A aceitação da observação
de aves como ferramenta
didática no ensino formal
Maria Cecília Vieira-da-Rocha 1,2
Tamara Molin 1,3
Resumo. No Brasil, o ensino de ciências ainda está vinculado
ao livro didático, existindo uma tradicional valorização das atividades de leitura, exercícios teóricos e aulas expositivas. Como método alternativo no ensino dos conteúdos formais e na integração e aplicação da educação ambiental - de caráter interdisciplinar - a observação de aves surge como prática pedagógica
valiosa, oferecendo a possibilidade de ser empregada sob diferentes enfoques e abordagens, reunindo diversas áreas do saber
de forma integrada. O presente estudo teve como objetivo investigar, por meio de uma amostra piloto, a aceitação e o interesse
dos alunos na utilização da observação de aves como ferramenta
didática na aprendizagem dos conteúdos formais. A pesquisa foi
desenvolvida em 2008 no Instituto de Educação do Paraná “Professor Erasmo Pilotto”, instituição de ensino médio estadual situada em Curitiba (Paraná). Para a coleta de dados, dirigida a alunos de três turmas de 2° ano diurno do Ensino Normal (Formação de Docentes), realizou-se uma aula expositiva e dialogada
para cada turma, dividida em três módulos: 1. explanação teórica; 2. momento prático; 3. aplicação de questionário. Embora regional e de pequeno universo amostral, a pesquisa indicou que
grande parte dos alunos demonstram grande aceitação da observação de aves como recurso interdisciplinar. Os resultados, desta forma, reforçam opiniões anteriormente divulgadas na literatura que consideraram a atividade no desenvolvimento da educação, por meio de técnicas didáticas alternativas de fácil aceitação.
Palavras-chave: Ensino Formal; Observação de aves; Aceitação; Ferramenta didática.
Introdução
O ensino de ciências na maioria das escolas de ensino fundamental e médio do Brasil tem sido relegado a um plano inferior,
de abandono e esquecimento, mantendo praticamente os mesmos métodos didáticos utilizados há várias décadas. Segundo as
diferentes pesquisas feitas na área de educação (Bonamino &
Franco, 1998; Bethelem, 1971), adquiriu-se uma consciência comum de que qualquer educador poderia ensinar “ciências”, visto apresentar-se como disciplina necessária e de fácil aplicação.
No entanto, devido à grande envergadura temática, grande parte
dos professores exprime insegurança, pela falta de acesso a materiais informativos e recentes aplicações da ciência. Além disso, acabam fundamentados em programas pouco incentivadores
e objetivos de ensino inespecíficos resultando, assim, na ausência quase que completa da aplicação de conceitos focados nas
ciências físicas e biológicas (Bethelem, 1971).
O Conselho Federal de Educação, no Parecer n° 853 de 1971,
definiu como objetivos específicos no ensino de ciências a capacitação do educando à compreensão e explicação sobre o meio
que o cerca, assimc como sua decorrente atuação sobre ele, aliaAtualidades Ornitológicas On-line Nº 146 - Novembro/Dezembro 2008 - www.ao.com.br
ISSN 1981-8874
9 771981 887003
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do ao desenvolvimento do espírito de investigação, invenção e
iniciativa e à aplicação do pensamento lógico. Segundo Pilleti
(1993): “Os objetivos do ensino de ciências, delineados pela legislação atual, serão atingidos se tal ensino levar o aluno a adquirir habilidades e atitudes, que caracterizam os cientistas
quando empenhados na redescoberta da regularidade na natureza”.
O ponto principal é reconhecer a real possibilidade de entender o conhecimento científico e a sua importância na formação
dos alunos, uma vez que ele contribui efetivamente para a ampliação da capacidade de compreensão e atuação no mundo.
(Krasilchik, 1996). Partindo deste pressuposto, são facilmente
perceptíveis as diversificadas formas de seleção de experiências
e organização de atividades que contribuirão para um aprendizado eficaz, em que o aluno seja capaz de alcançar o comportamento final que dele se espera (Turra, 1986).
Nélio Bizzo (2002) aponta para uma renúncia aos conteúdos
que se limitam apenas a transmitir notícias sobre os produtos de
ciências, afirmando ser a ciência muito mais uma postura, uma
forma de planejar o pensamento; e seu ensino, deve estar apoiado na capacidade de despertar no indivíduo e na inquietação frente ao desconhecido.
