Aquecimento solar de água para a indústria Por Samuel Filipe Dias de Sousa Orientador: Sérgio Augusto Pires Leitão Co-orientador: Manuel Ressurreição Cordeiro Dissertação submetida à UNIVERSIDADE DE TRÁS-OS-MONTES E ALTO DOURO para obtenção do grau de MESTRE em Engenharia Electrotécnica e de Computadores, de acordo com o disposto no DR – I série–A, Decreto-Lei n.o 74/2006 de 24 de Março e no Regulamento de Estudos Pós-Graduados da UTAD DR, 2.a série – Deliberação n.o 2391/2007 Aquecimento solar de água para a indústria Por Samuel Filipe Dias de Sousa Orientador: Sérgio Augusto Pires Leitão Co-orientador: Manuel Ressurreição Cordeiro Dissertação submetida à UNIVERSIDADE DE TRÁS-OS-MONTES E ALTO DOURO para obtenção do grau de MESTRE em Engenharia Electrotécnica e de Computadores, de acordo com o disposto no DR – I série–A, Decreto-Lei n.o 74/2006 de 24 de Março e no Regulamento de Estudos Pós-Graduados da UTAD DR, 2.a série – Deliberação n.o 2391/2007 Orientação Cientı́fica : Sérgio Augusto Pires Leitão Doutor do Departamento de Engenharia Electrotécnica e Computadores UTAD - Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro Manuel Ressurreição Cordeiro Doutor do Departamento de Engenharia Electrotécnica e Computadores UTAD - Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro Acompanhamento do trabalho : Miguel Vieira Engenheiro do Departamento de Manutenção Roca S.A Leiria v ”Um homem pode imaginar coisas que são falsas, mas ele pode somente compreender coisas que são verdadeiras, pois se as coisas forem falsas, a noção delas não é compreensı́vel.” Isaac Newton (1643 – 1727) ”A genialidade é 1% inspiração e 99% transpiração.” Thomas Edison(1847 – 1931) Aos meus pais, irmãos e namorada vii UNIVERSIDADE DE TRÁS-OS-MONTES E ALTO DOURO Mestrado em Engenharia Electrotécnica e de Computadores Os membros do Júri recomendam à Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro a aceitação da dissertação intitulada “ Aquecimento solar de água para a indústria” realizada por Samuel Filipe Dias de Sousa para satisfação parcial dos requisitos do grau de Mestre. Junho 2010 Presidente: Doutor Salviano Soares Filipe Pinto Soares, Direcção do Mestrado em Engenharia Electrotécnica e de Computadores do Departamento de Engenharias da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro Vogais do Júri: Salvador Malheiro Ferreira da Silva, Doutor do Departamento de Engenharia Mecânica da UTAD Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro Sérgio Augusto Pires Leitão, Doutor do Departamento de Engenharia Electrotécnica e Computadores da UTAD - Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro Manuel Ressurreição Cordeiro, Doutor do Departamento de Engenharia Electrotécnica e Computadores da UTAD - Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro ix Aquecimento solar de água para a indústria Samuel Filipe Dias de Sousa Submetido na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro para o preenchimento dos requisitos parciais para obtenção do grau de Mestre em Engenharia Electrotécnica e de Computadores Resumo —”Redução e Optimização”, talvez duas das palavras mais vezes enunciadas na indústria e economia mundial. Os mercados internacionais passam neste momento por momentos de crise em diversos factores, agravado pelo preço dos combustı́veis fósseis. Sendo a palavra de ordem poupar, as empresas procuram meios de se manterem competitivas visto o elevado custo dos combustı́veis prejudicar o seu planeamento, investimento e competitividade. Entrámos na ”Era” das energias renováveis, limpas, ilimitadas e seguras, principalmente impulsionadas pela energia solar e eólica. Considerando todos este aspectos a empresa ROCA S.A, prima pela sua excelência nos produtos concebidos não descuidando aspectos ambientais e competitividade. Surge o desafio de utilizar a energia solar de forma a reduzir dependência de combustı́veis fósseis aumentando a eficiência das unidades fabris de Leiria, passando numa primeira fase para o aquecimento de águas sanitárias (AQS). Nesta dissertação serão avaliadas as diversas tecnologias a poderem ser utilizadas, serão realizadas auditorias energéticas de forma a se avaliarem os os consumos actuais de água e de gás natural. Nesta dissertação será projectado um sistema para uma das unidades fabris de Leiria. Visto a Roca possuir ainda outra unidade em Leiria e de forma a se proceder a um dimensionamento rápido e eficáz será implememtado um software para dimensionamento da quantidade de colectores solares, tubagens e distâncias entre si na sua montagem bem como a previsão actual do custo da instalação. Palavras Chave: Energia solar, Aquecimento de água, combustivéis fósseis, colectores solares, simulação, software. xi Solar Heating Water system for Industrial Applications Samuel Filipe Dias de Sousa Submitted to the University of Trás-os-Montes and Alto Douro in partial fulfillment of the requirements for the degree of Master of Science in Electrical and Computers Engineering Abstract — ”Reduction and optimization” probably two of the words that are most mentioned in industry and global economy. The international markets are in troubles in several sectors, aggravated by the prices and the speculation about the quantity of existent fossil in the planet. The keyword is save money, the company’s are searching new ways to maintain the competitiveness, because the prices of fuels affect the reinvestment and planning. We are in the ”Age”of renewable energies. Clean, unlimited and secure are the key words for those energies. They are driven by solar and wind energies. ROCA S.A always looks for excellence in the designed products, bering in mind ambiental aspects. That rises the challenge of using solar thermic energy in sanitary installations with the purpose, of reducion the dependence of fossil energies rising the efficiency of the plants in Leiria. In this dissertation, the available technologies will be consider and held energetic audits to evaluate the consumptions of water and natural gas. One installation will be projected to one of the plants of the complex. However ROCA S.A has another plant in the complex, so will be implemented one software for futures projects that calculates rapidly and efficiently, the number of solar collectors, dimension of the pipes, the distance between groups of collectors and also the prevision cost of the installation. Key Words: Solar energy, heating water, fossil fuels, solar collectors, simulation, software. xiii Agradecimentos Institucionalmente, os meus agradecimentos ao Magnı́fico Reitor da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Professor Doutor Sérgio Leitão, Professor Doutor Manuel R. Cordeiro, Director de curso Professor Doutor Salviano Soares , ao Engo Miguel Vieira, Roca S.A, pelas facilidades concedidas e meios colocados à disposição para a realização deste trabalho. Ao Professor Doutor Professor Doutor Sérgio Leitão e Doutor Manuel R. Cordeiro, o meu apreço pela maneira como foi tratada esta tese e pela sua orientação. Ao Professor Doutor Salviano Soares pela forma como fui recebido nesta instituição e apoiando-me em todo o processo. Ao Engo Miguel Vieira pelos seus conselhos, a sua dedicação para que este projecto se concretize e à Roca S.A pela disponibilidade para concretizar este processo. Aos meus pais, irmãos e namorada que sempre me apoiaram e apoiam em todas as grandes decisões. A todos, muito obrigado ! UTAD, Vila Real Samuel Filipe Dias de Sousa 1 de Junho, 2010 xv Índice geral Resumo xi Agradecimentos xv Índice de tabelas xxi Índice de figuras xxiii Glossário xxvii 1 Introdução 1.1 Enquadramento e motivação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1.2 Objectivos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1.3 Organização da dissertação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 2 Energia Solar 2.0.1 Princı́pios Fı́sicos . . . . . . . . . . 2.0.2 Tipos de radiação e a sua influência 2.0.3 Orientação e a sua influência . . . . 2.1 Recursos energéticos . . . . . . . . . . . . 2.1.1 O Clima . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1 1 3 4 7 7 8 15 18 19 3 Sistemas Solares Térmicos 21 3.1 Colectores solares e a sua constituição . . . . . . . . . . . . . . . . . . 24 xvii 3.2 Colectores sem cobertura . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3.3 Colectores planos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3.3.1 Isolamentos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3.3.2 Caracterização da caixa e da cobertura transparente . . . . . . 3.3.3 Vedantes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3.3.4 Sondas de temperatura . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3.4 Funcionamento do colector solar plano . . . . . . . . . . . . . . . . . 3.4.1 Eficiência do colector solar plano . . . . . . . . . . . . . . . . 3.4.2 Vantagens e desvantagens dos colectores solares planos . . . . 3.5 Colectores Parabólicos Compostos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3.6 Colectores solares de tubos de vácuo . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3.6.1 Modo de construção . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3.7 Depósitos de águas sanitárias . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3.7.1 Materiais usados para a concepção . . . . . . . . . . . . . . . 3.7.2 Depósitos de utilização ”Standard”e suas caracterı́sticas . . . . 3.8 Caracterização de permutadores . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3.9 Isolamento de tubagens . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3.10 Componentes fundamentais dos sistemas solares térmicos . . . . . . . 3.10.1 Fluı́do de transferência térmica . . . . . . . . . . . . . . . . . 3.10.2 Caraterização de bombas de circulação para instalações solares 3.10.3 Válvula anti-retorno . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3.10.4 Purgadores de ar . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3.10.5 Medidor de caudal ou caudalimetro . . . . . . . . . . . . . . . 3.10.6 Vaso de expansão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3.10.7 Válvulas de segurança . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3.10.8 Estação solar . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3.10.9 Controlador . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3.10.10 Controlo da diferença de temperatura . . . . . . . . . . . . . . 4 Estudo do sistema solar térmico 4.1 Consumos de água quente consumida e gás natural 4.2 Dimensionamento da instalação solar térmica . . . 4.3 Dimensionamento dos depósitos de acumulação . . 4.4 Dimensionamento de tubagens, bomba circuladora e 4.4.1 Cálculo de tubagens . . . . . . . . . . . . . 4.4.2 Bomba circuladora . . . . . . . . . . . . . . 4.4.3 Distância entre colectores . . . . . . . . . . 4.4.4 Estudo viabilidade económica . . . . . . . . 5 Software de dimensionamento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . vaso de expansão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 26 27 28 30 31 32 32 33 34 35 37 38 44 44 46 57 60 62 62 63 64 65 66 66 68 69 69 70 73 74 77 92 99 99 105 114 117 121 xviii 6 Conclusões Finais e Trabalho futuro 131 Referências bibliográficas 133 A Cálculos da ”VAL”e ”TIR”da instalação para três cenários 137 B Sı́mbolos, constantes fı́sicas e prefixos de unidades 141 Sobre o Autor 143 Índice remissivo 143 xix Índice de tabelas 3.1 Tipos de cobertura . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 31 3.2 Tipos de caixas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 31 4.1 Consumos de gás natural e água quente do mês de Janeiro de 2010 em Leiria 1 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 76 4.2 Temperatura da água da rede . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 78 4.3 Irradiacao horizontal média mensal . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 80 4.4 Tabela da inclinação dos colectores solares . . . . . . . . . . . . . . . 81 4.5 Factor de correccao de inclinacao (k) . . . . . . . . . . . . . . . . . . 81 4.6 Número de horas úteis de sol diárias . . . . . . . . . . . . . . . . . . 83 4.7 Temperatura ambiente média mensal durante as horas de sol . . . . . 84 4.8 Resumo das necessidades energéticas e da energia útil captada num ano . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 88 4.9 Resultados energeticos finais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 91 4.10 Resultados energéticos finais optimizados . . . . . . . . . . . . . . . . 97 4.11 Acessórios a instalar na instalação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 106 4.12 Temperatura de ebulição segundo a pressão da instalação . . . . . . . 114 4.13 Espessuras do isolamento dos tubos do circuito primário . . . . . . . 116 4.14 Custo da instalação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 117 xxi A.1 Análise vialibilidade económica para uma fracção solar de 50% . . . . 138 A.2 Análise vialibilidade económica para uma fracção solar de 60% . . . . 139 A.3 Análise vialibilidade económica para uma fracção solar de 70% . . . . 140 xxii Índice de figuras 2.1 Variação diária da irradiação solar . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 8 2.2 Diferentes tipos de radiação no meio ambiente . . . . . . . . . . . . . 9 2.3 Altitude solar ao longo de um ano em Lisboa . . . . . . . . . . . . . . 10 2.4 Espectro Solar MA=0 no espaço e MA=1,5 na terra com elevação solar de 37% . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11 2.5 Irradiação solar global e os seus componentes para diferentes condições do céu . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11 2.6 Somatório mensal da irradiação solar mensal . . . . . . . . . . . . . . 12 2.7 Radiação global anual em Portugal . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 13 2.8 Nı́veis de radiação directa e difusa durante o dia em Lisboa ao longo do ano . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14 2.9 Insolação global anual em Portugal . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14 2.10 Ângulos utilizados no dimensionamento dos sistemas solares . . . . . 15 2.11 Irradiação solar global para diferentes orientações da superfı́cie receptora 17 2.12 Irradiação solar global no semestre do verão para diferentes orientações da superfı́cie receptora . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17 2.13 Irradiação solar global no semestre do inverno para diferentes orientações da superfı́cie receptora . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 18 2.14 Cubo da energia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19 xxiii 3.1 Sistema circulação forçada . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 22 3.2 Sistema solar termossifão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 23 3.3 Classificação dos tipos de colectores . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 25 3.4 Identificação das áreas colectores solares . . . . . . . . . . . . . . . . 26 3.5 Absorção e emissão através de superfı́cies diferentes . . . . . . . . . . 29 3.6 Tipos de absorsores . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 29 3.7 Fluxos de energia num colector solar . . . . . . . . . . . . . . . . . . 33 3.8 Colectores solares parabólicos compostos . . . . . . . . . . . . . . . . 36 3.9 Principio de isolamento térmico de vácuo . . . . . . . . . . . . . . . . 38 3.10 Colectores de vácuo de fluxo directo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 39 3.11 Colectores de vácuo de calor . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 39 3.12 Colectores de vácuo de tubo Sydney . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 40 3.13 Colectores de vácuo de tubo Schoot . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 41 3.14 Depósito de acumulação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 45 3.15 Depósito com estratificação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 49 3.16 Depósito não estratificado . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 50 3.17 Depósito com perdas de calor evitáveis devido a design deficiente . . . 51 3.18 Depósito de dupla serpentina . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 52 3.19 Depósito de dupla serpentina ou câmara interna . . . . . . . . . . . . 54 3.20 Depósito tank in tank . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 56 3.21 Permutador externo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 57 3.22 Permutadores tubulares . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 59 3.23 Isolamento térmico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 61 3.24 Bombas circuladoras para instalações solares . . . . . . . . . . . . . . 64 3.25 Válvula anti-retorno . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 65 3.26 Purgador automático . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 66 3.27 Estação solar com caudalimetro integrado . . . . . . . . . . . . . . . 67 3.28 Vaso de expansão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 68 4.1 Consumo de água quente nos balneários de Leiria 1 . . . . . . . . . . 74 4.2 Consumo de gás natural nos balneários, em Janeiro de 2010 . . . . . 74 4.3 Correlação entre o gás consumido e o volume de água aquecida . . . . 75 4.4 Distribuição de consumos de água quente . . . . . . . . . . . . . . . . 75 xxiv 4.5 Colectores solares utilizados no projecto . . . . . . . . . . . . . . . . 84 4.6 Curva do rendimento tı́pico em função de T ∗ . . . . . . . . . . . . . . 86 4.7 Optimizacao do numero de colectores solares . . . . . . . . . . . . . . 92 4.8 Percentagem de energia solar versus volume . . . . . . . . . . . . . . 93 4.9 Variação do volume de acumulação com a temperatura obtida . . . . 95 4.10 Depósito de acumulação de 1000 e 1500 litros . . . . . . . . . . . . . 98 4.11 Disposição dos colectores solares . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 108 4.12 Ligação dos colectores na instalação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 109 4.13 Distância entre colectores solares . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 115 5.1 Fluxograma do software . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 122 5.2 Imagem apresentação do software . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 123 5.3 Barra de menu . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 124 5.4 Edição de perfis . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 124 5.5 Escolha de localidade da instalação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 125 5.6 Escolha dos componentes da instalação . . . . . . . . . . . . . . . . . 126 5.7 Exemplo da informação dos componentes da instalação presentes na base de dados mysql . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 127 5.8 Tabela de energias calculadas para a instalação . . . . . . . . . . . . 127 5.9 Cálculo do número de colectores e diâmetro da tubagem da instalação 128 5.10 Tabela com dados necessários para cálculo . . . . . . . . . . . . . . . 