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COPA 2014: EXPECTATIVA E RECEPTIVIDADE DOS SETORES HOTELEIRO,
GASTRONÔMICO E TURÍSTICO NA CIDADE DE CURITIBA.
ITAMAR ABIB NEVES ( [email protected] )
UNIVERSIDADE TUIUTI DO PARANÁ
ELDER SEMPREBOM ( [email protected] )
UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ
ANDRÉA DE ALBUQUERQUE DE LIMA ( [email protected] )
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO PARANÁ
Resumo
Mundialmente bilhões de pessoas aguardam mais uma Copa do Mundo, e desde julho de 2010
todos os olhares estão voltados ao Brasil, a próxima sede do evento. Neste contexto, este
estudo teve como objetivo verificar a percepção dos setores hoteleiro, gastronômico e turístico
em relação a gestão de operações previstas no projeto Curitiba – 2014, apresentado à FIFA.
Trata-se de uma pesquisa qualitativa, estudo de caso, em que foram realizadas 14 entrevistas
em profundidade com os membros das principais associações pertencentes aos setores citados.
Como resultado obteve-se satisfação mediante a escolha da cidade, mas também preocupação
com algumas questões públicas.
Palavras-chaves: Copa do Mundo; Curitiba; Turismo.
1. INTRODUÇÃO
A Copa do Mundo de Futebol será realizada no Brasil em 2014, e a cidade de
Curitiba conquistou o direito a ser uma das 12 cidades que terá a oportunidade de sediar os
jogos. Sediar megaeventos como a Copa o Mundo e as Olimpíadas representam muito mais
do que eventos esportivos, e sim, uma grande oportunidade de negócios, que influenciam a
socioeconomia dos lugares (MORGAN; SUMMERS, 2008).
Os números mostram a grandeza do evento. Em uma pesquisa realizada pela
Fundação Getúlio Vargas, a pedido do Ministério do Turismo em 2009, estima-se que 5,9
milhões de estrangeiros devem visitar o Brasil entre os anos de 2009 e 2014, sendo que,
durante a realização do torneio, 500 mil turistas são esperados e, devem permanecer no país,
em média, 15 dias, gastando aproximadamente dez mil reais, totalizando uma receita de 6,27
bilhões de reais.
Os investimentos para a realização da Copa do Mundo de 2014 vão injetar na
economia R$ 142 bilhões de reais, segundo levantamento da consultoria Ernst & Young, em
parceria com a Fundação Getúlio Vargas. De acordo com o estudo, o valor para os
investimentos diretos, organização e infraestrutura será de R$ 29,6 bilhões, somados aos
indiretos na produção de bens e serviços de R$ 112,7 bilhões (FORDELONE, 2010).
Uma das principais potencialidades da realização de um megaevento como a Copa é
a promoção internacional, pois proporciona visibilidade ao país e é uma oportunidade ímpar
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para a exposição publicitária das cidades. Em 2006, na Alemanha, a presença de público nos
estádios somou 3.353.335 pessoas, com 73 mil horas de transmissão na televisão, para 214
países e, segundo o mesmo relatório, o evento gerou uma audiência acumulada de 26 bilhões
de pessoas, e mais, 18 milhões de espectadores marcaram presença nas praças das cidades que
sediaram os jogos (SINAENCO, 2009).
Diversos setores da atividade econômica estarão sujeitos aos impactos gerados na
realização do evento, porque em função de eventos de grande porte como a Copa, são
realizados investimentos de milhões de dólares em infraestrutura, estádios, aeroportos,
estações ferroviárias e centros de convenção (KOTLER et al., 2006).
Segundo a Agência Curitiba de Desenvolvimento (2010), Curitiba deve receber
investimentos em torno de 4,5 bilhões de reais em um conjunto de obras que promovam
melhoria da qualidade de vida dos moradores e seus visitantes, e a aplicação dos fundamentos
do marketing, de forma adequada, “impedem que destinos sejam vendidos somente através de
divulgação, publicidade, descuidando-se, muitas vezes, de outros aspectos fundamentais como
a qualidade do produto turístico, os serviços que o cercam e a comunidade em que está
inserido” (DIAS; CASSAR, 2005).
A cidade deverá estar devidamente qualificada, buscando atender integralmente os
requisitos estabelecidos pela FIFA e, igualmente qualificados, devem estar todos os setores da
economia, especialmente aqueles considerados estratégicos para o evento e que compõe o
trade turístico da cidade, entre eles, os meios de hospedagem, alimentação e turístico.
Desta forma o objetivo geral deste estudo consistiu em verificar a percepção dos
setores hoteleiro, gastronômico e turístico em relação a gestão de operações previstas no
projeto Curitiba – 2014, apresentado à FIFA para sediar a Copa de 2014.
2. REFERENCIAL TEÓRICO
2.1 Marketing de Lugares
A competitividade entre localidades é tão acirrada quanto o mercado de bens de
consumo. A busca por investimentos internacionais, atração de empresas, moradores, turistas,
tem exigido dos países e cidades esforços grandiosos.. Neste contexto, para uma localidade
sobressair-se no mercado regional e global, é preciso que os agentes públicos e privados
estabeleçam estratégias de marketing a fim de superar os desafios competitivos que se
apresentam. Desta forma, “o potencial de um lugar não depende tanto de sua localização
geográfica, seu clima e seus recursos naturais quanto depende da vontade, da habilidade, da
energia, dos valores e da organização de pessoas” (KOTLER et al. (2006, p.45). Segundo
Sanchez (1999, p.115) o “city marketing constitui-se na orientação da política urbana à
criação ou ao atendimento das necessidades do consumidor, seja este empresário, turista ou o
próprio cidadão”.
O marketing de um lugar, segundo Kotler et al (2006, p. 71), abrange basicamente
quatro atividades: (1) desenvolver uma imagem forte e atraente; (2) estabelecer incentivos
atraentes para os atuais e possíveis compradores e usuários de seus bens e serviços; (3)
fornecer produtos e serviços locais de maneira eficiente; e (4) promover os valores e a
imagem do local de uma maneira que os possíveis usuários conscientizem-se realmente de
suas vantagens diferenciadas. Para o autor existem quatro amplas estratégias para atrair
visitantes, moradores, comércio e indústria, que são: Marketing de Imagem; de Atrações; de
Infraestrutura e de Pessoas.
