UNIVERSIDADE FEDERAL DE LAVRAS DEPARTAMENTO DE ENTOMOLOGIA DISCIPLINA SEMINÁRIOS - I SEMESTRE DE 2010 Coordenador: Prof. Luís Cláudio P. Silveira PROGRAMAÇÃO DOS SEMINÁRIOS Sexta-feira – 9:00 horas DATA NOME TEMA 12/3 Luís Cláudio Seminários 19/3 Roberto César de Oliveira Leishmaniose 26/3 Bruno B. Amaral Criação e Produção de Crisopídeos 9/4 Patrícia P. Marafeli Ácaros quarentenários 16/4 Ana Maria Calixto Relação inseto-planta 23/4 Adelir Aparecida Saczk Destino de Resíduos 30/4 Marcelo Haro Entomologia no Cinema 7/5 Jander Souza Segurança na Aplicação de Defensivos 1. Lucas Machado 2. Natalia R. Mertz 1. Roberta B. Ferreira 2. Filiberto O. Terán Peredo 1. Ana Carolina Redoan 2. Jader B. Maia 1. Defesa de insetos x patógen. 2. Impacto dos transgenicos 11/6 Marlice B. Costa Produção de seda por insetos 18/6 1. Lívia Audino 1. Biologia da Conservação 1. Fabíola A. dos Santos 2. Juliana Santos 1. Ludmila R. Lopes 2. Cristiana S. Antunes 3. Andréa F. Torres 1. Milho geneticamente mod. 2. Reprodução de Insetos 14/5 21/5 28/5 25/6 2/7 1. Insetos e o Homem 2. Manejo Ecológico em Cana 1. Uso de tesourinha no CB 2. MIP Citrus 1. Co-evolução inseto/planta 2. Pragas de Roseiras 3. Dietas artificiais Leishmaniose Roberto César Oliveira1 César Freire Carvalho2 A leishmaniose é uma doença causada por vários protozoários do gênero Leishmania, sendo transmitida pela picada de insetos hematófagos pertencentes à ordem Diptera, família Psychodidae, gênero Lutzomya. Dentre as Leishmanioses que causam enfermidade ao homem e animais domésticos, destacam-se a Leishmaniose Tegumentar Americana ou cutânea (LTA) a qual é caracterizada por lesões ulcerosas, indolores, podendo ser única ou múltipla. Encontra-se amplamente difundida no continente americano, estendendo-se desde o sul dos Estados Unidos até o norte da Argentina. No Brasil tem sido assinalada em todos os estados, constituindo em uma das afecções dermatológicas que merece maior atenção devido às deformidades provocadas no corpo do homem. Outra forma de leishmaniose é aquela conhecida por cutaneomucosa, sendo caracterizada por lesões cutâneas e agressivas que ocorrem nas regiões nasofaríngeanas, e ainda a forma difusa que apresenta lesões nodulares não ulceradas que podem ser encontradas por todo o corpo. Existe também a leishmaniose visceral ou calazar, a qual afeta vários órgãos, entre eles o fígado provocando a hepatomegalia e o baço, causando a esplenomegalia. Possivelmente e em função de desmatamentos frequentes, a leishmaniose é uma doença que esta se difundindo às margens de rodovias e edificações que estão localizadas nas proximidades, fazendo com que o inseto vetor aproxime-se do homem e animais domésticos. Palavras – chave: Phlebotominae, Calazar, Úlcera- de- Bauru, Lutzomya. Referências Bibliográficas: NEVES, D. P.; MELO, A. N.; GENARO, O.; LINARDI, P. M. Parasitologia Humana. 10ª Ed. São Paulo, p. 428, 2002. SILVA-JR, J. B. Manual de controle da Leishmaniose Tegumentar Americana, Brasília, DF, p. 60, 2000. __________________________ 1 Mestrando em Entomologia, UFLA, Lavras - MG, E-mail: [email protected] 2 Departamento de Entomologia, Orientador, UFLA, Lavras – MG, E-mail: [email protected] 2 CRIAÇÃO E PRODUÇÃO DE CRISOPÍDEOS EM ESCALA COMERCIAL Bruno Barbosa Amaral¹, Brígida Souza² Os insetos da família Chrysopidae podem ser encontrados em uma grande diversidade de sistemas ecológicos naturais ou modificados por meio de ação antrópica, exercendo importante papel na regulação da densidade populacional de organismos fitófagos. A ocorrência desses predadores tem sido registrada em muitas culturas de interesse econômico alimentando-se de uma gama de espécies consideradas pragas, tais como, pulgões, cochonilhas, moscas-brancas, psilídeos, ovos e lagartas de alguns lepidópteros, ácaros, dentre outros artrópodes de tamanho reduzido e tegumento facilmente perfurável. Pesquisadores em todo mundo têm dedicado considerável atenção a esses neurópteros, visto o grande potencial que apresentam como agentes de controle biológico. Dessa forma, muitos trabalhos têm visado à adequação ou a melhoria de técnicas para a criação de crisopídeos, em quantidade e qualidade, com a finalidade de atender às criações de manutenção, bem como aos programas de liberação em casa de vegetação e campo. As espécies holoárticas, Chrysoperla carnea (Stephens) e Chrysoperla rufilabris (Burmeister), vem sendo uma das mais utilizadas e vendidas comercialmente para o controle de pragas em cultivos protegidos e campo na América do Norte e Europa. Com relação às espécies neotropicais, Chrysoperla externa (Hagen) tem recebido atenção pela voracidade de suas larvas, alta capacidade reprodutiva, diversidade de presas aceitáveis e facilidade de criação em laboratório. De uma maneira geral, a produção de insetos em larga escala requer o conhecimento de técnicas que permitam maior produtividade e viabilidade da criação, visando atender às exigências do mercado consumidor quanto ao emprego de organismos no controle biológico. Para isso, os insetários devem contar com uma criação massal eficaz e padronizada. Palavras-chave: controle biológico, produção massal, predador, Chrysoperla. Referências Bibliográficas: BUENO, V. H. P. Controle biológico de pragas: produção massal e controle de qualidade. 