ANO 2 - Nº 20 • Edição Mensal - Dezembro/2014 • Arte no muro O Jornal de Santa Rosa de Lima - A Capital da Agroecologia Pág. 13 As pinturas são “obras” de estudantes e professores Bolachas de Natal Histórias e o como fazer, no Caderno de Receitas Pág. 22 Acolhida recebe prêmio Finep Pág. 6 Pág. 20 Enquete Qual o significado do Natal? 2 Santa Rosa de Lima, Dezembro/2014, Canal SRL Reportagem ESPECIAL Mariza Vandresen Ano especial para homenagear gente especial 2014 foi considerado pela Organização das Nações Unidas para a agricultura e a alimentação (FAO), o ano internacional da agricultura familiar. A FAO considera a agricultura familiar como condição fundamental para erradicar a pobreza, alcançar a segurança alimentar mundial, proteger a agrobiodiversidade e preservar os recursos naturais. Toda a história de Santa Rosa de Lima é marcada por esse tipo de agricultura, que nós sempre preferimos chamar de colonial. Afinal, nós somos colonos. Nossos pais foram colonos. Nossos avós foram colonos. Entenda-se por colonos, casais de agricultor e agricultora que realizavam diversos cultivos de plantas e diversas criações animais, produzindo “pro gasto” e pra vender, trabalhando muito e com a mão de obra da família, sendo proprietários das terras e administrando tudo isso com muito rigor, para que os filhos também pudessem ser colonos. Homenagem Nesta edição de dezembro, antes que o ano deles acabe, prestamos uma homenagem a esses homens e mulheres que respondem pela maior parte da produção de alimentos no mundo. Em Santa Rosa de Lima, com um ponto positivo a mais, produzindo em sistemas orgânicos e de forma associativa e solidária. Trata-se de uma resistência clara e forte à degradação da qualidade dos alimentos e da própria sociedade, cada vez mais dominada por uma lógica puramente econômica. Os interesses dos grandes capitais estão destruindo as nossas sociedades rurais, os conhecimentos tradicionais dos povos do campo e, por consequência, a qualidade do que comemos. Essa homenagem é feita de forma singela, tentando contar e valorizar a história recente de dois casais de agricultores familiares. São histórias de lutas, de enfrentamentos a sucessivas crises e a um mercado hostil que não atingiram (e não atingem) apenas eles, mas a todos os agricultores familiares. São histórias construídas por, como se diz aqui no município, “cabeças duras”. Eles até parecem “desistir”, mas retomam logo em seguida. São histórias de um trabalho que mostra ser modo de vida muito mais do que meio de vida. É andar no trapézio, mas com rede O grande sustentáculo que eles tiveram (e têm!) é uma rede de organizações (Agreco, CooperAgreco, Acolhida na Colônia, Centro de Formação em Agroecologia), que se tornou referência nacional. Em um cenário muito hostil e de muitas dificuldades, essa rede procurou construir e consolidar alternativas, diversificar atividades, criar valor agregado. Felizmente, ao longo desse pouco mais de quinze anos, gradativamente as políticas públicas para a agricultura familiar foram ampliadas e consolidadas, melhorou o acesso ao crédito, à assistência técnica, a mercados institucionais e a compras públicas. Hoje, a situação gera expectativas positivas. Mas, como as crises anteriores, novas devem vir. Só solidariamente será possível enfrentá-las. Que essas histórias nos façam pensar e nos ensinem. Veloni e Erica, na Nova Esperança um saco de arroz, custa 30, 40 reais. Paga o mesmo para pilar... É mais fácil ir lá no mercado e comprar”. Dona Erica é relutante a esse argumento econômico: “Eu não plantei mais porque não deu mais jeito. Mas eu tenho vontade! Era a coisa que eu mais adorava ver... Uma lavoura de arroz, o vento abanando as folhas. Eu quase plantei um trechinho esse ano, mas me deu um problema na perna que fiquei 14 dias sem fazer nada. Mas eu até já tenho a terra planejada. É uma rocinha mais retiradinha. Caminhada não é bom pra saúde? Daí eu vou fazer a caminhada e já planto os pés de arroz. Eu penso em fazer só para ver o vento balançar as folhinhas”. Veloni Valmor Carvalho, que completa 65, neste ano, e sua esposa, Erica Tonn Carvalho, com 62, retratam o perfil dos agricultores familiares de Santa Rosa de Lima. Como diz Veloni, é uma “remessa de velhos” de uma geração que “aprendeu a pegar na enxada aos seis anos de idade”. “Desde que nasci eu vivo com a agricultura. Sempre tive uma lida pesada. Quando eu leio no nosso Canal SRL, as reportagens com estes mais idosos, eu começo a lembrar da nossa infância. De como foi a nossa história. Seis anos, a enxadinha estava preparada... E, depois disso, eu nunca mais tive a liberdade de dizer que eu não tinha serviço”. Parte da terceira geração de agricultores que se instalaram nessas terras dobradas ao pé das Encostas da Serra Geral, Veloni recorda: “A gente plantava de tudo e engordava porco. Era batata, aipim, milho, feijão, arroz...” Sabores, custos e gostos “É, naquele tempo se plantava muito arroz. A Erica até hoje fala: ‘ah, se eu pudesse plantar uma rocinha de arroz’. Porque é um arroz muito mais gostoso”. Ele mesmo, contudo, pondera a viabilidade. “Hoje, você planta Virar a terra Seu Veloni e Dona Erica acompanharam, no início dos anos 80, a tratorização confrontando a produção tradicional, herdada dos antepassados e sempre praticada pelos colonos santarosalimenses. Era um processo maior, de industrialização da agricultura, que ganhava chão por todo o Brasil. O agricultor relembra a chegada de um agrônomo no município: “A gente não lavrava a terra. Depois chegou o Acir Amboni, da Acaresc [hoje Epagri]. Ele veio com a técnica de lavrar. Começamos, então, a plantar milho na terra arada”. Fumo e dinheiro, mas... Em 1982, a família se interessou pelo cultivo de tabaco. E trabalhou 17 anos nessa atividade. O casal recorda que “fez dinheiro”: “Nossa casa foi feita com o lucro do fumo”. Porém, lembra entristecido: “A nossa filha Betinha adoeceu no meio do fumo. Para nunca mais sarar. Ela foi boa, pra roça. Quando chegou umas dez horas, que dá aquele mormaço, ela se atacou. E depois daquilo nunca mais se curou direito”. Com a filha doente, “era um a menos para trabalhar”. Justamente no momento em que a fumageira exigia práticas na lavoura que resultavam em maior uso de mão de obra. Era o programa de cultivo mínimo. “Usava muito a enxada. A gente foi se atrasando com o preparo e não dava conta. Aí, a bomba [pulverizador costal] pegava. Para tudo, era passado muito veneno”, relembra Veloni. Dona Erica complementa: “Depois deste cultivo mínimo, não deu mais. Dois anos, a gente plantou e não teve lucro nenhum. Tivemos até que tirar dinheiro de outras coisas para pagar as despesas. Aí, nos aborrecemos e paramos”. Uma luz A história contada pelo casal não é diferente daquela da maioria das propriedades familiares que cultivavam tabaco no município. Com a “crise do fumo” na passagem dos anos 80 para 90, muitas famílias se viram obrigadas a abandonar a terra. As cidades eram o destino: Palhoça, Joinville e até a gigantesca São Paulo. Ou, mesmo, a menor e menos distante Braço do Norte. Foi neste contexto de enfraquecimento das comunidades rurais de Santa Rosa de Lima que, em 1996, foi criada a Associação de Agricultores Ecológicos das Encostas da Serra Geral (Agreco). A ideia era que os agricultores familiares fizessem parte de uma cadeia de produção orgânica. Muitas famílias aderiram à ideia, o que renderia, em 2005, o título de Capital Catarinense da Agroecologia a Santa Rosa de Lima. A família compara a mudança do plantio de fumo para “as verduras orgânicas” como “um paraíso”. “Além disso, quando começamos, tudo o que a gente produzia a gente vendia”, complementa Veloni. Quem comprava eram os supermercados Santa Mônica, de Florianópolis. Agroindústrias Com a expansão e as exigências do mercado, a Agreco acolhe uma proposta do Ministério da Agricultura e elabora um grande projeto de agroindústrias a serem construídas pelos próprios agricultores, organizados em “condomínios”. Até o final de 2000, 25 agroindústrias de pequeno porte estavam em operação: dez para processamento de verduras e hortaliças, quatro para derivados do leite, uma de embutidos de carne suína, duas de panificação, três para derivados de cana de açúcar, Santa Rosa de Lima, Dezembro/2014, Canal SRL 3 fazendo. Eu vejo madeireiro fazer o Mais Alimento para comprar saveiro, trator... Enquanto que agricultores familiares continuam lá na enxadinha”. Seu Veloni no seu “cantinho preferido” e Dona Erica areando a chapa do fogão para começar o almoço. quatro de produção de mel e duas unidades de “conserva”. As unidades estavam distribuídas por Anitápolis, Rio Fortuna, São Martinho, Armazém, Gravatal, Grão Pará e Santa Rosa de Lima. Aqui no nosso município eram 14 unidades: seis de hortaliças, duas de mel, uma de embutidos, duas de cana, uma de conserva e dois laticínios. Seu Veloni participou da implantação de uma destas agroindústrias, o Condomínio Nova Esperança. “A gente começou! Éramos em 12 famílias quando entramos”. A crise das verduras Pouco menos de dois anos após a instalação das agroindústrias, houve a falência da rede de supermercados que era a maior parceira e comprava grande parte da produção. Somava-se a isso a concorrência de novos produtores de hortaliças orgânicas, situados bem mais próximos de Florianópolis, ou dentro da própria ilha em que está situada a capital. O aperto no mercado gerou alta devolução e queda de preços. Na busca de novos clientes, encontrou-se diversas redes de supermercados que impunham contratos com cláusulas de devolução. Isso significava que o que não fosse vendido, seria “retornado” e não pago. A maior “quebra” foi no ramo das verduras, no qual estava o condomínio Nova Esperança. Veloni recorda: “A gente nem bem começou e veio a crise. Começou aquela história do produto ir com retorno. E a quantidade de produtos que retornava começou a ficar muito grande. Aí todo mundo quebrou. E a gente fechou a agroindústria. A saída foi parar. Era um trabalho enorme e a gente não tinha a renda que precisava”. Parada e quase “desmanche” A agroindústria permaneceu sem operação durante dez anos. Sem produção e com um financiamento para pagar, as famílias que compunham o condomínio tiveram como alternativa prorrogar o pagamento da dívida. Findando o prazo, em 2012, apesar de Veloni se opor à medida, a maioria dos sócios optou por vender os equipamentos para pagar o financiamento. “Eu quase chorava. Eu não podia ver aquela indústria vendida. No meu pensamento era uma coisa da comunidade. Trazia benefício para todo mundo”. Veloni relembra que um empresário local se interessou em comprar a câmara fria e queria saber as medidas do equipamento. “Eu fui lá para medir e convidei o Leu (Tonn). Aí o Leu falou: ‘mas é pesada né? Ter que tirar isso daí, que buraco vai ficar!’. Naquela hora, me deu um abafo. Mas medimos e levei pro interessado. Depois disso, eu procurei o Celso [Heidemann], que era prefeito. Contei tudo. Falei que estávamos com um problema sério e quem sabe conversando a gente encontrava uma saída para a nossa agroindústria. Ele disse, ‘Seu Veloni, espera uma semana. Não venda nada’. Então ele conversou com o pessoal da Universidade Federal, da Agreco... Fez reuniões para achar uma solução. É por isso que até hoje nós temos estas licitações. Isso começou ali. Senão, estaria tudo parado ainda”. Ressurgindo das cinzas Seu Veloni conta que, como o pagamento de seis mil reais não poderia esperar, o ex-prefeito foi até a comunidade e conversou com as famílias. “Na ocasião, ele tirou do próprio bolso cinco mil reais e falou para os presentes: ‘O restante vocês dão um jeito. Se um dia vocês puderem pagar de volta pra mim, vocês devolvem. Senão fica assim’. E assim fizemos. E hoje a agroindústria está trabalhando”. De 2012 pra cá, a produção na agroindústria não parou mais. “Eu acredito que pela situação que está sendo movimentada, para o ano que vem, agora que a Conab [Programa de aquisição de alimentos] abriu de novo, nós vamos estar com bastante trabalho”. Novos problemas, novas soluções O casal está bem otimista, mas Veloni diz que existem muitos desafios. “O mercado pede um produto bom e muitos não estão conseguindo produzir. Se o produto é bom, vamos ter comércio! Mas, com isso, muito produto está ficando de fora”. Para ele, a solução deve vir dos próprios agricultores. “Um pouco é falta de cuidado. O produto orgânico exige muito esterco, muita mão de obra... E se não ficar bem atento, o produto não vem bom”. Para ele, também é preciso animar mais os agricultores. Apoio e distorções O agricultor familiar entrevistado reconhece que o Governo Federal tem investido muito na agricultura familiar, mas aponta distorções: “Eu vejo uma coisa tão errada, por exemplo, com o programa Mais Alimentos, que é para o pequeno agricultor, mas tem muita gente A fundo perdido “Eu não vejo um programa investir para comprar esterco. Se for ao banco, tem! Pagando um jurinho bom, aí tem financiamento. Mas eu vejo tantas coisas que vêm a fundo perdido e que o pequeno agricultor quase nem vê. Passa lá por cima”. Veloni diz que é preciso encontrar uma fórmula para o dinheiro chegar a quem de fato precisa. E sugere: “Deveria ter um programa a fundo perdido em Santa Rosa de Lima, ou mesmo na Agreco, para comprar esterco. Isso não tem! Ou para instalar um sistema de irrigação. Veja, com uns cinco mil reais, para um pequeno agricultor se implanta um sistema de irrigação. E isso serve quantos anos?! O agricultor ficaria bem. Hoje, para o pequeno fazer mil reais de alimento tem que ter um produto bom. Aí você vê quantos meses você tem que lutar para ter o retorno daqueles cinco mil. E para o governo isso não seria grandes coisas”. Ponta de mato Outro grave problema que impacta diretamente a agricultura familiar, na opinião de Veloni é o desmatamento. “Que coisa feia! Na semana passada, passei pelo Rio Fortuna, Barra do Rio Chapéu, Rio dos Bugres... Eu vinha notando. Que piedade! Quem conheceu, há 40 ou 50 anos, cada lugar tinha uma ponta de mato bonita. Verde que era! Hoje, não se vê mais ponta de mato. É só eucalipto! Não tem mais morro, nem baixada, nem grota... É só eucalipto! E isso é outra coisa boa na agricultura orgânica, no nosso terreno as nascentes estão todas mapeadas e estão todas protegidas por matas”. Agricultores familiares orgânicos Questionado sobre qual o maior prazer de ser agricultor familiar orgânico, o casal é unânime: “O principal é não lutar com veneno”. Veloni ilustra: “É muito feio você passar numa propriedade onde está tudo morto, abaixo de veneno. Ou chegar num terreiro que tem aquele cascão verde, de tanto passar roundup. Nós ainda vamos sofrer com isso... Uns vinte, trinta anos, até passar essa camada desse pessoal que está com muito veneno”. Com graça! Para eles, fazer a agricultura familiar orgânica é também plantar as coisas para casa, consumir um alimento mais puro, além de ter a produção “no quintal”: “Para a gente, que está ficando velho, esse negócio de roça longe é complicado. Numa malhinha pequena você faz uma boa produção e a gente sabe que está produzindo um alimento puro, um produto bom para o consumo. Além de que, sempre tem alguma coisa para se entreter. Imagina se chegar um tempo em que uma pessoa que mora na roça não tiver mais um galo pra cantar no terreiro, não tiver mais uma galinha, uma criação... Todo mundo sabe disso: aí a graça acaba!” Bom, com preço justo O sonho de Veloni é ver a agroindústria trabalhando “a todo vapor, como no ano passado”. “Tinha dia com 15 pessoas trabalhando ali dentro. A mulherada estava toda ali. É a comunidade de Nova Esperança quase inteira. Eram 19 famílias envolvidas das comunidades do entorno. Além de orgânico, o produto saia pronto pra mesa. Era muito produto, muito caminhão cheio. Hoje, algumas famílias já pararam, pois não estão conseguindo um produto bom. Quem é consumidor não imagina segue Diretor: Sebastião Vanderlinde Diretora: Mariza Vandresen Estrada Geral Águas Mornas, s/n. CEP 88763-000 Santa Rosa de Lima - SC. Tel. (48) 9944-6161 / 9621-5497 E-mail: [email protected] Fundado em 10 de maio de 2013, dia do 51º aniversário de Santa Rosa de Lima Jornalista Responsável: Mariza Vandresen Diretor-executivo (Circulação, Comercial, Financeiro, Publicidade e Planejamento): Sebastião Vanderlinde Publisher (voluntário): Wilson (Feijão) Schmidt. O Canal SRL é uma publicação mensal da Editora O ronco do bugio. Só têm autorização para falar em nome do Canal SRL os responsáveis pela Editora que constam deste expediente. Diagramação e Arte: Qi NetCom - Anselmo Dandolini Distribuição: Editora O ronco do bugio Tiragem desta edição: 1000 exemplares Circulação: Santa Rosa de Lima (entrega gratuita em domicílio). Dirigida, também, a prefeituras, câmaras e veículos de comunicação do Território das Encostas da Serra Geral e a órgãos do Executivo e Legislativo estadual e federal. 