Determinação e Avaliação das Propriedades Térmicas de Solos Tropicais Anna Paula Lougon Duarte, Tácio Mauro Pereira de Campos e José Tavares Araruna Júnior. Departamento de Engenharia Civil, PUC-Rio, Rio de Janeiro, Brasil. RESUMO: O presente artigo apresenta uma breve revisão bibliográfica sobre as propriedades térmicas dos solos. De uma maneira mais específica é feito um estudo sobre condutividade térmica e calor específico e as metodologias empregadas em suas determinações. Foi realizada uma série de ensaios de laboratório, com o intuito de investigar o comportamento de propriedades térmicas de solos tropicais não saturados. Utilizou-se dois tipos de solos: um argilo-arenoso (CL) e um arenoargiloso (SC). A condutividade térmica e o calor específico foram determinados para ambos os solos, com o uso da metodologia da sonda térmica, sendo observado que os parâmetros térmicos de ambos os solos são dependentes da quantidade de água na matriz do solo e da temperatura. PALAVRAS-CHAVE: Propriedades Térmicas, Efeitos de Temperatura em Solos; Ensaios de Laboratório; Solos Não Saturados. 1 INTRODUÇÃO As propriedades térmicas dos solos são de grande importância em vários projetos de engenharia e em situações onde a transferência de calor em um meio poroso se faz relevante, por exemplo: fluxo de calor em regiões áridas e semi-áridas, estocagem de rejeitos radioativos, projeto de rodovias, projeto de tubulações e cabos de força enterrados, poluição térmica, remediação de áreas degradadas, agricultura e microbiologia. De acordo com de Vries (1963) e Nobre e Thompson (1993) se faz necessário o desenvolvimento de metodologias para a determinação dos parâmetros térmicos utilizados em analises de fluxo de calor em meios porosos. O fluxo de calor através do solo envolve operações simultâneas de vários mecanismos de transporte. A condução é responsável pelo fluxo de calor através dos materiais sólidos, enquanto que através dos poros três mecanismos ocorrem em paralelo: condução, convecção e radiação. Em várias ocasiões os mecanismos de transferência de calor que não sejam por convecção podem ser desprezados. Desta forma o termo transferência de calor ira se referir somente à transferência de calor por condução. O fluxo de calor por condução pode ser comparado ao fluxo de um fluído através de um meio poroso, onde a condutividade térmica é análoga à permeabilidade hidráulica. A condutividade térmica de um solo (λ) é definida como a quantidade de calor que passa em um determinado intervalo de tempo através de uma unidade transversal, devido a um gradiente de temperatura aplicado na direção do fluxo, de acordo com a equação (1): λ= q A ⋅ (T2 − T1 ) / l (1) onde λ − condutividade térmica, A - área da seção transversal, T1 e T2 - temperaturas (T2>T1), l - comprimento e q - fluxo de calor. A condutividade térmica média da parte mineral do solo é aproximadamente de 1.7W/m.oK, e como as condutividades térmicas da fase de água e do ar são de 0.6 e 0.026 W/moK respectivamente (Mitchell 1993), o calor se transfere principalmente através das partículas sólidas. Devido à condutividade térmica da água ser maior do que a do ar, um solo úmido tem uma condutividade térmica maior do que um solo seco. A capacidade de aquecimento volumétrica (C) por unidade de volume de um dado solo é a energia de calor necessária para mudar a temperatura de seu volume unitário de 1oC. Este parâmetro é definido como o produto do calor específico, c (cal/goC), e da massa específica seca, ρ (g/cm3), de acordo com: C = ρ⋅c (2) O volume total de um dado solo é composto pelas fases sólidas, líquidas e gasosas. Esses componentes se apresentam como, Xs(Vs/V), Xw(Vw/V) e