2. ed. Lavras: UFLA, 2009,430p. PARRA, J. R. P.; BOTELHO, P. S. M.; CORRÊA-FERREIRA, B. S.; BENTO, J. M. S. Controle Biológico no Brasil: parasitóides e predadores. São Paulo: Manole, 2002, 587p. _______________________ ¹ Mestrando em Entomologia, UFLA, CP 3037, 37200-000, Lavras - [email protected] ² Profa. Orientadora. Departamento de Entomologia/UFLA - [email protected] 3 ÁCAROS QUARENTENÁRIOS Patrícia de Pádua Marafeli11 Dr. Paulo Rebelles Reis2 Ácaros fitófagos podem ser transportados por uma grande variedade de materiais vegetais, sendo assim introduzidos em novas áreas e causar sérios problemas a culturas importantes. É notável o aumento dos problemas de importância econômica causados por ácaros. A quarentena é um valioso instrumento preventivo que permite, pela retenção de plantas em quarentenário por certo período de tempo, observar as características morfológicas e realizar provas laboratoriais para confirmação de presença ou não de agentes indesejáveis. O procedimento é de caráter sanitário, destinado a impedir o ingresso, no país importador, de agentes de doenças e de pragas oriundos de países exportadores. As consequências podem ser de diferentes naturezas e magnitudes podendo-se citar os danos e perdas de cultivos; perdas de mercados de exportação pela presença de pragas de importância quarentenária no país; aumento dos gastos com controle de pragas; impacto sobre os programas de manejo integrado de pragas em vigor ou em desenvolvimento; danos ao ambiente pela freqüente necessidade de aplicação de defensivos para o controle da espécie introduzida; custos sociais como desemprego devido a eliminação ou diminuição de um determinado cultivo em uma região e ainda redução de fontes de alimentos importantes para população. Pragas e patógenos se movem para novas áreas de forma direta ou indireta. A dispersão pode ser auxiliada por fenômenos naturais. Contudo, o próprio homem é um aliado de pragas exóticas, movendo vegetais e produtos alimentícios infestados para novas áreas com condições ecológicas e ambientais favoráveis. Palavras-chave: Quarentena, ácaros fitófagos, pragas exóticas Referência Bibliográfica: MATIOLI, A. L. I Curso de Ácaros de Importância Quarentenária. Campinas: Instituto Biológico. 110 p. 2010. 1 Mestranda em Entomologia, UFLA, CP. 3037, 37200-000, Lavras – MG, E-mail: [email protected] 2 Orientador, Pesquisador EPAMIG / EcoCentro, CP. 176, 37200-000, Lavras – MG, E-mail: [email protected] 4 Interações Inseto- Planta Ana Maria Calixto Pereira1 Vanda Helena Paes Bueno2 Comunidades terrestres com plantas são compostas de pelo menos três níveis tróficos: plantas, herbívoros e inimigos naturais de herbívoros, e as plantas e insetos evoluíram associados nessas interações benéficas ou detrimentais desde os primórdios da vida terrestre. Estudos ecológicos têm demonstrado que insetos e plantas não vivem simplesmente juntos, mas interagem entre si, sofrem as conseqüências dessas interações e se adaptam porque um depende do outro. De acordo com a teoria da coevolução, por meio de mutações e recombinações, as angiospermas desenvolveram táticas de defesa contra herbívoros através de substâncias repelentes e estes desenvolveram mecanismos para se adaptar ou explorar essas substâncias e, com isso, as plantas se tornaram mais tóxicas e os herbívoros mais especializados. As plantas produzem voláteis que são recursos importantes para a busca hospedeira de insetos herbívoros, predadores e parasitóides. Os voláteis de plantas são classificados em compostos constitutivos, produzidos e liberados constantemente pelas plantas, e compostos induzidos, sintetizados somente após a ação de insetos herbívoros (alimentação ou oviposição). Com isso, o conhecimento das interações tróficas mediadas pelos sinais químicos voláteis e o seu papel no processo de busca hospedeira por insetos são de extrema importância no manejo integrado de pragas, inclusive em programas de controle biológico de pragas. Palavras-chave: bioecologia, interações, infoquímicos, insetos, plantas. Referências Bibliográficas PANIZZI, A.R.; PARRA, J.R.P (Eds.). Bioecologia e nutrição de insetos – base para o manejo integrado de pragas. Embrapa Informação Tecnológica, Brasília – DF, 2009, 1164 p. EDWARDS, P.J.; WRATTEN, S.D. Ecologia das interações entre insetos e plantas. São Paulo, EPU, 1981, 71 p. 1 Mestranda, UFLA, CP 3037, 37200-000, Lavras – MG, E-mail: [email protected] 2 Profa. Orientadora, Depto. de Entomologia/UFLA, E-mail:[email protected] 5 ENTOMOLOGIA NO CINEMA Marcelo Mendes Haro13; Luís Cláudio Paterno Silveira24 Parte integrante das ciências sociais, a entomologia cultural é a subdivisão responsável pelo estudo das relações dos insetos com a cultura humana, seja na literatura, língua, música, religião, crenças, artes plásticas e interpretativas, das quais se destaca o cinema. A utilização de artrópodes no bilionário mercado cinematográfico se iniciou no pós guerra americano, nos anos cinqüenta, atrelada a sentimentos armamentistas. A tensão causada pelo surgimento das armas nucleares e a iminência de uma guerra contra o comunismo russo gerou uma série de filmes que mostravam insetos e outros artrópodes geneticamente alterados, gerados pela radiação das armas nucleares, em um movimento mundialmente conhecida como “Big Bug”. Dentre os clássicos representantes desta fase, destacam-se “THEM!” (1954), “The Deadly Mantis” (1957), “Beginning of the End” (1957). Esse modelo de filme foi responsável pela popularização e aumento significativo das vendas de inseticidas, dos quais se destaca o DDT. Ao longo dos anos, raramente se viu representações positivas tanto da imagem de insetos, sempre associados à morte, medos, imundície, bem como dos próprios entomologistas, os quais comumente eram relacionados à excentricidade ou a distúrbios psicóticos. No entanto, uma mudança significativa ocorreu no final do século XX, quase 50 anos após sua estréia na sétima arte: surgiram filmes que mostram insetos assumindo papéis valorosos e humanizados, exemplificando modelos de organização e trabalho, principalmente em filmes infantis. Destacam-se como representantes desta fase, “Joe’s Apartment” (1996), “Antz” (1998), “A Bug's Life”(1998), “The Ant Bully” (2006). Isso veio alterar um conceito incutido por décadas, além de levantar questionamentos práticos de como essa mudança de mentalidade pode afetar de maneira favorável a popularização da pesquisa entomológica. Além disso, reafirma a constante mutação como principal característica desta modalidade artística, direcionada a representar anseios sociais, como o temor, não mais com guerras, mas com um possível destino do planeta e seus habitantes como um todo. Palavras-chave: Entomologia social, Entretenimento, Monstros. TSUTSUI WM. "! Understanding The Big Bug Movies of the 1950’s". Environmental History:: 58, 2007. DANIEL P. A Rogue Bureaucracy: The USDA Fire Ant Campaign of the Late 1950’s Agricultural History: 64 ,1990. 