•BMW COMEÇA A MONTAR
NA FÁBRICA DE ARAQUARI
•RECALL: QUEM, AFINAL,
FICA COM O PREJUÍZO?
•IAA MOSTROU FUTURO DO
CAMINHÃO EM HANNOVER
Automotive
OUTUBRO de 2014
ano 6 • número 29
OUTUBRO 2014 • ano 6 • número 29
SERVIÇOS: CORRIDA
PELA COMPETITIVIDADE
Na disputa pela preferência das montadoras, o que vale mais é a oferta de
bons preços, um sistema sólido de qualidade e certeza de entrega
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Job: 22009-030 -- Empresa: Neogama -- Arquivo: 22009-030-RENAULT-INST-AN-REV-AutomotiveBusiness-51x27.5_pag001.pdf
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índice
índice
54
CAPA
SERVIÇOS:
CORRIDA PELA
COMPETITIVIDADE
luis prado
Fornecedores disputam preferência das
montadoras com preços competitivos, boa
qualidade e certeza de entrega
8F
ERNANDO CALMON
ALTA RODA
A guerra dos aditivos
10 NO PORTAL
12 CARREIRA
14 PRÊMIO
TOP SUPPLIER DESTACA FORNECEDORES
Ford reconhece melhores parceiros
16 NEGÓCIOS
26 M
ÁQUINAS AGRÍCOLAS
TENDÊNCIA DE MELHORA
Boa expectativa para fim do ano
28 IMPLEMENTOS
MERCADO EM BAIXA
Aposta na renovação da frota
4 • AutomotiveBUSINESS
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30 FÓRUM IQA
O DESAFIO DA QUALIDADE
Em busca de novos patamares
32 WORKSHOP
DESAFIOS DA LEGISLAÇÃO
O impacto da rastreabilidade
34M
ARKETING AUTOMOTIVO
OBESIDADE NA INFORMAÇÃO
Solução passa pelo foco no cliente
36RECALL
QUEM PAGA A CONTA?
Acerto entre montadora e fornecedor
40 CAMINHÕES
DAF PROCURA SEU ESPAÇO
O avanço da operação
44 AUTOMECHANIKA
BUSCA DO MERCADO GLOBAL
Sindipeças e Apex lideraram iniciativa
54 S
ERVIÇOS
56 Consultoria
58 Engenharia
59 Testes e simulações
60 Automação
61 Logística
62 Tecnologia da informação
64 Financeiras
65 Certificação
46IAA 2014
HANNOVER MOSTROU O FUTURO
Eficiência, conectividade e automação
66 COBIÇA
COMPRAS PREMIUM
Atrações automotivas
50INAUGURAÇÃO
BMW INAUGURA FÁBRICA
As estratégias da montadora
AutomotiveBUSINESS • 5
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editorial
revista
www.automotivebusiness.com.br
Paulo Ricardo Braga
Editor
[email protected]
o valor dos serviços
A
final, quem paga a conta do recall promovido pela indústria
automobilística? O jornalista Gustavo Ruffo foi conferir essa questão
e chegou à conclusão de que, após a campanha, na hora de apurar
responsabilidades, a montadora poderá cobrar do fornecedor da peça
defeituosa parte do valor gasto em todo o processo ou “até mesmo
espetar nele a conta toda”.
Ele descobriu, também, um fato alarmante: dos 461 chamados para
reparos em automóveis desde 1998, apenas 28 foram considerados
concluídos, ou 6%, e há explicações como o fato de o consumidor não
voltar à concessionária para manutenção, a ineficácia da campanha de
chamamento e a troca de propriedade do veículo.
Serviços de valor no âmbito da indústria automobilística são também
analisados nesta edição, como matéria de capa, passando pela
consultoria, engenharia, testes e simulações, automação, logística,
tecnologia da informação, crédito e certificação.
Outro destaque desta edição, além do caderno de serviços, é a
cobertura de eventos do setor, como os três recentes promovidos por
Automotive Business no Centro de Convenções Milenium, em São
Paulo, com casa cheia: Fórum da Qualidade (em parceria com o IQA),
Workshop Legislação e Fórum de Marketing. Fomos conferir também as
novidades do Salão de Paris, do IAA (em Hannover) e Automechanika
(em Frankfurt). As atrações do Salão de São Paulo terão cobertura no
Portal Automotive Business.
Nossa reportagem revisitou a planta da DAF Caminhões, em Ponta
Grossa, PR, e acompanhou a inauguração da fábrica da BMW, em
Araquari, SC, marca premium que se antecipa aos empreendimentos da
Mercedes-Benz (Iracemápolis), Audi (São José dos Pinhais, PR) e Jaguar
Land Rover (Itatiaia, RJ), todos em curso.
Editada por Automotive Business, empresa
associada à All Right! Comunicação Ltda.
Tiragem de 12.000 exemplares, com
distribuição direta a executivos de fabricantes
de veículos, autopeças, distribuidores,
entidades setoriais, governo, consultorias,
empresas de engenharia, transporte e logística
e setor acadêmico.
Diretores
Maria Theresa de Borthole Braga
Paula Braga Prado
Paulo Ricardo Braga
Editor Responsável
Paulo Ricardo Braga
(Jornalista, MTPS 8858)
Editora-Assistente
Giovanna Riato
Redação
Camila Franco, Mário Curcio,
Pedro Kutney e Sueli Reis
Editor de Notícias do Portal
Pedro Kutney
Colaboradores desta edição
Alexandre Akashi, Camila Waddington,
Edileuza Soares, Gustavo Ruffo e
Tatiana Carvalho
Design gráfico
Ricardo Alves de Souza e
Josy Angélica
Fotografia
Estúdio Luis Prado
Publicidade
Carina Costa, Greice Ribeiro, Monalisa Naves
Atendimento ao leitor
Patrícia Pedroso
WebTV
Marcos Ambroselli
Comunicação e eventos
Carolina Piovacari
Impressão
Margraf
Distribuição
MTLOG
Até a próxima edição.
Administração, redação e publicidade
Av. Iraí, 393, conjs. 51 a 53, Moema,
04082-001, São Paulo, SP,
tel. 11 5095-8888
[email protected]
6 • AutomotiveBUSINESS
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ALTA RODA
GUERRA DOS ADITIVOS
luis prado
P
Fernando Calmon é
jornalista especializado na
indústria automobilística
[email protected]
Leia a coluna Alta Roda
também no portal
Automotive Business
PatrocinadorAS
olítica de
combustíveis no
Brasil continua
errática e com alto
grau de improvisação.
Exemplo mais recente
é a lei já aprovada que
autoriza o aumento do
teor de etanol anidro de
25% para 27,5%, desde
que testes comprovem
viabilidade técnica. Uma
lei condicional! Não seria
mais lógico primeiro fazer
todas as avaliações e, se
aprovada a nova mistura,
então encaminhar projeto
de lei ao Congresso
Nacional? Na realidade,
apenas jogada eleitoreira.
Motores modernos
têm condição de lidar
com esse aumento de
mistura sem problema
de partida a frio ou falhas
de aceleração. Os testes
conduzidos pela Petrobras
deverão indicar isso, mas
ninguém deu atenção
aos motores antigos com
carburador ou injeções de
combustível de primeira
geração. Além disso, o
consumo pode aumentar
marginalmente. A gasolina
padrão para limites de
emissões e metas de
eficiência energética
previstas no Inovar-Auto
contém apenas 22%
de etanol. Com 25% o
motorista já perde um
pouco em consumo e com
27,5%, mais ainda.
O governo tem feito
trapalhadas. Em meados
do ano resolveu estimular
a melhoria relativa de
consumo/autonomia
entre etanol e gasolina
em motores flex porque a
indústria se acomodou e
hoje mal consegue manter
a paridade esperada de
70%. A nova lei sinaliza
apenas que “poderá” haver
abatimento de imposto para
veículos que alcançarem
relação acima de 75%.
Com a tendência
de aplicação de
turbocompressor,
particularmente ótimo
em motores flex por
aproveitar bem melhor as
características químicas
do etanol, não seria difícil
atingir a meta, embora
a custo maior. Mas sem
saber em quanto cairia o
imposto e se o incentivo
é por versão, modelo
ou média de tudo que
produz, nenhuma fábrica
vai se mexer. Algumas
estão até contrariadas, em
especial as que por pura
miopia têm motores flex
sofríveis ao usar etanol.
No recente Seminário
Internacional de
Combustíveis, organizado
pela AEA em São Paulo,
ficou explícita a discórdia
entre governo, agência
reguladora (ANP) e
Petrobras, responsável,
na prática, por toda a
gasolina vendida no País.
Em dezembro de 2009 se
decidiu que em janeiro de
2014 só existiria gasolina
aditivada, como na maioria
dos países com grandes
frotas. Isso não ocorreu
e sim um adiamento
para julho de 2015. Ou
seja, uma finge que
regulamenta e outra finge
que não entende.
De qualquer forma,
a atual gasolina S50
(50 ppm de enxofre),
de melhor qualidade e
obrigatória desde 1º de
janeiro último, evoluirá
dentro de menos de um
ano (se não houver outro
atraso) graças a aditivos
detergentes e dispersantes
para limpar e manter
limpos injetores, válvulas,
câmaras de combustão e
coletores. No seminário
se discutiu a qualidade
mínima desses aditivos, os
riscos de uso em excesso,
a descontaminação das
estruturas de transporte e
como o mercado reagirá a
100% de gasolina aditivada.
As distribuidoras deverão
se preparar para uma
guerra de comunicação
ainda maior em meados do
próximo ano. Há aditivos
específicos de redução
de atrito entre pistões e
cilindros, com potencial
de discreta melhora de
desempenho e até de
consumo, que se somam
aos aditivos detergentesdispersantes. Cada uma
terá de convencer o
consumidor que a sua
gasolina é superior à
do concorrente.
8 • AutomotiveBUSINESS
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Fernando Calmon
DEMOROU só nove
meses para VW confirmar acordo com sindicato de metalúrgicos de
São Bernardo do Campo (SP) e repor 900 empregos que se foram com
a Kombi. Novo Jetta será produzido no segundo trimestre de 2015,
em operações um pouco
além de montar kits importados e motor/câmbio nacionais. Baseado
no Golf 6, não precisava
ficar no Paraná, de onde
sairá Golf 7.
CHEVROLET S10
entrou na era do motor flex e injeção direta
etanol/gasolina. Embora por preço mais baixo o anterior 2,4-L/147
cv (etanol) de injeção indireta permaneça, a nova unidade ganhou bastante em potência específica. Agora são ótimos
206 cv/27,3 kgfm (etanol) para 2,5 L. Preços:
R$ 86.400 a R$ 103.700
(4x4). Mais em que conta
versões Diesel.
FALTA pouco para Jaguar Land Rover confirmar produtos da sua
nova fábrica de Itatiaia
(RJ). Escolha natural é
o sucessor do Freelander, Discovery Sport,
que estreou no Salão
do Automóvel de Paris.
Nos planos também o
Jaguar XE, novo rival
MALAGRINE ESTÚDIO
RODA VIVA
mercedes-benz gla destaca-se pelo estilo esportivo. Motor turbo de 156 cv dá conta do recado
do Série 3 e do Classe C.
Falta decisão sobre o Evoque, Land Rover mais vendido no País.
PRESSIONADA por
cota de apenas 3.000 veículos importados por ano,
Volvo e sua proprietária
chinesa Geely estudam ter
fábrica no Brasil. Ambas
negam, mas talvez não haja alternativa para concorrer em um mercado que,
apesar de queda recente,
estará entre os quatro ou
cinco maiores do mundo
no fim desta década.
CÂMBIO automatizado
de uma embreagem, pelo
preço mais baixo, tende a
se firmar. No VW Up! já representa em torno de 20%
das versões em que a opção é oferecida. No pesado
trânsito urbano, com pequena adaptação no modo de dirigir, o up! automatizado passa marchas sem
grandes incômodos. Mas
não tem conforto de automático, claro.
AINDA no capítulo das
trapalhadas, é inacreditável o governo estimular
apenas modelos híbridos
que não carregam bateria
em tomada. Os puramente elétricos também ficaram de fora do corte no
imposto de importação.
São carros bem mais caros e, assim, de vendas limitadas, sem risco de sobrecarregar a rede elétrica.
MERCEDES-BENZ
GLA, agora importado e
nacional em 2016, destaca-se pelo estilo esportivo
ante outros SUVs compactos. Motor turbo 1,6l/156
cv dá conta do recado,
mas ideal seria potência
algo maior. Materiais internos, de primeira linha,
contrastam com ausência
de ar-condicionado automático e GPS para o preço de R$ 132.900. Versão
completa salta para
R$ 149.90 0.
NOVA geração do Honda City ganhou espaço in-
terno (na frente e atrás),
além de equipamentos
como câmera de ré regulável em três ângulos.
Melhorou o vão de acesso ao generoso porta-malas de 536 l. Câmbio
automático CVT agora
tem sete marchas virtuais e hastes no volante,
mas o motor 1,5 L/116
cv vai melhor no Fit.
Preços continuam bem
puxados: R$ 53.900 a
R$ 69.000.
MITSUBISHI Outlander terá no início
de 2015 versão híbrida plugável em tomada. Diferencia-se por
soluções técnicas brilhantes. A começar pelos dois motores elétricos (um para cada eixo) que permitem tração 4x4 gerenciável de
forma automática sem
o peso dos componentes mecânicos. Estes
motores trabalham em
série e em paralelo ao
de combustão.
AutomotiveBUSINESS • 9
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portal
| automotive business
As novidades que você encontra em www.automotivebusiness.com.br
SHINERAY PROMETE FÁBRICA SCHMALL, DA VW, SÓ PREVÊ
de motos PARA
CRESCIMENTO
DEZEMBRO
EM 2016
A Shineray agendou
para dezembro a
inauguração de sua
primeira fábrica no
Brasil – e também a primeira fora da
China, localizada na cidade de Cabo
de Santo Agostinho (PE). Construída
com investimento de R$ 130 milhões,
a unidade está situada em terreno
de 156 mil metros quadrados. “Os
equipamentos já estão montados e no
momento aguardamos a inspeção do
Inmetro para liberação da numeração
de chassis brasileira”, assegura Paulo
Perez, diretor executivo da Shineray.
Para Thomas
Schmall, presidente
da Volkswagen do
Brasil, o tombo
no mercado interno de veículos
este ano já está dado: espera-se
recuo das vendas de 8% a 10%.
Para 2015 a expectativa é de
estagnação, com números iguais ao
deste ano. A volta do crescimento
só é esperada para 2016. “Ainda
existe muito potencial, 50% dos
brasileiros não têm carro. Mas é
necessário fazer ajustes para a
economia voltar a crescer”, avaliou.
HONDA CONCLUI
RENOVAÇÃO
DA LINHA
COM O CITY
Depois de lançar
no Brasil as novas
gerações do Fit e
do Civic a Honda apresenta o City
reestilizado. O modelo global chega
ao Brasil com a missão de superar as
expectativas dos consumidores e retomar
o patamar de vendas que o carro tinha
antes de a sua produção desacelerar
para a chegada da nova versão, entre 3
mil e 4 mil unidades por mês. São quatro
versões, todas equipadas com motor 1.5
i-VTEC 16V de até 116 cv. Os preços
começam agora em R$ 53.900.
