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Veja o diálogo entre dois grupos do 8. Período - Manhã sobre “O Futuro da
Psicologia”
Grupo 1 – Página 01
Grupo 2 – Página 09
Boa leitura!
Discurso proferido pelas acadêmicas Elizandra F A da Silva, Jéssica Ribas,
Luciane de Salles e Karin Oliveira, na mesa redonda do NEPSI, 28/07/2013.
Agradecemos o convite em participar desta mesa redonda e esperamos contribuir
com a temática sobre a “Psicologia em 2063”.
Pensar em uma Psicologia no Futuro é considerar como a Psicologia surgiu na
nossa história. A Antropologia, por exemplo, nos apresenta, por meio de suas
pesquisas, um retrato de como o homem primitivo concebia a realidade nos séc. X
a VIII a.C., sendo estas as formas mais antigas de pensamento que temos acesso.
O pensamento mítico dominava esses séculos.
Através das vozes dos poetas e declamadores ambulantes, as histórias eram
contadas, os fenômenos eram explicados e as relações sociais justificadas através
dos mitos. São eles que oferecem a primeira compreensão coletiva da realidade.
Porém, a psicologia aprendeu muito com os mitos onde a própria origem da
palavra psicologia deriva do mito grego (Psyché = alma).
Durante aproximadamente dois mil anos a Psicologia existiu sem forma e
indiferenciada, consolidada à Filosofia que tinha a preocupação para um “homem”
possuidor de “algo” além de seu corpo material e sensorial. Deste modo temos a
primeira definição de Psicologia como estudo da “alma” que durou por muito
tempo. Porém, essa é uma definição controversa uma vez que “alma” abre um
leque imenso de formas de compreensão suscitando questões inquietantes,
enigmáticas e infinitas. Surgiram assim os primeiros questionamentos da
Psicologia onde somente no início do século XIX nasce a Psicologia como ciência.
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Nascendo uma psicologia como Ciência, surgem também diferentes formas de
investigação científica e as linhas filosóficas que definem sua prática.
Desta
forma, temos, entre outras, a Psicologia Behaviorista (derivada de uma corrente
positivista e que definirá o homem e seus processos psíquicos como um ser
primordialmente governado por estímulos do meio), a Psicologia Humanista
(derivada da Fenomenologia e do Existencialismo, e que definirá o homem como
um ser intencional, dono de seus atos e de sua consciência), a Psicologia
Cognitiva (derivada em parte de uma filosofia pragmática, considera o homem em
uma perspectiva interacionista, fruto da constante relação homem-meio, sendo
este
homem
considerado
como
um
sistema
aberto
e
em
sucessivas
reestruturações); a corrente sócio-histórica da Psicologia (derivada do
materialismo
dialético,
considera
também
o
homem
numa
perspectiva
interacionista, privilegiando a mediação do meio), Gestalt (que com certa
influência fenomenológica, explora a atenção, a percepção e a tomada de
consciência pelo organismo como um todo) e a Psicanálise que embora não
tenha nascido no seio da Psicologia, caminha junto com ela na sua preocupação
com o homem interior.
Estas são as diferentes vertentes da Psicologia, que anseiam observar,
compreender e trabalhar o homem em relação aos seus processos psíquicos, à
construção de sua inteligência e afetos, a suas formas de ser, atuar e se
relacionar no mundo e onde quer que o homem esteja atuando.
E, como estará a Psicologia em 2063? Quais serão os sofrimentos psíquicos? A
natureza das patologias? Onde atuará a psicologia em 2063? Como não deveria
ser a psicologia em 2063? A psicologia continuará predominante feminina? E o
senso comum continuará prevalecendo? Quais serão as novas ferramentas de
trabalho?
Segundo Samuel Netto, 2007, estes e outros questionamentos da Psicologia
precisam ser respondidos para que os atuais e futuros psicólogos tenham domínio
e habilidades necessárias para a atuação profissional, ao que ele nomeou de “as
sete pragas da Psicologia”.
