidade em nosso ensino é uma questão
de honra para todos nós. Juntos, haveremos de conduzir nossas crianças e jovens a um
mundo de melhores oportunidades por meio da educação.
Paulo Renato Souza
Secretário da Educação do Estado de São Paulo
Sumário
São Paulo faz escola – Uma Proposta Curricular para o Estado
Ficha do Caderno
5
7
Orientação sobre os conteúdos do bimestre
8
Tema 1 – Atividade rítmica: o ritmo no esporte, na luta, na ginástica e na dança
10
Situação de Aprendizagem 1 – Do ritmo próprio ao ritmo nas manifestações da
cultura de movimento 11
Atividade avaliadora
13
Proposta de Situações de Recuperação
14
Recursos para ampliar a perspectiva do professor e do aluno para a compreensão
do tema 15
Tema 2 – Esporte Individual: Ginástica Rítmica
16
Situação de Aprendizagem 2 – Os aparelhos da Ginástica Rítmica (GR)
17
Situação de Aprendizagem 3 – Aprendendo a apreciar um espetáculo esportivo
Atividade avaliadora
21
22
Proposta de Situações de Recuperação
22
Recursos para ampliar a perspectiva do professor e do aluno para a compreensão
do tema 23
Tema 3 – Corpo, Saúde e Beleza
24
Situação de Aprendizagem 4 – A construção histórica e cultural dos padrões de
beleza e a minha beleza 29
Situação de Aprendizagem 5 – Tribunal da beleza
Atividade avaliadora
34
35
Proposta de Situações de Recuperação
36
Recursos para ampliar a perspectiva do professor e do aluno para a compreensão
do tema 36
Considerações finais
38
Quadro de conteúdos – Ensino Médio
39
SãO PAUlO FAz ESCOlA – UMA PROPOSTA
CURRICUlAR PARA O ESTAdO
Prezado(a) Professor(a),
É com muita satisfação que apresento a todos a versão revista dos Cadernos do
Professor, parte integrante da Proposta Curricular de 5a a 8a séries do Ensino Fundamental – Ciclo II e do Ensino Médio do Estado de São Paulo. Esta nova versão
também tem a sua autoria, uma vez que inclui suas sugestões e críticas, apresentadas
durante a primeira fase de implantação da proposta.
Os Cadernos foram lidos, analisados e aplicados, e a nova versão tem agora a medida
das práticas de nossas salas de aula. Sabemos que o material causou excelente impacto
na Rede Estadual de Ensino como um todo. Não houve discriminação. Críticas e sugestões surgiram, mas em nenhum momento se considerou que os Cadernos não deveriam
ser produzidos. Ao contrário, as indicações vieram no sentido de aperfeiçoá-los.
A Proposta Curricular não foi comunicada como dogma ou aceite sem restrição.
Foi vivida nos Cadernos do Professor e compreendida como um texto repleto de significados, mas em construção. Isso provocou ajustes que incorporaram as práticas e
consideraram os problemas da implantação, por meio de um intenso diálogo sobre o
que estava sendo proposto.
Os Cadernos dialogaram com seu público-alvo e geraram indicações preciosas para
o processo de ensino-aprendizagem nas escolas e para a Secretaria, que gerencia esse
processo.
Esta nova versão considera o “tempo de discussão”, fundamental à implantação
da Proposta Curricular. Esse “tempo” foi compreendido como um momento único,
gerador de novos significados e de mudanças de ideias e atitudes.
Os ajustes nos Cadernos levaram em conta o apoio a movimentos inovadores, no
contexto das escolas, apostando na possibilidade de desenvolvimento da autonomia
escolar, com indicações permanentes sobre a avaliação dos critérios de qualidade da
aprendizagem e de seus resultados.
5
Sempre é oportuno relembrar que os Cadernos espelharam-se, de forma objetiva,
na Proposta Curricular, referência comum a todas as escolas da Rede Estadual, revelando uma maneira inédita de relacionar teoria e prática e integrando as disciplinas
e as séries em um projeto interdisciplinar por meio de um enfoque filosófico de Educação que definiu conteúdos, competências e habilidades, metodologias, avaliação e
recursos didáticos.
Esta nova versão dá continuidade ao projeto político-educacional do Governo de
São Paulo, para cumprir as 10 metas do Plano Estadual de Educação, e faz parte das
ações propostas para a construção de uma escola melhor.
O uso dos Cadernos em sala de aula foi um sucesso! Estão de parabéns todos os que
acreditaram na possibilidade de mudar os rumos da escola pública, transformando-a
em um espaço, por excelência, de aprendizagem. O objetivo dos Cadernos sempre será
apoiar os professores em suas práticas de sala de aula. Posso dizer que esse objetivo foi
alcançado, porque os docentes da Rede Pública do Estado de São Paulo fizeram dos
Cadernos um instrumento pedagógico com vida e resultados.
Conto mais uma vez com o entusiasmo e a dedicação de todos os professores, para
que possamos marcar a História da Educação do Estado de São Paulo como sendo
este um período em que buscamos e conseguimos, com sucesso, reverter o estigma que
pesou sobre a escola pública nos últimos anos e oferecer educação básica de qualidade
a todas as crianças e jovens de nossa Rede. Para nós, da Secretaria, já é possível antever
esse sucesso, que também é de vocês.
Bom ano letivo de trabalho a todos!
Maria Inês Fini
Coordenadora Geral
Projeto São Paulo Faz Escola
6
FIChA dO CAdERnO
Atividade rítmica; Esporte individual; Corpo, saúde e beleza
nome da disciplina:
área:
Etapa da educação básica:
Série:
Período letivo:
Temas e conteúdos:
Educação Física
Ciências da Natureza e suas Tecnologias
Ensino Médio
1a série
2o bimestre de 2009
Atividade rítmica
Esporte
Corpo, saúde e beleza
7
ORIEnTAçãO SOBRE OS COnTEúdOS dO BIMESTRE
Professor, este Caderno foi elaborado para
servir de apoio ao seu trabalho pedagógico
cotidiano com a 1-a série do Ensino Médio.
Os temas deste 2o- bimestre serão enfocados
a partir da concepção teórica da disciplina,
já explicitada anteriormente, fundamentada nos conceitos de Cultura de Movimento e
Se-Movimentar.
Assim, as Situações de Aprendizagem aqui
sugeridas para os temas Atividade rítmica,
Esporte e Corpo, saúde e beleza possibilitarão
aos alunos o confronto de suas experiências de
Se-Movimentar com importantes dimensões
do mundo contemporâneo, gerando conteúdos
mais próximos de suas vidas cotidianas. Espera-se, desse modo, contribuir para a construção de uma autonomia crítica e autocrítica no
âmbito da Cultura de Movimento.
O tema Atividade rítmica partirá do entendimento de que o ritmo, entendido como
organização do tempo e considerado em sua
etimologia original (aquilo que flui, que se
move), está presente em todos os outros conteúdos e, ao mesmo tempo, é bem visível nas
manifestações da Cultura de Movimento, que
se caracterizam pela intenção explícita de
expressão por meio de movimentos e gestos
coreografados na presença de sons, música
e canções. Assim, a Situação de Aprendizagem proposta buscará fazer que os alunos
percebam o ritmo como organização expressiva
do movimento, exemplificando mais detalhadamente com o caso de algumas modalidades
esportivas coletivas.
É também o ritmo que estará em destaque no tema Esporte, quando a ginástica
rítmica será tomada como exemplo de modalidade individual conhecida dos alunos,
que já tenha sido abordada em suas aulas
de Educação Física no Ensino Fundamental.
O objetivo não é a simples repetição de um
conteúdo já desenvolvido, mas evidenciar
a importância das técnicas e táticas para
o desempenho esportivo, como também
para a apreciação do espetáculo esportivo.
Pretende-se que os alunos possam, além de
realizar os diferentes gestos e movimentos
da ginástica rítmica, ser capazes de apreciar
e analisar as suas técnicas e táticas em uma
sequência de exercícios. Contudo, o projeto
político-pedagógico da escola poderá optar
pelo atletismo ou ginástica artística, com o
mesmo enfoque, levando em conta os interesses dos alunos e o contexto local.
No tema Corpo, saúde e beleza será dada
continuidade à questão dos padrões e este-
Por Cultura de Movimento entende-se o conjunto de significados/sentidos, símbolos e códigos que
se produzem e reproduzem dinamicamente nos jogos, esportes, danças e atividades rítmicas, lutas,
ginásticas etc., os quais influenciam, delimitam, dinamizam e/ou constrangem o Se-Movimentar dos
sujeitos, base de nosso diálogo expressivo com o mundo e com os outros.
O Se-Movimentar é a expressão individual e/ou grupal no âmbito de uma Cultura de Movimento;
é a relação que o sujeito estabelece com essa cultura com base em seu repertório (informações/conhecimentos, movimentos, condutas etc.), em sua história de vida, em suas vinculações socioculturais e em
seus desejos.
8
Educação Física - 1a série - Volume 2
reótipos de beleza corporal, agora abordando suas relações com os diferentes contextos histórico-culturais que os condicionam e
com os interesses mercadológicos envolvidos.
A finalidade é que os alunos percebam as
representações da beleza em seu próprio grupo sociocultural, identifiquem e critiquem os
recursos (exercícios físicos, produtos e práticas alimentares) voltados à busca de padrões
de beleza, reconhecendo seus riscos e benefícios à saúde orgânica.
elaboração e apresentação de situações táticas
nos esportes, dramatizações, dentre outros
recursos.
As estratégias escolhidas incluem a realização de gestos e movimentos, a percepção e
expressão das próprias sensações e do desempenho próprio e dos colegas, a busca de informações e a análise de vídeos.
A quadra é o tradicional espaço da aula
de Educação Física, mas algumas Situações de
Aprendizagem aqui sugeridas podem ser
desenvolvidas na sala de aula, no pátio externo ou em outro espaço da escola, como
biblioteca, sala de informática ou de vídeo,
desde que compatível com as atividades programadas. Também algumas etapas podem ser
realizadas pelos alunos como atividade extraaula (pesquisas, produção de textos etc.).
A avaliação é proposta de modo integrado
ao processo de ensino e aprendizagem, sem
restringir-se a procedimentos isolados e
formais (como uma prova, por exemplo).
Sugere-se privilegiar a proposição de Atividades Avaliadoras que, integradas ao percurso da aprendizagem, favoreçam a elaboração
de sínteses relacionadas aos temas e conteúdos abordados e a aplicação, em situaçõesproblema, das habilidades e competências que
se pretende que os alunos adquiram.