WEB TV www.automotivebusiness.com.br/abtv
Entrevista
Entrevista
Vilmar Fistarol,
da CNH Industrial,
espera recuperação
do mercado
em 2015
Maurício
Muramoto,
da Deloitte,
traça novo
perfil do
consumidor brasileiro
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QUEM É QUEM
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Balanço semanal
dos acontecimentos
mais importantes
do setor
automotivo
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10 • AutomotiveBUSINESS
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CARREIRA
VOLVO CARS:
PRÓXIMA DO GOVERNO PARA
ATENDER O INOVAR-AUTO
CAMILA FRANCO
J
orge Mussi, diretor de pós-vendas,
passa a acumular a diretoria de
assuntos governamentais e conta que
um de seus principais desafios será
discutir metas de eficiência energética
AUTOMOTIVE BUSINESS –
Por que a Volvo Cars só agora
criou a diretoria de assuntos
governamentais? Cogita produzir
no Brasil?
JORGE MUSSI – Chegamos a um
ponto nas discussões do setor em
que nenhuma marca pode deixar de
ser individualmente representada,
ainda que existam Abeifa e
Anfavea. Esta área é importante
agora principalmente devido aos
requerimentos técnicos discutidos
com maior frequência entre governo
e indústria por causa do Inovar-Auto.
Um dos principais desafios será
acompanhar as metas de eficiência
energética às quais os participantes
do programa estão sujeitos. Não
temos planos para produção local.
AB – Quais serão as suas
responsabilidades?
JM – Serei responsável pelo
relacionamento com vários órgãos.
Entre os assuntos principais
estão homologação de produtos
e certificação de componentes.
Participaremos de discussões
da indústria com o governo que
envolvam os interesses da Volvo.
AB – Quais foram as suas vitórias
em três anos no pós-venda da
Volvo? E como será conciliar as
duas diretorias?
JM – Fomos a primeira marca
premium a implementar serviços
nunca antes oferecidos aos clientes
deste segmento, como o One Hour
Stop, que faz 80% dos reparos do
automóvel dentro de uma hora com
o acompanhamento do cliente.
Também introduzimos a infraestrutura
necessária para o Volvo on Call,
que oferece serviço de segurança,
conveniência, comunicação e controle
do carro por meio de aplicativo para
smartphones e tablets e de uma
central de atendimento 24 horas
interligada ao veículo. As duas áreas
em certos pontos são complementares
e por isso teremos uma eficiência maior
combinando-as. n
EXECUTIVOS
fia
T CHRYSLER – Antonio Filosa (foto 1), assume a diretoria de compras para América Latina. Está
no lugar de Osias Galantine (foto 2), agora responsável pelas compras da CNH Industrial, holding de veículos
industriais do Grupo Fiat.
N
ISSAN – Contratou José Luiz Vendramini (foto 3), como diretor comercial. Tem experiência em vendas,
desenvolvimento de rede, qualidade ao consumidor e pós-venda. Arnaud Charpentier (foto 4) é o novo diretor
de marketing no lugar de Murilo Moreno, que saiu da empresa. Dirigia a área de qualidade ao consumidor e
desenvolvimento de rede desde janeiro.
R
ENAULT – Marcus Vinicius Aguiar (foto 5) é o novo diretor de relações institucionais, governamentais
e de responsabilidade social empresarial. Foi chefe de serviço técnico, legislativo e normativo da Fiat Chrysler
América Latina.
C
AOA – Para aumentar as autopeças nacionais dos veículos de Anápolis (GO), a empresa contratou Ivan Witt
(foto 6), como diretor de compras. Cuidará das aquisições da fábrica e da rede de concessionárias.
V
ALEO SERVICE – Divisão dedicada ao mercado de reposição anuncia seu novo diretor-geral para o Brasil:
Fernando Ribeiro (foto 7) assume, acumulando o cargo também na América do Sul.
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UM É BOM,
DOIS É ÓTIMO,
TRÊS É KOSTAL!
PRÊMIO
TOP SUPPLIER 2014
Kostal,o aseuúnica
empresa
Ganhadora pelo terceiro ano consecutivo, a KOSTAL reafirma
compromisso!
a receber por TRÊS
ANOS CONSECUTIVOS o
Prêmio Top Supplier
Receber da FORD do Brasil, o “Prêmio Top Supplier 2014” como melhor fornecedor na
Categoria Elétrica e Mecanismos da América do Sul é a prova do reconhecimento dos
constantes investimentos em qualidade e tecnologia que a Kostal vem fazendo ao longo
dos anos. O nosso comprometimento vai além de oferecer uma ampla gama de produtos,
serviços e a excelência no resultado custo-benefício. Trabalhamos sempre para exceder as
expectativas do cliente, aliado as melhores práticas e com o desenvolvimento sustentável.
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NEGÓCIOS
PRÊMIO FORD
TOP SUPPLIER
DESTACA
FORNECEDORES
MONTADORA RECONHECEU
OS MELHORES DA AMÉRICA
DO SUL EM 13 CATEGORIAS
D
urante o encontro anual com os
principais fornecedores da América
do Sul, quando foram apresentados os
resultados da empresa na região e alinhadas as novas
metas e estratégias, a Ford entregou o Prêmio Top
Supplier 2014 aos seus melhores parceiros que se
destacaram pelo desempenho em 2013 e 2014. A
escolha dos fornecedores foi feita com base em uma
avaliação em que são considerados quesitos como
qualidade, custo, entrega e
relacionamento comercial.
A 13a edição do Prêmio Top Supplier da Ford contou
com a presença de Steven Armstrong, presidente da
Ford América do Sul, Hau Thai-Tang, vice-presidente
global de compras, Amit Singhi, diretor de finanças da
América do Sul, Félix Guillen, diretor de operações e
manufatura, e João Pimentel, diretor de compras da
América do Sul, entre outros executivos.
“Além de premiar nossos melhores fornecedores, o
evento é parte do nosso processo de comunicação e
transparência com nossos parceiros. Revimos nossos
planos e o que estamos fazendo para melhorar nossa
competitividade na região”, disse João Pimentel.
VENCEDORES
O Prêmio Top Supplier 2014 da Ford:
•INTERIOR E ACABAMENTOS
Treves Argentina
•ELÉTRICA E MECANISMOS
Kostal Eletromecânica
•CHASSIS
Pirelli Neumaticos Argentina
•BODY & EXTERIOR
SMR Automotive Brasil
•RAW MATERIAL & ESTAMPADOS
Basf Argentina
•POWERTRAIN/PTI
ZF Sachs
•POWERTRAIN/PTC
Elring Klinger do Brasil
•SERVIÇO AO CLIENTE – PEÇAS E ACESSÓRIOS
Quimica True SACIF
•CAMINHÕES
Indebras
•SERVIÇOS
Servicios Compass de Argentina
•MATERIAL INDUSTRIAL
Braunco
•MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS
Prodismo
•TRANSPORTES
Penske Logistics do Brasil
14 • AutomotiveBUSINESS
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NEGÓCIOS
PONTO DE VISTA
Vejo muita notícia negativa. A situação é dura, mas
não é esse desastre todo. Depois desse momento
complicado de queda das vendas, acredito que
vamos reconstruir o mercado no próximo ano
Vilmar Fistarol, presidente da CNH Industrial, ao falar das expectativas para 2015
Fábricas
MERCEDES-BENZ APLICARÁ
R$ 730 MILHÕES NO BRASIL
A
Mercedes-Benz anunciou novo plano de investimento para a operação
brasileira. O pacote soma R$ 730 milhões, que serão gastos até
2015 nas duas fábricas da marca. A sexagenária planta de São Bernardo
do Campo (SP) receberá R$ 500 milhões para modernizar e ampliar as
instalações. Os outros R$ 230 milhões serão destinados à unidade de Juiz
de Fora (MG), que hoje monta os modelos Acelo e Actros e, a partir de
2016, passará a soldar e pintar as cabines de todos os modelos montados
no País. A produção do Acelo será transferida para a unidade de São
Bernardo do Campo.
“Precisávamos aumentar as sinergias entre as duas fábricas. Há cerca
de um ano começamos a estudar isso e decidimos que a melhor maneira
seria transferir para Juiz de Fora toda a produção de cabines, pois é uma
planta moderna que tem o estado da arte para a armação (soldagem) e
pintura”, disse Philipp Schiemer, presidente da Mercedes-Benz do Brasil. Em
2010 a Mercedes-Benz anunciou R$ 1,5 bilhão. Em 2012 foi definido novo
investimento, de R$ 1 bilhão, que inclui o processo de nacionalização do
Actros produzido na planta mineira. Somados, os aportes da companhia no
Brasil chegam a R$ 3,23 bilhões.
Mercado
QUATRO GRANDES PERDEM ESPAÇO NO BRASIL
N
os últimos dez anos as quatro maiores montadoras instaladas localmente – Fiat, Volkswagen, General Motors
e Ford, por ordem de volume de vendas – perderam 15,8 pontos de participação no mercado. A conclusão é
de estudo da consultoria Jato Dynamics. Em 2004 estas companhias respondiam por 81,6% das vendas no País,
número que recuou para 65,8% em 2014, considerando apenas veículos leves. Em movimento oposto, Hyundai,
Renault e as japonesas Toyota, Honda e Nissan ganharam 14,2 pontos de participação nesse período.
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LUMIA
A TECNOLOGIA QUE MOVE VOCÊ.
Com uma expressiva lista de aprovações de produto, a
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fabricantes OEM e fornecedores sistemistas. Nossos
esforços constantes são reconhecidos por muitas
montadoras automotivas líderes, que sabem a importância
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negócios
Autopeças
BOSCH
PRONTA PARA
OS PRÓXIMOS
60 ANOS
E
Marcas
VALOR DA AUDI FOI
O QUE MAIS CRESCEU
A
Audi é uma das empresas cujo valor teve crescimento expressivo este
ano sobre 2013, considerando as 100 marcas mais valiosas do mundo.
A informação é do relatório Best Global Brands, organizado pela Interbrand.
O valor da montadora alemã chegou a US$ 9,83 bilhões, 27% acima do
verificado na avaliação anterior. Com isso a empresa subiu da 51a posição
do ranking para a 45a. O Top 100, liderado por empresas dos ramos de
tecnologia, bebidas, serviços e negócios, com a Apple em primeiro lugar,
seguida por Google e Coca-Cola, traz 16 montadoras.
BEST GLOBAL BRANDS
Marcas mais valiosas entre as montadoras
MARCA
VALOR
Toyota
Mercedes-Benz
BMW
Honda
Volkswagen
Ford
Hyundai
Audi
Nissan
Porsche
Caterpillar
Kia
John Deere
Chevrolet
Harley-Davidson
Land Rover
US$ 42,3 bilhões
US$ 34,3 bilhões
US$ 34,2 bilhões
US$ 21,6 bilhões
US$ 13,7 bilhões
US$ 10,8 bilhões
US$ 10,4 bilhões
US$ 9,8 bilhões
US$ 7,6 bilhões
US$ 7,1 bilhões
US$ 6,8 bilhões
US$ 5,3 bilhões
US$ 5,1 bilhões
US$
5 bilhões
US$ 4,7 bilhões
US$ 4,4 bilhões
VALORIZAÇÃO
SOBRE 2013
20%
8%
7%
17%
23%
18%
16%
27%
23%
11%
-4%
15%
5%
10%
13%
Nova no ranking
m novembro de 2014
a Bosch comemora 60
anos de operação no Brasil e
desenha a estratégia para crescer
baseada em investimentos em
produtividade com foco em
inovação. Só neste ano cerca
de R$ 100 milhões estão sendo
aplicados em todas as divisões,
mais fortemente na automotiva,
que responde por 70% dos
negócios da Bosch no País. Nos
últimos dez anos, mais de R$ 1
bilhão garantiu a continuidade
da evolução das tecnologias
e linhas de produção para
atender a demanda do mercado
doméstico.
Besaliel Botelho, presidente da
Bosch América Latina, acredita
que, apesar dos tempos mais
difíceis que o setor vivencia,
o mercado brasileiro dobrou
de volume e com isso veio a
necessidade de atender com
mais eficiência e a um custo
menor a necessidade local.
“Acredito que 2015 será tão
difícil quanto 2014, em termos
de vendas e mercado, mas
quando se faz investimento,
a visão é sempre de longo
prazo”, afirma. A maior parte
dos investimentos da Bosch
no Brasil está destinada à
nacionalização de componentes
e conjuntos que vão ajudar as
montadoras a se prepar para o
Inovar-Auto. (Sueli Reis)
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negócios
Carro popular
GM ADIA NOVO MODELO DE ENTRADA
S
egue em banho-maria o plano
da General Motors de fazer novo
carro popular no Brasil. “Viabilizar
um veículo de entrada não é fácil. É
um segmento que representa cerca
de 30% das vendas e queremos
ter uma fórmula ganhadora. Ainda
estamos estudando”, admite
Santiago Chamorro, presidente
da GM Brasil. “Não quer dizer
que estamos renunciando ao
segmento. Devemos continuar com
Celta e Classic por mais um par
de anos”, revela. Segundo ele, no
programa de investimento de R$
6,5 bilhões para o período 20142018, anunciado recentemente pela
companhia, não está contemplado o
novo carro popular. (Pedro Kutney)
sucessor do celta
ainda está em estudo
Compras
Investimento
AISIN CONSTRÓI NOVA FÁBRICA
A
japonesa Aisin vai aplicar
R$ 140 milhões na
construção de mais uma planta
no Brasil. O prédio produtivo será
instalado dentro do complexo
industrial da companhia em
Itu (SP), onde já são feitos
componentes para carroceria. A
partir de 2016 serão produzidos ali componentes para motores, com
capacidade para equipar 220 mil veículos por ano. Do total aplicado na
planta, R$ 90 milhões irão para a construção do galpão e R$ 50 milhões
para os novos equipamentos usados na fabricação. O aporte é parte
de um pacote de R$ 340 milhões que a organização tem programado
para o Brasil. Os componentes serão construídos com tecnologia de
injeção de alumínio die casting. O objetivo é alcançar redução de peso
para que as peças ajudem as montadoras a atingir metas de eficiência
energética propostas pelo Inovar-Auto. Takeshi Osada, diretor-presidente
da companhia para o País, adiantou ainda o projeto de fazer na unidade
componentes para freios e sistemas de transmissão manual, em 2015 e
2016, respectivamente. (Giovanna Riato)
LOCALIZAÇÃO
PARA ATENDER
INOVARAUTO
C
om o rastreamento da origem
das autopeças regulamentado,
o que permitirá verificar o conteúdo
local dos carros brasileiros,
montadoras vão atrás de garantir
a localização de componentes.
Nos próximos três anos a Ford
pretende trazer US$ 1 bilhão em
compras para a América do Sul. A
ideia é dar preferência às empresas
que já compõem sua base de
fornecedores. A General Motor
também vai adicionar às aquisições
locais valor equivalente, de US$ 1
bilhão, mas a intenção é realizar isso
até o fim deste ano.
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negócios
Autopeças
SINDIPEÇAS COMEMORA RASTREABILIDADE
A
s fabricantes de autopeças
enfim têm motivo para manter
o otimismo acerca do Inovar-Auto,
novo regime automotivo que entrou
em vigor no início de 2013. Paulo
Butori, presidente do Sindipeças,
reconhece que o programa pode
trazer resultados positivos. Depois de
quase dois anos de vigência, enfim
foram regulamentados aspectos que
dizem respeito ao rastreamento do
conteúdo dos carros para garantir o
índice de nacionalização. As normas
foram estabelecidas pela Portaria
257 de 23 de setembro. Segundo
o executivo, a legislação saiu de
acordo com o acertado entre as
entidades que representam a cadeia
produtiva e o governo. “Assisto
hoje situação diferente dos últimos
Assista à
entrevista com
Paulo Butori, do
Sindipeças
anos, quando importávamos muitos
automóveis. O Inovar-Auto teve a
qualidade de frear esse processo e
arcelormittal
as empresas começaram a trazer
fábricas para o Brasil”, declarou.
