UNIÃO DINÂMICA DE FACULDADES CATARATAS
FACULDADE DINÂMICA DAS CATARATAS
CURSO DE ENGENHARIA AMBIENTAL
Missão: “Formar Profissionais capacitados, socialmente responsáveis e aptos a
promoverem as transformações futuras”
PERCEPÇÃO AMBIENTAL SOBRE A DISPOSIÇÃO DE
RESÍDUOS SÓLIDOS NO BAIRRO JARDIM EUROPA NO
MUNICÍPIO DE FOZ DO IGUAÇU - PR.
KELIN KARINA VEIGA DE BRITTO
Foz do Iguaçu - PR
2010
2
KELIN KARINA VEIGA DE BRITTO
PERCEPÇÃO AMBIENTAL SOBRE A DISPOSIÇÃO DE
RESÍDUOS SÓLIDOS NO BAIRRO JARDIM EUROPA NO
MUNICÍPIO DE FOZ DO IGUAÇU - PR.
Trabalho
Final
de
Graduação
apresentado à banca examinadora da
Faculdade Dinâmica das Cataratas
(UDC), como requisito para obtenção
do grau de Engenheiro Ambiental.
Prof (a). Orientador (a): Drª. Luciana
Mello Ribeiro
Foz do Iguaçu – PR
2010
3
TERMO DE APROVAÇÃO
UNIÃO DINÂMICA DE FACULDADES CATARATAS
PERCEPÇÃO AMBIENTAL SOBRE A DISPOSIÇÃO DE RESÍDUOS SÓLIDOS NO
BAIRRO JARDIM EUROPA NO MUNICÍPIO DE FOZ DO IGUAÇU - PR.
TRABALHO FINAL DE GRADUAÇÃO PARA OBTENÇÃO DO GRAU DE
BACHAREL EM ENGENHARIA AMBIENTAL
Acadêmico (a): Kelin Karina Veiga de Britto
Orientadora: Drª. Luciana Mello Ribeiro
Nota Final
Banca Examinadora:
Prof (ª). Jorge Oscar Darif
Prof (ª). Edneia Santos de Oliveira Lourenço
Foz do Iguaçu, 29 de novembro de 2010.
4
Dedico este trabalho, em especial a minha mãe por seu amor incondicional,
ao meu esposo pelo apoio e compreensão nessa fase final, aos meus filhos Adair Jr. e Emilly por
serem eles o maior incentivo da minha vida, e principalmente à minha família, que apesar de distante,
sempre esteve em meu coração e incentivou esta realização pessoal.
5
AGRADECIMENTOS
A Deus pela resistência concedida para vencer todos os obstáculos;
A minha mãe Célia V. de Britto por sempre estar presente em minha vida, apoiandome em minhas escolhas;
Ao meu esposo, Adair R. Dall’anora pela incansável paciência e contribuição $, na
busca deste sonho, pelo amor, por existir e por estar ao meu lado;
Aos meus filhos que amo muito Adair Renato Dall’anora Jr.e Emilly Rhayana
Dall’anora pela compreensão de minha ausência durante meus estudos;
Aos meus irmãos Germany, Jeorge, Karen, Joabe, e Gabriel, que torcem por minhas
conquistas, e por suas importantes influências em minha vida;
A minha atenciosa Orientadora Drª. Luciana Mello Ribeiro, pela assistência,
incentivo e a confiança a mim depositada na elaboração deste trabalho de pesquisa;
As minhas amigas irmãs na vida pessoal e acadêmica Cleide J. Matos e Fátima
Kleinschmitt, pela amizade e companheirismo durante minha jornada acadêmica e
colaboração neste estudo;
A instituição UDC, pela seriedade e preocupação em formar profissionais
capacitados, e aos demais funcionários da instituição de ensino;
A todos os professores que ao longo do curso transmitiram seus conhecimentos com
competência, seriedade e amizade;
Aos colegas de turma que de forma amiga dedicada, contribuíram nesta caminhada
do aprendizado; em especial a Aninha e Fran;
A toda a comunidade do bairro Jardim Europa pelo apoio e dedicação ao passar as
informações necessárias para a realização deste trabalho;
Aos nossos verdadeiros amigos na vida pessoal, que provaram serem dignos de
nosso respeito, lealdade e fidelidade, estando presente nos momentos de tristeza e
compartilhando das nossas alegrias;
Enfim meu muito obrigado a todos que torcem pelo meu sucesso.
6
“Ninguém ignora tudo, ninguém sabe tudo.
Todos nós sabemos alguma coisa.
Todos nós ignoramos alguma coisa.
Por isso aprendemos sempre”.
7
Paulo Freire.
BRITTO, Kelin Karina Veiga de. Percepção Ambiental Sobre a Disposição de
Resíduos Sólidos no Bairro Jardim Europa no Município de Foz do Iguaçu - PR. Foz
do Iguaçu, 2010. Trabalho Final de Graduação - Faculdade Dinâmica de Cataratas.
RESUMO
Cresce a preocupação com a disposição inadequada de resíduos sólidos, gerados
em decorrência de atividades econômicas da sociedade urbano-industrial moderna,
grande consumidora de insumos e transformadora de matérias primas. É freqüente a
disposição de resíduos em locais impróprios, como margens de rios, lagos, terrenos
baldios e logradouros públicos. Tal problema constitui-se em questão de saúde
pública. O objetivo deste trabalho foi descrever, a partir de levantamento fotográfico
e observacional, o cenário atual de disposição de resíduos sólidos urbanos
descartados em logradouros públicos e terrenos baldios no bairro Jardim Europa, no
Município de Foz do Iguaçu – PR, bem como identificar a percepção dos moradores
quanto à presença destes resíduos, através de entrevista informal e questionário.
Constatou-se a existência de vários pontos de descarte clandestino de resíduos, a
exemplo de: restos de construção civil, podas de árvores, pneus, vidros, carcaça de
veículos, entre outros. Com relação à percepção ambiental, os moradores afirmam
gostar do lugar, porém estão incomodados com a presença do lixo, a péssima
imagem da paisagem e a segurança. Possuem poucas ou equivocadas informações
a respeito dos resíduos e suas repercussões. Assim, espera-se que as informações
compiladas acerca das motivações, interesses e dificuldades dos moradores
possam subsidiar políticas públicas relativas aos resíduos naquele local ou em
outros semelhantes. Da mesma forma, pretende-se que esta pesquisa contribua
para a elaboração de futuros projetos de educação ambiental no bairro.
Palavras-Chave: Descarte Irregular de Lixo – Saúde Pública – Poluição Visual.
8
BRITTO, Kelin Karina Veiga de. Ambient perception On Disposal of Solid Residues
in the “Bairro Jardim Europa” in the City of Iguassu Falls - PR. Iguassu Falls, 2010.
Final work of Graduation – “União Dinâmica de Faculdades Cataratas”
ABSTRACT
The concern grows with the inadequate disposal of solid residues, generated in result
of economic activities of the modern urban-industrial society, great consumer of
inputs and transforming of raw material. The disposal of residues in improper places
is frequent, as edges of rivers, lakes, empty lands and public areas. Such problem
consists in question of public health. The objective of this work was to describe, from
photographic and observacional survey, the current scene of disposal of urban solid
residues discarded in public areas and empty lands in the “Bairro Jardim Europa”, in
the city of Iguassu Falls – Paraná – Brazil. As well, identify the perception of the
inhabitants about the presence of these residues. Through informal interview and
questionnaire. It was evidenced existence of some points of clandestine discarding of
residues, the example of: remaining portions of civil construction, pruning of trees,
tires, glasses, carcass of vehicles, among others. About the ambient perception, the
inhabitants affirm to like the place, however they are bothered with: the presence of
the garbage, the bad image of the landscape and the security. They have few or
mistake information about the residues and their repercussions. Thus, the expects is
that the information compiled concerning the motivations, interests and difficulties of
the inhabitants can subsidize relative public politics to the residues in that place or
other places like this. In the same way, it intends that this research contributes for the
elaboration of future projects of ambient education in the quarter.
Palavras Chave: Irregular Garbage discarding - Public Health - Visual Pollution.
9
SUMÁRIO
RESUMO.......................................................................................................
07
ABSTRACT...................................................................................................
08
LISTA DE FIGURAS.....................................................................................
11
1 INTRODUÇÃO............................................................................................
12
2 REFERENCIAL TEÓRICO.........................................................................
14
2.1 RESÍDUOS SÓLIDOS.............................................................................
14
2.1.1 Fatores que Influenciam a Origem e Formação do Lixo.................
14
2.2 O MEIO AMBIENTE COMO RECEPTOR DE RESÍDUOS...................... 15
2.3 CLASSIFICAÇÃO DOS RESÍDUOS........................................................ 16
2.3.1 Tipos de Materiais que Compõem os Resíduos Sólidos Urbano..
17
2.4 GERENCIAMENTO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS.................................... 18
2.4.1 Formas de Destinação Final de Resíduos Sólidos..........................
21
2.4.2 Reciclagem..........................................................................................
22
2.4.2.1 Coleta Seletiva...................................................................................
23
3 PERCEPÇÃO AMBIENTAL.......................................................................
24
4 EDUCAÇÃO AMBIENTAL.........................................................................
25
4.1 SURGIMENTO DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL........................................
25
4.1.1 Importância da Educação Ambiental................................................
26
4.1.2 Para que Serve a Educação Ambiental............................................. 27
4.3 RELAÇÃO ENTRE EDUCAÇÃO AMBIENTAL E PERCEPÇÃO
AMBIENTAL...................................................................................................