Xa (Va/V) respectivamente. Então, a capacidade de aquecimento volumétrico, C, pode ser expressa por: C = XsC s + X w C w + X a Ca (3) onde Cs, Cw e Ca são as capacidades de aquecimento volumétrico dos sólidos, água e ar respectivamente. Outro coeficiente útil na transferência de calor é a difusividade térmica (D). Matematicamente, a difusividade é a razão entre a condutividade pelo produto do calor específico e densidade: D= λ ρ×c (4) Duarte (2004), Duarte et al. (2005a) e Duarte et al. (2005b) realizaram um programa experimental com o intuito de investigar os efeitos da dissipação de calor em solos tropicais. Este artigo apresenta os resultados de parâmetros térmicos relacionados aos efeitos de umidade e temperatura em dois solos tropicais da cidade do Rio de Janeiro. 2 CARACTERÍTICAS DOS SOLOS E DOS CORPOS DE PROVA UTILIZADOS Para a realização dos ensaios foram escolhidos dois tipos de solos. Um dos materiais consiste de um solo maduro, argiloso, coluvionar que se localiza na encosta da PUC-Rio. O outro material, um solo sedimentar arenoso, que foi retirado da Cidade dos Meninos – Duque de Caxias, localizada na Baixada Fluminense. Os resultados de caracterização destes solos estão apresentados na Tabela 1. Tabela 1 - Caracterização física do solo Solo G LL (%) LP (%) IP (%) wnat (%) Campo 2,693 56,8 22,4 34,4 22 experimental Cidade dos 2,600 46,9 27,3 19,6 18 Meninos LL – limite de liquidez; LP – limite de plasticidade; IP – índice de plasticidade; wnat – umidade natural do solo. Para o solo do Campo Experimental, de acordo com a curva granulométrica, o solo pode ser classificado como solo argilo-arenoso, apresentando 54% de argila, 35% de areia e 9% da fração silte. De acordo com a classificação universal, este é um solo CH, argiloso de alta deformabilidade. Os valores médios para o peso específico total, peso específico seco, índice de vazios e grau de saturação são, respectivamente: 16,94kN/m3, 13,86kN/m3, 0,95 e 63,6%. O solo da Cidade dos Meninos apresentou uma classificação de acordo com a curva granulométrica como sendo um solo arenoargiloso, com 57% de areia, 29% de argila e 13% da fração silte respectivamente. De acordo com a classificação universal, este é um solo SC, solo areno-argiloso de baixa deformabilidade. Podem-se considerar como valores médios para o peso específico total, umidade, peso específico seco, índice de vazios e grau de saturação, são: 19,42kN/m3, 18,26%, 16,42kN/m3, 0,60 e 70,07%, respectivamente. Todos os ensaios que serão apresentados a seguir foram realizados com amostras de solo compactadas pelo processo estático, numa prensa de adensamento tipo Bishop. Reproduziu-se em laboratório as densidades, umidades e índices de vazios médios de campo. Detalhes específicos na preparação dos corpos de prova podem ser encontrados em Duarte (2004). 3 METODOLOGIA Existem várias maneiras de se medir a condutividade térmica. Os métodos existentes são de fluxo de calor estacionário ou de fluxo de calor transiente. Segundo Jackson e Taylor (1986) os métodos que utilizam fluxo de calor transiente são considerados mais adequados para solos. Dentre as vantagens do método transiente pode-se citar: o movimento de água é minimizado e não é necessário um grande tempo de espera para que os gradientes térmicos se tornem constantes. Alguns autores, como por exemplo, Jackson e Taylor (1986) e Farouki (1986), indicam que o método da agulha térmica (ou sonda térmica) é um método rápido e conveniente para medir a condutividade térmica de solos. A sonda térmica consiste de um sistema aquecedor que produz energia térmica a uma taxa constante e de um sensor de temperatura (termopar). A