O USO PEDAGÓGICO DA INTERNET, POR MEIO DE BLOGS Rosangela Grigol1 Giovani Marino Favero2 RESUMO É importante perceber o quanto a tecnologia vem transformando o cotidiano das pessoas, tornandoas dependentes da mesma. Se for comparado o estilo de vida do século passado com o presente, verifica-se uma realidade distinta no que se refere a execução das atividades do cotidiano das pessoas. O que antes era realizado de forma simplista, natural, hoje necessita de recursos e aparatos tecnológicos para executar as mesmas ações cotidianas do passado. Nessa era tecnológica, usar somente a didática tradicional não tem sido suficiente para chamar a atenção dos alunos, principalmente por eles estarem sempre “atentos” as novidades e buscarem tecnologias diferentes para sua vida. 0 principal objetivo deste trabalho é incentivar os professores a usarem os recursos tecnológicos disponíveis na escola, demostrando que esses podem se tornar seus aliados no planejamento das aulas, desta forma ampliando seus conhecimentos a respeito do uso de novas tecnologias como recurso pedagógico para articular o conteúdo curricular. Participarão desta proposta, no máximo cinco professores do Colégio Estadual Senador Correia, e a intervenção pedagógica será realizada através de oficinas pedagógicas,organizadas em oito encontros semanais de quatro horas, perfazendo um total de trinta e duas horas presenciais, além de leituras, atividades complementares e atividades online por meio de blogs. A proposta de trabalho será dividida da seguinte maneira: dois encontros para estudos, reflexão e discussão; três encontros para exploração dos aplicativos do Linux e da Internet para instrumentalização técnica do professor; dois encontros para atividades práticas, voltadas para sala de aula; e um último encontro para demonstração e avaliação dos avanços, das dificuldades e dos resultados obtidos. As oficinas pedagógicas funcionarão no intuito de sensibilizar os professores para a necessidade de reciclagem das linguagens utilizadas em sala de aula. Além disso, os professores refletirão, no espaço proposto, sobre a urgência da formação de cidadãos críticos em relação ao consumo de produtos midiáticos. Essa proposta será o primeiro passo na preparação desses professores à inserção de novos meios de comunicação no espaço escolar, visando à democratização da comunicação digital na escola. Palavras-chave: Tecnologias. Mídias digitais. Blog. Educação. Recursos didáticos. 1 Autora: Professora da Rede Estadual do Paraná e Integrante do PDE 2012. Licenciada em Ciências Biológicas, pela UEPG, e pós-graduada em Ecologia, pela UNICENTRO. 2 Orientador: Doutor em Imunopatologia, Professor do Departamento de Biologia Geral da Universidade Estadual de Ponta Grossa. 1- INTRODUÇÃO A escola é o lugar mais apropriado e tradicional para aprendizagem e construção de conhecimento, mas a chegada das novas tecnologias está fazendo com que esses estabelecimentos de ensino criem resistências a esses meios digitais até por ser, historicamente, um ambiente tradicional e conservador, pois adotar novas técnicas de ensino é um desafio que, inevitavelmente, irá provocar uma mudança tanto na vida dos alunos quanto na vida dos professores; e toda mudança torna-se um processo inicial, de difícil assimilação, apesar de necessária na construção de novos conhecimentos. Hoje estamos vivendo uma “nova realidade” e todas essas tendências, nos levam a crer que a internet e a educação a distância serão grandes aliadas nas atividades escolares, formando grupos colaborativos de aprendizagem; sendo que os ambientes virtuais que integram e tornam possível essa conexão, precisam ser compreendidos, potencializando a comunicação, o conhecimento multidisciplinar, a docência, a aprendizagem e a avaliação formativa, através de uma prática pedagógica sintonizada com as novas formas de ensinar e aprender na contemporaneidade e, é interessante perceber como esses ambientes estão bem mais acessíveis e fáceis de operar. Desta forma, as novas tecnologias como instrumentos eficazes de aprendizagem, nos remetem a um desafio para o estudo, compreensão, domínio e utilização da mesma em sala de aula. Portanto, é necessário que tenhamos professores interessados em incluir as novas tecnologias educacionais em seu plano de trabalho. Como este acesso não é tão simples, o professor necessita de apoio do sistema educacional que deve promover a inclusão digital, mobilizando-se para ajudá-lo, não permitindo que ele fique isolado na reflexão de suas práticas