As Atividades Avaliadoras devem favorecer
a geração, por parte dos alunos, de informações ou indícios – qualitativos e quantitativos, verbais e não-verbais – que serão então
interpretados pelo professor, nos termos das
expectativas de aprendizagem em relação aos
conteúdos. Nesse sentido, o professor pode
valer-se de observações sistemáticas sobre
interesse, participação e capacidade de cooperação do aluno, autoavaliação, trabalhos e provas escritas, resolução de situações-problema,
Por fim, é importante lembrar que a avaliação não tem como finalidade primeira
atribuir conceitos e notas aos alunos, mas
conscientizá-los sobre suas aprendizagens,
assim como problematizar e aperfeiçoar a
prática pedagógica para que essas expectativas sejam atingidas.
As orientações e sugestões a seguir têm a
intenção de oferecer-lhe subsídios, no sentido
de facilitar o desenvolvimento dos temas e
conteúdos apresentados. Não pretendem definir as Situações de Aprendizagem como as
únicas a serem realizadas, nem restringir sua
criatividade para outras atividades ou variações de abordagem dos mesmos temas.
As Situações de Aprendizagem aqui propostas também poderão ser enriquecidas com
leitura de textos (adequados ao nível do Ensino
Médio) e exibição de filmes relacionados aos
temas. Sugestões nesse sentido serão apresentadas ao longo deste Caderno.
Isto posto, professor, bom trabalho!
9
TEMA 1 – ATIvIdAdE RíTMICA: O RITMO nO ESPORTE,
nA lUTA, nA GInáSTICA E nA dAnçA
Se buscarmos a ideia de ritmo em
alguns dicionários, encontraremos um termo
derivado do grego rhytmos, e que mantém
seu significado em alguns idiomas (como em
espanhol, inglês e português), designando tudo
aquilo que se move, que flui de modo sequencial ou que tem movimento regulado. O ritmo
que envolve os movimentos corporais pode ser
definido como a compreensão original do
tempo que nós exercemos com o corpo, antes
mesmo de representá-lo com o pensamento
(HELLER, 2003 apud KUNZ, 2003). Por isso,
consideramos que o ritmo está presente em
todas as manifestações de nossa vida, abrange
tudo o que conhecemos, incluindo nós mesmos
e o modo como percebemos nossos movimentos no ambiente.
Há bastante associação entre música e ritmo, pois ela provoca uma sensibilidade maior
sobre nossos órgãos sensoriais, e, ao ampliarmos a intensidade da audição, aumentamos
a concentração, e o processo de transformar
o ritmo musical em movimento torna-se
espontâneo. De acordo com essa concepção,
os movimentos produzidos não tendem a
seguir uma orientação determinada, fazendo
a pessoa se libertar de movimentos corriqueiros e padronizados. E quando a sensibilidade
estética e a concentração melhoram, seja para
ouvir música ou se expressar, é possível desenvolver atividades rítmicas sem a participação
da música.
Para aprofundarmos a compreensão sobre
o ritmo, dois conceitos apresentados por
Laban (1978) são importantes: o tempo e o
acento rítmicos. O tempo rítmico em uma
série de movimentos pode ser percebido na
combinação de durações iguais ou diferentes de
10
unidades de tempo. Como exemplos, no caso do
esporte, há dois tempos rítmicos na bandeja
do basquetebol e três tempos rítmicos para o
deslocamento no handebol, ou para preparar
uma cortada no voleibol. Quanto ao acento
rítmico, ele consiste em uma ênfase que acentua
a importância de um movimento, um tipo de
tensão que pode surgir de forma abrupta ou
gradual. No caso da luta, temos o exemplo de
um golpe efetivo no boxe após uma sequência
de movimentos de esquiva ou, no caso da ginástica, o momento de transferência de energia e peso
em um salto realizado com o apoio das mãos.
Laban também propôs uma organização
do espaço para analisar o ritmo objetivamente, apresentando quatro elementos para
a observação e descrição dos movimentos –
direções, planos, extensões e caminhos. As direções podem ser para a frente, para trás, para
a esquerda ou para a direita; os planos podem
ser alto, médio ou baixo; as extensões
podem ser perto, pequena, normal, grande ou longe; os caminhos podem ser direto,
angular ou curvo. No caso do esporte, da
luta, da ginástica e da dança, realizados formalmente em um espaço restrito (quadra com
demarcações, tatame, ringue, solo demarcado ou tablado), os elementos citados podem
ser relevantes para que sejam identificados e
analisados como atividades rítmicas.
No entanto, essas tentativas de classificação não são mais importantes do que as
possibilidades de expressividade, criação e
coeducação, que os alunos podem vivenciar nas
aulas. Por exemplo, para Saraiva e Fiamoncini
(1998), a coeducação em dança permite que
alunos e alunas estejam juntos para elaborar
seus pensamentos, sentimentos e movimentos
Educação Física - 1a série - Volume 2
em um processo significativo e valorativo, sem
ações estereotipadas e evitando a demarcação
de movimentos masculinos e femininos.
Na Situação de Aprendizagem sugerida a
seguir propõe-se que os alunos se expressem
ritmicamente em variados movimentos.
Possibilidades Interdisciplinares
Professor, o tema atividade rítmica: o ritmo no esporte, na luta, na ginástica e na dança poderá
ser desenvolvido de modo integrado com a disciplina de Arte, na medida em que envolve conteúdos
como a dança e sua apreciação estética. Converse com o professor responsável por essa disciplina em
sua escola. Essa iniciativa facilitará a compreensão dos conteúdos de forma mais global e integrada
pelos alunos.
SITUAçãO DE APRENDIZAGEM 1
DO RITMO PRóPRIO AO RITMO NAS MANIFESTAçõES
DA CULTURA DE MOVIMENTO
Inicia-se essa Situação de Aprendizagem
partindo-se da percepção do ritmo do próprio
corpo e do corpo do colega, com e sem música.
Em seguida, sugere-se uma atividade em que
a percepção rítmica é solicitada visando à
organização expressiva do movimento. Com
isso, pretende-se que os alunos compreendam
as noções de tempo rítmico e acento rítmico.
Finalmente, trabalha-se a noção de ritmo em
atividades características do esporte coletivo.
Tempo previsto: 2 aulas.
Conteúdo e temas: o ritmo vital; o ritmo como organização expressiva do movimento; tempo e
acento rítmicos; o ritmo no esporte, na luta, na ginástica e na dança.
Competências e habilidades: reconhecer a importância do ritmo no esporte, na luta, na ginástica e
na dança; identificar o ritmo vital e perceber o ritmo como organização expressiva do movimento;
perceber noções de tempo e acento rítmicos nas manifestações da Cultura de Movimento; identificar características do ritmo ao assistir ou vivenciar manifestações do esporte, da luta, da ginástica
e da dança.
Recursos: folhas de papel sulfite; caneta ou lápis; bolas de futebol; bolas de basquetebol ou de borracha.
desenvolvimento da Situação de
Aprendizagem 1
Etapa 1 – O ritmo vital
Organize os alunos em um grande círculo e
questione: O que é ritmo? Como o ritmo é percebido
no próprio corpo? O ritmo está presente nas ativida-
des do cotidiano? Na movimentação das pessoas? Na
movimentação dos automóveis? Na movimentação
dos animais? Nos elementos da natureza? O objetivo
desta etapa, que não precisa exceder 15 minutos, é
investigar o conhecimento prévio dos alunos sobre
o assunto, possibilitando, ao final do percurso de
aprendizagem, avaliar os avanços obtidos e as dificuldades surgidas com o tema proposto.
11
Em seguida, sugira aos alunos que
percebam e identifiquem o ritmo presente no
próprio corpo com e sem deslocamento –
no piscar dos olhos, na respiração, nos batimentos cardíacos, na articulação das palavras
etc. Sugira também que, organizados em duplas, percebam o ritmo do corpo do parceiro,
com e sem deslocamento.
Cada grupo deve expor suas conclusões
e organizar uma nova sequência expressiva
com características semelhantes ao que fizeram antes, representando outra manifestação da Cultura de Movimento. Por exemplo, quem se expressou em uma luta, como
o boxe ou o judô, poderia se expressar com
a capoeira.
Posteriormente, peça aos alunos que se deitem no solo, formando um círculo, preferencialmente intercalando meninos e meninas,
de modo que cada um possa colocar uma das
mãos sobre o abdome dos dois colegas ao lado.
Oriente cada aluno a perceber sua própria respiração e a respiração dos colegas, procurando
notar se é possível alcançar um ritmo comum
para todos. Ainda com os alunos deitados em
círculo, utilize músicas de tipos variados (lenta
ou rápida) para que eles verifiquem em si mesmos se há alterações no ritmo da respiração ou
dos batimentos cardíacos.
Etapa 3 – Tempo e acento rítmicos
Etapa 2 – O ritmo como organização
expressiva do movimento
Escritos em pedaços de papel, apresente aos
alunos os nomes de algumas manifestações da
Cultura de Movimento referentes à dança, à
ginástica, à luta, ao esporte e a atividades do
cotidiano. Por exemplo: samba, frevo, ginástica
aeróbica, alongamento, boxe, judô, futebol,
basquetebol, varrer uma casa, subir e descer
escadas, tomar banho etc. Cada aluno deve
receber um papel contendo essa informação e representá-la por meio de movimentos.
Incentive os alunos a perceberem quais são
os colegas que estão fazendo movimentos
semelhantes aos seus e peça para que se agrupem, sem que conversem entre si. Depois de se
agruparem, eles devem dialogar e se organizar
para identificar as características rítmicas dos
movimentos que realizaram e perceber como
foi possível identificá-las.
12
Solicite aos alunos que criem sequências de movimentos utilizando cada uma
das articulações, movendo, por exemplo,
primeiro os cotovelos, depois os ombros
e os punhos, ou as articulações dos membros inferiores, como os joelhos, depois os
tornozelos e o quadril. Os alunos podem
usar as diversas articulações (ombro, cotovelo, punho, joelho, tornozelo, quadril)
de forma simultânea ou sequencial. Proponha que, na sequência dos movimentos,
estabeleçam um momento que deverá ser
enfatizado e repetido ocasionalmente. Por
exemplo, eles podem movimentar de forma diferente todas as demais articulações,
mas repetirão sempre o movimento realizado com o cotovelo.
