porta-luvas EDITORIAL Leitores aprovam Porta-Luvas Surpreendente a repercussão do primeiro número da revista Porta-Luvas. Cartas e emails chegaram à redação, com comentários que indicam o acerto em seu lançamento e no seu conteúdo. Aumenta o nosso compromisso com a cultura regional, o que procuramos cumprir em mais este número. A começar pela reportagem que aborda os conceitos de cultura e de sua produção, o que nos leva a rememorar tradições que se mantêm, ainda que com novo foco, vivas na atividade de muitas pessoas: o fogão a lenha, o grupo de catira de Rio Claro e, com um pouco de história, a primeira travessia aérea do Oceano Atlântico. Em destaque, a matéria de capa que aborda a realização do 33º Salão Internacional de Humor de Piracicaba, um evento que dá graça à arte de ver o mundo com bom humor. Cultura também está presente na atuação da OHL em diversas ações regionais, com o recolhimento do imposto sobre serviços e com apoios culturais, cujo registro nesta edição é a comemoração do 68º aniversário da Orquestra Sinfônica de Ribeirão Preto, completados juntos com os 150 anos daquela cidade. Venha conosco conhecer esses assuntos! S U M Á R I O 4 6 10 13 16 Mapeamento Cultural Cidades beneficiadas pela cultura da revista Porta-Luvas. Artes Visuais Salão Internacional do Humor de Piracicaba atrai visitantes de todo o mundo Fórum Função da cultura é de encantamento e transformação Tradição Popular Fogão a lenha resgata o sabor do passado Agenda Confira as opções de lazer nos meses de agosto, setembro e outubro. 18 20 23 26 30 Tradição Popular Catira - na batida da bota, na palma da mão Tradição Guatapará – onde a cultura japonesa é preservada há gerações Patrimônio Cultural João Ribeiro de Barros – a história de um vôo inédito Patrocinador ISSQN – tributo com bom resultado e Orquestra Sinfônica de Ribeirão Preto Um Conto Jurema, o Maná do Rei Editor: Fernando Bueno - Milagre do Verbo Editora Ltda ME Editora/Administrativo e Financeiro: Emana Imagem & Cultura Ltda Redação: Milagre do Verbo Editora Ltda ME Colaboradores: Eduardo Fernandes Begnami e Marcos Garcia Distribuição gratuita Editoração: Gilmar Elidio de Jesus (colaborador) Tiragem: 150.000 exemplares Proibida a reprodução total ou parcial de textos, fotografias e ilustrações sem autorização da Emana Imagem & Cultura Ltda. 3 porta-luvas ARTES VISUAIS Aqui o humor é levado a sério Salão Internacional de Humor de Piracicaba atrai visitantes de todo o mundo em busca de diversão criativa e rica em qualidade Maria Cristina Marmilli 6 Jaguar, Fortuna, Zélio, Glauco, Paulo Caruso, Chico Caruso, entre outros, estiveram presentes em várias edições e muitos deles tiveram suas carreiras lançadas pelo Salão de Humor. Segundo a diretora do Centro Nacional de Humor de Piracicaba, Maria Ivete Araújo Marcolino, a Zetti, com o passar dos anos o Salão sofreu algumas mudanças e a principal delas foi quanto à sua dimensão. “O Salão de Foto: Maria Cristina Marmilli Criado em 1974 por um grupo de jornalistas piracicabanos para incentivar a descoberta de novos talentos do humor gráfico e das histórias em quadrinhos, o Salão Internacional de Humor de Piracicaba é hoje um dos principais eventos do universo das artes gráficas, da indústria editorial e das histórias em quadrinhos, reconhecido nacional e internacionalmente. Durante todos esses anos, artistas de diferentes par tes do mundo expuseram suas peças retratando fatos históricos, temas jornalísticos da atualidade, assuntos universais e personalidades com muito humor e criatividade. Combinação que atrai a cada edição um público variado e cada vez maior. A sua projeção no exterior foi consolidada já no ano de 76, com as par ticipações de Dickinson, editor da revista inglesa Punch; Aragonês, da revista Mad e Sábat, do jornal La Nácion, da Argentina. Nomes consagrados como Angeli, Laerte, Ziraldo, Luis Fernando Veríssimo, Zetti exibe orgulhosa as caricaturas que ganhou de vários artistas. porta-luvas de enviar seus trabalhos”, explica Zetti. Os temas mais recorrentes eleitos pelos artistas também variam ao longo dos anos de acordo com o contexto da época em questão. Arquiteto formado pela FAU/USP, o premiado também que o evento foi um dos responsáveis pelo aprimoramento das técnicas utilizadas. A cada ano a gente percebe que os cartunistas realizaram um amplo trabalho de pesquisa antes cartunista e caricaturista Paulo Caruso faz uma análise dessa evolução: “No final dos anos setenta ainda era a crítica à ditadura, nos oitenta o desmonte do comunismo, com a participação dos artistas do Leste europeu, como o ucr aniano Yurij Kosobukin, ganhador em vários salões. Logo a seguir o humor de comportamento ocupou seu espaço, ironizando as relações machistas ou a religião, por exemplo. Nos anos noventa em diante comentários sobre a violência, o terrorismo ou as crises no abastecimento de água ou petróleo se fizeram presentes. Assim, sucessivamente, cada época tem o humor que merece” , afirma Caruso. Laerte Gilson Luiz Hypolito humor passou a ter maior projeção nacional e internacional e suas atividades paralelas foram crescendo. Hoje há a exposição principal, várias mostras paralelas, teatros, concurso de piadas e shows humorísticos. É importante destacar 7 porta-luvas Realizado no Armazém 14 do Engenho Central, em Piracicaba, o Salão de Humor deu um grande passo para sua modernização no ano de 2003 e várias propostas para seu futuro foram discutidas em uma reunião que contou com a presença de mais de 200 artistas. Os destaques ficaram por conta da criação do primeiro Salãozinho de Humor e das três publicações coordenadas por Paulo Caruso: o catálogo de 2003 e os livros “Os Quinze de Piracicaba” e “Piracicaba 30 anos de Humor”, um compêndio sobre as histórias do Salão, desde sua criação. Com mais de trinta anos, o acervo do Salão é constituído de 370 trabalhos com grande valor histórico-analítico, retratando cada época e o sentimento que nor teou a produção cultural, além da visão individual de cada artista. “É um dos nossos mais valiosos patrimônios no ter reno das ar tes 8 gráficas, cobiçado pelo mundo todo, como atesta ao longo desses anos a participação dos artistas estrangeiros”, avalia Caruso. Em sua 33ª edição, o Salão deste ano será realizado de 26 de agosto a 15 de outubro e promete ser mais um grande sucesso. Concorrerão artistas profissionais e amadores em quatro categorias: car tum, char ge, caricatura e tiras, com tema livre. Os premiados receberão um total de R$ 25 mil em prêmios, divididos entre os primeiros e segundos colocados nas quatro categorias. Ar tista homenageado da edição de 2006 do Salão, o gaúcho Adão Iturrusgarai desenhou o cartaz de divulgação do evento, composto