pedagógicas. Muitos professores ainda resistem ao uso da tecnologia em sala de aula. Alguns usam as tecnologias com muita criatividade e criticidade, de acordo com a necessidade e a possibilidade de uso para o conteúdo curricular em estudo. Porém, alguns ainda as usam de forma instrumental e mecânica. Neste sentido, faz-se necessário oportunizar melhores condições de trabalho e ajudar o professor a planejar aulas com o uso das novas tecnologias. O que é um desafio, pois o professor deverá incorporar essa prática como incorporou o uso do quadro de giz, não só por uma questão de modernidade, mas como uma questão ecológica, motivacional, funcional e atualizada. Percebe-se que muitos professores sentem a necessidade de se adequarem, mesmo os que ainda não tiveram tempo ou oportunidade de capacitarse para estes novos desafios, tem esta certeza. Assim, optou-se por oferecer alguma contribuição para os professores, que sabendo apenas o básico de informática e que buscam algo mais, no intuito de valorizar suas aulas. Pensando nesse mundo virtual no qual estamos inseridos e na necessidade de criar uma atividade diferenciada para ser utilizada, posteriormente por professores e alunos do Colégio Estadual Senador Correia- EFMP (Ensino Fundamental, Médio e Profissional), município de Ponta Grossa - PR, foi elaborado e aplicado o material didático “O Uso Pedagógico da Internet, por meio de blogs”, em forma de cartilha, que objetivou orientar os professores a utilizarem de forma adequada as novas tecnologias, além de propor sugestões ao uso dos instrumentos tecnológicos como meios para desenvolver atividades expressivas e repensar sobre temas que constroem a prática do professor, além de incentivar a criação e a manutenção de blogs a partir do ambiente escolar. 2- FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA Na atual sociedade todos são chamados a utilizar-se da tecnologia, pois a mesma começa a ser incorporada no mundo do trabalho, tornando o seu uso uma exigência social. Dessa forma, se faz necessário que as pessoas se adaptem a esse novo modelo. O mundo contemporâneo não espera as pessoas se prepararem para atuar de forma digna no mercado de trabalho, a desqualificação é a justificativa principal para a contratação das pessoas em empresas que pagam bem seus funcionários. O domínio da tecnologia ainda é benefício para poucos. A tecnologia pode melhorar o cotidiano das pessoas, mas o que se percebe é que muitas vezes ela se desenvolve tão rápido que nem todos conseguem acompanhá-la, pois a ela mesmas se supera a cada dia e quem não possui acesso à tecnologia fica automaticamente fora do mundo do conhecimento, entrando num ciclo vicioso criado pela evolução tecnológica e pela sociedade da informação. Na atualidade, o surgimento das novas tecnologias da comunicação e da informação – TICs tem mudado significativamente o comportamento das pessoas, o entretenimento, as formas de viver, de trabalhar, de informar-se, de se comunicar e alteraram profundamente as qualificações profissionais. “Ao falar em novas tecnologias, estamos nos referindo, principalmente, aos processos e produtos relacionados com os conhecimentos provenientes da eletrônica, da microeletrônica e das telecomunicações.” (KENSKI, 2007, p.25). Inclui-se nesta categoria a televisão, o microcomputador, as redes digitais e a internet, que na medida em que são incorporadas ao cotidiano das pessoas, deixam de ser novas e passam a ser consideradas apenas como tecnologias da comunicação e informação – TICs. Em todos os setores da sociedade se observam mudanças em função do uso das novas tecnologias. De nada adianta acesso às tecnologias e renda se não houver acesso à educação, isto porque o indivíduo deixa de ter um mero papel ‘passivo’ de consumidor de informações, bens e serviços, e então passa também a atuar como um produtor de conhecimentos, bens e serviços. A educação também tem experimentado mudanças na sua forma de organização e produção, fazendo surgir novas formas de ensino-aprendizagem subsidiadas pela inserção de novas tecnologias nas escolas. A educação no Brasil vem evoluindo dentro de suas possibilidades, é claro que acompanhando cada momento histórico seguindo as tendências pedagógicas e políticas estabelecidas, assim foram sendo utilizadas as tecnologias de cada época conforme a assistência do poder público. Hoje incluir as novas tecnologias no trabalho pedagógico já é uma possibilidade bem próxima da realidade educacional brasileira. Passar usar esses recursos com maior destreza e facilidade