LEVANTAMENTO DE ESPÉCIES ARBÓREAS EXÓTICAS NO BAIRRO
JARDIM QUARENTA NO MUNICÍPIO DE CAMPINA GRANDE-PB
Josué Ferreira GUIMARÃES FILHO1; Nilene Rodrigues dos SANTOS2
1. Aluno do Curso de Licenciatura em Biologia da UVA/UNAVIDA. [email protected]
2. Orientador. Professora Dra. do curso de Biologia da UVA/UNAVIDA. [email protected]
Resumo: A introdução de espécies exóticas representam a segunda maior causa de perda da biodiversidade no planeta,
pois quando introduzidas em novos ambientes, elas se adaptam e ocupam o espaço de espécies nativas, produzindo
desequilíbrios muitas vezes irreversíveis ao ambiente. O trabalho teve como objetivo realizar um levantamento das
espécies arbóreas encontradas em vias públicas do bairro do Jardim Quarenta no município de Campina Grande-PB e
identificar quanto a sua origem nativa ou exótica ao ambiente em estudo. A pesquisa realizada foi do tipo descritiva e
com abordagem quali-quantitativa, sendo no período de junho á julho 2012 no bairro do Jardim Quarenta na cidade de
Campina Grande-PB. Foram realizadas visitas “in loco” percorrendo algumas ruas, sendo inventariadas todas as plantas
arbóreas existentes nos logradouros visitados, com registro fotográfico de algumas e revisão bibliográfica das plantas
encontradas, relacionadas à família, nome científico, origem: nativas ou exóticas e as características das espécies. De
acordo com os dados da distribuição espacial das espécies arbóreas nas vias publicas do bairro jardim quarenta no
município de Campina Grande-PB, foi possível verificar que de um total de 441 árvores cadastradas, 32 espécies são de
origem nativa do bioma Caatinga (7,5%), 15 de outros biomas do Brasil (3,4%) e 349 de origem exótica que
correspondem a 89,1 % das espécies encontradas. Das 441 unidades distribuídas, foi possível verificar 16 espécies e
observa-se a predominância da espécie exótica Ficus bejamina L. com cerca de 56,7%, do total, onde apenas 43,3% das
árvores arbóreas estão distribuídas entre as outras 15 espécies restantes. Mediante os resultados desse estudo pode-se
concluir que a frequência de espécies exóticas nas vias públicas no bairro Jardim Quarenta no município de Campina
Grande -PB é superior as espécies nativas ao ambiente, sendo necessário o aumento de plantio de espécies nativas
arbóreas em maior número e em maior diversidade na área em estudo.
Palavras-chave: Biodiversidade. Arborização Urbana. Invasão Biológica.
Abstract: The introduction of alien species is the second leading cause of biodiversity loss on the planet, because when
introduced into new environments, they adapt and occupy the space of native species, producing imbalances which are
often irreversible to the environment. The study aimed to survey the arboreal species observed on public roads in the
Jardim Quarenta neighborhood in Campina Grande-PB and identify their origin as native or alien to the environment
under study. The research done was descriptive with a qualitative-quantitative approach, during the months of June to
July 2012 in the Jardim Quarenta neighborhood in the city of Campina Grande-PB. Visits were made "on the spot"
covering some streets, with all trees existing in visited public parks being inventoried, with photographic records of
some and bibliographic reviews of the plants found, related to the family, scientific name, origin: native or exotic and
characteristics of the species. According to the spatial distribution of tree species on public roads in the Jardim Quarenta
neighborhood in Campina Grande-PB, it was found that from a total of 441 registered trees, 32 were of a native
Caatinga biome (7.5 %), 15 other biomes in Brazil (3.4%) and 349 of alien origin corresponding to 89.1% of the species
found. Of the 441 distributed units, 16 species were found and the predominance of exotic Ficus L. bejamina species
was observed with approximately 56.7% of the total, where only 43.3% of arboreal trees are distributed among the other
15 species remaining. With the results of this study it can be concluded that the frequency of alien species on public
streets in the Jardim Quarenta neighborhood in the city of Campina Grande-PB is superior to the native environment,
making the increased planting of native trees in greater numbers necessary and greater diversity in the areas under
study.