1 Mestrando em Entomologia, UFLA, CP 3037, 37200-000, Lavras – MG, E-mail: [email protected] 2 Prof. Orientador, Depto. de Entomologia/UFLA, E-mail: [email protected] 6 SEGURANÇA NA APLICAÇÃO DE DEFENSIVOS AGRÍCOLAS Jander Rodrigues Souza15 Geraldo Andrade Carvalho26 Defensivos agrícolas são substâncias químicas ou biológicas utilizadas sobre organismos vivos visando ao controle dos mesmos por causarem danos ou injúrias às diversas culturas. Atualmente, o Brasil é o maior consumidor de defensivos agrícolas do mundo, sendo que em 2008 o setor movimentou 7,1 bilhões de dólares no país, correspondendo a 16% do mercado mundial. A Lei nº 7802 de 11 de julho de 1989, regulamentou procedimentos a serem cumpridos, que abrangem desde a obtenção do registro do defensivo até a destinação final das embalagens utilizadas, visando melhorar a segurança do trabalhador rural e a redução de contaminação. De acordo com esta lei, os produtores rurais somente podem adquirir os defensivos agrícolas por meio de receituário e receita agronômica. A receita agronômica deve ser assinada somente por profissional habilitado e deve conter o produto a ser aplicado, a quantidade, o modo de aplicação e equipamentos de proteção individual a serem utilizados pelo trabalhador rural. Os ministérios da Agricultura, Saúde e Meio Ambiente são os responsáveis pela regulamentação dos processos de registro de defensivos agrícolas, exigindo diversos testes das moléculas químicas, os quais são geralmente realizados por órgãos oficiais. Os testes visam assegurar que os compostos apresentem o mínimo de segurança a todas as pessoas envolvidas no processo produtivo e que causem menor impacto. A partir de testes, os defensivos agrícolas são enquadrados em diversas categorias toxicológicas, baseando-se em valores de DL50 de cada um, sendo que as mesmas são diferenciadas por meio de cores contidas no rótulo do composto comercial. Outro aspecto a ser considerado diz respeito aos resíduos de defensivos agrícolas encontrados nos alimentos. Análises de resíduos são realizadas periodicamente, sendo que em muitas são identificados defensivos agrícolas não permitidos para a cultura ou com níveis acima do permitido nos alimentos, demonstrando o uso incorreto dos defensivos por parte dos produtores. Isto vem evidenciar a falta de conhecimento técnico e de critérios por parte dos usuários de defensivos agrícolas, reforçando a necessidade de que as autoridades competentes realizem o seu papel de instruir e fiscalizar os diversos setores envolvidos, almejando o bom uso dos defensivos agrícolas para obtenção de uma agricultura sustentável, atenuando os impactos causados pelos mesmos e mantendo a qualidade do alimento produzido. Palavras chaves: Equipamento de proteção, embalagens, lixo químico, contaminação. Referências Bibliográficas ANDEF. Manual de uso correto de equipamentos de proteção individual. Campinas, SP. Linea Creativa, 2001. p.26. IWAMI, I.; FERREIRA, C.P.; DINNOUTI, L.A.; BUENO, F.; ARAÚJO, R.M.; GONÇAIVES, T. SANTIAGO, T. Manual de uso correto e seguro de produtos fitossanitários/agrotóxicos. São Paulo. Linea Creativa, 2002. p.28. 1 Mestrando em Entomologia, UFLA, CP 3037, CEP 37200000, Lavras – MG, e-mail: [email protected] 2 Professor Orientador, Departamento de Entomologia – UFLA, e-mail: [email protected] 7 MECANISMOS DE DEFESA DE INSETOS CONTRA PATÓGENOS Lucas Machado de Souza1 Alcides Moino Junior2 Os insetos ocupam quase todos os nichos ecológicos e estão constantemente expostos ao ataque de inúmeros organismos, muitos dos quais são potencialmente patogênicos. Um eficiente sistema de defesa foi selecionado devido à pressão desses ataques tais como reações de reconhecimento, aglutinação, ativação de enzimas proteolíticas, que leva à coagulação da hemolinfa e à produção de melanina, reações humorais, celulares, síntese de peptídeos antimicrobianos e inibidores de proteases. No caso de insetos sociais (formigas, abelhas, cupins e vespas), devido ao fato de viverem em colônias caracterizadas por uma densa agregação de indivíduos aparentados e que interagem entre si, há uma maior probabilidade de transmissão de doenças. Entretanto, os insetos sociais desenvolveram mecanismos peculiares para defender suas colônias. A proteção contra patógenos pode-se dar por meio de estratégias comportamentais (“grooming” e partição de tarefas no lixo, por exemplo), produção de antibióticos (secreções da glândula metapleural), além de defesas imunológicas que são comuns a outros insetos. É importante salientar que enquanto os insetos desenvolvem seus mecanismos, os patógenos respondem à pressão seletiva em uma série de contra-adaptações, podendo-se dizer que ambos estão engajados em uma espécie de “corrida coevolutiva”. A partir disso, em relação aos insetos-praga, o conhecimento dos mecanismos de defesa contra patógenos, crescente nos últimos anos, rompe com a ideia de que os insetos apresentam um sistema de defesa limitado, além de fornecer informações valiosas para o delineamento de novas estratégias no controle biológico. Palavras-chave: Hemócitos, infecção, nodulação, sistema imunológico. Referências Bibliográficas LACERDA, F.G. Mecanismos de defesa em insetos sociais contra patógenos. Revista Educação, Meio Ambiente e Saúde, 2009. 