UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ
INSTITUTO DE CIÊNCIAS SOCIAIS APLICADAS
FACULDADE DE BIBLIOTECONOMIA
Alexandre Sena
FONTES DE INFORMAÇÃO UTILIZADAS PELOS DISCENTES DO
MESTRADO DO INSTITUTO DE EDUCAÇÃO MATEMÁTICA E
CIENTÍFICA DA UFPA (IEMCI/UFPA)
BELÉM
2011
Alexandre Sena
FONTES DE INFORMAÇÃO UTILIZADAS PELOS DISCENTES DO MESTRADO
DO INSTITUTO DE EDUCAÇÃO MATEMÁTICA E CIENTÍFICA DA UFPA
(IEMCI/UFPA)
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à
banca
examinadora
da
Faculdade
de
Biblioteconomia da Universidade Federal do Pará
para obtenção de Grau de Bibliotecário, orientado
pela Profa. MSc. Jane Veiga Cezar da Cruz.
BELÉM
2011
Dados Internacionais de Catalogação-na-Publicação (CIP) –
Biblioteca do IEMCI, UFPA
Sena, Alexandre.
Fontes de informação utilizadas pelos discentes do mestrado do
Instituto de Educação Matemática e Científica da UFPA / Alexandre
Sena, orientadora Profa. MSc. Jane Veiga Cezar da Cruz. – 2011.
Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação) - Universidade Federal
do Pará, Instituto de Ciências Sociais Aplicadas, Faculdade de
Biblioteconomia, Belém, 2011.
1. Fontes de informação. 2. Estudo de usuários. 3. Instituto de
Educação Matemática e Científica - UFPA. I. Cruz, Jane Veiga Cezar da,
orient. II. Título.
CDD – 22. ed. 028.7
Alexandre Sena
FONTES DE INFORMAÇÃO UTILIZADAS PELOS DISCENTES DO MESTRADO
DO INSTITUTO DE EDUCAÇÃO MATEMÁTICA E CIENTÍFICA DA UFPA
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado para obtenção do Grau de
Bibliotecário.
Data de aprovação:____/____/______.
Conceito: ______________________
Banca Examinadora
___________________________________________
Profa. MSc. Jane Veiga Cezar da Cruz
Orientadora
___________________________________________
Profa. Esp. Oderle Milhomem Araújo
Avaliador(a)
____________________________________________
Profa. MSc. Maria Raimunda de Sousa Sampaio
Avaliador(a)
A minha querida mãe Maria de Nazaré
Sena, que me ensinou os verdadeiros
princípios e caminhos corretos da vida.
AGRADECIMENTOS
A Deus por ter me dado o maior presente que é a vida e pela certeza de que posso
contar com ele sempre.
A minha mãe pelo amor incondicional e inesgotável.
A minha namorada Luciana Otoni, pelo companheirismo, amor e apoio fundamental
na parte final deste trabalho, principalmente no tratamento dos dados, pois sem sua
ajuda ficaria muito mais difícil.
A minha orientadora, professora Jane Veiga, por sua serenidade, competência,
ética, dedicação e paciência.
As Bibliotecárias e amigas Heloísa Gomes e Elisangela Silva pela atenção,
aprendizado e oportunidade de crescimento.
Ao Cley Arthur por sua lealdade e ajuda nas horas difíceis.
Ao Wendell Lisbôa pela amizade e inúmeros momentos de descontração.
Ao Renato Assunção por sua ajuda na elaboração dos Slides;
Ao Ricardo Camacho do IEMCI pela colaboração e atenção dispensados;
Aos discentes do mestrado do IEMCI 2010 e 2011, por terem colaborado,
possibilitando a realização desta pesquisa.
Aos amigos da turma de 2007, com quem tive amizade e momentos de alegria;
A Universidade Federal do Pará e a Faculdade de Biblioteconomia pelo rico
conhecimento a mim proporcionado.
RESUMO
Identifica as fontes de informação mais utilizadas pelos discentes do Mestrado do
Programa de Pós-Graduação em Educação em Ciências e Matemáticas (PPGECM)
do Instituto de Educação Matemática e Científica da UFPA, bem como os meios de
acesso para obtenção destas fontes. O objetivo geral da pesquisa foi identificar as
fontes de informação utilizadas pelos discentes do mestrado do IEMCI/UFPA. Para
coleta de dados foi aplicado um questionário composto por 18 perguntas fechadas e
abertas, entre os dias 07 e 14 de outubro de 2011. A população estudada constituiuse dos discentes do mestrado do PPGECM dos anos de 2010 e 2011. Os resultados
revelaram que não houve prevalência de formatos sobre o outro. Tanto o meio
impresso, quanto o eletrônico são utilizados de forma rotineira. Mostra que o livro
impresso é a fonte mais consultada (92% dos respondentes), seguida do Google,
das dissertações, das teses e do periódico eletrônico. O livro eletrônico, o Portal de
Periódicos da CAPES, o periódico impresso, os anais de eventos, as bases de
dados online e as fontes informais aparecem entre as fontes consultadas com menor
frequência.
Palavras-chave: Fontes de Informação. Estudo de Usuários. Instituto de Educação
Matemática e Científica da UFPA.
.
ABSTRACT
Identifies the sources of information used by students of the Master of the Program
Postgraduate in Education in Science and Mathematics (PPGECM) Institute of
Mathematics and Scientific Education of UFPA, and the means of access to
obtaining these sources. The objective of the research was to identify he sources of
information used by students of the Master IEMCI/UFPA. For data collection was
used a questionnaire composed of 18 closed and open questions, applied between
days 07 and 14 October 2011.The study population was of students of the Master
PPGECM the years 2010 and 2011. The results revealed that there was no
prevalence of formats on. Both the printed electronic media are used routinely.
Shows that the printed book is the most common source (92% of respondents),
followed by Google, the dissertations, theses and electronic journal. The electronic
book, the CAPES Periodicals Portal, the printed journal, the conference proceedings,
online data bases and informal sources, appear among the sources consulted less
frequency.
Keywords: Sources of Information. Study Users. Institute of Mathematics and
Scientific Education of UFPA.
LISTA DE ILUSTRAÇÕES
Quadro 1
Fases de evolução dos estudos de usuários.................................. 24
Gráfico 1
Bases de dados acessadas através do Portal da Capes................ 30
Quadro 2
Classificação das fontes de acordo com a visão de Cunha (2001) 32
Quadro 3
Características das fontes formais e informais................................ 33
Quadro 4
Características das fontes eletrônicas............................................ 33
Gráfico 2
Crescimento dos títulos de periódicos no período de 1800 a 1950 38
Figura 1
Evolução do periódico científico do suporte impresso ao
eletrônico ........................................................................................ 40
Quadro 5
Trajetória e desenvolvimento das bases de dados......................... 44
Fotografia 1
Imagem do IEMCI............................................................................ 61
Quadro 6
Áreas de concentração e linhas de pesquisa do PPGECM............ 62
Gráfico 3
Gráfico 4
Formação acadêmica dos respondentes........................................ 63
Número de discentes especialistas por área do conhecimento.... 64
Gráfico 5
Gráfico 6
Respondentes de acordo com a linha de pesquisa do PPGECM.. 65
Meios de acesso mais utilizados para obtenção do livro
Gráfico 7
impresso.......................................................................................... 67
Meios de acesso mais utilizados para obtenção do periódico
Gráfico 8
impresso.......................................................................................... 68
Meios de acesso mais utilizados para obtenção do periódico
eletrônico......................................................................................... 68
Quadro 7
Relação dos respondentes que citaram as bases de dados........... 70
Quadro 8
Motivos apresentados na opção “Outros” para a utilização de
fontes eletrônicas............................................................................ 72
LISTA DE TABELAS
Tabela 1
Distribuição de citações de tipos diferentes de publicação na ciência
e nas ciências sociais.......................................................................... 29
Tabela 2
Tamanho da base de dados dos motores de busca........................... 59
Tabela 3
Número de questionários enviados e respondidos............................. 63
Tabela 4
Frequência de utilização das fontes de informação pelos discentes
do PPGECM........................................................................................ 66
Tabela 5
Meios de acesso mais utilizados para obtenção de Teses e
Dissertações....................................................................................... 67
Tabela 6
Títulos dos periódicos citados pelos discentes................................... 69
Tabela 7
Dificuldades encontradas pelos discentes na utilização de bases de
dados................................................................................................... 70
Tabela 8
Bibliotecas da UFPA utilizadas pelos discentes.................................. 71
Tabela 9
Motivos apresentados para a utilização de fontes eletrônicas............ 72
Tabela 10
Dificuldades apresentadas na utilização de fontes eletrônicas........... 73
LISTA DE SIGLAS
ABNT
Associação Brasileira de Normas Técnicas
AMS
American Mathematical Society
BBD
Bibliografia Brasileira de Direito
BBO
Bibliografia Brasileira de Odontologia
BC
Biblioteca Central
BDTD
Biblioteca Digital de Teses e Dissertações
BINAGRI
Biblioteca Nacional de Agricultura
BIREME
Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da
Saúde
CAPES
Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior
CAS
Chemical Abstracts Service
CI
Ciência da Informação
CIR
Centro de Informação e Referência em Saúde Pública
CNPq
Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico
CONSUN
Conselho Superior Universitário
DNPM
Departamento Nacional de Produção Mineral
DSI
Disseminação Seletiva da Informação
ERIC
Educational Resources Information Center
FAPESP
Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado de São Paulo
FSP
Faculdade de Saúde Pública
IBBD
Instituto Brasileiro de Bibliografia e Documentação
ICEN
Instituto de Ciências Exatas e Naturais
IEMCI
Instituto de Educação Matemática e Científica
IES
Instituições de Ensino Superior
IFCH
Instituto de Filosofia e Ciências Humanas
ISI
Institute of Scientific Information
MCT
Ministério da Ciência e Tecnologia
MEDLARS
Medical Literature Retrieval System
NPADC
Núcleo Pedagógico de Apoio ao Desenvolvimento Científico
PPGECM
Programa de
Matemáticas
Prossiga
Programa de Informação para Gestão de Ciência, Tecnologia e
Inovação
SciELO
Scientific Electronic Library Online
TCC
Trabalho de Conclusão de Curso
TIC
Tecnologia da Informação e Comunicação
UFMG
Universidade Federal de Minas Gerais
UFPA
Universidade Federal do Pará
UFPB
Universidade Federal da Paraíba
UFPR
Universidade Federal do Paraná
UFRGS
Universidade Federal do Rio Grande do Sul
UNESP
Universidade Estadual Paulista
USP
Universidade de São Paulo
Pós-Graduação
em
Educação
em
Ciências
e
SUMÁRIO
1
INTRODUÇÃO........................................................................................ 14
1.1
OBJETIVOS............................................................................................ 15
1.1.1
..
Geral.......................................................................................................
15
1.1.2
3
.
Específicos.............................................................................................
15
..
METODOLOGIA..................................................................................... 16
.....
REFERENCIAL TEÓRICO ................................................................... 18
3.1
ESTUDO DE USUÁRIOS....................................................................... 18
3.1.1
Evolução histórica................................................................................. 21
3.1.2
Usuários frente à tecnologia de informação....................................... 25
2
3.1.2.1 O acesso e uso da informação por docentes/pesquisadores.................. 27
11
4
FONTES DE INFORMAÇÃO.................................................................. 31
4.1
PERIÓDICOS CIENTÍFICOS................................................................. 33
4.1.1
Periódicos científicos eletrônicos....................................................... 39
4.1.2
Periódicos de Indexação e Resumo.................................................... 41
4.2
BASES DE DADOS................................................................................. 44
4.2.1
Definições.............................................................................................. 46
4.2.2
Tipos de bases de dados...................................................................... 47
4.2.3
Importância das bases de dados......................................................... 48
4.2.4
Bases nacionais.................................................................................... 50
4.2.5
Bases internacionais............................................................................. 51
4.3
LIVRO ELETRÔNICO............................................................................. 53
4.4
TESES E DISSERTAÇÕES.................................................................... 55
4.5
OUTRAS FONTES DE INFORMAÇÃO................................................... 56
4.5.1
Portal de Periódicos da Capes............................................................. 56
4.5.2
SciELO.................................................................................................... 57
4.5.3
Google.................................................................................................... 58
4.5.3.1 Google Acadêmico................................................................................. 59
5
INSTITUTO DE EDUCAÇÃO MATEMÁTICA E CIENTÍFICA (IEMCI)... 61
5.1
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO DO IEMCI................................... 61
6
ANÁLISE E APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS........................... 63
7
CONSIDERAÇÔES FINAIS.................................................................... 74
REFERÊNCIAS....................................................................................... 76
GLOSSÁRIO........................................................................................... 82
APÊNDICE.............................................................................................. 83
14
1 INTRODUÇÃO
A informação é essencial para o desenvolvimento de qualquer sociedade,
pois desde os primórdios da humanidade, já se observava entre os homens
primitivos a necessidade de se obter conhecimento para garantia da própria
sobrevivência. Com o passar dos séculos, a informação tornou-se sinônimo de
poder entre as nações e matéria-prima para o desenvolvimento de qualquer
atividade desenvolvida pelo homem.
Na atual sociedade, em que se convencionou chamá-la de sociedade da
informação e do conhecimento, talvez pela primeira vez na história o homem tem a
possibilidade de estar diante de uma extraordinária quantidade de informações
disponíveis,
principalmente
após
o
fantástico
desenvolvimento
das
novas
Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC). Nesse contexto, as fontes de
informação especializadas, tais como livros, periódicos científicos, bibliografias,
bases de dados, Portais, entre outros, atuam como veículos importantíssimos de
divulgação da informação científica e tecnológica, contribuindo para o avanço da
ciência em todo o planeta.
No Brasil, muitas instituições de fomento à pesquisa, como o Instituto
Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT), o Conselho Nacional de
Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), a Fundação de Amparo à
Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), a Coordenação de Aperfeiçoamento
de Pessoal de Nível Superior (CAPES), entre outros, têm se preocupado em
aprimorar recursos informacionais que ofereçam à sociedade brasileira, informações
precípuas ao desenvolvimento da pesquisa.
Diante dessa realidade, torna-se vital que o pesquisador, o professor e o
aluno, principalmente, o de pós-graduação, conheçam as principais fontes de
informação disponibilizadas no Brasil e no exterior, já que a utilização de tais
recursos propicia ao usuário uma série de vantagens, tais como: a não duplicação
de trabalhos já existentes, a economia de tempo, o acúmulo de conhecimento, o
aprimoramento e desenvolvimento de novas ideias, maior qualidade dos trabalhos
produzidos e etc.
Dessa forma, vê-se a importância de se desenvolver estudos voltados ao
usuário, a fim de investigar se, realmente, há um uso efetivo de fontes apropriadas
de informação, averiguando questões como: necessidades informacionais do
15
usuário; frequência de acesso a determinadas fontes; motivos que levam ao uso ou
não de informações relevantes; grau de assimilação e aceitação de determinados
recursos eletrônicos de informação; descrição do perfil do usuário; entre outros.
Nesse sentido, os estudos de usuários servem para responder a estas e outras
questões levantadas sobre o uso da informação, criando condições favoráveis para
que as bibliotecas e as instituições ligadas à pesquisa conheçam as reais
necessidades informacionais dos usuários, podendo assim aperfeiçoar os produtos e
serviços oferecidos.
Sendo assim, o motivo da realização deste estudo foi o fato de muitos
estudantes ao iniciarem seu curso de pós-graduação stricto sensu (mestrado),
apresentar dificuldades em buscar informações relevantes à produção de seus
trabalhos científicos, ou mesmo, falta de conhecimento da existência dos recursos
de informação voltados às suas necessidades informacionais.
Nesse sentido, tem-se por pretensão contribuir para a discussão sobre o uso
e não-uso de fontes de informação disponibilizadas em meio impresso e eletrônico.
1.1 OBJETIVOS:
1.1.1 Geral
Identificar as fontes de informação utilizadas pelos discentes do mestrado do
Instituto de Educação Matemática e Científica da UFPA (IEMCI/UFPA).
1.1.2 Específicos
 Mapear quais os tipos de fontes mais utilizadas;
 Verificar se os discentes priorizam o formato impresso ou o eletrônico;
 Identificar possíveis dificuldades na utilização de fontes eletrônicas;
 Identificar quais ferramentas são utilizadas pelos discentes na
recuperação de informações na Internet.
16
2 METODOLOGIA
Trata-se de uma pesquisa do tipo bibliográfica e exploratória, com uma
abordagem quanti-qualitativa. É considerada bibliográfica por valer-se de material já
elaborado, “constituído principalmente de livros e artigos científicos” (GIL, 2009. p.
44) ou por buscar informações em documentos que se relacionam com o problema
da pesquisa (MACEDO, 1994). De acordo com Marconi e Lakatos (2003, p. 183) a
pesquisa bibliográfica “abrange toda bibliografia já tornada pública em relação ao
tema de estudo, desde publicações avulsas, boletins, jornais, revistas, livros,
pesquisas, monografias, teses, material cartográfico etc.”. É considerada também do
tipo exploratória porque tem como objetivo primordial “proporcionar maior
familiaridade com o problema, com vistas a torná-lo mais explícito ou a constituir
hipóteses. Pode-se dizer que estas pesquisas têm por objetivo principal o
aprimoramento de ideias ou a descobertas de intuições” (GIL, 2009, p. 41). O
método de abordagem é o quanti-qualitativo por quantificar e analisar os dados
obtidos.
A população alvo deste estudo foram os discentes do Mestrado do Programa
de Pós-Graduação em Educação em Ciências e Matemáticas (PPGECM) do IEMCI,
sendo que, 15 são do ano de 2010 e 17 do ano de 2011, totalizando 32 discentes.
