AULA 09 :A IDADE MÉDIA
A Idade Média é o período compreendido entre os séculos V e XV.
Normalmente, costuma-se chamar de Alta Idade Média à fase
correspondente aos séculos V e XI e de Baixa Idade Média ao
período que se estende do século XI ao século XV.
Na Europa ocidental, a Alta Idade Média caracterizou-se pela
crise do escravismo romano, que colidiu com as comunidades
germânicas em desagregação e originou o feudalismo. Ou seja, a
colisão catastrófica de dois modos de produção em dissolução, o
primitivo e o antigo, resultou na ordem feudal.
Por ter sido um período de estagnação econômica e atraso
das forças produtivas, muitos chamaram a Idade Média de “Idade
das Trevas”. Na verdade, a expressão justifica-se apenas em parte.
Embora apresente um quadro de guerras incessantes, retração da
economia, do desenvolvimento técnico e da vida urbana – além da
ocorrência da catastrófica peste negra, que dizimou grande parte da
população europeia no século XIV – a Idade Média conseguiu
preservar, principalmente dentro dos mosteiros, a cultura e o
pensamento greco-romano.
No Oriente, o período correspondente à Alta Idade Média
caracterizou-se pela formação do Império Bizantino, resultado da
divisão do Império Romano, e pela expansão do islamismo.
Durante os séculos IV e V o escravismo passou por uma
profunda crise. A falta de mão-de-obra escrava gerou um grande
aumento nos preços desse tipo de trabalhador, inviabilizando sua
compra.
A solução encontrada pelos grandes proprietários rurais
romanos foi a gradual substituição da mão-de-obra escrava pelo
meeiro (colonato), de onde o lavrador entregava uma parte de sua
produção ao proprietário.
Com a instituição do sistema de colonato, a força de trabalho
deixou de ser uma mercadoria e a circulação monetária reduziu-se
bastante, resultando no quase desaparecimento da moeda, na
decadência do comércio e na estagnação econômica. As grandes
propriedades romanas (as vilas), antes totalmente dependentes da
estrutura escravocrata, tornaram-se cada vez mais autossuficientes.
Devido ao caráter predominantemente especulativo de sua
economia, a região ocidental do Império, que possuía Roma como
centro, foi a mais atingida pela crise do escravismo, pois os
romanos viviam da venda de escravos e da cobrança de tributos
das regiões conquistadas.
Essa situação criou desajustes na superestrutura, com crise
administrativa e déficit público. Além disso, o cristianismo, ao tornarse religião oficial do Império, aumentou ainda mais o déficit público,
pois o clero passou a ser sustentado pelo Estado.
No auge do feudalismo, a sociedade europeia ocidental era
essencialmente cristã: a Igreja era então a instituição mais
poderosa. Judeus, muçulmanos e mesmo dissidentes cristãos –
embora às vezes tolerados – eram marginalizados.
Se havia algo que caracterizava a Idade Média, era a forte
oscilação entre desespero e alegria, crueldade e ternura, pobreza e
ostentação. A diferença entre os que possuíam riquezas e os que
nada possuíam era muito aguda. O contraste entre sofrimento e
alegria, intenso. Qualquer doença podia dizimar populações
inteiras., enquanto os grandes senhores ostentavam sua riqueza e
se deslocavam seguidos por vistosas escoltas armadas, provocando
temores e invejas.
Pouco era possível fazer como proteção diante das constantes
calamidades. A distância entre saúde e doença era chocante. Os
leprosos faziam soar seus guizos pelos campos, alertando de sua
proximidade, e os mendigos exibiam nas igrejas e mosteiros suas
enfermidades e desgraças. Sem muitos recursos, o inverno parecia
ainda mais rigoroso e a escuridão das noites, mais profunda.
Na sociedade feudal, cada pessoa tinha seu papel bem definido e
rigidamente hierarquizado. Havia os que rezavam, os que
guerreavam, os que trabalhavam.
Em cada um desses níveis a sociedade tendia para a formação
de grupos e de associações: eram as corporações de ofício nas
cidades, as alianças entre os senhores feudais e as comunidades
de aldeia. Raramente alguém agia apenas em seu próprio nome,
mas sim no do grupo social ao qual pertencia.
Pirâmide Social do Feudalismo
Os servos constituíam a principal mão-de-obra empregada nos
feudos, e como fruto de sua condição deviam várias obrigações ao
senhor feudal.
Principais obrigações servis
Corvéia
Talha
Mão-morta
Capacitação
Tostão de Pedro
Formimariage
Albergagem
Trabalho gratuito nas terras do senhor feudal
Parte da produção servil entregue ao senhor feudal
Pagamento feito pelos familiares do servo para continuarem
utilizando a terra após sua morte
Taxa paga por cada pessoa da família do servo
Taxa paga à Igreja pela utilização do forno, dos moinhos, do
armazéns, etc.
Imposto pago quando o camponês se casa
Obrigação de fornecer produtos e alojamento ao senhor e a sua
comitiva quando viajam
DOCUMENTOA HOMENAGEM E A INVESTIDURA
“Aos sete dois idos de abril, quinta-feira, as homenagens foram
rendidas ao conde; e isto foi realizado segundo as formas
determinadas para empresar fé e fidelidade na ordem seguinte. Em
primeiro lugar, fizeram homenagem desta maneira: o conde
perguntou ao futuro vassalo se queria tornar-se seu homem sem
reservas, e este respondeu: “Eu o quero”; estando então suas mãos
apertadas nas mãos do conde, eles se uniram por um beijo. Em
segundo lugar, aquele que havia feito homenagem hipotecou sua fé
no porta-voz do conde, nestes termos: “Eu prometo em minha fé ser
fiel ao conde Guilherme e de lhe guardar contra todos inteiramente
minha homenagem, de boa fé e sem engano”; em terceiro lugar, ele
jurou isto sobre as relíquias dos santos. Em seguida, com o bastão
que tinha à mão, o conde lhes deu a investidura, a eles todos que
vinham de lhe fazer homenagem, de lhe prometer fidelidade e
também de lhe prestar juramento.”
PINSKY, Jaime. Modo de produção feudal. São Paulo: Global, 1982. V. 64.
As três ordens
“A sociedade dos fiéis forma um só corpo, mas o Estado
compreende três. Porque a outra lei, a lei humana, distingue duas
outras classes: com efeito, nobres e servos não são regidos pelo
mesmo estatuto. Duas personagens ocupam o primeiro lugar: uma é
o rei; a outra, o imperador; é pelo seu governo que vemos
assegurada a solidez do Estado. O resto dos nobres tem o privilégio
de não suportar o constrangimento de nenhum poder, com a
condição de se abster dos crimes reprimidos pela justiça real. São
os guerreiros, protetores das igrejas; são os defensores do povo,
dos grandes como dos pequenos, enfim, de todos, e asseguram ao
mesmo tempo a sua própria segurança. A outra classe é a dos
servos: esta raça infeliz apenas possui algo à custa do seu penar.
Quem poderia, pelas bolas da tábua de calcular, fazer a conta dos
cuidados que absorvem os servos, das suas longas caminhadas,
dos seus duros trabalhos? Dinheiro, vestuário, alimentação, os
servos fornecem tudo a toda a gente. Nem um só homem livre
poderia subsistir sem os seus servos.
A casa de Deus, que acreditam uma, está pois dividida em três: uns
oram, outros combatem, outros, enfim, trabalham. Estas três partes
que coexistem não suportam ser separadas; os serviços prestados
por uma são a condição das obras das outras duas; cada um por
sua vez encarrega-se de aliviar o conjunto. Por conseguinte, este
triplo conjunto não deixa de ser um; e é assim que a lei pode
triunfar, e o mundo gozar da paz.”
Feudo na Idade Média
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HISTÓRIA
EXERCÍCIOS DE CASA
EXERCÍCIOS DE SALA
1)As corporações de ofício eram organizadas com o objetivo de:
a)Defender os interesses dos artesãos diante dos patrões.
b)Proporcionar formação profissional dos jovens fidalgos.
c)Aplicar os princípios religiosos às atividades cotidianas.
d)Combater os senhores feudais.
e)Proteger os ofícios contra a concorrência e controlar a produção.
2)Na Baixa Idade Média, a formação de centros urbanos, o
renascimento do comércio e o aparecimento de feiras e rotas
tiveram sobre a estrutura feudal as seguintes conseqüências:
a)Desenvolveram economia agrícola e as relações servis de
produção.
b)Acentuaram a descentralização política e aprofundaram as
desigualdades sociais.
c)Provocaram o declínio do modo de produção servil e o
desenvolvimento do trabalho livre e da economia monetária.
d)Consolidaram uma cultura teocêntrica e monopolizada pela Igreja.
e)Levaram ao fracasso as tentativas de centralização do poder,
empreendidas pela aliança reisburguesia.
3)Da afirmações seguintes, assinale aquela que não pode ser
relacionada como fator do renascimento comercial europeu dos
séculos XII e XIII.
a)Desenvolvimento do artesanato urbano.
b)Maior contato com os povos do oriente.
c)Aumento das guerras internas, entre a nobreza feudal.
d)Melhoria dos meios de transporte.
4)Sobre as transformações decorrentes do desenvolvimento do
comércio da Idade Média, afirma-se que:
1)A circulação monetária, nas feiras e fora delas, foi simplificada
pela unificação de padrões monetários emitidos pelos soberanos de
países europeus.
1)A desintegração do Modo de Produção Feudal na Baixa Idade
Média foi em grande parte, consequência:
a)Do crescimento do prestígio da Igreja, que era o sustentáculo
ideológico do sistema.
b)Do sucesso militar do movimento das Cruzadas, e da bem
sucedida expansão da sociedade feudal pelo Oriente.
c)Das transformações das relações servis de produção em
assalariadas, do comércio e da economia monetária, que
aceleraram as contradições internas do sistema.
d)Do crescimento da população europeia no século XIV e da grande
oferta de mão-de-obra barata que este fato gerou economicamente.
e)Da consolidação do localismo político, fruto direto da Guerra dos
Cem Anos, que favoreceu a nobreza feudal.
Tripla é pois a casa de Deus, que se crê uma: embaixo uns rezam,
outros combatem, outros ainda trabalham; os três grupos estão
juntos e não suportam ser separados; de forma que sobre a função
de uma repousam os trabalhos dos outros dois, todos por sua vez
entreajudando-se.
