HISTÓRIA MODERNA
HISTÓRIA
MODERNA
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SOMESB
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História
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Moderna
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Financeiro ♦ Samuel Soares
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FTC - EaD
Faculdade de Tecnologia e Ciências - Ensino a Distância
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SUMÁRIO
INTRODUÇÃO AOS TEMPOS
MODERNOS
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FORMAÇÃO DO MUNDO MODERNO
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A Baixa Idade Média e a Desarticulação
do Sistema Feudal
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A Queda de Constantinopla e o
Mediterrâneo Bizantino
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A Crise do Século XIV
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As Grandes Navegações
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O Renascimento Cultural
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A ERA DO ABSOLUTISMO
O ANTIGO REGIME
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O Absolutismo: “Um Rei, uma Fé, uma Lei”
O Mercantilismo: “Ouro, Poder e Glória”
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As Conseqüências das Grandes Navegações
A Reforma e a Contra-reforma
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As Bases para Formação do Estado Moderno
OS TEMPOS MODERNOS
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As Doutrinas Filosóficas que Justificam
o Absolutismo
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O Colonialismo e o Absolutismo
História
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Moderna
O ILUMINISMO E A SUA INFLUÊNCIAS NO MUNDO
Características do Iluminismo
O Despotismo Esclarecido
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As Revoluções Liberais e a Crise do Sistema Colonial
A Inconfidêcnia Mineira, a Conjuração Baiana
e as Idéias Iluministas
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Atividade Orientada
Glossário
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Referências Bibliográficas
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Apresentação da Disciplina
Caro (a) aluno (a),
Este material se propõe ao estudo da História Moderna. O objetivo do
mesmo é trazer um panorama histórico dos tempos modernos, analisando seus
conteúdos de forma crítica e consciente. É de extrema importância que sejam
observados os processos históricos transcorridos nesse período e o legado que
trouxeram para a história da humanidade.
A Idade Moderna deixou marcas profundas na mentalidade dos homens do
seu tempo, e estes ideais arrebatam os desejos das diversas formações sociais
até nossos dias.
Nesta disciplina, presenciaremos a formação do Estado Moderno e seu
poder absoluto. Conheceremos um “novo mundo” através das viagens marítimas.
Veremos como novas religiões desbancam a supremacia da Igreja Católica. A
forma de produzir muda, surgem as fábricas, a burguesia e o proletariado. E, por
fim, teremos o privilégio de percebemos a mudança de visão de mundo de toda
uma humanidade, primeiro com o Renascimento Cultura, e logo em seguida, com
o Ideário Iluminista.
Essa disciplina possui 72 horas e encontra-se divida em dois grandes
blocos temáticos. O primeiro intitula-se “Introdução aos Tempos Modernos” e o
segundo recebe o nome de “A Era do Absolutismo”
O primeiro será desenvolvido a partir de dois temas, “Formação do “Mundo
Moderno” e “Tempos Modernos”.
O segundo discute sobre “O Antigo Regime” e “O Iluminismo e suas
Influências no Mundo”
Nosso material foi trabalhado para acompanhar o seu aprendizado. Por
isso, leia com atenção os textos e realize as atividades propostas, como forma de
sedimentar seu conhecimento.
Desejamos que este material contribua para a formação de pessoas
capazes de construir o próprio conhecimento e de enfrentar os desafios com
coragem e consciência de seu papel enquanto ator social e formador de opinião.
Avante! Sempre!
Profª. Paula Costa
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História
Moderna
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INTRODUÇÃO AOS TEMPOS MODERNOS
FORMAÇÃO DO MUNDO MODERNO
A BAIXA IDADE MÉDIA E A DESARTICULAÇÃO DO SISTEMA
FEUDAL
Panorama Geral da Baixa Idade Média
A baixa idade média é marcada pela diminuição das invasões que a partir do século
X gera a estabilidade social na Europa feudal. Aliado a isto, com a diminuição de disputas
contra invasores e das epidemias, o número de nascimentos começou a superar o de
mortes. Desta forma, há o crescimento da população e, conseqüentemente, o aumento de
demanda por alimentos.
A solução para este problema foi a ampliação das áreas de cultivo com a ocupação
de florestas e pântanos e, ao mesmo tempo, algumas técnicas de cultivo foram
aperfeiçoadas, elevando a produtividade agrícola. No entanto, não foi o suficiente para
alimentar a população crescente dos feudos, que passa por um processo de aumento da
circulação de mercadorias comercializadas nas feiras locais. Com isso, o mercado
consumidor começa a se fortalecer, porém, essa nova situação entra em conflito com a
baixa produtividade do trabalho servil.
Para elevar seus rendimentos, os senhores feudais aumentam
as obrigações dos servos, que, sem condições de cumpri-las, são
obrigados a abandonarem as terras em que viviam, sob a alegação de
terem infligido alguma regra. Muitos servos viram mendigos ou bandidos,
saqueando nas estradas. Desta forma, os
laços que sustentavam a economia
feudal, o trabalho servil.
Ao mesmo tempo, para
não fragmentar seu poder e
garantir a supremacia feudal,
além de não dividir suas
posses, os senhores feudais
passaram a deixar os feudos
como herança apenas para o
filho mais velho (primogênito). Os filhos mais novos eram praticamente expulsos das terras
e eram obrigados a procurar outros meios de sobrevivência: que poderia ser um casamento
vantajoso, o seqüestro de grandes senhores para cobrar resgate ou, simplesmente, o assalto
nas estradas. Essas circunstâncias acentuavam o clima de disputa entre os nobres cavaleiros
que, durante esse período, efetuavam torneios e combates que transformavam os campos
em verdadeiras arenas.
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Para solucionar essa situação foi necessária a intervenção da Igreja,
que proclamou a “Paz de Deus”, ou seja, a proteção aos lavradores, viajantes
e mulheres. Os combates passaram a ser limitado, a noventas dias por ano e
eram proibidos em dias de festas. Isso serviu para regulamentar estes torneios
História e evitar que a produção agrícola fosse prejudicada.
Moderna
Esse ambiente de espírito guerreiro e o processo causado pela
marginalização social só começaram a ser solucionados quando os
marginalizados foram mobilizados para o combate aos muçulmanos, que controlavam o
mediterrâneo, grande parte da península ibérica e a Terra Santa (lugar onde tinha vivido
Jesus Cristo). Surgiram, assim, as Cruzadas, expedições militares organizadas pela Igreja
e pelos reis, com o objetivo de recuperar as terras em poder dos árabes.
O Movimento das Cruzadas
As Cruzadas foram utilizadas
como forma de aumento do prestígio da
Igreja e a expansão de seus domínios
sobre os territórios controlados pelos
árabes muçulmanos. Para isto houve a
adesão dos nobres ao apelo do papa
Urbano II que, em 1095 no Concílio de
Clermont, na França, conclamou a estes
a participarem da libertação da “Terra
Santa”. Além dos interesses da igreja
havia os interesses da nobreza feudal, que
queriam conquistar novas terras.
A primeira Cruzada (1096-1099) conseguiu conquistar Jerusalém após três anos de
lutas. A vitória permitiu a criação de alguns Estados cristãos na Palestina, nos quais as
terras foram divididas como na Europa feudal. No entanto, pouco tempo depois a Terra
Santa foi novamente tomada pelos muçulmanos.
Fizeram-se outras sete Cruzadas, a última em 1270, todas fracassaram. Apesar disso,
como conseqüência delas, o mediterrâneo foi aberto à navegação européia e os contatos
culturais e comerciais, sobretudo de especiarias importados do Mediterrâneo oriental, pelas
cidades da península Itálica, entre o Ocidente e o Oriente foram restabelecidos.
As Cruzadas contribuíram, ainda, para aumentar a circulação de pessoas e de
riquezas na Europa. Por meio delas, o comércio se fortaleceu e acabou estimulando o
povoamento das cidades.
Os saques realizados pelos cruzados nas cidades muçulmanas transferiam para a
Europa grande quantidade de moedas, aumentando a circulação delas no continente. Isso
colaborou para que surgissem companhias mercantis, formadas pela associação de
comerciantes, que investiam capital na compra de barcos e mercadorias.
O renascimento do comércio provocou o crescimento das cidades, o desenvolvimento
da economia monetária, a expansão do mercado, o surgimento de uma classe de
comerciantes, a difusão do espírito de lucro e o racionalismo econômico. Eram os primeiros
sinais da profunda mudança econômica em curso no mundo medieval, e que possibilitaria,
séculos mais tarde, o surgimento do capitalismo.
O impacto dessas transformações sobre o feudalismo foi fulminante. Estimulados
pela formação de um mercado consumidor, os senhores procuraram aumentar a produção
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de seus feudos. As relações servis entraram em crise. Com o desenvolvimento comercial,
todo o sistema feudal entrava em crise.
O Renascimento Comercial e Urbano
Caracteriza-se pelo desenvolvimento do comércio e das cidades, que tinham tido
pouca importância durante os séculos anteriores. O comércio ainda incipiente e era praticado
nas feiras, que se realizavam nas vilas ou perto dos castelos e outros lugares fortificados.
As feiras tornaram-se permanentes, propiciando o aparecimento de núcleos urbanos, os
chamados burgos.
A partir dos burgos desenvolveram-se novas cidades, ao mesmo tempo em que
ganharam vida as mais antigas, que não haviam desaparecido por completo. As cidades
atraiam cada vez mais artesãos, que nelas se fixavam para viver como trabalhadores livres.
Atraíam, ainda, comerciantes de sal, de ferro e de inúmeras outras mercadorias, provenientes
de regiões distantes.
As atividades comerciais restabeleceram o uso regular da moeda. Logo, diferentes
moedas circulavam nas feiras e nos núcleos urbanos, vindas de vários feudos e regiões da
Europa (os senhores feudais podiam cunhar suas próprias moedas). Essa variedade criou
a necessidade do câmbio, isto é, da troca de moedas. Os que se dedicavam a ele eram
chamados de cambistas.
Mais tarde, os cambistas passaram a realizar empréstimos e a fazer outras operações
financeiras. Assim surgiram os bancos, palavra de origem italiana que designava o assento
ocupado pelo cambista.
A Burguesia entra em Cena
As cidades que se formavam ao pé do comércio e das fortificações, estavam
estreitamente vinculadas aos senhores feudais. Esses nobres, proprietários das terras onde
ficavam os burgos, cobravam pesadas taxas daqueles que os habitavam. O termo burguesia,
no início, designava todos os habitantes das cidades, posteriormente passou a designar
comerciantes, banqueiros e alguns artesãos enriquecidos.
Com o aumento do comércio e o fortalecimento da burguesia,alguns desses burgos
obtiveram pacificamente autorização para negociar sem pagar aos senhores feudais
nenhuma tributação, este direito era adquirido com a “Carta de Franquia”, mediante
pagamento em dinheiro ao senhor feudal. Com esta carta só os burgueses tinham o direito
de terem uma administração própria e de arrecadarem seus próprios tributos.
As Corporações de Ofício
Com o renascimento comercial e o desenvolvimento das atividades produtivas
(artesanais), comerciantes e artesãos começaram a se organizar em associações, que
são as corporações de ofícios e as guildas, destinadas a regulamentar as atividades,
respectivamente, de artesãos e mercadores. Com o tempo, estas corporações começaram
a controlar o mercado, determinando o preço da matéria-prima e da mão-de-obra, a elaborar
normas para proteger os produtores e os consumidores contra fraudes e falsificações. Os
salários dos trabalhadores também eram fixados pelas corporações de cada ofício.
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As corporações procuravam defender os interesses de seus
associados diante dos senhores feudais. Buscavam equilibrar a oferta de
produtos disponíveis e limitar a concorrência entre os produtos disponíveis e
limitar a concorrência entre os produtores. Controlavam, também, a cunhagem
História das moedas para evitar a desvalorização.
Moderna
Com o desenvolvimento do comércio, muitos artesãos passaram a
depender de um comerciante para obter matéria-prima e instrumentos de
trabalho. Conhecidos como jornaleiros (contratados por jornada), esses trabalhadores
recebiam baixos salários que sofriam com variações do mercado e desemprego. O
comerciante intervinha na produção para obter melhores ganhos, tratando de comprar a
matéria-prima o mais barato possível e pagar pouco pela mão-de-obra. Esse novo elemento,
o comerciante manufatureiro, vai culminar no aparecimento da manufatura da época
moderna.
Expansão do Comércio
As Cruzadas deram grande impulso às atividades comerciais no Mediterrâneo.
Cidades da península itálica, como Veneza e Gênova, passaram praticamente a monopolizar
o contato com o Oriente, tornando-se o principal centro comercial, revendo os produtos
orientais por toda Europa. Entre os séculos XIII e XIV formou-se, na Europa, uma verdadeira
teia de rotas por onde começou a fluir um próspero e intenso comércio.
O renascimento comercial e urbano, ocorrido a partir do século XI, introduziu muitas
novidades na organização da sociedade feudal. Surgiram diferentes grupos sociais, tais
como a burguesia e os trabalhadores assalariados.
Surgiram novas formas de enriquecimento, como o crescimento das atividades
bancárias e do comércio de mercadorias. Crescendo, assim, o comércio e a produção
para o mercado.
Estas características levam a um lento aparecimento de um novo sistema econômico,
que é o pré-capitalismo, cuja economia estava baseada na moeda e não na troca de produtos,
como ocorrida no sistema feudal. Isto fez com que a antiga nobreza tivesse que se adaptar
a este novo sistema e, ao mesmo tempo, comerciantes e banqueiros enriquecem e
começavam a disputar o poder com os senhores feudais.
No entanto, no início das grandes navegações, século XV, o pré-capitalismo se
transforma em capitalismo mercantil. Com isso, o capital vindo do comércio passa a dominar
a produção, e o trabalho servil é substituído pelo arrendamento ou pelo trabalho assalariado.
No lugar das corporações de ofício surgem as manufaturas. Aos poucos, o sistema feudal
entra em crise e o capitalismo mercantil se torna efetivo em toda a Europa ocidental.
Crise do Sistema Feudal
A brusca diminuição da população, devido à peste negra, e a escassez de mão-deobra, faz com que os salários se elevem e os senhores não concedam mais liberdade aos
servos, ocorrem várias rebeliões do povo contra a fome e as más condições de vida,
prejudicando as atividades econômicas.
O comércio sofre grandes dificuldades, os produtos que vêm do oriente percorrem
um longo trajeto, controlado pelos árabes e pelos mercantilistas que operam em rotas
européias, tornando-se muito caros por conta do grande número de atravessadores. Com
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isso, os senhores feudais, principais consumidores, não conseguem consumir o suficiente
por conta de suas rendas reduzidas.
Aliado a estes aspectos, a moeda, escoada para o Oriente com o pagamento de
especiarias, se escasseia, criando dificuldades para o desenvolvimento do comércio e
forçando a busca por metais preciosos.
Todo este quadro crítico só encontrará solução com a exploração de novos mercados,
que forneceriam alimentos, produtos e metais preciosos a baixo custo e consumiriam as
mercadorias produzidas na Europa. Foi assim que as grandes navegações se mostraram
como saída para os tempos de crise e como forma de desenvolvimento econômico europeu
trazendo os tempos modernos.
A QUEDA DE CONSTANTINOPLA E O MEDITERRÂNEO
BIZANTINO
Origem e Consolidação
O Império Bizantino originou-se no ano 330, quando o imperador Constantino I fundou
Constantinopla, sobre a antiga cidade grega de Bizâncio. A intenção de Constantino I era
criar uma segunda capital romana para defender as fronteiras orientais do império dos
ataques dos persas, eslavos e demais povos limítrofes.
O Império Bizantino permaneceu poderoso ao longo de um milênio, depois da queda
de Roma. Congregando componentes latinos, gregos, orientais e cristãos, a civilização
bizantina constituiu-se, durante toda a Idade Média européia, como o principal baluarte da
cristandade contra a expansão muçulmana, e preservou grande parte dos conhecimentos
do mundo antigo. A nova capital, batizada de Constantinopla, unia a organização urbana de
Roma à arquitetura e arte gregas, com claras influências orientais. E sua religião, língua e
cultura eram essencialmente gregas, e não romanas.
A posição privilegiada de Constantinopla, entre a Europa e a Ásia e na rota dos
estreitos que permitiam o comércio entre o mar Negro e o Mediterrâneo propiciou que
Constantinopla se tornasse, a partir do século V, o único centro político e administrativo do
império e num verdadeiro entreposto comercial entre o Ocidente e o Oriente.
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Constantinopla é o antigo nome da atual cidade de Istambul, na Turquia.
O nome da cidade é uma referência ao imperador romano Constantino I, que
tornou esta cidade a capital do Império Romano no ano 330. Constantino
chamou-a “Nova Roma”, mas o nome não vingou. Localizada numa projeção
História de terra sobre o estreito de Bósforo em direção à Anatólia. Também era o
Moderna principal porto nas rotas que iam e vinham entre o Mar Negro e o Mar
Mediterrâneo.
Foi uma das mais esplendorosas metrópoles da transição da Época Clássica para
a Medieval e referência viva de um império. Centro de afluência de gente de todos os cantos
do mundo conhecido até então. Tratava-se do maior centro financeiro, mercantil e cultural
de toda aquela parte do globo.
Constantinopla foi uma metrópole
que conciliava perfeitamente os negócios
e um intenso comércio com os assuntos da
fé e da religião. Onde o luxo ostensivo da
corte imperial e do patriciado local convivia
com a pobreza e mesmo com a miséria, o
ouro e os trapos circulando por perto um
do outro.
O apogeu do Império Bizantino
ocorre no governo de Justiniano (483-565),
considerado o último grande imperador
romano que, a partir de 527, estabelece a
paz com os persas e concentra suas forças
na reconquista dos territórios dos bárbaros
no Ocidente. Justiniano constrói fortalezas
e castelos para firmar as fronteiras e
também obras monumentais, como a
Catedral de Santa Sofia. Ocupa o norte da
África, derrota os vândalos e toma posse
da Itália. No sul da Espanha, submete os
lombardos e os visigodos. Estimula a arte
bizantina na produção de mosaicos e o
desenvolvimento da arquitetura de igrejas,
que combina elementos orientais e romanos.
A Decadência de Bizâncio
Depois da morte de Justiniano (565), o império enfrentou um lento processo de
decadência. Seus sucessores não tiveram força política para manter a unidade de todo o
território conquistado. Isso facilitou a invasão de povos vizinhos e, aproveitando-se dessas
invasões, outros povos, dominados por Bizâncio, realizaram revoltas que contribuíram para
tumultuar ainda mais a situação do império.
Nos séculos VII e VIII, os invasores conseguiram reduzir bastante o tamanho do império
bizantino no Oriente Médio, ao norte da África e na Europa. Mesmo reduzido, o império
persistiu como guardiões da cultura ocidental numa região dominada por povos orientais.
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Em todo tempo de sua existência, o império bizantino esteve sempre envolvido em
lutas com invasores estrangeiros, em brigas religiosas e em lutas internas com invasões
estrangeiras. No ano de 1453, ele foi definitivamente conquistado pelos turcos otomanos,
tendo como conseqüências: a desestruturação econômica, a falta de apoio da igreja católica
e sua regressão territorial gradual, que marcou o fim da Idade Média.
Com Constantinopla sob domínio muçulmano, o comércio entre Europa e Ásia
declinara subitamente. Nem por terra nem por mar os mercadores conseguiriam passagem
para as rotas que levavam à Índia e à China, de onde provinham as especiarias usadas
para conservar alimentos, além de artigos de luxo, e para onde se destinavam suas
mercadorias mais valiosas.
Desta forma, as nações européias iniciaram projetos para o estabelecimento de
rotas comerciais alternativas. Portugal e Espanha se aproveitaram sua posição geográfica
junto ao Oceano Atlântico e à África para tentar um caminho para chegar à Índia. Desta
forma, os europeus chegaram ao continente americano, dando início ao processo de
ocupação do “Novo Mundo”. As duas nações, outrora sem muita expressão no cenário político
europeu, se tornaram no século XVI as nações mais poderosas do mundo, estabelecendo
uma nova ordem mundial.
A CRISE DO SÉCULO XIV
A Peste
A peste negra foi uma peste
bubônica trazida do oriente por volta
de 1348, era transmitida através da
picada de pulgas de ratos doentes.
Estes ratos chegavam à Europa nos
porões dos navios vindos do Oriente.
Foi chamada assim devido às
manchas escuras que apareciam na
pele dos enfermos. A terrível “morte
negra”, atingiu o campo e as cidades
em toda a Europa, e todas as classes
sociais, dizimando mais de 30% da
população européia. Tendo assumido
essas enormes proporções devido a
uma série de fatores tais como: condições precárias de habitação, higiene, superstições e,
principalmente, ignorância.
As cidades medievais eram locais com grande contingente populacional, com esgotos
a céu aberto, e as casas eram muito insalubres. A enfermidade e a peste rondavam a vida
das pessoas. Obter água limpa para beber e cozinhar era um problema, pois a sujeira das
fossas e o lixo contaminavam os poços e poluíam os rios.
A peste negra acelerou o processo de desagregação do feudalismo, pois tornou
escassa a mão-de-obra prejudicando a economia. As cidades e os campos ficaram
despovoados; famílias inteiras se extinguiram; casas e propriedades rurais ficaram vazias
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e abandonadas; a produção agrícola e industrial reduziu-se enormemente;
houve escassez de alimentos e de bens de consumo; a nobreza se
empobreceu; reduziram-se os efetivos militares e houve ascensão da
burguesia que explorava o comércio. O poder da Igreja se enfraqueceu com a
História redução numérica do clero e houve sensíveis mudanças nos costumes e no
Moderna comportamento das pessoas.
A Guerra
A guerra dos cem anos travada entre a realeza inglesa e a francesa que se estendeu
por 116 anos (1337-1453), decorreu das transformações políticas, econômicas e sociais
que se processaram no interior destes países. Foi a partir daí que a centralização do poder
político, diminuindo o poder dos senhores feudais, tanto de um lado quanto de outro,
consolidou a monarquia nacional, reforçando a autoridade real.
Essa guerra teve dois motivos: um foi a disputa pela região de Flandres, grande
produtora de manufaturados, detentora de um próspero comércio e indústria têxtil,
configurando-se como uma região economicamente importante.
Os franceses pretendiam tomá-la para si e manter o domínio para dificultar o comércio
dos produtos ingleses na região, pois Flandres e Inglaterra estabeleceram uma aliança
comercial, não aceita pelos franceses. Em suma, Flandres estava vinculada economicamente
à Inglaterra, mas, politicamente, pertencia ao Reino da França, que não admitia a interferência
inglesa na região.
O outro motivo foi a disputa dinástica, a sucessão ao trono francês, que apresentava
dois candidatos: um, o membro da família Valois, Filipe; e o outro, o rei da Inglaterra, Eduardo
III.
Com a escolha de Filipe, o rei inglês reagiu e, assim teve início à guerra. Essa guerra
durou mais de 100 anos. De início, os franceses perderam muitos cavaleiros e territórios. A
solução complicou-se ainda mais com a disseminação da Peste Negra e as rebeliões
camponesas. Mas, por volta de 1381, os franceses conseguiram recuperar grande parte
dos territórios que haviam sido tomados pelos ingleses.
14
Entretanto, os cofres franceses vazios, a epidemia e o esforço de guerra geram uma
crise econômica que provoca revolta na população francesa. O rei Carlos VI não consegue
impor-se à nobreza, que reconquistou suas prerrogativas, formando duas facções (os
borguinhões e os armanhaques) que envolvem o país em uma sangrenta guerra civil e
milhares de camponeses atacam castelos e propriedades feudais.
Aproveitando-se da situação, enquanto seus adversários lutam entre si, os ingleses
avançam sem grandes dificuldades, com um exército superior, impõem sucessivas derrotas
às forças inimigas, invadem novamente o território francês e obrigaram o rei francês a
reconhecer como seu sucessor o rei inglês.
Em 1422, o território francês continental estava dividido em dois reinos: o norte era
dirigido por Henrique VI, rei inglês, com apoio dos borguinhões; ao sul, havia o rei francês
Carlos VII, apoiado pelos armanhaques.
Por essa época, começou a surgir nessa região um forte sentimento de nacionalismo.
Esse nacionalismo, representado pela lendária figura de Joana D’Arc, que derrota os ingleses
à frente de um pequeno exército, ameaçava a nobreza, que era obrigada a reconhecer a
autoridade de um poder central, perdendo seus privilégios particulares. A guerra terminou
em 1453 com a vitória francesa.
AS BASES PARA FORMAÇÃO DO ESTADO MODERNO
Formação dos Estados Nacionais
O Estado Moderno, ou também chamado, Estado Nacional, teve como característica
principal o caráter fortemente centralizado do poder monárquico, em oposição à
fragmentação vivida no sistema feudal.
O renascimento comercial e urbano e a crise do feudalismo provocaram uma
reviravolta. Aos poucos, a organização política feudal cedeu lugar às monarquias nacionais,
centralizadas e fortes. Começavam a surgir, assim, os Estados Modernos.
Os Estados Nacionais manifestam características próprias no seu processo histórico
de construção e sua consolidação, a depender da região, aconteceu em tempos
diferenciados.
Dentro desses novos limites, prevaleceram as línguas faladas nas regiões
hegemônicas, assim definidas por sua riqueza ou por sua importância política. Além disso,
os limites territoriais começam a ganhar sentido político, fiscal e militar, fixando-se e tornandose fronteiras.
Diante desse quadro, a partir do século XI, o poder do rei se amplia paulatinamente.
A situação torna-se mais favorável no século XV, com a crise de crescimento, que só foi
superada com a incorporação de novas áreas e a abertura de novas rotas comerciais.
O rei, centralizando recursos de toda a nação, era quem reunia as melhores condições
para empreender a expansão comercial e territorial, tarefa difícil para comerciantes isolados
ou mesmo cidades e ligas de mercadores.
15
Tais monarquias absolutistas foram instrumento político empregado na
superação das crises determinadas pela desintegração do feudalismo.
Efetivamente, a unificação territorial e a centralização política dos Estados
Nacionais europeus, rompendo o isolacionismo dos feudos, possibilitaram o
História disciplinamento das tensões resultantes da expansão do setor mercantil.
Moderna
A primeira função da monarquia absolutista foi a manutenção da ordem
social interna dos Estados Nacionais, mediante a sujeição de todas as forças sociais, do
plebeu, do nobre e do poder real.
Enquanto em Portugal e Espanha, por volta do século XIV; e na França e a Inglaterra
em meados do século XV já existiam fronteiras delineadas e governo próprio, a Itália e a
Alemanha ainda eram fragmentadas, só vindo a se unificar politicamente no século XIX. As
bases de formação dos Estados Modernos remontam à Baixa Idade Média (séculos XIXV).
Sessão Cinema...
O Incrível Exército de Brancaleone
Sinopse
Este clássico do cinema italiano retrata os costumes da
cavalaria medieval através de uma demolidora e bem humorada
sátira. A figura central é Brancaleone, um cavaleiro atrapalhado
que lidera um pequeno e esfarrapado exército, perambulando
pela Europa em busca de um feudo. Trata-se de uma paródia
a D. Quixote de Cervantes.
O filme consegue ser hilário, mesmo na reconstituição
dos aspectos mais avassaladores da crise do século XIV,
representados pela trilogia “guerra, peste e fome”. Utilizandose sempre da sátira, o filme de Monicelli focaliza a decadência das relações sociais no
mundo feudal, o poder da Igreja Católica, o cisma do Oriente e a presença dos sarracenos.
O Sétimo Selo
Sinopse
Após dez anos de combate nas Cruzadas, um cavaleiro
retorna ao seu país, encontrando-o devastado pela Peste
Negra. Em sua nova luta contra a Peste, o cavaleiro pede uma
trégua, durante a qual ele jogará uma partida de xadrez com a
Morte. Sempre acompanhado de seu fiel escudeiro Jons, o
cavaleiro depara-se, então, com a morte, através da fome e da
peste.
Suas dúvidas e tormentos só são aliviados quando
conhece Jof e Mia, um ingênuo casal de saltimbancos.
16
Joana d’Arc
Sinopse
O filme retrata a figura de Joana d’Arc através de uma
aventura estilizada e uma versão mais humanizada do mito que
se tornou a jovem de origem camponesa que conseguiu exaltar
o nacionalismo francês, na luta contra os ingleses, durante a
Guerra dos 100 Anos.
Joana é retratada desde sua infância, quando já
apresentava um comportamento estranho, tendo visões e
ouvindo vozes, além de freqüentar regularmente o
confessionário.
