ANAIS COPA 2014: EXPECTATIVA E RECEPTIVIDADE DOS SETORES HOTELEIRO, GASTRONÔMICO E TURÍSTICO NA CIDADE DE CURITIBA. ITAMAR ABIB NEVES ( [email protected] ) UNIVERSIDADE TUIUTI DO PARANÁ ELDER SEMPREBOM ( [email protected] ) UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ ANDRÉA DE ALBUQUERQUE DE LIMA ( [email protected] ) PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO PARANÁ Resumo Mundialmente bilhões de pessoas aguardam mais uma Copa do Mundo, e desde julho de 2010 todos os olhares estão voltados ao Brasil, a próxima sede do evento. Neste contexto, este estudo teve como objetivo verificar a percepção dos setores hoteleiro, gastronômico e turístico em relação a gestão de operações previstas no projeto Curitiba – 2014, apresentado à FIFA. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, estudo de caso, em que foram realizadas 14 entrevistas em profundidade com os membros das principais associações pertencentes aos setores citados. Como resultado obteve-se satisfação mediante a escolha da cidade, mas também preocupação com algumas questões públicas. Palavras-chaves: Copa do Mundo; Curitiba; Turismo. 1. INTRODUÇÃO A Copa do Mundo de Futebol será realizada no Brasil em 2014, e a cidade de Curitiba conquistou o direito a ser uma das 12 cidades que terá a oportunidade de sediar os jogos. Sediar megaeventos como a Copa o Mundo e as Olimpíadas representam muito mais do que eventos esportivos, e sim, uma grande oportunidade de negócios, que influenciam a socioeconomia dos lugares (MORGAN; SUMMERS, 2008). Os números mostram a grandeza do evento. Em uma pesquisa realizada pela Fundação Getúlio Vargas, a pedido do Ministério do Turismo em 2009, estima-se que 5,9 milhões de estrangeiros devem visitar o Brasil entre os anos de 2009 e 2014, sendo que, durante a realização do torneio, 500 mil turistas são esperados e, devem permanecer no país, em média, 15 dias, gastando aproximadamente dez mil reais, totalizando uma receita de 6,27 bilhões de reais. Os investimentos para a realização da Copa do Mundo de 2014 vão injetar na economia R$ 142 bilhões de reais, segundo levantamento da consultoria Ernst & Young, em parceria com a Fundação Getúlio Vargas. De acordo com o estudo, o valor para os investimentos diretos, organização e infraestrutura será de R$ 29,6 bilhões, somados aos indiretos na produção de bens e serviços de R$ 112,7 bilhões (FORDELONE, 2010). Uma das principais potencialidades da realização de um megaevento como a Copa é a promoção internacional, pois proporciona visibilidade ao país e é uma oportunidade ímpar 1/16 ANAIS para a exposição publicitária das cidades. Em 2006, na Alemanha, a presença de público nos estádios somou 3.353.335 pessoas, com 73 mil horas de transmissão na televisão, para 214 países e, segundo o mesmo relatório, o evento gerou uma audiência acumulada de 26 bilhões de pessoas, e mais, 18 milhões de espectadores marcaram presença nas praças das cidades que sediaram os jogos (SINAENCO, 2009). Diversos setores da atividade econômica estarão sujeitos aos impactos gerados na realização do evento, porque em função de eventos de grande porte como a Copa, são realizados investimentos de milhões de dólares em infraestrutura, estádios, aeroportos, estações ferroviárias e centros de convenção (KOTLER et al., 2006). Segundo a Agência Curitiba de Desenvolvimento (2010), Curitiba deve receber investimentos em torno de 4,5 bilhões de reais em um conjunto de obras que promovam melhoria da qualidade de vida dos moradores e seus visitantes, e a aplicação dos fundamentos do marketing, de forma adequada, “impedem que destinos sejam vendidos somente através de divulgação, publicidade, descuidando-se, muitas vezes, de outros aspectos fundamentais como a qualidade do produto turístico, os serviços que o cercam e a comunidade em que está inserido” (DIAS; CASSAR, 2005). A cidade deverá estar devidamente qualificada, buscando atender integralmente os requisitos estabelecidos pela FIFA e, igualmente qualificados, devem estar todos os setores da economia, especialmente aqueles considerados estratégicos para o evento e que compõe o trade turístico da cidade, entre eles, os meios de hospedagem, alimentação e turístico. Desta forma o objetivo geral deste estudo consistiu em verificar a percepção dos setores hoteleiro, gastronômico e turístico em relação a gestão de operações previstas no projeto Curitiba – 2014, apresentado à FIFA para sediar a Copa de 2014. 2. REFERENCIAL TEÓRICO 2.1 Marketing de Lugares A competitividade entre localidades é tão acirrada quanto o mercado de bens de consumo. A busca por investimentos internacionais, atração de empresas, moradores, turistas, tem exigido dos países e cidades esforços grandiosos.. Neste contexto, para uma localidade sobressair-se no mercado regional e global, é preciso que os agentes públicos e privados estabeleçam estratégias de marketing a fim de superar os desafios competitivos que se apresentam. Desta forma, “o potencial de um lugar não depende tanto de sua localização geográfica, seu clima e seus recursos naturais quanto depende da vontade, da habilidade, da energia, dos valores e da organização de pessoas” (KOTLER et al. (2006, p.45). Segundo Sanchez (1999, p.115) o “city marketing constitui-se na orientação da política urbana à criação ou ao atendimento das necessidades do consumidor, seja este empresário, turista ou o próprio cidadão”. O marketing de um lugar, segundo Kotler et al (2006, p. 71), abrange basicamente quatro atividades: (1) desenvolver uma imagem forte e atraente; (2) estabelecer incentivos atraentes para os atuais e possíveis compradores e usuários de seus bens e serviços; (3) fornecer produtos e serviços locais de maneira eficiente; e (4) promover os valores e a imagem do local de uma maneira que os possíveis usuários conscientizem-se realmente de suas vantagens diferenciadas. Para o autor existem quatro amplas estratégias para atrair visitantes, moradores, comércio e indústria, que são: Marketing de Imagem; de Atrações; de Infraestrutura e de Pessoas. A imagem de uma localidade pode influenciar a escolha das pessoas tanto para visitar como para empreender um negócio. A definição de Kotler et al. (2006) para a imagem 2/16 ANAIS de um lugar é um conjunto de atributos formado por crenças, idéias e impressões que as pessoas tem deste lugar. Segundo o autor, as imagens costumam representar a simplificação de inúmeras associações e fragmentos de informações, e são o produto da mente tentando processar e enquadrar enormes quantidades