Sinaes em Sinal de Alerta na Universidade Federal do Ceará Universidade Federal do Ceará (UFC) Eixo I – Criação de Estratégias e Metodologias para o Trabalho das CPA Maria do Socorro de Sousa Rodrigues (Universidade Federal do Ceará) Jacqueline Ramos Macedo Antunes de Souza (Universidade Federal do Ceará) Resumo O processo de avaliação da educação superior, preconizado pelo Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes), Lei n° 10.861, de 14 de abril de 2004, que contempla a um só tempo, em sua dinâmica e filosofia os aspectos formativo, somativo, emancipatório e construtivo, na busca da melhoria da qualidade da educação superior no Brasil, já é uma realidade no País e não há como deter sua marcha, sob pena de retrocesso. As diversificadas formas e etapas de avaliação dos cursos de graduação, sob a égide dessa lei, com suas dimensões articuladas e interdialogadas vêm colaborando com o descortinamento do perfil atual dos cursos de graduação, ao tempo em que contribui com amplo e salutar processo de reflexão coletiva sobre a ferramenta avaliação no âmbito das Instituições de Ensino Superior (IES), independente do viés classificatório com que se apresenta os dados às comunidades universitárias do País e à sociedade. Sob a responsabilidade da Comissão Nacional de Avaliação da Educação Superior (Conaes) os processos avaliativos vêm construindo história no Brasil e, mais notadamente com o Sinaes, podendo se verificar nos registros e na operacionalização do Inep, cuja responsabilidade institucional a este cabe. O objetivo deste ensaio é apresentar e discutir as ações de reflexão e despertamento da Universidade Federal do Ceará, nesses dois últimos anos (2012 e 2013) face ao cumprimento das ações de regulação necessárias e urgentes. Como procedimento metodológico, este trabalho recolhe as percepções de alunos, e gestores acadêmicos, capturadas nos ambientes em que o processos avaliativos vem ocorrendo, mais notadamente nas atividades de Reconhecimento dos 32 cursos de graduação (Reuni), nos ensaios de Autoavaliação Institucional e Enade, desveladas por meio de entrevistas, encontros e reuniões. Buscase interpretá-las à luz da legislação vigente e das contribuições teóricas de Dias Sobrinho e Zainko, mais notadamente. Alguns resultados vêm demonstrando já não haver mais lugar para o silêncio dos idos de 2007 a 2011 acerca da avaliação. Há um barulho mental e formal inquietando saudavelmente a comunidade e os ambientes da Universidade em seus mais diversificados campi e uma desvelada vontade institucional da gestão superior, CPA e Pró-Reitoria de Graduação em fomentar e suscitar a reflexão para a criação da cultura avaliativa. Alunos, gestores e docentes esperam ações contínuas a materializarem-se em ações de melhoria para a garantia da qualidade nos cursos de graduação e criação da cultura avaliativa. Palavras-chave: SINAES. Sinal de alerta. Cultura Avaliativa na UFC. Introdução A construção da cultura de avaliação no Brasil é ainda uma aspiração e uma expectativa. Obstáculos para essa edificação encontram-se relacionados ou ao desconhecimento dos seus sentidos e significados, ou a simples ideia de que avaliação serve para punir ou premiar. Mesmo quando as Instituições de Educação Superior encontram-se sob a égide da Lei 10.861, de 14 de abril de 2004, que instituiu o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior SINAES, ocorre ainda a retração ao processo, uma espécie de encurtamento da ideia. Há quem condene totalmente a lei, não encontrando nada de positivo. Há os que se esforçam por encontrar nela algo de positivo, e há um bom número de sujeitos da comunidade acadêmica que a conhecem pouco ou desconhecem. Há ainda os que por não entender o processo de construção que a avaliação produz, acreditam num modelo “transcendental” de excelência que contemple um padrão satisfatório de avaliação para todas as universidades públicas e privadas. Essa mágica, entendem, deve ser sobrenatural, para muito além do humano, pois nenhum modelo de avaliação em larga escala poderá se apresentar como perfeito dada a imensidão das particularidades de cada IES. Mas há os que anseiam e esperam mudanças e acreditam na avaliação como uma ferramenta