28
5 MATERIAL E MÉTODOS...........................................................................
30
5.1 CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO.........................................
30
5.2 TIPO DE PESQUISA E TÉCNICAS UTILIZADAS...................................
31
5.3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS................................................
31
6 RESULTADOS E DISCUSSÃO.................................................................
33
6.1 LOCALIZAÇÃO DOS PONTOS DE DESCARTES DE RESÍDUOS........
33
6.2 OBSERVAÇÕES SOBRE DESCARTES INADEQUADOS.....................
34
6.3 OBSERVAÇÕES ACERCA DA REUTILIZAÇÃO DE MATERIAIS NO
BAIRRO...................................................................................................
36
10
6.4 QUESTIONÁRIOS...................................................................................
37
6.5 PROPOSTAS DE INTERVENÇÃO PARA MELHORIAS NO BAIRRO...
46
7 CONSIDERAÇÕES FINAIS.......................................................................
48
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.............................................................
49
ANEXOS........................................................................................................
52
APÊNDICES..................................................................................................
55
11
LISTA DE FIGURAS
FIGURA 01: Imagem Aérea do Bairro Jardim Europa no Município
de Foz do Iguaçu/PR........................................................................ 30
FIGURA 02: Pontos de descarte irregular de resíduos sólidos............................. 33
FIGURA 03: Resíduos de construção civil............................................................ 34
FIGURA 04: Resíduos de vidros diversos............................................................. 34
FIGURA 05: Resíduos orgânicos e recicláveis misturados, descartados na
área industrial.................................................................................... 35
FIGURA 06: Resíduos de construção civil e podas de árvores em quintal........... 36
FIGURA 07: Resíduos de construção civil depositado na calçada....................... 36
FIGURA 08: Reutilização coroa de moto velha..................................................... 37
FIGURA 09: Reutilização do pneu........................................................................ 37
FIGURA 10: Mostra a quantidade de respostas obtidas para cada pergunta....... 38
FIGURA 11: Mostra a insatisfação da população com relação ao bairro..............39
FIGURA 12: Mostra o que as pessoas entendem por lixo.................................... 39
FIGURA 13: Quantidades de respondentes que relatarm ter algum tipo de
resíduo em casa................................................................................ 40
FIGURA 14: Mostra a classificação dos resíduos sólidos urbano.........................40
FIGURA 15: Mostra onde as pessoas depositam seus resíduos.......................... 41
FIGURA 16: Números de respostas se o lixo pode causar algum problema........ 42
FIGURA 17: Indica as resposta dos entrevistados para quem o lixo pode
trazer prejuízos................................................................................. 42
FIGURA 18: Mostra os problemas que a inadequada disposição de lixo pode
trazer................................................................................................ 43
FIGURA 19: A opinião da população com relação ao descarte irregular.............. 44
FIGURA 20: Mostra quanto a população conhece os recicláveis........................ 45
FIGURA 21: Qual valor que as pessoas acham justo pagar pela caçamba......... 45
12
1 INTRODUÇÃO
Cada vez mais existem problemas que necessitam de solução urgente,
principalmente no meio urbano. Entre tais problemas, diante do consumismo
crescente, ressalta-se a questão dos resíduos sólidos urbanos, pois disputam
espaço com a sociedade.
Somando-se o consumismo ao acelerado crescimento populacional, a
quantidade de resíduos sólidos gerados, resultantes das atividades econômicas da
sociedade atual, está aumentando cada vez mais. Em função dessa quantidade de
resíduos sem destinação correta, cresce também o índice de doenças relacionadas
à presença do lixo. Um grande exemplo é a dengue.
Apesar da população contar com os serviços de coleta seletiva três vezes
por semana, alguns moradores ainda insistem em descartar seus resíduos em locais
impróprios, como as margens de rios e lagos, terrenos baldios, logradouros públicos
e até mesmo em seus próprios quintais. O acúmulo destes resíduos é considerado
um problema tanto de saúde como de limpeza pública, também gerando a
proliferação de vetores, o entupimento de bueiros, a poluição visual dos locais onde
esses resíduos estão acumulados. Neste contexto, alguns bairros do município de
Foz do Iguaçu-PR, vêm enfrentando problemas decorrentes da presença destes
resíduos.
Não existe um comprometimento por parte de uma parcela da população,
a qual deposita seus resíduos em locais inapropriados, trazendo grandes
conseqüências para a comunidade, para si mesmas e para o meio ambiente.
Essa falta de comprometimento chama a atenção, devendo ser de
interesse dos governantes pesquisar os motivos que levam a população a tomar
atitudes inadequadas. Isso seria somente um erro da população desinformada ou é
uma falha por parte dos governantes que não fiscalizam e não fazem projetos para
trabalhar a educação ambiental?
Minimizar ou controlar a disposição de resíduos sólidos urbanos, através
do princípio dos 3Rs (redução, reutilização e a reciclagem de materiais), já constitui
importante passo na conservação do meio ambiente, incluindo os recursos hídricos
e a biota, além da proteção à saúde humana.
13
O objetivo deste trabalho é mostrar o cenário atual da disposição de
resíduos sólidos urbanos descartados em logradouros públicos e terrenos baldios no
bairro Jardim Europa no município de Foz do Iguaçu – PR, bem como identificar a
percepção dos moradores quanto à presença destes resíduos.
Com este levantamento, foi possível o desenvolvimento de reflexões
sobre as condições do manejo dos resíduos, e até mesmo propor algumas soluções.
O
Jardim
Europa
é
um
pequeno
bairro
relativamente
novo
(aproximadamente 20 anos), situado na região leste do município, fazendo divisa
com os bairros Parque Residencial Morumbi, Portal da Foz e a área industrial da
cidade. Apesar de ser um bairro recente, ao percorrer suas ruas, constata-se
facilmente a presença de variados resíduos descartados inadequadamente.
Em estudo realizado em 2008, pelo sexto período do curso de Engenharia
Ambiental da Faculdade UDC, na disciplina de Planejamento e Desenvolvimento
Regional e Urbano, foi possível verificar a presença de situação semelhante em 05
bairros de classe média e baixa da cidade de Foz do Iguaçu - PR.
Considerando a existência de coleta regular de lixo realizada pela
prefeitura nos bairros da cidade, a presença de resíduos nas calçadas e terrenos
parece indicar descaso dos próprios habitantes locais. Esta experiência chamou a
atenção, de modo que a presente pesquisa constituiu oportunidade de aprofundar os
estudos sobre o nível e a razão deste descaso, tendo sido escolhido o bairro Jardim
Europa com vistas a contribuir para melhoria do local de residência desta
pesquisadora.
14
2 REFERENCIAL TEÓRICO
2.1 RESÍDUOS SÓLIDOS
Resíduos sólidos são usualmente chamados de lixo. Essa palavra provém
do termo latim lix, que significa cinza. Lixo, na linguagem técnica, é sinônimo de
resíduos sólidos onde é representado por diversos materiais descartados, resultante
das atividades do ser humano (BECK, 2005).
Segundo Zilberman (1997), o conceito atualmente aceito para resíduos
sólidos está vinculado tudo aquilo que aparentemente, não possui mais ou deixou de
ter utilidade. Já o lixo se encontra ligado ao que não presta, ou que não tem
serventia, a geração dessas sobras é uma decorrência do ser humano como
utilizador de insumos e transformador de matérias primas.
Pinto (1979) costuma definir como lixo todo resíduo sólido resultante da
atividade das aglomerações humanas. Resíduos estes que podem ser objetos como,
porções de materiais sem significação econômica sobras de processamentos
industriais ou domésticos a serem descartados enfim qualquer coisa que se deseje
botar fora.
Mano, Pacheco, Bonelli (2005), relatam que a produção ou utilização de
qualquer material sólido, tanto em nível urbano quanto industrial ou agrícola, sobram
resíduos. Especialmente em locais menos desenvolvidos, esses resíduos são
chamados de lixo, sendo considerados pelos geradores como algo inútil, indesejável
ou descartável, e apenas em alguns casos, o descarte obedece a um tratamento
adequado.
2.1.1 Fatores que Influenciam a Origem e Formação do Lixo
Segundo Lima (2004), são muitos os fatores que influenciam a origem e
formação do lixo no meio urbano. Sendo alguns dos fatores:
15
“Número de habitantes do local, área relativa de produção, variações
sazonais, condições climáticas, hábitos e costumes da população, nível
educacional, poder aquisitivo, tipo de equipamento de coleta, segregação
na origem, sistematização da origem, disciplina e controle dos pontos
produtores, leis e regulamentações especifica. Vale ressaltar que um dos
fatores mais importante é a componente econômica. Quando ocorrem
variações na economia de um sistema, seus reflexos são imediatamente
percebidos nos locais de disposição e tratamento do lixo (LIMA, 2004).”
De acordo com Pinto (1979), o lixo varia ,dependendo basicamente da
origem e da natureza de sua fonte produtora, variando também qualitativa e
quantitativamente com a estação do ano, com as condições climáticas, com os
hábitos e o padrão de vida da população.
