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Projeto Semeando o Bioma Cerrado
Edifício Finatec, Bloco “H” - Campus UnB
Cep: 70.910-900 - Brasília/DF
Telefone: (61) 3348-0423
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Beneficiamento, embalagem
www.rededesementesdocerrado.org.br
e armazenamento de sementes
Diretoria da Rede de Sementes do Cerrado (2010 – 2012)
Presidente
Maria Magaly Velloso da Silva Wetzel
Vice-Presidente
Celúlia Maria R. F. Maury
Secretária
Regina Célia Fernandes
Tesoureira
Carmen Regina M. A. Correa
Conselho Consultivo
Ana Palmira Silva
Manoel Cláudio da Silva Júnior
Alba Evangelista Ramos
José Carlos Sousa Silva
Conselho Fiscal
Sarah Christina Caldas Oliveira
Germana Maria Cavalcanti Lemos Reis
Antonieta Nassif Salomão
Luiz Cláudio Siqueira Jorge
Coordenador do Projeto “Semeando o Bioma Cerrado”
José Rozalvo Andrigueto
Equipe Técnica
Profa. Sybelle Barreira
Enga. Agrônoma Héria de Freitas Teles
Prof. Ronaldo Veloso Naves
Profa. Marivone Moreira dos Santos
Prof. Guilherme Augusto Canella Gomes
Prof. Fábio Venturoli
Prof. Jácomo Divino Borges
Profa. Francine Neves Calil
Prof. Carlos Roberto Sette Junior
Projeto Gráfico, diagramação e ilustrações
Ct. Comunicação
Direitos autorais reservados à Rede de Sementes do Cerrado.
Permitida a reprodução total ou parcial, desde que citada a fonte.
Beneficiamento, embalagem
e armazenamento de sementes
Brasília, 2011
sumário
Apresentação 5
1 Introdução 6
2 O Bioma Cerrado e suas fitofisionomias 7
2.1
2.2
2.3
Formações Florestais 7
Formações Savânicas 7
Formações Campestres 8
3 Legislação Ambiental e de comercialização de sementes e mudas 9
4 Noções de frutos e sementes – material reprodutivo 14
5 Técnicas de beneficiamento 15
6 Métodos de secagem 18
6.1
6.2
Processos de secagem 18
Métodos de secagem 19
6.2.1
6.2.2
Secagem Natural 19
Secagem Artificial 19
7 Tipos de embalagem 20
7.1
7.2
7.3
Porosas 20
Semiporosas 20
Impermeáveis 21
8 Tipos de armazenamento e comportamento das sementes 22
9 Características físicas e fisiológicas das sementes das
principais espécies do cerrado 24
9.1
9.2
Características físicas 24
Características Fisiológicas 25
9.2.1
Germinação 25
9.2.1.1
9.2.1.2
9.2.1.3
Conceitos 25
Fases da germinação 25
Fatores que afetam a germinação 26
9.2.1.3.1
9.2.1.3.2
9.2.1.3.3
Longevidade das sementes 26
Água 26
Gases 26
9.2.1.3.4 Temperatura
9.2.1.4
9.2.1.3.5
Luz 26
9.2.1.4.1
Germinação epígea 27
Tipos de germinação 26
9.2.1.4.2
9.2.2
Dormência 28
9.2.2.1
9.2.2.2
26
Germinação hipógea 27
Conceito 28
Tipos de dormência e suas formas de superação 28
9.2.2.2.1
9.2.2.2.2
Dormência Primária 28
Dormência secundária 28
10 Amostragem e métodos de análise 29
Referências bibliográficas 31
APRESENTAÇÃO
A Rede de Sementes do Cerrado é uma instituição jurídica de direito privado, sem
fins lucrativos - Organização da Sociedade Civil de Interesse Público - OSCIP, regida por estatuto próprio e sediada em Brasília. Tem por finalidade a conservação,
o manejo, a recuperação, a promoção de estudos e pesquisas, e divulgação de
informações técnicas e científicas do Bioma Cerrado.
A Rede de Sementes do Cerrado mantém contratos de cooperação e colaboração com a Embrapa, Oca Brasil, CRAD/UnB, UFG, SEAPA, IBRAM, IFB, Eco
Câmara, entre outros.
Nestes últimos anos a Rede desenvolveu os seguintes projetos: capacitação de
pequenos agricultores da Bahia - MMA; levantamento de dados secundários do
Rio São Francisco- MMA; XIII Feira de Sementes dos Índios Kraôs - USAID; recuperação de nascentes do DF- IBRAM/SEAPA e, no ano de 2011, iniciou o Projeto
Semeando o Bioma Cerrado, patrocinado pela Petrobras dentro do Programa da
Petrobras Ambiental.
Dentro deste projeto está prevista a realização de 24 cursos visando a capacitação de 360 pessoas para o exercício das atividades em seis áreas temáticas:
identificação de árvores do Bioma; seleção e marcação de árvores matrizes; coleta e manejo de sementes, beneficiamento, embalagem e armazenamento de sementes; produção de mudas de espécies florestais e viveiros: projetos, instalação,
manejo e comercialização. Para cada curso realizado está prevista a elaboração
de uma cartilha com as informações básicas dos temas
A Rede de Sementes do Cerrado agradece a Universidade Federal de Goiás UFG, nossa parceira, pela elaboração desta excelente cartilha que visa colaborar com o desenvolvimento dos elos da cadeia produtiva de sementes e mudas
florestais de espécies nativas a adequarem-se a legislação e adotarem modelos
eficientes de produção promovendo desenvolvimento sustentável.
Maria Magaly V. da Silva Wetzel
Presidente da Rede de Sementes do Cerrado
José Rozalvo Andrigueto
Coordenador do Projeto
5
Beneficiamento, embalagem e armazenamento de sementes
1 INTRODUÇÃO
A crescente ocupação do Bioma Cerrado tem levado à abertura de novas áreas
com elevadas taxas de desmatamento e sem a preocupação com a vegetação
nativa remanescente, concentrada em fragmentos. Enquanto, por um lado o desmatamento avança, por outro a sociedade preocupa-se com a restauração de
áreas e criação de corredores ecológicos para manutenção da vegetação e fauna
do Bioma.
A qualidade de sementes e mudas é fundamental para o processo de restauração, onde deve-se buscar, além da qualidade fisiológica e fitossanitária, também
a maior diversidade genética. Escolha de matrizes e processos de coleta de sementes são processos importantes, mas que sozinhos não são suficientes para
que sejam atingidos os objetivos citados acima. Devem fazer parte os processos
intermediários entre a coleta e a produção de mudas.
Esta cartilha não tem a pretensão de esgotar o assunto e sim de apresentar questões importantes que permeiam estes processos intermediários que são, beneficiamento, secagem e armazenamento de sementes.
Semeando o Bioma Cerrado
6
2 O BIOMA CERRADO E SUAS FITOFISIONOMIAS
O Cerrado é o segundo maior bioma do país. Possui uma área de cerca de dois
milhões de km2 (24% do território nacional) e ocupa a porção central do Brasil,
se estendendo até o litoral do estado do Maranhão e norte do estado do Paraná (Brasil, MMA 2007). É uma das regiões de maior biodiversidade do planeta.
Calcula-se que mais de 40% das espécies de plantas lenhosas sejam endêmicas
(Klink e Machado, 2005).
A vegetação do bioma Cerrado apresenta fisionomias que englobam formações
florestais, savânicas e campestres (Figura 01). Os critérios adotados para diferenciar os tipos fitofisionômicos são baseados primeiramente na forma, definida pela
estrutura, pelas formas de crescimento dominantes e por possíveis mudanças
estacionais. Posteriormente consideram-se aspectos do ambiente e da composição florística.
2.1 Formações Florestais
Englobam os tipos de vegetação com predominância de espécies arbóreas, com
formação de dossel contínuo. A Mata Ciliar e a Mata de Galeria são fisionomias
associadas a cursos d`água e a Mata Seca e Cerradão ocorrem nos interflúvios
em terrenos bem drenados, sem associação com cursos d`água.
2.2 Formações Savânicas
Englobam quatro tipos fisionômicos principais: Cerrado sentido restrito, o Parque
de Cerrado, o Palmeiral e a Vereda.
O Cerrado sentido restrito caracteriza-se pela presença dos estratos arbóreo e
arbustivo-herbáceo definidos, com árvores distribuídas aleatoriamente sobre o
terreno em diferentes densidades, sem que se forme um dossel contínuo.
No Parque de Cerrado a ocorrência de árvores é concentrada em locais específicos do terreno, já o Palmeiral ocorre a presença marcante de determinada espécie de palmeira arbórea. A Vereda caracteriza-se pela presença do Buriti.
O Cerrado sentido restrito apresenta quatro subtipos: Cerrado Denso, Cerrado
Típico, Cerrado Ralo e Cerrado Rupestre.
7
Beneficiamento, embalagem e armazenamento de sementes
2.3 Formações Campestres
Englobam três tipos fisionômicos principais: o Campo Sujo, Campo Limpo e o
Campo Rupestre.
O Campo Sujo caracteriza-se pela presença evidente de arbustos e subarbustos
entremeados no estrato arbustivo-herbáceo. No Campo Limpo, a presença de
arbustos e subarbustos é insignificante. O Campo Rupestre possui trechos com
estrutura similar ao Campo Sujo ou ao Campo Limpo, diferenciando-se tanto pelo
substrato, composto por afloramentos de rocha, quanto pela composição florística, que inclui muitos endesmismos.
Bioma Cerrado
Cerrado Sentido Amplo
Cerrado Sentido Restrito
Formações
Florestais
Formações
Savânicas
Formações
Campestres
5. Cerrado
1. Mata Ciliar
2. Mata de
Galeria
3. Mata Seca
4. Cerradão
a. Denso
b. Típico
c. Ralo
d. Rupestre
Formações
Savânicas
6. Campo Sujo
9. Vereda
7. Campo
Limpo
7. Parque de
Cerrado
8. Campo
Rupestre
8. Palmeiral
Figura 01 – Esquema adaptado das principais fitofisionomias do Bioma Cerrado (Sano et al. 2008)
Semeando o Bioma Cerrado
8
3 LEGISLAÇÃO AMBIENTAL E DE COMERCIALIZAÇÃO
DE SEMENTES E MUDAS
Atualmente, a legislação que se refere à produção de sementes e mudas é a
Lei nº 10.711, de 5 de agosto de 2003 que dispõe sobre o Sistema Nacional de
Sementes e Mudas (SNSM), tratando, de maneira geral, do Registro Nacional de
Sementes e Mudas (Renasem); do Registro Nacional de Cultivares (RNC); da produção, da certificação, da análise e da comercialização de sementes e mudas;
da fiscalização da produção, do beneficiamento, da amostragem, da análise, da
certificação, do armazenamento, do transporte e da comercialização de sementes e mudas; bem como da utilização de sementes e mudas. E o Decreto nº 5.153,
de 23 de julho de 2004 que aprova o regulamento da Lei nº 10.711. Esta Lei veio
substituir (e revogar) a antiga Lei de Sementes (Lei nº 6.507, de 19/12/1977).
As áreas de coleta de sementes, as áreas de produção de sementes e os pomares de sementes que fornecem materiais de propagação devem ser inscritos no
Renam (Registro Nacional de Áreas e Matrizes).
A Lei de Sementes e Mudas não detalha os procedimentos para a produção de
sementes florestais, autorizando, em seu Art. 47, o MAPA a estabelecer mecanismos específicos e, no que couberem, exceções ao disposto na Lei, para a regulamentação da produção e do comércio de sementes de espécies florestais, nativas
ou exóticas, ou de interesse medicinal ou ambiental.
No Decreto acima citado, o capítulo XII trata mais especificamente “das espécies
florestais, nativas ou exóticas, e das de interesse medicinal ou ambiental”, o qual
descreve no art. 146:
I - Área de Coleta de Sementes - ACS: população de espécie vegetal, nativa
ou exótica, natural ou plantada, caracterizada, onde são coletadas sementes ou
outro material de propagação, e que se constitui de Área Natural de Coleta de
Sementes - ACS-NS, Área Natural de Coleta de Sementes com Matrizes Marcadas - ACS-NM, Área Alterada de Coleta de Sementes - ACS-AS, Área Alterada
de Coleta de Sementes com Matrizes Marcadas - ACS-AM e Área de Coleta de
Sementes com Matrizes Selecionadas - ACS-MS;
II - Área Natural de Coleta de Sementes - ACS-NS: população vegetal natural, sem
necessidade de marcação individual de matrizes, onde são coletados sementes
ou outros materiais de propagação;
9
Beneficiamento, embalagem e armazenamento de sementes
III - Área Natural de Coleta de Sementes com Matrizes Marcadas - ACS-NM: população vegetal natural, com marcação e registro individual de matrizes, das quais
são coletadas sementes ou outros materiais de propagação;
IV - Área Alterada de Coleta de Sementes - ACS-AS: população vegetal, nativa ou
exótica, natural antropizada ou plantada, onde são coletadas sementes ou outros
materiais de propagação, sem necessidade de marcação e registro individual de
matrizes;
V - Área Alterada de Coleta de Sementes com Matrizes Marcadas - ACS-AM: população vegetal, nativa ou exótica, natural antropizada ou plantada, com marcação e registro individual de matrizes, das quais são coletadas sementes ou outro
material de propagação;
VI - Área de Coleta de Sementes com Matrizes Selecionadas - ACS-MS: população vegetal, nativa ou exótica, natural ou plantada, selecionada, onde são coletadas sementes ou outro material de propagação, de matrizes selecionadas,
devendo-se informar o critério de seleção;
VII - Área de Produção de Sementes - APS: população vegetal, nativa ou exótica,
natural ou plantada, selecionada, isolada contra pólen externo, onde são selecionadas matrizes, com desbaste dos indivíduos indesejáveis e manejo intensivo
para produção de sementes, devendo ser informado o critério de seleção individual.
Também especifica nos itens XV, XVI, XVII, o coletor de sementes, como pessoa
física ou jurídica, credenciada junto ao MAPA para a prestação de serviços de
coleta de material de propagação; o certificador, como pessoa física ou jurídica,
credenciada pelo MAPA para executar a certificação de sua própria produção
de sementes e de mudas de espécies florestais, nativas e exóticas; e a entidade certificadora, como pessoa jurídica, credenciada pelo MAPA para executar a
certificação da produção de sementes e de mudas de espécies florestais, nativas
e exóticas.
XXIV - Pomar de Sementes (PS): plantação planejada, estabelecida com matrizes
superiores, isolada, com delineamento de plantio e manejo adequado para a produção de sementes, e que se constitui de:
Semeando o Bioma Cerrado
10
XXV - Pomar de Sementes por Mudas - PSM: plantação planejada, isolada contra
pólen externo, estabelecida com indivíduos selecionados em teste de progênie
de matrizes selecionadas e desbaste dos indivíduos não selecionados, onde se
aplicam tratos culturais específicos para produção de sementes;
XXVI - Pomar Clonal de Sementes - PCS: plantação planejada, isolada contra pólen externo, estabelecida por meio de propagação vegetativa de indivíduos superiores, onde se aplicam tratos culturais específicos para produção de sementes;
XXVII - Pomar Clonal para Produção de Sementes Híbridas - PCSH: plantação
planejada, constituída de uma ou duas espécies paternais ou de clones selecionados de uma mesma espécie, isolada contra pólen externo, estabelecida por
meio de propagação vegetativa, especialmente delineada e manejada para obtenção de sementes híbridas;
XXVIII - Pomar de Sementes Testado - PSMt ou PCSt: plantação planejada, isolada, oriunda de sementes (PSMt) ou de clones (PCSt), cujas matrizes remanescentes foram selecionadas com base em testes de progênie para a região bioclimática especificada, e que apresente ganhos genéticos comprovados em relação ao
pomar não testado;
O Art. 165 descreve que o material de propagação de espécies florestais a ser
produzido compreenderá as seguintes categorias:
 identificada: categoria de material de propagação de espécie florestal, coletado de matrizes com determinação botânica e localização da população;
 qualificada: categoria de material de propagação de espécie florestal, coletado de matrizes selecionadas em populações selecionadas e isoladas contra
pólen externo e manejadas para produção de sementes;
 selecionada: categoria de material de propagação de espécie florestal, coletado de matrizes em populações selecionadas fenotipicamente para, pelo
menos, uma característica, em uma determinada condição ecológica;
 testada: categoria de material de propagação de espécie florestal, coletado
de matrizes selecionadas geneticamente, com base em testes de progênie ou
testes aprovados pela entidade certificadora ou pelo certificador para a região
bioclimática especificada, em área isolada contra pólen externo;
11
Beneficiamento, embalagem e armazenamento de sementes
No Art. 166 são descritos que as categorias de materiais de propagação serão
provenientes de sementes, ou outro material de propagação das correspondentes
áreas de produção, conforme especificação abaixo:
I - identificada: proveniente das áreas de produção ACS-NS, ACS-NM, ACS-AS e
ACS-AM;
II - selecionada: proveniente da área de produção ACS-MS;
III - qualificada: proveniente das áreas de produção APS-MS, PCS, PSM e PCSH;
IV - testada: proveniente das áreas de produção PSMt e PCSt.
Art. 169. A certificação da produção de sementes e de mudas de espécies florestais de que trata este Capítulo será realizada pelo Ministério da Agricultura,
Pecuária e Abastecimento, pela entidade certificadora e pelo certificador.
Art. 170. A entidade certificadora e o certificador de sementes ou mudas deverão
manter os documentos referentes aos procedimentos decorrentes de sua atividade à disposição da autoridade competente, segundo o disposto neste Regulamento e em normas complementares.
Art. 171. A entidade certificadora e o certificador de sementes ou mudas apresentarão ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento o controle dos lotes
produzidos, por produtor, espécie e cultivar, periodicamente, conforme estabelecido em normas complementares.
Art. 172. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, a entidade certificadora e o certificador de sementes ou mudas exercerão o controle das áreas
de coleta, de produção e dos pomares, no que couber, de forma a garantir a
formação e condução destas, visando a garantir a procedência e qualidade das
sementes, a identidade clonal e a identidade das mudas, conforme previsto em
normas complementares.
Art. 173. Os certificados para os lotes de materiais de propagação das espécies
referidas neste Capítulo, emitidos pela entidade certificadora e pelo certificador,
serão definidos e estabelecidos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento em normas complementares.
Semeando o Bioma Cerrado
12
Art. 174. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento exercerá o acompanhamento do sistema de certificação de sementes ou mudas das espécies
referidas neste Capítulo, por meio de auditoria, fiscalização e supervisão, em
conformidade com os requisitos estabelecidos neste Regulamento e em normas
complementares.
Art. 175. Ficam dispensadas das exigências de inscrição no RENASEM instituições governamentais ou não-governamentais que produzam, distribuam ou utilizem sementes e mudas de que trata este Capítulo, com a finalidade de recomposição ou recuperação de áreas de interesse ambiental, no âmbito de programas
de educação ou conscientização ambiental assistidos pelo poder público.
Nesta cartilha manual são apresentados os aspectos principais do regulamento,
especialmente aqueles relacionados ao manejo de sementes, que visa dar uma
orientação técnica para a melhoria na qualidade das sementes florestais.
13
Beneficiamento, embalagem e armazenamento de sementes
4 NOÇÕES DE FRUTOS E SEMENTES – MATERIAL
REPRODUTIVO
Os frutos podem ser classificados em carnosos e secos. Os frutos secos podem
ainda serem classificados em deiscentes e indeiscentes.
Os frutos carnosos são aqueles que apresentam uma polpa carnosa ou dura
envolvendo as sementes e sendo, em geral, disseminados por animais. Grande
número de espécies florestais produz frutos secos, e entre estes, de maior proporção, deiscentes. Assim, estes se abrem ainda na árvore para que ocorra a dispersão natural das sementes. Tendo em vista as dificuldades de colheita, inerentes
às características de determinadas espécies (espinhos no tronco, ramos finos,
copa e árvores altas), muitos frutos e sementes são colhidos no chão, após sua
dispersão. Além disso, algumas espécies de frutos deiscentes produzem frutos
de pequenas dimensões, cuja colheita após a dispersão é impraticável, sendo
recomendável a colheita antes da dispersão, para evitar a perda de sementes.
Já os frutos secos indeiscentes são aqueles que não se abrem naturalmente, podendo ser necessário a utilização de ferramentas para quebrar o fruto e extrair as
sementes.
As sementes são responsáveis pelas novas gerações, tendo função da dispersão
e perpetuação das espécies. Do ponto de vista funcional, a semente é composta
de uma cobertura protetora, um eixo embrionário e um tecido de reserva. A cobertura protetora (tegumento, casca) é a parte externa da semente que delimita
e protege as partes internas. No tecido de reserva encontram as substâncias
utilizadas para desenvolver uma planta. E, o eixo embrionário, é a parte vital da
semente.