capaz de propiciar essa mudança. Discutir o envolvimento da comunidade no cumprimento dessa lei é urgente, mas não deve ser apressado. Repensar os “nãos” declarados ou omissões assumidas aos processos de avaliação nas Instituições de Ensino Superior requer tempo, uma caminhada lenta até que se internalizem seus sentidos e se desconstrua as ideias de punição e de premiação atavicamente disseminada em todas as culturas. A avaliação possui repulsa atávica e imemorial que acompanha os homens desde sempre. Na Universidade Federal do Ceará, ensaios de planejamento e avaliação conjugados e incorporados ao fazer institucional tem sido uma busca, uma vontade que ainda não se materializou por completo em ação coletiva, mas que já se configura como uma saudável esperança de concretude, mas é preciso maturidade em avaliação para que isso ocorra. Desde a publicação da lei SINAES até o ano em curso, a comissão própria de avaliação (CPA) tentou alavancar um movimento de sensibilização para o exercício permanente da avaliação institucional, não obtendo, de todo, ao longo desses anos, respostas mais positiva da comunidade. O cansaço da insistência sem eco provocou um silêncio estratégico durante cinco anos. Era preciso sentir falta até mesmo de algo que não aconteceu. Com o REUNI a expansão de campi, cursos, vagas trouxe para a UFC novos talentos expandindo também o número de servidores Técnico-administrativos e docentes que começam a ver na avaliação o caminho apropriado para melhoria dos processos que envolvam alunos, docentes, técnicos e sociedade. Entre os anos de 2011 e 2012 os instrumentos de avaliação dos cursos de graduação foram longamente discutidos na sua construção. Consolidado esse processo, outro se inicia. Nesse período, a CPA se reestrutura, a Pró-Reitoria recria, na sua estrutura, ambiente de acompanhamento à regulação e avaliação dos cursos, ambas, hoje, conectadas pela mesma causa passam a trabalhar em conjunto. Deste modo, este ensaio objetiva analisar como a comunidade Interna da UFC, percebe esse cenário institucional que conjuga, a um só tempo, duas instâncias prioritárias de ação institucional (CPA e Prograd), para cumprimento da lei SINAES. Na busca desse alvo intentou-se desdobrar esse ensaio nos seguintes objetivos específicos: verificar a percepção dos alunos acerca da Lei Sinaes e seu cumprimento na UFC, bem como traçar o perfil de entendimento dos seus dirigentes sobre a avaliação preconizada e operacionalizada pela referida Lei. Discutem-se ainda, abreviadamente, as bases teóricas da avaliação no que comporta esse ensaio, os procedimentos metodológicos para a coleta de informações, análises dos dados, considerações finais e referências. Material e Metodologia A pesquisa se caracteriza como de campo, em que, na visão de Lakatos e Marconi (2008), coletam-se os dados espontaneamente, diretos no próprio local em que ocorre ou ocorreu o fato em estudo, sem interferência do pesquisador. Os sujeitos da pesquisa são os gestores acadêmicos, diretores de unidade e coordenadores de cursos de graduação, especialmente envolvidos nos processos de regulação, nos semestres 2013.1 e 2013.2 e autoavaliação institucional bem como os alunos que participarão do Enade em 2013. O instrumento de coleta para os gestores de unidades acadêmicas, encaminhado via Google drive em agosto de 2013, constou de um questionário com perguntas fechadas e abertas elaborado pela Coordenação de Planejamento e Avaliação de Programas e Ações acadêmicas Copav/Prograd/UFC, e versou sobre a percepção dos sujeitos acerca da Lei SINAES, suas práticas na Instituição, a interligação das práticas avaliativas e da efetividade da Comissão Própria de Avaliação (CPA). Já o instrumento de coleta aplicado aos alunos durante as reuniões sobre o SINAES e sobre a avaliação realizadas pela Copav/Prograd realizadas entre maio e julho de 2013 e, especificamente, sobre o Manual do ENADE 2013, constou de um formulário aberto, na forma de duas perguntas respondidas, antes e depois das referidas reuniões e categorizada por incidência no tipo de resposta, transformadas em tabelas, para melhor visualização neste artigo. O objetivo foi observar a percepção dos alunos sobre a referida