razão de aumento da temperatura da agulha depende da condutividade térmica do meio em que ela está inserida. As medidas de condutividade térmica que se utilizam da sonda térmica em essência são todas iguais (Jackson e Taylor 1986, Mitchell e Kao 1978, Oliveira Jr. 1993). As diferenças estão na maneira como a sonda é inserida no meio poroso, e na compactação empregada na confecção dos corpos de prova. Neste trabalho, a sonda térmica utilizada foi da empresa ALMEMO, modelo FP A437-1. Esta sonda é acoplada a um data-logger ALMEMO portátil, modelo 2290. Uma foto do conjunto sonda/data-logger é apresentado na Figura 1. O diâmetro da sonda é de 1,5mm, com comprimento de 12 cm. A sonda trabalha com dois termopares Pt100. A menor espessura de solo para a medida da condutividade térmica é de 6cm. A condutividade térmica é determinada com unidade W/mºK. A faixa de trabalho é da ordem de 0.025 to 0.410W/mºK, com resolução de 0.001W/mºK. Após a compactação, os corpos de prova secavam ao ar dentro do molde de compactação, por diferentes períodos de tempo, para se obter corpos de prova com diferentes graus de saturação. Foram realizadas 19 ensaios de condutividade térmica para o solo do Campo Experimental e 13 ensaios para o solo da Cidade dos Meninos. Para o solo seco a condutividade térmica foi medida após deixá-lo em estufa a 105oC por 24h. Figura 1- Sonda térmica e data-logger Para as medidas de calor específico um novo molde de compactação foi confeccionado, escolhendo-se latão, uma vez que este apresenta uma capacidade de aquecimento maior que a do alumínio e ferro. O molde de compactação de latão tem o mesmo diâmetro que o anterior, 10,14cm e uma altura de 8,00cm. A este novo molde foram acopladas placas isolantes e impermeáveis de ACETAL®, com 160mm de diâmetro e 20mm de espessura. Foram instalados anéis de vedação no contato molde/placas isolantes, assim como também na entrada da agulha térmica nas placas isolantes, fazendo com que todo o sistema ficasse hermeticamente fechado. A agulha térmica é inserida no centro do corpo de prova e todo o sistema molde-placas isolantes e solo compactado é colocado em banho-maria. A temperatura no centro da amostra é medida como uma função do tempo, com o auxílio da sonda térmica, sendo que esta funcionava naquele momento apenas como termopar, Pt 100 com resolução de 0,01oC. A temperatura da água em banho-maria é medida por um termômetro digital da marca MINIPA, modelo MT-511, com resolução de 0,1oC. Os corpos de prova depois de compactados eram secos ao ar, analisando-se assim a dependência do calor específico com a umidade. Foram ensaiados quatro corpos de prova para ambos os solos. Para a determinação do calor específico, colocava-se o conjunto composto de molde, placas isolantes e sonda térmica em banhomaria a temperaturas diferentes: 40 oC, 50 oC e 60oC. 4 RESULTADOS E DISCUSSÃO 0,500 0,450 0,400 0,350 0,300 0,250 0,200 0,150 0,100 0,050 0,000 0,00 λ = 0,0601Ln(w ) + 0,265 R2 = 0,90 Condutividade Térmica (W/m.K) Condutividade Térmica (W/m.K) Na Figura 2 é exibido o comportamento da condutividade térmica com a umidade gravimétrica (a), e, com o grau de saturação (b). Observa-se que os valores de condutividade térmica para o solo da Cidade dos Meninos foram maiores que os obtidos para o solo do Campo Experimental, considerando-se um mesmo grau de saturação. Este resultado já era esperado, uma vez que a condutividade térmica é função dos minerais que constituem o solo e do índice de vazios. O solo da Cidade dos Meninos tem um teor de areia maior que o solo do Campo Experimental, e a condutividade térmica de grãos de quartzo é maior do que a de minerais argilosos. Por