IMPRESSO
Junho de 2006 -
As três grandes celebrações surpreenderam pela participação. 05, 13 e16
Carta Eucarística é a mensagem oficial do Congresso. 15
www.arquifloripa.org.br
Nº 113 - ANO X
FLORIANÓPOLIS - SC
EDIÇÃO ESPECIAL DO 15º CONGRESSO EUCARÍSTICO NACIONAL
Junho de 2006
IDE E ANUNCIAI!
“Ele está no meio de nós!”
foi o tema do 15º Congresso
Eucarístico Nacional, que,
nos dias 18 a 21 de maio,
transformou Florianópolis em
Altar do Brasil. Mais que fragmento de um texto bíblico e
tema do Congresso, a citação é uma certeza: “Ele está
no meio de nós!”.
Para todos aqueles que,
nesses cinco dias, participaram das horas de Adoração, das palestras, das celebrações, dos Encontros
de massa no Estádio, ou
acompanharam o Congresso pelos meios de comunicação, e assim ficaram mais próximos de Jesus Eucarístico, “Ele está
no meio de nós!” é agora
uma constatação.
E como Tomé, que viu
para crer, eles podem agora dizer: Nós vimos o Cristo
ali presente, em cada irmão
e irmã. Porque “viemos e
vimos”, sentimo-nos agora
impulsionados a “ir e anunciar”, em cada momento e
local de nossa vida diária:
“Ele está no meio de nós!”
Esta edição especial do
Jornal da Arquidiocese quer
ajudar a guardar na memória e no coração os mais belos momentos desses dias
que jamais iremos esquecer.
Procissão Luminosa foi o primeiro Celebrações em Nova Trento
evento e funcionou como termô- e nas comunidades foram
metro do Congresso. 04
elogiadas pelos bispos. 07
Simpósio Teológico refletiu
Jovens tiveram dia especial
sobre a Eucaristia e a trans- com concentração, caminhada,
formação da sociedade. 11 show e celebração. 12 e 13
2
OPINIÃO
- Junho de 2006
EDITORIAL
PALAVRA DO BISPO
SEMEADORES,NÃOTRIUNFADORES
O
sucesso histórico não é o metro para todas as coisas.
“Por certo, Jesus não é o advogado dos homens de
sucesso na história. [...] O que ele quer não é nem o
sucesso nem o insucesso, mas a aceitação dócil do julgamento de Deus” (D. Bonhoeffer. Ética, 67). A alegria da vida cristã
não provém do trunfo de se poder afirmar “o Brasil é o maior país
católico do mundo”, nem sua tristeza tem origem no constatar
que a Igreja católica perde anualmente 1% de seus membros.
Publica-se que no Brasil 60% da população é católica.
Constantino em 311 concedeu liberdade aos cristãos quando eles constituíam apenas 10% da população do Império romano (6 milhões em 60). Ele, porém, percebeu na fé cristã uma
força nova, um estilo de vida que tinha uma palavra forte para a
sociedade. Perguntemos: é grande sucesso ter alcançado 10%
da população após 300 anos de evangelização? Realmente,
Cristo não é advogado dos homens de sucesso! A vitória de
Cristo é a doação incondicional das pessoas, o martírio de inteiras comunidades, a fidelidade sem reservas à sua pessoa. Os
discípulos, não os números, dão testemunho do poder da fé.
O cristianismo não é de estatísticas, mas de santos. É
desafiador afirmar com Santo Inácio de Antioquia, a caminho
do martírio em Roma: “O cristianismo não é obra de persuasão, mas de grandeza”. Grandeza de testemunho, de coragem, de fé/adesão ao Senhor Jesus.
É motivo de vergonha para quem ama a Igreja e o Evangelho
a preocupação e angústia de tantos cristãos diante da publicação de evangelhos gnósticos, como o de Judas, ou de Tomé,
diante de uma literatura feita de mediocridade histórica e bom
tempero de suspense como o Código da Vinci. Vergonha, porque o evangelho de Judas é conhecido desde o século II, o
mesmo se dizendo de tantos livros apócrifos do período posterior à era apostólica. Lá, como hoje, buscava-se saciar a curiosidade sobre a vida oculta de Jesus, o destino do Iscariotes
traidor, a vida de José e Maria, o fascínio despertado pela
“A realidade histórica do
personagem Maria Madalena. O que não se sabe se
cristianismo é a vida dos
inventa e o curioso sente-se
cristãos brotada da meditarecompensado.
ção da Palavra de Deus e
Dissemos vergonha pormovida pela Graça. Formaque a tal de angústia é atesmos
militantes, ‘agentes’ de
tado de que nossa catepastoral, e não discipulos”.
quese e formação de cristãos é moralizante, pendendo para a ética, querendo fazer do cristianismo a “arte do bom
comportamento”. Tanto na catequese infanto-juvenil como nos
cursos de teologia para leigos, a vida de Jesus e a história da
Igreja e de suas primeiras comunidades são praticamente
deixadas de lado. Deste modo, o último sucesso editorial ou
de mídia que aparecer na praça deixará tantos cristãos em
dúvida, perplexos: estariam sendo enganados pela Igreja?
O fundamento de nossa fé é a encarnação-morte-ressurreição do Filho de Deus que nos oferece vida em plenitude.
Tudo por graça, por dom de Deus. Essa verdade a Igreja transmite meditando os 73 livros da Sagrada Escritura. A vida de
seu Senhor e mestre está contida nos 4 Evangelhos de Mateus,
Marcos, Lucas e João. A Sagrada Escritura transmitida pela
Igreja nos dá a segurança do ato de fé, da entrega de nossa
vida a Deus, de iniciarmos sempre de novo o caminho cristão
até a consumação final em Cristo, no Espírito Santo.
A realidade histórica do cristianismo é a vida dos cristãos
brotada da meditação da Palavra de Deus e movida pela Graça. Formamos militantes, “agentes” de pastoral e talvez nos
despreocupemos do único necessário: formar discípulos. A
vida é curta para completarmos o discipulado. No momento
do julgamento, com sua inesgotável misericórdia Deus completará o que falta.
Velhinho, pouco antes de ser triturado pelas feras do circo romano, Inácio de Antioquia afirmou: “Agora começo a ser
discípulo de Cristo”. Também nós.
Pe. José Artulino Besen
www.arquifloripa.org.br/jornal
e-mail: [email protected]
Uma imagem do 15º CEN
P
ara mim, pensar no 15º Con- imagem de uma das cinco celebrações de sábado ao
gresso Eucarístico Nacio- meio-dia, em ritos diferentes e em coloridos diversos.
nal é ser envolvido por uma E por que não escolher como imagem-símbolo a foto
multidão de imagens – imagens de uma das quinhentas celebrações eucarísticas da
que formam um grande e belo sexta-feira à noite em centros de cidades e em comumosaico. Lembrando-me daque- nidades distantes? Afinal, foram missas e procissões
les dias em que Florianópolis foi eucarísticas marcadas pelo carinho de quem acolhia e
o altar do Brasil, convenço-me, pelo entusiasmo de quem presidia. A dúvida permanecada vez mais, de que Ele está ce. Que bela imagem a do povo todo cantando, como
no meio de nós! Não sei de se fosse um só coração, o empolgante hino do Conquanto tempo nós, desta Arqui- gresso: Vinde e vede, vinde! Ele está no meio de nós!
diocese, necessitaremos para tomar consciência da Ele está no meio de nós! Ou da alegria da Comissão
graça que recebemos. Provavelmente nunca consegui- de Recepção, no aeroporto, acolhendo, com esse
remos conhecer as dimensões de tal graça. Vivemos mesmo canto, os passageiros que chegavam, congresum momento histórico, vivemos um kairós – isto é, um sistas ou não? Poderia ser esquecido o Simpósio Teomomento abençoado, pois recebemos um dom que lógico, no grande salão do Centro-Sul, com três mil
tem sua fonte na vida trinitária do próprio Deus.
congressistas atentos aos palestrantes? Ou a SecreSinto, agora, necessidade de escolher uma ima- taria do Congresso e a Sala de Imprensa, com mãos,
gem-símbolo daqueles dias que foram um verdadeiro ouvidos e vozes que se multiplicavam, para atender a
tsunami espiritual. Poderia utilizar-me de uma das fo- todos ao mesmo tempo? Seria igualmente interessantos que foram feitas – são milhares e são belíssimas! te uma imagem dos policiais que acompanhavam o
Por trás de cada uma há histórias, trabalho e cruz; há a desenrolar dos acontecimentos, surpresos com a trandedicação de voluntários, há amor e paixão; há nomes qüilidade das multidões que se movimentavam. Ou dos
conhecidos e rostos desconhecidos; há a alegria por profissionais da saúde, que de serviçais tornaram-se
ver resultados que ultrapassaram o que havia sido pla- expectadores. E, por que não?, a escolha poderia renejado e a gratidão de quem considerou um imenso cair sobre a imagem do rosto da jovem com deficiência
privilégio ter podido participar desse mutirão eucarístico. visual total: na missa de encerramento, depois de ter
Mas, que imagem escolher? O desafio é imenso! feito a leitura da Palavra de Deus, valendo-se, para isso,
Poderia ser a foto de uma das inúmeras reuniões pre- da transcrição do texto em braille, voltou para seu lugar
paratórias, quer da Comissão Cencom um sorriso celestial...
tral quer das Comissões Setoriais.
É preciso decidir-me quanto
“Não sei de quanto tempo nós, antes pela imagem-símbolo, já que
Ou uma da evolução artística feita
desta Arquidiocese, necessita- lembrança puxa lembrança e a
pelo grupo formado por quatrocentas crianças e jovens na abertura do
escolha torna-se cada vez mais diremos para tomar consciência
Congresso. Quem sabe não seria
fícil. Opto, então, por uma imagem
da graça que recebemos.
melhor uma do coral de mil vozes
que presenciei na manhã de sexVivemos um momento histórique cantou na missa de domingo?
ta-feira, no Centro-sul. Havia entraco, vivemos um kairós – isto é, do com o Enviado Extraordinário do
Ou do grupo coral e da banda que
um momento abençoado”.
estiveram à frente do canto, nas misPapa Bento XVI e o Núncio Apossas de quinta-feira e do sábado?
tólico no Brasil na Capela da AdoUma foto adequada seria do Altar, belissimamente or- ração Eucarística Até parecia que havia combinado
namentado, tendo a imagem da Fuga para o Egito e da com o grupo que orientava o momento de adoração:
Ponte Hercílio Luz como pano de fundo. Mas como foi entoado, naquele momento, o Hino do Congresso
esquecer a da multidão que, para surpresa dos própri- Eucarístico Internacional do Rio de Janeiro, em 1955:
os organizadores, acorreu ao Lucernário, na noite de “De todo o canto, vinde, correi, foi posta a mesa do
quarta-feira, na instalação do altar da Adoração? Pode- nosso Rei”. Vi, de repente, uma cena inesquecível:
ria ser escolhida uma foto dos voluntários que em nu- uma jovem mãe rezava com seus dois filhos. Ela, ajomerosos pontos e portões davam indicações para os elhada, estava tão concentrada em sua oração que
que chegavam às celebrações e, com alegria, distribu- parecia nem se dar conta de que seus garotos estaíam folhetos e jornais. Ou das famílias acolhendo con- vam ali, na sua frente. Qual a idade deles? Tive a imgressistas de perto e de longe, na alegria de saber que pressão de que um não fizera, ainda, quatro anos de
vinham em nome do Senhor. E por que não uma da idade. O outro, talvez tivesse cinco. Sentados sobre
procissão eucarística, após a celebração de abertura, as pernas cruzadas, com o queixo apoiado nos bracom o ostensório que encantou a todos? Ou uma de ços, olhavam fixamente para o ostensório com a Hósjovens e adultos, padres e bispos, fazendo “ola” antes tia consagrada. Olhavam, não, contemplavam longa e
da Missa de sábado à noite? Como esquecer, contudo, silenciosamente. Parecia-lhes natural fazer isso. Não
a entrada dos bispos na missa de quinta-feira, com sei o que rezavam. Não sei como rezavam. Tive a
paramentos e mitras que reproduziam detalhes da impressão, contudo, de que, de todas as orações que
logomarca do Congresso? Seria oportuna, também, nasceram ao longo dos dias do Congresso, naquela
uma foto do verdadeiro tapete de guarda-chuvas e som- grande tenda de adoração – orações e gestos de adobrinhas, na missa do domingo de manhã – tapete que ração que devem ter agradado muito a Jesus
cobria todo o campo de futebol, subia pelas arquiban- Eucarístico – a oração daqueles dois garotos foi uma
cadas e se estendia por fora do estádio. Talvez a esco- das que mais lhe agradou. Curiosamente, alegrei-me
lha pudesse recair sobre a Sala da Reconciliação, com com o fato de que nenhum fotógrafo se encontrasse
penitentes esperando pacientemente sua vez de se ali para registrar aquele momento. Melhor assim, penconfessar. Ou – por que não? – sobre a fotografia do sei, porque fotos reproduzem cenas, não o interior
Santuário Santa Paulina, com um número histórico de das pessoas. O interior fica registrado somente e, para
bispos e padres concelebrantes. Como esquecer o au- sempre, no coração do próprio Deus.
ditório do ITESC que, apesar de suas dimensões, tornou-se pequeno para acolher a multidão que acorreu
Dom Murilo S.R. Krieger, scj
para participar do Painel Ecumênico? Poderia ser uma
Arcebispo de Florianópolis e presidente do 15º CEN
Periodicidade mensal - 21.000 exemplares
Rua Esteves Júnior, 447
88015-130 - Florianópolis - SC
Fone/Fax: (048) 3224-4799
Diretor e Revisor: Pe. Ney Brasil Pereira - Conselho Editorial: Dom Murilo S. R. Krieger, Dom José Negri, Pe. João
Francisco Salm, Pe. JoséArtulino Besen, Pe. Vitor Galdino Feller, Ir. Marlene Bertoldi, Luciano Leite da Silva Filho, Carlos Martendal,
Fernando Anísio Batista - Jornalista Responsável: Zulmar Faustino - SC 01224 JP - Departamento de Publicidade: Pe.