(Giovanna Riato)
Lançamento
OTIMISTA MESMO COM S10 FLEX está
mais potente
MERCADO EM QUEDA
A
pesar de a retração econômica ter repercutido em queda
na produção de autoveículos no Brasil, a ArcelorMittal
mantém o aporte de US$ 75 milhões anunciado nos últimos
12 meses para o País. A garantia é do CEO Lou Schorsch:
“O Brasil é um mercado muito importante para nós,
mesmo que sua economia esteja em período de recessão.
Continuamos otimistas e comprometidos com os nossos
investimentos, pois vão gerar resultados muito importantes
a longo prazo.” Do total, US$ 15 milhões estão sendo
aplicados na planta de Vega, na cidade de São Francisco do
Sul (SC), para fabricação do aço de alta resistência Usibor,
desenvolvido pela Arcelor para a indústria automobilística.
Para a mesma unidade estão sendo destinados mais US$ 17
milhões no projeto Vega Light, que consiste em aumentar a
capacidade de produção de laminados a frio para 1,6 milhão
de toneladas a partir de 2015, além de preparar a planta para
futuras expansões. Os cerca de US$ 40 milhões restantes
serão injetados na unidade de Sabará (MG). (Camila Franco)
A
linha 2015 da Chevrolet S10 chega ao
mercado com o motor flexível mais potente do mercado para o segmento de picapes.
O modelo ganhou versão com o propulsor 2.5
Ecotec de quatro cilindros, comando de válvulas
variável, injeção direta de combustível e até 206
cavalos quando abastecido com etanol. Dessa
forma, a S10 supera em apenas um cavalo a potência da Mitsubishi L200 Triton HPE. O novo
propulsor está nas versões LT e LTZ da picape
Chevrolet. A opção mais em conta, LS, manteve
o 2.4 Flexpower com até 147 cv.
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Retorno
MAHINDRA VOLTA A
VENDER UTILITÁRIO
A
Mahinda retoma as vendas de seu utilitário no
Brasil, o Scorpio, agora chamado de M.O.V.,
sigla para Mahindra Off Road Vehicle. O modelo
enfim recebeu motor adequado ao Proconve P7
e tem 120 cavalos. O preço é um tanto alto, R$
97,9 mil. “Estamos mudando nosso enfoque. Não
dava para vendê-lo como um SUV. Esse segmento
tem carros com desenho mais atual. Queremos o
público que gosta de aventura e quer um
jipe para passear com a família”,
afirma Álvaro Sandre, novo diretor
comercial da Bramont, empresa
que monta os produtos Mahindra
e as motos Benelli no Brasil.
Bastante equipado, o jipe tem
direção hidráulica, vidros,
travas e retrovisores com
acionamento elétrico, piloto
automático, regulagem para
o facho dos faróis e volante
ajustável em altura.
(Mário Curcio)
Salão de Paris
FABRICANTES MANTÊM APOSTA NO BRASIL
O
Salão do Automóvel de Paris ocorreu de 4 a 19 de outubro na capital francesa sem apresentar grandes
novidades para o Brasil. Ainda assim, algumas empresas sustentaram a aposta no mercado local mesmo
diante da contração das vendas este ano. Uma delas foi a Renault. Jérôme Stoll, diretor mundial de vendas e
marketing da companhia, destacou a estratégia para o País. “Para aumentarmos nossa participação de mercado,
que hoje é de 7%, vamos complementar a linha de produtos no Brasil e na Argentina. O ideal é que possamos
atingir 10% (de market share)”, contou.
O executivo assegura que a companhia mantém investimentos no País apesar do momento desafiador. “Anos
complicados e oscilações são sempre esperados. Não mudamos nossos planos porque tudo é planejado com
muita antecedência e sabemos que é possível que haja períodos de crise. Já passamos por isso antes. Temos
confiança de que será apenas uma fase.”
A Fiat Chrysler, que tem no Brasil um de seus principais mercados, também reforçou a importância do País
para os negócios. “O Brasil é único, difícil de entender, mas todos querem estar lá”, admitiu Virgilio Cerutti, vicepresidente de desenvolvimento de negócios da organização. “O custo para produzir no País é alto, a legislação é
complicada de aplicar, mas tem uma possibilidade de demanda enorme. O País ainda tem muito o que crescer e
o consumidor é um otimista: sempre acredita que tudo vai dar certo”, avalia. (Tatiana Carvalho)
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negócios
Evento
CONGRESSO SAE: ENGENHARIA
TENTA DRIBLAR RETRAÇÃO
O
23o Congresso SAE Brasil,
que ocorreu entre 30 de
setembro e 2 de outubro em São
Paulo (SP), evidenciou o efeito da
retração dos negócios no mercado
brasileiro, mas ainda assim
manteve o brilho com a aposta
das empresas no País e os avanços
tecnológicos atraídos pelo InovarAuto. “Apesar da desaceleração no
ano causada pela Copa do Mundo,
a SAE Brasil continua confiante no
mercado brasileiro. É um momento
importante para a engenharia
veicular”, destacou Ricardo Reimer,
presidente da entidade, na abertura
do congresso.
O evento manteve o prestígio
e fez jus ao tema “Construindo a
Mobilidade Inteligente nos Veículos
do Futuro.” As empresas que
decidiram participar da mostra
mesmo diante das incertezas do
mercado se empenharam para
mostrar o que têm de mais recente
e adequado ao Inovar-Auto. “O
Brasil é um dos grandes players
globais”, lembrou Daniel Hancock,
presidente da SAE Internacional.
A declaração do executivo parece
traduzir a sensação de muitas
companhias que participaram do
evento e pensam em soluções para
driblar a crise atual com a certeza de
que o futuro do mercado brasileiro
valerá o esforço.
MOSTRA TECNOLÓGICA
A
pesar de o presidente da SAE ter amenizado as dificuldades que o setor
automotivo enfrenta no Brasil, foi notável a redução do tamanho da
mostra tecnológica. Grandes sistemistas que tradicionalmente participam
da feira decidiram não expor este ano. Foram 63 empresas participantes,
17 painéis e debates e 144 trabalhos técnicos inscritos. Em 2012 a mostra
contava com 80 companhias apresentando produtos e soluções.
Ainda assim, a feira que ocorre simultaneamente ao congresso também
acompanhou o clima de aposta no futuro do mercado brasileiro. A Magneti
Marelli destacou em seu estande a utilização de novos materiais nos componentes para diminuir o peso. Um exemplo de aplicação é em um corpo
de borboleta, que cai de 700 gramas quando construído em alumínio, para
400 gramas com o uso de plásticos.
A Novelis, especializada em alumínio laminado, também participou da mostra. A companhia já fornece para a indústria automotiva, mas ainda não tem
participação em peças estruturais. “Por enquanto nossos componentes estão
em defletores de calor e radiadores, mas queremos aumentar a presença. É
por isso que estamos aqui”, explica Gabriela Cassíola, da área comercial.
Um destaque da mostra que certamente ajudou a elevar a autoestima da engenharia brasileira é o Carina (Carro Robótico Inteligente para Navegação Autônoma), desenvolvido pela USP de São Carlos a partir de um Fiat Palio Weekend.
O projeto tem a liderança do professor Denis Wolf e circula em testes de forma
autônoma em velocidades até 40 quilômetros por hora. (Giovanna Riato)
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Caminhões
VOLVO TRAZ NOVA GERAÇÃO DA LINHA F
E
m ano de mercado retraído no
Brasil, a Volvo faz manobra um
tanto quanto ousada. A companhia
lança no País a nova geração da linha
F, que inclui os caminhões FH, FM
e FMX, e chega com incremento no
preço de expressivos 20%. Os modelos
fabricados na planta de Curitiba
(PR) agora estão alinhados à família
vendida na Europa, apresentada pela
primeira vez no Salão de Hannover, na
Alemanha, em 2012.
O aumento da tabela é maior até
do que o feito quando foi lançada a
geração com motorização Euro 5,
em 2011. Nessa época a companhia
anunciou que os preços subiriam até
12%. Este ano, que teve queda nas
vendas totais de caminhões de 13,9%
de janeiro a setembro, a Volvo é a
única a lançar nova linha de produtos.
“O mercado está menor, mas temos
de nos esforçar para conquistar
participação até mesmo nesse
cenário”, justifica Bernardo Fedalto,
diretor comercial de caminhões da
companhia no Brasil. “O custo inicial
ficou maior, mas o operacional é
menor. Não somos conhecidos por
oferecer o caminhão mais barato do
mercado, mas por garantir o custo
da tonelada por quilômetro mais
competitivo”, diz Fedalto.
A nova geração é o que os
executivos da companhia chamam de
“melhor Volvo de todos os tempos”.
o
Otimização d
roteiro do
veículo
Os caminhões têm design frontal e
a cabine totalmente renovados. O
trem-de-força recebeu uma série de
mudanças para garantir eficiência.
Medições da marca apontam que o
consumo de combustível diminuiu 8%
na nova linha. Os motores oferecidos
para o FH mantêm potências de
420 a 540 cavalos. Para o FM, além
do propulsor de 370 cv já disponível
na geração anterior, há opção pela
versão com 380 cv. O modelo off
road FMX também tem oferta mais
ampla de motores. Agora as potências
variam de 380 a 540 cv. A companhia
melhorou também o freio motor para
acompanhar as mudanças.
(Giovanna Riato)
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MÁQUINAS AGRÍCOLAS
FABRICANTES ESPERAM PELO
MELHOR TRIMESTRE DE 2014
ANFAVEA PROJETA ACELERAÇÃO, MAS DESEMPENHO POSITIVO NÃO
MUDA EXPECTATIVA DE QUEDA PARA O ANO
SUELI REIS
T
divulgação
endência de melhora das
vendas internas: este é o cenário esperado pelas fabricantes
de máquinas agrícolas e rodoviárias
para o último trimestre do ano. Após
um primeiro semestre amargo, com
queda expressiva de 20% sobre a
primeira metade de 2013, as empresas verificaram crescimento, ainda
que modesto, no terceiro trimestre
do ano quando comparado aos três
meses imediatamente anteriores.
O período entre julho e setembro
também foi o melhor do ano até
agora em volume: o mercado interno consumiu 19,5 mil equipamentos
novos, enquanto em cada um dos
dois trimestres anteriores o máximo
atingido não passou de 18,2 mil.
Contudo, mesmo que o ritmo pouco mais acelerado dos negócios seja
confirmado no fim do ano, este fator
não altera a projeção de retração de
12% ante o ano passado, com algo
próximo a 73 mil equipamentos agrícolas e rodoviários, de acordo com
as previsões da Anfavea, revisadas no
início do segundo semestre.
“No fim de 2013 já prevíamos que
o desempenho daquele ano não se
repetiria neste: alcançamos o recorde
de 83 mil máquinas. Não há nenhum
indicativo de problema ou redução de
demanda para os três últimos meses
do ano, mas acreditamos em um volume próximo ao de 2012 (70,1 mil
unidades)”, afirma Ana Helena de
Andrade, vice-presidente da Anfavea,
que responde pelo segmento de máquinas.
A executiva, que também é diretora de assuntos governamentais da
AGCO, grupo que reúne as marcas
Massey Ferguson e Valtra, acrescenta que a dificuldade de mercado não
é exclusiva do Brasil, o que também
dificulta as exportações. Apesar disso,
ela informa que a Argentina melhorou
o fluxo de compra: “A nossa expectativa é de que haja um bom volume de
embarques totais até o fim de dezembro, mais como efeito do mercado
argentino, que acelerou os processos
de importação, mas isso não vai recuperar a perda já estimada em 10%
para o ano.”
Acompanhando a desaceleração
das vendas internas e externas, a produção de 2014 ficará pelo menos 13%
abaixo da registrada em 2013, aposta
a entidade. Vale lembrar que no ano
passado o setor bateu recorde, com
a montagem de 100 mil máquinas. n
DIFICULDADES de
mercado não são exclusivas
do Brasil, o que prejudica
as exportações
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Todos juntos fazem um trânsito melhor.
MENOr PESO DE CHASSI, MENOs
CONSUMO DE COMBUSTÍVEL.
Pratique a
matemática
Volvo
Desenvolvidos em aço LNE-60, os chassis da linha rodoviária Volvo pesam
de 400 a 800 kg a menos que os das marcas concorrentes. Um diferencial que,
aliado à maior potência do motor eletrônico D11C, gera mais economia de combustível
nos transportes de longa distância. O B450R é o chassi mais potente e seguro do
mercado brasileiro, oferece mais conforto e gera menos cansaço ao motorista.
Com aplicações de 340 a 450 cv, a Volvo tem as melhores opções para sua frota
rodar cada vez mais longe pelas estradas do Brasil.
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implementos
RENOVAÇÃO PODE
CRIAR MERCADO
extra DE 20 MIL
UNIDADES POR ANO
SETOR ADMINISTRA QUEDA DAS
VENDAS EM 2014 E ESPERA POLÍTICA
PARA REJUVENESCER A FROTA
seguro para o programa, muito viável, solucionando o problema da
dificuldade de acesso ao crédito de
grande parte dos carreteiros, que
impede o investimento deles em
bens mais novos”, define.
O dirigente avalia que o programa
está “fadado a ser implementado”,
já que traz benefícios para todos
os envolvidos, incluindo o governo. Braga espera que a política seja
aprovada em 2015. Se isso ocorrer,
a Anfir estima que haverá impulso
para acrescentar a venda de 10 mil
implementos no mercado do próximo ano. “O programa vai começar
devagar, mas quando estiver em
plena carga poderemos ter mercado
adicional de 20 mil unidades anuais”, projeta.
GIOVANNA RIATO
O
s fabricantes de implementos devem fechar
2014 com tombo nas vendas. A Anfir, associação que representa as empresas do setor, estima
que a baixa fique entre 12% e 13%
na comparação com o resultado
do ano passado, para perto de 154
mil equipamentos. Se concretizado,
o número não será fraco, já que a
redução acontecerá sobre base de
comparação robusta de 2013, ano
recorde para o setor. Ainda assim,
a entidade aponta que há potencial
para melhorar.
Para a entidade, a principal ferramenta a fim de alcançar resultados
mais significativos é a definição de
um programa de renovação da frota
de veículos. Uma série de entidades
que representam os setores interessados em uma política do gênero
entregou ao governo federal documento que indica medidas capazes
de impulsionar o rejuvenescimento
da frota. O presidente da Anfir, Alcides Braga, conta que, apesar de
nada ter sido aprovado ainda, as negociações evoluem em ritmo acelerado. “Depois de muito debate chegamos a um formato extremamente
Alcides Braga, presidente da Anfir:
“Renovação de frota está fadada a ser
implementada e traz benefícios para
todos os envolvidos”
RESULTADOS
Mesmo antes de o governo anunciar estímulos para a renovação da
frota de caminhões e de implementos, a Anfir evita fazer análise alarmante da atual contração do mercado. Braga admite que as vendas
estão lentas, mas lembra que o ano
deve fechar em patamar bem acima da média histórica do setor, que
é de 55 mil unidades da linha pesada, de reboques e semirreboques.
De janeiro a setembro a queda nos
negócios foi de 11%, para total de
116,9 mil equipamentos.
A maior contração aconteceu
justamente nas vendas da linha pesada, que diminuíram 17,8%, para
42 mil unidades. Na linha leve os
emplacamentos somaram 74,9 mil
equipamentos, com redução de
6,6%. “Precisamos considerar também a parada dos pedidos de financiamento ao BNDES a partir de 21
de novembro”, aponta o executivo.
