UNIVERSIDADE FUMEC FACULDADE DE CIÊNCIAS EMPRESARIAIS FACE ANÁLISE DO COMPORTAMENTO DO CONSUMIDOR E DO PRODUTOR/COMERCIALIZADOR DE HORTIFRUTIS ORGÂNICOS DA REGIÃO METROPOLITANA DE BELO HORIZONTE ALINE RAMALHO DIAS DE SOUZA Belo Horizonte - MG 2011 ALINE RAMALHO DIAS DE SOUZA ANÁLISE DO COMPORTAMENTO DO CONSUMIDOR E DO PRODUTOR/COMERCIALIZADOR DE HORTIFRUTIS ORGÂNICOS DA REGIÃO METROPOLITANA DE BELO HORIZONTE Dissertação apresentada ao Curso de Mestrado em Administração da Faculdade de Ciências Empresariais da Universidade FUMEC como parte dos requisitos para a obtenção do título de Mestre em Administração. Área de concentração: Tecnologias em Marketing. Estratégia e Orientador: Prof. Dr. Jersone Tasso Moreira Silva Belo Horizonte - MG 2011 Universidade Fumec Faculdade de Ciências Empresariais Curso de Mestrado em Administração Dissertação intitulada “Análise do Comportamento do Consumidor e do produtor/comercilizador de hortifrutis orgânicos da região metropolitana de Belo horizonte”, de autoria da mestranda Aline Ramalho Dias de Souza, aprovada pela banca examinadora constituída pelos seguintes professores: _______________________________________________ Prof. Dr. Jersone Tasso Moreira Silva - FUMEC (Orientador) ________________________________________________ Prof. Dr. José Marcos Carvalho de Mesquita - FUMEC ________________________________________________ Prof. Dr. Luíz Antônio Antunes Teixeira - FUMEC ________________________________________________ Profª. Drª. Denise Barros de Azevedo Universidade Anhanguera - Uniderp Belo Horizonte, 24 de maio de 2011. AGRADECIMENTOS Primeiramente, agradeço ao Supremo Deus, criador e doador de toda vida. Agradeço a Ele pelo milagre da vida, pela saúde, pela proteção, pelas bênçãos, por me guiar em todos os meus passos e ações e, inclusive, pelas provações e purificações concebidas que me fortalecem a cada dia. Agradeço a Meishu Sama pelo Johrei e pelos seus Ensinamentos que mudaram a minha vida. Agradeço a todos os Messias cada qual com a sua missão. Ao Ministro Newton de Souza que me adotou como filha e me apoiou no início da minha caminhada na fé messiânica. Ao Reverendo Dario Motta e a sua família que me receberam com muito amor em Belo Horizonte. Ao Ministro Suzuki e sua família que posteriormente acolheu a mim e Edwardy também com muito amor e carinho. Agradeço ao meu marido, a meus pais e antepassados e aos familiares e amigos sem os quais não teria chegado até aqui: • Ao meu marido Edwardy, pelo aprimoramento diário e pelo apoio oferecido a esta realização; • Aos meus pais, Louzada e Lídia, e aos meus antepassados, por absolutamente tudo que sou hoje. Nesse grupo também incluo meu padrasto, José, e a minha madrasta, Marilda, e meus sogros, Cleir e Maria Elisa. Em especial, agradeço a minha mãe, que esteve presente em todos os momentos da minha vida. Sem o seu apoio e amor incondicional esta realização certamente não seria possível; • A todos os meus familiares, em especial, a minha querida irmã pelo seu exemplo de força e determinação na realização da sua graduação que muito me incentivou ao longo dessa caminhada. Aos meus amados sobrinhos Douglas, Gabriela, Ariel, Alan Vitor e Marina pelo simples fato de existirem o que tanto me motiva, incentiva e impulsiona na busca de realizações a cada dia, como esta. • Agradeço à Vale, por ter sido a provedora de grande parte do recurso financeiro necessário para esta realização. Representando os amigos da Vale, Sidney Perez, como o meu grande incentivador. Ao meu então gerente, na época, Paulo Henrique Tanure de Almeida Rafael, por todo o apoio, dispondo meios necessários para que eu pudesse iniciar o mestrado naquele momento. Sem a sua ajuda, sem dúvida, esta conquista não ocorreria neste momento; • Representando meus amigos, agradeço a Isabel Suzuki, Deborah Vilela e Antônio Libério; • Às novas amizades cativadas ao longo do mestrado, agradeço especialmente às colegas de turma Jarlene Barros, Gabriela Miranda, Luciane Castilho, Vivian Godinho e Sandra Mara. À Universidade FUMEC, ao meu Orientador, Prof. Dr. Jersone Tasso Moreira Silva, sem o qual esta realização não seria possível, e aos demais professores da Universidade FUMEC, que tanto contribuíram para o meu aprendizado e desenvolvimento, em especial aos Professores Dr. Afrânio Aguiar, Dr. Mário Reis e Dra. Zélia Kilimnik. À Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais - FAPEMIG, pela concessão da bolsa de estudos. E, finalmente, a todos os envolvidos na pesquisa, sem os quais este trabalho não seria possível. A todos, minha eterna gratidão. “Eu conheci esse pedaço do belo, belo horizonte, nele padeci, esperei, amei”. Pedro Nava RESUMO Este trabalho aborda o comportamento dos consumidores e dos produtores/comercializadores de hortifrutis orgânicos da região metropolitana de Belo Horizonte. Seu objetivo geral é analisar o comportamento desses consumidores identificando o seu perfil sociodemográfico, estilo de vida e percepções. Ainda quanto aos objetivos, buscou-se hierarquizar os atributos determinantes nas decisões de compra dos hortifrutis orgânicos e identificar o perfil sociodemográfico dos produtores/comercializadores assim como seus valores, crenças e atitudes. A base teórica foi construída a partir da revisão da literatura do estudo do comportamento do consumidor, assim como das principais teorias e modelos. Quanto ao mercado de orgânicos, investigou-se o seu panorama assim como a legislação brasileira vigente. A metodologia de pesquisa utilizada foi qualitativa e quantitativa. No que diz respeito à metodologia quantitativa, foram coletados dados de 32 consumidores eventuais e 62 consumidores regulares de hortifrutis orgânicos, através de survey, enquanto compravam hortifrutis orgânicos em Feira Orgânica. Também foram coletados dados de 11 comercializadores/produtores que comercializam hortifrutis orgânicos na mesma Feira Orgânica, mais uma vez através de survey. No que diz respeito à metodologia qualitativa, foi realizada entrevista em profundidade com os produtores/comercializadores. O resultado da pesquisa identificou o consumidor de hortifrutis orgânicos: consumidores do sexo masculino e feminino, casados, sendo o mercado consumidor dominado pelas mulheres. Estas apresentaram maior nível de escolaridade e maior renda. Os consumidores regulares estão mais suscetíveis a um estilo de vida mais saudável quando comparados aos consumidores eventuais. Do ponto de vista do consumidor, o atributo mais importante em sua decisão de compra está relacionado aos benefícios dos hortifrutis orgânicos à saúde, havendo espaço e perspectiva para o aumento do consumo, tendo em vista suas percepções. O perfil sociodemográfico do produtor/comercializador identificado na pesquisa concerne a homens com mais de 50 anos com baixa escolaridade. Os demais membros da família também trabalham na produção/comercialização dos hortifrutis orgânicos e daí provém a renda familiar. Seus valores, crenças e atitudes estão embasados, principalmente, no respeito ao meio ambiente e ao consumidor. Palavras-chave: Consumidor. Agricultura Orgânica. Estilo de Vida. Percepções. ABSTRACT This work addresses the behavior of consumers and producers/sellers of organic grocers in the metropolitan region of Belo Horizonte. Its main objective is to analyze the behavior of these consumers by identifying their socio demographic, lifestyle and perceptions. In addition to that, we sought to rank the determining attributes when deciding about purchasing organic grocers and identify socio-demographic profile of producers/sellers as well as their values, beliefs and attitudes. The theory base was built on the literature review study of consumer behavior, as well as the main theories and models. As for the organic market, we investigated the landscape of that market as well as the current Brazilian legislation. The research methodology used was qualitative and quantitative.With regard to quantitative methodology, data were collected out of 32 sporadic and 62 regular consumers of organic grocers, through survey, while buying organic grocers in Organic Fair. Additionally, data were also collected from 11 sellers / producer that sell organic products in the same Organic Fair, also through a survey. Regarding the qualitative method was conducted in-depth interview with the producer/sellers. The survey results identified the consumer of organic grocers, male and female consumers, married being the consumer market dominated by women. Those consumers showed higher education and higher incomes levels. Regular users are more prone to a healthier lifestyle when compared to sporadic consumers. From the consumers view, the most important attribute in their buying decision is related to the benefits of organic grocers to health, and there is room and perspective to an increase in consumption. The social demographic profile of the producer/sellers identified in the survey is made of men over 50 years-old with low education. Other family members also work in production/selling of organic grocers and that is where their income from. Their values, beliefs and attitudes are grounded mainly in respect to the environment and the consumer. Keywords: Consumer; Organic Agriculture, Lifestyles, Insights. LISTA DE FIGURAS Figura I - Modelo geral do comportamento do consumidor....................................................29 Figura II - Modelo dos três últimos estágios do processo decisório........................................30 Figura III - Teoria psicanalítica................................................................................................31 Figura IV - Pirâmide de hierarquia das necessidades..............................................................33 Figura V - Bancos Comunitários de Sementes - Adubos Verdes: Cartilha para Agricultores e Bancos Comunitários de Sementes - Adubos Verdes: Informações Técnicas.......................58 Figura VI - Mecanismos de Controle para a Garantia da Qualidade Orgânica, Sistemas Participativos de Garantia e Controle Social na venda direta aos consumidores de produtos orgânicos sem certificação.......................................................................................................60 Figura VII - O olho do Consumidor........................................................................................60 Figura VIII - Subdivisão dos clusters....................................................................................107 LISTA DE GRÁFICOS Gráfico I - Área total com agropecuária orgânica por região...................................................49 Gráfico II - Produtores com agropecuária orgânica por região................................................49 Gráfico III - Área com culturas em cultivo orgânico por região...............................................50 Gráfico IV - Área com olericultura em cultivo orgânico por região (legumes e hortaliças)....50 Gráfico V - Área com fruticultura em cultivo orgânico por região (frutas)..............................51 Gráfico VI - Área com apicultura em cultivo orgânica por região...........................................51 Gráfico VII - Participação dos estabelecimentos agropecuários orgânicos..............................72 Gráfico VIII - Total de estabelecimentos com produção convencional e total de estabelecimentos com agricultura orgânica por região brasileira.............................................74 Gráfico IX - Estabelecimentos de produção orgânica certificados e não certificados por região brasileira....................................................................................................................................75 Gráfico X - Região Sudeste: Número de estabelecimentos com cultivo de agricultura convencional, cultivo orgânico, estabelecimentos certificados, estabelecimentos não certificados em porcentagem....................................................................................................76 Gráfico XI - Região Sudeste: Número de estabelecimentos com cultivo de agricultura convencional, cultivo orgânico, estabelecimentos certificados, estabelecimentos não certificados em números...........................................................................................................76 Gráfico XII - Número de estabelecimentos por estado brasileiro, em números, com produção de acordo com as normas e técnicas da agricultura orgânica...................................................77 Gráfico XIII - Orientação Técnica recebida declarada pelos produtores da agricultura convencional e orgânica............................................................................................................79 Gráfico XIV - Grupos de atividade econômica quanto à participação no mercado de orgânicos...................................................................................................................................79 Gráfico XV - Freqüência de consumo dos consumidores entrevistados..................................93 Gráfico XVI - Gênero dos consumidores com freqüência de consumo eventual.....................93 Gráfico XVII - Gênero dos consumidores com freqüência de consumo regular......................93 Gráfico XVIII - Faixa etária dos consumidores de consumo regular sexo masculino.............94 Gráfico XIX - Faixa etária dos consumidores de consumo regular sexo feminino..................95 Gráfico XX - Faixa etária dos consumidores de consumo eventual sexo masculino...............95 Gráfico XXI - Faixa etária dos consumidores de consumo eventual sexo feminino...............96 Gráfico XXII - Estado civil dos consumidores de consumo regular sexo masculino..............97 Gráfico XXIII - Estado civil dos consumidores de consumo regular sexo feminino..............97 Gráfico XXIV - Estado civil dos consumidores de consumo eventual sexo masculino..........97 Gráfico XXV - Estado civil dos consumidores de consumo eventual sexo feminino.............98 Gráfico XXVI - Residentes no mesmo lar consumidores de consumo regular sexo masculino.................................................................................................................................98 Gráfico XXVII - Residentes no mesmo lar consumidores de consumo regular sexo feminino...................................................................................................................................99 Gráfico XXVIII - Residentes no mesmo lar consumidores de consumo eventual sexo masculino...............................................................................................................................100 Gráfico XXIX - Residentes no mesmo lar consumidores de consumo eventual sexo feminino.................................................................................................................................100 Gráfico XXX - Escolaridade consumidores de consumo regular sexo masculino.................101 Gráfico XXXI - Escolaridade consumidores de consumo regular sexo feminino..................102 Gráfico XXXII - Escolaridade consumidores de consumo eventual sexo masculino............102 Gráfico XXXIII - Escolaridade consumidores de consumo eventual sexo feminino.............103 Gráfico XXXIV - Renda familiar consumidores de consumo regular sexo masculino..........103 Gráfico XXXV - Renda familiar consumidores de consumo regular sexo feminino.............104 Gráfico XXXVI - Renda familiar consumidores de consumo eventual sexo masculino.......104 Gráfico XXXVII - Renda familiar consumidores de consumo eventual sexo feminino........105 Gráfico XXXVIII - Atributos determinantes na decisão de compra segundo todos os consumidores entrevistados....................................................................................................136 Gráfico XXXIX - Atributos determinantes na decisão de compra segundo todos os consumidores entrevistados do sexo masculino......................................................................137 Gráfico XL - Atributos determinantes na decisão de compra segundo todos os consumidores entrevistados do sexo feminino...............................................................................................137 Gráfico XLI - Faixa etária dos produtores/comercializadores................................................138 Gráfico XLII - Estado civil dos produtores/comercializadores..............................................139 Gráfico XLIII - Número de filhos dos produtores/comercializadores....................................139 Gráfico XLIV - Residentes no mesmo lar dos produtores/comercializadores........................140 Gráfico XLV - Trabalham na produção e/ou comercialização...............................................140 Gráfico XLVI - Escolaridade dos produtores/comercializadores...........................................140 Gráfico XLVII - Tempo de produção convencional...............................................................141 Gráfico XLVIII - Tempo de produção orgânica.....................................................................141 LISTA DE QUADROS Quadro I - Variáveis que moldam a tomada de decisão...........................................................27 Quadro II - Categoria de AIOs de estudos de Estilo de Vida.................................................35 Quadro III - Conceitos relativos à percepção...........................................................................38 Quadro IV - Primeiras correntes alternativas à agricultura convencional................................43 Quadro V - Argumentos contrários ao sistema de produção orgânico e contra-argumentados pelo IFOAM.............................................................................................................................47 Quadro VI - OACs de atuação no mercado brasileiro de orgânicos........................................66 LISTA DE TABELAS Tabela I - Produção de agricultura orgânica nos estabelecimentos nas Regiões e Estados Brasileiros.................................................................................................................................73 Tabela II - Uso da agricultura orgânica nos estabelecimentos segundo variáveis de orientação técnica e grupos de atividade econômica.................................................................................78 Tabela III - Distribuição dos estabelecimentos produtores de orgânicos por grupo de atividade econômica versus a participação no mercado de orgânicos.....................................................80 Tabela IV - Exportação de produtos orgânicos de 2006/2008: quantidade, valor e participação...............................................................................................................................83 Tabela V - Estilo de Vida e Percepções, cluster 1..................................................................109 Tabela VI - Estilo de Vida e Percepções, cluster 2................................................................112 Tabela VII - Estilo de Vida e Percepções, cluster 3...............................................................115 Tabela VIII - Estilo de Vida e Percepções, cluster 4..............................................................119 Tabela IX - Estilo de Vida e Percepções, cluster 5.................................................................122 Tabela X - Estilo de Vida e Percepções, cluster 6..................................................................126 Tabela XI - Estilo de Vida e Percepções, cluster 7.................................................................130 Tabela XII - Estilo de Vida e Percepções, cluster 8................................................................133 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS CPOrg - Comissão da Produção Orgânica CNPOrg - Comissão Nacional da Produção Orgânica EBAA - Encontros brasileiros de agricultura alternativa IFOAM - International Federation on Organic Agriculture Federação Internacional de Agricultura Orgânica MAPA - Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento MCT - Ministério da Ciência e Tecnologia MDA - Ministério do Desenvolvimento Agrário MEC - Ministério da Educação e Cultura MMA - Ministério do Meio Ambiente NRC - National Research Council OAC - Organismo de Avaliação da Conformidade Orgânica OCS - Organização de Controle Social OPAC - Organismo Participativo de Avaliação da Conformidade SisOrg - Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade Orgânica SOEL - Stiftung Ökologie & Landbauda - Fundação Agricultura e Ecologia SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO........................................................................................................................17 Justificativa...........................................................................................................................20 Problema...............................................................................................................................22 •Questões de Pesquisa...........................................................................................................23 Objetivos................................................................................................................................23 1.3.1 Geral......................................................................................................................................23 •Específicos...........................................................................................................................24 REVISÃO DE LITERATURA.............................................................................................25 2.1 Comportamento do Consumidor.........................................................................................25 2.1.1 Principais Teorias.................................................................................................................30 2.1.2 Estilo de Vida......................................................................................................................34 2.1.3 Percepções............................................................................................................................37 2.1.4 Comportamento do Consumidor de Alimentos...................................................................39 2.2 Agricultura Orgânica............................................................................................................42 2.2.1 Trajetória da Agricultura Orgânica no Brasil e no Mundo..................................................42 2.2.2 Controvérsias e críticas a respeito do sistema de produção orgânico..................................46 2.2.3 Números da Agricultura Orgânica Brasileira por Região - 2006.........................................49 2.2.4 Pesquisas Realizadas............................................................................................................52 2.2.5 Legislação Brasileira no mercado de orgânicos...................................................................55 2.2.6 Programas e Feiras no mercado de orgânicos......................................................................56 2.2.7 Os Mecanismos de Controle da Qualidade Orgânica: Certificação por Auditoria, Sistemas Participativos de Garantia e Controle Social para a Venda Direta sem certificação....................61 2.2.8 Os Agentes do Mecanismo de Controle da Qualidade Orgânica........................................64 2.2.9 Censo Agropecuário 2006....................................................................................................71 3 METODOLOGIA....................................................................................................................84 3.1 O universo pesquisado...........................................................................................................84 3.1.1 A Criação das Feiras Orgânicas nas cidades de Belo Horizonte e Sabará...........................85 3.2 Pesquisa Quantitativa: Survey..............................................................................................86 3.3 Pesquisa Quali-Quanti: Entrevista em Profundidade e Survey........................................88 3.4 Tabulação dos Resultados.....................................................................................................90 4 RESULTADOS.........................................................................................................................91 4.1 Consumidores.........................................................................................................................92 4.1.1 Pesquisa Quantitativa Survey................................................................................................92 4.1.1.1 Demografia........................................................................................................................92 4.1.1.2 Estilo de Vida e Percepções.............................................................................................105 4.1.1.3 Atributos Determinantes na Decisão de Compra.............................................................136 4.2 Produtores/Comercializadores...........................................................................................138 4.2.1 Pesquisa Quantitativa – Survey...........................................................................................138 4.2.2 Pesquisa Qualitativa – Entrevista em Profundidade..........................................................142 5 CONCLUSÃO.........................................................................................................................146 REFERÊNCIAS........................................................................................................................150 ANEXO I - Questionário aplicado aos consumidores.................................................................155 ANEXO II - Questionário aplicado aos produtores/comercializadores dos hortifrutis orgânicos......................................................................................................................................160 ANEXO III - Roteiro da Entrevista em profundidade com os produtores/comercializadores dos hortifrutis orgânicos.....................................................................................................................163 1 INTRODUÇÃO O início do século XXI apresentou resultados positivos para o mercado de produtos orgânicos no Brasil e no mundo. Para Vilas Boas (2005), produtos que tenham forte apelo ambiental e que se relacionem a um estilo de vida mais saudável e a preocupação com segurança alimentar diante de grandes problemas relacionados a doenças, até mesmo à morte por contaminação, são fatores determinantes para o crescimento desse setor. Segundo Pimenta (2008), o mercado nacional e internacional de orgânicos mostrou expressivo crescimento nos últimos dez anos (1998/2008). Segundo dados da SOEL - Stiftung Ökologie & Landbauda (PLANETA ORGÂNICO, 2010), esse mercado tem apresentado crescimento de 30% ao ano, sendo razoável dizer que é um dos mercados que mais cresce na atualidade. No Brasil, no início de 1970, surgia a Agricultura Alternativa. A partir de então, foram-se consolidando várias correntes no campo da Agroecologia, como a orgânica, natural, ecológica, biológica, regenerativa e permacultura, geralmente estabelecendo conexões com entendimentos similares existentes ao redor do mundo. Em síntese, essas correntes expressam um consenso em torno de vários princípios, conceitos, usos e práticas, admitidos como comuns. Destaca-se como ponto comum entre as diferentes correntes a busca de um sistema de produção sustentável, mediante o manejo e a proteção dos recursos naturais, sem a utilização de produtos químicos agressivos à saúde humana e ao meio ambiente, mantendo o incremento da fertilidade e a vida dos solos, a diversidade biológica e respeitando os agricultores. De uma forma mais ampla, a Agroecologia, incluindo todas as suas correntes, emerge como uma nova visão. Portanto, é razoável dizer que, em países em desenvolvimento, como o Brasil, o desafio da produção de alimentos em sistemas agroecológicos implica o debate de políticas públicas. Dessa forma, a corrente da agricultura orgânica no Brasil só começou a se consolidar nessa última década após a publicação da Lei n° 10.831, de 23 de dezembro de 2003, que regulamenta a produção orgânica. Com o intuito de movimentar o mercado de orgânicos, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento instituiu, no ano de 2005, em âmbito nacional, a campanha anual “Semana dos Alimentos Orgânicos”. O programa busca conscientizar e informar o consumidor dos benefícios do consumo dos alimentos orgânicos, entre outros, e, assim, estimular o consumo, de modo que esses consumidores possam incentivar outros, propagando os benefícios, alavancando o consumo dos produtos orgânicos e aumentando a demanda e, consequentemente, o crescimento desse mercado. No ano de 2006, a Comissão Interministerial de Educação em Agroecologia e Sistemas Orgânicos de Produção, formada pelos Ministérios da Agricultura, Pecuária e Abastecimento - MAPA, do Desenvolvimento Agrário - MDA, da Ciência e Tecnologia - MCT, do Meio Ambiente - MMA e da Educação – MEC, selecionou projetos provenientes de unidades de ensino da rede de educação profissional, científica e tecnológica, com cursos em ciências agrárias. No total, 30 projetos de unidades de ensino diferentes, todas de âmbito federal, foram selecionados. A perspectiva do programa é a institucionalização permanente desses núcleos, que serão de fundamental importância na formação de professores e alunos, na produção científica de pesquisas, na articulação de parcerias locais e regionais e na ampliação do debate e do acesso da comunidade escolar a conhecimentos, tecnologias e materiais didáticos envolvendo temas e questões de importância para a agroecologia e sistemas orgânicos de produção. No estado de Minas Gerais, localizam-se cinco unidades de ensino, porém nenhuma delas situa-se na região metropolitana de Belo Horizonte. Em novembro de 2007, o MAPA instituiu o programa “Bancos Comunitários de Sementes Adubos Verdes” publicando as cartilhas Bancos Comunitários de Sementes Adubos Verdes: Cartilha para Agricultores e Bancos Comunitários de Sementes Adubos Verdes: Informações Técnicas. O princípio fundamental do programa foi propiciar a agricultores familiares orgânicos ou em processo de transição agroecológica uma maior independência em relação à utilização de insumos externos em suas atividades produtivas. A partir do entendimento do MAPA quanto à necessidade de adequar agricultores orgânicos à legislação brasileira, em 2009, ele lançou um edital para realização de convênios com organizações públicas ou privadas, sendo contempladas sete instituições para capacitarem agricultores orgânicos quanto ao cumprimento da legislação brasileira de orgânicos e cadastrarem junto ao MAPA aqueles que estiverem aptos. Cartilhas foram publicadas pelo MAPA, ilustradas através de animações e simples vocabulário, sendo elas: Mecanismos de Controle para a Garantia da Qualidade Orgânica, Sistemas Participativos de Garantia, Controle Social na venda direta aos consumidores de produtos orgânicos sem certificação e O Olho do Consumidor. Com o aumento da conscientização do consumidor, que vem ocorrendo não só através dos programas do governo, mas principalmente pela divulgação de resultados de pesquisas que vêm sendo realizadas ao redor no mundo no que diz respeito à alimentação e aos riscos que ela apresenta à saúde, entre outros, observam-se mudanças de comportamento dos consumidores e crescimento da demanda ao mercado de orgânicos. Em consequência disso, a produção orgânica, nos últimos anos, vem crescendo consideravelmente, embora ainda enfrente uma série de desafios que precisam ser equacionados pelas políticas nacionais e internacionais, com uma forte articulação pública e privada. Um exemplo dentre tais desafios refere-se ao custo de produção, que se torna elevado em decorrência das despesas com certificações, quantia repassada ao produto final e que, muitas vezes, restringe o consumo desses produtos às classes média e alta. Contudo, pode-se dizer que o aumento do consumo de produtos orgânicos é proporcional ao aumento da consciência dos consumidores, que, em países desenvolvidos, possuem maiores níveis de escolaridade e de acesso à informação. Adicionalmente, seria razoável pensar que o nível de conscientização do consumidor está intimamente relacionado ao desenvolvimento do país, e que este propulsiona a demanda por produtos orgânicos movimentando esse mercado. A avaliação da conformidade dos produtos orgânicos passou a ser obrigatória para todos os produtos orgânicos produzidos e comercializados no Brasil, que passam a ser identificados pelo uso do selo oficial do Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade Orgânica - SisOrg. Os mecanismos de controle que conferem o selo aos produtos são a Certificação por Auditoria e o Sistema Participativo de Garantia. A exceção a essa obrigatoriedade também é controlada através do mecanismo denominado Controle Social na Venda Direta aos Consumidores. Nesse caso, os agricultores familiares devem estar vinculados a uma Organização de Controle Social – OCS cadastrada junto a um órgão governamental fiscalizador. O Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade Orgânica SisOrg é integrado por órgãos e entidades da administração pública federal e pelos Organismos de Avaliação da Conformidade Orgânica – OACs cadastrados no MAPA. Os Organismos de Avaliação da Conformidade Orgânica – OACs são as Entidades Certificadoras que podem ser de direito público ou privado e responsáveis, no mecanismo de Certificação por Auditoria, por auditar os sistemas produtivos orgânicos quanto à conformidade dos processos avaliados em relação à legislação brasileira. 