Cadeia produtiva
da construção civil
Cenários econômicos e estudos setoriais
Recife | 2008
Conselho Deliberativo - Pernambuco
Banco do Brasil - BB
Banco do Nordeste do Brasil - BNB
Caixa Econômica Federal - CEF
Federação da Agricultura do Estado de Pernambuco - Faepe
Federação das Associações Comerciais e Empresariais de Pernambuco - Facep
Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Pernambuco - Fecomércio
Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco - Fiepe
Instituto Euvaldo Lodi - IEL
Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas - Sebrae
Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco - SDE
Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial do Estado de Pernambuco - Senac/PE
Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial - Senai/PE
Serviço Nacional de Aprendizagem Rural - Senar/PE
Sociedade Auxiliadora da Agricultura do Estado de Pernambuco
Universidade de Pernambuco - UPE
Presidente do Conselho Deliberativo
Josias Silva de Albuquerque
Diretor-superintendente
Murilo Guerra
Diretora técnica
Cecília Wanderley
Diretor administrativo-financeiro
Gilson Monteiro
Cadeia produtiva da construção civil: cenários econômicos e estudos setoriais
Coordenação geral
Sérgio Buarque
Equipe técnica - Sebrae
João Alexandre Cavalcanti (coordenador da Unidade Observatório Empresarial)
Ana Cláudia Arruda
Equipe técnica - Multivisão
Enéas Aguiar
Ester Maria Aguiar de Sousa
Gérson Aguiar de Sousa
Izabel Favero
José Thomaz Coelho
Valdi Dantas
Coordenação da Unidade de Comunicação e Imprensa - Sebrae
Janete Lopes
Revisão
Betânia Jerônimo
Projeto gráfico e diagramação
Z.diZain Comunicação | www.zdizain.com.br
Tiragem
100 exemplares
Impressão
Reprocenter
Sebrae
Rua Tabaiares, 360 - Ilha do Retiro - CEP 50.750-230 - Recife - PE
Telefone 81 2101.8400 | www.pe.sebrae.com.br
Sumário
Lista de figuras.......................................................................................................................5
Palavra do Sebrae....................................................................................................................7
Apresentação ..........................................................................................................................9
Capítulo 1 - Caracterização da cadeia produtiva.................................................................11
Capítulo 2 - Desempenho recente da cadeia produtiva no Brasil....................................... 15
Capítulo 3 - Desempenho recente da cadeia produtiva em Pernambuco........................... 18
Capítulo 4 - Dinamismo futuro da cadeia produtiva em Pernambuco.................................20
4.1 Dinamismo futuro da atividade........................................................................................20
4.2 Perspectiva de encadeamento e adensamento................................................................23
4.3 Oportunidades de negócios futuros................................................................................ 24
Capítulo 5 - Espaços das MPEs na cadeia produtiva.......................................................... 31
Referências.............................................................................................................................35
Apêndices.............................................................................................................................. 37
3
Lista de figuras
Diagramas
Diagrama 1 - Cadeia produtiva da construção civil............................................................. 12
Gráficos
Gráfico 1 - Taxa de crescimento anual da construção civil no Brasil...................................16
Gráfico 2 - Evolução do PIB da construção civil no Brasil (R$ mil)..................................... 17
Gráfico 3 - Índice de evolução da construção civil (1996=100)............................................19
Gráfico 4 - Evolução da participação da construção civil na formação do PIB - Brasil
e Pernambuco (%)..................................................................................................19
Gráfico 5 - Taxa de crescimento dos setores produtivos na trajetória mais provável de
Pernambuco (%)..................................................................................................... 21
Gráfico 6 - Evolução futura da estrutura produtiva de Pernambuco na trajetória mais
provável (%)........................................................................................................... 24
Gráfico 7 - Evolução do volume de negócios futuros da construção civil (R$ bilhões)........ 25
Gráfico 8 - Evolução do volume de negócios futuros da indústria de minerais
não-metálicos (R$ bilhões)...................................................................................26
Gráfico 9 - Construção civil: evolução futura da receita de vendas e do número de
MPEs (R$ bilhões)................................................................................................32
Gráfico 10 - Minerais não-metálicos: evolução da receita de vendas e do número
de MPEs (R$ bilhões)........................................................................................ 33
5
Palavra do Sebrae
Os Cadernos Setoriais resultam do projeto Observatório Empresarial,
que se destina a levar tendências e cenários macroeconômicos, com vistas a
subsidiar o empresariado com informações sobre o ambiente de negócios.
Trazem assim, esses cadernos, a estrutura produtiva do setor, analisando as suas características e desempenho, capacidade de competir, dificuldades, ameaças e oportunidades.
Cabe ressaltar, ainda, a importância deste documento como indutor
de políticas públicas capazes de criar um ambiente favorável à solução de
eventuais dificuldades no pleno desenvolvimento de cada um dos setores
estudados.
Murilo Guerra
Superintendente do Sebrae em Pernambuco
7
Apresentação
Este documento apresenta uma análise da cadeia produtiva da construção civil em Pernambuco, procurando identificar as futuras oportunidades de negócios e os espaços para micro e pequenas empresas. Faz parte do
projeto “Cenários e estudos de tendências setoriais” do Sebrae Pernambuco. Além desta cadeia, o estudo analisou 12 outras cadeias produtivas: avicultura, indústria naval, têxtil e de confecções, produtos reciclados, indústria de material plástico, refino de petróleo, indústria de poliéster, indústria
sucroalcooleira, indústria metalúrgica e produtos de metal, indústria madeiro-moveleira, logística e turismo. Para cada uma foi produzido um relatório
semelhante de análise da dinâmica futura, das oportunidades de negócios e
dos espaços para as pequenas e microempresas de Pernambuco.
Cadeia produtiva é entendida, neste trabalho, como a malha de interações seqüenciada de atividades e segmentos produtivos que convergem
para a produção de bens e serviços (articulação para frente e para trás), articulando o fornecimento dos insumos, o processamento, a distribuição e a
comercialização, e mediando a relação do sistema produtivo com o mercado
consumidor. A competitividade de cada uma das fases da cadeia e, principalmente, do produto final, depende do conjunto dos seus elos e, portanto,
da capacidade e eficiência produtiva de cada um deles.