é uma proposta para todos que trabalham com educação. Nesse sentido, os professores precisam modificar velhas práticas e se colocar a caminho de novas aprendizagens acerca do uso das tecnologias, sem correr o risco de achar que elas serão a solução para todos os problemas presentes no sistema educacional. Assim, buscar novas metodologias e novas perspectivas educacionais, será um trabalho conjunto de todos os envolvidos na escola para ajudar no processo de inclusão digital. Segundo RÊBELO (2005, p.1), inclusão digital significa: antes de tudo, melhorar as condições de vida de uma determinada região ou comunidade com ajuda da tecnologia. A expressão nasceu do termo “digital divide”, que em inglês significa algo como “divisória digital”. Hoje, a depender do contexto, é comum ler expressões similares como democratização da informação, universalização da tecnologia e outras variantes parecidas e politicamente corretas. O desafio da inclusão digital não se reduz apenas a utilização do computador para produzir slides para demonstração na TV multimídias, trocar e-mails ou assistir filmes, é preciso saber usar pedagogicamente a tecnologia escolhida. Esta opção implica em mudanças profundas na prática escolar docente e discente: em termos concretos, incluir digitalmente não é apenas “alfabetizar” a pessoa em informática, mas também melhorar os quadros sociais a partir do manuseio dos computadores. Como fazer isso? Não apenas ensinando o bê–á–bá do “informatiquês”, mas mostrando como ela pode ganhar dinheiro e melhorar de vida com ajuda daquele monstrengo de bits e bytes que de vez em quando trava. (REBÊLO, 2005, p. 1). Neste contexto, as TICs (Tecnologias da Informação e da Comunicação) oferecem grandes espaços e desafios para a atividade cognitiva, afetiva e social dos alunos e professores. A TV, o computador e a internet deixam de ser apenas ferramentas instrumentais na organização do trabalho pedagógico. O aluno não será receptor passivo de informações, conforme a concepção bancária de Paulo Freire, pois o uso das tecnologias pressupõe que o aluno aprenda a usar, a produzir, e principalmente a interagir, discutir, solucionar problemas e participar socialmente da construção do conhecimento: “As inovações tecnológicas podem contribuir de modo decisivo para transformar a escola em um lugar de exploração de culturas, de realização de projetos, de investigação e debate.” (KENSKI , 2007, p. 67). No Estado Paraná, a Secretaria de Estado da Educação tem desenvolvido projetos que visam a inclusão e o acesso de alunos e professores da rede pública estadual a essas tecnologias. A TV Multimídia é um projeto que prevê televisores de 29 polegadas – com entradas para VHS, DVD, cartão de memória e pen drive e saídas para caixas de som e projetor multimídias – para todas as 22 mil salas de aula da rede estadual de educação, bem como um dispositivo pen drive para cada professor. (PORTAL..., 2012). É também imperativo que a inclusão digital esteja integrada aos conteúdos curriculares e isto requer um redesenho do projeto pedagógico e grade curricular atuais de ensino fundamental e médio. Quebrar o paradigma televisivo, já assimilado pela maioria, que é a inércia e passar para uma nova relação de interatividade é um desafio para a cultura atual. A conquista da inclusão digital, precisa passar por uma transição, e é um processo longo e cheio de erros e acertos. Dentro da escola percebe-se alguns indícios da inclusão digital. Embora ainda tímidas pois a formação dos professores ainda não é suficiente para dominar e aplicar em sala de aula as novas tecnologias. Nas escolas o giz e o quadro de escrever ainda são utilizados, pelo professores, como um dos recursos principais, para a sua aula, os alunos continuam utilizando o caderno e a caneta para copiar os conteúdos. Essa prática executada dentro das escolas se desenrolou ao longo do tempo, permanecendo até hoje no Colégio Estadual Senador Correia, com maior intensidade. Hoje, a escola poderia ter uma nova face se fossem incorporadas no seu dia a dia as tecnologias, onde cada aluno teria acesso a tecnologia e os professores realizassem um trabalho integrado as redes de comunicação, que hoje são comuns fora da escola. Dentro da escola percebe-se alguns indícios da inclusão digital. Embora ainda tímidas pois a formação dos professores ainda não é suficiente para dominar e aplicar em sala de aula as novas tecnologias. O professor que se propõe a utilizar as tecnologias disponíveis na escola precisa desenvolver algumas novas