Francisco Rohling - Editoração: Zulmar Faustino - Fotos: Virgínia Yunes e Foto B - Distribuição: Juarez João Pereira Impressão e Fotolitos: Diário Catarinense - Participação Especial
Especial: e Estudantes de Jornalismo da Faculdade Estácio de Sá
Junho de 2006 -
3
Meios de Comunicação transmiti- ENTREVISTA
ram o Congresso para todo Brasil 15º CEN: a graça de cumprir o desafio
A
participação dos fiéis no
15º Congresso Eucarístico Nacional foi muitas
vezes ampliada através dos
meios de comunicação que fizeram a cobertura do evento.
Emissoras de rádio e TV’s formaram um pool de transmissão ao vivo levando o congresso para aqueles que não puderam vir a Florianópolis. Jornais,
revistas e a internet também foram decisivos nesse trabalho.
As celebrações e os principais eventos do Congresso
puderam ser acompanhados
diariamente e, ao vivo, nas
emissoras de televisão e rádio.
As TV’s Aparecida, Rede Vida
de Televisão, TV Canção Nova,
TV Século 21, TV Milícia e TV
Nazaré, formaram um pool de
transmissão ao vivo. Os eventos foram transmitidos através
de uma empresa contratada
que os retransmitia pelas emissoras católicas.
A Rádio Cultura 1110 AM –
Mais Feliz com Jesus foi a geradora do sinal para o pool das
diversas emissoras e redes de
rádio de inspiração católica, as
afiliadas da Rede Católica de
Rádios, Rede Milícia Sat, Rede
O
15º Congresso Eucarístico Nacional foi o resultado do trabalho incansável de mais de três mil voluntários que dedicaram boa
parte do seu tempo ao longo
de quatro anos, e mais especialmente nos últimos meses,
e em muitos casos por até 24h
nos dias do Congresso.
A frente desta maratona, esteve o Pe. Vilmar Adelino
Vicente, Secretário Geral do
Congresso. Ele contou com a
experiência adquirida na visita
do Papa João Paulo II a Florianópolis, em 1991. Na entrevista que segue, Pe. Vilmar fala
do duro trabalho de organizar o
15º CEN, do apoio recebido e
da alegria de termos sido a
sede desse importante evento.
Canção Nova, Rede América e
Rede Sul de Rádios.
Mais de 300 rádios captaram o sinal do Congresso ao
mesmo tempo. Elas transmitiam as celebrações e os dois
boletins diários. Além disso, as
rádios fizeram flash de notícias
e entrevistas a todo momento.
Internet – O site do Con.cen2006.org.br)
gresso (www
(www.cen2006.org.br)
e a Canção Nova (www
(www..
cancaonova.com) destacaram
equipes especiais e colocaram diariamente as últimas informações sobre o evento.
Os meios de comunicação
não católicos também receberam atenção. Para atendê-los,
foi formada uma equipe de assessoria de imprensa, que orientou e acompanhou os jornalistas, e diariamente encaminhava notícias aos jornais, rádios, TV’s e sites de Florianópolis, do Estado e do Brasil.
Para auxiliar na cobertura
de todos os meios de Comissão de Comunicação, foi criado um kit de imprensa, com
notícias de todos os eventos
do Congresso. Pe. Sérgio
Maykot foi nomeado “PortaVoz do Congresso” para atender à imprensa. Os participantes do Congresso ainda tiveram acesso através da publicação diária de um jornal.
Jornal da Arquidiocese Um dos aspectos bastante
elogiados pelos participantes
do 15º CEN foi a organização. A que o senhor deve
este resultado?
Pe. Vilmar - O sucesso da
organização deve-se totalmente ao desempenho e eficiência
das dez comissões executivas, incansáveis ao longo dos
4 anos, especialmente nos últimos meses. Nunca poderemos agradecer suficientemente às nossas lideranças por
todo esforço e amor.
Foto: VirginiaYunes
Dom Murilo concede entrevista que foi distribuída a mais de 300 rádios
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JA - A presença dos fiéis
da Arquidiocese no 15º CEN
sempre foi uma preocupação.
Como o senhor avalia essa
participação?
Pe. Vilmar - A presença das
nossas comunidades cristãs
foi maravilhosa, especialmente no dia 17 de maio na procissão luminosa com mais de 8
mil pessoas. Há anos nossa
cidade não experimentava
uma cena semelhante. Destacamos também a presença do
povo no Estádio Orlando Scarpelli para as grandes celebrações Eucarísticas, na peregri-
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Foto JA
Mais de 300 rádios, cinco
TVs e dois sites garantiram a
transmissão diária dos eventos do 15º CEN
Pe. Vilmar Vicente avalia a preparação e a execução do Congresso
nação ao Santuário de Madre
Paulina, nas atividades do Centro Sul e na caminhada Eucarística sob chuva, no sábado à
tarde. Foi uma bela experiência exodal do Povo de Deus.
JA - A Carta Eucarística focaliza o aspecto social da Eucaristia. Que caminhos devemos percorrer para entender
que a Eucaristia pode transformar os valores da sociedade?
Pe. Vilmar - A Carta Eucarística foi uma pérola preciosa
que o Brasil inteiro poderá cultivar e traduzir em frutos maduros e saborosos para o Reino de Deus! A carta é teologicamente muito rica, espiritualmente profunda e pastoralmente desafiadora. Se é verdade que nossa espiritualidade
cristocêntrica tem como eixo
central a Eucaristia e a Palavra, nosso compromisso com
os excluídos deu muitos passos, mas ainda temos muito a
caminhar no nível de nossa sociedade e na consciência de
nossas Igrejas particulares,
para sermos verdadeiros missionários da Eucaristia em torno dos pobres e necessitados.
JA - As celebrações nas
comunidades, no segundo dia
do CEN, foi idéia bastante elo-
giada. O senhor acha que esta
idéia deverá ser aplicada no
próximo Congresso?
Pe. Vilmar - A experiência
na sexta-feira à noite, com missas em quase 500 comunidades, presididas pelos bispos e
padres, foi uma maravilha.
Nossas comunidades, nas 67
paróquias, se prepararam muito bem e acolheram bem os
celebrantes. Creio que esse
modelo experiencial deva ser
efetivado não só no próximo
Congresso Eucarístico, mas
em outros eventos eclesiais
em nível nacional e regional
também!
JA - O lema do Congresso dizia “Vinde e Vede!”. O
que Florianópolis mostrou às
milhares de pessoas que aqui
estiveram?
Pe. Vilmar - Florianópolis
não revelou apenas suas belezas naturais, mas, sobretudo, a beleza espiritual do nosso povo pela acolhida e hospitalidade, pela generosidade de
nossas comunidades, pelas
solenes celebrações litúrgicas,
pela simplicidade no serviço,
pela alegria dos cantos e orações, pela partilha dos bens,
pela integração cultural, pelo
entusiasmo, enfim pela nossa fé no tesouro da Eucaristia.
4
- Junho de 2006
15º CEN proporcionou quatro dias de Adoração Eucarística
Arquidiocese de Florianópolis,
que viveram mais intensamente todos os momentos
dessa celebração.
Para marcar definitivamente o 15º CEN como evento histórico para a Igreja no Brasil, a
equipe editorial do Jornal da
Arquidiocese decidiu destinar
mais esta edição para retratar
os eventos do Congresso. Se
na edição anterior, destinamos
20 páginas para falar de toda a
preparação, nesta utilizamos
toda a edição para documentar o sucesso do Congresso.
Altar Permanente de Adoração
A
Dia 17 de maio - Quarta-feira
Mais de oito mil participaram
da Procissão Luminosa
Foto: Foto B
Participação superou
todas as expectativas e
deu o termômetro de
como seria o Congresso
N
em mesmo a mais otimista das previsões considerava uma participação
tão positiva na Procissão do
Lucernário, que marcou o início do 15º Congresso Eucarístico Nacional. A presença maciça dos fiéis já mostrava
como eles estariam presentes
no eventos do Congresso.
Os peregrinos se concentraram em várias igrejas do
Centro de Florianópolis e, por
volta das 19h, reuniram-se em
frente à Catedral. Após a celebração eucarística na Catedral, presidida pelo Arcebispo
de Florianópolis, os paroquianos que participaram da missa juntaram-se aos outros fiéis e seguiram em procissão.
Dom Murilo conduzia Jesus Eucarístico pelas ruas
da cidade, acompanhado
por milhares de fiéis. Os participantes formaram uma fila
de aproximadamente um quilômetro. Todos caminhavam
Fiéis, portando velas, participaram da procissão até o CentroSul
rezando e cantando, auxiliados por um carro de som e
portando velas, que iluminavam o caminho e formavam
um risco de luzes na noite de
Florianópolis.
A Procissão saiu da Catedral em direção ao Centro
de Convenções Centro-Sul,
seguindo pela Praça XV de
Novembro, Praça Fernando
Machado, Aterro da Baia Sul
até chegar ao local que aco-
lheu os fiéis na Celebração
do Lucernário.
Durante todo o trajeto, os
fiéis foram acompanhados por
equipes de segurança da Polícia Militar e Guarda Municipal
de Florianópolis, que garantiram a interdição das ruas,
mas sem comprometer o
trânsito. Também uma equipe
médica acompanhou os peregrinos e esteve de prontidão
para qualquer emergência.
Lucernário lotou auditório do CentroSul
O
auditório do Centro de
Eventos CentroSul foi
pequeno para acolher
todos os fiéis que participa-
ram do Lucernário, mas em
torno de quatro mil acompanhou a celebração.
O Lucernário é uma celeFoto: Foto B
Grande participação no Lucernário deu o termômetro do Congresso
bração que faz referência aos
primeiros cristãos, que se
reuniam ao final do dia, com
uma prece comunitária, à luz
de velas, para agradecer os
benefícios recebidos durante
o dia e suplicar proteção a
Deus durante a noite.
A celebração, presidida
por Dom Murilo, teve seqüência de cantos, orações,
Proclamação da Palavra,
homilia e salmos. A celebração foi encerrada com a Bênção Solene do Santíssimo.
Durante a celebração,
Dom Murilo fez uma prece diante do Senhor em favor dos
povo brasileiro, de todos os fiéis e pedindo pelo bom êxito
do 15º Congresso Eucarístico
Nacional. Ele também destacou a fé do povo na presença
real de Jesus na Eucaristia.
pós a celebração do Lu- zer a acolhida e prestar oricernário, instalou-se o entações.
Altar Permanente de
Confissões
Adoração e começou a Vigília
Durante todo o período de
Eucarística. A cada hora um
grupo, pastoral, movimento ou funcionamento do Altar Perparóquia, ocupou o espaço manente, houve confissões.
especialmente montado para Foram montados confessionários, que estiveram abertos
a adoração ao Santíssimo.
No dia 17, quarta-feira, a sempre nos horários de adoadoração teve início às 22h e ração ao Santíssimo, e foram
seguiu sem interrupção até às bastante utilizados pelos fiéis.
18h do dia seguinte. Na sex- Uma sala de espera foi monta-feira (19/05), o local ficou tada para receber os fiéis e
aberto das 8h às 18h e, no eles receberam um roteiro de
sábado (20/05), das 8h às preparação para a Confissão.
16h. Foram 40 hoFoto: Felipe Mendes
ras de adoração
eucarística.
O espaço tinha
capacidade para
até 400 pessoas,
que se acomodavam como podiam:
sentadas, de pé,
ajoelhadas. Em todos os momentos,
a sala manteve-se
cheia de fiéis fazendo a sua adoração.
