ANO 2 - Nº 20 • Edição Mensal - Dezembro/2014
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Arte no muro
O Jornal de Santa Rosa de Lima - A Capital da Agroecologia
Pág. 13
As pinturas são “obras” de estudantes e professores
Bolachas de Natal
Histórias e o como fazer, no
Caderno de Receitas
Pág. 22
Acolhida recebe
prêmio Finep
Pág. 6
Pág. 20
Enquete
Qual o significado do Natal?
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Santa Rosa de Lima, Dezembro/2014, Canal SRL
Reportagem ESPECIAL
Mariza Vandresen
Ano especial para homenagear gente especial
2014 foi considerado pela Organização das Nações Unidas para a agricultura e a alimentação (FAO), o ano internacional
da agricultura familiar. A FAO considera a agricultura familiar como condição fundamental para erradicar a pobreza,
alcançar a segurança alimentar mundial, proteger a agrobiodiversidade e preservar os recursos naturais.
Toda a história de Santa Rosa de Lima é marcada por esse tipo de agricultura, que nós sempre preferimos chamar
de colonial. Afinal, nós somos colonos. Nossos pais foram colonos. Nossos avós foram colonos. Entenda-se por
colonos, casais de agricultor e agricultora que realizavam diversos cultivos de plantas e diversas criações animais,
produzindo “pro gasto” e pra vender, trabalhando muito e com a mão de obra da família, sendo proprietários das terras
e administrando tudo isso com muito rigor, para que os filhos também pudessem ser colonos.
Homenagem
Nesta edição de dezembro, antes que o ano deles
acabe, prestamos uma homenagem a esses homens e
mulheres que respondem pela maior parte da produção
de alimentos no mundo. Em Santa Rosa de Lima, com
um ponto positivo a mais, produzindo em sistemas
orgânicos e de forma associativa e solidária.
Trata-se de uma resistência clara e forte à
degradação da qualidade dos alimentos e da própria
sociedade, cada vez mais dominada por uma lógica
puramente econômica. Os interesses dos grandes
capitais estão destruindo as nossas sociedades rurais,
os conhecimentos tradicionais dos povos do campo e,
por consequência, a qualidade do que comemos.
Essa homenagem é feita de forma singela, tentando
contar e valorizar a história recente de dois casais
de agricultores familiares. São histórias de lutas, de
enfrentamentos a sucessivas crises e a um mercado
hostil que não atingiram (e não atingem) apenas eles,
mas a todos os agricultores familiares. São histórias
construídas por, como se diz aqui no município, “cabeças
duras”. Eles até parecem “desistir”, mas retomam logo
em seguida. São histórias de um trabalho que mostra
ser modo de vida muito mais do que meio de vida.
É andar no trapézio, mas com rede
O grande sustentáculo que eles tiveram (e têm!) é
uma rede de organizações (Agreco, CooperAgreco,
Acolhida na Colônia, Centro de Formação em
Agroecologia), que se tornou referência nacional. Em um
cenário muito hostil e de muitas dificuldades, essa rede
procurou construir e consolidar alternativas, diversificar
atividades, criar valor agregado.
Felizmente, ao longo desse pouco mais de quinze
anos, gradativamente as políticas públicas para a
agricultura familiar foram ampliadas e consolidadas,
melhorou o acesso ao crédito, à assistência técnica, a
mercados institucionais e a compras públicas.
Hoje, a situação gera expectativas positivas.
Mas, como as crises anteriores, novas devem vir. Só
solidariamente será possível enfrentá-las. Que essas
histórias nos façam pensar e nos ensinem.
Veloni e Erica, na Nova Esperança
um saco de arroz, custa 30, 40 reais. Paga o mesmo para
pilar... É mais fácil ir lá no mercado e comprar”. Dona
Erica é relutante a esse argumento econômico: “Eu não
plantei mais porque não deu mais jeito. Mas eu tenho
vontade! Era a coisa que eu mais adorava ver... Uma lavoura de arroz, o vento abanando as folhas. Eu quase
plantei um trechinho esse ano, mas me deu um problema na perna que fiquei 14 dias sem fazer nada. Mas eu
até já tenho a terra planejada. É uma rocinha mais retiradinha. Caminhada não é bom pra saúde? Daí eu vou
fazer a caminhada e já planto os pés de arroz. Eu penso
em fazer só para ver o vento balançar as folhinhas”.
Veloni Valmor Carvalho, que completa 65, neste ano,
e sua esposa, Erica Tonn Carvalho, com 62, retratam o
perfil dos agricultores familiares de Santa Rosa de Lima.
Como diz Veloni, é uma “remessa de velhos” de uma geração que “aprendeu a pegar na enxada aos seis anos
de idade”. “Desde que nasci eu vivo com a agricultura.
Sempre tive uma lida pesada. Quando eu leio no nosso
Canal SRL, as reportagens com estes mais idosos, eu começo a lembrar da nossa infância. De como foi a nossa
história. Seis anos, a enxadinha estava preparada... E,
depois disso, eu nunca mais tive a liberdade de dizer
que eu não tinha serviço”. Parte da terceira geração de
agricultores que se instalaram nessas terras dobradas
ao pé das Encostas da Serra Geral, Veloni recorda: “A
gente plantava de tudo e engordava porco. Era batata,
aipim, milho, feijão, arroz...”
Sabores, custos e gostos
“É, naquele tempo se plantava muito arroz. A Erica
até hoje fala: ‘ah, se eu pudesse plantar uma rocinha de
arroz’. Porque é um arroz muito mais gostoso”. Ele mesmo, contudo, pondera a viabilidade. “Hoje, você planta
Virar a terra
Seu Veloni e Dona Erica acompanharam, no início
dos anos 80, a tratorização confrontando a produção
tradicional, herdada dos antepassados e sempre praticada pelos colonos santarosalimenses. Era um processo
maior, de industrialização da agricultura, que ganhava
chão por todo o Brasil. O agricultor relembra a chegada
de um agrônomo no município: “A gente não lavrava a
terra. Depois chegou o Acir Amboni, da Acaresc [hoje
Epagri]. Ele veio com a técnica de lavrar. Começamos,
então, a plantar milho na terra arada”.
Fumo e dinheiro, mas...
Em 1982, a família se interessou pelo cultivo de tabaco. E trabalhou 17 anos nessa atividade. O casal recorda
que “fez dinheiro”: “Nossa casa foi feita com o lucro do
fumo”. Porém, lembra entristecido: “A nossa filha Betinha adoeceu no meio do fumo. Para nunca mais sarar.
Ela foi boa, pra roça. Quando chegou umas dez horas,
que dá aquele mormaço, ela se atacou. E depois daquilo
nunca mais se curou direito”. Com a filha doente, “era
um a menos para trabalhar”. Justamente no momento
em que a fumageira exigia práticas na lavoura que resultavam em maior uso de mão de obra. Era o programa de cultivo mínimo. “Usava muito a enxada. A gente
foi se atrasando com o preparo e não dava conta. Aí, a
bomba [pulverizador costal] pegava. Para tudo, era passado muito veneno”, relembra Veloni. Dona Erica complementa: “Depois deste cultivo mínimo, não deu mais.
Dois anos, a gente plantou e não teve lucro nenhum. Tivemos até que tirar dinheiro de outras coisas para pagar
as despesas. Aí, nos aborrecemos e paramos”.
Uma luz
A história contada pelo casal não é diferente daquela
da maioria das propriedades familiares que cultivavam
tabaco no município. Com a “crise do fumo” na passagem dos anos 80 para 90, muitas famílias se viram obrigadas a abandonar a terra. As cidades eram o destino:
Palhoça, Joinville e até a gigantesca São Paulo. Ou, mesmo, a menor e menos distante Braço do Norte. Foi neste
contexto de enfraquecimento das comunidades rurais
de Santa Rosa de Lima que, em 1996, foi criada a Associação de Agricultores Ecológicos das Encostas da Serra
Geral (Agreco). A ideia era que os agricultores familiares fizessem parte de uma cadeia de produção orgânica. Muitas famílias aderiram à ideia, o que renderia, em
2005, o título de Capital Catarinense da Agroecologia a
Santa Rosa de Lima.
A família compara a mudança do plantio de fumo
para “as verduras orgânicas” como “um paraíso”. “Além
disso, quando começamos, tudo o que a gente produzia
a gente vendia”, complementa Veloni. Quem comprava
eram os supermercados Santa Mônica, de Florianópolis.
Agroindústrias
Com a expansão e as exigências do mercado, a Agreco acolhe uma proposta do Ministério da Agricultura e
elabora um grande projeto de agroindústrias a serem
construídas pelos próprios agricultores, organizados em
“condomínios”. Até o final de 2000, 25 agroindústrias de
pequeno porte estavam em operação: dez para processamento de verduras e hortaliças, quatro para derivados do leite, uma de embutidos de carne suína, duas
de panificação, três para derivados de cana de açúcar,
Santa Rosa de Lima, Dezembro/2014, Canal SRL
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fazendo. Eu vejo madeireiro fazer o Mais Alimento para
comprar saveiro, trator... Enquanto que agricultores familiares continuam lá na enxadinha”.
Seu Veloni no seu “cantinho preferido” e Dona Erica areando a chapa do fogão para começar o almoço.
quatro de produção de mel e duas unidades de “conserva”. As unidades estavam distribuídas por Anitápolis, Rio
Fortuna, São Martinho, Armazém, Gravatal, Grão Pará e
Santa Rosa de Lima. Aqui no nosso município eram 14
unidades: seis de hortaliças, duas de mel, uma de embutidos, duas de cana, uma de conserva e dois laticínios.
Seu Veloni participou da implantação de uma destas
agroindústrias, o Condomínio Nova Esperança. “A gente
começou! Éramos em 12 famílias quando entramos”.
A crise das verduras
Pouco menos de dois anos após a instalação das
agroindústrias, houve a falência da rede de supermercados que era a maior parceira e comprava grande parte
da produção. Somava-se a isso a concorrência de novos
produtores de hortaliças orgânicas, situados bem mais
próximos de Florianópolis, ou dentro da própria ilha em
que está situada a capital. O aperto no mercado gerou
alta devolução e queda de preços. Na busca de novos
clientes, encontrou-se diversas redes de supermercados que impunham contratos com cláusulas de devolução. Isso significava que o que não fosse vendido, seria
“retornado” e não pago.
A maior “quebra” foi no ramo das verduras, no qual
estava o condomínio Nova Esperança. Veloni recorda: “A
gente nem bem começou e veio a crise. Começou aquela história do produto ir com retorno. E a quantidade de
produtos que retornava começou a ficar muito grande.
Aí todo mundo quebrou. E a gente fechou a agroindústria. A saída foi parar. Era um trabalho enorme e a gente
não tinha a renda que precisava”.
Parada e quase “desmanche”
A agroindústria permaneceu sem operação durante
dez anos. Sem produção e com um financiamento para
pagar, as famílias que compunham o condomínio tiveram como alternativa prorrogar o pagamento da dívida.
Findando o prazo, em 2012, apesar de Veloni se opor
à medida, a maioria dos sócios optou por vender os
equipamentos para pagar o financiamento. “Eu quase
chorava. Eu não podia ver aquela indústria vendida. No
meu pensamento era uma coisa da comunidade. Trazia
benefício para todo mundo”.
Veloni relembra que um empresário local se interessou em comprar a câmara fria e queria saber as medidas
do equipamento. “Eu fui lá para medir e convidei o Leu
(Tonn). Aí o Leu falou: ‘mas é pesada né? Ter que tirar
isso daí, que buraco vai ficar!’. Naquela hora, me deu um
abafo. Mas medimos e levei pro interessado. Depois disso, eu procurei o Celso [Heidemann], que era prefeito.
Contei tudo. Falei que estávamos com um problema sério e quem sabe conversando a gente encontrava uma
saída para a nossa agroindústria. Ele disse, ‘Seu Veloni,
espera uma semana. Não venda nada’. Então ele conversou com o pessoal da Universidade Federal, da Agreco...
Fez reuniões para achar uma solução. É por isso que até
hoje nós temos estas licitações. Isso começou ali. Senão,
estaria tudo parado ainda”.
Ressurgindo das cinzas
Seu Veloni conta que, como o pagamento de seis
mil reais não poderia esperar, o ex-prefeito foi até a
comunidade e conversou com as famílias. “Na ocasião,
ele tirou do próprio bolso cinco mil reais e falou para
os presentes: ‘O restante vocês dão um jeito. Se um dia
vocês puderem pagar de volta pra mim, vocês devolvem.
Senão fica assim’. E assim fizemos. E hoje a agroindústria
está trabalhando”.
De 2012 pra cá, a produção na agroindústria não parou mais. “Eu acredito que pela situação que está sendo
movimentada, para o ano que vem, agora que a Conab
[Programa de aquisição de alimentos] abriu de novo,
nós vamos estar com bastante trabalho”.
Novos problemas, novas soluções
O casal está bem otimista, mas Veloni diz que existem muitos desafios. “O mercado pede um produto bom
e muitos não estão conseguindo produzir. Se o produto
é bom, vamos ter comércio! Mas, com isso, muito produto está ficando de fora”.
Para ele, a solução deve vir dos próprios agricultores.
“Um pouco é falta de cuidado. O produto orgânico exige
muito esterco, muita mão de obra... E se não ficar bem
atento, o produto não vem bom”. Para ele, também é
preciso animar mais os agricultores.
Apoio e distorções
O agricultor familiar entrevistado reconhece que
o Governo Federal tem investido muito na agricultura
familiar, mas aponta distorções: “Eu vejo uma coisa tão
errada, por exemplo, com o programa Mais Alimentos,
que é para o pequeno agricultor, mas tem muita gente
A fundo perdido
“Eu não vejo um programa investir para comprar esterco. Se for ao banco, tem! Pagando um jurinho bom, aí
tem financiamento. Mas eu vejo tantas coisas que vêm
a fundo perdido e que o pequeno agricultor quase nem
vê. Passa lá por cima”. Veloni diz que é preciso encontrar uma fórmula para o dinheiro chegar a quem de fato
precisa. E sugere: “Deveria ter um programa a fundo
perdido em Santa Rosa de Lima, ou mesmo na Agreco,
para comprar esterco. Isso não tem! Ou para instalar um
sistema de irrigação. Veja, com uns cinco mil reais, para
um pequeno agricultor se implanta um sistema de irrigação. E isso serve quantos anos?! O agricultor ficaria
bem. Hoje, para o pequeno fazer mil reais de alimento
tem que ter um produto bom. Aí você vê quantos meses
você tem que lutar para ter o retorno daqueles cinco
mil. E para o governo isso não seria grandes coisas”.
Ponta de mato
Outro grave problema que impacta diretamente a
agricultura familiar, na opinião de Veloni é o desmatamento. “Que coisa feia! Na semana passada, passei pelo
Rio Fortuna, Barra do Rio Chapéu, Rio dos Bugres... Eu
vinha notando. Que piedade! Quem conheceu, há 40 ou
50 anos, cada lugar tinha uma ponta de mato bonita.
Verde que era! Hoje, não se vê mais ponta de mato. É
só eucalipto! Não tem mais morro, nem baixada, nem
grota... É só eucalipto! E isso é outra coisa boa na agricultura orgânica, no nosso terreno as nascentes estão
todas mapeadas e estão todas protegidas por matas”.
Agricultores familiares orgânicos
Questionado sobre qual o maior prazer de ser agricultor familiar orgânico, o casal é unânime: “O principal é
não lutar com veneno”. Veloni ilustra: “É muito feio você
passar numa propriedade onde está tudo morto, abaixo
de veneno. Ou chegar num terreiro que tem aquele cascão verde, de tanto passar roundup. Nós ainda vamos
sofrer com isso... Uns vinte, trinta anos, até passar essa
camada desse pessoal que está com muito veneno”.
Com graça!
Para eles, fazer a agricultura familiar orgânica é também plantar as coisas para casa, consumir um alimento
mais puro, além de ter a produção “no quintal”: “Para
a gente, que está ficando velho, esse negócio de roça
longe é complicado. Numa malhinha pequena você faz
uma boa produção e a gente sabe que está produzindo
um alimento puro, um produto bom para o consumo.
Além de que, sempre tem alguma coisa para se entreter. Imagina se chegar um tempo em que uma pessoa
que mora na roça não tiver mais um galo pra cantar no
terreiro, não tiver mais uma galinha, uma criação... Todo
mundo sabe disso: aí a graça acaba!”
Bom, com preço justo
O sonho de Veloni é ver a agroindústria trabalhando
“a todo vapor, como no ano passado”. “Tinha dia com
15 pessoas trabalhando ali dentro. A mulherada estava
toda ali. É a comunidade de Nova Esperança quase inteira. Eram 19 famílias envolvidas das comunidades do
entorno. Além de orgânico, o produto saia pronto pra
mesa. Era muito produto, muito caminhão cheio. Hoje,
algumas famílias já pararam, pois não estão conseguindo um produto bom. Quem é consumidor não imagina
segue
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Executivo e Legislativo estadual e federal.
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Santa Rosa de Lima, Dezembro/2014, Canal SRL
segue
Reportagem ESPECIAL
Mariza Vandresen
o quanto custa este produto. No orgânico é tudo manual e você tem que lutar muito para fazer um produto
bom. Eles têm razão quando falam no preço, pois a mão
de obra está muito cara. Aí é que se dão estas coisas de
altos e baixos”.