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O autor numera a primeira das sete pragas da Psicologia, a ser combatida, como
sendo a negação de que a Psicologia é uma ciência por excelência, é ciência por
uma definição universal e não pertence a nenhum país em particular. A segunda
praga, para o autor chama-se ignorância, é o desconhecimento a desatualização
de acadêmicos e profissionais. A terceira praga compreenderia a não ampliação
das áreas de trabalho da psicologia. A quarta praga, e a perda da identidade, O
psicólogo não é assistente social, não é médico, nem político, não age como o
senso comum e muito menos com pseudociências como tarô, pseudoterapias de
vidas passadas nem receita medicamentos. A quinta praga compreenderia a
superficialidade, o abuso de jargão, de clichês psicológicos que circulam por ai. A
sexta praga seriam as condições de funcionamento de numerosos cursos de
Psicologia existentes no país com instalações precárias, bibliotecas com poucos
livros atuais e de conteúdo não confiável, faltam os periódicos internacionais de
maior importância, por exemplo. A sétima praga compreende a imagem pública da
Psicologia que deixa muito a desejar sobre o que a Psicologia faz, o que ela é,
como ela trabalha.
O que se torna preocupante é a atribuição da Psicologia em se firmar em sua
história, ou seja, nos prendemos no passado e em estudiosos de décadas
passadas e deixamos de adquirir novos conhecimentos e práticas de nossos
contemporâneos a respeito de diversas áreas como terapia de casais, violência na
família, conflitos entre pais e adolescentes e até mesmo o progresso da
neurociência? Logo se faz necessário o reconhecimento da demanda do
psicólogo, pois este tem que ser muito mais que um clínico, precisa ser um agente
de mudanças, porém é algo desafiador e alvo de revisões de currículos, disciplina
e sintonia.
Outro detalhe importante é a crise de identidade, pois em diversos casos o
profissional se torna um assistente, um político, um antropólogo, um médico,
menos um psicólogo tornando-se superficial, carente de informações necessárias
para a divulgação de seu verdadeiro papel na sociedade.
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Costa (2005) retrata a questão da tecnologia na contemporaneidade e as
alterações do âmbito social. Este é um assunto interessante e que traz questões
pertinentes à Psicologia e a emergência de uma nova “configuração psíquica”. A
questão é: Será que a Psicologia está preparada para encarar essa evolução que
caminha de uma maneira tão acelerada e que torna as pessoas tão individualistas
e isoladas a ponto de apresentarem problemas psíquicos relacionados a essa
área? Instala-se assim uma nova“era” da relativização, o imediatismo, a agilidade,
a derrubada de fronteiras. A autora toma como exemplo a internet como a
inovação presente e que se faz necessário a interação da Psicologia para com os
indivíduos, pois esses mudam o seu comportamento e o seu modo de ser e a falta
de entendimento causa a inadequação e até mesmo o preconceito. O indivíduo
passa então a sentir prazer em tudo que faz online, pois a comunicação se torna
ágil, imediata, adaptável, porém não se conhece muito o limite dos desejos. Cabe
então à Psicologia compreender e intervir nesse período de sensação de liberdade
e nova organização psíquica, além da obrigação de se atualizar a respeito desse
novo tempo.
Reis (2010) chama a atenção para a interação humano-computador, pois
Psicólogos trabalham com pessoas e assim essa união de humano com
tecnologia já caminha ao rumo do futuro. Também esclarece que o nome
“computador” é generalizado, no qual ao psicólogo interessa o fator “mídia” e não
a máquina em si. O fato é que a depuração ética constadas nas resoluções do
CFP em relação a essa prestação de serviços parece não acompanhar o avanço
da tecnologia. O lado positivo é que diversos psicólogos caminham e progredirão
em equipes multidisciplinares em parceria como designers, cientistas da
computação e afins e que assim possam trilhar novos caminhos e até mesmo
outra área de atuação possa surgir.E quanto as mulheres, por que somos tantas
psicólogas?