Foi preparado
um roteiro de adoração. Também
uma equipe de
apoio esteve disponível, durante todos os horários de Participantes buscam tocar o Santíssimo depois
adoração, para fa- de mais um momento no Altar de Adoração
Dom Eusébio veio para ser o
Enviado Especial do Papa
O Enviado Especial do
Papa Bento XVI e Arcebispo do
Rio de Janeiro, Dom Eusé-bio
Oscar Scheid, chegou a Florianópolis na tarde do dia 17.
Ele foi recebido pelo Arcebispo
de Florianópolis e Presidente
do 15º Congresso Eucarístico
Nacional (CEN), Dom Murilo
Krieger, e pelo Secretário Geral do CEN, Pe. Vilmar Vicente,
e demais autoridades políticas,
civis e militares.
Dom Eusébio desembarcou no vôo das 16h, acom-
panhado de outros bispos do
Brasil vindos direto da 44º Assembléia Geral dos Bispos do
Brasil, realizada em Itaici,
São Paulo. No desembarque,
ele foi encaminhado a uma
sala especial onde conversou
com as autoridades, cumprimentou os presentes e concedeu entrevista aos meios
de comunicação.
Durante a sua participação
no 15º CEN, Dom Eusébio presidiu as três celebrações realizadas no Estádio Orlando
Scarpelli. Ele também
proferiu a conferência
de abertura do Simpósio Teológico. Ainda
no Aeroporto, Dom Eusébio falou sobre seu
retorno a Flo-rianópolis.
“É com grande alegria
que volto a minha terra
natal. Venho numa situação especial e um momento singular. Representar o Papa Bento XVI
é uma graça sem igual.
Sendo em minha terra
natal, é graça ainda
Dom Eusébio (esq.) foi recebido por Dom mais especial”, disse
Murilo em sua chegada a Florianópolis
Dom Eusébio.
Foto: Gabriel Garcia
P
assado o 15º Congresso
Eucarístico Nacional,
muitas coisas ficaram na
memória e no coração de todos aqueles que participaram
desse importante evento para
a Igreja no Brasil. Mas de modo
especial para as pessoas da
Junho de 2006 -
Dia 18 de maio - Quinta-Feira
5
Segue...
Celebração de abertura levou 18 mil pessoas ao Estádio
M
Foto: VirginiaYunes
mento seu para ser lido aos
fiéis. Aqui Bento XVI não o
fez. “O Papa não encaminhou uma mensagem especial. Seu mensageiro (Dom
Eusébio) é a própria mensagem”, disse Dom Murilo.
Durante a sua homilia,
Dom Eusébio falou da honra
de representar o Papa. Ele
falou também que Bento XVI
quer repassar a todos o seu
carinho pelo Brasil. “Com
muita emoção, eu recebi esta
honrosa e ao mesmo tempo
empenhativa missão de representar o Santo Padre, ser
o seu porta-voz e transmitir
sua mensagem. Na medida
em que isto seja possível,
quero corresponder a esta
missão”, disse Dom Eusébio.
ais de 18 mil pessoas
participaram da Celebração de Abertura do
15º Congresso Eucarístico Nacional. A celebração teve início
com a procissão de entrada de
todos os bispos reunidos no
Congresso, enquanto os fiéis
aplaudiam e acompanhavam
o Ministério de Música do CEN
que cantava a música “Igreja
Santa”. O último a passar foi
Dom Eusébio Scheid, Enviado Especial do Papa, que presidiu a celebração.
Após todos os bispos estarem acomodados no altar,
teve início a apresentação de
todas as bandeiras dos Estados, mostrando a unidade da
igreja no Brasil. Em seguida,
mais de 500 pessoas, entre
crianças, jovens e adultos,
apresentaram coreografia em
que, a cada estrofe do Hino do
Congresso, construíam uma
parte do símbolo do CEN.
Na seqüência, Dom Eusébio acolheu fraternalmente todas as pessoas que se
concentravam naquele espaço. Dom Murilo Krieger tomou a palavra, e fez a leitura
da carta do Papa nomeando
Dom Eusébio como seu representante.
Todos os Ministros Extraordinários da Comunhão Eucarística da Arquidiocese foram
convidados especiais para a
celebração de abertura. Mais
de 300 deles auxiliaram na distribuição da Eucaristia aos milhares de fiéis. Durante a distribuição da Comunhão, eles
podiam ser identificados no
meio da multidão através de
sombrinhas brancas.
“A minha mensagem”
Volta Olímpica
Normalmente, em eventos que não pode participar,
o Papa encaminha um representante e manda um docu-
Ao final da celebração,
Dom Eusébio seguiu o exemplo dos atletas que fazem a
volta olímpica quando alcan-
Convidados Especiais
O número de fiéis que participaram da Celebração de Abertura do Congresso surpreendeu a organização
çam uma importante conquista e contornou, todo o
Estádio numa Procissão do
Santíssimo Sacramento. Du-
após a procissão, voltou ao
altar, onde foi encerrada a celebração com a Solene Bênção do Santíssimo.
PALAVRA DO PAPA
Ao Nosso Venerável Irmão
EUSÉBIO OSCAR da Sagrada Igreja Romana Cardeal SCHEID,
Arcebispo de São Sebastião do Rio de Janeiro
Foto: Foto B
Dom Eusébio fez a “volta olímpica” no Estádio dando a bênção do
Santíssimo às milhares de pessoas que participaram da celebração
rante o trajeto, ele parou em
duas estações e em cada
uma delas deu a Bênção às
pessoas presentes. Logo
Sabemos que, desde os inícios da Igreja, o santíssimo Corpo de Cristo e seu preciosíssimo Sangue
foram honrados com a máxima adoração. A vida da Igreja, de fato, se nutre e se fortalece da Santíssima
Eucaristia, tesouro de alimento espiritual. Com efeito, todos os fiéis, unidos por esse vínculo de caridade
e alimentados com esse sagrado banquete, empenham-se em consolidar e em viver, de verdade, a
comunhão do Povo de Deus.
Dentre as várias comunidades eclesiais, a nossa atenção se volta agora para a Igreja no Brasil, que
procura refletir mais profundamente sobre essa verdade eucarística e vivê-la mais intensamente. Com
efeito, os fiéis dessa Igreja estão se preparando para celebrar o XV Congresso Eucarístico Nacional na
cidade de Florianópolis, nos dias 18 a 21 do próximo mês de maio. Esse evento, sem dúvida, fará com que
os fiéis da nação brasileira cresçam na fé, se enriqueçam de dons sobrenaturais e se congreguem em um
só coração e uma só alma.
Para que essa comemoração aconteça com mais brilho e mais eficácia, atendemos, de bom grado,
e conscientes, ao desejo do nosso venerável irmão Murilo Sebastião Ramos Krieger, Arcebispo de
Florianópolis, que nos dirigiu o pedido para que fosse designado um representante para, em nosso
nome, estar à frente das celebrações.
Tu, venerável irmão nosso, te apresentas em condições para atender a esse desejo, pois, sendo filho da
terra, foste, durante dez anos, Pastor daquela sede Arquiepiscopal de Florianópolis. Mediante este documento, e segundo nossa vontade, te constituímos ENVIADO EXTRAORDINÁRIO, para que transmitas a
todos os presentes o nosso pensamento, a partir do qual se comprometam a viver mais intensamente a fé
cristã e eucarística.
A todos os participantes apresentarás nossa saudação e nosso afeto, que a todos abraça e acolhe.
Insistirás na incomparável importância do mistério eucarístico e exortarás a todos para que, aproximandose dessa sagrada ceia, cresçam cada vez mais na caridade fraterna.
Finalmente, desejamos que concedas a todos, em nosso nome, a Bênção Apostólica, que se tornará
um sinal de renovação dos corações e anúncio de graças sobrenaturais.
Cidade do Vaticano, 4 de abril de 2006, 1º ano de nosso pontificado.
(ass) Bento XVI
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- Junho de 2006
Dia 18 de maio - Quinta-feira
Feiras foram atrativo a mais
Painel Ecumênico refletiu sobre a Eucaristia
D
Foto: VirginiaYunes
Líderes de várias igrejas
cristãs participaram
do encontro
“E
ucaristia e Unidade
dos Cristãos”, foi o
tema do Painel Ecumênico realizado na manhã
do dia 18, como parte da programação do 15º Congresso Eucarístico Nacional. Promovido pelo Departamento
de Diálogo Ecumênico e
Inter-religioso do Instituto Teológico de Santa Catarina –
ITESC, o encontro contou
com a participação de mais
de 200 pessoas, que lotaram
o auditório do Itesc.
O encontro foi aberto pelo
Presidente do 15º CEN, Dom
Murilo Krieger. Durante suas
palavras, ele enalteceu a importância da reunião de irmãos
e irmãs de diversas confissões
religiosas. “O Batismo operou
em nós uma profunda comunhão: cremos em Jesus Cristo, Filho de Deus e Salvador”.
“Embora, devido a divergências que têm a ver com a fé, ainda não seja possível concelebrar a mesma liturgia eucarística (...), temos o desejo ardente de celebrar juntos a única
Eucaristia do Senhor. Unamonos, pois, numa mesma oração, pedindo ao Senhor esta
graça”, disse.
Em seguida, Dom Oneres Marchiori, responsável
pelo setor de Ecumenismo
da CNBB e moderador do
Encontro mostrou que as igrejas estão abertas para o Ecumenismo
Painel, e o Pr. Edson Saes
Ferreira, Pastor Sinodal da
Igreja Evangélica de Confissão Luterana do Brasil, deram a sua saudação a todos
os participantes.
Após breve momento de
espiritualidade, Pe. Elias Wolf,
coordenador do Painel, fez a
palestra de abertura e apresentou os palestrantes. Na continuidade, Dom Manoel João
Francisco, bispo de Chapecó,
e Pastor Pastor Meinrad Piske,
da Igreja Evangélica de Confissão Luterana do Brasil, proferiram palestra com o mesmo tema “A Eucaristia, Tesouro do Cristianismo”.
Cada um deles manifestou a compreensão da Eucaristia em sua denominação,
ressaltando os pontos em
comum. Após a explanação
de ambos, chegou-se a mesma conclusão: “Há muito
mais pontos em comum, entre as duas igrejas, que divergências. E são esses pontos
em comum que devem ser
valorizados e estimulados
para que continue o diálogo”.
Depois, representantes
católicos, luteranos, presbiteranos e anglicanos participaram de um debate. As pessoas que assistiam ao Painel puderam fazer perguntas
aos debatedores e aos palestrantes. “O encontro atingiu o
seu objetivo de possibilitar às
igrejas cristãs mostrar a dimensão ecumênica da Eucaristia. Mostrou que as pessoas estão abertas para o Ecumenismo”, disse Pe. Elias.
Monumento relembrará visita de João Paulo II a Florianópolis
Área nobre da capital será
transformada em praça de
acolhimento de turistas
U
ma solenidade realizada
às 15h do dia 18 de maio,
em Florianópolis, deu os
primeiros passos para resgatar um dos principais momentos da religiosidade dos Catarinenses. Foi lançadada a pedra fundamental da construção de um memorial em homenagem à visita de João
Paulo II à Santa Catarina e em
reverência a Santa Paulina.
O evento contou com a participação de Dom Murilo Krieger, presidente do 15º CEN, de
urante a realização do
Congresso, mais de 80
empresas ou empreendimentos de Economia Solidária puderam apresentar seu
trabalho aos participantes.
Elas estiveram instaladas no
Centro de Eventos CentroSul
e foram muito procuradas pelos participantes do 15º CEN.
Essa foi a primeira vez que
a Promocat, empresa responsável pela realização da
ExpoCatólica, promove um
evento semelhante fora de
São Paulo, e o resultado agradou bastante. “Nossa intenção era divulgar a ExpoCatólica e oferecer seus produtos
aos participantes do 15º Congresso Eucarístico Nacional e
nossos objetivos foram alcan-
Pe. Vilmar Vicente, Secretário
Geral do CEN, além da presença de autoridades do Governo
do Estado e do Município.
A construção do monumento foi uma proposta da Câmara
de Vereadores, que há tempos
aguardava a aprovação do município. Agora, por iniciativa
da Prefeitura, ganha um espaço privilegiado num dos pontos
mais centrais da Capital.
Durante o evento, Dom
Murilo lembrou algumas palavras que marcaram a homilia
de João Paulo II. “O Papa disse que o Brasil precisa de Santos, muitos Santos. Ao beatificar e depois canonizar Santa
Paulina, ele mostrou que a santidade é possível”. Segundo
ele, a construção deste monumento histórico é de fundamental importância. “É a garantia de que vai manter-se
viva a lembrança da visita do
Papa a Florianópolis”, disse.