Segundo ele, a interrupção operacional será feita para que o banco
consiga analisar todos os processos antes do fim do ano. n
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TECNOLOGIAS INOVADORAS DA ZF FAZEM
O MUNDO GIRAR COM MAIS EFICIÊNCIA
nucleotcm
Pessoas viajam em busca de seus objetivos. Seja indo para a casa, o trabalho, a escola ou o clube, diversos destinos são
alcançados por diferentes meios de transporte. A ZF não se limita a enxergar a conservação dos recursos naturais, o
aumento da segurança e a conveniência como requisitos fundamentais para quem viaja. Mas também os vê como uma
oportunidade de criar soluções inovadoras e sustentáveis. Como uma das principais fornecedoras mundiais de sistemas
de transmissão e tecnologia de chassis, a ZF faz parte – e é isto que nos impulsiona – deste desenvolvimento. Nosso
objetivo é muito mais que criar produtos inovadores e eficientes. É melhorar a qualidade de vida e ajudar a moldar o
futuro de forma sustentável.
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luis prado
FÓRUM IQA
Fórum evidenciou que qualidade é o caminho para a competitividade
O DESAFIO DA QUALIDADE
ANFAVEA E GOVERNO DEFENDEM POLÍTICA para
ALCANÇAR PATAMAR INTERNACIONAL
GIOVANNA RIATO E SUELI REIS
O
Inovar-Auto garantirá novo patamar de qualidade
aos carros brasileiros. Essa é a aposta das montadoras que,
por meio da Anfavea, defenderam
o regime automotivo e sua continuidade durante o II Fórum da
Qualidade Automotiva, promovido pelo Instituto da Qualidade
Automotiva (IQA) em parceria
com Automotive Business, dia 15
de setembro, em São Paulo. Rogério Rezende, vice-presidente da
Anfavea, entidade dos fabricantes
de veículos, ressaltou que qualidade é o caminho para a competitividade e advertiu que, sozinho,
o Inovar-Auto não resolverá todos
os problemas – é preciso equacionar questões como produtividade,
mão de obra, matéria-prima, logística, insumos e tributação.
A representante do governo no
evento do IQA, Margarete Gandini,
coordenadora geral do Departamento de Indústrias de Equipamentos
de Transporte do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), reforçou que o
objetivo do Inovar-Auto é a elevação
do patamar tecnológico do produto
brasileiro e, por consequência, de
sua qualidade. Já Alfredo Lobo, diretor da Divisão de Avaliação da Conformidade, do Inmetro, destacou no
fórum a importância da certificação
de componentes automotivos no
aftermarket.
REESTRUTURAÇÃO
Equacionar produtividade dentro
de todos os requisitos necessários
para não pecar na qualidade ainda
é um dos grandes desafios enfrentados pela cadeia automobilística
brasileira, que carece de reestruturação em todos os níveis. Assim
concordaram os painelistas Martin
Bodewig, diretor da consultoria
Roland Berger – para quem a qualidade nas empresas deve ser vista
com os olhos do cliente –, e Letícia
Costa, diretora da Prada Assessoria, que revelou um cenário pouco
positivo, com o Brasil automotivo
situado em um patamar baixo de
competitividade e qualidade.
“O País apresenta um desempenho de qualidade insatisfatório, estagnado, com índices de avaliação
que só caíram nos últimos quatro
anos, quando não se observou nenhum progresso”, enfatizou Letícia,
citando pesquisa da JD Power, sobre satisfação do cliente com seus
veículos, considerando proprietários
com 12 a 36 meses após a compra.
Numa escala de zero a mil, o Brasil
recuou de 736 pontos em 2011 para
731 este ano, enquanto Inglaterra e
Alemanha atingiram patamares de
772 e 788 pontos, respectivamente.
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Alfredo Lobo: destaque
para a importância da
certificação no aftermarket
luis prado
luis prado
Margarete Gandini:
Inovar-Auto pretende
elevar patamar tecnológico
e qualidade
QUALIDADE COMO DIFERENCIAL
N
ão restam dúvidas sobre a necessidade de investir em qualidade no setor de veículos. A busca por melhorias,
no entanto, pode ir além e representar um diferencial para o cliente. Richard Schwarzwald, diretor de qualidade assegurada da Volkswagen, lembrou do exemplo da Apple no setor de tecnologia, que alcançou posição de
destaque por oferecer alta qualidade e elevar a percepção de valor pelo consumidor.
Na opinião dele, este é o desafio da indústria automotiva: superar os parâmetros para entregar o que chama de
qualidade total. O executivo da Volkswagen lembrou que uma pesquisa do Sindipeças apontou que o custo da falta
de qualidade na cadeia produtiva chega a R$ 5,6 bilhões por ano – o equivalente a cerca de R$ 1,5 mil por veículo,
montante que poderia ser convertido para agregar tecnologia ao carro ou até mesmo garantir um bom desconto
para o consumidor.
Na Fiat Chrysler Automobiles a qualidade é vista como parte da cultura da companhia. Amin Alidina, diretor da
área para a América Latina, explicou que a busca para oferecer o melhor tem de estar no coração e na alma da empresa. “Sem isso nenhuma metodologia de produção é bem-sucedida”, garantiu. A montadora destacou iniciativas
como a oferta de treinamento para funcionários dos fornecedores, incluindo cursos técnicos, universitários e de
pós-graduação.
As questões da qualidade na cadeia de produção foram debatidas no Fórum da Qualidade em painel de debates
coordenado por Ingo Pelikan, presidente do IQA, com a participação de Bruno Neri, gerente da qualidade corporativa da Bosch; Cristiane Paixão, diretora da qualidade na Fiat Chrysler do Brasil; Flávio Mateus, diretor executivo
da Schaeffler, e Leandro Siqueira, diretor da qualidade da MAN. n
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| Desafios da Legislação
LUIS PRADO
WORKSHOP
workshop ocorreu no Centro de
Convenções Milenium, em São Paulo
COMEÇA A
RASTREABILIDADE
WORKSHOP DE AUTOMOTIVE BUSINESS
DEBATEU AS NOVIDADES NA
LEGISLAÇÃO SETORIAL
D
ois anos após a publicação do decreto que regulamentou o Inovar-Auto,
política industrial direcionada a forçar o desenvolvimento local do setor
automotivo brasileiro, finalmente parece estar quase tudo pronto para o
início das operações do sistema de rastreabilidade de autopeças, que funciona
desde 1o de outubro em fase de testes.
A medida é considerada pelos fabricantes de peças fundamental para aumentar de forma real o uso de componentes nacionais nos veículos produzidos no Brasil, pois irá deduzir da base de cálculo de incentivos do Inovar-Auto
a porção importada das peças usadas na produção, o que em tese deve aumentar a busca por fornecedores locais, para elevar ao máximo o desconto
permitido de até 30 pontos porcentuais do imposto sobre produtos industrializados (IPI) aplicado sobre todos
os veículos vendidos hoje no País.
“Bom ou ruim, não importa nesse
momento. O importante é que algo
finalmente vai começar”, destacou
David Wong, diretor da consultoria
AT Kearney, durante o II Workshop
Os Novos Desafios da Legislação
Automotiva, promovido por Automotive Business dia 8 de setembro,
em São Paulo.
EFICIÊNCIA
Desde a introdução do Inovar-Auto,
há quase dois anos, a soma dos
investimentos em tecnologias de
aumento de eficiência energética e
controle de emissões de CO2 saltou
de R$ 1,9 bilhão para R$ 5 bilhões.
O cálculo foi mostrado por Vitor
Klizas, diretor da consultoria IHS
Automotive.
“Dois por cento de IPI é muito dinheiro, a montadora não pode abrir
mão disso”, afirmou Klizas sobre a necessidade de aportes da indústria para
atingir e superar as metas do programa de eficiência energética criado pelo
governo, para assim ganhar o incentivo fiscal extra. “Hoje, nossos parâmetros são semelhantes aos do Japão. Se
não baixarem nos próximos anos, só
poderemos vender nossos carros dentro de uma ilha chamada Brasil.”
RECICLAGEM
O Brasil perderá exportações caso
continue a desviar de políticas de inspeção e reciclagem veicular. A análise foi feita por Paulo Cardamone,
chief strategy officer da Bright Consultoria e Gestão e consultor executivo da IHS Automotive.
Cardamone explica que países da
União Europeia já pensam na reciclagem desde a concepção dos veículos. “Eles exigem que os automóveis
produzidos a partir de 2016 tenham
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divulgação \ Bright Consultoria
divulgação \ Deloitte
divulgação \ IHS Automotive
2% de IPI estimulam
SPED traz nova
reciclagem será
eficiência
realidade às
decisiva para
energética
empresas
exportação
Vitor Klizas, diretor da consultoria
IHS Automotive
Alexandre Querquilli,
sócio-diretor da Deloitte
Paulo Cardamone, chief strategy
officer da Bright Consultoria e Gestão e
consultor executivo da IHS Automotive
o mínimo de substâncias nocivas à
saúde e meio ambiente justamente
para que se enquadrem nos padrões
de reciclagem. Os nossos veículos,
ainda distantes desta realidade, podem ser barrados se não estiverem
adequados às necessidades desses
mercados”, alerta o executivo.
que seria necessário para o desenvolvimento tecnológico do Brasil.”
Bragazza conta que foi constituído
um grupo com participação do Sindipeças, sindicato das autopeças, da
Anfavea, associação dos fabricantes
de veículos, e da AEA, que representa os engenheiros automotivos, para apontar por meio de um manual
técnico, que deveria ser lançado este
ano, o que poderá ser considerado
pesquisa, engenharia, desenvolvimento e inovação dentro do Inovar-Auto, garantindo abatimento fiscal.
PD & INOVAÇÃO
Bruno Bragazza, gerente de inovação e
propriedade intelectual da Bosch América Latina, apontou: “Falta divulgação
maciça dos programas de incentivos
fiscais, em especial para pequenas
empresas, como tiers 2,3 e 4, que não
têm áreas especializadas em P&D. O
volume e a intensidade de utilização
dos instrumentos está bem abaixo do
SPED
Alexandre Querquilli, sócio-diretor
da Deloitte, alertou que a exigência
de estruturação e modernização do
sistema de prestação de contas ao
fisco por meio de plataformas digitais, instituídas pela Receita Federal
nos âmbitos do Sistema Público de
Escrituração Digital (SPED), traz uma
nova realidade às empresas no que
diz respeito ao envio de seus dados
tributários: o aumento na complexidade da declaração das informações
e dos custos que a implementação
do processo digital pode trazer.
“A implantação do SPED exige repensar todos os processos, não só
de apuração dos tributos, que muda
o tempo todo, no caso do setor automotivo com o IPI, mas no que tange
à rastreabilidade de todas as informações, observando metodologia e
prazos”, observou. n
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Fotos: Ruy Hizatugu
Fórum de Marketing Automotivo
OBESIDADE NA
INFORMAÇÃO
EXCESSO DEVE SER COMBATIDO COM
COMUNICAÇÃO MAIS FOCADA NO CLIENTE
D
urante o Fórum O Marketing Automotivo Encara
a Era Digital, realizado por Automotive Business
no dia 29 de setembro, em São Paulo, Andrea
Russo, diretora do Grupo Troiano de Branding, usou o
termo “obesidade” para mostrar que o abuso de alguns
canais de comunicação pode gerar desperdício de tempo
e dinheiro: “Todos os dias são gerados 2,5 quintilhões de
bytes”, advertiu.
“Descobrir o que está por trás do que os consumidores dizem e acessar conteúdos mais profundos do seu
inconsciente é essencial para que as marcas criem conexões poderosas com eles”, afirmou. Essas conexões são
os insights, que terão papéis como alimentar a alma da
marca e revelar verdades e necessidades do consumidor.
Andrea recordou que os insights em regra são simples e
por isso têm muita força.
MUDANÇA
Adequar-se às novas tecnologias midiáticas, principalmente redes sociais, e saber traduzir seus bilhões de
dados gerados a cada segundo para transformá-los em
soluções palpáveis e tangíveis com foco no consumidor
é um dos grandes desafios atuais para o profissional de
marketing. Esta é a conclusão a que chegou Gil Giardelli, professor de pós-graduação da ESPM e CEO da
Gaia Creative.
Em sua apresentação no fórum, Gil declarou que o
mundo corporativo vive o momento em que saem o B2B
e o B2C para a entrada do H2H (human to human).
MOBILE
Renata Bokel, vice-presidente de planejamento da Isobar,
ressaltou que a evolução da tecnologia de mídias é um
caminho sem volta: “Pesquisa de 2011 revela que para
três em cada cinco entrevistados a internet passou a ser
tão necessária quanto água ou comida e 75% afirmaram
não saber sobreviver sem a internet”, observou.
“Hoje temos pessoas mimadas pelas tecnologias mobile: você tem o mundo à sua mão, vai ao banco, vê a
previsão do tempo, analisa a situação do trânsito. Então
inovar hoje é muito mais desafiador para as marcas. Você
tem de antecipar o que as novas gerações precisam. Por
isso, as marcas devem mudar drasticamente seu papel.”
Fabio Madia, diretor de planejamento e atendimento
da MadiaMundoMarketing, defendeu que se torna cada vez mais desafiadora a tarefa de planejar, já que os
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Andrea Russo: em busca de insights
no Big Data
Gil Giardelli: a hora do
human to human
Renata Bokel: internet tão
necessária quanto alimentos
negócios são cada vez mais imprevisíveis, com mudanças no cenário
e no perfil e hábitos do consumidor. Nesse contexto o especialista
defende que as empresas invistam
em qualidade, não em quantidade na comunicação na internet. O
uso de aplicativos mobile é outro
caminho promissor: a tecnologia
já têm 1,2 bilhão de usuários no
mundo e movimentou US$ 30 bilhões em 2013.
MERCADO
Patrícia Pessoa, gerente de marketing
de relacionamento e redes sociais Fiat
Automóveis, ressaltou as campanhas
que colocam em destaque a marca,
especialmente a Fiat Live Store, que
oferece ao consumidor a oportunidade de, pela internet, conhecer detalhes e interagir com os veículos da
marca. Ela revela que a experiência
on-line atrai uma série de clientes para as concessionárias físicas da marca, com alto potencial para negócios.
A consultoria Deloitte apontou no
fórum que o País tem um dos índices
mais altos de intenção de compra
de carros: 83% dos consumidores
brasileiros pretendem comprar um
veículo nos próximos cinco anos. O
levantamento global com 23 mil consumidores (2 mil aqui) de 19 países
mostra que nos mercados emergentes vivem as pessoas mais propensas
à compra de automóveis novos.
Segundo Maurício Muramoto, diretor da consultoria, o resultado revela
mais a intenção do que uma decisão de compra, que normalmente é
afetada por questões como custo e
renda. “O preço alto é o maior impeditivo, veículos mais baratos são os
maiores motivadores”, destacou.
to como uma parceria comercial. A
agência deve estar ao lado do cliente desde o nascimento do produto”,
afirmou, citando como exemplo a
campanha de lançamento do Uno
em 2011, quando a montadora queria substituir seu carro de entrada
por outro modelo capaz de atender
expectativas de vários tipos de consumidor pelas diferentes combinações de acessórios, cores, versões
de acabamento e motores.
Renault: primeira
loja é a internet
“S
omos um povo social e
gostamos de carro.” Assim, Bruno Hohmann, diretor de
marketing da Renault do Brasil,
explica a decisão da montadora de fortalecer a presença nas
redes sociais da web. “Fomos a
primeira montadora, em 2012,
a abrir um canal de atendimento nas redes sociais. Mantemos
uma equipe especializada e bem
treinada para lidar com esse consumidor e responder suas perguntas de forma rápida e precisa”, destacou o executivo durante
sua apresentação no II Fórum de
Marketing Automotivo, revelando
que hoje a primeira loja da marca
no País é a internet.