4 Santa Rosa de Lima, Dezembro/2014, Canal SRL segue Reportagem ESPECIAL Mariza Vandresen o quanto custa este produto. No orgânico é tudo manual e você tem que lutar muito para fazer um produto bom. Eles têm razão quando falam no preço, pois a mão de obra está muito cara. Aí é que se dão estas coisas de altos e baixos”. Juventudes e o futuro da agricultura familiar Para a continuidade da agricultura familiar, o casal avalia que são necessários “mais incentivos para manter o jovem no campo”. “Eles precisam de um bom rendimento na lavoura, caso contrário debandam para outros negócios que avaliam mais lucrativos. Vai depender muito dos incentivos do governo. Se forem dados subsídios de arrancada, aí o jovem até se interessa. Os jovens querem ver uma máquina trabalhando. Eles não têm mais paciência de plantar e esperar meses e, daqui a pouco, nem colher. Os jovens não têm mais isso. Eles preferem trabalhar na agroindústria que, a cada hora trabalhada, sai o resultado. Mas, na enxada mesmo, a nossa juventude de hoje não quer mais”. Renovação? Veloni avalia que os jovens agricultores santarosalimense estão mais voltados à produção de leite e que a participação deles na produção de outros alimentos está cada vez mais rara. “Nesse nosso trabalho com orgânicos, na agricultura familiar, tem uma coisa com a qual estou preocupado. É quando acabar essa remessa de velhos trabalhando. E isso não é só por aqui. Isso é em todo o Brasil e no mundo. Tá na hora do governo ver esta parte. Ainda mais que o clima está cada vez mais complicado”. Sol doentio Sobre o clima, o entrevistado reflete: “Cada ano está mais quente que o ano anterior. Antes, ao meio dia o sol esquentava, mas a gente sentava numa sombra na roça e almoçava lá mesmo. Na sombra era fresquinho... E, hoje, não tem lugar nenhum que está fresco. Hoje, se um agricultor quiser morrer mais cedo, é só ‘almoçar no cepo’, como diziam antigamente”. Dona Erica também se preocupa muito com o aumento da temperatura: “o sol está muito doentio”. Modo de vida Dona Erica se preocupa também com a sua condição na velhice, O problema, para ela, é se algum mal a acometer e ela não puder mais trabalhar na roça. “Eu gosto! Quero trabalhar até que os pés me aguentem de pé. Eu não imagino não ter um pé de planta. Não consigo me imaginar não plantando uma rama, uma batata... Conseguir atingir uma idade alta não é importante para mim. Eu quero viver até onde eu possa trabalhar!” Rodrigo e Maria, no Rio dos Índios da casa, de pequenas roças de subsistência e dos três filhos que foram nascendo. Assim, eles passaram pouco mais de dez anos. Rodrido e Maria e os morangos orgânicos que cultivam. Rodrigo Jochen sempre havia trabalhado na agricultura. Antes de casar com Maria, trabalhava na propriedade do pai, no cultivo de tabaco. Da fumicultura, há tempo ele não quer mais saber. “É ruim! Não tem hora para começar, não tem hora para parar. Fumo eu não planto mais! É muito veneno e é um serviço ruim. Desde que me conheço por gente, o pai, toda vida, plantou. Hoje, ele também não planta mais”. Já Maria não passou pela mesma experiência. Cuidava da casa e ajudava na roça. Por oito anos, trabalhou como doméstica, no município de Rio Fortuna. Foi lá que os dois se conheceram e depois casaram. Depois do matrimônio, vieram morar na comunidade de Rio dos Índios. A terra, de 15 hectares, trabalhada pelo casal pertence aos pais de Maria e há um contrato de arrendamento. Para eles “uma área pequena, mas muito boa de trabalhar”. Na verdade, hoje, o cultivo se dá em apenas pouco mais de mil metros quadrados. Mesmo assim, é preciso trabalhar “de segunda a segunda”. “Só saímos quando é obrigado. Senão, a gente está sempre em casa. Visita, a gente recebe pouco. Mas de vez em quando vem alguém para entrevistar, para saber como que a gente faz. Daí, a gente se sente alegre... Por eles virem aqui ver o que a gente tá fazendo”, diz, com um sorriso tímido, a agricultora familiar. Primeiro voo, interrompido Iniciaram a produção orgânica de verduras, no momento em que eram implantadas as agroindústrias em rede da Agreco. Na primeira “crise”, contudo, eles fizeram parte das famílias que desistiram da atividade. “A gente mandava produto e voltava tudo. As agroindústrias fecharam. Não estava dando mais nada”. Rodrigo foi trabalhar numa madeireira, enquanto Maria cuidava Segundo voo No início de 2013, veio a oportunidade de “começar de novo”, como define Rodrigo, e o casal retorna, timidamente e como São Tomé, à produção orgânica. Plantaram 5 mil pés de morango, tendo a garantia de comercializar toda a produção diretamente com uma agroindústria de doces e geleias associada a CooperAgreco. Como os resultados foram bem positivos, na safra deste ano já triplicaram a produção. As mudas vieram do Chile, através da cooperativa e com um financiamento junto ao Pronaf. Para Rodrigo, trabalhar com produção orgânica “é um serviço muito bom” e o morango “dá uns bons troquinhos também”. A propriedade recebe assistência técnica da CooperAgreco. “De vez em quando o agrônomo vem olhar, mostra as caldas e preparados orgânicos que podemos aplicar e mostra certinho como se faz. O morango se adaptou bem. No ano passado, deu muito. Nesse, está mais devagar. As mudas vieram um pouco mais tarde. Penso que foi por isso”, diz Rodrigo. “Não dá para se queixar” “Numa avaliação geral, hoje nós não podemos reclamar. Tivemos acesso a crédito de custeio do Pronaf e conseguimos pagar o empréstimo. Compramos plástico para proteger os canteiros, mangueiras para irrigação... O juro não está tão alto. Está bem mais fácil que antigamente”. Mas, alerta: “Eu não tenho mais vontade de plantar verdura. Não adianta! Depende da Conab, que fecha no final do ano... Aí, se perde tudo. Acho que não devia fechar”. A possibilidade de expandir e de variar a produção está “na proposta de cultivar laranja”. Também para vender diretamente à mesma agroindústria. Não é tempero, mas vale uma pitada de otimismo No momento, além do plantio do morango, a família participa de um projeto realizado pelo Centro de Formação em Agroecologia e pela CooperAgreco, com apoio da Finep, para o desenvolvimento de uma cadeia produtiva de óleos essenciais orgânicos. Eles cultivam o orégano. “Pode ser uma alternativa muito boa. Plantamos mil pés, mas a gente não sabe ainda o resultado que vai dar, estamos experimentando para ver”. Com a notícia da liberação de recursos para a construção, no município, de uma usina para extração dos óleos, eles se dizem bastante otimistas. Sucessão e proximidade Se Rodrigo pudesse escolher, os filhos não seguiriam sua profissão: “Eu prefiro que eles achem outro serviço”. Já Maria gostaria que “os meninos” dessem continuidade ao legado que ela e o marido estão construindo: “Eles gostam disso e vão aprendendo como se faz, mas depende de como as coisas vão ficar. Se tiver um bom lucro...” Maternalmente ela pensa na alternativa: “Quando chegar o tempo dos filhos fazerem uma faculdade, talvez eles possam continuar em Santa Rosa de Lima”. E ela completa com a esperança de uma “mãe-chocadeira”: “Daí, eles estudam e vão pra roça também. Se não tiver faculdade aqui, eles vão ter que sair de casa. Mas, quem sabe, até lá, tem uma mais perto”. Expectativas O casal não consegue realizar uma projeção da vida dele na agricultura familiar para um período de cinco ou dez anos. Tem, contudo, uma expectativa: “que melhore o preço do produto e que os prazos de financiamentos sejam mais prolongados”. Rodrigo e Maria colhem morango “de segunda a segunda”. Santa Rosa de Lima, Dezembro/2014, Canal SRL 5 6 Santa Rosa de Lima, Dezembro/2014, Canal SRL SUSTENTABILIDADE Prêmio Finep, para fortalecer o associativismo na Acolhida na Colônia Rosângela e Thaíse na premiação regional no Rio de Janeiro. A Associação da Agroturismo Acolhida na Colônia ganhou o renomado Prêmio Finep de Inovação 2014 em Tecnologia Social. Vencida a etapa da Região Sul, ela está, agora, disputando a premiação nacional. O resultado desse novo prêmio sai ainda em dezembro. Cada organização candidata ao prêmio precisava apresentar um grande objetivo a realizar com os duzentos mil que acompanham o reconhecimento público e o troféu. O objetivo posto pela Acolhida à Finep foi garantir a sustentabilidade financeira da associação. Para saber mais detalhes do projeto e desta premiação, o Canal SRL entrevistou a coordenadora da Associação, Rosângela Bonetti Vanderlinde, e o consultor da Boa Vista Consultoria, João Augusto de Oliveira, o Joca, que teve a iniciativa de submeter a experiência da Acolhida na Colônia ao comitê de seleção do prêmio Finep. Entrevista Rosângela Bonetti Vanderlinde Coordenadora da Associação Acolhida na Colônia Canal SRL – Como foi representar a Associação no recebimento deste prêmio tão importante e renomado? Rosângela – A premiação no Rio de Janeiro foi um grande reconhecimento do trabalho da Acolhida. É muito gratificante ouvir das pessoas que estavam lá como eles veem o projeto, a forma como começou, que a base do trabalho são as famílias, que estamos inserindo pessoas. Mas, também, é preocupante! Porque precisamos manter a coerência com essa história que nos traz o reconhecimento. Canal SRL – Fale mais sobre isso, por que você se diz preocupada? Rosângela – Eu voltei pensando: não dá pra ter um projeto bonito, pra todo mundo ver, se a gente não consegue fazer aquilo para que o projeto veio. As pessoas que iniciaram tiveram um trabalho difícil, mantiverem o projeto a todo custo e, hoje, que o projeto está estruturado, alguns princípios acabam se perdendo no caminho. Hoje tem muita gente da Acolhida que tem o pensamento: Ah, para mim está bom, eu consigo receber turista, recebo essa quantia e está bem. Mas esse associado não consegue observar que ele teve benefícios da associação e que, agora, alguém está precisando e que é o momento dele retribuir. Canal SRL – Qual o desafio para implantar este sistema de reservas on line proposto para a Finep e motivo do prêmio? Rosângela – Na verdade, as reservas centralizadas e feitas pela internet são um instrumento para retomarmos a grande causa da Acolhida. Hoje, por exemplo, quem tem uma taxa de ocupação de 50% paga a mesma quantia de quem tem uma de 20%. Isso não é justo. E o princípio da Acolhida é que seja justo. Com esse novo sistema de reservas, o associado vai contribuir sobre os serviços que realmente presta. Quem recebe mais, paga mais. Quem recebe menos, paga menos. Canal SRL – Como isso se reflete na autonomia da Acolhida? Rosângela – Sempre precisamos de recursos financeiros e de apoio técnico. Hoje, necessitamos de recursos permanentes e de dados, para podermos planejar. Para isso, precisamos acompanhar melhor o fluxo de turistas e de receitas dos associados que se beneficiam da nossa marca e da nossa estrutura. Atualmente, quando acaba o recurso de um projeto junto ao Ministério do Desenvolvimento Agrário, tudo pode acabar. A gente não tem apoio do município. Não tem um apoio permanente do Estado. A gente acaba caminhando sozinho. Então, temos que fortalecer nossas próprias pernas. Canal SRL – Explique melhor essa caminhada... Rosângela – Até pouco tempo, precisamos reconhecer, a gente se manteve com o apoio de dinheiro do governo. Agora, passamos um tempo sem ter. As pessoas perceberam isso, seja na falta de assistência técnica, seja na pouca movimentação dos associados. O fórum das regionais, por exemplo, tem custo e a gente acabou não fazendo mais. Aí, as pessoas cobram. E a coordenação, que é um trabalho voluntário, passa a ser estressante. Porque quem está na ponta não apenas não se mexe, como acaba reclamando. Enquanto quem está na coordenação corre, pois precisa achar uma solução. No caso do sistema de reservas, que a gente está querendo implantar, mesmo sem conhecer, já tem associado reclamando, dizendo que vai ser difícil, que não vai dar certo. Mas isso será para o bem da nossa associação. Os associa- Claudio Guimarães (Finep) entrega troféu para a coordenadora da Acolhida. dos vão perceber que precisam contribuir para voltar a ter o que recebiam por intermédio da Acolhida. Canal SRL – Qual sua expectativa em relação à Acolhida daqui dois anos, quando concluir a vigência de aplicação dos recursos do prêmio? Rosângela – O que a Acolhida está precisando é ter uma organização mais firme quanto às suas finanças. Porque o projeto, por si só, ele já diz tudo. Eu acredito que daqui a dois anos vamos estar com outra cara. Tanto na sustentabilidade financeira, como na expansão e inclusão. Eu acredito que vai estar muito melhor. Santa Rosa de Lima, Dezembro/2014, Canal SRL 7 Entrevista João Augusto “Joca” de Oliveira Boa Vista Consultoria Canal SRL – O que o motivou a apresentar a experiência da Acolhida na Colônia ao Prêmio Finep de Inovação? João Augusto – O que me motiva é o conjunto do projeto de desenvolvimento aqui das Encostas da Serra Geral. É o caráter sustentável e solidário da proposta. É o fato de ser um projeto de inclusão de famílias. Um projeto que não aceita a exclusão a as desigualdades que marcam há tantos e tantos anos o Brasil. A Acolhida é um elo importante desse projeto e, dentro das minhas limitadas possibilidades, eu tenho procurado apoiá-la. O prêmio Finep me pareceu uma boa oportunidade. Canal SRL – Qual a importância da Acolhida na Colônia no território das Encostas da Serra Geral? João Augusto – Eu sempre vejo a Acolhida, a Agreco, a CooperAgreco e o Centro de Formação em Agroecologia como entidades que estão compromissadas dentro do mesmo projeto. Não consigo vê-los de forma separada. É um projeto que tem diversas organizações. Cada uma tem seu papel, mas o princípio é o mesmo. Por isso, no documento submetido ao Prêmio Finep, eu escrevi o que acredito: que a Acolhida e essas outras organizações abraçam a causa do desenvolvimento sustentável, solidário, de inclusão de famílias. E foi isso que a presidente da Acolhida defendeu lá no Rio de Janeiro. Então, agora, eu espero que a realidade corresponda ao que foi escrito e ao que foi dito. Canal SRL – Mais especificamente, qual a proposta para fomentar essa coerência? João Augusto – Na proposta apresentada à Finep foi escrito que a Acolhida, se fosse ganhadora do prêmio, utilizaria o valor para implantar um plano de sustentabilidade financeira. Por que? A Acolhida é uma entidade que tem 15 anos e que, financeiramente, não se sustenta sozinha. Isso é uma coisa até difícil de entender. Canal SRL – Fale um pouco mais desta tal sustentabilidade financeira. João Augusto – Na Acolhida são 69 estabelecimentos ativos e mais 38 que estão em discussão, é gente que quer en- trar. Nós sabemos que há pousadas que têm recebido bastante e com bastante frequência. Então, é inexplicável que a associação que fez tudo isso, que levantou toda esta bandeira, que foi buscar recursos, que se empenhou, não tenha, até hoje, seus próprios recursos financeiros para funcionar. Se a Acolhida não consegue manter um escritório pequeninho, com um só funcionário, como pode pensar em multiplicar este projeto e esta ideia