01 a 04 de Outubro de 2012
Jequié, Bahia
1
Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia
Programa de Pós-Graduação em Genética, Biodiversidade e
Conservação
II WORKSHOP GENÉTICA, BIODIVERSIDADE E
CONSERVAÇÃO
ANAIS
01 a 04 de outubro de 2012
Jequié, Bahia
Editores: Christine Steiner São Bernardo e
Isac Silva de Jesus
Jequié, BA
2012
2
COMISSÃO ORGANIZADORA
Presidente
Dra. Christine Steiner São Bernardo –
Docente do Programa de Pós-Graduação
em
Genética,
Biodiversidade
e
Conservação (PPGGBC)
Secretário
Isac Silva de Jesus – Discente do
PPGGBC
Programação
Bruno Santos Almeida – Discente do
PPGGBC
Isac Silva de Jesus – Discente do
PPGGBC
Marcio Neri – Discente do PPGGBC
Anderson Gomes Bastos – Discente do
PPGGBC
Dra Caroline Garcia – Docente do
PPGGBC
Dra. Christine Steiner São Bernardo –
Docente do PPGGBC
Divulgação
Fabio Pereira Alves – Discente do
PPGGBC
Wagner Rodrigues de Assis Soares –
Discente do PPGGBC
Alberto Leôncio Barreto Vasconcelos –
Discente da graduação em Ciências
Biológicas
Joedison dos Santos Rocha – Discente da
graduação em Ciências Biológicas
Milena Ferreira dos Santos – Discente do
PPGGBC
Naiana Brito de Matos – Discente do
PPGGBC
André L. Santos Mascarenhas – Discente
do PPGGBC
Nádia Amorim Pereira -Discente do
PPGGBC
Dra Caroline Garcia – Docente do
PPGGBC
Orçamento
Dra. Christine Steiner São Bernardo –
Docente do PPGGBC
Dr. Juvenal Cordeiro – Docente do
PPGGBC
Isac Silva de Jesus – Discente do
PPGGBC
Marcos Vinícius Canário Viana –
Discente do PPGGBC
Avaliação científica
Dra. Ana Maria Waldschmidt – Docente
do PPGGBC (Presidente do grupo
avaliador)
Dra Caroline Garcia – Docente do
PPGGBC
Dra. Christine Steiner São Bernardo –
Docente do PPGGBC
Dr. Juvenal Cordeiro – Docente do
PPGGBC
Dr. Paulo Mello Affonso – Docente do
PPGGBC
Nádia Amorim Pereira – Discente do
PPGGBC
Isac Silva de Jesus – Discente do
PPGGBC
Anderson Gomes Bastos – Discente do
PPGGBC
3
APRESENTAÇÃO
É com bastante entusiasmo que o Programa de Pós-Graduação em Genética,
Biodiversidade e Conservação (PPGGBC) da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia
(UESB), campus de Jequié, promove o II Workshop Genética, Biodiversidade e
Conservação (WGBC). Um momento para discussão e divulgação da pesquisa científica no
sudoeste baiano.
Os estudos envolvendo as grandes áreas da Genética, Conservação da
Biodiversidade e Caracterização e Análise Ambiental tem se mostrado cada vez mais
necessários. Na sociedade moderna, são crescentes as necessidades de conhecer, trabalhar
e avaliar os impactos das ações humanas sobre o ambiente natural, incluindo fatores
bióticos e abióticos.
O evento este ano é a reafirmação da proposta do I WGBC, que aconteceu no ano
de 2011, que tinha como objetivo principal divulgar as linhas de pesquisa e os trabalhos
desenvolvidos por docentes e discentes ligados ao PPGGBC, mantendo um espaço de
discussão e aprimoramento da ciência no interior baiano.
O II WGBC teve suas atividades desenvolvidas no auditório Wally Salomão da
UESB, campus de Jequié, entre os dias 01 e 04 de outubro de 2012. Durante este período,
pesquisadores trataram de temas de interesse à comunidade acadêmica em palestras e
mesas redondas. Discentes e docentes divulgaram suas pesquisas através de pôsteres e
comunicações orais. Eles abrangeram diversas linhas de pesquisa envolvendo estudos em
genética molecular, citogenética, melhoramento genético animal e vegetal, descrição e
conservação da biodiversidade, caracterização ambiental e análise toxicológica.
Assim, buscando o desenvolvimento regional no campo científico, esperamos
contribuir de modo positivo para que mais estudantes e a comunidade local conheçam o
nosso trabalho e se interessem em ingressar no PPGGBC. Esta é mais uma oportunidade
que se abre no estado da Bahia para que o Brasil atinja suas metas de crescimento e
equidade em todas as regiões do país.
Isac Silva de Jesus
Secretário do II WGBC
4
SUMÁRIO
Genética ..................................................................................................................................... 6
ANÁLISE CITOGENÉTICA COMPARATIVA ENTRE POPULAÇÕES DE PHYLLOPEZUS
POLLICARIS POLLICARIS (SQUAMATA: PHYLLODACTYLIDAE) PROVENIENTES DA
CAATINGA BAIANA............................................................................................................... 6
DETERMINAÇÃO DO NÚMERO E MORFOLOGIA CROMOSSÔMICA DE CINCO
ESPÉCIES DE VESPAS SOCIAIS (HYMENOPTERA, VESPIDAE, POLISTINAE) DA
BAHIA, BRASIL ...................................................................................................................... 10
TRANSFERIBILIDADE DE LOCI DE MICROSSATÉLITES NO MUTUM-DO-SUDESTE,
Crax blumenbachii (GALLIFORMES, CRACIDAE): UMA ESPÉCIE DE AVE AMEAÇADA
DA MATA ATLÂNTICA......................................................................................................... 15
AMOSTRAGEM INTRACOLONIAL EM ABELHAS SEM FERRÃO .....................................20
ESTUDO DE SOBRENOMES EM UMA COMUNIDADE SEMI-ISOLADAS DA REGIÃO
SUDOESTE DA BAHIA..........................................................................................................24
ESTUDOS CITOGENÉTICOS DO GÊNERO FRIESEOMELITTA (HYMENOPTERA,
MELIPONINI) DA REGIÃO SUDOESTE DA BAHIA ........................................................... 30
SELEÇÃO DE PRIMERS ISSR PARA ESTUDOS DE DIVERSIDADE GENÉTICA EM
POPULAÇÕES DE Melipona scutellaris (HYMENOPTERA: APIDAE) ............................... 34
TESTES DE DOIS PARES DE PRIMERS E CONDIÇÕES DE AMPLIFICAÇÃO PARA
CAMARÕES MARINHOS ...................................................................................................... 38
Biodiversidade e Conservação .............................................................................................. 41
DESCRIÇÃO
DE
GALHAS
INDUZIDAS
POR
GYNAIKOTHRIPS
UZELI
(THYSANOPTERA: PHLAEOTHRIPIDAE) EM FICUS BENJAMINA (MORACEAE) ......... 41
AVALIAÇÃO DO CRESCIMENTO INICIAL EM DIFERENTES SUBSTRATOS DE Alpinia
zerumbet (Pers.) B.L. Burtt. & R.M. Sm ( Zingiberaceae) .................................................... 46
FATORES ABIÓTICOS E FORMAS DE VIDA: ABORDAGEM ECOLÓGICA NA ANÁLISE
DA VEGETAÇÃO DO PARQUE ESTADUAL SERRA DO CONDURU................................ 51
COMPORTAMENTO TERRITORIAL DE UCA LEPTODACTYLA (CRUSTACEA,
OCYPODIDAE) ..................................................................................................................... 60
Caracterização e Análise Ambiental ................................................................................... 68
AVALIAÇÃO PRELIMINAR DA CONCENTRAÇÃO ELEMENTAR EM DIFERENTES
ESPÉCIES DE FUNGOS LIQUENIZADOS DOS MUNICÍPIOS DE JEQUIÉ E ILHÉUSBAHIA ................................................................................................................................... 68
DETERMINAÇÃO DE CÁDMIO E CHUMBO EM AMOSTRAS DE CAMARÕES
COMERCIALIZADS NA BAHIA ............................................................................................ 73
5
Genética
ANÁLISE CITOGENÉTICA COMPARATIVA ENTRE POPULAÇÕES DE
PHYLLOPEZUS POLLICARIS POLLICARIS (SQUAMATA:
PHYLLODACTYLIDAE) PROVENIENTES DA CAATINGA BAIANA
Thainá Souza Neri1, Juliana Zina Pereira Ramos2, Miguel Trefault Rodrigues3 Caroline
Garcia4
¹Graduanda do Bacharelado em Ciências Biológicas
([email protected])
² Professora da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia – UESB, campus Jequié,
Departamento de Ciências Biológicas – DCB.
([email protected])
³Professor da Universidade de São Paulo – USP, Instituto de Biociências, Departamento de
Zoologia
4
Professora da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia – UESB, campus Jequié,
Departamento de Ciências Biológicas – DCB.
([email protected])
Palavras chave: cariótipo, espécies, lagartos.
1. Introdução
Os lagartos apresentam uma grande diversidade de hábitos e formas e a relação desses
animais com climas mais quentes e sua independência da água para completar seu ciclo de
vida, explica a grande adaptabilidade destes animais ao domínio morfo-climático da
caatinga nordestina, onde são representados por mais de 50 espécies, muitas endêmicas e
ameaçadas (POUGH, 2008; RODRIGUES, 2003). O aumento constante do número de
descrições de espécies de répteis para a caatinga, associado ao elevado nível de endemismo
apresentado por estes animais, demonstram que o conhecimento de sua diversidade para o
bioma é bastante subestimado e que está severamente ameaçado pela destruição e
fragmentação de habitats, resultado de ação antrópica (FREITAS e SILVA, 2007;
IBAMA/MMA, 2011). Para os representantes da família Phyllodactylidae somente os
gêneros Phyllopezus e Gymnodactylus são descritos para esse domínio morfoclimático e
estudos citogenéticos prévios demonstram grande variação na constituição microestrutural
6
do cariótipo para as espécies desses gêneros (PELLEGRINO et al., 1997; GAMBLE et al.
2008; REPTILE DATABASE, 2012; VANZOLINI, 1953). Tendo em vista o potencial do
grupo para estudos cromossômicos e a carência de dados genéticos para os lagartos da
caatinga, o presente trabalho teve por objetivo realizar a análise citogenética de indivíduos
de três populações de Phyllopezus pollicaris pollicaris utilizando as técnicas de
citogenética clássica buscando caracterizar essas populações e contribuir com novos dados
para o grupo.
2. Material e Métodos
Os exemplares de Phyllopezus pollicaris pollicaris analisados, foram coletados em áreas
de Caatinga localizadas nos municípios de Morro do Chapéu, Contendas do Sincorá e
Manuel Vitorino, estado da Bahia, por meio de armadilhas de interceptação e queda e
captura ativa. As coletas foram realizadas entre os meses de Dezembro de 2011 e Julho de
2012, no qual foram capturados quatro indivíduos de Morro do Chapéu, cinco indivíduos
de Contendas do Sincorá e um indivíduo de Manuel Vitorino. Os exemplares encontram-se
depositados na Coleção do Prof. Dr. Miguel Trefaut Rodrigues da Universidade de São
Paulo (USP), São Paulo – SP e na Coleção do Museu de História Natural de Jequié do
Laboratório de Vertebrados, da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Jequié,
Bahia. A obtenção do material celular foi realizada seguindo o protocolo de Garcia (em
publicação). Posteriormente deu-se o preparo das lâminas e a coloração convencional com
Giemsa 5%. A banda C foi realizada segundo o protocolo de Sumner (1972) e para
localização das Regiões Organizadoras de Nucléolo através da impregnação por Nitrato de
Prata (Ag-RON) utilizou-se o protocolo de Howell e Black (1980). Após cada etapa, as
imagens foram capturadas usando o software Image Pro-Plus versão 4.5.1. utilizando
fotomicroscópio de epifluorescência Olympus BX50.
3. Resultados
A análise citogenética revelou um cariótipo simétrico, com redução gradual de tamanho, e
número diplóide de 2n = 40 cromossomos, sendo a fórmula cariotípica dada por 4st+36a,
sem diferenças entre os sexos. A análise da BC+ revelou que há variação na quantidade de
blocos heterocromáticos entre as populações, onde nos indivíduos de Morro do Chapéu e
Contendas do Sincorá esses blocos se situaram nas regiões pericentroméricas de dois pares
de cromossomos acrocêntricos e na população de Contendas do Sincorá seis pares de
7
cromossomos. As Ag-RONs mostraram-se localizadas nas regiões terminais dos braços
longos de cromossomos acrocêntricos, entretanto, o número de marcações diferiu entre as
populações analisadas, onde os indivíduos provenientes de Morro do Chapéu apresentaram
até cinco marcações, Contendas do Sincorá quatro marcações e em Manuel Vitorino em
apenas um cromossomo.
4. Discussão e Conclusão
As cinco populações de P. pollicaris pollicaris analisadas por PELLEGRINO et al (1997)
apresentaram o mesmo número diploide e fórmula cariotípica das populações de
Contendas do Sincorá e Manuel Vitorino, entretanto, na população de Morro do Chapéu
dá-se destaque ao ultimo par cromossômico, que apresentou tamanho muito menor do que
nos outros cariótipos. Essa redução de tamanho deve-se, provavelmente, a algum rearranjo
não-Robertsoniano, uma vez que o número diploide permaneceu constante. Analisando as
marcações da banda C, pode-se verificar que a quantidade e localização das regiões BC+
apresentam uma variação que é comum para a espécie, podendo estar localizadas nas
regiões terminais e/ou pericentroméricas. Um dado novo verificado é o maior número de
cromossomos com regiões de heterocromatina presentes na população de Contendas do
Sincorá, que ainda não havia sido descrito na literatura. Pode-se observar nos trabalhos
publicados que para o gênero há uma acentuada variação no que se diz respeito ao número
de marcações Ag-RONs+, sendo que os dados aqui obtidos reforçam a existência de RONs
múltiplas para a espécie, porém a localização de todas as regiões organizadoras de nucléolo
só poderá ser confirmada com a utilização de hibridação fluorescente in situ (FISH) com
sondas apropriadas. Com a análise citogenética de P. pollicaris pollicaris pode-se observar
que o número diploide e o cariótipo da espécie condizem com o descrito na literatura,
porém as diferenças observadas na análise com a banda C e a análise com a marcação com
a Ag-NOR demonstram que há muita variabilidade no grupo no que se diz respeito aos
marcadores utilizados , indicando que uma análise mais aprofundada e com maior
quantidade de indivíduos poderia auxiliar na descrição e diferenciação de espécies.
5. Literatura citada
FREITAS, M. A.; SILVA, T. F. S.. Guia Ilustrado: a herpetologia das caatingas e Áreas de
altitude do nordeste brasileiro. Pelotas: USEB, 2007
8
GAMBLE T, BAUER AM, GREENBAUM E, JACKMAN TR: Out of the blue: a novel,
trans-Atlantic clade of geckos (Gekkota, Squamata). Zool Scripta 37: 355–366 (2008).
IBAMA/MMA. Monitoramento dos Biomas Brasileiros por satélite: Monitoramento do
Bioma Caatinga 2008 – 2009. Brasília: Ministério do Meio Ambiente, Junho de 2011.
Disponível em: http://siscom.ibama.gov.br/monitorabiomas/caatinga/caatinga.htm - Acesso
em: 24/08/2012. Relatório
PELLEGRINO, K. C. M., KASAHARA, S., RODRIGUES, M. T. & YONENAGAYASSUDA, Y. Pericentric inversion events in karyotypic distinction of Brazilian lizards of
genus Phyllopezus (Squamata, Gekkonidae) detected by chromosomal banding patterns. Hereditas (27): 255-262. Lund, Sweden (1997).
POUGH, F. H.; JANIS, C. M.; HEISER, J. B. A Vida dos Vertebrados. 4ª Ed. Atheneu
Editora São Paulo, São Paulo: 2008.
RODRIGUES, M. T. Herpetofauna da Caatinga. In: Ecologia e Conservação da Caatinga,
(Ed. Leal I R, Tabarelli M, Silva J M C), cap. 4,: Universidade Federal de Pernambuco, pp:
181-236,
Recife:
2003.
Acessado
no
site
<http://www.acaatinga.org.br/fotos/publicacoes/54.pdf> em Julho de 2012.
UETZ, P. (editor), The Reptile Database. Disponível em: http://reptiledatabase.reptarium.cz/advanced_search?taxon=Phyllodactylidae&submit=Search
–
Acessado em 26/08/2012.
VANZOLINI, P. E. Sobre o gênero Phyllopezus (Sauria: Gekkonidae). Papeis Avulsos
Zool., S. Paulo 1 l(22): 353-369. São Paulo: 1953.
9
DETERMINAÇÃO DO NÚMERO E MORFOLOGIA CROMOSSÔMICA DE
CINCO ESPÉCIES DE VESPAS SOCIAIS (HYMENOPTERA, VESPIDAE,
POLISTINAE) DA BAHIA, BRASIL
Oziel Santana Neri Trindade1, Malu Andrade Santos1 e Juvenal Cordeiro Silva Júnior2
1
Pesquisadores do Programa de Pós Graduação em Genética, Biodiversidade e
Conservação, UESB, Campus de Jequié/BA ([email protected])
2
Professor Adjunto do Departamento de Ciências Biológicas, UESB, Campus de
Jequié/BA.
Palavras-chave: citogenética, cariótipo, vespas sociais.
1. Introdução
A família Vespidae é constituída por cerca de 4.500 espécies distribuídas em 268
gêneros e seis subfamílias existentes atualmente: Euparagiinae, Stenogastrinae, Vespinae,
Masarinae, Eumeninae e Polistinae, sendo que destas, apenas as três últimas ocorrem no
Brasil (Carpenter & Marques, 2001). A subfamília Polistinae é cosmopolita, mas grande
parte de suas 942 espécies agrupadas em 26 gêneros habitam a região neotropical, sendo
que no Brasil ocorre uma alta diversidade com 21 gêneros e 304 espécies (Carpenter &
Marques, 2001; Carpenter, 2004).
A citogenética constitui uma ferramenta adicional aos estudos dos mecanismos
envolvidos nos processos evolutivos das espécies. Sua aplicação é considerada cada vez
mais importante para estudos de filogenia, taxonomia, mecanismos de especiação e da
variabilidade genética (Gomes, 1995). São poucos os estudos citogenéticos associados à
fauna de vespas sociais no Brasil. Os trabalhos mais expressivos foram realizados por
Pompolo e Takahashi (1986, 1987, 1990a e 1990b), que cariotiparam 21 espécies.
