DIAGNÓSTICO DE CONSERVAÇÃO PREVENTIVA DO ACERVO ARQUEOLÓGICO INSTITUIÇÃO: MUSEU DE PORTO ALEGRE JOAQUIM FELIZARDO/SMC SETOR: ARQUEOLOGIA EQUIPE: FERNANDA TOCCHETTO (ARQUEÓLOGA); ARTHUR BECKER (ACADÊMICO DE MUSEOLOGIA) DEZEMBRO DE 2014 1 SUMÁRIO 1 Introdução......................................................................................................pg.03 2 Informações sobre a Instituição e o Setor de Arqueologia............................pg.04 3 Informações sobre o acervo arqueológico: origem e características.............pg.05 4 Ambiente físico...............................................................................................pg.07 4.1 Macroambiente............................................................................................pg.07 4.2 Medioambiente............................................................................................pg.20 4.3 Microambiente.............................................................................................pg.38 5 Considerações finais......................................................................................pg.52 6 Referências bibliográficas..............................................................................pg.54 Anexos..............................................................................................................pg.56 2 1 Introdução O Diagnóstico de Conservação Preventiva do Acervo Arqueológico sob guarda do Museu de Porto Alegre Joaquim Felizardo (MJF) visa apresentar informações relativas às condições ambientais nos níveis macro, médio e micro e suas influências nos objetos arqueológicos. Tais informações possibilitarão reflexões e a tomada de decisões quanto aos procedimentos que deverão ser adotados visando a preservação dos bens culturais. Nos deteremos ao acervo armazenado e deixaremos para um momento posterior o que está em exposição. Segundo Souza e Froner (2008b:05), um diagnóstico é “(...) relativo aos vários fatores que podem afetar a preservação e aos cuidados exigidos pelas coleções”, possibilitando a implementação de estratégias de gerenciamento ambiental de uma instituição. A mesma autora coloca que o roteiro de um diagnóstico deve concentra-se no meio ambiente da instituição, considerando os aspectos físicos e organizacionais. Nos centramos, neste diagnóstico, nos aspectos físicos, informando elementos relativos à organização do Museu de forma sintética e quando necessário. Esta restrição dá-se pelo fato de que este diagnóstico se refere somente a uma tipologia de acervo do Museu, contemplado no seu regimento, e que sua existência no interior da Instituição e documentação não são integrados aos demais tipos – o fotográfico e o tridimensional histórico. O presente trabalho fornecerá as bases para a elaboração do Programa de Salvaguarda do Acervo Arqueológico, no eixo da Conservação Preventiva. 3 2 Informações sobre a Instituição e o Setor de Arqueologia O Museu de Porto Alegre Joaquim Felizardo, equipamento da Coordenação da Memória Cultural, da Secretaria Municipal da Cultura de Porto Alegre (SMC), localiza-se na Rua João Alfredo, 582, Bairro Cidade Baixa. O prédio, denominado Solar Lopo Gonçalves (SLP), uma casa de porão alto, foi restaurado entre 1980 e 1982 e tombado pelo Município de Porto Alegre. Após a finalização de sua restauração, passou a abrigar o Museu de Porto Alegre, assim denominado na época. Figura 01: Fachada frontal do Museu de Porto Alegre Joaquim Felizardo. O Solar foi construído pelo comerciante Lopo Gonçalves Bastos entre 1845 e 1853. Nas décadas de 1990 e 2000 ocorreram pesquisas arqueológicas na área externa e o terreno, com o prédio, foi registrado como sítio arqueológico RS.JA-04, Solar Lopo Gonçalves. A missão do Museu, segundo seu Regimento, “(...) é promover a interação da sociedade com o patrimônio cultural do Município, com ênfase na sua história e memória, através da preservação, pesquisa e comunicação dos bens culturais sob a guarda da instituição”. O seu acervo é composto por coleções arqueológicas, fotográficas e históricas, distribuídas em três áreas diferenciadas – Setor de Arqueologia, Fototeca Sioma Breitman e Reserva Técnica de objetos históricos tridimensionais. 4 O Setor de Arqueologia passou a existir em 1993, através do desenvolvimento de um projeto de levantamento de sítios de ocupação indígena précolonial. Este ano marcou o início do trabalho sistemático com o patrimônio arqueológico municipal e da entrada de acervo arqueológico sob guarda da Instituição, oriundo de sítios pré-coloniais e históricos de Porto Alegre. Nos primeiros dez anos, as atividades concentravam-se nas pesquisas de campo e dos materiais recuperados visando à produção de conhecimento sobre a história de Porto Alegre e sua divulgação. Esta frente de trabalho resultou no reconhecimento do potencial arqueológico do Município e na valorização do patrimônio material, levando à implementação de uma gestão preservacionista. Neste sentido, foram tomadas iniciativas, na última década, relacionadas à preservação de sítios e seus acervos. Uma delas se refere à inserção de estudos arqueológicos nos processos de licenciamento ambiental municipal. Conseqüentemente, as pesquisas arqueológicas tiveram um incremento, resultando na recuperação de bens arqueológicos em maior quantidade e diversidade. Considerando que o Museu fornece endosso institucional a projetos de investigação, recebe coleções – oriundas de sítios arqueológicos – que ficam sob sua responsabilidade. O Setor de Arqueologia é coordenado por uma arqueóloga que, em 1993, foi cedida pela Secretaria Municipal da Educação (SMED) para a SMC. É licenciada em História, com mestrado em Antropologia Social e doutorado em História, com Área de Concentração em Arqueologia. Desde então, trabalha com um estagiário a cada dois anos e interage com pesquisadores que desenvolvem projetos de arqueologia acadêmicos (mestrado e doutorado) e ligados ao licenciamento ambiental. 3 Informações sobre o acervo arqueológico: origem e características O acervo é oriundo de sítios e áreas de ocorrência arqueológica situados no Município de Porto Alegre. Atualmente, são oitenta e três sítios e áreas de ocorrência arqueológicas (AOA) registradas e mais de 150.000 peças, entre fragmentadas e inteiras, sob guarda do Museu. Duas grandes coleções – sítios Praça Rui Barbosa e Santa Casa de Misericórdia – estão emprestadas para a PUCRS e Centro Histórico-Cultural Santa Casa para fins de pesquisa. Ocorreram 5 doações de materiais, tanto por pessoas jurídicas, como UFRGS e MARSUL, como por pessoas físicas. As coleções são formadas pelo conjunto de materiais recuperados nos sítios e AOA e são constituídas por peças fragmentadas e inteiras, de diferentes categoriais materiais. Os inorgânicos compreendem objetos feitos de pedra (lítico), cerâmica, metal, vidro, plástico, entre outros. Os orgânicos se referem, principalmente, a ossos, dentes, sementes, cascas, fibras vegetais e peças produzidas em tecido e couro. A seguir, relatamos o tratamento dado ao material arqueológico desde sua origem, exemplificando os procedimentos que sempre foram adotados pelo Museu nas suas pesquisas. Em campo, o material é recuperado através de escavação ou coleta superficial. É acondicionado em sacos plásticos de polietileno abertos, para que seque. Os objetos são separados por categoria material e por procedência de camada ou nível. Um mesmo saco pode conter várias peças. Se o artefato for pequeno e delicado, é separado e protegido por papel e/ou colocado num pequeno pote plástico. Os sacos são colocados em engradados plásticos para o transporte ao Setor de Arqueologia do Museu. Em laboratório, no Setor de Arqueologia, os objetos são lavados com água corrente utilizando uma escova de cerdas macias e colocados para secar num móvel com gavetas e telas de metal inoxidável. Por muitos anos, o material metálico era lavado com água. Atualmente, este e o material ósseo mais fragilizado, são higienizados a seco. Após secos e feita a documentação, os objetos são acondicionados em sacos plásticos transparentes de polietileno e armazenados em caixas. Anteriormente a 2005, as coleções eram armazenadas em caixas arquivo de papel e de polionda. Com o financiamento da Fundação Vitae, o material passou a ser armazenado em caixas pretas de polietileno, rígidas, devidamente identificadas. Objetos coletados no início da década de 1990 encontram-se acondicionados também em papel ou sem invólucro, diretamente nas caixas. Há algumas coleções que ainda encontram-se armazenadas em caixas arquivo de papel e de polionda, as quais estão depositadas em estantes metálicas. No arquivo deslizante estão somente as caixas de polietileno, organizadas por coleção (sítio arqueológico e AOA) e não por categorias materiais. No entanto, cada caixa, em geral, contém somente um tipo de material. O Setor de Arqueologia não tem realizado investigações de campo sistemáticas, somente eventuais (a última ocorreu em 2011), mas considerando que 6 o Museu tem se responsabilizado pela guarda dos materiais recuperados nos projetos ligados ao licenciamento ambiental, a tendência é o crescimento do acervo arqueológico. 4 Ambiente físico A descrição e análise do ambiente físico é uma das partes componentes de um diagnóstico de conservação preventiva dos acervos e envolve, de forma relacional, o macroambiente, o medioambiente e o microambiente onde estão as coleções. Segundo Souza e Froner (2008b:05), “o ambiente físico é constituído pelas efetivas condições nas quais as coleções são guardadas, expostas e utilizadas”. Nesta direção, o ambiente circundante a estas coleções, abrangendo o local onde está situada a instituição (seu entorno), a situação do próprio prédio (salas, espaços de guarda, entre outros) e as formas de armazenamento e de acondicionamento dos objetos, são fundamentais para o diagnóstico e para a indicação de procedimentos adequados à conservação preventiva. A seguir, são apresentados os três ambientes relacionados ao acervo arqueológico do Museu JF: o macro, médio e micro. 4.1 Macroambiente Localizado no Bairro Cidade Baixa, o Museu sofre influência de um conjunto de fatores macro-climáticos e geológicos relacionados à conservação preventiva, se comparado com outras regiões de Porto Alegre, em particular por causa da posição no Bairro. Este é delimitado a nordeste pela Avenida João Pessoa, ao sudeste pela Avenida Venâncio Aires, ao sul pela Avenida Aureliano de Figueiredo Pinto, ao oeste pelas Avenidas Praia de Belas e Borges de Medeiros, e a nordeste e norte pela Avenida Loureiro da Silva. 7 Fig. 02: Imagem de satélite obtida no google earth, em 26/12/2014. 4.1.1 Geologia A geologia do Rio Grande do Sul se caracteriza por composições distintas: rochas vulcânicas (que resultam em solo impermeável), rochas sedimentares como o grês, bastante permeável, e formações arenosas também permeáveis. O Estado possui, ainda, contato com o Aqüífero Guarani, estando em uma região de vazão deste. Porto Alegre se encontra na zona de intersecção entre dois tipos de formação rochosa impermeável, com formações permeáveis em regiões de planície litorânea. A cidade possui ainda áreas de interferência humana que afetam profundamente as zonas de absorção de água por impermeabilização do solo. A formação geológica presente na região do Bairro Cidade Baixa é constituída por lixívia, material que foi deslocado nos diferentes avanços e regressões marítimas, no processo que também compôs o leito do Lago Guaíba e deu a forma original ao Arroio Dilúvio, como resquício da conexão fluvial que ocorria da atual Represa da Lomba do Sabão com o Guaíba / Lagoa dos Patos/ Oceano Atlântico (MENEGAT, 1998). Estes processos de avanços e recuos formaram uma planície 8 litorânea que é caracterizada por região de baixas altitudes, de solo arenoso e de grande permeabilidade, questão que será abordada no item sobre fontes de água. Ao analisar a posição do MJF no Bairro Cidade Baixa, é necessário destacar também que o Arroio Dilúvio, em seu traçado original, ia de encontro com o Lago Guaíba, passando em frente ao Solar Lopo Gonçalves. Esta região era conhecida pelo comportamento alagadiço, que deu origem ao nome do Arroio. 