DA SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO AO DIREITO: CAMINHOS PARA SE PENSAR A EQUIDADE DO ACESSO À PRODUÇÃO CIENTÍFICA* INFORMATION SOCIETY TO RIGHT: WAYS TO THINK ABOUT EQUITY OF ACCESS TO SCIENTIFIC KNOWLEDGE Katherine Lages Contasti Bandeira Isa Maria Freire RESUMO Essa comunicação, fruto da pesquisa dissertativa desenvolvida no PPGCI da Universidade Federal da Paraíba – UFPB, tem como objetivo justificar a importância da legitimação do espaço virtual no que se refere à comunicação científica em Direito, tendo em vista as peculiaridades desse ramo científico, se fazendo como uma das ciências de maior impacto social. Para tanto, narramos o nascimento da internet, discutimos políticas de inclusão digital, a sociedade informacional dentro desse contexto e destacamos a importância da comunicação científica, inclusive, na construção da democracia e suas facetas e por fim, como percebemos a participação do campo jurídico nessa proposta. PALAVRAS-CHAVES: SOCIEDADE INFORMACIONAL; PRODUÇÃO CIENTÍFICA; DIREITO ABSTRACT This communication, the result of research dissertativa developed in PPGCI Federal University of Paraíba - UFPB, aims to justify the importance of the legitimacy of the virtual space in relation to the scientific law, in view of the peculiarities of this branch of science, is doing as a science of greater social impact. To this end, we narrate the birth of the Internet, discuss policies for digital inclusion, the information society within this context and highlight the importance of scientific communication, including the building of democracy and its facets and finally, as we see the participation from the legal field that proposal. KEYWORDS: INFORMATION SOCIETY; PRODUCTION; LAW 1. Introdução * Trabalho publicado nos Anais do XVIII Congresso Nacional do CONPEDI, realizado em São Paulo – SP nos dias 04, 05, 06 e 07 de novembro de 2009. 8370 Fruto da pesquisa dissertativa desenvolvida no PPGCI da Universidade Federal da Paraíba – UFPB, o presente trabalho visa discutir na perspectiva democrática desde o nascimento da sociedade informacional até a produção científica, a inserção das novas tecnologias a favor da comunicação científica e justificar a importância da participação do campo jurídico. 2. Da revolução industrial à internet Veremos a seguir nas narrativas a colocação da história econômica como um elemento verossimilhante da história do desenvolvimento da ciência e da tecnologia, notadamente no desenvolvimento econômico como lugar do desenvolvimento científico, ou seja, o galgar da sociedade industrial a pós industrial nos leva a compreender a sociedade da informação/conhecimento. Nessa busca, a compreensão desse fenômeno nos dá base para pensar, em termos amplos o tema. Gosto de pensar numa passagem descrita por Levý (2008, 13) que diz o seguinte: Durante uma entrevista nos anos 50, Albert Einstein declarou que três grandes bombas haviam explodido durante o século XX: a bomba demográfica, a bomba nuclear e a bomba das telecomunicações. Aquilo que Einstein chamou de bomba das telecomunicações foi chamado, por meu amigo Roy Ascott (um dos pioneiros e principais teóricos da arte em rede), de “segundo dilúvio”, o das informações. A sua natureza exponencial reveste a informação e seus meios de uma importância intelectiva e factual que nos obriga a considerá-la sempre que se fala em sociedade atual, emergente, principalmente se quer considerar os novos saberes e a automação deles em relação ao novo sujeito que se forma e do sujeito que faz nascer novos saberes. Hoje, a tecnologia tomou conta de nossas vidas, a ponto de encarar a ausência de determinados instrumentos como impensáveis para uma boa existência, categorizados, inclusive, como parte da idéia de corpo, de vida, como acentua Castells (2009, p.69) “assim, os computadores, sistemas de comunicação, decodificação e programação genética são todos amplificadores e extensões da mente humana”. Nessa perspectiva, os anseios e velhas e novas necessidades se expressam em bens, serviços, tecnologia, dentre outros mecanismos, para saciar o humano. Castells (2009) afirma o que há de mais moderno hoje na compreensão da informação, é o entendimento de que ela carrega em si a função de transmitir conhecimento, mas aprofunda essa questão quando diz que a característica da atual revolução tecnológica não está centrada unicamente na informação e conhecimento, mas na aplicação desse conhecimento e dessa informação para a geração de 8371 conhecimento e de dispositivos de conhecimento/ comunicação da informação cumulativo e auto-sustentável entre inovação e seu uso. Temos o exemplo do que ocorre com a internet, mesmo em contextos institucionais/culturais distintos, pois possuem lógica própria, caracteriza-se pela capacidade de tornar todas as informações em um sistema único de informação. Historicamente, o ponta pé inicial, para se pensar tecnologia nos moldes hodiernos, foi dado pela Revolução Industrial teve início no séc. XVIII, pela Inglaterra,apesar de suas raízes intelectuais poderem ser encontradas em toda a Europa- com a mecanização da produção, se contrapondo aos moldes da Idade Média onde se dava de maneira artesanal. Com os instrumentos necessários para mover novos instrumentos sociais (como a energia do carvão mineral, matéria prima que era o ferro, aliados a mão de obra disponível em função da Lei de Cercamentos de Terras) a redução dos custos produtivos e sua celeridade fortaleceu decisivamente o avanço tecnológico. Segundo Outhwaite & Bottomore (1996, p. 722) assinala as características mais freqüentemente usadas para definir a sociedade industrial, que são: 1) Uma mudança na natureza da economia de tal forma que um setor primário muito pequeno pode alimentar uma população envolvida nos setores secundários e terciários; 2) A preponderância da produção mecânica nas fábricas; 3) A urbanização da sociedade; 4) O crescimento da alfabetização em massa; 5) A aplicação do conhecimento científico à produção; 6) O recrudescimento da regulamentação burocrática de todos os aspectos da vida social. Muitas outras características foram mencionadas, esporadicamente, mas algo é senso comum nos pensadores, o surgimento da sociedade industrial assinala uma mudança profunda nos assuntos humanos, o poder humano amplificado maciçamente traduz-se na colocação da natureza a mercê do homem e não o contrário. Logicamente, muitas outras discussões no aspecto econômico e político surgiram, como por exemplo, que o processo industrializador, ou o desenvolvimento, desemboca num perigoso estado de autoritarismo político ante as necessidades e vantagens geopolíticas de industrialização, a banalização do humano frente à evolução maquinária, mais-valia, por outro lado, foi possível a construção de uma nova postura do Estado na interferência sobre o indivíduo, situar a competência para reger as relações trabalhistas e comerciais, dando um salto enorme para posteriormente alcançar as consumeristas. Para Outhwaite & Bottomore (1996, p. 752), a sociedade pós industrial, no significado atual, foram criados por Daniel Bell e Alain Touraine nas descrições de 8372 novas estruturas e movimentos sociais que marcaram a evolução das sociedades industriais do final do século XX, ou ainda como colocou Jean-François Lytoard, a sociedade pós moderna, caracterizada pela mudança econômica de produção de bens à produção de serviços e no plano ocupacional, a ascensão de técnicos, profissionais liberais, além da ampla difusão da “tecnologia intelectual. Foi sustentado por Bell e Touraine que “essa sociedade é altamente instruída, e a idéia-chave de uma sociedade de conhecimento é central para todas as várias versões teóricas” (OUTHWAITE & BOTTOMORE, 1996, p. 752). Tanto foi assim que na visão de alguns historiadores, na narrativa de Castells (2009, p.71) houve ao menos duas revoluções industriais: aquela iniciada pelas máquinas a vapor, a fiadeira, ou seja, todas as máquinas que substituem as ferramentas manuais e a segunda, dependente do conhecimento científico, tendo lugar nos EUA e na Alemanha onde ocorrem mudanças evolutivas na produção química, na eletricidade e na telefonia, um século depois, dando guisa ao crescimento econômico e a qualidade de vida. Ambas as perspectivas foram colocadas para que utilizassem a lógica motriz que as aproxima, como fica evidente nas macroinvenções até as microinvenções, ou seja, para cada salto evolutivo, evidencia-se a importância da base evolutiva que a antecede. Essa perspectiva foi muito sentida com o espírito da pós modernidade ou sociedade pós industrial, nesse momento nascem novas classes: trabalhadores de colarinho branco, funcionários de escritório e os trabalhadores da informação/conhecimento. Nesse sentido, a importância das universidades é muito sentida, o papel da pesquisa se destaca nas questões produtivas e gerenciais da sociedade, muito embora, Outhwaite & Bottomore (1996, p. 726) apontem a previsão de Touraine acerca do “aprofundamento do conflito entre aqueles (professores e estudantes) que defendem os valores humanistas da educação liberal e uma casta diferente de seus pares que guarnecem a maquinaria tecnocrática, dedicada ao objetivo do crescimento econômico”. Segundo descreve Lévy (2008b, p.101) “o primeiro computador, o Eniac dos anos 40, pesava várias toneladas. Ocupava um andar inteiro em um grande prédio, e para programá-lo era preciso conectar diretamente os circuitos, por intermédio dos cabos, em um painel inspirado em padrões telefônicos”, ocorreu na microengenharia da eletrônica e informação que curiosamente, ou mesmo por ironia da história, foi na II Guerra e no período sucessor que se deram as principais descobertas tecnológicas acerca da microeletrônica, computadores e telefonia. A própria internet surge (CASTELLS, 8373 2009, p.82) e se desenvolve como fruto de uma fusão estratégica militarista, científica, tecnológica e inovações da contracultura, um trabalho de gênese da Agência de Projetos de Pesquisa Avançada (ARPA) do Departamento de Defesa dos EUA, com ousadas iniciativas preconizando a Era da Informação, dentre as quais, um sistema de comunicação imune aos ataques nucleares, e nesse galgar, pouco a pouco vai sendo retirado o controle das rotas de mensagens, elemento base da comunicação global horizontal. Ironicamente, esse método da contracultura de usar a tecnologia teve conseqüências semelhantes na estratégia de inspiração militar das redes horizontais: viabilizou os meios tecnológicos para qualquer pessoa com conhecimentos tecnológicos e um PC, o que logo iniciou uma progressão espetacular de força cada vez maior e preços cada vez mais baixos ao mesmo tempo. O advento da computação pessoal e a