2.2 O MEIO AMBIENTE COMO RECEPTOR DE RESÍDUOS
Segundo Barbieri (2004), como qualquer ser vive, o ser humano retira
recursos do meio ambiente para prover sua subsistência e devolve as sobras. No
ambiente natural, as sobras de um organismo são restos que ao se decomporem
devolvem ao ambiente, elementos químicos que serão absorvidos por outros seres
vivos, de modo que nada se perde o mesmo não acontece com as sobras das
atividades humanas, que será denominado aqui genericamente de poluição.
Apesar da geração de resíduos sólidos ocorrerem desde o seu
aparecimento no planeta, apenas com o processo de urbanização acelerada e com
a intensificação das atividades industriais o problema assumiu as proporções que
hoje conhecemos. Há uma clara interconexão entre o tipo, a composição e as fontes
de origem dos resíduos, sendo esta a base do trabalho efetuado na busca de
solução para este crescente problema (ZILBERMAN 1997).
A poluição é toda a alteração das propriedades naturais do meio ambiente
que seja prejudicial à saúde, à segurança ou ao bem-estar da população. A
consciência de que algumas iniciativas de proteção ao meio ambiente deveriam ser
tomadas, a fim de deter a onda crescente de lixo, descartado aleatoriamente, que
começou a atingir a municipalidade como um todo e até mesmo os domicílios. A
abordagem do assunto chegou às escolas, levando às crianças o conhecimento do
16
problema e a urgência de sua solução para o futuro (MANO, PACHECO, BONELLI,
2005).
Ainda afirma Barbieri (2004), que a poluição é um dos aspectos mais
visíveis dos problemas ambientais e a percepção dos seus problemas se deu de
forma gradativa ao longo do tempo. Primeiro, foi no nível local, nas proximidades
das unidades geradoras de poluição, depois descobriu-se que ela não respeita
fronteiras entre países e regiões, finalmente, verificou-se que certos problemas
atingem proporções planetária.
2.3 CLASSIFICAÇÃO DOS RESÍDUOS
Segundo a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), os
resíduos sólidos, estão definidos de acordo com a NBR 10004 (2004), que classifica
os resíduos sólidos quanto aos seus riscos potenciais ao meio ambiente e à saúde
pública, para que possam ser gerenciados adequadamente. A classificação de
resíduos envolve a identificação do processo ou atividade que lhes deu origem e de
seus constituintes e características e a comparação destes constituintes com
listagens de resíduos e substâncias cujo impacto à saúde e ao meio ambiente é
conhecido.
A NBR 10004 (2004), distingue três classes para os resíduos: Classe I –
resíduos perigosos, Classe II A – não-inertes e classe II B – inertes.
“Resíduos classe I - (Perigosos): Apresentam risco à saúde pública ou ao
meio ambiente, caracterizando-se por possuir uma ou mais das seguintes
propriedades: inflamabilidade, corrosividade, reatividade, toxicidade e
patogenicidade.
Resíduos classe II - (Não-Perigosos): Podem ter propriedades como,
combustibilidade, biodegradabilidade ou solubilidade, como por exemplo
restos de alimentos, sucata de metais ferrosos, resíduo de papel e papelão
entre outros.
Resíduos classe II A - (Não-Inertes): Aqueles que não se enquadram nas
classificações de resíduos classe I - Perigosos ou de resíduos classe II B Inertes, nos termos desta Norma. Os resíduos classe II A – Não inertes
podem ter propriedades, tais como: biodegradabilidade, combustibilidade ou
solubilidade em água.
Resíduos classe II B – (Inertes): Quaisquer resíduos que, quando
amostrados de uma forma representativa, segundo a ABNT NBR 10007, e
submetidos a um contato dinâmico e estático com água destilada ou
desionizada, à temperatura ambiente. Conforme ABNT NBR 10006, não
17
tiverem nenhum de seus constituintes solubilizados a concentrações
superiores aos padrões de potabilidade de água.”
Considerando-se a origem dos resíduos o fator mais importante para sua
caracterização, Pinto (1979), costuma-se classificar o resíduo urbano em quatro
grandes grupos: o lixo de origem doméstica ou de origem nas atividades no
comércio e da indústria; o lixo público, ou seja, os resíduos recolhidos nos
logradouros públicos; e o lixo de fontes especiais, como é o caso dos resíduos
hospitalares, lixos de quartéis; resíduos sólidos das estações de tratamento de
esgoto.
De acordo com a Sema (2008), resíduos sólidos são materiais
heterogêneos, (inertes, minerais e orgânicos) resultante das atividades humanas e
da natureza, os quais podem ser parcialmente ou totalmente aproveitados, gerando,
entre outros aspectos, proteção a saúde pública e economia dos recursos naturais.
Para Zilberman (1997), a natureza do material pode ser importante e,
então, podemos classificá-lo na base de porções orgânica, inorgânica, combustíveis,
não-combustíveis, putrescíveis ou não-putrescíveis. Podendo também ser abordado
através do tipo do material que o compõe.
2.3.1 Tipos de Materiais que Compõe os Resíduos Sólidos Urbanos
De acordo com a classificação do Cempre (2000), o lixo domiciliar é
composto por restos de alimentos (cascas de frutas, verduras, sobras etc.), produtos
deteriorados, jornais e revistas, garrafas, embalagens em geral, papel higiênico,
fraldas descartáveis e uma grande diversidade de outros itens. Contém, ainda,
alguns resíduos que podem ser tóxicos, como pilhas, baterias e lâmpadas.
Mano, Pacheco e Bonelli (2005), concordam com a definição do Cempre
(2000), e consideram necessário separar o lixo perigoso do lixo comum, para
tratamento adequado. Entre esses resíduos incluem-se:
- Materiais para pintura: tintas, solventes, vernizes;
- Produtos para jardinagem e tratamento de animais: repelentes,
inseticidas, herbicidas e frascos de aerossóis;
18
- Produtos para motores: óleos lubrificantes, fluidos de freio, baterias.
O autor Zilberman (1997), compõe o lixo doméstico como sendo refugos
combustíveis, cinzas, resíduos industriais, sobras de limpeza de ruas, carcaças,
pedaços de veículos, sobras de demolição e de construção, resíduos de tratamento
de esgoto e de água.
Lima (2004) concorda com a definição dos autores citados a cima para o
lixo domestico e define o comercial sendo compostos pelos mesmos, os resíduos
industriais sendo restos de construções civis, e o hospitalar oriundos das salas de
cirurgias, das áreas de intervenção e isolamento.
O mesmo ainda define mais dois grupos, como lixo especial e outros: o
especial composto por veículos abandonados, podas de jardins e praça, mobiliários,
animais mortos e descargas clandestinas. E outros como sendo os provenientes de
sistemas de varredura e limpeza de galerias e boca de lobo (LIMA, 2004).
2.4 GERENCIAMENTO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS
Segundo Mano, Pacheco, Bonelli (2005), O gerenciamento da destinação
dos resíduos urbanos é um conjunto de ações normativas, operacionais, financeiras
e de planejamento para disposição do lixo de forma ambientalmente segura,
utilizando tecnologias compatíveis com a realidade local.
Devendo-se priorizar a sustentabilidade ambiental através da redução,
substituindo os descartáveis por materiais reutilizáveis e recicláveis, mais resistentes
e duradouros. No entanto implica em contrariar a indústria de consumo e mudar os
hábitos da população (COSTA, 2007).
De acordo com a Lei 12.305 (2010), a Política Nacional de Resíduos
Sólidos, tem como objetivo incentivar a reciclagem, o correto manejo de materiais
com alto potencial de contaminação, a disposição final ambientalmente adequada
dos rejeitos incluindo outras garantias como o sistema de logística reversa.
Segundo Sema (2008), para atingir o objetivo da redução dos resíduos
sólidos, é em geral adotada a filosofia sob a denominação 3Rs, (Reduzir, Reutilizar e
Reciclar).
19
Reduzir é diminuir a quantidade de resíduos gerados, consumindo
somente o necessário.
Reutilizar dar uma nova utilidade a materiais que são considerados
inúteis.
Reciclar separar todos os materiais potencialmente recicláveis, para a
coleta
seletiva
que
posteriormente
serão
reaproveitados
pelas
indústrias
recicladoras.
Para os autores Mano, Pacheco, Bonelli (2005), a implantação de
programas de coleta seletiva passa pela educação ambiental, sistema que visa
ensinar ao cidadão o seu papel como gerador de lixo, e precisa ser cultivado desde
cedo, nas escolas e nas comunidades.
Grippi (2006) concorda com Mano, Pacheco e Bonelli (2005), que dentre
os fatores para a melhoria da qualidade de vida das pessoas, através do
gerenciamento adequado do nosso lixo do dia-a-dia, está o processo de educação
ambiental.