4.1.2 Clima Segundo a Classificação Köppen-Geiger (PEEL et al, 2007), o clima do Rio Grande do Sul é caracterizado como temperado, sem período de seca, e com verão quente. Tal classificação é obtida a partir da análise de três níveis de dados: as temperaturas máximas e mínimas anuais, a ocorrência e distribuição de chuva entre as estações e a amplitude térmica do período de verão. Esta classificação é apontada para todo o Estado. Se propondo a fazer uma análise geograficamente mais precisa e atualizada, Rossato (2011) propõe seis variações tipológicas de clima no Estado, sendo que Porto Alegre se situa em uma ampla região climática (faixa de leste a oeste do RS) de tipo Subtropical III, úmido com variação longitudinal das temperaturas médias. O clima Subtropical III se caracteriza como: com menor influência dos sistemas polares e maior interferência dos sistemas tropicais conjugados com o efeito do relevo (escarpa e vales da borda do Planalto Basáltico), da continentalidade, da maritmidade e das áreas urbanizadas. Os sistemas frontais são responsáveis pela maior parte das precipitações. (...). Chove entre 1700-1800mm ao ano em 100-120 dias de chuva. Há um leve aumento nos dias de chuva mensais que nesta região são normalmente de 9-12 dias. A temperatura média anual varia entre 17-20°C. A temperatura média do mês mais frio oscila entre 11-14°C e a temperatura média do mês mais quente varia entre 23-26°C. As temperaturas aumentam em direção ao oeste desta região, mas também nos grandes centros urbanos do RS. (ROSSATO, 2011, p.191) Esta caracterização, se tratando de uma área extensamente urbanizada, possui variações, como observado pela autora (idem). 9 Rossato (2011) observa também, que o Rio Grande do Sul, devido à sua localização geográfica na América do Sul, sofre interferência de diversos fenômenos que concentram umidade atmosférica. Fenômenos como a Zona de Convergência do Atlântico Sul que desloca massas de umidade da região da Amazônia em altitudes baixas da troposfera durante o verão ou as Massas Tropicais Atlânticas, massas de baixa altitude que se formam acima do Oceano Atlântico e são deslocadas pelos sistemas anti-ciclônicos de alta pressão do Atlântico Sul. Ambos fenômenos tornam o clima particularmente úmido. Os Complexos Convectivos de Mesoescala que, por sua vez, transformam umidade deslocada na troposfera inferior em chuva, em episódios particularmente fortes de tempestades, são responsáveis por grande pluviosidade entre os meses de verão. A distribuição pluviométrica do resto do ano é decorrente do comportamento climático de zona de transição, ora regido por massas tropicais (quentes e úmidas durante o outono e primavera, quando as massas tropicais tem mais força), ora por massas polares (frias, durante o inverno) que se encontram freqüentemente na região (ROSSATO, 2011). Segue uma tabela sobre dados climáticos de Porto Alegre coletados entre 1961 e 1990. Os dados são comentados nos itens relacionados à temperatura, umidade, pluviometria e radiação solar. 10 [hide]Climate data for Porto Alegre (1961–1990) Month Record high °C (°F) Average high °C (°F) Daily mean °C (°F) Average low °C (°F) Record low °C (°F) Precipitation mm (inches) Jan Feb 40.7 40.6 (105.3) (105.1) Mar Apr May Jun Jul Aug Sep Oct 38.1 34.6 32.2 31.5 31.4 34.9 34.8 36.0 (100.6) (94.3) (90) (88.7) (88.5) (94.8) (94.6) (96.8) Nov Dec 39.0 39.2 (102.2) (102.6) Year 40.7 (105.3) 30.2 30.1 28.3 25.2 22.1 19.4 19.7 20.4 21.8 24.4 26.7 29.0 24.8 (86.4) (86.2) (82.9) (77.4) (71.8) (66.9) (67.5) (68.7) (71.2) (75.9) (80.1) (84.2) (76.6) 24.6 24.6 23.1 19.9 16.9 14.3 14.4 15.2 16.8 19.1 21.2 23.3 19.5 (76.3) (76.3) (73.6) (67.8) (62.4) (57.7) (57.9) (59.4) (62.2) (66.4) (70.2) (73.9) (67.1) 20.5 20.8 19.3 16.3 13.0 10.7 10.7 11.5 13.1 15.0 17.0 18.9 15.6 (68.9) (69.4) (66.7) (61.3) (55.4) (51.3) (51.3) (52.7) (55.6) (59) (62.6) (66) (60.1) 10.1 12.6 9.6 6.8 3.3 −0.3 1.2 1.1 2.2 6.2 8.7 10.7 −0.3 (50.2) (54.7) (49.3) (44.2) (37.9) (31.5) (34.2) (34) (36) (43.2) (47.7) (51.3) (31.5) 105.9 99.2 104.7 77.3 90.0 138.4 118.5 137.1 142.2 121.3 92.4 93.4 (4.169) (3.906) (4.122) (3.043) (3.543) (5.449) (4.665) (5.398) (5.598) (4.776) (3.638) (3.677) 1,320.2 (51.976) Avg. precipitation days (≥ 1.0 mm) 9 8 8 7 8 9 9 9 10 9 8 7 101 % humidity 71 74 75 77 81 82 81 79 78 74 71 69 76 Mean monthly sunshine hours 239.0 208.1 200.7 180.3 166.1 136.0 148.6 151.1 151.2 201.9 216.6 245.2 2,244.8 Source: INMET[18] Tabela 01: Dados do clima de Porto Alegre (1961-1990). Fonte:http://en.wikipedia.org/wiki/Porto_Alegre#Clim 11 4.1.2.1 Temperatura A região climática de Porto Alegre, como pudemos observar no texto de Rossato (2011), tem clima caracterizado por flutuações sazonais de temperatura. Ao se discutir a posição geográfica do MJF no espaço físico de Porto Alegre, é importante destacar a presença de “ilhas de calor” relativas à urbanização, que afetam a temperatura do ar em circulação na região (MENEGAT, 1998). Tal fenômeno se relaciona com a substituição da superfície natural por estruturas e atividades urbanas que concentram ou refletem energia em uma mesma região ao invés de dissipá-la, aumentando o contingente energético do ar. Ainda de acordo com a análise de Menegat (idem), o Museu se encontra em zona de “médio acúmulo de calor”, e em zona periférica à zona de maior concentração de calor. Ao analisar os valores presentes na Tabela 01, constatamos que os valores máximos mensais, entre 1961 e 1990, que atingem a faixa dos 40°C, se concentravam nos períodos dos meses de verão, assim como os recordes de valores mais baixos (-0,3) ocorriam nos meses de inverno. As particularidades do clima do RS se apresentavam mais claramente nos valores máximos observáveis nos meses de inverno (31,5° em junho) e nos valores mínimos no período de verão (10,1° em janeiro): se torna visível a variação que o tipo climático configurava, com níveis de temperatura bastante contrastantes dentro dos períodos das estações. A temperatura média anual oscilava entre 24,8° e 15,6°. A variação diária de temperatura que se observou na Tabela 01 referente a Porto Alegre flutua, em média, cerca de 10°C. Conforme foi observado, o caráter de clima de transição da região sofre influências de massas de temperaturas de origem tropical e polar, podendo ter o avanço de massas tropicais durante o inverno (justificando as temperaturas máximas constante nos recordes) assim como de massas frias no verão. Tais fenômenos, como ciclones extratropicais, são observáveis em episódios bastante característicos que são relacionados a contextos climáticos diversos e que podem causar considerável destruição devido a sua intensidade. Neste mesmo sentido, as variações bruscas de temperatura comprometem a preservação de acervos museológicos situados no medioambiente. 12 4.1.2.2 Umidade relativa do ar De acordo com Rossato (2011) os valores de umidade dentro do padrão climático do Rio Grande do Sul variam entre alto e muito altos, com umidade relativa habitualmente acima de 60%, tendo variações particulares para regiões urbanas. Segundo a Tabela 01, a média anual da umidade relativa do ar em Porto Alegre é de 76%. As mensais apontam oscilação entre 69% e 82%. Estes altos índices são reflexos do modelo climático do RS e de outros fatores como brisas e ventos lacustres oriundas do Lago Guaíba (ventos sul e oeste) (MENEGAT, 1998) e, com relação ao Bairro Cidade Baixa, a proximidade com o Arroio Dilúvio. O Museu está a, aproximadamente, 620m deste e a 1 km do Guaíba. Relembramos que o Arroio passava, até a década de 1940, ao longo da Rua João Alfredo (onde se situa o Museu). Outro aspecto é a planície que se estende em direção à região do Parque Farroupilha que, no século XIX, era denominada de Campos da Várzea devido a sua característica alagadiça. Fig. 03 : Imagem de satélite obtida no google earth, em 26/12/2014. Como mencionado anteriormente, a formação geológica do Bairro é constituída por lixívia, material arenoso, pouco compactável e disforme. Esta formação possibilita o deslocamento de volumes de água entre suas estruturas que 13 formariam um lençol freático. Tal formação tem, como será analisado no subcapítulo referente ao medioambiente, tem efeito considerável na umidade relativa no espaço interno do Solar Lopo Gonçalves. 4.1.2.3 Pluviometria Segundo a Tabela 01, a soma das médias mensais de precipitações em Porto Alegre era de 1.320,2 mm (1961-1990). Este dado, comparado com os índices informados pelo 8º Distrito de Meteorologia (http://www2.portoalegre.rs.gov.br/ceic/default.php?p_secao=28), aproximam-se dos valores da tabela: 1.347,4mm contra os 990mm de média na superfície do planeta. A média histórica da Precipitação Pluviométrica de Porto Alegre varia entre 86,1mm (abril) e 140,0mm (agosto) (idem). Os dados apontam para a ocorrência de volumes consideráveis de chuva no Município, mas cuja distribuição ao longo do tempo se torna outro fator a destacar: Os volumes de chuva ocorrem com grande variação de distribuição, podendo acontecer em volumes próximos à média mensal em um período de horas, ou em dias seguidos. Quanto ao risco de enchentes, o sistema de vazão do Lago Guaíba é capaz de comportar volumes bastante anormais de chuva em situações de vento normal. Havendo volume de chuva anormal, em conjunto com ventos soprando em direção norte no Lago Guaíba, ocorre um represamento da água que seria escoada pela Lagoa dos Patos, elevando o nível do Guaíba e alagando as regiões baixas de Porto Alegre, o Bairro Cidade Baixa incluso. Foi o caso da enchente de 1941 em que o Lago subiu 4.74 metros (VALENTI, 2010). 4.1.2.4 Qualidade do ar/ Poluentes O Museu está implantado em uma rua que não tem movimento muito intenso de veículos. No entanto, há uma parada de ônibus em frente, na via passam também lotações e caminhões que abastecem os bares noturnos e restaurantes. Ocorre que grandes avenidas ao sul (Avenidas Ipiranga e Aureliano de Figueredo Pinto - Perimetral), oeste (Avenidas Borges de Medeiros e Praia de Belas), nordeste (Avenida João Pessoa) e noroeste (Avenida José Loureiro da Silva – Perimetral), com trânsito intenso, circundam o Bairro Cidade Baixa (ver Figura 01). Os ventos e brisas oriundos do nordeste, oeste, sudoeste e sul, transportam poluentes, que são contaminantes atmosféricos, como SO2 (dióxido de súlfur 14 enxofre), NO2 (dióxido de nitrogênio), O3 (trióxido) e particulados, como poeira e fuligem. Três faces com janelas do prédio do Museu – Solar Lopo Gonçalves) estão voltadas para o norte, oeste e sul. Durante o período de produção deste texto, não havia fontes de dados oficiais para possibilitar maior precisão de quais os fatores mais graves no que diz respeito à qualidade do ar. 4.1.2.5 Construções à volta do edifício A região do entorno do Museu tem, majoritariamente, ocupação urbana residencial, com incidência de espaços comerciais e de serviços. Não existem edificações de altura projetando sombra ou configurando ameaça em caso de desabamento e não se observou obra de construção de grande porte na vizinhança. Existe uma construção anexa abrigando o acervo histórico / tridimensional, que recebe água encanada e energia elétrica. A instalação de água e esgoto é subterrânea com fossa séptica para recolhimento de dejetos e a energia elétrica é fornecida por cabos elevados em postes. A instalação elétrica foi recentemente apontada como tendo sofrido intervenções não planejadas e precisa passar por revisão. A face do terreno que é voltada para a Rua João Alfredo tem 30 m de largura, é cercada com grades de ferro adornadas de 1,47 m de altura ligada a colunas de alvenaria de 1,63 m de altura, ligadas a um portão, também de metal de duas folhas, medindo 1,80 m de altura e 2,70 m de largura. O resto do terreno é cercado com muros de diferentes alturas, espessuras, por vezes sendo parte da estrutura de casas da vizinhança e com árvores próximas (ver Anexo 01 com Planta de situação, e dimensões do terreno e Planta com a localização do Solar Lopo Gonçalves). 