Revista Brasileira de Produtos Agroindustriais, Campina Grande, v.13, n.1, p.27-35, 2011 ISSN 1517-8595 27 DETERMINAÇÃO DE PROPRIEDADES FÍSICAS DO FEIJÃO FRADINHO Nattália Di Lanaro1 , Larissa Grazielle Bajay1, Victor Martins Pinto de Queiroz1, Renan Cupertino Silva Pinto1 , Isadora Garcia de Albuquerque Leitão1, Bruna Candiani Lessio1, Pedro Esteves Duarte Augusto1 RESUMO A determinação de propriedades físicas de grãos possui grande importância em diversas etapas do processo de beneficiamento, como o dimensionamento de equipamentos e sistemas para colheita, manuseio, transporte, secagem e armazenamento. O feijão-fradinho (Vigna unguiculata (L.) Walp.) está presente na culinária brasileira de diversas formas, sendo consumido em vagem verde, grãos verdes, grãos secos ou, ainda, no preparo de pratos, como o acarajé. Encontram-se na literatura diversos trabalhos com a determinação de propriedades físicas de grãos, porém nenhum realizado com o feijão-fradinho. O presente trabalho determinou a variação com a massa do grão, dimensões, densidade aparente, densidade real, porosidade, ângulo de talude (repouso) e coeficiente de atrito estático entre grãos de feijãofradinho (interno) e superfícies de aço inoxidável e aço galvanizado. Os resultados obtidos contribuem com o conhecimento sobre o produto e projeto e dimensionamento de equipamentos e processos. Palavras-chave: propriedades físicas, grãos, matérias-primas vegetais PHYSICAL PROPERTIES OF THE BLACKEYE COWPEA ABSTRACT The determination of the grains’ physical properties is essential for the various processes including gathering, handling, transportation, drying and storage. Blackeye cowpea (Vigna unguiculata (L.) Walp) is used in the Brazilian gastronomy – in the form of green pods, green beans, dried beans – it is also used for the preparation of acarajé. The literature includes many works on the physical properties of several grains other than the blackeye cowpea. The present work, however, determines the variation of some blackeye cowpea physical properties under different moisture contents (grains mass, dimensions, real and bulk densities, porosity, angle of repose and the static coefficient of friction among grains and grains with stainless steel and galvanized iron). The data described in this paper seek to divulge the value of blackeye cowpea and the development of efficacious designs and projects for equipment and processes. Keywords: physical properties, grains, vegetal raw material Protocolo 103.042 de 29/07/2010 1 Departamento de Alimentos, Colégio Técnico de Campinas (COTUCA), Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) COTUCA/UNICAMP: Rua Culto à Ciência, 177 - Bairro Botafogo CEP:13020-060 – Campinas, SP E-mail: [email protected] 28 Determinação de propriedades físicas do feijão fradinho INTRODUÇÃO A determinação de propriedades físicas de grãos possui relevância em diversas etapas do processo de beneficiamento, como o dimensionamento de equipamentos e sistemas para colheita, manuseio, transporte, secagem e armazenamento (Nikoobin et al., 2009; Işik & Işik, 2008; Karababa, 2006; Amin et al., 2004; Ferraz, 1993; Benedetti, 1987; Mohsenin, 1986). O conhecimento dessas propriedades é essencial e necessário no processamento de alimentos, principalmente na elaboração de projetos econômicos e eficientes (Ferraz, 1993). Tal importância é evidenciada ao se analisar os trabalhos desenvolvidos na literatura recente, para diversos grãos, como grão-de-bico (Nikoobin et al., 2009; Işik & Işik, 2008; Konak et al., 2002), trigo (Karimi et al., 2009; Benedetti & Jorge, 1987a; Benedetti & Jorge, 1987b; Benedetti, 