Depois do assassinato de sua irmã por um guerreiro
inglês, a virgem transforma-se numa religiosa sanguinária e mística, conseguindo, com seu
fervor nacionalista, um exército do rei que liberta Orléans dos ingleses. Nas batalhas, Joana
deposita sua fé apenas em Deus e, em seu nome, promove matanças, derramando-se em
lágrimas diante dos cadáveres. O filme chega a sugerir que sua fixação bélica seria produto
da sexualidade reprimida na infância e nesse sentido suas tensões passam a ser
direcionadas para a guerra e para religião. Traída e aprisionada em sua própria terra, Joana
é vendida aos ingleses e, acusada de heresia e bruxaria, é condenada pela Igreja e queimada
viva em Ruão no ano de 1431.
Ao transformar-se num mito, a figura de Joana d’Arc, como tantas outras, são
manipuladas para atender os mais variados interesses no decorrer da história. Joana d’Arc,
a mais popular figura histórica da França, virou sinônimo de patriotismo durante a Revolução
Francesa (1789), foi canonizada pelo Vaticano em 1920 e hoje é venerada por políticos
como Jean-Marie Le Pen, líder da Frente Nacional (partido nacionalista francês de extrema
direita).
[ ]
Agora é hora de
TRABALHAR
1.
Faça uma análise sobre os principais fatores que colaboraram para a desarticulação
do sistema feudal.
17
2.
Quais as condições históricas que possibilitaram o movimento das
Cruzadas?
História
Moderna
3.
Qual a relação existente entre o renascimento comercial e urbano e a ascensão da
burguesia?
4.
Os conflitos internos levaram o Império Bizantino a uma lenta decadência. O aumento
das grandes propriedades e o crescimento de sua autonomia, bem como o enfraquecimento
do poder central, reforçaram os sentimentos separatistas de várias regiões do império.
Discorra sobre estas questões, analisando o contexto da decadência do Império Bizantino.
5.
Na época de Justiniano, o Império Bizantino atingiu o seu apogeu. Mas, mesmo nessa
época, a sociedade bizantinia era marcada por contradições. Faça uma análise dessas
contradições.
6.
Qual a importância da desarticulação de Bizâncio para o surgimento dos tempos
modernos?
18
7.
“Durante todo o período conhecido como Baixa Idade Média, entre os séculos XI e
XV, as condições de vida dos camponeses europeus foram mais ou menos as mesmas,
independentemente do local em que vivessem. Pode-se dizer o mesmo em relação à
população urbana e até quanto aos nobres e senhores feudais. Basicamente, a habitação
medieval européia consistia em um único grande recinto, sem divisões internas. Tal
configuração estava presente tanto na miserável casa camponesa, feita de madeira e adobe,
quanto nos imponentes castelos de pedra dos senhores mais poderosos. Esta concepção
de moradia gerava alguns problemas bastante graves, principalmente no que diz respeito à
saúde.” (Anderson, P. Linhagens do Estado absolutista, S.Paulo, Brasiliense,1985). Faça
uma relação da descrição deste trecho e suas conseqüências para a população da Europa
medieval.
8.
Faça uma análise da Guerra dos Cem Anos, atentando para o fato de que ela pode
ser vista como a última guerra medieval e a primeira guerra moderna.
9.
Faça um paralelo da influência da peste bubônica e do período de guerras passados
na idade média, para a desarticulação do mundo feudal.
10.
Segundo o historiador inglês Perry Anderson, o Estado absolutista era ainda
predominantemente feudal, apesar de ampliado e reorganizado em função das
transformações econômicas e políticas dos séculos XV e XVI. “Exército, burocracia,
diplomacia e dinastia continuaram a ser um complexo feudal fortalecido que governava o
conjunto da máquina do Estado e guiava seus destinos. 0 domínio do Estado absolutista
era o da nobreza feudal, na época de transição para o capitalismo”.(Anderson, P. Linhagens
do Estado absolutista, S.Paulo, Brasiliense,1985,41). Diante disto, analise esta aparente
contradição: absolutismo convivendo com a nobreza feudal forte.
19
11.
Como podemos relacionar o processo de constituição do Estado
absolutista e o declínio do poder da Igreja Católica na Europa?
História
Moderna
12.
Faça uma interface analisando a relação dos súditos no Estado Moderno e a relação
do cidadão no Estado Democrático atual.
OS TEMPOS MODERNOS
AS GRANDES NAVEGAÇÕES
Grandes Navegações
As grandes navegações foram um conjunto de viagens marítimas que expandiram os
limites do mundo conhecido até então. Mares nunca antes navegados, terras, povos, flora e
fauna começaram a ser descobertas pelos europeus
As Grandes Navegações e Descobrimentos Marítimos dos séculos XV e XVI foram
uma continuação natural do renascimento do comércio na Europa. Esse renascimento deu
origem ao capitalismo, cujo elemento central é o lucro. Era natural então que, esgotadas as
possibilidades de desenvolvimento comercial na Europa, novas regiões passassem a ser
exploradas, mesmo à custa de muito esforço e sacrifício.
No decorrer destes séculos, os europeus, principalmente portugueses e espanhóis,
lançaram-se nos Oceanos Pacífico, Índico e Atlântico com os grandes objetivos de descobrir
uma nova rota marítima para as Índias e encontrar novas terras, e a busca de lucros pela
burguesia comercial e financeira da Europa.
No século XV, os países europeus que quisessem comprar especiarias (pimenta,
açafrão, gengibre, canela, dentre outros), tinham que recorrer aos comerciantes de Veneza
ou Gênova, que possuíam o monopólio destes produtos. Com acesso aos mercados
orientais, os burgueses italianos cobravam preços exorbitantes pelas especiarias vindas
desta região. O canal de comunicação e transporte destas mercadorias era o Mar
Mediterrâneo, dominado pelos italianos.
20
Encontrar um novo caminho para
as Índias era uma tarefa difícil, porém
muito desejada. Os reinos de Portugal e
Espanha desejavam muito ter acesso
direto ao Oriente, para poderem também
lucrar com este interessante comércio.
Um outro fator importante, que
estimulou as navegações nesta época,
era a necessidade dos europeus de
conquistarem novas terras. Eles queriam
isso para poder obter matérias-primas, metais preciosos e produtos não encontrados na
Europa.
Até mesmo a Igreja Católica estava interessada neste empreendimento, pois
significaria a possibilidade de garantirem a catequese dos infiéis e pagãos, que substituiriam
os fiéis perdidos para as igrejas Protestantes.
Os reis também estavam interessados, tanto que financiaram grande parte dos
empreendimentos marítimos, pois, com o aumento do comércio, poderiam também aumentar
a arrecadação de impostos para os seus reinos. Mais dinheiro significaria mais poder para
os reis absolutistas.
O Medo do Mar
Navegar nos séculos XV e XVI era uma
tarefa muito arriscada, principalmente quando
se tratava de mares desconhecidos. Era
muito comum o medo gerado pela falta de
conhecimento e pela imaginação da época.
Muitos acreditavam que o mar pudesse ser
povoado por monstros, animais gigantescos
ou que em outros lugares habitavam seres
estranhos e perigosos. Enquanto outros tinham
uma visão da terra como algo plano e, portanto,
ao navegar para o “fim”, a caravela poderia cair
num grande abismo.
Dentro deste contexto, planejar a viagem era de
extrema importância. Os europeus contavam com
alguns instrumentos de navegação, como, por exemplo:
a bússola, o astrolábio e a balestilha. Estes dois últimos
utilizavam a localização dos astros como pontos de
referência.
Também era necessário utilizar um
meio de transporte rápido e resistente.
As caravelas cumpriam tais objetivos,
embora ocorressem naufrágios e acidentes. As
caravelas eram capazes de transportar grandes
21
quantidades de mercadorias e homens. Numa navegação participavam
marinheiros, soldados, padres, ajudantes, médicos e até mesmo um escrivão
para anotar tudo o que acontecia durantes as viagens.
História
Moderna
AS CONSEQÜÊNCIAS DAS GRANDES NAVEGAÇÕES
Portugal Sai na Frente
Portugal foi o pioneiro nas grandes navegações dos séculos XV e XVI devido a uma
série de condições encontradas neste país situado na Península Ibérica. A grande experiência
em navegações ajudou muito Portugal. As caravelas, utilizadas pelos portugueses, principal
meio de transporte marítimo e comercial do período, eram desenvolvidas com qualidade
superior à de outras nações.
A posição geográfica de
Portugal contribuiu para o seu
pioneirismo. Com todo o litoral
voltado para o Atlântico, o país tinha
nas atividades marítimas uma
importante base econômica: a pesca,
principalmente de bacalhau, ocupava
boa parte de sua população e seus
portos serviam de escala para os
navios que faziam o percurso de ida
e volta entre o Mediterrâneo e o Mar
do Norte.
Além do mais, Portugal
contou com uma quantidade
significativa de investimentos de
capital vindos da burguesia e
também da nobreza, interessadas
nos lucros que este negócio poderia gerar.
Neste país também houve a preocupação com os estudos náuticos. Os portugueses
criaram um centro de estudos, a Escola de Sagres, no sul de Portugal. Esta escola reuniu
numerosos pilotos, cartógrafos e astrônomos, cujos trabalhos favoreceram o avanço da
arte de navegar e impulsionaram a expansão marítima portuguesa.
No entanto, esses não foram os principais fatores do pioneirismo português nas
grandes viagens marítimas. O mais importante foi o fato de Portugal ter um governo forte,
centralizado na pessoa do rei, e cujo interesse fundamental eram as atividades comerciais.
No ano de 1498, Portugal realiza uma das mais importantes navegações: é a chegada
das caravelas, comandadas por Vasco da Gama, às Índias. Navegando ao redor do
continente africano, Vasco da Gama chegou à Calicute e pôde desfrutar de todos os
benefícios do comércio direto com o oriente.
Ao retornar para Portugal, as caravelas portuguesas, carregadas de especiarias,
renderam lucros fabulosos aos lusitanos.
22
Outro importante feito foi a chegada das caravelas de
Cabral ao litoral brasileiro, em abril de 1500. Após fazer um
reconhecimento da terra “descoberta”, Cabral continuou o
percurso em direção às Índias.
Em função destes acontecimentos, Portugal tornouse a principal potência econômica da época.
Espanhóis Saem ao Mar
A Espanha começou a navegar mais tarde, só após
conseguir expulsar os árabes de seu território. Este país
também se destacou nas conquistas marítimas deste
período, tornando-se, ao lado de Portugal, uma grande
potência. Enquanto os portugueses navegaram para as
Índias contornando a África, os espanhóis optaram por um
outro caminho. Cristovão Colombo, financiado pela Espanha, pretendia chegar às Índias
navegando na direção oeste.
Em 1492, as caravelas espanholas partiram rumo ao oriente navegando pelo Oceano
Atlântico. Colombo tinha o conhecimento de que nosso planeta era redondo, porém
desconhecia a existência do continente americano. Chegou em 12 de outubro de 1492 nas
ilhas da América Central, sem saber que tinha atingido um novo continente.
Foi somente anos mais tarde que o navegador Américo Vespúcio
identificou aquelas terras como sendo um continente ainda não
conhecido dos europeus. Em contato com os índios da América (maias,
incas e astecas), os espanhóis começaram um processo de exploração
destes povos, interessados na grande quantidade de ouro encontrado
na região. Além de retirar as riquezas do povo nativo da América Central,
os espanhóis destruíram suas culturas.
A fim de garantir as vantagens das
“descobertas” do “Novo Mundo”, Portugal , em 1494,
assinou com a Espanha o famoso Tratado de Tordesilhas, que
simplesmente dividia o mundo entre os dois pioneiros das grandes
navegações. Foi traçada uma linha imaginária que passava a 370 léguas
do Cabo Verde. As terras a Leste desta linha seriam portuguesas, e as
que ficavam a Oeste seriam espanholas. Foi assim que parte do Brasil
ficou pertencendo a Portugal seis anos antes de Portugal aqui chegar.
A REFORMA E CONTRA-REFORMA
Antecedentes da Reforma
No século XIV, na Inglaterra, John Wycliffe defendeu idéias que seriam reconhecidas
pelo movimento protestante como a posse do mundo por Deus, a secularização dos bens
eclesiásticos, o fortalecimento do poder temporal do rei como vigário de Cristo e a negação
23
da presença corpórea de Cristo na eucaristia. As idéias
de Wycliffe exerceram influência sobre o reformador
tcheco João Huss e seus seguidores no território
da Boêmia, os hussitas e os taboritas, nos
História séculos XIV e XV.
Moderna
Entre essas vozes protestantes estava,
também, a do monge dominicano Girolamo Savanarola, o
qual, a mando do papa, foi preso, torturado e enforcado.
Inúmeros católicos, como o jurista Thomas Morus ou o
humanista Erasmo de Totterdam, criticaram os enormes
abusos praticados pelo clero e mostraram que era necessário
reformar a Igreja Católica com urgência.
Erasmo de Rotterdam, em seu livro Elogio à Loucura, faz uma crítica à igreja católica,
além da sua tradução latina do Novo Testamento, afastando-se da versão oficial da Vulgata,
e a sátira contra o papa Júlio II, de 1513.
Reforma Protestante
No século XVI, a Europa foi abalada por uma série de movimentos religiosos que
contestavam abertamente os dogmas da Igreja Católica e a autoridade do papa. Estes
movimentos de cunho religioso são conhecidos como Reforma.
As reformas estavam ocorrendo ao mesmo tempo em que aconteciam as mudanças
na economia européia e a ascensão e expansão da burguesia comercial - que estava cada
vez mais inconformada, pois os clérigos católicos estavam condenando seu trabalho. O
lucro e os juros, típicos de um capitalismo emergente, eram vistos como práticas condenáveis
pelos religiosos.
Por isso, a burguesia se identifica com algumas correntes do movimento reformista,
no momento em que estas valorizam o homem que vivia do comércio e consegue justificar,
em suas teorias, o lucro. A burguesia precisava, portanto, de uma nova religião, que
justificasse seu amor pelo dinheiro e incentivasse as atividades ligadas ao comércio.
O processo das reformas religiosas se desencadeou por alguns motivos, dos quais
podemos destacar: os abusos cometidos pela Igreja Católica e a mudança na visão de
mundo da população deste período, no campo das transformações intelectuais, da cultura e
da arte com o surgimento do pensamento renascentista.
A Igreja Católica vinha, desde o final da Idade Média, perdendo sua identidade. Gastos
com luxo e preocupações materiais estavam levando a Igreja a se desviar do objetivo católico.
A Igreja havia se afastado muito de suas origens e de seus ensinamentos, como pobreza,
simplicidade e sofrimento. Muitos elementos do clero estavam desrespeitando as regras
religiosas, principalmente o que diz respeito ao celibato. Padres que mal sabiam rezar uma
missa e comandar os rituais católicos deixavam a população insatisfeita.
Moralmente, a Igreja estava em decadência: preocupava-se mais com as questões
políticas e econômicas do que com as questões religiosas. Para aumentar ainda mais suas
riquezas, a Igreja recorria a qualquer subterfúgio, como, por exemplo, a venda de cargos
24
eclesiásticos, venda de relíquias e, principalmente, a venda das famosas indulgências (venda
do perdão), que foram a causa imediata da crítica de Lutero. O papado garantia que cada
cristão pecador poderia comprar o perdão da Igreja.
Como agravante, o papa Leão X arrecadava dinheiro para a construção da Basílica
de São Pedro, em Roma, com a venda das indulgências. No campo político, os reis estavam
descontentes com o papa, pois este interferia muito nos comandos que eram próprios da
realeza.
O novo pensamento renascentista também fazia oposição aos preceitos da Igreja. O
homem renascentista começava a ler mais e a formar uma opinião cada vez mais crítica.
Trabalhadores urbanos, com mais acesso a livros, começaram a discutir e a pensar sobre
as coisas do mundo. Um pensamento baseado na ciência e na busca da verdade através
de experiências e da razão.
O Luteranismo
Além de todas as insatisfações com a Igreja
Católica, a sociedade alemã, como um todo, vive um
processo que desencadeia na adesão do povo à
Reforma. Os senhores feudais alemães estavam
interessados nas imensas propriedades da Igreja e
do clero alemão. Os pobres identificavam a Igreja com
o sistema que os oprimia, o feudalismo. Isto porque ela
representava mais um senhor feudal, a quem deviam
muitos impostos. Às vésperas da Reforma, a luta de
classes e política acabou assumindo uma forma
religiosa.
Martinho Lutero era um monge da região
da Saxônia. Seu rompimento com a Igreja
Católica deu-se em razão da venda de
indulgências. Lutero protestou violentamente
contra tal comércio e, em 1517, afixou na porta
da igreja de Wittenberg, onde era mestre e pregador, 95 teses que, dentre outras coisas,
condenava a prática vergonhosa da venda de tais indulgências e criticavam vários pontos
da doutrina católica.
O papa Leão X exigiu uma retratação, sempre recusada. Lutero foi excomungado e
reagiu imediatamente, queimando em público a bula papal (documento de excomunhão).
Dentre as varias reivindicações das 95 teses, Martinho Lutero propunha a fundação
do Luteranismo. De acordo com Lutero, a salvação do homem ocorria pelas práticas em
vida e pela fé. Embora tenha sido contrário ao comércio, teve grande apoio dos reis e
príncipes da época. Em suas teses, condenou o culto às imagens e revogou o celibato.
Lutero encontrou terreno fértil à sua pregação nas regiões em que era interessante
aos nobres se apoderarem das terras da Igreja Católica. Aliando-se aos príncipes, conseguiu
principalmente o apoio do Imperador do Sacro Império Romano-Germânico Carlos V, que
convocou a “Dieta de Worms” em 1521. As doutrinas luteranas causaram grande agitação,
principalmente sua idéia subversiva de confiscar os bens da Igreja.
25
O Calvinismo
João Calvino começou a Reforma Luterana no ano de
1534. De acordo com Calvino, a salvação da alma ocorria
História pelo trabalho justo e honesto. Essas idéias atraíram muitos
Moderna burgueses e banqueiros para o calvinismo. Muitos
trabalhadores também viram nesta nova doutrina uma forma
de ficar em paz com sua religiosidade.
Calvino também defendeu a idéia da predestinação absoluta, que
enfatizava o quanto uma pessoa estava “sendo abençoada por Deus”, uma
vez que enriquecesse; e o quanto estava predestinada à danação eterna
uma vez pobre, doente e miserável. Quem nisso acredita trabalha como louco
para demonstrar que está reservado para a salvação divina.
O Anglicanismo
Na Inglaterra, o rei Henrique VIII rompeu com o papado após este se recusar a
cancelar o casamento do rei. Henrique VIII funda o anglicanismo e aumenta seu poder e
suas posses, já que retirou da Igreja Católica uma grande quantidade de terras.
Casado por interesse com Catarina de Aragão, Henrique VIII apaixona-se por Ana
Bolena e, também, pelos benefícios políticos e econômicos que a nova união resultaria.
Solicita ao papa a anulação de seu casamento para que pudesse
contrair novas núpcias. Diante da resposta do papa “, o que
Deus uniu o homem não separará”, e da pressão dos príncipes
e pregadores ingleses, pelo Ato de Supremacia, proclamado
pelo rei e votado pelo Parlamento inglês, a Igreja, na Inglaterra,
ficava sob total autoridade do monarca.
Inicialmente, o anglicanismo manteve todas as
características da Igreja Católica Romana, excetuando-se o
direito ao divórcio e a obediência à infalibilidade do papa. Com
o passar dos anos, a Igreja Anglicana agrega muitos dos valores
do Calvinismo, afastando imagens de escultura e fazendo uma
leitura singular da Bíblia.
Contra-Reforma
A situação de adeptos da Igreja Católica, em meados do século XVI, era bastante
difícil: ela perdera metade dos fiéis da Alemanha, de grande parte da Inglaterra e dos países
escandinavos; estava em recuo na França, nos Países Baixos, na Áustria, na Boêmia e na
Hungria.
A Contra-Reforma, ou Reforma católica, foi uma barreira colocada pela Igreja contra
a crescente onda do protestantismo. Para enfrentar as novas doutrinas, a Igreja Católica
utilizou várias precauções para conter essa situação.
26
Preocupados com tal avanço do protestantismo e com a perda destes fiéis, bispos e
papas reúnem-se na cidade italiana de Trento, onde promovem o Concílio de Trento (15451563), com o objetivo de traçar um plano de reação.
No Concílio de Trento ficaram definidas as seguintes ações para conter a reforma
religiosa:
· Catequização dos habitantes de terras descobertas, através da ação dos jesuítas;
· Retomada do Tribunal do Santo Ofício, onde a Inquisição puniria e condenaria os
acusados de heresias;
· Criação do Index Librorium Proibitorium, uma lista de livros elaborada pelo Santo
Ofício, cuja leitura era proibida aos fiéis católicos;
· Disciplina do clero, onde os padres deveriam estudar e formar-se nos seminários,
e não poderiam ser padres antes dos 25 anos, nem bispos antes dos 30 anos;
· Estabeleceu-se que as crenças católicas poderiam ter dupla origem: as Sagradas
Escrituras (Bíblia) ou as tradições transmitidas pela Igreja, apenas esta estava autorizada a
interpretar a Bíblia;
· Mantiveram-se os princípios de valia das obras, o culto da Virgem Maria e das
imagens;
· Reafirmava a infalibilidade do papa.
A conseqüência mais importante deste Concílio foi o fortalecimento da autoridade
do papa, que, a partir de então, passou a ter a palavra final sobre os dogmas defendidos
pela Igreja Católica.
A partir da Contra-Reforma surgiram novas ordens religiosas, como a Companhia
de Jesus, que foi fundada em 1534 por um ex-oficial espanhol chamado Inácio Loyola. Os
“soldados de Cristo”, como se autodenominavam os jesuítas obedecia
a uma disciplina muito rígida e dedicaramse a combater as heresias e o
protestantismo, e a catequizar os povos
não-cristãos da Ásia, África e América.
Tanto nesses continentes quanto na
Europa, os jesuítas criaram uma rede de
colégios e tiveram um papel destacado na
área da educação, graças à organização
e à sólida formação intelectual que
possuíam.
Jamais houve uma discussão ou um debate sério entre um papa e qualquer autoridade
protestante acerca de temáticas doutrinárias. Todos ficam presos às suas metáforas e
interpretações diferentes dos mesmos textos bíblicos. Mas a defesa das suas doutrinas
veio também a ocasionar guerras, conflitos e ações repressivas de ambos os lados.
O RENASCIMENTO CULTURAL
O Que Levou ao Renascimento
Como já discutimos anteriormente, a intensificação do comércio e da produção
artesanal resultou no desenvolvimento das cidades, no surgimento de uma nova classe social,
27
a burguesia, e na posterior formação das monarquias nacionais. Estas
transformações vieram acompanhadas de uma nova visão de mundo, que se
manifestou na arte e na cultura de maneira de geral.
História
A cultura medieval se caracterizava pela religiosidade. A Igreja Católica
controlava as manifestações culturais e dava uma interpretação religiosa para
os fenômenos da natureza, da sociedade e da economia. A esta cultura deuse o nome de teocentrismo (Deus no centro). A miséria, as tempestades, as pragas, as
enchentes, as doenças e as más colheitas eram vistas como castigos de Deus. Assim
como a riqueza, a saúde, as boas colheitas, o tempo bom, a fortuna eram bênçãos divinas.
A própria posição que o indivíduo ocupava na sociedade (nobre, clérigo ou servo) tinha uma
explicação religiosa.
Moderna
A arte medieval, feita normalmente no interior das igrejas espelhava esta mentalidade.
Pinturas e esculturas não tinham preocupações estéticas, e sim pedagógicas. Mostravam
a miséria do mundo e a grandiosidade de Deus. As figuras eram rústicas, desproporcionais
e acanhadas. Os quadros não tinham perspectiva. Como as obras de arte eram de autoria
coletiva, o artista medieval é anônimo.
A literatura medieval era composta de textos teológicos, biografias de santos e
histórias de cavalaria. Isto refletia o domínio da Igreja e da nobreza sobre a sociedade.
Essa visão de mundo não combinava com a experiência burguesa. Essa nova classe
devia a sua posição social e econômica ao seu próprio esforço e não à vontade divina,
como o nobre. O sucesso nos negócios dependia da observação, do raciocínio e do cálculo.
Características que se opunham às explicações sobrenaturais, próprias da mentalidade
medieval. Por outro lado, era uma classe social em ascensão, portanto otimista. Sua
concepção de mundo era mais materialista. Queria usufruir na terra o resultado de seus
esforços.
A visão de mundo da burguesia estará sintonizada com a renovação cultural ocorrida
nos fins da Idade Média e no começo da Idade Moderna. A essa renovação denominamos
Renascimento.
Renascimento Cultural
Renascimento é o nome que se dá a um grande movimento de mudanças culturais,
que atingiu as camadas urbanas da Europa Ocidental entre os séculos XIV e XVI,
caracterizado pela retomada dos valores da cultura greco-romana, ou seja, da cultura
clássica.
Os artistas, escritores e pensadores renascentistas exprimiram em suas obras os
ideais, os valores e a visão de mundo da nova sociedade que emergia da crise do mundo
medieval.
Na sociedade renascentista, as pessoas tinham consciência de viver numa época
diferente do período medieval, sendo opositores do misticismo, do coletivismo, do
teocentrismo e do geocentrismo, componentes essenciais da cultura medieval.
O Renascimento significou uma nova arte, o advento do pensamento científico e uma
nova literatura. A primeira grande transformação é que aqui há a valorização do homem
como ser racional.
28
A visão de mundo passa a ser o antropocentrismo “O homem é a medida de todas
as coisas”, ou seja, o homem está no centro de das preocupações intelectuais e artísticas,
o entendimento do mundo passava a ser feito a partir da importância do ser humano.
Para os renascentistas, o homem era visto como a mais bela e perfeita obra da
natureza, tendo capacidade criadora e sendo capaz de explicar os fenômenos à sua volta.
Apesar de recuperar os valores da cultura clássica, o Renascimento não foi uma
cópia desta cultura. Mesmo utilizando os mesmos conceitos, estes eram aplicados de uma
nova maneira à uma nova realidade.
Desta forma, os renascentistas acreditavam no progresso e na capacidade do
homem em resolver problemas. Por essa razão, valorizavam a beleza do mundo e tentavam
captá-la em suas obras de arte.
O traço marcante do Renascimento era o racionalismo, expresso na convicção de
que tudo poderia ser explicado pela razão e pela observação objetiva da natureza.
Através do racionalismo, tentava-se descobrir, pela observação e pela experiência
as leis que governam o mundo, havendo a recusa em acreditar em qualquer coisa que não
tenha sido provada. A razão humana é a base do conhecimento.
Isto se contrapunha ao conhecimento baseado na autoridade, na tradição e na,
inspiração de origem divina que marcou a cultura medieval. Dessa maneira, o
experimentalismo e a ciência, conheceram grande desenvolvimento.
As bases desse movimento eram proporcionadas por uma corrente filosófica
chamada de Humanismo. O humanista era o indivíduo que traduzia e estudava os textos da
antiguidade clássica. Foi dessa inspiração clássica que nasceu a valorização do ser humano.
Uma das características desses humanistas era a não especialização. Seus conhecimentos
eram abrangentes.
O Universalismo, contrário ao individualismo medieval que valorizava as
potencialidades e realizações do indivíduo, foi uma das principais características do
Renascimento, e considerava que o homem deve desenvolver todas as áreas do saber;
pode-se dizer que Leonardo da Vinci é o principal modelo de “homem universal”, matemático,
físico, pintor e escultor, estudou, inclusive, aspectos da biologia humana.
Vale ressaltar que o Renascimento não foi um movimento de alguns artistas, mas
uma nova concepção de vida adotada por uma parcela da sociedade, e que será exaltada
e difundida nas obras de arte.
O Humanismo
Centro das preocupações do pensamento renascentista, o ser humano passou a ser
considerado a obra mais perfeita da criação divina, capaz de compreender, modificar a até
dominar a natureza. Iniciado neste momento, o Humanismo se tornará referência para os
pensadores dos séculos seguintes, inclusive para os iluminista no século XVIII.
O pensamento humanista provocou uma reforma no ensino das universidades, com
introdução de disciplinas como poesia, história e filosofia. Também com base nesse
29
fundamento, alguns pensadores buscaram reinterpretar o cristianismo,
utilizando escritores de autoridades da antiguidade, como Platão.