15 Figura 04: Vista do Museu JF da Rua João Alfredo. O calçamento da área externa é constituído, nas adjacências do Solar Lopo Gonçalves (SLG), por paralelepípedos de basalto, material retirado da Rua dos Andradas, sem maior impermeabilização do solo. A área de estacionamento do pátio é coberta com brita, sem impermeabilização. No pátio interno existem calçadas de basalto acimentadas, constituindo área impermeável, além dos paralelepípedos. Uma quantidade considerável dos paralelepípedos retirados da Rua dos Andradas para construção de um “calçadão” e que vieram para o Museu, encontram-se amontoados no pátio externo. Este acúmulo desordenado de pedras, além de concentrar umidade, propicia um ambiente favorável ao desenvolvimento de pragas e que podem ser danosos aos acervos, bem como aos prédios e pessoas que circulam e freqüentam a área. Figura 05: Acúmulo de paralelepípedos no pátio externo do MJF. 16 Separando o pátio externo do MJF do pátio interno, está o muro de alvenaria, de 2 m de altura e cerca de 0,38 m de espessura. No contorno de todo o SLG (adentrando o pátio interno) foi instalada uma canaleta para drenagem de água da chuva, coberta por grades de metal. Ali se depositam folhas, galhos, terra e outros materiais, exigindo manutenção periódica. Parte da canaleta, no pátio interno, está coberta pela calçada concentrando umidade. Figura 06: Canaleta de drenagem de águas pluviais existente ao redor do prédio do MJF. Figura 07: Canaleta de drenagem de águas pluviais no pátio interno com parte superior coberta (à direita). 17 4.1.2.6 Vegetação e paisagismo no entorno: O pátio do MJF possui uma grande área verde (o terreno tem mais de 4.200 metros quadrados), se destacando na paisagem do bairro, visível inclusive em fotografias aéreas. No espaço imediatamente ao redor do SLG existe uma concentração de árvores. Nesta área foram contabilizadas, aproximadamente, quarenta e duas árvores de diversos tamanhos e tipos, e áreas de terra sem cobertura, com grama, folhagens e arbustos. Em direção nordeste e da porção intermediária do terreno aos fundos, há uma extensa área com cobertura de grama e árvores no perímetro do terreno. Fig. 08: Imagem de satélite obtida no google earth, em 26/12/2014. Vegetação de grande porte e potencialmente ameaçadora: nas imediações do MJF observamos oito árvores de grande porte e / ou com galhos se estendendo para acima do prédio do SLP. A fachada noroeste tem o maior número de árvores de grande porte – quatro -, sendo que três possuem galhos acima do SLP que, se caírem por apodrecimento e por ventanias, podem causar danos. Uma das quatro árvores sofre com a existência de parasitas. A fachada sudeste possui três árvores de grande porte, sendo que uma (pinheiro araucária) se encontra 18 próxima ao prédio o suficiente para causar considerável dano, em caso de queda. A fachada Sudoeste possui apenas a magnólia, sem estar muito próxima ao prédio, mas com galhos sobre o telhado e com a presença de parasitas. Esta situação ocasiona a quebra de telhas pelo impacto de galhos pesados que caem sobre o telhado do prédio, o que já ocorreu diversas vezes, bem como o acúmulo de material orgânico em decomposição sobre o telhado, causando concentração de umidade e obstrução do escoamento da água pelas telhas. Figuras 09 e 10: Árvores de grande porte com seus galhos sobre o telhado do MJF, fachadas noroeste e sudeste respectivamente. Vegetação de pequeno porte: a grande maioria da vegetação do pátio é composta por árvores pequenas e médias, sem projeção de danos ao SLG. Vegetação que concentra pólen e insetos: faz-se necessário realizar um estudo que identifique as árvores que podem ser difusoras de pólen e/ou catalisar a presença de pragas nos espaços internos do MJF. Sendo a Prefeitura de Porto Alegre a mantenedora do MJF, a manutenção do pátio (limpeza e corte de grama) e da vegetação (podas e cortes de árvores) é realizada segundo demandas da Instituição e disponibilidade dos órgãos, como o Departamento de Limpeza Urbana (DMLU) e Secretaria Municipal do Meio Ambiente (SMAM). 4.1.2.7 Fontes de Água e Umidade atmosférica Tendo em vista os valores de umidade relativa registrados nos espaços de acervo do MJF, acreditamos que exista uma penetração de água com origem do subsolo. Tal fenômeno teria relação com o tipo de solo que, como foi apresentado no tópico sobre a geologia da região, é passível de conduzir volumes de água 19 subterrânea, sendo esta introduzida através do pavimento térreo e das paredes, ambas feitas de tijolos e, por fim, dos rebocos das paredes do Espaço Senzala. A profusão de umidade seja dispersa na atmosfera, seja concentrada pelas chuvas rotineiras, que se infiltraria graças às estruturas do MJF, causa uma concentração de umidade consideravelmente alta como será apontado no item sobre medioambiente. 4.2 Medioambiente O medioambiente se refere ao espaço de guarda e exposição, ou seja, o ambiente interno do museu que abriga os objetos salvaguardados pela instituição Encontra nos parâmetros do macroambiente “(...) uma projeção específica, pontual e em referência ao espaço maior” (FRONER e SOUZA, 2008 a:09). Neste diagnóstico, o medioambiente se refere ao espaço ocupado pelo Setor de Arqueologia/Reserva Técnica, situado em uma das salas do porão alto do Solar, no pavimento térreo. Embora seja tratada, em específico, a sala mencionada, o edifício do Museu tem grande influência sobre a conservação preventiva de seus diferentes espaços. 4.2.1 O Setor de Arqueologia e o acervo Atualmente, todo o acervo arqueológico encontra-se reunido na sala ocupada pelo Setor de Arqueologia/Reserva Técnica (/RT). É importante informar que ele foi armazenado, entre 1993 e início de 2006, em outros dois espaços. Entre o início das pesquisas arqueológicas no Museu em março de 1993 e dezembro de 2004, os materiais arqueológicos estavam armazenados em uma das salas do pavimento térreo (antigo porão) do Solar, porção nordeste do prédio, juntamente onde funcionava o trabalho de gabinete e de laboratório. 20 Figura 11 e 12: Setor de Arqueologia existente entre 1993 e 2013. Com o crescimento do acervo e sem espaço disponível, decidimos armazenálo em uma das salas do pavimento térreo da Casa Godoy (um sobrado de porão alto), prédio da Prefeitura Municipal de Porto Alegre e ocupado por equipamentos da SMC. As caixas arquivo de papel e de polionda foram transportadas por um caminhão e descarregadas por funcionários em dezembro de 2004. No final de 2005 foi adquirido um armário deslizante, através da Fundação Vitae, montado no então Espaço Senzala, a maior sala do pavimento térreo do Museu e que funcionava como auditório e sala de exposições temporárias (antigo porão), já que no Setor de Arqueologia não havia espaço. Decidimos, assim, remanejar o acervo de prédio tendo em vista a possibilidade de a Casa Godoy passar por obra de restauração (o que ainda não ocorreu). O acervo permaneceu neste espaço até os primeiros meses de 2006 (entre janeiro e abril), quando foi transportado de volta para o Museu em várias etapas, se utilizando uma Kombi. Entre 2006 e 2013, as coleções higienizadas e documentadas ficavam no Espaço Senzala (armazenadas no armário deslizante) e as em processo de limpeza e análise ficavam na sala do Setor de Arqueologia. Figura 13: Espaço Senzala. Figura 14: Armário deslizante situado no Espaço Senzala. 21 Em janeiro de 2014, todo o Setor, bem como o acervo, foi remanejado para o Espaço Senzala, transformando-o na nova sala do Setor de Arqueologia/Reserva Técnica, concentrando todas as atividades. Figuras 15, 16, 17 e 18: Setor de Arqueologia/Reserva Técnica instalado no Espaço Senzala em 2014. Os três espaços nos quais o acervo foi depositado apresentavam condições inadequadas à sua preservação. Durante alguns anos, após 2005, dois desumidificadores adquiridos através da Fundação Vitae eram ligados ao anoitecer e desligados durante o dia na sala do Setor de Arqueologia e no Espaço Senzala, porém sem monitoramento. Preocupações com relação à rede elétrica do Museu inviabilizaram que este procedimento continuasse sendo realizado. Sendo assim, não houve controle ambiental efetivo nos espaços com acervo, os quais apresentavam altos índices de umidade relativa do ar e oscilações térmicas. 4.2.2 O prédio do Museu e a sala do Setor de Arqueologia/Reserva Técnica As paredes externas do Museu são constituídas de grandes tijolos e, as internas (pavimento superior), de estuque. As paredes externas do pavimento térreo (antigo porão alto), possuem 66 cm de espessura. Originalmente todas as paredes 22 do porão eram externas. Em modificações realizadas durante as diferentes ocupações do Solar, bem como com o projeto de restauração, a parede nordeste passou a ser interna (tem uma seteira, inclusive). A entrada ao pavimento térreo, através de um pátio interno, se dá no nível do solo. O piso do porão é coberto com tijolos. Durante a restauração do Solar foi construída uma canaleta de drenagem circundando todo o prédio (com exceção do muro do pátio interno) provavelmente considerando a concentração de águas pluviais junto das paredes do pavimento térreo, umidade ascendente (através de capilaridades) nestas paredes, constituídas de grandes tijolos, e a penetração de água da chuva para dentro do prédio através do pátio interno. Mesmo assim, a umidade continua presente. A escada existente no pátio interno e que dá acesso ao Auditório, no segundo pavimento, favorece a penetração de umidade na parede norte da antiga sala do Setor de Arqueologia. Esta sala é a que apresenta maiores índices de perculação, principalmente na parede mencionada. O Espaço Senzala, atual Setor de Arqueologia/RT, possui três janelas quadradas com vidro (duas de 95 cm x 90 cm e uma de 105 cm x 105 cm), nas faces noroeste e sudeste, uma seteira que permanece com o vão aberto (45 cm x 04 cm) para o corredor em frente à cozinha e três óculos ovais (39 cm x 33 cm), com vidro, na fachada sudoeste do prédio. O acesso ocorre por uma porta existente entre a sala e o vestíbulo de entrada no pavimento térreo que, por sua vez, tem uma porta de acesso a partir do pátio interno do museu. A comunicação com o Setor Administrativo se dá através do Setor de Arqueologia/RT (ver Planta do pavimento térreo com a localização do Setor de Arqueologia/RT no Anexo 02). O forro do teto do Setor de Arqueologia/RT é feito de tábuas, sustentado por vigas de madeira. Duas destas são originais, sendo que a maioria foi substituída durante a restauração. O pé direito é de 227 cm de altura e o volume do espaço é de cerca de 180 m3. 4.2.3 Instalações hidráulicas e elétricas As instalações hidráulicas no prédio do Museu restringem-se ao pavimento térreo – nos dois banheiros e na cozinha. Na parede nordeste do Setor de Arqueologia/RT, que faz limite com o corredor entre o vestíbulo de entrada e os banheiros, não há instalações hidráulicas. 23 Na área externa, há uma torneira instalada no pátio interno e, para além deste, há um bebedor, um tanque para limpeza de material arqueológico e uma torneira. As águas pluviais que circulam pela canaleta de drenagem ao redor do prédio são retiradas por uma bomba. Pode haver o risco de defeito no bombeamento da água proveniente de chuvas fortes e esta penetrar no interior do pavimento térreo pela porta de acesso do pátio interno, já que não há degraus. Este fato já ocorreu três vezes nos últimos vinte anos, aproximadamente. Quanto às instalações elétricas do Museu, estas aparentam serem precárias, já que lâmpadas queimam freqüentemente. Em torno de 2006 foi realizada uma reforma na fiação, mas parece não ter tido resultados positivos. No Setor de Arqueologia existem tomadas de luz, de telefone (01) e para computador (01). Há uma instalação de cabo de rede de área local. Do outro lado da parede nordeste, que dá para o vestíbulo de entrada, há o painel de disjuntores do Museu. 