1987) sementes de niger (Solomon & Zewdu, 2009), milho de pipoca (Karababa, 2006), lentilha (Amin et al., 2004; Çarman, 1996), castanha-de-caju (Balasubramanian, 2001), bambara (Mpotokwane et al.; 2008; Baryeh, 2001), café (Chandrasekar & Viswanathan, 1999), amendoim, arroz, feijão, milho e soja (Benedetti & Jorge, 1987a; Benedetti & Jorge, 1987b; Benedetti, 1987) e pimenta-do-reino (Leitão, 1983). Entretanto, não se encontra na literatura trabalho algum com determinação de propriedades físicas do feijão-fradinho. O feijão-fradinho (Vigna unguiculata (L.) Walp.), também chamado caupi, feijão-decorda, feijão-macassar, feijão-de-praia ou feijão-miúdo, está presente na culinária brasileira de diversas formas, sendo consumido na forma de vagem verde, grãos verdes, grãos secos ou, ainda, no preparo de pratos, como o acarajé (Vieira et al., 2000). O presente trabalho teve por objetivo determinar algumas propriedades físicas dos grãos secos de feijão-fradinho para cinco teores de água (11,9%, 14,7%, 18,7%, 25,9% e 28,9% b.u.), com a finalidade de gerar dados para projetos de engenharia MATERIAL E MÉTODOS Matéria-prima Bajay et al inicial os grãos foram umidificados para obtenção de outros quatro níveis de teor de água (15%, 20%, 25% e 30% Ubu)., totalizando cinco níveis para avaliação. Os feijões tiveram seus teores de água modificados adicionando-se água destilada com o auxílio de um borrifador. Os grãos foram acondicionados em sacos plásticos com propriedade de barreira ao vapor de água, sendo mantidos em refrigerador em temperatura de 5±1°C por 10 dias (Nikoobin et al., 2009; Solomon & Zewdu, 2009; Işik & Işik, 2008; Karababa, 2006; Konak et al., 2002; Chandrasekar & Viswanathan, 1999; Çarman, 1996; Benedetti & Jorge, 1987a; Benedetti & Jorge, 1987b; Benedetti, 1987). Os níveis de teor de água foram determinados em triplicata, em estufa a 105°C por aproximadamente 24h (Solomon & Zewdu, 2009; Işik & Işik, 2008; Karababa, 2006; Benedetti, 1987), utilizando-se balança analítica (Mettler Toledo AB204-S Mono Block, Brasil). A atividade de água (Aw) dos grãos foi determinada em triplicata a 25°C (AquaLab Série 3TE, Decagon, EUA). Dimensões, massa dos grãos e esfericidade (S) Para cada nível de teor de água avaliado realizaram-se determinações das dimensões comprimento (X), largura (Y) e espessura (Z) (Figura 1) de 100 grãos escolhidos aleatoriamente (Işik & Işik, 2008; Mpotokwane et al.; 2008; Karababa, 2006; Amin et al., 2004; Balasubramanian, 2001; Konak et al., 2002; Chandrasekar & Viswanathan, 1999; Çarman, 1996), utilizando-se paquímetro (precisão é de 0,1mm, Mitutoyo, Japão). A esfericidade (S) foi calculada segundo a Equação 1, descrita por Mohsenin (1986). 1/ 3 S= Média Geométrica das Medidas ( X ⋅ Y ⋅ Z ) = Maior Medida X A determinação da massa de 100 grãos (Işik & Işik, 2008; Karababa, 2006; Amin et al., 2004; Balasubramanian, 2001; Konak et al., 2002; Chandrasekar & Viswanathan, 1999; Çarman, 1996) foi realizada através da pesagem de 100 feijões escolhidos aleatoriamente, utilizando-se uma balança analítica (Mettler Toledo AB204-S Mono Block, Brasil). Os grãos secos de feijão-fradinho, limpos e selecionados, foram adquiridos no mercado local, apresentando teor de água de 11,8% em base úmida (Ubu). A partir do teor de água Revista Brasileira de Produtos Agroindustriais, Campina Grande, v.13, n.1, p.27-35, 2011 (1) Determinação de propriedades físicas do feijão fradinho Figura 1. Representação das dimensões comprimento (X), largura (Y) e espessura (Z) nos grãos de feijão fradinho Densidade real ( real ), densidade aparente ( aparente) e porosidade (P) A densidade