As sementes também podem possuir estruturas que facilitam a sua dispersão
pelo vento como alas e plumas, devendo ser colhidas ainda na árvore, com os
frutos fechados.
Semeando o Bioma Cerrado
14
5 TÉCNICAS DE BENEFICIAMENTO
O beneficiamento é um conjunto de técnicas que tem por finalidade a retirada de
materiais indesejáveis, como sementes vazias, imaturas e quebradas, pedaços
de frutos, alas, folhas, entre outros. Consequentemente, o lote de sementes vai
apresentar maior pureza física. O material inerte ocupa espaço tanto para o armazenamento como para o transporte, bem como dificulta a semeadura no viveiro,
proporcionando diferenças na densidade de semeadura.
Diferentes máquinas foram desenvolvidas para atender as necessidades do beneficiamento de sementes agrícolas. Contudo, para espécies nativas, o beneficiamento geralmente é manual, devido às dificuldades em padronizar técnicas
adequadas para cada espécie, pois há uma complexidade quanto aos aspectos
morfológicos das sementes florestais (Silva et al., 1993).
O beneficiamento de sementes é feito baseando-se nas diferenças das características físicas entre a semente boa e o material indesejável. Materiais que não
diferem entre si não podem ser separados. As máquinas de beneficiamento podem separar as impurezas em função do seu tamanho, forma, peso, textura do tegumento, cor, condutividade elétrica, entre outras (Carvalho e Nakagawa, 2000).
O beneficiamento manual é usualmente utilizado para as espécies nativas, utilizando-se peneiras de vários tamanhos de malha. Elas podem separar as impurezas das sementes e também possibilitam a classificação das sementes por
tamanho.
Em algumas espécies, são utilizados sopradores de sementes (Figura 02) e mesa
de gravidade (Figura 03). A mesa de gravidade funciona com base nas diferenças
entre os componentes do lote de sementes no peso específico. À medida que é feita
a alimentação da máquina, entra uma corrente de ar que vem de baixo e atravessa
toda a superfície porosa da mesa. Esta corrente é regulada de tal forma que produz
uma estratificação das sementes, ficando as mais leves em cima e as mais pesadas
em baixo. Após a estratificação, haverá a separação dessas camadas, promovida
pelo movimento lateral das diferentes camadas para junto das bordas da mesa,
onde são descarregadas através das bicas (Carvalho e Nakagawa, 2000).
Para o beneficiamento de espécies que apresentam frutos carnosos a separação
das sementes dos frutos se faz macerando os frutos sobre peneiras em água
corrente. Com a maceração ocorre a separação dos resíduos dos frutos das sementes.
15
Beneficiamento, embalagem e armazenamento de sementes
Para o beneficiamento de sementes que estão dentro de frutos secos que se
abrem naturalmente (deiscentes), a operação de beneficiamento compreende
duas etapas: secagem seguida de agitação ou bateção. A secagem promove a
abertura dos frutos devido a perda de água provocando a contração das paredes
celulares deles. Já para as sementes que estão dentro de frutos secos que não
se abrem naturalmente (indeiscentes), há a necessidade de uso de ferramentas
como martelo, facão, tesoura de poda etc. As espécies de tamboril, pau-ferro,
flamboyant e baru são exemplos de espécies que são de difícil liberação das sementes e precisam de ferramentas para extração das mesmas. Essas ferramentas
são utilizadas para realizar a operação de abertura dos frutos para a posterior
extração das sementes. Cuidados são necessários para que não ocorram danos
nas sementes durante a operação de abertura dos frutos (Davide e Silva, 2008).
Além disso, para as espécies ortodoxas, a secagem das sementes, após o beneficiamento, é importante quando se deseja armazená-las para posterior semeadura, pois o alto teor de água nas sementes é um dos principais fatores que leva
à perda da germinação e vigor.
Figura 02 – Mesa de gravidade (Nogueira e Medeiros, 2007)
Semeando o Bioma Cerrado
16
Figura 03 – Soprador de sementes (Nogueira e Medeiros ,2007)
17
Beneficiamento, embalagem e armazenamento de sementes
6 MÉTODOS DE SECAGEM
A secagem de sementes tornou-se uma necessidade essencial desde que o homem deixou de ser nômade e passou a armazenar sementes para plantar em
outros momentos. As sementes precisam manter a qualidade fisiológica durante
o armazenamento e por isso faz-se necessária a retirada de água até o nível que
permita a estocagem pelo período desejado.
O momento ideal de colheita de sementes é o mais próximo da maturidade fisiológica, entretanto, nesta fase o teor de umidade varia muito dependendo da espécie. A colheita tardia das sementes apresenta um teor de umidade mais baixo,
embora a permanência no campo favoreça a ataques de insetos, doenças, microorganismos e as intempéries podendo ocorrer perdas qualitativas e quantitativas.
Sementes de plantas nativas, após a colheita na árvore, devem ser secas e posteriormente armazenadas. O teor de umidade das sementes varia entre as espécies, por isso o tempo de secagem também varia entre elas.
A tecnologia aplicada na realização da secagem é importante para manter a qualidade da semente, entretanto, deve-se ter cuidado quando estiver trabalhando
com sementes recalcitrantes, pois essas não suportam desidratação. As sementes ortodoxas suportam teores de umidade abaixo de 5%. As sementes intermediárias podem ser secas a teores de umidade moderados entre 10 e 15%, sem
perder a viabilidade, embora o teor de umidade varie de espécie para espécie.
6.1 Processos de secagem
A secagem ocorre quando a semente apresenta uma umidade elevada. A ausência de secagem ou secagem inadequada é a principal causa de deterioração
qualitativa da semente durante o processo de armazenamento.
O processo de secagem envolve a retirada parcial de água da semente por transferência de calor do ar para a semente e ao mesmo tempo por fluxo de vapor de
água da semente para o ar.
O processo de secagem compreende duas fases: inicialmente há deslocamento
da umidade da superfície do fruto ou da semente para o ar ao seu redor, seguida
da migração da umidade do interior para a superfície (Hoppe et. al., 2004).
Semeando o Bioma Cerrado
18
6.2 Métodos de secagem
Os Métodos ou Sistemas de Secagem são classificados de acordo com a fonte de
energia, com o movimento das sementes no interior do secador, com o movimento
do ar de secagem entre outros. Embora, nem todos os métodos de secagem sejam adequados à secagem de sementes florestais, esses métodos são divididos
em: secagem natural e secagem artificial.
6.2.1 Secagem natural
Segundo Carvalho e Nakagawa, (2000), o processo de secagem que utiliza a
energia solar e do vento para secar as sementes inclui a secagem das sementes
na própria planta, no campo, secagem ao sol em terreiros e suspensos e a secagem ao ar livre também pode ser feita à sombra.
Este método é barato e não exige conhecimentos técnicos apurados, as instalações são simples e baratas. Entretanto, apresenta algumas desvantagens como
a dependência das condições climáticas, inviável para grandes quantidades de
sementes, além da susceptibilidade ao ataque de doenças e pragas, necessita
de grande mão de obra, além de ser lento e depender das condições climáticas.
6.2.2 Secagem artificial
Caracterizam-se em alternar as características das propriedades físicas do ar de
secagem como temperatura e movimentação do ar ambos ou apenas um. A secagem artificial é um método mais eficiente, pois não depende das condições
climáticas. Porém mais caro, pois exige o uso de equipamentos para controlar a
temperatura, a umidade do ar e a circulação do ar, em estufas. Segundo Hoppe
et. al. (2004), o uso da temperatura de secagem adequada na estufa varia de 30
a 40ºC e não compromete a qualidade fisiológica das sementes.
De acordo com Medeiros e Eira (2006), existem secadores de carga empregados
para a secagem e separação de sementes em cones de Pinus sp., que podem
eventualmente ser utilizados em algumas espécies nativas, como Cedrela fissilis
Vell. e outras que apresentem características semelhantes de frutos. Estes secadores secam uma determinada quantidade de produtos depositados em uma
câmara, através da qual o ar quente é forçado e gerado por meio de um ventilador
e resistências elétricas.
19
Beneficiamento, embalagem e armazenamento de sementes
7 TIPOS DE EMBALAGEM
As embalagens utilizadas para armazenamento de sementes são classificados,
de modo geral, em função do grau de permebilidade à água, sendo: porosas,
semiporosas e impermeáveis.
7.1 Embalagens porosas ou permeáveis
Permitem a troca de umidade entre as sementes e o ambiente circundante. São
as embalagens de pano, papel e papelão e devem ser utilizadas para armazenamento em câmaras secas. Normalmente as sementes depositadas neste tipo de
embalagem apresentam teor de umidade entre 09 e 12%, dependendo da espécie. Exemplos: sacos de papel ou tecido (algodão, juta), Figura 04(a). (Carneiro &
Aguiar, 1993; Scremin-Dias, 2006).
7.2 Embalagens semiporosas ou semipermeáveis ou
resistentes à penetração de água
Não impedem completamente a passagem de umidade, mas permitem menor
troca de umidade do que as embalagens porosas. Estas embalagens são confeccionadas com materiais como polietileno, papel multifoliado, papelão revestido
com papel ceroso ou outro material impermeabilizante e papel ou papelão tratado
com alumínio ou asfalto. Os sacos plásticos são confeccionados com películas
de polietileno de diferentes densidades e espessuras, que determinam o grau de
penetração da umidade. O teor de umidade das sementes, por ocasião do acondicionamento, deverá ser inferior ao verificado na embalagem porosa. Estas embalagens podem ser utilizadas quando as condições não são demasiadamente
úmidas e o período de armazenamento não é muito prolongado. Exemplos: sacos
plásticos de alta densidade e espessura, sacos de papel multifoliados, sacos de
tecido (poliéster), Figura 04(b). (Carneiro & Aguiar, 1983), (Scremin-Dias, 2006)
Semeando o Bioma Cerrado
20
7.3 Embalagens impermeáveis
À prova de umidade, não possibilitam a troca de umidade com o meio ambiente.
Materiais como metal (latas), plástico, polietileno de elevada densidade e espessura, vidro e alumínio são utilizados na confecção de embalagens desta categoria, Figura 04(c). Para estas embalagens as sementes só poderão ser acondicionadas quando estiverem bem secas, com teor de umidade ao redor de 8%,
uma vez que a umidade do interior da embalagem não passa para o ambiente
de armazenamento – o teor de umidade, estando superior ao limite adequado,
ativará a respiração das sementes no interior da embalagem, acelerando o processo de deterioração. As sementes acondicionadas em embalagens impermeáveis podem ser armazenadas em qualquer condição de ambiente, devendo ser
evitada temperatura excessivamente alta. Quando a câmara de armazenamento
for úmida, é necessário que as sementes sejam acondicionadas nesta categoria
de embalagem (Carneiro & Aguiar, 1993; Scremin-Dias, 2006).
(a)
(b)
(c)
Figura 04 - Embalagem porosa (a), semiporosa (b) e impermeável (c)
21
Beneficiamento, embalagem e armazenamento de sementes
8 TIPOS DE ARMAZENAMENTO E COMPORTAMENTO
DAS SEMENTES
O armazenamento de sementes passou a ser uma atividade essencial quando o
homem deixou de ser nômade e passou a cultivar o seu alimento, necessitando
conservar sementes para o próximo plantio (Medeiros e Eira, 2006).
As sementes geralmente apresentam, por ocasião da maturidade fisiológica, a
máxima qualidade, em termos de peso de matéria seca, germinação e vigor. A
partir deste período tende a ocorrer uma queda progressiva da qualidade das
sementes, através do processo de deterioração. Depois que as sementes são
colhidas e antes de serem comercializadas ou utilizadas para semeadura, elas
devem ser armazenadas adequadamente, a fim de reduzir ao mínimo o processo
de deterioração.
O sucesso para se armazenar sementes objetivando manter a qualidade fisiológica depende da longevidade das sementes das espécies que estão sendo armazenadas. Além disso, a umidade das sementes e a temperatura do local onde elas
estão sendo armazenadas interferem no processo.
O termo longevidade está relacionado com o período de tempo em que a semente mantém viável. A longevidade da semente é característica da espécie.
Esta diversidade se deve à constituição genética de cada espécie principalmente
relacionada com as propriedades do tegumento e com a composição química
das sementes. De maneira geral, as sementes oleaginosas se deterioram mais
rapidamente do que as ricas em amido ou proteína.
As sementes da maioria das espécies conservam melhor sua qualidade quando
mantidas em ambiente o mais seco e o mais frio possível. A umidade relativa do
ar e a temperatura do ambiente de armazenamento influem diretamente na velocidade respiratória das sementes, acelerando o processo de deterioração.
O conhecimento do comportamento das sementes com relação aos limites tolerados de perda de água auxilia no correto armazenamento das diferentes espécies
mantendo a qualidade fisiológica das mesmas. Assim, existem três categorias
com relação ao comportamento das sementes no armazenamento e na tolerância
à dessecação (Davide e Silva, 2008):
Semeando o Bioma Cerrado
22
 Semente de comportamento ortodoxo: toleram a secagem e armazenamento
a baixas temperaturas sem perder a viabilidade. Exemplos: baru, ipê etc.
 Semente de comportamento intermediário: toleram a secagem até certo
ponto e perdem a viabilidade quando armazenadas a baixas temperaturas.
Exemplo: jenipapo.
 Semente de comportamento recalcitrante: não toleram a secagem e armazenamento a baixas temperaturas. Exemplo: ingá.
A condição de baixa temperatura é obtida através de câmaras frias, que devem
ser providas de compartimentos e prateleiras, de modo a alojar diferentes lotes de
sementes. A condição de baixa umidade é obtida através de câmaras secas, com
a utilização de aparelho desumidificador. Existem também câmaras frias e secas
que reunem em uma só as duas condições, mas a instalação e manutenção das
mesmas são caras, sendo usadas apenas para materiais mais valiosos e de curta
longevidade.
As condições de armazenamento podem variar com o período de tempo no qual
as sementes ficarão armazenadas. Se o armazenamento for por longo período, o
controle da umidade e da temperatura deverá ser mais cuidadoso.
Mesmo que as condições de ambiente sejam controladas, outros fatores podem
afetar a viabilidade das sementes durante o armazenamento, como: teor de umidade das sementes, embalagem, secagem das sementes, qualidade inicial das
sementes, grau de injúrias mecânicas, ação de insetos e patógenos, entre outros.
23
Beneficiamento, embalagem e armazenamento de sementes
9 CARACTERÍSTICAS FÍSICAS E FISIOLÓGICAS DAS
SEMENTES DAS PRINCIPAIS ESPÉCIES DO CERRADO
9.1 Características físicas
A semente é uma estrutura reprodutiva formada a partir do desenvolvimento de
um óvulo fecundado e possui a seguinte constituição, TEGUMENTO (Testa) que
é a estrutura de proteção da semente, devido a presença de uma camada cuticular interna e externa (cêra ou óleo); ENDOSPERMA que é o tecido de nutrição
do embrião. (amido, proteínas e lipídeos) e o EMBRIÃO (eixo embrionário +
cotilédones), Figura 05.
Testa
Embrião
Dois Cotilédones
Raíz Embionária
Primeiras Folhas
Figura 05 – Estrutura de semente de dicotiledôenea (Raven, et al. 2007)
Semeando o Bioma Cerrado
24
9.2 Características Fisiológicas
9.2.1 Germinação
9.2.1.1 Conceitos
AGRONÔMICO OU FITOTÉCNICO = a germinação é reconhecida a partir do momento em que ocorre a emergência da plântula no solo. Este conceito, apesar
de prático, é restrito, pois a semente pode germinar sem que a plântula consiga
emergir do solo.
FISIOLÓGICO = o processo germinativo baseia-se na retomada do crescimento do eixo embrionário, interrompido por ocasião da maturidade fisiológica da
semente e a protusão da radícula ou parte aérea seria o resultado final do
processo germinativo. Segundo este conceito, este processo exige atividades
fisio-metabólicas aceleradas, as quais são caracterizadas pelas fases ou etapas
que veremos a seguir.
9.2.1.2 Fases da germinação
Na FASE I o processo é puramente físico, sem gasto de energia, na FASE II ocorre
a estabilização na embebição e retomada do crescimento do eixo (germinação
fisiológica) e FASE III altamente metabólica, Figura 06.
CURVA DE EMBEBIÇÃO
ÁGUA
FASE I
FASE II
FASE III
TEMPO
Figura 06 – Fases da germinação
25
Beneficiamento, embalagem e armazenamento de sementes
9.2.1.3 Fatores que afetam a germinação
9.2.1.3.1 Longevidade das sementes
Varia muito de espécie para espécie e depende também das condições de armazenamento das sementes.
A viabilidade (período efetivo de vida da semente) é função do vigor da plantamãe, das condições ambientais favoráveis durante a maturação fisiológica e de
injúrias mecânicas.
9.2.1.3.2 Água
Fundamental para iniciar os processos
9.2.1.3.3 Gases
Requer 20% de oxigênio e 0,03% de CO2.
9.2.1.3.4 Temperatura
Faixa ótima para os processos metabólicos
TEMP inativa enzimas
TEMP desnaturação proteínas
Velocidade também é afetada
9.2.1.3.5 Luz
FOTOBLASTISMO: resposta da semente à luz.
9.2.1.4 Tipos de germinação
Semeando o Bioma Cerrado
26
9.2.1.4.1 Germinação epígea
Órgãos de reserva acima do solo.
9.2.1.4.2 Germinação hipógea
Órgãos de reserva abaixo do solo.
Primeira folha
Lâmina da
primeira Folha
Epicótilo
Segunda folha
Cotilédone
Hipocótilo
Coleóptile
Escutelo
Grão
A
B
Figura 07 - Germinação epígea de dicotiledônea (A) e hipógea de monocotiledônea
(Adaptado de Metivier, 1979).
27
Beneficiamento, embalagem e armazenamento de sementes
9.2.2 Dormência
9.2.2.1 Conceito
É um período de repouso sendo considerada uma característica de adaptação
ecológica para evitar que a sementes germine em condições inadequadas da
maioria das espécies germinam prontamente quando lhes são dadas condições
ambientais favoráveis.
9.2.2.2 Tipos de dormência e suas formas de superação
9.2.2.2.1 Dormência Primária
Na maioria dos casos de dormência, esta já se apresenta instalada por ocasião
da colheita ou do completo desenvolvimento da semente; por isso mesmo
é denominada de dormência “primária”. Em alguns casos esta é superada por
simples armazenamento da semente seca por algum tempo. Assim, após a
colheita, as sementes não germinam prontamente. A este tipo de dormência denomina-se dormência primária ou de pós-colheita, podendo ser dividido em
vários tipos, de acordo com a sua causa:
9.2.2.2.2 Dormência secundária
Em algumas espécies, sementes que germinam normalmente podem ser
induzidas a entrar no estado dormente, mantendo-as em condições ambientais
desfavoráveis. Este tipo de dormência é denominado dormência secundária ou
induzida.
Geralmente a dormência secundária é induzida quando são dadas às
sementes todas as condições favoráveis à sua germinação, exceto uma. A
dormência secundária também pode ser imposta por temperaturas elevadas ou
muito baixas, secagem da semente etc.
Semeando o Bioma Cerrado
28
10 AMOSTRAGEM E MÉTODOS DE ANÁLISE
O objetivo da amostragem é obter uma amostra de tamanho adequado para os
testes, na qual estejam presentes os mesmos componentes do lote de sementes
e em proporções semelhantes.
A quantidade de sementes analisadas é, em geral, muito pequena em relação ao
tamanho do lote que representa. Para se obter resultados uniformes e precisos em
análise de sementes, é essencial que as amostras sejam tomadas com todo cuidado e em conformidade com os métodos estabelecidos nas Regras para Análise
de Sementes – RAS.
A análise de sementes é um conjunto de procedimentos e critérios que permitem
avaliar a qualidade física e fisiológica de um lote de sementes. Inicia-se com a
determinação de do peso e da pureza física do lote.
Nas RAS existem já descritos qual o peso mínimo da amostra média que deve
chegar ao laboratório de análise de sementes e qual o peso mínimo para realização das análises de pureza física. Por exemplo, com Acacia spp trabalha-se com
amostra média de 70 g e análise de pureza de 10 g.
O objetivo da análise de pureza é determinar a composição percentual por peso
e a identidade das diferentes espécies de sementes e do material inerte da amostra e por inferência do lote de sementes. A amostra de trabalho deve ser obtida por homogeneização e divisão da amostra média de acordo com RAS. Esta
análise é realizada observando visualmente as sementes e separando-a em três
componentes: sementes puras, outras sementes e material inerte. Pode-se utilizar
lentes de diversos aumentos (de no mínimo 4X), luz transmitida, luz refletida, peneiras e sopradores.