de dados relacionados a um lugar. Para Dias e Cassar (2005, p.240), “o levantamento dos atrativos de uma cidade identificará seus pontos fortes, os quais poderão materializar uma visitação significativa, além de uma taxa de permanência das visitas”. As cidades que ofertam mais atrativos para o lazer ou turismo são mais competitivas e atraem maior interesse das pessoas e organizações. Mas, “é óbvio que nem a imagem e nem as atrações conseguem oferecer a resposta completa para o desenvolvimento de um lugar - faz-se necessária uma infraestrutura eficaz de base” (KOTLER et al., 2006, p.78). O marketing de infraestrutura desempenha papel dos mais importantes, pois os investimentos nesta área, além de altamente necessários, ajudam a reduzir o desemprego, implicam em apoio de instituições financeiras internacionais, atração de empresas, contribuindo para o desenvolvimento dos lugares. Os eventos, como a Copa do Mundo de Futebol, “tornaram-se um componente vital de programas de atração de turistas”, e que “em função de eventos, são realizados investimentos em infraestrutura, estádios, aeroportos, estações ferroviárias e centros de convenção” (KOTLER et al., 2006, p.242). Os atrativos turísticos das cidades-sede exercerão papel importante e estratégico, porque tem poder de influenciar a decisão de compra e a permanência dos espectadores dos jogos por mais tempo nas cidades-sede da Copa 2014. Para Kotler et al. (2006), em relação a isso, dizem que “é muito importante os países e cidades entenderem que os turistas são como os outros consumidores, e comparam custo e conveniência, qualidade e confiabilidade, serviço e beleza, e assim por diante”. 2.2 Marketing Turístico Muitas pessoas pensam que o marketing turístico é um instrumento de propaganda que incentiva as pessoas a viajar. E, não é. O marketing turístico, segundo Dias e Cassar (2005, p.89), “não é radicalmente diferente aos conceitos gerais do marketing, mas vai muito além do que incentivar as pessoas a viajar”. Para Krippendorf (apud RUSCHMANN, 1991, p.25), marketing turístico vem a ser: a adaptação sistemática e coordenada da política das empresas de turismo, tanto pública como do Estado, no plano local, regional, nacional e internacional, visando à plena satisfação das necessidades de determinados grupo de consumidores, obtendo, com isso, um lucro apropriado”. O Brasil, ao receber um megaevento como a Copa do Mundo de Futebol, pode potencializar sua vocação para o turismo. Dados do Ministério do Turismo (2010) indicam que “o país já ocupa o 7º lugar no mundo em número de eventos internacionais associativos. Para ter uma idéia da força do turismo, o fluxo internacional de mais de cinco milhões de visitantes que chegam ao Brasil é responsável pela entrada anual de 5,8 bilhões de dólares de divisas”. As previsões iniciais, com base em experiências de outros países que sediaram uma Copa do Mundo de Futebol, indicam que cerca de 500 mil turistas estrangeiros estarão em visita ao Brasil durante a Copa do Mundo e a realização dos jogos em doze cidades-sede será uma oportunidade para ampliar o conhecimento do Brasil, mostrar a diversidade turística natural e cultural. Ainda podem-se ampliar para todas as regiões brasileiras as possibilidades 3/16 ANAIS de receber visitantes, aumentando a permanência de turistas e seus gastos nas cidades brasileiras (EMBRATUR, 2010). Para Beni (2001), por razões de terminologia e conceituação, diz-se que o produto turístico total, em sentido macroeconômico, é “constituído de um conjunto de subprodutos, tais como transporte, hotelaria, restaurantes, filmes, livros, diversões, souvenirs, seguro e outros”. Em sentido microeconômico, diz o autor, “cada um deles pode receber a denominação de produto turístico” (BENI, 2001, p.160). O Produto Turístico Cidade, segundo Dias e Cassar (2005, p.91), caracteriza-se por ser “uma mescla de bens e serviços públicos e privados, todos voltados para um mesmo objetivo, ou seja, aumentar o fluxo de turistas na cidade”. O mesmo pode ser perfeitamente comparado a uma organização que se utiliza dos fundamentos do marketing orientada à comercialização de seu produto e à satisfação das necessidades e desejos de seus consumidores. 2.2.1 O Trade Turístico Além dos atrativos naturais das cidades que de alguma forma já fomentam o fluxo de turistas, há que se dispor ao turista uma gama de boas ofertas de serviços para tornar o lugar mais atrativo à visitação. O conjunto de empresas que ofertam serviços aos turistas é chamado de Trade Turístico, e Mota (2001, p.71) o define como sendo “as áreas envolvidas na prestação de serviços para atender às necessidades comuns de todos os turistas”. Krippendorf (apud BENI, 1998) cita que para se identificar as empresas de turismo, ou seja, as quais compõem o trade, basta selecionar aquelas que fornecem prestações materiais ou serviços turísticos, aquelas que são importantes para o turismo e que desempenham um papel significativo no conjunto do marketing turístico. Segundo o Ministério do Turismo (2009), “o setor de serviços de hospedagem e alimentação desempenham um papel importante para a realização da Copa 2014 no Brasil”. O Ministério considera que “um dos itens primordiais para realização e sucesso de um evento como a Copa do Mundo da FIFA é a capacidade e a qualidade do parque hoteleiro das cidades-sede do evento”. A hotelaria, segundo Mota (2001, p.43), poder ser compreendida como “uma das principais atividades do turismo, já que atende uma necessidade básica para sua realização, quando viabiliza a permanência do turista no local visitado por meio de hospedagem”. Ainda no mesmo documento do ministério há um alerta que diz: “como os meios de hospedagem, os estabelecimentos de alimentação, bebidas e similares têm papel fundamental na composição da cadeia produtiva do turismo”. Desta forma tanto a alimentação quanto a gastronomia são consideradas atividades ligadas diretamente ao turismo. Para muitos, ainda que não represente atividade turística propriamente dita, é considerada uma maneira de as pessoas despenderem o seu tempo livre, um tipo de entretenimento ou lazer (COBRA, 2008). A quantidade e a variedade de restaurantes são itens considerados importantes. A gastronomia pode ser em muitos casos, o motivo da extensão da permanência do turista em uma cidade. 