IMPRESSO Junho de 2006 - As três grandes celebrações surpreenderam pela participação. 05, 13 e16 Carta Eucarística é a mensagem oficial do Congresso. 15 www.arquifloripa.org.br Nº 113 - ANO X FLORIANÓPOLIS - SC EDIÇÃO ESPECIAL DO 15º CONGRESSO EUCARÍSTICO NACIONAL Junho de 2006 IDE E ANUNCIAI! “Ele está no meio de nós!” foi o tema do 15º Congresso Eucarístico Nacional, que, nos dias 18 a 21 de maio, transformou Florianópolis em Altar do Brasil. Mais que fragmento de um texto bíblico e tema do Congresso, a citação é uma certeza: “Ele está no meio de nós!”. Para todos aqueles que, nesses cinco dias, participaram das horas de Adoração, das palestras, das celebrações, dos Encontros de massa no Estádio, ou acompanharam o Congresso pelos meios de comunicação, e assim ficaram mais próximos de Jesus Eucarístico, “Ele está no meio de nós!” é agora uma constatação. E como Tomé, que viu para crer, eles podem agora dizer: Nós vimos o Cristo ali presente, em cada irmão e irmã. Porque “viemos e vimos”, sentimo-nos agora impulsionados a “ir e anunciar”, em cada momento e local de nossa vida diária: “Ele está no meio de nós!” Esta edição especial do Jornal da Arquidiocese quer ajudar a guardar na memória e no coração os mais belos momentos desses dias que jamais iremos esquecer. Procissão Luminosa foi o primeiro Celebrações em Nova Trento evento e funcionou como termô- e nas comunidades foram metro do Congresso. 04 elogiadas pelos bispos. 07 Simpósio Teológico refletiu Jovens tiveram dia especial sobre a Eucaristia e a trans- com concentração, caminhada, formação da sociedade. 11 show e celebração. 12 e 13 2 OPINIÃO - Junho de 2006 EDITORIAL PALAVRA DO BISPO SEMEADORES,NÃOTRIUNFADORES O sucesso histórico não é o metro para todas as coisas. “Por certo, Jesus não é o advogado dos homens de sucesso na história. [...] O que ele quer não é nem o sucesso nem o insucesso, mas a aceitação dócil do julgamento de Deus” (D. Bonhoeffer. Ética, 67). A alegria da vida cristã não provém do trunfo de se poder afirmar “o Brasil é o maior país católico do mundo”, nem sua tristeza tem origem no constatar que a Igreja católica perde anualmente 1% de seus membros. Publica-se que no Brasil 60% da população é católica. Constantino em 311 concedeu liberdade aos cristãos quando eles constituíam apenas 10% da população do Império romano (6 milhões em 60). Ele, porém, percebeu na fé cristã uma força nova, um estilo de vida que tinha uma palavra forte para a sociedade. Perguntemos: é grande sucesso ter alcançado 10% da população após 300 anos de evangelização? Realmente, Cristo não é advogado dos homens de sucesso! A vitória de Cristo é a doação incondicional das pessoas, o martírio de inteiras comunidades, a fidelidade sem reservas à sua pessoa. Os discípulos, não os números, dão testemunho do poder da fé. O cristianismo não é de estatísticas, mas de santos. É desafiador afirmar com Santo Inácio de Antioquia, a caminho do martírio em Roma: “O cristianismo não é obra de persuasão, mas de grandeza”. Grandeza de testemunho, de coragem, de fé/adesão ao Senhor Jesus. É motivo de vergonha para quem ama a Igreja e o Evangelho a preocupação e angústia de tantos cristãos diante da publicação de evangelhos gnósticos, como o de Judas, ou de Tomé, diante de uma literatura feita de mediocridade histórica e bom tempero de suspense como o Código da Vinci. Vergonha, porque o evangelho de Judas é conhecido desde o século II, o mesmo se dizendo de tantos livros apócrifos do período posterior à era apostólica. Lá, como hoje, buscava-se saciar a curiosidade sobre a vida oculta de Jesus, o destino do Iscariotes traidor, a vida de José e Maria, o fascínio despertado pela “A realidade histórica do personagem Maria Madalena. O que não se sabe se cristianismo é a vida dos inventa e o curioso sente-se cristãos brotada da meditarecompensado. ção da Palavra de Deus e Dissemos vergonha pormovida pela Graça. Formaque a tal de angústia é atesmos militantes, ‘agentes’ de tado de que nossa catepastoral, e não discipulos”. quese e formação de cristãos é moralizante, pendendo para a ética, querendo fazer do cristianismo a “arte do bom comportamento”. Tanto na catequese infanto-juvenil como nos cursos de teologia para leigos, a vida de Jesus e a história da Igreja e de suas primeiras comunidades são praticamente deixadas de lado. Deste modo, o último sucesso editorial ou de mídia que aparecer na praça deixará tantos cristãos em dúvida, perplexos: estariam sendo enganados pela Igreja? O fundamento de nossa fé é a encarnação-morte-ressurreição do Filho de Deus que nos oferece vida em plenitude. Tudo por graça, por dom de Deus. Essa verdade a Igreja transmite meditando os 73 livros da Sagrada Escritura. A vida de seu Senhor e mestre está contida nos 4 Evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João. A Sagrada Escritura transmitida pela Igreja nos dá a segurança do ato de fé, da entrega de nossa vida a Deus, de iniciarmos sempre de novo o caminho cristão até a consumação final em Cristo, no Espírito Santo. A realidade histórica do cristianismo é a vida dos cristãos brotada da meditação da Palavra de Deus e movida pela Graça. Formamos militantes, “agentes” de pastoral e talvez nos despreocupemos do único necessário: formar discípulos. A vida é curta para completarmos o discipulado. No momento do julgamento, com sua inesgotável misericórdia Deus completará o que falta. Velhinho, pouco antes de ser triturado pelas feras do circo romano, Inácio de Antioquia afirmou: “Agora começo a ser discípulo de Cristo”. Também nós. Pe. José Artulino Besen www.arquifloripa.org.br/jornal e-mail: [email protected] Uma imagem do 15º CEN P ara mim, pensar no 15º Con- imagem de uma das cinco celebrações de sábado ao gresso Eucarístico Nacio- meio-dia, em ritos diferentes e em coloridos diversos. nal é ser envolvido por uma E por que não escolher como imagem-símbolo a foto multidão de imagens – imagens de uma das quinhentas celebrações eucarísticas da que formam um grande e belo sexta-feira à noite em centros de cidades e em comumosaico. Lembrando-me daque- nidades distantes? Afinal, foram missas e procissões les dias em que Florianópolis foi eucarísticas marcadas pelo carinho de quem acolhia e o altar do Brasil, convenço-me, pelo entusiasmo de quem presidia. A dúvida permanecada vez mais, de que Ele está ce. Que bela imagem a do povo todo cantando, como no meio de nós! Não sei de se fosse um só coração, o empolgante hino do Conquanto tempo nós, desta Arqui- gresso: Vinde e vede, vinde! Ele está no meio de nós! diocese, necessitaremos para tomar consciência da Ele está no meio de nós! Ou da alegria da Comissão graça que recebemos. Provavelmente nunca consegui- de Recepção, no aeroporto, acolhendo, com esse remos conhecer as dimensões de tal graça. Vivemos mesmo canto, os passageiros que chegavam, congresum momento histórico, vivemos um kairós – isto é, um sistas ou não? Poderia ser esquecido o Simpósio Teomomento abençoado, pois recebemos um dom que lógico, no grande salão do Centro-Sul, com três mil tem sua fonte na vida trinitária do próprio Deus. congressistas atentos aos palestrantes? Ou a SecreSinto, agora, necessidade de escolher uma ima- taria do Congresso e a Sala de Imprensa, com mãos, gem-símbolo daqueles dias que foram um verdadeiro ouvidos e vozes que se multiplicavam, para atender a tsunami espiritual. Poderia utilizar-me de uma das fo- todos ao mesmo tempo? Seria igualmente interessantos que foram feitas – são milhares e são belíssimas! te uma imagem dos policiais que acompanhavam o Por trás de cada uma há histórias, trabalho e cruz; há a desenrolar dos acontecimentos, surpresos com a trandedicação de voluntários, há amor e paixão; há nomes qüilidade das multidões que se movimentavam. Ou dos conhecidos e rostos desconhecidos; há a alegria por profissionais da saúde, que de serviçais tornaram-se ver resultados que ultrapassaram o que havia sido pla- expectadores. E, por que não?, a escolha poderia renejado e a gratidão de quem considerou um imenso cair sobre a imagem do rosto da jovem com deficiência privilégio ter podido participar desse mutirão eucarístico. visual total: na missa de encerramento, depois de ter Mas, que imagem escolher? O desafio é imenso! feito a leitura da Palavra de Deus, valendo-se, para isso, Poderia ser a foto de uma das inúmeras reuniões pre- da transcrição do texto em braille, voltou para seu lugar paratórias, quer da Comissão Cencom um sorriso celestial... tral quer das Comissões Setoriais. É preciso decidir-me quanto “Não sei de quanto tempo nós, antes pela imagem-símbolo, já que Ou uma da evolução artística feita desta Arquidiocese, necessita- lembrança puxa lembrança e a pelo grupo formado por quatrocentas crianças e jovens na abertura do escolha torna-se cada vez mais diremos para tomar consciência Congresso. Quem sabe não seria fícil. Opto, então, por uma imagem da graça que recebemos. melhor uma do coral de mil vozes que presenciei na manhã de sexVivemos um momento histórique cantou na missa de domingo? ta-feira, no Centro-sul. Havia entraco, vivemos um kairós – isto é, do com o Enviado Extraordinário do Ou do grupo coral e da banda que um momento abençoado”. estiveram à frente do canto, nas misPapa Bento XVI e o Núncio Apossas de quinta-feira e do sábado? tólico no Brasil na Capela da AdoUma foto adequada seria do Altar, belissimamente or- ração Eucarística Até parecia que havia combinado namentado, tendo a imagem da Fuga para o Egito e da com o grupo que orientava o momento de adoração: Ponte Hercílio Luz como pano de fundo. Mas como foi entoado, naquele momento, o Hino do Congresso esquecer a da multidão que, para surpresa dos própri- Eucarístico Internacional do Rio de Janeiro, em 1955: os organizadores, acorreu ao Lucernário, na noite de “De todo o canto, vinde, correi, foi posta a mesa do quarta-feira, na instalação do altar da Adoração? Pode- nosso Rei”. Vi, de repente, uma cena inesquecível: ria ser escolhida uma foto dos voluntários que em nu- uma jovem mãe rezava com seus dois filhos. Ela, ajomerosos pontos e portões davam indicações para os elhada, estava tão concentrada em sua oração que que chegavam às celebrações e, com alegria, distribu- parecia nem se dar conta de que seus garotos estaíam folhetos e jornais. Ou das famílias acolhendo con- vam ali, na sua frente. Qual a idade deles? Tive a imgressistas de perto e de longe, na alegria de saber que pressão de que um não fizera, ainda, quatro anos de vinham em nome do Senhor. E por que não uma da idade. O outro, talvez tivesse cinco. Sentados sobre procissão eucarística, após a celebração de abertura, as pernas cruzadas, com o queixo apoiado nos bracom o ostensório que encantou a todos? Ou uma de ços, olhavam fixamente para o ostensório com a Hósjovens e adultos, padres e bispos, fazendo “ola” antes tia consagrada. Olhavam, não, contemplavam longa e da Missa de sábado à noite? Como esquecer, contudo, silenciosamente. Parecia-lhes natural fazer isso. Não a entrada dos bispos na missa de quinta-feira, com sei o que rezavam. Não sei como rezavam. Tive a paramentos e mitras que reproduziam detalhes da impressão, contudo, de que, de todas as orações que logomarca do Congresso? Seria oportuna, também, nasceram ao longo dos dias do Congresso, naquela uma foto do verdadeiro tapete de guarda-chuvas e som- grande tenda de adoração – orações e gestos de adobrinhas, na missa do domingo de manhã – tapete que ração que devem ter agradado muito a Jesus cobria todo o campo de futebol, subia pelas