habilidades ou características a fim de superar uma postura tradicionalmente enraizada para assumir uma postura de mediador pedagógico, de alguém que planeja e organiza espaços de interação: Para se opor às resistências à mudança, o professor deve ser formado não como um portador de verdades a serem aplicadas em uma situação escolar abstrata, mas incentivado a procurálas na variedade social e cultural de escolas concretas. (AZANHA, 2006, p.19). Nestas condições, qualquer proposta de formação docente deve ocorrer na instituição em que esse professor atua, já que as dificuldades de seu trabalho não são apenas metodológicas ou didáticas. Deve ter um sentido de investigação e de busca de novos caminhos para a solução dos problemas da escola. É possível criar usos diversos para as tecnologias. Segundo Moran (1995) é justamente esta possibilidade que leva ao encantamento, provocando sedução em relação a tecnologia. Segundo Paiva (2012), a internet nasceu praticamente sem querer. Foi desenvolvida no período da Guerra Fria, com o nome de ArphaNet e é responsável pela mudança na rotina de pessoas do mundo inteiro: quando o mundo se viu dividido em dois blocos, um capitalista e outro socialista, antagônicos ideológica, econômica e politicamente falando, a internet foi fruto de pesquisas militares. Temendo um ataque russo às suas bases militares, os EUA tinham por objetivo maior eficácia no sigilo das informações, para impedir que sua defesa se tornasse vulnerável, por isso foi idealizado um mecanismo de troca e compartilhamento de informações, de forma que descentralizasse o armazenamento destas. Se o Pentágono fosse atingido, elas não seriam perdidas. Na verdade, o sistema de defesa estadunidense não fazia ideia de que a invenção se tornaria o maior fenômeno na comunicação do século XX e que, após quatro anos de existência, estaria acessível a 50 milhões de pessoas. (PAIVA, 2012. p.1). Desde que foi inventada, a internet tem revolucionado o acesso à comunicação e à informação, “lançando à existência do mundo virtual para serem compartilhados em formato digital: fotos e vídeos, por meio do youtube; músicas e textos, através de sites e blogs; entre outros recursos.” (PAIVA, 2012, p.2). Criado na década de 1990, o blog já foi, um dia, uma comunidade digital voltada para oferecer serviços comerciais e para realizar fóruns de discussão, visando à partilha de esclarecimentos de dúvidas sobre o uso de programas em rede. Hoje, o blog é visto como um dos mais novos espaços da escrita e dotado de uma estrutura que permite uma atualização rápida, carregando múltiplas semioses (imagem, som e texto escrito). (PAIVA, 2012. p.3). Segundo Costa (2008, p. 44), esse gênero digital “pode ser definido, então, como jornal/diário digital/eletrônico (v.) pessoal publicado na Web, normalmente com toque informal, atualizado com freqüência e direcionado ao público em geral”. Ainda Paiva (2012) afirma Abreviatura do termo Weblog, o blog é uma transmutação dos diários tradicionais, isto é, trata-se de um diário que se modernizou, tornando-se, inclusive, público. Neles, os blogueiros compartilham fatos cotidianos, ideias bem pessoais sobre diferentes assuntos, pontos de vista sobre acontecimentos, críticas de filmes, entre outras coisas. (PAIVA, 2012. p.4). Costa (2008) ao refereir-se sobre os blogs assevera: “(...) trazem a personalidade do autor, seus interesses, gostos, opiniões e um relato de suas atividades. Portanto, geralmente são simples, com textos curtos, predominando os narrativos (relatos), descritivos e opinativos.” (COSTA, 2008, p. 44). Diante do exposto, percebemos que o blog possui um caráter de registro. Em ordem cronológica, de forma fácil e rápida, pode ser atualizado constantemente. Além disso, permite a interação do leitor por meio de post´s (comentários) sobre o texto disponível no ambiente de rede, sujeito a críticas, comentários, sugestões, questionamentos. Outro recurso são os links dispostos no corpo do texto, causando curiosidade no leitor que passa a ler de forma hipertextual, entrando no labirintovirtual, isto é, em sites que se reportam a outros sites e assim por diante, permitindo um passeio não-linear, ou seja, sem a sequência de página que um livro comum ofereceria. Em sua forma mais interativa, os blogs podem apresentar textos disponíveis no formato MP3, rememorando os velhos contadores de história, utilizando canções e/ou imagens que sensibilizam e, por conseguinte, emocionam; o que acaba impulsionando um trabalho de designer por parte do blogueiro