Embora na literatura contemporânea o conceito de competitividade
sistêmica (apoiado na concepção de cluster de Michael Porter) destaque
9
que a eficiência produtiva da cadeia depende de um conjunto de fatores
e condições externas à mesma (externalidades) — oferta de infra-estrutura adequada, regulação da produção e comercialização, disponibilidade de
tecnologia e de mão-de-obra qualificada, sistema financeiro, entre outras,
a análise da cadeia está concentrada no processo de produção para identificação dos elos de maior oportunidade de negócios no futuro da economia de
Pernambuco. Como o objetivo do estudo não é promover o desenvolvimento
da cadeia produtiva, mas identificar na cadeia as oportunidades de negócios,
especialmente para as MPEs, partindo da hipótese sobre a sua evolução futura, não será relevante analisar os fatores sistêmicos.
A análise da cadeia produtiva foi feita com base em duas fontes principais de informação, dando tratamento técnico e organizando e confrontando dados secundários e informações bibliográficas sobre o tema (ver referências), além da visão de empresários e técnicos expressa em entrevistas
semi-estruturadas (ver lista de entrevistados).
O documento está estruturado em cinco capítulos: o Capítulo 1 apresenta uma caracterização descritiva da cadeia produtiva e dos seus elos mais
importantes (cadeia principal, cadeia a montante e cadeia a jusante), numa
abordagem teórica geral, ainda não identificando os elos presentes e importantes em Pernambuco; no Capítulo 2, uma análise do desempenho recente das principais atividades da cadeia produtiva no Brasil, detalhada para
o Estado de Pernambuco no Capítulo 3; o Capítulo 4 procura explorar as
perspectivas futuras da cadeia produtiva nos próximos 13 anos (com base
na trajetória mais provável) e avança na identificação das grandes oportunidades de negócios que se abrem; no Capítulo 5, uma focalização dos
espaços que as MPEs podem ocupar dentro da evolução futura da cadeia
produtiva da construção civil.
10
Capítulo 1
Caracterização da cadeia
produtiva
A construção civil é uma das atividades produtivas com maior impacto
sobre os demais setores e cadeias produtivas que compõem o universo das
atividades econômicas. Ela é complexa e envolve, pelo menos, três grandes
segmentos:
•construção pesada (estradas, usinas de geração de energia, portos e
terminais, aeroportos etc);
•montagens industriais e de plataformas de prospecção de petróleo e
extração mineral;
•edificações industriais, comerciais e residenciais.
Embora operem com escalas e clientes diferenciados, os três segmentos
podem ser organizados numa mesma cadeia de negócios, na medida em que
contemplam o mesmo processo produtivo e de interação produtiva na economia. A cadeia produtiva da construção civil pode ser organizada em três grandes blocos, que expressam a seqüência básica central da construção e a sua
interação produtiva a montante (para trás) e a jusante (para frente): os elos
centrais, que fazem funcionar o sistema produtivo da cadeia; as atividades a
montante, onde se encontram os setores e as atividades que contribuem com
insumos e serviços indispensáveis para a realização da obra; e as atividades
a jusante, que dão continuidade, utilizam e beneficiam os produtos, influenciando a dinâmica produtiva dos demais componentes da cadeia.
Capítulo 1 - Caracterização da cadeia produtiva
11
A cadeia produtiva da construção civil pode ser analisada, de forma
sintética, no Diagrama 1, que divide as atividades em três blocos e, dentro de cada um deles, os elos que se articulam no processo produtivo1. No
centro da cadeia (elo principal), destacam-se as atividades que respondem
pelo planejamento e construção da obra. O desenvolvimento de projetos,
cuja importância tem sido crescente, compõe-se de estudos preliminares de
viabilidade econômica, técnica e ambiental do empreendimento, antecipando a própria obra e representando atualmente cerca de 5% do valor total do
empreendimento; o elo seguinte diz respeito ao fornecimento de matériasprimas básicas — ferragens, brita, areia, cimento, cerâmica, tubos e conexões, fios e cabos, vidraçaria, além do fornecimento de equipamentos pesados (tratores, britadeiras, máquinas perfuradoras, caminhões de transporte
de mercadorias, veículos de transporte de trabalhadores) e ferramentas de
pequeno porte (réguas e fitas métricas, pás e enxadas); por fim, os serviços técnicos e especializados2, que compreendem a oferta de mão-de-obra
(item considerado dos mais importantes na construção civil, que corresponde, aproximadamente, a 30% do valor da obra).
1O
modelo utilizado no diagrama
não esgota todos os elos possíveis
da cadeia e destaca apenas aqueles
que foram considerados de maior
relevância para a análise.
2Este
segmento compreende as
seguintes atividades específicas:
estudos (viabilidade, concepção,
topografia, geotecnia, hidrologia,
impacto ambiental e social, outros);
projetos (arquitetura, urbanismo/
paisagismo, infra-estrutura, trabalho
social, entre outros); gerenciamento,
supervisão e fiscalização
(acompanhamento de obras,
auditoria, acompanhamento social,
monitoramento ambiental).
12
Cadeia produtiva da construção civil
A cadeia principal estabelece relações com o consumidor
final através da comercialização, onde atuam as imobiliárias,
nas atividades de corretagem, e a publicidade, com propagandas e divulgação (atividade com tendência à ampliação da influência na comercialização do produto da construção civil).
A montante da cadeia principal, as várias atividades produtivas (incluindo outras cadeias de negócios) na produção de insumos, matérias-primas, máquinas e equipamentos e serviços diversos para obras, que recebem o impacto de um eventual crescimento
da construção. Entre os elos mais importantes da cadeia a montante,
destacam-se:
•indústria madeireira - a construção civil utiliza madeira em larga escala, tanto em sua fase estrutural, com fôrmas para concreto, como no acabamento de obras, com portas, janelas, pisos
etc;
•siderurgia e metalurgia básica - seus produtos constituem insumos fundamentais para a construção civil, em todas as etapas da
sua produção;
•insumos não-metálicos - compõem-se de elementos de diversas
ordens como gesso, brita, granito, areia etc;
•máquinas e equipamentos - representam um setor muito variado,
desde as máquinas pesadas, de utilização na construção pesada de
estradas e aeroportos, até os equipamentos sofisticados e de alta
tecnologia, para cálculos e manutenção da obra;
•indústria cerâmica - é bastante diversificada e compreende a cerâmica vermelha, com tijolos e telhas; a cerâmica de acabamento, com
revestimentos e pastilhas; e as louças sanitárias;
•material elétrico e hidráulico - são fios, cabos, disjuntores, tomadas,
interruptores, canos, tubos e conexões, hidrômetros, torneiras;
•segurança pessoal e coletiva - representa um setor que vem crescendo na cadeia, dispondo de alguns equipamentos de uso obrigatório
em uma obra (capacetes, botas, luvas, uniformes, óculos, tapumes,
lonas, telas etc — procuram proteger tanto os trabalhadores como os
vizinhos das obras e os transeuntes).