Juventudes e o futuro da agricultura familiar
Para a continuidade da agricultura familiar, o casal
avalia que são necessários “mais incentivos para manter o jovem no campo”. “Eles precisam de um bom
rendimento na lavoura, caso contrário debandam para
outros negócios que avaliam mais lucrativos. Vai depender muito dos incentivos do governo. Se forem dados
subsídios de arrancada, aí o jovem até se interessa. Os
jovens querem ver uma máquina trabalhando. Eles não
têm mais paciência de plantar e esperar meses e, daqui
a pouco, nem colher. Os jovens não têm mais isso. Eles
preferem trabalhar na agroindústria que, a cada hora
trabalhada, sai o resultado. Mas, na enxada mesmo, a
nossa juventude de hoje não quer mais”.
Renovação?
Veloni avalia que os jovens agricultores santarosalimense estão mais voltados à produção de leite e que
a participação deles na produção de outros alimentos
está cada vez mais rara. “Nesse nosso trabalho com orgânicos, na agricultura familiar, tem uma coisa com a
qual estou preocupado. É quando acabar essa remessa
de velhos trabalhando. E isso não é só por aqui. Isso é
em todo o Brasil e no mundo. Tá na hora do governo ver
esta parte. Ainda mais que o clima está cada vez mais
complicado”.
Sol doentio
Sobre o clima, o entrevistado reflete: “Cada ano está
mais quente que o ano anterior. Antes, ao meio dia o
sol esquentava, mas a gente sentava numa sombra na
roça e almoçava lá mesmo. Na sombra era fresquinho...
E, hoje, não tem lugar nenhum que está fresco. Hoje, se
um agricultor quiser morrer mais cedo, é só ‘almoçar no
cepo’, como diziam antigamente”.
Dona Erica também se preocupa muito com o aumento da temperatura: “o sol está muito doentio”.
Modo de vida
Dona Erica se preocupa também com a sua condição
na velhice, O problema, para ela, é se algum mal a acometer e ela não puder mais trabalhar na roça. “Eu gosto!
Quero trabalhar até que os pés me aguentem de pé. Eu
não imagino não ter um pé de planta.
Não consigo me imaginar não plantando uma rama,
uma batata... Conseguir atingir uma idade alta não é importante para mim. Eu quero viver até onde eu possa
trabalhar!”
Rodrigo e Maria, no Rio dos Índios
da casa, de pequenas roças de subsistência e dos três
filhos que foram nascendo. Assim, eles passaram pouco
mais de dez anos.
Rodrido e Maria e os morangos orgânicos que cultivam.
Rodrigo Jochen sempre havia trabalhado na agricultura. Antes de casar com Maria, trabalhava na propriedade do pai, no cultivo de tabaco. Da fumicultura, há
tempo ele não quer mais saber. “É ruim! Não tem hora
para começar, não tem hora para parar. Fumo eu não
planto mais! É muito veneno e é um serviço ruim. Desde que me conheço por gente, o pai, toda vida, plantou.
Hoje, ele também não planta mais”.
Já Maria não passou pela mesma experiência. Cuidava da casa e ajudava na roça. Por oito anos, trabalhou
como doméstica, no município de Rio Fortuna.
Foi lá que os dois se conheceram e depois casaram.
Depois do matrimônio, vieram morar na comunidade de
Rio dos Índios. A terra, de 15 hectares, trabalhada pelo
casal pertence aos pais de Maria e há um contrato de arrendamento. Para eles “uma área pequena, mas muito
boa de trabalhar”. Na verdade, hoje, o cultivo se dá em
apenas pouco mais de mil metros quadrados. Mesmo
assim, é preciso trabalhar “de segunda a segunda”. “Só
saímos quando é obrigado. Senão, a gente está sempre
em casa. Visita, a gente recebe pouco. Mas de vez em
quando vem alguém para entrevistar, para saber como
que a gente faz. Daí, a gente se sente alegre... Por eles
virem aqui ver o que a gente tá fazendo”, diz, com um
sorriso tímido, a agricultora familiar.
Primeiro voo, interrompido
Iniciaram a produção orgânica de verduras, no momento em que eram implantadas as agroindústrias em
rede da Agreco. Na primeira “crise”, contudo, eles fizeram parte das famílias que desistiram da atividade. “A
gente mandava produto e voltava tudo. As agroindústrias fecharam. Não estava dando mais nada”. Rodrigo
foi trabalhar numa madeireira, enquanto Maria cuidava
Segundo voo
No início de 2013, veio a oportunidade de “começar de novo”, como define Rodrigo, e o casal retorna,
timidamente e como São Tomé, à produção orgânica.
Plantaram 5 mil pés de morango, tendo a garantia de
comercializar toda a produção diretamente com uma
agroindústria de doces e geleias associada a CooperAgreco. Como os resultados foram bem positivos, na
safra deste ano já triplicaram a produção. As mudas vieram do Chile, através da cooperativa e com um financiamento junto ao Pronaf.
Para Rodrigo, trabalhar com produção orgânica “é
um serviço muito bom” e o morango “dá uns bons troquinhos também”. A propriedade recebe assistência
técnica da CooperAgreco. “De vez em quando o agrônomo vem olhar, mostra as caldas e preparados orgânicos
que podemos aplicar e mostra certinho como se faz. O
morango se adaptou bem. No ano passado, deu muito.
Nesse, está mais devagar. As mudas vieram um pouco
mais tarde. Penso que foi por isso”, diz Rodrigo.
“Não dá para se queixar”
“Numa avaliação geral, hoje nós não podemos reclamar. Tivemos acesso a crédito de custeio do Pronaf e
conseguimos pagar o empréstimo. Compramos plástico
para proteger os canteiros, mangueiras para irrigação...
O juro não está tão alto. Está bem mais fácil que antigamente”. Mas, alerta: “Eu não tenho mais vontade de
plantar verdura. Não adianta! Depende da Conab, que
fecha no final do ano... Aí, se perde tudo. Acho que não
devia fechar”. A possibilidade de expandir e de variar a
produção está “na proposta de cultivar laranja”. Também para vender diretamente à mesma agroindústria.
Não é tempero, mas vale uma pitada de otimismo
No momento, além do plantio do morango, a família
participa de um projeto realizado pelo Centro de Formação em Agroecologia e pela CooperAgreco, com apoio
da Finep, para o desenvolvimento de uma cadeia produtiva de óleos essenciais orgânicos. Eles cultivam o orégano. “Pode ser uma alternativa muito boa. Plantamos
mil pés, mas a gente não sabe ainda o resultado que vai
dar, estamos experimentando para ver”. Com a notícia
da liberação de recursos para a construção, no município, de uma usina para extração dos óleos, eles se dizem
bastante otimistas.
Sucessão e proximidade
Se Rodrigo pudesse escolher, os filhos não seguiriam
sua profissão: “Eu prefiro que eles achem outro serviço”. Já Maria gostaria que “os meninos” dessem continuidade ao legado que ela e o marido estão construindo:
“Eles gostam disso e vão aprendendo como se faz, mas
depende de como as coisas vão ficar. Se tiver um bom
lucro...”
Maternalmente ela pensa na alternativa: “Quando
chegar o tempo dos filhos fazerem uma faculdade, talvez eles possam continuar em Santa Rosa de Lima”. E ela
completa com a esperança de uma “mãe-chocadeira”:
“Daí, eles estudam e vão pra roça também. Se não tiver
faculdade aqui, eles vão ter que sair de casa. Mas, quem
sabe, até lá, tem uma mais perto”.
Expectativas
O casal não consegue realizar uma projeção da vida
dele na agricultura familiar para um período de cinco ou
dez anos. Tem, contudo, uma expectativa: “que melhore
o preço do produto e que os prazos de financiamentos
sejam mais prolongados”.
Rodrigo e Maria colhem morango “de segunda a segunda”.
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SUSTENTABILIDADE
Prêmio Finep, para fortalecer
o associativismo na Acolhida na Colônia
Rosângela e Thaíse na premiação regional no Rio de Janeiro.
A Associação da Agroturismo Acolhida na Colônia ganhou
o renomado Prêmio Finep de Inovação 2014 em Tecnologia
Social. Vencida a etapa da Região Sul, ela está, agora,
disputando a premiação nacional. O resultado desse novo
prêmio sai ainda em dezembro.
Cada organização candidata ao prêmio precisava
apresentar um grande objetivo a realizar com os duzentos
mil que acompanham o reconhecimento público e o
troféu. O objetivo posto pela Acolhida à Finep foi garantir a
sustentabilidade financeira da associação.
Para saber mais detalhes do projeto e desta premiação,
o Canal SRL entrevistou a coordenadora da Associação,
Rosângela Bonetti Vanderlinde, e o consultor da Boa Vista
Consultoria, João Augusto de Oliveira, o Joca, que teve a
iniciativa de submeter a experiência da Acolhida na Colônia
ao comitê de seleção do prêmio Finep.
Entrevista
Rosângela Bonetti Vanderlinde
Coordenadora da Associação Acolhida na Colônia
Canal SRL – Como foi representar a
Associação no recebimento deste prêmio
tão importante e renomado?
Rosângela – A premiação no Rio de
Janeiro foi um grande reconhecimento
do trabalho da Acolhida. É muito gratificante ouvir das pessoas que estavam lá
como eles veem o projeto, a forma como
começou, que a base do trabalho são as
famílias, que estamos inserindo pessoas.
Mas, também, é preocupante! Porque
precisamos manter a coerência com essa
história que nos traz o reconhecimento.
Canal SRL – Fale mais sobre isso, por
que você se diz preocupada?
Rosângela – Eu voltei pensando: não
dá pra ter um projeto bonito, pra todo
mundo ver, se a gente não consegue fazer aquilo para que o projeto veio. As pessoas que iniciaram tiveram um trabalho
difícil, mantiverem o projeto a todo custo
e, hoje, que o projeto está estruturado,
alguns princípios acabam se perdendo
no caminho.
Hoje tem muita gente da Acolhida
que tem o pensamento: Ah, para mim
está bom, eu consigo receber turista, recebo essa quantia e está bem. Mas esse
associado não consegue observar que
ele teve benefícios da associação e que,
agora, alguém está precisando e que é o
momento dele retribuir.
Canal SRL – Qual o desafio para implantar este sistema de reservas on line
proposto para a Finep e motivo do prêmio?
Rosângela – Na verdade, as reservas
centralizadas e feitas pela internet são um
instrumento para retomarmos a grande
causa da Acolhida. Hoje, por exemplo,
quem tem uma taxa de ocupação de 50%
paga a mesma quantia de quem tem uma
de 20%. Isso não é justo. E o princípio da
Acolhida é que seja justo. Com esse novo
sistema de reservas, o associado vai contribuir sobre os serviços que realmente
presta. Quem recebe mais, paga mais.
Quem recebe menos, paga menos.
Canal SRL – Como isso se reflete na
autonomia da Acolhida?
Rosângela – Sempre precisamos de
recursos financeiros e de apoio técnico.
Hoje, necessitamos de recursos permanentes e de dados, para podermos planejar. Para isso, precisamos acompanhar
melhor o fluxo de turistas e de receitas
dos associados que se beneficiam da
nossa marca e da nossa estrutura. Atualmente, quando acaba o recurso de um
projeto junto ao Ministério do Desenvolvimento Agrário, tudo pode acabar. A
gente não tem apoio do município. Não
tem um apoio permanente do Estado. A
gente acaba caminhando sozinho. Então,
temos que fortalecer nossas próprias
pernas.
Canal SRL – Explique melhor essa caminhada...
Rosângela – Até pouco tempo, precisamos reconhecer, a gente se manteve com o apoio de dinheiro do governo.
Agora, passamos um tempo sem ter. As
pessoas perceberam isso, seja na falta de assistência técnica, seja na pouca
movimentação dos associados. O fórum
das regionais, por exemplo, tem custo e
a gente acabou não fazendo mais. Aí, as
pessoas cobram. E a coordenação, que
é um trabalho voluntário, passa a ser estressante. Porque quem está na ponta
não apenas não se mexe, como acaba
reclamando. Enquanto quem está na coordenação corre, pois precisa achar uma
solução. No caso do sistema de reservas,
que a gente está querendo implantar,
mesmo sem conhecer, já tem associado
reclamando, dizendo que vai ser difícil,
que não vai dar certo. Mas isso será para
o bem da nossa associação. Os associa-
Claudio Guimarães (Finep) entrega troféu para a coordenadora da Acolhida.
dos vão perceber que precisam contribuir para voltar a ter o que recebiam por
intermédio da Acolhida.
Canal SRL – Qual sua expectativa em
relação à Acolhida daqui dois anos, quando concluir a vigência de aplicação dos
recursos do prêmio?
Rosângela – O que a Acolhida está
precisando é ter uma organização mais
firme quanto às suas finanças. Porque
o projeto, por si só, ele já diz tudo. Eu
acredito que daqui a dois anos vamos
estar com outra cara. Tanto na sustentabilidade financeira, como na expansão e
inclusão. Eu acredito que vai estar muito
melhor.
Santa Rosa de Lima, Dezembro/2014, Canal SRL
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Entrevista
João Augusto “Joca” de Oliveira
Boa Vista Consultoria
Canal SRL – O que o motivou a apresentar a experiência da Acolhida na Colônia ao Prêmio Finep de Inovação?
João Augusto – O que me motiva é
o conjunto do projeto de desenvolvimento aqui das Encostas da Serra Geral. É o
caráter sustentável e solidário da proposta. É o fato de ser um projeto de inclusão
de famílias. Um projeto que não aceita a
exclusão a as desigualdades que marcam
há tantos e tantos anos o Brasil. A Acolhida é um elo importante desse projeto
e, dentro das minhas limitadas possibilidades, eu tenho procurado apoiá-la. O
prêmio Finep me pareceu uma boa oportunidade.
Canal SRL – Qual a importância da
Acolhida na Colônia no território das Encostas da Serra Geral?
João Augusto – Eu sempre vejo a
Acolhida, a Agreco, a CooperAgreco e o
Centro de Formação em Agroecologia
como entidades que estão compromissadas dentro do mesmo projeto. Não
consigo vê-los de forma separada. É um
projeto que tem diversas organizações.
Cada uma tem seu papel, mas o princípio é o mesmo. Por isso, no documento
submetido ao Prêmio Finep, eu escrevi
o que acredito: que a Acolhida e essas
outras organizações abraçam a causa do
desenvolvimento sustentável, solidário,
de inclusão de famílias. E foi isso que a
presidente da Acolhida defendeu lá no
Rio de Janeiro. Então, agora, eu espero
que a realidade corresponda ao que foi
escrito e ao que foi dito.
Canal SRL – Mais especificamente,
qual a proposta para fomentar essa coerência?
João Augusto – Na proposta apresentada à Finep foi escrito que a Acolhida, se fosse ganhadora do prêmio, utilizaria o valor para implantar um plano
de sustentabilidade financeira. Por que?
A Acolhida é uma entidade que tem 15
anos e que, financeiramente, não se sustenta sozinha. Isso é uma coisa até difícil
de entender.
Canal SRL – Fale um pouco mais desta tal sustentabilidade financeira.
João Augusto – Na Acolhida são 69
estabelecimentos ativos e mais 38 que
estão em discussão, é gente que quer en-
trar. Nós sabemos que há pousadas que
têm recebido bastante e com bastante
frequência. Então, é inexplicável que a
associação que fez tudo isso, que levantou toda esta bandeira, que foi buscar
recursos, que se empenhou, não tenha,
até hoje, seus próprios recursos financeiros para funcionar. Se a Acolhida não
consegue manter um escritório pequeninho, com um só funcionário, como pode
pensar em multiplicar este projeto e esta
ideia para o país inteiro? Não se trata de
uma crítica ao passado. O que foi feito, foi
feito. E como pôde ser feito. Trata-se de
olhar pra frente. Se a Acolhida não conseguir implantar um plano adequado de
sustentabilidade financeira, o projeto de
agroturismo vai parar no que é hoje, ou
vai crescer muito pouco. E sabemos, todos, que ela pode ser uma alternativa interessante e bonita para muito mais gente, para muito mais famílias mostrarem
sua cultura e sua comida e para trocarem
informações com gente de fora. Nós fizemos uma pesquisa e ela é toda positiva. De cabo a rabo, todo mundo que faz
agroturismo está contente de fazer.
Canal SRL – É bastante expressiva
a expansão da Acolhida para outros territórios, mas aqui nas Encostas, a gente
percebe que apesar do grande potencial,
não se vê muito mais famílias aderindo
ao agroturismo.
João Augusto – Como é que vai se
expandir um projeto sem dinheiro, sem
sustentação? Ele se expandiu quando
veio dinheiro de fora. Quando secou a
torneira, ele parou. Por isso eu insisto: é
um tremendo desperdício ter uma marca como essa, com o prestígio que tem,
e não usá-la plenamente. Precisa ter planejamento, porque como oportunidade
para as famílias é uma coisa muito boa.
Canal SRL – De forma prática como
se pretende conseguir esta sustentabilidade financeira?
João Augusto – Primeiro, reformar o
site da Acolhida, introduzindo um “motor
de reserva on line”, com duplo controle,
da pousada e do escritório da associação. Esse será o “caminho” único para as
hospedagens nas pousadas. Segundo, a
Acolhida na Colônia receberá, pelo uso
da sua marca, da sua estrutura e da sua
imagem, de 5% a 10% sobre o valor das
reservas confirmadas. Esse sistema é
justo: quem ganhar mais vai pagar mais.