para o país inteiro? Não se trata de uma crítica ao passado. O que foi feito, foi feito. E como pôde ser feito. Trata-se de olhar pra frente. Se a Acolhida não conseguir implantar um plano adequado de sustentabilidade financeira, o projeto de agroturismo vai parar no que é hoje, ou vai crescer muito pouco. E sabemos, todos, que ela pode ser uma alternativa interessante e bonita para muito mais gente, para muito mais famílias mostrarem sua cultura e sua comida e para trocarem informações com gente de fora. Nós fizemos uma pesquisa e ela é toda positiva. De cabo a rabo, todo mundo que faz agroturismo está contente de fazer. Canal SRL – É bastante expressiva a expansão da Acolhida para outros territórios, mas aqui nas Encostas, a gente percebe que apesar do grande potencial, não se vê muito mais famílias aderindo ao agroturismo. João Augusto – Como é que vai se expandir um projeto sem dinheiro, sem sustentação? Ele se expandiu quando veio dinheiro de fora. Quando secou a torneira, ele parou. Por isso eu insisto: é um tremendo desperdício ter uma marca como essa, com o prestígio que tem, e não usá-la plenamente. Precisa ter planejamento, porque como oportunidade para as famílias é uma coisa muito boa. Canal SRL – De forma prática como se pretende conseguir esta sustentabilidade financeira? João Augusto – Primeiro, reformar o site da Acolhida, introduzindo um “motor de reserva on line”, com duplo controle, da pousada e do escritório da associação. Esse será o “caminho” único para as hospedagens nas pousadas. Segundo, a Acolhida na Colônia receberá, pelo uso da sua marca, da sua estrutura e da sua imagem, de 5% a 10% sobre o valor das reservas confirmadas. Esse sistema é justo: quem ganhar mais vai pagar mais. Terceiro, contratar uma pessoa técnica que, por dois anos, apoiará a implantação e manutenção do sistema em todos os estabelecimentos associados. Se tem computador e internet, ensinar a usar. Se não tem, apontar uma solução. Canal SRL – Como seria implantar este sistema de reservas on line? João Augusto – Nós fizemos contatos com empresas especializadas neste tipo de sistema que se chama “motor de reservas”. Esse aplicativo pode ser “embutido” no site da Acolhida. Mas também é possível contratar empresas especializadas. Mandamos e-mails de consulta preliminar e três responderam. Uma delas foi a ebooking.com, que é a maior do mundo. Essa empresa cobra 16% do preço da reserva confirmada, mas tem um alcance muito grande. Outras cobram de 5% a 6%, mas tem um alcance menor. Inserir no próprio site da Acolhida é um começo, mas tem que pensar que ele só vai atingir quem acessar o site da Acolhida. Canal SRL – Você e a Presidente da Acolhida associam essa proposta ao planejamento de longo prazo da associação. Poderia explicar melhor essa ligação? João Augusto – A Acolhida na Colônia precisa saber quantas pessoas estão se hospedando nas pousadas, de onde vêm esses turistas, quanto tempo eles ficam, o que eles preferem fazer. Hoje, eu peço estes dados e ninguém consegue me responder. E essas informações básicas são indispensáveis para preparar a entidade para o futuro, para expandir e dar oportunidades para aqueles associados que são pequeninhos. Do jeito que está, tem umas pousadas que conseguiram se implantar e que já recebem o suficiente para se manter. Sei que isso foi feito com sacrifício. Mas, também, com oportunidades. E as oportunidades para os outros? Como ficam os que estão começando agora? Canal SRL – É possível que haja resistência na implantação deste modelo? João Augusto – O modelo não foi detalhado ainda. A Acolhida apresentou à Finep uma proposta inicial. Eu não proporia uma coisa que iria excluir pessoas. Joca, responsável por escrever o projeto ao Prêmio Finep de Invoação 2014. Seria contra meus princípios. Ao mesmo tempo, concentrar e deixar um monte de gente fora é contra a causa que nós abraçamos e que faz parte dos princípios da própria Acolhida. Por isso, lembrar e reforçar a causa que nos une em torno de um projeto de desenvolvimento é uma coisa muito importante. Porque, senão, perderemos a identidade e o sentimento coletivo e de solidariedade que nos une. Aí, cada um passará a pensar em si, a fazer “o seu” e a dizer que “o bicho maior come o menor”. Se nós nos acomodarmos e passarmos a reproduzir esse sistema de exclusão e de desigualdades, perderemos nossa identidade e o sentimento de pertencer a um projeto de construção de um mundo novo, mais justo e melhor. Canal SRL – Numa perspectiva de dois anos, tempo de vigência de aplicação dos recursos deste prêmio qual sua expectativa? João Augusto – Eu estou convencido de que, se a Acolhida implantar um bom projeto de sustentabilidade financeira e administrativa, ela vai “voar”! Porque tem nome feito no país inteiro. Porque é um projeto que continua pioneiro. Hoje, quando eu entro na internet e faço uma busca por hospedagem, tenho a impressão que a Acolhida é a única grande inciativa de turismo que não tem um sistema de reservas on line. Eu sou um otimista incorrigível, acredito nas pessoas, na democracia, e acho que a Acolhida vai discutir este assunto, vai relembrar a causa que abraça, vai se botar nos eixos... E vai ser uma entidade lindíssima como já é. Só que bem maior! 8 Santa Rosa de Lima, Dezembro/2014, Canal SRL Santa Rosa de Lima, Dezembro/2014, Canal SRL 9 10 Santa Rosa de Lima, Dezembro/2014, Canal SRL Santa Rosa de Lima, Dezembro/2014, Canal SRL LEGISLANDO 11 COMUNIDADE RIO SANTO ANTÔNIO Mariléia Torquato | Carol Rodrigues Esta coluna é reservada e assinada a bancada PP e PT composta pelos vereadores Edna Bonetti, Robson Siebert, Salésio Wiemes e Luiz Schmidt. Aqui são apresentados os trabalhos realizados por estes representantes do povo na Câmara Municipal de Santa Rosa de Lima. Mensalmente, o leitor acompanhará o resumo dos principais ofícios, requerimentos e proposições apresentados aos poderes Legislativo, Executivo e Judiciário. Ponte Rio do Meio O vereador Luiz Schmidt (PT) apresentou Ofício 07/2014 à Prefeita Dilcei Heidemann, com cópia para o Secretário de Transporte e Obras, para que a prefeitura possa efetuar a manutenção dos trilhos e o guarda corpo da ponte sobre o Rio do Meio, próxima ao abatedouro de frango. O vereador justifica que as madeiras estão em péssimas condições e que a ação se faz necessária, pois o local apresenta um risco para os carros e os alunos que transitam pela ponte. Engenheiro Agrônomo Luiz Schmidt solicitou através de oficio que a administração municipal efetue a contratação de mais um Engenheiro Agrônomo para prestar atendimento aos agricultores familiares do município. Luiz justificou que a agricultura é a principal atividade econômica de Santa Rosa de Lima e a medida seria constitucionalmente legal, pois existe disponibilidade de uma vaga no quadro de pessoal. Também ressaltou que em breve a engenheira agrônoma da prefeitura entra em licença maternidade, ficando os agricultores desassistidos de apoio técnico neste período. O colega de bancada Robson Siebert (PP) em apoio a proposição de Luiz, disse conhecer a realidade e a fragilidade da atuação da secretaria de agricultura e reconhece que é preciso que a gestão direcione mais recursos para a pasta. Melhoramento de acesso O vereador Luiz também solicitou a Prefeita Municipal Dilcei e ao Secretário de Obras que seja patrolada a lastreada com areão a estrada que dá acesso a nova morada de Samuel Feldhaus, na localidade de Nova Fátima. Moção de reconhecimento O vereador Luiz Schmidt, através de indicação verbal, solicitou que a Câmara de Vereadores encaminhe uma Moção de Agradecimento e Reconhecimento pela bela pintura realizada no muro da E.E.B. Aldo Câmara. Todos os colegas da Casa concordaram com a indicação e assinarão juntos a Moção. Lajotas em desnível A vereadora Edna apresentou Ofício 23/2014 a Prefeita Municipal, com cópia para os Se- cretário de Transporte e Obras solicitando que a administração possa assentar corretamente as lajotas que estão desnível da pavimentação na comunidade de Rio do Meio. Edna justificou que a medida era necessária pois os buracos estão cada vez maiores. Ressaltou que tratava-se de pouco tempo de serviço não gerando muitos custos a gestão e que a ação poderia evitar maiores danos futuros. Curva perigosa A vereadora Edna Bonetti encaminhou oficio a Prefeita Municipal com cópia para o Secretário de Obras para que a administração possa retirar uma curva que apresenta riscos de acidentes na estrada que liga o centro do município a comunidade de Rio dos Índios, na propriedade do senhor Lindolfo Assing, próximo à entrada que dá acesso a Pousada Doce Encanto. A vereadora justificou que a curva impede uma boa visibilidade e agora, principalmente com o tráfego intenso dos caminhões da Fontanella, o local ficou bastante perigoso. Por motivos que foram além de nossa dedicação em mensalmente trazer neste espaço conteúdos de interesse dos leitores de Santo Antônio, nos desculpamos humildemente pela não publicação desta coluna na edição de novembro. Em especial, nos desculpamos com Dona Maria Torquato e Seu Amilton Cesário, moradores da nossa comunidade e que merecem todo o nosso respeito. Com um pouco de atraso, reiteramos nossa homenagem a Seu Amilton, que no dia XX de outubro completou 69 anos de idade e Dona Maria, que no mesmo mês, no dia XX, completou sua 65ª primavera. Surpresa! O dia 10 de outubro foi escolhido para comemorar os aniversários. A comunidade, a família e os amigos do casal reuniram-se e preparam uma grande surpresa para os dois, que sem saber de nada foram convidados para irem ao salão comunitário. Quando chegaram no local tiveram uma grande surpresa ao saber que a festa era pra eles. Depois de passado o susto, uma emoção comoveu a todos os presentes, especialmente os homenageados. Um delicioso jantar foi servido e confraternizamos como uma grande família reunida. Exemplo de casal Seu Amilton e Dona Maria, dedicaram suas vidas cuidando da família, educando os filhos e sempre preservando os valores morais, a honestidade e a justiça, acima de tudo. Tiveram o grande compromisso de amparar os pais de Dona Maria quando a estes o peso da idade os privou de suas capacidades naturais. Reconhecemos as tantas vezes que o casal não mediu esforços para fortalecer nossa comunidade. Quantas festas ajudaram a fazer, batalhando juntos pela construção do nosso centro comunitário. Quem conhece Dona Maria sabe da preocupação que ela sempre tinha em botar mais “agua no feijão”, por vezes, até exagerando na quantidade de comida, sempre atenta para nunca faltar nada aos visitantes. Felicitações De coração, todos nós desta comunidade, queremos dizer a Seu Amilton e Dona Maria que esta “surpresa” não é nada perto do quanto temos que agradecer por tudo o que vocês fizeram pela família, pela vida comunitária e pelos amigos. Queremos que vocês compreendam o quanto são importantes e desejamos a vocês muitas felicidades, saúde e muitos anos de vida. 12 Santa Rosa de Lima, Dezembro/2014, Canal SRL PROMOÇÃO DA SAÚDE COMUNIDADE RIO DOS ÍNDIOS Kelin Dutra | Ivonete Walter Dutra | Milena Dutra Cortina de poeira Nossa comunidade, mais uma vez, clama por ajuda. Estamos novamente sendo sufocados pela poeira provocada pelo tráfego intenso dos caminhões da empresa Fontanella, que extrai e transporta argila da comunidade de Santa Bárbara até o município de Criciúma, passando aqui pelo Rio dos Índios. Caminhões que transportam argila deixam um rastro de poeira prejudicando a qualidade vida dos moradores. O que queremos... Nossa reinvindicação é a mesma de sempre, que a estrada seja molhada com um caminhão pipa. Quando reiniciou o transporte de argila, no mês de novembro, a empresa até colocou um caminhão para fazer este trabalho, mas não esperávamos, depois de dois dias de serviço, que fôssemos surpreendidos com a notícia de que o equipamento estava quebrado. ...sem exceção e sempre que necessário Queremos que a empresa resolva este problema e molhe a estrada nas proximidades das casas de todos os moradores, sem exceção, todo dia que for preciso. Quando falamos, sem exceção, nos referimos a todos mesmo, até o último morador, antes da subida da Serrinha. Pois a estes moradores foi justificado que não seria molhado porque “é muito longe ir até lá”. A união faz a força Queremos que todos saibam que o que estamos passando é muito longe da qualidade de vida que nós, moradores do interior, tínhamos. A comunidade de Rio dos Índios quer um mínimo de respeito e colaboração da empresa e dos condutores destes caminhões que usam esse trajeto dezenas de vezes por dia. E caso não sejam tomadas medidas para amenizar o problema com a poeira gerada pelos caminhões, estamos decididos a fazer uma manifestação e bloquear a estrada. Como acreditamos que a união faz a força, clamamos a toda população de Santa Rosa de Lima que nos ajude, que os vereadores e secretários, a prefeita Dilcei, todos! Nos apoiem e se façam representar nesta causa para que finalmente nossa voz seja ouvida e atendida como realmente merecemos. Boas Festas Queremos desejar a todos, em especial aos nossos leitores, um Feliz Natal e um próspero Ano Novo. Desejamos muita paz, saúde e amor! Murilo Leandro Marcos O que você vai cultivar em 2015? Dezembro chegou novamente e com ele a sensação de mais um ciclo anual se fechando, o que transforma este mês, para muitas pessoas, em um momento de avaliar como foi o ano que passou. Como foi seu ano? Como as dores e as delícias que você viveu nos doze últimos meses repercutiram na sua saúde? Como está sua mente nesse fim de ano? E seu corpo? O fim do ano é também tempo de fazer planos e desejar que um ciclo melhor comece. Um ano melhor começa, certamente, por nós. E como dizem os ditados populares, “saúde é o que interessa, o resto não tem pressa”, “tendo saúde, o resto a gente corre atrás”. Por isso essa coluna é um convite para que você responda mentalmente às perguntas acima sobre o ano de 2014 e pense: como eu posso ser melhor em 2015 para ter mais saúde? Qualidade A resposta é justamente o que você deve buscar cultivar no ano que vem. Mas atenção: o mais comum nos desejos de fim de ano é pedirmos e planejarmos objetivos - e, em geral, repetir os dos anos anteriores por não termos conseguido cumpri-los ou alcançá-los. O que se propõe aqui não é pensar em objetivos, mas em uma qualidade que ajudará você a conquistar esses objetivos em uma vida mais equilibrada, harmoniosa e saudável. Um exemplo: já falamos aqui sobre a importância dos exercícios físicos no cotidiano. É muito comum as pessoas planejarem fazer esses exercícios com regularidade, mas não conseguirem manter a rotina. Se esse for seu caso, no lugar de pensar novamente “no ano que vem vou fazer exercício três vezes por semana”, o convite é que você reflita: por que não cumpri meu propósito no último ano? (a reflexão pode considerar fatores externos, mas o foco é pensar em você, suas atitudes e seus pensamentos). A partir disso, conclua que qualidade deverá ser trabalhada em você no próximo ano. Nesse caso poderia ser, dentre outros, mais disposição, ou mais disciplina. Este é só um exemplo, você pode pensar nos diferentes aspectos do seu cotidiano que você gostaria de melhorar para ter mais saúde física e mental: as relações com as pessoas, a forma de lidar com o dinheiro e o trabalho, a alimentação, os cuidados com o corpo... Propósito Escolheu a qualidade que quer cultivar em si mesmo? Refletir sobre isto já é um grande passo, mas lembre-se que para cultivar é fundamental semear, mas também cuidar diariamente do que você quer que dê frutos. Para isso o convite é que você formule seu propósito. A prática de yoga compreende os chamados SANKALPA. Esse termo tem sua raiz nas palavras SAM (união), e KALPA (possibilidade), e dá nome a afirmações de propósitos interiores. Na prática, trata-se de conceber uma frase curta, objetiva, no tempo presente e sempre afirmativa, que diz respeito à própria pessoa (e por isso deve ser