2.3 A Copa no Brasil - 2014 A Copa 2014 para muitas pessoas será a quebra da imagem estereotipada e primária que se tem sobre o Brasil, e para outros mais experientes, uma renovação de imagem. Os maiores desafios a serem enfrentados decorrem da falta de investimentos em infraestrutura ao longo dos últimos anos, como a construção e a recuperação de estradas, o aumento da 4/16 ANAIS capacidade aeroportuária, obras de melhoria da malha viária das cidades, novos modais de transporte e expansão dos já existentes” (CHIAS, 2010). Desta forma, a participação conjunta dos diversos segmentos da sociedade organizada é fundamental para o sucesso do evento, pois se trata de uma oportunidade excepcional para promover o desenvolvimento local e fortalecer a imagem do Brasil. O primeiro e mais importante jogo para o Brasil não será dentro dos gramados, e sim fora deles. Os países que desejam sediar uma Copa do Mundo de Futebol devem estar devidamente preparados para receber este megaevento. Todas as esferas de governo, Federal, Estadual e Municipal, mais a iniciativa privada e entidades do terceiro setor, devem somar esforços no sentido de planejar e executar as tarefas essenciais e indispensáveis à sua realização. Os requisitos exigidos pela FIFA são muitos e os desafios são, igualmente, grandiosos. Problemas estruturais, como mobilidade urbana, transporte, saneamento, segurança, energia, telecomunicações, estádios, sustentabilidade, tecnologia e turismo, são rigorosamente cobrados pela entidade organizadora. Resumidamente conforme quadro 1 a seguir, apresenam-se os requisitos legais exigidos pela FIFA. Quadro 1 - Requisitos Legais Estabelecidos pela FIFA REQUISITOS Estádio de futebol Transporte Centros de treinamentos de seleções Instalação dos chamados Fans Park Energia EXIGÊNCIAS Devem ser compatíveis com a realidade do evento, com capacidade mínima de 40.000 assentos, e atenda aspectos de segurança, prevenção e extinção de incêndios, com circuito fechado de vigilância, primeiros socorros. Deve possuir boa sinalização, facilitando o acesso a setores e rotas de escape, estacionamento para ônibus, carros e helicóptero, bom campo de jogo e hospitalidade, para patrocinadores, áreas Vip, FIFA lounge. A estrutura para mídia, com salas de conferência, estúdios de televisão. Deve proporcionar aos expectadores cobertura do estádio, serviços públicos, praça de alimentação e compras, venda de ingressos e atendimentos à legislação local e Estatuto do torcedor. As cidades devem estar atentas aos projetos estruturais, acesso a um transporte de qualidade, rotas de acesso à cidade e ao estádio com o menor tempo e percurso. Adequar os centros para a Copa das Confederações em 2013. Áreas destinadas a concentração de públicos para assistirem aos jogos na própria cidade em que são realizados os jogos. Capacidade de suprimento e plano de reserva e distribuição. Acomodações Capacidade e qualidade da estrutura hoteleira para receber milhares de espectadores, família FIFA e jornalistas de todo o mundo. Turismo Auxílio e colaboração para atingir padrões internacionais no que diz respeito ao atendimento e, assim, construir o legado dos aspectos turísticos. Comunicação e Marketing Recomendação de execução de um plano de comunicação e marketing desde a preparação do evento até o pós-copa. Urbanismo Acompanhar projetos urbanísticos das cidades. Planejamento de um conjunto de programas de prevenção de doenças locais e atendimento da rede pública Saúde Pública Segurança pública Ações dos governos para garantir a segurança durante o evento. Capital Humano Preparação, coordenação e realização dos treinamentos das pessoas envolvidas na realização da Copa do mundo. Sustentabilidade Programa integral para atendimentos aos requisitos do Green Goal. Tecnologia Planejamento das melhorias e transformações tecnológicas necessárias. 5/16 ANAIS Eventos de negócios Preparação e planejamento dos eventos de negócios realizados durante a Copa. Planejamento Tributário e Fiscal Estudo sobre tributos diretos e indiretos sobre insumos e produtos relacionados à Copa do mundo. Atividades culturais Participação dos governos em atividades culturais a fim de garantir e estabelecer o legado após a Copa. Fonte: FIFA – DGC Consultoria – 2007. Os estudos realizados pela Associação Brasileira das Indústrias de Base (2009) apontam, em valores estimáveis, que os investimentos necessários somente para obras de infraestrutura remontem a 110 bilhões de reais, nos mais diversos setores de atividade. Estes investimentos devem obedecer ao planejamento estratégico de cada cidade, e que contemple o atendimento de todas as exigências estabelecidas pela FIFA, e por conseqüência, proporcione as melhores experiências àqueles que visitarão as cidades-sede. Diante das exigências da FIFA, apresenta-se a seguir conforme quadro 2, a síntese das propostas elaboradas pelo Comitê Gestor de Curitiba para a Copa 2014. Quadro 2 - Proposta de Curitiba para Copa 2014 PROPOSTAS Acessibilidade, Mobilidade Urbana e Transporte Turismo DESCRIÇÕES - Implantação da primeira linha do metrô (etapa 1, 13Km, e 13 estações) – melhoria do Sistema integrado de Transporte. Requalificação da Paisagem Urbana: Ciclovia; Calçadão para pedestres; Arborização; Equipamentos de playground; Quiosques comerciais; Áreas de convivência; Bilheterias, acessos e estruturas operacionais; - Linha Azul – Metrô de Curitiba Etapa 2; - Melhoria do sistema viário – intervenções no centro da cidade Cândido de Abreu canaleta exclusiva para o transporte coletivo, Criação de um Boulevard Central, Passeios, Iluminação, Modernização Semafórica; - Acesso ao aeroporto – rodoferroviária, contendo neste trecho 6 galerias subterrâneas para passagem de pedestres – instalação subterrânea de distribuição Elétrica – nova sinalização – segurança e monitoramento, e pista exclusiva para ônibus; - Anel viário 3 – tem como principal finalidade reduzir o trânsito próximo ao centro da cidade – são 26 quilômetros de vias que circundam a cidade de Curitiba; - Sistema Integrado de Mobilidade – controle operacional de trânsito; modernização do Sistema CTA Transporte Coletivo; implantação de painéis eletrônicos de mensagem; - Implantação de binários como Guabirotuba – Água Verde – facilitando o acesso de quem chega à cidade e quer se deslocar aos bairros da região oeste; - Corredor metropolitano – compreende a realização de obras nas diversas vias de acesso da região metropolitana à Curitiba - Vias de integração radial metropolitana – recuperação de vias estratégicas de grande extensão – Rua Francisco Derosso, Salgado Filho, Avenida da Integração; - A Avenida Marechal Floriano Peixoto - também receberá investimentos que vão melhorar a via tanto para quem utiliza o carro e