1.1 Justificativa Segundo Darolt (2000), o conhecimento do perfil dos consumidores é importante, pois permite orientar o trabalho de produção, direcionar o processo de marketing e comercialização, além de dar uma ideia da importância desse segmento de consumo no mercado regional. O autor ressalta certa dificuldade em função da falta de dados sobre o tema e acrescenta que a questão do consumidor ainda é pouco estudada no Brasil, quando se trata de agricultura e meio ambiente. Pesquisas qualitativas são necessárias para complementar estudos exploratórios realizados em países desenvolvidos e em desenvolvimento (BAKER; THOMPSON; ENGELKEN, 2004). Essas autoras acreditam na importância da realização de pesquisas sobre as percepções de consumidores de produtos orgânicos em diversas regiões e, ainda, na realização de comparações entre os resultados obtidos em cada região. São necessárias pesquisas sobre fatores envolvidos na decisão de compra de alimentos orgânicos e sobre o entendimento dessas motivações dos consumidores (BAKER; THOMPSON; ENGELKEN, 2004). Segundo Silva e Câmara (2005), as questões de saúde e de preservação ecológica têm surtido impacto nas decisões dos consumidores, mostrando oportunidades aos produtores de alimentos orgânicos em expor seus produtos a essa demanda. Para Vilas Boas (2005), o mercado mundial de alimentos vem sofrendo grandes transformações. Mudanças no ambiente de marketing de diversas organizações, relacionadas ao desenvolvimento de novos hábitos alimentares, estilos de vida, preocupações com a saúde e o meio ambiente, têm sido tratadas como variáveis fundamentais no desenvolvimento de estratégias. Tal panorama coloca em evidência a preocupação com o desenvolvimento de novos produtos, a determinação de segmentos de mercado, as estratégias de diferenciação e posicionamento e, consequentemente, o desenvolvimento de processos de comunicação eficazes que venham a proporcionar o desenvolvimento desses mercados de forma ética e sustentável. Conhecer as relações estabelecidas pelos consumidores como referência ao conhecimento do produto orgânico, ao conjunto de atributos dos produtos que orientam sua decisão de compra, ao conjunto de valores que guiam suas atitudes e as conseqüências percebidas que estabelecem a relação entre atributos e valores e determinam os caminhos para que seus objetivos de valores sejam alcançados, tornase tarefa importante para que as estratégias adequadas sejam desenvolvidas. O estudo do comportamento do consumidor de produtos orgânicos torna-se, portanto, primordial para o desenvolvimento de ações que venham a proporcionar este crescimento sustentado, trazendo benefícios para todos os elementos que compõem esta cadeia produtiva, desde o produtor até o consumidor final (VILAS BOAS, 2005 p. 4). De acordo com Silva (2007), o setor alimentício, além das preocupações gerenciais existentes nos negócios de uma maneira geral, deve considerar também riscos imprevisíveis ou incertezas relacionadas ao clima, às pragas e doenças, às alterações políticas, governamentais, além da natureza perecível dos produtos. Além disso, devem-se considerar os aspectos estratégicos que as políticas de segurança alimentar representam para as nações que, muitas vezes, alteram as regras do livre jogo comercial relacionadas aos subsídios e ao protecionismo. Segundo Pimenta (2008), o mercado nacional e internacional de orgânicos tem mostrado expressivo crescimento nos últimos 10 anos. Tal fato justifica o incremento nas áreas de cultivo brasileiras dedicadas ao sistema de produção orgânica e, conseqüentemente, o desenvolvimento dos agentes de distribuição que conduzem esses produtos até o consumidor final. Segundo o mesmo autor, houve crescimento anual de 43% de 2002 a 2006, mostrando que o Brasil ainda está longe dos patamares dos países desenvolvidos, que, por conseguinte, são líderes em produção orgânica. Mesmo com esse forte crescimento do setor, muito pouco tem sido pesquisado sobre o comportamento do consumidor de alimentos orgânicos em países em desenvolvimento, como o Brasil. Com a rápida expansão mundial da agricultura orgânica, em diversos países, observa-se uma tendência de continuidade nesse crescimento. “Como todo mercado em crescimento, paralelamente, se nota o recente desenvolvimento do setor de alimentos orgânicos, em termos de estudos sobre modelos de gestão que possam ser aplicados aos agentes da cadeia produtiva” (PIMENTA, 2008, p.12). Sob o ponto de vista acadêmico, conforme destacado por diversos pesquisadores, há grande escassez de pesquisas e trabalhos científicos no que diz respeito ao comportamento do consumidor de produtos orgânicos. Sendo assim, acredita-se que não só serão feitas contribuições teóricas através da revisão bibliográfica concernente ao mercado da agricultura orgânica, mas também contribuições através dos resultados encontrados quanto ao comportamento desses consumidores, que ainda vem sendo pouco estudado. Além disso, acredita-se que esses resultados possam colaborar para a realização de outros trabalhos, traçando comparativos com pesquisas realizadas em outras cidades, ou mesmo para a elaboração de trabalhos a serem realizados futuramente no mesmo universo pesquisado. 1.2 Problema Assim como o mercado brasileiro relacionado aos produtos alimentares orgânicos experimentou, na última década, um crescimento vertiginoso, trazendo grandes oportunidades para os agentes de produção, comercialização e para o próprio consumidor, que tem em suas mãos mais opções de escolha com relação à compra de alimentos, por outro lado, tem sido evidenciada a escassez de informações relacionadas às motivações de compra desses consumidores, informações que auxiliariam na melhor compreensão desse mercado emergente. Nesse sentido, a falta de conhecimento do produto orgânico por parte do consumidor e, por outro lado, o desconhecimento dos agentes do setor produtivo e de comercialização com relação às reais motivações de consumo por parte dos consumidores tem sido caracterizado, de forma conjunta, como um dos principais problemas desse setor. Esse conhecimento não parece acompanhar a tendência de crescimento do mercado, podendo essa lacuna vir a se estabelecer como um impedimento ao crescimento sustentado do setor (VILAS BOAS, 2005). Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, por meio do Censo Agropecuário 2006, divulgado somente no ano de 2009, no que diz respeito à produção orgânica, o Brasil, quanto à distribuição dos estabelecimentos de produção, destacou-se no grupo de atividade econômica na produção de pecuária e outros animais, pontuando 42,01%, seguido pelo grupo de atividade econômica na produção das lavouras temporárias, compondo esse grupo os produtos in natura e processados de soja, açúcar e arroz, pontuando 33,34%. Em terceiro lugar, a produção de lavoura permanente destacou-se com 10,56%, compondo esse grupo o café e o cacau. Cabe ressaltar que o Brasil é líder mundial na produção convencional do café, encontrando-se a maior concentração dessa produção no estado de Minas Gerais. O quarto maior grupo de atividade econômica quanto à distribuição dos estabelecimentos de produção orgânica foi o de horticultura-fruticultura, pontuando 9,83%. Os componentes desse grupo são os da categoria de hortifrutis, como frutas, legumes e verduras. Esse grupo tem peso significativo no mercado interno, com produtos comercializados em diferentes postos de venda, nas grandes metrópoles, incluindo formas de comercialização não convencionais, como feiras livres locais. O grupo de atividade econômica de menor participação quanto à distribuição dos estabelecimentos de produção orgânica, segundo o Censo Agropecuário 2006, foi o de produção florestal - florestas plantadas e nativas - pontuando 1,81% e 1,82 %, respectivamente. Com embasamento na representatividade do grupo de atividade econômica da horticultura-fruticultura no mercado interno de orgânicos, sendo a maior parte dessa produção direcionada ao mercado interno, esse grupo foi escolhido para funcionar como universo desta pesquisa, que pretende estudar o comportamento dos consumidores dos hortifrutis orgânicos frutas, legumes e verduras - da região metropolitana de Belo Horizonte. A pesquisa objetiva responder às seguintes questões: 1.2.1 Questão de Pesquisa • Qual o perfil do consumidor de hortifrutis orgânicos da região metropolitana de Belo Horizonte, bem como seu estilo de vida, percepções e atributos determinantes nas decisões de compra? 1.3 Objetivos 1.3.1 Geral • Analisar o comportamento dos consumidores e dos produtores/comercializadores dos hortifrutis orgânicos da região metropolitana da cidade de Belo Horizonte. 1.3.2 Específicos • Identificar o perfil sociodemográfico, o estilo de vida e as percepções dos consumidores de hortifrutis orgânicos; • Hierarquizar os atributos determinantes nas decisões de compra dos hortifrutis orgânicos; • Identificar o perfil sociodemográfico, valores, produtores/comercializadores de hortifrutis orgânicos. crenças e atitudes dos 2 REVISÃO DE LITERATURA 2.1 Comportamento do Consumidor Os estudos sobre o Comportamento do Consumidor tiveram origem nos Estados Unidos, na década de 60, com o amadurecimento da economia americana. Sem um corpo de pesquisa próprio, esse campo de análise embasou-se, desde então até a atualidade, no estudo do indivíduo - psicologia, especificamente voltada para a compreensão do comportamento do indivíduo quando inserido em um grupo; psicologia social, especialmente interessada no estudo dos grupos; sociologia, voltada para a apreensão da influência da sociedade sobre o indivíduo; antropologia; e economia (MOWEN; MINOR, 2003). Muitas teorias mais antigas relativas ao comportamento do consumidor se baseavam na teoria econômica, na noção de que os indivíduos agem racionalmente para maximizar seus benefícios (satisfações) ao comprarem bens e serviços. Assim, Pinheiro e Castro (2006) ressaltam que o comportamento do consumidor é uma área interdisciplinar, envolvendo conceitos e ferramentas metodológicas de diferentes áreas do conhecimento, tais como psicologia, economia, sociologia, antropologia cultural, semiótica, demografia e história, como já dito. Dessa forma, o marketing passou a ser considerado uma disciplina aplicada à ciência do comportamento, preocupada em entender os sistemas entre consumidores e vendedores. “Uma nova orientação visando satisfazer plenamente um determinado grupo de consumidores, oferecendo o que estes desejavam de maneira melhor que os concorrentes” (SILVA, 2007, p.32). Schiffman e Kanuk (2000) definem o estudo do comportamento do consumidor como o estudo de como os indivíduos tomam decisões de gastar seus recursos disponíveis (tempo, dinheiro, esforço) em itens relacionados ao consumo. “O comportamento do consumidor engloba o estudo de o que compram, por que compram, quando compram, onde compram, com que freqüência compram e com que freqüência usam o que compram” (SCHIFFMAN; KANUK, 2000, p.5). Engel, Blackwell e Miniard (2000) definem comportamento do consumidor como as atividades diretamente envolvidas em obter, consumir e dispor de produtos e serviços, incluindo os processos decisórios que antecedem e sucedem essas ações. Para esses autores, o estudo do comportamento do consumidor pode ser abordado sob três perspectivas: influência do consumidor; perspectiva pós-moderna; perspectiva intercultural global. Segundo Hawkins, Mothersbaugh e Best (2007), o campo do comportamento do consumidor envolve o estudo de indivíduos, grupos ou organizações e o processo que eles usam para selecionar, obter, usar e dispor de produtos, serviços, experiências ou ideias para satisfazer necessidades e o impacto que esses processos têm sobre o consumidor e a sociedade. O positivismo e o interpretativismo, também chamados de pós-modernismo e experimentalismo, são abordagens relacionadas ao tipo de estudo do comportamento do consumidor. A base da abordagem positivismo defende que, se os estudiosos pudessem prever o comportamento do consumidor, poderiam influenciá-lo. Já a abordagem interpretativismo é o estudo do comportamento do consumidor do ponto de vista do entendimento do comportamento de consumo e dos significados implícitos nesse comportamento. Segundo Engel, Blackwell e Miniard (2000), a perspectiva dominante na pesquisa é o positivismo lógico, no qual os objetos são duplos: 1) entender ou prever o comportamento do consumidor e 2) descobrir as relações de causa e efeito que regem a persuasão e/ou a educação. Dessa forma, para compreender o comportamento do consumidor, faz-se necessário estudar as variáveis que moldam a tomada de decisão e que se resumem nas três seguintes categorias: diferenças individuais, influências ambientais e os processos psicológicos. O QUADRO I apresenta as variáveis que moldam a tomada de decisão segundo esses autores. QUADRO I - Variáveis que moldam a tomada de decisão VARIÁVEIS QUE MOLDAM A TOMADA DE DECISÃO Recursos do consumidor Cada pessoa tem três recursos para cada situação de tomada de decisão: tempo, dinheiro e capacidade de recepção e processamento de informação. De maneira geral, há limites distintos sobre a disponibilidade de cada um, exigindo, dessa maneira, uma alocação cuidadosa. Conhecimento A informação armazenada na memória abrange uma vasta gama como a disponibilidade e as características de produtos e serviços: onde e quando comprar e como usar os produtos. É importante a estimativa desses níveis de conhecimento num segmento de mercado-alvo. Uma das principais metas da propaganda e da venda é D I I N F D proporcionar o conhecimento e a informação relevantes que são necessários para a tomada de decisão, particularmente sob a solução de problema ampliada. E I Atitudes R V O comportamento é fortemente influenciado por atitudes em relação a uma dada E I N D marca ou produto. Uma atitude é simplesmente a avaliação geral de uma alternativa, Ç U variando de positiva a negativa. As atitudes, uma vez formadas, apresentam um papel A A diretivo na escolha futura e são difíceis de mudar. Todavia, mudança de atitude é uma S meta comum de marketing. I S Motivação As necessidades e os motivos afetam de maneiras importantes todas as fases dos processos decisórios. Personalidade, Valores e Estilo de Vida Os indivíduos diferem de muitas maneiras que afetam os processos decisórios e o comportamento de compra. Essa ampla categoria enfoca o que veio a ser conhecido como pesquisa psicográfica para sondar os traços, valores, crenças e padrões de comportamento individuais preferidos que caracterizem um segmento de mercado. Cultura Cultura, como concebida no estudo do comportamento do consumidor, refere-se aos valores, ideias, artefatos e outros símbolos significativos que ajudam os indivíduos a se comunicar, interpretar e avaliar como membros da sociedade. Classe Social São divisões dentro da sociedade compostas por indivíduos que partilham valores, interesses e comportamento semelhantes. Elas se distinguem por diferenças de status I A N M F B L I socioeconômicos que variam de baixas a altas. O status da classe social, frequentemente, leva a formas diferentes de comportamento de consumidores. Influência Pessoal U E Como consumidores, nosso comportamento frequentemente é afetado por aqueles com Ê N quem nos associamos estreitamente. Quando buscamos ativamente o conselho de outra N T C A I I A S S pessoa, entretanto, essa pessoa pode servir como um influenciador ou líder de opinião. Família Comumente, é a unidade primária de tomada de decisão, com um padrão complexo e variado de papéis e funções. Situação O comportamento muda conforme as situações variam. Os profissionais de marketing geralmente capitalizam as influências situacionais, especialmente em cenários de varejo, para interferir no comportamento do consumidor. Processos Psicológicos Aqueles que desejam entender e influenciar o comportamento do consumidor devem ter domínio de três processos psicológicos básicos: 1- Processamento da informação, 2- Aprendizagem, 3- Mudança de atitude e comportamento. P P R S O I C C Informação em Processamento Estudos nesse importante campo enfatizam o princípio fundamental da soberania do consumidor. As pessoas veem e ouvem o que elas querem ver e ouvir. E O Aprendizagem S Qualquer pessoa que tente influenciar o consumidor está ocasionando uma L S Ó O G S I aprendizagem - o processo pelo qual a experiência leva a mudanças no conhecimento do comportamento. C O S Mudança de Atitude e Comportamento Esse processo reflete influências psicológicas básicas que foram matéria de décadas de pesquisa intensiva. Fonte - ENGEL; BLACKWELL; MINIARD, 2000, p.93-95, adaptado pela autora. A FIGURA I apresenta a estrutura e o processo geral do comportamento do consumidor segundo Hawkins, Mothersbaugh e Best (2007). Esses autores definem o modelo como conceitual por não conter detalhes suficientes para prever comportamentos específicos, no entanto, reflete as crenças desses autores acerca da natureza geral do comportamento do consumidor. FIGURA I - Modelo Geral do Comportamento do Consumidor. Fonte - HAWKINS; MOTHERSBAUHG; BEST, 2007, p.19. Essa teoria prevê que os consumidores desenvolvem uma autoimagem e estilo de vida embasados em influências internas e externas e a partir de então é iniciado o processo de decisão de compra. As influências internas são, principalmente, as psicológicas e físicas, como a percepção, o aprendizado, a memória, as razões, a personalidade, as emoções e as atitudes. Enquanto as influências externas são, principalmente, as sociológicas e demográficas, como a cultura, a subcultura, os fatores demográficos, o status social, os grupos de referência, a família e as atividades de marketing. As decisões de consumo surgem para satisfazer necessidades e desejos gerados pela autoimagem (visão de si mesmo) e estilo de vida (modo específico de viver de acordo com os recursos dispostos) dos consumidores. A FIGURA II ilustra os três últimos estágios do processo decisório segundo Engel, Blackwell e Miniard (2000). Segundo esses autores, esses três últimos estágios são o consumo, a avaliação de alternativa pós-compra e o descarte. FIGURA II - Modelo dos três últimos estágios do processo decisório. Fonte: ENGEL; BLACKWELL; MINIARD, 2000, p.172. 2.1.1 Principais Teorias As principais teorias estudadas pelos profissionais de marketing a fim de conhecerem o comportamento do consumidor no que diz respeito ao seu comportamento de compra são: 1) Teoria Cognitiva; 2) Teoria da Hierarquia das Necessidades; 3) Teoria Psicanalística; 4) Teoria dos dois Fatores. Teoria Psicanalística A teoria psicanalística foi criada pelo neurologista Sigmund Freud no final do século XIX, abordando a compreensão da dinâmica psicológica do consumo através da psicanálise. Essa teoria defende que a mente humana é caracterizada por uma divisão em uma esfera consciente e outra inconsciente, sendo que a esfera inconsciente exerce grande influência sobre a esfera consciente. Assim, a teoria psicanalística de Freud defende que os comportamentos expressos através da consciência são oriundos de desejos do inconsciente. Pinheiro et al. corroboram a respeito da teoria psicanalística: “O significado de um comportamento ou de uma atitude não deve ser buscado no plano consciente, mas sim nos motivos ocultos que estão situados no plano do inconsciente” (PINHEIRO et al., 2006, p.18). Assim, de acordo com a teoria psicanalística, os profissionais de marketing devem criar estratégias buscando atingir o desejo inconsciente dos consumidores, e assim, a compra será realizada a fim de satisfazer esses desejos, mesmo que temporariamente. A FIGURA III apresenta a ideia da teoria psicanalística de Freud. FIGURA III - Teoria Psicanalística Fonte - Elaborado pela autora. Teoria Cognitiva (Gestalt) A teoria cognitiva defende que o comportamento de compra do consumidor é norteado pela influência de três fatores que se relacionam com o seu insight. O primeiro fator influenciador segundo essa teoria é o psicológico, que diz respeito aos pensamentos, ao comportamento e aos sentimentos no processo de compra, envolvendo o estudo da percepção, da aprendizagem, da memória, das atitudes, dos valores, das crenças, da motivação, da personalidade e dos estilos de vida dos consumidores. O segundo fator influenciador, segundo a teoria cognitiva, é o sociocultural, como a influência da família, cultura e classe social. E o terceiro e último fator influenciador, segundo a teoria cognitiva, é o situacional, como a influência exercida pelo meio ambiente, relativa à ambientação de loja, através de displays nos pontos-de-venda, disposição dos produtos nos corredores e prateleiras, entre outros. A teoria cognitiva está relacionada com a Teoria Gestalt, criada no início do século XX por Ehrenfels, Krüger, Köhler e Koffka, psicólogos alemães e austríacos. Essa teoria defende que as coisas são percebidas formando um todo. Assim, não se pode ter conhecimento do todo através das partes, e sim das partes através do todo, o que é chamado de percepção da totalidade. Teoria da Hierarquia das Necessidades A Teoria da Hierarquia das Necessidades é uma das proposições motivacionais mais estudadas. Foi criada pelo psicólogo americano Abraham Maslow e é também conhecida como Teoria de Maslow, sendo uma das mais estudadas pelos pesquisadores e profissionais de marketing acerca do estudo do comportamento do consumidor. Essa teoria defende que o comportamento motivacional é explicado pelas necessidades humanas, sendo a motivação o resultado dos estímulos que agem sobre o ser humano e o levam a uma determinada ação. A Teoria da Hierarquia das Necessidades defende que as necessidades dos seres humanos estão hierarquizadas em uma escala de valores transpostos, ou seja, no momento que o indivíduo realiza uma necessidade, surge outra em seu lugar. Dessa forma, essa teoria prevê que as necessidades humanas estão organizadas em cinco níveis hierárquicos e dispostas em uma pirâmide conhecida como a “pirâmide das necessidades de Maslow”. Na base da pirâmide das necessidades de Maslow, estão as necessidades fisiológicas, como a alimentação, repouso, sexo e todas as necessidades fisiológicas do ser humano inerentes à sua sobrevivência. Na segunda parte da pirâmide das necessidades de Maslow, estão as necessidades de segurança, que constitui a busca de proteção contra o perigo e ameaças. A terceira parte da pirâmide das necessidades de Maslow está constituída pelas necessidades afetivo-sociais, como a aceitação pelo grupo, seguida da autoestima, como o reconhecimento e, por último, no topo da pirâmide, a autorrealização. Dessa forma, pode-se entender, de acordo com a Teoria da Hierarquia das Necessidades, que as necessidades ou desejos serão realizados da base para o topo da pirâmide, ou seja, necessidades fisiológicas, segurança, afetivo-social, autoestima e autorrealização, uma vez que, se as necessidades básicas estiverem insatisfeitas, por exemplo. A FIGURA IV apresenta um modelo da pirâmide de hierarquia das necessidades de Maslow. FIGURA IV - Pirâmide de Hierarquia das Necessidades. Fonte - Elaborado pela autora. Teoria dos dois Fatores A Teoria dos dois Fatores foi criada por Frederick Herzberg, sendo também conhecida como “Teoria de Herzberg”. Essa teoria defende a distinção de dois fatores. Os fatores que causam satisfação e os fatores que causam insatisfação. Dessa forma, aplicada ao estudo do comportamento do consumidor, para motivar uma compra, faz-se necessária a ausência dos fatores que causam insatisfação e não somente a presença dos fatores que causam a satisfação, mas também, que estes devem ser realçados aos olhos dos consumidores. 2.1.2 Estilo de Vida Uma das primeiras aproximações do estudo do Estilo de Vida, way of life / life style, foi introduzida pelo antropólogo Lewis Morgan, em 1877. Contudo, esse estudo, no que diz respeito ao comportamento do consumidor, é um tema oriundo da área das ciências sociais, ou seja, da sociologia e da etnologia e/ou da psicologia social. O Estilo de Vida é uma expressão referente aos aspectos comportamentais do ser humano, geralmente expressos sob a forma de hábitos, rotinas, costumes, padrões de consumo etc. Assim, é razoável dizer que o Estilo de Vida é um conceito amplo e que tem muitos aspectos que se combinam, influenciando a saúde física, mental, espiritual e social do ser humano. O Estilo de Vida inclui desde relações recreativas, como o lazer, até as relações familiares e de trabalho. De acordo com Engel, Blackwell e Miniard (2000), o Estilo de Vida é um conceito popular para compreender o comportamento do consumidor, talvez porque seja mais contemporâneo do que “personalidade” e mais abrangente do que “valores”. Os valores, segundo esses autores, são relativamente duradouros, enquanto os Estilos de Vida mudam mais rapidamente. Ademais, acrescentam que o Estilo de Vida reflete Atividades, Interesses e Opiniões - AIOs. O QUADRO II apresenta a categoria de AIOs de estudos de Estilo de Vida segundo Engel, Blackwell e Miniard (2000). Para esses autores, o estudo do comportamento do consumidor, acerca do seu Estilo de Vida, deve buscar informações quanto as AIOs, especificados no QUADRO II, além de seus dados demográficos. QUADRO II - Categoria de AIOs de estudos de Estilo de Vida ATIVIDADES INTERESSES OPINIÕES DEMOGRAFIA Trabalho Família Eles próprios Idade Hobbies Lar Questões sociais Instrução Eventos sociais Emprego Política Renda Férias Comunicação Negócios Ocupação Diversão Recreação Economia Tam. da família Clube Moda Educação Habitação Comunidade Alimentação Produtos Geografia Fazer compras Mídia Futuro Tamanho da cidade Esportes Realizações Cultura Ciclo de vida Fonte - ENGEL; BLACKWELL; MINIARD, 2000, p.296, adaptado pela autora. Para atender aos objetivos desse trabalho, buscou-se embasamento no modelo proposto por Engel et al. (2000), identificando o estilo de vida dos consumidores de hortifrutis orgânicos da região metropolitana de Belo Horizonte, procurando conhecer suas AIOs através de suas Atividades - compras, esportes; Interesses - família, lar, recreação, alimentação; Opiniões — deles próprios, questões sociais, educação, produtos. Pode-se dizer que o Estilo de Vida é a forma pela qual o ser humano vivencia o mundo e, em consequência, gasta seu tempo e dinheiro através de suas escolhas. “Estilo de vida é um modelo sumário definido como padrões nos quais as pessoas vivem e gastam tempo e dinheiro” (ENGEL; BLACKWELL; MINIARD, 2000, p.292). De forma geral, o Estilo de Vida é comum aos grupos nos quais o ser humano está inserido, principalmente no que diz respeito à classe social e às “tribos”, como, por exemplo, os góticos, punks, entre outros. Segundo Bourdieu (1983), às diferentes posições que os grupos ocupam no espaço social correspondem estilos de vida. Para esse autor, a correspondência que pode ser observada entre o espaço das posições sociais e o espaço dos estilos de vida é resultado do fato de que condições semelhantes produzem habitus substituíveis que, por sua vez, segundo sua lógica específica, práticas infinitamente diversas e imprevisíveis em seu detalhe singular, mas sempre encerradas nos limites inerentes às condições objetivas das quais elas são o produto e às quais elas estão objetivamente adaptadas. Políticas públicas e privadas vêm trabalhando para a adoção de um Estilo de Vida mais saudável nos últimos anos. Em 2004, foi lançada pela OMS - Organização Mundial da Saúde - a Estratégia Global para a Promoção da Saúde. Desde então, no dia 31 de março, é celebrado o Dia Nacional da Saúde e Nutrição. Dessa forma, nos últimos anos, houve expressivo aumento da conscientização do consumidor em relação aos danos à sua saúde, apesar de essa parcela de consumidores conscientes ainda configurar a menor do mercado. Assim, mudanças de estilo de vida vêm sendo observadas através de pesquisas realizadas. Pode-se dizer que essa mudança, nos últimos anos, para um Estilo de Vida mais saudável, entre outros, está relacionada com o aumento da expectativa de vida do ser humano que vem crescendo a cada ano. Essa busca por um Estilo de Vida mais saudável pode ser observada, principalmente, através da mudança nos hábitos alimentares, prática de atividades físicas, entre outras. No que diz respeito aos hábitos alimentares, essa mudança vem dando espaço ao mercado de orgânicos, que se vem expandindo a cada ano. Entretanto, embora a alimentação saudável esteja ligada a um conceito de saúde, outros fatores também estão relacionados. A classe social, características culturais e regionais, entre outros, estão intimamente relacionados à alimentação do consumidor, uma vez que, através desse conjunto de fatores, o consumidor é influenciado na sua tomada de decisão de compra, que nem sempre resulta em uma decisão de alimentação saudável. Especialistas da área de saúde, embasados em teorias e pesquisas, defendem que um estilo de vida saudável não só combate doenças, mas, principalmente, atua de forma preventiva. Já os profissionais das áreas de ciências sociais estão cada vez mais voltados ao bemestar do ser humano de uma forma geral, tanto no que diz respeito às relações afetivas e familiares, quanto às relações profissionais. Nesse aspecto, nas organizações, pesquisas de clima vêm sendo realizadas regularmente com o propósito de suprir as deficiências no que diz respeito à insatisfação do colaborador, tendo em vista que teorias e pesquisas apontam que o clima organizacional é fator motivador de grande peso. As organizações têm interesse em incentivar um Estilo de Vida saudável aos seus colaboradores, tanto no que concerne à alimentação e prática de atividades físicas quanto no que se relaciona ao clima organizacional, uma vez que um Estilo de Vida saudavel irá propiciar ao colaborador maior eficiência, eficácia e produtividade. Contudo, pode-se entender que um Estilo de Vida saudável pressupõe um equilíbrio entre a saúde física, mental, espiritual e social do ser humano. 2.1.3 Percepções A percepção pode ser entendida como o processo de identificação, compreensão e decodificação de estímulos ou informações reconhecidos pelo ser humano. Também pode ser entendida como a forma como o ser humano enxerga o mundo e o meio ambiente no qual está inserido. De acordo com Schiffman e Kanuk (2000), a percepção é a forma como enxergamos o mundo à nossa volta. Segundo Solomon (2002), ela corresponde ao processo pelo qual as sensações são selecionadas, organizadas e interpretadas. Tratando-se do comportamento de compra do consumidor, a percepção equivale a uma fatia considerável em relação à sua decisão de compra, uma vez que é a responsável pelo reconhecimento da necessidade que irá iniciar o processo de consumo. Dessa forma, entendese que a percepção deve ser estudada no campo do comportamento do consumidor, buscando identificar os principais fatores determinantes da captação de um estímulo e de sua interpretação. Segundo Kotler e Keller (2006), as percepções são mais importantes do que a realidade, visto que são elas que de fato influenciam o comportamento de compra do consumidor. A percepção do ser humano, geralmente, está relacionada aos grupos aos quais pertencem, como, por exemplo, faixa etária, classe social, escolaridade, sexo etc. Dessa forma, pessoas da mesma classe social, por exemplo, tendem a ter uma visão semelhante do mundo e do ambiente no qual estão inseridos quando sujeitos aos mesmos estímulos, e, assim, a sua percepção também se assemelha. Entretanto, segundo Schiffman e Kanuk (2000), dois indivíduos podem estar sujeitos aos mesmos estímulos sob as mesmas condições aparentes, mas a maneira como cada um os reconhece, seleciona, organiza e interpreta é um processo altamente individual, baseado nas necessidades, valores e expectativas de cada um. No estudo do comportamento do consumidor quanto às suas percepções, as sensações podem ser entendidas como as respostas dos órgãos sensoriais aos estímulos ou informações, como, por exemplos, a uma propaganda. Nesse contexto, os estímulos podem ser definidos como informações para qualquer um dos cinco sentidos do homem. O limiar absoluto corresponde ao nível mais baixo no qual o ser humano pode receber um estímulo, enquanto o limiar diferencial corresponde à capacidade que o sistema sensorial tem para detectar alterações num determinado estímulo ou diferenças entre dois estímulos. O QUADRO III apresenta conceitos relativos à percepção, de acordo com Schiffman e Kanuk (2000). QUADRO III – Conceitos relativos à percepção EXPOSIÇÃO Os consumidores buscam mensagens de reafirmação pessoal, evitando SELETIVA mensagens que lhes causem repulsão, como, por exemplo, fumantes evitam artigos relacionando o fumo ao câncer. ATENÇÃO Os consumidores buscam mensagens que atendem as suas SELETIVA necessidades pessoais, como, por exemplo, quando está pesquisando qual automóvel irá comprar, dá maior atenção às propagandas sobre automóveis. DEFESA Os consumidores filtram estímulos ameaçadores, apesar de a PERCEPTIVA exposição já ter acontecido, podendo distorcer a informação que lhe ameaçou, como, por exemplo, a propaganda de um filme de terror. BLOQUEIO Os consumidores protegem-se dos estímulos, bloqueando-os para a PERCEPTIVO consciência, como, por exemplo, devido ao grande número de propagandas, os estímulos não chegarem à consciência. Fonte - SCHIFFMAN; KANUK, 2000, p.116-117, adaptado pela autora. 