A coleta de dados foi realizada no período de 07 a 14 de outubro de 2011, por
meio de questionários (Ver apêndice), com perguntas fechadas e abertas, sendo
algumas destas perguntas de respostas múltiplas¹. A ideia de usar o modelo de
respostas múltiplas foi baseada no trabalho de Oliveira (2006) a qual utilizou o
mesmo tipo de perguntas elaboradas em seu questionário.
Os questionários foram entregues pessoalmente aos 32 discentes, sendo que
apenas 25 devolveram, constituindo-se na população estudada. Para análise e
apresentação dos resultados, convencionou-se enumerar os respondentes de 1 a
25.
______________________
¹ As perguntas de respostas múltiplas dão ao respondente a possibilidade de marcar mais de uma
opção.
17
A estrutura do questionário foi composta por duas partes. A parte I inclui os
dados acadêmicos dos respondentes: graduação, titulação acadêmica e a linha de
pesquisa do PPGECM a qual pertencem. A parte II se refere à utilização de fontes
de informação, incluindo 18 perguntas (11 de respostas múltiplas). Para a
apresentação e análise dos resultados utilizou-se o programa Excel para a
elaboração dos Gráficos, Tabelas e Quadros.
A pesquisa foi dividida em 7 capítulos. O capítulo 1 apresenta em âmbito
geral o trabalho, incluindo os objetivos gerais e específicos e, os motivos que
impulsionaram a realização da pesquisa. O capítulo 2 aborda os procedimentos
metodológicos adotados na pesquisa. O capitulo 3 é apresentado o referencial
teórico, onde são utilizados trabalhos sobre estudos de usuários, com abordagens
de autores, tais como: Cunha (1982), Figueiredo (1994a), Amaral (1994), Ferreira
(1995), Sampaio e Sabadini (1998), Pereira et al (1999), Cuenca (1999), Dias e
Pires (2004), Souto (2003), Garcia e Silva (2005), Crespo (2005), Crespo e
Caregnato (2006), Oliveira (2006), Baptista e Cunha (2007), Araújo (2010), Gasque
e Costa (2010), Costa e Ramalho (2010a, 2010b), Nascimento (2011) e Cendón,
Souza e Ribeiro (2011).
O capítulo 4 aborda as principais fontes de informação, delineando sua
importância para a pesquisa científica e tecnológica. No capítulo 5 é destacado o
IEMCI, ambiente no qual se realizou a pesquisa. O capítulo 6 tem como foco a
análise e a apresentação dos resultados. E, finalmente no capitulo 7 são
apresentadas as considerações finais a respeito dos resultados obtidos.
18
3 REFERENCIAL TEÓRICO
Conhecer o usuário e a comunidade a qual se pretende atingir é de
fundamental importância para o planejamento de serviços e produtos oferecidos
pelas bibliotecas e centros de informação, pois só a partir da leitura da natureza das
necessidades de informação e dos padrões de comportamento dos usuários é
possível avaliar e preservar a eficiência desses serviços. Dessa forma, o
conhecimento do usuário, seja ele real ou potencial, torna-se o ponto chave nos
estudos orientados ao usuário.
3.1 ESTUDO DE USUÁRIOS
No trabalho de Figueiredo (1994a, p. 7) o estudo de usuários é definido como:
[...] investigações que se fazem para saber o que os indivíduos precisam em
matéria de informação, ou então para saber se as necessidades de
informação por parte dos usuários de uma biblioteca ou de um centro de
informação estão sendo satisfeitas de maneira adequada.
Para a autora, esses estudos constituem-se em verdadeiros canais de
comunicação entre a biblioteca e a comunidade a qual é servida, permitindo a
unidade de informação alocar os recursos necessários, no tempo adequado, para
atender a demanda de usuários.
Dias e Pires (2004, p. 10) definem estudos de usuários da seguinte forma:
“[...] é uma investigação que objetiva identificar e caracterizar os interesses, as
necessidades e os hábitos de uso de informação de usuários reais e/ou potenciais
de um sistema de informação”. Segundo as autoras, esses estudos estão ligados a
teoria de sistemas, aos princípios da administração científica e de planejamento, aos
estudos comportamentais, entre outros.
Quanto ao tipo, os estudos de usuários podem ser divididos em dois grupos:
 Estudos voltados para o uso de uma biblioteca ou centro de
informação;
 Estudos centrados no usuário com a finalidade de saber como
determinado
grupo de
usuários obtém a
informação
para
o
19
desenvolvimento de suas atividades (CUNHA,1982; FIGUEIREDO,
1994a; DIAS; PIRES, 2004).
Os estudos centrados no uso das bibliotecas são definidos em bases
sociológicas, “observando-se grupos de usuários (como por exemplo: químicos e
físicos; universitários; crianças e adultos; negros e brancos)” (FERREIRA, 1995, p.
5). Geralmente esses estudos cobrem todos os serviços prestados pela biblioteca,
como empréstimo; Serviço de Disseminação Seletiva da Informação (DSI),
instrumentos e fontes disponíveis para o usuário; uso de catálogos; uso da coleção;
uso de bibliografia; análise de citação e outros (FIGUEIREDO, 1994a; DIAS; PIRES,
2004). Já os estudos centrados no usuário ou no individuo partem, segundo Ferreira
(1995), de uma visão cognitiva, buscando interpretar as necessidades de informação
tanto intelectuais como sociológicas de cada usuário. Tais estudos não se limitam
apenas a uma instituição, mas englobam em sua análise o comportamento de toda a
comunidade na obtenção de informação (FIGUEIREDO, 1994a).
Quanto à classificação os estudos de usuários podem ser classificados em:
 básicos: quando o objetivo é criar ou obter conhecimentos, visando
padrões
de
comunicação
e
conhecimento
de
suas
razões
fundamentais;
 aplicados: quando o estudo se dá através de pesquisa de opiniões
para tomar decisões ou responder questões para subsidiar programas
de publicações, bibliotecas e sistema de recuperação da informação
(DIAS; PIRES, 2004).
No estudo de Baptista e Cunha (2007) são apresentados os principais
métodos utilizados na coleta de dados em estudo de usuários:
 Questionário: são listas de questões formuladas pelo pesquisador para
serem respondidas pelos sujeitos pesquisados. Caso o pesquisador
não possa está presente na hora do preenchimento, isso implicará um
maior cuidado na hora de formular as perguntas.
20
 Entrevista: é o segundo método mais utilizado, depois do questionário.
A entrevista pode ser de três tipos: a) não-estruturada; b) semiestruturada e c) estruturada.
 Observação: consiste em um método pelo qual o pesquisador capta a
realidade que se pretende analisar. A observação pode ser: a)
espontânea
não
estruturada;
b)
observação
participante
não
sistemática e c) observação sistemática.
 Análise de conteúdo: consiste em coletar dados quantitativamente,
com ênfase na tabulação das frequências dos termos contidos nos
textos, para em seguida se tornar menos rígida, permitindo a
interpretação qualitativa dos dados.
É importante ressaltar que no ambiente informacional, diversas categorias de
usuários são analisadas quanto ao comportamento na busca de informação.
Conforme Dias e Pires (2004) os usuários da informação podem ser agrupados em:
 estudantes;
professores;
pesquisadores;
pessoal
de
produção;
planejadores; administradores; entre outros;
 usuário final; usuário intermediário (Bibliotecário);
 não usuário: incluem usuários que não estão cientes dos serviços, não
têm acesso a estes, não sabem como usá-los, não têm confiança
neles, ou ainda, aqueles que não sabem que precisam da informação.
De maneira geral, muitos usuários antes de utilizar os serviços da biblioteca,
fazem uso de outras fontes de informação, principalmente de fontes informais, como
“procurar o material no edifício onde se acha; visitar uma pessoa, com notório saber;
telefonar a uma pessoa, com notório saber; escrever uma carta, entre outros”
(FIGUEIREDO, 1994a, p. 14). Nesse sentido, constatam-se na literatura alguns
motivos pelos quais a biblioteca não é utilizada apriori na busca da informação:
Uma das razões mais simples porque o cientista e o técnico não usam a
biblioteca é que eles não sabem a existência de bibliotecas ou centros
voltados aos seus interesses; outros são vagamente sabedores dos
serviços, mas não sabem os pontos de acesso ou os benefícios em
potencial. Outros, ainda, fazem uso dos serviços, mas não os exploram de
maneira aprofundada, por não terem conhecimento da capacidade do
21
sistema. Há uma forte tendência para o usuário pedir não o que ele precisa
na verdade, mas sim pedir por aquilo que ele pensa a biblioteca ou sistema
serem capazes de fornecer (FIGUEIREDO, 1994a, p. 14)
Outra variável muito importante que pode determinar ou não o uso de um
serviço de informação é a acessibilidade e a facilidade de uso, já que para o usuário,
a fonte mais acessível, embora não a melhor é a escolhida prioritariamente,
deixando em segundo plano a qualidade e a confiabilidade dos serviços. Por outro
lado, Figueiredo (1994a) destaca que a percepção da acessibilidade da informação,
por parte do usuário, é fruto da experiência pessoal do mesmo no uso do canal de
informação, ou seja, quanto mais o usuário utiliza a fonte, mais esta se torna
acessível para ele. Desse modo, torna-se necessário, por parte das bibliotecas, um
maior investimento em pesquisas que visem atender melhor os usuários, incluindo o
estudo de mercado; a promoção dos produtos e serviços profissionais; treinamentos
dos usuários (visando ampliar o uso dos recursos disponíveis); entre outros. Como
destaca Figueiredo (1994a) o treinamento de usuário, ainda, é uma questão
bastante negligenciada por parte dos serviços bibliotecários, cabendo a estes
profissionais parte da falha em relação ao não uso dos serviços e produtos
oferecidos, ou então, a utilização inadequada ou incompleta de todo o potencial que
existe nos serviços de informação.
3.1.1 Evolução histórica
Os estudos de usuários têm sua origem vinculada a dois marcos. O primeiro
deles refere-se aos trabalhos realizados na década de 1930 por bibliotecários
associados aos docentes da escola de Biblioteconomia da Universidade de Chicago
(FIGUEIREDO, 1994a; ARAÚJO, 2010). Nessa época ainda não se usava a
expressão “estudo de usuário”, e sim, “estudo de comunidade” (FIGUEIREDO,
1994a). O termo “estudo de usuário” passa a ser usado no inicio dos anos 1960
(CUNHA, 1982)
Os primeiros estudos realizados no âmbito da escola da Universidade de
Chicago se caracterizavam pelo hábito de leitura a ao potencial socializador da
biblioteca (LEITÃO, 2005 apud ARAÚJO, 2010; FIGUEIREDO, 1994a), pois ao que
se sabe, acreditava-se, naquela época, ser a função da biblioteca pública “elevar,
educar e recrear as pessoas” (FIGUEIREDO, 1994a, p. 21). Esses estudos
22
buscavam estabelecer um método quantitativo, incluindo indicadores demográficos,
sociais e humanos das comunidades atendidas pelas bibliotecas. Neste sentido, o
levantamento dos dados funcionava como uma espécie de diagnóstico, com a
finalidade de aprimorar ou adequar os serviços e produtos oferecidos pelas
bibliotecas.
Figueiredo (1994a) descreve os métodos utilizados nesses primeiros estudos:
 localização física: mapa da região mostrando fronteiras, áreas,
condições físicas e industriais; a localização da biblioteca;
 população: mapa da região mostrando densidade da população,
distribuição dos usuários - os que emprestam livros em relação a
densidade;
 desenvolvimento cívico: levantamento das residências, escolas,
igrejas, clubes, teatros, cinemas;
 desenvolvimento
econômico:
levantamento
das
organizações
comerciais e industriais;
 desenvolvimento social: caracterização do tipo de vida, necessidades,
atividades de lazer.
Segundo Figueiredo (1994a) os primeiros estudos de usuários valiam-se de
métodos que mostravam o uso das bibliotecas: “quem”, “o que”, “quando”, “onde”,
mas poucos estudos exploravam “como” e “por que” as bibliotecas eram utilizadas e
quais os efeitos causados pelo o uso da biblioteca na vida dos usuários.
Dessa forma, os primeiros estudos de usuários da informação foram
considerados à parte do corpo de pesquisa na área de Biblioteconomia e isto se
deve ao fato de os pesquisadores terem sido principalmente cientistas sociais; de as
pesquisas terem sido dirigidas à identificação da demanda da informação e não à
demanda de documentos; de o ambiente da biblioteca ter sido levado em
consideração; de se ter dado ênfase aos problemas sociais e de trabalho dos
usuários e às tarefas desempenhadas por eles; entre outros (FIGUEIREDO, 1994a).
De acordo com Lancaster (2004 apud ARAÚJO, 2010) os estudos de usuários
transformaram-se em verdadeiras ferramentas de diagnóstico para a melhoria dos
serviços, tornando-se parte das estratégias de avaliação, como a avaliação dos
23
acervos, dos catálogos, dos periódicos, da disposição física nas estantes, dos
programas de instrução bibliográfica, entre outros.
O
segundo
marco
apontado
pela
literatura
refere-se
aos
estudos
apresentados por Bernal e Urquhart na Conferência da Royal Society de Londres,
em 1948. Para muitos autores, esta conferência marca a origem dos estudos de
usuários, já que é a partir daí que surge a preocupação em desenvolver trabalhos
efetivamente voltados para as necessidades informacionais dos usuários. Tanto
Figueiredo (1994a) como Gasque e Costa (2010) entendem que os trabalhos
apresentados na Conferência Internacional de Informação Científica em Washington,
em 1958, também contribuíram bastante para o desenvolvimento do campo de
estudos de usuários.
Nas palavras de Figueiredo (1994a, p. 7) é resumido o que realmente mudou
nas pesquisas realizadas a partir de 1948:
O que houve realmente, pode-se dizer, foi uma mudança de atitude em
relação aos usuários: até então, adotava-se uma atitude passiva,
aguardava-se que os usuários aparecessem e soubessem como fazer uso
da informação disponível. A mudança foi no sentido de a biblioteca tornar-se
mais ativa, dinâmica, com a criação de novos serviços, ou com o
aperfeiçoamento de outros já prestados. Exemplos práticos desta atitude
frutificaram: com base em estudos de usuários, serviços de bibliografias,
índices e resumos foram reformulados de acordo com as necessidades
expressas pelos usuários. Da mesma maneira, serviços novos, como o da
disseminação seletiva da informação, e os serviços de alerta, na forma de
fichas, boletins, conteúdos de periódicos etc., foram criados com bases em
perfis de usuários, isto é, a maneira mais direta e objetiva de atender às
necessidades individuais de cada usuário.
A partir dos dois marcos fundadores mencionados anteriormente, seguem-se
diversas pesquisas sobre estudo de usuários, que para Baptista e Cunha (2007)
passaram por duas fases: a quantitativa e a qualitativa. Durante as décadas de
1960, 1970 e 1980, preponderou a fase quantitativa e a partir da década de 1990
crescem os estudos com enfoque qualitativo.
Na década 1960
[...] os estudos de usuários de bibliotecas se preocuparam em identificar
notadamente a freqüência de uso de determinado material e outros
comportamentos de forma puramente quantitativa e não detalhavam os
diversos tipos de comportamentos informacionais (BAPTISTA; CUNHA
2007, p. 171).
24
Na década de 1970, por sua vez, destacam-se os estudos que tiveram a
preocupação em identificar como a informação era obtida e usada, levando em
consideração a transferência e acesso à informação; a questão da utilidade da
informação e tempo de resposta (BAPTISTA; CUNHA, 2007), o que confirma a ideia
de Araújo (2010, p. 9) quando diz que “os estudos de usuários acabam por
consolidar uma tradição de pesquisas essencialmente marcada pela ideia de uma
produtividade, de uma aplicação útil”.
A década de 1980 é marcada pela preocupação com a automação, pois
segundo Pinheiro (1982 apud BAPTISTA; CUNHA, 2007) os estudos de usuários
teriam como objetivo o planejamento de serviços de informação que atendesse
eficazmente as necessidades informacionais, porém, estes estudos surtiram pouco
efeito, devido à complexidade de se determinar o comportamento e as necessidades
de informação dos usuários por meio de um método quantitativo.
A partir dos anos 1990 a fase qualitativa dos estudos de usuários passa a se
desenvolver de modo crescente, pois estudiosos do comportamento da busca da
informação perceberam que os métodos quantitativos não contribuíam de modo
satisfatório para a identificação das necessidades individuais e para a criação de
sistemas de informação adequados a essas necessidades (BAPTISTA; CUNHA,
2007).
Costa e Ramalho (2010a, p. 100) ilustram no Quadro 1 a evolução dos
estudos de usuários desde o final dos anos 1940 até a primeira década do século
XXI:
Quadro 1 – Fases de evolução dos estudos de usuários.
Década
Final da
década de
1940
1950
1960
1970
1980
Fases de evolução dos estudos de usuários
Os Estudos de Usuários tinham como finalidade agilizar e aperfeiçoar
serviços e produtos prestados pelas bibliotecas. Tais estudos eram
restritos à área de Ciências Exatas.
Intensificam-se os estudos acerca do uso da informação entre grupos
específicos de usuários, agora abrangendo as Ciências Aplicadas.
Os Estudos de Usuários enfatizam agora o comportamento dos usuários;
surgem estudos de fluxo da informação, canais formais e informais. Os
tecnólogos e educadores começam a ser pesquisados.
Os Estudos de Usuários passam a preocupar-se com mais propriedade com
o usuário e a satisfação de suas necessidades de informação, atendendo
outras áreas do conhecimento como: humanidades, ciências sociais e
administrativas.