4.2.4 Segurança Com relação ao risco de incêndio, a medida de segurança tomada é a presença de extintores portáteis nos espaços do Museu. Os servidores não possuem curso de brigadista de incêndio. O Setor de Arqueologia/RT conta com dois extintores de incêndio, um à base de água pressurizada, 10 litros (Classe A material combustível sólido) e um de pó químico pressurizado (PQS), 6 kg (Classe B - líquido inflamável ou combustível e C - equipamento elétrico energizado), instalados na parede nordeste. Quanto à vigilância, o Museu não conta mais com a presença da Guarda Municipal, o que por muitos anos ocorreu. Mesmo com a presença de vigilantes, houve vários furtos. Em 2008, aproximadamente, foi instalado um sistema de alarme de intrusão, sonoro, o qual fica acionado quando a Instituição está fechada (à noite e em finais de semanas e feriados). Este sistema de detector de presença está em todas as salas do Museu e está ligado a uma central de segurança – Central de Atendimento do Setor de Alarmes e Próprios da Guarda Municipal – em área externa, a qual disponibiliza uma viatura no caso de violação do espaço. É ativada uma bateria, com duração de 24 horas, no caso da falta de energia elétrica. O sistema é auto-ativado no caso de esquecimento de algum funcionário autorizado em acionar o alarme. A auto-ativação ocorre após 30 minutos sem movimentação de 24 pessoas nos espaços (MACHADO, s/d). Não existem câmeras de vigilância e sistema de detecção de fumaça e calor. Como o Museu tem duas aberturas para o ambiente externo – uma entrada principal para o segundo pavimento, através de escada, e uma entrada para o pavimento térreo, através do pátio interno -, trabalham de dois a um servidor(es) na portaria e recepção. Esta realidade não oferece segurança contra roubos, assaltos, entre outros atos indesejáveis e que colocam em risco as pessoas e os acervos da instituição. A porta de entrada ao Setor de Arqueologia está logo em frente à porta de acesso ao pavimento térreo. No vestíbulo está instalada uma mesa onde fica o recepcionista, quando há disponibilidade de funcionário. A porta do Setor fica, na maior parte do tempo, aberta em função da renovação de ar e da circulação de pessoas que se dirigem ao Setor Administrativo, bem como de visitantes (escolares ou não) e pesquisadores. 4.2.5 Manutenção e limpeza O Museu não conta com um manual ou protocolo oficial de manutenção e limpeza. A manutenção do prédio é realizada por equipe da própria Secretaria de Cultura (Equipe de Administração dos Prédios Culturais) orientada, quando necessário, pela Equipe do Patrimônio Histórico e Cultural (EPAHC), considerando que o prédio é tombado pelo Município. O Museu contava com uma listagem e descrição de tarefas relacionadas à limpeza do prédio, dos pisos, janelas, vitrines, entre outros. Desde outubro de 2014, há uma funcionária responsável pela manutenção do Museu, a qual trabalha com tabelas que informam as ações, sua peridiocidade e responsabilidade. Há uma rotina de limpeza do Setor de Arqueologia, embora ainda não estabelecida segundo critérios bem definidos visando à conservação preventiva do acervo. Os procedimentos adotados com relação ao piso são a limpeza com uma vassoura de tecido, que não levanta pó, e o uso de aspirador de pó. Eventualmente, em dias de baixa umidade relativa do ar, é passado um pano bem torcido e, na área de passagem de funcionários que se dirigem ao Setor Administrativo e de visitantes, em frente à porta de entrada, é usada uma cera líquida, passada com um material úmido. As superfícies dos móveis de trabalho são limpas com pano seco e/ou com álcool. As estantes metálicas, o armário deslizante e as caixas plásticas, de polionda 25 e de papel onde está armazenado o acervo são limpas com pano seco ou úmido (dependendo da quantidade de pó). Não há uma periodização estabelecida para a limpeza destes últimos e do uso do aspirador de pó. 4.2.6 Monitoramento e controle da umidade relativa do ar (UR) de temperatura (T) Como foi colocado no capítulo sobre o macroambiente, o clima do Rio Grande do Sul, de Porto Alegre no nosso caso, é caracterizado por grandes variações de temperatura e umidade relativa do ar. Estas variações afetam o ambiente do Museu, sendo a estrutura do prédio a barreira entre o clima externo, com suas variações, e o acervo. Esta barreira media a relação entre o macro, o médio, o microambiente e o próprio acervo, tornando imprescindível o registro quantitativo e qualitativo de dados relativos ao medioambiente, comparando-os com os dados externos, e o planejamento de estratégias de intervenção. Para tanto, entre setembro de 2013 e janeiro de 2014 foram tomadas medições de temperatura (T) e umidade relativa do ar (UR), com o uso de dois termohigrômetros, nas duas salas do Museu ocupadas, na época, com acervo arqueológico. Os dados do monitoramento dos dois espaços e do controle da UR no então Setor de Arqueologia, através de um desumidificador marca ARSEC, modelo 160, eram anotados em uma tabela (Anexo 03). Nesta eram registradas as leituras da UR e T (às 9h, 14h e 17h); a situação do equipamento – se desligado ou ligado – e do reservatório – se cheio, não cheio, vazio; se as portas e janelas estavam abertas ou fechadas e as leituras extremas de UR e T em máximas e mínimas. Figura 19: Setor de Arqueologia em 2013, com o desumidificador e termohigrômetro. 26 Com base nos dados obtidos, confirmados pelas informações sobre o macroambiente, percebemos grande flutuação nos níveis de umidade e temperatura no período mencionado. Abaixo, as medições de temperatura (graus) e umidade (%) em máximas e mínimas sem o uso de desumidificadores (entre 09/2013 e 01/2014): - Setor de Arqueologia (acervo, pesquisa e gabinete): T máx. 32,8°C, T mín. 17,1°C; UR máx. 82%, UR mín. 37%. - Espaço Senzala (acervo): T máx. 32°C, T mín. 23,6°C; UR máx. 80%, UR mín. 52%. Como colocado anteriormente, o Museu é suscetível às oscilações climáticas da região. Um outro elemento desta realidade já comentado é a umidade ascendente do subsolo através das paredes de tijolos do pavimento térreo do Solar. Além deste fato, o Setor de Arqueologia é atingido pela umidade do pátio interno quando ocorrem grandes precipitações de água da chuva e de alagamentos oriundos da canaleta de drenagem do prédio através da porta de acesso ao pavimento térreo. A partir de final de janeiro de 2014 todo o acervo arqueológico ficou concentrado em uma única sala. O Espaço Senzala foi ocupado pelo Setor de Arqueologia e Reserva Técnica do Acervo Arqueológico. No mês de abril demos início ao monitoramento das condições ambientais, com dois termohigrômetros (A e B), bem como ao controle da umidade relativa do ar com o uso de quatro desumidificadores (1, 2, 3, 4), marca ARSEC, modelo 160 e dois ventiladores. Os reservatórios possuem capacidade para 3 litros e eram esvaziados manualmente. Os dados eram anotados em uma tabela, entre três e duas vezes ao dia (9h, 14h, 17h30min): data/hora; medidor A e B de T e UR; portas 1 e 2 (se abertas - A ou fechadas - F); janelas 1, 2 e 3 (se abertas - A ou fechadas F); modo de circulação dos ventiladores (presença, direção, sentido e n° de aparelhos); desumidificadores 1, 2, 3, 4 e quantidades de água armazenada (em porcentagem); T e UR externas - SBPA; T e UR externas - CEIC; pluviometria; T e UR máximas dos medidores A e B; T e UR mínimas dos medidores A e B; validade das medidas máximas e mínimas e se foram anuladas ou não (Anexo 04). 27 Figuras 20, 21, 22 e 23: Setor de Arqueologia/RT com os desumidificadores e termohigrômetros. A partir de julho de 2014 os dados passaram, também, a serem registrados com um data logger (registrador eletrônico de temperatura e umidade, marca NOVUS, LOGBOX-RHT-LCD), com interface ótica infravermelho/USB. Com este equipamento, é possível acompanhar todas as variações de temperatura e umidade relativa, qualificando o trabalho de monitoramento e controle ambiental. Figura 24: Data logger instalado no Setor de Arqueologia/RT. O monitoramento e controle ambiental que está sendo realizado desde abril do corrente ano têm possibilitado uma análise mais eficiente dos dados do medioambiente e da relação deste com o macroambiente. 28 Como os desumidificadores permaneciam ligados na maior parte da semana, os poucos dias em que ficavam desligados dificultavam a análise sobre uma correspondência entre os valores de temperatura e umidade relativa dos dois ambientes. Com relação aos dados obtidos, quando desligados, havia períodos em que se observava correspondência e outros não. No dia 14 de julho (segunda-feira), por exemplo, foram anotadas - às 9h - a T e UR máximas e mínimas ocorridas no final de semana anterior, quando os aparelhos ficaram desligados. A UR e T máximas interna eram de 79% e 21,8°C. Às 9h do dia 14 de julho a UR externa era de 83% e a T externa máxima de 26°C na Estação Metereológica do Aeroporto. No entanto, em 2013 quando iniciamos o monitoramento, observamos uma correspondência maior entre os dois ambientes – externo e interno - (considerando as duas salas ocupadas), usando um sistema de registro diferente do atual. Uma amostragem feita nos registros das tabelas mostra, entre 14 de abril e 26 de agosto de 2014, que a temperatura interna oscilou entre 16,9°C e 28,5°C e a umidade relativa entre 47% e 79%. As medidas máximas foram tomadas nas segundas-feiras no início do turno de trabalho pela manhã, por volta das 9h. Os aparelhos, por não possuírem, na época, drenos para descarga da água recolhida, permaneciam desligados nos finais de semana e nos feriados. Exemplo desta situação – do aumento da UR interna no final de semana – encontra-se no Anexo 05, demonstrado no gráfico produzido pelo data logger, Observa-se um aumento a partir das 18h do dia 11 de julho, sexta-feira, registrando 60%, alcançando o pico no domingo, com 81,1%. Para possibilitar uma análise dos dados dos períodos em que os desumidificadores ficavam ligados (durante cinco dias da semana, 24 horas, em geral), comparamos os valores referentes a vinte dias registrados nas tabelas. Obtivemos uma redução da UR, oscilando entre 47% e 68% e da T, entre 11,4°C e 25,3°C. Estes valores da temperatura, no entanto, provavelmente estejam relacionados às estações do período de amostragem, pois o que ocorre, em geral, com o controle ambiental através dos desumidificadores, é um aumento da temperatura interna. No dia 01 de julho, por exemplo, no medioambiente as oscilações da T e da UR foram de 19,2°C a 20,7°C e de 57% a 68%. As medições externas (macroambiente) em duas Estações Metereológicas (Aeroporto e Bairro Menino Deus) indicaram índices máximos de 16°C e 82% e 15,6°C e 72% respectivamente. 29 Em períodos de muita chuva, a umidade do medioambiente tende a aumentar, mesmo com o uso de desumidificadores. No dia 04 de julho de 2014, quando houve alagamento do Setor de Arqueologia/Reserva Técnica em função de falha na bomba de drenagem de águas pluviais, mencionado anteriormente, a UR alcançou 75%. No dia 07 atingiu 80%. Através dos dados registrados nas tabelas e no data logger, percebia-se que o uso de quatro desumidificadores (cada um para cada 150m 3) numa área de 180 m3 e dois ventiladores que homogeneizavam a distribuição da umidade na sala, não conseguia estabilizar a UR entre 50 e 55%. Fatores como a umidade ascendente do subsolo, paredes e piso de tijolos que absorvem umidade, a porta de acesso que, em geral, permanece aberta no período de expediente e, eventualmente janelas (três) que são abertas, contribuem para o aumento da UR. Outro aspecto que não foi mencionado é que o acervo está concentrado na metade do espaço no seu comprimento, próxima às paredes noroeste e sudoeste externas. São estas que recebem brisas lacustres, vindas do sul e do oeste, as quais podem estar carregadas de umidade (o Lago Guaíba está situado ao noroeste, oeste e sudoeste). Junto à parede noroeste, onde não incidem raios solares durante o dia, há uma escada de alvenaria, com degraus cobertos de laje de arenito, a qual dá acesso à entrada principal do Museu. Esta escada concentra umidade, observada pela coloração esverdeada dos degraus, contribuindo para a penetração de umidade pela parede de tijolos. Figuras 25: Escada que dá acesso à entrada principal do Museu JF, junto à parede noroeste do Setor de Arqueologia/RT, com concentração de umidade. 