1 UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA CENTRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS APLICADAS COORDENAÇÃO DE ADMINISTRAÇÃO SERVIÇO DE ESTÁGIO SUPERVISIONADO EM ADMINISTRAÇÃO L LU UC CIIL LA AB BR RU UN NA AR RO OD DR RIIG GU UE ESS L LIIM MA A Lucila Bruna Rodrigues Lima O OM Maarrkkeettiinngg E Eccoollóóggiiccoo ee ssuuaa C Coonnttrriibbuuiiççããoo ppaarraa aa G Geessttããoo ddoo PPaarrqquuee Z Zôôoo B Boottâânniiccoo A Arrrruuddaa C Cââm maarraa T TR RA AB BA AL LH HO OD DE EC CO ON NC CL LU USSÃ ÃO OD DE EC CU UR RSSO O ÁREA: MARKETING E RESPONSABILIDADE AMBIENTAL João Pessoa - PB Abril de 2008 O Marketing Ecológico e sua Contribuição para a Gestão do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara 2 LUCILA BRUNA RODRIGUES LIMA O MARKETING ECOLÓGICO E SUA CONTRIBUIÇÃO PARA A GESTÃO DO PARQUE ZÔO BOTÂNICO ARRUDA CÂMARA Trabalho de Conclusão de Curso Apresentado à Coordenação do Serviço de Estágio Supervisionado em Administração, do Curso de Graduação em Administração, do Centro de Ciências Sociais Aplicadas da Universidade federal da Paraíba, em cumprimento às Exigências para a Obtenção do Grau de Bacharela em Administração. Orientadora: Profª. Nadja Valéria Pinheiro João Pessoa – PB Abril de 2008 O Marketing Ecológico e sua Contribuição para a Gestão do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara 3 À Prof. ª. Orientadora Nadja Valéria Pinheiro Solicitamos examinar e emitir parecer no Trabalho de Conclusão de Curso da aluna Lucila Bruna Rodrigues Lima João Pessoa, _____ de Abril de 2008. ___________________________________________ Prof. Dr. Rosivaldo de Lima Lucena Coordenador do SESA Parecer do Professor Orientador: ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ O Marketing Ecológico e sua Contribuição para a Gestão do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara 4 LUCILA BRUNA RODRIGUES LIMA O MARKETING ECOLÓGICO E SUA CONTRIBUIÇÃO PARA A GESTÃO DO PARQUE ZÔO BOTÂNICO ARRUDA CÂMARA Trabalho de Conclusão de Curso Aprovado em: ______ de abril de 2008. Banca Examinadora _______________________________________________ Profª. Nadja Valéria Pinheiro Orientadora ___________________________________________________ Prof. _________________________________________________ Prof. O Marketing Ecológico e sua Contribuição para a Gestão do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara 5 Tenho pensamentos que, pudesse eu trazê-los à luz e dar-lhes vida, emprestariam nova leveza às estrelas, nova beleza ao mundo, e maior amor ao coração dos homens (Fernando Pessoa) O Marketing Ecológico e sua Contribuição para a Gestão do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara 6 AGRADECIMENTOS Em primeiro lugar, com muita gratidão agradeço a meu Senhor, Jesus Cristo, por ter me concedido consolo nos momentos de desespero, esperança nos momentos de incerteza, luz nas horas de escuridão, certeza nos momentos de decisão e força para vencer os obstáculos. Com amor e admiração, aos meus pais, Everardo Lucilo de Sousa Lima e Mª de Fátima Rodrigues Lima, por todos os momentos de ajuda, pelo imenso amor e tudo que eles vêm me ensinando, pelo verdadeiro exemplo de Pai e Mãe. Com carinho, aos meus irmãos, Selinio Bruno e Erik Breno pelos momentos de compreensão e companheirismo na minha vida. Com gratidão, a minha tia de coração, Zuleide Paz, pela ajuda e carinho que vem dedicando a mim e minha mãe nos momentos de alegria e dificuldades da nossa vida. Com carinho e reconhecimento, ao meu noivo, Ricardo Vilar, por todo o apoio, paciência e carinho que recebi nessa jornada. Com admiração, a minha professora e orientadora Nadja Valéria, pela colaboração e por todos os ensinamentos. O Marketing Ecológico e sua Contribuição para a Gestão do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara 7 RESUMO O Parque Zôo Botânico Arruda Câmara é uma área de 17 hectares, popularmente conhecido como “Bica”, que preserva uma porção da Mata Atlântica ainda existente no centro da capital paraibana. O IBAMA concedeu o certificado de Jardim Zoológico ao parque em 1999. Além da exposição dos animais, no parque existe um “jardim botânico” e tem uma ampla área de lazer cuja infra-estrutura está precária. O método escolhido foi o exploratório descritivo por tratar de um tema raramente ventilado na literatura específica. Foram utilizados procedimentos metodológicos qualitativos e quantitativos. Para a coleta e análise dos dados utilizou-se o método de comunicação, através de entrevista com o diretor e funcionários da Bica, e aplicações de questionários com 200 visitantes. Como os resultados foi possível delinear o perfil do visitante e as problemáticas do parque. Nela se encontra a má conservação dos equipamentos de lazer, dos recintos dos animais e da infra-estrutura básica (passarelas, banheiros, bebedouros, limpeza, segurança). A fim de tornar a Bica um referencial de entretenimento, lazer e tranqüilidade na cidade de João Pessoa. O potencial do parque é inquestionável, porém seu reconhecimento pelos visitantes potenciais é praticamente nulo. O que mais motiva os visitantes a freqüentarem o parque é o contato com a natureza e a área de lazer. O Parque pode se tornar um forte atrativo através de ajudas tanto por parte do governo, da sociedade como também das empresas que visam à responsabilidade sócio-ambiental, no sentido de que estas podem contribuir para reestruturação do parque e ao mesmo tempo incentivar programas educativos aos visitantes, em especial aos pequenos jovens, assim irá promover aos visitantes uma interação do homem com a natureza algo indiscutivelmente importante para qualquer ser humano. Palavras-chaves: Parque. Educação. Responsabilidade Sócio-Ambiental. Marketing. O Marketing Ecológico e sua Contribuição para a Gestão do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara 8 ABSTRACT The Arruda Camara Zoo Park is an area of 17 hectares, popularly know as “Bica” that keeps a portion of Mata Atlantic that still exists in Paraiba’s capital downtown. The IBAMA granted the zoo certificate to the park in 1999. Beyond the exposition of the animals, there’s a Botanical and a large area for leisure whose infrastructure is still precarious. The chosen method was descriptive – exploitive because it is a theme rarely discussed in the specific literature. Qualitative and quantitative methodologic procedures had been used. For data collection and analysis was used the communication method through interviews and questionnaire applying together with 200 visitants. With results was possible to delineate the profile of the visitor and the problematic ones of the park. In it if it finds the bad conservation form, the enclosures of the animals and the basic infrastructure of the park (paths, bathrooms, drinking fountains, wipe and security). In order to become the Bica a referential of entertainment, leisure and tranquility in the city of João Pessoa. The potential of the park is unquestioned, however its recognition for the potential visitors is practically nothing. What more motivates the visitors to frequent the park is the contact with nature and the area of leisure. The park can become one strong attraction through of aid as much on the part of the government, of the society as well as of the companies that they aim at partner-ambient responsibility, in the direction of that these can contribute for reorganization of the park and at the same time to stimulate educative programs to the visitors, in special to the small young, thus it will go to promote the visitors an interaction of the man with the nature something unquestionably important any human being. Key-words: Park. Education. Partner- Ambient Responsibility. Marketing. O Marketing Ecológico e sua Contribuição para a Gestão do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara 9 LISTA DE ILUSTRAÇÕES FIGURA 1 – Organograma para a análise da relação entre o marketing ecológico com os demais temas da pesquisa........................................................................................................ 27 QUADRO 1: Quadro das etapas da pesquisa........................................................................ 30 FOTO 1: Fonte Tambiá localizada dentro do Parque............................................................ 31 FOTO 2: Lago das Cinco Fontes........................................................................................... 32 FOTO 3: Orquidário do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara............................................. 33 FOTO 4: Pedalinhos - Equipamentos de lazer do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara..... 33 FOTO 5: Peça do Museu – Serelepe, animal empalhado...................................................... 33 FOTO 6: Escola do Meio Ambiente localizada dentro do Parque........................................ 34 FOTO 7: Trilha ecológica da Bica........................................................................................ 34 FOTO 8: Restaurante desativado dentro do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara............. 34 FOTO 9: Pracinha do Parque em má conservação................................................................. 35 FOTO 10: Recintos pequenos das aves do Parque ................................................................ 35 FOTO 11: O Parque cercado por construções irregulares...................................................... 36 FOTO 12: Passagem da água da fonte pelo Parque............................................................... 36 FOTO 13: Placas de sinalização revitalizadas....................................................................... 37 GRÁFICO 1: Cidade de origem dos visitantes do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara.... 43 GRÁFICO 2: A faixa etária dos visitantes do Parque........................................................... 44 GRÁFICO 3: Freqüência dos visitantes no Parque................................................................ 45 GRÁFICO 4: Pretensão dos visitantes em retornar ao Parque............................................... 47 GRÁFICO 5: Atrativos que mais chama a atenção dos visitantes do Parque........................ 47 GRÁFICO 6: Aspectos que desagradam os visitantes no Parque.......................................... 48 FOTO 14: Recinto reformado recentemente........................................................................... 49 GRÁFICO 7: Estruturas do Parque que necessitam de reformas.......................................... 50 GRÁFICO 8: Opinião dos visitantes sobre a infra-estrutura do parque................................ 52 GRÁFICO 9: Opinião dos visitantes quanto ao aproveitamento do Parque.......................... 53 GRÁFICO 10: Opinião dos visitantes em considerar a Bica como atrativo para as comunidades locais e turistas................................................................................................... 53 GRÁFICO 11: Opinião dos visitantes em relação ao desenvolvimento de um programa de Marketing Ecológico no Parque Zôo Botânico Arruda Câmara..................................................... 54 GRÁFICO 12: Possibilidade do sucesso na criação de uma colônia de férias na Bica para crianças e jovens, visando à conscientização ambiental através da ajuda de empresas....................... 55 O Marketing Ecológico e sua Contribuição para a Gestão do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara 10 LISTA DE TABELAS TABELA 1: Cidades de origem ...................................................................................... 44 TABELA 2: Faixa etária dos visitantes............................................................................ 45 TABELA 3: Freqüência de visitação............................................................................... 46 TABELA 4: Atrativos do Parque..................................................................................... 48 TABELA 5: Aspectos negativos do Parque..................................................................... 50 TABELA 6: Estruturas do Parque.................................................................................... 51 TABELA 7: Satisfação quanto à infra – estrutura............................................................ 52 O Marketing Ecológico e sua Contribuição para a Gestão do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara 11 SUMÁRIO RESUMO ........................................................................................................................... VII ABSTRACT........................................................................................................................ VIII LISTA DE ILUSTRAÇÕES.............................................................................................. IX LISTA DE TABELAS........................................................................................................ X 1. INTRODUÇÃO ............................................................................................................ 01 1.1. DELIMITAÇÃO DO TEMA E FORMULAÇÃO DO PROBLEMA................... 02 2. OBJETIVOS.................................................................................................................. 05 3. JUSTIFICATIVA......................................................................................................... 06 4. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA.............................................................................. 10 4.1. PARQUES PÚBLICOS................................................................................................ 10 4.2. EDUCAÇÃO AMBIENTAL........................................................................................ 14 4.3. A CONSCIÊNCIA AMBIENTAL DAS EMPRESAS................................................. 17 4.4. MARKETING................................................................................................................ 20 4.4.1. Marketing de atrações para visitantes...................................................................... 21 4.4.2. Marketing ecológico.................................................................................................... 24 5. MÉTODO........................................................................................................................ 29 5.1. CARACTERIZAÇÃO DA PESQUISA........................................................................ 29 5.2. CAMPO DE ESTUDO................................................................................................... 30 5.3. ETAPA EXPLORATÓRIA ........................................................................................... 38 5.3.1. Sujeitos da pesquisa..................................................................................................... 38 5.3.2. Instrumentos da pesquisa........................................................................................... 38 5.3.3. Análise dos dados......................................................................................................... 39 5.4. ETAPA DESCRITIVA................................................................................................... 39 5.4.1. População e Amostra................................................................................................... 40 5.4.2. Instrumentos da pesquisa........................................................................................... 41 5.4.3. Análise dos dados......................................................................................................... 41 6. ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS RESULTADOS.......................................... 43 6.1. PESQUISA COM VISITANTES..................................................................................... 43 6.2. ENTREVISTA COM O DIRETOR DO PARQUE......................................................... 56 6.3. ENTREVISTA COM A BIOLOGA DO PARQUE........................................................ 58 6.4. ENTREVISTA COM O CHEFE DE DIVISÃO DO ZOOLÓGICO DO PARQUE..... 59 O Marketing Ecológico e sua Contribuição para a Gestão do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara 12 7. CONCLUSÃO............................................................................................................... 61 7.1. RECOMENDAÇÕES E SUGESTÕES.................................................................. 63 REFERÊNCIAS.................................................................................................................... 66 APÊNDICES A - Projeto de marketing ecológico: Colônia de férias para os pequenos jovens no Parque Zôo Botânico Arruda Câmara............................................................................................... 70 B - Questionário de pesquisa aplicado para visitantes no Parque Arruda Câmara............... 77 ANEXOS A - Planta da cidade de João Pessoa..................................................................................... 79 B - Planta do entorno da Bica .............................................................................................. 80 C - Fotos da Bica.................................................................................................................. 81 D – relação dos animais existentes na Bica.......................................................................... 84 O Marketing Ecológico e sua Contribuição para a Gestão do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara 13 1. INTRODUÇÃO O presente documento consiste no Trabalho de Conclusão do Curso – TCC de Bacharelado em Administração da Universidade Federal da Paraíba – UFPB/Campus I, em cumprimento à disciplina Estágio Supervisionado II e atendendo a resolução 307/66 MEC, como requisito obrigatório para obtenção do grau de Bacharel em Administração, ao Serviço de Estágio Supervisionado em Administração – SESA do Centro de Ciências Sociais Aplicadas da UFPB. A pesquisa aqui apresentada decorre acerca da área de marketing com ênfase ambiental. Possui natureza eminentemente bibliográfica, explorando os Parques Públicos, a Educação Ambiental, o Marketing, a atuação das empresas com consciência ambiental, e as estratégias de marketing utilizadas por estas, em especial o marketing ecológico. O objetivo deste trabalho é realizar um estudo para verificar a viabilidade da utilização do marketing ecológico como ferramenta promocional para o Parque Zôo Botânico Arruda Câmara; através da analise do perfil do visitante local, da infra-estrutura e do potencial natural e cultural do Parque; procurando aprofundar o conhecimento sobre o marketing e sendo mais direcionado ao Parque, o marketing ecológico e o marketing de atrativos turísticos; verificando, a contribuição das empresas ambientalmente responsáveis perante a sociedade; quais as ferramentas de marketing utilizadas atualmente no Parque para poder, então, sugerir estratégias de marketing adequadas e viáveis de serem utilizadas pela administração do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara. Esta pesquisa está estruturada da seguinte forma: a primeira parte da introdução compreende a delimitação do tema e formulação do problema, em seguida acontece a justificativa e logo após os objetivos geral e específicos; A quarta parte do trabalho consiste na fundamentação teórica com referência aos teóricos pertinentes à pesquisa nas áreas de Parques Públicos, Educação Ambiental, Responsabilidade Ambiental e o Marketing; a quinta parte constitui-se dos aspectos do método que foi delineada pela caracterização da natureza da pesquisa, do campo de estudo e das etapas exploratória e descritiva; a sexta parte refere-se a análise e interpretação dos resultados das pesquisas feitas com os visitantes e das entrevistas feitas com os funcionários e o Diretor do Parque; e, por fim, a conclusão que é composta pelas considerações finais e, recomendações e sugestões. O Marketing Ecológico e sua Contribuição para a Gestão do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara 14 1.1. DELIMITAÇÃO DO TEMA E FORMULAÇÃO DO PROBLEMA A cidade João Pessoa possui uma história de quatrocentos e dezessete anos, bem guardada nos seus monumentos e preservada no verde, que é uma de suas características mais fortes e que lhe rendeu o título de segunda cidade mais verde do mundo. Pode ser observado em todas as paisagens que a comunidade local está cuidando da vegetação, se preocupando com um futuro melhor, mais sustentável. E além das nossas ruas e bairros serem arborizadas, ainda possuí, dentro da cidade, duas reservas de Mata Atlântica. Uma delas é o Parque Zôo Botânico Arruda Câmara, o foco da pesquisa, também conhecido como “Bica”, devido à existência de uma fonte antiga de água mineral. Composto de um jardim zoológico, uma reserva florestal, e áreas de lazer, são considerados como um dos melhores passeios oferecidos aos seus visitantes, unindo ecologia, educação e cultura. A outra reserva está situada no Jardim Botânico Benjamin Maranhão, criado pelo Governo do Estado em 2000, é uma das maiores reservas da Mata Atlântica do Brasil, composta por 515 hectares. Porém “a cidade de João Pessoa também recebe influência da Mata do Amém que, apesar de estar no município de Cabedelo, irradia