130 B.1 Instalação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 141 B.2 Instalação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 142 xxv Glossário Prefixos do Sistema Internacional de Unidades (SI) Os prefixos para os múltiplos e submúltiplos decimais definidos no Sistema Internacional de Unidades (SI) são os seguintes: Factor Multiplicativo 10 24 10 21 Prefixo Sı́mbolo = 1 000 000 000 000 000 000 000 000 yotta Y = 1 000 000 000 000 000 000 000 zetta Z exa E 1018 = 1 000 000 000 000 000 000 10 15 = 1 000 000 000 000 000 peta P 10 12 = 1 000 000 000 000 tera T 109 = 1 000 000 000 giga G 106 = 1 000 000 mega M 3 1 kilo (quilo ) k 2 10 = 100 hecto h 101 = 10 deka d — — deci d 10 = 1 000 0 10 = 1 10 −1 (Unidade) = 0, 1 10−2 = 0, 01 10 −3 centi c 1 = 0, 001 milli (mili ) m (continua na página seguinte) xxvii (continuação) Factor Multiplicativo Prefixo Sı́mbolo 10 micro µ 10−9 = 0, 000 000 001 nano n 10−12 = 0, 000 000 000 001 pico p −6 = 0, 000 001 10 −15 = 0, 000 000 000 000 001 femto f 10 −18 = 0, 000 000 000 000 000 001 atto a 10−21 = 0, 000 000 000 000 000 000 001 zepto z 10 yocto y −24 = 0, 000 000 000 000 000 000 000 001 1 Prefixo aportuguesado. xxviii 1 1.1 Introdução Enquadramento e motivação A civilização mundial tem vindo a ter como uma das bases da sua enconomia a energia. O consumo de energia tem vindo a aumentar impulsionado por paı́ses como Índia e China que possuem economias emergentes. No entanto, existem custos demasiados elevados para o meio-ambiente pois neste tipo de paı́ses a energia é maioritariamente de origem termoeléctrica através do consumo de carvão. Nas últimas decadas têm havido diversas alterações climáticas devido ao problema dos Gases de Efeito de Estufa (GEE). As emissões poluentes de dióxido de carbono (CO2 ), metano (CH4 ) e os óxidos de azoto (NOx ), têm vindo progressivamente a degradar a camada de ozono. O clima, zonas costeiras, a biodiversidade, recursos hı́dricos e saúde, são alguns do afectados por este aumento progressivo [1]. As emissões gasosas são bastante elevadas no sector energético, industria e transportes e é urgente que se baixem estas emissões sob pena de o futuro do planeta Terra ser hipotecado. É necessário que se promova a sustentabilidade, que se invista em novas tecnologias e novas formas de energia. A humanidade começa a despertar para este grande problema e são ratificados protocolos a nı́vel mundial tais como 1 2 CAPÍTULO 1. INTRODUÇÃO o Protocolo de Quioto e a cimeira de Copenhaga. Contudo alguns do paı́ses com maiores emissões, recusam-se a ratificar este tipo de protocolos, alegando que a sua economia sairia afectada assim como o seu desenvolvimento. Os recursos energéticos mundiais esgotam-se a cada dia que passa e cabe à humanidade encontrar novas formas de energia, racionalizar os seus consumos e utilizar sistemas com maior rendimento e fiabilidade e reutilização de desperdı́cios. As empresas de todo o mundo apresentam um enorme dependência dos combustı́veis fósseis. Como sabido o mercado dos combustı́veis fósseis tem se revelado muito instável devido a aumentos elevados dos derivados do petróleo e do aumento do carvão. Esta instabilidade afecta o desenvolvimento, planeamento e competitividade das empresas e da própria economia. Em Portugal surgem programas do governo para fomentar as energias renováveis. A energia solar térmica, fotovoltáica e a energia eólica são as energias que mais se começam a implementar. A energia solar térmica apresenta-se uma boa solução para o aquecimento de águas sanitárias, aquecimento de águas para processo industrial e surgem agora as primeiras centrais de produção de energia eléctrica através do aquecimento de água. Após um primeiro perı́odo de aparecimento em que a tecnologia era mal aplicada por falta de legislação e conhecimentos técnicos que levaram à descredibilização. Com o aparecimento de sistemas mais fiáveis devido ao aparecimento de legislações e à formação de técnicos, os sistemas solares térmicos apresentam-se agora bastante fiáveis e compensatórios levando a que diversas famı́lias através de incentivos governamentais, passam a instalar nas suas casas com sucesso. Surgem os desafios de aplicação em sistemas de larga escala para a indústria de forma a aumentar a sua competitividade e reduzir a sua dependência dos combustı́veis fósseis. Este trabalho surge nesse âmbito. A ROCA S.A pretende um sistema solar térmico para o aquecimento das águas sanitárias de uma das suas unidades fabris em Leiria. 1.2. OBJECTIVOS 3 Com o intuito de obter uma solução eficiente e viável, é necessário identificar o tipo de consumo, quantidade de água quente consumida, tecnologia a utilizar e selecção de tipo de instalação sendo necessário ter atenção as normas em vigor EN 12975 e EN 12976 [2]. Foram instalados caudalı́metros, para supervisionar e caracterizar os consumos de água, os perı́odos de consumo de água natural e gás natural. Prevendo o futuro ainda é parte integrante deste trabalho o desenvolvimento de um software de dimensionaento rápido de forma a serem dimensionados sistemas deste tipo rapidamente e com grande fiabilidade. 1.2 Objectivos Este trabalho tem como principal objectivo a realização de um projecto e avaliação de um sistema solar térmico para o aquecimento de águas quentes sanitárias dos balneários, de uma das unidade fabris da ROCA S.A em Leiria de forma a, minimizar os consumos de gás natural realizados neste momento. Serão estudadas as principais tecnologias disponı́veis no mercado e modo de funcionamento As principais maisvalias deste trabalho são demostrar a forma de dimensionamento de um sistema solar térmico, aspectos considerados, modos de implementação, cuidados a ter num sistema deste tipo, retorno de investimento no futuro e elementos constituintes. Para a realização deste trabalho, serão realizados os seguintes estudos: • Caracterização de consumos de água quente e gás natural; • Cálculo das necessidades energéticas para o aquecimento de água; • Caracterização a irradiação e temperaturas ambiente e da água através do software SOLTERM 5.0 do INETI; • Caracterização e optimização dos componentes do sistema solar térmico; • Cálculo de tubagens e perdas de carga; 4 CAPÍTULO 1. INTRODUÇÃO • Cálculos de componentes hidráulicos da instalação; • Avaliação técnico-económica dos sistemas a instalar; • Realização de um software de dimensionamento. Com a realização deste trabalho, pretende-se contribuir para que tanto a ROCA S.A como outras empresas invistam neste tipo de tecnologia. Desta forma, a redução da dependência de combustı́veis fósseis fará com que, as emissões poluentes diminuam no nosso paı́s de forma a atingirmos as metas traçadas para União Europeia. Pretendese ainda que, se utilizem os software de simulação e dimensionamento para estes tipos de instalação, esperando que os softwares evoluam de forma a não existir dúvidas na sua fiabilidade devido à sua complexidade. 1.3 Organização da dissertação Este trabalho possui além do presente capı́tulo de introdução que visa o enquadramento do trabalho desenvolvido bem como apresentar os objectivos traçados e motivação , mais cinco capı́tulos. O capı́tulo 2 apresenta a potencialidade da energia solar bem como os fenómenos fı́sicos que influênciam a a sua captação, aspecto da orientação dos colectores solares, fazendo referência ao clima em Portugal. No capı́tulo 3, são apresentados os istemas solares térmicos, onde se realiza um breve caracterização de cada um dos componentes da instalação, aspectos a ter em conta durante o dimensionamento, tecnologis presentes no mercado e os princı́pios fı́sicos que obdecem. No capı́tulo 4, realiza-se o dimensionamento da presente instalação, são apresentadas as expressões matemáticas para o correcto dimensionamento e optimização do campo de colectores solares e dos depósitos de acumualação. No capı́tulo 5, é explicada a concepção do software de dimensionamento realizado na plataforma Labview, são avaliadas as potencialidades, 1.3. ORGANIZAÇÃO DA DISSERTAÇÃO 5 e os dados cálculados para cada instalação de energia solar térmico. No capı́tulo 6 são apresentadas as conclusões do presente trabalho e são mostradas algumas evoluções que poderão ser realizadas no futuro. 2 Energia Solar A Energia Solar é considerada a maior fonte de energia disponı́vel no planeta Terra. É indispensável para a nossa existência, devido á sua importância no nosso processo evolutivo. Felizmente com a evolução humana, foi observado que a Energia Solar é uma fonte de energia viável para diversas aplicações. De uma forma objectiva, a Energia Solar é consequência de um processo de fusão nuclear no qual, dois núcleos de Hidrogénio se fundem com um de Hélio. Esta energia é radiada para o espaço sob forma de ondas electromagnéticas, contudo uma pequena parte é radiada para o planeta Terra. A Terra encontra-se a uma distância do Sol de cerca de 143 milhões de quilómetros. Contudo, e em modo de comparação num único quarto de hora da energia solar radiada pelo Sol é superior a toda a energia utilizada a nı́vel mundial durante um ano. 2.0.1 Princı́pios Fı́sicos A energia irradiada pelo Sol, para a atmosfera é praticamente constante e a sua intensidade de radiação é definida como a constante solar relativa a uma área de um 7 8 CAPÍTULO 2. ENERGIA SOLAR metro quadrado. Existem factores que afectam esta constante, tais como a variação da actividade solar e com a excentricidade da órbita da Terra. O valor médio da constante solar é de E0 =1.367 W/m2 . Levando em conta os dados astronómicos podemos dizer que a energia solar disponı́vel na Terra é muito variável, pois esta varia com a latitude geográfica, com o dia e com as estações do ano. Devido à inclinação do eixo da Terra, os dias de verão são maiores que os dias de inverno e as altitudes solares que o sol atinge são mais elevadas nos meses de verão do que no inverno. Pode ser observado na figura 2.1, a variação da irradiação solar diária em Lisboa no ano de 2008: Figura 2.1 – Variação diária da irradiação solar 2.0.2 Tipos de radiação e a sua influência A radiação solar divide-se em diversas componentes tais como, a radiação solar directa Edir e a radiação difusa Edif . A radiação directa é caracterizada pela radiação proveniente do sol, que atinge o planeta Terra sem qualquer mudança da sua trajectória, por outro lado a radiação difusa é caracterizada pela radiação que chega aos olhos 9 do observador através da difusão de moléculas de ar e partı́culas de pó. A radiação difusa é ainda constituida pela radiação reflectida pela superfı́cie terrestre. A soma das componente enunciadas é denominada por radiação global EG . EG = Edir + Edif (2.1) A equação 2.1 refere-se à radiação sobre uma superfı́cie horizontal. Na figura 2.2, são mostrados diferentes tipos de radiações existentes no meio ambiente. Figura 2.2 – Diferentes tipos de radiação no meio ambiente Como referido anteriormente, a posição do Sol em relação à Terra é um dos factores influenciativos da intensidade da energia irradiada. Quando o sol se localiza verticalmente, acima de uma dada localização, a radiação efectua o caminho mais curto através da atmosfera, na situação contrária se o Sol se encontra num ângulo mais 10 CAPÍTULO 2. ENERGIA SOLAR baixo, a radiação tem de percorrer um caminho mais longo, estando assim disponı́vel uma menor intensidade de radiação de energia. Para traduzir este fenómeno, o factor ”Massa de ar”(MA) é definido como o número de vezes que o caminho da luz solar leva a chegar à superfı́cie da Terra, corresponde à espessura de uma atmosfera. A figura 2.3 representa a altitude solar ao meio-dia ao longo de um ano em Lisboa. Figura 2.3 – Altitude solar ao longo de um ano em Lisboa A radiação solar no espaço, sem influência da atmosfera terrestre é considerada tendo um espectro de MA=0. Contudo ao passar pela atmosfera existem diversos factores que reduzem a intensidade da radiação, entre os quais se destacam: - Reflexão causada pela atmosfera; - Absorção através de moléculas na atmosfera (O3 , H2 O, O2 e CO2 ); - Difusão Rayleigh (difusão de moléculas de ar); - Difusão Mie (difusão de partı́culas de pó e contaminação do ar). 11 A figura 2.4 reflecte a alteração da intensidade da radiação espectal devidos aos factores apresentadas anteriormente para uma elevação solar de 37%: Figura 2.4 – Espectro Solar MA=0 no espaço e MA=1,5 na terra com elevação solar de 37% Por outro lado, a nebulosidade ou o próprio estado do céu são, factores decisivos pois a quantidade de radiação difusa e directa varia com a quantidade de nuvens. A figura 2.5, demonstra a influência do céu terrestre na quantidade de radiação disponı́vel: Figura 2.5 – Irradiação solar global e os seus componentes para diferentes condições do céu 12 CAPÍTULO 2. ENERGIA SOLAR Em modo de balanço, verifica-se que na zona de Lisboa, a proporção média da radiação solar difusa é de cerca 40 % da radiação global, sendo que como é normal nos meses de inverno esta proporção aumenta. A figura 2.6 demonstra o aumento de radiação solar disponı́vel ao longo do ano: Figura 2.6 – Somatório mensal da irradiação solar mensal É possı́vel observar durante o ano que existem grandes oscilações na irradiação solar global ao longo do dia, estas variações devem-se sobretudo à radiação directa. A figura 2.7 mostra como dentro de Portugal, existe uma grande oscilação de norte a sul: 13 Figura 2.7 – Radiação global anual em Portugal Tendo em vista o objectivo deste trabalho, interessa salientar que o valor médio anual da irradiação solar global, é de 1400kWh/m2 em Vila Real (Norte) e de 1700kWh/m2 em Faro (Sul), como representado na figura 2.8. No entanto, ainda que exista um aumento da irradiação solar global de Norte para Sul, para um sistema solar de aquecimento de água esta diferença não é muito significativa. Para o dimensionamento dos sistemas solares, outro factor a ter em conta é o número de horas de luz (insolação). Este parâmetro em Portugal varia, entre 1800 e 3100 horas por ano conforme se ilustra na figura 2.9: 14 CAPÍTULO 2. ENERGIA SOLAR Figura 2.8 – Nı́veis de radiação directa e difusa durante o dia em Lisboa ao longo do ano Figura 2.9 – Insolação global anual em Portugal 15 2.0.3 Orientação e a sua influência A orientação é um factor que influência fortemente, o valor máximo de radiação produzida.Para diferentes ângulos de incidência do sol, durante o ano e a uma determinada latitude,existe um valor máximo de radiação recebida por uma superfı́cie receptora. Se esta estiver inclinada a um determinado ângulo que pode ser calculado [6]. No inverno existe menos radiação que no verão, devido à sua altura solar, da mesma forma o ângulo de inclinação óptimo no inverno é superior ao mesmo ângulo no verão. Figura 2.10 – Ângulos utilizados no dimensionamento dos sistemas solares 16 CAPÍTULO 2. ENERGIA SOLAR A influência do alinhamento e a inclinação de um telhado é determinante para o sucesso de uma instalação solar térmica. Para o dimensionamento existem quatro parâmetros a ter em conta como pode ser observado na figura 2.10: - αS designado por azimute Solar; - γS designado por ângulo de elevação solar; - α designado por azimute do colector; - β designado por inclinação do colector. Através dos gráficos de isolinhas é possı́vel avaliar a irradiação solar. Na figura 2.11 são apresentadas as isolinhas de irradiação global são dadas em kWh/m2 por ano ou por semestre. No eixo das abcissas podemos consultar o azimute e no eixo das ordenadas o ângulo de inclinação. As figuras 2.11, 2.12 e 2.13 mostram a irradiação solar em diferentes altura do ano [6]: Por análise destes gráficos facilmente se verifica que, a irradiação óptima se encontra no alinhamento meridional ou seja para α=0 e para uma inclinação de 30o (β=30o ). Os valores mais elevados de irradiação (1300kWh/m2 ) estão disponı́veis no semestre de Verão (Abril a Setembro). Um desvio do alinhamento óptimo poderá ser tolerado. O ângulo de inclinação óptimo para o semestre de inverno é de 50o . Contudo dever-se-á ter algumas precauções pois desvios à direcção de alinhamento sul podem provocar perdas de radiação muito rápidas e significativas. 17 Figura 2.11 – Irradiação solar global para diferentes orientações da superfı́cie receptora Figura 2.12 – Irradiação solar global no semestre do verão para diferentes orientações da superfı́cie receptora 18 CAPÍTULO 2. ENERGIA SOLAR Figura 2.13 – Irradiação solar global no semestre do inverno para diferentes orientações da superfı́cie receptora 2.1 Recursos energéticos As energias renováveis tomaram grande protagonismo no novo século. A rápida exploração e consumo dos combustı́veis fósseis levam a que estes recursos num futuro próximo se possam esgotar. Sob pena de ser atingido o stock máximo disponı́vel no planeta, é necessário encontrar novas formas de produzir energia, apostar na eficiência energética e na racionalização energética. Neste âmbito a comunidade mundial criou programas de incentivos à utilização de energias renováveis (solar, eólica, biomassa, energia das marés, etc.), programas de eficiência energética, legislação nova e formação em áreas até agora sem técnicos [6]. Nesta dissertação será fomentada, a utilização da energia solar numa indústria, sector em que a energia é um factor decisivo nos lucros e desempenhos da mesma. As fontes de combustı́veis fósseis disponı́veis (carvão, petróleo e gás natural e urânio) 2.1. RECURSOS ENERGÉTICOS 19 são exploradas a taxas cada vez maiores, para fazer face às necessidades energéticas do nosso planeta. Na figura 2.14 é apresentado o cubo da energia. É um gráfico que demonstra a relação entre as reservas de combustı́veis fósseis, a energia necessária e a radiação solar disponı́vel. Figura 2.14 – Cubo da energia O sol disponibiliza por ano, mais energia que todas as reservas de combustı́veis fósseis conhecidas [3], neste caso avaliadas da seguinte forma: 1.5 x 1018kWh/a=1500 milhões de biliões de kilowatt horas por ano. Este valor é 10000 vezes maior que as necessidades energéticas mundiais [3]. 2.1.1 O Clima Os problemas climatéricos não são novidade, a utilização de combustı́veis fósseis provocam enormes impactos no meio ambiente e no próprio clima. As emissões 20 CAPÍTULO 2. ENERGIA SOLAR de gases perigosos tais como como dióxido de enxofre, monóxido de nitrogénio e dióxido de carbono, tomaram proporções impressionantes. O dióxido de enxofre e o monóxido de nitrogénio são substâncias que contribuem fortemente para o aparecimento de chuvas ácidas, enquanto que o dióxido de carbono contribuem fortemente para o conhecido efeito de estufa que provoca o aquecimento da atmosfera terrestre. O CO2 tem de momento uma concentração desmedida e as suas taxas continuam a aumentar irresponsavelmente. Apesar de o tratado de KYOTO e a Cimeira de Copenhaga terem ajudado a alertar o mundo para os problemas, o grande problema subsiste, os paı́ses que mais poluem, não concordam com estes tratados. Na tentativa de mudar este facto diversos paı́ses e entidades tentaram a criação de um novo tratado que não foi ractificado por paı́ses como a China, Índia, Brasil entre outros, que são paı́ses com economias emergentes, que continuam a aumentar as emissões de gases para atmosfera. As consequências do efeito de estufa são desastrosos e preocupantes a curto prazo: - Aquecimento dos oceanos, fusão dos glaciares levando ao aumento do nı́vel médio das águas do mar, sendo que 1/3 da população do mundo vive em regiões costeiras; - Alterações na vegetação reduzindo dramaticamente de variadas espécies; - Aumento da libertação de CO2 e metano provenientes da descongelação dos solos que aumenta o efeito de estufa; - A ”mediterranização”das latitudes temperadas: calor, verões secos, invernos amenos mas com mais chuvas; - Aumento dos ciclones tropicais devido ao aumento de temperaturas dos oceanos; - Intensificação de conhecidos fenómenos climatéricos (tal como EL Niño). Todos estas consequências, devido a aquecimento global levando ao descongelamento das calotes polares, chuvas ácidas e destruição da fauna e ecossistemas. 