HISTÓRIA MODERNA HISTÓRIA MODERNA 1 SOMESB Sociedade Mantenedora de Educação Superior da Bahia S/C Ltda. História Presidente ♦ Gervásio Meneses de Oliveira Vice-Presidente ♦ William Oliveira Moderna Superintendente Administrativo e Financeiro ♦ Samuel Soares Superintendente de Ensino, Pesquisa e Extensão ♦ Germano Tabacof Superintendente de Desenvolvimento e>> Planejamento Acadêmico ♦ Pedro Daltro Gusmão da Silva FTC - EaD Faculdade de Tecnologia e Ciências - Ensino a Distância Diretor Geral ♦ Reinaldo de Oliveira Borba Diretor Acadêmico ♦ Roberto Frederico Merhy Diretor de Tecnologia ♦ Jean Carlo Nerone Diretor Administrativo e Financeiro ♦ André Portnoi Gerente Acadêmico ♦ Ronaldo Costa Gerente de Ensino ♦ Jane Freire Gerente de Suporte Tecnológico ♦ Luís Carlos Nogueira Abbehusen Coord. de Softwares e Sistemas ♦ Romulo Augusto Merhy Coord. de Telecomunicações e Hardware ♦ Osmane Chaves Coord. de Produção de Material Didático ♦ João Jacomel EQUIPE DE ELABORAÇÃO/PRODUÇÃO DE MATERIAL DIDÁTICO: ♦ PRODUÇÃO ACADÊMICA ♦ Gerente de Ensino ♦ Jane Freire Coordenação de Curso ♦ Jorge Bispo Autor (a) ♦ Tânia de Santana Supervisão ♦ Ana Paula Amorim ♦PRODUÇÃO TÉCNICA ♦ Revisão Final ♦ Carlos Magno Brito Almeida Santos Coordenação ♦ João Jacomel Equipe ♦ Alexandre Ribeiro, Ana Carolina Alves, Cefas Gomes, Delmara Brito, Diego Maia, Fabio Gonçalves, Francisco França Júnior, Hermínio Filho, Israel Dantas, Lucas do Vale e Mariucha Silveira Ponte Editoração ♦ Francisco França de Sousa Junior Ilustrações ♦ Francisco França e Fabio Gonçalves Imagens ♦ Corbis/Image100/Imagemsource copyright © FTC EaD Todos os direitos reservados e protegidos pela Lei 9.610 de 19/02/98. É proibida a reprodução total ou parcial, por quaisquer meios, sem autorização prévia, por escrito, da FTC EaD - Faculdade de Tecnologia e Ciências - Ensino a Distância. www.ftc.br/ead 2 SUMÁRIO INTRODUÇÃO AOS TEMPOS MODERNOS ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ FORMAÇÃO DO MUNDO MODERNO ○ A Baixa Idade Média e a Desarticulação do Sistema Feudal ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ A Queda de Constantinopla e o Mediterrâneo Bizantino ○ A Crise do Século XIV ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ As Grandes Navegações ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ O Renascimento Cultural ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 07 ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 07 ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 07 ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 11 ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 13 ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 15 ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 20 ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 20 ○ ○ ○ ○ 22 ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ A ERA DO ABSOLUTISMO O ANTIGO REGIME ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ O Absolutismo: “Um Rei, uma Fé, uma Lei” O Mercantilismo: “Ouro, Poder e Glória” ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ As Conseqüências das Grandes Navegações A Reforma e a Contra-reforma ○ ○ As Bases para Formação do Estado Moderno OS TEMPOS MODERNOS ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 23 ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 27 ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 38 38 ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 38 ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 44 ○ ○ ○ 3 As Doutrinas Filosóficas que Justificam o Absolutismo ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ O Colonialismo e o Absolutismo História ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 49 ○ ○ 50 Moderna O ILUMINISMO E A SUA INFLUÊNCIAS NO MUNDO Características do Iluminismo O Despotismo Esclarecido ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 59 ○ ○ ○ ○ ○ ○ 66 ○ ○ 67 ○ As Revoluções Liberais e a Crise do Sistema Colonial A Inconfidêcnia Mineira, a Conjuração Baiana e as Idéias Iluministas ○ Atividade Orientada Glossário ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 84 ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 95 ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 97 ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 99 Referências Bibliográficas 4 ○ 59 ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ Apresentação da Disciplina Caro (a) aluno (a), Este material se propõe ao estudo da História Moderna. O objetivo do mesmo é trazer um panorama histórico dos tempos modernos, analisando seus conteúdos de forma crítica e consciente. É de extrema importância que sejam observados os processos históricos transcorridos nesse período e o legado que trouxeram para a história da humanidade. A Idade Moderna deixou marcas profundas na mentalidade dos homens do seu tempo, e estes ideais arrebatam os desejos das diversas formações sociais até nossos dias. Nesta disciplina, presenciaremos a formação do Estado Moderno e seu poder absoluto. Conheceremos um “novo mundo” através das viagens marítimas. Veremos como novas religiões desbancam a supremacia da Igreja Católica. A forma de produzir muda, surgem as fábricas, a burguesia e o proletariado. E, por fim, teremos o privilégio de percebemos a mudança de visão de mundo de toda uma humanidade, primeiro com o Renascimento Cultura, e logo em seguida, com o Ideário Iluminista. Essa disciplina possui 72 horas e encontra-se divida em dois grandes blocos temáticos. O primeiro intitula-se “Introdução aos Tempos Modernos” e o segundo recebe o nome de “A Era do Absolutismo” O primeiro será desenvolvido a partir de dois temas, “Formação do “Mundo Moderno” e “Tempos Modernos”. O segundo discute sobre “O Antigo Regime” e “O Iluminismo e suas Influências no Mundo” Nosso material foi trabalhado para acompanhar o seu aprendizado. Por isso, leia com atenção os textos e realize as atividades propostas, como forma de sedimentar seu conhecimento. Desejamos que este material contribua para a formação de pessoas capazes de construir o próprio conhecimento e de enfrentar os desafios com coragem e consciência de seu papel enquanto ator social e formador de opinião. Avante! Sempre! Profª. Paula Costa 5 História Moderna 6 INTRODUÇÃO AOS TEMPOS MODERNOS FORMAÇÃO DO MUNDO MODERNO A BAIXA IDADE MÉDIA E A DESARTICULAÇÃO DO SISTEMA FEUDAL Panorama Geral da Baixa Idade Média A baixa idade média é marcada pela diminuição das invasões que a partir do século X gera a estabilidade social na Europa feudal. Aliado a isto, com a diminuição de disputas contra invasores e das epidemias, o número de nascimentos começou a superar o de mortes. Desta forma, há o crescimento da população e, conseqüentemente, o aumento de demanda por alimentos. A solução para este problema foi a ampliação das áreas de cultivo com a ocupação de florestas e pântanos e, ao mesmo tempo, algumas técnicas de cultivo foram aperfeiçoadas, elevando a produtividade agrícola. No entanto, não foi o suficiente para alimentar a população crescente dos feudos, que passa por um processo de aumento da circulação de mercadorias comercializadas nas feiras locais. Com isso, o mercado consumidor começa a se fortalecer, porém, essa nova situação entra em conflito com a baixa produtividade do trabalho servil. Para elevar seus rendimentos, os senhores feudais aumentam as obrigações dos servos, que, sem condições de cumpri-las, são obrigados a abandonarem as terras em que viviam, sob a alegação de terem infligido alguma regra. Muitos servos viram mendigos ou bandidos, saqueando nas estradas. Desta forma, os laços que sustentavam a economia feudal, o trabalho servil. Ao mesmo tempo, para não fragmentar seu poder e garantir a supremacia feudal, além de não dividir suas posses, os senhores feudais passaram a deixar os feudos como herança apenas para o filho mais velho (primogênito). Os filhos mais novos eram praticamente expulsos das terras e eram obrigados a procurar outros meios de sobrevivência: que poderia ser um casamento vantajoso, o seqüestro de grandes senhores para cobrar resgate ou, simplesmente, o assalto nas estradas. Essas circunstâncias acentuavam o clima de disputa entre os nobres cavaleiros que, durante esse período, efetuavam torneios e combates que transformavam os campos em verdadeiras arenas. 7 Para solucionar essa situação foi necessária a intervenção da Igreja, que proclamou a “Paz de Deus”, ou seja, a proteção aos lavradores, viajantes e mulheres. Os combates passaram a ser limitado, a noventas dias por ano e eram proibidos em dias de festas. Isso serviu para regulamentar estes torneios História e evitar que a produção agrícola fosse prejudicada. Moderna Esse ambiente de espírito guerreiro e o processo causado pela marginalização social só começaram a ser solucionados quando os marginalizados foram mobilizados para o combate aos muçulmanos, que controlavam o mediterrâneo, grande parte da península ibérica e a Terra Santa (lugar onde tinha vivido Jesus Cristo). Surgiram, assim, as Cruzadas, expedições militares organizadas pela Igreja e pelos reis, com o objetivo de recuperar as terras em poder dos árabes. O Movimento das Cruzadas As Cruzadas foram utilizadas como forma de aumento do prestígio da Igreja e a expansão de seus domínios sobre os territórios controlados pelos árabes muçulmanos. Para isto houve a adesão dos nobres ao apelo do papa Urbano II que, em 1095 no Concílio de Clermont, na França, conclamou a estes a participarem da libertação da “Terra Santa”. Além dos interesses da igreja havia os interesses da nobreza feudal, que queriam conquistar novas terras. A primeira Cruzada (1096-1099) conseguiu conquistar Jerusalém após três anos de lutas. A vitória permitiu a criação de alguns Estados cristãos na Palestina, nos quais as terras foram divididas como na Europa feudal. No entanto, pouco tempo depois a Terra Santa foi novamente tomada pelos muçulmanos. Fizeram-se outras sete Cruzadas, a última em 1270, todas fracassaram. Apesar disso, como conseqüência delas, o mediterrâneo foi aberto à navegação européia e os contatos culturais e comerciais, sobretudo de especiarias importados do Mediterrâneo oriental, pelas cidades da península Itálica, entre o Ocidente e o Oriente foram restabelecidos. As Cruzadas contribuíram, ainda, para aumentar a circulação de pessoas e de riquezas na Europa. Por meio delas, o comércio se fortaleceu e acabou estimulando o povoamento das cidades. Os saques realizados pelos cruzados nas cidades muçulmanas transferiam para a Europa grande quantidade de moedas, aumentando a circulação delas no continente. Isso colaborou para que surgissem companhias mercantis, formadas pela associação de comerciantes, que investiam capital na compra de barcos e mercadorias. O renascimento do comércio provocou o crescimento das cidades, o desenvolvimento da economia monetária, a expansão do mercado, o surgimento de uma classe de comerciantes, a difusão do espírito de lucro e o racionalismo econômico. Eram os primeiros sinais da profunda mudança econômica em curso no mundo medieval, e que possibilitaria, séculos mais tarde, o surgimento do capitalismo. O impacto dessas transformações sobre o feudalismo foi fulminante. Estimulados pela formação de um mercado consumidor, os senhores procuraram aumentar a produção 8 de seus feudos. As relações servis entraram em crise. Com o desenvolvimento comercial, todo o sistema feudal entrava em crise. O Renascimento Comercial e Urbano Caracteriza-se pelo desenvolvimento do comércio e das cidades, que tinham tido pouca importância durante os séculos anteriores. O comércio ainda incipiente e era praticado nas feiras, que se realizavam nas vilas ou perto dos castelos e outros lugares fortificados. As feiras tornaram-se permanentes, propiciando o aparecimento de núcleos urbanos, os chamados burgos. A partir dos burgos desenvolveram-se novas cidades, ao mesmo tempo em que ganharam vida as mais antigas, que não haviam desaparecido por completo. As cidades atraiam cada vez mais artesãos, que nelas se fixavam para viver como trabalhadores livres. Atraíam, ainda, comerciantes de sal, de ferro e de inúmeras outras mercadorias, provenientes de regiões distantes. As atividades comerciais restabeleceram o uso regular da moeda. Logo, diferentes moedas circulavam nas feiras e nos núcleos urbanos, vindas de vários feudos e regiões da Europa (os senhores feudais podiam cunhar suas próprias moedas). Essa variedade criou a necessidade do câmbio, isto é, da troca de moedas. Os que se dedicavam a ele eram chamados de cambistas. Mais tarde, os cambistas passaram a realizar empréstimos e a fazer outras operações financeiras. Assim surgiram os bancos, palavra de origem italiana que designava o assento ocupado pelo cambista. A Burguesia entra em Cena As cidades que se formavam ao pé do comércio e das fortificações, estavam estreitamente vinculadas aos senhores feudais. Esses nobres, proprietários das terras onde ficavam os burgos, cobravam pesadas taxas daqueles que os habitavam. O termo burguesia, no início, designava todos os habitantes das cidades, posteriormente passou a designar comerciantes, banqueiros e alguns artesãos enriquecidos. Com o aumento do comércio e o fortalecimento da burguesia,alguns desses burgos obtiveram pacificamente autorização para negociar sem pagar aos senhores feudais nenhuma tributação, este direito era adquirido com a “Carta de Franquia”, mediante pagamento em dinheiro ao senhor feudal. Com esta carta só os burgueses tinham o direito de terem uma administração própria e de arrecadarem seus próprios tributos. As Corporações de Ofício Com o renascimento comercial e o desenvolvimento das atividades produtivas (artesanais), comerciantes e artesãos começaram a se organizar em associações, que são as corporações de ofícios e as guildas, destinadas a regulamentar as atividades, respectivamente, de artesãos e mercadores. Com o tempo, estas corporações começaram a controlar o mercado, determinando o preço da matéria-prima e da mão-de-obra, a elaborar normas para proteger os produtores e os consumidores contra fraudes e falsificações. Os salários dos trabalhadores também eram fixados pelas corporações de cada ofício. 9 As corporações procuravam defender os interesses de seus associados diante dos senhores feudais. Buscavam equilibrar a oferta de produtos disponíveis e limitar a concorrência entre os produtos disponíveis e limitar a concorrência entre os produtores. Controlavam, também, a cunhagem História das moedas para evitar a desvalorização. Moderna Com o desenvolvimento do comércio, muitos artesãos passaram a depender de um comerciante para obter matéria-prima e instrumentos de trabalho. Conhecidos como jornaleiros (contratados por jornada), esses trabalhadores recebiam baixos salários que sofriam com variações do mercado e desemprego. O comerciante intervinha na produção para obter melhores ganhos, tratando de comprar a matéria-prima o mais barato possível e pagar pouco pela mão-de-obra. Esse novo elemento, o comerciante manufatureiro, vai culminar no aparecimento da manufatura da época moderna. Expansão do Comércio As Cruzadas deram grande impulso às atividades comerciais no Mediterrâneo. Cidades da península itálica, como Veneza e Gênova, passaram praticamente a monopolizar o contato com o Oriente, tornando-se o principal centro comercial, revendo os produtos orientais por toda Europa. Entre os séculos XIII e XIV formou-se, na Europa, uma verdadeira teia de rotas por onde começou a fluir um próspero e intenso comércio. O renascimento comercial e urbano, ocorrido a partir do século XI, introduziu muitas novidades na organização da sociedade feudal. Surgiram diferentes grupos sociais, tais como a burguesia e os trabalhadores assalariados. Surgiram novas formas de enriquecimento, como o crescimento das atividades bancárias e do comércio de mercadorias. Crescendo, assim, o comércio e a produção para o mercado. Estas características levam a um lento aparecimento de um novo sistema econômico, que é o pré-capitalismo, cuja economia estava baseada na moeda e não na troca de produtos, como ocorrida no sistema feudal. Isto fez com que a antiga nobreza tivesse que se adaptar a este novo sistema e, ao mesmo tempo, comerciantes e banqueiros enriquecem e começavam a disputar o poder com os senhores feudais. No entanto, no início das grandes navegações, século XV, o pré-capitalismo se transforma em capitalismo mercantil. Com isso, o capital vindo do comércio passa a dominar a produção, e o trabalho servil é substituído pelo arrendamento ou pelo trabalho assalariado. No lugar das corporações de ofício surgem as manufaturas. Aos poucos, o sistema feudal entra em crise e o capitalismo mercantil se torna efetivo em toda a Europa ocidental. Crise do Sistema Feudal A brusca diminuição da população, devido à peste negra, e a escassez de mão-deobra, faz com que os salários se elevem e os senhores não concedam mais liberdade aos servos, ocorrem várias rebeliões do povo contra a fome e as más condições de vida, prejudicando as atividades econômicas. O comércio sofre grandes dificuldades, os produtos que vêm do oriente percorrem um longo trajeto, controlado pelos árabes e pelos mercantilistas que operam em rotas européias, tornando-se muito caros por conta do grande número de atravessadores. Com 10 isso, os senhores feudais, principais consumidores, não conseguem consumir o suficiente por conta de suas rendas reduzidas. Aliado a estes aspectos, a moeda, escoada para o Oriente com o pagamento de especiarias, se escasseia, criando dificuldades para o desenvolvimento do comércio e forçando a busca por metais preciosos. Todo este quadro crítico só encontrará solução com a exploração de novos mercados, que forneceriam alimentos, produtos e metais preciosos a baixo custo e consumiriam as mercadorias produzidas na Europa. Foi assim que as grandes navegações se mostraram como saída para os tempos de crise e como forma de desenvolvimento econômico europeu trazendo os tempos modernos. A QUEDA DE CONSTANTINOPLA E O MEDITERRÂNEO BIZANTINO Origem e Consolidação O Império Bizantino originou-se no ano 330, quando o imperador Constantino I fundou Constantinopla, sobre a antiga cidade grega de Bizâncio. A intenção de Constantino I era criar uma segunda capital romana para defender as fronteiras orientais do império dos ataques dos persas, eslavos e demais povos limítrofes. O Império Bizantino permaneceu poderoso ao longo de um milênio, depois da queda de Roma. Congregando componentes latinos, gregos, orientais e cristãos, a civilização bizantina constituiu-se, durante toda a Idade Média européia, como o principal baluarte da cristandade contra a expansão muçulmana, e preservou grande parte dos conhecimentos do mundo antigo. A nova capital, batizada de Constantinopla, unia a organização urbana de Roma à arquitetura e arte gregas, com claras influências orientais. E sua religião, língua e cultura eram essencialmente gregas, e não romanas. A posição privilegiada de Constantinopla, entre a Europa e a Ásia e na rota dos estreitos que permitiam o comércio entre o mar Negro e o Mediterrâneo propiciou que Constantinopla se tornasse, a partir do século V, o único centro político e administrativo do império e num verdadeiro entreposto comercial entre o Ocidente e o Oriente. 11 Constantinopla é o antigo nome da atual cidade de Istambul, na Turquia. O nome da cidade é uma referência ao imperador romano Constantino I, que tornou esta cidade a capital do Império Romano no ano 330. Constantino chamou-a “Nova Roma”, mas o nome não vingou. Localizada numa projeção História de terra sobre o estreito de Bósforo em direção à Anatólia. Também era o Moderna principal porto nas rotas que iam e vinham entre o Mar Negro e o Mar Mediterrâneo. Foi uma das mais esplendorosas metrópoles da transição da Época Clássica para a Medieval e referência viva de um império. Centro de afluência de gente de todos os cantos do mundo conhecido até então. Tratava-se do maior centro financeiro, mercantil e cultural de toda aquela parte do globo. Constantinopla foi uma metrópole que conciliava perfeitamente os negócios e um intenso comércio com os assuntos da fé e da religião. Onde o luxo ostensivo da corte imperial e do patriciado local convivia com a pobreza e mesmo com a miséria, o ouro e os trapos circulando por perto um do outro. O apogeu do Império Bizantino ocorre no governo de Justiniano (483-565), considerado o último grande imperador romano que, a partir de 527, estabelece a paz com os persas e concentra suas forças na reconquista dos territórios dos bárbaros no Ocidente. Justiniano constrói fortalezas e castelos para firmar as fronteiras e também obras monumentais, como a Catedral de Santa Sofia. Ocupa o norte da África, derrota os vândalos e toma posse da Itália. No sul da Espanha, submete os lombardos e os visigodos. Estimula a arte bizantina na produção de mosaicos e o desenvolvimento da arquitetura de igrejas, que combina elementos orientais e romanos. A Decadência de Bizâncio Depois da morte de Justiniano (565), o império enfrentou um lento processo de decadência. Seus sucessores não tiveram força política para manter a unidade de todo o território conquistado. Isso facilitou a invasão de povos vizinhos e, aproveitando-se dessas invasões, outros povos, dominados por Bizâncio, realizaram revoltas que contribuíram para tumultuar ainda mais a situação do império. Nos séculos VII e VIII, os invasores conseguiram reduzir bastante o tamanho do império bizantino no Oriente Médio, ao norte da África e na Europa. Mesmo reduzido, o império persistiu como guardiões da cultura ocidental numa região dominada por povos orientais. 12 Em todo tempo de sua existência, o império bizantino esteve sempre envolvido em lutas com invasores estrangeiros, em brigas religiosas e em lutas internas com invasões estrangeiras. No ano de 1453, ele foi definitivamente conquistado pelos turcos otomanos, tendo como conseqüências: a desestruturação econômica, a falta de apoio da igreja católica e sua regressão territorial gradual, que marcou o fim da Idade Média. Com Constantinopla sob domínio muçulmano, o comércio entre Europa e Ásia declinara subitamente. Nem por terra nem por mar os mercadores conseguiriam passagem para as rotas que levavam à Índia e à China, de onde provinham as especiarias usadas para conservar alimentos, além de artigos de luxo, e para onde se destinavam suas mercadorias mais valiosas. Desta forma, as nações européias iniciaram projetos para o estabelecimento de rotas comerciais alternativas. Portugal e Espanha se aproveitaram sua posição geográfica junto ao Oceano Atlântico e à África para tentar um caminho para chegar à Índia. Desta forma, os europeus chegaram ao continente americano, dando início ao processo de ocupação do “Novo Mundo”. As duas nações, outrora sem muita expressão no cenário político europeu, se tornaram no século XVI as nações mais poderosas do mundo, estabelecendo uma nova ordem mundial. A CRISE DO SÉCULO XIV A Peste A peste negra foi uma peste bubônica trazida do oriente por volta de 1348, era transmitida através da picada de pulgas de ratos doentes. Estes ratos chegavam à Europa nos porões dos navios vindos do Oriente. Foi chamada assim devido às manchas escuras que apareciam na pele dos enfermos. A terrível “morte negra”, atingiu o campo e as cidades em toda a Europa, e todas as classes sociais, dizimando mais de 30% da população européia. Tendo assumido essas enormes proporções devido a uma série de fatores tais como: condições precárias de habitação, higiene, superstições e, principalmente, ignorância. As cidades medievais eram locais com grande contingente populacional, com esgotos a céu aberto, e as casas eram muito insalubres. A enfermidade e a peste rondavam a vida das pessoas. Obter água limpa para beber e cozinhar era um problema, pois a sujeira das fossas e o lixo contaminavam os poços e poluíam os rios. A peste negra acelerou o processo de desagregação do feudalismo, pois tornou escassa a mão-de-obra prejudicando a economia. As cidades e os campos ficaram despovoados; famílias inteiras se extinguiram; casas e propriedades rurais ficaram vazias 13 e abandonadas; a produção agrícola e industrial reduziu-se enormemente; houve escassez de alimentos e de bens de consumo; a nobreza se empobreceu; reduziram-se os efetivos militares e houve ascensão da burguesia que explorava o comércio. O poder da Igreja se enfraqueceu com a História redução numérica do clero e houve sensíveis mudanças nos costumes e no Moderna comportamento das pessoas. A Guerra A guerra dos cem anos travada entre a realeza inglesa e a francesa que se estendeu por 116 anos (1337-1453), decorreu das transformações políticas, econômicas e sociais que se processaram no interior destes países. Foi a partir daí que a centralização do poder político, diminuindo o poder dos senhores feudais, tanto de um lado quanto de outro, consolidou a monarquia nacional, reforçando a autoridade real. Essa guerra teve dois motivos: um foi a disputa pela região de Flandres, grande produtora de manufaturados, detentora de um próspero comércio e indústria têxtil, configurando-se como uma região economicamente importante. Os franceses pretendiam tomá-la para si e manter o domínio para dificultar o comércio dos produtos ingleses na região, pois Flandres e Inglaterra estabeleceram uma aliança comercial, não aceita pelos franceses. Em suma, Flandres estava vinculada economicamente à Inglaterra, mas, politicamente, pertencia ao Reino da França, que não admitia a interferência inglesa na região. O outro motivo foi a disputa dinástica, a sucessão ao trono francês, que apresentava dois candidatos: um, o membro da família Valois, Filipe; e o outro, o rei da Inglaterra, Eduardo III. Com a escolha de Filipe, o rei inglês reagiu e, assim teve início à guerra. Essa guerra durou mais de 100 anos. De início, os franceses perderam muitos cavaleiros e territórios. A solução complicou-se ainda mais com a disseminação da Peste Negra e as rebeliões camponesas. Mas, por volta de 1381, os franceses conseguiram recuperar grande parte dos territórios que haviam sido tomados pelos ingleses. 14 Entretanto, os cofres franceses vazios, a epidemia e o esforço de guerra geram uma crise econômica que provoca revolta na população francesa. O rei Carlos VI não consegue impor-se à nobreza, que reconquistou suas prerrogativas, formando duas facções (os borguinhões e os armanhaques) que envolvem o país em uma sangrenta guerra civil e milhares de camponeses atacam castelos e propriedades feudais. Aproveitando-se da situação, enquanto seus adversários lutam entre si, os ingleses avançam sem grandes dificuldades, com um exército superior, impõem sucessivas derrotas às forças inimigas, invadem novamente o território francês e obrigaram o rei francês a reconhecer como seu sucessor o rei inglês. Em 1422, o território francês continental estava dividido em dois reinos: o norte era dirigido por Henrique VI, rei inglês, com apoio dos borguinhões; ao sul, havia o rei francês Carlos VII, apoiado pelos armanhaques. Por essa época, começou a surgir nessa região um forte sentimento de nacionalismo. Esse nacionalismo, representado pela lendária figura de Joana D’Arc, que derrota os ingleses à frente de um pequeno exército, ameaçava a nobreza, que era obrigada a reconhecer a autoridade de um poder central, perdendo seus privilégios particulares. A guerra terminou em 1453 com a vitória francesa. AS BASES PARA FORMAÇÃO DO ESTADO MODERNO Formação dos Estados Nacionais O Estado Moderno, ou também chamado, Estado Nacional, teve como característica principal o caráter fortemente centralizado do poder monárquico, em oposição à fragmentação vivida no sistema feudal. O renascimento comercial e urbano e a crise do feudalismo provocaram uma reviravolta. Aos poucos, a organização política feudal cedeu lugar às monarquias nacionais, centralizadas e fortes. Começavam a surgir, assim, os Estados Modernos. Os Estados Nacionais manifestam características próprias no seu processo histórico de construção e sua consolidação, a depender da região, aconteceu em tempos diferenciados. Dentro desses novos limites, prevaleceram as línguas faladas nas regiões hegemônicas, assim definidas por sua riqueza ou por sua importância política. Além disso, os limites territoriais começam a ganhar sentido político, fiscal e militar, fixando-se e tornandose fronteiras. Diante desse quadro, a partir do século XI, o poder do rei se amplia paulatinamente. A situação torna-se mais favorável no século XV, com a crise de crescimento, que só foi superada com a incorporação de novas áreas e a abertura de novas rotas comerciais. O rei, centralizando recursos de toda a nação, era quem reunia as melhores condições para empreender a expansão comercial e territorial, tarefa difícil para comerciantes isolados ou mesmo cidades e ligas de mercadores. 