Terceiro, contratar uma pessoa técnica
que, por dois anos, apoiará a implantação e manutenção do sistema em todos
os estabelecimentos associados. Se tem
computador e internet, ensinar a usar. Se
não tem, apontar uma solução.
Canal SRL – Como seria implantar
este sistema de reservas on line?
João Augusto – Nós fizemos contatos com empresas especializadas neste
tipo de sistema que se chama “motor de
reservas”. Esse aplicativo pode ser “embutido” no site da Acolhida. Mas também
é possível contratar empresas especializadas. Mandamos e-mails de consulta
preliminar e três responderam. Uma delas foi a ebooking.com, que é a maior do
mundo. Essa empresa cobra 16% do preço da reserva confirmada, mas tem um
alcance muito grande. Outras cobram de
5% a 6%, mas tem um alcance menor. Inserir no próprio site da Acolhida é um começo, mas tem que pensar que ele só vai
atingir quem acessar o site da Acolhida.
Canal SRL – Você e a Presidente da
Acolhida associam essa proposta ao planejamento de longo prazo da associação.
Poderia explicar melhor essa ligação?
João Augusto – A Acolhida na Colônia precisa saber quantas pessoas estão
se hospedando nas pousadas, de onde
vêm esses turistas, quanto tempo eles
ficam, o que eles preferem fazer. Hoje,
eu peço estes dados e ninguém consegue me responder. E essas informações
básicas são indispensáveis para preparar
a entidade para o futuro, para expandir
e dar oportunidades para aqueles associados que são pequeninhos. Do jeito
que está, tem umas pousadas que conseguiram se implantar e que já recebem
o suficiente para se manter. Sei que isso
foi feito com sacrifício. Mas, também, com
oportunidades. E as oportunidades para
os outros? Como ficam os que estão começando agora?
Canal SRL – É possível que haja resistência na implantação deste modelo?
João Augusto – O modelo não foi
detalhado ainda. A Acolhida apresentou
à Finep uma proposta inicial. Eu não proporia uma coisa que iria excluir pessoas.
Joca, responsável por escrever o projeto
ao Prêmio Finep de Invoação 2014.
Seria contra meus princípios. Ao mesmo
tempo, concentrar e deixar um monte
de gente fora é contra a causa que nós
abraçamos e que faz parte dos princípios
da própria Acolhida. Por isso, lembrar
e reforçar a causa que nos une em torno de um projeto de desenvolvimento
é uma coisa muito importante. Porque,
senão, perderemos a identidade e o sentimento coletivo e de solidariedade que
nos une. Aí, cada um passará a pensar
em si, a fazer “o seu” e a dizer que “o bicho maior come o menor”. Se nós nos
acomodarmos e passarmos a reproduzir
esse sistema de exclusão e de desigualdades, perderemos nossa identidade e
o sentimento de pertencer a um projeto
de construção de um mundo novo, mais
justo e melhor.
Canal SRL – Numa perspectiva de
dois anos, tempo de vigência de aplicação dos recursos deste prêmio qual sua
expectativa?
João Augusto – Eu estou convencido
de que, se a Acolhida implantar um bom
projeto de sustentabilidade financeira
e administrativa, ela vai “voar”! Porque
tem nome feito no país inteiro. Porque é
um projeto que continua pioneiro. Hoje,
quando eu entro na internet e faço uma
busca por hospedagem, tenho a impressão que a Acolhida é a única grande inciativa de turismo que não tem um sistema
de reservas on line. Eu sou um otimista
incorrigível, acredito nas pessoas, na democracia, e acho que a Acolhida vai discutir este assunto, vai relembrar a causa
que abraça, vai se botar nos eixos... E vai
ser uma entidade lindíssima como já é.
Só que bem maior!
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Santa Rosa de Lima, Dezembro/2014, Canal SRL
Santa Rosa de Lima, Dezembro/2014, Canal SRL
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Santa Rosa de Lima, Dezembro/2014, Canal SRL
Santa Rosa de Lima, Dezembro/2014, Canal SRL
LEGISLANDO
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COMUNIDADE
RIO SANTO ANTÔNIO
Mariléia Torquato | Carol Rodrigues
Esta coluna é reservada e assinada a bancada PP e PT
composta pelos vereadores Edna Bonetti, Robson Siebert,
Salésio Wiemes e Luiz Schmidt. Aqui são apresentados os
trabalhos realizados por estes representantes do povo na
Câmara Municipal de Santa Rosa de Lima. Mensalmente, o
leitor acompanhará o resumo dos principais ofícios, requerimentos e proposições apresentados aos poderes Legislativo, Executivo e Judiciário.
Ponte Rio do Meio
O vereador Luiz Schmidt
(PT) apresentou Ofício 07/2014
à Prefeita Dilcei Heidemann,
com cópia para o Secretário de
Transporte e Obras, para que a
prefeitura possa efetuar a manutenção dos trilhos e o guarda
corpo da ponte sobre o Rio do
Meio, próxima ao abatedouro de
frango. O vereador justifica que
as madeiras estão em péssimas
condições e que a ação se faz
necessária, pois o local apresenta um risco para os carros e os
alunos que transitam pela ponte.
Engenheiro Agrônomo
Luiz Schmidt solicitou através
de oficio que a administração
municipal efetue a contratação
de mais um Engenheiro Agrônomo para prestar atendimento aos agricultores familiares do
município. Luiz justificou que a
agricultura é a principal atividade econômica de Santa Rosa
de Lima e a medida seria constitucionalmente legal, pois existe
disponibilidade de uma vaga no
quadro de pessoal. Também ressaltou que em breve a engenheira agrônoma da prefeitura entra
em licença maternidade, ficando
os agricultores desassistidos de
apoio técnico neste período. O
colega de bancada Robson Siebert (PP) em apoio a proposição
de Luiz, disse conhecer a realidade e a fragilidade da atuação da
secretaria de agricultura e reconhece que é preciso que a gestão direcione mais recursos para
a pasta.
Melhoramento de acesso
O vereador Luiz também solicitou a Prefeita Municipal Dilcei e
ao Secretário de Obras que seja
patrolada a lastreada com areão
a estrada que dá acesso a nova
morada de Samuel Feldhaus, na
localidade de Nova Fátima.
Moção de reconhecimento
O vereador Luiz Schmidt,
através de indicação verbal, solicitou que a Câmara de Vereadores encaminhe uma Moção
de Agradecimento e Reconhecimento pela bela pintura realizada no muro da E.E.B. Aldo Câmara. Todos os colegas da Casa
concordaram com a indicação e
assinarão juntos a Moção.
Lajotas em desnível
A vereadora Edna apresentou Ofício 23/2014 a Prefeita
Municipal, com cópia para os Se-
cretário de Transporte e Obras
solicitando que a administração
possa assentar corretamente as
lajotas que estão desnível da pavimentação na comunidade de
Rio do Meio.
Edna justificou que a medida
era necessária pois os buracos
estão cada vez maiores. Ressaltou que tratava-se de pouco
tempo de serviço não gerando
muitos custos a gestão e que a
ação poderia evitar maiores danos futuros.
Curva perigosa
A vereadora Edna Bonetti encaminhou oficio a Prefeita Municipal com cópia para o Secretário
de Obras para que a administração possa retirar uma curva que
apresenta riscos de acidentes
na estrada que liga o centro do
município a comunidade de Rio
dos Índios, na propriedade do
senhor Lindolfo Assing, próximo
à entrada que dá acesso a Pousada Doce Encanto.
A vereadora justificou que a
curva impede uma boa visibilidade e agora, principalmente com
o tráfego intenso dos caminhões
da Fontanella, o local ficou bastante perigoso.
Por motivos que foram além de nossa dedicação em mensalmente trazer neste espaço
conteúdos de interesse dos leitores de Santo
Antônio, nos desculpamos humildemente pela
não publicação desta coluna na edição de novembro. Em especial, nos desculpamos com
Dona Maria Torquato e Seu Amilton Cesário,
moradores da nossa comunidade e que merecem todo o nosso respeito. Com um pouco
de atraso, reiteramos nossa homenagem a Seu
Amilton, que no dia XX de outubro completou
69 anos de idade e Dona Maria, que no mesmo
mês, no dia XX, completou sua 65ª primavera.
Surpresa!
O dia 10 de outubro foi escolhido para comemorar
os aniversários. A comunidade, a família e os amigos
do casal reuniram-se e preparam uma grande surpresa
para os dois, que sem saber de nada foram convidados
para irem ao salão comunitário. Quando chegaram no
local tiveram uma grande surpresa ao saber que a festa
era pra eles. Depois de passado o susto, uma emoção
comoveu a todos os presentes, especialmente os homenageados. Um delicioso jantar foi servido e confraternizamos como uma grande família reunida.
Exemplo de casal
Seu Amilton e Dona Maria, dedicaram suas vidas cuidando da família, educando os filhos e sempre preservando os valores morais, a honestidade e a justiça, acima de tudo. Tiveram o grande compromisso de amparar
os pais de Dona Maria quando a estes o peso da idade
os privou de suas capacidades naturais.
Reconhecemos as tantas vezes que o casal não mediu esforços para fortalecer nossa comunidade. Quantas
festas ajudaram a fazer, batalhando juntos pela construção do nosso centro comunitário. Quem conhece Dona
Maria sabe da preocupação que ela sempre tinha em
botar mais “agua no feijão”, por vezes, até exagerando
na quantidade de comida, sempre atenta para nunca
faltar nada aos visitantes.
Felicitações
De coração, todos nós desta comunidade, queremos
dizer a Seu Amilton e Dona Maria que esta “surpresa”
não é nada perto do quanto temos que agradecer por
tudo o que vocês fizeram pela família, pela vida comunitária e pelos amigos. Queremos que vocês compreendam o quanto são importantes e desejamos a vocês
muitas felicidades, saúde e muitos anos de vida.
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Santa Rosa de Lima, Dezembro/2014, Canal SRL
PROMOÇÃO DA SAÚDE
COMUNIDADE
RIO DOS ÍNDIOS
Kelin Dutra | Ivonete Walter Dutra | Milena Dutra
Cortina de poeira
Nossa comunidade, mais uma vez, clama por ajuda.
Estamos novamente sendo sufocados pela poeira provocada pelo tráfego intenso dos caminhões da empresa
Fontanella, que extrai e transporta argila da comunidade
de Santa Bárbara até o município de Criciúma, passando
aqui pelo Rio dos Índios.
Caminhões que transportam argila deixam um rastro de
poeira prejudicando a qualidade vida dos moradores.
O que queremos...
Nossa reinvindicação é a mesma de sempre, que a
estrada seja molhada com um caminhão pipa. Quando
reiniciou o transporte de argila, no mês de novembro, a
empresa até colocou um caminhão para fazer este trabalho, mas não esperávamos, depois de dois dias de serviço,
que fôssemos surpreendidos com a notícia de que o equipamento estava quebrado.
...sem exceção e sempre que necessário
Queremos que a empresa resolva este problema e
molhe a estrada nas proximidades das casas de todos os
moradores, sem exceção, todo dia que for preciso. Quando falamos, sem exceção, nos referimos a todos mesmo,
até o último morador, antes da subida da Serrinha. Pois
a estes moradores foi justificado que não seria molhado
porque “é muito longe ir até lá”.
A união faz a força
Queremos que todos saibam que o que estamos passando é muito longe da qualidade de vida que nós, moradores do interior, tínhamos. A comunidade de Rio dos
Índios quer um mínimo de respeito e colaboração da empresa e dos condutores destes caminhões que usam esse
trajeto dezenas de vezes por dia.
E caso não sejam tomadas medidas para amenizar o
problema com a poeira gerada pelos caminhões, estamos
decididos a fazer uma manifestação e bloquear a estrada.
Como acreditamos que a união faz a força, clamamos a
toda população de Santa Rosa de Lima que nos ajude,
que os vereadores e secretários, a prefeita Dilcei, todos!
Nos apoiem e se façam representar nesta causa para que
finalmente nossa voz seja ouvida e atendida como realmente merecemos.
Boas Festas
Queremos desejar a todos, em especial aos nossos
leitores, um Feliz Natal e um próspero Ano Novo. Desejamos muita paz, saúde e amor!
Murilo Leandro Marcos
O que você vai cultivar
em 2015?
Dezembro chegou novamente e com ele a sensação de mais um ciclo anual se fechando, o que transforma este mês, para muitas pessoas, em um momento de avaliar
como foi o ano que passou. Como foi seu ano? Como as dores e as delícias que você
viveu nos doze últimos meses repercutiram na sua saúde? Como está sua mente nesse fim de ano? E seu corpo? O fim do ano é também tempo de fazer planos e desejar
que um ciclo melhor comece. Um ano melhor começa, certamente, por nós. E como
dizem os ditados populares, “saúde é o que interessa, o resto não tem pressa”, “tendo
saúde, o resto a gente corre atrás”. Por isso essa coluna é um convite para que você
responda mentalmente às perguntas acima sobre o ano de 2014 e pense: como eu
posso ser melhor em 2015 para ter mais saúde?
Qualidade
A resposta é justamente o que
você deve buscar cultivar no ano
que vem. Mas atenção: o mais comum nos desejos de fim de ano é
pedirmos e planejarmos objetivos
- e, em geral, repetir os dos anos
anteriores por não termos conseguido cumpri-los ou alcançá-los. O
que se propõe aqui não é pensar
em objetivos, mas em uma qualidade que ajudará você a conquistar esses objetivos em uma vida
mais equilibrada, harmoniosa e
saudável.
Um exemplo: já falamos aqui
sobre a importância dos exercícios físicos no cotidiano. É muito
comum as pessoas planejarem fazer esses exercícios com regularidade, mas não conseguirem manter a rotina. Se esse for seu caso,
no lugar de pensar novamente “no
ano que vem vou fazer exercício
três vezes por semana”, o convite é que você reflita: por que não
cumpri meu propósito no último
ano? (a reflexão pode considerar
fatores externos, mas o foco é
pensar em você, suas atitudes e
seus pensamentos). A partir disso, conclua que qualidade deverá
ser trabalhada em você no próximo ano. Nesse caso poderia ser,
dentre outros, mais disposição, ou
mais disciplina.
Este é só um exemplo, você
pode pensar nos diferentes aspectos do seu cotidiano que você
gostaria de melhorar para ter mais
saúde física e mental: as relações
com as pessoas, a forma de lidar
com o dinheiro e o trabalho, a alimentação, os cuidados com o corpo...
Propósito
Escolheu a qualidade que quer
cultivar em si mesmo? Refletir
sobre isto já é um grande passo,
mas lembre-se que para cultivar
é fundamental semear, mas também cuidar diariamente do que
você quer que dê frutos. Para isso
o convite é que você formule seu
propósito. A prática de yoga compreende os chamados SANKALPA.
Esse termo tem sua raiz nas palavras SAM (união), e KALPA (possibilidade), e dá nome a afirmações
de propósitos interiores. Na prática, trata-se de conceber uma frase
curta, objetiva, no tempo presente
e sempre afirmativa, que diz respeito à própria pessoa (e por isso
deve ser na primeira pessoa do
singular - eu), expressando a qualidade a cultivar, seu propósito interior. Poderá ser, por exemplo, “eu
estou tranqüilo”, para aqueles que
se sentem ansiosos e querem trabalhar a tranqüilidade como sua
qualidade para 2015. “Eu estou
tranqüilo” está no tempo presente
(e deve estar neste tempo mesmo
que você não se sinta tranqüilo no
momento) e é afirmativo (ao contrário de “eu não estou ansioso”).
A partir da qualidade que você
destacou para trabalhar em si, for-
mule seu propósito com as características do SANKALPA.
Cuidado cotidiano
Todos os dias, escolha um momento de relaxamento e sem distrações (um pouquinho antes de
dormir ou ao acordar, por exemplo) para repetir sua afirmação, em
voz alta ou apenas mentalmente,
pelo menos três vezes. Tente
usar sempre as mesmas palavras
para que elas se incorporem à sua
mente. Você pode avaliar também
se suas ações estão refletindo seu
propósito, e o que você pode mudar nos pensamentos e gestos do
dia a dia. Quando você considerar
que é hora de passar a cultivar
outra qualidade, formule um novo
propósito. Fazendo isto diariamente, você cultiva o pensamento
e, com ele, a mudança para uma
vida de mais saúde. Como disse
Swami Sivananda:
Semeie um pensamento
e colha uma ação
Semeie uma ação
e colha um hábito
Semeie um hábito
e colha um caráter
Semeie um caráter
e colha um destino
Um ano cheio de colheitas
para todos nós, com muita saúde!
Santa Rosa de Lima, Dezembro/2014, Canal SRL
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ARTE E EDUCAÇÃO
Aldo Câmara de roupa nova
De feio, sujo e escuro, o muro da Escola Aldo Câmara é transformado pelos alunos numa galeria de arte ao ar livre.