Como a construção civil gera meios de produção (infra-estrutura) e
bens (imóveis residenciais e comerciais), as atividades a jusante do elo
principal apresentam uma grande diversidade de processos produtivos de
bens de consumo final e intermediário. O universo de atividades produtivas a jusante abrange uma ampla gama de atividades, tais como:
Capítulo 1 - Caracterização da cadeia produtiva
13
•indústria moveleira - este segmento ganha destaque especial nas
edificações industriais, comerciais e, especialmente, residenciais
(o mercado especializado do setor oferece mobiliário de diversos
materiais como madeira, aço, plástico);
•manutenção de imóveis e equipamentos - depois de concluída a obra
e dada a sua destinação, o seu uso exige serviços de manutenção (seja ela uma estrada, ponte, indústria, loja comercial ou imóvel residencial) que se mostram os mais variados possíveis, desde manutenção
de elevadores e escadas rolantes, até instalações hidráulicas e elétricas, pintura etc;
•transporte, descarte e/ou aproveitamento de entulhos - o poder público
municipal exige que os entulhos das obras sejam recolhidos, evitando
a acumulação de lixo em canteiros e nas vias de acesso. Isto reflete a
importância crescente dos processos de reciclagem desses resíduos,
pois já existem experiências rentáveis do reaproveitamento dos materiais de demolição. Além disso, o armazenamento e o transporte
de entulhos também abrem espaço para a prestação de serviços especializados;
•serviços de decoração - a profissionalização dos serviços de decoração desponta como uma larga fatia no mercado, tanto de objetos como
de prestadores de serviços em imóveis comerciais e residenciais, incluindo serviços de jardinagem e plantas ornamentais.
14
Cadeia produtiva da construção civil
Capítulo 2
Desempenho recente da
cadeia produtiva no Brasil
O setor da construção civil é um dos maiores geradores de emprego e
renda na economia, incluindo uma demanda de grande volume de mão-deobra de média qualificação. De acordo com estudos do BNDES3, para cada
R$ 10 milhões investidos na construção civil, são gerados 176 empregos diretos e 83 indiretos, com 276 induzidos pelo efeito renda — os impactos decorrem de uma elevada participação dos salários no valor total de uma obra, estimada em cerca de 30% do custo do empreendimento.
Apesar de representar apenas 5% do PIB brasileiro (2005), tal setor participa com algo em torno de 45% da formação bruta de capital fixo no Brasil.
Constitui, portanto, um elemento decisivo do crescimento da economia (se for
considerada toda a cadeia produtiva, inclusive os seus elos, a sua representação no PIB do Brasil sobe para aproximadamente 16%, com crescimento dos
investimentos totais).
Nos últimos anos, o desempenho do setor não tem sido linear — entre
2000 e 2003, apresentou uma queda real no seu crescimento, especialmente em 2003, quando obteve um decréscimo na ordem de 10,1% (Gráfico 1);
em 2004, a atividade voltou a registrar um crescimento de 14,7%, o que, em
parte, significa uma recuperação frente às perdas verificadas nos anos anteriores. Este movimento desacelerou em 2005, mesmo com um crescimento
positivo.
Capítulo 2 - Desempenho recente da cadeia produtiva no Brasil
3Citado por Najberg, S. & Pereira, R.O.
Novas estimativas do modelo de geração
de empregos do BNDES. 2004.
15
O declínio da construção civil no Brasil, entre 2000 e 2003, decorreu de
dois grandes fatores combinados: a baixa taxa de investimento na economia,
que se reflete imediatamente na construção civil; e o desmantelamento do
sistema de financiamento da habitação, reduzindo a implantação dos investimentos na infra-estrutura social urbana e na construção de residências.
De forma mais detalhada e combinando os estudos técnicos e as entrevistas com os empresários, podem ser identificados os principais problemas que comprometeram o crescimento recente da construção civil no Brasil, alguns de ordem estrutural e geral da economia brasileira, outros mais
específicos do setor:
•limitações da oferta de insumos relacionadas com a qualidade
dos materiais, da mão-de-obra e da gestão dos processos produtivos;
•deficiência da infra-estrutura e das habitações motivada pela
diminuição da capacidade de investimento do setor público e
pela insuficiência de renda em geral e, sobretudo, das classes
mais pobres;
•indefinição do marco regulatório (habitação, saneamento e
infra-estrutura) restritivo aos negócios;
•elevada carga tributária, estimada em cerca de 37% do PIB,
para financiar o déficit público;
•alto nível de informalidade da mão-de-obra na construção
(61% — algo em torno de 2,5 milhões de trabalhadores);
16
Cadeia produtiva da construção civil
•alto déficit habitacional no Brasil - da ordem de 6,65
milhões de novas moradias (2000), o que equivale a
14,3% do total de domicílios existentes, concentrado basicamente nas regiões urbanas (81,3% do déficit total) e nas
famílias com renda até três salários mínimos (83,2% do déficit urbano total). Para eliminação do déficit habitacional brasileiro, no horizonte de 20 anos, seria necessário produzir 600
mil unidades habitacionais e mobilizar um montante de recursos da ordem de R$ 10,5 bilhões anualmente (cerca de 70%
deste valor seriam destinados à construção de moradias para
famílias com renda até três salários mínimos);
•concentração do déficit habitacional urbano nas regiões Sudeste
e Nordeste que, juntas, respondem por cerca de ¾ do total, sendo
que o Nordeste apresenta uma participação semelhante no déficit
habitacional rural.
