Nísia Floresta a mulher que ousou desafiar sua época: Feminismo e
Educação
Amanda Mota Angelo Castro1
Mirele Alberton2
Edla Eggert3
Resumo
Este trabalho tem como objetivo principal apresentar algumas reflexões sobre a vida e obra de Nísia
Floresta (1810-1885) e suas contribuições para a educação e o feminismo no Brasil.
Pioneira em sua época, com a escola para meninas sem distinção, ou seja, sem um “currículo
feminino” buscando assim uma educação igualitária entre meninas e meninos, esteve presente em
sua luta os direitos da mulher e a igualdade entre mulheres e homens, sobretudo no campo
intelectual. Nísia Floresta, por vezes esquecida na história da educação e do feminismo, ousou lutar,
sofreu perseguições, mas suas conquistas repercutem até hoje na história das mulheres brasileiras e
no cotidiano de suas vidas, principalmente as que estão no campo acadêmico e intelectual. Ela é
apontada como uma das primeiras feministas brasileiras. Entendemos ser necessário resgatar a vida
e obra de Nísia Floresta, pois ela foi imprescindível para as conquistas das mulheres. Nosso trabalho
busca articular vida, obra e conquistas de Nísia Floresta com a luta e avanços atuais no campo
feminista.
Palavras-chave: Nísia Floresta; Biografia; Feminismo; Educação; Gênero.
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Mestranda do PPGEdu – UNISINOS. Bolsista da CAPES – Brasil. [email protected]
2
Graduanda em História – UNISINOS. Bolsista de iniciação Cientifica. [email protected]
3
Professora do PPGEdu – UNISINOS. Bolsista Produtividade 2. [email protected]
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Introdução
Este trabalho tem como objetivo retomar a biografia de Nísia Floresta (1810-1885), como vive a
mulher que ousou lutar pelos direitos das mulheres, sobretudo no campo da educação? Aqui
retomamos sua vida e obra, e buscamos discutir suas contribuições para a Educação e o Feminismo
no Brasil.
Dionísia Pinto Lisboa, ou Nísia Floresta Brasileira Augusta, é apontada como uma das
primeiras feministas brasileiras. Nísia nasceu no dia 12 de outubro de 1810, no Sítio Floresta, em
Papari no Rio grande do Norte, era filha do advogado português Dionísio Gonçalves Pinto Lisboa e
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da jovem viúva, Antônia Clara Freire, que já tinha uma filha do primeiro casamento, Maria Izabel do
Sacramento, e que tiveram alem de Nísia Floresta mais dois filhos, Clara e Joaquim.
Nísia viveu num período histórico onde a mulher estava totalmente a margem da sociedade,
sofrendo diversos tipos de exclusão, entre eles a exclusão de ter uma educação cientifica e de
qualidade, indo alem dos lugares socialmente destinados “a mulher” e “para a mulher”.
Nísia pioneira em sua época esteve presente na luta pelos direitos da mulher e a igualdade
entre mulheres e homens, sobretudo no campo intelectual.
Nisia Floresta, Vida e Obra
Nísia e sua família mudaram constantemente, para Goiana, Olinda e Recife, segundo alguns relatos,
fugiam de perseguições ocasionadas pelos trabalhos de advocacia realizados pelo pai de Nísia que
assumia causas contra os grandes fazendeiros da região.
Em 1823 Nísia, então com 13 anos, teve um primeiro casamento arranjado com Manuel
Alexandre Seabra de Melo, que dura alguns meses, pois ela abandona o marido e volta a viver com a
família. Esse dado merece destaque, pois em geral as famílias não admitiam esse tipo de atitude por
parte de uma moça de família. O que de alguma forma pode levantar a suspeita de que a família de
Nísia aceitou a anulação desse casamento sem maiores conflitos.
Em de agosto de 1828, Nísia sofre sua primeira perda: o pai, Dionísio, é assassinado nas
proximidades de Recife a mando do capitão-mor Uchoa Cavalcanti. Algum tempo depois Nísia
floresta passa a viver com o estudante de direito Manuel Augusto de Faria Rocha. Ainda em recife,
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em janeiro de 1830, nasce a filha Lívia Augusta, que será sua grande companheira de viagem . O ano
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seguinte será marcado pela sua estréia nas letras. Escrevendo para o jornal Espelho das Brasileiras .