A imagem de uma localidade pode influenciar a escolha das pessoas tanto para
visitar como para empreender um negócio. A definição de Kotler et al. (2006) para a imagem
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de um lugar é um conjunto de atributos formado por crenças, idéias e impressões que as
pessoas tem deste lugar. Segundo o autor, as imagens costumam representar a simplificação
de inúmeras associações e fragmentos de informações, e são o produto da mente tentando
processar e enquadrar enormes quantidades de dados relacionados a um lugar.
Para Dias e Cassar (2005, p.240), “o levantamento dos atrativos de uma cidade
identificará seus pontos fortes, os quais poderão materializar uma visitação significativa, além
de uma taxa de permanência das visitas”. As cidades que ofertam mais atrativos para o lazer
ou turismo são mais competitivas e atraem maior interesse das pessoas e organizações. Mas,
“é óbvio que nem a imagem e nem as atrações conseguem oferecer a resposta completa para o
desenvolvimento de um lugar - faz-se necessária uma infraestrutura eficaz de base”
(KOTLER et al., 2006, p.78). O marketing de infraestrutura desempenha papel dos mais
importantes, pois os investimentos nesta área, além de altamente necessários, ajudam a
reduzir o desemprego, implicam em apoio de instituições financeiras internacionais, atração
de empresas, contribuindo para o desenvolvimento dos lugares.
Os eventos, como a Copa do Mundo de Futebol, “tornaram-se um componente vital
de programas de atração de turistas”, e que “em função de eventos, são realizados
investimentos em infraestrutura, estádios, aeroportos, estações ferroviárias e centros de
convenção” (KOTLER et al., 2006, p.242).
Os atrativos turísticos das cidades-sede exercerão papel importante e estratégico,
porque tem poder de influenciar a decisão de compra e a permanência dos espectadores dos
jogos por mais tempo nas cidades-sede da Copa 2014. Para Kotler et al. (2006), em relação a
isso, dizem que “é muito importante os países e cidades entenderem que os turistas são como
os outros consumidores, e comparam custo e conveniência, qualidade e confiabilidade,
serviço e beleza, e assim por diante”.
2.2 Marketing Turístico
Muitas pessoas pensam que o marketing turístico é um instrumento de propaganda
que incentiva as pessoas a viajar. E, não é. O marketing turístico, segundo Dias e Cassar
(2005, p.89), “não é radicalmente diferente aos conceitos gerais do marketing, mas vai muito
além do que incentivar as pessoas a viajar”.
Para Krippendorf (apud RUSCHMANN, 1991, p.25), marketing turístico vem a ser:
a adaptação sistemática e coordenada da política das empresas de turismo, tanto
pública como do Estado, no plano local, regional, nacional e internacional, visando à
plena satisfação das necessidades de determinados grupo de consumidores, obtendo,
com isso, um lucro apropriado”.
O Brasil, ao receber um megaevento como a Copa do Mundo de Futebol, pode
potencializar sua vocação para o turismo. Dados do Ministério do Turismo (2010) indicam
que “o país já ocupa o 7º lugar no mundo em número de eventos internacionais associativos.
Para ter uma idéia da força do turismo, o fluxo internacional de mais de cinco milhões de
visitantes que chegam ao Brasil é responsável pela entrada anual de 5,8 bilhões de dólares de
divisas”.
As previsões iniciais, com base em experiências de outros países que sediaram uma
Copa do Mundo de Futebol, indicam que cerca de 500 mil turistas estrangeiros estarão em
visita ao Brasil durante a Copa do Mundo e a realização dos jogos em doze cidades-sede será
uma oportunidade para ampliar o conhecimento do Brasil, mostrar a diversidade turística
natural e cultural. Ainda podem-se ampliar para todas as regiões brasileiras as possibilidades
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de receber visitantes, aumentando a permanência de turistas e seus gastos nas cidades
brasileiras (EMBRATUR, 2010).
Para Beni (2001), por razões de terminologia e conceituação, diz-se que o produto
turístico total, em sentido macroeconômico, é “constituído de um conjunto de subprodutos,
tais como transporte, hotelaria, restaurantes, filmes, livros, diversões, souvenirs, seguro e
outros”. Em sentido microeconômico, diz o autor, “cada um deles pode receber a
denominação de produto turístico” (BENI, 2001, p.160).
O Produto Turístico Cidade, segundo Dias e Cassar (2005, p.91), caracteriza-se por
ser “uma mescla de bens e serviços públicos e privados, todos voltados para um mesmo
objetivo, ou seja, aumentar o fluxo de turistas na cidade”. O mesmo pode ser perfeitamente
comparado a uma organização que se utiliza dos fundamentos do marketing orientada à
comercialização de seu produto e à satisfação das necessidades e desejos de seus
consumidores.
2.2.1 O Trade Turístico
Além dos atrativos naturais das cidades que de alguma forma já fomentam o fluxo de
turistas, há que se dispor ao turista uma gama de boas ofertas de serviços para tornar o lugar
mais atrativo à visitação. O conjunto de empresas que ofertam serviços aos turistas é chamado
de Trade Turístico, e Mota (2001, p.71) o define como sendo “as áreas envolvidas na
prestação de serviços para atender às necessidades comuns de todos os turistas”.
Krippendorf (apud BENI, 1998) cita que para se identificar as empresas de turismo,
ou seja, as quais compõem o trade, basta selecionar aquelas que fornecem prestações
materiais ou serviços turísticos, aquelas que são importantes para o turismo e que
desempenham um papel significativo no conjunto do marketing turístico.
Segundo o Ministério do Turismo (2009), “o setor de serviços de hospedagem e
alimentação desempenham um papel importante para a realização da Copa 2014 no Brasil”. O
Ministério considera que “um dos itens primordiais para realização e sucesso de um evento
como a Copa do Mundo da FIFA é a capacidade e a qualidade do parque hoteleiro das
cidades-sede do evento”. A hotelaria, segundo Mota (2001, p.43), poder ser compreendida
como “uma das principais atividades do turismo, já que atende uma necessidade básica para
sua realização, quando viabiliza a permanência do turista no local visitado por meio de
hospedagem”. Ainda no mesmo documento do ministério há um alerta que diz: “como os
meios de hospedagem, os estabelecimentos de alimentação, bebidas e similares têm papel
fundamental na composição da cadeia produtiva do turismo”.