Nos primeiros anos desta década, a construção civil registrou um
movimento muito irregular de produção (valor da produção), com forte
declínio em 2003 e início de recuperação em 2004 e 2005, como mostra o
Gráfico 2.
Capítulo 2 - Desempenho recente da cadeia produtiva no Brasil
17
Capítulo 3
Desempenho recente da cadeia
produtiva em Pernambuco
O setor da construção civil em Pernambuco seguiu, nos últimos anos,
um movimento semelhante ao nacional, com crescimento baixo e irregular.
O volume de produção no período (1996-2004) apresenta um declínio real
desde 1997, depois de um forte crescimento de 27,5% no mesmo ano. A queda aumentou em 2003 (Gráfico 3), posicionando-se abaixo do valor alcançado em 1996. Em 2004, parece ter ocorrido uma inflexão, com recuperação da produção do setor, confirmada em 2005. Entre 1996 e 2004, o setor
cresceu apenas 7,24%, mas em relação a 1997 caiu pouco mais de 20%.
A aderência do setor pernambucano ao ritmo nacional confirma-se
no Gráfico 4, que mostra a trajetória comum de queda na participação da
construção civil no PIB nacional e estadual. Isto pode representar um
dinamismo inferior à média das economias.
Por outro lado, a participação da atividade de construção civil no
PIB de Pernambuco se mantém, em média, 3% acima da participação
da atividade no PIB nacional, o que mostra uma importância relativa maior da atividade na economia pernambucana. Todavia, a atividade no Estado vem perdendo de forma acentuada dinamismo e
participação na formação do PIB, caindo de 13,8%, em 1998, para
6,7% em 2004.
18
Cadeia produtiva da construção civil
Capítulo 3 - Desempenho recente da cadeia produtiva em Pernambuco
19
Capítulo 4
Dinamismo futuro da cadeia
produtiva em Pernambuco
A dinâmica futura da economia pernambucana, segundo a trajetória
mais provável4, facilitada pela recuperação econômica do Brasil, principalmente a partir de 2011, e pela estabilidade internacional com ampliação
e abertura do comércio, arrastará o conjunto das atividades produtivas do
Estado. De acordo com o estudo da mudança futura da estrutura produtiva
do Estado, a construção civil deverá crescer em ritmo superior à média do
PIB pernambucano.
4.1 Dinamismo futuro da atividade5
De acordo com as hipóteses consideradas na trajetória mais provável, nos próximos 13 anos o dinamismo da economia nacional, incluindo a implementação da agenda de projetos previstos no PAC, e a retomada do crescimento econômico tendem a viabilizar a recuperação
da capacidade de investimento do Estado, bem como a normalização do marco regulatório dos segmentos que poderão atrair o capi4Sebrae/Multivisão. Cenários alternativos
de Pernambuco. Recife, 2007.
5Mais detalhes sobre a metodologia de
simulação, ver Apêndice B.
20
tal privado.
Assim, a construção civil deverá crescer a uma taxa média
de 7,65%, pouco acima da média da expansão do PIB estadual
(estimada em 6,27% ao ano). O crescimento da construção civil
Cadeia produtiva da construção civil
será moderado nos primeiros anos, mas sofrerá uma aceleração
a partir de 2011, quando se consolidam os investimentos produtivos e de infra-estrutura e se ampliam as demandas de habitação
(nos últimos dez anos do período analisado). No período que corresponde à segunda cena da trajetória mais provável (2011-2020),
a construção civil deverá se expandir a uma taxa média anual em
torno de 8%, estimulando também o dinamismo de algumas outras
atividades industriais como metalurgia e minerais não-metálicos.
O Gráfico 5 mostra a taxa de crescimento do setor, estimada para
os próximos 13 anos (dividida em duas cenas) e comparada com os
outros setores da economia pernambucana. A construção civil começa com a taxa mais alta, em 2007, resultado do início da implantação de
vários empreendimentos, e aumenta o ritmo de expansão, embora pouco
abaixo das indústrias extrativa e de transformação, e dos serviços industriais de utilidade pública, que amadurecem mais lentamente no tempo.
O dinamismo da construção civil no futuro foi amplamente confirmado na expectativa dos entrevistados, que manifestaram, de forma unânime, uma avaliação positiva quanto às perspectivas de crescimento do setor.
O otimismo dos entrevistados foi fundamentado na previsão dos grandes
investimentos anunciados para Pernambuco, a saber:
•duplicação da BR-101;
•Transnordestina;
•desenvolvimento do pólo gesseiro;
13Atualmente,
ao importarem de
outros Estados, os produtores
pagam um frete muito alto, além
do ICMS que vai de 8,4% a 12%,
comprometendo a competitividade,
na medida em que a alimentação
das aves representa 70% dos custos
na avicultura estadual.
Capítulo 4 - Dinamismo futuro da cadeia produtiva em Pernambuco
21
•transposição do Rio São Francisco;
•ampliação do abastecimento de água (adutoras);
•projetos de saneamento urbano;
•PAC-Habitação (previsão de construção de 20 mil habitações anuais
nos próximos quatro anos);
•estaleiro;
•Projeto Odebrecht/Brennand (condomínio de alto luxo com 300 lotes
de elevado padrão; ponte sobre o Rio Jaboatão, ligando o município ao
Cabo; dois ou três hotéis, entre outros benefícios);
•implantação de cursos de curta duração e de especialização, em parceria com as universidades, para capacitação de mão-de-obra e repasse de
conhecimento acerca de refinamento de petróleo e gás e de engenharia
naval.
