Nome:
Português
Nº:
3º ano
Modernismo 1ª fase
Wilton
Turma:
Maio/10
MODERNISMO NO BRASIL (1ª. FASE)
O Modernismo brasileiro foi iniciado com o advento da Semana de Arte Moderna,
ocorrida em 1922, no centenário da Independência do Brasil (1822). Influenciados
pelas vanguardas europeias, os modernistas brasileiros da primeira fase adotaram uma
postura radical e destrutiva em sua arte.
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Contexto histórico
 1911 – a “política das salvações”, proposta pelo presidente Hermes da Fonseca,
promove uma série de intervenções militares com o objetivo de enfraquecer os
cafeicultores.
 1912 – crescimento da inflação e greves operárias em São Paulo.
 1914 – retorno da política do “café-com-leite”. Venceslau Brás elege-se
presidente da República. Início da I Guerra Mundial (1914-1918).
 1922 – Fundação do Partido Comunista Brasileiro.
 1925-1927 – Coluna Prestes.
 1929 – Quebra da Bolsa de Nova Iorque. Queda vertiginosa do preço do café.
Falência de fazendeiros. Lançamento da candidatura de Getúlio Vargas.
Fases do Modernismo brasileiro
 1922-1930 (1ª. fase) – “fase heróica” marcada pela ruptura, releitura do passado
brasileiro e radicalismo. Principais autores: Mário de Andrade, Oswald de
Andrade e Manuel Bandeira.
 1930-1945 (2ª. fase) – fase marcada pela consolidação das ideias propostas após
a Semana de Arte Moderna, pela prosa regionalista e pelo amadurecimento da
poesia brasileira. Principais autores (prosa): Graciliano Ramos, Rachel de
Queiroz, José Lins do Rego, Érico Veríssimo e Jorge Amado. Principais autores
(poesia): Carlos Drummond de Andrade, Vinícius de Moraes,Cecília Meireles,
Murilo Mendes e Jorge de Lima.
 1945... (Pós-Modernismo) – fase marcada pela intensa pesquisa estética, pela
fragmentação da narrativa e pela experimentação. Principais autores: Guimarães
Rosa (prosa), Clarice Lispector (prosa) e João Cabral de Melo Neto (poesia).
Antecedentes da Semana de 22
 Criação da revista O Pirralho, por Oswald de Andrade e Emílio Menezes, em
1911.
 Em 1912, Oswald de Andrade retorna da Europa e divulga algumas ideias
cubistas e futuristas no Brasil.
 Exposição de pinturas expressionistas do russo Lasar Segall, em 1913.
 Participação do poeta brasileiro Ronald de Carvalho na criação da revista
literária portuguesa Orpheu, em 1915. Essa publicação iniciou o Modernismo
em Portugal.
 Publicação, em 1917, da obra A cinza das horas, de Manuel Bandeira, e Há uma
gota de sangue em cada poema, de Mário de Andrade.
 Publicação, em 1917, da crítica “Paranóia ou mistificação”, de Monteiro Lobato,
sobre a exposição da pintora paulista Anita Malfatti.
A boba, de Anita Malfatti
Semana de 22 – o evento
A Semana de Arte Moderna ocorreu entre os dias 13 e 18 de fevereiro de 1922, no
Teatro Municipal de São Paulo, e apresentou à perplexa elite paulistana da época
música, dança, pintura, escultura e literatura.
Para representar as artes plásticas, foram convidados os artistas Anita Malfatti, Di
Cavalcanti, Brecheret, Zina Aita, Harberg, Vicente do Rego Monteiro, Ferrignac e
Antonio Moya. Suas obras ficaram expostas no saguão do teatro.
O dia 13 foi aberto com uma conferência de Graça Aranha intitulada “A emoção
estética na arte moderna”. Guilherme de Almeida e Ronald de Carvalho declamaram
poemas nesse dia e Ernâni Braga e Villa-Lobos executaram suas músicas.
O sarau apresentado no dia 15 foi o mais agitado do evento. Menotti Del Picchia abriu a
noite com uma conferência. Entre vaias e urros do público presente, Ronald de Carvalho
declamou o poema “Os sapos”, de Manuel Bandeira, ridicularizando os poetas
parnasianos. Na escadaria do teatro, Mário de Andrade, em meio à gritaria dos
convidados, tentava explicar as artes plásticas expostas na Semana de Arte Moderna.