Desta forma tanto a alimentação quanto a gastronomia são consideradas atividades
ligadas diretamente ao turismo. Para muitos, ainda que não represente atividade turística
propriamente dita, é considerada uma maneira de as pessoas despenderem o seu tempo livre,
um tipo de entretenimento ou lazer (COBRA, 2008). A quantidade e a variedade de
restaurantes são itens considerados importantes. A gastronomia pode ser em muitos casos, o
motivo da extensão da permanência do turista em uma cidade.
2.3 A Copa no Brasil - 2014
A Copa 2014 para muitas pessoas será a quebra da imagem estereotipada e primária
que se tem sobre o Brasil, e para outros mais experientes, uma renovação de imagem. Os
maiores desafios a serem enfrentados decorrem da falta de investimentos em infraestrutura ao
longo dos últimos anos, como a construção e a recuperação de estradas, o aumento da
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capacidade aeroportuária, obras de melhoria da malha viária das cidades, novos modais de
transporte e expansão dos já existentes” (CHIAS, 2010).
Desta forma, a participação conjunta dos diversos segmentos da sociedade
organizada é fundamental para o sucesso do evento, pois se trata de uma oportunidade
excepcional para promover o desenvolvimento local e fortalecer a imagem do Brasil.
O primeiro e mais importante jogo para o Brasil não será dentro dos gramados, e sim
fora deles. Os países que desejam sediar uma Copa do Mundo de Futebol devem estar
devidamente preparados para receber este megaevento. Todas as esferas de governo, Federal,
Estadual e Municipal, mais a iniciativa privada e entidades do terceiro setor, devem somar
esforços no sentido de planejar e executar as tarefas essenciais e indispensáveis à sua
realização. Os requisitos exigidos pela FIFA são muitos e os desafios são, igualmente,
grandiosos. Problemas estruturais, como mobilidade urbana, transporte, saneamento,
segurança, energia, telecomunicações, estádios, sustentabilidade, tecnologia e turismo, são
rigorosamente cobrados pela entidade organizadora. Resumidamente conforme quadro 1 a
seguir, apresenam-se os requisitos legais exigidos pela FIFA.
Quadro 1 - Requisitos Legais Estabelecidos pela FIFA
REQUISITOS
Estádio de futebol
Transporte
Centros de
treinamentos de
seleções
Instalação dos
chamados Fans
Park
Energia
EXIGÊNCIAS
Devem ser compatíveis com a realidade do evento, com capacidade mínima de 40.000
assentos, e atenda aspectos de segurança, prevenção e extinção de incêndios, com
circuito fechado de vigilância, primeiros socorros. Deve possuir boa sinalização,
facilitando o acesso a setores e rotas de escape, estacionamento para ônibus, carros e
helicóptero, bom campo de jogo e hospitalidade, para patrocinadores, áreas Vip, FIFA
lounge. A estrutura para mídia, com salas de conferência, estúdios de televisão. Deve
proporcionar aos expectadores cobertura do estádio, serviços públicos, praça de
alimentação e compras, venda de ingressos e atendimentos à legislação local e Estatuto
do torcedor.
As cidades devem estar atentas aos projetos estruturais, acesso a um transporte de
qualidade, rotas de acesso à cidade e ao estádio com o menor tempo e percurso.
Adequar os centros para a Copa das Confederações em 2013.
Áreas destinadas a concentração de públicos para assistirem aos jogos na própria cidade
em que são realizados os jogos.
Capacidade de suprimento e plano de reserva e distribuição.
Acomodações
Capacidade e qualidade da estrutura hoteleira para receber milhares de espectadores,
família FIFA e jornalistas de todo o mundo.
Turismo
Auxílio e colaboração para atingir padrões internacionais no que diz respeito ao
atendimento e, assim, construir o legado dos aspectos turísticos.
Comunicação e
Marketing
Recomendação de execução de um plano de comunicação e marketing desde a
preparação do evento até o pós-copa.
Urbanismo
Acompanhar projetos urbanísticos das cidades.
Planejamento de um conjunto de programas de prevenção de doenças locais e
atendimento da rede pública
Saúde Pública
Segurança pública
Ações dos governos para garantir a segurança durante o evento.
Capital Humano
Preparação, coordenação e realização dos treinamentos das pessoas envolvidas na
realização da Copa do mundo.
Sustentabilidade
Programa integral para atendimentos aos requisitos do Green Goal.
Tecnologia
Planejamento das melhorias e transformações tecnológicas necessárias.
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Eventos de negócios
Preparação e planejamento dos eventos de negócios realizados durante a Copa.
Planejamento
Tributário e Fiscal
Estudo sobre tributos diretos e indiretos sobre insumos e produtos relacionados à Copa
do mundo.
Atividades culturais
Participação dos governos em atividades culturais a fim de garantir e estabelecer o
legado após a Copa.
Fonte: FIFA – DGC Consultoria – 2007.
Os estudos realizados pela Associação Brasileira das Indústrias de Base (2009)
apontam, em valores estimáveis, que os investimentos necessários somente para obras de
infraestrutura remontem a 110 bilhões de reais, nos mais diversos setores de atividade. Estes
investimentos devem obedecer ao planejamento estratégico de cada cidade, e que contemple o
atendimento de todas as exigências estabelecidas pela FIFA, e por conseqüência, proporcione
as melhores experiências àqueles que visitarão as cidades-sede.
Diante das exigências da FIFA, apresenta-se a seguir conforme quadro 2, a síntese
das propostas elaboradas pelo Comitê Gestor de Curitiba para a Copa 2014.