Assim, o objetivo deste trabalho foi gerar novas informações sobre a citogenética
de vespas sociais (Hymenoptera; Polistinae; Epiponini), cariotipando cinco espécies de
vespas sociais e determinando o número e morfologia dos seus cromossomos.
2. Metodologia
10
Cinco espécies de vespas sociais da subfamília Polistinae foram analisadas. O
material biológico foi obtido no período de março de 2010 a maio de 2011, pela captura
ativa dos ninhos em localidades rurais de municípios da região de Jequié, Bahia.
Os cromossomos metafásicos foram obtidos a partir de gânglios cerebrais de
prepupas, utilizando a metodologia proposta por Imai et al. (1988). As melhores metáfases
foram analisadas e fotografadas sob objetiva de imersão (100x). O número cromossômico
das espécies foi determinado a partir do número de ocorrência mais comum.
Os cariótipos foram montados pareando-se os cromossomos em ordem decrescente
de tamanho. Neste trabalho foi adotada a caracterização da morfologia cromossômica
proposta por Levan et al. (1964), que considera quatro tipos cromossômicos em relação à
razão de braços com a seguinte nomenclatura: M=Metacêntrico; Sm=Submetacêntrico;
A=Acrocêntrico e T=Telocêntrico, e realizadas inferências comparativas considerando a
nomenclatura proposta na Teoria da Interação mínima (Imai et al, 1988; Imai, 1991).
3. Resultados
Das cinco espécies de vespas sociais analisadas, quatro dessas geraram novas
descrições para a subfamília Polistinae.
apresentou
2n
= 64
cromossomos
O cariótipo de Apoica (Apoica) flavissima
(fêmeas) com
morfologia
metacêntrica e
submetacêntrica. O cariótipo é simétrico e apresenta fórmula cariotípica 2n=48M+16SM
(Figura 1A). As quatro espécies do gênero Polybia estudadas neste trabalho apresentaram
números cromossômicos diferentes. A espécie Polybia (Myrapetra) occidentalis possui
cariótipo formado por número diplóide de 44 cromossomos (fêmeas), e morfologias
cromossômicas metacêntricas e acrocêntricas com variações no tamanho dos mesmos. Esta
espécie apresentou fórmula cariotípica 2n=36M+8A (Figura 1B). Polybia (F.) rejecta
apresentou um cariótipo simétrico composto de 2n=28 cromossomos (fêmeas) e fórmula
cariotípica 2n=20M+8SM (Figura 1C). Polybia (M.) catillifex apresentou um cariótipo
simétrico, embora com pequenas variações de tamanho, com 2n=40 cromossomos para as
fêmeas (Figura 1D). A fórmula cariotípica diplóide observada foi 2n=30M+10SM. Polybia
(T.) chrysothorax apresentou um cariótipo simétrico com 2n=58 cromossomos para fêmeas
e n=29 para os machos (Figura 1E e F). Foi verificado nesta ultima espécie um único par
11
telocêntrico menor que os demais cromossomos do conjunto. A fórmula cariotípica obtida
foi: 2n=52M+4SM+2T.
A
B
C
D
E
F
Figura 1. Cariótipos das espécies de vespas sociais capturadas no estado da Bahia. A. Apoica (A.) flavissima (fêmea); B.
Polybia (M.) occidentalis (fêmea); C. Polybia (F.) rejecta (fêmea); D. Polybia (M.) catillifex (fêmea); E. Polybia (T.)
chrysothorax (fêmea); F. Polybia (T.) chrysothorax: (macho). Barra=5µm.
4. Discussão e conclusão
A análise dos cromossomos de vespas sociais é escassa e o número cromossômico
quando comparado com outros Hymenoptera é muito variável (Hoshiba et al. 1989). Os
dados citogenéticos disponíveis na literatura somados aos obtidos no presente trabalho
reforçam essa hipótese. Além disso, a analise dessas informações permite propor um
padrão cariotípico, cujo cariótipo mais basal seria composto por 2n=34 cromossomos na
sua maioria metacêntricos e submetacêntricos.
A alta variação evidenciada no numero de cromossomos em Polistinae e a
ocorrência de cariótipos com número elevado de cromossomos de tamanho reduzido com
maioria do tipo metacêntrico e submetacêntrico pode ser explicada pela Teoria da
Interação Mínima proposta por Imai et al. (1986; 1988). Adicionalmente, a baixa
frequência nos cariótipos de cromossomos do tipo acrocêntrico e telocêntrico poderiam
representar estágios intermediários da evolução cariotípica dos táxons nos quais estes tipos
cromossômicos estão presentes. Estas afirmações só poderão ser melhor elucidadas com a
realização de técnicas de caracterização da heterocromatina constitutiva para a maioria das
espécies.
12
A classificação taxonômica controversa de Polybia é refletida na grande variação
no número de cromossomos das espécies do gênero. No caso especifico de P. occidentalis
os dados citogenéticos intensificam a problemática taxonômica do grupo com a presença
de citótipos diferentes para a mesma espécie, a exemplo dos dados obtidos nesse trabalho
quando comparados com os resultados propostos por Pompolo & Takahashi (1990b). A
semelhança cariotípica entre Apoica (A.) flavissima com duas espécies do gênero Agelaia
(Lepeletier, 1836) reforça a proximidade filogenética entre os gêneros.
A análise citogenética pode ser considerada como uma importante ferramenta nos
estudos taxonômicos, auxiliando na resolução dos polimorfismos morfológicos deste grupo
de vespas sociais, principalmente quanto à definição de subgêneros, subespécies e a
detecção de complexos de espécies crípticas.
5. Literatura citada
Carpenter, J.M. & Marques, O.M. 2001. Contribuição ao estudo dos vespídeos do Brasil
(Insecta, Hymenoptera, Vespoidea, Vespidae). Cruz das Almas / BA. UFBA, Escola de
Agronomia, Dpto Fitotecnia / Mestrado em Ciências Agrárias. Série Publicações Digitais,
2.
Carpenter, J.M. 2004. Synonymy of the genus Marimbonda Richards, 1978, with
Leipomeles Möbius, 1856 (Hymenoptera: Vespidae; Polistinae), and a new key to the
genera of paper wasps of the New World. American Museum Novitates 3465: 1-16.
Gomes, L.F. 1995. Estudos citogenéticos em vespas do gênero Trypoxylon (Hymenoptera,
Sphecidae, Larrinae, Trypxylonini). Viçosa: UFV. Dissertação de Mestrado. 80 p.
Hoshiba, H.; Matsuura, M. & Imai, H.T. 1989. Karyotype evolution in the social wasps
(Hymenoptera, Vespidae). Jap. Journ. of Genet. 64: 209-222.
Imai, H.T.; Maruyama, T.; Gojobori, T.; Inoue, Y. & Crozier, R.H. 1986. Theoretical bases
for karyotype evolution. The minimum-interaction hypothesis. American Naturalist 128
(6): 900-920.
Imai, H.T.; Taylor, R.W. & Crozier, R.H. 1988. Modes of spontaneous chromosomal
mutation and karyotype evolution in ants with reference to the Minimun Interaction
Hypothesis. Jap. Journ. of Genet. 63: 159-185.
Imai, H.T. 1991. Mutability of constitutive heterochromatin (C-bands) during eukaryotic
chromosomal evolution and their cytological meaning. Jap. Journ. of Genet. 66: 635–661.
13
Levan, A.K.; Fredga, K. & Sandberg, A.A. 1964. Nomenclature for centromeric position
on chromosomes. Hereditas 52: 201-220.
Pompolo, S.G. & Takahashi, C.S. 1986. Karyotype of two species of the genus Polistes
(Polistinae, Vespidae, Hymenoptera). Insects Sociaux, 33: 142-148.
Pompolo, S.G. & Takahashi, C.S. 1987. Cytogenetics of brazilian Polybiini wasps
(Hymenoptera, Vespidae, Polistinae). Rev. Bras. de Genét. 10(3): 483-496.
Pompolo, S.G. & Takahashi, C.S. 1990a. Chromosome numbers and C bands in two wasp
species of the genus Polistes (Hymenoptera, Vespidae, Polistinae). Insects Sociaux 37:
251-257.
Pompolo, S.G. & Takahashi, C.S. 1990b. Karyotype of ten species of social wasps
(Hymenoptera, Polistinae, Polybiini). Rev. Bras. de Genét. 13(3): 469-477.
14
TRANSFERIBILIDADE DE LOCI DE MICROSSATÉLITES NO MUTUM-DOSUDESTE, Crax blumenbachii (GALLIFORMES, CRACIDAE): UMA ESPÉCIE DE
AVE AMEAÇADA DA MATA ATLÂNTICA
Mariellen Cristine Costa1, Crisley de Camargo2, Natasha Macioli Laganaro3, Paulo
Roberto Ramos Oliveira Jr.3, Luís Fábio Silveira4 e Mercival Roberto Francisco5
1 Graduanda da Universidade Federal de São Carlos - UFSCar/Sorocaba, Departamento de
Ciências Ambientais ([email protected]);
2 Mestranda da Universidade Estadual Paulista “Julio de Mesquita Filho” –
UNESP/Botucatu, Programa de Ciências Biológicas (Genética);
3 Mestrandos da Universidade Federal de São Carlos - UFSCar/Sorocaba, Programa de
Diversidade Biológica e Conservação;
4 Curador de Aves do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo – MZUSP.
5 Professor da Universidade Federal de São Carlos - UFSCar/Sorocaba, Departamento de
Ciências Ambientais;
Palavras-chave: cracídeos, microssatélites, genética da conservação
1. Introdução
O Mutum-do-Sudeste, Crax blumenbachii, passou por um grande declínio
populacional devido à perda de hábitat e efeitos de caça predatória, sendo atualmente
listado na categoria “Em Perigo” (IUCN, 2011). Por isso, o Instituto Chico Mendes de
Conservação da Biodiversidade (ICMBio) criou o “Grupo de Trabalho para a Conservação
de Galliformes’’, visando a elaboração do Planos de Ação para a preservação destas aves
(Silveira et al., 2008). Dentre as diretrizes apresentadas neste plano, encontra-se a
necessidade do desenvolvimento de programas de reprodução em cativeiro. Entretanto,
para realizar a manutenção das populações em cativeiro é de fundamental importância
realizar conjuntamente o manejo genético dos indivíduos, para evitar o endocruzamento.
Esse feito pode ser agravado, pois nem sempre o número de indivíduos fundadores da
população cativa é suficiente para evitar a reprodução de indivíduos cosanguíneos. Dessa
forma, técnicas moleculares podem determinar o grau de parentesco entre os indivíduos e
auxiliar em estratégias de reintrodução (Frankham et al., 2008).
15
Os marcadores moleculares Microssatélites ou Repetições de Sequências Simples
(SSRs) são repetições em tandem de um a seis pares de base que estão dispersas pelo
genoma de todos os organismos já analisados (Zane et al., 2002). Devido ao elevado
conteúdo de informação, polimorfismo e expressão co-dominante, esse marcador
molecular permite identificar indivíduos homozigotos e heterozigotos para os loci
analisados (Zane et al., 2002). Entretanto, como os loci são espécie-específicos, precisam
ser isolados para cada espécie que esteja sendo avaliada pela primeira vez, o que pode
gerar grande gasto de tempo e recursos financeiros, pois exige a utilização de técnicas
dispendiosas (Zane et al., 2002; López-Vinyallonga et al., 2011). Contudo, é possível
realizar a transferibilidade de primers desenvolvidos para uma espécie (espécie de origem)
em espécies evolutivamente relacionadas (espécie alvo), uma vez que as regiões
flanqueadoras dos microssatélites que podem ser altamente conservadas (Galbusera et al.,
2000; Zane et al., 2002; Primmer & Merila, 2000; López-Vinyallonga et al., 2011). Dessa
forma, a técnica de transferibilidade pode facilitar o uso dos microssatelites, uma vez que
reduz esforço e custos com isolamento dos loci, principalmente quando os microssatelites
apresentam baixa frequência, gerando aumento da relação custo-eficiência (Primmer e
Merila, 2000; López-Vinyallonga et al., 2011).
Sendo assim, o objetivo deste estudo foi testar a transferibilidade dos loci de
microssatélites isolados para Aburria jacutinga e Pauxi tuberosa em C. blumenbachii.
Com isto, fornecer subsídios para a implementação de um programa de monitoramento
genético para esta espécie.
2. Material e Métodos
As amplificações dos loci de microssatélites foram realizadas em termociclador
Eppendorf, programado para uma desnaturação inicial de 94°C por 3 minutos, e 29 ciclos
de 94°C por 30 segundos, de 45° a 65,6°C (de acordo com a temperatura pré-definida para
cada locus) por 30 segundos e 72°C por 30 segundos, seguido de uma extensão final de
72°C por 5 minutos.
Para testar amplificação dos loci, utilizou-se o DNA extraído pelo método Fenol/
Clorofórmio/ Álcool Isoamílico (Sambrook et al., 1989)
de 15 amostras de C.
blumenbachii em reação de PCR com volume de 10 µL, contendo 2,0 µL de DNA, 2,0 µL
do tampão de amplificação 10x, 1,6 µL de DNTPs, 1,0 µL de cada primer (Sigma® Life
Science), 0,2 µL de Taq polimerase e 2,2 µL de Nuclease-Free Water.
16
Após a reação, realizou-se uma eletroforese em gel de agarose 1% para verificar a
eficiência de amplificação dos loci em cada indivíduo testado e constatar possíveis alelos
nulos.
Para se avaliar a existência de polimorfismo nos loci, os produtos de PCR com
resultados satisfatórios de amplificação foram separados em géis de poliacrilamida 7,5%
em cuba de sequenciamento. A visualização foi feita através da coloração com nitrato de
prata (Commincini et al., 1995).
3. Resultados
Os primers heterólogos demonstraram eficiência de amplificação (Tabela 1), dado
que 43 dos 47 amplificaram em C. blumenbachii.
Entre os loci heterólogos que
amplificaram com sucesso, dez foram polimórficos para C. blumenbachii (23%), sendo um
espécie-especifíco de A. jacutiga (Aburria 36) e 9 espécie-específico de P. tuberosa (Pauxi
1-2, Pauxi 1-4, Pauxi 1-16, Pauxi 1-30, Pauxi 1-36, Pauxi 1-37, Pauxi 2-19, Pauxi 2-30 e
Pauxi 3-4). O número de alelos variou de dois a três na espécie alvo.
Analisando-se cada locus separadamente, observa-se que o locus Aburria36
apresentou polimorfismo para a espécie alvo C. blumenbachii, porém é monomórfico para
a espécie-específica A. jacutinga. Além disso, os loci Pauxi1-16, Pauxi1-36 e Pauxi2-19
foram polimórficos para C. blumenbachii, e não demonstram variação de alelos em P.
tuberosa, espécie de origem dos primers (tabela 1).
As temperaturas de annealing espécie-específicas foram mantidas nos testes de
transferibilidade e os primers heterólogos amplificaram sem a necessidade de ajuste na
temperatura ou nos componentes da reação de PCR.
4. Discussão e Conclusão
Segundo Primmer e colaboradores (1996), os loci desenvolvidos para as espécies de
aves, que apresentaram sucesso de amplificação cruzada entre espécies próximas
filogeneticamente, têm menos de 50% de probabilidade de serem polimórficos. Dentre os
47 loci testados, 23% apresentaram polimorfismo para C. blumenbachii, dados que
corroboram com esse estudo.
Os 10 loci polimórficos identificados para a espécie apresentaram dois ou três
alelos, demonstrando uma riqueza alélica inferior a outras espécies de cracídeos estudados.
17
Os resultados revelaram evidencias de possível transferibilidade de loci de
microssatélites entre espécies relacionadas de cracídeos, garantindo uma maneira rápida e
de menor custo para a disponibilização desses marcadores moleculares para estudos
ecológicos e evolutivos, além de apresentar grande importância para a realização de planos
de manejo, a fim de garantir a conservação desse grupo de aves ameaçadas.
Além disso, alguns loci que são monomórficos para a espécie-específica
demonstraram polimorfismos ao serem testados em outras espécies. Muitas vezes, os loci
monomórficos não são publicados em estudos de isolamento e caracterização de
microssátelites, o que impossibilita a utilização desses loci em trabalhos de
transferibilidade subestimando o nível de variabilidade genética que poderia ser
identificado em outras espécies.
O Plano de Ação para a Conservação do Mutum-do-Sudeste (C. blumenbachii) tem
como um dos objetivos assegurar permanentemente a manutenção das populações e
promover o aumento tanto do efetivo populacional quanto do número de populações, e
proporcionar a expansão da distribuição geográfica da espécie na sua área de ocorrência
original.
Portanto, um dos objetivos específicos do Plano de Ação é o manejo das
populações em cativeiro visando monitoramento genético e reintroduções em caráter
essencial. Assim, os marcadores microssátelites transferidos para C. blumenbachii
fornecem subsídios suficientes para se realizar as análises genéticas fundamentais para
estudos de reintrodução visando definir os perfis genéticos e os melhores pareamentos para
aumentar a diversidade genética das populações cativas. O presente estudo solucionou de
maneira rápida e efetiva o problema de caracterização loci de microssátelites para essa
espécie, sem a necessidade do longo processo de isolamento de marcadores moleculares
específicos para C. blumenbachii.
5. Literatura citada
COMINCINI, S., LEONE, P., REDAELLI, L., DE GIULI, L., ZHANG, Y. & FERRETI,
L. Characterization of bovine microsatellites by silver staining.
Journal of Animal
Breeding and Genetics. v. 112, p. 415-420, 1995.
FRANKHAM, R.; BALLOU, J. D.; BRISCOE, D.
A. Reprodução em cativeiro e
reintrodução. In: ______. Fundamentos de Genética da conservação. Ribeirão Preto: SBG,
2008. 148-171 p.
18
GALBUSERA, P.; VAN DONGEN, S.; MATTHYSEN, E. Cross-species amplification
microsatellite primers in passerine birds. Conservation Genetics. v. 1, n. 2, p. 163-168,
ago. 2000.
IUCN - International Union for Conservation of Nature. IUCN Red List of Threatened
Species. Version 2011.2. Disponível em: <www.iucnredlist.org> Acesso em: 18 jan. 2012.