seus benefícios e está intimamente ligada ao município” (ARRUDA, 2004, p.115). Milhares de pessoas, inclusive os jovens, procuram ambientes naturais para sair do ambiente rotineiro do dia a dia, como o encontrado no Parque. Com isso, proporcionar a esses jovens, oportunidades de vivenciar dias prazerosos e construtivos, através da sua integração com a rica natureza de nossa cidade que está exibida no Parque Arruda Câmara irá aumentar o nível de conscientização sobre o patrimônio natural ou cultural, atribuir-lhe um maior nível de respeito, facilitando sua conservação e, além de minimizar impactos negativos que são significativos aos recursos e sistemas ecológicos necessários para o seu equilíbrio. A cada dia crescem o marketing e o discurso sobre a importância do equilíbrio ambiental. Acompanha esse crescimento a exigência das empresas agirem com responsabilidade sócio-ambiental. Nesse contexto, o marketing ecológico tem despontado e pode ser considerada uma modalidade que visa enfocar as necessidades dos consumidores ecologicamente conscientes e contribuir para a criação de uma sociedade sustentável. “O pessoense aprendeu a preservar a natureza e a plantar árvores” (ARRUDA, 2004, p.115), mas não têm a preocupação ecológica suficiente para valorizar os seus recursos naturais e históricos, pois áreas verdes como o Parque Zôo Botânico Arruda Câmara e a Mata do Buraquinho não recebem a quantidade de visitas desejadas e nem contribuição suficiente O Marketing Ecológico e sua Contribuição para a Gestão do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara 15 da comunidade, no entanto, estão atentos para as empresas que comprometem com a realização dessas ações ecológicas. É nesse aspecto que se pretende abordar tal pesquisa monográfica, a fim de analisar o marketing desenvolvido pela gestão do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara para buscar uma forma de promovê-lo no mercado e transformá-lo como um forte potencial natural e cultural do Estado. O Parque encontra-se esquecido pelo poder público e pela sociedade, é um patrimônio natural e cultural abandonado. Originário da antiga mata Roger, o local onde hoje está localizado o Parque Zôo Botânico Arruda Câmara foi desapropriado pelo prefeito Walfredo Guedes Pereira e inaugurado em 24 de dezembro de 1922. Em 14 de agosto de 1980 o Parque foi tombado pelo Instituto do patrimônio Histórico e Artístico do Estado da Paraíba – IPHAEP, e em setembro de 1994 o Parque recebeu do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (IBAMA) o registro oficial de zoológico, o único da Paraíba. O secretário do Meio Ambiente (Semam) divulgou que na atual gestão foram autorizados os serviços de revitalização, bem como a melhoria na segurança e a ampliação do Museu do Parque, que passaria a ser também um memorial em homenagem ao botânico paraibano Arruda Câmara, que dá nome ao lugar. Porém, em parte, é visível a falta de comprometimento na realização de tais serviços, pois o Parque atualmente ainda apresenta alguns problemas como: podas inadequadas, assoreamento dos riachos, áreas degradadas, lixo nas imediações, excesso de trilhas clandestinas (que pioram com a erosão das chuvas), trilhas inadequadas e degradadas, parasitoses nas espécies vegetais, erosão dos solos e barreiras, arquitetura degradada ou não apropriada para o ambiente. Entretanto, é oportuno relatar que foram feitas as modificações exigidas quanto à segurança e sinalização do Parque. No entanto, algumas das soluções ainda cabíveis seriam: manutenções dos equipamentos públicos, redefinição do parque, eficiência no monitoramento ambiental, além de investimentos na arquitetura e no tratamento das plantas e animais. Complementando, atuar em projetos ecológicos é preciso, independe da área de atuação, ter seus esforços para necessidade de incluir atividades que utiliza, de forma sustentável, o patrimônio natural e cultural, que incentivam sua conservação e busca a formação de uma consciência ambientalista através da interpretação do ambiente, promovendo o bem-estar das populações envolvidas. A área verde de João pessoa é uma realidade, e está pronto para ser aproveitado de forma sustentável, só deve unir esforços e acreditar. Diante do que foi exposto acerca da gestão do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara, de seu aproveitamento mercadológico e o uso O Marketing Ecológico e sua Contribuição para a Gestão do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara 16 estratégico do marketing ecológico, suscitou o seguinte questionamento: Como contribuir para a gestão do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara através da utilização do Marketing Ecológico? O Marketing Ecológico e sua Contribuição para a Gestão do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara 17 2. OBJETIVOS OBJETIVO GERAL Analisar a viabilidade de utilização do marketing ecológico como ferramenta promocional para o Parque Zôo Botânico Arruda Câmara. OBJETIVOS ESPECÍFICOS Conhecer o perfil do visitante local. Fazer um levantamento da infra-estrutura e potencial natural e cultural do Parque. Aprofundar o conhecimento sobre o marketing ecológico e marketing de atrativos turísticos. Verificar a contribuição das empresas ambientalmente responsáveis perante a sociedade. Identificar as ferramentas de marketing utilizadas atualmente pela gestão do Parque. Sugerir estratégias de marketing adequadas e viáveis para serem utilizadas pela administração do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara. O Marketing Ecológico e sua Contribuição para a Gestão do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara 18 3. JUSTIFICATIVA A importância da conservação da natureza se torna essencial para assegurar a sobrevivência do homem e para a manutenção dos equilíbrios ecológicos como a regulação do clima e a proteção do solo contra a erosão. O solo, as águas, as florestas, a fauna, a flora e as paisagens são recursos naturais insubstituíveis e vitais, que interessa preservar e transmitir às gerações futuras, não só pelo seu valor de consumo e produtivo, como também pelos seus valores culturais, educacionais, estéticos e turísticos: a beleza estética da natureza poderá criar momentos de inspiração artística e de convívio , através da observação de animais, pesca desportiva, passeios ecológicos ,com postos de emprego e ser fonte de receita, direta ou indiretamente. No entanto, os recursos naturais têm sido explorados desenfreadamente, resultado das necessidades crescentes da população e também da falta de conhecimento das melhores práticas a realizar. A exploração dos recursos naturais, tem provocado a sua degradação e poluição assim como destruições significativas ao nível da paisagem, fauna e flora, contribuindo para o ritmo elevado de extinções de espécies que se tem verificado na nossa escala temporal. É importante a existência de parques públicos principalmente ao meio urbano como é o caso da Bica, na tentativa de tentar restabelecer a conexão entre a sociedade e o meio ambiente. O Parque pela enorme quantidade de área verde presente em toda sua extensão serve para saciar a necessidade da população por espaços livres e de lazer, como tentativa de sair do ambiente rotineiro do dia a dia do ambiente urbano para ter conhecimento de práticas ecologicas. È nesse aspecto que a prática da educação ambiental está inserida, pois serve como instrumento para integrar o homem e a natureza, pois ensina ao homem o seu papel perante a natureza através de ações susutentáveis. Sobre a importância da educação ambiental, Philippi Jr e Pelicione (2000,p. 3) argumentam: a educação ambiental, mais do que uma disciplina é uma ideologia bastante clara, que se apóia num ideário, num conjunto de idéias, que conduz a melhoria da qualidade de vida e ao equilíbrio do ecossistema para todos os seres vivos. Assim, além de ser efetivo instrumento de gestão, ela deve torna-se uma flosofia de vida. A prática da Educação Ambiental, tornado-se uma filosofia de vida, trará resultados positivos através de uma natureza sustentavelmente segura, contruindo, assim, um mundo melhor e, consequentemente, uma qualidade de vida melhor. O Marketing Ecológico e sua Contribuição para a Gestão do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara 19 Dessa forma, o tema proposto é considerado de tamanha importância para toda a sociedade, pois estudar através do marketing ferramentas de como manter, preservar e “transformar” um patrimônio histórico, cultural e natural da cidade é garantir a total satisfação da população. De acordo com Kotler e Keller (2006, p. 28), o marketing do ponto de vista gerencial é: o processo de planejar e executar a concepção, a determinação do preço, a promoção e a distribuição de idéias, bens e serviços para trocar idéias que satisfaçam metas individuais e organizacionais. A administração de marketing é a arte de escolher mercados-alvos e obter, manter e multiplicar clientes por meio da criação, da entrega e da comunicação de um valor superior para o cliente. Os mesmos autores ainda ressaltam que os profissionais de marketing são hábeis em gerenciar a demanda: procuram influenciar seu nível, oportunidade e composição. Esses profissionais envolvem-se em bens, serviços, eventos, experiências, pessoas, lugares, propriedades, organizações, informações e idéias. Eles também operam em quatro mercados diferentes: consumidor, organizacional, global e sem fins lucrativos. Porém, a responsabilidade social também requer que muitos profissionais de marketing analisem cuidadosamente o papel que desempenham e poderiam desempenhar em termos de bem-estar social. Assim, é importante destacar um “novo termo que amplie a orientação do marketing, que sustenta a idéia que a tarefa da organização é determinar as necessidades, os desejos e os interesses a logo prazo dos mercados-alvo e satisfazê-los de maneira mais eficiente e eficaz que os concorrentes” (KOTLER; KELLER, 2006, p. 20). É preciso incorporar a compreensão de preocupações mais abrangentes, assim como os contextos éticos, ambiental, legal e social, pois “algumas situações exigem um novo termo que amplie a orientação do marketing, entre os termos estão o marketing humanista e o marketing ecológico”. (KOTLER; KELLER, 2006, p. 20). Nessa perspectiva, Peattie apud (DIAS, 2006) afirma que, o marketing ecológico é um processo de gestão integral, responsável pela identificação, antecipação e satisfação das demandas dos clientes e da sociedade, de uma forma rentável e sustentável. Investir no marketing ecológico é, portanto, satisfatório e lucrável. As empresas ambientalmente responsáveis realizam uma gestão com missões corporativas na busca da sustentabilidade ambiental. De acordo com Schenini (2005), a dinamicidade do mercado e a concorrência acirrada colocam em risco as empresas que não revisaram constantemente seus paradigmas gerenciais, fabris e de prestação de serviços. Inserido em um cenário mutante, o respeito à sustentabilidade pode ser considerado um dos O Marketing Ecológico e sua Contribuição para a Gestão do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara 20 mais recentes requisitos da qualidade. Nesse sentido, as mudanças culturais dos consumidores e do mercado tem levado os produtos e empresas ecologicamente corretas a serem reconhecidas e respeitadas. Assim, se faz necessário que as empresas e seus executivos se tornem mais criativos e competentes, por meio de uso de ferramentas como produzir ecologicamente ou apoiar projetos ambientais, que resolvam o problema e propiciem uma adequação ao mercado. É viável que empresas contribuam com projetos ambientais através de serviços de revitalização, ou até mesmo com programas de educação ambiental e lazer, e em troca terá sua marca reconhecida e respeitada pela sociedade. É nessa visão que o marketing ecológico terá suma importância para tal realização. Trata-se ainda de um tema bastante relevante, pois se procura através da sensibilização, alertar a comunidade local, do poder público e privado, para o grande valor natural, cultural e histórico do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara, no sentido de tentar melhorar a integração das pessoas de forma sustentada com o meio ambiente, aproximá-las do ambiente natural, que são momentos exclusivos, prazerosos e de grande importância para o ser humano, e ainda, é importante também estudar formas de fortalecer o mercado, trazendo progresso econômico para a localidade. A Bica além de estar incluída como um forte cartão-postal da cidade se encontra num estado de degradação de nível bastante, necessitando de uma urgente recuperação, até mesmo, por que, seu entorno é envolvido por áreas periféricas e de pouco destaque para a cidade, assim torna-se difícil para despertar a atenção das empresas. Aliás, as áreas periféricas, devido à maior concentração de miséria, geralmente são as mais ambientalmente degradadas. Neste caso, o problema ambiental torna-se difícil de ser resolvido, porque o poder público, que na verdade é responsável por gerir o meio ambiente, promove ações paliativas e sem continuidade. Diante desse fato a imagem da localidade não será fortalecida, em detrimento que a sociedade está passando a ter cada vez mais uma consciência ecológica e procura freqüentar atrações que estejam comprometidas com ações de aspecto social e ambientalmente aceitas. De acordo com essa questão Teixeira (2000) enfatiza que a imagem da localidade será fortalecida perante um mercado que já tem consciência das questões ecológicas. Assim, podemos confirmar que “a imagem mercadológica de uma destinação é um conjunto de idéias corrente sobre a localidade” (VAZ, 2002, p.95). Essa pesquisa monográfica se justifica ainda como uma contribuição para o debate acadêmico, com a finalidade de preencher lacunas sobre o tema, tendo em vista a pouca O Marketing Ecológico e sua Contribuição para a Gestão do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara 21 quantidade de documentos, estudos e publicações sobre o assunto. Esta pesquisa servirá tanto como instrumento de estudo para estudantes de administração como, também, de outras áreas que se interessam pelo tema. A realização deste trabalho atende ainda como requisito básico de uma pesquisa científica para a conclusão deste curso, e será de grande relevância para mim, como autora deste trabalho, pois me irá complementar e aperfeiçoar-me neste assunto que me interessa. O Marketing Ecológico e sua Contribuição para a Gestão do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara 22 4. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA A fundamentação teórica limita-se à apresentação dos principais conceitos teóricos necessários ao desenvolvimento deste trabalho. Inicia-se com um breve estudo sobre os parques públicos, em um segundo tópico, foi feita uma análise da importância da educação ambiental como instrumento de integrar o homem e a natureza, e em seguida foi relevante estudar a preocupação das empresas com a questão ambiental. O capítulo se encerra com a apresentação dos conceitos de marketing, ficando evidente o valor de se aplicar como estratégia para o desenvolvimento mercadológico da Bica, os conceitos do marketing ecológico, como também, do marketing direcionado para as atrações turísticas, através de ferramentas de como manter, preservar e “transformar” um patrimônio histórico da cidade, que na realidade, é garantir a total satisfação da população e do cliente, neste caso, o visitante. 4.1. PARQUES PÚBLICOS Segundo Medonça (2003), os parques significam porções do território nacional que, devido aos seus elevados atributos naturais ou culturais, estão postas sob jurisdição do Governo garantindo, assim, seu caráter perene para o bem estar da comunidade. Kliass (apud SILVA, 2005) define os parques urbanos como: “espaços públicos com dimensões significativas e predominância de elementos naturais, principalmente cobertura vegetal, destinados à recreação”. Em se tratando da origem dos parques, Silva (2005) afirma que: Os parques verdes foram uma parte importante da vida na Grécia Antiga - os espaços verdes eram o mundo paradisíaco, jardins dos deuses. Entretanto, os parques surgem como fato urbano de relevância, apenas no final do século XVII, na Inglaterra, atingindo seu pleno desenvolvimento quase cem anos depois, principalmente relacionado à qualidade de vida urbana. È nos anos de 1850 e 1860, que os parques ganham corpo na Europa, inicialmente nos planos urbanísticos da França, idealizados pelo Barão Georges – Eugine. A fonte de inspiração do parque urbano foi modelo paisagístico dos jardins ingleses do Séc. XVIII, que tiveram origem nas idéias românticas de volta a natureza, sendo que dois fatos marcaram a criação dos primeiros parques um foi à abertura do jardim do palácio dos ingleses ao público; outro se deve aos empreendimentos imobiliários promovida pela iniciativa pública e privada, esses agentes viram na criação dos parques bons empreendimentos. O Marketing Ecológico e sua Contribuição para a Gestão do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara 23 Embora sabendo que os parques verdes são de origem antiga, infelizmente, atualmente muitos moradores sentem-se desligados do ambiente, pois as auto-estiadas reduzem o acesso aos rios e lagos e os parques às vezes são de difícil acesso. Ao mesmo tempo, diversos estudos ainda demonstram que os parques urbanos e espaços abertos desempenham papel significativo na melhoria das condições de vida das comunidades, reduzindo a criminalidade juvenil e aumentando o nível educacional. Uma solução é restabelecer a conexão entre moradores e o seu meio ambiente, através do aumento dos instrumentos nos ambientes mais próximos a eles, os parques urbanos e espaços abertos. Os parques urbanos melhoram a qualidade do ar, criam habitat para a vida selvagem, reduzem o volume de água remanescente das tempestades e temperaturas das ilhas quentes das cidades. Mas, o mais importante é o que os parques urbanos fornecem locais para as crianças e seus pais brincarem e áreas onde as pessoas podem conhecer-se como vizinhas em instalações seguras. De forma simples, os parques são muitas vezes os pilares de comunidades urbanas vitais e saudáveis. Há uma crescente necessidade de espaços livres, pois há um aumento da longevidade, da mobilidade e o tempo de lazer da população do Séc. XX. Nesse aspecto, Pellegrin apud (CÔRREA, 2005) comenta que: a aceleração ao processo de urbanização ocasionou uma série de transformações na cidade e na vida de seus habitantes. A distribuição espacial em meio a um enorme contingente da população provocou uma máxima utilização das potencialidades dos espaços com a construção de prédios e edifícios como forma de agrupar uma quantidade maior de indivíduos em um mínimo espaço possível. À medida que os espaços “cheios” dominam a cidade e obrigam o ser humano a disputá-lo, diante da inexistência de espaços “vazios”, cresce a especulação imobiliária que, ao mesmo tempo em que contribui, é conseqüência dos desequilíbrios espaciais. Assim, verifica-se que diante a aceleração do processo de urbanização, os parques têm assumido diferentes configurações e significados. Durante todo o século XX, especialmente a partir das décadas de 60 e 70, a velocidade das transformações econômicas, sociais e culturais acelera-se, imprimindo novos significados aos parques. Novos papéis, portanto, têm sido atribuídos aos parques pelos diversos agentes envolvidos nos processos urbanos. Nesse último caso, pode-se identificar duas vertentes de ações produzindo alterações no modo de se tratar a questão do parque público nas cidades brasileiras. Na primeira vertente, tem-se o seu uso nas estratégias de conservação de recursos naturais, principalmente a partir dos anos 80, quando a questão ambiental é institucionalizada no aparelho estatal brasileiro. Essa linha de ação é a mais evidente e consolidada, inclusive por já ter feito surgir um grande número de usos de lazer da população com os objetivos de O Marketing Ecológico e sua Contribuição para a Gestão do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara 24 conservação dos recursos naturais. Nos últimos anos, isso vem se manifestando de modo mais consistente nas cidades brasileiras, e fazem do uso dos parques como elementos de dinamização da economia urbana, especialmente das atividades ligadas ao lazer e ao turismo. As atividades ligadas ao lazer são essenciais para o ser humano. Diante disso, Jucosky apud (CÔRREA, 2005) declara que: as profundas alterações que ocorrem a cada dia em uma cidade acabam por alterar o próprio comportamento do homem, que tem que adaptar-se a todo o momento a estas modificações. Crianças e adultos não conseguem encontrar tempo nem condições suficientes para realizar atividades que atendam seus próprios interesses. Caminhar, correr, encontrar com amigos, jogar e se divertir, consideradas atividades essenciais estão sendo esquecidas e isso se deve muito mais à falta de condições oferecidas do que por interesse desses indivíduos. Comentando, ainda, sobre a necessidade que o homem tem dos espaços livres e do lazer, Jukosky (apud CORRÊA, 2005) afirma: o processo de urbanização é um desafio que precisa ser enfrentado para a melhoria da qualidade de vida da humanidade. Enquanto isso