outro lado, o índice de vazios dos solos da Cidade dos Meninos foi da ordem de 0,6 enquanto o dos solos do Campo Experimental foi da ordem de 0,9. As melhores equações que ajustaram os dados experimentais foram curvas logarítmicas, e estão apresentadas na Figura 2. Para o solo da Cidade dos Meninos mediram-se somente valores de condutividade térmica abaixo do limite de contração. Isto ocorreu devido à faixa de trabalho da sonda térmica. Baver et al. (1972) realizaram ensaios numa areia de granulometria média com densidade seca de 1,3 Mg/m3, obtendo também um padrão de comportamento que tende a um valor constante para altos valores de grau de saturação. λ = 0,0704Ln(w ) + 0,184 R2 = 0,91 LC CE 5,00 LC CM 10,00 LP CE 15,00 20,00 Teor de Umidade Gravimétrica (%) Os resultados encontrados apresentam o mesmo padrão de comportamento que os encontrados por Oliveira Jr. (1993), que determinou a condutividade térmica, de um solo areno-siltoso. Os valores obtidos também foram exponencialmente crescentes até um grau de saturação de aproximadamente de 70%, se mantendo como uma assíntota constante. Jonhansen (1975) fez estudos da condutividade térmica de uma turfa, constatando que esta é extremamente dependente da umidade, apresentando condutividades térmicas mais baixas que as de solos convencionais. Nakshabandi (1965), apud Farouki (1986), ensaiou uma argila cinza compactada e obteve resultados crescentes com a umidade, variando-se da umidade seca até a umidade de saturação. Os resultados obtidos pelos autores acima citados foram plotados juntamente com os resultados de ensaios aqui obtidos, conforme Figura 3. Observou-se que os solos tropicais têm valores tipicamente menores que os relatados. Os solos aqui ensaiados apresentaram padrão de comportamento médio, estando com valores entre a areia e a argila, mais próximos dos valores da argila. Com os ensaios realizados ficou evidente a dependência da condutividade térmica com relação à quantidade de água que existe num determinado corpo de prova, e esta não pode ser considerada como um valor único para cada tipo de solo. 25,00 λ = 0,0602Ln(w) + 0,1746 R2 = 0,90 0,500 0,450 0,400 0,350 0,300 λ = 0,0714Ln(w) + 0,1032 R2 = 0,91 0,250 0,200 0,150 0,100 0,050 0,000 0 10 20 30 40 50 60 70 Grau de Saturação (%) Cidade dos Meninos Campo Experimental Cidade dos Meninos Campo Experimental Log. (Campo Experimental) Log. (Cidade dos Meninos) Log. (Cidade dos Meninos) Log. (Campo Experimental) (a) (b) Figura 2 – Curva de condutividade térmica x umidade gravimétrica (a); condutividade térmica x grau de saturação(b). 80 0 5 10 15 20 25 Teor de Umidade Gravimétrica (%) Condutividade Térmica (W/m.K) Condutividade Térmica (W/m.K) 2,50 2,00 1,50 1,00 0,50 0,00 4,50 4,00 3,50 3,00 2,50 2,00 1,50 1,00 0,50 0,00 0 Cidade dos Meninos Argila - Nakshanbi(1965) Granito Moido (Oliveira Jr. 1993) Campo Experimental 10 20 30 40 50 60 70 80 Grau de Saturação (%) Cidade dos Meninos Turfa (Johansen) Campo Experimental Areia (Baver, 1972) Granito moído (Oliveira Jr, 1993) Figura 3- Comparação dos valores de Condutividade Térmica A Figura 4 mostra a relação do calor específico, teor de umidade e temperatura. Cada ponto nestas curvas é uma média de pelo menos cinco medidas para cada solo. A temperatura foi controlada pelo uso de um banho-maria e as seguintes temperaturas foram aplicadas: 40, 50 e 60°C. A condutividade térmica era medida no início e no final de cada experimento. A Figura 4(a) mostra que a relação entre calor específico com a temperatura foi linear para o solo do Campo Experimental (solos argiloso) e que se manteve com uma inclinação praticamente constante. A Figura 