LÓPEZ-VINYALLONGA, S.; LÓPEZ-ALVARADO, J.; CONSTANTINIDIS, T. H.;
SUSANNA, A.; GARCIA-JACAS, N. Microsatellite cross-species amplification in the
genus Centaurea (Compositae). Collectanea Botanica, v. 30, p. 17-27, 2011.
PRIMMER, C. R.; MERILÄ, J. A low rate of cross-species microsatellite amplification
success in Ranid frogs. Conservation Genetics, v.3, p. 445-449, 2000.
PRIMMER, C. R.; MOLLER, A. P.; ELLEGREN, H. A wide-range survey of crossspecies microsatellite amplification in birds. Molecular Ecology, v. 5, p. 365-378, 1996.
SAMBROOK, J.; FRITSCH, E. F.; MANIATIS, T. Molecular cloning:
a laboratory
manual. 2ª Ed. Nova York: Cold Spring Harbor Laboratory Press, 1989.
SILVEIRA, L.F., SOARES, E.S. & BIANCHI, C. Plano de Ação Nacional para a
Conservação dos Galliformes Ameçados de Extinção (arucuãs, jacus, jacutingas, mutuns e
urus). Série Espécies Ameaçadas, nº 6. Brasília: ICMBio, 90 p. 2008
ZANE, L.; BARGELLONI, L.; PATARNELLO, T. Strategies for microsatellite isolation:
a review. Molecular Ecology, n. 11, pp. 1-16, 2002.
19
AMOSTRAGEM INTRACOLONIAL EM ABELHAS SEM FERRÃO
Marcus Vinicius Canário Viana1, Bruno Santos Almeida1, Soraia Barreto Aguiar Fonteles2,
Ana Karina de Francisco1, Carlos Alfredo Lopes de Carvalho2, Ana Maria Waldschmidt1.
1
Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, UESB - Departamento de Ciências Biológicas
([email protected])
2
Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, UFRB - Núcleo de Estudo dos Insetos –
Insecta.
Palavras-chave: genética molecular, microssatélites, diversidade
1. Introdução
Em espécies que apresentam comportamento eusocial o número de indivíduos
observados não é o número de potenciais reprodutores (Graur, 1985), exigindo uma
amostragem diferenciada. Para estudos de diversidade genética em abelhas eusociais são
utilizados um ou dois indivíduos por colônia para marcadores de DNA mitocondrial (MayItiza et al., 2010; Francisco et al., 2006) e um ou cinco (Borges et al., 2010) para
marcadores nucleares. O objetivo deste trabalho foi inferir um número ideal para
amostragem em abelhas sem ferrão com marcadores nucleares tendo a abelha Mellipona
scutellaris como modelo.
2. Material e Métodos
Amostras de deis colônias de M. scutellaris foram coletadas em meliponários nas
localidades de Vera Cruz-BA (A), Catu-BA (B, E e F) e Tancredo Neves-BA (C e D). Cerca
de 30 operárias foram utilizadas por colônia, totalizando 180 indivíduos em seis colônias.
Foram coletadas adultas nas colônias A e B, e pupas nas colônias C, D, E e F.
O DNA total foi extraído de acordo com o protocolo de Waldschmidt et al. (1997).
Seis locos microssatélites foram amplificados e os produtos de PCR foram submetidos à
eletroforese em gel de poliacrilamida não-desnaturante 8% e visualizados através de
coloração com nitrato de prata. Os genótipos parentais e número de patrilineas foram
20
deduzidos de acordo com Estoup et al., (1994) e operárias invasoras foram identificadas de
acordo com (Palmer et al., 2002).
Para inferir um número ideal de amostras para estimativa de diversidade genética
subamostragens de 1, 2, 3, 4, 5 e 10 indivíduos por colônia foram feitas a partir dos 30
iniciais. A heterozigosidade observada, percentual de locos polimórficos, desvios do
Equilíbrio de Hardy-Weinberg, a diversidade alélica foram calculados com o programa
TFPGA (Miller, 1997). Os resultados para as diferentes subamostragens foram comparados
por um teste t pelo programa Assistat (Santos e Silva, 2012).
3. Resultados
O locos Mbi232, Mbi233, Mbi254, Mru03, Mru14, Tc4-287 apresentaram 4, 5, 5,
3, 3, 2 e 2 alelos, respectivamente. Operárias invasoras e duas patrilineas foram
encontradas em colônias em que adultos foram amostrados. No teste t para comparação de
médias a heterozigosidade observada e o percentual de locos polimórficos, total ou por
colônia, não variaram significativamente (p>0,05). No entanto, a utilização de 5, 10 ou 30
indivíduos por colônia detectou o maior número de alelos (p<0,05). O número de alelos
exclusivos das localidades diminuiu com o aumento da amostragem e desvios do
Equilíbrio de Hardy-Weinberg ocorrem a partir do uso de cinco opérárias por colônia.
4. Discussão e Conclusão
As abelhas adultas que representam as supostas segundas patrilíneas encontradas
nas colônias A e B compartilham alelos com as respectivas rainhas, no entanto,
compartilham também com as abelhas invasoras, podendo não ter nascido nas colônias em
que foram amostradas. Palmer et al, (2002) encontraram até 8 patrilínieas em amostras de
adultos e uma em amostras com pupas.
Cada operária pode herdar apenas um dos dois possíveis alelos maternos. A
diminuição do número de alelos privados se deu pela detecção de alelos comuns que não
puderam ser amostrados por um número restrito de indivíduos, o que afetaria o cálculo de
frequências alélicas, que incluem a presença ou ausência de alelos em comum e são
utilizadas para cálculos de identidade genética entre populações (Nei, 1972).
21
A repetição aleatória dos genótipos de indivíduos aparentados causou desvios no
Equilíbrio de Hardy-Weinberg para os locos estudados.
Apesar da diversidade alélica total não apresentar mudança significativa, a detecção
dos alelos e a estruturação destes entre localidades pode variar, mudando a interpretação de
como a diversidade está estruturada. Com base nos resultados obtidos sugere-se a
utilização de 5 operárias por colônia para estudos de diversidade genética utilizando-se
marcadores moleculares.
5.
Literatura Citada
Borges A. A., Campos L. A. O., Salomao T. M F., Tavares M. G. (2010) Genetic variability
in five populations of Partamona helleri (Hymenoptera, Apidae) from Minas Gerais State,
Brazil. Genetics and Molecular Biology 33(4), 774-780.
Estoup, A., Solignac, M., Cornuet, J. M. (1994) Precise assessment of the number of
partilines and of genetic relatedness in honeybee colonies. Proceedinds of the Royal
Entomologial Society of London, Series B 258, 1-7.
Francisco F. O., Brito R. M. and Arias M. C. (2006) Alelle number and heterozigosity for
microsatellite loci in different stingless bee species (Hymenoptera: Apidae, Meliponini).
Neotropical Entomology 35(5), 638-643.
Graur D. (1985) Gene Diversity in Hymenoptera. Evolution 39(1), 190-199.
May-Itzá, W. J., Quezada-Euán, J. J. G., Medina Medina, L. A., Enríquez, E., De la Rúa, P.
(2010) Morphometric and genetic differentiation in isolated populations of the endangered
Mesoamerican stingless bee Melipona yucatanica (Hymenoptera: Apoidea) suggest the
existence of a two species complex. Conservation Genetics 11, 2079–2084.
Miller, M. P. (1997) Tools for population genetics analyses (TFPGA) 1.3: A Windows
program for the analysis of allozyme and molecular population genetic data. Computer
software distributed by author.
Nei M. (1972) Genetic distance between populations. The American Naturalist 106, 283-92.
Palmer, K. A., Oldroyd, B. P., Quezada-Euan, J. J. G., Paxton, R. J., May-Itza, W. D. (2002)
Paternity frequency and maternity of males in some stingless bee species. Molecular Ecology
11, 2107-2113.
Santos e Silva, F. A. (2012) Assistat – Assistência estatística. Available online at:
http://www.assistat.com.
22
Waldschmidt, A. M., Salomao, T. M. F., de Barros, E. G., Campos, L. D. O. (1997)
Extraction of genomic DNA from Melipona quadrifasciata (Hymenoptera: Apidae,
Meliponinae). Brazilian Journal of Genetics 20, 421-423.
23
ESTUDO DE SOBRENOMES EM UMA COMUNIDADE SEMI-ISOLADAS DA
REGIÃO SUDOESTE DA BAHIA
Silene de Araújo Pereira1, Ana Maria Waldschmidt 2 e Ana Angélica Leal Barbosa 2
1
Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Genética, Biodiversidade e Conservação
da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (PPGBC), Departamento de Ciências
Biológicas – UESB. ([email protected]);
2
Professoras do Programa de Pós-Graduação em Genética, Biodiversidade e Conservação
da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (PPGBC), Departamento de Ciências
Biológicas – UESB
Palavras-chave: afrodescendete, miscigenação, ancestralidade .
1. Introdução
Os nomes de família (último sobrenome) foram denominados como uma variável
universal por Azevêdo (1980), que a definiu como um tipo de variável para estudos
antropológicos culturais, caracterizando-se por: a) não precisar de definição pelo
investigador, pois há um consenso universal sobre o que ela significa; b) não ser
artificialmente produzida pelo investigador; e c) estar presente naturalmente em toda
população. Um dos primeiros pesquisadores a utilizar sobrenomes em estudos genéticos de
população foi Darwin, em 1875, quando estimou a freqüência de casamentos entre primos
na Inglaterra, com base na freqüência de casamentos entre pessoas com o mesmo nome de
família (AZEVEDO, 1980).
Na Bahia, o estudo de sobrenomes representa um ponto de convergência de
fenômenos biológicos, cultural e histórico (AZEVEDO, 1980), devendo-se destacar os
sobrenomes de conotação religiosa, os quais foram definidos por Tavares-Neto e Azevêdo,
em 1977, como sendo àqueles que representam os nomes de “santos” (incluindo
invocações a Nossa Senhora), de símbolos religiosos e de cerimônias ou festividades da
Igreja Católica. Vários trabalhos realizados em genética de população abordaram a questão
da ligação entre herança cultural e herança genética na Bahia, entre os quais: Tavares-Neto
& Azevedo (1977 e 1978), Azevedo (1980), Azevedo et al. (1981, 1982, 1983, 1986) e
24
Barbosa et al. (1997), confirmando a importância do sobrenome de conotação religiosa
como marcador étnico, muitas vezes mais fiel na identificação da origem racial do que as
próprias características fenotípicas.
Devido à existência de algumas enfermidades encontradas em muitas populações
ocorrerem mais frequentemente em determinados grupos étnicos (como por exemplo,
anemia falciforme, deficiência de glicose-6-fosfato desidrogenase e hipertensão arterial),
bem como a necessidade do homem em conhecer o seu passado, faz-se necessário o estudo
de comunidades que vise pesquisar a sua ancestralidade. Dessa forma, buscando ampliar o
conhecimento em populações afrodescendentes na região Sudoestes da Bahia, este trabalho
tem como objetivo observar a existência de associação entre a ancestralidade africana e os
sobrenomes de conotação religiosa dos moradores do Bairro Jiquiriçá, na cidade de
Maracás, Bahia.
2. Material e Métodos
O Bairro Jiquiriçá, popularmente conhecido como Bairro do Cuscuz, faz parte da
zona urbana do município de Maracás, a qual está localizada na região Sudoeste do Estado
da Bahia, distante 367 km de Salvador, capital do Estado, possuindo uma área de 2.435,2
Km2, e um total de 24.615 habitantes no ano de 2010 (IBGE, 2010).
Pereira (2003), com o objetivo de analisar a estrutura populacional da comunidade,
coletou vários dados que foram utilizados para a análise de diversas características e
parâmetros genéticos.
Os dados foram coletados no próprio bairro, pela pesquisadora e graduandos,
devidamente treinados, dos cursos de Fisioterapia e Biologia, da Universidade Estadual do
Sudoeste da Bahia (UESB), Campus de Jequié, no período de agosto de 2002 a março de
2003, compreendendo um total de três visitas à comunidade.
Foram realizadas visitas domiciliares a 54 casas do bairro, onde foram preenchidos
questionários com dados individuais e familiares das pessoas residentes na comunidade
durante o período das visitas.
Os dados foram coletados preferencialmente junto aos titulares da casa, com o
consentimento livre e esclarecido por parte dos entrevistados. Apesar da boa vontade da
população, muitos dados não puderam ser completados, pois, freqüentemente, os
entrevistados não estavam capacitados para informar sobre idade de familiares, local de
25
nascimento, abortos, causas de morte, etc. No entanto, as parcelas perdidas foram
devidamente ponderadas nas análises.
A cada família foi aplicado um questionário e, quando um indivíduo casou-se mais
de uma vez, preencheu-se o número correspondente de questionários, sempre que o mesmo
dispunha de informações suficientes.
Na classificação dos indivíduos quanto a sua origem étnica em Caucasóides e
Negróides, considerou-se a cor da pele, espessura dos lábios, formato do nariz e tipo de
cabelo.
Com relação aos sobrenomes, os mesmos foram classificados conforme TavaresNeto & Azevêdo (1977, [78]).
O Índice Fenotípico Negróide (IFN) e o Índice Cultural Negróide (ICN) foram
calculados conforme descritos por Azevêdo et al. (1982). O IFN foi obtido pelo quociente
do somatório dos indivíduos classificados como mulato médio (MM), mulato escuro (MC)
e negro (N) pelo total de indivíduos da amostra que foram classificados, e o ICN pela
freqüência de sobrenomes de conotação religiosa.
3. Resultados
No Bairro do Cuscuz foram averiguadas 54
famílias constituídas por 336 indivíduos, dos
quais, 46 (23 homens e 23 mulheres) não
habitavam a cidade de Maracás na época da coleta
Total;
IGNOR
ADO;
115
Total;
Total; N;
ME;
44
Total;
Total; B;Total;
29
2 MC; 10MM; 14
Homens
de dados, 47 (20 homens e 27 mulheres) não
Classificação racial
foram informados quanto ao local de residência e
29 já haviam falecido, sendo assim, retirados da amostra, ficando a mesma com um total de
214 indivíduos. Destes 214 indivíduos, apenas 99 foram classificados com relação à etnia.
Com relação aos tipos de sobrenomes, verificouque 205 indivíduos (61,03%) tinham sobrenomes
Séri
e1…
conotação religiosa e 99 (29,45%) apresentaram
Séri
e1…
Séri
e1…
se
Séri
Assis
e1…
-
de
Batist
Séri
a -…
e1…
26
sobrenomes sem conotação religiosa. Dentre os sobrenomes de conotação religiosa, 172
corresponderam a Santos, apresentando uma freqüência isolada de 83,90%.
O IFN estimado foi de 0,88, superior aos descritos por Azevedo (1981) para as cidades
São Félix (0,779) e Cachoeira (0,719), os maiores observados em 16 localidades do Estado
da Bahia, enquanto que o ICN, apresentou um valor de 0,61.
4. Discussão e Conclusão
A população investigada no Bairro do Cuscuz, no que se refere às características
étnicas, mostrou-se predominantemente negra, onde o IFN encontra-se acima dos valores
considerados altos (0,54 – 0,79) por Azevedo et al. (1982), bem como, acima do valor
encontrado na comunidade de Bananal-BA – IFN = 0,8 (BARBOSA, 2006). Este alto
índice foi mantido, provavelmente, devido ao isolamento a que esse grupo se submeteu ao
longo do tempo, não por questões geográficas, mas sim, por questões sociais.
Os dados referentes à freqüência de sobrenomes de conotação religiosa permitiram
a obtenção de um elevado ICN, (0,61) para a comunidade estudada, sendo considerado
como alto dentro dos critérios estabelecidos por Azevedo et al. (1982), o qual foi superior
ao encontrado em Bananal-BA (0,24) (BARBOSA, 2006) e nas 16 localidades estudadas
por Azevedo (1980). Este alto valor pode ser explicado em função da composição inicial
dos indivíduos que constituíram a comunidade, onde a ocorrência de sobrenomes de
conotação religiosa era alta. Com base nos questionários, observou-se que o sobrenome
“Santos” constituiu duas das famílias mais antigas da comunidade. Isso indica que,
possivelmente, no início, os sobrenomes de conotação religiosa também se apresentavam
com alta freqüência. Desta forma, pode-se concluir, de acordo com a análise desses dados,
que, provavelmente, a freqüência de sobrenomes de conotação religiosa se manteve em
níveis elevados devido à influência do efeito fundador. Vale ressaltar a importância do
sobrenome “Santos” na história dos negros na Bahia, sob o qual, Azevedo e Freire (1984),
sugerem que este surgiu a partir dos negros alforriados que não possuíam sobrenome.
o isolamento observado no Bairro do Cuscuz provavelmente se deve ao fato desta
comunidade ter sofrido um processo de discriminação racial muito intenso, conforme o
relato oral do grupo.
27
Estudos posteriores far-se-ão necessários para uma caracterização mais precisa
desta comunidade, os quais poderão ser feitos através da utilização de marcadores clássicos
e moleculares
5. Literatura citada
Azevedo E.S. 1980. The anthropological and cultural meaning of family names in Bahia,
Brazil. Curr. Anthrop. v. 21, p. 360-36.
Azevedo, E.S., Azevedo, S., Azevedo, E.E.S. 1981. Análise Antropológica e Cultural dos
Nomes das Famílias da Bahia. CENTRO DE ESTUDOS AFRO-ORIENTAIS, v. 8, p. 0114.
Azevedo, E.S., Fortuna, C.M.M., Silva, K.M.C., Sousa, M.G.F, Machado, M.A., Lima,
A.V.M.D., Aguiar, M.E., Abé-Sandes, K., Eulálio, M.C.M.N., Conceição, M.M., Silva,
M.C.B.O., Santos, M.G. 1982. Spread and Diversity of Human Populations in Bahia,
Brazil. Hum. Biol., v. 54, p. 329-341.
Azevedo, E.S., Costa, T.P., Silva, M.C.B.O., Ribeiro, L.R.,1983. The use of surnames for
interpreting gene frequency distribution and past racial admixture. Hum Biol., v 55. p 352242.
Azevedo, E.S., Azevedo, S., Azevedo, E.E.S., Freire, N.B.V.M. 1984. Nomes e
Sobrenomes na Interpretação da História do Povo. Ciência e Cultura (SBPC), v. 36, n.5, p.