arquiban- Eucarístico – a oração daqueles dois garotos foi uma cadas e se estendia por fora do estádio. Talvez a esco- das que mais lhe agradou. Curiosamente, alegrei-me lha pudesse recair sobre a Sala da Reconciliação, com com o fato de que nenhum fotógrafo se encontrasse penitentes esperando pacientemente sua vez de se ali para registrar aquele momento. Melhor assim, penconfessar. Ou – por que não? – sobre a fotografia do sei, porque fotos reproduzem cenas, não o interior Santuário Santa Paulina, com um número histórico de das pessoas. O interior fica registrado somente e, para bispos e padres concelebrantes. Como esquecer o au- sempre, no coração do próprio Deus. ditório do ITESC que, apesar de suas dimensões, tornou-se pequeno para acolher a multidão que acorreu Dom Murilo S.R. Krieger, scj para participar do Painel Ecumênico? Poderia ser uma Arcebispo de Florianópolis e presidente do 15º CEN Periodicidade mensal - 21.000 exemplares Rua Esteves Júnior, 447 88015-130 - Florianópolis - SC Fone/Fax: (048) 3224-4799 Diretor e Revisor: Pe. Ney Brasil Pereira - Conselho Editorial: Dom Murilo S. R. Krieger, Dom José Negri, Pe. João Francisco Salm, Pe. JoséArtulino Besen, Pe. Vitor Galdino Feller, Ir. Marlene Bertoldi, Luciano Leite da Silva Filho, Carlos Martendal, Fernando Anísio Batista - Jornalista Responsável: Zulmar Faustino - SC 01224 JP - Departamento de Publicidade: Pe. Francisco Rohling - Editoração: Zulmar Faustino - Fotos: Virgínia Yunes e Foto B - Distribuição: Juarez João Pereira Impressão e Fotolitos: Diário Catarinense - Participação Especial Especial: e Estudantes de Jornalismo da Faculdade Estácio de Sá Junho de 2006 - 3 Meios de Comunicação transmiti- ENTREVISTA ram o Congresso para todo Brasil 15º CEN: a graça de cumprir o desafio A participação dos fiéis no 15º Congresso Eucarístico Nacional foi muitas vezes ampliada através dos meios de comunicação que fizeram a cobertura do evento. Emissoras de rádio e TV’s formaram um pool de transmissão ao vivo levando o congresso para aqueles que não puderam vir a Florianópolis. Jornais, revistas e a internet também foram decisivos nesse trabalho. As celebrações e os principais eventos do Congresso puderam ser acompanhados diariamente e, ao vivo, nas emissoras de televisão e rádio. As TV’s Aparecida, Rede Vida de Televisão, TV Canção Nova, TV Século 21, TV Milícia e TV Nazaré, formaram um pool de transmissão ao vivo. Os eventos foram transmitidos através de uma empresa contratada que os retransmitia pelas emissoras católicas. A Rádio Cultura 1110 AM – Mais Feliz com Jesus foi a geradora do sinal para o pool das diversas emissoras e redes de rádio de inspiração católica, as afiliadas da Rede Católica de Rádios, Rede Milícia Sat, Rede O 15º Congresso Eucarístico Nacional foi o resultado do trabalho incansável de mais de três mil voluntários que dedicaram boa parte do seu tempo ao longo de quatro anos, e mais especialmente nos últimos meses, e em muitos casos por até 24h nos dias do Congresso. A frente desta maratona, esteve o Pe. Vilmar Adelino Vicente, Secretário Geral do Congresso. Ele contou com a experiência adquirida na visita do Papa João Paulo II a Florianópolis, em 1991. Na entrevista que segue, Pe. Vilmar fala do duro trabalho de organizar o 15º CEN, do apoio recebido e da alegria de termos sido a sede desse importante evento. Canção Nova, Rede América e Rede Sul de Rádios. Mais de 300 rádios captaram o sinal do Congresso ao mesmo tempo. Elas transmitiam as celebrações e os dois boletins diários. Além disso, as rádios fizeram flash de notícias e entrevistas a todo momento. Internet – O site do Con.cen2006.org.br) gresso (www (www.cen2006.org.br) e a Canção Nova (www (www.. cancaonova.com) destacaram equipes especiais e colocaram diariamente as últimas informações sobre o evento. Os meios de comunicação não católicos também receberam atenção. Para atendê-los, foi formada uma equipe de assessoria de imprensa, que orientou e acompanhou os jornalistas, e diariamente encaminhava notícias aos jornais, rádios, TV’s e sites de Florianópolis, do Estado e do Brasil. Para auxiliar na cobertura de todos os meios de Comissão de Comunicação, foi criado um kit de imprensa, com notícias de todos os eventos do Congresso. Pe. Sérgio Maykot foi nomeado “PortaVoz do Congresso” para atender à imprensa. Os participantes do Congresso ainda tiveram acesso através da publicação diária de um jornal. Jornal da Arquidiocese Um dos aspectos bastante elogiados pelos participantes do 15º CEN foi a organização. A que o senhor deve este resultado? Pe. Vilmar - O sucesso da organização deve-se totalmente ao desempenho e eficiência das dez comissões executivas, incansáveis ao longo dos 4 anos, especialmente nos últimos meses. Nunca poderemos agradecer suficientemente às nossas lideranças por todo esforço e amor. Foto: VirginiaYunes Dom Murilo concede entrevista que foi distribuída a mais de 300 rádios DESPACHANTE SONAGLIO • Emplacamento • Tranferências • Seguros • Carteiras de Motorista • Registro de Barcos na Marinha Em frente ao DETRAN FONE: (048) 3244-7500 Rua Líbia Cruz, 262 - Estreito Cx. Postal 12130 - Florianópolis - SC JA - A presença dos fiéis da Arquidiocese no 15º CEN sempre foi uma preocupação. Como o senhor avalia essa participação? Pe. Vilmar - A presença das nossas comunidades cristãs foi maravilhosa, especialmente no dia 17 de maio na procissão luminosa com mais de 8 mil pessoas. Há anos nossa cidade não experimentava uma cena semelhante. Destacamos também a presença do povo no Estádio Orlando Scarpelli para as grandes celebrações Eucarísticas, na peregri- Sonagli Corretora de Seguros José Luiz Sonagli SUSEP 10016326-1 Fone: (48) 3244-1691 Rua Santos Saraiva, 629 - sala 06 Estreito - Florianópolis - SC Confie neste Profissional Foto JA Mais de 300 rádios, cinco TVs e dois sites garantiram a transmissão diária dos eventos do 15º CEN Pe. Vilmar Vicente avalia a preparação e a execução do Congresso nação ao Santuário de Madre Paulina, nas atividades do Centro Sul e na caminhada Eucarística sob chuva, no sábado à tarde. Foi uma bela experiência exodal do Povo de Deus. JA - A Carta Eucarística focaliza o aspecto social da Eucaristia. Que caminhos devemos percorrer para entender que a Eucaristia pode transformar os valores da sociedade? Pe. Vilmar - A Carta Eucarística foi uma pérola preciosa que o Brasil inteiro poderá cultivar e traduzir em frutos maduros e saborosos para o Reino de Deus! A carta é teologicamente muito rica, espiritualmente profunda e pastoralmente desafiadora. Se é verdade que nossa espiritualidade cristocêntrica tem como eixo central a Eucaristia e a Palavra, nosso compromisso com os excluídos deu muitos passos, mas ainda temos muito a caminhar no nível de nossa sociedade e na consciência de nossas Igrejas particulares, para sermos verdadeiros missionários da Eucaristia em torno dos pobres e necessitados. JA - As celebrações nas comunidades, no segundo dia do CEN, foi idéia bastante elo- giada. O senhor acha que esta idéia deverá ser aplicada no próximo Congresso? Pe. Vilmar - A experiência na sexta-feira à noite, com missas em quase 500 comunidades, presididas pelos bispos e padres, foi uma maravilha. Nossas comunidades, nas 67 paróquias, se prepararam muito bem e acolheram bem os celebrantes. Creio que esse modelo experiencial deva ser efetivado não só no próximo Congresso Eucarístico, mas em outros eventos eclesiais em nível nacional e regional também! JA - O lema do Congresso dizia “Vinde e Vede!”. O que Florianópolis mostrou às milhares de pessoas que aqui estiveram? Pe. Vilmar - Florianópolis não revelou apenas suas belezas naturais, mas, sobretudo, a beleza espiritual do nosso povo pela acolhida e hospitalidade, pela generosidade de nossas comunidades, pelas solenes celebrações litúrgicas, pela simplicidade no serviço, pela alegria dos cantos e orações, pela partilha dos bens, pela integração cultural, pelo entusiasmo, enfim pela nossa fé no tesouro da Eucaristia. 4 - Junho de 2006 15º CEN proporcionou quatro dias de Adoração Eucarística Arquidiocese de Florianópolis, que viveram mais intensamente todos os momentos dessa celebração. Para marcar definitivamente o 15º CEN como evento histórico para a Igreja no Brasil, a equipe editorial do Jornal da Arquidiocese decidiu destinar mais esta edição para retratar os eventos do Congresso. Se na edição anterior, destinamos 20 páginas para falar de toda a preparação, nesta utilizamos toda a edição para documentar o sucesso do Congresso. Altar Permanente de Adoração A Dia 17 de maio - Quarta-feira Mais de oito mil participaram da Procissão Luminosa Foto: Foto B Participação superou todas as expectativas e deu o termômetro de como seria o Congresso N em mesmo a mais otimista das previsões considerava uma participação tão positiva na Procissão do Lucernário, que marcou o início do 15º Congresso Eucarístico Nacional. A presença maciça dos fiéis já mostrava como eles estariam presentes no eventos do Congresso. Os peregrinos se concentraram em várias igrejas do Centro de Florianópolis e, por volta das 19h, reuniram-se em frente à Catedral. Após a celebração eucarística na Catedral, presidida pelo Arcebispo de Florianópolis, os paroquianos que participaram da missa juntaram-se aos outros fiéis e seguiram em procissão. Dom Murilo conduzia Jesus Eucarístico pelas ruas da cidade, acompanhado por milhares de fiéis. Os participantes formaram uma fila de aproximadamente um quilômetro. Todos caminhavam Fiéis, portando velas, participaram da procissão até o CentroSul rezando e cantando, auxiliados por um carro de som e portando velas, que iluminavam o caminho e formavam um risco de luzes na noite de Florianópolis. A Procissão saiu da Catedral em direção ao Centro de Convenções Centro-Sul, seguindo pela Praça XV de Novembro, Praça Fernando Machado, Aterro da Baia Sul até chegar ao local que aco- lheu os fiéis na Celebração do Lucernário. Durante todo o trajeto, os fiéis foram acompanhados por equipes de segurança da Polícia Militar e Guarda Municipal de Florianópolis, que garantiram a interdição das ruas, mas sem comprometer o trânsito. Também uma equipe médica acompanhou os peregrinos e esteve de prontidão para qualquer emergência. Lucernário lotou auditório do CentroSul O auditório do Centro de Eventos CentroSul foi pequeno para acolher todos os fiéis que participa- ram do Lucernário, mas em torno de quatro mil acompanhou a celebração. O Lucernário é uma celeFoto: Foto B Grande participação no Lucernário deu o termômetro do Congresso bração que faz referência aos primeiros cristãos, que se reuniam ao final do dia, com uma prece comunitária, à luz de velas, para agradecer os benefícios recebidos durante o dia e suplicar proteção a Deus durante a noite. A celebração, presidida por Dom Murilo, teve seqüência de cantos, orações, Proclamação da Palavra, homilia e salmos. A celebração foi encerrada com a Bênção Solene do Santíssimo. Durante a celebração, Dom Murilo fez uma prece diante do Senhor em favor dos povo brasileiro, de todos os fiéis e pedindo pelo bom êxito do 15º Congresso Eucarístico Nacional. Ele também destacou a fé do povo na presença real de Jesus na Eucaristia. pós a celebração do Lu- zer a acolhida e prestar oricernário, instalou-se o entações. Altar Permanente de Confissões Adoração e começou a Vigília Durante todo o período de Eucarística. A cada hora um grupo, pastoral, movimento ou funcionamento do Altar Perparóquia, ocupou o espaço manente, houve confissões. especialmente montado para Foram montados confessionários, que estiveram abertos a adoração ao Santíssimo. No dia 17, quarta-feira, a sempre nos horários de adoadoração teve início às 22h e ração ao Santíssimo, e foram seguiu sem interrupção até às bastante utilizados pelos fiéis. 