não acontece, sem muitas alternativas, o homem começa a reunir forças e demonstrar alguns sinais de mudança, isso pode ser observada pelo número crescente de protestos ecológicos que ocorrem em todo o mundo, visando à preservação e, diretamente relacionados a ela, a melhoria de qualidade de vida. Pode-se também verificar que, mesmo sendo ainda pequeno. Existe um número crescente de pessoas que estão à procura dos melhores ambientes naturais (áreas verdes e livres) para realizar suas atividades naturais. A busca por mudanças faz com que o ser humano valorize os ambientes naturais, e um numero crescente de pessoas estão à procura da pratica de atividades naturais, tendo como alternativa os parques nacionais. Em termos gerais, o IBAMA (2004) destaca que os objetivos dos Parques Nacionais são preservar e conservar, para fins científicos, educativos, estéticos e recreativos, os patrimônios culturais e naturais da nação. Os Parques são vistos por muitos como verdadeiros laboratórios vivos para pesquisas que não podem ser efetuados em outros locais visando esta somatória de benefícios. O governo brasileiro já criou parques nacionais e continua a estudar outras áreas ímpares no Brasil, que merecem ser preservadas como Parques Nacionais. Em relação às áreas protegidas, Milano (apud DREHER, 2005) relata: da tradicional denominação “áreas silvestres”, passou-se a adotar no Brasil, segundo tendências internacionais, termos como áreas protegidas ou unidades de conservação, sendo que este último em decorrência da abordagem sistêmica que se adotou cientificamente. Foi instituída no Brasil, a Lei Federal 9.985, de 18 de Julho de 2000, a lei do Sistema Nacional de Unidade de Conservação – SNUC, para estabelecer critérios e normas para criação e gestão das unidades de conservação e propor a valorização dessas unidades. O Marketing Ecológico e sua Contribuição para a Gestão do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara 25 De acordo com as informações obtidas pelo SNUC (2000), os principais objetivos das Unidades de Conservação são: preservar a biodiversidades; proteger espécies raras, endêmicas, vulneráveis ou em perigo de extinção; preservar e restaurar a biodiversidade de ecossistemas naturais; incentivar o uso sustentável dos recursos; manejar os recursos de fauna e flora; proteger paisagens naturais ou pouco alteradas, de beleza cênica notável; proteger recursos hídricos; incentivar atividades de pesquisa científica, estudos e monitoramento de natureza ambiental; favorecer condições para educação ambiental e recreação em contato com a natureza. As Unidades de Conservação foram divididas em dois grupos específicos: Unidades de Proteção Integral e Unidades de Uso Sustentável. As Unidades de Proteção Integral objetivam preservar a natureza, sendo admitido apenas o uso indireto dos seus recursos naturais com exceção às atividades administrativas (fiscalização, manutenção) e às atividades de uso indireto dos recursos (pesquisas científicas, recreação, educação ambiental). Estão classificadas nas seguintes categorias: estações ecológicas, reservas biológicas, monumentos naturais, refugio da vida silvestre, parque nacional, estadual e natural municipal. Já as Unidades de Uso Sustentável objetivam compatibilizar a conservação da natureza com o uso sustentável de parcela de seus recursos naturais. Compreendem as seguintes categorias: áreas de proteção ambiental (APA), área de relevante interesse histórico, florestas nacionais, estaduais e municipais, reservas extrativistas, reserva de fauna, reserva de desenvolvimento sustentável, reserva particular do patrimônio natural. Na Lei Federal 9.958, no artigo 11, o SNUC (2000) declara com relação ao Parque Nacional: o Parque Nacional tem como objetivo básico a preservação de ecossistemas naturais de grande relevância ecológica e beleza cênica, possibilitando a realização de pesquisas científicas e o desenvolvimento de atividades de educação e interpretação ambiental, de recreação em contato com a natureza e de turismo ecológico. Considerando as diferentes categorias de Unidade de Conservação, constata-se o enquadramento do objeto deste estudo no contexto do sistema, se definindo como Unidade de Proteção Integral, categoria de Parque Nacional e quando criados pelo estado ou município, são denominadas, respectivamente Parque Estadual ou Parque Natural Municipal. A Unidade de Conservação categorizada como Parque Nacional permite o desenvolvimento do turismo ecológico e de atividades recreativas. A visitação pública desta categoria está sujeita as normas e restrições estabelecidas no Plano de Manejo da Unidade. O Plano de Manejo da Unidade, segundo Dreher (2005): é o documento técnico mediante o qual, com fundamentos nos objetivos gerais de uma unidade, se estabelece o seu zoneamento e as normas que devem presidir o uso da área e o manejo dos recursos naturais, inclusive a implantação das estruturas físicas necessárias à gestão da unidade. O Marketing Ecológico e sua Contribuição para a Gestão do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara 26 É fundamental que os administradores das unidades de conservação, com o auxílio da sociedade civil, busquem estratégias que conciliem conservação e lazer, uma vez que este último também é um elemento presente na conceituação de parques nacionais e de outras categorias de manejo, além de ser um direito da população o acesso às riquezas naturais de seu país. 4.2. EDUCAÇÃO AMBIENTAL Nos últimos anos a questão ambiental vem se configurando no âmbito das grandes questões contemporâneas. A crise ambiental tem colocado para o mundo o enfrentamento dos riscos produzidos tanto pelo acelerado desenvolvimento das forças produtivas, como pela degradação da biosfera (empobrecimento do patrimônio natural do planeta e da capacidade de recuperação dos ecossistemas). Entretanto, “a humanidade se vê diante da necessidade de mudanças radicais para garantir sobrevivência digna das futuras gerações” (VIEZZER; OVALLES, 1994, p. 21). A resposta a este desafio será enfatizar a conscientização para o campo ambiental. Viezzer e Ovalles (1994, p. 21) afirmam que: existem tantas iniciativas para conservação, controle e recuperação do meio ambiente [...] Nosso pequeno planeta parece estar em assembléia permanente. Todos os dias, em muitos cantos do mundo, há gente reunida discutindo questões ambientais relacionadas com a sobrevivência da espécie humana. Assim, é visível que diversos países reunidos buscam alternativas que possam minimizar os impactos ambientais e sociais e evitar que o meio ambiente continue a ser alvo de destruição e da falta de responsabilidade dos seres humanos. Diante desta visão a educação ambiental surge, de acordo com Freitas (2005), como um dos instrumentos para prevenir os impactos ambientais, educar e redirecionar órgãos públicos, empresas privadas e a sociedade para que estes possam integrar crescimento econômico com preservação ambiental. No entanto, não se trata apenas de garantir a preservação de algumas espécies de plantas, animais e recursos naturais, mas a conscientização da sociedade a respeito de suas relações com a natureza. De acordo com Gonçalves (apud ADAMS, 2002, p. 2) a Educação Ambiental (EA) é: o processo que faz com que os indivíduos reconheçam valores e conceitos, criando habilidades e atitudes necessárias que sirvam para que eles compreendam sua relação O Marketing Ecológico e sua Contribuição para a Gestão do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara 27 mútua com o meio ambiente. Ela também inclui a prática de tomar decisões e autoformularem um comportamento que garantam a qualidade ambiental. Na Educação Ambiental, não se deve priorizar a transmissão de conceitos específicos, e sim o entendimento da importância e das conseqüências que sua prática causa ao meio ambiente. entende-se por educação ambiental os processos por meio dos qual o indivíduo e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para conservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo, essencial a sadia qualidade de vida e sua sustentabilidade”. (BRASIL apud BERNARD; FAVORETO, 2001, p. 230). A Educação Ambiental não está ligada apenas às questões ambientais. É visível que ela deve estar associada também às questões sociais como as desigualdades sociais, deve colaborar com o resgate dos padrões éticos de comportamento, com a justiça social e com o respeito entre os seres humanos e destes com o meio ambiente. Deve ainda contribuir com a sustentabilidade mundial e ser desenvolvida com base na participação de todos e com a contribuição das várias áreas do conhecimento, até mesmo com a sabedoria popular. É importante que a Educação Ambiental também faça parte dos processos educativos de forma contínua, dinâmica e interativa. A respeito disto Pereira apud (SILVA, 2000, p. 58) coloca a educação ambiental como sendo um conjunto de técnicas pedagógicas: a educação ambiental vem modernamente sendo abordado mais como um conjunto de técnicas pedagógicas do que como conteúdos. O primeiro passo para abordagem ambientalista é a colocação do aluno em contato direto com o ambiente a ser estudado. O educando passa a vivenciar situações de experiências que possibilitem a solução dos problemas que lhe são apresentados no dia-a-dia de sua vida. O enfoque pedagógico dado à educação ambiental é indispensável se pretende-se conscientizar as pessoas para um desenvolvimento sustentável. A educação ambiental precisa ser vinculada no dia-a-dia, portanto deve acompanhar a formação intelectual dos indivíduos, e por isto consideramos que a escola é um precioso instrumento. A EA é subdividida em formal e não-formal. A formal é um processo que ocorre nas unidades de ensino, como escolas, cursos de treinamento. A não-formal responde pelas “ações e práticas educativas voltadas à sensibilização da coletividade sobre as questões ambientais e à sua organização e participação na defesa da qualidade do meio ambiente” Brasil apud (BERNARDO; FAVORETO, 2001, p.223). Ela é realizada fora da escola e seu público alvo possui características muito variáveis. Medina (2000, p.10) ressalta sobre as propostas da educação ambiental, que: pretendem aproximar a realidade ambiental das pessoas, conseguirem que elas passem a perceber o ambiente como algo próximo e importante nas suas vidas, é verificar, ainda, que cada um tem um importante papel a cumprir na preservação e transformação do ambiente em que vivem. Levá-las a compreender que o futuro, O Marketing Ecológico e sua Contribuição para a Gestão do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara 28 como construção coletiva, depende das decisões políticas e econômicas que sejam definidas hoje, e que irão interferir nas possibilidades de definição de novos módulos de desenvolvimento, capazes de conciliar a justiça social e o equilíbrio ecológico, que permita manter a base do rico substrato natural e cultural dos países, melhorando efetivamente a qualidade de vida da população. Pretendem, ainda, destacar a importância da temática ambiental para a construção de um futuro sustentável, possibilitar que as pessoas, em geral, percebam o ambiente como um potencial positivo para o desenvolvimento e a solução para os problemas, que afetam sua vida cotidiana. Toda a população tem um papel importante para cumprir com o meio ambiente. A EA vem para fazer as pessoas se conscientizarem dessa importância e engajá-las em seu processo. Mas não é apenas papel da sociedade, e sim dos órgãos públicos, privados, políticas públicas, ONGs, pois se houver esta participação mutua este processo não se efetivará. A Educação Ambiental vai além do universo escolar. Elas vêm se desenvolvendo em vários âmbitos sociais, pelas mais diversas entidades e organizações atuantes de temas associados a essa questão. Segundo os parâmetros em ação do Ministério da Educação a principal função do trabalho com o tema meio ambiente é para a formação de cidadãos conscientes, aptos a decidir e atuar na realidade sócio ambiental de modo comprometido com a vida, com o bem estar de cada um da sociedade, local e global. Para isso, é necessário que, mais do que informações e conceitos, a escola se proponha a trabalhar com atitudes, com formação de valores, com ensino, e aprendizagem de habilidades e procedimentos (BRASIL, 2001). Não é só fazer uma simples aplicação da EA nas disciplinas, mas incluí-la no mundo acadêmico para, contribuir com idéias, e fazendo com que os indivíduos despertem para essa educação. E é a partir dessa questão ambiental que são feitas reflexões sobre como deve ser nosso futuro, discutindo a cidadania e o comportamento em relação à sociedade. Medina (2000, p.14) afirma que: não se trata somente de ensinar a natureza, e sim de educar “para” e “com” a natureza, para compreender e agir corretamente diante dos grandes problemas das relações humanas com o ambiente. De educar sobre o papel do ser humano na Biosfera, para a compreensão das complexas relações entre a sociedade e a natureza, e os processos históricos que condicionam os modelos de desenvolvimento adotados pelos diferentes grupos sociais. Nesse aspecto, verifica-se que muito se fala hoje sobre educação ambiental e sobre seus projetos, mas, na maioria das vezes são apenas atividades “sobre” o meio ambiente. Só podemos falar de educação ambiental quando existe a componente “para”, ou seja, quando entre as finalidades do programa se encontram a melhoria e a conservação do ambiente, com mudanças de comportamento. O Marketing Ecológico e sua Contribuição para a Gestão do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara 29 Portanto, apesar das dificuldades de análise das repercussões de um projeto ou de atividades de Educação Ambiental, o estudo do meio não pode ter como objetivo só à aquisição de conhecimentos, mas envolver todo um conjunto de novos comportamentos que levem a compreender e proteger o meio. “A EA deve gerar, com urgência, mudanças na qualidade de vida e maior consciência de conduta pessoal, assim como a harmonia entre os seres humanos e destes com outras formas de vida” (VIEZZER; OVALLES, 1994, p. 21). Assim, a EA impõe ao homem um componente reflexivo, fazendo-o conscientizar-se de suas ações em relação à natureza. Esta reflexão acaba tornando-se tão importante quanto à prática da participação, pois a participação sem consciência acaba não transformando nada. 4.3. A CONSCIÊNCIA AMBIENTAL DAS EMPRESAS De acordo com Donaire (1995), nas últimas décadas tem ocorrido uma mudança muito grande no ambiente em que as empresas operam: as empresas que eram vistas apenas como instituições econômicas com responsabilidade referentes a resolver os problemas econômicos fundamentais (o que produzir, como produzir e para quem produzir) têm presenciado o surgimento de novos papéis que devem ser desempenhados. Pode-se perceber que apesar do grande sucesso obtido por algumas empresas no sistema capitalista, diante a combinação entre ciência e tecnologia, resultou na deterioração social. O mesmo autor Donaire (1995, p.13) relata sobre o sistema capitalista: quando confrontamos seus resultados econômicos e monetários com outros resultados sociais, tais como redução da pobreza, degradação de áreas urbanas, controleda poluição, diminuição das iniqüidades sociais, entre outros, verifica-se que ainda há muito a ser conseguido e que o crescimento do PNB – Produto Nacional Bruto não é e nunca será uma medida adequada para avaliar a performance social. Assim complementando, Buchholz (apud DONAIRE, 1995) coloca que houve uma quantidade crescente de atenção por parte das organizações, que tem se direcionado para problemas que vão além das considerações meramente econômicas, para um sentido mais amplo e de caráter social, tais como: proteção ao consumidor, controle da poluição, segurança e qualidade de produtos, assistência médica e social, defesa de grupos minoritários etc. Nesse contexto, Júnior e Demajorovic (2006, p.174) observam que o desenvolvimento de uma legislação ambiental cada vez mais rigorosa, a expansão dos chamados consumidores verdes e o aumento dos custos pela utilização dos recursos naturais O Marketing Ecológico e sua Contribuição para a Gestão do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara 30 propiciaram uma reformulação da visão empresarial em relação à questão ambiental, aumentando o interesse em torno de estratégias de ecoeficiência. Com relação à ecoeficiêcia, vale destacar que, “desde a década de 1970, algumas empresas já defendiam a possibilidade de conciliar crescimento econômico com melhoria do desempenho ambiental”. (JÚNIOR E DEMAJOROVIC, 2006, p.174). Diante esse cenário de mudanças, Schenini (2005, p.12) comenta: em função da crescente consciência cultural da sociedade que pressiona por medidas ecológicas, ou por motivos comerciais que garantam a sobrevivência no mercado, ou ainda mesmo, pelo interesse pessoal e autêntico de algum gerente ou empresário, a realidade tem evidenciado uma crescente demanda pelas premissas e ações sustentáveis. O mesmo autor complementa que, inserido nesse cenário mutante, o respeito à sustentabilidade pode ser considerado um dos mais recentes requisitos de qualidade. Nesse sentido, as mudanças culturais dos consumidores e do mercado tem levado os produtos e empresas a serem reconhecidas, respeitadas e qualificadas. Assim sendo, “uma postura pró-ativa com relação às questões ambientais, faz parte dos novos paradigmas da qualidade total, da competitividade e responsabilidade social” (SCHENINI, 2005, p. 14). Dessa forma, é observado que o desempenho sustentável das empresas cada vez mais atrai a atenção de todos, pois pode influenciar significativamente a forma pela qual uma empresa é vista pelos clientes, comunidade e autoridades do governo. Para Júnior e Demajorovic (2006, p.174), a responsabilidade sócio-ambiental das empresas tem-se tornado um dos temas de gestão empresarial mais debatidos e propagados, constituindo uma variável importante na estratégia competitiva das empresas e na avaliação do seu desempenho. As empresas estão tendo de competir num ambiente de negócios cada vez mais complexo, no qual não é mais suficiente obedecer às leis e pagar impostos. No entanto, de acordo com Donaire (1995) cada vez mais a questão ambiental está-se tornando matéria obrigatória das agendas dos executivos da empresa. A globalização dos negócios, a internacionalização dos padrões de qualidade ambiental esperadas na ISO 14000, a conscientização crescente dos atuais consumidores e a disseminação da educação ambiental nas escolas permitem observar que a exigência dos consumidores em relação à preservação do meio ambiente e à qualidade de vida. Com relação à certificação, a ABNT (2007) diz que certificar um Sistema de Gestão Ambiental significa comprovar junto ao mercado e a sociedade que a organização adota um conjunto de práticas destinadas a minimizar impactos que imponham riscos à preservação da biodiversidade. Com isso, além de contribuir com o equilíbrio ambiental e a qualidade de vida O Marketing Ecológico e sua Contribuição para a Gestão do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara 31 da população, as organizações obtêm um considerável diferencial competitivo, fortalecendo sua imagem e participação no mercado. A norma NBR-ISO 14.001, de acordo com a ABNT, destaca cinco pontos básicos, além dos objetivos oriundos da norma ISO: gerir as tarefas da empresa no que diz respeito a políticas, diretrizes e programas relacionados ao meio ambiente e externo da companhia; manter, em geral, em conjunto com a área de segurança do trabalho, a saúde dos trabalhadores; produzir, com a colaboração de toda a cúpula dirigente e os trabalhadores, produtos ou serviços ambientalmente compatíveis; colaborar com setores econômicos, a comunidade e com os órgãos ambientais para que sejam desenvolvidos e adotados processos produtivos que evitem ou minimizem agressões ao meio ambiente. Nesse aspecto, a NBR-ISO 14001 pode ser um sistema desenvolvido para ajudar as empresas a protegerem o meio ambiente, reduzirem seus custos na produção, eliminar as multas com os riscos de violação da extensa legislação ambiental e, ainda, adquirirem vantagens no mercado. Complementando, Elkington e Burke (apud DONAIRE, 1995, p. 50) definem que os dez passos necessários para a excelência ambiental são os seguintes: desenvolva e aplique uma política ambiental; estabeleça metas e continue a avaliar os ganhos; defina claramente as responsabilidades ambientais de cada uma das áreas e do pessoal administrativo; divulgue interna e externamente a política, os objetivos e metas e as responsabilidades; obtenha recursos adequados; eduque e treine seu pessoal e informe os consumidores e a comunidade; acompanhe a situação ambiental da empresa e faça auditorias e relatórios; acompanhe a evolução da discussão sobre a questão ambiental; contribua para os programas ambientais da comunidade e invista em pesquisa e desenvolvimento aplicado à área ambiental; ajude a conciliar diferentes interesses existentes entre todos os envolvidos: empresa, consumidores, comunidade, acionistas. Sendo assim, Júnior e Demajorovic (2006, p.380) relatam que existem centenas de casos no Brasil de empresas que vêem vantagens no mercado associando a preocupação ambiental com a boa imagem. Porém, de maneira errônea, vem ocorrendo casos críticos em que empresas cujos negócios tenham provocado determinado impacto em um rio, um manancial ou uma área verde e que, por essa razão como forma de compensar os prejuízos de imagem pública, passaram a investir em programas de educação ambiental em escolas, em patrocínio da conservação de espaços públicos, recuperação e manutenção de praças e financiamento de projetos ambientais. Nesse ponto, Júnior e Demajorovic (2006, p.370) ressalva que no novo paradigma, parece não bastar ao consumidor saber o benefício concreto que um produto ou serviço entrega, nem que tipo de imagem associada transmite. Importa, sobretudo, identificar a alma da marca e o seu sistema de crenças. Diante a essa ressalva, observa-se que a empresa ao assumir uma cultura responsável referente à contribuição para os programas ambientais da comunidade é um dos passos O Marketing Ecológico e sua Contribuição para a Gestão do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara 32 necessários para a se atingir a excelência ambiental. Desse modo, Donaire (1995) afirma que algumas empresas têm demonstrado que é possível ganhar dinheiro e proteger o meio ambiente mesmo não sendo uma organização que atua no chamado mercado verde, desde que a empresa possua certa dose de criatividade. 