4(1). p. 31-50. SILVA, C. C. A. Aspectos do sistema imunológico dos insetos. Biotecnologia Ciência & Desenvolvimento - nº 24- janeiro/fevereiro 2002. p. 68-72. _________________________ 1 Mestrando em Agronomia/Entomologia, UFLA, e-mail: [email protected] Professor Orientador, Departamento de Entomologia, UFLA, e-mail: [email protected] 2 8 Efeitos dos transgênicos sobre insetos não-alvo Natalia Ramos Mertz1 Alcides Moino Junior2 Plantas transgênicas são plantas cuja constituição genética foi alterada pelo homem e convertida em uma forma que não existe na natureza, com a adição de gene de um vegetal, animal, bactéria ou vírus que assim, dão novas características à espécie modificada. As culturas transgênicas estão no mercado mundial há cerca de quinze anos e são plantadas em mais de 20 países, numa área superior a 125 milhões de hectares. No Brasil, foram liberadas para o plantio comercial há apenas cinco anos, mas este tempo já foi o suficiente para ocuparmos hoje a marca de segundo maior produtor mundial de transgênicos, com 21,4 milhões de hectares plantados com culturas de milho, soja e algodão. A produção mundial de plantas transgênicas move cerca de 8 bilhões de dólares anuais, e também grandes debates a respeito de seus benefícios e riscos ambientais sobre organismos não-alvo. Os trabalhos realizados acerca dos impactos sobre tais organismos, envolvem plantas que receberam genes da bactéria entomopatogênica Bacillus thuringiensis (Bt). As vias de exposição dos insetos não-alvo às toxinas produzidas por estas plantas podem ser diretas, com os insetos se alimentando diretamente do tecido da planta ou do pólen depositado em plantas adjacentes, ou indiretas, quando ocorre a predação ou parasitismo de outros insetos que consumiram as plantas com toxinas Bt. Independente da forma de exposição, trabalhos comprovam a contaminação de insetos não-praga, como o clássico caso da borboleta monarca, que apresentava alta mortalidade ao consumir o pólen de milho-Bt. Porém, poucos são os estudos disponíveis sobre o impacto de plantas transgênicas e seus produtos sobre os organismos nãoalvo, e são muitos os artigos que contestam os resultados obtidos por estes, demonstrando efeitos opostos. Com isto, pode-se notar que ainda há muito que se estudar e debater sobre os efeitos destas plantas no agroecossistema para que a segurança ambiental seja garantida. Palavras chave: Organismos geneticamente modificados, impacto ambiental, parasitóides, predadores Referências Bibliográficas: Andow, D.A. & Zwahlen, C.A. Assessing environmental risks of transgenic plants. Ecology Letters. v.9, p.196-214, 2006. Lövei, G.L., Andow, D.A., Arpaia, S. Transgenical insecticidal crop and natural enemies: a detailed review of laboratory studies. Environmental Entomology. v.38, p.293306, 2009. 9 INSETOS E O HOMEM Roberta Botelho Ferreira1 Desde os primórdios da humanidade, os insetos estiveram de uma forma ou de outra, relacionados com o homem. Pode-se dizer que o equilíbrio desse grupo é de grande importância para a manutenção e sobrevivência da vida do homem na Terra. Dessa maneira o desequilíbrio de uma parte do sistema natural formado por insetos pode afetar vários setores da nossa sociedade, como na produção agrícola, florestal ou desencadear uma série de doenças. Das diversas interações que podemos citar entre homem-inseto temos a predação, onde o homem utiliza o inseto como fonte de alimento, pouco difundido no ocidente, porém, a entomofagia ainda se mantém presente na cultura de muitos povos. Há pouco mais de 4 mil anos o homem explora produtos elaborados pelos insetos. No Egito, por exemplo, o mel e a seda eram considerados produtos nobres, e ainda hoje se faz muito uso desses produtos. Também foram os egípcios que primeiramente passam a constatar a presença do inseto com um ser “incomodo”, ou seja, uma praga. A partir disso, surge uma nova interação, onde o homem passa a buscar formas de controle para os insetos. Com isso se fez necessário começar a pensar e estudar “...estes seres bizarros e efêmeros, de origem desconhecida, que não têm sangue e sofrem tão dramática metamorfose, os quais podem também fornecer informações sobre a própria vida” como referiu Aristóteles. Assim, os insetos deixam de ser simples seres presentes entre nós passando ao status de objeto de pesquisa científica e filosófica. Referências Bibliográficas MACHADO, Paulo de Almeida. O homem e os insetos, passado, presente, futuro. Rev. Saúde Pública [online]. 1987, vol.21, n.6, pp. 474-479. ISSN 0034-8910. BUZZI, Z. J. Introdução ao estudo da entomologia geral. Curitiba - PR, 1978. _________________________________________ 1 Messtranda do Curso de Pós-Graduação em Agronomia (Entomologia) da Universidade Federal de Lavras, Lavras – MG, [email protected] 10 MANEJO ECOLÓGICO DE PLAGAS DE LA CAÑA DE AZUCAR (Un enfoque avanzado de Protección Vegetal) F. Oscar Terán P. (Ingº Agrº, MSc., Dr.) Se presentan las experiencias y vivencias profesionales acumuladas en muchos años, trabajando directamente en el campo junto a cañeros, técnicos y ejecutivos de la agroindustria sucroalcoholera, tanto en Bolivia como en Brasil. Se procura compatibilizar los principios y objetivos de las tecnologías con los de la Ecología y los de la Economía. El libro puede ser dividido en 3 partes, destinadas a los grupos de posibles lectores: Una primera parte, compuesta por el Prólogo ó Preámbulo y los capítulos 1 (Introducción) y 2 (Líneas Maestras del Manejo Ecológico de Plagas), cubre los principios y estrategias en que se basa el Manejo Ecológico. Está destinado a todos los lectores interesados, especialmente a los tecnólogos de la caña y de la agroindustria en general. Se presentan algunos conceptos inéditos, para ilustrar la integración del MEP dentro de la cadena productiva, tanto del cultivo de la caña como de la agroindustria