lei, antes e depois das discussões, intentado, distinguir, se houve compreensão e/ou aprendizado acerca da temática. No início da reunião os alunos eram orientados pela coordenação a registrarem num formulário, suas percepções acerca da Lei SINAES e os processos de avaliação na UFC. Ao final da reunião os alunos respondiam outra questão acerca do mesmo objeto. O intuito era observar, se, após as orientações e discussões durante a reunião, os alunos conseguiam compreender a importância dos processos e etapas de avaliações interligadas na Instituição, sob a égide da Lei SINAES, sua efetiva participação e o sentimento de “pertença”, como forma de contribuir com a melhoria da qualidade dos cursos de graduação. Participaram dessa coleta alunos dos cursos de Estatística, Matemática Industrial, Farmácia, Medicina, Enfermagem e Odontologia. A amostra foi do tipo não probabilística acidental, tanto para os alunos como para os gestores de unidades acadêmicas. Para as análises os dados foram tabulados e organizados em gráficos e tabelas a partir das ferramentas Google Drive e Excel e seus resultados descritivos acrescidos dos comentários oriundos das questões abertas, no que coube a pertinência. Referencial Teórico A cultura de avaliação ainda se constitui processo de busca e vai se consolidando como prática educativa necessária e imprescindível à qualidade na educação, na medida em que os espaços de interação e discussão vão se efetivando. No Brasil, apesar de algumas tentativas anteriores, é somente a partir de 1983, que o Ministério da Educação, lança o Programa de Avaliação da Reforma Universitária (PARU), que pretendia desenvolver análises em dois aspectos principais: um ligado à gestão das universidades, e outro, à produção e disseminação do conhecimento. Essa iniciativa não foi à frente por descontinuidade política. Segundo Polidori, MarinhoAraujo e Barreyro (2006), após a desativação do PARU surgiram várias iniciativas governamentais, como a constituição da “Comissão de Notáveis” em 1985, e do Grupo Executivo da Reforma da Educação Superior (GERES), em 1986. Foi, no entanto, com o Programa Nacional de Avaliação Institucional das Universidades Brasileiras (PAIUB) que teve início a avaliação no ensino superior, nos anos 90. O PAIUB sugeria que as instituições fizessem suas próprias avaliações. Neste modelo avaliativo, cabia ao MEC articular, viabilizar e financiar a avaliação da educação superior a esta prática avaliativa. No PAIUB, a avaliação era um processo de acompanhamento metódico das ações realizadas pela instituição de educação superior, e visava averiguar em que medida estavam sendo cumpridas e atendidas as funções e prioridades delimitadas coletivamente. A responsabilidade da avaliação nas mãos da comunidade acadêmica eram entendidas como um bem público. O PAIUB apostava na construção de práticas avaliativas que fossem participativas, contínuas e sistemáticas, afinadas com o debate público e com a função social da educação superior no momento histórico. No entanto, como afirma Zainko (2008) com a posse do presidente eleito Fernando Henrique Cardoso e com a mudança de Governo em 1995, o modelo avaliativo do PAIUB passou a não se mostrar mais adequado como alicerce para dar os subsídios necessários ao MEC, no desempenho das funções de coordenação e controle do sistema de educação superior. Com a publicação da Lei 10.861, de 14 de abril de 2004 - Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (SINAES), constituindo-se novo sistema de avaliação da educação superior, as Instituições de Ensino Superior (IES) tiveram que se adequar a nova realidade, incorporando a ideia da avaliação mesmo que lentamente. A avaliação dentro do processo administrativo é considerada a etapa inicial do planejamento, na qual são estabelecidas as metas e os resultados a serem alcançados. Planejar tornou-se indispensável para a gestão nas organizações. Definir metas, objetivos e calendários, bem como acompanhar e avaliar permanentemente são papéis intrínsecos ao ato de bem administrar, sejam organizações ou instituições. A avaliação nas IES deve ser vista como processo formativo e como etapa final do ciclo administrativo, também possibilita, a partir de