Keywords: Biodiversity. Urban trees. Biological invasion.
Introdução
A arborização urbana é representada pelo conjunto de terras públicas e privadas com
vegetação predominantemente arbórea que uma cidade apresenta, ou ainda, um conjunto de
vegetação arbórea natural ou cultivada que uma cidade apresenta em áreas particulares, praças,
parques e vias públicas (SANCHOTE, 1994).
Além da função paisagística a arborização urbana proporciona inúmeros benefícios à
população, entre eles destacam-se a proteção contra a ação dos ventos, diminuição da poluição
sonora, absorção de parte dos raios solares, sombreamento, diminuição da poluição atmosférica
neutralizando o excesso de dióxido de carbono purificando assim o ar, entre outros (GONÇALVES
et al., 2002).
A presença de uma quantidade diversificada de árvores na cidade pode atrair a fauna das
áreas naturais periféricas, como insetos e aves, e aumentar a taxa de polinização e de produção de
frutos (SUKOPP e WERNER, 1982).
No planejamento da arborização, deve-se levantar a caracterização física de cada rua, para
definição dos critérios que condicionam a escolha das espécies mais adequadas a cada região, sendo
utilizado três tipos de critérios no planejamento da arborização urbana onde o primeiro leva em
conta o aspecto visual-espacial, definindo o tipo de árvore que melhor se adequa ao local em termos
paisagísticos, o segundo critério considera as limitações físicas e biológicas que o local impõe ao
crescimento das árvores e o terceiro critério é avaliar quais espécies seriam mais adequadas para
melhorar o microclima e outras condições ambientais (AMIR e MISGAY, 1990).
Planejar a arborização é indispensável para o desenvolvimento urbano, para não trazer
prejuízos para o meio ambiente. Considerando que a arborização é fator determinante da
salubridade ambiental, por ter influência direta sobre o bem estar do homem, em virtude dos
múltiplos benefícios que proporciona ao meio, em que além de contribuir à estabilização climática,
embeleza pelo variado colorido que exibe, fornece abrigo e alimento à fauna e proporciona sombra
e lazer nas praças, parques e jardins, ruas e avenidas de nossas cidades, proporcionando benefícios,
com exceção deve ser feita àquelas espécies que tem capacidade de realizar invasão biológica que é
o processo de introdução e adaptação de espécies que não fazem parte, naturalmente, de um dado
ecossistema, mas que se naturalizam e passam a provocar mudanças em seu funcionamento
(ZILLER, 2000; DANTAS e SOUZA , 2004).
Espécies exóticas invasoras são organismos que, uma vez introduzidos em um novo
ambiente a partir de outras regiões, se estabelecem e passam a desenvolver populações autoregenerativas a ponto de ocupar o espaço de espécies nativas e proporcionar alterações nos
processos ecológicos naturais, tendendo serem dominantes e causarem impactos ambientais e sócioeconômicos negativos (ZILLER, 2000; ZALBA, 2006; MMA, 2006; PITELLI, 2007). Com isso,
devendo-se considerar a origem da espécie - dando preferência àquelas nativas da região que
estejam adaptadas ao local, concorrendo assim para sua conservação. Somente optar por espécies
exóticas quando tiver plena certeza de que essa espécie esteja aclimatada às condições locais
(ELETROPAULO, 1995).
As espécies exóticas invasoras são consideradas a segunda maior causa de extinção de
espécies no planeta, afetando diretamente a biodiversidade, a economia e a saúde humana.
Reconhecendo a importância do problema causado pelas invasões biológicas, a Convenção sobre a
Diversidade Biológica – CDB estabeleceu, em seu Artigo 8, que país signatário deve, na medida do
possível e conforme o caso, impedir a introdução, controlar ou erradicar as espécies exóticas
invasoras que ameaçam ecossistemas, habitat e espécies nativas (MMA, 2006). O trabalho teve
como objetivo realizar um levantamento das espécies arbóreas encontradas em vias públicas no
bairro do Jardim Quarenta no município de Campina Grande-PB e identificar quanto a sua origem
nativa ou exótica no ambiente em estudo.