O teste de germinação tem como objetivo determinar o potencial máximo de germinação de um lote de sementes, o qual pode ser usado para comparar a qualidade de diferentes lotes e também estimar o valor para semeadura em campo.
A realização deste teste em condições de campo não é geralmente satisfatória,
pois, dada a variação das condições ambientais, os resultados nem sempre podem ser fielmente reproduzidos. Métodos de análise em laboratório, efetuados
em condições controladas, de alguns ou de todos os fatores externos, têm sido
estudados e desenvolvidos de maneira a permitir uma germinação mais regular,
rápida e completa das amostras de sementes de uma determinada espécie. Estas
29
Beneficiamento, embalagem e armazenamento de sementes
condições, consideradas ótimas, são padronizadas para que os resultados dos
testes de germinação possam ser reproduzidos e comparados, dentro de limites
tolerados pelas RAS.
Germinação de sementes em teste de laboratório é a emergência e desenvolvimento das estruturas essenciais do embrião, demonstrando sua aptidão para
produzir uma planta normal sob condições favoráveis de campo. Nos testes de
laboratório a porcentagem de germinação de sementes corresponde à proporção
do número de sementes que produziu plântulas classificadas como normais, em
condições e períodos especificados pelas RAS. Plântulas normais são aquelas
que mostram potencial para continuar seu desenvolvimento e dar origem a plantas normais, quando desenvolvidas sob condições favoráveis. Além das plântulas
normais, são separados no teste de germinação: plântulas normais, sementes
duras, dormentes e mortas.
Nas RAS são especificados o substrato, a temperatura, número de dias para contagem e instruções adicionais incluindo recomendações para superar dormência
para diferentes espécies.
Semeando o Bioma Cerrado
30
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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agosto de 2003, Decreto n° 5.153, de 23 de julho de 2004. Diário Oficial da
União, Brasília, 06/08/2003, Seção 1, p.1.
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B.de; PIÑA-RODRIGUES, F. C. M.; FIGLIOLIA, M. B. Sementes florestais tropicais. Brasília, DF: ABRATES, 1993. p. 303- 331.
CARVALHO, N. M. de; NAKAGAWA, J. Sementes: ciência, tecnologia e produção.
Jaboticabal: Funep, 2000. 588 p.
DAVIDE, A. C.; SILVA, E. A. AMARAL. Produção de sementes e mudas de espécies florestais. Lavras: Editora UFLA, 2008.174 p.
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KLINK, C. A.; MACHADO, R. B.; Conservation of the Brazilian Cerrado. Conservation Biology. Malden, MA, v. 19, n. 3, p.707-713, 2005.
MEDEIROS, A. C. S.; EIRA, M. T. S. Comportamento fisiológico, secagem e armazenamento de sementes florestais nativas. Circular Técnica 127, ColomboPR, EMBRAPA, 2006.13p.
METIVIER, J.R. Dormência e germinação. In: FERRI, M.G. Fisiologia Vegetal. Vol.
2. Universidade de São Paulo, São Paulo. p. 342-392, 1979.
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RAVEN, P. H.; EVERT, R. F.; EICHHORN, S. E. Biologia Vegetal. Rio de Janeiro:
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SANO, S. M.; ALMEIDA, S. P.; RIBEIRO, J. F. Cerrado: ecologia e flora. Embrapa
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SCREMIN-DIAS, E.; BATTILANI, J. L.; SOUZA, A. L. T.; PEREIRA, S. R.; KALIFE,
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SERVIÇO FLORESTAL BRASILEIRO. Florestas do Brasil em resumo – 2010: dados de 2005 a 2010./ Serviço Florestal Brasileiro – Brasília: SFB, 2010.
SILVA, A. da; FIGLIOLIA, M. B.; AGUIAR, I. B. de. Secagem, extração e beneficiamento de sementes. In: AGUIAR, I. B.de; PIÑA-RODRIGUES, F. C. M.; FIGLIOLIA,
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Semeando o Bioma Cerrado
32
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Diretoria da Rede de Sementes do Cerrado (2010 – 2012)
Presidente
Maria Magaly Velloso da Silva Wetzel
Vice-Presidente
Celúlia Maria R. F. Maury
Secretária
Regina Célia Fernandes
Tesoureira
Carmen Regina M. A. Correa
Conselho Consultivo
Ana Palmira Silva
Manoel Cláudio da Silva Júnior
Alba Evangelista Ramos
José Carlos Sousa Silva
Conselho Fiscal
Sarah Christina Caldas Oliveira
Germana Maria Cavalcanti Lemos Reis
Antonieta Nassif Salomão
Luiz Cláudio Siqueira Jorge
Coordenador do Projeto “Semeando o Bioma Cerrado”
José Rozalvo Andrigueto
Equipe Técnica
Maria Magaly Velloso da Silva Wetzel
Cheila Deisy Ferreira
Ione da Silva Lara
Carmen Regina M. A. Correa
Fotos
Rogério Ferreira do Rosário
Manoel Rodrigues da Silva
Projeto Gráfico, diagramação e ilustrações
Ct. Comunicação
Direitos autorais reservados à Rede de Sementes do Cerrado.
Permitida a reprodução total ou parcial, desde que citada a fonte.
Coleta e Manejo
de Sementes Florestais
Brasília, 2011
sumário
Apresentação 4
1. Por que coletar? 6
2. O que é coleta de sementes? 7
3. Árvores matrizes e seleção das áreas de coleta de sementes - ACS 7
4. Planejamento da Coleta 9
5. Métodos de coleta 10
6. Equipamentos 14
7. Fichas de coleta 15
8. Tipos de frutos e de sementes 16
9. Manejo das sementes e dos frutos
18
10. Segurança no campo e primeiros socorros 22
11. Legislação 22
12. Bibliografia consultada 23
APRESENTAÇÃO
A Rede de Sementes do Cerrado é uma instituição jurídica de direito privado, sem
fins lucrativos - Organização da Sociedade Civil de Interesse Público - OSCIP,
regida por estatuto próprio e sediada em Brasília/DF. Tem por finalidade a conservação, o manejo, a recuperação, a promoção de estudos, pesquisas e divulgação
de informações técnicas e científicas do Bioma Cerrado.
A Rede de Sementes do Cerrado mantém contratos de cooperação e parceria
com a Embrapa, Eco Câmara, IBRAM, Oca Brasil, CRAD/UnB, UFG, SEAPA, IFB,
AAF, JJB, entre outros.
No ano de 2010, a Rede desenvolveu os seguintes projetos: (a) Capacitação de
pequenos agricultores da Bahia - MMA; (b) Levantamento de dados secundários
do Rio São Francisco - MMA; (c) XIII Feira de Sementes dos Índios Kraôs - USAID;
(d) Recuperação de nascentes de Brasília, DF - IBRAM/SEAPA e no ano de 2011,
iniciou o Projeto “Semeando o Bioma Cerrado”, patrocinado pela Petrobras dentro
do Programa da Petrobras Ambiental.
O Projeto Semeando o Bioma Cerrado tem por objetivo estimular os elos da cadeira produtiva de sementes e de mudas das espécies nativas do Cerrado a adequarem-se à legislação e adotarem modelos eficientes de produção para viabilizar
programas, projetos e ações que promovam o desenvolvimento sustentável. Dentro deste projeto está prevista a realização workshops, encontros, visitas técnicas,
oficinas de educação ambiental, demarcação de 40 áreas de coleta de sementes
com 2.000 árvores matrizes marcadas. Também, a realização de 24 cursos visando a capacitação de 360 pessoas para o exercício das atividades em seis áreas
temáticas: (1) Identificação de árvores do Bioma Cerrado; (2) Seleção e marcação de árvores matrizes; (3) Coleta e manejo de sementes; (4) Beneficiamento,
embalagem e armazenamento de sementes; (5) Produção de mudas de espécies
florestais; (6) Viveiros: projetos, instalação, manejo e comercialização. Para cada
curso realizado está prevista a elaboração de uma cartilha com as informações
básicas dos temas.
Semeando o Bioma Cerrado
4
O curso de Coleta e Manejo de Sementes aborda o tema da coleta, as suas etapas de execução e os cuidados inerentes a obtenção de uma semente de qualidade, cuidado este que se inicia na escolha da árvore matriz, a coleta propriamente dita e os primeiros cuidados com a semente que deverá dar origem a uma
nova árvore.
Maria Magaly V. da Silva Wetzel
Presidente da Rede de Sementes do Cerrado
5
Coleta e Manejo de Sementes Florestais
José Rozalvo Andrigueto
Coordenador do Projeto
1. Por que coletar?
A história do homem está relacionada à evolução da agricultura. Há mais de
10.000 anos, o homem coletava sementes e frutos e caçava animais para a sua
sobrevivência. Era a fase do caçador-coletor. Vivia mudando de local à procura de
novas sementes e animais, portanto, era nômade.
Quando o homem aprendeu que podia guardar as sementes e plantá-las, se fixou
na terra e surgiu a agricultura. Assim passou a despender menos energia para
obter alimentos e pode se dedicar a outras atividades. Criaram-se as pequenas
comunidades, vilas e cidades. Passou-se para um período em que surgiu a organização da sociedade.
No inicio, o homem cultivava as espécies rasteiras (herbáceas), ou seja, os pequenos grãos como o trigo, cevada, centeio, entre outras. Quando dominou a técnica de plantio, ele foi selecionando as melhores sementes, aprendeu a escolher
a melhor época de plantio e a melhor época de colheita. A produção de alimentos
levou à invenção de ferramentas e técnicas agrícolas.
Hoje, ainda somos como os homens de 10.000 anos atrás, ainda não sabemos
como cultivar um grande número de espécies. No caso do Bioma Cerrado, por
exemplo, dentre as milhares de espécies dominamos a produção de algumas
poucas centenas.
Por outro lado, o grande desenvolvimento da agricultura, levou à degradação do
Bioma, forçando o homem a realizar coletas das espécies nativas para a sua
recuperação. Também, o plantio de mudas nativas tem outros objetivos além da
recuperação, como a produção de madeira, alimentos, essências e óleos, artesanato, corantes, produtos medicinais, entre outros.
Assim, o homem continua a ser um eterno coletor de sementes, das espécies que
ele dominou, faz a coleta com grandes máquinas e das espécies que ele ainda
não dominou, faz a coleta manual, como antigamente.
Semeando o Bioma Cerrado
6
Figura 1 – Coleta manual de frutos.
Figura 2 – Frutos de pequi
(Caryocar brasiliense).
2. O que é coleta de sementes?
Coleta é um conjunto de atividades que visa a obtenção de unidades físicas vivas, que contenham a composição genética do organismo ou a amostra de uma
população de determinada espécie, com habilidade de se reproduzir (Walter e
Cavalcante, 1997). Os viveiristas são coletores que visam a comercialização na
forma de mudas ou plantas produzidas.
3. Árvores matrizes e seleção das áreas de
coleta de sementes - ACS
A coleta de sementes deve ser feita em árvores sadias, de bom porte, com a copa
bem formada, com boa produção de sementes, ramificação, vigorosas e livres de
doenças - são chamadas de árvores matrizes, quando georeferrenciadas.
A seleção das árvores matrizes é efetuada em povoamentos naturais, que são
avaliados em suas características de acordo com a finalidade a que se destina.
7
Coleta e Manejo de Sementes Florestais
São considerados alguns critérios como vigor, forma do tronco, ramificação, floração e frutificação. A qualidade da copa das árvores deve ser uma das primeiras
características a ser considerada para a seleção de árvores matrizes, já que árvores com copas saudáveis tendem a ser melhores produtoras de sementes.
As áreas que contém árvores matrizes são denominadas de áreas de coleta de
sementes (ACS) que podem ser de domínio público (Unidades de Conservação,
Florestas Nacionais, Reservas Legais, entre outras) e de particulares, desde que
haja um compromisso entre o órgão responsável pela coleta e do proprietário.
As áreas de coleta de sementes (ACS) e as matrizes selecionadas devem ter sua
posição geográfica referenciada com GPS e serem inscritas no Registro Nacional
de Áreas e Matrizes – RENAM do Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento - MAPA. As informações que descrevem a árvore matriz georeferrenciada
devem ser anotadas na Ficha de Marcação de Matriz e armazenadas em um banco de dados. Toda matriz georeferrenciada deve ter uma exsicata (galhos com
folhas, flores e frutos quando presentes, secos e herborizados) depositada em um
herbário de plantas oficial. A exsicata da árvore matriz garante sua identificação
botânica correta, já que será realizada por um especialista, e o seu depósito permite a consulta sempre que necessário.
Figura 3 – Árvore com
características de matriz
Figura 4 – Seleção e marcação
de árvore matriz
Semeando o Bioma Cerrado
8
4. Planejamento da Coleta
A coleta de sementes requer um planejamento com a definição do destino que as
sementes terão, escolha das espécies, época adequada, local e equipe.
a) Finalidade
Diversas são as finalidades para a realização de uma expedição de coleta. Uma
das principais é a de recuperação ambiental, tanto utilizando-se as sementes em
semeadura direta quanto para a produção de mudas.
A retirada de florestas tem causado fortes impactos na natureza, especialmente,
no Bioma Cerrado, que é muito propício a agricultura mecanizada. Como consequência, a procura por sementes florestais nativas é essencial para recuperar as
áreas degradadas. Outras finalidades podem ocorrer como pesquisa, uso medicinal, produção de madeira, lenha, artesanato etc.
b) Escolha das espécies
Se a finalidade da coleta é a recuperação de uma área degradada, deve-se ter o
conhecimento das espécies de ocorrência natural na área. Por este motivo, o banco de dados de ACS e de matrizes marcadas auxilia muito o processo de coleta.
c) Época da coleta
O conhecimento dos dados de fenologia, ou seja, qual a época do ano em que
florescem e frutificam as espécies a serem coletadas do Bioma Cerrado é fundamental para o sucesso da coleta. As sementes devem ser colhidas no ponto de máxima maturidade fisiológica, que
pode variar em relação ao lugar de sua ocorrência, das condições ambientais,
posição do fruto, do desenvolvimento da planta e de outras características especificas da espécie. Os parâmetros práticos de maturação das sementes são
considerados, normalmente, os seguintes: tamanho, coloração do fruto, teor de
umidade, conteúdo de matéria seca, queda de frutos ou sementes, deiscência,
entre outros.
9
Coleta e Manejo de Sementes Florestais
d) Escolha do Local
Um aspecto básico que se deve considerar no planejamento de uma coleta é a
escolha das áreas a serem visitadas, que devem ser preferencialmente, as ACS.
Quando não existir o conhecimento prévio das possíveis áreas de coleta, é necessária a realização de uma pesquisa prévia por meio de informações pessoais
e consultas bibliográficas.
e) Equipe Treinada
A equipe de coleta deve ser tecnicamente competente para garantir o sucesso
da coleta e a segurança do coletor. A equipe deve ser composta por três ou
quatro pessoas treinadas, pois o trabalho requer no mínimo duas pessoas para a
coleta e uma terceira para auxiliar. Nunca se deve sair a campo sozinho, pois são
muitas as condições de risco.
O trabalho de acondicionamento das sementes, após a coleta, exige cuidados
especiais de acordo com a espécie, gerando uma atividade que requer uma pessoa adicional. Deve-se trajar vestimentas adequadas a atividades de campo e
equipamentos de proteção individual (EPI).
5. Métodos de coleta
As sementes ou os frutos podem ser coletados no chão após a queda natural ou
direto na árvore, ou em ambos, dependendo da espécie. Antes de iniciar a coleta
dos frutos, o coletor deve avaliar a árvore, verificando a presença de ninhos de
aves, de abelhas, vespas, galhos podres e troncos ocos. Deve-se coletar até 70%
dos frutos de uma copa de árvore se a espécie possui dispersão abiótica (vento,
água etc.) e 50% se a dispersão for biótica (por animais).
Semeando o Bioma Cerrado
10
Figura 5 – Coleta manual de frutos e
sementes no chão
Figura 6 – Coleta manual de frutos
direto na árvore
Figura 7– Observar a presença da fauna
11
Coleta e Manejo de Sementes Florestais
A maneira de se colher as sementes depende da forma e da altura das árvores.
De acordo a avaliação inicial são escolhidos os equipamentos adequados.
a) Espingardas – método difundido para grandes árvores. Aconselha-se usar espingardas com mira telescópica de modo a obter melhor visibilidade dos galhos a
serem coletados. Entretanto, por ser uma arma, requer cuidados especiais.
b) Ganchos – muito usado para árvores baixas, é uma técnica simples e barata.
Para árvores altas o coletor pode subir na árvore e com auxílio do gancho puxar
o galho que lhe interessa.
c) Podões – também chamadas tesouras de alto-poda com cabos ajustáveis.
Usa o mesmo principio dos ganchos, puxa-se o galho que interessa e o mesmo é
cortado. É o método mais usado para a coleta.
d) Escadas – escadas de alumínio, com secções e extremidades encaixáveis,
são muito usadas em coletas para árvores medianamente altas.
e) Escada de cordas – a escada feita de cordas com nós e com outros equipamentos permite o coletor escalar a corda.
f) Elevação do coletor – chamado de rapel, é um método
não danoso ao tronco, pois
permite ao coletor subir na árvore, sentado, com segurança, são usadas duas roldanas
e duas cordas grossas e demais equipamentos.
Para os trabalhos em árvores
altas, existem leis específicas
(Normas Regulamentadoras
Relacionadas ao Trabalho em
Altura), o escalador deve observar e obedecer as normas
do Ministério do Trabalho, NR
06 quanto a utilização dos
equipamento de proteção individual (EPI).
Figura 8 – Coleta com uso de podão com cabo ajustável e
lona de plástico
Semeando o Bioma Cerrado
12
Figura 9 – Utilização de escada e podão
Figura 10 – Coleta de sementes utilizando
equipamentos de rapel e podão
13
Coleta e Manejo de Sementes Florestais
6. Equipamentos
Os equipamentos básicos para a coleta de sementes são: veículo adaptado às
condições de estradas acidentadas, podão e hastes de alumínio ou de madeira,
escadas (seccionadas ou não), tesouras de poda, baldes de plásticos, sacos de
aniagem, rafia, plásticos, pano e de papel de diferentes dimensões, etiquetas, lona
de plástico, fita métrica ou trena, coador do tipo utilizado para a coleta de sementes
pequenas e leves, canivete, facão, GPS, binóculo, fichas de coleta ou bloco para
anotações (ou equipamento eletrônico), lápis ou caneta, luvas, máquina fotográfica,
prensas, caixas, enxadas, etiquetas, facões, lanternas, pranchetas, cadeirinha ou
Boudrier, freios para o rapel, perneiras, entre outros.
Figura 11 – Principais equipamentos utilizados na coleta de sementes
Semeando o Bioma Cerrado
14
7. Fichas de coleta
As espécies coletadas deverão ter uma ficha com dados básicos, se possível georeferrenciados que são registrados em um banco de dados de espécies nativas.
Os dados coletados e documentados em bancos de dados são fundamentais
para o processo de comercialização das sementes e das mudas. Segue o modelo
de uma ficha de coleta de sementes adotada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientifico e Tecnológico - CNPq.
SEMENTE:
FAMÍLIA:
NOME CIENTÍFICO:
NOME VULGARES COM IDIOMAS:
NOME DO COLETOR
NOME DO DETERMINADOR:
Nº DO
COLETOR
DATA DE DETERMINAÇÃO
HÁBITO DE CRESCIMENTO:
COR DO FRUTO DOS
ESPOROS:
INTERESSE
ECONÔMICO:
DATA DA
COLETA:
MATERIAL DISPONIVEL
FILOTAXIA (SÓ
DICOT.):
INTERESSADO:
COR DA FLOR OU DO
ESPOFÓRO:
AMBIENTE GERAL:
COMPORTAMENTO:
PAÍS:
FREQUÊNCIA RELATIVA:
REGIÃO:
MUNICÍPIO:
LATITUDE:
ESTADO. TERRITÓRIO OU SIMILAR:
LONGITUDE
ALTITUDE:
LOCAL DA COLETA:
OBSERVAÇÕES:
Figura 12 – Modelo de Ficha de Coleta de Sementes - CNPq
15
Coleta e Manejo de Sementes Florestais
8. Tipos de frutos e de sementes
Os frutos e as sementes são órgãos de sobrevivência da espécie, tendo formas
específicas para a sua disseminação e sucesso. Podem se transportados pelo
vento sendo, em geral, leves e alados, assim como por animais quando apresentam tegumento ou polpa nutritiva.
a) Frutos carnosos
São aqueles que apresentam uma polpa carnosa ou dura envolvendo as sementes, em geral, são disseminados por animais. Estes frutos apresentam a característica de indeiscência, ou seja, que não se abrem naturalmente. São verdes inicialmente e, ao se tornarem maduros, podem adquirir a cor amarela, alaranjada,
vermelha ou preta. Os frutos carnosos grandes como os frutos de pequi, podem
ser colhidos na árvore ou serem coletados já caídos, desde que apresentem bom
estado. Quando os frutos carnosos são pequenos, como os de Miconia sp, os
frutos devem ser colhidos na árvore, pois caídos, se misturam com a vegetação
ficando difícil a sua localização.