Durante os trinta números do jornal, a maioria desaparecida, a autora colabora com artigos sobre a
condição feminina em diversas culturas antigas.
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Cidade que hoje se chama Nísia Floresta, como uma homenagem à autora, e para onde foram levados seus restos mortais,
em 03 de abril de 1955.
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O segundo filho do casal morre ainda de berço.
Dedicado às senhoras pernambucanas.
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Em 1832 publica seu primeiro livro, Direitos das Mulheres e Injustiça dos Homens, sob o
pseudônimo Nísia Floresta Brasileira Augusta. Este parecia ser uma tradução livre do Vindication of
the Rights of Woman, de Mary Wollstonecraft, publicado na Inglaterra em 1792 e, até então,
desconhecido no Brasil. Na verdade o que Nísia fez foi traduzir uma tradução francesa do tratado
feminista Woman not inferior to man, também publicado na Inglaterra, em 1739, através de um
"curioso" pseudônimo, Sophia, A person of quality. “Oferecido "às brasileiras" e aos "jovens
acadêmicos", o livro continha a denúncia de preconceitos e do estado de inferioridade em que se
encontrava a quase totalidade das mulheres de seu tempo”. (DUARTE, 1995, p. 24).
No final deste mesmo ano Nísia se muda para Porto Alegre com o marido, a filha, a mãe e as
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duas irmãs . Alguns estudiosos acreditam que ela saiu de Pernambuco devido às ameaças do
primeiro marido, que queria que ela voltasse pra ela, e, já outros, que a família aceitou o convite de
um irmão do marido, Miguel Augusto.
O filho mais novo, Augusto Américo, nasce no Rio Grande do Sul em janeiro de 1833 e, em
agosto do mesmo ano morre Manuel Augusto.
Nísia permanece por mais quatro anos em Porto Alegre, durante os quais ela irá se iniciar no
magistério, segundo Kraemer Neto, "Nísia Floresta Brasileira Augusta foi diretora de um colégio no
Rio Grande do Sul, em 1833" (NETO, 1995, p. 27). A autora acompanhou de perto os primeiros anos
da Revolução Farroupilha, teria publicado artigos em jornais locais através do pseudônimo Quotidiana
Fidedigna e alguns anônimos. Além disso, teria criado uma forte amizade com Anita e Giuseppe
Garibaldi.
Com o clima pesado da Revolução e tendo se tornado chefe de família após a morte do
marido, ela se muda com a família, em 1837, para o Rio de Janeiro onde, no ano seguinte, anuncia
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no Jornal do Comércio a abertura do Colégio Augusto para meninas . Devido às novidades que
incluíam um "programa de estudos Como Latim, Caligrafia, História, Geografia, Religião, Matemática,
Português, Francês, Italiano, Inglês, Música, Dança, Piano, Desenho e Costura." (FLORESTA, 1989,
p. ix à x), a diretora foi vítima de "ataques" anônimos através dos jornais, sendo criticada pelo seu
método de ensino e sobre a sua vida particular.
Nos anos seguintes estouram outras tantas revoluções pelo país e alguns autores da época,
seus ouvintes, escreveram sobre conferências feitas pela autora, de caráter abolicionista e
republicano.
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Em 1842 ela publica o livro Conselhos à minha filha , com 32 páginas e assinado como F.
Augusta Brasileira, e, em 1845, sai a segunda edição com quarenta pensamentos e versos. Dois
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anos depois, em 1847, são publicadas três novas obras: Daciz ou A jovem completa , Fany ou O
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modelo das donzelas e Discurso que às suas educandas dirigiu Nísia Floresta Brasileira Augusta .
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O irmão fica em Olinda para estudar Direito.
Na época as escolas eram dedicadas aos homens, às meninas eram ensinadas apenas para o lar. Os proprietários destas
escolas eram, na maioria, pessoas de fora.