3 Sistemas Solares Térmicos Os sistemas solares térmicos encontram-se numa fase de alguma expansão. Através de incentivos do estado português, passaram-se a formar técnicos especializados na área. O modo de funcionamento de um colector solar é relativamente simples e consiste na conversão da luz que incide através de um vidro em calor. Este calor não é mais de que, radiação de onda-curta. Os colectores solares ”transferem”a radiação para a água. O calor é gerado pela absorção dos raios solares através de uma placa metálica que se comporta como um ”corpo negro”, a que se dá o nome de placa absorsora. A placa absorsora, transfere o calor gerado para um fluı́do de transferência térmica através, de um sistema de tubos que por sua vez, flui para um depósito de armazenamento de água quente. O calor do fluı́do é transferido para a água potável através de um permutador de calor. Ao arrefecer, o fluı́do de transferência escoa através de uma segunda conduta de volta ao colector, entretanto a água potável já aquecida sobe no termoacumulador criando desta forma uma estratificação térmica, na qual a água quente se encontra no topo, enquanto que a água fria se encontra no fundo. A maioria dos sistemas solares trabalha com um fluı́do de transferência, composto 21 22 CAPÍTULO 3. SISTEMAS SOLARES TÉRMICOS por uma mistura de água com anti-congelante de forma a proteger os sistemas de um possı́vel congelamento. O anti-congelante, não é mais do que uma mistura de água e glicol que circula num circuito fechado. Existem dois sistemas básicos solares térmicos: - Sistemas de circulação forçada; - Sistemas de termossifão. O sistema de circulação forçado é um sistema mais completo. É um sistema que contém uma bomba de circulação do circuito solar que é controlada por um sistema de comando diferencial. O sistema diferencial liga a bomba de circulação quando, o diferencial de temperatura entre o colector e o termo-acumulador atingir o diferencial programado pelo utilizador. Quando o diferencial é atingido o fluı́do que foi aquecido ao sol, circula para o depósito de água potável, onde é transferido para a água do permutador de calor do sistema solar. A figura 3.1 representa uma instalação do tipo forçado numa moradia: Figura 3.1 – Sistema circulação forçada 23 Por sua vez o sistema de termossifão é um sistema que possui o depósito de água potável acima dos colectores solares, mas na mesma estrutura. É um sistema fechado, em que o fluı́do em contacto com a placa absorsora do colector, aquece diminuindo a sua densidade fazendo este, subir até ao depósito, criando ”lugar”para o fluı́do mais frio no interior do colector, proveniente do fundo do depósito e desta forma é estabelecido um processo natural de circulação do fluı́do. A figura 3.2 é um exemplo de um sistema do tipo termossifão: Figura 3.2 – Sistema solar termossifão Estes sistemas são dimensionados, para proporcionar uma cobertura anual de cerca de 50 a 80% das necessidades de aquecimento de água. O restante é fornecido por um sistema de apoio convencional (caldeira a gás, biomassa, ou diesel). O apoio é ligado no termo-acumulador e usualmente na parte superior do mesmo, através de um permutador de calor. Um factor bastante importante, é a temperatura desejada no termo-acumulador. 24 CAPÍTULO 3. SISTEMAS SOLARES TÉRMICOS Maior temperatura, implica mais energia necessária para a atingir, energia essa que caso seja bem ajustada permite o aquecimento de uma maior quantidade de água. Seguidamente serão explicados mais detalhamente os componentes dos sistemas solares térmicos. 3.1 Colectores solares e a sua constituição Os colectores solares são os responsáveis na conversão da radiação solar disponı́vel em calor e transferir o calor para o restante sistema. Pretende-se que este componente tenha o mı́nimo de perdas possı́vel. Com a evolução deste tipos de sistemas, apareceram diversos colectores solares com configurações variadas e com custos e performances diferentes. Os colectores solares podem ser classificados segundo a sua tecnologia de concepção (figura: 3.3): - colector sem vidro absorsor; - colector plano; - colector com limite de convecção; - colector com isolador térmico transparente; - colector de vácuo plano; - colector de ar. 3.1. COLECTORES SOLARES E A SUA CONSTITUIÇÃO 25 Figura 3.3 – Classificação dos tipos de colectores Para caracterizar a geometria dos colectores é necessário ter em conta três factores: - a dimensão total; - a área da superfı́cie de abertura; - a área de captação. A dimensão total de um colector, ou superfı́cie bruta corresponde às dimensões exteriores, definindo desta forma a área de superfı́cie mı́nima necessária para a instalação. Por sua vez, a área da superfı́cie de abertura, é definida pela área através da qual a radiação solar passa para o colector. Através da superfı́cie de abertura, são comparados os diferentes colectores, segundo o definido pela norma EN 12975. A área de captação corresponde à área da superfı́cie da placa absorsora. 26 CAPÍTULO 3. SISTEMAS SOLARES TÉRMICOS Podemos observar na figura 3.4, a definição das áreas referidas. Figura 3.4 – Identificação das áreas colectores solares 3.2 Colectores sem cobertura São constituidos apenas por uma placa absorsora, poderão ser encontrados colectores deste tipo com a placa em plástico ou placas absorsoras selectivas em aço inoxidável. Este tipo de colectores pode ser encontrado em aplicações como aquecimento da água de piscinas (placa absorsora em plástico) ou em pré-aquecimento de água potável para banhos (placa absorsora em aço inoxidável). Existem algumas vantagens para um colector sem cobertura: - a placa absorsora substitui a cobertura do telhado, reduzindo desta forma, os custos de aquisição da cobertura logo, não existe investimento na cobertura; 3.3. COLECTORES PLANOS 27 - é possı́vel obter este tipo de colectores em diversas formas como por exemplo, telhados suavemente curvados; - é uma excelente opção estética para telhados em alumı́nio; - custo de aquisição baixo. Contudo, este tipo de colector apresenta uma enorme condicionante, a performance é bastante baixa, obrigando a instalar uma superfı́cie de colectores muito superior a outros tipos de colectores disponı́veis. 3.3 Colectores planos Os colectores planos são construı́dos com absorsores de metal. Este absorsor está inserido numa caixa rectangular plana. Os lados dessa caixa e a parte inferior são isolados com um isolante térmico. A parte superior é transparente contituı́da por um vidro resistente. Nos lados do colector estão ligados dois tubos para alimentação e retorno do fluı́do de transferência térmica. Este tipo de colector pesa normalmente entre 15 a 20 kg/m2 e existem em diversos tamanhos dependendo do fabricante e do campo de aplicação. O rendimento de um colector solar plano depende em grande parte da sua placa absorsora. A placa absorsora é constituı́da por uma chapa metálica com uma capacidade de absorção de calor elevada. São normalmente construı́das em alumı́nio ou cobre, numa superfı́cie única ou em diversas placas. Desta forma construtiva, quando a radiação solar atinge o absorsor, é absorvida parcialmente e a outra parte é reflectida. Esta absorção origina o calor que é transferido da chapa metálica para os tubos ou canais de escoamento. Através dos canais de escoamento, o fluı́do de transferência térmica transporta o calor para os tanques de armazenamento. O absorsor esta optimizado para ter a maior capacidade de absorção possı́vel e a menor emissividade térmica possı́vel, esta optimização é realizada através de um 28 CAPÍTULO 3. SISTEMAS SOLARES TÉRMICOS tratamento dado à chapa metálica, com um revestimento de pintura preto-baço ou selectivo. O revestimento selectivo é formado por uma estrutura com diferentes camadas que melhora a conversão de radiação solar de onda-curta minimizando as perdas. Os revestimentos selectivos, são resultado de um tratamento electroquı́mico e inicialmente eram revestidos a crómio-preto ou nı́quel-preto contudo, mas, recentemente apareceram novos revestimentos como o T iNOx , que consistem numa deposição fı́sica do tipo ”sputtering”. Estes revestimentos selectivos de última geração vieram trazer grandes benefı́cios pois, são reduzidos os consumos de energia e os impactos ambientais em comparação com os revestimentos nı́quel-preto ou cromo-preto. As figuras 3.5, 3.6 demonstram o grau de absorção após cada um dos tratamentos possı́veis para a placa absorsora e os tipos de placa absorsora do mercado respectivamente: 3.3.1 Isolamentos o Um colector solar pode atingir temperaturas entre 150 e 200 C, caso não esteja a ocorrer consumo na instalação. Para tal, para suportar temperaturas tão elevadas, terão de ser utilizados os materiais para isolamentos de fibra mineral. É necessário que o isolamento não derreta, encolha ou liberte gases, sob pena de serem criadas condensações no interior do colector, ou mesmo, chegar ao ponto de corrosão das superfı́cies metálicas, reduzindo a sua eficácia. Para a realização dos isolamentos, são utilizados normalmente os seguintes materiais: - poliuretano; - poliuretano isento de CFCs; - lã de rocha; - lã de vidro. 3.3. COLECTORES PLANOS 29 Figura 3.5 – Absorção e emissão através de superfı́cies diferentes Figura 3.6 – Tipos de absorsores Contudo, o isolamento mais utilizado é de poliuretano isento de CFCs pois além das boas caracterı́sticas como isolante térmico, ajuda a aumentar a resistência estrutural da caixa do colector aumentando o peso. Por causa da falta de resistência o a temperaturas superiores a 130 C, estes estão protegidos por uma camada de fibra mineral de isolamento, na superfı́cie virada para a placa absorsora, é a chamada camada-gêmea de insolação. 30 CAPÍTULO 3. SISTEMAS SOLARES TÉRMICOS Neste âmbito é de nomear ainda que, existem no mercado colectores solares que estão equipados com um limitador de convecção para reduzir as perdas por convecção. Este limitador consiste, numa estrutura de plástico entre o absorsor e a cobertura transparente por exemplo, o Teflon. 3.3.2 Caracterização da caixa e da cobertura transparente Tanto a placa absorsora como o isolamento térmico estão instalados numa caixa e protegidos por uma cobertura transparente. O objectivo é provocar o efeito de estufa e reduzir as perdas de calor. Os materiais utilizados para a cobertura transparente são geralmente o vidro e em algumas ocasiões o plástico. O vidro utilizado apresenta um baixo teor de ferro de forma a ser bastante transparente. O vidro apresenta normalmente uma espessura de 3 a 4 mm, apresentando um coeficiente de transmissão de 91% no máximo (sem tratamentos anti-reflexo). Durante a vida útil do colector, a cobertura transparente deverá permitir uma elevada transmissão de luz e deverá ter uma baixa reflexão. A cobertura transparente deverá assegurar a estanquicidade do colector à água e ao ar, à pressão do vento, choques térmicos e a impactos de diversas naturezas [23]. Para melhorar as caracterı́sticas da cobertura transparente, são aplicados alguns tratamentos especiais, de entre os quais se destacam: - tratamento anti-reflexo sobre a superfı́cie exterior, para que as perdas por reflexão dos raios solares incidentes diminuam; - tratamento na superfı́cie interior, para que sejam reflectidas as radiações de elevado comprimento de onda e não impeça a passagem da radiação de onda curta, para diminuir as perdas por radiação. Para aumentar o efeito estufa de um colector e a temperatura que o fluı́do de transferência pode atingir, poderão ser utilizados vidros duplos como cobertura 3.3. COLECTORES PLANOS 31 transparente. No entanto desta forma as perdas ópticas aumentarão. Visto esta desvantagem, o vidro duplo deverá ser utilizado somente em aplicações onde, as condições metereológicas sejam adversas (temperaturas baixas e ventos fortes). As tabelas 3.1 e 3.2 [3] mostram, as tecnologias e tipos de coberturas e caixas existentes no mercado: Tabela 3.1 – Tipos de cobertura Cobertura Vidro Plástico Transmissão Estabilidade a longo prazo Deterioração Estabilidade mecânica Estável Estável Preço Elevado Baixo Peso Elevado Baixo Tabela 3.2 – Tipos de caixas Caixa Alumı́nio Aço Plástico Madeira envernizada Peso Baixo Elevado Médio Elevado Construção Fácil Fácil Médio Difı́cil Consumo energético Alto Baixo Médio Baixo Custo Elevado Baixo Baixo Médio Aumento do tempo Outros de recuperação energética e reciclável 3.3.3 Material ecológico Raramente Pouco utilizado utilizado apenas em telhados Vedantes Os vedantes são parte importante num sistema solar térmico, servem para evitar a entrada de água, pó e insectos. Os materiais utilizados para os vedantes entre a cobertura transparente e a caixa, são EPDM ou a borracha de silicone. A parte inferior da caixa é instalada num encaixe de silicone. Para os tubos absorsores 32 CAPÍTULO 3. SISTEMAS SOLARES TÉRMICOS é conveniente colocar vedantes de silicone, sendo a sua temperatura máxima de aplicação de cerca de 200oC. 3.3.4 Sondas de temperatura Os colectores solares planos, têm na maioria um orifı́cio para que seja introduzido uma sonda de temperatura (normalmente PT100). As sondas são inseridas nos orifı́cios e ligadas ao controlador dos sistema solar. As sondas de temperatura são componentes bastante importantes pois, nos sistemas de circulação forçada, são elas que indicarão ao controlador quando será necessário recircular o fluı́do através de uma bomba de recirculação. 3.4 Funcionamento do colector solar plano Já foram apresentados os principais elementos constituintes de um colector solar plano. Falta especificar a forma como funciona um colector solar plano. A partir do momento em que a irradiação (E0 ) atinge a superfı́cie transparente, mesmo antes de entrar no colector, a energia (E1 ) é reflectida nas superfı́cies internas e externas do vidro. Mas as reflexões não terminam por aqui, visto que, uma pequena parte ainda é reflectida na superfı́cie selectiva do absorsor (E2 ) e a restante é convertida em calor. Se o colector solar possuir um bom isolamento térmico e materiais isolantes não combustı́veis, (como poliuretano sem CFC), as perdas de energia através de condução térmica (Q1 ) são reduzidas ao mı́nimo possı́vel. A cobertura transparente tem como principal função, reduzir as perdas na superfı́cie do absorsor, através de radiações térmicas e convectivas (Q2 ). As perdas por convecção e irradiação só ocorrem para o exterior através da cobertura de vidro aquecida. 3.4. FUNCIONAMENTO DO COLECTOR SOLAR PLANO 33 Figura 3.7 – Fluxos de energia num colector solar Como poderemos observar na figura 3.7, à irradiação solar E0 são retiradas as perdas identificadas como E1 , Q2 e Q1 , o resultado é o calor remanescente (Q3 ) para ser utilizado pelo sistema. 3.4.1 Eficiência do colector solar plano O rendimento de um sistema solar térmico, depende fortemente do rendimento do colector solar. O rendimento pode ser definido como, a taxa de energia térmica utilizada pelo total de irradiação de energia solar como poderemos ver em 3.1. η= QN . E (3.1) Onde: η - rendimento (%); QN - Energia térmica utilizada (W/m2 ); E - irradiação de energia solar (W/m2 ). Este rendimento pode ser influenciado pelas caracterı́sticas do colector solar, sendo as perdas por reflexão (E1 e E2 ) e as perdas térmicas (Q1 e Q2 ). 34 CAPÍTULO 3. SISTEMAS SOLARES TÉRMICOS As perdas ópticas de um colector solar, descrevem a proporção de irradiação solar que não pode ser obsorvida pela placa absorsora. As perdas ópticas dependem da ”transparência”da cobertura do vidro cujo factor é designado por coeficiente de transmissão τ e da capacidade de absorção da superfı́cie da placa absorsora designada pelo coeficiente de absorção α. Desta forma podemos designar as perdas ópticas por: η0 = τ × α. (3.2) Onde: η0 - eficiência óptica; τ - coeficiente de transmissão (W/m2 /K) α - coefiente de absorção (W/m2 /K) As perdas térmicas por seu lado, dependem da diferença de temperatura entre o absorsor e o ar exterior, da insolação e da construção do colector. Podemos traduzir a influência constructiva através do coeficiente global de perdas (W/m2 K). As perdas aumentam e a eficiência diminui quando, a irradiação é constante e ocorre um aumento da diferença de temperatura entre o absorsor e o ar exterior. Para tal, deve ser assegurado uma temperatura de retorno baixa e um irradiação elevada para um melhor rendimento. Podemos considerar que um bom colector plano apresenta uma eficiência óptica superior a 0.8 e um valor de coeficiente global de perdas inferior a 6 W/m2 K. 3.4.2 Vantagens e desvantagens dos colectores solares planos Os colectores solares planos são os colectores mais vendidos no mercado.Este tipo de colectores apresenta vantagens e devantagens face a outros tipos de colectores entre as quais se destacam: 3.5. COLECTORES PARABÓLICOS COMPOSTOS 35 - preço mais baixo que os colectores de vácuo e parabólico composto (que serão abordados neste trabalho); - apresentam-se como colectores muito versáteis permitindo diversas opções de montagem; - apresentam boa taxa de preço/performance; - simples montagem. Por outro lado apresentam as seguintes desvantagens: - os colectores de vácuo, parabólicos compostos apresentam maior eficiência devido ao seu coeficiente global de perdas mais baixo; - não podem ser utilizados em aplicações que necessitem de temperaturas de fluı́do muito elevadas; - em relação aos colectores de vácuo, a área para a instalação do colector plano é maior. 3.5 Colectores Parabólicos Compostos Os colectores solares planos são bastante utilizados, contudo foi necessário desenvolver uma tecnologia que permitisse, reduzir a área de absorção, em comparação com a área de captação da radiação solar. Diminuindo a área do absorsor e sabendo que as perdas térmicas são proporcionais à área do absorsor, são reduzidas as perdas térmicas aumentando assim o rendimento do colector. Este tipo de colector tem como princı́pio de funcionamento, a concentração da radiação solar na placa absorsora. Para tal, é utilizado um sistema duplo de absorção da radiação. Este tipo de colector solar é constituı́do pelos seguintes componentes: 36 CAPÍTULO 3. SISTEMAS SOLARES TÉRMICOS - sistema de absorsores para a absorção da radiação como nos colectores solares planos; - sistema de reflexão da radiação que permite a absorção da radiação na parte inferior do absorsor. Na figura 3.8, pode ser observada a constituição dos colectores parabólicos : Figura 3.8 – Colectores solares parabólicos compostos Como o próprio nome indica, este tipo de colector possui uma configuração da superfı́cie reflectora em forma parabólica. Esta configuração permite que a superfı́cie reflectora permita concentar a radiação com a utilização de materiais espelhados com um elevado nı́vel de reflectividade. O ângulo de abertura destas superfı́cies permite captar a radiação directa e difusa, como os colectores planos. Este sistema apresenta vantagens como principais vantagens a descritas a seguir: - elevada eficiência mesmo com elevadas diferenças de temperaturas entre o absorsor e o meio envolvente; 3.6. COLECTORES SOLARES DE TUBOS DE VÁCUO 37 - elevada eficiência para baixa radiação; - maior eficiência que os colectores solares planos em aplicações de alta temperatura pois, devido ao seu principio de concentração de energia permite atingir temperaturas mais elevadas com menores perdas que um colector plano. Como principal desvantagem para este tipo de colectores, pode ser apontado o facto de este ser mais caro que um colector solar plano. Em suma, este tipo de colector é uma excelente opção para sistemas em que seja necessário obter temperaturas bastante elevadas, com alto rendimento. Contudo, tal como os colectores solares planos, este tipo de colector tem uma montagem e utilização bastante simples para além de que, se podem colocar em estruturas fixas simples. 