30 Figura 26: Observam-se filamentos de água que escorre no primeiro degrau da escada que dá acesso à entrada principal do Museu JF (origem, no momento, desconhecida). Os dois desumidificadores que ficam localizados na porção noroeste e sudoeste da sala apresentavam, em geral, seus reservatórios cheios em relação aos outros dois situados no centro e na porção sudeste do espaço. A esta situação acrescenta-se que, junto à parede sudeste, próximos ao armário deslizante, estão armazenados, em um armário metálico, os equipamentos de limpeza, como vassouras, baldes, panos e esfregão, este normalmente úmido. A UR interna abaixo de 50 e 55% ocorre quando a UR externa igualmente está baixa. Percebe-se, neste caso, a influência do macroambiente. Temos a impressão de que mesmo que a UR externa esteja baixa, a UR interna permanecerá alta caso a sala esteja com suas aberturas fechadas e sem o uso dos desumidificadores. Costumamos abrir as janelas quando a UR externa se encontre abaixo dos 50%. Outra questão diz respeito à temperatura. No inverno deste ano, 2014, em geral a temperatura interna manteve-se mais alta que a externa. Exemplo: a) dia 25/06: entre 20,6°C e 20,8° interna e 18,3°C e 19° externa; b) dia 01/07: entre 19,2°C e 20,7°C interna e 16°C externa; c) dia 05/08: entre 20°C e 20,9°C interna e 14°C externa. As medições que evidenciam esta realidade foram feitas com os desumidificadores ligados. Importante salientar que estes aparelhos emanam calor enquanto estão em funcionamento, bem como os funcionários que trabalham no Setor (dois), pesquisadores que frequentam o mesmo, funcionários que circulam na sala em direção ao Setor Administrativo e visitantes do Museu (como turmas de 31 escolares). Os seres humanos apontados também emanam umidade. Enquanto a temperatura interna mantém-se mais elevada no inverno, no verão permanece mais baixa que a externa (observado nos primeiros meses de 2014), mesmo assim inadequadas à conservação preventiva de acervos heterogêneos. Para controlar a quantidade de água recolhida pelos desumidificadores, colamos uma medição em cada reservatório (20, 40, 60, 80 e 100%). No primeiro registro da manhã, nos períodos de maior UR externa, encontrávamos os reservatórios com a sua capacidade esgotada e desligados. Isto significa que pelo menos 12 litros de água eram condensados entre o final da tarde, em torno de 18h, e às 9h do dia seguinte (durante 15 horas). Este fato provocava um aumento de UR, a qual é demonstrada nos termohigrômetros1. Sendo fundamental para um controle mais adequado da UR no Setor de Arqueologia/RT, dentro das limitações existentes mencionadas, em setembro de 2014 foi providenciada a instalação de canos de pvc (policloreto de polivinila) para drenagem dos desumidificadores, podendo estes permanecerem sempre ligados, o que qualificaria as condições climáticas da sala. Foram instalados três desumidificadores com drenos – dois deles marca ARSEC (usados anteriormente, específicos para 150 m3 de área, com capacidade de retenção de 12 litros/dia cada um) e um marca ARTEL, modelo EA16M/R, para 280 m3 de área, mais silencioso e com capacidade de retenção de água de 16 l/dia, adquirido no período. Os canos de pvc foram presos nas paredes sudoeste e noroeste, em declive. Os drenos dos equipamentos foram anexados em Ts de pvc. A extremidade final do cano, no nível do solo, atravessa a parede noroeste através de um furo, abaixo de uma janela, conduzindo a água na canaleta existente ao redor do prédio. Na extremidade do cano foi presa uma tela plástica. 1 É importante salientar que os termohigrômetros possuem uma taxa de imprecisão. 32 Figuras 27, 28 e 29: Instalação de desumidificador ARSEC com dreno acoplado em cano de pvc para drenagem. Figuras 30 e 31: Instalação de desumidificador ARTEL com dreno acoplado em cano de pvc para drenagem. Figuras 32 e 33: Instalação de desumidificador ARSEC com dreno acoplado em cano de pvc e extremidade deste adentrando parede para deságüe na canaleta de drenagem externa. 33 Figuras 34 e 35: Local de deságüe dos desumidificadores e extremidade do cano de pvc para drenagem da água coletada, saindo pela parede da canaleta para águas pluviais. No Anexo 06, apresentamos um gráfico produzido pelo data logger demonstrando dois momentos: a) até a metade do gráfico, os dados são relativos a dias de expediente de trabalho com os desumidificadores ligados e finais de semana com os equipamentos desligados. Observam-se os valores mais baixos de UR durante a semana e mais elevados nos finais de semana; b) na segunda metade do gráfico os dados são relativos ao período em que a drenagem sistemática e contínua dos desumidificadores foi instalada. Se percebe a manutenção dos índices de UR menos elevados. Num primeiro momento nos pareceu que o emprego anterior dos quatro desumidificadores estava sendo mais eficiente, pois a UR estava se mantendo abaixo dos 60%. No entanto, esta constatação pode estar relacionada à estação do ano, oscilações climáticas e pluviosidade. Não temos dados precisos sobre isto. Resolvemos que iremos substituir um desumidificador marca ARSEC por um outro ARTEL, propício para maior área e que será adquirido num curto espaço de tempo. A Coordenação da Memória Cultural/SMC está estudando a possibilidade de instalação de aparelhos de ar condicionado, tipo split, em todo o prédio do Museu. Estes deverão estar de acordo com as necessidades dos tipos de acervos e espaços da Instituição. 34 4.2.7 Ventilação A ventilação no Setor de Arqueologia/RT é horizontal e dá-se de duas maneiras: através das três janelas quadradas e duas portas; e de dois ventiladores. Os três óculos existentes na parede sudoeste (fachada frontal do prédio) permanecem fechados. Normalmente, como relatado no item anterior, as janelas quadradas permanecem fechadas, sendo abertas somente quando a UR externa está abaixo de 55% e a interna acima deste valor; quando, no verão, o ambiente interno está muito quente; quando sentimos a necessidade de ventilação cruzada para renovação do ar. A porta de acesso à sala sempre permanece aberta e, como fica em frente à porta de entrada ao pavimento térreo do Museu, possibilita a ventilação parcial do espaço. A segunda porta, a qual dá acesso ao Setor Administrativo fica, em geral, fechada (a sala possui duas janelas quadradas, iguais as do Setor de Arqueologia). O uso de dois ventiladores ocorre visando homogeneizar a distribuição da UR e do ar, contribuindo para o arejamento do espaço e conforto térmico para as pessoas em dias quentes. Eles ficam dispostos nos dois extremos para provocar uma distribuição em sentido horário ou anti-horário. 4.2.8 Radiação luminosa A radiação luminosa dá-se pela incidência de luz natural e artificial, em níveis elevados, de forma constante e/ou cumulativa (FRONER e SOUZA, 2008 a). A iluminação no Setor de Arqueologia/RT dá-se de forma natural e artificial. As três janelas quadradas (paredes noroeste e sudeste) e três óculos (parede sudoeste) possibilitam a incidência de luz natural de baixa intensidade. Não possuem proteção como filtros ou persianas. Os raios solares, no entanto, não incidem diretamente através das vidraças. Uma leitura realizada com luxímetro junto das estantes metálicas na porção do espaço onde estão as prateleiras metálicas e os três óculos apontou o valor de 3.5 lux. A iluminação artificial é feita por dezoito lâmpadas fluorescentes tubulares, dispostas em calhas individuais, em duas colunas ao longo da sala. Não possuem filtros de proteção contra raios ultra-violetas (UV) emitidos. Os raios UV provocam deterioração dos acervos por ação de efeitos fotoquímicos. Em geral, as lâmpadas permanecem acesas. Em alguns momentos do dia, cerca de 2/3 são desligadas, 35 principalmente aquelas que estão na área de armazenamento do acervo arqueológico. Foram realizadas algumas leituras com luxímetro em diferentes pontos da sala, como por exemplo: 244 lux sobre caixas de polionda com material arqueológico; 33.3 lux, 169.3 lux e 1570 lux em prateleiras inferior, média e superior do armário deslizante. As caixas que estão localizadas nas prateleiras superiores das estantes e do armário deslizante recebem incidência luminosa e raios UV com maior intensidade, não adequada à conservação da maior parte dos materiais que compõe o acervo arqueológico. Figura 36: Lâmpadas fluorescentes no Setor de Arqueologia/RT. Figura 37: Realização de leitura com Luxímetro no armário deslizante. 4.2.9 Agentes biológicos Observamos que os agentes biológicos presentes no medioambiente relativo ao Setor de Arqueologia/RT, a olho nu, são insetos xilófagos (que se alimentam de madeira e celulose). Ocorre, eventualmente, a presença de baratas (inseto onívoro) e de pequenos aracnídeos. O forro do teto do pavimento térreo, que corresponde ao assoalho do primeiro pavimento, é constituído de tábuas de madeira instaladas entre 1980 e 1982 por ocasião da restauração do prédio. A sustentação deste pavimento é feita por troncos de árvores (vigas) no sentido da largura, também substituídos. Nestes se observam várias marcas feitas por insetos isópteros (xilófagos), os conhecidos cupins de madeira seca. Já os grossos e grandes troncos situados perpendicularmente aos 36 anteriores, são autênticos, do período da construção do Solar. Estes não aparentam terem sido infestados por cupins em função, provavelmente, de serem madeira nobre. A desinsetização dos ambientes do Museu ocorre uma vez ao ano. Embora seja uma prática da Prefeitura de Porto Alegre, a mesma não ocorreu em 2014. Outro inseto que habita o Setor de Arqueologia/RT, bem como os outros espaços do pavimento térreo, são as “traças de roupa” (tineola bissilliella). As larvas vivem em casulos losangulares e achatados e alimentam-se logo após seu nascimento. O estado larval dura entre quarenta dias e dois anos. Os adultos morrem ao final de quatro semanas, por não poderem se alimentar, e habitam em ambientes quentes, escuros e úmidos (FRONER e SOUZA, 2008 b). Estes insetos instalam-se nas paredes da sala, nas áreas mais úmidas e escuras. Ocorre, também, a presença de pequenos aracnídeos (aranhas) nas paredes e janelas e, eventualmente, baratas (observados anteriormente à ocupação da sala como Setor de Arqueologia/RT). Tanto os insetos como os aracnídeos podem ter uma relação mais direta com o macroambiente. A área externa do prédio apresenta diversas espécies de árvores, arbustos, folhagens, grama, áreas com terra, partes ensolaradas e partes sombrias e úmidas, principalmente a que fica ao longo da parede noroeste, além do acúmulo de paralelepípedos mencionado no item sobre o macroambiente. Os agentes biológicos são introduzidos no ambiente interno através do externo, pelas janelas e portas, bem como através da sua própria reprodução. Os mais prejudiciais ao acervo orgânico – como os cupins e traças – causam danos a partir da sua alimentação, excrementos, decomposição dos corpos, casulos, ninhos e teias (idem). Alguns sinais apontam para a possibilidade da ocorrência de fungos ou outros microorganismos, como por exemplo, no piso de tijolos após a inundação do pavimento térreo em julho do corrente ano. É necessária uma avaliação técnica sobre a presença de microorganismos no Setor de Arqueologia/RT. 4.2.10 Contaminação Segundo Froner e Souza (2008 a:16), a contaminação é um dos agentes de degradação dos acervos e inclui elementos como “(...) poeira, fuligem, sais, ácidos, contaminação atmosférica, líquidos voláteis, oxigênio”. Considerando o colocado sobre o macroambiente, o Museu está sujeito, principalmente, a poluentes 37 particulados (poeira) e gasosos (contaminação atmosférica) conduzidos pelos ventos existentes na região e provocados pelo intenso trânsito de veículos no seu entorno, principalmente em duas grandes avenidas – a Borges de Medeiros e a Aureliano de Figueredo Pinto. Quanto aos particulados, ocorre a freqüência de pó sobre as estantes, mesas de trabalho, vitrine e caixas de armazenamento de acervo. A rotina de limpeza do espaço, apresentada anteriormente, consiste em retirada de pó das superfícies com pano seco ou levemente úmido, limpeza das mesas com álcool, varrição com vassoura de tecido e, ocasionalmente, uso de pano bem torcido no chão, de cera líquida para pisos e de aspirador de pó. Como mencionado no item anterior, após inundação do setor de Arqueologia/RT em julho de 2014, o piso apresentou manchas claras que podem ser sinal de fungos, de outros microrganismos ou de sais saturados deslocados pela presença de umidade nos tijolos. 