(DUBY, Georges. As três ordens ou o imaginário do feudalismo. Lisboa, editorial
Estampa, 1982.)
2)Sobre a sociedade Feudal é(são) correta(s):
I)Não havia distinção social pois a Igreja unia todos em torno de
Deus.
II)O individualismo eram marcante devido a intensa competição.
III)O espírito de associação era uma de suas características.
IV)A intensa mobilidade social era devido a liberdade concedida
pela Igreja aos fiéis.
Era rural, secular, otimista e teocêntrica.
a)I e V.
b) III.
c) I e III.
d)II, IV e V.
3)O Feudalismo apresentava características, exceto:
2)A posição da Igreja em relação à cobrança de juros não constituiu
entrave ao desenvolvimento do comércio, uma vez que toda e
qualquer forma de lucro era considerada como um sinal da proteção
divina.
3)Os burgueses constituíram um setor da sociedade ligado às
atividades comerciais e industriais que procurava libertar as cidades
dos laços de subordinação feudal.
a)Centralização
b)Ruralismo
c)Servidão
d)Economia agrária.
Está(ão) correta(s) a(s) afirmativa(s).
a)1
4)Trabalho gratuito realizado pelo servo na herdade do Senhorio:
b)2.
a)Talha
c) 3
b)Banalidades
d) 1 e 2
c)Mão-morta
e) 2 e 3
d)Investidura
e)Corvéia.
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152
HISTÓRIA
AULA 10: CULTURA MEDIEVAL
LITERATURA
Na literatura destacaram-se: a poesia épica, a lírica e o romance.
A poesia épica glorificava as façanhas dos heroicos cavaleiros.
Os temas centrais eram: o heroísmo, a horan e a lealdade.
Os principais poemas épicos: Poema do Cid e a Canção de
Rolando.
Os trovadores provençais criaram poemas líricos, cujo personagem
central era a mulher e tema, o amor. Não um amor sensual, mas um
sentimento de êxtase, quase místico.
A Poesia Lírica louvava a mulher e o amor. Os primeiros poemas
líricos cantavam o amor erótico, os desejos sensuais. “Mas com a
passagem do tempo, à medida em que o feudalismo se estratificava
em polidas convenções, os amores que os fidalgos cantavam
tornavam-se mais fictícios que reais, e a sua poesia, que no século
XII era puramente sensual, no século XIII já se tornara espiritual.”
(FREMANTLE, A., op. Cit., pág. 100). Sua primeiras manifestações
ocorreram no Sul da França, de onde foram levadas a outras
regiões pelos trovadores. Abrangia as cantigas de amor e os jogos
enamorados.
“Se bem-vinda,
Meu amor; agora abraça-me e beija-me.
E como tens passado
Desde a tua partida? De saúde e bem disposta
Estiveste sempre? Vem cá,
Vem para junto de mim; senta-se e diz-me como passaste, bem ou
não,
Porque tudo isso quero eu que me contes.”
(Diálogo de dois amantes, de Christine de Pissa, poetisa veneziana
(1363-1431).
Citado por HULZINGA, J., O Declínio da Idade Média, Editora Ulsséia, págs. 302 e 303).
O romance desenvolveu-se de várias formas.
O de aventura refletia os ideais da aristocracia (fidelidade, bravura,
etc.)
Os principais foram Robin-Hood (herói-bandoleiro) e o ciclo da
távola redonda.
O romance idílico destacou o amor.
É importante destacar uma coleção de canções latina, chamada
Carmina Burana, reunida por um editor anônimo e atribuída a
letrados dos séculos XII e XIII. Ela contém críticas e sátiras à ordem
vigente, além de poesias amorosas de cunho sensual, bem como a
exaltação dos prazeres da vida.
FILOSOFIA
Durante a alta idade média, o grande teólogo foi Santo Agostinho,
responsável pela síntese entre a filosofia clássica (platônica) e a
doutrina cristã. Santo Tomás de Aquino em sua maior obra, a suma
teológica, que ficou inacabada, procurou reconciliar os escritos de
Aristóteles (lógica) com os princípios da teologia cristã (fé).
O cristianismo e a Igreja na Idade Média
Nos primeiros tempos do Cristianismo os Cléricos e também os
bispos eram eleitos pelos fiéis.
A participação das mulheres foi enorme na difusão do Cristianismo.
Após a queda do império romano, a única instituição poderosa e
universal era a igreja, que passou a ter uma estrutura centralizada,
autoritária e supranacional.
Sacerdotes, arcebispos, bispos e párocos formavam o Clero
secular, isto é, que vivia na sociedade.
O clero regular era assim chamado porque subordinava a sua vida a
uma regra e vivia em comunidades isoladas em seus mosteiros.
Mosteiro Medieval
O conjunto de conventos que obedeciam à mesma regra
denominava-se ordem.
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153
As regras elaboradas por São Bento (Bento de Núrsia)
determinavam que os monges deviam prestar voto de pobreza,
castidade e obediência.
A heresia valdense pregava a penitência e o amor cristão. Criticava
o luxo e era contra a pena de morte.
Os cátaros originários da região de Albi, sul da França, ficaram
conhecidos como albigenses. Para a maioria dos cátaros, Jesus era
apenas um profeta, mas não o salvador. Os cátaros acreditavam na
transmigração das almas, legitimava o suicídio e era contra o
matrimônio.
O arianismo, de grande importância histórica, pregado por Àrio,
sacerdote de Alexandria; afirmava que Jesus Cristo, sendo criado
por Deus-Pai, era um Deus inferior ao pai; o 1º Concílio de Nicéia
(325), convocado pelo imperador Constantino, condenou o
Arianismo e afirmou o dogma da igualdade entre o Pai e o Filho.
O canto gregoriano, também conhecido como cantochão, é um
canto litúrgico; é uma prece cantada, de louvor e de intercessão,
integrada pela igreja às cerimônias de culto. Caracteriza-se pela
uniformidade, serenidade e igualdade de duração dos sons.
No séc. XI, desenvolveu-se a canção profana e aristocrática dos
trovadores, cujas composições exaltavam o espírito cavalheiresco, o
amor à mulher e o servir a Deus nas cruzadas. Verdadeiros poetas,
músicas e cantores, os trovadores percorriam castelos, cidades e
feiras recitando ou cantando suas melodias.
Artes
A Idade Média ignora a arte pela arte e é a utilidade que norteia as
criações artísticas.
O artista medieval tinha pouca liberdade para criar.
A primeira função das artes na Idade Média era louvar a Deus; a
segunda era usar momentos, objetos e imagens como mediadoras,
favorecendo a comunicação com o outro mundo.
Como terceira função a obra de arte era uma afirmação do poder; o
poder de Deus, dos cléricos e dos ricos.
O teatro foi uma das artes mais populares na Idade média e suas
origens não se ligam ao teatro grego ou romano; encontram-se em
cerimônias e crenças religiosas.
A pintura romântica desenvolveu-se sobretudo nas grandes
decorações murais pela técnica do afresco.
Caracteriza-se pela deformação (interpretação mística que o artista
fazia da realidade) e pelo colorismo (emprego de cores chapadas,
pois não havia a menor intenção de imitar a natureza).
Não poderíamos entender a escultura romântica sem levar em conta
o edifício, sua sujeição à arquitetura. A escultura é talhada na
mesma pedra que faz parte do edifício.
O estilo gótico desenvolveu-se nos fins do século XII (Foram os
arquitetos do século xv que num tom de desprezo chamaram a arte
medieval de gótica, ou seja, de godos = bárbaros).
“A arte das catedrais góticas em contraste com o romântico
monástico e aristocrático é uma arte burguesa e urbana, pois os
leigos assumiram uma participação crescente na construção de
grandes catedrais, enquanto a influência dl clero declinava...”
HAUSER, Arnold. História social da arte e da literatura. São Paulo:
Martins Fontes, 2000, p. 203.
São elementos básicos da arquitetura gótica: o arco ogival, a
abóbada nervurada, de arestas e o arcobotante exterior. Os vitrais
permitiam melhor iluminação. A decoração era quase toda exterior.
Toda cidade erguia uma catedral que aparecia aos olhos de todos
como a fonte do poder eclesiástico. Era o símbolo de um sistema de
ensino e de coerção que objetivava a unanimidade da fé e a
subordinação daqueles que desejavam se salvar.”
MOCELUN, Renato. Para compreender a história. São Paulo:
Editora do Brasil, 2001. P; 230.
Dois grandes estilos arquitetônicos apareceram então; o romântico
e o gótico. O primeiro iniciou-se no século XI e teve sua época de
maior desenvolvimento no século XII. Os traços principais eram o
HISTÓRIA
arco redondo, as paredes maciças, janelas pequenas, pilastras
enormes e pesadas, predominância das linhas horizontais, interiores
escuros, lembranças dos mosteiros, suas primeiras manifestações
artísticas.
Universidade de Oxford
Medicina, Direito e Teologia.
As principais universidades foram as de: Paris, Bolonha, Oxford,
Coimbra, etc.
É bom não esquecer que o intelectual da Idade Média nasceu com
as cidades,c Omo bem acentua o historiador Jacques Le Goff,
Porém a vida do estudante não era nada fácil.
“A vida dos estudantes era dura. Os livros, escritos à mão, eram
poucos e caros. Raspavam o que tinham escrito no pergaminho
para poder utilizá-lo após. Tinham que ter boa memória. O estudo
era rigoroso. A disciplina, severa. Eram considerados bêbados,
arruaceiros, vagabundos, de má conduta. Alguns, denominados
“Golíardos”, andavam de universidade em universidade em busca
do saber.”
LEITURA COMPLEMENTAR
O saber Medieval
“Na Idade Média, o livro por excelência foi a Bíblia. Pode-se dizer
que a quase totalidade do que se produziu em termos de reflexão e
pensamento estava diretamente relacionado aos textos sagrados do
cristianismo ou às suas interpretações.
Das escolas monásticas às universidades, o essencial do sistema
de ensino estava submetido ao rígido controle da Igreja, que, por
sinal, manteve monopólio sobre a escrita até o século XII (...).