objetivos e metas predefinidos, aferir o sucesso do plano, bem como, traçar novos objetivos e metas. A esse conceito de avaliação estão relacionados os de qualidade, pertinência e equidade, considerando-se os grandes desafios que as universidades públicas enfrentam para cumprir sua missão política e técnico-científica, face à conjuntura internacional da globalização. A associação entre qualidade e pertinência tem como instrumento de medida a avaliação institucional cujo objetivo geral é melhorar a qualidade de educação superior, melhorar a gestão universitária e prestar contas à sociedade. Na percepção de Zainko (2008) é preciso consolidar a cultura de avaliação institucional na qual “fique evidente a mudança de concepção de avaliação que supera a sua fase estática característica do Provão, passando para uma forma de avaliação processual e dinâmica”, pois, no SINAES, ainda permanecem os vícios que estiveram presentes no início. Segundo essa autora os “problemas mais evidentes e que demandam providências são: a fragilidade da “cultura de avaliação”, a insuficiência de pessoal capacitado para dar conta da avaliação em nova concepção, e a insuficiência de pessoal técnico para a análise dos relatórios de autoavaliação”. Outra constatação, que não é nova, é que a composição e vida da Comissão Própria de Avaliação - CPA fica condicionada aos problemas políticos, à ausência de pessoal familiarizado com o tema, carência de discussões internas permanentes e produtivas e barreiras ideológicas e estruturais para a realização da autoavaliação. Sintetizando, reafirma Dias Sobrinho (2001, p. 78) que os “processos de avaliação institucional que se efetivam nas universidades devem produzir também o efeito de reafirmar a titularidade da avaliação [...] ou seja, “consolidar o princípio de que a avaliação nas instituições educativas é patrimônio cultural e prática inalienável da comunidade acadêmica e das instituições públicas da área [...]”, e acrescenta “isso é uma prerrogativa de sua responsabilidade social, que a torna ainda mais atenta às demandas e às vozes da sociedade”. Somente o esforço hercúleo, maduro, responsável, coletivo e permanente de uma comunidade proativa e consciente poderá materializar e aprimorar as experiências de avaliação na edificação da cultura avaliativa institucional brasileira. A cultura brasileira de refração à avaliação é, como dissemos, uma realidade que precisa ser modificada. O cenário já apresenta alguns avanços. Foi buscando encontrar e entender onde se encontram esses avanços que comunidade acadêmica da UFC foi consultada acerca dos processos e etapas da avaliação regidos pelo SINAES. Análise e discussão dos resultados Serão apresentados, primeiramente, os dados coletados junto aos alunos da UFC, por ocasião da reuniões de orientação da Prograd sobre a autoavaliação institucional e ENADE, corridas entre abril e julho de 2013, em algumas unidades, quais sejam: Faculdade de Medicina, Farmácia, Enfermagem e Odontologia, bem como no Centro de Ciências e nos campi Cariri e Sobral. Os alunos eram convidados a responder, voluntariamente, duas questões sobre suas percepções acerca da avaliação na UFC, sendo uma antes e outra após a reunião. O objetivo era verificar o que sabiam sobre o tema, bem como se após a reunião havia compreensão quanto à importância e necessidade dos processos de avaliação na Instituição e o sentimento de “pertencimento” desses estudantes à UFC. Alunos Participaram da pesquisa, aleatoriamente, 129 alunos de 06 cursos das áreas de saúde e ciências exatas, sendo 19 alunos do curso de Estatística e 23 do curso de Matemática Industrial, pertencentes a vários semestres. Da área de saúde participaram 32 alunos do curso de Medicina, 19 alunos do curso de Farmácia, 24 alunos de Enfermagem e 12 de Odontologia. Os dados encontram-se apresentados nas Tabelas (1) e (2), por curso. Quando perguntados, inicialmente, o que conheciam sobre a Lei SINAES, 41% dos 129 alunos disseram ter ouvido falar, mas não sabiam maiores detalhes. Os demais (59%) tomaram conhecimento após virem afixados nos flanelógrafos de seus cursos, um cartaz da Prograd/CPA sobre SINAES que mencionava o termo alerta, mas não tinham informação