4.4. MARKETING Antes de se iniciar a abordagem sobre marketing ecológico, que é o objetivo principal deste trabalho, se faz relevante a realização de uma breve revisão na definição de marketing. O marketing é uma ferramenta essencial para as organizações atuarem nos mercados em que estão inseridas. Segundo a American Marketing Association (apud KOTLER E KELLER, 2006, p. 4) o marketing é definido como: uma função organizacional e um conjunto de processos que envolvem a criação, a comunicação e a entrega de valor para os clientes, bem como a administração do relacionamento com eles, de modo que beneficie a organização e seu público interessado. Outra abordagem do marketing é feita por Ruschmann (apud IGNARRA, 2003, p. 127) como: a função gerencial que organiza e direciona todas as atividades mercadológicas envolvidas, para avaliar e converter a capacidade de compra dos consumidores numa demanda efetiva para um produto ou serviço específico, para levá-los ao consumidor final ou usuário, visando, com isto, um lucro adequado ou outros objetivos propostos pela empresa. Nesse aspecto, Peter Drucker (apud KOTLER E KELLER, 2006) observa que o objetivo do marketing é conhecer e compreender tão bem o cliente que o produto ou serviço se adapte a ele e se venda por si só. O ideal é que o marketing deixe o cliente pronto para comprar. A partir daí, basta tornar o produto ou o serviço disponível. Com relação à administração do marketing, Waechter (2005) afirma que está ligada à análise, planejamento, implantação e controle de programas destinados a conseguir as trocas desejadas com públicos visados e tendo por objetivo o ganho pessoal ou mútuo. No entanto, para Keegan (2005), uma empresa que seja incapaz de adotar uma postura globalizada de mercado corre o risco de perder seus negócios domésticos para concorrentes. Assim, com uma visão mais abrangente o mesmo autor diz que é viável um novo conceito O Marketing Ecológico e sua Contribuição para a Gestão do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara 33 estratégico, em que o foco do marketing deixa de estar no cliente ou no produto e passa para o cliente em um ambiente externo mais amplo. Saber tudo sobre o cliente já não basta. Para ter sucesso as empresas devem conhecer o cliente num contexto que inclui concorrência, políticas e regulamentações governamentais e forças econômicas, sociais e políticas abrangentes que formam a evolução dos mercados. Keegan (2005) ainda afirma que as atividades de marketing são chamadas de 4Ps (produto, preço, ponto-de-venda, promoção) e lembra que o processo de administração de marketing é a tarefa de focalizar os recursos e os objetivos da organização nas oportunidades do ambiente. Para Kotler e Keller (2006), as atividades do marketing podem assumir várias formas, e uma maneira tradicional de descrevê-las é em termos do mix (ou composto) do marketing, que vem sendo definido como o conjunto de ferramentas que a empresa usa para perseguir seus objetivos de marketing. Na visão de Ignarra (2003), o marketing baseia-se em alguns conceitos básicos: necessidades, desejos e demandas; produtos; valor; custo e satisfação; trocas; transações, relacionamento e praticantes do marketing. Assim, para utilizar de maneira ampla o marketing, é oportuno identificar, entender e valorizar cada um desses componentes. Assim, se pode perceber que fazer marketing é ter atenção e buscar a excelência. De acordo com Kotler e Keller (2006, p. 28) entre as tarefas necessárias para a administração de marketing bem-sucedida, estão: o desenvolvimento de estratégia e planos de marketing, a conexão com os clientes, a construção com marcas fortes, o desenvolvimento das ofertas ao mercado, a entrega e a comunicação de valor, a captura de oportunidades de marketing e do desempenho e, por fim, a obtenção de um crescimento de longo prazo bem-sucedido. É necessário, portanto, na administração de marketing bem-sucedida os planos de marketing. Churchill e Peter (2005) relatam que, plano de marketing são documentos criados por organizações para registrar os resultados e conclusões da análise ambiental e detalhar a estratégia de marketing planejada e os resultados pretendidos por ela. A parte estratégica de marketing dos planos inclui formulações de objetivos de marketing, análises de clientes e mercados e compostos de marketing sugeridos para atingir os objetivos. 4.4.1. Marketing de Atrações para Visitantes O Marketing Ecológico e sua Contribuição para a Gestão do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara 34 A sociedade brasileira tem interesse contínuo na função das artes, patrimônio, cultura, hospitalidade e entretenimento, isso faz com que essa função seja reconhecida no ponto de vista comercial e está sendo os altos investimentos e novas instalações baseadas no varejo, as quais são comercializadas como atrações para visitantes de um dia. “As atrações são elementos no ambiente do destino que determinam as opções dos consumidores e influenciam a motivação dos compradores potenciais” (MIDDLETON, 2003, p.135). A motivação dos visitantes está relacionada aos atrativos. Segundo Ignarra (2003, p. 53): os atrativos estão relacionados com as motivações de viagens dos turistas e a avaliação que os mesmos fazem desses elementos. [...] O atrativo turístico possui, via de regra, maior valor quanto mais acentuado for o seu caráter diferencial. O visitante procura sempre conhecer aquilo que é diferente do seu dia-a-dia. Assim, aquele atrativo que é único, sem outros semelhantes, possui maior valor para o turista. Assim, as atrações exercem uma função importante na representação e apresentação do sentido particular do lugar, sendo base para a concorrência entre os destinos, muitas delas, são criadas para conservar e celebrar as características exclusivas dos locais e dos recursos e características locais que faz com que a visita valha a pena. Com relação a esse diferencial, Lanza (apud VAZ, 2002, p. 66) ressalta: toda cidade, por menor que seja, tem algo diferente e importante a ser mostrado. É uma cachoeira, é uma montanha, um rio piscoso, pássaros em abundância, ou simplesmente ali nasceu um grande personagem da nossa história. Além do diferencial, os atrativos dependem de fatores para serem valorizados. “Para uma análise mais eficaz dos atrativos é preciso levar em conta, fatores como: localização, meio de acesso ao atrativo, tempo necessário para conhecer o atrativo, equipamentos e serviços disponíveis no local” (IGNARRA, 2003, p. 59). Deste modo, Vaz (2002, p. 67) igualmente observa que os fatores de atratividade podem apresentar consistência física, como equipamentos turísticos e construções arquitetônicas, mas ao mesmo tempo podem ter natureza abstrata. Uma característica da localidade, como tipicidade, um conceito de renome, um fato histórico. Pode ter ainda natureza temporal, com um evento de grande repercussão. É importante observar que o fator de atratividade exerce uma influência na decisão de viagem, existindo uma diferença entre este fator e o fator de entretenimento, que este é basicamente constituído por elementos que contribuem para reter o turista na localidade. O fator de apoio representa a estrutura de serviços turísticos que a localidade oferece ao visitante. O Marketing Ecológico e sua Contribuição para a Gestão do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara 35 No entanto, fazer uma análise do fator de atratividade é sempre essencial, mas é oportuno analisar os fatores de entretenimento e de apoio, considerada a sua função complementar. É notável, também, o crescimento de todas as formas de atrações, a luta pela concorrência pelo tempo e dinheiro dos visitantes e a redução dos subsídios anuais dados pelo setor público. Essas mudanças precisam de técnicas de gerenciamento para ser usadas tanto para proteger o recurso como para aperfeiçoar a experiência dos visitantes, promovendo o local e gerando receita em um mercado competitivo. Assim, as atrações gerenciadas são controladas para sua própria valorização e para a satisfação do publico visitante. Nesse sentido, “As atrações gerenciadas podem ser definidas como: recursos designados permanentes que são controlados e gerenciados para seu próprio bem e para o divertimento, entretenimento e educação do público visitante.” (MIDDLETON, 2002, p.384). A atratividade de um local precisa ser bem gerenciada, e necessita, também, da qualidade intrínseca de seus recursos e coleções, que embora esse recurso seja importante, não se torna o produto, é a experiência que o recurso fornece aos visitantes. Os parques públicos, por exemplo, desenvolve toda sua oferta de produtos com base na experiência fornecida. Em todos os locais gerenciados, a experiência fornecida é uma questão de preocupação contínua com design e a formulação do produto, podendo ser influenciado e controlado pela gerência. A experiência dos visitantes pode ser estimulada pela promoção efetiva, especialmente através de materiais impressos e informações eletrônicas, e por recomendações pessoais. A esse respeito, Middleton (2002, p. 399) coloca: a definição de produtos como “experiências” e o uso de pesquisas para avaliar os componentes da experiência para a formulação do produto são importantes para o sucesso do marketing. A formulação do produto deve ser baseada em segmentos identificados, e isso engloba pesquisas de mercado entre os visitantes. Assim, a segmentação é a base para se obter uma boa formulação do produto e valorização para aperfeiçoar a satisfação do cliente, o estabelecimento de preços, o desenvolvimento de campanhas efetivas, a avaliação de temporadas e implicações sustentáveis de diferentes grupos, e até mesmo, uma análise das opções para o desenvolvimento de novos gerentes. Além da segmentação e diante das estratégias de marketing, Middleton (2002) verifica que é essencial para a atração turística uma análise dos fatos no ambiente externo, são elas: ações dos concorrentes, sofisticação de clientes, desenvolvimento da tecnologia de informação e comunicação e as abordagens mais sustentáveis para o gerenciamento de recursos. O Marketing Ecológico e sua Contribuição para a Gestão do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara 36 Middleton (2002, p.399) relata ainda, que a estratégia de marketing deve ser centralizada na segmentação, na formulação e no posicionamento do produto, e a necessidade de garantir que os benefícios oferecidos pela atração sejam claramente compreendidos pelos visitantes potenciais. Atrações de pequeno e médio porte devem ter, também, um gerenciamento com habilidades necessárias para sobreviver em um mercado cada vez mais competitivo, é benéfico que se utilize de uma revisão sistemática dos usos corporativos e públicos de suas instalações, desenvolvendo “amizades” e grupos similares para dar suporte a seus objetivos, com base na formação de sinergia nos negócios e na colaboração com parceiros. Estratégias de marketing conseguem, de fato, contribuir para obter o público e a receita, oferecendo, conseqüentemente, sistemas de suporte de gerenciamento mútuo. Assim, pensando no futuro, o desenvolvimento da sinergia entre diferentes grupos de públicos e usuários corporativos será uma exigência fundamental para a sobrevivência e prosperidade de atrações de menor porte. Deste modo, “As oportunidades para uma colaboração mútua mais efetiva estão mudando a agenda de muitas atrações no novo milênio” (MIDDLETON, 2002, p. 399). 4.4.2. Marketing Ecológico O processo de industrialização percorrido pelos estados do Brasil ao longo dos últimos anos trouxe, de um lado, diversos benefícios econômicos e, de outro, sérias conseqüências ambientais. Diante a esse contexto, Dias (2007, p.2) expõe que as sociedades atuais estão baseadas em um crescimento contínuo de consumo. Esse modelo de desenvolvimento requer meios gigantescos, que são meios de produção, meios logísticos, meios de gestão dos resíduos gerados pelos consumos. Esses meios, que repousam sobre a exploração dos recursos fósseis e minerais, ultrapassam muito as capacidades finitas do planeta. Além do mais, esse modelo foi adotado há algum tempo pelos países ricos, que perfazem aproximadamente 20% da população mundial e que são os maiores responsáveis pelo atual quadro ambiental do mundo. É preciso repensar a atividade produtiva e mercadológica, a fim de que se possam encontrar soluções viáveis para o conflito capital e natureza e também conciliar os interesses de governos, empresas e sociedade neste processo, no sentido de que “a preocupação com as O Marketing Ecológico e sua Contribuição para a Gestão do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara 37 questões ambientais vem ocupando um lugar privilegiado em todas as esferas da atividade humana”. (DIAS, 2007, p.72) Em função disso, o mesmo autor, coloca que as empresas têm procurado manter um posicionamento favorável junto aos consumidores, em relação aos seus concorrentes, utilizando estratégias de marketing voltadas para o aspecto ecológico como variável competitiva. É diante a esse contexto que surge uma vertente de marketing que trata da relação consumo – meio ambiente e está envolvida com as necessidades recentes do cliente cidadão, consciente da importância da preservação da natureza, à qual foram atribuídas varias atribuições: marketing ecológico, ecomarketing, marketing verde, marketing ambiental e marketing sustentável. É nesse aspecto que Valério (2005) confirma que o marketing ambiental, também conhecido como marketing ecológico ou verde, pode ser considerado uma modalidade que visa enfocar as necessidades de consumidores ecologicamente conscientes e contribuir para a criação de uma sociedade sustentável. Para Teixeira (2000) o marketing ecológico consiste a prática de todas aquelas atividades inerentes ao marketing, porém, incorporando a preocupação ambiental e contribuindo para a conscientização ambiental por parte do mercado consumidor. Logo, o marketing ecológico pode ser representado pelos esforços das organizações em satisfazer as expectativas dos consumidores de produtos, ou serviços, que determinem menores impactos ambientais, diante de uma visão necessária, como também lucrativa. A esse respeito Churchill e Peter (2000, p. 44) colocam que: os profissionais de marketing descobriram que a consciência ambiental é muitas vezes não só necessária como lucrativa. É importante utilizar-se de atividades de marketing destinadas a atender ao desejo dos clientes de proteger e conservar o meio ambiente. Teixeira (2000) contribui observando que no marketing moderno procura se criar e ofertar produtos ou serviços capazes de satisfazer os desejos e necessidades dos consumidores. Desse modo, no marketing ecológico, os consumidores desejam encontrar a qualidade ambiental nos produtos e serviços que adquirem. Assim, diante esses conceitos, o desenvolvimento de estratégias de marketing ecológico ver-se possível tanto para o setor produtivo como para atividades do terceiro setor que atuam na área ambiental e que necessitam no desenvolvimento de suas atividades, do apoio e união da sociedade. Ao adotar o marketing ecológico, a organização deve informar a seus consumidores acerca das vantagens de se utilizar os produtos e serviços ambientalmente O Marketing Ecológico e sua Contribuição para a Gestão do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara 38 responsáveis, de forma a estimular (onde já existe) e despertar (onde ainda não existe) o desejo do mercado por esta categoria de serviços. No entanto, desenvolver esse marketing não é tão simples como parece, deve-se ser encarado com seriedade e não como uma simples declaração de “amor à natureza”, o marketing ecológico representa uma reação das organizações mais socialmente responsáveis às expectativas da sociedade, por produtos e serviços que determinam menos impactos ambientais. É importante destacar, portanto, as funções de caráter geral marketing ecológico, são elas: a)informativa: fornecer informações ao consumidor sobre temas ambientais e os processos ecológicos envolvidos no processo produtivo;b)educativa: através do processo informativo, as pessoas adquirem maior conhecimento do processos ecológicos, que poderão utilizar no cotidiano e posicionar-se melhor como cidadão envolvido na proteção ambiental. c) estímulo a ações benéficas para o meio ambiente: por exemplo, adotar a destinação seletiva de lixo, separando o material reciclável. d) modificar comportamentos prejudiciais ao meio ambiente, como desperdício de água e energia; e) modificar valores da sociedade para aqueles que contemplem maior respeito ao meio natural. Por exemplo, campanhas de proteção de determinadas espécies ou de preservação das matas urbanas. (DIAS, 2007, p. 90) Ainda sim, Teixeira (2000) enfatiza o fato de sermos uma sociedade que ainda está aprendendo a valorizar o meio ambiente, torna-se difícil transplantar certos conceitos como o do marketing verde para nossa cultura, sendo de extrema importância esclarecer que o maior lucro do marketing ambiental vem em longo prazo, com a adoção da referida comunicação de atitude. Complementando, Valério (2005) observa que o marketing ecológico através de aliança entre os setores pode render criativas campanhas. No entanto, é visto como uma estratégia de oportunidade para atender demandas atuais e gerações futuras, a partir da consciência e da prática de ações ecologicamente aceita. A preservação das espécies e seus habitats naturais são considerados uma das formas de contribuição desse marketing. Muitas espécies estão em processo de extinção e, portanto, precisam ser poupadas. Nesse aspecto, Dias (2007, p. 89) relata que: o marketing ecológico pode adotar estratégias de diferenciação para produção e o produto com a empresa, atuando como agente de marketing social para influenciar na adoção, por parte dos consumidores, de um produto social ecológico (idéias, comportamentos, atitudes, valores, princípios etc.) e obter desse modo uma avaliação positiva de seus produtos. Isto pode ser obtido manifestando a sua preocupação pelo bem-estar coletivo, apoiando uma causa ecológica que não seja relacionada diretamente com sua atividade comercial como, por exemplo, patrocinando campanhas pela proteção de espécies ameaçadas de extinção, ou contribuindo para a O Marketing Ecológico e sua Contribuição para a Gestão do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara 39 preservação de ecossistemas ameaçados. Neste caso, a avaliação positiva da empresa poderá influenciar numa avaliação mais positiva para seus produtos. Logo, de acordo com Valério (2005) a preservação de espécies animais e vegetais quando o marketing ecológico é adotado por uma organização, pode ocorrer de duas formas. A primeira é quando durante a realização do serviço não seja causado danos a essas espécies ou pelo menos procurou minimizá-los. A segunda forma é quando a organização realiza ou patrocina um projeto com o objetivo de salvaguardar determinada espécie animal em extinção ou recuperar determinada área ambientalmente degradada. Assim, muitas empresas que apóiam projetos ecológicos dão preferência a áreas que possuem forte imagem e destaque na cidade, como os chamados cartões-postais, quando nem sempre estas áreas são as necessitadas. Não é raro constatar a existência de outras áreas, cujo estado de degradação se encontra em nível muito mais avançado e, portanto, carecendo urgentemente de serem recuperadas. Assim, a ligação do marketing ecológico com os demais temas apresentados (parques públicos, educação ambiental, a consciência ambiental nas empresas, marketing de atrações para visitantes) pode ser mais bem observada na figura 1 abaixo: FIGURA 1 – Organograma para a análise da relação entre o marketing ecológico com os demais temas da pesquisa. Empresas com responsabilidade ambiental MARKETING ECOLÓGICO Marketing de atrações para visitantes PARQUE ZÔOBOTÂNICO ARRUDA CÂMARA Parques Públicos Educação Ambiental O Marketing Ecológico e sua Contribuição para a Gestão do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara 40 A figura 1, portanto, mostra que o Parque Zôo Botânico Arruda Câmara é um Parque Público com uma estrutura adequada para a prática da educação ambiental, entretanto, como um meio para gerenciar esse local é viável a utilização da estratégia do marketing de atrações para visitantes, pois iria garantir através de uma análise do ambiente externo e interno que os benefícios oferecidos pela atração sejam claramente compreendidos pelos visitantes potenciais. No entanto, para o parque ser reconhecido como uma atração se torna necessário inicialmente a reforma e revitalização de sua estrutura. Logo, é através do marketing ecológico que se pode aumentar a receita, investir na infra-estrutura e atrair os visitantes (clientes) para o Parque. Tais mudanças e o desenvolvimento do marketing ecológico na Bica poderiam ser concretizados com o apoio do poder público e com parcerias com as empresas privadas. No sentido de que essas empresas passassem a contribuir com projetos ambientais que serve como uns dos requisitos para obter certificações e ainda pudessem anunciar seus nomes nas áreas revitalizadas pelas mesmas, como praças, piscina, placas, recintos, viveiros e teriam suas marcas reconhecidas diante o mercado como empresas preocupadas com o meio ambiente. Essa preocupação agrega um valor indescritível, sendo um diferencial competitivo. O Marketing Ecológico e sua Contribuição para a Gestão do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara 41 5. MÉTODO Em concordância com o objetivo do presente trabalho, verifica-se a necessidade da utilização do método como um ponto de partida para analisar o desenvolvimento e as possibilidades das contribuições dos temas específicos como: marketing ecológico, educação ambiental e parques públicos diante a realidade do mercado pessoense. Dessa forma, “o método nos leva a identificar a forma pela qual alcançamos determinado fim ou objetivo [...] o método é, portanto, uma forma de pensar para se chegar à natureza de determinado problema, quer seja para estudá-lo, quer seja para explicá-lo” (Oliveira, 1997, p. 57). Além disso, “se não houver utilização do método cientifico, a monografia ou o artigo não será considerado cientifico. A seção do método utilizada na investigação é, portanto, a parte mais importante do trabalho, pois é por meio dessas informações que outro cientista poderá ou não reproduzi-lo ou contestá-lo.” (Acevedo, 2006, p.45). 