15 Tais monarquias absolutistas foram instrumento político empregado na superação das crises determinadas pela desintegração do feudalismo. Efetivamente, a unificação territorial e a centralização política dos Estados Nacionais europeus, rompendo o isolacionismo dos feudos, possibilitaram o História disciplinamento das tensões resultantes da expansão do setor mercantil. Moderna A primeira função da monarquia absolutista foi a manutenção da ordem social interna dos Estados Nacionais, mediante a sujeição de todas as forças sociais, do plebeu, do nobre e do poder real. Enquanto em Portugal e Espanha, por volta do século XIV; e na França e a Inglaterra em meados do século XV já existiam fronteiras delineadas e governo próprio, a Itália e a Alemanha ainda eram fragmentadas, só vindo a se unificar politicamente no século XIX. As bases de formação dos Estados Modernos remontam à Baixa Idade Média (séculos XIXV). Sessão Cinema... O Incrível Exército de Brancaleone Sinopse Este clássico do cinema italiano retrata os costumes da cavalaria medieval através de uma demolidora e bem humorada sátira. A figura central é Brancaleone, um cavaleiro atrapalhado que lidera um pequeno e esfarrapado exército, perambulando pela Europa em busca de um feudo. Trata-se de uma paródia a D. Quixote de Cervantes. O filme consegue ser hilário, mesmo na reconstituição dos aspectos mais avassaladores da crise do século XIV, representados pela trilogia “guerra, peste e fome”. Utilizandose sempre da sátira, o filme de Monicelli focaliza a decadência das relações sociais no mundo feudal, o poder da Igreja Católica, o cisma do Oriente e a presença dos sarracenos. O Sétimo Selo Sinopse Após dez anos de combate nas Cruzadas, um cavaleiro retorna ao seu país, encontrando-o devastado pela Peste Negra. Em sua nova luta contra a Peste, o cavaleiro pede uma trégua, durante a qual ele jogará uma partida de xadrez com a Morte. Sempre acompanhado de seu fiel escudeiro Jons, o cavaleiro depara-se, então, com a morte, através da fome e da peste. Suas dúvidas e tormentos só são aliviados quando conhece Jof e Mia, um ingênuo casal de saltimbancos. 16 Joana d’Arc Sinopse O filme retrata a figura de Joana d’Arc através de uma aventura estilizada e uma versão mais humanizada do mito que se tornou a jovem de origem camponesa que conseguiu exaltar o nacionalismo francês, na luta contra os ingleses, durante a Guerra dos 100 Anos. Joana é retratada desde sua infância, quando já apresentava um comportamento estranho, tendo visões e ouvindo vozes, além de freqüentar regularmente o confessionário. Depois do assassinato de sua irmã por um guerreiro inglês, a virgem transforma-se numa religiosa sanguinária e mística, conseguindo, com seu fervor nacionalista, um exército do rei que liberta Orléans dos ingleses. Nas batalhas, Joana deposita sua fé apenas em Deus e, em seu nome, promove matanças, derramando-se em lágrimas diante dos cadáveres. O filme chega a sugerir que sua fixação bélica seria produto da sexualidade reprimida na infância e nesse sentido suas tensões passam a ser direcionadas para a guerra e para religião. Traída e aprisionada em sua própria terra, Joana é vendida aos ingleses e, acusada de heresia e bruxaria, é condenada pela Igreja e queimada viva em Ruão no ano de 1431. Ao transformar-se num mito, a figura de Joana d’Arc, como tantas outras, são manipuladas para atender os mais variados interesses no decorrer da história. Joana d’Arc, a mais popular figura histórica da França, virou sinônimo de patriotismo durante a Revolução Francesa (1789), foi canonizada pelo Vaticano em 1920 e hoje é venerada por políticos como Jean-Marie Le Pen, líder da Frente Nacional (partido nacionalista francês de extrema direita). [ ] Agora é hora de TRABALHAR 1. Faça uma análise sobre os principais fatores que colaboraram para a desarticulação do sistema feudal. 17 2. Quais as condições históricas que possibilitaram o movimento das Cruzadas? História Moderna 3. Qual a relação existente entre o renascimento comercial e urbano e a ascensão da burguesia? 4. Os conflitos internos levaram o Império Bizantino a uma lenta decadência. O aumento das grandes propriedades e o crescimento de sua autonomia, bem como o enfraquecimento do poder central, reforçaram os sentimentos separatistas de várias regiões do império. Discorra sobre estas questões, analisando o contexto da decadência do Império Bizantino. 5. Na época de Justiniano, o Império Bizantino atingiu o seu apogeu. Mas, mesmo nessa época, a sociedade bizantinia era marcada por contradições. Faça uma análise dessas contradições. 6. Qual a importância da desarticulação de Bizâncio para o surgimento dos tempos modernos? 18 7. “Durante todo o período conhecido como Baixa Idade Média, entre os séculos XI e XV, as condições de vida dos camponeses europeus foram mais ou menos as mesmas, independentemente do local em que vivessem. Pode-se dizer o mesmo em relação à população urbana e até quanto aos nobres e senhores feudais. Basicamente, a habitação medieval européia consistia em um único grande recinto, sem divisões internas. Tal configuração estava presente tanto na miserável casa camponesa, feita de madeira e adobe, quanto nos imponentes castelos de pedra dos senhores mais poderosos. Esta concepção de moradia gerava alguns problemas bastante graves, principalmente no que diz respeito à saúde.” (Anderson, P. Linhagens do Estado absolutista, S.Paulo, Brasiliense,1985). Faça uma relação da descrição deste trecho e suas conseqüências para a população da Europa medieval. 8. Faça uma análise da Guerra dos Cem Anos, atentando para o fato de que ela pode ser vista como a última guerra medieval e a primeira guerra moderna. 9. Faça um paralelo da influência da peste bubônica e do período de guerras passados na idade média, para a desarticulação do mundo feudal. 10. Segundo o historiador inglês Perry Anderson, o Estado absolutista era ainda predominantemente feudal, apesar de ampliado e reorganizado em função das transformações econômicas e políticas dos séculos XV e XVI. “Exército, burocracia, diplomacia e dinastia continuaram a ser um complexo feudal fortalecido que governava o conjunto da máquina do Estado e guiava seus destinos. 0 domínio do Estado absolutista era o da nobreza feudal, na época de transição para o capitalismo”.(Anderson, P. Linhagens do Estado absolutista, S.Paulo, Brasiliense,1985,41). Diante disto, analise esta aparente contradição: absolutismo convivendo com a nobreza feudal forte. 19 11. Como podemos relacionar o processo de constituição do Estado absolutista e o declínio do poder da Igreja Católica na Europa? História Moderna 12. Faça uma interface analisando a relação dos súditos no Estado Moderno e a relação do cidadão no Estado Democrático atual. OS TEMPOS MODERNOS AS GRANDES NAVEGAÇÕES Grandes Navegações As grandes navegações foram um conjunto de viagens marítimas que expandiram os limites do mundo conhecido até então. Mares nunca antes navegados, terras, povos, flora e fauna começaram a ser descobertas pelos europeus As Grandes Navegações e Descobrimentos Marítimos dos séculos XV e XVI foram uma continuação natural do renascimento do comércio na Europa. Esse renascimento deu origem ao capitalismo, cujo elemento central é o lucro. Era natural então que, esgotadas as possibilidades de desenvolvimento comercial na Europa, novas regiões passassem a ser exploradas, mesmo à custa de muito esforço e sacrifício. No decorrer destes séculos, os europeus, principalmente portugueses e espanhóis, lançaram-se nos Oceanos Pacífico, Índico e Atlântico com os grandes objetivos de descobrir uma nova rota marítima para as Índias e encontrar novas terras, e a busca de lucros pela burguesia comercial e financeira da Europa. No século XV, os países europeus que quisessem comprar especiarias (pimenta, açafrão, gengibre, canela, dentre outros), tinham que recorrer aos comerciantes de Veneza ou Gênova, que possuíam o monopólio destes produtos. Com acesso aos mercados orientais, os burgueses italianos cobravam preços exorbitantes pelas especiarias vindas desta região. O canal de comunicação e transporte destas mercadorias era o Mar Mediterrâneo, dominado pelos italianos. 20 Encontrar um novo caminho para as Índias era uma tarefa difícil, porém muito desejada. Os reinos de Portugal e Espanha desejavam muito ter acesso direto ao Oriente, para poderem também lucrar com este interessante comércio. Um outro fator importante, que estimulou as navegações nesta época, era a necessidade dos europeus de conquistarem novas terras. Eles queriam isso para poder obter matérias-primas, metais preciosos e produtos não encontrados na Europa. Até mesmo a Igreja Católica estava interessada neste empreendimento, pois significaria a possibilidade de garantirem a catequese dos infiéis e pagãos, que substituiriam os fiéis perdidos para as igrejas Protestantes. Os reis também estavam interessados, tanto que financiaram grande parte dos empreendimentos marítimos, pois, com o aumento do comércio, poderiam também aumentar a arrecadação de impostos para os seus reinos. Mais dinheiro significaria mais poder para os reis absolutistas. O Medo do Mar Navegar nos séculos XV e XVI era uma tarefa muito arriscada, principalmente quando se tratava de mares desconhecidos. Era muito comum o medo gerado pela falta de conhecimento e pela imaginação da época. Muitos acreditavam que o mar pudesse ser povoado por monstros, animais gigantescos ou que em outros lugares habitavam seres estranhos e perigosos. Enquanto outros tinham uma visão da terra como algo plano e, portanto, ao navegar para o “fim”, a caravela poderia cair num grande abismo. Dentro deste contexto, planejar a viagem era de extrema importância. Os europeus contavam com alguns instrumentos de navegação, como, por exemplo: a bússola, o astrolábio e a balestilha. Estes dois últimos utilizavam a localização dos astros como pontos de referência. Também era necessário utilizar um meio de transporte rápido e resistente. As caravelas cumpriam tais objetivos, embora ocorressem naufrágios e acidentes. As caravelas eram capazes de transportar grandes 21 quantidades de mercadorias e homens. Numa navegação participavam marinheiros, soldados, padres, ajudantes, médicos e até mesmo um escrivão para anotar tudo o que acontecia durantes as viagens. História Moderna AS CONSEQÜÊNCIAS DAS GRANDES NAVEGAÇÕES Portugal Sai na Frente Portugal foi o pioneiro nas grandes navegações dos séculos XV e XVI devido a uma série de condições encontradas neste país situado na Península Ibérica. A grande experiência em navegações ajudou muito Portugal. As caravelas, utilizadas pelos portugueses, principal meio de transporte marítimo e comercial do período, eram desenvolvidas com qualidade superior à de outras nações. A posição geográfica de Portugal contribuiu para o seu pioneirismo. Com todo o litoral voltado para o Atlântico, o país tinha nas atividades marítimas uma importante base econômica: a pesca, principalmente de bacalhau, ocupava boa parte de sua população e seus portos serviam de escala para os navios que faziam o percurso de ida e volta entre o Mediterrâneo e o Mar do Norte. Além do mais, Portugal contou com uma quantidade significativa de investimentos de capital vindos da burguesia e também da nobreza, interessadas nos lucros que este negócio poderia gerar. Neste país também houve a preocupação com os estudos náuticos. Os portugueses criaram um centro de estudos, a Escola de Sagres, no sul de Portugal. Esta escola reuniu numerosos pilotos, cartógrafos e astrônomos, cujos trabalhos favoreceram o avanço da arte de navegar e impulsionaram a expansão marítima portuguesa. No entanto, esses não foram os principais fatores do pioneirismo português nas grandes viagens marítimas. O mais importante foi o fato de Portugal ter um governo forte, centralizado na pessoa do rei, e cujo interesse fundamental eram as atividades comerciais. No ano de 1498, Portugal realiza uma das mais importantes navegações: é a chegada das caravelas, comandadas por Vasco da Gama, às Índias. Navegando ao redor do continente africano, Vasco da Gama chegou à Calicute e pôde desfrutar de todos os benefícios do comércio direto com o oriente. Ao retornar para Portugal, as caravelas portuguesas, carregadas de especiarias, renderam lucros fabulosos aos lusitanos. 22 Outro importante feito foi a chegada das caravelas de Cabral ao litoral brasileiro, em abril de 1500. Após fazer um reconhecimento da terra “descoberta”, Cabral continuou o percurso em direção às Índias. Em função destes acontecimentos, Portugal tornouse a principal potência econômica da época. Espanhóis Saem ao Mar A Espanha começou a navegar mais tarde, só após conseguir expulsar os árabes de seu território. Este país também se destacou nas conquistas marítimas deste período, tornando-se, ao lado de Portugal, uma grande potência. Enquanto os portugueses navegaram para as Índias contornando a África, os espanhóis optaram por um outro caminho. Cristovão Colombo, financiado pela Espanha, pretendia chegar às Índias navegando na direção oeste. Em 1492, as caravelas espanholas partiram rumo ao oriente navegando pelo Oceano Atlântico. Colombo tinha o conhecimento de que nosso planeta era redondo, porém desconhecia a existência do continente americano. Chegou em 12 de outubro de 1492 nas ilhas da América Central, sem saber que tinha atingido um novo continente. Foi somente anos mais tarde que o navegador Américo Vespúcio identificou aquelas terras como sendo um continente ainda não conhecido dos europeus. Em contato com os índios da América (maias, incas e astecas), os espanhóis começaram um processo de exploração destes povos, interessados na grande quantidade de ouro encontrado na região. Além de retirar as riquezas do povo nativo da América Central, os espanhóis destruíram suas culturas. A fim de garantir as vantagens das “descobertas” do “Novo Mundo”, Portugal , em 1494, assinou com a Espanha o famoso Tratado de Tordesilhas, que simplesmente dividia o mundo entre os dois pioneiros das grandes navegações. Foi traçada uma linha imaginária que passava a 370 léguas do Cabo Verde. As terras a Leste desta linha seriam portuguesas, e as que ficavam a Oeste seriam espanholas. Foi assim que parte do Brasil ficou pertencendo a Portugal seis anos antes de Portugal aqui chegar. A REFORMA E CONTRA-REFORMA Antecedentes da Reforma No século XIV, na Inglaterra, John Wycliffe defendeu idéias que seriam reconhecidas pelo movimento protestante como a posse do mundo por Deus, a secularização dos bens eclesiásticos, o fortalecimento do poder temporal do rei como vigário de Cristo e a negação 23 da presença corpórea de Cristo na eucaristia. As idéias de Wycliffe exerceram influência sobre o reformador tcheco João Huss e seus seguidores no território da Boêmia, os hussitas e os taboritas, nos História séculos XIV e XV. Moderna Entre essas vozes protestantes estava, também, a do monge dominicano Girolamo Savanarola, o qual, a mando do papa, foi preso, torturado e enforcado. Inúmeros católicos, como o jurista Thomas Morus ou o humanista Erasmo de Totterdam, criticaram os enormes abusos praticados pelo clero e mostraram que era necessário reformar a Igreja Católica com urgência. Erasmo de Rotterdam, em seu livro Elogio à Loucura, faz uma crítica à igreja católica, além da sua tradução latina do Novo Testamento, afastando-se da versão oficial da Vulgata, e a sátira contra o papa Júlio II, de 1513. Reforma Protestante No século XVI, a Europa foi abalada por uma série de movimentos religiosos que contestavam abertamente os dogmas da Igreja Católica e a autoridade do papa. Estes movimentos de cunho religioso são conhecidos como Reforma. As reformas estavam ocorrendo ao mesmo tempo em que aconteciam as mudanças na economia européia e a ascensão e expansão da burguesia comercial - que estava cada vez mais inconformada, pois os clérigos católicos estavam condenando seu trabalho. O lucro e os juros, típicos de um capitalismo emergente, eram vistos como práticas condenáveis pelos religiosos. Por isso, a burguesia se identifica com algumas correntes do movimento reformista, no momento em que estas valorizam o homem que vivia do comércio e consegue justificar, em suas teorias, o lucro. A burguesia precisava, portanto, de uma nova religião, que justificasse seu amor pelo dinheiro e incentivasse as atividades ligadas ao comércio. O processo das reformas religiosas se desencadeou por alguns motivos, dos quais podemos destacar: os abusos cometidos pela Igreja Católica e a mudança na visão de mundo da população deste período, no campo das transformações intelectuais, da cultura e da arte com o surgimento do pensamento renascentista. A Igreja Católica vinha, desde o final da Idade Média, perdendo sua identidade. Gastos com luxo e preocupações materiais estavam levando a Igreja a se desviar do objetivo católico. A Igreja havia se afastado muito de suas origens e de seus ensinamentos, como pobreza, simplicidade e sofrimento. Muitos elementos do clero estavam desrespeitando as regras religiosas, principalmente o que diz respeito ao celibato. Padres que mal sabiam rezar uma missa e comandar os rituais católicos deixavam a população insatisfeita. Moralmente, a Igreja estava em decadência: preocupava-se mais com as questões políticas e econômicas do que com as questões religiosas. Para aumentar ainda mais suas riquezas, a Igreja recorria a qualquer subterfúgio, como, por exemplo, a venda de cargos 24 eclesiásticos, venda de relíquias e, principalmente, a venda das famosas indulgências (venda do perdão), que foram a causa imediata da crítica de Lutero. O papado garantia que cada cristão pecador poderia comprar o perdão da Igreja. Como agravante, o papa Leão X arrecadava dinheiro para a construção da Basílica de São Pedro, em Roma, com a venda das indulgências. No campo político, os reis estavam descontentes com o papa, pois este interferia muito nos comandos que eram próprios da realeza. O novo pensamento renascentista também fazia oposição aos preceitos da Igreja. O homem renascentista começava a ler mais e a formar uma opinião cada vez mais crítica. Trabalhadores urbanos, com mais acesso a livros, começaram a discutir e a pensar sobre as coisas do mundo. Um pensamento baseado na ciência e na busca da verdade através de experiências e da razão. O Luteranismo Além de todas as insatisfações com a Igreja Católica, a sociedade alemã, como um todo, vive um processo que desencadeia na adesão do povo à Reforma. Os senhores feudais alemães estavam interessados nas imensas propriedades da Igreja e do clero alemão. Os pobres identificavam a Igreja com o sistema que os oprimia, o feudalismo. Isto porque ela representava mais um senhor feudal, a quem deviam muitos impostos. Às vésperas da Reforma, a luta de classes e política acabou assumindo uma forma religiosa. Martinho Lutero era um monge da região da Saxônia. Seu rompimento com a Igreja Católica deu-se em razão da venda de indulgências. Lutero protestou violentamente contra tal comércio e, em 1517, afixou na porta da igreja de Wittenberg, onde era mestre e pregador, 95 teses que, dentre outras coisas, condenava a prática vergonhosa da venda de tais indulgências e criticavam vários pontos da doutrina católica. O papa Leão X exigiu uma retratação, sempre recusada. Lutero foi excomungado e reagiu imediatamente, queimando em público a bula papal (documento de excomunhão). Dentre as varias reivindicações das 95 teses, Martinho Lutero propunha a fundação do Luteranismo. De acordo com Lutero, a salvação do homem ocorria pelas práticas em vida e pela fé. Embora tenha sido contrário ao comércio, teve grande apoio dos reis e príncipes da época. Em suas teses, condenou o culto às imagens e revogou o celibato. Lutero encontrou terreno fértil à sua pregação nas regiões em que era interessante aos nobres se apoderarem das terras da Igreja Católica. Aliando-se aos príncipes, conseguiu principalmente o apoio do Imperador do Sacro Império Romano-Germânico Carlos V, que convocou a “Dieta de Worms” em 1521. As doutrinas luteranas causaram grande agitação, principalmente sua idéia subversiva de confiscar os bens da Igreja. 25 O Calvinismo João Calvino começou a Reforma Luterana no ano de 1534. De acordo com Calvino, a salvação da alma ocorria História pelo trabalho justo e honesto. Essas idéias atraíram muitos Moderna burgueses e banqueiros para o calvinismo. Muitos trabalhadores também viram nesta nova doutrina uma forma de ficar em paz com sua religiosidade. Calvino também defendeu a idéia da predestinação absoluta, que enfatizava o quanto uma pessoa estava “sendo abençoada por Deus”, uma vez que enriquecesse; e o quanto estava predestinada à danação eterna uma vez pobre, doente e miserável. Quem nisso acredita trabalha como louco para demonstrar que está reservado para a salvação divina. O Anglicanismo Na Inglaterra, o rei Henrique VIII rompeu com o papado após este se recusar a cancelar o casamento do rei. Henrique VIII funda o anglicanismo e aumenta seu poder e suas posses, já que retirou da Igreja Católica uma grande quantidade de terras. Casado por interesse com Catarina de Aragão, Henrique VIII apaixona-se por Ana Bolena e, também, pelos benefícios políticos e econômicos que a nova união resultaria. Solicita ao papa a anulação de seu casamento para que pudesse contrair novas núpcias. Diante da resposta do papa “, o que Deus uniu o homem não separará”, e da pressão dos príncipes e pregadores ingleses, pelo Ato de Supremacia, proclamado pelo rei e votado pelo Parlamento inglês, a Igreja, na Inglaterra, ficava sob total autoridade do monarca. Inicialmente, o anglicanismo manteve todas as características da Igreja Católica Romana, excetuando-se o direito ao divórcio e a obediência à infalibilidade do papa. Com o passar dos anos, a Igreja Anglicana agrega muitos dos valores do Calvinismo, afastando imagens de escultura e fazendo uma leitura singular da Bíblia. Contra-Reforma A situação de adeptos da Igreja Católica, em meados do século XVI, era bastante difícil: ela perdera metade dos fiéis da Alemanha, de grande parte da Inglaterra e dos países escandinavos; estava em recuo na França, nos Países Baixos, na Áustria, na Boêmia e na Hungria. A Contra-Reforma, ou Reforma católica, foi uma barreira colocada pela Igreja contra a crescente onda do protestantismo. Para enfrentar as novas doutrinas, a Igreja Católica utilizou várias precauções para conter essa situação. 26 Preocupados com tal avanço do protestantismo e com a perda destes fiéis, bispos e papas reúnem-se na cidade italiana de Trento, onde promovem o Concílio de Trento (15451563), com o objetivo de traçar um plano de reação. No Concílio de Trento ficaram definidas as seguintes ações para conter a reforma religiosa: · Catequização dos habitantes de terras descobertas, através da ação dos jesuítas; · Retomada do Tribunal do Santo Ofício, onde a Inquisição puniria e condenaria os acusados de heresias; · Criação do Index Librorium Proibitorium, uma lista de livros elaborada pelo Santo Ofício, cuja leitura era proibida aos fiéis católicos; · Disciplina do clero, onde os padres deveriam estudar e formar-se nos seminários, e não poderiam ser padres antes dos 25 anos, nem bispos antes dos 30 anos; · Estabeleceu-se que as crenças católicas poderiam ter dupla origem: as Sagradas Escrituras (Bíblia) ou as tradições transmitidas pela Igreja, apenas esta estava autorizada a interpretar a Bíblia; · Mantiveram-se os princípios de valia das obras, o culto da Virgem Maria e das imagens; · Reafirmava a infalibilidade do papa. A conseqüência mais importante deste Concílio foi o fortalecimento da autoridade do papa, que, a partir de então, passou a ter a palavra final sobre os dogmas defendidos pela Igreja Católica. A partir da Contra-Reforma surgiram novas ordens religiosas, como a Companhia de Jesus, que foi fundada em 1534 por um ex-oficial espanhol chamado Inácio Loyola. Os “soldados de Cristo”, como se autodenominavam os jesuítas obedecia a uma disciplina muito rígida e dedicaramse a combater as heresias e o protestantismo, e a catequizar os povos não-cristãos da Ásia, África e América. Tanto nesses continentes quanto na Europa, os jesuítas criaram uma rede de colégios e tiveram um papel destacado na área da educação, graças à organização e à sólida formação intelectual que possuíam. Jamais houve uma discussão ou um debate sério entre um papa e qualquer autoridade protestante acerca de temáticas doutrinárias. Todos ficam presos às suas metáforas e interpretações diferentes dos mesmos textos bíblicos. Mas a defesa das suas doutrinas veio também a ocasionar guerras, conflitos e ações repressivas de ambos os lados. O RENASCIMENTO CULTURAL O Que Levou ao Renascimento Como já discutimos anteriormente, a intensificação do comércio e da produção artesanal resultou no desenvolvimento das cidades, no surgimento de uma nova classe social, 27 a burguesia, e na posterior formação das monarquias nacionais. Estas transformações vieram acompanhadas de uma nova visão de mundo, que se manifestou na arte e na cultura de maneira de geral. História A cultura medieval se caracterizava pela religiosidade. A Igreja Católica controlava as manifestações culturais e dava uma interpretação religiosa para os fenômenos da natureza, da sociedade e da economia. A esta cultura deuse o nome de teocentrismo (Deus no centro). A miséria, as tempestades, as pragas, as enchentes, as doenças e as más colheitas eram vistas como castigos de Deus. Assim como a riqueza, a saúde, as boas colheitas, o tempo bom, a fortuna eram bênçãos divinas. A própria posição que o indivíduo ocupava na sociedade (nobre, clérigo ou servo) tinha uma explicação religiosa. Moderna A arte medieval, feita normalmente no interior das igrejas espelhava esta mentalidade. Pinturas e esculturas não tinham preocupações estéticas, e sim pedagógicas. Mostravam a miséria do mundo e a grandiosidade de Deus. As figuras eram rústicas, desproporcionais e acanhadas. Os quadros não tinham perspectiva. Como as obras de arte eram de autoria coletiva, o artista medieval é anônimo. A literatura medieval era composta de textos teológicos, biografias de santos e histórias de cavalaria. Isto refletia o domínio da Igreja e da nobreza sobre a sociedade. Essa visão de mundo não combinava com a experiência burguesa. Essa nova classe devia a sua posição social e econômica ao seu próprio esforço e não à vontade divina, como o nobre. O sucesso nos negócios dependia da observação, do raciocínio e do cálculo. Características que se opunham às explicações sobrenaturais, próprias da mentalidade medieval. Por outro lado, era uma classe social em ascensão, portanto otimista. Sua concepção de mundo era mais materialista. Queria usufruir na terra o resultado de seus esforços. A visão de mundo da burguesia estará sintonizada com a renovação cultural ocorrida nos fins da Idade Média e no começo da Idade Moderna. A essa renovação denominamos Renascimento. Renascimento Cultural Renascimento é o nome que se dá a um grande movimento de mudanças culturais, que atingiu as camadas urbanas da Europa Ocidental entre os séculos XIV e XVI, caracterizado pela retomada dos valores da cultura greco-romana, ou seja, da cultura clássica. Os artistas, escritores e pensadores renascentistas exprimiram em suas obras os ideais, os valores e a visão de mundo da nova sociedade que emergia da crise do mundo medieval. Na sociedade renascentista, as pessoas tinham consciência de viver numa época diferente do período medieval, sendo opositores do misticismo, do coletivismo, do teocentrismo e do geocentrismo, componentes essenciais da cultura medieval. O Renascimento significou uma nova arte, o advento do pensamento científico e uma nova literatura. A primeira grande transformação é que aqui há a valorização do homem como ser racional. 