real (real ) foi medida utilizando-se uma proveta de 500 mL contendo 250 mL de água destilada e uma balança semianalítica (Gehaka BG4000, Brasil). Adicionou-se, a esta proveta 150 g de feijão. O volume de água deslocado pelos feijões foi utilizado para obtenção da densidade real, através da relação massa/volume (Mpotokwane et al.; 2008; Karababa, 2006; Amin et al., 2004; Chandrasekar & Viswanathan, 1999; Benedetti & Jorge, 1987a). O experimento foi realizado em triplicata para cada teor de água. A densidade aparente (aparente) foi medida utilizando-se o método de acomodação natural dos grãos em recipiente com volume conhecido, como utilizado por Mpotokwane et al. (2008), Karababa (2006), Amin et al. (2004), Chandrasekar & Viswanathan (1999) e Benedetti e Jorge (1987a). Utilizou-se recipiente com superfície nivelada, cujo volume foi aferido a cada medição da densidade aparente utilizando-se água destilada (densidade na temperatura obtida, e os dados apresentados por Singh e Heldman, 2009). Para garantir que o feijão se acomodasse naturalmente no recipiente e que houvesse homogeneidade entre repetições, foi utilizado um funil preso a um suporte universal cujo gargalo estava para baixo e posicionado no centro do recipiente onde o feijão foi colocado. A abertura inferior do funil foi mantida sempre a 19,2 cm da superfície inferior do recipiente. Uma vez posicionado, o funil foi preenchido com os grãos, que foram então liberados, preenchendo completamente o recipiente, até transbordar. Com o auxílio de uma régua a superfície do recipiente foi nivelada, de forma que os feijões não fossem forçados e perdessem 29 Bajay et al. a posição adquirida pela queda natural. Este mesmo recipiente foi pesado em balança semianalítica (Gehaka BG4000, Brasil), obtendo-se a massa dos feijões. A densidade aparente (aparente) foi então calculada através da relação massa/volume, sendo a análise realizada em triplicata. A porosidade (P) dos grãos foi determinada para cada repetição, nos cinco níveis de teor de água, utilizando-se a relação apresentada na Equação 2 (Karababa, 2006; Amin et al., 2004; Chandrasekar & Viswanathan, 1999; Benedetti & Jorge, 1987a). ρ P (%) = 1 − aparente ⋅100 ρ real Coeficiente de atrito estático ( (2) e) Define-se força de atrito estático como aquela que surge entre duas superfícies quando uma tende a deslizar em relação à outra, instantes antes do deslizamento. Esta força pode ser calculada como a multiplicação entre a força normal sobre a superfície em contato e o coeficiente de atrito estático entre o corpo e a superfície (e). Utilizou-se metodologia baseada na utilizada por Balasubramanian (2001), Chandrasekar e Viswanathan (1999), Benedetti (1987) e Leitão (1983). O equipamento consiste em um carrinho sem fundo de dimensões 20,0 cm de comprimento, 18,0 cm de largura e 6,0 cm de altura, sobreposto a um recipiente retangular de dimensões 25,0 cm de comprimento, 18,0 cm de largura e 6,5 cm de altura ambos feitos em acrílico. O carrinho é apoiado em trilhos fazendo com que o atrito entre eles seja desprezível e também para garantir que só haja contato entre os grãos ou entre os grãos e as superfícies avaliadas. A força necessária para deslocar o carrinho com os grãos é obtida vagarosamente pela adição de pequenas peças de chumbo e areia a um recipiente acoplado à extremidade de um fio de aço preso ao carrinho. Este sistema foi utilizado para medição do coeficiente de atrito estático entre grãos e entre os grãos e superfícies de materiais utilizados na indústria de alimentos. Para obtenção dos valores da força normal e da força de atrito estático entre grãos, adicionou-se