João Paulo II esteve em
Florianópolis no dia 18 de outubro de 1991, quando celebrou a missa de beatificação
da Madre Paulina. Em 19 de
maio de 2002, o mesmo Papa
tornou-a a primeira Santa do
Brasil. No evento, foi lembrado que, no dia anterior, João
Paulo II, se vivo fosse, celebraria 86 anos.
çados”, disse Fábio Castro,
diretor da Promocat, empresa organizadora dos eventos.
A Feira foi também um sucesso comercial. A grande
maioria dos expositores ficou
muito satisfeita com os resultados recebidos. O sucesso
desse primeiro evento fará
com que ele seja levado a outros cantos do pais.
A idéia é que a partir do próximo ano, sejam realizados
eventos regionais. O primeiro
será na região nordeste, sem
local ainda definido.
A ExpoCatólica é realizada há quatro anos em São
Paulo. Este ano, será nos
dias 21 a 24 de setembro, no
ExpoCenter Norte e reunirá
200 empresas.
Foto: Felipe Mendes
Participantes do Congresso interessaram-se pelos artigos religiosos
e de artesanato expostos nas feiras
Feira de Economia Solidária
Durante a realização da Feira CatólicaSul, realizada no
Centro de Eventos CentroSul,
22 grupos de Economia Popular Solidária (EPS) demonstraram e comercializaram seus
produtos e serviços. Os grupos
e empreendimentos presentes
são acompanhados pela Ação
Social Arquidiocesana, que buscam através da geração de trabalho e renda embutir outros
princípios como a solidariedade, a partilha dos resultados, a
sustentabilidade ambiental, e o
envolvimento comunitário. Assim se viabiliza a construção
de outro modelo econômico,
que foge da competitividade, da
ganância e da exploração.
Todos os visitantes da IV
Feira Arquidiocesana de EPS
tiveram a oportunidade de conhecer os produtos fitoterápi-
cos produzidos por 12 grupos
da Pastoral da Saúde da Arquidiocese, tapetes e cachecóis
produzidos pela oficina de tecelagem de pessoas com
Sindrome de Down, artesanato da tribo guarani do Morro dos
Cavalos, além de associações
de artesanato de Biguaçu e
Palhoça. Foram comercializado produtos agroecológicos, além de produtos de
empresas autogestionárias,
entre outras.
“A diversidade das experiências, encontradas no mesmo
local, veio reforçar que através
de iniciativas de EPS é possível a transformação social, realizada através das ações desenvolvidas pelas Ações Sociais Paroquiais, grupos e Pastorais Sociais”, avaliou a equipe de coordenação do evento.
Junho de 2006 -
7
Comunidades receberam
Bispos celebraram no Santuário de Santa Paulina bispos e padres congressistas
Dia 19 de maio - Sexta-feira
Segue...
N
o noite de sexta-feira,
mais de 500 comunidades da Arquidiocese de
Florianópolis tiveram celebrações presididas por bispos e padres participantes
do 15º Congresso Eucarístico Nacional. As celebrações foram realizadas às
20h e foi a primeira vez que
isso foi realizado num Congresso.
No total, 229 bispos e 315
padres, todos de outras dioceses do Brasil, celebraram
em comunidades paroquiais
(capelas ou matrizes), hospitais, escolas, universidades,
capelanias militares ou presídios. Comunidades rurais ou
urbanas, próximas ou distantes, todas aquelas que solicitaram as celebrações, receberam os bispos ou padres
participantes do Congresso.
Na avaliação dos participantes, foi a coisa mais bonita do Congresso. “As celebrações deram a consciência de Igreja no Brasil. Uma
Igreja una”, disse Dom Murilo.
O resultado foi tão bom, que
Para a maioria
maioria,, era a
primeira vez que iam à
terra em que a primeira
Santa do Brasil iniciou
a sua obra
O
Bispos concelebram a Eucaristia no Santuário de Santa Paulina,
com grande participação de fiéis.
Florianópolis, representando
Dom Murilo Krieger, leu a mensagem enviada pelo Arcebispo aos presentes. “Sabemos
que os santos são um dom de
Deus; são o fruto mais apreciado dos trabalhos da Igreja.
Cabe à Igreja descobrir esses
dons de Deus e apontá-los a
todos”, dizia a carta.
Em sua homilia, Dom Geraldo disse que Madre Paulina
é um exemplo a ser seguido.
“Santa Paulina viveu, desde
cedo, o caminho da simplicidade. Não procurava a si mesma.
Ainda que provada pelo tratamento recebido pelos superio-
res, não desistiu de sua obra”.
Ao final da celebração, as
Irmãzinhas da Imaculada
Conceição, representadas
por Ir. Salete Bampi, superiora Geral, agradeceram a presença dos bispos no Santuário, entregando a eles uma
pequena lembrança.
Entre os bispos participantes da celebração, ouvia-se o
mesmo comentário. A idéia da
realização da celebração foi
muito positiva. Muitos deles
iam a Nova Trento pela primeira vez e poderão ajudar na divulgação do Santuário da primeira Santa do Brasil.
Foto: Foto B
Santuário de Santa Paulina, em Nova Trento, recebeu todos os bispos
participantes do 15º Congresso Eucarístico Nacional. A Celebração, presidida por Dom
Geraldo Magella Agnelo, presidente da CNBB, foi realizada às 11h e marcou um momento histórico para o Santuário, inaugurado em 22 de janeiro deste ano.
Os mais de 220 bispos, presentes à celebração, fizeram o
percurso de 80km, acompanhados dos milhares de fiéis
que lotaram o Santuário. Para
muitos deles, era a primeira vez
que iam à terra em que Santa
Paulina, a primeira Santa do
Brasil, deu os primeiros passos
rumo à santidade e iníciou a
Congregação das Irmãzinhas
da Imaculada Conceição, hoje
espalhada pelo mundo.
A Celebração foi acompanhada por mais de 5 cinco mil
pessoas e foi a primeira do
dia. Houve ainda outras duas
celebrações, todas com o
Santuário lotado. Durante a
missa, Dom José Negri, bispo-auxiliar da Arquidiocese de
a CNBB pretende adotar a
mesma idéia para a 45ª Assembléia Geral dos Bispos do
Brasil, que anualmente é realizada em Itaici, São Paulo.
Os bispos foram trazidos
do Santuário de Santa Paulina, já os padres foram buscados em seus locais de acolhida. O Movimento de Irmãos ficou responsável pelo
transporte dos sacerdotes.
Para as outras dioceses do
Brasil, foi preparado um subsídio litúrgico, que foi encaminhado às dioceses e ficou
disponível no site do Congresso (www.cen2006.org.br),
para que as pessoas que não
puderam ir a Florianópolis
também celebrassem, em
sintonia com os participantes
do 15º CEN.
Toda a coordenação ficou
por conta de Dom José Negri,
bispo auxiliar da Arquidiocese
de Florianópolis. “A graça de
celebrar em quase todas as
comunidades da Arquidiocese
e do Brasil foi um dos momentos mais significativos do 15º
CEN”, disse Dom José.
Trechos da Homilia de Dom Geraldo Magella Agnelo
na Celebração Eucarística em honra de Santa Paulina
Madre Paulina do Coração Agonizante de Jesus,
vocacionada a ser discípula autêntica de Cristo, tomou a
sua cruz para segui-lo. Na oração que abriu esta Eucaristia
em louvor da primeira santa canonizada no Brasil, vemos
já o retrato da querida Santa: Deus exalta os humildes e
simples. O seu caminho de santidade foi através da provação do trabalho humilde e da oração constante. (...)
O testemunho do amor a Deus é próprio de quem encontrou Deus, enamorou-se dele e não pode viver mais
em si mesmo, mas deixou Deus viver em si. “Quem me
separará do amor de Cristo? Nem a vida, nem a morte”.
Viver a simplicidade e a humildade é a primeira condição. Deus resiste aos soberbos e exalta os humildes, como
cantou a Virgem Maria na Visitação à prima Isabel. É interessante notar que a convivência humana rejeita o orgulho, a altivez das pessoas, ainda que cada um de nós seja
tentado muitas vezes pela vaidade, o falso conceito da exagerada importância de si mesmo. (...)
Ter pensamentos sublimes sobre Deus não é nada sem o
amor. “Se eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, se
tivesse o dom da profecia e conhecesse todos os mistérios e
toda a ciência, mas não tivesse a caridade, não sou nada”
(1Cor 13).
O que conta é abrir-se ao amor que Deus nos dá, e
transmiti-lo aos outros. “Vinde a mim, vós todos que estais
cansados e oprimidos, e eu vos darei descanso”. Jesus
conheceu a fadiga humana, conheceu porque a experimentou, nossos cansaços, Ele que disse amorosamente
aos apóstolos cansados: “Vinde, repousai um pouco”. (...)
Parece desconcertante a condição: para descansar
é preciso carregar um jugo, o peso sobre as costas. É
preciso aprender, e isso requer fadiga. Mas o jugo de
Jesus é jugo de amor. Se ficarmos sozinhos, nossos esforços serão em vão e com a dor pode vir o desespero,
porque não vemos o sentido de nossas fadigas. Se aceitamos o jugo de Jesus, isso dá sentido a todas as fadigas,
torna-as fecundas, e nós saberemos caminhar para a
plenitude da luz e da vida.
Ser discípulo de Jesus é aprender quem é Jesus manso e humilde. Se o contemplamos nos evangelhos, na oração, torna-se fácil aprender de Jesus, porque Jesus é Mestre
que ensina com o exemplo. A mansidão e a humildade que
Ele nos exorta a aprender são condições da paz interior
que enche nossas almas de verdadeiro repouso; são também a condição para entrar, graças a seu jugo de amor, no
reino do amor. “Bem-aventurados os pobres no espírito,
porque deles é o reino dos céus”. (...)
Neste caminho de santidade estava a perseverança
sem limites, como disse Santa Paulina às suas filhas espirituais: “Não desanimeis nunca!”.
Dom Lorenzo Baldisseri (centro), Núncio Apostólico do Brasil, presidiu a
missa no Santuário de Fátima, em Florianópolis, na noite de sexta-feira
Delegados diocesanos foram acolhidos em lares
A maior parte dos 2.663 delegados participantes do 15º Congresso
Eucarístico Nacional, foram acolhidos em casas de famílias que abriram os seus lares para recebê-los.
Eles vieram para participar do
Simpósio Teológico e demais eventos do Congresso, e representavam
167 dioceses e 39 arquidioceses
do Brasil e exterior. Os delegados
foram recebidos pela equipe de
acolhida no Aeroporto Hercílio Luz
e no Terminal Rodoviário Rita Maria. Cada um que chegava, era re-
cebido com o canto do hino e recebia um adesivo do 15º CEN.
Dos 2.663 participantes, 1.369
foram acolhidos em lares da Arquidiocese. A Comissão de Hospedagem conseguiu 1.443 vagas, de 27
paróquias da Grande Florianópolis, quase 100 a mais das que
foram ocupadas. “As paróquias assumiram muito bem esse trabalho
e os delegados ficaram muito satisfeitos com a acolhida recebida”, disse Solange Hermes Passig, uma
das responsáveis pela Comissão.
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- Junho de 2006
Procissão Luminosa reuniu mais de 8 mil pessoas na noite de quarta-feira e deu o termômetro de como seria a participação dos fiéis nas celebrações do 15º Congresso Eucarístico Nacional
Dom Pedro Fedalto preside a celebração em rito latino, em Latim, na igreja do Colégio Coração de Jesus
Fiéis estiveram presentes a todos os eventos do Congresso
Dom Eusébio presidiu as três Gandes Celebrações realizadas no
Estádio Orlando Scarpelli, que somadas reuniram mais de 60 mil
pessoas. Na foto, o Enviado Especial do Papa diante da Custódia
oficial do 15º Congresso Eucarístico Nacional.
Dom Murilo transporta o Santíssimo
durante a Celebração do Lucernário
Dom Murilo recebeu no aeroporto o Enviado Especial do Papa, Dom
Eusébio. Pe. Alvino Milani (esq.) e Mons. Francisco de Sales
Bianchini (dir.) completavam a Missão Pontifícia
Altar montado no Estádio Orlando Scarpelli foi o centro das principais celebrações. Com mil metros de
superfície, o altar foi montado para abrigar os mais de 200 bispos participantes das celebrações
Junho de 2006 -
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Mais de 200 bispos participaram da Celebração no Santuário de Santa Paulina. Para muitos deles, era a primeira vez que pisavam na terra em que a primeira Santa do Brasil iniciou sua obra
Mais de mil vozes animaram a celebração de encerramento do Congresso
Dom Geraldo, presidente da CNBB, presidiu a
celebração no Santuário de Santa Paulina
Pessoas fazem fila para fazerem sua confissão. Dez
confessionários foram montados e ficaram abertos
durante todo o período em que o Altar Permanente de
Adoração estava funcionando. Havia uma sala de
espera e um roteiro de preparação para as
confissões. Uma equipe orientava os fiéis.