Os estudos estão voltados à avaliação de satisfação e desempenho
25
1990
Os estudos estão voltados ao comportamento informacional, que define
como as pessoas necessitam /buscam/fornecem/usam a informação em
diferentes contextos, incluindo espaço de trabalho e vida diária.
Os estudos estão voltados tanto para o comportamento informacional,
quanto para a avaliação de satisfação e desempenho, enfatizando a
relação entre usuários e sistemas de informação interativos, no contexto
social das TIC’s.
Fonte: Costa e Ramalho (2010a, p. 100) adaptado de Ferreira (2002).
1ª Década do
Século XXI
No Brasil os estudos de usuários ganham força a partir dos anos de 1970 com
a introdução da disciplina sobre usuário no mestrado do IBICT e posteriormente com
o mestrado da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), dos mestrados de
Brasília, da Paraíba e o surgimento de novas revistas cientificas. Essa década é
considerada o marco inicial das publicações sobre usuários no Brasil, porque foi a
partir dela que as produções passaram a aumentar, diversificando os veículos de
divulgação, como dissertações, trabalhos apresentados em eventos e artigos de
periódicos (NASCIMENTO, 2011).
3.1.2 Usuários frente à tecnologia de informação
Embora o estudo de usuário seja um assunto discutido desde o início do
século XX, com uma abordagem direcionada ao uso de bibliotecas (FIGUEIREDO,
1994a), pouco se tem visto na literatura nacional, sobre temas atinentes ao
comportamento do usuário frente à tecnologia de informação (GARCIA; SILVA,
2005). Entretanto, alguns autores do ramo da Ciência da Informação têm se
preocupado em desenvolver estudos relacionados à busca de informações em
fontes eletrônicas.
No estudo de Cuenca (1997) é abordada a avaliação da capacitação no
acesso às bases de dados em contexto acadêmico. Para isso foi feito um estudo
com alunos egressos do curso avançado de acesso às bases de dados Medline e
Lilacs, por meio de CD-ROM, oferecido pelo Centro de Informação e Referência em
Saúde Pública (CIR), da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo
(FSP/USP). Neste trabalho, objetivou-se avaliar os resultados obtidos após a
capacitação dos alunos participantes do curso, verificando se os mesmos tornaramse usuários das bases e qual o nível de autonomia e familiaridade alcançada no uso
das bases bibliográficas.
26
Após os resultados, concluiu-se que a maioria dos alunos (80,4%) realizou
busca em bases de dados. Destes, 65,2% de maneira autônoma, e apenas 15,2% o
fizeram com a intermediação do Bibliotecário, reforçando a ideia de Oliveira (2006,
p.113) quando afirma que:
a maior dificuldade não é a tecnologia em si, mas o conhecimento dos
recursos e de como utilizá-los no momento necessário, o que abre uma
gama de possibilidades de atuação para a biblioteca, tanto na divulgação
quanto na orientação a seus usuários.
No estudo de Garcia e Silva (2005) é analisado o comportamento do usuário
final frente ao sistema de informação. A pesquisa foi desenvolvida com alunos de
pós-graduação da Universidade Estadual Paulista de Marília (UNESP/Marília), com o
objetivo de identificar o conhecimento e as dificuldades dos mesmos na utilização
das bases de dados bibliográficos, bem como verificar as necessidades de
otimização dos processos referentes as estratégia de busca.
Diferentemente da pesquisa de Cuenca (1997) o estudo de Garcia e Silva
(2005) revelou que diversos problemas impedem os usuários de utilizar toda a
potencialidade oferecida pelas bases de dados na recuperação da informação,
mencionando, ainda, que os sujeitos da pesquisa possuem pouco preparo ou
mesmo uma falta de interesse em utilizar recursos informacionais especializados
disponíveis no meio eletrônico.
Conforme explicam os autores, o principal complicador apontado pela
pesquisa foi a interação do usuário com as bases de dados, incluindo a seleção dos
termos; a elaboração e aplicação das estratégias de busca; a utilização dos
operadores lógicos; uso de tesauros e etc. A falta de interação do usuário com o
bibliotecário e o desconhecimento dos benefícios oferecidos pelas bases
especializadas, também foram apontados pela pesquisa como entraves. O último
item confirma a pesquisa de Amaral (1994) e Hernández Salazar (2003 apud
GARCIA; SILVA, 2005) os quais afirmam que os benefícios advindos da informação
eletrônica não são percebidos pelos usuários.
É importante ressaltar que além da necessidade de instruir/educar o usuário a
conhecer e a utilizar as fontes eletrônicas, de um modo eficiente e eficaz, é
necessário também haver por parte dos serviços de informação, acessibilidade e
27
facilidade de uso, fatores estes, considerados determinantes para a utilização ou
não de um serviço de informação (FIGUEIREDO, 1994a).
Outro fator que se deve levar em consideração na relação do usuário com as
tecnologias de informação é a qualidade nas estruturas de armazenamento,
recuperação e conteúdo das fontes de informação (PEREIRA et al, 1999), pois
“muitos profissionais sentem existir um volume excessivo de informação, isto é,
existe na realidade mais informação do que a desejada. Nesse caso, o que é
solicitado então é que haja seletividade por parte do sistema de informação”.
(FIGUEIREDO, 1994a, p. 26).
Souto (2003, p. 75) em seu estudo sobre o uso de tesauros em bases de
dados observa que
Uma das maiores dificuldades enfrentadas, atualmente, em relação à
obtenção de informações relevantes é quanto à filtragem de informações.
Nesse sentido, é bom destacar que o profissional da informação pode ser
considerado como o primeiro filtro do sistema.
Neste trabalho, o autor defende a necessidade de um profissional capaz de
gerenciar um sistema de recuperação da informação, tendo em vista um instrumento
facilitador no processo de busca, nesse caso o tesauro. Para o autor, o uso do
tesauro contribui de modo substancial para o sucesso do sistema, uma vez que por
meio deste recurso, o Bibliotecário será capaz de indexar as informações,
assumindo a responsabilidade de manuseio da ferramenta.
Como se observa, os serviços de informação, com a nova tecnologia,
transformaram a biblioteca em um ambiente mais dinâmico e participativo, uma vez
que o serviço oferecido firmou-se como um instrumento imprescindível no
desenvolvimento da atividade científica (SAMPAIO; SABADINI, 1998).
3.1.2.1 O acesso e uso da informação por docentes/pesquisadores
As novas Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), em especial a
Internet, surgida em 1969 e popularizada nos anos de 1990, ampliaram as
possibilidades de busca da informação em todas as áreas do conhecimento,
modificando o modo de pensar e agir do usuário diante do novo cenário tecnológico.
Com o progressivo avanço, diversas fontes de informação que antes só existiam no
28
formato impresso, evoluíram para o formato eletrônico, possibilitando o usuário
localizar e obter o documento numa agilidade bem maior.
Crespo (2005, p. 10) descreve a importância do periódico científico eletrônico,
referindo-se ao comportamento do usuário na busca da informação:
Os periódicos científicos eletrônicos ampliaram as necessidades de
estudos, pois têm potencial para gerar outras formas de busca e utilização
de informações pelos indivíduos. Esses novos tipos de comportamentos
podem ser verificados em estudos de busca e usos de informação, que
procuram conhecer a estrutura bem como as características que envolvem
a interação do sujeito com os recursos, serviços e fontes de informação.
A partir da introdução das TIC, vários estudos passaram a ser desenvolvidos
no intuito de verificar o padrão de comportamento do usuário, em especial o dos
docentes pesquisadores, no processo de busca, acesso e uso da informação
científica. Para isso, foi analisado no estudo de Crespo (2005) o padrão
comportamental de busca e uso da informação por docentes pesquisadores de
biologia molecular e biotecnologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul
(UFRGS) com base no modelo universal criado por Davi Ellis. O trabalho teve como
objetivo verificar como a informação científica em meio eletrônico altera o
comportamento dos pesquisadores no momento da busca. Os resultados da
pesquisa mostraram um perfil não-linear dos pesquisadores na hora de buscar e
obter a informação, o que pode ser justificado pela própria característica do meio
eletrônico ao permitir a navegação do usuário a diversas fontes de informação, em
um curto espaço de tempo. Constatou-se, também, que o periódico científico
eletrônico é a fonte de informação mais consultada pelos pesquisadores, com um
nível de utilização e aceitação bastante alta entre eles. Vale destacar que na área de
biologia existe “uma quantidade significativa de fontes de informação em meio
eletrônico [...] como bases de dados e periódicos eletrônicos, o que mostra a
importância que esse tipo de fonte possui para o campo de estudo.” (CRESPO,
2005, p. 12).
Na pesquisa desenvolvida por Oliveira (2006) é analisada a questão da
utilização e aceitação dos periódicos científicos eletrônicos por docentes e pósgraduandos do Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo (USP). A
pesquisa teve como finalidade identificar o uso e a percepção dos docentes e
discentes da pós-graduação, destacando os pontos positivos e negativos dos
29
periódicos eletrônicos, bem como identificar as possibilidades de atuação da
biblioteca como agente intermediadora e facilitadora no processo de comunicação.
Os resultados da pesquisa indicaram que os sujeitos pesquisados utilizam de forma
rotineira os periódicos eletrônicos em suas atividades de ensino e pesquisa, embora
a cultura do impresso continue muito forte, destacando a preferência pelo papel o
motivo principal.
Vale lembrar que a questão da preferência pelo o impresso ou pelo o
eletrônico, fator este identificado nas pesquisas de Crespo (2005) e Oliveira (2006),
difere de uma área do conhecimento para outra. Tal situação é reforçada por Crespo
e Caregnato (2006) ao afirmarem que o uso intensivo de periódicos científicos
eletrônicos é característico das áreas científicas chamadas duras ou naturais, ao
passo que as ciências humanas e sociais têm o livro como principal fonte de
informação. Essa realidade também é observada por Meadows (1999) ao explicar
que 82% das citações dos trabalhos dos cientistas da área de ciências naturais são
provenientes dos periódicos, enquanto que para as ciências sociais o percentual é
de apenas 29%. Com relação aos livros, acontece o oposto, nas ciências sociais
essa fonte é utilizada em 46% das referências e, nas ciências naturais, apenas 12%.
Tabela 1- Distribuição de citações de tipos diferentes de publicação na ciência e nas ciências sociais
Tipo de publicação
Ciências naturais (%)
Ciências sociais (%)
Periódicos
Livros
Outros (principalmente relatório)
Fonte: Meadows (1999).
82
12
6
29
46
25
Cendón, Souza e Ribeiro (2011) ao avaliarem a satisfação dos usuários do
Portal de Periódicos da Capes, com enfoque na obtenção de sucesso na busca de
um periódico específico dentro do Portal, descobriram que 70% dos 930 docentes
pesquisados em 17 universidades do Brasil, das áreas de Ciências Biológicas,
Ciências Humanas, Linguística, Letras e Artes, obtêm um alto grau de sucesso no
uso do Portal, ficando as Ciências Biológicas com o maior índice de sucesso,
seguido das Ciências Humanas e das áreas de Linguística, Letras e Artes. A
pesquisa corrobora os dados de Crespo (2005) ao posicionar as Ciências Naturais
como uma das áreas que mais busca informações em meio eletrônico.
No trabalho desenvolvido por Costa e Ramalho (2010b) é medido o índice de
satisfação dos pesquisadores em saúde da Universidade Federal da Paraíba
30
(UFPB) no uso do Portal de Periódicos da Capes. A pesquisa verificou através de
uma abordagem quanti-qualitativa um alto grau de satisfação por parte dos
investigados, que consideram o Portal uma poderosa ferramenta de apoio didático e
de atualização da informação científica e tecnológica. Segundo os dados da
pesquisa, 92% dos docentes responderam utilizar o Portal para elaboração de
artigos científicos, 83% para orientações de teses e dissertações, 73% como suporte
às disciplinas e à iniciação científica, 58% como suporte laboratorial e 10% para a
obtenção de artigos, orientação de Trabalhos de Conclusão de Cursos (TCC) e
atualização bibliográfica para projetos de pesquisa em andamento. Quanto às bases
de dados acessadas através do Portal, a pesquisa mostrou 100% de acesso à
Medline, conforme o Gráfico 1.
Gráfico 1- Bases de dados acessadas através do Portal da Capes
Fonte: Costa e Ramalho (2010b).
Nota-se através das pesquisas que já existe, mesmo que de forma
diferenciada, uma aceitação das fontes eletrônicas por parte dos docentes em suas
atividades de ensino e pesquisa, destacando o Portal de Periódicos da CAPES
como uma fonte bastante utilizada entre os pesquisadores brasileiros, reafirmando
sua importância para a construção do conhecimento científico e tecnológico no
Brasil. Dessa forma, a importância de se desenvolver trabalhos no sentido de
explorar o campo do estudo de usuários torna-se vital para melhorar os serviços e
produtos oferecidos pelas instituições responsáveis pela disponibilização da
informação científica e tecnológica, perpetuando, assim, o ciclo de desenvolvimento
da ciência nos diversos ramos do conhecimento.
31
4 FONTES DE INFORMAÇÃO
As fontes de informação, segundo Beckman e Silva (1967 apud PASSOS;
BARROS, 2009, p. 121) “constituem o lugar de origem, donde a informação
adequada é retirada e transmitida ao usuário [...]”.
Quanto à classificação, as fontes dividem-se em primárias, secundárias e
terciárias. De acordo com Passos e Barros (2009, p. 121) as fontes primárias “são
aquelas que contêm a informação como apresentada em sua forma original, inteira,
isto é, não condensada nem resumida, não selecionada nem abreviada. Para
Grogan (1970 apud CUNHA 2001) as fontes primárias contêm novas informações ou
novas interpretações de ideias e/ou fatos acontecidos. São exemplos: artigos de
periódicos, teses, dissertações, relatórios técnicos, patentes, entre outros.
As fontes secundárias têm a finalidade de guiar o usuário para as fontes
primárias, “são na verdade os organizadores dos documentos primários e guiam o
leitor para eles” (GROGAN 1970 apud CUNHA, 2001). São exemplos de fontes
secundárias: as enciclopédias, os dicionários, os periódicos de indexação e resumo
entre outros, (CUNHA, 2001).
As fontes terciárias, por sua vez, são documentos que têm como principal
finalidade guiar o leitor para as fontes primárias e secundárias, não trazem nenhum
conhecimento ou assunto como um todo, são apenas sinalizadores de localização
(GROGAN, 1970 apud CUNHA, 2001). As fontes terciárias são poucas, dentre as
quais, destacam-se as bibliografias de bibliografias, os diretórios, as bibliotecas e
centros de informação (CUNHA, 2001).
No Quadro 2 é apresentada a classificação das fontes de acordo com a visão
de Cunha (2001).
32
Quadro 2–Classificação das fontes de acordo com a visão de Cunha (2001)
Fontes primárias
Fontes secundárias
Congressos e Conferências
Bases de dados
Legislação
Nomes e Marcas comerciais
Bibliografias e índices
Biografias
Normas técnicas
Catálogos de bibliotecas
Centros
de
pesquisa
laboratórios
Dicionários e enciclopédias
Fontes Terciárias
Bibliografias de bibliografias
Bibliotecas e Centros de
Informação
Diretórios
Financiamento e Fomento à
Pesquisa
e
Patentes
Guias Bibliográficos
Periódicos
Revisões de Literatura
Projetos e Pesquisas em
andamento
Relatórios Técnicos
Teses e Dissertações
Fonte: Cunha (2001).
Nota: Quadro elaborado pelo autor da pesquisa a partir de dados obtidos na obra de Murilo Bastos
da Cunha (2001).
Outra classificação apresentada na literatura divide as fontes de informação
em três categorias: formais, semi-formais e informais. Convém ressaltar que esta
classificação refere-se aos meios pelos quais a informação é veiculada e difundida,
envolvendo “todos os meios existentes impressos ou não, formais ou informais”
(DALLA ZEN, 1989, p 36). De acordo com a autora, esses meios são denominados
de canais ou fontes, que de certa forma são as origens de onde provém a
informação. Para Targino (2000) as fontes formais são representadas pelos livros,
periódicos, teses e dissertações, obras de referência em geral, revisões de literatura,
bibliografias de bibliografia e etc. As fontes semi-formais são os relatórios técnicos,
os preprints e os prepapers², a comunicação em congressos, entre outros. As fontes
informais, por sua vez, são a carta, a comunicação interpessoal, o colégio invisível, o
fax, os telefonemas, as reuniões cientificas, o e-mail (TARGINO 2000).
Tanto as fontes formais quanto as informais apresentam características
próprias, com suas vantagens e desvantagens, conforme é conferido no Quadro 3.
_____________________
² De acordo com Targino (2000), as expressões preprints e prepapers significam, respectivamente,
pré-edições e versões provisórias.
33
Quadro 3 - Características das fontes formais e informais
Fontes formais
Público potencialmente grande
Informação armazenada e recuperável
Fontes informais
Público restrito
Informação não armazenada e não
recuperável
Informação relativamente antiga
Informação recente
Direção do fluxo selecionada pelo usuário
Direção do fluxo selecionada pelo produtor
Redundância moderada
Redundância, às vezes, significativa
Avaliação prévia
Sem avaliação prévia
Feedback irrisório para o autor
Feedback significativo para o autor
Fonte: Targino (2000).