5.1. CARACTERIZAÇÃO DA PESQUISA Para caracterização deste trabalho de pesquisa será utilizada uma pesquisa de caráter multidisciplinar, envolvendo diferentes conceitos de administração, educação, marketing para buscar, em seguida, através de entrevistas, visualizar o contexto de vida social e cultural dos funcionários, dos clientes e da comunidade local, a fim de analisar a forma de utilização do Parque e a relevância do mesmo para o mercado paraibano. A respeito da pesquisa, Lakatos e Marconi (2001, p. 43) afirmam que: a pesquisa pode ser considerada um procedimento formal com método de pensamento reflexivo que requer um tratamento científico e se constitui no caminho para se conhecer a realidade ou para descobrir verdades parciais. Significa muito mais do que apenas procurar a verdade: é encontrar respostas para questões propostas, utilizando métodos científicos. De acordo com Dencker (1998, p.97), a pesquisa é definida como: a busca, indagação e investigação da realidade. No ambiente da ciência a pesquisa permite a elaboração do conhecimento ou de um conjunto de conhecimentos que nos ajude na compreensão da realidade e oriente nossa ação. O Marketing Ecológico e sua Contribuição para a Gestão do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara 42 A pesquisa utilizou uma abordagem tanto exploratória e qualitativa como também descritiva e quantitativa, e foi dividida nas etapas dispostos no Quadro 1 disposto a seguir: Quadro 1: Quadro das etapas da pesquisa. Primeira etapa: Segunda etapa: Terceira etapa: Quarta etapa: Pesquisa exploratória. Nesse contexto, foram consultados livros, monografias, dissertações, artigos publicados, sites da internet sobre a Bica e outros assuntos relacionados ao tema. Pesquisa de campo. Foram realizadas visitas no Parque no início do semestre de 2008 (Janeiro, Fevereiro), nas quais foram feitas as aplicações dos questionários para os visitantes, e os registros dos depoimentos, conseguindo informações que eles têm com relação ao Parque. Durante o mês de Março de 2008, foram realizadas as entrevistas com a bióloga do Parque, com o Chefe da Divisão de Zoológico e com o Diretor do Parque, Edilson Batista de Lima, ao mesmo tempo em que foram tiradas as fotos para o registro da situação atual da Bica. Foi feita uma análise dos dados obtidos com as entrevistas e questionários, relacionados com a pesquisa exploratória que, em seguida, obteve os resultados. Foi realizada a conclusão do trabalho, com as sugestões para a promoção do local. 5.2. CAMPO DE ESTUDO O trabalho de pesquisa foi realizado no Parque Zôo Botânico Arruda Câmara. O Parque está situado numa área de, atualmente, 17 hectares fazendo parte de uma reserva de Mata Atlântica, entre os bairros do Roger e Tambiá, a dois minutos do centro da cidade de João Pessoa. A área inicial do parque era de 36 hectares, que foi perdido pela ocupação desordenada do centro da capital paraibana. Foi inaugurado no dia 24 de Dezembro de 1922, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em 1941 e em Agosto de 1980 foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado da Paraíba (IPHAEP). Na realidade, a origem do parque data de 02 de Abril de 1831, quando a Fazenda Pública adquiriu junto ao vigário José Gonçalves de Medeiros pela quantia de 540$000 (Quinhentos e quarenta mil reis), 90 braças de um terreno onde existia uma fonte primitiva de O Marketing Ecológico e sua Contribuição para a Gestão do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara 43 madeira construída em 1782 à custa de donativos do povo, que abastecia de água a metade da população da cidade. Em 1889, na administração de Gama e Rosa a fonte foi reconstruída em pedra-sabão. Em 1922 foi restaurada na administração do prefeito Walfredo Guedes Pereira que ampliou e urbanizou o parque, através da aquisição da Fazenda Paul que ficava nas vizinhanças do parque e pertencia a viúva Balbina Varandas de Almeida, pela quantia de 1000$000 (um conto de reis) A partir daí, dotou-o com fauna e flora nativas, fundando o Parque Arruda Câmara. O parque popularmente conhecido como “Bica” em virtude de uma lenda que envolve a história de uma virgem indígena potiguar, chamada Aipré, que se apaixonou por um guerreiro Cariri, chamado tambiá, inimigo tribal. Tambiá foi ferido em uma batalha e, por sua valentia, recebeu as honras dos vencedores, que lhe concederam Aipré como esposa da morte. Após o casamento, Tambiá foi morto pelos parentes da índia que chorou durante 50 sóis e 50 luas. Do seu pranto teria nascido à fonte Tambiá. Foto 1:Fonte Tambiá localizada dentro do Parque Fonte: Pesquisa de campo (2008) O Parque presta homenagem à personagem importante da história paraibana. Manoel Arruda Câmara é natural de Pombal, na Paraíba, quando a mesma se encontrava agregada a Capitania de Pernambuco, e por isso também lhe disputava a naturalidade. Frade Carmelita, filósofo, médico formado pela Universidade de Montpellier, na França, que percorreu boa parte do nordeste, para, como botânico, pesquisar a flora brasileira firmando sobre ela admirável obra. Arruda Câmara publicou várias obras e ocupou a cadeira Nº. 02 da Academia Paraibana de Letras e a cadeira Nº. 09 do Instituto Histórico e Geográfico Paraibano (IHGP). Fundou em 1796 o famoso Areópago de Itambé, nas fronteiras da Paraíba com Pernambuco, associação secreta Centro-Maçônica, a primeira do norte do Brasil, a fim de propagar as idéias O Marketing Ecológico e sua Contribuição para a Gestão do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara 44 de liberdade. Não se tem data precisa, entretanto morreu provavelmente em 1810, como professor no Convento Carmelita com nome de Frei Manuel do Coração de Jesus. Com o passar do tempo, o parque foi se consolidando em estruturas físicas, tornando forma de zoológico. Em 1995, houve uma intensa reforma na área de lazer, com construções no lago das Cinco Fontes, onde hoje existem: pedalinhos, passeios de pôneis e charretes, qradriciclos, trenzinho e lanchonete. Foto 2: Lago das Cinco Fontes Fonte: Ricardo Amaral, coleção 1000 imagens da Paraíba, 2000. No dia 21 de Setembro de 1999, o parque recebeu o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (IBAMA) o registro oficial de zoológico, categoria “A”, tornando-se uma das melhores opções de lazer da cidade de João Pessoa. A área de recursos humanos do parque é composta por um quadro de 62 funcionários, incluindo cinco técnicos, sendo dois biólogos, um veterinário, um zootécnista e um agrônomo. No setor do zoológico, são doze tratadores. No setor de apoio são quatro secretarias. No setor de educação ambiental são cinco funcionários, sendo um efetivo e quatro estagiários. A estrutura física do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara conta com: - Jardim Zoológico: com 73 espécies de animais, classificados como aves, mamíferos e répteis, com um total de 455 indivíduos, segundo estatística realizada no mês de Dezembro de 2007 (ANEXO D). Esses animais são colocados em recintos fechados “estilo gaiola”, tanques e jaulas, de acordo com o porte animal. Existem cinco espécies de animais que estão na lista de animais em extinção, são eles: arara-azul-grande, jaguatirica, onça-pintada, urso de óculos, suçuarana. - Jardim Botânico: composto por Horto Municipal e Orquidário, administrado e mantido pela Secretaria de Desenvolvimento Urbano (SEDURB), onde são reproduzidas espécies de nossa fauna e distribuídas em forma de mudas. O Marketing Ecológico e sua Contribuição para a Gestão do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara 45 Foto 3: Orquidário do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara Fonte: Pesquisa de campo (2008) - Área de Lazer: com lanchonetes na entrada do parque e no Lago das Cinco Fontes, playground, local para piquenique, pedalinhos, passeios de pôneis, charrete, quadriciclos e trenzinho. Foto 4: Pedalinhos - Equipamentos de Lazer do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara Fonte: Pesquisa de campo (2008) - Museu de História Nacional: funciona há seis anos com mais de 250 peças entre animais empalhados, ossos e conservados em líquidos. O trabalho de taxidermia (empalhador de animais) é realizado pelos próprios técnicos do parque. Porém, é fechado durante os sábados e domingos. Foto 5: Peça do Museu – Serelepe, animal empalhado Fonte: Pesquisa de campo (2008) O Marketing Ecológico e sua Contribuição para a Gestão do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara 46 - Escola do Meio Ambiente: Aberto a visitação e os responsáveis vão até as comunidades, levando instruções sobre conservação e preservação do meio ambiente. Foto 6: Escola do Meio Ambiente localizada dentro do Parque Fonte: Pesquisa de campo, 2008. - Três trilhas ecológicas auto-guiadas: “Trilha do Horto Municipal” com 600 metros, “Trilha do Coreto da Natureza” com 900 metros e “Trilha da Ilha dos Macacos” com 100 metros. Foto 7:Trilha ecológica da Bica Fonte: Ricardo Amaral, coleção 1000 imagens da Paraíba, 2000. Existem também espaços que foram desativados há mais de três anos, como a piscina, creche e serviços terceirizados como o restaurante e a zooloja. Foto 8: Restaurante desativado dentro do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara Fonte: Pesquisa de campo (2008) O Marketing Ecológico e sua Contribuição para a Gestão do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara 47 Apesar de possuir uma grande diversidade de estrutura, a Bica enfrenta sérios problemas. Os principais problemas são de ordem política a partir da instabilidade, falta de uma promoção eficaz e diferenciada e a consciência da importância do meio ambiente. A infra-estrutura do parque precisa ser revitalizada. Durante a pesquisa verificou-se que os banheiros estão quebrados, o restaurante e a zooloja não está funcionando, os brinquedos do playground além de sujos, também estão quebrados e sem segurança. Além disto, a piscina não é mais utilizada, deixando os visitantes a desejar mais entretenimento e sendo uma área perigosa à saúde. O mesmo acontece com o Coreto e com a pracinha, na qual alguns bancos e mesas estão danificados. Foto 9: Pracinha do Parque em má conservação Fonte: Pesquisa de campo (2008) O descaso vem tomando conta também das trilhas que estão esburacadas sendo, portanto, um empecilho para aqueles que buscam no parque fazerem caminhadas e observar a natureza. Os recintos para os animais de grande porte foram recentemente reformados, porém os demais ainda estão degradados e falta espaço adequado para os bichos, especialmente para as aves. Foto 10: Recintos pequenos das aves do Parque Fonte: Pesquisa de campo (2008) O Marketing Ecológico e sua Contribuição para a Gestão do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara 48 O Lago das Cinco Fontes vem sofrendo impactos decorrentes dos esgotos clandestinos circunvizinhas ao Parque. Essa poluição aumenta ainda mais com o lixo que é jogado por toda a parte, mesmo tendo lixeiras espalhadas em todo o parque. Não bastando essa degradação, moradores do bairro do Roger estão utilizando parte do terreno do Parque Arruda Câmara como deposito de lixo. É presente na Ilha dos Macacos também a falta de vistoria e da consciência ambiental dos visitantes, pois alimentam os animais com alimentos impróprios e jogam lixo dentro da ilha. Foto 11:O Parque cercado por construções irregulares Fonte: Pesquisa de campo (2008) Outro exemplo de descaso do poder público no Parque que chama muita atenção é o completo abandono da Fonte de Tambiá. Verdadeiro referencial histórico e cultural de João Pessoa, a Fonte de Tambiá, que inspirou muitos poetas, não desperta mais atenção, e sua água que durante muitos anos foi utilizada para a população já não tem mais aspecto de água limpa devido à sujeira e ao lodo que se acumula no piso da fonte. Foto 12: Passagem da água da fonte pelo Parque Fonte: Pesquisa de campo (2008) O Marketing Ecológico e sua Contribuição para a Gestão do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara 49 No entanto, na atual gestão do parque, algumas medidas já foram providenciadas, como a manutenção das placas de sinalização e a melhoria da segurança do Parque que era tido como grande problema e muito delicado de ser resolvido, pois todo o Parque é cercado por construções irregulares e por favelas e o portão que limita a Bica era constantemente arrombado, então diante a esse aspecto de preocupação tanto dos funcionários como dos visitantes foram realizadas as soluções cabíveis: contratação de novos seguranças e construção de guaritas em locais estratégicos. Foto 13: Placas de sinalização revitalizadas Fonte: Pesquisa de campo (2008) Com relação aos serviços de educação, a Secretária do Meio-Ambiente (SEMAN) vem trabalhando com Unidades de Educação Ambiental com o intuito de conscientizar a população através de ensinos pedagógicos, sobre a importância de se preservar a fauna e a flora. Os serviços de educação oferecidos pela escola sobre o meio ambiente são destinados a comunidade local, mas também são oferecidos para as escolas estaduais e particulares, quando solicitam uma visita com seus alunos ao Parque. Existem vários projetos de revitalização do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara. No entanto, os entraves políticos são muitos. Quando existem projetos que dependem da liberação do governo, por exemplo, os mesmos são vetados, uma vez que o Governador do Estado da Paraíba, e o Prefeito da cidade de João Pessoa são de partidos políticos antagônicos. As descontinuidades dos projetos marcam a historia do Parque. Característica comum à política brasileira, muitas vezes os projetos voltados para a Bica são interrompidos com a mudança da gestão. Apesar desses entraves, o atual prefeito realizou um projeto que visava à recuperação de Praças, Parques, Canteiros e Avenidas em diversos bairros de João Pessoa. Esse projeto detinha de um valor global de R$3.473.789,09, e teve inicio em 16 de Agosto de 2006 e finalizou em 15 de Agosto de 2007, sendo visível a revitalização de algumas estruturas do O Marketing Ecológico e sua Contribuição para a Gestão do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara 50 Parque como a sinalização e alguns viveiros e o investimento na segurança. E, recentemente foi realizado o Concurso Público Nacional de Idéias para subsidiar um plano de reordenamento arquitetônico, urbanístico e paisagístico do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara. A execução do plano será realizada em etapas com o apoio do Governo Federal. 5.3. ETAPA EXPLORATÓRIA Para Selltiz apud (GIL, 1997, p. 114), as pesquisas exploratórias têm como objetivo: proporcionar maior familiaridade com o problema, com vistas a formá-lo mais explícito ou a constituir hipóteses. Pode-se dizer que estas pesquisas têm como objetivo principal o aprimoramento de idéias ou de intuições. Seu planejamento é, portanto, bastante flexível, de modo que possibilite a consideração dos mais variados aspectos relativos ao fato estudado. Na maioria dos casos, essas pesquisas envolvem: (a) levantamento bibliográfico; (b) entrevistas com pessoas que tiveram experiências práticas com o problema pesquisado; e, (c) análise de exemplos que estimule a compreensão. Nesse sentido, em consenso com a definição, a exploratória foi baseada nos levantamentos feitos em estudos bibliográficos e entrevistas com pessoas experientes no assunto. A partir da pesquisa qualitativa, com uma análise mais focada no conteúdo se conseguiu alcançar um conhecimento mais profundo dos casos específicos, sendo aproveitada para compreender e diagnosticar o patrimônio do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara. “A pesquisa qualitativa tem como objetivo situações complexas o estritamente particulares. A abordagem qualitativa envolve, entretanto, a uma série de leituras sobre o assunto da pesquisa”. (OLIVEIRA, 1997, p. 117) 5.3.1. Sujeitos da Pesquisa A entrevista foi realizada no início do ano de 2008 com o Diretor do Parque, Edilson Batista de Lima, com a bióloga do Parque, Helze Lins, e com o Chefe da Divisão do Zoológico, Thomaz Pires dos Santos Neto. 5.3.2. Instrumentos da Pesquisa O Marketing Ecológico e sua Contribuição para a Gestão do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara 51 Foram realizadas entrevistas padronizadas nos quais se utilizaram técnicas de observação direta intensiva e extensiva, com perguntas diretas, pessoais e abertas. “Entrevista significa uma comunicação verbal entre duas ou mais pessoas, com um grau de estruturação previamente definido, cuja finalidade é a obtenção de informações de pesquisa”. (DENCKER, 1998, p. 137). Nesse sentido, o objetivo das entrevistas foi obter as devidas informações sobre a Bica (histórico, infra-estrutura, projetos realizados, e ações pretendidas), como também conseguir dados relativos à “experiência íntima” dos profissionais envolvidos com o Parque. 5.3.3. Análise dos dados Para o tratamento dos dados foi utilizada a técnica de análise do discurso que segundo Gil (2006) consiste num conjunto de procedimentos de tabulação e organização de dados discursivos, sobretudo (mas não exclusivamente) daqueles provenientes de depoimentos orais. Esses procedimentos envolvem, basicamente, operações que obteve uma seleção das idéias centrais dos entrevistados que foram viáveis, portanto, para dar ênfase ao objetivo da pesquisa, a utilização do marketing ecológico para a gestão do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara. 5.4. ETAPA DESCRITIVA A pesquisa descritiva foi realizada através de técnicas padronizadas de coletas de dados como o questionário e a observação sistemática, e com o levantamento conseguiu obter uma descrição da situação do momento em que foi realizada a pesquisa, e por meio da análise quantitativa se obteve uma análise estatística dos dados e do assunto abordado. Para Oliveira (1997, p. 114) o trabalho descritivo procura: abranger aspectos gerais e amplos de um contexto social, como: salário e consumo, opiniões comunitárias [...] são processos de estudos que procuram abranger a correlação entre variáveis, fundamentais para as diversas ciências: direito, comunicação social, marketing, propaganda e outras, porque permitem controlar de forma simultânea, um grande número de variáveis e, por meio de técnicas estatísticas de correlação, especificar o grau pelo qual diferentes variáveis encontram-se relacionadas, dando ao pesquisador uma visão abrangente do modo como as variáveis O Marketing Ecológico e sua Contribuição para a Gestão do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara 52 estão ocorrendo [...] o processo ou os procedimentos para obtenção dos dados praticamente podem ser os mesmos da pesquisa quantitativa. Outro conceito é oferecido por Salomon (2001, p. 160): pesquisa descritiva: delineia o que é. Compreende: descrição, registro, analise e interpretação da natureza atual ou processo dos fenômenos. O enfoque se faz sobre condições dominantes ou sobre como uma pessoa, grupo, ou coisa se conduz ou funciona no presente [...]