por várias cenas trágicas, mas que ainda assim extraem o riso dos personagens. No ano passado a mostra principal reuniu 245 trabalhos nas quatro categorias, escolhidos entre os 1800 desenhos vindos de 27 países. A exposição foi visitada por cerca de 50 mil pessoas. porta-luvas Pequenos grandes artistas Jovens entre sete e 14 anos são os grandes ar tistas no Salãozinho de Humor de Piracicaba, que é realizado pelo quarto ano consecutivo com o intuito de incentivar alunos da rede pública e par ticular de ensino à prática artística e desenvolver o humor construtivo, o senso crítico e intelectual. A competição acontece nos mesmos moldes do Salão Internacional de Humor de Piracicaba e é dividida em duas categorias: alunos entre 7 e 10 anos de idade e alunos entre 11 e 14 anos. A exposição dos trabalhos selecionados acontecerá de 26 de setembro até 15 de outubro, paralelamente à mostra principal do evento. O que é? Car tum – piada gráfica com temas universais e Cartum atemporais. Charge – representação gráfica de um tema jornalístico da atualidade. Caricatura – Deformação gráfica reconhecível de personalidades. Tir as – arte gráfica em seqüência com enredo Tiras que se fecha em formato padrão, usualmente publicado em colunas de jornal. 33º Salão de Humor de Piracicaba Armazém 14 do Parque Engenho Central Avenida Maurice Allain, 454, Piracicaba - SP - Fone: (19) 3403 2620 Visitação: abertura a partir das 20h no dia 26 de agosto / das 10h às 21h de 27 de agosto até 15 de outubro. A entrada é gratuita. www.salaodehumordepiracicaba.com.br 9 porta-luvas FÓRUM Função da Cultura é de encantamento e transformação Jousy Mirelle O termo Cultura – e suas variações, como “Cultura de Massa”, “Boa Cultura”, “Cultura de Botequim”, “Cultura Erudita”, etc. – é abrangente, ninguém discorda. Mas o que arte tem a ver com Cultura? O que é belo e o que não é? Gosto se discute? Porta-Luvas reuniu profissionais de áreas distintas, porém, com vidas entrelaçadas pela arte e pelo ato de fazer Cultura cotidianamente, para tentar ampliar esta discussão. O que se descobriu é que acadêmicos e artistas vêem a vida por seus prismas pessoais, mas tanto uns como os outros garantem: Cultura encanta o corpo e a alma, tem a ver com discernimento da própria vida e deve ser praticada em sociedade. Escritor reconhecido em todo Brasil, Prêmio Jabuti 2000 com o livro “À Sombra do Cipreste”, Menalton Braff é gaúcho de Taquara, mas fincou raízes há anos na pequena Serrana, ao lado de Ribeirão Preto. Para ele, o homem se distingue dos outros animais justamente por suas necessidades. Para Menalton Braff, a arte tem que ser questionadora 10 “Cultura é alimento para a alma, para a essência. Os bens materiais são ilusórios, passageiros e não condizem com as verdades do íntimo” Evandro Navarro porta-luvas Ribeirão Preto desde os anos 70. Eliana Maria de Melo, professora doutora do Departamento de Sociologia da Unesp (Universidade Estadual Paulista), campus de Araraquara (SP), acrescenta que os conceitos de Braff e Navarro não podem ser aceitos sozinhos. “A Cultura faz parte do discernimento. Ocupa uma dimensão no espaço para discussão, como algo intersubjetivo do aqui e do agora. Vai além do preenchimento da alma. Tem a ver com a relação do outro no espaço em que se vive”, diz. Ela explica que Cultura não é algo para se Foto: Tiago Morgan “Queremos consumir valores éticos e filosóficos. A Cultura tem função de encantamento e transformação de quem a consome. A literatura faz isso bem. A narrativa busca questões sobre o que somos e de onde somos. O leitor fica curioso em saber como é o outro através do personagem da história”, emenda. “Cultura é alimento para a alma, para a essência. Os bens materiais são ilusórios, passageiros e não condizem com as verdades do íntimo” , afirma o músico mineiro de Muzambinho, Evandro Navarro, radicado em Folia de Reis em Ribeirão Preto é manifestação da cultura popular 11 “Cultura é alimento para a alma”, Evandro Navarro O poder transformador da Cultura fez com que o artesão de Araraquara se tornasse uma pessoa bem melhor, segundo ele próprio. “Trabalho com madeira. Ela deve ser cortada na direção do veio. Se eu tentar fazer de outra forma, a madeira é perfurada, mas não consigo cortá-la. O que quero dizer com isso é que com minha arte aprendi a me disciplinar e fazer as coisas de acordo com um planejamento. Torneime observador, atento aos sentimentos dos outros”, conta. Menalton Braff salienta que a arte da literatura ajudou na formação de seu caráter. “Quando era adolescente li um livro de Erico Veríssimo, ‘Olhai os lírios do campo’. Era a história de um médico que se casou por interesse, e amava uma outra mulher. Depois que o seu verdadeiro amor morreu, ele começou a mudar seus valores. Eu comecei aí a formar os meus. A arte não deve ser apenas reprodutora. Ela tem que ser questionadora”, conclui. Encenação da Paixão de Cristo em Ribeirão Preto é tradição 12 Foto: Tiago Morgan usufruir sozinho e, sim, partilhada e praticada em sociedade, para que as pessoas possam pensar sobre o que verdadeiramente é arte. Para o artesão Jaivon da Silva Lima, também de Araraquara, as pessoas confundem arte com, por exemplo, decoração. “Hoje se coloca um quadro em casa para combinar com as paredes e com os móveis. Arte e cultura têm que ter o poder de apresentar algo que já conhecemos, mas que pode ser retratado de várias maneiras. Os homens das cavernas, por exemplo, desenhavam o cotidiano, não faziam traços para combinar com cores”, ressalta. A Cultura, segundo os artistas, não muda somente o público que a consome, mas mexe principalmente com eles mesmos. “A música é tudo para mim. Ajudou na minha formação moral e emocional. Aprendo muito ouvindo outros artistas. De vez em quando falo: como esse compositor conseguiu dizer exatamente o que eu sinto? É claro que a música não tem que explicar nada, mas ela acaba sendo libertadora”, afirma Evandro Navarro. Para ele, atualmente o que deve ser criticado é o grande espaço que se dá a produtos de baixa qualidade e o pequeno espaço para as grandes obras. “Existe muita obra musical que deveria ser conhecida por todos, mas que morre no anonimato. A sociedade consumista quer música que dure pouco”, desabafa. Foto: Mariah Guazzelli porta-luvas porta-luvas TRADIÇÃO POPULAR Fogão a lenha resgata o sabor do passado “...Fogão de lenha, e uma rede na varanda. Arrume tudo mãe querida, que seu filho vai voltar” (Trecho da música Fogão de Lenha, de Xororó, Carlos Colla e Maurício Duboc). Foto: Katia Fanticelli Maria Cristina Marmilli SP, José Carlos Victorello é especialista no assunto e convive desde cedo com esse equipamento tão tradicional da cultura brasileira. Construiu