O estudo dos textos antigos despertou o gosto pela pesquisa histórica
História e pelo conhecimento das línguas clássicas (latim e grego). Foi recuperado o
Moderna
latim clássico, que passou a ser a língua com a qual os estudiosos se
comunicavam e escreviam suas obras.
A partir do século XIV, ao mesmo tempo que os renascentistas se dedicavam ao
estudo das línguas clássicas, diferentes dialetos davam origem às línguas nacionais.
Essa situação foi importante na consolidação das fronteiras entre os diversos Estados
europeus que, naquele momento, se unificavam. Foi também de extrema importância para
ao formação de uma identidade nacional e cultural entre as diversas populações reunidas
sob o domínio dos reis.
O centro do pensamento humanista foi na cidade de Florença, onde Lourenço de
Médicis fundou a academia, que reunia estudiosos ilustres. Um dos seus maiores pensadores
foi Nicolau Maquiavel, autor de “O Príncipe”.
O Renascimento Científico
Muitos renascentistas dedicaram-se ao estudo da natureza. Com base na observação
e experimentos, esses primeiros cientistas construíram um conhecimento elaborado com a
razão,em detrimento de um pensamento puramente religioso.
No renascimento valorizava-se a associação entre diversos conhecimentos científicos
e práticos. As atividades intelectuais interagiam entre si. Os estudiosos interessavam-se
pelas artes, pela reflexão filosófica e pelos conhecimentos de física, matemática, mecânica,
hidráulica, astronomia e anatomia. Todos esses conhecimentos precisavam ser levados
em consideração, porque tudo contribui para melhor compreender o mundo e o próprio ser
humano.
Os estudos dos fenômenos naturais e da medicina obtiveram grande desenvolvimento
na Escola de Pádua, na Península Itálica. Por lá passaram o polonês Nicolau Copérnico e
Galileu Galilei.
Em 1543, Copérnico revolucionou o conhecimento de sua época, que, até então,
afirmava que a Terra era o centro do Universo. Copérnico defendia a tese de que o Sol
ocupava o centro do Universo, e que os planetas, inclusive a Terra, giravam a seu redor.
Galileu aprofundou os estudos de Copérnico, comprovando por meio de observações
que o sistema proposto por este estava correto. Por isso, a Inquisição ameaçou condená-lo
à morte, caso ele sustentasse suas teorias. Para se salvar, Galileu negou suas conclusões
e rejeitou a Teoria Solar. Devido a utilização de experiências em seus estudos de mecânica,
Galileu é considerado o cientista que mais contribuiu para a formação da Física moderna.
Na área da medicina, obtiveram destaque Andréas Vesálio, médico de Bruxelas,
com estudos sobre anatomia; William Harvey e Miguel Servet, com estudos acerca da
circulação sanguínea; e Ambroise Paré, com a criação da técnica de ligação das arteiras
para estancar o sangue.
30
No entanto, o grande gênio renascentista foi Leonardo da Vinci. Pintor, arquiteto,
escultor, poeta, músico, matemático e engenheiro, ou seja, ele resume o próprio espírito do
Renascimento. Ele não foi um especialista, e também por isso simboliza sua época.
Da Vinci começou seus estudos em 1469, aos 17 anos, em Florença, no ateliê de
Andréa Del Verrochio. Dedicou-se, inicialmente, à aprendizagem do desenho e das técnicas
de pintura. É nesta época que entra em contato com as técnicas da escultura. Trabalhando,
também, com máquinas e ferramentas. A partir daí, ele trabalhou por toda sua vida com
esses objetos, projetando novos modelos e aperfeiçoando os que
já existiam ou, ainda, criando outros que não eram nem
imaginados na época.
No período em que viveu em Milão, a atenção de
Leonardo se voltou para projetos urbanísticos. Ele pensou
na possibilidade de utilizar os diversos canais que existiam
nesta região como meios de transporte de mercadorias e
saneamento da cidade, pois poderiam conter um sistema
de esgotos. Mas também, utilizou esses canais como forma
de embelezamento da cidade, e projetou o traçado das ruas
e dos canais.
Assim como se interessou por aspectos da realidade,
Da Vinci
procurou conhecer o corpo humano.
Devido a isso, assistiu dissecações de
cadáveres com o objetivo de observar
os músculos e articulações para dar
realismo e força à representação do
corpo humano. Dessas experiências,
ele faz muitas anotações e desenhos.
O Renascimento Artístico
Na Idade Média, os estilos de arte tinham basicamente função religiosa. Seu objetivo
era despertar nos fieis o temor a Deus e fazê-los refletir sobre a vida após a morte e a
salvação da alma.
A arte no Renascimento, ao contrário, expressa as preocupações surgidas em sua
época com o desenvolvimento comercial e urbano. Seus temas são a dignidade, a
individualidade e a racionalidade do homem. As primeiras manifestações da nova arte surge
no norte da península Itálica, com Giotto di Bondone.
Durante o renascimento surge a prática de pintar os retratos. O rico burguês contratava
pintores para reproduzir a própria imagem, na sua maioria em espaços internos, cercado
por seus objetos pessoais para que esse ambiente demonstrasse sua posição social.
Renasce, também, a reprodução do corpo humano, comum na arte da Antiguidade Clássica,
geralmente nu, perfeito e belo em sua forma física.
31
Dentre as novas técnicas de pintura, destaca-se
a perspectiva, representação do espaço em
profundidade. Esta técnica é baseada na geometria, que
representa os objetos em três dimensões, de tal modo
História que, quanto maior a distância entre eles e o observador,
Moderna menores aparecem reproduzidos na tela, essa técnica
expressa uma nova visão de mundo.
No Renascimento, o artista adquire prestígio social perante a
burguesia, que contrata seus serviços. Além disso, com o desenvolvimento
de novos materiais, como a tinta a óleo, surgem telas. Isso facilita a
transformação dos quadros e esculturas em mercadoria.
Itália: o Berço do Renascimento
O Renascimento teve início e atingiu o seu maior brilho na Itália. Daí irradiou-se para
outras partes da Europa. O pioneirismo italiano se explica por diversos fatores.
A vida urbana e as atividades comerciais, mesmo durante a Idade Média, sempre
foram mais intensas na Itália do que no resto da Europa. Veneza, Gênova e Florença foram
importantes cidades portuárias italianas, com uma pode-rosa classe de ricos mercadores.
E como o Renascimento está ligado à vida urbana e à burguesia, ganhou evidencia nas
cidades italianas.
Aliado a isso, o contato com árabes e bizantinos, por meio do comércio, deu condições
para que os italianos tivessem acesso às obras clássicas greco-romanas preservadas por
esses povos. Quando Constantinopla foi conquistada pelos turcos, em 1453, vários sábios
bizantinos fugiram para Itália levando manuscritos e obras de arte.
O grande acúmulo de riquezas obtidas no comércio com o Oriente, formou uma
poderosa classe de ricos mercadores, banqueiros e poderosos senhores. Esse grupo
representava um mercado para as obras de arte, estimulando a produção intelectual.
Muitos pensadores, pintores, escultores e arquitetos se tomaram protegidos dessa
poderosa classe. A essa prática de proteger artistas e pensadores deu-se o nome de
mecenato. Ricos mercadores e políticos foram importantes mecenas, como, por exemplo,
a família Médici.
A família dos Médici era formada por banqueiros, e dominou Florença entre 1434 e
1737. Vários artistas importantes foram contratos por eles, principalmente Lourenço de
Médici, para pintarem quadros, projetar palácios e construir igrejas.
No século XIV (Trecento) surgiram as primeiras figuras do Renascimento. No século
XV (Quatrocento) a produção cultural atingiu uma grande intensidade. Mas foi no século XVI
(Cinquecento) que o Renascimento atingiu o auge.
O Trecento, que corresponde aos anos de 1300, é a fase inicial do Renascimento.
Na literatura, destacam-se Dante Alighieri, Francesco Petrarca e Giovanni Boccaccio. Na
pintura, o maior nome é Giotto, que começou a representar de modo realista as cenas da
vida de Cristo e de São Francisco. Ele retratava essas figuras sagradas como se fossem
pessoas comuns.
32
No Quatrocento, os anos de 1400, sobressai a escola florentina, impulsionada pelo
mecenato dos Médici. Dentre os artistas florentinos desse período destacam-se o arquiteto
Filippo Brunelleschi, autor da cúpula da catedral de Santa Maria Del Fiore; o escultor
Donatello; e os pintores Masacio, Paolo Uccello, Andréa Mantega, Fra Angélico e Sandro
Botticelli.
No Cinquecento,anos 1500, foi construída a Basílica
de São Pedro, no Vaticano, projeto do arquiteto Donato
Bramante. Na pintura, os nomes mais conhecidos são
Leonardo da Vinci, Rafael Sanzio e Michelangelo
Bounarrotti. Ticiano, considerado mestre da cor, imprimiu
sua marca na escola de Veneza. Michelangelo também se
destacou como escultor.
A decadência do Renascimento italiano foi motivada
pela crise econômica das cidades, provocada pela perda
do monopólio sobre o comércio de especiarias, pela
Reforma Religiosa, e principalmente, a Contra Reforma.Toda
a polêmica que se desenvolveu pelo embate religioso fez
com que a religião voltasse a ocupar o principal espaço da
vida humana na Itália.
Além disso, a Igreja Católica desenvolveu um grande
movimento de repressão, apoiado na publicação do Index e na retomada da Inquisição,
que atingiu todo indivíduo que, de alguma forma, se opusesse à Igreja. Como o movimento
protestante não existiu na Itália, a repressão recaiu sobre os intelectuais e artistas do
renascimento.
A Expansão do Renascimento
No decorrer do século XVI, a cultura renascentista expandiu-se para outros países
da Europa Ocidental e, para que isso ocorresse, contribuíram as guerras e invasões vividas
pela Itália. As ocupações francesa e espanhola determinaram um conhecimento melhor
sobre as obras renascentistas e a expansão em direção a outros países, cada um adaptandoo segundo suas peculiaridades, numa época de formação do absolutismo e de início do
movimento de Reforma Religiosa.
O século XVI foi marcado pelas grandes navegações, num primeiro momento
vinculadas ao comércio oriental e, posteriormente, à exploração da América. A navegação
pelo Atlântico reforçou o capitalismo de Portugal, Espanha e, em segundo plano, da Inglaterra
e França. Nesses “países atlânticos” desenvolveu-se, então, a burguesia e a mentalidade
renascentista.
Esse movimento de difusão do Renascimento coincidiu com a decadência do
Renascimento Italiano. Que acarretou na mudança do eixo econômico do Mediterrâneo
para o Atlântico, determinando a decadência italiana e, ao mesmo tempo, impulsionando o
desenvolvimento dos demais países, promovendo reflexos na produção cultural.
33
Sessão Cinema...
1492 - A Conquista do Paraíso
História
Sinopse
Moderna
A viagem de Cristóvão Colombo, que
acreditava ser possível atingir “el levante por el
poniente”, ou seja, o Oriente navegando para o
Ocidente, é o cenário pico desse filme de Ridley
Scott.A odisséia de Colombo está presente no filme
através do cotidiano desgastante, dos motins da
tripulação e de toda incerteza que cercava uma
expedição daquela época quanto ao rumo e ao prosseguimento da viagem.
Sem apoio financeiro de Portugal, a maior potência da época, Colombo dirigiu-se à
Espanha e associou-se aos irmãos Pinzon, recebendo, ainda, uma ajuda dos reis católicos
Fernando de Aragão e Isabel de Castela. Com uma nau (Santa Maria) e duas caravelas
(Pinta e Nina), o navegador de origem controversa (genovês ou catalão) partiu do porto de
Palos em 3 de agosto de 1492, fazendo escala nas ilhas Canárias para reparo de uma das
embarcações. Em 12 de outubro do mesmo ano avistou a ilha de Guanani (atual São
Salvador). Sem duvidar que estava no Oriente, realizou ainda mais quatro viagens, tentando
encontrar os mercados indianos.O filme focaliza também o espírito vanguardista de Colombo,
suas negociações com a coroa espanhola e a tentativa de estabelecer colônias na América,
retratando até a velhice aquele que é considerado um dos navegantes mais ousados de
sua época.
LUTERO
Sinopse
Martinho Lutero carregou consigo, durante algum tempo,
um extremo desejo de se tornar padre. Em 1507 chegou a Enfurt,
na Alemanha, para trabalhar como professor de Teologia na
Universidade de Wittemberg, que fora fundada pelo Príncipe
Frederico III. Em sua primeira missa Lutero obteve um
desequilíbrio emocional. Na verdade, dúvidas que pairavam em
sua mente começaram a ganhar força. A partir deste momento,
tais questionamentos sobre a postura da Igreja Católica começaram a incomodar os
conceitos de Lutero, que acreditava na existência de um caminho “gratuito” ao amor de
Cristo e da salvação.
A MISSÃO
Sinopse
No século XVIII, na América do Sul, um violento mercador de
escravos indígenas, arrependido pelo assassinato de seu irmão, realiza
uma auto-penitência e acaba se convertendo como missionário jesuíta
em Sete Povos das Missões, região da América do Sul, reivindicada
por portugueses e espanhóis, e que será palco das “Guerras
Guaraníticas.
Palma de Ouro em Cannes e Oscar de fotografia.
34
GIORDANO BRUNO
Sinopse
Filme biográfico sobre um dos precursores da ciência
moderna, filósofo, astrônomo e matemático, Giordano Bruno fez várias
descobertas científicas e desenvolveu sua teoria do universo infinito
e da multiplicidade dos mundos, em oposição à tradição geocêntrica
(a Terra como centro do universo). Giordano Bruno é queimado vivo
pela Inquisição. Bela e real reconstituição da época.
Agonia e Êxtase
Sinopse
Produção meticulosa sobre os conflitos entre o pintor
Michelangelo, o grande artista do Renascimento italiano, e o Papa
Julio II, que a patrocinava e que quase nunca era atendido por ele.
Pequeno documentário sobre o trabalho do artista.
[ ]
Agora é hora de
TRABALHAR
1.
Pode-se relacionar a expansão marítima européia com a consolidação do absolutismo
na Europa ocidental?
35
2.
Quais as conseqüências da expansão marítima européia para a
configuração geográfica do mundo atual?
História
Moderna
3.
Faça uma análise da visão de mundo do homem na época das grandes navegações
e o medo do mar.
4.
Faça uma análise e relacione todos os acontecimentos que fizeram com que Portugal
fosse o pioneiro das viagens marítimas européias.
5.
Faça uma análise da importância da chegada dos espanhóis à América colombiana
e o fortalecimento do mundo moderno.
6.
Quais as conseqüências para a América Latina da chegada dos espanhóis e
portugueses neste continente?
7.
Relacione a ética religiosa implantada pela doutrina calvinista com o desenvolvimento
da economia capitalista e com a ascensão social da burguesia.
36
8.
Da forma como se deu a Reforma Anglicana, podemos concluir que as motivações
propriamente religiosas dessa Reforma foram menos relevantes em relação à Reforma
calvinista e à luterana. Por quê?
9.
Faça uma análise da dificuldade de relacionar o pensamento religioso tradicional,
herdado da sociedade feudal, com a nova realidade econômica, criada pelo capitalismo
mercantil.
10.
O ideal de ser humano do Renascimento pode ser resumido no chamado
humanismo. Relacione o antropocentrismo com o pensamento renascentista.
11.
Faça uma análise da autação da Igreja Católica como um obstáculo para o
desenvolvimento do renascimento, em especial ao Renascimento científico.
12.
Faça uma análise dos motivos que levaram à decadência do Renasciemnto italiano
e as suas coseqüências.
37
A ERA DO ABSOLUTISMO
História
Moderna
O ANTIGO REGIME
O ABSOLUTISMO: “UM REI, UMA FÉ, UMA LEI”
O Absolutismo Monárquico
A Monarquia Absolutista se caracteriza pelo poder centralizado no rei. Sistema político
no qual o rei detém o poder total, cabendo-lhe o direito de impor leis e obediência aos
súditos. Ele incorpora o ideário nacional, de fato e de direito é um soberano: tem o poder de
decretar leis, de fazer a justiça acontecer, arrecadar impostos, manter um exército
permanente, nomear funcionários, julgar atentados contra o bem público, além de fazer sua
vontade prevalecer, mesmo que dentro de jurisdições não-oficiais.
Nesta época, o rei concentrava praticamente todos os poderes. Criava leis sem
autorização ou aprovação política da sociedade. Criava impostos, taxas e obrigações de
acordo com seus interesses econômicos. Agia em assuntos religiosos, chegando, até
mesmo, a controlar o clero em algumas regiões.
Para a organização de seus reinos, os soberanos valeram-se das antigas práticas
feudais e, por meio delas, avançaram para a criação de instituições políticas modernas.
Aperfeiçoaram os tribunais de justiça através de funcionários capacitados; criaram um corpo
de oficiais dispondo de militares permanentes; instituíram diversas formas de
impostos; expandiram as fronteiras
nacionais e concentraram as
propriedades descentralizadas
politicamente num único reino.
Os reis ocuparam-se da
prática da justiça, pois esta era a
grande aspiração das populações
camponesas contra a violência da
nobreza e contra o perigo de
perderem suas terras. Para isso,
dedicaram especial atenção à
organização das leis escritas,
inspirando-se nas tradições romanas.
Esta autoridade dos soberanos foi
fundamentada pelas doutrinas de teóricos que justificavam o poder absolutista destes reis.
No entanto, apesar de absoluto, o poder dos reis sofria algum tipo de controle, como,
por exemplo, a observação dos costumes, valores e tradições seculares e profanas, com
um regime político constitucional, que obedece a limites e regras estabelecidos. Além de
uma burocracia administrativa, de um sistema nacional de impostos e de uma diplomacia
38
que regulamentava o relacionamento entre os países e o controle do comércio pelo Estado,
através das práticas mercantilistas.
Uma das funções mais importantes da diplomacia era a de promover casamentos
entre os membros dos diferentes reinados. Estes arranjos matrimoniais constituíam uma
forma menos dispendiosa e mais pacífica de expansão territorial e acúmulo de riquezas por
parte dos governos.
Em dificuldades, pela crise do sistema feudal, a nobreza procurou apoio nos reis,
com o objetivo de obter ajuda para continuar tendo a obediência dos camponeses e garantir
a posse e domínio de suas propriedades. Os reis, favorecidos também pela conjuntura de
guerras continuadas, tiveram sua liderança reforçada, reassumindo antigas funções de
aplicação da justiça e de manutenção da ordem em territórios cada vez mais ampliados.
Acompanhando a progressiva centralização do poder dos reis, formaram-se, na
Europa, as monarquias ou Estados Nacionais unificados, que eram países de superfície
territorial variável, englobando populações de tradições, costumes, língua e passado histórico
comuns. Mesmo em regiões que permaneceram divididas em pequenos reinos e cidades,
como a Itália e a Alemanha, a tendência foi o fortalecimento do poder político dos governantes
locais.
Essa nova forma de organização política atendia aos interesses tanto da nobreza
quanto da burguesia. Os nobres tiveram assegurado os seus privilégios feudais sobre os
camponeses, as suas terras e os seus títulos, além de ocupação de cargos e funções
administrativos importantes, além de pensões e chefias de regimentos militares. No entanto,
devido a grande dependência que se formou perante a figura do rei, este nobre perde sua
autonomia gradativamente.
Por outro lado, os burgueses também procuraram se aliar aos reis, financiando a
manutenção de exércitos utilizados para manter a ordem e o poder. Além disso, a
centralização política e administrativa trouxe a unificação de impostos, leis, moedas, pesos,
medidas e alfândegas em cada país, o que favoreceu o comércio e o enriquecimento da
burguesia mercantil e manufatureira.
Os nobres tinham na guerra sua principal ocupação, que servia como meio mais
rápido dos reis conquistarem terras e riquezas alargando as fronteiras nacionais, tornandose vital para o Estado absolutista. Ela era mais eficiente para o enriquecimento do país do
que o aumento da produtividade na agricultura ou nas manufaturas. A venda de cargos
públicos à nobreza e à burguesia, que os comprava em troca de status na sociedade, foi
uma prática muito utilizada pelo Estado para aumentar seus rendimentos.
Além disso, nobreza, burguesia e os camponeses tinham que pagar impostos,
principalmente esta população mais pobre, criados para sustentar as despesas do reino
com as guerras, os luxos da corte e a administração do Estado. Essa situação motivou
inúmeras revoltas nos séculos XVI e XVII, em grande medida por parte do povo mais pobre,
e os funcionários encarregados pela cobrança dos impostos tinham que trabalhar protegidos
pelo exército.
A organização política do Estado Absolutista era caracterizada pela formação em
assembléias representadas: pelo clero, pela nobreza e pela burguesia. O rei reunia a
39
assembléia sempre que necessitasse de ajuda para tomar decisões de ordem
financeira ou de conselho.
Por isso, a autoridade do rei absolutista não era contestada. Para a
História população em geral, o poder centralizado era um instrumento necessário à
Moderna
manutenção da lei e da ordem. Numa crença respaldada e difundida por
filósofos e pela Igreja, aqui o rei não se submetia à autoridade da Igreja como
acontecia no sistema feudal, o povo foi levado a acreditar que o soberano era rei e governava
pela graça de Deus e somente a ele devia prestar contas. A fé e o apoio dos súditos eram
importante fonte do poder dos monarcas.
Essas contradições de um Estado centralizado que se modernizava e beneficiava a
burguesia e o rei, ao mesmo tempo em que atendia aos interesses da nobreza, chegaram
ao limite no interior dos Estados absolutistas. Esse quadro político produziu durante a Idade
Moderna inúmeros conflitos, que culminaram no século XVIII, com a reação, principalmente,
da burguesia.
Bases Sociais no Absolutismo
Devemos compreender o Estado Absolutista na sua mais íntima relação com a
estrutura da sociedade. Para definir uma sociedade, é necessário levar em conta a forma
de sua estratificação, isto é, a maneira como os homens se relacionam dentro dela.
Na época moderna, o que define o relacionamento entre os homens, entre as camadas
sociais e entre a sociedade e o Estado são os privilégios. A divisão básica dentro da
sociedade se faz entre aqueles que têm privilégios, clero e nobreza (Primeiro e Segundo
Estados) e os que não têm (Terceiro Estado). Dizemos que eles formam estamentos,
camadas sociais diferenciadas por seus valores e estilos de vida.
O Primeiro Estado era formado pelo alto e baixo clero. O clero tinha seus próprios
representantes, tribunais e assembléias. Recebia os dízimos da população e não pagava
talha ao Estado. Havia enorme disparidade entre alto e baixo clero. Bispos e abades eram
os maiores proprietários do reino, enquanto padres e vigários viviam na miséria, com um
pequeno salário.
O Segundo Estado, formado pela alta nobreza da corte e pequena nobreza das
províncias, ou provincial (com dificuldades para sobreviver, buscando casamentos vantajosos
no seio da alta burguesia), que, apesar de representarem menos de 3% da população do
país, gozavam de isenções de impostos, leis e tribunais especiais.
Do Segundo Estado fazia parte, também, a alta burguesia mercantil urbana, que
enriquecida com os lucros obtidos nos negócios, havia adquirido terras, títulos e cargos
administrativos, transformando-se em nobreza togada, integrada ao Estado Absolutista,
com os mesmos privilégios e direitos da nobreza tradicional de sangue.
O alto clero, a alta nobreza da corte e a alta burguesia enobrecida (nobreza togada),
formavam a aristocracia do Estado Absolutista, ocupando os melhores cargos do governo,
da Igreja e do Exército, recebendo pensões, subsídios e doações que custavam ao Estado
milhões de libras por ano.
40
O Terceiro Estado (burgueses, artesãos e camponeses) abrangia
cerca de 97% da população francesa, estava privado de qualquer
privilégio ou direito político e era responsável pelo pagamento de todos
os impostos que sustentavam o rei e as classes privilegiadas.
Os grupos sociais que compunham o
Terceiro Estado eram bastante
diversificados. Nas cidades, destacavase a burguesia, formada por
magistrados, profissionais liberais,
médios e pequenos comerciantes e
donos de oficinas, que pagava altos
impostos ao reino. Havia também uma
massa de trabalhadores urbanos,
pequenos artesãos, aprendizes,
lojistas, biscateiros, desempregados, que sofriam com os baixos salários e com a carestia.
No campo, estava a maior parte da população da França e do Terceiro Estado. Eram
pequenos proprietários, arrendatários, meeiros e servos que pagavam impostos ao Estado
(a talha, sobre a propriedade; a capitação, por pessoa; as gabelas, sobre o sal e o vinho);
à Igreja (os dízimos, em dinheiro e em gêneros) e aos nobres, (o censo, renda em dinheiro;
a jugada, parte da colheita; a portagem, pelo direito de circular nas estradas e pontes do
domínio do senhor; as banalidades, pelo uso do moinho, forno, forja, bosques e pastagens).
A carga tornava-se insuportável nas secas, quando sobrevinham fome e pestes.
A maioria dos camponeses era pobre, obrigada a trabalhar na terra dos nobres por
um pequeno salário e lutava por manter o antigo costume de utilização coletiva das terras.
Dividido em diferentes camadas, e com vários conflitos, o campesinato era unido pelo mesmo
sentimento de ódio aos dízimos pagos à Igreja e as obrigações feudais devidas aos
proprietários e ao Estado.
O conflito entre as classes sociais foi condição fundamental do poder absoluto. O
próprio rei instigou o conflito, procurando sobrepor-se a ele e dele tirar proveito. Protegeu a
alta burguesia dando benefícios a esta, tais como: monopólios comerciais e industriais,
arrendamento de impostos, garantia de ascensão social, apoio contra clero e nobreza.
Reciprocamente, concedeu privilégios ao alto clero e domesticou a nobreza, atraindoa a seus palácios por meio de cargos e pensões. Também protegeu as corporações dos
artesãos contra os grandes capitalistas, assegurando-lhes os direitos, ao mesmo tempo
em que defendeu artesãos e capitalistas contra os assalariados. Garantiu aos camponeses
direitos de posse e propriedade adquiridos pelo costume.
O poder real, em suma, descansava sobre o conflito generalizado que tendia a
equilibrar as forças sociais, especialmente o conflito entre as duas classes mais poderosas,
nobreza e burguesia.
A França e o Absolutismo
A França foi o modelo mais acabado de absolutização do poder. O Estado avançou
devido à crise da Baixa Idade Média: as revoluções camponesas e urbanas punham as
classes dominantes em xeque e criavam obstáculos ao próprio desenvolvimento econômico.
41
O Estado forte continha as rebeliões e dinamizava a expansão comercial,
promovendo a retomada do desenvolvimento econômico.
No início do século XVI, os reis franceses já se apresentavam com o
História poder consolidado, respondendo por seus atos somente a Deus. Criaram os
Moderna
serviços públicos, colocaram a Igreja sob seu controle e incentivaram o
comércio, visando obter os metais preciosos.
Na segunda metade do século XVI, a França foi assolada por guerras religiosas
entre católicos e calvinistas, que se estenderam de 1562 a 1598. Essas guerras envolveram
as grandes famílias aristocráticas que dominavam o país, pois os católicos eram chefiados
pelo rei Henrique III da dinastia de Valois, e pelo Duque Henrique de Guise; E os protestantes
eram liderados por Henrique de Navarra ou Bourbon.
Henrique III hesitava em combater os protestantes calvinistas, cuja grande maioria
era de burgueses, responsáveis por parte considerável das riquezas do reino. A luta armada,
iniciada em 1562, trouxe massacres tanto de protestantes quanto de católicos, além de
devastações e de revoltas populares no campo e nas cidades. Com o assassinato do rei,
em 1589, subiu ao trono seu parente mais próximo, Henrique de Navarra que, para ser
coroado, aceitou converter-se ao catolicismo.
As guerras religiosas favoreceram o processo de centralização da monarquia no
reinado de Henrique IV de Navarra ou Bourbon, que durou de 1589 a 1610. Em 1598, foi
publicado o Edito de Nantes, concedendo liberdade de culto aos protestantes e permitindo
seu livre acesso aos cargos públicos. No setor econômico, destacou-se o ministro Sully,
que incentivou a agricultura, as manufaturas e a colonização, adotando medidas
mercantilistas.
No governo de Henrique IV foi criada a “paulette” (1604),que consistia na legalização
da venda de cargos públicos e de títulos de nobreza, transformando-se numa importante
fonte de renda para o Estado. 0 novo imposto teve um grande alcance político-social, pois
abriu à burguesia mercantil e financeira a oportunidade de ascensão social. Entre 1620 e
1624, a “paulette” chegou a representar 38% dos rendimentos reais. Henrique IV morreu
assassinado em 1610 e foi sucedido por seu filho, Luís XIII.