Figura 13 – Frutos de jatobá (Hymenaea courbaril)
Semeando o Bioma Cerrado
16
b) Frutos secos
Podem ser do tipo vagem, espiga ou cápsulas. Podem se abrir para soltar as
sementes (deiscentes) como podem se manter fechados (indeiscentes). Em geral, são verdes quando imaturos e podem se tornar cinzentos ou amarronzados,
quando maduros. Estes frutos quando se abrem naturalmente devem ser colhidos
na árvore e levados para um local seco e ventilado para completarem a abertura
e a liberação das sementes, ex: ipê, cedro. As espécies que possuem sementes
que se dispersam pelo vento, aladas ou em plumas, devem ser colhidas ainda na
árvore, com os frutos fechados. Quando os frutos são indeiscentes, são colhidos
e as sementes são separadas por meio de ferramentas ou quebrando-se o fruto.
Os frutos suculentos como cagaita e mangaba, devem ser processados imediatamente para a liberação das sementes e estas devem ser plantadas em seguida
pois não resistem à dessecação.
Figura 14 – Frutos de tingui (Magonia pubescens)
17
Coleta e Manejo de Sementes Florestais
9. Manejo das sementes e dos frutos
A semente é a forma pela qual a planta, em geral, sobrevive o máximo de tempo
com o mínimo de atividade fisiológica.
O manejo das sementes, também denominado de beneficiamento, é um conjunto
de atividades que vai desde a escolha das árvores matrizes, as técnicas adequadas de coleta, a retirada dos frutos e das sementes, o seu processamento ou
beneficiamento, a secagem natural ou não, o acondicionamento em embalagens,
o armazenamento e, posteriormente, a comercialização e o uso.
As sementes, depois de separadas dos frutos, devem ser mantidas de acordo
com as suas características, ou seja, existem sementes que suportam baixas umidades (sementes ortodoxas) e outras que uma vez coletadas devem ser mantidas
em condições de umidade alta (sementes recalcitrantes) até chegar ao local de
plantio. Como exemplo de sementes ortodoxas, temos as de jatobá (Hymenaea
spp.) em que se colhe o fruto e devem ser beneficiadas antes do plantio, e requerem escarificação do tegumento. Já outras sementes, as que não resistem a baixas umidades, devem ser mantidas em seus frutos (com umidade) até a chegada
ao local de plantio, pois o seu armazenamento ainda não é muito recomendado.
Portanto, o tempo de vida de uma semente é função, dentre outros fatores, do
conteúdo de umidade da semente e das condições do armazenamento.
Ainda no campo, deve-se separar os frutos dos ramos e de outros materiais inertes. Devem ser acondicionados em sacos de aniagem e transportados ao local
onde serão manejados. É importante que os sacos sejam bem arejados, pois, se
as sementes estiverem úmidas poderão mofar antes do processamento.
Quando os frutos ou sementes chegarem ao local de processamento devem ser
espalhados no chão sobre uma lona em local protegido. A limpeza pode ser feita
com peneiras que facilitam a separação do material inerte.
Deve-se observar no material coletado se há insetos vivos e se o conteúdo de
umidade é elevado, uma vez que, frequentemente, as amostras são processadas
durante os dias seguintes, elas devem ser secas imediatamente (quando ortodoxas), até um ponto em que se evite a germinação e /ou o desenvolvimento de
fungos.
Semeando o Bioma Cerrado
18
9.1 Processamento ou beneficiamento dos frutos de acordo com o tipo:
Frutos carnosos
Usa-se água corrente para amaciar a polpa e facilitar sua retirada (maceração).
Quando houver dificuldade em se retirar a semente, pode-se deixar os frutos de
molho em água, para que a polpa se solte. Após a retirada da água, as sementes
devem ser colocadas para secar, em local ventilado e coberto antes do armazenamento, ex: jatobá, tamboril.
Frutos secos deiscentes
Estes devem ser colhidos antes da abertura dos frutos. Os frutos devem ser espalhados em local aberto, ventilado e coberto, aguardando a sua abertura natural.
Depois dos frutos soltarem as sementes, usa-se peneiras, ventilação ou outro método para a separação das partes, ex: ipê, pau santo.
Frutos secos indeiscentes
Usa-se facas ou outro instrumento para a retirada das sementes dos frutos. É importante não danificar as sementes, ex: baru.
A secagem das sementes pode ser feita naturalmente ou usando um meio artificial.
a) Secagem natural
Tem como fonte o calor do sol (não se colocar as sementes para secar diretamente no sol) e como ventilação o movimento natural do ar. Os frutos e as sementes
são espalhados em uma superfície plana, podendo ser tabuleiros ou bandejas
plásticas em uma camada não muito espessa. O tempo de secagem varia de
acordo com a espécie e o grau de umidade das sementes.
b) Secagem artificial
Este método é pouco usado tem como fonte de calor um meio artificial, como por
exemplo, uma estufa, em que há a geração do calor e ventilação. Neste caso,
pode-se controlar a temperatura da secagem e o tempo de exposição das sementes. As sementes devem ser colocadas para secar já limpas.
19
Coleta e Manejo de Sementes Florestais
As sementes que não resistem à dessecação (ex: cagaita, mangada,) devem ser
limpas e semeadas imediatamente, pois ainda não existe um método adequado
de armazenamento.
O armazenamento das sementes que resistem à dessecação depois de secas,
pode ser feito de diversas formas, de acordo com o uso a ser dado. Podem se
armazenadas em embalagens ou não, dependendo da quantidade e do objetivo.
Quando o plantio é previsto para ocorrer imediatamente, as sementes podem ficar
em um lugar arejado, espalhadas sobre uma superfície, sem serem embaladas.
Podem ser embaladas em recipientes simples como garrafas “pet” por um determinado tempo, assim como em sacos de pano, papel ou em sacos aluminizados
(resistentes à entrada da umidade). Podem ser armazenadas em câmaras com
controle de temperatura e umidade, neste caso, as sementes de comportamento
ortodoxo resistem por muitos anos.
Figura 15 – Retirada da polpa do fruto de araticum do cerrado (Annona crassiflora)
Figura 16 – Continuação da retirada da polpa
do araticum do cerrado (Annona crassiflora),
com uso da peneira e água corrente
Semeando o Bioma Cerrado
20
Figura 17 – Secagem de sementes em jornais
Figura 18 – Sementes de sangra - d água (Croton urucurana) e jatobá
(Hymenaea courbaril) após o beneficiamento em bandejas plásticas
21
Coleta e Manejo de Sementes Florestais
10. Segurança no campo e primeiros socorros
Os fatores de risco na coleta de sementes estão relacionados ao manuseio incorreto de ferramentas, assim como, em função da atividade desenvolvida, tais
como: ataque de animais peçonhentos (cobras, escorpiões, aranhas) ou de abelhas e vespas, quedas ou outros acidentes. Devem ser usados sempre os equipamentos de segurança: perneiras, botas, facão, luvas. Se for árvores altas verificar
se são fortes o suficiente para subir com equipamento de rapel, além de estar
bem treinado para o uso do mesmo, também no caso do uso de escada.
As técnicas de primeiros socorros e salvamento de feridos são de extrema importância: técnicas de respiração, massagem cardíaca, curativos, imobilização e
transporte de feridos. É muito importante que os responsáveis pelas equipes de
coleta tenham conhecimentos básicos para agir em casos de acidentes, já que
muitas vezes há grandes distâncias aos postos de atendimento de urgência. Uma
caixa contendo os produtos de primeiros socorros é importante na atividade de
coleta.
11. Legislação
A atividade de coleta de sementes está, parcialmente, regulamentada pela Lei
n° 10.711, de 05/08/2003 e o Decreto n° 5.153 de 23/07/2004, Art. 146, XV que
denomina como “coletor de sementes a pessoa física ou jurídica credenciada
junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento para a prestação de
serviços de coleta de material de propagação” e o Art. 149-III “quando coletor
de sementes: qualificação técnica para efetuar coleta, amostragem e conservação da capacidade produtiva da área demarcada, reconhecida pelo Ministério da
Agricultura, Pecuária e Abastecimento”.
Semeando o Bioma Cerrado
22
12. Bibliografia consultada
ALVES, P.L.C.A.; PAVANI, M.C.M.D. Instruções básicas para a coleta e preparo
de material botânico a ser herborizado. Jaboticabal. FUNEP. 1991. 22 p.
AGUIAR, I. B. (Ed.). Anais do 1° Simpósio Brasileiro de Tecnologia de Sementes de Espécies Florestais. ABRATES - IBDF. Brasília. DF. 1984. 316 p.
AGUIAR, I. B,; PINA-RODRIGUES, F.C.M; FIGLIOLIA, M. B. Sementes florestais
tropicais. Brasília, DF. ABRATES. 1993. 350 p.
ALBRECHT, J.M.F.; SANTOS, A.A. Guia Técnico das Espécies – Alvo das Espécies da Amazônia Meridional. UFMT. Cuiabá. MT. 2003. 28 p.
ALBRECHT, J.M.F.; SANTOS, A.A.; ARRUDA, T.P.M.; CALDEIRA, S.F.; LEITE, A.M.;
ALBUQUERQUE, M.C.F.E. Manual de produção de sementes de espécies florestais nativas. Cuiabá. UFMT. 2003. 88 p.
LIMA JUNIOR. M.J.V. Curso básico de manejo de sementes de espécies arbóreas tropicais. Manaus. UFAM. 2010. 81 p.
MAPA. Legislação Brasileira sobre Sementes e Mudas. Brasília. MAPA. 2007. 316 p.
PINA-RODRIGUES, F.C.M. Guia pratico para a colheita e manejo de sementes
florestais tropicais. Rio de Janeiro. IDACO. 2002. 40 p.
PINA-RODRIGUES, F.C.M.;FREIRE,J.M.; LELES,P.S.S.; BREIER, T.B. Parâmetros
técnicos para a produção de sementes florestais. Seropédica. RIOESBA.
EDUR/UFRRJ. 2007. 188 p.
WALTER, B.M.T. Técnicas de coleta de material botânico arbóreo. Brasília. Embrapa - Cenargen. 1993. 53 p. (EMPRAPA – CENARGEN, Documentos 15.).
WALTER, B.M.T.; CAVALCANTE, T.B. (Ed). Fundamentos para a coleta de germoplasma vegetal. Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia. Brasília. 2005. 778 p.
WALTER, B.M.T.; CAVALCANTE, T.B. Aspectos técnicos sobre a coleta de germoplasma de espécies alógamas. In: Simpósio Latino-Americano de Recursos
Genéticos Vegetais. 1. 1997. Campinas, SP. Programa e Resumos. Campinas:
IAC; Brasília. Embrapa – Cenargen. 1997. P.28-29.
Disponível em: <http://www.guiatrabalhista.com.br/legislacao/nr/nr6.htm>. Consultado em 21de julho de 2011.
23
Coleta e Manejo de Sementes Florestais
Notas
Semeando o Bioma Cerrado
24
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CARTILHA
Seleção e marcação
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de árvores matrizes
Diretoria da Rede de Sementes do Cerrado (2010 – 2012)
Presidente
Maria Magaly Velloso da Silva Wetzel
Vice-Presidente
Celúlia Maria R. F. Maury
Secretária
Regina Célia Fernandes
Tesoureira
Carmen Regina M. A. Correa
Conselho Consultivo
Ana Palmira Silva
Manoel Cláudio da Silva Júnior
Alba Evangelista Ramos
José Carlos Sousa Silva
Conselho Fiscal
Sarah Christina Caldas Oliveira
Germana Maria Cavalcanti Lemos Reis
Antonieta Nassif Salomão
Luiz Cláudio Siqueira Jorge
Coordenador do Projeto “Semeando o Bioma Cerrado”
José Rozalvo Andrigueto
Equipe Técnica
Alba Orli de Oliveira Cordeiro - Bióloga
Pedro Henrique Nunes Rabelo – Engenheiro Florestal
Fotos
Equipe do Projeto “Semeando o Bioma Cerrado”
Projeto Gráfico, diagramação e ilustrações
Ct. Comunicação
Direitos autorais reservados à Rede de Sementes do Cerrado.
Permitida a reprodução total ou parcial, desde que citada a fonte.
CARTILHA
Seleção e marcação
de árvores matrizes
Brasília, 2011
sumário
Apresentação
4
Introdução 5
Escolha da Área de Coleta de Sementes (ACS)
8
Marcação de Matrizes 11
Escolha das matrizes para coleta de sementes 12
Mapeamento e Georreferencimento das matrizes 17
APRESENTAÇÃO
A Rede de Sementes do Cerrado é uma instituição jurídica de direito privado, sem
fins lucrativos - Organização da Sociedade Civil de Interesse Público - OSCIP, regida por estatuto próprio e sediada em Brasília. Tem por finalidade a conservação,
o manejo, a recuperação, a promoção de estudos e pesquisas e divulgação de
informações técnicas e científicas do Bioma Cerrado.
A Rede de Sementes do Cerrado mantém contratos de cooperação e colaboração com a Embrapa, IBRAM, Oca Brasil, CRAD/UnB, UFG, SEAPA, IFB, Eco
Câmara, entre outros.
Nestes últimos anos a Rede tem desenvolvido os seguintes projetos: capacitação
de pequenos agricultores da Bahia - MMA; levantamento de dados secundários
do Rio São Francisco- MMA; XIII Feira de Sementes dos Índios Kraôs - USAID;
recuperação de nascentes do DF- IBRAM/SEAPA e, no ano de 2011, iniciou o Projeto Semeando o Bioma Cerrado, patrocinado pela Petrobras dentro do Programa
da Petrobras Ambiental.
Dentro deste projeto está prevista a realização de 24 cursos visando a capacitação de 360 pessoas para o exercício das atividades em seis áreas temáticas:
identificação de árvores do Bioma Cerrado; seleção e marcação de árvores matrizes; coleta e manejo de sementes, beneficiamento, embalagem e armazenamento de sementes; produção de mudas de espécies florestais; viveiros: projetos,
instalação, manejo e comercialização. Para cada curso realizado está prevista a
elaboração de uma cartilha com as informações básicas dos temas.
Maria Magaly V. da Silva Wetzel
Presidente da Rede de Sementes do Cerrado
José Rozalvo Andrigueto
Coordenador do Projeto
Semeando o Bioma Cerrado
4
Introdução
Diante da situação de degradação ambiental que vivemos hoje é possível notar
que diversos esforços de conservação vêm sendo adotados por diferentes entidades, tais como associações, governos, ONGs e até mesmo iniciativas individuais
que se tornam fundamentais.
Neste contexto, uma das mais importantes estratégias para o retorno do equilíbrio
dos ambientes naturais através de ações de restauração em ambientes degradados é o estimulo a utilização racional e equilibrada da vegetação nativa como fontes
de sementes. Este importante recurso natural pode ainda ser utilizado em benefício
das comunidades rurais que buscam manter os fragmentos florestais conservados.
Visando estimular a pratica de coleta de sementes, algumas informações e determinações foram reunidas nesta cartilha, integrando resultados de pesquisa, a
prática utilizada pela Rede de Sementes do Cerrado, bem como, as normas legais
para regularização do processo de comercialização das sementes.
Vamos conhecer algumas delas...
O Seu Antônio coletou essas sementes e está querendo vendê-las.
Figura 1 - Frutos e sementes de Magonia pubescens.
Mas....
Da onde elas são? Quem coletou?
Que espécie é essa?
5
Seleção e Marcação de Árvores Matrizes
Agora, pra fazer isso corretamente, o seu Antônio precisa seguir a legislação que
rege a produção e comercialização de sementes, a Lei das Sementes ou Lei nº
10.711 de 2003, que está sob a responsabilidade do MAPA (Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento).
Precisa informar ao MAPA a procedência das sementes
a serem comercializadas.
Como produtor de
sementes florestais o
seu Antônio precisa se
inscrever no Registro
Nacional de Sementes e
Mudas - RENASEM.
RENASEM
Semeando o Bioma Cerrado
6
Vamos ver como fazemos isso seguindo o Decreto 5.153 de 2004.
Art. 7º Para credenciamento no RENASEM, o interessado deverá apresentar ao
Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento os seguintes documentos:
I - requerimento, por meio de formulário próprio, assinado pelo interessado ou seu
representante legal, constando as atividades para as quais requer a inscrição;
II - comprovante do pagamento da taxa correspondente;
III - relação das espécies para as quais pretenda o credenciamento, quando for
o caso;
IV - cópia do contrato social registrado na Junta Comercial, ou documento equivalente, quando pessoa jurídica, constando dentre as atividades da empresa aquelas para as quais requer o credenciamento;
V - cópia do CNPJ atualizado ou CPF, conforme o caso;
VI - cópia da inscrição estadual ou documento equivalente, conforme o caso; e
VII - declaração do interessado de que está adimplente junto ao Ministério da
Agricultura, Pecuária e Abastecimento.
Art. 149. Para o credenciamento no RENASEM, além das exigências previstas no
art. 7º deste Regulamento, as pessoas físicas ou jurídicas deverão apresentar os
seguintes documentos ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento:
III - quando coletor de sementes: qualificação técnica para efetuar coleta, amostragem e conservação da capacidade produtiva da área demarcada, reconhecida
pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.
7
Seleção e Marcação de Árvores Matrizes
Escolha da Área de Coleta de Sementes (ACS)
A primeira atividade é definir a Área de Coleta de Sementes.
Mas muita atenção!!!
Devido à grande devastação das florestas brasileiras, alguns ambientes naturais
são legalmente protegidos. Nesses ambientes a coleta de semente não é permitida e o não cumprimento da lei pode ser considerado crime.
É importante conhecer o local que pretendemos coletar as sementes e solicitar aos órgãos ambientais, informações para o pedido de licença de coleta e/ou
autorização do proprietário da terra.
Não é permitido
coletar
sementes em:
- Unidades de
Conservação
de Proteção
Integral
É possível coletar sementes em:
- Reserva Legal (1)
- Remanescentes Florestais
- Unidades de Conservação de Uso Sustentável (2)
- Reservas Particulares do Patrimônio Natural (3)
- Áreas indígenas
- Assentamentos rurais
- Hortos Florestais
- Área de Preservação Permanente (4)
(1) Reserva Legal - é área preservada, localizada no interior de uma propriedade
ou posse rural, excetuada a de uso para preservação permanente.
(2) Unidades de Conservação - são áreas consagradas à proteção e manutenção
da diversidade biológica, assim como dos recursos naturais e patrimônio associados e geridas através de meios jurídicos, ou outros meios eficazes.
Semeando o Bioma Cerrado
8
(3) Reservas Particulares do Patrimônio Natural - é uma categoria de unidade de
conservação criada pela vontade do proprietário rural.
(4) Área de Preservação Permanente - são áreas de grande importância ecológica, cobertas ou não por vegetação nativa, que têm como função preservar os
recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica, a biodiversidade, o
fluxo gênico de fauna e flora, proteger o solo e assegurar o bem estar das populações humanas. A coleta de sementes em área de preservação permanente é permitida mediante autorização prévia do órgão ambiental competente.
Fonte: Preservação e Recuperação de Nascentes - Comitê
das Bacias Hidrográficas dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí. 2004)
Figura 2 – Exemplo de área de preservação permanente.
9
Seleção e Marcação de Árvores Matrizes
Depois de se certificar de que é permitido coletar na área escolhida, sugerimos
alguns cuidados.
 As Áreas de Coleta de Sementes (ACS) devem ter um mínimo de 10 ha.
Área de coleta
de sementes
Figura 3 – Exemplo de área de coleta de sementes – ACS.
 Estas áreas devem ser cadastradas no MAPA.
 Verificação do tipo de vegetação, ou seja, se
é Cerrado, Mata Atlântica, Mata Seca, área de
transição etc.
 Se for um fragmento da vegetação, preferir áreas que possuam outros fragmentos próximos.
 Deve-se verificar se a área apresenta condições de se coletar as sementes sem prejudicar
a sobrevivência das espécies existentes no local e a própria comunidade. Afinal, as plantas
servem de recurso alimentar para outros seres
vivos.