Peça aos alunos que se organizem em grupos mistos, formados por meninos e meninas,
para que os mesmos movimentos possam ser
combinados entre os componentes de cada
grupo, sem que conversem entre si. Os alunos
poderão elaborar uma sequência comum contendo tempo e acento rítmicos para que todos
os componentes do grupo realizem os mesmos
movimentos, expressando-se ritmicamente
sem poder usar a fala. Enquanto um grupo
estabelece uma sequência de movimentos, os
demais identificam o tempo rítmico (quantos
movimentos são feitos até que o acento apareça) e o acento rítmico (qual movimento é
constantemente repetido) estabelecido.
Educação Física - 1a série - Volume 2
Etapa 4 – O ritmo no esporte
Peças aos alunos que se organizem em
grupos, utilizando pelo menos uma bola de
futebol ou uma de basquetebol (ou bolas
de borracha) em cada um dos grupos. Cada
grupo deve realizar movimentos específicos das modalidades esportivas futebol ou
basquetebol que evidenciem uma atividade
rítmica, de modo que todos no grupo consigam realizar. Por exemplo, controlar o ritmo
dos chutes em direção a uma parede ou trocar
passes com os colegas em um mesmo ritmo,
ou driblar com uma bola de basquetebol,
alternando as mãos cada vez mais rapida-
mente. As bolas devem ser trocadas entre
os grupos para que todos possam vivenciar
movimentos do futebol e do basquetebol.
Sugira aos alunos que criem jogos de
futebol callejero (futebol de rua) e de
streetball (basquete de rua), em que algumas regras enfatizem a importância do ritmo nos movimentos. Por exemplo, quem
estiver fazendo “embaixadinhas” no futebol ou driblando a bola alternadamente
entre as pernas (cross-over) no basquetebol
não pode ter a bola tirada por outros alunos. Assim o aluno tem a garantia de que
permanecerá com a bola enquanto dominar
nessas sequências rítmicas.
Principais características do fútbol callejero e do streetball
Fútbol callejero
O jogo é organizado em três tempos. No primeiro tempo há a elaboração de regras pelos
participantes; no segundo, ocorre a vivência com o jogo, de acordo com as regras estabelecidas
inicialmente, e no terceiro, a análise do jogo e das condutas dos jogadores pelos próprios participantes, com a mediação do professor.
Streetball
As regras devem ser combinadas inicialmente pelos jogadores. A apreciação estética das jogadas,
tanto no ataque quanto na defesa, é o principal aspecto enfatizado durante o jogo. A música rap
acompanha as partidas de streetball e o envolvimento dos jogadores aumenta quando conseguem
relacionar o ritmo musical com o ritmo das suas jogadas em quadra.
ATIVIDADE AVALIADORA
Solicite aos alunos que, em grupos compostos por oito membros, realizem uma
coreografia construída com base em elementos rítmicos característicos dos esportes,
das lutas ou de atividades do cotidiano.
O importante não é avaliar a execução perfeita
dos movimentos, mas, sim, a compreensão
por parte dos alunos do tempo e acento
rítmicos nas atividades selecionadas para
apresentação.
13
© Mitch Diamond/Alamy-Otherimages
Figura 1 – Streetball.
PROPOSTA DE SITUAçõES DE RECUPERAçãO
Durante o percurso pelas várias etapas da
Situação de Aprendizagem, alguns alunos poderão não apreender os conteúdos da forma
esperada. É necessário, então, professor, que
outras Situações de Aprendizagem sejam propostas, permitindo ao aluno revisitar o processo de outra maneira. Tais situações podem ser
desenvolvidas individualmente ou em pequenos
grupos, durante as aulas ou em outros momentos, envolver todos os alunos ou apenas aqueles
que apresentaram dificuldades. Por exemplo:
f roteiro de estudos com perguntas norteadoras elaboradas pelo professor, para
posterior apresentação das respostas em
registro escrito;
14
f apreciação e registro por parte do aluno
dos próprios movimentos e dos movimentos dos colegas;
f elaboração e apresentação (pode-se optar
pelo registro com uso de palavras, desenhos,
audiovisual etc.) de atividades rítmicas com
base em referenciais e elementos sugeridos
pelo professor;
f atividades que sintetizem determinado
conteúdo, em que as várias atividades
serão refeitas numa única aula e discutidas posteriormente (por exemplo,
circuito que contemple diversas atividades rítmicas).
Educação Física - 1a série - Volume 2
RECURSOS PARA AMPLIAR A PERSPECTIVA DO PROFESSOR
E DO ALUNO PARA A COMPREENSãO DO TEMA
livros
KUNZ, Elenor. Os movimentos ritmados no
futebol. In:______ (Org.). Didática da Educação
Física 3: futebol. Ijuí: Unijuí, 2003. p. 13-40.
No contexto da teoria do Se-Movimentar,
apresenta considerações sobre a importância
do ritmo no futebol, com exemplos práticos.
LABAN, Rudolf. Domínio do movimento. São
Paulo: Summus, 1978.
Obra clássica no estudo do ser humano
em movimento, levando em consideração as
dimensões cultural, física e psíquica. Propõe
exercícios, descreve e analisa ações corporais,
com base nos quatro fatores de movimento
(peso, espaço, tempo e fluência).
SARAIVA, Maria do Carmo; FIAMONCINI,
L. Dança na escola: a criação e a coeducação em
pauta. In: KUNZ, Elenor (Org.). Didática da
Educação Física 1. Ijuí: Unijuí, 1998. p. 95-120.
Apresenta princípios educativos para o trabalho com a dança na escola, com destaque
para o ritmo e o processo criativo.
Sites
Fútbol callejero – Futebol de rua latinoamericano. Disponível em:
<http://www.futbolcallejero.org>. Acesso em:
18 nov. 2008.
Streetfootball – Futebol de rua internacional.
Disponível em:
<http://streetfootballworld.org>. Acesso em:
18 nov. 2008.
Fotografias, vídeos, regras, torneios e
reportagens sobre o futebol de rua no Brasil e
em outros países, enfatizando a integração da
modalidade na América Latina.
Filmes
ATL: o som do gueto. Direção: Chris Robinson.
EUA, 2006. 106min.
Grupo de estudantes do Ensino Médio
que moram na periferia de Atlanta, Estados
Unidos, dedica-se a elaborar coreografias em
um ringue de patinação. A amizade entre eles
é ameaçada quando surgem questões envolvendo lealdade, romance, permanência no
emprego e comércio de drogas.
Honey: no ritmo dos seus sonhos. Direção:
Bille Woodruff. EUA, 2003. 94min.
Dançarina trabalha como instrutora de
streetdance (dança de rua) para jovens em
um centro comunitário, utilizando movimentos de modalidades esportivas e do cotidiano
em suas coreografias. Quando recebe convite
para trabalhar na indústria do entretenimento com videoclipes musicais, surge o dilema
quanto à continuidade de seu convívio com
os jovens alunos.
15
TEMA 2 – ESPORTE IndIvIdUAl GInáSTICA RíTMICA
O universo da Cultura de Movimento no qual
estão inseridos os jovens adolescentes é caracterizado por diferentes elementos. Eles saltam e giram em uma coreografia de streetdance; pulam
corda nas ruas com velocidades variadas; lançam
e recuperam objetos com precisão; assumem posições invertidas nas rodas de capoeira; realizam
rolamentos nas lutas; frequentam academias de
ginástica em busca de força, resistência, saúde e
beleza. Tais movimentos, além de tomarem parte
no cotidiano dos jogos e de modalidades esportivas, podem e precisam ser identificados e contextualizados no universo gímnico.
A ginástica rítmica (GR) requer do praticante uma combinação de movimentos variados,
associados à manipulação de aparelhos como
corda, arco, fita, bola e maças, com acompanhamento musical. A GR praticada no âmbito
esportivo envolve características técnicas de alto
grau de dificuldade atreladas à beleza artística,
leveza e elegância na utilização dos aparelhos,
capazes de desafiar os adolescentes em seus limites individuais e coletivos (SCHIAVON, 2003).
Coordenar ritmicamente com harmonia e
expressividade diferentes movimentos e objetos que constituirão uma sequência da coreografia individual ou em grupo permite aos
alunos uma percepção melhor das possibilidades do Se-Movimentar. Ao mesmo tempo,
também permite perceber com maior clareza
a necessidade e a importância da repetição de
gestos para obter melhor desempenho técnico
e tático no esporte, o que facilita a compreensão e apreciação do espetáculo esportivo.
É necessário redimensionar e ressignificar
a maneira pela qual os temas esporte e ginástica são abordados nas aulas. Não é preciso
“inventar”outros temas ou conteúdos, mas
tratá-los pedagogicamente na intenção de tornar
as aulas de Educação Física no Ensino Médio
16
um espaço de produção de cultura a partir das
manifestações humanas que podem ser vivenciadas, apropriadas e reinventadas individual e
coletivamente (PIRES; NEVES, 2005).
Alguns alunos acreditam que as modalidades
de ginásticas esportivas não podem ser aprendidas
por qualquer pessoa. Tal entendimento pode
fazer que não sejam incluídas nas aulas de Educação Física, principalmente no Ensino Médio.
Movimentos muito difíceis e o apelo ao espetáculo esportivo (já que o contato com a GR para
a maioria dos alunos só é possível por meio da
televisão, por ocasião da transmissão de grandes
eventos esportivos) devem ser desmistificados.
Desse modo os alunos poderão compreender
que a apropriação e a eficácia dos gestos técnicos
dependem, em qualquer modalidade, de treino,
e não podem ser vistos como fatores limitantes
para a aprendizagem de novos esportes.
Os alunos precisam compreender que, nas
aulas de Educação Física a GR pode possuir
códigos e regras menos rígidos do que aqueles observados no universo competitivo do
esporte, mediante critérios elaborados e
estabelecidos pelo professor e pelos próprios
alunos, respeitando as características individuais e interpessoais.
Assim, no decorrer das Situações de Aprendizagem da GR, caberá ao professor motivar
os alunos para que percebam a necessidade das
técnicas de manipulação dos diferentes implementos. Provavelmente, durante os anos do
Ensino Fundamental, os alunos associaram a
GR às modalidades de ginástica exclusivamente
femininas. Contudo, embora ainda não reconhecidas oficialmente pela Federação Internacional
de Ginástica (FIG), apresentações e competições
de GR masculina são realizadas em vários países,
fato pouco explorado pelas mídias e que deve ser
destacado aos alunos do Ensino Médio.