o ônibus e, principalmente, o acesso ao aeroporto e também terá a primeira ciclofaixa da cidade, uma das facilidades para incentivar a utilização da bicicleta e que está prevista no Plano Diretor Cicloviário; - Intervenção na Avenida Visconde de Guarapuava – Extensão de 4,2km, implantação de rede elétrica subterrânea, ciclovia e área de circulação de pedestre; - Melhoria da Rede integrada de Transporte - Novas linhas, e linhas exclusivas Copa 2014, como na Conferência das Cidades, e ampliação da frota do transporte coletivo. - Revitalização do Setor Histórico – Rua Riachuelo e São Francisco, respectivamente (requalificação de calçadas, iluminação pública, rede subterrânea de cabos, despoluição visual, sinalização turística para pedestres, câmeras de segurança e repaginação de fachadas; - Implantação do Bonde Turístico - tem como premissa colocar novamente em circulação os antigos bondes que serviam para o transporte coletivo, agora com o cunho de atrativo turístico, cultural, e de resgate da memória da cidade; 6/16 ANAIS Segurança Meio Ambiente Estádio Comunicação e Tecnologia da Informação Infraestrutura Aeroportuária, Hoteleira e Hospitalar - Revitalização dos equipamentos turísticos existentes como a “Rua 24 Horas”; - Instalação de Fans Park no período de realização dos jogos no Parque Barigui, Pedreira Paulo Leminski e velódromo Municipal. Estes locais foram indicados em função do atendimento às condições de: capacidade, acessibilidade, estacionamento e segurança - Obras no Zoológico de Curitiba para transformá-lo em um complexo turístico, com melhorias no acesso ao parque e ampliação do estacionamento; - A conclusão do parque em homenagem ao centenário da imigração japonesa no bairro Uberaba; - A criação de um circuito turístico para pedestres no entorno do Paço Municipal e Setor Histórico; - A implantação de ciclovias ligando os parques da cidade - Melhorias na sinalização turística - Serão placas bilíngües (português e inglês) que levam os nomes dos principais parques e pontos turísticos da cidade; - Revitalização do Passeio Público - primeiro parque da cidade de Curitiba; - Revitalização do centro de exposições do Parque Bariguí; - Ações em áreas consideradas estratégicas para o turismo na cidade como: Novo visual para os Postos de Informações turísticas; Requalificação do produto turístico; Valorização do artesanato local; Promoção, comercialização e gestão ambiental do destino Curitiba; Promoção do comércio local. - Central de monitoramento; - Monitoramento por 72 câmeras em ruas do comércio central; - Implantação de câmeras de monitoramento em 23 terminais de transporte; - Ações integradas entre o município e o governo do estado; - Cursos específicos relativos à segurança em grandes eventos destinados aos policiais do estado; - Promoção de programas e soluções ambientais: lixo que não é lixo, câmbio verde; - Medidas de saneamento dos parques da cidade; - Revitalização e manutenção dos 15 bosques e 19 parques; - Resgate da flora nativa – arborização dos bairros da cidade; - Maximizar o uso de energia renovável: biodiesel – Frota de ônibus de Curitiba. - Edificação de área coberta transitória destinada a Hospitalidade Comercial com área de 10.914,50m²; - Área para a Imprensa, com 2.645,85m². - Estrutura coberta transitória destinada a Afiliados Comerciais, praça de alimentação e voluntários, situada na Praça Afonso Botelho, com área de 10.000m². Os quiosques de alimentação perfazem área total de 240,00m²; - Fechamento “provisório” da Rua Buenos Aires, permitindo o uso para acesso ao estádio; - O projeto do estádio prevê o atendimento à FIFA na questão referente ao estacionamento interno (1153 veículos e 4 ônibus); - Acessibilidade: ao portador de necessidades especiais, Infraestrutura de Tecnologia da informação e Provisão de energia; - Sustentabilidade ambiental: Eliminação do fosso, Mecanismos de captação e reaproveitamento de águas pluviais, Cobertura – condicionamento térmico e redução da luminosidade externa gerada pelo estádio e Uso de energia solar; - Sustentabilidade econômica: Multifuncionalidade após copa, Integração à comunidade - Programa Tecnoparque: pólo de desenvoilvimento que reunirá prédios modernos e toda infraestrutura necessária para receber cerca de oito mil profissionais da imprensa de todo mundo que devem cobrir este megaevento. Empresas participantes: Siemens, Centro de Tecnologia do HSBC, Inspat, CITS. - Ampliação do pátio de aeronaves; - Ampliação do terminal de cargas; - Instalação ILS “categoria 2”; - Reforma de terminal de passageiros; - Área para hangares de aviação executiva; - Construção de edifício garagem (ampliação do estacionamento); - 12 hospitais com pronto-socorro num raio de 20Km do estádio; 7/16 ANAIS - 4 hospitais com pronto-socorro para atendimento em larga escala; - Nº de leitos – 6.691 (2007) – 7.340 (2014); - Criação de rotas que facilitem o acesso aos equipamentos de saúde desde o Estádio Joaquim Américo; - Disponibilidade de horários, atendimento especializado, conforme contratos futuros entre a FIFA e as unidades de saúde; - Aumento no nº de leitos: 6.691 (2007) – 7.340 (2014); - 60% dos apartamentos da rede hoteleira cadastrada, em um raio de 120 Km do estádio Joaquim Américo, serão bloqueados para turistas. Fonte: Adaptado do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba, 2010. As propostas apresentadas (Quadro 2) têm por objetivo proporcionar melhorias à cidade de Curitiba e ao estado do Paraná. Os legados esperados pelo projeto do Comitê Gestor encontram-se relacionados abaixo (IPPUC, 2010): 1. A construção de um estádio multiuso; 2. Promoção nacional e internacional da cidade; 3. Consolidação de Curitiba como cidade para grandes eventos; 4. Desenvolvimento da infraestrutura de transporte; 5. Investimentos em segurança, serviços de turismo, dentre outros; 6. Estímulo à auto-estima e orgulho da população; 7. Promoção do esporte e estilo de vida saudável; 8. Geração de empregos e renda; 9. Melhoria da integração social; 10. Desenvolvimento social e econômico Diante desta exposição, é importante registrar como alguns autores entendem a realização de megaeventos como fator de desenvolvimento de localidades, e que possibilitem a geração de legados como os citados acima. Segundo Morgan e Summers (2008, p.84), “sediar megaeventos como a Copa do Mundo de Futebol é de responsabilidade dos governos”, e cita cinco tipos de benefícios tipicamente utilizados para justificar investimentos em um megaevento, e que foram relacionados no quadro abaixo (Quadro 3): Quadro 3 - Benefícios gerados pela realização de megaeventos BENEFÍCIOS DESCRIÇÃO Benefícios sociais, culturais e das comemorações Sentimento de orgulho nacional; recompensa pública para os cidadãos de uma nação Benefícios do legado regeneração urbana da Sediar um megaevento requer um trabalho de regeneração urbana; investimentos em infraestrutura viária, transporte, acomodações. Benefícios do turismo e da imagem; Um megaevento proporciona a exposição do país, melhoria da imagem e, consequentemente, atração de recursos financeiros. Benefícios do legado esportivo Melhoria das instalações esportivas, construção de novos equipamentos, oportunidade comerciais. Benefícios econômicos mais amplos Publicidade internacional; negociações comerciais; geração de empregos; injeção de recursos financeiros à economia do país e das cidades Fonte: Adaptado de Morgan e Summers (2008, p.85-87) Poytner, com relação ao legado de megaeventos diz que: 8/16 ANAIS “uma das grandes virtudes de um megaevento é o de criar um ambiente favorável à aceleração de projetos de desenvolvimento social e regeneração urbana sob condições políticas, econômicas e sociais extremamente favoráveis. Resumidamente, pode-se dizer que os legados de megaeventos esportivos são de natureza: Infraestrutura urbanística; Econômica; Social; Educacional; Ambiental; Esportivo; Cultural; Turismo e hospitalidade; Político; Conhecimento e tecnologia” (POYTNER. 2008, p.122). 3. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS 3.1 Delineamento da Pesquisa O objetivo deste capítulo é apresentar o procedimento metodológico utilizado para a realização da pesquisa, seu delineamento, preparação para o estudo de caso, coleta e análise das evidências, elaboração do relatório do caso e, por fim, as limitações da pesquisa. Para alcançar os objetivos propostos no presente estudo, optou-se pela abordagem qualitativa, que segundo Malhotra (2006, p.154), “proporciona melhor visão e compreensão do contexto do problema”. Com relação ao tipo de pesquisa, optou-se pela pesquisa descritiva. De acordo com Cervo e Bervian (1996, p.50), a pesquisa descritiva “observa, registra, analisa e correlaciona fatos ou fenômenos sem manipulá-los, na tentativa de descobrir com que freqüência ocorre os fenômenos, bem como sua natureza e características”. Para a realização da pesquisa optou-se pelo método de “estudo de caso”. Como método de pesquisa, “o estudo de caso é usado em muitas situações, para contribuir ao nosso conhecimento dos fenômenos individuais, grupais, organizacionais, sociais, políticos e relacionados” (YIN, 2010, p.24). Triviños (1987, p.133) considera o estudo de caso como um tipo de investigação qualitativa, e o define como “uma categoria de investigação cujo objeto é uma unidade que se analisa profundamente”. Realizou-se na presente pesquisa um “estudo de caso único”, ou seja, o projeto Curitiba - 2014. A caracterização temporal adotada no presente estudo foi transversal único. De acordo com Malhotra (2006) é “um tipo de pesquisa que envolve a coleta de informações de uma dada amostra de elementos da população somente uma vez”. 3.2 Seleção dos Casos e Unidade de Análise As unidades de análise pertencem aos setores econômicos afetados diretamente pelas ações planejadas do projeto. Desta forma, as unidades de análise escolhidas para o presente estudo foram os representantes das entidades de classe ligados aos setores hoteleiro, gastronômico e turístico. Essas entidades selecionadas foram: − ABRASEL – Associação de Bares e Restaurantes da cidade de Curitiba; − ABIH – PR. – Associação Brasileira da Indústria de Hotéis – Paraná; − ABRABAR – Associação de Bares e Casas noturnas da cidade de Curitiba; − CCV&B – Curitiba Convention Visitors Bureau – Curitiba ; − Núcleo de Turismo Receptivo de Curitiba; − SINDOTEL – Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e similares de Curitiba. A escolha destas entidades se deu pelo fato de que os setores hoteleiro, gastronômico e turístico, desempenham papel fundamental na escolha da cidade como destino turístico, bem como, à construção da imagem de um lugar, amplamente evidenciado na fundamentação teórica deste estudo. Uma vez estabelecido onde buscar as unidades de análise optou-se pela técnica de seleção não-probabilística por julgamento. 9/16 ANAIS Para agregar informações ao presente estudo e enriquecer as evidências, optou-se por ir além do previsto, e colher evidências de quatro representantes de setores da sociedade civil organizada que possuem assento no Comitê Gestor Local para a Copa de 2014. A coleta de evidências junto aos representantes desses setores se tornou importante, como referência, para elaboração do relatório final do presente estudo, pois foi possível confrontar colocações e avaliações técnicas a respeito dos temas com a dos entrevistados dos setores previamente escolhidos. Estes entrevistados pertencem às seguintes entidades: Associação Comercial do Paraná (ACP), Federação das Indústrias do Estado do Paraná (FIEP), Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura do Paraná (CREA) e Sindicato da Construção Civil do Estado do Paraná (SINDUSCON). 3.3 Coleta de Dados A coleta de dados ou evidências em um estudo de caso pode vir de várias fontes: “documentação, registros em arquivo, entrevistas, observação direta, observação participante e artefatos físicos, filmes, fotografias, fitas de vídeo” (YIN, 2010, p.125). A coleta de evidências deste estudo é proveniente de duas fontes: 1º - dados secundários: a) Relatórios escritos sobre o evento; b) Recorte de notícias e outros artigos que apareceram na mídia de massa ou nos jornais; c) Revistas especializadas; d) Publicações de empresas de Consultoria e Auditoria; e) Estudos realizados por Instituições de Ensino Superior; e f)Pesquisas publicadas na imprensa; 2ª - dados primários através de entrevistas pessoais em profundidade. Foram realizadas 14 entrevistas com agendamento prévio e gravação em áudio utilizando-se de roteiro, no período de 25 de setembro a 10 de outubro de 2010. Para melhor entendimento da amostra pesquisada apresenta-se a seguir um quadro com o número de entrevistas e setor de atividade: Quadro 4 – Número de entrevistas por setor analisado N.º DE ENTREVISTAS 03 03 03 04 SETOR Hoteleiro Gastronômico Turístico Representantes da Sociedade Civil organizada que possuem assento no Comitê Gestor Local para a Copa de 2014 Fonte: Pesquisa 2010. 