Semeando o Bioma Cerrado
10
Marcação de Matrizes
As matrizes
precisam ser
marcadas e
registradas no
Mapa via
RENAM
Art. 158. No caso de espécies nativas, é obrigatório o registro no RENAM das matrizes das Área Natural de Coleta de Sementes com Matrizes Marcadas - ACS-NM,
Área Alterada de Coleta de Sementes com Matrizes Marcadas - ACS-AM e Área
de Coleta de Sementes com Matrizes Selecionadas - ACS-MS.
Área Natural de Coleta de Sementes com Matrizes Marcadas - ACS-NM: população vegetal natural, com marcação e registro individual de matrizes, das quais
são coletadas sementes ou outros materiais de propagação.
Área Alterada de Coleta de Sementes com Matrizes Marcadas - ACS-AM: população vegetal, nativa ou exótica, natural antropizada ou plantada, com marcação e registro individual de matrizes, das quais são coletadas sementes ou outro
material de propagação.
Área de Coleta de Sementes com Matrizes Selecionadas - ACS-MS: população
vegetal, nativa ou exótica, natural ou plantada, selecionada, onde são coletadas
sementes ou outro material de propagação, de matrizes selecionadas, devendose informar o critério de seleção.
11
Seleção e Marcação de Árvores Matrizes
Escolha das matrizes para coleta de sementes
Cada um de nós apresenta características próprias, como altura, cor da pele,
forma física, predisposição a doenças etc. De forma semelhante, ocorre com as
espécies vegetais. Na mata podemos observar que algumas árvores de uma mesma espécie apresentam copa vistosa e sadia, outras sofrem ataque de insetos,
outras apresentam as folhas amareladas e secas.
Como o nosso objetivo é produzir sementes de qualidade, devemos selecionar
os indivíduos que apresentam as melhores características. Esses indivíduos são
chamados de matrizes ou porta-sementes. Assim, quando selecionamos determinada matriz, esperamos obter das suas sementes indivíduos com características semelhantes à árvore-mãe.
Os critérios para seleção das características podem variar de acordo com o uso
que se quer dar para as plantas, por exemplo:
1. Para restauração ambiental, várias matrizes de uma mesma espécie com características diferentes para formas de copa, de tronco, de frutos, de sementes, espécies com frutas comestíveis para fauna, espécies com crescimento
rápido sob sol e também sob sombra;
2. Espécies para uso de madeira, as matrizes devem ter fuste alto, copa com
poucos galhos ou bifurcações;
3. Espécies frutíferas, as matrizes devem ter frutos com cor de polpa bonita, saborosa, aroma agradável, tamanho adequado para consumo.
Para fins madeireiros:
Neste caso, os indivíduos
selecionados deverão
apresentar o caule mais ereto,
fuste alto ou sem ramificações
na base e de madeira pesada.
Para fins de restauração ambiental:
Neste caso, os indivíduos devem apresentar maior
variabilidade, rusticidade, capacidade de sobreviver
às variações ambientais e ter boa germinação.
Semeando o Bioma Cerrado
12
Por mais que tenhamos o cuidado de escolher boas matrizes nem sempre a escolha dá certo. No geral, devemos selecionar as árvores que aparentam:
 Aspecto sadio e resistência a pragas e doenças;
 Ser boa produtora de sementes;
 Apresentar boa superfície de exposição solar.
Árvores isoladas
devem ser evitadas
para coleta de
sementes.
 Apresentar variabilidade genética. Vamos entender melhor isso.
13
Seleção e Marcação de Árvores Matrizes
Cada ser vivo apresenta uma constituição genética única, e os indivíduos aparentados apresentam essa constituição genética semelhante. É assim que, em
alguns casos, irmãos são parecidos entre si apesar de apresentarem diferenças.
Assim ocorre com as sementes produzidas por uma única árvore, essas sementes
apresentarão constituição genética semelhante.
Parentesco próximo = pouca variabilidade genética
Se coletar sementes desses
3 indivíduos aparentados, estaremos coletando sementes
de material genético muito
parecido. Isto reduz a variabilidade genética que afeta a
perpetuação das espécies no
ambiente.
Para evitar esse tipo de problema, as coletas devem ser realizadas em diferentes
Áreas de Coleta de Sementes (ACS) e em pelo menos 15 matrizes diferentes de
cada espécie, distanciadas em no mínimo 100 metros uma das outras. Pode-se
escolher árvores próximas se tiverem características bastante distintas como floração em épocas diferentes, cor da flor ou fruto distinto por exemplo.
Semeando o Bioma Cerrado
14
Matriz 1
100 m
Matriz 2
Escolhidas as matrizes, elas devem ser marcadas e georreferenciadas. A marcação pode ser realizada com plaquetas de alumínio numeradas e o georreferenciamento através de um aparelho de GPS.
Figura 4 – Plaquetas de alumínio para marcação das matrizes.
15
Seleção e Marcação de Árvores Matrizes
Todas estas informações de cada matriz deverão ser fornecidas ao MAPA para a
regularização da comercialização de sementes. Para facilitar o trabalho, devemos
levar uma ficha de campo para preenchimento no momento da marcação das
matrizes.
Exemplo de ficha de campo para marcação de matrizes usada pelo Departamento de Engenharia Florestal da ESALQ (Escola Superior de Agricultura “Luiz de
Queiroz”):
Figura 5 – Modelo de ficha de Marcação de Matrizes da ESALQ/USP.
Semeando o Bioma Cerrado
16
Mapeamento e Georreferencimento
das matrizes
Para a regularização do processo de produção
de sementes de espécies florestais nativas é necessário que seja produzido um mapa das Áreas
de Coleta de Sementes (ACS) e das matrizes georreferenciadas.
Para o georeferenciamento das matrizes é utilizado um equipamento de GPS (Global Position
System). Com ele conseguimos obter as coordenadas (latitude e longitude) geográficas, ou seja,
localizar o ponto da árvore matriz na superfície
do planeta e com isso, qualquer pessoa pode
encontrá-la, conhecer e coletar mais sementes.
Figura 5 – Equipamento de GPS
(Global System Position).
Figura 6 – Marcação de árvore matriz com o GPS.
17
Seleção e Marcação de Árvores Matrizes
Com o mesmo equipamento de GPS, delimitamos a Área de Coleta de Sementes
(ACS) percorrendo o perímetro marcando pontos de referência.
Figura 7 – Poligonal da área de coleta de sementes (ACS).
Semeando o Bioma Cerrado
18
Figura 8 – Poligonal da área de coleta de sementes (ACS) e árvores matrizes georreferenciadas.
19
Seleção e Marcação de Árvores Matrizes
Notas
Semeando o Bioma Cerrado
20
Parceiros
Patrocínio
Projeto Semeando o Bioma Cerrado
Edifício Finatec, Bloco “H” - Campus UnB
Cep: 70.910-900 - Brasília/DF
Telefone: (61) 3348-0423
E-mail: [email protected]
CARTILHA
Seleção e marcação
www.rededesementesdocerrado.org.br
de árvores matrizes
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Produção de mudas de plantas
www.rededesementesdocerrado.org.br
nativas do Cerrado
SEAPA/DF
Diretoria de Desenvolvimento Sustentável e Produção - DDP
Fernando Cleser Moreno de Almeida
REALIZAÇÃO
Núcleo de Proteção e Reabilitação Ambiental
Núcleo de Produção Vegetal
AGRADECIMENTOS
Aos servidores do Núcleo de Produção Vegetal da
Granja Modelo do Ipê, responsáveis pela produção de
milhares de mudas de espécies nativas do bioma Cerrado, cujo convívio e troca de experiências em muito
contribuiu para a elaboração desta cartilha e aos profissionais do herbário e do viveiro do Jardim Botânico de
Brasília, com os quais temos compartilhado e adquirido
conhecimentos na coleta de sementes e identificação
de espécies, nossos sinceros agradecimentos.
PARCERIA
Rede de Sementes do Cerrado
SEAPA/DF
Edifício sede: Setor de Áreas Isoladas Norte – SAIN
Parque Rural
CEP 70620-000 – Brasília - DF
Fone 3051.6360 – Fax: 3347.9322
Home page: www.sa.df.gov.br
e-mail: [email protected]
Governador do Distrito Federal
Agnelo Queiroz
Secretário de Estado de Agricultura, Pecuária e
Abastecimento
Lúcio Taveira Valadão
Subsecretário de Desenvolvimento Rural e
Agricultura
José Nilton Campelo
Gerência de Tecnologia e Produção - GTP
Marília Tiberi Caldas
Núcleo de Proteção e Reabilitação Ambiental - NRA
Juliana Lopes Rodrigues de Sousa Viana
Núcleo de Produção Vegetal - NPV
Cláudio Silva
Equipe Técnica
Germana Maria C. Lemos Reis (Engenheira Florestal)
Marília Tiberi Caldas (Engenheira Agrônoma)
Júlio Otávio Costa Moretti (Engenheiro Agrônomo)
Alba Evangelista Ramos (Bióloga)
Gilberto Cotta de Figueirêdo (Engenheiro Mecânico)
Juliana Lopes Rodrigues de Sousa Viana (Engenheira Agrônoma)
Rogério Ferreira do Rosário (Técnico em Agropecuária)
Fotos:
Equipe NRA
Direitos autorais reservados à SEAPA/DF.
Permitida à reprodução total ou parcial, desde que
citada a fonte.
Núcleo de Proteção e Reabilitação Ambiental - NRA
SAIN Parque Rural Ed. Sede SEAPA
70.620-000 Brasília – DF - Tel. (61) 3051.6360
E-mail: [email protected]
Catalogação
Produção de Mudas de Plantas Nativas do Cerrado. Germana Maria C. Lemos Reis, Marília Tiberi
Caldas, Júlio Otávio Costa Moretti, Alba Evangelista Ramos, Gilberto Cotta de Figueirêdo,
Rogério Ferreira do Rosário, Juliana Lopes Rodrigues de Sousa Viana,– Brasília-DF: SEAPA, 2011.
36 pg. : il
1. Propagação vegetal. 2. Viveiro de plantas. 3. Reabilitação Ambiental da Área Rural. I.
Reis, Germana Maria C. Lemos. II. Caldas, Marília Tiberi. III. Moretti, Júlio Otávio Costa.
IV. Ramos, Alba Evangelista. V. Figueirêdo, Gilberto Cotta de. VI. Rosário, Rogério Ferreira
do. VII Viana, Juliana Lopes Rodrigues de Sousa. VIII. Secretaria de Estado de Agricultura,
Pecuária e Abastecimento do Distrito Federal.
Produção de mudas de plantas
nativas do Cerrado
Brasília, 2011
Diretoria da Rede de Sementes do Cerrado (2010 – 2012)
Presidente
Maria Magaly Velloso da Silva Wetzel
Vice-Presidente
Celúlia Maria R. F. Maury
Secretária
Regina Célia Fernandes
Tesoureira
Carmen Regina M. A. Correa
Conselho Consultivo
Ana Palmira Silva
Manoel Cláudio da Silva Júnior
Alba Evangelista Ramos
José Carlos Sousa Silva
Conselho Fiscal
Sarah Christina Caldas Oliveira
Germana Maria Cavalcanti Lemos Reis
Antonieta Nassif Salomão
Luiz Cláudio Siqueira Jorge
Coordenador do Projeto “Semeando o Bioma Cerrado”
José Rozalvo Andrigueto
Projeto Gráfico, diagramação e ilustrações
Ct. Comunicação
AGRADECIMENTOS
A Rede de Sementes do Cerrado é uma instituição jurídica de direito privado, sem
fins lucrativos - Organização da Sociedade Civil de Interesse Público - OSCIP, regida por estatuto próprio e sediada em Brasília. Tem por finalidade a conservação,
o manejo, a recuperação, a promoção de estudos e pesquisas e divulgação de
informações técnicas e científicas do Bioma Cerrado.
A Rede de Sementes do Cerrado mantém contratos de cooperação e colaboração com a Embrapa, IBRAM, Oca Brasil, CRAD/UnB, UFG, SEAPA, IFB, Eco
Câmara, entre outros.
Nestes últimos anos a Rede tem desenvolvido os seguintes projetos: capacitação de
pequenos agricultores da Bahia - MMA; levantamento de dados secundários do Rio
São Francisco- MMA; XIII Feira de Sementes dos Índios Kraôs - USAID; recuperação de
nascentes do DF- IBRAM/SEAPA e, no ano de 2011, iniciou o Projeto Semeando o Bioma Cerrado, patrocinado pela Petrobras dentro do Programa da Petrobras Ambiental.
Dentro deste projeto está prevista a realização de 24 cursos visando a capacitação de 360 pessoas para o exercício das atividades em seis áreas temáticas:
identificação de árvores do Bioma Cerrado; seleção e marcação de árvores matrizes; coleta e manejo de sementes, beneficiamento, embalagem e armazenamento de sementes; produção de mudas de espécies florestais; viveiros: projetos,
instalação, manejo e comercialização. Para cada curso realizado está prevista a
elaboração de uma cartilha com as informações básicas dos temas.
A Rede de Sementes do Cerrado agradece a Secretaria de Estado de Agricultura,
Pecuária e Abastecimento do Distrito Federal - SEAPA/DF pela cessão dos direitos
autorais da cartilha - Produção de Mudas de Plantas Nativas do Cerrado. Também
agradece aos membros do Núcleo de Proteção e Reabilitação Ambiental e aos
membros do Núcleo de Produção Vegetal, responsáveis pelo brilhante trabalho
de produção de milhares de mudas de espécies nativas para a recuperação do
Bioma Cerrado e pela elaboração desta excelente cartilha que visa colaborar com
o desenvolvimento dos elos da cadeia produtiva de sementes e mudas florestais
de espécies nativas a adequarem-se à legislação e adotarem modelos eficientes
de produção promovendo desenvolvimento sustentável.
Maria Magaly V. da Silva Wetzel
Presidente da Rede de Sementes do Cerrado
José Rozalvo Andrigueto
Coordenador do Projeto
APRESENTAÇÃO
O Cerrado brasileiro tornou-se grande celeiro de alimentos para o Brasil e para o
mundo revelando-se grande produtor de grãos e de carne, entre outros. Entretanto, esse desenvolvimento da agricultura e pecuária ocasionou a perda de áreas
naturais para a implantação das lavouras e em alguns casos o uso das áreas de
preservação permanente e de reserva legal, comprometendo a quantidade e qualidade dos recursos hídricos.
A responsabilidade socioambiental é de todos. E a atividade agrícola tem de estar
muito comprometida com essa premissa. Assim, como principal usuária dos recursos hídricos, deve contribuir para a manutenção de processos que garantam a
oferta de água. Por isso, é de fundamental importância que os produtores rurais se
engajem no desafio de revegetar as matas ciliares, fonte de água e biodiversidade.
Com esse intuito, a Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento do DF lançou o
Programa de Reabilitação Ambiental da Área Rural do DF cujos objetivos abrangem a
adimplência ambiental das propriedades rurais com destaque para a proteção de mananciais, revegetação das áreas de preservação permanente, incentivo à averbação
e plantio das reservas legais, conservação do solo e uso das boas práticas agrícolas.
Um dos instrumentos utilizados no Programa é a capacitação de produtores rurais em instalação e operação de viveiros de produção de mudas. Esta atividade
pode representar um acréscimo na renda do produtor rural na medida em que ele
passa a produzir e ofertar mudas ao mercado, além de utilizá-las na revegetação
de suas propriedades para proteção dos recursos hídricos ou mesmo implantar
pomares de frutos e sementes.
A parceria com a Rede de Sementes do Cerrado representa um caminho para
estender a experiência do Distrito Federal na capacitação de produtores rurais
para outros locais no bioma Cerrado. Essa cartilha busca subsidiar o produtor
rural quanto à implantação e operação de um viveiro permanente de produção de
mudas de espécies nativas, além de descortinar outras possibilidades de negócios envolvendo sementes e mudas.
Temos a certeza que esta parceria será prolífica, ganhando o Cerrado e todos
nós, habitantes deste Bioma.
Lucio Taveira Valadão
Secretário de Estado de Agricultura,
Pecuária e Abastecimento do Distrito Federal
sumário
I. Introdução 06
II. Construção do viveiro 07
III. Produção de mudas 10
IV. Dormência 12
V. Beneficiamento das sementes 13
VI. Armazenamento 15
VII. Preparação do substrato 16
VIII. Semeadura 17
IX. Canteiros 20
X. Raleio ou desbaste 21
XI. Transplantio 22
XII. Luminosidade 23
XIII. Rega 23
XIV. Irrigação 24
XV. Controle fitossanitário e tratos culturais 25
Referências bibliográficas 26
Anexos 28
I. INTRODUÇÃO
Viveiros florestais são áreas com um conjunto de benfeitorias e utensílios, em que
se empregam técnicas visando obter o máximo da produção de mudas. Existem
dois tipos de viveiro:
 Viveiro permanente - onde são produzidas mudas de maneira contínua e por
tempo indeterminado, ou para comercialização;
 Viveiro temporário - onde as mudas são produzidas para uma determinada área
e por um período limitado.
Todos os procedimentos pertinentes à produção e comercialização de sementes
e mudas em viveiros permanentes devem seguir a Lei 10.711 de 05 de agosto de
2003, regulamentada pelo Decreto n° 5.153 de 23 de julho de 2004, Diário Oficial
da União.
O interessado deverá inscrever o viveiro de produção de mudas no RENASEM
(Registro Nacional de Sementes e Mudas) do Ministério da Agricultura, Pecuária
e Abastecimento (MAPA) - Superintendência Federal de Agricultura no Distrito
Federal (SFA), Divisão Técnica (DF) do Serviço de Fiscalização de Insumos Agropecuários (SEFAG).
Para tanto, deverá ter um responsável técnico (Eng. Agrônomo ou Eng. Florestal),
que possua registro profissional no CREA (Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia) – e inscrição no RENASEM.
Semeando o Bioma Cerrado
6
II. CONSTRUÇÃO DO VIVEIRO
a) Escolha do local
O viveiro deve ser instalado em ambiente totalmente ensolarado e livre de ventos
fortes, em local quase plano ou pouco inclinado, com declividade de 1% a 3%, o
suficiente para evitar acúmulo de água no solo e para não comprometer as atividades de manejo e de produção das mudas.
1a3
Inclinação de 10 a 30 cm em 10 m
100
A proximidade de uma fonte de água de qualidade e constante, a disponibilidade
de mão de obra e material necessários para sua instalação e manutenção são
aspectos importantes e decisivos na instalação de um viveiro.
O local deve ser cercado para evitar o acesso de animais e plantadas árvores
para formar quebra-vento visando evitar danos nas sementeiras e mudas.
Locar o comprimento do viveiro no sentido Norte/Sul, para distribuição mais uniforme da luminosidade.
N
O
Mão esquerda
Mão direita
S
7
L
As linhas de plantio (canteiros) devem ser
montadas de forma que as plantas não façam sombra às outras. Isso é conseguido
com o alinhamento dos canteiros no sentido Norte-Sul, pois as plantas receberão
aproximadamente a mesma quantidade de
energia.
Produção de mudas de plantas nativas do Cerrado
Dificilmente a área escolhida, ou disponível para a instalação do viveiro, reunirá
todos os requisitos citados, devendo, em cada caso, serem levados em consideração os que pareçam essenciais. Entretanto, fácil acesso, disponibilidade de
água e intensa iluminação solar são elementos considerados de grande importância.
b) Infraestrutura e dimensionamento
A área necessária para instalação de um viveiro depende da quantidade e do tipo
de mudas a serem produzidas, do método de propagação (sementes ou vegetativa), dimensões dos canteiros, passeios, estradas e instalações.
A área dos canteiros corresponde de 50% a 60% da área total do viveiro. O tamanho do viveiro é função da quantidade de mudas que se deseja produzir e
dos recipientes em que as mesmas estarão acondicionadas. Pode-se considerar,
para fins de projeto, a produção média de 30 mudas/m2, com uso de saquinhos
apropriados de 20 x 30 cm. Adotando-se esses indicadores, pode-se definir a
área de viveiro a ser construído. Por exemplo, desejando-se produzir 4.000 mudas, a área de viveiro necessária será de 133 m2. Adotando-se as dimensões de
12 x 12 m, temos uma área de 144 m2 e capacidade para cerca de 4.300 mudas.
Considerando um pé direito de 2,30 m, altura considerada satisfatória para manejo e manutenção do telado, sugere-se o uso de esteios de madeira com 3 metros
de comprimento e 17 a 20 cm de diâmetro, enterrados 70 cm. Outros materiais
também podem ser usados na estrutura de sustentação da tela sombreadora, tais
como, caibros, bambu, perfis metálicos e pilares de concreto, dentre outros.
Há necessidade de uma infraestrutura mínima de apoio, como depósito para ferramentas, defensivos e adubos, local para beneficiamento e armazenamento de
sementes, preparação de substrato e enchimento de embalagens, canteiro para
semeadura e estaquia e área a pleno sol para aclimatação das mudas.