comunicabilidade das redes, incentivou a criação dos sistemas de quadros de avisos (bulletin board systems – BBS), primeiro nos Estados Unidos e depois no mundo inteiro. Os BBS não precisam de redes sofisticadas de computadores, só de PCs, modems e linha telefônica. Assim, tornaram-se os fóruns eletrônicos de todos os tipos de interesses e afinidades, criando o que Howard Rheingol chamava de “comunidades virtuais”. Em fins da década de 1980, alguns milhões de usuários de computadores já estavam usando as comunicações computadorizadas em redes cooperativas ou comerciais que não faziam parte da Internet. Em geral, essas redes usavam protocolos que não eram compatíveis entre si, portanto adotaram os protocolos da Internet, mudança que, na década de 1990, garantiu sua integração com a Internet e, assim, a expansão da própria Internet. (CASTELLS, 2009, p.87) A invenção da Word Wide Web- WWW ocorreu na Europa em 1990 no Centre Européen poour Recherche Nucleaire (CERN) em Genebra, um dos mais destacados centros de pesquisa física do mundo, chefiados por Tim Berners Lee e Robert Cailliau, desafiando as tradições quando abriram as portas as contribuições na década de 1970 dos hackers. Foi criado um formato de documento para os documentos de hipertexto (hipertex markup language – HTML) e configuraram a transferência desse hipertexto, propondo uma padronização, distribuindo esse software gratuitamente. Os primeiros e grandes sítios foram criados por centros de pesquisa científica e ao final da década de 1990, o poder de comunicabilidade lançado na internet não poderia mais ser contido, notadamente com a ascensão da telefonia móvel liderada pela Nokia e Ericsson em 1997, aliada ao aumento da capacidade de transmissão com a tecnologia de comunicação e banda larga, levam os cientistas a buscar sempre a sua superação em estender para todos os aspectos de nossa vida, tecnologias informacionais, reconfigurando definitivamente a mola propulsora desse desenvolvimento: a economia. Numa perspectiva desenvolvimentista, esses novos rumos se justificam pela visibilidade 8374 posta pela Internet e a expansão de empresas “ponto com”, demarcando o significado das novas formas de produção, consumo e conhecimento. Tanto que a ciência e o desenvolvimento imbuído como retribuição das pesquisas, estão refletidas pelo aspecto econômico, como a informática, a biotecnologia, pois foi em modelos econômicos industriais e pós industriais que muitas pesquisas foram financiadas, no entanto, isso não anula ou mesmo desmerece os cientistas e industriais que permitiram a tessitura das bases para a então sociedade da informação. 3. Implicações da sociedade da informação Quanto ao termo “sociedade da informação”, muito embora não haja um consenso, não o caracteriza como uma problemática, mas formas denominadas de ver o fenômeno, ou ainda, os pontos de partida vão influenciar na qualificação nominal, como veremos abaixo nas palavras de Aquino (2007, p.203) Nesse complexo turbilhão de informações e conhecimento, diferentes nomes têm sido utilizados por autores de variadas tendências para designarem a nova sociedade e suas mutações socioculturais: sociedade pós-industrial (BELL, 1973); Terceira onda (TOFFLER, 2000); sociedade do conhecimento (MATOS, 1982); sociedade da informação (MASUDA,1982); sociedade informática (SCHAFF, 1990); sociedade pós-capitalista (DRUCKER, 1980); sociedade digital (NEGROPONTE,1995); sociedade informacional (CASTELLS, 1996;1999), sociedade aprendente (ASSMANN,2000), sociedade da aprendizagem (BURNHAM, 2000); sociedade em rede, sociedade informacional, sociedade de fluxos (CASTELLS, 1996; 1999); sociedade de controle (DELEUZE,2000). Já para Wertheim (2000) o termo “Sociedade da Informação” passou a ser usual a partir dos últimos anos do século XX em detrimento do termo “sociedade pós industrial”, por traduzir o conteúdo do novo paradigma técnico-econômico, o paradigma da tecnologia da informação, e nesse termo nos afiliamos por uma questão muito mais por representar o objeto mais amplo, do que não atentar para os argumentos válidos e pertinentes. A informação é hoje muito mais do que um dos aspectos influentes da economia, do desenvolvimento social, é um instrumento que tem o poder de definir o grau de inclusão dos indivíduos e sua participação na vida administrativa estatal, na autodeterminação individual e, sobretudo, na construção de sua identidade como cidadão em acesso aos seus direitos. Bessa, Nery e Terci (2003, p.04) alertam que [...] a difusão diferenciada das novas tecnologias, quando não reforça, repete os padrões de exclusão social presentes em sociedades com profundas diferenciações distributivas. Nesse contexto, a questão da “exclusão digital” ou da “infoinclusão” surge como temática privilegiada que enfatiza a necessidade de políticas públicas voltadas não apenas para universalização ao 8375 acesso às novas tecnologias de comunicação e informação, mas também aos benefícios globais da sociedade do conhecimento. O campo de aplicações das novas tecnologias nos leva necessariamente a questões como o impacto do desenvolvimento e difusão das Tecnologias da Informação sobre a vida econômica e social, ensejando novas regulamentações, incentivos obviamente, constituem novos saberes. Nessa perspectiva, temos a constatação de Patrícia Mallman Pereira (2009, p.12) por ocasião de seu trabalho dissertativo, que diz o seguinte A exclusão digital pode se dar pela falta de acesso às tecnologias de informação e de comunicação (TICs), especialmente à internet, assim como pela dificuldade de uso das informações acessadas. Ela é ampliada pelas desigualdades sociais: nível de renda, nível educacional, questões regionais (nível sócio-econômico da região, nível de urbanização), entre outras. O Brasil possui um desafio duplo no combate a exclusão digital, pois possui uma grande disparidade no acesso às TICs e no nível de alfabetização, que também é um problema importante na exclusão digital, pois um bom nível de leitura e de compreensão de textos é decisivo para o uso efetivo de informações. Estar desconectado ou conectado de maneira superficial à internet, nos moldes apontados acima significa estar à margem do sistema global, regional, e a certa medida localmente. Wertheim (2000) traz cinco características fundamentais da sociedade informacional: a) A informação como matéria-prima: As tecnologias se desenvolvem para permitir o homem atuar sobre a informação propriamente dita, ao contrário do passado quando o objetivo dominante era utilizar informação para agir sobre as tecnologias, criando implementos novos ou adaptando-os a novos usos. (WERTHEIN, 2000, p. 72); b) Penetrabilidade: a informação é integrante de todas as atividades humanas, individuais e coletivas que são afetadas diretamente pelas novas tecnologias. Como reitera Saracevic (1999), historicamente, a informação sempre foi um fator social importante, mas é bem verdade que o seu papel vem paulatinamente e incessantemente migrando para o centro das convergências sociais assumindo a centralidade no cotidiano em todos os aspectos. Uma pesquisa feita pelo Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto br – NIC.br em 2006 acerca da proporção de domicílios que possuem equipamentos TIC chegou aos seguintes números: TABELA 1- PROPORÇÃO DE DOMICÍLIOS QUE POSSUEM EQUIPAMENTOS TIC 8376 NORDESTE REGIÕES DO SUL PAÍS NORTE CENTROOESTE RENDA FAMILIAR CLASSE SOCIAL TV por assinatura Rádio Telefone fixo Telefone móvel Celular com acesso à internet Console de jogo Computador de mesa Comp. portátil Comp. de mão SUDESTE Antena parabólica Total Televisão Percentual (%) 97,03 15,93 5,36 89,61 49,69 67,64 17,78 16,30 19,30 0,61 0,09 97,80 13,36 7,82 92,66 58,59 70,33 18,04 22,56 23,83 0,56 0,13 95,89 18,29 1,73 85,63 31,21 53,90 13,06 4,93 8,38 0,23 0,01 96,86 16,53 4,60 94,73 53,91 75,20 21,48 17,90 24,24 0,94 0,08 95,70 18,84 2,74 75,66 34,62 61,66 14,66 8,31 9,97 0,60 0,14 96,71 20,46 3,22 83,80 51,76 81,36 22,37 14,14 18,35 0,93 0,08 ATÉ R$300 86,76 10,27 0,00 77,27 8,89 26,59 4,33 2,42 1,57 0,00 0,00 R$301-R$500 95,93 11,45 0,90 84,85 23,31 46,98 9,30 5,71 2,36 0,08 0,00 R$501-R$1000 97,86 14,44 2,71 90,49 50,51 69,47 16,24 13,33 13,73 0,07 0,01 R$1001R$1800 98,53 21,94 9,82 95,59 71,67 85,23 25,96 28,40 36,27 1,14 0,13 R$1801 ou mais 99,82 25,26 20,57 96,34 85,17 95,11 36,83 37,32 59,00 4,20 0,60 A 100,00 21,51 45,73 99,58 98,49 99,58 46,86 43,84 82,79 15,55 3,43 B 99,93 25,27 17,00 99,13 85,65 94,50 36,08 40,49 62,18 1,80 0,19 C 99,74 16,62 4,51 95,14 59,20 76,44 20,61 19,19 18,55 0,31 0,05 DE 93,31 Fonte: NIC.br - jul/ago 2006 11,76 0,79 80,62 26,28 48,67 7,66 4,06 2,76 0,01 0,00 Observamos alguma participação em todas as classes populares, evidentemente que nas menos favorecidas de maneira mais tímida pelas circunstâncias óbvias de disposição de recursos, mas que vem corroborar a postura de González de Gómez (2002, p.30), quando afirma que os “[...] fenômenos, processos, atividades de informação passaram a ser reconhecidos como um plano constitutivo de todas as atividades e manifestações econômicas, sociais e culturais, de um modo como nunca antes o tinham sido”; c) Flexibilidade: a tecnologia propicia reversibilidade, podendo haver modificação por reorganização de componentes e tem alta capacidade reconfigurativa. Segundo Castells (2000), desde o princípio, as descobertas e as aplicações interagiram e foram testadas em um repetido processo de tentativa e erro, ocorrendo à aplicação imediata desses conhecimentos e dessa informação no próprio desenvolvimento da tecnologia gerada, em um ciclo constante e cumulativo entre a inovação e uso; d) Convergência tecnológica: para o autor, “o ponto central aqui é que trajetórias de desenvolvimento tecnológico em diversas áreas do saber tornam-se interligadas e transformam-se as categorias segundo as quais pensamos todos os processos” (WERTHEIN, 2000, p. 72); e) Preponderância lógica de redes: ante as novas tecnologias, essa lógica pode ser implementada materialmente em qualquer tipo de processo. A internet é a infra-estrutura tecnológica e o meio organizativo que permite o desenvolvimento de uma série de novas formas de relação social que não 8377 têm sua origem na internet, mas que não poderiam desenvolver-se sem ela (CASTELLS, 2000). Por isso a importância da expansão dos acessos à rede. Em 2006, por ocasião do desdobramento da pesquisa do NIC.br, concluiu-se que apenas 19,93% (tabela 2) dos domicílios brasileiros possuem computador. A desigualdade social é marca constante em sociedades capitalistas e no Brasil isso pode ser sentido, carrega o vergonhoso título de um dos campeões em desigualdade social no mundo, herança de injustiça social, a pobreza