18h do dia seguinte. Na sex- Uma sala de espera foi monta-feira (19/05), o local ficou tada para receber os fiéis e aberto das 8h às 18h e, no eles receberam um roteiro de sábado (20/05), das 8h às preparação para a Confissão. 16h. Foram 40 hoFoto: Felipe Mendes ras de adoração eucarística. O espaço tinha capacidade para até 400 pessoas, que se acomodavam como podiam: sentadas, de pé, ajoelhadas. Em todos os momentos, a sala manteve-se cheia de fiéis fazendo a sua adoração. Foi preparado um roteiro de adoração. Também uma equipe de apoio esteve disponível, durante todos os horários de Participantes buscam tocar o Santíssimo depois adoração, para fa- de mais um momento no Altar de Adoração Dom Eusébio veio para ser o Enviado Especial do Papa O Enviado Especial do Papa Bento XVI e Arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Eusé-bio Oscar Scheid, chegou a Florianópolis na tarde do dia 17. Ele foi recebido pelo Arcebispo de Florianópolis e Presidente do 15º Congresso Eucarístico Nacional (CEN), Dom Murilo Krieger, e pelo Secretário Geral do CEN, Pe. Vilmar Vicente, e demais autoridades políticas, civis e militares. Dom Eusébio desembarcou no vôo das 16h, acom- panhado de outros bispos do Brasil vindos direto da 44º Assembléia Geral dos Bispos do Brasil, realizada em Itaici, São Paulo. No desembarque, ele foi encaminhado a uma sala especial onde conversou com as autoridades, cumprimentou os presentes e concedeu entrevista aos meios de comunicação. Durante a sua participação no 15º CEN, Dom Eusébio presidiu as três celebrações realizadas no Estádio Orlando Scarpelli. Ele também proferiu a conferência de abertura do Simpósio Teológico. Ainda no Aeroporto, Dom Eusébio falou sobre seu retorno a Flo-rianópolis. “É com grande alegria que volto a minha terra natal. Venho numa situação especial e um momento singular. Representar o Papa Bento XVI é uma graça sem igual. Sendo em minha terra natal, é graça ainda Dom Eusébio (esq.) foi recebido por Dom mais especial”, disse Murilo em sua chegada a Florianópolis Dom Eusébio. Foto: Gabriel Garcia P assado o 15º Congresso Eucarístico Nacional, muitas coisas ficaram na memória e no coração de todos aqueles que participaram desse importante evento para a Igreja no Brasil. Mas de modo especial para as pessoas da Junho de 2006 - Dia 18 de maio - Quinta-Feira 5 Segue... Celebração de abertura levou 18 mil pessoas ao Estádio M Foto: VirginiaYunes mento seu para ser lido aos fiéis. Aqui Bento XVI não o fez. “O Papa não encaminhou uma mensagem especial. Seu mensageiro (Dom Eusébio) é a própria mensagem”, disse Dom Murilo. Durante a sua homilia, Dom Eusébio falou da honra de representar o Papa. Ele falou também que Bento XVI quer repassar a todos o seu carinho pelo Brasil. “Com muita emoção, eu recebi esta honrosa e ao mesmo tempo empenhativa missão de representar o Santo Padre, ser o seu porta-voz e transmitir sua mensagem. Na medida em que isto seja possível, quero corresponder a esta missão”, disse Dom Eusébio. ais de 18 mil pessoas participaram da Celebração de Abertura do 15º Congresso Eucarístico Nacional. A celebração teve início com a procissão de entrada de todos os bispos reunidos no Congresso, enquanto os fiéis aplaudiam e acompanhavam o Ministério de Música do CEN que cantava a música “Igreja Santa”. O último a passar foi Dom Eusébio Scheid, Enviado Especial do Papa, que presidiu a celebração. Após todos os bispos estarem acomodados no altar, teve início a apresentação de todas as bandeiras dos Estados, mostrando a unidade da igreja no Brasil. Em seguida, mais de 500 pessoas, entre crianças, jovens e adultos, apresentaram coreografia em que, a cada estrofe do Hino do Congresso, construíam uma parte do símbolo do CEN. Na seqüência, Dom Eusébio acolheu fraternalmente todas as pessoas que se concentravam naquele espaço. Dom Murilo Krieger tomou a palavra, e fez a leitura da carta do Papa nomeando Dom Eusébio como seu representante. Todos os Ministros Extraordinários da Comunhão Eucarística da Arquidiocese foram convidados especiais para a celebração de abertura. Mais de 300 deles auxiliaram na distribuição da Eucaristia aos milhares de fiéis. Durante a distribuição da Comunhão, eles podiam ser identificados no meio da multidão através de sombrinhas brancas. “A minha mensagem” Volta Olímpica Normalmente, em eventos que não pode participar, o Papa encaminha um representante e manda um docu- Ao final da celebração, Dom Eusébio seguiu o exemplo dos atletas que fazem a volta olímpica quando alcan- Convidados Especiais O número de fiéis que participaram da Celebração de Abertura do Congresso surpreendeu a organização çam uma importante conquista e contornou, todo o Estádio numa Procissão do Santíssimo Sacramento. Du- após a procissão, voltou ao altar, onde foi encerrada a celebração com a Solene Bênção do Santíssimo. PALAVRA DO PAPA Ao Nosso Venerável Irmão EUSÉBIO OSCAR da Sagrada Igreja Romana Cardeal SCHEID, Arcebispo de São Sebastião do Rio de Janeiro Foto: Foto B Dom Eusébio fez a “volta olímpica” no Estádio dando a bênção do Santíssimo às milhares de pessoas que participaram da celebração rante o trajeto, ele parou em duas estações e em cada uma delas deu a Bênção às pessoas presentes. Logo Sabemos que, desde os inícios da Igreja, o santíssimo Corpo de Cristo e seu preciosíssimo Sangue foram honrados com a máxima adoração. A vida da Igreja, de fato, se nutre e se fortalece da Santíssima Eucaristia, tesouro de alimento espiritual. Com efeito, todos os fiéis, unidos por esse vínculo de caridade e alimentados com esse sagrado banquete, empenham-se em consolidar e em viver, de verdade, a comunhão do Povo de Deus. Dentre as várias comunidades eclesiais, a nossa atenção se volta agora para a Igreja no Brasil, que procura refletir mais profundamente sobre essa verdade eucarística e vivê-la mais intensamente. Com efeito, os fiéis dessa Igreja estão se preparando para celebrar o XV Congresso Eucarístico Nacional na cidade de Florianópolis, nos dias 18 a 21 do próximo mês de maio. Esse evento, sem dúvida, fará com que os fiéis da nação brasileira cresçam na fé, se enriqueçam de dons sobrenaturais e se congreguem em um só coração e uma só alma. Para que essa comemoração aconteça com mais brilho e mais eficácia, atendemos, de bom grado, e conscientes, ao desejo do nosso venerável irmão Murilo Sebastião Ramos Krieger, Arcebispo de Florianópolis, que nos dirigiu o pedido para que fosse designado um representante para, em nosso nome, estar à frente das celebrações. Tu, venerável irmão nosso, te apresentas em condições para atender a esse desejo, pois, sendo filho da terra, foste, durante dez anos, Pastor daquela sede Arquiepiscopal de Florianópolis. Mediante este documento, e segundo nossa vontade, te constituímos ENVIADO EXTRAORDINÁRIO, para que transmitas a todos os presentes o nosso pensamento, a partir do qual se comprometam a viver mais intensamente a fé cristã e eucarística. A todos os participantes apresentarás nossa saudação e nosso afeto, que a todos abraça e acolhe. Insistirás na incomparável importância do mistério eucarístico e exortarás a todos para que, aproximandose dessa sagrada ceia, cresçam cada vez mais na caridade fraterna. Finalmente, desejamos que concedas a todos, em nosso nome, a Bênção Apostólica, que se tornará um sinal de renovação dos corações e anúncio de graças sobrenaturais. Cidade do Vaticano, 4 de abril de 2006, 1º ano de nosso pontificado. (ass) Bento XVI 6 - Junho de 2006 Dia 18 de maio - Quinta-feira Feiras foram atrativo a mais Painel Ecumênico refletiu sobre a Eucaristia D Foto: VirginiaYunes Líderes de várias igrejas cristãs participaram do encontro “E ucaristia e Unidade dos Cristãos”, foi o tema do Painel Ecumênico realizado na manhã do dia 18, como parte da programação do 15º Congresso Eucarístico Nacional. Promovido pelo Departamento de Diálogo Ecumênico e Inter-religioso do Instituto Teológico de Santa Catarina – ITESC, o encontro contou com a participação de mais de 200 pessoas, que lotaram o auditório do Itesc. O encontro foi aberto pelo Presidente do 15º CEN, Dom Murilo Krieger. Durante suas palavras, ele enalteceu a importância da reunião de irmãos e irmãs de diversas confissões religiosas. “O Batismo operou em nós uma profunda comunhão: cremos em Jesus Cristo, Filho de Deus e Salvador”. “Embora, devido a divergências que têm a ver com a fé, ainda não seja possível concelebrar a mesma liturgia eucarística (...), temos o desejo ardente de celebrar juntos a única Eucaristia do Senhor. Unamonos, pois, numa mesma oração, pedindo ao Senhor esta graça”, disse. Em seguida, Dom Oneres Marchiori, responsável pelo setor de Ecumenismo da CNBB e moderador do Encontro mostrou que as igrejas estão abertas para o Ecumenismo Painel, e o Pr. Edson Saes Ferreira, Pastor Sinodal da Igreja Evangélica de Confissão Luterana do Brasil, deram a sua saudação a todos os participantes. Após breve momento de espiritualidade, Pe. Elias Wolf, coordenador do Painel, fez a palestra de abertura e apresentou os palestrantes. Na continuidade, Dom Manoel João Francisco, bispo de Chapecó, e Pastor Pastor Meinrad Piske, da Igreja Evangélica de Confissão Luterana do Brasil, proferiram palestra com o mesmo tema “A Eucaristia, Tesouro do Cristianismo”. Cada um deles manifestou a compreensão da Eucaristia em sua denominação, ressaltando os pontos em comum. Após a explanação de ambos, chegou-se a mesma conclusão: “Há muito mais pontos em comum, entre as duas igrejas, que divergências. E são esses pontos em comum que devem ser valorizados e estimulados para que continue o diálogo”. Depois, representantes católicos, luteranos, presbiteranos e anglicanos participaram de um debate. As pessoas que assistiam ao Painel puderam fazer perguntas aos debatedores e aos palestrantes. “O encontro atingiu o seu objetivo de possibilitar às igrejas cristãs mostrar a dimensão ecumênica da Eucaristia. Mostrou que as pessoas estão abertas para o Ecumenismo”, disse Pe. Elias. Monumento relembrará visita de João Paulo II a Florianópolis Área nobre da capital será transformada em praça de acolhimento de turistas U ma solenidade realizada às 15h do dia 18 de maio, em Florianópolis, deu os primeiros passos para resgatar um dos principais momentos da religiosidade dos Catarinenses. Foi lançadada a pedra fundamental da construção de um memorial em homenagem à visita de João Paulo II à Santa Catarina e em reverência a Santa Paulina. O evento contou com a participação de Dom Murilo Krieger, presidente do 15º CEN, de urante a realização do Congresso, mais de 80 empresas ou empreendimentos de Economia Solidária puderam apresentar seu trabalho aos participantes. Elas estiveram instaladas no Centro de Eventos CentroSul e foram muito procuradas pelos participantes do 15º CEN. Essa foi a primeira vez que a Promocat, empresa responsável pela realização da ExpoCatólica, promove um evento semelhante fora de São Paulo, e o resultado agradou bastante. “Nossa intenção era divulgar a ExpoCatólica e oferecer seus produtos aos participantes do 15º Congresso Eucarístico Nacional e nossos objetivos foram alcan- Pe. Vilmar Vicente, Secretário Geral do CEN, além da presença de autoridades do Governo do Estado e do Município. A construção do monumento foi uma proposta da Câmara de Vereadores, que