Targino (2000) destaca a existência de outra categoria que se convencionou
chamar de canais ou fontes eletrônicas. Segundo a autora, tais categorias
apresentam características da comunicação formal e informal. Em âmbito formal,
estão os periódicos científicos eletrônicos, as obras de referência eletrônicas, entre
outros. No aspecto informal aparecem os e-mails, as salas de bate-papos, os grupos
de discussão, entre outros. No Quadro 4 estão descritas as principais características
das fontes eletrônicas.
Quadro 4– Características das fontes eletrônicas
Público potencialmente grande
Armazenamento e recuperação complexos
Informação recente
Direção do fluxo selecionada pelo usuário
Redundância, às vezes, significativa
Sem avaliação prévia, em geral
Feedback significativo para o autor
Fonte: Targino (2000).
4.1 PERIÓDICOS CIENTÍFICOS
Antes de falar o que são periódicos científicos, faz-se necessário esclarecer o
que significa a palavra “periódico”. No dicionário eletrônico Houaiss (2009) essa
palavra é definida como um adjetivo relativo a período, que reaparece em intervalos
regulares e apresenta certas manifestações ou sintomas em horas ou dias certos. Já
como adjetivo e substantivo masculino, a palavra é definida como uma publicação
(jornal ou revista etc.) que aparece em intervalos fixos ou regulares. Segundo
34
Meadows (1999, p. 8) o termo periodical (periódico) “entrou em uso comum na
segunda metade do século XVIII e se refere a qualquer publicação que apareça a
intervalos determinados e contenha diversos artigos de diferentes autores”. Na
opinião de Souza (1992, p. 19) os periódicos são
[...] publicações editadas em fascículos, com encadeamento numérico e
cronológico, aparecendo a intervalos regulares ou irregulares, por um tempo
indeterminado, trazendo a colaboração de vários autores, sob a direção de
uma ou mais pessoas, mas geralmente de uma entidade responsável,
tratando de assuntos diversos, porém dentro dos limites de um esquema
mais ou menos definido.
Segundo a autora, as publicações periódicas compreendem periódicos em
geral, como revistas, jornais, boletins informativos científicos ou de divulgação, atas,
anuários, entre outros. Quanto à periodicidade, podem ser classificados em: diários,
semanais, mensais, bimestrais, etc. No que concerne ao conteúdo, os periódicos
podem ser de informações científicas e técnicas
(periódicos
científicos)
e
de
vulgarização (periódicos não-científicos) (SOUZA, 1992).
De acordo com a natureza do conteúdo, os periódicos podem ser:
 fonte primária: quando publicam artigos ou matérias originais;
 fonte secundária: quando publicam resumos ou sinopses de matérias
originais;
 fonte terciária: quando publicam revisões, resumindo os conhecimentos
sobre determinado assunto (SOUZA, 1992).
No tocante aos periódicos científicos, Fachin et al. (2006 apud RODRIGUES;
FACHIN, 2010, p, 35) apresentam uma das definições mais completas a respeito
desse importante canal de informação, ao afirmarem que
[...] são todos ou quaisquer tipos de publicação editada em números ou
fascículos independentes – não importando a sua forma de edição, ou seja,
seu suporte físico (papel, CD-ROM, bits, on-line, digital), mas que tenham
um encadeamento seqüencial e cronológico – e seja editada,
preferencialmente, em intervalos regulares, por tempo indeterminado,
atendendo às normalizações básicas de controle bibliográfico
universalmente reconhecido, trazendo a contribuição de vários autores, sob
a direção de uma pessoa ou mais (editor), de preferência uma entidade
responsável (maior credibilidade). Poderá igualmente, tratar de assuntos
diversos (âmbito geral) ou de ordem mais específica, cobrindo uma
determinada área do conhecimento, mas que deverá apresentar a maioria
35
(+ de 50%) de seu conteúdo em artigos científicos, ou seja, artigos
assinados oriundos de pesquisa, identificando métodos, resultados,
análises, discussões e conclusões, bem como, disponibilizar citações e
referencias, comprovando os avanços científicos.
Na definição de Meadows (1999) os periódicos científicos correspondem a
uma coletânea de artigos científicos escritos por diversos autores, cujo conjunto
desses artigos são reunidos a intervalos, impressos, encadernados e distribuídos
sob um único título.
Maia (2005) comenta que na língua inglesa o periódico científico corresponde
ao Journal, e as revistas não especializadas correspondem aos magazines. A esse
respeito Meadows (1999, p.7- 8) relata que:
O desenvolvimento da revista [journal] também levou a mudanças no
significado desta palavra. Originalmente, o vocábulo inglês journal
significava algo parecido com um jornal [newspaper, em inglês], mas
conforme vimos, passou a ser aplicado, na segunda metade do século XVII,
à publicação periódica que contivesse uma série de artigos. Mais ou menos
na mesma época, a palavra magazine [magazine, em português] também
passou a ser usada para descrever uma publicação que continha diversos
artigos. No curso dos dois séculos seguintes, journal passou a significar
cada vez mais uma publicação séria, que continha ideias originais,
enquanto que magazine atualmente suscita a imagem de uma publicação
de cunho popular do tipo vendido em bancas de jornais.
No Brasil, em algumas áreas do conhecimento, o termo “revista científica” é
comumente utilizado para denominar periódico científico e sobre esse aspecto
Stumpf (1998 apud CRUZ et al. 2003) ressalta que os Bibliotecários preferem o uso
do termo “periódico científico” por o considerarem mais técnico. Já os
pesquisadores, professores e estudantes de outras áreas preferem a denominação
“revista científica”.
De acordo com Mueller (2000) a Royal Society considera quatro funções
primordiais desempenhadas pelo periódico científico dentro da comunidade
científica:
 comunicação formal dos resultados da pesquisa original para a
comunidade científica e demais interessados;
 preservação do conhecimento registrado, isto é, servem como arquivos
das ideias e reflexões dos cientistas, dos resultados de suas pesquisas
e observações sobre os fenômenos da natureza, entre outros.
36
 estabelecimento da propriedade intelectual, ou seja, permitem o
registro formal da autoria de um artigo publicado, dando ao autor o
direito de requerer para si a prioridade da descoberta cientifica;
 manutenção do padrão da qualidade da ciência, isto é, confere a um
artigo autoridade e confiabilidade, uma vez que antes de ser publicado
o artigo passa por um corpo de avaliadores respeitados ou referees
que representam a própria comunidade científica; sem a aprovação
desses avaliadores ou especializadas, um pesquisador não consegue
publicar seu artigo em um periódico de impacto, perdendo o
reconhecimento pelo seu trabalho.
No entendimento de Freitas (2006) ao se publicar um texto em um periódico
científico, registra-se o conhecimento (oficial e público), legitima-se disciplinas e
campos de estudos, veicula-se a comunicação entre os cientistas, propiciando aos
mesmos o reconhecimento público pela prioridade da descoberta científica.
Os primeiros periódicos científicos registrados na história foram o Journal des
Sçavans, criado em 1665 por Denis de Sallo na França e o Philosophical
Transactions criado três meses depois por um grupo de filósofos ingleses ligados à
Royal Society (MUELLER, 2000). Nessa época os cientistas perceberam que o meio
de comunicação pelo qual os resultados das pesquisas eram divulgados (troca de
correspondências,), já não atendia adequadamente os interesses dos cientistas em
disseminar as novas descobertas científicas, sentindo-se a necessidade de criar um
novo modo de relatar a ciência (HAYASHI et al., 2006).
Segundo Mueller (2000) a partir do século XVII, há uma grande mudança no
mundo científico, pois a argumentação e a dedução deixam de ser aceitos como
métodos principais de pesquisa pela comunidade científica, sendo substituídos pela
observação e a experiência empírica. Esses acontecimentos que caracterizaram o
início da ciência moderna exigiram, também, mudanças na forma de comunicação
da ciência:
Até então os filósofos-cientistas se comunicavam pessoalmente ou por meio
de cartas. A divulgação formal e mais ampla de suas pesquisas era feita em
livros e longos tratados, que discorriam sobre uma experiência ou
observação especifica, que permitisse a troca também rápida de idéias e a
crítica entre todos os cientistas interessados no assunto e questão. Isso
provocou a necessidade de um novo meio de comunicação, de alcance
37
mais amplo que a comunicação oral e a correspondência pessoal, bem mais
rápido que os livros e tratados: o periódico científico (MUELLER, 2000, p.
73).
Nos séculos XVIII e XIX, surgem outros periódicos científicos importantes
tanto na Europa, quanto na América do Norte, como por exemplo, o Medical Essays
and Observations by a Society in Edinburg editado pela primeira vez em 1713 pelo
Alexander Monro na Inglaterra e o The American Journal of Medical Sciences
lançado em 1820 nos Estados Unidos (MAIA, 2005).
No Brasil, os primeiros periódicos científicos importantes registrados na
história são a Gazeta Médica do Rio de Janeiro criado em 1862 e a Gazeta Médica
da Bahia em 1866. Porém, o primeiro periódico que alcançou uma grande reputação
nacional e internacional foi a Memórias do Instituto Oswaldo Cruz criado em 1909.
(MAIA, 2005).
Observa-se que a utilização do periódico científico como veículo de
divulgação da informação científica é fruto de uma relação construída ao longo de
séculos entre a comunicação e a pesquisa científica. Com isso, possibilitou-se que
as produções científicas pudessem ser disseminadas de uma maneira mais eficaz,
acelerando o processo de comunicação entre os cientistas e consequentemente
contribuindo para a produção de novos conhecimentos.
Na opinião de Freitas (2006) os periódicos científicos são desde seus
primórdios, importantes canais de comunicação científica, os quais no século XIX
expandiram-se e especializaram-se, vindo a realizar importantes funções no mundo
da ciência.
Segundo dados obtidos no estudo de Figueiredo (1994b) no início do século
XIX, existiam cerca 100 periódicos científicos; por volta de 1830 o número aumentou
para 500 e em 1850 registravam-se 1.000 títulos. Em 1900 o número atinge a marca
de 10.000 e em 1950 o número chega a espantosos 100.000 títulos publicados no
mundo inteiro, refletindo a chamada explosão bibliográfica (Gráfico 2).
38
Gráfico 2 - Crescimento dos títulos de periódicos no período de 1800 a 1950
Nº de títulos de periódicos
100000
10000
Crescimento
dos Títulos de
Periódicos
1000
500; 1830
100
1800
1850
1900
1950
Anos
Fonte: Figueiredo (1994b)
Nota: Gráfico elaborado pelo autor da pesquisa a partir de informações extraídas do livro de
Figueiredo (1994b).
Para Cunha (2001) o aumento exponencial dos periódicos se deve
basicamente a 6 fatores:
 o acúmulo de novos conhecimentos, especialmente após a segunda
Guerra Mundial;
 a diversidade de área de conhecimento;
 as mitoses nos ramos da ciência, provocando o surgimento de novas
disciplinas científicas;
 o aumento de número de usuários e a diversidade de seus interesses;
 os fenômenos de repetição e duplicidade de pesquisas;
 interesses extracientíficos, tais como a necessidade profissional de
publicar (a famosa síndrome de Publish or perish (publique ou
desapareça).
O crescimento dos periódicos científicos ao longo desses anos reflete a
importância que este canal representou e representa para comunidade científica, a
qual precisa divulgar suas descobertas por meio de um canal que ofereça agilidade
39
em transferir a informação. Sobre isso, Mueller (2006, apud RODRIGUES; FACHIN,
2010, p. 34) afirma que:
[...] o periódico científico é o veículo disseminador da produção científica em
determinada área do conhecimento e são essas áreas que se organizam e
se estruturam para criar, manter, disseminar e preservar suas informações.
É no periódico cientifico que o conhecimento pode ser disseminado de
forma mais atualizada e confiável em função da periodicidade e dos
rigorosos processos de revisão pelos pares.
Sob essa mesma ótica, Souza (1992, p.20) assevera que
[...] o periódico científico é o meio mais atual para a manutenção atualizada
da informação cientifica e tecnológica pela palavra impressa registrando o
progresso e relato de experiências diversas em todos os campos do
conhecimento, fornecendo também, informações selecionadas e atualizadas
de assuntos representativos e de interesse para o melhoramento das
pesquisas, ou seja, através dos seus valiosos artigos, inclui dados
minuciosos sobre aspectos restritos de determinados assuntos que não
aparecem em livros, relatórios originais de pesquisas, críticas literárias,
instantâneos pessoais.
Em outras palavras, o periódico científico configura-se como o principal canal
formal dentro do processo de comunicação da ciência, possibilitando o avanço das
pesquisas científicas em diversas áreas do conhecimento.
Nas bibliotecas universitárias e especializadas a presença dos periódicos
científicos é fundamental, visto que os livros não podem acompanhar o progressivo
avanço da ciência, fazendo com que as bibliotecas modernas enriqueçam suas
coleções, adquirindo títulos de periódicos concernentes à especialidade do usuário.
4.1.1 Periódicos científicos eletrônicos
Os periódicos científicos eletrônicos podem ser definidos como uma
publicação a qual “se tem acesso mediante o uso de equipamentos eletrônicos”
(MUELLER, 2000, p. 82). Para Cruz et al. (2003) é uma publicação que possui
artigos com texto integral, disponibilizados via rede, com acesso online, podendo
apresentar ou não a versão impressa ou qualquer outro tipo de suporte. Na opinião
de Dias (2003) é um material informativo científico, que foi transformado ou criado
para padrões passíveis de publicação na World Wibe Web. De acordo com Oliveira
(2006, p. 71) o periódico eletrônico é visto como“ aquela publicação que pretende
40
ser continuada indefinidamente, que apresente procedimentos de controle de
qualidade dos trabalhos publicados aceitos internacionalmente e que disponibilize o
texto completo dos artigos através do acesso online”. Cunha (2001) define periódico
eletrônico como uma publicação editada em intervalos regulares e distribuída de
forma eletrônica ou digital.
A primeira ideia de criar um periódico eletrônico ocorreu no início da década
1970 por Sondak e Schwartz, os quais propunham um meio que fornecesse arquivos
que pudessem ser lidos por computadores (LANCASTER, 1995 apud DIAS, 2003).
Em 1976, realiza-se então, o primeiro projeto de um periódico eletrônico
desenvolvido nos Estados Unidos pelo New Jersey Institute of Technology, o qual
incluía um newsletter informal, conferência eletrônica e um boletim editado por
especialistas (GOMES 1999 apud OLIVEIRA, 2006).
Ao final dos anos 80, vários suportes apareceram como meio de distribuição
dos periódicos, como o Cd-Rom e a Internet. Todavia, foi apenas com a
popularização da Internet e sua interface gráfica, a Web, nos anos de 1990, que
ocorreu uma verdadeira explosão dos periódicos científicos eletrônicos (OLIVEIRA,
2006). Outro fator, também, bastante apontado na literatura como elemento
impulsionador do aparecimento dos periódicos eletrônicos foi a chamada “crise dos
periódicos” instaurada nos anos de 1980, a qual foi provocada pelo alto custo das
coleções, o que levou ao “cancelamento de assinaturas, até mesmo em bibliotecas
tradicionais americanas e européias, onde tal iniciativa jamais havia sido
considerada” (MUELLER, 2000, p. 79). No Brasil, o problema crônico do custo dos
periódicos se agravou no início da década de 1990 e perdurou por toda a década
devido a decisões políticas e econômicas do país (MUELLER, 2000).
Na Figura 1 é traçada a evolução do periódico científico, do suporte impresso
ao eletrônico.
41
Figura 1 – Evolução do periódico científico, do suporte impresso ao eletrônico
1665
1830
1968
1970
1980
1990
1998
2000
2006
1º periódico
SciELO
Periódico
em microfichas
CD-ROM
Portal de
Periódicos da Capes
1º periódico
de referência
1ª concepção
P.E por Sondak
e Schwartz do P.E
Popularização
Ulrich’sonline
33.054 periódicos científicos
30.313 periódicos eletrônicos
Fonte: adaptado de Oliveira (2006).
Nota-se na figura acima que a quantidade de periódicos eletrônicos é
bastante acentuada nos anos 2000, levando em consideração o tempo de existência
deste recurso. Isso se deve ao avanço das TIC, principalmente da Internet, aliada ao
crescimento exponencial da informação científica em todo o planeta. Desse contexto
de produção frenética da informação, emerge um cenário de proliferação de
formatos de comunicação, em que coexistem periódicos eletrônicos, periódicos
impressos, arquivos eletrônicos (open acess), entre outros.
4.1.2 Periódicos de Indexação e Resumo
De acordo com Cendón (2000) os periódicos de indexação e resumo
costumam ser chamados abreviadamente de Índices quando listam, apenas, as
referências bibliográficas, e de Abstracts, quando incluem, também, os resumos das
publicações, sendo denominados de Índices e Abstracts. No Brasil, segundo a
autora, esses periódicos são denominados de bibliografias especializadas, quando
sua publicação não apresenta a mesma regularidade de um periódico. Podem ainda
ser produzidos em forma de bases de dados bibliográficos, apresentando as
mesmas informações que suas versões impressas, porém oferecendo maior
facilidade de acesso.
42
Nas considerações de Cendón (2000, p. 217)
A função principal dos periódicos de indexação e resumo é a identificação
do conteúdo de publicações, ou seja, ao invés de listar referencias
bibliográficas de obras inteiras como livros, anais de congressos ou
periódicos, um periódico de indexação e resumo procura representar mais
detalhadamente o seu conteúdo, indexando e resumindo partes especificas
desses materiais, a saber, capítulos, trabalhos de congressos e artigos.
Dessa forma, os periódicos de indexação e resumo distinguem-se das demais
obras de referência, como os guias de periódicos e os catálogos coletivos, aos quais
é atribuída, respectivamente, a função de identificar o periódico no todo e de
localizar nos acervos das bibliotecas, os títulos dos periódicos existentes.