é uma questão urgente sempre, não é nova, sendo pauta a cerca de pouco mais de 50 anos, como democracia. Segundo Henriques (2003, p.65), temos cerca de 55 milhões de brasileiros pobres e desses 24 milhões em condição de extrema pobreza, enquanto que o nosso vizinho, o Uruguai tem a menor taxa de desigualdade da América Latina e comparando com 92 países o Brasil só perde em desigualdade para a Malawi e a África do Sul, muito embora a renda per capita não faça do Brasil um país pobre, contrário a isso, encontra-se no quarto lugar de mais rico do mundo, é extremamente incômodo pensar que 77% da população mundial vivem em países com renda per capita inferior ao caso brasileiro. Atentemos para o gráfico (1) abaixo: Aqui, a renda média dos 10% mais ricos representa 28 vezes a renda média dos 40% mais pobres. Demonstra nossa perversa simetria social onde os 10% mais ricos se apropriam de 50% do total da renda das famílias e, como por espelhamento, os 50% mais pobres possuem cerca de 10% da renda. Além disso, 1% da população, o 1% mais rico, detém uma parcela da renda superior à apropriada por metade de toda a população brasileira. Entre as diversas dimensões de inclusão dos pobres, assegurando igualdade de oportunidades e condições mínimas de cidadania, sabemos com certeza que a educação é a principal explicação da desigualdade. Nessa perspectiva a inclusão digital aparece então como mais um mecanismo de redução, quiçá, supressão dessas 8378 desigualdades. Na pesquisa realizada pelo Nic.BR demonstra que a existência do computador não vincula necessariamente ao acesso à internet, tanto que do universo pesquisado, dos domicílios que possuem PC, apenas 14,49% possuem acesso à internet. O debate sobre a importância das tecnologias da informação, ou seja, as TICs, tem levado a uma ampla discussão a respeito das alterações nas convenções estatísticas necessárias para medir a relevância dos novos processos desenvolvidos no âmbito do que se convencionou chamar de “Sociedade da Informação” ou “Sociedade do Conhecimento”. Segundo González de Gómez (2002), um regime de informação está configurado, em cada caso, por plexos de relações plurais e diversas: intermediáticas (a exemplo da internet, TV, jornais, conversas informais, dentre outros), interorganizacionais (empresa, universidade, domicílios, associações etc.) e intersociais (como os atores comunitários e/ou coletivos, profissionais, agências governamentais). Coelho (2000, p. 03) diz: Assim, no contexto da sociedade da informação e do conhecimento existe uma enorme expectativa de criação de bem-estar social, pelas oportunidades oferecidas pela expansão da economia digital e pelas novas áreas de actuação abertas pelas tecnologias de informação e das comunicações, na cultura, na educação, no saber, no entretenimento e no aumento de eficiência da administração. A Sociedade da Informação para a qual caminhamos é um produto da criatividade humana que assenta na convergência de três tecnologias digitais: As tecnologias da informação, das comunicações e dos media. Levando em consideração os muitos problemas associados aos custos e logísticas próprios das mídias tradicionais, como rádio, televisão, revistas, a internet se constitui como um ambiente privilegiado, haja vista a sua agilidade e baixo custo, de modo que é considerada pelos “cyberotimistas” (grifo nosso), como traz Heloisa Dias Bezerra (2008, p.420) “como uma grande janela de oportunidades para uma mudança quantitativa e qualitativa da participação política da sociedade, inclusive quanto à criação de fóruns decisórios típicos de uma democracia direta”. Em 2008 também foi feito pelo NIC.br podemos identificar mudanças Tel. celular móvel Console de jogo Comp. de mesa 20 6 86 36 72 21 13 23 3 - 98 19 7 87 40 76 23 15 27 3 - Comp. de mão Tel. fixo 97 Comp. portátil Rádio URBANA TV por assinatura ÁREA Antena parabólica TOTAL BRASIL Televisão Percentual (%) Celular com acesso à internet Tabela 2 - PROPORÇÃO DE DOMICÍLIOS QUE POSSUEM EQUIPAMENTOS TIC-2008 8379 RURAL 91 28 1 84 15 52 9 5 7 1 - SUDESTE 98 18 11 89 49 77 25 19 31 3 - NORDESTE 96 22 1 83 17 60 12 4 10 1 - SUL 97 20 5 94 38 77 24 14 28 3 - NORTE 93 26 1 70 22 67 17 7 13 2 - CENTROOESTE 96 28 6 82 37 87 26 15 28 5 - Até R$415 90 16 1 76 8 39 6 2 2 - - R$416-R$830 97 20 2 85 21 65 14 6 9 - - R$831-R$1245 99 22 5 89 42 81 21 15 24 1 - R$1246-R$2075 99 22 10 91 56 91 34 22 43 3 - R$2076-R$4150 99 24 20 92 75 95 41 31 64 12 1 R$4151 ou mais 97 26 37 94 83 98 56 47 79 26 - A 100 33 53 98 90 97 58 58 89 31 - B 100 27 19 96 75 94 41 32 66 11 - C 99 20 5 90 40 81 23 14 24 1 - 92 18 1 76 13 DE 1 Base: 20.020 domicílios entrevistados . Respostas múltiplas e estimuladas. Fonte: NIC.br - set/nov 2008 51 8 3 3 - - REGIÕES DO PAÍS RENDA FAMILIAR CLASSE SOCIAL No entanto, em países onde existem profundas desigualdades sociais, necessário se faz avaliar como a população está tendo acesso à internet. Vale mencionar, que interessante estudo foi desenvolvido de ao longo de quatro anos pelo projeto de pesquisa Janelas da cultura local: Quissamã/RJ envolvendo vários pesquisadores de instituições basilares para a Ciência da Informação, sob a coordenação da Profa. Isa Maria Freire, que sentindo essa problemática, desenvolveu ações informativas no escopo da inserção da comunidade na sociedade da informação. O baixo acesso à tecnologia pode ser constatado também no modo como conseguem fazer uso da web, pois, considerando a tendência à convergência digital por parte dos atores governamentais, é expressivo constatar que 82% dos domicílios não têm acesso à internet, ou seja, a maioria dos brasileiros habita a categoria dos excluídos do fluxo informacional via web, total ou parcialmente. O acesso no local de trabalho, em escolas e lan houses oferece possibilidades limitadas, sendo que, no caso do mercado não gratuito, os usuários pagam por hora de acesso e para impressão de documentos. No aspecto educativo, para uma pesquisa hoje, a internet é um mecanismo que encurta distâncias e acelera o processo de conhecimento por disponibilizar documentos e informações que somente seria possível se fosse in loco. Muitas vezes a disponibilidade de um computador e num segundo nível acesso à internet garante completa inclusão, deve ser observada o seguinte: uso adequado, pela falta de vivência, pois o fato de haver e idas esporádicas a lan house não deve ser 8380 considerado como um fator preponderante para efeitos de inclusão, levantando-se a figura das barreiras de comunicação da informação. Freire (1991, p.51) refaz a classificação das barreiras proposta por Wersig da seguinte maneira: a) ideológicas, em dois níveis: (1) entre países com formas diferentes de ordem social, onde diferentes ideologias orientam a vida social; (2) entre grupos sociais em uma mesma sociedade, mas que possuem ideologias diferentes; b) econômicas: baseadas no fato de o conhecimento ter adquirido valor de propriedade privada para seu produtor, e sua publicação e uso dependem do poder ou da negociação com o produtor; c) legais: representadas pelas restrições estabelecidas ao acesso e uso da informação, especialmente a informação tecnológica (aplicável à produção de bens e serviços); d) de tempo, em dois aspectos: (1) pelo fato de a informação “envelhecer”, tornar-se obsoleta como bem cultural ou de produção, o que obriga o usuário a estar atento à oferta de conhecimento, de modo a encontrar novos dados que complementem seu conjunto de informações; (2) pelo fato de que, freqüentemente, muito tempo é gasto entre a produção da informação e sua disseminação por um meio de comunicação eficiente; e) de eficiência, de dois lados: (1) do ponto de vista do agente que transfere a informação (comunicador), que pode ser identificada na relação entre esforço para informar e usos/efeitos da informação; (2) do ponto de vista do usuário, na medida dos esforços empreendidos para usar os serviços de informação (custos financeiros, tempo, estratégias de busca e outros esforços); f) financeiras, considerando que, enquanto mercadoria, a informação tem um preço relativo aos seus custos e à demanda do mercado; g) terminológicas, pois nem sempre usuários e agentes de informação usam o mesmo código de linguagem no processo de recuperação do conhecimento, podendo ocorrer, especialmente na transferência de informação para o setor produtivo, que a terminologia utilizada dificulta a compreensão da mensagem pelos usuários finais; h) de idioma, que pode ser facilmente superada pela tradução para língua compreendida pelo usuário: i) de capacidade de leitura, que diz respeito à capacidade de o usuário selecionar o material informativo relevante para atender sua necessidade de informação, podendo ser superada pelo treinamento; j) de consciência e conhecimento da informação, o que significa que o agente atender à demanda apenas com informação conhecida ou ampliar suas fontes no limite da exaustividade; k) de responsabilidade, pois o uso da informação depende da atividade do usuário e de sua capacidade para fazer uso ativo do conhecimento técnico-científico no seu trabalho. Então, para aqueles que ainda não estão envolvidos no processo de inclusão de maneira plena, podemos considerar como proposta as colocadas pelo Livro Verde que dá a tarefa aos arquivos e bibliotecas, museus e centros de informação (muito embora, 8381 parte deles estejam sem suportes da TICs) são estrategicamente viabilizadoras para aqueles que não estão conectados ou os que não tem acesso ao conteúdo da internet (TAKAHASHI,2000,p.65). No Brasil, no que se refere a políticas públicas, um marco interessante foi à tessitura e publicização do Livro Verde que contempla um conjunto de ações para impulsionam a Sociedade da Informação no Brasil em todos os seus aspectos: ampliação do acesso, meios de conectividade, formação de recursos humanos, incentivo à pesquisa e desenvolvimento, comércio eletrônico, desenvolvimento de novas aplicações, reconhecendo o papel fundamental do Estado para com a efetividade dessa proposta e reconhece seu ponto frágil (TAKAHASHI, 2000,p.05) Não é livre de riscos, entretanto. Noventa por cento da população do planeta jamais teve acesso ao telefone. Como evitar, então, que as novas tecnologias aumentem ainda mais a disparidade social entre as pessoas, as nações e os blocos de países? Os países e blocos políticos, desde meados da década de 90, defrontam-se com as oportunidades e os riscos que cercam o futuro e, reconhecendo a importância estratégica da sociedade da informação, vêm tomando iniciativas para assegurar que essa nova era venha em seu benefício. A desigualdade no Brasil é tema antigo e delicado como vimos anteriormente, a construção desse espaço hoje nacional, foi