28 A visão de mundo passa a ser o antropocentrismo “O homem é a medida de todas as coisas”, ou seja, o homem está no centro de das preocupações intelectuais e artísticas, o entendimento do mundo passava a ser feito a partir da importância do ser humano. Para os renascentistas, o homem era visto como a mais bela e perfeita obra da natureza, tendo capacidade criadora e sendo capaz de explicar os fenômenos à sua volta. Apesar de recuperar os valores da cultura clássica, o Renascimento não foi uma cópia desta cultura. Mesmo utilizando os mesmos conceitos, estes eram aplicados de uma nova maneira à uma nova realidade. Desta forma, os renascentistas acreditavam no progresso e na capacidade do homem em resolver problemas. Por essa razão, valorizavam a beleza do mundo e tentavam captá-la em suas obras de arte. O traço marcante do Renascimento era o racionalismo, expresso na convicção de que tudo poderia ser explicado pela razão e pela observação objetiva da natureza. Através do racionalismo, tentava-se descobrir, pela observação e pela experiência as leis que governam o mundo, havendo a recusa em acreditar em qualquer coisa que não tenha sido provada. A razão humana é a base do conhecimento. Isto se contrapunha ao conhecimento baseado na autoridade, na tradição e na, inspiração de origem divina que marcou a cultura medieval. Dessa maneira, o experimentalismo e a ciência, conheceram grande desenvolvimento. As bases desse movimento eram proporcionadas por uma corrente filosófica chamada de Humanismo. O humanista era o indivíduo que traduzia e estudava os textos da antiguidade clássica. Foi dessa inspiração clássica que nasceu a valorização do ser humano. Uma das características desses humanistas era a não especialização. Seus conhecimentos eram abrangentes. O Universalismo, contrário ao individualismo medieval que valorizava as potencialidades e realizações do indivíduo, foi uma das principais características do Renascimento, e considerava que o homem deve desenvolver todas as áreas do saber; pode-se dizer que Leonardo da Vinci é o principal modelo de “homem universal”, matemático, físico, pintor e escultor, estudou, inclusive, aspectos da biologia humana. Vale ressaltar que o Renascimento não foi um movimento de alguns artistas, mas uma nova concepção de vida adotada por uma parcela da sociedade, e que será exaltada e difundida nas obras de arte. O Humanismo Centro das preocupações do pensamento renascentista, o ser humano passou a ser considerado a obra mais perfeita da criação divina, capaz de compreender, modificar a até dominar a natureza. Iniciado neste momento, o Humanismo se tornará referência para os pensadores dos séculos seguintes, inclusive para os iluminista no século XVIII. O pensamento humanista provocou uma reforma no ensino das universidades, com introdução de disciplinas como poesia, história e filosofia. Também com base nesse 29 fundamento, alguns pensadores buscaram reinterpretar o cristianismo, utilizando escritores de autoridades da antiguidade, como Platão. O estudo dos textos antigos despertou o gosto pela pesquisa histórica História e pelo conhecimento das línguas clássicas (latim e grego). Foi recuperado o Moderna latim clássico, que passou a ser a língua com a qual os estudiosos se comunicavam e escreviam suas obras. A partir do século XIV, ao mesmo tempo que os renascentistas se dedicavam ao estudo das línguas clássicas, diferentes dialetos davam origem às línguas nacionais. Essa situação foi importante na consolidação das fronteiras entre os diversos Estados europeus que, naquele momento, se unificavam. Foi também de extrema importância para ao formação de uma identidade nacional e cultural entre as diversas populações reunidas sob o domínio dos reis. O centro do pensamento humanista foi na cidade de Florença, onde Lourenço de Médicis fundou a academia, que reunia estudiosos ilustres. Um dos seus maiores pensadores foi Nicolau Maquiavel, autor de “O Príncipe”. O Renascimento Científico Muitos renascentistas dedicaram-se ao estudo da natureza. Com base na observação e experimentos, esses primeiros cientistas construíram um conhecimento elaborado com a razão,em detrimento de um pensamento puramente religioso. No renascimento valorizava-se a associação entre diversos conhecimentos científicos e práticos. As atividades intelectuais interagiam entre si. Os estudiosos interessavam-se pelas artes, pela reflexão filosófica e pelos conhecimentos de física, matemática, mecânica, hidráulica, astronomia e anatomia. Todos esses conhecimentos precisavam ser levados em consideração, porque tudo contribui para melhor compreender o mundo e o próprio ser humano. Os estudos dos fenômenos naturais e da medicina obtiveram grande desenvolvimento na Escola de Pádua, na Península Itálica. Por lá passaram o polonês Nicolau Copérnico e Galileu Galilei. Em 1543, Copérnico revolucionou o conhecimento de sua época, que, até então, afirmava que a Terra era o centro do Universo. Copérnico defendia a tese de que o Sol ocupava o centro do Universo, e que os planetas, inclusive a Terra, giravam a seu redor. Galileu aprofundou os estudos de Copérnico, comprovando por meio de observações que o sistema proposto por este estava correto. Por isso, a Inquisição ameaçou condená-lo à morte, caso ele sustentasse suas teorias. Para se salvar, Galileu negou suas conclusões e rejeitou a Teoria Solar. Devido a utilização de experiências em seus estudos de mecânica, Galileu é considerado o cientista que mais contribuiu para a formação da Física moderna. Na área da medicina, obtiveram destaque Andréas Vesálio, médico de Bruxelas, com estudos sobre anatomia; William Harvey e Miguel Servet, com estudos acerca da circulação sanguínea; e Ambroise Paré, com a criação da técnica de ligação das arteiras para estancar o sangue. 30 No entanto, o grande gênio renascentista foi Leonardo da Vinci. Pintor, arquiteto, escultor, poeta, músico, matemático e engenheiro, ou seja, ele resume o próprio espírito do Renascimento. Ele não foi um especialista, e também por isso simboliza sua época. Da Vinci começou seus estudos em 1469, aos 17 anos, em Florença, no ateliê de Andréa Del Verrochio. Dedicou-se, inicialmente, à aprendizagem do desenho e das técnicas de pintura. É nesta época que entra em contato com as técnicas da escultura. Trabalhando, também, com máquinas e ferramentas. A partir daí, ele trabalhou por toda sua vida com esses objetos, projetando novos modelos e aperfeiçoando os que já existiam ou, ainda, criando outros que não eram nem imaginados na época. No período em que viveu em Milão, a atenção de Leonardo se voltou para projetos urbanísticos. Ele pensou na possibilidade de utilizar os diversos canais que existiam nesta região como meios de transporte de mercadorias e saneamento da cidade, pois poderiam conter um sistema de esgotos. Mas também, utilizou esses canais como forma de embelezamento da cidade, e projetou o traçado das ruas e dos canais. Assim como se interessou por aspectos da realidade, Da Vinci procurou conhecer o corpo humano. Devido a isso, assistiu dissecações de cadáveres com o objetivo de observar os músculos e articulações para dar realismo e força à representação do corpo humano. Dessas experiências, ele faz muitas anotações e desenhos. O Renascimento Artístico Na Idade Média, os estilos de arte tinham basicamente função religiosa. Seu objetivo era despertar nos fieis o temor a Deus e fazê-los refletir sobre a vida após a morte e a salvação da alma. A arte no Renascimento, ao contrário, expressa as preocupações surgidas em sua época com o desenvolvimento comercial e urbano. Seus temas são a dignidade, a individualidade e a racionalidade do homem. As primeiras manifestações da nova arte surge no norte da península Itálica, com Giotto di Bondone. Durante o renascimento surge a prática de pintar os retratos. O rico burguês contratava pintores para reproduzir a própria imagem, na sua maioria em espaços internos, cercado por seus objetos pessoais para que esse ambiente demonstrasse sua posição social. Renasce, também, a reprodução do corpo humano, comum na arte da Antiguidade Clássica, geralmente nu, perfeito e belo em sua forma física. 31 Dentre as novas técnicas de pintura, destaca-se a perspectiva, representação do espaço em profundidade. Esta técnica é baseada na geometria, que representa os objetos em três dimensões, de tal modo História que, quanto maior a distância entre eles e o observador, Moderna menores aparecem reproduzidos na tela, essa técnica expressa uma nova visão de mundo. No Renascimento, o artista adquire prestígio social perante a burguesia, que contrata seus serviços. Além disso, com o desenvolvimento de novos materiais, como a tinta a óleo, surgem telas. Isso facilita a transformação dos quadros e esculturas em mercadoria. Itália: o Berço do Renascimento O Renascimento teve início e atingiu o seu maior brilho na Itália. Daí irradiou-se para outras partes da Europa. O pioneirismo italiano se explica por diversos fatores. A vida urbana e as atividades comerciais, mesmo durante a Idade Média, sempre foram mais intensas na Itália do que no resto da Europa. Veneza, Gênova e Florença foram importantes cidades portuárias italianas, com uma pode-rosa classe de ricos mercadores. E como o Renascimento está ligado à vida urbana e à burguesia, ganhou evidencia nas cidades italianas. Aliado a isso, o contato com árabes e bizantinos, por meio do comércio, deu condições para que os italianos tivessem acesso às obras clássicas greco-romanas preservadas por esses povos. Quando Constantinopla foi conquistada pelos turcos, em 1453, vários sábios bizantinos fugiram para Itália levando manuscritos e obras de arte. O grande acúmulo de riquezas obtidas no comércio com o Oriente, formou uma poderosa classe de ricos mercadores, banqueiros e poderosos senhores. Esse grupo representava um mercado para as obras de arte, estimulando a produção intelectual. Muitos pensadores, pintores, escultores e arquitetos se tomaram protegidos dessa poderosa classe. A essa prática de proteger artistas e pensadores deu-se o nome de mecenato. Ricos mercadores e políticos foram importantes mecenas, como, por exemplo, a família Médici. A família dos Médici era formada por banqueiros, e dominou Florença entre 1434 e 1737. Vários artistas importantes foram contratos por eles, principalmente Lourenço de Médici, para pintarem quadros, projetar palácios e construir igrejas. No século XIV (Trecento) surgiram as primeiras figuras do Renascimento. No século XV (Quatrocento) a produção cultural atingiu uma grande intensidade. Mas foi no século XVI (Cinquecento) que o Renascimento atingiu o auge. O Trecento, que corresponde aos anos de 1300, é a fase inicial do Renascimento. Na literatura, destacam-se Dante Alighieri, Francesco Petrarca e Giovanni Boccaccio. Na pintura, o maior nome é Giotto, que começou a representar de modo realista as cenas da vida de Cristo e de São Francisco. Ele retratava essas figuras sagradas como se fossem pessoas comuns. 32 No Quatrocento, os anos de 1400, sobressai a escola florentina, impulsionada pelo mecenato dos Médici. Dentre os artistas florentinos desse período destacam-se o arquiteto Filippo Brunelleschi, autor da cúpula da catedral de Santa Maria Del Fiore; o escultor Donatello; e os pintores Masacio, Paolo Uccello, Andréa Mantega, Fra Angélico e Sandro Botticelli. No Cinquecento,anos 1500, foi construída a Basílica de São Pedro, no Vaticano, projeto do arquiteto Donato Bramante. Na pintura, os nomes mais conhecidos são Leonardo da Vinci, Rafael Sanzio e Michelangelo Bounarrotti. Ticiano, considerado mestre da cor, imprimiu sua marca na escola de Veneza. Michelangelo também se destacou como escultor. A decadência do Renascimento italiano foi motivada pela crise econômica das cidades, provocada pela perda do monopólio sobre o comércio de especiarias, pela Reforma Religiosa, e principalmente, a Contra Reforma.Toda a polêmica que se desenvolveu pelo embate religioso fez com que a religião voltasse a ocupar o principal espaço da vida humana na Itália. Além disso, a Igreja Católica desenvolveu um grande movimento de repressão, apoiado na publicação do Index e na retomada da Inquisição, que atingiu todo indivíduo que, de alguma forma, se opusesse à Igreja. Como o movimento protestante não existiu na Itália, a repressão recaiu sobre os intelectuais e artistas do renascimento. A Expansão do Renascimento No decorrer do século XVI, a cultura renascentista expandiu-se para outros países da Europa Ocidental e, para que isso ocorresse, contribuíram as guerras e invasões vividas pela Itália. As ocupações francesa e espanhola determinaram um conhecimento melhor sobre as obras renascentistas e a expansão em direção a outros países, cada um adaptandoo segundo suas peculiaridades, numa época de formação do absolutismo e de início do movimento de Reforma Religiosa. O século XVI foi marcado pelas grandes navegações, num primeiro momento vinculadas ao comércio oriental e, posteriormente, à exploração da América. A navegação pelo Atlântico reforçou o capitalismo de Portugal, Espanha e, em segundo plano, da Inglaterra e França. Nesses “países atlânticos” desenvolveu-se, então, a burguesia e a mentalidade renascentista. Esse movimento de difusão do Renascimento coincidiu com a decadência do Renascimento Italiano. Que acarretou na mudança do eixo econômico do Mediterrâneo para o Atlântico, determinando a decadência italiana e, ao mesmo tempo, impulsionando o desenvolvimento dos demais países, promovendo reflexos na produção cultural. 33 Sessão Cinema... 1492 - A Conquista do Paraíso História Sinopse Moderna A viagem de Cristóvão Colombo, que acreditava ser possível atingir “el levante por el poniente”, ou seja, o Oriente navegando para o Ocidente, é o cenário pico desse filme de Ridley Scott.A odisséia de Colombo está presente no filme através do cotidiano desgastante, dos motins da tripulação e de toda incerteza que cercava uma expedição daquela época quanto ao rumo e ao prosseguimento da viagem. Sem apoio financeiro de Portugal, a maior potência da época, Colombo dirigiu-se à Espanha e associou-se aos irmãos Pinzon, recebendo, ainda, uma ajuda dos reis católicos Fernando de Aragão e Isabel de Castela. Com uma nau (Santa Maria) e duas caravelas (Pinta e Nina), o navegador de origem controversa (genovês ou catalão) partiu do porto de Palos em 3 de agosto de 1492, fazendo escala nas ilhas Canárias para reparo de uma das embarcações. Em 12 de outubro do mesmo ano avistou a ilha de Guanani (atual São Salvador). Sem duvidar que estava no Oriente, realizou ainda mais quatro viagens, tentando encontrar os mercados indianos.O filme focaliza também o espírito vanguardista de Colombo, suas negociações com a coroa espanhola e a tentativa de estabelecer colônias na América, retratando até a velhice aquele que é considerado um dos navegantes mais ousados de sua época. LUTERO Sinopse Martinho Lutero carregou consigo, durante algum tempo, um extremo desejo de se tornar padre. Em 1507 chegou a Enfurt, na Alemanha, para trabalhar como professor de Teologia na Universidade de Wittemberg, que fora fundada pelo Príncipe Frederico III. Em sua primeira missa Lutero obteve um desequilíbrio emocional. Na verdade, dúvidas que pairavam em sua mente começaram a ganhar força. A partir deste momento, tais questionamentos sobre a postura da Igreja Católica começaram a incomodar os conceitos de Lutero, que acreditava na existência de um caminho “gratuito” ao amor de Cristo e da salvação. A MISSÃO Sinopse No século XVIII, na América do Sul, um violento mercador de escravos indígenas, arrependido pelo assassinato de seu irmão, realiza uma auto-penitência e acaba se convertendo como missionário jesuíta em Sete Povos das Missões, região da América do Sul, reivindicada por portugueses e espanhóis, e que será palco das “Guerras Guaraníticas. Palma de Ouro em Cannes e Oscar de fotografia. 34 GIORDANO BRUNO Sinopse Filme biográfico sobre um dos precursores da ciência moderna, filósofo, astrônomo e matemático, Giordano Bruno fez várias descobertas científicas e desenvolveu sua teoria do universo infinito e da multiplicidade dos mundos, em oposição à tradição geocêntrica (a Terra como centro do universo). Giordano Bruno é queimado vivo pela Inquisição. Bela e real reconstituição da época. Agonia e Êxtase Sinopse Produção meticulosa sobre os conflitos entre o pintor Michelangelo, o grande artista do Renascimento italiano, e o Papa Julio II, que a patrocinava e que quase nunca era atendido por ele. Pequeno documentário sobre o trabalho do artista. [ ] Agora é hora de TRABALHAR 1. Pode-se relacionar a expansão marítima européia com a consolidação do absolutismo na Europa ocidental? 35 2. Quais as conseqüências da expansão marítima européia para a configuração geográfica do mundo atual? História Moderna 3. Faça uma análise da visão de mundo do homem na época das grandes navegações e o medo do mar. 4. Faça uma análise e relacione todos os acontecimentos que fizeram com que Portugal fosse o pioneiro das viagens marítimas européias. 5. Faça uma análise da importância da chegada dos espanhóis à América colombiana e o fortalecimento do mundo moderno. 6. Quais as conseqüências para a América Latina da chegada dos espanhóis e portugueses neste continente? 7. Relacione a ética religiosa implantada pela doutrina calvinista com o desenvolvimento da economia capitalista e com a ascensão social da burguesia. 36 8. Da forma como se deu a Reforma Anglicana, podemos concluir que as motivações propriamente religiosas dessa Reforma foram menos relevantes em relação à Reforma calvinista e à luterana. Por quê? 9. Faça uma análise da dificuldade de relacionar o pensamento religioso tradicional, herdado da sociedade feudal, com a nova realidade econômica, criada pelo capitalismo mercantil. 10. O ideal de ser humano do Renascimento pode ser resumido no chamado humanismo. Relacione o antropocentrismo com o pensamento renascentista. 11. Faça uma análise da autação da Igreja Católica como um obstáculo para o desenvolvimento do renascimento, em especial ao Renascimento científico. 12. Faça uma análise dos motivos que levaram à decadência do Renasciemnto italiano e as suas coseqüências. 37 A ERA DO ABSOLUTISMO História Moderna O ANTIGO REGIME O ABSOLUTISMO: “UM REI, UMA FÉ, UMA LEI” O Absolutismo Monárquico A Monarquia Absolutista se caracteriza pelo poder centralizado no rei. Sistema político no qual o rei detém o poder total, cabendo-lhe o direito de impor leis e obediência aos súditos. Ele incorpora o ideário nacional, de fato e de direito é um soberano: tem o poder de decretar leis, de fazer a justiça acontecer, arrecadar impostos, manter um exército permanente, nomear funcionários, julgar atentados contra o bem público, além de fazer sua vontade prevalecer, mesmo que dentro de jurisdições não-oficiais. Nesta época, o rei concentrava praticamente todos os poderes. Criava leis sem autorização ou aprovação política da sociedade. Criava impostos, taxas e obrigações de acordo com seus interesses econômicos. Agia em assuntos religiosos, chegando, até mesmo, a controlar o clero em algumas regiões. Para a organização de seus reinos, os soberanos valeram-se das antigas práticas feudais e, por meio delas, avançaram para a criação de instituições políticas modernas. Aperfeiçoaram os tribunais de justiça através de funcionários capacitados; criaram um corpo de oficiais dispondo de militares permanentes; instituíram diversas formas de impostos; expandiram as fronteiras nacionais e concentraram as propriedades descentralizadas politicamente num único reino. Os reis ocuparam-se da prática da justiça, pois esta era a grande aspiração das populações camponesas contra a violência da nobreza e contra o perigo de perderem suas terras. Para isso, dedicaram especial atenção à organização das leis escritas, inspirando-se nas tradições romanas. Esta autoridade dos soberanos foi fundamentada pelas doutrinas de teóricos que justificavam o poder absolutista destes reis. No entanto, apesar de absoluto, o poder dos reis sofria algum tipo de controle, como, por exemplo, a observação dos costumes, valores e tradições seculares e profanas, com um regime político constitucional, que obedece a limites e regras estabelecidos. Além de uma burocracia administrativa, de um sistema nacional de impostos e de uma diplomacia 38 que regulamentava o relacionamento entre os países e o controle do comércio pelo Estado, através das práticas mercantilistas. Uma das funções mais importantes da diplomacia era a de promover casamentos entre os membros dos diferentes reinados. Estes arranjos matrimoniais constituíam uma forma menos dispendiosa e mais pacífica de expansão territorial e acúmulo de riquezas por parte dos governos. Em dificuldades, pela crise do sistema feudal, a nobreza procurou apoio nos reis, com o objetivo de obter ajuda para continuar tendo a obediência dos camponeses e garantir a posse e domínio de suas propriedades. Os reis, favorecidos também pela conjuntura de guerras continuadas, tiveram sua liderança reforçada, reassumindo antigas funções de aplicação da justiça e de manutenção da ordem em territórios cada vez mais ampliados. Acompanhando a progressiva centralização do poder dos reis, formaram-se, na Europa, as monarquias ou Estados Nacionais unificados, que eram países de superfície territorial variável, englobando populações de tradições, costumes, língua e passado histórico comuns. Mesmo em regiões que permaneceram divididas em pequenos reinos e cidades, como a Itália e a Alemanha, a tendência foi o fortalecimento do poder político dos governantes locais. Essa nova forma de organização política atendia aos interesses tanto da nobreza quanto da burguesia. Os nobres tiveram assegurado os seus privilégios feudais sobre os camponeses, as suas terras e os seus títulos, além de ocupação de cargos e funções administrativos importantes, além de pensões e chefias de regimentos militares. No entanto, devido a grande dependência que se formou perante a figura do rei, este nobre perde sua autonomia gradativamente. Por outro lado, os burgueses também procuraram se aliar aos reis, financiando a manutenção de exércitos utilizados para manter a ordem e o poder. Além disso, a centralização política e administrativa trouxe a unificação de impostos, leis, moedas, pesos, medidas e alfândegas em cada país, o que favoreceu o comércio e o enriquecimento da burguesia mercantil e manufatureira. Os nobres tinham na guerra sua principal ocupação, que servia como meio mais rápido dos reis conquistarem terras e riquezas alargando as fronteiras nacionais, tornandose vital para o Estado absolutista. Ela era mais eficiente para o enriquecimento do país do que o aumento da produtividade na agricultura ou nas manufaturas. A venda de cargos públicos à nobreza e à burguesia, que os comprava em troca de status na sociedade, foi uma prática muito utilizada pelo Estado para aumentar seus rendimentos. Além disso, nobreza, burguesia e os camponeses tinham que pagar impostos, principalmente esta população mais pobre, criados para sustentar as despesas do reino com as guerras, os luxos da corte e a administração do Estado. Essa situação motivou inúmeras revoltas nos séculos XVI e XVII, em grande medida por parte do povo mais pobre, e os funcionários encarregados pela cobrança dos impostos tinham que trabalhar protegidos pelo exército. A organização política do Estado Absolutista era caracterizada pela formação em assembléias representadas: pelo clero, pela nobreza e pela burguesia. O rei reunia a 39 assembléia sempre que necessitasse de ajuda para tomar decisões de ordem financeira ou de conselho. Por isso, a autoridade do rei absolutista não era contestada. Para a História população em geral, o poder centralizado era um instrumento necessário à Moderna manutenção da lei e da ordem. Numa crença respaldada e difundida por filósofos e pela Igreja, aqui o rei não se submetia à autoridade da Igreja como acontecia no sistema feudal, o povo foi levado a acreditar que o soberano era rei e governava pela graça de Deus e somente a ele devia prestar contas. A fé e o apoio dos súditos eram importante fonte do poder dos monarcas. Essas contradições de um Estado centralizado que se modernizava e beneficiava a burguesia e o rei, ao mesmo tempo em que atendia aos interesses da nobreza, chegaram ao limite no interior dos Estados absolutistas. Esse quadro político produziu durante a Idade Moderna inúmeros conflitos, que culminaram no século XVIII, com a reação, principalmente, da burguesia. Bases Sociais no Absolutismo Devemos compreender o Estado Absolutista na sua mais íntima relação com a estrutura da sociedade. Para definir uma sociedade, é necessário levar em conta a forma de sua estratificação, isto é, a maneira como os homens se relacionam dentro dela. Na época moderna, o que define o relacionamento entre os homens, entre as camadas sociais e entre a sociedade e o Estado são os privilégios. A divisão básica dentro da sociedade se faz entre aqueles que têm privilégios, clero e nobreza (Primeiro e Segundo Estados) e os que não têm (Terceiro Estado). Dizemos que eles formam estamentos, camadas sociais diferenciadas por seus valores e estilos de vida. O Primeiro Estado era formado pelo alto e baixo clero. O clero tinha seus próprios representantes, tribunais e assembléias. Recebia os dízimos da população e não pagava talha ao Estado. Havia enorme disparidade entre alto e baixo clero. Bispos e abades eram os maiores proprietários do reino, enquanto padres e vigários viviam na miséria, com um pequeno salário. O Segundo Estado, formado pela alta nobreza da corte e pequena nobreza das províncias, ou provincial (com dificuldades para sobreviver, buscando casamentos vantajosos no seio da alta burguesia), que, apesar de representarem menos de 3% da população do país, gozavam de isenções de impostos, leis e tribunais especiais. Do Segundo Estado fazia parte, também, a alta burguesia mercantil urbana, que enriquecida com os lucros obtidos nos negócios, havia adquirido terras, títulos e cargos administrativos, transformando-se em nobreza togada, integrada ao Estado Absolutista, com os mesmos privilégios e direitos da nobreza tradicional de sangue. O alto clero, a alta nobreza da corte e a alta burguesia enobrecida (nobreza togada), formavam a aristocracia do Estado Absolutista, ocupando os melhores cargos do governo, da Igreja e do Exército, recebendo pensões, subsídios e doações que custavam ao Estado milhões de libras por ano. 40 O Terceiro Estado (burgueses, artesãos e camponeses) abrangia cerca de 97% da população francesa, estava privado de qualquer privilégio ou direito político e era responsável pelo pagamento de todos os impostos que sustentavam o rei e as classes privilegiadas. Os grupos sociais que compunham o Terceiro Estado eram bastante diversificados. Nas cidades, destacavase a burguesia, formada por magistrados, profissionais liberais, médios e pequenos comerciantes e donos de oficinas, que pagava altos impostos ao reino. Havia também uma massa de trabalhadores urbanos, pequenos artesãos, aprendizes, lojistas, biscateiros, desempregados, que sofriam com os baixos salários e com a carestia. No campo, estava a maior parte da população da França e do Terceiro Estado. Eram pequenos proprietários, arrendatários, meeiros e servos que pagavam impostos ao Estado (a talha, sobre a propriedade; a capitação, por pessoa; as gabelas, sobre o sal e o vinho); à Igreja (os dízimos, em dinheiro e em gêneros) e aos nobres, (o censo, renda em dinheiro; a jugada, parte da colheita; a portagem, pelo direito de circular nas estradas e pontes do domínio do senhor; as banalidades, pelo uso do moinho, forno, forja, bosques e pastagens). A carga tornava-se insuportável nas secas, quando sobrevinham fome e pestes. A maioria dos camponeses era pobre, obrigada a trabalhar na terra dos nobres por um pequeno salário e lutava por manter o antigo costume de utilização coletiva das terras. Dividido em diferentes camadas, e com vários conflitos, o campesinato era unido pelo mesmo sentimento de ódio aos dízimos pagos à Igreja e as obrigações feudais devidas aos proprietários e ao Estado. O conflito entre as classes sociais foi condição fundamental do poder absoluto. O próprio rei instigou o conflito, procurando sobrepor-se a ele e dele tirar proveito. Protegeu a alta burguesia dando benefícios a esta, tais como: monopólios comerciais e industriais, arrendamento de impostos, garantia de ascensão social, apoio contra clero e nobreza. Reciprocamente, concedeu privilégios ao alto clero e domesticou a nobreza, atraindoa a seus palácios por meio de cargos e pensões. Também protegeu as corporações dos artesãos contra os grandes capitalistas, assegurando-lhes os direitos, ao mesmo tempo em que defendeu artesãos e capitalistas contra os assalariados. Garantiu aos camponeses direitos de posse e propriedade adquiridos pelo costume. O poder real, em suma, descansava sobre o conflito generalizado que tendia a equilibrar as forças sociais, especialmente o conflito entre as duas classes mais poderosas, nobreza e burguesia. A França e o Absolutismo A França foi o modelo mais acabado de absolutização do poder. O Estado avançou devido à crise da Baixa Idade Média: as revoluções camponesas e urbanas punham as classes dominantes em xeque e criavam obstáculos ao próprio desenvolvimento econômico. 