Souza (1992) descreve as seguintes funções desempenhadas pelos guias de
periódicos, periódicos de indexação e resumo e pelos catálogos coletivos:
 Guias de periódicos: identificar o que é o periódico, estabelecer os
títulos corretos, data inicial da publicação, fornecer dados para a
história
da
publicação,
periodicidade,
preços
para
assinatura,
endereços para assinatura, assuntos genéricos, seções que o
constituem, existência de anúncios, serviços de resumos, mostrarem
que bibliografia os periódicos estão indexados, avaliação critica, etc.
 Periódicos de indexação e resumo: proporcionar ao máximo a
utilização de informações contidas na literatura periódica para o
usuário que dela necessita, no momento oportuno.
 Catálogos coletivos: auxiliar a encontrar e a colocar à disposição do
usuário, as publicações concretas de que se tem conhecimento,
através de índices que contem a informação necessitada.
O aparecimento dos periódicos de indexação e resumo ocorreu em função do
crescimento do número de publicações periódicas em todo o mundo, causado pelo
intensivo aumento das produções científicas e tecnológicas, especialmente a partir
de 1810. Com isso, tornou-se humanamente impossível ter acesso as informações
disponíveis nos periódicos e em outras fontes de informação, levando as entidades
responsáveis em organizar o conhecimento, a sistematizar o controle da literatura
através de mecanismos preestabelecidos. De acordo com Cendón (2000) essas
43
organizações que se encarregavam em resumir a literatura especializada no final do
século XIX e início do século XX originaram os grandes serviços de indexação e
resumo da atualidade.
Sabe-se que
As primeiras áreas cobertas pelos periódicos de indexação e resumo foram
as ciências básicas e aplicadas, tais como química, engenharia, zoologia e
medicina. Alguns exemplos desses primeiros índices são o
Pharmaceutisches Central- Blatt (1830), que depois se transformaria no
Chemisches Zentrallblatt, publicado pela Akademie Verlag (de Berlim); o
Engineering Index (1884), editado pela Associationof Engineering Societies,
e o Review of American Chemical Research, iniciado em 1895 e substituído,
em 1907 pelo Chemical Abstracts da American Chemical Society
(CENDÓN, 2000, p. 219).
Nos anos posteriores outras áreas passaram a ser cobertas pelos periódicos
de indexação e resumo, como as áreas de ciência da computação, poluição
ambiental, meio ambiente, energia, engenharia espacial, entre outros. Nos anos
1970 áreas como ciências sociais, artes e ciências humanas também passaram a
ser cobertas pelos periódicos de indexação e resumo. No Brasil, as primeiras
bibliografias especializadas datam da primeira metade do século XX, dentre as quais
destacam-se: a Bibliografia e Índice da Geologia do Brasil (1938) produzida pelo
Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM); o Índice Catálogo Médico
Brasileiro (1939), de Jorge de Andrade Maia; a Bibliografia Cartográfica Brasileira
(1951), de Isa Adonias e o Índice Tecnológico (1953). Todavia, foi a partir dos
esforços do Instituto Brasileiro de Bibliografia e Documentação (IBBD) em 1954,
mais tarde reestruturado como Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e
Tecnologia (IBICT), que ocorreu um processo de institucionalização das produções
das bibliografias brasileiras (CENDÓN, 2000).
O primeiro periódico de indexação e resumo produzido por computador foi o
Chemical Titles, do Chemical Abstracts Service (CAS) em 1961, a partir dessa
inovação tecnológica, muitos Índices e Abstracts passaram a ser produzidos em
forma de bases de dados (CENDÓN, 2000).
Na área de matemática, cita-se em âmbito internacional o periódico de
indexação e resumo denominado Mathematical Reviews. O Mathematical Reviews
cobre a literatura na área de ciências matemáticas desde 1940, fornecendo
informações relevantes para pesquisadores e estudiosos. No Brasil, cita-se a
Bibliografia Brasileira de Matemática, que entre os anos de 1950 e 1960 foi
44
publicada como Bibliografia Brasileira de Matemática e Física. Esta incluía trabalhos
de brasileiros publicados em fontes nacionais e estrangeiras e encerou suas
atividades em 1979 (CUNHA, 2001).
4.2 BASES DE DADOS
As bases de dados como são conhecidas atualmente, originaram-se de fontes
impressas, como índices, abstracts, bibliografias, diretórios, entre outros, os quais
tiveram seu início, ainda, no século XIX, com a finalidade de sistematizar o acesso à
informação científica. Na década de 1960, as instituições que processavam o
conhecimento, tais como os serviços de indexação e resumo, também conhecidas
como produtoras de bases de dados, perceberam a necessidade de incorporar o
recurso da informática para agilizar o acesso à informação (VALENTIM, 2001).
Inicialmente, essas instituições usavam os computadores somente para produzir
fitas magnéticas com os dados e imprimir seus índices (CENDÓN, 2000). No
decorrer dos anos, especificamente, a partir da década de 1970, surgem as
primeiras bases de dados eletrônicas. Na década seguinte, passam a ser oferecidas
em CD-ROM e, finalmente, nos anos de 1990, reformulam-se para serem
disponibilizadas via Internet (VALENTIM, 2001).
No Quadro 5 é mostrada a trajetória de desenvolvimento das bases de dados.
Quadro 5 – Trajetória e desenvolvimento das bases de dados
Anos 50
Tempo









Produtos
Cadastros
Abstracts
Índex
Diretórios
Anuários
Bibliografias
Balanços
Pesquisas
Etc.
Tecnologia
 Os produtos são desenvolvidos
e impressos em papel.
Problemas





Falta de normalização e padrões;
Pouca cooperação entre instituições;
Difícil distribuição e disseminação da
informação;
Demora no acesso a informação;
Qualidade na pesquisa questionável.
Anos 90
Anos 80
Anos 70
Anos 60
45









 Os produtos são desenvolvidos
e impressos em papel;
 A cooperação acontece através
da troca de fitas magnéticas.
 Inicio de normatização e definição de
padrões;
 Iniciode cooperação entre instituições;
 Melhoria
na
distribuição
e
disseminação da informação;
 Alto custo de impressão e distribuição;
 Maior velocidade no acesso à
informação;
 Qualidade na pesquisa aceitável.
Bases de dados
eletrônicas do
tipo:
 Bibliográficas
 Referencias
 Cadastrais
 Numéricas
 As bases de dados tradicionais
mantêm o formato em papel,
mesmo oferecendo o produto
em formato eletrônico;
 Uma parcela das novas bases
de dados são oferecidas
apenas em formato eletrônico,
não tendo versão em papel;
 A cooperação acontece através
da troca de informações on-line,
ou
seja,
utilização
da
microinformática
e
das
telecomunicações.
 Normatização
e
padrões
internacionalmente aceitos;
 Cooperação
entre
instituições
totalmente estabelecida;
 Distribuição e disseminação da
informação mais eficiente;
 Alto custo de impressão e acesso às
informações (telecomunicação);
 Baixo custo de acesso às bases de
dados em formato óptico;
 Acesso em tempo real à informação;
 Qualidade na pesquisa aceitável.
Bases de dados
eletrônicas do
tipo:
 Bibliográficas
 Referencias
 Cadastrais
 Numéricas

 Normatização
e
padrões
internacionalmente aceitos;
 Cooperação
entre
instituições
totalmente estabelecida;
 Distribuição e disseminação da
informação mais eficiente;
 Alto custo de impressão e acesso às
informações (telecomunicação);
 Baixo custo de acesso às bases de
dados em formato óptico;
 Acesso em tempo real à informação;
 Qualidade na pesquisa aceitável.
Bases de dados
eletrônicas do
tipo:
 Bibliográficas
 Referencias
 Fontes (texto
completo)
- Numéricas
- Textuais
- Textuais e
-Numéricas
 As bases de dados tradicionais
mantêm o formato em papel,
mesmo oferecendo o produto
via Internet ou com tecnologia
óptica;
 Uma parcela das novas bases
de dados são oferecidas em
formato eletrônico via Internet
e/ou em formato óptico não
tendo versão em papel;
 A cooperação acontece através
da troca de informações online, ou seja, utilização da
microinformática,
tecnologia
óptica e das telecomunicações,
principalmente através do uso
da rede Internet;
 Modelos de metadados.
Cadastros
Abstracts
Índex
Diretórios
Anuários
Bibliografias
Balanços
Pesquisas
Etc.
As bases de dados tradicionais
mantêm o formato em papel,
mesmo oferecendo o produto
em formato eletrônico e/ou
óptico;
 Uma parcela das novas bases
de dados são oferecidas e,
formato eletrônico e/ ou formato
óptico não tendo versão em
papel;
 A cooperação acontece através
da troca de informações on-line,
ou
seja,
utilização
da
microinformática,
tecnologia
óptica e das telecomunicações.
Fonte: Valentim (2001, p. 68-69).









Normatização
e
padrões
internacionalmente aceitos;
Cooperação entre instituições
totalmente estabelecida;
Distribuição e disseminação da
informação muito mais eficiente;
Alto custo de impressão;
Acesso às informações via
Internet com custo subsidiado;
Baixo custo de acesso às bases
de dados em formato óptico;
Acesso em tempo real à
informação;
Qualidade
na
pesquisa
aceitável;
Vários padrões de organização
da
informação
no
meio
eletrônico/digital.
46
Deve-se frisar que, inicialmente, as bases de dados surgiram, apenas, como
versões eletrônicas dos índices impressos, mantendo o mesmo conteúdo de
informações contidas nas fontes tradicionais. Somente a partir dos anos de 1970 é
que aparecem as primeiras bases de dados eletrônicas, sem o equivalente
impresso.
4.2.1 Definições
Várias são as definições a respeito das bases de dados encontradas na
literatura as quais podem ser confrontadas. Para Rowley (1994, p. 66) base de
dados corresponde a ”uma coleção de registros similares entre si e que contém
determinadas relações entre esses registros”. De acordo com Lopes (1991, p. 217)
“uma base de dados constitui uma coleção de dados estruturados, que permite
acesso a todos os outros dados da coleção, sempre que tiver sido definida uma
relação lógica ou natural entre estes mesmos dados”. Na definição de Teixeira e
Schiel (1997, p. 66) as bases de dados são “fontes de informação automatizada que
podem ser pesquisadas de diversos modos. Elas podem ser armazenadas em meio
magnético ou óptico e acessadas local ou remotamente”. Complementando Teixeira
e Schiel (1997), Targino (2000, p 104) explica que base de dados é “[...] uma
coleção de registros armazenados em suporte magnético, acessível via de
computadores”.
Lancaster (1993, p. 305) define bases de dados de uma forma mais
abrangente:
Uma coleção de itens sobre os quais podem ser realizadas buscas com a
finalidade de revelar aquelas que tratam de um determinado assunto. A
base de dados consiste em artefatos, como livros (o acervo de uma
biblioteca é uma base de dados com certeza), ou registros que representam
os artefatos, como, por exemplo, registros bibliográficos constantes de
páginas impressas, de fichas ou de meios eletrônicos.
É importante ressaltar que embora esteja clara na literatura a definição de
base de dados, é comum se confundir base de dados com banco de dados e
sistema de informação, tratados, às vezes, como sinônimos. De acordo com
Cianconi (1987) isso ocorre porque há problemas terminológicos no meio acadêmico
47
no que se refere às fontes eletrônicas. Nas considerações do autor, fica bem clara a
diferença de base de dados para banco de dados:
[...] base de dados corresponde a um conjunto de dados interrelacionados,
organizados de forma a permitir recuperação de informações. Banco de
dados, embora freqüentemente encontrado como sinônimo de bases de
dados pode ser visto com um conjunto de bases de dados (CIANCONI,
1987, p. 54).
Já um sistema de informação tem a função de gerenciar as bases de dados
de um mesmo ou diferentes assuntos (VALENTIM, 1994), como exemplo, tem-se o
Medical Literature Retrieval System (MEDLARS) produzido pela Biblioteca Nacional
de Medicina dos Estados Unidos. Este sistema integra a base Medline e mais de
quarenta bases de dados na área de saúde (COIMBRA JUNIOR, 1999).
Com relação aos bancos de dados, cita-se o ORBIT e o DIALOG. Este último
considerado o maior banco de dados do mundo, possuindo atualmente mais 900
bases de dados de diversas áreas do conhecimento.
4.2.2 Tipos de bases de dados
Autores como Cunha (1989), Lopes (1991) e Rowley (1994) classificaram as
bases de dados em duas grandes categorias: bases de referências e de fontes. As
primeiras são aquelas que encaminham o usuário para outra fonte, que pode ser um
documento, uma instituição ou um indivíduo (ROWLEY, 1994). Para Cunha (1989) e
Lopes (1991) essas bases contêm referências ou informações secundárias, as quais
remetem o usuário para as fontes primárias de informação. A segunda são aquelas
que contêm os dados originais, ou seja, as informações completas de um
documento, não precisando o usuário buscar em outra fonte as informações de que
necessita (ROWLEY, 1994).
As bases de dados de referências podem ser divididas em:
 Base de dados bibliográficos: inclui citações ou referências e, às
vezes, resumos de trabalhos publicados (ROWLEY, 1994). A maioria
dessas bases é composta por várias tipologias documentais, como
artigos de periódicos, prepers, trabalhos científicos apresentados em
48
congressos, patentes, normas técnicas, relatórios técnicos, entre
outros (VALENTIM, 2001).
 Base de dados diretórios: contém informações ou dados de pessoas,
organizações, projetos de pesquisa, contratos, entre outros. Nelas,
podem aparecer referências, com ou sem resumo (CUNHA, 1989).
Rowley (1994) ainda considera como base de referência outra categoria
denominada de Base de dados catalográficos, que tem por função mostrar o
acervo de uma biblioteca ou de uma rede de bibliotecas. Nessas bases, não há
informações detalhadas sobre o conteúdo dos documentos, apenas sobre o que a
biblioteca possui em seu acervo.
Com relação às bases de dados de fontes, podem ser agrupadas em:
 Bases de dados numéricas: incluem dados numéricos de diversos
tipos, como dados estatísticos, resultados de pesquisa, entre outros
(ROWLEY, 1994). São consideradas bases de fontes por oferecerem
“desde informações referenciais até textos completos (full-text) sobre
pesquisa de opinião, de consumo, estatísticas sobre população etc.”
(VALENTIM, 2001, p. 73).
 Bases de dados de texto integral: incluem o texto completo de um
documento,
tais
como
legislações,
jurisprudências,
artigos
de
periódicos ou de jornais, normas técnicas, patentes, programas de
computador, entre outros (CUNHA, 1989; ROWLEY, 1994; VALENTIM,
2001).
 Bases de dados textuais e numéricos: incluem a mistura de dados
textuais e numéricos, como, por exemplo, relatórios anuais de
empresas e manuais de dados (ROWLEY, 1994).
4.2.3 Importância das bases de dados
As bases de dados especializadas constituem-se em modelo estruturado de
informação, pelas quais se tem acesso ao conhecimento organizado, produzido
pelos principais centros detentores do conhecimento científico e tecnológico,
localizados tanto em países desenvolvidos, como em países periféricos. Através das
49
bases especializadas é possível ter acesso ao conhecimento que está sendo
produzido em determinada área do saber, seja na forma de referência bibliográfica,
na forma de resumo, imagem, som, vídeo, texto completo, entre outros. Dessa
forma, as bases de dados, além de disponibilizarem informações confiáveis,
agregam valor à ciência, contribuindo, assim, para o avanço científico e tecnológico.
Para os editores, a indexação de um periódico nas principais bases de
dados internacionais representa muito mais do que um veiculo de
disseminação da informação científica. A inclusão de revistas em
determinadas bases consideradas como de maior prestígio tem sido
percebida por número crescente de profissionais (tanto pesquisadores como
aqueles ligados a atividade de fomento) como parâmetro indicativo da
qualidade de um periódico e, por extensão, dos artigos neste publicados,
gerando acirrada competição entre os editores, autores e instituições
financeiras de pesquisas. (COIMBRA JÚNIOR, 1999, p. 884).
A inclusão de um trabalho científico em uma base especializada,
principalmente, em uma base internacional, a qual detém maior abrangência e
prestígio, propicia ao pesquisador maior visibilidade e reconhecimento dentro da
comunidade científica, tendo em vista que a própria base servirá como parâmetro de
qualidade para o trabalho nela divulgado. Coimbra Júnior (1999) destaca a
importância das bases de dados sob a ótica dos usuários diretos das revistas
científicas.
Do ponto de vista dos usuários imediatos das revistas, isto é, autores e
leitores, as bases de indexação são os meios mais eficientes de
disseminação de resultados de pesquisas e de realização de levantamentos
bibliográficos. Ao consultar uma dessas bases, além de acesso ao título e
ao resumo de um determinado artigo, na maioria dos casos o leitor
interessado também poderá obter o endereço dos autores, mesmosem
acesso à revista na qual o trabalho foi publicado. Portanto, pesquisadores
de diferentes países interessados em um determinado tema, por mais que
não tenham contato, têm a oportunidade de se comunicar, solicitar
separatas e trocar informações.(COIMBRA JÚNIOR, 1999, p. 884).
De maneira geral, as bases de dados especializadas, além de servirem como
repositórios
do conhecimento
científico atuam,
também,
como
canais de
comunicação, possibilitando o intercâmbio de informações entre pesquisadores.