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Azevedo, E.S., Chautard-Freire-Maia, E.A., Freire-Maia, N., Fortuna, C.M.M., AbéSandes, K., Santos, M.G., Barbosa, A.A.L.,; Silva, M.E.T., Costa, A.F. 1986. Mating
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Brasileira de Genética (supl) v.20,n º3, p. 319.
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D.C.C., Cavalli, I.J., Azevedo, E.E.S. 2006. Microsatellite studies on an isolated
population of African descent in the Brazilian state of Bahia Genetics and Molecular
Biology.29. 1. 23-30.
28
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Instituto
Brasileiro
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Geografia
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Estatística.
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Pereira, S.A. Estrutura populacional do Cuscuz: um bairro afrodescendente do município
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Tavares-Neto, J., Azevedo, E.S., Azevedo S., Azevedo E.E.S. 1977. Racial Origin and
Historical Aspects of Family Names In Bahia, Brasil. Human Biology, Estado Unidos, v.
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ABO Blood Group Frequencies In a Mixed Population of Bahia, Brazil. Human Biology,
Estados Unidos, v. 50, p. 361-367.
29
ESTUDOS CITOGENÉTICOS DO GÊNERO FRIESEOMELITTA
(HYMENOPTERA, MELIPONINI) DA REGIÃO SUDOESTE DA BAHIA
Tecavita Ananda Santos Rodrigues1, Débora Diniz2 e Ana Maria waldschmidt3
1
Discente da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Departamento de Ciências
Biologicas. Endereço: Av. José Moreira Sobrinho s/n, ([email protected])
2;3
Docentes da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Departamento de Ciências
Biologicas. Endereço: Av. José Moreira Sobrinho s/n.
Palavras-chave: Apidae, Citogenética, heterocromatina.
1. Introdução
As abelhas constituem, juntamente com formigas e vespas, a terceira maior ordem
de insetos chamada Hymenoptera Dentre as abelhas, existem as sem-ferrão que pertencem
à família Apidae, subtribo Meliponini(Michener, 2000).. Elas possuem importante função
em seus respectivos ecossistemas como polinizadoras, atuando na conservação de várias
espécies de plantas e da fauna associada a estas. Além disso, as abelhas sem-ferrão
fornecem mel, cerume e resinas, apresentando também grande importância econômica. O
gênero Frieseomelitta pertence a esse grupo de abelhas e é composto por 16 espécies das
quais seis ocorrem na Bahia, sendo: F. doederleini, F. francoi, F. silvestri languida, F.
varia, F. flavicornis e F. dispar (Moure et al., 2007). O presente estudo teve por objetivo
caracterizar citogeneticamente as espécies de abelha Frieseomellita do sudoeste da Bahia,
determinando o número, a morfologia e a distribuição da heterocromatina dos
cromossomos metafásicos. Portanto, as metodologias acrescentarão importantes dados
sobre a evolução cariotípica do gênero e consequentemente serão úteis para sua
conservação.
2. Material e Métodos
30
Foram coletadas amostras de F. francoi e Frieseomelitta. sp. da região de Jequié e
Frieseomelitta dispar de duas colônias (col. 1 e col. 2) do distrito de Florestal, região de
mata de Jequié. Foram coletados cerca de 10 indivíduos adultos e 30 larvas no estágio de
pré-pulpa.
Os adultos foram montados e armazenados na coleção de abelhas do Laboratório
de Insetos Sociais no Biotério da UESB, Campus de Jequié. Larvas pós- defecantes foram
utilizadas para extração do gânglio e obtenção dos cromossomos metafásicos a partir da
técnica de secagem ao ar, proposta por Imai (1998). A banda C seguiu o protocolo
proposto por Sumner (1990), com modificações nos tempos: Ba(OH)2 5% por 25
segundos. Montagem dos cariótipos seguiu o protocolo proposto por Imai (1991).
3. Resultados
A partir da realização da técnica convencional de secagem ao ar foi possível
determinar que todas as espécies estudadas no presente trabalho apresentaram número
cromossômico 2n=30 para as fêmeas.
A morfologia dos cromossomos pôde ser determinada com a técnica de
bandamento C (Figura 1). A nomenclatura cromossômica utilizada foi proposta por Imai
(1991). Os tipos encontrados foram: metacêntricos (M) - braços de aproximadamente
tamanhos iguais e pouca heterocromatina restrita na região do centrômero; acrocêntricos
(A) - heterocromatina distribuída da região centromérica até o braço curto; cromossomos
metacêntricos eucromáticos incomuns na tribo meliponini, aqui denominados (Me) –
completamente destituídos de heterocromatina; e cromossomos (Mt) - distribuição
heterocromática na região telomérica e centromérica.
a
2
1
M
b
4
3
e
M
t
6
5
7
8
9
10
A
A
11
12
13
14
15
M
3
1
2
3
M
4
M
t
6
5
7
8
9
11
10
A
A
12
13
14
15
M
c
1
3
2
M
d
M
1
2
M
e
4
t
6
5
7
8
9
10
A
4
3
A
A
5
6
7
8
10
9
A
11
12
13
14
15
M
11
12
13
14
15
M
31
FIGURA 1.
Cariótipos de fêmeas do gênero Frieseomelitta após bandamento C. (a)
Frieseomelitta Francoi; (b) Frieseomelitta dispar da col. 1; (c) Frieseomelitta dispar da col. 2; (d)
Frieseomelitta sp.
A partir do tratamento com banda C, foram observadas as seguintes fórmulas
cariotípicas: F. fracoi 2K= 4Me+2Mt+4A+20AM; F. sp. 2K=4Me+4A+22AM; e as duas
colônias de F. dispar 2K= 4M+2Mt+4A+20AM.
A Frieseomelitta dispar da col. 1 e col. 2 não apresentaram diferenças na morfologia
de seus cromossomos em nenhuma das técnicas, resultado esperado por se tratar de
indivíduos coletados em colônias oriundas de um mesmo local.
4. Discussão e Conclusão
O número diploide 2n=30 para as fêmeas se mantém constante em outras espécies
deste gênero (ROCHA et al., 2003; Carvalho & Costa, 2011).
Os indivíduos da espécie F. dispar de ambas as colônias, assim como a F. francoi,
apresentaram em seu cariótipo o par de cromossomos Mt (Figura 1abc) , o que corrobora
com o estudo de Carvalho & Costa (2011). Entretanto, estudos filogenéticos separam essas
espécies em dois grupos distintos (Camargo e Pedro, 2003). Carvalho & Costa (2011)
assumem que, caso as análises filogenéticas estejam corretas, esse cromossomo pode ter
surgido independentemente, mesmo sendo este fato contraditório com a conservação do
cariótipo verificada no gênero. Segundo Imai (1991), esse cromossomo teria se originado
de uma inversão pericêntrica ocorrida em um acenstral acrocêntrico.
Os cromossomos com morfologia Me encontrado nas espécies Frieseomelitta sp. e
Frieseomelitta francoi nunca havia sido descrito para o gênero Frieseomelitta (Figura 1ad).
Os resultados obtidos mostram que a citogenética das espécies de Frieseomelitta do
sudoeste da Bahia foi de extrema importância, pois representa uma ferramenta útil para
estudos de evolução cariotípica neste grupo de grande valor econômico e ecológico para
região.
32
5. Literatura citada
CAMARGO, J. M. F.; PEDRO, S. R. M. Sobre as relações filogenéticas de
Trichotrigona Camargo & Moure (Hymenoptera, Apidae, Meliponini). In G. A. R.
Melo & I. Alves-dos-Santos, Apoidea Neotropica: Homenagem aos 90 anos de Jesus
Santiago Moure. Editora UNESC, Criciúma, p. 109-122. 2003.
CARVALHO, A. F.; COSTA, M. A. Cytogenetic characterization of two species of
Frieseomelitta Ihering, 1912 (Hymenoptera, Apidae, Meliponini). Genetics and
Molecular Biology, 34, 2, p.237-239. 2011.
IMAI, H. T. Mutability of constitutive heterochromatin (Cbands) during eukaryotic
chromosomal evolution and their cytological meaning. Jpn J Genet 66:653-661. 1991.
IMAI, H. T.; MARUYAMA T.; GOJOBORI T.; INOUE Y.; CROZIER R. H. Theoretical
bases for karyotype evolution. The minimum-interaction hypothesis. American Naturalist
128: 900-920. 1998.
LOPES, D. M.; POMPOLO, S. G.; CAMPOS, L. A. O.; TAVARES, M. G. Cytogenetic
characterization of Melipona rufiventris Lepeletier 1836 and Melipona mondury
Smith 1863 (Hymenoptera, Apidae) by C banding and fluorochromes staining.
Genetics
and
Molecular
Biology,
31,
1,
49-52,
2008.
Disponível
em:
<
http://www.scielo.br/pdf/gmb/v31n1/10.pdf> Acesso em: 06 julh. 2012.
MICHENER, C. D. The bees of the word. The Jhon Hopkins University Press, Baltimore.
p. 779-805, 2000.
MOURE, J. S.; URBAN, D.; MELO GAR (2007) Catalogue of Bees (Hymenoptera,
Apoidea) in the Neotropical Region. Sociedade Brasileira de Entomologia, Curitiba, 1058
p. 2007.
ROCHA, M. P.; POMPOLO, S. G.;CAMPOS, L. A. O. Citogenética da tribo Meliponini
(Hymenoptera, Apidae). In: Melo GAR and Santos IA (eds) Apoidea Neotropica:
Homenagem aos 90 anos de Jesus Santiago Moure. UNESC, Criciúma, pp 311-320. 2003.
SUMNER, A. T. Chromosome Banding. London, Unwin Hyman Ltd. xiv + 434p. 1990.
SUMMER, A. T. Chromossomes: Organization and Function. Blackwell Publishing. p.
285. 2003.
33
SELEÇÃO DE PRIMERS ISSR PARA ESTUDOS DE DIVERSIDADE GENÉTICA
EM POPULAÇÕES DE Melipona scutellaris (HYMENOPTERA: APIDAE)
Bruno Santos Almeida1, Marcus Vinicius Canário Viana1 e Ana Maria Waldschmidt2.
1
Mestarando em Genética Biodiversidade e Conservação- UESB ([email protected]);
2
Professor (a) Dr(a) do Departamento de Ciências Biológicas – DCB (UESB/Campus de
Jequié-BA).
Palavras-chave: Abelha, Amplificação, Polimorfismo.
1. Introdução
As abelhas brasileiras sem ferrão são as principais polinizadoras das árvores
nativas.. Atualmente está espécie está presumidamente ameaçada de extinção (KERR,
2002). Dentre as técnicas moleculares que podem ser utilizadas como ferramenta para
estudo da diverisdade genética, destaca-se a ISSR (Inter Simple Sequence Repeat) por
permitir a detecção de polimorfismos em regiões flanqueadas por DNA microssatélite sem
a necessidade de se isolar e seqüenciar fragmentos específicos de DNA. Esta técnica
baseia-se na amplificação por PCR do DNA de cada indivíduo, usando como
oligonucleotídeos iniciadores (primers) seqüências de nucleotídeos complementares a
sítios de SSR (Single Sequence Repeat) aleatórios (Gupta et al., 1994). O presente estudo
objetivou-se selecionar primers ISSR que possam ser usados para estudos genéticos em
populações de Melipona scutellaris visando estabelecer estratégias que permitam a
conservação desse importante polinizador.
2. Material e Métodos
Foram amostradas oito colônias (oito operarias) das localidades de Rui Barbosa,
Mundo Novo, Maracás e Pojuca, no Estado da Bahia, para a realização dos testes de
polimorfismo de primers. O DNA foi extraído de acordo com o protocolo de Waldschmidt
et al. (1997). Após a extração as amostras foram submetidas à eletroforese em géis de
agarose a 0,8% para verificar a qualidade e a integridade do DNA. As reações de
34
amplificação foram realizadas via PCR-ISSR. Cada reação conteve um volume total de 25
μL contendo 10 ng de DNA, dNTPs a 200 μM, 1 U da enzima Taq polimerase, 50 pmoles
de primer e 2,5 mL de tampão 10X. O termociclador foi programado para um passo inicial
de desnaturação de 94°C/4min e 40 ciclos de 91°C/1mim, 53ºC/2min, 72ºC/ 2min e um
passo final de 72ºC/7mim. As reações foram acompanhadas por controle negativo
contendo todos os componentes, exceto o DNA genômico. Os fragmentos de DNA
resultantes da amplificação foram separados por eletroforese em gel de agarose 1.2%. Foi
construída uma matriz binária para quantificar o numero total de locus identificados. A
presença de bandas foi atribuído o valor 1 e ausência o valor 0.
3. Resultados
As oito amostras extraídas de Rui Barbosa, Mundo Novo, Maracás e Pojuca
apresentaram boa integridade e quantidades ótimas para a realização das amplificações
(figura 1a e b). Foram testados 50 primers ISSR com a temperatura de anelamento de 53º
sendo destes 23 amplificaram regiões do genoma de M. scutellaris. Contudo apenas 10
primers (UBC 808, 809, 811, 812, 834, 827, 825b, 889, 857, 888) (tabela 01) foram
selecionados por apresentarem presença de bandas nítidas, quantidade de fragmentos
gerados superior a cinco, polimorfismo e reprodutibilidade. O numero total de bandas
obtidas foram 94, o primer UBC-888 apresentou o maior número (13) e o UBC-857 o
menor (6). O numero médio de bandas por primer foi de 9,4.
1 2
a
3
4
5
6
7
8 1 2 3 4 5
6 7
8
b
Figura 1. a) Quantificação do DNA genômico extraído segundo o protocolo de
Waldschmidt et al. (1997) das 8 colônias de M. scutellaris amostradas. b) Amplificação
com primer 811 das amostras oriundas de Pojuca (1-2), Mundo Novo (3-4), Rui Barbosa
(5-6) e Maracás (7-8), evidenciando o numero de bandas e o polimorfismo obtido.
35
Tabela 01. Descrição dos dez primers ISSR selecionados, contendo as sequências,
temperatura de anelamento e o numero de bandas obtidas.
Primer
Seqüência
Temperatura de Numero de
Anelamento (ºC)
Bandas
UBC 808
(AGA)3 (GAG)2
53
12
UBC809
(AGA)3 (GAG)3
53
11
UBC 811
(GAG)3 (AGA)2
53
12
UBC 812
(GAG)3 (AGA)2
53
9
UBC 834
(AGA)3 (GAG)2
53
8
UBC 827
(ACA)3 (CAC)2
53
7
UBC 825b
(ACA)3 (CAC)2
53
8
UBC 889
(CAT)2 (GGT)2
53
8
UBC 857
(ACA)3 (CAC)2
53
6
UBC 888
(CAC)2 (ACA)2
53
13
4. Discussão e Conclusão
O protocolo de extração proposto por Waldschmidt et al. (1997), foi eficiente para
obtenção do DNA genômico das colônias analisadas, tanto em quantidade como em
qualidade do DNA, não apresentando contaminação por compostos fenólicos ou proteínas
que inviabilizam as amplificações. Segundo Carvalho e Vieira (2001) um dos fatores
fundamentais para o sucesso da reação de PCR é a quantidade de DNA íntegro em relação
ao primer uma vez que poderá não ocorrer a amplificação se a quantidade for
excessivamente alta ou baixa. Os dez primers selecionados neste estudo podem ser usados
para estudos de diversidade genética, dado ao alto numero de bandas obtidas e a presença
de polimorfimos genéticos. Interessante notar que as sequências flanqueadas são ricas em
adenina, citosina e guanina e somente o primer 889 franqueou regiões com timina,
possivelmente as sequências ISSR do genoma da espécie apresentam elevada freqüência
destas bases nitrogenadas.
Os resultados deste trabalho são importantes para estudos de diversidade genética,
pois a seleção de primers informativos é o primeiro passo da pesquisa.
36
5. Literatura citada
CARVALHO, A.O.R., VIEIRA, L.G.E. Determinação das condições ótimas para análises
de PCR-RAPD em Atta sexdens rubropilosa Forel (Hymenoptera: Formicidae).
Neotropical Entomology, Londrina, v.4, n.30, p.593-600, 2001.
GUPTA, M., CHYI, Y.S., ROMERO-SEVERSON, J., OWEN J.L. Amplification of DNA
markers from evolutionarily diverse genomes using single primers of simple-sequence
repeats. Theoretical and Applied Genetics, v. 89, p.998-1006, 1994.
KERR, W.E. Extinção de espécies: a grande crise biológica do momento e como afeta os
meliponíneos. Anais do V Encontro sobre Abelhas. Ribeirão Preto/SP, 2002, p. 4.
WALDSCHMIDT, A. M., SALOMÃO, T. M. F., BARROS, E. G.; CAMPOS, L. A. O.
Extraction of genomic DNA from Melipona quadrifasciata (Hymenoptera, Apidae
Meliponinae). Revista Brasileira de Genética. v.20, p. 421-423, 1997.
37
TESTES DE DOIS PARES DE PRIMERS E CONDIÇÕES DE AMPLIFICAÇÃO
PARA CAMARÕES MARINHOS
Renata Vasconcelos Oliveira¹ ; Marcelo Cervini² ; Ana Maria Waldschmidt²; Paulo
Roberto Antunes de Melo Affonso² ; Ana Karina de Francisco²
¹,²Laboratório de Genética Molecular - Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia,
Jequié – BA
¹Graduanda do curso de Ciências Biológicas.
²Professores do Departamento de Ciências Biológicas-DCB
¹[email protected]
Palavras-chave: camarão, teste amplificação, barcode
1-Introdução
Para o conhecimento de organismos que podem ou não pertencer a um mesmo
grupo taxonômico, uma melhor definição e identificação das espécies se faz necessária
para confirmação e/ou descoberta da diversidade biológica. O grupo dos camarões
apresentam muitos problemas de espécies crípticas e talvez com identificações errôneas, as
devidas medidas para conservação não estão sendo tomadas; ainda, estas espécies sofrem
um intenso esforço de pesca, podendo prejudicar tanto as espécies de interesse comercial,
como aquelas consideradas fauna acompanhante. A utilização de análises moleculares
pode auxiliar na obtenção desse conhecimento. Uma dessas, é a técnica DNA barcoding a
qual consiste na utilização de pequenas seqüências de genes padronizados que conduzirão
para revelar novas espécie, identificá-las, podendo assim delimitar as espécies e revelar
espécies crípticas (HEBERT et al., 2004). O objetivo deste trabalho foi testar os dois pares
de primers de Barcode para as espécies Xiphopenaeus kroyeri, Exhippolysmata
oplophoroides, Farfantepenaeus paulensis, Litopenaeus schmitti e Sicyonia typica. A
região de interesse é um fragmento de aproximadamente 710 pb da região 5`do gene COI.
