CADERNO 3
2ª FASE
Redação e Português
Nº DE INSCRIÇÃO
INSTRUÇÕES
Para a realização destas provas, você recebeu este Caderno de Questões, uma Folha de Resposta
destinada à Redação e uma Folha de Respostas para as questões discursivas.
NÃO AMASSE, NÃO DOBRE, NÃO SUJE, NÃO RASURE ESTE MATERIAL.
1. Caderno de Questões
• Verifique se este Caderno de Questões contém as seguintes provas:
REDAÇÃO – 01 questão subjetiva;
PORTUGUÊS – 06 questões discursivas.
• Registre seu número de inscrição no espaço reservado para esse fim, na capa deste Caderno.
• Qualquer irregularidade constatada neste Caderno deve ser imediatamente comunicada ao
fiscal de sala.
• Neste Caderno, você encontra dois tipos de questão:
De Redação – questão subjetiva, que visa avaliar a capacidade de expressão escrita do candidato,
com base em tema proposto.
Discursiva – questão que permite ao candidato demonstrar sua capacidade de produzir, integrar
e expressar ideias a partir de uma situação ou de um tema proposto e de analisar a
interdependência de fatos, fenômenos e elementos de um conjunto, explicitando a natureza
dessas relações.
• Leia cuidadosamente o enunciado de cada questão, formule suas respostas com objetividade
e correção de linguagem, atendendo ao tema proposto. Em seguida, transcreva cada uma na
respectiva Folha de Respostas.
• O rascunho deve ser feito nos espaços reservados junto das questões, neste Caderno.
2. Folhas de Respostas
As Folhas de Respostas são pré-identificadas, isto é, destinadas exclusivamente a um determinado
candidato. Por isso, não podem ser substituídas, a não ser em situação excepcional, com
autorização expressa da Coordenação dos trabalhos. Confira os dados registrados nos
cabeçalhos e assine-os com caneta esferográfica de TINTA PRETA ou AZUL-ESCURA, sem
ultrapassar o espaço reservado para esse fim.
2.1 Folha de Resposta destinada à Redação
• Nessa Folha de Resposta, você só deve utilizar o espaço destinado à Redação, o suficiente para
desenvolver o tema.
2.2 Folha de Respostas destinada às questões discursivas
• Nessa Folha de Respostas, você deve observar a numeração das questões e UTILIZAR APENAS
O ESPAÇO-LIMITE reservado à resposta de cada uma.
3. ATENÇÃO!
• Em conformidade com o Decreto Presidencial no 6583, de 29 de setembro de 2008, será exigida
a Nova Ortografia da Língua Portuguesa na construção das respostas destas provas.
• Será ANULADA a prova que não seja respondida na Folha de Respostas correspondente ou
que possibilite a identificação do candidato.
• Nas Folhas de Respostas, NÃO ESCREVA na Folha de Correção, reservada ao registro das
notas das questões.
• O tempo disponível para a realização das provas e o preenchimento das Folhas de Respostas é
de 5 (cinco) horas.
ESTAS
PROVAS DEVEM SER RESPONDIDAS PELOS CANDIDATOS
AOS CURSOS DOS GRUPOS
C
e
D.
GRUPO C
Administração
Arquivologia
Biblioteconomia e Documentação
Ciências Contábeis
Ciências Econômicas
Ciências Sociais
Comunicação – Jornalismo
Comunicação – Produção
em Comunicação e Cultura
Direito
Educação Física
Estudos de Gênero e Diversidade
Filosofia
Geografia
História
Museologia
Pedagogia
Psicologia
Secretariado Executivo
Serviço Social
GRUPO D
Letras Vernáculas
Letras Vernáculas e Língua Estrangeira Moderna
Língua Estrangeira Moderna ou Clássica
Língua Estrangeira – Inglês / Espanhol
Redação
• Escreva sua Redação com caneta de tinta AZUL ou PRETA de forma clara e legível.
• Utilize a Nova Ortografia da Língua Portuguesa na construção da Redação.
• Caso utilize letra de imprensa, destaque as iniciais maiúsculas.
• O rascunho deve ser feito no local apropriado do Caderno de Questões.
• Na Folha de Resposta, utilize apenas o espaço a ela destinado.