O Altar Permanente de Adoração foi bastante procurado pelos congressistas
Caminhada Eucarística reuniu mais de 6 mil jovens que percorreram 3hm sob chuva e frio, cantando e rezando
Esta é a equipe que iniciou os preparativos para a realização do 15º
Congresso Eucarístico Nacional. Eles formam a Comissão Central e
as Comissões Setoriais. Em 23 reuniões coletivas, realizadas ao longo
de três anos, tomaram as decisões e transformaram o Congresso num
verdadeiro sucesso. “Fizemos um padrão menor e o Senhor
multiplicou centenas de vezes o que fizemos”, disse Dom Murilo.
10
- Junho de 2006
RETALHOS DO COTIDIANO
ECUMENISMO NO 15º CEN
Ecos do Congresso
consangüíneos dos membros da
LUGAR
comunidade. Só se constrói uma
Para nós, o Congresso Eucarístico
teve início dia 17. Com o salão da Catedral lotado, os fiéis se espalhavam
pelas escadarias de acesso e o calçadão em frente. D. Murilo inicia a Missa.
E diz: “Aqui não cabe mais ninguém,
mas no coração de Jesus Eucarístico
há lugar para todos!”. E pouco depois,
na homilia, pedia-nos, como um pai
pede a seus filhos, que nos abandonássemos nas mãos de Jesus, que
cuida de nós. O que vamos responder
a esse apelo de nosso arcebispo?
Soou em meus ouvidos a palavra do
Pai quando o Filho amado se transfigura no Tabor: “Ouvi-o!”.
comunidade cristã tendo por centro
e raiz a Eucaristia. Onde estiver a
Eucaristia, ali estará a Igreja, a comunidade. (D. Manoel, bispo de
Chapecó).
EUCARISTIA
CÉU 2
Falando no Simpósio Teológico,
durante o 15º Congresso Eucarístico
Nacional, D. Eusébio fez-me refletir
bastante. Saboreei a frase que ele
pôs nos lábios de Jesus: “Quando
vocês se reunirem para celebrar a
Eucaristia, por favor, sintam um pouco de saudade de mim!”
“O céu é ver os outros felizes!”.
Descobri isso, disse D. Luciano,
quando sonhei com o céu. Lá, me
encontrava atrás de uma árvore. Vendo os outros. Felizes!
Foto: Foto B
Dom Eusébio consagra a Eucaristia em uma
das Celebrações que presidiu no Estádio
SEDE
Nós temos sede de infinito. Nada,
nada nos satisfaz. E, citando um teólogo, D. Eusébio complementa: “Temos uma dolorosa saudade da eternidade!”.
COMUNIDADE
Participando da Eucaristia, nos
tornamos concorpóreos e consangüíneos de Cristo. Daí decorre a necessidade de sermos concorpóreos e
CÉU 1
Também no Simpósio, D. Luciano,
arcebispo de Mariana, contou que
certo dia uma senhora perguntou-lhe:
“O céu é grande?” “Sim!” “É muito
grande mesmo?” “Sim!” “Ah, que
bom, assim não encontro a minha vizinha lá!”. É, essa ainda demora um
pouquinho para subir...
FESTA
Mônica convidou algumas pessoas para a festa de seu aniversário.
Pelas duas horas da tarde, estava
fazendo bolinho de chuva. Uma comadre chegou cedo. Disse a aniversariante: “Mas ainda não está na
hora!”. Responde a visitante: “Mas eu
vim te ajudar! Vou lavar esses copos. Depois, posso te ajudar a fazer
bolinho?” E ficou fazendo bolinho.
Mais tarde, chegou outra convidada.
E logo perguntou: “Já tem bolinho?”
E foi comendo. Quando saiu, ainda
levou bolinho na bolsa, para o outro
dia. Qual das duas é a sua vida?,
perguntou D. Luciano.
DIREITO
Com que direito podemos receber o Cristo na Eucaristia e não nos
decidirmos a fazer alguma coisa pelo
irmão que sofre necessidade? Não
há coisa pior que um coração endurecido, que guarda as coisas para si.
Será que não podemos mostrar o
que é uma civilização, uma vida
marcada pela Eucaristia? A reflexão
é de um homem simples, humilde, a
quem a vida já provou de muitos
modos. E que nos fez chegar mais
perto de Jesus: D. Luciano!
Carlos Martendal
Painel Eumênico – Eucaristia
e Unidade dos Cristãos
A
Eucaristia é a realidade da redenção munhão que a Eucaristia significa e realiza,
da humanidade que Deus realiza pela como meta de toda a criação.
vida, paixão, morte e ressurreição de
Assim, os que se sentem convocados
Jesus Cristo. A sua celebração é um ato de pela mesa da Ceia do Senhor são chamados
fé no projeto redentor de Deus e um com- a participarem, também, da mesa do diálogo.
promisso com a realização desse projeto E às igrejas já é possível a partilha das espena vida dos cristãos, em suas igrejas e no ranças, das alegrias e dos desafios da vida
mundo. Isso significa que a Eucaristia en- cristã. Elas comungam da missão de testevolve num processo de conversão todos os munhar o evangelho no mundo. Aí estão os
que a celebram, orientando a vida na pers- fundamentos da comunhão futura quando popectiva da partilha, da solidariedade, da co- derão, também, participar juntas da Ceia pelo
munhão. Na vida cristã, tudo o que converge Senhor preparada para seus discípulos/as.
para a unidade e a comunhão tem dimenO Painel Ecumênico, inseriu-se no consão eucarística. E tudo o que trai a unidade e junto dos esforços de diálogo que, com sacrifício e teimosia da fé, são realizados por
a comunhão é negação da Eucaristia.
Isso tem implicações para todos os cris- cristãos, igrejas e organismos ecumênicos.
tãos que, em suas diferentes tradições É significativo o fato de esse Painel ter sido
eclesiais, celebram a Eucaristia/Ceia como realizado no maior centro de reflexão teomemória da Páscoa de Cristo. E aqui está lógica da Igreja católica em Santa Catarina,
sua dimensão ecumênica, refletida no Pai- o ITESC. Cada vez mais o ITESC, pelo Denel Ecumênico, realizado no Instituto Teoló- partamento de Diálogo Ecumênico e Intergico de Santa Catarina, na manhã do dia 18 religioso, vai se tornando um lugar de ende maio de 2006, dia do início do XV Con- contro de membros de diferentes Igrejas e
gresso Eucarístico Nacional. Dele participa- Religiões. Da mesa do diálogo ninguém
ram representantes das Igrejas Católica, está excluído. É de se esperar que tal fato
Metodista, Presbiteriana Independente, Evan- contribua para o desenvolvimento da digélica de Confissão Luterana no Brasil e mensão ecumênica da teologia que ali se
Evangélica Luterana do Brasil. O tema Eu- produz, conforme o magistério da Igreja
caristia e Unidade dos Cristãos mostrou ser católica. Manifesta-se, assim, o comproa comunhão eucarística uma realidade à misso desta Igreja para a realização do
qual são chamados todos os que celebram desejo do Mestre: “Que todos sejam um ...
a memória da Páscoa de Cristo. A Eucaristia para que o mundo creia” (Jo 17,21). Para
é um “tesouro do cristianismo” (sub-tema do isso trabalhamos.
Painel), recebido e vivido de modos diferenPe. Elias Wolff
tes nas diferentes tradições eclesiais. Essas
diferenças expressam tamFoto: Foto B
bém divergências em doutrinas, ritos, estruturas, espiritualidades e práticas pastorais. Urge dialogar, serenamente e com amor à verdade, sobre esse fato, para para
reconciliar as diferenças no
que há de contradição. Para
tanto, é fundamental crer que
na fé eucarística não existem
obstáculos insuperáveis para
a comunhão. Por ora, é preciso ser realista diante do
distanciamento existente entre as igrejas. Mas não se Representantes das igrejas cristãs que participaram do
pode deixar de buscar a co- debate no Painel Ecumênico, uma das atividades do CEN
Leia mais sobre ecumenismo: www.itesc.ecumenismo.com
Junho de 2006 -
11
Dia 19 de maio - Sexta-feira
Palestras podem ser adquiridas
Dom Eusébio abriu o Simpósio Teológico
T
Foto: Foto B
Os mais de 2600 delegados
participaram de seis
palestras no primeiro dia
do Simpósio Teológico
O
s 2.663 delegados, representando 229 dioceses
de todo o Brasil, participaram da abertura do Simpósio Teológico, na manhã do dia
19 de maio. A abertura foi às
8h, pelo presidente do 15º Congresso Eucarístico Nacional e
arcebispo de Floria-nópolis,
Dom Murilo Krieger.
Depois de saudar os presentes, Dom Murilo falou da
importância da realização do
evento. “Cabe a um Congresso Eucarístico promover uma
intensa catequese sobre a
Eucaristia, principalmente
como mistério de Cristo vivo
e operante na Igreja”, disse.
Dom Murilo ainda falou da
grande procura pelo Simpósio.
“Surpreendeu-nos a receptividade que o Simpósio teve por
parte das dioceses. Tivéssemos a possibilidade de acolher
o dobro de inscrições, facilmente elas teriam sido preenchidas. Isso nos dá uma certeza: cresce a convicção de
que a Igreja vive da Eucaristia”,
disse.
Ocuparam a mesa central
do Simpósio durante a abertura, Dom Eusébio Scheid, Enviado Especial do Papa, Dom
Lorenzo Baldisseri, Núncio
Apostólico do Brasil, Pe. Vilmar
Vicente, Secretário Geral do 15º
CEN, Pe. Vitor Feller, coordenador do Simpósio, e Pe. Alvino
Introvini Milani e Mons. Francisco de Salles Bianchini, membros da Missão Pontifícia.
Evangelização
O Simpósio foi montado
a partir dos três grandes níveis da evangelização do
Projeto Queremos Ver Jesus da CNBB: pessoa, comunidade e sociedade. Assim, as três grandes conferências, que abriram cada
período – sexta de manhã,
sexta de tarde, e sábado de
manhã – estiveram relacionadas com esse projeto.
O Cardeal Dom Eusébio
deu início ao ciclo de palestras,
falando sobre o tema “Eucaristia e promoção da pessoa
humana”. Em seguida, as sa-
Dom Eusébio fez a conferência de abertura do Simpósio Teológico,
falando sobre o tema “Eucaristia e promoção da pessoa humana”
las foram divididas e uma parte dos congressistas ouviu a
palestra “Eucaristia e reconciliação”, pelo teólogo jesuíta Pe.
João Batista Libânio, de Belo
Horizonte; e outra parte, a palestra “Eucaristia e ministerialidade leiga”, pela teóloga Profª.
Maria Clara Bingemer, do Rio
de Janeiro.
A tarde, todos os participantes acompanharam a palestra
“Eucaristia e renovação da comunidade”, por Dom Manoel
João Francisco, bispo de
Chapecó. Em seguida, durante um breve coffee break, as
salas foram divididas e metade acompanhou a palestra
“Eucaristia e opção pelos po-
bres”, por Dom Orlando Brandes, bispo de Joinville; e a outra parte a palestra “Eucaristia,
vocação e missão”, por Dom
Angélico Sândalo Bernardino,
bispo de Blumenau.
Para Pe. Vitor Feller, coordenador do Simpósio, o primeiro dia do evento ocorreu sem
imprevistos que atrapalhassem
o seu desenvolvimento. “Temos
ouvido muitos elogios e agradecimentos por parte de muitas pessoas de diversos locais
do país e diversas vocações da
Igreja sobre a organização, a riqueza do conteúdo teológico e
pastoral do Simpósio”, disse Pe.
Vitor. O Simpósio teve continuidade no dia seguinte.
Deus e o homem
Qualquer ato contra a pessoa humana é contra a sua dignidade.
O Cardeal Dom Eusébio deu
início às palestras do Simpósio Teológico. Ele falou sobre o tema “Eucaristia e promoção da pessoa humana”. Como explicou, não há termos unívocos para falar de Deus e
do homem, só analogia. O homem
é semelhante a Deus numa distancia infinita. A pessoa humana é
imagem viva de Deus, uma centelha do seu poder criador”, disse.
“Somos um composto psicosomático. Quando demasiado
psico, corre-se o risco de cair num
psiquismo, espiritualismo desencadeado. Quando demasiado somático, corre-se o risco de cair no materialismo”, refletiu Dom Eusébio. Segundo ele, todas as criaturas foram
modeladas segundo a natureza humana de Cristo. A pessoa humana é
superior a todas as coisas e seus direitos são universais e invioláveis.