há tempos aguardava a aprovação do município. Agora, por iniciativa da Prefeitura, ganha um espaço privilegiado num dos pontos mais centrais da Capital. Durante o evento, Dom Murilo lembrou algumas palavras que marcaram a homilia de João Paulo II. “O Papa disse que o Brasil precisa de Santos, muitos Santos. Ao beatificar e depois canonizar Santa Paulina, ele mostrou que a santidade é possível”. Segundo ele, a construção deste monumento histórico é de fundamental importância. “É a garantia de que vai manter-se viva a lembrança da visita do Papa a Florianópolis”, disse. João Paulo II esteve em Florianópolis no dia 18 de outubro de 1991, quando celebrou a missa de beatificação da Madre Paulina. Em 19 de maio de 2002, o mesmo Papa tornou-a a primeira Santa do Brasil. No evento, foi lembrado que, no dia anterior, João Paulo II, se vivo fosse, celebraria 86 anos. çados”, disse Fábio Castro, diretor da Promocat, empresa organizadora dos eventos. A Feira foi também um sucesso comercial. A grande maioria dos expositores ficou muito satisfeita com os resultados recebidos. O sucesso desse primeiro evento fará com que ele seja levado a outros cantos do pais. A idéia é que a partir do próximo ano, sejam realizados eventos regionais. O primeiro será na região nordeste, sem local ainda definido. A ExpoCatólica é realizada há quatro anos em São Paulo. Este ano, será nos dias 21 a 24 de setembro, no ExpoCenter Norte e reunirá 200 empresas. Foto: Felipe Mendes Participantes do Congresso interessaram-se pelos artigos religiosos e de artesanato expostos nas feiras Feira de Economia Solidária Durante a realização da Feira CatólicaSul, realizada no Centro de Eventos CentroSul, 22 grupos de Economia Popular Solidária (EPS) demonstraram e comercializaram seus produtos e serviços. Os grupos e empreendimentos presentes são acompanhados pela Ação Social Arquidiocesana, que buscam através da geração de trabalho e renda embutir outros princípios como a solidariedade, a partilha dos resultados, a sustentabilidade ambiental, e o envolvimento comunitário. Assim se viabiliza a construção de outro modelo econômico, que foge da competitividade, da ganância e da exploração. Todos os visitantes da IV Feira Arquidiocesana de EPS tiveram a oportunidade de conhecer os produtos fitoterápi- cos produzidos por 12 grupos da Pastoral da Saúde da Arquidiocese, tapetes e cachecóis produzidos pela oficina de tecelagem de pessoas com Sindrome de Down, artesanato da tribo guarani do Morro dos Cavalos, além de associações de artesanato de Biguaçu e Palhoça. Foram comercializado produtos agroecológicos, além de produtos de empresas autogestionárias, entre outras. “A diversidade das experiências, encontradas no mesmo local, veio reforçar que através de iniciativas de EPS é possível a transformação social, realizada através das ações desenvolvidas pelas Ações Sociais Paroquiais, grupos e Pastorais Sociais”, avaliou a equipe de coordenação do evento. Junho de 2006 - 7 Comunidades receberam Bispos celebraram no Santuário de Santa Paulina bispos e padres congressistas Dia 19 de maio - Sexta-feira Segue... N o noite de sexta-feira, mais de 500 comunidades da Arquidiocese de Florianópolis tiveram celebrações presididas por bispos e padres participantes do 15º Congresso Eucarístico Nacional. As celebrações foram realizadas às 20h e foi a primeira vez que isso foi realizado num Congresso. No total, 229 bispos e 315 padres, todos de outras dioceses do Brasil, celebraram em comunidades paroquiais (capelas ou matrizes), hospitais, escolas, universidades, capelanias militares ou presídios. Comunidades rurais ou urbanas, próximas ou distantes, todas aquelas que solicitaram as celebrações, receberam os bispos ou padres participantes do Congresso. Na avaliação dos participantes, foi a coisa mais bonita do Congresso. “As celebrações deram a consciência de Igreja no Brasil. Uma Igreja una”, disse Dom Murilo. O resultado foi tão bom, que Para a maioria maioria,, era a primeira vez que iam à terra em que a primeira Santa do Brasil iniciou a sua obra O Bispos concelebram a Eucaristia no Santuário de Santa Paulina, com grande participação de fiéis. Florianópolis, representando Dom Murilo Krieger, leu a mensagem enviada pelo Arcebispo aos presentes. “Sabemos que os santos são um dom de Deus; são o fruto mais apreciado dos trabalhos da Igreja. Cabe à Igreja descobrir esses dons de Deus e apontá-los a todos”, dizia a carta. Em sua homilia, Dom Geraldo disse que Madre Paulina é um exemplo a ser seguido. “Santa Paulina viveu, desde cedo, o caminho da simplicidade. Não procurava a si mesma. Ainda que provada pelo tratamento recebido pelos superio- res, não desistiu de sua obra”. Ao final da celebração, as Irmãzinhas da Imaculada Conceição, representadas por Ir. Salete Bampi, superiora Geral, agradeceram a presença dos bispos no Santuário, entregando a eles uma pequena lembrança. Entre os bispos participantes da celebração, ouvia-se o mesmo comentário. A idéia da realização da celebração foi muito positiva. Muitos deles iam a Nova Trento pela primeira vez e poderão ajudar na divulgação do Santuário da primeira Santa do Brasil. Foto: Foto B Santuário de Santa Paulina, em Nova Trento, recebeu todos os bispos participantes do 15º Congresso Eucarístico Nacional. A Celebração, presidida por Dom Geraldo Magella Agnelo, presidente da CNBB, foi realizada às 11h e marcou um momento histórico para o Santuário, inaugurado em 22 de janeiro deste ano. Os mais de 220 bispos, presentes à celebração, fizeram o percurso de 80km, acompanhados dos milhares de fiéis que lotaram o Santuário. Para muitos deles, era a primeira vez que iam à terra em que Santa Paulina, a primeira Santa do Brasil, deu os primeiros passos rumo à santidade e iníciou a Congregação das Irmãzinhas da Imaculada Conceição, hoje espalhada pelo mundo. A Celebração foi acompanhada por mais de 5 cinco mil pessoas e foi a primeira do dia. Houve ainda outras duas celebrações, todas com o Santuário lotado. Durante a missa, Dom José Negri, bispo-auxiliar da Arquidiocese de a CNBB pretende adotar a mesma idéia para a 45ª Assembléia Geral dos Bispos do Brasil, que anualmente é realizada em Itaici, São Paulo. Os bispos foram trazidos do Santuário de Santa Paulina, já os padres foram buscados em seus locais de acolhida. O Movimento de Irmãos ficou responsável pelo transporte dos sacerdotes. Para as outras dioceses do Brasil, foi preparado um subsídio litúrgico, que foi encaminhado às dioceses e ficou disponível no site do Congresso (www.cen2006.org.br), para que as pessoas que não puderam ir a Florianópolis também celebrassem, em sintonia com os participantes do 15º CEN. Toda a coordenação ficou por conta de Dom José Negri, bispo auxiliar da Arquidiocese de Florianópolis. “A graça de celebrar em quase todas as comunidades da Arquidiocese e do Brasil foi um dos momentos mais significativos do 15º CEN”, disse Dom José. Trechos da Homilia de Dom Geraldo Magella Agnelo na Celebração Eucarística em honra de Santa Paulina Madre Paulina do Coração Agonizante de Jesus, vocacionada a ser discípula autêntica de Cristo, tomou a sua cruz para segui-lo. Na oração que abriu esta Eucaristia em louvor da primeira santa canonizada no Brasil, vemos já o retrato da querida Santa: Deus exalta os humildes e simples. O seu caminho de santidade foi através da provação do trabalho humilde e da oração constante. (...) O testemunho do amor a Deus é próprio de quem encontrou Deus, enamorou-se dele e não pode viver mais em si mesmo, mas deixou Deus viver em si. “Quem me separará do amor de Cristo? Nem a vida, nem a morte”. Viver a simplicidade e a humildade é a primeira condição. Deus resiste aos soberbos e exalta os humildes, como cantou a Virgem Maria na Visitação à prima Isabel. É interessante notar que a convivência humana rejeita o orgulho, a altivez das pessoas, ainda que cada um de nós seja tentado muitas vezes pela vaidade, o falso conceito da exagerada importância de si mesmo. (...) Ter pensamentos sublimes sobre Deus não é nada sem o amor. “Se eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, se tivesse o dom da profecia e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, mas não tivesse a caridade, não sou nada” (1Cor 13). O que conta é abrir-se ao amor que Deus nos dá, e transmiti-lo aos outros. “Vinde a mim, vós todos que estais cansados e oprimidos, e eu vos darei descanso”. Jesus conheceu a fadiga humana, conheceu porque a experimentou, nossos cansaços, Ele que disse amorosamente aos apóstolos cansados: “Vinde, repousai um pouco”. (...) Parece desconcertante a condição: para descansar é preciso carregar um jugo, o peso sobre as costas. É preciso aprender, e isso requer fadiga. Mas o jugo de Jesus é jugo de amor. Se ficarmos sozinhos, nossos esforços serão em vão e com a dor pode vir o desespero, porque não vemos o sentido de nossas fadigas. Se aceitamos o jugo de Jesus, isso dá sentido a todas as fadigas, torna-as fecundas, e nós saberemos caminhar para a plenitude da luz e da vida. Ser discípulo de Jesus é aprender quem é Jesus manso e humilde. Se o contemplamos nos evangelhos, na oração, torna-se fácil aprender de Jesus, porque Jesus é Mestre que ensina com o exemplo. A mansidão e a humildade que Ele nos exorta a aprender são condições da paz interior que enche nossas almas de verdadeiro repouso; são também a condição para entrar, graças a seu jugo de amor, no reino do amor. “Bem-aventurados os pobres no espírito, porque deles é o reino dos céus”. (...) Neste caminho de santidade estava a perseverança sem limites, como disse Santa Paulina às suas filhas espirituais: “Não desanimeis nunca!”. Dom Lorenzo Baldisseri (centro), Núncio Apostólico do Brasil, presidiu a missa no Santuário de Fátima, em Florianópolis, na noite de sexta-feira Delegados diocesanos foram acolhidos em lares A maior parte dos 2.663 delegados participantes do 15º Congresso Eucarístico Nacional, foram acolhidos em casas de famílias que abriram os seus lares para recebê-los. Eles vieram para participar do Simpósio Teológico e demais eventos do Congresso, e representavam 167 dioceses e 39 arquidioceses do Brasil e exterior. Os delegados foram recebidos pela equipe de acolhida no Aeroporto Hercílio Luz e no Terminal Rodoviário Rita Maria. Cada um que chegava, era re- cebido com o canto do hino e recebia um adesivo do 15º CEN. Dos 2.663 participantes, 1.369 foram acolhidos em lares da Arquidiocese. A Comissão de Hospedagem conseguiu 1.443 vagas, de 27 paróquias da Grande Florianópolis, quase 100 a mais das que foram ocupadas. “As paróquias assumiram muito bem esse trabalho e os delegados ficaram muito satisfeitos com a acolhida recebida”, disse Solange Hermes Passig, uma das responsáveis pela Comissão. 