seu primeiro fogão a lenha com apenas quinze anos de idade: “E o fogão funcionou!”, diz animado. Ainda jovem ganhou uma bolsa de estudos do governo austríaco e mudou-se para o país onde fez três anos de estágio em siderurgia. “Eu aprendi sobre refratários, isoladores térmicos, essas coisas que um dia eu iria usar sem saber. Pois, na época, eu fui trabalhar como executivo de multinacional na área de peças para automóvel”, conta Victorello. Mesmo trabalhando na empresa, não Foto: Katia Fanticelli Ele é muito mais que um antigo item da cozinha, utilizado por nossos avós. Com o passar dos anos, o fogão a lenha ganhou um significado muito especial e tornou-se uma figura de resgate cultural, trazendo à tona boas lembranças, estimulando a reunião da família e dos amigos e fazendo da arte de cozinhar um ritual em busca de prazer e sossego. Essa nova função pode explicar a volta desse velho conhecido às cozinhas em pleno século XXI, caindo nas graças de um público bastante variado, de diferentes idades e pertencente à diferentes classes sociais. Proprietário de uma oficina onde constrói fogões e fornos a lenha, instalada em Araras- 13 deixou de lado a paixão pelos fogões e construía pelo menos uma peça por ano. Após a aposentadoria, passou a se dedicar inteiramente a esta atividade, fez seu primeiro protótipo e o levou para o Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo (IPT), que elaborou um trabalho de mapeamento de temperaturas internas. “Este relatório nos permitiu conhecer as verdadeiras faixas de temperatura de trabalho de um fogão a lenha e, com isso, pudemos fazer diversas correções e modificações”, afirma. Para o empresário de 61 anos, a volta do fogão a lenha contribuiu para a reconsideração da atmosfera familiar que havia sido perdida. “Antes a cozinha era aquele 14 espaço generoso, onde as famílias se reuniam, eu fazia a lição da escola na mesa após o jantar, meu pai ficava por ali, minha avó costurava. Araras era uma cidade mais úmida, então o calor do fogão a lenha deixava o ambiente muito aconchegante”, relembra. “Com a chegada do gás no final da década de 50, virou moda tirar o fogão a lenha da cozinha, que foi dividida e virou um ambiente mais resumido. Mas de uns anos pra cá a função cultural do fogão a lenha está sendo resgatada”, analisa Victorello. Um dos fatores que contribuíram para a valorização do fogão a lenha fazendo com que cada vez mais pessoas buscassem ter um em casa é a modernização dos materiais utilizados na construção das peças, porém preservando aquele aspecto rústico e tradicional do fogão. Segundo Victorello “o fogão dos nossos avós era um fogão primitivo, construído com aquilo que eles tinham, que era o tijolo e o barro. Esse fogão demorava para acender e para esquentar; para nossa atual realidade, ele seria inviável. Hoje existem novos materiais, refratáveis e isoladores térmicos que permitem um aquecimento quase que instantâneo. No entanto o fogão a lenha não pode perder a sua rusticidade, e isso eu faço questão de conservar”. Foto: Katia Fanticelli Foto: Katia Fanticelli porta-luvas Victorello construiu o primeiro fogão aos 15 anos de idade porta-luvas Lugar de homem é na cozinha Foto: Katia Fanticelli Uma outra tendência que chega com a volta dos fogões a lenha ao cotidiano das famílias é a presença masculina na cozinha. O homem se rendeu à arte de cozinhar e adotou esta prática como um lazer nos finais de semana, quando reúne a família e os amigos. Não é raro vermos homens comprando suas panelas preferidas, novidades em utensílios e buscando temperos sofisticados em casas especializadas. Nesse novo contexto, o fogão a lenha não poderia ficar de fora e atrai cada vez mais o interesse desses novos “cozinheiros”. Reunião em família ao redor do fogão: Menegolli com o filho Marcelo. FOGÃO A LENHA Falo simples do velho pobre Fogão a lenha volta a ser nobre Fogão a lenha o que quer hoje Dar paladar do povo, longe O empresário ararense Eduardo Menegolli é um grande apreciador da culinária e cozinha há 20 anos. Nas horas vagas, seu lazer preferido é pesquisar sobre o assunto, reunir a família, os amigos e preparar uma comidinha em sua chácara, onde construiu um fogão a lenha. “Eu fiz questão de construir esse fogão no lugar onde o pessoal costuma ficar, assim eu cozinho com todo mundo junto”, diz Menegolli. Os três filhos do empresário herdaram do pai a paixão pela culinária. “Toda vez que eles estão na chácara, acendem o fogão logo pela manhã e começam a pensar no que vão preparar. Enquanto isso a lenha vai queimando e, principalmente nessa época de frio, o clima fica mais aconchegante ainda. É muito gostoso”. E completa: “Além disso o fogão a lenha me traz boas lembranças, pois tinha um na casa da minha avó”. Esta mesma lembrança tem o motorista Carlos Alberto Grabert, que há quase três anos construiu uma área de lazer no fundo de sua casa onde também fez questão da presença de um fogão a lenha. “Minha família morava na zona rural e, desde que me lembro por gente eu brincava na beira de um fogão. O nosso recanto era ali, principalmente no inverno”, recorda Carlos. De acordo com ele, cozinhar no fogão a lenha tornou-se um ritual: “Enquanto eu preparo a comida, a gente toma um vinho e vai batendo um papo. Além disso a comida tem um outro sabor, é muito bom”, fala. Velho cravado com chapa nova Mostra paciência e longa prosa Resposta simples do velho pobre Fogão a lenha volta a ser nobre. Aparecida Donizeti Denobile Grabert (Doni) Oficina Victorello - Rua dos Antúrios, 325, Jd. Sobradinho, Araras-SP (19) 3541.3382 - victor ello@f .f.foo g aoalenha.com.br victorello@f ello@foo g aoalenha.com.br - www www.f 15 AGENDA porta-luvas ITAPIRA Casa Menotti Del Picchia Criado em março de 1987, o museu guarda objetos, livros, roupas, fotos, pinturas e esculturas do poeta Menotti Del Picchia. Itapira, com sua paisagem rural, impulsionou a decolagem literária de Menotti, e foi na fazenda Santa Catarina que ele escreveu seu famoso poema “Juca Mulato”. O museu pode ser visitado de segunda a sexta das 13h às 17h. A entrada é gratuita. Endereço: Parque Juca Mulato - Rua Ribeiro de Barros, s/nº, Centro, Itapira - SP (19) 3813 2010 - www.casamenotti.com Espetáculo Raízes Encerrando a comemoração do Jubileu de Prata da 25ª Semana Juca Mulato, será realizado no dia 25 de agosto o espetáculo “Raízes”, que reúne apresentações de artistas locais em busca do resgate folclórico regional e nacional. São grupos de dança, a orquestra itapirense de viola, grupo de catira, entre outras atrações. Com entrada gratuita, o espetáculo acontecerá a partir das 20 horas, no Ginásio de Esportes Benedito Alves Lima (Itapirão), que fica na Rua Duque de Caxias, Centro, em Itapira – SP. Informações: (19) 3813 2010. LIMEIRA Foto: Katia Fanticelli Festa do Peão Acontece de 5 a 10 de setembro a 22ª edição da Festa do Peão de Limeira, organizada pelo Clube dos Cavaleiros do município. Durante os seis dias de festa o público poderá conferir, além das montarias em touros e cavalos, shows musicais, boate e praça de alimentação com várias opções de comidas e bebidas. 