Cores, imagens e mensagens promovem em desenhos, que atraem a atenção de quem passa pelo local, temas como
gentileza, bondade, respeito, doação. Seu José (Zeca) Schmitz, de 88 anos de idade passa todos os dias em frente
ao muro e disse que jamais viu coisa tão bonita. “Eu olhei desde os primeiros dias que eles estavam trabalhando, eu
achei muito bonito. Dias depois, eu parei lá e disse, até que enfim vocês fizeram uma coisa bonita neste muro. E eles
me agradeceram por eu achar bonito”. Seu José diz que o muro estava abandonado, “hoje a gente passa ali, olha e
tem que agradecer os que eles estão fazendo, são todas frases e imagens que são uma verdade. Achei muito bonito ali
onde está escrito, “não as drogas”, é frase mais bonita que eles botaram ali, porque as drogas acabam com as famílias”
Uma escola nova
No canto arredondado do muro, local de maior visibilidade de quem chega
na escola, Gustavo Kunhen, estudante
do 8º Ano, reproduz, a mão livre, seu
próprio desenho e sempre conta com a
ajuda dos colegas. “Eu quis apresentar
a natureza e a paz que ela representa.
Estou muito feliz que o meu desenho
vai ficar aqui bastante tempo, para
todo mundo ver”. Sobre o novo muro
avalia, “antes era bem sujo, agora está
bem mais bonito, mais criativo, deixou
a escola mais alegre”.
Numa opinião, os alunos são unânimes, “o muro está muito legal”. Eduarda Rodrigues, que pinta um desenho
junto com as amigas Samara da Silva e
Luana Schueroff diz que o muro mudou
a cara da escola e que fazer parte desta experiência está sendo ótimo. “Está
ficando mais colorido, muito bonito, a
gente está ajudando a fazer uma escola nova, a gente está dando vida e cor
pra ela”. Viviane Floriano, que por vezes
pinta, por vezes segura o guarda-sol
para proteger as amigas dos raios solares, está muito contente. “Todo mundo
pode pintar os desenhos, é muito legal.
Agora quem passa na estrada vai saber
que é uma escola de verdade, porque
tem gente que nem sabe que a escola é
aqui. É muito bom, pois estamos dando
vida e cor para o nosso muro”.
Lenir Medeiros Batista, que trabalha na limpeza e organização da escola desde os primeiros tempos, quando ela foi construída, diz que achou o
muro muito lindo, “Não tem nem comparação, era um muro feio, sujo e agora está assim, limpo e lindo. Eu achei
bonito mesmo, as coisas que eles de-
senharam, o que eles escreveram, tudo
passa uma mensagem pra gente”. Até
o meu marido passou ali e disse, ´tá ficando bonito’”.
Vontade de pintar
A iniciativa de efetivar a pintura do
muro veio da professora de Ciências e
Matemática, Tatiane (Tati) Dircksen Ricken e da professora de Artes, Albertina Wiggers. Tati lembra que desde que
veio trabalhar pela primeira vez no Aldo
Câmara, há oito anos, ouvia os alunos
reclamarem que o muro era feio e que
tinham vontade de pintá-lo. “Eu me envolvi com a ideia, mas na época eu trabalhava apenas 20 horas aqui e ela não
aconteceu. Este ano, eu tenho mais 20
horas, fora de sala, à disposição da prefeitura e com a vinda da Albertina, da
área das Artes, em fevereiro, começamos a conversar na escola e resolvemos tentar”.
Na escola
Passado o recesso de junho, o projeto partiu para ações concretas. A
primeira delas foi mobilizar os alunos.
Em sala de aula Albertina trabalhava a
diferença entre pichação e grafite, conceitos e expansão no meio urbano e
“com isso foi introduzido a questão da
pintura do muro”, explica Albertina. Tati
destaca que o muro da escola de Rio
Fortuna também serviu de referência,
“eu apresentei fotos de lá e expliquei a
proposta aos alunos, desenhos temáticos que passassem uma mensagem
para as pessoas”. As professoras relatam que num dia de aula normal, de
surpresa, todos os alunos foram convidados a assistirem uma apresentação
e a todos foi solicitado que no tempo
de duas aulas fizessem desenhos para
o muro. “Cada aluno que estava na aula
naquele dia teve a oportunidade de fazer, pedimos que eles identificassem o
nome no verso da folha e depois uma
comissão de professores selecionou os
desenhos que mais destacavam os temas propostos”.
Na comunidade
Paralelo ao envolvimento dos alunos, mobilizava-se a comunidade para
a doação de tintas, para isso foram
encaminhados pedidos informais e
formais à Câmara de Vereadores, à
Prefeitura, ao comércio e outras organizações. As tintas foram doadas
por Valmiro Wiggers (Wiga) e Mauro
Wagner de Rio Fortuna; pela loja de
materiais de construção Construlima
de Santa Rosa de Lima; e pela Prefeitura Municipal. As professoras relatam
que também receberam uma doação
anônima. “Teve alguém, que não quis
se identificar, que mandou R$50,00
através de uma professora, não sabemos quem foi, mas temos certeza que
foi uma doação muito especial”. Com
a doação em dinheiro, onde todos os
professores também colaboraram com
a quantia de R$10,00 cada um e os alunos, “com as moedinhas que podiam”,
foram comprados os materiais de pintura, bandejas, rolos e pincéis. As professoras destacam também o apoio do
cabo Nunes que doou restos de tinta e
uma vez realizou a segurança no trânsito em frente à escola.
Resultados
Para Albertina a experiência está
sendo bem interessante, principalmente porque os alunos eram desmotivados, “tudo que era diferente tinha um
pouquinho de resistência para fazer
e agora, vendo os desenhos deles no
muro, estão gostando bastante. Todos
as turmas estão participando e gostam
de ajudar, querem ajudar. Alguns estão
até meio possessivos, ‘esse é meu desenho, não deixa ninguém pintar professora’. Alguns não querem pintar porque dizem tem medo de estragar, mas
sempre estão por perto para ajudar em
tudo que precisa. Confesso que no início eu fiquei com medo que não desse
certo e que a gente não terminaria este
ano, mas agora é muito gratificante e a
empolgação dos alunos é o que me dá
mais ânimo para continuar”.
Para Tati está havendo um retorno
bem interessante e não só dos envolvidos na escola, “tem várias pessoas
que passam quando a gente está ali
trabalhando, alguns motoristas param,
abaixam o vidro e fazem elogios, ‘que
coisa linda que vocês estão fazendo.
Parabéns! Está bonito’. Isso empolgou
o pessoal, pessoas que já não tem mais
filhos na escola, a gente vê que eles param mesmo para admirar”. Para Tati o
mérito não é de ninguém sozinho, mas
sim de um trabalho em conjunto. “Se
não tivessem as doações a gente não
teria conseguido nada, se a prefeitura
não tivesse disponibilizado as pessoas
para limpar o muro, sem a ajuda da Albertina, do pai da Albertina, que doou
muita tinta, sem o apoio da direção, e
dos alunos, não ia dar. Foi um trabalho
em conjunto, houve a colaboração de
muita gente”.
Patrimônio
Santarosalimense
PATRIMÔNIO SANTAROSALIMENSE
Ainda uma
guerreira
Maria Willemann da Silva
nasceu em Rio Fortuna, no dia
31 de maio de 1928. E, como
ela diz, “se criou no Rio dos Índios”. Veio para aquela comunidade com treze anos, acompanhando os pais. A decisão
da mudança foi consequência
da mãe, Elizabete Tenfen, ter
“perdido a ideia”, dois anos antes e a situação ter ficado cada
vez mais difícil para a família. O
pai, Leopoldo Willemann, achava que mudar de lugar poderia
ajudar na melhora da companheira. Mas isso não ocorreu e
a mãe viveu “sempre variada”
mais dez anos. Esse fato marcou a infância, a juventude e
a vida de Maria. “Nós éramos
todos pequeninhos e ela quebrava tudo dentro de casa. Ela
ficava presa, porque fugia pros
matos. De manhã nós botávamos tudo para fora de casa e
de noite botava tudo de volta
pra dentro. Facas, garfos, colheres, tesoura, agulha... Isso
era tudo escondido nos matos. Fazia uma bolsa com tudo
dentro. Na hora da comida, nós
íamos buscar. Essa era a nossa vida. Eu sofri muito. Mas já
esqueci”. Essa história fez com
que Maria tenha sido “mãe de
muita gente”. “Primeiro, criei
cinco irmãos; um até os três
meses. Depois, casei e criei
meus nove filhos. Em seguida,
depois de 63 anos, eu criei três
netos. Hoje, os filhos casaram
todos e estamos, eu e o Pedro, aqui. Ele é solteiro, né? E
cuida bem de mim”. E, com um
riso aberto, conclui: “É, eu ainda estou aqui! E ainda sou uma
guerreira!”
Maria criança...
que cuidava
de crianças
Pobrezinhos
Nós éramos felizes, mas muito pobrezinhos. Nossa casa era de taquara
com barro. A cozinha era só de taquara. Eram quatro estacas de gaioleiro,
e botava a mesa em cima. Quatro estacas pra botar o banco. E o fogão era
um quadro de tábuas com terra e o
gancho pra pendurar aquelas panelas de ferro. Depois, pouco antes de
eu casar, é que fizemos uma casa. Eu
mesma fiz os tijolos. Pegava o barro,
carregava, botava numa caixinha que
eu mandei fazer, batia, amassava com
o pé e o tijolo saia direitinho, bem inteirinho. Depois, botava num monte
pra, em seguida, o pai queimar. Com
eles, fizemos a casa.
Irmã-mãe
O pai saía pra escola e eu ficava
com as crianças e com a mãe, assim
variada, em casa. Eu era a mais velha e fui a mãe da casa dos irmãos.
Um irmão meu morreu há pouco, em
agosto, e sempre dizia que eu fui irmã
e mãe dele. Eu tinha que fazer o almoço, ao meio dia. Isso quando tinha
o que botar no fogo. Limpava a casa,
lavava a roupa deles todos. Muitas
vezes, ia para o rio, para lavar roupa,
sem ter sabão.
Eu dei conta!
Um irmão nosso nasceu seis meses depois que a mãe não estava boa
da ideia. Com onze anos, eu que cuidei dele até os três meses. O umbiguinho dele, quando caiu, fui eu que
enterrei lá no Rio Bravo. Cada vez que
eu desço aquele morro eu digo: se eu
for lá, ainda mostro o lugar [risos]. Eu
que dava banho nele. Um dia, uma tia
do pai foi lá em casa e disse: Leopoldo, quem dá banho nessa criança? O
pai respondeu: a Maria! E ela cobrou:
quero ver. Eu peguei a gamela, peguei
o paninho com banha pra passar no
umbiguinho... Nunca me esqueço, os
dois do lado, de braços cruzados, me
mandaram dar um banho no bebê.
Em seguida, enxuguei ele e arrumei
tudo direitinho. Depois a tia do pai
disse: “Só por Deus, uma criança cuidar de outra criança!” Eu dei conta
que foi uma beleza! [risos]
“Hoje, seria direto pro hospital”
Não tinha leite para tratar dele. A
mãe não dava de mamar. Tinha que
amarrar as mãos e os pés dela e eu
botava o menino para mamar. Um dia
ela não deixou e o pai disse: “Maria,
vai lá na cozinha e faz um mingauzinho com água, farinha de mandioca,
açúcar grosso e um ovo batido”. Hoje
eu penso... Você já viu, pra dar pra
uma criança de três meses? Mas eu
fui lá, tratei o bebê e ele dormiu a noite inteira comigo. Na cama, sossegado. Nem fez mal! [risos]
Uma decisão difícil
O pai ficou com medo que o bebê
pudesse morrer, porque a mãe carregava ele e chegou a jogá-lo em um
valo d’água. Aí, ele disse: “Eu tenho juízo e ela não tem”. Então, nós demos a
criança para uma pessoa bem conhecida que ia cuidar bem dela. E esse
irmão se criou lá em Forquilhinha.
Não tinha... não tinha...
Nós nos criamos todos juntos. Nós
sofremos. Passamos muito trabalho.
Não tinha mais roupa de cama pra
dormir, nada! Hoje, eles se clamam:
“Ah, isso aqui não tá bom!” Eu digo:
“Gente, vocês nem sabem o que é a
vida”. Nós bebíamos café numa canequinha só. E ninguém dizia eu quero,
eu quero. Cada um pegava na sua vez
e passava. Não tinha conversa.
Também não tinha calçado, não
tinha casaco, não tinha nada. De
manhã, a gente fazia serviço, no frio,
com geada. E não sentia nada. Não
sei como. Acho que a gente era forte
naquele tempo. E a gente vivia. E feliz.
fiz meu forno. Fiquei mais “velha” e
aprendi, né? Porque eu não tive mãe
que me ensinasse. Mas aprendi tanta
coisa na vida... Eu ia nas vizinhas, via
elas fazerem... Chegava em casa, eu
pensava: mas eu vou fazer também.
E fazia e fui aprendendo. Deus deu a
ideia pra gente, não é? [risos]
Infância, eu não tive
Diversão, não tinha. Nada! Só trabalhar e cuidar das crianças, carregá
-las pra cá e pra lá. Não podia brincar.
Não podia sair. Quando o pai saía,
meus irmãozinhos obedeciam bem.
O pai dizia: “o que a Maria mandar
vocês vão obedecer. Se vocês não
obedecerem, ela vai me contar de
noite. E se ela não contar, ela é que
vai apanhar”. Aí, eu tinha que contar.
Mas eles obedeciam tão bem. Nós
éramos muito unidos e o pai nos ensinou muito bem.
Roupa de missa
A primeira vez que eu fui a uma
missa eu tinha dezessete anos. Antes, eu não tinha roupa para isso.
Aí, com uma vizinha, eu troquei um
vestido por uma galinha. Eu “ganhei”
aquele vestido e aquilo foi uma felicidade minha. Com dezessete anos, eu
podia ir a uma missa! [risos]
Sustento
O pai sentava em redor da mesa
e nós comíamos casca de pão preto.
Ele deixava nós comermos e não comia. Ficava com fome. Ele tratava os
filhos!
Quando não tinha o que comer,
não comíamos. Ou comíamos batata
crua. Nós, todos os irmãos, sentávamos e botávamos batatas no sol bem
quente. Elas ficavam bem murchinhas
e bem docinhas e nós comíamos.
Escola
O pai era professor e eu não
aprendi a ler. Os outros todos foram
pra escola e aprenderam a ler. Mas
eu fui obrigada a cuidar da mãe e dos
meus irmãozinhos. O pai me ensinava em casa, mas não aprendi. Sei as
letras todas, mas não sei juntar os
nomes. A minha cabeça não deu pra
isso. Mas as contas eu faço tudo de
cabeça e me viro bem.
O pão nosso
Fazia pão pra tropa de irmãos na
casa dos outros, porque na nossa
nem tinha forno. Primeiro, carregava
três quartas de milho lá do Rio dos índios, subia aquelas sete voltas lá em
cima, passava um pedaço de mato,
na hora de meio dia, junto com uma
vizinha minha, pra vir aqui na atafona
do Julio Hans, aqui embaixo no Santo
Antônio, do outro lado do rio. Levava
a farinha de milho e, depois, fazia o
pão na casa dos bons vizinhos que eu
tinha. E trazia de volta.
Um dia eu disse assim: “olha, eu
vou é inventar de fazer um forno”. Aí
me ajudaram, eu fiz a armação e eu
Quase “operada”
Eu tirei a roupa do meu irmão
mais pequeninho pra lavar e não me
lembrei de tirar para fora [da casa].
Aí, eu entrei para pegar e a mãe disse: agora eu vou te operar! E ela me
jogou em cima da mesa. E, com onze
anos, eu me defendi. O Adolfo dizia:
mãe, deixa a Maria lavar a roupa do
pequeno. Ela foi cansando da luta
que nós tivemos. De repente, pra eu
escapar, eu saí por uma janela que
nem um avião. Eu digo: “foi Deus!” Ela
me grudou pelas pernas, mas não
conseguiu me segurar. [risos] Se ela
tivesse um ataque, ela tinha me matado. Porque ela não tinha juízo.
Santa Rosa de Lima, Dezembro/2014, Canal SRL
À esquerda do casal, o pai de Maria. À direita, os “irmãos-filhos”.
Maria e uma nova vida
A cara metade
Eu fiquei em casa até os 23 anos. Antes de minha mãe falecer, eu não casei.
Eu não podia ter namorado, por causa
dela. Depois, como eu e o Antônio [Estevão da Silva] íamos numa igreja só...
[risos] Ô se ele era bonitão... [risos] E já
estava com 26 anos e nunca tinha tido
namorada. Ele não se importava em namorar, só trabalhava.
O Antônio morava no Azedo, mas a
igreja deles era a do Rio dos Índios. E eu
morava no Rio dos Índios... Aí, conversava
depois do terço, ia junto pra casa... [risos]
Nos conhecemos, namoramos e, ao cabo
de um ano, nos casamos.
Aprontos
Eu fui a Braço do Norte, pela primeira
vez, quando eu casei. Aí o pai foi comprar
lá os meus aprontos. Primeiro de tudo
que ele comprou foi um crucifixo. [risos]
Está ali até hoje. Depois comprou minhas
coisas: roupa de cama bem bonita, o tecido pro meu vestido, a grinalda, o véu,
sapato, tudo. E eu junto. Eu fiquei feliz,
porque eu trabalhei muito pra ele. Mas
o meu pai me agradeceu muito, porque
dizia que eu passei muito trabalho e fui
sempre muito cuidadosa com as coisas
da nossa família.