Educação Física - 1a série - Volume 2
SITUAçãO DE APRENDIZAGEM 2
OS APARELHOS DA GINáSTICA RÍTMICA (GR)
Nessa Situação de Aprendizagem o objetivo é verificar o conhecimento prévio dos
alunos, pois alguns movimentos característicos da GR podem não ser conhecidos ou
já vivenciados pelos alunos: quicar a bola,
saltitos com passagem da corda, rolar ou
fazer rotações do arco, entre outros. Os alunos serão desafiados a realizar diferentes
movimentos combinados utilizando os aparelhos característicos da GR: maças, corda,
fita, bola e arco, com e sem acompanhamento musical. Os “movimentos obrigatórios”
característicos da GR são movimentos associados às exigências competitivas para
qualquer composição e constituem os fundamentos básicos de cada aparelho.
Tempo previsto: 5 a 6 aulas.
Conteúdo e temas: a importância das técnicas e táticas no desempenho esportivo.
Competências e habilidades: reconhecer e analisar as técnicas da ginástica rítmica; realizar e combinar
diferentes movimentos que constituem a ginástica rítmica.
Recursos: aparelhos de GR (bolas, cordas, arcos, fitas e maças) ou material adaptado (sugerido neste
Caderno).
O quadro a seguir apresenta diferentes
possibilidades de adaptação dos aparelhos
utilizados na GR e, caso a escola não tenha
os aparelhos considerados “oficiais”, cabe ao
professor, juntamente com os alunos, analisar
as possibilidades de adaptação e utilização
dos mesmos, bem como os locais mais apropriados existentes na escola. Os materiais
adaptados sugeridos no quadro serão utilizados nas etapas seguintes:
MATERIAIS AdAPTAdOS PARA A GInáSTICA RíTMICA
Material original
Conexão Editorial
Bola
Material adaptado
descrição da adaptação
Jornal
Fita adesiva
Sacolas de plástico
Bolas de borracha de iniciação esportiva
As bolas serão feitas com o jornal; em
seguida será colocada fita adesiva
em torno do mesmo, deixando seu formato mais arredondado; por fim pode
ser colocado um plástico para colorir
e melhorar a estética do material.
Bolas de borracha tamanho 10 ou
12, utilizadas para a iniciação esportiva, preenchem as necessidades da
modalidade, podendo ser pintadas
com tinta automotiva para alcançar
o tão atrativo brilho e a variação de
coloração.
17
Conexão Editorial
Corda
Conexão Editorial
Arco
Conexão Editorial
Fita
18
Cordas de sisal, elástico ou
outro material
Tiras de tecido
As tiras de tecido poderão ser entrelaçadas para aumentar o volume do
material (trançar as tiras); fazer nó
nas extremidades para que a trança
não se desfaça durante o manuseio.
Bambolê
Conduíte
Arame
Fita isolante
O professor irá moldar os conduítes
no formato de um arco, colocar o arame pela parte interior e aplicar a fita
isolante pela parte exterior; deverá
inserir uma rolha ou uma cavilha na
união das extremidades para fixação
das mesmas.
O bambolê não precisa de nenhum
ajuste para maiores adaptações (entre
80 e 90 cm de diâmetro).
Papel crepom, faixas de plás- a) O papel crepom será cortado em
tico (mais resistentes) ou fifaixas de aproximadamente 3 m,
tas (4-6 cm de largura)
em seguida as faixas serão fixadas
Barbante
em folha de papel jornal dobrada e
Cola ou durex
amarrada com barbante. É imporPalitos (de churrasco ou sitante deixar um pedaço de barbante
milar) ou bastões de madeira
para facilitar o manuseio.
(com aproximadamente 50 cm
b) Tiras de 6 m de faixa ou fita, com
de comprimento) de cabides
fixação de um ilhós na extremidade
ou comprados em agropecuápróximo ao estilete. Inserir o alfinete
rias, utilizados como poleiros
de pesca no ilhós. O rodízio de pesca
de gaiolas de passarinhos
(para evitar que a faixa ou fita enrole)
Pitão, rodízio de pesca, alfiserá preso na outra extremidade do
nete de pesca
alfinete. A outra argola do rodízio da
faixa ou fita será fixada no “pitão”
(peça em forma de gancho, com uma
rosca nas extremidades para ser parafusado e que é colocado em portas de
armários ou outros objetos). O “pitão” deverá ser fixado em uma das
extremidades do bastão.
Educação Física - 1a série - Volume 2
Conexão Editorial
Maça
Pares de meia
a) Deve-se colocar uma bola ou um
Bola pequena de borracha
saquinho de areia no interior dos
Saquinhos de areia
pares de meia, em seguida, amarrar
Garrafas PET, garrafinhas
as extremidades das meias.
de iogurte
b) Abrir um orifício na tampa da
Bastãozinho de madeira
garrafa PET, para inserir o bas(aproximadamente 50 cm)
tãozinho. Fixá-lo na extremidaEVA
de oposta com um parafuso. A
Parafusos
garrafa PET pode ser preenchida
Colher de pau
com retalhos de EVA, tecidos ou
Fita adesiva ou durex colooutros, para aumentar ligeirarido
mente o peso do material.
c) No caso da utilização de colheres de
pau, pode-se preencher a parte da
colher com bola de jornal, encapada
com fita crepe ou durex colorido.
desenvolvimento da Situação de
Aprendizagem 2
Etapa 1 – A bola na GR
Divida a turma em cinco grupos e solicite
que realizem diferentes movimentos utilizando bolas de diferentes tamanhos e pesos.
Organize os alunos de maneira que possam
vivenciar situações diversas: sozinhos, em
duplas, trios, quartetos e assim por diante.
Sugira alguns movimentos característicos
da GR: lançar a bola com uma das mãos
e receber e recuperar com a outra; lançar
a bola a certa altura acima da cabeça e dar
um giro; rolar a bola no solo e realizar um
rolamento para a frente, recebendo-a com
uma das mãos; quicar a bola com uma das
mãos e elevar a perna contrária etc. Solicite
que os alunos rolem a bola sobre o próprio
corpo, esse é um dos movimentos fundamentais utilizados na GR. Proponha que
realizem os movimentos com mudança de
direção, diferentes planos e níveis ao som
de músicas com diferentes ritmos. Sem o
acompanhamento musical, a percussão rít-
mica pode ser feita com as “batidas” da própria bola; por exemplo, enquanto um grupo
realiza os movimentos, os outros realizam
a percussão rítmica com bolas ou palmas.
Procure atender às necessidades dos alunos
conforme elas aparecerem e aproveite para
pedir a colaboração daqueles que possuem
controle maior do aparelho para que auxiliem os demais colegas. Sugira que percebam e escolham o tamanho e o peso da bola
mais adequados para as características de
cada um. É importante chamar a atenção
dos alunos para que utilizem as duas mãos,
e não apenas a dominante. Essa orientação
serve também para as outras etapas. Caso o
professor não tenha a quantidade suficiente de bolas para todos os alunos, uma alternativa é sugerir aos mesmos, com antecedência, a confecção de bolas com folhas de
jornal, revestidas por uma sacola plástica
ou fita adesiva.
Etapa 2 – A corda na GR
Mantenha, se possível, a mesma organização
dos grupos da etapa anterior. Solicite que
19
cada aluno pegue uma corda adequada à
sua estatura (pisar no centro da corda com
os dois pés e trazer as extremidades até a
altura das axilas) e que cada grupo apresente
diferentes possibilidades de movimentos,
utilizando a corda individualmente, em duplas,
trios, quartetos e assim por diante. Proponha
alguns desafios (percepção do tempo e do
espaço ao pular corda): Quantos passos você
consegue dar entre uma passagem da corda e
outra? É possível saltar ou pular corda e ao
mesmo tempo realizar giros? Saltar ou pular
corda com impulsão em um dos pés? E girar
a corda fechada ao lado, realizando diferentes
movimentos corporais: giros, saltitos, ondulações
etc.? É possível girar a corda utilizando somente
uma das mãos? É possível lançar a corda com
uma das mãos e receber com a outra sem
deixá-la cair no chão? Todos os grupos devem
vivenciar os movimentos propostos pelos
outros grupos. Proponha a combinação de
dois dos movimentos realizados isoladamente.
Amplie a proposta para três, quatro ou mais
movimentos. Depois sugira que cada grupo
elabore uma sequência de movimentos de 8,
16 ou 32 tempos, conforme as possibilidades
de seus componentes, utilizando algumas
das combinações expostas. Apresente uma
música, com compasso binário ou quaternário, e solicite aos grupos que façam as
suas sequências de movimentos dentro de seu
ritmo. Pode-se solicitar que cada grupo traga
a música considerada mais adequada para a
sua sequência de movimentos.
Etapa 3 – O arco na GR
O arco permite uma variedade de combinações. Solicite aos grupos que identifiquem as diferentes possibilidades de
lançar e recuperar um arco; rolar o arco no
solo com diferentes formas de recuperação
e movimentos corporais durante a trajetória do aparelho; girar o arco no solo ou
não; rotações do arco ao redor de diferentes partes do corpo (mão, cintura, pé etc.),
20
entre outras. Depois apresente desafios: Que
tipo de movimento pode ser feito enquanto o
arco está no ar, durante o lançamento? E girando no solo? O arco pode ser lançado somente com as mãos? É possível transpor um
arco em movimento? Solicite combinações de
movimentos, como realizado nos aparelhos
anteriores.
Etapa 4 – A fita na GR
Solicite aos alunos que manuseiem as
fitas e identifiquem diferentes figuras geométricas durante a exploração. Sugira que,
inicialmente, não se desloquem. Alguns
exemplos: movimentar a fita de modo que
a mesma “desenhe” uma circunferência no
ar; o número oito, no solo, em formato de
cobra ou serpentina etc. Após descobrirem
uma maneira de manter a figura “sustentada” por certo tempo, proponha que tentem
realizar movimentos como circunduções,
serpentinas, espirais, ultrapassar, transpor
ou saltar a mesma, individualmente, em duplas, trios, quartetos e assim por diante. Sugira que os alunos realizem a movimentação
da fita em diferentes planos e níveis, com e
sem deslocamento.