na primeira pessoa do singular - eu), expressando a qualidade a cultivar, seu propósito interior. Poderá ser, por exemplo, “eu estou tranqüilo”, para aqueles que se sentem ansiosos e querem trabalhar a tranqüilidade como sua qualidade para 2015. “Eu estou tranqüilo” está no tempo presente (e deve estar neste tempo mesmo que você não se sinta tranqüilo no momento) e é afirmativo (ao contrário de “eu não estou ansioso”). A partir da qualidade que você destacou para trabalhar em si, for- mule seu propósito com as características do SANKALPA. Cuidado cotidiano Todos os dias, escolha um momento de relaxamento e sem distrações (um pouquinho antes de dormir ou ao acordar, por exemplo) para repetir sua afirmação, em voz alta ou apenas mentalmente, pelo menos três vezes. Tente usar sempre as mesmas palavras para que elas se incorporem à sua mente. Você pode avaliar também se suas ações estão refletindo seu propósito, e o que você pode mudar nos pensamentos e gestos do dia a dia. Quando você considerar que é hora de passar a cultivar outra qualidade, formule um novo propósito. Fazendo isto diariamente, você cultiva o pensamento e, com ele, a mudança para uma vida de mais saúde. Como disse Swami Sivananda: Semeie um pensamento e colha uma ação Semeie uma ação e colha um hábito Semeie um hábito e colha um caráter Semeie um caráter e colha um destino Um ano cheio de colheitas para todos nós, com muita saúde! Santa Rosa de Lima, Dezembro/2014, Canal SRL 13 ARTE E EDUCAÇÃO Aldo Câmara de roupa nova De feio, sujo e escuro, o muro da Escola Aldo Câmara é transformado pelos alunos numa galeria de arte ao ar livre. Cores, imagens e mensagens promovem em desenhos, que atraem a atenção de quem passa pelo local, temas como gentileza, bondade, respeito, doação. Seu José (Zeca) Schmitz, de 88 anos de idade passa todos os dias em frente ao muro e disse que jamais viu coisa tão bonita. “Eu olhei desde os primeiros dias que eles estavam trabalhando, eu achei muito bonito. Dias depois, eu parei lá e disse, até que enfim vocês fizeram uma coisa bonita neste muro. E eles me agradeceram por eu achar bonito”. Seu José diz que o muro estava abandonado, “hoje a gente passa ali, olha e tem que agradecer os que eles estão fazendo, são todas frases e imagens que são uma verdade. Achei muito bonito ali onde está escrito, “não as drogas”, é frase mais bonita que eles botaram ali, porque as drogas acabam com as famílias” Uma escola nova No canto arredondado do muro, local de maior visibilidade de quem chega na escola, Gustavo Kunhen, estudante do 8º Ano, reproduz, a mão livre, seu próprio desenho e sempre conta com a ajuda dos colegas. “Eu quis apresentar a natureza e a paz que ela representa. Estou muito feliz que o meu desenho vai ficar aqui bastante tempo, para todo mundo ver”. Sobre o novo muro avalia, “antes era bem sujo, agora está bem mais bonito, mais criativo, deixou a escola mais alegre”. Numa opinião, os alunos são unânimes, “o muro está muito legal”. Eduarda Rodrigues, que pinta um desenho junto com as amigas Samara da Silva e Luana Schueroff diz que o muro mudou a cara da escola e que fazer parte desta experiência está sendo ótimo. “Está ficando mais colorido, muito bonito, a gente está ajudando a fazer uma escola nova, a gente está dando vida e cor pra ela”. Viviane Floriano, que por vezes pinta, por vezes segura o guarda-sol para proteger as amigas dos raios solares, está muito contente. “Todo mundo pode pintar os desenhos, é muito legal. Agora quem passa na estrada vai saber que é uma escola de verdade, porque tem gente que nem sabe que a escola é aqui. É muito bom, pois estamos dando vida e cor para o nosso muro”. Lenir Medeiros Batista, que trabalha na limpeza e organização da escola desde os primeiros tempos, quando ela foi construída, diz que achou o muro muito lindo, “Não tem nem comparação, era um muro feio, sujo e agora está assim, limpo e lindo. Eu achei bonito mesmo, as coisas que eles de- senharam, o que eles escreveram, tudo passa uma mensagem pra gente”. Até o meu marido passou ali e disse, ´tá ficando bonito’”. Vontade de pintar A iniciativa de efetivar a pintura do muro veio da professora de Ciências e Matemática, Tatiane (Tati) Dircksen Ricken e da professora de Artes, Albertina Wiggers. Tati lembra que desde que veio trabalhar pela primeira vez no Aldo Câmara, há oito anos, ouvia os alunos reclamarem que o muro era feio e que tinham vontade de pintá-lo. “Eu me envolvi com a ideia, mas na época eu trabalhava apenas 20 horas aqui e ela não aconteceu. Este ano, eu tenho mais 20 horas, fora de sala, à disposição da prefeitura e com a vinda da Albertina, da área das Artes, em fevereiro, começamos a conversar na escola e resolvemos tentar”. Na escola Passado o recesso de junho, o projeto partiu para ações concretas. A primeira delas foi mobilizar os alunos. Em sala de aula Albertina trabalhava a diferença entre pichação e grafite, conceitos e expansão no meio urbano e “com isso foi introduzido a questão da pintura do muro”, explica Albertina. Tati destaca que o muro da escola de Rio Fortuna também serviu de referência, “eu apresentei fotos de lá e expliquei a proposta aos alunos, desenhos temáticos que passassem uma mensagem para as pessoas”. As professoras relatam que num dia de aula normal, de surpresa, todos os alunos foram convidados a assistirem uma apresentação e a todos foi solicitado que no tempo de duas aulas fizessem desenhos para o muro. “Cada aluno que estava na aula naquele dia teve a oportunidade de fazer, pedimos que eles identificassem o nome no verso da folha e depois uma comissão de professores selecionou os desenhos que mais destacavam os temas propostos”. Na comunidade Paralelo ao envolvimento dos alunos, mobilizava-se a comunidade para a doação de tintas, para isso foram encaminhados pedidos informais e formais à Câmara de Vereadores, à Prefeitura, ao comércio e outras organizações. As tintas foram doadas por Valmiro Wiggers (Wiga) e Mauro Wagner de Rio Fortuna; pela loja de materiais de construção Construlima de Santa Rosa de Lima; e pela Prefeitura Municipal. As professoras relatam que também receberam uma doação anônima. “Teve alguém, que não quis se identificar, que mandou R$50,00 através de uma professora, não sabemos quem foi, mas temos certeza que foi uma doação muito especial”. Com a doação em dinheiro, onde todos os professores também colaboraram com a quantia de R$10,00 cada um e os alunos, “com as moedinhas que podiam”, foram comprados os materiais de pintura, bandejas, rolos e pincéis. As professoras destacam também o apoio do cabo Nunes que doou restos de tinta e uma vez realizou a segurança no trânsito em frente à escola. Resultados Para Albertina a experiência está sendo bem interessante, principalmente porque os alunos eram desmotivados, “tudo que era diferente tinha um pouquinho de resistência para fazer e agora, vendo os desenhos deles no muro, estão gostando bastante. Todos as turmas estão participando e gostam de ajudar, querem ajudar. Alguns estão até meio possessivos, ‘esse é meu desenho, não deixa ninguém pintar professora’. Alguns não querem pintar porque dizem tem medo de estragar, mas sempre estão por perto para ajudar em tudo que precisa. Confesso que no início eu fiquei com medo que não desse certo e que a gente não terminaria este ano, mas agora é muito gratificante e a empolgação dos alunos é o que me dá mais ânimo para continuar”. Para Tati está havendo um retorno bem interessante e não só dos envolvidos na escola, “tem várias pessoas que passam quando a gente está ali trabalhando, alguns motoristas param, abaixam o vidro e fazem elogios, ‘que coisa linda que vocês estão fazendo. Parabéns! Está bonito’. Isso empolgou o pessoal, pessoas que já não tem mais filhos na escola, a gente vê que eles param mesmo para admirar”. Para Tati o mérito não é de ninguém sozinho, mas sim de um trabalho em conjunto. “Se não tivessem as doações a gente não teria conseguido nada, se a prefeitura não tivesse disponibilizado as pessoas para limpar o muro, sem a ajuda da Albertina, do pai da Albertina, que doou muita tinta, sem o apoio da direção, e dos alunos, não ia dar. Foi um trabalho em conjunto, houve a colaboração de muita gente”. Patrimônio Santarosalimense PATRIMÔNIO SANTAROSALIMENSE Ainda uma guerreira Maria Willemann da Silva nasceu em Rio Fortuna, no dia 31 de maio de 1928. E, como ela diz, “se criou no Rio dos Índios”. Veio para aquela comunidade com treze anos, acompanhando os pais. A decisão da mudança foi consequência da mãe, Elizabete Tenfen, ter “perdido a ideia”, dois anos antes e a situação ter ficado cada vez mais difícil para a família. O pai, Leopoldo Willemann, achava que mudar de lugar poderia ajudar na melhora da companheira. Mas isso não ocorreu e a mãe viveu “sempre variada” mais dez anos. Esse fato marcou a infância, a juventude e a vida de Maria. “Nós éramos todos pequeninhos e ela quebrava tudo dentro de casa. Ela ficava presa, porque fugia pros matos. De manhã nós botávamos tudo para fora de casa e de noite botava tudo de volta pra dentro. Facas, garfos, colheres, tesoura, agulha... Isso era tudo escondido nos matos. Fazia uma bolsa com tudo dentro. Na hora da comida, nós íamos buscar. Essa era a nossa vida. Eu sofri muito. Mas já esqueci”. Essa história fez com que Maria tenha sido “mãe de muita gente”. “Primeiro, criei cinco irmãos; um até os três meses. Depois, casei e criei meus nove filhos. Em seguida, depois de 63 anos, eu criei três netos. Hoje, os filhos casaram todos e estamos, eu e o Pedro, aqui. Ele é solteiro, né? E cuida bem de mim”. E, com um riso aberto, conclui: “É, eu ainda estou aqui! E ainda sou uma guerreira!” Maria criança... que cuidava de crianças Pobrezinhos Nós éramos felizes, mas muito pobrezinhos. Nossa casa era de taquara com barro. A cozinha era só de taquara. Eram quatro estacas de gaioleiro, e botava a mesa em cima. Quatro estacas pra botar o banco. E o fogão era um quadro de tábuas com terra e o gancho pra pendurar aquelas panelas de ferro. Depois, pouco antes de eu casar, é que fizemos uma casa. Eu mesma fiz os tijolos. Pegava o barro, carregava, botava numa caixinha que eu mandei fazer, batia, amassava com o pé e o tijolo saia direitinho, bem inteirinho. Depois, botava num monte pra, em seguida, o pai queimar. Com eles, fizemos a casa. Irmã-mãe O pai saía pra escola e eu ficava com as crianças e com a mãe, assim variada, em casa. Eu era a mais velha e fui a mãe da casa dos irmãos. Um irmão meu morreu há pouco, em agosto, e sempre dizia que eu fui irmã e mãe dele. Eu tinha que fazer o almoço, ao meio dia. Isso quando tinha o que botar no fogo. Limpava a casa, lavava a roupa deles todos. Muitas vezes, ia para o rio, para lavar roupa, sem ter sabão. Eu dei conta! Um irmão nosso nasceu seis meses depois que a mãe não estava boa da ideia. Com onze anos, eu que cuidei dele até os três meses. O umbiguinho dele, quando caiu, fui eu que enterrei lá no Rio Bravo. Cada vez que eu desço aquele morro eu digo: se eu for lá, ainda mostro o lugar [risos]. Eu que dava banho nele. Um dia, uma tia do pai foi lá em casa e disse: Leopoldo, quem dá banho nessa criança? O pai respondeu: a Maria! E ela cobrou: quero ver. Eu peguei a gamela, peguei o paninho com banha pra passar no umbiguinho... Nunca me esqueço, os dois do lado, de braços cruzados, me mandaram dar um banho no bebê. Em seguida, enxuguei ele e arrumei tudo direitinho. Depois a tia do pai disse: “Só por Deus, uma criança cuidar de outra criança!” Eu dei conta que foi uma beleza! [risos] “Hoje, seria direto pro hospital” Não tinha leite para tratar dele. A mãe não dava de mamar. Tinha que amarrar as mãos e os pés dela e eu botava o menino para mamar. Um dia ela não deixou e o pai disse: “Maria, vai lá na cozinha e faz um mingauzinho com água, farinha de mandioca, açúcar grosso e um ovo batido”. Hoje eu penso... Você já viu, pra dar pra uma criança de três meses? Mas eu fui lá, tratei o bebê e ele dormiu a noite inteira comigo. Na cama, sossegado. Nem fez mal! [risos] Uma decisão difícil O pai ficou com medo que o bebê pudesse morrer, porque a mãe carregava ele e chegou a jogá-lo em um valo d’água. Aí, ele disse: “Eu tenho juízo e ela não tem”. Então, nós demos a criança para uma pessoa bem conhecida que ia cuidar bem dela. E esse irmão se criou lá em Forquilhinha. Não tinha... não tinha... Nós nos criamos todos juntos. Nós sofremos. Passamos muito trabalho. Não tinha mais roupa de cama pra dormir, nada! Hoje, eles se clamam: “Ah, isso aqui não tá bom!” Eu digo: “Gente, vocês nem sabem o que é a vida”. Nós bebíamos café numa canequinha só. E ninguém dizia eu quero, eu quero. Cada um pegava na sua vez e passava. Não tinha conversa. Também não tinha calçado, não tinha casaco, não tinha nada. De manhã, a gente fazia serviço, no frio, com geada. E não sentia nada. Não sei como. Acho que a gente era forte naquele tempo. E a gente vivia. E feliz. fiz meu forno. Fiquei mais “velha” e aprendi, né? Porque eu não tive mãe que me ensinasse. Mas aprendi tanta coisa na vida... Eu ia nas vizinhas, via elas fazerem... Chegava em casa, eu pensava: mas eu vou fazer também. E fazia e fui aprendendo. Deus deu a ideia pra gente, não é? [risos] Infância, eu não tive Diversão, não tinha. Nada! Só trabalhar e cuidar das crianças, carregá -las pra cá e pra lá. Não podia brincar. Não podia sair. Quando o pai saía, meus irmãozinhos obedeciam bem. O pai dizia: “o que a Maria mandar vocês vão obedecer. Se vocês não obedecerem, ela vai me contar de noite. E se ela não contar, ela é que vai apanhar”. Aí, eu tinha que contar. Mas eles obedeciam tão bem. Nós éramos muito unidos e o pai nos ensinou muito bem. Roupa de missa A primeira vez que eu fui a uma missa eu tinha dezessete anos. Antes, eu não tinha roupa para isso. Aí, com uma vizinha, eu troquei um vestido por uma galinha. Eu “ganhei” aquele vestido e aquilo foi uma felicidade minha. Com dezessete anos, eu podia ir a uma missa! [risos] Sustento O pai sentava em redor da mesa e nós comíamos casca de pão preto. Ele deixava nós comermos e não comia. Ficava com fome. Ele tratava os filhos! Quando não tinha o que comer, não comíamos. Ou comíamos batata crua. Nós, todos os irmãos, sentávamos e botávamos batatas no sol bem quente. Elas ficavam bem murchinhas e bem docinhas e nós comíamos. Escola O pai era professor e eu não aprendi a ler. Os outros todos foram pra escola e aprenderam a ler. Mas eu fui obrigada a cuidar da mãe e dos meus irmãozinhos. O pai me ensinava em casa, mas não aprendi. Sei as letras todas, mas não sei juntar os nomes. A minha cabeça não deu pra isso. Mas as contas eu faço tudo de cabeça e me viro bem. O pão nosso Fazia pão pra tropa de irmãos na casa dos outros, porque na nossa nem tinha forno. Primeiro, carregava três quartas de milho lá do Rio dos índios, subia aquelas sete voltas lá em cima, passava um pedaço de mato, na hora de meio dia, junto com uma vizinha minha, pra vir aqui na atafona do Julio Hans, aqui embaixo no Santo Antônio, do outro lado do rio. Levava a farinha de milho e, depois, fazia o pão na casa dos bons vizinhos que eu tinha. E trazia de volta. Um dia eu disse assim: “olha, eu vou é inventar de fazer um forno”. Aí me ajudaram, eu fiz a armação e eu Quase “operada” Eu tirei a roupa do meu irmão mais pequeninho pra lavar e não me lembrei de tirar para fora [da casa]. Aí, eu entrei para pegar e a mãe disse: agora eu vou te operar! E ela me jogou em cima da mesa. E, com onze anos, eu me defendi. O Adolfo dizia: mãe, deixa a Maria lavar a roupa do pequeno. Ela foi cansando da luta que nós tivemos. De repente, pra eu escapar, eu saí por uma janela que nem um avião. Eu digo: “foi Deus!” Ela me grudou pelas pernas, mas não conseguiu me segurar. [risos] Se ela tivesse um ataque, ela tinha me matado. Porque ela não tinha juízo. Santa Rosa de Lima, Dezembro/2014, Canal SRL À esquerda do casal, o pai de Maria. À direita, os “irmãos-filhos”. Maria e uma nova vida