O meu vestido de casamento fui eu
que cortei e costurei. À mão! Naquele
tempo, não era feito. Depois, quantos
vestidos de noive eu fiz. Fui aprendendo.
Ninguém me ensinou.
Foi um casamento bonito.
Foi com muito cavaleiro. Naquele
tempo não era carro. Para ir pra igreja e
depois pra casa, éramos nós dois a cavalo na frente, com os cavalos todos enfeitados e eram cavaleiros atrás de nós,
como daqui lá na estrada.
A festa foi boa e bonita. Nem eu, nem
ele tínhamos dinheiro. Mas o pai estava
melhor como professor, pegou um dinheirinho e as coisas melhoraram pra
nós. Dançamos bastante, festejamos
bastante. Tinha um concertado e os convidados beberam bastante. E teve muito
bolo. Naquele tempo, aqui, ninguém sabia fazer bolo. Minha tia veio da Serra e
desmancharam duas sacas de trigo em
bolo. Bolo, pão de trigo, pão de ló enrolado... O pessoal não sabia o que era isso
por aqui... E comeram tanto nessa festa...
[risos] No fim, chegaram a esconder em
cima do sótão, pra levar pra casa. [risos]
Sempre juntos
Eu fui muito feliz no meu casamento. Foram cinquenta e poucos anos. Ele
foi um bom marido. Muito trabalhador e
honesto. Se todo casal vivesse como nós,
não tinha separação. Nos primeiros dias,
nós moramos com os pais dele. Mas
logo ele fez a casa e moramos nela. Depois, quando nós estávamos cinco anos
casados, nós compramos quatro lotes de
terra lá no Rio dos Bugres. Pagamos tudo
num ano só. Engordamos bastante porco. E vender porco, naquele tempo, não
era igual hoje, com caminhão. Era tudo
por picadas nos matos, para passar. Com
luz de querosene num facho de taquara.
Às vezes, o porco pulava pra dentro da
capoeira e tinha que pular também e ir
buscar aqueles bichos lá pra dentro. Às
vezes, já não andavam mais e aí só com
carro de boi pra levar. Na Santa Rosa, tinha uma balsa pra passar. Quando não
tinha balsa, tinha que passar pelo meio
do rio.
Eu sempre junto com ele, na roça, em
tudo.
Na terra vermelha
Em seguida, nós fomos para o Paraná,
lá pras bandas de Chupador, de Manoel
Ribas. Antes, ele fez uma viagem de oito
dias pra lá e gostou. Eu fiquei em casa
com os guris. Tinha uma engorda de porco e ele disse: “Eu não vou porque tu não
vai dar conta de tudo; tem vaca de leite,
tem galinha, tem porco pra engordar, tacho de batata pra buscar, rama pra botar
no pasto”. Eu respondi: “Dou sim! Com
uma condição: tu comprares pra mim
uma máquina de costurar se os porcos
engordarem bastante”. Daí, ele foi. Quando ele voltou, a primeira coisa que fez foi
ir lá no chiqueiro. Aí ele olhou os porcos
e deu aquela risada, com aqueles dentes
de ouro que ele tinha. E no outro dia ele
já foi comprar minha máquina. [risos]
Pois é, ele gostou do Paraná... Mas eu
disse pra ele: “Melhor nós não vamos ficar lá, porque aqui, em cinco anos, nós
compramos quatro lotes de terra e já temos tanta criação... Lá pode não dar certo”. E ele, assim, deitado em cima de um
banco, respondeu: “Não! Lá, eu sozinho
faço o mesmo tanto por nós dois aqui”.
Quatro meses
Lá nós moramos apenas quatro meses. Fomos, no mês de setembro, e no
de fevereiro já voltamos. Não deu certo!
Ele não quis o Paraná mais nem dado.
Eu queria ficar. Era muito bom pra planta. Plantava num dia e parece que via
crescer numa noite. Ele não quis. Achou
muito quente, muito sujo. Não gostou e
voltou!
E fomos pra mesma morada no Rio
dos Bugres. Nós já tínhamos dito, se nós
não nos déssemos bem lá, nós voltaríamos para a mesma morada. Mas nós não
tivemos mais sorte lá no Rio dos Bugres.
Sempre trabalhava, mas não vinha mais
nada no jeito. Ele disse: “Olha, aqui não
adianta mais nós trabalharmos. Vamos
sair!”
No Rio do Meio e nos engenhos
O Vendolino Loch queria vender isso
aqui, pra ele ir para o Paraná. Nós agarramos e viemos morar aqui no Rio do Meio.
E aqui nós ficamos quarenta e poucos
anos juntos. Eu estou aqui há 51 anos.
Ele fez engenho de farinha, engenho de
açúcar, piladeira e atafona. Nós tocávamos tudo. Era quase dia e noite. À noite,
às vezes, os filhos ficavam com ele, às vezes eu ficava e tocava a noite inteira. Ele
dormia um pouco no cocho, depois eu
dormia um pouco. E assim, a gente ia fazendo as forneadas. Dia 5 de abril, nós íamos para o engenho e no dia 5 de setembro nós parávamos. Aí, nós íamos tudo
pra roça, plantar mandioca. Nessa parte
Na foto de 1966, aparecem todos os filhos do casal. A última da esquerda é mais nova
que o bebê (Pedro) que está no colo e ainda não havia nascido. Mais tarde, como ela
havia falecido aos 21 anos, de leucemia, solicitou-se que fosse feita essa montagem
incluindo uma das fotos dela
15
do ano, trabalhava o dia inteiro na roça.
Os filhos ajudavam. Teve um ano que
nós plantamos cento e tantas mil ramas.
Nós compramos essas terras todas com
o dinheiro dos engenhos e um pouco de
criação junto. E não era acordar cedo só
pra missa, não. Pra trabalhar também. Eu
fazia pão de madrugada. Esse pão, o dia
clareava e eu levava pra roça, pra fazer
o café.
O trabalho nos engenhos
Os dedos encarangavam de fazer polvilho de noite, de madrugada.
E forneava farinha. Tinha que rapar
mandioca... Do rapador, ia pro cocho. Pra
tirar aqueles olhinhos, que ele era muito
caprichoso, pra fazer uma farinha bem
boa. Botava naquelas prensas pesadas,
depois passava nas peneiras, pra botar
na fornalha.
No de açúcar, eu apagava as fornadas.
Quando o açúcar estava pronto, ele tirava
e eu pegava o balde d’água e pichava pra
apagar o fogo. Ele tirava a carga e, depois,
nós lambíamos muito açúcar da calha.
Era gostoso... Já fazia as “pazinhas”. Aí já
botava outra de novo. Tinha que carregar
aquele bagaço todo pra fora e pegar novas canas.
E de noite moía milho também.
Isso tudo eu fazia com o Antônio. Depois, os filhos cresceram, ficaram moços,
aí todos ajudavam. Nós íamos todos. E,
de dia, ia pra roça.
Diversão em família?
A vida da família era só trabalho. [risos] Não tinha festa na família. Nem de
aniversário. Nem passear nem nada. Só
trabalhar pra dar conta de tratar os filhos.
Senão não dava conta...
Só no domingo, nós íamos pra missa,
pro terço, tudo. Aqui na Santa Catarina
e lá no Rio dos Índios. Missa às sete horas. Antes, tinha que tratar as criações,
tudo. Imagina que hora tinha que levantar pra estar na missa às sete... Às vezes
nem esquentava o pé na cama e já tinha
que levantar. Todo mundo em jejum, nós
saíamos por dentro das capoeiras, das
taquaras, dos pastos... Tinha que passar
a pé três passos de rio. Se o rio estava
cheio, a gente passava por fora. Naquele tempo não era como agora que pode
encher a barriga e tomar a comunhão. Só
em jejum!
Domingo à tarde, a gente se visitava.
E às vezes, de noite, meus cunhados e
minhas cunhadas (que nós gostávamos
muito uns dos outros) íamos uns na casa
dos outros. Fazia aquela janta... E depois
ia embora. A diversão era essa. Um passeio longe, assim como faz hoje, não!
Os filhos estudaram e se viram bem
Os filhos estudaram todos numa aula
só, na escola que tinha na Santa Catarina. Estudo pra fora, naquele tempo, não
tinha condições. Só se tirasse o filho de
casa. E naquele tempo para tirar um filho de casa, meu Deus do céu, era o fim
do mundo. Ninguém tirava porque não
podia. Mas, hoje, eles estão espalhados
e todos se viram muito bem. As aulas começavam às oito horas, mas tinha que
acordar cedo e sair sete horas. Eles iam
a pé, pelas picadas, de pé no chão e às
vezes chegavam molhadinhos na escola.
segue
16
Santa Rosa de Lima, Dezembro/2014, Canal SRL
PATRIMÔNIO SANTAROSALIMENSE
Lembranças de um pai “que
ficou firme e cuidou dos filhos
até todos se casarem”
Pai-professor
O meu pai, Leopoldo Willemann,
era professor. No Rio Bravo, ele dava
aulas em alemão. Quando foi para o
Rio dos Índios, deu aulas em brasileiro. Lembro-me tão bem. Lembrome até das aulas em alemão que ele
dava. [risos]
No Rio dos índios, tinha os Tonn,
que são da Alemanha. Eles vieram de
lá e não sabiam falar nada em brasileiro. Nem bom dia! Aí o pai pegou
um filho deles como aluno. Ele falava
em alemão e o pai explicava como
era em brasileiro. Então, os velhos
quiseram que ele fosse à casa deles,
para ensiná-los a falar em brasileiro. E o pai foi. Ele ia muito lá. E eles
traziam pedaço de carne para o pai,
porque eles ficaram muito felizes
Dona Maria relembra, com saudades, de seu pai e seus irmãos.
porque estavam aprendendo brasileiro.
Pai-agricultor
O pai plantava. Até o meio dia,
ele dava aulas e de tarde ele ia plantar. No tempo de plantar, os irmãos
maiores ajudavam. Eu levava café pra
eles na roça e eu gostava de trabalhar na roça e ajudava também. Um
dia eu disse: Ô pai, eu vou plantar
esse feijão, enquanto vocês tomam
café. Ele disse: mas tu não sabes pichar os grãos. E eu respondi: sei sim!
Pois eu pichei 8 ou 9 feijões em cada
covinha. [risos] Eu não sabia que
nascia isso tudo. Depois ele perguntou: o que tu fizesse do feijão? Plantei certinho, né! [risos] Parece que eu
estou vendo aquele lugar...
Memória das comunidades
O Rio dos Índios nos anos
1940
O Rio dos Índios de quando
eu vim era, bem dizer, só mato.
Pouca casa e tinha uma igreja
muito pequeninha, assim, em
cima de uma lomba. Ali se rezava o terço e o padre vinha de
tempos em tempos. Depois,
foram indo, fizeram uma igreja.
Cavaram o chão tudo a muque,
carregaram madeira, foram fazendo e formaram a igreja.
Santa Catarina nos anos
1960
Tinha muita gente. Hoje, não
tem mais morador. Foram tudo
embora para o Paraná. Tá um
deserto, agora. Plantaram quase tudo eucalipto.
Aquela igreja era cheia. O
padre vinha sempre ali. Minhas
crianças fizeram primeira comunhão e crisma tudo ali. Pra ir pra
igreja era tudo picada. Capim de
manhã cedo molhava as crian-
ças todas. A igreja, agora, ficou
muito parecida como era naquele tempo. Ficou bem bonita.
Quando renovaram o cemitério,
me chamaram para ajudar a
identificar o nome das pessoas.
Rio do Meio nos anos 1960
Quando nós viemos pra
cá, tinha uma serraria e tinha
bastante morador. Tinha cinco
ou seis casas em torno dela. Aí
o Montegutti foi embora para
Orleans. O meu marido agarrou, comprou e serrou um
tempo também. Tinha uma
roda d’água grande... Mas ele
ficava muito nervoso e não
dormia a noite inteira. Ele sonhava muito e dizia: Uh, que
coisa medonha... Acho que era
aqueles paus pesados e ele
tinha medo de um acidente.
Aí, ele tirou a serraria e fez os
engenhos. Porque o pai dele já
era de engenho e ele sempre
foi de engenho.
Aqui em volta era pasto e
capoeira. Roça não tinha. Tinha só pra cima dos morros. E
também tinha três moradores
pros lados de baixo do morro.
Tinha bastante morador por
aqui. Muita gente foi embora
e agora tem pouca gente no
nosso lugar.
Fornada
de imagens
Ao chegarmos à residência de Dona
Maria, notamos uma coluna espalhada de uma fumaça branca, que saía
de trás da casa. Não era da chaminé.
Curiosos, constatamos que ela vinha
de um forno que ficava nos fundos.
Dona Maria preparava, com a ajuda da
nora Isabel, uma bela fornada de pão.
Daqueles dos tempos antigos que pretendíamos, com ela, relembrar. A entrevista aconteceu enquanto a massa
crescia. As folhas de caité também já
estavam preparadas. Depois da conversa, acompanhamos os preparos finais e a colocação no forno. Essa não
é a sessão “Caderno de Receitas”, mas
resolvemos, pelo menos, dar um “gostinho” com uma sucessão de imagens.
Infelizmente, não foi possível ficarmos para ver os pães de milho saírem do forno e nem para degustá-los. Mas que
prometia um sabor especial, ah, prometia.
Santa Rosa de Lima, Dezembro/2014, Canal SRL
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SUSTENTABILIDADE
Cresol distribui cartilha
sobre Abelhas Nativas
Com o objetivo de mostrar o importante papel das abelhas nativas na
sustentabilidade do planeta e garantir que as crianças aprendam a preservar estas espécies e o meio ambiente, a Cresol Encostas da Serra
Geral patrocinou a distribuição de cartilhas aos alunos da rede municipal
de ensino. Além da distribuição do material, uma parceria com o Centro
Educacional Santa Rosa de Lima pode levar 109 alunos para visitarem um
meliponário (local de criação de abelhas nativas) na comunidade de Rio
Bravo Alto, na propriedade familiar do agricultor Paulo Eller.
Crianças visitam criação de abelhas nativas.
Para o filho de seu Paulo, Fabiano Eller, que é agricultor, meliponicultor (criador de abelhas
nativas) e conselheiro administrativo da Cresol, divulgar o trabalho
que é feito com essas espécies de
abelhas em Santa Rosa de Lima é
de grande importância. “As abelhas nativas são as responsáveis
pela manutenção da vida. Difundir esta ideia junto com as crianças é essencial para garantir a
preservação da espécie. Sem as
abelhas nossa humanidade não
sobreviverá”.
Fabiano avalia que foi uma
experiência muito interessante
para os alunos, “na propriedade,
eles tiveram a oportunidade de
ter contato direto com as abelhinhas e puderam experimentar o
mel diretamente das colmeias das
abelhas sem ferrão. Também puderam conhecer espécies como
mandassaia, guaraipo, jataí, mandurim, mirim, boca de renda, tubuna, uruçu e bugia”.
Fabiano diz que nesta primeira etapa a Cresol patrocinou a
impressão de 300 cartilhas, e foi
priorizada a distribuição no município, mas a ideia é “futuramente
produzir mais e levar para as escolas dos municípios onde estão
sediadas as outras unidades da
Cresol Encostas da Serra Geral,
em Anitápolis, São Martinho, Armazém e Lauro Müller. Algumas
dezenas de cartilhas também
foram doadas para a Associação
dos Meliponicultores das Encostas da Serra Geral, (Amesg) que as
distribuem em feiras que participam”, explica o conselheiro.
Anote aí !
Dia 13 de Dezembro - Baile Formatura
Gustavo Godois, Jeito Safado e DJ Andrey Negão.
Horário: 23:00hs
Local: Salão Comunitário SRL
Dia 21 de Dezembro
Natal dos Sonhos às 19:00hs abertura
Horário: 19:30hs – Abertura
Local: Salão Comunitário SRL
Dia 12 de Dezembro
Formatura Pré- Escolar C.E.I. Recanto Alegre
Horário: 20:00hs
Local: Centro de Convivência do Idoso
Dia 31 de Dezembro
Réveillon na Mata Verde
Horário: 21:00hs
Local: Associação Mata Verde
COMUNIDADE
SANTA BÁRBARA
Rodinei Beckhauser
Porque Santa Bárbara.
No dia 4 de dezembro comemoramos o dia de Santa Bárbara. Curiosamente a santa que deu nome à nossa comunidade, não é nossa padroeira oficial. Aqui festejamos como patrono de nossa igreja, nosso querido
Santo Antônio. Buscando aprofundar um pouco mais
esta relação com estes dois santos, sentamos com Seu
Remi Bonetti, o “nono” e essa foi a história que ele contou.
Era por volta de 1930, os primeiros colonizadores já
haviam se instalado aqui neste pé de serra. A vida era
árdua, simples e de muito trabalho. Nos domingos pela
manhã, o costume era ir na igreja para rezar. A tarde
era para visitar os amigos e vizinhos. E foi numa destas
tardes de domingo, que o senhor Domingo Bonetti foi
visitar um irmão que morava perto. A esposa e os filhos
ficaram em casa.