• Assine a prova APENAS NO CABEÇALHO. A assinatura no campo da resposta
ANULARÁ a sua Redação!
• Será atribuída pontuação ZERO à Redação que
– não se atenha ao tema proposto;
– esteja escrita a lápis, ainda que parcialmente;
– apresente texto incompreensível ou letra ilegível;
– esteja escrita em verso;
– apresente texto padronizado, comum a vários candidatos;
– NÃO SEJA RESPONDIDA NA RESPECTIVA FOLHA DE RESPOSTA;
– ESTEJA ASSINADA FORA DO LOCAL APROPRIADO;
– POSSIBILITE, DE ALGUMA FORMA, A IDENTIFICAÇÃO DO CANDIDATO.
I.
O poder das palavras é enorme, especialmente o poder de algumas palavras,
talvez poucas centenas, que encerram em cada cultura, mais notadamente nas
sociedades complexas como as nossas, o conjunto de crenças e valores aceitos e
codificados pelas classes dominantes. [...]
A linguagem pode ser usada para impedir a comunicação de informações para
grandes setores da população. Todos nós sabemos quanto pode ser entendido das
notícias políticas de um Jornal Nacional por indivíduos de baixo nível de educação. A
linguagem usada e o quadro de referências dado como implícito constituem um
verdadeiro filtro da comunicação de informações: estas podem ser entendidas somente
pelos ouvintes já iniciados não só na linguagem padrão, mas também nos conteúdos a
elas associados. [...]
GNERRE, Maurizio. Linguagem, escrita e poder. 4. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1988. p. 20-21.
II.
Ai, palavras, ai, palavras,
que estranha potência, a vossa!
Todo o sentido da vida
principia à vossa porta;
o mel do amor cristaliza
seu perfume em vossa rosa;
sois o sonho e sois a audácia,
calúnia, fúria, derrota...
MEIRELES, Cecília. Das palavras aéreas. In: Obra poética: Romanceiro da Inconfidência. 3. ed. Rio
de Janeiro: Companhia José Aguilar Editora, 1972. p. 493.
UFBA – 2013 – 2a fase – Redação – 2
III.
A concepção de sujeito da linguagem varia de acordo com a concepção de língua
que se adote. Assim, à concepção de língua como representação do pensamento
corresponde a de sujeito psicológico, individual, dono de sua vontade e de suas ações.
Trata-se de um sujeito visto como um ego, que constrói uma representação mental e
deseja que esta seja “captada” pelo interlocutor da maneira como foi mentalizada.
Na verdade, porém, este ego não se acha isolado em seu mundo, mas é, sim, um
sujeito essencialmente histórico e social na medida em que se constrói em sociedade e
com isto adquire a habilidade de interagir. Daí decorre a noção de um sujeito social,
interativo, mas que detém o domínio de suas ações.
Finalmente, a concepção de língua como lugar de interação corresponde a noção
de sujeito como entidade psicossocial, sublinhando-se o caráter ativo dos sujeitos na
produção mesma do social e da interação e defendendo a posição de que os sujeitos
(re)produzem o social na medida em que participam ativamente da definição da situação
na qual se acham engajados, e que são atores na atualização das imagens e das
representações sem as quais a comunicação não poderia existir.
KOCH, I. G. Villaça. Desvendando os segredos do texto. 4. ed. São Paulo: Cortez, 2005. p. 15.
PROPOSTA DE REDAÇÃO
A linguagem verbal é tão natural ao homem como a pele que o reveste, ou como
qualquer outra parte de seu corpo. Talvez por conta dessa percepção naturalizadora
da realidade, muitos passem ao largo da sua dinâmica e da riqueza que lhe é inerente.
Num determinado colégio, existe uma insatisfação generalizada em relação ao
novo diretor, autoritário e pouco dado ao diálogo. Com base na coletânea acima
disponibilizada, produza um texto opinativo a ser publicado, analisando a postura da
nova Direção.
Argumente em favor de uma mudança nas relações da Diretoria com os segmentos
discente, docente e administrativo que compõem a comunidade escolar. O ingrediente
principal do seu texto deve ser a força das palavras para estabelecer a comunicação
desejada entre indivíduos. Lembre-se de que o seu texto deve expressar o
descontentamento não apenas seu, mas também da comunidade escolar.