50
4.2.4 Bases nacionais
No Brasil nem todos os ramos do conhecimento tem a literatura coberta por
bases de dados especializadas. No entanto, em algumas áreas figuram bases
importantes, que convém descrevê-las:
 AGROBASE – Base de dados agrícola produzida pela Biblioteca
Nacional
de
convencionais,
Agricultura
tais
como
(BINAGRI).
Indexa
relatórios
técnicos,
documentos
documentos
não
de
congressos, teses, publicações seriadas. Cobre a área de Ciências
Agrárias e afins, incluindo temáticas relacionadas a produção animal e
vegetal; defesa animal e vegetal; engenharia agrícola; nutrição animal;
nutrição vegetal; poluição; economia agrícola; estatística agrícola, entre
outros. Endereço eletrônico: http://www.agricultura.gov.br/portal.
 BRAPCI – Base de dados referencial e de resumos na área de
Biblioteconomia e Ciência da Informação (CI) produzida pela
Universidade Federal do Paraná (UFPR). Disponibiliza referências e
resumos de 6.919 artigos publicados em 35 períodos nacionais da
área de CI. Endereço eletrônico: http:// www.brapci.ufpr.br

Índice de Arquitetura Brasileira – Base de dados referencial
produzida pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP. Cobre
as áreas de arquitetura planejamento urbano, arquitetura paisagística,
desenho
industrial,
comunicação
visual.
Endereço
eletrônico:
http://www.fau.usp.br/baseindice/

Bibliografia Brasileira de Direito (BBD) – Base de dados referencial
produzida pelo Senado Federal. Reúne referências bibliográficas de
livros, artigos de periódicos relacionados e outros textos afins. O
equivalente impresso é a Bibliografia Brasileira de Direito Produzida
pelo IBICT. Endereço eletrônico: http://www.senado.gov.br

Vet. Index – Base de dados referencial produzida pela Faculdade de
Medicina Veterinária e Zootecnia da USP. Endereço eletrônico:
http://www.bvs-vet.org.br.
51

PERI – Base de dados referencial e de resumos, criada em 1987.
Abrange a área de Ciência da Informação, incluindo artigos de
periódicos, trabalhos publicados em eventos. É mantida pela Escola
de
Ciência
da
Informação
da
UFMG.
Endereço
eletrônico:
http://www.bases.eci.ufmg.br/peri.html.

Bibliografia Brasileira de Odontologia (BBO) – Base referencial, de
resumo e texto completo, produzia pela Biblioteca Virtual em Saúde
(BVS). Abrange a literatura na área de saúde oral desde 1986. Indexa
livros, teses, folhetos, separatas, artigos de periódicos. Endereço
eletrônico: http://www.bases.bireme.br.
Vale lembrar que não foram encontradas bases nacionais na área de
matemática, foco deste estudo, apenas uma biblioteca virtual por meio do Programa
de Informação para Gestão de Ciência, Tecnologia e Inovação (Prossiga). Este foi
criado pelo IBICT em 1995, com o intuito de promover a criação e o uso de serviços
de informação na Internet, voltados para as áreas prioritárias do Ministério da
Ciência e Tecnologia (MCT).
4.2.5 Bases internacionais
Diferentemente da realidade brasileira, os países industrializados apresentam
uma infinidade de bases de dados especializadas, que somadas abrangem todas as
áreas do conhecimento. Porém, o objetivo deste estudo é apresentar somente
algumas bases relacionadas com a linha de pesquisa dos discentes do Programa de
Pós-Graduação em Educação em Ciências e Matemáticas (PPGECM), foco deste
estudo.
 Web of Science – base referencial, de resumos e texto completo,
produzida pelo Institute of Scientific Information (ISI). Trata-se da maior
base de citação do mundo, com cobertura multidisciplinar de mais
9.000 periódicos de alto impacto em todas as áreas do conhecimento.
De atualização mensal, a Web of Science cobre a literatura desde 1945
e possui como equivalente impresso o Science Citation Índex
Expanded, o Science Citation Índex e o Arts e Humanites Citation
52
Index. Em suma a Web of Science constitui-se em uma poderosa
ferramenta tecnológica a disposição de pesquisadores, professores,
estudantes e demais interessados em buscar informações relevantes
para a produção de (PORTAL..., 2011).
 MathSci – base referencial com resumos, mantida pela American
Mathematical Society
(AMS).
Fornece informações em âmbito
internacional na área de matemática desde 1940. Além disso, possui
ampla cobertura nas áreas de Estatística, Ciência da Computação,
Física, Engenharia, Pesquisa Operacional e Econometria. Indexa
artigos de mais de 2.600 periódicos, além de livros, teses, trabalhos de
congressos e relatórios de pesquisa (PORTAL..., 2011).
 Educational
Resources
Information
Center
(ERIC)
–
base
referencial, de resumos e texto completo. Patrocinada pelo ministério
da Educação dos Estados Unidos, oferece informações na área de
educação,
envolvendo
temas
relacionados,
tais
como:
ensino
fundamental e educação infantil; ensino superior; formação de
professores; testes de avaliação; escolas urbanas e escolas rurais
ensino das ciências e da matemática; educação ambiental. As
tipologias documentais indexadas nesta base são: artigos de
periódicos, anais de congressos, documentos governamentais, teses,
dissertações, relatórios, audiovisuais, bibliografias, livros e monografias
(PORTAL..., 2011).
 Chemical Abstracts – base referencial, de resumo e texto completo,
cobrindo a literatura desde 1907. Considera a maior base na área de
Química e Engenharia Química, indexa artigos de periódicos, anais de
eventos, teses, relatórios técnicos, livros e patentes, cobrindo áreas
específicas, tais como: química orgânica, inorgânica e analítica.
Apresenta ainda assuntos sobre processamento de petróleo, tintas,
revestimentos, tratamentos de resíduos, farmacologia, engenharia
sanitária, poluição do ar e da água, ciências ambientais, medicina
experimental, biologia celular e molecular, alimentos, engenharia de
materiais e física. (CUNHA, 2001).
 Biological Abstracts - base referencial, de resumos e texto completo,
com mais de 5 milhões de resumos de artigos publicados em 5.500
53
periódicos. Inclui também anais de eventos, livros e obras de
referência. É a mais importante e completa fonte de informação na
área
de
ciências
biotecnologia,
biológicas,
botânica,
cobrindo
ecologia
e
agricultura,
meio
ambiente,
bioquímica,
genética,
microbiologia, neurologia, farmacologia, saúde pública e toxicologia,
patologia e medicina veterinária (PORTAL..., 2011).
 INSPEC- base referencial e de resumos, com mais de 8 milhões de
registros indexados. Cobre a literatura nas áreas de Física, Ciência e
Engenharia
de
Materiais,
Engenharia
Elétrica
e
Eletrônica,
Telecomunicações, Robótica e controle, Ciência da Computação,
Tecnologia da Informação e Engenharia de Produção. Indexa de forma
detalhada substâncias químicas, grandezas numéricas físicas e
químicas e de objetos astronômicos (PORTAL..., 2011).
4.3 LIVRO ELETRÔNICO
O livro eletrônico (e-book) é mais uma iniciativa no sentido de ampliar o
acesso livre à informação, no intuito de oferecer alternativas que possibilite a
informação ser veiculada de uma maneira mais rápida do que a versão impressa.
Sobre esse aspecto Dziekaniak (2010) discorre que:
o e-book é um instrumento de disseminação do conhecimento, permitindo o
acesso de comunidades que terão a oportunidade de aprender, pesquisar e
interagir com o que é atual e moderno ou com o que, de alguma forma, já
fez parte da história.
De acordo com a autora o termo e-book tem sido utilizado para designar tanto
a máquina de leitura como os documentos em formato de livro disponibilizados na
Internet, constatando-se, assim, conflitos terminológicos, que segundo a autora,
carecem de tratamento por parte dos estudiosos das áreas envolvidas, como
bibliotecários e desenvolvedores do e-book, evitando, assim, ambiguidades na
literatura.
Dziekaniak (2010) descreve as principais vantagens e desvantagens do livro
eletrônico. Entre as vantagens, destacam-se:
54
 o hipertexto – recurso possível ao texto eletrônico que, no momento
da escrita, enfoca e estende o sentido e significado da visão do
escritor, permitindo que o leitor, se quiser, siga os passos para uma
(talvez nova) interpretação, em novas leituras;
 a busca por palavra-chave – recurso que auxilia e facilita a
recuperação de um assunto desejado, através de um tratamento de
indexação eletrônica, economizando tempo do leitor, permitindo que
ele analise de maneira rápida e precisa, se o documento o satisfaz ou
não, sendo desnecessária a leitura de vários capítulos da obra;
 visualização de obras e documentos raros – a tecnologia
empregada no e-book permite o acesso à obras raras em qualquer
parte do mundo por meio de download;
 custos reduzidos – os valores da publicação em formato eletrônico
desbancam os valores da publicação impressa. Um editor tradicional,
para lançar três mil exemplares, gasta aproximadamente 10 mil reais.
No sistema eletrônico a obra é digitalizada uma única vez, ao custo de
cerca de 100 reais. Se vender 10 livros ou 10 mil, os custos serão os
mesmos (DZIEKANIAK, 2010).
Quanto às desvantagens, têm-se:
 o desconforto acarretado pela leitura na tela – esse fator tem sido o
principal responsável pela baixa aceitação do livro eletrônico;
 a propriedade intelectual – o ambiente de liberdade da Internet gera
sensação de impunidade no usuário, o que lava ao temor de muitos
autores e disponibilizar suas obras online;
 a preservação digital – obsolescência tecnológica e a degradação
física – disquetes, CD-ROM e HD são vulneráveis a campos
magnéticos, à oxidação, à umidade. A deterioração temporal é um
obstáculo a ser superado para que já a garantia da preservação digital
(DZIEKANIAK, 2010).
55
De acordo com a autora a produção de objetos digitais tem sido ampliada em
grande escala, pois o ambiente digital oferece acesso remoto, somado à economia
de espaço físico e de recursos, oferta que o papel tradicional não supre.
4.4 TESES E DISSERTAÇÕES
Campello (2000) define teses e dissertações como documentos originados
das atividades dos cursos de pós – graduação stricto sensu. Para Cunha (2001) são
tipos de documentos que apresentam uma pesquisa original sobre determinado
tema, sendo considerados, portanto, fontes primárias.
De acordo com a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) a tese é
definida como:
documento que apresenta o resultado de um trabalho experimental ou
exposição de um estudo científico de tema único e bem delimitado. Deve
ser elaborado com base em investigação original, constituindo-se em real
contribuição para a especialidade em questão. É feito sob a coordenação de
um orientador (doutor) e visa a obtenção do título de doutor, ou similar
(ABNT, 2011).
Já a dissertação é descrita como:
documento que apresenta o resultado de um trabalho experimental ou
exposição de um estudo científico retrospectivo, de tema único e bem
delimitado em sua extensão, com o objetivo de reunir, analisar e interpretar
informações. Deve evidenciar o conhecimento de literatura existente sobre o
assunto e a capacidade de sistematização do candidato. É feito sob a
coordenação de um orientador (doutor), visando a obtenção do título de
mestre (ABNT, 2011).
Vale destacar que os termos tese e dissertação são adotados de maneira
diversa entre os Países. Conforme Campello (2000) no Brasil a dissertação está
associada ao grau de mestre e a tese ao grau de doutor. “Na Grã-Bretanha, [o
termo] tese (thesis) é normalmente utilizado para descrever todo gênero,
independentemente do grau acadêmico a que se refere, enquanto que nos EUA e na
Europa continental o termo mais utilizado é a dissertação (dissertation)”
(CAMPELLO, 2000, p. 121). A esse respeito Cunha (2001) também enfatiza ao
afirmar que nos EUA utiliza-se o termo dissertação para o trabalho de conclusão de
doutorado e tese para a conclusão de mestrado.
56
As teses e dissertações possuem um conteúdo extremamente especializado,
voltado para um público restrito. Na maioria dos casos não conta com um sistema de
distribuição e comercialização, sendo consideradas de difícil acesso. Por estes e
outros motivos recebem a denominação de literatura cinzenta ou não convencional
(CAMPELLO, 2000).
Embora de circulação restrita, as teses e dissertações podem ser acessadas
graças aos esforços de instituições ligadas a pesquisa, como universidades,
ministérios da educação, ciência e tecnologia, órgãos de fomento à pesquisa, entre
outros (CAMPELLO, 2000). No Brasil destacam-se o IBICT, a CAPES e as
Universidades, como instituições responsáveis pela melhoria da qualidade das
bases de teses e dissertações.
4.5 OUTRAS FONTES DE INFORMAÇÃO
Além das referidas fontes já mencionadas, existem no cenário brasileiro e
mundial algumas fontes de informação de extrema importância para o campo da
pesquisa científica tecnológica.
4.5.1 Portal de Periódicos da CAPES
Criado em novembro de 2000, o Portal de Periódicos da CAPES é o maior
portal de informação científica do Brasil e um dos maiores do mundo, permitindo à
comunidade acadêmica brasileira o acesso online e gratuito à produção cientifica
nacional e internacional (MARTINEZ; FERREIRA; GALINDO, 2011). Atualmente, o
portal oferece acesso a 26.449 publicações periódicas internacionais e nacionais,
além de renomadas bases de dados referenciais e de resumos em todas as áreas
do conhecimento (CENDÓN; SOUZA; RIBEIRO, 2011).
De acordo com a CAPES, professores, pesquisadores, alunos e funcionários
de 311 instituições de ensino superior e de pesquisa em todo o País, podem por
meio de terminais conectados à Internet e localizados nessas instituições ter acesso
imediato a produção científica mundial (MARTINEZ; FERREIRA; GALINDO, 2011).
O Portal de periódicos é um investimento altíssimo financiado pela CAPES.
Em 2008, ele custava em torno US$ 43 milhões, em 2009, US$ 54,6 milhões e em
2010 o investimento da CAPES chegou a US$ 61milhões (ALMEIDA; GUIMARÃES;
57
ALVES, 2010). Quanto aos participantes e ao número de acesso, em 2008 o portal
envolvia 194 instituições com mais 155 mil acesso diários. Em 2009 e 2010 já eram
311 instituições usuárias e aproximadamente 40 milhões de acesso por dia
(ALMEIDA; GUIMARÃES; ALVES, 2010).
De acordo com Almeida, Guimarães e Alves (2010), o uso do Portal de
Periódicos é crescente desde sua criação, especialmente em relação às consultas
às bases referenciais e de textos completos. Em 2001, o número de acesso a essas
bases era 3 de milhões, passando para 65 milhões em 2009, com um aumento de
mais de 20 vezes.
O conteúdo da coleção do Portal está organizado em: Periódicos em texto
completo; bases de dados; livros eletrônicos; enciclopédias; dicionários; relatórios e
dados estatísticos; e banco de teses e dissertações da CAPES.
O impacto do Portal de Periódicos da CAPES dentro da comunidade científica
brasileira é notório, ao passo que viabiliza as bibliotecas brasileiras pertencentes às
Instituições de Ensino Superior (IES) terem acesso, não só ao que há de melhor na
produção científica nacional, mas às melhores produções em âmbito internacional.
4.5.2 SciELO
A Scientific Electronic Library Online (SciELO) é uma biblioteca eletrônica que
reúne uma coleção selecionada de, aproximadamente, 900 títulos de periódicos
científicos de acesso gratuito, cobrindo as áreas de Ciências Biológicas, Ciências da
Saúde, Ciências Agrárias, Ciências Exatas e da Terra, Engenharias, Ciências
Sociais Aplicadas, Ciências Humanas e Letras e Artes. A SciELO é resultado de um
projeto de pesquisa FAPESP em parceira com o Centro Latino-Americano e do
Caribe de Informação em Ciências da Saúde (BIREME), contando com o apoio do
CNPq a partir de 2002 (BIBLIOTECA..., 2011).
Além de se atualizar constantemente, tanto em seu formato como em seu
conteúdo, a SciELO proporciona um amplo acesso à coleções de periódicos como
um todo, aos fascículos de cada título de periódico, assim como aos textos
completos dos artigos. O acesso pode ser feito através de índice e de formulários de
busca (BIBLIOTECA..., 2011).
A SciELO desde quando foi criada em 1996, apóia-se a em dois objetivos:
permitir que resultados da produção científica brasileira se tornem mais visíveis
58
internacionalmente e prover indicadores que permitam avaliar a produção nacional
de conhecimento (BIBLIOTECA..., 2011).
Em suma, a biblioteca SciELO representa, assim como as bases de dados
especializadas e o Portal de Periódicos da CAPES, uma poderosa ferramenta pela
qual os pesquisadores tem a possibilidade de não só acessar a literatura científica,
mas de divulgar seus trabalhos, adquirindo, assim, maior visibilidade.
4.5.3 Google
Indiscutivelmente a Internet é a maior rede mundial de informação e
comunicação do mundo, e vem crescendo tão rapidamente que a maior parte das
pessoas em algum momento já esteve em contato com essa tecnologia e
consequentemente com as ferramentas de busca. Dentre as mais conhecidas, está
o Google, que é classificado como um motor de busca por capturar informações por
meio do uso de robôs, podendo alcançar automaticamente centenas de milhões de
páginas disponíveis na Web, permitindo o usuário localizar itens de seu interesse
mediante buscas por palavras-chave e em linguagem natural. (CENDÓN, 2001;
PINTO; PONTES JÚNIOR, 2008). Vale ressaltar, que embora mais utilizados, os
motores de busca são menos seletivos do que as ferramentas de busca do tipo
diretório³ (Yahoo, Snap, Cadê, entre outros), por se preocuparem mais com a
abrangência de suas bases de dados do que com a qualidade das informações
recuperadas. Estas ferramentas procuram incluir o maior número possível de
páginas indexadas na Internet, por mais obscuras que as informações possam ser
(CENDÓN, 2001).