Pilleti (1993) destaca que o ensino de ciências deverá levar o
aluno à aprendizagem de fatos e princípios científicos, levandoo a adquirir a noção da universalidade das leis científicas. Seguindo a explanação de Alves (2006), educadores e educandos
não estão convictos de serem possuidores da verdade,e sim devem estar sempre prontos a escutar e agir como permanentes
aprendizes, objetivando a experimentação e a completa produção de conhecimento (Bizzo, 2002).
Torna-se papel fundamental e uma obrigatoriedade constitucional das instituições de ensino, proporcionar o acesso a outras
formas de conhecimento, como o artístico, cultural e científico,
este último dotado de especificidades que o transforma em uma
ferramenta poderosa no mundo moderno, como forma de expandir o conhecimento, modelando explicações alternativas às crenças da coletividade (Oliveira, 1997).
De acordo com Menezes (2000), ao por de lado o ensino introdutório e enciclopédico em ciências, é possível apresentar
aos alunos questões contemporâneas, criar ambientes onde o aluno possa se aprofundar nos tópicos de seu interesse e proporcionar momentos onde a iniciativa do aluno é privilegiada, resultando em sua participação ativa no aprendizado.
No Brasil, o ensino de ciências ainda está vinculado ao livro
didático, existindo uma valorização intensa das atividades de leitura, exercícios teóricos e aulas expositivas. No entanto, o desenvolvimento de projetos que oferecem oportunidades para
que os alunos investiguem o mundo em que vivem, torna-se uma
alternativa metodológica viável, que auxilia não só o professor
na exposição de temas atuais, como também, desperta o interesse do aluno pela ciência e pela prática científica (Santos et al.,
2005).
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Figura 1. Aspectos do trabalho didático: há aceitação da observação de aves como ferramenta didática?
Existe uma ampla gama de materiais e métodos de ciências à
disposição dos professores que podem contribuir para a melhoria do trabalho e conseqüente interesse dos alunos (Bizzo,
2002). Como método alternativo no ensino dos conteúdos formais e na integração e aplicação da educação ambiental - de caráter interdisciplinar - a observação de aves surge como prática pedagógica, oferecendo a possibilidade de ser empregada sob diferentes enfoques e abordagens, reunindo diversas áreas do saber
de forma integrada (Costa, 2007).
Um dos objetivos principais da utilização do tema “aves” como multiplicador e integrador no ensino de ciências é a sua fácil
aplicação e aceitação por parte de todos os públicos. Ocorrendo
em qualquer ambiente e em todas as estações do ano, as aves ocupam um papel relevante nos diversos ecossistemas, por serem
excelentes indicadoras das condições ambientais (COSTA,
2007).
As aves são os organismos mais bem conhecidos e, portanto,
mais populares por parte da população brasileira, sendo simpáticas e facilmente observáveis por apresentarem grande diversidade de cores e cantos estabelecendo, assim, uma importante conexão com as práticas de educação ambiental (Straube & Vieirada-Rocha, 2006).
O Brasil apresenta a segunda maior biodiversidade de aves
do mundo, sendo possuidor de 1822 espécies, das quais 232 exclusivas (endêmicas) dos limites territoriais do País (Lobo,
2008). Esta abundância, contudo, ainda é pouco explorada, levando a uma enrome carência de informações disponíveis, ao cidadão comum, sobre as plantas e os animais que vivem em seu
País (Straube & Vieira-da-Rocha, 2006).
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Tornar comum e frequente a prática de observação de aves,
despertando a curiosidade de crianças e jovens para o tema é garantir a preservação dessa diversidade, assumindo significado e
grande relevância no cotidiano dos alunos, possibilitando a
união da classe aves com o ensino de ciências nas escolas (Espínola, 2007).
A utilização da observação de aves como instrumento didático é fortalecido pela importância ecológica deste grupo zoológico que, além de compor um grupo amplo, atuam significativamente no controle populacional e em inúmeras relações ecológicas de interesse mútuo com vertebrados, invertebrados e plantas (Espínola, 2007).
