ABORDAGEM PRÁTICA PARA O USO DE PASTAS MINERAIS COMO FORMA DE DISPOSIÇÃO DE REJEITOS Andre Falcucci VALE – Complexo Vargem Grande E-mail: [email protected] RESUMO Nos últimos anos a disposição de rejeitos em forma de pastas minerais tem ganhado importância por apresentar vantagens quando comparado a forma convencional de disposição. Porém, apesar destas vantagens, a utilização de pastas minerais ainda apresenta custos elevados e o grande desafio para utilização desta nova forma de disposição de rejeitos está justamente em determinar o equilíbrio entre a relação custo e benefício. A abordagem de engenharia para o uso de pastas minerais como forma final de disposição de rejeitos exige uma mudança de valores e deve seguir o fluxo inverso ao processo, integrando as equipes envolvidas com a área de disposição, manuseio e produção. Nesta nova abordagem, inicialmente os requisitos geotécnicos para a disposição da pasta devem ser determinados, seguido pelos requisitos de manuseio e finalmente a seleção do equipamento de separação sólido-líquido capaz de produzir uma pasta com as características solicitadas. Desta forma, o conhecimento das características físicas e químicas, assim como a caracterização reológica do material, apresentam-se como ferramentas essenciais na concepção de projetos que consideram o uso desta nova forma de disposição de rejeitos. Palavras-chave: Pastas minerais, disposição de rejeitos, reologia de suspensões ABSTRACT In the last years, tailings disposal system that use pastes and/or high-density slurries has gained importance as it may present advantages in comparison with more conventional disposal techniques. However, beside of the present advantages showed by this new technology, the bigger challenge is on establish the balance between costs and benefits to this new technique of tailing disposal. The paste design as a final tailing disposal system must need to be observed following the inverse process flow and must need to include everyone involved with the tailing disposal area, handling (usually by pumps) and production. The geotechnical requirement must be determined before, followed by handling requirements and finally the selection of solid-liquid equipment capable to produce the paste with the required characteristics. The knowledge of the rheology and characteristics of the material to be disposed, as well as the handling conditions, show up as an important tool in project that uses this technology. Keywords: Paste, tailing disposal, rheology INTRODUÇÃO A mineração em larga escala e o processamento mineral em todo mundo gera, inevitavelmente, enormes quantidades de rejeitos que necessitam ser dispostos de maneira econômica e ambientalmente aceitáveis. Geralmente os rejeitos gerados no beneficiamento mineral encontram-se na forma de polpas diluídas e necessitam de grandes áreas para sua disposição final. Organizações de todos os tipos estão cada vez mais preocupadas em atingir e demonstrar um desempenho ambiental correto, levando em consideração sua política e seus objetivos ambientais, controlando o impacto de suas atividades, produtos ou serviços no meio ambiente. Esse comportamento se insere no contexto de uma crescente preocupação das partes interessadas em relação ao desenvolvimento sustentável, por meio de uma legislação cada vez mais exigente, do desenvolvimento de políticas econômicas e outras medidas destinadas a estimular a proteção ao meio ambiente. Em todo o mundo, o reconhecimento das necessidades e dos direitos das comunidades está se tornando um princípio forte para a tomada de decisões sobre novos investimentos, principalmente para as altamente visíveis companhias mineradoras. Elas precisam ter uma boa reputação e ser reconhecidas por práticas socialmente responsáveis. Portanto, desenvolvimento social, no contexto das corporações mineiras, exige a adoção das melhores práticas ambientais e socioeconômicas.