3.6 Colectores solares de tubos de vácuo Todas as evoluções nas formas constructivas e tecnologias utilizadas, visam a redução de perdas térmicas do colector. São colocados no mercado, os colectores solares de tubos de vácuo. Este tipo de colector solar é constituı́do por tubos de vidro que contêm absorsores internos sujeitos ao vácuo de forma a reduzir as perdas térmicas. Para eliminar as perdas de calor por convecção, a pressão interna dos tubos de vidro deverá, ser de pelo menos 10− 2 bar. Neste tipo de colectores mesmo com uma temperatura de absorção de 120o C ou superior, os tubos de vidro permanecem frios no exterior. As perdas de radiação permanecem reduzidas como nos colectores solares planos. 38 3.6.1 CAPÍTULO 3. SISTEMAS SOLARES TÉRMICOS Modo de construção Os colectores de vácuo têm instaladas placas absorsoras, que são aplicadas como placas absorsoras planas, convexas ou cilı́ndricas. Graças à forma tubular dos colectores de vácuo, através de uma alta compressão as forças que aumentam com o vácuo são controladas. Na figura 3.9 pode ser observado o princı́pio de isolamento térmico dos tubos de vácuo: Figura 3.9 – Principio de isolamento térmico de vácuo Os tubos que constituem o colector de vácuo, estão ligados entre si pelo topo através, de um distribuidor ou caixa colectora, zona em que se localiza o isolamento e as linhas de alimentação e retorno. Existem no mercado dois tipos de colectores de tubos de vácuo: - tubo colector de vácuo de fluxo directo, figura 3.10; - tubo colector de vácuo de calor, figura 3.11. 3.6. COLECTORES SOLARES DE TUBOS DE VÁCUO 39 Figura 3.10 – Colectores de vácuo de fluxo directo Figura 3.11 – Colectores de vácuo de calor Nos colectores de tubos de vácuo de fluxo directo, o fluı́do de transferência de calor é direccionado através de um sistema de tubo-entre-tubo, chamado de ”tubos coaxiais”para a base do absorsor onde flui, para a caixa colectora, aumentando a temperatura do fluı́do, ou flui através de um tubo em forma de U. Existem ainda variantes dos próprios tubos do sistema de colector de tubos de vácuo de fluxo directo que permitem melhorar o ganho da radiação do colector tais como: 40 CAPÍTULO 3. SISTEMAS SOLARES TÉRMICOS - tubo Sydney; - tubo Schott. O tubo de Sydney, consiste num duplo tubo de vácuo selado. O bolbo de vidro interno tem um revestimento de metal e carbono sobre cobre. Neste tubo duplo de evacuação é colocada uma placa de condução térmica em conexão com um tubo em U onde é efectuada a transferência de calor como mostrada na figura 3.12. Figura 3.12 – Colectores de vácuo de tubo Sydney O tubo de Schott, consiste em três tubos de vidro coaxiais (invólucro, absorsor parcialmente revestido e interno) e não é utilizado metal. Neste tipo de colectores um revestimento selectivo de metal com propriedades de condutor-térmico, ligado a um tubo de aquecimento, é colocado dentro do tubo de vácuo. O tubo de 3.6. COLECTORES SOLARES DE TUBOS DE VÁCUO 41 aquecimento é preenchido com álcool ou com água em vácuo, que é evaporado para temperaturas a partir dos 25o C. O vapor que é criado sobe, transferindo calor por condensação através do permutador de calor para o fluı́do de transferência de calor. O fluı́do condensado arrefece e volta a descer para ser aquecido novamente. Para um desempenho apropriado dos tubos estes devem ser instalados com uma inclinação mı́nima de 25o como mostrado na figura 3.13. Figura 3.13 – Colectores de vácuo de tubo Schoot 42 CAPÍTULO 3. SISTEMAS SOLARES TÉRMICOS Por outro lado, o colector de vácuo de calor tem aplicado um revestimento selectivo de metal com propriedade de condutor-térmico, que ligado a um tubo de aquecimento, é colocado dentro de um tubo de vácuo. O tubo de aquecimento é preenchido com álcool ou água em vácuo, que é evaporado para temperaturas acima dos 25o C. O vapor que é criado sobe, transferindo calor por condensação através de um permutador de calor para o fluı́do de transferência de calor. O fluı́do condensado arrefece e volta a descer para ser aquecido novamente. Este tipo de colector deverá ser instalado com uma inclinação minı́ma de 25o para funcionar correctamente. Este tipo de colector, apresenta diversas vantagens apresentadas a seguir: - boa eficiência, mesmo com elevadas diferenças de temperatura entre o absorsor e o meio envolvente; - boa eficiência para baixos nı́veis de radiação; - suporta cargas térmicas com mais eficiência do que os colectores planos; - possibilidade de utilização em sistemas de ar condicionado e produção de vapor pois, têm capacidade de atingir elevadas temperaturas; - apresentam baixo peso; - através da afinação das placas absorsoras, na montagem ou em fábrica, estas podem ser alinhadas na direcção do sol; - os colectores de tubos de fluxo-directo, podem ser montados horizontalmente num telhado plano, apresentado assim menores perdas térmicas, devido ao vento e menores custos de instalação. Há ainda no mercado a variante plana dos colectores de vácuo. O seu modo de construção é o mesmo dos colectores planos standard. A grande diferença reside no isolamento térmico que é efectuado com um vácuo de 10/m−1 para 10/m−3 bar, em 3.6. COLECTORES SOLARES DE TUBOS DE VÁCUO 43 vez de ser usada, a fibra natural dos colectores solares convencionais realizado em fibra natural ou espuma de poliuretano. A grande vantagem deste colector solar, é que este reduz as perdas térmicas por convecção. Este colector é ”preenchido”com cripton a 50 mbar de modo a reduzir as perdas térmicas através da conducção. Este colector fica assim, sujeito a grandes forças causadas pela diferença de pressão entre a pressão exterior e interior. Para tal, os elementos de suporte são encaixados entre a base da caixa e a cobertura de vidro. Devido a este facto, existem furos no absorsor. Ainda assim, o vácuo deste tipo de colectores é significamente inferior ao vácuo dos colectores de tubos de vácuo. Para este tipo de colector ser instalado é necessário instalar uma linha de vácuo para que o colector seja re-evacuado quando necessário. Pelos motivos apresentados, este tipo de colector apresenta diversas vantagens mas ainda assim existem algumas desvantagens. As vantagens apresentadas são: - boa eficiência, mesmo com elevadas diferenças de temperatura entre o absorsor e o meio envolvente; - boa eficiência para baixos nı́veis de radiação; - suporta cargas térmicas com mais eficiência do que os colectores planos; - possibilidade de utilização em sistemas de ar condicionado e produção de vapor pois, têm capacidade de atingir elevadas temperaturas; - apresentam baixo peso; - através da afinação das placas absorsoras, na montagem ou em fábrica, estas podem ser alinhadas em direcção ao sol; - os colectores de tubos de fluxo-directo, podem ser montados horizontalmente num telhado plano, apresentado assim menores perdas térmicas, devido ao vento e menores custos de instalação. 44 CAPÍTULO 3. SISTEMAS SOLARES TÉRMICOS Como desvantagens são apresentados os seguintes argumentos: - mais caro do que um colector plano; - não podem ser usados para instalações horizontais no caso dos sistemas de tubos de calor pois para funcionarem correctamente deverão ter uma inclinação minı́ma de 25o; - Para colectores solares de vácuo planos, é necessário uma linha de vácuo. É necessário após encontrar o meio de aquecimento de água, seleccionar o depósito para o armazenamento da água aquecida. 3.7 Depósitos de águas sanitárias Outro ponto essencial nos sistemas solares, são os depósitos de acumulação como pode ser observado na figura 3.14. Os depósitos de acumulação são os reservatórios onde se vai acumular a água aquecida. A instalação deste componente deve-se ao facto, de não ser possı́vel controlar a energia fornecida pelo sol e raramente os perı́odos de maior consumo não ocorrerem simulataneamente quando existe maior radiação solar. O grande desenvolvimento deste tipo de componente é tentar diminuir as perdas térmicas. 3.7.1 Materiais usados para a concepção Existem algumas variantes dos depósitos acumuladores que serão apresentados nesta secção. Os depósitos de pressão estão disponı́veis em aço inoxidável, esmaltados ou revestidos em plástico 3.14. Os depósitos de aço inoxidável são mais leves e 3.7. DEPÓSITOS DE ÁGUAS SANITÁRIAS 45 Figura 3.14 – Depósito de acumulação apresentam menores custos e perı́odos de manutenção. No entanto, estes apresentam preços mais elevados em relação aos restantes depósitos e apresentam maior sensibilidade a águas com elevados nı́veis de cloro. Os dépositos esmaltados tem de ser equipados com magnésio ou com um ânodo externo para a protecção contra a corrosão. Numa vertente mais barata, estão disponı́veis depósitos de aço revestidos a plástico. Este revestimento de plástico é resistente até uma temperatura da água de 80o C e não deverá ser poroso, no entanto, este tipo de depósitos apresenta diversos 46 CAPÍTULO 3. SISTEMAS SOLARES TÉRMICOS problemas de fiabilidade pelo que, deve ser evitada a sua utilização. 3.7.2 Depósitos de utilização ”Standard”e suas caracterı́sticas Um depósito ”standard”utilizado nos sistemas solares térmicos tem a seguinte constituição: - dois permutadores de calor para as duas fontes de calor (solar e o apoio consumindo combustiveis fósseis); - ligação directa para o reservatório de água fria; - pressão de operador do tanque, varia entre 4 e 6 bar. Para dimensionar um depósito deste tipo, é necessário saber algumas informações acerca da instalação e ter alguns aspectos em consideração. Uma das considerações a ter em atenção num sistema solar térmico é a capacidade de acumulação que deve ser de 1,5 a 2 vezes a quantidade de água quente diária utilizada. De salientar, que numa instalação de água quente solar, em que o destino de consumo seja aquecimento de água para banhos (como se verifica neste trabalho), o volume de água final deverá ser de 50 a 70 litros por pessoa (valores médios) para o dimensionamento da instalação. A capacidade do depósito acumulador, não deverá ser muito elevado pois consegue absorver grandes quantidades de energia, contudo se a instalação possuir um campo de colectores constante, a frequência de utilização do sistema de apoio aumenta porque, o nı́vel da temperatura no tanque de armazenamento é menor que num tanque menor. Deve-se ter em consideração, que se o depósito de água servir de depósito de água potável, a temperatura deverá ser limitada a cerca de 60o C, devido ao facto do calcário precipitar a altas temperaturas podendo,sob pena da superfı́cie do permutador de calor ser bloqueada. Para além do calcário se depositar gradualmente na base do depósito de armazenamento. 3.7. DEPÓSITOS DE ÁGUAS SANITÁRIAS 47 A caracterização dos elementos constituintes dos depósitos de acumulação bem como a sua performance, é dada pelos seguintes itens: 1 - limitações do depósito de armazenamento de água quente; 2 - caracterização da placa deflectora na entrada de água fria; 3 - extracção de água quente; 4 - caracterização dos permutadores de calor e respectivas ligações; 5 - isolamento dos depósitos de armazenamento; 6 - sensor de temperatura para os tanques de armazenamento para o circuito solar; 7 - sensor de temperatura do tanque de armazenamento para o aquecimento adicional. Item 1 : o depósito de acumulação deverá ser dimensionado para armazenar uma quantidade de água de cerca de dois dias do consumo diário, devido à variação diária da radiação solar. O utilizador ao abrir uma torneira onde exista água quente, está a colocar água fria na parte inferior do depósito de armazenamento. Existindo desta forma num depósito água fria, morna e quente. Este fenómeno de nome estratificação 3.15 ocorre devido ao facto da água no interior do depósito ter densidades diferentes. Na água quente, quanto mais quente está, menos densa esta se encontra, concentrando-se assim no topo do depósito, por outro lado a água quanto mais fria mais densa concentrando-se assim na parte inferior do depósito. Este fenómeno é uma condição fundamental para o bom funcionamento do sistema solar térmico. Estas afirmações podem ser mostradas da seguinte forma, como exemplo: A energia contida num depósito de armazenamento com estratificação, de 300 litros e para uma temperatura desejada de 60o C sendo que a água de entrada tem uma 48 CAPÍTULO 3. SISTEMAS SOLARES TÉRMICOS temperatura de 15o C é dada por: Q = m × CH2 O × 4T (3.3) Sendo: - Q é a quantidade de calor (Wh); - m é a massa (kg ); - CH2 O é o calor especı́fico da água (1,16) W h/kgK; - 4 T é variação de temperatura (o C). Então para um diferencial de temperatura de 45o C, obtém-se para a situação da figura 3.15: Q= 100 × 1, 16 ×0 + 100 × 1, 16 ×15 + 100 × 1, 16 ×45 ⇔ Q = 6960W h Esta é a energia acumulada num depósito estratificado. Se a mesma quantidade for carregada num depósito sem estratificação térmica, logo a temperatura é uniforme. Esta temperatura será dada por: Tm = Q 6960 × T0 ⇔ Tm = + 15 ⇔ Tm = 35o C m × C H2 O 300 × 1, 16 (3.4) Como poderemos ver, com a mesma energia num depósito que não seja estratificado, será necessário que o apoio (aquecimento de apoio) eleve a temperatura 10o C, enquanto que por outro lado, no depósito com estratificação o utilizador pode consumir 100 litros de água a 60o C ou 150 litros a 45o C sem que se tenha que utilizar o apoio reduzindo assim os custos com sistemas que funcionam com combustı́veis fósseis. 3.7. DEPÓSITOS DE ÁGUAS SANITÁRIAS 49 Figura 3.15 – Depósito com estratificação Um dos objectivo desta dissertação é o dimensionamento do sistema solar térmico de produção de água quente para banhos logo, cada vez que um utilizador utiliza a água quente, o sistema tem de criar condições para que não se misture a água fria da entrada com a água quente que se encontra no interior do depósito de acumulação devendo-se manter uma boa estratificação térmica. Para a criação de uma boa estratificação térmica, o depósito tem de ter uma estrutura vertical devendo ser a razão altura-diâmetro de pelo menos 2.5:1. A existência de uma zona mais fria assegura a eficiência do sistema solar térmico, mesmo em condições de baixa radiação solar. Em algumas instalações em que o local de instalação é apertado, por vezes são utilizados depósitos ”delgados”, estes sistemas funcionam sem problemas, contudo, deverá ter-se cuidado para não colocar o depósito inclinados apesar do depósito ser vertical sob pena de a estratificação do depósito não seja a melhor como pode ser visualizado na figura 3.16. 50 CAPÍTULO 3. SISTEMAS SOLARES TÉRMICOS Figura 3.16 – Depósito não estratificado Item 2 : a placa deflectora na entrada de água fria é um acessório que impede a mistura por turbulência da água fria que entra com a água mais quente que se encontra nas camadas superiores. A principal função deste sistema é impedir a destruição parcial da estratificação térmica. Item 3 : caracteriza a extracção de água quente. Como referido no ponto anterior, nos depósitos de acumulação convencionais, a água quente é retirada do topo de depósito de acumulação. Ao sair água quente do depósito forma-se água morna nas tubagens, por arrefecimento. Se o design do depósito não for o mais apropriado podemos ter problemas durante a extracção. Um dos problemas usuais é a saı́da de água quente ser executada num tubo vertical, a consequência é uma reentrada da água morna, que provocará uma perturbação muito forte na estratificação térmica. Desta forma, as perdas térmicas serão aumentadas podendo este aumento corresponder a de cerca de 15% das perdas totais do depósito de armazenamento. A figura 3.17 demonstra um depósito de acumulação com um design deficiente: 3.7. DEPÓSITOS DE ÁGUAS SANITÁRIAS 51 Figura 3.17 – Depósito com perdas de calor evitáveis devido a design deficiente Como solução para este problema, a concepção do depósito deverá ter a tubagem da água quente dentro do depósito de acumulação desde o topo até a base através de uma flange na base ou fora do tanque em posição descendente, dentro do isolamento térmico. Com esta solução, as perdas de calor nas camadas estratificadas mais quentes referidas anteriormente, são evitadas aumentando desta forma o rendimento do sistema solar térmico. Outra solução que minimizará as perdas mas numa menor magnitude, será com a utilização de um sifão (curvatura de 180o) no tubo de saı́da de água quente. Item 4 : caracteriza a influência dos permutadores de calor. O posicionamento dos permutadores de calor para o circuito de aquecimento solar e do apoio, deverão ser instalados com tubagem em cotovelo de forma a minimizar as perdas de calor no depósito. O permutador de calor do apoio, será o que estará localizado na área superior do depósito, para que seja possı́vel garantir um aquecimento rápido de um volume de água suficiente para a utilização diária. No entanto, deve ser 52 CAPÍTULO 3. SISTEMAS SOLARES TÉRMICOS salvaguardado a possibilidade do circuito primário (circuito solar) armazenar energia na área da água fria do depósito que se encontra na base. Figura 3.18 – Depósito de dupla serpentina Um exemplo deste tipo de permutador é o permutador de dupla serpentina 3.18 Item 5 : as perdas por isolamento defeituoso dos pontos caraterizantes de um sistema solar térmico, são bastante comuns neste tipo de instalação. O isolamento térmico, influência claramente o rendimento de um depósito de acumulação, este deve ter uma espessura de cerca de 10cm nos lados e 15cm no topo e na base do depósito. O isolamento deve estar bem justo ao depósito para minimizar as perdas por convecção devendo ser realizado em materiais sem CFCs e PVCs tais como, a fibra de vidro ou o polietileno com condutividades térmicas (λ) inferiores a 0.035 W/mK. Um depósito de acumulação deve ter taxas de perdas de calor menores que 2 W/K para ser considerado um ”bom depósito de acumulação”. A tı́tulo de exemplo 3.7. DEPÓSITOS DE ÁGUAS SANITÁRIAS 53 para uma diferença de temperatura de 35 o K, um bom tanque, com uma taxa de perdas de 1.5 W/K em comparação com um depósito com uma taxa de 3 W/K, perde 450kWh por ano, significando em média adicionar uma superfı́cie de colectores com uma área de cerca de 1m2 . Item 6 : O sensor de temperatura para os depósitos de acumulação (normalmente uma PT100), deve ser instalado na parte inferior do depósito a meio do permutador de calor do circuito solar. Será este sensor que indicará à bomba quando esta funcionará tornando-a eficiente. Desta forma quando são retiradas pequenas quantidades de água quente, o sistema tem possibilidade de a repor com o circuito solar. Na instalação, o instalador deverá ter cuidado com más fixações do sensor ou maus contactos que podem provocar funcionamentos intempestivos da bomba de circulação. Item 7 : O sensor para o aquecimento adicional (apoio), disponibiliza a informação da temperatura para o controlo do aquecimento, sendo através desta informação que é ligado ou desligado o sistema de apoio. A instalação deste sensor pode ser realizada na mesma altura que o permutador de calor adicional ou mais alto e nunca abaixo deste. Existem ainda outros tipos de depósito de acumulação no mercado entre os quais: - depósito com câmara interna (ou dupla camisa); - depósito de serpentina simples ou dupla; - depósitos ”tank in tank”; - depósitos sem permutadores internos. - Os depósitos com câmara interna ou dupla camisa, apresentam lateralmente uma câmara, onde pode circular o lı́quido dos painéis solares sendo utilizados sobretudo em instalações de pequenas dimensões. Estes depósitos são instalados em posição 54 CAPÍTULO 3. SISTEMAS SOLARES TÉRMICOS vertical ou horizontal. Na figura 3.19 apresenta-se o um depósito acumulador de câmara interna ou de dupla camisa: Figura 3.19 – Depósito de dupla serpentina ou câmara interna 3.7. DEPÓSITOS DE ÁGUAS SANITÁRIAS 55 - Os depósitos de serpentina podem ser de serpentina simples ou dupla como representado na figura 3.18. O depósito de serpentina simples serve apenas para acumular calor, por outro lado, os depósitos de dupla serpentina além de acumularem a energia térmica, também aquecem a água se necessário. São normalmente utilizados em instalações de pequena e média dimensão. - Os depósitos combinados com contentor duplo, também chamados ”tank in tank”, ou seja depósito no depósito. São utilizados em instalações solares combinadas que produzem água quente sanitária e aquecimento. É constituı́do por dois depósitos um grande e um mais pequeno. O depósito de dimensões superiores contém água para fazer funcionar a instalação de aquecimento, por outro lado o depósito mais pequeno, contém água para a alimentação da instalação sanitária. Este tipo de depósito de acumulação torna a instalação mais simples de realizar, pois todos circuitos podem ser ligados directamente ao depósito: - o circuito solar; - o circuito de integração do calor na caldeira; - o circuito da instalação de aquecimento; - o circuito de água quente sanitária (AQS). 