PUBLICIDADE
O diretor de planejamento da agência Leo Burnett, Tiago Lara, apontou
que não basta mais fazer comerciais
para a TV. “O trabalho tem de ser vis-
Como a Hyundai
ganhou a Copa
S
e a seleção brasileira de futebol decepcionou, a Hyundai tirou máximo proveito como
patrocinadora oficial da Fifa na
Copa do Mundo do Brasil. “Tínhamos uma imagem premium
e um produto bem-sucedido, o
HB20. O que fizemos foi intensificar ações para aumentar exposição e vendas”, explicou Cássio
Pagliarini, diretor de marketing
da Hyundai Motors Brasil. Uma
das ações casadas com a Copa
foi a criação da Hexagarantia.
“Enquanto as vendas do mercado brasileiro recuaram 7,2% até
julho, as nossas cresceram 5,9%.
Vendemos 8 mil carros a mais no
período da Copa”, afirmou.
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RECALL
QUEM PAGA A CONTA?
ALÉM DA APURAÇÃO DE RESPONSABILIDADES, CONTRATOS
AJUDAM A DETERMINAR SE A DESPESA COM OS REPAROS FICA
para A MONTADORA OU FORNECEDOR
GUSTAVO HENRIQUE RUFFO
O
aumento do número de
recalls em automóveis no
Brasil é visto, por muitos,
como algo negativo. Ele seria decorrente de uma queda nos controles de
qualidade, motivada pelo aumento
acelerado de produção que o crescimento de mercado impôs. Mas
a verdade é que se deveria celebrar o fato de fabricantes assumirem responsabilidade por defeitos
em seus produtos. Especialmente
porque quem assume o erro paga
o conserto. Pelo menos em relação
ao cliente. Mas e quando a falha é
do fornecedor? Nossa reportagem
mostra que, ainda que o bom senso
coloque o culpado pela falha como
aquele que vai bancar as despesas,
a conta ainda pode continuar nas
mãos da montadora.
A legislação brasileira determina
que a responsabilidade pelo recall
seja sempre do fabricante do produto final. Segundo o Departamento de
Proteção e Defesa do Consumidor
(DPDC), isso ocorre porque a marca deste produto “é mais facilmente
identificável pelos consumidores”. A
conta, em um primeiro momento,
será sempre de quem entrega o veículo ao cliente. A razão é a necessidade de providências urgentes, já
que a premissa das convocações é
o risco à segurança dos usuários
do produto.
A obrigatoriedade foi estabelecida
em 1990, com o Código de Defesa
do Consumidor. Mesmo assim, o primeiro recall automotivo no Brasil só
aconteceu em 1998, realizado pela
Mercedes-Benz. Antes disso, a maior
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parte das montadoras fazia o chamado “recall branco”. Ele consistia em
informar o defeito apenas à rede autorizada, por meio de boletins técnicos, e reparar, em muitos casos, só
os veículos de clientes que reclamavam do defeito. Muitas vítimas dessas falhas, ainda hoje, são relacionadas às más condições das vias ou a
imperícia, imprudência ou negligência dos motoristas.
RESPONSABILIDADE
Posteriormente à campanha, na hora
de apurar responsabilidades, a montadora poderá cobrar do fornecedor da peça defeituosa parte do valor gasto em todo o processo ou até
mesmo espetar nele a conta toda. A
situação em que isso fica mais claro é se for provado que houve má-fé no fornecimento, com mudanças propositais de especificação. E
o prejuízo pode ser grande, já que
o recall envolve muito mais custos
do que apenas a troca do elemento problemático. Entram na conta a
mão de obra, o frete e a armazenagem das peças, a investigação do defeito e, principalmente, a divulgação
do problema aos consumidores afetados, que deve ser feita por contato direto (carta, e-mail ou telefone)
e também por artigos publicitários a
ser veiculados em meios impressos,
rádio e televisão.
Em 2000, a GM realizou o maior recall do País: foram chamadas
1.060.110 unidades do Chevrolet Corsa (foto) fabricadas entre 1994 e 1999, além
de 2.627 unidades do Chevrolet Tigra. A fixação do cinto de segurança podia se
desprender em acidentes
Para que se determine a responsabilidade sobre o problema, uma série de fatores entra na discussão. “O
recall pode acontecer por diferentes motivos, como projeto, processo
do fornecedor ou processo da montadora”, diz Carlos Henrique Ferreira, diretor de comunicação da Renault do Brasil. “Já tivemos casos em
que, por uma queda de energia na
rua do fornecedor, o tratamento térmico de algumas peças não foi feito corretamente. Não foi culpa dele.
Com isso, assumimos os custos integralmente.”
Na Fiat, a mudança de especificação de peça que citamos como
exemplo seria motivo de sobra para
cobrar integralmente do fornecedor os custos pela campanha. Outras empresas, como a GM, tratam
a questão com muito mais cuidado.
Questionada sobre as mesmas situações, a companhia diz que o tratamento dos casos dependerá, prin-
cipalmente, do que o contrato de
fornecimento dispõe. Se houver no
contrato a previsão de uma margem
de peças fora do especificado, por
exemplo, a montadora assumirá todos os custos. Muitos contratos devem trazer esse tipo de salvaguarda,
mas a GM não informa detalhes sobre isso.
A Honda faz a mesma ressalva
em relação a cláusulas contratuais,
mas sem pisar tanto em ovos. “Somos responsáveis pelos custos de
divulgação do recall no Brasil, bem
como pelo ressarcimento à nossa
rede de concessionárias dos valores relativos aos reparos executados. O posterior repasse de custos
da Honda para o fornecedor da
peça será definido com base nos
termos do contrato estabelecido e
também na determinação das responsabilidades pelo defeito”, diz
Rodrigo Castelli, supervisor de Segurança do Produto da Honda.
Takata: perda de US$ 440 milhões com recalls
DEFEITO EM AIRBAGS DA FABRICANTE MOTIVOU A CONVOCAÇÃO DE 12 MILHÕES DE CARROS
A
Takata deve registrar prejuízo extraordinário de US$ 440 milhões no trimestre abril a junho, o primeiro do ano fiscal da companhia. A perda é consequência da série de recalls causada por um defeito de fabricação em airbags produzidos pela fabricante. Estimativa da Reuters aponta que o número de veículos convocados nos últimos cinco anos em decorrência do problema já passa de 12 milhões.
Toyota, Honda, BMW, Chevrolet e Nissan estão entre as empresas que precisaram anunciar recall pela falha no
componente, que pode não se inflar adequadamente e causar lesões nos ocupantes ou até mesmo incêndio no interior
do veículo. A fornecedora do airbag ainda estuda o tamanho do prejuízo gerado pelo problema.
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RECALL
SÓ 6% DE CONCLUSÃO
D
os 461 recalls
de
veículos
convocados no Brasil desde 1998, apenas 28 foram considerados concluídos. Isso dá uma taxa de conclusão de
chamados de apenas 6,07% nestes
16 anos. E há explicação: um recall só
pode ser encerrado
e arquivado depois
de 100% das unidades afetadas pelo problema serem
corrigidas.
A explicação de Um problema no miolo da ignição de 219 unidades fez a Ford convocar o Novo Ka para reparos.
Yuri Rodrigues, dire- O defeito pode causar desligamento do carro em movimento
tor de qualidade total ao consumidor da Nissan para a América Latina, re- pelo reparo de segurança antes da execução de qualsume o que os demais fabricantes também apontam quer outro serviço, mas mesmo marcas com maior ficomo causa da falta de encerramento das campanhas: delidade à rede, como Toyota e Honda, têm recalls
“Normalmente não temos 100% dos veículos repara- que continuam abertos. Questionadas sobre quantas
dos em uma campanha de recall. Há três razões prin- campanhas ainda estão sem conclusão, as duas marcipais. A primeira é que muitos clientes jamais levam cas não comentaram o assunto. A falta de estatísticas
seus automóveis de volta à concessionária para manu- oficiais de veículos que saíram de circulação por pertenção. Alguns veículos, inclusive, já passaram por vá- da total, roubo ou assemelhados só torna a situação
rios donos distintos, sendo de difícil rastreabilidade o ainda mais difícil de controlar.
proprietário atual do carro quando iniciada a campaNo mesmo grupo dos automóveis, o dos chamados
nha. A segunda é que, mesmo que as campanhas de produtos automotores, segundo o DPDC, estão camirecall sejam lançadas em grandes veículos de mídia e nhões e ônibus. Teoricamente, por integrarem frotas,
enviemos cartas individuais aos consumidores, muitos estes produtos deveriam ter índices de encerramento
deles podem ignorá-las. Por fim, unidades envolvidas de campanhas muito mais altos do que os dos carros,
em campanhas pomas não é bem asdem, potencialmensim. Das 24 já conRECALLS feitos NO BRASIL DESDE 1998
te, ter sido furtadas
vocadas para camiou sinistradas”.
nhões, apenas duas
Automotores
Ativos
ArquivadosTotal
Carros que fazem
foram encerradas,
Automóveis
433 28461
revisões regulares e
ou cerca de 8,3%.
Caminhões
22 224
estão incluídos em
Das seis efetuadas
6 06
Ônibus
recalls devem necespara ônibus, nenhuTotal
461 30491
sariamente passar
ma foi concluída. n
Fonte: Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC)
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mobil.cosan.com
O Mobil Super Flex agora é API SN.
Se você não sabe o que isso quer dizer,
pergunte ao motor do seu carro.
A fórmula do Mobil Super Flex passou
por um upgrade e agora está classificada
em API SN, a mais avançada tecnologia
do mercado para motores flex.
Confira as vantagens do
novo Mobil Super Flex:
• Maior resistência à
formação de depósitos
nos pistões.
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o desgaste.
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a formação de borras.
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Todas as marcas utilizadas neste material são marcas ou marcas registradas da Exxon Mobil Corporation ou uma de suas subsidiárias, utilizadas por Cosan Lubrificantes e Especialidades S.A., ou uma de suas subsidiárias, sob licença.
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CAMINHÕES
DAF BUSCA SEU
ESPAÇO NO BRASIL
APÓS UM ANO DE PRODUÇÃO EM PONTA
GROSSA, PR, MERCADO IMPEDE AVANÇO MAIOR
PEDRO KUTNEY, de Ponta Grossa (PR)
E
m 2011, quando anunciou investimento de US$ 320 milhões
para construir sua fábrica de
caminhões DAF no Brasil, o Grupo
Paccar certamente vislumbrava cenário bem mais promissor para o
mercado brasileiro em 2014, quando completa seu primeiro ano de
produção em Ponta Grossa, no Paraná, ainda em ritmo lento de apenas
duas unidades montadas por dia.
Um ano atrás, ao iniciar a operação
ainda com a planta em fase final de
construção, o objetivo era produzir
2,5 mil cavalos mecânicos XF 105
este ano, mas mal se chegará a 400.
“Houve demora na regulamentação
do Finame (linha de crédito do
BNDES para compra de bens de
capital com juros subsidiados) e es-
tamos abaixo do esperado. Mas com
90 mil caminhões pesados vendidos
este ano (ante 104 mil em 2013)
ainda será um bom mercado. O importante é que viemos para ficar e
acreditamos no potencial futuro do
País”, destaca Marco Antonio Davila,
presidente da DAF Brasil.
A projeção é fabricar de 1,2 mil a
1,4 mil caminhões em 2015. “Espero assim conquistar nosso primeiro
ponto porcentual do mercado, com
cerca de 1% das vendas de pesados
no País”, estima Davila. Para isso, a
linha XF ganhará novas opções ainda no primeiro trimestre, com introdução de um terceiro motor de 510
cavalos (ao lado dos já disponíveis
de 410 e 460 cavalos), configuração
de tração 4x2 (além das 6x2 e 6x4) e
estreia da cabine de teto alto Super
Space Cab, a mais ampla do mercado, com altura para uma pessoa de
1,8 metro ficar de pé e espaço para
dois dormirem no beliche traseiro. A
intermediária Space Cab e a básica
Comfort Cab seguem em linha. O
modelo semipesado da DAF, o CF,
também já foi homologado para o
mercado brasileiro e deve ser lançado em 2015, em data a ser definida.
DISTRIBUIÇÃO
Até o momento, a DAF fechou contratos com 15 grupos que já abriram
20 concessionárias, com aportes que
somam R$ 200 milhões, segundo a
empresa. Esses mesmos distribuidores já se comprometeram a abrir
mais 40 lojas nos próximos anos. Até
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_Anuncio_Fechamento.indd 41
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fdp.100gap_572x014-ssenisuBotuA-acaV-rotceT-ocevI-440-37792 :oviuqrA -- ttenruB oeL :aserpmE -- ohnuJ-ocevI-4102 :boJ
CAMINHÕES
ESPERO CONQUISTAR
NOSSO PRIMEIRO
PONTO PORCENTUAL
DO MERCADO EM
2015, COM CERCA DE
1% DAS VENDAS DE
PESADOS NO PAÍS
Marco Antonio Davila,
presidente da DAF Brasil
Linhas de montagem de chassi e cabine dos caminhões DAF em
Ponta Grossa, PR: quase tudo chega pronto dos fornecedores
o fim de 2015 a meta é chegar a 40
revendedores e a 100 em 2019. “Por
trás de um bom produto precisamos
de um bom concessionário”, enfatiza
Michael Kuester, diretor comercial da
DAF Brasil.
A DAF inaugura no País um modelo
em que três famílias de componentes
serão distribuídas à rede: as peças genuínas Paccar (para motores) e DAF
e as universais TRP (de Truck/Trailler
Repair Parts), que podem ser vendidas
para qualquer marca de caminhão ou
implemento. Com 60 linhas de produtos TRP, é uma forma de aumentar as
fontes de receita dos concessionários e
atrair novos clientes para dentro das lojas, que ao comprar partes de reposição
para sua frota acabam considerando a
possibilidade de levar um DAF. n
A FÁBRICA E SEUS FORNECEDORES
P
rojetada para produzir até 10 mil caminhões por
ano, a fábrica da DAF em Ponta Grossa opera há um
ano. Por enquanto, 200 empregados diretos dão conta
da linha de montagem, centro de peças, engenharia
e administração. A expectativa é no futuro próximo
empregar 600 pessoas.
A primeira fábrica da DAF fora da Europa segue
modelo oposto ao da matriz, que tem produção
bastante verticalizada, com fabricação própria de eixos,
chassis e motores. No caso brasileiro, foi montado um
tipo de sistema modular externo, em que só a linha de
montagem final fica em Ponta Grossa e quase tudo
chega pronto dos fornecedores.
A linha de montagem do chassi tem 384 metros
de extensão e já recebe o quadro pronto da Metalsa,
que solda e pinta as longarinas na também paranaense
Campo Largo. Na planta de Ponta Grossa são agregados
ao chassi diversos componentes feitos no Brasil, como
eixos tratores da Meritor e dianteiros da Dana, além da
quinta roda da Jost (Randon). O motor chega pronto
da Holanda, mas tem bloco de ferro-grafite fundido em
Santa Catarina pela Tupy. A transmissão é fornecida
no Brasil pela ZF, mas a caixa automatizada AS Tronic
ainda vem da Alemanha e só será nacionalizada pela ZF
a partir do ano que vem.
Em paralelo, em uma linha de 192 metros, é feita a
montagem final da cabine, que chega soldada e pintada
de Pouso Alegre (MG), onde o serviço é executado pela
Flamma (antiga Automotiva Usiminas, comprada e
rebatizada no ano passado pela Aethra).