Conforme Argel-de-Oliveira (1996), ao utilizar as aves em
educação é possível desenvolver nos alunos a percepção da existência de animais no entorno do ser humano, desmistificando
qualquer aversão causada por outros animais como morcegos,
anfíbios lagartixas e insetos, reduzindo os riscos de repulsa por
parte dos alunos.
O presente estudo teve como objetivo investigar, por meio de
uma amostra piloto, a aceitação e o interesse dos alunos na utilização da observação de aves como ferramenta didática na
aprendizagem dos conteúdos formais.
Métodos
A pesquisa foi desenvolvida no Instituto de Educação do Paraná Professor Erasmo Pilotto, entidade governamental estadual
do ensino médio localizada em Curitiba, Paraná.
Para a coleta de dados, que considerou os alunos de três turmas de segundo ano diurno do Ensino Normal (formação de doAtualidades Ornitológicas On-line Nº 146 - Novembro/Dezembro 2008 - www.ao.com.br
Tabela 1. Perguntas aplicadas no questionário de interpretação sobre a aceitação da Quadro 1. Algumas respostas selecionadas
observação de aves como ferramenta didática no ensino médio no Instituto de Educação dos questionários sobre o reconhecimento
do Paraná (Curitiba).
da avifauna no cotidiano geográfico.
“Em todos os lugares que estou, posso
ver e ouvir o canto destes seres tão
bonitos de observar”. (Entrevistado 1).
“Não é somente nas florestas que
existem aves, comece a olhar para
alguma árvore, quando você observa,
você percebe que elas podem existir
também nas grandes
cidades”.(Entrevistado 2).
“Elas não têm um lugar fixo para
ficarem, estão a nossa volta, em nossos
pensamentos, alegrando nossas vidas”.
(Entrevistado 3).
centes), o estudo contou com uma aula expositiva e dialogada para cada turma, ministrada em 50 minutos. Esta explanação foi dividida em três módulos: explanação teórica; momento prático;
aplicação de questionário. O primeiro e o segundo módulo tiveram duração de 20 minutos cada, restando os 10 minutos finais
para avaliação.
A explanação teórica apresentou uma breve introdução a respeito das noções da biologia das aves (diversidade de bicos, caudas, coloração das penas, cantos, alimentação e comportamento), técnicas de observação e identificação das aves nos diversos
ambientes, como também a importância dos cantos para a identificação e os equipamentos mais utilizados para este fim.
No momento prático, foi utilizado como recurso didático um
cartaz ilustrativo, representando uma estratificação florestal e
seus representantes avifaunísticos em cada uma das camadas.
Os alunos foram estimulados a observar e contar as aves (com o
auxílio de binóculos), descrevendo suas principais características.
Para avaliar qualitativa e quantitativamente as atividades, foi
desenvolvido um questionário composto por cinco questões dissertativas, com o objetivo principal de medir nos estudantes, os
seguintes aspectos: conhecimento e interação com as aves, capacidade de observação temática e o interesse e aceitação das aves
como ferramenta didática. Para a análise do questionário, as
questões foram divididas em três grupos: conhecimento, aceitação e observação (Tabela 1).
Foram necessários os seguintes materiais, de uso nas atividades teóricas e práticas: sala de aula, quadro-negro e giz, além de
microcomputador (e acessórios básicos) conectado a equipamento de projeção.
Resultados
A pesquisa contou com um total de 84 alunos cujas informações alusivas à temática foram colhidas diretamente pelos
questionários. Na prática desta atividade cultural e lúdica, a capacidade de observação e percepção dos alunos foi estimulada,
Tabela 2. Respostas e justificativas* dos alunos mediante a pergunta "Você gostaria de
aprender os conteúdos de ciências relacionando-os com o extraordinário mundo das aves?".
Quadro 2. Algumas respostas selecionadas
dos questionários sobre o interesse em utilizar as aves como ferramenta interdisciplinar.
“... Acho que nós jovens de
hoje perdemos muitas coisas da
natureza por não termos
conhecimento quando menores.
Por isso, a preservação
está precária” (Entrevistado 4)
“... Estaríamos ampliando
nossos conhecimentos sobre
este mundo tão pouco explorado
e aplicado em nosso cotidiano”
(Entrevistado 5).
“... Poderíamos descobrir
quantas espécies existem, como
vivem e o principal, o porquê são
tão importantes para o ecossistema”
(Entrevistado 6).