Etapa 5 – As maças na GR
O manuseio da maças é mais difícil, pois
exige coordenar e combinar movimentos
utilizando as duas mãos. No entanto, as
etapas anteriores já permitem que os alunos ajustem os aparelhos às suas características. Solicite que façam um movimento de
circundução do punho segurando a “cabeça”
(ponta) da maça com os dedos, primeiro com a mão dominante e depois com a
outra, realizando o movimento com as
maças deitadas no solo e depois suspensas no ar. Desafie os alunos: É possível
realizar esse mesmo movimento com as
duas maças simultaneamente? Podemos variar o sentido das maças (mesmo sentido,
Educação Física - 1a série - Volume 2
sentidos opostos, defasadas)? As maças, assim como a bola, o arco, a corda e a fita,
podem ser lançadas? Elevando à frente
uma das pernas é possível realizar que tipo
de movimentos com as maças nas mãos? A
necessidade de resolver situações-problema quando estiverem utilizando os objetos em ambas as mãos requer controle
principalmente da mão não dominante.
O lançamento das maças requer cuidados
especiais sobretudo em relação à segurança
dos alunos; outro cuidado a ser observado
é a preservação do material, seja ele oficial
ou adaptado.
Etapa 6 – Fazendo as próprias escolhas
e elaborando os códigos de pontuação
Nas etapas anteriores, os alunos já
adquiriram alguma experiência no manuseio dos aparelhos característicos da GR.
Agora, cada grupo será responsável por
apresentar uma lista de “movimentos obrigatórios” para cada aparelho, com base
nos movimentos vivenciados nas etapas
anteriores, que se constituirão como exercícios de dificuldade a serem realizados pelos
grupos. Por exemplo: lançamento da bola
ao alto, seguido de salto com giro de 180º,
e recuperação da bola no plano baixo. Defina
tais movimentos em conjunto com os alunos,
por meio de um “código de regras” conhecido na GR como Código de Pontuação.
Com base no Código de Pontuação elaborado, os alunos escolhem um determinado
aparelho da GR e apresentam uma sequência de movimentos. Em função do número
de alunos por turma, a apresentação pode
ser feita em grupos, possibilidade existente
nas competições de GR. Outra alternativa
é propor a apresentação em um momento
em que toda a comunidade escolar esteja
reunida, através de um festival de GR.
SITUAçãO DE APRENDIZAGEM 3
APRENDENDO A APRECIAR UM ESPETáCULO ESPORTIVO
Os alunos assistirão a um vídeo com sequências de exercícios em vários aparelhos da GR e
procurarão identificar e analisar as técnicas e as táticas utilizadas; as características pessoais
e interpessoais dos ginastas; a influência do tipo da música; a combinação e coordenação
de movimentos.
Tempo previsto: 1 a 2 aulas.
Conteúdo e temas: a importância da técnica e da tática na apreciação do espetáculo esportivo.
Competências e habilidades: apreciar e analisar as técnicas e as táticas da GR em uma sequência de
exercícios.
Recursos: vídeos ou DVDs de GR; aparelho de DVD ou de vídeo.
21
desenvolvimento da Situação de
Aprendizagem 3
Providenciar antecipadamente vídeos ou
DVDs de GR que contenham apresentação
do maior número possível de aparelhos.
Espera-se que a Situação de Aprendizagem
anterior tenha sensibilizado os alunos para
que apreciem sequências de exercícios de
GR exibidas em vídeo ou DVD. Em função
da disponibilidade de tempo e de vídeos
ou DVDs, pode-se também eleger, de acordo com a preferência dos alunos, apenas
um ou dois aparelhos.
Apresentar os vídeos ou DVDs aos alunos e propor que identifiquem e analisem as
técnicas e as táticas utilizadas; as características pessoais e interpessoais dos ginastas; a
influência do tipo de música; a combinação
e coordenação de movimentos.
Para encerrar, estimule os alunos a comentar os vídeos ou DVDs e associar aquilo que
perceberam às próprias experiências na Situação de Aprendizagem proposta.
ATIVIDADE AVALIADORA
Solicite aos alunos que apresentem, por
escrito, as dificuldades encontradas para realizar os movimentos nos diversos aparelhos, e
peça para explicitarem os motivos pelos quais
julgam que isso ocorreu. Uma “roda de conversa” também poderia servir para esse propósito,
com a vantagem de trazer a reflexão coletiva
sobre as possíveis razões das dificuldades.
Avalie as respostas considerando se os
alunos levam em conta, nos motivos explicitados, as características pessoais (preferência,
coordenação, força etc.), as características
dos aparelhos, o tipo e o nível de dificuldade dos movimentos e a necessidade de treino
para melhorar o desempenho.
PROPOSTA DE SITUAçõES DE RECUPERAçãO
Durante o percurso pelas Situações de
Aprendizagem, alguns alunos poderão não
apreender os conteúdos da forma esperada.
É necessário, então, professor, que outras
Situações de Aprendizagem sejam propostas, permitindo ao aluno revisitar o processo
de outra maneira. Tais estratégias podem ser
desenvolvidas individualmente ou em pequenos grupos, durante as aulas ou em outros
momentos, envolver todos os alunos ou apenas aqueles que apresentaram dificuldades.
Por exemplo:
22
f elaboração e apresentação (pode-se optar
pelo registro com uso de palavras, desenhos, audiovisual etc.) de sequências de
movimentos, com base em referenciais e
elementos sugeridos pelo professor;
f reapresentação da Atividade Avaliadora desenvolvida em outra linguagem. Por exemplo: apresentá-la com
imagens extraídas de diversas mídias,
desenhos etc.
Educação Física - 1a série - Volume 2
RECURSOS PARA AMPLIAR A PERSPECTIVA DO PROFESSOR
E DO ALUNO PARA A COMPREENSãO DO TEMA
livros
SCHIAVON,
Laurita
M.;
NISTAPICOLLO, Vilma L. Desafios da ginástica na escola. In: MOREIRA, E. C. (Org.).
Educação Física escolar: desafios e propostas 2. Jundiaí: Fontoura, 2006, p. 35-60.
Apresenta sugestões de como viabilizar
estratégias de ensino e recursos materiais para
as aulas de GR na Educação Física.
Teses e dissertações
SCHIAVON, Laurita M. O projeto crescendo
com a ginástica: uma possibilidade na escola.
2003. Dissertação (Mestrado em Educação
Física) − Universidade Estadual de Campinas,
Campinas, 2003. Disponível em: <http://libdigi.
unicamp.br/document/?code=vtls000300852>.
Acesso em: 18 nov. 2008.
modalidades de ginástica artística e ginástica rítmica nas aulas de Educação Física, em
termos de infraestrutura, materiais e estratégias de ensino.
Sites
Ginástica.com. Disponível em: <http://www.
ginasticas.com/ginasticas/gin_ritmica.html>.
Acesso em: 18 nov. 2008.
Apresenta informações gerais sobre a
ginástica rítmica: histórico, provas, aspectos
técnico-táticos, regras e eventos.
Confederação Brasileira de Ginástica. Disponível em: <http://www.cbginastica.com.br/
web/>. Acesso em: 18 nov. 2008
Apresenta informações sobre histórico e
regras da ginástica rítmica.
Aponta alternativas para as dificuldades encontradas no desenvolvimento das
23
TEMA 3 – CORPO, SAúdE E BElEzA
A Grécia Antiga foi o berço das reflexões
filosóficas mais reconhecidas sobre estética
e beleza que passaram a nortear a nossa
civilização. O tema da beleza foi associado aos
conceitos de harmonia, proporção, simetria e
esplendor. Relacionava-se também à ideia de
justiça e de conhecimento. As formas perfeitas e as medidas simétricas solidificaram um
modo “matemático” de ver a beleza.
Na mitologia grega, o deus que representa
a beleza masculina é Apolo, considerado o
mais belo do Olimpo e também o deus protetor das artes (poesia, música, dança etc.) e
da medicina. Outro mito greco-romano também muito conhecido é Narciso, jovem de singular beleza, cuja vida seria longa desde que
não contemplasse, jamais, a própria imagem.
Conta o mito, porém, que, no dia em que viu
seu rosto refletido nas águas de uma fonte,
Narciso se apaixonou tão perdidamente por
sua própria imagem que, de tanto contemplála, morreu afogado.
A civilização grega também difundiu a
ginástica como o elemento da formação
integral do indivíduo, cultuando a harmonia
da forma física e o desenvolvimento do espírito.
A educação, segundo o filósofo Platão, deveria
proporcionar ao corpo e à alma toda a perfeição e a beleza de que são capazes. Ao lado da
preparação física, os poemas homéricos eram
a base dessa educação que se pautava em
heróis e na virilidade guerreira.
Entretanto, ao final do século IV a.C., as
manifestações religiosas do politeísmo grego
(inclusive os Jogos Olímpicos) foram proibidas.
Gradativamente, a cultura religiosa e a ideia
de transitoriedade do corpo mudaram o foco da
beleza mundana para a celestial. Com o avanço
24
da religião cristã evidenciou-se a compreensão
do corpo feminino como aquele da beleza contemplativa e inalcançável, ao passo que o corpo
masculino trazia a marca da força e da invencibilidade. Os homens eram os defensores dos
princípios e das virtudes, responsáveis pelo trabalho na terra e pelo sustento das famílias.
Na Idade Média, o corpo passou a identificar-se como o lugar de encarceramento do
espírito. Como as formas físicas eram consideradas passageiras, cuidar do corpo era considerado pecado. Esse moralismo medieval fortaleceu o dualismo da beleza entre interna e
externa, entre espiritual e física. No século XI,
a beleza feminina foi espiritualizada. Houve
uma respeitosa adoração à mulher, idolatrada num amor platônico e inatingível, pela voz
dos trovadores e dos romances cavalheirescos.
Enaltecia-se a beleza da mulher angelical, de
traços delicados, pele clara e cabelos em requintados penteados.
Com o cristianismo alteraram-se os princípios que norteavam o sentido de beleza. As
coisas belas se revelavam na alma e não fora
dela. Os exercícios físicos, que antes eram
difundidos para expressar a beleza interior,
passaram a ter a conotação de desviar o homem do encontro com Deus.
O Renascimento, movimento intelectual,
estético e social ocorrido nos séculos XIV e
XV, retomou a cultura física, as artes, a música, a ciência e a literatura tão valorizadas
na Antiguidade ocidental. Houve mais investimentos na educação e na saúde. A mulher,
antes inspirada na imagem de “Maria”, virgem, pura, angelical e inalcançável, passou a
ser adorada por suas formas físicas. A beleza
do corpo foi novamente explorada.