Segundo a Lei 12.305 de 2010, art.13 e art. 20, a responsabilidade pelo
gerenciamento dos resíduos sólidos, varia de acordo com a sua origem, podendo,
então, ser atribuída à prefeitura ou ao próprio gerador do resíduo. Sendo os resíduos
de responsabilidade da prefeitura:
a) Resíduos domiciliares: originários de atividades domésticas em
residências urbanas
b) Resíduos de limpeza urbana: originários da varrição, limpeza de
logradouros e vias públicas e outros serviços de limpeza urbana
c) Resíduos sólidos urbanos: os englobados em “a” e “b”
d) Resíduos de estabelecimentos comerciais e prestadores de
serviços: os gerados nessas atividades, exceto: “b”, “e”, “g”, “h” e “j”.
E os resíduos de responsabilidade do gerador são os provenientes de:
e) Resíduos dos serviços públicos de saneamento básico: os gerados
nessas atividades, exceto “c”
f) Resíduos industriais: os gerados nos processos produtivos e
instalações industriais;
20
g) Resíduos de serviços de saúde: os gerados nos serviços de saúde,
conforme definido em regulamento ou em normas estabelecidas pelos órgãos do
Sisnama e do SNVS;
h) Resíduos da construção civil: gerados nas construções, reformas,
reparos e demolições de obras de construção civil, incluídos os resultantes da
preparação e escavação de terrenos para obras civis;
i) Resíduos agrossilvopastoris: gerados nas atividades agropecuárias e
silviculturais, incluídos os relacionados a insumos utilizados nessas atividades;
j) Resíduos de serviços de transportes: originários de portos,
aeroportos, terminais alfandegários, rodoviários e ferroviários e passagens de
fronteira;
k) Resíduos de mineração: gerados na atividade de extração de
minérios.
De acordo com os autores Silva, Rameh, Sarmento (2006), tais ações de
gerenciamento ambiental são desenvolvidas por administrações municipais com
base em critérios sanitários, ambientais e econômicos, para: coletar, segregar, tratar
e dispor os resíduos de forma adequada.
Conforme Lei 12.305 (2010), relatados no art.33 que os fabricantes,
importadores, distribuidores e comerciantes são obrigados a implantar sistema de
logística reversa, mediante retorno dos produtos após o uso pelo consumidor, de
resíduos perigosos como:
- Agrotóxicos e seus resíduos e embalagens;
- Pilhas e baterias;
- Pneus;
- Óleos lubrificantes, seus resíduos e embalagens;
- Lâmpadas fluorescentes, de vapor de sódio e mercúrio e de luz mista;
- Produtos eletroeletrônicos e seus componentes.
21
2.4.1 Formas de Destinação Final de Resíduos Sólidos
Quanto às formas de Destinação dos resíduos sólidos Mano, Pacheco e
Bonelli (2005), citam vazadouros ou lixões formas irregulares de disposição; e
aterros sanitários. Lima (2004) concorda com a definição dos autores acrescentando
também os aterros controlados e a incineração.
O lixão ou vazadouro é uma forma inadequada de disposição final dos
resíduos sólidos. Consiste em seu despejo em terrenos a céu aberto, sem medidas
de proteção ao meio ambiente e à saúde, provocando então a proliferação de
vetores de doenças (moscas, mosquitos, baratas, ratos, etc.), e principalmente
poluição do solo e das águas superficiais e subterrâneas, (MANO, PACHECO E
BONELLI, 2005).
O aterro controlado é uma técnica que utiliza princípios de engenharia
para o confinamento dos resíduos sólidos, porém geralmente não dispõe de
impermeabilização de base, o que compromete a
qualidade das águas
subterrâneas, nem conta com sistemas de tratamento de todo o chorume formado
ou de dispersão dos gases gerados, (LIMA, 2004).
O aterro sanitário consiste na utilização de princípios de engenharia para
confinamento dos resíduos sólidos em camadas. Desse modo são evitados riscos a
saúde pública e à segurança, minimizando impactos ambientais, pois reduz odores,
evita incêndios e impede a proliferação de insetos e roedores, (MANO, PACHECO,
BONELLI, 2005).
A incineração é um processo de destruição térmica de resíduos de alta
periculosidade, transformando-os em cinzas inertes. O autor ressalta ainda que os
gases gerados devam ser adequadamente tratados e as cinzas depositadas em
aterros apropriados (LIMA, 2004).
Costa (2007) define a reciclagem como uma forma de destinação final
para os resíduos sólidos recicláveis, transformando materiais já usados em novos
produtos que podem ser comercializados. Além de reduzir o volume do lixo que é
levado para os aterros.
22
2.4.2 Reciclagem
De acordo com Costa (2007), a reciclagem é um processo industrial que
converte o lixo descartado (matéria-prima secundária) em produto semelhante ao
inicial ou outro. A reciclagem representa uma grande economia de matérias-primas,
de energia, de água e de produtos químicos.
Grippi (2006) relata que a reciclagem contribui com vários benefícios na
conservação do meio ambiente, porém não deve ser vista como principal solução
para o lixo, mas uma atividade econômica que deve ser encarada como um
elemento dentro de um conjunto de soluções ambientais.
Segundo Costa (2007), por exemplo, para cada tonelada de papel
reciclado são poupadas o corte de aproximadamente 10 a 20 árvores adultas, que
além da preservação das florestas trazem de volta ao ciclo produtivo o que é jogado
fora.
Os recicláveis são classificados em metal, papel, plástico e vidro,
incluindo também os materiais orgânicos, os quais são reciclados através da
compostagem. Entretando, apesar de a reciclagem ser um meio de reduzir a
quantidade de resíduos, está longe de solucionar o problema. Existem diversos
outros tipos de materiais descartados sem qualquer possibilidade de reciclagem,
como isopor, estopas, rolhas, fraldas e absorventes, guardanapos e papel higiênico,
papéis laminados e plastificados, filmes fotográficos, entre inúmeros outros.
Os principais tipos de materiais recicláveis encontrados com mais
freqüência no resíduo sólido urbano, de acordo com CEMPRE (2000) são:
- Plásticos (garrafas, frascos, sacolas entre outros);
- Alumínio (latinhas, esquadrias);
- Metais Ferrosos (latos perfis variados, molas, tambores);
- Orgânicos (restos de comidas, resíduos de jardins);
- Papel/Papelão (caixas de papelão, jornais, papel branco, catálogos
telefônicos, embalagens tipo longa-vida);
- Borracha (pneus, tapetes);
- Vidro (frascos, garrafas, vidro plano ex. janela);
- Entulho (concreto, tijolos, telhas);
23
- Material para Reutilização (livros, bicicletas, roupas, sapatos entre
outros).
2.4.2.1 Coleta Seletiva
Segundo Cempre (2000), existem diversas formas de realizar um sistema
de coleta seletiva de lixo domiciliar urbano, as quatro principais modalidades de
coleta seletiva são: porta-a-porta, em postos de entrega voluntária, em postos de
troca e por catadores.
A coleta porta-a-porta é realizada por caminhão onde os materiais
secos são coletados separadamente ou todos juntos, dependendo do objetivo do
programa.
A coleta seletiva em PEV - Postos de Entrega Voluntária é geralmente
instalados em pontos fixos no município, para que a população deposite
espontaneamente seus recicláveis nos contêineres de cores distintas.
A coleta realizada em postos de troca baseia-se na troca do material
entregue por algum bem ou beneficio, podendo ser alimento, vale- transporte, valerefeição, descontos para ingressos em eventos culturais entre outras opções a ser
definida localmente.
Os catadores (autônomos e em cooperativas), são responsáveis pela
coleta e separação de vários tipos de materiais para as indústrias recicladoras.
No Município de Foz do Iguaçu a coleta seletiva, além do recolhimento
formal, conta ainda com o trabalho de catadores de lixo, os catadores são
organizados em cooperativas e associações. E segundo o secretário municipal do
Meio Ambiente Edson Mezomo, o município recebeu equipamento que pode
proporcionar melhores condições de trabalho aos recicladores, uma importante
ajuda que acelera o processo de desenvolvimento que pretende-se realizar com os
agentes ambientais de reciclagem segundo a matéria da prefeitura (CLICK FOZ,
2010).
24
3 PERCEPÇÃO AMBIENTAL
Após a Segunda Guerra Mundial, a partir da década de 1960, ganhou
força a percepção de que a humanidade estava caminhando aceleradamente para
um provável colapso de recursos naturais essenciais à vida no planeta Terra,
necessitando de mudanças nos pensamentos e nas técnicas (Almeida & Oliveira
2007).
De acordo com Rio & Oliveira (1999), antes de entender percepção é
necessário saber o conceito de topofilia, que pressupõe a importância fundamental
dos laços afetivos do ser humano com o meio natural. Pois os autores relatam que
“duas pessoas não vêem a mesma realidade, nem dois grupos sociais fazem
exatamente a mesma avaliação do meio ambiente”.
O termo percepção, derivado do latim perception, é definido na maioria
dos dicionários da língua portuguesa como: ato ou efeito de perceber, combinação
dos sentidos no reconhecimento de um objeto, que é mediada pela motivação, pelos
valores éticos, morais, interesses, julgamentos e expectativas daqueles que
percebem (MARIN, 2008).
Rio & Oliveira (1999), compreendem percepção como um processo
mental de interação do indivíduo com o meio ambiente que se dá através de
mecanismos perceptivos. Sendo captados através de cinco sentidos: sensações,
motivação, cognição, avaliação e conduta.