56 CAPÍTULO 3. SISTEMAS SOLARES TÉRMICOS Na figura 3.20 apresenta-se o um depósito acumulador de ”tank in tank”: Figura 3.20 – Depósito tank in tank - Os depósitos sem permutadores internos, são constituı́dos por simples depósitos de acumulação, sendo a troca térmica com o lı́quido dos painéis solares efectuada com permutadores externos. Este tipo de depósitos permite através de um permutador externo, a troca térmica de potências mais elevadas e além desta vantagem, com um só permutador podem ser alimentados vários depósitos. Na figura 3.21 apresentase um permutador externo que, pode ser utilizado com um depósito simples sem permutador interno: 3.8. CARACTERIZAÇÃO DE PERMUTADORES 57 Figura 3.21 – Permutador externo 3.8 Caracterização de permutadores Como foi referido na secção anterior, existem diversos tipos de depósitos de acumulação que possuem permutadores de calor internos ou externos. Este tipo de equipamento é sempre utilizado quando se pretende que a água de utilização não passe pelos colectores solares, quando se pretende uma instalação combinada de aquecimento de águas sanitárias e aquecimento por piso radiante ou ainda em instalações bifásicas que incluem captação, com colectores solares e arrefecimento de ar forçado em sistemas do tipo ”fan-coil”. Os permutadores apresentam nomes semelhantes ao depósitos de acumulação pois 58 CAPÍTULO 3. SISTEMAS SOLARES TÉRMICOS são este tipo de equipamentos que os constituem. No mercado existem os seguintes tipos de permutadores de calor: - permutador interno de camisa; - permutador interno de serpentina; - permutador de calor horizontal de serpentina rugoso; - permutador de calor vertical de serpentina liso; - permutador externo de placas; - permutador externo tubular. Os permutadores de calor interno de camisa apresentam um bom rendimento e baixo preço. Este tipo de permutador permite a utilização do depósito de acumulação na horizontal. Tem a sua principal utilização em instalações que necessitem de pequenos volumes de água quente. Os permutadores internos de serpentina podem ser de dois tipos: - tubulares com alhetas; - tubulares lisos. Na figura 3.22 apresenta-se os dois tipos de permutadores tubulares nomeados: Os permutadores de serpentina, apresentam um elevado rendimento sendo utilizado em pequenos e médios volumes de água. Permite a sua instalação quer vertical quer horizontal. Este tipo de permutador apresenta um preço baixo e é uma boa solução 3.8. CARACTERIZAÇÃO DE PERMUTADORES 59 Figura 3.22 – Permutadores tubulares para maioria das instalações de aquecimento de água com sistema solar térmico. Os permutadores tubulares lisos, possuem uma maior capacidade de troca de calor por metro quadrado de superfı́cie em relação aos tubulares com alhetas, no entanto esta superfı́cie de transferência efectiva, pode ser reduzida devido à sua cobertura com calcário. Os permutadores externos de placas têm com principal utilização, instalações de elevados volumes de acumulação (mais de 3000 litros) onde, os valores de energia térmica permutadas são bastantes elevados. Este tipo de permutador é externo ao depósito pelo que, necessita de isolamento térmico sob pena de haver perdas elevadas no sistema se o seu isolamento não for realizado com a devida precaução. É o tipo de permutador que apresenta maior eficiência, no entanto o preço deste equipamento também é o mais elevado. Os permutadores externos tubulares são, os permutadores indicados para os sistemas de aquecimento de água de piscinas, apresentam baixos custo, e rendimentos medianos. Como é possı́vel observar existem diversos tipos de permutadores internos e externos. Estes princı́pios construtivos apresentam vantagens e desvantagens que serão apresentadas seguidamente: Vantagens dos permutadores internos: 60 CAPÍTULO 3. SISTEMAS SOLARES TÉRMICOS - construção simples do sistema com poucos componentes. Desvantagens dos permutadores internos: - se a instalação necessitar de mais do que um depósito acumulador, cada depósito tem um permutador interno aumentando assimo preço da instalação. Vantagens dos permutadores internos: - sistemas de enchimento estratificados podem apenas ser usados com permutadores especiais. Vantagens dos permutadores externos: - com vários tanques, custos mais reduzidos do que com permutadores internos; - alta qualidade de material, garantindo a duração e rentabilidade; - são moduláveis, permitem o aumento do número de placas; - fácil manutenção, limpeza e desmontagem; - excelente eficácia, graças ao funcionamento em contracorrente (os fluı́dos cruzam os seus sentidos de circulação). Desvantagens dos permutadores externos: - componentes adicionais, instalação mais complicada no local. 3.9 Isolamento de tubagens Nas instalações convencionais por vezes, não é dedicada atenção ao isolamento térmico das tubagens, contudo este tipo de instalação de produção de água quente sanitária (sistema solar térmico), tem um rendimento global muito dependente de 3.9. ISOLAMENTO DE TUBAGENS 61 todas as perdas do sistema. Não se deve assim desperdiçar energia no tranporte de água nas tubagens e nos depósitos de acumulação. Para tal, são utilizados isolamentos térmicos que permitem eficiências elevadas. Em regra geral, para tubagens até 18 mm de diâmetro deve existir no mı́nimo um isolamento de espessura de 30 mm, as restantes dimensões superiores deverão ser isoladas com um isolamento de no mı́nimo de 40 mm de diâmetro. O isolamento para este tipo de aplicação deverá ter um condutividade (K) menor ou igual a 0.035 W/mK. Este isolamento não deverá ter falhas realizadas por rasgo ou má aplicação, sob pena de existirem elevadas perdas térmicas no circuito. Não só as tubagens devem ser isoladas com um bom isolamento mas também, todos os acessórios, válvulas, ligações ao depósito de armazenamento, bujões, flanges, entre outros. Nos casos que existam tubagens no exterior, os isolamentos devem ser resistentes aos raios ultravioletas (UV) e à corrosão pela água. Na figura 3.23 é apresentado o isolamento térmico para as tubagens: Figura 3.23 – Isolamento térmico 62 3.10 CAPÍTULO 3. SISTEMAS SOLARES TÉRMICOS Componentes fundamentais dos sistemas solares térmicos Os sistemas solares térmicos, possuem componentes fundamentais para o seu correcto funcionamento. Para tal as seguintes secções darão uma imagem abrangente desses componentes. 3.10.1 Fluı́do de transferência térmica Um dos elementos bastante importantes de um sistema solar térmico, é o fluı́do que transporta a energia térmica produzida no colector solar até ao depósito de acumulação. Este fluı́do deve possuir as seguintes caracterı́sticas: - capacidade térmica elevada; - condutividade térmica elevada; - baixa viscosidade. A água é o fluı́do tı́pico pois além de ser bastante mais barato, não entra em combustão e não é tóxico. Contudo, podem ocorrer problemas nos sistemas solares térmicos, devido a congelamentos e evaporações pois, as temperaturas de um sistema deste tipo podem variar em -15oC e +350o C e a água é um fluı́do que congela de a 0o C e evapora a 100o C. Então para reduzir este tipo de problema, é adicionados à água o Glicol . Vulgarmente chamado de anti-congelante o glicol, baixa o ponto de congelamento e aumenta o ponto de ebulição da mistura. O fluı́do resultante, depende das temperaturas nominais das localidades e a percentagem de glicol depende da temperatura mı́nima e da máxima. O glicol contudo, apresenta algumas desvantagens: 3.10. COMPONENTES FUNDAMENTAIS DOS SISTEMAS SOLARES TÉRMICOS 63 - aumenta a corrosão dos materiais da instalação pelo que, devem ser usados inibidores para baixar o nı́vel de corrosão do fluı́do; - diminui a conductividade térmica do fluı́do; - aumenta a viscosidade do fluı́do; - aumenta a fricção. 3.10.2 Caraterização de bombas de circulação para instalações solares Como enunciado no inı́cio do presente capı́tulo, existem dois tipos de instalações tı́picas: - Termossifão; - Circulação forçada. A circulação por Termossifão por vezes não é possı́vel ou por os colectores estarem instalados em um nı́vel superior ao depósito de acumulação, ou porque as diferenças de densidades não são suficientes para vencer a resistência de atrito mas tubagens então, é usada a Circulação forçada. As bombas utilizadas são alimentadas com energia eléctrica então, para que o rendimento global do sistema seja salvaguardado, o seu funcionamento deve ser o mais baixo possı́vel, e dever-se-à evitar o seu sobredimensionamento Para o dimensionamento deste equipamento, em instalações de grandes áreas de colectores é necessário fazer estimativas de perdas de pressão na instalação. Nos sistemas familiares os kits trazem consigo normalmente uma bomba apropriada à dimensão da tubagem utilizada. A figura 3.24 apresenta uma bomba para sistemas solares térmicos. São esperados novos tipos de bombas hidraúlicas e novas drives electrónicas que 64 CAPÍTULO 3. SISTEMAS SOLARES TÉRMICOS aumentem a eficiência. Figura 3.24 – Bombas circuladoras para instalações solares 3.10.3 Válvula anti-retorno Os acessórios anti-retorno têm uma função bastante importante num sistema solar térmico. É este tipo de equipamento que evita o arrefecimento do depósito de acumulação nas situações de não funcionamento da bomba solar (sistema de circulação forçada), por exemplo durante a noite. Deve ser instalada uma válvula anti-retorno ou um freio de gravidade, no fluxo de retorno entre a bomba e o colector solar. O dimensionamento, deve ter em atenção o valor da pressão que faz uma válvula anti-retorno abrir. A figura 3.25 apresenta uma válvula anti-retorno disponı́vel no mercado: 3.10. COMPONENTES FUNDAMENTAIS DOS SISTEMAS SOLARES TÉRMICOS 65 Figura 3.25 – Válvula anti-retorno 3.10.4 Purgadores de ar A principal função do purgador de ar é a evacuação de ar. Deverão ser sempre instalados no ponto mais alto de uma tubagem de um sistema solar térmico. Estes componentes poderão ser automáticos ou manuais. Como o fluı́do térmico possui glicol, este deverá ser resistente à corrosão e à temperatura máxima do sistema. normalmente são instalados purgadores com resistência a uma temperatura máxima de 150o C. As tubagens têm de ser purgadas para ser libertado o ar no circuito solar e por sua vez ser substituido por fluı́do térmico. Por vezes quando atingida a temperatura de estagnação, a pressão interna do circuito solar aumenta e os purgadores para libertar essa pressão abrem, devem-se evitar estas situações sob pena, de se perder o fluı́do térmico. A figura 3.26 mostra um purgador para uma instalação solar térmica: 66 CAPÍTULO 3. SISTEMAS SOLARES TÉRMICOS Figura 3.26 – Purgador automático 3.10.5 Medidor de caudal ou caudalimetro O sistema necessita de controlar o fluxo volumétrico do fluı́do térmico para tal, é instalado um caudalimetro que ligado à estação solar controlará o caudal do fluı́do através da bomba solar apresentada anteriormente. A imagem 3.27 mostra uma estação solar com um caudalimetro integrado: 3.10.6 Vaso de expansão É uma componente fundamental de um sistema térmico. A sua principal função é absorver, a dilatação do fluı́do que se encontra relacionada com o aumento de temperatura. Este reservatório é de metal fechado, no interior encontra-se uma 3.10. COMPONENTES FUNDAMENTAIS DOS SISTEMAS SOLARES TÉRMICOS 67 Figura 3.27 – Estação solar com caudalimetro integrado membrana flexı́vel que separa dois meios: - um que contém um gás (normalmente nitrogénio) a uma pressão pré-estabelecida; - e o segundo o fluı́do de transferência térmica que entra no vaso de expansão quando a temperatura aumenta e por sua vez a pressão. O tamanho deste vaso deve ser bem dimensionado consoante a quantidade de fluı́do no circuito solar. Se o vaso for projectado para a dilatação adicional do fluı́do de transferência térmica, a pressão máxima de operação não é atingida e assim sendo, não será necessária a actuação de uma válvula de segurança. Podemos dizer que um sistema deste tipo tem uma segurança intrı́nseca. Mais uma vez é necessário ter em conta que o fluı́do térmico possui glicol pelo que, a membrana terá de ser resistente à corrosão provocada pelo glicol. A figura 3.28 apresenta um vaso de expansão de uma instalação solar térmica: 68 CAPÍTULO 3. SISTEMAS SOLARES TÉRMICOS Figura 3.28 – Vaso de expansão 3.10.7 Válvulas de segurança Um sistema solar térmico trabalha com altas temperaturas e pressões para tal é necessário ter alguns cuidados na sua implementação. A norma EN 12975 , regulamenta que nos sistemas solar térmicos, terá de ser instalada, uma válvula de segurança com uma largura mı́nima de DN15 na secção de entrada. Esta válvula, permitirá que em caso de um aumento de pressão que ultrapasse a pressão de regulação, se escoe o fluı́do térmico para um tanque colector. Caso esta situação acontença, o sistema só deverá ser colocado de novo em funcionamento quando, for de novo cheio com fluı́do térmico. 3.10. COMPONENTES FUNDAMENTAIS DOS SISTEMAS SOLARES TÉRMICOS 3.10.8 69 Estação solar No mercado existem diversos modelos de estações solares, de diversas marcas e consoante o tipo de instalação. Estas estações solares possuem normalmente os seguintes componentes: - Purgador; - Bomba de circulação; - Sistema anti-retorno; - Termómetro; - Manómetro; - Válvula de segurança; - Caudalimetro; - Reservatório com membranas; - Válvula de fecho; - Tubagem; - Recepiente de ligação. Este tipo de compactação do sistema através de estações solares, reduz erros de instalação e aumenta a rapidez de instalação. A figura 3.27 apresenta uma estação solar. 3.10.9 Controlador O controlador é o dispositivo que controla as bombas solares e tornando a recolha de energia solar de forma mais eficiente. É neste módulo que as sonda de temperatura estão ligadas. Os controladores mais actuais já permitem ao utilizador fazer diagnósticos de erros do sistema e registar dados tais como consumos, produção entre outros. 70 3.10.10 CAPÍTULO 3. SISTEMAS SOLARES TÉRMICOS Controlo da diferença de temperatura A bomba de circulação solar é controlada através de um diferencial de temperatura, para tal são necessárias duas sondas de temperatura. A primeira sonda mede a temperatura na zona do circuito solar, zona onde se atinge temperaturas mais elevadas antes do fornecimento de calor e depois do colector, por sua vez a segunda sonda, mede a temperatura do depósito de acumulação à altura do permutador de calor. Sondas de temperatura A eficiência do controlador depende da montagem correcta e do funcionamento das sondas de temperatura. As sondas podem ser instaladas por contacto, directamente no absorsor em frente da saı́da do colector ou ainda por imersão dentro do colector. Este tipo de sonda deverá ter uma alta resistência à temperatura pois como já foi referido, as temperaturas de estagnação de um colector solar são elevadas. Deve ser realizada uma protecção mecânica às sondas de temperatura pois, estas devem ser resistentes aos danos fı́sicos, à influência do tempo e à corrosão. Existem dois tipos de materiais tı́picos usados na concepção das protecções das sondas de temperatura; o aço inoxidável e o bronze estanhado. A sonda de temperatura tem de ser isolada da condensação para tal, o casquilho da sonda tem um invólucro de plástico laminado ou prensado. Se este isolamento não for permanente e não resistir aos esforços mecânicos e térmicos a medição da temperatura poderá ser incorrecta, provocando funcionamentos ”intempestivos”da bomba solar. Os cabos de ligação do sensor também deverão ser bastante resistentes. São normalmente em PVC ou numa membrana protectora de silicone. Contudo, em zonas com temperaturas demasiadamente elevadas, são utilizadas cabos com isolamento 3.10. COMPONENTES FUNDAMENTAIS DOS SISTEMAS SOLARES TÉRMICOS 71 em PTFE (Politetrafluoretileno vulgarmente chamado Teflon). No caso de instalação no exterior deverão ser colocados tubos para passar os cabos da sonda, esses tubos podem ser em aço inoxidável ou materiais similares, nunca em PVC devido aos potenciais problemas ambientais. Deverão ser aplicados ondas de platina de alta qualidade pois a diferença de preço para sondas de menor qualidade é muito baixa. 4 Estudo do sistema solar térmico para a ROCA S.A A Roca S.A, emprega cerca de seiscentas pessoas em duas unidades fabris designadas por Leiria 1 e Leiria 2. O desafio desta dissertação é projectar um sistema solar térmico para aquecimentos de águas sanitárias (AQS) para os balneários da fábrica Leiria 1. Actualmente o sistema consiste em duas caldeiras da marca ROCA, que consomem gás natural cada uma com uma potência de 15 e 11 kW. A acumulação é realizada através de cinco depósitos de acumulação de quinhentos litros num total de dois mil e quinhentos litros de água quente acumulada). Para saber as necessidades para o projecto foram realizadas medições de volume de água quente consumido e de gás natural consumido durante um perı́odo de três meses. 73 74 4.1 CAPÍTULO 4. ESTUDO DO SISTEMA SOLAR TÉRMICO Consumos de água quente consumida e gás natural Foi instalado no sistema, um caudalimetro para verificar todos os consumos diários e por horários de modo a se realizar uma auditoria fiável ao sistema. A Roca S.A possui um sistema de supervisão que monitoriza e grava o histórico de consumos de gás natural. Os gráficos 4.1, 4.2 e a tabela 4.1, mostram os consumos de água quente, gás natural em m3 durante o mês de Janeiro de 2010. Figura 4.1 – Consumo de água quente nos balneários de Leiria 1 Figura 4.2 – Consumo de gás natural nos balneários, em Janeiro de 2010 4.1. CONSUMOS DE ÁGUA QUENTE CONSUMIDA E GÁS NATURAL 75 Figura 4.3 – Correlação entre o gás consumido e o volume de água aquecida Através da recolha de dados da auditoria de consumos foi ainda possı́vel recolher os princı́pais perı́odos de consumo de água quente nos balneários. Podem ser considerados quatro perı́odos distintos ao longo do dia, como podemos ver no gráfico 4.4: Figura 4.4 – Distribuição de consumos de água quente 76 CAPÍTULO 4. ESTUDO DO SISTEMA SOLAR TÉRMICO Tabela 4.1 – Consumos de gás natural e água quente do mês de Janeiro de 2010 em Leiria 1 Dia 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 Totais Dia semana Sexta-feira Sábado Domingo Segunda-feira Terça-feira Quarta-feira Quinta-feira Sexta-feira Sábado Domingo Segunda-feira Terça-feira Quarta-feira Quinta-feira Sexta-feira Sábado Domingo Segunda-feira Terça-feira Quarta-feira Quinta-feira Sexta-feira Sábado Domingo Segunda-feira Terça-feira Quarta-feira Quinta-feira Sexta-feira Sábado Domingo - Gás m3 26.40 15.02 14.60 25.94 26.39 26.85 30.94 33.67 15.02 16.38 29.12 25.03 26.39 24.57 25.03 16.38 14.56 24.12 24.12 24.57 26.39 24.12 20.93 16.94 25.94 26.39 27.76 27.76 26.39 16.84 15.02 719.34 Água quente consumida m3 2.6 1 1 2.5 3 3.1 3.2 3.5 0.8 1 3.1 2.55 3 2.9 2.5 0.8 2 3 3 3.02 3.08 3 2 0.9 3 3.2 3.28 3.2 2.9 1 0.8 73.94 Custo do gás natural e 7.92 4.50 4.37 7.78 7.92 8.05 9.28 10.10 4.50 4.91 8.74 7.51 7.92 7.37 7.51 4.91 4.37 7.23 7.23 7.37 7.92 7.23 6.28 5.05 7.78 7.92 8.33 8.33 7.92 5.05 4.50 215.81 Desta forma podemos iniciar o dimensionamento do sistema solar térmico. São necessários cerca de 73m3 de água quente por mês. A instalação actual tem para os balneários masculinos dois depósitos acumuladores de 500 litros enquanto os 4.2. DIMENSIONAMENTO DA INSTALAÇÃO SOLAR TÉRMICA 77 balneários femininos possuem três depósitos acumuladores de 500 litros. Este depósitos acumuladores não estão preparados para a utilização de um circuito solar pois não possuem, uma entrada secundária, logo terão de ser substituı́dos por outros. 