Quadro 2 - Proposta de Curitiba para Copa 2014
PROPOSTAS
Acessibilidade,
Mobilidade
Urbana e
Transporte
Turismo
DESCRIÇÕES
- Implantação da primeira linha do metrô (etapa 1, 13Km, e 13 estações) – melhoria do
Sistema integrado de Transporte. Requalificação da Paisagem Urbana: Ciclovia;
Calçadão para pedestres; Arborização; Equipamentos de playground; Quiosques
comerciais; Áreas de convivência; Bilheterias, acessos e estruturas operacionais;
- Linha Azul – Metrô de Curitiba Etapa 2;
- Melhoria do sistema viário – intervenções no centro da cidade Cândido de Abreu canaleta exclusiva para o transporte coletivo, Criação de um Boulevard Central, Passeios,
Iluminação, Modernização Semafórica;
- Acesso ao aeroporto – rodoferroviária, contendo neste trecho 6 galerias subterrâneas
para passagem de pedestres – instalação subterrânea de distribuição Elétrica – nova
sinalização – segurança e monitoramento, e pista exclusiva para ônibus;
- Anel viário 3 – tem como principal finalidade reduzir o trânsito próximo ao centro da
cidade – são 26 quilômetros de vias que circundam a cidade de Curitiba;
- Sistema Integrado de Mobilidade – controle operacional de trânsito; modernização do
Sistema CTA Transporte Coletivo; implantação de painéis eletrônicos de mensagem;
- Implantação de binários como Guabirotuba – Água Verde – facilitando o acesso de
quem chega à cidade e quer se deslocar aos bairros da região oeste;
- Corredor metropolitano – compreende a realização de obras nas diversas vias de acesso
da região metropolitana à Curitiba - Vias de integração radial metropolitana –
recuperação de vias estratégicas de grande extensão – Rua Francisco Derosso, Salgado
Filho, Avenida da Integração;
- A Avenida Marechal Floriano Peixoto - também receberá investimentos que vão
melhorar a via tanto para quem utiliza o carro e o ônibus e, principalmente, o acesso ao
aeroporto e também terá a primeira ciclofaixa da cidade, uma das facilidades para
incentivar a utilização da bicicleta e que está prevista no Plano Diretor Cicloviário;
- Intervenção na Avenida Visconde de Guarapuava – Extensão de 4,2km, implantação de
rede elétrica subterrânea, ciclovia e área de circulação de pedestre;
- Melhoria da Rede integrada de Transporte - Novas linhas, e linhas exclusivas Copa
2014, como na Conferência das Cidades, e ampliação da frota do transporte coletivo.
- Revitalização do Setor Histórico – Rua Riachuelo e São Francisco, respectivamente
(requalificação de calçadas, iluminação pública, rede subterrânea de cabos, despoluição
visual, sinalização turística para pedestres, câmeras de segurança e repaginação de
fachadas;
- Implantação do Bonde Turístico - tem como premissa colocar novamente em circulação
os antigos bondes que serviam para o transporte coletivo, agora com o cunho de atrativo
turístico, cultural, e de resgate da memória da cidade;
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Segurança
Meio Ambiente
Estádio
Comunicação e
Tecnologia da
Informação
Infraestrutura
Aeroportuária,
Hoteleira e
Hospitalar
- Revitalização dos equipamentos turísticos existentes como a “Rua 24 Horas”;
- Instalação de Fans Park no período de realização dos jogos no Parque Barigui, Pedreira
Paulo Leminski e velódromo Municipal. Estes locais foram indicados em função do
atendimento às condições de: capacidade, acessibilidade, estacionamento e segurança
- Obras no Zoológico de Curitiba para transformá-lo em um complexo turístico, com
melhorias no acesso ao parque e ampliação do estacionamento;
- A conclusão do parque em homenagem ao centenário da imigração japonesa no bairro
Uberaba;
- A criação de um circuito turístico para pedestres no entorno do Paço Municipal e Setor
Histórico;
- A implantação de ciclovias ligando os parques da cidade
- Melhorias na sinalização turística - Serão placas bilíngües (português e inglês) que
levam os nomes dos principais parques e pontos turísticos da cidade;
- Revitalização do Passeio Público - primeiro parque da cidade de Curitiba;
- Revitalização do centro de exposições do Parque Bariguí;
- Ações em áreas consideradas estratégicas para o turismo na cidade como: Novo visual
para os Postos de Informações turísticas; Requalificação do produto turístico;
Valorização do artesanato local; Promoção, comercialização e gestão ambiental do
destino Curitiba; Promoção do comércio local.
- Central de monitoramento;
- Monitoramento por 72 câmeras em ruas do comércio central;
- Implantação de câmeras de monitoramento em 23 terminais de transporte;
- Ações integradas entre o município e o governo do estado;
- Cursos específicos relativos à segurança em grandes eventos destinados aos policiais do
estado;
- Promoção de programas e soluções ambientais: lixo que não é lixo, câmbio verde;
- Medidas de saneamento dos parques da cidade;
- Revitalização e manutenção dos 15 bosques e 19 parques;
- Resgate da flora nativa – arborização dos bairros da cidade;
- Maximizar o uso de energia renovável: biodiesel – Frota de ônibus de Curitiba.
- Edificação de área coberta transitória destinada a Hospitalidade Comercial com área de
10.914,50m²;
- Área para a Imprensa, com 2.645,85m².
- Estrutura coberta transitória destinada a Afiliados Comerciais, praça de alimentação e
voluntários, situada na Praça Afonso Botelho, com área de 10.000m². Os quiosques de
alimentação perfazem área total de 240,00m²;
- Fechamento “provisório” da Rua Buenos Aires, permitindo o uso para acesso ao
estádio;
- O projeto do estádio prevê o atendimento à FIFA na questão referente ao
estacionamento interno (1153 veículos e 4 ônibus);
- Acessibilidade: ao portador de necessidades especiais, Infraestrutura de Tecnologia da
informação e Provisão de energia;
- Sustentabilidade ambiental: Eliminação do fosso, Mecanismos de captação e
reaproveitamento de águas pluviais, Cobertura – condicionamento térmico e redução da
luminosidade externa gerada pelo estádio e Uso de energia solar;
- Sustentabilidade econômica: Multifuncionalidade após copa, Integração à comunidade
- Programa Tecnoparque: pólo de desenvoilvimento que reunirá prédios modernos e toda
infraestrutura necessária para receber cerca de oito mil profissionais da imprensa de todo
mundo que devem cobrir este megaevento. Empresas participantes: Siemens, Centro de
Tecnologia do HSBC, Inspat, CITS.