41 O Estado forte continha as rebeliões e dinamizava a expansão comercial, promovendo a retomada do desenvolvimento econômico. No início do século XVI, os reis franceses já se apresentavam com o História poder consolidado, respondendo por seus atos somente a Deus. Criaram os Moderna serviços públicos, colocaram a Igreja sob seu controle e incentivaram o comércio, visando obter os metais preciosos. Na segunda metade do século XVI, a França foi assolada por guerras religiosas entre católicos e calvinistas, que se estenderam de 1562 a 1598. Essas guerras envolveram as grandes famílias aristocráticas que dominavam o país, pois os católicos eram chefiados pelo rei Henrique III da dinastia de Valois, e pelo Duque Henrique de Guise; E os protestantes eram liderados por Henrique de Navarra ou Bourbon. Henrique III hesitava em combater os protestantes calvinistas, cuja grande maioria era de burgueses, responsáveis por parte considerável das riquezas do reino. A luta armada, iniciada em 1562, trouxe massacres tanto de protestantes quanto de católicos, além de devastações e de revoltas populares no campo e nas cidades. Com o assassinato do rei, em 1589, subiu ao trono seu parente mais próximo, Henrique de Navarra que, para ser coroado, aceitou converter-se ao catolicismo. As guerras religiosas favoreceram o processo de centralização da monarquia no reinado de Henrique IV de Navarra ou Bourbon, que durou de 1589 a 1610. Em 1598, foi publicado o Edito de Nantes, concedendo liberdade de culto aos protestantes e permitindo seu livre acesso aos cargos públicos. No setor econômico, destacou-se o ministro Sully, que incentivou a agricultura, as manufaturas e a colonização, adotando medidas mercantilistas. No governo de Henrique IV foi criada a “paulette” (1604),que consistia na legalização da venda de cargos públicos e de títulos de nobreza, transformando-se numa importante fonte de renda para o Estado. 0 novo imposto teve um grande alcance político-social, pois abriu à burguesia mercantil e financeira a oportunidade de ascensão social. Entre 1620 e 1624, a “paulette” chegou a representar 38% dos rendimentos reais. Henrique IV morreu assassinado em 1610 e foi sucedido por seu filho, Luís XIII. A Monarquia do “Direito divino” O absolutismo francês atingiu o auge no reinado de Luís XIV (1643-1715), denominado o “Rei Sol”. Durante a sua menoridade, o governo foi exercido pelo primeiroministro Mazarino, que enfrentou vitoriosamente várias rebeliões da nobreza resistente ao absolutismo. A partir de 1661, com a morte de Mazarino, o monarca exerceu pessoalmente o poder, sem admitir qualquer contestação, sendo-lhe atribuída a frase: O Estado sou eu”. Luís XIV exigiu que os governadores das províncias francesas, nomeados por apenas três anos, residissem em Paris, para melhor controlá-los. Mandou construir o luxuoso Palácio de Versalhes, que chegou a abrigar mais de 10 mil pessoas, entre nobres e empregados. 42 Na Corte, as principais famílias da França desfrutavam de um elevado padrão de vida, usufruindo de vultuosas pensões e benesses de cargos públicos, além de ocuparem seu tempo em jogos, caçadas, passeios, bailes e intrigas, graças aos impostos arrecadados entre as classes populares. Como justificativa da centralização imposta pelo Estado Absolutista francês, difundiuse a teoria da monarquia de “direito divino”, segundo a qual o rei era o representante de Deus na terra e, portanto, somente a Ele dever-se-ia prestar contas. A dispendiosa manutenção da corte e a série de guerras desastrosas envolvendo questões com a Inglaterra, a Holanda, a Espanha, a Áustria e a Alemanha agravaram a situação financeira do pais, provocando a miséria de camponeses e de artesãos. Absolutismo Inglês A afirmação do poder real na Inglaterra tem início no século XVI, com a Dinastia Tudor. Henrique VIII, segundo rei da dinastia, impôs-se à nobreza, unificou o país e chocouse com o papado, o que lhe permitiu afastar a ingerência do poder universal e, ao mesmo tempo, assumir o controle da Igreja Anglicana e confiscar os bens da Igreja Católica. Filha de Henrique VIII e Ana Bolena, Elizabeth I governou o país de 1558 a 1603. De temperamento forte, governou de forma absoluta, com ajuda de seu Conselho Privado, composto de uns poucos conselheiros fiéis. Esforçou-se para evitar a convocação do Parlamento, criado pela Carta Magna de 1215, do qual dependia a aprovação de impostos. O Parlamento foi importante no apoio a sua política religiosa. O reinado de Elizabeth I foi um período de grande crescimento econômico e correspondeu ao apogeu do absolutismo na Inglaterra. Seu governo praticou intensa intervenção na economia, através de medidas mercantilistas de favorecimento à agricultura, às manufaturas, ao comércio e à navegação. Com a introdução do anglicanismo, surgiram vários oposicionistas: os calvinistas, ou não-conformistas; os calvinistas radicais, ou puritanos, e os católicos, que conspiraram várias vezes. Com sabedoria, a rainha manobrou, dando mais importância ao calvinismo do que ao catolicismo. Pressionando, desta forma, a nobreza (católica) e trazendo o apoio da burguesia (protestante), a rainha mandou decapitar sua prima Maria Stuart, rainha deposta da Escócia e católica apoiada pelo papa e por Filipe II, da Espanha, dando grande demonstração de força. Em 1588, a destruição da Invencível Armada mandada pelos espanhóis inaugurou nova fase no concerto das hegemonias européias. Por ser uma ilha, a Inglaterra não se sentia ameaçada de invasão, fato que desmilitarizou precocemente a sua nobreza. Por isso, não havia no país um exército profissional permanente, semelhante aos existentes na Espanha e na França, as duas 43 principais potências européias do século. XVI. Devido à presença do Parlamento, a Coroa inglesa também não tinha autonomia financeira nem uma burocracia forte, como a França. História O Estado Absolutista inglês realizou a modernização de sua marinha, iniciada por Henrique VIII, que quadruplicou o número de embarcações. Além de servirem ao comércio, os navios passaram a servir também à guerra, favorecendo a expansão marítima inglesa. Moderna As principais conseqüências do Estado Absolutista na Inglaterra foi o notável desenvolvimento econômico do país. Por volta de 1570, cresceram a indústria da lã e a exploração das minas de carvão. O comércio internacional progrediu, estimulando a construção naval. A partir daí, intensificaram-se as viagens de navegadores e de corsários à América, tendo o aval da coroa inglesa, com o objetivo de saquear as embarcações espanholas carregadas de ouro e de empreender contrabando com as Antilhas. O avanço da pirataria legitimada pelo Estado (os corsários) sobre o império colonial espanhol e português trouxe enormes lucros. A prosperidade dinamizou a sociedade. Setores da nobreza passaram a produzir para o mercado, dando origem à nobreza progressista. A burguesia mercantil das cidades portuárias, principalmente Londres, ganhou importância na Câmara dos Comuns. Os camponeses, que tinham a posse, mas não a propriedade legal da terra, aumentou sua ambição. Os artesãos impuseram o Estatuto dos Artesãos, de 1563, que regulamentava suas atividades; e a Lei dos Pobres, que impunha imposto obrigatório aos habitantes das comunidades para sustentar os desamparados. O MERCANTILISMO: OURO, PODER E GLÓRIA Mercantilismo Podemos definir o mercantilismo como sendo a política econômica adotada na Europa durante o Antigo Regime. Como já dissemos, o governo absolutista interferia muito na economia dos países. O objetivo principal destes governos era alcançar o máximo possível de desenvolvimento econômico, através do acúmulo de riquezas. Quanto maior a quantidade de riquezas dentro de um reino, maior seria seu prestígio, poder e respeito internacional. O Mercantilismo é entendido como um conjunto de práticas adotadas pelo Estado Absolutista na época moderna, com o objetivo de obter e preservar riqueza. A concepção predominante parte da premissa de que, a riqueza da nação é determinada pela quantidade de ouro e prata que ela possui. Ao mesmo tempo, os governantes consideravam que a riqueza que existia no mundo era fixa, não poderia ser aumentada, portanto, para um país enriquecer outro deveria empobrecer. Essa concepção foi responsável pelo acirramento das disputas entre as nações. Para a consecução dos objetivos mercantilistas, todos os outros interesses deviam ser relegados à segundo plano: a economia local tinha que se transformar em nacional e o lucro individual desaparecer, quando assim conviesse ao fortalecimento do poder nacional. 44 Alcançar a abundância de moeda era, efetivamente, um dos objetivos básicos dos mercantilistas, já que, segundo estes, a força do Estado dependia de suas reservas monetárias. Se uma nação não dispunha de minas, tinha de buscar o ouro necessário em suas colônias ou, caso não as tivesse, adquiri-lo por meio do comércio, o que exigia um saldo favorável da balança comercial, ou seja, que o valor das exportações fosse superior ao das importações. As nações européias adotaram uma política intervencionista, ou seja, as regras da economia eram ditadas pelo Estado, fato aparentemente lógico na época, pois o Estado era absolutista e, portanto, exercia forte controle sobre a economia. O Estado passou a proibir a saída de ouro e prata, como forma de manter a riqueza no país. Em território nacional, o mercantilismo preconizou o desaparecimento das alfândegas interiores, a supressão ou redução dos entraves à produção forçados pelas corporações de ofício, o emprego de sistemas de contabilidade e acompanhamento das contas de receitas e despesas do Estado, a troca de funcionários corruptos ou negligentes por outros honestos e competentes, a criação de uma fiscalização centralizada e a adoção de leis que desestimulassem a importação de bens improdutivos e de grande valor. A crítica mais abrangente do mercantilismo foi movida por Adam Smith, que denunciou a falsa identificação, feita por muitos teóricos dessa corrente econômica, entre dinheiro e riqueza. Com efeito, o forte protecionismo alfandegário e comercial e a subordinação da economia das colônias à da metrópole não tinham como fim último o desenvolvimento da manufatura nacional, mas, como foi demonstrada anteriormente, a maior acumulação possível de metais nobres. A economia clássica posterior, cujo principal representante foi Smith, preconizou, ao contrário, a livre atividade comercial e manufatureira em qualquer território, a colônia ou metrópole, já que, segundo seus princípios, a riqueza não se identificava com o simples acúmulo de reservas monetárias, mas com a própria produção de bens. Independentemente das diversas análises econômicas a que foi submetido, o mercantilismo foi o instrumento que assegurou as condições econômicas e financeiras necessárias a garantir a expansão dos Estados Absolutistas europeus. 45 História Moderna O Desenvolvimento da Economia Mercantil Inglesa Durante a época feudal, a população da Inglaterra vivia em maior parte no campo, em comunidades locais que produziam lãs e víveres para o próprio consumo. As terras eram cultivadas visando o sustento familiar e passavam de pais para filhos. Os camponeses exploravam seus lotes dispersos em faixas pelas propriedades senhoriais. Eles utilizavam também as “terras comuns” dos domínios para a pastagem do gado, a caça ou a obtenção de madeira. Gradualmente, a partir do século XV, as aldeias começaram a se modificar. Os gêneros agrícolas e as lãs, nelas produzidos, passaram ser em vendidos em regiões mais afastadas, iniciando-se a formação de um mercado nacional. A facilidade na obtenção de lã favoreceu o desenvolvimento da indústria têxtil, que se espalhou pelas aldeias através de sistemas domésticos de produção, fugindo às restrições impostas pelas corporações de ofício nas cidades. À medida que o comércio da lã aumentava, os proprietários de terras iniciaram o processo de expulsão dos camponeses de seus lotes, acabando com os direitos tradicionais de utilização das “terras comuns” dos domínios. É que tinham por objetivo favorecer a criação intensiva de carneiros para o fornecimento de lã em grande escala, sempre com o apoio do Parlamento. As regiões do sul e do leste da Inglaterra especializaram-se na produção de lã e de alimentos, cujos preços estavam em ascensão. As terras se valorizaram, transformando-se numa mercadoria como outra qualquer, podendo ser compradas, vendidas ou arrendadas, a critério de seu proprietário. O uso da moeda (fomentado pela chegada do ouro e da prata das Américas) generalizou-se, substituindo o pagamento em espécie ou em trabalho entre camponeses e proprietários. No século XVI, a Inglaterra tornou-se também um grande centro de extração de carvão e de produção de ferro, estanho, vidro, sabões e construção naval. Além da indústria têxtil, espalhada por burgos e aldeias do interior, surgiram empresas que utilizavam métodos novos para a extração do sal, o fabrico do papel, o refino do açúcar e a fundição do ferro e do cobre, A exploração das minas de carvão foi melhorada com a utilização de bombas que permitiram o trabalho em grandes profundidades. 46 Os lucros obtidos na produção e na exportação de mercadorias passaram a ser investidos na compra de terras, ainda a principal riqueza e fonte de poder, por comerciantes, manufatureiros e homens de negócios, de uma forma geral. Surgiram, assim, os “agricultores capitalistas”, um novo grupo de proprietários rurais, que investia seus ganhos na exploração comercial da terra. O desenvolvimento da economia mercantil dividiu os proprietários de terras e de riquezas em dois grupos divergentes. De um lado, a alta nobreza, formada pela antiga aristocracia, que vivia das rendas fixas da terra e dos favores da corte e interessava-se em manter as práticas e os costumes feudais. De outro lado, consolidava-se a burguesia urbana, formada pela pequena burguesia independente e pelos novos agricultores capitalistas. Esse grupo era favorável ao cercamento dos campos e da liberdade de produção e de comércio. A população rural também foi afetada pelo crescimento econômico. Havia os camponeses, pequenos e médios proprietários de terras; e os camponeses arrendatários, que não eram donos dos lotes que cultivavam. A maioria dos camponeses, que possuía propriedades de tamanho médio e produzia para o mercado, progrediu. Já os pequenos proprietários e os arrendatários, com o início do cercamento dos campos, perderam suas terras e transformaram-se em assalariados ou desocupados. Com a expulsão dos camponeses das terras cercadas, as revoltas tornaram-se freqüentes. O governo inglês tentou interferir, defendendo para os camponeses as terras de uso comum, mas não obteve êxito, visto que a iniciativa era contrária aos interesses dos donos de grandes extensões de terras e dos camponeses proprietários, beneficiados pelos cercamentos que possuíam e pelos representantes no Parlamento. O desenvolvimento econômico e a generalização do uso da moeda trouxeram lucros para a burguesia urbana que se dedicava ao comércio e à produção, enquanto que a alta nobreza e grande parte dos camponeses viam seus rendimentos diminuírem ou perderem seu valor. O Mercantilismo na Espanha A Espanha acumulou grande quantidade de riqueza a partir da exploração de seus territórios coloniais na América. Para o país, o colonialismo foi a base de acumulação de riqueza dos metais preciosos. Os demais países europeus, que não obtinham metais através da exploração direta, desenvolveram uma política com o objetivo de obter uma “balança comercial favorável”, procurando aumentar suas exportações e restringir as importações. Dessa forma, os ganhos seriam maiores que os gastos e a diferença seria acumulada pelo tesouro do país. Os metais preciosos permitiriam ao governo comprar armas, contratar soldados, construir navios, pagar funcionários e custear as guerras. O caso espanhol demonstrou, entretanto, o quanto era enganosa a política metalista. A Espanha era, no século XV, o país mais rico da Europa em conseqüência do ouro e da prata oriundos de suas colônias da América. O atraso do comércio das manufaturas e da agricultura espanholas, entretanto, obrigavam a Espanha a importar de outros países europeus a quase totalidade das mercadorias necessárias ao seu consumo. 47 Como essas importações eram pagas em ouro e prata, os metais preciosos que chegavam à Espanha eram, em seguida, desviados para o resto da Europa. A Espanha tornou-se, assim, a fornecedora de ouro para outros países mais desenvolvidos do ponto de vista comercial e industrial, História como a França, a Inglaterra e a Holanda. Moderna A partir desse contexto, a balança comercial favorável transformou-se no segundo princípio mais importante do mercantilismo europeu. Como os metais preciosos constituíam o principal meio de pagamento nas relações econômicas Internacionais, o incremento do comércio exterior tornou-se a forma por excelência de acumulação de ouro e prata - cada país procurava exportar o máximo e importar o mínimo para obter uma balança de comércio favorável. Essa política de incremento unilateral do comércio exterior acabou gerando um nacionalismo econômico exacerbado, que se tornou uma das principais causas das guerras permanentes entre as grandes potências européias nos Tempos Modernos. A política econômica mercantilista estava voltada para três objetivos principais: o desenvolvimento da indústria, o crescimento do comércio e a expansão do poderio naval. Para incentivar o desenvolvimento da indústria, o governo concedia a grupos particulares o monopólio de determinados ramos da produção ou criava as manufaturas do Estado. A meta era a obtenção da auto-suficiência econômica e a produção de excedentes exportáveis. A expansão do poderio naval era essencial para garantir as comunicações marítimas entre as metrópoles européias e seus impérios coloniais, assim como para a execução do comércio em escala mundial. No século XV, Portugal exerceu a supremacia naval; no século XVI, esta passou à Espanha; no século seguinte, à Holanda; e, finalmente, no século XVIII a Inglaterra tornou-se a “rainha dos mares”. Deficiências do Mercantilismo A camada mercantil ainda deparava-se com inúmeros entraves de ordem econômica. Esses obstáculos, tais como a depressão monetária, a carência de matérias-primas em solo europeu e a relativa pobreza dos mercados continentais, geraram a necessidade de apoios externos para manter o processo de acumulação de capital. Nesse sentido, atuaram como poderosas alavancas ao mercantilismo, a expansão ultramarina e as economias coloniais. O mercantilismo não foi um sistema econômico, é a lógica econômica da transição do feudalismo para o capitalismo. Os inimigos do mercantilismo argumentavam que não havia diferença entre o comércio interno e o comércio externo, pois todo comércio beneficiava tanto o mercador quanto o consumidor e condenavam a poupança, por retirar recursos do mercado. Negavam que uma nação pudesse crescer economicamente apenas suplantando outras nações através do comércio, porque o comércio somente se manteria em duas vias, de entrada e saída. 48 AS DOUTRINAS ABSOLUTISMO FILOSÓFICAS QUE JUSTIFICAM O Os Teóricos A teoria do poder absoluto apresentava o rei como representante de Deus na Terra, defensor da Igreja a e da pátria, protetor das artes, legislador e representante do Estado, cujos interesses estavam acima dos interesses particulares. Os principais teóricos do absolutismo se utilizaram do discurso racional, de origem renascentista, para respaldar práticas do poder absolutista. Muitos filósofos desta época desenvolveram teorias e chegaram até mesmo a escrever livros defendendo o poder dos monarcas europeus. Jacques Bossuet, bispo francês, no século XVII, estabelece a relação entre o poder do rei e o poder de Deus. Para este filósofo, o rei era o representante de Deus na Terra. Autor de “A política Segundo as Sagradas Escrituras”, ele defendia o dogma do direito divino dos reis. Isto quer, dizer que, a autoridade do rei é sagrada porque é vontade de Deus. E contestar esta legitimidade é sacrilégio, pois quem questiona a vontade do rei questiona Deus. Nicolau Maquiavel, teórico italiano do poder real, defende a utilização de todos os meios ao alcance dos governantes para a centralização do poder. Defendia que o rei tinha de ser racional na busca do interesse do Estado. Ele escreveu o livro O Príncipe, onde defendia o poder dos reis. De acordo com as idéias deste livro, o governante poderia fazer qualquer coisa em seu território para conseguir a ordem. De acordo com o pensador, o rei poderia usar até mesmo a violência para atingir seus objetivos. Para ele, o príncipe deve ser amado e temido, não podendo ser os dois, deve ser antes temido do que amado. Thomas Hobbes defendia que o absolutismo era necessário para a organização social. Este pensador inglês, autor do livro O Leviatã, defendia a idéia de que o rei salvou a civilização da barbárie, pois, até então, essa sociedade teria vivido em anarquia, e os indivíduos formaram o Estado civil para se protegerem da violência. Para ele, o homem nasce desorganizado e é o Estado que vai moldar este homem. Desta forma, o Estado era um mal necessário à sobrevivência da sociedade, sendo que a autoridade do rei tem a função de enquadrar o homem neste processo civilizatório. Portanto, através de um contrato social, a população deveria conceder ao Estado poderes ilimitados, pois, este Estado deve ser forte e maior que tudo, soberano de toda sociedade. Jean Bodin, no livro “A República”, afirmava que a autoridade do rei se assemelhava à autoridade do pai e, por isso, deveria ser ilimitada. Segundo este teórico político francês, os príncipes soberanos (os reis) eram estabelecidos como representantes de Deus para governarem os outros homens. O poder era, pois, legitimado pela religião. 49 O COLONIALISMO E O ABSOLUTISMO Colonização Inglesa História Com o crescimento do comércio e da navegação, foram fundadas as companhias inglesas de comércio, que reuniam capitais de acionistas e recebiam monopólios do Estado para a exploração de determinado produto ou de uma zona comercial. Como exemplos, temos a Companhia da Turquia, a Companhia de Moscóvia, a Companhia da África, a Companhia das Índias Orientais e a Companhia da Virgínia (fundada em 1606 para a exploração da América Inglesa). Moderna A ocupação efetiva de territórios da América do Norte pelos ingleses ocorreu a partir de 1607, quando foi fundada a capital da Virgínia, no governo de Jaime I. A ação colonizadora foi facilitada pela existência de grande número de pessoas expulsas do campo, que se encaminharam para a América, onde havia facilidade na obtenção de terras. No decorrer do século XVII, o fluxo migratório contou com famílias burguesas e nobres que abandonaram a Inglaterra devido às perseguições religiosas ou políticas, dentre outros; eram os puritanos, os presbiterianos, os quakers e os católicos. Até 1776, data de sua independência, existiam 13 colônias inglesas na América do Norte, fundadas por particulares, por companhias de comércio ou pertencentes à Coroa. Das colônias americanas, chegavam à metrópole o tabaco, o índigo e o arroz (cultivados pelos escravistas do sul), e a batata, o milho, o centeio e as peles de animais raros (produzidos nas colônias do centro e do norte), sendo proibido o intercâmbio direto com outros países. Entretanto, essas proibições não eram muito respeitadas e logo se desenvolveram em ativas trocas entre as colônias da América do norte, as Antilhas e a África. Esse comércio triangular fortaleceu a burguesia colonial trazendo grandes lucros. As cidades inglesas de Liverpool e Bristol destacaram-se como portos ligados ao tráfico de escravos para a América, devido à necessidade crescente de mão-de-obra nas plantações e nas minas das colônias inglesas, portuguesas e espanholas. O escambo de negros na África era feito com mercadorias como têxteis e utensílios de ferro. Estima-se que, durante os 300 anos do tráfico de escravos, 15 milhões de negros foram introduzidos na América, sendo o Brasil o principal comprador, ocasionando a maior migração forçada de um continente para outro que o mundo conheceu. Os lucros acumulados pela Inglaterra com essa atividade foi uma das causas favoráveis ao início da Revolução Industrial inglesa, em meados do século XVIII. 50 Colonização Espanhola A colonização espanhola das Américas começou com a chegada de Cristóvão Colombo às Américas em 1492. Colombo procurava um novo caminho para as Índias e convenceu-se de que o encontrara. Ele se tornou governador dos novos territórios e fez várias outras viagens através do Oceano Atlântico. Enriqueceu com o trabalho de escravos nativos, que faziam a mineração do ouro e, também, tentou vender escravos na Espanha. Apesar de ser geralmente visto como um excelente navegador, era mau como administrador, sendo destituído do cargo de governador. A chegada dos espanhóis à América insere-se no contexto da expansão marítima européia. A colonização levou a Espanha a fazer incursões no novo continente, dominando e destruindo culturas indígenas, como a dos Incas e dos Astecas, em busca de metais preciosos encontrados e explorados em grande quantidade pelos conquistadores, que utilizavam a mão-de-obra servil indígena. A Crise Colonialismo Espanhol A exploração espanhola sobre a América pode ser dividida em dois períodos. Nos primeiros 150 anos a metrópole impôs sua dominação às colônias, escravizou ou dizimou os indígenas, promoveu grande exploração das riquezas minerais e desenvolveu centros, como Havana, México e Peru, que serviram como pontos de apoio à colonização. Nos 150 anos posteriores, após a metade do século XVII, a situação inverteu-se: declínio da produção mineradora, menor pressão sobre a população colonial, desenvolvimento de interesses regionais específicos, fortalecendo as elites locais, principalmente agrárias, mas, também, grupos mercantis. A partir do século XVIII a Espanha conheceu um processo de mudanças, refletindo a decadência da até então “grande potência”, que foi caracterizado pela decadência da mineração nas colônias, pelo predomínio comercial inglês e pela Guerra de Sucessão Espanhola. O esgotamento das principais jazidas no México e Peru ocorria desde o século XVII, privando a Espanha de sua principal fonte de riquezas, e grande parte dos metais preciosos extraídos não se acumulavam na metrópole devido às várias guerras nas quais a Espanha se envolvera. A vitória inglesa na Guerra de Sucessão Espanhola e a imposição do Tratado de Uitrecht (1713) determinou a ascensão de Felipe V, Bourbon, que abdicou dos direitos que possuía na França. Esta situação favoreceu a Inglaterra também do ponto de vista comercial, já que esta passou a ter o direito de asiento (direito de fornecimento anual de escravos africanos as 51 colônias) e o permisso (venda direta de produtos manufaturados para as colônias espanholas). Com isso, começa a ruptura do pacto colonial. No decorrer do século, novas transformações ocorreram: o sistema de frotas anuais foi abolido, permitido às colônias realizarem o comércio entre História seus portos, e foi extinto o sistema de Porto Único na metrópole. Moderna Essa política metropolitana refletia uma tentativa de adaptar o sistema colonial à nova realidade, na qual a Espanha deixara de ser potência hegemônica e passava a sofrer a influência de outras nações. No entanto, Filipe V pretendia manter o controle sobre as colônias e aumentar o lucro da burguesia e do próprio Estado. Em contraposição, o aumento da influência inglesa criou condições para o desenvolvimento de novas relações comerciais, contrariando o pacto colonial e conseqüentemente possibilitou a formação de uma mentalidade libera, influenciada pelos ideais iluministas, fazendo com que parcela significativa da elite se distanciasse da metrópole. As reformas que, a princípio, favoreceram a burguesia espanhola; a médio prazo comprometeriam o colonialismo.Do ponto de vista metropolitano, o esgotamento do Sistema Colonial pode ser percebido no início do século XIX, época das Guerras Napoleônicas. No entanto, a Europa vivia a crise do Antigo Regime décadas antes e os efeitos da Revolução Industrial e da Revolução Francesa se faziam sentir nos países metropolitanos e foram decisivos para o movimento de independência. O avanço dos ideais iluministas teve grande importância tanto na metrópole, onde o questionamento do absolutismo colocou o colonialismo em cheque, quanto nas colônias, que passaram a defender a liberdade perante a Espanha. A invasão das tropas de Napoleão também contribuiu para a difusão do liberalismo, apesar de governar a França de forma ditatorial, o imperador representava a burguesia de seu país e o próprio ideal da Revolução. Colonização Portuguesa O começo da colonização portuguesa se insere no contexto das transformações nas estruturas sociais, econômicas e políticas ocorridas na Europa com o fim da Idade Média e começo da Idade Moderna. Essas mudanças foram provocadas pela ação simultânea e combinada de diversos processos históricos. Dentre eles podemos destacar o surgimento da burguesia mercantil, a expansão comercial européia, as grandes navegações e as monarquias nacionais. A colonização portuguesa foi a primeira e a mais duradoura da Era dos Descobrimentos . Com o culminar da Reconquista Cristã da Península Ibérica, Portugal ocupou-se da sua expansão territorial pelo território africano. Com a tomada de Ceuta em 1415, a descoberta das ilhas da Madeira (1418) e Açores (1432) que, basicamente, eram territórios de colonização e exploração agropecuária, pois foi constatada a ausência de mineral, Portugal marcava, assim, o início da sua expansão territorial. 