Algumas opiniões e percepções dos entrevistados, apresentadas a
seguir, demonstram esse sentimento dos empresários e técnicos sobre o dinamismo futuro da construção civil em Pernambuco6:
“A construção civil tem ótimas perspectivas em Pernambuco para
os próximos anos. Os empresários do setor estão muito animados”
“Vai haver uma procura muito grande, especialmente nas
regiões em que irão se implantar os grandes projetos — Cabo, Ipojuca e
adjacências”
“Suape vai alavancar a construção civil, com certeza”
“Com esse PAC previsto para Pernambuco, quem mais vai se
beneficiar na implantação dos grandes projetos é o setor de obras, que é
quem vai realizar os projetos”
“Esses anúncios constantes de obras estão deixando o setor da
construção civil muito nervoso, numa inquietação muito grande”
“Acredito que Pernambuco está entrando em uma fase de desenvolvimento a partir desses projetos de investimento que estão querendo
trazer para o Estado”
“Está havendo uma corrida silenciosa de grandes empresas em
busca de terrenos para investimento, com vistas não apenas para o
mercado estrangeiro, mas também para o mercado a ser aberto por
Suape. Existe, hoje, uma especulação enorme nas áreas onde as
6 As declarações apresentadas foram
obtidas em entrevistas com profissionais e
agentes ligados à cadeia em Pernambuco,
com o compromisso de não identificar o
entrevistado.
22
ofertas do mercado externo são de preços bastante elevados, quando comparados aos oferecidos pelo mercado interno”
“O mercado de habitação cresce... De um lado, cresce a
fatia destinada à construção de moradia para a população de
Cadeia produtiva da construção civil
alto poder aquisitivo; e, de outro, cresce o mercado de imóveis
para os trabalhadores”
“Se, realmente, acontecer metade do que estão falando, em
termos de investimentos em obras para Pernambuco, vai haver
uma revolução na cadeia da construção civil, especialmente na área
de engenharia”
“Os investimentos são alavancadores de outros investimentos.
Outras indústrias trazem outras indústrias, que criam demanda no
mercado imobiliário”
“Os investimentos forçam o Estado a investir em uma infra-estrutura essencial ao seu funcionamento: acessibilidade, tratamento de resíduos sólidos, saneamento, abastecimento de água e energia. Tudo isso é
engenharia”
Embora predomine uma visão otimista quanto ao futuro desempenho da cadeia da construção civil em Pernambuco, alguns riscos podem
dificultar o aproveitamento das oportunidades que se abrem ao desenvolvimento da cadeia no Estado:
•oferta insuficiente, em qualidade e quantidade, de profissionais qualificados, provocando uma importação da mão-de-obra de outros Estados ou do exterior;
•alarde que essas grandes obras vão ficar para as grandes empresas
nacionais, prejudicando as médias e pequenas empresas locais, pois
Pernambuco não tem grandes empresas na área de obras”.
Confirmadas as taxas elevadas de crescimento da economia pernambucana, a construção civil deverá registrar, nos próximos anos (2007-2020), uma
leve e continuada elevação da participação relativa no PIB de Pernambuco.
Como mostra o Gráfico 6, em 2007 a construção civil já representava 10,2% do
PIB pernambucano, passando para 11,5% em 2020.
4.2 Perspectivas de encadeamento e adensamento
As perspectivas geradas pela dinamização da construção civil em Pernambuco são muito altas, especialmente para alguns elos da cadeia produtiva. Para os especialistas na análise da cadeia, mesmo quando os produtos exigidos na construção não são produzidos no Estado, as empresas não
encontram dificuldades no atendimento às suas demandas em outros mercados. Isto tudo é facilitado pela modernização do sistema de comunicação
e pela dinamização no mercado das compras a distância, realizadas via
Capítulo 4 - Dinamismo futuro da cadeia produtiva em Pernambuco
23
Internet, com acesso a catálogos. Durante as entrevistas, ficou patente o otimismo dos representantes de diversos segmentos da cadeia quanto às possibilidades do seu adensamento, com produção local de algumas matérias-primas e demandas da construção:
“De uma maneira geral, toda a cadeia produtiva vai crescer”
“Todos os elos têm potencial de crescimento, pois se a construção civil
cresce, a demanda por todos os seus elementos aumenta“
“São centenas de itens diferentes que compõem os materiais usados
na construção civil — e uma boa parte deles pode ser produzida aqui”
“Surge um novo mercado dentro da construção civil, que demanda novos produtos e serviços. Quem se preparar para isso, vai sair na
frente”
4.3 Oportunidades de negócios futuros
Como resultado do crescimento setorial, ao longo dos próximos 13 anos, o volume de negócios da construção civil em Pernambuco deverá aumentar em valores absolutos. A simulação baseada
na evolução da participação do setor no PIB futuro de Pernambu-
24
Cadeia produtiva da construção civil
co leva a uma evolução significativa do volume de produção da
construção civil (Gráfico 7).
Em 13 anos, quase triplicará o volume de negócios da construção civil em Pernambuco, passando de R$ 6,39 bilhões, em 2007,
para algo próximo de R$ 17 bilhões, em 2020. Uma das principais
atividades beneficiadas no encadeamento produtivo é a indústria de
minerais não-metálicos, que terá ampliada a demanda pela construção civil em expansão; combinando a demanda da construção com a
exportação (para fora do Estado e para o exterior) de alguns produtos
como gesso, a indústria de minerais não-metálicos registrará também
uma evolução significativa do seu volume de negócios. Conforme o Gráfico 8, o valor da produção da atividade aumentará de R$ 754 milhões, em
2007, para cerca de R$ 2,35 bilhões, em 2020.
O dinamismo futuro da construção civil abrirá amplas oportunidades de negócios nos elos da sua cadeia produtiva. Na cadeia principal, as
grandes oportunidades de investimento aparecem nos seguintes elos:
•empresas construtoras - empreendedoras e construtoras ampliarão
consideravelmente as suas atividades em Pernambuco nos três segmentos da construção civil (construção pesada, montagens industriais e plataformas, e edificações industriais, comerciais e residenciais). Sinais de revitalização do mercado podem ser percebidos pela
instalação, em Pernambuco, de escritórios de algumas das grandes
construtoras nacionais. Além disso, merece destaque o fato de várias
empresas que atuam no setor no Estado trabalharem com certificado
ISO 9000;
Capítulo 4 - Dinamismo futuro da cadeia produtiva em Pernambuco
25
•matérias-primas básicas - a ampliação do número de obras acarretará o imediato crescimento no consumo de materiais básicos de construção, gerando dinamismo no mercado, especialmente de insumos produzidos ou explorados localmente — areia, cimento, brita, tinta etc. Isto provocará um grande dinamismo, especialmente no comércio de
materiais de construção, tanto para as obras de maior porte como para
as construções de pequeno porte;
•ferramentas e equipamentos - a distribuição de ferramentas e equipamentos de construção civil terá o seu consumo bastante ampliado
em decorrência do crescimento do número de obras;
•serviços técnicos especializados - além da demanda direta por
profissionais qualificados nos serviços de engenharia, deverá
ocorrer um forte dinamismo das atividades voltadas para os serviços especializados — desenvolvimento de projetos, transporte de
apoio, serviços de alimentação, vestuário para os trabalhadores
da obra e equipamentos de segurança individual e coletiva, assim como para os serviços de segurança trabalhista e patrimonial;
•serviços de consultoria - a expectativa será de crescimento dos
serviços terceirizados de consultoria em engenharia e projetos
nas áreas geotécnica, civil, mecânica e elétrica, sondagens e
análises de solo, movimentação de terra e fundação, e levantamento topográfico;
26
Cadeia produtiva da construção civil
•comércio atacadista e varejista - a comercialização de
produtos da construção civil deverá acompanhar o crescimento da oferta de residências da mesma forma que o
pequeno varejo deverá se expandir na venda de materiais
para as pequenas obras.