- Ampliação do pátio de aeronaves;
- Ampliação do terminal de cargas;
- Instalação ILS “categoria 2”;
- Reforma de terminal de passageiros;
- Área para hangares de aviação executiva;
- Construção de edifício garagem (ampliação do estacionamento);
- 12 hospitais com pronto-socorro num raio de 20Km do estádio;
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- 4 hospitais com pronto-socorro para atendimento em larga escala;
- Nº de leitos – 6.691 (2007) – 7.340 (2014);
- Criação de rotas que facilitem o acesso aos equipamentos de saúde desde o Estádio
Joaquim Américo;
- Disponibilidade de horários, atendimento especializado, conforme contratos futuros
entre a FIFA e as unidades de saúde;
- Aumento no nº de leitos: 6.691 (2007) – 7.340 (2014);
- 60% dos apartamentos da rede hoteleira cadastrada, em um raio de 120 Km do estádio
Joaquim Américo, serão bloqueados para turistas.
Fonte: Adaptado do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba, 2010.
As propostas apresentadas (Quadro 2) têm por objetivo proporcionar melhorias à
cidade de Curitiba e ao estado do Paraná. Os legados esperados pelo projeto do Comitê Gestor
encontram-se relacionados abaixo (IPPUC, 2010):
1.
A construção de um estádio multiuso;
2.
Promoção nacional e internacional da cidade;
3.
Consolidação de Curitiba como cidade para grandes eventos;
4.
Desenvolvimento da infraestrutura de transporte;
5.
Investimentos em segurança, serviços de turismo, dentre outros;
6.
Estímulo à auto-estima e orgulho da população;
7.
Promoção do esporte e estilo de vida saudável;
8.
Geração de empregos e renda;
9.
Melhoria da integração social;
10. Desenvolvimento social e econômico
Diante desta exposição, é importante registrar como alguns autores entendem a
realização de megaeventos como fator de desenvolvimento de localidades, e que possibilitem
a geração de legados como os citados acima.
Segundo Morgan e Summers (2008, p.84), “sediar megaeventos como a Copa do
Mundo de Futebol é de responsabilidade dos governos”, e cita cinco tipos de benefícios
tipicamente utilizados para justificar investimentos em um megaevento, e que foram
relacionados no quadro abaixo (Quadro 3):
Quadro 3 - Benefícios gerados pela realização de megaeventos
BENEFÍCIOS
DESCRIÇÃO
Benefícios sociais, culturais e
das comemorações
Sentimento de orgulho nacional; recompensa pública para os cidadãos de
uma nação
Benefícios do legado
regeneração urbana
da
Sediar um megaevento requer um trabalho de regeneração urbana;
investimentos em infraestrutura viária, transporte, acomodações.
Benefícios do turismo e da
imagem;
Um megaevento proporciona a exposição do país, melhoria da imagem e,
consequentemente, atração de recursos financeiros.
Benefícios do legado esportivo
Melhoria das instalações esportivas, construção de novos equipamentos,
oportunidade comerciais.
Benefícios econômicos mais
amplos
Publicidade internacional; negociações comerciais; geração de empregos;
injeção de recursos financeiros à economia do país e das cidades
Fonte: Adaptado de Morgan e Summers (2008, p.85-87)
Poytner, com relação ao legado de megaeventos diz que:
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“uma das grandes virtudes de um megaevento é o de criar um ambiente favorável à
aceleração de projetos de desenvolvimento social e regeneração urbana sob
condições políticas, econômicas e sociais extremamente favoráveis.
Resumidamente, pode-se dizer que os legados de megaeventos esportivos são de
natureza: Infraestrutura urbanística; Econômica; Social; Educacional; Ambiental;
Esportivo; Cultural; Turismo e hospitalidade; Político; Conhecimento e tecnologia”
(POYTNER. 2008, p.122).
3. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
3.1 Delineamento da Pesquisa
O objetivo deste capítulo é apresentar o procedimento metodológico utilizado para a
realização da pesquisa, seu delineamento, preparação para o estudo de caso, coleta e análise
das evidências, elaboração do relatório do caso e, por fim, as limitações da pesquisa.
Para alcançar os objetivos propostos no presente estudo, optou-se pela abordagem
qualitativa, que segundo Malhotra (2006, p.154), “proporciona melhor visão e compreensão
do contexto do problema”. Com relação ao tipo de pesquisa, optou-se pela pesquisa
descritiva. De acordo com Cervo e Bervian (1996, p.50), a pesquisa descritiva “observa,
registra, analisa e correlaciona fatos ou fenômenos sem manipulá-los, na tentativa de
descobrir com que freqüência ocorre os fenômenos, bem como sua natureza e características”.
Para a realização da pesquisa optou-se pelo método de “estudo de caso”. Como
método de pesquisa, “o estudo de caso é usado em muitas situações, para contribuir ao nosso
conhecimento dos fenômenos individuais, grupais, organizacionais, sociais, políticos e
relacionados” (YIN, 2010, p.24). Triviños (1987, p.133) considera o estudo de caso como um
tipo de investigação qualitativa, e o define como “uma categoria de investigação cujo objeto é
uma unidade que se analisa profundamente”.
Realizou-se na presente pesquisa um “estudo de caso único”, ou seja, o projeto
Curitiba - 2014. A caracterização temporal adotada no presente estudo foi transversal único.
De acordo com Malhotra (2006) é “um tipo de pesquisa que envolve a coleta de informações
de uma dada amostra de elementos da população somente uma vez”.
3.2 Seleção dos Casos e Unidade de Análise
As unidades de análise pertencem aos setores econômicos afetados diretamente pelas
ações planejadas do projeto. Desta forma, as unidades de análise escolhidas para o presente
estudo foram os representantes das entidades de classe ligados aos setores hoteleiro,
gastronômico e turístico. Essas entidades selecionadas foram:
−
ABRASEL – Associação de Bares e Restaurantes da cidade de Curitiba;
−
ABIH – PR. – Associação Brasileira da Indústria de Hotéis – Paraná;
−
ABRABAR – Associação de Bares e Casas noturnas da cidade de Curitiba;
−
CCV&B – Curitiba Convention Visitors Bureau – Curitiba ;
−
Núcleo de Turismo Receptivo de Curitiba;
−
SINDOTEL – Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e similares de Curitiba.
A escolha destas entidades se deu pelo fato de que os setores hoteleiro, gastronômico
e turístico, desempenham papel fundamental na escolha da cidade como destino turístico, bem
como, à construção da imagem de um lugar, amplamente evidenciado na fundamentação
teórica deste estudo. Uma vez estabelecido onde buscar as unidades de análise optou-se pela
técnica de seleção não-probabilística por julgamento.