Com o mesmo raciocínio Mucelin & Belline (2008), destacam que as
atividades cotidianas fazem com que o morador urbano não perceba situações
como, casos de agressões ambientais, poluição visual e disposição inadequada de
lixo, pois a familiaridade com a situação o torna compelido a conceber tais
ocorrências como normais, confirmando a pesquisa realizada no local de estudo.
Ainda os autores Mucelin & Belline (2008), relatam que realizaram uma
pesquisa com moradores para entender como os mesmos percebiam ou entendiam
o lixo. Foram registramos dois núcleos sígnicos perceptivos: de um lado, algumas
pessoas listavam objetos que constituíam o lixo e, de outro, a maior parte procurava
formular uma definição.
25
4 EDUCAÇÃO AMBIENTAL
Segundo a Lei Federal nº. 9.795/1999 Art. 1 o A educação ambiental é um
processos pelo qual as pessoas e coletividade constroem valores sociais,
conhecimentos, capacidades, atitudes e competências voltadas para a preservação
e conservação do meio ambiente, ao mesmo tempo dando valor a um “bem de uso
comum do povo, essencial à sadia qualidade de vida e sua sustentabilidade”.
O CONAMA define educação ambiental como um processo de concepção
e informação, através de orientação para o desenvolvimento da consciência crítica
da população com relação às questões ambientais, e de atividades que levem à
participação das comunidades na preservação do equilíbrio ambiental (DIAS, 1998).
4.1 SURGIMENTO DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL
A Educação Ambiental surgiu da necessidade de buscar o equilíbrio
harmônico entre o homem e seu ambiente, de forma a aliar desenvolvimento e
preservação, passando pela participação de todos os cidadãos na solução dos
problemas e preocupações ambientais (DIAS, 1998).
A Educação Ambiental é introduzida como política pública no mundo a
partir da Conferência de Estocolmo, em 1972. Passou a ser considerada um dos
instrumentos principais na intervenção dos problemas ambientais e vem sendo
difundida por meio de eventos em diversas partes do mundo (REIGOTA, 2009).
Durante a ECO-92 foi aprovado pelo Fórum de ONGs e Movimentos
Sociais o Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis e
Responsabilidade Global. Trata-se de um documento internacional, proposto por
pessoas de todo o mundo, estabelecendo de forma clara a relação entre educação
ambiental e a igualdade social e econômica (SORRENTINO, TRAJBER, FERRAZ,
2007). Sendo alguns de seus princípios, de acordo com o tratado (MMA, 2010):
- A educação é um direito de todos; somos todos aprendizes e
educadores;
26
- A educação ambiental deve ter como base o pensamento crítico e
inovador, em qualquer tempo ou lugar, em seus modos formal, não formal e
informal, promovendo a transformação e a construção da sociedade;
- A educação ambiental é individual e coletiva. Tem o propósito de formar
cidadãos com consciência local e planetária, que respeitem a autodeterminação dos
povos e a soberania das nações;
- A educação ambiental deve envolver uma perspectiva holística,
enfocando a relação entre o ser humano, a natureza e o universo de forma
interdisciplinar;
- A educação ambiental deve estimular a solidariedade, a igualdade e o
respeito aos direitos humanos, valendo-se de estratégias democráticas e interação
entre as culturas.
4.1.1 Importância da Educação Ambiental
De acordo com Grippi (2006), a educação ambiental visa inserir as
pessoas no contexto ambiental e envolvê-las na solução dos problemas. Ressalta
ainda que não pode haver conservação nem preservação ambiental sem a
educação, pois esta constrói no indivíduo e coletividade consciência, que visam
priorizar o meio ambiente.
A educação ambiental deve ser oferecida para indivíduos de todas as
idades, em todos os níveis e estar presente tanto na educação formal como na
informal, devendo começar nas escolas, nas universidades, nos sindicatos e
associações de bairros, que trará benefício para seu meio ambiente e toda a
comunidade (REIGOTA, 2009).
As atividades de educação ambiental permitem aos alunos oportunidades
de desenvolver pesquisas em diversos ambientes, com a estratégia de identificar e
definir problemas ambientais, gerar soluções alternativas, desenvolver e gerar um
plano de ação (DIAS, 1998).
27
4.1.2 Para que Serve a Educação Ambiental
De acordo com Reigota (2009), algumas das diversas atuações da
educação ambiental são:
- Parques e reservas ecológicos: o enfoque é proteger as espécies
animais e vegetais que aí vivem e as suas interdependências.
- Nas associações de bairros: analisam-se os problemas ambientais
cotidianos e as suas possibilidades de solução.
- Nos sindicatos: as condições de trabalho, manuseio de produtos tóxicos,
segurança e risco são temas imprescindíveis.
- Nas universidades: dedicam-se à formação de profissionais que possam
atuar nas diversas áreas do conhecimento voltadas para o meio ambiente.
- Os meios de comunicação de massa: tem um papel importante quando
difundem filmes, artigos e reportagens focando as questões ambientais.
- Escolas e creches: exercendo um papel muito importante no processo
de construção de conhecimentos dos alunos, na modificação dos valores e condutas
ambientais.
O intuito da educação ambiental é proporcionar a todas as pessoas a
possibilidade de adquirir os conhecimentos, os sentidos dos valores, o interesse
ativo e as atitudes necessárias para proteger e melhorar o meio ambiente (DIAS,
1998).
De acordo com a Lei 9795 (1999) os objetivos e fundamentais da educação
ambiental são:
I - o desenvolvimento de uma compreensão integrada do meio ambiente
em suas múltiplas e complexas relações, envolvendo aspectos ecológicos,
psicológicos, legais, políticos, sociais, econômicos, científicos, culturais e éticos;
II - a garantia de democratização das informações ambientais;
III - o estímulo e o fortalecimento de uma consciência crítica sobre a
problemática ambiental e social;
IV - o incentivo à participação individual e coletiva, permanente e
responsável, na preservação do equilíbrio do meio ambiente, entendendo-se a
defesa da qualidade ambiental como um valor inseparável do exercício da cidadania;
28
V - o estímulo à cooperação entre as diversas regiões do País, em níveis
micro
e
macrorregionais,
com
vistas
à
construção
de
uma
sociedade
ambientalmente equilibrada, fundada nos princípios da liberdade, igualdade,
solidariedade, democracia, justiça social, responsabilidade e sustentabilidade;
VI - o fomento e o fortalecimento da integração com a ciência e a
tecnologia;
VII - o fortalecimento da cidadania, autodeterminação dos povos e
solidariedade como fundamentos para o futuro da humanidade.
4.3 RELAÇÃO ENTRE EDUCACÃO AMBIENTAL E PERCEPÇÃO AMBIENTAL
De acordo com a autora Hammes (2004), a educação ambiental busca na
interação com a sociedade construir relações sociais, econômicas e culturais, pelas
quais o indivíduo e a sociedade construam valores sociais, conhecimentos,
habilidades e competências para a conservação e preservação do meio ambiente.
Percepção ambiental é determinada como sendo uma tomada de
consciência do ambiente pelo homem, ou seja, perceber o ambiente que se está
localizado, aprendendo a protegê-lo e cuidá-lo da melhor forma (RIO & OLIVEIRA,
1999).
Em processos de Educação Ambiental, segundo Almeida & Oliveira
(2007), saber como os indivíduos entrevistados percebem o ambiente em que vivem,
é de fundamental importância, pois só assim, conhecendo a cada um, será possível
atingir um objetivo desejável com bases locais, partindo da realidade do público alvo.
De acordo com os autores Mucelin & Belline (2008), a educação
ambiental, ao ser conhecida como um artifício que permite ao indivíduo
compreender as relações de interdependência com seu meio, a partir do
conhecimento reflexivo e crítico de sua realidade biofísica, social, política,
econômica e cultural, utiliza-se da percepção como forma de tomada de consciência
do ambiente pelo homem.
Estudos sobre percepção ambiental no campo da educação ambiental
são iniciativas que podemos considerar relativamente novas, se comparadas à
29
inserção da temática em outros campos de conhecimento, como a psicologia e a
geografia (MARIN, 2008).
30
5 MATERIAL E MÉTODOS
5.1 CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO
O bairro Jardim Europa está situado na porção leste do município de Foz
do Iguaçu - PR. Sua área total abrange 349.902,46 m2, contendo um nº de 364 lotes,
com área verde de 13.267,20 m2, pavimentação e serviços públicos, há
aproximadamente 2080 moradores no mesmo. Sua vizinhança de entorno é
composta por maior parte de área reservada para construções industriais e mais
dois bairros, sendo o Parque Residencial Morumbi e o loteamento Portal da Foz.
O Jardim Europa é um bairro considerado novo na cidade, pois existe
desde 1990. A Figura 01 mostra a localização do bairro.
Figura 01: Imagem Aérea do Bairro Jardim Europa no Município de Foz do
Iguaçu/PR.
Fonte: Google Earth, 2010, com delimitação realizada pela autora.
31
5.2 TIPO DE PESQUISA E TÉCNICAS UTILIZADAS
O estudo realizado no bairro jardim Europa foi uma pesquisa de caráter
qualitativa. De acordo com Haguette (1992), a pesquisa pode ser participativa e
basicamente busca compreender os fenômenos, segundo a perspectiva dos
sujeitos. Envolve a obtenção de dados descritivos sobre pessoas, lugares e
processos interativos pelo contato direto do pesquisador com a situação estudada,
além de comparações e interpretações desses mesmos dados.