Assim, reforçando os ensinamentos da religião, controlando as
crenas e a moral das pessoas, dirigindo o sistema de ensino e o
universo cultural, penetrando nas consciências através das
confissões a Igreja estendeu um poder absoluto sobre todas as
formas de saber.”
MICELI, Paulo. O feudalismo. São Paulo; Atual, 1992. P. 27.
EXERCÍCIOS PROPOSTOS
1)(ENEM) – Considere os textos abaixo:
“(...) de modo particular, quero encorajar os crentes empenhados no
campo da filosofia para que iluminem os diversos âmbitos da
atividade humana, graças ao exercício de uma razão que se torna
mais segura e perspicaz com o apoio que recebe da fé”.
Papa João Paulo II. Carla Encíclica Fides e ET Ratio aos bispos da
Igreja Católica sobre as relações entre fé e razão, 1998.
“As verdades da razão natural não contradizem as verdades da fé
cristã.”
Santo Tomás de Aquino – pensador medieval
Refletindo sobre os textos, pode-se concluir que:
a)A encíclica papal está em contradição com o pensamento de
Santo Tomás de Aquino, refletindo a diferença de épocas;
b)A encíclica papal procura complementar Santo Tomás de Aquino,
pois este colocava a razão natural acima da fé;
c)A Igreja Medieval valoriza a razão mais do que a encíclica de João
Paulo II;
d)O pensamento teológico teve sua importância na Idade Média,
mas, em nossos dias, não tem relação com o pensamento filosófico;
2)(PUCPR) – Sobre a cultura medieval, podemos afirmar:
A Idade Média foi um período de expressiva produção cultural,
embora os renascentistas a tivessem denominado de Idade das
Trevas por combaterem a temática daquele período.
Enquanto o Renascimento foi um movimento anticlerical e ante
escolástico, a cultura medieval foi essencialmente religiosa e
teocêntrica.
Entre as obras literárias medievais, destacam-se a Canção de
Rolando, Poema do Cid e a Canção de Nibelungos.
O Romance da Rosa e a Divina Comédia são obras em que as
características religiosas e teocêntricas mais se evidenciaram.
Estão corretas:
a)Apenas I e II.
d)Apenas II e IV.
b)Apenas II e III.
e)Apenas I, III e IV.
c)Apenas I, II e III.
3)(FUVEST-SP)
“Se volveres a lembrança ao Gênese, entenderás que o homem
retira da natureza o seu sustento e a sua felicidade. O usuário, ao
contrário, nega a ambas, desprezando a natureza e o modo de vida
que ela ensina, pois outros são no mundo seus ideais.”
Dante Alighieri. A Divina Comédia, Inferno, canto XI, tradução de
Hernáni Donato.
Esta passagem do poeta florentino exprime:
a)Uma visão já moderna da natureza, que aqui aparece sobreposta
aos interesses do homem;
b)Um ponto de vista já ultrapassado no seu tempo, posto que a
usura era uma prática comum e não mais proibida;
c)Uma nostalgia pela Antiguidade Greco-Romana, em que a prática
da usura era severamente coibida;
d)Uma concepção dominante na Baixa Idade Média, de condenação
à prática da usura por ser contrária ao espírito cristão;
e)Uma perspectiva original, uma vez que combina a prática da
usura com a felicidade humana.
4)(FUVEST-SP) – Com relação à arte medieval, o Renascimento
destaca-se pelas seguintes características:
a)a perspectiva geométrica e a pintura a óleo;
b)as vidas de santos e o afresco;
c)a representação do nu e as iluminuras;
d)as alegorias mitológicas e o mosaico;
e)o retrato e o estilo romântico na arquitetura.
5) (UNICENP-PR) – Julgue as seguintes afirmações sobre as
universidades medievais:
I)As universidades são filhas do renascimento intelectual do século
XII e da nova curiosidade originada pelos contatos que o Ocidente
estabeleceu com os mundos muçulmano e bizantino.
II)As universidades eram corporações de professores e alunos.
III)As universidades eram completamente independentes do poder
eclesiástico.
IV)As universidades estavam divididas em quatro faculdades: Artes,
Medicina, Direito e Teologia.
a)Somente a afirmativa II é correta.
b)Somente a afirmativa I é correta.
c)Somente as afirmativas I e II são corretas.
d)Somente as afirmativas I, II e IV são corretas.
e)Todas as afirmativas são corretas.
6)(UNIMEP-SP) – A finalidade das universidades nos séculos XII e
XIII aproxima-se daquelas das corporações de ofício que se
caracterizam pela:
a)Organização de mestres e aprendizes em defesa de seus
interesses e instauração de um monopólio;
b)Manutenção de um privilégio: o dos primogênitos;
c)Subordinação e obediência às ordens monásticas medievais;
d)As alternativas a, b e c estão corretas.
e)Tanto a encíclica papal como a frase de Santo Tomás de Aquino
procuram conciliar os pensamentos sobre fé e razão.
SECRETARIA DA EDUCAÇÃO
154
HISTÓRIA
AULA 11 – A CRISE FEUDAL
As cruzadas, aquelas expedições religiosas e militares que se
dirigiram para o Oriente com o intuito de tirar a Terra Santa do
controle muçulmano, geraram, também, condições de comércio
entre a Europa e o Oriente pelo mar Mediterrâneo. Veneza e
Gênova foram as principais beneficiadas, pois estabeleceram
acordos comerciais com os muçulmanos, redistribuindo, na Europa,
as especiarias das Índias. Simultaneamente os genoveses, através
de Bizâncio, ligavam-se à rota da Seda.
Além desses comércio mediterrâneo, a Europa Setentrional
desenvolvia-se com o comércio de madeira, peixe, tecido de lã,
cereais, etc., em todo o mar do Norte.
Feira de Flandres
A região de Flandres tornou-se o mais importante entreposto entre
os mares Báltico e Mediterrâneo. Todo esse movimento levou
alguns nobres a estabelecerem suas próprias moedas, de forma
que pudessem auferir vantagens sobre o que passava em suas
terras.
As relações entre a Europa Setentrional e a Meridional promoveram
o estabelecimento de rotas terrestres e fluviais, seja para o
escoamento da produção local, seja para a comercialização de
artigos de luxo. Assim, nos entrepostos dessas rotas foram surgindo
feiras, sempre com a proteção de algum senhor feudal. Essas feiras
atingiram o seu apogeu entre os séculos XIII e XV e foram
importantes para o desenvolvimento do setor bancário. As principais
foram as da região de Champanha, responsáveis pela ligação entre
a Flandres e Itália, bem como entre a França e o Sacro Império
Romano Germânico.
O crescimento e a intensificação do comércio levaram os grandes
comerciantes a criarem associações para proteção deles contra
assaltos e concorrências, ao mesmo tempo em que facilitavam as
suas transações. Eram as guildas (associações de comerciantes de
uma cidade) e as hansas (associações de várias cidades que se
dedicavam ao comércio). A Hansa teutônica, também conhecida
como Liga Hanseática, reunia as cidades do mar do Norte,
controlando completamente as transações comerciais nos mares do
Norte e Báltico.
Crescimento das cidades
Nas regiões de desenvolvimento comercial foi cada vez maior o
crescimento das cidades. Durante a Alta Idade Média foi muito
acentuado o declínio dos centros urbanos no Ocidente europeu. O
que restou das múltiplas cidades do Império Romano do Ocidente
foram pequenos aglomerados populacionais que eram sedes de
bispados e mosteiros. Quando as condições de vida da Europa
começaram a melhorar, a partir do século XI, os precários centros
urbanos começaram a servir de mercado para os camponeses das
suas respectivas regiões, que neles iam oferecer os seus
excedentes de produção. A mesma coisa acontecia no interior dos
castelos dos senhores feudais, os chamados burgos. Tanto as
cidades ligadas aos religiosos como os castelos ofereciam
segurança para as trocas, na medida em que eram protegidos por
muralhas.
O comércio rudimentar transformou-se em periódicas feiras
realizadas muitas vezes no momento das festas da religião. Essa
movimentação continua, provocada pelo comércio renascente,
gerou nos antigos centros urbanos e castelos uma população fixa,
constituída, num primeiro momento, por artesãos dos mais diversos
ofícios, que ofereciam seus serviços à população que passava.
Logo depois se desenvolveu uma atividade comercial permanente, e
a população crescia, construindo habitações sempre nas
proximidades das muralhas, que serviriam de proteção em caso de
perigo. Com o crescimento, a periferia da cidade distanciava-se
cada vez mais das muralhas originais, tomando-se necessária a
construção de novas muralhas, financiadas por completas
realizadas entre os habitantes do núcleo urbano.
SECRETARIA DA EDUCAÇÃO
155
A atração das cidades fez aumentar a população urbana, levando
os artesãos a tomarem iniciativas para garantir a proteção de seus
ofícios. Assim, surgiram as Corporações de Ofício, que reuniam
artesãos de uma mesma atividade, controlando o ingresso de novos
artesãos, o valor de seus trabalhos, a qualidade da produção.
Também cuidaram de criar uma caixa comum com o objetivo de
proteger os órfãos,. As viúvas e os artesãos inválidos.
Em uma Corporação de Ofício, havia uma hierarquia de funções:
1.
Mestre de Ofício: dono da oficina, das ferramentas, da
matéria-prima e, também, de tudo que era produzido em
sua oficina;
2.
Oficiais ou Companheiros: eram os auxiliares do mestre
os quais recebiam pelo trabalho efetuado. Esses oficiais,
desde que autorizados pela Corporação, podiam montar
sua própria oficina, tornando-se mestres;
3.
Aprendizes: eram jovens recebidos pelo mestre, estavam
em fase de aprendizado, moravam na casa do mestre e
não recebiam qualquer tipo de pagamento, até o mestre
entender que eles já podiam tornar-se companheiros.
O século XII marcou o ápice da civilização medieval. No século XIV
uma série de crises anunciaram o fim da Idade Média e o
nascimento de uma nova era denominada Tempos Modernos.
Entre os principais fatores que provocaram a crise do século XIV
podemos mencionar: o fim da expansão europeia, a crise do
comércio e da economia feudal e as grandes catástrofes.