Rosemberg (1984) afirma que as mulheres apresentam um nível bom de
adaptação às condições de vida, em família, na escola e no mercado de trabalho e
que a carreira “Psicologia” é dita como uma carreira feminina pela eficiência do
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processo de socialização no reforçamento de modelos de papéis sexuais
dicotomizados. Também fala da mulher como “especialista da infância” já desde a
maternidade e que estas já se se responsabilizam pela saúde mental da criança e
a evolução dessa criança também depende dessa mulher. A verdade é que a
estrutura do mercado de trabalho, principalmente em áreas flexíveis tendem a
aumentar para a área feminina e cursos como o de Psicologia, por sua
generalidade permite um leque alternativo de “opções” profissionais mesmo que
impliquem subempregos como professora particular, professora ou até mesmo
intérprete. Enfim, as mulheres tendem a preferir papeis expressivos até mesmo
pelo ajustamento de tais cursos, pois tendem a se modelarem, a se adaptarem e a
se conciliarem, além de não se esgotarem a margem da manobras para darem
conta das expectativas do mundo do trabalho.
Rocha e Romagnoli (2010) relatam sobre a insatisfação tanto nos serviços quanto
na própria academia, mas que, através de muitos pesquisadores, a produção de
conhecimento e o ato de pesquisar sustentados pelos ideais da modernidade vêm
sendo colocados em xeque. Se faz necessário sustentar um plano de indagação
que provoque o pensar e o desafio está em desarticular os hábitos e discursos
instituídos dando passagem aos paradoxos e às relações potencializadoras que
nos lançam à invenção, além da interrogação de nossas próprias práticas.E
quanto à Psicologia em 2063?E os cyber psicólogos?
Entende-se que a Psicologia precisa se adaptar a essa evolução e dominação do
mundo cibernético.
O que a Psicologia tem a ver com computadores, bytes, Internet, facebook e
afins?
O filósofo e matemático Norbert Wiener, propunha a Cibernética como uma nova
forma de se fazer ciência. As idéias centrais da Cibernética exercem uma
influência
relevante
contemporâneas.
em
amplos
setores
do
pensamento
e
da
cultura
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E essa influência acaba modificando o comportamento que até então é estudado
por teorias tradicionais e ou centenárias. Nos dias de atuais a web nos permite
explorar um mundo desconhecido, faz você teletransportar para o mundo virtual e
navegar nas redes sociais com o intuito de anunciar sua opinião, seu protesto, sua
indignação ou simplesmente interagir na rede. Fazendo amigos “pessoas que são
virtuais”, pois muitas vezes são conhecidas apenas na rede. E embora à distância
entre um e outro seja enorme as pessoas via Internet sabem mais uma das outras
do que as que moram sob o mesmo teto.
Toda essa distância seria uma fuga da realidade? Hoje em dia não se pode
considerar mais isso. Já que praticamente o mundo todo esta conecto, onde você
vai lhe perguntam: “Qual é o seu email? Você tem facebook? Quantos amigos
você tem no facebook?
Na década de 90, profissionais e estudantes de Psicologia já pesquisavam esse
assunto. Em congresso, de São Paulo de 2001 já se falava dos impactos e
dependência que a Internet causaria. Mas havia poucas pesquisas no assunto.
Mais de 10 anos depois,vivemos o impacto que a Internet tem causado no
comportamento das pessoas.
Até pouco tempo as relações sociais se restringiam ao campo do “corpo presente”,
e hoje este corpo se desloca, transcende a corporeidade, para fundar um plano
virtual de encontros. A distância corporal toma a forma de imaginação, no qual o
outro pode ser o que você deseja e o idealiza através das palavras lidas.
A timidez se instala causando dissocializações. Surgindo um novo modelo, uma
maneira de socializar o não sociável. Transformando as relações presenciais em
distanciais.
Como o psicólogo deve se preparar para o novo plano socializador? Cada vez
mais os jovens se tornam seres sociais - virtuais. Nas conecções do computador
encontram-se amizades, amores, desamores, decepções, cyberbullyng etc. E o
profissional que não se atualizar ficará como que no tempo das pedras.
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Entender a Internet através da psicologia nada mais é do que uma experimento de
melhor compreender o comportamento do indivíduo enquanto ser social, e talvez,
cooperar para o entendimento do ser humano como um moderno ser social-virtual.