3.3 Instrumento de Pesquisa De posse das proposições teóricas e definidas as fontes de evidências, foi elaborado, como instrumento de pesquisa, um mesmo roteiro para todos os respondentes, semiestruturado, criado a partir das estratégias estabelecidas pelo projeto elaborado pelo Comitê Gestor da Copa 2014, encaminhado à FIFA, para conquistar o direito de sediar a realização da competição. O roteiro procurou contemplar a maior parte das propostas de Curitiba para a Copa 2014, referentes a: equipamentos turísticos; tecnologia da informação; plano de acessibilidade e mobilidade urbana; sistema de transporte; estádio; revitalização de espaços urbanos; equipamentos de saúde e segurança; saneamento e meio ambiente; infraestrutura aeroportuária, hoteleira. 4. Apresentação dos Resultados 10/16 ANAIS Neste capítulo será apresentada a análise das evidências da pesquisa do presente estudo de caso. Para melhor compreensão deste relatório, foi obedecida a mesma seqüência de temas abordados na pesquisa. Quanto à receptividade dos setores em relação à vinda da Copa para Curitiba, os entrevistados manifestaram um sentimento de alegria, satisfação e contentamento. Justificamse, baseados nos benefícios a serem gerados pela realização de um evento como a Copa na cidade, como por exemplo, melhoria da infraestrutura e qualidade de vida, aumento no fluxo de turistas, melhoria de imagem, projeção nacional e internacional, e oportunidade de novos negócios. Referente à cidade estar atualmente em condições de receber um megaevento como a Copa do Mundo, há um entendimento comum que a cidade está preparada, porém, estará plenamente adequada para receber o evento de 2014 quando receber todos os investimentos propostos. O conjunto de propostas voltadas a melhoria de acessibilidade à cidade foi objeto de convergência em alguns aspectos e outros não. Nas entrevistas foram abordadas as condições de acesso por vários modais de transporte. Com relação à acessibilidade aeroportuária, os três setores são unânimes em apontar a necessidade de se adequar o Aeroporto Internacional Afonso Pena às novas exigências do mercado, com padrões internacionais, uma vez que já se encontra saturado. Alertam, inclusive, que este fator pode colocar em risco o sucesso do evento Copa do Mundo. Quanto ao acesso aquaviário, os setores entendem que há necessidade de investir em um terminal de passageiros no porto de Paranaguá para incrementar o turismo, porém, manifestam a preocupação com a questão da sustentabilidade. Defendem, juntamente com esta benfeitoria, investimentos na cidade de Paranaguá e cidades vizinhas e com apelo histórico como Morretes e Antonina, as quais podem se tornar atrativos turísticos. Os entrevistados, denominados técnicos, demonstraram convergência nessa percepção e apontam este modal como de extrema importância para o turismo, onde possibilitaria aos paranaenses embarcarem em viagens nos navios que passam na costa brasileira, bem como, traria divisas para a cidade. Uma única ressalva manifestada por um dos entrevistados, diz respeito ao atendimento das exigências ambientais. Quanto ao acesso rodoviário, evidenciou-se a necessidade de melhorar a sinalização como um todo e, principalmente, os acessos às cidades. Deve-se aproveitar a oportunidade proporcionada pela realização do evento para buscar recursos no sentido de duplicar as BR 116, BR – 476, próximo a Curitiba, e BR – 469, a Rodovia das Cataratas, em Foz do Iguaçu. Na opinião dos setores, Curitiba tem localização privilegiada, e não pode deixar de ter ligação de qualidade com a maior cidade do país, São Paulo, bem como, com o segundo maior local de visitação do Brasil, que são as Cataratas de Foz do Iguaçu. Quanto às propostas de melhoria da mobilidade urbana da cidade de Curitiba, os setores aprovam, porém, há sugestões dignas de registro. É importante fortalecer o transporte público e incentivar as pessoas a usá-lo e, também, instituir e incentivar outros modais, como por exemplo, bicicleta. Estas medidas, segundo um entrevistado, ajudariam a solucionar os problemas hoje existentes na cidade, porque não adianta criar soluções que incentivam somente o uso de automóveis. Na visão dos setores, a questão de mobilidade está intimamente ligada à questão do transporte. E, estes entendem que o atual sistema está saturado e, inclusive, apontam o mau gerenciamento do sistema como causa principal. Mesmo assim, fazem colocações importantes a respeito do tema. O setor gastronômico e turístico, por exemplo, apresentam resistência à implantação do metrô, e justificam-se dizendo que não é viável financeiramente e que, no máximo, poderia se implantar um metrô de superfície. Já o setor hoteleiro, acredita que a proposta de implantação do metrô seria uma solução para melhoria do transporte público na 11/16 ANAIS cidade. Para os técnicos, o atual sistema está saturado, e levantam a necessidade de ampliar a oferta de transporte através do aumento da frota de ônibus, sendo que para dois dos entrevistados, a construção do metrô seria apenas uma parte da solução do transporte público da cidade. Para atender o evento da Copa de 2014, todos os setores são unânimes em concordar com a criação de linhas especiais para atender tanto moradores como visitantes. Além disso, alertaram que o número de táxis é insuficiente, e não atenderia um evento como a Copa. Quanto aos aspectos relativos à energia e tecnologia da informação, os setores pesquisados neste estudo de caso acreditam que investimentos devem ser feitos tanto em energia quanto em tecnologia de informação, porém, segundo eles, não haverá problemas porque a COPEL tem plenas condições de dar suporte ao evento, e os programas de incentivo para instalação de empresas de tecnologia, como o Tecnoparque, efetuados pelo governo municipal possibilitarão um atendimento adequado às necessidades que o evento requer. A proposta de revitalização do setor histórico da cidade foi comemorada por todos os setores pesquisados. No entendimento dos mesmos, o centro histórico tem a função de contar a história da cidade e contribuir com a atração de turistas. Neste sentido, a implantação do bonde valorizaria este local, passando a ser mais um atrativo interessante na cidade. No entanto, conforme a opinião dos setores, estas benfeitorias devem vir acompanhadas de medidas importantes referentes à melhoria da sinalização turística e, como prioridade, segurança. A requalificação ou revitalização da Rua 24 Horas divide a opinião dos setores. Embora o setor hoteleiro e turístico perceba a importância desta proposta por se tratar de um ícone da cidade, sugerem apenas um modelo