Qualquer seca, praga, geada ou chuva intensa que prejudicasse as
colheitas levava ao agravamento uma situação que já era de
escassez, com o desencadeamento de surtos de fome intensa. Foi
o que aconteceu principalmente entre os anos de 1315 e 1317.
A fome preparava o caminho para a peste, que era outra presença
constante na sociedade medieval. A subnutrição predispunha a
população europeia a grandes surtos epidêmicos, dos quais o maior
foi a chamada peste negra, que grassou entre os anos de 1347 e
1350, dizimando quase um terço da população europeia, ou seja,
vinte e cinco milhões de pessoas.
A chamada “morte negra” foi, pelo que parece, um surto de peste
bubônica proveniente da Ásia Menor e que, por meio de um navio
veneziano, chegou à Itália, dali propagando-se para o resto da
Europa. Simultaneamente à fome e `{a peste, a sociedade feudal do
século XIV assistiu a um número interminável de guerras e revoltas.
As guerras resultavam principalmente das disputas dos senhores
feudais entre si pela posse de terras. No século XIV, o mais
importante desses conflitos foi a Guerra dos Cem Anos, travada de
1337 a 1453 entre senhores feudais da França e da Inglaterra.
Essas guerras enfraqueciam os grandes senhores, dando
oportunidade a uma série de revoltas camponesas.
HISTÓRIA
ANOTAÇÕES
EXERCÍCIOS PROPOSTOS
1)Analise as proposições quanto às transformações da Europa
Ocidental no decorrer da crise do feudalismo:
I)A melhoria dos padrões técnicos, principalmente no cultivo da
terra, e a procura de novas regiões para as atividades agrícolas.
II)A crise de retração no desenvolvimento das forças produtivas
durante o século XIV, ligada à diminuição da população.
III)A decadência das atividades comerciais e da vida urbana, devido
à escassez monetária e à condenação da usura feita pela Igreja.
IV)A substituição da mão-de-obra assalariada pela servil.
V)As revoltas camponesas, formas de protestos dos servos contra a
opressão sobre eles exercida pela nobreza.
2)(Fatec-SP) Dentre as causas da desagregação da ordem
econômica feudal, é possível mencionar:
a)A capitalização intensa realizada pelos artesãos medievais e a
criação de grandes unidades industriais que acabaram subvertendo
a economia feudal.
b)O desinteresse da nobreza e do clero pela manutenção do
feudalismo, pois esses setores se beneficiariam com o advento da
sociedade baseada no lucro.
c)O surgimento das corporações de ofício e a substituição do “justo
preço”, que restringia as possibilidades de lucro ao preço do
mercado.
d)O revivescimento do comércio e a conseqüente circulação
monetária que abalaram a auto-suficiência da economia senhorial.
e)A substituição gradativa do trabalho escravo pelo trabalho
assalariado dentro do feudo, o que criou condições para a
constituição de um sistema de mercado dentro da própria unidade
feudal.
3)(Fuvest) As feiras da Idade Média constituíram-se em:
a)Instrumentos de comércio local das cidades para o abastecimento
cotidiano de seus habitantes.
b)Áreas exclusivas de câmbio das diversas moedas europeias.
c)Locais de comércio de amplitude continental que dinamizaram a
economia da época.
d)Locais fixos de comercialização da produção dos feudos.
e)Instituições carolíngias para o renascimento do comércio abalado
com as invasões no Mediterrâneo.
4)A crise do Séc. XIV foi marcada, exceto:
a)Pela guerra dos cem anos.
b)Pela peste negra.
c)Pela grande fome.
d)Pelas revoltas camponesas.
e)Nenhuma das respostas.
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156
HISTÓRIA
AULA 12: EXPANSÃO MARÍTIMA E O MERCANTILISMO
Com o crescimento das atividades comerciais e artesanais, as
burguesias europeias acumularam cada vez mais riquezas. Aliadas
aos reis que concentravam o poder de seus respectivos países,
necessitavam mercados fornecedores de matérias-primas para
alimentar o crescente mercado consumidor europeu.
A expansão europeia já havia começado na época das Cruzadas.
Mas a conquista dos mares e novas terras que ocorreu no século
XVI fez as Cruzadas parecerem um passeio no fundo do quintal de
uma grande casa.
Além de buscar mercadorias novas ou matérias-primas para
transformar em mercadorias a serem vendidas para os
consumidores europeus, os comerciantes e os reis necessitavam de
euro. Esse metal era de extrema importância, pois servia como meio
de troca para adquirir mercadorias no Oriente.
Cristovão Colombo, a sérvio dos reis espanhóis, descobriu a
América, em 1492.
Portugal, temendo que as novas terras fossem parte da Ásia, exigiu
da Espanha um acordo para ter garantia de acesso às novas
descobertas. Sucederam-se as discussões e tratados em torno dos
direitos de propriedade e de exploração das Coroas portuguesa e
espanhola sobre as terras recém-descobertas. Essas conversações
culminaram, em 1949, no Tratado de Tordesilhas, que dividiu o novo
mundo entre Portugal e Espanha.
Os espanhóis prosseguiram. Vasco Nunes de Balboa chegou ao
Pacífico, através do istmo do Panamá, no ano de 1413. Entre 1519
e 1522, Fernão de Magalhães completou a primeira viagem de
circunavegação do globo terrestre.
Depois da descoberta da América, os espanhóis não se
interessaram mais pela Ásia. Logo encontraram as minas de ouro e
prata que transformaram a Espanha no país mais rico da Europa no
século XVI. Portugal havia sido superado pela Espanha.
Mapa da Expansão Marítima Espanhola
A historiografia tradicional sempre sugeriu que a tomada de
Constantinopla pelos turcos, no ano de 1435, foi um fator
fundamental para explicar a expansão europeia pelo mundo. Na
verdade, a tomada de Constantinopla não paralisou o comércio
entre a Europa e o Oriente através do Mediterrâneo. O que sucedeu
foi que as mercadorias ficaram mais caras por causa das exigências
dos turcos. Isso, sim, levou os europeus a procurarem outros
caminhos para chegar às fontes fornecedoras dos produtos
procurados na Europa: a Índia, a China, o Oriente em geral.
O novo caminho para as Índias seria obrigatoriamente pelo Oceano
Atlântico. Veja no mapa: fechado o Mediterrâneo a única saída seria
através do Atlântico.
É pois a primeira razão (...) esta: como toda a água e a terra do
mundo constituem uma esfera e por conseguinte seja redondo,
considerou Cristóvão Colombo ser possível rodear-se do Oriente a
Ocidente, andando por ela os homens até estar pés com pés uns
com os outros, em qualquer parte que se achem em oposto. A
segunda razão é (...) que muita e muito grande parte desta esfera
tenha sido já (...) por muitos navegada e que não restava para ser
toda descoberta senão aquele espaço que havia desde o fim
oriental da Índia até que prosseguindo a via do Oriente tornassem
pelo nosso Ocidente ás ilhas de Cabo Verde a dos Açores que era a
mais ocidental terra que então estava descoberta. A terceira
entendia que aquele dito espaço que havia entre o fim oriental (...) e
as ditas ilhas de Cabo Verde não podiam ser mais que a terça parte
do círculo maior da esfera (...)
(Frei Bartolomeu de lãs Casas História Geral das Índias in Gustavo
de Freitas, op. Cit.)
Portugal, o pioneiro
Observando o mesmo mapa você verifica que Portugal está
localizado na “ponta” da Península Ibérica, projetando-se em
direção ao oceano. Essa posição geográfica facilitou-lhe bastante
tornar-se um dos primeiros países a conquistar os mares para
encontrar a nova rota rumo ao Oriente. É claro que só a posição
geográfica não explicaria o fato. Vimos anteriormente que a
monarquia portuguesa formou-se relativamente cedo. Depois da
Revolução de Avis, em 1383, a Coroa, contando com o apoio dos
mercadores, incentivou a formação de empresas que se
dedicassem às navegações. No ano de 1415 Portugal tomou Ceuta,
no norte da África, e pouco a pouco, foi conquistando outros pontos,
até contornar o continente africano e Vasco da Gama chegar às
Índias, no ano de 1498. A descoberta do Brasil, por Pedro Álvares
Cabral, foi apenas uma continuação do projeto português de
navegar em direção a novas fontes de mercadorias.
A Espanha, segunda grande potência marítima
Os espanhóis só conseguiram iniciar a expansão marítima após
derrotarem os árabes na chamada Guerra da Reconquista. Como
eles checaram um pouco mais tarde que os portugueses, foram
obrigados a procurar uma outra rota para atingir o Oriente. Naquela
época, já se tinha certeza de que a Terra era redonda; se os
espanhóis navegassem para o Ocidente, chegariam ao Oriente. Foi
em busca de uma nova rota para a Índia que o navegador genovês
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157
HISTÓRIA
EXERCÍCIOS PROPOSTOS
04. (PUC) Como parte integrante da política mercantilista, a
recepção do chamado Pacto Colonial preconizava:
01. (FIB) Assinale a proposição falsa:
O início dos Tempos Modernos é caracterizado por um
conjunto de transformações abaixo relacionadas:
a) O deslocamento do eixo econômico do Mediterrâneo
para o Atlântico; o fortalecimento do poder real.
a)
A reserva de certas áreas
propriedades da metrópole.
coloniais
como
b)
A implantação de uma economia estritamente
subordinada aos interesses do país colonizador.
b)
Invenção da caravela; a crise do sistema feudal.
c)
Fortalecimento do poder real; as grandes invenções.;
c)
O acordo entre
metropolitanas.
d)
Deslocamento do eixo econômico do Mediterrâneo
para o Atlântico; fortalecimento da nobreza feudal.
d)
O desenvolvimento autônomo e autossuficiente das
áreas coloniais.
e)
Crise do sistema feudal; desenvolvimento mercantil.
e)
A liberdade de emigração para as colônias.
02. (PUC) Os grandes descobrimentos e navegações dos
séculos XV e XVI constituem o ponto de partida da
chamada “Revolução Comercial”, isto é:
a)
Um conjunto de transformações radicais ocorridas
nas técnicas mercantis.
b)
A mudança do eixo econômico da Europa do
Mediterrâneo para o Atlântico.
c)
O complexo de transformações econômicas
modernas cuja base foram o “capital comercial” e o
mercantilismo.
d)
A expansão agrícola e manufatureira, em conexão
com o Pacto Colonial e o tráfico de escravos.
e)
Os resultados do aparecimento da caravela e da
bússola.
as
autoridades
coloniais
05. Colbertismo foi o tipo de mercantilismo:
a)
Francês.
b)
Português.
c)
Inglês.
d)
Espanhol.
e)
Holandês.