Metodologia
A pesquisa realizada foi do tipo descritiva e com abordagem quali-quantitativa, sendo no
período de junho á julho 2012 no bairro do Jardim Quarenta na cidade de Campina Grande-PB que
esta localizada na região Geográfica da Borborema, na Mesorregião do Agreste Paraibano e ocupa
uma área de 518 km quadrados e conta com uma população de 385.213 habitantes IBGE (2010).
Foram realizadas visitas “in loco” percorrendo um total de 17 ruas, sendo inventariadas todas as
plantas arbóreas existentes nos logradouros visitados por meio de revisão bibliográfica das plantas
encontradas, relacionadas à família, nome científico, origem: nativas ou exóticas e as características
das espécies. Para facilitar a constatação da realidade foram utilizados registros fotográficos,
captados através de observações “in loco” de algumas espécies observadas.
Resultados e Discussão
De acordo com os dados da distribuição espacial das espécies arbóreas nas vias publicas do
bairro jardim quarenta no município de Campina Grande-PB, foi possível verificar que de um total
de 441 árvores cadastradas, 32 espécies de origem nativa do bioma Caatinga (7,5%), 15 de outros
biomas do Brasil (3,4%) e 349 de origem exótica que correspondem a 89,1 % das espécies
encontradas (Quadro 1).
Quadro 1: Distribuição espacial das espécies arbóreas nas vias publicas do bairro Jardim Quarenta no
município de Campina Grande-PB
Origem das espécies
Quantidade
%
Nativas da Caatinga
32
7,5
Outros biomas do Brasil
15
3,4
Espécies exóticas
349
89,1
Total
441
100
O que pode ser observado uma padronização da arborização, diminuindo a diversidade
vegetal nestas áreas, aliada ao plantio indiscriminado de espécies arbóreas, sem levar em
consideração sua quantidade e sua origem na área urbana delimitada no bairro em estudo (Figura
01).
De acordo Wittenberg e Cock (2001) as espécies exóticas ou invasivas são aquelas que
ocorrem fora de sua área de distribuição, normalmente introduzidas pelo homem, de maneira
intencional ou acidental, mas que causam problemas para os ecossistemas e para as outras espécies
onde são introduzidas.
É importante salientar que à medida que as espécies exóticas introduzidas conseguem
estabelecer populações auto-sustentáveis, passam a ser chamadas espécies estabelecidas.
Finalmente, algumas das espécies estabelecidas tornam-se aptas a avançar sobre ambientes naturais
e alterados, transformando-se em espécies exóticas invasoras. Desta forma, uma exótica invasora é
uma espécie introduzida que se propaga, sem o auxílio do homem, e passa a ameaçar ambientes fora
do seu território de origem, causando impactos ambientais e sócio-econômicos (ZALBA, 2006).
Das 441 unidades distribuídas em 16 espécies, sendo a predominância da espécie exótica
Ficus bejamina L. (Figura 1 C) com cerca de 56,7%, do total, onde apenas 43,3% das árvores
arbóreas estão distribuídas entre as outras 15 espécies (Quadro 2).
QUADR0 2: Levantamento de espécies encontradas no bairro do Jardim Quarenta, com os respectivos
nomes científicos, quantidade de indivíduos encontrados e frequência (%)
Nome vulgar
Ficus
Cassia
Algaroba
Aroeira da praia
Brasileirinho
Ipê
Jambo
Castanhola
Flaboyam
Paratudo
Oliveira
Sombreira
Algodão do Pará
pata-de-vaca
Mangueira
Acerola
Total
Nome científico
Ficus benjamina L.
Cassias siamea L.
Prosopis juliflora S.
Schinus terebinthifolius R.
Erythrina indica-picta L.
Tecoma stans L.
Syzygium jambos L.
Terminalia catappa L.
Delonix regia L.
Tabebuia áurea M.
Olea europaea L.
Clitorea racemosa B.
Hibiscus tiliaceus L.
Bauhinia forficata. Linn
Mangifera indica L.
Malphigia glabra L.