2- Material e Métodos
As reações de amplificação foram realizadas em termociclador NYX Technik
modelo ATC 201. Foram testadas as condições de amplificação propostas por COSTA et
al (2007) a qual consta em um regime de termociclagem com um volume final de 50 μl em
38
um ciclo de 1min à 94°C; 5 ciclos de 30 seg à 94°C, 90 seg à 45°C e 60 seg à 72°C; 35
ciclos de 30 seg à 94°C, 90 seg à 51°C e 60 seg à 72°C; seguindo a extensão final de 5 min
à 72°C. As condições de JEFFERY et al.( 2011) consistiu de um volume final de 12.5 μl
em um ciclo de 1 min à 94°C; 5 ciclos de 94°C por 1 min, 45°C por 40 seg e 72°C por 1
min; seguido de 35 ciclos de 94°C por 1 min, 51°C por 40 seg e 72°C por 1 min; e depois
um ciclo final de 72°C por 5 min. Também foram realizados testes com alterações de
concentrações de DNA com 50, 25, 15 e 5 ng, concentração de Taq polimerase de 1 U para
2 U, temperatura de extensão de 72°C para 64°C, temperatura de anelamento de: 46, 47,
48, 49 e 50. Foi modificado também a primeira etapa de anelamento de 5 ciclos para 8
ciclos durante 1h e 20 min à 45°C; e a segunda etapa de anelamento com de 35 ciclos para
30 ciclos finais durante 1h e 20 min à 51°C. Os primers LCO 1490, HCO 2198 e Crust F1,
Crust R2 descritos por FOLMER et al,(1994) foram empregados separadamente e os dois
pares em conjunto.
3- Resultados
Houveram falhas em algumas amplificações com as espécies Xiphopenaeus kroyeri,
Farfantepenaeus paulensis, Litopenaeus schmitti e Sicyonia typica. O melhor resultado foi
obtido a partir das condições de amplificação com JEFFERY et al.( 2011), sendo uma
concentração de DNA de 5 ng e Taq polimerase 1 U, e a espécie com melhor resultado
para as amplificações em relação às outras foi Exhippolysmata oplophoroides. Não houve
diferença na qualidade de amplificação para os diferentes primers.
4- Discussão e conclusão
A falha na amplificação das espécies Xiphopenaeus kroyeri, Farfantepenaeus
paulensis, Litopenaeus schmitti e Sicyonia typica, pode estar relacionada não somente ao
método de amplificação utilizado, mas também à má qualidade do DNA total extraído. A
não distinção entre o uso de pares de primers diferentes pode possivelmente confirmar que
para a técnica de Barcode um par de primer universal já é suficiente para bons resultados.
Percebe-se que nem todo procedimento pode ser aplicado de forma genérica havendo uma
necessidade de certos ajustes para que os estudos sobre determinada espécie possam ser
39
realizados com uma melhor qualidade, mesmo para uma metodologia como o Barcode que,
aparentemente oferece primers praticamente prontos para amplificação.
5- Literatura citada
COSTA, F.O.; DE WAARD, J.R; BOUTILLIER, J.; RATNASINGHAM, S.; DOOH,
R.T.; HAJIBABAEI, M.; HEBERT, P.D.N. 2007. Biological identifications through
DNA barcodes: the case of the Crustacea. Can. J. Fish. Aquat. Sci. 64: 272-295.
FRANCISCO, Ana Karina de. Caracterização genética populacional do camarão setebarbas Xiphopenaeus kroyeri (Heller, 1862) no litoral sudeste-sul do Brasil / Ana
Karina de Francisco. -- São Carlos : UFSCar, 2010.
101 f.
HEBERT, P.D.N.; PENTON, E.H.; BURNS, J.M.; JANZEN, D.H.; HALLWACHS, W.
2004. Ten species in one: DNA barcoding reveals cryptic species in the neotropical
skipper butterfly Astraptes fulgerator. Proceedings of the National Academy of Science
of the United States of America 101, 1481214817
Suporte financeiro: FAPESB
40
Biodiversidade e Conservação
DESCRIÇÃO DE GALHAS INDUZIDAS POR GYNAIKOTHRIPS UZELI
(THYSANOPTERA: PHLAEOTHRIPIDAE) EM FICUS BENJAMINA
(MORACEAE)
André Luiz Santos Mascarenhas1 e Juvenal Cordeiro Silva Junior2
1
Mestrando
em
Genética,
Biodiversidade
e
Conservação
-
UESB
([email protected]);
2
Professor DSc. Departamento de Ciências Biológicas – DCB (UESB/Campus de Jequié-
BA).
Palavras-chave: tripes, galha foliar, Moraceae, razão sexual.
1. Introdução
Os Thysanopteros ou tripes apresentam uma ampla diversidade alimentar. Entre as
espécies fitófagas várias são formadoras de galhas, inclusive espécies do gênero
Gynaikothrips. Em alguns casos a associação entre tripes galhadores e a planta hospedeira
é espécie-específica, apresentando-se como uma estratégia trófica especializada
(Ananthakrishnan, 1993). As galhas induzidas por G. uzeli em F. benjamina, caracterizamse pela dobradura da folha ao alimentar-se dos tecidos foliares. Estas, além de ser fonte de
alimento, servem como abrigo e proteção contra espécies predadoras e agentes naturais
(Mound et al.,1995). Segundo Kranz et al., (2001), o conhecimento do papel ecológico e
genético de tripes galhadores é de fundamental importância no estudo da evolução do
comportamental social de espécies haplodiplóides, uma vez que seu ciclo de vida difere de
outros insetos sociais. Frente à escassez de estudos sobre o G. uzeli, este trabalho tem
como objetivo descrever galhas induzidas por G. uzeli em árvores de F. benjamina,
relacionando a área e o aspecto foliar à quantidade de indivíduos adultos e imaturos, e
analisar a razão sexual e fauna associada, contribuindo assim para melhor compreensão da
biologia desta espécie.
2. Material e Métodos
41
As galhas foram coletadas em Ficus benjamina (Moraceae), no município de Jequié
– BA (S 130 52’ 4,9” W 0400 04’ 26,7”), no mês de Fevereiro de 2012. Dez árvores de
diferentes tamanhos de copa foram selecionadas e cada uma delas foi dividida em quatro
quadrantes e em cada um deles foram coletadas, aleatoriamente, cinco galhas, perfazendo
um total de 200 galhas. As mesmas foram acondicionadas, individualmente, em sacos
plásticos e transportadas ao laboratório onde foram analisadas. Cada galha teve seu interior
lavado com álcool 70% e do material obtido foi quantificado o número de larvas, o número
de machos e fêmeas e a ocorrência de artrópodos associados. Os insetos foram fixados em
etanol absoluto, armazenados em tubos plásticos de 2 mL e identificados.
As galhas coletadas foram classificadas quanto ao aspecto foliar (jovem, madura ou
velha) e a área foliar calculada por meio da fórmula desenvolvida por Amazonas e
colaboradores (2008). As árvores foram categorizadas (categorização visual por
comparação) em pequena, média e grande quanto o aspecto de sua copa. O cálculo da
razão sexual de tripes adultos foi determinado pela razão entre o total de machos sobre o
total de fêmeas de acordo com Quicke (1997).
3. Resultados
A tabela 1 sumariza os resultados obtidos na análise das 200 galhas.
Tabela 1 – Parâmetros analisados nos três diferentes aspectos de galhas de G. uzeli em F.
benjamina, coletadas no município de Jequié (BA), em fevereiro de 2012.
Parâmetro analisado
Tipo de galha
Jovem
Madura
Velha
Número médio de adultos
8,29
9,21
9,52
Número médio de larvas
14,19
42,63
28,56
Número médio de indivíduos
18,37
45,49
31,29
10,14 ± 2,81
7,53 ± 2,41
Tamanho médio da área foliar (cm) 8,08 ± 3,48
A razão sexual observada em G. uzeli, considerando o total de galhas foi de 0,017
machos (N=1813 adultos). As copas maiores apresentaram médias de 119,95 indivíduos
42
por galha, enquanto que copas médias e pequenas apresentaram 36,41 e 25,18 indivíduos,
respectivamente. Quanto à análise da fauna associada (Tabela 2) foram contabilizados
adultos, imaturos e as exúvias (quando ausente qualquer forma imatura ou adulta da
espécie).
Tabela 2 – Análise da fauna associada a galhas de G. uzeli em F. benjamina, coletadas no
município de Jequié (BA).
TAXON
Nº DE INDIVÍDUOS TOTAL
Montandoniola moraguesi
95
95
THYSANOPTERA Androthrips ramachandrai
61
61
HEMIPTERA
Cardiocondyla sp.
01
Crematogaster sp.
05
Nylanderia sp.
01
ARANEAE
------
05
05
COLEOPTERA
------
01
01
HYMENOPTERA
07
4. Discussão e Conclusão
As médias encontradas quanto ao número de indivíduos adultos, larvas e o número
total de indivíduos (larvas e adultos) de G. uzeli reforçam proposta de Ananthakrishnan e
Raman (1989) de que galhas maduras apresentam populações maiores, enquanto que
galhas em formação apresentam populações menores.
Não foi observada relação entre tamanho médio da área foliar das galhas e
quantidade média de adultos, imaturos e total de indivíduos (Tab. 01). Desta forma, áreas
foliares maiores ou menores podem abrigar populações de tamanhos diferentes.
A relação entre o tamanho da copa das árvores e a quantidade média de indivíduos
por galha pode ser explicado pelo fato que copas maiores ofereceriam maior
disponibilidade de alimento, folhas para o estabelecimento de novas galhas e maior
proteção a agentes naturais (ventos, chuva, ação direta do sol, etc.).
A espécie Montandoniola moraguesi (Hemiptera: Anthocoridae), associada às
galhas é uma espécie predadora de tripes, utilizada desde 1966, no Havaí, como agente de
controle biológico de G. uzeli (Dobbs e Jr., 2006). Da mesma forma o Androthrips
ramachandrai (Thysanoptera: Phlaeothripidae) é citada na literatura como predadora de
43
várias espécies de tripes galhadores entre eles G. uzeli (Mound et al.,1995). A presença de
formigas em galhas induzidas por G. uzeli já foi relatado no sudoeste dos EUA (Held et al.,
2005), neste trabalho foram encontradas representantes dos gêneros Crematogaster,
Nylanderia e Cardiocondyla. A presença de aranhas e um besouro provavelmente estariam
associados a interações com a planta e não necessariamente com a galha.
A razão sexual observada em G. uzeli (0,017 machos) leva a crer que para G. uzeli
a fundação da galha aconteça por uma ou poucas fêmeas, e que possivelmente, as mesmas
acasalem com machos irmãos no interior da galha da qual migraram.
Estudos adicionais sobre o padrão de fundação de galhas, bem como estudos de
parentesco genético entre indivíduos da mesma galha podem auxiliar na elucidação de
aspectos relacionados às estratégias de acasalamento e dispersão das fêmeas para essa
espécie, contribuindo assim para uma melhor compreensão da diferença da razão sexual
entre galhas jovens quando comparadas as galhas maduras e velhas.
5. Literatura citada
AMAZONAS, IRAMI B. et al. Modelagem da estimativa da área foliar da mangueira
(Mangifera indica L.). In: ENCONTRO REGIONAL DE MATEMÁTICA APLICADA E
COMPUTACIONAL, 8., 2008, Universidade Federal do Rio Grande do Norte (Natal).
Resumos...São Carlos-SP: Sociedade Brasileira de Matemática Aplicada e Computacional,
2008.
ANANTHAKRISHNAN, T.N. Bionomics of Thrips. Annual Review of Entomology, n.
38, p.71-92, 1993.
ANANTHAKRISHNAN, T.N.; RAMAN, A. Thrips and Gall Dynamics. Bril Archieve,
New Delhi, 1989.
DOBBS, THOMAS T.; JR., DAVID W. Status and distribution of Montandoniola
moraguesi (Puton) (Hemiptera: Anthocoridae) in the United States, Florida Entomologist.
v. 89, n. 1, 2006.
44
HELD, DAVID W. et al. Gynaikothrips uzeli (Thysanoptera: Phlaeothripidae) in the
southeastern United States: distribution and review of biology. Florida Entomologist,
Mississippi, v. 88, n. 4, p. 538-540, 2005.
KRANZ, B. D. et al. Social biology and sex rations in the gall-inducing thrips, Oncothrips
waterhousei and Oncothrips habrus. Insectes Sociaux, Basel, v. 81, p. 315-323, 2001.
MOUND, LAURENCE A.; WANG, C.; OKAJIMA. S. Observations in Taiwan on the
identity of the Cuban laurel thrips (Thysanoptera: Phlaepothripidae). Journal of the New
York Entomological Society, v. 103, p. 185–190, 1995.
QUICKE, D. L. J. Parasitic wasps. London, UK: Chapman and Hall,1997.
45
AVALIAÇÃO DO CRESCIMENTO INICIAL EM DIFERENTES SUBSTRATOS
DE Alpinia zerumbet (Pers.) B.L. Burtt. & R.M. Sm ( Zingiberaceae)
Flávia Pereira de Sousa1 e Ana Carolina da Cunha Rodrigues2
1Bolsista
PIBIC/UFBA.Graduanda de Bacharelado em Ciências Biológicas pela
Universidade Federal da Bahia. UFBA – IMS – CAT.
([email protected]);
2Docente
– Orientadora. UFBA-IMS-CAT. Mestre em Botânica.
Palavras-chave: colônia, desenvolvimento, mudas
1. Introdução
Alpinia zerumbet é uma erva rizomatoza, conhecida popularmente como colônia,
paco-seroca, cuité-açu, pacová (Almeida, 1993) e chorão que pertence à família
Zingiberaceae, sendo nativa do continente asiático. Devido à beleza de suas flores é
amplamente utilizada como ornamental, além de apresentar propriedades medicinais.
Dentre as propriedades medicinais destacam-se as propriedades hipotensoras e diuréticas
(Mendonça et al.1991 ; Laranja et al.1991).
Para Magalhães (1986) a análise de crescimento delineia as condições
morfofisiológicas da planta em diversos intervalos de tempo entre duas amostragens
consecutivas. O substrato é extremamente importante para o crescimento das plantas e
segundo Silva et al. (2000) o substrato adequado deve ser fácil de ser adquirido e
transportado, não conter patógenos e plantas daninhas, além de ser rico em nutrientes
essenciais, ter um pH adequado e uma boa textura e estrutura , além de manter uma
proporção adequada entre a disponibilidade de água e aeração (Popinigs, 1985). Entretanto,
dificilmente um material sozinho apresentará todas as características desejáveis para
formação de mudas. A partir disso, é preferível misturar dois ou mais materiais para a
obtenção de um substrato adequado a uma determinada espécie (Biasi et al. 1995). Diante
do exposto, o objetivo da pesquisa é avaliar a influência de diferentes substratos no
crescimento inicial de A.zerumbet.
2. Materiais e métodos
46
O experimento foi conduzido em viveiro telado com sombrite de 50% instalado na
Universidade Federal da Bahia, Campus Anísio Teixeira em Vitória da Conquista, BA
entre os meses de Outubro a Fevereiro de 2012. Foram utilizados rizomas de Alpinia
zerumbet provenientes de uma planta matriz em Vitória da Conquista - BA, sendo os
mesmos plantados em sacos de polietileno preto em seis tipos de substratos, representando
seis tratamentos, tais como: (T1) Terra local, (T2) Terra preta, (T3) Terra preta + Areia
(1:1), (T4) Areia, (T5) Bioplant® e (T6) Vermiculita + Húmus (1:1) com dez repetições
por tratamento em um delineamento experimental Inteiramente Casualizado, totalizando
dez rizomas por tratamento.
As medidas de altura (cm), diâmetro do caule (mm), número de folhas e
comprimento e largura das três maiores folhas (cm) foram obtidas a cada 15 dias até que as
plantas, inicialmente com um mês de idade, atingissem 75 dias de idade, com auxílio de
régua e paquímetro. Os dados obtidos foram submetidos à análise de variância através do
Software Sisvar versão 4.3 com aplicação do teste de Tukey em nível de 5% de
probabilidade para a comparação das médias.
3. Resultados
Os resultados obtidos demonstram que para o parâmetro número folhas os substratos
Vermiculita com Húmus (T6) e Bioplant® (T5) mostraram-se mais significativos que os
demais tratamentos. Os substratos terra preta (T2) e terra preta + areia (T3) mostraram
significativos para a variável altura da planta. Para diâmetro do pseudocaule, comprimento
e largura das três maiores folhas não houve variância significativa entre os valores,
submetidos ao teste Tukey a 5% de probabilidade. Abaixo segue as médias para cada
parâmetro analisado durante as medidas de crescimento.
Tab.1- Médias para o número de folhas
Tab.2- Médias para o diâmetro do pseudocaule
47
Médias com a mesma letra não diferem entre si pelo teste de
Tukey a 5% de probabilidade
Tab.3 - Médias para o comprimento das três maiores folhas
Tab.4 - Médias para largura das três maiores folhas
Médias com a mesma letra não diferem entre si pelo teste de
Médias com a mesma letra não diferem entre si pelo teste de
Tukey a 5% de probabilidade
Tukey a 5% de probabilidade
Tab.5 - Médias para a altura da planta
Médias com a mesma letra não diferem entre si pelo teste de
Tukey a 5% de probabilidade
4. Discussão e conclusão
O emprego da combinação da Vermiculita com o Húmus (T6), nas proporções
empregadas e do Bioplant® (T5) mostraram-se eficientes para o parâmetro número de
folhas, mostrando-se significativo aos trinta e aos setenta e cinco dias de análise, pois
segundo Costa et al. (2012) a vermiculita é um mineral com boa retenção de umidade e
aeração, além de disponibilizar magnésio e potássio para a planta e o húmus de minhoca
melhora as condições físicas do substrato, acelerando o processo microbiológico, além de
apresentar uma alta capacidade de troca catiônica, logo é rico em nutrientes que são
48
rapidamente liberados para as plantas. A eficiência da utilização do Bioplant® como
substrato para o crescimento de mudas também foi relatada no trabalho de Ferreira et al.