2.1.4 Comportamento do Consumidor de Alimentos Nos últimos anos, muito se tem falado sobre sustentabilidade, e o consumo consciente de alimentos apresentou crescimento, movimentando o setor dos hortifrutis — frutas, legumes e verduras, no Brasil e no mundo, inclusive, os hortifrutis orgânicos. Nessa nova era do consumo consciente, pesquisas vêm sendo realizadas nos setores da saúde e da alimentação. Os meios de comunicação, com o avanço da tecnologia, estão mais velozes, e, assim, pessoas de todas as classes sociais têm tido acesso aos resultados dessas pesquisas que, em síntese, comprovam os males que a má alimentação causa à saúde. A participação de políticas públicas e privadas, nesse contexto, nos dias atuais, é incomparável ao que ocorria em um passado não muito distante, especificamente no início dos anos 70, quando surgiam, no Brasil, os primeiros movimentos contrários à agricultura convencional, a exemplo da Agricultura Alternativa. Entretanto, pesquisas mostram que, apesar dessa nova era de consumo consciente e do aumento dos mercados de hortifrutis, tanto da agricultura convencional quanto da agricultura orgânica, muitos grupos de consumidores ainda parecem não ter despertado para o consumo consciente, compondo esses grupos a maioria da população mundial, sendo destaque os norteamericanos. Uma pesquisa estatística divulgada pelo IBGE com dados de consumo alimentar de um período de 29 anos comprova esse panorama. O estudo apresenta um aumento significativo no consumo de alimentos com substâncias nocivas à saúde, como refrigerantes, biscoitos, embutidos e refeições prontas. É razoável dizer que esse resultado está intimamente relacionado ao comportamento do consumidor e ao seu estilo de vida que, ao longo desses anos, vêm sofrendo inúmeras transformações. Dessa forma, procurando entender o comportamento do consumidor da atualidade no que diz respeito à alimentação, pode-se pensar que, com o aumento da participação das mulheres no mercado de trabalho, nos últimos anos, a alimentação dos bebês, ainda recémnascidos, está cada vez mais voltada ao uso de farinhas que substituem o leite materno, consequentemente, impulsionando esse mercado ao crescimento. Para esse caso, políticas públicas trabalham para conscientizar os consumidores quanto à importância e até mesmo necessidade da amamentação, tendo em vista, a médio e longo prazo, os males acarretados à saúde da “geração mamadeira”. Nessa mesma corrente, busca-se entender o comportamento do consumidor jovem da atualidade, a Geração Y, jovens consumidores de 20 a 30 anos de idade. Esses consumidores, quando ainda crianças, habituaram-se ao uso de produtos que traziam maior praticidade a si e a seus pais, consumindo exageradamente produtos repletos de conservantes, como embutidos, biscoitos, refrigerantes, entre outros, afastando-se, cada vez mais, de uma alimentação saudável. Esse comportamento também impulsionou esses mercados nos últimos anos. Entretanto, essa mesma geração, ultimamente, vem apresentando mudança de comportamento, adotando uma alimentação mais saudável e prática regular de exercícios físicos, e muitos se têm revelado adeptos da agricultura orgânica. Dessa forma, é razoável pensar que os consumidores mudam o seu comportamento de consumo e os departamentos de marketing das empresas têm que estar atentos a essas mudanças, por meio do estudo continuado do comportamento do consumidor, com o propósito de atender as suas necessidades com satisfação e, assim, se manterem em um mercado competitivo. Quanto aos norte-americanos, pesquisas mostram que são os detentores do título de maior nacionalidade obesa do mundo, inclusive, crianças. Consequentemente, essa nação também é a que apresenta maior índice de morte por infarto, hipertensão e diabetes. O comportamento desses consumidores revela uma alimentação à base de conservantes, gorduras, transgênicos e remédios, sendo estes, muitas vezes, ingeridos com o propósito de substituírem uma ou mais refeições, e/ou como complementação alimentar. Esse comportamento, sem dúvida, movimenta o mercado de alimentos desse país, não sendo difícil concluir que todo mercado é movido pelo comportamento do consumidor, sendo o setor alimentício um dos mais sensíveis. Nesse sentido, Silva (2007) corrobora dizendo que o conhecimento do comportamento do consumidor é a chave para o sucesso de qualquer agroindústria no ambiente competitivo e globalizado. O conhecimento do comportamento do consumidor, com vista à busca de sua satisfação, torna-se, desta maneira, a chave para o sucesso de qualquer agroindústria no ambiente competitivo e globalizado. A obtenção da satisfação do consumidor através de sua percepção e atitudes torna-se uma condição sine qua non para a obtenção do sucesso organizacional (SILVA, 2007, p.39). Segundo Darolt (2000), os consumidores de alimentos orgânicos estão divididos basicamente em dois grupos. Conforme o autor, o primeiro grupo se compõe dos consumidores das Feiras Orgânicas, e o segundo grupo reúne os consumidores de produtos orgânicos das redes de supermercados, tendo este último surgido mais recentemente, e, em consequência disso, menos estudos foram realizados acerca do comportamento dos seus componentes. Para Barbosa (2007), os novos consumidores de produtos orgânicos, identificados como os consumidores das redes de supermercado, em sua maioria, são jovens, pertencentes à Geração Y, que estão buscando saúde e qualidade de vida, por isso, o fator preço não é mais uma variável tão decisiva. Ademais, esses consumidores apresentam-se com maior poder aquisitivo em relação aos consumidores das Feiras de Orgânicos. Dessa forma, há coerência no que diz respeito aos valores praticados pelos mercados versus público consumidor, uma vez que os preços dos produtos orgânicos, nas redes de supermercados, são maiores do que os dos produtos orgânicos ofertados nas Feiras de Orgânicas, estando estes livres dos custos relacionados à certificação e à cadeia produtiva. Para Silva (2003), o selo de certificação do SisOrg, conferido aos produtos orgânicos produzidos de acordo com as normas técnicas e legislação brasileira, é um importante sinalizador das características desses produtos e representa um ponto relevante no processo de decisão de compra do consumidor, porque reduz as incertezas da qualidade dos produtos alimentares. Entretanto, declara que o consumidor ainda não localiza diferenças relevantes entre um produto orgânico certificado e outro sem certificação. “Os produtos orgânicos certificados geram benefícios não somente aos consumidores, mais ainda a produtores, movimentos e agentes sócio-ambientais e pesquisadores” (PIMENTA, 2008, p.25). Através do avanço da tecnologia, nos últimos tempos, e graças à era atual, que podemos denominar como a era da sustentabilidade, consumidores estão cada vez mais bem informados e exigentes quanto à qualidade dos produtos que consomem de uma forma geral, inclusive, produtos do setor alimentício, o que se pode interpretar como razão do crescimento do mercado de orgânicos. Para Barcellos (2002), essas transformações de comportamento dos consumidores levam as empresas a se adaptarem aos novos cenários, procurando compreender o comportamento dos consumidores, que se altera com o passar do tempo. De uma forma ampla, é razoável dizer que os consumidores de alimentos orgânicos, tanto os consumidores das Feiras Orgânicas, quanto os consumidores dos supermercados, possuem crenças, valores e atitudes comuns. Para Pimenta (2008), esses valores comuns são o bem-estar pessoal e a humanidade, realização pessoal, saúde, qualidade de vida e preservação ambiental. Para Vilas Boas (2005), a compreensão do comportamento do consumidor, decorrente das transformações sociais e econômicas enfrentadas nas últimas décadas, é um dos grandes desafios atuais nos estudos de marketing. Diante do crescimento dinâmico do mercado de produtos orgânicos, do desenvolvimento de processos de produção, distribuição e comercialização que enfatizem a sustentabilidade e a responsabilidade social e ambiental, a compreensão do comportamento do consumidor, bem como a apresentação destas novas perspectivas e mudanças para o público consumidor, tem se tornado um dos grandes desafios atuais nos estudos de marketing (VILAS BOAS, 2005, p.29). O crescimento do mercado de orgânicos, sem dúvida, movimentou a economia brasileira, gerando novas perspectivas e oportunidades, além de levar até a mesa dos consumidores mais saúde, através de uma alimentação mais saudável, o que reflete na sua qualidade de vida. Entretanto, tal crescimento evidencia limitações quanto a questões de infraestrutura e, no que diz respeito ao comportamento do consumidor, à compreensão das reais motivações determinantes do consumo desses produtos, podendo-se dizer que essa condição é essencial para o crescimento do setor. Vilas Boas (2005) corrobora: Considera-se, portanto, que conhecer as características do consumidor, suas necessidades e valores, avaliando de forma mais profunda os aspectos e características determinantes da compra de produtos orgânicos, é fator primordial para que estratégias de marketing sejam desenvolvidas (VILAS BOAS, 2005, p.3). 2.2 Agricultura Orgânica 2.2.1 Trajetória da Agricultura Orgânica no Brasil e no Mundo A agricultura que conhecemos, na atualidade, teve sua origem ligada às descobertas a partir dos estudos dos cientistas Saussure, Boussingault e Liebig, no século XIX. No final do século XIX, surgia, na Alemanha, um movimento por uma alimentação mais saudável e natural, que objetivava a melhora da saúde, através de uma vida mais saudável. Esse movimento trazia uma corrente de pensamento contrária ao desenvolvimento industrial da época. Já no século XX, especificamente no início da década de 1920, surgiram as primeiras correntes alternativas à agricultura convencional, apresentadas inicialmente pelo filósofo austríaco Steiner, em 1924, sendo instituídas como Agricultura Biodinâmica. Os fundamentos da Agricultura Biodinâmica de Steiner foram difundidos por pesquisadores de outros países que instituíram outras correntes (PLANETA ORGÂNICO, 2010). Pode-se dizer que a agricultura orgânica conhecida hoje é a fusão dessas diferentes correntes de pensamentos. O QUADRO IV apresenta, por período, nomenclatura e países, os principais pesquisadores precursores dessas diferentes correntes. QUADRO IV - Primeiras correntes alternativas à agricultura convencional PERÍODO NOMENCLATURA PAÍS (S) PESQUISADOR (ES) Década de 20 Agricultura Biodinâmica Áustria Steiner Década de 30 Agricultura Natural Japão Mokiti Okada Década de 30 Agricultura Organo-Biológica Suíça Década de 30/40 Agricultura Orgânica Mullher Áustria Rusch Grã-Bretanha Howard Estados Unidos Balfour Rodale Década de 60/70 Agricultura Biológica França Boucher Lemaire Década de 70/80 Agricultura Agricultura Permacultura Ecológica Alemanha Regenerativa Holanda Estados Austrália Vogtmann Rodale Unidos Pretty Mollison Década de 80 A partir 1990 Agroecologia Agricultura Sustentável América Latina Altiere Estados Unidos Gliess Mundialmente Vários Fonte - PLANETA ORGÂNICO, 2010, adaptado pela autora. Em 1962, surgia, nos Estados Unidos, o livro que foi considerado, na época, mais que um best seller, Primavera Silenciosa, de Rachel Carson, que questionava o modelo agrícola convencional, tratando do uso indiscriminado de substâncias tóxicas na agricultura. O livro foi também um dos principais alicerces do pensamento ambientalista naquele país e no restante do mundo (EHELRS, 1993). Entretanto, mesmo após essas correntes que contradiziam a agricultura convencional, na prática, houve grande agravamento dos danos ambientais. No início do século XX, os principais precursores da microbiologia dos solos, Pasteur, Winogradsky e Beijerinck, contribuíram com fundamentos científicos que fizeram uma contraposição às teorias conhecidas até então, preconizadas por Saussure, Boussingault e Liebig, provando a importância da matéria orgânica nos processos produtivos agrícolas (EHELRS, 1996). No início dos anos 70, as correntes que contradiziam a agricultura convencional começaram a ganhar força, concentrando-se em torno de um amplo conjunto de propostas alternativas, daí o movimento ter-se tornado conhecido como “Agricultura Alternativa”. Pode-se dizer que a Agricultura Alternativa seria um apanhado do pensamento das correntes da Agricultura Ecológica, Agricultura Regenerativa e Permacultura. Em 1972, foi criada, em Versalhes, na França, a primeira organização internacional para fortalecer a Agricultura Alternativa, a International Federation on Organic Agriculture – IFOAM, reunindo mais de 400 entidades agroambientalistas, sendo suas principais atribuições a troca de informações entre as entidades associadas, a harmonização internacional de normas técnicas e a certificação de produtos orgânicos (EHELRS, 2000). Nesse mesmo ano, no Brasil, foi fundada a Fundação da Estância Demétria, na cidade de Botucatu, no estado de São Paulo, seguindo os princípios da Agricultura Biodinâmica de Steiner e foi instalada uma granja orgânica pelo Engenheiro Agrônomo Yoshio Tsuzuki, na cidade de Cotia, também no estado de São Paulo. Alguns anos depois, em 1981, o movimento da Agricultura Alternativa ganhou mais força com o primeiro encontro a respeito da agricultura alternativa, denominado “Encontros Brasileiros de Agricultura Alternativa - EBAA”. Esse primeiro encontro foi sucedido por mais dois nos anos de 1984 e 1987, respectivamente, e, a partir do terceiro EBAA, foram realizados diversos Encontros Regionais de Agricultura Alternativa. Nos dois primeiros EBAAs, as críticas se concentravam nos aspectos tecnológicos e na degradação ambiental provocada pelo modelo agrícola trazido pela Revolução Verde. Já o terceiro EBAA privilegiou o debate sobre as condições sociais da produção, sobrepondo as questões políticas às questões ecológicas e técnicas. Nos anos 80 e 90, surgiram várias organizações não governamentais em nível nacional voltadas para a agricultura alternativa. Nessa época, surge o Instituto Biodinâmico de Desenvolvimento Rural - IBD, a Certificadora Mokiti Okada - CMO, a Associação de Agricultura Orgânica - AAO, entre outros. Paralelamente, surge uma série de ONGs e associações de produtores e consumidores engajadas com a agricultura orgânica, destacandose a Associação dos Agricultores Biológicos do Estado do Rio de Janeiro - ABIO, entre outras. A denominação "tecnologias alternativas" foi usada nesse período, para designar as várias experiências de contestação à agricultura convencional, passando a ser substituída, numa fase seguinte, por Agricultura Ecológica, identificada como parte da Agroecologia. De modo geral, pode-se dizer que, a partir da década de 80, o interesse da opinião pública pelas questões ambientais e a adesão de alguns pesquisadores ao movimento alternativo, sobretudo em função dos efeitos adversos dos métodos convencionais, tiveram alguns desdobramentos importantes no âmbito da ciência e da tecnologia, sendo as características mais marcantes desses desdobramentos a busca de fundamentação científica para as suas propostas técnicas e, no caso da Agroecologia, o firme propósito de valorizar os aspectos socioculturais da produção agrícola. Em 1989, foi desenvolvido um estudo detalhado sobre a Agricultura Alternativa pelo National Research Council – NRC, um órgão formado por representantes da Academia Nacional de Ciências, da Academia Nacional de Engenharia e do Instituto de Medicina, todos dos Estados Unidos, culminando na publicação do relatório intitulado Alternative Agriculture, um dos principais reconhecimentos da pesquisa oficial a essa tendência da produção agrícola. Em 1992, surge o conceito de sustentabilidade, com a Conferência Mundial da ECO92, na cidade do Rio de Janeiro. Foi manifestada uma nova ordem mundial, expressando a vontade das nações de conciliar ou reconciliar o desenvolvimento econômico e o meio ambiente, em integrar a problemática ambiental ao campo da economia. Em 1994, foi criado o Comitê Nacional de Produtos Orgânicos, formado pelas principais entidades com atuação concreta na produção orgânica. Em 2003, foi sancionada a primeira Lei relativa aos produtos orgânicos no Brasil, Lei n°10.831, com o estabelecimento de normas técnicas para o processo de produção orgânica através de diretrizes da agricultura orgânica; da produção; da comercialização; da informação da qualidade; das responsabilidades das partes; do controle social da venda direta sem certificação; do sistema brasileiro de avaliação da conformidade orgânica; da fiscalização; das proibições. Pode-se dizer que o ano de 2003 representou um marco para o crescimento e desenvolvimento da produção orgânica no Brasil, e que a mesma cresceu e se desenvolveu, de fato, no Brasil, a partir de então. 2.2.2 Controvérsias e críticas a respeito do sistema de produção orgânica O conceito da agricultura orgânica defende a viabilidade de uma produção sustentável que respeite o meio ambiente como um todo e principalmente o homem, mesmo na era atual, cada vez mais dependente da tecnologia e da ciência para crescimento e desenvolvimento em todos os campos da atividade humana. Entretanto, críticos apontam controvérsias à agricultura orgânica. Nos últimos anos, o comportamento do consumidor veio-se transformando, com a preocupação relacionada à saúde e qualidade de vida, refletindo-se em mudanças no seu estilo de vida, assim como nos hábitos alimentares. Dessa forma, atendendo a essa demanda crescente, pesquisas foram realizadas apontando como resultado a superioridade dos alimentos orgânicos aos alimentos convencionais, no que diz respeito aos seus nutrientes e, consequentemente, aos benefícios à saúde, entre outros. Entretanto, alguns críticos se opõem à produção orgânica, defendendo que o alimento orgânico é menos seguro que o alimento produzido sob forma de produção convencional, especialmente, devido a problemas relacionados à sua conservação. Além disso, segundo esses críticos, há o risco aumentado de que os produtos orgânicos apresentem doenças naturais, como vírus e fungos potencialmente prejudiciais aos seres humanos. Adicionalmente, defendem que as práticas e conceitos da agricultura orgânica causam mais danos ambientais que as práticas da agricultura convencional. Outra controvérsia quanto aos sistemas de produção orgânicos é quanto à produtividade. Os defensores da agricultura convencional argumentam que, para uma produção de determinada quantidade de alimentos orgânicos, é necessária maior quantidade de terra, quando comparada à quantidade necessária para a produção da mesma quantidade de alimentos de acordo com o sistema de produção convencional, o que torna o sistema de produção orgânico inviável, do ponto de vista desses críticos. Além disso, argumentam que, se todos os sistemas de produção convencionais, no Brasil e no mundo, passassem a produzir de acordo com as práticas da agricultura orgânica, faltariam alimentos para a maior parte da população. Nesse sentido, vale a pena ressaltar que, atualmente, a alta produtividade dos sistemas de produção convencionais é resultado de grande investimento em pesquisas científicas e extensão rural, como, por exemplo, a Revolução Verde. Em boletim publicado em 04 de maio de 2010, pela primeira organização internacional, criada em 1972, para fortalecer a então chamada Agricultura Alternativa, o IFOAM - International Federation on Organic Agriculture, algumas críticas foram argumentadas e contra-argumentadas, no que concerne à produção orgânica. O QUADRO V apresenta esses argumentos. QUADRO V - Argumentos contrários ao sistema de produção orgânico e contra-argumentados pelo IFOAM 1. Resíduos de agrotóxicos em alimentos convencionais seguem padrões de segurança e estão dentro dos limites de segurança. 2. Não há evidência consistente de diferenças entre alimentos orgânicos e A convencionais. R 3. Grupos de empresários orgânicos divulgam informações sobre o perigo dos G alimentos convencionais para aumentar seu lucro e espaço de mercado. U 4. A Agricultura Orgânica aumenta o risco de contaminação alimentar. Exemplos: M alimentos orgânicos contêm mais bactérias. E N T O S 5. Muitos alimentos naturais contêm substâncias alergênicas que têm impacto sobre a saúde. 6. Alguns pesticidas “verdes” ou “orgânicos” podem causar danos à saúde e são usados em grandes doses. Por isso, não há razão para confiar nos alimentos orgânicos. 7. Alimentos orgânicos são muito caros e estão-se tornando “comida de rico”. 8. As pessoas não podem comprar orgânicos, então, promover a Agricultura Orgânica reduzirá o consumo de frutas e verduras, alimentos saudáveis, porém caros quando orgânicos. 9. Alimentos orgânicos não são saborosos e atraentes. 10. Alimentos orgânicos são para vegetarianos. 11. A certificação orgânica não é confiável, e muitos alimentos convencionais são vendidos como orgânicos. Além disso, os consumidores não entendem o processo de certificação e, sendo assim, não podem confiar nele. Fonte - IFOAM, adaptado pela autora. Os contra-argumentos publicados pelo IFOAM defendem o sistema de produção orgânico. Para o argumento número 1, quanto ao fato de os resíduos de agrotóxicos em alimentos convencionais seguirem padrões de segurança e estarem dentro dos limites de segurança, o IFOAM contra-argumenta esclarecendo que, em pesquisa brasileira realizada pela ANVISA - 2001/2009, essa não é uma realidade. Quanto ao argumento número 2, relativo à falta de evidências consistentes de diferenças entre alimentos orgânicos e convencionais, o IFOAM contra-argumenta que alimentos orgânicos têm menores níveis de agrotóxicos, drogas e teor de nitrato e maior teor de antioxidantes, fitoquímicos, minerais e algumas vitaminas. Quanto ao teor de carboidratos, proteínas e gorduras, contra-argumenta que não diferem muito, mas se acredita que os orgânicos têm valor nutricional mais equilibrado e não maior. Também esclarece que alimentos orgânicos de origem animal têm melhor qualidade de gordura e menos teor de ácidos graxos saturados, e os processados não têm gordura hidrogenada, nem aditivos. Contudo, na revisão da literatura realizada, além das críticas citadas, não foram encontradas correntes contrárias à agricultura orgânica, tão pouco trabalhos científicos e pesquisas realizadas que apresentassem qualquer tipo de consistência e comprovação científica contrárias aos benefícios, conceitos e práticas do sistema de produção orgânico. 2.2.3 Números da Agricultura Orgânica Brasileira por Região - 2006 A mais recente divulgação do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento MAPA, quanto aos números da Agricultura Orgânica no Brasil, por região, é referente ao ano de 2006. Consequentemente, com o forte crescimento do setor de orgânicos, é grande a possibilidade de defasagem desses números em um espaço de tempo de cinco anos. Os gráficos que seguem numerados de I a VI apresentam os números divulgados pelo MAPA para a agricultura orgânica no ano de 2006. GRÁFICO I - Área total com agropecuária orgânica por região Fonte - MAPA, adaptado pela autora. GRÁFICO II - Produtores com agropecuária orgânica por região Fonte - MAPA, adaptado pela autora. Os resultados divulgados quanto à área total com agropecuária orgânica por região (GRÁFICO I) demonstram maior participação da região centro-oeste, com 65% de participação, seguida da região sul, com 15%, região sudeste, com 10%, região nordeste, com 9%, e, por último, a região norte, com apenas 1%. Contudo, quanto aos produtores com agropecuária orgânica por região (GRÁFICO II), a região centro-oeste apresentou somente 5% de participação, sendo a região sul aquela com a maior participação, atingindo 68%. Dessa forma, fica constatado que o tamanho da área com agropecuária orgânica não é proporcional ao número de produtores da agropecuária orgânica, visto que a região com maior área com agropecuária orgânica, região centro-oeste (68%), é a segunda menor quanto aos produtores com agropecuária orgânica (5%). GRÁFICO III - Área com culturas em cultivo orgânico por região Cacau, Café, Cana-de-açúcar, Cereais e Mandioca Fonte - MAPA, adaptado pela autora. GRÁFICO IV - Área com olericultura em cultivo orgânico por região (legumes e hortaliças) Fonte - MAPA, adaptado pela autora. GRÁFICO V - Área com fruticultura em cultivo orgânico por região (frutas) Fonte: MAPA, adaptado pela autora. Os GRÁFICOS III, IV e V apresentam os resultados divulgados quanto à área com culturas em cultivo orgânico por região, área com olericultura em cultivo orgânico por região (legumes e hortaliças) e área com fruticultura em cultivo orgânico por região (frutas), respectivamente. A região sul foi líder de área total com culturas em cultivo orgânico, com 50%, proporcionalmente líder em cultivo orgânico de olericultura, com 55%, e líder em cultivo orgânico de fruticultura, com 45%. Os números divulgados para o cultivo orgânico de olericultura e fruticultura, por região, foram proporcionais à área total com culturas em cultivo orgânico na região sul do Brasil. As demais regiões não apresentaram a mesma proporção, no que diz respeito à área versus cultivo, entretanto, nenhuma discrepância significativa foi observada. A região sudeste, que configura a região objeto da pesquisa proposta, apresentou 17% quanto à área com culturas em cultivo orgânico. Com a mesma pontuação, a região centro-oeste (17%), seguida da região nordeste, com 16%, e a região norte não pontuou. Quanto à área com olericultura e fruticultura em cultivo orgânico, a região objeto desta pesquisa, região sudeste, apresentou 37% e 13%, respectivamente. GRÁFICO VI - Área com apicultura em cultivo orgânica por região Fonte – MAPA, adaptado pela autora. O GRÁFICO VI apresenta a área com apicultura em cultivo orgânico por região. A região sul também foi líder nessa cultura, pontuando 65%, seguida da região sudeste, com 18%, e região nordeste, com 17%. As regiões norte e centro-oeste não pontuaram. 2.2.4 Pesquisas Realizadas Darolt (2000), Engenheiro Agrônomo, Doutor em Meio Ambiente, Pesquisador do Instituto Agronômico do Paraná – IAPAR, resume dados obtidos em seu estudo na literatura internacional sobre o estado da arte da agricultura orgânica em diferentes países do mundo, sintetizando pelo menos cinco pontos relacionados com o sucesso no desenvolvimento do sistema. O primeiro ponto diz respeito ao incentivo financeiro aos produtores. A maior razão de crescimento do número de agricultores é o incentivo governamental. Nos países, como Áustria e Suíça, por exemplo, onde existe maior incentivo financeiro, o número de unidades de produção em conversão também é maior (DAROLT, 2000, p.76). O segundo ponto trata da eficiente informação aos produtores e consumidores. Nos países, como Suíça, Alemanha e Estados Unidos, onde existem Institutos de Pesquisa em Agricultura Orgânica responsáveis pela pesquisa, extensão e acompanhamento do sistema, a evolução é nitidamente maior. A educação do consumidor é outro ponto importante. Nos países onde existem grupos de consumidores organizados, o consumo tem aumentado e impulsionado a produção (DAROLT, 2000, p. 77). O terceiro ponto que Darolt destaca refere-se ao acesso e à disponibilidade de produtos orgânicos. Na maioria dos países o mercado de produtos orgânicos ainda é pequeno. Muitas vezes o consumidor tem dificuldade de encontrar o produto, seja pela falta do produto, seja pelos poucos locais de venda. Nos países que oferecem uma gama de opções (venda direta, cooperativa de consumidores, lojas de produtos naturais, redes de supermercados etc.) o sistema tem obtido maior sucesso (DAROLT, 2000, p.77). O quarto ponto importante destacado pelo autor é que o sucesso da agricultura orgânica está relacionado à questão de marketing (logomarca) e à proteção legal. Na União Européia, por exemplo, os produtos orgânicos são defendidos legalmente (Regulamentação EU n. 2092/91). Esta lei, quando bem difundida, torna-se um importante passo para a proteção do consumidor e do agricultor. Outro ponto fundamental é uma logomarca nacional para o produto orgânico, que normalmente é concedida pelo Ministério da Agricultura — como acontece na França, Áustria, Suíça e Grã-Bretanha. Esse procedimento torna-se uma forma de marketing importante para a divulgação da agricultura orgânica até o consumidor (DAROLT, 2000, p.77). O quinto e último ponto enfatizado por Darolt como fundamental para incremento da agricultura orgânica é o atinente à implementação de um plano de desenvolvimento para a agricultura orgânica. Além do apoio governamental, alguns países (Dinamarca, Suécia, Holanda, França, Reino Unido e EUA) já possuem planos de ação para desenvolvimento do sistema orgânico no médio e longo prazo. Esses planos envolvem acompanhamento às unidades de produção, apoio à pesquisa, marketing e informação de agricultores e consumidores (DAROLT, 2000, p.77). A título de acréscimo, Darolt faz algumas análises de pesquisas relacionadas ao consumo de produtos orgânicos: As motivações para o consumo variam em função do país, da cultura e dos produtos que se analisam. Todavia, observando países como Alemanha e Inglaterra (WOODWARD & MEIER-PLOEGER, 1999), Austrália (PEARSON,1999), Estados Unidos (HENDERSON, 1999), França (SYLVANDER, 1998) e Dinamarca (DUBGAARD & HOLST, 1994), percebemos que existe uma tendência de o consumidor orgânico privilegiar aspectos relacionados à saúde e sua ligação com os alimentos, em seguida o meio ambiente e, por último, a questão do sabor dos alimentos orgânicos (DAROLT, 2000, p.245). Uma das pesquisas mais recentes, indiretamente ligada a essa temática, foi realizada pelo IBOPE e trata da questão ambiental mais geral. Este estudo pode nos dar uma pista, pois mostra que o consumidor brasileiro está disposto a pagar mais caro por um produto que não polui o meio ambiente. Uma faixa de 68% do universo pesquisado fez essa afirmativa, enquanto outra de 24% se mostrou contrária à idéia. Essa tendência pode ser verificada mesmo na população com baixa renda familiar (DAROLT, 2000, p.24). Uma pesquisa de opinião pública direcionada aos alimentos orgânicos foi realizada pelo Instituto Gallup no município da cidade de São Paulo. Os resultados mostraram que os compradores de legumes e verduras já têm consciência da toxicidade dos produtos cultivados com agrotóxicos e da dificuldade de produzi-los sem agrotóxicos. Por isso, segundo a pesquisa, essas pessoas admitem pagar até 30% mais caro pelos produtos orgânicos, desde que devidamente persuadidos de que são mais saudáveis do que os consumidos atualmente. Desta forma, fica clara a preocupação com a saúde pessoal e da família (DAROLT, 2000, p.245). A Pesquisa realizada pela Paraná Pesquisas em 1998, a pedido da Prefeitura Municipal de Curitiba, comparou os consumidores da feira orgânica com consumidores de feiras convencionais. Os resultados apontam que o consumidor orgânico é normalmente um profissional liberal, na maioria (66%) do sexo feminino, com idade variando entre 31 e 50 anos, em 62 % dos casos. Apresentam nível de instrução elevada, tendo em sua maioria cursado o ensino superior. Ademais, a pesquisa indica que são pessoas que têm o hábito de praticar esportes (54,9%) com constância e, mesmo morando na cidade, procuram um estilo de vida que privilegie o contato com a natureza, o que faz com que 62,9% frequentem parques e bosques regularmente. Com base nos dados, é possível afirmar que a procura por alimentos “limpos” tem uma ligação forte com a escolaridade, visto que existe um grande interesse desse consumidor pela questão ambiental. Enquanto na feira convencional a maior parte dos consumidores tem apenas o primeiro grau, na feira orgânica, a maior parte fez um curso universitário. Outro aspecto interessante diz respeito ao desconhecimento dos consumidores que frequentam as feiras convencionais em relação aos produtos orgânicos. Apenas 2,7 % dos consumidores das feiras convencionais sabem da existência da feira orgânica. Isso indica que ainda existe um grande público frequentador regular de feiras que desconhece ou não tem informação clara sobre o produto que consome. Passando para a análise da renda familiar mensal, existe uma tendência similar ao que acontece com o nível de instrução escolar. Enquanto a maior parte dos consumidores das feiras convencionais tem renda até 10 salários mínimos, os consumidores da feira orgânica têm, na maioria, renda acima desse patamar. Em última análise, os dados refletem que o público das feiras orgânicas, tanto em termos de escolaridade quanto de renda, faz parte de um grupo de consumidores mais intelectualizados e de uma classe economicamente mais elevada. Além do perfil socioeconômico observado, foi possível confirmar que o consumidor orgânico é fiel e constante. A grande maioria se diz adepto da alimentação orgânica, sendo que 58,8% dos consumidores frequentam semanalmente a feira orgânica. Esses resultados mostram que a feira de produtos orgânicos tem tido êxito em cativar o público e, portanto, configura-se como um espaço privilegiado de educação e articulação dos consumidores. A pesquisa confirma que a principal razão para o consumo de produtos orgânicos é a questão da saúde. Os resultados apresentados por Ruchinski e Brandenburg (1999) mostram que o consumidor associa a produção orgânica com uma agricultura sem agrotóxico (42,9%) e com um processo natural de cultivo (33,3%). Em relação à avaliação dos produtos orgânicos quanto à qualidade, quantidade, diversidade e regularidade, os resultados da pesquisa mostraram que os consumidores consideram como problema, em primeiro lugar, a falta de regularidade, depois, a pouca diversidade e, em seguida, a pouca quantidade. No que diz respeito à qualidade, a maioria dos consumidores considera “bons a excelentes” os produtos orgânicos, fator que está relacionado ao valor biológico dos produtos, além de seu sabor e frescor. A pesquisa indicou que, enquanto 59% do público das feiras convencionais consideram “boa” a diversidade dos alimentos e produtos vendidos, apenas 38% dos consumidores da feira orgânica têm a mesma opinião, evidenciando a pouca variedade de produtos, sobretudo frutas, cereais e produtos de origem animal. Diante disso, muitos consumidores declaram que, atualmente, é difícil manter uma dieta orgânica devido à falta de produtos. Além disso, é necessário um esforço complementar para comprar os produtos que faltam em outros locais. Quanto ao preço dos produtos, apesar de a maioria dos consumidores (62,7%) considerar os preços dos produtos orgânicos mais elevados em relação aos convencionais, o consumo continua crescendo. É interessante observar que, quando se faz uma comparação de preços entre consumidores de feiras convencionais e orgânicas, não se verifica diferença de percepção entre os preços. Já nas redes de supermercados, as margens de preços são altas, e os produtos orgânicos necessitam ser embalados para serem diferenciados dos convencionais. Além disso, os consumidores costumam reclamar dos altos preços desses produtos. 