ao carrinho uma massa conhecida de feijão, sendo esta utilizada para o cálculo da força normal. A força normal é determinada através da massa de feijões adicionada ao Revista Brasileira de Produtos Agroindustriais, Campina Grande, v.13, n.1, p.27-35, 2011 30 Determinação de propriedades físicas do feijão fradinho carrinho e a força de atrito, determinada através da massa de areia e chumbo adicionada ao recipiente localizado ao lado oposto do fio de aço. Entre os recipientes pode-se acoplar uma chapa de determinado material em substituição ao feijão adicionado ao recipiente para o cálculo do coeficiente de atrito estático interno. Foram determinados, com esse mesmo equipamento, os coeficientes de atrito estático entre grãos (interno) e entre os grãos e superfícies de aço inoxidável e aço galvanizado. Os experimentos foram realizados em triplicata para cada um dos cinco teores de água analisados. Bajay et al dimensões 21,0 cm de comprimento; 18,5 cm de altura e 11,0 cm de largura, composto de acrílico. Um funil acoplado a um suporte universal foi posicionado no centro do recipiente, com sua abertura localizada a 19,2 cm da superfície inferior do mesmo. Desta forma, se garantiu fluxo constante e acomodação natural dos grãos. Os quatro ângulos formados foram medidos com um dispositivo contendo um transferidor. Considerou-se ângulo de talude aquele obtido pela média dos quatro ângulos formados, sendo o experimento realizado em triplicata para cada uma dos cinco teores de água. RESULTADOS E DISCUSSÃO Ângulo de talude O ângulo de talude, ou ângulo de repouso, é aquele formado pelo produto, ao escoar através de um fluxo constante, com o plano horizontal, sendo este ângulo influenciado pelo tamanho, forma, orientação de partículas e teor de água do produto (Mohsenin, 1986). Existem diversos métodos para determinação deste ângulo (Mohsenin, 1986), sendo utilizado, no presente trabalho, o utilizado por Benedetti e Jorge (1987a). O aparelho empregado para este fim consiste em um recipiente retangular de Determinação do teor de água e atividade de água (Aw) Na Tabela 1 estão os cinco níveis de teor de água utilizados no trabalho, expressos em base úmida (Xbu) e base seca (Xbs). Na Figura 2 se encontra a variação da atividade de água (Aw) em função do teor de água dos grãos (25ºC). Observa-se que os tores de água utilizados resultaram em Aw de 0,61 a 0,94, representando uma ampla faixa de estabilidade do produto. Tabela 1. Teor de água dos grãos de feijão fradinho utilizados em base úmida (Xbu) e seca (Xbs) dos cinco níveis avaliados (média ± desvio padrão) Nível avaliado Base úmida – Xbu (%) Base seca– Xbs (%) Teor de água 1 11,9 ± 0,1 13,5 ± 0,1 Teor de água 2 14,7 ± 0,1 17,3 ± 0,2 Teor de água 3 18,7 ± 0,1 23,0 ± 0,2 Teor de água 4 25,9 ± 2,4 35,1 ± 4,5 Teor de água 5 28,9 ± 1,0 40,1 ± 1,9 Revista Brasileira de Produtos Agroindustriais, Campina Grande, v.13, n.1, p.27-35, 2011 Determinação de propriedades físicas do feijão fradinho 31 Bajay et al. 35 30 Ubu (%) Xbu (%) 25 20 15 10 5 0 0,0 0,2 0,4 0,6 0,8 1,0 Aw Figura 2. Relação entre atividade de água (Aw) e teor de água em base úmida (Xbu) nos grãos de feijão fradinho Dimensões, massa dos grãos e esfericidade (S) 15 100 12 80 9 60 6 40 X Y Z S 3 0 0 S (%) X, Y, Z (mm) Na Figura 3 observa-se uma variação do comprimento (X), largura (Y) e espessura (Z) e esfericidade (S) em função do teor de água estudado para os grãos analisados. Embora todas as dimensões apresentem crescimento com o aumento da temperatura, nota-se que o feijão fradinho apresentou maior variação na dimensão X (17%), em comparação com a Y (10%) e Z (6%). Tais variações estão de acordo com os apresentados por outros grãos, assim como o fato da expansão ocorrer de forma mais pronunciada em uma das dimensões (Karababa, 2006; Amin et al., 2004; Baryeh, 2001). Ao contrário do apresentado para outros grãos, em que o aumento do teor de água resulta em aumento da esfericidade (grão de bico, Işik & Işik, 2008; bambara, Baryeh, 2001; milho de pipoca, Karababa, 2006), o feijão fradinho apresentou redução de 6% no intervalo de teor de água estudado. Tal resultado está de acordo com o observado em relação à variação diferente das dimensões; ao ganhar massa de água o grão apresenta maior crescimento em um eixo, ficando menos esférico. Na Figura 4 se encontra a variação da massa de 100 grãos de feijão em função do teor de água, observando-se aumento de 47% dentro do intervalo de teor de água analisado. Os valores estão próximos aos obtidos para outros grãos dentro de um intervalo semelhante de teor de água (Işik & Işik, 2008; Karababa, 2006; Amin et al., 2004; Balasubramanian, 2001). 20 0 10 20 30 XUbu (%) (%) Figura 3. Variação das dimensões comprimento (X), largura (Y) e espessura (Z) e esfericidade (S) em função do teor de água em base úmida (Xbu) em grãos de feijão fradinho (as barras verticais representam o desvio padrão em cada teor de água) Revista Brasileira de Produtos Agroindustriais, Campina Grande, v.13, n.1, p.27-35, 2011 32 Determinação de propriedades físicas do feijão fradinho Bajay et al Massa de 100 grãos (g) 25 20 15 10 5 0 0 5 10 15 20 25 30 35 Xbu U bu(%) (%) Figura 4. Variação na massa de 100 grãos em função do teor de água em base úmida (Xbu) em grãos de feijão fradinho Densidade real (ρreal), densidade aparente (ρaparente) e porosidade (P) Na Figura 5 se encontra a variação da densidade real (ρreal ), densidade aparente (ρaparente) e porosidade (P) em função do teor de água para os grãos avaliados. As densidades obtidas estão dentro da faixa citada por Olapade et al. (2002) para variedades nigerianas de caupi (cowpea), (densidade real entre 1050 e 1190 kg/m3 na faixa de teor de água de 11,4% a 12,6% -Ubu). O feijão fradinho sofreu redução de cerca de 20% na densidade aparente e 10% na densidade real, na faixa de teor de água avaliada com aumento de cerca de 20% na porosidade. A redução na densidade real com o aumento do teor de água do grão é explicada pela menor densidade da água em relação aos demais componentes do mesmo. O aumento das dimensões dos grãos resulta em menor capacidade de preenchimento de determinado recipiente, resultando em aumento da porosidade entre grãos e consequente redução da densidade aparente. Os resultados obtidos estão dentro dos apresentados para grão de bico (Nikoobin et al., 2009; Konak et al., 2002), milho (Karababa, 2006; Benedetti & Jorge, 1987a), lentilha (Amin et al., 2004), bambara (Baryeh, 2001), amendoim, feijão, soja e trigo (Benedetti & Jorge, 1987a) 50 40 1200 30 1000 20 800 P (%) ρ (kg/m3) 1400 10 600 0 0 10 20 30 Xbu U(%) bu (%) Densidade Aparente Densidade Real Porosidade Figura 5. Variação na densidade real (ρreal ), densidade aparente (ρaparente) e porosidade (P) em função do teor de água em base úmida (Xbu) em grãos de feijão fradinho (as barras verticais representam o desvio padrão em cada teor de água) Coeficiente de atrito estático (µe) Na Figura 6 tem-se a variação do coeficiente de atrito estático (µe) entre grãos de feijão fradinho (interno) e entre grãos e superfícies de aço inoxidável e de aço galvanizado na faixa de teor de água analisado. Revista Brasileira de Produtos Agroindustriais, Campina Grande, v.13, n.1, p.27-35, 2011 Determinação de