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A primeira edição em italiano sai em 1858, em Florença, o Consigli a mia Figlia, que ela mesma traduziu. Em 1859, sai a
primeira edição em francês, Conseils à ma Fille, e a segunda edição em italiano, a mando do Bispo Mandovi.
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Oferecida às educandas do Colégio.
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No ínicio de 1849 sai à primeira edição de A lágrima de um caeté , um poema de 712 versos que
trata do processo de degradação dos índios nordestinos pelos colonizadores.
No mesmo ano, Nísia faz sua primeira viagem à Europa, devido a uma queda sofrida pela filha Lívia
enquanto andava a cavalo. Apesar de estar muito longe do Brasil, no ano seguinte é publicado no Rio
de Janeiro um romance histórico da autora, o Dedicação de uma amiga, em dois volumes assinados
com as iniciais B. A.
Em 1851 viaja para Portugal e retorna ao Brasil em fevereiro de 1852. No ano seguinte
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publica no Rio de janeiro o Opúsculo Humanitário , com 178 páginas e contendo 62 artigos sobre a
educação da mulher, dos quais os vinte primeiros foram publicados anonimamente no Diário do Rio
de Janeiro entre abril e maio do mesmo ano. No livro são trabalhados conceitos e pensamentos
doutrinários, o combate aos preconceitos e a autora condena ainda os erros seculares da formação
educacional da mulher, tanto dentro como fora do país.
No período de março a julho de 1855, no jornal O Brasil Ilustrado foram publicados oito
capítulos da crônica Páginas de uma Vida Obscura, também assinada como B. A., e que tratava da
história de vida de um escravo negro e os pensamentos da autora sobre o assunto. Em agosto do
mesmo ano morre a mãe de Nísia, Dona Antônia, de uma forte pneumonia. Para expressar sua dor
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por mais uma perda Nísia escreve o texto O Pranto Filial, em homenagem à mãe . Na mesma época
houve na cidade mais um surto de febre amarela e Nísia trabalha como voluntária na Enfermaria do
hospital Nossa Senhor da Conceição.
Há alguns anos foi encontrado o livro de versos Pensamentos, publicado pela autora em
1856. Neste mesmo ano ela faz sua segunda viagem á Europa, acompanhada pela filha Lívia, e lá
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permanecerá por 16 anos . Na Europa Nísia irá se "influenciar" pela corrente do positivismo e mais
tarde terá uma forte amizade com Augusto Comte, considerado o pai do positivismo. Como uma
"lembrança" desta amizade estão guardadas na Igreja da Humanidade, no Rio de Janeiro, e na
Maison d'Auguste Comte, em Paris, as cartas trocadas entre os amigos.
Ainda em Paris, em 1857, Nísia editava seu livro Itinéraire d'un Voyage en Allemagne,
assinado como Mme Floresta A. Brasileira. O livro foi feito em forma de cartas dirigidas ao filho, que
ficou no Brasil, e aos irmãos. No mesmo ano o filho Augusto se casa, mas Nísia só irá conhecer a
nora anos depois, quando volta ao país. Dois anos depois, em 1859, foi impresso em Florença o livro
Scintille d'un' Anima Brasiliana, assinado por Floresta Augusta Brasileira, composto de cinco ensaios:
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Il Brasile, L'Abisso sotto i fiori della civilità, La Donna , Viaggio magnetico e Una passeggiata al
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giardino di Lussemburgo . Alguns autores acreditam que o livro Trois Ans en Italie, suivis d'un
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Um livro que conta a história de vida de uma jovem que vive em Porto Alegre, nos tempos da Revolução Farroupilha (o que
nos permite conhecer uma versão de Nísia sobre o episódio). Esta jovem reúne todas as qualidades que seriam desejadas por
uma moça: beleza, amor pelos humildes, obediência aos pais e sentimento maternal pelos irmãos mais novos.
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Discurso pronunciado no dia 18 de dezembro de 1847, no encerramento das aulas do Colégio Augusto.
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Em 1860, saiu, em Florença, a edição italiana, Le Lagrime d'un Caeté.