Educação Física - 1a série - Volume 2
© Bettmann/Corbis-Latinstock
O corpo passou a ser dissecado, dividido e
analisado em sua composição biológica para ser
compreendido pela ciência. Destaca-se o trabalho de Leonardo da Vinci (1452-1519), que
estudou os movimentos dos músculos e das articulações, criou as regras de proporção do corpo
humano e produziu um dos primeiros tratados
de biomecânica. Seu “homem vitruviano” simbolizava as proporções corporais ideais: face
medindo 1/10 do comprimento total do corpo, a
cabeça 1/8 e o tórax 1/4. A chamada proporção
áurea definiu os cânones para que a beleza fosse revelada pela simetria. Havia, por exemplo,
uma medida-padrão entre as duas orelhas ou os
dois olhos. Quanto mais igual, perfeita, simétrica e equilibrada a forma, maior a contemplação
da beleza.
Figura 2 – O homem vitruviano, desenho de
Leonardo da Vinci, de 1492.
No século XVIII, marcado pela Revolução Industrial, estabeleceu-se uma nova
concepção de beleza. A ciência difundiu a ideia
de modelagem e adestramento do corpo, por
meio dos aparelhos que ajudavam a corrigir e
melhorar posturas consideradas inadequadas
do ponto de vista médico, ortopédico e estético. Surgiram as “séries de exercícios físicos”
para trabalhar grupos musculares específicos.
A ginástica, prática “comprovadamente cien-
tífica”, anunciada como meio de potencializar
as ações e os gestos, estava relacionada ainda
à noção de economia de tempo, de gasto de
energia e de cultivo à saúde.
A partir do século XIX a ideia de beleza
se modificou. O corpo humano foi explorado
em seu caráter terreno, tátil, sensual, sede do
pecado e do prazer.
Nos anos 1920 e início da década de 1930,
evidenciou-se mais a beleza do corpo feminino
que do masculino. Houve mais liberdade para
mostrar os seios em decotes, vestir saias curtas e
expor a sensualidade. No final dos anos de 1930
até 1950, o puritanismo vulgarizou a mulher
que demonstrava sua sensualidade: a beleza
do corpo precisava ser discretamente revelada,
ao invés de escandalosamente exibida.
Na década de 1960 vários movimentos
pregaram a liberdade sexual e a emancipação
da mulher. Muitas protestaram contra sua
histórica submissão. O corpo, antes modelado
e preso no espartilho, ganhou liberdade. Até
mesmo as mulheres grávidas começaram a
mostrar a barriga em público.
A exibição do corpo belo passou a ter
cada vez mais valor comercial. A nova beleza
do século XX unia, ainda mais, as forças da
ciência, da indústria e do comércio. A beleza,
agora exibida nos meios de comunicação de
massa, passou a ser “produto” de consumo,
vendido como imagem e como bem. Cresceu
a venda de roupas curtas, sensuais e exóticas.
Maquiagens, sutiãs, lentes de contato; além
disso, maneiras de andar e sentar ditaram regras da postura feminina. Investiu-se numa
nova cultura estética, que instaurou a “ditadura da beleza”. Os estereótipos foram
definidos para cada detalhe: cabelos (surgiu
uma variedade de cosméticos e aumentou
o número de pessoas que mudavam a cor e
os cachos), olhos (coloridos, fortes, marcados pelo delineador e pelo rimel), pele (sem
25
© Private Collection / The Stapleton Collection /
The Bridgeman Art Library International-Keystone
Figura 3 – Aparelhos de ortopedia, 1868.
manchas, sem estrias, sem celulite), roupas
(justas, com decotes e na moda) e seios (com
silicone, ficando muito à mostra). A indústria químico-farmacêutica produz cremes
e remédios que prometem modificar tudo:
pele, contornos e pesos.
Se nos últimos anos o investimento mercadológico na beleza expandiu seu foco, a exigência da beleza deixou de ser apenas sonho
para modelos e manequins e tornou-se um
atributo essencial a pessoas de todas as idades.
Ser belo e aparentar juventude tornou-se um
dever, uma busca a qualquer preço e risco.
Na modernidade o corpo foi redescoberto,
despido e modelado pelos exercícios físicos.
Novos espaços e práticas ginásticas/esportivas
passaram a convocar as pessoas para modelar
o corpo. Multiplicaram-se os locais públicos
e privados para práticas físicas: academias de
ginástica, salas de musculação, praças, parques e clínicas estéticas.
A ciência aperfeiçoou ainda mais suas
técnicas para inovar no visual. Tornou-se
possível alterar a cor da pele, mudar de rosto, aumentar os seios ou as nádegas, conquistando assim o padrão de beleza vigente, construído com botox, silicone, tintas,
26
cirurgias plásticas, dietas arriscadas e muita
maquiagem. Com a crescente mercantilização do corpo feminino, a beleza natural foi
desaparecendo, naturalizando-se a beleza
produzida artificialmente.
Se inicialmente a principal referência de
beleza eram as mulheres europeias e nórdicas,
este conceito foi se alargando. Ao longo da
história, ora o corpo belo tem seios grandes,
cabelos longos e cacheados, cinturinha desenhada com espartilho e quadril largo, ora o
corpo belo tem cabelos lisos, seios delineados,
quadril estreito, pernas longas, braços finos,
com medidas quase anoréxicas.
Todavia, é preciso ressaltar que os diferentes
grupos culturais podem ver a beleza de
maneira diferente − por exemplo, os grupos
indígenas ou afro-descendentes –, tanto a sua
própria como a dos outros grupos.
Embora a exploração da beleza feminina
seja mais enfatizada, também os padrões de
beleza para os homens têm sofrido transformações. Muitos homens também começaram
a dedicar-se aos cuidados estéticos. Chamados
de “metrossexuais”, eles passaram a frequentar
salões de beleza, fazer as unhas, pintar os cabelos e/ou depilar os pelos do peito.
Educação Física - 1a série - Volume 2
Em todos os canais de comunicação e também nos espaços públicos, ditam-se as regras de
cultivo do corpo. Dentre os exercícios físicos,
difundiram-se a musculação, o fisiculturismo,
as atividades de fitness. O corpo belo é aquele
sempre “superdefinido”, “durinho”, sem celulite ou estrias.
Além da “boa forma”, valorizam-se o tipo
de pele, o bronzeado, mesmo que artificial, e
as medidas corporais − alteradas tanto com
os recursos das roupas íntimas com enchimentos, quanto com as cirurgias. Os salões
de beleza prometem alisamentos progressivos
e permanentes. Os cabelos modificados (com
escovas “revolucionárias” de formol, chocolate etc.) deixaram até de ser uma característica
para identificar alguém. A beleza vem sendo
tão artificializada, que os cabelos naturais são
apontados como falsos. Como você ainda não
pintou? Fez chapinha hoje? As perguntas cotidianas declaram: não sabemos mais o que foi
alterado com recursos da beleza.
A doentia busca pela beleza deve ser um
assunto discutido também na escola, inclusive
nas aulas de Educação Física. Deve-se alertar
os alunos que a “beleza” é um tema complexo,
influenciado por interesses religiosos, políticos, ideológicos e comerciais que direcionam
nosso modo de vê-la e buscá-la. Por isso, é
primordial compreender que a “beleza” depende do contexto histórico em que estamos
inseridos ou de quais referenciais nos valemos
para interpretar a realidade.
Vale destacar que, apesar de identificarmos alguns padrões em determinadas épocas
históricas, vários padrões coexistem numa
mesma época.
Apesar dos avanços na compreensão dos
mecanismos pelos quais a alimentação e o exercício físico podem contribuir para aquisição
e manutenção de níveis adequados de
saúde, a busca de um determinado padrão
de perfectibilidade da beleza impulsiona o
consumo de produtos, práticas e recursos nem
sempre compatíveis com esse propósito.
Comumente nos deparamos com a divulgação de dietas milagrosas (receitas de sopas,
saladas etc., associadas, às vezes, a laxantes e
diuréticos) que permitem redução acentuada
de peso corporal em poucos dias ou semanas,
sem, contudo, haver maiores esclarecimentos
a respeito dos efeitos sobre a saúde em geral
ou acerca da eficácia na manutenção dessa
perda a longo prazo.
A perda de peso por meio de dietas que
preconizam a ingestão excessiva ou restrita
de um ou mais macronutrientes (carboidratos, gorduras ou proteínas) pode ser prejudicial à saúde humana, uma vez que promove
sobrecarga das estruturas orgânicas durante a
absorção e/ou excreção dos nutrientes ou carência de determinados nutrientes.
Uma ampla variedade de suplementos alimentares encontra-se disponível no mercado
do “corpo perfeito”, dentre estes os lipolíticos
ou fat burners (queimadores de gorduras); os
energéticos; os anabolizantes (aminoácidos e
precursores); os complementos vitamínicos
e minerais e os famosos sports drinks (bebidas esportivas). Entretanto, seu uso indiscriminado, em detrimento de uma alimentação
convencional adequada, pode expor o organismo a situações de risco, visto que muitos
produtos comercializados como suplementos, incluindo alguns precursores hormonais
(DHEA – deidroepiandrosterona), não possuem comprovação científica quanto ao uso
seguro e eficaz.
Por vezes, a suplementação de alguns
nutrientes e substâncias já presentes no organismo em quantidades normais ou próximas
do normal eleva sua proporção em relação a
outros nutrientes e substâncias, deixando o
organismo suscetível a distúrbios diversos, incluindo doenças como diabetes.
27
Possibilidades Interdisciplinares
O tema Corpo e beleza em diferentes períodos históricos poderá ser desenvolvido de
modo integrado com as disciplinas de História, Filosofia e Arte, na medida em que envolvem
conteúdos afins.
Outra prática comum no mercado da
beleza é a difusão de propagandas relacionadas a programas e/ou produtos envolvendo
exercícios físicos. Em geral, propõem modificações nas formas corporais (hipertrofia
ou definição muscular, redução de medidas)
em curto espaço de tempo, metas difíceis de
serem atingidas quando o exercício é utilizado isoladamente.
Notadamente a região abdominal constitui um dos principais alvos desse mercado,
cujo propósito − definição muscular − impulsiona o lançamento de vários modelos
de equipamentos e rotinas de exercícios direcionados à aquisição de um abdome bem
definido. Entretanto, o que a grande maioria
dos anúncios não informa é que, sendo essa
região um dos principais sítios de acúmulo
de gordura corporal, a obtenção de resultados semelhantes àqueles mostrados pelos
modelos utilizados em propagandas só se
torna possível mediante a adoção, simultaneamente, de dietas que favoreçam a redução da gordura corporal total e a utilização
dos equipamentos e exercícios propostos.