A Monarquia do “Direito divino”
O absolutismo francês atingiu o auge no reinado de
Luís XIV (1643-1715), denominado o “Rei Sol”. Durante a
sua menoridade, o governo foi exercido pelo primeiroministro Mazarino, que enfrentou vitoriosamente várias
rebeliões da nobreza resistente ao absolutismo. A partir
de 1661, com a morte de Mazarino, o monarca exerceu
pessoalmente o poder, sem admitir qualquer contestação,
sendo-lhe atribuída a frase: O Estado sou eu”.
Luís XIV exigiu que os governadores das províncias
francesas, nomeados por apenas três anos, residissem em
Paris, para melhor controlá-los. Mandou construir o luxuoso
Palácio de Versalhes, que chegou a abrigar mais de 10
mil pessoas, entre nobres e empregados.
42
Na Corte, as principais famílias da França desfrutavam de um elevado padrão de
vida, usufruindo de vultuosas pensões e benesses de cargos públicos, além de ocuparem
seu tempo em jogos, caçadas, passeios, bailes e intrigas, graças aos impostos arrecadados
entre as classes populares.
Como justificativa da centralização imposta pelo Estado Absolutista francês, difundiuse a teoria da monarquia de “direito divino”, segundo a qual o rei era o representante de
Deus na terra e, portanto, somente a Ele dever-se-ia prestar contas.
A dispendiosa manutenção da corte e a série de guerras desastrosas envolvendo
questões com a Inglaterra, a Holanda, a Espanha, a Áustria e a Alemanha agravaram a
situação financeira do pais, provocando a miséria de camponeses e de artesãos.
Absolutismo Inglês
A afirmação do poder real na Inglaterra tem início no século XVI, com a Dinastia
Tudor. Henrique VIII, segundo rei da dinastia, impôs-se à nobreza, unificou o país e chocouse com o papado, o que lhe permitiu afastar a ingerência do poder universal e, ao mesmo
tempo, assumir o controle da Igreja Anglicana e confiscar os bens da Igreja Católica.
Filha de Henrique VIII e Ana Bolena, Elizabeth I governou o país de 1558 a 1603. De
temperamento forte, governou de forma absoluta, com ajuda de seu Conselho Privado,
composto de uns poucos conselheiros fiéis. Esforçou-se para evitar a convocação do
Parlamento, criado pela Carta Magna de 1215, do qual dependia a aprovação de impostos.
O Parlamento foi importante no apoio a sua
política religiosa.
O reinado de Elizabeth I foi um período
de grande crescimento econômico e
correspondeu ao apogeu do absolutismo na
Inglaterra. Seu governo praticou intensa
intervenção na economia, através de medidas
mercantilistas de favorecimento à agricultura,
às manufaturas, ao comércio e à navegação.
Com a introdução do anglicanismo,
surgiram vários oposicionistas: os calvinistas,
ou não-conformistas; os calvinistas radicais,
ou puritanos, e os católicos, que conspiraram várias vezes. Com sabedoria, a rainha
manobrou, dando mais importância ao calvinismo do que ao catolicismo.
Pressionando, desta forma, a nobreza (católica) e trazendo o apoio da burguesia
(protestante), a rainha mandou decapitar sua prima Maria Stuart, rainha deposta da Escócia
e católica apoiada pelo papa e por Filipe II, da Espanha, dando grande demonstração de
força. Em 1588, a destruição da Invencível Armada mandada pelos espanhóis inaugurou
nova fase no concerto das hegemonias européias.
Por ser uma ilha, a Inglaterra não se sentia ameaçada de invasão, fato que
desmilitarizou precocemente a sua nobreza. Por isso, não havia no país um exército
profissional permanente, semelhante aos existentes na Espanha e na França, as duas
43
principais potências européias do século. XVI. Devido à presença do
Parlamento, a Coroa inglesa também não tinha autonomia financeira nem uma
burocracia forte, como a França.
História
O Estado Absolutista inglês realizou a modernização de sua marinha,
iniciada por Henrique VIII, que quadruplicou o número de embarcações. Além
de servirem ao comércio, os navios passaram a servir também à guerra,
favorecendo a expansão marítima inglesa.
Moderna
As principais conseqüências do Estado Absolutista na Inglaterra foi o notável
desenvolvimento econômico do país. Por volta de 1570, cresceram a indústria da lã e a
exploração das minas de carvão. O comércio internacional progrediu, estimulando a
construção naval.
A partir daí, intensificaram-se as viagens de navegadores e de corsários à América,
tendo o aval da coroa inglesa, com o objetivo de saquear as embarcações espanholas
carregadas de ouro e de empreender contrabando com as Antilhas. O avanço da pirataria
legitimada pelo Estado (os corsários) sobre o império colonial espanhol e português trouxe
enormes lucros.
A prosperidade dinamizou a sociedade. Setores da nobreza passaram a produzir
para o mercado, dando origem à nobreza progressista. A burguesia mercantil das cidades
portuárias, principalmente Londres, ganhou importância na Câmara dos Comuns. Os
camponeses, que tinham a posse, mas não a propriedade legal da terra, aumentou sua
ambição. Os artesãos impuseram o Estatuto dos Artesãos, de 1563, que regulamentava
suas atividades; e a Lei dos Pobres, que impunha imposto obrigatório aos habitantes das
comunidades para sustentar os desamparados.
O MERCANTILISMO: OURO, PODER E GLÓRIA
Mercantilismo
Podemos definir o mercantilismo como sendo a política econômica adotada na
Europa durante o Antigo Regime. Como já dissemos, o governo absolutista interferia muito
na economia dos países. O objetivo principal destes governos era alcançar o máximo possível
de desenvolvimento econômico, através do acúmulo de riquezas. Quanto maior a quantidade
de riquezas dentro de um reino, maior seria seu prestígio, poder e respeito internacional.
O Mercantilismo é entendido como um conjunto de práticas adotadas pelo Estado
Absolutista na época moderna, com o objetivo de obter e preservar riqueza. A concepção
predominante parte da premissa de que, a riqueza da nação é determinada pela quantidade
de ouro e prata que ela possui.
Ao mesmo tempo, os governantes consideravam que a riqueza que existia no mundo
era fixa, não poderia ser aumentada, portanto, para um país enriquecer outro deveria
empobrecer. Essa concepção foi responsável pelo acirramento das disputas entre as nações.
Para a consecução dos objetivos mercantilistas, todos os outros interesses deviam
ser relegados à segundo plano: a economia local tinha que se transformar em nacional e o
lucro individual desaparecer, quando assim conviesse ao fortalecimento do poder nacional.
44
Alcançar a abundância de moeda era, efetivamente, um dos objetivos básicos dos
mercantilistas, já que, segundo estes, a força do Estado dependia de suas reservas
monetárias. Se uma nação não dispunha de minas, tinha de buscar o ouro necessário em
suas colônias ou, caso não as tivesse, adquiri-lo por meio do comércio, o que exigia um
saldo favorável da balança comercial, ou seja, que o valor das exportações fosse superior
ao das importações.
As nações européias adotaram uma política intervencionista, ou seja, as regras da
economia eram ditadas pelo Estado, fato aparentemente lógico na época, pois o Estado
era absolutista e, portanto, exercia forte controle sobre a economia. O Estado passou a
proibir a saída de ouro e prata, como forma de manter a riqueza no país.
Em território nacional, o mercantilismo preconizou o desaparecimento das alfândegas
interiores, a supressão ou redução dos entraves à produção forçados pelas corporações
de ofício, o emprego de sistemas de contabilidade e acompanhamento das contas de
receitas e despesas do Estado, a troca de funcionários corruptos ou negligentes por outros
honestos e competentes, a criação de uma fiscalização centralizada e a adoção de leis que
desestimulassem a importação de bens improdutivos e de grande valor.
A crítica mais abrangente do mercantilismo foi movida por Adam Smith, que denunciou
a falsa identificação, feita por muitos teóricos dessa corrente econômica, entre dinheiro e
riqueza. Com efeito, o forte protecionismo alfandegário e comercial e a subordinação da
economia das colônias à da metrópole não tinham como fim último o desenvolvimento da
manufatura nacional, mas, como foi demonstrada anteriormente, a maior acumulação
possível de metais nobres.
A economia clássica posterior, cujo principal representante foi Smith, preconizou, ao
contrário, a livre atividade comercial e manufatureira em qualquer território, a colônia ou
metrópole, já que, segundo seus princípios, a riqueza não se identificava com o simples
acúmulo de reservas monetárias, mas com a própria produção de bens.
Independentemente das diversas análises econômicas a que foi submetido, o
mercantilismo foi o instrumento que assegurou as condições econômicas e financeiras
necessárias a garantir a expansão dos Estados Absolutistas europeus.
45
História
Moderna
O Desenvolvimento da Economia Mercantil Inglesa
Durante a época feudal, a população da Inglaterra vivia em maior parte no campo,
em comunidades locais que produziam lãs e víveres para o próprio consumo. As terras
eram cultivadas visando o sustento familiar e passavam de pais para filhos. Os camponeses
exploravam seus lotes dispersos em faixas pelas propriedades senhoriais. Eles utilizavam
também as “terras comuns” dos domínios para a pastagem do gado, a caça ou a obtenção
de madeira.
Gradualmente, a partir do século XV, as aldeias começaram a se modificar. Os
gêneros agrícolas e as lãs, nelas produzidos, passaram ser em vendidos em regiões mais
afastadas, iniciando-se a formação de um mercado nacional. A facilidade na obtenção de
lã favoreceu o desenvolvimento da indústria têxtil, que se espalhou pelas aldeias através de
sistemas domésticos de produção, fugindo às restrições impostas pelas corporações de
ofício nas cidades.
À medida que o comércio da lã aumentava, os proprietários de terras iniciaram o
processo de expulsão dos camponeses de seus lotes, acabando com os direitos tradicionais
de utilização das “terras comuns” dos domínios. É que tinham por objetivo favorecer a criação
intensiva de carneiros para o fornecimento de lã em grande escala, sempre com o apoio do
Parlamento.
As regiões do sul e do leste da Inglaterra especializaram-se na produção de lã e de
alimentos, cujos preços estavam em ascensão. As terras se valorizaram, transformando-se
numa mercadoria como outra qualquer, podendo ser compradas, vendidas ou arrendadas,
a critério de seu proprietário. O uso da moeda (fomentado pela chegada do ouro e da prata
das Américas) generalizou-se, substituindo o pagamento em espécie ou em trabalho entre
camponeses e proprietários.
No século XVI, a Inglaterra tornou-se também um grande centro de extração de carvão
e de produção de ferro, estanho, vidro, sabões e construção naval. Além da indústria têxtil,
espalhada por burgos e aldeias do interior, surgiram empresas que utilizavam métodos
novos para a extração do sal, o fabrico do papel, o refino do açúcar e a fundição do ferro e
do cobre, A exploração das minas de carvão foi melhorada com a utilização de bombas que
permitiram o trabalho em grandes profundidades.
46
Os lucros obtidos na produção e na exportação de mercadorias passaram a ser
investidos na compra de terras, ainda a principal riqueza e fonte de poder, por comerciantes,
manufatureiros e homens de negócios, de uma forma geral. Surgiram, assim, os “agricultores
capitalistas”, um novo grupo de proprietários rurais, que investia seus ganhos na exploração
comercial da terra.
O desenvolvimento da economia mercantil dividiu os proprietários de terras e de
riquezas em dois grupos divergentes. De um lado, a alta nobreza, formada pela antiga
aristocracia, que vivia das rendas fixas da terra e dos favores da corte e interessava-se em
manter as práticas e os costumes feudais.
De outro lado, consolidava-se a burguesia urbana, formada pela pequena burguesia
independente e pelos novos agricultores capitalistas. Esse grupo era favorável ao cercamento
dos campos e da liberdade de produção e de comércio.
A população rural também foi afetada pelo crescimento econômico. Havia os
camponeses, pequenos e médios proprietários de terras; e os camponeses arrendatários,
que não eram donos dos lotes que cultivavam. A maioria dos camponeses, que possuía
propriedades de tamanho médio e produzia para o mercado, progrediu. Já os pequenos
proprietários e os arrendatários, com o início do cercamento dos campos, perderam suas
terras e transformaram-se em assalariados ou desocupados.
Com a expulsão dos camponeses das terras cercadas, as revoltas tornaram-se
freqüentes. O governo inglês tentou interferir, defendendo para os camponeses as terras de
uso comum, mas não obteve êxito, visto que a iniciativa era contrária aos interesses dos
donos de grandes extensões de terras e dos camponeses proprietários, beneficiados pelos
cercamentos que possuíam e pelos representantes no Parlamento.
O desenvolvimento econômico e a generalização do uso da moeda trouxeram lucros
para a burguesia urbana que se dedicava ao comércio e à produção, enquanto que a alta
nobreza e grande parte dos camponeses viam seus rendimentos diminuírem ou perderem
seu valor.
O Mercantilismo na Espanha
A Espanha acumulou grande quantidade de riqueza a partir da exploração de seus
territórios coloniais na América. Para o país, o colonialismo foi a base de acumulação de
riqueza dos metais preciosos. Os demais países europeus, que não obtinham metais através
da exploração direta, desenvolveram uma política com o objetivo de obter uma “balança
comercial favorável”, procurando aumentar suas exportações e restringir as importações.
Dessa forma, os ganhos seriam maiores que os gastos e a diferença seria acumulada
pelo tesouro do país. Os metais preciosos permitiriam ao governo comprar armas, contratar
soldados, construir navios, pagar funcionários e custear as guerras. O caso espanhol
demonstrou, entretanto, o quanto era enganosa a política metalista.
A Espanha era, no século XV, o país mais rico da Europa em conseqüência do ouro
e da prata oriundos de suas colônias da América. O atraso do comércio das manufaturas
e da agricultura espanholas, entretanto, obrigavam a Espanha a importar de outros países
europeus a quase totalidade das mercadorias necessárias ao seu consumo.
47
Como essas importações eram pagas em ouro e prata, os metais
preciosos que chegavam à Espanha eram, em seguida, desviados para o
resto da Europa. A Espanha tornou-se, assim, a fornecedora de ouro para
outros países mais desenvolvidos do ponto de vista comercial e industrial,
História como a França, a Inglaterra e a Holanda.
Moderna
A partir desse contexto, a balança comercial favorável transformou-se
no segundo princípio mais importante do mercantilismo europeu. Como os metais preciosos
constituíam o principal meio de pagamento nas relações econômicas Internacionais, o
incremento do comércio exterior tornou-se a forma por excelência de acumulação de ouro e
prata - cada país procurava exportar o máximo e importar o mínimo para obter uma balança
de comércio favorável.
Essa política de incremento unilateral do comércio exterior acabou gerando um
nacionalismo econômico exacerbado, que se tornou uma das principais causas das guerras
permanentes entre as grandes potências européias nos Tempos Modernos.
A política econômica mercantilista estava voltada para três objetivos principais: o
desenvolvimento da indústria, o crescimento do comércio e a expansão do poderio naval.
Para incentivar o desenvolvimento da indústria, o governo concedia a grupos
particulares o monopólio de determinados ramos da produção ou criava as manufaturas
do Estado. A meta era a obtenção da auto-suficiência econômica e a produção de
excedentes exportáveis.
A expansão do poderio naval era essencial para garantir as comunicações marítimas
entre as metrópoles européias e seus impérios coloniais, assim como para a execução do
comércio em escala mundial. No século XV, Portugal exerceu a supremacia naval; no século
XVI, esta passou à Espanha; no século seguinte, à Holanda; e, finalmente, no século XVIII a
Inglaterra tornou-se a “rainha dos mares”.
Deficiências do Mercantilismo
A camada mercantil ainda deparava-se com inúmeros entraves de ordem econômica.
Esses obstáculos, tais como a depressão monetária, a carência de matérias-primas em
solo europeu e a relativa pobreza dos mercados continentais, geraram a necessidade de
apoios externos para manter o processo de acumulação de capital.
Nesse sentido, atuaram como poderosas alavancas ao mercantilismo, a expansão
ultramarina e as economias coloniais. O mercantilismo não foi um sistema econômico, é a
lógica econômica da transição do feudalismo para o capitalismo.
Os inimigos do mercantilismo argumentavam que não havia diferença entre o comércio
interno e o comércio externo, pois todo comércio beneficiava tanto o mercador quanto o
consumidor e condenavam a poupança, por retirar recursos do mercado. Negavam que
uma nação pudesse crescer economicamente apenas suplantando outras nações através
do comércio, porque o comércio somente se manteria em duas vias, de entrada e saída.
48
AS DOUTRINAS
ABSOLUTISMO
FILOSÓFICAS
QUE
JUSTIFICAM
O
Os Teóricos
A teoria do poder absoluto apresentava o rei como representante de Deus na Terra,
defensor da Igreja a e da pátria, protetor das artes, legislador e representante do Estado,
cujos interesses estavam acima dos interesses particulares.
Os principais teóricos do absolutismo se utilizaram do discurso racional, de origem
renascentista, para respaldar práticas do poder absolutista. Muitos filósofos desta época
desenvolveram teorias e chegaram até mesmo a escrever livros defendendo o poder dos
monarcas europeus.
Jacques Bossuet, bispo francês, no século XVII, estabelece a relação entre o poder
do rei e o poder de Deus. Para este filósofo, o rei era o representante de Deus na Terra.
Autor de “A política Segundo as Sagradas Escrituras”, ele defendia o dogma do direito
divino dos reis. Isto quer, dizer que, a autoridade do rei é sagrada porque é vontade de
Deus. E contestar esta legitimidade é sacrilégio, pois quem questiona a
vontade do rei questiona Deus.
Nicolau Maquiavel, teórico italiano do poder real, defende a
utilização de todos os meios ao alcance dos governantes para a
centralização do poder. Defendia que o rei tinha de ser racional na busca
do interesse do Estado. Ele escreveu o livro O Príncipe, onde defendia
o poder dos reis. De acordo com as idéias deste livro, o governante
poderia fazer qualquer coisa em seu território
para conseguir a ordem. De acordo com o
pensador, o rei poderia usar até mesmo a
violência para atingir seus objetivos. Para
ele, o príncipe deve ser amado e temido, não
podendo ser os dois, deve ser antes temido do que amado.
Thomas Hobbes defendia que o absolutismo era necessário
para a organização social. Este pensador inglês, autor do livro O
Leviatã, defendia a idéia de que o rei salvou a civilização da barbárie,
pois, até então, essa sociedade teria vivido em anarquia, e os
indivíduos formaram o Estado civil para se protegerem da violência.
Para ele, o homem nasce desorganizado e é o Estado que vai moldar este homem. Desta
forma, o Estado era um mal necessário à sobrevivência da sociedade, sendo que a
autoridade do rei tem a função de enquadrar o homem neste processo civilizatório. Portanto,
através de um contrato social, a população deveria conceder ao Estado poderes ilimitados,
pois, este Estado deve ser forte e maior que tudo, soberano de toda sociedade.
Jean Bodin, no livro “A República”, afirmava que a autoridade do rei se assemelhava
à autoridade do pai e, por isso, deveria ser ilimitada. Segundo este teórico político francês,
os príncipes soberanos (os reis) eram estabelecidos como representantes de Deus para
governarem os outros homens. O poder era, pois, legitimado pela religião.
49
O COLONIALISMO E O ABSOLUTISMO
Colonização Inglesa
História
Com o crescimento do comércio e da navegação, foram fundadas as
companhias inglesas de comércio, que reuniam capitais de acionistas e
recebiam monopólios do Estado para a exploração de determinado produto
ou de uma zona comercial. Como exemplos, temos a Companhia da Turquia, a Companhia
de Moscóvia, a Companhia da África, a Companhia das Índias Orientais e a Companhia da
Virgínia (fundada em 1606 para a exploração da América Inglesa).
Moderna
A ocupação efetiva de territórios da América do Norte pelos ingleses ocorreu a partir
de 1607, quando foi fundada a capital da Virgínia, no governo de Jaime I. A ação colonizadora
foi facilitada pela existência de grande número de pessoas expulsas do campo, que se
encaminharam para a América, onde havia facilidade na obtenção de terras.
No decorrer do século
XVII, o fluxo migratório contou
com famílias burguesas e
nobres que abandonaram a
Inglaterra
devido
às
perseguições religiosas ou
políticas, dentre outros; eram
os
puritanos,
os
presbiterianos, os quakers e
os católicos. Até 1776, data de
sua independência, existiam
13 colônias inglesas na
América do Norte, fundadas por
particulares, por companhias de
comércio ou pertencentes à Coroa.
Das colônias americanas, chegavam à metrópole o tabaco, o índigo e o arroz
(cultivados pelos escravistas do sul), e a batata, o milho, o centeio e as peles de animais
raros (produzidos nas colônias do centro e do norte), sendo proibido o intercâmbio direto
com outros países.
Entretanto, essas proibições não eram muito respeitadas e logo se desenvolveram
em ativas trocas entre as colônias da América do norte, as Antilhas e a África. Esse comércio
triangular fortaleceu a burguesia colonial trazendo grandes lucros.
As cidades inglesas de Liverpool e Bristol destacaram-se como portos ligados ao
tráfico de escravos para a América, devido à necessidade crescente de mão-de-obra nas
plantações e nas minas das colônias inglesas, portuguesas e espanholas. O escambo de
negros na África era feito com mercadorias como têxteis e utensílios de ferro.
Estima-se que, durante os 300 anos do tráfico de escravos, 15 milhões de negros
foram introduzidos na América, sendo o Brasil o principal comprador, ocasionando a maior
migração forçada de um continente para outro que o mundo conheceu. Os lucros acumulados
pela Inglaterra com essa atividade foi uma das causas favoráveis ao início da Revolução
Industrial inglesa, em meados do século XVIII.
50
Colonização Espanhola
A colonização espanhola das Américas começou com a chegada de Cristóvão
Colombo às Américas em 1492. Colombo procurava um novo caminho para as Índias e
convenceu-se de que o encontrara. Ele se tornou governador dos novos territórios e fez
várias outras viagens através do Oceano Atlântico.
Enriqueceu com o trabalho de escravos nativos, que faziam a mineração do ouro e,
também, tentou vender escravos na Espanha. Apesar de ser geralmente visto como um
excelente navegador, era mau como administrador, sendo destituído do cargo de governador.
A chegada dos espanhóis à América insere-se no contexto da expansão marítima
européia. A colonização levou a Espanha a fazer incursões no novo continente, dominando
e destruindo culturas indígenas, como a dos Incas e dos Astecas, em busca de metais
preciosos encontrados e explorados em grande quantidade pelos conquistadores, que
utilizavam a mão-de-obra servil indígena.
A Crise Colonialismo Espanhol
A exploração espanhola sobre a América pode ser dividida em dois períodos. Nos
primeiros 150 anos a metrópole impôs sua dominação às colônias, escravizou ou dizimou
os indígenas, promoveu grande exploração das riquezas minerais e desenvolveu centros,
como Havana, México e Peru, que serviram como pontos de apoio à colonização.
Nos 150 anos posteriores, após a metade do século XVII, a situação inverteu-se:
declínio da produção mineradora, menor pressão sobre a população colonial,
desenvolvimento de interesses regionais específicos, fortalecendo as elites locais,
principalmente agrárias, mas, também, grupos mercantis.
A partir do século XVIII a
Espanha conheceu um processo
de mudanças, refletindo a
decadência da até então “grande
potência”, que foi caracterizado
pela decadência da mineração nas
colônias, pelo predomínio
comercial inglês e pela Guerra de
Sucessão Espanhola.
O esgotamento das
principais jazidas no México e Peru
ocorria desde o século XVII,
privando a Espanha de sua principal fonte de riquezas, e grande parte dos metais preciosos
extraídos não se acumulavam na metrópole devido às várias guerras nas quais a Espanha
se envolvera.
A vitória inglesa na Guerra de Sucessão Espanhola e a imposição do Tratado de
Uitrecht (1713) determinou a ascensão de Felipe V, Bourbon, que abdicou dos direitos que
possuía na França.
Esta situação favoreceu a Inglaterra também do ponto de vista comercial, já que esta
passou a ter o direito de asiento (direito de fornecimento anual de escravos africanos as
51
colônias) e o permisso (venda direta de produtos manufaturados para as
colônias espanholas). Com isso, começa a ruptura do pacto colonial.
No decorrer do século, novas transformações ocorreram: o sistema de
frotas anuais foi abolido, permitido às colônias realizarem o comércio entre
História seus portos, e foi extinto o sistema de Porto Único na metrópole.
Moderna
Essa política metropolitana refletia uma tentativa de adaptar o sistema
colonial à nova realidade, na qual a Espanha deixara de ser potência hegemônica e passava
a sofrer a influência de outras nações. No entanto, Filipe V pretendia manter o controle
sobre as colônias e aumentar o lucro da burguesia e do próprio Estado.
Em contraposição, o aumento da influência inglesa criou condições para o
desenvolvimento de novas relações comerciais, contrariando o pacto colonial e
conseqüentemente possibilitou a formação de uma mentalidade libera, influenciada pelos
ideais iluministas, fazendo com que parcela significativa da elite se distanciasse da
metrópole.
As reformas que, a princípio, favoreceram a burguesia espanhola; a médio prazo
comprometeriam o colonialismo.Do ponto de vista metropolitano, o esgotamento do Sistema
Colonial pode ser percebido no início do século XIX, época das Guerras Napoleônicas.
No entanto, a Europa vivia a crise do Antigo Regime décadas antes e os efeitos da
Revolução Industrial e da Revolução Francesa se faziam sentir nos países metropolitanos e
foram decisivos para o movimento de independência.
O avanço dos ideais iluministas teve grande importância tanto na metrópole, onde o
questionamento do absolutismo colocou o colonialismo em cheque, quanto nas colônias,
que passaram a defender a liberdade perante a Espanha.
A invasão das tropas de Napoleão também contribuiu para a difusão do liberalismo,
apesar de governar a França de forma ditatorial, o imperador representava a burguesia de
seu país e o próprio ideal da Revolução.
Colonização Portuguesa
O começo da colonização portuguesa se insere no contexto das transformações nas
estruturas sociais, econômicas e políticas ocorridas na Europa com o fim da Idade Média e
começo da Idade Moderna.
Essas mudanças foram provocadas pela ação simultânea e combinada de diversos
processos históricos. Dentre eles podemos destacar o surgimento da burguesia mercantil,
a expansão comercial européia, as grandes navegações e as monarquias nacionais.
A colonização portuguesa foi a primeira e a mais duradoura da Era dos
Descobrimentos . Com o culminar da Reconquista Cristã da Península Ibérica, Portugal
ocupou-se da sua expansão territorial pelo território africano.
Com a tomada de Ceuta em 1415, a descoberta das ilhas da Madeira (1418) e
Açores (1432) que, basicamente, eram territórios de colonização e exploração agropecuária,
pois foi constatada a ausência de mineral, Portugal marcava, assim, o início da sua expansão
territorial.
52
Portugal conquistou mais territórios a partir de 1458 no Marrocos, que serviram como
pontos de apoio logístico e material às navegações portuguesas, ou mesmo como entrave
à pirataria dos mouros. Estabelecendo em Arguim uma feitoria comercial, com guarnição
militar, é fundada, também, uma nova plataforma de ação e comércio em plena área de
navegação, obtendo as riquezas necessárias para o financiamento e continuidade da
empreitada marítima.
As embarcações portuguesas avançam pelo Oceano Índico, descobrindo novas
terras, conquistando pontos-chave do comércio regional, estendendo o domínio de Ormuz,
no Golfo Pérsico, na África Oriental, até Malaca, Molucas, e outros, alcançando mais tarde
a China e o Japão, para além de expedições e viagens no interior asiático e africano e de
uma possível descoberta da Austrália.
Desta forma, construiu-se uma rede de feitorias, entrepostos, e fortalezas,
conquistando riquezas e disseminando a cultura portuguesa e a religião católica, num esforço
de criação de uma unidade civilizatória portuguesa, quer através das missões, quer da
miscigenação, e até pela força das armas.
Do Índico e do Extremo Oriente vieram as especiarias, os metais preciosos, os
tesouros artísticos, as porcelanas, sedas e madeiras, entre outros produtos para venda na
Europa.