Na cadeia a montante, vários elos deverão ser dinamizados, com
clara oportunidade de investimento e produção em Pernambuco:
•insumos não-metálicos - os produtos de madeira que vêm
sendo substituídos por similares em plástico, mesmo ainda não
produzidos aqui, abrirão uma possibilidade de implantação de
novas empresas no Estado, para atendimento do mercado local.
Também haverá um incremento na utilização de fôrmas de concreto, em substituição às de madeira, que apresentam a possibilidade de reutilização, o que significa uma economia na produção da obra. O gesso é o produto que apresenta o maior potencial
de crescimento no Estado, pela grande concentração do minério
na produção local. Com efeito, Pernambuco possui a maior reserva de gesso do Brasil, com 90% das jazidas ainda pouco exploradas. Além disso, a brita utilizada nas obras também é adquirida no
mercado local, a argamassa é produzida em Pernambuco por indústrias de grande porte (nacionais e internacionais), a vidraçaria pode
crescer muito porque é pouco explorada no Estado, e o granito tem
boas chances de crescimento já que Pernambuco tem boas jazidas a
explorar;
•siderurgia e metalurgia básica - embora o Estado não apresente autosuficiência na produção dos insumos de siderurgia e metalurgia básica,
muitos desses produtos serão produzidos por empresas já implantadas
no parque industrial local, com amplas possibilidades de ampliação da
sua capacidade produtiva;
•máquinas e equipamentos - a economia pernambucana poderá suprir
uma boa parte da demanda existente para a construção civil, especialmente com ferramentas simples (pás, enxadas etc);
•indústria cerâmica - os segmentos da indústria cerâmica com mais chan ce de expansão em Pernambuco serão os de cerâmica vermelha (ti jolos e telhas) e os de cerâmica de piso de luxo, em função da amplia ção da produção da Pamesa para o mercado interno e para exportação.
A expansão da construção civil deverá promover também um grande
dinamismo nos elos que se situam a jusante da cadeia produtiva, com maiores oportunidades em:
Capítulo 4 - Dinamismo futuro da cadeia produtiva em Pernambuco
27
•reaproveitamento de entulhos - acompanhando uma tendência mundial, o reaproveitamento de materiais de demolição e de entulhos da obra abrirá espaço para novos mercados locais, cuja atiatividade diminuirá o lixo e reciclará tudo o que for possível;
•transporte de entulhos - o crescimento do reaproveitamento de
entulhos deverá promover um estímulo à atividade de transporte
dos materiais residuais das obras civis;
•movelaria - haverá uma tendência de crescimento na produção
pernambucana de móveis para mobiliar residências e escritórios, além
de instalações que irão se expandir como resultado da construção;
•manutenção de imóveis - a manutenção de imóveis envolverá uma
ampla gama de serviços especializados, tais como manutenção e reparação de elevadores, serviços de refrigeração, sistema de eletricidade
e gás, administração de condomínios, segurança etc.
Embora sejam abertas amplas oportunidades de negócios em Pernambuco, nos elos da cadeia produtiva da construção civil, existem restrições e dificuldades que poderão inibir os elos mais frágeis. Neles, se não forem tomadas medidas para melhorar a competitividade e a qualidade dos produtos, o
crescimento da demanda poderá não ser atendido pelas empresas instaladas
no território pernambucano. Os principais problemas e as grandes dificuldades para o crescimento de alguns elos da cadeia produtiva da construção
civil são:
•baixa competitividade das pequenas empresas familiares;
•cartéis de alguns produtos que serão demandados pela construção civil
como ferro, alumínio e cimento, e não deixarão nenhuma chance de
competitividade para as empresas locais;
•exclusão das pequenas empresas nas obras de grande porte já no
processo de licitação;
•falta de material para produção no Estado de muitos produtos
(insumos e matérias-primas), atualmente comprados fora de Pernambuco pelas empresas de construção civil;
•limitação do capital de giro e informalidade da mão-de-obra
em grande parte das empresas prestadoras de serviços na cadeia
produtiva;
•baixa qualidade dos produtos das pequenas construtoras, com
risco para a segurança dos condôminos e de seus trabalhadores.