Para encerrar a noite, Guiomar Novaes apresentou um concerto musical.
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Consequências da Semana
Isoladamente, a Semana de Arte Moderna não representou uma mudança significativa
para as artes brasileira, entretanto esse curto evento serviu para desencadear uma série
de manifestos, revistas, publicação de livros, formação de grupos em todo o Brasil.
Toda essa efervescência posterior ao evento de São Paulo foi responsável pela
consolidação do Modernismo no Brasil.
Manifestos, revistas e grupos
 Principais manifestos: Manifesto da Poesia Pau-Brasil, Manifesto
Antropófago e Manifesto Nhenguaçu Verde-Amarelo.
 Principais revistas: Klaxon (1922), Revista de Antropofagia (1928) e
Terra Roxa e Outras Terras (1927) (São Paulo); Estética (1924) e
Festa (1927) (Rio de Janeiro); Verde (1927) e A Revista (1925)
(Minas Gerais).
 Principais grupos: Pau-Brasil, Antropófago, Verde-Amarelo –
posterior Escola da Anta – (São Paulo); Grupo modernistaregionalista de Recife (Pernambuco); Grupo de Porto Alegre (Rio
Grande do Sul).
Mário de Andrade (1893-1945)
Além de artista múltiplo e inventivo, Mário de Andrade foi um teórico importante do
Modernismo brasileiro. Textos como Prefácio interessantíssimo (1922) e A escrava que
não é Isaura (1925) foram essenciais para a compreensão e consolidação do movimento
que se iniciava. Como poeta, Mário publicou Há uma gota de sangue em cada poema
(1917), Pauliceia desvairada (1922), Losango Cáqui (1926), Clã do jabuti (1927),
Remate de males (1930), entre outros. Em Primeiro andar (1926) e Contos novos
(1946), o autor explorou sua face de contista. Escreveu ainda o romance Amar, verbo
intransitivo (1927) e sua obra mais importante, a rapsódia Macunaíma.
Oswald de Andrade (1890-1954)
Grande parte do espírito irrevente, crítico e demolidor da primeira fase do Modernismo
pode ser atribuída a Oswald de Andrade. Além dos provocadores manifestos Poesia
Pau-Brasil e Antropófago, Oswald publicou textos de teatro como O rei da vela (1937),
romances inovadores como Memórias sentimentais de João Miramar (1924) e
coletâneas de poemas marcados pelo humor, síntese, fragmentação e coloquialismos
como Pau-brasil.
Manuel Bandeira (1886-1968)
Considerado um dos maiores poetas da língua portuguesa, Bandeira revelou sua face
modernista a partir da coletânea Libertinagem (1930). Liberdade formal, simplicidade,
humildade, ironia, paixão, alumbramento e dramaticidade marcaram a obra do autor
pernambucano. Bandeira também detinha um conhecimento teórico de poesia bastante
apurado, herança de suas influências clássicas. O poeta publicou, entre outras obras,
Estrela da manhã (1936), Lira dos cinquent’anos (1948), Belo belo (1948), Mafuá do
malungo (1954).
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Abaporu, Tarsila do Amaral
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Revista da Antropofagia
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Cartaz do filme Macunaíma
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Cartaz da peça teatral Macunaíma
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Pau-brasil, livro de Oswald de Andrade
http://www.ichs.ufop.br/conifes/anais/CMS/cms1702f1.gif
O rei da vela, peça de Oswald de Andrade, encenada pelo Teatro Oficina
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http://www.pr.gov.br/mon/exposicoes/Lasar%20Segall/mario.jpg
O ‘adeus’ de Teresa
A vez primeira que eu fitei Teresa,
Como as plantas que arrasta a correnteza,
A valsa nos levou nos giros seus
E amamos juntos E depois na sala
‘Adeus’ eu disse-lhe a tremer co'a fala
E ela, corando, murmurou-me: ‘adeus’.
Uma noite entreabriu-se um reposteiro. . .
E da alcova saía um cavaleiro
Inda beijando uma mulher sem véus
Era eu Era a pálida Teresa!
‘Adeus’ lhe disse conservando-a presa
E ela entre beijos murmurou-me: ‘adeus!’