(2009) que estudava a influência do substrato no crescimento de mudas de cupuaçu.Tais
características apresentadas podem ter contribuído para a eficiência do substratos
utilizados.
A Terra preta (T2) e a Terra preta + Areia (T3) proporcionaram maior
desenvolvimento das mudas (altura da planta), com valores médios de 27,40 cm e 28,4 cm,
respectivamente aos sessenta e cinco dias de análise, provavelmente devido aos altos teores
de nutrientes desse substrato como demonstrado no trabalho de Coelho et al. (2010) que
evidencia que a terra preta é rica em fósforo, potássio, magnésio dentre outros minerais.
Nesse contexto, conclui-se que nas condições em que este trabalho foi realizado, a
utilização dos substratos, Bioplant®, Vermiculita com Húmus, Terra preta e Terra preta
mais Areia apresentaram os maiores valores médios para número de folhas e altura da
planta durante o experimento.
5. Literatura citada
ALMEIDA, E. R. Plantas medicinais brasileiras – conhecimentos populares
ecientíficos. São Paulo, Hemus Editora, 1993. 341 p.
BIASI, L. A.; BILIA, D. A. C.; SÃO JOSÉ, A. R.; FORNASIERI, J. L.; MINAMI, K.
Efeito de misturas de turfa e bagaço de cana sobre a produção de mudas de maracujá e
tomate. Scientia Agrícola, Piracicaba, v. 2, n. 52, p. 239-243, 1995.
COELHO, M.F. B; SOUZA FILHO, J. C.; AZEVEDO, R.A. B; DOMBROSKI, J.L. D;
MAIA, S. S. S. Substratos para a emergência de plântulas de Magonia pubescens St. Hil.
Revista Brasileira de Ciências Agrárias. v.5, n.1, p.80-84, 2010.
COSTA, A.M.G.; CAVALCANTI JÚNIOR, A. T; DIVA CORREIA; COSTA, J. T.
Influência de Diferentes Substratos na Formação de Porta-Enxerto de Graviola
(Annona
muricata
L.)
em
Tubetes.
Disponível
em:<http://www.ceinfo.cnpat.embrapa.br/artigo.php?op=6&i=19&si=93&ar=2897>4Aces
so em 4-Set-2012.
FERREIRA, M.G.R; ROCHA, R B; GONÇALVES, E. P; ALVES, E. U; RIBEIRO, G.D.
Influência do substrato no crescimento de mudas de cupuaçu (Theobroma grandiflorum
Schum.). Maringá, v. 31, n. 4, p. 677-681, 2009
49
MAGALHÃES, A. C. N. Análise quantitativa do crescimento. In: FERRI, M. G. (Coord.).
Fisiologia vegetal 1. São Paulo: EPU. Ed. Da Universidade de São Paulo, 1979. v.1, cap.
8,.331-350 p.
MENDONÇA, V. L. M.; OLIVEIRA, C. L. A.; CRAVEIRO, A. A.; RAO, V. S. e
FONTELES, M. C.1991. Pharmacological and toxicologicalevaluationof Alpinia
speciosa.Memórias do Instituto Oswaldo Cruz, 86: 93-97, Supl. 2.
POPINIGIS, F. Fisiologia da semente. 2. ed. Brasília, DF: [s.n.], 1985. 289 p.
50
FATORES ABIÓTICOS E FORMAS DE VIDA: ABORDAGEM ECOLÓGICA NA
ANÁLISE DA VEGETAÇÃO DO PARQUE ESTADUAL SERRA DO CONDURU
Laís Machado de Souza1, Meriane Ribeiro de Lima1, Moab Coelho dos Santos1, Osiane
Silva da Hora1, Pedro Manoel Matos de Santana1, Rosana Silva Souza1 e Paulo Oliveira
Borges2.
1
Graduando do curso de Ciências Biológicas da Universidade Estadual do Sudoeste da
Bahia – UESB – Campus de Jequié – Ba. ([email protected]);
2
Especialista em Meio Ambiente e Professor do Departamento de Ciências Biológicas –
DCB – UESB;
Palavras-chave: Biodiversidade vegetal, umidade relativa, temperatura
1. Introdução
Embora seja possível distinguir facilmente os fatores bióticos dos abióticos, eles
não existem isoladamente. Os organismos não somente Absorvem energia e matéria do
meio, mas também estão sujeitos aos fatores físicos como temperatura, umidade, salinidade
e outros. O desenvolvimento das plantas está diretamente associado a fatores abióticos
como, intensidade e distribuição da radiação luminosa, temperatura e umidade relativa
(LARCHER, 2000). Esses fatores induzem uma série de respostas fisiológicas em
organismos que determinam o tipo de formação vegetal predominante, a estrutura e
complexidade das comunidades vegetais.
As condições ambientais atuam como estímulos importantes para o crescimento e
desenvolvimento, sendo a intensidade e a incidência dos fatores abióticos no meio
determinam o a germinação, a taxa de crescimento, senescência, distribuição, reprodução e
outros parâmetros da vegetação (BEGON et al, 2010). Partindo desse pressuposto, esse
trabalho buscou analisar a vegetação de três parcelas do Parque Estadual da Serra do
Conduru, relacionando os fatores abióticos com a diversidade, distribuição e formas de
vida.
2. Material e Métodos
51
O estudo foi conduzido no Parque Estadual da Serra do Conduru (14 º 20’ – 14º 30’
S; 39 º 02’ – 39º 08’ W) que ocupa um total de 9.275ha situada em áreas dos municípios de
Uruçuca - BA, Itacaré-BA e Ilhéus-BA. Foram demarcadas na mata três parcelas com
formato retangular e área de 50m2. Em cada parcela foi realizado o levantamento das
formas de vida segundo a classificação de RAUNKIAER (1934). A umidade relativa (UR)
foi mensurada com auxílio de psicrômetros e tabelas psicrométricas em três períodos
definidos: 09h – 10h, 16h – 17h, 18h – 19h e 20h-21h. Compararam-se os dados de
umidade relativa considerando os possíveis fatores ambientais que podem ter influência
sobre a UR. Após a coleta dos dados foram realizadas análises estatísticas e qualitativas da
estrutura da comunidade amostrada. As temperaturas foram mensuradas nas parcelas com
auxílio de termômetros de máxima e mínima. A umidade relativa e a temperatura foram
correlacionadas com o perfil da vegetação encontrada em cada parcela demarcada.
3. Resultados
A primeira parcela de área delimitada está localizada a 14º S 29` 39.75.``e 39º W
0,8.`88.`` com altitude de 149 m. Esta área corresponde a uma mata em recuperação,
resultado de reflorestamento, e por esta razão apresenta uma vegetação homogênea.
Apresenta intensidade luminosa média, com temperatura máxima de 38°C e mínima de
24°C, e é caracterizada por grande abundância de microfanerófitas e nanofanerófitas e
ausência de mesofanerófitas.
A segunda parcela está localizada a 14° S 29` 41.5`` e 39° W 08` 45`` com altitude
de 198m. Essa área apresenta o dossel mais fechado e consequentemente maior quantidade
de epífitas devido à falta de radiação suficiente para suprir sua necessidade no solo, pois
nesta área a mata é bastante densa. Apresenta intensidade luminosa baixa, apresentando
temperatura máxima de 38°C e mínima de 23°C, e predominância de nanofanerófitas.
A terceira parcela está localizada a 14° S 29` 44.85`` e 39° W 07` 57.1`` com
altitude de 195m, com temperatura máxima de 36°C e mínima de 27°C. Nesta área foi
encontrado predominância de mesofanerófitas devido ao dossel mais aberto em relação à
segunda parcela.
Com relação aos fatores abióticos, constatou-se que a Umidade Relativa do Ar
(UR) apresentou aumento gradativo no período de 09h – 21h devido à diminuição da
incidência solar e da variação na temperatura. A partir das 18h a umidade relativa do ar nas
52
três parcelas tende a se estabilizar. No período de 9h – 10h há uma grande variação nos
valores da UR entre as parcelas, sendo que a parcela um apresenta menor UR devido à
maior incidência solar por ser uma área mais aberta, provocando maior perda de água das
plantas para o meio. Enquanto as parcelas dois e três apresentam níveis intermediário e
alto, respectivamente. O período de 16h – 17h apresentou um aumento nas taxas de UR nas
parcelas um e dois, enquanto a parcela três sofreu um decréscimo. No período de 18h –
19h foi possível observar que os níveis de UR nas três parcelas se estabilizaram, devido à
diminuição da irradiação solar e o decréscimo da temperatura. No período de 20h – 21h
observou-se que os níveis de UR nas três parcelas se mantiveram estáveis (Figura 1).
Quanto à variação de temperatura em relação ao tempo, observou-se que a parcela 1
apresentou maior variação, visto que a mesma possui intensidade luminosa média, devido
às clareiras existentes por se tratar de uma área em recuperação há onze anos, em
decorrência de derrubadas das plantas para confecção de estacas; enquanto nas parcelas
com vegetação mais densa, a temperatura tende ser menor. De maneira geral, ao decorrer
do dia a temperatura sofreu queda significativa, sendo que em determinado horário
observado (18h – 19h) no qual a luminosidade diminui ocorreu uma homogeneização da
temperatura nas três parcelas observadas, como mostra a Figura 2:
4. Discussão e Conclusão
Os biomas não são homogêneos dentro de suas fronteiras hipotéticas; todo bioma
tem gradientes de condições físicas e químicas relacionadas à topografia e geologia locais.
As comunidades vegetais que ocorrem em diferentes partes desse mosaico heterogêneo
53
podem ser bastantes distintas devido à influência de diversos fatores (BEGON et al, 2010).
as diferentes interações dos fatores como incidência luminosa, altitude, UR e temperatura
com a vegetação provocam o surgimento de microhabitats característicos mesmo dentro de
uma comunidade vegetal aparentemente homogênea. A abundância de epífitas em algumas
parcelas evidencia o sucesso de uma estratégia de sobrevivência em áreas onde a
luminosidade ao nível do solo seria limitante para estas plantas (BEGON et al., 2010).
Detalhar as interações dos fatores abióticos com a comunidade vegetal pode ajudar
a entender como as ações humanas, principalmente o desmatamento contribui para
fenômenos globais como mudanças climáticas, regime de chuvas, manutenção da
qualidade do solo, umidade do ar, entre outros. A análise dos fatores abióticos na parcela
01 (Reflorestamento) evidenciou que mesmo após 11 anos o processo de recuperação
florestal não está completo e esta área apresenta diferenças importantes em relação às áreas
mais preservadas (Parcelas 2 e 3).
5. Literatura Citada
BEGON, M.; TOWNSEND, C.R. & HARPER, J.L. 2010. Fundamentos em Ecologia.
Porto Alegre: Artmed, 3ª ed.
ROBERT E. RICKLEFS. A Economia da Natureza. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 5
ed., 2001.
RAVEN, P; EVERT. R; EICHHORN. S; Biologia Vegetal; 1938; Sétima Edição – Rio de
Janeiro.
RAUNKIAER, C. The life forms of plants and statistical geography. 1934. Claredon,
Oxford.
54
COMPARAÇÃO DE FATORES ABIÓTICOS E ÁGUA DE BROMÉLIAS EM
TRÊS AMBIENTES NO ESTUÁRIO DO RIO TIJUÍPE (BAHIA-BRASIL)
João Leno P. de Sousa¹, Tecavita Ananda S. Rodrigues, Eliane da Silva Ferreira¹, ¹, Zaira
Souza Saback¹ e Paulo Oliveira Borges2
¹ Graduando do Curso de Licenciatura em Ciências Biológicas na Universidade Estadual
do Sudoeste da Bahia (UESB), BA-Brasil, Campus de Jequié, ([email protected]).
2
Prof. Substituto – Laboratório de Botânica, DCB – Universidade Estadual do Sudoeste da
Bahia (UESB), BA-Brasil, Campus de Jequié.
Palavras-chave: Fitotelmo, Restinga, Manguezal.
1. Introdução
As florestas tropicais possuem a maior biodiversidade do planeta (Townsend,
2006). A Mata Atlântica é um dos representantes dessas florestas e segundo o Mapa de
Vegetação do Brasil do IBGE (2004) umas de suas delimitações são os manguezais e as
restingas. O mangue forma uma zona de transição desde o mar aberto até a região das
marés máximas. Ele é representado por plantas lenhosas que toleram a salinidade do mar
(Odum, 2011) e ainda por outras espécies vegetacionais associadas. A restinga corresponde
a formações vegetacionais que cobrem as areias holocênicas desde o oceano formando uma
paisagem sobre o areal justamarítimo e ainda corresponde a vegetação lenhosa dos pontos
interiores da costa (Rizzini, 1979). Veloso et al. (1991) reconheceu três tipos de vegetação
da restinga: arbóreo, arbustivo e herbáceo. Nesses ecossistemas, as epífitas são
responsáveis por grande parte da diversidade (Narvaes, 2009). Bromeliaceae é uma das
principais famílias entre as epífitas. Essa família possui uma grande representatividade na
Mata Atlântica e nas florestas de restinga dominam o estrato herbáceo. São ervas que
também podem ser terrestres, de folhas alternas espiraladas, frequentemente formando
densas rosetas, dispostas de forma a acumular água da chuva (Lorenzi, 2008). Segundo
Oliveira (2004), essas reservas funcionam como ampliadores da diversidade, pois diversas
espécies de animais a utilizam para forrageamento, reprodução e refúgio. O objetivo desse
trabalho foi investigar a variação dos parâmetros físicos-químicos e a concentração de
55
alguns elementos – cloro (Cl), iodo (I), ferro (Fe) e fósforo (P) - e íons - fosfato (P-) e
nitrito (NO-) - na água retida no fitotelmo de bromélias e suas relações com a estrutura da
vegetação e o clima.
2. Material e Métodos
O estudo foi realizado no mês de abril do ano de 2012 em três parcelas: Mata de
restinga (MR) (14°S 25’ 24,1”; 0,39°W 0,1’ 09,5”) restinga arbustiva (RA) (14°S 26’54”;
0,39°W 0,1’ 22,3”), e no estuário do rio Tijuipe - Manguezal (M) (14°S 25’ 14,7”; 0.39°W
0,1’ 16,8”) todas na reserva da Natura em Serra Grande –Distrito de Uruçuca- Bahia,
Brasil (Figura 1). Uma parcela 10x10m foi demarcada em cada área estudada. Mensuramos
em cada parcela a temperatura ambiente (TA), Temperatura da água das bromélias (TB) e
do solo (TS). Em cada parcela foi medida a umidade relativa (UR) do ar com auxílio de
psicrômetros e tabela psicométrica. A temperatura da água das bromélias foi medida
através do termômetro digital (INCONTERM). A temperatura do solo foi medida com um
termômetro convencional. Dentro de cada parcela coletamos a água de três bromélias
aleatoriamente com uma pipeta de 50 ml. Esta foi submetida a uma filtração simples e
condicionada em um vaso plástico. A partir dessa amostra foram analisados dados físicoquímicos com um medidor multiparamétrico PH 1.500 (INSTRUTHERM) com eletrodos
para Oxigênio dissolvido (SO-400), pH (EPC-60), condutividade e total de sólidos
dissolvidos ( SC-100). Com fotômetro de mão Checker (HANNA INSTRUMENTS) e o
Kit de reagentes (HANNA INSTRUMENTS) foram medidas as concentraões de cloro
livre (Cl-), fósforo (P), nitrito (NO-), fosfato (P-), ferro (Fe) e iodo (I) presentes nas
amostras. Os dados foram analisados por meio de estatística descritiva em planilha de
cálculo BrOffice-Calc (Oracle).
3. Resultados
A temperatura média ambiente mensurada na Mata de Restinga (MR) e no
Manguezal (M) foi de 30ºC, enquanto a Restinga Arbustiva (RA) apresentou 33,7°C. Já a
temperatura mensurada na água das bromélias foi de 25,6°C na Mata de Restinga, 28,9°C
no Mangue e de 29,1°C na Restinga Arbustiva. A temperatura mensurada no solo da Mata
56
de Restinga foi de 27,2ºC, no solo do Mangue foi de 29,5°C e no solo de Restinga
Arbustiva foi de 30,5°C.
Foi verificada uma umidade relativa de 74% na Mata de Restinga e Restinga
Arbórea e 82,5% no Mangue. A luminosidade média na Mata de Restinga foi 0,005 LUX,
no Mangue foi 0,330 LUX e na Restinga Arbustiva foi 0,390 LUX. A cor da água na RM
foi de 110 PCU, no M foi de 310 PCU e na RA foi de 500 PCU. O oxigênio dissolvido foi
18.30% na RM, 8.7% no M e 8.8% na RA. O pH foi de 4,6 na RM, 5,8 no M e 4,7 na RA.
O total de sólido dissolvido (TDS) foi de 135 p na RM, 185 p no M e 291 p na RA. A
condutividade foi 0,206 ms na RM, 0,273 ms no M e 0,428 ms. A concentração de
elementos químicos na água das bromélias foi a seguinte: P- = 0.01 ppm na RM, 0.45 ppm
no M e 29 ppm na RA; NO- = 5 ppb na RM e nas outras duas localidades não foi
encontrado; o Cl- = 0.18 ppm na RA, 0.8 na RA e não foi encontrada em M; I = 1.6 ppm
na RM, 0,8 ppm no M e 0.5 ppm na RA; Fe não foi encontrado em nenhuma das amostras
e; P = 200 ppb na RM, 100 ppb no M e 66 ppb na RA.A cor da água teve uma relação
positiva com o Fosfato, Cloro e condutância e uma relação negativa com o Nitrito, Iodo,
Fósforo, pH e Oxigênio dissolvido (OD). O fosfato teve uma relação positiva com o Cloro,
Total de Sólidos Dissolvidos e Condutância. E uma relação negativa com fósforo e um
pouco menos significativa com o OD. O Nitrito apresentou relação positiva com o Iodo,
Fósforo, pH, e OD. Cloro teve uma relação positiva significativa com o Total de Sólidos
Dissolvidos e Condutância. O Iodo revelou uma alta relação positiva com o fósforo, pH e
OD. O Fósforo mostrou uma forte relação positiva com o pH e o OD.