52 Portugal conquistou mais territórios a partir de 1458 no Marrocos, que serviram como pontos de apoio logístico e material às navegações portuguesas, ou mesmo como entrave à pirataria dos mouros. Estabelecendo em Arguim uma feitoria comercial, com guarnição militar, é fundada, também, uma nova plataforma de ação e comércio em plena área de navegação, obtendo as riquezas necessárias para o financiamento e continuidade da empreitada marítima. As embarcações portuguesas avançam pelo Oceano Índico, descobrindo novas terras, conquistando pontos-chave do comércio regional, estendendo o domínio de Ormuz, no Golfo Pérsico, na África Oriental, até Malaca, Molucas, e outros, alcançando mais tarde a China e o Japão, para além de expedições e viagens no interior asiático e africano e de uma possível descoberta da Austrália. Desta forma, construiu-se uma rede de feitorias, entrepostos, e fortalezas, conquistando riquezas e disseminando a cultura portuguesa e a religião católica, num esforço de criação de uma unidade civilizatória portuguesa, quer através das missões, quer da miscigenação, e até pela força das armas. Do Índico e do Extremo Oriente vieram as especiarias, os metais preciosos, os tesouros artísticos, as porcelanas, sedas e madeiras, entre outros produtos para venda na Europa. Com o declínio do comércio na Ásia, Portugal passa a ocupar definitivamente o território brasileiro, com a implantação das capitanias hereditárias e a instalação de sesmarias. A partir do século XVII, a pecuária, a mineração e as atividades missionárias expandem a ocupação para o interior. A ocupação e a exploração das terras americanas pela metrópole lusitana estruturamse nos termos da política econômica dominante na Europa, o mercantilismo, Onde o comércio era a principal atividade econômica. Esses contexto influenciou as opções portuguesas no que se refere à colonização brasileira. Em terras americanas não havia comércio, os povos nativos tinham pouco a oferecer diante dos atrativos do oriente. Entre explorar comércio certo e garantido com oriente ou lançar-se à aventura incerta, cara e sem garantias em terras desconhecidas, o governo lusitano preferiu o Oriente. Isso explica o pouco interesse português pela América nas três primeiras décadas após seu “descobrimento”. Além do mais, a população lusitana era pequena e insuficiente para ocupar o território brasileiro. A partir de 1530, o governo português mudou sua atitude em relação às terras americanas. O rei se convenceu de que só manteria a posse das terras americanas se fundasse núcleos permanentes de colonização e defesa, sobretudo se as expectativas de encontrar metais preciosos, nestas terras, se confirmasse. A ocupação da América colocou a coroa portuguesa diante de um desafio, como tornar rentável um território ocupado por uma população que não produzia excedente que pudesse ser comercializado. 53 História O meio mais eficaz para consolidar a posse das terras era promover a colonização. Mas, para isso, era necessário criar na colônia uma economia em condições de gerar produtos que pudessem ser comercializados com bons lucros na Europa. Moderna A ocupação das terras americanas só se tornou possível na medida em que a cana-de-açúcar mostrou-se adaptável ao clima e ao solo da região tropical. Mas, sobretudo, quando se percebeu que o açúcar era um produto rentável, de grande aceitação no mercado europeu e capaz de gerar lucro. A exploração da colônia portuguesa, com o cultivo da cana-deaçúcar, assumiu três características básicas: grande propriedade, monocultura e trabalho escravo. A opção pela monocultura da cana-de-açúcar era decorrência natural da política mercantilista, onde os esforços coloniais deveriam estar voltados para produtos que pudessem ser comercializados com as nações européias, obedecendo ao chamado Pacto Colonial, segundo o qual as colônias só poderiam comercializar com suas metrópoles. Em 1534, o rei dom João III dividiu a colônia americana em quinze faixas de terra, indo do litoral à linha do Tratado de Tordesilhas. Eram as capitanias hereditárias, mesmo sistema utilizado nas ilhas do Atlântico. No entanto, esse sistema fracassou. Diante dos problemas gerados pelo sistema de capitanias hereditárias, o rei de Portugal criou o cargo de governador-geral, espécie de representante do rei na colônia, em 1548. O objetivo era centralizar a defesa do território e a administração da colônia. Em 1694, depois de muito procurar, os sertanistas paulistas descobrem o ouro no interior da colônia portuguesa, no atual Estado de Minas Gerais. Com o desenvolvimento da mineração, a sociedade colonial passou por uma série de mudanças importantes, tornando-se mais urbana e mais complexa. No entanto, para atender as regras do metalismo, ao longo do século XVII, a coroa portuguesa buscou sistematicamente aumentar suas receitas por meio de arrecadação de impostos sobre a extração do ouro. Os principais impostos foram o quinto e a capitação. No quinto, cada minerador era obrigado a pagar ao governo de Portugal a quinta parte de ouro extraído. A capitação não se aplicava apenas ao ouro extraído, era calculada sobre a quantidade de escravos a serviço do minerador. Em 1719, a Coroa proibiu a circulação de ouro em pó, fácil de ser contrabandeado, e determinou a instalação de Casas de Fundição. Nessas casas , o ouro era transformado em barras e recebia o selo real, ao mesmo tempo que se cobrava o quinto. 54 Os impostos cobrados sobre a produção do ouro contribuíram para cobrir as enormes despesas da Corte portuguesa. Mas Portugal exigia cada vez mais, pois boa parte da riqueza extraída da colônia era utilizada para pagar os déficits de sua balança comercial. A independência do Brasil, porém, criou um choque material em Portugal. A perda do maior baluarte do império, símbolo do orgulho português, ameaçava, até mesmo, a integridade política de Portugal, pois se tratava da base econômica mais rentável para o reino português. Em decorrência disso, Portugal acentuou a sua expansão territorial para o interior da África, a fim de manter-se poderoso perante outras potências européias. Sessão Cinema... A Rainha Margot Sinopse O filme retrata a França em 1572, quando do casamento da católica Marguerite de Valois e o protestante Henri de Navarre, que procurava minimizar as disputas religiosas, mas acaba servindo de estopim para um violento massacre de protestantes conhecido como a “noite de São Bartolomeu”, que teve a conivência do rei da França Carlos IX, irmão de Margot. O filme, que retrata esse trágico acontecimento, é baseado num romance de Alexandre Dumas. ELISABETH Sinopse O filme analisa a Inglaterra absolutista de Elizabeth I (Isabel, a Rainha Virgem), que subiu ao trono em 1558 para tornar-se a mulher mais poderosa do mundo. No reinado anterior de sua meia irmã Mary I, a Inglaterra encontrava-se à beira do caos com a repressão do governo aos protestantes. Com a morte de Mary, Elisabeth Tudor, filha de Henrique VIII (o rei das seis esposas), com Ana Bolena, assume o comando do reino, iniciando o mais glorioso governo da Dinastia Tudor. Para impedir que o país fosse destruído, Elizabeth decide enfrentar todos inimigos internos e externos que ameaçavam a Inglaterra, abdicando de sua própria vida pessoal em nome de seu povo. Interpretado por Cate Blanchett, que recebeu uma indicação ao Oscar de melhor atriz em 1998, o filme retrata um período de forte tensão na história da Inglaterra e da Europa, mostrando as intrigas palacianas que transformaram a jovem Elizabeth, conhecida como a Rainha Virgem, na mulher mais importante de sua época. 55 Henrique VIII e suas Seis Esposas Sinopse História Moderna Em 1547, às vésperas da morte, o rei Henrique VIII relata para sua sexta mulher, Catarina Parr, seu relacionamento com as cinco anteriores. Mary Stuart Sinopse A vida da rainha escocesa e seus conflitos com Elizabeth I, herdeira do trono inglês, durante o século XVI. HENRIQUE V Sinopse Adaptação de Shakespeare para o cinema, o Rei Henrique V da Inglaterra (Kenneth Branagh) é insultado pelo Rei da França. Por conseqüência, ele lidera seu exército contra os franceses, o que faz com que ele tenha que estar em constante atenção para deixar suas tropas motivadas e unidas. Vencedor do Oscar de Melhor Figurino. [ ] Agora é hora de TRABALHAR Simultaneamente, porém, a aristocracia tinha de adaptar-se a um segundo antagonista: a burguesia mercantil que se desenvolvera nas cidades medievais. Viu-se que foi precisamente o intercalar desta terceira presença que impediu a nobreza ocidental de ajustar as suas contas com o campesinato duma forma oriental, esmagando a sua resistência e amarrando-o ao domínio. A cidade medieval conseguira desenvolver-se porque a dispersão hierárquica de soberanias no modo de produção feudal libertara pela primeira vez economias urbanas da dominação directa de uma classe rural. Neste sentido, as cidades nunca foram exógenas ao feudalismo no Ocidente, como vimos: de facto, a sua própria condição de existência era exclusivamente a “destotalização” da soberania dentro da ordem político- 56 económica do feudalismo. Donde a elasticidade das cidades do Ocidente durante a pior crise do século XIV, que levou temporariamente à bancarrota tantas das famílias patrícias das cidades mediterrâneas. Os Bardi e os Peruzzi sucumbiram em Florença; Siena e Barcelona entraram em declínio; mas Augsburgo, Genebra ou Valência iniciavam justamente a sua ascensão. Cresceram durante a depressão feudal importantes indústrias urbanas, tais como o ferro, o papel e os têxteis. À distância, esta vitalidade económica e social actuava como uma interferência objetiva e constante na luta de classes centrada na terra, e bloqueava qualquer solução regressiva proposta pelos nobres. 1. Analisando o texto acima, faça uma relação entre a formação da burguesia e o fortalecimento dos Estados Absolutistas. 2. Identifique e relacione os elementos que caracterizam a centralização do poder e a ação do Estado Absolutista. 3. Faça um paralelo entre o absolutismo francês e o absolutismo inglês. 4. Em 1581, um mercantilista inglês recomendava à rainha “acabar com a importação das mercadorias fabricadas no estrangeiro, e que poderiam sê-lo entre nós, restringindo a exportação de nossas lãs, peles e outros produtos no estado bruto, chamando artesãos de fora sob o controle das cidades, fabricando mercadorias suscetíveis de serem exportadas... (Citado por DEYON, Pierre, 0 Mercantilismo. SP, 1973. Perspectiva, p.(17). De acordo com este trecho, analise o intervencionismo e suas implicações para o tempos modernos. 57 5. Faça um paralelo, indicando diferenças e semelhanças entre o mercantilismo inglês e o mercantilismo espanhol. História Moderna 6. Cite e comente as características que respaldavam o mercantilismo. 7. Como os teóricos absolutistas influenciaram na política e economia da sociedade moderna? 8. Quais as idéias de Thomas Hobbes acerca do poder absoluto? 9. Faça uma relação entre o pensamento de Jacques Bossuet e de Jean Bodin sobre o poder absolutista. 10. Estabeleça uma relação entre a colonização inglesa e as colonizações espanhola e portuguesa, levando em consideração suas semelhanças e suas diferenças. 58 11. Como se deu a crise do Colonialismo espanhol? Quais as suas consequências? 12. Qual a importância do colonialismo europeu para o continente americano? O ILUMINISMO E SUA INFLUÊNCIAS NO MUNDO CARACTERÍSTICAS DO ILUMINISMO Iluminismo O movimento cultural, conhecido como Iluminismo, surgiu na França, Inglaterra e Holanda do século XVII, e defendia o domínio da razão sobre a visão teocêntrica que dominava a Europa desde a Idade Média. Esse movimento representou o auge das transformações culturais iniciadas no século XIV pelo movimento renascentista, dando origem às idéias de liberdade política e econômica. Segundo os filósofos iluministas, esta forma de pensamento tinha o propósito de iluminar as trevas em que se encontrava a sociedade. Os pensadores que defendiam estas ideais acreditavam que o pensamento racional deveria ser levado adiante substituindo as crenças religiosas e o misticismo, que segundo eles, bloqueavam a evolução humana. O homem é o centro do universo, e deveria buscar a investigação científica para obter respostas que, até então, eram justificadas somente pela fé. Essa visão determinou profundas transformações no modo de pensar, sentir e agir do homem. O apogeu deste movimento foi atingido no século XVIII, que passou a ser conhecido como o Século das Luzes. O Iluminismo foi mais intenso na França. As novas idéias conquistaram numerosos seguidores, onde influenciou a Revolução Francesa através de seu lema: Liberdade, igualdade e fraternidade. Também teve influência em outros movimentos sociais como na independência das colônias inglesas na América do Norte e na inconfidência mineira, ocorrida no Brasil. 59 História Para os filósofos iluministas, o homem era naturalmente bom, porém, era corrompido pela sociedade com o passar do tempo. Eles acreditavam que se todos fizessem parte de uma sociedade justa, com direitos iguais a todos, a felicidade comum seria alcançada. Moderna Por esta razão, eles eram contra as imposições de caráter religioso, contra as práticas mercantilistas, contrários ao absolutismo do rei, rejeitavam a submissão cega à sua autoridade, além de contestarem os privilégios dados a nobreza e ao clero. Os iluministas eram deístas, isto é, acreditavam que Deus está presente na natureza, portanto no próprio homem, que pode descobri-lo através da razão. Para encontrar Deus, bastaria levar vida piedosa e virtuosa. A Igreja tornava-se dispensável, os iluministas criticavam sua intolerância, ambição política e inutilidade das ordens monásticas (vinda de monges, autoridades religiosas). Os burgueses foram os principais interessados nesta filosofia, pois, apesar do dinheiro que possuíam, eles não tinham poderes políticos. Neste período, o Antigo Regime ainda vigorava na França, e nesta forma de governo, o rei detinha todos os poderes. Uma outra forma de impedimento aos burgueses eram as práticas mercantilistas, onde o governo interferia nas questões econômicas. Com o fim do absolutismo, os burgueses teriam liberdade comercial para ampliar significativamente seus negócios, uma vez que, seriam tirados não só os privilégios de poucos (clero e nobreza), como também, as práticas mercantilistas que impediam a expansão comercial para a classe burguesa. O Iluminismo trouxe consigo grandes avanços que, juntamente com a Revolução Industrial, abriram espaço para a profunda mudança política determinada pela Revolução Francesa. As principais características do Iluminismo são: · Valorização da razão, considerada o mais importante instrumento para se alcançar qualquer tipo de conhecimento; · Valorização do questionamento, da investigação e da experiência como forma de conhecimento tanto da natureza quanto da sociedade, política ou economia; · Crença nas leis naturais, normas da natureza que regem todas as transformações que ocorrem no comportamento humano, nas sociedades e na natureza; · Crença nos direitos naturais, que todos os indivíduos possuem em relação à vida, à liberdade, à posse de bens materiais; · Crítica ao absolutismo, ao mercantilismo e aos privilégios da nobreza e do clero; · Defesa da liberdade política e econômica e da igualdade de todos perante a lei; · Crítica à Igreja Católica, embora não se excluísse a crença em Deus. Os Precursores do Iluminismo Um dos principais precursores desse movimento foi o matemático francês René Descartes, considerado o pai do racionalismo. Em sua obra “Discurso do método”, ele diz, que para se chegar à verdade é necessário que se duvide de tudo, mesmo das coisas aparentemente verdadeiras. A partir da dúvida racional, pode-se alcançar a compreensão do mundo, e mesmo de Deus. 60 O filósofo francês, Francis Bacon, que desenvolveu o método experimental, no qual enfatizava a importância da observação e da experimentação para o desenvolvimento do conhecimento. Seus estudos se aplicavam às ciências naturais, e os princípios defendidos por ele foram reunidos no livro “Novum organum”. O inglês Isaac Newton foi, matemático, astrônomo, físico e filósofo. Dentre suas contribuições mais significativas, está a formulação da lei da gravitação universal. Sua obra principal é “Os princípios matemáticos da filosofia da natureza”, onde estão reunidas as bases da mecânica clássica. John Locke, filósofo e político inglês, não acreditava nas idéias inatas, ou seja, que as pessoas já trouxessem ao nascer. Para ele, as idéias tinham origem nos sentidos humanos. Contrário à teoria do direito divino dos reis, afirmava que os governos eram criações humanas. Era a favor da tolerância religiosa, onde dizia que, o estado deveria ser liberal e que a propriedade privada fosse respeitada. Seus escritos mais famosos são, “Ensaio sobre o entendimento humano”, “Primeiro e Segundo tratado sobre o governo civil”. Os Pensadores Iluministas Podemos dividir os pensadores iluministas em dois grupos, os filósofos que se preocupavam com os problemas políticos; e os economistas, que procuravam uma maneira de aumentar a riqueza das nações. Na economia, o Iluminismo gerou a doutrina fisiocrata e do liberalismo econômico. No poder, ocasionou o despotismo esclarecido, com destaque para os governos de Frederico II, na Prússia; Catarina, a Grande, da Rússia; José II, da Áustria; e do Marquês de Pombal, em Portugal. Os principais filósofos do Iluminismo foram: Voltaire, que defendia a liberdade de pensamento e não poupava crítica à intolerância religiosa; Jean-Jacques Rousseau, que defendia a idéia de um Estado democrático que garanta igualdade para todos; Montesquieu, que defendia a divisão do poder político em Legislativo, Executivo e Judiciário; Denis Diderot e Jean Le Rond d´Alembert, que, juntos, organizaram uma enciclopédia que reunia conhecimentos e pensamentos filosóficos da época. Montesquieu – Sua filosofia se caracteriza pela busca de um justo equilíbrio entre a autoridade do poder e a liberdade do cidadão. Para que ninguém possa abusar da autoridade, “é preciso que, pela disposição das coisas, o poder detenha o poder”. Daí a separação entre poder legislativo, poder executivo e poder judiciário. Publicou, em 1721, as cartas Persas, que ridicularizavam costumes e instituições. Em 1748, publicou o Espírito das leis, nela estudou as diversas formas de governo (despotismo, monarquia e República), destacava a monarquia inglesa. Montesquieu possui, sobretudo, uma concepção racionalista das leis que não resultam dos caprichos arbitrários do soberano, mas são “relações necessárias que derivam da natureza das coisas”. Assim é que cada forma de governo determina, necessariamente, este ou aquele tipo de lei, esta ou aquela psicologia para com os cidadãos. 61 A democracia da cidade antiga só é viável em função da “virtude”, isto é, pelo espírito cívico da população. A monarquia tradicional repousa num sistema hierárquico de suseranos e vassalos, que só funciona a partir de uma moral da honra, ao passo que o despotismo só subsiste com a manutenção, História em toda parte, da força, do medo. Moderna As leis obedecem a um determinismo racional. Como diz muito bem Brehier, “a variável aqui é a forma de governo de que as legislações políticas, civis e outras são as funções”. Todavia, as “relações necessárias”, de que fala Montesquieu, é muito menos a expressão de um determinismo sociológico de tipo materialista, do que a afirmação de uma ligação ideal, harmônica, entre certos tipos de governo e certas leis possíveis, sendo que as melhores pertencem a este ou aquele governo, cabendo ao legislador descobri-las e aplicá-las. Voltaire - Foi o mais importante dos iluministas franceses. Por fazer duras críticas aos privilégios da nobreza e da Igreja e defender as liberdades individuais. Foi obrigado a se exilar da Inglaterra. Ajudou a difundir as idéias liberais do filósofo iluminista inglês Locke e atacou a igreja com a maior fonte de ignorância e fanatismo que existia. Defensor da tolerância e do respeito às opiniões contrárias. Voltaire detestava a arrogância do Estado e da Igreja. Suas ironias lhe proporcionaram inúmeros inimigos poderosos, ao que ele respondia. “que Deus me livre dos meus amigos, que dos meus inimigos me livro eu”. No seu célebre Cândido, um livro pequeno, leve e muito divertido, ele resumiu suas principais idéias. Também colaborou na elaboração da enciclopédia. Criticava o absolutismo de direito divino, propondo a participação da burguesia esclarecida no governo, como forma de garantir a paz e a liberdade, tanto política quanto religiosa. Discípulos se espalharam pela Europa e divulgaram suas idéias, especialmente o anticlericalismo (contrário à classe de sacerdotes e ministros cristãos). Rousseau - Teve origem modesta e vida aventureira. Nascido em Genebra, era contrário ao luxo e à vida mundana, propondo uma vida familiar simples. Em seu livro “Discurso sobre a Origem da Desigualdade entre os Homens”, defendeu a tese da bondade natural dos homens, pervertidos pela civilização. Consagrou toda a sua obra à tese da reforma necessária da sociedade corrompida. No plano político, propunha uma sociedade baseada na justiça, igualdade e soberania do povo. Como mostra em seu texto mais famoso “O Contrato Social”. Sua teoria da vontade geral foi fundamental na Revolução Francesa, inspirando muitos líderes. Suas principais idéias estão nas obras: “Discurso sobre a Origem da Desigualdade entre os Homens”, que acusava a propriedade privada de destruir a liberdade social, promovendo o despotismo, a fraqueza e a 62 corrupção da sociedade. Para ele, a propriedade introduzia a desigualdade entre os homens, a diferenciação entre o rico e o pobre, o poderoso e o fraco, o senhor e o escravo, até a predominância da lei do mais forte. O homem era corrompido pelo poder e esmagado pela violência. Em “Contrato Social”, afirmava que para combater a desigualdade introduzida com o aparecimento da propriedade privada, os homens deveriam consentir em fazer um contrato social, no qual cada indivíduo concordava em se submeter inteiramente à vontade geral, ou seja, à vontade do “soberano”, que era o próprio povo. Portanto, o que prevalecia era a vontade da comunidade e não a vontade individual de cada membro dessa comunidade. Como cada indivíduo se unia a todos e ninguém se unia em particular, o homem continuaria livre, uma vez que todos tinham direitos iguais na comunidade. Para Rousseau, o governo era apenas “o ministro do soberano”, o agente encarregado de executar a lei. Seu poder poderia ser modificado limitado ou retomado sempre que o povo desejasse. Rousseau destacou-se dos demais filósofos iluministas por valorizar não somente a razão, mas também os sentimentos e as emoções, pregando a volta à natureza e a simplicidade da vida. Sua teoria da “vontade geral” inspirou os líderes da Revolução Francesa e do movimento socialista do século XIX. Diderot - Organizou a Enciclopédia, publicada entre 1751 e 1772, com a ajuda do matemático d’Alembert e da maioria dos pensadores e escritores. Proibida pelo governo por divulgar as novas idéias, a obra passou a circular clandestinamente. O Liberalismo Econômico O iluminismo influenciou também o pensamento econômico, dominado na época pelos princípios mercantilistas, caracterizados pela intervenção do Estado na economia por meio de monopólios, proibições e regulamentos. As atividades comerciais eram então consideradas as principais fontes de riqueza e dependiam da proteção do estado para sua plena realização. A partir do século XVIII, com o fortalecimento da produção fabril na Inglaterra e, posteriormente, em outros países da Europa, começaram a ganhar força teorias que pregavam a liberdade econômica e a formação do livre mercado. Os estudiosos afirmavam que a intervenção do Estado limitava o desenvolvimento das atividades econômicas. Os economistas iluministas pregaram, essencialmente, a liberdade econômica e se opunham a toda e qualquer regulamentação. A natureza deveria dirigir a economia. O Estado só interviria para garantir o livre curso da natureza. Eram eles os fisiocratas, ou partidários da fisiocracia (governo da natureza). Seu principal representante foi François Quesnay; ele afirmava que a atividade verdadeiramente produtiva era a agricultura, pois era a grande fonte produtora de riqueza. Outro importante fisiocrata foi Vincent de Gournay, que propunha total liberdade para as atividades comerciais e industriais, consagrando o lema: “Laissez Faire, laissez passer” (“deixe fazer, deixe passar”), que se transformaria num dos princípios fundamentais do liberalismo econômico. 63 O escocês Adam Smith, fundador do liberalismo econômico, e influenciado pelas idéias fisiocratas, escreveu o livro “Investigação sobre a natureza e as causas da riqueza das nações”, em 1776, onde História defendeu que, nem a agricultura, como queriam os Moderna fisiocratas; nem o comércio, como defendiam os mercantilistas; o trabalho que era a fonte da riqueza. O trabalho deveria ser livre e assalariado, sem intervenções, guiado espontaneamente pela natureza. O Iluminismo e a Ciência Nos séculos XVII e XVIII, enquanto as idéias iluministas se espalhavam pela Europa, uma febre de novas descobertas e inventos tomou conta do continente. O avanço científico dessa época colocou à disposição do homem informações tão diferentes quanto a descrição da órbita dos planetas e do relevo da Lua, a descoberta da existência da pressão atmosférica e da circulação sangüínea e o conhecimento do comportamento dos espermatozóides. A astronomia foi um dos campos que deu margem às maiores revelações. Seguindo o caminho iniciado pelos estudiosos da Renascença, como Copérnico, Kepler e Galileu, o inglês Isaac Newton (1642 - 1727) elaborou um novo modelo para explicar o universo. Auxiliado pelo desenvolvimento da Matemática, que teve em Blaise Pascal (1623.1662) um de seus maiores representantes, ele ultrapassou a simples descrição do céu, chegando a justificar a posição e a órbita de muitos corpos siderais. Além disso, anunciou ao mundo a Lei da Gravitação Universal, que explicava desde o movimento de planetas longínquos até a simples queda de uma fruta. Newton foi ainda responsável por avanços na área do cálculo e pela decomposição da luz, mostrando que a luz branca, na verdade, é composta por sete cores, as mesmas do arco-íris. Tanto para o estudo dos corpos celestes como para a observação minuciosa dos componentes do mundo, foi necessário ampliar o campo de visão do homem. Os holandeses encarregaram-se dessa parte, descobrindo que a justaposição de várias lentes multiplicava a capacidade da visão humana. Tal invento possibilitou a Robert Hooke (1635-1703) construir o primeiro microscópio, que ampliava até quarenta vezes pequenos objetos (folhas, ferrões de abelha, patas de insetos, etc.). Esse cientista escreveu um livro sobre suas observações e criou o termo célula, hoje comum em Biologia. As Idéias Iluministas Influenciam a Sociedade Secularismo, humanismo, cosmopolitismo e liberdade em todos os sentidos eram as bandeiras dos iluministas. O direito à liberdade de palavra, de expressão, de imprensa. Também se estendia para eles à liberdade de comércio, à liberdade do empreendimento econômico, fora das intromissões da censura da Igreja e do Estado absolutista-mercantilista. 