que atualiza os textos. (PAIVA, 2012. p.5). Sobre esse gênero digital (blogs), Marcuschi (2010, p. 21), assim se manifesta: sequer se consolidaram e já provocam polêmicas quanto à natureza e proporção de seu impacto na linguagem e na vida social. Isso porque o ambiente virtual é extremamente versátil e hoje compete, em importância, nas atividades comunicativas, ao lado do papel e do som. Essa polêmica de que fala o autor nos conduz pelo raciocínio que os gêneros virtuais têm força suficiente tanto para construir quanto para devastar. Pessoas que se habituam, apenas, à prática textual no universo do Orkut, MSN e sites de bate-papo assemelham-se àquelas que estão em uma festa. Sendo que, nesse contexto, a língua é a bebida que atrai, embriaga e vicia. O problema não consiste em fazermos uso do idioma, mas as formas excessivas como se vê atualmente: abreviações, as quais são frutos de recriação da linguagem que merece análise cuidadosa. Quando retirado desse contexto e inserido em outro que necessita de uso variado da linguagem, o escritor orkuteano se vê perdido e, logo, deseja voltar à sua caverna virtual, local onde grita o seu “naum”, chama por “vc” e gargalha :D, longe dos olhares da linguagem padrão. Diante disso, o blog pode ser veículo com diferentes linguagens. Por meio desse recurso, o aluno pode alcançar autonomia na escrita, experimentando os diferentes graus de formalidade em diferentes situações comunicativas. (MARCUSCHI, 2010). 3- PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS Para o desenvolvimento do projeto “O Uso das Novas Tecnologias em Sala de Aula”, inicialmente foi realizada a explanação do mesmo junto aos professores e equipe pedagógica do Colégio Estadual Senador Correia – EFMP, sendo que poderiam participar do projeto até dez professores que atuavam no Colégio independente da área. As atividades foram realizada através de oficinas pedagógicas, que funcionaram no intuito de sensibilizar os professores para a necessidade de atualização das linguagens utilizadas em sala de aula. As mesmas foram organizadas em oito encontros semanais de quatro horas, perfazendo um total de 32 horas presenciais, e paralelamente leituras, atividades complementares e atividades online por meio de blogs. Após cada encontro os professores fizeram uma avaliação do mesmo, destacando as potencialidades e as fragilidades e ainda propondo sugestões para as próximas atividades. 3.1- METODOLOGIA DAS OFICINAS 1º Oficina: Apresentação do Projeto Foi realizada durante a Semana Pedagógica de 2013. No primeiro dia, foi entregue aos professores que atuam no Colégio um questionário, cuja proposta foi apenas identificar o perfil dos professores em relação ao uso do computador e das Novas Tecnologias da Informação e Comunicação. Os dados informados foram utilizados para melhoria das oficinas. No segundo dia, foi apresentado o vídeo “Tecnologia ou Metodologia?”, elaborado pela Universidade Presidente Antônio Carlos UNIPAC, após a exibição foram feitas algumas reflexões a respeito da temática e logo em seguida foi exibido o vídeo “Pedagogia da Autonomia”, que é um pequeno resumo do livro de Paulo Freire, cujo o título é o mesmo e foram realizadas novas discussões. Num segundo momento, através de slides utilizando o data show foi feito a apresentação do Projeto de Intervenção “O Uso das Novas Tecnologiasem Sala de Aula”, esclarecendo o tempo de realização, a forma como iriam ser realizados os encontros e o objetivos dos mesmos. Todas as partes do projeto foram bem explanadas para mostrar aos professores a importância de participarem do projeto, que visou incentiva-los a usarem as novas tecnologias disponíveis na escola, demostrando que as mesmas podem tornar-se suas aliadas no planejamento das aulas, ampliando seus conhecimentos sobre seus usos como recursos pedagógicos para articulação do conteúdo curricular. Foi distribuído uma ficha de adesão para cada professor presente, para que fosse feito um levantamento de interesse na participação do Projeto. 