propriedades físicas do feijão fradinho 33 Bajay et al. feijão, milho e trigo e chapas de aço galvanizado. Os coeficientes de atrito entre grãos e dos grãos com as superfícies analisadas apresentaram comportamento semelhante. Constata-se um aumento dos valores do coeficiente de atrito em função do aumento do teor de água embora exista uma oscilação para o coeficiente de atrito entre os grãos de feijão (interno) para o teor de água entre 19 e 26%b.u. Embora este fato se diferencie do que ocorre com vários grãos, que se caracterizam pelo aumento dos coeficientes de atrito com o aumento do teor de água, este comportamento é semelhante ao observado por Benedetti (1987) para coeficiente de atrito interno e entre grãos de amendoim, arroz, Ângulo de repouso Na Figura 7 constata-se a variação do ângulo de repouso em função do teor de água dos grãos de feijão fradinho. O ângulo formado pelo feijão com teor de água de 11,9%b.u. foi de 23º. Este valor está dentro da faixa de 18º a 25º apresentada por Olapade et al. (2002) para variedades nigerianas de caupi (cowpea, Xbu entre 11,4% e 12,6%). 1,0 Interno 0,8 Aço Galvanizado Aço Inoxidável µe 0,6 0,4 0,2 0,0 0 5 10 15 20 25 30 35 (%) XUbubu(%) Figura 6. Variação no coeficiente de atrito estático (µe) entre grãos de feijão fradinho (interno) e entre grãos e superfícies de aço inoxidável e aço galvanizado em função do teor de água em base úmida (Xbu) (as barras verticais representam o desvio padrão em cada teor de água) Ângulo de Talude (º) 40 30 20 10 0 0 5 10 15 20 25 30 35 XUbubu(%) (%) Figura 7. Variação no ângulo de talude em função do teor de água em base úmida (Xbu) em grãos de feijão fradinho (as barras verticais representam o desvio padrão em cada teor de água) O Feijão fradinho sofreu uma redução de 10% no ângulo de talude para um teor de água entre 11,9% a 14,7%, e aumento de 29% entre o teor de água de 14,7% a 25,9% do feijão, seguido de uma pequena redução de 4%b.u. na faixa de teor de água de 25,9% a 28,9%. Embora contrastando com o aumento característico de vários grãos, o comportamento Revista Brasileira de Produtos Agroindustriais, Campina Grande, v.13, n.1, p.27-35, 2011 34 Determinação de propriedades físicas do feijão fradinho do ângulo de talude do feijão fradinho apresenta semelhança com o observado para bambara, na faixa de 5-35% de teor de água (Baryeh, 2001) e amendoim na faixa de teor de água de 10-25% (Benedetti & Jorge, 1987b), podendo ser explicado pelo comportamento semelhante apresentado pelos grãos em relação ao coeficiente de atrito interno (Figura 6). CONCLUSÕES Diante dos resultados obtidos neste trabalho, em que o teor de água varia de 14,9 a 28,9%b.u. conclui-se que: As dimensões, comprimento (X), largura (Y), espessura (Z) do feijão fradinho, aumentam, respectivamente, na ordem de 17%, 10% e 6% em função do aumento do teor de água; A massa (M) e a porosidade (P) aumentam, respectivamente, na ordem de 20%, e 47% em função do aumento do teor de água; A esfericidade (S), densidade aparente (ρaparente) e densidade real (ρreal ), decrescem, respectivamente, em 6%, 20% e 10%, em função do aumento do teor de água O ângulo de repouso, coeficiente de atrito estático entre grãos de feijão fradinho e o coeficiente de atrito estático do feijão com as superfícies de aço inoxidável e aço galvanizado tendem a aumentar com o aumento do teor de água, embora existam oscilações desses valores. AGRADECIMENTOS Os autores agradecem à APM/COTUCA, pelo financiamento ao projeto REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Amin, M. N.; Hossain, M. A.; Roy, K. C. 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