Mediante uma restrição calórica induzida
pela dieta, a realização de exercícios aeróbicos
vinculados ao treinamento de força resulta na
manutenção do peso corporal magro ou mesmo num pequeno aumento deste, de tal forma
que o nível de metabolismo basal é mantido
ou ainda aumentado, reduzindo a tendência
orgânica para acumular calorias. É importante
destacar que tais processos também exigem um
fornecimento adequado de nutrientes mediante
uma dieta equilibrada. Vale dizer, também, que
estes não são os únicos determinantes do gasto energético. Se uma pessoa gasta em repouso
“x” kcal durante um dia inteiro, deve ingerir
um mínimo de “x” kcal diárias, mais as kcal
gastas com os demais componentes do gasto
energético diário, conforme quadro abaixo.
determinantes do gasto energético diário
Metabolismo basal: a taxa metabólica basal (TMB) ou de repouso (TMR) representa o gasto mínimo de energia necessário à manutenção das funções corporais no estado de jejum ou de repouso.
Representa o principal determinante do gasto energético diário, correspondendo a 60%-75% do gasto
total humano.
Termogêneses:
Induzida pela dieta: representa o gasto de energia que acompanha a ingestão alimentar, decorrente
das reações sofridas durante a digestão, absorção e conversão de nutrientes.
Facultativa: conhecida como termogênese sem calafrio, manifesta-se mediante a redução da temperatura ambiente quando precisamos gastar energia especificamente para produzir calor.
28
Educação Física - 1a série - Volume 2
Atividade física: é responsável por aproximadamente 15% (para indivíduos sedentários) e 30% (para
pessoas que se exercitam regularmente) do gasto diário total, distribuído entre gastos com: (1) a atividade física espontânea, relacionada ao gasto com movimentos irrequietos e nervosos, normalmente
inconscientes e sem propósitos; e (2) a atividade física intencional, relacionada ao gasto no trabalho
ocupacional ou exercícios físicos intencionais.
SITUAçãO DE APRENDIZAGEM 4
A CONSTRUçãO HISTóRICA E CULTURAL DOS PADRõES
DE BELEZA E A MINHA BELEZA
Os alunos coletarão imagens de atletas
em vários períodos históricos para estabelecer comparações com obras de arte
ou fotos de atores e atrizes que ilustram,
ao longo do tempo, padrões de beleza
predominantes,
buscando
identificar
quais categorias (formas corporais, tipos e
penteados dos cabelos etc.) contribuem
para estabelecer tais padrões. Com base
nisso, propõe-se a elaboração de cartazes
sobre o tema e uma vivência para que os
alunos atentem para a própria imagem
corporal e beleza, nas suas relações com o
contexto sociocultural.
Tempo previsto: 2 a 3 aulas.
Conteúdos e temas: padrões de beleza em diferentes períodos históricos.
Competências e habilidades: identificar padrões e estereótipos de beleza nos diferentes contextos históricos e culturais; perceber as representações da beleza em seu grupo sociocultural.
Recursos: papel e cartolinas de cores variadas, pincel atômico, corda ou barbante.
desenvolvimento da Situação de
Aprendizagem 4
Etapa 1 – A beleza ao longo do tempo
Previamente, solicite aos alunos que, em
grupos e em horário extra-aula, procurem
fotos de atletas olímpicos em situações de
competição. Para ilustrar padrões de beleza
de diferentes épocas históricas sugira a pesquisa sobre as obras de arte, fotos de mode-
los e atrizes. Os grupos podem ser divididos
entre os dois assuntos.
Nas páginas que se seguem apresentamos
os padrões de beleza, representados pelas
obras de arte, até o século XIX. O mesmo
pode ser feito em relação aos modelos de beleza masculina.
29
Época
nome da obra de arte e imagens de mulheres
© Wikipedia
Século IV a.C.
Vênus de Cnido
© Marie-Lan Nguyen/Wikipedia
Século II a.C.
Vênus de Milo
30
Educação Física - 1a série - Volume 2
1503-1506
nome da obra de arte e imagens de mulheres
© Gianni Dagli Orti/Corbis - Latinstock
Época
Mona Lisa, obra de Leonardo da Vinci
© The Bridgeman Art Library
International-Keystone
1509
Vênus adormecida, obra de Giorgione
© The Bridgeman Art Library International-Keystone
1540
A Bela, obra de Ticiano Vecellio
31
© Erich Lessing/Album-Latinstock
1650
Vênus no espelho, obra de Diego Velásquez
© The Bridgeman Art Library
International-Keystone
1797-1800
Maja desnuda, obra de Francisco Goya y Lucientes
© Wikipedia
1833
Madalena penitente, obra de Francesco Hayez
32
Educação Física - 1a série - Volume 2
Época
nome da obra de arte e imagens de homens
© Pirozzi/Album/akg-images-Latinstock
460-450 a.C.
Discóbolo, obra de Miron
© Jastrow/Wikipedia
Século I d.C.
1842
© The Bridgeman Art Library International-Keystone
Apolo de Belvedere
Sansão e o leão, obra de Francesco Hayez
33
Peça aos alunos que organizem as imagens
pesquisadas e estimule-os a identificar algumas categorias que estabelecem padrões de
beleza (formas corporais, definição muscular,
cabelos, roupas etc) Relacionando-as ao contexto histórico.
o colega é mais gordo ou mais magro, mais
alto ou mais baixo do que achamos ou do que
aparenta? Por que será que o “enxergamos”
assim? Depois tentam “arrumar” o molde
com o colega dentro dele. Quando conseguirem, o colega se levanta, evitando, ao máximo, desmanchá-lo.
Etapa 2 – A história da própria
beleza
A seguir, os grupos sentam em redor do
molde, e cada aluno apresenta as palavras que
escreveu no início da aula. Convide os grupos
a identificar se escreveram sobre temas semelhantes ou diferentes, se apareceram mais
referências ao formato do corpo, tipo de cabelo, cor da pele, biotipo ou sobre as partes do
corpo de que mais gostam ou que queriam que
fossem diferentes. Estimule-os a relacionar as
maneiras como olharam para a própria beleza
com os contextos histórico-culturais explicitados na etapa anterior. Em seguida, solicite
a cada grupo a distribuição destas palavras
no molde. Por exemplo, as palavras referentes
aos tipos de cabelo poderão ser colocadas na
região da cabeça, e assim por diante.
Distribua pedaços de papel de cores e formatos variados (medida aproximada de 5 × 10
cm). Peça aos alunos para escrever as palavras
que melhor representam seus sentimentos
sobre a própria beleza. Por enquanto, cada
aluno guarda suas palavras e é convidado para
a fase seguinte da Situação de Aprendizagem.
Peça aos alunos para que se dividam em
pequenos grupos (de quatro a seis alunos
em cada). Cada grupo recebe uma corda ou
barbante (com 6 metros de comprimento, no
mínimo). Os integrantes do grupo definem
uma pose e escolhem alguém para representála, isto é, para ser a “estátua”. Com a corda
ou barbante, o grupo deve desenhar no chão
o contorno do corpo da “estátua” apenas pela
observação (não é permitido deitar no chão
para servir de “molde”).
Quando terminarem, o aluno que serviu de
“estátua” deita-se sobre o molde. Todos analisam se as partes do corpo ficaram proporcionais ou muito diferentes do modelo. Se houve
diferenças, discutem os motivos. Por exemplo:
Quando todos os grupos terminarem,
devem formar um grande círculo em torno
dos moldes e analisar os diferentes sentimentos sobre a beleza, expressos pelas palavras
escolhidas e distribuídas nos diferentes moldes. Estimule os alunos a pensar nos possíveis significados das palavras, estabelecer
relações, fazer comparações, refletir sobre
causas desses sentimentos etc., sempre considerando os contextos histórico-culturais
vistos na etapa anterior.
SITUAçãO DE APRENDIZAGEM 5
TRIBUNAL DA BELEZA
Os alunos farão um levantamento dos produtos, práticas alimentares e programas de
exercícios com finalidades estéticas presentes
34
em diferentes mídias (revistas, internet etc.) e
discutirão os riscos e benefícios à saúde associados à utilização desses recursos.
Educação Física - 1a série - Volume 2
Tempo previsto: 2 aulas.
Conteúdo e temas: produtos, práticas alimentares e programas de exercícios associados à busca de
padrões de beleza.
Competências e habilidades: identificar recursos voltados à obtenção de padrões de beleza corporal;
reconhecer e criticar o impacto dos estereótipos de beleza corporal na opção por exercícios físicos,
produtos e práticas alimentares; reconhecer riscos e benefícios que a utilização de produtos, práticas
alimentares e programas de exercícios podem trazer à saúde orgânica.
Recursos: matérias de jornais, revistas, sites e propagandas.
desenvolvimento da Situação de
Aprendizagem 5
Etapa 1 – Coletando provas
Previamente solicite aos alunos que, divididos em grupos, pesquisem − em revistas,
jornais e sites (indicados ou não pelo professor)
− textos, matérias jornalísticas, imagens e
propagandas sobre produtos (cosméticos,
remédios, equipamentos de ginástica etc.),
práticas alimentares e/ou programas de exercícios físicos voltados à obtenção de padrões
de beleza corporal. Opcionalmente, o próprio
professor poderá trazer material sobre a temática, incluindo propagandas e matérias jornalísticas gravadas da programação televisiva.
Auxilie os alunos, ainda em grupos, a analisar e dividir o material coletado em termos dos
produtos e práticas tratados e das respectivas
abordagens em relação a benefícios e/ou riscos
à saúde. Por exemplo, se uma matéria jornalística sobre determinado programa de exercícios
ou prática alimentar enfatiza apenas os benefícios dele decorrentes ou também alerta para
riscos à saúde e/ou limitações nos resultados
em função da individualidade do usuário.
Etapa 2 – Culpado ou inocente?
Divida os alunos em três grupos, sendo que
o maior grupo (cerca de metade da turma)
será o júri e os outros dois grupos, os advogados de acusação e defesa, respectivamente.
O réu é o “Mercado do corpo e dos padrões
de beleza”. Um aluno fará o papel de juiz, organizando os trabalhos. Os grupos de acusação e de defesa deverão, com base no material
coletado e com a assistência do professor, encontrar argumentos para atacar ou defender
o réu. Cada grupo terá um tempo estipulado
para expor seus argumentos, e o outro grupo
terá um tempo para a réplica. Ao final, o júri
dará seu veredicto.