Se o profissional ficar estagnado será consumido pela cybernética, a escuta será
considerada arcaica, pois a leitura e a escrita serão o domínio.
Então como atuará esse profissional em 2063?
Se fizer uso tecnologia a seu favor, o novo consultório será através de um
computador.
Porém, localizado em um canto qualquer, ou seja: um banco de praça, no quarto
de um hotel, na cozinha de sua casa, no shopping, ele atuará onde tiver um
computador,
As salas de consultórios não existirão e na buscas de profissionais na rede virtual
se depararão com charlatões que usarão de senso comum já que o uso da
Internet já tem servido para aprovar acadêmicos à distância e divulgar pesquisas
instantâneas com respostas prontas.
Corroborando com a 6ª praga, os profissionais estão sendo mal instruídos então, a
Internet pode ser considerada tanto boa quanto ruim no aspecto de aprovar
profissionais e de provocar um distanciamento de pessoas, criando assim uma
nova sociedade.
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Referências:
COSTA, Ana Maria Nicolaci. “Primeiros contornos de uma nova configuração
psíquica”. Cad. CEDES Scielo vol. 25 n. 65. Campinas Jan/Apr.2005. In:
www.dx.doi.org.
PFROMM NETTO, Samuel. Psicologia, psicologias: velhos e novos olhares Algumas considerações sobre o passado, o presente e o futuro da
psicologia com ciência, profissão e ensino. Psicol. pesq. [online]. 2007, vol.1,
n.1, pp. 03-07. ISSN 1982-1247.
MUELLER, F.L. – História da Psicologia, vol. 89 de Atualidades Pedagógicas,
Cia Editora Nacional, SP, 1978.
SALLES, Fernando Ricardo. A Relevância a Cibernética: Aspectos da
contribuição filosófica de Norbert Wiener . UNIVERSIDADE DE SÃOPAULO
FACULDADEDEFILOSOFIA,LETRASECIÊNCIASHUMANAS
In.
http://www.fflch.usp.br/df/site/posgraduacao/2007_mes/MES_2007_FernandoSalles.pdf
ROMAGNOLI, Roberta Carvalho; ROCHA, Marisa Lopes. “Ferramentas
conceituais e metodológicas para o trabalho coletivo: pesquisas em análise.
Est. e Pesq. Em Psicol. V. 10 n. 1 Rio de Janeiro abr. 2010.
REIS, Alessandro Vieira. “Cyber Psicólogos”. Portal Ciência & Vida: Revista
Ciência & Vida. In: www.psiquecienciaevida.uol.com.br.
ROSEMBERG, Fúlvia. “Afinal, por que somos tantas psicólogas? Psicol.
Ciênc. Prof. V. 4 n. 1 Brasília 1984.
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Discurso proferido pelos acadêmicos na mesa redonda do NEPSI,
28/07/2013.
JONATAN DA SILVA
TATIANE TEDESCO
VIVIANE BAYER MENÇA
A PSICOLOGIA EM 2063
1. INTRODUÇÃO
O presente trabalho tem como objetivo propor previsões, a partir de
referências teóricas, de como será o futuro da psicologia, quais são as
transformações dessa ciência e como ela estará aliada em alguns campos como a
tecnologia, a bioética, bem como suas diversas abordagens.
De acordo com Curado (2007), para podermos prever o que acontecerá à
Psicologia no futuro, é necessário considerar seu passado, termos uma
panorâmica histórica, para então apontar direções possíveis. O autor comenta que
as evoluções acerca do conhecimento da mente do ser humano são pequenas e
que os seres humanos de hoje não mudaram muito desde 30 séculos atrás, pois
ainda vivem em cidades, celebrações de casamentos, as pessoas se reúnem nas
praças públicas, existem conflitos em toda parte do mundo, entre outras
características.
2. O FUTURO
O homem sempre realizou previsões sobre o futuro, muitas que nunca se
concretizaram. Apesar disso, continuamos nos preocupando em antecipar
tendências e tentando entender como será o futuro. Essas previsões são apenas
hipóteses, que poderão ou não acontecer, mas que nos permitem exercer a
criatividade na tentativa de inovar nossas praticas. Para construir tais hipóteses,
podemos nos embasar no que cientistas e pesquisadores dizem sobre o futuro e
as novas tecnologias.