[1] Os fatores ambientais também passaram a representar fatores econômicos e a utilização mais racional dos recursos disponíveis, acrescida dos impactos negativos decorrentes da eventual ruptura de barragens de rejeito, motivou o desenvolvimento de novas abordagens de caracterização tecnológica e de disposição de rejeitos. Alguns fatores específicos também contribuíram para o atual estágio desta tecnologia, dentre eles podemos citar a escassez de água devido a fatores climáticos, impactos ambientais e a competição pelo seu uso com outras atividades econômicas, como a agricultura. O crescente aumento dos custos para o uso de água nova e os desperdícios apresentados pela forma tradicional de disposição. A potencial redução de custos que o uso de pastas pode representar, devido à redução do tamanho das barragens necessárias para sua disposição e finalmente, o potencial ganho de capacidade das áreas de disposição existentes, devido à maior densidade do material, bem como maiores ângulos de repouso. Apesar das diversas vantagens apresentadas, a implementação desta nova tecnologia esta estreitamente ligada aos próprios interesses das empresas de mineração, no que se refere aos seus custos de implantação e custos de operação. Países com climas mais secos, como Austrália e Chile, estão na vanguarda desta tecnologia. O Anexo I, ao final do texto, apresenta algumas operações que utilizam pastas minerais como forma final de disposição de rejeitos. O uso da tecnologia de pastas minerais ou “pasting” para “backfill” subterrâneo tem ampla aceitação na indústria mineral e, mais recentemente, está propiciando benefícios também na disposição superficial de rejeitos minerais. A utilização de rejeitos como “backfill” permite maiores recuperações de mina além de uma melhor destinação do rejeito gerado no processo de beneficiamento. Normalmente as pastas minerais utilizadas como “backfill” são cimentadas com ajuda de algum ligante, classicamente cimento portland, mas algumas alternativas mais econômicas têm sido utilizadas com sucesso, como é o caso de cinza volante, meta caulim, cal, dentre outras. As primeiras aplicações com pasta minerais surgiram com minérios de metais não-ferrosos e preciosos, pois estes apresentam uma mineralogia mais complexa e menos inerte em soluções aquosas aeradas, o que resulta em um maior potencial de geração de contaminantes. Os constituintes metálicos desses minérios são, em geral, mais tóxicos do que aqueles presentes em outros tipos de minérios. Isto implica no reenquadramento das emissões para limites mais rigorosos de descarte, bem como considerar um maior impacto ambiental associado às pilhas de estéril e rejeitos. Além disso, a extração hidrometalúrgica envolve a utilização de uma série de reagentes, muitas vezes tóxicos e em concentrações elevadas. Conseqüentemente, o tratamento dos efluentes visando tanto à recuperação de reagentes e metais como ao seu enquadramento às condições de descarte torna-se mandatório. A presença freqüente de sulfetos nos minérios submetidos aos processos hidrometalúrgicos cria ainda a possibilidade de geração de drenagem ácida.[2] Atualmente existe uma extensa bibliografia disponível para o assunto pastas minerais, porém estas referências geralmente abordam o assunto de maneira pontual ou com aplicação específica a um determinado problema. O presente trabalho visa abordar as pastas minerais de maneira mais abrangente, apresentando as diferentes áreas da engenharia envolvidas com esta nova forma de disposição de rejeitos, mostrando alguns aspectos de caráter fundamental, assim como alguns aspectos práticos de engenharia, que necessitam ser observados quando o uso de pastas minerais passa a ser considerado em um projeto. ASPECTOS FUNDAMENTAIS Segundo diversos autores uma pasta mineral pode ser conceituada como um sistema coloidal e que se apresenta como um fluído homogêneo, no qual não ocorre a segregação granulométrica das partículas, e que, se disposto de forma suave em superfícies estáveis, não apresenta drenagem significativa de água. Pastas minerais geralmente apresentam comportamento de fluido não-newtoniano e atualmente existem inúmeros modelos empíricos capazes de descrever seu comportamento, dentre eles podemos citar o modelo de Ostwald-de Weale, o modelo de Bingham e o modelo de Herschel Bulkley. Normalmente as pastas minerais são classificadas como fluidos plásticos de Bingham e seguem a equação: τ = τ0 + µ γ Os fluidos plásticos de Bingham caracterizam-se por necessitar de uma tensão finita, conhecida como tensão de escoamento, ou yield stress (τ), para que o movimento do material seja iniciado. Esse comportamento é típico de suspensões pseudo-homogêneas de partículas finas ou ultrafinas. Segundo Nguyen e Boger[3], o valor da tensão de escoamento denota a transição entre o comportamento de um sólido e um líquido. Uma das principais aplicações desse parâmetro tem sido justamente no projeto, monitoramento e otimização da disposição de rejeitos na forma de pastas minerais. Devido ao seu caráter não-newtoniano, as pastas minerais normalmente não apresentam uma relação linear entre a tensão de cisalhamento e a taxa de cisalhamento, isto é, os valores da viscosidade mudarão com a variação nos valores da taxa de cisalhamento. Através da caracterização reológica é possível estabelecer a faixa de transição entre polpas e pastas minerais. Segundo Archibald[4], pastas minerais podem ser definidas como um material adensado e homogêneo, com alta viscosidade, distribuição de tamanhos e mineralogia característica, com baixo ou nenhum nível de água livre e no qual não ocorre segregação granulométrica das partículas. A porcentagem de sólido necessária para formação de pastas minerais é uma característica intrínseca do material e não pode ser definida por um valor fixo. Uma pasta mineral deve conter uma quantidade de partículas finas suficiente para a retenção de água, principalmente quando submetida à diferença de pressão, como nas operações de bombeamento. A tensão de escoamento é a principal característica de uma pasta mineral e normalmente é representada como uma função da porcentagem de sólidos (Figura 2.1). A reologia de suspensões compreende o estudo do comportamento de fluxo de suspensões de sólidos, utilizando principalmente a determinação da viscosidade aparente e a tensão de escoamento. Segundo Ferreira et al.[5] o estudo da deformação e fluxo da matéria, os quais envolvem fenômenos de elasticidade, plasticidade e viscosidade, constitui-se no principal objetivo da reologia. Figura 2.1: Transição entre polpas diluídas e pastas minerais. As características reológicas de uma polpa podem ser manipuladas pela alteração da porcentagem de sólidos ou pelo controle das forças de interação entre partículas. As forças repulsivas de caráter eletrostático podem ser aumentadas ou diminuídas através da manipulação do pH ou dos íons presentes no meio. O aumento das forças repulsivas com a adição de reagentes dispersantes pode diminuir ou quebrar as estruturas formadas, eliminando o caráter não-newtoniano da polpa. O caminho contrário também pode ser seguido, aumentando as forças atrativas presentes e conseqüentemente aumentado o caráter não-newtoniano. Johnson et al.[6] apresentam uma excelente revisão sobre a influência destas forças na reologia da polpa.[7] Sofra[8], em seu trabalho, apresenta os procedimentos experimentais críticos, utilizados para a caracterização de pastas minerais. Dentre eles estão à determinação e quantificação das características físicas e químicas do rejeito, medidas e modelamento de parâmetros reológicos. Após a caracterização reológica é imperativo que as informações geradas sejam aplicadas de maneira apropriada de forma que estes possam ser manipulados para atingir os objetivos técnicos e econômicos desejados. ASPECTOS PRÁTICOS Com o exposto anteriormente, a implementação da disposição de rejeitos na forma de pastas minerais apresenta-se como uma interessante alternativa para a disposição de rejeitos e a sua abordagem prática deve considerar três grandes fatores independentes. Primeiro deve-se observar os requisitos geotécnicos necessários para sua disposição. Segundo, deve-se considerar que é essencial que a polpa seja transportada por tubulações, com o mínimo consumo energético. E finalmente, o terceiro fator é a capacidade física e econômica de se produzir polpas muito concentradas. Isso requer um bom conhecimento do comportamento das partículas nas operações de separação sólido-líquido e o desenvolvimento de tecnologias viáveis para sua produção.