03. O mercantilismo pregava:
a)
A livre iniciativa
b)
O estimulo às importações
c)
O livre cambismo
d)
O liberalismo econômico.
e)
O monopólio sobre a atividade comercial.
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158
HISTÓRIA
e
AULA 13 : O RENASCIMENTO
Movimento de renovação das letras, artes e ciências onde o homem
é recriado segundo os padrões burgueses.
Características:
Antropocêntrico
Hedonista
Ante escolástico
Individualismo
Espírito crítico
Naturalismo
Elitista
Florença... Ele esforçava-se continuamente para dar às figuras a
maior vida e a maior espontaneidade possíveis, como na realidade.
(Giorgio Vasari, Vidas dos mais excelentes pintores, escultores e
arquitetos.)
Davi – Estatuas O Nas. De Vênus
O Juizo Final
ANOTAÇÕES
As obras de arte do Renascimento tentavam reproduzir a natureza.
Deu-se o nome de naturalismo a esse procedimento estético., o
fenômeno já vinha ocorrendo desde a arte gótica, na Baixa Idade
Média.
Pouco a pouco foi crescendo o número de artistas nas cidades, que
atendiam também a um crescente público consumidor de obras de
arte. Essa foi uma importante característica do movimento das artes
do Renascimento e o que a diferenciava da arte medieval: a obra
de arte era na verdade uma mercadoria. E quem consumia essas
obras? Eram os ricos mercadores, as cortes palacianas e, logo em
seguida, o próprio clero enobrecido, que queria exteriorizar sua
cultura.
O início do Renascimento (trecento) teve em Giotto (1276 a 1336)
um dos mais importantes impulsionadores das artes plásticas na
Itália.
Mas foi durante o quattrocento que a pintura conheceu um período
mais brilhante, liberta dos cânones da Igreja, empregando técnicas
de pintura a óleo, importadas dos Países Baixos. O centro desse
esplendor artístico foi a cidade de Florença, que havia caído em
poder dos Médici, rica família de mercadores e banqueiros, que
incentivou e financiou artistas para a glória e o esplendor da corte.
O mais importante protetor das artes (mecenas) foi Lourenço de
Médici, que incentivou os pintores, escultores e filósofos da escola
do neoplatonismo, cujo maior pensador foi Marsilio Ficino.
Os pintores do quattrocento elegiam trechos de narrações bíblicas e
alegorias ou retratos representando os nobres da época. Um dos
exemplos mais destacados do quattrocento foi Botticelli (1444 a
1510), que entre outras obras ficou famoso pelo Nascimento de
Vênus e Alegoria da primavera.
O mais importante dessa época, porém, foi Leonardo da Vinci
(1452-1519), que, como dissemos, era o exemplo do perfeito
humanista. Se prestarmos atenção no seu famoso quadro La
Gioconda, podemos entender o porquê da perfeição da obra. Para
realizar esse quadro, Leonardo estudou detidamente anatomia,
perspectiva, geometria. O rosto tinha que ser o mais próximo da
natureza. Ele queria que fosse a própria natureza.
Uma das características do artista do Renascimento é que ele
assinava sua obra de arte, o que não ocorria com o artista da Idade
Média, de modo geral anônimo. Aos poucos o artista do
Renascimento se libertava da dependência do mecenas e tornavase independente, dono de suas próprias obras. Por essa razão,
muitos deles puderam acumular fabulosas riquezas.
O texto que segue é do século XVI e ilustra as contradições em que
os artistas executavam suas obras naquela época.
Quando a natureza cria um homem eminente num domínio, de
ordinário não o cria sozinho, mas suscita-lhe ao mesmo tempo um
rival, a fim de que possam aproveitar mutuamente dos seus talentos
e da sua emulação... A prova está no aparecimento em Florença,
numa mesma geração, de Filippo Brunelleschi, Donatello, Lorenzo
Ghiberti, Paolo Uccello e Masaccio... Os seus (de Masaccio)
princípios na arte situam-se no momento em que Masolino da
Panicale decorava a capela Brancacci, no (convento do) Carmine de
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159
HISTÓRIA
04. Dentre as alternativas abaixo indique aquela que
apresenta as características do Renascimento.
EXERCÍCIOS PROPOSTOS
01. (Fuvest) Podem ser apontados como traço característicos
da Renascença:
a)
Naturalismo, valorização da cultura Greco-romana,
humanismo.
b)
Teocentrismo, naturalismo e anti-hedonismo
a)
A exaltação dos valores culturais medievais e o
Humanismo.
c)
Ascetismo, naturalismo e escolástico
b)
A sua associação com o mecenato e o pensamento
preponderantemente teocêntrico.
d)
Valorização do pensamento religioso, naturalismo e
ceticismo.
O antropocentrismo e a preocupação com os valores
individuais.
e)
Racionalismo, ceticismo e naturalismo.
c)
d)
e)
O acatamento da autoridade
escolástico e o Naturalismo.
do
pensamento
ANOTAÇÕES
O Racionalismo e a sua associação com os valores
da aristocracia rural.
02. (UFG) As maiores figuras do Renascimento na Península
Ibérica foram:
a)
Miguelângelo e Leonardo da Vinci.
b)
Shakespeare e Erasmo.
c)
Camões e Cervantes.
d)
Lutero e Torquato Tasso.
e)
Dante e Petrarca.
03. (Cesgranrio) O Humanismo renascentista assinala, no
plano dos intelectuais, o início dos chamados “Tempos
Modernos”, podendo ser identificado por uma das
seguintes proposições:
a)
O Humanismo foi a doutrina filosófica do
Renascimento e a imitação da Antiguidade Grecoromana foi a sua característica marcante.
b)
O Humanismo, ao valorizar acima de tudo a tradição
clássica Greco-romana, constituiu um movimento
contrário ao Renascimento.
c)
O Humanismo não teve características próprias, não
foi um movimento autônomo, pois, desde o início
esteve integrado ao Renascimento.
d)
A valorização do homem moderno e a recusa em
reconhecer todo e qualquer valor da Antiguidade
Clássica era a principal tônica do Humanismo.
e)
O Humanismo buscava recuperar a tradição clássica,
os valores gregos e romanos, reinterpretando-os à
luz das novas preocupações culturais.
SECRETARIA DA EDUCAÇÃO
160
HISTÓRIA
AULA 14 : REFORMAS RELIGIOSAS
A Igreja Católica sofreu diretamente o impacto das transformações
ocorridas na sociedade europeia durante o século XVI. Vários
movimentos religiosos deixaram de reconhecer os dogmas da
Igreja e a autoridade do papa. Esses movimentos religiosos,
conhecidos genericamente como Reforma, tinham íntimas ligações
com o desenvolvimento do comércio e com a formação de uma
nova classe social: a burguês.
A concepção católica do mundo não atendia mais às novas formas
de pensar e viver difundidas pelo Renascimento. E como a Igreja
Católica teimava em manter-se fiel aos princípios de feudalismo,
houve uma forte reação por parte dos novos setores da sociedade,
que elaboraram uma nova vertente do cristianismo, mais adaptada
às necessidades burguesas.
Deu-se o nome de protestantismo a todos os movimentos que
nesse período criticaram e romperam com a Igreja Católica.
Causas da Reforma: O homem do Renascimento oi um humanista,
isto é, elegeu o homem como centro das atenções: e as críticas à
Igreja se baseavam exatamente nesse humanismo renascentista.
Erasmo de Roterdam, por exemplo, criticava a Igreja por ter se
distanciado dos ideais de humildade e pobreza e ter valorizado a
riqueza, o luxo, o prazer e a ociosidade. Ele lembrava que a igreja
cristã primitiva era exatamente oposta, pois buscava a simplicidade,
a piedade e o amor ao próximo.
A igreja dos papas renascentistas era a igreja do luxo, que
acumulava riquezas com a venda de relíquias tidas como sagradas.
Isto fazia com que, junto à população, as críticas à Igreja
aumentassem ainda mais.
A própria formação das monarquias nacionais, com um rei
dominando um território nacional, contribuiu para aumentar o
conflito com a Igreja e diminuir sua autoridade. Cada rei
representava uma nação e a ideia de monarquia nacional se opunha
frontalmente ao universalismo católico medieval,. A consolidação e
ampliação da autoridade do rei se fazia em detrimento do poder
temporal dos papas.
Um dos fatores mais importantes do movimento da Reforma está
relacionando com a questão do lucro. A Igreja Católica acumulava
riquezas materiais através de artigos de luxo, obras de arte e terras,
mas condenava o lucro como pecaminoso e os juros como roubo.
Ora, a burguesia comerciante e artesanal que buscava crescer
acumulava sua riqueza exatamente no lucro e nos juros dos
empréstimos. Era impossível conciliar essas posições, e as pessoas
não queriam agir contra as leis divinas.
Os pregadores calvinistas difundiam a ideia de que aquele que
ganhasse dinheiro legalmente e o acumulasse estava, na verdade,
agindo segundo os caminhos de Deus. Por essa razão a burguesia
aderiu, quase inteiramente, às ideias da Reforma.
Como último fator da Reforma é importante mencionar a ambição
dos nobres em relação às terras da Igreja. A Igreja era uma das
maiores proprietárias de terra. Os nobres viam nos movimentos
contra a Igreja Católica uma oportunidade de se apropriarem dessas
terras.
No decurso das prédicas que fez na Alemanha, Tetzel juntou uma
enorme soma em dinheiro que enviou para Roma; recolheu-o
sobretudo nas novas minas de S. Annaberg, onde eu próprio,
Frederico Muconius, o ouvi durante dois anos. Dizia que se um
cristão tivesse tido relações incestuosas (...) e que confiasse ao
cofre das indulgências papais certa soma de dinheiro, o papa tinha
o poder de perdoar-lhe a seu pecado no céu como na terra, e que,
se ele perdoava, Deus devia fazer o mesmo. Que, desde que as
moedas caíam no cofre, a alma daquele que tinha comprado as
indulgências ia direto ao céu.