2.2.5 Legislação Brasileira no Mercado de Orgânicos A produção orgânica expressa na legislação brasileira ganhou força, sendo fruto de um consenso que resumiu um apanhado de várias correntes, através da sanção, pelo então Presidente da República Federativa do Brasil, da Lei nº 10.831, em 23 de dezembro de 2003, decretada pelo Congresso Nacional, sendo o marco legal brasileiro para a produção orgânica, construído numa ampla articulação entre governo e representantes de organizações da sociedade civil que participam da rede de produção orgânica. Quatro anos mais tarde, o Decreto nº 6.323, de 27 de dezembro de 2007, regulamentou a referida lei. Em 22 de outubro de 2008, a Instrução Normativa nº 54 regulamentou a Estrutura, Composição e Atribuições das Comissões da Produção Orgânica. No mesmo ano, em 18 de dezembro, a Instrução Normativa nº 64 aprovou o Regulamento Técnico para os Sistemas Orgânicos de Produção Animal e Vegetal. Em 28 de maio de 2009, a Instrução Normativa Conjunta nº 17 aprovou as normas técnicas para a obtenção de produtos orgânicos oriundos do extrativismo sustentável orgânico. Na mesma data, a Instrução Normativa Conjunta nº 18 aprovou o Regulamento Técnico para o Processamento, Armazenamento e Transporte de Produtos Orgânicos, e a Instrução Normativa nº 19 aprovou os mecanismos de controle e informação da qualidade orgânica. O Decreto nº 6.913, de 23 de julho de 2009, acresceu dispositivos ao Decreto nº 4.074, de 4 de janeiro de 2002, que regulamenta a Lei nº 7.802, de 11 de julho de 1989, que dispõe sobre o registro de produtos fitossanitários com o uso aprovado para a agricultura orgânica. A Instrução Normativa nº 50, de 5 de novembro de 2009, instituiu o selo único oficial do Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade Orgânica e estabeleceu os requisitos para a sua utilização nos produtos orgânicos. E, por último, o Decreto nº 7.048, de 23 de dezembro de 2009, dá nova redação ao art. 115 do Decreto nº 6.323, de 27 de dezembro de 2007, que regulamenta a Lei nº 10.831, de 23 de dezembro de 2003, estabelecendo a data limite de 1º de janeiro de 2011 para o uso do selo único oficial do Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade Orgânica aos produtos orgânicos controlados sob o sistema de garantia da qualidade orgânica por Certificação por Auditoria e por sistema de Sistema Participativo. 2.2.6 Programas e Feiras no mercado de orgânicos Semana dos Alimentos Orgânicos A partir do ano de 2005, foi criada, pelo Governo Federal, a campanha anual “Semana dos Alimentos Orgânicos”, objetivando uma campanha ininterrupta voltada ao esclarecimento da sociedade em geral e, mais especificamente, do consumidor, sobre o que é de fato um produto orgânico. Muitas das vezes, o entendimento dos consumidores em geral passa por uma visão superficial, considerando apenas que os produtos orgânicos são produtos cultivados sem o uso de agrotóxicos. Um dos principais objetivos da campanha é conscientizar o consumidor para o consumo responsável, valorizando aspectos relacionados à saúde humana, ao meio ambiente e à justiça social, na hora de decidir pelos produtos que vai comprar. Assim, a campanha “Semana dos Alimentos Orgânicos” busca conscientizar e informar o consumidor, tornando-o aliado aos produtores orgânicos, de modo que, assim, estes possam persuadir e influenciar demais consumidores ao consumo de produtos produzidos sob forma de cultivo orgânico, aumentando, dessa maneira, a demanda por esses produtos. Núcleos de Estudo em Agroecologia e Sistemas Orgânicos de Produção Em 2006, foram criados Núcleos de Estudo em Agroecologia e Sistemas Orgânicos de Produção constituídos por unidades de ensino federais das cinco regiões do Brasil. A iniciativa se relaciona aos trabalhos conduzidos pela Comissão Interministerial de Educação em Agroecologia e Sistemas Orgânicos de Produção, formada pelos Ministérios da Agricultura Pecuária e Abastecimento - MAPA, do Desenvolvimento Agrário - MDA, da Ciência e Tecnologia - MCT, do Meio Ambiente - MMA e da Educação - MEC, desde o ano de 2006. Para 2010, o MAPA, MEC e MCT estimam investimento de R$1.002.000,00 para implantação e consolidação dos núcleos de estudo nas unidades. Os projetos têm previsão de término para dezembro de 2011, todavia a perspectiva é de institucionalização permanente desses núcleos, que serão de fundamental importância na formação de professores e alunos, na produção científica de pesquisas, na articulação de parcerias locais e regionais e na ampliação do debate e do acesso da comunidade escolar a conhecimentos, tecnologias e materiais didáticos envolvendo temas e questões de importância para a agroecologia e sistemas orgânicos de produção. No total, são 30 unidades de ensino, estando cinco delas localizadas no estado de Minas Gerais, sendo elas: 1) Instituto Federal de Educação de Minas Gerais - Campus Araçuaí; 2) Instituto Federal de Educação do Sudeste de Minas Gerais Campus Muriaé: 3) Instituto Federal de Educação do Sudeste de Minas Gerais - Campus Rio Pomba: 4) Instituto Federal de Educação do Norte de Minas Gerais - Campus Arinos; 5) Instituto Federal de Educação do Triângulo Mineiro - Campus Uberaba. Bancos Comunitários de Sementes - Adubos Verdes Também instituído pelo Governo Federal, o programa “Bancos Comunitários de Sementes - Adubos Verdes” foi lançado em novembro de 2007, sendo seu princípio fundamental propiciar a agricultores familiares orgânicos ou em processo de transição agroecológica uma maior independência em relação à utilização de insumos externos em suas atividades produtivas. O Programa está implantando em 15 Unidades da Federação (RS, SC, PR, SP, RJ, MG, BA, PE, PB, AC, PA, MS, MT, TO e DF), sendo o público beneficiário composto de aproximadamente 1.200 agricultores, com a estimativa de formar mais de 170 Bancos Comunitários de Sementes de Adubos Verdes. A FIGURA V apresenta a capa das cartilhas do programa que tiveram uma tiragem de 29,5 mil exemplares: Bancos Comunitários de Sementes - Adubos Verdes: Cartilha para Agricultores, e com uma tiragem de somente 1.000 exemplares, Bancos Comunitários de Sementes - Adubos Verdes: Informações Técnicas. FIGURA V - Bancos Comunitários de Sementes - Adubos Verdes: Cartilha para Agricultores e Bancos Comunitários de Sementes - Adubos Verdes: Informações Técnicas. Fonte - Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento - MAPA. Adequação da rede de produção orgânica à legislação A agricultura orgânica no Brasil veio sendo praticada desde o início dos anos 70 sem uma norma oficial. Dessa forma, muitos produtores passaram a estabelecer suas próprias normas e aplicá-las. A partir da aprovação da Lei nº 10.831, em 23 de dezembro de 2003, normas técnicas e regulamentações organizaram as atividades de produção orgânica, sendo um grande desafio para o Governo Federal adequar a rede de produção orgânica à legislação. Com o alto índice de baixa escolaridade e até mesmo analfabetismo entre os agricultores divulgados através do IBGE, no Censo Agropecuário 2006, é razoável inferir a dificuldade que esses agricultores enfrentam para ler e interpretar adequadamente a complexa regulamentação. Em função desse quadro, o MAPA entendeu ser fundamental a criação de um projeto para fomentar o apoio, com assistência técnica, a esses produtores, de forma que possam conhecer efetivamente as normas, definir seus planos de manejo e se regularizarem por um dos mecanismos de controle regulamentados. Para isso, a Coordenação de Agroecologia lançou, em 2009, um edital para realização de convênios com organizações públicas ou privadas, sendo contempladas sete instituições para capacitarem agricultores orgânicos quanto ao cumprimento da Legislação Brasileira de Orgânicos e cadastrarem junto ao MAPA aqueles que estiverem aptos. Outra ação executada foi a elaboração de cartilhas que explicam os diferentes mecanismos de controle, distribuídas para as CPOrgs para serem utilizadas no processo de esclarecimento dos produtores. As cartilhas publicadas em 2008 foram Mecanismos de Controle para a Garantia da Qualidade Orgânica, Sistemas Participativos de Garantia e Controle Social na venda direta aos consumidores de produtos orgânicos sem certificação. Tais publicações, com tiragem de 20 mil cada uma, são ilustradas com animações e escritas com vocabulário simples, sendo razoável chamá-las de guias explicativos sobre as questões da agricultura orgânica. A FIGURA VI apresenta a capa das cartilhas citadas. FIGURA VI - Mecanismos de Controle para a Garantia da Qualidade Orgânica, Sistemas Participativos de Garantia e Controle Social na venda direta aos consumidores de produtos orgânicos sem certificação. Fonte - Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento - MAPA. A última edição do MAPA ocorreu no ano de 2009, com a cartilha O olho do consumidor, com a tiragem de 620 mil exemplares. Como nas cartilhas publicadas no ano anterior, foi ilustrada através de animações e simples vocabulário, com forte apelo à informação e conscientização no que diz respeito à produção orgânica. A FIGURA VII apresenta a capa da cartilha O olho do Consumidor. FIGURA VII - O olho do Consumidor Fonte - Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento - MAPA. BioFach A BioFach América Latina é a versão latino-americana da BioFach Alemã, que é a maior feira de produtos orgânicos do mundo. No Brasil, desde o ano de 2003, no mês de novembro, ocorre a BioFach América Latina, na cidade de São Paulo. Como a BioFach América Latina, outras estão instituídas em países de diferentes continentes, como a BioFach China, BioFach Japan, BioFach Índia e BioFach America. Na última edição da BioFach América Latina, que ocorreu nos dias 3, 4 e 5 deste ano, a diretora do Planeta Orgânico e coorganizadora da BioFach América Latina, Maria Beatriz Martins Costa, falou na cerimônia de abertura sobre um mercado brasileiro que inova e ousa: “Vemos o quanto o Brasil inova e ousa. Inova quando cria uma lei que contempla que 30% da merenda escolar deve vir da agricultura familiar; e quando propõe, para 2014, uma Copa do Mundo com produtos orgânicos e sustentáveis” (COSTA, 03/11/2010). No Brasil, a realização dos eventos movimentados na BioFach América Latina tem alavancado as exportações dos orgânicos latino-americanos, em especial para países como Dubai, Emirados Árabes Unidos, Alemanha, Estados Unidos e para a Comunidade Europeia. 2.2.7 Os Mecanismos de Controle da Qualidade Orgânica: Certificação por Auditoria, Sistemas Participativos de Garantia e Controle Social para a Venda Direta sem certificação O processo de certificação dos produtos orgânicos, em todo território nacional, ocorre de acordo com as normas técnicas e regulamentos da legislação brasileira. Antes da publicação da legislação brasileira que regulamenta as certificações, as ONGs eram as responsáveis por elaborarem sistemas de controle a fim de assegurarem aos consumidores que os produtos consumidos por eles eram produzidos sob forma de cultivo diferenciado da agricultura convencional. Atores do processo de produção orgânica aperfeiçoaram, durante as últimas duas décadas, seus sistemas de controle e, a princípio, passaram a ser credenciados e auditados por uma Federação Internacional, a International Federation on Organic Agriculture - IFOAM. Mais tarde, começou a surgir a exigência, por parte do mercado externo, quanto à participação dos governos produtores de orgânicos, o que culminou no desenvolvimento e avanço do mercado de orgânicos no Brasil, em face da legislação. No que diz respeito aos mecanismos de controle da qualidade orgânica, esta se subdivide em três grupos, de acordo com a legislação brasileira. Os diferentes mecanismos são denominados: Certificação por Auditoria, Sistemas Participativos de Garantia e Controle Social para a Venda Direta sem certificação. A Certificação por Auditoria ocorre pela iniciativa do próprio produtor, quando se sente apto a contratar um Organismo de Avaliação da Conformidade Orgânica – OAC. Os OACs, mais conhecidos como entidades certificadoras, constituem o Sistema Brasileiro da Avaliação da Conformidade Orgânica – SisOrg, juntamente com os Órgãos e Entidades da Administração Pública Federal. Assim, o produtor tem total liberdade para entrar em contato quando quiser e se quiser, escolhendo a certificadora de sua preferência, contanto que não haja nenhum vínculo entre a unidade produtora e a entidade certificadora escolhida. A partir de então, é necessária a apresentação à certificadora de uma série de documentos e o pagamento de uma taxa de inscrição. A auditoria, por parte da certificadora, costuma ocorrer logo após o pagamento da taxa e o envio dos documentos exigidos, inicialmente, e consiste em reunir dados, checar documentos de compra de insumos, venda de produtos, operações de campo e o sistema de condução orgânica, instalações, sacarias e embalagens, verificar o sistema de controle adotado, entre outros, de modo a verificar se aquela produção é realizada de acordo com as normas técnicas e regulamentos da legislação brasileira quanto à produção orgânica. Após a auditoria, o inspetor elabora relatório e o envia à certificadora, que, por sua vez, o submete ao seu Conselho de Marcas, para avaliação e decisão final. Sendo a decisão final favorável, o selo é então concedido ao produtor, que passa a fazer uso do mesmo em seus produtos, por um período revalidável de um ano. O mecanismo de garantia da qualidade orgânica, através da Certificação por Auditoria, é o mais utilizado em quase todas as partes do mundo. O Sistema Participativo de Garantia da Qualidade Orgânica é composto por um Organismo Participativo da Avaliação da Conformidade Orgânica – OPAC, que deverá ser credenciado ao MAPA, e por um grupo de membros. De acordo com o Art. 38 do Decreto nº. 6.323, os produtores, comercializadores, transportadores, armazenadores, consumidores, técnicos e organizações públicas ou privadas que atuam na rede de produção orgânica podemse associar ao Sistema Participativo de Garantia da Qualidade Orgânica, assumindo, assim, o papel de um membro. O OPAC é caracterizado como personalidade jurídica, compondo a sua estrutura, no mínimo, uma comissão de avaliação e um conselho de recursos, formado por representantes dos membros do Sistema. Tem a responsabilidade de avaliar a conformidade orgânica dos produtos, incluir os produtores orgânicos no Cadastro Nacional de Produtores Orgânicos e autorizá-los a utilizar o selo do SisOrg. Esse Organismo deverá manter todos os registros que garantam a rastreabilidade dos produtos sob processo de avaliação da conformidade orgânica. Os métodos de geração de credibilidade são adequados a diferentes realidades sociais, culturais, políticas, territoriais, institucionais, organizacionais e econômicas. A legislação brasileira abre uma exceção na obrigatoriedade de certificação para alguns produtos orgânicos. Esses produtos orgânicos são aqueles comercializados, geralmente, nas feiras, pelos próprios produtores, e são produzidos, geralmente, em pequena escala. O mecanismo de garantia da qualidade orgânica que avaliza a qualidade orgânica desses produtos é o mecanismo de Controle Social para Venda Direta sem certificação. Entretanto, a legislação brasileira exige que esses produtores orgânicos se cadastrem junto a uma Organização de Controle Social – OCS, ou outro órgão fiscalizador federal, estadual ou distrital. A OCS tem o papel de orientar os associados sobre a qualidade dos produtos orgânicos e, para que tenha credibilidade e seja reconhecida pela sociedade, precisa estabelecer uma relação de organização, comprometimento e confiança entre os participantes. Esses produtores, conforme regulamentado no Decreto nº 6.323, deverão permitir o acesso dos órgãos fiscalizadores e dos consumidores em suas unidades de produção. Os órgãos fiscalizadores emitem um documento denominado Declaração de Cadastro, que deve acompanhar os produtores quando da comercialização dos produtos. Para esse caso, o produtor deverá informar, no rótulo do produto, quando houver, ou no ponto de venda, a expressão: “PRODUTO ORGÂNICO PARA VENDA DIRETA POR AGRICULTORES FAMILIARES ORGANIZADOS, NÃO SUJEITO À CERTIFICAÇÃO, DE ACORDO COM A LEI Nº 10.831, DE 23 DE DEZEMBRO DE 2003”. Para o caso das importações de produtos orgânicos, é necessário que os OACs dos países estejam credenciados junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento MAPA, seguindo os critérios definidos pela legislação brasileira. Caso já existam acordos de reconhecimento mútuo com o país exportador, o órgão responsável pelo SisOrg do país exportador deve fornecer a lista formal dos OACs credenciados por ele. A entrada de produtos orgânicos importados no Brasil só pode ser autorizada por OACs credenciados no Brasil ou por organismos credenciados nos países com os quais tenha sido feito um acordo de equivalência. Em ambos os casos, os rótulos deverão conter o Selo do SisOrg. Produtos importados não compatíveis com a regulamentação brasileira perderão a condição de orgânicos. O mesmo regulamento é válido para o caso das exportações. Produtos destinados ao mercado externo não podem ser consumidos em território brasileiro, uma vez que esses produtos podem atender a especialidades no que diz respeito à produção orgânica para atenderem a esses mercados, de acordo com a sua legislação, que se diferencia dos regulamentos inerentes à legislação brasileira na produção de orgânicos. 2.2.8 Os Agentes do Mecanismo de Controle da Qualidade Orgânica O mecanismo de controle da qualidade orgânica é composto por órgãos públicos e federais, organizações e comissões denominados agentes. Esses agentes têm funções específicas no processo do mecanismo de controle de qualidade orgânica. A seguir, são apresentados os agentes assim como suas funções específicas no mecanismo de controle da qualidade orgânica. Sistema Brasileiro da Avaliação da Conformidade Orgânica - SisOrg O Sistema Brasileiro da Avaliação da Conformidade Orgânica – SisOrg é composto por Órgãos e Entidades da Administração Pública Federal e por Organismos de Avaliação da Conformidade Orgânica – OACs, mais conhecidos como entidades certificadoras. Organização de Controle Social – OCS A Organização de Controle Social – OCS é uma organização composta geralmente por agricultores familiares, associações e cooperativas, com ou sem personalidade jurídica. O papel da OCS é orientar os associados sobre a qualidade dos produtos orgânicos. A OCS deverá estar credenciada junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento MAPA. A OCS deverá permitir o acesso dos órgãos fiscalizadores e dos consumidores em suas unidades de produção. Organismo Participativo de Avaliação da Conformidade Orgânica – OPAC O Organismo Participativo de Avaliação da Conformidade Orgânica – OPAC constitui o Sistema Participativo da Garantia da Qualidade Orgânica e deverá ser credenciado ao MAPA. O OPAC é caracterizado como personalidade jurídica, compondo a sua estrutura, no mínimo, uma comissão de avaliação e um conselho de recursos, formado por representantes dos membros do Sistema. Tem a responsabilidade de avaliar a conformidade orgânica dos produtos, incluir os produtores orgânicos no Cadastro Nacional de Produtores Orgânicos e autorizá-los a utilizar o selo do SisOrg. Esse Organismo deverá manter todos os registros que garantam a rastreabilidade dos produtos sob processo de avaliação da conformidade orgânica. Os métodos de geração de credibilidade são adequados a diferentes realidades sociais, culturais, políticas, territoriais, institucionais, organizacionais e econômicas. Organismos de Avaliação da Conformidade Orgânica – OACs Os Organismos de Avaliação da Conformidade Orgânica - OACs são mais conhecidos como entidades certificadoras, que, uma vez credenciadas pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento - MAPA, são responsáveis por verificar o cumprimento das normas técnicas e demais exigências legais pelos produtores orgânicos. Uma vez constatadas tais conformidades, a produção é certificada como orgânica. A partir daí, os OACs, ou entidades certificadoras, são responsáveis por lançar e manter atualizados os dados ligados a todas as unidades de produção que estejam sob o seu controle no Cadastro Nacional de Produtores Orgânicos, cabendo ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA viabilizar à população livre acesso às informações do Cadastro. O QUADRO VI apresenta os OACs de atuação no mercado brasileiro de orgânicos. QUADRO VI - OACs de atuação no mercado brasileiro de orgânicos Associação de Foi criada em 1985, no estado do Rio de Janeiro, a partir da primeira feira de Agricultores produtos orgânicos do Brasil, em Nova Friburgo - RJ. Hoje, é responsável Biológicos - pela certificação de várias unidades produtivas, além de empresas ABIO comercializadoras e processadoras de alimentos orgânicos. Associação de Certifica produtos agroecológicos desde o ano de 1992, participando de Agricultura vários fóruns, entre eles o Conselho Nacional de Meio Ambiente - Natural de CONAMA. Realiza pesquisas além de gerenciar três feiras semanais na Campinas e cidade de Campinas, no Parque Ecológico, Bosque dos Jequitibás e Centro de Região - ANC Convivência. Ass Associação de Desde os anos 70, um grupo que estudava a então denominada, na época, Agricultura Agricultura Alternativa, mantinha uma biblioteca e, em 28 de maio de 1989, Orgânica - fundou a Associação de Agricultura Orgânica – AAO, em Caucaia do Alto, AAO município de Cotia, no estado de São Paulo. Desde então, a AAO esteve sempre envolvida no movimento da agricultura orgânica do Brasil e da América Latina. A AAO foi a primeira ONG brasileira a criar normas de produção orgânica centradas na realidade local, contemplando os critérios básicos para os agricultores se credenciarem na Feira do Produtor Orgânico. A Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo SAA/SP conferiu à AAO responsabilidade pela criação da Comissão Técnica de Agricultura Ecológica. Associação de É uma entidade sem fins lucrativos, criada de acordo com a Instrução Certificação de Normativa nº 007. Sua criação partiu das discussões do Fórum da Agricultura Produtos Familiar Capixaba, composto por 19 ONGs, atuantes nas áreas de Orgânicos do Estado do Agroecologia, Educação Rural, Desenvolvimento Sustentável e Movimento Espírito Santo Sindical, tendo uma identidade muito forte com a Agricultura Familiar e com - CHÄO VIVO o desenvolvimento socioambiental da Agroecologia. Seus principais propósitos, além da certificação, são a prestação de serviços de assessoria nas áreas de produção, beneficiamento, comercialização e industrialização; difusão de resultados de estudos e pesquisas; entre outros. Associação de É uma entidade civil, sem fins lucrativos, fundada em 9 de agosto de 2003, Certificação por 12 instituições, na realização do II Workshop de Certificação Socioparticipa Participativa em Rede na cidade de Rio Branco, estado do Acre. A ACS tiva da Amazônia tem como missão: "Garantir um processo de certificação Amazônia ACS Amazônia diferenciado que envolva instituições, comunidades e consumidores, proporcionando a melhoria da qualidade de vida, a autossuficiência, a soberania alimentar e a equidade social, através da valorização cultural e das relações socioambientais dos povos da Amazônia". Alem disso, no ano de 2003, foi uma das instituições a fomentar a revitalização da Feira de Produtos Orgânicos, Agroflorestais e Artesanais, realizada na cidade de Rio Branco. Associação É uma sociedade civil sem fins lucrativos, criada em 1990, no município de dos Mairinque, estado de São Paulo, inspirada nos conceitos e princípios da Produtores de agricultura natural, iniciada e instituída, na década de 30, pelo filósofo Agricultura japonês Mokiti Okada. Além da certificação orgânica, a APAN promove Natural APAN cursos e seminários na área de agricultura natural sustentável, principalmente, na área de horticultura orgânica e café orgânico. BCS Öko- É uma entidade que, além da certificação orgânica, tem o propósito de Garantie verificar regulamentos de produção de produtos orgânicos no Brasil e em outros países. No Brasil, o seu propósito é verificar os regulamentos da Lei n° 10.831. Na União Europeia – CE 834/2007, Japão – MAFF, Estados Unidos – USDA, entre outros, regulamentos governamentais e privados. Além disso, a BCS Öko-Garantie presta serviços de inspeção e certificação para os setores de produção de alimentos; processamento de alimentos; produção de insumos para a agricultura orgânica; entre outros. Certificadora O processo de certificação apresentado pela Certificadora Mokiti Okada – Mokiti Okada CMO está alicerçada na Agricultura Natural, inspirada nos conceitos e - CMO princípios da agricultura natural iniciada e instituída na década de 30 pelo filósofo japonês Mokiti Okada. Tem como princípio básico fazer o solo, organismo vivo, emanar toda a sua força vital e sua capacidade produtiva, sendo ponto fundamental para a melhoria do nível espiritual e material do ser humano, tornando assim um homem verdadeiramente sadio. Antes de tudo, visa a valorizar e reconhecer o esforço dos agricultores que optaram pela oferta de alimentos saudáveis, alimentos esses que são ferramentas para formação de uma nova sociedade. A CMO foi criada pela Fundação Mokiti Okada, que vem desenvolvendo a Agricultura Natural no Brasil desde 1979. Também pertencente ao grupo, a Agropecuária Korin é líder na produção de frangos e ovos sob sistema de produção orgânica. Control Union É uma associação certificadora brasileiro-holandesa que atua no mercado Certifications internacional há mais de 20 anos, sendo membro da IFOAM, com milhares de - CUC projetos certificados no mundo todo, nas áreas de Agricultura, Pecuária, Apicultura, Insumos, Bebidas e Produtos Têxteis. Ecocert Brasil A Ecocert Brasil assinou acordo com a associação HFAC-Humane Farm Animal Care, dos Estados Unidos, para atribuição do selo CERTIFIED HUMANE BRASIL. As principais exigências para essa certificação regulamentam uma alimentação equilibrada, sem antibióticos ou hormônios, abrigos e áreas de repouso para os animais, espaço suficiente para que os mesmos possam expressar seus comportamentos típicos da espécie. As primeiras produções certificadas no Brasil foram do GRUPO JD, para bovinos e suínos, no Mato Grosso, e Agropecuária Korin, na produção de frangos, pertencente ao grupo da Fundação Mokiti Okada. Farm Verified É uma entidade de origem americana que atua no mercado de certificação de Organic - produtos orgânicos desde o ano de 1980. Foi a primeira empresa nos Estados FVO Unidos a receber o credenciamento junto à IFOAM. A FVO atua a mais de 20 anos, em 11 países de quatro continentes – Europa, América, Ásia e África, podendo-se destacar os Estados Unidos, o Canadá, o México, Paraguai, Guatemala, China, Índia, Japão, Nova Zelândia, dentre outros países. A FVO oferece serviços de certificação para alimentos orgânicos in natura, beneficiados, industrializados e outros produtos orgânicos não alimentícios industrializados, como adubos, óleos vegetais para uso terapêutico e em cosméticos, dentre outros. Além disso, fornece treinamento e capacitação em técnicas de produção orgânica. Instituto Realiza certificação orgânica e biodinâmica no Brasil e países do Mercosul, Biodinâmico - detendo credenciamento junto à IFOAM, além de ser credenciada pela IBD Comunidade Europeia através do DAP alemão. Produtos com certificado IBD são exportados para a Alemanha, Áustria, Bélgica, Dinamarca, EUA, França, Holanda, Japão, Reino Unido, Suécia, Suíça e Canadá. Os principais produtos exportados são café, soja, açúcar, carne, óleos, castanha de caju, cogumelo, frutas tropicais, palmito, cacau e guaraná. IMO Control Começou suas operações no ano de 2001, dedicando-se exclusivamente aos Brasil serviços de inspeção e certificação de sistemas de controle de qualidade ambiental e social, com ênfase para a agricultura orgânica. É credenciada pela IFOAM e possui certificado ISO 65, que garante o acesso aos maiores mercados consumidores: Europa, EUA e Japão. A IMO certifica produções agrícolas com base no regulamento europeu CEE 2092/91 e nas exigências dos principais selos privados. Atua também nas áreas de têxteis ecológicos, produtos de madeira, apicultura, aquicultura, criação de animais e critérios sociais. Há mais de 20 anos no mercado e pioneira no ramo de produtos orgânicos na Europa, a IMO está presente em 50 países, com mais de 20.000 projetos certificados que abrangem uma área de 200.000 ha. A IMO oferece seus serviços no mundo inteiro, em diversas áreas, para produtores, indústrias e exportadores. Instituto de Foi fundado em 1940 e vem, ao longo dos anos, desenvolvendo ações no Tecnologia do sentido de proporcionar melhores condições ao desenvolvimento e à Paraná capacitação empresarial e institucional. A credibilidade e o reconhecimento TECPAR que conquistou junto ao meio empresarial fizeram com que, em 1997, o TECPAR estruturasse o serviço de avaliação da conformidade para atender à demanda das organizações interessadas, operacionalizado pelo TECPAR CERT, que configura um organismo nacional que oferece credibilidade internacional, sendo acreditado para certificação de sistemas de gestão e certificação de produtos junto à ANATEL e INMETRO, o qual possui acordo de reconhecimento com os membros do IAF - International Accreditation Forum. Minas Foi fundada em 2001, após o Encontro Mineiro de Produção Orgânica. É uma Orgânica - sociedade civil, de direito privado, sem fins lucrativos, com atuação em todo Associação território nacional. Suas atividades estão orientadas à certificação orgânica de Mineira para produtos in natura, semielaborados ou industrializados, de modo a garantir Certificação de Produtos Orgânicos aos produtores, comerciantes e consumidores a qualidade da produção, a preservação do ecossistema e a qualidade do planeta Terra. A Minas Orgânica tem como principal objetivo certificar, quanto à qualidade orgânica, produtos animais e vegetais. Organización É uma entidade brasileira associada a Organización Internacional Internacional Agropecuaria - OIA Argentina, que atua no mercado interno e externo na Agropecuaria certificação da produção orgânica, tendo acreditações internacionais, estando - OIA Brasil credenciada ao IFOAM, e certificação ISO 65. Firmou convênio com a AAO - Associação de Agricultura Orgânica, permitindo que os produtos certificados por essa Associação possam ser exportados para todos os países do mundo. A OIA está habilitada pela União Europeia a certificar produtos agropecuários para os seus países-membros, cumprindo a resolução europeia CEE 2092/91 e trabalhando sob a norma europeia EN 45011. Tem convênio de reciprocidade com a JONA - Associação Japonesa de Alimentos Naturais e Orgânicos, tendo assim acesso ao mercado japonês. Fonte - PLANETA ORGÂNICO, adaptado pela autora. Comissão de Produção Orgânica - CPOrg Cada Unidade da Federação possui uma Comissão de Produção Orgânica, CPOrg-UF. O objetivo dessa comissão é auxiliar ações necessárias para o desenvolvimento da produção orgânica. Entre as suas atribuições, destacam-se: • Emitir parecer sobre regulamentos que tratem da agricultura orgânica; 84 • Propor à CNPOrg regulamentos que tenham por finalidade o aperfeiçoamento da rede de produção orgânica no âmbito nacional e internacional; • Assessorar o SisOrg; • Discutir e propor os posicionamentos a serem levados pelos representantes brasileiros em fóruns nacionais e internacionais que tratem da produção orgânica; • Emitir parecer sobre pedidos de credenciamento dos OACs. Comissão Nacional da Produção Orgânica - CNPOrg A Comissão Nacional da Produção Orgânica - CNPOrg tem o mesmo objetivo que a CPOrg, ou seja, auxiliar as ações necessárias para o desenvolvimento da produção orgânica, sendo, assim, suas principais atribuições idênticas às atribuições da CPOrg, acrescentando-se somente a atribuição de orientar e sugerir atividades a serem desenvolvidas pelas CPOrgs-UF. Cadastro Nacional de Produtores Orgânicos O Cadastro Nacional de Produtores Orgânicos contempla a lista de produtores orgânicos cadastrados no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento - MAPA. Os produtores familiares isentos de certificação e inscritos em uma OCS também devem ser cadastrados no Cadastro Nacional de Produtores Orgânicos. De acordo com o Decreto nº 6.323, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento - MAPA é responsável pela divulgação do Cadastro Nacional de Produtores Orgânicos, sendo direito de qualquer cidadão o acesso a tais informações. Contudo, o processo do mercado orgânico abrange um conjunto de agentes como Organizações, Comissões, entre outros. 