Na presente pesquisa foram utilizadas para coleta de dados três técnicas:
observação, questionários e entrevistas, a seguir detalhadas.
A observação é uma técnica de coleta de dados a campo para conseguir
informações ou conhecimentos acerca de um problema. A mesma ajuda o
pesquisador a identificar e a obter provas a respeito de objetivos sobre os quais os
indivíduos não têm consciência, mas que orientam seu comportamento (MARCONI
& LAKATOS, 2010).
O questionário é uma forma mais usada para coletar dados, permitindo o
preenchimento pelo próprio informante. O questionário utilizado foi o padronizado
para obter dos sujeitos, resposta às mesmas perguntas relacionadas com o
problema central. O mesmo Possui a vantagem de os respondentes se sentirem
mais confiantes, dado o anonimato que possibilita coletar informações e respostas
mais reais (CERVO, BERVIAN, SILVA, 2007).
A entrevista é um procedimento utilizado na investigação social, para a
coleta de dados ou para ajudar no diagnóstico ou de um problema social. Tem como
objetivo principal a obtenção de informação do entrevistado, sobre determinado
assunto ou problema (MARCONI & LAKATOS, 2010).
5.3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
O trabalho foi dividido em duas etapas distintas, sendo a primeira de
levantamento de dados através de visita in loco e registros fotográficos, realizados
32
no período do mês de setembro de 2010. A observação foi realizada durante duas
semanas. Foram percorridas todas as ruas a pé a fim de encontrar os pontos de
descartes irregulares de resíduos sólidos, bem como observar presença de lixo em
calçadas e quintais. Eventualmente, foram também observados moradores a
caminho do despejo de resíduos em terrenos ou calçadas.
A câmera fotográfica registrou imagens da disposição inadequada de
resíduos sólidos em terrenos baldios e logradouros públicos, e uma prancheta serviu
para anotações de qualificação e caracterização dos resíduos e das áreas de
despejo.
Na segunda etapa, realizada no mês de outubro e novembro de 2010 foi
empregado questionário (apêndice) com 13 grandes questões e subitens para 35
moradores do bairro. A escolha destes moradores foi distribuída por todas as ruas
do bairro, em pontos próximos a descarte irregular de lixo, para identificar os
aspectos que levam os mesmos a descartar os resíduos em locais impróprios.
No caso dessa pesquisa a entrevista informal foi utilizada para
complementar as informações dos questionários, quando estes não estavam
completos ou de modo assistemático, quando foram tiradas as fotos, a fim de obter
informações preliminares.
Posteriormente, foi feita a compilação dos dados de campo e discussão
sobre os resultados encontrados, comparando-os com dados de outros autores.
33
6 RESULTADOS E DISCUSSÃO
6.1 LOCALIZAÇÕES DOS PONTOS DE DESCARTES DE RESÍDUOS
A imagem aérea mostra a localização dos pontos de descartes
clandestinos de resíduos. Os resíduos encontrados não foram quantificados em
balanças ou volume, apenas visualmente, podendo observar-se que na área
industrial (que faz divisa com o bairro) se encontra a maior concentração de despejo
de variados tipos de resíduos sólidos.
O bairro Jardim Europa conta com 74 terrenos baldios, sendo 35 terrenos
limpos ou plantados, 39 lotes sujos com podas de árvores, restos de construção civil
entre outros. Mas estão marcados na Figura (02) somente 20 terrenos, pois estes
contêm descarte de restos de construção civil, um resíduo de natureza permanente
diferentemente do ocorrido com a matéria orgânica. A Figura 02 demonstra os
pontos de descartes na área industrial e nos terrenos baldios, sendo as marcas
proporcionais à quantidade de resíduo descartado.
Figura 02: Pontos de descarte irregular de resíduos sólidos.
Fonte: Google Earth, 2010, adaptado.
34
6.2 OBSERVAÇÕES DE DESCARTES INADEQUADOS
Pode-se observar alguns dos tipos de resíduos provenientes de descartes
na área industrial e em logradouros públicos. Através das imagens é possível
observar que em grande parte da presença dos resíduos encontram-se restos de
construções civis (concreto, tanques, vasos sanitário, lavatório, ferros, gessos e
madeira) incluindo também vidros (garrafas de bebidas, pára-brisas de carros e
utensílios domésticos), galhos de árvores, resíduos recicláveis, carcaça de móveis,
roupas e calçados.
Amaecing & Ferreira (2008), relatam que os resíduos sólidos, quando
dispostos de maneira incorreta em vias públicas, comprometem a estética dos
bairros e a saúde da população. Isto foi apontado nas respostas ao questionário
aplicado no bairro, conforme se poderá ver mais adiante, ocupando terceiro
(paisagismo) e primeiro lugar (descarte de lixo) na lista de incômodos da população
estudada. Para minimizar esse impacto visual e evitar a proliferação de vetores,
cabe à administração pública das cidades fornecerem os serviços de coleta com
regularidade e competência.
Segundo a NBR 10004 (2004), os resíduos de construção civil e os vidros
são classificados como classe II B, inertes, exceto (latas de tintas, pinceis, solventes
estopas e cimentos) que se enquadram na classe II A. Esse tipo de resíduo foi
encontrado em vários pontos do bairro, como mostram as Figuras 03 e 04 a seguir.
Figura 03: Resíduos de construção civil.
Figura 04: Resíduos de vidros diversos.
35
Em alguns pontos de descarte também foram observados resíduos de
matérias orgânicas, como cascas de frutas e legumes, bagaço de cana, serragem,
folhas de podas de árvores e grama. Acrescentando os rejeitos como restos de
comidas, pedaços de carne, guardanapos, papel higiênico, entre outros. De acordo
com Freitas (2006), os resíduos orgânicos (úmidos) devem ser separados
adequadamente dos resíduos secos (ex: metais papeis, plásticos). Sendo que o
contato direto entre ambos os tipo de materiais faz com que muitos dos materiais
recicláveis não possam ser reaproveitados, como ocorre na situação ilustrada na
Figura 05.
Figura 05: Resíduos orgânicos e recicláveis misturados, descartados na
área industrial.
As imagens representadas logo a seguir expõem as respostas de 14
respondentes do questionário, que afirmaram ter entulhos armazenados no quintal
ou calçadas. Relataram não ter quem recolhe gratuitamente e que o custo para
recolha particular é alto, como pode-se observar nas Figuras 06 e 07 a seguir. É
quase certo ainda que os indivíduos estejam informados sobre o preço da retirada
do mesmo, pois todos descreveram um valor entre R$ 60,00 e R$ 70,00 reais.
36
Figura 06: Resíduos de construção civil e
podas de árvores em quintal.
Figura 07: Resíduos de construção civil
Depositado na calçada.
6.3 OBSERVAÇÕES ACERCA DA REUTILIZAÇÃO DE MATERIAIS NO BAIRRO
Ao percorrer as ruas do bairro pode-se constatar através de algumas
imagens mostrando a reutilização de materiais que nem todos os moradores
pensam e agem da mesma forma. Provavelmente, isso pode ser atribuído às
diferenças de percepção dos moradores quanto ao resíduo, conforme a
conceituação da pesquisadora Andréia Marin (2008), segundo a qual percepção
ambiental seria “o ato ou efeito de perceber, combinação dos sentidos no
reconhecimento de um objeto, que é mediada pela motivação, pelos valores éticos,
morais, interesses, e expectativas daqueles que compreendem”.
O reaproveitamento de materiais, com ganhos estéticos, é evidente nas
imagens das Figuras 08 e 09. Não passam despercebidas aos olhos de quem ali
transita, como atestado por ambos os donos das casas abaixo retratadas. Segundo
eles, freqüentemente, transeuntes param para elogiar o material ou pedir que eles a
vendam.
37
Figura 08: Reutilização coroa de moto velha.
Figura 09: Reutilização de pneus.
6.4 QUESTIONÁRIOS
Através de trinta e cinco questionários aplicados no bairro Jardim Europa
pode-se fazer o levantamento das respostas obtidas dos moradores, revelando a
percepção dos mesmos quanto ao bairro e os resíduos. Como relatam os autores
Rio & Oliveira (1999), quando se trata de percepção ambiental e seus valores, é
importante saber o conceito da topofilia, o qual mostra ao pesquisador os laços
afetivos entre a pessoa e o lugar. No presente estudo as questões 1 e 13 ilustram o
afeto dos moradores pelo bairro, como retratados na Figura 10.
38
40
Q 1 = Você gosta de morar
neste bairro?
35
Q 3 = Existe coleta seletiva
no bairro?
Número de pessoas
30
Q 7 = No seu bairro tem
terrenos baldios ou calçada
com lixo?
25
Q 8 = É possivel mudar a
situação dos lixos na rua?
20
Q 9 = Você já colocou lixo
em terreno vazio?
15
Q 10 = Você separa os
materiais recicláveis?
10
Q 12 = Se a prefeitura
coletasse lixo gratuitamente
você a chamaria?
5
0
SIM
NÃO
Figura 10: Mostra a quantidade de respostas obtidas para cada pergunta.