de gestão mais eficiente, o setor gastronômico entende que não é mais novidade e não exerce o mesmo encantamento de antigamente. A criação dos Fans-Fest nos locais indicados pelo Comitê Gestor é apreciada pelos setores, porém, considerações importantes foram feitas e merecem ser mencionadas. Para os setores, em geral, um local mais central deve receber essa estrutura no período dos jogos da Copa. A preocupação é que haja um bom planejamento de acessibilidade e transporte para estes locais e que uma estrutura semelhante fosse disponibilizada aos bairros mais distantes e carentes da cidade. Este, seria “um gol de placa”, observou um dos entrevistados. A cidade de Frankfurt, Alemanha (2006), buscou na inovação e tecnologia a definição do seu diferencial competitivo em relação às demais cidades-sede, criando os Fans-Fest, e estes complexos na sua concepção e operacionalização foram considerados um sucesso e incorporados pela FIFA. A requalificação dos atrativos turísticos é uma exigência de todos os setores, e na opinião dos entrevistados, os parques são os ícones da cidade. Foi desta forma que a cidade se destacou no cenário nacional e internacional, e que lhe proporcionou uma imagem bastante positiva. Alegam, porém, que estes atrativos estão muito abandonados e requerem cuidados especiais, não só para os turistas, mas para os moradores que adoram freqüentar os parques de Curitiba. Uma reivindicação dos técnicos, além da revitalização, é proporcionar segurança nos parques. Outro desafio levantado por eles é que juntamente com a revitalização dos parques, se promovam ações definitivas quanto ao saneamento básico e a conseqüente despoluição total dos rios da cidade. Outros problemas devem ser solucionados, como, a questão de acessibilidade para os deficientes físicos e a criação de centros de atendimento aos turistas durante a realização da Copa de 2014. Foi solicitado aos entrevistados que indicassem os destinos mais importantes do estado, que despertassem interesse de visitação, para que fossem comercializados juntamente com Curitiba. Os mais citados foram Foz do Iguaçu, segundo atrativo mais visitado do Brasil; Serra do Mar, Ilha do Mel e Guaraqueçaba como destinos ecológicos; Vila Velha, São Luis do 12/16 ANAIS Purunã e Cânyon Guartelá, situado entre os municípios de Castro e Tibagí, como destinos voltados para o ecoturismo. Quanto à construção do estádio da arena, há muita controvérsia, e todos os setores demonstram certa desconfiança quanto à contrapartida oferecida pelo Clube Atlético Paranaense. Para os entrevistados, se o estádio for utilizado para o futebol e para outras atividades, como shows musicais, eventos de grande porte serão muito importantes para a cidade. Caso contrário, não caberia ao município o investimento realizado através de recursos públicos. Justificam esta posição em virtude da cidade não possuir espaços destinados a grandes eventos. Para os técnicos, existe a necessidade de espaços para entretenimento e a arena seria, pela situação geográfica, o local adequado, porém, para um dos entrevistados, “essa história de arena multiuso é apenas jogo de cena”. Para ele, “a cidade perdeu uma excelente oportunidade de construir um novo complexo esportivo”. Esta polêmica do estádio é cercada de paixões clubísticas, porém, ao colocar a proposta de revitalização do Centro de exposições do Parque Barigui aos entrevistados, a carência de espaços para eventos é novamente destacada. Dizem os entrevistados, à unanimidade, que este tipo de iniciativa contribui para a geração de emprego e renda para a cidade, porém, eles ressaltam a importância de se construir um complexo multiuso. A maior preocupação entre todos os setores pesquisados é a questão da segurança pública. Este aspecto é colocado pelos setores como um dos pontos fracos de Curitiba e do estado do Paraná. E, melhorar a segurança tanto para residentes habituais quanto para visitantes, é um desafio às autoridades. Implantar um sistema de monitoramento por câmeras será eficiente, mas não é uma medida que venha a garantir a segurança na cidade. É preciso, segundo os entrevistados, aumentar o efetivo policial do estado, bem como, capacitá-los e colocá-los nas ruas. A cidade de Curitiba construiu ao longo dos anos uma imagem de cidade moderna, bem planejada, inovadora. E grande parcela desta conquista, deve-se aos programas e soluções voltados ao meio ambiente, tanto que lhe foi conferida o título de “Capital Ecológica do Brasil”, sendo premiada na ONU com o prêmio máximo das Nações Unidas para o meio ambiente. Perguntado aos setores se estes programas e soluções implantados na cidade poderiam servir como atrativos para os turistas, eles responderam que a cidade não é mais tão conceituada nestes aspectos. Eles reconhecem o trabalho realizado, porém, acreditam que Curitiba “parou no tempo”, e não há mais soluções inovadoras como antes, e é preciso voltar a ser destaque neste aspecto. Quanto à relação Copa de 2014 e Desenvolvimento Social, a Copa do Mundo de Futebol de 2014 contribuirá, segundo a pesquisa, com o desenvolvimento social da cidade. Para os setores, a realização deste megaevento vai gerar emprego e renda para o Brasil. Além da melhoria das cidades, os impactos gerados pela Copa podem deixar um legado de inclusão social, qualificação pessoal e profissional, melhorias na área de saúde e educação, maior envolvimento da comunidade. Para os técnicos, a realização de uma Copa do Mundo em Curitiba pode alavancar social e economicamente a cidade. Tanto o setor hoteleiro, quanto o gastronômico e turístico, dizem estar preparados para receber este megaevento. O setor hoteleiro diz que o número de leitos vai ser ampliado, e será capaz de atender com qualidade as exigências e necessidades da demanda. É importante que o setor tenha esta confiança porque, segundo o Ministério do Turismo (2009), a qualidade, diversidade e quantidade dos meios de hospedagem de um determinado destino interferem diretamente na sua atratividade e na capacidade de sediar eventos e receber determinado número de turistas. O setor gastronômico entende que o número e o nível de estabelecimentos existentes na cidade atenderiam a demanda com tranqüilidade. Esta afirmação é importante porque a 13/16 ANAIS alimentação e, conseqüentemente, a gastronomia, são considerados atividades ligadas diretamente ao turismo. Para muitos, ainda que não represente atividade turística propriamente dita, é considerada uma maneira de as pessoas despenderem o seu tempo livre, um tipo de entretenimento