8 - Junho de 2006 Procissão Luminosa reuniu mais de 8 mil pessoas na noite de quarta-feira e deu o termômetro de como seria a participação dos fiéis nas celebrações do 15º Congresso Eucarístico Nacional Dom Pedro Fedalto preside a celebração em rito latino, em Latim, na igreja do Colégio Coração de Jesus Fiéis estiveram presentes a todos os eventos do Congresso Dom Eusébio presidiu as três Gandes Celebrações realizadas no Estádio Orlando Scarpelli, que somadas reuniram mais de 60 mil pessoas. Na foto, o Enviado Especial do Papa diante da Custódia oficial do 15º Congresso Eucarístico Nacional. Dom Murilo transporta o Santíssimo durante a Celebração do Lucernário Dom Murilo recebeu no aeroporto o Enviado Especial do Papa, Dom Eusébio. Pe. Alvino Milani (esq.) e Mons. Francisco de Sales Bianchini (dir.) completavam a Missão Pontifícia Altar montado no Estádio Orlando Scarpelli foi o centro das principais celebrações. Com mil metros de superfície, o altar foi montado para abrigar os mais de 200 bispos participantes das celebrações Junho de 2006 - 9 Mais de 200 bispos participaram da Celebração no Santuário de Santa Paulina. Para muitos deles, era a primeira vez que pisavam na terra em que a primeira Santa do Brasil iniciou sua obra Mais de mil vozes animaram a celebração de encerramento do Congresso Dom Geraldo, presidente da CNBB, presidiu a celebração no Santuário de Santa Paulina Pessoas fazem fila para fazerem sua confissão. Dez confessionários foram montados e ficaram abertos durante todo o período em que o Altar Permanente de Adoração estava funcionando. Havia uma sala de espera e um roteiro de preparação para as confissões. Uma equipe orientava os fiéis. O Altar Permanente de Adoração foi bastante procurado pelos congressistas Caminhada Eucarística reuniu mais de 6 mil jovens que percorreram 3hm sob chuva e frio, cantando e rezando Esta é a equipe que iniciou os preparativos para a realização do 15º Congresso Eucarístico Nacional. Eles formam a Comissão Central e as Comissões Setoriais. Em 23 reuniões coletivas, realizadas ao longo de três anos, tomaram as decisões e transformaram o Congresso num verdadeiro sucesso. “Fizemos um padrão menor e o Senhor multiplicou centenas de vezes o que fizemos”, disse Dom Murilo. 10 - Junho de 2006 RETALHOS DO COTIDIANO ECUMENISMO NO 15º CEN Ecos do Congresso consangüíneos dos membros da LUGAR comunidade. Só se constrói uma Para nós, o Congresso Eucarístico teve início dia 17. Com o salão da Catedral lotado, os fiéis se espalhavam pelas escadarias de acesso e o calçadão em frente. D. Murilo inicia a Missa. E diz: “Aqui não cabe mais ninguém, mas no coração de Jesus Eucarístico há lugar para todos!”. E pouco depois, na homilia, pedia-nos, como um pai pede a seus filhos, que nos abandonássemos nas mãos de Jesus, que cuida de nós. O que vamos responder a esse apelo de nosso arcebispo? Soou em meus ouvidos a palavra do Pai quando o Filho amado se transfigura no Tabor: “Ouvi-o!”. comunidade cristã tendo por centro e raiz a Eucaristia. Onde estiver a Eucaristia, ali estará a Igreja, a comunidade. (D. Manoel, bispo de Chapecó). EUCARISTIA CÉU 2 Falando no Simpósio Teológico, durante o 15º Congresso Eucarístico Nacional, D. Eusébio fez-me refletir bastante. Saboreei a frase que ele pôs nos lábios de Jesus: “Quando vocês se reunirem para celebrar a Eucaristia, por favor, sintam um pouco de saudade de mim!” “O céu é ver os outros felizes!”. Descobri isso, disse D. Luciano, quando sonhei com o céu. Lá, me encontrava atrás de uma árvore. Vendo os outros. Felizes! Foto: Foto B Dom Eusébio consagra a Eucaristia em uma das Celebrações que presidiu no Estádio SEDE Nós temos sede de infinito. Nada, nada nos satisfaz. E, citando um teólogo, D. Eusébio complementa: “Temos uma dolorosa saudade da eternidade!”. COMUNIDADE Participando da Eucaristia, nos tornamos concorpóreos e consangüíneos de Cristo. Daí decorre a necessidade de sermos concorpóreos e CÉU 1 Também no Simpósio, D. Luciano, arcebispo de Mariana, contou que certo dia uma senhora perguntou-lhe: “O céu é grande?” “Sim!” “É muito grande mesmo?” “Sim!” “Ah, que bom, assim não encontro a minha vizinha lá!”. É, essa ainda demora um pouquinho para subir... FESTA Mônica convidou algumas pessoas para a festa de seu aniversário. Pelas duas horas da tarde, estava fazendo bolinho de chuva. Uma comadre chegou cedo. Disse a aniversariante: “Mas ainda não está na hora!”. Responde a visitante: “Mas eu vim te ajudar! Vou lavar esses copos. Depois, posso te ajudar a fazer bolinho?” E ficou fazendo bolinho. Mais tarde, chegou outra convidada. E logo perguntou: “Já tem bolinho?” E foi comendo. Quando saiu, ainda levou bolinho na bolsa, para o outro dia. Qual das duas é a sua vida?, perguntou D. Luciano. DIREITO Com que direito podemos receber o Cristo na Eucaristia e não nos decidirmos a fazer alguma coisa pelo irmão que sofre necessidade? Não há coisa pior que um coração endurecido, que guarda as coisas para si. Será que não podemos mostrar o que é uma civilização, uma vida marcada pela Eucaristia? A reflexão é de um homem simples, humilde, a quem a vida já provou de muitos modos. E que nos fez chegar mais perto de Jesus: D. Luciano! Carlos Martendal Painel Eumênico – Eucaristia e Unidade dos Cristãos A Eucaristia é a realidade da redenção munhão que a Eucaristia significa e realiza, da humanidade que Deus realiza pela como meta de toda a criação. vida, paixão, morte e ressurreição de Assim, os que se sentem convocados Jesus Cristo. A sua celebração é um ato de pela mesa da Ceia do Senhor são chamados fé no projeto redentor de Deus e um com- a participarem, também, da mesa do diálogo. promisso com a realização desse projeto E às igrejas já é possível a partilha das espena vida dos cristãos, em suas igrejas e no ranças, das alegrias e dos desafios da vida mundo. Isso significa que a Eucaristia en- cristã. Elas comungam da missão de testevolve num processo de conversão todos os munhar o evangelho no mundo. Aí estão os que a celebram, orientando a vida na pers- fundamentos da comunhão futura quando popectiva da partilha, da solidariedade, da co- derão, também, participar juntas da Ceia pelo munhão. Na vida cristã, tudo o que converge Senhor preparada para seus discípulos/as. para a unidade e a comunhão tem dimenO Painel Ecumênico, inseriu-se no consão eucarística. E tudo o que trai a unidade e junto dos esforços de diálogo que, com sacrifício e teimosia da fé, são realizados por a comunhão é negação da Eucaristia. Isso tem implicações para todos os cris- cristãos, igrejas e organismos ecumênicos. tãos que, em suas diferentes tradições É significativo o fato de esse Painel ter sido eclesiais, celebram a Eucaristia/Ceia como realizado no maior centro de reflexão teomemória da Páscoa de Cristo. E aqui está lógica da Igreja católica em Santa Catarina, sua dimensão ecumênica, refletida no Pai- o ITESC. Cada vez mais o ITESC, pelo Denel Ecumênico, realizado no Instituto Teoló- partamento de Diálogo Ecumênico e Intergico de Santa Catarina, na manhã do dia 18 religioso, vai se tornando um lugar de ende maio de 2006, dia do início do XV Con- contro de membros de diferentes Igrejas e gresso Eucarístico Nacional. Dele participa- Religiões. Da mesa do diálogo ninguém ram representantes das Igrejas Católica, está excluído. É de se esperar que tal fato Metodista, Presbiteriana Independente, Evan- contribua para o desenvolvimento da digélica de Confissão Luterana no Brasil e mensão ecumênica da teologia que ali se Evangélica Luterana do Brasil. O tema Eu- produz, conforme o magistério da Igreja caristia e Unidade dos Cristãos mostrou ser católica. Manifesta-se, assim, o comproa comunhão eucarística uma realidade à misso desta Igreja para a realização do qual são chamados todos os que celebram desejo do Mestre: “Que todos sejam um ... a memória da Páscoa de Cristo. A Eucaristia para que o mundo creia” (Jo 17,21). Para é um “tesouro do cristianismo” (sub-tema do isso trabalhamos. Painel), recebido e vivido de modos diferenPe. Elias Wolff tes nas diferentes tradições eclesiais. Essas diferenças expressam tamFoto: Foto B bém divergências em doutrinas, ritos, estruturas, espiritualidades e práticas pastorais. Urge dialogar, serenamente e com amor à verdade, sobre esse fato, para para reconciliar as diferenças no que há de contradição. Para tanto, é fundamental crer que na fé eucarística não existem obstáculos insuperáveis para a comunhão. Por ora, é preciso ser realista diante do distanciamento existente entre as igrejas. Mas não se Representantes das igrejas cristãs que participaram do pode deixar de buscar a co- debate no Painel Ecumênico, uma das atividades do CEN Leia mais sobre ecumenismo: www.itesc.ecumenismo.com Junho de 2006 - 11 Dia 19 de maio - Sexta-feira Palestras podem ser adquiridas Dom Eusébio abriu o Simpósio Teológico T Foto: Foto B Os mais de 2600 delegados participaram de seis palestras no primeiro dia do Simpósio Teológico O s 2.663 delegados, representando 229 dioceses de todo o Brasil, participaram da abertura do Simpósio Teológico, na manhã do dia 19 de maio. A abertura foi às 8h, pelo presidente do 15º Congresso Eucarístico Nacional e arcebispo de Floria-nópolis, Dom Murilo Krieger. Depois de saudar os presentes, Dom Murilo falou da importância da realização do evento. “Cabe a um Congresso Eucarístico promover uma intensa catequese sobre a Eucaristia, principalmente como mistério de Cristo vivo e operante na Igreja”, disse. Dom Murilo ainda falou da grande procura pelo Simpósio. “Surpreendeu-nos a receptividade que o Simpósio teve por parte das dioceses. Tivéssemos a possibilidade de acolher o dobro de inscrições, facilmente elas teriam sido preenchidas. Isso nos dá uma certeza: cresce a convicção de que a Igreja vive da Eucaristia”, disse. Ocuparam a mesa central do Simpósio durante a abertura, Dom Eusébio Scheid, Enviado Especial do Papa, Dom Lorenzo Baldisseri, Núncio Apostólico do Brasil, Pe. Vilmar Vicente, Secretário Geral do 15º CEN, Pe. Vitor Feller, coordenador do Simpósio, e Pe. Alvino Introvini Milani e Mons. Francisco de Salles Bianchini, membros da Missão Pontifícia. Evangelização O Simpósio foi montado a partir dos três grandes níveis da evangelização do Projeto Queremos Ver Jesus da CNBB: pessoa, comunidade e sociedade. Assim, as três grandes conferências, que abriram cada período – sexta de manhã, sexta de tarde, e sábado de manhã – estiveram relacionadas com esse projeto. O Cardeal Dom Eusébio deu início ao ciclo de palestras, falando sobre o tema “Eucaristia e promoção da pessoa humana”. Em seguida, as sa- Dom Eusébio fez a conferência de abertura do Simpósio Teológico, falando sobre o tema “Eucaristia e promoção da pessoa humana” las foram divididas e uma parte dos congressistas ouviu a palestra “Eucaristia e reconciliação”, pelo teólogo jesuíta Pe. João Batista Libânio, de Belo Horizonte; e outra parte, a palestra “Eucaristia e ministerialidade leiga”, pela teóloga Profª. Maria Clara Bingemer, do Rio de Janeiro. A tarde, todos os participantes acompanharam a palestra “Eucaristia e renovação da comunidade”, por Dom Manoel João Francisco, bispo de Chapecó. Em seguida, durante um breve coffee break, as salas foram divididas e metade acompanhou a palestra “Eucaristia e opção pelos po- bres”, por Dom Orlando Brandes, bispo de Joinville; e a outra parte a palestra “Eucaristia, vocação e missão”, por Dom Angélico Sândalo Bernardino, bispo de Blumenau. Para Pe. Vitor Feller, coordenador do Simpósio, o primeiro dia do evento ocorreu sem imprevistos que atrapalhassem o seu desenvolvimento. “Temos ouvido muitos elogios e agradecimentos por parte de muitas pessoas de diversos locais do país e diversas vocações da Igreja sobre a organização, a riqueza do conteúdo teológico e pastoral do Simpósio”, disse Pe. Vitor. O Simpósio teve continuidade no dia seguinte. Deus e o homem Qualquer ato contra a pessoa humana é contra a sua dignidade. O Cardeal Dom Eusébio deu início às palestras do Simpósio Teológico. Ele falou sobre o tema “Eucaristia e promoção da pessoa humana”. Como explicou, não há termos unívocos para falar de Deus e do homem, só analogia. O homem é semelhante a Deus numa distancia infinita. A pessoa humana é imagem viva de Deus, uma centelha do seu poder criador”, disse. “Somos um composto psicosomático. Quando