Exemplo: um projeto de viveiro de módulo com área de 144 m2, coberta com
sombrite com 50% de luminosidade (telado), para abrigar os canteiros, com possibilidade de produzir aproximadamente 4.300 mudas por ano, dependendo do
tamanho do recipiente. A proposta modular do anexo 1 permite a ampliação da
área de produção por meio da replicação do módulo, de acordo com a demanda
e o interesse do proprietário.
Semeando o Bioma Cerrado
8
Construção do viveiro sombreado
(estrutura)
Construção do viveiro sombreado – malha de
arame liso para sustentação da tela
Construção do viveiro sombreado
Viveiro sombreado
costura da tela
c) Sistema de irrigação
Em viveiros de pequeno porte a irrigação pode ser feita utilizando-se regadores
ou mangueiras. Porém, em viveiros comerciais o sistema por aspersão é o mais
recomendado e o detalhamento do sistema deverá ser feito, caso a caso, por um
técnico especializado.
9
Produção de mudas de plantas nativas do Cerrado
III. PRODUÇÃO DE MUDAS
Os principais procedimentos envolvidos na coleta do material a ser propagado são
a escolha de matrizes, a coleta propriamente dita e a opção do método de propagação - sexuada (por sementes) ou assexuada (vegetativa – partes das plantas
- estaquia, enxertia, alporquia, mergulhia, cultura de tecidos), somados aos conhecimentos básicos sobre germinação de sementes e propagação vegetativa.
a) Escolha de matrizes
É necessária a seleção de árvores matrizes, isto é, fornecedoras de sementes,
para acompanhamento do processo de formação das sementes, desde a polinização até a maturação das mesmas, adotando-se um esquema de coleta quinzenal ou mensal dos frutos e sementes maduros.
As melhores sementes são obtidas de árvores adultas, sadias, vigorosas, que
apresentam boa forma do tronco, altura e distribuição de copa. No caso de frutíferas deve-se considerar a qualidade dos frutos e produtividade.
Organizar expedições de coleta requer o conhecimento das espécies, saber os
locais onde elas ocorrem, ter um calendário com as épocas de frutificação e promover o monitoramento da maturação dos frutos.
As matrizes devem ser marcadas e mapeadas de forma que possam ser facilmente encontradas posteriormente, de preferência usando um aparelho de GPS
portátil para registro das coordenadas geográficas.
A correta escolha da árvore matriz está em função do objetivo do plantio.
Escolha de matriz na mata
Escolha de matriz no cerrado
Semeando o Bioma Cerrado
10
b) Coleta de sementes
A coleta de sementes deve ser realizada pelo próprio viveirista uma vez que o
comércio de sementes de espécies nativas de Cerrado é incipiente.
Na região do Cerrado há frutificação de espécies durante todo o ano embora
entre os meses de março a junho exista menor número de espécies frutificando.
As espécies com frutos secos, de um modo geral, dispersam as sementes no
período seco, como ocorre com a aroeira, sucupira branca, gonçalo alves. Já as
espécies com frutos carnosos, apresentam maturação de frutos entre o início e o
meio da estação chuvosa, como pequi, mangaba e cagaita. As espécies de mata
de galeria concentram a dispersão das sementes do meio para o final da estação
seca (julho-setembro).
A coleta de sementes pode ser realizada diretamente das árvores ou no solo
quando se tratar de frutos grandes ou de sementes pesadas. Para garantir a qualidade das sementes recomenda-se a coleta diretamente da copa das árvores.
O ideal é a coleta das sementes ser realizada de vários indivíduos visando garantir maior variabilidade genética.
Uma vez colhidas, as sementes devem ser beneficiadas, secas, e logo semeadas, evitando seu armazenamento.
São utilizados para a coleta equipamentos como veículo, podão, tesoura de poda,
saco, escada, lona plástica, etiqueta.
Coleta com podão em jerivá
11
Produção de mudas de plantas nativas do Cerrado
Coleta de fruta de veado
IV. DORMÊNCIA
A dormência ocorre quando, mesmo com as condições favoráveis à germinação,
as sementes viáveis de algumas espécies não germinam ou levam mais tempo
para germinar.
a) Causas da dormência
Embrião imaturo ou rudimentar; impermeabilidade à água; impermeabilidade a
gases; restrições mecânicas (tegumento duro); embrião dormente; ação de substâncias inibidoras (ácido abscísico, cumarinas, compostos fenólicos, alcalóides).
Mesmo com as condições favoráveis à germinação, as sementes viáveis de algumas espécies podem apresentar dormência e levarem mais tempo para germinar.
Diversas espécies de Cerrado podem apresentar dormência, sendo mais comum,
a dificuldade de embebição de água em função da dureza do tegumento, principalmente nas sementes de leguminosas.
Para a superação da dormência, o viveirista deve estar atento à literatura específica para escolher o método apropriado.
b) Métodos de superação










Escarificação mecânica (uso de lixa);
Escarificação ácida (ácido sulfúrico);
Tratamento com água quente;
Lavagem em água corrente;
Secagem prévia;
Pré-resfriamento ou substrato umedecido (5 a 10 ºC);
Estratificação;
Produtos químicos (ácido giberélico);
Temperaturas alternadas;
Exposição à luz.
Semeando o Bioma Cerrado
12
Escarificação de sementes de jatobá
Extração da semente de baru
V. BENEFICIAMENTO DAS SEMENTES
O beneficiamento abrange todas as atividades a que a semente está submetida,
desde a coleta até a embalagem, visando melhorar a qualidade física das sementes. Consiste de todas as operações de preparo das sementes após a colheita,
tais como, manipulação, debulha, descascamento, despolpa, secagem, limpeza,
classificação, tratamento e embalagem.
Para algumas espécies, o beneficiamento é iniciado com a secagem ou extração
das sementes, sendo completado pelo uso de peneiras sob água corrente.
O beneficiamento será diferenciado de acordo com o tipo de frutos (secos ou
carnosos). As sementes são extraídas diretamente dos frutos secos e retiradas
as impurezas, como deve ocorrer com as sementes de ipês, angico. Os carnosos
são despolpados com o uso de água corrente, por exemplo, ingá, jenipapo.
RECEPÇÃO
EXTRAÇÃO
ARMAZENAMENTO
SECAGEM
CLASSIFICAÇÃO
Fluxograma básico das etapas de beneficiamento de sementes
13
Produção de mudas de plantas nativas do Cerrado
Beneficiamento de sementes de fruta de papagaio
Semente de baru beneficiada
Beneficiamento de jatobá
Semeando o Bioma Cerrado
14
VI. ARMAZENAMENTO
O armazenamento de sementes é um método que permite o prolongamento da
vida das sementes, proporcionando qualidade e disponibilidade das mesmas ao
longo do ano.
As espécies possuem comportamentos diversos, por isso suportam tempos diferentes de armazenamento.
Para armazenar sementes é ideal possuir locais adequados e secagem específica de acordo com a espécie.
Existem dois tipos de sementes, as ortodoxas que suportam secagem e armazenamento, como ipê, paineira, e as recalcitrantes as quais não suportam secagem
e, por isso, possuem o tempo de armazenamento curto comparado ao de outras
espécies, perdendo com isso facilmente a viabilidade, por exemplo, pinha do
brejo, manguito.
15
Produção de mudas de plantas nativas do Cerrado
VII. PREPARAÇÃO DO SUBSTRATO
 A análise do solo antes da preparação do substrato orientará os procedimentos
para assegurar a qualidade quando à fertilidade dos componentes do substrato.
 O preparo do substrato é uma das operações ou etapas fundamentais na formação da muda.
 O substrato deve, de preferência, ser areno-argiloso, pois quando muito compacto diminui a aeração e prejudica o desenvolvimento das raízes.
 Isento de sementes de plantas daninhas indesejáveis, de pragas e microorganismos patogênicos.
 Para a produção de espécies de mata de galeria, o substrato deve possuir mistura de subsolo de cerrado, areia e matéria orgânica (esterco de gado curtido)
na proporção 3:1:1, acrescido de 2 Kg de NPK 4-14-8 por m³ de substrato.
 Para as demais espécies de Cerrado usar substrato de terra pura de latossolo
vermelho amarelo misturada com esterco de gado curtido ou composto orgânico. Originalmente estes solos, além de pobres, são ácidos e por isso efetuar
calagem para correção da acidez.
Preparo de 1m3 de substrato suficiente para o enchimento de 200 a 250 sacos
plásticos, dependendo do seu tamanho:




300 a 350 Kg de solo da região;
300 a 350 Kg de esterco de gado curtido;
300g de calcário dolomítico;
400 a 600 g de superfosfato simples.
A terra deve ser peneirada antes de receber adubação química e ser colocada
nos sacos plásticos.
Para os canteiros de enraizamento de estacas pode-se utilizar uma mistura de
50% de areia e 50% de vermiculita, ou ainda, areia e esterco de curral na proporção de 1:1.
Semeando o Bioma Cerrado
16
Preparo do substrato e enchimento
de sacos plásticos
Substrato em sacos plásticos
VIII. SEMEADURA
A semeadura deve ser feita em sementeiras ou diretamente nas embalagens. No
caso de uso de sementeiras deve-se tomar cuidado durante o transplantio para
evitar a mortalidade das mudas, ocasionada principalmente por danos às raízes.
A utilização da semeadura em sementeiras é usualmente feita para espécies de
sementes muito pequenas e de difícil distribuição individualizada (quaresmeira)
ou de germinação baixa ou irregular (buriti, mamica de porca, pequi).
Nas embalagens plásticas, a semeadura direta tem a vantagem de permitir a seleção das plantas, uniformizando por tamanho, além do melhor desenvolvimento do
sistema radicular. As sementes devem ser selecionadas escolhendo-se aquelas
livres do ataque de pragas ou doenças e as de maiores tamanhos.
A semeadura deve ser feita entre 2 e 3 cm de profundidade, dependendo do
tamanho da semente. Recomenda-se a semeadura logo após a coleta das sementes.
17
Produção de mudas de plantas nativas do Cerrado
Alguns cuidados precisam ser adotados antes, durante e após a semeadura para
sucesso na produção:
 Não deixar as sementes expostas ao tempo;
 Irrigar bem os canteiros antes da semeadura;
 Escarificar a superfície do substrato caso apresente crosta;
 Depositar as sementes no centro dos sacos plásticos;
 Não deixar as sementes expostas após a semeadura, cobri-las com o substrato
utilizado;
 Não remexer ou escarificar o recipiente até a emergência das plântulas;
 Colocar uma plaqueta de identificação constando a espécie, origem da semente e data de semeadura;
 Regar diariamente.
A escolha da embalagem depende da escala de produção, espécie, tamanho
final da muda e tempo de permanência das mudas no viveiro. Para produção em
pequena escala podem ser utilizados materiais recicláveis como embalagem de
longa vida, garrafas pets, sacos de leite, latas, fazendo-se furos na base para
drenagem do excesso de água.
Os sacos plásticos, tubetes e bandejas de isopor são os tipos mais comuns de
embalagens nos viveiros de média e grande produção.
Utilizam-se frequentemente:
 Sacos plásticos de polipropileno, pretos, 8 a 10 perfurações na base com maior
disponibilidade no comércio, baixo custo e fácil manuseio no viveiro, nos tamanhos: 8x12 cm, 15x18 cm, 20x25 cm, entre outros. Para espécies de Cerrado
recomendam-se sacos plásticos com dimensões de 20 cm de diâmetro x 30 cm
de altura x 0,02 mm de espessura ou 14 cm x 25 cm x 0,02 mm.
 Tubetes para produção em grande escala; o custo inicial da instalação da infraestrutura de suporte é elevado e há necessidade de manejo mais refinado.
Semeando o Bioma Cerrado
18
Semeadura em tubete
Semeadura em bandeja de isopor
Semeadura em sementeira de areia
Semeadura direta em sacos plásticos
19
Produção de mudas de plantas nativas do Cerrado
IX. CANTEIROS
Os canteiros são formados pelas embalagens plásticas provenientes da semeadura direta, da repicagem da sementeira ou do leito de enraizamento. Piquetes
ligados por fios de arame delimitam os canteiros.
Optando-se pelo uso de tubetes ou de bandejas de isopor, o canteiro é arranjado
a uma altura de 0,80cm a 1,0m e sustentado por suportes fixos no solo.
A largura dos canteiros deve ser de 1,00 a 1,20 m e a distância entre eles de 0,60
m, aproximadamente, para permitir os tratos culturais e a insolação adequada das
mudas do centro.
A locação dos canteiros, preferencialmente, é na direção norte-sul para receberem insolação mais uniforme e no sentido paralelo à inclinação do terreno, para
facilitar o escoamento da água de chuva ou excedente de irrigação, lembrando
que a inclinação do terreno deve ser suave para se evitar a ocorrência de enxurrada entre canteiros e a consequente erosão do solo.
Canteiros em viveiro sombreado
Canteiros em pleno sol
Semeando o Bioma Cerrado
20
X. RALEIO OU DESBASTE
 Na semeadura direta nos sacos plásticos, dependendo da espécie, colocar
mais de uma semente, para garantir a presença de, pelo menos, uma muda
por embalagem.
 Quando mais de uma semente germina, é necessário fazer um raleio ou desbaste, deixando apenas a muda mais vigorosa e de melhor forma.
 O raleio é feito quando as mudas tiverem de dois a três pares de folhas definitivas.
Muda de mangaba após raleio
Mudas de jatobá após raleio
Mudas de pequi após raleio
21
Produção de mudas de plantas nativas do Cerrado
XI. TRANSPLANTIO
As mudas cultivadas em sementeiras, tubetes ou bandejas de isopor, quando
apresentarem seu segundo conjunto de folhas, devem ser transferidas para os
sacos plásticos.
Cuidados no transplantio para garantir a integridade e desenvolvimento das mudas:
 Retirar a muda do canteiro de semeadura com cuidado para manter o torrão de
terra protegendo as raízes;
 Proceder a seleção de mudas mais vigorosas;
 Abrir o orifício no substrato com profundidade suficiente para acomodar as
raízes das mudas;
 Plantar, preenchendo o orifício com substrato peneirado, fino e seco, de forma
a evitar a formação de bolsas de ar;
 Regar fartamente logo após o transplantio;
 Identificar as mudas.
Transplantio de mudas de tubete
Semeando o Bioma Cerrado
22
XII. LUMINOSIDADE
 Manter as mudas encanteiradas em local semi-sombreado (tela sombreadora
conhecida como sombrite, com 50% de passagem de luz).
 A aclimatação das mudas será em condições de pleno sol antes de serem levadas para o campo (rustificação), por ocasião do plantio definitivo.
 Algumas espécies de características próprias devem ser semeadas a pleno
sol, sem uso de sombrite ou outra cobertura, pois são adaptadas a ambientes
abertos na natureza.
XIII. REGA
 Regar as mudas encanteiradas de forma abundante, porém, com intervalo de
tempo suficiente para favorecer a aeração do substrato, considerando a necessidade da espécie. Como exemplo, irrigar o buriti três vezes ao dia, pois é uma
espécie de ambiente úmido.
 Fazer maior controle
na época chuvosa visando prevenir doenças fúngicas devido
ao excesso de água
acumulado nas folhas
e caule.
 As plantas recém
repicadas e que se
encontram nas sementeiras devem ser
regadas diariamente,
evitando-se o encharcamento.
23
Produção de mudas de plantas nativas do Cerrado
XIV. IRRIGAÇÃO
 A irrigação por regadores ou mangueiras é suficiente nos viveiros de pequeno
porte. Usar regador de crivo fino para evitar erosão e danos às folhas.
 Em viveiros comerciais o sistema por aspersão é o mais recomendado e o detalhamento do sistema deverá ser feito caso a caso.
 O mais usual é a irrigação por microaspersão, devido à maior eficiência e ao
menor tamanho das gotas aspergidas.
 Quanto maior a proximidade do viveiro da fonte de água para irrigação menor
será o custo para o produtor, devido à menor potência requerida para seu bombeamento e, consequentemente, menor gasto com energia. Havendo possibilidade, é desejável a condução da água por gravidade, com pressão suficiente
para suprir as perdas de carga da tubulação e para a operação dos microaspersores, ao redor de 20 m.c.a.
Semeando o Bioma Cerrado
24
XV. CONTROLE FITOSSANITÁRIO E TRATOS CULTURAIS
 Manter o controle de pragas ou doenças, consultando um profissional especializado;
 Estar atento ao ataque de formigas cortadeiras;
 Manter os recipientes e as ruas de circulação entre os canteiros livres de ervas
daninhas e cobrir com matéria morta ou brita para evitar acúmulo de água;
 Realizar a movimentação das embalagens plásticas para evitar que as raízes
penetrem no solo.
Aplicação de inseticida óleo de Neen
25
Produção de mudas de plantas nativas do Cerrado
Tratos culturais
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BRASIL, Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Legislação brasileira sobre sementes e mudas: Lei 10.711, de 05 de agosto de 2003, Decreto
n° 5.153, de 23 de julho de 2004 e outros. Ministério da Agricultura, Pecuária e
Abastecimento. Secretaria de Defesa Agropecuária. Coordenação de sementes e
mudas. Brasília: MAPA/DAS/CSM, 2007. 318p.
BRASIL, Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Regras para análise de sementes. Brasília: Mapa/ACS, 2009. 399 p.
FELFILI, J. M.; MENDONÇA, R. C. DE; WALTER, B. M. T.; SILVA JÚNIOR, M. C. DA;
NÓBREGA, M. G. G.; FAGG, C. W.; SEVILHA, A. C. E SILVA, M. A. Flora fanerogâmica das Matas de Galeria e Ciliares do Brasil Central. In: Cerrado: caracterização e recuperação de matas de galeria / Editores José Felipe Ribeiro, Carlos
Eduardo Lazarini da Fonseca, José Carlos Sousa-Silva. - Planaltina: Embrapa Cerrados, 2001.
GONZÁLES, S. e TORRES, R. A. A. 2003. Coleta de Sementes e Produção de
Mudas. In: Germinação de Sementes e Produção de Mudas de Plantas do Cerrado/ Organizado por Antonieta Nassif Salomão et al. - Brasília, Rede de Sementes
do Cerrado.
LORENZI, H. Árvores brasileiras: manual de identificação e cultivo de plantas
arbóreas nativas do Brasil. Nova Odessa, SP: Editora Plantarum. v.01. 1992.
LORENZI, H. Árvores brasileiras: manual de identificação e cultivo de plantas
arbóreas nativas do Brasil. Nova Odessa, SP: Editora Plantarum. v.02. 1992.
MELO, J. T. DE; TORRES, R. A. DE A.; SILVEIRA, C. E. DOS S. DA e CALDAS, L. S.
Coleta, propagação e desenvolvimento inicial de plantas do Cerrado. In: Cerrado:
ecologia e flora. Editores técnicos: Suelil Matiko Sano, Semíramis Pedrosa de
Almeida, José Felipe Ribeiro, Embrapa-Cerrados.- Brasília-DF: Embrapa Informação Tecnológica, 2008. v.02. cap. 11.
Semeando o Bioma Cerrado
26
PAIVA, H. N. e GONÇALVES, W. 2001. Produção de Mudas. Viçosa: Aprenda
Fácil. Coleção Jardinagem e Paisagismo. Série Arborização urbana, v.1. 130p.
PINTO, A.C. de Q. (coor). 1996. Viveiro de mudas frutíferas sob condições
do ecossistema de Cerrados. Planaltina: EMBRAPA-CPAC. 112p. (EMBRAPACPAC. Documentos, 62).
SALOMÃO, A. N.; SOUSA-SILVA, J. C.; DAVIDE, A. C.; GONZÁLES, S.; TORRES,
R. A. A.; WETZEL, M. M. V. S.; Firetti, F. e Caldas, L. S. Germinação de sementes
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do Cerrado. 96p, 2003.
SILVA JÚNIOR, M.C. e PEREIRA, B. A. DA S. + 100 árvores do cerrado - Matas de Galeria: guia de campo. Ed. Rede de Sementes do Cerrado. Brasília-DF.
288p. 2009.
SILVA JÚNIOR, M.C.; SANTOS, G. C. DOS; NOGUEIRA, P. E.; MUNHOZ, C. B. R.
e RAMOS, A.E. 100 árvores do Cerrado: guia de campo. Rede de Sementes do
Cerrado. Brasília-DF. 278p. 2005.
WENDLING, I; GATTO, A.; PAIVA, H.N. DE e GONÇALVES, W. Planejamento e
Instalação de Viveiros. Editora Aprenda Fácil. Viçosa-MG. Coleção jardinagem e
paisagismo. Série produção de mudas ornamentais. v.1. 120p, 2001.