64 Desta forma, essa liberdade traria para cada um, de acordo com os talentos nascidos ou adquiridos, o seu próprio caminho de realização. Desprovidos, em sua maioria, de cátedras acadêmicas, tendo o púlpito e os padres como inimigos, de certa forma, os Iluministas tiveram que buscar e ao mesmo tempo formar o seu próprio público. Para chegar até ele, para atingir o novo público cultivado (tanto de gente da nobreza como das classes burguesas) que gradativamente estava se formando na sociedade européia do século XVIII, recorreram intensamente à publicação e difusão de livros. Quando, devido à censura ou a uma queima judicial, recorriam à impressões clandestinas (feitas na Holanda ), depois as introduziam por contrabando em qualquer canto da Europa. Revelaram-se verdadeiros mestres em escrever panfletos, publicações que fizeram largo uso devido ao lado prático que eles tinham como veículo instantâneo de difusão de idéias. Daí boa parte da literatura deles, fosse em verso ou em prosa, estarem carregada pelo estilo polêmico e apaixonado. A Enciclopédia Iluminista A Enciclopédia é o mais poderoso e duradouro de todos os instrumentos para a divulgação das Luzes, obra magna da propaganda iluminista. Foi a edição da Enciclopédia, dirigida por Jean Le Rond d’Alembert (entre 1751-1754) e, em seguida, por Denis Diderot, a grandiosa publicação que se seguiu por vinte anos, até que, em 1772, o seu 17º volume encerrou a obra inteira. Segundo Daniel Mornet, o século XVIII foi “um século enciclopédico”. Acertada sua impressão por meio de subscrições, a Enciclopédia ultrapassou largamente os seus 8.011 assinantes originais, virando leitura obrigatória entre os homens cultos do século. Foi uma obra consultada por uma quantidade inumerável de leitores por toda Europa e América incluída. Tratou-se de uma estupenda síntese do conhecimento científico, com grande ênfase nas artes mecânicas e na sabedoria prática das coisas da vida, servindo de modelo para todas as demais que a seguiram posteriormente. A predominância e gosto por temas seculares e o alto nível dos seus colaboradores. Diderot selecionou os melhores nomes da elite intelectual: “É preciso examinar tudo, remexer tudo sem exceção e sem reserva”, fez da Enciclopédia o acontecimento editorial e intelectual do século. Entre os grandes nomes selecionados por ele estavam Montesquieu (Leis), Lamarck (botânica), Helvetius (matemática), Rousseau (música), Buffon, Necker, Turgot, Mongez, além de artigos do barão d’Holbach, um ateu militante, e Voltaire (encarregado dos verbetes sobre Elegância, História, Espírito e Imaginação), num total de 139 colaboradores identificados. A Enciclopédia teve para o mundo burguês e industrial que então despontava, o mesmo significado que a “Suma Teológica” de São Tomás de Aquino teve para a Europa medieval. 65 As Cartas Iluministas O homem culto do século XVIII é acima de tudo um grande escritor de cartas. Havia uma verdadeira arte da epistolografia, atribuindo-se somente História a Voltaire mais de 50 mil cartas. Como sabiam que mais tarde haveria interesse Moderna em publicá-las, cuidavam do estilo e da apresentação delas, como se fossem páginas ou capítulos de livros futuros. Por gostarem de trocar informações do que estavam fazendo ou pensando, as cartas converteram-se num veículo confiável, rápido, e, fundamental, ao abrigo da censura. Tanto é que os americanos fizeram largo uso delas quando espalharam pelas Treze Colônias os Comitês de Correspondência, formados por ativistas da independência e simpatizantes da causa iluminista, entre eles, destacando-se acima de todos, Benjamim Franklin. Logo, pode-se afirmar que as cartas distribuídas pelos Comitês de Correspondência foram as sementes da Revolução Americana de 1776. Foi por meio de uma das suas cartas, escrita a Hélvetius em 1763, que Voltaire conta a vitória do partido das luzes sobre os partidários da superstição e do obscurantismo. O DESPOTISMO ESCLARECIDO O Iluminismo e o Despotismo Esclarecido O clima ideológico criado pelos iluministas tornou-se tão forte e difundido que vários governantes tentaram colocar em prática suas idéias. Sem abandonar o poder absoluto, procuraram governar conforme a razão e os interesses do povo. Essa aliança, de princípios filosóficos e poder monárquico, deram origem ao regime de governo típico do século XVIII, o despotismo esclarecido, onde alguns governantes absolutistas europeus adotaram princípios iluministas e promoveram reformas importantes em seus países, com o objetivo de modernizá-los. Entre esses governantes que sem deixar de ser absolutistas, procuravam promover o “progresso” econômico e social, tal como era entendido pelos iluministas, destacam-se Frederico II da Prússia; Catarina II da Rússia; José II da Áustria; Pombal, ministro português; e Pedro Pablo Abarca y Bolea, conde de Aranda, ministro da Espanha. Frederico II (1740-1786), discípulo de Voltaire, e indiferente à religião, deu liberdade de culto ao povo prussiano. Tornou obrigatório o ensino básico e atraiu os jesuítas, por suas qualidades de educadores, embora quase todos os países estives-sem expulsando-os, por suas ligações com o papado. Aboliu tortura e organizou um novo código de justiça. O rei exigia obediência, mas dava total liberdade de expressão. Estimulou a economia, adotando medidas protecionistas, apesar de contrárias às idéias iluministas. Preservou a ordem. A Prússia permaneceu um Estado feudal, com servos sujeitos à classe dominante, dos proprietários. O Estado que mais fez propaganda e menos praticou as novas idéias foi a Rússia. Catarina II (1762-1796) atraiu filósofos, manteve correspondência com eles, muito prometeu 66 e pouco fez. A czarina deu liberdade religiosa ao povo e educou as altas classes sociais, que se afrancesaram. A situação dos servos se agravou e os proprietários de terras chegaram a ter direito de condená-los à morte. José II (1780-1790) foi o déspota esclarecido típico. Aboliu a servidão na Áustria, deu igualdade a todos perante a lei e, também, a cobrança de impostos, uniformizou a administração do Império, deu liberdade de culto e direito de emprego aos não-católicos. O Marquês de Pombal, ministro de Dom José I, de Portugal, fez importantes reformas. A indústria cresceu, o comércio passou ao controle de companhias que detinham o monopólio nas colônias, a agricultura foi estimulada. A nobreza e o clero foram perseguidos para fortalecer o poder real. Aranda também fez reformas na Espanha: liberou o comércio, estimulou a indústria de luxo e de tecidos, dinamizou a administração com a criação dos intendentes, que fortaleceram o poder do Rei Carlos III, da Espanha. De uma forma geral, os filósofos iluministas usam o termo, despotismo, para se referir a um governo cujo poder não tem limites. O déspota é um governante que possui poder absoluto e governa de acordo com sua vontade. No entanto, se este déspota, mesmo governando de acordo com seus princípios, se for esclarecido e sábio, pode ser um bom modelo de governo. Conhecendo a natureza humana e a verdadeira natureza das cosias, o déspota esclarecido poderá fazer com que em seu país, a tolerância e a liberdade religiosa sejam respeitadas. Além de destruir a servidão, instruir os povos e modernizar o Estado. Contudo, os filósofos perceberam seu engano, pois os pretensos déspotas ilustrados apropriaram-se de uma nação soberana e instalaram uma administração tirânica. AS REVOLUÇÕES LIBERAIS E A CRISE DO SISTEMA COLONIAL A Europa e as Guerras Modernas Durante mais de um século, as guerras entre as potências dominaram a Europa, como forma de afirmação dos Estados Modernos. Neste momento, as guerras eram a forma de assegurar o domínio dos seus territórios e de suas colônias, da disputa pela hegemonia da Europa e consolidava o controle de rotas comerciais. Com tantos interesses em jogo, explodiu no continente europeu inúmeros conflitos, dentre outros a Guerra dos trinta anos, a Guerra de Sucessão da Espanha e a Guerra dos Sete Anos. 67 A Guerra dos Trinta Anos No início do século XVII, Espanha, França, Inglaterra e Holanda, disputavam entre si a hegemonia do continente europeu, o controle de História mercados e de territórios. Estas disputas provocaram instabilidades e guerras Moderna permanentes na Europa deste período. Vale ressaltar que estes países detinham forças equivalentes. A Inglaterra controlava um grande acúmulo de capital e era militarmente forte no mar. A Holanda era a maior potência comercial, além de ter uma poderosa frota mercante, controlando grande parte do comércio internacional. A França vivia sob a regência de um forte poder absolutista e detinha o maior exército terrestre. E a Espanha, soberana de Portugal, pois estava sob a regência da União Ibérica, dominava o maior império colonial, que fornecia grandes quantidades de ouro e prata. Essas nações viviam em disputas pelo controle dos mercados mundiais, essa situação se agravava com o acirramento das lutas religiosas e políticas. Essa rivalidade deu origem a Guerra dos Trinta anos (1618-1648), principal conflito europeu do século XVII e que envolveu a maior parte das potências do continente. Suécia, Dinamarca, Polônia e Rússia disputavam territórios, enquanto desentendiamse por questões territoriais, ao mesmo tempo em que o Império Turco Otomano ameaçava regiões do Sacro Império Germânico e da Península Itálica. No entanto, o maior confronto era entre a França e o Sacro Império. E essa rivalidade deu origem a Guerra dos Trinta Anos, principal conflito europeu do século XVII re que envolveu a maior parte das potências do continente. A guerra teve início na cidade de Praga, dominada pela dinastia Habsburgo. Os reis dessa dinastia desejavam poder político e, para tanto, precisavam unificar o Sacro Império Germânico, na época formado por aproximadamente trezentos territórios autônomos. Para conseguir a unificação destes territórios e impor o absolutismo, eles decidiram implantar o catolicismo, e isto provocou a reação dos príncipes protestantes, que se organizaram na Liga Evangélica. Em resposta, os príncipes católicos se uniram na Liga Sagrada. A questão do Sacro Império tornou-se, então, um problema internacional. A França, sentido-se ameaçada pelo crescimento do poder dos Habsburgo, estimulou contra eles a revolta dos protestantes e dos países nórdicos. No decorrer da guerra, os franceses resolveram intervir diretamente na guerra. Apesar de católicos, aliaram-se à Holanda, dominada pelos protestantes, ao mesmo tempo, declararam guerra à católica Espanha, principal aliada dos Habsburgo e que dominava parte dos Países Baixos. Em resposta, a Espanha ocupou o sul da França, enquanto esta e seus aliados invadiram o Império Germânico. Desta forma, o conflito é disseminado por toda a Europa. Em 1648, a cidade de Viena foi cercada e os Habsburgo forçados a entrar em negociações para terminar a guerra. 68 A paz foi selada pelo Tratado de Westfália, que concedeu à França os territórios da Alsácia e da Lorena, antes pertencentes ao Sacro Império. O acordo obrigou, ainda, a Espanha a reconhecer a independência da Holanda. Consolidando o fim do poder dos Habsburgos no Sacro Império. Conseqüências do Tratado de Westfália A grande beneficiada com o Tratado de Westfália foi a França. Que incorporou a seu território a Alsácia e outros domínios. Com isso a França conquista a hegemonia na Europa. O Sacro Império foi reduzido, as desembocaduras dos rios do norte germânico foram passadas para a Suécia, bem como o reconhecimento da independência da Holanda. No aspecto religioso, a liberdade de culto para os católicos, luteranos e calvinistas foi assegurada, e confirmou o confisco de terras da Igreja. A Guerra de Sucessão da Espanha Em 1700, Carlos II da Espanha morre sem deixar herdeiros. O sucessor indicado foi o duque de Anjour, neto de Luis XIV da França. No entanto, a Inglaterra, os Países Baixos e a maioria dos príncipes germânicos uniram-se na Grande Aliança de Haia, por medo da expansão e hegemonia do reino da França. A paz foi estabelecida com os tratados de Utrecht (Países baixos, 1713) e Rastadt (Sacro Império, 1741), que confirmaram o duque de Anjour no trono espanhol, com o nome de Filipe V. No entanto, uma das exigências, é que ele nunca herdasse o trono francês. Com o final da guerra, o quadro europeu foi remodelado. Os príncipes germânicos anexaram o ducado de Milão, o reino de Nápoles, a Sardenha e parte dos Países Baixos. A Inglaterra ficou com a Acádia e a Terra Nova (territórios da França na América do Norte), Gibraltar e Minoca (pertencentes à Espanha no Mediterrâneo). Os Ingleses também, passaram a vender escravos africanos às colônias espanholas. A Guerra dos Sete Anos Em 1667, estourou a Guerra da Devolução, entre a França e a Holanda. O conflito se deu devido ao desenvolvimento econômico da França e sua política protecionista, que contrariava os interesses das Holanda. Com as lutas os franceses invadiram os países Baixos do Sul, que receberam o apoio da Suécia e da Inglaterra. A guerra terminou em 1668, com aposse, pelos franceses, de posições fronteiriças na Bélgica. Em 1679, a França tomou aos espanhóis o Franco-Condado. A supremacia francesa tornou-se, então, indiscutível. Mas sua política de anexação de territórios provocou reações. Contra ela se uniram, e, 1681, Espanha, Inglaterra, Países baixos e regiões do Sacro Império, com a Liga de Augsburgo. A nova guerra se estendeu até 1697, quando os franceses tiveram que devolver vários territórios. Em 1756, a Inglaterra e a Prússia voltaram a guerrear contra a França, que se aliou à Espanha e à Áustria. Era a Guerra dos Sete Anos, que terminou em 1753 com o Tratado de 69 História Moderna paris. O acordo consolidou a hegemonia da Inglaterra, que obteve as terras do Canadá e da Florida, além da liberdade de ação nas índias. Como conseqüência da Guerra de Sucessão da Espanha e da Guerra dos Sete anos, a Inglaterra torna-se o país mais poderoso da Europa. A Monarquia Inglesa com os dias contados Em 1603, a rainha Elizabeth morre e deixa o trono sem herdeiros, já que ela não tinha tido filhos. Com isso a coroa foi entregue a seu primo, Jaime Stuart (Jaime I), rei da Escócia. Jaime I, depois de ter assumido o trono, entrou em conflito com os diversos setores da sociedade inglesa. Começou tentando impor a idéia da origem divina dos reis, idéia já não aceita pela sociedade inglesa. Além de perseguir os puritanos. Ao mesmo tempo, tentou implantar novos impostos. Em conseqüência, sua política provocou sérias divergências com o parlamento. Em 1625, Jaime I morre e assume o trono, seu filho, Carlos I, que tentou impor o anglicanismo aos calvinistas escoceses, dissolveu o parlamento e restaurou antigos impostos. Todas essas medidas criaram um clima de guerra entro o parlamento e o rei. A Revolução Puritana Durante os reinados de Henrique VIII e de Elizabeth I, a economia inglesa passou por um período de grande desenvolvimento comercial. Foi quando surgiram as empresas monopolistas, como a Companhia das índias Orientais. Essas companhias, no entanto, impediam a livre concorrência e crescimento de pequenas e médias companhias de comércio. Devido a isso, a burguesia inglesa se dividiu em relação a política econômica. Os grandes comerciantes apoiavam o monopólio, mas os pequenos e médios lutavam contra esse monopólio, exigindo a liberdade de comércio. No governo da dinastia Stuart, essa situação se agravou, pois, tanto Jaime I e Carlos I praticaram uma política mercantilista estrita, favorecendo a grande burguesia e a nobreza. Esses setores tinham representantes em dois dos setores do Parlamento, a Câmara dos Comuns e a Câmara dos Lordes, no qual os nobres tinham assento. Com a Carta Magna (1215), ficou estabelecido que o rei não poderia mais criar novos impostos sem aprovação do parlamento. E a burguesia não desejava abrir mão desta conquista. No entanto, A política de Stuart exigia grandes recursos para a coroa, o que exigia o aumento da arrecadação de mais impostos. Para agravar ainda mais esta situação, os calvinistas escoceses, em 1640, invadiram o território inglês, e acabaram rebelando-se contra Carlos I, que tentou impor-lhes o anglicanismo. Em conseqüência, o rei foi obrigado a convocar o parlamento que havia sido dissolvido em 1628. Com isso, o Parlamento se tornou a representação do ódio acumulado da burguesia puritana contra os Stuart. Em 1642, teve início a guerra civil; de um lado, as forças do rei; de outro, as do parlamento, lideradas por Oliver Cromwell. 70 Os aliados do rei, chamados cavaleiros, eram em sua maioria membros da antiga nobreza católica ou anglicana. No exército do Parlamento estavam os “cabeças redondas”, formado pela pequena e média nobreza, pela burguesia e por boa parte da população ligada aos ofícios urbanos, de uma forma geral, calvinistas. No meio dos conflitos, surgiram os “niveladores”, integrantes do exército de Cromwell, que lutavam pelo sufrágio universal. Em 1648, o rei foi derrotado e preso pelos “cabeças redondas”, enfrentando um julgamento e decapitado em 1649. A Inglaterra passou, então, a ser governada pelo parlamento, sob a liderança de Cromwell. A Ditadura de Cromwell Neste momento, oficialmente, a monarquia tinha sido extinta. Mas, na prática, os ingleses viviam sob a ditadura exercida por Oliver Cromwell que, em 1653, seria declarado lorde Protetor da Inglaterra, cargo vitalício e hereditário. O governo de Cromwell teve como característica a política agressiva de fortalecimento do comércio internacional da Inglaterra. Na política interna, Cromwell, esmagou a facção dissidente dos “niveladores”, enforcando seus líderes, e estabeleceu a supremacia da burguesia. Desprezando as camadas populares, pois para ele, a pobreza era uma punição divina para os pecados dos menos favorecidos. Oliver Cromwell morreu em 1658, e devido a falta de habilidade do sue filho no governo, este foi substituído por Carlos II, filho de Carlos I, o rei decapitado. Com o retorno dos Stuart ao poder, teve início a “Restauração”, que se estenderia até 1688, no reinado de Jaime II. A Revolução Gloriosa Estando no poder, Carlos II, aproxima-se de Luís XIV da França, tornando-se suspeito par ao Parlamento. Em seguida, um novo Parlamento, composto por nobres monarquistas e anglicanos, organizam-se e instauram um processo contra-revolucionário. Carlos II baixa novos atos de navegação em favor do comércio inglês. E, em 1673, o Parlamento aprova a “Lei do Teste”, na qual todos que exercem função pública devem tornar público seu anticatolicismo. Em conseqüência surgem dois partidos: os Whigs (contra o rei e pró-Parlamento, e os Tories (a favor do rei). Com a morte de Carlos II, em 1685, sobe ao trono seu irmão, Jaime II, que, por sua vez, é católico fervoroso, e tenta restaurar o absolutismo e o catolicismo, punindo seus opositores, e negando direitos jurídicos já conquistados anteriormente. Neste momento, o parlamento, mesmo não sendo como nos tempos de Cromwell, convoca Maria Stuart, filha de Jaime II e mulher de Guilherme de Orange (governador da Holanda), para ocupar o trono. A passagem do trono se processou de forma pacífica. Jaime II se refugiou na França, e um novo Parlamento inglês proclamou Guilherme e Maria, reis da Inglaterra. Triunfava, assim, a Revolução Gloriosa. 71 A condição imposta aos novos soberanos foi a aceitação da “Declaração dos Direitos”, formulada pelo parlamento em 1689. Esta dizia que: o rei não poderia cancelar as leis parlamentares e o Parlamento poderia entregar o trono a quem lhe conviesse, após a morte do rei; as reuniões História parlamentares e as eleições seriam regulares; o orçamento anual seria votado Moderna pelo Parlamento; inspetores controlariam as contas reais; não poderia existir exército formado em tempos de paz. E os católicos foram afastados da sucessão. Em 1694, foi criado o Banco da Inglaterra, que formaria, ao lado do parlamento e do Tesouro, o tripé fundamental para o desenvolvimento do país. Desta forma, foram criadas as condições para o avanço econômico, que resultaria na Revolução Industrial. Criando espaço para a consolidação do capitalismo na Inglaterra. A Revolução Industrial A Revolução Industrial reflete o conjunto de transformações econômicas, sociais e tecnológicas que teve início, na Inglaterra, a partir da segunda metade do século XVIII. Em pouco tempo, estas mudanças se alastraram pela Europa e por outros continentes, mudando o mundo e a mentalidade da humanidade, como um todo. O surgimento da fábrica, unidade industrial que substitui o antigo sistema de produção doméstico, concentrando em um mesmo local de trabalho, dezenas, centenas e até milhares de trabalhadores; a substituição das ferramentas pelas máquinas e da energia humana pela energia motriz; a utilização, em larga escala, do trabalho assalariado; e o surgimento de duas classes sociais com interesses opostos, a burguesia e o proletariado. Acredita-se que a Revolução Industrial influenciou profundamente o desenvolvimento do capitalismo. A Inglaterra passou por um processo de acumulação primitiva de capital e transformações nas formas de produção. Revelando para o mundo o surgimento da indústria e da produção em série. E a Manufatura se Transforma O artesanato foi a forma de produção que antecedeu a produção industrial. Surgiu na Idade Média, e passou por várias transformações com o renascimento comercial e urbano. Nele, o produtor era dono dos seus meios de produção, a atividade era manual, a produção era independente e o artesão realizava todas as etapas da produção. 72 A partir do século XV, ampliou-se o consumo e o artesão aumentou a produção. Com isso os comerciantes tiveram que ampliar seus negócios, para isso passaram a contratar os serviços de vários artesãos, distribuía a matéria-prima e pagava salários. Essas práticas, baseadas no trabalho artesão domiciliar, porém dirigido pelo comerciante-empresário, passou a ser chamado de manufatura. Conseqüentemente, os trabalhadores assalariados perderam o controle sobre o resultado de seu trabalho. A produtividade aumentou por causa da divisão social do trabalho, ou seja, cada trabalhador passou a executar uma única etapa na elaboração do produto. Da fase da manufatura, passou-se para a fase da maquinofatura. Surgiram as fábricas, desapareceu o trabalho feito na casa dos trabalhadores. Com isso, os trabalhadores foram concentrados em grandes prédios e passaram a trabalhar com máquinas, onde a ferramenta de trabalho não lhes pertencia. Foi nesse período que a Revolução Industrial se consolidou. A Inglaterra Sai na Frente A Inglaterra foi o primeiro país a reunir as condições para o desenvolvimento do sistema fabril. Vários fatores colaboraram para isso. O primeiro foi o controle de um amplo mercado consumidor, que se espalhava por todo o mundo. Esse grande mercado consumidor estimulou o aumento da produção, criando condições favoráveis à invenção e aperfeiçoamento de novas técnicas de produtividade. O segundo, foi o pioneirismo da Inglaterra na acumulação de capital. No entanto, o acúmulo de capital não era o bastante, sem a disponibilidade de mãode-obra. Esta situação foi resolvida quando os camponeses deixaram o campo em busca de trabalho nas fábricas dos centros urbanos. E também, com a transformação dos artesãos, depois de muita resistência, em trabalhadores assalariados. Outro fator que deu à Inglaterra o pioneirismo na Revolução Industrial foi o sistema bancário eficiente, que se consolidou na segunda metade do século XVIII. A lém da disponibilidade de matéria-prima, como o carvão e o ferro, de ter na burguesia um grupo de empresários organizados no propósito do desenvolvimento econômico; e na ideologia calvinista, a valorização ao enriquecimento e ao trabalho. A Todo Vapor Na segunda metade do século XVIII, diversos inventos revolucionaram as técnicas de produção. Uma das criações que se conhece como pioneira da Revolução Industrial, deu-se em 1733, com o desenvolvimento da lançadeira volante de John Kay. Este instrumento, que consistia num maquinário adaptado aos teares manuais, aumentou a capacidade de tecer. Até então, o tecelão só podia fazer um tecido da largura de seus braços. Por sua vez, essa invenção provocou a falta de fios, produzidos nas rocas. Em 1767, James Hargreaves inventou a “spinn jenny”, que permitia ao artesão fiar até oitenta fios de uma só vez, porém frágeis. Richard Arkwrigt, criou uma máquina que produzia fios mais resistentes, mas eram muito grossos. Até que, em 1779, Samuel Crompton combinou as duas máquinas numa só, que produzia fios finos e resistentes. Mas agora sobrava muito fio, que foi solucionado, em 1785, quando Edmond Cartwright inventou o tear mecânico. E assim se seguiram as próximas invenções. 73 História Moderna Com isso, percebe-se que cada problema surgido exigia novas soluções. E foram estas soluções que fizeram as máquinas serem desenvolvidas. E conseqüentemente, o maquinário foi aperfeiçoado, fazendo com que a Revolução Industrial se consolidasse cada vez mais. Conseqüências da Revolução Industrial Durante o século XVIII, a Revolução Industrial se concentrou inteiramente na Inglaterra. Mas, no século seguinte, começou a se expandir por vários países, levando grandes transformações na população do mundo. Na produção, o sistema fabril acabou se consolidando. Com máquinas cada vez mais sofisticadas, a fábrica tornou-se o local adequado para a produção, favorecendo a divisão do trabalho, a imposição do horário e da disposição disciplinar ao trabalhador, além do aumento da produtividade. E, no âmbito social, surge o proletariado, classe social formada pelos trabalhadores fabris e de transportes. Devido aos baixos salários, mulheres e crianças também eram obrigadas a trabalhar, recebendo remuneração ainda menor que a dos homens. Mas, o aspecto que trouxe a maior transformação foi a separação entre os trabalhadores e os meios de produção (instalações, máquinas, matéria-prima). Com isso, os operários passaram a ser simples assalariados submetidos aos capitalistas (donos dos meios de produção). A Revolução Industrial causou graves conseqüências na vida dos trabalhadores, pois havia regras e limites no exercício do trabalho. Os donos das fábricas impunham salários miseráveis e longas jornadas de trabalho, que chegavam a dezoito horas diárias. Contra essa condição subumana, os trabalhadores lutaram de diversas maneiras, resistindo. Um dos exemplos foi a destruição das máquinas por parte dos trabalhadores, principalmente nos anos de 1811 e 1812, forma de protesto que ficou conhecida como Ludismo. Ao longo do século XIX,os trabalhadores se organizaram e usando da força de sua classe profissional para reivindicar melhores condições de trabalho e defender seus direitos. Foi assim que surgiram as “trade unions” (sindicatos). E, gradativamente, essas associações conquistaram a proibição do trabalho infantil, a limitação do trabalho feminino, o direito de greve e a jornada de trabalho passou a ser de oito horas. 