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AUTOMECHANIKA 2014
AUTOPEÇAS BRASILEIRAS
BUSCAM MERCADO GLOBAL
EXPOSITORES NA MAIOR FEIRA MUNDIAL DO SETOR MANTÊM
COMPETITIVIDADE NO EXTERIOR
PEDRO KUTNEY, de Frankfurt (Alemanha)
E
mpresas brasileiras passaram
quase despercebidas em meio
ao gigantismo da maior feira de
autopeças do mundo, a Automechanika, que em setembro recebeu 140
mil visitantes para ver 4.631 expositores de 71 países. Eles ocuparam 305 mil metros quadrados dos
11 pavilhões do imenso centro de
exposições da Messe Frankfurt, na
Alemanha. Apenas 34 companhias
do Brasil tiveram estande no evento
e 15 estiveram agrupadas no espaço coletivo organizado pelo Sindipeças e pela Apex, a agência brasileira
de promoção de comércio exterior, como ocorreu nas últimas sete
edições do evento. Foram poucos
participantes, mas que representam
bons exemplos de como superar
a crônica falta de competitividade
do País para exportar. Todas têm
algo em comum: persistência para
manter os clientes externos e investimentos constantes em qualidade
e desenvolvimento de produtos de
valor agregado mais alto, cujo preço
é um dos fatores, não o todo.
“Não é uma fórmula simples. Manter presença forte no exterior exige
escala, persistência e muita qualidade”, avalia Rogério Luiz Ragazzon, diretor comercial da Fras-le, com sede
em Caxias do Sul (RS), que em 2013
Presença brasileira na
Automechanika
2014: estande coletivo do
Sindipeças, ZEN E
Fras-le
teve 34% das receitas de R$ 1 bilhão
geradas no exterior, US$ 170 milhões
com exportações de lonas e pastilhas
de freio para mais de 100 países e
US$ 60 milhões com vendas de suas
subsidiárias estrangeiras.
OUSADIA
Coragem de perder dinheiro em
momentos de câmbio desfavorável,
foco nos clientes que trazem mais
rentabilidade (aftermarket) e investimento em produtos de maior valor
agregado também fazem parte da
receita para se manter no mercado
internacional da ZEN Indústria Metalúrgica, de Brusque (SC), outra das
raras fabricantes brasileiras de autopeças que montaram estande próprio na Messe Frankfurt este ano. E
não foi só isso: sua polia OAD para
alternador entrou para o seleto clube
de três finalistas da categoria Partes
& Componentes do Prêmio de Inovação da Automechanika 2014. Após
atingir alta rotação, a OAD deixa de
oferecer resistência, roda livremente,
o que traz economia de combustível
e redução de vibração.
“Nossas exportações aumentaram
a partir de 2000 por causa do câmbio favorável e de investimentos na
qualidade dos produtos. Depois desse período bancamos nosso prejuízo
quando o dólar estava abaixo de R$
2 e mantivemos o portfólio mesmo
com margem reduzida, para continuar exportando”, contou Gilberto
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Heinzelmann, presidente da ZEN. A
empresa exporta seus impulsores de
partida e polias para mais de 60 países, quase tudo para o mercado de
reposição, que responde por metade
das vendas totais – os outros 50%
são peças fornecidas para sistemistas no Brasil, como Bosch, Remy,
Valeo e Denso.
CONFIANÇA
Com investimento relativamente baixo para ganhar exposição na Automechanika, em torno de t 7 mil por
empresa, o estande coletivo do Sindipeças tem boa relação custo/resultado. “Confiança é uma das principais
qualidades percebidas pelos clientes das autopeças brasileiras, por
isso decidimos reforçar isso”, disse
Maurício Manfré, gestor de projetos
setoriais da ApexBrasil, ao explicar o
slogan escolhido para a participação
na feira: “Brasil autoparts, trusted
partners”, ou “parceiros confiáveis”.
A mensagem foi colocada no corredor de acesso da Messe e também
está nas laterais de 100 táxis que circulam em Frankfurt. “O Brasil perde
em preço, mas ganha em qualidade,
temos de vender isso.”
O espaço coletivo na Messe também abrigou empresas que já têm
desenvoltura no mercado internacional. “É um investimento não muito
alto, com subsídio da Apex, que nos
garante boa exposição internacional”, diz Thiago Ventura, gestor de
negócios internacionais da Brosol,
de Campinas (SP), que participa pela
quarta vez da feira e já exporta para
o aftermarket de cerca de 20 países,
que compram de 10% a 15% de sua
produção de bombas d’água, de óleo
e combustível.
“Esta é a melhor feira para fomentar exportações”, disse Ricardo Letti
Borghetti, diretor comercial da fabricante dos turbocompressores Master
Power, de São Marcos (RS), que par-
ticipa pela sexta vez como expositor
na Automechanika. A Master Power
atua exclusivamente no aftermarket
com o fornecimento de 650 aplicações de turbos para motores diesel.
A Metalpó participou pela primeira
vez do espaço coletivo do Sindipeças na
Automechanika. “É uma forma de nos
aproximarmos mais da associação e de
clientes que já temos aqui na Alemanha”, explica Marcelo Lobo Peçanha,
diretor de relações institucionais e mercado da empresa quem tem sua principal fábrica instalada em São Paulo. n
AutomotiveBUSINESS • 45
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divulgação: mercedes-benz (Lars Kaletta / Joachim Sielski)
IAA 2014
IAA: caminhões
mais eficientes
SALÃO DE HANNOVER
MOSTROU O FUTURO
FEIRA DE VEÍCULOS COMERCIAIS FOCOU NA EFICIÊNCIA,
CONECTIVIDADE E AUTOMAÇÃO
PEDRO KUTNEY, De Hannover (Alemanha)
E
ficiência, conectividade e muita
automação. Foram estes os
vetores globais que guiaram os
projetos e as inovações dos veículos comerciais apresentados na 65a
edição do maior salão mundial do
segmento, o IAA Nutzfahzeuge, realizado em setembro em Hannover,
Alemanha. “Tivemos aqui 322 lançamentos globais de produtos. Embora o IAA seja focado nos novos caminhões, ônibus e vans, existe grande
valor agregado gerado pelos forne-
cedores: eles apresentaram a maior
parte das novidades, 226, e ocuparam 70% dos 265 mil metros quadrados da área de exposição”, destacou Matthias Wissmann, presidente
da associação alemã de fabricantes
de veículos e autopeças, a VDA, que
organiza o evento.
No que diz respeito à eficiência
energética, boa parte dos ganhos é
conhecida, veio com a adoção obrigatória da motorização Euro 6 para
todos os veículos diesel na Europa a
partir de janeiro de 2015. Comparadas com os veículos Euro 5, as emissões de óxido nitroso (NOx) são 80%
menores e as de particulados caíram
praticamente dois terços.
Wissmann avalia que a indústria
atingiu uma espécie de teto tecnológico e, ao menos por enquanto, é
difícil obter novos avanços. Ele afirma que, de agora em diante, novas
reduções de consumo poderão ser
atingidas por melhorias na aerodinâmica dos veículos, uso de materiais
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divulgação: mercedes-benz / Daimler AG
visão futurista: caminhão
autônomo da Mercedes-Benz tem
painel de LED no lugar dos faróis
e componentes mais leves e treinamento de motoristas. O dirigente também chama a atenção para a
“bem-vinda” tendência de aumentar
o comprimento das composições,
para levar mais carga com um só caminhão.
Outra tendência apresentada por
todos os grandes fabricantes no sentido de melhorar a eficiência é a adoção de transmissões automatizadas
de dupla embreagem, com marchas
altas muito longas. Na prática, as
trocas são tão rápidas, sem buracos,
que não há necessidade de acelerar para recuperar torque após cada
engate de marcha. Com aceleração
constante, a economia aumenta.
divulgação: zf (Dominik Gigler)
ELETRIFICAÇÃO
Uma das respostas a esse desafio de
reduzir ainda mais o consumo é a
crescente eletrificação dos veículos
comerciais. Quase todos os estandes da Hannover Messe tiveram algo
a mostrar nesse sentido, fossem fa-
bricantes, fossem fornecedores. Antes restrito a furgões urbanos de entregas e alguns ônibus de transporte
público de grandes cidades, o trem-de-força elétrico começa a ganhar
papel de destaque também nos pesados de longo curso.
Essa foi a aposta de um dos maiores fornecedores do segmento, a ZF,
que este ano apresentou em Hannover seu módulo elétrico híbrido no
Innovation Truck, um protótipo extrapesado que puxa um bitrem com
25 metros de comprimento e 40 toneladas de carga. É a primeira vez
que a hibridização elétrica é aplicada
em um modelo deste porte, com um
motor elétrico de 160 cavalos acoplado ao câmbio que funciona em
paralelo à propulsão diesel. Dentro
dos espaços apertados para carga e
descarga, o caminhão se movimenta somente com a força do motor
elétrico e ainda pode ser pilotado de
fora da cabine, por meio de um tablet na mão do motorista.
manobras na
ponta dos dedos: sistema
da ZF pode dirigir o caminhão
com um tablet fora da cabine
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CONECTIVIDADE
Outro foco importante deste IAA foi a
conectividade, que entre outras vantagens abre caminho para maior automação dos veículos, com grande
uso de sistemas avançados de assistência, incluindo a direção autônoma, em que o motorista pode deixar
a condução a cargo de um computador em certas circunstâncias.
Foi o que fez a Mercedes-Benz
com o protótipo batizado Future Truck 2025, o primeiro caminhão do mundo com direção autônoma apresentado ao público. Mais
do que uma visão do futuro daqui a
dez anos, trata-se de tecnologia real,
pronta para uso, à espera de legislação que regule direitos e responsabilidades de uma máquina que toma
decisões por si só.
de motorista a gestor:
o caminhão autônomo da
Mercedes-Benz deixa o
condutor livre para outras
tarefas durante o trajeto
guns executivos das empresas que
estão surpresos e decepcionados
com a queda das vendas do mercado brasileiro.
A única representação do Brasil no
evento foram dois caminhões e um
ônibus com a marca Volkswagen expostos na feira pela MAN Latin America dentro do estande da MAN, que
comprou a operação em 2009. Desde 2006 os modelos feitos em Re-
divulgação: volkswagen (Malagrine)
BRASIL
Em meio aos 2.066 expositores de
45 países em Hannover este ano,
pouco se falou do Brasil. Apesar de
ser o primeiro ou segundo maior
mercado de várias marcas europeias de caminhões e abrigar seis
fabricantes da Europa, o País recebeu atenção insignificante no evento, a não ser pelos lamentos de al-
divulgação: mercedes-benz / Daimler AG
IAA 2014
man la: caminhões Volkswagen
foram os únicos representantes do
Brasil em Hannover
sende (RJ) marcam presença na feira alemã. Agora eles representam
uma divisão da MAN (hoje também
integrante do Grupo VW). A maior
novidade foi o Volksbus 18.280 com
o primeiro motor preparado para rodar com 100% de diesel de cana, o
MAN D08 de 280 cavalos montado
no Brasil pela MWM. O chassi recebeu carroceria urbana da Marcopolo, a Viale BRS com piso baixo, feita
para rodar em corredores de ônibus.
“A MAN é a única empresa presente no IAA que mostrou caminhões e
ônibus produzidos no Brasil”, destacou Roberto Cortes, CEO da MAN
Latin America. “É uma empresa com
sede no Brasil, mas com grandes aspirações internacionais”, afirma Cortes. É por meio de seu braço latino-americano, com fábrica brasileira e
linhas de montagem adicionais no
México e na África do Sul, que a fabricante alemã chega a todos os países
da região, África e Oriente Médio. n
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INAUGURAÇÃO
A FÁBRICA conta com 450
empregados, que devem
chegar a 1,3 mil em 2016
BMW COMEÇA A
PRODUZIR EM ARAQUARI
SÓ FUNCIONA A LINHA DE MONTAGEM FINAL;
SOLDA E PINTURA FICAM PARA 2015
PEDRO KUTNEY, de Araquari (SC)
A
BMW tornou-se uma montadora brasileira de automóveis
desde o começo de outubro,
com o início da operação da linha de
montagem da fábrica de Araquari, no
norte de Santa Catarina, a primeira
unidade industrial da empresa alemã
no Brasil e na América do Sul. Dois
anos após anunciar o investimento de 200 milhões de euros na planta, todas as paredes já estão erguidas,
os componentes estão no estoque (a
maioria importada da Alemanha, incluindo carrocerias já pintadas) e os
primeiros sedãs 320i Active Flex nacionais começam a ser encaminhados para a rede de concessionárias.
As áreas de soldagem e pintura só entram em operação daqui a um ano.
“Só conseguimos cumprir todos
os prazos até agora porque tivemos
forte apoio do governo”, afirmou
o 320i Active Flex nacional começa
a ser enviado para as concessionárias
Gerald Degen, diretor da fábrica, em
seu discurso na cerimônia que marcou o início da produção, dia 9 de
outubro. Ele mostrou centenas de
documentos que o empreendimento precisou obter antes de começar
a terraplanagem, em abril de 2013.
“Eram 50 que viraram 150 licenças
diferentes, incluindo Ibama, Fatma,
Funai, Eletrosul, Selesc, Autopista”,
citou. Entre outras dificuldades, foi
necessário elevar a área do terreno
de 1,5 milhão de metros quadrados
em 3 metros e aterrar um brejo que
existia no local. Também foi preciso puxar uma rede elétrica de 5
km para abastecer a planta. Os próximos 12 meses serão dedicados ao
acabamento da construção e à instalação do maquinário de armação
de carrocerias (soldagem) e do setor de pintura.
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INAUGURAÇÃO
O PATAMAR DE
NACIONALIZAÇÃO
CHEGARÁ A 30%
EM 2015, COM
A ATIVAÇÃO DA
SOLDAGEM E PINTURA
Arturo Piñeiro,
presidente do Grupo BMW Brasil
Só uma das duas linhas de montagem entrou em operação para fazer
duas versões do sedã Série 3, mas a
outra, bem ao lado, está em fase final
de implantação e começa a montar
o crossover X1 a partir de novembro.
Depois vêm o hatch Série 1, o outro
crossover X3 e, por último, já no fim
de 2015, o Mini Countryman (marca que também pertence ao Grupo
BMW). “Duas linhas vão fazer cinco
carros”, destacou Ludwig Willisch,
presidente do BMW Group Americas.
A fábrica conta com 450 empregados, que devem chegar a 1,3 mil
até 2016 quando todas as áreas estiverem operando. A linha em Araquari é curta e a maior parte das
operações é feita de forma manual. No fim, todos os carros passam
por um dinamômetro e depois rodam em uma pista de testes dinâmicos. A maior parte da área é ocupada pelo estoque, com milhares de
caixas cheias de componentes para
uso na montagem.
NACIONALIZAÇÃO
Por enquanto, o nível de utilização
de componentes nacionais é bastante baixo. Os bancos já estão sendo fornecidos localmente pela Lear.
A Benteler fornece algumas partes
do powertrain, como eixos, e faz a
montagem de tudo, integrando motor e câmbio importados ao conjunto mecânico em uma área adjacente à linha de produção. Nem os
pneus são nacionais – normalmente são os primeiros itens a ser comprados no local de produção, mas
os usados pela BMW têm tecnologia
run flat, continuam a rodar mesmo
depois de furados, e não estão disponíveis no País.
“Teremos nacionalização em torno de 25% neste início e chegaremos aos 30% até o ano que vem,
após incluirmos a soldagem e pintura nessa conta”, diz Arturo Piñeiro, presidente do Grupo BMW Brasil, referindo-se na verdade ao valor
de compras de fornecedores instalados no Brasil em valor suficiente para
abater até 30 pontos porcentuais do
IPI, conforme prevê a legislação do
Inovar-Auto.