2º Oficina: Novas Tecnologias O termo “novas tecnologias” inclui tecnologias onde a informática e os multimidia desempenham o papel principal. São consideradas NTICs, entre outras: •os computadores pessoais (Pcs, personal computers) •as câmeras de vídeo e foto para computador ou webcams •a gravação doméstica de CDs e DVDs •os diversos suportes para guardar e portar dados como os disquetes (com os tamanhos mais variados), discos rígidos ou hds, cartões de memória, pendrives, zipdrives e assemelhados •a telefonia móvel (telemóveis ou telefones celulares) •a TV por assinatura •TV a cabo •TV por antena parabólica •o correio eletrônico (e-mail) •as listas de discussão (mailing lists) •a internet •a world wide web (principal interface gráfica da internet) •os websites e home pages •os quadros de discussão (message boards) •o streaming (fluxo contínuo de áudio e vídeo via internet) •o podcasting (transmissão sob demanda de áudio e vídeo via internet) •esta enciclopédia colaborativa, a wikipedia, possível graças à Internet, à www e à invenção do wiki •as tecnologias digitais de captação e tratamento de imagens e sons •a captura eletrônica ou digitalização de imagens (scanners) •a fotografia digital •o vídeo digital •o cinema digital (da captação à exibição) •o som digital •a TV digital e o rádio digital •as tecnologias de acesso remoto (sem fio ou wireless) •Wi-Fi •Bluetooth •RFID •EPVC (WIKIPEDIA, 2012) Todos estes termos foram trabalhados nesta oficina, através de pesquisas na própra internet e de forma interativa. Em relação ao uso da Internet, que é uma ferramenta que todas as escolas do Estado do Paraná tem acesso e que os professores a utilizam para ilustrar suas aulas com apresentações, músicas, vídeos e filmes, foi demonstrado durante a implementação que essa ferramenta pode ser exploradas de forma que traga para os professores possibilidades que ele ainda não conhecia. Para isso, trabalhamos a história da internet, pré década de 60 até os dias de hoje, e a forma interessante como que a internet decolou no Brasil, através do lançamento na própria internet, da música “Pela Internet” de Gilberto Gil. Também foi trabalhado o que ocorre na internet em apenas 24 horas. Quantas atualizações são feitas no facebook, quantos tweets, quantos aplicativos são baixados, quantas buscas são realizadas no google dentre outras informações. O interessante foi quando os professores tiveram que fazer uma análise dos gêneros textuais emergentes na mídia virtual e suas contrapartes em gêneros préexistentes, porque neste momento perceberam que tudo aquilo que ao longo dos anos eles já estavam fazendo, hoje pode ser feito através da internet, o que acaba sendo mais interessante para o aluno, e muito mais prático e rápido para o professor. 3ª Oficina: Direitos Autorais, Netiqueta, Internetês e Emoticon Diante das mudanças do mundo contemporâneo e com o uso de novas tecnologias, precisamos manter um comportamento ético diante do seu uso. O uso das novas tecnologias deve ser realizado com bom senso, deve-se também respeitar os Direitos Autorais, mantendo as autorizações devidas para utilizar celular, câmeras fotográficas, gravação de vídeo, de áudio e demais recursos. Outra questão importante foi mostrar para o professor que o seu blog estará na World Wide Web, ou seja, na Internet, e o mundo inteiro terá acesso. Portanto, foi analisado o cuidado que devemos ter com os comentários, postagem de fotografias ou vídeos e com menção a pessoas e a instituições. Para conhecer as regras e normas que permeiam o universo da Internet trabalhamos a “Netiqueta” que descreve o comportamento dos usuários desse tipo de comunicação, para deixar claro que a Internet não é um mundo em que possamos esquecer o comportamento ético. Para tanto foi utilizado pesquisas em vários sites que descrevem a “Netiqueta”, como devemos nos comportar quando utilizamos o recurso da tecnologia e comunicação em rede. Foi elaborado junto com os professores, uma forma de pesquisar e passar para os alunos as regras da Internet bem como as Normas de Direitos Autorais que devem ser respeitadas já que se trata de um trabalho intelectual que tem autor e, portanto, com direitos sobre a obra produzida. O mesma preocupação tivemos com o uso do e-mail, que já faz parte da vida da maioria das pessoas. Mas infelizmente, algumas pessoas ignoram muitas das boas práticas da comunicação online. Então, foi proposto aos participantes que a partir daquele momento, durante as oficinas e para o envio e recebimento de tarefas, nós só iriamos nos comunicar através de e-mail, e que eles deveriam ser usados com elegância, eficácia e respeitando as normas de etiquetas. Nesta oficina foi analisado o internetês, que expressa a nova forma de escrever adotado pela maioria dos jovens e adolescentes que têm o hábito de conversar em chats e programas de bate-papo. Esse novo modo de escrever colocou como regra o não uso de acentos, a possibilidades de inventar palavras ou emendá-las, obedecendo somente a fonética. Linguagem essa que muitos professores ainda não aceitam. Foi trabalhado também a origem, a história e os significados dos emoticons, que é utilizado principalmente pelos jovens para revelar sentimentos através de símbolos diferenciados, que não são fáceis de escrever somente com palavras. É uma maneira descontraída e econômica de expressar reações em uma conversa. Os professores perceberam a importância que eles tem numa conversa online, e como o diálogo fica muito mais interessante e cheio de sentimentos. O mais importante é que começaram a descobrir sózinhos vários emoticons e outros símbolos e já em seguida começaram a utilizar em seus e-mails e conversas online. 