2.2.9 Censo Agropecuário 2006 85 O Censo Agropecuário 2006 - divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE somente no ano de 2009 - pesquisou, em todo o território nacional, estabelecimentos agropecuários, com o propósito de aprofundar a pesquisa quanto às atividades agropecuárias desenvolvidas, abrangendo, inclusive, informações quanto às características dos produtores, dos estabelecimentos, entre outras. Também foram levantadas informações sobre as diferentes práticas agrícolas e formas de ocupação da área, manejo e conservação do solo, utilização de agrotóxicos, agricultura orgânica, entre outras. Contudo, investigou-se a prática de agricultura orgânica nos estabelecimentos agropecuários pela primeira vez, não sendo consideradas, como produtores de agricultura orgânica, as práticas agrícolas que, apesar de não utilizarem agroquímicos, os produtores desconheciam os conceitos e normas técnicas a respeito da agricultura orgânica. Os estabelecimentos agropecuários produtores de orgânicos representaram, aproximadamente, 1,8% do total investigado. As duas principais questões que os produtores dos estabelecimentos deveriam responder eram se produziam de acordo com as normas técnicas da agricultura orgânica e se a sua produção era certificada ou não. O GRÁFICO VII apresenta a participação dos estabelecimentos agropecuários orgânicos. Dessa forma, é possível observar que, apesar do significativo crescimento do mercado de orgânicos no Brasil, nos últimos anos, quando comparado à produção convencional, pode-se dizer que a produção agropecuária orgânica ainda apresenta baixa participação. GRÁFICO VII – Participação dos estabelecimentos agropecuários orgânicos 1,80% 98,20% Estabelecimentos agropecuários convencionais Estabelecimentos agropecuários orgânicos Fonte - IBGE, Censo Agropecuário 2006, adaptado pela autora. A TABELA I apresenta o resultado da pesquisa do Censo Agropecuário 2006 referente à produção da agricultura orgânica nos estabelecimentos, nas Regiões e Estados 86 Brasileiros, sendo consideradas todas as culturas de cultivo de produção orgânica, inclusive os hortifrutis. TABELA I - Produção de agricultura orgânica nos estabelecimentos, nas Regiões e Estados Brasileiros Divisão dos Estabelecimentos Regiões e Total de Estados Brasileiros Estabelecimentos Agricultura Agricultura Convencional Orgânica 5.175.489 475.775 87.077 29.482 66.784 10.310 222.028 3.527 56.567 2.454.006 287.037 245.378 381.014 83.052 167.272 304.788 123.331 100.606 761.528 5.084.992 469.642 86.150 28.997 65.573 10.246 219.666 3.498 55.512 2.411.770 283.781 241.666 376.149 80.786 163.910 298.363 121.214 99.567 746.334 922.049 551.617 84.356 58.482 227.594 Sul Paraná Santa Catarina Rio Grande do Sul Centro-Oeste Mato Grosso do Sul Mato Grosso Goiás Distrito Federal Brasil Norte Rondônia Acre Amazonas Roraima Pará Amapá Tocantins Nordeste Maranhão Piauí Ceará Rio Grande do Norte Paraíba Pernambuco Alagoas Sergipe Bahia Sudeste Minas Gerais Espírito Santo Rio de Janeiro São Paulo Agricultura Agricultura Orgânica não Orgânica Certificada Certificada 90.497 6.133 927 485 1.211 64 2.362 29 1.055 42.236 3.256 3.712 4.865 2.266 3.362 6.425 2.117 1.039 15.194 85.391 5.782 792 470 1.191 63 2.226 29 1.011 41.018 3.179 3.633 4698 2.171 3.304 6.217 2.077 998 14.741 5106 351 135 15 20 1 136 44 1.218 77 79 167 95 58 208 40 41 453 903.334 538.707 82.890 57.514 224.223 18.715 12.910 1.466 968 3.371 17.349 12.269 1.314 846 2.920 1.366 641 152 122 451 1.006.181 371.051 193.663 441.467 986.906 363.524 190.447 432.935 19.275 7.527 3.216 8.532 17.351 6.618 2.863 7.870 1.924 909 353 662 317.478 64.862 112.978 135.683 3.955 313.340 64.109 111.359 134.078 3.794 4.138 753 1.619 1.605 161 3.891 722 1.540 1492 137 247 31 79 113 24 Fonte - IBGE, Censo Agropecuário 2006, adaptado pela autora. 87 As análises baseadas na pesquisa do Censo Agropecuário, realizada no ano de 2006, com resultados divulgados somente no ano de 2009, não se mostram adequadas para um entendimento do que ocorre nos dias atuais, tendo em vista o crescimento contínuo do mercado de orgânicos, ano após ano. Segundo dados da SOEL - Stiftung Ökologie & Landbauda (PLANETA ORGÂNICO, 2010), esse mercado tem apresentado crescimento de 30% ao ano, sendo razoável dizer que é um dos mercados que mais cresce na atualidade. Contudo, buscou-se analisar os resultados, a fim de se entender o panorama de mercado de orgânicos no Brasil, no ano de 2006. A pesquisa foi realizada identificando o número total de estabelecimentos dentre os quais os estabelecimentos que produzem de acordo com as normas técnicas da agricultura orgânica e são certificados, os que produzem de acordo com as normas técnicas da agricultura orgânica e não são certificados e os que não produzem de acordo com as normas técnicas da agricultura orgânica, ou seja, os produtores da agricultura convencional. Com o objetivo de uma visualização gráfica de tal panorama, o GRÁFICO VIII apresenta os resultados da pesquisa quanto ao total de estabelecimentos com produção convencional e total de estabelecimentos com produção orgânica por região brasileira. GRÁFICO VIII - Total de estabelecimentos com produção convencional e total de estabelecimentos com agricultura orgânica por região brasileira 2411770 2500000 2000000 1500000 986906 Agricultura Convencional Agricultura Orgânica 903334 1000000 469642 313340 500000 42236 19275 18715 6133 4138 0 Nordeste Sul Sudeste Norte Centro-Oeste Fonte - IBGE, Censo Agropecuário 2006, adaptado pela autora. 88 Outro fator que merece destaque diz respeito à certificação. A pesquisa revelou que, dentre os produtores que produzem de acordo com as normas e técnicas da agricultura orgânica, em todas as regiões, o número de estabelecimentos certificados por entidade credenciada é menor que o número de estabelecimentos não certificados. O GRÁFICO IX apresenta esse panorama. GRÁFICO IX - Estabelecimentos de produção orgânica certificados e não certificados por região brasileira 45000 41018 40000 35000 30000 25000 17351 20000 Não Certificados Certificados 17349 15000 10000 5000 5782 1924 1218 1366 3891 351 247 0 Nordeste Sul Sudeste Norte Centro-Oeste Fonte - IBGE, Censo Agropecuário 2006, adaptado pela autora. O GRÁFICO X apresenta o resultado da pesquisa dos quatro estados da região sudeste, Mina Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo, expressos em porcentagem correspondentes ao número total de estabelecimentos com cultivo de agricultura convencional, número total de estabelecimentos com cultivo de acordo com as normas e técnicas da agricultura orgânica, número de estabelecimentos certificados, número de estabelecimentos não certificados. O GRÁFICO X apresenta o mesmo resultado expresso em números. 89 GRÁFICO X - Região Sudeste: Número de estabelecimentos com cultivo de agricultura convencional, cultivo orgânico, estabelecimentos certificados, estabelecimentos não certificados em porcentagem 600000 95% 500000 400000 300000 Agricultura Convencional Agricultura Orgânica Não Certificados Certificados 97% 200000 97% 100000 2% 2% 0% 1% 1% 0% 97% 2% 2% 0% 2% 1% 0% 0 Minas Gerais São Paulo Espírito Santo Rio de Janeiro Fonte - IBGE, Censo Agropecuário 2006, adaptado pela autora. GRÁFICO XI – Região Sudeste: Número de estabelecimentos com cultivo de agricultura convencional, cultivo orgânico, estabelecimentos certificados, estabelecimentos não certificados em números 600000 538707 500000 400000 Agricultura Convencional 300000 Agricultura Orgânica Não Certificados Certificados 224223 200000 82890 100000 1291012269 641 3371 2920 451 1466 1314 152 57514 968 846 122 0 Minas Gerais São Paulo Espírito Santo Rio de Janeiro Fonte - IBGE, Censo Agropecuário 2006, adaptado pela autora. 90 O GRÁFICO XII apresenta o total de estabelecimentos, em números, por estado brasileiro, com produção de acordo com as normas e técnicas da agricultura orgânica, seja o estabelecimento certificado ou não. GRÁFICO XII – Número de estabelecimentos por estado brasileiro, em números, com produção de acordo com as normas e técnicas da agricultura orgânica 15194 16000 12910 14000 12000 10000 7527 8000 4865 6000 4000 2000 8532 6425 29 64 1211 1466 1605 1619 753 927 968 1039 1055 161 485 2117 2266 2362 3712 3216 3256 3362 3371 Bahia Minas Gerais Paraná Rio Grande do Sul Ceará Pernambuco Piauí São Paulo Paraíba Maranhão Pará Santa Catarina Alagoas Rio Grande do Norte Goiás Mato Grosso Amazonas Espírito Santo Tocantins Sergipe Rondônia Rio de Janeiro Mato Grosso do Sul Acre Roraima Distrito Federal Amapá 0 Fonte - IBGE, Censo Agropecuário 2006, adaptado pela autora. É observada baixa participação das metrópoles brasileiras na produção da agricultura orgânica, a exemplo do estado de São Paulo, que alcançou a oitava posição quanto à produção de orgânicos. Surpreendentemente, o Rio de Janeiro alcançou a vigésima primeira posição quanto à produção de orgânicos, tendo produção inferior somente os estados de Rondônia, Mato Grosso do Sul, Acre, Distrito Federal, Roraima e Amapá. Entretanto, outro estado da região sudeste apresentou a segunda maior produção de orgânicos do Brasil, alavancando os números de produção orgânica dessa região. O estado de Minas Gerais, universo da pesquisa proposta, apresentou o número de 12.269 estabelecimentos com produção de acordo com as normas e técnicas de produção orgânica. Somente o estado da Bahia apresentou maior número de estabelecimentos produtores orgânicos, sendo 15.194 o número de estabelecimentos produtores de acordo com as normas e técnicas da agricultura orgânica nesse estado. Segundo Pimenta (2008), o mercado nacional e internacional de orgânicos mostrou expressivo crescimento nos últimos 10 anos (1998/2008). Entretanto, é possível observar que, apesar do significativo crescimento do mercado de orgânicos no Brasil, nos últimos anos, 91 quando comparado à produção convencional, pode-se dizer que a produção orgânica ainda apresenta baixa participação no mercado brasileiro. A TABELA II apresenta o resultado da pesquisa do Censo Agropecuário 2006 referente ao uso da agricultura orgânica nos estabelecimentos, segundo variáveis de orientação técnica e grupos de atividade econômica. TABELA II- Uso da agricultura orgânica nos estabelecimentos segundo variáveis de orientação técnica e grupos de atividade econômica Divisão dos Estabelecimentos Variáveis selecionadas Total de Estabelecimentos Agricultura Agricultura Convencional Orgânica Agricultura Agricultura Orgânica não Orgânica Certificada Certificada Orientação técnica Não recebeu orientação técnica Ocasionalmente Regularmente 4.030.473 662.564 482.452 3.962.429 649.419 473.144 68.044 13.145 9.308 66.061 11.705 7.625 1.983 1.440 1.683 2.277.211 1.908.654 558.587 200.379 2.239.197 1.878.486 549.030 191.479 38.014 30.168 9.557 8.900 36.164 29.117 8.527 7.882 1.850 1.051 1.030 1.018 126749 74.344 15.072 11.911 125.005 72.706 14.919 11.540 1744 1.638 153 371 1.686 1.573 152 346 58 65 1 25 2672 2.620 52 44 8 Grupos de atividade econômica Pecuária e criação de outros animais Produção de lavouras temporárias Produção de lavouras permanentes Horticultura e Fruticultura Produção florestal – florestas nativas Produção florestal – florestas plantadas Pesca Aquicultura Produção de sementes, mudas e outras formas de propagação vegetal Fonte - IBGE, Censo Agropecuário 2006, adaptado pela autora. Analisando os resultados apresentados na pesquisa do Censo Agropecuário 2006 quanto às variáveis de orientação técnica, pode-se observar que, tanto os produtores da agricultura convencional, quanto os produtores da agricultura orgânica declararam em maior número não ter recebido orientação técnica. O menor número de produtores declarou receber orientação técnica regularmente. O GRÁFICO XIII apresenta esse panorama. 92 GRÁFICO XIII – Orientação técnica recebida declarada pelos produtores da agricultura convencional e orgânica 3962429 4000000 3500000 3000000 Agricultura Convencional 2500000 Agricultura Orgânica Agricultura Orgânica não certificada Agricultura Orgânica certificada 2000000 1500000 649419 1000000 500000 68044 66061 1983 473144 13145 11705 1440 9308 7625 1683 0 Não recebeu Ocasionalmente Regularmente Fonte - IBGE, Censo Agropecuário 2006, adaptado pela autora. O GRÁFICO XIV apresenta o panorama dos grupos de atividade econômica quanto à classificação como produtores de agricultura convencional, agricultura orgânica, agricultura orgânica não certificada e agricultura orgânica certificada. GRÁFICO XIV – Grupos de atividade econômica quanto à participação no mercado de orgânicos 2500000 2239197 1878486 2000000 1500000 1000000 500000 549030 38014 30168 9557 191479 125005 8900 1744 72706 1638 14919153 11540371 2620 52 dução de sementes, mudas e outras formas de propagação vegetal Aquicultura Pesca Produção florestal – florestas plantadas Produção florestal – florestas nativas Horticultura e Fruticultura Produção de lavouras permanentes Produção de lavouras temporárias Pecuária e criação de outros animais 0 Agricultura Convencional Agricultura Orgânica Fonte - IBGE, Censo Agropecuário 2006, adaptado pela autora. 93 O grupo de atividade econômica universo da pesquisa proposta, horticultura e fruticultura, os hortifrutis, alcançou o quarto lugar quanto à participação no mercado de orgânicos, apontando 8.900 estabelecimentos de produção orgânica. O grupo de atividade econômica líder desse mercado foi o de pecuária e criação de outros animais, com 38.014 estabelecimentos de produção orgânica. O menor grupo de atividade econômica no mercado de orgânicos foi o de sementes, mudas e outras formas de propagação vegetal, com somente 52 estabelecimentos de produção orgânica. A TABELA III apresenta o resultado da pesquisa do Censo Agropecuário 2006 referente à distribuição dos estabelecimentos produtores de orgânicos por grupo de atividade econômica versus a participação no mercado de orgânicos. TABELA III - Distribuição dos estabelecimentos produtores de orgânicos por grupo de atividade econômica versus a participação no mercado de orgânicos Distribuição dos estabelecimentos Grupos da atividade econômica produtores orgânicos Absoluta Total Percentual (%) 90.497 100 Pecuária e criação de outros animais 38.014 42,01 Produção de lavouras temporárias 30.168 33,34 Produção de lavouras permanentes 9.557 10,56 Horticultura e fruticultura 8.900 9,83 Produção florestal – florestas nativas 1.644 1,82 Produção florestal – florestas plantadas 1.638 1,81 Aquicultura 371 0,41 Pesca 153 0,17 52 0,06 Produção de sementes, mudas e outras formas de propagação vegetal Fonte - IBGE, Censo Agropecuário 2006, adaptado pela autora. O maior destaque foi para a pecuária e criação de outros animais, com 42,01%, seguido da produção das lavouras temporárias, com 33,34%. Nesse tipo de lavoura, destacamse a soja, o açúcar e o arroz. Os estabelecimentos com produção de lavoura permanente 94 pontuaram 10,56%, sendo os destaques, para essa lavoura, o cacau e o café, enquanto os de horticultura-fruticultura pontuaram 9,83%, destacando-se frutas, legumes e verduras, seguidos da produção florestal - florestas plantadas e nativas - pontuando 1,81% e 1,82 %, respectivamente, sendo esse o menor percentual. Os resultados apurados no Censo Agropecuário 2006 também podem ser analisados quanto à importância do setor de orgânicos dentro da atividade econômica. A proporção do número de estabelecimentos produtores de orgânicos no total de estabelecimentos no Brasil mostrou que a representatividade de orgânicos é mais importante entre os que se dedicam à horticultura-fruticultura, pontuando 4,5%. A produção desse grupo inclui frutas, verduras e legumes, setor de peso significativo no mercado interno, com produtos comercializados em diferentes postos de venda, nas grandes metrópoles, incluindo formas de comercialização não convencionais, como feiras livres locais. Quanto ao uso de agrotóxicos, a pesquisa revelou que 61% dos estabelecimentos são dirigidos por produtores há mais de 10 anos, e essa classe é responsável pela fatia de 66,1% da produção com o uso de agrotóxicos. Foi observado, ainda, que, à medida que aumenta o número de anos que o produtor dirige o estabelecimento, aumenta o número de estabelecimentos que utilizam agrotóxicos. A maioria dos estabelecimentos onde houve utilização de agrotóxicos não recebeu orientação técnica, totalizando um percentual de 56,3%, sendo o percentual de estabelecimentos que receberam essa orientação regularmente somente de 21,1%. Dessa forma, pode-se dizer que a falta de orientação pode ter ocasionado a utilização de agrotóxicos nos sistemas de produção, e que, provavelmente, para o caso de mais estabelecimentos orientados, certamente a utilização de agrotóxicos nos sistemas de produção seria verificada em menor escala. Todavia, nota-se, também, que há um significativo número de estabelecimentos que recebe orientação técnica das cooperativas e utilizam agrotóxicos, totalizando um percentual de 76,7%. Quanto ao nível de escolaridade dos produtores, 15,7% declaram-se analfabetos. Os produtores dos estabelecimentos onde houve utilização de agrotóxicos, a maioria, totalizando um percentual de 77,6%, declarou possuir ensino fundamental incompleto ou menor nível de instrução. Dessa forma, pode-se inferir que o nível de conscientização dos perigos oferecidos pelos agrotóxicos está intimamente ligado ao nível de escolaridade do indivíduo, sendo menor a consciência dos que têm menos escolaridade e menos acesso à informação, em conformidade com o que ocorre em países em desenvolvimento, como o Brasil. 95 Exportações dos Produtos Orgânicos O Censo Agropecuário 2006, embora apresente uma situação desfavorável para o Brasil, em relação ao baixo nível de escolaridade dos produtores, apresentou números favoráveis às exportações dos produtos orgânicos. Do total da produção orgânica nacional, 60,0% são exportados, principalmente para o Japão, Estados Unidos e União Europeia e para outros 30 países. Dentre os produtos orgânicos exportados, destacam-se produtos in natura e processados da soja, açúcar e arroz; do café e do cacau; os provenientes da pecuária e da criação de pequenos animais, como carnes, leite e derivados; e do extrativismo, o palmito. Os hortifrutis, universo da pesquisa proposta, apresentam pouca participação no mercado externo. A TABELA IV apresenta os produtos orgânicos exportados no período de 2006 a 2008, destacando a quantidade, valor em dólares e sua participação no mercado. 96 TABELA IV - Exportação de produtos orgânicos de 2006/2008: quantidade, valor e participação Exportação Brasileira de Produtos Orgânicos - Agosto-2006 a Dezembro-2008 NCM Descrição da NCM Total 12010090 23040090 17019900 12081000 17011100 15071000 23040010 08045020 09011110 18040000 18050000 18031000 19030000 07123100 05119999 11081400 10059010 03061399 05119990 03041919 03041019 19042000 18010000 21011110 20079910 09019000 18061000 08043000 21032010 17029000 08072000 20081900 08030000 08011900 07096000 08109000 08059000 08011110 Outras Especies De Soja Mesmo Triturada Outros Residuos Da Extracao Do Oleo D/Soja Outs.Acucs.Ñ Citad.Ant.E Sacarina Quim./Pura Farinha De Soja Acucar D/Cana Bruto S/Aromatiz.Ou Corante Oleo De Soja Em Bruto, Mesmo Degomado Farinhas E "Pellets" Da Ext.Do Oleo De Soja Mangas Frescas Ou Refrigeradas Cafe Nao Torrado,Nao Descafeinado,Em Grao Manteiga, Gordura E Oleo, De Cacau Cacau Po,S/Acucar Ou Outro Edulcorante Pasta De Cacau Nao Desengordurada Tapioca E Sucedaneos Floc.,Grum.,Graos Etc. Cogumelos "Agaricus" Secs, Mmo.Cortad.Etc. Outs.Prod.D/Origem Animal,Improp.P/Alim.Hum. Fecula De Mandioca Outros Especies De Milho, Em Grao Outs Camaroes Cong. Exceto Os Inteiros Outs.Prod.D/Origem Animal,Improp.P/Alim.Hum. File D/Outros Peixes Frescos Refrigerados File D/Outros Peixes Fresc.Refr.Congelado Prep. Aliment.Obtid.D/Proc.D/Cereais (Flocos) Cacau Inteiro Ou Partido Bruto Ou Torrado Cafe Soluvel Descafeinado Geleias E "Marmelades" Casca,Pelicula De Cafe, Sucedaneos Do Cafe Cacau Po,C/Acucar Ou Outro Edulcorante Abacaxis (Ananases), Frescos Ou Secos "Ketchup E Outs.Molhos D/Tom.Inf. A 1kg Inc. Outs.,Incluido O Acucar Invertido C/ 50%Frut. Mamoes (Papaias), Frescos Outs.Frutas D/Casca Rija,Cons.D/Outs.Modos Bananas, Frescas Ou Secas Outros Cocos, Frescos Pimentoes E Pimentas, Frescos Ou Refrig. Outras Frutas Frescas Outros Citricos, Frescos Ou Secos Cocos Secos S/Casca Mesmo Ralados Fonte: MDIC/SECEX Kg US$ Valor Part. % 40.844.560 29.203.088 100,0 9.318.336 8.435.673 9.907.525 3.567.760 4.075.869 1.470.420 1.131.420 1.488.470 239.287 143.950 174.000 56.100 124.850 1.665 240.000 189.000 185.570 7.704 72.000 2.374 2.170 1.652 1.500 317 749 447 472 2.370 496 1.000 850 154 198 122 59 25 3 3 6.996.392 5.971.590 4.702.839 2.204.411 1.995.299 1.529.464 1.123.195 1.109.616 1.094.047 1.029.760 370.640 258.675 158.280 148.355 141.600 110.841 69.511 65.014 39.600 15.690 14.340 11.236 7.250 6.814 5.815 5.535 4.636 4.024 3.533 2.300 1.247 936 286 192 81 33 7 4 23,96 20,45 16,10 7,55 6,83 5,24 3,85 3,80 3,75 3,53 1,27 0,89 0,54 0,51 0,48 0,38 0,24 0,22 0,14 0,05 0,05 0,04 0,02 0,02 0,02 0,02 0,02 0,01 0,01 0,01 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 97 3 METODOLOGIA As pesquisas podem ser qualitativas e quantitativas, e a escolha do tipo de pesquisa adequada deve ser feita de acordo com a natureza das variáveis a serem pesquisadas. Em linhas gerais, é razoável dizer que a pesquisa qualitativa identifica uma presença ou ausência, por exemplo, se há ou não produção de produtos orgânicos para atender a uma demanda. Já a pesquisa quantitativa procura medir o grau de intensidade de um fator presente, por exemplo, se a produção de orgânicos é suficiente para atender a determinado público. Em vista dessas definições, a metodologia de pesquisa proposta é classificada como Qualitativa e Quantitativa (Quali-Quanti), pois a natureza das variáveis pesquisadas demanda a identificação de presenças e ausências (Quali) e a medição de um fator presente (Quanti). A construção da base teórica apoiou-se na revisão de literatura sobre o comportamento do consumidor, a trajetória da agricultura orgânica no Brasil e no mundo, na legislação brasileira desse mercado, e na identificação dos atores do processo. Os instrumentos utilizados para a construção do referencial teórico advieram, principalmente, de trabalhos científicos, pesquisas e publicações de livros e revistas científicas nas áreas de conhecimento do tema pesquisado. A construção da base teórica permitiu estabelecer uma visão desse mercado assim como traçar um diagnóstico preliminar a ser confirmado ou não através do trabalho de campo. 3.1 O universo pesquisado Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE, a população estimada do Brasil, no ano de 2009, foi de 193.733.795 milhões habitantes. No Estado de Minas Gerais, o IBGE estimou uma população de 20.033.665 milhões de habitantes, o que abrange praticamente 10% da população nacional em número de habitantes. A capital mineira é destaque como uma das maiores cidades brasileiras, com estimativa de 2.452.617 habitantes, no ano de 2009, e a cidade de Sabará, localizada na região metropolitana da capital, segundo o IBGE, estimou 126.195 habitantes no ano de 2009. Dessa forma, é 98 razoável dizer que o mercado belo-horizontino configura-se como grande mercado produtor e consumidor, destacando-se, inclusive, na produção e consumo de produtos orgânicos. 3.1.1 A Criação das Feiras Orgânicas nas cidades de Belo Horizonte e Sabará A partir de depoimentos de alguns stakeholders do mercado de orgânicos da região metropolitana de Belo Horizonte, como produtores/comercializadores e consumidores/frequentadores de longa data das Feiras Orgânicas dessa região, buscou-se interpretar suas falas e compor uma narrativa sobre a criação das Feiras Orgânicas das cidades de Belo Horizonte e Sabará. A cidade de Belo Horizonte conta, atualmente, com oito Feiras Orgânicas constituídas, principalmente, por produtores da região metropolitana de Belo Horizonte, que produzem e comercializam exclusivamente produtos orgânicos. Tais feiras estão localizadas em três regiões e oito bairros distintos, porém há maior concentração na região Centro-Sul, onde são realizadas as Feiras Orgânicas nos bairros Anchieta, Belvedere, Luxemburgo, Mangabeiras, São Bento e Savassi. Na região Oeste, o bairro Buritis é o privilegiado, e, na região da Pampulha, o bairro São Luiz. Todas as oito feiras são realizadas semanalmente. A criação das feiras orgânicas ocorreu a partir da percepção dos produtores quanto ao crescimento desse setor e da necessidade de se organizarem frente a essa demanda. Entretanto, enfrentavam dificuldades quanto à competitividade dos preços, pois seus produtos orgânicos eram expostos nas feiras convencionais e o preço de seus produtos orgânicos eram superiores aos produtos da agricultura convencional ofertados por outros produtores. A partir daí, através da união dos produtores que enfrentavam as mesmas dificuldades e com as mesmas percepções quanto ao crescimento do mercado belo-horizontino de orgânicos, solicitaram à Prefeitura Municipal a constituição de feiras específicas de produtos orgânicos, acreditando que, assim, estariam aumentando a sua produtividade, lucros e outros benefícios, através do direcionamento de seus produtos a públicos específicos e que, de fato, desejavam o consumo dos produtos orgânicos, possibilitando, inclusive, melhor atendimento a esse público. 99 Dessa forma, mediante uma parceria estabelecida entre a Prefeitura de Belo Horizonte, através da Secretaria Municipal Adjunta de Abastecimento - SMAAB, a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas - EMATER e Entidades Certificadoras, foi criada a primeira Feira Orgânica da cidade de Belo Horizonte, no ano de 2001, localizada na Rua Cláudio Manoel, à Praça ABC, no bairro Savassi. Conforme se esperava, a Feira Orgânica foi sucesso tanto para os produtores quanto para os consumidores, e, diante do resultado positivo e da demanda crescente, mais sete Feiras Orgânicas foram criadas na cidade de Belo Horizonte. A Secretaria Municipal Adjunta de Abastecimento – SMAAB é a responsável pelo apoio às feiras no que diz respeito à infraestrutura e quanto ao estabelecimento de normas e regulamentos inerentes ao seu funcionamento. Tendo em vista o contínuo crescimento do setor de orgânicos no mercado belohorizontino e o sucesso das Feiras Orgânicas na cidade de Belo Horizonte, em 18/11/2006, foi realizada a primeira Feira Orgânica da cidade de Sabará, com o apoio da Prefeitura desta cidade, no corpo da Associação Comunitária de Muniz. Os hortifrutis orgânicos comercializados são produzidos também na cidade de Sabará, no distrito de Ravena. A Feira Orgânica de Sabará atende tanto consumidores da cidade de Belo Horizonte quanto consumidores da própria cidade de Sabará. 3.2 Pesquisa Quantitativa: Survey Para a pesquisa sobre o comportamento dos consumidores dos hortifrutis orgânicos frutas, legumes e verduras - realizou-se o trabalho de campo através da metodologia de pesquisa quantitativa, com a coleta de dados por meio de survey. A survey pode ser descrita como pesquisa de opinião de caráter quantitativo, sendo a coleta de dados feita por meio de questionários estruturados. A metodologia survey tem importante papel nas pesquisas de opinião e levantamentos estatísticos que visam a identificar determinadas situações e, em muitos casos, funciona como base de informações a outros tipos de pesquisa. Dessa forma, a metodologia survey ou levantamento foi identificada como a 100 metodologia adequada para os objetivos da pesquisa acerca do comportamento dos consumidores dos hortifrutis orgânicos - frutas, legumes e verduras. Segundo Mattar (1996), a pesquisa descritiva tem o objetivo de descrever características de grupos, descobrir ou confirmar a existência de relação entre variáveis e estimar a proporção de elementos de uma população específica que tenha determinados comportamentos ou características. Dessa forma, a metodologia de pesquisa proposta busca identificar o perfil sociodemográfico, o estilo de vida e as percepções, e hierarquizar os atributos determinantes na decisão de compra dos consumidores de hortifrutis orgânicos. O grupo dos hortifrutis foi escolhido para universo da pesquisa por ser aquele de maior participação no mercado interno, uma vez que, praticamente, todos os seus produtos são direcionados ao mercado interno. A coleta de dados foi realizada de forma direta, amostra por conveniência, através da abordagem aos consumidores de hortifrutis orgânicos - frutas, legumes e verduras, durante a realização de suas compras na feira orgânica situada à Rua Contagem, no bairro Santa Inês, no município de Sabará. Foi observado que as feiras orgânicas da cidade de Belo Horizonte, localizadas nos bairros Anchieta, Belvedere, Luxemburgo, Mangabeiras, São Bento, Savassi, Buritis e São Luiz, na região da Pampulha, são frequentadas quase que exclusivamente pelo público local, classes A e B, e o volume dos hortifrutis orgânicos - frutas, legumes e verduras comercializados é relativamente baixo. Dessa forma, a escolha específica da feira orgânica do município de Sabará para objeto de pesquisa deu-se pelo fato de a mesma ser frequentada tanto por consumidores residentes em Belo Horizonte quanto por consumidores residentes em Sabará, devido à sua localização, sendo esse público pertencente às classes A, B e C. Para a coleta de dados dos consumidores dos hortifrutis orgânicos - frutas, legumes e verduras, foi elaborado um questionário (ANEXO I). A abordagem foi realizada pela pesquisadora e por uma equipe de mais duas entrevistadoras devidamente treinadas para a abordagem e coleta dos dados. O questionário foi subdividido em três blocos: I – Dados Demográficos; II – Estilo de Vida e Percepções; e III – Atributos Determinantes na Decisão de Compra. O primeiro bloco, referente à demografia dos consumidores, foi subdividido em sete questões, todas fechadas, sobre: sexo; faixa etária; estado civil: membros da família e/ou outros que residem na mesma casa; escolaridade; renda familiar; frequência quanto ao consumo de hortifrutis orgânicos - frutas, legumes e verduras. 101 O segundo bloco, referente ao estilo de vida e percepções, foi subdividido em 21 questões, com cinco variações. As questões, a fim de identificar o estilo de vida desses consumidores, foram enumeradas de 1 a 14, e as cinco variações para as respostas foram: sempre; com frequência; às vezes; raramente; nunca. As questões, a fim de identificar as percepções desses consumidores, foram enumeradas de 15 a 21, e as cinco variações para as respostas foram: sim; provavelmente sim; sem opinião; provavelmente não; não. O terceiro e último bloco, referente aos atributos determinantes na decisão de compra dos hortifrutis orgânicos - frutas, legumes e verduras, objetiva hierarquizar o grau de importância de cada atributo nas decisões de compra dos consumidores. Os atributos descritos foram: benefícios à saúde; benefícios ao meio ambiente; sabor diferenciado; formato e aparência diferenciados; maior durabilidade; valor nutricional diferenciado; certificação; credibilidade; preço; fácil acesso ao ponto de venda. Dessa forma, esse bloco propõe que os consumidores enumerem esses atributos de forma crescente, de 1 a 10, de acordo com o grau de importância de cada atributo na sua decisão de compra dos hortifrutis orgânicos - frutas, legumes e verduras. 3.3 Pesquisa Quali-Quanti: Entrevista em Profundidade e Survey Para a pesquisa acerca dos produtores/comercializadores dos hortifrutis orgânicos frutas, legumes e verduras, o trabalho de campo foi realizado pela metodologia de pesquisa qualitativa, através de entrevista em profundidade, e pela metodologia quantitativa, através da aplicação de questionário com perguntas fechadas. A entrevista em profundidade busca conhecer valores, crenças e atitudes, e a aplicação do questionário busca identificar o perfil sociodemográfico dos produtores/comercializadores. Para Malhotra (2001), a pesquisa qualitativa é uma metodologia de pesquisa nãoestruturada, exploratória, baseada em pequenas amostras e que proporciona insights e compreensão do contexto do problema. A pesquisa qualitativa apresenta classificação entre dois tipos de abordagens, a abordagem direta e a abordagem indireta, caracterizando-se a primeira pela presença de questões que são reveladas ao entrevistador ou são óbvias pela sua natureza. Contudo, na 102 abordagem indireta, as questões de pesquisa são disfarçadas pelos respondentes, segundo Malhotra (2001). A abordagem direta apresenta dois tipos de entrevistas, sendo elas denominadas Grupo de Foco e Entrevistas em Profundidade. A primeira é realizada de maneira natural e não estruturada, conduzida por um entrevistador junto a um grupo com o objetivo de ouvi-los no debate do tema pesquisado e assim obter uma visão profunda. Já as Entrevistas em Profundidade são caracterizadas como entrevistas realizadas de forma direta e pessoal, em que um único respondente é entrevistado individualmente, sendo objetivo do entrevistador, nesse tipo de entrevista, descobrir, entre outros, motivações, crenças e atitudes. Os produtores/comercializadores escolhidos como universo da pesquisa comercializam os hortifrutis orgânicos - frutas, legumes e verduras de sua própria produção na feira orgânica estabelecida à Rua Contagem, bairro Santa Inês, no município de Sabará, sendo a mesma feira objeto de pesquisa acerca dos consumidores. Como instrumento de coleta de dados, foi elaborado um questionário (ANEXO II) a fim de coletar dados demográficos desses produtores/comercializadores, através de 11 questões fechadas sobre: sexo; faixa etária; estado civil; número de filhos; membros da família e/ou outros que residem na mesma casa; total de membros da família residentes na mesma casa que trabalham no cultivo e comercialização dos hortifrutis orgânicos; total de pessoas além de familiares que trabalhem no cultivo e comercialização dos hortifrutis orgânicos; renda familiar através da produção e comercialização dos hortifrutis orgânicos frutas, legumes e verduras; escolaridade; tempo de atividade na produção e comercialização dos hortifrutis convencionais - frutas, legumes e verduras; tempo de atividade na produção e comercialização dos hortifrutis orgânicos - frutas, legumes e verduras. A segunda parte da pesquisa, no que diz respeito à coleta de dados, foi realizada através de entrevista em profundidade, obedecendo a um roteiro semiestruturado (ANEXO III). A entrevista foi gravada e posteriormente transcrita para o tratamento dos dados coletados. 