O homem e a
comunidade
“Eucaristia e Renovação da Comunidade”, por Dom Manoel João
Francisco, bispo de Cha-pecó, foi
outra palestra que reuniu todas os
participantes do Simpósio Teológico. Durante sua conferência, Dom
Manoel explicou que a essência do
ser humano é comunitária. Mas,
apesar da sua vocação para viver
em comunidade, o mundo está em
crise desta vivência.
“A única saída possível para esta
crise é a visão cristã”, disse. Segundo ele, viver em comunidade não é
uma obrigação, é uma conseqüência da transformação adquirida com
a eucaristia. A pessoa que não participa da comunidade “arranca” o corpo de Cristo de si.
odas as conferências do
Painel Ecumênico, do
Simpósio Teológico e do
Seminário Social estão sendo comercializadas. As palestras estarão disponíveis
em CD, com apenas o áudio,
e DVD, com áudio e vídeo.
As conferências podem
ser adquiridas individualmente ao preço de R$ 6,00 para
os CD, e R$ 17,00 para o
DVD. Os interessados podem ainda adquirir o kit completo, por R$ 47,00, os CD’s,
e R$ 119,00, os DVD’s.
Para comprar, os interessados devem entrar em contato com a empresa Santa
Missão Estúdio, pelo fone (49)
8801-4241 ou pelo e-mail
fernando@formaquinas.
com.br, ou ainda pelo endereço: Rua São João, nº 440b,
Apto 303, Bairro Presidente
Médici, CEP 89,801-230, em
Chapecó – SC.
Revista publicará
palestras
Todas as palestras e homilias proferidas durante o 15º
Congresso Eucarístico Nacional também serão publicadas na Revista Encontros
Teológicos, publicada pelo
Instituto Teológico de Santa
Catarina (ITESC). Além disso,
a Revista publicará a Carta
Eucarística. Para adquirir, os
interessados devem solicitar
a assinatura da revista pelo
fone (48) 3234-0400, ou pelo
site www.itesc.org.br.
Arquidiocese perde três padres
A Arquidiocese de Flo- aos doentes como capelão
rianópolis noticia, com pesar, do Hospital. Tinha 84 anos.
“Mons. Valentim foi uma
o falecimento recente de três
de seus padres. São eles, estrela já em vida. Ele foi e
Pe. Vertolino José Silveira, continuará sendo uma esPe. Adilson Costa e Mons. trela a nos apontar para
Deus; uma estrela, pelo seu
Valentim Loch.
Pe. Vertolino estava há exemplo luminoso de fidelitempo afastado para trata- dade”. “Na história quase
mento de saúde. Há anos lu- centenária da Arquidiocese
tava incansavelmente con- de Florianópolis, a poucos
tra o câncer, sem deixar de presbíteros essa Igreja Parcelebrar sempre que suas ticular deve tanto como a
condições físicas permiti- Mons. Valentim. Ele é parte
am. Tinha 66 anos, 33 deles de nossa história, e parte
dedicados ao sacerdócio. importante, pois deixou
suas marcas no coração
Faleceu no dia 11 de maio.
Pe. Adilson Costa era de nosso clero e de nosso
natural de Joinville. Membro povo”, disse Dom Murilo na
da congregação dos Sale- celebração das exéquias.
sianos, foi ordenado em
Arquivo JA
21 de maio de 2001.
Logo veio para Itajaí,
para trabalhar no Colégio Salesiano. Atualmente era pároco de
São João Bosco, na
mesma cidade. Morreu
de meningite anos 37
anos, no dia 28 de maio.
Azambuja está de
luto. No dia dois de junho, faleceu Mons.
Valentim Loch. Um homem que dedicou a
maior parte dos seus
60 anos de sacerdócio
à formação dos seminaristas como profes- Mons. Valentim faleceu aos 84
sor e reitor do Seminá- anos de idade, 60 deles dedicados
rio, e no atendimento ao sacerdócio ministerial
Dia 20 de maio - Sábado
Seminário celebrou os 50
anos da Cáritas Brasileira
Segue...
Jovens foram os convidados especiais
Foto: VirginiaYunes
Encontro, caminhada, show
e celebração realizados no
sábado tiveram jovens
como protagonistas.
O
sábado, dia 20 de maio,
durante a realização do
15º Congresso Eucarístico Nacional, teve os jovens
como convidados especiais.
Durante a tarde, foi realizada
a Grande Concentração da
Juventude, na Arena Multiuso,
em São José, a Caminhada
Eucarística até o Estádio
Orlando Scarpelli, o show de
evangelização com quatro artistas católicos e a Celebração Eucarística.
Os eventos tiveram início
às 13h com a Grande Concentração da Juventude. Mais
de quatro mil jovens representavam todas as realidades da
juventude presentes na Arquidiocese de Florianópolis e em
outras regiões do Brasil. O
encontro foi aberto por Pe.
Márcio Vignolli, responsável
pelo evento, que falou da alegria de ver tantos jovens de diferentes realidades reunidos
em um mesmo evento.
Na seqüência, tomou a
palavra Dom Alberto Taveira,
arcebispo de Palmas, no
Os mais de quatro mil jovens dão-se as mãos durante a Grande
Concentração em que mostraram toda a sua força
Tocantins, que ministrou palestra com o tema “Juventude e Eucaristia”. “O que você
tem para oferecer? Capacidade para partilhar, generosidade, esperança, capacidade
para recomeçar, criatividade,
coragem”. “Se perguntássemos o que possuímos, certamente muitos milagres de
multiplicação aqui mesmo
aconteceram”, disse Dom
Taveira.
Depois, um casal, uma religiosa, um jovem e uma jovem,
um diácono, deram o seu tes-
temunho sobre a vida eucarística na realidade em que vivem. Dom Murilo Krieger, presidente do 15º CEN, também
marcou presença no encontro,
e enalteceu a importância da
participação dos jovens no
Congresso.
A seguir, Pe. Márcio, que
animou o encontro, contando com o Ministério de Música do Congresso Eucarístico, e Dom Murilo, convidaram os jovens para sair em
caminhada até o Estádio
Orlando Scarpelli.
Caminhada Eucarística aconteceu mesmo com chuva
N
em mesmo a chuva que
caiu por toda a tarde de
de sábado impediu que
os jovens participassem da
Caminhada Eucarística. Mais
de 6 mil jovens seguiram pelas ruas da região continental
de Florianópolis com destino
ao Estádio Orlando Scarpelli.
Durante o trajeto, um carro de som acompanhou os
participantes. A chuva prejudicou o som, que previa a animação de uma banda católica, nem por isso a caminhada deixou de ser animada.
Artistas católicos fizeram show
O
s participantes da
Grande Concentração da Juventude e
da Caminhada Eucarística, foram premiados no
Estádio Orlando Scarpelli
com o show de quatro artistas do meio católico. O
show teve início às 17h e
contou com a apresentação de Eugênio Jorge e
grupo Missão Mensagem
Brasil, de Cruzeiro, em
São Paulo, as cantoras
Jean, de São Paulo, Suely
Façanha, de Fortaleza, no
Ceará, e Simone Medeiros,
de Florianópolis, a qual na
oportunidade lançou o seu
primeiro Cd.
Todos eram artistas conhecidos no meio católico,
que já atuaram em grandes
eventos nacionais e já apresentaram seu trabalho em
Florianópolis. Eles se ofereceram para animar gratuitamente a celebração dos jovens durante a 15º Congresso Eucarístico Nacional.
Três seminaristas do Rio de
Janeiro pegaram os microfones e entoaram músicas,
mesmo sem instrumentos,
que foram acompanhadas
pelos jovens participantes.
Durante toda a caminhada
o Diácono Sedemir Valmor de
Mello, puxava palavras de ordem, cantos, orações e louvores, que eram respondidos pelos caminhantes. Eles levaram
bandeiras representando suas
pastorais e movimentos, todas
enfeitadas e multicoloridas.
Das janelas dos prédios e casas, famílias acenavam com
alegria para os jovens.
Ao chegarem ao Estádio,
todos os jovens se deram as
mãos e entraram de mãos
dadas simbolizando a unidade da Igreja. “O encontro mostrou que quando os jovens são
convidados, eles participam e
mostram a sua expressão que
é muito forte na Igreja”, disse
Pe. Márcio.
Três conferencistas falaram a
representantes de entidades
sociais de todo o Brasil
“E
ucaristia e Transformação Social”, foi o
tema do Seminário Social realizado no dia 20 de
maio, durante o 15º Congresso Eucarístico Nacional. O
Seminário, promovido numa
parceria da Ação Social Arquidiocesana - ASA, com o Departamento de Pastoral do
ITESC e com a Comissão de
Teologia do 15º CEN, contou
com a presença de 250 participantes. Realizado pela manhã, o Seminário teve como
objetivo principal comemorar
com a Cáritas Brasileira seu
Jubileu de Ouro, que tem
como lema “50 anos de Solidariedade pela Vida”.
O encontro foi presidido
por Dom Oneres Marchiori,
Bispo Referencial da Cáritas
Brasileira - Regional Santa
Catarina. No primeiro momento, através de uma transmissão simultânea do Simpósio Teológico, os participantes do seminário assistiram à conferência de Dom
Luciano Mendes de Almeida,
Arcebispo de Mariana, em Minas Gerais, que falou sobre
o tema “Eucaristia e Transformação da Sociedade”.
Em suas palavras, ele ressaltou que a transformação
social não se realiza somente em grandes espaços. “É no
cotidiano, onde Deus mostra
o verdadeiro significado da
partilha, que é a terra fértil para
a transformação social”.
Na seqüência, falou Dom
Demétrio Valentini, Presidente da Cáritas Brasileira, que
relacionou o sacramento da
Eucaristia com a prática libertadora da Cáritas, contextualizando os 50 anos de história
da entidade no Brasil. Dom
Demétrio relembrou o entusiasmo de Dom Helder Câmara, “o grande animador e
incentivador na criação da
Cáritas no Brasil”, disse.
Em seguida, José Magalhães de Souza, Diretor Executivo da Cáritas Brasileira,
apresentou o panorama dos
20 anos de Economia Popular Solidária, destacando
que essa atuação contribui
para melhoria da qualidade
de vida dos trabalhadores e
trabalhadoras, fortalecendo
um projeto pautado no desenvolvimento sustentável e
solidário.
Na seqüência, a Bruscor
e a Justa Trama, empreendimentos de Economia Popular Solidária da Arquidiocese
de Florianópolis, apresentaram suas experiências nas
práticas autogestionárias,
ressaltando como a Economia Solidária é uma das mais
importantes ferramentas de
mudança social.
Na continuidade, foram
realizados os lançamentos de
dois livros: “Os Pobres Possuirão a Terra”, formado por
pronunciamentos de Bispos
e Pastores sinodais sobre a
terra; e “Cáritas Brasileira: 50
anos promovendo Solidariedade”, que faz parte dos documentos da Coleção de
Estudos da CNBB, nº 92.
Foto: Foto B
12
- Junho de 2006
Dom Demétrio Valentini falou aos 250 participantes do Seminário Social
Junho de 2006 -
Dia 20 de maio - Sábado
Celebrações em Ritos Orientais
expressaram catolicidade Eucarística
Celebração foi animada pelos jovens
Foto: Foto B
Durante a missa, Dom Eusébio manifestou a preocupação
da CNBB com os jovens,
tema da última Assembléia
A
nimação é o que não faltou na celebração realizada na noite do dia 20
de maio no Estádio Orlando
Scarpelli. Apesar da chuva
que caíra à tarde, mais de 18
mil pessoas participaram da
celebração que tinha os jovens como convidados especiais. E eles foram os protagonistas da animação.
Os jovens já estavam no
Estádio desde às 17h, que houve o show de evangelização
com cantores católicos. Antes,
eles já haviam participado da
Grande Concentração da Juventude e da Caminhada
Eucarística. Eles ocuparam o
centro do Estádio e eram mais
da metade dos participantes.
A missa foi antecedida pela
entrada da Imagem de Nossa
Senhora do Desterro, padroeira da Arquidiocese e do Estado. A procissão solene contou
com rito especial de entrada e
coreografia. Foi o momento
mariano do Congresso.
Em seguida, entrou Dom
Eusébio, o Enviado Especial
do Papa, precedido pelos cardeais e demais ministros participantes da celebração. Os
outros bispos já os aguardavam no altar.
Um dos momentos especiais da celebração, foi o início
da Liturgia da Palavra com a
entrada solene da Bíblia, com
encenação e rito especial. Outro momento que merece des-
Dom Eusébio entrega a comunhão aos jovens, que foram os
convidados especiais da Grande Celebração no Estádio
taque, foi a comunhão, em que
um grupo de jovens recebeu a
comunhão de Dom Eusébio.
Em sua homilia, Dom
Eusébio lembrou a preocupação da CNBB com os jovens.