27
Produção de mudas de plantas nativas do Cerrado
ANEXOS
Anexo 1. Projeto de viveiro modular, detalhes construtivos e quantitativos
Semeando o Bioma Cerrado
28
I. Material de construção
II. Ferramental e equipamentos
29
Produção de mudas de plantas nativas do Cerrado
III. Insumos para produção de mudas – 4.300/8.600 mudas/ano
IV. Mão de obra para produção de mudas
Semeando o Bioma Cerrado
30
Anexo 2. Esquadrejamento da área
31
Produção de mudas de plantas nativas do Cerrado
Anexo 3. Relação de plantas nativas do bioma Cerrado para produção em viveiro
Semeando o Bioma Cerrado
32
33
Produção de mudas de plantas nativas do Cerrado
NOTAS
1
sementes apresentam dormência em função da imaturidade do embrião. Escarificar e embeber
em solução de 2g de ácido giberélico/ litro d’água.
2
quebra mecânica do fruto para retirada das sementes 3
sementes apresentam dormência. Embeber em solução de 2g de ácido giberélico/ 08 litros d’água,
por 96h.
* sementes perdem rapidamente a viabilidade, semear logo após colhidas.
Semeando o Bioma Cerrado
34
Notas
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projeto, instalação, manejo e comercialização
Diretoria da Rede de Sementes do Cerrado (2010 – 2012)
Presidente
Maria Magaly Velloso da Silva Wetzel
Vice-Presidente
Celúlia Maria R. F. Maury
Secretária
Regina Célia Fernandes
Tesoureira
Carmen Regina M. A. Correa
Conselho Consultivo
Ana Palmira Silva
Manoel Cláudio da Silva Júnior
Alba Evangelista Ramos
José Carlos Sousa Silva
Conselho Fiscal
Sarah Christina Caldas Oliveira
Germana Maria Cavalcanti Lemos Reis
Antonieta Nassif Salomão
Luiz Cláudio Siqueira Jorge
Coordenador do Projeto “Semeando o Bioma Cerrado”
José Rozalvo Andrigueto
Equipe Técnica
Prof. Jácomo Divino Borges
Prof. Fábio Venturoli
Profª. Francine Neves Calil
Profª. Sybelle Barreira
Prof. Carlos Roberto Sette Junior
Projeto Gráfico, diagramação e ilustrações
Ct. Comunicação
Direitos autorais reservados à Rede de Sementes do Cerrado.
Permitida a reprodução total ou parcial, desde que citada a fonte.
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Brasília, 2011
AGRADECIMENTOS
A Rede de Sementes do Cerrado é uma instituição jurídica de direito privado, sem
fins lucrativos - Organização da Sociedade Civil de Interesse Público - OSCIP,
regida por estatuto próprio e sediada em Brasília/DF. Tem por finalidade a conservação, o manejo, a recuperação, a promoção de estudos, pesquisas e divulgação
de informações técnicas e científicas do Bioma Cerrado.
A Rede de Sementes do Cerrado mantém contratos de cooperação e parceria
com a Embrapa, IBRAM, Oca Brasil, CRAD/UnB, UFG, SEAPA, IFB, AAF, JJB, Eco
Câmara, entre outros.
No ano de 2010, a Rede desenvolveu os seguintes projetos: a) Capacitação de
pequenos agricultores da Bahia - MMA; b) Levantamento de dados secundários
do Rio São Francisco - MMA; c) XIII Feira de Sementes dos Índios Kraôs - USAID;
d) Recuperação de nascentes de Brasília, DF - IBRAM/SEAPA e no ano de 2011,
iniciou o Projeto “Semeando o Bioma Cerrado”, patrocinado pela Petrobras dentro
do Programa da Petrobras Ambiental.
O Projeto Semeando o Bioma Cerrado tem por objetivo - estimular os elos da
cadeira produtiva de sementes e de mudas das espécies nativas do Cerrado a
adequarem-se à legislação e adotarem modelos eficientes de produção para viabilizar programas, projetos e ações que promovam o desenvolvimento sustentável. Dentro deste projeto, está prevista a realização workshops, encontros, visitas
técnicas, oficinas de educação ambiental, demarcação de 40 áreas de coleta de
sementes com 2.000 árvores matrizes marcadas. Também, a realização de 24
cursos visando a capacitação de 360 pessoas para o exercício das atividades em
seis áreas temáticas: 1) Identificação de árvores do Bioma Cerrado; 2) Seleção
e marcação de árvores matrizes; 3) Coleta e manejo de sementes; 4) Beneficiamento, embalagem e armazenamento de sementes; 5) Produção de mudas de
espécies florestais; 6) Viveiros: projetos, instalação, manejo e comercialização.
Para cada curso realizado está prevista a elaboração de uma cartilha com as
informações básicas dos temas.
A Rede de Sementes do Cerrado agradece a Universidade Federal do Goiás UFG pela elaboração da cartilha – Viveiros Florestais: projeto, instalação, manejo
e comercialização. A Rede também agradece aos professores do Curso de Engenharia Florestal da Escola de Agronomia e Engenharia de Alimentos da UFG,
responsáveis pelo brilhante trabalho de elaboração desta cartilha que visa colaborar com a formação de profissionais da cadeia produtiva de sementes e mudas
florestais de espécies nativas do Bioma Cerrado.
Maria Magaly V. da Silva Wetzel
Presidente da Rede de Sementes do Cerrado
José Rozalvo Andrigueto
Coordenador do Projeto
sumário
APRESENTAÇÃO 06
1. INTRODUÇÃO 07
2. VIVEIRO FLORESTAL 08
2.1. Projetando o viveiro 09
2.2. Materiais e equipamentos necessários em um viveiro 12
2.3. Canteiros 13
2.4. Sementeiras 14
3. SEMEADURA 15
3.1. Semeadura em sementeira 16
3.2. Repicagem 17
3.3. Semeadura direta nos recipientes 17
3.3.1. Recipientes 17
3.3.2. Tipos de substratos para tubetes 17
3.3.3. Substrato para sacos plásticos 17
4. TRATAMENTOS SILVICULTURAIS 18
4.1. Fertilização 18
4.2. Irrigação 18
4.3. Densidade de crescimento 20
4.4. Podas radiculares 20
4.5. Desbaste ou raleio 21
4.6. Mondas ou capinas manuais 21
4.7. Dança ou movimentação 21
4.8. Aclimatação ou rustificação 22
4.9. Seleção, expedição e transporte 22
5. MANEJO FITOSSANITÁRIO 24
5.1. Pragas 24
5.2. Doenças 27
6. Bibliografia Consultada 28
APRESENTAÇÃO
A destruição e a degradação do meio ambiente pelas ações do homem contrapõem frontalmente com a necessidade da conservação e da preservação ambiental, indispensáveis para a sobrevivência e o bem estar dos seres vivos, incluindo a espécie humana.
Atualmente vivemos o paradoxo: conhecemos a importância de conservar e preservar os recursos naturais e continuamos, em ritmo desenfreado, a agredir impiedosamente a natureza sem ao menos lhe dar a oportunidade de regenerar-se
espontaneamente.
A interferência positiva com o propósito de condicionar a recuperação da natureza a partir do que ainda resta de seus recursos naturais, em muito poderá contribuir para minimizar os efeitos maléficos resultantes das ações contrárias.
Dentre as diferentes formas de intervenções mitigadoras frente à atual situação
de desequilíbrio ambiental, a recomposição da vegetação com espécies florestais
arbóreas naturais do ambiente agredido tem sido uma das premissas colocadas
em prática e que tem demonstrado bastante eficiência, pois o ambiente recuperado volta a assumir, em grande parte, suas importantes funções originais, melhorando e condicionando os meios abióticos e bióticos para que os seres animais e
vegetais continuem habitando esses ambientes, em condições satisfatórias para
se abrigarem, refugiarem, alimentarem e reproduzirem, ampliando a biodiversidade de espécies que voltam a interagir entre si.
A partir das formações vegetais naturais remanescentes, incluindo os reduzidos
fragmentos, nos são disponibilizadas as estruturas indispensáveis para reiniciarmos o processo da recomposição florística nos ambientes desestruturados: as
sementes das espécies florestais.
A coleta de sementes e de outros propágulos em plantas matrizes selecionadas, representativas de sua espécie, nos possibilita a produção, em viveiros, de mudas de
boa qualidade, nos mais diferentes aspectos e, conseqüentemente, a formação de
novos povoamentos florestais que propiciarão, ao longo do tempo, seus benefícios
diretos e indiretos, contribuindo para minimizar o desbalanço que afeta a vida do homem e dos demais animais e vegetais, bem como a melhoria dos recursos hídricos.
Esta Cartilha tem a pretensão de contribuir com o conteúdo mínimo indispensável
para o conhecimento do produtor de mudas de espécies florestais em viveiros,
objetivando redirecionar e, provavelmente, desacelerar o ritmo de degradação de
nossos ambientes naturais.
Semeando o Bioma Cerrado
6
1.INTRODUÇÃO
A região do bioma Cerrado, apesar de, em sua maior extensão, apresentar solos
pouco férteis naturalmente para o cultivo de espécies de ciclo anual produtoras
de alimentos para o consumo humano e outras para a formação de pastagens,
tem uma topografia apropriada para estes tipos de uso.
Esta qualidade tornou-se um atrativo para que ocorresse a migração de grandes
produtores e empresários rurais que passaram a ocupar os solos dessa região
com propósitos de cultivá-la visando a produção agropecuária, sem, contudo,
preocuparem com a preservação ambiental de seus recursos naturais, eliminando, de forma ambiciosa, irresponsável e descontrolada, cada hectare de suas
diferentes fitofisionomias, comprometendo a qualidade de suas formações vegetacionais, dos recursos hídricos, do solo e do clima da região.
A recomposição florística, com o uso de espécies vegetais de ocorrência natural,
principalmente em ecossistemas mais frágeis, condicionando o desenvolvimento
e o estabelecimento espontâneo da vegetação ou acelerando o processo com o
plantio e condução de mudas, é imprescindível para a disponibilização das condições mínimas que venham a facilitar a entrada de novos elementos, sejam outras
espécies vegetais e diferentes espécies animais que contribuirão para aumentar
e melhorar a biodiversidade e consolidar o clímax ambiental.
A produção de mudas de espécies vegetais diversas deve ser bem planejada e
organizada, com o compromisso de disponibilizá-las com alto padrão de qualidade para o mercado consumidor.
Os viveiros de mudas de espécies florestais devem possuir estruturas, equipamentos, ferramentas e pessoal técnico e de apoio que viabilizem e otimizem a
produção de mudas em quantidade e com qualidade desejável para o seu estabelecimento promissor no campo, cumprindo com a sua função na recomposição
e recuperação do ambiente.
7
Viveiros florestais: projeto, instalação, manejo e comercialização
2.VIVEIRO FLORESTAL
Conceitualmente, viveiro florestal é uma superfície de terreno, com características
próprias, destinada à produção, ao manejo e proteção das mudas até que tenham
idade e tamanho suficientes para que possam ser transportadas, plantadas e
resistir às condições adversas do meio, se estabelecerem e ter bom desenvolvimento.
 Tipos de viveiros
 Viveiro permanente: local onde são produzidas mudas de maneira contínua, por um longo prazo ou até mesmo por um prazo indeterminado.
 Viveiro temporário: local onde são produzidas mudas para uma determinada finalidade, ou por um período determinado. Suas estruturas são provisórias.
 Objetivo da produção
 Viveiro comercial: a produção é destinada à venda, ou seja, as mudas são
comercializadas.
 Viveiro não-comercial: as mudas não são comercializadas. Podem ser utilizadas pelo próprio produtor, em recuperação de áreas degradadas, arborização rural, urbana, ou destinadas à distribuição gratuita ou promocional.
 Grau de especialização
 Viveiro generalista: produz diferentes tipos de plantas, várias espécies.
 Viveiro especializado: produz apenas um determinado tipo de planta ou
determinada espécie. Em geral, são viveiros de espécies para reflorestamentos comerciais.
Todos os procedimentos pertinentes à produção e comercialização de sementes
e mudas em viveiros permanentes devem obediência à Lei no 10.711, de 5 de
agosto de 2003, regulamentada pelo Decreto no 5.153, de 23 de julho de 2004,
publicados no Diário Oficial da União.
Os viveiros de produção de mudas devem ser inscritos no Registro Nacional de
Sementes e Mudas - RENASEM, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) - Superintendência Federal de Agricultura (SFA), Divisão Técnica
Semeando o Bioma Cerrado
8
(DT) do Serviço de Fiscalização de Insumos Agropecuários (SEFAG).
Para serem inscritos no RENASEM e funcionarem regularmente, os viveiros florestais devem ter um responsável técnico, com formação em Engenharia Florestal ou
Agronomia, devidamente registrado no Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia-CREA, e também no RENASEM.
2.1. Projetando o viveiro
O planejamento de qualquer empreendimento é de grande importância, tendo em
vista a possibilidade de se fazer com que haja redução de custos na implantação,
na manutenção e na produção dos bens a serem obtidos, além de um melhor
aproveitamento das matérias primas disponíveis, da mão-de-obra necessária, entre outros.
No dimensionamento da área do viveiro devem ser consideradas as áreas produtivas e as áreas destinadas a outras estruturas (construções, caminhos internos
etc.) que são indispensáveis para o funcionamento do viveiro. A dimensão da área
produtiva está em função direta com a quantidade de mudas a serem produzidas
por ano, com o tipo e tamanho das embalagens, tipo de semeadura e comportamento das espécies a serem produzidas.
a) Local do viveiro
O viveiro deve estar em uma área previamente preparada (limpa e terraplanada),
próximo de uma fonte de água de boa qualidade e em quantidade, indispensável
para o seu funcionamento, e de onde haja disponibilidade de mão-de-obra e de
material necessário para sua instalação e manutenção. Devem ser consideradas
que as vias de acesso estejam sempre bem conservadas, em todas as épocas
do ano.
b) Exposição
A localização do viveiro na face sul deve ser evitada. Isto porque esta localização recebe menos luminosidade e está sujeita a ventos frios. Devem ser evitados
vales profundos e estreitos, onde há possibilidade de formação de geadas e de
nevoeiros frios, que podem causar danos às plantas. O viveiro deve ser locado em
ambientes totalmente ensolarados.
9
Viveiros florestais: projeto, instalação, manejo e comercialização
c) Topografia do terreno
A área do viveiro deve ter topografia plana ou com uma leve inclinação (3%), para
evitar a erosão e o acúmulo de água, tanto das chuvas como a do excesso de
irrigação. Se a área for montanhosa, devem ser feitos patamares no terreno, de
maneira que cada patamar tenha a declividade apropriada. Neste caso, deve-se
proteger o talude contra a erosão, através do plantio de gramíneas de porte rasteiro e, se necessário, deve-se construir canaletas paralelas à crista do talude para
o melhor direcionamento da água captada.
d) Construção de cercas
A construção de cercas ou alambrado, evita a entrada de animais e garante a segurança do viveiro. A construção do alambrado com telas de arame galvanizado
fixadas em moirões de concreto é mais onerosa, porém com melhores resultados.
e) Quebra-ventos
Em locais de ventos fortes, cortinas de quebra-vento devem ser plantadas em
torno do viveiro para a proteção das mudas e regulagem da temperatura. Estas
cortinas devem ser localizadas distantes dos canteiros para que as suas raízes
não façam estragos nas estruturas construídas no viveiro e não danifiquem as
mudas, no caso de canteiros no solo, bem como não ocorra o sombreamento das
mesmas.
Dentre as vantagens dos quebra-ventos, podem ser citadas as seguintes:
 proteção do viveiro contra estragos causados pelo vento nas mudas, nas sementeiras, nos sombrites, nas instalações, entre outros;
 diminuição do ressecamento do solo e da transpiração das mudas;
 diminuição da quantidade de poeira no viveiro;
 as plantas do quebra-vento poderão servir de abrigo para inimigos naturais
das pragas do viveiro e também como plantas para coletar sementes ou tirar
estacas para produzir mudas.
Semeando o Bioma Cerrado
10
Quebra-vento ou cortina vegetada de proteção em viveiro.
.
f) Estruturas e construções
Será necessária a construção de algumas benfeitorias na área do viveiro para dar
suporte à atividade de produção de mudas, como:
 Escritório;
 Casa do viveirista (opcional);
 Refeitório, abrigos e sanitários;
 Sementeiras;
 Estufa, telado ou casa de vegetação;
 Galpão de trabalho onde serão efetuados o preparo do substrato, entubetamento, enchimento dos tubetes e semeadura (pode ser no galpão ou, após o
encanteiramento das bandejas, no canteiro definitivo);
 Área de bateção, lavagem e esterilização dos tubetes;
 Galpão para armazenamento de substrato, ferramentas, defensivos, fertilizantes, tubetes, bandejas etc;
 Sala climatizada para armazenamento de sementes;
 Caixa d’água ou reservatório para irrigação;
 Caixa d’água ou reservatório para adubação;
 Estacionamento para carros e caminhões.
11
Viveiros florestais: projeto, instalação, manejo e comercialização
2.2. Materiais e equipamentos necessários em um viveiro
Estes variam de acordo com as tecnologias utilizadas, com o local, com as espécies a serem produzidas, com o tamanho do viveiro etc. Entretanto, as ferramentas, os equipamentos e os outros materiais necessários e mais comuns, normalmente, são:
a) Ferramentas e utensílios: pás de corte (quadrada e de concha); machado,
enxada, enxadão, foice, facão; tesoura de poda, podão; ancinho, sacho; regadores, baldes; serrote, martelo, alicate, torquês; chaves de boca, de fenda, de
cano; lima; peneiras;
b) Aparelhos e máquinas: carrinho-de-mão; polvilhadeira; conjunto motobomba;
balança; aplicador de inseticida; pulverizador costal; máquina de escrever ou
computador; máquina para mistura de substrato (betoneira); máquina para enchimento de tubetes; máquina para enchimento de sacos plásticos (moega);
c) Outros materiais: canos e dispositivos para irrigação; plásticos e sombrites
para cobertura; adubo mineral e orgânico; fungicidas, inseticidas e herbicidas; madeira para confecção de caixas; grampos, pregos, arames, barbantes; calcário.
Moega com dois reservatórios para substrato que otimiza e agiliza o
enchimento de sacos plásticos em viveiro.
Semeando o Bioma Cerrado
12
2.3. Canteiros
Para se ter um melhor manejo, o viveiro deve ser dividido em encanteiradores ou
canteiros (no solo ou suspensos, em função do método de produção adotado),
com uma estrada de serviço ao redor. A largura mais comum para os canteiros é
de 0,90 m a 1,20 m, pois permite um trabalho fácil e eficiente do funcionário, em
termos de ergonomia. O comprimento dos canteiros depende da divisão do viveiro e, quanto mais compridos forem, mais econômica é a operação, no entanto,
seu comprimento não deve ser superior a 30 m.
Quando a produção das mudas é feita por semeadura diretamente na embalagem (tubetes, sacos plásticos ou vasos), os canteiros podem ser delimitados por
diferentes tipos de proteção lateral (tábuas, tijolos, terra, cimento, pedras, laje de
cimento, troncos de árvores, caixotes etc) e devem ser marcados com piquetes
ligados por um ou dois fio(s) de arame.
Área de
compostagem
Refeitório
Casa do viveirista
Galpão
Entrada
Estufa
Fonte: Ribeiro et al. (2001)
Água
Casa de
sombra
Viveiro
de espera
Tanque de adubação
Área de
canteiros
Caixa d’água
Croqui da área de canteiros e de outras estruturas em viveiro de produção de mudas florestais.
13
Viveiros florestais: projeto, instalação, manejo e comercialização
2.4. Sementeiras
As sementeiras são os locais onde as sementes são colocadas para germinar.
São canteiros de terra peneirada e misturada com areia, onde as sementes são
enterradas e irrigadas em meia sombra. Podem ser construídas, também, em alvenaria, a 70 cm do solo.
Após a germinação, as mudas são transplantadas para os recipientes individuais,
em geral, tubetes, sacos de plástico preto, entre outros, desde que estejam perfuradas, para permitir o escoamento da água de irrigação.
Para proteger as mudas contra sol forte, as sementeiras devem ser cobertas
quando se faz a semeadura das sementes até alguns dias após a germinação das
mesmas. Esta cobertura pode ser feita com o auxílio de ripado (varas de bambu
cortadas ao meio, folhas de palmeiras etc.) ou sombrite, que deve ser firmado
sobre estruturas de bambu, ferro ou madeira.
3a5m
SEMENTEIRA
1,2 m
1,2 m
Apoio lateral
30 cm
SUBSTRATO
X
20 cm
NÍVEL DO SOLO
MATERIAL DRENANTE
Fonte: David & Faria (2008).
Sementeira em alvenaria: visão geral (acima) e corte transversal (abaixo).
