Acidente em rodovia mata 9 pessoas e fere 2 A GAZETA - CADERNO B CUIABÁ, 16 DE SETEMBRO DE 2009 PÁGINA 4 DEPOIMENTO ISOLADO Jefferson tenta incriminar os PMs Mesmo após confissões dos colegas, principal acusado das agressões contra vendedor mantém versão em 2 horas de depoimento Confissões de agressores desmentem versão de Jefferson Medeiros ESTADO FÍSICO Jefferson Luiz Lima Medeiros “Entreguei Reginaldo (o ambulante Reginaldo Donnan dos Santos Queiroz) à Polícia Militar em perfeitas condições, ou seja, sem nenhuma lesão” Ednaldo Rodrigues Belo “Reginaldo se encontrava sentado, impactado, sem nenhuma reação, grogue, mole, e aparentava estar cansado. Ele foi colocado na Brasília (como os funcionários chamam o contêiner de lixo) e entregue aos policiais militares” ESPANCAMENTO Medeiros “A única lesão existente era do nariz de Reginaldo decorrente da queda na escada” Belo “Dei 4 chutes da cintura para baixo, atingindo sua coxa e nádega esquerda; Medeiros já foi chutando a cabeça de Reginaldo, que batia na parede e voltava. O nariz de Reginaldo estava sangrando muito e ele dizia que estava com dores no rosto e principalmente no nariz. Reginaldo ainda cuspiu o sangue que escorria de seu nariz na parede” Valdenor Moraes “Ouvi barulhos muito altos na sala de recepção, me levantei e vi que Medeiros chutava a cabeça de Reginaldo, a cabeça de Reginaldo fazia tabela com as paredes da sala, batendo em um lado e depois em outro, vi Medeiros dando 2 ou 3 chutes. Chamei Medeiros e pedi que ele não fizesse aquilo e ele disse que estava tudo sob controle. Vi também quando Belo deu socos no estômago de Reginaldo” NADJA VASQUES DA REDAÇÃO O segurança Jefferson Luiz Lima Medeiros, 24, tenta culpar o cabo PM Wanderley José Alves e o soldado PM José Aparecido Matias Vieira, que atenderam a ocorrência no Goiabeiras Shopping, pelo homicídio por espancamento do ambulante Reginaldo Donnan dos Santos Queiroz, 31. Ontem de manhã, durante o segundo depoimento prestado à delegada Ana Cristina Feldner, ele voltou a alegar inocência, mas fez questão de destacar que entregou Reginaldo à Polícia Militar “em perfeitas condições, ou seja, sem nenhuma lesão”. No documento, ao qual A Gazeta teve acesso, Medeiros disse que “não sabe afirmar o que aconteceu durante o trajeto de ReMarcus Vaillant ginaldo na viatura, vez que estava Acusado f oi p ara C entro d e R essocialização e , a pós d ecisão d a J ustiça, p ara P resídio M ilitar algemado”. E declarou, veementemente, “que a Polícia Militar não inspetor, Medeiros respondeu hipótese a Polícia Militar iria prorecebe nenhuma pessoa lesionada”. Medeiros que “o trabalho estava penceder o algemamento de alguma informou que a única lesão existente era a do dente, tinham relatórios a fapessoa lesionada, desfalecida, que nariz de Reginaldo, mesmo assim que ela teria zer e e-mails a passar e que afirma isto por saber que é este o sido decorrente da queda na escadaria. Belo (o segurança Ednaldo ensinamento, que também afirma Medeiros estava acompanhado do advoRodrigues Belo) não tem coque caso Reginaldo estivesse legado Rafael Benetty Poffo, que em determinaOs 4 respondem nhecimento de informática”. sionado a Polícia Militar teria do momento foi orientado pela delegada Ana por crime de Após 2 horas de depoiacionado o Samu”. Cristina a ficar calado. O advogado interveio Esclareceu ainda que não homicídio triplamente mento, Medeiros foi encaquando a delegada perguntou para Medeiros, “jogou” Reginaldo dentro do con- qualificado cometido minhado para o Centro de pela segunda vez, se ele tinha presenciado alRessocialização de Cuiabá têiner de lixo, mas “colocou”, e guma pessoa agredindo Reginaldo dentro da contra Reginaldo (CRC), antigo Carumbé. No que só virou a caixa para “facilitar sala de segurança do shopping. Na primeira final da tarde de ontem, a o posicionamento para Reginalvez, ele disse que só poderia responder pelos juíza Mônica Perri determinou a transfedo”. As imagens do ambulante sendo jogado no seus próprios atos. A delegada insistiu e, por rência imediata dele para o Presídio Militar contêiner, gravadas pelo circuito interno de TV fim, Medeiros negou que tivesse presenciado de Santo Antônio do Leverger, para onde do shopping, causaram comoção nacional. Nealgum tipo de agressão. Quanto aos xingafoi levado à noite. las é possível observar que Reginaldo está inermentos, Medeiros disse que eles partiram de No CRC estão os outros 3 seguranças te e que após ser jogado no contêiner, as pernas Reginaldo. acusados pelo crime: Ednaldo Belo, Valdenor dele ficaram de fora, e foram empurradas para Medeiros fez questão de esclarecer que de Moraes e Jorge Dourado Neri. Os 4 resdentro, para que a caixa fosse