4.2 Dimensionamento da instalação solar térmica Para o dimensionamento do sistema é necessário ter acesso a alguns dados que, variam de localidade para localidade: - Temperatura da água da rede (o C); - Consumo médio de água mensal obtido através da auditoria aos consumos (m3 ); - Percentagem de utilização da instalação; - Irradiação horizontal média (MJ/m2 ); - Número de horas de sol; - Factor de inclinação segundo a latitude da localidade. Os valores da temperatura da água da rede 4.2 foram obtidos por consulta da tabela do manual de projectista solar térmico do ISQ [4]: Os cálculos são apresentados por passos e como exemplo será considerado o mês de Janeiro: - Passo 1: calcular o salto térmico. O passo térmico é dado pela diferença entre a temperatura desejada para o depósito de acumulação e a temperatura média mensal da água da rede de alimentação. ∆t = Tdep − Trede ; Onde: (4.1) 78 CAPÍTULO 4. ESTUDO DO SISTEMA SOLAR TÉRMICO Tabela 4.2 – Temperatura da água da rede Mês Temperatura da água (o C) Janeiro 10,8 Fevereiro 10,8 Março 11,8 Abril 12,8 Maio 13,7 Junho 15,2 Julho 16,2 Agosto 16,1 Setembro 15,6 Outubro 14,1 Novembro 11,6 Dezembro 10,6 ∆t - Passo térmico (o C); Tdep - Temperatura desejada no depósito acumulador (o C); Trede - Temperatura média mensal da água da rede (o C). O sistema será dimensionado para uma temperatura de 50o C então, para o mês de Janeiro o passo térmico será dado por: ∆t = Tdep − Trede = 50 − 10, 8 = 39, 2oC - Passo 2: calcular as necessidades energéticas. Pela primeira Lei da Termodinâmica, a energia mensal necessária para o aquecimento do volume de água desejado é dado por: Enecess = 4.18 × m × ce × ∆t ; Onde: Enecess - Energia necessário para aquecer o volume de água necessário (MJ). (4.2) 4.2. DIMENSIONAMENTO DA INSTALAÇÃO SOLAR TÉRMICA 79 ∆t - Passo térmico (o C); m - Massa da quantidade de água necessária ( aproximadamente o valor de m3 (kg); ce - calor especifico da água (1 Termia/tonelada.o C) Logo: Enecess = 4.18 × m × ce × ∆t = 4.18 × 73 × 1 × 39.2 = 11961.49MJ - Passo 3: Consultar os valores da irradiação horizontal média e afectar pelo coeficiente segundo a exposição à poluição. Hmedcorrig = δamb × Hmedrede ; Onde: Hmedcorrig - Irradiação horizontal média corrigida (MJ/m2 ); δamb - coeficiente de correcção devido à exposição à poluição (o C); Hmedrede - Irradiação horizontal média (MJ/m2 ). A tabela 4.3 apresenta a irradiação solar média diário por cada mês: Logo: Hmedcorrig = 0.94 × 6.8 = 6.39(MJ/m2 ) (4.3) 80 CAPÍTULO 4. ESTUDO DO SISTEMA SOLAR TÉRMICO Tabela 4.3 – Irradiacao horizontal média mensal Mês Irradiação horizontal média diária por cada mês (M J/m2 ) Janeiro 6.8 Fevereiro 9.8 Março 13 Abril 18.2 Maio 21.8 Junho 23.5 Julho 24.6 Agosto 22.6 Setembro 16.7 Outubro 12 Novembro 8.2 Dezembro 6.5 O coeficiente de afectação devido poluição é de [4]: - 0.94 para zonas industriais; - 0.95 para zonas urbanas; - 0.97 para zonas rurais; - 1.05 para zonas montanhosas com atmosfera limpa. - Passo 4: Factor de correcção de inclinação β. Este factor tem grande influência no rendimento do sistema solar térmico. A inclinação óptima dos painéis solares é normalmente escolhido por uma regra prática. A inclinação deve ser maior que a diferença entre 90o e a altura solar média do mês médio do perı́odo considerado. Tendo em conta o mapa solar de Portugal, de forma a se optimizar a produção de água quente, os colectores solares deverão ser orientados para o Sul geográfico (não coincidente com o Sul magnético definido pela bússula já que, o Sul geográfico está cerca de 4o para a direita do Sul magnético) [4] com as inclinações apresentadas em 4.4: 4.2. DIMENSIONAMENTO DA INSTALAÇÃO SOLAR TÉRMICA 81 Tabela 4.4 – Tabela da inclinação dos colectores solares Utilização Ângulo Todo o ano (AQS) Latitude do local + 10o Inverno (aquecimento) Latitude do local +15o Verão (piscinas/hotéis de temporada) Latitude do local - Inclinacao tipica dos colectores solares segundo a sua utilizacao Para tal, verificando-se que a presente instalação será implementada em Leiria (coordenadas Latitude 39.80 o N e Longitude 8,79 o W) e sabendo que a empresa labora todo o ano então, esta instalação terá instalado os colectores solares com uma inclinação de 50o . O factor de correcção de inclinação para uma latitude de 40o e uma inclinação de 50o , é dada pela tabela 4.5: Tabela 4.5 – Factor de correccao de inclinacao (k) Mes JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ Factor 1.41 1.28 1.13 0.98 0.87 0.83 0.87 0.99 1.18 1.39 1.54 1.52 82 CAPÍTULO 4. ESTUDO DO SISTEMA SOLAR TÉRMICO Passo 5: Cálculo da energia total teórica de um dia médio por metro quadrado, Etotalteor [4]. Após a determinação do factor de correcção de inclinação (k) e Irradiação solar média corrigida (Hmedcorrig ) é possı́vel calcular a energia total teórica de um dia médio por metro quadrado através da seguinte expressão: Etotalteor = ϕ × k × Hmedcorrig ; (4.4) Onde: Etotalteor - energia total teórica de um dia médio por metro quadrado (MJ/m2 /dia); ϕ - constante que reflecte 6% de perda de energia solar recebida; Hmedcorrig - Irradiação horizontal média corrigida (MJ/m2 ); k - Factor de correção de inclinação. Para o mês de janeiro e por cada dia temos: Etotalteor = 0.94 × 1.41 × 6.39 = 8.47(MJ/m2 /dia) Os sistemas térmicos solares funcionam por circulação de um fluı́do que se põe em movimento pela acção da temperatura ou por acção de uma bomba circuladora que, só deverá ser activada se houver energia para aproveitar. No entanto nas primeiras horas da manhã ou às últimas da tarde, a temperatura nos colectores não é suficiente para se dar essa circulação. Empiricamente, é demonstrado que a energia que não se aproveita durante essas horas de pouca altura solar é aproximadamente de 6 % da energia total diária [4], logo a energia total teórica por dia deverá ser multiplicada por uma constante ϕ de valor 0.94. Passo 6: Neste passo será calculado o valor da radiação global incidente sobre o colector por metro quadrado. É necessário saber para a localidade, qual o número de horas de sol úteis. Na tabela 4.6 são indicados os valores diários[4]: 4.2. DIMENSIONAMENTO DA INSTALAÇÃO SOLAR TÉRMICA 83 Tabela 4.6 – Número de horas úteis de sol diárias Mes JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ No de Horas 8 9 9 9.5 9.5 9.5 9.5 9.5 9 9 8 7.5 Assim sendo, a radiação global incidente é dada por: I= Etotalteor × 106 Nsol × 3600 (4.5) Onde: I - Radiação global incidente diária (W/m2 /dia); Etotalteor - energia total teórica de um dia médio por metro quadrado (MJ/m2 /dia); Nsol - número de horas úteis de sol diárias. Para o mês de Janeiro: I= 8.47 × 1 × 106 = 294.1(W/m2) 8 × 3600 Passo 7: É necessário saber quais as temperaturas médias durante as horas de sol e quais os colectores solares que se pretendem utilizar. A tabela 4.7 ilustra essa distribuição de temperaturas médias mensais durante as horas de sol: 84 CAPÍTULO 4. ESTUDO DO SISTEMA SOLAR TÉRMICO Tabela 4.7 – Temperatura ambiente média mensal durante as horas de sol Mes JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ Temperatura 10.1 10.8 12.2 13.9 16.3 18.8 20.8 20.9 19.8 17.2 12.7 10.1 Para este projecto foram seleccionados, os colectores solares que se ilustram na figura 4.5 com as seguintes caracterı́sticas com uma superfı́cie de abertura de 2.33 m2 . Figura 4.5 – Colectores solares utilizados no projecto 4.2. DIMENSIONAMENTO DA INSTALAÇÃO SOLAR TÉRMICA 85 A curva de rendimento caracterı́stica é traduzida pela equação 4.6: η = 0.789 − 3.606T ∗ − 0.012 × I × (T ∗ )2 T∗ = Tm − Ta I (4.6) (4.7) Onde: η - Rendimento do colector; T ∗ - Temperatura atingida (o C.m2 /W ); Tm - Temperatura média do colector (o C); Ta - Temperatura ambiente média diária (o C); I - Irradiação solar média (W/m2 ). Da equação 4.6, 4.7, resulta a equação 4.8 η = 0.789 − 3.606 × (T m − T a)2 Tm − Ta − 0.012 × I I (4.8) 86 CAPÍTULO 4. ESTUDO DO SISTEMA SOLAR TÉRMICO De seguida pode ser observada a curva de rendimento tı́pico do colector utilizado, que traduz a equação 4.8 para uma radiação solar de 1000 W/m2 . Figura 4.6 – Curva do rendimento tı́pico em função de T ∗ Tendo como base a equação 4.6, para o mês de Janeiro o rendimento do colector será de: T∗ = 50 − 10.1 = 0, 136oC.m2 /W 294, 1 η = 0.789 − 3.606 × 0, 136 − 0.012 × 0, 1362 = 29, 83% Passo 8: Neste momento já é sabido o valor do rendimento do colector para todos os meses bem como, a energia total teórica de um dia médio por metro quadrado. Tendo em conta a equação 4.4 e 4.8 então, a energia captada por metro quadrado (kWh/dia) será dado pela equação 4.9 4.2. DIMENSIONAMENTO DA INSTALAÇÃO SOLAR TÉRMICA Ecapt = Etotalteor × η 100 87 (4.9) Onde: η - rendimento do colector (%); Ecapt - energia total captada por dia por metro quadrado (MJ/m2 /dia); Etotalteor - energia total teórica de um dia por metro quadrado (MJ/m2 /dia). Para cada dia do mês de Janeiro, teremos: Ecapt = Etotalteor × η 29, 83 = 8.47 × = 2, 53(MJ/m2 /dia). 100 100 Passo 9: Neste passo é necessário proceder à escolha do(s) depósito(s) de acumulação para o cálculo da energia útil captada por dia por metro quadrado. Não será neste passo que será dimensionado o volume do depósito de acumulação mas sim qual o tipo de depósito utilizado. Para tal será utilizado um depósito de acumulação com permutador de calor interno de dupla serpentina com um rendimento tı́pico de 65%. Mais adiante, neste trabalho, se necessário, quando se dimensionar o volume do depósito de acumulação e se este ultrapassar os 3000 litros, então será ponderada a utilização de um permutador de externo de placas. Pela equação 4.10 será calculada a energia útil captada por dia por metro quadrado: ηacum = Ecaptutil Ecapt Onde: ηacum - rendimento do depósito de acumulação (%); Ecaptutil - energia útil captada por dia por metro quadrado (MJ/m2 /dia); Ecapt - energia total captada por dia por metro quadrado (MJ/m2 /dia). (4.10) 88 CAPÍTULO 4. ESTUDO DO SISTEMA SOLAR TÉRMICO Logo para um dia do mês de Janeiro: Ecaptutil = 0.65 × 2.53 = 1.651(MJ/m2 /dia) Para o mês de Janeiro (31 dias de produção): Ecaptutil = 31 × 1.65 = 51, 18(MJ/m2 ) Passo 10: Este passo importante, consiste em calcular a área de colectores solares. A tabela 4.8 indica, o resumo dos cálculos anuais da energia necessária para o aquecimento da água Enecess e a energia útil captada por mês por metro quadrado: Ecaptutil . Tabela 4.8 – Resumo das necessidades energéticas e da energia útil captada num ano Mes Necessidade energética (MJ) Energia útil captada (M J/m2 ) Janeiro 11961.49 51,18 Fevereiro 11633.78 78,48 Março 11656.35 117.34 Abril 11351.21 155.64 Maio 11076.58 182.67 Junho 10618.87 190.12 Julho 5227.51 110.36 Agosto 5172.12 117.09 Setembro 10496.82 199.08 Outubro 10954.53 157.08 Novembro 11717.38 96.11 Dezembro 8234.6 29.27 Soma: 120101.22 1484.41 Com os resultados totais da tabela 4.8 e usando a equação 4.11, pode-se calcular a superfı́cie teórica de colectores solares necessários para satisfazer as necessidades de aquecimento de água quente: Areasup = Etotalnecess Etotalcaptanoutil (4.11) 4.2. DIMENSIONAMENTO DA INSTALAÇÃO SOLAR TÉRMICA 89 Onde: Areasup - Área de colectores necessária para satisfazer as necessidades (m2 ); Etotalnecess - Energia total necessária para um ano (MJ); Etotalcaptanoutil - Energia útil total captada num ano (MJ/m2 ). Então: Areasup = 120101.22 = 80.91m2 1484.41 O colector seleccionado tem uma superfı́cie de abertura de 2.33m2 [5] pelo que, o número de colectores será pela 4.12: Ncolect = Areasup Scolec (4.12) Onde: Ncolect - Número de colectores Areasup - Área de colectores necessária para satisfazer as necessidades (m2 ); Scolec - Superfı́cie de abertura do colector solar (m2 ). Então: Ncolec = 80.91 = 34.73 colectores solares. 2.33 Com base no cálculo teórico seriam precisos 35 colectores solares para satisfazer as necessidades de energia. Passo 11: Neste passo serão calculados os valores de energia solar final produzidas pela superfı́cie de colectores solares, a percentagem de substı́tuição da energia solar, o défice energético e a percentagem da energia de apoio (caldeira a gás). 90 CAPÍTULO 4. ESTUDO DO SISTEMA SOLAR TÉRMICO Esolar = Areasup × Ecapt (4.13) Onde: Esolar - Energia solar produzida (MJ); Areasup - Área dos colectores solares necessária para satisfazer as necessidades (m2 ); Ecaptmesutil - Energia útil total captada (MJ/m2 /mes). Então para o mês de Janeiro: Esolar = 80.91 × 51.18 = 4140.97(MJ) P ercentsubstit = Enecess × 100 Esolar (4.14) Onde: P ercentsubstit - Percentagem de substituição de gás natural por energia solar (%); Enecess - Energia necessário para aquecer o volume de água necessário (MJ); Esolar - Energia solar produzida (MJ). Então para o mês de Janeiro: P ercentsubstit = 4140.97 × 100 = 34.62% 11961.49 Defenerg = Enecess − Esolar (4.15) Onde: Defenerg - Energia a fornecer pelo apoio (MJ); Enecess - Energia necessário para aquecer o volume de água necessário (MJ); Esolar - Energia solar produzida (MJ). Então para o mês de Janeiro: Defenerg = 11961.49 − 4140.97 = 7820.52(MJ). P ercentapoio = 100 − P ercentsubstit (4.16) 4.2. DIMENSIONAMENTO DA INSTALAÇÃO SOLAR TÉRMICA 91 Onde: P ercentapoio - Percentagem de utilização do apoio (%); P ercentsubstit - Percentagem de substituição de gás natural por energia solar (%). Então para Janeiro: P ercentapoio = 100 − 34.62 = 65.38% Aplicando equações 4.13, 4.14, 4.15 e 4.16, os resultados são apresentados na tabela 4.9. Tabela 4.9 – Resultados energeticos finais Mes Esolar(MJ) % de substituição Défice energético (MJ) % de utilização do apoio Janeiro 4140.97 34.62 7820.52 65.38 Fevereiro 6350.01 54.58 5283.76 45.42 Março 9494.36 81.45 2161.99 18.55 Abril 12592,54 110.94 -1241.33 0 Maio 14779.54 133.43 -3702.96 0 Junho 15382.34 144.86 -4763.47 0 Julho 8929.17 170.81 -3701.66 0 Agosto 9473.49 183.16 -4301.37 0 Setembro 16107.49 153.45 -5610.67 0 Outubro 12709.37 116.02 -1754.84 0 Novembro 7776.38 66.37 3941.00 33.63 Dezembro 2367.88 28.76 5866.72 71.24 Valores médios 106,53 19,2 Como podemos verificar, a percentagem de substituição em muitos meses ultrapassa os 100% indicando que, com esta quantidade de colectores solares, existe excesso de energia produzida. Teremos então, de diminuir o valor de colectores solares, penalizando a captação do Inverno mas que consequentemente reduzir os custos da instalação. 92 CAPÍTULO 4. ESTUDO DO SISTEMA SOLAR TÉRMICO Figura 4.7 – Optimizacao do numero de colectores solares 4.3 Dimensionamento dos depósitos de acumulação O ponto óptimo do dimensionamento do sistema é, no ponto onde a fracção solar é igual à eficiência do sistema solar [6] como podemos observar no gráfico 4.7. Para além de que, um sistema encontra-se na área do ponto óptimo quando, satisfaz as duas desigualdades apresentadas em 4.17. 60 < V < 100 Areasup Onde: Areasup - Área de colectores necessária para satisfazer as necessidades (m2 ); V - Volume do depósito de acumulação (m3 ). (4.17) 4.3. DIMENSIONAMENTO DOS DEPÓSITOS DE ACUMULAÇÃO 93 Para calcular o número de colectores óptimos para a instalação teremos de dimensionar o volume do depósito de acumulação. Existem três formas de achar o volume para a instalação: a) pela superfı́cie colectora instalada; b) pela temperatura de utilização; c) Desfasamento entre captação-armazenamento e consumo. a) Estudos efectuados comprovam, que o volume óptimo de acumulação ronda os 70l/m2 de colector [4]. Valores superiores não conduzem a percentagens significativamente maiores de aproveitamento da energia solar incidente, mas contribuem apenas para o aumento do depósito acumulador. Pelo gráfico 4.8 podemos observar que a partir de 70l/m2 de colector a energia útil pouco aumenta (excepto em processos industriais)[7]: Figura 4.8 – Percentagem de energia solar versus volume 94 CAPÍTULO 4. ESTUDO DO SISTEMA SOLAR TÉRMICO b) Outra forma de seleccionar o volume do depósito de acumulação é através da temperatura apropriada para a sua aplicação [7]. Quanto menor for a temperatura desejada para a instalação, maior é o rendimento global do sistema solar térmico. É conveniente que um sistema de AQS esteja dimensionado para uma temperatura nominal de 45o C a 50o C. Pela a interpretação do gráfico 4.9, pode-se verificar que quanto menor a acumulação, maior a temperatura que o sistema pode atingir [4]. c) A terceira forma de seleccionar o depósito de acumulação será pelo desfasamento entre captação-armazenamento e consumo. Existem três tipos de factores de serviço que condicionam o dimensionamento do depósito de acumulação: - o factor de coincidência entre o perı́odo de captação e de consumo, caso de pré-aquecimento de água para reposição numa caldeira num processo industrial contı́nuo. Em regra geral o volume do depósito acumulador deverá variar entre 35 a 50l/m2 de colector; - o factor do desfasamento entre captação e consumo não superior a 24 horas (caso de aquecimento de águas sanitárias) o volume do acumulador deverá ser de 60 a 90l/m2 . O valor tı́pico utilizado é de 70l/m2 ; - o factor de diferença entre captação e consumo superiores a 24h e inferiores a 72h, caso de aquecimento de água para processos industriais. O volume tı́pico de depósito de acumulação deverá situar-se entre 75 e 150l/m2 . Após o estudo da melhor forma de dimensionar o depósito de acumulação, será escolhido a terceira forma c). Este forma de dimensionamento justifica-se com o facto de existirem perı́odos do dia em que existe grande consumo durante os perı́odos de produção de água quente. Além de que o valor médio de consumo diário ao longo dos meses é de 2355 litros (73 m3 por mês dando aproximadamente 2355 litros por dia). Então o volume do depósito de acumulação será de 2500 litros. 