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Mais de um século depois sai a segunda edição do livro, com estudo introdutório e notas de Peggy Sharpe-Valadares.
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Este será publicado somente em 31 de março de 1856, no Brasil Ilustrado, mas com a data do falecimento no ano anterior.
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Durante esse tempo, viajará sem parar pela Europa, morando na França e na Itália, e visitando várias vezes a Alemanha, a
Bélgica, a Suiça, a Sicília, a Inglaterra, Lisboa, e Grécia.
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Em 1865, foi publicada em londres a tradução inglesa, Woman, do ensaio La Donna, do livro Scintille d'un' Anima Brasiliana.
foi publicado por F. Brasileira Augusta e traduzido do italiano pela filha, Lívia A. de Faria.
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Voyage en Grece
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, que conta a excursão da autora pelos dois países, Grécia e Itália, e que teria
sido lançado em 1861, mas a edição conhecida hoje, em Paris e na França, data de 1864, assinado
par une Brésilienne.
Hoje se tem conhecimento de que, alguns anos depois, em 1867, a autora teria publicado um
romance, Parsis, em paris, e que é muito citado por alguns autores, mas que não foi encontrado
nenhum exemplar do mesmo na Biblioteca Nacional de Paris. Em 1871 foi publicado, também em
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Paris, o livro Le Brésil, de Mme Brasileira Augusta, e traduzido também por Lívia Augusta Gade .
Na década de 70 a Comuna chega ao poder e uma guerra entre o antigo presidente e o "novo
governo" preocupa os cidadãos e Nísia, para proteger a família, aceita o convite da família saint-Marc
para ficar em sua casa, fora de Paris e longe da guerra. Ao voltarem à cidade encontram a casa e a
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cidade destruídas, como Nísia irá melhor descrever em sua última obra publicada . Atendendo a
muitos pedidos da família ela vende sua casa e deixa Paris. Ela e a filha viajam até Lisboa de onde
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Nísia parte sozinha , chegando no Rio de Janeiro no dia 31 de maio de 1872. Porém sua estada no
Brasil é curta e em março de 1875 ela parte para a Inglaterra para encontrar a filha e as duas seguem
juntas para Lisboa. É lá que Nísia irá receber a trágica notícia da morte de seu irmão, Joaquim Pinto
Brasil, por pleuropneumonia.
Em 1878 publica sua última obra, o Fragments d'un ouvrage Inédit - Notes Biographiques,
assinado por Mme Brasileira Augusta. Neste livro ela fala principalmente do irmão, mas fala também
da tristeza de suas perdas, desde a infância até seus "dias atuais". Neste mesmo ano Nísia se muda
para bonsecours, na Normandia, onde faleceu, em 24 de abril de 1885, vitimada por uma pneumonia.
Nísia Floresta: Educação e Feminismo
Saffioti (1979), afirma que os Jesuítas, que monopolizaram a educação brasileira até 1795 não se
preocupavam com a educação da mulher nas suas escolas de educação formal, sendo a educação
da mulher para os afazeres do lar. Para a mulher a educação era para que estas possuíssem boas
maneiras e prendas domésticas, a mulher era então excluída do processo de educação formal,
principalmente da aprendizagem da leitura e da escrita.
No dia 15 de março de 1827, Dom Pedro I assinou a primeira legislação no Brasil relativa ao
acesso de mulheres à escola, esta permitia o acesso de meninas nas escolas elementares, portanto
elas continuavam impedidas de matricular-se em escolas avançadas. Segundo a legislação:
Art. 11. Haverão escolas de meninas nas cidades e vilas mais populosas, em que os Presidentes em
Conselho, julgarem necessário este estabelecimento. Art. 12. As Mestras, além do declarado no Art. 6º,
com exclusão das noções de geometria e limitado a instrução de aritmética só as suas quatro
operações, ensinarão também as prendas que servem à economia doméstica; e serão nomeadas pelos
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No Brasil são raros os exemplares deste livro, mas ele é bem comum em bibliotecas francesas, italianas e portuguesas.