UFBA – 2013 – 2a fase – Redação – 3
RASCUNHO
UFBA – 2013 – 2a fase – Redação – 4
Português – QUESTÕES de 01 a 06
LEIA CUIDADOSAMENTE O ENUNCIADO DE CADA QUESTÃO, FORMULE SUAS
RESPOSTAS COM OBJETIVIDADE E CORREÇÃO DE LINGUAGEM E, EM SEGUIDA,
TRANSCREVA COMPLETAMENTE CADA UMA NA FOLHA DE RESPOSTAS.
INSTRUÇÕES:
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Responda às questões, com caneta de tinta AZUL ou PRETA, de forma clara e
legível.
Caso utilize letra de imprensa, destaque as iniciais maiúsculas.
O rascunho deve ser feito no espaço reservado junto das questões.
Na Folha de Respostas, identifique o número das questões e utilize APENAS o
espaço correspondente a cada uma.
Será atribuída pontuação ZERO à questão cuja resposta
– não se atenha à situação apresentada ou ao tema proposto;
– esteja escrita a lápis, ainda que parcialmente;
– apresente texto incompreensível ou letra ilegível.
Será ANULADA a prova que
– NÃO SEJA RESPONDIDA NA RESPECTIVA FOLHA DE RESPOSTAS;
– ESTEJA ASSINADA FORA DO LOCAL APROPRIADO;
– POSSIBILITE A IDENTIFICAÇÃO DO CANDIDATO.
Questão 01 (Valor:
20 pontos)
Um homem só deve falar, com impecável segurança e pureza, a língua da sua
terra: — todas as outras as deve falar mal, orgulhosamente mal, com aquele acento
chato e falso que denuncia logo o estrangeiro. Na língua verdadeiramente reside a
nacionalidade; — e quem for possuindo com crescente perfeição os idiomas da Europa
vai gradualmente sofrendo uma desnacionalização. Não há já para ele o especial e
exclusivo encanto da fala materna, com as suas influências afectivas, que o envolvem,
o isolam das outras raças; e o cosmopolitismo do Verbo irremediavelmente lhe dá o
cosmopolitismo do carácter. Por isso o poliglota nunca é patriota. Com cada idioma
alheio que assimila, introduzem-se-lhe no organismo moral modos alheios de pensar,
modos alheios de sentir. O seu patriotismo desaparece, diluído em estrangeirismo. [...]
QUEIROZ, Eça de. Correspondência de Fradique Mendes. In: Obras de Eça de Queiroz. Porto:
Lello & Irmão Editores, 1966, p. 1048.
UFBA – 2013 – 2a fase – Português – 5
O livro A correspondência de Fradique Mendes é dividido em duas partes. Leia o
fragmento extraído da segunda parte — epístolas saídas supostamente do punho de
Fradique — e teça um comentário sobre o ponto de vista dessa personagem a respeito
da nacionalidade. Relacione também o fragmento à obra de que foi extraído.
Questão 02 (Valor:
20 pontos)
I.
PADRE BENITO –É uma criança, você não percebeu? (Referindo-se a Amélia)
PADRE AMARO – Nós sabemos o que estamos fazendo.
PADRE BENITO –Você é padre.
PADRE AMARO – Também sou homem.
PADRE BENITO –Você fez voto de castidade.
PADRE AMARO – Porque fui obrigado.
PADRE BENITO –Vou ter que informar ao bispo.
PADRE AMARO – Não vai dizer nada, padre.
PADRE BENITO –Espere para ver.
PADRE AMARO – Então vou contar o que sei sobre Sanjuanera.
PADRE BENITO –Não é a mesma coisa, droga! Sanjuanera é diferente! A pobre mulher...
PADRE AMARO – É a mesma coisa, padre!
PADRE BENITO –Está me chantageando?
[...]
PADRE AMARO – Posso falar com o senhor, padre?
PADRE BENITO –Para confessar-te?
PADRE AMARO – Não, só conversar.
PADRE BENITO –Você está em apuros, menino. Eu, sim, quero confessar-me. Confesso
que pequei, padre.
PADRE AMARO – Ave Maria, puríssima!