4.3. DIMENSIONAMENTO DOS DEPÓSITOS DE ACUMULAÇÃO 95 Figura 4.9 – Variação do volume de acumulação com a temperatura obtida Desta forma, podemos constatar que o primeiro valor de superfı́cie calculado não cumpre a condição da inequação 4.17: 60 < V 2500 < 100 ⇐⇒ 60 < < 100 ⇐⇒ 60 < 30.9 < 100 Areasup 80.91 Concluimos assim que a instalação não cumpre o critério definido. Visualizando a tabela 4.9, verificamos que a média da percentagem de substituição de energia solar é superior a 100%. Por outro lado, a média da percentagem de utilização do apoio é de 19.2% então, como primeiro passo de acordo com a figura 4.7 teremos de redimensionar o valor da superfı́cie dos colectores solares até que, o valor da fracção solar seja aproximadamente igual da eficiência do sistema solar e obedecer ao enunciado em 4.17. Para o volume de acumulação de 2500 e segundo a equação 4.17 verificamos que a área de colectores solares tem de obedecer ao seguinte: 25 < A < 42 96 CAPÍTULO 4. ESTUDO DO SISTEMA SOLAR TÉRMICO Atendendo a 4.7, verifica-se que o máximo valor da fracção solar para o sistema se encontrar optimizado é de 50%: A fracção solar para esta instalação é dado por: Fsol = Esoltotal Esoltotal + Etotalapoio (4.18) Onde: Fsol - Fracção solar (%); Esoltotal - Energia solar total produzida (MJ); Etotalapoio - Energia total do apoio (MJ). Então: Fsol = 60859.81 × 100 = 50.6% 60859.81 + 59241.41 A eficiência do sistema é dado por: Es = Esoltotal Ig × A (4.19) Onde: Es - Eficiência do sistema (%); Esoltotal - Energia solar total produzida (MJ); Ig - Energia total do apoio (MJ/m2 ); A - Área de colectores solares. Então: Es = 60859.81 × 100 = 28.2% 5264.8 × 41 Passamos a ter a tabela 4.10 de resumo de necessidades energéticas e de energia útil: Verificamos assim que, a área de superfı́cie para um sistema optimizado é de 41m2 equivalente 17 colectores solares. Desta forma será realizar um resumo do dimensionamento da instalação. Contudo e mantendo os critérios anunciados, este valor será diminuı́do para 16 colectores devido ao tipo de instalação que se vai realizar. Então: 60 < 2500 V < 100 ⇐⇒ 60 < < 100 ⇐⇒ 60 < 67.1 < 100 Areasup 37.28 Verifica-se que a condição está satisfeita. 4.3. DIMENSIONAMENTO DOS DEPÓSITOS DE ACUMULAÇÃO 97 Tabela 4.10 – Resultados energéticos finais optimizados Mes Esolar produzida(MJ) % de substituição Défice energético(MJ) % de utilização do apoio Janeiro 2097.41 17.53 9864.08 82.47 Fevereiro 3217.78 27.66 8416.00 72.34 Março 4811.13 41.27 6845.21 58.73 Abril 6381.09 56.22 4970.12 43.78 Maio 7489.33 67.61 3587.26 32.39 Junho 7794.78 73.41 2824.09 26.59 Julho 4524.73 86.56 702.78 13.44 Agosto 4800.56 92.82 371.56 7.18 Setembro 8162.24 77.76 2334.57 22.24 Outubro 6440.29 58.79 4514.23 41.21 Novembro 3940.57 33.63 7776.81 66.37 Dezembro 1199.89 14.57 7034.71 85.43 Total 60859 59241.41 A fracção solar para esta área de colectores será de 47% e eficiência da instalação de 28% A instalação será composta por 16 colectores marca BaxiRoca referência PS 2.4 com as seguintes caracerı́sticas [5]: - Superfı́cie total: 2.52 m2 ; - Superfı́cie de abertura: 2.33 m2 ; - Capacidade: 2.20 litros; - Peso: 54 kg; - Pressão máxima de trabalho: 10 bar; - Temperatura de estancamento: 210 ◦ C; - Tratamento selectivo: - Absorção: 95% ± 2%; - Emitância: 5% ± 2%; - Tonalidade: azul escuro. Os depósitos de acumulação serão 2 no total da marca BaxiRoca com referência AS 98 CAPÍTULO 4. ESTUDO DO SISTEMA SOLAR TÉRMICO 1500-2 E AS 1000-2 E [5] perfazendo um volume de acumulação de 2500 litros. Na figura 4.10 ilustra-se os depósitos de acumulação em que a única diferença são as suas dimensões. Figura 4.10 – Depósito de acumulação de 1000 e 1500 litros AS 1500-2 E: - peso em vazio (kg): 430; - peso cheio (kg): 1.930; - superfı́cie de permuta superior (m2 ): 2.5; - superfı́cie de permuta inferior (m2 ): 4.2; - capacidade da serpentina superior (l): 17.5; - capacidade da serpentina inferior (l): 26.5; 4.4. DIMENSIONAMENTO DE TUBAGENS, BOMBA CIRCULADORA E VASO DE EXPANSÃO 99 AS 1000-2 E: - peso em vazio (kg): 254; - peso cheio (kg): 1254; - superfı́cie de permuta superior (m2 ): 1.8; - superfı́cie de permuta inferior (m2 ): 2.4; - capacidade da serpentina superior (l): 11; - capacidade da serpentina inferior (l): 14.5; Para dar continuidade ao dimensionamento da instalação, é necessário realizar o dimensionamento das tubagens. 4.4 4.4.1 Dimensionamento de tubagens, bomba circuladora e vaso de expansão Cálculo de tubagens Por informação do fabricante, é recomendado um caudal de 1.5 litros por minuto por colector. Este valor é obtido nos ensaios com água pelo que se vamos usar o fluı́do térmico teremos de ter em atenção o seu calor especı́fico. Será utilizado uma solução de propilenglicol a 25% com um calor especı́fico de 0.97 kcal/kgo C para uma temperatura de 45o C. O caudal recomendado será afectado pelo calor especifı́co da solução e que pode ser relacionado através da equação 4.20 Qcolector = Onde: - Qcolector - caudal do colector (litros/min); Qagua csolucao (4.20) 100 CAPÍTULO 4. ESTUDO DO SISTEMA SOLAR TÉRMICO - Qagua - caudal recomendado pelo fabricante com água no circuito (litros/min); - csolucao - calor especifı́co da solução de propilenglicol (kcal/kg o C). Então, o caudal para cada colector será: Qcolector = 1.5 = 1.55(litros/min) 0.97 Como serão instalados 16 colectores, o caudal total do circuito primário será dado pela equação 4.21: Qcircuito = N o colectores × Qcolector (4.21) Onde: Qcircuito - Caudal do circuito primário da instalação (litros/m) Qcolector - caudal do colector (litros/m); No colectores - Quantidade de colectores solares a instalar. Logo: Qcircuito = 16 × 1.55 = 24.80(litros/min) aproximadamente 1.49 m3 /h. Por aproximação, podemos usar para cálculo do diâmetro da tubagem a expressão 4.22 [4]: d = j × Q0.35 circuito Onde: d - diâmetro interior da tubagem (cm); Qcircuito - caudal do circuito primário da instalação (m3 /h). J- 2.2 para tubagens metálicas e 2.4 para tubagens plásticas (4.22) 4.4. DIMENSIONAMENTO DE TUBAGENS, BOMBA CIRCULADORA E VASO DE EXPANSÃO101 Será escolhido para o circuito primário tubagem em cobre (tubagem metálica) e o diâmetro para aplicação da equação 4.22, será o seguinte valor: d = 2.2 × 1.490.35 = 2.53 cm cerca de 25mm. O diâmetro interior comercial mais próximo é de 26 mm interior e exterior de 28mm. Após o diâmetro definido, existem duas condições que têm de ser respeitadas: a) A velocidade de circulação do lı́quido terá que ser inferior a 1.5m/s; b) A perda de carga por metro linear de tubo não pode superar 40 mmca/m . Para satisfazer a condição indicada em a) a velocidade de circulação do lı́quido será calculado pela expressão da continuidade da hidráulica em tubagens: Qcircuito = A × V (4.23) Onde: Qcircuito - caudal do circuito primário da instalação (m3 /s); A - área da secção transversal do tubo (m2 ); V - velocidade de circulação do fluı́do (m/s). A área de secção transversal de um tubo circular é dada pela equação 4.24: A=π Onde: A - área de secção transversal (m2 ); d - diâmetro interno do tubo (m). d2 4 (4.24) 102 CAPÍTULO 4. ESTUDO DO SISTEMA SOLAR TÉRMICO O tubo seleccionado tem diâmetro interno 28mm então: A=π 0.0262 = 5.31 × 10−4 (m2 ). 4 Desta forma, é possı́vel calcular a velocidade de circulação do circuito primário, pela equação 4.23 vem: 1.49 Qcircuito = 3600 = 0, 78m/s < 1.5m/s ⇒ Condição está satisfeita. V= A 5.31e − 4 Para verificar b) a perda de carga por metro linear, é necessário usar as equações de Darcy-Weisbach e de Colebrook-White [8]. Em 1845, surge a equação de DarcyWeisbach, dada pela equação 4.25: hf = f L×V2 d × 2g (4.25) Tendo em conta a equação 4.23, esta equação assume uma forma mais conveniente. 1 8 × Q2circuito = f J × π 2 × g × d5 (4.26) Onde: hf - perda de carga ao longo do comprimento do tubo (mca); f - factor de atrito (adimensional); L - comprimento do tubo (m); V - velocidade do lı́quido no interior do tubo (m/s); d - diâmetro interno do tubo (m); g - aceleração da gravidade (m/s2 ); hf J = , perda de carga unitária (mca/m). L Posteriormente em 1939 estabelece-se definitivamente o factor de atrito f, através 4.4. DIMENSIONAMENTO DE TUBAGENS, BOMBA CIRCULADORA E VASO DE EXPANSÃO103 da equação de Colebrook-White como mostrado na equação 4.27 [8]: 1 k 2.52 √ = −2log10 × 0.27 × + √ d Re × f f (4.27) Onde: f - factor de atrito (adimensional); d - diâmetro interno do tubo (m); k - rugosidade equivalente da parede do tubo (m); Re - número de Reynolds (adimensional). Como podemos observar a variável f aparece nos dois lados da equação logo, para resolver esta equação temos de utilizar métodos iterativos. O número de Reynolds é dado pela equação 4.28 Re = 4 × Qcircuito π×d×v (4.28) Onde: Re - Número de Reynolds; v - viscosidade cinemática do lı́quido (m2 /s); Qcircuito - caudal do circuito primário da instalação (m3 /h); d - diâmetro interno do tubo (m). Substituindo a equação 4.26 de Darcy-Weisbach na equação 4.27 de ColebrookWhite[8], resultam em três equações 4.29, 4.30 e 4.31 de modo a se obterem as variáveis desejadas (diâmetro, caudal de escoamento e perda de carga unitária. 104 CAPÍTULO 4. ESTUDO DO SISTEMA SOLAR TÉRMICO dn+1 " 0, 7267 × Q0.4 circuito = −log10 (J × g)0.2 Qcircuito Jn+1 k 1.7748 × v 0.27 × +p Dn J × g × Dn3 p = −2.2214 × J × g × D 5 × log10 " 0.2026 × Q2circuito −log10 = (D 5 × g) !#−0.4 1.7748 × v k 0.27 × + p D J × g × D3 k 1.7748 × v 0.27 × +p Dn D 3 × g × Jn !#−2 (4.29) ! (4.30) (4.31) Resolvendo a equação 4.31, por aproximação, utilizando métodos numéricos por iteracções obtém-se os valores apresentados de seguida, nas várias iterações. Neste processo iterativo o valor inicial de Jn é 1, o valor da rugosidade da parede do tubo é dado por tabelas [8] assumindo o valor de 7 × 10−6 , para o PVC o valor de 6 × 10−4 e o valor para a viscosidade do fluı́do térmico é de 1.4 [4]. Iteracção 1 (J0 = 1): 2 1.49 −2 0, 2026 × 7 × 10−6 1.7748 × 1.4 3600 Jn+1 = −log10 0.27 × ⇒ +√ (0, 0265 × 9.81) 0.026 0.0263 × 9.81 × 1 (J0 = 0.057mca/m): Iteracção 2 (J1 = 0.057): 2 1.49 −2 0, 2026 × 7 × 10−6 1.7748 × 1.4 3600 Jn+1 = −log10 0.27 × +√ ⇒ (0, 0265 × 9.81) 0.026 0.0263 × 9.81 × 0.04 (J1 = 0.035mca/m): Iteracção 3 (J2 = 0.035): 2 1.49 −2 0, 2026 × 7 × 10−6 1.7748 × 1.4 3600 −log10 0.27 × +√ ⇒ Jn+1 = (0, 0265 × 9.81) 0.026 0.0263 × 9.81 × 0.024 (J2 = 0.033mca/m): 4.4. DIMENSIONAMENTO DE TUBAGENS, BOMBA CIRCULADORA E VASO DE EXPANSÃO105 Iteracção 4 (J3 = 0.033): 2 1.49 −2 0, 2026 × 7 × 10−6 1.7748 × 1.4 3600 −log10 0.27 × +√ Jn+1 = ⇒ (0, 0265 × 9.81) 0.026 0.0263 × 9.81 × 0.022 (J3 = 0.033mca/m): Na iteracção 4, (J3 = 0.033mca/m), o valor de perda de carga unitária converge para o valor 0.033 aproximadamente 33 mmca/m. Este valor 33 mmca/m, é inferior aos 40 mmca/m definido anteriormente, concluindo assim que o dimensionamento está correcto. Concluı́-se que, a tubagem para o circuito primário do sistema solar deverá ser executado em tubo de cobre com um diâmetro interno de 26mm. 4.4.2 Bomba circuladora Para o dimensionamento da bomba circuladora é necessário conhecer a perda de carga total da instalação. É necessário saber quais os acessórios a instalar no sistema e o comprimento de tubo que será utilizado pelo sistema. Está previsto para o sistema material segundo a tabela 4.11. Nota: Para cada uma das singularidades dos elementos da instalação referida, apresentam-se os valores de comprimento equivalente (Leq ) de forma a ser calculado o seu valor de perda de pressão. A influência de cada singularidade e correspondente (Leq ) é dado por uma tabela de cada fabricante [4]. No anexo B será apresentado o projecto da instalação. De salientar e após medições no local, serão necessários 35 metros de tubo de cobre de diâmetro 30mm. A perda de pressão calculada terá este comprimento em atenção. Somando as singularidades presentes na tabela 4.11, teremos um comprimento equivalente (Leq ) de 44.4 metros. Para o cálculo do comprimento total equivalente utiliza-se a 106 CAPÍTULO 4. ESTUDO DO SISTEMA SOLAR TÉRMICO Tabela 4.11 – Acessórios a instalar na instalação Quantidades Singularidade Leq Total 6 Tês 1.4 8.4 14 Válvulas de esfera 1 14 1.5 9 10 20 o 6 Mudança de direcção a 90 2 Válvulas de retenção de borboleta 3 Válvulas de segurança 1 3 4 Derivações em T 1.4 5.6 10 Uniões lisas 0.8 8 2 Entradas de depósitos 1.6 3.2 2 Saı́das de depósitos 1.2 2.4 2 Alargamentos bruscos 1 2 equação 4.32 Lprim = Lreal + Leq (4.32) Onde: Lprim - comprimento total equivalente do circuito primário (m); Lreal - comprimento da tubagem do circuito primário(m); Leq - comprimento equivalente dos elementos constituintes do circuito primário(m). Substituı́ndo os valores medidos e obtidos na equação 4.32, obtém-se: Lprim = 35 + 75.6= 110.6 metros. Tendo em conta o valor obtido pela equação 4.31, em que foi calculada a perda de carga por metro linear de tubo, a perda de carga do circuito primário será dada pela equação 4.33. 4Pprim = J × Ltotal (4.33) 4.4. DIMENSIONAMENTO DE TUBAGENS, BOMBA CIRCULADORA E VASO DE EXPANSÃO107 Onde: 4Pprim - Perda de pressão total da tubagem do circuito primário (excepto a tubagem dos depósitos de acumulação) (mca); J - perda de carga unitária (mca/m). Lprim - comprimento total equivalente do circuito primário (m); Logo: Pprim = 0.033 × 110.6= 3.65 mca. Calculado o valor da perda de pressão da tubagem do circuito primário, teremos de calcular a perda de pressão dos colectores solares. Para tal temos de saber a disposição das ligações dos colectores solares. Os colectores serão ligados em grupos de 4 colectores sendo subdivididos em grupos de dois. O subgrupo de 2 colectores será ligado em paralelo de canais e este subgrupo será ligado a outro subgrupo com uma ligação em série como podemos observar na figura 4.11 Esta configuração de instalação cumpre princı́pio da alimentação invertida caracterizada por minimizar as perdas de calor e por garantir um equilı́brio hidráulico. A perda de pressão num circuito de colectores em paralelo é igual, à perda de pressão tı́pica de um dos colectores e que segundo o fabricante é de 15 mmca a 20o C, tendo em conta a utilização do fluı́do térmico propilenglicol a 25% . A disposição final de ligações dos colectores encontra-se representada na figura 4.12: O cálculo da perda de carga é análogo ao cálculo da diferença potencial nos circuitos eléctricos. Como pode ser observado na figura 4.12, estão ligados dois grupos de dois 108 CAPÍTULO 4. ESTUDO DO SISTEMA SOLAR TÉRMICO Figura 4.11 – Disposição dos colectores solares colectores em paralelo de canais, cada um desses grupos a perda de carga vai ser de 15 mmca. Os dois grupos em paralelo de canais estão ligados entre si em série logo a perda de carga total desse grupo será de 30 mmca. A perda total do campo de colectores será dada por: 4Pcolect = 2 × 4Punit Onde: 4Pcolect - perda de pressão no campo de colectores (mmca); 4Punit - perda de pressão unitária do colector (mmca); Ncolect - número de colectores solares; Ngrup - número de grupos de colectores solares. Então: (4.34) 4.4. DIMENSIONAMENTO DE TUBAGENS, BOMBA CIRCULADORA E VASO DE EXPANSÃO109 Figura 4.12 – Ligação dos colectores na instalação 4Pcolect = 2 × 15 = 30mmca = 0.03mca A perda de carga nos permutadores internos do conjunto de depósitos acumuladores 4Pacumuladores é de 1.2 mca [5]. Então a perda de pressão total do circuito primário será dada por: 4Pt = Pprim + Pcolectores + Pdep Onde: 4Pt - perda de pressão total (mca); Pprim - perda de pressão da tubagem do circuito primário (mca); Pcolectores - perda de pressão do campo de colectores (mca); (4.35) 110 CAPÍTULO 4. ESTUDO DO SISTEMA SOLAR TÉRMICO Pdep - perda de pressão dos depósitos de acumulação (mca). Então substituindo os valores calculados na equação 4.35 4Pt = 3.65 + 0.03 + 1.2 = 4.88 mca. Com estes dados, é possı́vel avançar para o cálculo e selecção da bomba circuladora. Para o cálculo da bomba circuladora é necessário converter 4Pt que se encontra em mca para N/m2 então: 4Pt = 4.88 × 9800N/m2 = 47824N/m2 . A potência eléctrica da bomba é dada pela equação 4.36: Pbomba = Q × 4Pt (4.36) Onde: Pbomba - potência eléctrica da bomba necessária(W); 4Pt - perda de pressão total (mca). Então: Pbomba = 1.49 × 47824 = 19.8W. 3600 Considerando que a bomba possuı́ um rendimento de 30%: A potência nominal da bomba será dada por (deve-se sobredimensionar a potência da bomba em 20% devido a algum problema como alteração de perda de pressão adicional no circuito) [4]. A equação 4.37 permite calcular a potência nominal da bomba. 4.4. DIMENSIONAMENTO DE TUBAGENS, BOMBA CIRCULADORA E VASO DE EXPANSÃO111 P bombnominal = 1.20 × Pbomba . ηbomba (4.37) Onde : P bombnominal - potência eléctrica nominal da bomba (W); Pbomba - potência eléctrica da bomba necessária (W); ηbomba - rendimento eléctrico da bomba. Então: P bombnominal = 1.20 × 19.8 = 79.2W. 0.3 A bomba seleccionada, terá uma potência de 79.2 W marca BaxiRoca modelo SB50XA [5] para instalações de AQS até 10 Bar de pressão de funcionamento e 110o C. A bomba de circulação dever-se-à colocar no tubo de ida dos colectore e na parte mais baixa da instalação, para trabalhar com a altura manométrica adequada. A pressão do circuito primário deverá ser de modo a que na aspiração da bomba a pressão nunca seja inferior à pressão atmosférica. A montagem deste tipo d ebombas é ”inline”pois o tubo faz de suporte da bomba. Deve-se ainda, montar um manómetro de pressão entre a aspiração e a impulsão em paralelo com a bomba com duas válvulas de fecho (incluı́do no grupo hidráulico), para medir a perda de pressão do circuito. Esta perda de pressão será a diferença entre a s pressões observadas no manómetro ao abrir e fechar alternadamente as válvulas. Neste momento estão reunidas as condições necessárias para o cálculo do vaso de expansão. O volume do vaso de expansão deve ser pelo menos igual ao aumento de volume do lı́quido dado pela seguinte expressão [4]: VE = (0.09 × t − 2.5) × (P + 1) × VT 100 × (p + 1) (4.38) 112 CAPÍTULO 4. ESTUDO DO SISTEMA SOLAR TÉRMICO Onde : VE - volume útil do vaso de expansão (l); VT - volume total do circuito primário (l); t - temperatura máxima possivel (o C); P - pressão relativa do sistema (bar); p - pressão relativa inicial no depósito de expansão (bar). Para tal é necessário proceder ao cálculo do volume total da tubagem, colectores solares e do permutador. O volume da tubagem do circuito primário, para um comprimento de 35 metros é dada por: Vtub = π × r 2 × L (4.39) Onde: Vtub - volume de tubagem do primário (m3 ); r - raio interno do tubo (m); L - comprimento total da tubagem (m). Então: Vtub = π × 0.026 2 2 × 35 = 0.019m3 ' 19litros V campocolect = Ncolect × Vcolect Onde: (4.40) 4.4. DIMENSIONAMENTO DE TUBAGENS, BOMBA CIRCULADORA E VASO DE EXPANSÃO113 Ncolect - número de colectores da instalação; V campocolect - volume do campo de colectores solares (l); Vcolect - volume de cada colector solar (l). Então: V campocolect = 16 × 2.2 = 35.2l Falta apenas considerar o volume dos permutadores internos dos dois depósitos de acumulação que são, de 41 litros [5]. O volume total do circuito primário da instalação será dado por: VT = Vtub + V campocolect + Vdep (4.41) Onde: VT - volume total do circuito primário (l); V campocolect - volume do campo de colectores solares (l); Vtub - volume de tubagem do primário (l); Vdep - volume dos permutadores dos depósitos de acumulação (l). Então: VT = 19 + 35.2 + 41 = 95.2l A temperatura máxima do circuito primário (temperatura de ebulição) é um valor tabelado [4] e depende do valor máximo de pressão admissı́vel. No caso da presente instalação, a pressão máxima será de 3 bar pois, é a pressão nominal absoluta das válvulas de segurança a instalar. Podemos ver pela tabela seguinte que, a temperatura máxima para a pressão de 3 bar é de 133.5oC: Voltando à equação 4.38, então o volume do vaso de expansão será: 114 CAPÍTULO 4. ESTUDO DO SISTEMA SOLAR TÉRMICO Tabela 4.12 – Temperatura de ebulição segundo a pressão da instalação Pressão absoluta (bar) 1.013 1.5 2 3 4 5 6 Temperatura de ebulição (o C) 100 111.3 127.4 133.5 143.6 151.8 158.8 VE = (0.09 × 133.5 − 2.5) × (3 + 1) × 95.2 = 12.1l 2 100 × ( × 3 + 1) 3 O vaso de expansão escolhido é da marca BaxiRoca de referência VASOFLEX/S de 18 litros de capacidade [5]. A instalação será constituı́da por 4 ”fileiras” de colectores solares então para que não haja sombreamento entre colectores deverá ser calculada a distância netre colectores. 