De acordo com a Figura 10, trinta e quatro dos respondentes declaram
gostar de morar no bairro. Entretanto, sendo assim, o que leva as pessoas a piorar o
lugar onde moram com o descarte de lixo? Pode-se encontrar uma pista nos estudos
de Mucelin & Belline (2008), os quais destacam que as atividades cotidianas fazem
com que o morador urbano não perceba determinadas situações, pois a
familiaridade com a situação o torna compelido a conceber tais ocorrências como
normais.
Ao responder a questão de n° 11 era possível marcar mais de uma opção
de modo que o gráfico a seguir retrata mais de 35 respostas. Apesar deles gostarem
de morar nesse lugar, se mostram descontentes, principalmente com a inadequada
disposição do lixo. Portanto, o resultado da Figura 11 difere da perspectiva de
(MUCELIN & BELLINE, 2008).
39
Há alguma coisa que a incomoda no bairro?
Número de pessoas
30
25
20
15
10
5
0
Figura 11: Mostra a insatisfação da população com relação ao bairro.
Na questão seguinte, “O que entendem por lixo?”, também era possível
marcar mais de uma opção, ocorrendo com o gráfico situação idêntica a anterior.
Foram 14 pessoas da população entrevistada a responder todas as alternativas,
seguida das opções respondidas com mais de uma opcão, como mostra a Figura 12.
O que é lixo para você?
Número de pessoas
16
12
8
4
0
Tudo que
sobra em
casa
Galhos de
podas de
árvores
Resíduos da
construção
civil
Recicláveis
Figura 12: Mostra o que as pessoas entendem por lixo.
Todas as
alternativas
40
De acordo com as Figuras 13, 14, e 15 pode-se observar quantos
moradores pesquisados tem lixo em casa, qual o tipo do mesmo e onde fica
depositado.
Tem algum tipo de lixo armazenado em sua casa?
Número de pessoas
25
20
15
10
5
0
Sim
Não, chamo a Não, chamo Não, jogo em Não , quando
caçamba cooperativa ou terreno vazio junta queimo
carroceiro
Figura 13: Quantidades de respondentes que relatam ter algum tipo de resíduo em casa.
Número de pessoas
Qual tipo de lixo você possui em sua casa?
30
25
20
15
10
5
0
Figura 14: Mostra a classificação dos resíduos sólidos urbano.
41
Qual lugar da sua casa você acúmula os
resíduos?
Número de pessoas
25
20
15
10
5
0
Quintal
Calçada
Lixeira
Outros
Figura 15: Mostra onde as pessoas depositam seus resíduos.
Sendo que 24 dos entrevistados responderam que tem lixo em casa
(sobras e recicláveis), armazenado na lixeira para ser recolhido pelo serviço de
coleta regular da prefeitura. A Figura 14 mostra quais os tipos de resíduos
acumulados pelas pessoas, como restos de construção civil, podas de árvores,
móveis velhos, pneus, entre outros, coincidindo com os materiais comumente
encontrados em casa, conforme relatado pelos autores MANO, PACHECO,
BONELLI (2005). Tais resíduos são depositados majoritariamente na lixeira, mas
também, muitas vezes, nos quintais e calçadas, como se vê na Figura 15. Neste
caso, a justificativa foi o alto custo para contratar as caçambas.
Ao perguntar para os entrevistados se o lixo causa algum problema,
todos responderam afirmativamente como indica a Figura 16.
42
O lixo causa algum problema?
40
Número de pessoas
35
30
25
20
15
10
5
0
SIM
NÃO
Figura 16: Números de resposta se o lixo pode causar algum problema.
Também ao responder as questões de nº 17, 18, 19 e 20, a seguir
discutidas, as pessoas puderam marcar mais de uma opção.
Considerando os Gráficos da Figura 16 e Figura 17, de trinta e cinco
entrevistados, mesmo podendo assinalar várias opções, somente uma pessoa
respondeu que o lixo pode trazer prejuízo também para si mesma, revelando a baixa
percepção das demais quanto aos efeitos do lixo em sua própria vida.
Para quem o lixo traz prejuízos?
Número de pessoas
12
10
8
6
4
2
0
Meio
ambiente
Saúde
Pública
Para mim Para minha Para todo o
mesmo
família e
bairro
vizinhos
Figura 17: Indica as resposta dos entrevistados para quem o lixo pode trazer
prejuízos.
43
Segundo os dados da Figura 18 os tipos de problema mais comuns
acarretados pelos descartes irregulares de resíduos sólidos são a proliferação de
vetores e as doenças transmitidas pelos mesmos (ex: casos de dengue). Além de
ser o responsável pela poluição visual do bairro. Estas informações coincidem com
aquelas da Figura 11.
Que tipo de problema o lixo pode gerar?
Número de pessoas
20
16
12
8
4
0
Figura 18: Mostra os problemas que a inadequada disposição de lixo pode trazer.
Na pesquisa do Gráfico 19 foi verificado que todos os respondentes do
questionário concordam que é possivel mudar essa realidade que tem crescido nas
áreas urbanas.
Através de multas e sensibilização da população. Relatando também que
campanhas
na
TV,
associação
e
palestras
nas
escolas
ajudariam
na
conscientização dos mesmos. E como incentivo também a realização de concursos
entre os bairros. Como mostra a Figura 19.
44
Número de pessoas
Como é possível mudar a situação do lixo na
comunidade?
16
14
12
10
8
6
4
2
0
Figura 19: A opinião da população com relação ao descarte irregular.
Os entrevistados marcaram os materiais recicláveis deixando as
embalagens de vidro para trás, e apontaram também todas as alternativas que não
são reciclavéis mostrando o desconhecimento pelos mesmos. Assim podendo
causar graves problemas ao meio ambiente, com a destinação incorreta de alguns
resíduos tóxicos, como pilhas, baterias e lâmpadas. O resultado é apresentado na
Figura 20.
45
Número de pessoas
Quais materiais você acha que são recicláveis?
12
10
8
6
4
2
0
Figura 20: Mostra quanto a população conhece os recicláveis.
As respostas quanto ao valor que as pessoas pagariam para a prefeitura
recolher os resíduos de construção civil, podas de árvores entre outros, podem ser
observadas na Figura 21.
Se a prefeitura cobrasse uma taxa, até quanto você
pagaria?
Número de pessoas
25
20
15
10
5
0
Não pagam Pagam até Pagam até Pagam até Pagam até Pagam até
nada
R$ 10,00 R$ 30,00 R$ 15,00
R$ 5,00
R$ 25,00
Figura 21: Qual valor que as pessoas acham justo pagar pela caçamba.
De acordo com esta Figura, 23 dos entrevistados responderam que não
pagariam nada pois já pagam impostos (IPTU, esgoto e coleta de lixo), relatando
46
que é obrigação da prefeitura recolher de graça e manter a cidade limpa. Outras 8
pessoas responderam que pagariam dez reais considerando um preço justo, porque
além de não pesar no bolso da população, a prefeitura ganharia evitando descartes
de resíduos em locais impróprios. As 4 restantes responderam que pagariam entre
cinco reais e trinta reais para manter o bairro limpo.
Provavelmente, um projeto de educação ambiental ajudaria a população
do bairro a compreender sua própria responsabilidade quanto ao descarte do
resíduo, conforme retratada na Lei 12.305 (2010): “a contratação de serviços de
coleta, armazenamento, transporte, transbordo, tratamento ou destinação final de
resíduos sólidos, ou de disposição final de rejeitos, não isenta as pessoas físicas ou
jurídicas referidas no art. 20 (anexo) da responsabilidade por danos que vierem a ser
provocados pelo gerenciamento inadequado dos respectivos resíduos ou rejeitos”.
Os dados referentes à questão 13 do questionário, ilustrados na Figura
10, mostram que mais da metade dos entrevistados participariam de uma campanha
para limpar o bairro e sensibilizar as pessoas. A associação dos moradores,
juntamente com escolas próximas, podem ser meios de conscientizar a população
dos bairros, podendo ajudar a acabar com o problema de descarte clandestino.
6.5 PROPOSTA DE INTERVENÇÃO PARA MELHORIAS NO BAIRRO
Com base na pesquisa realizada na área de estudo, foram constatadas
diversas irregularidades. Com intuito de sanar a problemática em questão apontamse as seguintes possibilidades de intervenção.
Estruturar Plano de Gerenciamento de Resíduos sólidos (PGRS),
municipal conforme determina Brasil Lei 12.305 (2010), para coleta seletiva.
Realizar
projetos
de
educação
ambiental,
apresentando
as
conseqüências que a disposição inadequada de resíduo sólido urbano pode trazer
para a comunidade local;
Colocar placas sinalizadoras nos terrenos baldios, citando a proibição
de jogar resíduos e discriminando a Lei 12.305/2010, art. 47 (Anexo).
47
Realizar palestras em local acessível para informar a população sobre
a responsabilidade do gerador quanto ao destino adequado dos resíduos e as
conseqüências e sanções do não atendimento à legislação em vigor, de acordo com
a Lei 12.305 (2010).
De acordo com a Figura 19 os indivíduos entrevistados cobram do
poder público mais fiscalização com relação ao descarte clandestinos nos bairros,
relatando que a punição através de multas auxiliaria a solucionar este problema.