Com o declínio do comércio na Ásia, Portugal passa a ocupar definitivamente o
território brasileiro, com a implantação das capitanias hereditárias e a instalação de
sesmarias. A partir do século XVII, a pecuária, a mineração e as atividades missionárias
expandem a ocupação para o interior.
A ocupação e a exploração das terras americanas pela metrópole lusitana estruturamse nos termos da política econômica dominante na Europa, o mercantilismo, Onde o comércio
era a principal atividade econômica.
Esses contexto influenciou as opções portuguesas no que se refere à colonização
brasileira. Em terras americanas não havia comércio, os povos nativos tinham pouco a
oferecer diante dos atrativos do oriente.
Entre explorar comércio certo e garantido com oriente ou lançar-se à aventura incerta,
cara e sem garantias em terras desconhecidas, o governo lusitano preferiu o Oriente.
Isso explica o pouco interesse português pela América nas três primeiras décadas
após seu “descobrimento”. Além do mais, a população lusitana era pequena e insuficiente
para ocupar o território brasileiro.
A partir de 1530, o governo português mudou sua atitude em relação às terras
americanas. O rei se convenceu de que só manteria a posse das terras americanas se
fundasse núcleos permanentes de colonização e defesa, sobretudo se as expectativas de
encontrar metais preciosos, nestas terras, se confirmasse.
A ocupação da América colocou a coroa portuguesa diante de um desafio, como
tornar rentável um território ocupado por uma população que não produzia excedente que
pudesse ser comercializado.
53
História
O meio mais eficaz para consolidar a posse das terras era promover a
colonização. Mas, para isso, era necessário criar na colônia uma economia
em condições de gerar produtos que pudessem ser comercializados com
bons lucros na Europa.
Moderna
A ocupação das terras americanas só se tornou possível na medida
em que a cana-de-açúcar mostrou-se adaptável ao clima e ao solo da região
tropical. Mas, sobretudo, quando se percebeu que o açúcar era um produto rentável, de
grande aceitação no mercado europeu e capaz de gerar lucro.
A exploração da colônia portuguesa, com o cultivo da cana-deaçúcar, assumiu três características básicas:
grande propriedade, monocultura e trabalho
escravo.
A opção pela monocultura da
cana-de-açúcar era decorrência
natural da política mercantilista, onde
os esforços coloniais deveriam estar
voltados para produtos que pudessem
ser comercializados com as nações européias,
obedecendo ao chamado Pacto Colonial,
segundo o qual as colônias só
poderiam comercializar com suas
metrópoles.
Em 1534, o rei dom João III dividiu a colônia americana em quinze faixas de terra,
indo do litoral à linha do Tratado de Tordesilhas. Eram as capitanias hereditárias, mesmo
sistema utilizado nas ilhas do Atlântico. No entanto, esse sistema fracassou.
Diante dos problemas gerados pelo sistema de capitanias hereditárias, o rei de
Portugal criou o cargo de governador-geral, espécie de representante do rei na colônia, em
1548. O objetivo era centralizar a defesa do território e a administração da colônia.
Em 1694, depois de muito procurar, os sertanistas paulistas descobrem o ouro no
interior da colônia portuguesa, no atual Estado de Minas Gerais. Com o desenvolvimento
da mineração, a sociedade colonial passou por uma série de mudanças importantes,
tornando-se mais urbana e mais complexa.
No entanto, para atender as regras do metalismo, ao longo do século XVII, a coroa
portuguesa buscou sistematicamente aumentar suas receitas por meio de arrecadação de
impostos sobre a extração do ouro.
Os principais impostos foram o quinto e a capitação. No quinto, cada minerador era
obrigado a pagar ao governo de Portugal a quinta parte de ouro extraído. A capitação não
se aplicava apenas ao ouro extraído, era calculada sobre a quantidade de escravos a serviço
do minerador.
Em 1719, a Coroa proibiu a circulação de ouro em pó, fácil de ser contrabandeado,
e determinou a instalação de Casas de Fundição. Nessas casas , o ouro era transformado
em barras e recebia o selo real, ao mesmo tempo que se cobrava o quinto.
54
Os impostos cobrados sobre a produção do ouro contribuíram para cobrir as enormes
despesas da Corte portuguesa. Mas Portugal exigia cada vez mais, pois boa parte da riqueza
extraída da colônia era utilizada para pagar os déficits de sua balança comercial.
A independência do Brasil, porém, criou um choque material em Portugal. A perda
do maior baluarte do império, símbolo do orgulho português, ameaçava, até mesmo, a
integridade política de Portugal, pois se tratava da base econômica mais rentável para o
reino português. Em decorrência disso, Portugal acentuou a sua expansão territorial para o
interior da África, a fim de manter-se poderoso perante outras potências européias.
Sessão Cinema...
A Rainha Margot
Sinopse
O filme retrata a França em 1572, quando do casamento
da católica Marguerite de Valois e o protestante Henri de Navarre,
que procurava minimizar as disputas religiosas, mas acaba
servindo de estopim para um violento massacre de protestantes
conhecido como a “noite de São Bartolomeu”, que teve a
conivência do rei da França Carlos IX, irmão de Margot.
O filme, que retrata esse trágico acontecimento, é baseado
num romance de Alexandre Dumas.
ELISABETH
Sinopse
O filme analisa a Inglaterra absolutista de Elizabeth I (Isabel,
a Rainha Virgem), que subiu ao trono em 1558 para tornar-se a
mulher mais poderosa do mundo.
No reinado anterior de sua meia irmã Mary I, a Inglaterra
encontrava-se à beira do caos com a repressão do governo aos
protestantes. Com a morte de Mary, Elisabeth Tudor, filha de
Henrique VIII (o rei das seis esposas), com Ana Bolena, assume
o comando do reino, iniciando o mais glorioso governo da Dinastia Tudor.
Para impedir que o país fosse destruído, Elizabeth decide enfrentar todos inimigos
internos e externos que ameaçavam a Inglaterra, abdicando de sua própria vida pessoal
em nome de seu povo.
Interpretado por Cate Blanchett, que recebeu uma indicação ao Oscar de melhor
atriz em 1998, o filme retrata um período de forte tensão na história da Inglaterra e da Europa,
mostrando as intrigas palacianas que transformaram a jovem Elizabeth, conhecida como a
Rainha Virgem, na mulher mais importante de sua época.
55
Henrique VIII e suas Seis Esposas
Sinopse
História
Moderna
Em 1547, às vésperas da morte, o rei
Henrique VIII relata para sua sexta mulher, Catarina
Parr, seu relacionamento com as cinco anteriores.
Mary Stuart
Sinopse
A vida da rainha escocesa e seus conflitos com Elizabeth I, herdeira do trono inglês,
durante o século XVI.
HENRIQUE V
Sinopse
Adaptação de Shakespeare para o cinema, o Rei
Henrique V da Inglaterra (Kenneth Branagh) é insultado pelo Rei
da França. Por conseqüência, ele lidera seu exército contra os
franceses, o que faz com que ele tenha que estar em constante
atenção para deixar suas tropas motivadas e unidas. Vencedor
do Oscar de Melhor Figurino.
[ ]
Agora é hora de
TRABALHAR
Simultaneamente, porém, a aristocracia tinha de adaptar-se a um segundo
antagonista: a burguesia mercantil que se desenvolvera nas cidades medievais. Viu-se que
foi precisamente o intercalar desta terceira presença que impediu a nobreza ocidental de
ajustar as suas contas com o campesinato duma forma oriental, esmagando a sua resistência
e amarrando-o ao domínio. A cidade medieval conseguira desenvolver-se porque a dispersão
hierárquica de soberanias no modo de produção feudal libertara pela primeira vez economias
urbanas da dominação directa de uma classe rural. Neste sentido, as cidades nunca foram
exógenas ao feudalismo no Ocidente, como vimos: de facto, a sua própria condição de
existência era exclusivamente a “destotalização” da soberania dentro da ordem político-
56
económica do feudalismo. Donde a elasticidade das cidades do Ocidente durante a pior
crise do século XIV, que levou temporariamente à bancarrota tantas das famílias patrícias
das cidades mediterrâneas. Os Bardi e os Peruzzi sucumbiram em Florença; Siena e
Barcelona entraram em declínio; mas Augsburgo, Genebra ou Valência iniciavam justamente
a sua ascensão. Cresceram durante a depressão feudal importantes indústrias urbanas,
tais como o ferro, o papel e os têxteis. À distância, esta vitalidade económica e social
actuava como uma interferência objetiva e constante na luta de classes centrada na terra, e
bloqueava qualquer solução regressiva proposta pelos nobres.
1.
Analisando o texto acima, faça uma relação entre a formação da burguesia e o
fortalecimento dos Estados Absolutistas.
2.
Identifique e relacione os elementos que caracterizam a centralização do poder e a
ação do Estado Absolutista.
3.
Faça um paralelo entre o absolutismo francês e o absolutismo inglês.
4.
Em 1581, um mercantilista inglês recomendava à rainha “acabar com a importação
das mercadorias fabricadas no estrangeiro, e que poderiam sê-lo entre nós, restringindo a
exportação de nossas lãs, peles e outros produtos no estado bruto, chamando artesãos de
fora sob o controle das cidades, fabricando mercadorias suscetíveis de serem exportadas...
(Citado por DEYON, Pierre, 0 Mercantilismo. SP, 1973. Perspectiva, p.(17). De acordo com
este trecho, analise o intervencionismo e suas implicações para o tempos modernos.
57
5.
Faça um paralelo, indicando diferenças e semelhanças entre o
mercantilismo inglês e o mercantilismo espanhol.
História
Moderna
6.
Cite e comente as características que respaldavam o mercantilismo.
7.
Como os teóricos absolutistas influenciaram na política e economia da sociedade
moderna?
8.
Quais as idéias de Thomas Hobbes acerca do poder absoluto?
9.
Faça uma relação entre o pensamento de Jacques Bossuet e de Jean Bodin sobre o
poder absolutista.
10.
Estabeleça uma relação entre a colonização inglesa e as colonizações espanhola
e portuguesa, levando em consideração suas semelhanças e suas diferenças.
58
11.
Como se deu a crise do Colonialismo espanhol? Quais as suas consequências?
12.
Qual a importância do colonialismo europeu para o continente americano?
O ILUMINISMO E SUA INFLUÊNCIAS NO MUNDO
CARACTERÍSTICAS DO ILUMINISMO
Iluminismo
O movimento cultural, conhecido como Iluminismo, surgiu na França, Inglaterra e
Holanda do século XVII, e defendia o domínio da razão sobre a visão teocêntrica que
dominava a Europa desde a Idade Média.
Esse movimento representou o auge das transformações culturais iniciadas no século
XIV pelo movimento renascentista, dando origem às idéias de liberdade política e econômica.
Segundo os filósofos iluministas, esta forma de pensamento tinha o propósito de iluminar
as trevas em que se encontrava a sociedade.
Os pensadores que defendiam estas ideais acreditavam que o pensamento racional
deveria ser levado adiante substituindo as crenças religiosas e o misticismo, que segundo
eles, bloqueavam a evolução humana. O homem é o centro do universo, e deveria buscar a
investigação científica para obter respostas que, até então, eram justificadas somente pela
fé. Essa visão determinou profundas transformações no modo de pensar, sentir e agir do
homem.
O apogeu deste movimento foi atingido no século XVIII, que passou a ser conhecido
como o Século das Luzes. O Iluminismo foi mais intenso na França. As novas idéias
conquistaram numerosos seguidores, onde influenciou a Revolução Francesa através de
seu lema: Liberdade, igualdade e fraternidade.
Também teve influência em outros movimentos sociais como na independência das
colônias inglesas na América do Norte e na inconfidência mineira, ocorrida no Brasil.
59
História
Para os filósofos iluministas, o homem era naturalmente bom, porém,
era corrompido pela sociedade com o passar do tempo. Eles acreditavam
que se todos fizessem parte de uma sociedade justa, com direitos iguais a
todos, a felicidade comum seria alcançada.
Moderna
Por esta razão, eles eram contra as imposições de caráter religioso,
contra as práticas mercantilistas, contrários ao absolutismo do rei, rejeitavam
a submissão cega à sua autoridade, além de contestarem os privilégios dados a nobreza e
ao clero.
Os iluministas eram deístas, isto é, acreditavam que Deus está presente na natureza,
portanto no próprio homem, que pode descobri-lo através da razão. Para encontrar Deus,
bastaria levar vida piedosa e virtuosa. A Igreja tornava-se dispensável, os iluministas
criticavam sua intolerância, ambição política e inutilidade das ordens monásticas (vinda de
monges, autoridades religiosas).
Os burgueses foram os principais interessados nesta filosofia, pois, apesar do
dinheiro que possuíam, eles não tinham poderes políticos. Neste período, o Antigo Regime
ainda vigorava na França, e nesta forma de governo, o rei detinha todos os poderes. Uma
outra forma de impedimento aos burgueses eram as práticas mercantilistas, onde o governo
interferia nas questões econômicas.
Com o fim do absolutismo, os burgueses teriam liberdade comercial para ampliar
significativamente seus negócios, uma vez que, seriam tirados não só os privilégios de
poucos (clero e nobreza), como também, as práticas mercantilistas que impediam a expansão
comercial para a classe burguesa.
O Iluminismo trouxe consigo grandes avanços que, juntamente com a Revolução
Industrial, abriram espaço para a profunda mudança política determinada pela Revolução
Francesa.
As principais características do Iluminismo são:
· Valorização da razão, considerada o mais importante instrumento para se alcançar
qualquer tipo de conhecimento;
· Valorização do questionamento, da investigação e da experiência como forma de
conhecimento tanto da natureza quanto da sociedade, política ou economia;
· Crença nas leis naturais, normas da natureza que regem todas as transformações
que ocorrem no comportamento humano, nas sociedades e na natureza;
· Crença nos direitos naturais, que todos os indivíduos possuem em relação à vida, à
liberdade, à posse de bens materiais;
· Crítica ao absolutismo, ao mercantilismo e aos privilégios da nobreza e do clero;
· Defesa da liberdade política e econômica e da igualdade de todos perante a lei;
· Crítica à Igreja Católica, embora não se excluísse a crença em Deus.
Os Precursores do Iluminismo
Um dos principais precursores desse movimento foi o matemático francês René
Descartes, considerado o pai do racionalismo. Em sua obra “Discurso do método”, ele diz,
que para se chegar à verdade é necessário que se duvide de tudo, mesmo das coisas
aparentemente verdadeiras. A partir da dúvida racional, pode-se alcançar a compreensão
do mundo, e mesmo de Deus.
60
O filósofo francês, Francis Bacon, que desenvolveu o método experimental, no qual
enfatizava a importância da observação e da experimentação para o desenvolvimento do
conhecimento. Seus estudos se aplicavam às ciências naturais, e os princípios defendidos
por ele foram reunidos no livro “Novum organum”.
O inglês Isaac Newton foi, matemático, astrônomo, físico e filósofo. Dentre suas
contribuições mais significativas, está a formulação da lei da gravitação universal. Sua obra
principal é “Os princípios matemáticos da filosofia da natureza”, onde estão reunidas as
bases da mecânica clássica.
John Locke, filósofo e político inglês, não acreditava nas idéias inatas, ou seja, que
as pessoas já trouxessem ao nascer. Para ele, as idéias tinham origem nos sentidos
humanos. Contrário à teoria do direito divino dos reis, afirmava que os governos eram criações
humanas. Era a favor da tolerância religiosa, onde dizia que, o estado deveria ser liberal e
que a propriedade privada fosse respeitada. Seus escritos mais famosos são, “Ensaio
sobre o entendimento humano”, “Primeiro e Segundo tratado sobre o governo civil”.
Os Pensadores Iluministas
Podemos dividir os pensadores iluministas em dois grupos, os filósofos que se
preocupavam com os problemas políticos; e os economistas, que procuravam uma maneira
de aumentar a riqueza das nações.
Na economia, o Iluminismo gerou a doutrina fisiocrata e do liberalismo econômico.
No poder, ocasionou o despotismo esclarecido, com destaque para os governos de
Frederico II, na Prússia; Catarina, a Grande, da Rússia; José II, da Áustria; e do Marquês de
Pombal, em Portugal.
Os principais filósofos do Iluminismo foram: Voltaire, que defendia a liberdade de
pensamento e não poupava crítica à intolerância religiosa; Jean-Jacques Rousseau, que
defendia a idéia de um Estado democrático que garanta igualdade para todos; Montesquieu,
que defendia a divisão do poder político em Legislativo, Executivo e Judiciário; Denis Diderot
e Jean Le Rond d´Alembert, que, juntos, organizaram uma enciclopédia que reunia
conhecimentos e pensamentos filosóficos da época.
Montesquieu – Sua filosofia se caracteriza pela
busca de um justo equilíbrio entre a autoridade do poder
e a liberdade do cidadão. Para que ninguém possa
abusar da autoridade, “é preciso que, pela disposição
das coisas, o poder detenha o poder”. Daí a separação
entre poder legislativo, poder executivo e poder
judiciário.
Publicou, em 1721, as cartas Persas, que
ridicularizavam costumes e instituições. Em 1748,
publicou o Espírito das leis, nela estudou as diversas
formas de governo (despotismo, monarquia e
República), destacava a monarquia inglesa.
Montesquieu possui, sobretudo, uma concepção racionalista das leis que não resultam
dos caprichos arbitrários do soberano, mas são “relações necessárias que derivam da
natureza das coisas”. Assim é que cada forma de governo determina, necessariamente,
este ou aquele tipo de lei, esta ou aquela psicologia para com os cidadãos.
61
A democracia da cidade antiga só é viável em função da “virtude”, isto
é, pelo espírito cívico da população. A monarquia tradicional repousa num
sistema hierárquico de suseranos e vassalos, que só funciona a partir de uma
moral da honra, ao passo que o despotismo só subsiste com a manutenção,
História em toda parte, da força, do medo.
Moderna
As leis obedecem a um determinismo racional. Como diz muito bem
Brehier, “a variável aqui é a forma de governo de que as legislações políticas, civis e outras
são as funções”. Todavia, as “relações necessárias”, de que fala Montesquieu, é muito menos
a expressão de um determinismo sociológico de tipo materialista, do que a afirmação de
uma ligação ideal, harmônica, entre certos tipos de governo e certas leis possíveis, sendo
que as melhores pertencem a este ou aquele governo, cabendo ao legislador descobri-las
e aplicá-las.
Voltaire - Foi o mais importante dos iluministas franceses.
Por fazer duras críticas aos privilégios da nobreza e da Igreja e
defender as liberdades individuais. Foi obrigado a se exilar da
Inglaterra.
Ajudou a difundir as idéias liberais do filósofo iluminista
inglês Locke e atacou a igreja com a maior fonte de ignorância
e fanatismo que existia. Defensor da tolerância e do respeito
às opiniões contrárias.
Voltaire detestava a arrogância do Estado e da Igreja.
Suas ironias lhe proporcionaram inúmeros inimigos poderosos,
ao que ele respondia. “que Deus me livre dos meus amigos, que dos meus inimigos me
livro eu”. No seu célebre Cândido, um livro pequeno, leve e muito divertido, ele resumiu suas
principais idéias.
Também colaborou na elaboração da enciclopédia. Criticava o absolutismo de direito
divino, propondo a participação da burguesia esclarecida no governo, como forma de garantir
a paz e a liberdade, tanto política quanto religiosa. Discípulos se espalharam pela Europa e
divulgaram suas idéias, especialmente o anticlericalismo (contrário à classe de sacerdotes
e ministros cristãos).
Rousseau - Teve origem modesta e vida aventureira. Nascido
em Genebra, era contrário ao luxo e à vida mundana, propondo
uma vida familiar simples. Em seu livro “Discurso sobre a Origem
da Desigualdade entre os Homens”, defendeu a tese da
bondade natural dos homens, pervertidos pela civilização.
Consagrou toda a sua obra à tese da reforma necessária
da sociedade corrompida. No plano político, propunha uma
sociedade baseada na justiça, igualdade e soberania do povo.
Como mostra em seu texto mais famoso “O Contrato Social”.
Sua teoria da vontade geral foi fundamental na Revolução
Francesa, inspirando muitos líderes. Suas principais idéias estão nas
obras: “Discurso sobre a Origem da Desigualdade entre os
Homens”, que acusava a propriedade privada de destruir a
liberdade social, promovendo o despotismo, a fraqueza e a
62
corrupção da sociedade. Para ele, a propriedade introduzia a desigualdade entre os homens,
a diferenciação entre o rico e o pobre, o poderoso e o fraco, o senhor e o escravo, até a
predominância da lei do mais forte. O homem era corrompido pelo poder e esmagado pela
violência.
Em “Contrato Social”, afirmava que para combater a desigualdade introduzida com
o aparecimento da propriedade privada, os homens deveriam consentir em fazer um contrato
social, no qual cada indivíduo concordava em se submeter inteiramente à vontade geral, ou
seja, à vontade do “soberano”, que era o próprio povo. Portanto, o que prevalecia era a
vontade da comunidade e não a vontade individual de cada membro dessa comunidade.
Como cada indivíduo se unia a todos e ninguém se unia em particular, o homem continuaria
livre, uma vez que todos tinham direitos iguais na comunidade.
Para Rousseau, o governo era apenas “o ministro do soberano”, o agente encarregado
de executar a lei. Seu poder poderia ser modificado limitado ou retomado sempre que o
povo desejasse. Rousseau destacou-se dos demais filósofos iluministas por valorizar não
somente a razão, mas também os sentimentos e as emoções, pregando a volta à natureza
e a simplicidade da vida. Sua teoria da “vontade geral” inspirou os líderes da Revolução
Francesa e do movimento socialista do século XIX.
Diderot - Organizou a Enciclopédia, publicada entre 1751 e 1772, com a ajuda do
matemático d’Alembert e da maioria dos pensadores e escritores. Proibida pelo governo
por divulgar as novas idéias, a obra passou a circular clandestinamente.
O Liberalismo Econômico
O iluminismo influenciou também o pensamento econômico, dominado na época
pelos princípios mercantilistas, caracterizados pela intervenção do Estado na economia
por meio de monopólios, proibições e regulamentos. As atividades comerciais eram então
consideradas as principais fontes de riqueza e dependiam da proteção do estado para sua
plena realização.
A partir do século XVIII, com o fortalecimento da produção fabril na Inglaterra e,
posteriormente, em outros países da Europa, começaram a ganhar força teorias que
pregavam a liberdade econômica e a formação do livre mercado. Os estudiosos afirmavam
que a intervenção do Estado limitava o desenvolvimento das atividades econômicas.
Os economistas iluministas pregaram, essencialmente, a liberdade econômica e se
opunham a toda e qualquer regulamentação. A natureza deveria dirigir a economia. O Estado
só interviria para garantir o livre curso da natureza. Eram eles os fisiocratas, ou partidários
da fisiocracia (governo da natureza).
Seu principal representante foi François Quesnay; ele afirmava que a atividade
verdadeiramente produtiva era a agricultura, pois era a grande fonte produtora de riqueza.
Outro importante fisiocrata foi Vincent de Gournay, que propunha total liberdade para
as atividades comerciais e industriais, consagrando o lema: “Laissez Faire, laissez passer”
(“deixe fazer, deixe passar”), que se transformaria num dos princípios fundamentais do
liberalismo econômico.
63
O escocês Adam Smith, fundador do liberalismo
econômico, e influenciado pelas idéias fisiocratas,
escreveu o livro “Investigação sobre a natureza e as
causas da riqueza das nações”, em 1776, onde
História defendeu que, nem a agricultura, como queriam os
Moderna fisiocratas; nem o comércio, como defendiam os
mercantilistas; o trabalho que era a fonte da riqueza.
O trabalho deveria ser livre e assalariado, sem intervenções, guiado
espontaneamente pela natureza.
O Iluminismo e a Ciência
Nos séculos XVII e XVIII, enquanto as idéias iluministas se espalhavam pela Europa,
uma febre de novas descobertas e inventos tomou conta do continente. O avanço científico
dessa época colocou à disposição do homem informações tão diferentes quanto a descrição
da órbita dos planetas e do relevo da Lua, a descoberta da existência da pressão
atmosférica e da circulação sangüínea e o conhecimento do comportamento dos
espermatozóides.
A astronomia foi um dos campos que deu margem às maiores revelações. Seguindo
o caminho iniciado pelos estudiosos da Renascença, como Copérnico, Kepler e Galileu, o
inglês Isaac Newton (1642 - 1727) elaborou um novo modelo para explicar o universo.
Auxiliado pelo desenvolvimento da Matemática, que teve em Blaise Pascal
(1623.1662) um de seus maiores representantes, ele ultrapassou a simples descrição do
céu, chegando a justificar a posição e a órbita de muitos corpos siderais.
Além disso, anunciou ao mundo a Lei da Gravitação Universal, que explicava desde
o movimento de planetas longínquos até a simples queda de uma fruta. Newton foi ainda
responsável por avanços na área do cálculo e pela decomposição da luz, mostrando que a
luz branca, na verdade, é composta por sete cores, as mesmas do arco-íris.
Tanto para o estudo dos corpos celestes como para a observação minuciosa dos
componentes do mundo, foi necessário ampliar o campo de visão do homem. Os holandeses
encarregaram-se dessa parte, descobrindo que a justaposição de várias lentes multiplicava
a capacidade da visão humana.
Tal invento possibilitou a Robert Hooke (1635-1703) construir o primeiro microscópio,
que ampliava até quarenta vezes pequenos objetos (folhas, ferrões de abelha, patas de
insetos, etc.). Esse cientista escreveu um livro sobre suas observações e criou o termo
célula, hoje comum em Biologia.
As Idéias Iluministas Influenciam a Sociedade
Secularismo, humanismo, cosmopolitismo e liberdade em todos os sentidos eram
as bandeiras dos iluministas. O direito à liberdade de palavra, de expressão, de imprensa.
Também se estendia para eles à liberdade de comércio, à liberdade do empreendimento
econômico, fora das intromissões da censura da Igreja e do Estado absolutista-mercantilista.
64
Desta forma, essa liberdade traria para cada um, de acordo com os talentos nascidos
ou adquiridos, o seu próprio caminho de realização. Desprovidos, em sua maioria, de
cátedras acadêmicas, tendo o púlpito e os padres como inimigos, de certa forma, os
Iluministas tiveram que buscar e ao mesmo tempo formar o seu próprio público.
Para chegar até ele, para atingir o novo público cultivado (tanto de gente da nobreza
como das classes burguesas) que gradativamente estava se formando na sociedade
européia do século XVIII, recorreram intensamente à publicação e difusão de livros.
Quando, devido à censura ou a uma queima judicial, recorriam à impressões
clandestinas (feitas na Holanda ), depois as introduziam por contrabando em qualquer canto
da Europa. Revelaram-se verdadeiros mestres em escrever panfletos, publicações que
fizeram largo uso devido ao lado prático que eles tinham como veículo instantâneo de difusão
de idéias. Daí boa parte da literatura deles, fosse em verso ou em prosa, estarem carregada
pelo estilo polêmico e apaixonado.
A Enciclopédia Iluminista
A Enciclopédia é o mais poderoso e duradouro de todos
os instrumentos para a divulgação das Luzes, obra magna da
propaganda iluminista. Foi a edição da Enciclopédia, dirigida
por Jean Le Rond d’Alembert (entre 1751-1754) e, em seguida,
por Denis Diderot, a grandiosa publicação que se seguiu por
vinte anos, até que, em 1772, o seu 17º volume encerrou a
obra inteira.
Segundo Daniel Mornet, o século XVIII foi “um século
enciclopédico”. Acertada sua impressão por meio de
subscrições, a Enciclopédia ultrapassou largamente os seus
8.011 assinantes originais, virando leitura obrigatória entre os
homens cultos do século. Foi uma obra consultada por uma
quantidade inumerável de leitores por toda Europa e América
incluída.
Tratou-se de uma estupenda síntese do conhecimento científico, com grande ênfase
nas artes mecânicas e na sabedoria prática das coisas da vida, servindo de modelo para
todas as demais que a seguiram posteriormente.
A predominância e gosto por temas seculares e o alto nível dos seus colaboradores.
Diderot selecionou os melhores nomes da elite intelectual: “É preciso examinar tudo, remexer
tudo sem exceção e sem reserva”, fez da Enciclopédia o acontecimento editorial e intelectual
do século.
Entre os grandes nomes selecionados por ele estavam Montesquieu (Leis), Lamarck
(botânica), Helvetius (matemática), Rousseau (música), Buffon, Necker, Turgot, Mongez, além
de artigos do barão d’Holbach, um ateu militante, e Voltaire (encarregado dos verbetes
sobre Elegância, História, Espírito e Imaginação), num total de 139 colaboradores
identificados.