No meio desta tarde, a comunidade foi surpreendida por uma forte e repentina trovoada com muitos
raios. Tão logo o tempo se acalmou, Seu Domingo retornou para casa para certificar-se de que sua família
estava bem. Foi quando teve um grande susto, encontrou sua esposa desacordada e alguns de seus filhos
com queimaduras provocadas pelo fogo de chão no
interior da cozinha. Seu Remi lembra que uma descarga elétrica provocada por um raio havia atingido a casa
de seu Domingo. “A casa só não pegou fogo porque
a cozinha era de chão batido”. Neste ambiente ficava
o caldeirão que a família usava para cozinhar, ele era
suspenso por uma corrente de ferro, do teto da cozinha até o fogo no chão e a causa provável foi de que
a corrente conduzira o raio até a esposa e os filhos de
Seu Domingo. “O raio arrebentou toda a corrente jogando o caldeirão longe e espalhando o fogo por toda
a cozinha. Felizmente foram apenas queimaduras e ferimentos e todos ficaram bem”, relembra seu Remi.
A fé
A grande maioria dos colonos que se instalaram por
aqui era de origem italiana e todos eram muito devotos de Santo Antônio. Mas depois deste alarmante incidente, Seu Domingo esperou o padre, que vinha uma
vez por ano rezar missa na comunidade, e foi falar com
ele. Queria saber qual era a santa ou santo protetor
contra raios. Ao saber que era Santa Bárbara, imediatamente foi encomendada uma imagem da santa. Com a
chegada da imagem e com as fortes tempestades que
atingiam e atingem a comunidade, todos foram criando
uma forte devoção por esta santa.
Impasse
Quando veio a decisão de escolher um santo padroeiro para a nossa igreja houve um impasse. Quem
seria? Santa Bárbara ou Santo Antônio? Nesta decisão
o Padre Afonso Schlickmann teve importante participação, ele sugeriu que Santo Antônio ficasse como padroeiro e Santa Bárbara desse o nome à comunidade.
A sugestão foi acatada por unanimidade.
Então sempre rezamos para que esses dois santos
continuem sempre nos abençoando e nos protegendo
de todas as tempestades da vida.
Que todos tenham um Natal
de muita paz e alegria e que o ano novo
venha com muitas realizações.
Feliz Natal e um ótimo Ano Novo
18
Santa Rosa de Lima, Dezembro/2014, Canal SRL
Meine Meinung Minha Opinião
COMUNIDADE
NOVA ESPERANÇA
Jaqueline Tonn
Todo Ano Novo é hora de renascer, de
florescer, de viver de novo. Aproveite este
ano que está chegando para realizar todos
os seus sonhos! (Autor desconhecido)
Dezembro chegou e traz consigo muitas realizações.
É o mês das festas, das confraternizações, para alguns o
mês das merecidas férias, é o Natal que se aproxima, um
novo que finda e outro que nasce. Nas ruas se instaura
o clima natalino. Em nossa comunidade muitas casas já
estão enfeitadas com luzes, guirlandas e presépios de
natal. Mas o maior enfeite é nossa alegria de sermos o
que somos, é um sorriso no rosto e a nossa esperança
no novo ano e nossa fé de que sonhos se realizarão.
Natal é tempo de compartilharmos com nossos familiares as alegrias que jamais imaginaríamos passar
um dia. É uma data para refletir e alçar novos horizontes. Uma data para lembrar que a verdadeira troca de
presentes é o banquete em família, é rever parentes e
amigos que nos visitam, sempre trazendo boas novas
e alegrias, é fazer o bem, sem olhar a quem. Aqui em
nossa comunidade é tempo de renovação e de buscar
novos projetos para 2015, sempre compartilhando bons
e maus momentos mas, nunca desistindo dos nossos
ideais.
Festa de Santa Luzia
Nova Esperança estará em festa no dia 13 de dezembro, quando comemoramos e honramos Santa Luzia,
protetora dos olhos e da visão e nossa padroeira. Nossa
comunidade inteira e visitantes se reúnem para rezar por
ela e se confraternizar, transformando o dia num grande
momento de adoração, alegria e união num clima inteiramente familiar.
Programação
Sábado – 13/12/2014
10:00hs – Missa com primeira comunhão e batizado
12:00hs – Almoço – Feijoada
13:00hs – Início do Torneio de Bocha Individual
Domingo – 14/12/2014
Pela manhã, finais do Torneio de Bocha
12:00hs – Almoço Colonial
13:00hs – Início do Torneio de Futebol de Areia com
12 equipes convidadas.
Durante os dias de festa haverá serviço de bar e cozinha.
A comunidade de Nova Esperança deseja a todos um
Natal abençoado e um Ano Novo cheio de realizações.
Wilson Feijão Schmidt
Reflexão de final de ano
Confesso que não gosto muito daqueles “balanços” de final de ano que,
nessa época, fazem os jornais, revistas e televisões. Talvez eu derrape em um
deles, mas meus pouquíssimos leitores serão compreensivos.
Vai emplacar mais um ano
O Canal SRL, que me cede este espaço nobre,
chega a mais uma virada de ano. Muita gente duvidava que isso fosse acontecer e alguns trabalharam
(e ainda trabalham) contra este jornal de todos os
santarosalimenses. Tem gente no município que
acha que quem vive e trabalha aqui deve se “informar” em folhetos de propagandas com chapa
branca, publicados em municípios vizinhos. Nosso
patrimônio, nossa cultura, nosso jeito sustentável
e solidário de fazer desenvolvimento parecem não
interessar a esses ilustres “coronéis” e representantes da casa-grande. Da mesma forma, as receitas
que interessam a eles não são as da culinária antiga, apresentadas nessas páginas. Preferem outras,
que são preparadas menos às claras...
Solitário
Interessante que se queira dar ao Canal SRL
um “lado” que ele não tem. Trata-se de uma tentativa de fazer do jornal (mais) um inimigo, para justificar um modo de fazer política baseado em uma
postura irracional e em uma discussão muito pouco
fundamentado em ideias. É como torcida organizada de times de futebol. Vale mais a briga atrás das
arquibancadas ou na rua, do que o “jogo jogado”,
para todos verem, dentro do “gramado”. Nesse FlaFlu, ou 11-15, que marca a falta de debates e de reflexões da política santarosalimense é que nasceu o
Canal SRL. Não para fortalecer discursos bisonhos
e pobres, mas para informar e formar aqueles que
estão interessados em ser cidadãos. Por isso, seguindo Antônio Prata, é possível se pensar, talvez
ingenuamente, mas com muita determinação, que
o Canal SRL pode ser o hífen solitário no meio do
Fla-Flu local.
Existe cura, mas ela não é tão simples
2014 foi ilustrativo: pode se constatar a maior
campanha política já feita pela Globo e pelos grandes jornais brasileiros. Mais uma vez, eles foram
derrotados pelo povo. Nessa campanha, a grande
mídia brasileira tentou culpar apenas um partido
(o PT) pela corrupção que está presente em qua-
se cada administração pública desse país. Por isso,
vale a pena transcrever trecho de texto escrito pelo
empresário Ricardo Semler, que se afirma membro
do PSDB, “com ficha orgulhosamente assinada por
Franco Montoro, Mário Covas, José Serra e FHC”.
“A turma global que monitora a corrupção
estima que 0,8% do PIB brasileiro é roubado.
Esse número já foi de 3,1%, e estimam ter sido
na casa de 5% há poucas décadas. O roubo está
caindo, mas como a represa da Cantareira, em
São Paulo, está a desnudar o volume barrento.
Boa parte sempre foi gasta com os partidos
que se alugam por dinheiro vivo, e votos que são
comprados no Congresso há décadas. E são os
grandes partidos que os brasileiros reconduzem
desde sempre.
Cada um de nós tem um dedão na lama. Afinal, quem de nós não aceitou um pagamento
sem recibo para médico, deu uma cervejinha
para um guarda ou passou escritura de casa por
um valor menor?
[...] Deixemos instalar o processo de cura,
que é do país, e não de um partido”.
Por fora!
Como alguém já disse, no país, tem gente e tem
partidos que assumem governos e prefeituras “não
para servir. Mas para se servir”!
No atacado e no varejo
Sobre a relação entre corrupção e república, Renato Janine Ribeiro, professor da Universidade de
São Paulo, nos dá uma explicação simples: “República quer dizer coisa pública ou, simplesmente, o
bem comum. Se você desvia o bem comum para o
privado, ataca o cerne da vida em comum. Por isso
mesmo, fique claro: o contrário de república não é
monarquia. O contrário de república é corrupção”.
Bom e republicano ano novo
Um 2015, com menos roubalheira, mais transparência, muito mais participação popular e consequentemente, mais limpo e feliz!
Santa Rosa de Lima, Dezembro/2014, Canal SRL
19
Enquete
Nesta edição de dezembro não podemos deixar de falar sobre o Natal. Para
isso o Canal SRL foi às ruas para ouvir de seus leitores qual o significado
do Natal e como as pessaos se preparam para as festividades natalinas.
Para a maioria dos entrevistados o Natal é visto como o nascimento do
Menino Jesus, uma época de reunir-se com a família e celebrar este
nascimento através da oração.
“Tem gente que só pensa em fazer festa, mas não é só
festa. O Natal significa o nascimento de Jesus, significa a
igreja, a oração. É um momento de passar com a família,
de fazer um almoço de Natal. Eu vou passar com a minha
família, a minha filha vai vim e vamos passa todos juntos.”
Teresinha Roecker Berckembrock
“O Natal é o nascimento do nosso salvador, sou católica, não aprendi muita coisa, mas o Natal pra mim é ir na
igreja, ir na missa e se preparar para a chegada do nosso
salvador Jesus Cristo. O Natal é muito especial. Mais especial ele era quando a gente tinhas as crianças pequenas,
agora que eu moro sozinha não tem mais muita graça.
Este ano não vou passar o Natal em casa porque eu vim
passear na casa da minha irmã e daqui vou para Joinville,
passar o Natal com os meus filhos.”
Luiza Wilke Schmoeller
“Para a gente que tem criança na família, o Natal é muito bom. Outro dia mesmo, eu levei os meus sobrinhos
para me ajudarem a decorar lá em casa e o que a gente
sente é muita luz, a gente vê a alegria deles, ainda mais
eles, que são especiais. A gente pensa em tudo para eles.
A gente não se contenta em dar só um presente, quer dar
roupa, brinquedos, mas, mais que tudo a gente dá muito
amor. Não sei se é porque eu trabalho com o povo, mas
nesta época eu me sinto muito feliz. Para mim é uma alegria ajudar a escolher o melhor presente e fazer alguém
se sentir bem neste dia. A gente sabe que é uma correria,
é cansativo, mas a gente está sempre disposta a atender todo mundo bem. Então
eu sempre trago isso, o Natal é muito luz e muita paz.”
Kátia Kulkamp
“A minha família sempre foi muito religiosa, então o
significado do natal sempre esteve muito atrelado a religião. É o nascimento de Jesus, é toda essa coisa que a
igreja criou e a gente tem esta aceitação por ser cristão.
É uma data especial, mas depois que a gente começa a
trabalhar e ficar mais velho ele perde aquele encanto de
quando se é criança. Por isso, eu acho que nesta época, a
gente precisa se iludir um pouco e voltar a ter a fantasia
de criança, para sempre ter o Natal como uma coisa boa,
uma coisa de cumplicidade, de união, de carinho com a
família. O Natal é família. Em dezembro a gente começa
enfeitar a casa, fazer pinheiro, sempre tem umas coisinhas para criar um clima natalino.”
Hédipo Leonardo da Silva
“Pra mim não muda quase nada. Mas a
gente sempre faz um almoço, um jantar. O
Natal para mim é pra comer, para passear,
reunir a família, os filhos que moram longe vem visitar quando podem, daí isso é o
bom do Natal, mas de resto é tudo igual
antigamente.”
Lino Pickler
“O Natal sempre foi a festa mais bonita da
vida, porque é o nascimento de Jesus. Então
acho que a gente tem que comemorar isso
pra sempre, para o resto da vida. Temos que
rezar, pedindo a Deus que ajude todos, que
a gente tenha um ano novo feliz e repleto de
saúde. A festa não é a coisa mais importante,
importante é Deus acompanhar a gente mais
um novo ano. Sempre fizemos uma festinha
em família, sempre enfeitamos a casa. A gente sempre comemorou com oração, porque
isso vem em primeiro lugar. A gente então
não pode por causa de problema de saúde
deixar o Natal pra trás, tem que sempre ter aquele dia bonito. Os filhos todos
reunidos, e cada um tem um presentinho para trocar como outro.”
Erica Machado Boeing e Lourenço Boeing
É um dia de reunir a família. Eu gosto muito de enfeitar
a casa, o pinheiro, colocar pisca-pisca, sempre amei. De
três anos pra cá então, depois que eu ganhei meu neto,
que eu amo tanto, foram os melhores natais da minha
vida. Quando tem criança em casa o Natal é outra coisa.
Então pra mim esta é a época mais importante. Apesar
de que também é um pouco triste porque a gente lembra
dos pais, das irmãs que a gente amava tanto e que partiram, mas isso são coisas da vida e a gente tem que se
conformar. Eu sempre faço um peru, uma galinha assada, um salpicão, uma farofa, grão de bico. Como a gente
trabalhou em São Paulo, geralmente fizemos uma coisa
diferente do dia a dia. Sempre recebemos a família, que
as vezes vem de muito longe e costumamos fazer amigo secreto. Este ano vai ser
diferente, vamos passar com a família da minha nora, lá em Nova Veneza. No ano
passado eles vieram aqui e agora eles querem que nós vamos lá”.
Eroni Medeiros Roecker
Nós participamos da novena e no último dia sempre
fizemos uma festinha, ainda não marcamos a casa, mas
sempre fizemos assim. E no Natal a gente se junta com a
família. O Natal pra mim é uma alegria, mas este ano está
complicado porque está dando muita seca, muito sol.
Mas nesta época é uma alegria muito grande porque mal
passa uma, já chega outra visita em casa, a gente recebe
visita de muita gente. Eu faço um pinheirinho simplesinho, eu faço a mesma comida de sempre, é feijão, arroz,
com carne, com salada, aí vai. É comida boa, então é isso
e os filhos vêm tudo.”
Olivia Assing Oenning
22
Santa Rosa de Lima, Dezembro/2014, Canal SRL
CARDERNO DE RECEITA
Família SRL
Adolfo Wiemes
Natal em Família
Para os católicos, o Novo Ano Litúrgico começa no
quarto domingo que antecede o dia do nascimento
do Menino Jesus, é o tempo do Advento, uma preparação para receber Cristo que quer nascer em cada
coração humano no dia de Natal. Jesus veio ao mundo para salvar toda a humanidade que andava no
caminho errado, no caminho do pecado que nossos
primeiros pais cometeram no início da criação humana, pois em Adão e Eva todos pecamos.
Jesus quer e deve nascer todos os dias em nosso
coração. Mas nós somos fracos e caímos muitas vezes no mal, prejudicando nosso próximo. Disso precisamos nos corrigir, através do perdão a Deus, ao
próximo e a nós mesmos. Nos arrepender dos males
ou pecados que cometemos, confessá-los e fazer o
propósito de não pecar mais. Viver uma vida conforme os Dez Mandamentos da Lei de Deus.
Natal do Papai Noel
Época onde a maioria das pessoas começa a se
preparar para as festas com comidas típicas, algo diferente do dia a dia. Os pais, padrinhos e avós costumam dar presentes uns aos outros. E há pessoas
que se vestem de jeitos bem diferentes, bem cobertos, que fica difícil reconhecer quem é. O chamamos
de Papai Noel, aquele que traz e distribui presentes.
Querem dizer que é o Menino Jesus! Que Menino Jesus, nada! É só invenção. Mas faz parte da vida e alegra a todos. Dizem que este papai Noel é invenção
norte-americana. O padre Aluísio dizia ‘é o vilão que
veio lá do norte do mundo’. Uma coisa é certa, os comércios fazem muita propaganda nesta época, sempre para vender mais e visar lucros e muitos correm
atrás disso, justificam que se não fizerem uma coisa
diferente, não é Natal.
Espírito natalino
Mas não é o Natal que está em dívida, é o próximo!
Que está cheio de dívidas para com Deus. Pois na verdade, o espírito natalino é bem diferente, onde o mais
importante é estar em dia com Deus, com o próximo
e consigo mesmo. Estar bem preparado através de
orações, novenas em família, nas casas e na igreja.
Esse é o verdadeiro espírito natalino.
Ditado alemão de São Nicolau, arcebispo turco
que costumava ajudar pessoas pobres, que inspirou
a criação do Papai Noel que conhecemos hoje.
“St. Nikolaus ist ein brave mann, bring die kinder
wass kann.
Die grosen lest er laufem, die Kennen sig já was
kaufen.”
Tradução Livre
“São Nicolau é um bom homem, traz para as crianças o que pode. Os adultos ele deixa andar, eles podem para si algo comprar.”
Um Feliz Natal abençoado para todos
Docinho
de
Natal
(Bolacha caseira)
O caderno de Receitas desta
edição resgata mais uma tradição
da culinária das Encostas da Serra Geral, as “bolachas caseiras”.
Esta iguaria era, nos tempos idos,
a principal guloseima que nossos
pais e avós. Quando eram crianças, era o que ganhavam nas noites da Natal. Bolacha antiga, mas
ainda atrativa, pois até hoje crianças, jovens e adultos se deliciam
com ela.
Para apresentar a receita convidamos Dona Augusta Becker
Vandresen, uma simpática senhora de 74 anos. Com medo de “não
dar conta”, esta bisavó, convidou,
para dar uma mãozinha, a neta
Kátia, a bisneta Francine e o neto
Igor. Todos ajudaram na confecção dos docinhos de Natal.