16 A festa será realizada no bairro Jardim Morro Azul, na área da UNICAMP. www.festadopeaodelimeira.com RIBEIRÃO PRETO Cotidiano / Situações Exposição do Cine Foto Clube Ribeirão Preto. Parceria da Folha de São Paulo com a Secretaria Municipal da Cultura de Ribeirão Preto e do Marp (Museu de Arte de Ribeirão Preto “Pedro Manuel-Gismondi”). No Espaço Cultural Folha Ribeirão. Rua General Osório, 882, Ribeirão Preto-SP. Visitação de segunda a sexta-feira, das 9 às 18 horas (até dia 25/8). Informações no Marp pelo fone (16) 3635-2421. Pr ojeto Acer v o PPer er manente Projeto Busca dar visibilidade ao acervo do Marp em um processo rotativo de obras, tendo como meta fomentar o trabalho de pesquisa no museu através da equipe de monitores. As obras do acervo ficam em exposição no piso térreo do Marp. Horário de visitação: de terça a sextafeira, das 9 às 18 horas. Informações (16) 3635-2421, das 9 às 12 e das 14 às 18 horas, [email protected]. Circuito Cultural A Secretaria Municipal da Cultura oferece monitoria pelos pontos culturais de Ribeirão Preto. Roteiro: Palácio Rio Branco, Praça XV de Novembro, Theatro Pedro II, Projeto Galeria de Arte a Céu Aberto, museus Municipal e do Café - Projeto Café da Manhã, Campus da USP, Parque da Cultura “Antonio Palocci”, Santuário das Sete Capelas e Marp. O transporte é de responsabilidade do solicitante. Informações na Secretaria Municipal da Cultura. Fone: (16) 3636-1206 e fax: (16) 3635-3660 [email protected]. Exposições Itinerantes da Casa da Memória - Arquivo Público Histórico de Ribeirão Preto Guarda e preserva documentos sobre a história e a memória de Ribeirão Preto, auxiliando porta-luvas estudantes e profissionais em pesquisas. De segunda a sexta-feira as visitas podem acontecer das 8h30 às 11h30 e das 13h30 às 17h30. Nos finais-de-semana e feriados, abre mediante agendamento prévio. Rua José da Silva, 915, Jardim Paulista. Fone (16) 3625-6712. [email protected] Galeria de Ar te a Céu Aber to Artistas plásticos expõem e comercializam suas obras todos os domingos, das 9 às 14 horas, na Praça Sete de Setembro. Os ar tistas plásticos interessados em expor suas obras podem obter mais informações pelo fone (16) 3636-1206. A programação paralela inclui apresentação de grupos musicais, atividades artísticas e exposição de Numismática e Filatelia. J uv entude Tem Concer to uventude Ribeirão das Serestas acontece no Coreto da Praça Sete de Setembro (Aureliano de Gusmão) às 20h30. Eventos gratuitos. Mais informações (16) 3636-1206 - [email protected]. SÃO CARLOS Festival Chorando Sem Parar 27 de Agosto das 10 às 22 horas. Praça XV de Novembro. Músicos brasileiros e do exterior apresentam-se tocando “chorinho” to da Primeir a Mostr a de Ar tesana tesanato Região Central Até 31de Agosto das 8h às 19h30 no São Carlos Clube. Participantes: Ar te da Terra (Araraquara), Koisas da Terra (Analândia), Jacaré Pepira (Brotas), Casa do Ar tesão (Descalvado), Casa do Artesão (Itirapina) e Aartescar (São Carlos). SANTA GERTRUDES Apresentação de concertos mensais, sempre aos domingos, no Theatro Pedro II, com a Orquestra Sinfônica de Ribeirão Preto, para crianças, jovens, adolescentes e público em geral. Agendamento de escolas e grupos pelo fone (16) 3636-1206 ou pelo e-mail: [email protected]. Convites podem ser retirados nas bilheterias do Theatro Pedro II. Ribeirão das Serestas O Projeto Ribeirão das Serestas apresenta grupos musicais da chamada Velha Guarda, que resgatam a charmosa tradição das serenatas na cidade. Na primeira sexta-feira de cada mês o projeto apresenta uma serenata na Praça XV de Novembro às 16 horas. Na segunda sexta-feira, às 20 horas, no Jardim Independência. Na terceira ela é itinerante. Na última sexta-feira de cada mês o projeto Feira de Livros, com contadores de histórias De 9 a 15 de Outubro das 8h às 18h00 no Salão de Eventos do Centro Cultural. Informações: [email protected] ITIRAPINA Broa Classic Encontro de aeronaves antigas e clássicas. Segunda quinzena de setembro no Aerodromo Dr. José Augusto de Arruda Botelho. Informações: www.abaac.com.br Foto: Banco de Imagem Foto: Banco de Imagem Mostr a D´Ar te Artes plásticas, artesanato cerâmico, patrimônio histórico. Lançamento de folder sobre Turismo De 9 a 17 de Setembro no Salão de Eventos do Centro Cultural. Informações: [email protected] 17 porta-luvas TRADIÇÃO POPULAR Na batida da bota, na palma da mão Milena Ar thur Catira – ou cateretê – é uma dança folclórica cuja origem mais provável nos leva ao descobrimento do Brasil. Os jesuítas, na intenção de tornar a catequização dos índios mais interessante, trouxeram para os ritos religiosos essa dança que segue o ritmo da música com batidas dos pés e das mãos. A dança se espalhou pelo interior do Brasil e foi adotada como a dança oficial do caipira. A Foto: Banco de Imagem Uma tradição familiar tão antiga que se confunde com a fundação da própria cidade de Rio Claro. Assim é a história da dança de catira na região, que faz parte das celebrações da família Honório desde o século 18. É o que conta Fernando Basso, do grupo Catira Brasil, que mesmo tendo pesquisado a extensa árvore genealógica da família, não conseguiu determinar a época em que seus antepassados começaram a dançar a catira. Mas o avô de Fernando, Sr. Olavo Honório, hoje com quase 88 anos, ainda se lembra das histórias que seu pai, Joaquim, contava da época em que a catira era dançada não apenas pela família, mas também pelos escravos. catira exige sempre um número par de componentes (sem limite de número) caracterizados com botas, chapéu e camisa de manga longa. O grupo é liderado pelos palmeiros (puxadores de palmas), que são sempre os dois integrantes mais próximos dos violeiros, para acompanhar o ritmo. Duas gerações de catireiros: Sr. Olavo Honório e seu neto, Fernando Basso. Foto: Divulgação 18 Foto: divulgação porta-luvas O grupo Catira Brasil em apresentação neste ano, em Avaré. O Catira Brasil Em 1997 Fernando e seus primos decidiram profissionalizar a catira. Criaram o grupo Catira Brasil, formado por quatro integrantes - Fernando, Marcos, Michel e Doeli – todos músicos além de catireiros. A família tem muitos catireiros, e qualquer um deles pode ser chamado a integrar o grupo caso seja necessário. Mas são os quatro que participam dos ensaios e têm o compromisso de