74 AS CONTRADIÇÕES DA EXPANSÃO: MERCADOS COLONIAIS E ULTRAMARINOS Como já sabemos, uma grande parte do comércio entre Europa e o resto do mundo tinha sido passivo durante anos, porque os orientais não precisaVam dos produtos europeus na mesma medida do que a Europa precisava dos seus. A situação tinha se equilibrado mediante pagamentos em moeda, acompanhados, de vez em quando, por exportações de escravos, peles, âmbar e outros produtos de luxo. Até a Revolução Industrial, nem as vendas nem as manufaturas européias tiveram importância. (O mercado africano, que não era deficitário, podia ser uma exceção por causa dos vacilantes termos de intercâmbio favoráveis que os produtores europeus impuseram entre os ignorantes compradores locais, e de fato - e quase por definição - porque o continente foi considerado su-perficialmentecomo uma fonte de provisão de metal até uma boa parte do século XVII). Em 1665, a Real Companhia Africana ainda estimava seus ganhos em ouro como o dobro de seus ganhos em escravos. A conquista européia da América e das principais rotas comerciais não mudou fundamentalmente sua estrutura, porque mesmo as Américas exportavam mais do que importavam. O custo dos produtos orientais reduziu-se consideravelmente como conseqüência da supressão de intermediários, a diminuição dos impostos de transporte e a outorga a mercadores europeus e a bandos armados, da liberdade de onganar e roubar impunemente. Também aumentou a reserva de metais roubando os africanos para beneficiar os asiáticos. Indubitavelmente, a Europa obteve daquilo enormes e inesperados lucros. Tanto a atividade geral dos negócios quanto o capital acumulado foram muito estimulados, mas, levando em consideração a totalidade de nossas exportações de manufaturas, não sofreram orande expansão. As potências coloniais - aderindo à tradição dos negócios medievais - seguiram uma polr-tlca de restrição da produção e monopólio sistemático. Conseqüentemente não existia razão alguma para que a Itxportação de manufaturas locais fosse beneficiada. O benefício que a Europa tirou dessas conquistas Iniciais assumiu antes a forma de bonlflcações partlculares do que dividendos regulares. Quando chegasse o esgotamento era provável que acontecesse a crise. Tanto no Oriente como no Ocidente podemos distinguir três etapas: a dos benefícios fáceis, a da crise e, com sorte, a da prosperidade mais moderna e estável. Na etapa Inicial, sem dúvidas a conquista ou a pirataria propiciaram benefícios temporários a baixos custos. No leste, onde as possibilidades de lucro descansavam no monopólio da restrita produção de especiarias e outros produtos semeIhantes, o aumento exorbitante dos “custos de proteção” para enfrentar rivais velhos e novos produziu a crise, provavelmente; quanto mais acentuado era o aumento, mais o poder colonial tentava forçar o preço monopolista. Estima-se que foi por estas razões que o comércio português de especiarias apenas conseguiu não endlvidar-se. No Ocidente, onde se apoiavam na produção barata e abundante de metais e outras matérias-primas, é provável que os custos de proteção desempenhassem um papel menos importante, embora também tenham aumentado como conseqüência da competição e da pirataria. No entanto ali forem atingidos rapidamente os limites técnicos da primitiva “cova de ratos” da mineração espanhola (permitindo ainda o uso do processo de mercúrio) e é multo possível que a mão-de-obra fosse obrigada a trabalhar até a morte e tratada como objeto de udo. De qualquer maneira as exportações de prata americana diminuiram, aproximadamente desde 1610. Eventualmente, é claro, no Oriente as potências coloniais se ajustaram ao novo nível de custos fixos e acharam até talvez uma nova fonte de impostos locais como compensação. No Ocidente, a estrutura familiar dos grandes estados semi-feudais apareceu no século XVII. Já que as bases econômicas do sistema .colonial espanhol eram mais amplas que as do português, os resultados da crise deveriam ser de maior alcance. -Desta forma, a prematura imigração às Américas estimulou temporariamente a exportação de produtos do país; - mas como aconteceu que, inevitavelmente, muitas das - necessidades das colônias chegaram a ser satisfeitas localmente, as manufaturas espanholas em expansão tiveram que pagar as conseqüências. A tentativa de estreitar o monopólio metropolitano piorou as coisas porque desincentivou o desenvolvimento da economia, revolucionária em potência, das plantações. Os efeitos da afluência de metal à Espanha são demasiado conhecidos para necessitar discussão. Portanto, é compreensível o fato de que o antigo “sistema colonial” atravessasse uma profunda crise e que os efeitos desta sobre a economia européia em geral fossem de longo alcance. Na verdade, esse sistema foi subtituído por um novo modelo de exploração colonial.Baseado na exportação de manufatura européia em ritmo crescente seguro. Atuando em grande parte por conta própria, os plantadores de cana-de-açúcar do norte do Brasil tinham aberto o caminho a esse modelo desde o final do século XVI). No entanto o gordo dos benefícios do antigo monopólio era irresistível para aqueles que tinham a oportunidade de obtê-Io. Até os holandeses se mantiveram de forma ‘resoluta “antiquados”, em relação a seu colonialismo, até o século XVIII, embora sua posição como armazém de mercadorias na Europa os salvasse das conseqüências da ineficácia colonial. O velho colonialismo não se transformou em um novo: esboroou-se e foi substituído. 75 A Revolução Francesa A Revolução Francesa é considerada pelos historiadores o marco que assinala o fim da Idade Moderna e o início da Idade Contemporânea. O História movimento foi o mais poderoso golpe contra o antigo Regime na França e Moderna repercutiu em toda a Europa e em várias regiões do mundo, inclusive na América. Os revolucionários franceses, sob o lema iluminista da ‘Liberdade, igualdade e fraternidade”, levaram esses ideais ao limite. Procuraram instaurar um Estado caracterizado pela participação do povo na política e ela diminuição das desigualdades sociais. Inaugurando, assim, um Estado que tinha em sua base o povo e o direito à cidadania. A Crise Francesa No fim do século XVIII a França era um país agrário. A grande maioria da sua população vivia no campo. Embora já sofresse influência do capitalismo, sua organização social ainda se baseava em estamentos (primeiro, segundo e terceiro estados), contudo com uma certa mobilidade social. O primeiro estado era formado pelo alto e baixo clero; O segundo, era formado pela nobreza palaciana, a nobreza provincial e a nobreza de toga; e o terceiro, formado pela alta burguesia (banqueiros, financistas e grandes empresários), a média burguesia (profissionais liberais, empresários, professores, advogados e outros),a pequena burguesia (artesãos ricos, lojistas e pequenos comerciantes), e a parte mais baixa (artesãos, aprendizes, proletários, camponeses e servos). O terceiro estado arcava sozinho com o peso dos impostos e contribuições para o rei, o clero e a nobreza, que viviam do dinheiro público. Politicamente, o terceiro estado lutava pro maior participação nas decisões do Estado e por igualdade de tratamento em relação à nobreza e ao clero. Essas reivindicações se chocaram com o absolutismo monárquico. O rei monopolizava a administração, concedia privilégios, esbanjava luxo, controlava tribunais e condenava os opositores à prisão na fortaleza da Bastilha. Na época da revolução os filósofos iluministas denunciavam toda essas situação arbitrária. Formaram clubes de leitura e discussão dos seus livros. Desta forma, a burguesia se conscientiza dos problemas e busca informar a população para obter o seu apoio. 76 Os Estados Gerais Luís XVI tentou impor algumas reformas para alterar esta atmosfera de crise. O seu ministro, Turgot, procurou controlar as finanças cortando gastos públicos e propondo a cobrança de impostos da nobreza e do clero. Porém, ele foi pressionado por destes e acabou sendo demitido. Em seguida, o rei nomeou Necker, que deu continuidade às reformas. Em 1781, ele publica as contas do governo e isso faz com que a população fique escandalizada ao saber às despesas da corte, que consumia os recursos do país. Necker também é demitido. Com isso, a crise é agravada, e não há como conter as manifestações de revolta que ocorriam no país. Em conseqüência a nobreza pressiona o rei, que obrigado a convocar os Estados Gerais, ou seja, a reunião dos representantes dos três estados (clero, nobreza e povo). Os Estados Gerais se reuniram no Palácio de Versalhes em maio de 1789. O Terceiro Estado era representado em sua maioria pelos burgueses. Logo surgiu o problema de como seriam feitas as votações, pois cada Estado tinha direito a apenas um voto. E, desta forma, clero e nobreza votariam juntos e nada mudaria. O Terceiro Estado, que tinha a maioria em número de pessoas, exigiu que a votação fosse feita por representantes. Como não se chegou a uma definição, os Terceiro Estado, decide se separar dos Estados Gerais e proclama-se a Assembléia nacional, com o objetivo se extinguir os privilégios da nobreza e do clero. 77 A assembléia nacional queria formar uma Constituição francesa de acordo com os ideais do Iluminismo. Sem alternativa, os outros dois estados se aliam ao terceiro estado para formar a assembléia nacional Constituinte. O terceiro estado sai vencedor e com isso começa o processo revolucionário História francês. Moderna E a Bastilha Cai Enquanto a Assembléia estava reunida, Luís XVI, com medo da revolta popular, manda as tropas para as ruas e a população temerária pela Assembléia Constituinte começa a se arma. Com o clima de tensão instaurado, começam a ocorrer os primeiros conflitos nas ruas de Paris. E, em 14 de julho de 1789, a população toma de assalto a Bastilha, símbolo de opressão, pois nela eram trancafiados os presos políticos. A explosão revolucionária se espalha por todo o país. Na zona rural, os camponeses saqueiam castelos e terras da nobreza, invadem cartórios e queimam títulos de propriedade. O pânico toma conta da aristocracia, e vem à tona o período conhecido como Grande Medo. Em 4 de agosto, a Assembléia Constituinte aprova a abolição dos direitos feudais e as obrigações pagas pelos camponeses passam a serem pagas em dinheiro e não mais em produtos e serviços. No dia 26 de agosto é aprovada a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. O documento, inspirado no Iluminismo, proclama o direito à liberdade, à igualdade perante a lei e à inviolabilidade da propriedade, assim como o direito de resistir à opressão. Luis XVI se recusa a aprovar o documento e a população promove novas manifestações, conhecidas como “jornadas de outubro”. O Palácio de Versalhes é invadido e o rei obrigado a transferir sua residência para o Palácio de Tulheiras, em Paris. Em 1790, foi aprovada a Constituição Civil do Clero, que estabelecia que os bens eclesiásticos seriam confiscados para servir de lastro à emissão dos bônus do Estado, e os padres passariam a ser funcionários do Estado. Alguns aceitaram e outros não, estes deram início às agitações contra-revolucionárias nas províncias. A Monarquia e a Revolução Nos términos dos trabalhos da Constituição, os membros da Assembléia, dissolveram-na em 30 de setembro de 1791. Ficou estabelecido que novos deputados seriam eleitos pelo voto censitátio (segundo a renda de cada um) e constituíram a Assembléia Legislativa. O Poder Executivo ficou nas mãos do rei, responsável pela nomeação dos ministros. O terceiro poder (judiciário), foi formado pelos juízes eleitos. Mas vários problemas ameaçavam a estabilidade do governo. Em certas regiões, o clero insuflava os camponeses 78 contra a revolução. E, em Paris, o rei conspirava contra o movimento, mantendo contato com os nobres que tinham saído do país. Em abril de 1792, o governo francês, receando que os exilados organizassem a contra-revolução, declarou guerra à Áustria e à Prússia, países que abrigavam a maioria dos refugiados. Os austríacos, com o apoio da Prússia, partiram para invadir a França. A Assembléia Legislativa, então, convocou todos os franceses a pegar em armas e defender o país. Com isso, as ações revolucionárias ficaram mais radicais. Luís XVI, suspeito de traição por colaborar com os invasores na guerra, teve seus poderes suspensos pela Assembléia, que adotou o nome de Convenção. Neste momento, os deputados foram eleitos por sufrágio universal (sem exigência de renda). Na Convenção, os grupos políticos ficariam assim posicionados: do lado direito da sala de sessões, sentavam-se os girondinos, políticos moderados que defendiam uma República liberal que garantisse a propriedade privada; do lado esquerdo, ficavam os deputados mais radicais, que lutavam por uma República democrática igualitária, chamados de jacobinos; no meio dos dois grupos, sentavam-se os centristas, políticos indecisos que votavam nos girondinos ou jacobinos, a depender dos seus interesses. A Era do Terror A Convenção depois de ter deposto o rei, foi convocada para escrever uma nova Constituição para a França. A maioria da Convenção era formada por jacobinos. Em 21 de janeiro de 1793 Luís XVI foi decapitado. Isto abalou a nobreza de toda a Europa. Ao mesmo tempo, a situação tornou-se difícil para os revolucionários, pois, no interior da França, eclodiram revoltas estimuladas pelos nobres. No exterior, formou-se a primeira Coligação européia, que reunia Inglaterra, Áustria, Prússia, Holanda, Espanha, Rússia e Sardenha. A França foi novamente invadida. A Convenção respondeu a tudo isto com o decreto da “pátria em perigo”, e constituiu o Comitê de Salvação, encarregado de organizar a defesa e restabelecer a ordem interna. Dentre os líderes, sobressaíram-se Robespierre, Louis Antonie Saint-just e Danton. Ao mesmo tempo, foi organizado o Tribunal Revolucionário, destinado a julgar os contrarevolucionários, assim, o período do Terror, entre junho de 1793 a julho de 1794. Por toda a França surgiram comitês revolucionários que prendiam, julgavam e executavam todos que se mostrassem contrários à Revolução. Muitos membros dos girondinos foram guilhotinados. Criou-se a Lei dos Suspeitos, institucionalizou-se a desconfiança e delação. Somente em 1793 foram guilhotinadas 2 mil pessoas em Paris. Mais moderados que Robespierre, Danton e seus amigos, os indulgentes, pediam o fim das perseguições. Por outro lado, os herbertistas, seguidores de Jacques Hébert, pregavam a violência e radicalização. No meio de todo esse processo de agitação, a Convenção tomou algumas decisões: fixou preços máximos para os gêneros alimentícios e regulamentou os salários, criou escolas públicas, aboliu a escravidão nas colônias francesas e decretou uma ampla reforma agrária, além de dividir com os pobres os bens dos nobres emigrados. 79 Sob o reinado do Terror, o Tribunal Revolucionário prendeu mais de 300 mil pessoas e condenou à morte 17 mil. Para Robespierre, todos estavam sob suspeita, e ele não admitia divergências, História condenando à morte, até seus Moderna companheiros revolucionários, como Danton, representando os moderados, e Hébert, que representava os radicais. No entanto, em 1794, a vitória do exército francês nas batalhas e a derrota dos contra-revolucionários provocaram um novo quadro na luta pelo poder. Depois de ter assassinado os líderes populares, o Comitê de Salvação Pública perde apoio da parte mais pobre na sociedade francesa, os sans-culottes. Neste contexto, os setores moderados voltaram a ter força. Sem o apoio do povo parisiense, Robespierre e Saint-just, foram presos. Em 29 de julho de 1794 foram guilhotinados e a alta burguesia volta ao poder com o apoio dos girondinos. Os Moderados no Poder Com a nova constituição, o país passou a ser governado pelo Diretório (1795 a 1799), controlado pelos girondinos. Nesta fase são canceladas muitas medidas aprovadas nos tempo da Convenção. Com isso, há o agravamento da crise interna, em virtude da desorganização da economia, da inflação e da corrupção por parte de setores do governo. Esse clima de crise generalizada faz com que os líderes burgueses recorram a Napoleão Bonaparte, um general de prestígio, para apaziguar os ânimos e organizar a França. Apoiado pelo exército e pela burguesia, Bonaparte deu um golpe de estado contra o Diretório e assumiu o poder. Esse fato ficaria conhecido como, O Golpe do 18 Brumário de 1799, assinala o início de uma nova fase da Revolução Francesa, na qual seus princípios se expandiriam por toda a Europa e várias regiões do mundo. Napoleão se Impõe à Europa Napoleão consolidou internamente e difundiu externamente as principais conquistas da Revolução Francesa. Ele se torna imperador em 1804, seu governo foi despótico, apesar da constituição. Por algum tempo, a prosperidade resultante das reformas internas e o êxito nas guerras permitiram a continuidade do regime. Mas com os primeiros fracassos militares, seu governo foi abalado, até a queda em 1814 e o fim definitivo em 1815. O Consulado Em fevereiro de 1800, a Constituição, aprovada em plebiscito com ampla vantagem, reformulou as instâncias do poder. O poder legislativo passou a ser composto por quatro 80 assembléias: o Conselho de Estado, que preparava as leis; o Tribunal, que as discutia; o Corpo Legislativo, que se encarregava de votá-las; e o Senado, que fazia essas leis serem executadas. No entanto, o poder executivo, confiado a três cônsules, nomeados pelo Senado, detinha a maior parte do poder. E o primeiro-cônsul é quem possuía de fato o poder, ele propunha e mandava publicar as leis,nomeava ministros, oficiais, funcionários e juízes. E esse primeiro-cônsul era Napoleão Bonaparte. Para conseguir governar, Napoleão procurou implantar uma política de reconciliação, interna e externamente à França. Ao mesmo tempo,ele reorganizou e centralizou a administração francesa, criando um corpo de funcionários para arrecadar impostos e fundando o Banco da França. Com isto a economia francesa melhorou a olhos vistos. Napoleão instituiu o Código civil francês, que era inspirado no direito romano, nas ordens régias e no direito revolucionário, e essas leis continuam, em grande parte, influenciando a França até os dias de hoje. Em 1801, estabeleceu um acordo com a Igreja Católica, a concordata. Onde o papa aceita o confisco dos seus bens. E, em troca, o estado fica proibido de interferir no culto, mas o bispado passa a ser indicado pelo governo e deveriam prestar juramento e fidelidade à República. Além disso as bulas papais só entrariam em vigor depois de aprovadas por Napoleão. E Napoleão se Torna Imperador Em 1804, Napoleão, que dois anos antes tinha se tornado cônsul vitalício, sagra-se imperador através de um plebiscito e com o apoio do papa. Seu império começa com grandes conflitos. A paz com a Inglaterra durou pouco. Em 1803, a Inglaterra se alia à Rússia e à Áustria para combater a França. Napoleão organiza um exército para invadir a Inglaterra. As forças navais francesas perdem para a Inglaterra, mas o exército terrestre vence a Rússia e a Áustria. Dentro deste clima, Napoleão impõe uma série de guerras, que vão gerar extremas mudanças no mapa da Europa. Em geral, as regiões dominadas por Napoleão acabavam formando governos fiéis ao imperador. Formando uma teia de poder com uma influência muito forte. No entanto, a Inglaterra continua uma forte oponente da França. Sua poderosa marinha e sua economia desenvolvida dá subsídios para que ela resista aos ataques de Bonaparte. Para minar o poder inglês, Napoleão, em 1806, decreta o Bloqueio Continental, que impõe o fechamento dos portos europeus ao comércio inglês. 81 História Para que o Bloqueio vigorasse, Napoleão começa a sua política intervencionista, e ordena a anexação de vários territórios europeus ao julgo da França. O primeiro foi a península Ibérica, governada pela Espanha, que passou a ser comanda pelo irmão do imperador francês, José Bonaparte. Moderna Em seguida, Napoleão decide invadir Portugal. O país foi ocupado sem dificuldades, mas a família real portuguesa foge para o Brasil, escoltada por navios ingleses. A invasão napoleônica na península ibérica, teve importantes conseqüências para a América colonial. A queda do rei espanhol se consolidou como estopim, que levaram as colônias espanholas a entrarem num processo de independência. E a fuga da família real portuguesa para o Brasil, deu alicerces para sua futura independência. O Começo do Fim Em 1810, quase toda a Europa, com exceção da Inglaterra, estava sob domínio francês. No entanto, esse domínio provocou revoltas nacionais em diverso pontos da Europa. A partir de 1810, vários países romperam o Bloqueio Continental, acabando com o poderio militar napoleônico. Derrotado e sem apoio interno, Napoleão,em 1814, acabou renunciando ao poder e foi exilado para a ilha de Elba. Com a renúncia, políticos franceses com o apoio das potências européias, procuraram restaurar a monarquia, entregando a coroa a Luís XVIII, irmão de Luís XVI. No entanto, a população francesa reage e Napoleão foge da ilha de Elba e retorna ao governo de Paris. Ficando por um curto período no poder, chamado de Governo dos Cem dias. Vencido em definitivo pelos ingleses, em 1815, Napoleão abdica do poder e é preso na ilha de Santa Helena, na costa africana, onde morre em 1821. Após a derrota de Bonaparte, Áustria, Prússia, Inglaterra e Rússiaconvocam o Congresso de Viena, onde foi decidido, que seria restaurado o equilíbrio europeu que existia antes da Revolução francesa. A França teve que pagar uma alta indenização de guerra, o rei Luís XVIII foi colocado no trono francês e foram reafirmados os valores do Antigo Regime. Em seguida, foi criada a Santa Aliança, onde Áustria, Prússia e Rússia, fazem um pacto de ajuda mútua entre os monarcas desses reinos com o objetivo de sufocar qualquer movimento revolucionário, tanto na Europa como nas regiões de domínio colonial. A Crise do Sistema Colonial Nas últimas décadas do século XVIII ocorreram grandes transformações no mundo ocidental. Filósofos e cientistas propunham novas maneiras de “olhar” o mundo e de se relacionar com ele. A concepção de uma sociedade estática e estratificada, na qual o homem já encontrava o seu destino traçado, ia sendo transformada. O homem passava a ser o construtor de seu tempo e de sua história. A Revolução Industrial Inglesa, a Independência dos Estados Unidos e a Revolução Francesa foram os marcos dessa modernidade. Na Europa ocidental, o novo pensamento 82 liberal impulsionou a queda dos regimes absolutistas levando, para suas colônias, o rastilho da independência. Os colonos espanhóis, começariam a conquistar sua independência no início do século XIX. O vasto território colonial espanhol se fragmentaria em vários países. E a parte controlada pelos portugueses ficaria livre do domínio colonial em 1822. A Independência das Colônias Espanholas O processo de independência da América espanhola está estreitamente relacionado com as guerras napoleônicas, pois quando Bonaparte dominou a Espanha, impondo seu irmão ao trono. Os espanhóis reagiram e em Sevilha, foi organizada uma junta governativa, leal ao rei deposto, que assumiu o comando da luta contra s franceses. Na América espanhola, também constituíram-se juntas governativas, que no início se declararam fiéis ao rei deposto Fernando VII. Mas, com o passar do tempo, passaram defender a independência em relação à Espanha. As leis locais perceberam a fragilidade do domínio espanhol e, influenciados pela Revolução Francesa, viram a chance de cortar de forma definitiva a condição de colônia espanhola. No decorrer dos séculos XVIII e XIX, quase toda América espanhola se transformou num palco de sucessivas rebeliões. Em 1826, realizou-se no Panamá um congresso com a finalidade de reunir as diversas repúblicas em que se tinha dividido a América espanhola numa grande federação, para se opor à Europa monarquista. Poucos países compareceram, e desta forma, acabou prevalecendo a formação de vários países. Pode-se analisar que a independência da América espanhola teve um caráter político, conservando-se a estrutura colonial, ou seja, a produção agrícola tropical para exportação, baseada na grande propriedade, no trabalho escravo e na monocultura e importação de produtos manufaturados. Com isso, perpetuou-se a relação de dependência existente nos tempos coloniais. Do ponto de vista, ocorreram poucas mudanças. Sem distribuição de terras nem abolição do trabalho escravo; a sorte da população pobre não melhorou. A elite “criolla” (filhos de espanhóis nascidos na América espanhola), tão empenhada nos movimentos libertadores, também acabou empregando os ideais iluministas somente a seu favor, evidenciando que desejava a igualdade, mas não para todos. A Independência da América Portuguesa Em 1806, por causa do Bloqueio Continental de Napoleão Bonaparte, Portugal se viu diante de um dilema. O decreto exigia que as nações deixassem de comerciar com a Inglaterra. Mas Portugal e Inglaterra eram velhos parceiros comerciais. Portanto, se Portugal acatasse o bloqueio, entraria em atrito com a Inglaterra. E não acatar, seria uma afronta a Napoleão, e o país correria o risco de uma invasão. 83 História Durante dois anos a diplomacia portuguesa protelou a decisão. Em 1807, Napoleão ordenou a invasão de Portugal. E como solução desse problema, o rei D. João e sua corte fogem de Portugal para a colônia portuguesa na América. Moderna D. João chega em salvador, que será o primeiro centro administrativo da colônia até 1763. De acordo com as expectativas da Inglaterra, D. João decreta a abertura dos portos brasileiros para as nações amigas. Depois, seguiram-se os tratados de aliança e comércio com a Inglaterra, firmados em 1810. Na prática, essa política abolia o pacto colonial e introduzia a liberdade de comércio. Com isto, o comércio exterior e interno brasileiro crescem, estimulados pela presença de comerciantes de várias nacionalidades. Em abril de 1808, já tendo fixado residência no Rio de Janeiro, D. João decretou a suspensão do alvará, que proibia a criação de indústrias no Brasil. Essa medida possibilitou que em 1811 se instalassem duas fábricas de ferro no Brasil. Em 1820, é proclamada, em Portugal, as Cortes de Lisboa, uma espécie de Parlamento português, para votar uma Constituição e criar uma monarquia constitucional. As Cortes de Lisboa, faziam parte do projeto da burguesia comercial portuguesa, que queria terminar com a situação de relativa independência alcançada pelo Brasil, e restaurar o monopólio português do comércio brasileiro. A pretensão da corte era recolonizar o Brasil. Os colonos no Brasil perceberam que estava em suas mãos a possibilidade de mudar o rumo dos acontecimentos, tornando-se autores de sua própria história. Nas sociedades literárias discutiam-se, em segredo, “as idéias francesas” de Fraternidade, Igualdade e Liberdade. Depois de vários acontecimentos, e pressões da elite e da população brasileira. No dia 7 de setembro de 1822, D. Pedro I, filho de D. João VI, agora rei de Portugal, rompe definitivamente com Portugal. A INCONFIDÊNCIA MINEIRA, A CONJURAÇÃO BAIANA E AS IDÉIAS ILUMINISTAS As Idéias Iluministas no Brasil Apesar do empenho em contrário das autoridades portuguesas, as “infames idéias francesas” não demoraram a atravessar o Atlântico. Ao porto de Salvador, o mais movimentado no período colonial, chegavam os novos ideais. O governo português tentava impedir a entrada de livros contendo as idéias revolucionárias, mas apesar de toda a vigilância, livros, folhetos e documentos circulavam clandestinamente, algumas vezes trazidos por estudantes brasileiros que retornavam de estudos em universidades da Europa. 84 Em 1797, foi fundada em Salvador a Loja Maçônica Cavaleiros da Luz, onde eram lidos os livros de Rousseau e outras obras de iluministas franceses. A maçonaria divulgava as idéias liberais visando combater os princípios absolutistas e mercantilistas. A princípio, essas idéias circulavam apenas entre os letrados, mas logo começaram a se propagar entre as camadas mais humildes da população como soldados, alfaiates, mulatos, negros escravos ou libertos. Para essa população, vítima de preconceito racial e sujeita a muitas restrições, que a impediam de ocupar determinados cargos e de ascender socialmente, os ideais republicanos tiveram profunda repercussão. Enquanto a elite intelectual conspirava em suas casas e em sociedades secretas, os homens pobres o faziam, murmurando nas ruas. Por meio de manuscritos contendo a tradução dos livros dos enciclopedistas franceses, de boletins, e de conversas, as novas idéias se alastravam pelas ruas. Aos poucos, o movimento escapou das mãos da elite, adquirindo um caráter popular e social. A marca popular diferenciou a Conjuração Baiana da Mineira, que era eminentemente pensada pela elite. A monarquia significava opressão, no entanto, as idéias de Liberdade e de Igualdade não eram vistas da mesma maneira por todos os envolvidos nos movimentos de Conjuração. Para a elite branca colonial, liberdade significava o não pagamento de tributos, o fim do monopólio comercial e a independência de Portugal. Para a massa popular, a liberdade era a igualdade de direitos para todos, o fim do preconceito de raça e cor e dos privilégios. E as idéias libertárias, para esta camada da população, significavam o fim da escravidão e da subordinação colonial. Inconfidência Mineira O descontentamento causado pela opressão metropolitana era evidente em algumas regiões da colônia principalmente em Minas Gerais. A produção de metais preciosos, encontrados no interior mineiro, motivo da cobiça dos homens e de suas aventuras nos sertões brasileiros, já não existia. Os mineradores não conseguiam produzir o suficiente desejado pela voracidade do fisco português. O Governo interpretava o fato como fraude, atribuindo aos mineradores a sonegação e o contrabando do ouro. Na realidade, os mineradores empobreciam e acumulavam dívidas. Por outro lado, as autoridades passavam a cobrar os tributos com mais rigor. As derramas, cobranças forçadas de impostos, devido os atrasos, por parte da Coroa Real, ocorridas em 1762 e 1768, são um exemplo do que ocorria. As autoridades exigiam, também, uma quantidade de ouro e diamantes cada vez maior. Com isso, a intranqüilidade dos colonos crescia, enquanto a vigilância e a cobrança de impostos sobre a arrecadação do ouro seguiam sem parar. Essa cobrança era feita de forma arbitraria e se cometia muitas atrocidades, caracterizadas pelos excessos cometidos pelas tropas militares. 