como un todo. También se ilustra y enfatiza el delicado equilibrio natural en que se enmarcan las diversas especies de plagas. La segunda parte abarca los capítulos 3 (Barrenadores), 4 (Picudos), 5 (Salivazos), 6 (Plagas del suelo), y 7 (Otras plagas menores), agrupándolos de acuerdo a las condiciones locales de Bolivia y Brasil.. Se destinan especialmente a profesionales como los Entomólogos y Académicos. En cada capítulo se describe las bases económicas (Importancia económica), que ayudan a establecer las prioridades de cada grupo de plagas para cada región, dejando claro que las pérdidas son más importantes que los daños. Se completan con la descripción de los aspectos bioecológicos de cada grupo de plagas, que servirán posteriormente para justificar y recomendar las medidas de control más adecuadas. La tercera parte, constituida por los capítulos 8 (Manejo ecológico de barrenadores), 9 (Manejo ecológico de picudos), 10 (Manejo ecológico de salivazos), 11 (Manejo ecológico de plagas del suelo), 12 (Manejo ecológico de otras plagas), y 13 (Perspectivas futuras) es la parte más aplicada, y se destina principalmente a Tecnólogos azucareros y a Cañeros progresistas. Se relatan todas las medidas de control propuestas y/ó ejecutadas, haciendo resaltar las más adecuadas desde el punto de vista ecológico y económico, priorizando el Control Biológico. A pesar de que las plagas fueron agrupadas tomando en cuenta las condiciones locales de Bolivia y Brasil, las estrategias de manejo pueden ser expandidas y utilizadas en otras regiones latinoamericanas. 11 USO DA TESOURINHA Doru luteipes (Scudder, 1876) (Dermaptera: Forficulidae) NO CONTROLE BIOLÓGICO DE PRAGAS DE POÁCEAS Ana Carolina Maciel Redoan1 Geraldo Andrade Carvalho2 Nos ecossistemas naturais há um equilíbrio entre os seres vivos e o meio. Porém, o uso indevido de inseticidas químicos para o controle de pragas em grandes culturas tem favorecido o aparecimento de populações resistentes de insetos. Uma alternativa que pode ser utilizada para evitar o uso de inseticidas químicos é o controle biológico, considerado como método ideal de controle por ser efetivo na regulação de populações de artrópodes-praga. Essa prática torna-se indispensável na agricultura atual, pois não polui o ambiente, garante um produto de maior qualidade e torna-se uma ferramenta importante para a sustentabilidade da agricultura. Nesse contexto, a espécie D. luteipes tem despertado grande atenção, pois são predadores vorazes e se alimentam de diversas presas, particularmente, de ovos e fases imaturas de insetos das ordens Lepidoptera, Homoptera, Coleoptera e Diptera. Esse predador demonstrou capacidade de controlar populações do pulgão verde Shizaphis graminum (Rondani), na cultura do sorgo e de Myzus persicae (Sulzer) em brássicas. Ninfas e adultos têm demonstrado alto potencial como agentes de controle biológico de Spodoptera frugiperda (J. E. Smith), Helicoverpa zea (Boddie) e de afídeos que são pragas de importância econômica para a cultura do milho. Esse dermáptero tem presença comum no campo em todas as épocas de plantio de sorgo e milho, tanto no cartucho como na espiga, atingindo picos populacionais em épocas mais quentes do ano, onde é comum encontrar pelo menos um espécime em cerca de 70% das plantas. Desta forma, pesquisas que busquem avaliar e otimizar o potencial dessa espécie no controle de insetos-praga em culturas de importância econômica são importantes para o desenvolvimento de programas de manejo integrado de pragas. Referências Bibliográficas ALVARENGA, C.D.; VENDRAMIM, J.D.; CRUZ, I. Biologia e predação de Doru luteipes (Scud.) sobre Schizaphis graminum (Rond.) criado em diferentes genótipos de sorgo. Anais da Sociedade Entomológica do Brasil, v.24, n.3, p.523-531, 1995. CRUZ, I.; Manual de identificação de pragas do milho e de seus principais agentes de controle biológico. Sete Lagoas: Embrapa-CNPMS, 2008. 192 p. _________________________ 1 2 Aluna de Mestrado em Agronomia/Entomologia UFLA, Lavras – MG, e-mail: [email protected] Professor Orientador, Departamento de Entomologia – UFLA, e-mail: [email protected] 12 MANEJO INTEGRADO DE PRAGAS DE CITROS 71 Jader Braga Maia ²Geraldo Andrade Carvalho De origem asiática, as plantas cítricas foram introduzidas no Brasil pelas primeiras expedições colonizadoras, provavelmente na Bahia. Entretanto aqui, com melhores condições para vegetar e produzir do que nas próprias regiões de origem, essa cultura se expandiu para todo o Brasil. A citricultura brasileira, que detém a liderança mundial, tem se destacado pela promoção do crescimento sócio-econômico, contribuindo com a balança comercial nacional e principalmente, como geradora direta e indireta de empregos na área rural. O estado de Minas Gerais ocupa o quarto lugar no cenário nacional entre os maiores estados produtores de citros do país e, pelo seu tamanho e variedade agroclimática, possibilita uma citricultura diversificada e, de certo modo, regionalizada, com a produção de ótimas frutas frescas. Apesar da grande produção, as pragas são responsáveis por uma redução significativa nessa produção. Dentre as principais pragas que ocorrem em citros destacam-se: as moscas-das-fruta (Ceratitis capitata e Anastrepha fraterculus), ácaros (Brevipalpus phoenicis e Phyllocoptruta oleivora), bicho-furão (Ecdytolopha aurantiana), cigarrinhas-dos-citros (Dilobopterus castalimai, Acrogonia citrina), minador-dos-citros (Plyllocnistis citrella), cochonilha (Orthezia praelonga) e o psilídeo (Diaphorina citri). Para combatê-las, muitos produtores utilizam agrotóxicos indiscriminadamente, os quais geralmente provocam efeitos adversos à fauna benéfica existente nos pomares, podendo propiciar aumento na população das pragas secundárias, em decorrência da morte de seus inimigos naturais. Desta forma a utilização de vários métodos de controle em conjunto, como controle biológico, cultural, mecânico e químico realizados de forma mais técnica e criteriosa, poderá garantir a sustentabilidade do setor citrícola, permitindo expressivos ganhos econômicos, sem causar maiores problemas ao ambiente e ao próprio homem. Palavras-Chave: Citrus sp., artrópodes-praga, métodos de controle, manejo de pragas. Referências Bibliográficas: YAMANOTO, P. T. Manejo integrado de pragas dos citros. Piracicaba: 2008. 