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Tabela 3. Respostas e justificativas* dos alunos mediante a pergunta "Você acha que
aprenderia de forma mais fácil e rápida as outras disciplinas com a ajuda das aves?"
Quadro 3. Algumas respostas selecionadas dos questionários sobre o interesse em
utilizar as aves como ferramenta interdisciplinar.
“... É uma forma muito legal
e diferente de se encarar as matérias
e dá para mexer com as aves em
qualquer matéria, como matemática,
geografia, ciências e etc.”
(Entrevistado 7).
“... Este tipo de sistematização
permite associações e facilita
o aprendizado, tornando-o
mais agradável”
(Entrevistado 8).
“Eu aprenderia pois tudo que
é diferente e que se traz para
a sala de aula dá certo, pois sai
do cotidiano do aluno”
(Entrevistado 9).
assim como a sensibilização para com o meio ambiente, despertando conceitos de preservação (Costa, 2006a,b, 2007a,b;
Argel-de-Oliveira, 1996 e 1997; Oliveira-Júnior & Sato,
2003).
A avaliação teve como finalidade maior investigar o interesse
dos alunos pela prática da observação de aves e o uso desta uma
ferramenta didática, destacando as perguntas 1, 2 e 3 como de
maior relevância para o presente estudo.
Quando questionados a respeito da existência das aves no seu
entorno, os alunos demonstraram pleno conhecimento da presença deste seres nos ambientes naturais e urbanos, reconhecendo a interação direta dos seres humanos com estes animais. Outro ponto forte averiguado foi a relação de afetividade e empatia
que os alunos apresentaram ao se referirem as aves (Quadro 1).
Ao reconhecer a existência de aves em seu entorno, o aluno
amplia sua percepção de espaço e a interação deste com outros
seres. Essa compreensão levará a um maior conhecimento do
ambiente em que está inserido, despertando assim uma conscientização para a preservação desse habitat comum. (Argel-deOliveira, 1996, 1997; Oliveira-Júnior & Sato, 2003; Costa,
2007).
No âmbito de verificar se há interesse por parte dos alunos em
correlacionar o tema “aves” com as demais áreas do conhecimento científico, presentes na disciplina de ciências e biologia,
foi percebido um grande entusiasmo na proposta apresentada.
Pode-se afirmar que a curiosidade da maioria dos alunos, segundo seus depoimentos (n=70), parte da vontade de ampliar seus
conhecimentos (n= 23), revelando importância da consciência
preservacionista (n=14) e do decorrente interesse pela Ornitologia (n=23) visto que este tema é pouco abordado nos conteúdos
formais (Tabela 2; Quadro 2).
De acordo com Costa (2007), a observação de aves surge como método facilitador na apreensão de conteúdos formais dos
currículos escolares, contrapondo-se ao desânimo provocado
nos alunos pelos métodos tradicionais de ensino e pela ausência
de conectividade com a realidade, entre outros fatores. Da mes36
ma forma, Penick (1998) afirma que os professores, ao desempenharem papéis específicos de facilitadores, podem criar salas
de aula onde os alunos aprendam ciências em uma atmosfera de
inovação.
Quando questionados se aprenderiam de forma mais fácil e rápida as outras disciplinas (Matemática, Português, Física, Química, Educação Física e Artística etc), relacionando-as com o tema “aves”, grande parte dos alunos (n= 56) demonstrou relevante interesse na estratégia abordada (Tabela 3; quadro 3). A interdisciplinaridade demonstrou ser fundamental para os alunos
(n= 25) como forma de facilitar o entendimento das outras disciplinas (n= 24) ou mesmo tornando-as mais dinâmicas e envolventes (n=18).
É notório que quando os alunos estão pessoalmente envolvidos na aprendizagem, aprendem e retêm o conhecimento e
as habilidades de uma forma mais adequada. Uma vez inseridos em uma sala de aula, onde o ensino de ciências é eficiente, os alunos podem mostrar seu interesse e compreensão, expressando o desejo de aprender mais e agindo de forma que
propicie a aprendizagem e posterior aplicação de seus conhecimentos (Penick,1998).
A edição de 1986 do National Assessment of Educational Progress (Mullis & Jenkins, 1988) indica que os alunos preferem e
têm as mais altas notas nas classes em que há inovação. Considerando que professores inovadores são aqueles que fazem algo diferente e muitas vezes insuitado, propostas que sustentem a interdisciplinaridade de forma criativa são uma alternativa enormemente visível, em contrapartida à já desgatada prática pedagógica tradicional.