ou lazer (COBRA, 2008). Já o setor turístico entende que, mesmo preparado, há necessidade de se qualificar os profissionais do setor para um evento desta magnitude. Quando se trata de qualificação, todos os setores entendem que é preciso qualificar permanentemente os profissionais que trabalham na atividade, investir na capacitação de mãode-obra, atuando em conjunto com as entidades representativas do setor e as esferas de governo. Quanto à vocação da cidade de Curitiba ao turismo de negócios e de lazer, há divergência de pensamento a respeito. No setor hoteleiro há quem pense que sim, e justificam-se dizendo que a cidade tem qualidade em serviços, é rica em gastronomia, e com boa relação custo benefício, porém, deve ser mais agressiva na promoção do destino como lazer. Há quem diga que não, porque não se “trabalha” a cidade para feriados, fins de semana e período de férias escolares. Percebe-se, porém, que ambos chamam a atenção para a promoção do destino. O setor gastronômico entende que a cidade pode desempenhar esta vocação para as duas situações, lazer e negócios. Para que isso aconteça, é necessário investir na melhoria da infraestrutura urbana, segurança, revitalização dos atrativos turísticos, soluções urbanísticas inteligentes e atrações culturais. “O que faz o turista permanecer em Curitiba por mais um dia, é o setor gastronômico”, diz um dos entrevistados. Para o setor turístico, Curitiba tem as duas vocações, a justificativa para esta alegação aponta a Gastronomia como atrativo da cidade. Já os parques, museus e setores históricos, se revitalizados, também poderão contribuir nesse sentido. Quanto à participação dos setores na elaboração de propostas ao Comitê Gestor da Copa de 2014, os setores pesquisados foram chamados, exceto uma entidade do setor gastronômico. O setor hoteleiro foi convidado a participar apenas para conhecer o projeto e firmar o compromisso de disponibilizar um percentual de acomodações à FIFA. O setor turístico contribuiu com um vídeo contendo imagens da cidade que foi levado à FIFA. 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS Um evento como a Copa do Mundo pode ser considerado muito mais do que um acontecimento esportivo global, pois serve como um gatilho para o desenvolvimento econômico e social principalmente das cidades que receberão os jogos. Neste sentido este estudo torna-se relevante ao avaliar as expectativas e a receptividades de alguns importantes setores, ou trades turísticos que podem afetar diretamente o sucesso do evento. De forma geral, a notícia de que Curitiba seria uma das sedes para a Copa do Mundo de 2014 foi muito bem recebida, porém à partir da análise técnica dos setores entrevistados percebe-se que a falta de segurança, infra-estrutura de transportes e revitalização de atrativos turísticos são fatores preocupantes. Os setores dizem estar preparados para receber os milhares de turistas que virão a Curitiba, porém aguardam do poder público investimentos que possam solucionar problemas antigos que neste momento voltam a tona, como os citados acima. Uma constatação é relevante a partir dos comentários dos entrevistados é que Curitiba necessita adquirir novamente sua identidade de capital ecológica. Para isso a revitalização dos parques, os quais são considerados cartões postais da cidade, é uma medida emergencial. 14/16 ANAIS Até 2014 muitas transformações acontecerão no que diz respeito a preparação das cidades sedes da Copa, e desta forma sugere-se que outras pesquisas possam acompanhar a evolução da percepção da população e dos setores econômicos diretamente envolvidos com o evento. REFERÊNCIAS BENI, M. C. Análise estrutural do turismo. 2. ed. São Paulo: SENAC - SP, 1998. BENI, M. C. Análise estrutural do turismo. 6. ed. São Paulo: SENAC - SP, 2001. CERVO, A. L.; BERVIAN, P. A. Metodologia científica. 4. ed. São Paulo: Makron Books, 1996. CHIAS, J. Brasil 2014 – Artigo: Uma visão a partir do marketing e do turismo – disponível na Internet: http://www.canela.onde.ir/component/content/article/8-variadas/418brasil-2014-uma-visao-a-partir-do-marketing-e-do-turismo. Acesso em: 19 mar. 2010. COBRA, M. Marketing de Entretenimento. Editora SENAC São Paulo, 2008. DIAS, R.; CASSAR, M. Fundamentos do marketing turístico. São Paulo: Pearson Prentice hall, 2005. EMBRATUR (a) Plano Aquarela 2020. Disponível na http://www.turismo.gov.br/export/sites/default/turismo/o_ministerio/publicacoes/ downloads_publicacoes/Plano_Aquarela_2020.pdf. Acesso em: 30 de out. 2010. Internet: FORDELONE, Yolanda. Estadão. Copa de 2014 trará investimento de R$ 142 bi ao Brasil. Disponível na Internet: http://economia.estadao.com.br/ noticias/not_24445.htm. Acesso em 15 de out. 2010. KOTLER, Philip, GERTNER, David, REIN, Irving, HAIDER, Donald. Marketing de Lugares. Como conquistar crescimento de longo prazo na América Latina e no Caribe.São Paulo: Prentice Hall, 2006. IPPUC. Propostas da Prefeitura Municipal de Curitiba para a Copa 2014. Disponível na Internet: http://www.ippuc.org.br/jica/jica4/download/modulo3/Palestra_16_Curitiba _2014-IV-TCTP.pdf. Acesso em 20 de abr. 2010. MALHOTRA, N. K. Pesquisa de Marketing: uma orientação aplicada. 4. ed. Porto Alegre: Bookman, 2006. MINISTÉRIO DO TURISMO. Proposta Estratégica de Organização Turística- Copa do Mundo 2014 Brasil. Disponível na Internet: http://www.dadosefatos.turismo.gov.br/export/sites/default/dadosefatos/outros_estudos/downl oads_outrosestudos/BRASIL_final_NOVO.pdf. Acesso em: 27 mar. 2010. 15/16 ANAIS MINISTÉRIO do TURISMO. Eventos Internacionais, um mundo de oportunidades. Disponível na Internet: http://www.turismo.gov.br/export/sites/default/turismo/ o_ministerio/publicações/downloads_publicacoes/RELATORIO_EVENTOS_2003_2009.pdf. Acesso em 13 de out. 2010. MORGAN, M. J. SUMMERS, J. Marketing esportivo. São Paulo : Thomson Learning, 2008. MOTA, K. C. N. Marketing Turístico: promovendo uma atividade sazonal. São Paulo: Atlas, 2001. POYTNER, G. Legados de Megaeventos Esportivos. Brasília: Ministério do Esporte, 2008. RUSCHMANN, D. V. de M. Marketing Turístico: Um enfoque promocional. São Paulo: Papirus, 1991. SINAENCO. Grandes dados da Copa 2006 – Sindicato Nacional dos Arquitetos e Engenheiros do Brasil. Disponível na Internet: http://www.abcic.org.br/COPA2014_JOAO.pdf. Acesso em: 29 de mar. 2010. TRIVIÑOS, A. N. S. Introdução à Pesquisa em Ciências Sociais: a pesquisa qualitativa em educação. São Paulo: Atlas, 1987. YIN, R. K. Estudo de caso: planejamento e métodos. 4. Ed. Porto Alegre: Bookmann, 2010. 16/16