Na conclusão, procure evidenciar como
há argumentos divergentes em relação aos
produtos e práticas e os interesses econômicos
envolvidos na venda desses produtos e serviços, além da indução ao consumo estimulada
pelas propagandas. Apresente informações
mais aprofundadas em relação aos produtos,
práticas e exercícios físicos citados, de modo a
fundamentar seus possíveis riscos e benefícios
à saúde.
ATIVIDADE AVALIADORA
Com base nos conteúdos desenvolvidos
nesta Situação de Aprendizagem, proponha
que, em grupos, os alunos elaborem cartazes
com base nas identificações e relações que
estabeleceram sobre os diferentes padrões
de beleza ao longo da história. Além de
35
imagens, os cartazes podem conter pequenos
textos buscando chamar atenção sobre os
aspectos mais importantes relativos ao tema,
segundo a opinião dos próprios alunos.
O material elaborado poderá ser exposto
para toda a escola.
PROPOSTA DE SITUAçõES DE RECUPERAçãO
Durante o percurso pelas Situações de
Aprendizagem, alguns alunos poderão não
apreender os conteúdos da forma esperada.
É necessário, então, que outras Situações
de Aprendizagem sejam propostas, permitindo ao aluno revisitar de outra maneira o
processo. Tais estratégias podem ser desenvolvidas durante as aulas ou em outros momentos, envolvendo todos os alunos ou apenas
aqueles que apresentaram dificuldades. Por
exemplo, o professor pode propor:
f roteiro de estudos com perguntas norteadoras para posterior apresentação em registro escrito ou outra forma;
f criação de história em quadrinhos ou
colagem com imagens de revistas;
f produção de um texto autobiográfico
sobre a construção da própria beleza,
relacionada com o contexto históricocultural.
RECURSOS PARA AMPLIAR A PERSPECTIVA DO PROFESSOR
E DO ALUNO PARA A COMPREENSãO DO TEMA
livros
CURY, Augusto. A ditadura da beleza e
a revolução das mulheres. Rio de Janeiro:
Sextante, 2005.
Alerta para um problema do mundo
moderno − a ditadura da beleza − que
mantém crianças, adolescentes e adultos
tristes e frustrados. Parte da história de uma
famosa modelo de 16 anos que, obcecada pela aparência física perfeita, tornou-se
amarga e depressiva e tem de se submeter a
tratamento psiquiátrico.
36
ilustrado, o livro facilita a compreensão sobre
os padrões de beleza que ditaram modos de
ver as pessoas e o mundo.
QUEIROZ, Renato da Silva. O corpo do brasileiro: estudo de estética e beleza. São Paulo:
Senac, 2000.
ECO, Umberto. História da beleza. Rio de
Janeiro: Record, 2004.
Coletânea de textos que abordam o fato
de que a diversidade racial e cultural é pressionada pela padronização de beleza vigente nos meios de comunicação de massa. Os
autores discutem os diferentes atributos da
beleza, os riscos da exaltação de um tipo de
beleza, a questão do corpo europeu e o corpo
nacional.
Retrata por meio de imagens de obras de
arte a construção das ideias de beleza desde
a Grécia Antiga até os dias atuais. Ricamente
SILVA, Ana B. B. Mentes insaciáveis: anorexia, bulimia e compulsão alimentar. Rio de
Janeiro: Ediouro, 2005.
Educação Física - 1a série - Volume 2
Trata das dificuldades das celebridades e
anônimos com os transtornos alimentares,
apresentando uma abordagem multidisciplinar e prática sobre o tema.
TAVARES, Maria da Consolação F. Imagem
corporal: conceito e desenvolvimento. Barueri:
Manole, 2003.
Apresenta conceitos básicos e aborda o
processo de formação e desenvolvimento da
imagem corporal.
Teses e dissertações
BARROS, Daniela Dias. Estudo da imagem
corporal da mulher: corpo (ir)real x corpo
ideal. 2001. Dissertação de Mestrado − Faculdade de Educação Física, Universidade
Estadual de Campinas, Campinas, 2001.
Disponível em: <http://libdigi.unicamp.br/
document/?code=vtls000228730>. Acesso em:
11 fev. 2008.
Artigos
ESTEVãO, Adriana; BAGRICHEVSKY,
Marcos. Cultura da “corpolatria” e bodybuilding: notas para reflexão. Revista Mackenzie
de Educação Física e Esporte, São Paulo,
v. 3, n. 3, p. 15-27, 2004. Disponível em:
<http://www4.mackenzie.com.br/fileadmin/
Graduacao/CCBS/Cursos/Educacao_Fisica/
REMEFE-3-3-2004/art1_edfis3n3.pdf>. Acesso
em: 23 jan. 2008.
Discorre sobre a cultura da “malhação”,
em especial o fisiculturismo, cujo objetivo é
desenvolver grande volume muscular, com
padrão estético peculiar, mesmo às custas
de ultrapassar limites fisiológicos humanos. Para tal, analisa subjetividades e engendramentos que a perpassam, buscando
identificar a contextualização de alguns
paradoxos.
Filme
O preço da perfeição. Direção: Jan Egleson.
EUA, 1997. 100min., drama.
História verídica, narra a vida de
uma ex-corredora norte-americana que,
pressionada desde cedo a vencer, precisou
emagrecer para obter melhor desempenho e
conseguir classificação para os Jogos Olímpicos e quase morreu ao atingir um estado
crítico de bulimia.
37
COnSIdERAçõES FInAIS
Professor, com as orientações contidas
neste Caderno da 1a série do Ensino Médio, esperamos ter contribuído para o seu
trabalho pedagógico cotidiano nas aulas de
Educação Física, na perspectiva de ampliar
as possibilidades e significados do Se-Movimentar dos alunos no âmbito da Cultura
de Movimento. As Situações de Aprendizagem aqui propostas para os temas Atividade rítmica, Esporte e Corpo, saúde e beleza permitem as mais diferentes adaptações
em virtude das características específicas de
cada escola, assim como uma análise crítica
38
de sua parte, a fim de aperfeiçoar a Proposta Curricular da disciplina de Educação
Física.
É preciso também lembrar que os temas
e conteúdos propostos para o Ensino Médio
constroem uma continuidade ao longo das
diversas séries e bimestres. Portanto, as Situações de Aprendizagem propostas neste 2o
bimestre, assim como as competências e habilidades nelas trabalhadas, não devem ser tomadas de modo isolado, mas em relação ao
bimestre anterior e aos seguintes.
Educação Física - 1a série - Volume 2
4º bimestre
3º bimestre
2º bimestre
1º bimestre
QUAdRO dE COnTEúdOS – EnSInO MÉdIO
1ª série
2ª série
3ª série
Esporte
– Sistemas de jogo e táticas em uma modalidade coletiva já conhecida dos alunos.
Corpo, Saúde e Beleza
– Padrões e estereótipos de beleza
corporal.
– Consumo e gasto calórico: alimentação,
exercício físico e obesidade.
Ginástica
– Práticas contemporâneas: ginástica
aeróbica, ginástica localizada e/ou outras.
Corpo, Saúde e Beleza
– Capacidades físicas: conceitos e avaliação.
Mídias
– Significados/sentidos no discurso das
mídias sobre a ginástica e o exercício
físico.
– O papel das mídias na definição de modelos hegemônicos de beleza corporal.
luta
– Modalidade de luta já conhecida dos
alunos: capoeira, caratê, judô, taekwondo,
boxe ou outra.
Corpo, Saúde e Beleza
– Princípios do treinamento físico:
individualidade biológica, sobrecarga e
reversibilidade.
Contemporaneidade
– Corpo, cultura de movimento, diferença
e preconceito.
Atividade Rítmica
– Ritmo vital e ritmo como organização
expressiva do movimento.
– Tempo e acento rítmicos.
Esporte
– Modalidade individual: atletismo,
ginástica artística ou ginástica rítmica.
Corpo, Saúde e Beleza
– Corpo e beleza em diferentes períodos
históricos.
Esporte
– Modalidade individual ainda não
conhecida dos alunos.
Corpo, Saúde e Beleza
– Efeitos do treinamento físico: fisiológicos, morfológicos e psicossociais.
– Exercícios resistidos (musculação):
benefícios e riscos à saúde nas várias
faixas etárias.
Contemporaneidade
– Corpo, cultura de movimento, diferença
e preconceito.
Atividade rítmica
– Manifestações rítmicas ligadas à cultura
jovem: hip-hop, streetdance e/ou outras.
lazer e Trabalho
– Saúde e trabalho.
Contemporaneidade
– Esporte e cultura de movimento na
contemporaneidade.
Esporte
– Sistemas de jogo e táticas em uma
modalidade coletiva ainda não conhecida
dos alunos.
Corpo, Saúde e Beleza
– Conceitos: atividade física, exercício
físico e saúde.
Esporte
– Modalidade “alternativa” ou popular
em outros países: beisebol, badminton,
frisbee ou outra.
Corpo, Saúde e Beleza
Fatores de risco à saúde: sedentarismo,
alimentação, dietas e suplementos alimentares, fumo, álcool, drogas, doping e
anabolizantes, estresse e repouso
Doenças hipocinéticas e relação com a
atividade física e o exercício físico: obesidade, hipertensão e outras.
Mídias
– A transformação do esporte em espetáculo televisivo e suas consequências.
Atividade rítmica
– Manifestações e representações da cultura rítmica nacional ou de outros países.
lazer e trabalho
– O lazer como direito do cidadão e dever
do Estado.
Contemporaneidade
– A virtualização do corpo na contemporaneidade.
Ginástica
– Práticas contemporâneas: ginástica
aeróbica, ginástica localizada e/ou outras.
luta
– Princípios orientadores, regras e técnicas de uma luta ainda não conhecida dos
alunos.
Ginástica
– Ginástica alternativa: alongamento,
relaxamento ou outra.
Corpo, Saúde e Beleza
– Atividade física/exercício físico e
prática esportiva em níveis e condições
adequadas.
Contemporaneidade
– Corpo, cultura de movimento, diferença
e preconceito.
Esporte, Ginástica, luta e Atividade
Rítmica
– Organização de eventos esportivos e/ou
festivais (apresentações) de ginástica, luta
e/ou dança.
lazer e trabalho
– Espaços, equipamentos e políticas
públicas de lazer.
– O lazer na comunidade escolar e em
seu entorno: espaços, tempos, interesses e
estratégias de intervenção.
Corpo, Saúde e Beleza
– Estratégias de intervenção para promoção da atividade física e do exercício
físico na comunidade escolar.
39
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Caderno 1 série vol 2 gr at ritmica no esporte e dança