A cara metade Eu fiquei em casa até os 23 anos. Antes de minha mãe falecer, eu não casei. Eu não podia ter namorado, por causa dela. Depois, como eu e o Antônio [Estevão da Silva] íamos numa igreja só... [risos] Ô se ele era bonitão... [risos] E já estava com 26 anos e nunca tinha tido namorada. Ele não se importava em namorar, só trabalhava. O Antônio morava no Azedo, mas a igreja deles era a do Rio dos Índios. E eu morava no Rio dos Índios... Aí, conversava depois do terço, ia junto pra casa... [risos] Nos conhecemos, namoramos e, ao cabo de um ano, nos casamos. Aprontos Eu fui a Braço do Norte, pela primeira vez, quando eu casei. Aí o pai foi comprar lá os meus aprontos. Primeiro de tudo que ele comprou foi um crucifixo. [risos] Está ali até hoje. Depois comprou minhas coisas: roupa de cama bem bonita, o tecido pro meu vestido, a grinalda, o véu, sapato, tudo. E eu junto. Eu fiquei feliz, porque eu trabalhei muito pra ele. Mas o meu pai me agradeceu muito, porque dizia que eu passei muito trabalho e fui sempre muito cuidadosa com as coisas da nossa família. O meu vestido de casamento fui eu que cortei e costurei. À mão! Naquele tempo, não era feito. Depois, quantos vestidos de noive eu fiz. Fui aprendendo. Ninguém me ensinou. Foi um casamento bonito. Foi com muito cavaleiro. Naquele tempo não era carro. Para ir pra igreja e depois pra casa, éramos nós dois a cavalo na frente, com os cavalos todos enfeitados e eram cavaleiros atrás de nós, como daqui lá na estrada. A festa foi boa e bonita. Nem eu, nem ele tínhamos dinheiro. Mas o pai estava melhor como professor, pegou um dinheirinho e as coisas melhoraram pra nós. Dançamos bastante, festejamos bastante. Tinha um concertado e os convidados beberam bastante. E teve muito bolo. Naquele tempo, aqui, ninguém sabia fazer bolo. Minha tia veio da Serra e desmancharam duas sacas de trigo em bolo. Bolo, pão de trigo, pão de ló enrolado... O pessoal não sabia o que era isso por aqui... E comeram tanto nessa festa... [risos] No fim, chegaram a esconder em cima do sótão, pra levar pra casa. [risos] Sempre juntos Eu fui muito feliz no meu casamento. Foram cinquenta e poucos anos. Ele foi um bom marido. Muito trabalhador e honesto. Se todo casal vivesse como nós, não tinha separação. Nos primeiros dias, nós moramos com os pais dele. Mas logo ele fez a casa e moramos nela. Depois, quando nós estávamos cinco anos casados, nós compramos quatro lotes de terra lá no Rio dos Bugres. Pagamos tudo num ano só. Engordamos bastante porco. E vender porco, naquele tempo, não era igual hoje, com caminhão. Era tudo por picadas nos matos, para passar. Com luz de querosene num facho de taquara. Às vezes, o porco pulava pra dentro da capoeira e tinha que pular também e ir buscar aqueles bichos lá pra dentro. Às vezes, já não andavam mais e aí só com carro de boi pra levar. Na Santa Rosa, tinha uma balsa pra passar. Quando não tinha balsa, tinha que passar pelo meio do rio. Eu sempre junto com ele, na roça, em tudo. Na terra vermelha Em seguida, nós fomos para o Paraná, lá pras bandas de Chupador, de Manoel Ribas. Antes, ele fez uma viagem de oito dias pra lá e gostou. Eu fiquei em casa com os guris. Tinha uma engorda de porco e ele disse: “Eu não vou porque tu não vai dar conta de tudo; tem vaca de leite, tem galinha, tem porco pra engordar, tacho de batata pra buscar, rama pra botar no pasto”. Eu respondi: “Dou sim! Com uma condição: tu comprares pra mim uma máquina de costurar se os porcos engordarem bastante”. Daí, ele foi. Quando ele voltou, a primeira coisa que fez foi ir lá no chiqueiro. Aí ele olhou os porcos e deu aquela risada, com aqueles dentes de ouro que ele tinha. E no outro dia ele já foi comprar minha máquina. [risos] Pois é, ele gostou do Paraná... Mas eu disse pra ele: “Melhor nós não vamos ficar lá, porque aqui, em cinco anos, nós compramos quatro lotes de terra e já temos tanta criação... Lá pode não dar certo”. E ele, assim, deitado em cima de um banco, respondeu: “Não! Lá, eu sozinho faço o mesmo tanto por nós dois aqui”. Quatro meses Lá nós moramos apenas quatro meses. Fomos, no mês de setembro, e no de fevereiro já voltamos. Não deu certo! Ele não quis o Paraná mais nem dado. Eu queria ficar. Era muito bom pra planta. Plantava num dia e parece que via crescer numa noite. Ele não quis. Achou muito quente, muito sujo. Não gostou e voltou! E fomos pra mesma morada no Rio dos Bugres. Nós já tínhamos dito, se nós não nos déssemos bem lá, nós voltaríamos para a mesma morada. Mas nós não tivemos mais sorte lá no Rio dos Bugres. Sempre trabalhava, mas não vinha mais nada no jeito. Ele disse: “Olha, aqui não adianta mais nós trabalharmos. Vamos sair!” No Rio do Meio e nos engenhos O Vendolino Loch queria vender isso aqui, pra ele ir para o Paraná. Nós agarramos e viemos morar aqui no Rio do Meio. E aqui nós ficamos quarenta e poucos anos juntos. Eu estou aqui há 51 anos. Ele fez engenho de farinha, engenho de açúcar, piladeira e atafona. Nós tocávamos tudo. Era quase dia e noite. À noite, às vezes, os filhos ficavam com ele, às vezes eu ficava e tocava a noite inteira. Ele dormia um pouco no cocho, depois eu dormia um pouco. E assim, a gente ia fazendo as forneadas. Dia 5 de abril, nós íamos para o engenho e no dia 5 de setembro nós parávamos. Aí, nós íamos tudo pra roça, plantar mandioca. Nessa parte Na foto de 1966, aparecem todos os filhos do casal. A última da esquerda é mais nova que o bebê (Pedro) que está no colo e ainda não havia nascido. Mais tarde, como ela havia falecido aos 21 anos, de leucemia, solicitou-se que fosse feita essa montagem incluindo uma das fotos dela 15 do ano, trabalhava o dia inteiro na roça. Os filhos ajudavam. Teve um ano que nós plantamos cento e tantas mil ramas. Nós compramos essas terras todas com o dinheiro dos engenhos e um pouco de criação junto. E não era acordar cedo só pra missa, não. Pra trabalhar também. Eu fazia pão de madrugada. Esse pão, o dia clareava e eu levava pra roça, pra fazer o café. O trabalho nos engenhos Os dedos encarangavam de fazer polvilho de noite, de madrugada. E forneava farinha. Tinha que rapar mandioca... Do rapador, ia pro cocho. Pra tirar aqueles olhinhos, que ele era muito caprichoso, pra fazer uma farinha bem boa. Botava naquelas prensas pesadas, depois passava nas peneiras, pra botar na fornalha. No de açúcar, eu apagava as fornadas. Quando o açúcar estava pronto, ele tirava e eu pegava o balde d’água e pichava pra apagar o fogo. Ele tirava a carga e, depois, nós lambíamos muito açúcar da calha. Era gostoso... Já fazia as “pazinhas”. Aí já botava outra de novo. Tinha que carregar aquele bagaço todo pra fora e pegar novas canas. E de noite moía milho também. Isso tudo eu fazia com o Antônio. Depois, os filhos cresceram, ficaram moços, aí todos ajudavam. Nós íamos todos. E, de dia, ia pra roça. Diversão em família? A vida da família era só trabalho. [risos] Não tinha festa na família. Nem de aniversário. Nem passear nem nada. Só trabalhar pra dar conta de tratar os filhos. Senão não dava conta... Só no domingo, nós íamos pra missa, pro terço, tudo. Aqui na Santa Catarina e lá no Rio dos Índios. Missa às sete horas. Antes, tinha que tratar as criações, tudo. Imagina que hora tinha que levantar pra estar na missa às sete... Às vezes nem esquentava o pé na cama e já tinha que levantar. Todo mundo em jejum, nós saíamos por dentro das capoeiras, das taquaras, dos pastos... Tinha que passar a pé três passos de rio. Se o rio estava cheio, a gente passava por fora. Naquele tempo não era como agora que pode encher a barriga e tomar a comunhão. Só em jejum! Domingo à tarde, a gente se visitava. E às vezes, de noite, meus cunhados e minhas cunhadas (que nós gostávamos muito uns dos outros) íamos uns na casa dos outros. Fazia aquela janta... E depois ia embora. A diversão era essa. Um passeio longe, assim como faz hoje, não! Os filhos estudaram e se viram bem Os filhos estudaram todos numa aula só, na escola que tinha na Santa Catarina. Estudo pra fora, naquele tempo, não tinha condições. Só se tirasse o filho de casa. E naquele tempo para tirar um filho de casa, meu Deus do céu, era o fim do mundo. Ninguém tirava porque não podia. Mas, hoje, eles estão espalhados e todos se viram muito bem. As aulas começavam às oito horas, mas tinha que acordar cedo e sair sete horas. Eles iam a pé, pelas picadas, de pé no chão e às vezes chegavam molhadinhos na escola. segue 16 Santa Rosa de Lima, Dezembro/2014, Canal SRL PATRIMÔNIO SANTAROSALIMENSE Lembranças de um pai “que ficou firme e cuidou dos filhos até todos se casarem” Pai-professor O meu pai, Leopoldo Willemann, era professor. No Rio Bravo, ele dava aulas em alemão. Quando foi para o Rio dos Índios, deu aulas em brasileiro. Lembro-me tão bem. Lembrome até das aulas em alemão que ele dava. [risos] No Rio dos índios, tinha os Tonn, que são da Alemanha. Eles vieram de lá e não sabiam falar nada em brasileiro. Nem bom dia! Aí o pai pegou um filho deles como aluno. Ele falava em alemão e o pai explicava como era em brasileiro. Então, os velhos quiseram que ele fosse à casa deles, para ensiná-los a falar em brasileiro. E o pai foi. Ele ia muito lá. E eles traziam pedaço de carne para o pai, porque eles ficaram muito felizes Dona Maria relembra, com saudades, de seu pai e seus irmãos. porque estavam aprendendo brasileiro. Pai-agricultor O pai plantava. Até o meio dia, ele dava aulas e de tarde ele ia plantar. No tempo de plantar, os irmãos maiores ajudavam. Eu levava café pra eles na roça e eu gostava de trabalhar na roça e ajudava também. Um dia eu disse: Ô pai, eu vou plantar esse feijão, enquanto vocês tomam café. Ele disse: mas tu não sabes pichar os grãos. E eu respondi: sei sim! Pois eu pichei 8 ou 9 feijões em cada covinha. [risos] Eu não sabia que nascia isso tudo. Depois ele perguntou: o que tu fizesse do feijão? Plantei certinho, né! [risos] Parece que eu estou vendo aquele lugar... Memória das comunidades O Rio dos Índios nos anos 1940 O Rio dos Índios de quando eu vim era, bem dizer, só mato. Pouca casa e tinha uma igreja muito pequeninha, assim, em cima de uma lomba. Ali se rezava o terço e o padre vinha de tempos em tempos. Depois, foram indo, fizeram uma igreja. Cavaram o chão tudo a muque, carregaram madeira, foram fazendo e formaram a igreja. Santa Catarina nos anos 1960 Tinha muita gente. Hoje, não tem mais morador. Foram tudo embora para o Paraná. Tá um deserto, agora. Plantaram quase tudo eucalipto. Aquela igreja era cheia. O padre vinha sempre ali. Minhas crianças fizeram primeira comunhão e crisma tudo ali. Pra ir pra igreja era tudo picada. Capim de manhã cedo molhava as crian- ças todas. A igreja, agora, ficou muito parecida como era naquele tempo. Ficou bem bonita. Quando renovaram o cemitério, me chamaram para ajudar a identificar o nome das pessoas. Rio do Meio nos anos 1960 Quando nós viemos pra cá, tinha uma serraria e tinha bastante morador. Tinha cinco ou seis casas em torno dela. Aí o Montegutti foi embora para Orleans. O meu marido agarrou, comprou e serrou um tempo também. Tinha uma roda d’água grande... Mas ele ficava muito nervoso e não dormia a noite inteira. Ele sonhava muito e dizia: Uh, que coisa medonha... Acho que era aqueles paus pesados e ele tinha medo de um acidente. Aí, ele tirou a serraria e fez os engenhos. Porque o pai dele já era de engenho e ele sempre foi de engenho. Aqui em volta era pasto e capoeira. Roça não tinha. Tinha só pra cima dos morros. E também tinha três moradores pros lados de baixo do morro. Tinha bastante morador por aqui. Muita gente foi embora e agora tem pouca gente no nosso lugar. Fornada de imagens Ao chegarmos à residência de Dona Maria, notamos uma coluna espalhada de uma fumaça branca, que saía de trás da casa. Não era da chaminé. Curiosos, constatamos que ela vinha de um forno que ficava nos fundos. Dona Maria preparava, com a ajuda da nora Isabel, uma bela fornada de pão. Daqueles dos tempos antigos que pretendíamos, com ela, relembrar. A entrevista aconteceu enquanto a massa crescia. As folhas de caité também já estavam preparadas. Depois da conversa, acompanhamos os preparos finais e a colocação no forno. Essa não é a sessão “Caderno de Receitas”, mas resolvemos, pelo menos, dar um “gostinho” com uma sucessão de imagens. Infelizmente, não foi possível ficarmos para ver os pães de milho saírem do forno e nem para degustá-los. Mas que prometia um sabor especial, ah, prometia. Santa Rosa de Lima, Dezembro/2014, Canal SRL 17 SUSTENTABILIDADE Cresol distribui cartilha sobre Abelhas Nativas Com o objetivo de mostrar o importante papel das abelhas nativas na sustentabilidade do planeta e garantir que as crianças aprendam a preservar estas espécies e o meio ambiente, a Cresol Encostas da Serra Geral patrocinou a distribuição de cartilhas aos alunos da rede municipal de ensino. Além da distribuição do material, uma parceria com o Centro Educacional Santa Rosa de Lima pode levar 109 alunos para visitarem um meliponário (local de criação de abelhas nativas) na comunidade de Rio Bravo Alto, na propriedade familiar do agricultor Paulo Eller. Crianças visitam criação de abelhas nativas. Para o filho de seu Paulo, Fabiano Eller, que é agricultor, meliponicultor (criador de abelhas nativas) e conselheiro administrativo da Cresol, divulgar o trabalho que é feito com essas espécies de abelhas em Santa Rosa de Lima é de grande importância. “As abelhas nativas são as responsáveis pela manutenção da vida. Difundir esta ideia junto com as crianças é essencial para garantir a preservação da espécie. Sem as abelhas nossa humanidade não sobreviverá”. Fabiano avalia que foi uma experiência muito interessante para os alunos, “na propriedade, eles tiveram a oportunidade de ter contato direto com as abelhinhas e puderam experimentar o mel diretamente das colmeias das abelhas sem ferrão. Também puderam conhecer espécies como mandassaia, guaraipo, jataí, mandurim, mirim, boca de renda, tubuna, uruçu e bugia”. Fabiano diz que nesta primeira etapa a Cresol patrocinou a impressão de 300 cartilhas, e foi priorizada a distribuição no município, mas a ideia é “futuramente produzir mais e levar para as escolas dos municípios onde estão sediadas as outras unidades da Cresol Encostas da Serra Geral, em Anitápolis, São Martinho, Armazém e Lauro Müller. Algumas dezenas de cartilhas também foram doadas para a Associação dos Meliponicultores das Encostas da Serra Geral, (Amesg) que as distribuem em feiras que participam”, explica o conselheiro. Anote aí ! Dia 13 de Dezembro - Baile Formatura Gustavo Godois, Jeito Safado e DJ Andrey Negão. Horário: 23:00hs Local: Salão Comunitário SRL Dia 21 de Dezembro Natal dos Sonhos às 19:00hs abertura Horário: 19:30hs – Abertura Local: Salão Comunitário SRL Dia 12 de Dezembro Formatura Pré- Escolar C.E.I. Recanto Alegre Horário: 20:00hs Local: Centro de Convivência do Idoso Dia 31 de Dezembro Réveillon na Mata Verde Horário: 21:00hs Local: Associação Mata Verde COMUNIDADE SANTA BÁRBARA Rodinei Beckhauser Porque Santa Bárbara. No dia 4 de dezembro comemoramos o dia de Santa Bárbara. Curiosamente a santa que deu nome à nossa comunidade, não é nossa padroeira oficial. Aqui festejamos como patrono de nossa igreja, nosso querido Santo Antônio. Buscando aprofundar um pouco mais esta relação com estes dois santos, sentamos com Seu Remi Bonetti, o “nono” e essa foi a história que ele contou. Era por volta de 1930, os primeiros colonizadores já haviam se instalado aqui neste pé de serra. A vida era árdua, simples e de muito trabalho. Nos domingos pela manhã, o costume era ir na igreja para rezar. A tarde era para visitar os amigos e vizinhos. E foi numa destas tardes de domingo, que o senhor Domingo Bonetti foi visitar um irmão que morava perto. A esposa e os filhos ficaram em casa. No meio desta tarde, a comunidade foi surpreendida por uma forte e repentina trovoada com muitos raios. Tão logo o tempo se acalmou, Seu Domingo retornou