103 3.4 Tabulação e Análise dos Resultados O procedimento metodológico para tabulação dos dados baseou-se no uso de técnicas estatísticas. A tabulação dos dados coletados subdividiu-se em quatro partes: A primeira parte compreende os dados sociodemograficos dos consumidores e dos produtores/comercializadores, coletados através de questionário. Esses dados foram contabilizados e, posteriormente, no que diz respeito aos consumidores, agrupados em clusters de acordo com as características comuns quanto ao gênero, faixa etária, escolaridade e renda, para a análise dos resultados. A segunda parte compreende os dados quanto ao Estilo de Vida e às Percepções dos consumidores, também coletados através de questionário. A tabulação desses dados deu-se através do Microsoft Excel. A terceira parte compreende os atributos determinantes na decisão de compra dos hortifrutis orgânicos, também coletados através de questionário. Uma vez enumerados os atributos, de forma crescente, de acordo com o grau de importância, esses resultados foram hierarquizados de acordo com a maior frequência para o atributo enumerado como sendo o mais importante, número 1, seguido do atributo enumerado com maior frequência como o segundo atributo mais importante, número 2, e assim sucessivamente. A quarta e última parte diz respeito à abordagem qualitativa realizada através de entrevista em profundidade com os produtores/comercializadores. As entrevistas, uma vez gravadas e transcritas, foram analisadas buscando-se identificar os valores, crenças e atitudes desses produtores/comercializadores. 104 4 RESULTADOS De acordo com o objetivo geral e os objetivos específicos, foi identificado o perfil do consumidor de hortifrutis orgânicos da região metropolitana de Belo Horizonte assim como seu estilo de vida e suas percepções em relação aos hortifrutis orgânicos. Foram entrevistados 94 consumidores enquanto realizavam suas compras na Feira Orgânica localizada no bairro Santa Inês, cidade de Sabará, região metropolitana de Belo Horizonte. Entretanto, 32 consumidores declararam consumo de hortifrutis orgânicos eventual, com periodicidade quinzenal, mensal ou superior, enquanto 62 consumidores declararam consumo de hortifrutis orgânicos regular, com periodicidade diária ou semanal. As análises quanto ao estilo de vida e as percepções foram realizadas acerca dos consumidores regulares, tendo em vista que esses consumidores expressariam melhor o perfil do consumidor orgânico pela sua regularidade de consumo, além de, dentre os entrevistados, haver maior participação desses consumidores, representando 66% da amostra. Oito clusters foram formados com o agrupamento dos consumidores pelas características demográficas comuns entre eles. O instrumento para a coleta de dados deu-se por meio de survey de acordo com a metodologia de pesquisa quantitativa. Foram coletados dados da situação sociodemográfica desses consumidores, assim como dados a respeito de seu estilo de vida e percepções quanto aos hortifrutis orgânicos. Ademais, foram hierarquizados por esses consumidores os atributos determinantes em sua decisão de compra. Adicionalmente, também de acordo com a metodologia quantitativa, por meio de survey, foram coletados dados da situação sociodemográfica de 11 produtores/comercializadores de hortifrutis orgânicos que comercializam seus hortifrutis na mesma feira orgânica objeto de pesquisa acerca dos consumidores. Ademais, de acordo com a metodologia qualitativa, foi realizada entrevista em profundidade com esses produtores/comercializadores, com o objetivo de identificar seus valores, crenças e atitudes. 105 4.1 Consumidores 4.1.1 Pesquisa Quantitativa - Survey A metodologia de pesquisa utilizada foi quantitativa, através de survey, sendo os dados coletados por meio de questionário. A aplicação do questionário foi realizada no dia 26 de março de 2011, sendo entrevistados 94 consumidores, enquanto realizavam suas compras na Feira Orgânica escolhida como objeto de pesquisa, situada à Rua Contagem, bairro Santa Inês, no município de Sabará, região metropolitana de Belo Horizonte. Os questionários foram aplicados pela pesquisadora e mais duas entrevistadoras devidamente treinadas, sendo subdividido em três blocos: 1) Demografia; 2) Estilo de Vida e Percepções; 3) Atributos Determinantes na Decisão de Compra. Seguindo essa mesma ordem, estão dispostos abaixo os resultados encontrados. 4.1.1.1 Demografia Dentre os 94 consumidores entrevistados, 66% declararam consumirem hortifrutis orgânicos regularmente, sendo a frequência declarada diária e semanal. Os demais 34% declararam consumirem os hortifrutis orgânicos eventualmente, sendo a frequência declarada quinzenal, mensal e esporádica. Dessa forma, os consumidores foram subdivididos em dois grupos, sendo o primeiro o grupo dos consumidores regulares e o segundo o grupo dos consumidores eventuais. O GRÁFICO XV apresenta o número total dos consumidores entrevistados subdivididos pelos que declararam consumo eventual e os que declararam consumo regular. O GRÁFICO XVI apresenta a subdivisão de gênero dos consumidores que declararam consumo eventual e o GRÁFICO XVII apresenta a subdivisão de gênero dos consumidores que declararam consumo regular. 106 GRÁFICO XV – Freqüência de consumo dos consumidores entrevistados Fonte - Dados da pesquisa. GRÁFICO XVI – Gênero dos consumidores com freqüência de consumo eventual Fonte - Dados da pesquisa. GRÁFICO XVII - Gênero dos consumidores com freqüência de consumo regular Fonte - Dados da pesquisa. Quanto ao gênero, no grupo dos consumidores eventuais, há participação de 56% de consumidores do sexo feminino e 44% de consumidores do sexo masculino, enquanto, no grupo dos consumidores regulares, há participação de 57% consumidores do sexo feminino e 43% de consumidores do sexo masculino. Dessa forma, observamos resultados muito próximos quanto à participação dos gêneros nos dois grupos. 107 O grupo dos consumidores regulares foi o escolhido para análise de seu Estilo de Vida e Percepções, que será apresentada no tópico 4.2.1.2, tendo em vista ser o grupo de maior participação dentre os consumidores entrevistados (66%). Ademais, entende-se que os consumidores desse grupo, por declararem consumo dos hortifrutis orgânicos regular, estão mais caracterizados como consumidores de hortifrutis orgânicos, se comparados aos que declararam consumo eventual. Dessa forma, serão apresentados os dados demográficos de todos os consumidores entrevistados, comparando-se esses dados entre os dois grupos, consumidores regulares e consumidores eventuais. Faixa Etária Os GRÁFICOS XVIII e XIX apresentam a faixa etária dos consumidores de consumo regular subdivididos por gênero. GRÁFICO XVIII – Faixa etária dos consumidores de consumo regular sexo masculino Fonte - Dados da pesquisa. 108 GRÁFICO XIX - Faixa etária dos consumidores de consumo regular sexo feminino Fonte - Dados da pesquisa. Quanto aos consumidores regulares, a faixa etária de maior participação foi a de maiores de 50 anos, que totalizou 28% do total dos consumidores entrevistados. Entretanto, quando da análise por gênero, a faixa etária de maior participação, no que diz respeito ao sexo feminino, é a de consumidoras de 36 a 50 anos, representando 43%, seguida da faixa etária de mais de 50 anos, que representa 32% e, por último, a faixa etária de 21 a 35 anos, que representa 25%. Os GRÁFICOS XX e XXI apresentam a faixa etária dos consumidores de consumo eventual subdivididos por gênero. GRÁFICO XX - Faixa etária dos consumidores de consumo eventual sexo masculino Fonte - Dados da pesquisa. 109 GRÁFICO XXI - Faixa etária dos consumidores de consumo eventual sexo feminino Fonte - Dados da pesquisa. Esse grupo, consumidores eventuais, apresenta menor concentração de consumidores de uma mesma faixa etária, sendo 38% de faixa etária de 21 a 35 anos, 31% de 36 a 50 anos e 31% com mais de 50 anos. Quanto ao gênero, os consumidores do sexo masculino de maior participação declararam ter entre 36 a 50 anos, e os consumidores do sexo feminino de maior participação declararam ter de 21 a 35 anos. Comparando os grupos dos consumidores regulares com o grupo dos consumidores eventuais, pode-se dizer que o primeiro grupo apresenta um perfil claro e definido: homens com mais de 50 anos e mulheres de 36 a 50 anos, enquanto o segundo grupo, consumidores eventuais, não demonstra um perfil claro, devido à sua heterogeinização. Estado Civil Os GRÁFICOS XXII e XXIII apresentam o estado civil dos consumidores de consumo regular subdivididos por gênero. 110 GRÁFICO XXII - Estado civil dos consumidores de consumo regular sexo masculino Fonte - Dados da pesquisa. GRÁFICO XXIII - Estado civil dos consumidores de consumo regular sexo feminino Fonte - Dados da pesquisa. Os GRÁFICOS XXIV e XXV apresentam o estado civil dos consumidores de consumo eventual subdivididos por gênero. GRÁFICO XXIV - Estado civil dos consumidores de consumo eventual sexo masculino Fonte - Dados da pesquisa. 111 GRÁFICO XXV - Estado civil dos consumidores de consumo eventual sexo feminino Fonte - Dados da pesquisa. Analisando os dados coletados, tanto dentre os consumidores regulares quanto entre os consumidores eventuais, apresentaram maior participação os que declararam ser casados, tanto consumidores do sexo feminino quanto consumidores do sexo masculino. Os GRÁFICOS XXVI e XXVII apresentam os residentes no mesmo lar dos consumidores de consumo regular subdivididos por gênero. GRÁFICO XXVI - Residentes no mesmo lar consumidores de consumo regular sexo masculino Fonte - Dados da pesquisa. 112 GRÁFICO XXVII - Residentes no mesmo lar consumidores de consumo regular sexo feminino Fonte - Dados da pesquisa. Nesse grupo, consumidores regulares, apresentaram maior participação os que declararam viver com cônjuge e filhos maiores, representando 42%. Entretanto, quando da análise por gênero, essa predominância repete-se somente para os consumidores do sexo feminino, representando 51%. Já entre os consumidores do sexo masculino, a maior participação foi dos consumidores que declaram viver somente com cônjuge, representando 37%, seguida por 29% pelos consumidores que declararam viver com cônjuge e filhos maiores. Os GRÁFICOS XXVIII e XXIX apresentam os residentes do mesmo lar dos consumidores de consumo eventual subdivididos por gênero. 113 GRÁFICO XXVIII - Residentes no mesmo lar consumidores de consumo eventual sexo masculino Fonte - Dados da pesquisa. GRÁFICO XXIX - Residentes no mesmo lar consumidores de consumo eventual sexo feminino Fonte - Dados da pesquisa. Nesse grupo, consumidores eventuais, a maior participação foi dos que declararam morar só e dos que declararam morar com cônjuge e filhos menores, representando 31% cada. A terceira posição alcançou 28%, sendo os que declararam morar com cônjuge e filhos maiores, seguido por 9%, pelos que declararam viver só. Entretanto, quando se analisou por gênero, dentre os consumidores do sexo masculino, predominam os que moram com cônjuge e filhos maiores, representando 43%, enquanto dos consumidores do sexo feminino predominam as que moram só, representando 39%, seguido pelas que declararam morar com 114 filhos menores, representando 33%. Vale a pena ressaltar que nenhuma outra configuração foi declarada, tanto pelos consumidores regulares quanto pelos consumidores eventuais. Comparando o grupo dos consumidores regulares com o grupo dos consumidores eventuais, percebem-se perfis distintos. Enquanto a maior participação dos consumidores regulares do sexo masculino é dos que declararam morar somente com cônjuge (37%), os consumidores eventuais do sexo masculino de maior participação declararam morar com cônjuge e filhos maiores (43%). Quanto ao sexo feminino, as consumidoras regulares de maior participação declararam morar com cônjuge e filhos maiores (51%), enquanto as consumidoras eventuais de maior participação declararam morar só (39%). Os GRÁFICOS XXX e XXXI apresentam a escolaridade dos consumidores de consumo regular subdivididos por gênero. GRÁFICO XXX - Escolaridade consumidores de consumo regular sexo masculino Fonte - Dados da pesquisa. 115 GRÁFICO XXXI - Escolaridade consumidores de consumo regular sexo feminino Fonte - Dados da pesquisa. Os GRÁFICOS XXXII e XXXIII apresentam a escolaridade dos consumidores de consumo eventual subdivididos por gênero. GRÁFICO XXXII - Escolaridade consumidores de consumo eventual sexo masculino Fonte - Dados da pesquisa. 116 GRÁFICO XXXIII - Escolaridade consumidores de consumo eventual sexo feminino Fonte - Dados da pesquisa. O perfil identificado nos dois grupos é similar. Entre os consumidores do sexo feminino, tanto regulares quanto eventuais, apresentaram maior participação as que declararam ser graduadas ou pós-graduadas, representando 54% as consumidoras regulares e 50% as consumidoras eventuais. Dentre os consumidores do sexo masculino, apresentaram maior participação os que declararam ter nível médio, representando 48% os consumidores regulares e 50% os consumidores eventuais. Dessa forma, nota-se o mesmo perfil tanto para os consumidores regulares quanto para os consumidores eventuais Os GRÁFICOS XXXIVe XXXV apresentam a renda familiar dos consumidores de consumo regular subdivididos por gênero. GRÁFICO XXXIV - Renda familiar consumidores de consumo regular sexo masculino Fonte - Dados da pesquisa. 117 GRÁFICO XXXV - Renda familiar consumidores de consumo regular sexo feminino Fonte - Dados da pesquisa. Os GRÁFICOS XXXVI e XXXVII apresentam a renda familiar dos consumidores de consumo eventual subdivididos por gênero. GRÁFICO XXXVI – Renda familiar consumidores de consumo eventual sexo masculino Fonte: Dados da pesquisa. 118 GRÁFICO XXXVII – Renda familiar consumidores de consumo eventual sexo feminino Fonte: Dados da pesquisa. Os consumidores regulares apresentaram maior participação dentre os que declararam terem renda de até R$ 3.000,00, representando 35%, seguidos pelos que declararam renda de até R$ 5.000,00, representando 31%. A análise por gênero também obedeceu à mesma tendência, entretanto, observa-se o sexo feminino como detentor de maior renda. Os consumidores eventuais apresentaram maior participação entre os que declararam renda de até R$ 5.000,00, representando 41%. Da mesma forma ocorreu, quando da análise por gênero. Comparando o grupo dos consumidores regulares com o grupo dos consumidores eventuais, observa-se similaridade de perfil, sendo os consumidores do sexo feminino detentores de maior renda. 4.1.1.2 Estilo de Vida e Percepções O segundo bloco do questionário diz respeito ao Estilo de Vida e às Percepções dos consumidores. As declarações foram coletadas por meio de cinco variações: sempre; com frequência, às vezes; raramente; nunca; para quatorze questões sobre o estilo de vida desses consumidores, e sim; provavelmente sim; sem opinião; provavelmente não; não, para sete questões sobre as percepções desses consumidores. 119 O grupo dos consumidores regulares foi o de maior participação, com 62 consumidores entrevistados, representando 66%. Acredita-se que, para traduzir o perfil do consumidor de hortifrutis orgânicos, esse grupo é o mais adequado, tanto por ser o de maior participação, quanto pela frequência de consumo. Dessa forma, os consumidores foram subdivididos em oito clusters, conforme apresentado na FIGURA VIII, sendo cada um desses clusters analisado. 120 FIGURA VIII - Subdivisão dos Clusters Fonte - Dados da pesquisa. 121 O cluster 1 é o único composto pelos consumidores eventuais, subdivididos por gênero. Os clusters 2, 3, 4, 5, 6, 7 e 8 são compostos pelos consumidores regulares. O cluster 2 está subdividido por gênero. Os clusters 3, 4 e 5 são compostos por consumidores do sexo masculino e subdivididos em faixa etária, escolaridade e renda, respectivamente. Os clusters 6, 7 e 8 são compostos por consumidores do sexo feminino e subdivididos em faixa etária, escolaridade e renda, respectivamente. As TABELAS V, VI, VII, VIII, IX, X, XI e XII apresentam as respostas, em índice, quanto ao Estilo de Vida e às Percepções dos consumidores agrupados em clusters. 122 TABELA V - Estilo de Vida e Percepções, cluster 1 21% 44% 11% 21% 14% 57% 21% 50% 57% 21% 43% 28% 50% 56% 6% 22% 14% 14% 71% 36% 50% 39% 50% 61% 29% 29% 21% 21% 56% 72% 21% 29% 21% 29% 21% 36% 29% 57% 100% 43% 29% 21% 14% 7% 86% 14% 31% 28% 69% 88% 50% 47% 9% 9% 31% 41% 6% 3% 3% 13% 84% 16% 9% 50% 64% 7% 7% 21% 44% 56% 17% 44% 33% 39% 6% 6% 28% 22% 17% 11% 11% 6% 17% 28% 28% 78% 78% 56% 61% 17% 17% 22% 83% 17% 67% 11% 44% NÃO 16% 3% 19% 19% 3% 14% 14% 17% PROV. NÃO 36% 36% 61% 39% 100% 44% S/OPINIÃO 25% 22% 100% 11% PROV. SIM 16% 16% PROV. NÃO 13% 6% S/OPINIÃO 47% 56% PROV. SIM 14% 50% 50% SIM 56% 34% 44% NÃO 16% 6% 14% NUNCA 39% 61% 36% 14% 86% 100% 43% RARAMENTE 89% 9% 16% 13% ÀS VEZES 100% 7% 28% 50% 56% 34% 44% COM FREQ. SEMPRE 14% SIM 16% NUNCA 63% 16% 44% CLUSTER 1 Consumidores Eventuais Mulheres NÃO 13% 34% RARAMENTE 16% 25% 34% 56% ÀS VEZES SEMPRE 86% 14% 41% 41% 59% 100% 44% 59% 41% COM FREQ. NUNCA RARAMENTE ÀS VEZES COM FREQ. 79% PROV. NÃO 15. Considero ser bem informado (a) quanto aos produtos orgânicos 16. Considero ter consciência ambiental 17. Considero o valor dos hortifrutis orgânicos alto 18. Caso o preço dos hortifrutis orgânicos fosse menor o meu consumo seria maior 19. Considero a oferta dos hortifrutis orgânicos pequena 20. Caso a oferta dos hortifrutis orgânicos fosse maior o meu consumo também seria maior 21. Caso houvesse mais pontos de venda de hortifrutis orgânicos próximos a minha casa/trabalho o meu... 100% 9% S/OPINIÃO PERCEPÇÕES CLUSTER 1 Consumidores Eventuais Homens 6% 84% PROV. SIM 1. Consumo hortifrutis orgânicos regularmente 2. Todos os residentes da minha casa consomem hortifrutis orgânicos 3. Compro hortifrutis orgânicos somente nas Feiras Orgânicas 4. Compro hortifrutis orgânicos nas Feiras Orgânicas e em outros pontos de venda 5. Sou vegetariano (a) 6. Sou adepto (a) a alimentação balanceada e adepto a dietas 7. Sou adepto (a) a atividades físicas e pratico regularmente 8. Freqüento parques ecológicos e atividades relacionadas à natureza 9. Faço exames médicos (check-up) pelo menos uma vez por ano 10. Sou adepto (a) a medicina alternativa 11. Faço uso de suplementos alimentares 12. Sou membro ou freqüentador de alguma religião 13. Procuro reduzir o consumo de água, luz e combustível 14. Procuro reduzir o consumo de produtos descartáveis; dou preferência às embalagens biodegradáveis... SEMPRE ESTILO DE VIDA CLUSTER 1 Consumidores Eventuais Homens e Mulheres SIM Análise dos Clusters versus Estilo de Vida e Percepções 11% 22% 6% 28% 17% 123 Esse cluster, subdividido por gênero, corresponde aos consumidores eventuais. E todos os seus consumidores declararam não consumir hortifrutis orgânicos regularmente, (questão 1). Quanto ao consumo dos hortifrutis orgânicos pelos que moram na mesma casa (questão 2), 84% dos consumidores declararam que todos consomem, sendo 79% consumidores do sexo masculino e 89% do sexo feminino. A maior parte dos consumidores, 59%, declarou comprar hortifrutis orgânicos somente nas feiras orgânicas (questões 3 e 4). Entretanto, quando da análise por gênero, a maior parte dos consumidores do sexo masculino, 86%, declarou comprar hortifrutis orgânicos somente nas feiras orgânicas, e a maior parte dos consumidores do sexo feminino, 61%, declarou comprar hortifrutis orgânicos nas feiras orgânicas e em outros pontos de venda. Nenhum consumidor desse grupo declarou ser vegetariano (questão 5). Contudo, no que diz respeito à alimentação balanceada e dietas (questão 6), as declarações foram bem divididas, sendo que 41% dos consumidores declararam ser adeptos e 44% dos consumidores declararam não ser adeptos. Os consumidores do sexo masculino declararam em maior número, 43%, não serem adeptos, enquanto os consumidores do sexo feminino declararam, em números iguais, serem adeptas, 44%, e não serem adeptas, 44%. A maior parte dos consumidores, 63%, declarou não praticar atividades físicas (questão 7), sendo 57% do sexo masculino e 67% do sexo feminino. Houve divisão considerável nas declarações dos consumidores quanto a frequentarem parques ecológicos e atividades relacionadas à natureza (questão 8), sendo que 34% dos consumidores declararam que sempre freqüentam, e 34% declararam que frequentam às vezes. A maior parte dos consumidores do sexo masculino declarou frequentar às vezes, e 50% dos consumidores do sexo feminino declararam frequentar sempre. A maior parte dos consumidores declarou fazer exames médicos (check-up) pelo menos uma vez por ano (questão 9), representando 56%, sendo 57% do sexo masculino e 56% do sexo feminino. Quanto à medicina alternativa (questão 10), a maior parte dos consumidores declarou não ser adepto, 56%, sendo os consumidores do sexo masculino 71% e do sexo feminino 44%. A maior parte dos consumidores, 50%, declarou fazer uso de suplementos alimentares (questão 11). 124 A maior parte dos consumidores, 56%, declarou ser membro ou frequentador de alguma religião (questão 12), sendo esse índice maior para os consumidores do sexo feminino, representando 61%. Quanto aos consumidores do sexo masculino, 50% declararam serem membros ou frequentadores de alguma religião, e 50% declararam não serem membros ou frequentadores de alguma religião. Quanto à economia de água, luz e combustível (questão 13) e a redução de consumo de descartáveis, entre outros (questão 14), tiveram maior participação as questões “sempre”, representando 47% e 56%, respectivamente. Contudo, os consumidores do sexo feminino apresentaram maiores índices, 56% e 72%, e os consumidores do sexo masculino, 36% e 36%. Quanto às percepções, a maior parte dos consumidores do sexo masculino, 36%, declarou que provavelmente não é bem informado quanto aos produtos orgânicos (questão 15), enquanto a maior parte dos consumidores do sexo feminino, 44%, declarou considerar ser bem informada quanto aos produtos orgânicos. Ademais, a maior parte dos consumidores declarou ter consciência ambiental (questão 16). A maior parte dos consumidores, 69%, declarou achar o valor dos hortifrutis orgânicos alto (questão 17), sendo 57% do sexo masculino e 78% do sexo feminino. Da mesma forma, a maior parte dos consumidores, 88%, declarou que, se o valor fosse menor, o consumo seria maior (questão 18), sendo 100% do sexo masculino e 78% do sexo feminino. A metade dos consumidores, 50%, declarou considerar a oferta dos hortifrutis orgânicos pequena (questão 19), sendo que 50% dos consumidores do sexo masculino declararam que provavelmente sim, e 56% dos consumidores do sexo feminino declararam que sim. Da mesma forma, a maior parte dos consumidores, 47%, declarou que, se a oferta fosse maior, o consumo seria maior (questão 20), sendo que 64% dos consumidores do sexo masculino declararam que provavelmente sim, e 61% dos consumidores do sexo feminino declararam que sim. A maior parte dos consumidores, 84%, declarou que, se tivesse maior acesso e facilidade de compra dos hortifrutis orgânicos, seu consumo seria maior (questão 21). 125 TABELA VI - Estilo de Vida e Percepções, cluster 2 15% 5% 2% 3% 26% 68% 21% 56% 22% 70% 19% 3% 13% 2% 5% 10% 89% 67% 15% 8% 2% 2% 63% 89% 22% 7% 11% 13% 3% 3% 6% 27% 18% 5% 10% 52% 48% 59% 48% 11% 30% 15% 22% 15% 11% 10% 3% 8% 59% 15% 7% 3% 4% 4% 9% 11% 9% 6% 20% 29% 9% 6% 26% 17% 20% 11% 9% 3% 26% 66% 14% 6% 11% 51% 60% 31% 20% 33% 19% 7% 19% 60% 54% 69% 54% 14% 26% 17% 17% 19% 63% 20% 15% 4% 4% 14% 77% 23% 91% 23% PROV. SIM SEMPRE 3% 4% 9% SIM NUNCA 83% 71% 19% NÃO 18% 4% 11% 7% PROV. NÃO 61% 60% 26% 86% S/OPINIÃO 13% 27% 16% 19% 26% 70% 30% 7% 11% 7% PROV. SIM 56% 52% 65% 52% 46% 43% 80% SIM 27% 15% 11% 33% 22% NÃO 56% 73% 7% 3% 6% 9% NUNCA 22% 26% 23% 77% 9% 49% 6% 9% NÃO 59% 30% 78% 37% 63% 96% 56% RARAMENTE 19% 24% 21% 100% 74% PROV. NÃO 3% 8% 8% 11% ÀS VEZES 5% 21% 27% 19% S/OPINIÃO 10% 63% 37% 4% 37% CLUSTER 2 Consumidores Regulares Mulheres COM FREQ. 5% 60% 40% 94% 37% RARAMENTE SEMPRE 100% 70% ÀS VEZES NUNCA 13% 6% 6% COM FREQ. ÀS VEZES 13% 58% 24% 79% 85% 69% RARAMENTE COM FREQ. 52% 37% 79% 2% PROV. NÃO 15. Considero ser bem informado (a) quanto aos produtos orgânicos 16. Considero ter consciência ambiental 17. Considero o valor dos hortifrutis orgânicos alto 18. Caso o preço dos hortifrutis orgânicos fosse menor o meu consumo seria maior 19. Considero a oferta dos hortifrutis orgânicos pequena 20. Caso a oferta dos hortifrutis orgânicos fosse maior o meu consumo também seria maior 21. Caso houvesse mais pontos de venda de hortifrutis orgânicos próximos a minha casa/trabalho o meu... 40% 60% 6% 44% CLUSTER 2 Consumidores Regulares Homens S/OPINIÃO PERCEPÇÕES 100% 73% PROV. SIM 1. Consumo hortifrutis orgânicos regularmente 2. Todos os residentes da minha casa consomem hortifrutis orgânicos 3. Compro hortifrutis orgânicos somente nas Feiras Orgânicas 4. Compro hortifrutis orgânicos nas Feiras Orgânicas e em outros pontos de venda 5. Sou vegetariano (a) 6. Sou adepto (a) a alimentação balanceada e adepto a dietas 7. Sou adepto (a) a atividades físicas e pratico regularmente 8. Freqüento parques ecológicos e atividades relacionadas à natureza 9. Faço exames médicos (check-up) pelo menos uma vez por ano 10. Sou adepto (a) a medicina alternativa 11. Faço uso de suplementos alimentares 12. Sou membro ou freqüentador de alguma religião 13. Procuro reduzir o consumo de água, luz e combustível 14. Procuro reduzir o consumo de produtos descartáveis; dou preferência às embalagens biodegradáveis... SEMPRE ESTILO DE VIDA CLUSTER 2 Consumidores Regulares Homens e Mulheres SIM Análise dos Clusters versus Estilo de Vida e Percepções 6% 14% 11% 3% 3% 9% 14% 3% 3% 11% 23% 17% 3% 3% 11% 6% 3% 126 Esse cluster, subdividido por gênero, corresponde aos consumidores regulares. E todos os seus consumidores declararam consumir hortifrutis orgânicos regularmente (questão 1). Quanto ao consumo dos hortifrutis orgânicos pelos que moram na mesma casa (questão 2), 73% dos consumidores declararam que todos consomem, sendo 70% consumidores do sexo masculino e 74% do sexo feminino. A maior parte dos consumidores, 60%, declarou comprar hortifrutis orgânicos nas feiras orgânicas e em outros pontos de venda (questões 3 e 4). Entretanto, quando da análise por gênero, a maior parte dos consumidores do sexo masculino, 63%, declarou comprar hortifrutis orgânicos somente nas feiras orgânicas, e a maior parte dos consumidores do sexo feminino, 77%, declarou comprar hortifrutis orgânicos nas feiras orgânicas e em outros pontos de venda. Somente 4% dos consumidores do sexo masculino declararam-se vegetarianos, e 9% do sexo feminino (questão 5). No que diz respeito à alimentação balanceada e dietas (questão 6), as declarações foram bem divididas, sendo que 44% dos consumidores declaram serem adeptos e 37% dos consumidores declaram não serem adeptos. O maior índice de adeptos foi para o sexo feminino, com 49%, enquanto a maior parte dos consumidores do sexo masculino, 56%, declarou não ser adepto. A maior parte dos consumidores, 52%, declarou praticar atividades físicas (questão 7), sendo 59% do sexo masculino e 46% do sexo feminino. A maior parte dos consumidores, 37%, declarou frequentar parques ecológicos e atividades relacionadas à natureza (questão 8), sendo que a maior parte dos consumidores do sexo masculino, 33%, declarou não frequentar, e a maior parte dos consumidores do sexo feminino, 43%, declarou frequentar. A maior parte dos consumidores declarou fazer exames médicos (check-up) pelo menos uma vez por ano (questão 9), representando 79%, sendo 78% do sexo masculino e 80% do sexo feminino. Quanto à medicina alternativa (questão 10), a maior parte dos consumidores declarou ser adepto, 58%, sendo os consumidores do sexo masculino 56% e do sexo feminino 60%. A maior parte dos consumidores, 68%, declarou não fazer uso de suplementos alimentares (questão 11). 127 A maior parte dos consumidores, 79%, declarou ser membro ou frequentador de alguma religião (questão 12), sendo esse índice maior para os consumidores do sexo feminino, representando 86%, e 70% os consumidores do sexo masculino. Quanto à economia de água, luz e combustível (questão 13) e à redução de consumo de descartáveis, entre outros, (questão 14), tiveram maior participação as questões “sempre”, representando 85% e 69%, respectivamente. Quanto às percepções, a maior parte dos consumidores do sexo masculino, 63%, declarou considerar ser bem informado quanto aos produtos orgânicos (questão 15), e a maior parte dos consumidores do sexo feminino, 51%, fez a mesma declaração. Ademais, a maior parte dos consumidores, 73%, declarou ter consciência ambiental (questão 16). A maior parte dos consumidores, 56%, declarou achar o valor dos hortifrutis orgânicos alto (questão 17), sendo 52% do sexo masculino e 60% do sexo feminino. Da mesma forma, a maior parte dos consumidores declarou que, se o valor fosse menor, o consumo seria maior (questão 18), 52%, sendo 48% do sexo masculino e 54% do sexo feminino. A maior parte dos consumidores, 65%, declarou considerar a oferta dos hortifrutis orgânicos pequena (questão 19), sendo 59% do sexo masculino e 69% do sexo feminino. Da mesma forma, a maior parte dos consumidores, 52%, declarou que, se a oferta fosse maior, o consumo seria maior (questão 20), sendo 48% dos consumidores do sexo masculino e 54% dos consumidores do sexo feminino. A maior parte dos consumidores, 61%, declarou que, se tivesse maior acesso e facilidade de compra dos hortifrutis orgânicos, seu consumo seria maior (questão 21), sendo 59% dos consumidores do sexo masculino e 63% dos consumidores do sexo feminino. 128 TABELA VII - Estilo de Vida e Percepções, cluster 3 100% 100% 60% 40% 80% 100% 40% 20% 20% 60% 40% 20% 20% 87% 47% 86% 71% 71% 71% 14% 14% 14% 71% 14% 14% 14% 14% 14% 14% NUNCA 20% RARAMENTE 60% 20% 93% 13% 13% 33% 67% 93% 53% 13% 20% 13% 7% 27% 7% 20% 47% 7% 20% 67% 7% 7% 20% 47% 87% 27% 7% 33% 40% 47% 20% 20% 33% 13% 33% 27% 20% 47% 27% 13% 27% 53% 7% 7% 33% NÃO 29% 14% ÀS VEZES 43% 86% 57% 14% 71% 86% COM FREQ. RARAMENTE 27% 20% 14% PROV. SIM NÃO 86% 86% PROV. NÃO 100% 100% 14% 14% 40% 13% 93% 20% PROV. NÃO 57% 14% 43% 67% 33% 7% 33% S/OPINIÃO 20% 60% 60% 57% 43% 100% 57% PROV. SIM 40% SEMPRE 40% 40% 40% 100% 67% SIM 20% 80% NUNCA 40% 29% 29% CLUSTER 3 Consumidores Regulares Homens mais de 50 anos 14% NÃO 43% 71% 57% 86% PROV. NÃO 100% 60% 40% 100% 40% 20% 43% 57% S/OPINIÃO 100% ÀS VEZES COM FREQ. SEMPRE NUNCA RARAMENTE ÀS VEZES COM FREQ. 100% 29% SIM 15. Considero ser bem informado (a) quanto aos produtos orgânicos 16. Considero ter consciência ambiental 17. Considero o valor dos hortifrutis orgânicos alto 18. Caso o preço dos hortifrutis orgânicos fosse menor o meu consumo seria maior 19. Considero a oferta dos hortifrutis orgânicos pequena 20. Caso a oferta dos hortifrutis orgânicos fosse maior o meu consumo também seria maior 21. Caso houvesse mais pontos de venda de hortifrutis orgânicos próximos a minha casa/trabalho o meu... CLUSTER 3 Consumidores Regulares Homens 36 a 50 anos 100% 57% S/OPINIÃO PERCEPÇÕES 100% 100% PROV. SIM 1. Consumo hortifrutis orgânicos regularmente 2. Todos os residentes da minha casa consomem hortifrutis orgânicos 3. Compro hortifrutis orgânicos somente nas Feiras Orgânicas 4. Compro hortifrutis orgânicos nas Feiras Orgânicas e em outros pontos de venda 5. Sou vegetariano (a) 6. Sou adepto (a) a alimentação balanceada e adepto a dietas 7. Sou adepto (a) a atividades físicas e pratico regularmente 8. Freqüento parques ecológicos e atividades relacionadas à natureza 9. Faço exames médicos (check-up) pelo menos uma vez por ano 10. Sou adepto (a) a medicina alternativa 11. Faço uso de suplementos alimentares 12. Sou membro ou freqüentador de alguma religião 13. Procuro reduzir o consumo de água, luz e combustível 14. Procuro reduzir o consumo de produtos descartáveis; dou preferência às embalagens biodegradáveis... SEMPRE ESTILO DE VIDA CLUSTER 3 Consumidores Regulares Homens 21 a 35 anos SIM Análise dos Clusters versus Estilo de Vida e Percepções 27% 7% 129 Esse cluster corresponde aos consumidores regulares do sexo masculino subdivididos por faixa etária. Para melhor redação e compreensão, consideram-se pertencentes à faixa etária 1 os consumidores entre 21 e 35 anos, faixa etária 2, os consumidores entre 36 e 50 anos, e faixa etária 3, os consumidores com mais de 50 anos. Quanto ao consumo dos hortifrutis orgânicos pelos que moram na mesma casa (questão 2), a maior parte dos consumidores declarou que todos consomem, sendo 100% os consumidores de faixa etária 1, 57% os consumidores de faixa etária 2 e 67% os consumidores de faixa etária 3. Quanto à compra dos hortifrutis orgânicos (questões 3 e 4), somente nas feiras orgânicas, os consumidores de faixa etária 3 apresentaram maior índice, 67%. Os consumidores de faixa etária 1 e 2 declaram em maior número que compram os hortifrutis orgânicos nas feiras e em outros pontos de venda, representando 100% e 57%, respectivamente. Somente 7% dos consumidores de faixa etária 3 declararam-se vegetarianos (questão 5). No que diz respeito à alimentação balanceada e dietas (questão 6), as declarações foram bem divididas, sendo que um maior número de consumidores declarou não ser adepto, sendo 60% os consumidores de faixa etária 1, 57% os consumidores de faixa etária 2, 53% os consumidores de faixa etária 3. A maior parte dos consumidores declarou praticar atividades físicas (questão 7), sendo 100% os consumidores de faixa etária 1, 71% os consumidores de faixa etária 2, 40% os consumidores de faixa etária 3. Quanto a frequentarem parques ecológicos e atividades relacionadas à natureza (questão 8), as declarações foram bem divididas, sendo que 40% dos consumidores de faixa etária 1 declararam frequentarem sempre e 40% declararam frequentarem às vezes. Os consumidores de faixa etária 2 declararam, em maior número, que frequentam, representando 57%, e os consumidores de faixa etária 3 declararam, em maior número, que não frequentam, representando 47%. A maior parte dos consumidores de faixa etária 1, 80%, declarou não fazer exames médicos (check-up) pelo menos uma vez por ano (questão 9). Entretanto, a maior parte dos consumidores de faixa etária 2 e 3 declarou fazer, representando 86% e 93%, respectivamente. 