demasiado psico, corre-se o risco de cair num psiquismo, espiritualismo desencadeado. Quando demasiado somático, corre-se o risco de cair no materialismo”, refletiu Dom Eusébio. Segundo ele, todas as criaturas foram modeladas segundo a natureza humana de Cristo. A pessoa humana é superior a todas as coisas e seus direitos são universais e invioláveis. O homem e a comunidade “Eucaristia e Renovação da Comunidade”, por Dom Manoel João Francisco, bispo de Cha-pecó, foi outra palestra que reuniu todas os participantes do Simpósio Teológico. Durante sua conferência, Dom Manoel explicou que a essência do ser humano é comunitária. Mas, apesar da sua vocação para viver em comunidade, o mundo está em crise desta vivência. “A única saída possível para esta crise é a visão cristã”, disse. Segundo ele, viver em comunidade não é uma obrigação, é uma conseqüência da transformação adquirida com a eucaristia. A pessoa que não participa da comunidade “arranca” o corpo de Cristo de si. odas as conferências do Painel Ecumênico, do Simpósio Teológico e do Seminário Social estão sendo comercializadas. As palestras estarão disponíveis em CD, com apenas o áudio, e DVD, com áudio e vídeo. As conferências podem ser adquiridas individualmente ao preço de R$ 6,00 para os CD, e R$ 17,00 para o DVD. Os interessados podem ainda adquirir o kit completo, por R$ 47,00, os CD’s, e R$ 119,00, os DVD’s. Para comprar, os interessados devem entrar em contato com a empresa Santa Missão Estúdio, pelo fone (49) 8801-4241 ou pelo e-mail fernando@formaquinas. com.br, ou ainda pelo endereço: Rua São João, nº 440b, Apto 303, Bairro Presidente Médici, CEP 89,801-230, em Chapecó – SC. Revista publicará palestras Todas as palestras e homilias proferidas durante o 15º Congresso Eucarístico Nacional também serão publicadas na Revista Encontros Teológicos, publicada pelo Instituto Teológico de Santa Catarina (ITESC). Além disso, a Revista publicará a Carta Eucarística. Para adquirir, os interessados devem solicitar a assinatura da revista pelo fone (48) 3234-0400, ou pelo site www.itesc.org.br. Arquidiocese perde três padres A Arquidiocese de Flo- aos doentes como capelão rianópolis noticia, com pesar, do Hospital. Tinha 84 anos. “Mons. Valentim foi uma o falecimento recente de três de seus padres. São eles, estrela já em vida. Ele foi e Pe. Vertolino José Silveira, continuará sendo uma esPe. Adilson Costa e Mons. trela a nos apontar para Deus; uma estrela, pelo seu Valentim Loch. Pe. Vertolino estava há exemplo luminoso de fidelitempo afastado para trata- dade”. “Na história quase mento de saúde. Há anos lu- centenária da Arquidiocese tava incansavelmente con- de Florianópolis, a poucos tra o câncer, sem deixar de presbíteros essa Igreja Parcelebrar sempre que suas ticular deve tanto como a condições físicas permiti- Mons. Valentim. Ele é parte am. Tinha 66 anos, 33 deles de nossa história, e parte dedicados ao sacerdócio. importante, pois deixou suas marcas no coração Faleceu no dia 11 de maio. Pe. Adilson Costa era de nosso clero e de nosso natural de Joinville. Membro povo”, disse Dom Murilo na da congregação dos Sale- celebração das exéquias. sianos, foi ordenado em Arquivo JA 21 de maio de 2001. Logo veio para Itajaí, para trabalhar no Colégio Salesiano. Atualmente era pároco de São João Bosco, na mesma cidade. Morreu de meningite anos 37 anos, no dia 28 de maio. Azambuja está de luto. No dia dois de junho, faleceu Mons. Valentim Loch. Um homem que dedicou a maior parte dos seus 60 anos de sacerdócio à formação dos seminaristas como profes- Mons. Valentim faleceu aos 84 sor e reitor do Seminá- anos de idade, 60 deles dedicados rio, e no atendimento ao sacerdócio ministerial Dia 20 de maio - Sábado Seminário celebrou os 50 anos da Cáritas Brasileira Segue... Jovens foram os convidados especiais Foto: VirginiaYunes Encontro, caminhada, show e celebração realizados no sábado tiveram jovens como protagonistas. O sábado, dia 20 de maio, durante a realização do 15º Congresso Eucarístico Nacional, teve os jovens como convidados especiais. Durante a tarde, foi realizada a Grande Concentração da Juventude, na Arena Multiuso, em São José, a Caminhada Eucarística até o Estádio Orlando Scarpelli, o show de evangelização com quatro artistas católicos e a Celebração Eucarística. Os eventos tiveram início às 13h com a Grande Concentração da Juventude. Mais de quatro mil jovens representavam todas as realidades da juventude presentes na Arquidiocese de Florianópolis e em outras regiões do Brasil. O encontro foi aberto por Pe. Márcio Vignolli, responsável pelo evento, que falou da alegria de ver tantos jovens de diferentes realidades reunidos em um mesmo evento. Na seqüência, tomou a palavra Dom Alberto Taveira, arcebispo de Palmas, no Os mais de quatro mil jovens dão-se as mãos durante a Grande Concentração em que mostraram toda a sua força Tocantins, que ministrou palestra com o tema “Juventude e Eucaristia”. “O que você tem para oferecer? Capacidade para partilhar, generosidade, esperança, capacidade para recomeçar, criatividade, coragem”. “Se perguntássemos o que possuímos, certamente muitos milagres de multiplicação aqui mesmo aconteceram”, disse Dom Taveira. Depois, um casal, uma religiosa, um jovem e uma jovem, um diácono, deram o seu tes- temunho sobre a vida eucarística na realidade em que vivem. Dom Murilo Krieger, presidente do 15º CEN, também marcou presença no encontro, e enalteceu a importância da participação dos jovens no Congresso. A seguir, Pe. Márcio, que animou o encontro, contando com o Ministério de Música do Congresso Eucarístico, e Dom Murilo, convidaram os jovens para sair em caminhada até o Estádio Orlando Scarpelli. Caminhada Eucarística aconteceu mesmo com chuva N em mesmo a chuva que caiu por toda a tarde de de sábado impediu que os jovens participassem da Caminhada Eucarística. Mais de 6 mil jovens seguiram pelas ruas da região continental de Florianópolis com destino ao Estádio Orlando Scarpelli. Durante o trajeto, um carro de som acompanhou os participantes. A chuva prejudicou o som, que previa a animação de uma banda católica, nem por isso a caminhada deixou de ser animada. Artistas católicos fizeram show O s participantes da Grande Concentração da Juventude e da Caminhada Eucarística, foram premiados no Estádio Orlando Scarpelli com o show de quatro artistas do meio católico. O show teve início às 17h e contou com a apresentação de Eugênio Jorge e grupo Missão Mensagem Brasil, de Cruzeiro, em São Paulo, as cantoras Jean, de São Paulo, Suely Façanha, de Fortaleza, no Ceará, e Simone Medeiros, de Florianópolis, a qual na oportunidade lançou o seu primeiro Cd. Todos eram artistas conhecidos no meio católico, que já atuaram em grandes eventos nacionais e já apresentaram seu trabalho em Florianópolis. Eles se ofereceram para animar gratuitamente a celebração dos jovens durante a 15º Congresso Eucarístico Nacional. Três seminaristas do Rio de Janeiro pegaram os microfones e entoaram músicas, mesmo sem instrumentos, que foram acompanhadas pelos jovens participantes. Durante toda a caminhada o Diácono Sedemir Valmor de Mello, puxava palavras de ordem, cantos, orações e louvores, que eram respondidos pelos caminhantes. Eles levaram bandeiras representando suas pastorais e movimentos, todas enfeitadas e multicoloridas. Das janelas dos prédios e casas, famílias acenavam com alegria para os jovens. Ao chegarem ao Estádio, todos os jovens se deram as mãos e entraram de mãos dadas simbolizando a unidade da Igreja. “O encontro mostrou que quando os jovens são convidados, eles participam e mostram a sua expressão que é muito forte na Igreja”, disse Pe. Márcio. Três conferencistas falaram a representantes de entidades sociais de todo o Brasil “E ucaristia e Transformação Social”, foi o tema do Seminário Social realizado no dia 20 de maio, durante o 15º Congresso Eucarístico Nacional. O Seminário, promovido numa parceria da Ação Social Arquidiocesana - ASA, com o Departamento de Pastoral do ITESC e com a Comissão de Teologia do 15º CEN, contou com a presença de 250 participantes. Realizado pela manhã, o Seminário teve como objetivo principal comemorar com a Cáritas Brasileira seu Jubileu de Ouro, que tem como lema “50 anos de Solidariedade pela Vida”. O encontro foi presidido por Dom Oneres Marchiori, Bispo Referencial da Cáritas Brasileira - Regional Santa Catarina. No primeiro momento, através de uma transmissão simultânea do Simpósio Teológico, os participantes do seminário assistiram à conferência de Dom Luciano Mendes de Almeida, Arcebispo de Mariana, em Minas Gerais, que falou sobre o tema “Eucaristia e Transformação da Sociedade”. Em suas palavras, ele ressaltou que a transformação social não se realiza somente em grandes espaços. “É no cotidiano, onde Deus mostra o verdadeiro significado da partilha, que é a terra fértil para a transformação social”. Na seqüência, falou Dom Demétrio Valentini, Presidente da Cáritas Brasileira, que relacionou o sacramento da Eucaristia com a prática libertadora da Cáritas, contextualizando os 50 anos de história da entidade no Brasil. Dom Demétrio relembrou o entusiasmo de Dom Helder Câmara, “o grande animador e incentivador na criação da Cáritas no Brasil”, disse. Em seguida, José Magalhães de Souza, Diretor Executivo da Cáritas Brasileira, apresentou o panorama dos 20 anos de Economia Popular Solidária, destacando que essa atuação contribui para melhoria da qualidade de vida dos trabalhadores e trabalhadoras, fortalecendo um projeto pautado no desenvolvimento sustentável e solidário. Na seqüência, a Bruscor e a Justa Trama, empreendimentos de Economia Popular Solidária da Arquidiocese de Florianópolis, apresentaram suas experiências nas práticas autogestionárias, ressaltando como a Economia Solidária é uma das mais importantes ferramentas de mudança social. Na continuidade, foram realizados os lançamentos de dois livros: “Os Pobres Possuirão a Terra”, formado por pronunciamentos de Bispos e Pastores sinodais sobre a terra; e “Cáritas Brasileira: 50 anos promovendo Solidariedade”, que faz parte dos documentos da Coleção de Estudos da CNBB, nº 92. Foto: Foto B 12 - Junho de 2006 Dom Demétrio Valentini falou aos 250 participantes do Seminário Social Junho de 2006 - Dia 20 de maio - Sábado Celebrações em Ritos Orientais expressaram catolicidade Eucarística Celebração foi animada pelos jovens Foto: Foto B Durante a missa, Dom Eusébio manifestou a preocupação da CNBB com os jovens, tema da última Assembléia A nimação é o que não faltou na celebração realizada na noite do dia 20 de maio no Estádio Orlando Scarpelli. Apesar da chuva que caíra à tarde, mais de 18 mil pessoas participaram da celebração que tinha os jovens como convidados especiais. E eles foram os protagonistas da animação. Os jovens já estavam no Estádio desde às 17h, que houve o show de evangelização com cantores católicos. Antes, eles já haviam participado da Grande Concentração da Juventude e da Caminhada Eucarística. Eles ocuparam o centro do Estádio e eram mais da metade dos participantes. A missa foi antecedida pela entrada da Imagem de Nossa Senhora do Desterro, padroeira da Arquidiocese e do Estado. A procissão solene contou com rito especial de entrada e coreografia. Foi o momento mariano do Congresso. Em seguida, entrou Dom Eusébio, o Enviado Especial do Papa, precedido pelos cardeais e demais ministros participantes da celebração. Os outros bispos já os aguardavam no altar. Um dos momentos especiais da celebração, foi o início da