28
Cadeia produtiva da construção civil
Os elos apontados com maior dificuldade de produção
efetiva no Estado foram:
•indústria madeireira - Pernambuco não produz madeira
e a regulamentação da sua extração apresenta-se como
uma proibição/limitação no Estado. As madeiras adquiridas pela construção civil são, em geral, de pequenas madeireiras, sem o mínimo controle de qualidade. Está havendo
uma substituição desses insumos por produtos metálicos, que
são reaproveitáveis e podem ser usados em várias obras. Não
existem empresas locais que produzam fôrmas para concreto e nem peças de acabamento como janelas e portas de qualidade. Estes produtos são comprados, via de regra, em outros
Estados;
•areia - a regulamentação da proibição/limitação da retirada de
areia perto do leito de rios provoca oferta irregular ou material de
qualidade baixa;
•olaria - as olarias de Pernambuco não possuem estrutura para atender à demanda dos grandes construtores, além de apresentarem
problemas de qualidade que levam à quebra freqüente dos produtos (principalmente tijolos);
•siderurgia/metalurgia básica - quase todo o ferro utilizado nas construções locais é importado de outros Estados, sendo o mercado dominado pela Belgo-Mineira (da mesma forma, os materiais de acabamento produzidos no Estado têm baixa qualidade);
•máquinas e equipamentos - as máquinas utilizadas nas grandes
obras têm pouca chance de serem produzidas em Pernambuco, especialmente tratores e ferramentas sofisticadas (a escala da demanda
pode, no futuro, viabilizar a implantação de alguma empresa nacional no Estado);
•material elétrico - Pernambuco já produziu parte do material elétrico
demandado pela construção civil, mas hoje a maior parte dos insumos vem de São Paulo;
•granito - embora Pernambuco tenha boas jazidas, o Estado produz
apenas 30% do granito utilizado na construção civil, abrindo oportunidades de novos negócios;
•cerâmica - grande parte da cerâmica de acabamento vem de fora de
Pernambuco;
•materiais não-metálicos - tubos e conexões não são produzidos em
Pernambuco, sendo adquiridos em outros Estados do Brasil;
Capítulo 4 - Dinamismo futuro da cadeia produtiva em Pernambuco
29
•serviços especializados - alguns serviços demandados na obra não
estão disponibilizados no mercado local. Existem poucos pintores especializados em serviços de pintura de interior — só existe um fornecedor local especializado em assentamento de portas.
Essas limitações da oferta local de matérias-primas, insumos, máquinas
e serviços podem, por outro lado, constituir uma oportunidade de negócios em
Pernambuco, desde que haja escala compatível com a eficiência produtiva e
empresários qualificados para essas atividades.
30
Cadeia produtiva da construção civil
Capítulo 5
Espaços das MPEs na
cadeia produtiva
A expansão da cadeia produtiva da construção civil no futuro cria
oportunidades para o conjunto da economia, com vários espaços importantes para as micro e pequenas empresas de Pernambuco. Com estimativas de
participação das MPEs no produto setorial7, o Gráfico 9 mostra que a evolução da atividade-âncora abre oportunidades para a ampliação do número de
empresas de pequeno porte, podendo evoluir de 4.553, em 2007, para cerca
de 6.338 empreendimentos, em 2020. Isto representa a criação, nos próximos
13 anos, de nada menos que 1.786 novas MPEs, numa média anual de 137
novos negócios na construção — este número será menor no início, acelerando-se na medida em que se aproxima do final do período.
A evolução das empresas é acompanhada do potencial de crescimento das receitas médias anuais das micro e pequenas empresas na construção
civil de Pernambuco. A partir de uma estimativa de receita de R$ 1,43 bilhão,
em 2007, deverá ocorrer uma expansão dos negócios, alcançando cerca de
R$ 1,83 bilhão, em 2010, e quase R$ 4,17 bilhões, em 20208.
Na indústria de minerais não-metálicos, fortemente articulada com a
construção civil, também ocorre um crescimento importante do número de
empreendimentos de pequeno porte e da receita das MPEs. O número de
empresas cresceu de 1.039, em 2004, para cerca de 1.406, em 2007, passando para 1.773, em 2010, e saltando para 2.997 empresas, em 2020. Desta
Capítulo 5 - Espaços das MPEs na cadeia produtiva
7Foi considerado que a participação das
MPEs no total de empreendimentos e na
receita da indústria de transformação no
Nordeste representa uma aproximação
razoável do desempenho na construção
civil.
8Mais detalhes sobre a metodologia de
simulação, ver Apêndice C.
31
forma, deverão ser criadas 1.591 novas empresas nos próximos 13 anos (Gráfico 10).
A receita total das MPEs também aumentará na mesma velocidade, passando de R$ 91,9 milhões (2004) para R$ 132 milhões (2007), R$ 191 milhões
(2010) e cerca de R$ 647 milhões (2020). Assim, a receita total das MPEs na
indústria de minerais não-metálicos mais do que quadruplicará no período
(2007-2020), abrindo um espaço significativo para as empresas já existentes
e para os novos empreendimentos.
No conjunto da cadeia produtiva articulada pela atividade de construção civil, as MPEs têm mais oportunidade de crescer e ocupar espaços
de produção nas seguintes atividades:
•cerâmica vermelha;
•produção e beneficiamento de gesso (incluindo drywall);
•materiais de construção como brita, cal, argamassa e granito;
•produção de pré-moldados de concreto;
•produção e fornecimento de serviços de marcenaria, portas
metálicas e de madeira, esquadrias etc;
•transporte e processamento de resíduos e entulhos, não obstante a barreira de capital mínimo exigido pela atividade;
•serviços de manutenção de ferramentas, máquinas e equipamentos de construção, e equipamentos eletromecânicos;
32
Cadeia produtiva da construção civil
•serviços prestados9;
•produção e fornecimento de roupas especiais (máscaras, luvas e
botas);
•serviços de segurança e medicina do trabalho;
•gerência de condomínios;
•locação de mão-de-obra;
•comércio varejista de equipamentos de segurança patrimonial;
•transporte de apoio de mercadorias e de pessoal;
•fornecimento de combustíveis e produtos inflamáveis em geral;
•fornecimento de máquinas e equipamentos especiais;
•serviços de pintura e acabamento;
•serviços de lavanderia;
•serviços de publicidade e marketing;
•serviços gráficos em geral;
•comércio varejista de materiais diversos de construção e acabamento,
e de ferramentas para construção;
•serviços técnicos especializados de sondagem, testes e controle de
qualidade;
•serviços de assentamento de cerâmica e gesso, pintura, marcenaria,
enquadramento metálico etc;
•serviços de impermeabilização;
•serviços de decoração, ambientação e arte-final;
Capítulo 5 - Espaços das MPEs na cadeia produtiva
9De acordo com os participantes da
oficina temática, é o segmento com
maiores chances de crescimento; em São
Paulo, a produção de uma obra já é 70%
terceirizada (aproximadamente). Nos
Estados Unidos, este percentual sobe
para mais de 90%.