[9] Quando comparado à forma tradicional de disposição, o uso da tecnologia de pastas minerais requer uma abordagem integrada entre as operações de espessamento, bombeamento e disposição, utilizando parâmetros reológicos como principal ferramenta. Todas as operações necessitam ser analisadas individualmente e consolidada com todos os envolvidos. Muitas vezes com consultores específicos para cada etapa. O fluxo de engenharia para o uso de pastas como forma final de disposição segue o fluxo inverso ao processo produtivo, sendo primeiramente feita a caracterização reológica e determinado o método de disposição, seguido da seleção do equipamento de manuseio e, finalmente, a seleção do equipamento de separação sólido-líquido capaz de fazer uma pasta que atenda as características solicitadas. A Figura 3.1 apresenta de forma qualitativa alguns dos fatores relevantes nas diferentes etapas de engenharia. Figura 3.1: Aspectos práticos envolvidos com as pastas minerais. Na forma tradicional de disposição as características do rejeito são determinadas pela usina de beneficiamento. Na abordagem para a utilização de pastas minerais as características do rejeito são determinadas pelos requisitos geotécnicos da área de disposição e cabe a usina de beneficiamento entregar um material que atenda tais condições. Ou seja, o uso de pastas minerais como forma de disposição de rejeitos requer uma inversão dos valores considerados na abordagem tradicional. A Figura 3.2 apresenta um fluxograma simplificado das complexas questões que necessitam ser respondidas quando a abordagem da disposição de rejeitos na forma de pastas minerais passa a ser considerada. SELEÇÃO CONSIDERAÇÕES DE PROJETO Qual método de disposição será utilizado? Custos? - Tipo de barragem - Volume da barragem - Movimentação de terra - Riscos - Poluição Quais as características reológicas necessárias para este método? - Ângulo de repouso - Estabilidade - Características de secagem Como estas características influenciam o bombeamento? - Energia de bombeamento - Tipo de bomba - Diâmetro da tubulação - Vazão - Regime de bombeamento Estas características podem ser alteradas para facilitar o bombeamento? - Porcentagem de sólidos - Reologia - Yield stress - Viscosidade Quais as características necessárias para o material? Qual o tipo de espessador para se produzir este material? - Distribuição granulométrica - Tecnologia do espessador - Reagentes - Características físicoquímicas do material Como posso conseguir estas características? CUSTOS Figura 3.2: Considerações iniciais para abordagem das pastas minerais DISPOSIÇÃO Segundo Robinsky[10], o sistema de disposição de rejeitos adensados requer mais dados do desempenho que o sistema convencional de disposição de rejeitos (emprego de barragens de rejeitos). No caso convencional, a abordagem considera que as propriedades dos rejeitos são fixadas pela usina de beneficiamento, enquanto no sistema de pastas, as propriedades dos rejeitos deverão obedecer a critérios geotécnicos. O comportamento dos rejeitos em ambas as abordagens é completamente diferente. Na disposição convencional, os rejeitos segregam devido ao fluxo e sedimentam até ficar como um depósito plano. No sistema de pastas obtêm-se uma superfície inclinada. A diferença principal é que com esta nova forma de disposição, os rejeitos são adensados até a consistência determinada antes de serem descarregados, para ter uma consistência boa e homogênea que resulte em um fluxo laminar sem segregação granulométrica das partículas, isso requer que a tensão de escoamento seja suficiente para garantir uma distribuição uniforme das partículas. A segregação granulométrica resultará em uma distribuição não uniforme do material e conseqüentemente uma ineficiência na área de disposição. A relação entre a tensão de escoamento e a porcentagem de sólidos precisa ser determinada para garantir a tensão de escoamento limite para a estabilidade da área. Isso permite obter um depósito com suporte mais seguro, com lados inclinados. Brackebusch[11] estabelece que devido às propriedades plásticas que as pastas minerais apresentam, elas formam um ângulo de repouso característico quando são descarregadas em uma superfície plana ou