divulgar a tradição da família. O primeiro CD, “Catira Brasil e Amigos”, foi gravado em 2002 e o segundo está a caminho. Atualmente o grupo não tem violeiros fixos, mas nos shows conta com a participação de vários cantores de renome como As Irmãs Galvão, Mazinho Quevedo (padrinho do grupo), Pena Branca, Vieira e Vieira Jr., entre outros. O desafio do Catira Brasil é manter a tradição mesmo com alguns ajustes impostos pela modernidade. “Temos que modernizar para manter o interesse do público e ao mesmo tempo manter a catira viva”, explica Fernando Basso. A tradição manda que a catira seja acompanhada por música ao vivo e disso os Honório não abrem mão. Mas a família introduziu algumas novidades, como a presença de mulheres, que antigamente não era permitida. Doeli, a mais nova do time com apenas 15 anos, é a segunda mulher a se apresentar com o Catira Brasil. Fernando diz também que “embora a catira seja uma dança de origem sertaneja, garanto que é possível encaixá-la em qualquer tipo de ritmo.” Ele garante e comprova: o grupo já se apresentou com bandas de rock e pop e até ao ritmo do pagode de viola. Talvez seja essa versatilidade que tenha levado o Catira Brasil a se apresentar em tantos programas de televisão, como “Raul Gil”, “Jornal Hoje”, “Viola Minha Viola” da TV Cultura e até na MTV. As participações em discos de outros artistas também são uma constante: foram 12 desde 1997. Para manter a tradição da família, Fernando garante que uma nova geração já está a caminho. Ele lembra que antigamente, as crianças não eram propriamente ensinadas a dançar; aprendiam assistindo às apresentações nas festas da família. Hoje, crianças de apenas cinco anos já estão com a catira na batida da bota e na palma da mão. 19 porta-luvas TRADIÇÃO Guatapará também fala japonês Foto: Divulgação Fernando Bueno Os primeiros japoneses a povoarem Mombuca A 48 quilômetros de Ribeirão Preto fica Mombuca, bairro da pequena Guatapará e local onde a cultura japonesa é preservada há gerações A colônia japonesa de Mombuca, em Guatapará (SP), é muito mais que um bairro formado por japoneses e descendentes, que construíram a vila emigrando do Japão depois da 2ª Guerra Mundial. Os moradores de lá vivem como uma grande família. Eles ajudam a construir o Brasil que conhecemos, mas não deixam que suas raízes se percam. Por meio dos filhos e netos, a nova geração, continuam a fazer com que Mombuca seja um pedacinho do Japão. De acordo com os moradores, a cultura japonesa é passada de pai para filho, naturalmente, no dia-a-dia. Não existe imposição, o que resulta em jovens conscientes e curiosos em aprender sobre a terra de seus 20 antepassados. Aya Inoue, de 24 anos, tem pai e mãe japoneses, aprendeu a língua deles em casa e na escola. Sempre ouve música pop, mas suas preferidas são as japonesas. Gosta de folclore, festas tradicionais e aprendeu a fazer origami e bijuteiras. “Moro aqui desde que nasci. Meus pais nunca impuseram nada, mas como a tradição japonesa sempre foi muito forte, aprendi muitas coisas com o convívio familiar e na sociedade”, diz a nissei, que motivada pela curiosidade quis saber de perto como era o Japão. “Passei um ano e meio lá e estou pensando em voltar este ano ainda”, acrescenta. De acordo com Kizuki Nitta, 55 anos, vicepresidente da Associação Agro-Cultural Esportiva de Guatapará, pai de quatro filhos, não se pode falar que os moradores de M o m b u c a queiram resgatar a cultura de seu país de origem. O que eles fazem é viver o mais perto possível do que se encontra no Japão e isso é transmitido naturalmente aos filhos, já que eles convivem com língua, cultura, ar tesanato, danças, músicas e comidas japonesas. “Nossos filhos aceitam se quiserem. Quando vim para o Brasil tinha apenas 12 anos. Não tinha vontade própria. Tinha empolgação. Tive que fazer o que meu pai queria. Estudei na escola de Mombuca, onde se ensina japonês, e depois fui para Ribeirão Preto estudar normalmente. O idioma foi o mais difícil para mim. Hoje, as crianças nascem e vão para escola. Aprendem os dois idiomas, japonês e português aqui, e o ensino normal em outra cidade. É muito mais fácil”, diz. Liberdade A escola é só uma continuação do que é ensinado dentro de casa. Exemplo disso está na mãe de três filhas Akemi Kuramoshi Saito, de 49 anos. Veio para o Brasil com cinco anos. Ela acredita que sua adaptação foi mais fácil, mas as raízes da família sempre prevaleceram. “Meu pai sempre gostou de música japonesa, então Foto: Célio de Souza pegamos o gosto dele. Uma de minhas filhas toca taikô (tambor). Ela tomou conhecimento aqui no bairro mesmo, na escola, e aí gostou. Todas as minhas filhas sabem falar japonês e tudo isso elas conseguiram porque quiseram. Hoje em dia eles são mais livres para fazer escolhas, o que não acontecia antigamente”, explica. Foto: Divulgação Foto: Célio de Souza porta-luvas 21 É isso o que acontece com Noelly Sayaka Kanno, 20 anos. A jovem tem pai japonês e mãe brasileira. Ela não fala bem o japonês e diz que sabe apenas a l g u m a s palavras, mas sente necessidade de voltar para escola para aprender o idioma. “Não levei muito a sério isso de aprender a falar a língua japonesa. Aprendi quando era pequena e depois não quis mais saber. Em relação aos costumes de seu povo, meu pai nunca exigiu muito de mim. A minha necessidade vem do convívio com outras pessoas. Gosto muito mais dos costumes brasileiros, mas adoro par ticipar do Grupo Senekai (que promove as festas culturais de Mombuca)”, diz a jovem. Uma curiosidade em sua vida: todos os dias ela almoça comida brasileira e janta comida japonesa. “Metade de cada cultura”, conclui sorrindo. Há quem queira que as raízes do povo japonês nunca morram e acredita que Mombuca existe par a isso, mas não descar ta a importância do país que os acolheu. “Sempre quisemos que nossos filhos aprendessem sobre nosso povo, mas o Brasil também tem muito a ensinar. Gosto do que vem do Japão, mas não quero mais voltar. Criei raízes aqui”, explica Shungo Wakiyama, de 58 anos, que saiu da Terra do Sol Nascente quando tinha apenas 15 anos de idade. Banco de Imagem Imigração Mombuca foi construída em 1962, depois que o governo japonês comprou a Fazenda Guatapará para as famílias vindas daquele país depois da 2ª Guerra Mundial. O local conta hoje com 130 famílias, em um total de 693 moradores, vindas originalmente das províncias Yamagata, Ibaraki, Nagano, Okayama, Shimane, Yamaguti e Saga. A colônia tem escola de Ensino Fundamental, igreja, praça, clube, etc. O cultivo de arroz no local não deu certo. Atualmente, a principal atividade econômica é a avicultura, sobretudo para a comercialização de ovos. Mas lá também se planta cogumelo-do-sol, alho, soja, milho e flor-delótus, entre outras. Algumas terras são arrendadas para o plantio da cana-de-açúcar. 