48
7 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Tendo em vista que a disposição inadequada de lixo é uma questão de
saúde pública comum, o bairro Jardim Europa, em Foz do Iguaçu/PR, não foge à
regra e está enfrentando essa problemática típica das cidades brasileiras. Com os
dados da pesquisa realizada, constatou-se a existência de vários pontos de
descartes clandestinos de resíduos sólidos, a exemplo de: restos de construções
civis, podas de árvores, pneus, vários tipos de vidros, carcaça de veículos, entre
vários outros. Estes resíduos se encontram em lotes baldios, beiras de rua, calçadas
e dentro de quintais de alguns moradores.
Com relação à percepção ambiental, os moradores afirmam gostar do
lugar onde moram, porém estarem incomodados com a presença do lixo, com a
péssima imagem da paisagem e com a segurança. Possuem poucas ou
equivocadas informações a respeito da natureza dos resíduos e suas repercussões.
De acordo com a análise do questionário, 23 de 35 participantes
responderam não estar dispostos a pagar para que os resíduos sejam retirados de
suas calçadas ou quintais, porém, mostram-se interessados em apoiar ou participar
de iniciativas para sensibilizar a população local ou mesmo para retirada do lixo em
regime de mutirão. Sendo assim, como determina e Lei 9.795 (1999), citada
anteriormente, é dever do poder público promover educação ambiental, em todos os
níveis de ensino, e comprometer-se em levar informações para toda sociedade,
mobilizando-a para a recuperação, a conservação e para a melhoria do ambiente.
Espera-se que estas informações acerca das motivações, interesses e
dificuldades dos moradores possa subsidiar políticas públicas relativas aos resíduos
naquele local ou em outros semelhantes. Da mesma forma, esta pesquisa pode
contribuir para a elaboração de futuros projetos de educação, sensibilização e
informação ambiental no bairro, conforme recomendado pela Lei Nacional de
Educação Ambiental.
49
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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ZILBERMAN, Isaac. Introdução a Engenharia Ambiental. - Canoas: ed. ULBRAS,
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52
ANEXOS
53
ANEXO I
LEI 12.305/2010
DO PLANO DE GERENCIAMENTO DE RESÍDUOS SÓLIDOS
Art. 20. Estão sujeitos à elaboração de plano de gerenciamento de
resíduos sólidos:
I - os geradores de resíduos sólidos previstos nas alíneas “e”, “f”, “g” e “k”
do inciso I do art. 13;
II - os estabelecimentos comerciais e de prestação de serviços que:
a) gerem resíduos perigosos;
b) gerem resíduos que, mesmo caracterizados como não perigosos, por
sua natureza, composição ou volume, não sejam equiparados aos resíduos
domiciliares pelo poder público municipal;
III - as empresas de construção civil, nos termos do regulamento ou de
normas estabelecidas pelos órgãos do Sisnama;
IV - os responsáveis pelos terminais e outras instalações referidas na
alínea “j” do inciso I do art. 13 e, nos termos do regulamento ou de normas
estabelecidas pelos órgãos do Sisnama e, se couber, do SNVS, as empresas de
transporte;
V - os responsáveis por atividades agrossilvopastoris, se exigido pelo
órgão competente do Sisnama, do SNVS ou do Suasa.
Parágrafo único. Observado o disposto no Capítulo IV deste Título, serão
estabelecidas por regulamento exigências específicas relativas ao plano de
gerenciamento de resíduos perigosos.
54
ANEXO II
LEI 12.305/2010
DAS PROIBIÇÕES
Art. 47. São proibidas as seguintes formas de destinação ou disposição
final de resíduos sólidos ou rejeitos:
I - lançamento em praias, no mar ou em quaisquer corpos hídricos;
II - lançamento in natura a céu aberto, excetuados os resíduos de
mineração;
III - queima a céu aberto ou em recipientes, instalações e equipamentos
não licenciados para essa finalidade;
IV - outras formas vedadas pelo poder público.
§ 1o Quando decretada emergência sanitária, a queima de resíduos a céu
aberto pode ser realizada, desde que autorizada e acompanhada pelos órgãos
competentes do Sisnama, do SNVS e, quando couber, do Suasa.
§ 2o Assegurada a devida impermeabilização, as bacias de decantação
de resíduos ou rejeitos industriais ou de mineração, devidamente licenciadas pelo
órgão competente do Sisnama, não são consideradas corpos hídricos para efeitos
do disposto no inciso I do caput.
55
APÊNDICES
56
APÊNDICE I
UNIÃO DINÂMICA DE FACULDADE CATARATAS (UDC)
Este questionário faz parte do projeto de pesquisa da aluna de Engenharia
Ambiental da UDC, Kelin Karina Veiga de Britto, orientada pela profª. Luciana Mello
Ribeiro. Convidamos você a responder algumas questões para nos ajudar neste
trabalho. Obrigada pela colaboração! Seu nome não será divulgado.
Roteiro do questionário
1) Você gosta de morar neste bairro?
Sim ( )
Não ( )
2) Há alguma coisa que a incomoda no bairro?
Sim ( )
Não ( )
Se a resposta for sim, o que? (pode marcar mais de uma alternativa)
( ) Segurança
( ) Saneamento básico
( ) Coleta seletiva
( ) Paisagismo
( ) Disposição de lixo em calçadas e terrenos baldios
( ) Outros. Quais?
__________________________________________________
3) Existe coleta seletiva neste bairro?
Sim ( )
Não ( )
4) Além da reciclagem, o que mais pode ser feito com o lixo?
5) O que é lixo para você? (pode marcar mais de uma alternativa)
( ) O que sobra em casa (cascas de legumes e frutas, restos de varrição, fraudas
descartáveis, papel higiênico etc.).
( ) Galhos de podas de árvores.
( ) Resíduos de construção civil.
( ) Recicláveis.
( ) Todas as alternativas.
Outros:
Quais?____________________________________________________
5.1) Tem algum tipo de lixo armazenado em sua casa?
( ) Sim
( ) Não, sempre que precisa eu chamo a caçamba.
( ) Não, sempre que sobra eu queimo.
57
( ) Não, quando junta eu jogo em algum terreno vazio.
( ) Não, chamo a cooperativa ou o carroceiro para pegarem.
5.2) Por que?
5.3) Que tipo de lixo é? (pode marcar mais de uma alternativa)
( ) Restos de Construção Civil.
( ) Podas de árvores.
( ) Lixo Doméstico .
( ) Recicláveis.
( )Pilhas e baterias
( ) Eletrodomésticos
( ) Móveis velhos
( ) Carcaça de veículos
( ) Pneus usados
( ) Remédio velho
Onde fica: Quintal ( )
Calçada ( )
Lixeira ( )
6) Na sua opinião, o lixo causa algum tipo de problema? Sim ( )
Outros ( )
Não ( )
6.1) Se você disse sim: para quem (pode marcar mais de uma alternativa)?
( ) Para o meio ambiente em geral
( ) Para a saúde pública
( ) Para mim mesmo
( ) Para minha família e meus vizinhos
( ) Para todo o bairro
6.2) Que tipo de problema?
( ) doenças
( ) atrai ratos, baratas, moscas, vermes
( ) contamina o solo
( ) briga com a vizinhança
( ) polui o ar e a água
( ) criança pode se machucar
( ) deixa o bairro feio
( ) outro:
__________________________________________________________
7) No seu bairro tem terrenos baldios ou calçadas com lixo? Sim ( )
( )
Não
7.1) Se a resposta for sim, que tipo? (pode marcar mais de uma alternativa)
( ) Podas de árvores
( ) Restos de construção civil
( ) Utensílios domésticos, como eletrodomésticos, carcaças de móveis, pneus
( )
Outros:________________________________________________________
58
8) É possível mudar isso?
Sim ( )
Não ( )
Se a resposta for sim, como: (pode marcar mais de uma alternativa)
( ) Através de multas
( ) Sensibilizando a população
( ) Com campanha na TV ou no rádio
( ) Com campanha da associação de moradores
( ) Com palestras nas escolas
( ) Com mutirões de limpeza
( ) Através de um concurso entre os bairros para a escolha do mais limpo
(
)Outros:________________________________________________________
__
9) E você, já colocou lixo em algum terreno vazio alguma vez?
Sim ( )
Não ( )
9.1)
Qual
o
motivo?
_______________________________________________
10) Você separa os materiais recicláveis?
Sim ( )
Não ( )
10.1) Marque com um X os materiais que você acha que são recicláveis:
(
(
(
(
(
) Isopor, espuma
) lâmpadas
) Latas de tintas
) Pilhas
) Roupas
( ) Latas de alumínios
( ) Embalagens de vidro
( ) Revistas
( ) Garrafas pet
( ) Embalagem tetra pak (caixa leite)
11) Se a prefeitura cobrasse uma taxa para recolher este lixo, até qual valor você
pagaria?R$________ Por
que?_________________________________________
12) Se a prefeitura coletasse o lixo gratuitamente dos terrenos e calçadas, você a
chamaria? Sim ( )
Não ( )
Por que?
___________________________
13) Se alguém organizasse uma campanha para limpar o bairro e sensibilizar as
pessoas, você participaria? ( ) sim
( ) não
Por que?
__________________________________________________________
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Percepção Ambiental sobre a Disposição de Resíduos