336p. GRAVENA, S. Manejo integrado de pragas dos citros. Laranja, v.5, p.323-361, 1984. 1 Doutorando do Curso de Pós-graduação em Agronomia/Entomologia da Universidade Federal de Lavras – UFLA, Lavras – MG, E-mail: [email protected]. 2 Professor Orientador no Curso de Pós-graduação em Agronomia/Entomologia da Universidade Federal de Lavras, Lavras – MG, E-mail: [email protected]. 13 PRODUÇÃO DE SEDA POR INSETOS Marlice Botelho Costa13 César Freire Carvalho2 A seda desempenha um papel fundamental na sobrevivência e reprodução de muitos insetos, como na utilização de abrigos, proteção dos ovos e ferramenta para captura de presas. Glândulas labiais, tubo de Malpighi, e uma variedade de glândulas dérmicas, têm evoluído para produzir essa substância. As glândulas sintetizam as proteínas da seda, que se tornam semicristalinas quando formados em fibras. Embora cada seda contenha uma estrutura cristalina dominante, a gama de estruturas moleculares que podem formar as fibras de seda sejam maiores do que qualquer outra estrutura do grupo das proteínas. O substancial conteúdo cristalino confere extraordinárias propriedades mecânicas e estabilidade à seda e parece ser necessário para a produção de fibras de proteína. O casulo de seda do bicho-da-seda (Bombyx mori, Linnaeus (Lepidoptera: Bombycidae) foi consagrado ao longo de milênios na indústria têxtil e a maior parte da produção de seda é dessa espécie. Nos últimos anos, tem havido um ressurgimento do interesse em seda, na esperança de replicar suas notáveis propriedades mecânicas utilização da biotecnologia moderna. A maioria das pesquisas tem centrado no casulo do bicho-da-seda bem como na teia das aranhas. Muitas espécies de insetos produzem seda para uma variedade de finalidades e pode ser utilizada como biomaterial, que nada mais é que um material não vivo, que pode ser utilizado em diversas aplicações médicas e as principais funções devem ser reparar, repor ou acrescentar um tecido. Estudos mostraram que as performances dessas proteínas são comparáveis ou até melhores que a do colágeno. Palavras-chave: Glândulas, fibra de proteína, cristalinidade. Referências Bibliográficas COLLIN, M. A. ; GARB, J. E.; EDGERLY, J. S.; HAYASHI, C. Y. Characterization of silk spun by the embiopteran, Antipaluria urichi. Insect Biochemistry and Molecular Biology. 39, 2009. p. 75–82. SUTHERLAND, T. D.; YOUNG, J. H.; WEISMAN, S.; HAYASHI, C. Y.; MERRITT, D. J. Insect silk: one name, many materials. Annual Review of Entomology. 55, 2010. p.171–88. 1 Mestranda em Entomologia, UFLA, CP 3037, 37200-000, Lavras – MG, E-mail: [email protected] 2 Prof. Orientador, Depto. de Entomologia/UFLA, E-mail: [email protected] 14 BIOLOGIA DA CONSERVAÇÃO DE INSETOS Lívia Dorneles Audino1 Júlio Neil Cassa Louzada2 Os insetos representam um dos grupos mais diversos e numerosos existentes na Terra, sendo um dos principais componentes dos ambientes terrestres e aquáticos e responsáveis por grande parte dos processos controladores do funcionamento de ecossistemas. Contudo, eles têm sido negligenciados no âmbito da biologia da conservação, sendo a maioria dos estudos e atividades voltados para controlar ou erradicar uma minoria de espécies consideradas “pragas” ou vetoras de doenças. Os insetos merecem ser conservados pelos importantes serviços ecológicos que prestam para os ecossistemas, pelos benefícios econômicos que nos fornecem e simplesmente pelo direito biológico inerente de existir. Não há dúvida de que muitos insetos têm declinado ao longo do último século em resposta as atividades humanas. Estimativas revelam que a maioria das extinções que ocorreram no passado ou que irão ocorrer no futuro é de insetos. A prática relacionada à conservação deste grupo está conectada a uma série de desafios que precisam ser enfrentados em um futuro próximo. Estas dificuldades envolvem desde o conhecimento do status de conservação das espécies já descritas até os planos de manejo para preservação das espécies ameaçadas. Trabalhos que abrangem este tema disponibilizam uma série de abordagens práticas a fim de evitar a extinção das espécies de insetos, sendo estas: escolha de áreas prioritárias para conservação, planos de manejo para a recuperação de habitats, utilização de corredores em paisagens fragmentadas, conservação ex situ, reintroduções e translocações e monitoramento como um dos passos finais da prática de conservação. Palavras-chave: Extinção, diversidade, ecossistemas, espécies. Referências bibliográficas NEW, T. R. 2009. Insect species conservation. Cambridge, Cambridge University Press. 256p. SAMWAYS, M. J. 2005. Insect diversity conservation. Cambridge, Cambridge University Press. 