precisas se as avaliações realizadas ao final de cada semestre, bem como o ENADE faziam parte da mesma lei. Não possuíam ideia onde essas etapas avaliativas se conjugavam. Tal era o alheamento que não compreendiam o que representava o ENADE na sua vida acadêmica e profissional, o que era Reconhecimento de Curso, ciclo avaliativo e, tampouco como isso ocorria, mas, à exceção de boa parte dos alunos do curso de Medicina, que participaram da reunião, com certa apatia, os demais demonstraram interesse no assunto e participaram do debate, respondendo de forma positiva ao final da reunião. No mundo da “megainformação” e da construção do conhecimento de forma galopante os tempos são contados e medidos. Os espaços de discussão coletivas sobre assuntos ligados à avaliação, mudanças de condutas e valores humanos são restritos e as avaliações ainda ocorrem como um mero cumprimento da legislação. É uma fase do desenvolvimento moral, denominada por Piaget de heteronomia, da qual ninguém consegue sair totalmente. Encontramo-nos ainda completamente mergulhados nela. Cumpre-se a lei apenas para não haver penalidades. Há apenas o respeito à autoridade. Não há consciência, nem reflexão, apenas obediência. Na ausência da autoridade ocorre a desordem, a indisciplina. A autonomia é ainda processo de busca, senão vejamos os dados. Tabela 1 Percepção dos alunos acerca dos processos de avaliação antes da exposição. CURSOS ANTES DA REUNIÃO Desconheço outros processos Conheço o de avaliação na UFC ENADE Matemática 52% de 23 alunos Industrial Estatística 31% de 19 alunos Odontologia 25% de 12 alunos Enfermagem 24% de 24 alunos Farmácia 29% de 19 alunos Medicina 61% de 32 alunos Fonte: pesquisa direta 2013. Outros 40% Conheço a avaliação do final do semestre - 52% 75% 52% 63% 39% 13% 24% 8% - 4% - 8% Tabela 2 Percepção dos alunos acerca dos processos de avaliação após a exposição. CUROS DEPOIS DA REUNIÃO Tenho interesse de participar Concordo com a de avaliações na UFC obrigatoriedade de todas as avaliações 33% 53% Matemática Industrial Estatística 35% Odontologia Enfermagem 33% Farmácia 41% Medicina Fonte: pesquisa direta 2013. 54% 83% 64% 36% 36% Discordo da obrigatoriedade de todas as avaliações. Outros 7% 7% 11% 17% 3% 23% 58% 6% Curso de Matemática Industrial Os alunos do curso de Matemática Industrial, num total de 23, revelaram, com 52% de respostas, desconhecer os demais processos de avaliação na UFC, no entanto, 40% destes conhecem o ENADE e 8% conhece outros processos. Após a reunião 53% concordam com a obrigatoriedade do ENADE e da autoavaliação e 33% têm interesse em participar do processo, com apenas 7% de discordância e 7% que assinalou outros modelos de avaliação. Curso de Estatística Verificou-se que dos 19 alunos do curso de Estatística que responderam o formulário apenas 13% conheciam a avaliação de disciplina realizada no final do semestre do curso, 52% apenas o ENADE e 31% desconhecia outros processos de avaliação. Após a reunião 58% demonstraram interesse em participar de avaliações e apenas 11% continuam discordando da obrigatoriedade das avaliações. Quando justificaram suas respostas comentaram: “Conhecia que a universidade promovia avaliações para reportar ao MEC os resultados, mas não conhecia o processo avaliativo de fato”. (R1). “Concordo com a obrigatoriedade do ENADE, mas discordo da autoavaliação dos cursos. (R2). “A reunião serviu para esclarecer melhor as avaliações e seus processos, de forma que essa avaliação pode ajudar a melhorar a estrutura do curso”(R3). Curso de Odontologia Neste curso apenas 12 alunos responderam. Antes da reunião destes 75% dos alunos possuíam conhecimento sobre a aplicação do ENADE, mas não revelaram se conheciam outras formas e 25% desconhecia as demais avaliações na UFC. Ao final da reunião 83% dos estudantes concordaram com a obrigatoriedade da avaliação, mas não responderam se desejam participar. Será que ao se imaginarem saindo da UFC se descomprometem com a avaliação deixando às novas gerações o dever de fazê-las? Curso de Enfermagem Dos 24 alunos que responderam 52% conhece apenas o ENADE, 24% não conhece outras formas de avaliação e 24% conhece a avaliação que é feita ao final do semestre. Concluída