No início de 1872 foi publicado o segundo volume de Trois Ans en Italie, suivis d'un Voyage em Grèce, publicado em Paris
por Une Brésilienne.
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Uma das poucas referências à filha ter se casado com um alemão de sobrenome Gade. Só foi possível saber que ela teria
ficado viúva com apenas quatro meses de casada, que não teve filhos e não se casou novamente.
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Fragments d'un Ouvrage Inédit - Notes Biographiques
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A filha, Lívia, decide permanecer em Lisboa.
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Presidentes em Conselho, aquelas mulheres, que sendo brasileiras e de reconhecida honestidade, se
mostrarem com mais conhecimento nos exames feitos na forma do Art. 7º.
Para pensarmos sobre a condição e “lugar” da mulher na época, Saint-Hilaire, afirma que a
mulher brasileira era tão inferior que sua posição na escala social que podia ser comparada à de um
cão:
Cercado de escravos, o brasileiro habitua-se a não ver senão escravos entre os seres sobre os quais
tem superioridade, seja pela força, seja pela inteligência. A mulher é, muitas vezes, a primeira escrava
da casa , o cão é o último.” (Saint-Hilaire 1940, p 137)
Para combater, denunciar e romper com a lógica dominante da época era preciso força e
determinação, e isso foi sem duvida uma marca na vida de Nísia Floresta.
Em 1838, 11 anos após a legislação assinada por Dom Pedro I, Nísia Floresta, que segundo
Constância (1995) é considerada a primeira feminista brasileira, investiu na educação sem distinção
entre os sexos. Nísia lutava pela educação cientifica para as mulheres e conseguiu a primeira escola
exclusiva para meninas, o Colégio Augusto, no Rio de Janeiro.
Nísia Floresta, à frente do seu teu tempo, defendia uma educação científica ás meninas, pois
acreditava que:
“Dê-se ao sexo uma educação religiosamente moral, desvie-se dele todos os perniciosos exemplos
que tendem a corromper-lhe, desde a infância, o espírito, em vez de formá-lo á virtude, adornem-lhe
a inteligência de úteis conhecimentos, e a mulher será não somente o que ela deve ser - o modelo de
família - mas ainda saberá conservar dignidade, em qualquer posição que porventura a sorte a
colocar." (FLORESTA, 1989, p. 34).
Com métodos inovadores o Colégio Augusto, investia numa educação com competência
intelectual para as mulheres sobre isso, Eggert escreve que:
Nesta escola, os métodos usados foram inovadores. Não limitado suas alunas à costura e aos bons
modos, os estudos incluíam disciplinas como latim, caligrafia, historia, geografia, religião, matemática,
português, francês, italiano, inglês, musica, dança, piano, desenho e costura.
(EGGERT, 2006, p 235)
Segundo Eggert (2006), Nísia em 1832 teve o primeiro contato com o feminismo através da
obra de Mary Wollstonecraft publicada em 1792. Nísia Floresta passa então a ser uma Educadora
Feminista, lutando por uma educação de qualidade para mulheres e denunciando a situação da
mulher brasileira na espoca, conforme sua afirmação abaixo:
Guarde-se bem o homem de ter a mulher para seu joguete, ou sua escrava; trate-a como uma
companheira da sua vida, devendo ela participar de suas alegres e tristes aventuras; considere-a desde
o berço até seu leito de morte, como aquela que exerce uma influência real sobre o destino dele, e, por
conseguinte sobre o destino das nações; dedique-lhe, por último, uma educação como exige a grande
tarefa que ela deve cumprir na sociedade como o benéfico ascendente do coração; e a mulher será
como deve ser, filha e irmã dedicadíssima, terna e pudica esposa, boa e providente mãe. (Floresta,
1997, p.117)
Hoje, pode até parece comum e simples o que Nísia escreveu, pois com a teoria feminista,
existe hoje uma produção feminista produzindo conhecimento ao redor do mundo, denunciando,
investigando e abrindo novas perspectivas sobre a mulher. Entretanto, quando Nísia escreveu o que
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escreveu não havia uma produção feminista consolidada, mesmo sabendo que em todas as épocas
da historia da humanidade houve mulheres que lutaram.