342p. ________________________ 1 Mestranda em Entomologia, UFLA, CP 3037, CEP: 37200-000, Lavras – MG, E-mail: [email protected] 1 Prof. Orientador, Depto. de Entomologia/UFLA, E-mail: [email protected] 15 Milho Bt no Manejo de Lepidópteros-praga Fabíola Alves Santos1 Jair Campos Moraes2 O milho constitui um dos mais importantes cereais cultivados e consumidos no mundo. Sua importância é caracterizada pelas diversas formas de consumo que vão desde o direto para alimentação humana, como para produção de carnes e derivados animais. Mesmo sendo cultivado praticamente em todo mundo, um dos fatores que afetam diretamente na produtividade é o ataque de pragas. A sustentação de patamares cada vez mais competitivos do agronegócio no país impõe aos agricultores a adoção de pacotes tecnológicos e novos insumos cada vez mais eficazes. A necessidade de aumento de produtividade e de redução dos custos das lavouras interfere na utilização cada vez maior de práticas que aumentem a eficiência de cada unidade de insumo aplicado. Nesse contexto, o controle de pragas assume papel chave dentro do sistema de produção, uma vez que o nível de dano econômico é reduzido sob tais condições. O advento da biotecnologia trouxe nova alternativa para o manejo integrado de lepidópteros-praga na cultura do milho. Por meio de técnicas de biologia avançada um gene de Bacillus thuringiensis (Bt) Berliner (1911) foi introduzido em plantas de milho, dando origem ao milho Bt, conferindo diferentes padrões de resistência às espécies de lepidópteros-praga. Os genes codificadores da toxina Bt (denominados genes cry ou genes bt) introduzidos na planta têm ação efetiva no controle de lepidópteros. Após se alimentarem do milho Bt as lagartas ingerem a toxina que atua nas células epiteliais do tubo digestivo do inseto, causando a ruptura do mesmo, levando-as à morte. As plantas geneticamente modificadas com resistência a insetos podem afetar os predadores generalistas e especialistas de modo diferenciado. Em baixas densidades populacionais os especialistas tendem a se dispersar mais rapidamente em busca de alimentos que os generalistas, que podem permanecer na cultura se alimentando de presas alternativas. Segundo Romeis et al. (2006), a comparação direta entre cultivo de lavouras-Bt e não-Bt tratada com inseticidas de largo espectro indica maior variabilidade de insetos em cultivares-Bt. Poucos estudos comparam a função de inimigos naturais em cultivos-Bt e convencional, sendo que a taxa de predação de ovos e larvas de lepidópteros não difere em cultivos transgênicos e convencionais, mas pode ajudar a reduzir a aplicação de inseticidas. Palavras-chave: Transgênico, Zea mays, Spodoptera frugiperda Referências Bibliográficas ROMEIS, J.; MEISSLE, J.; BIGLER, F. Transgenic crops expressing Bacillus thuringiensis toxins and biological control. Nature Biotechnology, New York, v. 24, n.1, p. 63-71, 2006. WAQUIL, J. M.;VILELLA, F. M. F.; FOSTER, J. E. Resistência do milho (Zea mays L.) transgênico (Bt.) à lagarta-do-cartucho, Spodoptera frugiperda (Smith) (Lepidóptera: Noctuidae). Revista Brasileira de Milho e Sorgo, Sete Lagoas, v. 1, n. 3, p. 1-11, 2002. 1 2 Mestranda em Entomologia, UFLA, CP 3037, 37200-000, Lavras – MG, E-mail: [email protected] Prof. Orientador, Depto. de Entomologia/UFLA, E-mail: [email protected] 16 Reprodução de Insetos Juliana Cristina dos Santos18 Ronald Zanetti29 Grande parte da vida de um inseto está relacionada com a reprodução. Essa reprodução depende de estímulos fisiológicos internos, e o sistema neuroendócrino desempenha um papel chave no controle dessa regulação. Em sistemas de acasalamento poliândrico, as fêmeas escolhem seu parceiro sexual, pois os ovos são mais custosos do que os espermatozóides. Isso desencadeia uma evolução nas estratégias reprodutivas dos machos para adquirir parceiras potencialmente reprodutivas. Como exemplo, os machos podem doar presas “gift nuptial” com qualidade para fêmea ou então doar ejaculado com grande quantidade de nutrientes, aumentando assim sua fecundidade e chances de fertilizar seus ovos. Da mesma forma podem se utilizar de outras estratégias, liberando peptídeos na hemolinfa da fêmea ou usando um “plug” ou tampão vaginal, durante a cópula, fazendo com que a fêmea entre em um período refratário e não acasale com outros machos até que os ovos sejam fertilizados com seus espermatozóides. O cuidado parental é outra questão discutida na reprodução. Geralmente ele é mais notado em fêmeas, possivelmente devido a uma menor confiabilidade na paternidade em relação à maternidade, ou seja, machos que copulam como uma fêmea não saberá se os descendentes são realmente do seu esperma. As fêmeas geralmente têm o controle dos gametas e usam machos de sua escolha, isso reduz a relação custo-benefício para os machos. Ainda estamos longe de compreender o controle e regulação do sistema reprodutivo dos insetos, especialmente em relação ao que já sabemos sobre reprodução de vertebrados. No entanto, aspectos relacionados ao comportamento de localização do parceiro sexual, cortejamento, cópula e pós-cópula, assim como os tipos de reprodução associados aos insetos serão discutidos no decorrer do seminário com base em informações obtidas na literatura. Palavras-chave: conflito sexual, acasalamentos múltiplos, sistema reprodutivo de insetos Klowden, M.J. Physiological Systems in Insects. Academic Press, United States of America. 684p. Thornhill, R., Alcock, J. The Evolution of Insect Mating Systems, Harvard University Press, Cambridge, Massachusetts, p. 124-148, 1983. 1 2 Doutoranda do Departamento de Entomologia/UFLA. E-mail: ciê[email protected] Professor do departamento de Entomologia/UFLA. E-mail: [email protected] 17 ENTOMOLOGIA FORENSE 101 Ludmila Rodrigues Lopes 2Vanda Helena Paes Bueno A entomologia forense é o estudo de insetos e outros artrópodes associados a diversas questões criminais. Pode ser dividida ou subdividida em três grandes áreas: urbana, produtos armazenados e médico legal. O primeiro caso documentado de entomologia forense médico-legal está relatado no manual de medicina legal chinês no século XIII. Séculos mais tarde, foi feita a primeira estimativa de morte, baseada em insetos pelo médico francês Bergeret (1835). Em 1894, o pesquisador Mégnin foi o primeiro a tratar do tema de forma sistemática, ao descrever sobre os insetos ocorridos em casos reais. No Brasil, a entomologia forense teve seu início com trabalhos de Roquete-Pinto e Oscar Freire. Esses autores foram os primeiros a