22 Foto: Divulgação Foto: Célio de Souza porta-luvas porta-luvas PATRIMÔNIO CULTURAL A história de um vôo inédito Claudio Luiz de Carvalho A Praça Siqueira Campos, em Jaú, é onde fica o Mausoléu de João Ribeiro de Barros, um grande aviador brasileiro. João Ribeiro de Barros escreveu nos céus do mundo a vontade, a coragem e o despreendimento do brasileiro quando, em outubro de 1927, de forma inédita, fez o primeiro vôo sem escalas que ligou por via aérea a Europa ao Continente Americano. Perto de completar oitenta anos do feito e embora registrada por muitos autores, a história ainda desperta o orgulho brasileiro, embora não se concretiza o merecido reconhecimento a Ribeiro de Barros. Há muitas tentativas de se criar, de forma definitiva, um museu para que o Foto: Katia Fanticelli 23 porta-luvas restauração se realiza nas oficinas da Helipark. O histórico vôo teve início no dia 13 de outubro de 1926, com o transpor te do hidroavião de Gênova, na Itália, ao arquipélago de Cabo Verde, na costa africana, de onde levantou vôo às 04h45 do dia 28 abril de 1927 (partida de Porto Praia, Cabo Verde), e terminou às 14h30 do mesmo dia, quando aterissou no Municipal, estão alguns quadros e troféus, a âncora do hidroavião, o canhão utilizado para saudar a chegada da tripulação a Jaú, periódicos, fotos e alguns documentos e objetos. A cidade, por meio da Secretaria de Cultura e Turismo, tem realizado esforços para que o hidroavião e todos os objetos de seu filho heróico venham para Jaú. A idéia é se criar o Museu João Ribeiro de Barros, onde ficaria exposto todo o acervo da viagem histórica do aviador brasileiro. Atualmente o hidroavião está em trabalho de restauração (uma das peças foi enviada para a Itália, país de origem do avião - um Savoia-Marchetti modelo S-55, o único ainda existente no mundo). O trabalho de restauração do Jahu é possível graças a um convênio entre a Força Aérea Brasileira (por meio do IV Comando Aéreo – Comar), a Fundação Santos Dumont e a empresa Helicentro Helipark Ltda, com apoio da família de João Ribeiro de Barros e do Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico do Estado de São Paulo - Condephaat. A arquipélago Fernando de Noronha, no Brasil. João Ribeiro de Barros foi o primeiro piloto, junto com uma tripulação de brasileiros (o navegador Newton Braga, o co-piloto João Negrão e o mecânico Vasco Cinquini) a atravessar o Oceano Atlântico, navegando com o auxílio de um sextante e custeado pela iniciativa privada. Além disso, reforçou as tratativas internacionais de cooperação mundial para a ampliação da aviação comercial. A coragem e o valor de Ribeiro de Barros se destacam em seu feito, pois, durante toda a preparação e o vôo, enfrentou revezes como perseguição, traição, sabotagem, doença, interferência do governo brasileiro, tempestades, ventos for tes, avarias, etc. Foto: Divulgação feito não se perca ao longo dos anos. A melhor solução seria a de que o hidroavião Jahu e todo o acervo de Ribeiro de Barros sejam trazidos para a cidade onde nasceu (Jaú). Hoje, tanto o hidroavião, como os troféus, diplomas, condecorações e outros objetos relativos ao vôo, estão parte com a família e parte com a Fundação Santos Dumont. Em Jaú, no Museu 24 Foto: Katia Fanticelli porta-luvas Detalhes da viagem: hélices eram do tipo S.I.A.I. e o diâmetro do avião media 3 metros. Vazio, pesava 4.500 kg. O tanque de combustível cheio pesava 2.183 kg, o de óleo 250 kg e a tripulação mais 300 kg. O tempo médio de decolagem era de 1m25s e a razão de subida era de 416 pés por minuto. - A travessia realizada por João Ribeiro de Barros foi de 3.200 quilômetros, voando a uma altitude de 150 metros e a 190 km/h. - João Ribeiro de Barros nasceu em Jaú no dia 4 de abril de 1900 e seu amor pela terra natal foi demonstrado ao dar o nome ao hidroavião de Jahu. Tinha 27 anos apenas quando cruzou o Oceano Atlântico. - João Ribeiro de Barros morreu em 20 de julho de 1947 e seu corpo está, desde 1953, depositado em seu mausoléu, na cidade de Jaú. Foto: Katia Fanticelli - O co-piloto João Negrão substituiu a Arthur Cunha, que procurou desmoralizar o projeto do vôo intercontinenal e que teria sido responsável por atos de sabotagem; - O presidente do Brasil, Washington Luís, determinou que o projeto fosse interrompido e recebeu como resposta um telegrama assinado por João Ribeiro de Barros, com o seguinte teor: Senhor Presidente. Cuide das obrigações de seu cargo e não se meta em assuntos dos quais Vossa Excelência nada entende e para os quais não foi chamado. - O hidroavião Jahu possuia 16,20 metros de comprimento, 5,70metros de altura, extensão de aber tura das asas de 24,00 metros. Tinha dois motores da marca Isota Fraschini (um anterior – trativo nº 103 e outro propulsivo nº 104. Os motores possuiam 12 cilindros em “V”, com aber tura de 60 0 . As Foto: Katia Fanticelli Foto: Katia Fanticelli Conheça Jaú Identificada como a capital nacional do calçado feminino, Jaú fica a 300 quilômetros de São Paulo, com acesso pelo Sistema Anhangüera (SP 330)/Bandeirantes (SP 348), rodovia Washington Luís (SP 310), rodovia Engenheiro Paulo Nilo Romano (SP 225) e rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (SP 225). Tem cerca de 130 mil habitantes. A Praça Siqueira Campos, onde está o Mausoléu de João Ribeiro de Barros, é conhecida como Jardim de Cima e é formada pelo quadrilátero das ruas Major Prado, Visconde do Rio Branco, Edgard Ferraz e Lourenço Prado. Uma das rodovias que permite o acesso a Jaú recebe o nome de Comandante João Ribeiro de Barros. Possui ao todo 450 quilômetros de extensão e corta vários municípios na Região Central do Estado de São Paulo. O Museu Municipal, onde se encontram alguns dos objetos que pertenceram a João Ribeiro de Barros, fica na Avenida João Ferraz, s/n, em frente ao Teatro Municipal. O Museu da Aeronáutica fica na rodovia Hélio Smidt, que leva ao Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, no portão G3 da Base Aérea, em Cumbica. Informações (11) 6412-5392 e 6412-6098. Fontes: www.almanaque.folha.uol.com.br - www.projetojahu.com.br - www.camarajau.sp.gov.br www.promotur.com.br - www.pioneirosdoar.com.br - www.jau.sp.gov.br 25 PATROCINADOR Foto: Katia Fanticelli porta-luvas Tributo com bom resultado Por Claudio Luiz de Carvalho, com colaboração de Fernando Bueno Desde o início de junho que os milhares de turistas que se dirigem a Brotas são recepcionados por um por tal colorido e moderno, junto ao qual foi instalada a sede da Guarda Municipal. O portal é conseqüência do Programa de Incentivo ao Turismo, realizado pela concessionária Centrovias em