Dona Augusta nasceu em 9 de
agosto de 1940 e, desde sempre,
vive na comunidade da Mata Verde. Continua muito ativa, cuida de
suas vaquinhas, das galinhas, do
porco e de mais três rocinhas. Segundo ela, “uma até bem grande”.
Mulheres que vivem mais
Às vezes me lembro, minha
mãe morreu com 72 anos e a gente achava que ela estava velha.
Agora, eu penso: nem sei como
a gente está com 74 e ainda está
assim. Antigamente, nessa idade,
a pessoa já era muito velha. Hoje
em dia, as pessoas estão mais
conservadas. E por que? Eu penso
assim: antigamente a mulher era
quase escrava do homem. Não
tinha um dinheiro, não tinham
nada. Não tinha nem para comprar um remédio. Agora qualquer
coisa que a gente sente, vai e toma
um remédio. Naquele tempo, ficava semanas doente em casa,
esperando melhorar, só com um
chazinho. Por isso eu acho que o
povo vive mais. Eu penso assim. A
minha mãe nunca foi num médico
e morreu de derrame. Ela tinha
muita dor de cabeça, mas não tinha médico, nem tinha dinheiro
para ir.
Até o quarto ano
A gente estudava ali na escolinha em cima do morro. Naqueles
pés de laranja, ali onde hoje está
a associação. Eu entrei bem novinha, com seis anos. E com dez
anos eu saí da escola porque não
tinha mais... Só fazia até a quarta
série e eu passei todos os anos.
Meu primeiro professor foi
o Zezinho Medeiros. Ele ainda é
vivo, mas está bem velhinho. Mora
lá na Palhoça. Ele era tão bravo,
tão bravo. Pra mim não, porque
Dona Augusta com o neto Igor e a bisneta Francine.
eu sempre tratava e cuidava das
galinhas dele e ele parava na nossa casa para dormir. Mas tu achas
que de noite, se ele ficava conversando com o pai, a gente podia
ficar escutando conversa? Que
nada! Cama, oh!... Era um respeito
que a gente tinha. Meu Deus!
Choro e choco
Eu me lembro de uma vez que
eu apanhei na escola. Assim como
hoje tem esta educação física, naquele tempo a gente já tinha. Eu
e a Ana éramos as duas mais pequenas e a gente ia na frente da
fila. Tinha uns 45 alunos e lá bem
de traz o professor gritou: segue!
Era para nós irmos para a escola.
Eu não escutei e a Ana já saiu andando. E eu não fui. O professor
me deu uma reguada na bunda,
que meu vestidinho voou. Aí, eu
chorei! De brava. Então, no recreio, ele veio. Deu umas balinhas
para eu botar uma galinha no choco pra ele. Mas que brava que eu
fui! Mas fui. Eu tinha medo. Fiz o
ninho e ainda botei uma galinha
no choco pra ele. Nunca esqueço
disso.
Um pum é igual a quarenta e
nove reguadas
Uma vez, por causa de um
pum, o professor deu 49 reguadas num aluno. Foi no Zeca do
Gerônimo Pinheiro. Alguém soltou um pum e todo mundo começou a rir. O professor perguntou:
quem deu o pum? Não podia peidar! Ninguém assumiu e o Paulino
Schmidt dizia: foi o Zeca! E o Zeca
respondia: não fui eu, não fui eu!
Daí o Zezinho Medeiros começou
a bater no Zeca. “Diz que foi tu,
senão eu te bato!” E ele deu 49 re-
guadas e o menino continuava dizendo que não tinha sido ele. Por
fim, o professor parou de bater.
Medo e aprendizado
O Zezinho Medeiros era muito
bom professor. E como as crianças o respeitavam. Elas tinham
medo. Mas aprendia, que nossa! Ninguém rodava. Só mesmo
quem tinha uma cabeça muito
ruim, aqueles bem durões para
estudar. Mas, senão, ele educava...
E as doutrinas? Como ele e o
Raimundo davam bem! E o Raimundo era bravo também. Mas
a gente não se arrepende que
tenha sido assim. Porque a gente
aprendeu a respeitar as pessoas
mais velhas e a gente aprendeu
bastante coisa de bom também.
Mas, ele era bravo...
Namoro e surra
A gente ia a muitas domingueiras na casa do Edmundo Wilke. Eu
lembro que eu namorei uma vez
com o Paulo Nack, numa domingueira lá. Mas namorar naquele
tempo não era igual a hoje. Era
um de um lado do caminho e outro do outro lado. Não era nem de
mão dada. Eu lembro de uma vez
que a Verônica namorava com o
Lourenço. Ela tinha 23 anos e, daí,
ele veio junto até em casa. Na porteira, eu e o José viemos na frente.
Quando a gente chegou em casa,
o pai já perguntou: cadê e Verônica? Ah, ela ficou para fechar a
porteira. Ele perguntou: Ela tá sozinha? Não, o Lourenço veio com
ela. Quando ela chegou em casa,
o pai deu uma surra nela. Ela, com
23 anos... Eu chorei de brava! Não
apanhei, mais chorei de brava.
No outro dia, nós fomos pra
Santa Rosa de Lima, Dezembro/2014, Canal SRL
23
COMUNIDADE
Dona Augusta e a neta Kátia amassando as bolachas.
roça. Estava muito quente e o
pai pediu: Verônica traz a água.
Ela respondeu: “Quem ontem de
noite me deu uma surra, também
pode passar um pouco de sede”.
Batalhas e frutos
Comecei a namorar o Agostinho [Vandresen], numa domingueira lá no salão da Nova Fátima,
naquela escolinha velha. Eu lembro, foi um dia depois de Natal. E
no outro ano, em agosto, nós já
casamos. Foi difícil! A gente não
tinha quase nada e em duas famílias ficamos morando com o pai. A
do meu irmão José e nós.
A gente foi trabalhando, batalhando... Daí, fomos comprando
terra. Compramos uma terra com
casa em cima. Nós queríamos morar lá, mas o pai não queria ficar
morando com o José. Daí, o meu
irmão foi morar lá e nós ficamos
morando com o pai e a mãe.
Quando o Dairso nasceu, a
gente não tinha um dinheirinho
nem para comprar um enxoval. A
gente comprou lá na Verônica do
Lindolfo, aquela vendinha da Nova
Fátima. Para as fraldas eu comprei
uns metros de roupa branca, mas
o resto era lençol velho.
Assim, a gente viveu bem. Vivemos juntos, contentes. Foram
quatro filhos e um ajudava o outro
enquanto podia.
O peso de um inferno
Depois dos quatro filhos, tive
um aborto aos quatro meses de
gravidez. Eu tinha uma inflamação
no útero. Depois eu fui operada,
fiz laqueadura. Naquele tempo,
se a gente falava com um padre
como é que a gente ia evitar ter
filho, ele dizia que a gente ia viva
para o inferno.
Nunca me esqueço, um dia eu
estava bastante doente e fui me
confessar para o padre Paulo Herdt. Eu disse a ele que tinha tido
um aborto. Porque aborto era um
crime, um pecado... Mas, eu não
fiz por querer! Aí, eu perguntei se
eu não podia me cuidar para não
ter filho.
Naquele tempo, tinha uns livros... Daí, ele me disse: queres
ir viva para inferno, então pode
cuidar para não ter filho. Eu, tão
doente, disse para o Augustinho:
o que nós vamos fazer da vida
agora? Se a gente lembra tudo o
que a passou na vida, a gente nem
sabe como hoje ainda tem saúde.
Modo de Fazer
Vida e saúde
Se for para eu ficar só dentro
de casa, eu fico doente. Eu tenho
as vaquinhas, faço um queijinho,
faço as roças... E assim é a vida
da gente. A minha alegria é juntar com minhas amigas e contar
uma pra outra como a gente faz
as coisas que sabe fazer. E jogar
uma canastrinha... Eu gosto quando eu, a Maria e a Rosalina vamos
para os idosos. Nós andamos,
direto, juntas. Às vezes, a gente
tem uma coisa que nem gosta de
contar na família e conversa entre amigas. Eu gosto de ir lá nos
idosos! Tem muitas amigas, né?
E a gente gosta de conversar. Eu
estou contente! Enquanto a gente
pode andar, sai pra um lado e pro
outro, trabalha... E tem os netos,
que são quase como filhos.
Natal, bolachas e surpresa
Quando a gente era pequena,
a gente era mais boba. Não desconfiava. A mãe mandava a gente pra roça e, de noite, quando a
gente vinha, não sabia de nada. E
ela escondia [as bolachas de Natal] em latas bem fechadas. Quando chegava o Natal, que contente
que a gente ficava. Nós tínhamos
um quarto e estava tudo naquele quarto. Ganhávamos, também,
umas bonequinhas de açúcar e
umas balas.
Para a vinda o Menino Jesus.
Nós nunca vimos um Menino Jesus, como, hoje, as crianças
veem o Papai Noel. A gente acreditava que ele existia, que vinha
do céu. Mas nunca víamos ele. E
como a gente tinha medo. Não
podia brigar com ninguém, porque o Menino não vinha. E se não
rezasse, ele também não vinha. A
gente se ajoelhava e rezava tanto.
Hoje não tem mais estas coisas.
Massa
Ingredientes:
2 ovos
20 colheres de açúcar
15 colheres de leite
2 colheres de sal amoníaco
2 colheres de nata
1 colher de banha
Trigo até dar o ponto
Misture todos os ingredientes, abra com rolo
de massa, corte com cortador de biscoito. Leve
para assar em forno médio, pré-aquecido. Unte
a forma e deixe um espaço entre os biscoitos,
porque eles crescem bastante. Deixe no forno
até dourar.
RIO DO MEIO
Ana Beatriz Kulkamp | Diana Kulkamp | Karine Neckel
Festa em Santa Catarina
Depois de concluído o grande projeto de revitalização e restauração do conjunto arquitetônico da Igreja Santa Catarina, as festas nesta comunidade têm se
transformado num grande atrativo de público. A mais
tradicional delas, que honra a santa padroeira, aconteceu no último 23 de novembro e deu provas de que a
comunidade está realmente vitalizada e organizada.
Atrações
Com tradicionalmente acontece nas festas de padroeira, a programação iniciou com a celebração da missa.
Logo após a cerimônia, cerca de 200 pessoas participaram do almoço colonial servido no salão comunitário. A
tarde, as atrações ficaram por conta do bingo, do torneio
de futebol de areia e de uma clássica roda de cantoria.
Abre a gaita gaiteiro!
Como há anos a comunidade de Santa Catarina não
inclui baile na sua programação. E como música é essencial, nesta festa, surgiu a ideia de realizar uma roda
de cantoria, tradição que vem, aos poucos, sendo resgatada no município. Reuniram-se gaiteiros, violeiros, e
cantores populares para interpretar canções caipiras.
Quem sabia cantar acompanhava o grupo, que animou
a tarde dos que estavam presentes à sombra da grande
figueira da Igreja.
Roda de cantoria animou a tarde embaixo da figueira.
Agradecimentos
Em nome dos membros da Comissão de Assuntos
Pastorais e Econômicos (Caep) da Igreja Santa Catarina,
agradecemos todos que prestigiaram esta significativa
festa para a comunidade. Agradecemos especialmente
aos músicos cantores que voluntariamente se dispuseram a colaborar com a magnifica roda de cantoria. Agradecemos aos juízes do torneio de futebol, aos atletas e
a todos os membros da comunidade, que não mediram
esforços para fazer de nossa festa um grande sucesso.
Já esperamos todos para a próxima!
Primeira Eucaristia
Gostaríamos de parabenizar os pequenos jovens da
comunidade do Rio do Meio, que no último dia 29 de
novembro, realizam a Primeira Comunhão, este que é
um momento de grande importância na vida religiosa
dos católicos.
Cobertura
1 clara de ovo
1 e 1/4 xícara de açúcar refinado
Gotas de limão opcionais.
Na batedeira, misture bem todos os ingredientes, espalhe sobre os biscoitos já assados, decore com confeitos ou granulados coloridos.
Primeira Comunhão.
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Santa Rosa de Lima, Dezembro/2014, Canal SRL
Maratcha
Edésio Willemann
M&M
A categoria Terceira Idade do Gemüsefest Volkstanzgruppe esteve reunida para uma festa de confraternização no Guib’s Lanches. Eu, Edson, um
dos “M” desta página e coordenador do grupo, quero dizer que nada mais
justo é uma noite de festa com este grupo, que deixa alegria por onde passa e que muito bem representa Santa Rosa de Lima.
Santa Rosa de Lima tem mais uma opção de lazer é
o Shmi´S Lanche e Bar, localizado na comunidade de Águas Mornas, no Sítio da Tabita, próximo ao
balneário de aguas termais. Eu, Maratcha, um dos
colunistas desta página, marquei presença na inauguração e pude comprovar que o ambiente é bem
convidativo, com um cardápio que varia de petiscos
da culinária local até frutos do mar. Desejamos boa
sorte para essa nova dupla de empreendedores,
Nilson (Neia) e José Carlos (Caroço).
Troca de idade em dezembro nosso amigo Alemão “do Tonn”. A homenagem especial é de sua
esposa e companheira. Desejamos felicidades ao
casal, especialmente ao aniversariante.
Queremos desejar toda felicidade do
mundo para nosso amigo Alexandre que nesse mês completa mais
uma ano de vida e também cola grau
na Escola Aldo Câmara. É Xande, agora são 18 anos e uma nova etapa em
sua vida. É agora que a verdadeira
batalha começa. Tudo de bom para
você, desejam seus amigos e a família.
Mentira
Edson Baumann
E com muito carinho que homenageamos a guerreira vó Rosilda, que dia 2
de dezembro fez completou mais uma
ano de vida. “Que Deus lhe dê muita
saúde para desfrutar os muitos momentos que ainda estão por vir”. Com
carinho de seus netos, filhos, familiares
e amigos.
Djonathan Roecker Antunes sopra sua quarta velinha no próximo
dia 29. Um beijão da vovó coruja
Eroni e da mamãe, mais coruja ainda, Solange. Que também sopra velinhas no dia 30. Felicidade é o que
desejam os amigos e familiares.
Ivone Wiggers Ferreira completa
mais uma primavera no dia 04 de
dezembro. E recebe a homenagem
de sua nora, Kelin Dutra, “Sogrinha,
você é mais que especial. Te adoro!”.
Santa Rosa de Lima, Dezembro/2014, Canal SRL
Sobem no altar os noivos Andrea e
Valdecir. O palco para a união deste
lindo casal será na belíssima Igreja Santa Catarina. Desejamos aos pombinhos
muitas felicidades e que muitas outras
bodas possam ser comemoradas nesta
igreja!
O jovem Lucas Roecker troca de idade no dia 24 dezembro. Um abraço especial de toda sua família em especial
do sobrinho Djonathan.
Irene da Silva, completa mais uma primavera neste mês de dezembro. Parabéns e muita felicidade é o que deseja
seu filho Diogo.
Elisângela May e seu irmão Erivelto
May sopram velinhas no mês de dezembro. Ela no dia 11 e ele no dia 26.
Amigos e familiares enviam um feliz aniversário.
Dona Maria Siebert completa 77
anos no dia 13 de dezembro. Recebe as
homenagens de seus amigos do Clube
de Idosos e de todos os familiares. “Maria, que Deus lhe dê vida longa e saúde”.
O garotão Renan Heidemann fez aniversário no último 18 de novembro. Te
desejamos muitos anos de vida e muitas felicidades!
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Santa Rosa de Lima, Dezembro/2014, Canal SRL
ESPORTE TOTAL
COMUNIDADE
MATA VERDE
Kátia Vandresen | Ronaldo Michels
Festa em honra a Santa Luzia
Nossa comunidade comemora no dia 13 de dezembro
o dia de nossa padroeira Santa Luzia. A santa protetora dos
olhos e da visão é honrada e homenageada pelos moradores
da Mata Verde pelas muitas bênçãos e graças concebidas.
Como é tradição por aqui, todos os anos, no dia anterior
ao de Santa Luzia, é realizada uma grande pescaria. Os moradores, em mutirão, pescam, limpam e temperam quilos e
quilos de peixe. O suficiente para garantir o “aperitivo” no dia
da padroeira. Neste ano, no dia 13, a programação começa
pela manhã, com uma celebração religiosa em frente à gruta
de Santa Luzia. Depois da reza, todos se reúnem na Associação Mata Verde para confraternizar e degustar o pescado
do dia anterior. Ao meio dia é servido um almoço colonial,
preparado pelos próprios moradores e a tarde segue com
baile, jogos de cartas e a tradicional bocha.
Sonho de ser profissional
Jonas Laurindo, o Toti, como é carinhosamente conhecido por
todos, é o único jovem de Santa Rosa de Lima que realizou o
sonho de se tornar jogador profissional de futebol. Sonho este,
que ele nutre desde os cinco anos de idade, quando veio morar no município. Dos cinco, aos 20 anos, idade que tem hoje, o
jogador já passou por muitas experiências no mundo do futebol.
Algumas boas, outras frustradas, histórias que merecem destaque
nos anais futebolísticos deste jornal.
despesas. “Ela me ajudou um monte, ela é muito
especial. Na realidade, foi por causa dela que eu
comecei minha carreira de jogador, se não fosse
ela, não tinha nem começado, eu não tinha outro
incentivo. E lá na escolinha eu vi como era diferente, vi o futebol com outros olhos”.