Costa (2007), por exemplo, propõe alguns exemplos de como utilizar a observação de aves de forma interdisciplinar:
Educação Artística (desenhos, formas e cores, representações
teatrais), Matemática (aplicação de conceitos matemáticos no
cálculo de diversidade, abundância, tamanho do bando, sistema métrico), Português (produção de textos, grafia dos nomes
vernáculos e radicais gregos e latinos) e História (folclore, uso
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ritualístico,valorização cultural). Com isso, o ensino torna-se
suavizado em seu padrão didático mas, por outro lado, enriquecido pela diversidade, características que pudemos demonstrar no presente estudo, ainda que mediante pequeno universo amostral.
Agradecimentos:
Somos gratas ao pesquisador Fernando Straube pela leitura
crítica e sugestòes oferecidas e à professora Rita Dallagon, pela
orientação durante todo o desenvolvimento deste estudo.
Conclusões
Foi evidenciado o interesse por parte dos alunos na utilização
de métodos inovadores para uma melhor compreensão dos conteúdos dentro da disciplina de Biologia, como também na aprendizagem de outras disciplinas.
Considerando os resultados obtidos, temos por dever sugerir
a aplicação de técnicas para viabilizar a utilização da observação de aves como recurso didático.
Como método inicial para despertar o interesse e percepção
do aluno sobre o tema, é sugerida a criação núcleos escolares de
observadores de aves, agremiação que poderá ser viabilizada
em período de contra-turno nas próprias dependências da escola. O núcleo deverá desempenhar atividades teóricas e práticas
que abordem as técnicas de reconhecimento e identificação das
espécies de aves do entorno da escola, bem como estudos de
comportamento destes animais e a sua interação com o ambiente. Infinitas outras temáticas serão igualmente bem-vindas, de
preferência facilitando a mentalização de interligação com os
outros campos do conhecimento.
Adicionalmente, sugere-se a promoção de festejos a partir da
realização de uma feira, comemorativa ao “Dia das Aves” (5 de
outubro), encorajando os professores responsáveis por todas as
disciplinas a desenvolver atividades baseadas na unificação do
tema “aves” com os conteúdos formais de cada disciplina, como
forma de auxiliar os alunos a compreenderem conceitos complexos e, ainda, assuntos relacionados à preservação ambiental.
Nesse sentido, a escola como instituição formadora adquire meios de despertar no aluno uma visão holística e realista da conservação das aves e do meio ambiente tendo os docentes como peça
fundamental no processo educativo e integrador do conceito
conservacionista.
Por assim dizer, espera-se que o tema “aves” expresse-se como elemento gerador de atividades e fixador das informações
adicionais de estudos dentro das diversas disciplinas, as quais –
a título de exemplificação – podem abordar:
• Ciências/Biologia (biologia, comportamento, adaptação e evolução, observação, coleta de dados);
• Português (poesia, redação, elaboração de projeto, jornais e artigos);
• Geografia (migração, reconhecimento de biomas e os diferentes estratos florestais, identificação do local de ocorrência e da
distribuição geográfica das espécies com o auxílio de mapas e
outros recursos modernos);
• História (folclore, mitos, religião, relação cultural homensaves);
• Matemática (morfometria, merística, aplicação de fórmulas bioestatísticas, cálculo de populações e biomassa, sistema métrico);
• Música (chamados e cantos de aves, música populares);
• Educação Artística (confecção de ilustrações, técnicas de desenho, cartazes, maquetes, fantoches, esculturas, comedouros e
bebedouros para as aves);
• Física (dinâmica de vôo; bioacústica, temperatura corporal, óptica);
• Educação Fisíca (jogos, gincanas, dinâmicas de grupo, vivências na natureza).
• Química (bioquímica, reações de produção de energia, biologia molecular)
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Referências bibliográficas
Atualidades Ornitológicas On-line Nº 146 - Novembro/Dezembro 2008 - www.ao.com.br
1
. Acadêmica do curso de Licenciatura Plena em Biologia
das Faculdades Integradas “Espiríta”, Curitiba (Paraná);
2
. [email protected]; 3. [email protected].
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