(Frederico Myconius, História da Reforma in Gustavo de Freitas, op.
Cit.)
Várias pessoas se apresentaram, em Wittenberg, ao doutor
Martinho Lutero, munidas de cartas de indulgências. Seguras de
seu perdão, confessaram-se e pediram a absolvição. Mas como
elas confessavam pecados graves e não manifestavam a intenção
de corrigir-se deles (...), o doutor Lutero não quis absolvê-los (...) os
penitentes alegaram então a sua carta do papa bem como Lutero
não cedeu (...) E como eles se mantinha na sua recusa, os
penitentes voltaram ao monge Tetzel e contaram-lhe como aquele
SECRETARIA DA EDUCAÇÃO
161
monge Agostinho lhes tinha recusado a absolvição apesar das
cartas de indulgências (...) Ouvindo tal, ele (Tetzel) entrou numa
violenta cólera, lançou do seu púlpito invectivas e maldições e
brandiu a ameaça de morte pelos inquisidores que, nessa época,
eram os dominicanos. A fim de inspirar o terror, fez acender,várias
vezes na semana, fogueiras na praça do mercado, inculcando assim
que detinha, do papa, o poder de queimar os heréticos que
quisessem opor-se às santas indulgências concedidas pelo chefe da
Igreja.
(Frederico Myconius, História da Reforma in Gustavo de Freitas, op.
Cit.)
O CALVINISMO
João Calvino
João Calvino era um estudioso de leis formado pela Universidade
de Paris. Impregnado pelas idéias humanistas, aderiu ao movimento
da Reforma. Mas Paris vivia dias de agitação, pois os católicos
franceses iniciaram feroz perseguição aos que se mostrassem
simpáticos às idéias de Lutero. Calvino, por essa razão, foi obrigado
a fugir para Genebra, na Suíça. Foi aí que definiu seus conceitos
religiosos e os publicou em 1536, sob o título de Instituições da
Religião Cristã.
As idéias de Calvino se difundiram com certa facilidade entre os
burgueses de Genebra e em pouco tempo a cidade caiu no poder
de Calvino, que a governou com mão de ferro até a morte. Todas as
leis eram formuladas por uma congregação do clero e a moral
pública e particular era rigidamente controlada. Os divertimentos
eram praticamente proibidos. Os seguidores da doutrina calvinista
deveriam somente preocupar-se com o trabalho. Essa doutrina
adequava-se perfeitamente a uma classe que pretendia acumular
riquezas e não gastá-la.
O ANGLICANISMO
Vimos anteriormente que a dinastia dos Tudor centralizou o poder
real na Inglaterra. Henrique VIII, filho de Henrique VII, pretendia
continuar a política de centralização iniciada pelo pai, mas
encontrava cada vez mais oposição por parte de um setor da
nobreza e principalmente da Igreja Católica.
Inicialmente, Henrique VIII condenou o movimento Reformista. No
entanto, no ano de 1533, pediu ao papa a anulação de seu
casamento e, como o papa recusasse, Henrique VIII aproveitou o
pretexto para romper com a Igreja Católica. Aparentemente o
casamento foi o motivo do rompimento entre o governo inglês e a
Igreja Católica; no entanto, as razões eram mais profundas.
Rompendo com a Igreja, Henrique eliminava um poderoso obstáculo
aos seus projetos de aumentar o poder da monarquia. O
Parlamento inglês, que apoiou a atitude do rei, aprovou em 1534 o
Ato de Supremacia, que mantinha a Igreja sob a autoridade do rei.
Nascia, dessa forma, uma Igreja Nacional, independente de Roma –
a Igreja Anglicana.
A Reforma Luterana
Martinho Lutero
Marinho Lutero (1483-1546) Era monge da Ordem de Santo
Agostinho e professor de Teologia na Universidade de Wittemberg.
Obcecado pela idéia de pecado, encontrou consolação ao meditar
HISTÓRIA
trechos da Epístola de Sã Paulo e concluiu que à salvação se chega
apenas pela fé. Então ele começou a pregar contra a venda de
indulgências, permitida pelo bispo Alberto da Saxônia.
A pregação de Lutero encontrou eco na população da Alemanha,
uma região bastante marcada pelo feudalismo, onde a Igreja era
possuidora de grandes porções de terra. Os camponeses alemães
sofriam com as mudanças econômicas as quais ocorriam na
Europa.
Vejamos algumas das ideias básicas defendidas por Martinho
Lutero:
- A fé como único meio de salvação;
- A Bíblia como única fonte da fé;
- Livre exame da Bíblia por todos os fiéis;
- Substituição do latim pelo vernáculo;
- Preservação de apenas dois sacramentos: o batismo e a eucaristia
- Rejeição à hierarquia religiosa e ao celibato.
A CONTRA-REFORMA
Reação da Igreja católica reformando algumas ordens religiosas e
criando novas. Entre elas a Cia. De Jesus (Jesuítas)
As determinações do Concilio de Trento:
Reafirmação da tradição dos padres da igreja e a vulgata
como fundamentos da fé.
Confirmação da transubstanciação.
Salvação pela fé e pelas obras e os sete sacramentos.
Manteve o celibato sacerdotal e a criação de seminários
para sua formação.
Confirmou a supremacia papal
Reorganizou o tribunal do Santo Ofício (inquisição) e
redigiu o INDEX, um catálogo de livros considerados
perniciosos e que não deviam ser lidos pelos católicos.
EXERCÍCIOS PROPOSTOS
01. (Cesgranrio) Reformas religiosas, Renascimento e
Humanismo são movimentos europeus dos séculos XV e
XVI integrantes de um mesmo conjunto de fenômenos
que, nos planos religioso, artístico, cultural e filosófico
revelaram:
a) A intensa vida cultural dos centros urbanos da Itália e
da França.
b) O espírito científico e especulador dos intelectuais do
período, diretamente ligados à Igreja.
c) A completa identificação entre os valores da
Antigüidade Clássica e da Modernidade européia.
d) A reação anticristã da burguesia européia à
dominação religiosa exercida pela Santa Sé.
e) As
crises
decorrentes
do
confronto
dos
comportamentos e idéias da sociedade feudal com
aqueles relacionados à sociedade capitalista em
formação.
02. (UFG) As causas da Reforma foram:
a)
A livre interpretação dos textos sagrados, provocada
pelo crescimento do espírito crítico, alimentado pelo
Humanismo.
b)
A ação de homens que, desde a Idade Média,
combatiam os desmandos dos Papas e os abusos do
clero, entre os quais Hus, Wycliff e Savonarola.
c)
A desmoralização de grande parte do clero secular e
a própria desorganização da Igreja Católica.
d)
A Questão das Indulgências.
e)
Todas as opções acima.
03. Assinale a alternativa correta:
a)
A doutrina calvinista estava de acordo com os
interesses da nova classe burguesa.
b)
Henrique VIII foi o grande reformador religioso na
Alemanha.
c)
Lutero forneceu através de sua doutrina religiosa um
instrumento para a revolta camponesa de 1525.
d)
Os calvinistas, na Inglaterra, eram denominados de
Huguenotes.
e)
O ponto central da doutrina calvinista era a salvação
da fé
04. Causa imediata da reforma protestante:
SECRETARIA DA EDUCAÇÃO
162
a)
A tradução da Bíblia..
b)
A venda das indulgências.
c)
O fortalecimento do poder real.
d)
O surgimento do proletariado
e)
A guerra das duas rosas.
HISTÓRIA
AULA 15: ABSOLUTISMO e ILUMINISMO
Nicolau Maquiavel
Nicolau Maquiavel foi o primeiro dos defensores de um príncipe
forte, diferentemente do governante medieval; sua ação não deveria
ficar submetida a imperativos morais religiosos, mas deveria ser
racional na busca de alcançar os objetivos do Estado. Em sua obra
O Príncipe, Maquiavel ensina que o Estado deve pairar acima do
indivíduo.
O francês Jean Bodin (1529-1596), cuja principal obra foi A
República, defendia que o poder do rei advém da própria soberania
do Estado, sendo ele a autoridade máxima de quem dependem
todas as leis. Rejeitava a doutrina feudal de compromissos
contratuais entre suseranos e vassalos.
O holandês Hugo Grotius (1583-1645), reconhecido como um dos
fundadores do direito internacional, admitiu o direito absoluto do rei
como base para manutenção da ordem e defesa dos interesses do
Estado, garantindo-lhe a soberania diante das demais nações.
Thomas Hobbes (1588-1669) desenvolveu, no livro O Leviatã, a
idéia de que o poder do Estado e do Rei era proveniente da cessão
de direitos que os homens fizeram para garantir a sua
sobrevivência. Hobbes entendia que “o homem é o lobo do homem”,
sendo necessário um poder forte capaz de inibir suas coes
destrutivas. Como o poder dos reis foi dado em consentimento, ele
não poderia mais ser contestado.
No livro Política Tirada das Próprias Palavras da Sagrada Escritura,
Jacques Sossuet defende a idéia de que o poder do rei lhe é dado
pelo próprio Deus, não cabendo, dessa forma, nenhum direito de
contradição a ele.
O REINADO DE LUÍS XIV
Luís XIV
Enquanto o rei era menor de idade, o governo ficou nas mãos da
rainha-mãe e seu primeiro-ministro, o cardeal Mazzarino, seguidor
da política de Richelieu. Mazzarino teve que aumentar os impostos
para fazer frente às crescentes despesas, tornando-se antipático à
maioria dos habitantes. A burguesia de Paris não queria aceitar a
autoridade do primeiro-ministro e a nobreza aproveitou o momento
de instabilidade política e se rebelou.
Foram quatro anos de guerra civil, na qual se defrontaram
basicamente três correntes: a burguesia francesa, que não
concordava com os impostos cobrados por Mazzarino; o poder real,
que com seu primeiro-ministro queria restaurar o poder central e a
nobreza, que queria a qualquer custo recuperar seus antigos
privilégios. Depois de quatro anos de luta, o poder central,
representado pelo ministro Mazzarino, saiu vencedor. A burguesia,
afinal, compreendeu que a aliança com o rei absoluto só lhe traria
benefícios. A nobreza refratária foi finalmente dominada.