Quantidade
250
63
32
28
13
13
11
9
7
3
3
2
2
2
2
1
441
(%)
56,7
14,3
7,3
6,4
3,0
3,0
2,5
2,0
1,6
0,7
0,7
0,4
0,4
0,4
0,4
0,2
100
Figura 01: A - Implantação sem planejamento de espécies arbóreas nas vias públicas do bairro do Jardim
Quarenta no município de Campina Grande-PB; B - Posto de combustível onde há uma área com uma
diversidade de espécies arbóreas; C - Espécie arbórea invasora com maior incidência nas vias publica do
bairro Jardim Quarenta no município de Campina Grande-PB.
Fonte: Josué F. G. Filho, 2012
De acordo Wittenberg e Cock (2001) as espécies exóticas ou invasivas são aquelas que
ocorrem fora de sua área de distribuição, normalmente introduzidas pelo homem, de maneira
intencional ou acidental, mas que causam problemas para os ecossistemas e para as outras espécies
onde são introduzidas.
No inventário realizado observou-se a composição de 16 espécies existentes na arborização
urbana do Bairro Jardim Quarenta no município de Campina Grande - PB, e optou-se por separar os
indivíduos quanto a origem, resultando 6 espécies de origem nativa sendo 3 pertencentes ao bioma
Caatinga 3 de outros biomas do Brasil e 10 de outros países introduzidas em nosso bioma (exótica)
(Quadro 3).
QUADRO 3: Nome popular, Nome cientifico, origem e referência das espécies arbóreas nas vias públicas do
bairro Jardim Quarenta no município de Campina Grande-PB
Nome Popular
Nome Científico
Origem
Referências
Algodão-do-pará
Hybiscus pernambucensis. L.
Nativa
(LORENZI, 1992)
Aroeira-da-praia
Schinus terebinthifolius Raddi R.
Nativa
(LORENZI, 1992)
Acerola
Malpighia emarginata L.
Nativa
(LORENZI, 1996)
Pata-de-vaca
Bauhinia forficata L.
Nativa
(LORENZI, 1992)
Sombreiro
Clitorea racemosa B.
Nativa
(LORENZI, 1992)
Paratudo
Tabebuia aurea M.
Nativa
(Silva Manso) Benth. e
Hook. f ex S. Moore)
Jambo
Syzygium jambos L.
Exóticas
(LORENZI, H. 2003)
Manga
Mangifera indica L.
Exóticas
(BRAGA, R. 1978)
Oliveira
Olea europaea L.
Exóticas
(LORENZI, H. 2003)
Brasileirinho
Sunshine tree L.
Exóticas
(LORENZI, H. 2003)
Cassia
Senna siamea L.
Exóticas
(BRAGA, R. 1978)
Amendoeira-da-praia
Terminalia catappa L.
Exóticas
(BRAGA, R. 1978)
Ficus
Ficus benjamina L.
Exóticas
(HOSTER, H. R. 1991)
Flanboia
Delonix regiaL.
Exóticas
(LORENZI, H. 2003)
Ipê-de-jardim
Tecoma stans L.
Exóticas
(HOSTER, H. R. 1991)
Algarobeira
Prosopis juliflora S.
Exóticas
(HOSTER, H. R. 1991)
Conclusões

Mediante os resultados desse estudo pode-se concluir que a frequência de espécies exóticas
nas vias públicas no bairro Jardim Quarenta no município de Campina Grande-PB é superior
as espécies nativas.

Se faz necessário o aumento de plantio de espécies nativas arbóreas em maior número e em
maior diversidade nas áreas em estudo, realização de manutenção das árvores e a elaboração
de projetos de plantio nas áreas estudadas, visto que são carentes de vegetação.
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Landscape and urban Planning Amsterdam: Elsevier, 1990.
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ELETROPAULO. Guia de Planejamento e Manejo da Arborização Urbana. São Paulo: Gráfica
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GONÇALVES, W. et al. Plano de arborização urbana de Itaguara-MG:. Viçosa-MG, 2002.
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LIMA, A. M. L. P. Árvores de Rua. Revista Globo Ciência, São Paulo, Nº 44, 1995.
LORENZI, H. Palmeiras no Brasil (exóticas e nativas). São Paulo: Ed. Plantarum, 1996.
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LORENZI, H. Árvores Brasileiras. 2 ed. São Paulo. Ed. Plantarum, vol. 2. 1998.
LORENZI, H. Árvores Exóticas no Brasil. São Paulo: Ed. Plantarum, 2003.
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