Com capacidade máxima de produção de 32 mil unidades/ano, a
BMW se beneficia do regime especial
do Inovar-Auto destinado a fabricantes de baixo volume, até 37 mil/ano
com investimento mínimo de R$ 17
mil por unidade produzida, por isso
poderá até 2017 multiplicar o valor
das compras nacionais por 1,3, tornando mais fácil o abatimento desse valor dos 30 pontos do IPI. Contudo, isso traz também o problema de
baixa escala, com maior dificuldade
de encontrar fornecedores para volumes pequenos, o que obriga a empresa a importar mais componentes.
“O regime é bom para que as fabricantes de carros premium possam se
instalar no Brasil, mas claro que se o
mercado responder bem poderemos
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fazer ampliações e passar a exportar
para países da América do Sul”, explica Gleide Souza, diretora de relações governamentais e institucionais
da BMW Brasil. Segundo Piñeiro, no
entanto, a exportação ainda é uma
meta distante, para depois de 2018.
“A capacidade inicial da fábrica foi
projetada só para atender ao mercado brasileiro. Só quando isso acontecer é que poderemos pensar em ampliações e exportações.”
Com volume tão alto de componentes importados, não haverá alteração nos preços dos BMW fabricados
no Brasil, que seguem iguais à tabela atual. “É preciso considerar que são
carros que já vendemos com o desconto de IPI previsto no Inovar-Auto”,
informa Piñeiro. Contudo, ele não coloca na conta os 35% de imposto de
A capacidade inicial da
fábrica foi projetada para
atender o mercado brasileiro
importação que deixam de ser pagos
e têm influência nos demais tributos,
pois todos os outros, IPI, ICMS e PIS/
Cofins, são aplicados em cascata. Ao
que tudo indica, será mais uma diferença que entrará na conta para compensar o infindável custo Brasil.
A BMW segue com seu projeto de
expansão da rede. Hoje a marca tem
43 concessionárias e deverá chegar a
46 até o fim do ano. A meta é alcançar 70 lojas em 2017. Existem, ainda, 32 pontos de venda da Mini. Todos os modelos e versões que não
serão produzidos em Araquari continuarão a ser importados. n
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Automação 60
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64 Financeiras
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A
procura das montadoras de
veículos por serviços de boa
qualidade e preços competitivos é tão incessante quanto a busca por fornecedores de autopeças
e componentes que tenham essas
mesmas características. Na Ford essa área absorve cerca de 15% do total investido em compras pela organização. Assim como ocorre com as
empresas que entregam autopeças,
a preferência da fabricante de veículos é aproveitar ao máximo a base de
fornecedores, evitando fechar contratos com novos parceiros se não
for realmente necessário.
“O principal desafio é escolher empresas que ofereçam preços competitivos aliados a um sistema sólido de
qualidade e a um compromisso sério
de entrega”, explica João Pimentel, diretor de compras da Ford. O
executivo aponta que a organização
analisa cada novo contrato de forma
criteriosa em parceria com a área da
empresa que precisa do serviço para
minimizar riscos.
GARGALOS
Pimentel avalia que o principal gargalo está na área de logística, afetada
O DESAFIO É ESCOLHER
EMPRESAS COM PREÇOS
COMPETITIVOS ALIADOS A
UM COMPROMISSO
SÉRIO DE ENTREGA
JOÃO PIMENTEL, diretor de
compras da Ford
por problemas de infraestrutura do
País, pela escassez de mão de obra
especializada e pelo risco do roubo
de cargas. Por causa desses fatores a
área é a que absorve a maior parcela
do total aplicado pela companhia na
compra de serviços.
Erodes Berbetz, diretor de compras da Mercedes-Benz, enfatiza que
justamente por ser a área que enfrenta as maiores dificuldades, a logística
DE FORMA GERAL, O
SETOR DE SERVIÇOS
TEM PARCEIROS BEM
ESTABELECIDOS, MAS
ALGUNS PRECISAM
SE DESENVOLVER
ERODES BERBETZ, diretor
de compras da Mercedes-Benz
conta com os parceiros mais eficientes, habituados a driblar uma série de
desafios. “É uma grande vocação no
País”, destaca.
De forma geral o executivo pondera que o setor de serviços brasileiro
tem “parceiros bem estabelecidos,
mas alguns precisam se desenvolver. A inflação alta também tem
impactado o segmento”. Pimentel
percebe ainda a escalada dos preços. Segundo ele, há subida significativa dos custos em serviços de
manutenção, limpeza e segurança
para o setor.
O diretor da Ford avalia o setor de
tecnologia da informação como um
dos pontos fortes na oferta de serviços no Brasil. Segundo ele, a qualidade da oferta e dos equipamentos
é equivalente à encontrada em fornecedores globais. “Vale destacar os
sistemas de rastreamento e monitoramento no transporte de peças que
ajudam a evitar o roubo de cargas.
Outro exemplo são as empresas que
oferecem tecnologia em automação
e evoluíram muito nos últimos anos,
principalmente em qualidade de mão
de obra”, destaca. n
AutomotiveBUSINESS • 55
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SERVIÇOS
| CONSULTORIA
RETRAÇÃO DO MERCADO
TRAZ OPORTUNIDADE PARA
ESTUDOS ESTRATÉGICOS
Stephan Keese,
diretor da Roland Berger
CAMILA FRANCO
arquivo deloitte
Maurício Muramoto,
diretor da Deloitte
e também durante crises. “Isso vai
depender da forma como estão posicionadas no mercado. Ganhamos
participação, com aumento de 20%
na demanda este ano, com o fortalecimento de nossa marca. Serviços estratégicos sempre serão procurados.”
Na análise de David Wong, diretor
na AT Kearney, os serviços não aumentam ou diminuem. “O que muda
é o escopo do trabalho. Há procura
por análises estratégicas que gerem
mais rentabilidade e eficiência.” O
executivo menciona a expertise internacional como um dos fatores-chave,
pois ajuda a trabalhar metas e iniciativas com aderência nas matrizes.
Também levam vantagens as consultorias mais flexíveis. “A AT Kearney procura diversificar sua gama de
clientes. Quando está difícil no setor
automotivo, parte para outros segmentos, como os de logística e de
bens de construção”, avalia.
Muramoto comenta que a Deloitte tem tido sucesso com um leque de
opções – das que geram resultados
imediatos até as mais complexas, que
envolvem fusões e aquisições. Mas as
medidas estratégicas de longo prazo, segundo ele, acabam ficando em segundo
plano durante a retração.
Como tendência, segundo os consultores, fabricantes de autopeças de
médio e pequeno portes priorizam
soluções de curto prazo, independente-
mente das vendas. “Elas aproveitam o
capital para resolver problemas pontuais. Estão ocupadas com atividades operacionais e não têm tempo nem dinheiro
extra para traçar planos estratégicos”,
diz Wong.
Mas esta realidade está mudando.
“Existe uma ideia de que as consultorias são extremamente onerosas.
Muito desta percepção já se alterou.
Muitos empresários podem se surpreender com o quanto nossos serviços
são acessíveis”, comenta Muramoto.
Keese acredita que 2015 será melhor para as consultorias, após cenário político definido e novos rumos
para a economia. n
arquivo AT Kearney
E
m c enário pouco positivo para
as vendas de veículos, as consultorias acompanham de perto
o desempenho do setor e estão aptas
a formular estratégias em períodos de
recessão. Mas como ficam seus serviços com baixa verba dos clientes?
Maurício Muramoto, diretor da Deloitte, conta que a procura é mantida, visto que as fabricantes de veículos e de
autopeças precisam de soluções para
elevar a eficiência das operações e reduzir custos, minimizando o impacto
nos resultados financeiros.
Segundo Stepahn Keese, diretor
da Roland Berger, as consultorias podem ir bem com economia aquecida
arquivo: Roland Berger
DRIBLANDO
A CRISE
David Wong,
diretor na AT Kearney
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C
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SERVIÇOS
| ENGENHARIA
à espera de
NOVAS DEMANDAS
MOMENTO VIVIDO PELA INDÚSTRIA
DIVIDE EMPRESAS ESPECIALIZADAS
MÁRIO CURCIO
C
AUTOPEÇAS
Especializada em softwares para estamparia e em suporte a essa área,
a Autoform vê com certa cautela o
momento para os negócios: “O Inovar-Auto poderia nos auxiliar em
relação às fabricantes de autopeças, mas hoje elas passam por um
momento difícil”, diz o gerente-geral
da empresa, Fábio Vieira.
O executivo revela que a Autoform
continua num bom ritmo de desenvolvimento e recorda que a retração
do mercado também traz algumas
oportunidades: “A crise gera a necessidade de ser competitivo”, recorda Vieira ao citar um dos módulos
oferecidos pela Autoform, capaz de
elaborar estimativa de custo de produção da peça estampada e também
do desenvolvimento do ferramental.
A companhia tem como clientes as
20 maiores montadoras. No Brasil,
Vieira cita as quatro grandes (Fiat,
Ford, General Motors e Volkswagen)
e também a PSA Peugeot Citroën.
RETRAÇÃO
Sobre o programa do governo, o
country manager da Semcon, Fabrício Campos, informa: “O Inovar-Auto
ainda não nos trouxe clientes novos,
mas temos perspectivas para 2015.
Campos se queixa do momento atual
e dos reflexos da retração do mercado automotivo: “Mesmo trabalhando
com projetos, este ano foi ruim, com
demanda pequena.”
Fundada em 1980, a Semcon atua
em diversas áreas, em projetos de
eletroeletrônica, powertrain, chassi e
engenharia avançada (CAD e DMU).
No Brasil a empresa opera desde
2004 por intermédio da IVM, adquirida pela Semcon em 2007. n
LUIS PRADO
o m o mercado em queda,
mas novas demandas batendo à porta em razão do
programa Inovar-Auto, as empresas
de engenharia revelam opiniões divergentes sobre o momento atual e
a geração de novos negócios tanto
pelo programa do governo como
pelas fábricas de veículos já instaladas ou que se instalam no Brasil.
“Nossa empresa está a todo o vapor. Estamos trabalhando em novos
projetos. Atuamos para novas montadoras em engenharia de produto
e em engenharia de manufatura”,
afirma Martin Vollmer, diretor-presidente da Edag, companhia especializada em desenvolvimento de veículos e otimização de processos, entre
outros serviços oferecidos.
“O Inovar-Auto já nos trouxe serviços em nacionalização de produtos”, diz o executivo. “Nossa dúvida
é em relação àquilo que ocorrerá
em 2015”, pondera Vollmer, que
teme a menor frequência de novos
projetos.
Martin Vollmer,
diretor-presidente da Edag
58 • AutomotiveBUSINESS
58_SERVICOS_ENGENHARIA .indd 58
25/10/2014 18:48:02
SERVIÇOS
| testes e simulações
arquivo VirtualCAE
EXPECTATIVA
DE AVANÇO
NA DEMANDA
FORNECEDORES DE SOFTWARES
E SERVIÇOS DE TECNOLOGIA
COMPUTACIONAL AINDA AGUARDAM
CRESCIMENTO EXPRESSIVO
ALEXANDRE AKASHI
D
arquivo Smarttech
ois anos depois do lançamento do Inovar-Auto, os fornecedores de testes e simulações
para a indústria automotiva ainda
esperam pela concretização de um
esperado aumento explosivo na demanda de serviços. “Há um ano e
meio tínhamos uma expectativa boa,
mas nada ocorreu”, afirma Leandro
Garbin, diretor comercial da Virtu-
Crescimento
com otimismo
Ricardo Nogueira, diretor das
operações de serviços da Smarttech
alCAE. “Este ano será igual a 2013.
Não temos perspectivas de crescimento. Esperamos que 2015 seja
melhor, apesar das incertezas”, diz.
Na Autodesk Brasil a situação é
um pouco diferente. “Registramos
aumento na procura recente por algumas empresas do setor automotivo interessadas em nossas soluções
de simulação e planejamento de produção e layout fabril, por conta de investimentos das montadoras no País,
boa parte pelo programa Inovar-Auto”, comenta Raul Arozi, especialista
técnico da empresa. “As empresas
que já utilizam produtos nossos em
simulação, principalmente o Autodesk MoldFlow, estão renovando a
assinatura de software”, diz.
Na Smarttech, que acaba de inaugurar um centro de apoio ao desenvolvimento de projetos de engenharia em Holambra, SP, 2014 tem sido
razoável na venda de softwares, mas
muito bom em serviços. “Agora com
o TechCenter, registramos taxa de
crescimento acelerado em serviços.
E muito otimistas”, afirma Ricardo
Nogueira, diretor-geral das operações de serviços. Ele, porém, está
cauteloso em relação a 2015: “Não
será um ano fácil, mas acredito que
será bom. Essa é a nossa aposta.”
Esperamos que
2015 seja melhor
Leandro Garbin, diretor
comercial da VirtualCAE
INVESTIMENTOS
Nogueira acaba de finalizar investimento de R$ 5 milhões no TechCenter, que abriga a administração, os
departamentos de engenharia, espaço de treinamento e laboratórios,
além de uma pista de teste de ruído
de passagem para máquinas rodoviárias ou agrícolas e automóveis.
A VirtualCAE acaba de lançar o
Virtual.PYXIS, software de otimização estrutural que se integra aos
programas de design e tem como
função reduzir massa dos componentes. “Adquirimos o projeto
de mestrado de um aluno da USP,
contratamos mais dois doutores e
desenvolvemos nosso próprio código”, afirma Leandro Garbin, da
VirtualCAE, que está abrindo escritórios em Chicago e na Alemanha
e estima um mercado potencial de
cerca de t 200 milhões. n
AutomotiveBUSINESS • 59
59_TESTES E SIMULAÇÕES.indd 59
25/10/2014 18:50:22
SERVIÇOS
| AUTOMAÇÃO
PRODUÇÃO EM QUEDA
apenas adia decisões
RETRAÇÃO atual NA INDÚSTRIA AUTOMOBILÍSTICA NÃO
IMPEDIRÁ MUDANÇAS NECESSÁRIAS
A
divulgação
produção de veículos no acumulado até setembro já havia
recuado 16,8% no Brasil no
confronto com o mesmo período de
2013 e trouxe consequências negativas para as empresas especializadas
em automação, mas as demandas
relacionadas ao programa Inovar-Auto devem ocorrer, independentemente do comportamento da indústria.
Essa é a percepção de Icaru
Sakuyoshi, diretor da Motoman, que
fornece sistemas robotizados de solda sobretudo para produtores de autopeças tiers 1 e 2. “Os investimentos das fabricantes de componentes
tiveram redução proporcional ao
mercado, estão sendo adiados, mas
irão acontecer, terão de acontecer”,
afirma Sakuyoshi.
Segundo o executivo, as consultas à Motoman costumam ocorrer
à medida que novos projetos surgem no Brasil, mas os desdobramentos do Inovar-Auto ainda não
são perceptíveis como uma “injeção de ânimo”. O mesmo vale para
os anúncios de novas fábricas. “A
nova unidade da Honda em Itirapi-
In-Sight 7000,
da Cognex, substitui
olhar humano nas
inspeções de
60 • AutomotiveBUSINESS
qualidade
60_SERVICOS_AUTOMACAO-1.indd 60
divulgação
MÁRIO CURCIO
Robô Motoman realiza
solda por arco elétrico em um
componente automotivo
na (SP) gerou negócios, mas para
a matriz da Motoman no Japão”,
recorda o diretor da empresa. Seu
exemplo refere-se à segunda planta para automóveis da Honda no
Brasil, onde investe R$ 1 bilhão
para produzir até 120 mil carros
por ano, mesma capacidade instalada de Sumaré (SP).
MERCADO
Situação semelhante é vivida pela
Nachi. “Este ano havia muitos projetos abertos, mas cerca de 50% entraram em ‘hold’ tanto no setor automotivo como na linha branca”, revela
o engenheiro de aplicação da Nachi,
Felipe Saikawa.