4.3 Microambiente O microambiente se refere ao meio que está em contato direto com as coleções. Neste sentido, inclui os tipos de mobiliário e qualidade dos materiais utilizados para o armazenamento, a qualidade dos invólucros empregados para o acondicionamento (formas e materiais), a exposição dos objetos à luz, a poluentes, à umidade, à temperatura, a forças físicas e mecânicas que podem resultar em riscos (atritos, empilhamento, compactação, mau posicionamento), bem como os suportes adotados nas propostas museográficas (FRONER e SOUZA, 2008 a). Como relatado em itens anteriores, praticamente todo o acervo arqueológico está localizado no Setor de Arqueologia/RT, com exceção de alguns objetos que estão em vitrines de duas exposições de longa duração no pavimento superior. Como este diagnóstico está dirigido ao espaço de trabalho e de reserva técnica, não iremos abordar os microambientes (assim como o medioambiente) relativos às exposições. O acervo está organizado em coleções que se referem a sítios e áreas de ocorrência arqueológicas localizados no Município de Porto Alegre. No total, são 82 38 coleções e cerca de 130.00 peças, entre inteiras e fragmentadas, que estão armazenadas no Setor de Arqueologia/RT do Museu. Outras duas grandes coleções contabilizando, provavelmente, mais de 30.000 peças, referentes aos sítios arqueológicos Praça Rui Barbosa (RS.JA-06) e Santa Casa de Misericórdia (RS.JA29), foram emprestadas para fins de estudos ao Laboratório de Arqueologia da PUCRS e ao Centro Histórico-Cultural da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, respectivamente. Cada coleção – de cada sítio e área de ocorrência (AOA) – é composta de variados tipos de objetos, os quais, por sua vez, são constituídos por diferentes categorias materiais. Os tipos de objetos – inteiros e fragmentados - podem ser garrafas, copos, pratos, sopeiras, sapatos, solas, facas, pregos, tijolos, escovas de dentes, entre muitos outros. As categorias materiais são as matérias-primas – orgânicas e inorgânicas - das quais são feitos os objetos, tais como vidro, metal, madeira, cerâmica, couro, ossos humanos e não humanos, sementes, fibras vegetais, conchas, etc. As coleções não são separadas por tipos de objetos e por categorias materiais, isto é, todas as caixas de uma coleção ficam próximas umas das outras. Em geral, cada categoria material está armazenada em caixas diferenciadas. Figura 38: Exemplos de objetos arqueológicos. As coleções são utilizadas em pesquisas acadêmicas de conclusão de curso de graduação (TCC) (02), de mestrado (08) e de doutorado (05), e em exposições 39 no próprio Museu. Atualmente, dezessete peças inteiras ou com fragmentos colados e onze fragmentos individuais estão em vitrines de duas exposições de longa duração no pavimento superior. Eventualmente materiais são emprestados para exposições de curta duração em outras instituições. Outro uso do acervo ocorre nas Oficinas de Louças Arqueológicas, ministradas pelo Museu JF. Os cuidados dispensados às coleções estão sob responsabilidade de uma funcionária municipal, arqueóloga, Fernanda Tocchetto2, a qual conta com a parceria e apoio de um estagiário por, no máximo, dois anos cada um. O estagiário deve estar frequentando curso de graduação. A funcionária é professora cedida à Secretaria Municipal da Cultura desde 1993. Não há o cargo de arqueólogo na Prefeitura de Porto Alegre. O Museu não conta com museólogo e conservador em seus quadros. Antes de adentrarmos na descrição específica sobre o microambiente das coleções no Setor de Arqueologia/RT, é importante apresentar informações importantes sobre a trajetória dos objetos arqueológicos – dos trabalhos de campo e de laboratório ao Museu. Durante, aproximadamente, 10 anos, muitas das investigações arqueológicas eram realizadas pela equipe do Museu composta pela arqueóloga responsável, estagiário, bolsistas, estudantes, pesquisadores associados e colaboradores. O acondicionamento do material em campo era realizado por esta equipe, bem como sua higienização, documentação, acondicionamento e armazenamento no local de guarda. A partir de 2002, com a inclusão de estudos arqueológicos nos processos de licenciamento ambiental municipal, os projetos passaram, em sua grande maioria, a serem desenvolvidos por arqueólogos contratados pelos empreendedores das obras. O Museu concede endosso institucional aos projetos desenvolvidos no Município de Porto Alegre. O “Termo de Responsabilidade para Concessão de Endosso Institucional em processos de pesquisa arqueológica” (ver Anexo 07), documento elaborado pelo Setor de Arqueologia, apresenta as diretrizes e compromissos que o(a) arqueólogo(a) e o empreendedor devem assumir com relação aos resultados da pesquisa, ao acervo e à documentação gerada. As 2 Graduada em História (PUCRS), com Mestrado em Ciências Sociais, ênfase em Antropologia (UFSC) e Doutorado em História, Área de Concentração em Arqueologia (PUCRS). 40 coleções adentram ao Museu higienizadas, documentadas e, em grande parte, pesquisadas. Atualmente nenhuma coleção dá entrada sem ter sido estudada. Em geral, na etapa anterior à entrada das coleções em seu local de guarda (Setor de Arqueologia/RT), o material arqueológico passa pelos seguintes momentos: Primeiro momento: em campo 1- Aquisição do material: através de escavação arqueológica ou coleta. A retirada dos objetos do solo é cuidadosa, cuidando para não riscá-los ou fragmentá-los. É retirada a terra em excesso que envolve o objeto. 2-Acondicionamento: os objetos são acondicionados em sacos plásticos de polietileno, abertos para que o material seque. Os objetos são separados por categoria material e por procedência de camada ou nível. Um mesmo saco pode conter várias peças. Se o artefato for pequeno e delicado, é separado e protegido por papel e/ou colocado num pequeno pote plástico. 3-Transporte: os sacos são colocados em engradados plásticos para o transporte ao local onde será higienizado, documentado e pesquisado. Figura 39: Material arqueológico recuperado em campo sendo transportado em caixa tipo engradado. Segundo momento: em laboratório 1- Higienização: os objetos, em geral, são lavados com água corrente, utilizando uma escova de cerdas macias, e colocados para secar num móvel com gavetas e telas de metal inoxidável ou em mesas. Não há uniformidade entre os arqueólogos 41 sobre quais materiais não devam ser lavados em água corrente. Alguns optam por limpeza a seco com relação aos metais e ossos. 2-Acondicionamento: após secos e feita a documentação, os objetos são acondicionados em sacos plásticos transparentes de polietileno e armazenados em caixas de polionda ou de polietileno, rígidas. Atualmente somente nestas últimas. As pesquisas de campo e de laboratório são realizadas por arqueólogos, técnicos em arqueologia e estudantes e não contam com uma ação integrada com museólogo e conservador3. O Termo de Responsabilidade mencionado apresenta, dentre outros aspectos, as condições em que o material recuperado nos sítios e áreas de ocorrência arqueológicas deve se encontrar com relação ao microambiente, ou seja, ao acondicionamento e ao armazenamento. Tais condições estão permanentemente sendo atualizadas em função de novos conhecimentos e necessidades. O “Relatório dos procedimentos de salvaguarda do acervo arqueológico e documental adotados entre 1993 e 2013” (outubro de 2013) (ver Anexo 08) apresenta a forma de acondicionamento e armazenamento das coleções em vinte anos. No início das pesquisas em 1993 e constituição do acervo arqueológico, as coleções eram acondicionadas em sacos de papel e armazenadas em caixas arquivo de papel Kraft. Com o tempo passamos a utilizar sacos plásticos para o acondicionamento e caixas de polionda para o armazenamento. A partir do financiamento do projeto “Armazenamento, preservação e informatização dos acervos do Museu Joaquim José Felizardo” pela Fundação Vitae, em 2005, foram adquiridas caixas plásticas de polietileno e polipropileno de alta densidade, cor preta, um armário deslizante, dentre outros equipamentos para três setores do Museu. Grande parte do acervo foi recondicionada nestas novas embalagens, principalmente as que foram armazenadas no armário deslizante. Com o crescimento do acervo, entre 2005 e final de 2010, principalmente devido aos estudos ligados ao licenciamento ambiental, as novas coleções foram armazenadas em caixas de polionda e depositadas em estantes metálicas. Somente em 2011, com a introdução do “Termo de Responsabilidade para Concessão de Endosso 3 Com exceção de um período, entre o final de 1998 e 2000, quando contamos com o auxílio da Professora Virginia C. Kieling e equipe (Engenharia Metalúrgica da UFRGS) para a conservação de material metálico sob guarda do Museu JF. O estagiário, no período, era Diogo Costa. 42 Institucional em processos de pesquisa arqueológica”, passamos a exigir procedimentos mais específicos e adequados à conservação do acervo. A seguir, apresentamos o estado atual do microambiente do acervo arqueológico, integralmente localizado no Setor de Arqueologia/RT, como explicitado anteriormente. 4.3.1 Mobiliário O mobiliário onde se encontra armazenado o acervo é composto por armário deslizante e estantes, ambos de aço. O primeiro, localizado próximo às paredes noroeste e sudoeste da sala, possui três módulos - o primeiro simples, o segundo duplo e o terceiro também duplo, mas com a face externa fechada com portas correntes. Cada módulo possui 3,20m e dezoito prateleiras. Neste armário estão as caixas de polietileno. Nas estantes, concentradas do centro da sala em direção à parede sudoeste, estão depositadas caixas de polietileno, de polionda e algumas ainda de papel Kraft. São, no total, dezesseis estantes com cinco prateleiras cada. O restante do mobiliário relacionado ao acervo é uma vitrine metálica com tampa de vidro, em frente à porta de acesso e duas mesas de madeira (com quatro cavaletes) para análise do material arqueológico, junto à parede sul. Na vitrine estão expostas dez peças pré-coloniais líticas e cerâmicas. 