4. Discussão e Conclusão
O tipo de vegetação da Restinga Arbustiva explica a maior temperatura e
luminosidade, devido a sua proximidade com o litoral, com predominância de arbustos,
ervas e vegetação pouco densa, o que permitia uma grande incidência de radiação solar. Já
a Mata de Restinga era densamente habitada por árvores de grande porte, formando um
dossel que tornava o ambiente pouco luminoso. Segundo Silva (2003), a Mata de Restinga
varia desde formações com altura do estrato superior a partir de 5m até formações mais
desenvolvidas com alturas em torno de 15-20m. Portanto, O denso dossel da Mata de
Restinga explica o ambiente com baixa luminosidade e temperatura. O Manguezal
apresentou a maior Umidade Relativa do ar, o que pode estar ligado ao solo alagado
57
(substrato aluvial), submetidas a grande amplitude de marés (Soares, 2003). A análise das
águas retidas nas bromélias mostrou que a coloração mais intensa foi o da Restinga
Arbustiva. O coeficiente de correlação entre o oxigênio dissolvido e a cor da água mostra
uma relação negativa significativa, indicando que quanto maior for a turbidez da água
menor será a concentração de oxigênio dissolvido. Pode-se inferir a partir disso, que a
turbidez estaria relacionada a uma maior quantidade de matéria orgânica resultando em
maior taxa de atividade microbiana e consequente consumo de oxigênio. Em contrapartida,
a coloração da água retida nas bromélias da Mata de Restinga foi menos intensa e
provavelmente por isso apresentou uma grande taxa de oxigênio dissolvido. O Fósforo foi
o elemento que apresentou a maior concentração nos três ambientes. Esse elemento é de
grande importância por estar envolvido em processos fundamentais do metabolismo dos
seres vivos, tais como: armazenamento de energia e estruturação da membrana celular. No
entanto, Esteves, (1998) ressalta que pode haver superestimação da concentração do
verdadeiro fosfato inorgânico dissolvido por que este pode estar ligado a coloides. E ainda
deve ser considerado que a presença de fosfato na água depende também da densidade e da
atividade dos organismos. O coeficiente de correlação entre pH e fósforo revelou uma
associação forte e positiva. De acordo com Ricklefs (2003) a acidez afeta a disponibilidade
de fósforo para as plantas. Em solos muito ácidos ou muito básicos, o fósforo pode se ligar
na forma de compostos relativamente insolúveis com ferro, alumínio ou cálcio, sendo que
a maior disponibilidade de fósforo ocorre num pH entre 6 e 7.
5. Literatura citada
LORENZI, H.; SOUZA, V. C.. Botânica Sistemática. 2.ed. Instituto Plantarum, pag 177,
2008.
NARVAES, P.; BERTOLUCI, J.; RODRIGUES, M. T. Composição, uso de hábitat e
estações reprodutivas das espécies de anuros da floresta de restinga da Estação Ecológica
Juréia-Itatins, sudeste do Brasil. Biota Neotrop., vol. 9, no. 2. 2009.
ODUM, E. P.; BARRET, G. W. Fundamentos de Ecologia. 5.ed. Norte-americana. São
Paulo: Cengage Learning, 2011.
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58
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RIZZINI, C.T. Tratado de Fitogeografia do Brasil: aspectos ecológicos, sociológicos e
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Ciências Biológicas Universidade Federal do Paraná, 2003.
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1991.
59
COMPORTAMENTO TERRITORIAL DE UCA LEPTODACTYLA (CRUSTACEA,
OCYPODIDAE)
Joedison dos Santos Rocha¹, Luane da Guarda Nepomuceno¹, Prissilla A. Nascimento¹,
Rogério Silva Moraes¹, Samara Santos Andrade¹ e Sérgio Siqueira Júnior²
¹Graduandos da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia-UESB, Departamento de
Ciências Biológicas, Campus de Jequié - [email protected]
²Docente do Departamento de Ciências Biológicas – UESB/ Campus de Jequié
Palavras-chaves: comportamento, manguezal, distribuição espacial
1. Introdução
Os caranguejos “chama-maré” (Uca) são crustáceos que vivem em regiões
entremarés de estuários tropicais, subtropicais e temperado quentes (Masunari, 2006),
dentre as aproximadamente 100 espécies do gênero Uca (Nabout, 2009), a espécie Uca
leptodactyla, é uma das mais abundantes nos mangues; encontrada em diferentes
substratos, como: solos mais compactados, lodosos ou pouco inundados. São animais que
apresentam marcante dimorfismo sexual, evidenciado pela quela desenvolvida dos machos
(Oliveira, 2005; Moreira et al, 2010; Oliveira et al, 2007), que pode medir em média 2,10 a
23,30 mm (Masunari & Swiech-Ayoub, 2003). A espécie distribui-se uniformemente nos
substratos onde é encontrado e esta distribuição (assim como, o de outros crustáceos do
mesmo gênero) é influenciada por vários fatores bióticos e abióticos, como: umidade, solo,
locais de maior proteção (vegetação e matéria orgânica) (Masunari, 2006). Por ocorrer
abundantemente, este hábito gregário é atribuído ao comportamento de multidão egoísta
(“Selfish herd”) ou como medida para limitar a perda de água por desidratação (Masunari,
2006). A espécie, bem como outras, tem um papel importante como agentes
decompositores de matéria orgânica, atuando também no processo de oxigenação do solo,
sendo um componente importante da biomassa local, servindo de alimento para outros
organismos (Masunari, 2006). Este estudo teve como objetivo observar o comportamento
de distribuição de U. leptodactyla nos diferentes extratos de zonação de maré no mangue,
associando ao comportamento territorial e identificando o fator decisivo para esta
distribuição.
60
2. Material e Método
As observações da espécie Uca leptodactyla foram efetuadas no Estuário do Rio
Tijuípe, Serra Grande, distrito de Uruçuca, Bahia, em uma pequena área com uma grande
concentração da espécie em questão, durante a maré baixa. O estudo foi realizado a partir
da observação direta do comportamento de U. leptodacyla em diferentes extratos de
zonação de maré no mangue, onde uma sombra artificial (SA) de 50x50 cm e 40 cm de
altura foi confeccionada a partir da utilização de um sombrite suspenso por canos de PVC.
Esta SA foi posicionada no centro de uma área de zonação e de ocorrência de Uca
leptodactyla por volta das 12h00 hs onde a sombra estava praticamente vertical em relação
a SA e observada durante 3 horas. Foram realizadas também observações em regiões com
sombras naturais geradas pela vegetação do mangue.
3. Resultados e Discussão
Ao iniciar o experimento os indivíduos que estavam dispersos no substrato
recolheram-se em suas tocas, mais ou menos 5 minutos após a montagem do sombrite, os
caranguejos voltaram à atividade. Os indivíduos que estavam na SA se sentiram
aparentemente mais protegidos do que os estavam ao redor, expostos ao sol. Cerca de
cinco minutos após a montagem do sombrite constatou-se maior atividade de U.
leptodactyla sob a SA, sendo que estes não eram afetados diretamente com a presença dos
pesquisadores, ao contrário dos que estavam expostos ao sol, que recolhiam-se para suas
tocas, ao menor movimento humano, no entanto, ao redor da SA mostrou-se machos
maiores distribuídos entre a vegetação rasteira, que é um local de alta luminosidade em
relação a SA. Houve alta ocorrência de indivíduos maiores em solos arenosos, lodosos ou
com baixa umidade, ao contrário de locais com maior umidade que apresentou
exclusivamente indivíduos jovens, sendo a distribuição uniforme dos organismos, machos
maiores foram vistos em locais com maior grau de proteção, comparando aos menores que
foram vistos em locais de pouca proteção ou de alta umidade (e.g: extrato muito próximo
as águas), o grau de proteção é também preponderante no maior tempo de coorte dos
machos maiores observados mais distantes da margem, sendo assim vantajoso. A SA
promoveu um falso abrigo (ou falsa proteção) levando assim a ter mais disputas por este
espaço em relação aos que estavam expostos ao sol, sem nenhuma proteção direta, ou seja,
61
o fator em questão é a falsa proteção propiciada pela SA e não a pouca luminosidade do
sombrite. Á medida que as horas passavam e a sombra deslocava em relação ao sol notouse que o local anteriormente sombreado teve redução da atividade comportamental. Os
indivíduos expostos a proteção da SA e nas gramíneas sofreram menor alteração em
relação aos que estavam localizados em alta luminosidade e mais sujeitos a predação,
tendo em vista que a vegetação rasteira localizaram-se em lugares menos úmidos, com
maior afastamento das marés e mais incidência luminosa. Disputas territoriais por tocas
foram observadas neste estudo. Masunari (2006) relata que o comportamento territorialista
tem relação com comportamento gregário, porém não foi observado relações quanto a
prevenção de desidratação, ainda segundo o mesmo autor, fatores como proteção, umidade
e luminosidade são cruciais na disputa territorial entre U. leptodactyla. As observações
realizadas confirmam a necessidade de proteção e alguma relação com a umidade,
entretanto o fator luminosidade não foi crucial no processo comportamental territorialista
da espécie, o que observou-se neste estudo foi uma tendência a busca por locais de maior
proteção e mais elevados, ao invés de áreas com maior incidência da luz solar.
4. Conclusão
Os resultados demonstram que o fator principal na distribuição de Uca leptodactyla
é a busca por abrigos e locais com maior proteção. Concluí-se também que o tempo de
corte foi uma característica primordial para ocorrência de machos nos extratos superiores
mais distantes da maré e tais extratos propiciam também um melhor forrageamento para a
espécie.
5. Literatura citada
MASUNARI, S. & SWIECH-AYOUB, B.P. 2003 Crescimento relativo em Uca
leptodactyla Rathbun (Crustacea Decapoda Ocypodidae). Rev. Bras. de Zoologia 20 (3):
487-491.
MASUNARI, S. 2006. Distribuição e abundância dos carangueijos Uca Leach (Crustacea,
Decapoda, Ocypodidae) na Baía de Guaratuba, Paraná, Brasil. Rev. Bras.de Zoologia 23
(4): 901-914.
62
MOREIRA, R.P.G. RAMOS, R.J. FREITAS-NETTO, R.. 2010. Composição faunística
dos crustáceos do gênero Uca (Ocypodidae) em manguezal do município de Serra, ES.
Natureza on line 8 (1): 46-50.
NABOUT, J.C. 2009. Macroecologia do gênero Uca (Crustacea, Decapoda): padrões de
diversidade, distribuição e respostas às mudanças climáticas globais. Tese de Doutorado,
Universidade Federal de Goiás, Goiânia.
OLIVEIRA, D.A.F. 2005 Distribuição Espacial do Carangueijo-Uçá, Ucides cordatus,
(Linnaeus, 1763) (Crustacea, Brachyura, Ocypodidae). Trabalho de conclusão de curso,
Universidade Estadual Paulista (UNESP), São Vicente, SP.
OLIVEIRA, T.S. PAIXÃO, V.M. COELHO, A.P. SILVA, A.C.F.L. RIBEIRO,E.B.
ALVITE, T.U. MACEDO, A.R.C. SOUSA, A.F.A. CARVALHO-NETA, R.N.F. 2007.
Alometria no crescimento de Uca rapax (Crustacea, Decapoda, Ocypodidae) na ilha de
São Luís, Maranhão. In VIII Congresso de Ecologia do Brasil, Sociedade de Ecologia do
Brasil, Caxambu, p.1-2.
63
CONCEPÇÕES DOS ESTUDANTES DE UMA ESCOLA PÚBLICA DE
JEQUIÉ/BA SOBRE O PROBLEMA DA EXTINÇÃO DE ESPÉCIES
Isis OrbilenTorres1, Rita de Cássia Anjos Bittencourt Barreto2 e Paulo Marcelo Marini
Teixeira2
1
Graduada no Curso de Licenciatura em Ciências Biológicas na Universidade Estadual do
Sudoeste da Bahia – UESB ([email protected]);
2
Docentes do Curso de Licenciatura em Ciências Biológicas na Universidade Estadual do
Sudoeste da Bahia – UESB.
Palavras-chaves: extinção de espécies, ensino de ecologia, concepções dos estudantes
1. Introdução
O ensino de Ciências e de Biologia nas escolas públicas ainda é permanentemente
influenciado por práticas tradicionais de ensino, baseadas na transmissão de conteúdos, em
que os alunos participam timidamente das aulas (KRASILCHIK, 2004). Desta forma,
encontramos nos documentos vinculados aos Parâmetros Curriculares Nacionais (BRASIL,
1997) e os Parâmetros Curriculares Nacionais Mais: Ensino Médio (BRASIL, 2002) uma
proposta que possibilita mudanças significativas na realidade escolar. E quando pensamos
em desequilíbrio ambiental e em propostas para a conservação do meio ambiente, um
problema sério que enfrentamos na atualidade refere-se à extinção de diversas espécies de
seres vivos. “A perda de espécies que está ocorrendo no presente não tem precedentes, é
única, e pode ser irreversível” (PRIMACK e RODRIGUES, 2001, p. 36). Percebe-se
“curiosamente, contudo, que o estudo da extinção permanece um dos mais negligenciados
em ecologia” (WILSON et al., 1997, p. 03). Baseado nisto, este trabalho propõe fazer uma
análise da compreensão dos estudantes sobre a temática da extinção de espécies,
relacionando a importância da conservação da biodiversidade para a sustentabilidade do
planeta; compreendendo os diferentes processos da extinção de espécies e o
reconhecimento da potencialidade no Ensino de Ecologia na construção de uma nova
mentalidade ambiental.
2. Material e Métodos
64
A pesquisa realizada pode ser caracterizada como de natureza quali-quantitativa.
Como cita Maria Cecília Minayo, “o objeto da pesquisa qualitativa dificilmente pode ser
traduzido em números e indicadores quantitativos” (MINAYO, 2010, p. 21). A coleta de
dados foi realizada entre os dias 29 e 30 de novembro de 2011, em um colégio estadual
situado na cidade de Jequié, cujo instrumento de pesquisa foi um questionário constituído
de sete perguntas para promover uma maior participação dos estudantes e descoberta das
principais influências e a compreensão da temática exposta pelos pesquisadores. O
público-alvo era constituído por estudantes de 2º e 3º ano do ensino médio no período
noturno. Sendo que, a aplicação do questionário ocorreu nos intervalos ou em horários
vagos, após o consentimento dos mesmos, com assinatura de um Termo de compromisso
assinados por eles. Participaram da pesquisa 47 sujeitos com idades entre 17 a 47 anos. A
análise de dados foi por categorização das questões respondidas pelos discentes.
3. Resultados
Na primeira questão indagamos os alunos sobre o que eles sabiam a respeito do
fenômeno da extinção de espécies. Na segunda questão solicitamos aos estudantes que
mencionassem seres vivos extintos ou pelo menos estivesse sob risco de extinção muitos
citaram animais da fauna brasileira e espécies bandeira que estão ameaçadas de extinção.
Na terceira questão os estudantes mencionaram as principais causas de extinção de
espécies. Já a quarta questão as principais consequências decorrente a existência do
fenômeno de extinção de espécies. Na quinta questão os discentes mencionaram algumas
propostas para enfrentar o problema da extinção de espécies. A penúltima questão
procurou identificar as principais fontes de informação utilizadas pelos estudantes e a
última questão perguntou aos discentes se a extinção já existiu em períodos remotos.
4. Discussão e Conclusão
Na análise das afirmações dos estudantes diante das perguntas propostas na
pesquisa, verificamos que as ideias de alguns autores, como por exemplo, “No âmbito do
ensino de Ciências, em geral, pretende-se enfatizar, nos temas comumente incluídos
(ambiente, ser humano e saúde), aspectos práticos e do cotidiano dos alunos”
(KRASILCHIK, 2004, p.18). “Daí, a necessidade no âmbito escolar, de tratar esta temática
65
de forma interdisciplinar, como um meio de superar a fragmentação do ensino”
(BIANCHI, 1998, p. 27) a respeito do ensino de Ciências e Biologia, podem ser
confirmadas, pois estas afirmações apontam um conhecimento fragmentado para definir o
termo extinção de espécies e as suas principais consequências. Dessa forma, constatamos
que o ensino de ecologia não é trabalhado em sala de aula numa perspectiva de um ensino
interdisciplinar, ao verificarmos que apenas o professor de biologia trata de questões
relacionadas à conservação da biodiversidade, quando o assunto deveria ser tratado de
forma ampla com uma preocupação pautada na sustentabilidade planetária. Outro ponto
relevante da pesquisa os estudantes não demonstraram conhecer a relação extinçãoevolução e nem reconhecerem a extinção como um processo natural, mas como um
problema ambiental. Contudo, percebe-se que os discentes apesar de apresentarem muitas
dificuldades
para
responderem
algumas
perguntas
do
questionário,
conhecem
empiricamente muitos aspectos relacionados às questões ambientais e em especial à
extinção das espécies, e estes aspectos, quando bem trabalhados e de forma
contextualizada, poderá de modo significativo para que os mesmos compreendam de forma
mais aprofundada a temática da extinção de espécies até podendo mudar de conduta, ou
seja, pensando e refletindo sobre novas estratégias de amenizar ações agressivas contra o
meio ambiente.
5. Literatura citada
BRASIL, Parâmetros curriculares nacionais: ciências naturais/ Secretaria de Educação
Fundamental. – Brasília: MEC/SEF, 1997.
BRASIL, Ciências da natureza, matemática e suas tecnologias/ Secretaria da Educação
Média e Tecnologias – Brasília: MEC; SEMTEC, 2002.
BIANCHI, V. A construção dos conceitos sobre as interações ecológicas e suas
implicações nas práticas agrícolas/ Vidica Bianchi. Ijuí, 1998. Dissertação ( Mestrado em
Educação nas Ciências) – UNIJUÍ, 1998.
KRASILCHIK, Myrian. Prática de Ensino de Biologia/ Myrian Krasilchik. – 4 ª. Ed. Ver.
E ampl. – São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2004.
MINAYO, M. C. de S., DESLANDES, S. F. e GOMES, R. Pesquisa Social: teoria,
método e criatividade/ Maria Cecília de Souza Minayo (organizadora); Suely Ferreira
Deslandes e Romeu Gomes. 29. Ed. – Vozes. Petrópolis, Rio de Janeiro, 2010.
66
PRIMACK, R. B. e RODRIGUES, E. Biologia da conservação/ Richard B. Primack,
Efraim Rodrigues, Londrina: E. Rodrigues, 2001.
WILSON, E. O. et al. Biodiversidade/ E. O. Wilson, editor; Frances M. Peter, subdiretor;
Carlos Gabglia Penna, coordenador da edição brasileira; tradução de Marcos Santos,
Ricardo Silveira. – Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1997.