dado a partir da subjugação, exploração e depredação, então, não é que a Sociedade da Informação promova desigualdade, mas como elas existem, com esse novo molde elas serão salientadas, e não poderia ser diferente, somente políticas de redução de desigualdades nessa perspectiva, com medidas de longo, médio e curto prazo pode mudar o quadro. Esse cenário, que se perpetua pelos próprios natos hodiernamente, a cultura do “jeitinho brasileiro” nas ruas até as cadeiras dos nossos representantes políticos ferem e maculam a distribuição de serviços obrigatórios do estado, como educação, saúde, dentre outros direitos básicos. Logo, iniciativas como essa desponta como um mecanismo de efetivação dos direitos fundamentais, como expõe Takahashi (2000,p.07) A inserção favorável nessa nova onda requer, entretanto, além de base tecnológica e de infra-estrutura adequadas, um conjunto de condições e de inovações nas estruturas produtivas e organizacionais, no sistema educacional e nas instâncias reguladoras, normativas e de governo em geral. O impacto positivo que a “nova economia” pode gerar para o País depende ainda da participação do maior número possível de pessoas, organizações e regiões como usuárias ativas das redes avançadas de informação. Todas essas constatações e reflexões sublinham a importância do Programa aqui apresentado. O Programa busca contribuir, de forma efetiva, para: • a construção de uma sociedade mais justa, em que sejam observados princípios e metas relativos à preservação de nossa identidade cultural, fundada na riqueza da diversidade; • a sustentabilidade de um padrão de desenvolvimento que respeite as diferenças e busque o equilíbrio regional; • a efetiva participação social, sustentáculo da democracia política. 8382 Uma das medidas governamentais é o Projeto Cidadão Conectado – Computador para Todos, idealizada em 2003, viabilizada pela Lei nº 11.196/05 ou Lei do Bem, iniciativa decorrente do Programa Brasileiro de Inclusão Digital, que tem como objetivo principal viabilizar para que a população que não tem acesso ao computador, possa adquirir uma máquina de qualidade, com sistema operacional e aplicativos em software livre, atendendo ao máximo, aos usuários, inclusive ao acesso à internet. A contra partida governamental é dada por financiamentos vantajosos, firmando convênios com empresas e dando-lhe incentivos fiscais, de acordo com a previsão legal. O Projeto não apenas disponibilizará o acesso às tecnologias, como também permitirá que toda uma cadeia produtiva venha a ser reforçada no Brasil, por tabela, inibe o mercado "cinza", que não paga impostos, nem contrata mão-de-obra com garantias trabalhistas. A democratização da informática é, portanto, um meio para um fim maior, dado que os recursos computacionais e telemáticos são apenas ferramentas que podem potencializar a disseminação da informação, como a informação científica, ao eliminar velhas barreiras espaciais e temporais que limitavam o fluxo informacional entre sociedades até a segunda metade do século XX. No que concerne a informação científica, é um equívoco pensar que somente a disseminação da tecnologia digital irá levar à completa democratização da informação científica. A primeira forma representa apenas uma contribuição para a segunda, a qual constitui um processo mais amplo e que envolve não apenas os conteúdos informacionais disponíveis na Internet, mas toda a informação produzida na sociedade, registrada nos mais diferentes suportes e de interesse público. O acesso à informação científica desponta como um mecanismo poderoso no combate às desigualdades sociais, no controle social e na desenvoltura do indivíduo quanto cidadão, o que nos leva até o próximo ponto. 4. Relevância da propagação da produção científica No artigo da professora Ana Pavani (2007), intitulado “A produção científica disponível ao mundo: a tecnologia, a vontade e os acessos”, ela faz uma retrospectiva da história dos escritos oriundos da produção científica, e é a partir dele que buscarei fazêlo de modo mais sucinto. Em sua narrativa, Pavani aponta a Biblioteca de Alexandria, fundada antes mesmo da era cristã como uma das mais antigas manifestações de produção e registro de conhecimento e, portanto, diante das tecnologias disponíveis, era 8383 guardiã de incríveis números - contundentes entre alguns autores -, que variam entre quase meio milhão e 700 mil rolos. Descreve ainda que (PAVANI, 2007, p.105) Na época da Biblioteca de Alexandria, o suporte era papiro ou couro, o registro era manuscrito e as cópias feitas, manualmente, uma a uma. Somente um lado do suporte era escrito e os documentos tinham a estrutura física de rolos, com o acesso à informação feito de maneira seqüencial, tal como nas fitas de computador ou nas fitas cassete. Uma observação interessante é que os rolos não ficam em pé, como os livros, por isso eram guardados deitados e esta situação implicava no modo como deveriam ser identificados e acessados. Esta era a tecnologia de informação e comunicação de então, mas o desejo pelo acesso a todo o conhecimento era o mesmo. A combinação de ambos gerou as soluções possíveis, impactando na maneira como as obras eram descritas, identificadas e armazenadas. Destaca alguns avanços tecnológicos como foi à introdução do códice em Roma no início da era cristã, que tinham folhas feitas de papiro ou pergaminho e eram encadernados, permitindo a escrita dos dois lados e o acesso randômico. Na Idade Média foi pensado, mas não levado a efeito, a criação de um catálogo coletivo das obras residentes dos monastérios, mas a grande revolução se deu com Johannes Gutenberg e sua invenção da prensa somada a figura de Martin Luther, líder religioso que difundiu a idéia de intimidade com Deus através da leitura de sua palavra: a Bíblia. Evidentemente, que, se poderia ler e compreender o Livro Sagrado poderia ler qualquer outra coisa, e o estímulo do gosto pela leitura e o seu mercado, aparece em todas as camadas sociais, estimulando a “vulgarização” do letramento, até então, destinados a poucos. Nessa outra fase, conto com o apoio imprescindível de Marta Ferreira Abdala Mendes que fez um trabalho no mínimo imperdível para quem quer desvendar a história da ciência e sua divulgação, em sua tese de doutorado. Até meados do século XVII, a comunicação científica era restrita a conversações no formato de cartas entre os pesquisadores e uma publicação ou outra de panfletos e livros. Não havia um centro que se responsabilizasse pela transmissão dessas publicações, relegando ao anonimato muitos trabalhos e cientistas, apontando Ziman (1968) que por sua vez considera que as revistas científicas, criadas pelas Sociedades Reais e Academias Nacionais, desempenharam um papel fundamental na disseminação dos escritos científicos, permitindo que, de posse de características como a regularidade, agilidade e de acesso a inúmeras pesquisas, acabava por estimular novos trabalhos e o avanço científico. A pesquisa ganha força, porque as publicações representam um momento ulterior que é decorrente daquela, ou seja, o objetivo da comunicação científica é revestir de legitimidade e definir novas disciplinas, além de dar visibilidade 8384 à ciência pela disseminação do conhecimento aos cientistas, favorecendo a prática de pesquisas, corroborando/refutando ou apresentando novas propostas diante dos resultados. Segundo Mendes (2006, p.95), a partir da década de 1940, surgem alguns estudos investigativos sobre a estrutura social da ciência, desenvolvendo a idéia de que a comunicação é uma parte fundamental da ciência, notadamente a comunicação das idéias científicas para o público leigo, sendo, inclusive, “recompensados” por essa sociedade por publicar suas idéias e descobertas na literatura científica. O mesmo não aconteceu em meados da década de 1960, onde foi incorporado o modelo linear, sem levar em consideração qualquer tipo de resposta desse processo, e mais a frente, durante os anos seguintes, os estudos fincaram na descrição processual das idéias científicas saídas dos laboratórios. Os anos de 1970 trazem consigo estudos críticos acerca das práticas cotidianas dos cientistas e, a forma como o conhecimento científico era produzido, sendo instrumento privilegiado e destinado aos poucos detentores desse, ou seja, a idéia de que a ciência é criada em uma esfera e, então, disseminada em outra passou a ser questionada, enfatizando-se o modo pelo qual a informação científica é moldada pelas várias audiências para qual é direcionada. (MENDES, 2006, p.96). De acordo com esse argumento, a comunicação científica se justifica como um empreendimento público. O texto de Bueno (1985, p.1420) cita Pasquali (1978), para quem a difusão científica, no campo conceitual seja vasto, pode ser entendida como processo ou recurso de veiculação de informações científicas e tecnológicas, alcançando os periódicos especializados, bancos de dados, reuniões científicas etc. Ou seja, a ciência pode ser difundida tanto para os pares ou para qualquer um sem que isso macule o significado de difusão, que pode se dar em três perspectivas: disseminação, divulgação e o jornalismo científico. Essa distinção foi trazida por Mendes (2006, p. 18) e que propõe o seguinte: No primeiro plano temos a figura da disseminação científica que seria a comunicação dentro da comunidade científica, a fim de difundir os resultados científicos, podendo ser realizada em dois níveis: 1) Intrapares: dirigida ao público especializado de uma mesma área do conhecimento e 2) Extrapares: as informações circulam para especialistas de outras áreas de conhecimento. Já o termo divulgação científica estaria relacionado com a comunicação pública da ciência, por intermédio de processos e recursos que permitam a tradução da linguagem especializada para a nãoespecializada a fim de permitir a compreensão do que se quer dizer por quem não tem a 8385 linguagem científica e específica da área. Para Calvo Hernando (1992, p.72) a divulgação científica [...] compreende toda atividade de explicação e difusão dos conhecimentos, da cultura e do pensamento científico e técnico, com duas condições, duas reservas: a primeira, que a explicação e a divulgação se façam fora do marco do ensino oficial ou equivalente, a segunda, que estas explicações extraescolares não tenham como objetivo formar especialistas ou aperfeiçoá-los em seu próprio campo, pois o que se pretende, pelo contrário, é complementar a cultura dos especialistas fora de sua especialidade. Quanto ao jornalismo científico é a propagação massiva das descobertas, conceitos e tratamento científico para determinado tema, tendo como maior contra ponto o aspecto mercadológico, podendo desvirtuar a proposta científica