4(b) apresenta os resultados com relação ao solo da Cidade dos Meninos (solo arenoso), sendo encontrado um comportamento similar. O calor específico também não é um valor constante com foi mencionado por Baver (1956), Mitchell (1993) e Farouki (1986), mas sim varia com a temperatura e umidade. Ambos os solos estão de acordo com os resultados apresentados por Baver (op. cit.) e Haynes et al. (1980), 0,194cal/goC para solos arenosos, e 0,233 cal/goC para solos argilosos. O solo mais argiloso (Campo Experimental) apresentou uma maior variação nos valores de calor específico do que o solo mais arenoso (Cidade dos Meninos) para as temperaturas ensaiadas. Este fato vem enfatizar que solos argilosos mantêm o calor por mais tempo que os solos arenosos. Em compensação os solos arenosos se aquecem mais rapidamente que os solos argilosos. 0,270 CidadedosMeninos cs =0,0013x (T) +0,1887 cs = 0,0012 x (T) + 0,1753 0,250 w = 1,92% e=0,880 w = 7,91% e=0,913 cs =0,0013 x (T) + 0,1782 w=13,04% e =0,907 w =12,21% e=0,909 0,230 0,210 35 40 45 50 55 60 o Temperatura ( C) 65 70 Calor específico (cal /g oC) Calor específico (cal /g oC) Campo Experimental 0,230 0,210 cs = 0,0007 x (T)+ 0,1587 cs = 0,0007 x (T) + 0,1565 0,190 w=2,28%e= 0,583 w=6%e =0,590 w =7,70% e=0,595 cs = 0,0006 x (T) + 0,1519 0,170 35 40 45 50 55 60 65 70 o Temperatura ( C) Figura 4- Relação do Calor Específico com a temperatura para o solo da Campo Experimental (a); Relação do Calor Específico com a temperatura para o solo da Cidade dos Meninos (b). 5 CONCLUSÕES Este artigo apresentou os resultados de um programa experimental que teve por objetivo a determinação de parâmetros térmicos. Para a determinação desses parâmetros foram utilizados dois solos, um argiloso e outro arenoso. A condutividade térmica foi determinada pela técnica de sonda térmica. Os resultados obtidos estavam dentro do padrão de comportamento esperado. Solos argilosos apresentaram valores mais baixos de condutividade térmica do que os solos arenosos. Os ensaios de condutividade térmica e de calor específico demonstraram a dependência destes com relação à quantidade de água que existe no solo. Na literatura existem tabelas que fornecem valores únicos de condutividade térmica e calor específico de acordo com a classificação de solo, não sendo aconselhável considerar estes valores como significativos. Ao determinar as curvas da condutividade térmica em relação às umidades gravimétrica e volumétrica, os valores de condutividade térmica obtidos foram crescentes em relação ao aumento das umidades, e as equações logarítmicas foram as que melhores ajustaram os dados experimentais. A relação da condutividade térmica com a umidade apresentou um padrão de comportamento intermediário entre os valores relatados na literatura para solos arenosos e solos argilosos, sendo mais próxima aos valores dos solos argilosos. Corriqueiramente os solos arenosos usados na determinação da condutividade térmica são areias puras ou fabricadas. Conseqüentemente obtêm-se altos valores de condutividade térmica para estes solos. Com relação aos solos aqui ensaiados, o solo do Campo Experimental apresentou uma maior variação nos valores de calor específico para uma dada umidade do que o solo da Cidade dos Meninos, levando-se em consideração as temperaturas ensaiadas. Este fato vem a enfatizar que os solos argilosos mantêm o calor por mais tempo do que os solos arenosos, e que o calor específico está relacionado com a capacidade que um determinado solo tem para de reter o calor. REFERÊNCIAS Baver, L.D. (1956). Soil Physics, 3thEdition, New York: John Wiley & Sons, Inc. 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