130 Quanto à medicina alternativa (questão 10), a maior parte dos consumidores declarou ser adepto, sendo que 40% dos consumidores de faixa etária 1 declararam ser adeptos e 40% declararam que fazem uso às vezes. Os consumidores de faixa etária 2 e 3 declararam,em maior número, serem adeptos, representando 57% e 60%, respectivamente. A maior parte dos consumidores declarou não fazer uso de suplementos alimentares (questão 11), sendo 60% os consumidores de faixa etária 1, 86% os consumidores de faixa etária 2, 67% os consumidores de faixa etária 3. Quanto a serem membros ou frequentadores de alguma religião (questão 12), os consumidores de faixa etária 1 e 2 responderam em maior número não serem membros e freqüentadores, representando 60% e 57%, respectivamente. Os consumidores de faixa etária 3 declararam, em maior número, serem membros ou frequentadores de alguma religião, representando 93%. Quanto à economia de água, luz e combustível (questão 13), tiveram maior participação as questões “sempre”, sendo 100% os consumidores de faixa etária 1, 86% os consumidores de faixa etária 2, 87% os consumidores de faixa etária 3. Quanto à redução de consumo de descartáveis, entre outros (questão 14), também tiveram maior participação as questões “sempre”, sendo 100% os consumidores de faixa etária 1, 86% os consumidores de faixa etária 2, 47% os consumidores de faixa etária 3. Quanto às percepções, a maior parte dos consumidores declarou considerar ser bem informado quanto aos produtos orgânicos (questão 15), sendo 100% os consumidores de faixa etária 1, 71% os consumidores de faixa etária 2, 47% os consumidores de faixa etária 3. Da mesma forma, declaram quanto à consciência ambiental (questão 16), 100%, 86 e 87%, respectivamente. A maior parte dos consumidores declarou achar o valor dos hortifrutis orgânicos alto (questão 17), sendo 60% dos consumidores de faixa etária 1 e 86% dos consumidores de faixa etária 2. Enquanto 33% dos consumidores de faixa etária 3 declararam achar o valor dos hortifrutis orgânicos alto, 20% declararam que provavelmente sim. A maior parte dos consumidores das três faixas etárias declarou que, se o valor fosse menor, o consumo seria maior (questão 18), representando 40%, 71% e 40%, respectivamente. A maior parte dos consumidores declarou considerar a oferta dos hortifrutis orgânicos pequena (questão 19), sendo 80% os consumidores de faixa etária 1, 71% os consumidores de 131 faixa etária 2, 47% os consumidores de faixa etária 3. Da mesma forma, declaram que, se a oferta fosse maior, o consumo seria maior (questão 20), as faixa etárias 1 e 2 representando 100% e 71%, enquanto 20% dos consumidores de faixa etária 3 declararam que o consumo seria maior, 33% declararam que provavelmente sim. Da mesma forma, declararam, em maior número, que, se tivessem maior acesso e facilidade de compra dos hortifrutis orgânicos, seu consumo seria maior (questão 21), sendo 60% os consumidores de faixa etária 1, 71% os consumidores de faixa etária 2, 53% os consumidores de faixa etária 3. 132 TABELA VIII - Estilo de Vida e Percepções, cluster 4 15. Considero ser bem informado (a) quanto aos produtos orgânicos 16. Considero ter consciência ambiental 17. Considero o valor dos hortifrutis orgânicos alto 18. Caso o preço dos hortifrutis orgânicos fosse menor o meu consumo seria maior 19. Considero a oferta dos hortifrutis orgânicos pequena 20. Caso a oferta dos hortifrutis orgânicos fosse maior o meu consumo também seria maior 21. Caso houvesse mais pontos de venda de hortifrutis orgânicos próximos a minha casa/trabalho o meu... RARAMENTE ÀS VEZES COM FREQ. 11% 15% 8% 31% 69% 100% 77% 33% 67% 11% 67% 67% 33% 89% 33% 69% 23% 69% 15% 15% 15% 54% 31% 67% 56% 89% 31% 15% 85% 31% 38% 85% 15% 67% 22% 56% 8% 100% 100% 54% 100% 31% 15% 78% 100% 69% 54% 77% 85% 8% 38% 23% 15% 23% 8% 69% 15% 15% 22% 33% 44% 22% 78% 22% 33% 11% 11% 11% 33% 67% 44% NÃO PROV. NÃO 11% S/OPINIÃO 15% NÃO 8% PROV. NÃO 92% 77% 8% PROV. SIM 69% 31% NUNCA SEMPRE 100% 89% SIM NUNCA RARAMENTE ÀS VEZES COM FREQ. 15% S/OPINIÃO PERCEPÇÕES CLUSTER 4 Consumidores Regulares Homens Nível Superior 15% 100% 69% PROV. SIM 1. Consumo hortifrutis orgânicos regularmente 2. Todos os residentes da minha casa consomem hortifrutis orgânicos 3. Compro hortifrutis orgânicos somente nas Feiras Orgânicas 4. Compro hortifrutis orgânicos nas Feiras Orgânicas e em outros pontos de venda 5. Sou vegetariano (a) 6. Sou adepto (a) a alimentação balanceada e adepto a dietas 7. Sou adepto (a) a atividades físicas e pratico regularmente 8. Freqüento parques ecológicos e atividades relacionadas à natureza 9. Faço exames médicos (check-up) pelo menos uma vez por ano 10. Sou adepto (a) a medicina alternativa 11. Faço uso de suplementos alimentares 12. Sou membro ou freqüentador de alguma religião 13. Procuro reduzir o consumo de água, luz e combustível 14. Procuro reduzir o consumo de produtos descartáveis; dou preferência às embalagens biodegradáveis... SEMPRE ESTILO DE VIDA CLUSTER 4 Consumidores Regulares Homens Nível Médio SIM Análise dos Clusters versus Estilo de Vida e Percepções 22% 11% 22% 11% 33% 11% 67% 33% 44% 44% 22% 133 Esse cluster corresponde aos consumidores regulares do sexo masculino subdivididos por grau de escolaridade. Foram analisadas somente as respostas dos consumidores que declararam ter o nível médio e nível superior, por ser essa a maior representatividade. Quanto ao consumo dos hortifrutis orgânicos pelos que moram na mesma casa (questão 2), a maior parte dos consumidores declarou que todos consomem, sendo 69% dos consumidores de nível médio e 89% dos consumidores de nível superior. Quanto à compra dos hortifrutis orgânicos (questões 3 e 4) somente nas feiras orgânicas, os consumidores de nível médio apresentaram maior índice, 69%. Os consumidores de nível superior declaram, em maior número, que compram os hortifrutis orgânicos nas feiras e em outros pontos de venda, representando 67%. Somente 11% dos consumidores de nível superior declararam-se vegetarianos (questão 5). No que diz respeito à alimentação balanceada e dietas (questão 6), os consumidores de nível médio declararam, em maior número, não serem adeptos, representado 77%, enquanto os consumidores de nível superior declararam, em maior número, serem adeptos, representando 67%. A maior parte dos consumidores declarou praticar atividades físicas (questão 7), sendo 69% os consumidores de nível médio e 67% os de nível superior. Quanto a frequentarem parques ecológicos e atividades relacionadas à natureza (questão 8), a maior parte dos consumidores de nível médio declarou não frequentar, 54%, enquanto a maior parte dos consumidores de nível superior declarou frequentar, 56%. A maior parte dos consumidores declarou fazer exames médicos (check-up) pelo menos uma vez por ano (questão 9), sendo 69% os consumidores de nível médio e 89% os consumidores de nível superior. Quanto à medicina alternativa (questão 10), 31% dos consumidores de nível médio declararam ser adeptos, 31% declararam fazer uso às vezes e 38% declararam que não são adeptos. Os consumidores de nível superior declararam em, maior número, que são adeptos, representando 67%. A maior parte dos consumidores declarou não fazer uso de suplementos alimentares (questão 11), sendo 67% os consumidores de nível superior e 85% os consumidores de nível médio. Quanto a serem membros ou frequentadores de alguma religião (questão 12), os consumidores de nível médio declararam, em maior número, serem membros e 134 frequentadores de alguma religião, representando 85%. Os consumidores de nível superior representaram 56%. Quanto à economia de água, luz e combustível (questão 13), tiveram maior participação as questões “sempre”, sendo 92% os consumidores de nível médio e 100% os consumidores de nível superior. Quanto à redução de consumo de descartáveis, entre outros (questão 14), também tiveram maior participação as questões “sempre”, sendo 77% os consumidores de nível médio e 100% os consumidores de nível superior. Quanto às percepções, a maior parte dos consumidores declarou considerar ser bem informado quanto aos produtos orgânicos (questão 15), sendo 54% os consumidores de nível médio e 78% os consumidores de nível superior. Quanto à consciência ambiental, 100% declaram ter consciência ambiental. Quanto ao valor dos hortifrutis orgânicos (questão 17), 69% dos consumidores de nível médio declararam achar o valor alto e 67% dos consumidores de nível superior declararam não achar o valor alto. Entretanto, 54% dos consumidores de nível médio declararam que, se o valor fosse menor, o consumo seria maior (questão 18). Os consumidores de nível superior declararam, em números iguais, que o consumo seria maior, representando 33%, e que o consumo não aumentaria, representando 33%. Quanto à oferta dos hortifrutis orgânicos (questão 19), os consumidores de nível médio declararam, em maior número, 77%, acharem a oferta pequena. Os consumidores de nível superior declararam acharem a oferta pequena, representando 44%, e 44% também declararam não ter opinião. Os consumidores de nível médio declararam, em maior número, 85%, que, se a oferta fosse maior, o consumo seria maior (questão 20), enquanto os consumidores de nível superior declaram, em maior número, que seu consumo não aumentaria, representando 44%. Declararam, em maior número, que, se tivessem maior acesso e facilidade de compra dos hortifrutis orgânicos, seu consumo seria maior (questão 21), sendo 69% os consumidores de nível médio e 78% os consumidores de nível superior. 135 TABELA IX - Estilo de Vida e Percepções, cluster 5 15. Considero ser bem informado (a) quanto aos produtos orgânicos 16. Considero ter consciência ambiental 17. Considero o valor dos hortifrutis orgânicos alto 18. Caso o preço dos hortifrutis orgânicos fosse menor o meu consumo seria maior 19. Considero a oferta dos hortifrutis orgânicos pequena 20. Caso a oferta dos hortifrutis orgânicos fosse maior o meu consumo também seria maior 21. Caso houvesse mais pontos de venda de hortifrutis orgânicos próximos a minha casa/trabalho o meu... 40% 20% 20% 40% 40% 40% 20% 70% 20% 10% 33% 33% 89% 44% 10% 89% 10% NUNCA 11% 89% 100% 10% 10% RARAMENTE ÀS VEZES SEMPRE 10% 30% 20% 20% 40% 100% 89% 20% 90% 60% 70% 70% COM FREQ. NUNCA 10% 90% 100% 40% RARAMENTE ÀS VEZES 90% 80% 20% 20% COM FREQ. 20% 40% 11% 89% 33% NÃO 40% 60% 40% 40% 20% 11% PROV. NÃO 20% 40% 78% 11% 67% 60% 20% 90% S/OPINIÃO 60% 60% 20% 60% 10% 11% 20% 60% 100% 40% 44% 56% 100% 67% PROV. SIM 20% 22% 44% 22% 33% SIM 20% PROV. NÃO 60% 40% 78% 44% 100% 20% 20% NÃO 60% 20% 30% 30% 30% 50% 30% 70% PROV. NÃO 20% 56% 44% 20% 30% 70% 90% 40% S/OPINIÃO 40% 100% 78% 40% 80% 60% PROV. SIM 20% 10% 100% 100% 60% SIM 20% CLUSTER 5 Consumidores Regulares Homens renda até R$ 5000 20% 70% 30% 10% 40% NÃO 40% 20% SEMPRE NUNCA RARAMENTE ÀS VEZES COM FREQ. 100% 40% CLUSTER 5 Consumidores Regulares Homens renda até R$ 3000 100% 70% 20% S/OPINIÃO PERCEPÇÕES 100% 80% PROV. SIM 1. Consumo hortifrutis orgânicos regularmente 2. Todos os residentes da minha casa consomem hortifrutis orgânicos 3. Compro hortifrutis orgânicos somente nas Feiras Orgânicas 4. Compro hortifrutis orgânicos nas Feiras Orgânicas e em outros pontos de venda 5. Sou vegetariano (a) 6. Sou adepto (a) a alimentação balanceada e adepto a dietas 7. Sou adepto (a) a atividades físicas e pratico regularmente 8. Freqüento parques ecológicos e atividades relacionadas à natureza 9. Faço exames médicos (check-up) pelo menos uma vez por ano 10. Sou adepto (a) a medicina alternativa 11. Faço uso de suplementos alimentares 12. Sou membro ou freqüentador de alguma religião 13. Procuro reduzir o consumo de água, luz e combustível 14. Procuro reduzir o consumo de produtos descartáveis; dou preferência às embalagens biodegradáveis... SEMPRE ESTILO DE VIDA CLUSTER 5 Consumidores Regulares Homens renda até R$ 1200 SIM Análise dos Clusters versus Estilo de Vida e Percepções 11% 22% 22% 11% 33% 11% 44% 33% 22% 11% 136 Esse cluster corresponde aos consumidores regulares do sexo masculino subdivididos por renda familiar. Foram analisadas somente as respostas dos consumidores que declararam renda até R$ 1.200,00, até R$ 3.000,00 e até R$ 5.000,00, por ser essa a maior representatividade. Para melhor redação e compreensão, consideram-se pertencentes à faixa renda 1 os consumidores com renda de até R$ 1.200,00, faixa renda 2, os consumidores com renda de até R$ 3.000,00, e faixa renda 3 os consumidores com renda de até R$ 5.000,00. Quanto ao consumo dos hortifrutis orgânicos pelos que moram na mesma casa (questão 2), a maior parte dos consumidores declarou que todos consomem, sendo 80% os consumidores de faixa renda 1, 70% os consumidores de faixa renda 2 e 78% os consumidores de faixa renda 3. Quanto à compra dos hortifrutis orgânicos (questões 3 e 4) somente nas feiras orgânicas, os consumidores das três faixas declaram, em maior número, que compram os hortifrutis orgânicos somente nas feiras orgânicas, representando 100%, 70% e 56%. Somente 10% dos consumidores de faixa renda 2 declaram-se vegetarianos (questão 5). No que diz respeito à alimentação balanceada e dietas (questão 6), as declarações foram bem divididas, sendo que o maior número de consumidores declarou não ser adepto, sendo 60% os consumidores de faixa renda 1 e 67% os consumidores de faixa renda 3. Os consumidores de faixa renda 2, declararam, em números iguais, serem adeptos, 40%, e não serem adeptos, 40%. A maior parte dos consumidores declarou praticar atividades físicas (questão 7), sendo 50% os consumidores de faixa renda 2 e 78% os consumidores de faixa renda 3. Os consumidores de faixa renda 1 declararam, em números iguais, representando 40% os que praticam e 40% os que não praticam. Quanto a frequentarem parques ecológicos e atividades relacionadas à natureza (questão 8), as declarações foram bem divididas. Os consumidores de faixa renda 1, declararam em maior número que não frequentam, 80%. Os consumidores de faixa renda 2 declararam, em números iguais, que frequentam, 30%, e que não frequentam, 30%. Os consumidores de faixa renda 3, também declararam, em números iguais, que frequentam, 44%, e que frequentam às vezes, 44%. A maior parte dos consumidores de faixa renda 1, 60%, declarou não fazer exames médicos (check-up) pelo menos uma vez por ano (questão 9). Entretanto, a maior parte dos 137 consumidores de faixa renda 2 e 3 declarou fazer, representando 70% e 100%, respectivamente. Quanto à medicina alternativa (questão 10), a maior parte dos consumidores declarou ser adepto, sendo que 60% dos consumidores de faixa renda 1 declararam não serem adeptos. Entretanto, 60% dos consumidores de faixa renda 2 e 89% dos consumidores de faixa renda 3 declararam serem adeptos. A maior parte dos consumidores declarou não fazer uso de suplementos alimentares (questão 11), sendo 100% os consumidores de faixa renda 1, 60% os consumidores de faixa renda 2, 89% os consumidores de faixa renda 3. Quanto a serem membros ou frequentadores de alguma religião (questão 12), os consumidores de todas as faixas declararam, em maior número, serem membros ou frequentadores de alguma religião, representando 60%, 90% e 67%, respectivamente. Quanto à economia de água, luz e combustível (questão 13), tiveram maior participação as questões “sempre”, sendo 60% os consumidores de faixa renda 1, 90% os consumidores de faixa renda 2 e 100% os consumidores de faixa renda 3. Quanto à redução de consumo de descartáveis, entre outros (questão 14), também tiveram maior participação as questões “sempre”, sendo que 40% dos consumidores de faixa renda 1 declararam “sempre” e 40% declararam “nunca”. O consumidores de faixa renda 2 e 3 declararam, em maior número, “sempre”, representando 80% e 89%, respectivamente. Quanto às percepções, a maior parte dos consumidores declarou considerar ser bem informado quanto aos produtos orgânicos (questão 15), sendo 60% os consumidores de faixa renda 1, 90% os consumidores de faixa renda 2 e 89% os consumidores de faixa renda 3. Quanto à consciência ambiental, 60% dos consumidores de faixa renda 1 declararam considerarem ter consciência ambiental. Os consumidores de faixa renda 2 e 3 declararam, em 100%, considerarem ter consciência ambiental. Quanto ao valor dos hortifrutis orgânicos (questão 17), os consumidores de faixa renda 1 declararam, em números iguais, que consideram o valor alto, 40%, e que não consideram o valor alto, 40%. Os consumidores de faixa renda 2 declararam, em maior número, que consideram o valor alto, 90%, e os consumidores de faixa renda 3 declaram, em maior número, que não consideram o valor dos hortifrutis orgânicos alto, 44%. Entretanto, a maior parte dos consumidores, totalizando as três faixas rendas, declara que, se o valor fosse menor, o consumo seria maior (questão 18). Contudo, os consumidores faixa renda 3 138 declararam, em números iguais, que o consumo seria maior, 33%, e que o consumo não seria maior, 33%. Os consumidores de faixa renda 1 declararam, em números iguais, não terem opinião quanto à oferta dos hortifrutis orgânicos, 40%, e 40% declararam acharem que a oferta é pequena. Os consumidores de faixa renda 2 e 3 declararam acharem a oferta pequena, representando 70% e 89%, respectivamente. Os consumidores de faixa renda 1 declararam, em números iguais, que o consumo seria maior, caso a oferta dos hortifrutis orgânicos fosse maior (questão 20), 40%, e 40% declararam que seu consumo não seria maior. Os consumidores de faixa renda 2 e 3 declararam que seu consumo aumentaria, caso a oferta fosse maior, representando 70% e 44%, respectivamente. Os consumidores declararam, em maior número, que, se tivessem maior acesso aos hortifrutis orgânicos, seu consumo seria maior (questão 21). Entretanto, os consumidores de faixa renda 1 declararam, em números iguais, que seu consumo aumentaria, 40%, e 40% desses consumidores declararam que, provavelmente, aumentaria. Os consumidores de faixa renda 2 e 3 declararam que seu consumo aumentaria, representando 70% e 89%, respectivamente. 139 TABELA X - Estilo de Vida e Percepções, cluster 6 11% 11% 22% 11% 27% 7% 7% 53% 67% 33% 33% 20% 13% 20% 20% 7% 33% 7% 78% 33% 44% 56% 56% 44% 11% 11% 11% 22% 47% 60% 53% 80% 56% 22% 11% 11% 53% NUNCA RARAMENTE ÀS VEZES 18% 18% 18% 36% 27% 27% 47% 13% 64% 18% 100% 9% 9% 18% 82% 73% 55% 9% 18% 13% 27% 27% 27% 7% COM FREQ. SEMPRE NUNCA RARAMENTE ÀS VEZES 13% 20% 27% 55% 100% 55% 18% 27% NÃO 33% 7% 27% 20% 13% 27% PROV. NÃO 93% 67% NÃO 22% 7% S/OPINIÃO 60% 33% 87% 7% 20% PROV. SIM 33% 78% 33% 13% 9% 45% 55% 100% 18% 55% 45% SIM 53% 80% 73% PROV. SIM 56% 89% 11% 22% 11% 33% 9% 87% 13% 87% 27% NÃO 11% 89% 22% PROV. NÃO 22% 56% 22% 67% 78% 100% 22% PROV. NÃO 56% 78% 67% 22% 13% 87% 13% 53% CLUSTER 6 Consumidores Regulares Mulheres mais de 50 anos 100% 82% 13% S/OPINIÃO SEMPRE 100% 87% COM FREQ. NUNCA RARAMENTE ÀS VEZES COM FREQ. 44% 100% 100% 11% 33% CLUSTER 6 Consumidores Regulares Mulheres 36 a 50 anos SIM 15. Considero ser bem informado (a) quanto aos produtos orgânicos 16. Considero ter consciência ambiental 17. Considero o valor dos hortifrutis orgânicos alto 18. Caso o preço dos hortifrutis orgânicos fosse menor o meu consumo seria maior 19. Considero a oferta dos hortifrutis orgânicos pequena 20. Caso a oferta dos hortifrutis orgânicos fosse maior o meu consumo também seria maior 21. Caso houvesse mais pontos de venda de hortifrutis orgânicos próximos a minha casa/trabalho o meu... 11% S/OPINIÃO PERCEPÇÕES 100% 44% PROV. SIM 1. Consumo hortifrutis orgânicos regularmente 2. Todos os residentes da minha casa consomem hortifrutis orgânicos 3. Compro hortifrutis orgânicos somente nas Feiras Orgânicas 4. Compro hortifrutis orgânicos nas Feiras Orgânicas e em outros pontos de venda 5. Sou vegetariano (a) 6. Sou adepto (a) a alimentação balanceada e adepto a dietas 7. Sou adepto (a) a atividades físicas e pratico regularmente 8. Freqüento parques ecológicos e atividades relacionadas à natureza 9. Faço exames médicos (check-up) pelo menos uma vez por ano 10. Sou adepto (a) a medicina alternativa 11. Faço uso de suplementos alimentares 12. Sou membro ou freqüentador de alguma religião 13. Procuro reduzir o consumo de água, luz e combustível 14. Procuro reduzir o consumo de produtos descartáveis; dou preferência às embalagens biodegradáveis... SEMPRE ESTILO DE VIDA CLUSTER 6 Consumidores Regulares Mulheres 21 a 35 anos SIM Análise dos Clusters versus Estilo de Vida e Percepções 45% 27% 27% 18% 18% 18% 27% 9% 9% 64% 64% 64% 18% 18% 18% 18% 18% 82% 9% 36% 18% 18% 18% 9% 18% 9% 140 Esse cluster corresponde aos consumidores regulares do sexo feminino subdivididos por faixa etária. Para melhor redação e compreensão, consideram-se pertencentes à faixa etária 1 as consumidoras entre 21 e 35 anos, faixa etária 2, as consumidoras entre 36 e 50 anos, e faixa etária 3, as consumidoras com mais de 50 anos. Quanto ao consumo dos hortifrutis orgânicos pelos que moram na mesma casa (questão 2), a maior parte das consumidoras declarou que todos consomem, sendo 87% das consumidoras de faixa etária 2 e 82% das consumidoras de faixa etária 3. As consumidoras de faixa etária 1 declararam, em números iguais, que 44% consomem e 44% não consomem. Quanto à compra dos hortifrutis orgânicos (questões 3 e 4) somente nas feiras orgânicas, as consumidoras de faixa etária 3 apresentaram maior índice, 55%. As consumidoras de faixa etária 1 e 2 declaram, em maior número, que compram os hortifrutis orgânicos nas feiras e em outros pontos de venda, representando 100% e 87%, respectivamente. Somente 11% das consumidoras de faixa etária 1 e 13% das consumidoras de faixa etária 2 declararam serem vegetarianas (questão 5). No que diz respeito à alimentação balanceada e dietas (questão 6), as declarações foram bem divididas, sendo que o maior número de consumidoras declarou ser adepta, sendo 33% as consumidoras de faixa etária 1, 53% as consumidoras de faixa etária 2 e 55% as consumidoras de faixa etária 3. A maior parte dos consumidores declarou praticar atividades físicas (questão 7), sendo 56% as consumidoras de faixa etária 1 e 53% as consumidoras de faixa etária 2. Entretanto, as consumidoras de faixa etária 3 declararam, em maioria, 36%, não serem adeptas. Quanto a frequentarem parques ecológicos e atividades relacionadas à natureza (questão 8), a maior parte das consumidoras declarou frequentar, sendo 78% as consumidoras de faixa etária 1, 80% as consumidoras de faixa etária 2 e 55% as consumidoras de faixa etária 3. A maior parte das consumidoras declarou fazer exames médicos (check-up) pelo menos uma vez por ano (questão 9). Sendo os maiores índices para as consumidoras de faixa etária 2 e 3 que representaram 73% e 100%, respectivamente, enquanto as consumidoras de faixa etária 1 representaram 67%. Quanto à medicina alternativa (questão 10), a maior parte das consumidoras declarou ser adepta, sendo 56% as consumidoras de faixa etária 1, 60% as consumidoras de faixa etária 2 e 64% as consumidoras de faixa etária 3. 141 A maior parte das consumidoras declarou não fazer uso de suplementos alimentares (questão 11), sendo 78% as consumidoras de faixa etária 1, 47% as consumidoras de faixa etária 2, 82% as consumidoras de faixa etária 3. Quanto a serem membros ou freqüentadoras de alguma religião (questão 12), a maior parte das consumidoras declararam ser membros ou freqüentadoras, sendo 67% as consumidoras de faixa etária 1, 87% as consumidoras de faixa etária 2, 100% as consumidoras de faixa etária 3. Quanto à economia de água, luz e combustível (questão 13), tiveram maior participação as questões “sempre”, sendo 78% as consumidoras de faixa etária 1, 93% as consumidoras de faixa etária 2, 73% as consumidoras de faixa etária 3. Quanto à redução de consumo de descartáveis, entre outros (questão 14), também tiveram maior participação as questões “sempre”, sendo 100% as consumidoras de faixa etária 1, 67% as consumidores de faixa etária 2 e 55% as consumidoras de faixa etária 3. Quanto às percepções, a maior parte das consumidoras declarou considerar ser bem informada quanto aos produtos orgânicos (questão 15), sendo 56% as consumidoras de faixa etária 1, 53% as consumidoras de faixa etária 2 e 45% as consumidoras de faixa etária 3. Da mesma forma, declaram quanto à consciência ambiental (questão 16), as consumidoras das faixas etárias 1 e 2, representando 89% e 67%, respectivamente. As consumidoras de faixa etária 3 declararam, em números iguais, que consideram ter consciência ambiental, 27%, e que provavelmente não têm consciência ambiental, 27%. A maior parte das consumidoras declarou achar o valor dos hortifrutis orgânicos alto (questão 17), sendo 78% as consumidores de faixa etária 1, 47% as consumidoras de faixa etária 2 e 33% as consumidoras de faixa etária 3. A maior parte das consumidoras das três faixas etárias declarou que, se o valor fosse menor, o consumo seria maior (questão 18). A maior parte das consumidoras declarou considerar a oferta dos hortifrutis orgânicos pequena (questão 19), sendo 88% as consumidoras de faixa etária 1, 53% as consumidoras de faixa etária 2 e 64% as consumidoras de faixa etária 3. Da mesma forma, declaram que, se a oferta fosse maior, o consumo seria maior (questão 20), as faixa etárias 1 e 2, representando 56% e 80%, enquanto a maior parte das consumidoras de faixa etária 3 não teve opinião. Da mesma forma, declararam, em maior número, que, se tivessem maior acesso e facilidade de compra dos hortifrutis orgânicos, seu consumo seria maior (questão 21), sendo 142 56% as consumidoras de faixa etária 1, 53% as consumidoras de faixa etária 2 e 82% as consumidoras de faixa etária 3. 143 TABELA XI - Estilo de Vida e Percepções, cluster 7 27% 36% 27% 53% 68% 89% 74% 37% 84% 18% 18% 9% 18% 95% 89% 9% 18% 18% 45% 55% 18% 18% 27% 18% 64% 64% 55% 45% 18% 27% 45% 18% 18% 64% 27% 9% 9% 9% 9% 18% 89% 21% 21% 21% 5% 21% 11% 11% 5% 5% 21% 58% 16% 5% 11% NÃO 27% 64% 9% 5% PROV. NÃO 27% 18% 16% PROV. SIM 45% 18% 91% 5% SIM 55% 36% NÃO 9% 18% 73% 64% 45% 9% 9% 16% 100% 68% 63% 21% 26% 5% 5% 5% 5% 68% 53% 84% 47% 16% 16% 21% 5% 32% 26% 16% 11% 5% 53% 21% 16% 11% S/OPINIÃO 9% 16% NUNCA 100% 11% 53% RARAMENTE 18% 64% 36% 91% 27% ÀS VEZES SEMPRE 100% 68% COM FREQ. NUNCA RARAMENTE ÀS VEZES COM FREQ. 9% PROV. NÃO 15. Considero ser bem informado (a) quanto aos produtos orgânicos 16. Considero ter consciência ambiental 17. Considero o valor dos hortifrutis orgânicos alto 18. Caso o preço dos hortifrutis orgânicos fosse menor o meu consumo seria maior 19. Considero a oferta dos hortifrutis orgânicos pequena 20. Caso a oferta dos hortifrutis orgânicos fosse maior o meu consumo também seria maior 21. Caso houvesse mais pontos de venda de hortifrutis orgânicos próximos a minha casa/trabalho o meu... 36% 64% 9% 45% CLUSTER 7 Consumidores Regulares Mulheres Nível Superior 9% S/OPINIÃO PERCEPÇÕES 100% 82% PROV. SIM 1. Consumo hortifrutis orgânicos regularmente 2. Todos os residentes da minha casa consomem hortifrutis orgânicos 3. Compro hortifrutis orgânicos somente nas Feiras Orgânicas 4. Compro hortifrutis orgânicos nas Feiras Orgânicas e em outros pontos de venda 5. Sou vegetariano (a) 6. Sou adepto (a) a alimentação balanceada e adepto a dietas 7. Sou adepto (a) a atividades físicas e pratico regularmente 8. Freqüento parques ecológicos e atividades relacionadas à natureza 9. Faço exames médicos (check-up) pelo menos uma vez por ano 10. Sou adepto (a) a medicina alternativa 11. Faço uso de suplementos alimentares 12. Sou membro ou freqüentador de alguma religião 13. Procuro reduzir o consumo de água, luz e combustível 14. Procuro reduzir o consumo de produtos descartáveis; dou preferência às embalagens biodegradáveis... SEMPRE ESTILO DE VIDA CLUSTER 7 Consumidores Regulares Mulheres Nível Médio SIM Análise dos Clusters versus Estilo de Vida e Percepções 144 Esse cluster corresponde aos consumidores regulares do sexo feminino subdivididos por grau de escolaridade. Foram analisadas somente as respostas das consumidoras que declararam ter o nível médio e nível superior, por ser essa a maior representatividade. Quanto ao consumo dos hortifrutis orgânicos pelos que moram na mesma casa (questão 2), a maior parte das consumidoras declarou que todos consomem, sendo 82% as consumidoras de nível médio e 68% as consumidoras de nível superior. Quanto à compra dos hortifrutis orgânicos (questões 3 e 4), as consumidoras de nível superior declaram, em 100%, que compram os hortifrutis orgânicos nas feiras e em outros pontos de venda, enquanto 64% das consumidoras de nível médio fizeram essa declaração. Somente 9% das consumidoras de nível médio declararam-se vegetarianas (questão 5), enquanto 11% das consumidoras de nível superior. No que diz respeito à alimentação balanceada e dietas (questão 6), 45% das consumidoras de nível médio declararam ser adeptas, e 53% das consumidoras de nível superior. Quanto à prática de atividades físicas (questão 7), a maior parte das consumidoras de nível médio, 55%, declarou praticar às vezes, enquanto a maior parte das consumidoras de nível superior, 53%, declarou praticar sempre. Da mesma forma, quanto a frequentarem parques ecológicos e atividades relacionadas à natureza (questão 8), a maior parte das consumidoras de nível médio, 36%, declarou frequentar às vezes, enquanto a maior parte das consumidoras de nível superior, 68%, declarou frequentar sempre. A maior parte das consumidoras declarou fazer exames médicos (check-up) pelo menos uma vez por ano (questão 9), sendo 73% as consumidoras de nível médio e 89% as consumidoras de nível superior. Quanto à medicina alternativa (questão 10), 45% das consumidoras de nível médio declararam ser adeptas, e 74% das consumidoras de nível superior. A maior parte das consumidoras declarou não fazer uso de suplementos alimentares (questão 11), sendo 58% as consumidoras de nível superior e 64% as consumidoras de nível médio. Quanto a serem membros ou frequentadoras de alguma religião (questão 12), as consumidoras de nível médio declararam, em maior número, serem membros e frequentadoras de alguma religião, representando 91%. As consumidoras de nível superior representaram 84%. 145 Quanto à economia de água, luz e combustível (questão 13), tiveram maior participação as questões “sempre”, sendo 64% as consumidoras de nível médio e 95% as consumidoras de nível superior. Quanto à redução de consumo de descartáveis, entre outros (questão 14), também tiveram maior participação as questões “sempre”, sendo 45% as consumidoras de nível médio e 89% as consumidoras de nível superior. Quanto às percepções, a maior parte das consumidoras declarou considerar ser bem informada quanto aos produtos orgânicos (questão 15), sendo 55% as consumidoras de nível médio e 68% as consumidoras de nível superior. Quanto à consciência ambiental, 45% as consumidoras de nível médio e 63% as consumidoras de nível superior. Quanto ao valor dos hortifrutis orgânicos (questão 17), 64% das consumidoras de nível médio declararam achar o valor alto, e 68% das consumidoras de nível superior. Dessa forma, 64% das consumidoras de nível médio declararam que, se o valor fosse menor, o consumo seria maior (questão 18), e 53% das consumidoras de nível superior. Quanto à oferta dos hortifrutis orgânicos (questão 19), 55% das consumidoras de nível médio declararam achar a oferta pequena, e 84% das consumidoras de nível superior. Dessa forma, responderam, em maior número, que, se a oferta fosse maior, o consumo seria maior (questão 20), sendo 45% as consumidoras de nível médio e 47% as consumidoras de nível superior. Declararam, em maior número, que, se tivessem maior acesso e facilidade de compra dos hortifrutis orgânicos, seu consumo seria maior (questão 21), sendo 64% as consumidoras de nível médio e 53% as consumidoras de nível superior. 