do seu real foco. Um trabalho interessantíssimo é o de Ana Maria S. Mora (2003, p.13) que traz a comunicação científica como a "recriação do conhecimento científico, para torná-lo acessível ao público", tendo, portanto, a preocupação de combinar conhecimento científico com sensibilidade e imaginação para despertar o prazer e o interesse independente do tema. Para a autora, na divulgação científica, o "conhecimento é partilhado, e não comunicado" (Mora, 2003, p.99), ainda que seu sentido primordial seja o de comunicar (Mora, 2003, p.101). Mendes (2006, p.29) comenta ainda Nesta perspectiva, a divulgação científica está inserida no pressuposto de que a ciência é uma instituição social e sua prática se constitui pela comunicação pública da produção científica, negando a idéia de anterioridade e independência da produção científica em relação à atividade de divulgação científica. [...] Questionando o postulado da independência e da anterioridade da produção científica em relação à atividade de comunicação ou de divulgação, as questões relacionadas às ciências e ao público vêm sendo discutidas na perspectiva que considera as ciências como atividades sociais indissoluvelmente cognitivas e de comunicação. As ciências e a divulgação científica não são mais diferenciadas de forma dicotômica, mas sim entendidas como um continuum dinâmico e interativo de gêneros de exposição do trabalho científico, desde a apresentação dos resultados intrapares até a difusão ao grande público, passando pela educação científica no nível superior e em outros níveis de escolaridade, assim como pelas obras didáticas e paradidáticas. E como resultados desse incentivo a novas produções e disseminação da produção finalizada têm uma estrutura pública para financiamento da produção científica, dentre elas: a formação do pesquisador e a fomentação de incentivos à pesquisa científica. Estas categorias estão muito ligadas, podemos dizer até que são codependentes, e apresenta um custo relativamente alto, como mostram Craveiro, Machado e Ortellado (2008 e p.33) em relatório sobre os custos oriundos para se produzir uma dissertação de mestrado e tese de doutorado na Universidade de São Paulo (USP) com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do estado de São Paulo 8386 (FAPESP): para uma dissertação de mestrado, o investimento público total é de R$78.409,53 e para uma tese de doutorado é de R$ 155.344,04. Nessa perspectiva, somada ainda a crescente busca por qualificação em mestrado e doutorado, como apontas as súmulas dos censos da Capes na área jurídica e ainda com os dados relacionados à produção científica nessas instâncias, oriundas do confronto de idéias e teorias e do aperfeiçoamento acadêmico, está distante da maioria dos indivíduos. Segundo Craveiro, Machado e Ortellado (2008 e p.25): [...] a estimativa aponta uma surpreendente quantidade de livros produzidos por autores trabalhando em instituições públicas em regime de dedicação integral ou exclusiva, seja como docentes, seja como pesquisadores. Isso significa que os livros foram originalmente publicados enquanto os autores trabalhavam em tempo integral para uma instituição pública, sendo, portanto produtos diretos do investimento público em pesquisa e ensino. [... ] nossa estimativa mostra que na área científica nos cursos de excelência acadêmica, surpreendentes 86% dos livros cujos autores atuam no Brasil, são fruto de investimento público direto e mesmo entre os cursos profissionais em instituições de sucesso comercial, cerca de um quarto desses livros foram escritos por pesquisadores e docentes trabalhando em regime integral em instituições públicas. Inúmeras questões se levantam relacionadas ao papel da divulgação, a formação do pesquisador, a relação ciência-divulgação-educação, dentre outros, como indicadores considerados para formular e implementar políticas públicas de C&T até num plano das questões que envolvem a função social da ciência, é um debate bastante aquecido no contexto da Ciência da Informação no tocante a responsabilidade social da informação, que segundo Araújo Freire (2006, 17) Nesse contexto, um dos objetivos da ciência da informação seria contribuir para a informação se tornar, cada vez mais, um elemento de inclusão social, trazendo desenvolvimento para as pessoas e nações. [...] Dessa forma, podemos imaginar que a ciência da informação deva continuar sua epopéia para descobrir novas formas de pensar e agir de maneira ativa nos diversos processos de comunicação na sociedade. Sociedade onde existem cada vez mais pessoas que precisam ter acesso à informação, nas mais diversas fontes e através dos mais variados canais. O que, em se tratando de atividades de informação, pode significar a busca de uma tecnologia entre o real e o virtual, valorizando o que de mais importante existe no processo de comunicação da informação, os seres humanos, principal personagem nessa narrativa. Essa responsabilidade social da informação como objeto de estudo, como consciência de pesquisa para a CI não veio de um dado fenômeno, mas se refere a necessidade oriunda da problematização social, foi sentida e discutida por Wersig e Neveling (1975 apud Freire, 2001, p. 34) ou seja “a transmissão de conhecimento para aqueles que dele necessitam é uma responsabilidade social, e essa responsabilidade social parece ser o fundamento em si para a ciência da informação”. Desse modo, os 8387 cientistas e a própria Ciência da Informação se tornam relevantes para o desenvolvimento da sociedade, já que se propõe a facilitar a comunicação entre usuários de conhecimento e as fontes, viabilizando novos processos, “novas oportunidades para transferência efetiva da informação e do conhecimento podem ser criadas, de modo a apoiar atividades que fazem parte do próprio núcleo de transformação da sociedade” (FREIRE, 2001, p. 35). 5. A possibilidade do espaço virtual O espaço virtual é hoje, muito mais presente nos indivíduos do que poderíamos supor, ou tentar aqui, dimensioná-lo. Uma experiência muito interessante me ocorreu nesse ano em visita a Rádio Comunitária de Tavares-PB, exatamente no dia 08 de março, para falar sobre violência doméstica para os seus ouvintes e debater com representantes de diversos segmentos sociais, a exemplo da secretária de educação municipal até a presidente do clube de mães. Aquela tecnologia disponível tem um grande impacto para aquela comunidade e sua redondeza e me questiono se, não seria esse um espaço também de virtualidade. Pois bem, o que me chamou muito a atenção é que três pessoas das dez haviam buscado informações na internet sobre o tema, uma inclusive, trabalhadora rural, uma das coordenadoras do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Flores- PE tinha discutido com amigos que estavam na Itália e na Alemanha. Essa situação é simbólica, muito embora não seja uma situação comum, notadamente no meio rural, mas ela acontece e revela a magnitude das tecnologias da informação. A necessidade de busca por informação na internet, pela possibilidade que ela produz: disponibilidade de conteúdos, interoperabilidade, interatividade e, sobretudo de reduzir a desigualdade de acesso aos conteúdos científicos, como foi feito pelos participantes acima, se dá para qualquer um que o fizer. Evidentemente que, somente ter o computador, ou mesmo um computador com acesso à internet, não significa que os problemas de desigualdades estão solucionados, mas que é um começo interessantíssimo é o que reforça a validade e importância de projetos governamentais como o Cidadão Conectado. Com isso, objetivamos iniciar, ou apresentar a importância do espaço virtual para disseminar a produção científica e nesse contexto, Araújo e Freire (1996, p. 53), quando a discussão sobre a Internet como canal de comunicação ainda era relativamente incipiente no Brasil, apostaram o aspecto híbrido, formal e informal da rede, que constitui o que as autoras denominaram “um canal formal de comunicação informal”. 8388 Na perspectiva cultural, Lévy (2008, p. 92) define a Internet como ciberespaço, um “espaço de comunicação aberto pela interconexão mundial dos computadores e das memórias dos computadores”. O conceito causa, todavia, estranhamento quando se pensa na desterritorialização promovida por esse mesmo ciberespaço, e por isso há de observar esse novo lugar de comunicação científica. Neles, despontam como estrelas de um novo universo os periódicos de acesso livre on line. Bem, e o que vem a ser a proposta de Acesso Livre? Existem duas principais conceituações, a primeira foi dada pela Declaração de Budapeste (Unesco, 1999, p. 06), que diz Por “acesso livre” a essa literatura, nós queremos dizer, sua livre disponibilidade na Internet pública, permitindo a todos os usuários lerem, fazerem o download, copiar, distribuir, imprimir, buscar ou fazer links ao texto completo desses artigos e o crawling para indexação [...]. A única restrição na reprodução e distribuição e o único papel para o direito autoral nesse domínio devem se dar ao autor o controle sobre a integridade de seu trabalho e o direito de ser apropriadamente reconhecido e citado [...]. Essa definição implica na disponibilidade de acesso livre na Internet de textos completos, seu uso e distribuição respeitando os direitos autorais. A Declaração de Bethesda datada de 11 de abril de 2003 amplia a questão quando menciona o repositório, dizendo o seguinte: Una Publicación de Acceso Abierto es la que cumple las dos condiciones siguientes: 1) El/los autor/es y el/los propietario/s de los derechos de propiedad intelectual otorgana los usuarios un derecho libre, irrevocable, universal y perpetuo de acceso y licencia para copiar, utilizar, distribuir, transmitir y presentar el trabajo públicamente y hacer y distribuir obras derivadas, en cualquier soporte digital para cualquier finalidad responsable, sujeto a la apropiada atribución de la autoría, así como el derecho de hacer una pequeña cantidad de copias impresas para su uso personal. 