inclinada. Esse ângulo está relacionado com a consistência da pasta e pode estar compreendido na faixa entre 5 e 30% de inclinação. Usualmente a disposição é feita por um sistema de torre central a partir do qual a pasta se distribui uniformemente ao longo da área, facilitando desta forma a secagem e o adensamento natural. A vantagem desta forma de disposição de rejeitos é que são necessárias menores áreas e estruturas mais simples para a retenção do material (Figura 3.3). Figura 3.3: Comparativo entre a disposição convencional e pastas minerais As diversas forças envolvidas no processo de disposição devem analisadas, especialmente no contato entre a superfície do dique e a pasta mineral, mostrando os limites de empilhamento a partir do qual a força aplicada devido ao peso do material ultrapassa as forças de coesão entre as duas superfícies chegando ao limite de escoamento. Outros aspectos geotécnicos também devem observados, tais como: infiltração, tempo de secagem, taxa de compactação etc. MANUSEIO Após as determinações de caráter geotécnico é necessário considerar o impacto destas características no sistema de manuseio. No beneficiamento mineral, a reologia de suspensões compreende o estudo do comportamento do fluxo de polpas, onde normalmente as fases são compostas por minério e água. O entendimento das características reológicas das pastas minerais permite a identificação das condições ótimas para o transporte hidráulico e fornece as ferramentas necessárias desenvolvimento da engenharia de projeto desta operação. O manuseio de líquidos e polpas por tubulações implica em uma perda de energia devido ao atrito entre a polpa e a parede interna do tubo. Portanto, ao projetar uma tubulação é necessário conhecer a magnitude destas perdas e prover a energia necessária de forma que a vazão requerida seja atendida. Com a alteração da tensão de escoamento e da viscosidade, é possível a manipulação e otimização do fluxo transportado, resultando em um aumento na porcentagem de sólidos da polpa e conseqüentemente o aumento do fluxo de material com o mínimo consumo energético (Figura 3.4). A seleção apropriada da porcentagem de sólido necessária para operação apresenta-se como a primeira variável a ser determinada nos sistemas de manuseio. O fluxo de material normalmente ocorre em regime laminar e é facilmente afetado por mudanças na porcentagem de sólidos, sendo as diferenças mais pronunciadas para polpas com altas porcentagens. A seleção da porcentagem de sólidos ideal deve considerar os custos de capital e os custos de operação para toda a vida útil do empreendimento. Quando comparado com os custos envolvidos na forma convencional de disposição, os cálculos também devem considerar os custos envolvidos para recuperação da água livre na área de disposição.[12] Figura 3.4: Consumo energético função das características reológicas Todas estas características e determinações irão refletir no tipo de bomba utilizada para o manuseio das pastas. A capacidade de operação de bombas centrífugas, com custos de capital menores, esta diretamente relacionada com a pressão na carcaça da bomba e os efeitos da viscosidade na sua performance. Normalmente, o limite de pressão para o uso de bombas centrífugas (instaladas em série) encontra-se na faixa de 20 MPa, porém este limite varia de um fabricante para outro. Bombas de deslocamento positivo possuem capacidade de operação com pressões mais elevadas (acima de 20 MPa) e sua performance não é significativamente afetada por variações da reologia do material e da porcentagem de sólidos. Apesar do maior custo de capital apresentado por este tipo de equipamento, normalmente estes apresentam a vantagem de possuir uma eficiência maior e um custo operacional menor. O grande desafio do sistema de manuseio esta na escolha da porcentagem de sólidos e do sistema de bombeamento que maximizem os benefícios do uso das pastas minerais sem implicar em custos muito elevados. SEPARAÇÃO SÓLIDO-LÍQUIDO A busca por operações mais eficientes e econômicas de processamento mineral tem levado ao avanço de diversas áreas da tecnologia mineral e isto também se reflete nas operações de separação sólido-líquido. Nas