Liturgia da Palavra com a entrada solene da Bíblia, com encenação e rito especial. Outro momento que merece des- Dom Eusébio entrega a comunhão aos jovens, que foram os convidados especiais da Grande Celebração no Estádio taque, foi a comunhão, em que um grupo de jovens recebeu a comunhão de Dom Eusébio. Em sua homilia, Dom Eusébio lembrou a preocupação da CNBB com os jovens. “Durante a última Assembléia dos Bispos, a nossa preocupação foi com os jovens. Chegamos a conclusões muito boas e que levam a aumentar o trabalho realizado nos grupos de jovens, com muito entusiasmo, maior ardor, senso de responsabilidade e alegria”. Ele também enalteceu a importância dos jovens na vida pastoral da Igreja. “Apelo a Jesus para que olhe para vocês e, com muita ternura, os chame um a um para Seu serviço. Agradeceu também aos muitos jovens que são nossos catequistas de crianças, adolescentes e adultos. Devo agradecer aos semina- ristas que, muitas vezes, em um ambiente hostil, têm a coragem de dizer Sim a Cristo e à sua Igreja”. Envio Missionário Foto: VirginiaYunes Antes da celebração, os jovens tiveram shows de músicos católicos Antes da Bênção Final, Dom Murilo Krieger, Arcebispo de Florianópolis e Presidente do Congresso proferiu o rito de Bênção e Envio Missionário para Pe. Lúcio Espíndola dos Santos. Ele vai representar o Brasil na Diocese de Bafatá, na Guiné-Bissau, África, que tem Dom Pedro Zilli como bispo. Parte de três das quatro coletas realizadas durante o 15º CEN serão destinadas a apoiar financeiramente a diocese, que tem minoria católica e, por isso, depende muito do trabalho missionário. Durante a solenidade, Dom Murilo manifestou a alegria de fazer o Envio. “Que bom, Pe. Lúcio, que o senhor, em assumindo este compromisso missionário, se unirá a tantos outros de nossa terra, de nosso Brasil, que já disseram “sim” ao chamado missionário.” “O seu ‘sim’, Pe. Lúcio, é o ‘sim’ de nossa Igreja, é o ‘sim’ que nasce da Eucaristia, é o ‘sim’ que o fará dizer a tantas pessoas ‘Vinde e vede!’, para que possam encontrar o Cristo Ressuscitado”, disse. Em seguida, ele proferiu a oração de bênção, benzeu a Cruz Missionária, o Livro da Sagrada Escritura, do Cálice e da Patena, e os entregou ao Pe. Lúcio para que os leve em sua nova missão. 13 s igrejas católicas que celebram em ritos orientais também tiveram espaço no 15º Congresso Eucarístico Nacional. No dia 20 de maio (sábado), às 12h, quatro igrejas de Florianópolis cederam seus espaços para que houvesse três celebrações em ritos orientais e uma no rito latino, em Latim. As celebrações em ritos orientais tiveram como presidentes seus bispos eparcas e a liturgia foi organizada por comissão própria de cada rito. As missas tiveram boa participação, com igrejas lotadas. O Santuário Nossa Senhora de Fátima recebeu Dom Vartan Waldir Boghossian, que presidiu a Santa Missa em Rito Armênio. A celebração foi transmitida ao vivo pela TV Cultura de Florianópolis. Dom Efraim Basílio Krevey, presidiu a Solene Divina Liturgia em rito Bizantino-Ucraniano. A celebração foi realizada na Igreja Matriz de Nossa Senhora de Lourdes e São Luiz, na Agronômica, e contou com três bispos, 20 padres, coral e A centenas de leigos que vieram em 20 ônibus de Curitiba para participar da celebração. A Igreja Matriz da Paróquia Nossa Senhora da Boa Viagem recebeu o bispo eparca Dom Fares Maakaroun. Ele presidiu a Santa Missa em Rito Greco-Melquita. A comunidade da paróquia da Trindade estava preparada para receber Dom Joseph Mahfouz, que iria presidir a Santa Missa em Rito Maronita. Mas a celebração foi cancelada por motivos de doença. Apesar disso, Dom Moacir Vitti, Arcebispo de Curitiba, no Paraná, presidiu celebração no mesmo horário, mas no rito latino. Para ressaltar o valor e destacar a importância da língua latina na história da Igreja, também foi realizada uma celebração em Latim. Ela foi realizada na igreja do Colégio Coração de Jesus, no Centro, e foi presidida por Dom PedroAntônio Marchetti Fedalto, Arcebispo emérito de Curitiba, e contou com a participação do Coral Santa Cecília da Catedral, acompanhado de orquestra. Dom Vartan presidiu a Santa Missa em Rito Armênio Dom Efraim presidiu a celebração em rito Bizantino-Ucraniana Dom Pedro Antônio Fedalto presidiu a missa em Latim Dom Fares presidiu a Santa Missa em Rito Greco-Melquita. T M 14 A PÁSCOA DO CONGRESSO EUCARÍSTICO - Junho de 2006 EMA DO ÊS DE UM LADO As pessoas que estiveram envolvidas com o Congresso, desde sua preparação remota, há quatro anos, até sua preparação mais imediata e sua execução, foram sentindo cada vez mais o peso da cruz. Quanto mais o Congresso se aproximava, mais pesada era a cruz. Não falo somente por Foto: Foto B S ão muitas as avaliações a serem feitas sobre o 15º Congresso Eucarístico Nacional. Cada pessoa envolvida o viu e experimentou a seu modo. Elementos positivos e negativos são ressaltados em cada revisão. Foram muitos os eventos: três missas no Estádio Orlando Scarpelli; romaria ao Santuário de Santa Paulina; missas nas paróquias e comunidades da Arquidiocese; missas nos ritos orientais; adoração ao Ssmo. Sacramento; painel ecumênico; simpósio teológico; seminário social; encontro e caminhada dos jovens; show de evangelização; feira de produtos religiosos; leitura e entrega da Carta Eucarística; a apresentação do Balé Bolshoi ao final. É impossível uma avaliação global. Qualquer avaliação que fizermos será sempre imperfeita, limitada à ótica e ao horizonte de cada um. Somente no plano de Deus é possível avaliar toda a luz e toda a sombra do Congresso Eucarístico. Ainda assim, como nos revelam as Escrituras e comprovamos em nossa experiência de fé, Deus queima nossas falhas, desconsidera nossos pecados, cobre nossas omissões. Na ordem da graça divina, aparece somente a luminosidade. O pouco que fizemos é transformado por Deus numa riqueza incalculável. Que efeitos produziu o Congresso nos corações e nas comunidades? Que frutos ele deixou em nossas vidas, em nossa Igreja e em nossa sociedade? Deus o sabe! De minha parte, como coordenador da Comissão Teológica do Congresso, gostaria de fazer uma reflexão de ordem místico-pastoral-teológica. E o faço à luz do mistério pascal. A Eucaristia é o sacramento da Páscoa. Em cada missa, comemoramos a morte do Senhor e proclamamos sua ressurreição, enquanto aguardamos sua vinda. Daí, essa luz pascal para analisar o Congresso Eucarístico. “Delegados, no total de 2.663, representaram suas dioceses nas palestras do Simpósio Teológico” Antes do Congresso, Jesus Crucificado e Abandonado; depois, na ótica e na experiência da maioria dos participantes, o Cristo Ressuscitado. mim. Era visível no rosto de todos a tensão, o cansaço, a insegurança. Havia, é claro, na ordem da fé, a confiança no poder do Espírito Santo e na própria presença do Senhor Jesus. Mas, na perspectiva humana, prevalecia a cruz: angústias, preocupações, correrias, reuniões, lacunas, gastos, orçamentos e mais orçamentos, montagens, compras. Tudo era feito em vista do melhor: acolhida dos delegados e peregrinos; beleza das celebrações; oportunidades para a oração e o lazer. Acima de tudo, o objetivo de todos sempre foi o louvor, a gratidão e a honra ao Senhor Jesus que, presente na Eucaristia, concentra todas as outras maneiras de sua presença entre nós: na Palavra; na assembléia dos fiéis; em cada grupo de oração e fraternidade; nos pastores da Igreja; em cada irmão, sobretudo nos pobres; em cada um de nós; na cruz nossa de cada dia. No meio da cruz, já se entreviam vislumbres da luz. Mas, estávamos ainda no regime da obscuridade: o que seria o Congresso? Daria tudo certo? Não há que se esquecer o cansaço da viagem dos delegados e peregrinos. Muitos vieram de longe, do Norte e Nordeste do país. Tiveram que enfrentar, certamente, muitos imprevistos, contratempos, desgostos. Também eles tiveram muitos gastos. Também eles entreviam o valor de tudo isso: o amor a Jesus na Eucaristia. DO OUTRO LADO Na medida em que o Congresso ia acontecendo, as luzes iam se acendendo. Toda a programação se desenvolveu a contento. Os delegados se sentiram bem acolhidos pelas famílias e paróquias anfitriãs. O povo acorreu em grande número às missas. Apesar do frio e da chuva, o povo mostrou sua fidelidade e amor ao Cristo Eucarístico. Foi significativa a presença dos jovens em todos os momentos do Congresso, notadamente nas missas. A presença maciça dos bispos brasileiros confirmou a caminhada comum de nossa Igreja. Muitas caravanas de peregrinos vieram a Florianópolis com o objetivo precípuo de louvar o Senhor e de marcar presença no Congresso. As missas celebradas em todas as igrejas matrizes e comunidades da Arquidiocese, levaram o Congresso às bases; deram um toque de descentralização e ampliação; favoreceram encontros e experiências de fraternidade, ternura e comunhão. As palestras e conferências do painel ecumênico, do simpósio teológico e do seminário social propuseram uma iluminação mais ampla ao sentido e à práxis da Eucaristia. Pôdese ver a Eucaristia num enquadramento teológico mais bíblico e pastoral, mais ecumênico, mais social. A Carta Eucarística sintetizou a proposta pastoral de pôr o sacramento central de nossa fé no núcleo das atividades evangelizadoras no mundo das pessoas, das comunidades e da inteira sociedade. A mídia divulgou quase tudo para o país, de modo que, mesmo à distância, muita gente pôde participar do Congresso. Enfim, se de um lado, houve cruzes, do outro lado, surgiram as luzes. De um lado, a morte; de outro, a ressurreição. Do lado de cá, Jesus Crucificado e Abandonado; do lá de lá, após o Congresso, na ótica e na experiência da maioria dos participantes, o Cristo Ressuscitado, vivo e presente nos corações e comunidades. Ele está, ele continua no meio de nós! DA TERRA AO CÉU A espiritualidade eucarística nos lembra que o sacramento da Eucaristia é o pão dos seres humanos em seu caminho para a pátria celestial. O Congresso Eucarístico nos possibilitou uma síntese dessa caminhada e dessa chegada. Terra e céu, sombra e luz. A Eucaristia é, por enquanto, sacramento dos caminhantes. Na glória eterna, não será mais sacramento, mas a realidade viva do Cordeiro Pascal, princípio e fim, Senhor da história, vencedor do pecado e de todo o mal. Na manhã radiante do domingo eterno, o Espírito de Cristo que habita em nossos corações, colocará a Igreja diante de seu Esposo e seremos, para sempre, um só Corpo de Cristo. Pe. Vitor Galdino Feller Professor de Teologia e Diretor do ITESC UM COLÉGIO 100 ANOS NA FRENTE Junho de 2006 - 15 Dia 20 de maio - Sábado Carta Eucarística é a mensagem oficial do 15º Congresso Eucarístico Após a conferência de Dom Luciano, foi aprovada a Carta Eucarística que é o documento conclusivo do Simpósio Teológico e oficial do Congresso CARTA EUCARÍSTICA DE FLORIANÓPOLIS À IGREJA DO BRASIL O Simpósio Teológico teve a sua última conferência na manhã do dia 20 de maio. Dom Luciano Mendes de Almeida, Arcebispo de Mariana em Minas Gerais, proferiu a palestra com o tema “Eucaristia e Transformação da Sociedade”, para um público estimado em três mil pessoas, coroando o Simpósio. Durante sua explanação, Dom Luciano refletiu sobre o céu. “Há um tempo queria muito ver o céu, saber como é lá. Um dia subi no céu. Não pensei que era tão bonito, fiquei contente com tanta música, pessoas dançando na presença de Deus. Mas, de repente, percebi que eu estava escondido atrás de uma árvore. Descobri que o céu é ver os outros felizes”. “A ação de Deus no mundo é lenta. Estamos vivendo o tempo, a