2) Una versión completa de la obra y todos los materiales suplementarios, incluyendo una copia de los permisos citados anteriormente, en un formato electrónico estándar apropiado se depositará de forma inmediata a la publicación inicial en al menos un repositorio en línea apoyado por una institución académica, una sociedad de intelectuales, una agencia gubernamental, o cualquier otra organización debidamente establecida que persiga facilitar el acceso abierto, la distribución sin restricciones, la interoperabilidad y el archivado a largo plazo.235 235 Para ser considerada uma publicação de Acesso Livre, devem ser observados os seguintes requisitos: 1) O autor e detentor de direito autoral garantem a todos os usuários o direito ao acesso perpétuo no mundo inteiro e licença para copiar, utilizar, distribuir, transmitir e apresentar o trabalho publicamente e fazer, bem como distribuir obras derivadas em qualquer suporte digital para qualquer propósito responsável, sujeito a atribuir apropriadamente o direito autoral e também o direito a fazer uma pequena quantidade de cópias impressas para uso pessoal;2)A versão completa da obra e todo material suplementar, incluindo a cópia de permissão como estipulado acima, num formato eletrônico, de padrão conveniente é depositado imediatamente após a publicação em ao menos um repositório on line mantido por uma instituição ou sociedade acadêmica, agência governamental ou outra agência devidamente estabelecida que busque facilitar o acesso livre, a distribuição irrestrita, a interoperabilidade e o arquivo por longo tempo. (Tradução nossa). 8389 Mas essa alternativa passa a ser constantemente pertinente. Ora, vejamos, a partir dos anos de 1950, os periódicos começam a serem comercializados, os altos valores atribuídos a assinatura deflagraram a grave crise dos periódicos durante a década de 70 que se instaurou definitivamente nos anos posteriores a 1980, devido à impossibilidade das bibliotecas universitárias americanas manterem suas coleções de títulos de periódicos atualizadas, bem como adquirir número suficiente de fascículos para atender à demanda crescente dos usuários, novas possibilidades começam a se constituir, a exemplo da experiência de Los Alamos, iniciada em 1971 no Novo México. Quando pesquisadores das áreas de física e matemática, dentre outras, enviaram seus trabalhos para um repositório central e informaram aos interessados que os textos estavam disponíveis para acesso livre. Esse exemplo foi seguido, tanto pelos repositórios de e-prints para áreas específicas, quanto pelos repositórios institucionais onde pesquisadores, após publicarem seus trabalhos, ou mesmo quando ainda estavam sob avaliação (em raríssimas exceções), disponibilizaram seu material sem custos para os usuários. Os primeiros periódicos eletrônicos surgiram nos anos de 1990, sejam por assinatura ou de acesso livre, e seu formato estava muito próximo ao que se usava no modelo impresso. Alguns periódicos mantiveram as duas versões, impressa e eletrônica, a fim de justificar o pagamento das assinaturas, mas o autor ou a sua instituição é que pagavam para que o trabalho fosse disponibilizado livremente (MUELLER, 2006, p.32). Foi assim que, como esclarece Freire (2002, p.6): Na história da sociedade contemporânea, a ciência tornou-se [...] a principal forma de conhecimento sobre os mistérios do mundo, fundando a base para o desenvolvimento das tecnologias digitais que transformaram os meios de produção. Nesse contexto, o campo científico pode ser visto como estrutura que atende à necessidades de organização da sociedade, fazendo parte do seu sistema de comunicação e trocas econômicas. Uma característica marcante desse campo é sua especialização por áreas de interesse. É o caso do aparecimento das novas ciências, como a ciência da informação. Em 1968, Borko, um dos pioneiros da Ciência da Informação (MORAES, 2002), apontava como uma característica predominante a interdisciplinariedade, tendo como área de interesse um conjunto de conhecimentos relacionados com a origem, coleção, organização, armazenamento, recuperação, interpretação, transmissão, transformação e utilização da informação além de inserir “a investigação das representações da informação nos sistemas naturais e artificiais, a utilização de códigos para transmissão eficiente da mensagem, o estudo de instrumentos e técnicas de processamento da informação” (BORKO, 1968, p.3). A análise de Freire (2002, p.8) acerca da postura 8390 conceitual de Borko, manifesta-se concordante a partir do ponto central da interdisciplinariedade somada a inter-relação entre teoria e prática, elegendo esse aspecto como gerador das correlações com outros campos científicos. Contudo, novos valores se agregam ao campo da Ciência da Informação, e atualmente podemos vislumbrar sua função social e seu papel como partícipe fundamental na mediação entre uma informação relevante e o usuário ou grupo de usuários para os quais essa informação representa a possibilidade de criação de um novo conhecimento. Como ressalta Freire (2002, p.10): A área de atuação [da Ciência da Informação] se define [...] a partir da função social de facilitar a comunicação de mensagens entre um emissor e um receptor humanos. Isso implicou na inserção do seu objeto de estudo no domínio dos fenômenos da comunicação social, em particular a comunicação entre uma fonte emissora de mensagens contendo conhecimento científico capaz de promover mudanças nas estruturas cognitivas de um receptor. [...] Nessa perspectiva, no processo de comunicação a informação contida em um texto organizado por um emissor com o propósito de transformar as estruturas cognitivas de um receptor, interage com essas estruturas de modo a assegurar a compreensão do sentido da mensagem que lhe está sendo enviada. E enquanto processo de comunicação, esse fenômeno ocorre com-enos indivíduos e sociedades humanas, sejam elas neolíticas ou pós-modernas. Em uns e outras, é no contexto social que os seres humanos tecem as categorias e formas de expressão da cultura, como um fio que pode começar num mito ou num enunciado científico. Entretanto, a sociedade da informação desponta como oportunidade no que se refere ao uso dos novos métodos e técnicas para o processamento e comunicação da informação, sem os quais esse recurso não teria adquirido o caráter de fenômeno na pósmodernidade. No ciberespaço, a tecnologia digital interliga não apenas pessoas, culturas, como também sensações, podendo muito bem ser utilizada como ponte de acesso livre entre o indivíduo e seus direitos. É por meio desses recursos tecnológicos que o poder público pode interagir mais com a sociedade, conhecendo novas demandas e proposições políticas de grupos sociais antes limitados em seus canais de comunicação com o Estado. Ou seja, a disponibilidade de compreender o papel da informação, da responsabilidade dos gestores e do impacto sobre os grupos sociais, deve ser encarada como um espaço fundamental para o estudo e aplicação de políticas públicas para inserção dos indivíduos na sociedade da informação. Nesse sentido, Ferreira (2003,p.37) afirma que os países em desenvolvimento devem buscar [...] Oportunidade de investir em ciência e tecnologia, a fim de que o conhecimento produzido seja revertido na qualidade de vida da população. De ampliar o acesso do cidadão à educação, com a participação de sindicatos, empresas privadas, ONGs e outras formas organizativas da sociedade 8391 comprometidas com o desenvolvimento da cidadania. Cidadania cuja prerrogativa do seu exercício passa, necessariamente, pelo direito de acesso à informação, como condição elementar para a conquista de novos direitos políticos, civis e sociais, em uma sociedade cada vez mais caracterizada pela velocidade das mudanças que nela ocorrem, exigindo, assim, grande capacidade adaptativa das instituições e grupos sociais que a constituem. Nas palavras de Lévy (2008, p.195) “Na era do planeta unificado, dos conflitos mundializados, do tempo acelerado, da informação desdobrada, das mídias triunfantes e da tecnociência multiforme e onipresente, quem não sente que é preciso repensar os objetivos e os meios da ação política?”, ora, em sociedades que se dizem democráticas deve ser reconhecido que processos políticos importante se desenvolvem tanto nos organismos científicos, departamentos de pesquisas e desenvolvimento, quanto no Congresso ou na rua. Então pensar medidas sociabilizadoras e, portanto, democráticas no que se refere ao acesso ao conhecimento científico, é levar a democracia as últimas conseqüências, ou no dizer de Lévy (2008, p. 185), a tecnodemocracia236. Com a Lei do Bem sancionada, houve o lançamento de um pacote de redução de impostos para computadores com preços até R$ 4 mil (desktops e notebooks), com isso, houve uma queda na participação do "mercado cinza", que hoje só chega a 32% do mercado de PCs, porque anteriormente, praticamente dominava este comércio. Segundo dados da Abinee o mercado brasileiro de PCs (desktops e notebooks) movimentou 2,5 milhões de unidades no primeiro trimestre deste ano. O estudo da Abinee aponta que as vendas de PCs atingirão 11,7 milhões de unidades em 2008, o que representa um crescimento de 236 Nesse rastro, podemos citar iniciativas interessantes, como o Portal da Transparência, uma iniciativa da Controladoria-Geral da União (CGU) para assegurar a boa e correta aplicação dos recursos públicos e tem como principal objetivo dar mecanismos informacionais, estimulando o controle social dos recursos e portanto, o combate a corrupção. Lançado em novembro de 2004, funciona como canal pelo qual o cidadão pode acompanhar a execução financeira dos programas de governo, em âmbito federal. Estão disponíveis informações sobre os recursos públicos federais transferidos pelo Governo Federal a estados, municípios e Distrito Federal – para a realização descentralizada das ações do governo – e diretamente ao cidadão, bem como dados sobre os gastos realizados pelo próprio Governo Federal em compras ou contratação de obras e serviços, por exemplo. Ao acessar informações como essas, o cidadão fica sabendo como o dinheiro público está sendo utilizado e passa a ser um fiscal da correta aplicação do mesmo. O cidadão pode acompanhar, sobretudo, de que forma os recursos públicos estão sendo usados no município onde mora, ampliando as condições de controle desse dinheiro, que, por sua vez, é gerado pelo pagamento de impostos. Outra iniciativa é o recente Blog do Planalto lançado dia 31 de agosto de 2009, com a proposta de compartilhar informações sobre o cotidiano da Presidência da República, desde eventos, atos e a agenda do Presidente para que todos possam compreender melhor as ações, programas e políticas do governo. Para tanto, são usados textos, fotos, vídeos, áudios e infográficos para ilustrar as mensagens, na tentativa de estabelecer um diálogo cada vez mais próximo e informal entre governo e sociedade.Ver : http://blog.planalto.gov.br. O mais interessante é que site homônimo foi lançado dia 01 de setembro do corrente ano reproduzindo todas as informações do oficial Blog do Planalto, contendo uma diferença fundamental para o universo da internet: o espaço para comentários. A criadora Daniela Silva o fez justo pela ausência desse requisito básico do Blog. Ver: http://planalto.blog.br/. 