a reunião, 97% dos alunos concordam em participar de processos avaliativos e com a obrigatoriedade da avaliação nos cursos e na UFC, contra apenas 3% que discorda das avaliações obrigatórias. Curso de Farmácia No curso de Farmácia 19 alunos responderam o formulário. Destes, 63% conhece o ENADE, 8% sabe da avaliação do final do semestre e 29% desconhece outras formas de avaliação na UFC. Com o fim da reunião 77% concordam em participar das avaliações e confirmam ser correta a obrigatoriedade da avaliação na UFC contra 23% que discorda de avaliações obrigatórias na Instituição. Curso de Medicina Na reunião do curso de Medicina 32 alunos responderam. A quantidade maior de formulários deve-se ao fato de haver maior número de alunos participantes que nas demais. Dos presentes, cerca de 83 aproximandamente, 39% dos 32 que reponderam ao formulário, apenas conhecem o ENADE. Os 61% de respondentes desconhecem qualquer outra forma de avaliação na UFC. Sequer comentaram sobre avaliação de fim de semestre. Ao fim da reunião 58% discordam da obrigatoriedade das avaliações na UFC, não reponderam se desejariam participar, mas 36% concordaram com a obrigatoriedade das avaliações ENADE e autoavaliação isntitucional. Conclui-se, que, mesmo com a participação de apens 5% dos cursos da UFC na coleta desses dados, há pouco conhecimento ainda sobre a necessidade e importância da avaliação coletiva integrada e permanente para a melhoria da qualidade dos cursos de graduação, dos processos administrativos e de gestão. Os alunos que voluntariamente se inscreveram para dar suas opiniões demonstraram desconhecimento da Lei Sinaes. Pode-se inferir que havendo mais espaços de discussão sobre a clareza e a importância da avaliação permanente é possível que se possa, para além de construção da cultura de avaliação, fazer desse processo contínuo a saída da fase de “heteronomia” na qual ainda se encontra boa parte da IES, bem como reconhecer na avaliação a maior ferramenta de mudança e de garantia da qualidade dos cursos oferecidos à sociedade. Gestores/docentes Responderam à consulta sobre o atual cenário de autoavaliação institucional e regulação na UFC, 22 ou 30% dos gestores/docentes, dos 73 para quem foram enviados o formulário via Google drive. São eles 05 dirigentes de unidades acadêmicas, 03 coordenadores de programas acadêmicos e 14 coordenadores dos cursos de graduação dos 35 cursos que passam, atualmente, pelo processo de reconhecimento. Cenário atual de avaliação a UFC Ao serem perguntados como avaliam o cenário atual da UFC em relação aos processos avaliativos da Lei SINAES, mais notadamente nos dois últimos anos, 8 gestores responderam que se encontra em construção, 8 disseram que o cenário é positivo, 3 afirmaram ser negativo e três não souberam opinar. Os processos avaliativos da Lei SINAES incomodam Dos 22 gestores respondentes 15 disseram não incomodar, 5 responderam que em parte sim e 2 disseram que incomodam sim. Nas justificativas comentaram: “Sem dúvida, a avaliação externa é um importante mecanismo para que todos estejam sensibilizados para desempenhar um trabalho de qualidade”. (R1). “O que incomoda na avaliação é que o instrumento interno de avaliação docente muda. É difícil trabalhar com critérios flutuantes” (R2). “Nenhum processo me incomoda. Vejo como algo positivo para a melhoria de qualquer processo”.(R3) “Há pouca divulgação das ações pretendidas”(R4). “O ensino médico, quando realizado em serviço (ambulatório e enfermaria) deve ser avaliado para aferir riqueza a essa singularidade de ensino”.(R5). Comentaram que o processo não está de todo implantado na UFC e que é necessário aperfeiçoamento. Alguns docentes acrescentaram que o que incomoda é o fato de não se colocar em prática seus resultados. Um coordenador fez referência ao instrumento de avaliação padronizado do e-MEC que não privilegia curso de graduação como o de Licenciatura intercultural indígena, que contempla uma modalidade específica de curso, para o qual não se considera o cacique o pajé entre outros sábios da tradição (notório saber). Comenta um docente, por fim, que estamos ainda atrasados em termos de autoavaliação. Comissão Própria de Avaliação (CPA) Indagados sobre a visibilidade da CPA na UFC 10 gestores/docentes disseram que é satisfatória e comentaram compreender as dificuldades que estas encontram em se manterem, dado a ausência de conhecimento sobre essa comissão. 