tampada. mantinha integralmente a versão apresentada pondem por crime de homicídio triplamente Questionado sobre o fato de não ter endurante o primeiro depoimento, ocorrido em 8 qualificado cometido contra Reginaldo. tregue o plantão daquele dia para o próximo de setembro, mas salientou que “em nenhuma “ Coronel afirma que policiais prevaricaram AGRESSÃO VERBAL Medeiros DA REDAÇÃO “Não presenciei nenhuma agressão dentro da sala de seguranças; que agressões verbais só existiram por parte de Reginaldo” Belo “Medeiros disse: cala a boca seu animal. Ele chutava a cabeça de Reginaldo e xingava: seu vagabundo, seu monstro. Medeiros firmou a cabeça de Reginaldo contra a parede e dizia: não desmaia não, olha pra mim, seu monstro, seu animal” Moraes “Por uma vez vi Medeiros empurrando a cabeça de Reginaldo e lhe xingando, chamando-o de monstro” O cabo PM Wanderley José Alves e o soldado PM José Aparecido Matias Vieira cometeram crime de prevaricação (retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício, para satisfazer interesse ou sentimento pessoal) no homicídio do ambulante Reginaldo Donnan dos Santos Queiroz, 31. “Isto está claro”, disse ontem o coronel Joelson Sampaio, comandante do Comando Regional de Cuiabá (CRC). Inquérito Policial Militar (IPM), instaurado em 02 de setembro, apura ainda crime de omissão por parte dos militares. Conforme o coronel Sampaio, os policiais erraram no momento que permitiram que o ambulante deixasse o shopping dentro do contêiner. Quanto a investigação de omissão de socorro, o coronel diz que o IPM ainda está em andamento. Por não terem envolvimento direto na morte do ambulante, o coronel informou que eles não foram afastados e continuam tra- balhando. “As imagens cedidas pelo shopping mostram claramente que não há nenhum elemento que indique que os PMs tenham agredido Reginaldo fisicamente”. Ao serem interrogados pelo coronel, os policiais informaram que, ao entrarem na sala de segurança do shopping, Reginaldo estava sentado no canto, não estava prostrado e não apresentava marcas visíveis no corpo que denunciassem a violência do espancamento. Naquele momento, os policiais ou- viram a versão dos vigilantes, de que o ambulante era um homem violento, teria ameaçado os seguranças com um estilete, estava alterado, e por esse motivo algemaram Reginaldo. “Eles não sabiam naquele momento o que sabemos hoje, após o trabalho de investigação e perícia”. Sobre o fato de Medeiros tentar atribuir o crime aos policiais militares, o coronel Sampaio alegou: “eu não esperava que ele confessasse, não me parece coerente que ele falasse, bati mesmo”. (NV) Pai de acusado responde por homicídio DA REDAÇÃO O pai do segurança Jefferson Medeiros, o ex-policial militar Antônio Tadeu Nunes Medeiros, 47, responde a vários crimes na Justiça, entre eles um homicídio (artigo 121 do Código Penal). A vítima foi uma mulher, Jussara da Silva Sampaio. O crime consta nos dados da Diretoria de Recursos Humanos (DRH) da Polícia Militar, onde Antônio Medeiros trabalhou. Informações extra-oficiais dão conta de que o crime teria ocorrido em 1983, em Tangará da Serra (239 km a médio-norte da Capital). Ele também é réu em um processo criminal que tramita na 1ª Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, por crimes de lesão corporal e injúria, contra a vítima R.A.M. O inquérito que iniciou a ação foi instaurado na Delegacia de Defesa da Mulher de Cuiabá, em 25 de maio de 2009. Antônio Medeiros responde ainda a um Termo Circunstanciado no Juizado Especial Criminal Unificado. A vítima é um adolescente, A.S.C, sexo não revelado. O processo é conduzido pelo juiz Mário Roberto Kono de Oliveira e o inquérito que deu origem à ação foi registrado no Cisc Planalto. No processo, o juiz informa que “o autor dos fatos, Antônio Tadeu Nunes Medeiros, possui outros procedimentos neste Juizado, de natureza desacato, lesão corporal e ameaça”. Antônio Medeiros ingres- sou no curso de soldados da PM em 12 de fevereiro de 1983 e foi excluído 3 meses depois, sem se formar. Ele excedeu o número de pontos que poderia perder porque mostrou irresponsabilidade e falta de interesse no serviço, diz uma fonte da PM. Hoje ele é servidor público, atua como segurança da Assembleia Legislativa de Mato Grosso. No dia da apresentação de Jefferson à Polícia, após ser considerado foragido, o pai dele, Antônio Medeiros, disse que o filho “sempre foi alguém tranquilo, que jamais se envolveu em brigas, nem jamais passou por uma delegacia, peço a Deus apenas para que a verdade prevaleça, até que se prove o contrário, meu filho é inocente”. (NV) Marcus Vaillant/Arquivo Também s egurança, A ntônio T adeu f oi e xcluído d a P M a ntes d e c onseguir c oncluir c urso