8392 17% em relação a 2007. Esses números evidenciam uma grande conquista, mas salienta que o espaço cibernético deve ser considerado como legítimo veiculador na difusão do conhecimento científico. A resistência a proposta do Acesso Livre normalmente é fundada em aspectos mercantilistas ou na ignorância/ desconhecer a questão em seus reais termos, apontando-a como elemento que destitui dos autores os seus direitos. Existem duas vertentes de concretude: os repositórios institucionais e a submissão em revistas com formato de acesso livre. Segundo Kuramoto (2009, p 22) a média de crescimento de Repositórios Institucionais num único dia (pesquisa feita em Agosto de 2008) chega a ser no mundo 1131 registros, nos países em desenvolvimento 173 e na América Latina e Caribe 100 registros de RIs .Esse crescimento pode ser sentido pelos gráficos que se apresentam extraído do site de Registry of Open Access Repositories (ROAR) em 30 de julho de 2009 e obtivemos as seguintes medidas: Fonte: http://roar.eprints.org Essas são respostas a iniciativas supranacionais, internacionais e nacionais. Como iniciativas supranacionais veremos a atuação da UNESCO desde o final da década de 1990, em defesa do acesso aberto, através de declarações como a de Budapeste em 1999, programas e de financiamentos e a International Federation of Library Associations and Institutions - IFLA, que se destacou pelas recomendações feitas em 2002 com o IFLA Internet Manifesto, em 2003 fez nova declaração sobre acesso aberto, tendo como mecanismo de implementação a soma de esforços, em 2006 com a UNESCO. No ano posterior assina a Declaração de Cronenberg. Terezinha Elisabeth da Silva e Adriana Rosecler Alcará (2008, p. 03) em comunicação apresentada no IX Enancib elencam as iniciativas governamentais e no tocante a IFLA dá destaque a Declaração publicada em dezembro de 2003, ressaltando os papeis dos envolvidos nessa poderosa empreitada do acesso aberto à literatura acadêmica que 8393 [...] o reconhecimento do papel desempenhado por todos os atores – autores, editores, bibliotecas e instituições – envolvidos no processo de registro e disseminação da pesquisa e define a adoção dos seguintes princípios de acesso aberto: a) o reconhecimento e a defesa dos direitos autorais, em especial dos direitos de atribuição e integridade; b) a adoção do processo de revisão por pares, visando assegurar a qualidade da literatura acadêmica, independentemente da forma de publicação; c) a oposição à censura governamental, comercial ou institucional das publicações originadas de pesquisas e bolsas de estudos; d) a disponibilização em formato de domínio público de toda a literatura acadêmica e documentos de pesquisa após a expiração do copyright determinado pela lei; e) a implementação de medidas para superar a desigualdade de acesso à informação; f) o apoio às iniciativas que promovem o desenvolvimento de modelos de publicação de acesso aberto sustentáveis; e g) a implementação de mecanismos legais, contratuais e técnicos para assegurar a preservação e a disponibilidade perpétua, usabilidade e autenticidade de toda a literatura acadêmica e documentação de pesquisa. O que fica claro é a evidência do acesso à literatura científica como mecanismo de apreender o seu estar no mundo e do próprio mundo, além de apontar uma saída para a desigualdade, alerta que o acesso aberto garante a integridade do sistema de comunicação científica, já que assegura que todos os resultados de pesquisa estarão disponíveis permanentemente para o irrestrito exame e, quando relevantes, elaboração ou refutação (SILVA; ALCARÁ, 2008, p. 03). No âmbito internacional, teremos iniciativas no EUA, na Comissão Européia, no Reino Unido, Alemanha, França, Austrália, Canadá, Portugal, China, Rússia, Índia, Bélgica e África do Sul. No caso brasileiro, temos alguns exemplos, como as iniciativas do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT) de promoção do “acesso aberto” ou “livre” à produção científica, primeiramente com o Manifesto Brasileiro de apoio ao Livre Acesso à Informação Científica em 2005. Em seguida temos a Biblioteca Digital de Teses e Dissertações (BDTD), o Portal Brasileiro de Repositórios e Periódicos de Acesso Livre - OASIS.BR - e demais ações que visam articular e sensibilizar os diversos autores e a difusão da importância do Acesso Livre. Para Silva e Alcará (2008, 11) não pode ser esquecida três iniciativas ainda, a primeira é Carta de São Paulo de dezembro de 2005, que contou com a assinatura de professores, pesquisadores, bibliotecários, alunos, cidadãos e representantes de organização civil e chama a responsabilidade todos os envolvidos, direta ou indiretamente para implantar ações de ampliação do acesso a produção científica. A segunda é a Declaração de Florianópolis de maio de 2006 que vem reforçar num caráter mais local o que foi pensado pela Declaração de Bethesda. A última é o Projeto de Lei 1120/2007 do deputado Rodrigo Rollembrg que dispõe acerca da disseminação da 8394 produção técnico-científica pelas instituições de ensino superior e das unidades de pesquisa de caráter público de maneira obrigatória, fora a criação de um Comitê de Alto Nível para “discutir e sugerir a elaboração de uma política nacional de acesso livre à informação científica” (SILVA e ALCARÁ, 2008, p.11) Podemos mencionar ainda o Portal Domínio Público do Ministério da Educação (MEC); a política da Coordenadoria de Aperfeiçoamento do Ensino Superior (CAPES), que em fevereiro de 2006 estabelece em Portaria a obrigatoriedade das IES de disponibilizar on line todas as teses e dissertações brasileiras237, colocando o Brasil na posição de detentor do maior banco do mundo, além do incentivo ao uso de “licenças livres” em diversos tipos de conteúdos fomentados pelo Ministério da Cultura (MinC). No entendimento de Ferreira (2003, p.40) a sociedade da informação: [...] representa para o Estado os desafios e as oportunidades de um novo arranjo político, social, econômico e tecnológico. Desafio que o leva a rever sua legislação civil, comercial e penal, para dar conta dos novos comportamentos sociais que emergem de uma ordem agora informacional. A pensar formas de educação inovadoras para o ensino público, com o advento dos computadores pessoais e da telemática. A buscar novos mecanismos de fazer política, com a participação popular e o livre acesso do cidadão à informação pública. A capacitar os recursos humanos do aparelho estatal para o trabalho informacional. A produzir conteúdos nacionais qualitativos, de interesse público e com valor agregado, capazes de promover o desenvolvimento político e cultural da coletividade. Creio que essa citação representa muito bem o espírito que deve nortear a agenda governamental e a responsabilidade das agências de fomento em incentivar a quebra de parâmetros antiquados acerca do que é legítimo ou não em termos de canais de publicação. Agora, existem problemas, naturalmente, na efetividade dessa sistemática em algumas instituições, embora sejam adotados padrões internacionais promovidos pelo Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT) do Ministério da Ciência e Tecnologia, publicando na Internet a Biblioteca Digital de Teses e Dissertações e fornecendo o sistema operacional para outras instituições disponibilizarem suas teses e dissertações, por exemplo. O quadro acima revela que há ainda muito pela frente para “explicar” acerca do Acesso Livre, sobre repositórios, apesar do grande número de participantes. Há um texto da Profa. Suzana Pinheiro Mueller (2006, p. 28) que discute a questão da legitimidade como principal impedimento posto pela comunidade científica aos 237 As dissertações produzidas no PPGCI da UFPB estão disponíveis em: http://dci2.ccsa.ufpb.br:8080/jspui/handle/123456789/2. É possível pesquisá-las por assunto, autor, título ou data. 8395 periódicos on line, com suas palavras, a associação dos conceitos legitimação e legitimidade a poder, teremos inúmeros entendimentos, “autoridade versus consenso, crenças, normas e leis, conformidade, estabilidade, controle social, desvio, repressão”. Mas o fato é que em qualquer comunidade existem sistemas hierárquicos, regras próprias e na comunidade científica, não poderia ser diferente na área jurídica, pela própria cultura da área são muito bem definidas nas vivências que o perpetua em vários graus. Logo, se a legitimação confere poder, de modo que conduz voluntariamente a determinados comportamentos de conformidade aos canais, meios e tipos discursivos que se enquadra nos padrões valorativos estabelecidos, isso será estendido às publicações que enredam a tradição das áreas científicas. Não digo que a área jurídica não acate o espaço virtual como legítimo, tanto que veremos várias produções on line, acreditamos na resistência a ele, mas que vem paulatinamente sendo repensado, a própria Capes, na proposta da área de Direito na construção do Qualis de periódico do triênio 2007-2009 e metas 2010, aponta a formato on line como meta a ser cumprida pelos periódicos até 2010. Um periódico científico é uma publicação seriada, arbitrada e dirigida prioritariamente a uma comunidade acadêmico-científica. Para ser considerado um periódico científico, o mesmo deve conter, obrigatoriamente, os seguintes itens: Para 2008: · Editor responsável. · Conselho Editorial. · ISSN. · Linha editorial. · Normas de submissão · Periodicidade mínima semestral. · Avaliação por pares. · Publicar pelo menos 14 artigos por volume. · Afiliação institucional dos autores. · Afiliação institucional dos membros dos Conselhos. · Resumo e Abstract dos artigos. · Descritores em português e inglês. · Data de recebimento e aceitação de cada artigo. · Pelo menos um número do ano anterior publicado. Para 2010: · Disponibilidade em formato digital, com acesso on line e garantia por agente certificador auditável de preservação e acesso ao acervo em casos de catástrofes e obsolescência tecnológica. Isso demonstra que pouco a pouco a área jurídica vai cedendo espaço ao virtual como campo privilegiado de divulgação científica e se propõe a efetivar, com os mesmos critérios estabelecidos para a publicação impressa. E isso demonstra o compromisso dos cientistas jurídicos em levar o conteúdo das pesquisas, seus resultados, a um público mais amplo, sendo assim, sugerimos a necessidade de dar 8396 atenção ao tema, mas, num outro nível, que vai além do nosso objeto, os Creative Commons238 reforçam nossa postura quando dissemos acima que o objetivo ou conseqüência do Acesso Livre não passa perto de colocar os pesquisadores/autores em saia justa quanto aos seus direitos. Em linhas gerais, representam uma proposta de relativização dos direitos autorais, um trabalho mais aprofundado foi desenvolvido na dissertação de mestrado de Evelyn Cristina Pinto (2006). Hoje existem revistas de acesso pago como a Consulex, boa parte dos conteúdos do IBCcrim e outras não, como a Revista Liberdades , também do IBCcrim, como também existem revistas que cobram pela publicação do artigo aceito como a BMC que em 2002 começou a cobrar U$500 , nesses casos, há instituições que pagam a revista para que seus pesquisadores possam publicar. Uma iniciativa brasileira que tem grande relevo internacional é o Scielo que é um sistema eletrônico de portais para acesso a coleções digitais de revistas de textos completo, com mais de 630 Periódicos e 13.751 Fascículos oriundos do Brasil, América Latina e Caribe, Espanha, Portugal e em desenvolvimento África do Sul e Costa Rica, viabilizando essa difusão, que de outro modo só era possível com acesso pessoal nas bibliotecas, com incrível aumento do fator de impacto239 entre 1998 e 2001 de 42%, ostentando mais de 4.053.453 citações. 