. “A abordagem quantitativa, conforme o próprio termo indica, significa quantificar opiniões, dados, nas formas de coleta de informações, assim como também o emprego de recursos e técnicas estatísticas desde as mais simples até as de uso mais complexo” (OLIVEIRA, 2001, p.115). 5.4.1. População e Amostra Para Lakatos e Marconi (2001), a descrição da população é o conjunto de seres animados ou inanimados que apresentam pelo menos uma característica em comum e a utilização da amostra só ocorre quanto à pesquisa não é censitária, ou seja, não abrange a totalidade dos componentes do universo, surgindo à necessidade de investigar apenas uma parte dessa população. Assim, de acordo com a com visitação semanal e de sábados que variam, respectivamente, entre 60 a 180 e de 400 a 800 visitantes dependendo dos períodos em alta, foi feita uma amostragem não-probabilística por conveniência de acessibilidade com 200 visitantes que foram analisados através de um questionário no decorrer dos primeiros dois meses de 2008, sendo divididos igualmente para os meses de Janeiro e Fevereiro, lembrando que Janeiro é incluído como um mês em alta e Fevereiro em baixa, já que este corresponde ao início das aulas escolares. As 100 entrevistas feitas em Janeiro foram divididas 30 para a sexta-feira e 70 para o sábado, e igualmente feito no mês de Fevereiro. Logo, foi utilizada uma amostra de 16,7% na sexta-feira e 8,75% no sábado do mês de Janeiro e 50% na sextafeira e 17,5% do mês de Fevereiro. “Entende-se por amostragem não-probabilística a possibilidade de se extrair um elemento do universo de forma totalmente aleatória e não especificada” (OLIVEIRA, 1997, p.161). Dessa forma, para Malhotra (2001), a amostra por conveniência é a técnica de amostragem não-probabilística deixada a cargo do pesquisador para selecionar os membros da O Marketing Ecológico e sua Contribuição para a Gestão do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara 53 população mais fáceis e disponíveis, de quem obterá as informações, obtendo resposta rápida e a baixo custo, tendo em vista as limitações existentes tanto de tempo quanto financeiras. 5.4.2. Instrumentos da Pesquisa De acordo com Lakatos e Marconi (2001), as técnicas correspondem à parte prática de coleta de dados. Apresentam duas grandes divisões: documentação indireta e documentação direta. Esta última subdivide-se em: observação direta intensiva, com as técnicas da observação e entrevista, e a observação direta extensiva, com as técnicas de questionário, testes, história de vida, pesquisa de mercado, entre outros. Foram utilizados questionários estruturados com os visitantes (clientes), em que foi utilizada a técnica de observação direta extensiva, com perguntas diretas, pessoais e fechadas. “O questionário é constituído por uma série de perguntas que devem ser respondidas por escrito e sem a presença do pesquisador [...] História de vida tenta obter dados relativos à “experiência íntima” de alguém que tenha significado importante para o conhecimento do objeto em estudo” (LAKATOS; MARCONI, 2001, p.107). Nesse sentido, o objetivo dos questionários aplicados foi de identificar se o Parque é considerado um potencial mercadológico, qual o tipo de sua demanda, e a opinião dos visitantes quanto a uma possível aplicação do marketing ecológico na Bica. 5.4.3. Análise dos dados A análise dos questionários foi baseada no tratamento estatístico. Com relação ao tratamento estatístico, Lakatos e Marconi (2001) afirma que: os dados colhidos pela pesquisa apresentar-se-ão “em bruto”, necessitando da utilização da estatística para seu arranjo, análise e compreensão. A estatística não é um fim em si mesmo, mas um instrumento poderoso para a análise e interpretação de um grande número de dados, cuja visão global, pela complexidade, torna-se difícil. Nesta etapa do projeto de pesquisa deve-se explicitar que medidas estatísticas utilizará. As principais medidas descritivas são: medidas de posição; medidas de dispersão; comparação de freqüência: razão, proporção, percentagem, taxaz, etc.; e, apresentação dos dados: série estatística, tabelas ou quadros, gráficos etc. O Marketing Ecológico e sua Contribuição para a Gestão do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara 54 Assim, através dessa análise foram utilizadas medidas da estatística descritiva com as comparações de freqüências e a apresentação dos dados com gráficos. Dessa forma, houve a possibilidade de se chegar a um desfecho com relação à pesquisa realizada. O Marketing Ecológico e sua Contribuição para a Gestão do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara 55 6. ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS RESULTADOS Uma vez estruturada a parte teórica, procura-se neste capítulo analisar os dados obtidos, através da pesquisa de campo com os visitantes, diretor e funcionários do Parque Zôo Botânico Arruda. A finalidade básica a que se propõe analisar o estudo consiste em conhecer o perfil do visitante do local, fazer um levantamento da infra-estrutura e potencial natural e cultural do Parque, como também identificar as ferramentas de marketing utilizadas atualmente pela sua gestão, sendo estes alguns dos objetivos específicos do deste trabalho. Os dados pesquisados no Parque foram obtidos através da aplicação de um questionário estruturado com questões fechadas e abertas, respondidos por duzentos visitantes e através de entrevistas de modo informal com o diretor e dois funcionários, que estavam habilitados a fornecerem as informações necessárias para a elaboração dos resultados que estão aqui apresentados. 6.1. PESQUISAS COM VISITANTES Na pesquisa realizada foi importante identificar e, ainda, comparar entre os visitantes a quantidade de turistas e de pessoas pertencentes à comunidade local que o Parque Zôo Botânico Arruda Câmara recebe. De acordo com essa análise, iniciamos a entrevista perguntando a cidade de origem de cada visitante. GRÁFICO 1: Cidade de origem dos visitantes do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara Fonte: Pesquisa de Campo (2008) O Marketing Ecológico e sua Contribuição para a Gestão do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara 56 Com o resultado deste questionamento podemos verificar grande maioria (84,5%) das pessoas que visitam o Parque são da própria cidade de João Pessoa. Verificou-se também que o Parque é visitado por pessoas de cidades vizinhas como é o caso de Cabedelo (9,5%) e Santa Rita (5%) e por pessoas de Estados próximos como Sergipe (1%). A Tabela 1 a seguir apresenta a distribuição do número de visitantes por cidade de origem. Tabela 1: Cidades de origem Cidade João Pessoa Campina Grande n 169 0 % 84,5 0 Cabedelo 19 9,5 Santa Rita 10 5 2 1 200 100 Sergipe Total Fonte: Pesquisa de campo (2008). GRÁFICO 2: Faixa etária dos visitantes do Parque Fonte: Pesquisa de Campo (2008) Também durante a pesquisa foi importante analisar a faixa etária dos visitantes e de acordo com o resultado exposto no gráfico 2 acima, percebemos que o Parque é um local que recebe uma diversidade de faixa etária, um local que agrada a todos. Foram feitas pesquisas O Marketing Ecológico e sua Contribuição para a Gestão do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara 57 com pessoas 10 a 20 anos (22%), 20 a 30 anos (31%), 30 a 40 anos (34,5%) e acima de 40 anos (12,5%). Vale ressaltar que foram entrevistadas pessoas entre 30 a 40 (34,5%) ou acima (12,5%) que estavam na companhia de seus filhos ou familiares mais jovens com faixa etária de ate 10 anos. Tabela 2: Faixa etária dos visitantes Faixa etária n Até 10 anos 0 % 0 11 a 20 anos 44 22 21 a 30 anos 62 31 31 a 40 anos 69 34,5 Acima de 41 anos 25 12,5 Total 200 100 Fonte: Pesquisa de campo (2008) A Tabela 2 exposta apresenta a distribuição das faixas etária dos visitantes do Parque e observa-se que a faixa etária de até 10 anos não apresenta nenhum número, isso se deu pelo fato de que de essas pessoas não quiseram se submeter aos questionários. GRÁFICO 3: Freqüência dos visitantes no Parque Fonte: Pesquisa de Campo (2008) O Marketing Ecológico e sua Contribuição para a Gestão do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara 58 Durante a pesquisa foi constatado que uma quantidade moderada de pessoas costuma visitar o Parque mensalmente (19%). Poucas as pessoas que afirmaram visitar o local anualmente (9,5%) e um número ainda mais reduzido de visitantes relataram estar pela primeira vez (9%), sendo, essa percentagem, uma visível conseqüência da falta de divulgação do Parque e de uma promoção eficaz para atrair novos visitantes. Entretanto, pessoas que visitam o Parque semanalmente (12,5%) têm motivos declarados de amor à natureza ou que moram muito próximo ao local e costumam procurar um lugar tranqüilo para descansar ou está em fuga da vida agitada do centro da capital. O Parque recebe muitas pessoas que costumam ir apenas eventualmente (50%), constatando no gráfico 3 a metade de sua visitação total. Assim, podemos constatar que os principais visitantes são crianças acompanhadas de seus pais ou em excursão escolar. O tempo de permanência é apenas de um turno, pois de acordo com um relato de um visitante “a Bica não tem opções de lazer de longa permanência, procuramos olhar os poucos animais, levar as crianças para fazerem passeios de pônei e padalinhos e termina o passeio, restaurante e piscina estão abandonados não contribui para permanência!”. A Tabela 3 apresenta os dados relativos à freqüência de visitação no Parque. Tabela 3: Freqüência de visitação Freqüência n 1ª vez 18 % 9 Semanalmente 25 12,5 Mensalmente 38 19 Anualmente 19 9,5 Eventualmente 100 50 Total 200 100 Fonte: Pesquisa de campo (2008) O Marketing Ecológico e sua Contribuição para a Gestão do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara 59 GRÁFICO 4: Pretensão dos visitantes em retornar ao Parque Fonte: Pesquisa de Campo (2008) De acordo com o gráfico 4, após a pesquisa realizada obtive o resultado de que os visitantes pretendem voltar a visitar o Parque (97%), apenas uma pequena parcela não retornaria (3%), alegando como motivos a má conservação do parque, e caso o local venha a melhorar, sendo um atrativo de boa qualidade haveria um retorno sim. GRÁFICO 5: Atrativos que mais chama a atenção dos visitantes do Parque Fonte: Pesquisa de Campo (2008) Em conformidade com os dados obtidos durante a pesquisa e expressos no gráfico 5 acima, constatamos que a natureza é o atrativo do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara que mais chama a atenção dos seus visitantes. “É uma maravilha ter contato com essa natureza linda no meio de um centro agitado da cidade. Temos esse privilégio!” (Depoimento em entrevista). O Marketing Ecológico e sua Contribuição para a Gestão do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara 60 Os animais são também fortes atrativos (32%), chamam a atenção tanto das crianças quanto dos adultos, os quais se divertem observando as particularidades de cada animal. A tranqüilidade foi colocada para os visitantes como um atrativo importante (25%). Em relação à área de lazer, verificamos que apesar de este representar um atrativo significativo, sofre da falta de manutenção e em conseqüência disso, uma pequena parcela de visitantes (6%) o indica como forte atrativo. E, vale ressaltar que dentre os visitantes que indicaram a natureza como o atrativo que mais chama a atenção enfatiza que o mais importante do parque é o conjunto formado pela natureza, patrimônio histórico, o bem-estar do ar puro, observar os animais com prazer e o espaço do lazer. Na tabela 4 os números de visitantes são expressos com detalhe diante ao questionamento observado no gráfico 5, e revela que nenhuma pessoa optou por outro atrativo além dos mencionados. Tabela 4: Atrativos do Parque Atrativos Natureza n 74 % 37 Animais 64 32 Área de lazer 12 6 Tranqüilidade 50 25 0 0 200 100 Outros Total Fonte: Pesquisa de campo (2008) GRÁFICO 6: Aspectos que desagradam os visitantes no Parque Fonte: Pesquisa de Campo (2008) O Marketing Ecológico e sua Contribuição para a Gestão do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara 61 A pesquisa foi realizada em um período de pós - manutenção dos de alguns viveiros e recintos dos animais de grande porte. A foto 14 revela essa nova situação. Foto 14: Recinto reformado recentemente Fonte: Pesquisa de campo (2008) Mesmo diante desse fato e de acordo com o gráfico 6, uma grande quantidade do visitantes (31%) coloca o tratamento dos animais como o mais que desagrada na visita, relatam que os poucos animais que existem no Parque não recebem um bom tratamento, vivem em recintos inadequados, e outros colocam que o parque não possui uma grande variedade de animais. “É lamentável o tratamento dos animais neste zoológico, deveria existir uma melhor fiscalização, pois os animais vivem em recintos escondidos e inadequados, alem disso estão se alimentando inadequadamente, faz tempo que os próprios funcionários levam para casa o alimento que o parque recebe como frutas e carnes. Isso é uma vergonha!” (Depoimento de um entrevistado). A falta de limpeza e higiene é descrito como o aspecto que mais desagrada os visitantes (37,5%), pois a sujeira é visível em toda a extensão do parque, com lixos jogados no meio da natureza, ou perto dos animais e esgotos abertos com o aroma desagradável que traz a sujeira da comunidade circunvizinha. Verificou-se que outro aspecto que desagrada é a estrutura da área de lazer que a Bica oferece (9,5%), sendo percebível que a bica precisa de mais investimento para melhorar e manter suas estruturas já existentes. A segurança do parque vem sendo melhorada nos últimos tempos, por esse motivo poucos visitantes relatam como sendo um aspecto que desagrada durante o passeio (3%). “O visitante antes não costumava visitar o Parque sozinho, precisavam ir acompanhadas para sentirem mais protegidas. Hoje considero este lugar uma área de lazer, com tranqüilidade e o único lugar da cidade com a natureza exposta e que podemos se sentir mais segura, sem violência!” (Depoimento de um entrevistado) O Marketing Ecológico e sua Contribuição para a Gestão do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara 62 Muitas pessoas declararam que outros motivos desagradam os visitantes (19%), dentre eles, alguns declararam que nenhum aspecto desagradou (12,5%), outros mencionaram a falta de divulgação (2,5%) que costuma ser de grande importância para qualquer atrativo, e a falta de manutenção (4%). Tabela 5: Aspectos negativos do Parque Aspectos n Segurança 6 % 3 Limpeza e higiene 75 37,5 Tratamento dos animais 62 31 Lazer e recreação 19 Outros 38 19 200 100 Total 9,5 Fonte: Pesquisa de campo (2008) Na tabela 5 foram detalhados os números de visitantes correspondentes aos aspectos que mais lhe desagradaram durante a visita ao Parque. GRÁFICO 7: Estruturas do Parque que necessitam de reformas Fonte: Pesquisa de Campo (2008) Em consonância com o Gráfico 7 é possível notar que existe uma diversidade de estruturas destacadas pelos visitantes do parque como necessárias de reforma. No entanto, é relevante informar que foram revitalizadas recentemente as sinalizações, por esse motivo não O Marketing Ecológico e sua Contribuição para a Gestão do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara 63 foram relatadas nenhuma crítica quanto à necessidade de reforma a essa estrutura, como também não foram mencionadas a Escola do Meio Ambiente, que vem funcionando normalmente, e o Orquidário. As estruturas mais destacadas pelos visitantes que necessitam de uma reforma em curto prazo foram os viveiros (32%), em seguida, as áreas de lazer com o playground, praças, piscinas e as trilhas (21%) e, logo em seqüência, os quiosques (11%). Em relato, a entrevistada diz que ficou indignada ao deparar com os viveiros, observando que são muito pequenos, afetando a vida dos animais, destacando principalmente as aves não tem liberdade suficiente para voar. Algumas pessoas citaram o Museu (4%), pois é uma estrutura que pode ser mais aproveitada principalmente para fins educativos e outras propuseram outras opções (8%), pois analisaram durante o passeio que todas as estruturas estavam precisando de uma reforma. Em contrapartida, algumas visitantes destacaram que o Parque não precisava de nenhuma reforma (3%), relatando que o local atendia bem as expectativas. Logo, na tabela 6 é possível verificar com mais detalhe o número de visitantes correspondente a cada estrutura que foi optada durante a pesquisa. Tabela 6: Estruturas do Parque Estruturas Sinalização n 0 % 0 Trilhas 42 21 Viveiros 64 32 Quiosques 22 11 Áreas de lazer (playground, praças, Piscina) Orquidário 42 21 0 0 Escola do Meio Ambiente 0 0 Museu 8 4 Nenhum 6 3 16 8 200 100 Outros Total Fonte: Pesquisa de campo (2008). O Marketing Ecológico e sua Contribuição para a Gestão do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara 64 GRÁFICO 8: Opinião dos visitantes sobre a infra-estrutura do Parque (banheiros, bares, restaurantes, equipamentos de lazer) Fonte: Pesquisa de Campo (2008) De acordo com os dados obtidos durante a pesquisa e expressos no gráfico 8 acima, podemos concluir que a maioria (47%) dos visitantes da Bica considera regular a infraestrutura de apoio e lazer do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara. A outra parcela declarou como boa (12,5%), ruim (28%) e péssima (12,5%). Os aspectos mais criticados foram: ausência da manutenção dos banheiros, brinquedos, o estado precário dos bancos e mesas presentes na área de lazer e o abandono do restaurante que serviria de apoio para os visitantes. Podemos observar que nenhum entrevistado classificou a infra-estrutura do parque como ótima. “Opinião sobre a infra-estrutura do parque? Ótima ou péssima? Aqui existe alguma infra-estrutura?” (Questionamento feito pelo entrevistado). Tabela 7: Satisfação quanto à infra - estrutura Opinião n Ótima 0 % 0 Boa 25 12,5 Regular 94 47 Ruim 56 28 Péssima 25 12,5 Total Fonte: Pesquisa de campo (2008) 200 100 O Marketing Ecológico e sua Contribuição para a Gestão do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara 65 Na tabela 7 delineada acima, obteve o número correspondente ao de visitantes que opinaram sobre a situação atual infra-estrutura do Parque. GRÁFICO 9: Opinião dos visitantes quanto ao aproveitamento do Parque Fonte: Pesquisa de Campo (2008) Na pesquisa realizada, observamos o descontentamento das pessoas quanto ao não aproveitamento do local. Todos os visitantes entrevistados (100%) declararam que o parque é uma ótima opção de lazer, com natureza exposta, um lugar bonito e cheio de estrutura de lazer que falta serem reativados e posteriormente divulgado para ser considerado um grande atrativo de João Pessoa. Logo, um número exuberante considera a bica um atrativo potencial, mas sofre de abandono e a falta de investimento em divulgação não atrai novos visitantes isso faz com que o Parque Zôo Botânico Arruda Câmara fique estagnada, recebendo um numero insuficiente de visitantes. GRÁFICO 10: Opinião dos visitantes em considerar a Bica como atrativo para as comunidades locais e turistas Fonte: Pesquisa de Campo (2008) O Marketing Ecológico e sua Contribuição para a Gestão do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara 66 A maioria dos entrevistados (94%) considera o Parque Zôo Botânico Arruda Câmara um atrativo para a comunidade local e turistas. A natureza é apontada como o maior potencial do parque, permitindo que os visitantes sintam a tranqüilidade e consigam por algum tempo fugir da agitação e do estresse da cidade. Esta busca por um local bonito, agradável e tranqüilo tem impulsionado muitas pessoas a visitarem a Bica. “Este Parque é um local belo, de natureza exposta e com a Mata Atlântica acessível, isso é ser um ótimo atrativo” (Depoimento de um entrevistado). Observamos nos relatos dos entrevistados que pelo fato da Bica ser considerada um local com potencialidade ocorre devido à presença de atrativos naturais, culturais, históricos e de entretenimento e pela sua natureza tranqüila, essa diversidade traz um diferencial. “João Pessoa falta opção de lazer, e a Bica oferece algo a mais”, (Relata um entrevistado). Entretanto 6% dos entrevistados não consideram o Parque um atrativo turístico. “Aqui não oferece tudo aquilo que os visitantes precisam, principalmente os turistas!”