para casa para certificar-se de que sua família estava bem. Foi quando teve um grande susto, encontrou sua esposa desacordada e alguns de seus filhos com queimaduras provocadas pelo fogo de chão no interior da cozinha. Seu Remi lembra que uma descarga elétrica provocada por um raio havia atingido a casa de seu Domingo. “A casa só não pegou fogo porque a cozinha era de chão batido”. Neste ambiente ficava o caldeirão que a família usava para cozinhar, ele era suspenso por uma corrente de ferro, do teto da cozinha até o fogo no chão e a causa provável foi de que a corrente conduzira o raio até a esposa e os filhos de Seu Domingo. “O raio arrebentou toda a corrente jogando o caldeirão longe e espalhando o fogo por toda a cozinha. Felizmente foram apenas queimaduras e ferimentos e todos ficaram bem”, relembra seu Remi. A fé A grande maioria dos colonos que se instalaram por aqui era de origem italiana e todos eram muito devotos de Santo Antônio. Mas depois deste alarmante incidente, Seu Domingo esperou o padre, que vinha uma vez por ano rezar missa na comunidade, e foi falar com ele. Queria saber qual era a santa ou santo protetor contra raios. Ao saber que era Santa Bárbara, imediatamente foi encomendada uma imagem da santa. Com a chegada da imagem e com as fortes tempestades que atingiam e atingem a comunidade, todos foram criando uma forte devoção por esta santa. Impasse Quando veio a decisão de escolher um santo padroeiro para a nossa igreja houve um impasse. Quem seria? Santa Bárbara ou Santo Antônio? Nesta decisão o Padre Afonso Schlickmann teve importante participação, ele sugeriu que Santo Antônio ficasse como padroeiro e Santa Bárbara desse o nome à comunidade. A sugestão foi acatada por unanimidade. Então sempre rezamos para que esses dois santos continuem sempre nos abençoando e nos protegendo de todas as tempestades da vida. Que todos tenham um Natal de muita paz e alegria e que o ano novo venha com muitas realizações. Feliz Natal e um ótimo Ano Novo 18 Santa Rosa de Lima, Dezembro/2014, Canal SRL Meine Meinung Minha Opinião COMUNIDADE NOVA ESPERANÇA Jaqueline Tonn Todo Ano Novo é hora de renascer, de florescer, de viver de novo. Aproveite este ano que está chegando para realizar todos os seus sonhos! (Autor desconhecido) Dezembro chegou e traz consigo muitas realizações. É o mês das festas, das confraternizações, para alguns o mês das merecidas férias, é o Natal que se aproxima, um novo que finda e outro que nasce. Nas ruas se instaura o clima natalino. Em nossa comunidade muitas casas já estão enfeitadas com luzes, guirlandas e presépios de natal. Mas o maior enfeite é nossa alegria de sermos o que somos, é um sorriso no rosto e a nossa esperança no novo ano e nossa fé de que sonhos se realizarão. Natal é tempo de compartilharmos com nossos familiares as alegrias que jamais imaginaríamos passar um dia. É uma data para refletir e alçar novos horizontes. Uma data para lembrar que a verdadeira troca de presentes é o banquete em família, é rever parentes e amigos que nos visitam, sempre trazendo boas novas e alegrias, é fazer o bem, sem olhar a quem. Aqui em nossa comunidade é tempo de renovação e de buscar novos projetos para 2015, sempre compartilhando bons e maus momentos mas, nunca desistindo dos nossos ideais. Festa de Santa Luzia Nova Esperança estará em festa no dia 13 de dezembro, quando comemoramos e honramos Santa Luzia, protetora dos olhos e da visão e nossa padroeira. Nossa comunidade inteira e visitantes se reúnem para rezar por ela e se confraternizar, transformando o dia num grande momento de adoração, alegria e união num clima inteiramente familiar. Programação Sábado – 13/12/2014 10:00hs – Missa com primeira comunhão e batizado 12:00hs – Almoço – Feijoada 13:00hs – Início do Torneio de Bocha Individual Domingo – 14/12/2014 Pela manhã, finais do Torneio de Bocha 12:00hs – Almoço Colonial 13:00hs – Início do Torneio de Futebol de Areia com 12 equipes convidadas. Durante os dias de festa haverá serviço de bar e cozinha. A comunidade de Nova Esperança deseja a todos um Natal abençoado e um Ano Novo cheio de realizações. Wilson Feijão Schmidt Reflexão de final de ano Confesso que não gosto muito daqueles “balanços” de final de ano que, nessa época, fazem os jornais, revistas e televisões. Talvez eu derrape em um deles, mas meus pouquíssimos leitores serão compreensivos. Vai emplacar mais um ano O Canal SRL, que me cede este espaço nobre, chega a mais uma virada de ano. Muita gente duvidava que isso fosse acontecer e alguns trabalharam (e ainda trabalham) contra este jornal de todos os santarosalimenses. Tem gente no município que acha que quem vive e trabalha aqui deve se “informar” em folhetos de propagandas com chapa branca, publicados em municípios vizinhos. Nosso patrimônio, nossa cultura, nosso jeito sustentável e solidário de fazer desenvolvimento parecem não interessar a esses ilustres “coronéis” e representantes da casa-grande. Da mesma forma, as receitas que interessam a eles não são as da culinária antiga, apresentadas nessas páginas. Preferem outras, que são preparadas menos às claras... Solitário Interessante que se queira dar ao Canal SRL um “lado” que ele não tem. Trata-se de uma tentativa de fazer do jornal (mais) um inimigo, para justificar um modo de fazer política baseado em uma postura irracional e em uma discussão muito pouco fundamentado em ideias. É como torcida organizada de times de futebol. Vale mais a briga atrás das arquibancadas ou na rua, do que o “jogo jogado”, para todos verem, dentro do “gramado”. Nesse FlaFlu, ou 11-15, que marca a falta de debates e de reflexões da política santarosalimense é que nasceu o Canal SRL. Não para fortalecer discursos bisonhos e pobres, mas para informar e formar aqueles que estão interessados em ser cidadãos. Por isso, seguindo Antônio Prata, é possível se pensar, talvez ingenuamente, mas com muita determinação, que o Canal SRL pode ser o hífen solitário no meio do Fla-Flu local. Existe cura, mas ela não é tão simples 2014 foi ilustrativo: pode se constatar a maior campanha política já feita pela Globo e pelos grandes jornais brasileiros. Mais uma vez, eles foram derrotados pelo povo. Nessa campanha, a grande mídia brasileira tentou culpar apenas um partido (o PT) pela corrupção que está presente em qua- se cada administração pública desse país. Por isso, vale a pena transcrever trecho de texto escrito pelo empresário Ricardo Semler, que se afirma membro do PSDB, “com ficha orgulhosamente assinada por Franco Montoro, Mário Covas, José Serra e FHC”. “A turma global que monitora a corrupção estima que 0,8% do PIB brasileiro é roubado. Esse número já foi de 3,1%, e estimam ter sido na casa de 5% há poucas décadas. O roubo está caindo, mas como a represa da Cantareira, em São Paulo, está a desnudar o volume barrento. Boa parte sempre foi gasta com os partidos que se alugam por dinheiro vivo, e votos que são comprados no Congresso há décadas. E são os grandes partidos que os brasileiros reconduzem desde sempre. Cada um de nós tem um dedão na lama. Afinal, quem de nós não aceitou um pagamento sem recibo para médico, deu uma cervejinha para um guarda ou passou escritura de casa por um valor menor? [...] Deixemos instalar o processo de cura, que é do país, e não de um partido”. Por fora! Como alguém já disse, no país, tem gente e tem partidos que assumem governos e prefeituras “não para servir. Mas para se servir”! No atacado e no varejo Sobre a relação entre corrupção e república, Renato Janine Ribeiro, professor da Universidade de São Paulo, nos dá uma explicação simples: “República quer dizer coisa pública ou, simplesmente, o bem comum. Se você desvia o bem comum para o privado, ataca o cerne da vida em comum. Por isso mesmo, fique claro: o contrário de república não é monarquia. O contrário de república é corrupção”. Bom e republicano ano novo Um 2015, com menos roubalheira, mais transparência, muito mais participação popular e consequentemente, mais limpo e feliz! Santa Rosa de Lima, Dezembro/2014, Canal SRL 19 Enquete Nesta edição de dezembro não podemos deixar de falar sobre o Natal. Para isso o Canal SRL foi às ruas para ouvir de seus leitores qual o significado do Natal e como as pessaos se preparam para as festividades natalinas. Para a maioria dos entrevistados o Natal é visto como o nascimento do Menino Jesus, uma época de reunir-se com a família e celebrar este nascimento através da oração. “Tem gente que só pensa em fazer festa, mas não é só festa. O Natal significa o nascimento de Jesus, significa a igreja, a oração. É um momento de passar com a família, de fazer um almoço de Natal. Eu vou passar com a minha família, a minha filha vai vim e vamos passa todos juntos.” Teresinha Roecker Berckembrock “O Natal é o nascimento do nosso salvador, sou católica, não aprendi muita coisa, mas o Natal pra mim é ir na igreja, ir na missa e se preparar para a chegada do nosso salvador Jesus Cristo. O Natal é muito especial. Mais especial ele era quando a gente tinhas as crianças pequenas, agora que eu moro sozinha não tem mais muita graça. Este ano não vou passar o Natal em casa porque eu vim passear na casa da minha irmã e daqui vou para Joinville, passar o Natal com os meus filhos.” Luiza Wilke Schmoeller “Para a gente que tem criança na família, o Natal é muito bom. Outro dia mesmo, eu levei os meus sobrinhos para me ajudarem a decorar lá em casa e o que a gente sente é muita luz, a gente vê a alegria deles, ainda mais eles, que são especiais. A gente pensa em tudo para eles. A gente não se contenta em dar só um presente, quer dar roupa, brinquedos, mas, mais que tudo a gente dá muito amor. Não sei se é porque eu trabalho com o povo, mas nesta época eu me sinto muito feliz. Para mim é uma alegria ajudar a escolher o melhor presente e fazer alguém se sentir bem neste dia. A gente sabe que é uma correria, é cansativo, mas a gente está sempre disposta a atender todo mundo bem. Então eu sempre trago isso, o Natal é muito luz e muita paz.” Kátia Kulkamp “A minha família sempre foi muito religiosa, então o significado do natal sempre esteve muito atrelado a religião. É o nascimento de Jesus, é toda essa coisa que a igreja criou e a gente tem esta aceitação por ser cristão. É uma data especial, mas depois que a gente começa a trabalhar e ficar mais velho ele perde aquele encanto de quando se é criança. Por isso, eu acho que nesta época, a gente precisa se iludir um pouco e voltar a ter a fantasia de criança, para sempre ter o Natal como uma coisa boa, uma coisa de cumplicidade, de união, de carinho com a família. O Natal é família. Em dezembro a gente começa enfeitar a casa, fazer pinheiro, sempre tem umas coisinhas para criar um clima natalino.” Hédipo Leonardo da Silva “Pra mim não muda quase nada. Mas a gente sempre faz um almoço, um jantar. O Natal para mim é pra comer, para passear, reunir a família, os filhos que moram longe vem visitar quando podem, daí isso é o bom do Natal, mas de resto é tudo igual antigamente.” Lino Pickler “O Natal sempre foi a festa mais bonita da vida, porque é o nascimento de Jesus. Então acho que a gente tem que comemorar isso pra sempre, para o resto da vida. Temos que rezar, pedindo a Deus que ajude todos, que a gente tenha um ano novo feliz e repleto de saúde. A festa não é a coisa mais importante, importante é Deus acompanhar a gente mais um novo ano. Sempre fizemos uma festinha em família, sempre enfeitamos a casa. A gente sempre comemorou com oração, porque isso vem em primeiro lugar. A gente então não pode por causa de problema de saúde deixar o Natal pra trás, tem que sempre ter aquele dia bonito. Os filhos todos reunidos, e cada um tem um presentinho para trocar como outro.” Erica Machado Boeing e Lourenço Boeing É um dia de reunir a família. Eu gosto muito de enfeitar a casa, o pinheiro, colocar pisca-pisca, sempre amei. De três anos pra cá então, depois que eu ganhei meu neto, que eu amo tanto, foram os melhores natais da minha vida. Quando tem criança em casa o Natal é outra coisa. Então pra mim esta é a época mais importante. Apesar de que também é um pouco triste porque a gente lembra dos pais, das irmãs que a gente amava tanto e que partiram, mas isso são coisas da vida e a gente tem que se conformar. Eu sempre faço um peru, uma galinha assada, um salpicão, uma farofa, grão de bico. Como a gente trabalhou em São Paulo, geralmente fizemos uma coisa diferente do dia a dia. Sempre recebemos a família, que as vezes vem de muito longe e costumamos fazer amigo secreto. Este ano vai ser diferente, vamos passar com a família da minha nora, lá em Nova Veneza. No ano passado eles vieram aqui e agora eles querem que nós vamos lá”. Eroni Medeiros Roecker Nós participamos da novena e no último dia sempre fizemos uma festinha, ainda não marcamos a casa, mas sempre fizemos assim. E no Natal a gente se junta com a família. O Natal pra mim é uma alegria, mas este ano está complicado porque está dando muita seca, muito sol. Mas nesta época é uma alegria muito grande porque mal passa uma, já chega outra visita em casa, a gente recebe visita de muita gente. Eu faço um pinheirinho simplesinho, eu faço a mesma comida de sempre, é feijão, arroz, com carne, com salada, aí vai. É comida boa, então é isso e os filhos vêm tudo.” Olivia Assing Oenning 22 Santa Rosa de Lima, Dezembro/2014, Canal SRL CARDERNO DE RECEITA Família SRL Adolfo Wiemes Natal em Família Para os católicos, o Novo Ano Litúrgico começa no quarto domingo que antecede o dia do nascimento do Menino Jesus, é o tempo do Advento, uma preparação para receber Cristo que quer nascer em cada coração humano no dia de Natal. Jesus veio ao mundo para salvar toda a humanidade que andava no caminho errado, no caminho do pecado que nossos primeiros pais cometeram no início da criação humana, pois em Adão e Eva todos pecamos. Jesus quer e deve nascer todos os dias em nosso coração. Mas nós somos fracos e caímos muitas vezes no mal, prejudicando nosso próximo. Disso precisamos nos corrigir, através do perdão a Deus, ao próximo e a nós mesmos. Nos arrepender dos males ou pecados que cometemos, confessá-los e fazer o propósito de não pecar mais. Viver uma vida conforme os Dez Mandamentos da Lei de Deus. Natal do Papai Noel Época onde a maioria das pessoas começa a se preparar para as festas com comidas típicas, algo diferente do dia a dia. Os pais, padrinhos e avós costumam dar presentes uns aos outros. E há pessoas que se vestem de jeitos bem diferentes, bem cobertos, que fica difícil reconhecer quem é. O chamamos de Papai Noel, aquele que traz e distribui presentes. Querem dizer que é o Menino Jesus! Que Menino Jesus, nada! É só invenção. Mas faz parte da vida e alegra a todos. Dizem que este papai Noel é invenção norte-americana. O padre Aluísio dizia ‘é o vilão que veio lá do norte do mundo’. Uma coisa é certa, os comércios fazem muita propaganda nesta época, sempre para vender mais e visar lucros e muitos correm atrás disso, justificam que se não fizerem uma coisa diferente, não é Natal. Espírito natalino Mas não é o Natal que está em dívida, é o próximo! Que está cheio de dívidas para com Deus. Pois na verdade, o espírito natalino é bem diferente, onde o mais importante é estar em dia com Deus, com o próximo e consigo mesmo. Estar bem preparado através de orações, novenas em família, nas casas e na igreja. Esse é o verdadeiro espírito natalino. Ditado alemão de São Nicolau, arcebispo turco que costumava ajudar pessoas pobres, que inspirou a criação do Papai Noel que conhecemos hoje. “St. Nikolaus ist ein brave mann, bring die kinder wass kann. Die grosen lest er laufem, die Kennen sig já was kaufen.” Tradução Livre “São Nicolau é um bom homem, traz para as crianças o que pode. Os adultos ele deixa andar, eles podem para si algo comprar.” Um Feliz Natal abençoado para todos Docinho de Natal (Bolacha caseira) O caderno de Receitas desta edição resgata mais uma tradição da culinária das