últimas décadas o principal avanço nestas operações se deu na área de floculação, que possibilitou o aumento das taxas de sedimentação, diminuição das áreas necessárias dos espessadores e uma melhoria na qualidade da água recuperada. A floculação também permitiu grandes avanços no desenho básico dos espessadores e significativos avanços no desenvolvimento de raspadores mais eficientes. As principais características observadas no dimensionamento dos espessadores de pastas são o tempo de residência e a altura da zona de compressão. Em espessadores de pasta o diâmetro, juntamente com a altura da zona compressão, são variáveis consideradas para atender o tempo de residência requerido pela polpa, o que não ocorre no dimensionamento dos espessadores convencionais. Usualmente, este tipo de espessador possui uma relação entre o diâmetro e a altura variando de 0,3 e 0,75. A Figura 3.5 apresenta, de maneira qualitativa, as diferentes geometrias que os espessadores de pasta podem apresentar. Vale observar que, para que o tempo de residência seja mantido, o aumento no diâmetro implica numa redução na altura do espessador e vice versa. Como a altura de compressão necessária varia de material para material, a comparação entre espessadores de pasta não é possível. Figura 3.5: Geometria dos espessadores de pasta O principal limitador para a utilização de espessadores de pastas de grande diâmetro, e conseqüentemente de grande capacidade, esta relacionado com a capacidade de torque do raspador. Tradicionalmente, a capacidade máxima de torque dos espessadores segue a equação: T (Nm) = 14,63 x K x d², sendo o fator de torque K determinado de acordo com a reologia do underflow e com a condição estabelecida para a sua operação. Usualmente o torque de operação esta na faixa de 30 % do torque máximo. Além dos aspectos físicos, diversos fatores intrínsecos ao material podem influenciar o projeto e a operação de sistemas de separação sólido-líquido, dentre eles pode-se citar a distribuição granulométrica dos sólidos, a área superficial do sólido, a forma da partícula, as características superficiais do sólido, a porcentagem de sólidos da polpa e a viscosidade do líquido. As características superficiais dos sólidos estão diretamente relacionadas com o estado de agregação/dispersão da polpa e com a escolha do tipo de reagente a ser utilizado no espessamento.[13] CONCLUSÕES O uso de pastas minerais como alternativa para a disposição de rejeitos apresenta-se como uma realidade em países como Canadá, Chile, Peru, Austrália, África do Sul dentre outros. Atualmente existe uma extensa bibliografia disponível abordando o assunto pastas minerais. Porém, com algumas raras exceções, estas referências abordam o assunto de maneira pontual e com aplicação específica a uma determinada operação. Os itens expostos anteriormente visam mostrar, ainda que de maneira superficial, o quanto o assunto pastas minerais é dinâmico e extenso e que o uso desta nova forma de disposição de rejeitos exige uma abordagem multidisciplinar envolvendo fundamentalmente profissionais da área de geotecnia e engenheiros especialistas em operações de separação sólido-líquido e em bombeamento de polpas. O processo de decisão para o uso desta nova abordagem deve considerar fatores técnicos como os requisitos geotécnicos para disposição, requisitos para manuseio e a seleção adequada de equipamentos de separação sólido-líquido com a capacidade de produzir um material que atenda estas características. Todas as operações envolvidas devem ser analisadas conjuntamente e de maneira global, incluindo também os custos para o licenciamento, reabilitação e fechamento das áreas de disposição. Apesar dos benefícios apresentados para o uso de pastas minerais somente a melhoria na imagem pública da empresa não é suficiente para justificar o uso desta tecnologia. Os custos associados às pastas minerais crescem exponencialmente com o aumento da porcentagem de sólidos e os custos dos espessadores de pastas, juntamente com os custos associados com o consumo de floculantes somados aos custos de bombeamento podem inviabilizar a escolha desta alternativa. O custo efetivo de implementação