atendimento a uma exigência da Licença Ambiental de Instalação para a duplicação da SP 225, Rodovia Engenheiro Paulo Nilo Romano. A Guarda Municipal é um bom exemplo da aplicação e do benefício que o ISSQN – Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza, recolhido pelas concessionárias de rodovias, traz aos municípios. O ISS, como é geralmente identificado, passou a ser exigido desde o ano de 2000 e incide sobre a arrecadação das tarifas de pedágio e sobre os serviços prestados pelas empresas que trabalham para as concessionárias na realização de obras e conservação, 26 principalmente. De 2000 até Junho de 2006, foram recolhidos aos cofres dos 49 municípios que pertencem à região das três concessionárias da OHL Brasil (Autovias, Centrovias e Intervias) cerca de cento e quatro milhões de reais, dos quais noventa milhões correspondem à incidência sobre as tarifas de pedágio e quatorze milhões sobre a prestação de serviços pelas empresas contratadas pelas concessionárias. A criação da Guarda Municipal em Brotas só foi possível com a “chegada do ISS”, explica o prefeito Du Barreto, que governa a cidade pelo terceiro mandato. O dinheiro desse imposto permite a manutenção da corporação, cujos integrantes foram também treinados para suas funções com aulas teóricas, práticas e estágios. A atribuição da Guarda Municipal é bastante ampla: além da vigilância dos principais pontos da cidade, dos prédios públicos (câmara, prefeitura, escolas, hospital, etc), da fiscalização porta-luvas Ambientais. Foi uma solução importante encontrada pela cidade de Brotas na aplicação do ISS. Das 49 cidades atendidas pelas concessionárias da OHL Brasil, o menor valor destinado a um município foi de R$ 63 mil reais. O município que mais arrecadou recebeu R$ 7.650 mil, computados os recolhimentos entre os anos de 2000 e 2006. Foto: Katia Fanticelli do horário do comércio e da vigilância das obras em andamento, dá apoio à Polícia Militar no policiamento de trânsito (principalmente perto das escolas) e à Polícia Civil, com atuação destacada nos eventos e nas festas municipais, como o carnaval. Para proteger o patrimônio ecológico de Brotas (conhecida como um centro de turismo ecológico), a Guarda Municipal possui em seu quadro policiais com treinamento de Guardas Cálculo Até 2003, o ISS sobre a arrecadação do pedágio era calculado com base na localização das praças de pedágio (40% do imposto iam para o município onde a praça estivesse localizada e 60% eram rateado entre todos os municípios por cuja área passa a rodovia). A partir de 2004, com a edição da Lei 116, o valor da arrecadação passou a ser rateado 100% entre os municípios. A mudança foi importante, pois o ISS é uma parcela significativa na arrecadação dos municípios, especialmente aqueles de menor porte. A questão é que, com essa receita, advinda com a presença das concessionárias, as cidades passaram a ter condições de investir mais em saúde, em educação e, obviamente na cultura. As alíquotas variam de município para município, embora o limite máximo seja de 5%. A grande vantagem é que, a partir da Lei 116, no caso das prestadoras de serviço, as concessionárias retêm e recolhem aos cofres municipais o imposto devido. 27 porta-luvas Mais apoio Independente dessa obrigação tributária, as concessionárias têm apoiado de forma contínua as manifestações culturais e educacionais da região onde a OHL está presente. O destaque mais forte é a Orquestra Sinfônica de Ribeirão Preto. Por meio da Lei Rouanet, a OHL tem sido parceira importante da orquestra ao longo dos últimos cinco anos. um orgulho muito grande participarmos do trabalho sério e de qualidade da Orquestra Sinfônica de Ribeirão Preto, o que complementa nossas ações de educação, saúde, meio ambiente e de fomento à cultura”. O Diretor Superintendente da Centrovias, Eneo Palazzi defende que o investimento das concessionárias encontra respaldo no fato de que “difundir a cultura é uma das ações mais Foto: Divulgação 28 nobres dentre todas as ações humanas e a orquestra é uma organização que faz isto de forma exemplar”. E, por fim, o Diretor Presidente da OHL Brasil, José Carlos Ferreira de Oliveira Filho, ao afirmar que “A cultura se manifesta pela produção das qualidades geradas pelo povo”, reconhece na orquestra uma organização “sinfônica madura, harmônica, de representatividade nacional, rica em talento e musicalidade que expressam o orgulho da população de Ribeirão Preto”. Foto: Antonio Stefani No entendimento dos diretores, a orquestra “é uma das organizações musicais mais importantes do nosso país e detém o glorioso título de ser a mais antiga orquestra sinfônica em atividade no Brasil”, explica Paulo Pacheco, Diretor Superintendente da Autovias. “Difundir a música e a cultura é um trabalho feito de maneira exemplar pela orquestra”, conclui. Para Rober to de Barros Calixto, Diretor Superintendente da Intervias, “é Foto: Divulgação porta-luvas Histórico da orquestra Foto: Divulgação Com origem na década de 1920, a orquestra completou 68 anos de atividade em 2006 e realizou várias apresentações, dentro da programação dos 150 anos de Ribeirão Preto. A primeira tentativa de se formar uma orquestra sinfônica em Ribeirão Preto remete aos anos 20 do século passado. Com regência de Luís Delfino Machado e composta por 31 músicos, foi criada em 1923 a Sociedade de Concertos Sinfônicos de Ribeirão Preto. Em 1930 foi a vez da “Orchestra Simphonica de Ribeirão Preto”, organizada e regida pelo maestro Ignacio Stabile, com 41 músicos. Essa orquestra participou da inauguração do Theatro Pedro II em 8 de outubro de 1930, executando “O Guarani”, de Carlos Gomes. Mas foi em 23 de maio de 1938 que Max Bartsh, músico da orquestra de 1923, fundou a Sociedade Musical de Ribeirão Preto”, que daria origem a Sociedade Lítero Musical de Ribeirão Preto, hoje Associação Musical de Ribeirão Preto, mantenedora da Orquestra Sinfônica de Ribeirão Preto. Em 1988, no cinqüentenário de sua fundação, a Orquestra Sinfônica de Ribeirão Preto foi regida pelos maestros Isaac Karabtchevsky e Lutero Rodrigues na Esplanada do Theatro Pedro II. Nesses 68 anos de existência, a orquestra tem participado de todos os eventos sociais, políticos e culturais da cidade. Também tem se apresentado com regularidade no Festival de Inverno de Campos do Jordão (SP), recebendo elogios da crítica especializada. Sua agenda anual é repleta de grandes apresentações no Brasil. Desde 2004, a Orquestra Sinfônica de Ribeirão Preto vem recebendo apoio das concessionárias do Grupo OHL – Autovias, Centrovias e Intervias – por meio da aplicação da Lei Rouanet. 