Encostas da Serra Geral, as “bolachas caseiras”. Esta iguaria era, nos tempos idos, a principal guloseima que nossos pais e avós. Quando eram crianças, era o que ganhavam nas noites da Natal. Bolacha antiga, mas ainda atrativa, pois até hoje crianças, jovens e adultos se deliciam com ela. Para apresentar a receita convidamos Dona Augusta Becker Vandresen, uma simpática senhora de 74 anos. Com medo de “não dar conta”, esta bisavó, convidou, para dar uma mãozinha, a neta Kátia, a bisneta Francine e o neto Igor. Todos ajudaram na confecção dos docinhos de Natal. Dona Augusta nasceu em 9 de agosto de 1940 e, desde sempre, vive na comunidade da Mata Verde. Continua muito ativa, cuida de suas vaquinhas, das galinhas, do porco e de mais três rocinhas. Segundo ela, “uma até bem grande”. Mulheres que vivem mais Às vezes me lembro, minha mãe morreu com 72 anos e a gente achava que ela estava velha. Agora, eu penso: nem sei como a gente está com 74 e ainda está assim. Antigamente, nessa idade, a pessoa já era muito velha. Hoje em dia, as pessoas estão mais conservadas. E por que? Eu penso assim: antigamente a mulher era quase escrava do homem. Não tinha um dinheiro, não tinham nada. Não tinha nem para comprar um remédio. Agora qualquer coisa que a gente sente, vai e toma um remédio. Naquele tempo, ficava semanas doente em casa, esperando melhorar, só com um chazinho. Por isso eu acho que o povo vive mais. Eu penso assim. A minha mãe nunca foi num médico e morreu de derrame. Ela tinha muita dor de cabeça, mas não tinha médico, nem tinha dinheiro para ir. Até o quarto ano A gente estudava ali na escolinha em cima do morro. Naqueles pés de laranja, ali onde hoje está a associação. Eu entrei bem novinha, com seis anos. E com dez anos eu saí da escola porque não tinha mais... Só fazia até a quarta série e eu passei todos os anos. Meu primeiro professor foi o Zezinho Medeiros. Ele ainda é vivo, mas está bem velhinho. Mora lá na Palhoça. Ele era tão bravo, tão bravo. Pra mim não, porque Dona Augusta com o neto Igor e a bisneta Francine. eu sempre tratava e cuidava das galinhas dele e ele parava na nossa casa para dormir. Mas tu achas que de noite, se ele ficava conversando com o pai, a gente podia ficar escutando conversa? Que nada! Cama, oh!... Era um respeito que a gente tinha. Meu Deus! Choro e choco Eu me lembro de uma vez que eu apanhei na escola. Assim como hoje tem esta educação física, naquele tempo a gente já tinha. Eu e a Ana éramos as duas mais pequenas e a gente ia na frente da fila. Tinha uns 45 alunos e lá bem de traz o professor gritou: segue! Era para nós irmos para a escola. Eu não escutei e a Ana já saiu andando. E eu não fui. O professor me deu uma reguada na bunda, que meu vestidinho voou. Aí, eu chorei! De brava. Então, no recreio, ele veio. Deu umas balinhas para eu botar uma galinha no choco pra ele. Mas que brava que eu fui! Mas fui. Eu tinha medo. Fiz o ninho e ainda botei uma galinha no choco pra ele. Nunca esqueço disso. Um pum é igual a quarenta e nove reguadas Uma vez, por causa de um pum, o professor deu 49 reguadas num aluno. Foi no Zeca do Gerônimo Pinheiro. Alguém soltou um pum e todo mundo começou a rir. O professor perguntou: quem deu o pum? Não podia peidar! Ninguém assumiu e o Paulino Schmidt dizia: foi o Zeca! E o Zeca respondia: não fui eu, não fui eu! Daí o Zezinho Medeiros começou a bater no Zeca. “Diz que foi tu, senão eu te bato!” E ele deu 49 re- guadas e o menino continuava dizendo que não tinha sido ele. Por fim, o professor parou de bater. Medo e aprendizado O Zezinho Medeiros era muito bom professor. E como as crianças o respeitavam. Elas tinham medo. Mas aprendia, que nossa! Ninguém rodava. Só mesmo quem tinha uma cabeça muito ruim, aqueles bem durões para estudar. Mas, senão, ele educava... E as doutrinas? Como ele e o Raimundo davam bem! E o Raimundo era bravo também. Mas a gente não se arrepende que tenha sido assim. Porque a gente aprendeu a respeitar as pessoas mais velhas e a gente aprendeu bastante coisa de bom também. Mas, ele era bravo... Namoro e surra A gente ia a muitas domingueiras na casa do Edmundo Wilke. Eu lembro que eu namorei uma vez com o Paulo Nack, numa domingueira lá. Mas namorar naquele tempo não era igual a hoje. Era um de um lado do caminho e outro do outro lado. Não era nem de mão dada. Eu lembro de uma vez que a Verônica namorava com o Lourenço. Ela tinha 23 anos e, daí, ele veio junto até em casa. Na porteira, eu e o José viemos na frente. Quando a gente chegou em casa, o pai já perguntou: cadê e Verônica? Ah, ela ficou para fechar a porteira. Ele perguntou: Ela tá sozinha? Não, o Lourenço veio com ela. Quando ela chegou em casa, o pai deu uma surra nela. Ela, com 23 anos... Eu chorei de brava! Não apanhei, mais chorei de brava. No outro dia, nós fomos pra Santa Rosa de Lima, Dezembro/2014, Canal SRL 23 COMUNIDADE Dona Augusta e a neta Kátia amassando as bolachas. roça. Estava muito quente e o pai pediu: Verônica traz a água. Ela respondeu: “Quem ontem de noite me deu uma surra, também pode passar um pouco de sede”. Batalhas e frutos Comecei a namorar o Agostinho [Vandresen], numa domingueira lá no salão da Nova Fátima, naquela escolinha velha. Eu lembro, foi um dia depois de Natal. E no outro ano, em agosto, nós já casamos. Foi difícil! A gente não tinha quase nada e em duas famílias ficamos morando com o pai. A do meu irmão José e nós. A gente foi trabalhando, batalhando... Daí, fomos comprando terra. Compramos uma terra com casa em cima. Nós queríamos morar lá, mas o pai não queria ficar morando com o José. Daí, o meu irmão foi morar lá e nós ficamos morando com o pai e a mãe. Quando o Dairso nasceu, a gente não tinha um dinheirinho nem para comprar um enxoval. A gente comprou lá na Verônica do Lindolfo, aquela vendinha da Nova Fátima. Para as fraldas eu comprei uns metros de roupa branca, mas o resto era lençol velho. Assim, a gente viveu bem. Vivemos juntos, contentes. Foram quatro filhos e um ajudava o outro enquanto podia. O peso de um inferno Depois dos quatro filhos, tive um aborto aos quatro meses de gravidez. Eu tinha uma inflamação no útero. Depois eu fui operada, fiz laqueadura. Naquele tempo, se a gente falava com um padre como é que a gente ia evitar ter filho, ele dizia que a gente ia viva para o inferno. Nunca me esqueço, um dia eu estava bastante doente e fui me confessar para o padre Paulo Herdt. Eu disse a ele que tinha tido um aborto. Porque aborto era um crime, um pecado... Mas, eu não fiz por querer! Aí, eu perguntei se eu não podia me cuidar para não ter filho. Naquele tempo, tinha uns livros... Daí, ele me disse: queres ir viva para inferno, então pode cuidar para não ter filho. Eu, tão doente, disse para o Augustinho: o que nós vamos fazer da vida agora? Se a gente lembra tudo o que a passou na vida, a gente nem sabe como hoje ainda tem saúde. Modo de Fazer Vida e saúde Se for para eu ficar só dentro de casa, eu fico doente. Eu tenho as vaquinhas, faço um queijinho, faço as roças... E assim é a vida da gente. A minha alegria é juntar com minhas amigas e contar uma pra outra como a gente faz as coisas que sabe fazer. E jogar uma canastrinha... Eu gosto quando eu, a Maria e a Rosalina vamos para os idosos. Nós andamos, direto, juntas. Às vezes, a gente tem uma coisa que nem gosta de contar na família e conversa entre amigas. Eu gosto de ir lá nos idosos! Tem muitas amigas, né? E a gente gosta de conversar. Eu estou contente! Enquanto a gente pode andar, sai pra um lado e pro outro, trabalha... E tem os netos, que são quase como filhos. Natal, bolachas e surpresa Quando a gente era pequena, a gente era mais boba. Não desconfiava. A mãe mandava a gente pra roça e, de noite, quando a gente vinha, não sabia de nada. E ela escondia [as bolachas de Natal] em latas bem fechadas. Quando chegava o Natal, que contente que a gente ficava. Nós tínhamos um quarto e estava tudo naquele quarto. Ganhávamos, também, umas bonequinhas de açúcar e umas balas. Para a vinda o Menino Jesus. Nós nunca vimos um Menino Jesus, como, hoje, as crianças veem o Papai Noel. A gente acreditava que ele existia, que vinha do céu. Mas nunca víamos ele. E como a gente tinha medo. Não podia brigar com ninguém, porque o Menino não vinha. E se não rezasse, ele também não vinha. A gente se ajoelhava e rezava tanto. Hoje não tem mais estas coisas. Massa Ingredientes: 2 ovos 20 colheres de açúcar 15 colheres de leite 2 colheres de sal amoníaco 2 colheres de nata 1 colher de banha Trigo até dar o ponto Misture todos os ingredientes, abra com rolo de massa, corte com cortador de biscoito. Leve para assar em forno médio, pré-aquecido. Unte a forma e deixe um espaço entre os biscoitos, porque eles crescem bastante. Deixe no forno até dourar. RIO DO MEIO Ana Beatriz Kulkamp | Diana Kulkamp | Karine Neckel Festa em Santa Catarina Depois de concluído o grande projeto de revitalização e restauração do conjunto arquitetônico da Igreja Santa Catarina, as festas nesta comunidade têm se transformado num grande atrativo de público. A mais tradicional delas, que honra a santa padroeira, aconteceu no último 23 de novembro e deu provas de que a comunidade está realmente vitalizada e organizada. Atrações Com tradicionalmente acontece nas festas de padroeira, a programação iniciou com a celebração da missa. Logo após a cerimônia, cerca de 200 pessoas participaram do almoço colonial servido no salão comunitário. A tarde, as atrações ficaram por conta do bingo, do torneio de futebol de areia e de uma clássica roda de cantoria. Abre a gaita gaiteiro! Como há anos a comunidade de Santa Catarina não inclui baile na sua programação. E como música é essencial, nesta festa, surgiu a ideia de realizar uma roda de cantoria, tradição que vem, aos poucos, sendo resgatada no município. Reuniram-se gaiteiros, violeiros, e cantores populares para interpretar canções caipiras. Quem sabia cantar acompanhava o grupo, que animou a tarde dos que estavam presentes à sombra da grande figueira da Igreja. Roda de cantoria animou a tarde embaixo da figueira. Agradecimentos Em nome dos membros da Comissão de Assuntos Pastorais e Econômicos (Caep) da Igreja Santa Catarina, agradecemos todos que prestigiaram esta significativa festa para a comunidade. Agradecemos especialmente aos músicos cantores que voluntariamente se dispuseram a colaborar com a magnifica roda de cantoria. Agradecemos aos juízes do torneio de futebol, aos atletas e a todos os membros da comunidade, que não mediram esforços para fazer de nossa festa um grande sucesso. Já esperamos todos para a próxima! Primeira Eucaristia Gostaríamos de parabenizar os pequenos jovens da comunidade do Rio do Meio, que no último dia 29 de novembro, realizam a Primeira Comunhão, este que é um momento de grande importância na vida religiosa dos católicos. Cobertura 1 clara de ovo 1 e 1/4 xícara de açúcar refinado Gotas de limão opcionais. Na batedeira, misture bem todos os ingredientes, espalhe sobre os biscoitos já assados, decore com confeitos ou granulados coloridos. Primeira Comunhão. 24 Santa Rosa de Lima, Dezembro/2014, Canal SRL Maratcha Edésio Willemann M&M A categoria Terceira Idade do Gemüsefest Volkstanzgruppe esteve reunida para uma festa de confraternização no Guib’s Lanches. Eu, Edson, um dos “M” desta página e coordenador do grupo, quero dizer que nada mais justo é uma noite de festa com este grupo, que deixa alegria por onde passa e que muito bem representa Santa Rosa de Lima. Santa Rosa de Lima tem mais uma opção de lazer é o Shmi´S Lanche e Bar, localizado na comunidade de Águas Mornas, no Sítio da Tabita, próximo ao balneário de aguas termais. Eu, Maratcha, um dos colunistas desta página, marquei presença na inauguração e pude comprovar que o ambiente é bem convidativo, com um cardápio que varia de petiscos da culinária local até frutos do mar. Desejamos boa sorte para essa nova dupla de empreendedores, Nilson (Neia) e José Carlos (Caroço). Troca de idade em dezembro nosso amigo Alemão “do Tonn”. A homenagem especial é de sua esposa e companheira. Desejamos felicidades ao casal, especialmente ao aniversariante. Queremos desejar toda felicidade do mundo para nosso amigo Alexandre que nesse mês completa mais uma ano de vida e também cola grau na Escola Aldo Câmara. É Xande, agora são 18 anos e uma nova etapa em sua vida. É agora que a verdadeira batalha começa. Tudo de bom para você, desejam seus amigos e a família. Mentira Edson Baumann E com muito carinho que homenageamos a guerreira vó Rosilda, que dia 2 de dezembro fez completou mais uma ano de vida. “Que Deus lhe dê muita saúde para desfrutar os muitos momentos que ainda estão por vir”. Com carinho de seus netos, filhos, familiares e amigos. Djonathan Roecker Antunes sopra sua quarta velinha no próximo dia 29. Um beijão da vovó coruja Eroni e da mamãe, mais coruja ainda, Solange. Que também sopra velinhas no dia 30. Felicidade é o que desejam os amigos e familiares. Ivone Wiggers Ferreira completa mais uma primavera no dia 04 de dezembro. E recebe a homenagem de sua nora, Kelin Dutra, “Sogrinha, você é mais que especial. Te adoro!”. Santa Rosa de Lima, Dezembro/2014, Canal SRL Sobem no altar os noivos Andrea e Valdecir. O palco para a união deste lindo casal será na belíssima Igreja Santa Catarina. Desejamos aos pombinhos muitas felicidades e que muitas outras bodas possam ser comemoradas nesta igreja! O jovem Lucas Roecker troca de idade no dia 24 dezembro. Um abraço especial de toda sua família em especial do sobrinho Djonathan. Irene da Silva, completa mais uma primavera neste mês de dezembro. Parabéns e muita felicidade é o que deseja seu filho Diogo. Elisângela May e seu irmão Erivelto May sopram velinhas no mês de dezembro. Ela no dia 11 e ele no dia 26. Amigos e familiares enviam um feliz aniversário. Dona Maria Siebert completa 77 anos no dia 13 de dezembro. Recebe as homenagens de seus amigos do Clube de Idosos e de todos os familiares. “Maria, que Deus lhe dê vida longa e saúde”. O garotão Renan Heidemann fez aniversário no último 18 de novembro. Te desejamos muitos anos de vida e muitas felicidades! 