história. Não somos do mundo, mas estamos no mundo, que contém a fragilidade do pecado.” “A Eucaristia nos joga para dentro da realidade, sem privilégios e sem milagres. Jesus não mudou as articulações do mundo, mas mudou nosso coração para viver no mundo.” Ao final de sua palestra, Dom Luciano foi apaudido de pé por todos os participantes. Encerramento Após a palestra de Dom Luciano, seguiu-se uma breve pausa para o café. Dom Murilo Krieger, presidente do 15º CEN, Pe. Vilmar Vicente, Secretário Geral, Pe. Vitor Feller, coordenador do Simpósio, e Dom Cláudio Hummes, Cardeal-Arcebispo de São Paulo, ocuparam a mesa central do auditório para fazer o encerramento do Simpósio. Durante a solenidade, Pe. Vitor fez a leitura da Carta Eucarística, documento conclusivo do Simpósio e mensagem oficial do 15º Congresso Eucarístico Nacional. A leitura pôde ser acompanhada pelos participantes através de um dos telões. Ao final da leitura, os participantes sugeriram alguns acréscimos. “Creio que este Simpósio Teológico atingiu seus objetivos – isto é, ajudar-nos a tomar consciência de que o mistério da morte e ressurreição do Senhor nos conforta, dando sentido a toda a nossa vida e nos preservando na alegria da esperança!”, disse Dom Murilo durante o encerramento. Acompanhe ao lado a íntegra do documento oficial do 15º CEN. Irmãs e irmãos em Cristo Jesus! Na conclusão do 15º. Congresso Eucarístico Nacional, realizado em Florianópolis, de 18 a 21 de maio de 2006, dirigimo-nos ao povo católico e aos fiéis cristãos de nosso país, para confirmar nossa fé na Eucaristia. Afirmamos com vigor: “Ele está no meio de nós!” Saímos do Congresso com a disposição missionária de fazer a todos o convite: “Vinde e vede!” Acolhemos com amor as palavras do Papa Bento XVI na carta endereçada a seu Enviado Especial, Cardeal Eusébio Oscar Scheid, para o nosso Congresso: “A vida da Igreja se nutre e se fortalece da Santíssima Eucaristia, tesouro de alimento espiritual. Com efeito, todos os fiéis, unidos por esse vínculo de caridade e alimentados com esse sagrado banquete, se empenham em consolidar e viver, de verdade, a comunhão do Povo de Deus”. “VINDE E VEDE – ELE ESTÁ NO MEIO DE NÓS” Em comum acordo com as Diretrizes da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil e com o Projeto de Evangelização “Queremos Ver Jesus – Caminho, Verdade e Vida”, cremos que a Eucaristia é fonte e ápice da evangelização das pessoas, das comunidades e da sociedade. Cremos que a Eucaristia promove a vida, a dignidade e a liberdade de cada pessoa. Em nossa sociedade, marcada pelo individualismo e egoísmo, há muitas formas de violência contra a dignidade da pessoa humana. Por outro lado, é grande o sonho por liberdade e felicidade. Na Eucaristia, os cristãos afirmam a dignidade absoluta de cada filho e filha de Deus. Comungando o Cristo no sacramento da Eucaristia, nos tornamos pessoas eucarísticas. Na Eucaristia, realiza-se o sonho de todo ser humano, a felicidade e a liberdade, que consistem em servir ao próximo, do mesmo modo como Jesus. Na oferta de sua vida, no seu sacrifício, experimentamos o amor do Senhor por cada ser humano. Queremos ver Jesus em nós mesmos e em cada pessoa humana. “VINDE E VEDE – ELE ESTÁ NO MEIO DE NÓS” Cremos que a Eucaristia renova nossas comunidades. Em nossa sociedade, acentua-se o isolamento dos indivíduos, o enfraquecimento da família e a diluição da vida comunitária. Por outro lado, cresce o sonho por um mundo mais solidário e fraterno, onde as relações sejam mais humanas. Na Eucaristia, experimentamos que a espiritualidade da comunhão será a força renovadora de nossas comunidades e paróquias, vocações e ministérios, pastorais e movimentos. Na Eucaristia, nos assemelhamos às primeiras comunidades cristãs, que eram um só coração e uma só alma (At 4,32); partilhavam todos os bens, os espirituais e os materiais; colocavam tudo em comum de modo que não havia necessitados entre eles (At 4,34). Queremos ver Jesus em nossas comunidades eclesiais e fazer delas o fermento de uma nova sociedade. “VINDE E VEDE – ELE ESTÁ NO MEIO DE NÓS” Cremos que a Eucaristia transforma nossa sociedade. São gritantes as desigualdades sociais no Brasil e no mundo. São graves os problemas sociais: desemprego, corrupção, violência, criminalidade e narcotráfico. Por outro lado, é grande o sonho por uma sociedade onde impere a justiça e a paz social. Na Eucaristia, aprendemos a lutar por iniciativas e práticas solidárias; descobrimos nossa missão de construir uma sociedade de justiça e igualdade, onde os pobres, prediletos de Deus e de Jesus de Nazaré, sejam postos no primeiro lugar. Na Eucaristia, fortalecemos o cuidado com o meio ambiente, a caminhada ecumênica e o diálogo com pessoas de todas as religiões. Alimentando-nos todo domingo com a Escritura e a Eucaristia, acreditamos nos grandes valores do Reino de Deus e reagimos aos contra-valores desumanizantes do mercado, da mídia e da moda. Na Eucaristia, acreditamos numa Igreja renovada e num mundo novo. “VINDE E VEDE – ELE ESTÁ NO MEIO DE NÓS” Assumimos os seguintes compromissos: santificar o domingo, dia do Senhor, para o alimento de nossa espiritualidade pessoal e familiar, comunitária e social; reservar um dia da semana em nossas comunidades para a adoração do Santíssimo Sacramento; tornar nossas comunidades mais eucarísticas, através do ministério da visitação às famílias, dos grupos de oração e de reflexão bíblica, e da opção decidida pelos pobres; e atuar em todos os âmbitos sociais com a força da Eucaristia. Faremos tudo para que a experiência que aqui fizemos, da presença do Senhor em nosso meio, seja uma realidade vivida no dia-a-dia de nossas comunidades. Na beleza natural da Ilha de Santa Catarina e na acolhida do povo catarinense, vimos um sinal da Eucaristia e uma expressão do amor de Deus por nós. A Mãe de Jesus, Nossa Senhora do Desterro, estrela da evangelização e mulher eucarística, nos ensine a contemplar e a seguir seu Filho e a adorá-lo no Santíssimo Sacramento. Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil nos acompanhe em nossa missão de eucaristizar a sociedade brasileira. De agora em diante terá um novo sentido proclamar em cada missa: “Ele está no meio de nós!” De agora em diante cada missa se tornará missão: “Vinde e vede!” “VINDE E VEDE – ELE ESTÁ NO MEIO DE NÓS” Delegados e Participantes do 15º Congresso Eucarístico Nacional Florianópolis, 21 de maio de 2006 16 - Junho de 2006 Dia 21 de maio - Domingo Apesar da forte chuva, mais de 28 mil pessoas esgotaram a capacidade do Estádio Orlando Scarpelli O tempo chuvoso e frio ao amanhecer o domingo parecia comprometer a participação dos fiéis na última celebração do 15º Congresso Eucarístico Nacional. Entretanto, já às 6h da manhã um grande grupo de pessoas se concentrava nos portões do Estádio Orlando Scarpelli aguardando para entrar. Foram mais de 35 mil pessoas que se dirigiram ao local da última grande celebração. Por motivos de segurança, pouco mais de 28 mil puderam entrar. Antes do início da celebração, eles foram animados pelo Ministério de Música do Congresso. A Celebração teve início às 9h30min, com a procissão solene de entrada de todos os bispos, seguidos de Dom Eusébio Scheid, Enviado Especial do Pape e presidente da missa. Num dos momentos de grande emoção, a deficiente visual Josiane Becker fez a segunda leitura (1Jo 4,7-10) em Braille, e outro deficiente físico (cadeirante) fez uma das preces. Esta foi a forma de o Congresso lembrar as pessoas com deficiência, que é o tema da Campanha da Fraternidade deste ano. Na Apresentação das Oferendas, entraram todas as bandeiras dos Estados do Brasil, mostrando a unidade da Igreja em todos os cantos na nação. Durante a sua homilia, Dom Eusébio destacou a importância da amizade: “Ao término deste Congresso Eucarístico Nacional, queremos acentuar a Eucaristia como uma recíproca doação de amizade de Cristo para nós e nossa resposta a Cristo através da mesma amizade”. “A primeira coisa para ser feliz é ‘amar como Jesus amou’. E creio que nossa felicidade se mede na razão do amor que dedicarmos uns aos outros, a começar de casa, na Igreja, no clero... E daí nasce verdadeiramente o espírito eclesial. Vai nascer a própria Igreja. Não é possível conceber a Igreja sem esse ponto culminante que é a Eucaristia.” “Se Cristo está no centro do domingo e na inspiração de tudo o que fazemos, jamais poderemos sentir-nos infelizes pelas coisas que a vida nos faz passar. Parabéns a vocês, queridos floria-nopolitanos e brasileiros que podem dizer: ‘Eu vi o Cristo ali presente em cada um deles’; vocês, que sabem ‘amar como Jesus amou’”, disse Dom Eusébio. No final da celebração, Dom Murilo, presidente do 15º CEN, agradeceu a Dom Eusébio por ter representado o Foto: Foto B Congresso proclama a mensagem: IDE E ANUNCIAI! Pe. Vitor Feller faz a leitura da Carta Eucarística diante de uma platéia de mais de 28 mil pessoas que enfrentaram a chuva, o vento e o frio para participar da celebração de encerramento do 15º CEN Papa como seu Enviado Especial. “Obrigado, Cardeal Eusébio, muito obrigado!” “Leve ao nosso Papa, ao nosso Pai espiritual, a certeza de que nesta Arquidiocese – e, por que não falar? em todo o Brasil -, ele é muito querido. Diga-lhe que lhe somos muito gratos porque, falando de Jesus Cristo, tem nos testemunhado de forma vigorosa que Ele está no meio de nós”. Carta Eucarística Foto: Foto B Antes do Encerramento da celebração, Pe. Vitor Feller, responsável pela Comissão de Teologia, leu a Carta Eucarística, documento conclusivo do Simpósio Teológico, e aprovada no seu término, e mensagem oficial do 15º Congresso Eucarístico Nacional. Mil vozes Guarda-chuvas, capas e sombrinhas protegeram as pessoas e formaram um emaranhado de cores nas arquibancadas do Estádio Na arquibancada coberta do Estádio um grande grupo de pessoas se destacava na multidão. Eram mais de mil coralistas de várias cidades do Estado que ali estavam reunidos para animar a celebração. Eles ensaiaram separadamente em suas comunidades de origem e fize- ram um último ensaio coletivo no dia 07/05. A banda sinfônica da Polícia Militar os acompanhou. Hino Oficial Na Celebração de Abertura do Congresso, foi realizada uma apresentação coreografada em que cada uma das dez estrofe do Hino Oficial construía uma parte do logotipo. Para a celebração de encerramento, seria feito o contrário. O hino teria como tema o congresso se desfazendo e encaminhando as pessoas para a missão. As fortes chuvas impediram que a apresentação fosse feita e a última estrofe, composta pelo Pe. Ney Brasil Pereira, autor do hino, somente para apresentação, não foi cantada. Mas veja o novo refrão e a última estrofe. Ide, todos, e anunciai: Ele está no meio de nós! Ele está no meio de nós! Ao pedido de tantos que suplicam: Ó irmãos, nós queremos ver Jesus (Jo 12,20), cabe a nós responder, levar-lhes Cristo que, no Pão, se revela Vida e Luz! Apresentação artística encerrou eventos Aqueles que ainda tinham energia reservada, puderam apreciar a apresentação do espetáculo “Quebra Nozes” do Ballet Bolshoi, de Joinville. Mais de quatro mil pessoas foram a Arena Multiuso de São José para assistir à peça. Ela fazia parte de uma das 30 apresentações artísticas organizadas pela Co- missão de Cultura. Antes da apresentação, Dom Murilo foi homenageado pela equipe do Ballet. “O que esses bailarinos fazem é também ‘Eucaristia’. Aqui eles nos dão o fruto de seus ensaios e de seus esforços”, disse, sendo aplaudido por toda a platéia que encheu o Centro de Eventos.