4 marcaram como não satisfatória e 8 desconhecem ou conhecem muito pouco sobre CPA. Os que marcaram pouco satisfatória comentam que a CPA compareceu ao curso apenas no período da avaliação; que passou um tempo inativa ou inexistente mas que agora encontra-se um pouco mais em evidência. Sugere que a CPA visite os colegiados dos cursos e realize palestras juntamente com os avaliadores do MEC na instituição para melhor divulgação e entendimento da Lei Sinaes, envolvendo discentes servidores docente e técnico-administrativos. Convocar mais a comunidade e divulgar claramente os processos e o que faz, visitando os Campi com mais frequência sendo, portanto, mais atuante. Interesse em implantar uma CPA Setorial na unidade em 2013 ou 2014 Para esta questão apenas 17 gestores/docentes responderam ter interesse de criar suas CPAs ainda em 2013 e 5 disseram que não. Sobre a orientação e acompanhamento da PROGRAD aos processos avaliativos da Lei SINAES na UFC Dos pesquisados 13 responderam que é boa a atuação da Prograd, sendo prejudicada pelo quantitativo de membros na equipe. Duas (2) pessoas avaliaram como muito boa, 5 disseram ser regular e 2 comentaram ser ruim a orientação. Ressaltam que a orientação durante os processos de reconhecimentos dos cursos de graduação é satisfatória, mas a atuação junto aos coordenadores, a partir dos resultados da avaliação é ainda incipiente. “Estamos atrasados nesse processo, mas entendemos que os coordenadores devem alavancar as novas ações com a presença da Prograd nas reuniões de colegiado para elaboração dos planos de melhoria e acompanhamento”(R1). Expectativa em relação à implantação da autoavaliação dos cursos de graduação Nesta questão os pesquisados marcaram mais de uma opção, sendo as três primeiras as mais assinaladas. Dos respondentes 15 gestores/docentes acreditam que a autoavaliação dos cursos de graduação possibilitará melhoria na qualidade dos cursos e nos processos administrativos na UFC. Dos 15 que marcaram a primeira opção 06 também imaginam que causará incômodo, porém salutar na construção da maturidade sobre a avaliação na UFC e 6 que não marcaram nem a primeira, nem a segunda responderam que fortalecerá a criação da cultura avaliativa. Gráfico 1 Expectativa em relação à implantação da autoavaliação dos cursos de graduação Fonte: pesquisa direta. A UFC é um lugar de silêncio ou de memória no quesito avaliação de cursos de graduação. Esta pergunta era aberta e as repostas foram as mais variadas possíveis, sendo as mais comuns agrupadas em bloco de citações como se poder ver: “Há mais silêncio do que memória sobre avaliação”. “Há muito o que fazer ainda, mas já há um bom começo”. “Espaços dentro dos cursos para discussão, devem ser abertos”. Interação entre discentes, docentes e técnicos devem ocorrer. Outros respondentes lembraram a reativação dos fóruns de coordenadores de graduação, como uma ação ser desencadeada pela Prograd”. Outro confirma ainda existir certo silêncio sobre a avaliação e confusão entre os papéis de professores e técnico-administrativos”. Duas (2) pessoas disseram não saber opinar sobre a questão e uma não entendeu a pergunta. Ao responder esta questão um gestor/docente transcreveu a seguinte citação: Nora (1993) explica que não há mais lugares espontâneos de memórias, sendo necessária a organização e sistematização de documentos e rituais, pois a aceleração do tempo nos faz esquecer ou desconsiderar o passado. Portanto, a UFC ao buscar esses registros de sua memória, quando da avaliação de cursos, permite lugar de honra para esta memória. Tal chamada adverte quanto a necessidade de organização e sistematização de documentos para que não se percam os registros. Por outro lado, admitindo o registro e a memória escrita é necessária que ela seja discutida, estratificada onde e como couber, alimentada e transformada em ação, replanejamento e avaliação continua até que se construa, também, um saber interno sobre avaliação. Somente assim a memória decorrente da experiência