A Enciclopédia teve para o mundo burguês e industrial que então despontava, o
mesmo significado que a “Suma Teológica” de São Tomás de Aquino teve para a Europa
medieval.
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As Cartas Iluministas
O homem culto do século XVIII é acima de tudo um grande escritor de
cartas. Havia uma verdadeira arte da epistolografia, atribuindo-se somente
História a Voltaire mais de 50 mil cartas. Como sabiam que mais tarde haveria interesse
Moderna em publicá-las, cuidavam do estilo e da apresentação delas, como se fossem
páginas ou capítulos de livros futuros.
Por gostarem de trocar informações do que estavam fazendo ou pensando, as cartas
converteram-se num veículo confiável, rápido, e, fundamental, ao abrigo da censura.
Tanto é que os americanos fizeram largo uso delas quando espalharam pelas Treze
Colônias os Comitês de Correspondência, formados por ativistas da independência e
simpatizantes da causa iluminista, entre eles, destacando-se acima de todos, Benjamim
Franklin. Logo, pode-se afirmar que as cartas distribuídas pelos Comitês de Correspondência
foram as sementes da Revolução Americana de 1776.
Foi por meio de uma das suas cartas, escrita a Hélvetius em 1763, que Voltaire
conta a vitória do partido das luzes sobre os partidários da superstição e do obscurantismo.
O DESPOTISMO ESCLARECIDO
O Iluminismo e o Despotismo Esclarecido
O clima ideológico criado pelos iluministas tornou-se tão forte e difundido que vários
governantes tentaram colocar em prática suas idéias. Sem abandonar o poder absoluto,
procuraram governar conforme a razão e os interesses do povo.
Essa aliança, de princípios filosóficos e poder monárquico, deram origem ao regime
de governo típico do século XVIII, o despotismo esclarecido, onde alguns governantes
absolutistas europeus adotaram princípios iluministas e promoveram reformas importantes
em seus países, com o objetivo de modernizá-los.
Entre esses governantes que sem deixar de ser absolutistas, procuravam promover
o “progresso” econômico e social, tal como era entendido pelos iluministas, destacam-se
Frederico II da Prússia; Catarina II da Rússia; José II da Áustria; Pombal, ministro português;
e Pedro Pablo Abarca y Bolea, conde de Aranda, ministro da Espanha.
Frederico II (1740-1786), discípulo de Voltaire, e indiferente à religião, deu liberdade
de culto ao povo prussiano. Tornou obrigatório o ensino básico e atraiu os jesuítas, por suas
qualidades de educadores, embora quase todos os países estives-sem expulsando-os, por
suas ligações com o papado.
Aboliu tortura e organizou um novo código de justiça. O rei exigia obediência, mas
dava total liberdade de expressão. Estimulou a economia, adotando medidas protecionistas,
apesar de contrárias às idéias iluministas. Preservou a ordem. A Prússia permaneceu um
Estado feudal, com servos sujeitos à classe dominante, dos proprietários.
O Estado que mais fez propaganda e menos praticou as novas idéias foi a Rússia.
Catarina II (1762-1796) atraiu filósofos, manteve correspondência com eles, muito prometeu
66
e pouco fez. A czarina deu liberdade religiosa ao povo e educou as altas classes sociais,
que se afrancesaram. A situação dos servos se agravou e os proprietários de terras
chegaram a ter direito de condená-los à morte.
José II (1780-1790) foi o déspota esclarecido típico. Aboliu a servidão na Áustria,
deu igualdade a todos perante a lei e, também, a cobrança de impostos, uniformizou a
administração do Império, deu liberdade de culto e direito de emprego aos não-católicos.
O Marquês de Pombal, ministro de Dom José I, de Portugal, fez importantes reformas.
A indústria cresceu, o comércio passou ao controle de companhias que detinham o
monopólio nas colônias, a agricultura foi estimulada. A nobreza
e o clero foram perseguidos para fortalecer o poder real.
Aranda também fez reformas na Espanha: liberou
o comércio, estimulou a indústria de luxo e de tecidos,
dinamizou a administração com a criação dos
intendentes, que fortaleceram o poder do Rei Carlos III,
da Espanha.
De uma forma geral, os filósofos iluministas
usam o termo, despotismo, para se referir a um
governo cujo poder não tem limites. O déspota é um
governante que possui poder absoluto e governa de
acordo com sua vontade.
No entanto, se este déspota, mesmo governando
de acordo com seus princípios, se for esclarecido e
sábio, pode ser um bom modelo de governo.
Conhecendo a natureza humana e a verdadeira natureza
das cosias, o déspota esclarecido poderá fazer com que em seu país, a tolerância e a
liberdade religiosa sejam respeitadas. Além de destruir a servidão, instruir os povos e
modernizar o Estado.
Contudo, os filósofos perceberam seu engano, pois os pretensos déspotas ilustrados
apropriaram-se de uma nação soberana e instalaram uma administração tirânica.
AS REVOLUÇÕES LIBERAIS E A CRISE DO SISTEMA COLONIAL
A Europa e as Guerras Modernas
Durante mais de um século, as guerras entre as potências dominaram a Europa,
como forma de afirmação dos Estados Modernos. Neste momento, as guerras eram a forma
de assegurar o domínio dos seus territórios e de suas colônias, da disputa pela hegemonia
da Europa e consolidava o controle de rotas comerciais.
Com tantos interesses em jogo, explodiu no continente europeu inúmeros conflitos,
dentre outros a Guerra dos trinta anos, a Guerra de Sucessão da Espanha e a Guerra dos
Sete Anos.
67
A Guerra dos Trinta Anos
No início do século XVII, Espanha, França, Inglaterra e Holanda,
disputavam entre si a hegemonia do continente europeu, o controle de
História mercados e de territórios. Estas disputas provocaram instabilidades e guerras
Moderna permanentes na Europa deste período.
Vale ressaltar que estes países detinham forças equivalentes. A Inglaterra controlava
um grande acúmulo de capital e era militarmente forte no mar. A Holanda era a maior potência
comercial, além de ter uma poderosa frota mercante, controlando grande parte do comércio
internacional.
A França vivia sob a regência de um forte poder absolutista e detinha o maior exército
terrestre. E a Espanha, soberana de Portugal, pois estava sob a regência da União Ibérica,
dominava o maior império colonial, que fornecia grandes quantidades de ouro e prata.
Essas nações viviam em disputas pelo controle dos mercados mundiais, essa
situação se agravava com o acirramento das lutas religiosas e políticas. Essa rivalidade
deu origem a Guerra dos Trinta anos (1618-1648), principal conflito europeu do século XVII
e que envolveu a maior parte das potências do continente.
Suécia, Dinamarca, Polônia e Rússia disputavam territórios, enquanto desentendiamse por questões territoriais, ao mesmo tempo em que o Império Turco Otomano ameaçava
regiões do Sacro Império Germânico e da Península Itálica.
No entanto, o maior confronto era entre a França e o Sacro Império. E essa rivalidade
deu origem a Guerra dos Trinta Anos, principal conflito europeu do século XVII re que envolveu
a maior parte das potências do continente.
A guerra teve início na cidade de Praga, dominada pela dinastia Habsburgo. Os reis
dessa dinastia desejavam poder político e, para tanto, precisavam unificar o Sacro Império
Germânico, na época formado por aproximadamente trezentos territórios autônomos.
Para conseguir a unificação destes territórios e impor o absolutismo, eles decidiram
implantar o catolicismo, e isto provocou a reação dos príncipes protestantes, que se
organizaram na Liga Evangélica. Em resposta, os príncipes católicos se uniram na Liga
Sagrada.
A questão do Sacro Império tornou-se, então, um problema internacional. A França,
sentido-se ameaçada pelo crescimento do poder dos Habsburgo, estimulou contra eles a
revolta dos protestantes e dos países nórdicos.
No decorrer da guerra, os franceses resolveram intervir diretamente na guerra. Apesar
de católicos, aliaram-se à Holanda, dominada pelos protestantes, ao mesmo tempo,
declararam guerra à católica Espanha, principal aliada dos Habsburgo e que dominava
parte dos Países Baixos.
Em resposta, a Espanha ocupou o sul da França, enquanto esta e seus aliados
invadiram o Império Germânico. Desta forma, o conflito é disseminado por toda a Europa.
Em 1648, a cidade de Viena foi cercada e os Habsburgo forçados a entrar em negociações
para terminar a guerra.
68
A paz foi selada pelo Tratado de Westfália, que concedeu à França os territórios da
Alsácia e da Lorena, antes pertencentes ao Sacro Império. O acordo obrigou, ainda, a
Espanha a reconhecer a independência da Holanda. Consolidando o fim do poder dos
Habsburgos no Sacro Império.
Conseqüências do Tratado de Westfália
A grande beneficiada com o Tratado de Westfália foi a França. Que incorporou a seu
território a Alsácia e outros domínios. Com isso a França conquista a hegemonia na Europa.
O Sacro Império foi reduzido, as desembocaduras dos rios do norte germânico foram
passadas para a Suécia, bem como o reconhecimento da independência da Holanda. No
aspecto religioso, a liberdade de culto para os católicos, luteranos e calvinistas foi
assegurada, e confirmou o confisco de terras da Igreja.
A Guerra de Sucessão da Espanha
Em 1700, Carlos II da Espanha morre sem deixar herdeiros. O sucessor indicado foi
o duque de Anjour, neto de Luis XIV da França. No entanto, a Inglaterra, os Países Baixos e
a maioria dos príncipes germânicos uniram-se na Grande Aliança de Haia, por medo da
expansão e hegemonia do reino da França.
A paz foi estabelecida com os tratados de Utrecht (Países baixos, 1713) e Rastadt
(Sacro Império, 1741), que confirmaram o duque de Anjour no trono espanhol, com o nome
de Filipe V. No entanto, uma das exigências, é que ele nunca herdasse o trono francês.
Com o final da guerra, o quadro europeu foi remodelado. Os príncipes germânicos
anexaram o ducado de Milão, o reino de Nápoles, a Sardenha e parte dos Países Baixos.
A Inglaterra ficou com a Acádia e a Terra Nova (territórios da França na América do
Norte), Gibraltar e Minoca (pertencentes à Espanha no Mediterrâneo). Os Ingleses também,
passaram a vender escravos africanos às colônias espanholas.
A Guerra dos Sete Anos
Em 1667, estourou a Guerra da Devolução, entre a França e a Holanda. O conflito se
deu devido ao desenvolvimento econômico da França e sua política protecionista, que
contrariava os interesses das Holanda. Com as lutas os franceses invadiram os países
Baixos do Sul, que receberam o apoio da Suécia e da Inglaterra.
A guerra terminou em 1668, com aposse, pelos franceses, de posições fronteiriças
na Bélgica. Em 1679, a França tomou aos espanhóis o Franco-Condado.
A supremacia francesa tornou-se, então, indiscutível. Mas sua política de anexação
de territórios provocou reações. Contra ela se uniram, e, 1681, Espanha, Inglaterra, Países
baixos e regiões do Sacro Império, com a Liga de Augsburgo. A nova guerra se estendeu
até 1697, quando os franceses tiveram que devolver vários territórios.
Em 1756, a Inglaterra e a Prússia voltaram a guerrear contra a França, que se aliou à
Espanha e à Áustria. Era a Guerra dos Sete Anos, que terminou em 1753 com o Tratado de
69
História
Moderna
paris. O acordo consolidou a hegemonia da Inglaterra, que obteve as terras
do Canadá e da Florida, além da liberdade de ação nas índias. Como
conseqüência da Guerra de Sucessão da Espanha e da Guerra dos Sete
anos, a Inglaterra torna-se o país mais poderoso da Europa.
A Monarquia Inglesa com os dias contados
Em 1603, a rainha Elizabeth morre e deixa o trono sem herdeiros, já que ela não
tinha tido filhos. Com isso a coroa foi entregue a seu primo, Jaime Stuart (Jaime I), rei da
Escócia.
Jaime I, depois de ter assumido o trono, entrou em conflito com os diversos setores
da sociedade inglesa. Começou tentando impor a idéia da origem divina dos reis, idéia já
não aceita pela sociedade inglesa. Além de perseguir os puritanos. Ao mesmo tempo, tentou
implantar novos impostos. Em conseqüência, sua política provocou sérias divergências com
o parlamento.
Em 1625, Jaime I morre e assume o trono, seu filho, Carlos I, que tentou impor o
anglicanismo aos calvinistas escoceses, dissolveu o parlamento e restaurou antigos
impostos. Todas essas medidas criaram um clima de guerra entro o parlamento e o rei.
A Revolução Puritana
Durante os reinados de Henrique VIII e de Elizabeth I, a economia inglesa passou por
um período de grande desenvolvimento comercial. Foi quando surgiram as empresas
monopolistas, como a Companhia das índias Orientais.
Essas companhias, no entanto, impediam a livre concorrência e crescimento de
pequenas e médias companhias de comércio. Devido a isso, a burguesia inglesa se dividiu
em relação a política econômica. Os grandes comerciantes apoiavam o monopólio, mas
os pequenos e médios lutavam contra esse monopólio, exigindo a liberdade de comércio.
No governo da dinastia Stuart, essa situação se agravou, pois, tanto Jaime I e Carlos
I praticaram uma política mercantilista estrita, favorecendo a grande burguesia e a nobreza.
Esses setores tinham representantes em dois dos setores do Parlamento, a Câmara dos
Comuns e a Câmara dos Lordes, no qual os nobres tinham assento.
Com a Carta Magna (1215), ficou estabelecido que o rei não poderia mais criar
novos impostos sem aprovação do parlamento. E a burguesia não desejava abrir mão desta
conquista. No entanto, A política de Stuart exigia grandes recursos para a coroa, o que
exigia o aumento da arrecadação de mais impostos.
Para agravar ainda mais esta situação, os calvinistas escoceses, em 1640, invadiram
o território inglês, e acabaram rebelando-se contra Carlos I, que tentou impor-lhes o
anglicanismo. Em conseqüência, o rei foi obrigado a convocar o parlamento que havia sido
dissolvido em 1628.
Com isso, o Parlamento se tornou a representação do ódio acumulado da burguesia
puritana contra os Stuart. Em 1642, teve início a guerra civil; de um lado, as forças do rei; de
outro, as do parlamento, lideradas por Oliver Cromwell.
70
Os aliados do rei, chamados cavaleiros, eram em sua maioria membros da antiga
nobreza católica ou anglicana. No exército do Parlamento estavam os “cabeças redondas”,
formado pela pequena e média nobreza, pela burguesia e por boa parte da população
ligada aos ofícios urbanos, de uma forma geral, calvinistas. No meio dos conflitos, surgiram
os “niveladores”, integrantes do exército de Cromwell, que lutavam pelo sufrágio universal.
Em 1648, o rei foi derrotado e preso pelos “cabeças redondas”, enfrentando um
julgamento e decapitado em 1649. A Inglaterra passou, então, a ser governada pelo
parlamento, sob a liderança de Cromwell.
A Ditadura de Cromwell
Neste momento, oficialmente, a monarquia tinha sido extinta. Mas, na prática, os
ingleses viviam sob a ditadura exercida por Oliver Cromwell que, em 1653, seria declarado
lorde Protetor da Inglaterra, cargo vitalício e hereditário.
O governo de Cromwell teve como característica a política agressiva de fortalecimento
do comércio internacional da Inglaterra. Na política interna, Cromwell, esmagou a facção
dissidente dos “niveladores”, enforcando seus líderes, e estabeleceu a supremacia da
burguesia. Desprezando as camadas populares, pois para ele, a pobreza era uma punição
divina para os pecados dos menos favorecidos.
Oliver Cromwell morreu em 1658, e devido a falta de habilidade do sue filho no
governo, este foi substituído por Carlos II, filho de Carlos I, o rei decapitado. Com o retorno
dos Stuart ao poder, teve início a “Restauração”, que se estenderia até 1688, no reinado de
Jaime II.
A Revolução Gloriosa
Estando no poder, Carlos II, aproxima-se de Luís XIV da França, tornando-se suspeito
par ao Parlamento. Em seguida, um novo Parlamento, composto por nobres monarquistas
e anglicanos, organizam-se e instauram um processo contra-revolucionário.
Carlos II baixa novos atos de navegação em favor do comércio inglês. E, em 1673,
o Parlamento aprova a “Lei do Teste”, na qual todos que exercem função pública devem
tornar público seu anticatolicismo. Em conseqüência surgem dois partidos: os Whigs (contra
o rei e pró-Parlamento, e os Tories (a favor do rei).
Com a morte de Carlos II, em 1685, sobe ao trono seu irmão, Jaime II, que, por sua
vez, é católico fervoroso, e tenta restaurar o absolutismo e o catolicismo, punindo seus
opositores, e negando direitos jurídicos já conquistados anteriormente.
Neste momento, o parlamento, mesmo não sendo como nos tempos de Cromwell,
convoca Maria Stuart, filha de Jaime II e mulher de Guilherme de Orange (governador da
Holanda), para ocupar o trono.
A passagem do trono se processou de forma pacífica. Jaime II se refugiou na França,
e um novo Parlamento inglês proclamou Guilherme e Maria, reis da Inglaterra. Triunfava,
assim, a Revolução Gloriosa.
71
A condição imposta aos novos soberanos foi a aceitação da
“Declaração dos Direitos”, formulada pelo parlamento em 1689. Esta dizia
que: o rei não poderia cancelar as leis parlamentares e o Parlamento poderia
entregar o trono a quem lhe conviesse, após a morte do rei; as reuniões
História parlamentares e as eleições seriam regulares; o orçamento anual seria votado
Moderna pelo Parlamento; inspetores controlariam as contas reais; não poderia existir
exército formado em tempos de paz. E os católicos foram afastados da
sucessão.
Em 1694, foi criado o Banco da Inglaterra, que formaria, ao lado do parlamento e do
Tesouro, o tripé fundamental para o desenvolvimento do país. Desta forma, foram criadas
as condições para o avanço econômico, que resultaria na Revolução Industrial. Criando
espaço para a consolidação do capitalismo na Inglaterra.
A Revolução Industrial
A Revolução Industrial reflete o conjunto de transformações econômicas, sociais e
tecnológicas que teve início, na Inglaterra, a partir da segunda metade do século XVIII. Em
pouco tempo, estas mudanças se alastraram pela Europa e por outros continentes, mudando
o mundo e a mentalidade da humanidade, como um todo.
O surgimento da fábrica, unidade industrial que substitui o antigo sistema de produção
doméstico, concentrando em um
mesmo local de trabalho, dezenas,
centenas e até milhares de
trabalhadores; a substituição das
ferramentas pelas máquinas e da
energia humana pela energia motriz;
a utilização, em larga escala, do
trabalho assalariado; e o surgimento
de duas classes sociais com
interesses opostos, a burguesia e o
proletariado.
Acredita-se
que
a
Revolução Industrial influenciou
profundamente o desenvolvimento do
capitalismo. A Inglaterra passou por um
processo de acumulação primitiva de capital
e transformações nas formas de produção.
Revelando para o mundo o surgimento da indústria e da
produção em série.
E a Manufatura se Transforma
O artesanato foi a forma de produção que antecedeu a produção industrial. Surgiu
na Idade Média, e passou por várias transformações com o renascimento comercial e urbano.
Nele, o produtor era dono dos seus meios de produção, a atividade era manual, a produção
era independente e o artesão realizava todas as etapas da produção.
72
A partir do século XV, ampliou-se o consumo e o artesão aumentou a produção.
Com isso os comerciantes tiveram que ampliar seus negócios, para isso passaram a
contratar os serviços de vários artesãos, distribuía a matéria-prima e pagava salários.
Essas práticas, baseadas no trabalho artesão domiciliar, porém dirigido pelo
comerciante-empresário, passou a ser chamado de manufatura. Conseqüentemente, os
trabalhadores assalariados perderam o controle sobre o resultado de seu trabalho. A
produtividade aumentou por causa da divisão social do trabalho, ou seja, cada trabalhador
passou a executar uma única etapa na elaboração do produto.
Da fase da manufatura, passou-se para a fase da maquinofatura. Surgiram as
fábricas, desapareceu o trabalho feito na casa dos trabalhadores. Com isso, os trabalhadores
foram concentrados em grandes prédios e passaram a trabalhar com máquinas, onde a
ferramenta de trabalho não lhes pertencia. Foi nesse período que a Revolução Industrial se
consolidou.
A Inglaterra Sai na Frente
A Inglaterra foi o primeiro país a reunir as condições para o desenvolvimento do
sistema fabril. Vários fatores colaboraram para isso. O primeiro foi o controle de um amplo
mercado consumidor, que se espalhava por todo o mundo. Esse grande mercado consumidor
estimulou o aumento da produção, criando condições favoráveis à invenção e
aperfeiçoamento de novas técnicas de produtividade. O segundo, foi o pioneirismo da
Inglaterra na acumulação de capital.
No entanto, o acúmulo de capital não era o bastante, sem a disponibilidade de mãode-obra. Esta situação foi resolvida quando os camponeses deixaram o campo em busca
de trabalho nas fábricas dos centros urbanos. E também, com a transformação dos artesãos,
depois de muita resistência, em trabalhadores assalariados.
Outro fator que deu à Inglaterra o pioneirismo na Revolução Industrial foi o sistema
bancário eficiente, que se consolidou na segunda metade do século XVIII. A lém da
disponibilidade de matéria-prima, como o carvão e o ferro, de ter na burguesia um grupo
de empresários organizados no propósito do desenvolvimento econômico; e na ideologia
calvinista, a valorização ao enriquecimento e ao trabalho.
A Todo Vapor
Na segunda metade do século XVIII, diversos inventos revolucionaram as técnicas
de produção. Uma das criações que se conhece como pioneira da Revolução Industrial,
deu-se em 1733, com o desenvolvimento da lançadeira volante de John Kay.
Este instrumento, que consistia num maquinário adaptado aos teares manuais,
aumentou a capacidade de tecer. Até então, o tecelão só podia fazer um tecido da largura
de seus braços. Por sua vez, essa invenção provocou a falta de fios, produzidos nas rocas.
Em 1767, James Hargreaves inventou a “spinn jenny”, que permitia ao artesão fiar
até oitenta fios de uma só vez, porém frágeis. Richard Arkwrigt, criou uma máquina que
produzia fios mais resistentes, mas eram muito grossos. Até que, em 1779, Samuel Crompton
combinou as duas máquinas numa só, que produzia fios finos e resistentes. Mas agora
sobrava muito fio, que foi solucionado, em 1785, quando Edmond Cartwright inventou o tear
mecânico. E assim se seguiram as próximas invenções.
73
História
Moderna
Com isso, percebe-se que cada problema surgido exigia novas
soluções. E foram estas soluções que fizeram as máquinas serem
desenvolvidas. E conseqüentemente, o maquinário foi aperfeiçoado, fazendo
com que a Revolução Industrial se consolidasse cada vez mais.
Conseqüências da Revolução Industrial
Durante o século XVIII, a Revolução Industrial se concentrou inteiramente na Inglaterra.
Mas, no século seguinte, começou a se expandir por vários países, levando grandes
transformações na população do mundo.
Na produção, o sistema fabril acabou se consolidando. Com máquinas cada vez
mais sofisticadas, a fábrica tornou-se o local adequado para a produção, favorecendo a
divisão do trabalho, a imposição do horário e da disposição disciplinar ao trabalhador,
além do aumento da produtividade.
E, no âmbito social, surge o proletariado, classe social formada pelos trabalhadores
fabris e de transportes. Devido aos baixos salários, mulheres e crianças também eram
obrigadas a trabalhar, recebendo remuneração ainda menor que a dos homens.
Mas, o aspecto que trouxe a maior transformação foi a separação entre os
trabalhadores e os meios de produção (instalações, máquinas, matéria-prima). Com isso,
os operários passaram a ser simples assalariados submetidos aos capitalistas (donos dos
meios de produção).
A Revolução Industrial
causou graves conseqüências na
vida dos trabalhadores, pois havia
regras e limites no exercício do
trabalho. Os donos das fábricas
impunham salários miseráveis e
longas jornadas de trabalho, que
chegavam a dezoito horas diárias.
Contra essa condição
subumana, os trabalhadores
lutaram de diversas maneiras,
resistindo. Um dos exemplos foi a
destruição das máquinas por
parte dos trabalhadores, principalmente nos anos de 1811 e 1812, forma de protesto que
ficou conhecida como Ludismo.
Ao longo do século XIX,os trabalhadores se organizaram e usando da força de sua
classe profissional para reivindicar melhores condições de trabalho e defender seus direitos.
Foi assim que surgiram as “trade unions” (sindicatos).
E, gradativamente, essas associações conquistaram a proibição do trabalho infantil,
a limitação do trabalho feminino, o direito de greve e a jornada de trabalho passou a ser de
oito horas.
74
AS CONTRADIÇÕES DA EXPANSÃO: MERCADOS
COLONIAIS E ULTRAMARINOS
Como já sabemos, uma grande parte do
comércio entre Europa e o resto do mundo tinha sido
passivo durante anos, porque os orientais não
precisaVam dos produtos europeus na mesma medida
do que a Europa precisava dos seus. A situação
tinha se equilibrado mediante pagamentos em moeda,
acompanhados, de vez em quando, por exportações
de escravos, peles, âmbar e outros produtos de luxo.
Até a Revolução Industrial, nem as vendas nem as
manufaturas européias tiveram importância. (O
mercado africano, que não era deficitário, podia ser
uma exceção por causa dos vacilantes termos de
intercâmbio favoráveis que os produtores europeus
impuseram entre os ignorantes compradores locais,
e de fato - e quase por definição - porque o continente
foi considerado su-perficialmentecomo uma fonte de
provisão de metal até uma boa parte do século XVII).
Em 1665, a Real Companhia Africana ainda estimava
seus ganhos em ouro como o dobro de seus ganhos
em escravos. A conquista européia da América e das
principais rotas comerciais não mudou
fundamentalmente sua estrutura, porque mesmo as
Américas exportavam mais do que importavam. O
custo dos produtos orientais reduziu-se
consideravelmente como conseqüência da supressão
de intermediários, a diminuição dos impostos de
transporte e a outorga a mercadores europeus e a
bandos armados, da liberdade de onganar e roubar
impunemente. Também aumentou a reserva de metais
roubando os africanos para beneficiar os asiáticos.
Indubitavelmente, a Europa obteve daquilo enormes
e inesperados lucros. Tanto a atividade geral dos
negócios quanto o capital acumulado foram muito
estimulados, mas, levando em consideração a
totalidade de nossas exportações de manufaturas,
não sofreram orande expansão. As potências
coloniais - aderindo à tradição dos negócios medievais
- seguiram uma polr-tlca de restrição da produção e
monopólio sistemático. Conseqüentemente não
existia razão alguma para que a Itxportação de
manufaturas locais fosse beneficiada.
O benefício que a Europa tirou dessas
conquistas Iniciais assumiu antes a forma de
bonlflcações partlculares do que dividendos regulares.
Quando chegasse o esgotamento era provável que
acontecesse a crise. Tanto no Oriente como no
Ocidente podemos distinguir três etapas: a dos
benefícios fáceis, a da crise e, com sorte, a da
prosperidade mais moderna e estável. Na etapa
Inicial, sem dúvidas a conquista ou a pirataria
propiciaram benefícios temporários a baixos custos.
No leste, onde as possibilidades de lucro
descansavam no monopólio da restrita produção de
especiarias e outros produtos semeIhantes, o
aumento exorbitante dos “custos de proteção” para
enfrentar rivais velhos e novos produziu a crise,
provavelmente; quanto mais acentuado era o
aumento, mais o poder colonial tentava forçar o preço
monopolista. Estima-se que foi por estas razões que
o comércio português de especiarias apenas
conseguiu não endlvidar-se. No Ocidente, onde se
apoiavam na produção barata e abundante de metais
e outras matérias-primas, é provável que os custos
de proteção desempenhassem um papel menos
importante, embora também tenham aumentado
como conseqüência da competição e da pirataria.
No entanto ali forem atingidos rapidamente os limites
técnicos da primitiva “cova de ratos” da mineração
espanhola (permitindo ainda o uso do processo de
mercúrio) e é multo possível que a mão-de-obra fosse
obrigada a trabalhar até a morte e tratada como objeto
de udo. De qualquer maneira as exportações de prata
americana diminuiram, aproximadamente desde 1610.