PADRE BENITO –Eu menti. Cometi o pecado do orgulho. Abusei da confiança de gente
que abriu sua casa para mim. Como Herodes, cortei cabeças de inocentes. Ofendi a
Deus. Cometi o pecado da luxúria. [...]
O CRIME do Padre Amaro. 2002. Ficha técnica: Diretor: Carlos Carrera. Produção: Daniel Birman
Ripstein, Alfredo Ripstein Hijo. Roteiro: Vicente Leñero. Fotografia: Guillermo Granillo. Trilha sonora:
Rosino Serrano. Gênero: Drama.
UFBA – 2013 – 2a fase – Português – 6
II.
Nando vestiu-se rápido. Sem olhar Winifred nua na cama. Abotoou a batina de
alto a baixo. Alisou os cabelos com a mão. Estava pronto. Como sair? Depressa e sem
dizer nada. Nando foi para a porta, tocou a maçaneta.
— Nando — disse Winifred.
Nando se voltou, mas Winifred não tinha nada a dizer. Queria ser vista. Isto aqui
é um corpo de mulher, está vendo? Não na volúpia e na violência do amor. Mulher
tranquila. Te olhando com os olhos [...] atentos.
CALLADO, Antonio. Quarup. 1. ed. especial. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2006, p. 85.
Os fragmentos transcritos apontam o Padre Amaro (I) e o Padre Nando (II) transgredindo
princípios litúrgicos da Igreja Católica.
a) Construa o perfil dessas personagens, considerando-as em seus respectivos
contextos histórico-sociais.
b) Comente a conduta das personagens em diálogo no fragmento I da narrativa fílmica
“O Crime do Padre Amaro”, tomando como parâmetro o código de conduta da
Igreja em tela e o contexto espaçotemporal do filme.
UFBA – 2013 – 2a fase – Português – 7
Questão 03 (Valor:
20 pontos)
I.
Só a Antropofagia nos une. Socialmente. Economicamente. Filosoficamente.
Única lei do mundo. Expressão mascarada de todos os individualismos, de todos
os coletivismos. De todas as religiões. De todos os tratados de paz.
Tupi or not tupi that is the question.
Contra todas as catequeses. E contra a mãe dos Gracos.
Só me interessa o que não é meu. Lei do homem. Lei do antropófago.
ANDRADE, Oswald de. A utopia antropofágica. São Paulo: Globo; Secretaria de Estado da Cultura,
1990. p. 47. (Obras completas de Oswald de Andrade).
II.
No outro dia bem cedinho foram todos trabucar. A princesa foi no roçado
Maanape foi no mato e Jiguê foi no rio. Macunaíma se desculpou, subiu na montaria e
deu uma chegadinha até a boca do rio Negro pra buscar a consciência deixada na
ilha de Marapatá. Jacaré achou? nem ele. Então o herói pegou na consciência dum
hispano-americano, botou na cabeça e se deu bem da mesma forma.
Passava uma piracema de jaraquis. Macunaíma agarrou pescando e distraído
quando viu estava em Óbidos, a montaria cheinha de peixes frescos. Mas o herói foi
obrigado a atirar tudo fora porque em Óbidos “quem come jaraqui fica aqui” falam e ele
tinha que voltar pro Uraricoera. Voltou e como era ainda o pino do dia deitou na sombra
da ingazeira catou os carrapatos e dormiu. Tarde chegando todos voltaram pra tapera
só Macunaíma não. Os outros saíram pra esperar. Jiguê se acocorou botando a orelha
no chão pra ver si escutava o passinho do herói, nada. Maanape trepou no grelo duma
inajá pra ver si enxergava o brilho dos brincos do herói, nada. Então saíram por mato e
capoeira gritando:
— Macunaíma, nosso mano!...
Nada. Jiguê chegou debaixo da ingazeira e gritou:
— Nosso mano!
— Que foi!
— Você, aposto que já estava dormindo!
— Dormindo nada, então! Estava mas era negaceando um inhambu-guaçu. Você
fez bulha, nhambu escapuliu!
ANDRADE, Mário de. Macunaíma. 2. ed. Madrid; Paris; México; Buenos Aires; São Paulo; Rio de
Janeiro; Lima: ALLCA XX, 1996. p. 148-149.