desta forma de disposição de rejeito deve considerar toda a vida útil do empreendimento e comparações diretas entre tipos de bombas ou tipos de espessadores devem ser evitadas. Estudos econômicos devem ser efetuados, pois a solução “ideal” para o uso de pastas minerais nem sempre se mostrará como melhor opção. Adicionalmente existe a relutância natural de se trocar uma tecnologia conhecida por uma tecnologia que esta em seus passos iniciais. O grande desafio das pastas minerais esta em determinar o equilíbrio entre a relação custo benefício. Atualmente, diversas empresas têm desenvolvido tecnologias no sentido de consolidar e avançar ainda mais no campo das pastas minerais. Diferentes avanços têm sido alcançados na fabricação de espessadores com maiores capacidades de torque, reagentes específicos para manipulação das características reológicas e reagentes auxiliares de sedimentação. Significativos avanços também têm sido alcançados nos dispositivos de distribuição do material na área de disposição e o desenvolvimento de bombas de polpa capazes de atingir grandes pressões. Com o passar do tempo, mais empresas tem utilizado pastas minerais como solução para a disposição de seus rejeitos e as dificuldades pontuais que surgirão com a operação destes equipamentos serão solucionadas e implementadas, tornando sua utilização cada vez mais conhecida e segura. 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Mina Local Anexo I – Operações com pastas minerais [14] Produção Cw Forma de Tipo de Minério (MTPA) (%) disposição Ângulo de repouso Max (%) Típico(%) Referencia Kidd Metsite Canadá Cobre / Zinco 2,92 60 – 65 Torre central 5,7 2–4 Golder Associates, 2008 Bulyanhulu Lês Mines Selbaie Elura Tanzânia 0,7 73 – 79 Torre central 11 6–8 Golder Associates, 2008 0,54 60 Torre central 4 4 Wood & Mcdonald, 1986 Austrália Ouro Ouro / Prata / Cobre Zinco 1 60 Torre central 1,7 Peak Gold Mine Austrália Ouro 0,4 55 – 62 Torre central 2,5 Union Reefs Austrália Ouro 2–3 < 55 Vale 0,9 Williams & Seddon, 2008 McArthur River Austrália Chumbo 2,4 60 Torre central 1 Williams & Seddon, 1999 Cluff Lake Canadá Urânio 0,32 52 Vale 3 Oxenford & Lord, 2006 Ernest Henry Austrália Cobre 7 75 Torre central 1,1 Williams & Seddon, 1999 Mount Keith Austrália Níquel 10,5 44 Torre central 2 Williams & Seddon, 1999 Blendevale Austrália Chumbo 1,5 65 Torre central 1,5 Williams & Seddon, 1999 Ekati Canadá Diamante 1,6 40 Surface 1 1 Williams et al., 2008 Strathcona Canadá Níquel 0,5 45 1,5 1,2 – 1,5 Williams et al., 2008 Century Austrália Zinco 4,3 52 – 58 Vale 1 0,6 – 1 Williams et al., 2008 Sunrise Dam Austrália Ouro 3,6 64 Torre central 2 1–2 Myra Falls Canadá Cobre / Zinco Kimberley África do Sul Diamante 8,6 44 – 57 Torre central 1,5 1 Houman & Johnson, 2003 Osborne Austrália Ouro / Cobre 1,34 72 – 76 Torre central 4 3 McPhail et al., 2004 Irã Cobre 4,8 63 Vale 2,5 2,3 – 2,4 Williams et al., 2008 Granites Austrália Ouro 0,2 55 – 60 In pit 2 NA Williams et al., 2008 Vaundreuil Canadá Bauxita 0,45 45 4 3–4 Miduk Canadá 65 – 68 Williams & Seddon, 1999 1,5 – 2 3 Williams & Seddon, 1999 Williams & Seddon, 2008 Oxenford & Lord, 2006 Oxenford & Lord, 2006 Mina Anexo I – Continuação Produção Cw Forma de (MTPA) (%) disposição Ângulo de repouso Max (%) Típico(%) Local Tipo de Minério Peak Austrália Ouro Torre central Gove Austrália Alumina Torre central Kwinana Austrália Alumina Nothparkes # Austrália Cobre Syncrude # Canadá Areia betuminosa Hillendale África do Sul Terras raras The Oaks África do Sul Diamante Iscaycruz Peru Chumbo / Zinco Backfill Slotee, S., 2007 Yauliyacu Peru Chumbo / Zinco Backfill Slotee, S., 2007 Minsur Peru Chumbo / Zinco Backfill Slotee, S., 2007 Stillwater EUA Platina Slotee, S., 2007 Guizou China Red Mud Slotee, S., 2007 Warkworth Austrália Cinza volante 0,1 70 Encosta 5 Aughinish Irlanda Bauxita 1,7 63 Torre central 2,7 # Operações em fase de estudos ou em implantação. 2,0 1,25 Torre central 3,0 Referencia 1,8 Fourie A.B., 2005 3,0 Fourie A.B., 2005 1,0 Fourie A.B., 2005 2,5 Fourie A.B., 2005 2,0 Fourie A.B., 2005 Fourie A.B., 2005 1,5 1,0 Fourie A.B., 2005 Williams et al., 2008 1,5 – 2,7 Williams et al., 2008 R00