4.4.3 Distância entre colectores A distância entre ”fileiras” de colectores solares para uma montagem num plano horizontal é demonstrada na figura 4.13: 4.4. DIMENSIONAMENTO DE TUBAGENS, BOMBA CIRCULADORA E VASO DE EXPANSÃO115 Figura 4.13 – Distância entre colectores solares A equação para o cálculo da distância entre colectores solares é dada pela equação 4.42. d=l× sen(α) + cos(α) h0 = (90o − Latitudelocal) − 23.5o tg(h0 ) Onde: d- Distância entre colectores (m); l- Comprimento do colector solar (m); α - Ângulo de inclinação do colector solar; h0 - Ângulo solar. Então: (4.42) 116 CAPÍTULO 4. ESTUDO DO SISTEMA SOLAR TÉRMICO o h0 = 90 − 39.8 − 23.5 = 26.7 sen(50) d = 2.104 × + cos(50) = 4.55metros. tg(26.7) Contudo os fabricante indicam que se deve aumentar esta distância em cerca 25%. Então, a distância entre colectores deverá ser de cerca de 5.7 metros. Para a conclusão do dimensionamento, falta a selecção do isolamento das tubagens da instalação, para tal é necessário ter alguns cuidados na sua escolha e na instalação das tubagens. Os elementos de fixação e de guia das tubagens serão ignı́fugos e robustos. Os suportes deverão permitir o movimento da dilatação térmica das tubagens, e deverão ser isolados com o objectivo de evitar pontes térmicas. Para a fixação de tubagens ao tecto deve ser previsto um número suficiente de apoiosde tal maneira que, uma vez isoladas as tubagens, não se produzam flechas superiores ao 0,2%. A fixação deve fazer-se com preferência nos pontos fixos e partes centraisdos tubos. Nos percursos verticais dispõe-se um número de fixações suficiente para manter vertical a tubagem e evitar o seu desvio, ao mesmo tempo que se permite o movimento na direcção do seu eixo [7]. Para tubagens de cobre e dependendo do seu diâmetro, são consideradas as espessuras apresentadas na tabela 4.13. Tabela 4.13 – Espessuras do isolamento dos tubos do circuito primário Diâmetro exterior (mm) Espessura do isolamento (mm) D < 35 20 36 < D < 50 20 51 < D < 80 30 81 < D < 125 30 126 < D 40 Então segundo a tabela 4.13, o isolamento a aplicar deverá ter uma espessura de 30mm. Após o dimensionamento da instalação será realizado o estudo de viabilidade económica. 4.4. DIMENSIONAMENTO DE TUBAGENS, BOMBA CIRCULADORA E VASO DE EXPANSÃO117 4.4.4 Estudo viabilidade económica Para a avaliação da viabilidade económica é necessário que se proceda à avaliação de custo da instalação, saber o valor de gás natural poupado, saber taxa de interesse a aplicar ao estudo e a taxa de aumento anual do custo do gás natural. Para verificar o bom dimensionamento da instalação, serão feitos 3 estudos de viabilidade económica para diferentes percentagens de energia solar/energia convencional. Procedendo à avaliação do custo da instalação e tendo em conta descontos que a ROCA S.A pode usufruir são obtidos os valores presentes na tabela 4.14. A instalação foi optimizada para uma percentagem de utilização solar de 47% contudo, nas tabelas presentes no anexo A A.3, será realizada uma análise de viabilidade económica para um fracção solar de 60% e 70%: Tabela 4.14 – Custo da instalação Designação Percentagem de utilização solar Preço (e) Instalação de AQS 50 14834 Instalação de AQS 60 18257 Instalação de AQS 70 22500 Para a realização dos estudos de viabilidades económica, serão analizados os VAL (valor actualizado lı́quido), TIR (taxa interna de rendibilidade). O VAL pode ser definida como, a rendibilidade que o investidor exige para implementar um projecto de investimento e irá para servir actualizar os cash flows gerados pelo mesmo [9]. O VAL é calculado pela equação 4.43: V AL = −I CF1 CF2 VR + + + ... + 0 1 2 (1 + T A) (1 + T A) (1 + T A) (1 + T A)N (4.43) 118 CAPÍTULO 4. ESTUDO DO SISTEMA SOLAR TÉRMICO Onde: CFk - cash flows anuais à taxa TA (e); TA - Taxa de actualização (%); N - número de anos; I - Investimento (e); VR - Valor residual (e). A TA (taxa de actualização), é definida como susto de oportunidade do capital ou taxa mı́nima de rendibilidade do projecto. T A = [(1 + T1 ) × (1 + T2 ) × (1 + T3 )] − 1 (4.44) Onde: T1 - taxa de rendimento real; T2 - prémio de risco; T3 - inflação Então: Considerando T1 = 0.018, T2 = 0.015 e T3 =0.01: T A = 100 × [(1 + 0.016) × (1 + 0.015) × (1 + 0.01) − 1] ' 4% A TIR representa a máxima rendibilidade do projecto. É a taxa de actuaçização que no final de perı́odo de vida do projecto iguala a VAL a zero e é dada pela equação 4.45. T IR = CF1 CF2 VR −I + + + ... + 0 1 2 (1 + i) (1 + i) (1 + i) (1 + i)N (4.45) 4.4. DIMENSIONAMENTO DE TUBAGENS, BOMBA CIRCULADORA E VASO DE EXPANSÃO119 Onde: CFk - cash flows anuais à taxa TA (e); TA - Taxa de actualização (%); N - número de anos (%); I - Investimento (e); VR - Valor residual (e); i - representa a TIR. O melhor projecto será o que apresentar uma VAL positiva e a TIR superior. O investimento mais viável é a instalação para uma fracção solar de 47%. 5 Software de dimensionamento Como já enunciado nesta dissertação, a ROCA S.A possui outra unidade fabril em Leiria. Futuramente, após implementação do presente projecto poder-se-á estender o projecto à segunda unidade, para tal para que seja rapidamente calculado o número de colectores solares, distância entre colectores e a tubagem a utilizar. Então foi concebido um programa para proceder a um cálculo rápido, espedito e que se pretende fiável para futuras instalações. O programa foi realizado no software Labview 8.6 da National Instruments. Pretendese que o software seja de fácil compreensão e uso para que qualquer pessoa com conhecimento técnico ou não possa, realizar o dimensionamento de uma nova instalação. As expressões de cálculos utilizadas são as mesmas que apresentadas no dimensionamento da instalação no capı́tulo anterior. O software Labview apresenta-se muito versátil dotado de imensas ferramentas préprogramas. Todos os valores gerados durante a execução dos cálculos, são guardados numa base de dados mysql que é instalada no computador. A figura 5.1 apresenta o fluxograma de funcionamento do software criado: 121 122 CAPÍTULO 5. SOFTWARE DE DIMENSIONAMENTO Figura 5.1 – Fluxograma do software 123 O utilizador ao executar o software terá a imagem de apresentação como mostrado na figura 5.2. Figura 5.2 – Imagem apresentação do software É apresentada uma barra de menu, com os botões que indicam as opções disponı́veis no software 5.3: 124 CAPÍTULO 5. SOFTWARE DE DIMENSIONAMENTO 1 - Apresentação; 2 - Edição de perfis; 3 - Localidades; 4 - Selecção de componentes; 5 - Tubagens; 6 - Resultados; 7 - Sair. Figura 5.3 – Barra de menu O primeiro passo a ser tomado é criar o perfil de consumos desejados 5.4: Figura 5.4 – Edição de perfis 125 O utilizador deverá inserir os valores de percentagem de utilização mensal da instalação, consumo médio mensal de água quente e a temperatura desejada da água. Pode ser utilizada a opção de preencher apenas um campo e seleccionado o botão ”aplicar a todos”todos os campos da mesma variável ficarão com o mesmo valor facilitando a inserção de valores. De seguida deverá ser dado um nome ao perfil e deverá ser gravado o perfil seleccionando o botão ”Gravar perfil”. Neste momento já existe um perfil, o utilizador deverá agora seleccionar a localidade da instalação e o tipo de utilização sazonal desejada (Verão, Inverno ou todo o ano). Uma vez seleccionada a localidade, seleccionar botão ”Escolha”e todos os valores de temperatura de água, irradiação solar, temperatura ambiente, serão carregadas e mostradas em gráfico como visualizado na figura 5.5. Figura 5.5 – Escolha de localidade da instalação Para se proceder ao cálculo dos valores energéticos, falta seleccionar os componentes 126 CAPÍTULO 5. SOFTWARE DE DIMENSIONAMENTO da instalação, neste caso colector solar e depósito de acumulação. Modelos diferentes podem ser inseridos na base de dados acedendo a esta através do SQL Server Management Studio Express da Microsoft como apresentado na figura 5.7, que o software os reconhecerá como partes integrantes como apresentado na figura 5.6. Nesta página de selecção é ainda possı́vel verificar as diferenças entre dois tipos de colectores solares ou de depósitos de acumulação. Figura 5.6 – Escolha dos componentes da instalação Os componentes de sistemas estão seleccionados então, na página de edição de perfil aparecerá um botão ”Calcular sistema”ao ser pressionado o software procederá ao cálculo dos valores de energia necessários para a instalação ficando esse valor guardado na base de dados mysql como apresentado na figura 5.8. 127 Figura 5.7 – Exemplo da informação dos componentes da instalação presentes na base de dados mysql Figura 5.8 – Tabela de energias calculadas para a instalação Após este momento, o sistema está preparado para calcular o número de colectores, faltando apenas que o utilizador escolha a opção ”optimização”e o software automaticamente 128 CAPÍTULO 5. SOFTWARE DE DIMENSIONAMENTO dimensiona o sistema para uma fracção solar aproximadamente igual à eficiência solar (como descrito no capı́tulo anterior) ou em opção contrário, o utilizador pode seleccionar o valor de fracção solar desejada como apresentado na figura 5.9. Figura 5.9 – Cálculo do número de colectores e diâmetro da tubagem da instalação 129 O utilizador deverá recorrer à página de selecção de equipamento onde, poderá desta forma calcular a distância entre colectores solares quando existem fileiras de colectores. Existem duas opções: ou a instalação será realizada num plano horizontal ou num plano vertical (como num telhado). Caso o utilizador escolha a última opção, aparecerá um campo onde o deverá ser inserido o valor de inclinação do plano. De seguida, deverá ser escolhida a opção ”calcular distância”e o sistema calculará a distância entre colectores como pode ser observado na figura 5.6. Por fim o software apresentará o custo estimado para a instalação, como pode ser observado na 5.9. No disco do computador onde estiver instalado o presente software, é criada um pasta de nome ”Valores”. Nesta pasta estão inseridas as seguintes subpastas: • - Pasta ”Perfis”onde ficam guardados os perfis de consumos criados no software no formato .CSV; • - Pasta ”Inclinações”que possui os ficheiros que contêm os valores da irradiação soalr segundo latitude e inclinação no formato .CSV; • - Pastas com os nomes das localidades com ficheiro que contêm os valores de temperaturas ambiente e da água da rede e horas de sol. Todo o software é ”aberto”os ficheiros podem ser mudados actualizados criando uma tabela num ficheiro de excel bastando guardar com o formato .CSV devendo para isso manter o formato de dados no interior do ficheiro. Esta afirmação é válida para todos os dados com que trabalha o software excepto os equipamentos e as tubagens que se encontram guardadas na já nomeada base de dados em mysql. De salientar ainda que este software pode ser utilizado para qualquer local do mundo bastando para isso saber os dados de irradiação solar global, temperaturas ambientes e temperaturas das águas e horas de sol de forma a ser criado o ficheiro de dados da localidade como o apresentado na figura 5.10. 130 CAPÍTULO 5. SOFTWARE DE DIMENSIONAMENTO Figura 5.10 – Tabela com dados necessários para cálculo Em futuros dimensionamentos o software poderá ser uma grande ajuda devido à sua rapidez de cálculo e exactidão. 6 Conclusões Finais e Trabalho futuro Neste trabalho foi apresentada a tecnologia solar térmica com uma solução viável, simples e compensatória, para reduzir os consumos de combustéveis fósseis e emissões de gases para a tmosfera. Foram discutidos os aspectos fundamentais por detrás do seu projecto, suas caracterı́sticas suas vantagens e desvantagens. Verifica-se que a ROCA S.A tem muito a ganhar com este tipo de instalações pois, os seus objectivos mantêm-se, os seus custos com os combústiveis fósseis vão baixar a comodidade para os utilizadores da isntalação mantêm-se. Além do mais, o desenvolvimento do software de dimensionamento poderá ajudar bastante no dimensionamento de futuras instalações solares térmicas. Perspectivas de trabalho futuro Como perspectivas de trabalho futuro, pode ser nomeada a utilização do software para dimensionamento de outras instalações quer deste tipo (AQS) como, de outros (aquecimento de águas industriais). Após a instalação executada, poderá ser pensado um software SCADA que permita verificar se se está a explorar a instalação da melhor forma, bem como verificar a redução do consumo de gás natural. 131 132 CAPÍTULO 6. CONCLUSÕES FINAIS E TRABALHO FUTURO Finaliza-se esta dissertação com a convicção de que o trabalho apresenta soluções de evolução, bem-estar com o ambiente e com as pessoas. Referências bibliográficas [1] M. Löwy, “Os piores cenários possı́veis,” Le Monde Diplomatique, no. 6, pp. 6–7, 2009. 1 [2] M. J. Carvalho, “Certificação de equipamentos e instaladores,” Programa Agua quente solar, 2005. 3 [3] H. L. Solaranlagen, “Energia solar térmica,” GREENPRO, vol. 1, pp. 1–262, January 2004. 15, 16, 18, 92 [4] GREENPRO, “Energia solar térmica - manual sobre tecnologias, projecto e instalação.” Projecto ALTENER, 2004. 19, 31 [5] S. Kalogirou, “Solar energy engineering,” Cyprus University of Technology, 2009. 30 [6] ISQ, “Manual de projectista solar termico,” ISQ Manual, vol. 1, pp. 1–2, January 2009. 77, 80, 82, 93, 94, 100, 104, 105, 110, 111, 113 [7] BaxiRoca, “Manual do colector solar plano ps 2.4,” JANUARY 2009. 133 134 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS http://www.baxi-roca.com/pdfs/po/cataleg/f22p.pdf. 89, 97, 98, 109, 111, 113, 114 [8] E. P. L. e Jorge Cruz Costa, “Curso de instaladores solares térmicos,” January 12th 2006. http://www.ineti.pt. 93, 94, 116 [9] E. L. A. Camargo, “Análise de escoamento em condutos forçados. uso das equações de darcy-weisbach e de colebrook-white,” HIDRÁULICA APLICADA A TUBULAÇÕES, vol. 1, pp. 1–7, Maio 2001. 102, 103, 104 [10] C. N. Nabais, “Avaliação de projectos de investimento,” www.esfgabinete.com/contents/temas/cfinance/rendas.html, no. 1, pp. 1– 8, 2002. 117 [11] L. S. Helder Gonçalves, António Joyce, “Forum energias renováveis em portugal,” INETI/ADENE, Dezembro 2002. [12] A. C. S. M. Castro Gil, “Energia solar térmica de baixa temperatura,” Edição Progena, 2000. [13] C.-C. de estúdio de la energia solar, “Instalaciones de energia solar,” Edição Progena, 2003. [14] IDAE, “Instalaciones de energia térmica, pliego de condiciones técnicas de instalaciones de baja temperatura,” Edição Progena, 2002. [15] C.-C. de estúdio de la energia solar, “La energia solar, aplicaciones práticas,” Edição Progena, 2001. [16] F. I. S. Energiesysteme, “En12975-1,2,” Thermosolar AG, 2001. [17] M. C. Pereira, “As energias renováveis: o solar térmico em portugal,” Ao Sol, 2001. [18] S. V. Szokolay, “Energia solar y edificacion,” Editorial Blume, vol. 1, 1978. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 135 [19] W. Palz, “Energia solar e fontes alternativas,” Hemus Livraria Editora Limitada, 1981. [20] M. C. Pereira, “Energia solar na indústria, as aplicações térmicas, activas e passivas,” http://www.aeportugal.pt/, 2009. [21] M. C. Pereira, “The revelance of non-imaging optics for solar energy, a review,” http://www.aeportugal.pt, 1998. [22] M. C. Pereira, “A novel bifacial for cpc concentrator for thermal applications up to 100oc,” Sun at work in Europe, 1994. [23] M. C. Pereira, “Energias renováveis, a opção inadiável?,” SPES-Sociedade Portuguesa de Energia Solar, 1994. [24] M. das actividades económicas e do trabalho, “Portaria 561,” Diário da República, 2006. [25] M. das actividades económicas e do trabalho, “Portaria 1451,” Diário da República, 2004. [26] M. das actividades económicas e do trabalho, “Decreto de lei 80,” Diário da República, 2006. [27] M. das actividades económicas e do trabalho, “Decreto de lei 79,” Diário da República, 2006. A Cálculos da ”VAL”e ”TIR”da instalação para três cenários Os valores de de cash flow de ganho, tem em conta o valor de volume de gás reduzido com a introdução da instalação solar térmica. Recorrendo a 4.43, 4.44 e 4.45 nas seguintes tabelas são apresentados os cálculos das taxas referidas para uma análise de 21 anos, com uma previsão de aumento do custo de gás natural de 5% ao ano: 137 138 APÊNDICE A. CÁLCULOS DA ”VAL”E ”TIR”DA INSTALAÇÃO PARA TRÊS CENÁRIOS Tabela A.1 – Análise vialibilidade económica para uma fracção solar de 50% Ano Custos CF de ganhos TA Custos actualizados Ganhos actualizados CF de caixa 0 14834 1638 1 14834 1638 -13196 1 0 1638 0.96 0 1654 1720 2 0 1806 0.92 0 1670 1806 3 0 1896 0.89 0 1686 1896 4 0 1991 0.85 0 1702 1991 5 1000 2091 0.82 822 1718 1091 6 0 2195 0.79 0 1735 2195 7 0 2305 0.76 0 1751 2305 8 0 2420 0.73 0 1768 2420 9 0 2541 0.70 0 1785 2541 10 300 2668 0.68 203 1802 2368 11 0 2802 0.65 0 1820 2802 12 0 2942 0.62 0 1837 2942 13 0 3089 0.60 0 1855 3089 14 1000 3243 0.58 577 1873 2243 15 0 3405 0.56 0 1891 3405 16 0 3576 0.53 0 1909 3576 17 0 3754 0.51 0 1927 3754 18 300 3942 0.49 148 1946 3642 19 0 4139 0.47 0 1965 4139 20 0 4346 0.46 0 1984 4346 VAL 22260 TIR 16% - Custo da instalação fracção solar de 50% 139 Tabela A.2 – Análise vialibilidade económica para uma fracção solar de 60% Ano Custos CF de ganhos TA Custos actualizados Ganhos actualizados CF de caixa 0 19900 1966 1 19900 1966 -17934 1 0 2064 0.96 0 1985 2064 2 0 2167 0.92 0 2004 2167 3 0 2275 0.89 0 2023 2275 4 0 2389 0.85 0 2042 2389 5 1300 2509 0.82 1069 2062 1209 6 0 2634 0.79 0 2082 2634 7 0 2766 0.76 0 2102 2766 8 0 2904 0.73 0 2122 2904 9 0 3049 0.70 0 2142 3049 10 400 3202 0.68 270 2163 2802 11 0 3362 0.65 0 2184 3362 12 0 3530 0.62 0 2205 3530 13 0 3706 0.60 0 2226 3706 14 1300 3892 0.58 751 2247 2592 15 0 4086 0.56 0 2269 4086 16 0 4291 0.53 0 2291 4291 17 0 4505 0.51 0 2313 4505 18 500 4730 0.49 247 2335 4230 19 0 4967 0.47 0 2358 4967 20 0 5215 0.46 0 2380 5215 VAL 24260 TIR 14% - Custo da instalação fracção solar de 60% 140 APÊNDICE A. CÁLCULOS DA ”VAL”E ”TIR”DA INSTALAÇÃO PARA TRÊS CENÁRIOS Tabela A.3 – Análise vialibilidade económica para uma fracção solar de 70% Ano Custos CF de ganhos TA Custos actualizados Ganhos actualizados CF de caixa 0 24500 2200 1 24500 2200 -22300 1 0 2310 0.96 0 2221 2310 2 0 2426 0.92 0 2243 2426 3 0 2547 0.89 0 2264 2547 4 0 2674 0.85 0 2286 2674 5 1800 2808 0.82 1479 2308 1008 6 0 2948 0.79 0 2330 2948 7 0 3096 0.76 0 2352 3096 8 0 3250 0.73 0 2375 3250 9 0 3413 0.70 0 2398 3413 10 600 3584 0.68 390 2421 3584 11 0 3763 0.65 0 2444 3183 12 0 3951 0.62 0 2468 3951 13 0 4148 0.60 0 2491 4148 14 1700 4356 0.58 982 2515 2656 15 0 4574 0.56 0 2540 4574 16 0 4802 0.53 0 2564 4802 17 0 5042 0.51 0 2589 5042 18 800 5295 0.49 395 2614 4495 19 0 5559 0.47 0 2639 5559 20 0 5837 0.46 0 2664 5837 VAL 23179 TIR 12% - Custo da instalação fracção solar de 70% B Sı́mbolos, constantes fı́sicas e prefixos de unidades Figura B.1 – Instalação 141 142 APÊNDICE B. SÍMBOLOS, CONSTANTES FÍSICAS E PREFIXOS DE UNIDADES Figura B.2 – Instalação Sobre o Autor Samuel Filipe Dias de Sousa graduated in Electrical Engineering from the Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Leiria, Portugal in 2007. He work in ROCA S.A in the department of Maintenance in the area of energy, automation and robotics. He also have several formations in analyses of noise in bearings, motors, automation in several brands and have the certification of installation of thermic solar systems . He developed several automated systems to develop the production in ROCA S.A Leiria and also made studies, energetic audits that improve the eficience of the plant. 143