25 26 Santa Rosa de Lima, Dezembro/2014, Canal SRL ESPORTE TOTAL COMUNIDADE MATA VERDE Kátia Vandresen | Ronaldo Michels Festa em honra a Santa Luzia Nossa comunidade comemora no dia 13 de dezembro o dia de nossa padroeira Santa Luzia. A santa protetora dos olhos e da visão é honrada e homenageada pelos moradores da Mata Verde pelas muitas bênçãos e graças concebidas. Como é tradição por aqui, todos os anos, no dia anterior ao de Santa Luzia, é realizada uma grande pescaria. Os moradores, em mutirão, pescam, limpam e temperam quilos e quilos de peixe. O suficiente para garantir o “aperitivo” no dia da padroeira. Neste ano, no dia 13, a programação começa pela manhã, com uma celebração religiosa em frente à gruta de Santa Luzia. Depois da reza, todos se reúnem na Associação Mata Verde para confraternizar e degustar o pescado do dia anterior. Ao meio dia é servido um almoço colonial, preparado pelos próprios moradores e a tarde segue com baile, jogos de cartas e a tradicional bocha. Sonho de ser profissional Jonas Laurindo, o Toti, como é carinhosamente conhecido por todos, é o único jovem de Santa Rosa de Lima que realizou o sonho de se tornar jogador profissional de futebol. Sonho este, que ele nutre desde os cinco anos de idade, quando veio morar no município. Dos cinco, aos 20 anos, idade que tem hoje, o jogador já passou por muitas experiências no mundo do futebol. Algumas boas, outras frustradas, histórias que merecem destaque nos anais futebolísticos deste jornal. despesas. “Ela me ajudou um monte, ela é muito especial. Na realidade, foi por causa dela que eu comecei minha carreira de jogador, se não fosse ela, não tinha nem começado, eu não tinha outro incentivo. E lá na escolinha eu vi como era diferente, vi o futebol com outros olhos”. A viagem que Toti menciona foi para participar de um campeonato no Estádio do Grêmio em Porto Alegre. “Foi uma experiência bem legal, eu era novo ainda, a mãe não queria deixar eu ir, mas fui. Não fui para ficar lá, mas a gente estava sendo observado por alguns olheiros. A gente foi com o time da escolinha de Braço do Norte, com o professor Fernando Lessa. Tinha vários times lá, até da Argentina”. Fim de ano vem aí Em Santa Rosa de Lima, a maior, mais tradicional e, porque não dizer, única festa de virada de ano acontece na comunidade de Mata Verde. E como 2015 está aí, os preparativos para o grande réveillon já estão sendo encaminhados. Segundo o presidente da Associação comunitária, Robison (Chaveta) Siebert, a noite, como sempre, “será de total animação”. Chaveta diz ser uma honra para a associação fazer a maior festa de virada de ano. “Somos receptivos, amigos e festivos e a comunidade inteira se envolve na organização. Estamos preparando uma grande festa e todos são bem recebidos”. Então, não se esqueça, no dia 31 de dezembro, todos os caminhos levam para o Réveillon 2015 da Mata Verde. Família Becker Todos os anos, costumeiramente, a Família Becker se reúne aqui na Mata Verde para uma grande confraternização familiar. O último encontro aconteceu no dia 23 novembro e reuniu cerca de 100 descendentes dos Becker. O objetivo do evento, segundo os organizadores, é oportunizar que as diversas gerações da Família Becker possam se encontrar e muitos até se conhecerem, pois embora sejam de uma mesma família, são nestes encontros que acabam se conhecendo pela primeira vez. A festa contou com uma celebração religiosa na parte da manhã, almoço ao meio dia e a tarde um grande baile. Feliz Natal e Próspero ano Novo Queridos leitores e leitoras, neste ano que finda, como colunistas deste espaço, queremos agradecer a oportunidade de podermos entrar em seus lares, levando conteúdos que consideramos importantes para a valorização da nossa gente, da nossa Mata Verde e da nossa Santa Rosa de Lima. Sabemos que ao fazer isso estamos contribuindo para a manutenção e a construção da nossa história. Mais do que tudo, queremos desejar a todos um Feliz Natal e um ótimo 2015. “Vi o futebol com outros olhos” Toti relembra que começou a treinar quando o ginásio ainda era atrás da igreja, onde hoje está o Centro Comunitário. Seu primeiro treinador foi Edson Correa, ex-jogador profissional da equipe do Tubarão. No município também teve treinos coordenados pelos professores Fabrício Schmitz, Cal xxxxxx, Vilmar Warmling e Ana Maria Vandresen. Foi aos 15 anos que uma oportunidade colocaria Toti mais perto do seu sonho. A escolinha de futebol do Grêmio, recém aberta em Braço do Norte, estava fazendo testes e o garoto foi selecionado para matricular-se. Mas, era preciso pagar uma mensalidade, valor que sua mãe não dispunha na época. Foi quando “entrou em campo” a mãe de seu amigo e vizinho Arthur Medeiros, Maria Aparecida Medeiros, que sensibilizou-se com o menino e resolveu arcar com as Da Encosta da Serra para Minas Gerais Depois da escolinha em Braço do Norte, o jogador conseguiu uma vaga na equipe Sub 20 de São Martinho e participou de dois campeonatos estaduais, em um deles conseguindo a terceira colocação. Uma proposta levou Toti para Teófilo Otoni, em Minas Gerais. “Era uma cidade bem grande, cidade do jogador Fred da seleção. Joguei pelo Clube América na Copa Minas, a gente não se classificou, mas era muito legal lá, nos treinos nosso, durante a semana, a noite, dava umas 2 mil pessoas assistindo. Bem legal mesmo”. De volta a terrinha De volta pra casa, o jogador ingressou no curso de Educação Física, pela Unibave. Foi quando veio uma proposta para jogar no Guarani, time da Palhoça. “O Camarão [Tarcísio Schmidt] me levou, tranquei a faculdade, na verdade eu perdi quatro meses, porque estava no primeiro semestre. Fui pra lá porque a oportunidade era boa, mas aí o time perdeu contratos de patrocínio, Santa Rosa de Lima, Dezembro/2014, Canal SRL não engrenou o projeto deles e não deu certo. Eu disputava no Sub 20 e eles também não me aproveitaram para o Adulto. Então o salário, que era pra ser uma coisa, foi outra, é complicado, tem que ganhar no mínimo R$ 2 mil para viver e no sub 23, muitas vezes é só um salário mínimo, as vezes, nem isso. No Adulto é diferente, os caras devem estar ganhando uns 20, 30 mil reais, depende o jogador”. Do Guarani, Toti foi para o Sub 23 no Clube Inter de Lages, mas como o salário também era pouco, jogou apenas algumas partidas e retornou para Santa Rosa de Lima. “Na ponta do lápis não dava nem para pagar a passagem para vir em casa. Futebol é dinheiro Para chegar ao futebol profissional e conseguir uma vaga em um clube bom, Toti diz que não é uma tarefa fácil, mas diz que existem duas saídas estratégicas, “tem que ser muito bom, bom mesmo ou tem que ter dinheiro, ter empresário forte, um cara que te banca, te leva num clube aqui, não deu certo, te leva para outro lá, a maioria dos jogadores que entram aí é com dinheiro, futebol hoje é dinheiro, gera dinheiro”. Sobre apoio que recebe da administração local Toti diz que não existe nenhum patrocínio, “é cada um por si, eu vou te falar, o único incentivo que eu tive assim, foi quando era a Ana Maria e o Vilmar que coordenavam o esporte, era muito bom, precisava de alguma coisa, eles davam um jeito, se eu precisa ir viajar, eles sempre arrumavam um carro para me levar. Eles acreditavam no meu potencial e queriam me ajudar como podiam, mas depois eu não tive mais nenhum apoio. Sobre os meninos que hoje estão na categoria de base do futebol de Santa Rosa de Lima, Toti avalia, “eles não têm nada. Eu acho que nunca participaram de um teste, acho que nunca fizeram nada, que eu lembro não, eles não viveram isso ainda. Também o pessoal daqui tem muito medo, os pais têm muito medo, se for ali em Braço do Norte, eles estão ligando dez vezes, imagina se um menino tiver lá em Minas Gerais e eu conheço gente assim, um amigo meu tem 17 anos e já está uns quatro anos fora de casa”. Eles não querem mais nada Toti avalia que em Santa Rosa de Lima tem jogadores muito bons, que até teriam boas oportunidades. “Mas eles não vão atrás, rela- xam, conhecem namorada, conhecem a vodca. Eu fui com o Sub 15 e o Sub 16 participar de um campeonato em Anitápolis, chegou nas últimas rodadas, os guris não foram mais, ficavam aqui na praça, bebendo, festinha, eles não querem mais nada. Só que assim, como eu falo, eles nunca viveram no meio disso, eles não sabem como é bom aquelas 2 mil pessoas te incentivando, falando, pedindo autografo, é outra coisa, eles nunca viveram, se eles tivessem a oportunidade de viver isso, eles iam olhar diferente”. Rotina de treinos Toti faz academia três vezes por semana em Rio Fortuna e todas as noites que pode, treina no campo municipal. Ana Maria muitas vezes acompanham o jogador. “A gente tem que se cuidar muito, tem muita gente nessa área, muita gente boa. Eu me cuido bastante, não vou dizer que eu não tomo uma cervejinha, as vezes, mas não vivo bebendo por aí. O refrigerante também eu evito, porque é pior do que cerveja, é uma droga”. O jogado diz que a dedicação é porque realmente gosta do que faz, “é uma coisa que eu sei fazer de melhor, pra mim é como profissão, uma coisa que eu levo a sério, uma coisa que eu me dedico muito”. E o futuro O jogador disse que tem alguns projetos para 2015. Ele recebeu uma proposta para voltar ao time de Teófilo Otoni, em Minas Gerais, tem proposta para jogar em um time do Paraná. “Estou vendo algumas coisas para o ano que vem. Mas agora eu já penso com outra cabeça, pra ir não é bem assim, antes era o tempo de gurizão, aquela loucura passou, agora tem que estudar bem. Mas eu acho que vou continuar. Tem que jogar a sorte, tem que estar vivendo no meio disso, tem que estar no dia a dia do esporte, se tu estiveres esquecido, ninguém vai lembrar, vou te falar, é muita gente na área”. O último campeonato que Jonas participou foi um aberto de futsal no município de Armazém. O jogador lamenta que por mais que tenha tentado fazer um time “em casa”, mas não teve nenhum incentivo. Mas, diz ele, “com muita persistência corri atrás, tudo sozinho”. O time formado por jogadores dos municípios vizinhos foi bem, mas na final no último dia 21, no mata a mata, perderam, conquistando a segunda colocação. Jonas (camisa 16) treinando no Guaran de Palhoça. 27 COMUNIDADE NOVA FÁTIMA Alexandre Oenning Bittencourt É Natal Estamos no tempo do Advento, período em que os católicos se preparam para celebrar o nascimento do Menino Jesus e, como de costume, aqui em nossa comunidade, todos os grupos de famílias já estão realizando as Novenas de Natal. É uma época de reflexão, avaliação e projeção de novos desafios e, aqui em Nova Fátima, podemos dizer que fechamos o ano com um saldo positivo em termos de conquistas, com destaque especial para a pintura do Centro Comunitário, a reforma do nosso salão velho e o muro do cemitério. Positivo também porque já temos diversas outras ações planeadas para o ano vindouro. Aproveitando este espaço, queremos agradecer especialmente a dedicação e o esforço das nossas lideranças comunitárias em favor da comunidade. Também agradecemos os leitores do Canal SRL que, mensalmente, nos acompanham neste espaço. Um Feliz Natal e um próspero Ano Novo. Determinação Danilo Vandresen e Rainilda (Nida) Kulkamp e familiares e amigos do casal têm grandes motivos para comemorar, pois há quatro meses, Nida parou de fumar. Para celebrar esta conquista, no dia 29 de novembro, foi realizada uma grande festa de congratulação no Centro Comunitário Nova Fatima. Cerca de 170 convidados participaram do almoço oferecido pelo marido de Nida, Danilo. Segundo ele, o encontro é para cumprir uma promessa que fez: caso a companheira parasse de fumar, daria uma grande festa na comunidade. E como Rainilda está firme e determinada no seu propósito, ganhou de presente este lindo gesto de companheirismo. Nida gosta de estar entre os amigos e para ela foi um momento de muita felicidade. Parabéns pela bela decisão Nida! E ai galera! Quero mandar um recado especial a todos os meus colegas da turma do Terceirão da E.E.B Aldo Câmara: Vencemos mais uma etapa! Oba! Quero agradecer todos os momentos que passamos juntos, tenham sido eles alegres ou tristes. Sei que a partir de agora cada um vai seguir seu rumo, vamos tomar caminhos diferentes, cada um com seus planos e projetos, mas as amizades e todas as coisas que convivemos, permanecerão para sempre em nossa memória. Esperamos todos para o nosso grande baile de formatura, que acontecerá no dia 13 de dezembro. Os ingressos antecipados podem ser adquiridos com os alunos do Terceirão. Turma Terceirão E.E.B Alado Câmara 28 Santa Rosa de Lima, Dezembro/2014, Canal SRL encontra, vai logo “fuçar”. Por isso, a dica: quem não quiser aparecer por aqui, é só não andar perto da lama. Suíno Light Está chegando o Natal. E mais um ano vai se encerrar. Muitos sonhos foram concretizados. Algumas decepções e desilusões tiveram que ser engolidas. Neste período, até este Macau está um pouco tomado por esse espírito de paz e congraçamento. Isso porque alguns acham que eu tenho mais é “espírito de porco”. Só porque não sou leve e digo algumas verdades. Deve ser minha banha... Nesta edição, vou parecer um daqueles “porcos light” da Embrapa. Esperando, apenas, que os leitores reflitam sobre mais essa “página” a virar na vida do município. Espírito natalino... Primeiro quero me congratular com todos os meus leitores. Com aqueles que me leem às claras e com aqueles que me leem escondido, para depois poder mentir que não me leram. Congraçar com aqueles que elogiam meus coices curtos e que não machucam, mas, também com aqueles que criticam porque reconhecem que eu “encho o saco”. ... e Ano novo Para 2015, prometo continuar fazendo o que sei fazer. Porco tem sempre uma tendência de buscar lama. E onde Academia pra que? Mesmo com esse corpinho “em forma” (de barril), esse Macau se acha. Sabe que é o mais lido. Sabe que muita gente começa a ler o Canal SRL de “trás pra frente”. Sabe que esse espaço para anúncio aqui embaixo é valorizado. E quer continuar assim no próximo ano. O Morro ficou mais bonito... A novela da pavimentação do Morro dos Roecker teve espaço nobre no Canal SRL. Muitos até se perguntam: o que teria acontecido se não fosse a cobertura séria e independente do jornal dos santarosalimenses? E o leitor agora deve estar se perguntando: neste momento em que se ouve que a obra ficou pronta, não saiu matéria? A suposta conclusão da obra coincidiu com o fechamento da edição. O Macau foi fazer seu treinamento para a corrida de São Silvestre por lá e constatou que o paver está mais bem arrumado e que o “visual” da obra está melhor. Parece que, desta vez, também foi feita uma leve compactação do material. Passando pela comunidade, ouviu que a obra agradou. ... mas ficou bom? Como toda a obra foi refeita, Deinfra e Prefeitura precisarão fazer uma avaliação mais apurada, antes de dar a obra como finalizada. Quem se debruçou sobre o projeto original afirma que a execução ainda não está “conforme”. A menos que tenha havido alteração no projeto. Mas isso o Deinfra nega. O paisagismo na la- teral da estrada continua uma agressão a olhos mais atentos. Nesse item, claramente, o projeto não foi cumprido. Continua preocupante, também, a lateral da parte pavimentada. Na primeira trovoada de verão, a erosão poderá fazer estragos. O que poderá, inclusive, comprometer toda a obra. Transparência Agora é aguardar e conferir os fatos e as formalidades legais e indispensáveis. Os documentos que resultarão da fiscalização final pelo Deinfra e do aceite da obra pela prefeitura municipal, este Macau espera, serão públicos e receberão ampla divulgação por parte dessas instituições públicas. Ampliar assistência técnica aos agricultores Na sessão do dia 25 de novembro da Câmara Municipal, o Vereador Luiz Schmidt (Loi) apontou uma questão importante para o desenvolvimento da agricultura em Santa Rosa de Lima: a ampliação da oferta de assistência técnica. Mais do que isso, fez a proposição de que Secretaria Municipal da Agricultura e Epagri unam esforços nesse sentido. Esperamos que essas instituições voltadas à agricultura e aos agricultores façam, agora, o dever de casa. Para poder passar de ano! Todos de acordo Pelas manifestações que seguiram à fala do Vereador Loi, todos os edis estão de acordo e entendem que é urgente repensar e reforçar a assistência técnica à agricultura no município. O vereador Leonicio Laurindo lembrou, inclusive, que essa foi um compromisso de campanha da atual gestão. Afirmou, até, que irá se empenhar em cobrar do Executivo municipal o cumprimento da promessa. É preciso lembrar que a Epagri tem um convênio assinado com o município que prevê uma equipe completa. Ou seja, ela deveria ter mais profissionais no escritório local. Se houver uma ação articulada e bem planejada todos irão ganhar, especialmente os agricultores. Rua principal e mobilidade Há muito tempo se ouve falar que é necessário organizar o estacionamento ao longo da Germano Hermesmeyer. Especialmente de caminhões. É comum ver desses veículos grandes de carga estacionados dos dois lados da rua. Muitas vezes, a mais de meio metro do meio fio. Os transtornos são grandes. Tem horas em que não há como passar dois carros em sentido contrário. É necessário regulamentar. Sem regulamentação não há o que fazer. Todos dizem que pode estacionar “como quiser”, “em qualquer lugar”. De quem é a responsabilidade? Do Executivo? Do Legislativo? Dos dois? Quem vai fazer algo? Que venha 2015 Este Macau trabalhou muito em 2014. Infelizmente, teve que “pegar no pé” de muita gente. Em especial de membros da Câmara de Vereadores. Em 2015, o Macau gostaria de mais sombra e água fresca. Gostaria de poder “equilibrar” os coices com elogios. Para isso, precisa, contudo, que as atitudes de algumas “lideranças” políticas passem a ser diferentes. Um bom Ano Novo a todos! Com muita saúde!