4.3.2 Armazenamento Como mencionado, as caixas que armazenam o acervo estão organizadas por coleção (sítio arqueológico) e não por categorias materiais. No entanto, cada caixa, em geral, contém somente um tipo de material. As caixas plásticas pretas de polietileno, de alta densidade, se apresentam de dois tamanhos: 431 comp. x 342 larg. x 146 alt. (modelo MS12) com tampas para cada duas caixas; 415 comp. x 290 larg. x 73 alt. (modelo 1022) com tampas para cada quatro. As demais caixas são de polionda e de papel Kraft (somente em uma coleção – Rede DMAE - Centro Histórico RS.JA-25). As caixas estão identificadas com uma etiqueta que informa o sítio ou AOA arqueológica (coleção), material, e data da pesquisa. No armário deslizante, somente quatro coleções (RS.JA-01, 02, 03 e 04) estão com as etiquetas “definitivas”. As demais estão com etiquetas provisórias, aguardando a revisão que 43 estava sendo realizada tanto do material, como do acondicionamento e da documentação de cada caixa/coleção. Objetos de maiores dimensões, como canos cerâmicos (manilha), pedra de moer, dormentes de trilhos de bonde (madeira), estão em caixas pretas, rígidas, de polipropileno, cobertas com plástico bolha e, parcialmente, com tampas das caixas modelo MS12. Figuras 40, 41 e 42: Armazenamento do acervo em caixas de papel, de polionda e de polietileno e o emprego de estantes metálicas e armário deslizante. 4.3.2 Acondicionamento O acervo arqueológico, após higienizado, numerado e quantificado é embalado em sacos plásticos. Na maior parte dos sítios, o material é separado por categoria material – louça, vidro, metal, cerâmica, ossos, lítico, couro, entre outros. A sua identificação é registrada em etiquetas com dados gerais sobre a procedência (sítio, quadrícula/área, camada/nível, profundidade, data da coleta, pesquisador(es)) e estas são inseridas em pequenos sacos plásticos para proteção, principalmente da umidade e de efeitos de degradação ocasionados pelo contato do papel com o material. Após a análise de cada categoria material, a etiqueta é substituída por outra com informações específicas. Não fizemos um diagnóstico minucioso de coleção por coleção. Em um levantamento superficial observamos que, pelo menos em uma coleção adquirida em 1993, os objetos estão envoltos em sacos de papel e plásticos (Sítio Família Bernardes/Krieger, RS.JA-02); em outras duas, fragmentos de louça e material cerâmico construtivo estão soltos, sem invólucros, em caixas de polietileno (Sítios 44 Praça Brigadeiro Sampaio, RS.JA-10 e Mercado Público Central, RS.JA-05 respectivamente). Figuras 43, 44, 45 e 46: Material arqueológico acondicionado em invólucros de papel, de plástico e sem invólucro, diretamente na caixa. Na sua grande maioria os objetos das coleções estão acondicionados em sacos plásticos, muitos parcialmente fechados (parte com abertura dobrada) e os restantes abertos. Os objetos maiores, que estão em caixas de polipropileno, no chão, estão envoltos ou inseridos em sacos plásticos. Anteriormente à análise dos materiais de uma coleção, estes se apresentam reunidos por categoria material e número de catálogo (registro da peça por coleção e procedência na área do sítio ou AOA). Após o seu estudo, os objetos são acondicionados individualmente ou por grupos determinados, em geral, pela sua forma e função. Não há acondicionamento específico para cada categoria material. Uma exceção é com peças metálicas que passaram por processo de conservação no final da década de 1990, da coleção do sítio Chácara da Figueira, RS.JA-12. Estas estão envolvidas por sacos de papel. As caixas de polietileno e polionda, normalmente, apresentam sua capacidade de armazenamento esgotadas, sem uma preocupação mais acurada 45 com a conservação do material. Isto se verifica com a ausência de material para proteger os objetos de atritos e impactos, como mantas e placas de etaphoan. 4.3.3 Exposição dos objetos à luz Como mencionado no item sobre o medioambiente, o espaço onde o acervo está depositado recebe iluminação natural, sem radiação solar direta, e artificial através de dezoito lâmpadas fluorescentes tubulares sem filtros de proteção contra raios ultra-violetas. A maior parte das coleções está armazenada em caixas de polietileno de cor preta no interior do armário deslizante (expostas a valores entre 33.3 lux e 1.570 lux). Tais caixas não permitem a incidência de radiação luminosa no seu interior, mesmo com a tampa parcialmente fechada, conforme nossas medições (0 lux). Embora nem todas as caixas possuam tampas, grande parte do material fica preservado das radiações UV que possam incidir diretamente nas peças. Sobre o armário existe uma calha com uma lâmpada. O restante das coleções está armazenada em quinze estantes metálicas. Todas as caixas de polietileno, polionda e de papel estão fechadas, dificultando a entrada de raios UV. Cabe mencionar que as caixas de polionda, conforme leituras realizadas no interior de uma delas, transmitem radiação das lâmpadas fluorescentes para o seu interior por serem parcialmente transparentes (principalmente as coloridas). Registramos os valores entre 13.3 lux e 48 lux. No entorno da caixa onde foram constatados tais valores, a leitura é de 480 lux. Uma vitrine com objetos cerâmicos e líticos pré-coloniais, situada em frente à porta de acesso ao Setor, está exposta aos raios UV. A leitura do luxímetro no exterior da vitrine apontou a incidência de 62.9 lux. Quanto aos materiais líticos, os fatores físicos de radiação e iluminação não provocam alterações, somente nas pátinas, esmaltes e policromias nas superfícies das peças, o que não é o nosso caso. Quanto às cerâmicas, no entanto, as duas peças com pintura monocrômica e policrômica (totalizando seis fragmentos), são suscetíveis aos raios UV. A cerâmica não é sensível à luz, mas os pigmentos, pátinas e vitrificados coloridos são (SOUZA e FRONER, 2008 a). 46 Figura 47: Vitrine com objetos pré-históricos situada no Setor de Arqueologia/RT. Normalmente as lâmpadas permanecem acesas durante o horário do expediente (das 8h30 às 18h), nos dias da semana. Em alguns momentos do dia, cerca de 2/3 são desligadas, principalmente aquelas que estão na área de armazenamento do acervo arqueológico. 4.3.4 Exposição dos objetos a agentes biológicos A contaminação do acervo por agentes biológicos não pode ser diagnosticada com precisão, pois isto exige uma análise bioquímica específica. A grande maioria das peças compostas por materiais inorgânicos parece não sofrer algum tipo de contaminação. Importante salientar que nos metais provenientes das camadas relacionadas às áreas de descarte de lixo na antiga orla do Guaíba, encontrados imersos em água, as bactérias anaeróbicas continuam ativas após sua remoção. As superfícies dos objetos vítreos podem ser alteradas pelas atividades metabólicas de bactérias, algas, liquens e fungos. Também nas superfícies do material lítico se desenvolvem liquens, algas e microorganismos que provocam, pela atividade metabólica, corrosão por abrasão e pela liberação de ácidos. A cerâmica armazenada em ambientes com altos índices de umidade e temperatura está suscetível à ação de fungos, musgo e liquens (SOUZA e FRONER, 2008a). A contaminação de materiais orgânicos foi observada em objetos confeccionados em madeira e em couro como, por exemplo, no tamanco abaixo. 47 Figura 48: Tamanco de couro e madeira com presença de microorganismos (Sítio Mercado Público Central (RS.JA-05), 1995). A madeira, fibras e têxteis compostos por celulose, estão sujeitos ao resultado das atividades metabólicas de alimentação, excreção e contato de microorganismos, insetos (como os xilófagos – cupins, etc), aves, entre outros. O couro é sensível a microorganismos que são diagnosticados pela presença de mofo e manchas. Umidade relativa do ar superior a 65% e temperatura elevada podem atrair insetos coleópteros e acelerar o crescimento de fungos. Importante salientar que microorganismos que se desenvolvem em acervos são potencialmente perigosos para a saúde humana. Em 2005, por ocasião do armazenamento de parte do acervo nas novas caixas de polietileno adquiridas, foram observadas etiquetas em papel corroídas por traças. 4.3.5 Exposição dos objetos a poluentes O acervo está sujeito à ação de poluentes particulados (poeira) e gasosos (contaminação atmosférica) conduzidos pelos ventos existentes na região e provocados pelo intenso trânsito de veículos no seu entorno, principalmente em duas grandes avenidas – a Borges de Medeiros e a Aureliano de Figueredo Pinto. Quanto aos particulados, ocorre a freqüência de pó no medioambiente, como relatado anteriormente, e no material que se encontra em análise, sobre mesas de trabalho. Como penetra pó no armário deslizante pelas frestas superiores entre as faces, os poluentes particulados se depositam sobre os materiais que estão em caixas sem tampas. Da mesma forma ocorre com os objetos que estão nas caixas de polionda e de papel, pois muitas destas não estão bem fechadas. Os poluentes atmosféricos atingem todos os materiais. Nos metais, a combinação de poluição e umidade elevada “(...) potencializa a ação química 48 corrosiva de elementos em suspensão e de poeira (...)” (SOUZA e FRONER, 2008a:07). Da mesma forma ocorre com o material lítico, gerando ambientes favoráveis à existência de bactérias e microorganismos, bem como liquens. A presença e o comportamento de sais na atmosfera (bem como de sais solúveis no solo, de onde provém as peças arqueológicas) determina o grau de deterioração das cerâmicas, dependendo de sua porosidade. A “variação da U.R. acentua o afloramento e a deposição de sais solúveis e insolúveis, gerando abrasão, ruptura e perda da coesão física do suporte” (idem:12). Nos vidros ocorre a exsudação, crostas e craquelês provocados pela poluição atmosférica potencializados pela umidade do ambiente ou a depositada sobre a superfície das peças. Compostos ácidos são formados pela poluição liberada pelos carros e indústrias (CO2 e SO2) e, associados à umidade do ar, provocam degradação de materiais orgânicos como madeira, fibras e têxteis. O resultado final do processo de deterioração é a perda de resistência mecânica. “A acidificação é caracterizada nos materiais celulósicos pelo aparecimento de manchas marrons, amarelecimento, perda de rigidez e fragmentação (tornam-se quebradiços)” (SOUZA e FRONER, 2008a:19). A alcalinidade também produz efeitos semelhantes. Os procedimentos para preparação do couro comprometem a conservação do material, como o aparecimento de manchas pulverulentas (“cancro vermelho”), entre outras reações. Ocorre a “(...) reação de substâncias como o dióxido de enxofre, ácido acético e nitratos: as fibras do couro se rompem e são reduzidas a pó. O uso de alúmen de sódio (...), composto por cristais eflorescentes solúveis em água, (...), acelera a formação de compostos ácidos em ambientes úmidos” (idem:22). Quanto a ossos, dentes e chifres sob ação de ácidos, ocorre uma desintegração da estrutura inorgânica. Deposição de sujidades combinada com penetração de água provoca incrustações salinas. 4.3.6 Exposição dos objetos a forças físicas e mecânicas Os objetos das coleções não estão acondicionados de forma a ficarem protegidos contra atritos e impactos. Na grande maioria dos invólucros, ocorre a presença de várias peças (fragmentadas e/ou inteiras) e não há separação entre os invólucros plásticos ou de papel (em menor quantidade). Não são usadas mantas ou placas de etaphoan, por exemplo, para separar os invólucros e para apoiar os 49 objetos. A maioria do acervo é composta por materiais frágeis como louça, cerâmica e vidro. Mesmo os ossos e metais, mais resistentes, podem fragmentar-se devido, em muitos casos, ao seu mau estado de conservação. O material lítico também pode se rachar, fragmentar, escamar ou pulverizar ao sofrer impactos mecânicos (SOUZA e FRONER, 2008a). As caixas estão quase todas com sua capacidade esgotada, ocorrendo empilhamento e compactação das peças. Nas caixas onde os materiais estão sem invólucro, estes sofrem atritos quando os contentores são movidos. O armazenamento em caixas de polietileno preserva os objetos contra impactos menores, mas não contra quedas, por exemplo. As caixas podem ser empilhadas sem que os objetos sejam afetados; sua estrutura e densidade protegem contra pressões externas. As caixas em polionda e em papel são mais suscetíveis a forças físicas e mecânicas – são muito mais frágeis do que as em polietileno, pois não preservam os objetos de pressões externas e de impactos, mesmo que pequenos. 