4ª Oficina: Criando Avatares Que tal criar um avatar para colocar no seu blog? A partir dessa pergunta foi desenvolvida essa oficina, porque a maioria dos participantes não sabiam o que era um avatar, o que despertou muita curiosidade. Então, começaram a pesquisar o que era um avatar, sua origem, os vários tipos e sua utilização. Foi sugerido alguns tutoriais e sites para criação de avatares, e a partir deles os participantes criaram os seus, que posteriormente foram postados em seus blogs. Como material de apoio, foi utilizada a apostila da Universidade Estadual de Ponta Grossa - Programa de Formação Continuada 2012 do NUTEAD (Oficina “Recursos Multimídia para a Educação-Módulo 2), elaborada pela professora Claudia Cristina Muller. 5ª Oficina: Blogs A internet é uma provocadora de novos conceitos e atitudes e o blog é a atual febre da rede, pois permite fazer relatórios online, expor pensamentos, emoções e pontos de vista, compartilhando tudo com pessoas do mundo inteiro, numa inteiração jamais vista. Os weblogs ou blogs são, na atualidade, recursos da Internet muito utilizados para uso pedagógico. Sendo assim, foi discutido as vantagens de se usar um blog na educação. Através de e-mail foram feitas as seguintes indagações: Você já visitou algum blog? Que tal visitarmos alguns? Após os cursistas responderem via e-mail, utilizando todos os recursos que já haviam sido trabalhados, foi feito a seguinte sugestão: Para essa viagem ao mundo dos blogs, recomendamos os blogs dos pontagrossenses abaixo: Ana Letícia Grigol Dias e Beatriz Ribeiro Freire http://enteemaltesepinceis.wordpress.com Tendências Silvio Prado http://poesiavisualsilvio.blogspot.com.br Poesia experimental Marcelo Crul http://profmarcelo2012.blogspot.com.br Conhecimentos Mardja Cássia Cioffi e Glacy Macedo Benk http://cienciasjt.blogspot.com.br Ciências no Cotidiano Glacy Macedo http://glacymacedo.blogspot.com.br/ Biodiversidade Depois de todos os blogs visitados, os cursistas tiveram que dizer qual mais gostaram, o por quê e avaliar quais foram os aspectos que mais lhe chamaram a atenção para levar em consideração na hora de criar o seu próprio blog. Na sequência, escolheram um modelo o qual deveriam se inspirarar na hora de criarem o seu blog, mas sem se preocuparem, porque poderiam buscar outros modelos para personalizarem o seu blog depois. 6ª Oficina: Criação de Blog Os blogs são considerados canais de expressão e comunicação que promovem o contato entre pessoas de interesses comuns. Portanto, o blog é uma ferramenta virtual de aprendizagem, presente na web, que promove uma nova forma de interagir, conhecer, pensar, escrever e ler. Para se criar um blog não é necessário grandes conhecimentos, qualquer usuário pode criar o seu, seja professor, aluno ou outro usuário da Internet. Existem ferramentas simples e gratuitas na web que permitem colocar um blog em funcionamentos, sem necessidade de conhecimentos prévios. Para isso, dentro dos recursos que a Internet dispõe cada professor escolheu um dos aplicativos da web (listados abaixo), o qual achou mais conveniente para a criação do seu Blog, com o intuito de fazer dele um diário de viagem; ou para postar suas crônicas de vida; ou para compartilhar materiais da sua disciplina com seus alunos ou para suas reflexões sobre determinado assunto. WordPress - www.wordpress.org Edublogs - www.edublogs.org Tumblr - www.tumblr.com Blogger - www.blogger.com Wix - www.wix.com Como material de apoio foi utilizada a apostila da Universidade Estadual de Ponta Grossa - Programa de Formação Continuada 2012 do NUTEAD (Oficina “Recursos Multimídia para a Educação-Módulo1), elaborada pela professora Claudia Cristina Muller. 