“Durante a última Assembléia
dos Bispos, a nossa preocupação foi com os jovens. Chegamos a conclusões muito
boas e que levam a aumentar
o trabalho realizado nos grupos
de jovens, com muito entusiasmo, maior ardor, senso de
responsabilidade e alegria”.
Ele também enalteceu a
importância dos jovens na
vida pastoral da Igreja. “Apelo
a Jesus para que olhe para
vocês e, com muita ternura,
os chame um a um para Seu
serviço. Agradeceu também
aos muitos jovens que são
nossos catequistas de crianças, adolescentes e adultos.
Devo agradecer aos semina-
ristas que, muitas vezes, em
um ambiente hostil, têm a coragem de dizer Sim a Cristo e
à sua Igreja”.
Envio Missionário
Foto: VirginiaYunes
Antes da celebração, os jovens tiveram shows de músicos católicos
Antes da Bênção Final,
Dom Murilo Krieger, Arcebispo
de Florianópolis e Presidente
do Congresso proferiu o rito de
Bênção e Envio Missionário
para Pe. Lúcio Espíndola dos
Santos. Ele vai representar o
Brasil na Diocese de Bafatá, na
Guiné-Bissau, África, que tem
Dom Pedro Zilli como bispo.
Parte de três das quatro coletas realizadas durante o 15º
CEN serão destinadas a apoiar financeiramente a diocese,
que tem minoria católica e, por
isso, depende muito do trabalho missionário.
Durante a solenidade, Dom
Murilo manifestou a alegria de
fazer o Envio. “Que bom, Pe.
Lúcio, que o senhor, em assumindo este compromisso missionário, se unirá a tantos outros de nossa terra, de nosso
Brasil, que já disseram “sim”
ao chamado missionário.” “O
seu ‘sim’, Pe. Lúcio, é o ‘sim’
de nossa Igreja, é o ‘sim’ que
nasce da Eucaristia, é o ‘sim’
que o fará dizer a tantas pessoas ‘Vinde e vede!’, para
que possam encontrar o Cristo Ressuscitado”, disse.
Em seguida, ele proferiu a
oração de bênção, benzeu a
Cruz Missionária, o Livro da
Sagrada Escritura, do Cálice
e da Patena, e os entregou ao
Pe. Lúcio para que os leve em
sua nova missão.
13
s igrejas católicas que
celebram em ritos orientais também tiveram espaço no 15º Congresso Eucarístico Nacional. No dia 20 de
maio (sábado), às 12h, quatro igrejas de Florianópolis cederam seus espaços para que
houvesse três celebrações
em ritos orientais e uma no rito
latino, em Latim.
As celebrações em ritos
orientais tiveram como presidentes seus bispos eparcas
e a liturgia foi organizada por
comissão própria de cada rito.
As missas tiveram boa participação, com igrejas lotadas.
O Santuário Nossa Senhora de Fátima recebeu Dom
Vartan Waldir Boghossian, que
presidiu a Santa Missa em
Rito Armênio. A celebração foi
transmitida ao vivo pela TV
Cultura de Florianópolis.
Dom Efraim Basílio Krevey,
presidiu a Solene Divina Liturgia em rito Bizantino-Ucraniano. A celebração foi realizada na Igreja Matriz de Nossa
Senhora de Lourdes e São Luiz,
na Agronômica, e contou com
três bispos, 20 padres, coral e
A
centenas de leigos que vieram
em 20 ônibus de Curitiba para
participar da celebração.
A Igreja Matriz da Paróquia
Nossa Senhora da Boa Viagem recebeu o bispo eparca
Dom Fares Maakaroun. Ele
presidiu a Santa Missa em
Rito Greco-Melquita.
A comunidade da paróquia
da Trindade estava preparada
para receber Dom Joseph
Mahfouz, que iria presidir a
Santa Missa em Rito Maronita.
Mas a celebração foi cancelada por motivos de doença.
Apesar disso, Dom Moacir
Vitti, Arcebispo de Curitiba, no
Paraná, presidiu celebração
no mesmo horário, mas no
rito latino.
Para ressaltar o valor e destacar a importância da língua latina na história da Igreja, também
foi realizada uma celebração em
Latim. Ela foi realizada na igreja
do Colégio Coração de Jesus, no
Centro, e foi presidida por Dom
PedroAntônio Marchetti Fedalto,
Arcebispo emérito de Curitiba, e
contou com a participação do
Coral Santa Cecília da Catedral,
acompanhado de orquestra.
Dom Vartan presidiu a Santa
Missa em Rito Armênio
Dom Efraim presidiu a celebração
em rito Bizantino-Ucraniana
Dom Pedro Antônio Fedalto
presidiu a missa em Latim
Dom Fares presidiu a Santa
Missa em Rito Greco-Melquita.
T
M
14
A PÁSCOA DO CONGRESSO EUCARÍSTICO
- Junho de 2006
EMA DO
ÊS
DE UM LADO
As pessoas que estiveram envolvidas com o Congresso, desde sua preparação remota, há quatro anos, até
sua preparação mais imediata e sua
execução, foram sentindo cada vez
mais o peso da cruz. Quanto mais o
Congresso se aproximava, mais pesada era a cruz. Não falo somente por
Foto: Foto B
S
ão muitas as avaliações a serem feitas sobre o 15º Congresso
Eucarístico Nacional. Cada pessoa envolvida o viu e experimentou a
seu modo. Elementos positivos e negativos são ressaltados em cada revisão. Foram muitos os eventos: três
missas no Estádio Orlando Scarpelli;
romaria ao Santuário de Santa Paulina;
missas nas paróquias e comunidades
da Arquidiocese; missas nos ritos orientais; adoração ao Ssmo. Sacramento; painel ecumênico; simpósio teológico; seminário social; encontro e caminhada dos jovens; show de evangelização; feira de produtos religiosos; leitura e entrega da Carta Eucarística; a
apresentação do Balé Bolshoi ao final.
É impossível uma avaliação global.
Qualquer avaliação que fizermos será
sempre imperfeita, limitada à ótica e ao
horizonte de cada um. Somente no plano de Deus é possível avaliar toda a luz
e toda a sombra do Congresso Eucarístico. Ainda assim, como nos revelam
as Escrituras e comprovamos em nossa experiência de fé, Deus queima nossas falhas, desconsidera nossos pecados, cobre nossas omissões. Na
ordem da graça divina, aparece somente a luminosidade. O pouco que fizemos é transformado por Deus numa
riqueza incalculável. Que efeitos produziu o Congresso nos corações e nas
comunidades? Que frutos ele deixou
em nossas vidas, em nossa Igreja e
em nossa sociedade? Deus o sabe!
De minha parte, como coordenador da Comissão Teológica do Congresso, gostaria de fazer uma reflexão
de ordem místico-pastoral-teológica. E
o faço à luz do mistério pascal. A Eucaristia é o sacramento da Páscoa.
Em cada missa, comemoramos a
morte do Senhor e proclamamos sua
ressurreição, enquanto aguardamos
sua vinda. Daí, essa luz pascal para
analisar o Congresso Eucarístico.
“Delegados, no total de 2.663, representaram suas dioceses nas palestras do Simpósio Teológico”
Antes do Congresso, Jesus Crucificado e Abandonado; depois, na ótica e
na experiência da maioria dos participantes, o Cristo Ressuscitado.
mim. Era visível no rosto de todos a tensão, o cansaço, a insegurança. Havia,
é claro, na ordem da fé, a confiança no
poder do Espírito Santo e na própria presença do Senhor Jesus. Mas, na perspectiva humana, prevalecia a cruz: angústias, preocupações, correrias, reuniões, lacunas, gastos, orçamentos e
mais orçamentos, montagens, compras. Tudo era feito em vista do melhor: acolhida dos delegados e peregrinos; beleza das celebrações; oportunidades para a oração e o lazer. Acima
de tudo, o objetivo de todos sempre foi
o louvor, a gratidão e a honra ao Senhor Jesus que, presente na Eucaristia, concentra todas as outras maneiras de sua presença entre nós: na Palavra; na assembléia dos fiéis; em cada
grupo de oração e fraternidade; nos
pastores da Igreja; em cada irmão, sobretudo nos pobres; em cada um de
nós; na cruz nossa de cada dia. No
meio da cruz, já se entreviam vislumbres da luz. Mas, estávamos ainda no
regime da obscuridade: o que seria o
Congresso? Daria tudo certo?
Não há que se esquecer o cansaço da viagem dos delegados e peregrinos. Muitos vieram de longe, do
Norte e Nordeste do país. Tiveram que
enfrentar, certamente, muitos imprevistos, contratempos, desgostos.
Também eles tiveram muitos gastos.
Também eles entreviam o valor de tudo
isso: o amor a Jesus na Eucaristia.
DO OUTRO LADO
Na medida em que o Congresso ia
acontecendo, as luzes iam se acendendo. Toda a programação se desenvolveu a contento. Os delegados se
sentiram bem acolhidos pelas famílias
e paróquias anfitriãs. O povo acorreu
em grande número às missas. Apesar
do frio e da chuva, o povo mostrou sua
fidelidade e amor ao Cristo Eucarístico.
Foi significativa a presença dos jovens
em todos os momentos do Congresso, notadamente nas missas. A presença maciça dos bispos brasileiros confirmou a caminhada comum de nossa
Igreja. Muitas caravanas de peregrinos
vieram a Florianópolis com o objetivo
precípuo de louvar o Senhor e de marcar presença no Congresso. As missas celebradas em todas as igrejas matrizes e comunidades da Arquidiocese,
levaram o Congresso às bases; deram
um toque de descentralização e ampliação; favoreceram encontros e experiências de fraternidade, ternura e
comunhão. As palestras e conferências do painel ecumênico, do simpósio
teológico e do seminário social propuseram uma iluminação mais ampla ao
sentido e à práxis da Eucaristia. Pôdese ver a Eucaristia num enquadramento teológico mais bíblico e pastoral, mais ecumênico, mais social. A
Carta Eucarística sintetizou a proposta pastoral de pôr o sacramento central de nossa fé no núcleo das atividades evangelizadoras no mundo das
pessoas, das comunidades e da inteira sociedade. A mídia divulgou quase
tudo para o país, de modo que, mesmo à distância, muita gente pôde participar do Congresso.
Enfim, se de um lado, houve cruzes, do outro lado, surgiram as luzes.
De um lado, a morte; de outro, a ressurreição. Do lado de cá, Jesus Crucificado e Abandonado; do lá de lá,
após o Congresso, na ótica e na experiência da maioria dos participantes,
o Cristo Ressuscitado, vivo e presente nos corações e comunidades. Ele
está, ele continua no meio de nós!
DA TERRA AO CÉU
A espiritualidade eucarística nos
lembra que o sacramento da Eucaristia é o pão dos seres humanos em seu
caminho para a pátria celestial. O Congresso Eucarístico nos possibilitou
uma síntese dessa caminhada e dessa chegada. Terra e céu, sombra e luz.
A Eucaristia é, por enquanto, sacramento dos caminhantes. Na glória
eterna, não será mais sacramento,
mas a realidade viva do Cordeiro
Pascal, princípio e fim, Senhor da história, vencedor do pecado e de todo o
mal. Na manhã radiante do domingo
eterno, o Espírito de Cristo que habita
em nossos corações, colocará a Igreja
diante de seu Esposo e seremos, para
sempre, um só Corpo de Cristo.
Pe. Vitor Galdino Feller
Professor de Teologia e Diretor do ITESC
UM COLÉGIO
100 ANOS
NA FRENTE
Junho de 2006 -
15
Dia 20 de maio - Sábado
Carta Eucarística é a mensagem oficial do 15º Congresso Eucarístico
Após a conferência de Dom Luciano,
foi aprovada a Carta Eucarística que é
o documento conclusivo do Simpósio
Teológico e oficial do Congresso
CARTA EUCARÍSTICA
DE FLORIANÓPOLIS
À IGREJA DO BRASIL
O
Simpósio Teológico teve a sua
última conferência na manhã do
dia 20 de maio. Dom Luciano
Mendes de Almeida, Arcebispo de
Mariana em Minas Gerais, proferiu a
palestra com o tema “Eucaristia e
Transformação da Sociedade”, para
um público estimado em três mil
pessoas, coroando o Simpósio.
Durante sua explanação, Dom
Luciano refletiu sobre o céu. “Há um
tempo queria muito ver o céu, saber
como é lá. Um dia subi no céu. Não
pensei que era tão bonito, fiquei contente com tanta música, pessoas
dançando na presença de Deus. Mas,
de repente, percebi que eu estava escondido atrás de uma árvore. Descobri que o céu é ver os outros felizes”.
“A ação de Deus no mundo é lenta.
Estamos vivendo o tempo, a história.
Não somos do mundo, mas estamos
no mundo, que contém a fragilidade
do pecado.” “A Eucaristia nos joga para
dentro da realidade, sem privilégios e
sem milagres. Jesus não mudou as
articulações do mundo, mas mudou
nosso coração para viver no mundo.”