(Depoimento em entrevista). O fator é indicado pela ausência de uma infra-estrutura adequada no Parque, esse aspecto é colocado como o que mais incomoda os visitantes. É importante explicar que esses entrevistados ao falarem da infra-estrutura referiam-se tanto a criação de novos equipamentos para o lazer, como também a reativação ou melhoria e limpeza dos equipamentos já existentes como os banheiros, restaurantes, playground. “Não considero esse Parque um atrativo para comunidade e nem para o turismo, mas ele tem grande potencial, poderia ser um atrativo após a organização de toda sua estrutura” (Relata um dos entrevistados). GRÁFICO 11: Opinião dos visitantes em relação ao desenvolvimento de um programa de Marketing Ecológico no Parque Zôo Botânico Arruda Câmara Fonte: Pesquisa de Campo (2008) O Marketing Ecológico e sua Contribuição para a Gestão do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara 67 Ao questionar a respeito de um possível desenvolvimento de um programa de marketing ecológico na Bica, através das ações de empresas preocupadas com o meio ambiente e com o aspecto social, no sentido de que essas ajudassem na revitalização do Parque em troca de divulgação, a maioria dos visitantes (87,4%) achou que seria um programa muito viável. Esse programa traria segundo os mesmos, muita ajuda para a Bica. Esse grande percentual de visitantes que apoiaram a idéia afirmou que o Parque precisa desenvolver projetos que tragam retorno financeiro, ajudando na manutenção e desenvolvimento de novos equipamentos de lazer para atrair e manter os visitantes, deixando de ser uma atração estagnada. “Com certeza, o desenvolvimento do programa é oportuno, pois na cidade em que resido, Aracajú, programas parecidos como revitalização de praças pelas empresas em troca de divulgação e isenção de impostos já tem sucesso”. (Depoimento de uma turista no Parque). “Qualquer projeto é viável para este local, cito exemplos como, um pesque e pague ou a reutilização do restaurante, isso traz mais renda e investimento para o parque, outra idéia seria a utilização de universitários como guias turísticos”. (Relato de um entrevistado). Entretanto, alguns entrevistados (12,5%) não consideraram adequada a utilização do programa do marketing ecológico, no sentido de que a divulgação das empresas nas estruturas do Parque poderia causar uma poluição visual, e outras pessoas ainda relataram que as empresas privadas não são confiáveis de parcerias pelo fato de visarem muito o lucro e não procurar cumprir de maneira digna seus acordos. GRÁFICO 12: Possibilidade do sucesso na criação de uma colônia de férias na Bica para crianças e jovens, visando à conscientização ambiental através da ajuda de empresas Fonte: Pesquisa de Campo (2008) O Marketing Ecológico e sua Contribuição para a Gestão do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara 68 Na pesquisa realizada e em concordância o gráfico 12 descrito acima, a maioria dos entrevistados (91%) avalia como satisfatório a possibilidade do sucesso na criação de uma colônia de férias na Bica, através da ajuda de empresas. Na opinião de alguns visitantes esse projeto de colônia seria uma forma das crianças e pequenos jovens interagirem mais com a natureza, aprendendo a ter mais consciência e preservar melhor o ambiente em que vive ao mesmo tempo em que sai da rotina praticando a diversão ecologicamente aceita. Além de dar oportunidades de divertimento diferenciado para aqueles que não detêm de condições financeiras suficientes para pagar programas semelhantes. “Seria uma novidade para as crianças e sairia da rotina, conservando o meio ambiente e aproveitando o desenvolvimento sustentável.” (Depoimento de um entrevistado). Diante disso, verificamos que uma colônia de férias seria viável para aguçar nos jovens adquirir uma cultura ecológica, o prazer de conhecer e valorizar o ambiente natural, cultural e histórico no qual eles estão inseridos. “Essa colônia seria uma renda a mais, traria mais investimento, limpeza e organização”. (Depoimento em entrevista). Apenas uma pequena parcela dos visitantes (9%) não achou adequado o desenvolvimento de uma colônia de férias no parque, defendendo a idéia de que o parque além de não ter estrutura suficiente, só serve para visitas, contemplação da natureza e lazer das crianças, não servindo para programas que a colônia tem a oferecer. 6.2. ENTREVISTA COM O DIRETOR DO PARQUE Durante a pesquisa de campo para a concretização desse trabalho, foi realizada uma entrevista informal com o Diretor do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara, Edilson Batista de Lima que ocupa o cargo desde Janeiro de 2006. Durante a conversa, também foram prestadas diversas informações importantes e enriquecedoras que será descritas a seguir. Inicialmente, o Diretor fez um breve comentário sobre como é feito a manutenção e proteção do Patrimônio Histórico da Bica, na qual constatou que a área não recebe a proteção que realmente necessita, ressaltando vem mantendo contato com o IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), mas que no momento não houve nenhum retorno. No entanto, Edilson faz uma ressalva que está à espera de uma reforma, que toda a reestruturação do Parque, inclusive do patrimônio histórico da Bica, está inserida no Projeto O Marketing Ecológico e sua Contribuição para a Gestão do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara 69 do I Plano de ordenamento arquitetônico, urbanístico e paisagístico do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara. O projeto em andamento foi o escolhido através do Concurso Público Nacional de Idéias, e teve como vencedor o arquiteto pessoense Marcos Aurélio Pereira Santana. Porém, lembra que a obra será realizada em etapas, mas que a prefeitura já recebeu as verbas necessárias do Governo Federal. Em seguida, o Diretor comentou sobre o Museu da História Nacional e afirmou que não considera a área um Museu, afirmando que é uma apenas uma sala com poucas peças destinada a para fins educativos. Com relação à Escola do Meio Ambiente, Edilson Batista, menciona que é um museu-escola e pertence à Secretaria do Meio Ambiente (SEMAM), que atualmente é aberta para visitação e desenvolve atividades educativas junto à comunidade, durante as segundas-feiras com aulas teóricas, tendo como objetivo ensinar conceitos sobre a educação ambiental e durante as quartas-feiras com atividades práticas ligadas ao mesmo tema. O Diretor explana que possui liberdade para atuar no Parque, porém tem que adir de acordo com a ética, buscando sempre o melhor e ir de encontro com as diretrizes do Meio Ambiente, lembrando que está estudando um meio de inserir a área do Parque como uma Unidade de Conservação para com isso, buscar melhorar e proteger ainda mais o local. Segundo Edilson Batista, o maior problema enfrentado pelo Parque é o aspecto visual, com diversas áreas desativadas e recintos que não recebem a limpeza necessária. Quanto à segurança, o Diretor está bastante satisfeito, pois por meio de um trabalho intensivo preventivo através de construções de guaritas, trabalho de conscientização com a comunidade circunvizinha e algumas mudanças dos quadros dos seguranças vêm conseguindo diminuir o número de ocorrências, relatando que antes de ocupar o cargo já foram feitas em média 90 ocorrências com 61 detidos, nível bastante alto, e no ano de 2006 foram feitas 08 ocorrências, em 2007 apenas 02 e no decorrer deste ano de 2008, não foram relatadas nenhuma ocorrência. O Diretor deu a informação de que a média de visitação anual é de 110 a 120 mil pagantes, a média de visitação mensal é de 7.500 chegando até 10 mil pagantes em meses de alta, e durante a semana a visitação varia entre 60 a 180, nos sábados entre 400 a 800 e aos domingos o Parque recebe uma visitação entre 800 a 1500 pagantes, e vale considerar que crianças até sete anos, policiais, idosos e funcionários públicos não pagam. Finalizando, o diretor comentou sobre os programas realizados no Parque, mencionando sobre o Projeto Verde para o Mundo, com a plantação de 350 mudas em toda extensão do local, e o programa de alfabetização dos funcionários através de um trabalho voluntário. Ainda afirmou que considera oportuno inserir um projeto de Marketing Ecológico O Marketing Ecológico e sua Contribuição para a Gestão do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara 70 no Parque, que receber ajuda de empresas seria bastante vantajoso para ambos. Edilson Batista ainda comenta sobre a importância que seu cargo ocupa na sua vida pessoal, expondo ter uma forte preocupação com o Parque, procurando sempre realizar um trabalho eficaz, de acordo com a ética e, conseqüentemente, tentar inserir programas que irá ajudar a reativar o local que considera de beleza exuberante. 6.3. ENTREVISTA COM A BIÓLOGA DO PARQUE Na pesquisa de campo, foi feita uma entrevista informal com a bióloga Helze Lins, funcionária a 20 anos do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara. Foram apresentadas diversas informações importantes com relação a sua visão da situação atual do Parque. Inicialmente, a bióloga falou sobre a história e a lenda que envolve o Parque. Ao citar a lenda, ela comentou que existem cinco fontes subterrâneas e apenas uma delas é construída para a parte externa com o monumento na área do Parque. Essas fontes são utilizadas para abastecer toda a Bica através de uma bomba de gravidade e deságuam no Lago, por isso o nome “Lago das Cinco Fontes”. Em seguida, a bióloga comentou sobre o Museu da História Natural, que tem como objetivo servir de subsídio ao aprendizado dos visitantes, em especial para os alunos que vêem com suas escolas, porém não é utilizado como museu científico. Além disso, lá existem os animais empalhados que servem para os deficientes visuais, criando oportunidades de conhecer os animais através de toques. Segundo a bióloga, a escola do Meio Ambiente apenas vem trabalhando com a comunidade adjacente, com o intuito de tentar sensibiliza-los sobre a importância de preservar o ambiente, que estava sendo tratado como “fundo da casa”. Os programas que a escola do Meio Ambiente oferecia, com palestras, vídeos, e passeios com os alunos das escolas municipais foram cancelados com a nova gestão, por motivos de priorizar os investimentos em pontos críticos do Parque. A cada gestão de novos prefeitos são criados mais recintos de animais, fazendo com que o Parque crescesse desordenadamente, sem um controle adequado do local onde seriam instalados e do tamanho adequado para cada recinto, dependendo apenas do porte do animal. A bióloga espera que o novo Plano que se pretende realizar seja concretizado, pois nele foram descritos todas as carências e os pontos fracos do Parque. No momento, foram O Marketing Ecológico e sua Contribuição para a Gestão do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara 71 reestruturados alguns pontos críticos do Parque, setor dos felinos e reformas de alguns viveiros. Quanto à flora, podemos encontrar várias espécies de plantas e contemplar a grande concentração de Palmeiras Imperial. No Plano, pretende-se diminuir o acesso ao meio natural, a fim de preservar mais o ambiente. A bióloga comenta que a segurança era tida como o maior problema enfrentado na Bica, pelo fato da área ser grande com 17 hectares a quantidade de guardas era insuficiente, mas hoje a realidade é diferente. A falta de investimento em mão-de-obra é o problema que mais lhe chama atenção, principalmente para a manutenção e limpeza, e chama a atenção que nos recintos trabalham doze tratadores, enquanto que na extensão do Parque são apenas oito tratadores e com idade avançada. Com relação a programas já desenvolvidos no Parque, que visa ajudar a receita, a bióloga comenta sobre o Projeto “Adote um Animal”, que buscavam o patrocínio de empresas para a manutenção dos recintos, e não precisa da contribuição com alimentos, já que são bem abastecidos, e em troca divulgavam a empresa por meio de propagandas. Entretanto, esse programa foi esquecido na gestão atual. 6.4. ENTREVISTA COM O CHEFE DA DIVISÃO DO ZOOLÓGICO DO PARQUE No decorrer da pesquisa de campo, foi imprescindível colher informações com o chefe da divisão do zoológico do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara, Thomaz Pires, pois traria informações necessárias sobre como é feito o tratamento dos animais na Bica. Primeiramente, Thomaz informou que atua no Parque há dois anos e meio e trabalha com uma equipe composta de doze tratadores de animais, dentre eles possui três para trabalhar na cozinha com a alimentação dos animais. Trabalha em equipe com mais quatro técnicos: uma veterinária, um zootécnista e dois biólogos, sendo um deles a entrevistada Helze Lins. Com relação ao trabalho feito com os animais, o chefe relata que todos os dias os tratadores estão nos recintos cuidando da limpeza e alimentação. Quanto à alimentação, Thomaz Pires expõe que é feito a base de frutas, carnes, rações, presas vivas e a quantidade disposta ao Parque é satisfatória, pelo fato de ser adquirida anualmente através de licitação. Em seguida aborda sobre a manutenção dos recintos, destacando que foram feitas recentemente reformas nos recintos dos animais de grande porte, O Marketing Ecológico e sua Contribuição para a Gestão do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara 72 e planejava outras reformas, mas no momento considera melhor esperar para a realização do Plano de ordenamento para não continuar com o crescimento desordenado tão aparente no Parque. O chefe ainda informa que o Parque Zoológico conta com 72 espécies e entre eles estão 455 indivíduos, como mostra a relação de animais do Parque (ANEXO B), cedido pelo mesmo durante a entrevista. O Marketing Ecológico e sua Contribuição para a Gestão do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara 73 7. CONCLUSÃO O levantamento dos dados realizados com os visitantes, diretor e funcionários do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara, permitiu-nos o conhecimento sobre a contribuição do marketing ecológico para a Gestão do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara. As pesquisas foram realizadas nos primeiros meses do ano de 2008. Os questionários foram aplicados aos visitantes do Parque nos meses de janeiro e fevereiro e as entrevistas com o diretor e os funcionários no mês de março. O objetivo do estudo foi analisar a viabilidade de utilização do marketing ecológico como ferramenta promocional para o Parque Zôo Botânico Arruda Câmara. Após a análise e interpretação dos resultados pôde-se formular algumas conclusões que poderão ser úteis para a utilização da ferramenta promocional do marketing ecológico no Parque. Com relação às cidades de origem dos visitantes nos permitiu concluir que o Parque Zôo Botânico Arruda Câmara apesar de todo seu potencial natural, histórico e cultural ainda não recebe uma boa quantidade de turistas, uma vez que 84,5% dos seus visitantes são moradores locais. Em seguida, foram feitas pesquisas correspondente à faixa etária dos visitantes e, percebemos que o Parque é um local que recebe uma diversidade de pessoas com idades diferentes, um local que agrada a todos, concluímos, portanto, que o Parque atrai uma diversidade de publico, um lugar que oferece múltiplas qualidades como tranqüilidade, alegria, etc. No entanto, podemos constatar que os principais visitantes são crianças, pois durante a pesquisa foi observado que a maioria estava acompanhada de seus pais ou em excursão escolar. No entanto, com base em relatos feitos pelos visitantes, o tempo de permanência é apenas de um turno, e a ainda, constatou-se que a metade deles vão ao parque apenas eventualmente (50%), existindo poucas visitas pela primeira vez (9%), o que demonstra a falta de divulgação da atratividade. A grande maioria dos visitantes (97%) declarou que pretendem retornar ao local. No entanto, torna-se importante que o Parque Zôo Botânico Arruda Câmara tenha uma infraestrutura que atenda às necessidades dos seus visitantes, já que tendo suas expectativas atendidas o público provavelmente voltará a visitar a Bica. Em conformidade com os dados obtidos durante a pesquisa constatamos que a natureza (37%) foi o atrativo do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara que mais chamou a O Marketing Ecológico e sua Contribuição para a Gestão do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara 74 atenção dos seus visitantes. Outro forte atrativo foram os animais (32%) pelo fato de chamar tanto a atenção das crianças quanto dos adultos A falta de limpeza e higiene foi descrito como o aspecto que mais desagradou os visitantes (37,5%), pois a sujeira era visível em toda a extensão do parque, com lixos jogados no meio da natureza, ou perto dos animais e esgotos abertos com o aroma desagradável que trazia a sujeira da comunidade circunvizinha. Durante a pesquisa foi possível notar a existência de uma diversidade de estruturas destacadas pelos visitantes do Parque que precisam reforma. A estrutura mais menciona pelos visitantes que necessitam de uma reforma em um período de curto prazo foram os viveiros (32%), considerados pequenos e inadequados para os animais. Quanto à infra-estrutura de apoio e lazer do Parque a maioria (47%) dos visitantes da Bica considerou a situação atual regular, destacando que nenhum indivíduo considerou a situação ótima. Além disso, foi relatado descontentamento das pessoas quanto ao não aproveitamento do local. Todos os visitantes entrevistados (100%) declararam que o parque é uma ótima opção de lazer, com natureza exposta, um lugar bonito, porém descaso e a falta de responsabilidade vêm tomando conta do local. Ainda assim, se contatou que a maioria dos entrevistados (94%) considera o Parque Zôo Botânico Arruda Câmara um forte atrativo para a comunidade local e turistas. A maioria dos visitantes (87,4%) também descreveu que considera viável o possível desenvolvimento de um programa de marketing ecológico na Bica, através das ações de empresas preocupadas com o meio ambiente e com o aspecto social, no sentido de que essas pudessem ajudar na revitalização ou em outros aspectos em troca de divulgação. Na pesquisa realizada a maioria dos entrevistados (91%) avaliou como satisfatório a possibilidade de sucesso nas criações de programas para o Parque, através da ajuda de empresas, como um projeto de colônia de férias na Bica. Na entrevista realizada com o diretor do Parque, pôde-se perceber a forma de como o este vem administrando o Parque, se preocupando com os pontos crítico da área, no entanto, faltando à eficácia e motivação para por em prática estratégias promocionais diferenciadas de marketing como do marketing ecológico e do marketing direcionado para atrações turísticas Durante a entrevista com a bióloga do Parque se possibilitou ter uma visão detalhada de como os funcionários vêem a situação atual da Bica. As informações obtidas através da entrevista com o chefe da divisão do zoológico permitiu o conhecimento de como é feito o trabalho com os animais O Marketing Ecológico e sua Contribuição para a Gestão do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara 75 Assim exposto, as análises dos dados coletados revelam que, a Bica é dotada de as qualidades e potencialidades, porém recheadas de falhas. Ficando evidente a desorganização de investimento por parte do Governo tanto Estadual bem como Municipal e da iniciativa privada, principalmente por parte das empresas, existindo também a falta de uma consciência ecológica da própria comunidade que ainda não a cultura de preservar e conservar de maneira satisfatória o ambiente natural. Então, no decorre da pesquisa verifica-se que os objetivos específicos foram alcançados: Durante a pesquisa de campo foi conhecido o perfil do visitante local. Foi realizado um levantamento da infra-estrutura e potencial natural e cultural do Parque através da análise do campo de estudo e da pesquisa de campo. Na fundamentação teórica foi aprofundado o conhecimento sobre o marketing ecológico e marketing de atrativos turísticos. Verificou-se como é feita através de um estudo teórico a contribuição das empresas ambientalmente responsáveis perante a sociedade. Foram identificadas as ferramentas de marketing utilizadas atualmente pela gestão do Parque durante as entrevistas. Serão sugeridas no tópico seguinte (recomendações e sugestões) as estratégias de marketing adequadas e viáveis para serem utilizadas pela administração do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara. Com o término do tópico seguinte (recomendações e sugestões), e a partir dos objetivos específicos bem definidos, trabalhados e realizados, concluímos que o objetivo geral do trabalho de analisar a viabilidade de utilização do marketing ecológico como ferramenta promocional para o Parque Zôo Botânico Arruda Câmara seja bem compreendido para que este trabalho sirva como elemento norteador para que futuros pesquisadores possam incentivar mais a investigação de outros casos relacionados com o marketing ecológico, para consolidar o estudo dessa temática na Administração. 