UFBA – 2013 – 2a fase – Português – 8
Estabeleça comparação entre os dois textos, considerando a visão, presente em cada
um, a respeito da identidade do brasileiro.
Questão 04 (Valor:
15 pontos)
Belo belo
Belo belo minha bela
Tenho tudo que não quero
Não tenho nada que quero
Não quero óculos nem tosse
Nem obrigação de voto
Quero quero
Quero a solidão dos píncaros
A água da fonte escondida
A rosa que floresceu
Sobre a escarpa inacessível
A luz da primeira estrela
Piscando no lusco-fusco
Quero quero
Quero dar a volta ao mundo
Só num navio de vela
Quero rever Pernambuco
Quero ver Bagdá e Cusco
Quero quero
Quero o moreno de Estela
Quero a brancura de Elisa
Quero a saliva de Bela
Quero as sardas de Adalgisa
Quero quero tanta coisa
Belo belo
Mas basta de lero-lero
Vida noves fora zero.
BANDEIRA, Manuel. In: MORICONI, Ítalo. (Org.). Os cem melhores poemas brasileiros do século. Rio
de Janeiro: Objetiva, 2001. p. 93-94.
Responda às questões a seguir com base na leitura do poema de Manuel Bandeira:
a) O último verso apresenta um sentido metafórico para a conta matemática. Explique
de que modo essa linguagem produz sentido no poema.
b) Justifique a presença do verso livre no poema e na estética a que pertence a obra
poética de Bandeira.
UFBA – 2013 – 2a fase – Português – 9
Questão 05 (Valor:
15 pontos)
I.
— Você é um bicho, Fabiano.
Isto para ele era motivo de orgulho. Sim senhor, um bicho, capaz de vencer
dificuldades.
Chegara naquela situação medonha — e ali estava, forte, até gordo, fumando o
seu cigarro de palha.
II.
— Um homem, Fabiano.
Coçou o queixo cabeludo, parou, reacendeu o cigarro. Não, provavelmente não
seria homem: seria aquilo mesmo a vida inteira, cabra, governado pelos brancos, quase
uma rês na fazenda alheia.
RAMOS, Graciliano. Vidas secas. 71. ed. Rio; São Paulo: Record, 1996. p. 18 e 24.
O mundo natural constitui um elemento importante na narrativa de Vidas Secas.
Algumas vezes, na fala da personagem Fabiano, há identificação entre ele e a própria
natureza, tendo conotação positiva e/ou negativa.
Apoiando-se nesses dois fragmentos, comente a ambiguidade dessa identificação e
justifique a sua resposta.
UFBA – 2013 – 2a fase – Português – 10
Questão 06 (Valor:
10 pontos)
O cortejo, a forca, o carrasco. O governador da Bahia, D. Fernando José de
Portugal e Castro, sabia como fazer para que se respeitasse El-Rei. A chibata, os grilhões,
a forca, o esquartejamento. E mais não pode pensar porque, ouvindo ordens de comando
aos soldados e o alarido do povo, logo entendeu que os condenados chegavam à
Piedade. Erguendo-se, Valentim disse:
— Estão chegando.
Manuel, Lucas, Luís e João, os condenados. O povo, após o alarido que provocou
ao mover-se para ver o cortejo, retornou ao silêncio. Todos os olhos na forca de
madeira de lei, enorme, muito alta. [...]
[...]
O Largo da Palma, porque sem povo e movimento, seria poupado. Ajoelhou-se,
então, pondo as mãos na porta da igreja.
E, única vez em toda a vida, agradeceu à Santa da Palma ter ficado cego.
ADONIAS Filho. O Largo da Palma: novelas. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2005. p. 95-97.
A partir da leitura do conto e, especificamente, desse fragmento:
a) Comente o drama político e histórico subjacente à narrativa.
b) Analise a reação do cego aos acontecimentos expressa, sobretudo, nos dois
últimos parágrafos do texto.
UFBA – 2013 – 2a fase – Português – 11
Pró-Reitoria de Graduação - PROGRAD
Serviço de Seleção, Orientação e Avaliação - SSOA
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Salvador - Bahia - Brasil - Telefax: (71) 3283-7820
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