registrar a fauna de insetos necrófagos no Brasil e acrescentaram observações importantes sobre a influência topográfica, a diversidade de insetos, a cronologia e os padrões de sucessão destes insetos em cadáveres. O conhecimento entomológico deve estar associado a estas informações e demais variações que possam ocorrer entre as diferentes espécies que estão presentes no ambiente, além da correta identificação do inseto. Um dos principais entraves para a expansão da utilização de evidências entomológicas como ferramenta auxiliar na solução de crimes é o distanciamento entre os entomogistas forenses e os profissionais das polícias judiciárias. Conhecimentos produzidos por equipes compostas por estes profissionais são escassos atualmente, mas contribuirão para o desenvolvimento da entomologia forense no país, pois irão associar a experiência científica dos professores e pesquisadores com a casuística dos peritos criminais e médicoslegistas. Palavras-chave: post- mortem, peri- mortem, tofonomia, Referências Bibliográficas a Costa, J.R. Entomologia Forense- Quando os insetos são vestígios. 2008.2 Ed. Millenium. Catts, E. P.; Goff, M. L. Forensic entomology in criminal invetigations. 1992. Annual Review Entomology. 37:253:272. 1 Mestrando em Entomologia, UFLA, CP 3037, 37200-000, Lavras - MG, E-mail: [email protected] 2 Prof. , Depto. de Entomologia/UFLA, E-mail: [email protected] 18 CONTROLE DE INSETOS-PRAGA EM ROSEIRA Cristiana Silveira Antunes111 César Freire Carvalho212 O cultivo de flores no Brasil iniciou-se como atividade econômica em maior escala a partir de 1960. As rosas representam cerca de 60% das flores de corte exportadas pelo Brasil (cerca de 2,5 milhões de dúzias). O cultivo de roseiras em ambientes protegidos tem crescido significativamente a cada ano e, juntamente com a expansão da área cultivada com rosas no Brasil, a incidência de pragas também tem aumentado significativamente. Dentre as pragas que ocorrem infestando flores e plantas ornamentais destacam-se os ácaros, tripes, moscas-brancas, pulgões, formigas, abelhas e besouros. Os danos provocados por esses insetos comprometem principalmente a qualidade e comercialização do produto final, os botões de rosa, sendo inaceitável qualquer injúria causada pela atuação de microrganismos ou artrópodes. O controle de pragas em roseiras tem sido realizado com a utilização de produtos químicos que, além de agressivos ao ambiente, nem sempre são eficientes. Na busca de alternativas ao uso desses produtos, têm sido estudadas outras técnicas, como a utilização de inseticidas botânicos, o controle biológico por predadores e parasitóides e, até mesmo, a associação destes métodos de controle. O uso do controle biológico é hoje uma realidade em diversos países, onde um grande número de empresas produz e comercializa inimigos naturais aos agricultores. No Brasil, estudos avançados de controle biológico em cultivos de flores através da liberação de diferentes inimigos naturais, têm levado ao sucesso no controle de insetos-praga. Palavras-chave (Organismos benéficos, Crisopídeos, Orius, joaninhas). Referências Bibliográficas BARBOSA, J.G.; GROSSI, J.A.S.; PIVETTA, K.F.L.; FINGER, F.L.; SANTOS, J.M. dos. Cultivo de rosas. Informe Agropecuário, Belo Horizonte, v. 26, n 227, p. 20-29. 2005. GALLO, D.; NAKANO, O.; SILVEIRA NETO, S.; CARVALHO, R.P.L.; BAPTISTA, G.C.; BERTI FILHO, E.; PARRA, J.R.P.; ZUCCHI, R.A.; ALVES, S.B.; VENDRAMIM, J.D. Entomologia Agrícola. Piracicaba: FEALQ, 2002. 920 p. 1 Doutoranda em Entomologia, UFLA, CP 3037, 37200-000, Lavras – MG, E-mail: [email protected] 2 Prof. César Freire Carvalho, Depto. de Entomologia/UFLA, Email: [email protected] 19 DIETAS ARTIFICIAIS PARA CRIAÇÕES DE INSETOS Andréa de Fátima Torres113 e Geraldo Andrade Carvalho214 Os seres vivem, de maneira geral, são reflexo daquilo que consomem, e esse fato demonstra a importância dos alimentos para os organismos. Para insetos, muitos aspectos da sua biologia, estão de certa maneira, inseridos dentro de um contexto alimentar, pois além da quantidade, a qualidade e a proporção dos nutrientes presentes no alimento são de suma importância. O alimento natural se apresenta nas mais diversas formas e com qualidade nutricional variável, além de defesas físicas, sazonalidade, etc. Portanto, quando se deseja manter espécies de insetos em criações de laboratório, a busca por dietas artificiais é muito importante, pois estas permitem que os mesmos se desenvolvam sem que haja necessidade de suplantar problemas apresentados pelo alimento natural. Os grandes avanços sobre técnicas de criação de insetos em meios artificiais ocorreram nas décadas de 60, 70 e 80, especialmente nos países desenvolvidos. Existem meios artificiais de criação para cerca de 1.300 espécies de insetos, sendo que 85% delas são das ordens Lepidoptera, Coleoptera e Diptera. Uma dieta artificial deve conter fontes de proteínas, vitaminas, sais minerais, carboidratos, lipídeos e esteróis e a sua qualidade pode ser avaliada através de critérios morfológicos, biométricos, nutricionais e por tabelas de vida. O desenvolvimento de dietas artificiais adequadas para a criação de insetos é fundamental para os avanços da Entomologia Moderna. Palavras-chave: bioecologia, nutrição de insetos, criações de manutenção Referências Bibliográficas PARRA, J.R.P. A evolução das dietas artificiais e suas interações em ciência e tecnologia. In: PANIZZ, A.R.; PARRA, J.R.P. (Ed). Bioecologia e nutrição de insetos – base para o manejo integrado de pragas. Brasília, DF: Embrapa Informação Tecnológica, 2009. p. 91174. SINGH, P. Artificial diets for insects, mites and spiders. New YORK: Plenum, 1977. 594p. 1 Doutorando em Entomologia, UFLA, CP 3037, 37200-000, Lavras – MG, E-mail: [email protected] 2 Prof. Orientador, Depto. de Entomologia/UFLA, E-mail:[email protected] 20