Em levantamento feito em 2001 no site Search Engine Watch, Cendón (2001)
descobriu que o Google continha em sua base de dados 56% das páginas
indexadas na Internet e na época estimavam-se existir cerca de um bilhão de
páginas em Html (Tabela 2).
_____________________
³ As ferramentas de busca do tipo diretório foram a primeira solução proposta par organizar e localizar
os recursos da Web, tendo precedido os motores de busca por palavra-chave. São ferramentas
genéricas destinadas a um público variado, incluem assuntos de interesse amplo, como itens
relacionado com educação, esporte, entretenimento, viagens, compras ou informática. Os sites
coletados são selecionados, na maioria das vezes, por seres humanos, possuindo bases de dados
menores que a dos motores de busca, porém com informações mais relevantes (CENDÓN, 2001).
59
Tabela 2 - Tamanho da base de dados dos motores de busca
Motor de busca
Nº de páginas (milhões)
% da Web
Google
Web Top.com
Altavista
Fast
Northern Light
Exice
HotBot/ Inktomi
Go/Infoseek
Lycos
560
500
350
340
265
250
110
50
50
Nº de páginas na Web = 1 bilhão
Fonte: Search Engine Watch (apud CENDÓN, 2001).
56
50
35
34
27
25
11
5
5
Atualmente o Google continua a ser a mais poderosa ferramenta de busca do
mundo, cobrindo aproximadamente 1 bilhão de páginas na Internet, com cerca de
100 milhões de consultas por dia. (HISTÓRIA..., 2011).
4.5.3.1 Google acadêmico
O Google acadêmico é uma ferramenta de busca especializada, criada para
disponibilizar ao mundo acadêmico informações relevantes. De acordo com Pinto e
Pontes Júnior (2008, p. 2) esta ferramenta representa:
um buscador especializado no mundo acadêmico focado por um lado em
publicações de documentos realizados na web, citações recebidas e
tipologias documentais. Sua função é hierarquizar os resultados usando um
algoritmo similar ao que utiliza o Google para as buscas gerais, utilizando
também ferramentas específicas que refinam a pesquisa deixando-as com
qualidade, permitindo encontrar as informações solicitadas com maior
precisão e atualização. Pode ser também um excelente recurso estatístico
para averiguação e comparação científica de um país, instituição e
autoridade.
O Google acadêmico tem apresentado boa aceitação por parte dos
pesquisadores, o que pode ser conferido na explicação de Mugnaini e Strehl (2008,
p. 98):
Muitos pesquisadores têm usado o GA [Google acadêmico] para
recuperação de publicações científicas, tendo em vista a vantagem dessa
ferramenta específica sobre o próprio Google, principalmente no que diz
respeito ao nível de abrangência das pesquisas. Isso ocorre porque, na
tentativa de contemplar exclusivamente informações científicas, o GA se
aproxima do modelo adotado pelas tradicionais bases de dados
especializadas, buscando, a partir da redução do universo de documentos
60
indexados, possibilitar a obtenção de resultados com um nível menor de
revocação.
Entretanto, as duas principais características do Google acadêmico
destacadas pelos os autores, são as suas funcionalidades como meta-buscador e
índice de citações. “Como meta-buscador, o GA reúne as informações disponíveis
nas bases de dados de texto completo em uma única interface” (MUGNAINI;
STREHL, 2008, p. 99). Os autores, ainda, completam que essa facilidade só é
possível devido as grandes editoras, bases de dados, arquivos de preprints,
universidades e outras organizações ao autorizarem o acesso aos conteúdos que
publicam, tendo em contrapartida o aumento da visibilidade dos trabalhos.
Como índice de citação, o Google acadêmico indexa as referências
bibliográficas dos trabalhos, interligando os diversos documentos a partir de suas
referências, permitindo o documento ser recuperado juntamente com os trabalhos
que o citaram (MUGNAINI; STREHL, 2008).
61
5 INSTITUTO DE EDUCAÇÃO MATEMÁTICA E CIENTÍFICA (IEMCI)
O Instituto de Educação Matemática e Científica (IEMCI) foi criado no dia 18
de junho de 2009 pelo Conselho Superior Universitário (CONSUN). Com essa
iniciativa a UFPA passou a ter treze Institutos de ensino, pesquisa e extensão
voltados para áreas específicas e estratégicas do conhecimento (HISTÓRICO...,
2011).
A finalidade dos conselheiros que votaram para transformar o Núcleo
Pedagógico de Apoio ao Desenvolvimento Científico (NPADC) em Instituto, foi no
sentido de atender a legislação da UFPA. Pois no dia 2 de abril de 2009, o CONSUN
criou o curso de Licenciatura Integrada em Educação em Ciências, Matemática e
Linguagens atrelado ao Núcleo e, de acordo com o Estatuto e regimento da UFPA,
apenas institutos podem manter cursos de graduação, os núcleos mantém apenas
cursos de pós-graduação (HISTÓRICO..., 2011).
O IEMCI ainda é composto por um Programa de Pós-Graduação, com cursos
de mestrado e doutorado e por uma estrutura administrativa com duas
coordenadorias e uma biblioteca especializada (HISTÓRICO..., 2011). Na fotografia
1 é mostrada a imagem do IEMCI.
Fotografia 1- Imagem do IEMCI
Fonte: elaborado pelo o autor.
5.1 PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO DO IEMCI
O Programa de Pós-Graduação em Educação em Ciências e Matemáticas
(PPGECM) tem por finalidade oferecer aos pós-graduandos e formadores de
62
professores das áreas de Ciências (Física, Química e Biologia), Matemática,
Educação Ambiental e áreas afins, oportunidade de estudos e pesquisas sobre os
fundamentos atuais do ensino e pesquisa na área de Ensino de Ciências e
Matemáticas (HISTÓRICO..., 2011).
O PPGECM iniciou suas atividades em maio de 2002, com o curso de
mestrado acadêmico em Educação em Ciências e Matemáticas. Atualmente, conta
com cursos de mestrado e doutorado em Educação em Ciências e Matemáticas e
está organizado em 2 áreas de concentração e 4 linhas de pesquisas, além de ter
recebido nota 4 da CAPES no triênio 2007, 2008, 2009 (HISTÓRICO..., 2011).
As áreas de concentração e linhas de pesquisa estão apresentadas no
Quadro 6.
Quadro 6 - Áreas de concentração e linhas de pesquisa do PPGECM
Área de concentração
Educação em Ciências
Linhas de pesquisa
Conhecimento Científico e Espaços de
Diversidade da Educação das Ciências
Cultura e Subjetividade na Educação em
Ciências
Área de concentração
Educação Matemática
Linhas de pesquisa
Percepção Matemática, Raciocínios, Saberes
e Valores
Etnomatemática, Linguagem, Cultura e
Modelagem Matemática
Fonte: Histórico..., (2011).
Nota: quadro elaborado pelo autor a partir de informações extraídas do site do IEMCI.
As linhas de
pesquisa
são
diversificadas,
no
entanto, apresentam
convergências para abordagem de temas e problemas atinentes à formação inicial e
continuada de profissionais do Ensino/Educação em Ciências e Matemáticas, em
quaisquer dos níveis e sistemas. Incluem-se temáticas e relações de maior ou menor
amplitude que envolvam tanto a formação de docentes reflexivos-pesquisadores
quanto questões pedagógicas e científicas de situações/relações do ensino e da
aprendizagem (HISTÓRICO..., 2011).
63
6 ANÁLISE E APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS
Dos 32 questionários aplicados, foram devolvidos 25, o que corresponde a
taxa de retorno de 78%.
Tabela 3 – Número de questionários enviados e respondidos
Questionários
Respondidos
Enviados
32
Taxa de retorno (%)
25
78
Fonte: dados da pesquisa
De acordo com as respostas dos questionários, foram identificadas 5
diferentes áreas do conhecimento, que correspondem à formação acadêmica dos
respondentes. Dentre essas, observou-se a predominância da Matemática com 15
respondentes (60%), seguida da Biologia com 5 respondentes (20%) e da Física
com 3 respondentes (12%), o que caracteriza o PPGECM como multidisciplinar
(Gráfico 3).
Gráfico 3 – Formação acadêmica dos respondentes
60
60
50
20
40
12
30
20
10
0
4
5
Biologia
1
3
Enfermagem
Física
15
4
1
Matemática
Pedagogia
Nº de respondentes por área do conhecimento
Nº de respondentes por área do conhecimento (%)
Fonte: dados da pesquisa
Quanto à titulação acadêmica, constatou-se que 14 discentes possuem curso
de especialização, dos quais 71% são especialistas em Educação matemática. As
64
outras especialidades, como Educação em saúde, Modelagem do ensino de
matemática, Psicopedagogia e Cálculo e álgebra possuem 7% dos respondentes,
cada (Gráfico 4).
Gráfico 4 – Número de discentes especialistas por área do conhecimento
7
Cálculo e Álgebra
1
7
Psicopedagogia
1
7
Modelagem do ensino de
matemática
1
7
Educação em saúde
1
71
Educação matemática
10
0
2
4
6
8
10
12
14
Nº de respondentes por área do conhecimento (%)
Nº de respondentes por área do conhecimento
Fonte: dados da pesquisa.
No Gráfico 5 os respondentes são representados de acordo com a linha de
pesquisa do PPGECM a qual estão vinculados. A linha de pesquisa com maior
número de integrantes foi a Etnomatemática, Linguagem, Cultura e Modelagem
Matemática com 36% dos respondentes, seguida da Cultura e Subjetividade na
Educação em Ciências e da Percepção Matemática, Raciocínios, Saberes e Valores,
ambas com 24% dos respondentes.
65
Gráfico 5 – Respondentes de acordo com a linha de pesquisa do PPGECM
Etnomatemática, Linguagem, Cultura
e Modelagem Matemática
36
9
Percepção
Matemática, Raciocínios, Saberes e
Valores
24
6
Cultura e Subjetividade na Educação
em Ciências
24
6
Conhecimento Científico e Espaços
de Diversidade da Educação das
Ciências
16
4
0
Nº de respondentes (%)
5
10
15
20
25
Nº de respondentes
Fonte: dados da pesquisa.
Na tabela 4 é mostrada a frequência com que as fontes de informação são
utilizadas pelos discentes do PPGECM. Verificou-se que o livro impresso é o mais
consultado (92%), seguido da dissertação (88%), do Google (88%), das teses
(56%), dos periódicos eletrônicos (56%) e do Google acadêmico (52%). Entre as
fontes menos utilizadas, segue a ordem decrescente: livros eletrônicos (40%),
fontes informais (36%), bases de dados online (36%), anais de eventos (28%),
periódicos impressos (24%), Portal de Periódicos da CAPES (20%) e as
bibliotecas de outras instituições (8%). Com relação às Bibliotecas da UFPA,
44% utilizam-nas com muita frequência e 52% em menor escala, notando-se,
portanto, certo equilíbrio entre os itens “Muita” e “Pouca frequência” para esta fonte.
Quanto às bases de dados online, verificou-se o seguinte: 36% utilizam-nas
com “Muita frequência”, 32% com “Pouca frequência” e 32% com “Nenhuma
frequência”, indicando uma margem de utilização relativamente baixa se comparada
a outras fontes de informação, principalmente ao livro impresso.
Na opção “Outros”, 1 respondente afirmou utilizar com “Pouca frequência”
sites internacionais, porém não os especificou.
66
Tabela 4 – Frequência de utilização das fontes de informação pelos discentes do PPGECM
Total de respondentes = 25
Muita
Freq.
Muita
Freq.
(%)
Pouca
Freq.
Pouca
Freq.
(%)
Nenhuma
Freq.
Nenhuma
Freq.
(%)
Livro impresso
23
92
2
8
0
0
Google
22
88
3
12
0
0
Dissertações
22
88
3
12
0
0
Teses
14
56
10
40
1
4
Periódico eletrônico
14
56
10
40
1
4
Google acadêmico
13
52
9
36
3
12
Bibliotecas da UFPA
11
44
13
52
1
4
Livro eletrônico
10
40
12
48
3
12
Fontes informais (Ex.
conversas com colegas,
e-mail, redes sociais)
9
36
12
48
4
16
Bases de dados online
9
36
8
32
8
32
Anais de eventos
7
28
17
68
1
4
Periódico impresso
6
24
15
60
4
16
Portal de Periódicos da
CAPES
5
20
13
52
7
28
Bibliotecas de outras
instituições
2
8
8
32
15
60
Outros
0
0
1
4
Fontes de informação
Fonte: dados da pesquisa.
Quanto aos meios de acesso para obtenção do livro impresso (Gráfico 6),
observou-se que a compra é a forma mais utilizada (22 discentes), seguida do
empréstimo na biblioteca (20 discentes).
67
Gráfico 6 – Meios de acesso mais utilizados para obtenção do livro impresso
Empréstimo de colegas
11
Empréstimo na biblioteca
20
Compra
22
0
5
10
15
20
25
Fonte: dados da pesquisa.
Nota: respostas múltiplas.
Para o acesso a teses e dissertações o meio mais utilizado é a Biblioteca
Digital de Teses e Dissertações (BDTD), com 88% e 80% dos respondentes,
respectivamente. Já em relação à consulta na biblioteca, a posição inverte. As
dissertações são consultadas por 60% dos respondentes, enquanto que as teses por
58%.
Tabela 5 - Meios de acesso mais utilizados para obtenção de Teses e Dissertações
Respondentes =24
Meios de acesso
Teses
Biblioteca Digital de Teses e
Dissertações (BDTD)
Consulta na biblioteca
Respondentes = 25
Meios de acesso
Dissertações
Biblioteca Digital de Teses e
Dissertações (BDTD)
Consulta na biblioteca
Nº
%
21
88
14
58
Nº
%
20
80
15
60
Fonte: dados da pesquisa.
Nota: respostas múltiplas.
Dos 24 discentes que afirmaram utilizar anais de eventos, 21 (88%) indicaram
acessar por meio eletrônico, 12 (50%) participam do evento e 5 (21%)
emprestam na biblioteca.
No tocante ao periódico impresso (Gráfico 7), 11 discentes afirmaram
emprestar na biblioteca, 10 emprestam de colegas e 5 obtêm por meio de
assinatura.
68
Gráfico 7– Meios de acesso mais utilizados para obtenção do periódico impresso
Assinatura
5
Empréstimo de colegas
10
Empréstimo na biblioteca
11
0
3
6
9
12
15
18
21
Fonte: dados da pesquisa.
Nota: respostas múltiplas.
Para o acesso aos periódicos eletrônicos, os discentes utilizam em sua
maioria o Google (20 respondentes), seguido do Google acadêmico (15) do Portal
de Periódicos da CAPES (13) e da SciELO (12).
Gráfico 8 – Meios de acesso mais utilizados para obtenção do periódico eletrônico
15
Google acadêmico
20
Google
Através do endereço eletrônico do
próprio periódico
11
12
SciELO
13
Portal de Periódicos da CAPES
0
6
12
18
24
Fonte: dados da pesquisa.
Nota: respostas múltiplas.
Quando indagados sobre quais tipos de periódicos costumam utilizar, os
discentes em sua maioria (16) afirmaram acessar títulos nacionais e, apenas, 9
periódicos nacionais e internacionais. Quanto aos títulos citados, podem ser
conferidos na Tabela 6.
69
Tabela 6 – Títulos dos periódicos citados pelos discentes
Respondentes = 12
Periódicos nacionais
1234567891011-
Boletimde Educação Matemática- BOLEMA
ZETETIKÉ
Educação Matemática em Revista- SBEM
Revista Brasileira de Ensino de Física
Ciência e Educação
Ciência e Cognição
Ensaio
Revista de Educação
Investigações em Ensino de Ciências
Revista Nova Escola
Alexandria- Revista de Educação em Ciência e Tecnologia
Periódicos internacionais
12345-
Revista Iberoamericana de Educación
Child Development
Journal Science Education
Ensenea de las ciências
Revista Latinoamericana de Investigación en Matemática
Educativa- RELIME
6- The International Journal on Matematics - ZDM
7- Digital Information
8- Bulletin of the American Society for Information Science and
Technology
Nº
Citações
6
2
2
1
1
1
1
1
1
1
1
%
50
17
17
8
8
8
8
8
8
8
8
Nº
Citações
2
1
1
1
%
17
8
8
8
1
8
1
1
8
8
1
8
Fonte: dados da pesquisa.
Nota: a maioria dos discentes citou mais de um periódico.
Dos 22 discentes que responderam utilizar o livro eletrônico, 12 citaram os
sites pelos quais acessam este recurso, destacando-se o 4shared.com (4
respondentes), seguido do googlebooks.com (3 respondentes), do Google (3
respondentes), da livrariadafísica.com.br (1 respondente) e coleçõesnerd.com.br
(1 respondente).
Na pergunta que solicitava aos respondentes que citassem quais bases
costumam utilizar, a maioria não especificou o nome das mesmas (Quadro 7),
exceto um discente que mencionou a base Medline, nas demais respostas foram
citadas outras fontes tecnológicas, como a biblioteca eletrônica SciELO, Portais, site
da CAPES, ferramenta de busca Google e bibliotecas digitais, constatando-se
problemas terminológicos entre os discentes. Esses dados ratificam a afirmação de
Cianconi (1987) sobre os problemas terminológicos encontrados no meio acadêmico
no que concerne às fontes eletrônicas.