Considerações Finais
Passados mais de 100 anos da morte de Nísia Floresta, no campo da educação temos conquistas
para as mulheres no Brasil. Hoje, as mulheres aparecem como maioria em todos os níveis de
educação, sendo menor sua participação apenas da docência dos cursos de pós – graduação.
Segundo Ristoff (2006):
A trajetória da mulher brasileira nos últimos séculos é, para dizer pouco, extraordinária: de uma
educação no lar e para o lar, no período colonial, para uma participação tímida nas escolas publicas
mistas do século XIX, depois para uma presença significativa na docência do ensino primário, seguida
de uma presença hoje majoritária em todos os níveis de escolaridade, bem como de uma expressiva
participação na docência da educação superior. Embora os homens sejam maioria na população até os
20 anos de idade, as mulheres são maioria na escola já a partir da 5a. série do ensino fundamental,
passando pelo ensino médio, graduação e pósgraduação. Há hoje cerca de meio milhão de mulheres a
mais do que homens nos campi do Brasil.
A presença das mulheres, que durante décadas foi privada da educação formal, e depois,
privada de uma educação cientifica e de qualidade é uma conquista de feministas que lutaram, e
continuam lutando pela na educação formal.
O número expressivo de mulheres na escola e no campus espalhados pelo Brasil é
insuficiente para dizer das mudanças efetivas nas relações de gênero que são socialmente
construídas entre os sexos, até porque, sabemos que ainda existem muitas questões ainda a serem
conquistadas no campo de gênero no Brasil, questões complexas, sobretudo nas relações de poder
que marcam a sociedade brasileira e que muitas vezes refletem as relações desiguais entre os sexos.
Entretanto são inegáveis os enormes avanços das mulheres na educação no Brasil, e os
avanços conquistados se devem a feministas como Nísia que ousaram desafiar sua época, denunciar
e lutar pelos direitos das mulheres.
Referências
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de Nathalie Bernardo da Câmara. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 2001. Decreto, Lei
Imperial <http://www.adur-rj.org.br/5com/pop-up/decreto-lei_imperial.htm> acessado em 10
dezembro de 2009.
DUARTE, Constância Lima. Nísia Floresta: Vida e Obra. Natal: Ufrn, Editora universitária, 1995.
EGGERT, Edla . domÉsTICO Espaços e tempos para as mulheres reconhecerem seus corpos e
textos. IN: À flor da Pele Ensaios sobre gênero e corporeidade. 2 ed. São Leopoldo: Sinodal,
2004.
FLORESTA, Nísia. Opúsculo Humanitário. São Paulo: Cortez editora, 1989. Biblioteca da educação.
Série 3; mulher tempo, v. 1.
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PROJETO Memória. Fundação Banco do Brasil em parceria com a Petrobrás e a REDEH - Rede de
Desenvolvimento Humano, 2006. Apresenta vida e obra de uma das primeiras feministas
brasileiras: Nísia Floresta. Disponível em: <http://www.projetomemoria.art.br/> Acessado em
06/01/2009
LIMA DUARTE, Constância. Nísia Floresta e mulheres de letras no Rio Grande do Norte:
pioneiras na luta pela cidadania. Rio Grande do Norte. Ed. da UFRN,1995.
RISTOFF, Dilvo. A trajetória da mulher na educação brasileira. INEP, Brasília, 10 mar. 2006.
Disponível em: http://www.cereja.org.br/arquivos_upload/dilvo_ristoff_traj_mulher.pdf>. Acessado em:
01/10/2010
SAFFIOTI, H. I. B. A mulher na sociedade de classes: mitos e realidades. Petrópolis: Vozes,
1979.
SCHUMAHER, Shuma. BRAZIL, Érico Vital. Dicionário Mulheres do Brasil de 1500 até a
atualidade. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2000.
SAINT-HILAIRE, Auguste de. Viagem à província de São Paulo e resumo das viagens ao Brasil,
província cisplatina e missões do Paraguai. Tradução de Rubens Borba de Moraes. São Paulo:
Martins, 1940.
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