Ao final de sua palestra, Dom
Luciano foi apaudido de pé por todos
os participantes.
Encerramento
Após a palestra de Dom Luciano,
seguiu-se uma breve pausa para o café.
Dom Murilo Krieger, presidente do 15º
CEN, Pe. Vilmar Vicente, Secretário
Geral, Pe. Vitor Feller, coordenador do
Simpósio, e Dom Cláudio Hummes,
Cardeal-Arcebispo de São Paulo, ocuparam a mesa central do auditório para
fazer o encerramento do Simpósio.
Durante a solenidade, Pe. Vitor fez
a leitura da Carta Eucarística, documento conclusivo do Simpósio e mensagem oficial do 15º Congresso
Eucarístico Nacional. A leitura pôde
ser acompanhada pelos participantes
através de um dos telões. Ao final da
leitura, os participantes sugeriram alguns acréscimos.
“Creio que este Simpósio Teológico atingiu seus objetivos – isto é, ajudar-nos a tomar consciência de que
o mistério da morte e ressurreição do
Senhor nos conforta, dando sentido
a toda a nossa vida e nos preservando na alegria da esperança!”, disse
Dom Murilo durante o encerramento.
Acompanhe ao lado a íntegra do
documento oficial do 15º CEN.
Irmãs e irmãos em Cristo Jesus!
Na conclusão do 15º. Congresso Eucarístico Nacional, realizado em Florianópolis, de 18 a 21 de maio de 2006, dirigimo-nos
ao povo católico e aos fiéis cristãos de nosso país, para confirmar nossa fé na Eucaristia. Afirmamos com vigor: “Ele está no
meio de nós!” Saímos do Congresso com a disposição missionária
de fazer a todos o convite: “Vinde e vede!” Acolhemos com amor
as palavras do Papa Bento XVI na carta endereçada a seu Enviado Especial, Cardeal Eusébio Oscar Scheid, para o nosso Congresso: “A vida da Igreja se nutre e se fortalece da Santíssima
Eucaristia, tesouro de alimento espiritual. Com efeito, todos os
fiéis, unidos por esse vínculo de caridade e alimentados com
esse sagrado banquete, se empenham em consolidar e viver, de
verdade, a comunhão do Povo de Deus”.
“VINDE E VEDE – ELE ESTÁ NO MEIO DE NÓS”
Em comum acordo com as Diretrizes da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil e com o Projeto de Evangelização
“Queremos Ver Jesus – Caminho, Verdade e Vida”, cremos que a Eucaristia é fonte e ápice da evangelização das
pessoas, das comunidades e da sociedade.
Cremos que a Eucaristia promove a vida, a dignidade e a
liberdade de cada pessoa. Em nossa sociedade, marcada pelo
individualismo e egoísmo, há muitas formas de violência contra a dignidade da pessoa humana. Por outro lado, é grande o
sonho por liberdade e felicidade.
Na Eucaristia, os cristãos afirmam a dignidade absoluta de
cada filho e filha de Deus. Comungando o Cristo no sacramento da Eucaristia, nos tornamos pessoas eucarísticas. Na Eucaristia, realiza-se o sonho de todo ser humano, a felicidade e a
liberdade, que consistem em servir ao próximo, do mesmo modo
como Jesus. Na oferta de sua vida, no seu sacrifício, experimentamos o amor do Senhor por cada ser humano. Queremos
ver Jesus em nós mesmos e em cada pessoa humana.
“VINDE E VEDE – ELE ESTÁ NO MEIO DE NÓS”
Cremos que a Eucaristia renova nossas comunidades. Em
nossa sociedade, acentua-se o isolamento dos indivíduos, o
enfraquecimento da família e a diluição da vida comunitária.
Por outro lado, cresce o sonho por um mundo mais solidário e
fraterno, onde as relações sejam mais humanas.
Na Eucaristia, experimentamos que a espiritualidade da comunhão será a força renovadora de nossas comunidades e paróquias, vocações e ministérios, pastorais e movimentos. Na Eucaristia, nos assemelhamos às primeiras comunidades cristãs,
que eram um só coração e uma só alma (At 4,32); partilhavam
todos os bens, os espirituais e os materiais; colocavam tudo em
comum de modo que não havia necessitados entre eles (At 4,34).
Queremos ver Jesus em nossas comunidades eclesiais e fazer
delas o fermento de uma nova sociedade.
“VINDE E VEDE – ELE ESTÁ NO MEIO DE NÓS”
Cremos que a Eucaristia transforma nossa sociedade. São
gritantes as desigualdades sociais no Brasil e no mundo. São
graves os problemas sociais: desemprego, corrupção, violência, criminalidade e narcotráfico. Por outro lado, é grande o
sonho por uma sociedade onde impere a justiça e a paz social.
Na Eucaristia, aprendemos a lutar por iniciativas e práticas
solidárias; descobrimos nossa missão de construir uma sociedade de justiça e igualdade, onde os pobres, prediletos de Deus e de
Jesus de Nazaré, sejam postos no primeiro lugar. Na Eucaristia,
fortalecemos o cuidado com o meio ambiente, a caminhada
ecumênica e o diálogo com pessoas de todas as religiões. Alimentando-nos todo domingo com a Escritura e a Eucaristia, acreditamos nos grandes valores do Reino de Deus e reagimos aos
contra-valores desumanizantes do mercado,
da mídia e da moda. Na Eucaristia, acreditamos numa Igreja renovada e num mundo novo.
“VINDE E VEDE – ELE ESTÁ NO MEIO
DE NÓS”
Assumimos os seguintes compromissos: santificar o domingo, dia do Senhor, para o alimento de nossa espiritualidade
pessoal e familiar, comunitária e social; reservar um dia da semana em nossas comunidades para a adoração do Santíssimo
Sacramento; tornar nossas comunidades mais eucarísticas, através do ministério da visitação às famílias, dos grupos de oração
e de reflexão bíblica, e da opção decidida pelos pobres; e atuar
em todos os âmbitos sociais com a força da Eucaristia. Faremos
tudo para que a experiência que aqui fizemos, da presença do
Senhor em nosso meio, seja uma realidade vivida no dia-a-dia
de nossas comunidades.
Na beleza natural da Ilha de Santa Catarina e na acolhida
do povo catarinense, vimos um sinal da Eucaristia e uma expressão do amor de Deus por nós.
A Mãe de Jesus, Nossa Senhora do Desterro, estrela da
evangelização e mulher eucarística, nos ensine a contemplar
e a seguir seu Filho e a adorá-lo no Santíssimo Sacramento.
Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil nos acompanhe em nossa missão de eucaristizar a sociedade brasileira.
De agora em diante terá um novo sentido proclamar em
cada missa: “Ele está no meio de nós!” De agora em diante
cada missa se tornará missão: “Vinde e vede!”
“VINDE E VEDE – ELE ESTÁ NO MEIO DE NÓS”
Delegados e Participantes do
15º Congresso Eucarístico Nacional
Florianópolis, 21 de maio de 2006
16
- Junho de 2006
Dia 21 de maio - Domingo
Apesar da forte chuva, mais
de 28 mil pessoas esgotaram
a capacidade do Estádio
Orlando Scarpelli
O
tempo chuvoso e frio
ao amanhecer o domingo parecia comprometer a participação dos fiéis
na última celebração do 15º
Congresso Eucarístico Nacional. Entretanto, já às 6h da
manhã um grande grupo de
pessoas se concentrava nos
portões do Estádio Orlando
Scarpelli aguardando para
entrar.
Foram mais de 35 mil
pessoas que se dirigiram ao
local da última grande celebração. Por motivos de segurança, pouco mais de 28
mil puderam entrar. Antes do
início da celebração, eles foram animados pelo Ministério de Música do Congresso.
A Celebração teve início
às 9h30min, com a procissão solene de entrada de todos os bispos, seguidos de
Dom Eusébio Scheid, Enviado Especial do Pape e presidente da missa.
Num dos momentos de
grande emoção, a deficiente
visual Josiane Becker fez a
segunda leitura (1Jo 4,7-10)
em Braille, e outro deficiente
físico (cadeirante) fez uma
das preces. Esta foi a forma
de o Congresso lembrar as
pessoas com deficiência,
que é o tema da Campanha
da Fraternidade deste ano.
Na Apresentação das Oferendas, entraram todas as
bandeiras dos Estados do
Brasil, mostrando a unidade
da Igreja em todos os cantos
na nação.
Durante a sua homilia,
Dom Eusébio destacou a importância da amizade: “Ao término deste Congresso Eucarístico Nacional, queremos
acentuar a Eucaristia como
uma recíproca doação de
amizade de Cristo para nós
e nossa resposta a Cristo
através da mesma amizade”.
“A primeira coisa para ser
feliz é ‘amar como Jesus
amou’. E creio que nossa felicidade se mede na razão do
amor que dedicarmos uns
aos outros, a começar de
casa, na Igreja, no clero... E
daí nasce verdadeiramente o
espírito eclesial. Vai nascer
a própria Igreja. Não é possível conceber a Igreja sem
esse ponto culminante que é
a Eucaristia.”
“Se Cristo está no centro do
domingo e na inspiração de
tudo o que fazemos, jamais
poderemos sentir-nos infelizes
pelas coisas que a vida nos faz
passar. Parabéns a vocês,
queridos floria-nopolitanos e
brasileiros que podem dizer:
‘Eu vi o Cristo ali presente em
cada um deles’; vocês, que
sabem ‘amar como Jesus
amou’”, disse Dom Eusébio.
No final da celebração,
Dom Murilo, presidente do 15º
CEN, agradeceu a Dom Eusébio por ter representado o
Foto: Foto B
Congresso proclama a mensagem: IDE E ANUNCIAI!
Pe. Vitor Feller faz a leitura da Carta Eucarística diante de uma platéia de mais de 28 mil pessoas que
enfrentaram a chuva, o vento e o frio para participar da celebração de encerramento do 15º CEN
Papa como seu Enviado Especial. “Obrigado, Cardeal
Eusébio, muito obrigado!”
“Leve ao nosso Papa, ao nosso Pai espiritual, a certeza de
que nesta Arquidiocese – e,
por que não falar? em todo o
Brasil -, ele é muito querido.
Diga-lhe que lhe somos muito gratos porque, falando de
Jesus Cristo, tem nos testemunhado de forma vigorosa
que Ele está no meio de nós”.
Carta Eucarística
Foto: Foto B
Antes do Encerramento
da celebração, Pe. Vitor
Feller, responsável pela Comissão de Teologia, leu a
Carta Eucarística, documento conclusivo do Simpósio
Teológico, e aprovada no seu
término, e mensagem oficial
do 15º Congresso Eucarístico Nacional.
Mil vozes
Guarda-chuvas, capas e sombrinhas protegeram as pessoas e
formaram um emaranhado de cores nas arquibancadas do Estádio
Na arquibancada coberta
do Estádio um grande grupo
de pessoas se destacava na
multidão. Eram mais de mil
coralistas de várias cidades
do Estado que ali estavam
reunidos para animar a celebração. Eles ensaiaram separadamente em suas comunidades de origem e fize-
ram um último ensaio coletivo no dia 07/05. A banda sinfônica da Polícia Militar os
acompanhou.
Hino Oficial
Na Celebração de Abertura do Congresso, foi realizada uma apresentação coreografada em que cada uma
das dez estrofe do Hino Oficial construía uma parte do
logotipo. Para a celebração
de encerramento, seria feito
o contrário. O hino teria como
tema o congresso se desfazendo e encaminhando as
pessoas para a missão.
As fortes chuvas impediram que a apresentação fosse feita e a última estrofe, composta pelo Pe. Ney Brasil Pereira, autor do hino, somente
para apresentação, não foi
cantada. Mas veja o novo refrão e a última estrofe.
Ide, todos, e anunciai: Ele está no meio de nós!
Ele está no meio de nós!
Ao pedido de tantos que suplicam:
Ó irmãos, nós queremos ver Jesus (Jo 12,20),
cabe a nós responder, levar-lhes Cristo
que, no Pão, se revela Vida e Luz!
Apresentação artística encerrou eventos
Aqueles que ainda tinham
energia reservada, puderam
apreciar a apresentação do
espetáculo “Quebra Nozes”
do Ballet Bolshoi, de Joinville.
Mais de quatro mil pessoas
foram a Arena Multiuso de
São José para assistir à
peça. Ela fazia parte de uma
das 30 apresentações artísticas organizadas pela Co-
missão de Cultura.
Antes da apresentação,
Dom Murilo foi homenageado pela equipe do Ballet. “O
que esses bailarinos fazem
é também ‘Eucaristia’. Aqui
eles nos dão o fruto de seus
ensaios e de seus esforços”, disse, sendo aplaudido
por toda a platéia que encheu
o Centro de Eventos.
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