No ano de 1661, o ministro Mazzarino morreu e Luís XIV assumiu o
poder total da França. Ele dispensou a figura do primeiro-ministro,
fato que lhe deu poderes pessoais superiores aos de qualquer outro
monarca anterior. Começa assim o absolutismo “absoluto” de Luís
XIV, chamado o Rei-Sol.
Para manter a nobreza sob seu controle direto, Luís XIV cercou-se
de uma corte de mais de dez mil membros, bem como de um
poderoso aparato burocrático, necessário para manter a
administração. Mas uma de suas bases mais importantes foi a
organização de que um grande exército profissional, que garantia a
autoridade do rei em todo o reino.
SECRETARIA DA EDUCAÇÃO
163
Para aumentar ainda mais seu poder, Luís XIV proibiu o
protestantismo, antes permitido. Essa proibição obrigou mais de
150- mil pessoas a deixarem a França. Luís XIV submeteu a Igreja
Católica, obrigando-a a pagar-lhe impostos.
A economia da França desenvolveu-se bastante durante o reinado
de Luís XIV. O responsável pela reestruturação da economia foi o
ministro Colbert, que baseava suas inovações na política
mercantilista (que estudaremos mais adiante). Colbert incentivava
as indústrias de luxo na própria França, para impedir que a nobreza
comprasse fora do país, escoando as riquezas nacionais.
No entanto, a monarquia absolutista francesa sofria de um mal
crônica: quanto mais ela se enriquecia, mais recursos exigia para
manter o aparelho burocrático, a corte e o exército. No final do
século XVIII essa “doença” iria levar a França à revolução.
Absolutismo Ilustrado
Uma forma específica de absolutismo foi praticada em algumas
nações europeias, governadas por príncipes influenciados por
algumas ideias dos filósofos iluministas. Estes filósofos ensinavam
que a razão era o verdadeiro caminho para a sabedoria e que todos
os homens eram essencialmente iguais por serem dotados de
razão. Assim, eles acusavam a religião, por ser dogmática e
responsável pela ignorância entre os povos. Lutavam ainda pela
liberdade de pensamento e de expressão cuja pretensão era que
todos os homens pudessem ter acesso aos benefícios dos
conhecimentos criados por eles ao longo da história. Alguns deles
defendiam a tese de que os homens nascem bons por natureza e
que é a vida, em sociedade, que os corrompe.
Embora o pensamento iluminista fosse uma crítica ao Absolutismo,
alguns reia absolutistas utilizaram os seus pensamentos para
garantir o poder do Estado sobre os seus súditos, tomando algumas
medidas práticas sugeridas pelos filósofos, com quem mantiveram
amizade e chegando a protegê-los.
O ILUMINISMO
A
revolução
intelectual,
chamada
Iluminismo,
ocorreu
simultaneamente à Revolução Industrial. Mas como começou, e que
relação teve com as outras transformações?
Vale lembrar que o Renascimento cultural do século XVI
acompanhou as transformações globais pelas quais a sociedade
estava passando. O mesmo sucedeu no século XVIII. Na verdade, o
Iluminismo foi um processo ao longo do qual as transformações
culturais iniciadas no Renascimento prosseguiram e se estenderam
pelo século XVII até o século XVIII.
O inglês Isaac Newton (1642-1727) teve papel fundamental nas
transformações do pensamento, quando, através de minuciosos
estudos matemáticos e físicos, formulou novas leis acerca da
mecânica que rege o mundo. Newton formulou a lei da gravidade
universal, alterando radicalmente as ideias que ainda
predominavam nas ciências, com base na religião.
No plano da política e da filosofia John Locke (1632-1704) deu uma
importante contribuição ao pensamento iluminista, ao formular as
teorias políticas que justificavam o fim do absolutismo. Em seu livro
Dois ensaios sobre o governo civil, sugeria que a relação entre
governantes e governados deveria ser feita através de um contrato.
Locke também se preocupou com a forma como os homens chegam
ao conhecimento. O filósofo inglês admitia que a mente do homem,
ao nascer, era uma tabula rasa ou seja, uma folha de papel em
branco: à medida que vai entrando em contato com o mundo é que,
pelos órgãos dos sentidos, essa folha de papel em branco vai sendo
preenchida. As sensações são a base do conhecimento; a razão, ou
o entendimento, combina e organiza essas idéias simples,
chegando assim às verdades mais gerais.
Sensação e razão são as bases da teoria de Locke; nesse sentido,
é um típico filósofo do pré-Iluminismo que privilegiou a razão como o
guia infalível do conhecimento. Chamou-se a essa atitude de
racionalista. E racionalista também foi o francês René Descartes
(1596-1650), que partia da suposição de que era necessário um
axioma básico para se construir uma série de verdades universais.
Esse axioma básico e seu famoso princípio: “Penso, logo existo.”
Baruch Spinoza (1632-1677) foi outro dos grandes pensadores do
século XVII, que colocou a razão como toda a fonte do
conhecimento, rejeitando qualquer tipo de revelação. Viveu na
Holanda, criticou a religião católica e o judaísmo. Suas críticas
baseavam-se na ideia de que Deus estaria em toda a Natureza:
panteísmo. Por isso Spinoza era perseguido por todas as correntes
religiosas.
HISTÓRIA
ANOTAÇÕES
EXERCÍCIOS PROPOSTOS
01. Complete as lacunas:
“O estado sou eu”, esta frase do Rei Francês
________________ , indicava uma particular organização
do ________________________ .
a) Luís XVI, estado absolutista.
b)
Henrique VIII, estado liberal.
c)
Luís XIV, estado absolutista.
d)
Henrique IV, estado liberal.
e)
Luís XIV, estado socialista.
02. É exemplo de déspota esclarecido:
a)
Luís XIV
b)
Luís XVI
c)
D. João VI.
d)
Pedro I
e)
Marquês de Pombal.
03. Em relação ao absolutismo inglês é incorreto afirmar que:
a)
A dinastia Tudor marcou um dos momentos mais
acentuados do absolutismo inglês.
b)
O reinado de Elizabeth I distingue-se por um grande
desenvolvimento econômico da burguesia inglesa.;
c)
Henrique VIII fortaleceu ainda mais o poder real ao
romper com a Igreja Católica e criando uma Igreja
Nacional.
d)
A Guerra dos Cem Anos e a Guerra das Duas Rosas
contribuíram para a afirmação do poder real na
Inglaterra.
e)
Maria Tudor destacou-se como a grande defensora
das idéias protestantes na Inglaterra.
04. Sobre a política econômica mercantilista podemos afirmar
que:
a) A acumulação de metais preciosos nos cofres do
Estado era um dos objetivos do sistema mercatilista.
b) A manutenção de colônias era importante para a
política mercantilista porque garantia fornecimento
de produtos a baixos preços e mercado consumidor
para os produtos da metrópole.
c) Os objetivos mercantilistas de Colbert, ministro de
Luís XIV, estimularam produção de manufaturados
de luxo na França.
d) A política favorável, ou seja, o valor das exportações
deveria superar em muito o valor das importações.
e) Todas as alternativas estão corretas.
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164
HISTÓRIA
AULA 16:A REVOLUÇÃO FRANCESA
No término do século XVIII, a Europa conheceu duas grandes
revoluções: a Industrial, que modificou as formas de produção das
riquezas, estabelecendo o início do processo de industrialização e a
Francesa, de caráter político, que culminou com o processo de
superação do Antigo Regime para substituí-lo por formas de
governo democráticas.
A Revolução Francesa extrapolou época e lugar, pois suas
influências podem ser sentidas em todos os continentes e nos
diferentes sistemas políticos e ideológicos vigentes.
Embora tenha contado com a participação de todas as classes
sociais, a Revolução Francesa é considerada a Revolução da
burguesia e, com ela, a palavra Revolução passou a ser utilizada
com o significado de uma rápida e profunda mudança no processo
político, além de introduzir o conceito de luta de classes.
Antecedentes da Revolução
Durante e após o longo reinado de Luiz XIV (1661-1715), a França
conheceu uma era de fausto na cultura em que sobressaem os
filósofos iluministas e os artistas que deram vida ao Rococó e à
cultura dos salões. Entretanto, a sociedade mantinha forte as
tradições ainda medievais e com uma população majoritariamente
envolvida na atividade agrícola.
Fases da Revolução
Assembleia Nacional Constituinte (1789-1792)
Os acontecimentos precipitaram-se. O rei, simulando apoiar a
Assembleia, dela aproximou-se ao mesmo tempo em que cercava
Paris com tropas mercenárias. No dia 14 de julho, temendo que os
canhões da Bastilha estivessem apontados contra a cidade, a
população a atacou num cerco de quatro horas. A conquista da
Bastilha passou a ser um símbolo da vitória do povo. Foi formada,
então, a Guarda Nacional, com a burguesia armando a população.
Ao mesmo tempo, desde o interior da França, os camponeses
levantavam-se contra as obrigações feudais a que estavam
submetidos. A movimentação camponesa provocou o Grande Medo
na aristocracia. A Assembleia aboliu aos direitos feudais ainda
detidos pela aristocracia: foram as Jornadas de Agosto.
Os debates para a elaboração de uma constituição Fe surgir a
Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão em 26 de agosto
de 1789.
Essa fase da Revolução foi uma tentativa da burguesia de assumir a
liderança francesa, tomando para si os espaços ocupados pela
aristocracia, ao mesmo tempo em que pretendia manter alguns
aspectos da situação anterior. Assim, a burguesia conseguiu manter
a monarquia e estabelecer uma nova divisão entre os cidadãos –
ativos e passivos. Entretanto, Rei e Aristocracia ofereciam
resistência aos planos da burguesia, emigrando para os países
vizinhos e fazendo alianças militares e políticas contra a Revolução.
Da mesma forma, os camponeses não estavam interessados em
pagar pela abolição de suas obrigações feudais.
Carente de dinheiro para fazer frente às despesas, a Assembleia
promulgou a Constituição Civil do Clero, estabelecendo o novo lugar
da Igreja na sociedade, confiscando lhes os bens e as propriedades
(1790), o que acarretou a divisão do clero entre aqueles que
juravam obedecer à nova lei e os que se recusavam e se
mantinham fiéis ao Papa.