Morin (2004) apresenta os sete saberes necessários para a educação do
futuro, que, segundo ele, são: considerar erros e ilusões constantes nas
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concepções; construir o conhecimento pertinente; reaprender a nossa própria
condição humana; reconhecer nossa identidade terrena; enfrentar as incertezas
constantes no conhecimento científico; ensinar a compreensão por meio do
diálogo e do entendimento; dicutir e exercitar a ética. Tem como propósito revisar
currículos, integrar disciplinas e religar saberes, reorganizar o pensamento, abrir
outros campos de saberes, recusar a separação entre razão e emoção, ciência e
arte e ciência e mito, estimular o dialogo entre diferentes.
Murteira (2010) afirma que Alving Toffler é especialista em apontar
tendências para o futuro. Para ele, as mudanças passariam a acontecer de forma
acelerada e as pessoas e as instituições teriam dificuldades em lidar com essa
rapidez. Todos se sentiriam obrigados a ter respostas imediatas, ficariam confusos
na hora de tomar decisões e sofreriam muito por causa disso. Defende que as
novas tecnologias nunca vêm sozinhas, mas acompanhadas por mudanças
tecnológicas, seguidas de mudanças sociais, políticas e culturais, o que acarreta
um novo modo de vida. Para Toffler, as mudanças que vemos hoje devem
continuar acontecendo: as famílias continuarão menores que no passado, teremos
pais solteiros, casais divorciados que se casam de novo duas, três vezes,
casamento de gays.
Pessini e Hossne (2012) também apontam a preocupação futura com as
doenças crônico-degenerativas como: Parkinson, Alzheimer, demência, entre
outras, onde questões como “viver para sempre”, com a potencialização cognitiva,
serão campo de discussão de profissionais da saúde, principalmente os
psicólogos. Aponta-se que também haverá um grande avanço nas Neurociências,
especialmente no que compete à biologia molecular, envolvendo nanotecnologia e
uma ampliação da utilização de células-tronco no tratamento de neuropatologias.
3. O FUTURO DA PSICOLOGIA: NOVAS PRÁTICAS.
De acordo com pesquisa realizada pelo Conselho Federal de Psicologia
(WHO, 2005) sobre a atuação do psicólogo no Brasil, verificou-se que entre os
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psicólogos que estavam exercendo a profissão na data da pesquisa, a maioria
(54,9%) se dedicava à clínica em consultório, e 12,6% atuava com Psicologia da
saúde, sendo que, nesse campo, a prática, na maioria das vezes, também é
clínica.
Segundo Moreira (2007), a clínica psicológica é herdeira do modelo
médico,
no
qual,
cabe
ao
profissional
observar
e
compreender
para,
posteriormente, intervir, isto é, remediar, tratar e curar. Dessa maneira, a clínica
psicológica esteve, por um bom tempo, distante das questões sociais.
Recentemente, o contexto social passou a adentrar os consultórios de
forma a convocar os psicólogos a saírem dele, ou seja, para responder às novas
formas de subjetivação e de adoecimento psíquico, o psicólogo deveria
compreender a realidade local (MOREIRA, 2007). No entanto, os psicólogos,
embora denominados "profissionais da saúde", ignoram os mais básicos
problemas de saúde pública do País, perpetuando uma prática voltada para as
elites em detrimento da universalização da saúde para toda a população brasileira
(SOARES, 2005).
Dessa maneira, Moreira (2007) aponta que a Psicologia "tradicional" é
"obrigada" a se redesenhar, tornando-se mais crítica e engajada socialmente. A
Psicologia, ou melhor, as psicologias, deverão encontrar seu compromisso social,
pois o eu não se constitui sem o outro, ou seja, não há individualismo que se
sustente na ausência do social. O psicólogo se depara, portanto, com o desafio de
trilhar novos caminhos e de sustentar suas conquistas recentes. Esse desafio
pressupõe, de acordo com Romagnoli (2006) citada por Moreira (2007) que o
futuro da psicologia será não só a disseminação da especialidade do psicólogo
para um número maior de pessoas e de classes sociais, mas também a produção
de novos recursos em sua formação e de novas formas de exercício profissional,
que apostem na construção de práticas ético-políticas.