29 porta-luvas UM CONTO JUREMA, O MANÁ DO REI. Emerson de Stefani Passei os últimos vinte anos avaliando roteiros turísticos para revistas, profissão que abarrotou o modesto apartamento deste seu repórter com todo o tipo de suvenires, bibelôs e quinquilharias. Muitos deles são curiosos, caro leitor, enquanto outros vão ser vindo de divertimento aos netos que já crescem e que para o bem do mundo - pisoteiam nossas memórias. Eu sempre quis escrever sobre uma dessas lembranças em par ticular, mas tive que escondê-la do mundo por temer o ridículo. Hoje, na condição de aposentado brasileiro, não receio mais nada. Decidi então usar esse último artigo, meu último suspiro na redação, para revelar ao meu fiel leitor a mais intrigante das histórias que colecionei durante toda a minha vida. Tudo começou no ano de 1987, quando visitei pela primeira vez a praia de Jericoacoara, Ceará, que na época era conhecida apenas pelo pouco mais de dois mil habitantes da vila de Jijoca. O leitor mais atento notou que não usei o termo “nativo”, tão recorrente nos meus textos anteriores, admito. É que nossa atenção estará voltada para Seu Galego, justamente o único forasteiro do lugar. Embora jurasse ter vindo da Irlanda, o forte sotaque denunciava sua origem nor teamericana. Foi nessa primeira visita que este seu dedicado repór ter conheceu o senhor rechonchudo e carismático, loiro, belo sorriso, postura de príncipe e fala cativante, viúvo e pai de gêmeos. Estes, logo ao nascer já foram apelidados de “nego-aço”, que é como chamam por aí a combinação da pele escura com cabelos alourados. Essa era sua herança, divertia-se Seu Galego: ouro na grimpa e olhos de esmeraldas adornando dois diamantes negros. O velho vivia de consertar rádios e vender 30 cachaça, ambos em um único estabelecimento, que a propósito, constituía a terça parte do comércio local. Diziam que era eletricista, fazer que não lhe rendia muito naquele lugar sem fios ou postes. Também ouvi nas rodas de conversa que se chamava Jessie Garon, embora preferisse o apelido dado pelo povo. Retornei a Jijoca de Jericoacoara apenas no verão de 2001 e do estrangeiro encontrei só a cova, posto que falecera no ano anterior. De morte morrida, na santa paz de Deus. Ainda em luto seus filhos partiram atrás de garimpo que os enricasse, e como em pau-de-arara só se levam sonhos, negociaram a casa e a venda com tudo o que havia dentro. O novo proprietário não sabia eletrônica, então servia a caninha e ainda lucrava algum vendendo os pertences do morto: dezenas de rádios quebrados, alguns móveis, roupas e o pouco mais que se encontra em um lar de viúvo. Foi no tabuleiro de miudezas montado sobre grades de garrafas vazias que vi algumas fitas K-7 muito usadas. Decidi comprá-las. Eu sempre disse aos meus leitores que são as pequenas compras, e não as grandes, que justificam uma viajem. Pois que em meio a muita música qual não foi minha surpresa ao encontrar um depoimento gravado pelo próprio Galego. Com voz embargada, misturava o português com o inglês na mesma frase e, não raro, na mesma palavra. O texto abaixo transcreve o impressionante testemunho desse nosso apátrida. Adequei o uso de alguns verbos, traduzi o restante da melhor forma que pude e acredito que em momento algum violentei suas palavras ou intenções. Sinto apenas que não pude deitar no papel um certo sentimento, uma comoção que aquela voz grave e bela trazia. Confesso que por muitas vezes, quando ouvia a gravação sentindo a emoção que cada palavra carregava, não podia deixar de acreditar nas palavras do Galego. porta-luvas (transcrição de fita adquirida em Jijoca de Jericoacoara, em março de 2001) “ ...as vezes me pergunto o porquê dessas gravações... me sinto um tolo fazendo assim... sempre na mesma fita, apagando a cada nova sessão o que disse da vez anterior, que é também, quase sempre, o mesmo. Deve ser pela força do hábito... bem, se for assim, acho que deveria começar a usar fitas diferentes. Ou talvez seja só vontade de falar sobre mim mesmo, algo que não faço há anos. E o silêncio deixa a boca amarga, parece que nos enche de fel... Gostos... ahh, os sabores... foram eles que me trouxeram aqui. Me lembro que saí da Alemanha em março de 60, cansado de tanto frio e ração de campanha... decidi vir ao Brasil pela primeira vez, sem avisar ninguém. Desembarquei em Salvador, anônimo... roupas comuns... apenas mais um turista. Logo fui, como se diz por aqui, pego pelo estômago... moqueca, cocada, caruru... vatapá, abará, pirão de leite. Sem contar a pitanga, as pimentas, a manga, o maracujá e, é claro, a feijoada... os alemães deveriam aprender a preparar a feijoada... Acho que foi quando comecei a engordar, quando provei desses temperos... e os tolos diziam que eram drogas... e como poderiam imaginar que apenas passei a comer mais. Foram quatro dias provando desse país... toda fruta, ou prato apeteciam. Mas no bufê daqueles dias o melhor ficou para a última noite... o sabor que viria a me matar... Dias depois de ter chegado a Nashville eu ainda sentia na boca o sal da pele de Jurema, o mesmo sal que permaneceu comigo por anos e que viria dar gosto aos meus melhores dias... No meu país casei e tive filhos, mas não com Jurema, e sim com Priscilla. Com o tempo descobri que o paladar não pertence à língua, mas ao peito... e o meu, vazio, já não sentia nada. Por mais de dez anos estive assim, como um pássaro que canta e alegra o viveiro em troca do insosso alpiste. E sabendo que a ave cativa por longo tempo, ou foge ou morre... optei por ambos: no ano de 77 forjei minha morte e abandonei tudo. Viajei sorrateiro, voltei para Jurema e a levei ao lugar mais belo e distante que encontrei: Jijoca. Vejam só... eu, que ainda pronunciava “Diuwremah” quando falava de amor, vim morar em Jijoca de Jericoacoara... quem acreditaria ? Mas não poderia ter sido melhor... aqui também tinha baião de dois, carne de sol, sarrabulho, paçoca, peixe de todo o tipo, lagosta, siri, abiu, caju e carambola... e tinha jerimum, jatobá e jambo, e tinha, principalmente, a Jurema... E tinha a mim mesmo... porque foi aqui, no meio de tanto gosto e tanta cor, que me encontrei. Tornei-me marido e pai novamente. Tornei-me homem, finalmente. Eu nunca tive certeza se Jurema sabia ou não quem eu era. Também nunca perguntei, preferi não saber.... Mas me lembro que, um tempo depois do nosso casamento, com muito esforço dominei o português e quase morri de susto ao descobrir que “Meu Rei”, como ela me chamava durante nossa lua-de-mel, era a tradução para o My King, do inglês. Talvez tenha sido apenas coincidência, talvez não... é que muitos já me chamaram de King... uns poucos ainda chamam. Não os mais íntimos, esses me chamavam pelo meu nome de batismo mesmo... ...o nome que eu quis esquecer... Elvis... Elvis Aron Presley.”