Eventualmente, é claro, no Oriente as potências
coloniais se ajustaram ao novo nível de custos fixos
e acharam até talvez uma nova fonte de impostos
locais como compensação. No Ocidente, a estrutura
familiar dos grandes estados semi-feudais apareceu
no século XVII. Já que as bases econômicas do
sistema .colonial espanhol eram mais amplas que
as do português, os resultados da crise deveriam ser
de maior alcance.
-Desta forma, a prematura imigração às
Américas estimulou temporariamente a exportação
de produtos do país;
- mas como aconteceu que, inevitavelmente,
muitas das
- necessidades das colônias chegaram a ser
satisfeitas localmente, as manufaturas espanholas
em expansão tiveram que pagar as conseqüências.
A tentativa de estreitar o monopólio metropolitano
piorou as coisas porque desincentivou o
desenvolvimento da economia, revolucionária em
potência, das plantações. Os efeitos da afluência de
metal à Espanha são demasiado conhecidos para
necessitar discussão.
Portanto, é compreensível o fato de que o
antigo “sistema colonial” atravessasse uma profunda
crise e que os efeitos desta sobre a economia
européia em geral fossem de longo alcance. Na
verdade, esse sistema foi subtituído por um novo
modelo de exploração colonial.Baseado na
exportação de manufatura européia em ritmo
crescente seguro. Atuando em grande parte por conta
própria, os plantadores de cana-de-açúcar do norte
do Brasil tinham aberto o caminho a esse modelo
desde o final do século XVI). No entanto o gordo dos
benefícios do antigo monopólio era irresistível para
aqueles que tinham a oportunidade de obtê-Io. Até
os holandeses se mantiveram de forma ‘resoluta
“antiquados”, em relação a seu colonialismo, até o
século XVIII, embora sua posição como armazém de
mercadorias na Europa os salvasse das
conseqüências da ineficácia colonial. O velho
colonialismo não se transformou em um novo:
esboroou-se e foi substituído.
75
A Revolução Francesa
A Revolução Francesa é considerada pelos historiadores o marco que
assinala o fim da Idade Moderna e o início da Idade Contemporânea. O
História movimento foi o mais poderoso golpe contra o antigo Regime na França e
Moderna repercutiu em toda a Europa e em várias regiões do mundo, inclusive na
América.
Os revolucionários franceses, sob o lema iluminista da ‘Liberdade, igualdade e
fraternidade”, levaram esses ideais ao limite. Procuraram instaurar um Estado caracterizado
pela participação do povo na política e ela diminuição das desigualdades sociais.
Inaugurando, assim, um Estado que tinha em sua base o povo e o direito à cidadania.
A Crise Francesa
No fim do século XVIII a França era um país agrário. A grande maioria da sua
população vivia no campo. Embora já sofresse influência do capitalismo, sua organização
social ainda se baseava em estamentos (primeiro, segundo e terceiro estados), contudo
com uma certa mobilidade social.
O primeiro estado era formado pelo alto e baixo clero; O segundo, era formado pela
nobreza palaciana, a nobreza provincial e a nobreza de toga; e o terceiro, formado pela alta
burguesia (banqueiros, financistas e grandes empresários), a média burguesia (profissionais
liberais, empresários, professores, advogados e outros),a pequena burguesia (artesãos
ricos, lojistas e pequenos comerciantes), e a parte mais baixa (artesãos, aprendizes,
proletários, camponeses e servos).
O terceiro estado arcava sozinho com o peso dos impostos e contribuições para o
rei, o clero e a nobreza, que viviam do dinheiro público. Politicamente, o terceiro estado
lutava pro maior participação nas decisões do Estado e por igualdade de tratamento em
relação à nobreza e ao clero.
Essas reivindicações se chocaram com o absolutismo monárquico. O rei
monopolizava a administração, concedia privilégios, esbanjava luxo, controlava tribunais e
condenava os opositores à prisão na fortaleza da Bastilha.
Na época da revolução os filósofos iluministas denunciavam toda essas situação
arbitrária. Formaram clubes de leitura e discussão dos seus livros. Desta forma, a burguesia
se conscientiza dos problemas e busca informar a população para obter o seu apoio.
76
Os Estados Gerais
Luís XVI tentou impor algumas reformas para alterar esta atmosfera de crise. O seu
ministro, Turgot, procurou controlar as finanças cortando gastos públicos e propondo a
cobrança de impostos da nobreza e do clero. Porém, ele foi pressionado por destes e
acabou sendo demitido.
Em seguida, o rei nomeou Necker, que deu continuidade às reformas. Em 1781, ele
publica as contas do governo e isso faz com que a população fique escandalizada ao saber
às despesas da corte, que consumia os recursos do país. Necker também é demitido.
Com isso, a crise é agravada, e não há como conter as manifestações de revolta
que ocorriam no país. Em conseqüência a nobreza pressiona o rei, que obrigado a convocar
os Estados Gerais, ou seja, a reunião dos representantes dos três estados (clero, nobreza
e povo).
Os Estados Gerais se reuniram no Palácio de Versalhes em maio de 1789. O Terceiro
Estado era representado em sua maioria pelos burgueses. Logo surgiu o problema de
como seriam feitas as votações, pois cada Estado tinha direito a apenas um voto. E, desta
forma, clero e nobreza votariam juntos e nada mudaria.
O Terceiro Estado, que tinha a maioria em número de pessoas, exigiu que a votação
fosse feita por representantes. Como não se chegou a uma definição, os Terceiro Estado,
decide se separar dos Estados Gerais e proclama-se a Assembléia nacional, com o objetivo
se extinguir os privilégios da nobreza e do clero.
77
A assembléia nacional queria formar uma Constituição francesa de
acordo com os ideais do Iluminismo. Sem alternativa, os outros dois estados
se aliam ao terceiro estado para formar a assembléia nacional Constituinte.
O terceiro estado sai vencedor e com isso começa o processo revolucionário
História francês.
Moderna
E a Bastilha Cai
Enquanto a Assembléia estava reunida, Luís XVI, com
medo da revolta popular, manda as tropas para as ruas
e a população temerária pela Assembléia Constituinte
começa a se arma.
Com o clima de tensão instaurado, começam a
ocorrer os primeiros conflitos nas ruas de Paris. E, em
14 de julho de 1789, a população toma de assalto a
Bastilha, símbolo de opressão, pois nela eram
trancafiados os presos políticos.
A explosão revolucionária se espalha por todo o
país. Na zona rural, os camponeses saqueiam castelos
e terras da nobreza, invadem cartórios e queimam títulos
de propriedade.
O pânico toma conta da aristocracia, e vem à tona o período conhecido como Grande
Medo. Em 4 de agosto, a Assembléia Constituinte aprova a abolição dos direitos feudais e
as obrigações pagas pelos camponeses passam a serem pagas em dinheiro e não mais
em produtos e serviços.
No dia 26 de agosto é aprovada a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão.
O documento, inspirado no Iluminismo, proclama o direito à liberdade, à igualdade perante
a lei e à inviolabilidade da propriedade, assim como o direito de resistir à opressão.
Luis XVI se recusa a aprovar o documento e a população promove novas
manifestações, conhecidas como “jornadas de outubro”. O Palácio de Versalhes é invadido
e o rei obrigado a transferir sua residência para o Palácio de Tulheiras, em Paris.
Em 1790, foi aprovada a Constituição Civil do Clero, que estabelecia que os bens
eclesiásticos seriam confiscados para servir de lastro à emissão dos bônus do Estado, e
os padres passariam a ser funcionários do Estado. Alguns aceitaram e outros não, estes
deram início às agitações contra-revolucionárias nas províncias.
A Monarquia e a Revolução
Nos términos dos trabalhos da Constituição, os membros da Assembléia,
dissolveram-na em 30 de setembro de 1791. Ficou estabelecido que novos deputados
seriam eleitos pelo voto censitátio (segundo a renda de cada um) e constituíram a Assembléia
Legislativa.
O Poder Executivo ficou nas mãos do rei, responsável pela nomeação dos ministros.
O terceiro poder (judiciário), foi formado pelos juízes eleitos. Mas vários problemas
ameaçavam a estabilidade do governo. Em certas regiões, o clero insuflava os camponeses
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contra a revolução. E, em Paris, o rei conspirava contra o movimento, mantendo contato
com os nobres que tinham saído do país.
Em abril de 1792, o governo francês, receando que os exilados organizassem a
contra-revolução, declarou guerra à Áustria e à Prússia, países que abrigavam a maioria
dos refugiados. Os austríacos, com o apoio da Prússia, partiram para invadir a França. A
Assembléia Legislativa, então, convocou todos os franceses a pegar em armas e defender
o país.
Com isso, as ações revolucionárias ficaram mais radicais. Luís XVI, suspeito de
traição por colaborar com os invasores na guerra, teve seus poderes suspensos pela
Assembléia, que adotou o nome de Convenção. Neste momento, os deputados foram eleitos
por sufrágio universal (sem exigência de renda).
Na Convenção, os grupos políticos ficariam assim posicionados: do lado direito da
sala de sessões, sentavam-se os girondinos, políticos moderados que defendiam uma
República liberal que garantisse a propriedade privada; do lado esquerdo, ficavam os
deputados mais radicais, que lutavam por uma República democrática igualitária, chamados
de jacobinos; no meio dos dois grupos, sentavam-se os centristas, políticos indecisos que
votavam nos girondinos ou jacobinos, a depender dos seus interesses.
A Era do Terror
A Convenção depois de ter deposto o rei, foi convocada para escrever uma nova
Constituição para a França. A maioria da Convenção era formada por jacobinos.
Em 21 de janeiro de 1793 Luís XVI foi decapitado. Isto abalou a nobreza de toda a
Europa. Ao mesmo tempo, a situação tornou-se difícil para os revolucionários, pois, no interior
da França, eclodiram revoltas estimuladas pelos nobres. No exterior, formou-se a primeira
Coligação européia, que reunia Inglaterra, Áustria, Prússia, Holanda, Espanha, Rússia e
Sardenha. A França foi novamente invadida.
A Convenção respondeu a tudo isto com o decreto da “pátria em perigo”, e constituiu
o Comitê de Salvação, encarregado de organizar a defesa e restabelecer a ordem interna.
Dentre os líderes, sobressaíram-se Robespierre, Louis Antonie Saint-just e Danton. Ao
mesmo tempo, foi organizado o Tribunal Revolucionário, destinado a julgar os contrarevolucionários, assim, o período do Terror, entre junho de 1793 a julho de 1794. Por toda a
França surgiram comitês revolucionários que prendiam, julgavam e executavam todos que
se mostrassem contrários à Revolução.
Muitos membros dos girondinos foram guilhotinados. Criou-se a Lei dos Suspeitos,
institucionalizou-se a desconfiança e delação. Somente em 1793 foram guilhotinadas 2 mil
pessoas em Paris.
Mais moderados que Robespierre, Danton e seus amigos, os indulgentes, pediam o
fim das perseguições. Por outro lado, os herbertistas, seguidores de Jacques Hébert,
pregavam a violência e radicalização.
No meio de todo esse processo de agitação, a Convenção tomou algumas decisões:
fixou preços máximos para os gêneros alimentícios e regulamentou os salários, criou escolas
públicas, aboliu a escravidão nas colônias francesas e decretou uma ampla reforma agrária,
além de dividir com os pobres os bens dos nobres emigrados.
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Sob o reinado do Terror, o Tribunal Revolucionário prendeu mais de
300 mil pessoas e condenou à morte 17 mil.
Para Robespierre, todos estavam sob
suspeita, e ele não admitia divergências,
História condenando à morte, até seus
Moderna companheiros revolucionários,
como Danton, representando
os moderados, e Hébert, que representava
os radicais.
No entanto, em 1794, a vitória do
exército francês nas batalhas e a derrota dos
contra-revolucionários provocaram um novo
quadro na luta pelo poder. Depois de ter
assassinado os líderes populares, o Comitê de
Salvação Pública perde apoio da parte mais pobre na sociedade francesa, os sans-culottes.
Neste contexto, os setores moderados voltaram a ter força. Sem o apoio do povo
parisiense, Robespierre e Saint-just, foram presos. Em 29 de julho de 1794 foram
guilhotinados e a alta burguesia volta ao poder com o apoio dos girondinos.
Os Moderados no Poder
Com a nova constituição, o país passou a ser governado pelo Diretório (1795 a 1799),
controlado pelos girondinos. Nesta fase são canceladas muitas medidas aprovadas nos
tempo da Convenção. Com isso, há o agravamento da crise interna, em virtude da
desorganização da economia, da inflação e da corrupção por parte de setores do governo.
Esse clima de crise generalizada faz com que os líderes burgueses recorram a
Napoleão Bonaparte, um general de prestígio, para apaziguar os ânimos e organizar a
França.
Apoiado pelo exército e pela burguesia, Bonaparte deu um golpe de estado contra o
Diretório e assumiu o poder. Esse fato ficaria conhecido como, O Golpe do 18 Brumário de
1799, assinala o início de uma nova fase da Revolução Francesa, na qual seus princípios se
expandiriam por toda a Europa e várias regiões do mundo.
Napoleão se Impõe à Europa
Napoleão consolidou internamente e difundiu externamente as principais conquistas
da Revolução Francesa. Ele se torna imperador em 1804, seu governo foi despótico, apesar
da constituição.
Por algum tempo, a prosperidade resultante das reformas internas e o êxito nas guerras
permitiram a continuidade do regime. Mas com os primeiros fracassos militares, seu governo
foi abalado, até a queda em 1814 e o fim definitivo em 1815.
O Consulado
Em fevereiro de 1800, a Constituição, aprovada em plebiscito com ampla vantagem,
reformulou as instâncias do poder. O poder legislativo passou a ser composto por quatro
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assembléias: o Conselho de Estado, que preparava as leis; o Tribunal, que as discutia; o
Corpo Legislativo, que se encarregava de votá-las; e o Senado, que fazia essas leis serem
executadas.
No entanto, o poder executivo, confiado a três cônsules, nomeados pelo Senado,
detinha a maior parte do poder. E o primeiro-cônsul é quem possuía de fato o poder, ele
propunha e mandava publicar as leis,nomeava ministros, oficiais, funcionários e juízes. E
esse primeiro-cônsul era Napoleão Bonaparte.
Para conseguir governar, Napoleão procurou implantar uma política de reconciliação,
interna e externamente à França. Ao mesmo tempo,ele reorganizou e centralizou a
administração francesa, criando um corpo de funcionários para arrecadar impostos e
fundando o Banco da França. Com isto a economia francesa melhorou a olhos vistos.
Napoleão instituiu o Código civil francês, que era inspirado no direito romano, nas
ordens régias e no direito revolucionário, e essas leis continuam, em grande parte,
influenciando a França até os dias de hoje.
Em 1801, estabeleceu um acordo com a Igreja Católica, a concordata. Onde o papa
aceita o confisco dos seus bens. E, em troca, o estado fica proibido de interferir no culto,
mas o bispado passa a ser indicado pelo governo e deveriam prestar juramento e fidelidade
à República. Além disso as bulas papais só entrariam em vigor depois de aprovadas por
Napoleão.
E Napoleão se Torna Imperador
Em 1804, Napoleão, que dois anos antes tinha
se tornado cônsul vitalício, sagra-se imperador através
de um plebiscito e com o apoio do papa. Seu império
começa com grandes conflitos.
A paz com a Inglaterra durou pouco. Em 1803, a
Inglaterra se alia à Rússia e à Áustria para combater a
França. Napoleão organiza um exército para invadir a
Inglaterra. As forças navais francesas perdem
para a Inglaterra, mas o exército terrestre
vence a Rússia e a Áustria.
Dentro deste clima, Napoleão impõe
uma série de guerras, que vão gerar
extremas mudanças no mapa da Europa. Em
geral, as regiões dominadas por Napoleão
acabavam formando governos fiéis ao
imperador. Formando uma teia de poder com
uma influência muito forte.
No entanto, a Inglaterra continua uma forte oponente da França. Sua poderosa marinha
e sua economia desenvolvida dá subsídios para que ela resista aos ataques de Bonaparte.
Para minar o poder inglês, Napoleão, em 1806, decreta o Bloqueio Continental, que impõe
o fechamento dos portos europeus ao comércio inglês.
81
História
Para que o Bloqueio vigorasse, Napoleão começa a sua política
intervencionista, e ordena a anexação de vários territórios europeus ao julgo
da França. O primeiro foi a península Ibérica, governada pela Espanha, que
passou a ser comanda pelo irmão do imperador francês, José Bonaparte.
Moderna
Em seguida, Napoleão decide invadir Portugal. O país foi ocupado sem
dificuldades, mas a família real portuguesa foge para o Brasil, escoltada por
navios ingleses.
A invasão napoleônica na península ibérica, teve importantes conseqüências para a
América colonial. A queda do rei espanhol se consolidou como estopim, que levaram as
colônias espanholas a entrarem num processo de independência. E a fuga da família real
portuguesa para o Brasil, deu alicerces para sua futura independência.
O Começo do Fim
Em 1810, quase toda a Europa, com exceção da Inglaterra, estava sob domínio
francês. No entanto, esse domínio provocou revoltas nacionais em diverso pontos da Europa.
A partir de 1810, vários países romperam o Bloqueio Continental, acabando com o
poderio militar napoleônico. Derrotado e sem apoio interno, Napoleão,em 1814, acabou
renunciando ao poder e foi exilado para a ilha de Elba.
Com a renúncia, políticos franceses com o apoio das potências européias, procuraram
restaurar a monarquia, entregando a coroa a Luís XVIII, irmão de Luís XVI.
No entanto, a população francesa reage e Napoleão foge da ilha de Elba e retorna
ao governo de Paris. Ficando por um curto período no poder, chamado de Governo dos
Cem dias. Vencido em definitivo pelos ingleses, em 1815, Napoleão abdica do poder e é
preso na ilha de Santa Helena, na costa africana, onde morre em 1821.
Após a derrota de Bonaparte, Áustria, Prússia, Inglaterra e Rússiaconvocam o
Congresso de Viena, onde foi decidido, que seria restaurado o equilíbrio europeu que existia
antes da Revolução francesa. A França teve que pagar uma alta indenização de guerra, o
rei Luís XVIII foi colocado no trono francês e foram reafirmados os valores do Antigo Regime.
Em seguida, foi criada a Santa Aliança, onde Áustria, Prússia e Rússia, fazem um
pacto de ajuda mútua entre os monarcas desses reinos com o objetivo de sufocar qualquer
movimento revolucionário, tanto na Europa como nas regiões de domínio colonial.
A Crise do Sistema Colonial
Nas últimas décadas do século XVIII ocorreram grandes transformações no mundo
ocidental. Filósofos e cientistas propunham novas maneiras de “olhar” o mundo e de se
relacionar com ele.
A concepção de uma sociedade estática e estratificada, na qual o homem já
encontrava o seu destino traçado, ia sendo transformada. O homem passava a ser o
construtor de seu tempo e de sua história.
A Revolução Industrial Inglesa, a Independência dos Estados Unidos e a Revolução
Francesa foram os marcos dessa modernidade. Na Europa ocidental, o novo pensamento
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liberal impulsionou a queda dos regimes absolutistas levando, para suas colônias, o rastilho
da independência.
Os colonos espanhóis, começariam a conquistar sua independência no início do
século XIX. O vasto território colonial espanhol se fragmentaria em vários países. E a parte
controlada pelos portugueses ficaria livre do domínio colonial em 1822.
A Independência das Colônias Espanholas
O processo de independência da América espanhola está estreitamente relacionado
com as guerras napoleônicas, pois quando Bonaparte dominou a Espanha, impondo seu
irmão ao trono. Os espanhóis reagiram e em Sevilha, foi organizada uma junta governativa,
leal ao rei deposto, que assumiu o comando da luta contra s franceses.
Na América espanhola, também constituíram-se juntas governativas, que no início se
declararam fiéis ao rei deposto Fernando VII. Mas, com o passar do tempo, passaram
defender a independência em relação à Espanha.
As leis locais perceberam a fragilidade do domínio espanhol e, influenciados pela
Revolução Francesa, viram a chance de cortar de forma definitiva a condição de colônia
espanhola. No decorrer dos séculos XVIII e XIX, quase toda América espanhola se
transformou num palco de sucessivas rebeliões.
Em 1826, realizou-se no Panamá um congresso com a finalidade de reunir as diversas
repúblicas em que se tinha dividido a América espanhola numa grande federação, para se
opor à Europa monarquista. Poucos países compareceram, e desta forma, acabou
prevalecendo a formação de vários países.
Pode-se analisar que a independência da América espanhola teve um caráter político,
conservando-se a estrutura colonial, ou seja, a produção agrícola tropical para exportação,
baseada na grande propriedade, no trabalho escravo e na monocultura e importação de
produtos manufaturados. Com isso, perpetuou-se a relação de dependência existente nos
tempos coloniais.
Do ponto de vista, ocorreram poucas mudanças. Sem distribuição de terras nem
abolição do trabalho escravo; a sorte da população pobre não melhorou.
A elite “criolla” (filhos de espanhóis nascidos na América espanhola), tão empenhada
nos movimentos libertadores, também acabou empregando os ideais iluministas somente
a seu favor, evidenciando que desejava a igualdade, mas não para todos.
A Independência da América Portuguesa
Em 1806, por causa do Bloqueio Continental de Napoleão Bonaparte, Portugal se
viu diante de um dilema. O decreto exigia que as nações deixassem de comerciar com a
Inglaterra.
Mas Portugal e Inglaterra eram velhos parceiros comerciais. Portanto, se Portugal
acatasse o bloqueio, entraria em atrito com a Inglaterra. E não acatar, seria uma afronta a
Napoleão, e o país correria o risco de uma invasão.
83
História
Durante dois anos a diplomacia portuguesa protelou a decisão. Em
1807, Napoleão ordenou a invasão de Portugal. E como solução desse
problema, o rei D. João e sua corte fogem de Portugal para a colônia portuguesa
na América.
Moderna
D. João chega em salvador, que será o primeiro centro administrativo
da colônia até 1763. De acordo com as expectativas da Inglaterra, D. João
decreta a abertura dos portos brasileiros para as nações amigas. Depois, seguiram-se os
tratados de aliança e comércio com a Inglaterra, firmados em 1810.
Na prática, essa política abolia o pacto colonial e introduzia a liberdade de comércio.
Com isto, o comércio exterior e interno brasileiro crescem, estimulados pela presença de
comerciantes de várias nacionalidades.
Em abril de 1808, já tendo fixado residência no Rio de Janeiro, D. João decretou a
suspensão do alvará, que proibia a criação de indústrias no Brasil. Essa medida possibilitou
que em 1811 se instalassem duas fábricas de ferro no Brasil.
Em 1820, é proclamada, em Portugal, as Cortes de Lisboa, uma espécie de
Parlamento português, para votar uma Constituição e criar uma monarquia constitucional.
As Cortes de Lisboa, faziam parte do projeto da burguesia comercial portuguesa,
que queria terminar com a situação de relativa independência alcançada pelo Brasil, e
restaurar o monopólio português do comércio brasileiro. A pretensão da corte era recolonizar
o Brasil.
Os colonos no Brasil perceberam que estava em suas mãos a possibilidade de mudar
o rumo dos acontecimentos, tornando-se autores de sua própria história. Nas sociedades
literárias discutiam-se, em segredo, “as idéias francesas” de Fraternidade, Igualdade e
Liberdade.
Depois de vários acontecimentos, e pressões da elite e da população brasileira. No
dia 7 de setembro de 1822, D. Pedro I, filho de D. João VI, agora rei de Portugal, rompe
definitivamente com Portugal.
A INCONFIDÊNCIA MINEIRA, A CONJURAÇÃO BAIANA E AS
IDÉIAS ILUMINISTAS
As Idéias Iluministas no Brasil
Apesar do empenho em contrário das autoridades portuguesas, as “infames idéias
francesas” não demoraram a atravessar o Atlântico. Ao porto de Salvador, o mais
movimentado no período colonial, chegavam os novos ideais.
O governo português tentava impedir a entrada de livros contendo as idéias
revolucionárias, mas apesar de toda a vigilância, livros, folhetos e documentos circulavam
clandestinamente, algumas vezes trazidos por estudantes brasileiros que retornavam de
estudos em universidades da Europa.
84
Em 1797, foi fundada em Salvador a Loja Maçônica Cavaleiros da Luz, onde eram
lidos os livros de Rousseau e outras obras de iluministas franceses. A maçonaria divulgava
as idéias liberais visando combater os princípios absolutistas e mercantilistas.
A princípio, essas idéias circulavam apenas entre os letrados, mas logo começaram
a se propagar entre as camadas mais humildes da população como soldados, alfaiates,
mulatos, negros escravos ou libertos.
Para essa população, vítima de preconceito racial e sujeita a muitas restrições, que
a impediam de ocupar determinados cargos e de ascender socialmente, os ideais
republicanos tiveram profunda repercussão.
Enquanto a elite intelectual conspirava em suas casas e em sociedades secretas, os
homens pobres o faziam, murmurando nas ruas. Por meio de manuscritos contendo a tradução
dos livros dos enciclopedistas franceses, de boletins, e de conversas, as novas idéias se
alastravam pelas ruas.
Aos poucos, o movimento escapou das mãos da elite, adquirindo um caráter popular
e social. A marca popular diferenciou a Conjuração Baiana da Mineira, que era
eminentemente pensada pela elite.
A monarquia significava opressão, no entanto, as idéias de Liberdade e de Igualdade
não eram vistas da mesma maneira por todos os envolvidos nos movimentos de Conjuração.
Para a elite branca colonial, liberdade significava o não pagamento de tributos, o fim do
monopólio comercial e a independência de Portugal.
Para a massa popular, a liberdade era a igualdade de direitos para todos, o fim do
preconceito de raça e cor e dos privilégios. E as idéias libertárias, para esta camada da
população, significavam o fim da escravidão e da subordinação colonial.
Inconfidência Mineira
O descontentamento causado pela opressão metropolitana era evidente em
algumas regiões da colônia principalmente em Minas Gerais. A produção de metais
preciosos, encontrados no interior mineiro, motivo da cobiça dos homens e de suas aventuras
nos sertões brasileiros, já não existia.
Os mineradores não conseguiam produzir o suficiente desejado pela voracidade do
fisco português. O Governo interpretava o fato como fraude, atribuindo aos mineradores a
sonegação e o contrabando do ouro.
Na realidade, os mineradores empobreciam e acumulavam dívidas. Por outro lado,
as autoridades passavam a cobrar os tributos com mais rigor. As derramas, cobranças
forçadas de impostos, devido os atrasos, por parte da Coroa Real, ocorridas em 1762 e
1768, são um exemplo do que ocorria.
As autoridades exigiam, também, uma quantidade de ouro e diamantes cada vez
maior. Com isso, a intranqüilidade dos colonos crescia, enquanto a vigilância e a cobrança
de impostos sobre a arrecadação do ouro seguiam sem parar. Essa cobrança era feita de
forma arbitraria e se cometia muitas atrocidades, caracterizadas pelos excessos cometidos
pelas tropas militares.
85
História
Mesmo a distância, os olhos vigilantes da Coroa procuravam, por meio
do Intendente (governador) das Minas, fiscalizar, controlar e, sobretudo, manter
o recolhimento dos tributos. Isso trazia para a região das Minas uma crescente
intranqüilidade e agitação.
Moderna
Neste contexto, um grupo de intelectuais da elite mineira começou a se
reunir em Vila rica para planejar uma revolta contra o domínio português, este
movimento ficaria conhecido como Inconfidência Mineira.
Os participantes desses encontros, eram grandemente ligados aos ideais iluministas.
Eram contra o absolutismo e adeptos do modelo democrático estabelecido pela Constituição
norte-americana depois da Independência dos Estados Unidos. Muitos deles haviam
estudado na Europa, onde tinham conhecido as obras dos pensadores das luzes.
No grupo dos inconfidentes mineiro, encontravam-se muito intelectuais
daquela sociedade, tais como os poetas Tomás
Antônio Gonzaga e Cláudio Manoel da Costa.
Além de Tiradentes, um dos mais pobres do
grupo.
Nos encontros, eles planejavam o que
iriam fazer depois da vitória. Proclamar a
República; adotar um bandeira, que teria a frase
Liberdade, ainda que tardia; estimular o livre
comércio e a instalação de fábricas; criar uma
universidade em Vila Rica; e instituir um
Parlamento em São João Del Rey, cidade
escolhida para ser a capital.