A viagem que Toti menciona foi para participar de um campeonato no Estádio do Grêmio
em Porto Alegre. “Foi uma experiência bem legal,
eu era novo ainda, a mãe não queria deixar eu ir,
mas fui. Não fui para ficar lá, mas a gente estava
sendo observado por alguns olheiros. A gente foi
com o time da escolinha de Braço do Norte, com
o professor Fernando Lessa. Tinha vários times
lá, até da Argentina”.
Fim de ano vem aí
Em Santa Rosa de Lima, a maior, mais tradicional e, porque não dizer, única festa de virada de ano acontece na comunidade de Mata Verde. E como 2015 está aí, os preparativos para o grande réveillon já estão sendo encaminhados.
Segundo o presidente da Associação comunitária, Robison
(Chaveta) Siebert, a noite, como sempre, “será de total animação”. Chaveta diz ser uma honra para a associação fazer
a maior festa de virada de ano. “Somos receptivos, amigos e
festivos e a comunidade inteira se envolve na organização.
Estamos preparando uma grande festa e todos são bem recebidos”. Então, não se esqueça, no dia 31 de dezembro, todos os caminhos levam para o Réveillon 2015 da Mata Verde.
Família Becker
Todos os anos, costumeiramente, a Família Becker se reúne aqui na Mata Verde para uma grande confraternização
familiar. O último encontro aconteceu no dia 23 novembro
e reuniu cerca de 100 descendentes dos Becker. O objetivo
do evento, segundo os organizadores, é oportunizar que as
diversas gerações da Família Becker possam se encontrar e
muitos até se conhecerem, pois embora sejam de uma mesma família, são nestes encontros que acabam se conhecendo pela primeira vez. A festa contou com uma celebração
religiosa na parte da manhã, almoço ao meio dia e a tarde
um grande baile.
Feliz Natal e Próspero ano Novo
Queridos leitores e leitoras, neste ano que finda, como
colunistas deste espaço, queremos agradecer a oportunidade de podermos entrar em seus lares, levando conteúdos
que consideramos importantes para a valorização da nossa gente, da nossa Mata Verde e da nossa Santa Rosa de
Lima. Sabemos que ao fazer isso estamos contribuindo para
a manutenção e a construção da nossa história. Mais do que
tudo, queremos desejar a todos um Feliz Natal e um ótimo
2015.
“Vi o futebol com outros olhos”
Toti relembra que começou a treinar quando o ginásio ainda era atrás da igreja, onde hoje
está o Centro Comunitário. Seu primeiro treinador foi Edson Correa, ex-jogador profissional da
equipe do Tubarão. No município também teve
treinos coordenados pelos professores Fabrício
Schmitz, Cal xxxxxx, Vilmar Warmling e Ana Maria
Vandresen. Foi aos 15 anos que uma oportunidade colocaria Toti mais perto do seu sonho. A
escolinha de futebol do Grêmio, recém aberta
em Braço do Norte, estava fazendo testes e o garoto foi selecionado para matricular-se. Mas, era
preciso pagar uma mensalidade, valor que sua
mãe não dispunha na época. Foi quando “entrou
em campo” a mãe de seu amigo e vizinho Arthur
Medeiros, Maria Aparecida Medeiros, que sensibilizou-se com o menino e resolveu arcar com as
Da Encosta da Serra para Minas Gerais
Depois da escolinha em Braço do Norte, o jogador conseguiu uma vaga na equipe Sub 20 de
São Martinho e participou de dois campeonatos
estaduais, em um deles conseguindo a terceira
colocação. Uma proposta levou Toti para Teófilo Otoni, em Minas Gerais. “Era uma cidade bem
grande, cidade do jogador Fred da seleção. Joguei
pelo Clube América na Copa Minas, a gente não
se classificou, mas era muito legal lá, nos treinos
nosso, durante a semana, a noite, dava umas 2
mil pessoas assistindo. Bem legal mesmo”.
De volta a terrinha
De volta pra casa, o jogador ingressou no curso de Educação Física, pela Unibave. Foi quando
veio uma proposta para jogar no Guarani, time
da Palhoça. “O Camarão [Tarcísio Schmidt] me
levou, tranquei a faculdade, na verdade eu perdi
quatro meses, porque estava no primeiro semestre. Fui pra lá porque a oportunidade era boa,
mas aí o time perdeu contratos de patrocínio,
Santa Rosa de Lima, Dezembro/2014, Canal SRL
não engrenou o projeto deles e não deu certo. Eu disputava no Sub 20 e eles também não
me aproveitaram para o Adulto. Então o salário,
que era pra ser uma coisa, foi outra, é complicado, tem que ganhar no mínimo R$ 2 mil para
viver e no sub 23, muitas vezes é só um salário
mínimo, as vezes, nem isso. No Adulto é diferente, os caras devem estar ganhando uns 20,
30 mil reais, depende o jogador”. Do Guarani,
Toti foi para o Sub 23 no Clube Inter de Lages,
mas como o salário também era pouco, jogou
apenas algumas partidas e retornou para Santa
Rosa de Lima. “Na ponta do lápis não dava nem
para pagar a passagem para vir em casa.
Futebol é dinheiro
Para chegar ao futebol profissional e conseguir uma vaga em um clube bom, Toti diz que
não é uma tarefa fácil, mas diz que existem
duas saídas estratégicas, “tem que ser muito
bom, bom mesmo ou tem que ter dinheiro, ter
empresário forte, um cara que te banca, te leva
num clube aqui, não deu certo, te leva para outro lá, a maioria dos jogadores que entram aí
é com dinheiro, futebol hoje é dinheiro, gera
dinheiro”. Sobre apoio que recebe da administração local Toti diz que não existe nenhum
patrocínio, “é cada um por si, eu vou te falar, o
único incentivo que eu tive assim, foi quando
era a Ana Maria e o Vilmar que coordenavam
o esporte, era muito bom, precisava de alguma coisa, eles davam um jeito, se eu precisa ir
viajar, eles sempre arrumavam um carro para
me levar. Eles acreditavam no meu potencial e
queriam me ajudar como podiam, mas depois
eu não tive mais nenhum apoio.
Sobre os meninos que hoje estão na categoria de base do futebol de Santa Rosa de
Lima, Toti avalia, “eles não têm nada. Eu acho
que nunca participaram de um teste, acho que
nunca fizeram nada, que eu lembro não, eles
não viveram isso ainda. Também o pessoal daqui tem muito medo, os pais têm muito medo,
se for ali em Braço do Norte, eles estão ligando
dez vezes, imagina se um menino tiver lá em
Minas Gerais e eu conheço gente assim, um
amigo meu tem 17 anos e já está uns quatro
anos fora de casa”.
Eles não querem mais nada
Toti avalia que em Santa Rosa de Lima tem
jogadores muito bons, que até teriam boas
oportunidades. “Mas eles não vão atrás, rela-
xam, conhecem namorada, conhecem a vodca.
Eu fui com o Sub 15 e o Sub 16 participar de um
campeonato em Anitápolis, chegou nas últimas
rodadas, os guris não foram mais, ficavam aqui
na praça, bebendo, festinha, eles não querem
mais nada. Só que assim, como eu falo, eles
nunca viveram no meio disso, eles não sabem
como é bom aquelas 2 mil pessoas te incentivando, falando, pedindo autografo, é outra coisa, eles nunca viveram, se eles tivessem a oportunidade de viver isso, eles iam olhar diferente”.
Rotina de treinos
Toti faz academia três vezes por semana em
Rio Fortuna e todas as noites que pode, treina
no campo municipal. Ana Maria muitas vezes
acompanham o jogador. “A gente tem que se
cuidar muito, tem muita gente nessa área, muita gente boa. Eu me cuido bastante, não vou dizer que eu não tomo uma cervejinha, as vezes,
mas não vivo bebendo por aí. O refrigerante
também eu evito, porque é pior do que cerveja,
é uma droga”. O jogado diz que a dedicação é
porque realmente gosta do que faz, “é uma coisa que eu sei fazer de melhor, pra mim é como
profissão, uma coisa que eu levo a sério, uma
coisa que eu me dedico muito”.
E o futuro
O jogador disse que tem alguns projetos
para 2015. Ele recebeu uma proposta para voltar ao time de Teófilo Otoni, em Minas Gerais,
tem proposta para jogar em um time do Paraná. “Estou vendo algumas coisas para o ano que
vem. Mas agora eu já penso com outra cabeça,
pra ir não é bem assim, antes era o tempo de
gurizão, aquela loucura passou, agora tem que
estudar bem. Mas eu acho que vou continuar.
Tem que jogar a sorte, tem que estar vivendo
no meio disso, tem que estar no dia a dia do
esporte, se tu estiveres esquecido, ninguém vai
lembrar, vou te falar, é muita gente na área”.
O último campeonato que Jonas participou
foi um aberto de futsal no município de Armazém. O jogador lamenta que por mais que tenha tentado fazer um time “em casa”, mas não
teve nenhum incentivo. Mas, diz ele, “com muita
persistência corri atrás, tudo sozinho”. O time
formado por jogadores dos municípios vizinhos
foi bem, mas na final no último dia 21, no mata
a mata, perderam, conquistando a segunda colocação.
Jonas (camisa 16) treinando no Guaran de Palhoça.
27
COMUNIDADE
NOVA FÁTIMA
Alexandre Oenning Bittencourt
É Natal
Estamos no tempo do Advento, período em que os católicos
se preparam para celebrar o nascimento do Menino Jesus e,
como de costume, aqui em nossa comunidade, todos os grupos
de famílias já estão realizando as Novenas de Natal. É uma época
de reflexão, avaliação e projeção de novos desafios e, aqui em
Nova Fátima, podemos dizer que fechamos o ano com um saldo
positivo em termos de conquistas, com destaque especial para a
pintura do Centro Comunitário, a reforma do nosso salão velho
e o muro do cemitério. Positivo também porque já temos diversas outras ações planeadas para o ano vindouro. Aproveitando
este espaço, queremos agradecer especialmente a dedicação e o
esforço das nossas lideranças comunitárias em favor da comunidade. Também agradecemos os leitores do Canal SRL que, mensalmente, nos acompanham neste espaço.
Um Feliz Natal e um próspero Ano Novo.
Determinação
Danilo Vandresen e Rainilda (Nida) Kulkamp e familiares e
amigos do casal têm grandes motivos para comemorar, pois há
quatro meses, Nida parou de fumar. Para celebrar esta conquista,
no dia 29 de novembro, foi realizada uma grande festa de congratulação no Centro Comunitário Nova Fatima. Cerca de 170 convidados participaram do almoço oferecido pelo marido de Nida,
Danilo. Segundo ele, o encontro é para cumprir uma promessa
que fez: caso a companheira parasse de fumar, daria uma grande
festa na comunidade. E como Rainilda está firme e determinada
no seu propósito, ganhou de presente este lindo gesto de companheirismo. Nida gosta de estar entre os amigos e para ela foi um
momento de muita felicidade. Parabéns pela bela decisão Nida!
E ai galera!
Quero mandar um recado especial a todos os meus colegas
da turma do Terceirão da E.E.B Aldo Câmara: Vencemos mais uma
etapa! Oba!
Quero agradecer todos os momentos que passamos juntos,
tenham sido eles alegres ou tristes. Sei que a partir de agora cada
um vai seguir seu rumo, vamos tomar caminhos diferentes, cada
um com seus planos e projetos, mas as amizades e todas as coisas que convivemos, permanecerão para sempre em nossa memória. Esperamos todos para o nosso grande baile de formatura,
que acontecerá no dia 13 de dezembro. Os ingressos antecipados podem ser adquiridos com os alunos do Terceirão.
Turma Terceirão E.E.B Alado Câmara
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Santa Rosa de Lima, Dezembro/2014, Canal SRL
encontra, vai logo “fuçar”. Por isso, a dica:
quem não quiser aparecer por aqui, é só
não andar perto da lama.
Suíno Light
Está chegando o Natal. E mais um
ano vai se encerrar. Muitos sonhos foram
concretizados. Algumas decepções e desilusões tiveram que ser engolidas. Neste
período, até este Macau está um pouco
tomado por esse espírito de paz e congraçamento. Isso porque alguns acham
que eu tenho mais é “espírito de porco”.
Só porque não sou leve e digo algumas
verdades. Deve ser minha banha...
Nesta edição, vou parecer um daqueles “porcos light” da Embrapa. Esperando,
apenas, que os leitores reflitam sobre
mais essa “página” a virar na vida do município.
Espírito natalino...
Primeiro quero me congratular com
todos os meus leitores. Com aqueles que
me leem às claras e com aqueles que me
leem escondido, para depois poder mentir que não me leram. Congraçar com
aqueles que elogiam meus coices curtos
e que não machucam, mas, também com
aqueles que criticam porque reconhecem que eu “encho o saco”.
... e Ano novo
Para 2015, prometo continuar fazendo o que sei fazer. Porco tem sempre
uma tendência de buscar lama. E onde
Academia pra que?
Mesmo com esse corpinho “em forma” (de barril), esse Macau se acha. Sabe
que é o mais lido. Sabe que muita gente começa a ler o Canal SRL de “trás pra
frente”. Sabe que esse espaço para anúncio aqui embaixo é valorizado. E quer
continuar assim no próximo ano.
O Morro ficou mais bonito...
A novela da pavimentação do Morro
dos Roecker teve espaço nobre no Canal SRL. Muitos até se perguntam: o que
teria acontecido se não fosse a cobertura
séria e independente do jornal dos santarosalimenses? E o leitor agora deve estar
se perguntando: neste momento em que
se ouve que a obra ficou pronta, não saiu
matéria?
A suposta conclusão da obra coincidiu
com o fechamento da edição. O Macau
foi fazer seu treinamento para a corrida
de São Silvestre por lá e constatou que
o paver está mais bem arrumado e que
o “visual” da obra está melhor. Parece
que, desta vez, também foi feita uma leve
compactação do material. Passando pela
comunidade, ouviu que a obra agradou.
... mas ficou bom?
Como toda a obra foi refeita, Deinfra e
Prefeitura precisarão fazer uma avaliação
mais apurada, antes de dar a obra como
finalizada. Quem se debruçou sobre o
projeto original afirma que a execução
ainda não está “conforme”. A menos que
tenha havido alteração no projeto. Mas
isso o Deinfra nega. O paisagismo na la-
teral da estrada continua uma agressão
a olhos mais atentos. Nesse item, claramente, o projeto não foi cumprido. Continua preocupante, também, a lateral da
parte pavimentada. Na primeira trovoada
de verão, a erosão poderá fazer estragos.
O que poderá, inclusive, comprometer
toda a obra.
Transparência
Agora é aguardar e conferir os fatos
e as formalidades legais e indispensáveis.
Os documentos que resultarão da fiscalização final pelo Deinfra e do aceite da
obra pela prefeitura municipal, este Macau espera, serão públicos e receberão
ampla divulgação por parte dessas instituições públicas.
Ampliar assistência técnica aos
agricultores
Na sessão do dia 25 de novembro da
Câmara Municipal, o Vereador Luiz Schmidt (Loi) apontou uma questão importante
para o desenvolvimento da agricultura
em Santa Rosa de Lima: a ampliação da
oferta de assistência técnica. Mais do que
isso, fez a proposição de que Secretaria
Municipal da Agricultura e Epagri unam
esforços nesse sentido. Esperamos que
essas instituições voltadas à agricultura e
aos agricultores façam, agora, o dever de
casa. Para poder passar de ano!
Todos de acordo
Pelas manifestações que seguiram à
fala do Vereador Loi, todos os edis estão
de acordo e entendem que é urgente repensar e reforçar a assistência técnica à
agricultura no município. O vereador Leonicio Laurindo lembrou, inclusive, que
essa foi um compromisso de campanha
da atual gestão. Afirmou, até, que irá se
empenhar em cobrar do Executivo municipal o cumprimento da promessa.
É preciso lembrar que a Epagri tem
um convênio assinado com o município
que prevê uma equipe completa. Ou seja,
ela deveria ter mais profissionais no escritório local.
Se houver uma ação articulada e bem
planejada todos irão ganhar, especialmente os agricultores.
Rua principal e mobilidade
Há muito tempo se ouve falar que é
necessário organizar o estacionamento ao longo da Germano Hermesmeyer.
Especialmente de caminhões. É comum
ver desses veículos grandes de carga estacionados dos dois lados da rua. Muitas
vezes, a mais de meio metro do meio fio.
Os transtornos são grandes. Tem horas
em que não há como passar dois carros
em sentido contrário.
É necessário regulamentar. Sem regulamentação não há o que fazer. Todos dizem que pode estacionar “como quiser”,
“em qualquer lugar”. De quem é a responsabilidade? Do Executivo? Do Legislativo?
Dos dois? Quem vai fazer algo?
Que venha 2015
Este Macau trabalhou muito em 2014.
Infelizmente, teve que “pegar no pé” de
muita gente. Em especial de membros da
Câmara de Vereadores.
Em 2015, o Macau gostaria de mais
sombra e água fresca. Gostaria de poder
“equilibrar” os coices com elogios. Para
isso, precisa, contudo, que as atitudes de
algumas “lideranças” políticas passem a
ser diferentes. Um bom Ano Novo a todos! Com muita saúde!
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Arte no muro Pág. 13