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Para agregar informações ao presente estudo e enriquecer as evidências, optou-se por
ir além do previsto, e colher evidências de quatro representantes de setores da sociedade civil
organizada que possuem assento no Comitê Gestor Local para a Copa de 2014. A coleta de
evidências junto aos representantes desses setores se tornou importante, como referência, para
elaboração do relatório final do presente estudo, pois foi possível confrontar colocações e
avaliações técnicas a respeito dos temas com a dos entrevistados dos setores previamente
escolhidos. Estes entrevistados pertencem às seguintes entidades: Associação Comercial do
Paraná (ACP), Federação das Indústrias do Estado do Paraná (FIEP), Conselho Regional de
Engenharia e Arquitetura do Paraná (CREA) e Sindicato da Construção Civil do Estado do
Paraná (SINDUSCON).
3.3 Coleta de Dados
A coleta de dados ou evidências em um estudo de caso pode vir de várias fontes:
“documentação, registros em arquivo, entrevistas, observação direta, observação participante
e artefatos físicos, filmes, fotografias, fitas de vídeo” (YIN, 2010, p.125). A coleta de
evidências deste estudo é proveniente de duas fontes: 1º - dados secundários: a) Relatórios
escritos sobre o evento; b) Recorte de notícias e outros artigos que apareceram na mídia de
massa ou nos jornais; c) Revistas especializadas; d) Publicações de empresas de Consultoria e
Auditoria; e) Estudos realizados por Instituições de Ensino Superior; e f)Pesquisas publicadas
na imprensa; 2ª - dados primários através de entrevistas pessoais em profundidade. Foram
realizadas 14 entrevistas com agendamento prévio e gravação em áudio utilizando-se de
roteiro, no período de 25 de setembro a 10 de outubro de 2010. Para melhor entendimento da
amostra pesquisada apresenta-se a seguir um quadro com o número de entrevistas e setor de
atividade:
Quadro 4 – Número de entrevistas por setor analisado
N.º DE ENTREVISTAS
03
03
03
04
SETOR
Hoteleiro
Gastronômico
Turístico
Representantes da Sociedade Civil organizada que possuem assento no Comitê
Gestor Local para a Copa de 2014
Fonte: Pesquisa 2010.
3.3 Instrumento de Pesquisa
De posse das proposições teóricas e definidas as fontes de evidências, foi elaborado,
como instrumento de pesquisa, um mesmo roteiro para todos os respondentes, semiestruturado, criado a partir das estratégias estabelecidas pelo projeto elaborado pelo Comitê
Gestor da Copa 2014, encaminhado à FIFA, para conquistar o direito de sediar a realização da
competição. O roteiro procurou contemplar a maior parte das propostas de Curitiba para a
Copa 2014, referentes a: equipamentos turísticos; tecnologia da informação; plano de
acessibilidade e mobilidade urbana; sistema de transporte; estádio; revitalização de espaços
urbanos; equipamentos de saúde e segurança; saneamento e meio ambiente; infraestrutura
aeroportuária, hoteleira.
4. Apresentação dos Resultados
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Neste capítulo será apresentada a análise das evidências da pesquisa do presente
estudo de caso. Para melhor compreensão deste relatório, foi obedecida a mesma seqüência de
temas abordados na pesquisa.
Quanto à receptividade dos setores em relação à vinda da Copa para Curitiba, os
entrevistados manifestaram um sentimento de alegria, satisfação e contentamento. Justificamse, baseados nos benefícios a serem gerados pela realização de um evento como a Copa na
cidade, como por exemplo, melhoria da infraestrutura e qualidade de vida, aumento no fluxo
de turistas, melhoria de imagem, projeção nacional e internacional, e oportunidade de novos
negócios.
Referente à cidade estar atualmente em condições de receber um megaevento como a
Copa do Mundo, há um entendimento comum que a cidade está preparada, porém, estará
plenamente adequada para receber o evento de 2014 quando receber todos os investimentos
propostos.
O conjunto de propostas voltadas a melhoria de acessibilidade à cidade foi objeto de
convergência em alguns aspectos e outros não. Nas entrevistas foram abordadas as condições
de acesso por vários modais de transporte. Com relação à acessibilidade aeroportuária, os três
setores são unânimes em apontar a necessidade de se adequar o Aeroporto Internacional
Afonso Pena às novas exigências do mercado, com padrões internacionais, uma vez que já se
encontra saturado. Alertam, inclusive, que este fator pode colocar em risco o sucesso do
evento Copa do Mundo. Quanto ao acesso aquaviário, os setores entendem que há
necessidade de investir em um terminal de passageiros no porto de Paranaguá para
incrementar o turismo, porém, manifestam a preocupação com a questão da sustentabilidade.
Defendem, juntamente com esta benfeitoria, investimentos na cidade de Paranaguá e cidades
vizinhas e com apelo histórico como Morretes e Antonina, as quais podem se tornar atrativos
turísticos. Os entrevistados, denominados técnicos, demonstraram convergência nessa
percepção e apontam este modal como de extrema importância para o turismo, onde
possibilitaria aos paranaenses embarcarem em viagens nos navios que passam na costa
brasileira, bem como, traria divisas para a cidade. Uma única ressalva manifestada por um dos
entrevistados, diz respeito ao atendimento das exigências ambientais.
Quanto ao acesso rodoviário, evidenciou-se a necessidade de melhorar a sinalização
como um todo e, principalmente, os acessos às cidades. Deve-se aproveitar a oportunidade
proporcionada pela realização do evento para buscar recursos no sentido de duplicar as BR 116, BR – 476, próximo a Curitiba, e BR – 469, a Rodovia das Cataratas, em Foz do Iguaçu.
Na opinião dos setores, Curitiba tem localização privilegiada, e não pode deixar de ter ligação
de qualidade com a maior cidade do país, São Paulo, bem como, com o segundo maior local
de visitação do Brasil, que são as Cataratas de Foz do Iguaçu.