67
Caracterização e Análise Ambiental
AVALIAÇÃO PRELIMINAR DA CONCENTRAÇÃO ELEMENTAR EM
DIFERENTES ESPÉCIES DE FUNGOS LIQUENIZADOS DOS MUNICÍPIOS DE
JEQUIÉ E ILHÉUS-BAHIA
Tamires Santos Vaz1, Gissele Souza Valasques1, Marcos de Almeida Bezerra2, Paulo
Borges Oliveira3, e 4Marla Thaís Fernandes Teodoro.
1
Mestranda
do
Programa
de
Pós-graduação
em
Química
–
PGQUI-(UESB)
([email protected]); 2Pesquisador do Programa de Pós-graduação em Química –
PGQUI-(UESB); 3Mestrando do Programa de Pós-graduação em Genética, Biodiversidade
e Conservação – PPGGBC-(UESB). 4Graduanda em licenciatura em Química (UESB).
Palavras-chave: Fungos liquenizados, metais, PCA.
1. Introdução
Os fungos liquenizados são estruturas resultantes da simbiose entre um fungo e
uma ou mais algas ou cianobactérias (GRUBE, M et al, 2002). São encontrados em todas
as regiões do mundo, e geralmente, em áreas submetidas a condições climáticas severas;
vivem por décadas ou centenas de anos, apresentam crescimento lento e mantém
uniformidade morfológica durante o ciclo de vida (NASH III, T. H.; 2008). Diferente das
plantas perenes, estes organismos não possuem sistema vascular para condução de água ou
nutrientes, como consequência, eles desenvolveram eficientes mecanismos de absorção
através de fontes atmosféricas. Os fungos liquenizados absorvem e retém íons metálicos,
elementos radioativos, substâncias orgânicas, dentre outros poluentes. Devido a esses
fatores estes organismos são úteis como bioindicadores em estudos de deposição
atmosférica (SAIKI, M et al, 2007). O trabalho tem como objetivo avaliar a concentração
dos elementos Cu, Zn, Fe, Mg, P, K, S, Mn, Ni, Cr, Na, Al e Pb por espectrometria de
emissão atômica por plasma acoplado indutivamente (ICP OES) em fungos liquenizados
dos municípios de Jequié e Ilhéus, coletados em áreas urbanas e rurais e explorar os dados
obtidos utilizando a análise de componentes principais (PCA) .
2. Matérias e métodos
68
Vinte amostras de fungos liquenizados corticícolas de talos folhosos, fruticosos e
gelatinosos foram coletadas nos municípios de Ilhéus e Jequié em zonas urbanas e rurais
em 2011. Cada espécie, após limpeza, foi seco em estufa durante 24 horas a 60°C,
triturada, peneirada na malha 65µm. Massas de aproximadamente 0,2 g das amostras foram
pesadas e transferidas para tubos de quartzo. Adicionou-se à amostra um volume de 3 mL
de ácido nítrico concentrado (P.A.; Vetec) e 2 mL de peróxido de hidrogênio 60% (Vetec).
As amostras foram digeridas em sistema aberto a 130°C durante 4 horas, em seguida a
solução foi filtrada para um balão volumétrico de 10 mL. As determinações dos elementos
foram realizadas por espectrometria de emissão atômica por plasma acoplado
indutivamente (ICP OES). A interpretação dos resultados foi realizada com auxílio de um
método quimiométrico multivariado de exploração de dados, a Análise por Componentes
Principais (PCA) usando-se o programa Statistica 6.0.
3. Resultados
A concentração média de elementos Cu, Zn, Fe, Mg, P, K, S, Mn, Ni, Cr, Na, Al de
todas as amostras estão representados na Tabela 1.
Tabela 1. Valores médios de concentração elementar (g/g) nas vinte amostras de fungos liquenizados.
Amostras
Cu
Zn
Fe
Mg
P
K
S
Mn
Ni
Cr
Na
Al
Pb
1
2,125
6,138
814,2
403,9
435,0
2375
260,7
4,600
5,375
9,200
692,0
2015
1,846
2
7,000
192,2
9463
860,7
945,5
3366
0,7740
21,15
1,900
5,650
672,0
18398
0,000
3
7,100
1166
3937
555,0
1193
4719
1,586
36,85
1,525
2,475
906,5
8563
15,12
4
20,73
114,1
4168
1034
875,3
3792
3,327
36,05
5,150
10,43
712,7
7238
5,222
5
6,725
39,64
2588
830,2
1041
4057
1,771
23,43
3,500
6,600
896,5
4178
3,380
6
9,750
72,04
3577
1432
1085
4250
2,900
51,45
11,63
20,15
450,1
5620
1,190
7
0,2500
4,388
11,55
10,40
997,3
265,1
0,015
0,1000
0,0500
0,1250
9,650
16,78
0,5210
8
0,025
2,313
6,125
5,175
969,5
256,0
0,0490
0,0500
0,0250
0,050
15,00
11,45
0,6630
9
0,0750
6,963
21,80
10,03
598,3
209,4
0,1970
0,1000
0,1000
0,050
20,95
34,48
0,8970
10
0,1000
7,388
14,38
15,85
1191
412,0
0,3050
0,1500
0,150
0,1250
16,38
19,73
1,044
11
35,58
260,0
2067
403,9
2164
5491
2,076
210,9
37,65
16,40
729,5
7900
14,75
12
6,300
39,24
286,4
403,9
1801
5331
1,296
36,38
0,9000
0,1250
783,0
439,5
0,0130
13
7,875
39,29
371,3
2060
1722
4426
0,820
114,9
1,250
1,975
806,0
502,4
2,814
14
17,15
51,59
1159
1312
1442
4671
1,018
27,55
3,175
2,900
709,0
2356
1,863
15
51,43
473,1
5081
2049
1181
4322
2,442
55,70
57,88
40,78
2104
5893
107,5
16
68,90
670,6
5745
3590
1269
5820
4,402
73,30
52,15
48,78
935,5
6968
101,3
69
17
9,450
92,59
2681
990,7
507,0
2461
0,8750
73,93
2,175
5,475
774,0
3723
1,684
18
9,375
94,09
2505
1438
1042
3642
2,072
287,0
2,450
3,800
758,2
3678
1,060
19
9,375
67,19
2464
1509
1347
5191
2,214
114,5
5,650
15,55
991,2
3373
1,195
20
9,850
64,74
1527
2033
2263
7379
2,628
91,40
1,900
3,575
740,0
1721,3
1,645
Dentre os íons inorgânicos estudados, Fe, Al e P foram os mais abundantes na
maioria das amostras, enquanto o Cu, S e Pb apresentaram as menores concentrações. Para
os íons Fe a maior concentração foi de 20669,9 µg g-1 no fungo liquenizado Physcia sp, de
talo folhoso e a menor foi 6,125 µg g-1 no fungo liquenizado Ramalina sp2, de talo
fruticoso. O maior valor de concentração para a espécie inorgânica P foi encontrada na
amostra Leptogium sp1 (2263,5 µg g-1), de talo gelatinoso e o menor valor na amostra
Telochistes sp (435,0 µg g-1), de talo fruticoso. E para o Al a maior concentração
encontrada foi na amostra Punctelia sp (18398,0 µg g-1), talo folhoso e a o menor valor na
amostra Ramalina sp2 (11,45 µg g-1), talo fruticoso.
O fungo liquenizado do gênero Ramalina sp2 de morfologia fruticosa, coletadoa na
zona urbana no município de Jequié, não só apresentou baixa concentração de Cu, S e Pb,
mas também de Zn, Fe, Mg, Mn, Ni, Cr e Al em relação a outras amostras analisadas. As
maiores concentrações de Cu, Mg, K e Cr foram encontrados no gênero Physcia sp1, de
talo folhoso, coletados na zona urbana de Ilhéus.
4. Discussão e Conclusão
A análise multivariada revelou que duas componentes principais explicam 62,6%
(46,99% da PC1 e 15,65% da PC2) da variância dos dados. O gráfico de escores (Figura 1)
revela que as amostras coletadas se dividem em quatro grupos. O grupo marcado em cor
verde representa, em sua maioria, amostras coletadas na zona rural de Jequié de talos
folhosos; grupo em cor vermelho representa a Zona urbana de Jequié de talos fruticosos;
grupo em azul representa o complexo industrial de Ilhéus de talos folhosos e o grupo em
amarelo representa as zonas rurais e urbanas de Ilhéus de talos folhosos. O gráfico dos
loadings (não apresentado) revela que todas as variáveis são significativas na separação
dos grupos, os elementos que separam as amostras do complexo industrial de Ilhéus das
demais são Cu, Pb, Ni, S e os que separam as amostra da Zona rural de Jequié das zonas
urbanas de Jequié e Ilhéus são Na, Al e Zn. As amostras de fungos liquenizados em sua
maioria de talos folhosos coletados no complexo industrial de Ilhéus apresentam as
70
maiores concentrações dos elementos estudados, devido à atividade industrial e a maior
retenção de metais nas espécies de talos folhosos. As menores concentrações foram
encontradas nos fungos liquenizados fruticosos coletados na zona urbana de Jequié, devido
à estrutura dos talos possuírem uma pequena área superficial dificultando a deposição
atmosférica e consequente acumulação desses elementos. Alguns estudos têm mostrado
que os fungos liquenizados folhosos acumulam quantidades maiores de elementos
aerotransportados quando comparados com fungos liquenizados fruticosos (NASH III, T.
H.; 2008).
Complexo industrial de
Ilhéus
Zona Urbana e rural
de Ilhéus
Zona Rural de Jequié
Zona Urbana de
Jequié
Figura 1. Gráfico dos escores para PC1 e PC2 mostrando tendência de agrupamento das
amostras analisadas.
A contribuição mais importante do PCA neste estudo preliminar foi deduzir fontes
características de contaminação e investigar as possíveis correlações entre as concentrações
dos metais e as espécies de fungos liquenizados, na zona rural e no perímetro urbano dos
municípios de Ilhéus e Jequié.
5. Literatura citada
71
GRUBE M., WINKA K. 2002 Progress in understanding the evolution and classification
of lichenized ascomycete. Mycologist, Cambridge University Press, Cambridge, v. 16,
Part 2, p. 67-76.
NASH III, T.H.; Lichen Biology - Lichen sensitivity to air pollution; In Lichen Biology;
Nash III, T. H.; Ed.; Cambridge University Press, Cambridge, 2008; p 299.
SAIKI, M., FUGA, A., ALVES, E.R., VASCONCELLOS, M.B.A. & MARCELLI, M.P.
2007. Biomonitoring of the atmospheric pollution using lichens in the metropolitan area of
São Paulo city, Brazil. Journal of Radioanalytical and Nuclear Chemistry, v. 127, n. 1, p.
213-219.
72
DETERMINAÇÃO DE CÁDMIO E CHUMBO EM AMOSTRAS DE CAMARÕES
COMERCIALIZADS NA BAHIA
Klebson Souza Santos1*(PG), Valfredo Azevedo Lemos1(PQ), Lívia Oliveira Correia1(PG),
Eldevan Dos Santos Silva1(PG), Márcio José Silva Santos1(PQ) .
1
Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Laboratório de Química Analítica - LQA, Jequié,
Bahia.
*[email protected]
Palavras-chave: Amostras Ambientais, Bioindicadores, Dieta Humana e Espectrometria de
Absorção Atômica.
1. Introdução
Grande parte da população mundial passa por uma nova cultura alimentar, devido
aos variados fatores que são associados à saúde. A atividade pesqueira, ao longo dos
tempos, tem sido responsabilizada pelo sustento de grande parte da população mundial
(OLIVEIRA, 2002). A pesca, uma das atividades econômicas mais antigas do homem,
possui enorme relevância na alimentação de vários povos, tendo apresentado crescimento
acelerado desde o fim da Segunda Guerra Mundial até os anos 80, devido à escassez de
carne suína e bovina (CABRAL, 1997). Assim, é justificada a entrada de alimentos
funcionais que são considerados como fonte primordial de saúde, reforçando a entrada de
carnes brancas no cardápio de várias pessoas em todo mundo. A carcinicultura é uma
atividade que cresceu bastante nos últimos anos. A produção nacional de 2010 foi de
80.090 toneladas, consolidando o Brasil na posição líder do hemisfério ocidental
CEPENE/IBAMA (2010). As avaliações dos níveis de metais traços em alimentos
consumidos localmente é o primeiro passo para se avaliar os riscos à população humana
devido à contaminação ambiental por esses metais (NIENCHESKI et al., 2000). Tanto os
elementos essenciais quanto os não-essenciais são tóxicos aos organismos vivos, quando
presentes em altas concentrações. Muitos metais traço podem ser acumulados no
organismo marinho até níveis que podem ser prejudiciais às pessoas que os consomem
(GOLDBERG et al.,1983).
Portanto sempre necessário um estudo sobre a matriz
73
ambiental, comparando os resultados encontrados com os dados tabelados pelos órgãos
competentes como a OMS, o CONAMA e IBAMA.
2. Material e Métodos
As amostras foram obtidas em doze diferentes cidades das regiões Sul, Recôncavo,
Sudoeste e das cidades de Feira de Santana e Salvador, na Bahia, em centros de
abastecimentos e feiras livres nos meses de fevereiro, março, maio e junho de 2011,
totalizando número de 23 amostras de camarões. As amostras foram colocadas para
secagem em estufa à temperatura de 150ºC por um período de 01h e 30min. Os camarões
foram divididos em músculo, exoesqueleto abdominal e carapaça. O processo de digestão
das amostras foi executado de acordo com o seguinte procedimento. Cerca de 1,00g das
amostras de camarões foi pesado. Cada amostra foi transferida para um béquer de 25,00
mL. Então, foram acrescentados 10,00 mL de HNO3 a 65% (v/v) e 2,00 mL de H2O2. As
misturas foram mantidas em placa de aquecimento sob temperatura de 130ºC por um
período de 6 a 8 horas. Após esta etapa, os digeridos foram diluídos com água ultrapura em
balões volumétricos, até o volume final de 25,00 mL.
3. Resultados
As concentrações de metais encontradas nas amostras de camarões defumados
comercializados nas regiões Sul, Sudoeste, Recôncavo e na cidade de Feira de Santana
estão apresentados no gráfico da figura 01. As amostras foram analisadas em triplicata.
74
Figura 1: Gráfico - Determinações dos teores de cádmio e chumbo em pg/g nas amostras de camarões comercializados nas 12 cidades
baianas em estudo.
Quando comparados os níveis de cádmio e chumbo entre as amostras de camarão,
provenientes das cidades citadas na tabela 01 e no gráfico 04, é possível apontar a
diferença entre as concentrações médias, que variam entre 28,14 pg/g para Cd e 21,18 pg/g
para chumbo. Todos os valores encontrados ficaram abaixo do limite permitido pela OMS
para gêneros alimentícios, que é de 1,0 mg/Kg para cádmio e 2,0 mg/Kg para chumbo.
Conforme Portaria 685 da ANVISA (Brasil, 1998), os níveis toleráveis de Cd em
alimentos variam de 0,1 mg/kg a 1,0 mg/kg, enquanto os níveis toleráveis de Pb em
alimentos variam de 0,2 mg/kg a 2,0 mg/kg. Nenhum dos valores obtidos nas análises se
apresentaram acima de 0,1 mg/kg para os dois metais, no entanto, é válido fazer um estudo
detalhando os níveis de cádmio e chumbo por região.
4. Discussão e Conclusão
As amostras de camarões comercializadas nas cidades citadas nesse estudo
apresentam quantidade de cádmio e chumbo baixos, quando comparadas com legislação do
órgão de saúde e pesca federal que regulamenta o consumo de pescado. Porém se faz
necessário estudos mais aprofundados sobre a contaminação de metais traço nessas
regiões, uma vez que, algumas amostras coletadas nas cidades de Jequié e Vitória da
Conquista, ambas da região sudoeste são as que apresentam maiores concentrações para
cádmio e chumbo de todas as regiões estudadas, levando em consideração que as cidades
das regiões sul e recôncavo da Bahia apresentam concentrações menores, mas que no
futuro podem ser preocupantes.
Todas as amostras coletadas são apresentadas numa faixa aceitável em relação à
quantidade média dos metais traço em pg/g de amostra bruta sendo que o teor de cádmio é
38,77 pg/g e para chumbo 26,83 pg/g.
5. Literatura citada
OLIVEIRA, F.C. ; MATIAZZO, M.E. ; MARCIANO, C.R. &ROSSETO, R. Efeitos de
aplicações sucessivas de lodo de esgoto em Latossolo Amarelo distrófico cultivado
75
com cana-de-açúcar: carbono orgânico, condutividade elétrica, pH e CTC. R. Bras. i.
Solo, 26:505-519, 2002.
CABRAL, C.A.R. A educação ambiental ma pesca artesanal do camarão rosa
(Penaeus paulensis) em Rio Grande: Análise de uma tentativa.Dissertação de mestrado
em Educação Ambiental, FURG. 237 p. 1997.
ANVISA,
1998;
Portaria
nº
222,
de
24
de
março
de
1998,
http://www.anvisa.gov.br/alimentos/legis/especifica/regutec.htm,
acessada
em
Março
2011.
IBAMA, Relatório das reuniões dos Grupos Permanentes de Estudos, Peixes
demersais. Série Estudos de Pesca, 8: 93p. 1993
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE-OMS. Guidelines for drinking-water
quality. Recommendations, 2.ed., Geneva, WHO, . v.1. 1993
CONAMA 20 (1986). Conselho Nacional do Meio Ambiente. Resolução CONAMA 20 de
12 de junho de 1986. In: Coletânea de Legislação Ambiental Federal – Estadual, 1991.
Imprensa Oficial do Estado do Paraná.
NIENCHESKI, L.F.H. & BAUMGARTEN, M.G. Distribution of particulate trace metal
in the southern part of the Patos Lagoon estuary. Aquatic Ecosystem Health &
Management, Canadá, v. 3, n. 4, p. 515-520, 2000.
GOLDBERG, E. D.; KOYDE, M; HODGE, V.; FLEGAL, A. R. & MARTIN, J., 1983.
U.S. Mussel Watch 1977-1978: Results on trace metals and radio nuclides. Estuarine
Coastal and Shelf Science, 16:69-83.
76
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Anais do II WGBC - III Workshop de Genética, Biodiversidade e