7.1. RECOMENDAÇÕES E SUGESTÕES O Marketing Ecológico e sua Contribuição para a Gestão do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara 76 Durante a pesquisa e através da análise da atual situação do Parque Arruda Câmara, constatou-se a necessidade de modificar os conceitos daqueles que encaram os atrativos naturais e históricos como simples fonte geradora de renda. Verifica-se a necessidade de assumir uma nova postura perante os sítios históricos e naturais, que são na verdade, marcos onde o visitante e a população local podem adquirir informações e conhecimentos sobre a história da cidade e do local. É importante preservar tais locais para que as futuras gerações também possam não só ter conhecimento do passado e sim fazer parte de sua história. Embora João Pessoa possua um inigualável potencial com seus atrativos naturais, culturais, históricos e de entretenimento e na sua “natureza” considerada tranqüila e pacata, é visível a necessidade do desenvolvimento de duas atratividades, e o que se nota é o não aproveitamento devido sua potencialidade. Como por exemplo, tem-se o Parque Zôo Botânico Arruda Câmara. É importante se pensar na revitalização da Bica, para que além de ponto de encontro dos visitantes, ocupe o seu lugar na história da cidade de João Pessoa. Além de toda experiência e beleza do lugar, pode-se e deve-se aliar tal característica a uma proposta de investimento, através do marketing, visando em seguida conseguir uma proposta social com o intuito de educar e ensinar a todos os pequenos jovens que tenham consciência da importância ecológica para um futuro melhor. Ao longo deste trabalho foram citados os pontos fortes da Bica, bem como destacados os pontos fracos. É evidente a instabilidade política entre o Governo Estadual e Municipal e a falta de comprometimento por parte das empresas, que poderia se fazer mais presente e contribuir para a promoção da Bica como um dos principais cartões-postais da cidade. Assim, entendemos que uma atratividade contribui para o aumento da renda da cidade, por isso seria uma ótima opção para que o poder público e os interessados na área atuassem ativamente na revitalização e manutenção do Parque. Percebemos, ainda o quanto é importante para os indivíduos visitar espaços como a Bica. Assim, devem-se haver diversos estudos e elaboração de programas e projetos para manter sempre vivo esse valioso cartão postal da cidade. Portanto, o que poderia ser feito para a promoção do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara em forte produto mercadológico é a preparação do local, o que envolve: a restauração do seu espaço físico, um pouco esquecido e abandonado, através de um investimento maciço em marketing ecológico. Com a utilização de ferramenta pode-se aumentar a receita, investir O Marketing Ecológico e sua Contribuição para a Gestão do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara 77 na infra-estrutura e atrair visitantes que valorizarão o Parque Zôo Botânico Arruda Câmara, como atrativo turístico. Tais mudanças e o desenvolvimento do marketing ecológico na Bica poderiam ser concretizados com o apoio do poder público e com parcerias com as empresas privadas e a comunidade em geral. No sentido de que essas empresas pudessem anunciar seus nomes nas áreas revitalizadas pelas mesmas, como praças, piscina, placas, recintos, viveiros e teriam suas marcas reconhecidas diante o mercado como empresas preocupadas com o meio ambiente. Essa preocupação agrega um valor indescritível, sendo um diferencial competitivo. Escolas públicas e privadas, gráficas também poderiam contribuir apoiando, por exemplo, a criação de uma colônia de férias para os pequenos jovens (APÊNDICE A). Nas escolas privadas os alunos poderiam pagar alguma taxa para a participação, que seria um retorno de viabilidade para a Bica, e nas públicas o governo ou a prefeitura pagariam e em troca essas escolas e empresas seriam reconhecidas como colaboradoras da campanha. O Parque, nesse sentido, teria uma preocupação com o tipo de anúncio, e atividades, estudando meios de não causar poluição no ambiente. Seria viável, também, reativar o restaurante e permitir instalações de lojinhas de artesanato, souvenires, aumentar a quantidade de quiosques para lanches e esses pequenos empreendedores pagariam taxas e participariam da campanha. Essa campanha promocional poderia receber o nome “Amigos da Bica”, pois as empresas, a comunidade e os órgãos públicos participantes seriam reconhecidos como interessados em ajudar a Bica. Após o Parque receber os investimentos, poderia também aumentar o valor de seu ingresso cobrado aos turistas nas visitas, pois será uma estrutura reconhecida por todos, elevando sua receita. O marketing ecológico pode ser uma opção viável para o Parque Zôo Botânico Arruda Câmara desde que seja bem estudado, implantado e sempre respeitando a fragilidade dos ecossistemas e a capacidade de carga do Parque. O Marketing Ecológico e sua Contribuição para a Gestão do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara 78 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ARRUDA, Avenzoar. (Org.). Uma nova visão da cidade. João Pessoa: CAAP, 2004. 238 p. ACEVEDO, Claudia Rosa. Monografia no Curso de Administração: guia completo de conteúdo e forma. 2ª Ed. São Paulo: Atlas, 2006. BERNARDO, Christianne; FAVORETO, Carla de Oliveira Reis. Coletânea de Legislação Básica Federal. Rio de Janeiro: Lúmen, 2001. BRASIL. Ministério da Educação. Parâmetros em Ação: meio ambiente na escola, de 5ª a 8ª série, Guia do Formador. Brasília, 2001. 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Acesso em 21 de Setembro de 2007. O Marketing Ecológico e sua Contribuição para a Gestão do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara 81 APÊNDICES O Marketing Ecológico e sua Contribuição para a Gestão do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara 82 APÊNDICE - A PROJETO DE MARKETING ECOLÓGICO: COLÔNIA DE FÉRIAS PARA OS PEQUENOS JOVENS NO PARQUE ZÔO BOTÂNICO ARRUDA CÂMARA Este projeto que utiliza como ferramenta promocional o marketing ecológico busca atrair visitantes jovens, entre 7 a 14 anos, para uma área com forte atrativo natural e cultural, os fazendo utilizar serviços ambientalmente responsáveis, de forma a estimular e despertar o desejo do mercado por esta categoria de serviços. Engenharia e Layout do Projeto Planejamento Mercadológico O projeto de implantação da Colônia de férias “Jovens em educação”, em seu aspecto social e cultural, visa promover a interação de crianças e jovens com a rica natureza do Parque Zôo Arruda Câmara de forma prazerosa, assim como educativa a fim de despertar a conscientização da juventude para prática de atividades mais sustentáveis e da importância da sua preservação. A ecologia do parque e suas interfaces com o município de João pessoa serão exploradas através de diversas atividades, incluindo trilhas, oficinas, brincadeiras, jogos e outros. Atrair uma demanda de jovens tende a aperfeiçoar a área para ações futuras voltada para o turismo ecológico envolvendo diferentes segmentações da sociedade. Convém ressaltar que reserva florestal faz parte da Mata Atlântica, um resquício que deve ser preservado e conservado. A colônia se constituirá num espaço de vivências atraente e construtiva, adotando uma metodologia participativa, onde todos os integrantes são os principais focos da atividade, ampliando os conhecimentos sobre o produto ecoturista, além de encontrarem um real e democrático espaço para o desenvolvimento cultural. A sua estrutura será planejada de maneira que ofereça aos jovens participantes, atividades orientadas por profissionais capacitados, bem como favorecer que algumas atividades possam ser modificadas pelos próprios integrantes, tais como: Festas, jogos, teatro, poesias, brincadeiras que envolvem musicas, etc. Contará com a participação de um profissional de reaproveitamento e reciclagem de materiais, de um biólogo, um educador O Marketing Ecológico e sua Contribuição para a Gestão do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara 83 ambiental, um guia de ecoturismo, um engenheiro florestal, de um turismólogo e dois animadores turísticos. A colônia será promovida com o intuito de sensibilizar além da Câmara Municipal, as partes interessadas nesse aspecto social e cultural (empresas privadas, comunidade de João Pessoa), a fim de receber apoio para o seu funcionamento através de recursos financeiros ou doações. Ao final de cada semana, os trabalhos produzidos pelos participantes serão expostos ao público, permitindo às famílias e visitantes do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara se sentirem mais próximos com as atividades da colônia, e com as idéias produzidas pelo grupo, disseminando assim os objetivos e propostas apresentados pelo projeto. PROGRAMAÇÃO: Horários De forma a atender a uma maior variedade de jovens, a colônia será oferecida nos seguintes horários: na primeira semana, de Janeiro, pela manhã, de 8h às 12h30min na segunda semana, de Janeiro, à tarde, das 13hs às 17.30h. É fundamentais que estes horários sejam respeitados pelos profissionais e participantes, para que não haja qualquer tipo de desencontro. Faixa etária Dirigida as crianças e jovens de 7 a 14 anos, a estrutura da colônia promoverá tanto momentos de integração entre as diferentes faixas etárias, como momentos em que os diferentes grupos poderão atuar em atividades e níveis diversos. Alimentação A alimentação dos jovens participantes será fornecida p-ela colônia. A cada dia teremos um lanche no meio do período (por volta de 10h30min, na primeira semana, e 15h30min na segunda semana). O lanche constará basicamente de sucos e refrescos, frutas, sanduíches e cereais. Transporte Será feito em ônibus especializados em transporte escolar e passeios turísticos, com o valor incluído no preço da colônia. O Marketing Ecológico e sua Contribuição para a Gestão do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara 84 Local de encontro Os participantes deverão ser entregues diretamente aos responsáveis pela colônia, sempre no ponto de encontro oficial, no caso seria viável, nas tendas em frente ao prédio da administração do Parque Zôo Arruda Câmara. Este será também o local de encontro na saída dos jovens para serem encaminhados ao ônibus. Caso haja alguma necessidade urgente de contato com algum integrante por parte de seus responsáveis durante o horário da colônia, este deve ser feito através de um responsável que ficará nas tendas, com um telefone próprio e bem divulgado a todos, no qual entrará em contato com o participante procurado pra que este em caso necessário retorne a ligação. Segurança Onde serão realizadas as principais atividades da colônia, é o local onde se encontram as equipes de segurança e resgate do estabelecimento. Todas as atividades ocorrerão em torno do prédio da administração e das tendas de apoio. Os profissionais envolvidos são qualificados e as atividades foram elaboradas de forma a não criar situações de risco para os jovens participantes. O que vestir e o que levar Vestir: Roupas leves e confortáveis; Tênis e meia; Boné; Levar: Uma muda de roupa a cada dia, caso ocorra algum imprevisto como chuva; Repelente de insetos (leve o seu próprio antialérgico, com as instruções de uso assinadas pelo responsável); Protetor solar; Garrafinha para água; Mochila; Cangas ou panos para que possam ser estendidos no chão; Opcionais: Lente de aumento; Máquina fotográfica; Lanterna; O Marketing Ecológico e sua Contribuição para a Gestão do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara 85 Distribuição das atividades Já nos primeiros dias de programação da colônia, desenvolveremos caminhadas ao ar livre. Ao longo das trilhas, iremos explorar características biológicas, históricas, ecológicas e muitas curiosidades que irão surgindo pelo caminho, sempre de forma leve e divertida, aproveitando para aguçar os sentidos para os sons, as cores, os cheiros da mata, reforçando laços com o meio natural. De volta das trilhas, vamos realizar lanches e explanar um pouco sobre assuntos importantes, de forma a despertar o interesse sobre assuntos como o impacto do homem sobre ambientes naturais, e o que podemos e devemos fazer individualmente para diminuir essas agressões. Vamos olhar principalmente para o lixo que produzimos em escala cada vez maior, por ser uma de nossas mais freqüentes e maiores agressões à natureza, tanto pelo espaço que ocupa, poluindo ambientes, quanto pelo imenso desperdício de matéria prima que ele representa. Distribuiremos sacolas de lixo e livrinhos auto - explicativos sobre manutenção e reciclagem do lixo para que os jovens (crianças e adolescentes) já comecem a desenvolver na prática as idéias. Através das várias oficinas, como a de reaproveitamento de materiais, os jovens participantes terão a oportunidade de colaborar de forma extremamente criativa e lúdica para a preservação da natureza, utilizando sucatas para a construção de brinquedos, esculturas e outras utilidades. A prática de jogos e brincadeiras durante a programação será para recreação dos integrantes. Estas práticas serão realizadas nas áreas adequadas, indicadas pelos responsáveis do Parque Zôo Arruda Câmara. Os dias serão assim, divididos entre trilhas, a aventura de conhecer o meio natural do parque e um ecossistema que influencia na nossa qualidade de vida. Fazer amigos, lanches e oficinas, de forma que, ao longo da semana, os jovens possam ir desenvolvendo uma “intimidade” com a natureza, que se sintam verdadeiramente “em casa” quando retornarem ao parque, e que ao mesmo tempo saibam como e porque ajudar na preservação de ambientes como este escolhido pelo projeto. O Marketing Ecológico e sua Contribuição para a Gestão do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara 86 Quadro explicativo da distribuição das atividades 1º DIA: 8:00/8:30 ou 13:00/13:30 8:30/10:00 ou 13:30/15:00 10:00/10:30 ou 15:00/15:30 10:30/12:00 ou 15:30/17:00 12:00/12:30 ou 17:00/17:30 •Recepção/ apresentação •Caminhada ecológica •lanche •oficina: reciclagem •brincadeiras com danças folclórica e despedida do grupo. 2º DIA: 8:00/8:30 ou 13:00/13:30 8:30/10:00 ou 13:30/15:00 10:00/10:30 ou 15:00/15:30 10:30/12:00 ou 15:30/17:00 12:00/12:30 ou •Recepção •Caminhada ecológica •lanche • Oficina para fabricação de remédios medicinais • brincadeira de adivinhação, envolvendo personagens folclórica e despedida. 17:00/17:30 3º DIA: 8:00/8:30 ou 13:00/13:30 8:30/10:00 ou 13:30/15:00 10:00/10:30 ou 15:00/15:30 10:30/12:00 ou 15:30/17:00 12:00/12:30 ou 17:00/17:30 •Recepção •Caminhada ecológica •lanche •oficina: reflorestamento •brincadeiras folclórica e despedida do grupo 4º DIA: 8:00/8:30 ou 13:00/13:30 8:30/10:00 ou 13:30/15:00 10:00/10:30 ou 15:00/15:30 10:30/11:30 ou 15:30/16:30 11:30/12:30 ou 16:30/17:30 •Recepção •Palestras com convidados •lanche • Apresentação de grupos folclóricos • Pequena festa folclórica, apresentação dos trabalhos realizada nas oficinas e despedida. O Marketing Ecológico e sua Contribuição para a Gestão do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara 87 Planejamento Físico do Projeto O aspecto físico do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara permanecerá com a mesma estrutura, apenas será viável sua revitalização. Aspectos da Sustentabilidade Econômico – Financeira Levantamento de custos para a implantação do projeto DISCRIMINAÇÃO 01. Material de Distribuição para os Participantes UNID. QUANT. P.UNIT. (R$) P.TOTAL (R$) Camisetas Livrinhos auto-explicativos Sacos de lixo Água 02.Ingredientes e Utensílios Utilizados para o Lanche Unid. Unid. Unid. Unid. 40* 40 160 80 6,00 4,00 0,25 0,50 240,00 160,00 40,00 40,00 Copos descartáveis Pratos descartáveis Talheres descartáveis Papel alumínio Pão integral Frango Queijo mussarela fatiado Tomate Alface Laranja Maça Abacaxi Chá Suco (plástico) industrializado Bolo caseiro Goiabada Bombons nego-bom 03.Material Utilizado para Oficinas Unid. Unid. Unid. Unid. Kg Kg. Kg kg Unid. Unid. Kg Unid. Unid. L kg Unid. Kg 100 40 100 1 8 8 8 2 8 120 24 24 2 60 16 16 4 0,27 0,09 0,10 3,30 5,50 3,00 11,00 1,30 0,60 0,13 2,70 0,50 2,70 4,00 3,50 3,00 7,00 2,70 3,60 10,00 3,30 44,00 24,00 88,00 2,60 4,80 15,60 64,80 12,00 5,40 240,00 56,00 48,00 28,00 Lápis grafite Borracha Papel A4 Pranchetas Bacia (plástico) pequena 03.Mobiliário Unid. Unid. Unid. Unid. Unid. 48 48 1 41 41 0,20 0,30 3,50 2,50 1,00 9,60 14,40 3,50 102,50 41,00 Tendas de porte médio Mesa quadrada (plástico) Cadeira bistrô (plástico) 04.Transporte Unid. Unid. Unid. 2 6 22 220,00 48,00 22,00 440,00 288,00 484,00 Aluguel da Van 05.Material utilizado para Brincadeiras Dia 8 60,00 480,00 Aluguel de som (médio porte) 06.Material preventivo** Dia 8 60,00 480,00 O Marketing Ecológico e sua Contribuição para a Gestão do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara 88 Kit primeiros socorros (completo) Unid. 10 36,00 TOTAL DA IMPLANTAÇÃO 360,00 R$ 3.835,80 * O projeto visa atrair uma demanda de 20 participantes por semana. ** No material preventivo será incluso somente o kit de primeiros socorros, os demais medicamentos serão por conta dos participantes. Levantamento de custos com a operação do projeto DISCRIMINAÇÃO Quant. Pgto.Unit.(R$) Pgto. Total(R$) Profissional de Reaproveitamento e Reciclagem de Materiais 1 R$ 500,00 R$ 500,00 Biólogo 1 R$ 900,00 R$ 900,00 Educador Ambiental 1 R$ 550,00 R$ 550,00 Guia de Ecoturismo 1 R$ 750,00 R$ 750,00 Engenheiro Florestal 1 R$ 900,00 R$ 900,00 Turismólogo (organizador de eventos) 1 R$ 900,00 R$ 900,00 Animador Turístico 2 R$ 750,00 R$ 1500,00 TOTAL R$7000,00 O Marketing Ecológico e sua Contribuição para a Gestão do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara 89 APÊNDICE – B Universidade Federal da Paraíba Centro de Ciências Sociais Aplicadas Curso de Administração Questionário de pesquisa aplicado para visitantes no Parque Arruda Câmara 1- Onde você reside? ( ) João Pessoa ( ) Campina Grande ( ) Cabedelo ( ) Outros: ____________________ 2- Qual sua faixa etária? ( ) até 10 anos ( ) 11 à 20 anos ( ) 21 à 30 anos ( ) 31 à 40 anos ( ) acima 3- Com que freqüência você visita o parque? ( ) 1ª Vez ( ) mensalmente ( ) eventualmente ( ) semanalmente ( ) anualmente 4- Pretende voltar a visitar o Parque? ( ) Sim ( ) Não 5- O que mais lhe chama/chamou atenção do parque? ( ) Natureza ( ) Animais ( ) Área de lazer ( ) Tranqüilidade ( ) Outros. 6- Qual o aspecto do parque que mais lhe desagradou durante a visita ao parque? ( ) Segurança ( ) Limpeza e Higiene ( ) Trat. Dos Animais ( ) Lazer e recreação ( ) Outros 7- Qual a estrutura do parque que você considera necessária uma reforma? ( ) Sinalização ( ) Trilhas ( ) Viveiros ( ) Áreas de lazer(playgroud, praças, piscina) ( ) Quiosques ( ) Orquidário ( ) escola do meio Ambiente ( ) Museu ( )Nenhum ( ) outros 8- Qual a sua opinião sobre a infra-estrutura do parque (banheiros, bares, restaurantes, equipamentos de lazer)? ( ) Ótima ( ) Boa ( ) Regular ( ) Ruim ( ) Péssima 9- Você acha que o parque precisa ser mais bem aproveitado? ( ) Sim ( ) Não 10- Em sua opinião a bica pode ser considerada um atrativo para as comunidades locais ou turistas? ( ) Sim. Por que?____________________________________________________________ ( ) Não. Por que?____________________________________________________________ 11- Você concorda com o desenvolvimento de um programa de marketing ecológico,através das ações das empresas preocupadas com o meio ambiente e com o aspecto social, no sentido de que essas ajudassem na revitalização do parque em troca de sua divulgação? __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ 12- caso existisse um programa de colônia de férias para pequenos jovens, visando à conscientização ambiental, através da ajuda de empresas, em sua opinião você acha que teria sucesso? Por quê? __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ O Marketing Ecológico e sua Contribuição para a Gestão do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara 90 ANEXOS O Marketing Ecológico e sua Contribuição para a Gestão do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara 91 Anexo A Planta da Cidade de João Pessoa, onde podemos visualizar a área do Parque Arruda Câmara Fonte: www.joaopessoa.gov.pb.br, 2008. O Marketing Ecológico e sua Contribuição para a Gestão do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara 92 ANEXO B Planta do entorno da Bica, onde podemos visualizar o Parque Arruda Câmara e o Jardim Botânico Benjamin Maranhão. Fonte: www.mapas.bol.com.br, 2008 O Marketing Ecológico e sua Contribuição para a Gestão do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara 93 ANEXO C Fotos da Bica Foto 15: Palmeiras Imperial, localizadas dentro da Bica Fonte: Ricardo Amaral, coleção 1000 imagens da Paraíba, 2000. Foto 16: Portal de entrada do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara Fonte: Pesquisa de campo (2008) Foto 17: Trilha da entrada principal do Parque Fonte: Ricardo Amaral, coleção 1000 imagens da Paraíba, 2000. O Marketing Ecológico e sua Contribuição para a Gestão do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara 94 Foto 18: A Ilha dos Macacos do Parque Fonte: Pesquisa de campo (2008) Foto 19: Piscina desativada localizada dentro da Bica Fonte: Pesquisa de campo (2008) Foto 20: Playground – Área de lazer do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara Fonte: Pesquisa de campo (2008). O Marketing Ecológico e sua Contribuição para a Gestão do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara 95 Foto 21: Esgoto aberto na área dentro do Parque Fonte: Pesquisa de campo (2008). Foto 22: Material reciclável feito por antigos alunos da Escola do Meio Ambiente Fonte: Pesquisa de campo (2008) Foto 23: Recinto dos felinos após reforma Fonte: Pesquisa de campo (2008) O Marketing Ecológico e sua Contribuição para a Gestão do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara 96 ANEXO D Relação dos Animais Existentes na Bica Fonte: Administração da Bica, 2008. RELAÇÃO DE ANIMAIS (DEZEMBRO 2007) O Marketing Ecológico e sua Contribuição para a Gestão do Parque Zôo Botânico Arruda Câmara 97