Quanto às propostas de melhoria da mobilidade urbana da cidade de Curitiba, os
setores aprovam, porém, há sugestões dignas de registro. É importante fortalecer o transporte
público e incentivar as pessoas a usá-lo e, também, instituir e incentivar outros modais, como
por exemplo, bicicleta. Estas medidas, segundo um entrevistado, ajudariam a solucionar os
problemas hoje existentes na cidade, porque não adianta criar soluções que incentivam
somente o uso de automóveis.
Na visão dos setores, a questão de mobilidade está intimamente ligada à questão do
transporte. E, estes entendem que o atual sistema está saturado e, inclusive, apontam o mau
gerenciamento do sistema como causa principal. Mesmo assim, fazem colocações importantes
a respeito do tema. O setor gastronômico e turístico, por exemplo, apresentam resistência à
implantação do metrô, e justificam-se dizendo que não é viável financeiramente e que, no
máximo, poderia se implantar um metrô de superfície. Já o setor hoteleiro, acredita que a
proposta de implantação do metrô seria uma solução para melhoria do transporte público na
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cidade. Para os técnicos, o atual sistema está saturado, e levantam a necessidade de ampliar a
oferta de transporte através do aumento da frota de ônibus, sendo que para dois dos
entrevistados, a construção do metrô seria apenas uma parte da solução do transporte público
da cidade.
Para atender o evento da Copa de 2014, todos os setores são unânimes em concordar
com a criação de linhas especiais para atender tanto moradores como visitantes. Além disso,
alertaram que o número de táxis é insuficiente, e não atenderia um evento como a Copa.
Quanto aos aspectos relativos à energia e tecnologia da informação, os setores
pesquisados neste estudo de caso acreditam que investimentos devem ser feitos tanto em
energia quanto em tecnologia de informação, porém, segundo eles, não haverá problemas
porque a COPEL tem plenas condições de dar suporte ao evento, e os programas de incentivo
para instalação de empresas de tecnologia, como o Tecnoparque, efetuados pelo governo
municipal possibilitarão um atendimento adequado às necessidades que o evento requer.
A proposta de revitalização do setor histórico da cidade foi comemorada por todos os
setores pesquisados. No entendimento dos mesmos, o centro histórico tem a função de contar
a história da cidade e contribuir com a atração de turistas. Neste sentido, a implantação do
bonde valorizaria este local, passando a ser mais um atrativo interessante na cidade. No
entanto, conforme a opinião dos setores, estas benfeitorias devem vir acompanhadas de
medidas importantes referentes à melhoria da sinalização turística e, como prioridade,
segurança.
A requalificação ou revitalização da Rua 24 Horas divide a opinião dos setores.
Embora o setor hoteleiro e turístico perceba a importância desta proposta por se tratar de um
ícone da cidade, sugerem apenas um modelo de gestão mais eficiente, o setor gastronômico
entende que não é mais novidade e não exerce o mesmo encantamento de antigamente.
A criação dos Fans-Fest nos locais indicados pelo Comitê Gestor é apreciada pelos
setores, porém, considerações importantes foram feitas e merecem ser mencionadas. Para os
setores, em geral, um local mais central deve receber essa estrutura no período dos jogos da
Copa. A preocupação é que haja um bom planejamento de acessibilidade e transporte para
estes locais e que uma estrutura semelhante fosse disponibilizada aos bairros mais distantes e
carentes da cidade. Este, seria “um gol de placa”, observou um dos entrevistados. A cidade de
Frankfurt, Alemanha (2006), buscou na inovação e tecnologia a definição do seu diferencial
competitivo em relação às demais cidades-sede, criando os Fans-Fest, e estes complexos na
sua concepção e operacionalização foram considerados um sucesso e incorporados pela FIFA.
A requalificação dos atrativos turísticos é uma exigência de todos os setores, e na
opinião dos entrevistados, os parques são os ícones da cidade. Foi desta forma que a cidade se
destacou no cenário nacional e internacional, e que lhe proporcionou uma imagem bastante
positiva. Alegam, porém, que estes atrativos estão muito abandonados e requerem cuidados
especiais, não só para os turistas, mas para os moradores que adoram freqüentar os parques de
Curitiba. Uma reivindicação dos técnicos, além da revitalização, é proporcionar segurança nos
parques. Outro desafio levantado por eles é que juntamente com a revitalização dos parques,
se promovam ações definitivas quanto ao saneamento básico e a conseqüente despoluição
total dos rios da cidade. Outros problemas devem ser solucionados, como, a questão de
acessibilidade para os deficientes físicos e a criação de centros de atendimento aos turistas
durante a realização da Copa de 2014.
Foi solicitado aos entrevistados que indicassem os destinos mais importantes do
estado, que despertassem interesse de visitação, para que fossem comercializados juntamente
com Curitiba. Os mais citados foram Foz do Iguaçu, segundo atrativo mais visitado do Brasil;
Serra do Mar, Ilha do Mel e Guaraqueçaba como destinos ecológicos; Vila Velha, São Luis do
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Purunã e Cânyon Guartelá, situado entre os municípios de Castro e Tibagí, como destinos
voltados para o ecoturismo.
Quanto à construção do estádio da arena, há muita controvérsia, e todos os setores
demonstram certa desconfiança quanto à contrapartida oferecida pelo Clube Atlético
Paranaense. Para os entrevistados, se o estádio for utilizado para o futebol e para outras
atividades, como shows musicais, eventos de grande porte serão muito importantes para a
cidade. Caso contrário, não caberia ao município o investimento realizado através de recursos
públicos. Justificam esta posição em virtude da cidade não possuir espaços destinados a
grandes eventos. Para os técnicos, existe a necessidade de espaços para entretenimento e a
arena seria, pela situação geográfica, o local adequado, porém, para um dos entrevistados,
“essa história de arena multiuso é apenas jogo de cena”. Para ele, “a cidade perdeu uma
excelente oportunidade de construir um novo complexo esportivo”.
Esta polêmica do estádio é cercada de paixões clubísticas, porém, ao colocar a
proposta de revitalização do Centro de exposições do Parque Barigui aos entrevistados, a
carência de espaços para eventos é novamente destacada. Dizem os entrevistados, à
unanimidade, que este tipo de iniciativa contribui para a geração de emprego e renda para a
cidade, porém, eles ressaltam a importância de se construir um complexo multiuso.