70
Quadro 7– Relação dos respondentes que citaram as bases de dados
Total de respondentes= 11
Respondentes
Respostas
Respondente 1
SciELO e Google
Respondente 2
Portal MEC
Respondente 4
CAPES e Domínio Público
Medline
Respondente 5
Respondente 6
CAPES
Respondente 7
SciELO e Google
Respondente 9
Biblioteca Digital de Teses e Dissertações (BDTD)
Respondente 17
CAPES
Respondente 18
CAPES e SciELO
Respondente 19
CAPES e Biblioteca Digital
Respondente 24
CAPES, Google e Google Acadêmico
Fonte: dados da pesquisa.
Sobre as dificuldades encontradas na utilização de bases de dados (Tabela 7), a
seleção das palavras-chave foi a mais indicada, coincidindo com os dados
apresentados por Garcia e Silva (2005), que detectaram a seleção de termos como
um dos entraves na busca em bases de dados. O idioma foi o segundo item mais
indicado pelos discentes, seguido da utilização dos operadores lógicos ou
booleanos (Ex. AND, OR, NOT), fatores estes também evidenciados no estudo de
Garcia e Silva (2005).
Tabela 7– Dificuldades encontradas pelos discentes na utilização de bases de dados
Respondentes =12
Dificuldades
Nº
%
Seleção das palavras-chave
7
58
Idioma
5
42
Utilização dos operadores lógicos ou booleanos (Ex. AND,
OR, NOT)
4
33
Demora na recuperação da informação
1
8
Outros
Fonte: dados da pesquisa.
Nota: as perguntas foram de respostas múltiplas.
1
8
Na opção “Outros” somente o respondente 18 apresentou a seguinte
dificuldade: “Encontrar por autor e título, mas creio que se deve principalmente, por
não disponibilizarem alguns”.
Na pergunta sobre quais bibliotecas da UFPA costumam utilizar (Tabela 8),
22 (86%) afirmaram frequentar a do IEMCI e 19 (82%) a Biblioteca Central (BC).
Apenas 3 discentes não deram resposta a essa questão. Além disso, foram
71
mencionadas, ainda, a biblioteca do Instituto de Ciências Exatas e Naturais (ICEN),
a do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) e a do Campus de Castanhal.
Em relação às Bibliotecas de outras instituições que costumam utilizar,
apenas 3 discentes responderam a questão, indicando a biblioteca da UEPA (2
respondentes) e a da UNAMA (1 respondente).
Tabela 8 – Bibliotecas da UFPA utilizadas pelos discentes
Respondentes= 22
Nº
19
18
Bibliotecas
Nº (%)
Biblioteca do IEMCI
86
Biblioteca Central
82
Instituto de Ciências Exatas e
Naturais (ICEN)
2
9
Instituto de Filosofia e Ciências
Humanas (IFCH)
1
4,5
Biblioteca do campus de
Castanhal
1
4,5
Fonte: dados da pesquisa.
Nota: a pergunta possibilitava o respondente indicar mais de uma biblioteca.
Sobre as fontes de informação eletrônica, foi constatado que 88% dos
discentes acessam do computador pessoal e 24% por meio dos computadores
localizados na instituição. Quanto à forma preferida para leitura da informação,
68% lêem na tela do computador e 32% preferem imprimir.
Na Tabela 9 estão os motivos apresentados pelos discentes para a utilização
de fontes eletrônicas. Entre as razões mais citadas, está a acessibilidade a
documentos não disponíveis no acervo da biblioteca, assinalado por 72% dos
respondentes. O item, baixo ou nenhum custo financeiro, também foi indicado por
72%. Além disso, 48% afirmaram ser mais rápido utilizar as fontes eletrônicas em
comparação à versão impressa.
A questão da acessibilidade a documentos não disponíveis no acervo da
biblioteca, aliada a rapidez de obtenção da informação, também foi identificada na
pesquisa de Oliveira (2006) como um dos principais motivos que levam ao uso da
informação em meio eletrônico. Segundo a autora, 55% dos respondentes afirmaram
que a maior vantagem do periódico eletrônico é a possibilidade de acessá-lo em
tempo real, a segunda maior vantagem, justificada por 47,3% dos respondentes, é o
fato de o periódico eletrônico disponibilizar a informação antes da versão impressa.
72
Tabela 9 - Motivos apresentados para a utilização de fontes eletrônicas
Respondentes = 25
Motivos
Nº
%
Não preciso ir à biblioteca
8
32
É mais rápido do que utilizar a versão impressa
12
48
Posso acessar documentos não disponíveis no acervo da
biblioteca de minha instituição
18
72
Preferência pela versão eletrônica, mesmo utilizando a versão
impressa
3
12
Baixo ou nenhum custo financeiro
18
72
Outros
7
28
Fonte: dados da pesquisa.
Nota: respostas múltiplas.
A opção “Outros” foi assinalada por 7 discentes (Quadro 8), os quais
apresentaram quase as mesmas justificativas dadas pelos respondentes da
pesquisa de Oliveira (2006) que informaram utilizar o periódico eletrônico pelo fato
de o mesmo exigir menor tempo necessário para acessar o documento desejado;
está disponível 24 horas; dar acesso a informação não disponível no meio impresso;
oferecer maior acessibilidade sem a necessidade de ir fisicamente a biblioteca.
Quadro 8 – Motivos apresentados na opção “Outros” para a utilização de fontes eletrônicas
Respondentes
Respostas
Respondente 1
A versão eletrônica te dá a possibilidade de ter acesso a informação que
não está no meio impresso
Respondente 5
Acesso a informação que não se encontra impresso
Respondente 7
Praticidade
Respondente 13
Praticidade e rapidez na pesquisa
Respondente 16
Desperdício de papel
Respondente 17
Utilizo mas prefiro ler impresso, ler no PC é ruim
Respondente 20
Está disponível 24 horas
Fonte: dados da pesquisa.
A Tabela 10 apresenta as dificuldades enfrentadas pelos discentes na
utilização de fontes eletrônicas. A falta de confiabilidade das informações
recuperadas foi a mais indicada (55%), seguida da falta de padronização das
fontes (35%) e do idioma (30%).
73
Tabela 10 – Dificuldades apresentadas na utilização de fontes eletrônicas
Respondentes = 25
Dificuldades
Nº
%
Falta de padronização das fontes
7
35
Nem todas as informações recuperadas são confiáveis
11
55
Excesso de informações disponíveis
4
20
Demora na recuperação da informação
0
0
Idioma
6
30
Falta de treinamento na utilização dos recursos oferecidos
4
20
Outros
0
0
Fonte: dados da pesquisa.
Nota: respostas múltiplas.
Na questão 18 em que se perguntava sobre quem não costuma utilizar
fontes eletrônicas, ninguém opinou, indicando que de uma forma ou de outra,
todos os discentes pesquisados fazem uso deste recurso.
Diante dos resultados, percebeu-se que não houve prevalência de formato
sobre o outro. Tanto o meio impresso, quanto o eletrônico são utilizados de forma
rotineira pelos discentes do PPGECM.
74
7 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Estudo de usuários é uma ferramenta importante para o conhecimento das
necessidades e busca da informação, tendo em vista que ajuda a compreender o
comportamento informacional, permitindo adequar serviços e produtos no sentido de
oferecer condições essenciais para o usuário.
Dessa forma, teve-se como foco verificar as fontes de informação utilizadas
pelos discentes do mestrado do IEMCI. Os resultados revelaram que não houve
prevalência de formatos sobre o outro. Tanto o meio impresso, quanto o eletrônico
são usados de forma rotineira. O livro impresso foi identificado como a fonte mais
consultada (92%), seguido do Google, das dissertações, das teses e do periódico
eletrônico. Já o livro eletrônico, o Portal de Periódicos da CAPES, o periódico
impresso, os anais de eventos, as bases de dados online e as fontes informais,
aparecem entre ferramentas utilizadas em menor frequência.
A pesquisa, também, revelou que a compra é o meio mais utilizado para
obtenção do livro impresso, assim como as BDTD para aquisição das teses e das
dissertações e o meio eletrônico para obtenção dos anais de eventos. Somente o
periódico impresso é obtido nas bibliotecas pela maioria dos discentes pesquisados.
Em relação às bibliotecas da UFPA, 86% utilizam a do IEMCI e 82% a BC,
refletindo a importância que as bibliotecas universitárias possuem para a
comunidade acadêmica, posto que além de funcionarem como meio de acesso a
determinadas fontes especializadas, atuam, também, como importantes locais de
estudo e pesquisa.
Quanto aos motivos apresentados pelos discentes no que diz respeito à
utilização de fontes eletrônicas, detectou-se que 72% recorrem às ferramentas
tecnológicas por não encontrarem disponíveis no acervo da biblioteca o documento
que precisam e, 72% pelo baixo ou nenhum custo financeiro. A questão da
praticidade, também, foi enfatizada como uma das vantagens em buscar
informações em meio eletrônico.
Sobre as dificuldades encontradas no acesso às fontes eletrônicas, 55%
demonstraram falta de confiança nas informações recuperadas e 35% enfatizaram a
questão da despadronização.
O trabalho, ainda, constatou que a maioria dos discentes não especificou o
nome das bases de dados, exceto um respondente que informou acessar a Medline,
75
identificando, assim, problemas terminológicos no que concerne à determinadas
fontes eletrônicas, fato já identificado na literatura.
Diante do exposto, acredita-se que esta pesquisa contribuirá para a melhoria
dos serviços bibliotecários, principalmente, dos desenvolvidos na biblioteca do
IEMCI, uma vez que foram investigados usuários diretos desta unidade, detectando
pontos relevantes quanto ao uso de informações.
Finalmente, apesar dos limites deste estudo, espera-se que a partir dos
resultados obtidos, outros trabalhos surjam com a finalidade de investigar questões
relacionadas às necessidades informacionais do usuário, bem como aos fatores que
inibem o acesso e uso de determinadas fontes de informação especializadas,
benéficas ao progresso científico do País.
76
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81
VALENTIM, Marta Lígia Pomin. Sistema de informação internacionais e bases de
dados internacionais: online e CD-ROM na especialidade de direito. São Paulo:
APB, 1994.
82
GLOSSÁRIO DE TERMOS UTILIZADOS NO MEIO ELETRÔNICO
Banco de dados = conjunto de bases de dados.
Bases de dados = coleção de dados inter- relacionados, homogêneos, ordenados,
de terminada forma, armazenados, em suporte magnético ou óptico e acessível por
computador.
Biblioteca digital = biblioteca que armazena documentos e informações em forma
digital em sistemas automatizados, podendo ser acessada localmente ou por meio
de redes de comunicação.
Biblioteca eletrônica = vista como uma biblioteca fisicamente identificável, mas
que não possui material impresso e que faz parte de uma biblioteca digital.
Mecanismo ou ferramenta de busca = programa que busca documentos que
contenham determinados palavras-chave e retorna com a lista de documentos onde
tais palavras foram encontradas.
Internet = rede de computadores de alcance mundial que utiliza Protocolo Comum
de Comunicações (TCP/IP).
Portal = porta de entrada para produtos e serviços de informação de determinada
área de interesse e também de interesse geral.
Sistema de gerenciamento de bases de dados = sistema integrado de suportes
lógicos (programas) com recursos para definir a estrutura lógica e física dos dados
numa base de dados ou num banco de dados.
Site = palavra em inglês que significa local, lugar. Na Internet, designa um conjunto
de páginas que representa uma pessoa, instituições ou empresa na rede.
Tecnologia da informação e Comunicação = combinação das tecnologias da
informação e das telecomunicações.
_____________________
Fonte: Arruda e Chagas (2002).
Nota: Glossário elaborado pelo o autor da pesquisa a partir de informações retiradas do livro de
Susana Margaret de Arruda e Joseane Chagas, intitulado: Glossário de Biblioteconomia e ciências
afins.
83
APÊNDICE
84
APÊNDICE – QUESTIONÁRIO APLICADO AOS DISCENTES
UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ
INSTITUTO DE CIÊNCIAS SOCIAIS APLICADAS
FACULDADE DE BIBLIOTECONOMIA
Prezado (a) discente do mestrado,
Este questionário visa coletar dados para subsidiar meu Trabalho de Conclusão da Faculdade
de Biblioteconomia da Universidade Federal do Pará, intitulado: FONTES DE INFORMAÇÃO
UTILIZADAS PELOS DISCENTES DO MESTRADO DO INSTITUTO DE EDUCAÇÃO MATEMÁTICA
E CIENTÍFICA DA UFPA (IEMCI/UFPA).
Sua contribuição é imprescindível para o desenvolvimento desta pesquisa, pois preciso
identificar quais fontes de informação são utilizadas pelos discentes do mestrado do IEMCI. Os
respondentes não serão identificados.
Agradeço antecipadamente sua colaboração!
Alexandre Sena.
e-mail: [email protected]
85
PARTE I – DADOS ACADÊMICOS
GRADUAÇÃO: ____________________________________________________________________
TITULAÇÃO:
Especialista
Sim ( ) Não ( ) Em que área?______________________________
Em qual linha de pesquisa do programa de pós-graduação está vinculado?
( ) Conhecimento Científico e Espaços de Diversidade da Educação das Ciências
( ) Cultura e Subjetividade na Educação em Ciências
( ) Percepção Matemática, Raciocínios, Saberes e Valores
( ) Etnomatemática, Linguagem, Cultura e Modelagem Matemática
PARTE II - UTILIZAÇÃO DE FONTES DE INFORMAÇÃO
1) Conforme as convenções abaixo, indique a frequência com que as fontes de informação são
utilizadas.
MUITA [2]
POUCA [ 1]
NENHUMA [ 0]
[ ] Livro impresso
[ ] Livro eletrônico
[ ] Periódico impresso
[ ] Periódico eletrônico
[ ] Bases de dados online
[ ] Portal de Periódicos da CAPES
[ ] Google
[ ] Google acadêmico
[ ] Teses
[ ] Dissertações
[ ] Anais de eventos
[ ] Bibliotecas da UFPA
[ ] Bibliotecas de outras instituições
[ ] Fontes informais (Ex. conversas com colegas, e-mail, redes sociais)
[ ] Outros. Especifique:
2) Se informou Livro impresso, indique o(s) meio (s) de acesso:
( ) compra
( ) empréstimo na biblioteca
( ) empréstimo de colegas
3) Se informou Livro eletrônico, indique o(s) site(s): ______________________________________
_________________________________________________________________________________
4) Se informou Periódico impresso, indique o(s) meio(s) de acesso:
( ) empréstimo na biblioteca
( ) empréstimo de colegas
( )assinatura
5) Se informou Periódico eletrônico, indique o(s) meio(s) de acesso:
(
(
(
(
(
(
)
)
)
)
)
)
Portal de Periódicos da CAPES
SciELO
Através do endereço eletrônico do próprio periódico
Google
Google acadêmico
Outros. Especifique:
86
6) Quais Periódicos costuma utilizar:
( ) Nacionais ( ) Internacionais ( ) Ambos. Cite os títulos:_________________________________
_________________________________________________________________________________
7) Se informou Bases de dados online, cite quais:___________________________________
_________________________________________________________________________________
8) Indique, se houver, a(s) dificuldade(s) encontradas na utilização de bases de dados:
( ) Seleção das palavras-chave
( ) Utilização dos operadores lógicos ou booleanos (Ex. AND, OR, NOT)
( ) Idioma
( ) Demora na recuperação da informação
( ) Outros. Especifique:
_________________________________________________________________________________
9) Se informou Teses, indique o(s) meio(s) de acesso:
( ) Biblioteca Digital de Teses e Dissertações (BDTD)
( ) Consulta na biblioteca
10) Se informou Dissertações, indique o(s) meio(s) de acesso:
( ) Biblioteca Digital de Teses e Dissertações (BDTD)
( ) Consulta na biblioteca
11) Se informou Anais de eventos, indique o(s) meio(s) de acesso:
( ) Empréstimo na biblioteca
( ) Meio eletrônico
( ) Participou do evento
12) Se informou Bibliotecas da UFPA, cite quais:_________________________________________
13) Se informou Bibliotecas de outras instituições, cite quais:______________________________
14) Normalmente costuma utilizar fontes de informação eletrônica:
( ) do computador pessoal
( ) do computador do laboratório de informática da instituição
( ) Outros. Especifique:
_____________________________________________________________________________
15) Costuma ler a informação na tela do computador ou imprime para leitura?
( ) Leio na tela
( ) Imprimo para leitura
87
16) Indique o(s) motivo(s) de acessar as fontes de informação eletrônica:
( ) Não preciso ir á biblioteca
( ) É mais rápido do que utilizar a versão impressa
( ) Posso acessar documentos não disponíveis no acervo da biblioteca de minha instituição
( ) Baixo ou nenhum custo financeiro
( ) Preferência pela versão eletrônica, mesmo utilizando a versão impressa
( ) Outros. Especifique.
__________________________________________________________________________
17) Informe, se houver, a(s) dificuldade(s) encontrada(s) na utilização das fontes eletrônicas:
( ) Falta de padronização das fontes
( ) Nem todas as informações recuperadas são confiáveis
( ) Excesso de informações disponíveis
( ) Falta de treinamento na utilização dos recursos oferecidos
( ) Idioma
( ) Demora na recuperação da informação
( ) Outros. Especifique:
____________________________________________________________________________
18) Se não costuma utilizar as fontes eletrônicas, indique o(s) motivo(s):
( ) Desconheço as fontes eletrônicas em minha área
( ) Conheço, mas não sei utilizar
( ) Não gosto de utilizar as fontes eletrônicas, pois prefiro o formato impresso
( ) Não tenho computador
( ) Prefiro ir à biblioteca
( ) Outros. Especifique:
_________________________________________________________________________
Download

fontes de informação utilizadas pelos discentes do mestrado