Mediante essas ideias, acredita-se que a Psicologia em 2063 se dedicará à
subjetividade em suas mais variadas aparições, pois não devemos pensar
somente no sujeito individual, pois este sempre é fruto de um encontro social.
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Para tal, é preciso tomar a clínica como plano de produção do coletivo, como
sustentação da alteridade: clínica social. Afirmamos com Franklin e Souza (2002)
citado por Soares (2005), que:
“Basta olhar em volta para perceber que os comportamentos e os valores
estão mudando e os saberes sendo reavaliados. A ciência não é estanque,
pelo contrário, ensina-nos que não há uma verdade única, mas várias
relativas e mutantes verdades que vão modificando-se com as novas
descobertas e os olhares mais amplos e audaciosos. Precisamos sair do
confinamento dos livros e usá-los criativamente, como tijolos de um novo
edifício.O mundo está sendo reinventado. Resta-nos arregaçar as mangas
e começar a participar desse mutirão”.
Conclui-se, portanto, que o compromisso social, redemocratização da
educação e interdisciplinaridade são alguns dos principais desafios da Psicologia
para as próximas décadas.
3. NOVAS TÉCNICAS DO PSICÓLOGO
Levando em consideração que atualmente já há o reconhecimento dos serviços
psicológicos realizados por meios tecnológicos de comunicação a distância,
mesmo que
apenas pontuais e informativos, acredita-se que daqui cinquenta
anos haverá um grande avanço em relação as técnicas utilizadas pelo psicólogo.
Supõe-se que em 2063, o psicólogo atuará como um acompanhante
terapêutico, sempre disponível para o paciente, a qualquer hora e em qualquer
lugar. A qualquer momento, quando o paciente quiser acessar seu terapeuta,
poderá utilizar o seu aparelho de “HOLONET”, conectado á internet, e,
imediatamente, aparecerá em sua frente o holograma do terapeuta. O paciente
conseguirá ver e interagir com o holograma. A interação entre ambos, ocorrerá via
pensamento, através do “NEUROTHINK”.
Além disso, durante a sessão terapêutica, paciente e terapeutas se
conectarão ao “PSIVIRTUA”, através do qual entrarão em uma realidade
ampliada, que, mistura realidade virtual e real, permitindo navegar por seus
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medos,
anseios,
pensamentos.
Outra
técnica
utilizada
será
o
“INSTANTDREAMS”, que permitirá a análise e interpretação dos sonhos, a partir
de retratos detalhados da mente.
Devido ao sofrimento decorrente da falta de interação humana, em função
do avanço das tecnologias e realidades virtuais, será disponibilizado ao paciente o
“ULTRAAVATAR” que interagirá com o paciente, comunicando-se e demonstrando
emoções e o “NEUROEMOTION” que regulará as emoções do paciente, através
da leitura da mente e disponibilização de músicas adequadas para melhorar o
humor ou relaxar. Para pessoas com dificuldades de atenção, memória ou
controle dos impulsos, serão realizados os “NEUROTURBOS” para melhorar
atenção, memória, linguagem e impulsividade.
3.1 TERMINOLOGIAS E DEFINIÇÕES:
HOLONET – Aparelho que substituirá o smartphone, constituído por um papel
eletrônico flexível com emissores de luz, que funcionará via toque e que poderá
ser dobrado e colocado na bolsa após o uso; com acesso a internet e
comunicação via hologramas (imagens virtuais em 3D, que reproduzem imagem,
som e movimentos das pessoas).
NEUROTHINK - Aparelhos de ressonância magnética que permitirão analisar os
padrões neurais correspondentes a pensamentos específicos, identificando, por
meio de sinais fluorescentes, o pensamento de uma pessoa e possibilitando a
leitura da mente.
PSIVIRTUA - óculos especiais que permitem ao usuário visualizar uma realidade
ampliada, a qual mistura realidade virtual e real.