A maior preocupação entre todos os setores pesquisados é a questão da segurança
pública. Este aspecto é colocado pelos setores como um dos pontos fracos de Curitiba e do
estado do Paraná. E, melhorar a segurança tanto para residentes habituais quanto para
visitantes, é um desafio às autoridades. Implantar um sistema de monitoramento por câmeras
será eficiente, mas não é uma medida que venha a garantir a segurança na cidade. É preciso,
segundo os entrevistados, aumentar o efetivo policial do estado, bem como, capacitá-los e
colocá-los nas ruas.
A cidade de Curitiba construiu ao longo dos anos uma imagem de cidade moderna,
bem planejada, inovadora. E grande parcela desta conquista, deve-se aos programas e
soluções voltados ao meio ambiente, tanto que lhe foi conferida o título de “Capital Ecológica
do Brasil”, sendo premiada na ONU com o prêmio máximo das Nações Unidas para o meio
ambiente. Perguntado aos setores se estes programas e soluções implantados na cidade
poderiam servir como atrativos para os turistas, eles responderam que a cidade não é mais tão
conceituada nestes aspectos. Eles reconhecem o trabalho realizado, porém, acreditam que
Curitiba “parou no tempo”, e não há mais soluções inovadoras como antes, e é preciso voltar
a ser destaque neste aspecto.
Quanto à relação Copa de 2014 e Desenvolvimento Social, a Copa do Mundo de
Futebol de 2014 contribuirá, segundo a pesquisa, com o desenvolvimento social da cidade.
Para os setores, a realização deste megaevento vai gerar emprego e renda para o Brasil. Além
da melhoria das cidades, os impactos gerados pela Copa podem deixar um legado de inclusão
social, qualificação pessoal e profissional, melhorias na área de saúde e educação, maior
envolvimento da comunidade. Para os técnicos, a realização de uma Copa do Mundo em
Curitiba pode alavancar social e economicamente a cidade.
Tanto o setor hoteleiro, quanto o gastronômico e turístico, dizem estar preparados
para receber este megaevento. O setor hoteleiro diz que o número de leitos vai ser ampliado, e
será capaz de atender com qualidade as exigências e necessidades da demanda. É importante
que o setor tenha esta confiança porque, segundo o Ministério do Turismo (2009), a
qualidade, diversidade e quantidade dos meios de hospedagem de um determinado destino
interferem diretamente na sua atratividade e na capacidade de sediar eventos e receber
determinado número de turistas.
O setor gastronômico entende que o número e o nível de estabelecimentos existentes
na cidade atenderiam a demanda com tranqüilidade. Esta afirmação é importante porque a
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alimentação e, conseqüentemente, a gastronomia, são considerados atividades ligadas
diretamente ao turismo. Para muitos, ainda que não represente atividade turística
propriamente dita, é considerada uma maneira de as pessoas despenderem o seu tempo livre,
um tipo de entretenimento ou lazer (COBRA, 2008). Já o setor turístico entende que, mesmo
preparado, há necessidade de se qualificar os profissionais do setor para um evento desta
magnitude.
Quando se trata de qualificação, todos os setores entendem que é preciso qualificar
permanentemente os profissionais que trabalham na atividade, investir na capacitação de mãode-obra, atuando em conjunto com as entidades representativas do setor e as esferas de
governo.
Quanto à vocação da cidade de Curitiba ao turismo de negócios e de lazer, há
divergência de pensamento a respeito. No setor hoteleiro há quem pense que sim, e
justificam-se dizendo que a cidade tem qualidade em serviços, é rica em gastronomia, e com
boa relação custo benefício, porém, deve ser mais agressiva na promoção do destino como
lazer. Há quem diga que não, porque não se “trabalha” a cidade para feriados, fins de semana
e período de férias escolares. Percebe-se, porém, que ambos chamam a atenção para a
promoção do destino.
O setor gastronômico entende que a cidade pode desempenhar esta vocação para as
duas situações, lazer e negócios. Para que isso aconteça, é necessário investir na melhoria da
infraestrutura urbana, segurança, revitalização dos atrativos turísticos, soluções urbanísticas
inteligentes e atrações culturais. “O que faz o turista permanecer em Curitiba por mais um dia,
é o setor gastronômico”, diz um dos entrevistados.
Para o setor turístico, Curitiba tem as duas vocações, a justificativa para esta
alegação aponta a Gastronomia como atrativo da cidade. Já os parques, museus e setores
históricos, se revitalizados, também poderão contribuir nesse sentido.
Quanto à participação dos setores na elaboração de propostas ao Comitê Gestor da
Copa de 2014, os setores pesquisados foram chamados, exceto uma entidade do setor
gastronômico. O setor hoteleiro foi convidado a participar apenas para conhecer o projeto e
firmar o compromisso de disponibilizar um percentual de acomodações à FIFA. O setor
turístico contribuiu com um vídeo contendo imagens da cidade que foi levado à FIFA.
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Um evento como a Copa do Mundo pode ser considerado muito mais do que um
acontecimento esportivo global, pois serve como um gatilho para o desenvolvimento
econômico e social principalmente das cidades que receberão os jogos. Neste sentido este
estudo torna-se relevante ao avaliar as expectativas e a receptividades de alguns importantes
setores, ou trades turísticos que podem afetar diretamente o sucesso do evento.
De forma geral, a notícia de que Curitiba seria uma das sedes para a Copa do Mundo
de 2014 foi muito bem recebida, porém à partir da análise técnica dos setores entrevistados
percebe-se que a falta de segurança, infra-estrutura de transportes e revitalização de atrativos
turísticos são fatores preocupantes.
Os setores dizem estar preparados para receber os milhares de turistas que virão a
Curitiba, porém aguardam do poder público investimentos que possam solucionar problemas
antigos que neste momento voltam a tona, como os citados acima.
Uma constatação é relevante a partir dos comentários dos entrevistados é que
Curitiba necessita adquirir novamente sua identidade de capital ecológica. Para isso a
revitalização dos parques, os quais são considerados cartões postais da cidade, é uma medida
emergencial.
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ANAIS
Até 2014 muitas transformações acontecerão no que diz respeito a preparação das
cidades sedes da Copa, e desta forma sugere-se que outras pesquisas possam acompanhar a
evolução da percepção da população e dos setores econômicos diretamente envolvidos com o
evento.
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