A empresa também fornece equipamentos para os tiers 1 e 2. Sobre
as novas montadoras, ele recorda que
o robô Nachi utilizado na linha de produção da Chery de Jacareí (SP) também foi adquirido fora do Brasil, mas
pondera: “Eles têm perspectiva de
usar mais robôs no futuro.” No Brasil, a maior cliente dos robôs Nachi,
segundo Saikawa, é a Toyota, que
“continua comprando”.
Especializada em sistemas de inspeção de qualidade e rastreabilidade,
a Cognex vive um momento diferente:
“Estamos com tendência de melhora
até o fim do ano. Nossos negócios
têm-se mantido em alta desde 2011.
Historicamente, os números da empresa no Brasil são muito bons”, afirma o engenheiro de vendas sênior
Domingos Mancinelli.
O executivo vê bons desdobramentos a partir do Inovar-Auto, já que seus
produtos permitem o controle de cada
etapa da produção. Os equipamentos
são desenhados para inspeção de
qualidade. Acompanham a sequência
de montagem, itens e subitens. Mancinelli recorda que a melhora obtida
nos processos produtivos também
permite ganhos em eficiência. n
25/10/2014 18:52:36
SERVIÇOS
| LOGÍSTICA
nha desenvolvendo intenso trabalho,
de onde cerca de 40% das carretas
enviadas retornam ao Brasil carregadas de embalagens dos parceiros automotivos, a relação com empresas
de outros setores se fortaleceu.
Guedes se refere não somente a empresas de outros segmentos, gigantes como Nestlé, Procter&Gamble,
Unilever e Accor, mas também do próprio setor automotivo. O executivo cita, por exemplo, Goodyear, Valeo, JCI,
entre outras, cuja participação na carteira de clientes da Veloce aumentou
algo entre 10% e 15% em volume movimentado este ano, na mesma toada
dos dois anos anteriores.
Paulo Guedes, presidente
da organização Veloce
Vinícius Falcão, diretor de
desenvolvimento de negócios da Ceva
ELASTICIDADE E UMA
PITADA DE BOM SENSO
EM ANO DE RETRAÇÃO, EXPECTATIVA PARA
2015 AINDA É DE INCERTEZA
CAMILA WADDINGTON
D
i versificação de atividades e
nichos econômicos tem sido uma das estratégias adotadas por empresas ligadas à indústria automobilística nos últimos anos
para mitigar os efeitos colaterais de
uma eventual crise, como a que afetou o setor este ano. Entre as que partilham essa visão de negócio a Veloce
é um bom exemplo em meio às diversas fornecedoras de serviços logísticos. Poucas, no entanto, são tão focadas: com 85% de sua movimentação condicionada às marés das fabricantes de veículos – montadoras como Toyota, Volkswagen, GM e Honda,
bem como muitos de seus fornecedo-
res –, a Veloce teve de correr atrás para não perder terreno nem receita.
Tal dependência, no entanto,
não se revela incômoda para Paulo
Guedes, presidente da organização.
“Desde o começo de nossas atividades tivemos essa intrínseca integração com o segmento automotivo, em
que sedimentamos a Veloce. Somos
especialistas nesta área. E, por esta mesma razão, sempre buscamos
clientes em outros setores da indústria ou em operações diferenciadas,
de forma a não sentirmos tanto as intempéries.” Muito em virtude da retração concomitante da produção argentina, país no qual a operadora vi-
AJUSTES NECESSÁRIOS
A participação da indústria automobilística também é expressiva na Ceva
Logistics. O Grupo anunciou faturamento global de US$ 8,5 bilhões no
ano passado. Cerca de 28% deste total é representado pelo setor automotivo. Ainda assim, Vinícius Falcão, diretor de desenvolvimento de negócios dos setores automotivo e industrial da Ceva, não se intimida e reconhece: “É uma característica histórica do setor sofrer com oscilações de
volume. Tomando como base nossa
experiência e a realidade deste segmento, a estratégia da Ceva tem como pilar o planejamento da demanda
mantido à risca, com foco na otimização da capacidade instalada.”
Desse modo, a companhia entende ser possível reduzir eventuais impactos ocasionados pela redução de
volumes, sem perder produtividade,
rentabilidade ou mesmo fôlego para
retomar o ritmo a qualquer instante.
Para 2015, tanto Guedes, da Veloce,
quanto Falcão, da Ceva, concordam
no tom moderado: será um ano de
ajustes. Visibilidade para novos negócios e, sobretudo, parcimônia, guiarão ambas as companhias em mais
um ano de incertezas. n
AutomotiveBUSINESS • 61
61_SERVICOS_ LOGISTICA.indd 61
25/10/2014 18:58:35
SERVIÇOS
| TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO
INDÚSTRIA ALIA-SE A TI
PARA GANHAR
EFICIÊNCIA OPERACIONAL
DESACELERAÇÃO DO SETOR FAZ EMPRESAS INVESTIRem
MAIS EM AUTOMATIZAÇÃO DE PROCESSOS PARA
AFINAR A GESTÃO DOS NEGÓCIOS
EDILEUZA SOARES
A
queda nas vendas de carros
no Brasil leva a indústria
automotiva a olhar para
dentro de casa e ajustar processos visando a aprimorar a gestão
dos negócios. Esses solavancos
têm feito com que as fabricantes
recorram mais aos fornecedores
de tecnologia da informação (TI)
em busca de medidas para cortar
custos e melhorar a sua eficiência operacional. Há uma demanda
maior por soluções para automação
de sistemas e controles mais precisos em toda a cadeia do setor.
Entre os serviços buscados para
corte de custos está o outsourcing
da infraestrutura de TI. “Temos visto
um movimento maior do setor automotivo para terceirização de data
centers. Muitos têm data centers obsoletos e avaliam o que vale mais a
pena: reformar ou transferi-lo para
um provedor de serviços”, constata
fotos: divulgação
temos visto
um movimento
maior do setor
automotivo para
terceirização
de data centers.
Muitos têm
data centers
obsoletos
Camilo Rubim, vice-presidente
da T-Systems
Camilo Rubim, vice-presidente para a área automotiva da T-Systems
Brasil, que tem 50% de sua receita
na indústria automobilística originária de clientes como Volkswagen,
Mercedes, Toyota, GM e Renault.
Segundo Rubim, a T-Systems tem
sido procurada também por empresas automotivas interessadas na
adoção de serviços de TI em cloud
computing. “Se a empresa sabe
que daqui a seis meses vai ter um
grande volume de processamento,
ela não precisa investir na compra
de hardware novo, podendo alocar
esse recurso e, se precisar dar férias coletivas ou reduzir o consumo,
pagará somente pelo que utilizar”,
explica. Outra solução demandada
pelo setor é a de Data Recovery Plan
(DRP), site de backup para garantir
a continuidade de negócios em caso
de incidentes.
Carlos Wagner dos Santos, presidente da Sintel, empresa brasileira
que atua com serviços para gerenciar a cadeia de suprimento do setor
automotivo, observa que os ambientes das montadoras estão ficando
cada vez mais críticos, obrigando as
companhias a investir mais em TI.
“Existe uma demanda da indústria
62 • AutomotiveBUSINESS
62-63_TI.indd 62
25/10/2014 19:03:07
por soluções para reduzir custos e
melhorar a eficiência operacional, o
que abre oportunidade para entrarmos nos processos de negócios dos
nossos clientes”, explica o executivo.
Com mais de 27 anos de atuação
no setor, a Sintel começou entregando plataforma de Electronic Data Interchange (EDI) para integração
de informações entre montadora e
fornecedores. Depois, ampliou suas
soluções e conecta hoje mais de
700 clientes da área, entre os quais
55 dos 80 players globais.
O aumento da competição, com
a chegada de novos players, traz
outros desafios para o setor, avalia
André Felipe, diretor de marketing
da Siemens PLM Software. “As companhias precisam melhorar a produtividade, ser mais eficientes, produzir carros em menos tempo e com
mais TI embarcada”, diz o executivo.
Alberto Claro, diretor da consultoria Accenture, acrescenta que o
setor está contratando mais serviços
de TI, principalmente para atender
as tendências do carro conectado e
renovar sistemas existentes.
existe uma
demanda da
indústria para
reduzir custos
e melhorar
a eficiência
operacional
Carlos Wagner dos Santos,
presidente da Sintel
SERVIÇOS MAIS
SOFISTICADOS
Outra prestadora de serviços de TI
que tem recebido mais solicitações
da indústria automotiva é a Stefanini, que atende fabricantes como
Fiat, Volkswagen, Renault e GM.
Com a TI se tornando o core dos negócios das montadoras e os carros
cada vez mais digitais, Vinícius Fontes, gerente executivo de inovação
da companhia, informa que ocorre
uma busca de soluções mais sofisticadas para dispositivos móveis e
outras aplicações para ficarem mais
próximas do cliente.
O aumento da contratação de serviços de TI pela indústria automotiva
é percebido também pela Simpress,
empresa de outsourcing de impressão e que atende companhias como
Toyota, Renault e Volkswagen. Paulo Theophilo, diretor de marketing,
destaca que um dos serviços mais
contratados no momento pelo setor
é a digitalização de documentos para eliminar o uso de papel, principalmente na fábrica, onde as consultas
a manuais e outras informações estão sendo feitas por tablets. n
André Felipe, diretor de
marketing da Siemens PLM Software
Vinícius Fontes, gerente
executivo de inovação da Stefanini
AutomotiveBUSINESS • 63
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25/10/2014 19:03:12
SERVIÇOS
| FINANCEIRAS
JOGO DE CINTURA
BANCOS DE MONTADORAS DRIBLAM QUEDA DE MERCADO E
AUMENTAM PARTICIPAÇÃO NAS VENDAS DAS MARCAS
SUELI REIS
DIVULGAÇÃO
to mostram que a taxa de juros
praticada pelas associadas ficou
em média 0,34% menor do que as
de bancos de varejo, considerando
CDC para pessoa física, a mesma
média mantida durante os meses de
maio, junho e julho. Uma pesquisa
do Banco Central também referente
a agosto revelou que, das dez melhores taxas de juros para aquisição
de veículos novos, sete provêm de
bancos de montadoras.
ESFORÇOS
Entre janeiro e agosto, a participação dos bancos nas vendas totais
de veículos leves novos chegou
a 65%, superando todo o ano de
2013, quando essa participação
fechou em 53%. No caso do Banco Volkswagen, do qual Carbonari
também é presidente, a participação chega a 70% das vendas totais
da marca no varejo para pessoas
físicas. “Dois terços desses clientes
chegam sem carta de crédito; no
fim, a venda dependerá muito mais
do seu diferencial, de poder oferecer
a melhor condição.”
A diversificação do portfólio também ajuda a enfrentar períodos com
ritmo de negócios mais lentos. Caso
do Banco Mercedes-Benz, que atende tanto os clientes do automóvel
de luxo com os da van ou camiDÉCIO CARBONARI, presidente
da Associação Nacional das
Empresas Financeiras das
Montadoras (Anef)
64 • AutomotiveBUSINESS
DIVULGAÇÃO
E
m tempos de crise, as montadoras são obrigadas a aumentar os esforços para manter a
saúde dos negócios. Neste embate,
os bancos de montadoras ganharam papel fundamental para atrair
clientes a partir de sua flexibilidade
e capacidade de apresentar ofertas
mais sedutoras.
“Há dois anos o consumidor vem
aprendendo mais sobre a importância da taxa na compra, que é sem
dúvida um fator determinante. E
hoje o banco de montadora é o que
cumpre melhor esse papel”, afirma Décio Carbonari, presidente da
Anef, associação que reúne os bancos das montadoras.
Os números atualizados até agos-
ANGEL MARTINEZ, diretor
comercial do Banco Mercedes-Benz
nhão: “De 2006 até agora, exceto
em 2009, percebemos que quando
um setor está em crise sempre tem
outro que compensa. Isso tem garantido nosso crescimento de dois
dígitos ao ano, sem comprometer a
carteira”, afirma Angel Martinez, diretor comercial.
A instituição também revisou todos os processos de atendimento
focados no cliente, além de fomentar um forte trabalho de prospecção
desde 2013. “É como apostar na
loteria: pode dar certo, pode não
dar. O resultado é que até agosto o
volume de novos negócios no ano
cresceu 16,7%”, justifica. n
SERVIÇOS
| CERTIFICAÇÃO
GARANTIA DE SEGURANÇA
VALIDAÇÃO DE AUTOPEÇAS E COMPONENTES ESTIMULA
QUALIDADE E LIVRE CONCORRÊNCIA
GIOVANNA RIATO
LUIS PRADO
O
consumidor e as empresas que atuam no mercado de reposição automotiva contam com aliada importante:
a certificação compulsória de autopeças e componentes. O programa começou em 2008 e pretende
proteger o consumidor de componentes fora de conformidade, que
ofereçam risco à segurança, saúde
ou meio ambiente. A legislação tem
o poder de regular o mercado, já
que inibe a concorrência desleal de
partes e peças importadas da Ásia,
por exemplo. Além disso, eleva o
nível dos produtos feitos no Brasil,
tornando-os mais competitivos.
“O processo de certificação não
deixa de ser um aculturamento da
sociedade, que precisa passar a
exigir os componentes com o selo
do Inmetro, mas há um longo período de amadurecimento das coisas até que as pessoas percebam
os benefícios”, avalia Mario Guitti,
superintendente do IQA, Instituto
da Qualidade Automotiva. Ele explica que o processo começa com
a sugestão por entidades do setor
automotivo no sentido de que um
componente receba o selo.
O Inmetro, responsável por elaborar o plano de conformidade para
cada produto, avalia se é possível
desenvolver o trabalho para aquela
autopeça. Em caso positivo, é aberta consulta pública para que as entidades envolvidas possam participar
e opinar sobre quais devem ser os
Mario Guitti, superintendente
do IQA, Instituto da
Qualidade Automotiva
critérios. Organizações como Anfavea, Sindipeças e IQA podem sinalizar aspectos importantes a serem
levados em conta na formulação
das regras de conformidade. Depois
de definido, o plano é divulgado por
meio de portarias, que estabelecem
ainda prazos para que os componentes passem a receber o selo do
Inmetro. A ideia é determinar os requisitos mínimos que as autopeças
precisam atender.
O programa só afeta o aftermarket
porque o segmento de autopeças
originais tem dinâmica diferente e
já precisa atender a uma série de
requisitos de qualidade impostos
pelas montadoras. “No mercado
de reposição, os itens têm de ser
selecionados de acordo com vários
aspectos, como influência na saúde,
segurança, meio ambiente, relações
de mercado e até mesmo impacto
na balança comercial”, explica Guitti. Segundo ele, diversos motivos
podem estimular as entidades do
setor a sugerir a certificação compulsória ao Inmetro. Entre eles está
a oferta de produtos com baixa qualidade e a prática de concorrência
desleal, com a venda de itens abaixo
do preço de custo para conquista de
mercado.
“Os programas de certificação
são altamente benéficos, inibem a
pirataria, a falsificação e criam mecanismo para privilegiar bons produtos e fabricantes. É um disciplinador
para que todos atuem de forma justa”, defende o especialista do IQA.
No setor automotivo o programa já
abrange 16 tipos de componentes.
A lista inclui buzinas, lâmpadas, baterias, barras de direção, vidros e até
capacetes de motocicletas e Arla 32,
agente de ureia usado em veículos a
diesel com tecnologia SCR.
Guitti explica que o comitê responsável pela certificação da qualidade no setor de reposição automotiva é bastante atuante e, além
de trabalhar constantemente para
que novas certificações sejam feitas,
busca também a atualização e aperfeiçoamento dos programas que já
estão em vigor. n
AutomotiveBUSINESS • 65
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25/10/2014 19:15:22
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