6. Conclusão A principal motivação do Acesso Livre é estabelecer políticas de informação, reduzir a exclusão cognitiva, reduzir as desigualdades sociais, maximizar a visibilidade da pesquisa e acelerar o desenvolvimento científico do país, esses elementos para combater esses problemas identificados, inclusive, por um estudo realizado pelo WHO em 2003 (KURAMOTO,2009, p.27) conclui que de 75 países com renda per capita anual menor que US$ 1,000, deixaram de fazer assinaturas de revistas científicas 56% das instituições nos últimos 5 anos e nos casos de países com renda per capita anual na 238 Significa oferecer alguns dos seus direitos para qualquer pessoa, mas somente sob determinadas condições. Elas se distribuem assim: Atribuição - Uso Não Comercial - Não a Obras Derivadas (by-ncnd) ; Atribuição - Uso Não Comercial - Compartilhamento pela mesma Licença (by-nc-as); Atribuição – Uso Não Comercial (by-nc); Atribuição - Não a Obras Derivadas (by-nd), Atribuição Compartilhamento pela mesma Licença (by-sa) ; Atribuição (by). 239 O valor do fator de impacto é obtido dividindo-se o número total de citações dos artigos, acumulados nos últimos dois anos, pelo total acumulado de artigos publicados pela revista no referido período. Somente os periódicos indexados no ISI são considerados para o cálculo do fator de impacto internacional. Para que um periódico seja contemplado a ingressar nesta base de dados ele deve reunir requisitos como pontualidade de publicação e cumprimento das normas internacionais de editoração (título informativo, correção das referências citadas, informações completas dos autores, pelo menos conter título, resumo e descritores em inglês e processo de revisão dos artigos a serem publicados por pares – peer review). (MARZIALE e MENDES, 2002, p. 467) 8397 faixa de US1,000 – 3,000 , 34% não tinha assinatura de revistas científicas e 34% tinha uma média de 2 assinaturas de revistas científicas por ano. Ou seja, não se trata de uma problemática exclusivamente acadêmica, mas de ordem de inclusão para reduzir as desigualdades sociais. Seguindo a guisa dos objetivos fundamentais dessa República, como deixa claro o art. 3° da nossa Carta Magna Art. 3°Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: I – construir uma sociedade livre, justa e solidária; II – garantir o desenvolvimento nacional; III – erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais; IV – promover o bem de todos, sem preconceito de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação. Com essas premissas finalizamos essa etapa da explanação da nossa abordagem, esperando que a possibilidade do espaço virtual como um espaço legítimo da divulgação científico-jurídica seja pensada num plano de responsabilidade social dessas produções e do papel do pesquisador, apoiando o Acesso Livre, como mecanismo de concretização dos Direitos Humanos, construindo uma sociedade livre e igualitária. REFERÊNCIAS AQUINO, Mírian de Aquino. A problemática dos indivíduos, suas lutas e conflitos no turbilhão da informação. Perspectivas em Ciência da Informação, v. 12, p. 202-221, 2007. ARAÚJO, Vânia Maria R. H.; FREIRE, Isa Maria. A rede Internet como canal de comunicação na perspectiva da Ciência da Informação. Transinformação. Campinas, v.8, n. 2, maio/ago. 1996. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DA INDÚSTRIA ELÉTRICA E ELETRÔNICA. Panorama econômico e desempenho setorial 2009. Abinee, 2009. Disponível em: <http://www.abinee.org.br/abinee/decon/decon40.htm >. Acesso em: 27 de junho de 2009. BESSA, Vagner; NERY, Marcelo Batista; TERCI, Daniela Cristina. Sociedade do conhecimento. São Paulo em Perspectiva. São Paulo, v.17, n.3-4, 2003. BORKO, Harold. Information science: what is it? American Documentation, v. 19, n. 1, 1968. CASTELLS, Manuel. A Sociedade em Rede (A Era da Informação: economia, sociedade e cultura).vol.1 Trad. Roneide Venancio Majer com a colaboração de Klauss Brandini Gerhardt. 4 ed. São Paulo: Paz e Terra, 2000. COELHO, José Dias. A sociedade da informação e do conhecimento: um desafio epistemológico nos sistemas de informação. Disponível em: www.fesrvsd.fe.unl.pt. Acesso em: 18 de junho de 2009. COMITÊ GESTOR DA INTERNET NO BRASIL. Pesquisa sobre o Uso das Tecnologias da Informação e da Comunicação no Brasil: TIC Domicílios e TIC Empresas 2006. Coordenação executiva e editorial Mariana Balboni. São Paulo: CGI.br, 2007. COMITÊ GESTOR DA INTERNET NO BRASIL. Pesquisa sobre o Uso das Tecnologias da Informação e da Comunicação no Brasil: TIC Domicílios e TIC Empresas 2008. Coordenação executiva e editorial Alexandre F. Barbosa. São Paulo: CGI.br, 2009. CRAVEIRO, Gisele; MACHADO, Jorge; ORTELLADO, Pablo (coord.) O mercado de livros técnicos e científicos no Brasil: subsídio público e acesso ao conhecimento. Bauru: Canal 6, 2008. DECLARACIÓN DE BETHESDA SOBRE PUBLICACIÓN DE ACESSO ABIERTO. Disponível em: <http://ictlogy.net/articles/bethesda_es.html.> Acesso em:12 de novembro de 2008. FERREIRA, Rubens da Silva. A sociedade da informação no Brasil: um ensaio sobre os desafios do Estado. In Ciência da Informação. v. 32, n. 1, jan./abr. Brasília,2003. Disponível em: < http://revista.ibict.br/ciinf/index.php/ciinf/issue/view/25/showToc> . Acesso em: 20 de outubro de 2008. 8398 FREIRE, Isa Maria. Barreiras na comunicação da informação tecnológica. Ciência da Informação. v.20, n.1, jan./jun. Brasília,1991. Disponível em: <http://www.isafreire.pro.br/FREIREBarreiras.pdf>. Acesso em:12 de março de 2009. ______. Conhecimento e responsabilidade social: o olhar do cientista da informação. Comunicação & Comunidade. Rio de Janeiro, v. 7, 2001. Disponível em: http://www.facha.edu.br/necc/revista/ed_07/ed_07.pdf . Acesso em 28 de julho de 2009. ______. Da construção do conhecimento científico à responsabilidade social da Ciência da Informação. Informação & Sociedade: Estudos, João Pessoa, v.12, n.1, 2002. Disponível em: <http://www.ies.ufpb.br/ojs2/index.php/ies/article/view/158/152>. Acesso em: 20 de outubro de 2008. ______. A responsabilidade social da Ciência da Informação na perspectiva da consciência possível.In DataGramaZero, Rio de Janeiro, v.5, n.1, fev. 2004 . Disponível em: <http://www.dgz.org.br/fev04/Art_02.htm>. Acesso em : 20 de outubro de 2008. GÓMEZ, Maria Nélida González de. Novos Cenários Políticos para a Informação. Ciência da Informação. Brasília, v. 31, n. 1, p. 27-40, 2002. Disponível em: < http://dici.ibict.br/archive/00000213/01/Ci%5B1%5D.Inf-2004-582.pdf> . Acesso em: 08 de julho de 2009. HENRIQUES, Ricardo. Desnaturalizar a desigualdade e erradicar a pobreza no Brasil. In. NOLETO, Marlova Jovchelovitch; WERTHEIN, Jorge (orgs). Pobreza e desigualdade no Brasil: traçando caminhos para a inclusão social. Brasília: UNESCO, 2003. KURAMOTO, Hélio. Acesso livre: um novo paradigma para a comunicação científica. In Workshop sobre Acesso Livre e Informação no CTI. Campinas, março, 2009. Disponível em: http://kuramoto.blog.br/. Acesso em: 21 de novembro de 2008. LÉVY, Pierre. Cibercultura. Trad. Carlos Irineu da Costa. 7 reimp.São Paulo: 34, 2008. MENDES, Marta Ferreira Abdala. Uma perspectiva histórica da divulgação científica: a atuação do cientista-divulgador José Reis (1948-1958). Tese de doutorado. Pós-Graduação em História das Ciências e da Saúde da Casa de Oswaldo Cruz-FIOCRUZ,2006. MORA, Ana Maria Sánchez. A divulgação da ciência como literatura. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 2003. MORAES, Alice F. de. Os pioneiros da ciência da informação nos EUA. Informação & Sociedade: Estudos, João Pessoa, v.12, n.2, maio/ago. 2002. MUELLER, Suzana Pinheiro Machado. A comunicação científica e o movimento de acesso livre ao conhecimento. Ciência da Informação, Brasília, v.35 n.2.maio/ago. 2006. ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS PARA A EDUCAÇÃO, A CIÊNCIA E A CULTURA. Declaração sobre ciência e o uso do conhecimento científico de Budapeste. Hungria, UNESCO, 1999. Disponível em: <http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/ue000111.pdf>. Acesso em: 03 de março de 2009. OUTHWAITE, Willian; BOTTOMORE, Tom. Dicionário do pensamento social do século XX. Trad. Eduardo Francisco Alves e Álvaro Cabral. Rio de Janeiro:Jorge Zahar,1996. PAVANI, Ana M.B. A produção científica disponível ao mundo: a tecnologia, a vontade e os acessos. Revista Eletrônica Biblioteconomia e Ciência da Informação. Florianópolis, n. esp., 1º sem. 2007. PEREIRA, Patrícia Mallmann Souto. Necessidade e uso de informação no contexto da inclusão digital: uma visão da política de inclusão digital de Quissamã/RJ. (Dissertação de mestrado) . PINTO, Evelyn Cristina. Repensando os Commons na comunicação científica.(Dissertação de mestrado) . Universidade de São Paulo- USP, 2006. SARACEVIC, Tefko. Ciência da informação: origem, evolução e relações. Perspectivas em Ciência da Informação. Belo Horizonte, v. 1, n. 1, jan./jun. 1996. Disponível em: http://www.eci.ufmg.br/pcionline/index.php/pci/article/viewFile/235/22. Acesso em: 22 de junho de 2009. ________. Information Science. Journal of the American Society for information Science. v. 50, n. 12, 1999. Disponível em: <http://www.scils.rutgers.edu/~tefko/JASIS1999.pdf>. Acesso em: 20 de janeiro de 2008. SILVA, Terezinha Elisabeth da; ALCARÁ, Adriana Rosecler. Políticas de acesso aberto à informação científica: iniciativas governamentais. In Anais do IX ENANCIB – Diversidade cultural e políticas de informação. São Paulo:USP, 2008. TAKAHASHI, Tadao (org.). Sociedade da informação no Brasil : livro verde. Brasília: Ministério da Ciência e Tecnologia, 2000. WERTHEIN, Jorge. A Sociedade da informação e seus desafios. Ciência da Informação, Brasília, v. 29, n. 2, maio/ago, 2000. Disponível em: < http://www.scielo.br/pdf/ci/v29n2/a09v29n2.pdf> . Acesso em: 08 de julho de 2009. 8399