Passaram tempos sec'los de delírio
Prazeres divinais gozos do Empíreo
... Mas um dia volvi aos lares meus.
Partindo eu disse – ‘Voltarei! descansa!...’
Ela, chorando mais que uma criança,
Ela em soluços murmurou-me: ‘adeus!’
Quando voltei era o palácio em festa!
E a voz d'Ela e de um homem lá na orquesta
Preenchiam de amor o azul dos céus.
Entrei! Ela me olhou branca surpresa!
Foi a última vez que eu vi Teresa!
E ela arquejando murmurou-me: ‘adeus!’
(ALVES, Castro. Obra completa. 2 ed. Rio de Janeiro: Aguilar, 1966).
Teresa
A primeira vez que vi Teresa
Achei que ela tinha pernas estúpidas
Achei também que a cara parecia uma perna
Quando vi Teresa de novo
Achei que os olhos eram muito mais velhos que o resto do corpo
(Os olhos nasceram e ficaram dez anos esperando que o resto do corpo nascesse)
Da terceira vez não vi mais nada
Os céus se misturaram com a terra
E o espírito de Deus voltou a se mover sobre a face das águas.
(BANDEIRA, Manuel. Estrela da vida inteira. 20 ed. Rio de Janeiro: Nova
Fronteira, 1993.
Profundamente
Quando ontem adormeci
Na noite de São João
Havia alegria e rumor
Estrondos de bombas luzes de Bengala
Vozes cantigas e risos
Ao pé das fogueiras acesas.
No meio da noite despertei
Não ouvi mais vozes nem risos
Apenas balões
Passavam errantes
Silenciosamente
Apenas de vez em quando
O ruído de um bonde
Cortava o silêncio
Como um túnel.
Onde estavam todos os que há pouco
Dançavam
Cantavam
E riam
Ao pé das fogueiras acesas?
Estavam todos dormindo
Estavam todos deitados
Dormindo
Profundamente
****
Quando eu tinha seis anos
Não pude ver o fim da festa de São João
Porque adormeci
Hoje não ouço mais as vozes daquele tempo
Minha avó
Meu avô
Totônio Rodrigues
Tomásia
Rosa
Onde estão todos eles?
Estão todos dormindo
Estão todos deitados
Dormindo
Profundamente.
Links interessantes:
http://www.youtube.com/watch?v=ENl5kT8kQRQ
http://www.youtube.com/watch?v=vxyHCcPYdJ8
http://www.youtube.com/watch?v=QduPWn4CPx0
http://www.youtube.com/watch?v=z3BBAYwOzc4
http://www.youtube.com/watch?v=AI0DbA7P5oI
http://www.youtube.com/watch?v=g2EKghlmIyQ
http://www.youtube.com/watch?v=5ohTi8lbeok
http://www.youtube.com/watch?v=Emm1oFoUtd0
http://www.youtube.com/watch?v=uad4818H1Lg
http://www.youtube.com/watch?v=uad4818H1Lg
http://www.youtube.com/watch?v=JzFt7A34e0M
http://www.youtube.com/watch?v=wIyvM9Ce7mM&feature=PlayList&p=AD6083
0D3819C9F3&playnext_from=PL&playnext=1&index=1
http://www.youtube.com/watch?v=pmdIowQm-Fg
http://www.youtube.com/watch?v=D1S23t2OSp0
http://www.youtube.com/watch?v=AYkET7glBvA
http://www.youtube.com/watch?v=VWihZdZpmjI
http://www.youtube.com/watch?v=rWRiD7L1X-Q
http://www.youtube.com/watch?v=p5S4hPWt_jM
Características gerais
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Atitude crítica dos artistas em relação às verdades estabelecidas pela arte
produzida até então, sobretudo pelos românticos e pelos parnasianos.
Liberdade formal (versos livres e brancos, coloquialismos, menor uso de
formas fixas poéticas, incorporação do “erro” nas produções, entre
outros).
Incorporação de elementos prosaicos e “não-elevados” à literatura.
Metalinguagem.
Intertextualidade, com ênfase na paródia.
Predomínio da poesia.
Tentativa da criação de uma arte brasileira genuína.
Fusão entre prosa e poesia.
“Devoração” da cultura européia.
Rompimento com a cultura tradicional.
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Modernismo 1ª fase