146 TABELA XII - Estilo de Vida e Percepções, cluster 8 25% 25% 92% 67% 50% 25% 25% 50% 50% 50% 50% 50% 25% 25% 50% 50% 50% 25% 75% 25% 25% 25% 8% 8% 58% 75% 42% 17% 8% 58% 42% 75% 67% 25% 42% 17% 17% 67% 17% 83% 100% 8% 8% 33% 17% 50% 58% 83% 42% 17% 8% 17% 8% 17% 58% 8% 8% 8% 17% 8% 17% 17% 67% 25% 17% 75% 50% 17% 17% NUNCA 8% RARAMENTE 75% 33% 75% 8% ÀS VEZES 25% 67% 33% 8% 8% COM FREQ. RARAMENTE 8% 17% PROV. SIM 25% NÃO 50% 75% 67% 83% 67% 67% 33% 100% 25% NÃO 25% 50% 100% 33% 8% 17% PROV. NÃO 58% 25% 67% 8% 8% 25% 25% S/OPINIÃO 75% 75% SEMPRE 25% 17% S/OPINIÃO 25% 33% 67% 17% 83% 17% 83% 33% SIM 25% NUNCA 25% 75% 58% 58% 83% 100% 75% NÃO 25% 8% PROV. NÃO 75% 50% 25% PROV. SIM 25% 25% ÀS VEZES 75% 50% 8% SIM 100% 25% 25% 17% 83% 17% 33% CLUSTER 8 Consumidores Regulares Mulheres renda até R$ 5000 COM FREQ. SEMPRE NUNCA RARAMENTE ÀS VEZES COM FREQ. 100% PROV. NÃO 15. Considero ser bem informado (a) quanto aos produtos orgânicos 16. Considero ter consciência ambiental 17. Considero o valor dos hortifrutis orgânicos alto 18. Caso o preço dos hortifrutis orgânicos fosse menor o meu consumo seria maior 19. Considero a oferta dos hortifrutis orgânicos pequena 20. Caso a oferta dos hortifrutis orgânicos fosse maior o meu consumo também seria maior 21. Caso houvesse mais pontos de venda de hortifrutis orgânicos próximos a minha casa/trabalho o meu... CLUSTER 8 Consumidores Regulares Mulheres renda até R$ 3000 100% 58% S/OPINIÃO PERCEPÇÕES 100% 100% PROV. SIM 1. Consumo hortifrutis orgânicos regularmente 2. Todos os residentes da minha casa consomem hortifrutis orgânicos 3. Compro hortifrutis orgânicos somente nas Feiras Orgânicas 4. Compro hortifrutis orgânicos nas Feiras Orgânicas e em outros pontos de venda 5. Sou vegetariano (a) 6. Sou adepto (a) a alimentação balanceada e adepto a dietas 7. Sou adepto (a) a atividades físicas e pratico regularmente 8. Freqüento parques ecológicos e atividades relacionadas à natureza 9. Faço exames médicos (check-up) pelo menos uma vez por ano 10. Sou adepto (a) a medicina alternativa 11. Faço uso de suplementos alimentares 12. Sou membro ou freqüentador de alguma religião 13. Procuro reduzir o consumo de água, luz e combustível 14. Procuro reduzir o consumo de produtos descartáveis; dou preferência às embalagens biodegradáveis... SEMPRE ESTILO DE VIDA CLUSTER 8 Consumidores Regulares Mulheres renda até R$ 1200 SIM Análise dos Clusters versus Estilo de Vida e Percepções 17% 17% 8% 33% 25% 17% 25% 8% 17% 17% 147 Esse cluster corresponde aos consumidores regulares do sexo feminino subdivididos por renda familiar. Foram analisadas somente as respostas das consumidoras que declararam renda de até R$ 1.200,00, até R$ 3.000,00 e até R$ 5.000,00, por ser essa a maior representatividade. Para melhor redação e compreensão, consideram-se pertencentes à faixa renda 1 as consumidoras com renda de até R$ 1.200,00, faixa renda 2, as consumidoras com renda de até R$ 3.000,00, e faixa renda 3, as consumidoras com renda de até R$ 5.000,00. Quanto ao consumo dos hortifrutis orgânicos pelos que moram na mesma casa (questão 2), a maior parte das consumidoras declararam que todos consomem, sendo 100% das consumidores de faixa renda 1, 58% das consumidoras de faixa renda 2 e 78% das consumidoras de faixa renda 3. Quanto à compra dos hortifrutis orgânicos (questões 3 e 4), as consumidoras das três faixas declaram, em maior número, que compram os hortifrutis orgânicos nas feiras orgânicas e em outros pontos de venda, representando 100%, 83% e 67%, respectivamente. Somente 17% das consumidoras de faixa renda 2 e 25% das consumidoras de faixa renda 1 declaram-se vegetarianas (questão 5). No que diz respeito à alimentação balanceada e dietas (questão 6), as declarações foram bem divididas. As consumidoras de faixa renda 1 declararam, em maior número, 50%, “às vezes”. As consumidoras de faixa renda 2 declararam, em mesmo número, serem adeptas, 33%, e não adeptas, 33%. As consumidoras de faixa renda 3 declararam, em maior número, serem adeptas, 67% A maior parte das consumidoras declarou praticar atividades físicas (questão 7), sendo 58% as consumidoras de faixa renda 2 e 75% as consumidoras de faixa renda 3. As consumidoras de faixa renda 1 declararam, em maior número, 75%, “às vezes”. Da mesma forma, a maior parte das consumidoras declarou frequentarem parques ecológicos e atividades relacionadas à natureza (questão 8), sendo 58% as consumidoras de faixa renda 2 e 67% as consumidoras de faixa renda 3. As consumidoras de faixa renda 1 declararam, em maior número, 50%, “às vezes”. A maior parte das consumidoras de faixa renda 1, 75%, declarou não fazer exames médicos (check-up) pelo menos uma vez por ano (questão 9). Entretanto, a maior parte das consumidoras de faixa renda 2 e 3 declarou fazer, representando ambas as faixas 83%. Quanto à medicina alternativa (questão 10), a maior parte das consumidoras declarou ser adepta, sendo que 75% das consumidoras de faixa renda 1 declararam não ser adeptas. 148 Entretanto, 58% das consumidoras de faixa renda 2 e 75% das consumidoras de faixa renda 3 declararam ser adeptas. A maior parte das consumidoras declarou não fazer uso de suplementos alimentares (questão 11), sendo 75% as consumidoras de faixa renda 1, 67% as consumidoras de faixa renda 2, 67% as consumidoras de faixa renda 3. Quanto a serem membros ou frequentadoras de alguma religião (questão 12), as consumidoras de todas as faixas declararam, em maior número, serem membros e frequentadoras de alguma religião, representando 100%, 67% e 75%, respectivamente. Quanto à economia de água, luz e combustível (questão 13), tiveram maior participação as questões “sempre”, sendo 50% as consumidoras de faixa renda 1, 92% as consumidoras de faixa renda 2, e 83% as consumidoras de faixa renda 3. Quanto à redução de consumo de descartáveis, entre outros (questão 14), também tiveram maior participação as questões “sempre”, sendo 67% e 100% as consumidoras das faixas renda 2 e 3 que fizeram essa declaração. As consumidoras da faixa renda 1 declaram, em 50%, “às vezes”. Quanto às percepções, a maior parte das consumidoras declarou considerar ser bem informada quanto aos produtos orgânicos (questão 15). Entretanto, as consumidoras de faixa renda 1 declararam, em números iguais, 50%, provavelmente sim, e 50%, provavelmente não. As consumidoras de faixa renda 2 e 3 declararam que consideram ser bem informadas, sendo 58% e 75 de representatividade, respectivamente. Quanto à consciência ambiental, 50% das consumidoras de faixa renda 1 declararam “provavelmente não”, enquanto a maior parte das consumidoras de faixa renda 2 e 3 declarou que considera ter consciência ambiental, representando 75% e 50%, respectivamente. Quanto ao valor dos hortifrutis orgânicos (questão 17), a maior parte das consumidoras das três faixas renda declarou considerar o valor alto, sendo 50%, 58% e 50% as representatividades das três classes, respectivamente. Dessa foram, a maior parte das consumidoras das três faixas renda declarou que, se o valor fosse menor, o consumo seria maior (questão 18), representando 50%, 42% e 58%, respectivamente. As consumidoras de faixa renda 1 declararam, em maior número, 75%, que provavelmente não acham a oferta dos hortifrutis orgânicos pequena (questão 19). As consumidoras de faixa renda 2 e 3 declararam achar a oferta pequena, representando 75% e 83%, respectivamente. Da mesma forma, a maior parte das consumidoras declarou que o 149 consumo seria maior, caso a oferta dos hortifrutis orgânicos fosse maior (questão 20), representando 50%, 67% e 42%, respectivamente. Da mesma forma, a maior parte das consumidoras declarou, em maior número, que, se tivessem maior acesso aos hortifrutis orgânicos, seu consumo seria maior (questão 21), representando 50%, 67% e 58%, respectivamente. 4.1.1.3 Atributos Determinantes na Decisão de Compra Nesta parte da pesquisa, os consumidores hierarquizaram os atributos determinantes na sua decisão de compra. Os GRÁFICOS XXXVIII, XXXIX e XL apresentam os resultados encontrados, subdivididos em três grupos, sendo o primeiro grupo referente a todos os consumidores entrevistados, o segundo grupo referente aos consumidores do sexo masculino e o terceiro grupo referente os consumidores do sexo feminino, respectivamente. GRÁFICO XXXVIII - Atributos determinantes na decisão de compra segundo todos os consumidores entrevistados Fonte - Dados da pesquisa. 150 GRÁFICO XXXIX - Atributos determinantes na decisão de compra segundo todos os consumidores entrevistados do sexo masculino Fonte - Dados da pesquisa. GRÁFICO XL - Atributos determinantes na decisão de compra segundo todos os consumidores entrevistados do sexo feminino Fonte - Dados da pesquisa. 151 4.2 Produtores/Comercializadores Foram coletados dados de todos os comercializadores que expõem os hortifrutis orgânicos na Feira Orgânica objeto da pesquisa. A coleta de dados foi realizada através de aplicação de questionário, buscando conhecer o perfil sociodemográfico, e através de entrevista em profundidade, procurando conhecer seus valores, crenças e atitudes. Esse grupo é composto por um total de 11 comercializadores que comercializam os hortifrutis orgânicos produzidos por eles próprios e produzidos por outros produtores orgânicos, todos associados à Associação Comunitária de Muniz. Essa associação configura a OCS - Organização de Controle Social e recebe o apoio da Prefeitura de Sabará. O governo do Estado de Minas Gerais, na figura da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural - EMATER, é o responsável pela fiscalização quanto à produção orgânica desses produtores, assim como pela capacitação desses produtores no que diz respeito à produção orgânica. Dessa forma, cursos de capacitação, palestras e visitas técnicas realizadas por técnicos e engenheiros agrônomos são realizados periodicamente. 4.2.1 Pesquisa Quantitativa - Survey O perfil sociodemográfico dos produtores/comercializadores equiparou-se aos apresentados no Censo Agropecuário 2006. No que diz respeito à faixa etária, 72,72% declararam ter mais de 50 anos. GRÁFICO XLI – Faixa etária dos produtores/comercializadores Fonte - Dados da pesquisa. 152 Quanto ao estado civil, 91% declararam ser casados, e somente um declarou ser viúvo e não ter união estável. GRÁFICO XLII – Estado civil dos produtores/comercializadores Fonte - Dados da pesquisa. Todos os produtores/comercializadores declararam terem filhos. O maior índice, 82%, compõe-se daqueles que declararam terem mais de três filhos, 9% declararam terem 3 filhos, e 9% declararam terem 2 filhos. GRÁFICO XLIII – Número de filhos dos produtores/comercializadores Fonte - Dados da pesquisa. Apesar de todos declararem terem filhos, 37% dos produtores/comercializadores declararam morarem somente com cônjuge, tendo em vista o fato de os filhos não morarem mais com eles, por terem atingido a idade adulta. Entretanto, a maioria, 63%, declarou que vive com cônjuge e filhos maiores. Na mesma proporção, 37% declararam que o cônjuge 153 trabalha na produção/comercialização, e 63% declararam que o cônjuge e os filhos maiores (residentes no mesmo lar) trabalham na produção/comercialização. GRÁFICO XLIV - Residentes no mesmo lar dos produtores/comercializadores Fonte - Dados da pesquisa. GRÁFICO XLV - Trabalham na produção e/ou comercialização Fonte - Dados da pesquisa. Quanto à escolaridade, 91% declararam ter somente o primeiro grau, e somente um produtor/comercializador declarou ter concluído o nível médio. GRÁFICO XLVI - Escolaridade dos produtores/comercializadores Fonte - Dados da pesquisa. 154 Em relação à renda familiar, obtida através da produção e comercialização dos hortifrutis orgânicos, todos declararam renda inferior a R$ 600,00. Quanto ao tempo de produção convencional, a maior parte dos produtores/comercializadores, 63%, declarou nunca ter produzido hortifrutis orgânicos sob o sistema de produção convencional, ou seja, com o uso de agrotóxicos e adubos químicos. Entretanto, quatro produtores/comercializadores, compondo 37%, declararam ter produzido agricultura convencional por mais de 20 anos. GRÁFICO XLVII - Tempo de produção convencional Fonte - Dados da pesquisa. Contudo, 72% dos produtorees/comercializadores declaram produzir a agricultura orgânica por mais de 20 anos, enquanto 28% declararam produzir agricultura orgânica de 5 a 10 anos. GRÁFICO XLVIII - Tempo de produção orgânica Fonte - Dados da pesquisa. 155 4.2.2 Pesquisa Qualitativa – Entrevista em Profundidade A entrevista em profundidade foi realizada pela pesquisadora de forma individual, através de um roteiro semiestruturado, com um bloco de cinco perguntas abertas. As entrevistas foram gravadas e posteriormente transcritas para melhor análise dos dados coletados. Buscou-se identificar valores, crenças e atitudes desses produtores/comercializadores. As respostas comuns foram agrupadas, entretanto, as respostas distintas também foram analisadas. Serão apresentadas, em forma de transcrição, para cada bloco de pergunta, as respostas que mais sintetizam a resposta comum dos produtores/comercializadores. 1. Por qual motivo optou pela produção orgânica? Para essa questão, todas as declarações foram similares, traduzindo o respeito dos produtores/comercializadores em relação à terra, ao meio ambiente (mesmo inconscientemente) e principalmente ao ser humano, no papel do consumidor, sendo esse o maior destaque. Também foram declaradas preocupações com a própria saúde e com a saúde de seus familiares, no que diz respeito ao manuseio de agrotóxicos e adubos químicos, quando na produção convencional, e preocupações quanto à alimentação proveniente dos hortifrutis convencionais. Ademais, o fator cultural também foi bem ressaltado pelos produtores, que sempre produziram de acordo com as normas e técnicas do sistema de produção orgânico. Estes declararam ter herdado de seus pais as práticas e o conhecimento do sistema de produção orgânico. [...] Pra gente que trabalha direto com o freguês não tem como trabalhar de outra forma não. Não dá pra vender veneno não. Vender uma coisa que você sabe que vai fazer mal. Ah, não dá não (José Maria Fraga). [...] Eu trabalho na roça a minha vida toda e já trabalhei muito com veneno. Mas depois que meu amigo morreu, não quero mais isso não. Esse caso é triste que foi 156 quando meu amigo morreu de câncer. Ele teve câncer de tanto fumar com a mão suja de veneno. Depois disso, decidi que não queria mais não (Magela da Silva). 2. Está satisfeito em produzir e comercializar hortifrutis orgânicos? O que considera vantagem e desvantagem na produção orgânica? Relativamente à satisfação dos produtores/comercializadores quanto à produção e comercialização dos hortifrutis orgânicos, todas as declarações expressaram contentamento. Entretanto, no que concerne às declarações quanto às vantagens e quanto às desvantagens do sistema de produção orgânico, foi observada uma variedade maior de declarações. De forma geral, as declarações dadas que expressavam desvantagens eram seguidas de declarações realçando as vantagens. Nenhum produtor/comercializador declarou qualquer tipo de insatisfação ou declarou mais desvantagens do que vantagens. Nesse sentido, inclusive, houve declarações de não haver desvantagem. [...] Oh, demais. Meu Deus do Céu. (José Maria Fraga). [...] O produto com agrotóxico é mais bonito, mas engana o freguês (José Maria Fraga). (desvantagem) [...] Mesmo tendo prejuízo é maior a satisfação de não enganar o cliente (Geraldo da Silva). (desvantagem) [...] O lucro é pouco, muito pouco (Roberto Siqueira). (desvantagem) [...] A maior satisfação que tem é você conquistar o freguês. Ver que ele confia em você porque sempre volta. Aqui a gente conhece todo mundo. Quem compra aqui sempre compra porque confia em nós (José Silva). (vantagem) 3. O lucro de uma produção orgânica é superior ao lucro de uma produção convencional? As declarações foram unânimes em afirmar que o lucro da produção orgânica não é superior ao lucro da produção convencional. Entretanto, analisando as declarações, conclui-se que a satisfação dos produtores em produzir hortifrutis orgânicos supera esse entrave. Na 157 concepção desses produtores, o lucro dá-se através da satisfação em oferecer produtos saudáveis, ao invés de produtos nocivos à saúde, e do sentimento de conquistar a confiança dos consumidores. [...] De jeito nenhum. Na produção convencional o lucro é maior. Mas tem muitos produtores que só pensam no lucro e não estão nem aí pra saúde não. O maior lucro é não estar enganando ninguém. Esse é o lucro (Antonio dos Santos Silva). 4. Acredita que, se houvesse mais investimento do governo federal nesse setor, haveria crescimento do setor? Identifica algum entrave/gargalo para o crescimento do mercado de orgânicos em sua região? Qual (s)? Todos os produtores/comercializadores declararam certa conformidade e satisfação com os incentivos e apoio recebidos do governo do estado – EMATER e da prefeitura de Sabará. Entretanto, de forma unânime, todos declararam o desejo de aumentar sua produção quanto à qualidade e quantidade. Para tal, declararam a necessidade de um trator agrícola, chamado por eles de “girico”. Segundo esses produtores, com o auxílio do “girico”, que seria utilizado por todos os associados, haveria aumento de produção e melhores condições de trabalho. [...] O pessoal da EMATER é muito bom pra nós. Eles visitam nós, ensinam... são muito bons (Roberto Siqueira). [...] A prefeitura dá muito apoio pra gente trabalhar. Dá o ônibus e apoia a gente. Se não fosse a prefeitura... Só falta arrumar o girico que a gente tá pedindo, aí vai ficar melhor ainda (Antonio dos Santos Silva). [...] Ah, com certeza. Podiam oferecer incentivos para outros produtores produzirem assim também. Mostrar a verdade pra eles, mas eles sabem também, sabem e não querem mudar pro melhor por causa do dinheiro (Magela da Silva). [...] Pra gente que já tem idade vai ficando mais difícil. O girico faz o trabalho de dez homens de uma só vez. Ajuda muito (José Maria Fraga). 158 5. Atualmente, há demanda para toda a sua produção? Tudo o que produz vende, ou sobra? Acredita que se produzisse mais haveria consumidores para esse aumento de produção? Os produtores/comercializadores se mostraram um pouco confusos com essa pergunta, demonstrando incerteza em suas afirmações. As declarações apresentadas não foram unânimes, havendo considerável divisão de opinião. [...] Depende muito. Tem época que tá bom, os produtos estão bonitos, aí vende tudo. Tem época assim, por causa da chuva, que fica difícil. Aí a produção fica pouca, feia e não fica muito bom não (José Siqueira). [...] Hum, não sei. Acho que não. Só se fosse em outra feira porque aqui os fregueses já são certos (Antonio dos Santos Silva). [...] Vende. Todo o freguês daqui conhece a gente e volta. Vende sim (José Silva). 159 5 CONCLUSÃO De acordo com os objetivos deste trabalho, para a identificação do perfil sociodemográfico dos consumidores orgânicos, estes foram subdivididos em dois grupos, sendo o primeiro o grupo dos consumidores regulares, e o segundo, o grupo dos consumidores eventuais. Dessa forma, foram percebidas diferenças consideráveis na situação sociodemográfica dos consumidores desses dois grupos. De acordo com os resultados da pesquisa, o consumidor de hortifrutis orgânicos são homens e mulheres, casados, sendo o mercado consumidor dominado pelas mulheres. Os homens têm idade superior a 50 anos e nível médio de escolaridade, enquanto as mulheres têm entre 36 e 50 anos e nível superior ou pós-graduação. Os residentes no mesmo lar são o cônjuge e filhos maiores. A renda familiar média desse consumidor fica entre R$ 3.000,00 e R$ 5.000,00, sendo as mulheres as que possuem maior renda. A maior participação é a dos consumidores do sexo feminino, tanto no que diz respeito aos consumidores regulares (57%), quanto aos consumidores eventuais (56%). Relativamente ao estilo de vida e percepções dos consumidores quanto aos hortifrutis orgânicos, foi realizada a análise comparativa das declarações de todos os consumidores entrevistados, subdivididos em dois clusters. O primeiro cluster compreende os consumidores que declararam consumo de hortifrutis orgânicos eventual (34%), com periodicidade quinzenal, mensal ou superior, estando esses consumidores subdivididos por gênero, e o segundo cluster compreende os consumidores que declararam consumo de hortifrutis orgânicos regular (66%), com periodicidade diária ou semanal. Contudo, de acordo com os resultados da pesquisa, conclui-se que os consumidores regulares estão mais suscetíveis a um estilo de vida mais saudável quando comparados aos consumidores eventuais. Foram percebidas similaridades e diferenças relevantes quanto ao estilo de vida e às percepções desses consumidores. Quanto aos atributos determinantes na decisão de compra dos hortifrutis orgânicos, os consumidores os hierarquizaram de acordo com o seu grau de importância em sua decisão de compra. Para melhor compreensão do comportamento desses consumidores quanto aos atributos determinantes em sua decisão de compra, esses consumidores foram subdivididos 160 em dois grupos, consumidores do sexo masculino e consumidores do sexo feminino, respectivamente. Dessa forma, notou-se considerável diferença em suas declarações. Benefícios à saúde foi o atributo considerado mais importante pelos consumidores, tanto do sexo masculino quanto do sexo feminino, seguido pelo sabor diferenciado. O terceiro atributo mais importante, segundo os consumidores do sexo masculino, é o valor nutricional que, para as mulheres, é o quarto atributo mais importante. Ainda como um atributo importante, em sua decisão de compra, os consumidores do sexo masculino apontaram a credibilidade e os benefícios ao meio ambiente como quarto e quinto atributos, respectivamente. Os atributos de menor importância, segundo esses consumidores, são durabilidade, preço, certificação, formato e aparência e acesso ao ponto de venda, respectivamente. Os consumidores do sexo feminino apontam a durabilidade como o terceiro atributo mais importante em sua decisão de compra, e formato e aparência como o quinto atributo. Os atributos de menor importância, segundo essas consumidoras, são os benefícios ao meio ambiente, credibilidade, certificação, acesso ao ponto de venda e preço, respectivamente. Dessa forma, os atributos determinantes de maior importância comuns, segundo as declarações dos consumidores do sexo masculino e feminino, são os benefícios à saúde, sabor diferenciado e o valor nutricional, enquanto os benefícios de menor importância comuns são preço, certificação e acesso ao ponto de venda. Quanto aos produtores/comercializadores dos hortifrutis orgânicos, buscou-se identificar o seu perfil sociodemográfico. De acordo com os resultados da pesquisa, o produtor/comercializador de hortifrutis orgânicos tem idade superior a 50 anos, é casado e reside no mesmo lar com cônjuge e filhos maiores, que também trabalham na produção e comercialização dos hortifrutis orgânicos. O nível de escolaridade desses produtores/comercializadores é o primeiro grau, e produzem agricultura orgânica por mais de 20 anos, nunca tendo produzido agricultura convencional. Sua renda familiar mensal é de menos de R$ 600,00, proveniente exclusivamente da produção e comercialização dos hortifrutis orgânicos. Contudo, quanto ao perfil sociodemográfico dos consumidores orgânicos e dos produtores/comercializadores orgânicos, há diferenças consideráveis. Enquanto os consumidores orgânicos apresentam grau de instrução e renda elevados, os produtores/comercializadores apresentam baixa instrução e renda bem inferior. 161 Os principais valores, crenças e atitudes dos produtores/comercializadores resumem-se no fato de que todos os entrevistados demonstraram enorme consciência ambiental através do respeito com o meio ambiente, especificamente, com a terra. A consciência ambiental característica desses produtores/comercializadores não se apresentou como fator competitivo para a comercialização dos seus hortifrutis. Entende-se, assim, que, para eles, a agricultura orgânica é a maneira correta de produzir, não se tratando de um diferencial competitivo. A maior parte dos produtores/comercializadores declarou nunca ter produzido de acordo com a agricultura convencional, ou seja, com o uso de adubos químicos e agrotóxicos. Esses produtores/comercializadores declararam ter herdado as práticas da agricultura orgânica de seus pais, que herdaram de seus avôs, e assim por diante. A satisfação desses produtores/comercializadores como produtores orgânicos foi fator de destaque nas declarações de todos, apesar de algumas desvantagens citadas. Entretanto, as vantagens alegadas se sobrepuseram a tais entraves. A maior vantagem, segundo esses produtores/comercializadores, é oferecer o que faz bem ao consumidor e não alimentos nocivos à sua saúde. Dessa forma, declararam que essa é a maior satisfação em ser um produtor e comercializador orgânico: oferecer verdade, oferecer saúde. A principal desvantagem citada foi relacionada à renda. Todos declararam renda familiar de até R$ 600,00, exclusiva da produção e comercialização dos hortifrutis orgânicos, e julgaram baixa essa renda. Contudo, notou-se certa concordância e até mesmo satisfação (relacionada à renda), apesar da consciência, expressa nas declarações, de que a renda é baixa. Notou-se que, para esses produtores/comercializadores, o fato de terem suas terras e delas tirarem o alimento próprio e de sua família já seria suficiente. Ademais, declararam acreditar que, pela sua idade e grau de instrução, não teriam condição de obter renda superior. Em relação ao apoio das políticas públicas, através do governo do estado e da prefeitura, mostraram-se satisfeitos e até mesmo com forte sentimento emocional, apesar de alguns, a minoria, acreditarem que poderia haver mais apoio. Entretanto, todos os produtores/comercializadores declararam que um trator agrícola chamado por eles de “girico” ajudaria nas condições de trabalho e expandiria a sua produção quanto à qualidade e quantidade. De acordo com os números a respeito do mercado de orgânicos, pode-se dizer que esse mercado, no Brasil e no mundo, cresceu consideravelmente nos últimos 10 anos, assim como sofreu uma mudança a consciência do consumidor, que vem buscando, cada vez mais, um 162 estilo de vida saudável, o que pode vir a explicar o crescimento desse mercado. Críticas e mitos quanto aos reais benefícios de uma alimentação baseada na dieta orgânica foram desmistificados por pesquisas científicas de âmbito mundial, que já comprovaram esses benefícios. De acordo com os resultados da pesquisa, os consumidores orgânicos regulares podem ser considerados consumidores seletivos, diferenciados e com um estilo de vida mais saudável quando comparados aos consumidores eventuais de hortifrutis orgânicos ou aos consumidores de hortifrutis convencionais. Dessa forma, pode-se dizer que o mercado de orgânicos busca um determinado nicho de mercado, ou seja, não busca concorrer com a agricultura convencional. Mesmo diante do crescimento do mercado de orgânicos, ainda há grande dificuldade de acesso às informações quanto à agricultura orgânica. Para a construção da base teórica, no que diz respeito ao mercado de orgânicos, houve grande dificuldade de acesso às informações, tanto relativamente aos órgãos públicos, quanto aos órgãos privados, inclusive, quanto ao Ministério de Abastecimento, Pecuária e Agricultura - MAPA. A pesquisa realizada apresenta limitações e, por isso, propõe a realização de outras pesquisas descritivas, comparativas, qualitativas ou quantitativas, para testar as proposições aqui apresentadas. Em razão da limitação do tempo e da dificuldade de acesso, não foi possível a realização de entrevistadas com órgãos governamentais. Da mesma forma, a pesquisa foi realizada em apenas uma região, e, sendo assim, propõe-se que os resultados encontrados sejam comparados com resultados de pesquisas a serem realizadas em outras regiões. 163 REFERÊNCIAS BAKER, Susan; THOMPSON, Keith E.; ENGELKEN, Julia. Mapping the values driving organic food choice: Germany vs the UK. European Journal of Marketing, v.38 n.8, p.9951012, 2004. BARBOSA, Luciano Celso Brandão Guerreiro. A comercialização de produtos orgânicos como alternativa para a geração de sustentabilidade aos agricultores familiares. 2007. 262 f. 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Nome: ___________________________ E-mail: ___________________________ Telefone: ___________________________ Muito obrigada! 169 I – DEMOGRAFIA Marque com um “X” a opção correta para as questões número 1, 2, 3, 5 e 6. A questão número 4 poderá ter mais de uma opção. 1. Sexo ( ) Feminino ( ) Masculino 2. Faixa Etária ( ) 21 a 35 anos ( ) 36 a 50 anos ( ) mais de 50 anos 3. Estado Civil ( ) solteiro ( ) casado ( ) divorciado ( ) viúvo ( ) outro 4. Membros da família e/ou outros que residem na mesma casa ( ) moro só ( ) moro com meus pais ( ) moro com meus pais e irmãos ( ) moro com cônjuge ( ) moro com cônjuge e filhos menores ( ) moro com cônjuge, filhos menores, filhos maiores e/ou outros adultos ( ) moro com cônjuge e filhos maiores e/ou outros adultos 5. Escolaridade ( )1° grau ( )2° grau completo ( )3° grau incompleto ( )3º grau ( ) Pós graduado 6. Renda Familiar ( ) até R$ 1.200,00 170 ( ) até R$ 3.000,00 ( ) até R$ 5.000,00 ( ) até R$ 8.000,00 ( ) maior que R$ 8.000,00 7. Com que frequência consome hortifrutis orgânicos – frutas, legumes e verduras? ( ) diariamente ( ) semanalmente ( ) quinzenalmente ( ) mensalmente ( ) eventualmente II – ESTILO DE VIDA E PERCEPÇÕES Marque com um “X” a coluna mais adequada em sua opinião para as questões abaixo: ESTILO DE VIDA S C À R N E O S A U M M R N P F V A C R R E M A E E Z E Q E N U S T Ê N C I A 1. Consumo hortifrutis orgânicos regularmente 2. Todos os residentes da minha casa consomem hortifrutis orgânicos 3. Compro hortifrutis orgânicos somente nas Feiras Orgânicas 4. Compro hortifrutis orgânicos nas Feiras Orgânicas e em outros pontos de venda 5. Sou vegetariano (a) 6. Sou adepto (a) a alimentação balanceada e adepto a dietas 7. Sou adepto (a) a atividades físicas e pratico regularmente 8. Freqüento parques ecológicos e atividades relacionadas à natureza 9. Faço exames médicos (check-up) pelo menos uma vez por ano 10. Sou adepto (a) a medicina alternativa E 171 11. Faço uso de suplementos alimentares 12. Sou membro ou freqüentador de alguma religião 13. Procuro reduzir o consumo de água, luz e combustível 14. Procuro reduzir o consumo de produtos descartáveis; dou preferência às embalagens biodegradáveis e reutilizáveis; busco reduzir o lixo produzido; realizo coleta seletiva S P S P I R E R Ã M O M O O A O A V P V E I E L N L M I M E Ã E N O N V PERCEPÇÕES 15. Considero ser bem informado (a) quanto aos produtos orgânicos 16. Considero ter consciência ambiental 17. Considero o valor dos hortifrutis orgânicos alto 18. Caso o preço dos hortifrutis orgânicos fosse menor, o meu consumo seria maior 19. Considero a oferta dos hortifrutis orgânicos pequena 20. Caso a oferta dos hortifrutis orgânicos fosse maior, o meu consumo também seria maior 21. Caso houvesse mais pontos de venda de hortifrutis orgânicos próximos a minha casa / trabalho, o meu consumo seria maior V T T E E S N I Ã M O N 172 III – ATRIBUTOS DETERMINANTES NA DECIS ÃO DE COMPRA Enumere de forma crescente os atributos determinantes na sua decisão de compra dos hortifrutis orgânicos – frutas, legumes e verduras, sendo o número 1 o atributo mais importante e o atributo número 10 o menos importante em sua opinião. ( ) Benefícios à saúde ( ) Benefícios ao maio ambiente ( ) Sabor diferenciado ( ) Formato e aparência diferenciados ( ) Maior durabilidade ( ) Valor nutricional diferenciado ( ) Certificação ( ) Credibilidade ( ) Preço ( ) Fácil acesso ao ponto de venda 173 ANEXO II - Questionário aplicado aos produtores/comercializadores dos hortifrutis orgânicos Mestrado em Administração: Mestranda Aline Ramalho Dias de Souza Título da Dissertação: Análise do Comportamento do Consumidor e do produtor/comercializador de hortifrutis orgânicos da região metropolitana de Belo Horizonte. Prezados produtores / comercializadores, peço a sua participação, respondendo às questões abaixo. As declarações prestadas bem como a sua identidade destinam-se exclusivamente à pesquisa. Nome próprio: ______________________________________________ Nome do estabelecimento de produção: ______________________________________________ Endereço e telefone do estabelecimento de produção: ______________________________________________ Produtos produzidos: ______________________________________________ 174 Responda às questões marcando com um “X” a opção correta. 1. Sexo ( ) Feminino ( ) Masculino 2. Faixa Etária ( ) 21 a 35 anos ( ) 36 a 50 anos ( ) mais de 50 anos 3. Estado Civil ( ) solteiro ( ) casado ( ) divorciado ( ) viúvo ( ) outro 4. Número de filhos ( ) não tenho filhos ( )1 ( )2 ( )3 ( ) mais de 3 filhos 5. Membros da família e/ou outros que residem na mesma casa (quantas opções forem necessárias para compor os residentes da sua casa). ( ) moro só ( ) moro com cônjuge ( ) moro com filhos menores ( ) moro com filhos maiores ( ) moro com outro (s) adulto (s) 6. Total de membros da família, residentes na mesma casa, que trabalham no cultivo e comercialização dos hortifrutis orgânicos – frutas, legumes e verduras, incluindo você: ( ) somente eu em minha família ( ) eu e todos os membros de minha família 175 ( ) eu e somente um membro de minha família ( ) eu e somente dois membros de minha família 7. Total de pessoas, além de familiares, que trabalham na minha produção: ( ) mais uma pessoa ( ) mais duas pessoas ( ) mais três pessoas ( ) mais quatro pessoas. Quantas? ___ 8. Renda familiar através da produção e comercialização dos hortifrutis orgânicos – frutas, legumes e verduras: ( ) menor que R$ 600,00 ( ) R$ 600,00 a R$ 1.000,00 ( ) R$ 1.000,00 a R$ 2.000,00 ( ) R$ 2.000,00 a R$ 3.000,00 ( ) maior que R$ 3.000,00 9. Escolaridade ( ) 1° grau ( )2° grau ( ) 3º grau 10. Tempo de atividade na produção e comercialização dos hortifrutis convencionais – frutas, legumes e verduras: ( ) nunca produzi ( ) 1 a 3 anos ( ) 3 a 5 anos ( ) 5 a 10 anos ( ) 10 a 15 anos ( ) 15 a 20 anos ( ) mais de 20 anos 11. Tempo de atividade na produção e comercialização dos hortifrutis orgânicos – frutas, legumes e verduras: ( ) menos que 1 ano ( ) 1 a 3 anos ( ) 3 a 5 anos ( ) 10 a 15 anos ( ) 15 a 20 anos ( ) mais de 20 anos ( ) 5 a 10 anos 176 ANEXO III - Roteiro da Entrevista em profundidade com os produtores/comercializadores dos hortifrutis orgânicos 1. Por qual motivo optou pela produção orgânica? 2. Está satisfeito em produzir e comercializar hortifrutis orgânicos? O que considera vantagem e desvantagem na produção orgânica? 3. O lucro de uma produção orgânica é superior ao lucro de uma produção convencional? 4. Acredita que, se houvesse mais investimento do governo federal nesse setor, haveria crescimento do setor? Identifica algum entrave/gargalo para o crescimento do mercado de orgânicos em sua região? Qual (s)? 5. Atualmente, há demanda para toda a sua produção? Tudo o que produz vende, ou sobra? Acredita que, se produzisse mais, haveria consumidores para esse aumento de produção?