Os planos, no entanto, não seguiram adiante. Os inconfidentes foram delatados. Os
revoltosos foram presos um a um. Trinta e quatro pessoas foram condenadas, mas foram
poupados da forca. A pena de morte foi mantida apenas para Tiradentes, que havia assumido
sozinho todo a culpa dos planos.
Conjuração Baiana
Em 1761, com a mudança da capital da colônia para o Rio de Janeiro, a Capitania
da Bahia perdeu sua importância política, apesar de continuar desenvolvendo-se
economicamente e de manter seu crescimento, graças ao comércio estrangeiro bastante
intenso.
Entretanto, não houve melhoria nas condições de vida da população. O renascimento
agrícola, que se verificou a partir de 1770, beneficiou apenas aos donos de engenho e os
grandes comerciantes intensificando, ainda mais, as contradições sociais.
A capitania possuía população de aproximadamente 50 mil habitantes, a maioria
composta por escravos negros ou alforriados, pardos e mulatos, homens livres e pobres
que desempenhavam atividades manuais consideradas desprezíveis pelas elites
dominantes.
Essa população pobre, negra e mestiça, sofria com o aumento do custo de vida,
com a escassez de alimentos e com o preconceito racial. As agitações eram constantes.
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Entre 1797 e 1798 ocorreram vários saques aos armazéns do comércio de Salvador, e até
os escravos que levavam a carne para o general-comandante foram assaltados.
A população faminta roubava carne e farinha. Em inícios de 1798, a forca, símbolo
do poder colonial, foi incendiada. O descontentamento crescia também nos quartéis, onde
incidentes envolvendo soldados e oficiais tornavam-se freqüentes. Havia, portanto, nesse
clima tenso, condições favoráveis para a circulação das idéias de Igualdade, Liberdade e
Fraternidade.
O governador, D. Fernando José de Portugal, em 1792 tinha sido advertido sobre os
perigos da introdução dos princípios revolucionários que vindos da França.
Notícias da própria Capitania chegavam à Lisboa, denunciando a situação inquietante
e a agitação da população, fazendo com que se recomendasse ao governador maior
vigilância contra a propagação das “infames idéias francesas.”
Todos esses acontecimentos fizeram nascer a conjuração baiana, também chamada
de Conjuração dos Alfaiates. A revolta teve um caráter fortemente social e foi apoiada pela
população mais pobre, inconformada com a crescente escassez de alimentos e as péssimas
condições de vida na colônia.
Assim quem aderiu à conjuração na Bahia, foram os artesãos, sapateiros, alfaiates,
soldados, negros libertos, mestiços e escravos. Eles tinham objetivos mais claros que os
de Minas.
Os Princípios Franceses
Em Salvador, as idéias iluministas eram difundidas através de encontros feitos em
uma Loja maçônica, denominada Cavaleiros da Luz. Entre esses freqüentadores, estavam
o médico Cipriano Barata e o tenente Hermógenes Pantoja.
Além dos alfaiates João de Deus do Nascimento e Manuel Faustino dos Santos,
aliados aos soldados Lucas Dantas de Amorim e Luís Gonzaga das Virgens, que passaram
a pregar a República, que traria a igualdade para todos.
A Revolta Toma as Ruas
Em 12 de agosto de 1798, em Salvador, havia nos muros dos lugares mais
movimentados, manuscritos conclamando a população para participar de uma revolta que
estava sendo planejada.
Esses panfletos veiculavam críticas ferozes aos impostos, reivindicação de aumento
de soldos para os militares, entre outras exigências. Ao mesmo tempo, transmitiam idéias
claramente inspiradas na Revolução Francesa, como a república, liberdade, igualdade,
anticlericalismo e comércio livre como todos os povos.
No entanto, antes de por o plano em prática, os conjurados foram traídos por delatores
do grupo e presos. O processo envolveu 49 réus. Vários líderes foram condenados à forca,
outros a prisão e condenação ao exílio.
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Embora nem a Inconfidência Mineira nem a Conjuração Baiana tenham
alcançado seus objetivos, os dois movimentos transformaram-se em símbolo
de luta pela emancipação do Brasil.
História
Moderna
Sonia Sant’Anna
Da memória familiar ao romance histórico
Um pouco dos causos repassados em família
mistura-se com muita pesquisa para envolver o leitor com personagens marcantes da Inconfidência
Mineira
Nascida e criada entre estantes de livros, fui
atraída para a História desde a infância, tal como me
foi apresentada por meu pai, historiador diletante.
Dashistórias da História que ele me contava, passei
ao romance histórico de capa e espada, e depois à
História propriamente dita, inicialmente em busca de
informações sobre os personagens que já conhecia
dos romances. Pais e avós - goianos e mineiros, gente
contadeira de causos - deleitavam-me com suas
recordações. A avó materna, mineira, vaidosa de sua
ascendência, falava-me de sua antepassada dona
Felipa de Vilhena, dama portuguesa que armou os
filhos para que lutassem ao lado do futuro d. João IV
pela restauração de Portugal como reino independente
da Espanha, em 1640.
Falava-me também que sua avó, Maria de
Jesus. contava-lhe da própria avó Iria: muito bonita,
escrevia versos, suas filhas aprendiam música e
frances, algo inusitado na época, e tinha uma irmã
também bonita e poetisa, e ambas “haviam tomado
parte em uma revolução lá em Minas”. Iria, casada
com um Vilhena, mantinha sobre a entrada de sua
casa em Campanha (MG), o brasão nobiliárquico da
família. Lamento que a minha pouca idade não me
tenha feito anotar mais. E que minha mãe,
desconhecendo a importância que um dia teriam para
sua f ilha, tenha destruído os cadernos em que vovó
registrara trara suas lembranças.
Já adulta, uma resenha do jornalista Elio
Gaspari levou-me a ler A devassa da Devassa, de
Kenneth Maxwell. O livro revelou-me uma
Inconfidência Mineira bem diversa da que havia
aprendido na escola, um movimento liderado por
poetas idealistas, que eu romanticamente imaginava
a conspirar em pobres mansardas (água-furtada). Foime fácil compreender que o Tiradentes jamais poderia
ter sido o chefe da conjura. Como poderia um pobre
alferes chefiar seu superior hierárquico, o comandante
Freire de Andrade - ainda mais sendo filho, embora
ilegítimo, de um conde e governador, e os principais
empresários e magistrados da capitania?
Surpresa ainda maior me estaria reservada
anos depois. Durante as pesquisas para um romance
infanto-juvenil que eu então redigia, Memórias de um
bandeirante, lembrei-me de que na estante familiar
havia um livro sobre o bandeirante Amador Bueno da
Veiga, de autoria do meu primo historiador e
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especialista em genealogia Aureliano Leite. Entre os
descendentes de Amador listados por Aureliano
estava Maria Josefa da Cunha Bueno, casada com
Joséda Silveira e Souza, mãe, entre outros filhos, de
Bárbara Eliodora, mulher do poeta inconfidente
Alvarenga Peixoto, e de Iria Claudiana, casada com
Matias Gonçalves Moinhos de Vilhena. Então a
Inconfidência Mineira era a “revolução” da qual, com
grande exagero de minha avó, havia participado minha
quinta-avó Iria.
Aureliano apresentava Bárbara como heroína
e sua família como vítima dos “horrores que se
sucederam à Inconfidência: tais como o estupro da
irmã de Bárbara e de Iria, Maria Inácia, por Dias
Coelho, o encarregado de prender Alvarenga. Aí estava
um romance à minha espera. Pouco a pouco a ficção
foi tomando forma, mas bem diferente do que eu
planejara. Tiradentes, em torno do qual se
desenrolaria o drama, era pouco documentado. Em
troca, sobre Alvarenga Peixoto havia muitos
documentos, cartas suas e a seu respeito, mostrandome um personagem fascinante: fanfarrão, devedor
contumaz, bajulador, mas devotado à sua Bárbara
Bela e à filha lfigênia, e extremamente simpático.
As famílias Bueno/Silveira e Souza/Alvarenga
apareciam em muitos episódios pitorescos: dívidas,
negócios nebulosos, filhos ilegítimos... o estuprador
de Maria Inácia fora na realidade seu amante, e o
filho, dado como fruto do estupro quando da prisão
de Alvarenga, nascera em 1786, bem antes da
malo-grada rebelião. Das páginas dos Autos emerge
ainda um Alvarenga acovardado, renegando os
companheiros e bajulando em versos a rainha Maria
I, na esperança de um perdão. Da Bárbara Eliodora
descrita por Aureliano e tal como é cultuada em Minas
Gerais, pouco restou: apenas a mulher bonita, amante
de Alvarenga antes do casamento, dona-de-casa a
driblar credores, a mãe formosa das Cartas chilenas,
que promovia suntuosa festa para celebrar o batizado
do filho.
O que mais me fascina na História é o
romance humano, pois, esquecem-se muitos, os
personagens históricos foram também pessoas, e
prefiro surpreendê-Ios no momento em que não sabem
que serão um dia “personagens’: Trazer algo de novo
sobre a Inconfidência, nunca foi minha intenção.
Apenas tentei resumi-Ia para atrair um público que
não tem por hábito ler História. Embora romance na
forma, tento, o mais possível, manter meus livros fiéis
à História. Fabulação mesmo, só o caso do visitante
que lança um bilhete avisando Alvarenga de que a
conjura havia sido denunciada, já que, estando meus
personagens em São João del Rei, eu não poderia
contar o episódio do “Embuçado’: fato ocorrido em
Vila Rica, em que um misterioso desconhecido tentou
prevenir Gonzaga de que a rebelião já era do
conhecimento das autoridades. Uma romancista não
poderia desperdiçar tal acontecimento.
SONIA SANT’ANNA é escritora, autora de Inconfidências mineiras: uma história privada da
Inconfidência. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2000 e de Memórias de um bandeirante. São
Paulo: Global Editora, 2001.
TEXTO DE REPORTAGEM DA REVISTA NOSSA HISTÓRIA, ANO 2 / Nº
18, ABRIL 2005, Pág. 48 e 49
Sessão Cinema...
O Homem que não vendeu sua alma
Sinopse
A vida de Sir Thomas Morus, martirizado por suas convicções durante o reinado de
Henrique VIII.
Casanova e a Revolução
Sinopse
Belo filme que retrata a Revolução Francesa. Na verdade,
retrata os diversos olhares daquele momento em relação à
revolução. Numa noite do século XVIII, na pequena cidade de
Varennes, a família real foge de carruagem, seguida por outra
com um grupo dos mais heterogêneos, onde o diretor Etore Scola
mescla personagens reais e fictícios para discutir idéias muitas
vezes contraditórias. Ótimo elenco, com destaque para
Mastroianni no papel de um sedutor Casanova.
O ÚLTIMO DOS MOICANOS
Sinopse
Em 1757 franceses e ingleses na Guerra dos 7 anos
(1756-1763) lutam pela posse de terras na América do Norte,
usando como soldados índios de diferentes tribos. Hawkeye, filho
adotivo de Chingachgook e pertencente à tribo dos Moicanos,
consegue salvar as duas filhas de um oficial britânico do ataque
dos índios Huronos e as acompanha até o forte William Henry,
tomado pelos franceses. Cora, uma das jovens, se apaixona por
Hawkeye, que, junto a sua tribo, representa a última esperança
também para os ingleses.
89
DANTON, O PROCESSO DA REVOLUÇÃO
Sinopse
História
Durante a fase popular da Revolução
Francesa, instala-se o período do “terror”, quando
a radicalização revolucionária dos jacobinos
encabeçada por Robespierre inicia um violento
processo político com expurgos, manipulação de
julgamentos e uma rotina de execuções pela
guilhotina.
Danton, líder revolucionário, critica os rumos
do movimento, tornando-se mais uma vítima do
Moderna
terror instalado por Robespierre.
A Noite de Varennes
Sinopse
No século XVIII, durante a Revolução Francesa, os passageiros de uma diligência entre eles o já velho Giacomo Casanova - discutem os destinos da França e da família real,
que tenta fugir do país.
Os Duelistas
Sinopse
Durante as guerras napoleônicas, por volta de 1800, o
jovem oficial d’Hubert é encarregado de prender o sempre irado
e briguento oficial Feraud, por ter participado de um duelo. Feraud
não aceita e desafia d’Hubert para um duelo e este ganha a
contenda.
Inconformado com a situação e sedento de honra, Feraud
desafia-o sucessivamente para novas lutas em diferentes lugares
durante os 15 anos seguintes que marcaram a Era Napoleônica.
Com base na obra de Joseph Conrad, o filme marcou a estréia do consagrado diretor
Ridley Scott, sendo vencedor do prêmio de melhor filme por um diretor estreante no festival
de Cannes.
Cromwell
Sinopse
Na Inglaterra do século XVII, Oliver Cromwell volta ao
Parlamento para atuar na oposição aos desmandos do rei Carlos
I, que passa por cima das leis, desencadeando a guerra civil.
90
Os Inconfidentes
Sinopse
A Inconfidência Mineira - conspiração independentista do
século dezoito, em Minas Gerais, centro das riquezas coloniais.
Do grupo, faziam parte poetas e nobres, incluindo o padre e o
coronel da guarnição. O dentista Tiradentes é torturado, para
que divulgue a sua participação, na conjura contra a coroa
portuguesa; os cúmplices haviam já confessado, negando
responsabilidades próprias. Tiradentes é o único a assumir-se
plenamente, sendo condenado à morte.
TIRADENTES
Sinopse
A trajetória de Joaquim da Silva Xavier, o Tiradentes, na luta contra os colonizadores
portugueses, a Inconfidência Mineira e o enforcamento do homem que assumiu a liderança
de um dos mais importantes movimentos libertários do Brasil.
[ ]
Agora é hora de
TRABALHAR
Quanto aos agentes sociais do Iluminismo, sabemos que eles eram toda espécie de
“letrados” ou, se quisermos ser mais precisos, todos os “homens de letras” – “genes lettres”.
Eram, portanto, os membros das profissões liberais (médicos, advogados, professores etc.), os
“oficiais” ou funcionários do Estado absolutista, os “clérigos” de diversos matrizes ou categorias,
os artistas, os “diletantes” dos tipos mais variados – nobres ou comerciantes. Encontrando-se
nos salões e academias, fazendo parte de associações ou sociedades secretas, essa gente
formava o mundo por excelência em que se produziam e debatiam as idéias do Iluminismo. A
participação maior ou menor de cada um desses tipos sociais, a importância da opinião pública,
o papel dos vínculos com o aparelho de Estado, tudo isso variava muito de um país para outro.
Bastaria ter em mente os casos da Inglaterra, França, Prússia e Espanha para perceber as
enormes distâncias.
TEXTO DO LIVRO ILUMINISMO, PÁGS. 28 E 29 DE FRANCISCO JOSÉ CALAZANS FALCON
1.
De acordo com o texto acima, faça uma análise a cerca dos grandes pensadores do
iluminismo e sua influência sobre as demais camadas da sociedade da época.
91
Um dos aspectos mais conhecidos e evidentes da secularização foi o
desenvolvimento da crítica às crenças e práticas religiosas, em nome da razão e da liberdade
de pensamento. Já em 1713 Anthony Collins, no seu Discourse of free-thinking, defendia a
liberdade de pensamento e, referindo-se às interpretações da Bíblia e à multiplicidade de
História opiniões em matéria de religião, afirmava que a razão deve ser o único critério válido, de
acordo com a própria vontade divina.
O livre-pensar, com tendência ao deísmo, caracteriza inicialmente os meios culturais
anglo-holandeses, difundido-se, a partir dali, durante o setecentos e assumido, principalmente
em França, uma forte conotação anticlerical, que Voltaire muito bem simboliza. A tradição desse radicalismo
anticleriacal levou às leituras da secularização em bases antitéticas: razão versus religião, ou natural versus
sobrenatural. Contra essa visão algo maniqueísta da secularização, presente nos círculos maçônicos, é
necessário contrapormos a realidade de uma secularização que está longe de ter sido um processo linear ou
homogêneo. Seria mais exato concebermos não uma, mas várias secularizações, cada qual com seu próprio
ritmo, formando um conjunto diacrônico e desigual, não raro contraditório.
Dentro de tal perspectiva, o essencial é não estabelecermos uma total oposição ou incompatibilidade
entre a secularização e o cristianismo, pois:
Moderna
“Nas raízes históricas do Iluminismo há um crescente processo de secularização, que não é apenas
um produto da reforma nem uma expropriação de bens culturais extorquidos de seu legítimo proprietário,
mas uma profunda mudança histórica nascida sob influência direta do cristianismo”.
TEXTO DO LIVRO ILUMINISMO, PÁGS. 33 E 34 DE FRANCISCO JOSÉ CALAZANS FALCON
2.
Considerando o racionalismo. Discorra sobre a importância deste para formação
do pensamento iluminista.
3.
Montesquieu diz, “A verdadeira lei da humanidade é a razão humana enquanto
governa todos os povos da terra; dizer que só o que as leis positivas ordenam ou proíbem é
que constitui o que há de justo e injusto, significa dizer que, antes que se tivesse traçado os
círculos, todos os raios eram desiguais”
Voltaire, em uma das suas cartas. Dizia ela: “Essa razão que tanto perseguimos
avança todos os dias [..] Os jovens se formam, e aqueles que são destinados aos lugares
mais elevados desfazem-se dos infames preconceitos que aviltam uma nação. Sempre
haverá um grande número de tolos e uma boa multidão de patifes.
Mas, os pensadores, mesmo em número pequeno, serão respeitados [..] Esteja certo
que tão logo as pessoas de bem se unam, nada mais poderá detê-las. É do interesse do
rei, e do Estado, que os filósofos governem a sociedade... Chegou o tempo em que homens
como você devem triunfar [...] Afinal, nosso partido já vence o deles em matéria de boa
educação.” - (Carta a Helvitus, em 15.9.1763).
Faça uma relação sobre a importância da razão, para a formação das idéias
iluministas desses dois pensadores.
92
4.
Conforme as palavras de Montesquieu: “Para que não se possa abusar do poder é
preciso que, pela disposição das coisas, o poder freie o poder. Uma constituição pode ser
de tal modo que ninguém será constrangido a fazer coisas que a lei não obriga e a não fazer
as que a lei permite”. In MONTESQUIEU, Do Espírito Das Leis, Os Pensadores, vol.1, Editora
Nova Cultural, Livro XI, pg.205. Fazendo uma relação com o trecho, discorra sobre as formas
de ação do déspota esclarecido.
5.
Faça um paralelo entre as formas de ação do despotismo esclarecido nas Américas
espanholas e na Europa.
6.
Analise de que maneira os déspotas esclarecidos se beneficiaram do uso das idéias
iluministas?
A Revolução Francesa não foi feita ou liderada por um partido ou movimento organizado, no sentido
moderno, nem por homens que estivessem tentado levar a cabo um programa estruturado. Nem mesmo
chegou a ter “líderes” do tipo que as revoluções do século XX nos têm apresentado, até o surgimento da
figura pós-revolucionária de Napoleão. Entretanto um surpreendente consenso de idéias gerais entre um
grupo social bastante coerente deu ao movimento revolucionário uma unidade efetiva. O grupo era a
“burguesia”, suas idéias eram as do liberalismo clássico, conforme formuladas pelos “filósofos” e
“economistas” e difundidas pela maçonaria e associações informais. Até este ponto, os “filósofos” podem
ser, com justiça, considerados responsáveis pela revolução. Ela teria ocorrido sem eles; mas eles,
provavelmente, construíram a diferença entre um simples colapso de um velho regime e a sua substituição
rápida e efetiva por um novo.
A REVLOUÇÃO FRANCESA , PÁG. 18 DE E. J. HOBSBAWN
7.
De acordo com o texto acima e levando em conta as leituras feitas acerca do
conteúdo. Analise a importância das idéias dos filósofos iluministas para o advento da
Revolução Francesa.
93
8.
História
Levando em consideração suas leituras. Faça uma relação das
conseqüências da Revolução Industrial para as colônias americanas, em
particular para o Brasil.
Moderna
Ma diferença óbvia entre a revolução inglesa e as revoluções posteriores consiste no fato de que os
revolucionários franceses podiam recorrer ao exemplo dos ingleses e que os revolucionários franceses podiam
recorrer ao exemplo dos ingleses e que os revolucionários russos contavam igualmente com a experiência
dos franceses, da qual tinham plena consciência. A revolução inglesa não contava, porém, com antecessores.
A revolta da Holanda, ocorrida no século XVI, antecipou-a sob alguns aspectos. Tratava-se, porém, de uma
revolta contra um regime que tentava manter a uniformidade católica por meio da violência. Essas
características não se achavam presentes na Inglaterra. Em conseqüência, faltava à revolução inglesa uma
ideologia revolucionária: nela não havia um Jean-Jacques Rousseau ou um Karl Marx. Havia, é claro, muitos
descontentamentos no plano intelectual, religiosos e político, mas antes de 1642, eles não haviam se
cristalizado sob a forma de uma teoria da década de 1640, acreditavam-se os verdadeiros conservadores e
tradicionalistas. Pretendiam um retorno aos dias da Boa Rainha Bess e até mesmo mais para trás.
9.
HILL, C. O Eleito de Deus: Oliver Cromwell e a Revolução Inglesa. São Paulo: Companhia das
Letras, 1988. Páginas 187 e 188
Analisando o texto acima, faça uma relação entre a Revolução Inglesa e a Revolução
Francesa.
10.
De que maneira as idéias das luzes influenciaram a participação dos inconfidentes
no levante mineiro?
11.
A igualdade de direitos para todos, aspiração dos conjurados baianos aparece em
vários escritos como, por exemplo, no ofício enviado ao Governo pelo soldado Luís Gonzaga
das Virgens, preterido numa promoção: ... “O suplicante é um indivíduo da classe dos
referidos desgraçados, tem a mágoa, a mágoa inconsolável, de ver subir aqueles que nada
mais têm, que a cor branca.” De acordo com o trecho acima, faça uma análise do
posicionamento dos conjurados baianos perante a revolta dos búzios.
94
O Povo Bahinense Republicano ordena manda e quer que o futuro seja feita nessa cidade e seu
termo a sua muito memorável revolução. Portanto invoca a todos aqueles que donde perante quem cada
hum em particular, assim militares, homens pardos e pretos sejão constantes ao bem comum da liberdade,
igualdade, outrossim que o povo que cada hum soldado tenha de soldo dous tustoens por cada dia alem das
suas vantagens que serão relevantes, os officiaes terão avanço segundo as Dietas.
Cada hum soldado he cidadão mormente os homens os homens pardos e pretos que vivem escornados
e abandonados, todos serão iguais, não haverá diferença só haverá Liberdade Popular será enforcado sem
mais apelação: assim seja entendido alias... breve teremos socorro estrangeiro.
Do Povo
12.
(INSERIR TEXTO DO LIVRO PRESENÇA FRANCESA NO MOVIMENTO DEMOCRÁTICO BAIANO
DE 1798, PÁG. 156 E 157 DE KÁTIA M. DE QUEIRÓS MATTOSO)
De posse do texto acima. Reflita sobre as diferenças entre os objetivos da
Inconfidência Mineira e da Conjuração Baiana?
Atividade
Orientada
Caro (a) Aluno (a),
Esta atividade deverá ser desenvolvida, por você, ao longo do andamento da
disciplina, sob a assistência e orientação do tutor no ambiente de tutoria. Estas são
atividades de cunho obrigatório que tem como objetivo auxiliar na consolidação dos
conhecimentos sobre os conteúdos estudados, além de ser um dos nossos instrumentos
de avaliação da aprendizagem.
Esta atividade consta de 03 etapas, leia atentamente, para que tenha a
compreensão clara de como proceder à realização desta.
Etapa
1
De acordo com o que foi discutido no Tema 01 do nosso material impresso, que
discorre sobre Formação do Mundo Moderno. Elabore um TEXTO DISSERTATIVO
(mínimo de 15 linhas) sobre a influência do renascimento comercial e urbano e do
surgimento da classe burguesa para a formação dos Estados Nacionais, levando
em consideração o que foi discutido em nossa disciplina e nos referenciais teóricos
indicados.
95
Etapa
2
Levando em consideração o Tema 02 do nosso material, que trata
dos
Tempos
Modernos, construa um CARTAZ (em papel metro ou cartolina),
História
Moderna fazendo um quadro comparativo entre as idéias renascentista,
principalmente o humanismo, e as idéias que dão base à reforma
protestante. Considerando as semelhanças e diferenças em suas correntes
teóricas.
Vale ressaltar que serão observados, como critérios de avaliação do cartaz, a
clareza, e a relação das idéias com o conteúdo estudado.
Etapa
3
Considerando os Temas 03 (O Antigo Regime) e o Tema 4 (O iluminismo e suas
influências no mundo), elabore um TEXTO ARGUMENTATIVO (mínimo de 20 linhas),
fazendo uma relação entre as idéias iluministas e as doutrinas filosóficas que
justificam o absolutismo. Justificando o seu pensamento e os seus argumentos com
os conteúdos e estudos realizados em nossa disciplina e nos referenciais teóricos
indicados.
Vale ressaltar que, para realização do trabalho como um todo, é necessário que
cada etapa seja cumprida progressivamente. Pois esta atividade de avaliação tem como
maior objetivo, além da “nota” ao final da disciplina, a construção de conhecimentos
fundamentais à formação crítica e acadêmica para a atuação profissional.
Força e excelente trabalho!
96
Glossário
Aristocracia: governo em que o poder é exercido pelos nobres; nobreza; fidalguia.
Balestilha: instrumento para tomar a altura dos astros.
Burocracia: modo de administração em que os assuntos são resolvidos por um
conjunto de funcionários sujeitos a uma hierarquia e regulamento rígidos, desempenhando
tarefas administrativas e organizativas caracterizadas por extrema racionalização e
impessoalidade, e também pela tendência rotineira e pela centralização do poder decisivo.
Corporações: conjunto de indivíduos da mesma profissão, reunidos em gupos, com
seus regulamentos próprios, seus privilégios, e etc. Associação; sociedade; instituição.
Despotismo: poder absoluto e arbitrário que se exerce com tirania; opressão;
sistema de governo fundado nesse poder; ato próprio de déspota.
Entreposto: feitoria, armazém onde se guardam ou vendem exclusivamente as
mercadorias de um Estado ou de uma companhia; depósito onde as mercadorias podem
estar certo tempo, sem pagar direitos.
Epidemia: doença que ataca ao mesmo tempo e no mesmo lugar muitos indivíduos.
Epistolografia: gênero literário que se refere à cartas; a arte de escrever cartas.
Exílio: expulsão da pátria: desterro; degredo.
Experimentalismo: sistema que tem por finalidade alargar o método experimental
a todos os ramos do conhecimento. Sistema ou doutrina que se fundamenta na experiência
dentro de uma prática científica.
Geocentrismo: teoria que defende que a terra é o centro do universo, surge na
idade média sendo invalidada no renascimento com a teoria do heliocentrismo.
Hegemonia: superioridade política de um Estado sobre outro; supremacia de uma
classe social sobre a outra. Supremacia de um povo entre outros, pelas suas tradições ou
condições de raça, por costumes, etc.
Manufatura: trabalho manual; obra feita à mão.
Monopólio: privilégio que um indivíduo, uma companhia ou um Governo têm de
fabricar ou vender, sem concorrência certas mercadorias, para serem vendidas por preço
elevado; tráfico exclusivo.
Proletariado: classe de trabalhadores manuais que vivem do produto do seu trabalho,
com baixa remuneração.
97
Protecionismo: sistema político-económico de protecção à indústria
ou ao comércio nacional.
História
Moderna
Secular: mundano, que não faz parte de ordem religiosa.
Subversivo: que subverte; próprio para subverter; revolucionário.
Sufrágio Universal: direito de voto a todos os cidadãos.
Tirania: domínio ou poder de tirano; governo opressor e cruel; poder soberano
usurpado e ilegal.
98
Referências
Bibliográficas
GUSDORF, G. As Revoluções da França e da América: A violência e a sabedoria. Rio
de Janeiro: Nova Fronteira, 1993.
HOBSBAWM, E. J. A Era do Capital. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1977.
HOBSBAWM, E. J. A Revolução Francesa. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1996.
HOBSBAWM, E. J. As Origens da Revolução Industrial. São Paulo: Global, 1979.
HOBSBAWM, E. J. A Era Das Revoluções. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1977.
FALCON, F. J. C. Iluminismo. São Paulo: Ática, 1986.
99
História
Moderna
FTC - EaD
Faculdade de Tecnologia e Ciências - Educação a Distância
Democratizando a Educação.
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HISTÓRIA MODERNA