e do conhecimento cria corpo e se materializa. Outro gestor/docente ressalta que há, na Instituição, um processo em andamento, com acertos e erros na sua condução, inerentes ao complexo de implantação e institucionalização da avaliação de cursos numa universidade do porte da UFC. Neste processo aos poucos a Instituição vai se inteirando de suas responsabilidades e passa a ver avaliação interna, como um papel que cada um desenvolve na construção dessa cultura e como propostas de melhoria da qualidade dos cursos. Considerações Finais Tomando por base o objetivo geral desse ensaio que foi analisar como a comunidade Interna da UFC percebe esse cenário institucional que conjuga, a um só tempo, duas instâncias prioritárias de ação institucional (CPA e Prograd), para cumprimento da lei SINAES, bem como verificar a percepção dos alunos acerca da Lei Sinaes e seu cumprimento na UFC, traçando um perfil de entendimento dos seus dirigentes sobre a avaliação preconizada e operacionalizada pela referida Lei, observase o seguinte: Não obstante as mudanças ocorridas no quesito avaliação na Instituição serem favoráveis no momento, visto que o chamamento da direção superior sobre avaliação desencadeou a formação de nova CPA um setor na Prograd, responsável pela regulação e avaliação na UFC, ainda há muito a ser feito. Por desconhecerem a Lei Sinaes os alunos emudeceram diante da avaliação. Demonstraram compreender a importância desta, tão somente após as orientações e discussões acerca da referida lei. Sabiam agora seguir apenas dois caminhos: ou fazer a avaliação ou prejudicar a própria carreira no futuro e a possibilidade de outros alunos poderem estudar naquele curso ou universidade, que precisa se manter no melhor padrão de qualidade para atrair mais alunos e cumprir sua missão de formar profissionais da mais alta qualificação para a sociedade. O sentimento de pertencimento à UFC deve viger para que possam prevalecer os ideais de melhoria. No serviço público este sentimento precisa ser estimulado, esclarecido e acolhido. Pode se inferir que todos os cursos que passaram por esses eventos, de modo geral, obtiveram uma visão mais positiva acerca da avaliação, ao final dos debates. Isso nos leva a crer que o palco das discussões ainda se encontra vazio, devendo ser preenchido com inúmeras ações sobre a temática, entre elas, pequenos fóruns para se tratar da avaliação na UFC, embora tenha havido, mesmo que de forma tangencial, uma aprendizagem dos alunos dos seis cursos sobre avaliação. Quanto aos gestores/docentes há um sentimento de existência de avaliação esperado, nutrido, mas ainda obnubilado pela limitação da quantidade de ações nessa seara. Apesar de alguns movimentos nesses dois últimos anos como a reativação a CPA, a definição de implantação da autoavaliação institucional e o despertamento da PróReitoria de Graduação criando um setor para acompanhar a regulação e autoavaliação, muito ainda haverá de ser feito. Ressaltam os gestores que os resultados das avaliações precisam ser urgentemente discutidos e transformados em planos de melhoria. Para este intento a Prograd e CPA precisam caminhar juntas. É disso que falam os sujeitos dessa pesquisa. Ambas precisam de visibilidade materializada pelas ações integradas, socializadas e publicizadas no ambiente interno e externo da UFC. A construção da cultura de avaliação requer esforço, planejamento, determinação, crédito e trabalho coletivo permanente, sem o qual, permaneceremos na fase da heteronomia. Referências BRASIL. Sistema Nacional de Avaliação da Educação Sueprior. Lei 10.861 de 14 de Abril de 2004. Disponível em http://www.planalto.gov.br/. Acesso em 2 de setembro de 2013. DIAS SOBRINHO, José. Avaliação da educação superior. Petrópolis, RJ Vozes, 2000. INSTITUTO NACIONAL DE ESTUDOS E PESQUISAS EDUCACIONAIS ANÍSIO TEIXEIRA. Instrumento de avaliação do SINAES. 2012b. Disponível em: <http://www.inep.gov.br>. Acesso em: 5 set. 2012. LAKATOS, Eva Maria. Fundamentos de metodologia científica 1 Marina de Andrade Marconi, Eva Maria Lakatos. 5. ed. - São Paulo : Atlas 2008. POLIDORI, Marlis Morosini; MARINHO-ARAUJO, Claisy M.; BARREYRO, Claisy M. 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