7ª Oficina: Postagem de conteúdos no Blog Foi realizada uma roda de conversa, no início da oficina que serviu de base para as reflexões do que, e como seriam as postagens nos blogs, no momento da oficina e fora dela. Essa roda de conversa contribuiu para que os blogs tivessem uma “marca” de cada disciplina e/ou professor. Inicialmente fizeram um planejamento do seu blog, ou seja, quais textos seriam publicados, o que eles queriam compartilhar, etc. Em seguida iniciaram as postagens utilizando um editor de textos sabendo que poderiam editar as suas postagens a qualquer momento. Também, colocaram fotos, vídeos, relógio e links diversos. Como o aplicativo do blog é extremamente intuitivo, foi proposto que o professor navegasse, experimentando todas as funcionalidades. Foi divertido, porque descobriram muitas coisas, mudando o modelo do design, personalizando cada vez mais o seu blog, até ficar do “jeitinho” que eles queriam. 8ª Oficina: Avaliação Esta oficina serviu para que fossem sanadas as dúvidas, que os participantes ainda tinham, a respeito do que foi tratado nas oficinas anteriores e para o término das atividades que ainda não tinham sido concluídas. Também se destinou para a avaliação dos avanços, das dificuldades e dos resultados obtidos, através das oficinas. Para que o grupo participasse desta avaliação, foi proposto uma roda de conversa, onde cada participante escolheu duas palavras para qualificar as oficinas. Assim, uma palavra devia expressar o lado positivo e a outra o lado negativo, se houvesse. Porém, antes de começar a explicar as palavras e o porque de cada uma, os participantes tiveram que ascender um palito de fósforo e falar enquanto o seguravam acesso. Quando o palito apagava e não dava tempo de falar, tinham que passar a vez para o colega. No final, quando todos já tinham falado e alguns tinham se angustiado com a falta de tempo para falar devido ao fogo ter apagado, tiveram outra chance de se manifestarem completando o que não foi possível ser dito anteriormente. Nesse momento os professores já descontraído um pouco mais com a situação inusita, tiveram a impressão de que ainda tinham muito a falar e que o tempo tinha sido pouco. Então, tiveram novamente a oportunidade de falar, sem o fogo e explicar as duas palavras ou dizer algo mais. Dessa forma acredito que as pessoas se sentiram mais livres para de fato avaliarem as oficinas. 4- CONSIDERAÇÕES FINAIS A implementação do projeto, em forma de oficinas foi muito gratificante, pois permitiu associar a teoria à prática. Com o uso apenas do laboratório de informática, os professores se mostraram motivados, unidos e empenhados em buscar estratégias para serem utilizadas de acordo com o conteúdo trabalhado em cada disciplina, no dia a dia, visando dinamizar as aulas e tornar mais significativo o ensino. Para os professores, pela avaliação realizada por eles, as oficinas cumpriram os seus objetivos, pois alguns não tinham conhecimento sobre a utilização dessas recursos. Ficaram felizes pela oportunidade de fazer parte do grupo, adquirirem mais conhecimento quanto à utilização das mídias tanto na sua rotina pessoal quanto profissional. Portanto, a implementação do projeto, contribuiu para que os professores buscassem mais recursos na elaboração de suas aulas. Durante o desenvolvimento das oficinas, os professores ficaram mais motivados para buscar e aplicar novas tecnologias no trabalho diário. Cada momento foi aproveitado para a troca de experiências e reflexão sobre a nossa prática em sala de aula, bem como vislumbrar todas as inovações que o uso das tecnologias pode proporcionar para nós educadores e para nossos alunos. Mesmo diante das dificuldades no uso das tecnologias em sala de aula, por parte dos professores e pedagogos, notou-se uma constante batalha entre a resistência do uso das novas tecnologias e o prazer de vencer com seus esforços. Conclui-se que as novas tecnologias são imprescindíveis para os profissionais da educação que buscam aperfeiçoamento constante e assim podem acompanhar o avanço tecnológico, levando-os a um novo paradigma educacional que ultrapasse o ensino fragmentado. Esse novo olhar sobre a educação vem de encontro com a demanda atual da sociedade que exige um ensino mais consistente diante das tecnologias. A proposta do projeto procurou romper com a rigidez tradicional na forma de ministrar as aulas para uma proposta articulada com a realidade tecnológica. 5- REFERÊNCIAS AZANHA, J. M. P.. A formação do professor e outros escritos. São Paulo: Editora Senac, 2006. COSTA, S. R. Dicionário de gêneros textuais. Belo Horizonte: Autêntica, 2008. KENSKI, V. M. Educação e tecnologias -o novo ritmo da informação. 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