A alta burguesia pretendia dar por encerrada a Revolução,
consolidando suas posições e mantendo a monarquia. Contudo, a
descoberta da tentativa de fuga do rei Luiz XVI, em 20 de junho de
1971, frustrou os planos dela.
No dia 3 de setembro de 1971, foi aprovada a Constituição feit em
bases liberais, que definia a igualdade jurídica de todos os
indivíduos, a liberdade econômica na produção e circulação dos
produtos, a não interferência do Estado nos assuntos econômicos e
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165
religiosos, a divisão dos poderes políticos e a representatividade
dos cidadãos no governo do Estado.
Com isso, foi dissolvida a Assembleia Constituinte que se tornou
Assembleia Legislativa, formada por 766 deputados.
A situação da França estava perturbada pelas agitações internas e
pela guerra com os estrangeiros. Embora a guerra houvesse sido
desejada pela nobreza e pelo rei, ela demonstrou que eles estavam
aliados às forças externas, o que levou a Assembleia a declarar a
Pátria em perigo, aumentando a pressão dos san-culottes e da
pequena burguesia. Esses grupos iniciaram manifestações pela
queda da monarquia. A ameaça dos exércitos austríacos e a
publicação de documentos que apresentavam Maria Antonieta em
comunicação com generais alemães provocaram uma rebelião
popular que culminou com a prisão do rei. Era 10 de agosto de
1792: começava a Convenção Nacional.
Marat assassinado. Sua morte foi motivo para o início do Terror
Convenção Nacional (1792-1795)
Teve início com as vitórias do exército francês na Batalha de Valmy
e avançava sobre a Bélgica. Foi adotado um novo calendário e uma
nova Constituição foi elaborada, agora com bases democráticas e
mais correspondentes às aspirações populares.
Os líderes populares jacobinos tiveram uma importante ação com a
publicação de panfletos. O mais famoso foi Jean Paul Marat e o seu
jornal, O Amigo do Povo. Preso por ser radical e solto por sua
adesão revolucionária, foi assassinado por Charlote Corday, uma
partidária dos girondinos.
Embora os girondinos tivessem o poder na Convenção, eles foram
afastados no dia 2 de agosto de 1793 por uma revolta dos sansculottes, pois não atenderam aos reclamos populares de julgar e
condenar o rei, do apoio que deram à Revolta do Vandéia e pela
derrota e traição do general Dumouriez. Assim, o governo passou
para o controle dos jacobinos que, para fazer frente à situação,
estabeleceu uma ditadura e instalou o Terror. Uma nova
Constituição foi proclamada, e o país passou a viver em estado de
guerra com a formação de Comitês de Salvação Pública, cujos
principais líderes foram Robespierre e Saint-Just. É a fase mais
popular da Revolução. Então, foram abolidos os vestígios do
feudalismo sem qualquer indenização, como também foram
confiscadas as terras dos emigrados. Também foi abolida a
escravidão nas colônias da América Central, e a economia passou a
ser dirigida pelos objetivos da burguesia. Essas medidas garantiam
o apoio dos sans-culottes e dos camponeses, ao mesmo tempo em
que tornavam inviável um retorno à situação anterior, consolidando
a República.
Enquanto a burguesia pretendia estancar a Revolução, os enragés
exigiam a permanência e a extensão do processo revolucionário.
Entretanto, foram eliminados em 1794. Os jacobinos voltaram-se
também contra os moderados que pretendiam o fim do Terror e a
supressão do maximum. Aos poucos, os jacobinos perderam o
apoio de todos, pois a situação do povo não melhorava, além de
não poderem se organizar para defender-se em uma economia de
guerra. Uma conspiração levada a efeito na Convenção (9 de
termidor do ano II) aprisionou Robespierre e Saint-Just. Embora a
Comuna de Paris tenha ido em seu auxílio, levando-os à Prefeitura,
os conspiradores os tomaram de volta e, considerando-os fora-dalei, executou-os no dia seguinte. Os Jacobinos foram afastados da
Convenção; os sobreviventes Girondinos retornaram e imprimiram
um ritmo conservador. Em 1795, foi criado o Diretório.
Diretório (1795-1799)
Essa fase da Revolução foi dominada pela burguesia, a qual afirma
a posição dela sobre o movimento. Herdou o país em guerra, além
dos problemas causados pela reação termidoriana. Foram criadas
novas normas que garantiram as condições necessárias ao
capitalismo, assegurando a propriedade como fundmento da ordem
HISTÓRIA
social e restringido a liberdade apenas à sua noção de igualdade
civil.
O Diretório conheceu a reação dos sans-culottes através da
Conjuração dos Iguais, liderada por Graco Babeuf, rapidamente
sufocada.
Por conta da necessidade de promover a paz interna e tendo que
enfrentar os inimigos externos, o Diretório passou a depender, cada
vez mais, do exército. Dentre os militares, sobressaiu o jovem
Napoleão Bonaparte, herói de várias batalhas contra os inimigos da
Revolução. Carecendo de um governo forte, mesmo depois de
derrotado pelos ingleses, na Batalha do Egito, Napoleão foi
procurado por capitalistas e banqueiros, pra incentivá-lo a golpear o
Diretório e tomar o poder. As sugestões foram acatadas no 18 de
Brumário do ano VI da República (9 de novembro de 1799). Embora
fosse instalado um novo governo – O Consulado – dando por
terminada a Revolução. Napoleão representou mais uma
continuidade do Diretório do eu uma derrota para burguesia.
EXERCÍCIOS PROPOSTOS
01. A Revolução Francesa não se limitou a liquidar com o
Antigo Regime. Introduziu um conjunto de valores e
princípios que exerceu uma forte influência na Europa
ocidental e em seus territórios coloniais. Apesar das
sucessivas reorientações havidas durante seu processo e
da reação contrária proveniente de outras potências
européias tais idéias se universalizaram, de modo que
muitas delas se incorporaram à recente tradição
democrática das sociedades mundiais.
A partir desta afirmação, julgue se os itens abaixo são
verdadeiros ou falsos:
I.
A Revolução Francesa marcou uma etapa
decisiva na transição do feudalismo para o
capitalismo.
II.
A Revolução Francesa adquire significado pleno
quando analisadas as suas conexões com a
Revolução Industrial
III.
A influência dos princípios da Revolução
Francesa pode ser identificada nos movimentos
sociais e políticos do século XIX.
IV.
A ausência da participação popular definiu os
rumos da Revolução Francesa e permitiu a
ascensão dos interesses da nobreza.
V.
A revolta dos pequenos produtores camponeses
e dos artesãos contribuiu decisivamente para o
desenrolar da Revolução.
02. Sobre a Revolução Francesa, que conheceu diversas
fases, podemos afirmar que:
1. Durante o Terror são posas em práticas medidas
populares:entre outras, a instrução pública como
direito do cidadão, criando-se escolas primárias
gratuitas, e o controle dos preços e do
abastecimento alimentar.
2. Com a convocação do Estados Gerais, em maio de
1789, o Terceiro Estado exige que a votação seja
feita por cabeça e após algumas semanas se
discussões, declara-se representante do povo
formando a Assembléia Nacional.
3. Durante a convocação da Assembléia Nacional os
jacobinos defenderam os interesses da burguesia
desejosa da ordem, enquanto os girondinos,
democratas radicais, queriam avançar na conquista
dos direitos populares.
4. Como golpe de 9 de Termidor, Robespierre e seus
partidários assumem o poder, iniciando-se a fase
mais radical da revolução.
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5.
Durante o Diretório sucederam-se vários golpes à
esquerda e à direita da burguesia, que apoia ao
exército para a manutenção da ordem.
Indique as alternativas corretas:
a)3 e 5. b)2 e 4. c)1, 2 e 5. d)1 e 4 somente. e)3, 2 e 4.
03. (UMC) Nesta questão, são feitas quatro afirmativas; cada
uma delas pode estar certa ou errada. Leia-as com
atenção e responda de acordo com a tabela abaixo:
I.
A principal reivindicação dos componentes do
Terceiro Estado, na França nos fins do século
XVIII, era a abolição dos privilégios do Primeiro
e Segundo Estados e a igualdade civil.
II.
Os filósofos iluministas, através de seus livros,
denunciavam as injustiças sociais que estavam
ocorrendo na França e muito contribuíram para
a eclosão da Revolução Francesa.
III.
A indústria francesa teve seu grande impulso
após 1786 quando foi feito um tratado comercial
com a Inglaterra sobre a penetração de
produtos industriais ingleses na França.
IV.
A 14 de julho de 1789, o povo tomou a Bastilha,
fortaleza onde o Rei encarcerava seus inimigos
políticos.
a)Se todas as afirmações estiverem certas.
b)Se as afirmações I, II e III estiverem certas.
c)Se as afirmações I, III e IV estiverem certas.
d)Se as afirmações II, III e IV estiverem certas.
e)Se as afirmações I, II e IV estiverem certas.
04. (PUC-RJ) A decadência do Antigo regime na França,. No
decorrer do século XVIII, pode ser atribuída
principalmente:
a) À oposição parlamentar e nobiliárquica e à política
financeira e religiosa dos Monarcas.
b) Às conspirações e manobras de potências rivais, tais
como a Inglaterra e a Áustria.
c) À inabilidade política e à incapacidade administrativa
de Luís XV e Luís XVI;
d) Ao fracasso do reformismo fisiocrático, tentado por
Turgot.
e) À oposição crescente entre os interesses da nobreza
e da burguesia aliada à crise da economia de base
agrária feudal.
05. (Cesgranrio) O período de 1789 a 1792, durante a
Revolução Francesa, caracterizou-se como a fase de
institucionalização das principais conquistas da ideologia
revolucionária, em estreita conexão com a burguesia
ascendente, porque:
1. Proclamou-se a guerra da Revolução contra os
regimes absolutistas, em nome da República então
instaurada.
2. Foi estabelecido um regime liberal, censitário,
apoiado no princípio da igualdade civil.
3. Os direitos “feudais” foram suprimidos sem qualquer
indenização aos senhores.
4. Adotou-se o sufrágio universal e a divisão em três
poderes.
5. Suprimiu-se a noção de privilégio, típica da
“sociedade de ordens”.
a) 3 e 5.
b) 3 e 4.
c) 1 e 2.
d) 2 e 5.
e) 1 e 4.
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