Semeando o Bioma Cerrado
14
3. SEMEADURA
O cronograma de semeadura no viveiro deve levar em conta a variação no ciclo
de produção de mudas, em função dos diferentes grupos sucessionais das espécies nativas.
Deve-se decidir no processo de produção de mudas qual o método de semeadura. Quando não há impedimento à imediata germinação das sementes (de
três a 30 dias) deve-se optar pela semeadura direta nos recipientes (tubetes ou
sacos plásticos), por causa da série de vantagens que esse método apresenta em
relação à semeadura indireta (em sementeiras para posterior repicagem). Essas
vantagens são:
a) dispensa a construção de sementeiras;
b) evita o enovelamento das raízes ou o “pião torto”;
c) ocorre menor incidência de pragas e principalmente de doenças;
d) dispensa o sombreamento dos canteiros durante e logo após a repicagem;
e) provoca menos gasto com mão de obra, e, conseqüentemente;
f) possibilita menor custo final da muda.
A semeadura em sementeiras deverá ser efetuada apenas naqueles casos em
que as sementes são dormentes e não se conhece um método eficiente capaz
de promover uma germinação uniforme dentro de três a 30 dias. Nesses casos,
deve-se semear a lanço uma grande quantidade de sementes nas sementeiras e
repicá-las para as embalagens à medida que elas germinem.
15
Viveiros florestais: projeto, instalação, manejo e comercialização
Aspersor
Detalhe do apoio
da bandeja com ferro em “L”
1,20 m
Bandeja
com tubetes
50 m
80 m
1,5 m espaçamento
entre suportes
Cano d’água
Suporte da bancada
Parte do suporte a ser fincada no chão
Detalhe do apoio
da bandeja com ferro em “T”
Fonte: Ribeiro et al. (2001)
Esquema de canteiros suspensos para produção de mudas em
tubetes apoiados em bandejas.
3.1. Semeadura em sementeira
A semeadura em sementeira pode ser de dois tipos: a lanço ou em sulco. A semeadura a lanço é feita espalhando-se as sementes, uniformemente, sobre a sementeira. Em sulcos, as sementes devem ser dispostas lado a lado em sulcos
feitos na sementeira. A profundidade desse sulco deve ser igual à espessura das
sementes.
Semeando o Bioma Cerrado
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3.2. Repicagem
É o processo de transferência das plântulas da sementeira para as embalagens
(sacos plásticos ou tubetes). A retirada das plântulas deverá ser feita com uma
espátula, ou ferramenta semelhante. Essa operação deve ser precedida de uma
irrigação, sendo que os recipientes que irão receber essas plântulas também deverão ser umedecidos.
3.3. Semeadura direta nos recipientes
Na semeadura direta são semeadas de uma a sete sementes por recipiente, dependendo do tamanho e da qualidade física e fisiológica das mesmas. Após a
semeadura, deve-se peneirar uma fina camada do substrato utilizado sobre as
sementes, colocando-se, a seguir, uma cobertura morta (casca de arroz ou capim
picado). Essa cobertura tem, dentre outras, a finalidade de proteger as sementes contra a incidência direta dos raios solares e de eventuais chuvas fortes e
conservar a umidade da camada superficial, resultando em maior porcentual de
germinação das sementes.
3.3.1. Recipientes
Os recipientes comumente utilizados na produção de mudas são os sacos de
polietileno e os tubetes de polipropileno. Esses recipientes estão disponíveis no
mercado em várias dimensões.
3.3.2. Tipos de substratos para tubetes
Os substratos utilizados no enchimento dos tubetes apresentam as mais variadas
composições, tendo como característica comum o uso de terra em pequenas
proporções (máxima de 20%) ou, mais comumente, a ausência de terra. Existem
várias marcas comerciais de substratos à base de casca de pinus ou de eucalipto, com boa aceitação pelos viveiristas.
3.3.3. Substrato para sacos plásticos
O substrato utilizado para produção de mudas em sacos plásticos tem como componente principal a terra de subsolo, cuja textura condiciona a adição de vários
materiais, como areia, esterco, composto, húmus, casca de arroz carbonizada e
fertilizantes químicos.
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Viveiros florestais: projeto, instalação, manejo e comercialização
4. TRATAMENTOS SILVICULTURAIS
4.1. Fertilização
As plantas nativas são muito diferentes em termos de exigência em fertilidade dos
solos, porém, a maioria das espécies responde favoravelmente à adubação com
matéria orgânica.
O importante da fertilização na produção de mudas não é a quantidade de fertilizantes, mas sim a freqüência com que o mesmo é fornecido às mesmas.
Para que se tenha um crescimento adequado e aumento da qualidade das mudas
no viveiro, deve-se fazer a aplicação de fertilizantes que contenham os nutrientes
necessários para o crescimento e desenvolvimento das plantas.
Geralmente, a adubação inicial que é feita no substrato é a mesma para todas as
espécies produzidas no viveiro, sendo que a adubação em cobertura é que pode
variar, em função dos requerimentos nutricionais das espécies ou de grupos de
espécies, do ritmo de crescimento (ciclo de produção) e do regime de irrigação/
chuvas.
A adubação de cobertura é realizada quando: (a) as mudas apresentam sintomas
de deficiência nutricional; (b) deseja-se um crescimento mais rápido das mudas,
com alta qualidade e dentro de um ciclo de produção definido. A fertilização distribuída ao longo do ciclo de produção permite adequar o ritmo de crescimento
das mudas, tornando-o compatível com o cronograma de plantio das mudas no
campo.
4.2. Irrigação
O consumo de água é proporcional à idade da planta, a eficiência do sistema de
irrigação e as condições de solo e clima. Recomenda-se irrigar as plantas todos
os dias, mantendo-se sempre a terra ou o substrato úmido, no entanto, sem encharcar.
A irrigação é uma das etapas na produção de mudas em tubetes que requer
maior atenção. As mudas devem ser irrigadas quantas vezes forem necessárias
no dia, preferencialmente através de microaspersores, mantendo o substrato sempre úmido, sem encharcar. A sensibilidade do viveirista em resposta às variações
climáticas dentro e entre os dias é que vai determinar quando e o quanto irrigar.
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Limitações no crescimento de mudas em tubetes podem ser ocasionadas por
falta ou pelo excesso de água. Irrigações ou chuvas excessivas podem provocar
o aparecimento de doenças e a lixiviação dos fertilizantes contidos no substrato,
requerendo freqüentes reposições de nutrientes por adubações em cobertura.
É importante separar as mudas das espécies pertencentes à vegetação do Cerrado ou da Caatinga sensu stricto, em setores de uma ou mais quadras, cujo sistema de irrigação seja independente das quadras onde estão sendo produzidas
mudas de espécies da Floresta Estacional Semidecídua, por exemplo, o que torna
possível irrigar menos o primeiro grupo em relação ao segundo.
Canteiros
Cano de
2 polegadas
Tela
Entrada
Tanque de água
Bomba
Rede principal
cano 3 polegadas
Cano de
2 polegadas
Fonte: Ribeiro et al. (2001)
Rede principal de irrigação, com a distribuição nas plataformas
e entre os canteiros.
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Viveiros florestais: projeto, instalação, manejo e comercialização
4.3. Densidade de crescimento
Visando a redução do custo final das mudas, o viveirista pode sentir-se tentado
a aumentar a densidade de mudas no canteiro para 400 a 600 mudas/m2. lsso é
possível em determinadas fases iniciais, como na fase de enraizamento de miniestacas em casa de vegetação ou na fase de semeadura e crescimento inicial
(de zero a 30-60 dias, dependendo da espécie), mas à medida que as mudas entram na fase de maior crescimento, a densidade deve ser reduzida para 180 a 240
mudas/m2. Essa operação, chamada de alternagem, é realizada juntamente com
a seleção de mudas por classes de altura e descarte das mortas e defeituosas. A
seleção pode ser realizada mais uma vez na fase que antecede a expedição de
mudas para o campo.
Mudas produzidas em sacos plásticos terão uma relação direta entre as dimensões dos mesmos e a densidade, assim, sacos plásticos com dimensões de 7
cm x 12 cm resultarão numa densidade de 503 mudas/m2, enquanto que sacos
plásticos com dimensões de 18 cm x 24 cm resultarão numa densidade de 76
mudas/m2.
4.4. Podas radiculares
A realização de podas radiculares é prática comum em viveiros que produzem
mudas em sacos plásticos, quando das moveções ou danças das mudas. Com
a adoção do tubete como recipiente para produção de mudas, essa operação foi
eliminada, visto que as raízes são naturalmente “podadas” ao entrarem em contato com o ar quando atingem o orifício inferior do tubete. Essa constante poda das
raízes resulta numa constante brotação de novas raízes no interior do tubete promovendo um fenômeno denominado de fibrosidade do sistema radicular que irá
permitir a retirada da muda do tubete e o seu plantio, sem que o sistema radicial
se desmanche. Além disso, essa maior fibrosidade do sistema radicial é fundamental para o pegamento e o desenvolvimento da muda no campo.
Semeando o Bioma Cerrado
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4.5. Desbaste ou raleio
É pratica comum, em viveiros florestais, colocar de duas a quatro, ou mais, sementes por recipiente, principalmente no caso de sementes pequenas, visando
assegurar a presença de, pelo menos, uma muda em cada embalagem. Portanto,
em grande parte, os recipientes apresentam mais de uma muda, sendo necessária a realização de desbastes ou de raleios, deixando apenas a muda mais
vigorosa e mais central. Geralmente, essa operação é conduzida quando as mudas apresentam de dois a três pares de folhas definitivas, ou quando as mudas
tiverem uma altura em torno de 4 cm.
4.6. Mondas ou capinas manuais
Mondas, ou capinas manuais são operações de eliminação das plantas indesejáveis que, eventualmente, crescem nos recipientes, junto com as mudas. Trata-se
de uma capina, feita manualmente, e que deve ser realizada sempre que necessário, com as plantas indesejáveis na fase inicial de desenvolvimento.
Esta operação deve ser precedida de farta irrigação, pois a mesma facilitará a
remoção das plantas indesejáveis, ocasionando menor dano ao sistema radicular
das mudas.
4.7. Dança ou movimentação
A movimentação, ou dança, das embalagens é realizada sempre que necessário,
com a finalidade de efetuar a poda das raízes que, porventura, tiverem ultrapassado as embalagens e penetrado no solo. Além disso, esta operação promove a
rustificação das mudas, resultando na redução da mortalidade, por ocasião do
plantio no campo.
As mudas produzidas em tubetes dispensam a movimentação ou a dança, das
embalagens, pois, normalmente, os canteiros são suspensos e os tubetes, por
terem uma abertura na parte inferior, permitem que as raízes saiam para o exterior,
sendo podadas em contato com o ar e com a luz, naturalmente.
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Viveiros florestais: projeto, instalação, manejo e comercialização
4.8. Aclimatação ou rustificação
A muda apta para ser levada ao campo deve ser sadia e ter um grau de resistência que lhe permita sobreviver às condições adversas do meio. O processo mais
usado para a rustificação de mudas no viveiro é o corte gradual da irrigação,
aproximadamente vinte dias antes da expedição das mudas para o plantio no
campo.
A movimentação ou dança das mudas no viveiro e o corte gradual de irrigação,
no período que antecede o plantio, são os procedimentos mais usados para se
conseguir a rustificação das mudas, por serem os mais práticos e baratos.
4.9. Seleção, expedição e transporte
Para que se obtenha o máximo de uniformidade das mudas de espécies nativas
no campo e menor taxa de mortalidade, é de fundamental importância que se
faça a seleção das mudas antes de enviá-las ao campo. As mudas bifurcadas,
tortas e de aspecto deficiente devem ser eliminadas. Sempre que possível, as
mudas devem ser enviadas a campo em lotes separados por tamanho e espécie,
a fim de padronizar a uniformidade e desenvolvimento. O transporte das mudas
pode ser feito em caminhão, camionete ou qualquer outro veículo desde que as
mudas estejam protegidas do vento, sendo que, quanto maiores as distâncias,
maiores os cuidados com a proteção.
A expedição das mudas produzidas em tubetes, para pequenos plantios, pode
ser realizada em uma estrutura denominada “rocambole”, que dispensa a viagem
de retorno dos tubetes vazios ao viveiro.
Semeando o Bioma Cerrado
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A
C
B
D
Confecção de um “rocambole” com quinze mudas de goiabeira (Psidium guajava).
(A) Disposição das mudas após a remoção de tubetes. (B) Início da confecção do
“rocambole”. (C) Término da confecção do “rocambole”. (D) “Rocambole”
finalizado contendo as mudas e pronto para ser transportado.
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Viveiros florestais: projeto, instalação, manejo e comercialização
5. MANEJO FITOSSANITÁRIO
5.1.Pragas
As principais pragas que podem danificar as mudas florestais são as lagartasrosca, lagartas-elasmo, grilos, paquinhas, cupins, formigas cortadeiras, besouros
desfolhadores, moscas-minadoras, pulgões e ácaros. Geralmente, o que determina a ocorrência dessas pragas é o tipo de sistema de produção de mudas
(viveiros suspensos ou não) e a forma de manejo delas.
Viveiros suspensos têm menor probabilidade de ocorrência de pragas, pois a
maioria está associada ao solo, como cupins, paquinhas, formigas e grilos. O
manejo das mudas está relacionado aos cuidados dispensados na sua produção.
Mudas mal nutridas ou viveiros mal cuidados favorecem a ocorrência de pragas
de viveiros.
Estão relacionadas, a seguir, as principais pragas que podem ocorrer em mudas
em viveiros florestais, com nome comum, nome científico, ordem e família.
Nome comum
Nome científico
Ordem/Família
Lagarta-rosca
Agrotis ipsilon
Lepidoptera/Noctuidae
Lagarta-rosca
Agrotis repleta
Lepidoptera/Noctuidae
Lagarta-rosca
Agrotis subterranea
Lepidoptera/Noctuidae
Lagarta-rosca
Spodoptera frugiperda
Lepidoptera/Noctuidae
Lagarta-rosca
Spodoptera latifascia
Lepidoptera/Noctuidae
Lagarta-enroladeira
Nomophila noctuella
Lepidoptera/Pyralidae
Grilo
Gryllus assimilis
Orthoptera/Gryllidae
Paquinha
Neocurtilla hexadactyla
Orthoptera/Gryllotalpidae
Paquinha
Scapteriscus didactylus
Orthoptera/Gryllotalpidae
Paquinha
Tridactylus politus
Orthoptera/Tridactylidae
Continua...
Semeando o Bioma Cerrado
24
... continuação
Nome comum
Nome científico
Ordem/Família
Formigas cortadeiras
Acromyrmex spp.
Himenoptera/Formicidae
Formigas cortadeiras
Atta spp.
Himenoptera/Formicidae
Cupim
Armitermes spp.
Isoptera/Termitidae
Cupim
Cornitermes spp.
Isoptera/Termitidae
Cupim
Heterotermes spp.
Isoptera/Rhinotermitidae
Cupim
Procornitermes spp.
Isoptera/Termitidae
Cupim
Syntermes spp.
Isoptera/Termitidae
Mosca-minadora
Bradysia coprophila
Diptera/Sciaridae
Mosca-minadora
Liriomyza spp.
Diptera/Agromyzidae
Ácaro vermelho
Tetranychus ludeni
Acarina/Tetranychidae
Pulgão
Aphis gossypii
Hemiptera/Aphididae
Broca-do-cedro
Hypsipylla grandella
Lepidoptera/Pyralidae
Lagarta-elasmo
Elasmopalpus lignosellus
Lepidoptera/Pyralidae
Besouro-amarelo
Costalimaita ferruginea vulgata
Coleoptera/Chrysomelidae
Dentre as estratégias e táticas para o controle das principais pragas em viveiros florestais, podem ser adotados os seguintes procedimentos: controle cultural,
controle mecânico, controle físico e controle químico.
O controle químico consiste no uso de inseticidas que podem ser aplicados através de pulverizadores costais ou através da água de irrigação, em viveiros abertos, ou por nebulização, em casas-de-vegetação. As recomendações de controle
químico para as principais pragas de viveiros são descritas a seguir:
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Viveiros florestais: projeto, instalação, manejo e comercialização
Produtos recomendados para o tratamento de mudas contra diferentes
pragas em viveiros.
Praga
Lagarta-rosca
Grilo, paquinha, besouro
amarelo, pulgão e mosca
minadora
Cupins
Formiga
cortadeira
Ácaro
Nome técnico
Nome comercial
750
Dosagem*
acephate
Orthene
BR
deltametrina
Decis 25 CE
250 ml/100 L água - pulverizar
as mudas nos canteiros
Bacillus thuringiensis
Dipel PM
400 g/100 L água - pulverizar
as mudas nos canteiros
100 g/100 L água - pulverizar
as mudas nos canteiros
Decis 25 CE
250 ml/100 L água - pulverizar
as mudas nos canteiros
imidacloprid
Confidor 700
Grda
500 g/100 L água - pulverizar
as mudas nos canteiros
fipronil
Tuit Florestal
500 g/100 L- irrigar as mudas
fention
Lebaycid 500
CE
300 mL/100 L água – 1 L calda/ninho
imidacloprid
Confidor 700
Grda
Tratamento do ninho = 30
g/ 100 L água – 1 L calda/
ninho Tratamento das mudas
= 500 g/ 100 L água - irrigar
as mudas
clorpirifós
Lakree
ging
Termonebulização até a saturação do formigueiro
deltametrina
K-Othrine 2P
Polvilhamento – 6 g/m2 de
terra solta
denpyroximate
Orthus 50 SC
100 mI/100 L água - pulverizar
as mudas nos canteiros
abamectina
Vertimec
CE
200 ml/100 L água - pulverizar
as mudas nos canteiros
deltametrina
Fog-
18
Semeando o Bioma Cerrado
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5.2. Doenças
Um dos principais problemas de doença em viveiros é o tombamento de mudas,
porém, são comuns, também, as doenças de raiz e da parte aérea. O tombamento
de mudas, também conhecido como “damping off”, normalmente ocorre no primeiro mês de vida da muda no viveiro, em situações de umidade e temperatura
altas. A doença é facilmente reconhecida no viveiro, devido a presença de mudas
tombadas, em reboleiras. O tombamento decorre de lesões de tecidos (necrose),
na região do coleto. A partir do primeiro mês, se ocorrer a doença, nota-se apenas
a necrose dos tecidos na região do coleto, a seguir a muda murcha e seca, porém
sem tombar. Durante o período de ocorrência, o controle do tombamento, que é
feito por meio de agrotóxicos, é auxiliado diminuindo, ao máximo, a irrigação e a
adubação nitrogenada. Das manchas foliares e das hastes, a mais problemática é
a ferrugem, que atinge tecidos jovens, tanto folhas como hastes, formando, nos locais das lesões, pústulas de coloração amarelada. Quando em maior intensidade,
ocasiona a morte da planta. Um tipo de mancha foliar mais comum é a causada
por Cylindrocladium spp. São manchas quase sempre circulares, com cerca de 1
cm de diâmetro, com coloração avermelhada e halo externo.
O controle de doenças é feito por meio de fungicidas, que devem ser prescritos
por um responsável técnico, e a aplicação, na maioria dos casos, é feita com o
uso de pulverizador costal ou com regador, dependendo da doença.
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Viveiros florestais: projeto, instalação, manejo e comercialização
6. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
CARNEIRO, J. G. de A. Produção e controle de qualidade de mudas florestais.
Curitiba: UFPR/FUPEF; Campos : UENF, 1995. 451 p.
DAVIDE, A. C.; SILVA, E. A. A. Produção de sementes e mudas de espécies
florestais. (Ed.) 1ª Ed. Lavras : Ed. Ufla. 2008. 175 p.
RIBEIRO, G. T.; PAIVA, H. N.; JACOVINE, L. A. G.; TRINDADE, C. Produção de
mudas de eucalipto. Viçosa : Aprenda Fácil, 2001. 122 p.
SÃO PAULO. Secretaria do Meio Ambiente. Fundação para a Conservação e a
Produção Florestal do Estado de São Paulo. Recuperação Florestal: da semente
à muda. Secretaria do Meio Ambiente. Fundação Florestal. Coord. Resp.: HAHN,
C. M.; OLIVEIRA, C. de; AMARAL, e. M. do; RODRIGUES, M. S.; SOARES, P. V. –
São Paulo : SMA, 2006. 144 p.
WENDLING, I.; GATTO, A.; PAIVA, H. N.; GONÇALVES, W. Planejamento e instalação de viveiros. Viçosa : Aprenda Fácil, 2001. 122 p.
YAMAZOE, G.; VILAS BÔAS, O. Manual de pequenos viveiros florestais. São
Paulo; Páginas & Letras Editora e Gráfica. 2003. 120 p.
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