85 História Mesmo a distância, os olhos vigilantes da Coroa procuravam, por meio do Intendente (governador) das Minas, fiscalizar, controlar e, sobretudo, manter o recolhimento dos tributos. Isso trazia para a região das Minas uma crescente intranqüilidade e agitação. Moderna Neste contexto, um grupo de intelectuais da elite mineira começou a se reunir em Vila rica para planejar uma revolta contra o domínio português, este movimento ficaria conhecido como Inconfidência Mineira. Os participantes desses encontros, eram grandemente ligados aos ideais iluministas. Eram contra o absolutismo e adeptos do modelo democrático estabelecido pela Constituição norte-americana depois da Independência dos Estados Unidos. Muitos deles haviam estudado na Europa, onde tinham conhecido as obras dos pensadores das luzes. No grupo dos inconfidentes mineiro, encontravam-se muito intelectuais daquela sociedade, tais como os poetas Tomás Antônio Gonzaga e Cláudio Manoel da Costa. Além de Tiradentes, um dos mais pobres do grupo. Nos encontros, eles planejavam o que iriam fazer depois da vitória. Proclamar a República; adotar um bandeira, que teria a frase Liberdade, ainda que tardia; estimular o livre comércio e a instalação de fábricas; criar uma universidade em Vila Rica; e instituir um Parlamento em São João Del Rey, cidade escolhida para ser a capital. Os planos, no entanto, não seguiram adiante. Os inconfidentes foram delatados. Os revoltosos foram presos um a um. Trinta e quatro pessoas foram condenadas, mas foram poupados da forca. A pena de morte foi mantida apenas para Tiradentes, que havia assumido sozinho todo a culpa dos planos. Conjuração Baiana Em 1761, com a mudança da capital da colônia para o Rio de Janeiro, a Capitania da Bahia perdeu sua importância política, apesar de continuar desenvolvendo-se economicamente e de manter seu crescimento, graças ao comércio estrangeiro bastante intenso. Entretanto, não houve melhoria nas condições de vida da população. O renascimento agrícola, que se verificou a partir de 1770, beneficiou apenas aos donos de engenho e os grandes comerciantes intensificando, ainda mais, as contradições sociais. A capitania possuía população de aproximadamente 50 mil habitantes, a maioria composta por escravos negros ou alforriados, pardos e mulatos, homens livres e pobres que desempenhavam atividades manuais consideradas desprezíveis pelas elites dominantes. Essa população pobre, negra e mestiça, sofria com o aumento do custo de vida, com a escassez de alimentos e com o preconceito racial. As agitações eram constantes. 86 Entre 1797 e 1798 ocorreram vários saques aos armazéns do comércio de Salvador, e até os escravos que levavam a carne para o general-comandante foram assaltados. A população faminta roubava carne e farinha. Em inícios de 1798, a forca, símbolo do poder colonial, foi incendiada. O descontentamento crescia também nos quartéis, onde incidentes envolvendo soldados e oficiais tornavam-se freqüentes. Havia, portanto, nesse clima tenso, condições favoráveis para a circulação das idéias de Igualdade, Liberdade e Fraternidade. O governador, D. Fernando José de Portugal, em 1792 tinha sido advertido sobre os perigos da introdução dos princípios revolucionários que vindos da França. Notícias da própria Capitania chegavam à Lisboa, denunciando a situação inquietante e a agitação da população, fazendo com que se recomendasse ao governador maior vigilância contra a propagação das “infames idéias francesas.” Todos esses acontecimentos fizeram nascer a conjuração baiana, também chamada de Conjuração dos Alfaiates. A revolta teve um caráter fortemente social e foi apoiada pela população mais pobre, inconformada com a crescente escassez de alimentos e as péssimas condições de vida na colônia. Assim quem aderiu à conjuração na Bahia, foram os artesãos, sapateiros, alfaiates, soldados, negros libertos, mestiços e escravos. Eles tinham objetivos mais claros que os de Minas. Os Princípios Franceses Em Salvador, as idéias iluministas eram difundidas através de encontros feitos em uma Loja maçônica, denominada Cavaleiros da Luz. Entre esses freqüentadores, estavam o médico Cipriano Barata e o tenente Hermógenes Pantoja. Além dos alfaiates João de Deus do Nascimento e Manuel Faustino dos Santos, aliados aos soldados Lucas Dantas de Amorim e Luís Gonzaga das Virgens, que passaram a pregar a República, que traria a igualdade para todos. A Revolta Toma as Ruas Em 12 de agosto de 1798, em Salvador, havia nos muros dos lugares mais movimentados, manuscritos conclamando a população para participar de uma revolta que estava sendo planejada. Esses panfletos veiculavam críticas ferozes aos impostos, reivindicação de aumento de soldos para os militares, entre outras exigências. Ao mesmo tempo, transmitiam idéias claramente inspiradas na Revolução Francesa, como a república, liberdade, igualdade, anticlericalismo e comércio livre como todos os povos. No entanto, antes de por o plano em prática, os conjurados foram traídos por delatores do grupo e presos. O processo envolveu 49 réus. Vários líderes foram condenados à forca, outros a prisão e condenação ao exílio. 87 Embora nem a Inconfidência Mineira nem a Conjuração Baiana tenham alcançado seus objetivos, os dois movimentos transformaram-se em símbolo de luta pela emancipação do Brasil. História Moderna Sonia Sant’Anna Da memória familiar ao romance histórico Um pouco dos causos repassados em família mistura-se com muita pesquisa para envolver o leitor com personagens marcantes da Inconfidência Mineira Nascida e criada entre estantes de livros, fui atraída para a História desde a infância, tal como me foi apresentada por meu pai, historiador diletante. Dashistórias da História que ele me contava, passei ao romance histórico de capa e espada, e depois à História propriamente dita, inicialmente em busca de informações sobre os personagens que já conhecia dos romances. Pais e avós - goianos e mineiros, gente contadeira de causos - deleitavam-me com suas recordações. A avó materna, mineira, vaidosa de sua ascendência, falava-me de sua antepassada dona Felipa de Vilhena, dama portuguesa que armou os filhos para que lutassem ao lado do futuro d. João IV pela restauração de Portugal como reino independente da Espanha, em 1640. Falava-me também que sua avó, Maria de Jesus. contava-lhe da própria avó Iria: muito bonita, escrevia versos, suas filhas aprendiam música e frances, algo inusitado na época, e tinha uma irmã também bonita e poetisa, e ambas “haviam tomado parte em uma revolução lá em Minas”. Iria, casada com um Vilhena, mantinha sobre a entrada de sua casa em Campanha (MG), o brasão nobiliárquico da família. Lamento que a minha pouca idade não me tenha feito anotar mais. E que minha mãe, desconhecendo a importância que um dia teriam para sua f ilha, tenha destruído os cadernos em que vovó registrara trara suas lembranças. Já adulta, uma resenha do jornalista Elio Gaspari levou-me a ler A devassa da Devassa, de Kenneth Maxwell. O livro revelou-me uma Inconfidência Mineira bem diversa da que havia aprendido na escola, um movimento liderado por poetas idealistas, que eu romanticamente imaginava a conspirar em pobres mansardas (água-furtada). Foime fácil compreender que o Tiradentes jamais poderia ter sido o chefe da conjura. Como poderia um pobre alferes chefiar seu superior hierárquico, o comandante Freire de Andrade - ainda mais sendo filho, embora ilegítimo, de um conde e governador, e os principais empresários e magistrados da capitania? Surpresa ainda maior me estaria reservada anos depois. Durante as pesquisas para um romance infanto-juvenil que eu então redigia, Memórias de um bandeirante, lembrei-me de que na estante familiar havia um livro sobre o bandeirante Amador Bueno da Veiga, de autoria do meu primo historiador e 88 especialista em genealogia Aureliano Leite. Entre os descendentes de Amador listados por Aureliano estava Maria Josefa da Cunha Bueno, casada com Joséda Silveira e Souza, mãe, entre outros filhos, de Bárbara Eliodora, mulher do poeta inconfidente Alvarenga Peixoto, e de Iria Claudiana, casada com Matias Gonçalves Moinhos de Vilhena. Então a Inconfidência Mineira era a “revolução” da qual, com grande exagero de minha avó, havia participado minha quinta-avó Iria. Aureliano apresentava Bárbara como heroína e sua família como vítima dos “horrores que se sucederam à Inconfidência: tais como o estupro da irmã de Bárbara e de Iria, Maria Inácia, por Dias Coelho, o encarregado de prender Alvarenga. Aí estava um romance à minha espera. Pouco a pouco a ficção foi tomando forma, mas bem diferente do que eu planejara. Tiradentes, em torno do qual se desenrolaria o drama, era pouco documentado. Em troca, sobre Alvarenga Peixoto havia muitos documentos, cartas suas e a seu respeito, mostrandome um personagem fascinante: fanfarrão, devedor contumaz, bajulador, mas devotado à sua Bárbara Bela e à filha lfigênia, e extremamente simpático. As famílias Bueno/Silveira e Souza/Alvarenga apareciam em muitos episódios pitorescos: dívidas, negócios nebulosos, filhos ilegítimos... o estuprador de Maria Inácia fora na realidade seu amante, e o filho, dado como fruto do estupro quando da prisão de Alvarenga, nascera em 1786, bem antes da malo-grada rebelião. Das páginas dos Autos emerge ainda um Alvarenga acovardado, renegando os companheiros e bajulando em versos a rainha Maria I, na esperança de um perdão. Da Bárbara Eliodora descrita por Aureliano e tal como é cultuada em Minas Gerais, pouco restou: apenas a mulher bonita, amante de Alvarenga antes do casamento, dona-de-casa a driblar credores, a mãe formosa das Cartas chilenas, que promovia suntuosa festa para celebrar o batizado do filho. O que mais me fascina na História é o romance humano, pois, esquecem-se muitos, os personagens históricos foram também pessoas, e prefiro surpreendê-Ios no momento em que não sabem que serão um dia “personagens’: Trazer algo de novo sobre a Inconfidência, nunca foi minha intenção. Apenas tentei resumi-Ia para atrair um público que não tem por hábito ler História. Embora romance na forma, tento, o mais possível, manter meus livros fiéis à História. Fabulação mesmo, só o caso do visitante que lança um bilhete avisando Alvarenga de que a conjura havia sido denunciada, já que, estando meus personagens em São João del Rei, eu não poderia contar o episódio do “Embuçado’: fato ocorrido em Vila Rica, em que um misterioso desconhecido tentou prevenir Gonzaga de que a rebelião já era do conhecimento das autoridades. Uma romancista não poderia desperdiçar tal acontecimento. SONIA SANT’ANNA é escritora, autora de Inconfidências mineiras: uma história privada da Inconfidência. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2000 e de Memórias de um bandeirante. São Paulo: Global Editora, 2001. TEXTO DE REPORTAGEM DA REVISTA NOSSA HISTÓRIA, ANO 2 / Nº 18, ABRIL 2005, Pág. 48 e 49 Sessão Cinema... O Homem que não vendeu sua alma Sinopse A vida de Sir Thomas Morus, martirizado por suas convicções durante o reinado de Henrique VIII. Casanova e a Revolução Sinopse Belo filme que retrata a Revolução Francesa. Na verdade, retrata os diversos olhares daquele momento em relação à revolução. Numa noite do século XVIII, na pequena cidade de Varennes, a família real foge de carruagem, seguida por outra com um grupo dos mais heterogêneos, onde o diretor Etore Scola mescla personagens reais e fictícios para discutir idéias muitas vezes contraditórias. Ótimo elenco, com destaque para Mastroianni no papel de um sedutor Casanova. O ÚLTIMO DOS MOICANOS Sinopse Em 1757 franceses e ingleses na Guerra dos 7 anos (1756-1763) lutam pela posse de terras na América do Norte, usando como soldados índios de diferentes tribos. Hawkeye, filho adotivo de Chingachgook e pertencente à tribo dos Moicanos, consegue salvar as duas filhas de um oficial britânico do ataque dos índios Huronos e as acompanha até o forte William Henry, tomado pelos franceses. Cora, uma das jovens, se apaixona por Hawkeye, que, junto a sua tribo, representa a última esperança também para os ingleses. 89 DANTON, O PROCESSO DA REVOLUÇÃO Sinopse História Durante a fase popular da Revolução Francesa, instala-se o período do “terror”, quando a radicalização revolucionária dos jacobinos encabeçada por Robespierre inicia um violento processo político com expurgos, manipulação de julgamentos e uma rotina de execuções pela guilhotina. Danton, líder revolucionário, critica os rumos do movimento, tornando-se mais uma vítima do Moderna terror instalado por Robespierre. A Noite de Varennes Sinopse No século XVIII, durante a Revolução Francesa, os passageiros de uma diligência entre eles o já velho Giacomo Casanova - discutem os destinos da França e da família real, que tenta fugir do país. Os Duelistas Sinopse Durante as guerras napoleônicas, por volta de 1800, o jovem oficial d’Hubert é encarregado de prender o sempre irado e briguento oficial Feraud, por ter participado de um duelo. Feraud não aceita e desafia d’Hubert para um duelo e este ganha a contenda. Inconformado com a situação e sedento de honra, Feraud desafia-o sucessivamente para novas lutas em diferentes lugares durante os 15 anos seguintes que marcaram a Era Napoleônica. Com base na obra de Joseph Conrad, o filme marcou a estréia do consagrado diretor Ridley Scott, sendo vencedor do prêmio de melhor filme por um diretor estreante no festival de Cannes. Cromwell Sinopse Na Inglaterra do século XVII, Oliver Cromwell volta ao Parlamento para atuar na oposição aos desmandos do rei Carlos I, que passa por cima das leis, desencadeando a guerra civil. 90 Os Inconfidentes Sinopse A Inconfidência Mineira - conspiração independentista do século dezoito, em Minas Gerais, centro das riquezas coloniais. Do grupo, faziam parte poetas e nobres, incluindo o padre e o coronel da guarnição. O dentista Tiradentes é torturado, para que divulgue a sua participação, na conjura contra a coroa portuguesa; os cúmplices haviam já confessado, negando responsabilidades próprias. Tiradentes é o único a assumir-se plenamente, sendo condenado à morte. TIRADENTES Sinopse A trajetória de Joaquim da Silva Xavier, o Tiradentes, na luta contra os colonizadores portugueses, a Inconfidência Mineira e o enforcamento do homem que assumiu a liderança de um dos mais importantes movimentos libertários do Brasil. [ ] Agora é hora de TRABALHAR Quanto aos agentes sociais do Iluminismo, sabemos que eles eram toda espécie de “letrados” ou, se quisermos ser mais precisos, todos os “homens de letras” – “genes lettres”. Eram, portanto, os membros das profissões liberais (médicos, advogados, professores etc.), os “oficiais” ou funcionários do Estado absolutista, os “clérigos” de diversos matrizes ou categorias, os artistas, os “diletantes” dos tipos mais variados – nobres ou comerciantes. Encontrando-se nos salões e academias, fazendo parte de associações ou sociedades secretas, essa gente formava o mundo por excelência em que se produziam e debatiam as idéias do Iluminismo. A participação maior ou menor de cada um desses tipos sociais, a importância da opinião pública, o papel dos vínculos com o aparelho de Estado, tudo isso variava muito de um país para outro. Bastaria ter em mente os casos da Inglaterra, França, Prússia e Espanha para perceber as enormes distâncias. TEXTO DO LIVRO ILUMINISMO, PÁGS. 28 E 29 DE FRANCISCO JOSÉ CALAZANS FALCON 1. De acordo com o texto acima, faça uma análise a cerca dos grandes pensadores do iluminismo e sua influência sobre as demais camadas da sociedade da época. 91 Um dos aspectos mais conhecidos e evidentes da secularização foi o desenvolvimento da crítica às crenças e práticas religiosas, em nome da razão e da liberdade de pensamento. Já em 1713 Anthony Collins, no seu Discourse of free-thinking, defendia a liberdade de pensamento e, referindo-se às interpretações da Bíblia e à multiplicidade de História opiniões em matéria de religião, afirmava que a razão deve ser o único critério válido, de acordo com a própria vontade divina. O livre-pensar, com tendência ao deísmo, caracteriza inicialmente os meios culturais anglo-holandeses, difundido-se, a partir dali, durante o setecentos e assumido, principalmente em França, uma forte conotação anticlerical, que Voltaire muito bem simboliza. A tradição desse radicalismo anticleriacal levou às leituras da secularização em bases antitéticas: razão versus religião, ou natural versus sobrenatural. Contra essa visão algo maniqueísta da secularização, presente nos círculos maçônicos, é necessário contrapormos a realidade de uma secularização que está longe de ter sido um processo linear ou homogêneo. Seria mais exato concebermos não uma, mas várias secularizações, cada qual com seu próprio ritmo, formando um conjunto diacrônico e desigual, não raro contraditório. Dentro de tal perspectiva, o essencial é não estabelecermos uma total oposição ou incompatibilidade entre a secularização e o cristianismo, pois: Moderna “Nas raízes históricas do Iluminismo há um crescente processo de secularização, que não é apenas um produto da reforma nem uma expropriação de bens culturais extorquidos de seu legítimo proprietário, mas uma profunda mudança histórica nascida sob influência direta do cristianismo”. TEXTO DO LIVRO ILUMINISMO, PÁGS. 33 E 34 DE FRANCISCO JOSÉ CALAZANS FALCON 2. Considerando o racionalismo. Discorra sobre a importância deste para formação do pensamento iluminista. 3. Montesquieu diz, “A verdadeira lei da humanidade é a razão humana enquanto governa todos os povos da terra; dizer que só o que as leis positivas ordenam ou proíbem é que constitui o que há de justo e injusto, significa dizer que, antes que se tivesse traçado os círculos, todos os raios eram desiguais” Voltaire, em uma das suas cartas. Dizia ela: “Essa razão que tanto perseguimos avança todos os dias [..] Os jovens se formam, e aqueles que são destinados aos lugares mais elevados desfazem-se dos infames preconceitos que aviltam uma nação. Sempre haverá um grande número de tolos e uma boa multidão de patifes. Mas, os pensadores, mesmo em número pequeno, serão respeitados [..] Esteja certo que tão logo as pessoas de bem se unam, nada mais poderá detê-las. É do interesse do rei, e do Estado, que os filósofos governem a sociedade... Chegou o tempo em que homens como você devem triunfar [...] Afinal, nosso partido já vence o deles em matéria de boa educação.” - (Carta a Helvitus, em 15.9.1763). Faça uma relação sobre a importância da razão, para a formação das idéias iluministas desses dois pensadores. 92 4. Conforme as palavras de Montesquieu: “Para que não se possa abusar do poder é preciso que, pela disposição das coisas, o poder freie o poder. Uma constituição pode ser de tal modo que ninguém será constrangido a fazer coisas que a lei não obriga e a não fazer as que a lei permite”. In MONTESQUIEU, Do Espírito Das Leis, Os Pensadores, vol.1, Editora Nova Cultural, Livro XI, pg.205. Fazendo uma relação com o trecho, discorra sobre as formas de ação do déspota esclarecido. 5. Faça um paralelo entre as formas de ação do despotismo esclarecido nas Américas espanholas e na Europa. 6. Analise de que maneira os déspotas esclarecidos se beneficiaram do uso das idéias iluministas? A Revolução Francesa não foi feita ou liderada por um partido ou movimento organizado, no sentido moderno, nem por homens que estivessem tentado levar a cabo um programa estruturado. Nem mesmo chegou a ter “líderes” do tipo que as revoluções do século XX nos têm apresentado, até o surgimento da figura pós-revolucionária de Napoleão. Entretanto um surpreendente consenso de idéias gerais entre um grupo social bastante coerente deu ao movimento revolucionário uma unidade efetiva. O grupo era a “burguesia”, suas idéias eram as do liberalismo clássico, conforme formuladas pelos “filósofos” e “economistas” e difundidas pela maçonaria e associações informais. Até este ponto, os “filósofos” podem ser, com justiça, considerados responsáveis pela revolução. Ela teria ocorrido sem eles; mas eles, provavelmente, construíram a diferença entre um simples colapso de um velho regime e a sua substituição rápida e efetiva por um novo. A REVLOUÇÃO FRANCESA , PÁG. 18 DE E. J. HOBSBAWN 7. De acordo com o texto acima e levando em conta as leituras feitas acerca do conteúdo. Analise a importância das idéias dos filósofos iluministas para o advento da Revolução Francesa. 93 8. História Levando em consideração suas leituras. Faça uma relação das conseqüências da Revolução Industrial para as colônias americanas, em particular para o Brasil. Moderna Ma diferença óbvia entre a revolução inglesa e as revoluções posteriores consiste no fato de que os revolucionários franceses podiam recorrer ao exemplo dos ingleses e que os revolucionários franceses podiam recorrer ao exemplo dos ingleses e que os revolucionários russos contavam igualmente com a experiência dos franceses, da qual tinham plena consciência. A revolução inglesa não contava, porém, com antecessores. A revolta da Holanda, ocorrida no século XVI, antecipou-a sob alguns aspectos. Tratava-se, porém, de uma revolta contra um regime que tentava manter a uniformidade católica por meio da violência. Essas características não se achavam presentes na Inglaterra. Em conseqüência, faltava à revolução inglesa uma ideologia revolucionária: nela não havia um Jean-Jacques Rousseau ou um Karl Marx. Havia, é claro, muitos descontentamentos no plano intelectual, religiosos e político, mas antes de 1642, eles não haviam se cristalizado sob a forma de uma teoria da década de 1640, acreditavam-se os verdadeiros conservadores e tradicionalistas. Pretendiam um retorno aos dias da Boa Rainha Bess e até mesmo mais para trás. 9. HILL, C. O Eleito de Deus: Oliver Cromwell e a Revolução Inglesa. São Paulo: Companhia das Letras, 1988. Páginas 187 e 188 Analisando o texto acima, faça uma relação entre a Revolução Inglesa e a Revolução Francesa. 10. De que maneira as idéias das luzes influenciaram a participação dos inconfidentes no levante mineiro? 11. A igualdade de direitos para todos, aspiração dos conjurados baianos aparece em vários escritos como, por exemplo, no ofício enviado ao Governo pelo soldado Luís Gonzaga das Virgens, preterido numa promoção: ... “O suplicante é um indivíduo da classe dos referidos desgraçados, tem a mágoa, a mágoa inconsolável, de ver subir aqueles que nada mais têm, que a cor branca.” De acordo com o trecho acima, faça uma análise do posicionamento dos conjurados baianos perante a revolta dos búzios. 94 O Povo Bahinense Republicano ordena manda e quer que o futuro seja feita nessa cidade e seu termo a sua muito memorável revolução. Portanto invoca a todos aqueles que donde perante quem cada hum em particular, assim militares, homens pardos e pretos sejão constantes ao bem comum da liberdade, igualdade, outrossim que o povo que cada hum soldado tenha de soldo dous tustoens por cada dia alem das suas vantagens que serão relevantes, os officiaes terão avanço segundo as Dietas. Cada hum soldado he cidadão mormente os homens os homens pardos e pretos que vivem escornados e abandonados, todos serão iguais, não haverá diferença só haverá Liberdade Popular será enforcado sem mais apelação: assim seja entendido alias... breve teremos socorro estrangeiro. Do Povo 12. (INSERIR TEXTO DO LIVRO PRESENÇA FRANCESA NO MOVIMENTO DEMOCRÁTICO BAIANO DE 1798, PÁG. 156 E 157 DE KÁTIA M. DE QUEIRÓS MATTOSO) De posse do texto acima. Reflita sobre as diferenças entre os objetivos da Inconfidência Mineira e da Conjuração Baiana? Atividade Orientada Caro (a) Aluno (a), Esta atividade deverá ser desenvolvida, por você, ao longo do andamento da disciplina, sob a assistência e orientação do tutor no ambiente de tutoria. Estas são atividades de cunho obrigatório que tem como objetivo auxiliar na consolidação dos conhecimentos sobre os conteúdos estudados, além de ser um dos nossos instrumentos de avaliação da aprendizagem. Esta atividade consta de 03 etapas, leia atentamente, para que tenha a compreensão clara de como proceder à realização desta. Etapa 1 De acordo com o que foi discutido no Tema 01 do nosso material impresso, que discorre sobre Formação do Mundo Moderno. Elabore um TEXTO DISSERTATIVO (mínimo de 15 linhas) sobre a influência do renascimento comercial e urbano e do surgimento da classe burguesa para a formação dos Estados Nacionais, levando em consideração o que foi discutido em nossa disciplina e nos referenciais teóricos indicados. 95 Etapa 2 Levando em consideração o Tema 02 do nosso material, que trata dos Tempos Modernos, construa um CARTAZ (em papel metro ou cartolina), História Moderna fazendo um quadro comparativo entre as idéias renascentista, principalmente o humanismo, e as idéias que dão base à reforma protestante. Considerando as semelhanças e diferenças em suas correntes teóricas. Vale ressaltar que serão observados, como critérios de avaliação do cartaz, a clareza, e a relação das idéias com o conteúdo estudado. Etapa 3 Considerando os Temas 03 (O Antigo Regime) e o Tema 4 (O iluminismo e suas influências no mundo), elabore um TEXTO ARGUMENTATIVO (mínimo de 20 linhas), fazendo uma relação entre as idéias iluministas e as doutrinas filosóficas que justificam o absolutismo. Justificando o seu pensamento e os seus argumentos com os conteúdos e estudos realizados em nossa disciplina e nos referenciais teóricos indicados. Vale ressaltar que, para realização do trabalho como um todo, é necessário que cada etapa seja cumprida progressivamente. Pois esta atividade de avaliação tem como maior objetivo, além da “nota” ao final da disciplina, a construção de conhecimentos fundamentais à formação crítica e acadêmica para a atuação profissional. Força e excelente trabalho! 96 Glossário Aristocracia: governo em que o poder é exercido pelos nobres; nobreza; fidalguia. Balestilha: instrumento para tomar a altura dos astros. Burocracia: modo de administração em que os assuntos são resolvidos por um conjunto de funcionários sujeitos a uma hierarquia e regulamento rígidos, desempenhando tarefas administrativas e organizativas caracterizadas por extrema racionalização e impessoalidade, e também pela tendência rotineira e pela centralização do poder decisivo. Corporações: conjunto de indivíduos da mesma profissão, reunidos em gupos, com seus regulamentos próprios, seus privilégios, e etc. Associação; sociedade; instituição. Despotismo: poder absoluto e arbitrário que se exerce com tirania; opressão; sistema de governo fundado nesse poder; ato próprio de déspota. Entreposto: feitoria, armazém onde se guardam ou vendem exclusivamente as mercadorias de um Estado ou de uma companhia; depósito onde as mercadorias podem estar certo tempo, sem pagar direitos. Epidemia: doença que ataca ao mesmo tempo e no mesmo lugar muitos indivíduos. Epistolografia: gênero literário que se refere à cartas; a arte de escrever cartas. Exílio: expulsão da pátria: desterro; degredo. Experimentalismo: sistema que tem por finalidade alargar o método experimental a todos os ramos do conhecimento. Sistema ou doutrina que se fundamenta na experiência dentro de uma prática científica. Geocentrismo: teoria que defende que a terra é o centro do universo, surge na idade média sendo invalidada no renascimento com a teoria do heliocentrismo. Hegemonia: superioridade política de um Estado sobre outro; supremacia de uma classe social sobre a outra. Supremacia de um povo entre outros, pelas suas tradições ou condições de raça, por costumes, etc. Manufatura: trabalho manual; obra feita à mão. Monopólio: privilégio que um indivíduo, uma companhia ou um Governo têm de fabricar ou vender, sem concorrência certas mercadorias, para serem vendidas por preço elevado; tráfico exclusivo. Proletariado: classe de trabalhadores manuais que vivem do produto do seu trabalho, com baixa remuneração. 97 Protecionismo: sistema político-económico de protecção à indústria ou ao comércio nacional. História Moderna Secular: mundano, que não faz parte de ordem religiosa. Subversivo: que subverte; próprio para subverter; revolucionário. Sufrágio Universal: direito de voto a todos os cidadãos. Tirania: domínio ou poder de tirano; governo opressor e cruel; poder soberano usurpado e ilegal. 98 Referências Bibliográficas GUSDORF, G. As Revoluções da França e da América: A violência e a sabedoria. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1993. HOBSBAWM, E. J. A Era do Capital. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1977. HOBSBAWM, E. J. A Revolução Francesa. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1996. HOBSBAWM, E. J. As Origens da Revolução Industrial. São Paulo: Global, 1979. HOBSBAWM, E. J. A Era Das Revoluções. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1977. FALCON, F. J. C. Iluminismo. São Paulo: Ática, 1986. 99 História Moderna FTC - EaD Faculdade de Tecnologia e Ciências - Educação a Distância Democratizando a Educação. www.ftc.br/ead 100