INSTANTDREAMS – microship instalado no cérebro e que permitirá tirar
fotografias dos sonhos, reconstruindo uma imagem que o cérebro está pensando
de forma precisa, e controlar as coisas ao nosso redor por meio de um
computador.
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ULTRAAVATAR - boneco virtual com inteligência artificial que interage com o
usuário, possui forma humana, se comunicam
e demonstra
emoções,
substituindo animais domésticos, parceiros e amigos.
NEUROEMOTION - sistema de leitura da mente Mico composto por fones de
ouvido e um sensor de testa que analisa as ondas cerebrais do usuário para
detectar o seu humor e selecionar a música que melhor se adapta à sua situação
atual.
NEUROTURBOS – microchips implantados em partes especificas do cérebro para
melhorar atenção, memória, linguagem e controle dos impulsos.
4. CONSIDERAÇÕES FINAIS
A partir das hipóteses levantadas acerca do futuro da psicologia, verifica-se
que
será
necessária
primeiramente
uma
modificação
nos
currículos
e
metodologias dos cursos de formação dos psicólogos, pois a atividade teórica
proporciona um conhecimento indispensável para transformar a realidade, todavia,
fica intacta à realidade. Dessa maneira, torna-se indispensável estabelecer uma
formação mais crítica e reflexiva. Essa formação deverá ser compreendida como
uma atividade social transformadora, onde
a relação teoria e prática serão
indissociáveis. A compreensão da realidade, sustentada na reflexão teórica, é
condição para a prática transformadora, ou seja, a práxis.
Contudo, apesar do trabalho do psicólogo ser voltado para a atuação social,
ainda se manterão os atendimentos realizados em consultórios particulares, onde
serão realizados atendimentos clínicos individuais com técnicas inovadoras, mais
voltadas para o controle das atividades neuronais.
Em relação às inovações das técnicas utilizadas pelos psicólogos acreditase que haverá um grande avanço no que compete ao imageamento, a biologia
molecular e a nanotecnologia. Esses avanços tecnológicos irão interferir
diretamente nos instrumentos de intervenção do psicólogo. Serão introduzidos
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sistemas tecnológicos para treinar a mente e promover saúde mental. Espera-se
que tais equipamentos possibilitem o desenvolvimento e a manutenção de estados
de concentração e de autocontrole.
REFERENCIAS
CURADO, J.M. O futuro da psicologia. In: “Rev. Pessoas e Sintomas:
prevenção, reabilitação e ética em saúde mental”. Universidade Católica
Portuguesa, 2007.
DRAWIN, Carlos Roberto. O Futuro da Psicologia: Compromisso Ético no
Pluralismo Teórico. In: “Jornal de Psicologia”. São Paulo, 2002.
MAYORGA, Claudia. Olhar o futuro e ampliar o presente da psicologia social:
contribuições da sociologia das ausências. Pesquisa e Práticas Psicossociais.
São João Del-Rei, janeiro\junho, 2012.
MOREIRA, Jacqueline de Oliveira; ROMAGNOLI, Roberta Carvalho; NEVES,
Edwiges de Oliveira. O surgimento da clínica psicológica: da prática curativa aos
dispositivos de promoção da saúde. Psicol. cienc. prof., Brasília, v. 27, n.
4, Dec. 2007 .
MORIN, Edgar. Os sete saberes necessários á educação do futuro. 9ed. São
Paulo: Cortez; Brasilia, DF: UNESCO, 2004.
MURTEIRA, Mário. O risco sistêmico. Economia Global e Gestão, Lisboa, v.
15, n. 2, set. 2010 .
PESSINI, Leo; HOSSNE, Willian Saad. Bioética no futuro e o futuro da Bioética In
Revista Bioethikos, 6(2), pgs. 123-124, 2012.
SOARES, Teresa Cristina. "A vida é mais forte do que as teorias" o psicólogo nos
serviços de atenção primária à saúde. Psicol. cienc. prof., Brasília, v. 25, n.
4, dez. 2005 .
WHO. Relatório final da pesquisa junto aos associados do Conselho Federal
de Psicologia. Brasília: CFP, 2005.
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