33
•serviços de manutenção e conservação de imóveis - elevadores,
sistemas elétrico e hidráulico, refrigeração, instalação de gás, jardinagem etc;
•administração de imóveis;
•serviços de coleta de lixo;
•serviços de comercialização imobiliária;
•serviços de inspeção técnica (a lei obriga que a cada cinco anos seja
feita uma inspeção na obra);
•serviços de alimentação (cada obra dispõe de restaurante para os seus
empregados - este serviço pode ser oferecido pela construtora, mas na
maioria das vezes é terceirizado, principalmente nas grandes obras).
Os depoimentos dos empresários e técnicos entrevistados confirmam
essas áreas de oportunidades para as MPEs na cadeia da construção civil:
“Nas obras de grande porte, como na construção de estradas, as grandes
empresas terceirizam, contratam MPEs para a elaboração de vários trabalhos”
“Um dos setores que mais abrem oportunidades para as MPEs é o setor
de instalação de serviços numa obra — instaladores hidráulicos e elétricos,
centrais de refrigeração etc”
“Nesse processo de desenvolvimento, a tendência é que poucas grandes
empresas se instalem, circuladas por um grande número de micro e pequenas. Assim, todos os setores crescem”
“Uma das oportunidades é a implantação de um laboratório para testar a qualidade do produto de areia utilizado na construção civil no Estado”
“A construção de prédios altos, com alta tecnologia, vem exigindo uma
maior capacidade dos profissionais envolvidos. Esta pode ser uma grande
oportunidade de negócios para as subempreiteiras, não só na prestação
de serviços de construção dos prédios, como nos contratos de manutenção
com os condomínios”
34
Cadeia produtiva da construção civil
Referências
CBIC. Relatório Estatístico da Construção Civil. 2003.
FADE/UFPE/SEPLANDES/CONDEPE/IPEA. Estudo dos impactos sócio-econômicos e espaciais do projeto de duplicação da BR-232: identificação de
clusters. Recife, 2002.
FADE/UFPE/SEBRE. Estudo de caracterização econômica do Pólo de Confecções do Agreste pernambucano. Recife, 2003.
MAIA GOMES, Gustavo; VERGULINO, José Raimundo. Perfis econômicos e
construção de cenários de desenvolvimento para o Estado de Pernambuco.
Recife, 2005.
SEBRAE/MULTIVISÃO. Cenários alternativos de Pernambuco. Recife, 2007.
______. Evolução da estrutura produtiva futura de Pernambuco. Recife,
2007.
FIESP. Agenda de política para a cadeia produtiva da construção civil.
2004.
35
CARDOSO, Luiz R A; KENYA ABIKO, Alex; GONÇALVES, Orestes M.
Estudo prospectivo da cadeia produtiva da construção civil no Brasil: produção e comercialização de unidades habitacionais. 2003.
MDIC. Perfil da Cadeia Produtiva da Construção Civil. 2004.
STI/MDIC/PCC/USP. O futuro da construção civil no Brasil - Resultados de
um estudo de prospecção tecnológica da cadeia produtiva da construção habitacional. 2003.
36
Apêndices
A - Lista de entrevistados
Antônio Callou Cruz
Gabriel José Dubeux Melo
José Renildo Guedes
Marcos Roberto de Oliveira Cavalcanti
Roberto Muniz
B - Metodologia de simulação macroeconômica
Para mais detalhes sobre a metodologia de simulação da evolução futura da
participação dos setores produtivos no PIB agregado, sugerimos a leitura
do texto “Desempenho econômico e desempenho industrial no Brasil”, de
Regis Bonelli e Armando Castelar (IPEA, 2003), no qual os autores destacam que a distribuição setorial de longo prazo do PIB segue um padrão de
37
mudança onde, num primeiro momento, as atividades agropecuárias perdem peso em relação à indústria que, mais à frente, perde espaço para
o setor de serviços. Ademais, a intensidade e o ritmo da transformação
estrutural da economia pernambucana foram condicionados pelo resultado
combinado de cinco processos referidos na trajetória futura mais provável:
a distribuição setorial dos investimentos produtivos; os impactos previsíveis dos grandes investimentos na estrutura produtiva; os investimentos em
infra-estrutura previstos influenciando a competitividade de atividades e
potencialidades de Pernambuco; os fatores externos (mundiais e nacionais)
com impacto na estrutura produtiva do Estado; e a distribuição da demanda
de bens e serviços de consumo final, que resulta da renda gerada na economia (efeito renda).
C - Metodologia de simulação do market share das MPEs
A metodologia de simulação da expansão do número de empresas e do volume de vendas em cada segmento foi construída a partir dos dados disponíveis nas seguintes fontes: Rais/MTE, ano-base 2004; PAS/IBGE, ano-base
2004 e PIA/IBGE, ano-base 2004. Estes relatórios forneceram os dados
relativos ao número de empresas (com ou sem empregados), ao volume
de vendas e ao valor da produção no ano-base 2004. A estimativa do volume de vendas futuras de um dado segmento produtivo ‘i’, em um ano ‘j’,
foi obtida multiplicando-se o PIB do segmento ‘i’ (importado das simulações macroeconômicas), no ano ‘j’, pela relação entre o volume de vendas e o PIB do segmento ‘i’, no ano-base 2004 (obtido das fontes citadas). Tal relação, para simplificação, foi considerada constante ao longo
do horizonte. A simulação da evolução futura do número de empresa
do segmento ‘i’, no ano ‘j’, foi, por sua vez, obtida dividindo-se o valor
do volume de vendas do segmento ‘i’, no ano ‘j’, pelo valor médio das
vendas do segmento no ano ‘j’, o qual foi estimado como uma proporção da receita média do setor, no ano ‘j’. Esta proporção (dada pela
relação entre as vendas do segmento ‘i’ e as vendas do setor em
2004) foi mantida constante ao longo do horizonte. A simulação da
evolução do contingente de MPEs e dos respectivos volumes de
negócios para o segmento ‘i’, no ano ‘j’, foi feita multiplicando-se
os valores alcançados para o segmento ‘i’, no ano ‘j’, pelas relações de participação das MPEs no número de empresas e no
volume de negócios, verificadas em 2004. Vale mencionar que
38
a participação no número total de empresas foi mantida constante ao longo da projeção, mas a participação nas vendas evoluiu linearmente ao longo do horizonte, partindo, em 2004, de
14,9% para 20%, em 2020.
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