4.3.7 Exposição dos objetos à umidade e temperatura Como colocado com relação ao medioambiente, o acervo está sujeito às variações de umidade e temperatura do macroambiente. Com relação à temperatura, no inverno os valores são superiores ao ambiente externo e, no verão, inferiores. Com a organização da nova sala do Setor de Arqueologia/RT e instalação de desumidificadores com drenos, as condições de UR melhoraram significativamente, mas ainda não dentro dos valores ideais (50/55%) de forma contínua. As condições em que as coleções mais antigas se encontram atualmente são resultado de muitos anos sem monitoramento e controle da UR e T, conforme exposto anteriormente. As variações de temperatura e umidade relativa do ar atingem a maior parte dos materiais, como apresentamos a seguir segundo Souza (2008 a): Materiais inorgânicos: - Metais: a UR é um dos principais fatores de degradação, ativando as reações químicas de óxido-redução ou, em outras palavras, corrosão. É recomendada a faixa entre 35% e 55%. UR elevada potencializa a ação corrosiva através dos poluentes (elementos em suspensão e poeira sobre os metais). Altas temperaturas dilatam os 50 metais, mas sem provocar danos em suas dimensões devido a sua característica de maleabilidade no caso de objetos estáveis (exceto quando há presença de emendas e combinação com outros materiais). Quanto aos objetos arqueológicos metálicos em processo de decomposição, temperaturas elevadas provocam dilatação irregular contribuindo para sua fragilização. -Líticos: Variações de temperatura não provocam alterações. A umidade provoca erosão e degradação por sais cristalizados. Umidade elevada, em associação com poluentes, gera ambientes favoráveis à existência de bactérias e microorganismos, bem como liquens. -Cerâmicas: Variações bruscas de temperatura produzem degradações na superfície da peça, produzindo um “quebradiço” (idem:10). A UR alta pode causar “(...) proliferação de fungos e afloramento de sais inerentes, resíduos de enterramento ou deposição de sais atmosféricos” (ibidem:11). UR baixa produz cristalização de sais. “Sais solúveis absorvidos em soterramento reagem sob variação de umidade relativa e sua dissolução e recristalização geram desprendimento e esfoliação das superfícies vitrificadas” (SOUZA e FRONER, 2008 a:11). - Vidros: Temperaturas extremas ou alterações bruscas produzem contração e dilatação dos vidros, causando rupturas e fissuras. “(...) o calor acelera as reações em superfícies com degradação ativa e os câmbios dimensionais do material” (idem:15).Quanto à exposição de peças em ambientes com UR elevada, são formados óxidos alcalinos, sulfatos, nitratos e carbonatos gerando a presença de cristais alcalinos nas superfícies. Igualmente como nas cerâmicas e metais, este fato ocorre a partir da exsudação dos elementos. Também pode ocorrer a reação com poluentes e formar sais que ficam cristalizados nas superfícies, causando opacidade. A opacidade extrema e a iridescência podem ser formadas pelo ataque alcalino (lixiviação dos íons e alteração do pH da superfície), mais degenerativos que os ácidos. A iridescência “(...) tranforma a transparência da camada superficial e pode criar crostas em processo de descamação. (...) gera uma superfície multicor ou iridescente (que reflete as cores do arco-íris) devido à alteração de sua capacidade de propagação de luz. Estas degradações ocorrem por extratos e podem gerar esfacelamento, rachaduras e perda de suporte” (ibidem:14). A UR deve ficar na faixa entre 40% e 70% para não promover a degradação ativa. 51 Materiais orgânicos: - Madeiras, fibras, têxteis: Por serem materiais higroscópicos e à base de celulose, são sujeitos à contração e dilatação com mudanças de T e UR, as quais potencializam as degradações por radiação e deposição de poluentes. Acima de 70% de UR, é acelerada a degradação química e o desenvolvimento de microorganismos; inferior a 30%, resseca e torna quebradiços os suportes. A UR deve ser mantida entre 30% e 70% e a T entre 20° e 25°. -Couros: Variações extremas de temperatura e umidade relativa são prejudiciais. A UR deve variar entre 45% e 55% e a T entre 18° e 20°. O couro desidrata e fica quebradiço quando a UR é inferior a 30%; quando superior a 70% é estimulado o desenvolvimento de microorganismos e a degradação das fibras por hidrólise. “As flutuações podem causar o enrijecimento do couro e/ou a migração de taninos de manufatura que tornam o couro escuro, opaco, quebradiço e pulverulento” (SOUZA e FRONER, 2008 a:22). Características regionais, bem como o histórico ambiental do espaço onde está o acervo são importantes nas avaliações, pois os parâmetros ideais de UR e T não são fixos. - Ossos, dentes, chifres: Estes materiais, segundo Souza e Frones (idem) não são muito sensíveis a variações de T e UR. O marfim é o mais sensível e os níveis recomendados são de 25° de T e entre 50% e 60% de UR. 5 Considerações finais Este diagnóstico apontou diversas questões fundamentais para a elaboração de um protocolo ou manual de conservação preventiva do acervo arqueológico do Museu JF. Com relação ao macroambiente, ficou clara a relação entre os elementos do ambiente físico exterior ao Museu JF com o médio e microambiente, principalmente quanto à umidade relativa do ar e da temperatura. As experiências que foram realizadas quanto ao controle ambiental mostram a forte influência da UR do ar externa e a proveniente do subsolo. Quanto ao medioambiente, é o espaço que temos possibilidade de controle ambiental, mesmo que parcial. Afirmamos que parcial em função da dificuldade de estabilizar os índices de UR e T. No caso dos primeiros, mesmo com o uso de três 52 desumidificadores sendo drenados continuamente, não tem sido atingido o valor adequado para os diferentes tipos de objetos. Uma sugestão para melhoria das condições de umidade é realocar o material de limpeza que está armazenado junto ao armário deslizante, na parede noroeste do Setor. Além do material que fica no armário metálico, baldes, panos e vassouras úmidas aumentam a UR local. Quanto à temperatura, observamos que, no verão, os índices ficam muito distantes dos recomendados. Como a temperatura externa é ainda mais elevada e a abertura de janelas para ventilação cruzada acarreta na entrada de umidade no interior do espaço, concluímos que é importante a instalação de ar condicionado tipo split. Esta iniciativa demandará avaliação das condições da instalação elétrica do Museu e dos equipamentos adequados para funcionamento constante, 24 horas/dia. Outra questão importante relativa ao medioambiente é a higienização do Setor de Arqueologia/RT. Deverá ser estabelecido um protocolo que orientará as ações considerando a presença de agentes biológicos, principalmente insetos, e de contaminação na forma de particulados (pó). Quanto às radiações luminosas artificiais, é necessária a instalação de filtros para raios UV, já que a iluminação é feita por lâmpadas fluorescentes. Como o Setor de Arqueologia/RT é utilizado para outros fins, como circulação de funcionários, visitação e local de armazenamento de produtos e materiais de limpeza, sugerimos que quaisquer usos do espaço sejam adequados ao fim que este se propõe – espaço de guarda e trabalho com acervo arqueológico. Quanto ao microambiente, deverão ser realizadas várias ações, como as que seguem abaixo: a) Quanto ao armazenamento: - Armazenar as coleções que estão em caixas polionda e de papel em caixas de polietileno; - Realocar as caixas na ordem das coleções e refazer a sua identificação; - Revisar o mobiliário de armazenamento das caixas e identificar as estantes e o armário deslizante. b) Quanto ao acondicionamento: - Reacondicionar todas as coleções que estão sem embalagem ou que estão em sacos de papel, em sacos plásticos; - Reacondicionar as coleções de forma a protegê-las de impactos, pressões e atritos com o uso de mantas de etaphoam; 53 - Separar em caixas diferenciadas os materiais que, por suas características próprias, não devem ser mantidos na mesma embalagem (como ossos e metais, por exemplo); - Avaliar o estado de conservação dos objetos, documentando e separando dos demais aqueles que necessitarem de uma ação curativa. Como este diagnóstico foi sendo elaborado durante o segundo semestre de 2014, as considerações sobre, principalmente, umidade relativa e temperatura foram elaboradas a partir de observações, registros e experiências. Estas foram sendo qualificadas no decorrer do período resultando em um plano de monitoramento e controle da UR, implementado ainda no durante a produção do diagnóstico. Embora este diagnóstico de conservação preventiva esteja voltado ao acervo arqueológico, diversos levantamentos, observações e considerações podem ser estendidas ao Museu JF como um todo. Referências Bibliográficas FRONER, Yacy-Ara; SOUZA, Luiz Antônio Cruz Souza. Preservação de bens patrimoniais: conceitos e critérios. Belo Horizonte: LACICOR – EBA – UFMG, 2008 a. (Tópicos em Conservação Preventiva 3) FRONER, Yacy-Ara; SOUZA, Luiz Antônio Cruz Souza. Controle de Pragas. Belo Horizonte:LACICOR – EBA – UFMG, 2008 b (Tópicos em Conservação Preventiva 7) MACHADO, Elias Palminor. Proposta de Plano de Prevenção e Emergência interno do Museu de Porto Alegre Joaquim Felizardo. Plano de Prevenção e Emergência Interno, s/d (inédito). MENEGAT, Rualdo. Atlas Ambiental de Porto Alegre. Ed. Universidade, Porto Alegre,1998. PEEL, M. C.; FINLAYSON, B. L. AND MCMAHON, T. A.. Updated world map of the Köppen–Geiger climate classification. . In: http://www.hydrol-earth-syst- sci.net/11/1633/2007/hess-11-1633-2007.pdf. Acessado em 26/12/2014. ROSSATO, Maíra Suertegaraí. Os climas do Rio Grande do Sul: variabilidade, tendências e tipologia, 2011. In: www.lume.ufrgs.br/handle/10183/32620?locale=pt. Acessado em 23/12/2014. 54 SOUZA, Luiz Antônio Cruz; FRONER, Yacy-Ara. Reconhecimento de materiais que compõe acervos. Belo Horizonte: LACICOR-EBA-UFMG, 2008 a. (Tópicos em Conservação Preventiva – 4) SOUZA, Luiz Antônio Cruz; FRONER, Yacy-Ara (organização). Roteiro de Avaliação e Diagnóstico em Conservação Preventiva. . Belo Horizonte: LACICOR – EBA – UFMG, 2008 b. (Tópicos em Conservação Preventiva 1) VALENTI, Eduardo da Silva. Modelo cartográfico digital temático para simulação e previsão de inundações no Município de Porto Alegre-RS, 2010. In: www.lume.ufrgs.br/handle/10183/28477?locale=pt. Acessado em 23/12/2014. 55 Anexo 01 Planta de situação e de dimensões do terreno Planta de localização do Solar Lopo Gonçalves 56 Anexo 02 Planta do pavimento térreo do Solar Lopo Gonçalves com a localização do Setor de Arqueologia/Reserva Técnica em vermelho 57 Anexo 03 Modelo da tabela para registro dos dados de UR e T entre setembro de 2013 e janeiro de 2014 58 Anexo 04 Modelo da tabela para registro dos dados de UR e T a partir de abril de 2014 59 Anexo 05 Gráfico com dados obtidos pelo data logger do dia 10/07/2014, quinta-feira, às 18h ao dia 15/07/2014, terça-feira, às 14h (final de semana com os desumidificadores desligados). Observa-se o aumento da UR e a diminuição da T durante o final de semana. Em azul: UR; em vermelho: T. 60 Anexo 06 Gráfico produzido pelo data logger de 06/09 a 29/09: a) até a metade do gráfico, os dados são relativos a dias de expediente com os desumidificadores ligados e finais de semana com os equipamentos desligados. Observam-se os valores mais baixos de UR durante a semana e mais elevados nos finais de semana; b) na segunda metade do gráfico os dados são relativos ao período em que a drenagem sistemática e contínua dos desumidificadores foi instalada. Percebe-se a manutenção dos índices de UR menos elevados. Em azul: UR; em vermelho: T. 61 Anexo 07 Modelo de Termo de Responsabilidade para concessão de endosso institucional a projetos de pesquisa arqueológica 62 Anexo 08 Relatório dos procedimentos de salvaguarda do acervo arqueológico e documental adotados entre 1993 e 2013 (outubro de 2013) 63